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INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL, I. P.

DELEGAÇÃO REGIONAL DO NORTE


CENTRO DE EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE BRAGA

EFA PRO TÉCNICO AUXILIAR DE SAÚDE


6572-Higiene, segurança e saúde no trabalho no sector da Rui Ribeiro
UFCD: Formador:
saúde
Nome: Ana Maria Ramos Maia Data: 04-02-2020 Pág.:

Requisitos mínimos de segurança e saúde na movimentação manual de cargas

Introdução:
No ambito desta UFCD 6572, vou realizra um trabalho sobre requisitos mínimos de segurança e saúde na
movimentação manual de cargas.
O meu tema é dividido com a colega Ângela Rodrigres, no qual ela vai falar na parte correta da postura
adotada no trabalho, e eu vou me derigir pra o inverso ou seja na parte incorreta, e no que o mecanismo
afeta aos profissionais de saúde tende cargas hórarias exessivas tais como ao fim de um turno de 12 horas.

Posturas de trabalho incorrectas


A postura pode ser considerada como a posição relativa dos vários elementos do corpo de um indivíduo em
relação ao tipo de actividades que desenvolve.
As posturas adoptadas no desenrolar das tarefas (especialmente aquelas que envolvem grandes pesos)
constituem a principal causa de problemas de coluna. Isto acontece porque na maioria dos casos, aquando
do levantamento e transporte de cargas, os trabalhadores mantêm as pernas rectas e “dobram” a coluna
vertebral.
Pode ainda ocorrer outra situação ou movimento perigoso. A rotação excessiva do tronco, aquando da
movimentação, levantamento ou abaixamento da carga.
O corpo humano nunca adopta posturas perfeitamente estáticas – como corpo vivo que é, realiza
reajustamentos constantes que lhe permitem a manutenção de uma determinada postura corporal.
A postura corporal poder-se-á então definir como sendo a capacidade que um determinado corpo possui,
para manter um certo alinhamento intersegmental (entre os diversos segmentos corporais) sem
consequências nocivas para a saúde ou segurança.

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A postura corporal normalmente envolve duas variáveis distintas:


1. As características anatómicas e fisiológicas do indivíduo;
2. Tipo de actividade.

As posturas incorrectas resultam de diversos tipos de tarefas mais ou menos frequentes em muitos sectores
de actividade, desde a indústria pesada, passando pelo sector da saúde, hotelaria, restauração, comércio e
serviços.

Quando os trabalhadores executam permanentemente tarefas num posto de trabalho mal dimensionado ou
que os obrigue a adoptar posturas incorrectas, em muitos casos, começam a surgir precocemente sintomas
de fadiga física, lesões, ou outros traumatismos.
São exemplo de lesões dorso lombares: contusões, feridas, fracturas, cortes e sobretudo lesões diversas de
ordem músculo-esqueléticas.
As lesões dorso lombares podem originar hérnias discais, assim como fracturas vertebrais devidas a
esforços muito grandes associados a posturas incorrectas.
A OIT (organização internacional do trabalho) referiu que a movimentação manual de cargas associadas às
posturas inadequadas nos locais de trabalho é uma das causas mais frequentes de acidentes de trabalho
com uma percentagem de sensivelmente 20 a 25% do total dos acidentes de trabalho.

As posturas são normalmente adotadas em função de alguns parâmetros ou


exigências, tais como:

Antropometria
A antropometria e a ergonomia são indissociáveis. Estudam a interação do homem com os espaços,
construções, instrumentos de controlo, utensílios e meio envolvente. A antropometria estuda as medidas do
corpo humano para posterior classificação antropológica (ex. sob a forma de tabelas).
Os dados referentes às dimensões variam de pessoa para pessoa e de país para país. No geral, as
dimensões dos indivíduos variam também com o decorrer do tempo – variam ao longo das diferentes
idades, mas também cronologicamente (de geração para geração).
Os principais aspetos do binómio ergonomia – antropometria estão relacionados com as medidas dos
segmentos do corpo, forças musculares, posturas, movimentos e padrões motores de manuseamento, uma
vez que, interferem diretamente com o conforto, a segurança e a funcionalidade.

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Biomecânica
Em termos de definição, é comum dividir-se a palavra biomecânica em duas partes. No prefixo “bio”, de
biologia, ou seja, relativo aos seres vivos e, mecânica. Logo, a partir da análise morfológica da palavra, a
biomecânica será a aplicação dos vários princípios da mecânica aos seres vivos – mais concretamente ao
corpo humano.
O objeto de estudo da Biomecânica é o movimento. Este estudo dos movimentos consiste na análise da
interação do corpo, que realiza uma determinada Acão, com o meio envolvente.
Com as análises e estudos realizados no âmbito da biomecânica pretende-se:
a) Aumentar a eficiência técnica dos indivíduos em diversas atividades e profissões;
b) Diminuir a probabilidade de se verificarem lesões, do tipo crónico ou agudo, decorrentes da atividade
física realizada pelos indivíduos.
É importante que no decorrer das suas tarefas, os trabalhadores tentem manter os diferentes músculos,
ligamentos e articulações em posições confortáveis. Adicionalmente, as curvaturas naturais da coluna
devem ser “respeitadas” durante a execução do trabalho. Posturas anómalas ou movimentos bruscos
podem lesar os discos intervertebrais, as articulações, os ligamentos e nervos, provocando dor ou outras
perturbações.
No processo de movimentação de cargas, os pesos dos segmentos corporais juntamente com a carga
transportada correspondem à resistência e a força muscular exercida para realizar o trabalho corresponde à
força de potência.

Consequências das posturas incorretas adotadas no trabalho


Uma má postura ou postura incorreta pode ser definida como sendo aquela que possibilita o aparecimento
de uma incapacidade, determinada dor ou patologia. É necessário ter em consideração que os diferentes
indivíduos possuem também diferentes suscetibilidades de contrair as diferentes patologias.
A postura é determinada pelo sistema locomotor. Este é responsável pelo deslocamento e pelos diferentes
movimentos do corpo no espaço. Todo e qualquer movimento, por menor que seja, requer a participação do
sistema locomotor, mesmo em repouso ou numa posição estática.

Sintomatologia derivada das posturas e movimentos incorretos ao longo do tempo


1. Sensação de peso, adormecimento (sensação de formigueiro) e desconforto em áreas específicas.
Podem ocorrer dores ocasionais, durante as atividades mais intensas (no trabalho ou fora dele).
Regra geral, este tipo de sintomas cessa após descanso de horas ou dias.

2. Neste a dor é mais persistente e localizada. Geralmente, a dor torna-se mais intensa durante
períodos de atividade mais intensos. Mesmo com períodos de descanso, a dor pode permanecer ou
reaparecer inesperadamente. Apesar disso, o quadro clínico ainda não é considerado muito grave,
exemplo: dores nos pulsos ou início de tendinites.

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3. O quadro clínico correspondente a este é bastante grave. A doença pode prolongar-se por vários
meses ou até anos. Caracteriza-se pelas dores crónicas que por vezes não cessam com o repouso
ou através de medicamentos; a dor é espontânea e mais ou menos permanente. Geralmente pode
haver perturbação do sono. As dores sentidas pelos pacientes podem tornar-se insuportáveis e
provocar pontadas, choques, perdas de força, etc.

4. Este estádio é caracterizado por dores agudas e constantes. Por vezes, as dores tornam-se
insuportáveis atingindo outras partes do corpo. Os trabalhadores perdem a força e o controlo de
determinados movimentos.

Localização das patologias no organismo humano de acordo com as diferentes


posturas inadequadas adotadas:

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Exemplos de procedimentos desadequados

Como já foi referido, a movimentação manual de cargas pode acarretar uma série de riscos e patologias
para os trabalhadores, caso as condições de trabalho não sejam as mais indicadas. Para que se possa
compreender melhor, as situações de perigo e risco associadas à movimentação manual de cargas,
apresentam-se a seguir, alguns exemplos de más práticas:
Carga mal equilibrada ou com conteúdo sujeito a oscilações;
 Carga mal posicionada, de tal modo que tenha que ser mantida ou manipulada a grande distância
do tronco ou com flexão / torção do tronco;
 Carga suscetível, devido ao seu especto exterior e/ou à sua consistência, de provocar lesões no
trabalhador, nomeadamente em caso de choque ou balanceamento;
 Carga demasiado pesada ou demasiado volumosa;
 Carga muito pesada (inadequada às características fisiológicas do trabalhador) ou difícil de agarrar;
 Inexistência de espaço suficiente para o trabalhador se movimentar juntamente com a carga;
 Movimentação da carga a alturas inapropriadas ou adotando posturas incorretas;
 Pavimento degradado com desníveis;
 Movimentação de cargas a diversos níveis (ex. ter que transportar cargas entre diferentes pisos);
 Ponto de apoio instáveis – ex.: existência de tapetes ou carpetes não fixadas ao chão;
 Condições ambientais desfavoráveis (temperatura, humidade, velocidade do ar);
 Utilização de calçado inapropriado ex.: calçado com saltos altos;
 Realização de esforços que solicitem, a coluna vertebral por períodos demasiadamente
prolongados;
 Tempo insuficiente de descanso fisiológico ou de recuperação quando se realizam tarefas que
implicam esforços mais pesados;
 Necessidade de movimentos de abaixamento ou elevação das cargas demasiado grandes;
 Ritmos de trabalho excessivo sem possibilidade de os trabalhadores efetuarem pequenas pausas.

Caso alguma destas regras de más práticas seja identificada, convém que seja alvo de correção imediata. A
sua continuidade ao longo do tempo pode provocar sérias lesões nos trabalhadores atingidos, ou ainda,
determinados tipos de acidentes ou incidentes.
A correção das referidas não conformidades deve pautar-se pela correta aplicação dos vários princípios
ergonómicos a fim de otimizar a compatibilidade entre o homem, as máquinas e o ambiente físico de
trabalho. Isto conseguir-se-á através do equilíbrio entre as exigências das tarefas, das máquinas e as
características anatómicas, fisiológicas, cognitivas e percepto-motoras do homem.

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Consequências para a segurança e saúde, resultantes do desrespeito pelos


princípios ergonómicos na movimentação manual de cargas

Cerca de 25% de todas as lesões que ocorrem na indústria estão diretamente relacionadas com o
levantamento, transporte e deslocação de materiais.
Dores nas costas, hérnias, lesões nos pés e mãos são consequências normais dos levantamentos que
estão para além da capacidade física dos trabalhadores ou ainda da aplicação de métodos de trabalho
impróprios.

Podem surgir ainda os seguintes problemas ou complicações

 Aumento do número de acidentes e incidentes;

 Aumento do absentismo;

 Elevada incidência de traumatismos músculo-esqueléticos;

 Aparecimento de patologias, nomeadamente:

 Hérnias discais – uma hérnia discal consiste numa ruptura parcial do disco intervertebral (a
substância mole do seu interior escapa-se através de uma área débil da camada exterior, que é
dura), para fora do espaço entre as vértebras, podendo assim exercer um efeito de compressão
sobre as raízes nervosas adjacentes, provocando dor.

Geralmente, as hérnias discais surgem na zona inferior das costas (coluna lombar) e costumam afectar
somente uma perna. As hérnias discais na zona lombar costumam também provocar debilidade nas pernas
e, por isso, a pessoa pode ter muita dificuldade em levantar a parte anterior do pé (pé pendente). Uma
hérnia discal de grande dimensão localizada no centro da coluna costuma afectar os nervos que controlam
a função intestinal e da bexiga urinária, alterando a capacidade de defecar ou de urinar.

 Lumbagos - situação dolorosa da região lombar ocorrida após um esforço brusco. É muitas vezes
considerada como a consequência do deslocamento do núcleo do disco inter-vertebral. Trata-se do
segundo estádio de gravidade: à lombalgia junta-se uma noção de esforço deslocante assim como
uma noção de blocagem lombar, desencadeando uma atitude anti-dor (geralmente uma inclinação
para a frente).

 Ciática – regra geral, a dor ciática é caracterizada pelo facto de ser muito intensa. Está situada ao
longo do trajeto do nervo ciático e suas ramificações. Encontra-se portanto, por trás da coxa, depois
atrás da rótula ou sobre o seu lado externo. A sua origem está na agressão do nervo ciático,

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geralmente por uma hérnia do disco intervertebral, quer entre a 4ª e a 5ª vértebras lombares, quer
entre a 5ª lombar e a 1ª vértebra sagrada.

 Distração e fadiga que podem desencadear vários erros. Isto acontece especialmente quando para
além da incumbência de movimentação manual de cargas os trabalhadores também são cansados poe
carga excessiva de horários ou turnos.

Alguns fatores que podem despoletar lesões derivadas de esforços repetitivos

 Exigência de execução de movimentos repetitivos com os braços.

 Exigência de manutenção de uma posição fixa para os ombros e pescoço por tempo prolongado.

 Padronização dos tempos em que cada etapa do trabalho deve ser concluída. Os trabalhadores são
submetidos a fluxos de trabalho predeterminados e com poucas possibilidades de mudança.

 Exigência de cumprimento das diferentes etapas em momentos exatos e forma preestabelecida,


perdendo-se a autonomia no trabalho.

 A realização do trabalho em “série”, estando a etapa seguinte dependente das anteriores.

 Ritmos de trabalho inadequados para os trabalhadores.

 Uso de máquinas ou equipamentos que exigem posturas ou movimentos forçados e/ou repetitivos.

 Existência de mobiliário não adequado ou disposição incorreta.

 Efetuar horas extraordinárias de trabalho com frequência.

 Pressões de ordem psicológica por parte da entidade patronal ou encarregado de secção.

 Inexistência de possibilidade de os trabalhadores efetuarem pequenas pausas pontuais para descansar.

 Existência de vibrações no posto de trabalho que podem gerar determinados traumatismos.

 Existência de condições térmicas adversas que podem provocar vasoconstrição ou vasodilatação;

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Principais fatores associados ao agravamento dos diferentes quadros clínicos:

 Fatores biomecânicos, como contrações musculares prolongadas e posturas inadequadas, frequência e


força empregue no movimento repetitivo, inadequações do posto de trabalho, desenho e manutenção
dos equipamentos e tensão muscular associada a stresse;

 Fatores da organização do trabalho, como ausência de pausas, excessivos incentivos à produtividade,


falta de formação e treino e supervisão inadequada; e

 Outros aspetos agravantes, como pressões económicas, retardamento dos diagnósticos de saúde e
intervenções médicas inadequadas.

Posturas de trabalho incorretas

O corpo humano nunca adota posturas perfeitamente estáticas – como corpo vivo que é, realiza
reajustamentos constantes que lhe permitem a manutenção de uma determinada postura corporal.

A postura corporal poder-se-á então definir como sendo a capacidade que um determinado corpo possui,
para manter um certo alinhamento intersegmental (entre os diversos segmentos corporais) sem
consequências nocivas para a saúde ou segurança

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Mecânica corporal

Apresentação em aula

Mecânica corporal

É conjunto de esforços coordenados dos sistemas músculo-esquelético e nervoso; para manter o equilíbrio,
a postura e o alinhamento corporal durante o levantar, curvar, mover e realizar as atividades da vida diária .
O uso da mecânica corporal reduz o risco de dano ao sistema músculo-esquelético, facilita o
desenvolvimento do movimento corporal e permite o uso de energia mais eficiente

Na prestação de cuidados são realizadas várias atividades como o caminhar, virar, levantar e
carregar, nas quais requerem esforço muscular por parte do profissional de saúde.
 Para reduzir o risco de lesões ao paciente ou ao profissional de saúde é importante conhecer e
praticar a mecânica corporal apropriada.
 A mecânica corporal facilita o desenvolvimento do movimento corporal e permite o uso de energia
mais eficiente.
 O uso incorreto pode prejudicar a capacidade do profissional de saúde para erguer, transferir e
posicionar os doentes.
 Os profissionais de saude promovem atividades e exercícios que beneficiam o bem estar,
previnem doenças e restauram o funcionamento.
 É, pois, importante conhecer a atividade e o exercício na sua relação com a promoção da saúde,
na fase aguda das doenças e na recuperação ou cuidados continuados aos doentes.

O que é a mecânica corporal?


 A mecânica corporal é a ciência que estuda as forças estáticas e dinâmicas que atuam no corpo.

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 A mecânica corporal estuda os padrões de mobilidade e a coordenação dos sistemas músculo-


esquelético e nervoso para manter o equilíbrio adequado, postura e alinhamento corporal, durante
o levantar, curvar, mover e executar as atividades diárias.
 Muitas atividades requerem um esforço destes sistemas por parte do profissional por isso ele deve
reunir conhecimentos e habilidades de forma a prevenir lesões.
 O profissional também deve entender como a coordenação dos movimentos corporais envolvem o
funcionamento integrado dos sistemas músculo-esqueléticos

PRINCÍPIOS DA MECÂNICA CORPORAL


A melhor forma de autoproteção quando se está a prestar cuidados a um doente é interiorizar os princípios
de uma correta mecânica corporal na sua prática diária. Isto diminuirá o risco de lesão no sistema músculo-
esquelético através de:
1. Alinhamento corporal
2. Equilíbrio corporal
3. Movimentos corporais coordenados

ALINHAMENTO CORPORAL
 O alinhamento corporal refere-se à relação de uma parte do corpo com a outra numa linha
horizontal ou vertical.
 Mesmo que uma pessoa esteja em pé, sentado ou deitado existem formas corretas e incorretas no
alinhamento corporal.
 O alinhamento correto reduz a distensão das articulações, tendões, ligamentos e músculos e está
associada à tonicidade muscular adequada e contribui para o equilíbrio

O alinhamento corporal correto contribui para a estabilidade:


Quando o corpo está desestabilizado o centro de gravidade fica deslocado, aumentando a força da
gravidade e a possibilidade de queda.

EQUILÍBRIO CORPORAL
 O equilíbrio corporal é atingido quando um centro de gravidade está equilibrado em relação a uma
base de apoio ampla e estável e uma linha vertical que vai desde o centro de gravidade até à base
de apoio.

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 O equilíbrio corporal também é estabelecido pela postura adequada.


 Quanto melhor a postura maior o equilíbrio.

O profissional pode manter o alinhamento corporal adequado usando duas técnicas


simples:
1. A base de suporte pode ser facilmente aumentada, afastando os pés a uma distância confortável.
2. O equilíbrio é aumentado aproximando o centro de gravidade da base. Pode chegar-se a este resultado
fletindo os joelhos e os quadris, mantendo a coluna ereta.

MOVIMENTO CORPORAL COORDENADO


 O movimento corporal coordenado é o resultado de Peso, Centro de gravidade e Equilíbrio,
 O profissional usa uma variedade de grupos musculares para cada atividade.
 As forças físicas de peso e atrito podem refletir-se no movimento corporal e, quando corretamente
usadas, aumentam a eficiência do trabalho do profissional; caso contrário, pode prejudicá-lo na
tarefa de levantar, transferir e posicionar o paciente.

O peso é a força que a gravidade exerce no corpo.


 Quando um objeto é levantado, quem o levanta deve ser capaz de superar o peso do objeto e
saber onde se localiza o seu centro de gravidade.
 Nos objetos simétricos, o centro de gravidade localiza-se exatamente no centro do objeto.
 Como as pessoas não são geometricamente perfeitas, o seu centro de gravidade varia geralmente
entre 55% e 57% da altura em pé e estão localizados na linha mediana.
 A força do peso é sempre localizada para baixo, o que faz com que um objeto em desequilíbrio
caia.
 Pacientes que não têm equilíbrio caem, pois, os seus centros de gravidade tornam-se
descentralizados e a força gravitacional dos seus pesos provoca a queda.

ATRITO
É a força que ocorre na direção oposta ao movimento, por exemplo quando um profissional de saúde vira,
transfere ou move um paciente na cama.
 Quanto maior a área de superfície do objecto a ser movido maior o atrito.
 Se o doente tiver alguma mobilidade e força deverá ajudar, explicar o procedimento e quando se
movimentar (ex. dobrar o joelhos e/ou barra do trapézio para elevar o tronco ao se movimentar no
leito).
 O atrito diminui ao elevar-se o corpo pelo que poderá usar-se um lençol para suspender o doente e
movimentá-lo

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A MECÂNICA CORPORAL NAS AVDs


O uso adequado da mecânica corporal é tão importante para o profissional como para o paciente.
• A correta mecânica corporal é necessária para a promoção da saúde e prevenção de incapacidade.
• O enfermeiro deverá ensinar os familiares a mobilizar e a transferir o seu paciente bem como na
realização das Atividades de Vida diária.

INFORMAÇÕES GENÉRICAS
1. Quanto mais ampla a base de apoio maior a estabilidade
2. Quanto mais baixo o centro da gravidade maior a estabilidade
3. O equilíbrio de um objeto é mantido desde que a linha de gravidade passe pela base de apoio
4. Olhar na direção do movimento evita a rotação anormal da coluna
5. Dividir a atividade equilibrada entre braços e pernas reduz o risco de lesão na coluna
6. Rolar, virar ou girar em torno do eixo requer menos esforço do que levantar

INFLUÊNCIAS PATOLÓGICAS NA MECÂNICA CORPORAL


Muitas condições patológicas afetam o alinhamento corporal e a mobilidade das articulações:
1. Anomalias posturais;
2. Distúrbios da formação óssea;
3. Alterações da mobilidade articular;
4. Distúrbios do desenvolvimento muscular;
5. Lesões no sistema nervoso central;
6. Traumatismos músculo-esqueléticos.

ANOMALIAS POSTURAIS
As anomalias posturais congénitas ou adquiridas afetam a eficiência do sistema músculo-esquelético, assim
como o alinhamento corporal, equilíbrio e aparência.
 Essas anomalias prejudicam a mobilidade e o alinhamento.
 Torcicolo – A cabeça é inclinada para o lado afetado, no qual o músculo esternocleidomastóideo
está contraído.
 Lordose - Acentuação da curvatura convexa anterior da coluna lombar.
 Cifose – Aumento da convexidade na curva da coluna dorsal.
 Cifolordose – combinação de cifose e lordose.
 Escoliose – curvatura lateral da coluna, alturas desiguais dos ombros e quadris

Displasia congénita do quadril


Instabilidade do quadril com abdução limitada e, ocasionalmente, contracturas de adução:

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 A cabeça do fémur não articula com o acetábulo, pois este é normalmente pouco profundo.
 Joelho valgo (genu valgum) – pernas curvadas para dentro de tal modo que os joelhos se tocam ao
andar.

 Joelho em varo (genu varum) - uma ou ambas as pernas curvadas para fora a nível dos joelhos;
normalmente até os 2 a 3 anos.

DISTÚRBIOS DA FORMAÇÃO ÓSSEA


As atividades funcionais das células ósseas incluem modelagem, remodelagem e
reparação.
 A modelagem envolve o processo de crescimento permitindo que os ossos do recém-nascido se
desenvolvam identicamente ao dos adultos e depende de fatores fisiológicos e alimentares.
 A remodelagem ocorre no esqueleto em desenvolvimento e já desenvolvido e envolve os
processos constantes de reabsorção e formação ósseas.
 A reparação é o processo celular que ocorre em resposta a uma fratura.

Osteoporose – é um distúrbio do envelhecimento em que há diminuição da densidade ou massa óssea,


o que leva a dificuldade em manter a integridade e o apoio,
Osteomalácia – doença metabólica caracterizada pela mineralização inadequada e retardada, levando
à formação de osso compacto e esponjoso. Não há calcificação nem depósito de minerais ficando o osso
mole.
ALTERAÇÕES DA MOBILIDADE ARTICULAR
A mobilidade articular pode ser alterada por inflamação, degeneração ou rutura articular.
 A artrite é uma inflamação articular caracterizada por edema e dor.
 A degeneração articular é caracterizada por alterações na cartilagem articular, combinada com
crescimento excessivo dos ossos nas extremidades articulares.
 As articulações sinoviais e cartilaginosas são igualmente afetadas e as alterações degenerativas
normalmente afetam as articulações de sustentação do peso

DISTÚRBIOS DO DESENVOLVIMENTO MUSCULAR


O desenvolvimento muscular inadequado afeta o alinhamento, o equilíbrio e a mobilidade.
 As distrofias musculares são os distúrbios mais comuns no desenvolvimento dos músculos
esqueléticos.
 São um grupo de doenças de origem genética, caracterizadas por alterações patológicas
progressivos nos músculos esqueléticos, resultando em perda muscular e fraqueza.

LESÕES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

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As lesões de qualquer componente do SNC que regula os movimentos voluntários resulta numa deficiência
do alinhamento corporal e da mobilidade. Por exemplo o córtex motor no cérebro pode ser lesado por
qualquer traumatismo causado por um ferimento na cabeça, por derrame cerebral ou por infeção.

TRAUMATISMOS MUSCULOESQUELÉTICOS
O traumatismo musculo esquelético pode resultar em ferida, contusão, entorse e fraturas. A imobilidade
origina uma certa atrofia muscular, rigidez articular e perda de tónus.
O profissional elabora um programa de exercícios apropriados para a recuperação completa e gradual da
mobilidade articular e da força muscular da área afetada.

AVALIAÇÃO DO ALINHAMENTO CORPORAL


Esta avaliação pode fazer-se com o doente em pé, sentado ou deitado.
Objetivos da avaliação são:
 Identificar os desvios no alinhamento corporal causados por posturas inadequadas;
 Dar oportunidade ao paciente para observar a sua própria postura;
 Identificar necessidades de aprendizagem do paciente para a manutenção do alinhamento corporal
correto;
 Identificar traumatismos, danos musculares ou disfunção de algum nervo;
 Obter informações relativas aos fatores que contribuem para o alinhamento indevido, tais com
fadiga, má nutrição e problemas psicológicos

AVALIAÇÃO DO ALINHAMENTO CORPORAL EM PÉ


 A avaliação do alinhamento de um paciente em pé deve incidir sobre os seguintes aspetos:
 A cabeça deve estar erecta e centralizada, braços paralelos ao tronco, pés ligeiramente afastados;
 Quando observados posteriormente, os ombros e quadris devem estar paralelos e retos e a coluna
deve estar também reta;
 Quando o paciente é observado lateralmente, a cabeça deve estar ereta e as curvaturas da coluna
alinhadas e em padrão S inverso, o abdómen deve estar relaxado, e os tornozelos levemente
flexionados

SENTADO
O profissional avalia o alinhamento do paciente em sentado pelas seguintes observações: A cabeça deve
estar ereta, e a coluna e pescoço alinhados corretamente ;
 O peso do corpo está distribuído nas nádegas e coxas;
 As coxas ligeiramente paralelas e num plano horizontal; Os pés estão apoiados no chão.
 Com pacientes de baixa estatura, colocar um apoio nos pés, e os tornozelos confortavelmente
fletidos;

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 Os antebraços estão apoiados no descanso para braços, no colo, ou sobre uma mesa em frente a
uma cadeira
 Deve manter uma distância de ± 2,5 a 5 cm entre a borda do acento e o espaço poplítea, na
superfície posterior dos joelhos.
 Este espaço assegura que não haverá pressão na artéria ou no nervo poplíteo, o que causaria uma
diminuição da circulação ou prejuízo da função do nervo.
 Torna-se particularmente importante avaliar o alinhamento quando o paciente está sentado, se ele
apresenta fraqueza, paralisia muscular ou lesão de algum nervo.

DEITADO
Pessoas com risco de lesão no sistema musculo esquelético quando deitadas, compreendem aquelas que
apresentam mobilidade prejudicada (ex: em tracção), com sensibilidade reduzida (ex: hemiparésia), com
distúrbios circulatórios (ex: diabéticos), com deficiência do controle muscular voluntário (com hemiplegia,
com lesão na espinhal medula).
 A coluna deve estar em alinhamento reto sem apresentar qualquer curvatura.
 As extremidades devem estar soltas e não cruzadas.
 A cabeça e pescoço também devem estar alinhados sem excessiva flexão ou extensão.

MARCHA
A marcha é a forma ou estilo de andar, abrange o ritmo, cadência (nº passos por unidade de tempo) e
velocidade (de locomoção).
Avaliar a marcha do paciente permite ao profissional tirar conclusões a respeito do equilíbrio, postura e
habilidade de andar sem auxílio.

Locomoção/marcha
Benefícios:
• Combater a osteoporose
• Treinar o equilíbrio
• Fortalecer os músculos da bacia e dos membros inferiores.
Para o treino da marcha, pode recorrer-se a meios auxiliares de marcha, como p.ex. andarilho, canadianas
ou bengala.

Agachamento incorreto

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São inúmeros os casos de pessoas que se lesionaram devido aos excessos, falta de prática ou falta de
orientação.
Pode ter desde uma simples distensão ou estiramento muscular (parcial ou total) até uma fratura por
stresse ou rutura de parte dos ligamentos.
A gravidade de fazer agachamento de forma errada e sem orientação pode chegar até a lesões dos
meniscos, contraturas de variados graus e até lesões nos discos intervertebrais.

Levantamentos de cargas incorretos


Exemplos de procedimentos desadequados:

 Carga mal equilibrada ou com conteúdo sujeito a oscilações;


 Carga mal posicionada, de tal modo que tenha que ser mantida ou manipulada a grande distância
do tronco ou com flexão / torção do tronco;
 Carga suscetível, devido ao seu aspeto exterior e/ou à sua consistência, de provocar lesões no
trabalhador, nomeadamente em caso de choque ou balanceamento;
 Carga demasiado pesada ou demasiado volumosa;
 Carga muito pesada (inadequada às características fisiológicas do trabalhador) ou difícil de agarrar;
 Inexistência de espaço suficiente para o trabalhador se movimentar juntamente com a carga;
 Movimentação da carga a alturas inapropriadas ou adotando posturas incorretas;

Consequências das posturas incorretas

 Uma má postura ou postura incorreta pode ser definida como sendo aquela que possibilita o
aparecimento de uma incapacidade, determinada dor ou patologia.
 É necessário ter em consideração que os diferentes indivíduos possuem também diferentes
suscetibilidades de contrair as diferentes patologias.
 A postura é determinada pelo sistema locomotor.
 Este é responsável pelo deslocamento e pelos diferentes movimentos do corpo no espaço.
 Todo e qualquer movimento, por menor que seja, requer a participação do sistema locomotor,
mesmo em repouso ou numa posição estática.

Sintomatologia derivada das posturas e movimentos incorretos ao longo do tempo


1. Sensação de peso, adormecimento (sensação de formigueiro) e desconforto em áreas específicas.
Podem ocorrer dores ocasionais, durante as atividades mais intensas (no trabalho ou fora dele). Regra
geral, este tipo de sintomas cessa após descanso de horas ou dias.

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INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL, I. P.
DELEGAÇÃO REGIONAL DO NORTE
CENTRO DE EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE BRAGA

2. Neste a dor é mais persistente e localizada. Geralmente, a dor torna-se mais intensa durante
períodos de atividade mais intensos. Mesmo com períodos de descanso, a dor pode permanecer ou
reaparecer inesperadamente. Apesar disso, o quadro clínico ainda não é considerado muito grave, exemplo:
dores nos pulsos ou início de tendinites.

3. O quadro clínico correspondente a este é bastante grave. A doença pode prolongar-se por vários
meses ou até anos. Caracteriza-se pelas dores crónicas que por vezes não cessam com o repouso ou
através de medicamentos; a dor é espontânea e mais ou menos permanente. Geralmente pode haver
perturbação do sono. As dores sentidas pelos pacientes podem tornar-se insuportáveis e provocar
pontadas, choques, perdas de força, etc.

4. Este estádio é caracterizado por dores agudas e constantes. Por vezes, as dores tornam-se
insuportáveis atingindo outras partes do corpo. Os trabalhadores perdem a força e o controlo de
determinados movimentos.

BASES DA MECÂNICA CORPORAL


Alinhamento corporal: o alinhamento correto reduz a distensão das articulações, tendões, ligamentos e
músculos.
• Equilíbrio do corpo: contribui para a estabilidade.
• Movimento Corporal Coordenado: as forças físicas de peso e atrito podem refletir o movimento corporal e
quando corretamente usadas, aumentam a eficiência do trabalho do profissional, caso contrário, pode
prejudicar a sua saúde

Conclusão

O corpo humano nunca adota posturas perfeitamente estáticas – como corpo vivo que é, realiza
reajustamentos constantes que lhe permitem a manutenção de uma determinada postura corporal.
A postura corporal poder-se-á então definir como sendo a capacidade que um determinado corpo possui,
para manter um certo alinhamento intersegmental (entre os diversos segmentos corporais) sem
consequências nocivas para a saúde ou segurança

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