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Biorremediação aproveita a ação de

microrganismos para
descontaminar o solo
Em comparação com processos químicos e térmicos, a solução
apresenta menor custo, gasta menos energia e gera menor
quantidade de resíduos
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Redação AECweb / e-Construmarket

Procedimento baseia-se na biodegradação de componentes tóxicos


(bluedogroom/shutterstock.com)

A biorremediação é um processo utilizado na descontaminação de solos que se


destaca por gastar menos energia e gerar menor quantidade de resíduos. De
acordo com Maria Filomena de Andrade Rodrigues, pesquisadora do Instituto de
Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o procedimento está
baseado na biodegradação dos produtos tóxicos através da ação de
microrganismos, bactérias e/ou fungos já existentes no solo ou, então, adicionados
a ele.
A biorremediação pode ser realizada diretamente no ambiente contaminado (in
situ) ou fora dele, por exemplo, em biopilhas – processo que consiste em misturar
o solo contaminado com substâncias capazes de estimular a ação microbiana no
processo de degradação de compostos orgânicos. Depois de misturado, o solo é
empilhado e convenientemente aerado.
É necessário analisar previamente, em laboratório, se as
substâncias são passíveis de serem biodegradadas por
microrganismos
Maria Filomena de Andrade Rodrigues

QUANDO UTILIZAR
Para ser utilizada, a solução depende de uma série de fatores, como a presença
no ambiente de adequada microbiota – conjunto dos microrganismos que habitam
um ecossistema – e de fatores ambientais favoráveis para que ocorra a
degradação dos materiais contaminantes.
O diagnóstico e o estudo prévio da área e do solo são muito importantes para
avaliar a aplicabilidade do processo. De acordo com Rodrigues, a etapa de
diagnóstico indicará se o procedimento pode ou não ser empregado. "É necessário
analisar previamente, em laboratório, se as substâncias são passíveis de serem
biodegradadas por microrganismos”, exemplifica, lembrando que alguns tipos de
solo são mais desfavoráveis, como os argilosos. “Geralmente, os microrganismos
não atuam em altas concentrações de contaminantes”, complementa.
TERRENOS CONTAMINADOS EM SÃO PAULO
Levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indica
que, em dezembro de 2014, o Estado apresentava 5.148 terrenos contaminados
ou em processo de remediação. Como a falta de espaços livres nas grandes
cidades é um dos grandes problemas enfrentados pelo mercado imobiliário,
reabilitar esses locais para que possam receber novas edificações se torna uma
alternativa bastante interessante.

VANTAGENS
Além de utilizar menos energia, a biorremediação apresenta benefícios em relação
ao custo. Se a ação for realizada no próprio terreno, o investimento necessário
para a descontaminação do solo será menor do que aquele necessário para a
execução de processos térmicos e químicos. A vizinhança da área que passará
pelo procedimento também acabará sendo positivamente afetada, dada a baixa
quantidade de resíduos químicos produzida nas proximidades do local tratado.
"Apesar dessa gama de vantagens e de o método de descontaminação ser
compatível com as características do solo e temperaturas do Brasil, a solução
ainda é pouco empregada no país", lamenta a pesquisadora.

DESVANTAGEM
A principal desvantagem apontada por Rodrigues é o tempo necessário para
execução da tarefa. A biorremediação é bem mais demorada do que os processos
convencionais. “A dependência de fatores ambientais, concentração e tipo do
contaminante e dos microrganismos, além das características de solo, podem
alterar a velocidade de biodegradação”, diz.
COLABORAÇÃO TÉCNICA

Maria Filomena de Andrade Rodrigues – Possui graduação em Farmácia e


Bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Ciências Biológicas
(microbiologia) pela mesma instituição e doutorado sanduíche em Ciências Biológicas
pela Universidade de Münster, na Alemanha, e pela USP. Atualmente, é pesquisadora
do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) no Laboratório
de Biotecnologia Industrial. Tem experiência na área de microbiologia, com ênfase em
biotecnologia industrial, atuando principalmente nos seguintes temas: plásticos
biodegradáveis, enzimas microbianas, genética de microrganismos, biorremediação e
microbiologia ambiental. Desde 2005, é integrante da Comissão Interna de
Biossegurança do IPT.