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10/02/2020 CLODOMIR DE MORAIS

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Textos > Biografias GILMAR PEREIRA
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CLODOMIR SANTOS DE MORAIS nasceu em Santa Maria da Vitória, em 30 de setembro R$20,00

de 1928, para muitos era simplesmente Morais e nesta mesma amada cidade do oeste baiano, O PODER DA FÉ - NA
veio a falecer 87 anos e seis meses depois,. N dia 26 de março de 2016, morreu vitima de PALAVRA DE DEUS -
parada cardíaca. ATRAVÉS DAS
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Quem foi Clodomir? Seria preciso muito mais que este simples resumo para expor toda
grandeza e genialidade deste grande homem publico Foi Ele o grande organizador e um dos Servos da Escuridão -
principais dirigentes das Ligas Camponesas, movimento agrário iniciado em 1955 no Estado Gamebook
do Pernambuco, extinto em 1964 pelo regime militar. Amigo do mais célebre educador Vitor Pereira Jr
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brasileiro, Paulo Freire, (1921-1997). Juntos tinham um semelhante ideal, que consistia em
Como anunciar nesta vitrine?
ensinar o menino "ler o mundo", na certeza de criar assim, um homem consciente e capaz de
suprir suas necessidades e sobre tudo, consciente de suas próprias escolhas.

Autor de mais de dezenas de livros sobre reforma agrária e geração de emprego e renda. Sua
principal obra, aquele que o projetara para o mundo, sem dúvida, foi a cartilha da Teoria da
Organização, que teve até agora mais de 300 edições em 43 países e no Brasil deu origem, deu
sustentação para a formação do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra).

Foi jornalista atuante por onde quer que tenha passado. Na agencia de noticias dos Diários
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10/02/2020 CLODOMIR DE MORAIS
o jo a sta atua te po o de que que te a passado. Na age c a de ot c as dos á os
Associados permaneceu por treze anos. Formou-se em Direito pela Universidade Federal de
Pernambuco onde também foi deputado estadual e fez nascer ali as ligas Camponesas, que
mais tarde se tornaria a forte razão de ser perseguido político pelo regime militar, no golpe de
1964 e esse foi realmente um golpe.

Teve por dez anos caçados seus direitos políticos o que não surtia nenhum efeito, se ao ser
preso pela ditadura, tivesse poupada sua vida, mas amargou um longo exílio, ao ser expulso
de seu país.
A Sutil Arte de
A sua experiência, surgida da criação e do desenvolvimento de métodos de capacitação Ligar o...
massiva, na organização das Ligas Camponesas . Tal experiência o levou a Organização
R$ 27,34
Internacional do Trabalho (OIT), depois a ONU - Organização das Nações Unidas;
especificamente a FAO - Organização das Nações Unidas voltada para Agricultura, que Compre agora
consistir no desenvolvimento de Programas de orientação técnica, voltados para agricultura
familiar nas comunidades carentes. Desempenhou, também a função de Conselheiro e gestor,
na capacitação e organização dos camponeses, nos processos de reforma agrárial.
Posteriormente, passou a dirigir projetos da ONU, em Honduras, Panamá, México, Portugal,
Nicarágua Sandinista e a assessorar reformas agrárias no Peru, Costa Rica, Angola,
Moçambique e Guiné Bissau.

Os Movimentos de classes e as Associações cooperativas surgiam com força em todo solo


nacional. Segundo João Pedro Stédile (1996), o pensamento e a ação do MST quanto às formas
de cooperação agrícola, faz parte de um processo que vem se desenvolvendo desde as
primeiras ocupações até a presente data. No livro “Brava Gente autoria de João Pedro Stedile e
Bernardo Mançano Fernandes, fica mais clara a teoria e os objetivos do movimento; mesmo
que hoje nos pareça ter se distanciado dos objetivos de sua criação, em consequência da
exploração dos intereses políticos e suas conveniências.

A politica de esquerda se valeu da força e da importancia do homem do campo (MST) e nas


grandes cidades, de diversas categoria de trabalhadores, organzido-os em sindicatos e surgindo
assim a grande Central Unica dos Trabalhadors - CUT. Ambos os mobimentos são hoje a força
politica do Partido dos Trabalhadores, que tem nessa significativa massa popular, sua
representativ iadade.

Não tivemos a oportunidade de saber de Clodomir, o seu pensamento quanto aos rumos
seguidos pelo MST e a CUT. Qual a sua visão nesse aspecto, já que se tem nele um dos grandes
idealizadores e motivadores dos movimentos de massa e isso ele deixou numa mensagem,
quase que profética, no encontro com a Presidente Dilma, como mencionamos adiante.

Segundo Clodomir a trajetória do MST e a luta pela terra no Brasil, divide-se em quatro fases
(até a publicação do livro, em 1996). A primeira etapa deu-se de 1979 à 1985; a segunda, de
1986 à 1990; a terceira de 1990 à 1993; e a quarta de 1995 à 1999. Atualmente o MST vive
uma nova fase de reflexão sobre a importância do cooperativismo. A organização do trabalho
camponês é contextualizada na influência das idéias de Clodomir Santos de Morais. Entretanto,
o distanciamento declarado no silêncio dos idealizadores das Ligas Componeses, para mim,
deixa clara a conclusão de que a influência partidária, mais especificamente no MST e CUT,
perderam o idealismo de seus criadores e não contavam mais com o aval de luta de Clodomir,
ultimo sobrevivente deste periodo marcante luta operaria, no campo e nos grandes centros.

Clodomir fez especialização em Antropologia Cultural na Faculdade de Direito do Chile e


especialização em Reforma Agrária, no ICIRA de Santiago; doutorado em Sociologia na
Universidade de Rostock, Alemanha e por 4 anos foi professor residente nesta universidade.
Também foi professor por um curto período de dois anos na Universidade de Brasília; quando
enfim deixei de conhece-lo de ouvir falar, para com ele conviver durante este período. O
prazer de longas conversas certamente aguçou minha admiração e o meu interesse em
conhecer mais de perto a obra deste grande idealizador. A seu convite foi colaborador
voluntario, ministrado cursos profissionalizantes de capacitação em informática para jovens
de comunidades carentes. Cursos técnico de Montagem Instalação e Manutenção de
Computadores; também, Operadores de Sistemas Operacionais e aplicativos como planilhas
eletrônicas, editoração eletrônica e edição de textos no curso de Operadores de
Microcomputadores.

Também foi professor por três na Universidade Autônoma de Chapingo no México e na


Universidade Federal de Rondônia, UNIR. Conferencista em grande numero de universidades e
instituições publica; enfatizamos as Universidades de Manchester (Inglaterra), Berlim
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(Alemanha), Wisconsin (Estados Unidos) e em grande número das universidades públicas


hispano-americanas. Além de ser um dos criadores do Dicionário da Reforma Agrária.

Clodomir Santos de Morais tem mais de vinte livros publicados; alguns textos biográficos
dizem ser quarenta, o que pra mim não vem ao caso, já que o importante é a qualidade de sua
vasta obra literária. Existem por aí muitos gênios de uma obra só. A maioria das suas obras
estão escritas em espanhol e português, entre essas destaca-se a sua famosa cartilha Teoria da
Organização, com mais de trezentas edições publicadas em 43 países, e óbvio, em seus
idiomas e até dialetos. Esta corresponde ao Caderno de número Onze do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra - MST. É o clássico, para muitos, Laboratório da origem
organizacional para a capacitação massiva, na geração de emprego e renda. Esta cartilha
atingiu o apso na América Latina, Europa e na África, atingindo mais de um milhão de
exemplares vendidos; não contabilizando as edições patrocinadas e distribuídas pelo Estado,
como a Câmara de Deputados do México, que chegou fazer uma grande edição especial para
o Programa Nacional de Geração de Emprego e Renda naquele pais. No Brasil foi
implementada em todos os Estados, mediante parceria com o Instituto IATTERMUNDO e o
Ministério de Integração Nacional. (www.cecac.org.br/Coluna/Clodomir.htm).

Sua história continua, apesar da sua ausência física, ocorrida no dia 26 de março de 2016...Ele
partiu deixando em nós a certeza do dever cumprido. O exemplo do mestre não é apenas um
privilégio do povo santamariense, mas pelo que se vê, diretamente e indiretamente de todos
aqueles que conviveram de perto com o professor, sociólogo, jornalista, de natureza comum,
simplória e comunista por convicção.
Além de diversas obras literárias, duas significativas biblioteca; a Campesina, em Santa Maria
da Vitória e sua biblioteca particular em Rodonia, onde mantinha outra residência e nessa a
esposa, servidora publica federal que se prepara para aposentadoria e mudança definitiva para
Santa Maria da Vitoria, como nos disse em nosso ultimo encontro em 2014. Ao tomar
conhecimento da morte deste grande mestre, tratei de rever o texto bibliográfico escrito em
2010, como uma pequena homenagem, no proposito de que muitos outros santamariense,
soubessem o mínimo, do pouco que sei, deste grande e insubstituível homem.

Sua vida e sua obra começaram em Sta. Ma. Da Vitória, onde já se revelara um menino
inquieta e participativo, em busca do conhecimento. Sua história é única e por tantos anos de
trabalhos dedicados a militância, na busca de uma sociedade igualitária, socialista. A medida
em que conhecia os problemas que afligiam e afetavam a vida do homem, independente de sua
nacionalidade, credo ou cor.

Algumas biografias enfatizam a saída de Clodomir de Sta. Maria da Vitória aos 14 anos de
idade, dando uma impressão que o mesmo partira sozinho, ou mesmo empreendera uma fuga
de sua cidade, em 1941. Deixar uma cidade do interior, naquele época desprovida de
transporte, comunicação, estradas, apoio, logístico, ainda mais com 14 anos de idade...
Convenhamos, seria algo quase impossível para um homem, imagine um menino. Em nosso
encontro na Casa de Cultura Oscasr Neyemayer, em Brasilia, quando lecionava cursos de
informatica para jovens carentes, para Fundação Iettermundi, o questionei, por curiosidade, o
fato e o esclarecimento foi exatamente este: Seu pai, inconformado com a falta de
oportunidade, a carência de escola publica de qualidade, e essas eram particulares e a seu ver,
as escolas publicas deixavam os alunos exposto a ociosidade; Levou Clodomir para morar
com um tio na Capital Paulista, em 1941 e daí por diante, partiu do menino Clodomir, a
curiosidade de conhecer o mundo, aproveitar a oportunidade e foi o que fez e passou a fazer,
como incentivo, aos jovens, pelo mundo.
Apartir dos anos 60 esta situação melhorou com a abertura de escolas pela Igreja Católica, mais
tarde as escolas batista. Antes disso a situação era mesmo desfavorável quanto ao porvir. O
futuro era mesmo incerto, até porque o forte da região era a lavoura e a plantação de cana se
destacava; incontáveis alambique se multiplicava das pequenas chácaras as grandes fazendas.
A produção de derivados da cana incentivavam a exportação de açúcar mascavo, rapaduras,
doces; grãos, peles e , principalmente a “marvada da cana”, cachaça.

Ir ao um engenho e beber cachaça de graça era uma excursão divertida para adolescente, jovens
e homens, que depois de experimentado a brejeirinha, não lhes faltava quem oferecesse um
gole e outro e outro... Na minha geração conheci de perto esta fato, que Clodomir expõe numa
entrevista a TV Canal Livre. Vi muitos amigos parar no tempo, se dá a bebida a ponto de
perder seus valores e deixar de sonhar. Não é diferente até os dias hoje. Clodomir nos revelou
que a visão privilegiada de seu pai que lhe assegurou o caminho do sucesso ao longo de sua
trajetória de vida.

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Se por um lado as cidades interioranas levam os jovens a se afogarem no ócio, por outro lado,
aqueles cuja determinação e sonhos não são abalados nem contaminados pelos vícios do álcool
e das drogas naturais ou sintéticas. As nulidades da vida têm no interior grandes aliados,
inimigos naturais dos jovens, mas tem também a paz e farto tempo, para os que desejam se
dedicar a um futuro prospero. A musica, a dança, as milhares de opções hoje disponíveis nas
redes dos computadores, não mais obrigam aos jovens sair cedo da comodidade de seus lares,
onde melhor se preparam para um bom emprego e um futuro certo.

Os grupos de jazz eram a febre que contaminavam os jovens nas décdas de 40 a 60, quando
outro movimento, a jovem guarda, surge com os Conjuntos musicais. Na época de Clodomir os
grupos de jazz se destacavam na história dos municípios brasileiros. De Santana dos Brejos,
Serra Dourado, Santa Maria da Vitória, Bom Jesus da Lapa a Correntina, vários grupos de jazz
de homens compostos por adolescentes, jovens, homens, até mesmo grupos mesclados de
homens e mulheres; promoviam bailes caseiros, em clubes. As serestas concluíam o clima
romântico da época. A musica era ao vivoo e foi também este envolvimento com a musica que
ajudou Clodomir a estreitar seu relacionamento social em São Paulo. Ao longo de nossa
história muitos foram os jovens que levaram em sua bagagem a musica, como opção de
sobrevivência e inúmeros foram os músicos que registraram seus nomes nas histórias dos
municípios, não queremos ser injustos, mas alguns são dignos de ser citados, referenciados,
pela dedicação: Os maestros Aldegundes Joaquim de Araujo, Honorato Ribeiro, Nemézio,
João Guara em Correntina; outros tantos de músicos, como Altamiro e seus filhos Miranda e
Tonho Mora; Carvalho; maestros Antonio Gusmão, Antonio Soares; Jaime e Napu do Sax,
Flavio Bonfm, Gaguinho; ainda em Correntina Alberto e Américo Nascimento, Aldegundes e
Sergio Joaquim, Claudemiro Rocha – Dinda, Badu Araujo, Henrique Soares, Vavá Cunha...

Em entrevista a TV Cidade Livre, no programa Letras e livros, ancorado pelo jornalista Pedro
Batista, Clodomir faz um tur interessante, digno de ser ouvida, onde enfatiza diversos
momentos de sua vitoriosa trajetória de vida. https://www.youtube.com /watch?
v=pomnda4820U).

Quando muitos supõe que sua vida em São Paulo foi ser menor empregado em quitandas,
botecos; seu tio deu todo apoio para seu desejo de estudar fosse adiante. Clodomir passou pela
escola dos Salesianos e depois Adventistas, onde estudava a nata da sociedade paulista. Passou
lá maus pedaços, por ser baiano; quando todo migrante em São Paulo era considerado baiano.
Vai saber de fato as razões! Sofriam preconceito, principalmente se fosse ou tivesse traços de
negro. O colégio salesiano tinha maioria considerável de estudantes bancos de olhos azuis.
Clodomir não se deva por vencido, nem menos ouvidos as aves agoureiras que punha seus ovos
da descriminação em qualquer lugar. Na cabeça do Clodomir, não teve lugar para isso.

Veio o emprego na Ford Company , onde Clodomir começa de fato exercer seu espírito de
liderança. Com 3.500 operários e produção diária de 71 automóveis. O emprego na Ford foi
sem duvida a mola propulsora que apresentou ao mundo, o menino homem, que saindo dos
longínquos rincões do oeste baiano, começava ali sua caminhada para o mundo.

É nesse momento que inicia a pratica de suas teorias e aprendizado, quanto a organização e a
produtividade no trabalho. O Taylorismo e sua Teoria da Administração, (1911) que enfatizou o
chão da fábrica, no inicio do século XX, certamente não passou despercebido pelo doutor em
sociologia, Claudomir, que põe em pratica todos seu conhecimento, seja por estudo ou pratica.
Clodomir busca então racionalizar a forma de produção, ou seja, organizar o trabalho em
função do tempo que ele dispõe para exercer suas tarefas. Entre os camponeses, por exemplo, a
unidade de tempo é indefinida, ou seja, o período para se colher resultados são mais longos,
quando comparados com a rotina de uma fábrica, onde este conceito caia por terra. Os
resultados numa fábrica são imediatos e a rotina é cronologicamente seguida, para obtenção de
resultados imediatos. Os ingleses já tinham uma máxima que dizia “tempo é dinheiro”.
Ninguém quer perder tempo porque perder tempo significa, até hoje, perder dinheiro.

A partir desse momento, Morais classifica o que chama de “víciosou desvios ideológicos” das
diversas formas artesanais de trabalho, que acabam por prejudicar qualquer tipo de empresa,
seja rural, seja industrial.

Clodomir descrever os tipos de indivíduos, com tal exatidão, que nos achamos por demais
interessante que achamos importante descrever essa classificação, sem desvirtuar suas palavras
na definição dos indivíduos:

O PERSONALISTA: quase sempre põe sua personalidade acima da empresa. Sua


l i d i d l j l i i d iõ d
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palavra ou sua atitude impensada, ele julga mais importante que as decisões ou normas da
empresa.

O ESPONTANEISTA: é resistente ao planejamento dos trabalhos ou de ações e muito menos


age conforme um plano de trabalho. Ele prefere realizar as tarefas que lhe são agradáveis ou
mais convenientes como também as realiza no momento que mais lhe agrada ou que mais lhe
convém. Não planeja nada, vive sempre o momento imediato conforme seus interesses
pessoais, pois se ele se submete a um plano de trabalho não poderá atender a seus assuntos
pessoais pendentes.

O ANARQUISTA: reage à organização das coisas ou das ações. Não controla nem contabiliza
recursos. É um homem desorganizado. Dirige uma empresa como se dirigisse uma bodega;
dinheiro entra, dinheiro sai e ele não anota nada. O anarquista se irrita quando vê as coisas
muito organizadas. Desorganizar para reinar, enquanto reina, o anarquista salva seus interesses
pessoais, deixando para trás os interesses da empresa. Por isso ele nunca reclama quando vê as
coisas desorganizadas pois é da desorganização, da confusão, que o indivíduo: o anarquista
consegue satisfazer seus interesses pessoais.

O IMOBILISTA: deliberadamente não se mexe para nada. Seu lema é não fazer onda não
afundar sua canoa de interesses pessoais. Segundo Clodomir Teoria da Organização, ago.1986
pp 29-36)

“O IMOBILISTA - quanto mais calado e quieto permanecer, menos trabalho lhe toca.

O COMODISTA : é o tipo de oportunista que procura sempre se acomodar ou estar bem com
todo mundo quando surgem situações conflitivas. É feito um animal invertebrado, sem ossos,
que pode encolher-se, ajeitar-se para caber em qualquer situação limitada. É uma pessoa
deliberadamente tímida; evita afirmar ou negar alguma coisa. Ele já tirou de seu vocabulário as
palavras SIM ou Não, a fim de não prejudicar nenhum interesse. Sempre está de acordo com
todos aqueles que podem lhe beneficiar.

O SECTARISTA ou RADICAL - é aquele tipo de oportunista que se sente torturado pela


aparente lentidão com que amadurecem as condições necessárias, para a realização das ações
fundamentais e decisivas de uma empresa; entretanto o sectário ou radical, se irrita por 9.

O LIQUIDACIONISTA - é aquele tipo de oportunista que habilmente busca liquidar ou


suprimir uma ação que posa prejudicar seu interesse pessoal e nos dá o exemplo: no dia em que
uma reunião ou uma ação qualquer da empresa coincide com um encontro amoroso do
liquidacionista, rapidamente suprime ou liquida a reunião considerando-a sem maior
importância ou adiando-a para qualquer outro dia.

O AVENTUREIRO - como todos os demais subjetivistas, nunca consulta a realidade na qual


vai se basear a ação. Tampouco mede as consequências ou os resultados De sua ação. O
aventureiro pensa e age dentro de um marco idealista. Jamais planeja com base na realidade e
sim baseado no que pensa, ou supõe que é factível realizar. Geralmente o indivíduo com
tendências ao aventureirismo atua isoladamente e facilmente rompe a unidade da empresa,
dividindo-a. Quando o aventureiro não encontra resistência dos associados, acaba por conduzir
a todos à aventura de consequências imprevisíveis.

O AUTOSUFICIENTE – É o indivíduo que tem resposta para tudo; não ignora nada, não
pergunta nada nem pede nenhuma explicação, nunca tem dúvidas. Estando perdido em uma
grande cidade, o indivíduo autosuficiente não reconhece que não sabe onde está e tenta, às
cegas, encontrar sozinho a rua aonde vai. Quando discute não ouve ninguém. Quando participa
de uma reunião não anota nada. Os autosuficientes são mais frequentes entre os artesãos
intelectuais e entre os camponeses. Há camponeses que contraem dívidas (empréstimos) para
que sua empresa, plante duzentos canteiros de melão, simplesmente por imaginar que nos
Estados Unidos se consome muito esta fruta. Não consultam os mecanismos de mercado, não
consultam os meios e os custos de transporte. Para os autosuficientes, basta saber que vão fazer
um grande negócio plantando melão para vender aos Estados Unidos. (Morais, 1986, pp. 29-
36). “

Por ocasião da minha Pós-Graduação em Gestão de Pessoas fiz diversos trabalhos citando as
obras do mestre e este texto foi a base para analise da compreensão do comportamento humano
e compôs o meu trabalho de conclusão do curso. (TCC)

É uma definição realista e sempre real no contexto presente e em se tratando do mestre


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10/02/2020 CLODOMIR DE MORAIS
É uma definição realista e sempre real, no contexto presente e em se tratando do mestre
Clodomir, é interesse transmitir ao máximo possível, seu pensamento, sua obra que segue
inacabada dentro de cada criatura, na busca da utópica perfeição. Meu deslumbramento com a
sua obra iniciara quando o conheci, em sua passagem pela Universidade de Brasilia e em 2010
fiz um ensaio biográfico que foi publicado no espaço do Recanto das Letras. Com sua morte
em 2016, atualizei a homenagem em vida, para uma homenagem póstuma, alterando o tempo
da reflexão escrita.

Voltemos a 1956, aos 17 anos do Professor Sociologo e advogado, época em que por
consequência de sua irreverencia cultural, fora convidado a se retirar do colégio Salesiano, para
não ser de fato expulso. Não tive tal sorte. Em 1972, eleito presidente do Gremio Cultural do
Colegio Popular Oliveira Magalhães, minha irreverência levou-me a expulsão do colégio com
um anuncio fixado no poste da calçada, esquina da seretaria do colégio que dizia assim: “ O
aluno Flamarion Antonio de Araujo Costa está expulso deste estabelecimento de ensino, por
ser um individuo nocivo ao bom funcionamento deste entidade”. Isso é outra história a se
contar, mas o rapazinho Clodomir foi parar em outro colégio de dura disciplina, a Escola
Adventista do Sétimo dia, influenciado por alí estudar vários contemporâneos santamarienses,
como cita na entrevista: Otoniel Brandão – Advogado, Enoque da Rodha Medrado – poeta que
morou na rua dos doidos em Santa Maria. Nesta ocasião publicara seu primeiro livro, O Amor
e a Sociedade, cujo tema se resumia nas lutas de classe. Foi um estardalhaço, que acabou lhe
gerando o convite para tornar-se membro da Academia de Letras da cidade de São Paulo, aos
18 anos de idade.

Clodomir se queixava do curriculum escolar tanto do Salesciano quanto da Escola Adventista,


queria mais e por isso fez economia e pagou um ano de escola ... e ali encontrou como
colegas de classe nomes importantes da cultura e politica nacional, como Fernando Henrique
Cardoso, ex-presidente da republica ...

Clodomir sempre fora atendo aos movimentos sociais e as tendências políticas. Era um
defensor das classes menos favorecidas o que ficou provado em todas suas ações, disse certa
feita, razão de procurar estar sempre inteirado dos fatos políticos e social. Costuma dizer :

“quando não se tem a visão do que acontece no mundo, é como se vivesse no limbo, numa
visão do nada, em um céu sem nuvens.”

Conheceu o movimento da juventude Mussulini e o movimento das galinhas verdes, ambas se


vestiam de preto e se manifestavam nas ruas, em devesa de seus objetivos, por uma sociedade
mais justa, com menos discriminação e com maior igualdade de oportunidades para ricos e
pobres. Alegava que este é um dos problemas crônicos dos países em desenvolvimento. A falta
de oportunidades atinge em cheio a juventude, que na falta de oportunidade se perde,
desistindo da escola antes de uma formação específica.

Entendemos que não se tem hoje, brasileiros de tal envergadura moral e ética. Pelo que hoje
assistimos nos noticiários, estamos falidos de lideranças éticas e morais, tal qual o Pais. Não
tivemos renovação de valores, nas ultimas décadas e hoje sofremos o resultado desta falta de
valores referenciais. Nossas autoridades jurídicas, legislativas e executivas, se distanciam a
largos passos, do tempo em que os homens honravam suas palavras, e essas, valiam mais que
assinaturas protocoladas e reconhecidas em cartórios. O resultado de tudo isso está na mídia,
na ruas, uma crise ética e moral, imoral; originada exatamente pela perda dos valores
referenciais, que afetam o mais sacragado principio social. A familia. Os jovens de então
carecem desacreditado de suas autoridades e longe dos valores patrióticos, que se aprendia na
escola, os conceitos básicos de moral e cívica.

Clodomir continuara sendo uma dessas reserva morais, que sempre teve lugar de honra na
história do povo santamariense, do povo brasileiro e do mundo, do qual se fez um cidadão, nos
deixando um legado capaz de transformar aquele que crê em seus princípios de sociedade.

Clodomir foi e é, o que podemos rotular além de um símbolo de honra de um lider. Um pai, um
irmão, alguém que viveu para servir o próximo, por mais distante que se fizesse dele. Por
décadas, nos serviu de parâmetro, principalmente nessa era vazia de valores patrióticos. Sua
vida fora pautada pela luta em favor das comunidades carentes e excluídas sociais. Sem a
demagogia, sem exploração, sem conveniências; como se vê no cenário políticos das ultimas
décadas. Clodomir tinha por anseio a defesa dos direitos do cidadão, diante das obrigações do
Estado, para isso formou-se em Direito e depois Sociologia, fez mestrado, doutorado chegou ao
topo como se não tivesse topo, pois a arte de aprender não tem um parâmetro conclusivo.

https://www.recantodasletras.com.br/biografias/2350832 6/12
10/02/2020 CLODOMIR DE MORAIS

Uma sociedade justa se pauta pela consciência de homens justos, íntegros, que agem pelo
coração, independente de cor, credo ou classe social. Todos temos os mesmos direitos e
privilégios, sem que seja necessário destacar situações étnicas. Rótulos são padrões,
convenções estabelecidos para marcas e não seres humanos. Esta é a grande lição que apendi,
no breve tempo de convívio, na Casa Oscar Niemeyer, em Brasília, ao ser voluntário da
IATTEMUNDO, na ministração de cursos de informática, para comunidades carentes, nos
anos 90.

Reconhecemos no Professor Clodomir, militante comunista, brasileiro santamariense, que deu


di si o que tinha de mais nobre. O conhecimento. Lutou contra a ditadura, não apenas com
palavras, mas ação. Foi além das ruas, entregou-se de corpo e alma; tornou-se testemunha
ocular dos fatos a ponto de tornar-se vítima da brutal ditadura. Em São Paulo pôs em prática os
poucos, mais dedicados, dons aprendidos em Santa Maria da Vitória, como: . Alfaiate e
Músico, pilares em que firmou sua sobrevivência. Trabalhou como músico de instrumento de
sopro, mais especificamente clarinete e saxofone; sem deixar de dedicar-se a profissão de
alfaiate. Por muito tempo foi essa sua principal atividade de sustento. Naquela época um jovem
não deixava sua cidade natal, no interior do País, sem uma profissão. Datilografo, Carpinteiro,
Pedreiro, Alfaiate, Pedreiro, Servente, em alguma coisa o homem tem ser bom, no que faz e
Clodomir acumulava dons que foram se revelando na vida, a medida em que se desenvolvia
como homem. O espírito aventureiro, a sede pelo conhecimento, a vida em grandes centro, os
sonho de sua independência, gritavam mais alto na alma do menino que crescia rompendo
barreiras. Lançou-se ao mar, apegado a tábua da determinação. Ir e vencer, voltar, certamente
não era parte de seus planos, sem antes ter uma história pra contar.

Muitos, como Clodomir, se lançaram neste oceano indefinido da vida, alguns não venceram
as tempestades, outros chegaram a praia. . Deixar o convívio familiar e o sossego de uma vida
pacata interiorana, era de fato um ato de bravura. Não era coisa para qualquer um. Deixar
amizades seguras, pai, mãe, irmão, sua segurança de casa, pela aventura desconhecida, sem ter
telefone celular, apenas, quando possível, uma mensagem de rádio que poderia ser ouvida por
alguém na cidade... era como lançar um garrafa com mensagem de socorro ao mar... Quando
será que vista? Não se pode deixar de enfatizar que a comunicação naquela época limitava-se
as ondas do rádio, os correios, um encontro casual com um conterrâneo, as velhas cartas ou
telegramas. Jornais e revistas no interior sempre chegavam com validades vencidas; serviam
apenas para as autoridades e os homens cultos conferirem com imagens fotográficas, as
noticias do rádio da semana passada ou da quinzena passada; quando não o mês. Quanto mais
novo, ou próximo da noticia do radio, a revista ou o jornal, tornava-se objeto de desejo e era
repassado de mãos em mãos.

Clodomir teve uma vida agitada e produtiva, agitada do ponto de vista do empreendedorismo
cultural; um homem sempre a frente do seu tempo. Nunca deixou de pensar em sua terra, Santa
Maria da Vitoria, por mais longo que fosse o período de afastamento. Sua trajetória não se
limitou ao Brasil, mas ao mundo. Foi contemporâneo de meu Pai na escola de Profa. Rosa
Magalhães; meninos inquietos em suas ansiedades de sair das mesmices. Encenaram peças
teatrais, movimentaram a vida cultural da cidade; tornam-se músicos e alfaiates, mas Clodomir
foi mais além.

Em 1951 já estava em Salvador, onde liderou a oposição contra o governo de Regis Pacheco,
na ocasião atuava como repórter. Escrevia e imprimia um jornal de vanguarda, onde era o
editor chefe, com alguns colaboradores. O Jornal mexeu com peixes graúdos, que mandaram a
polícia atear fogo na sede do jornal. Isso era um sinal de que Clodomir estava no rumo certo,
do lado certo. Passou a ser perseguido político e logo logo era o 12º. na lista dos militares.
Além de deputado pelo PDdoB, era também um deputado do partido.
Entre 1950 a 1960 viveu a década da inquietação politica e já residindo em Pernambuco, onde
foi eleito deputado e fez parte do grupo do celebre Luis Carlos Prestres.

Em Pernambuco formou-se em Direito pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco),


Tornou-se repórter dos jornais Diário de Pernambuco, Jornal do Comercio e , O Diário da
Noite; colaborou com diversos periódicos de menos porte, como Folha da Manhã, Folha
Vespertina e Correio do Povo. A mídia era o rádio, eu não era mídia. No radio manteve vários
programas de boa audiência; tratava de diversos assuntos, todos de interesse comunitário.
Atuou na Rádio Clube e Radio Olinda. Clodomir não tinha mais tempo para ser musico, sua
batuta se transformara num microfone e numa caneta.

Era um estudioso incessante, sempre teve fome do saber. Já formado em direito, iniciava neste
período a se interessar pela Sociologia, ciências humanas que estuda o comportamento humano
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10/02/2020 CLODOMIR DE MORAIS
p p g , q p
em função do meio e dos processos que interligam os indivíduos em associações, grupos
e instituições, na tentativa de explicá-los em suas relações de interdependência. Clodomir se
preparou para uma próspera carreira política, no estudo da compressão das diferentes sociais e
culturais, ainda no período de estudante na Escola Salesciana, onde conta que aprendera a
montar radio e junto com os colegas montara o radio que ligavam todas as noites, quando o
frade responsável pela disciplina se recolhia certos que todos estavam na cama. Clodomir e seu
grupo levantavam, ligavam o radinho para ouvir musicas “mundanas” e as noticas do que
acontecia fora do internato.

Foi na fabrica da Ford que se associou ao movimento da juventude comunista e mais arde, em
Pernambuco, as Ligas Camponesas, que mais tarde o elegera deputado. Teve pela frente o
golpe de 64 e a instalação da ditadura militar.

As organizações de camponeses formadas pelo Partido Comunista Brasileiro - PCB a partir de


1945, foi um dos movimentos mais importantes em prol da reforma agrária e da melhoria das
condições de vida do homem do campo. Longe do que é hoje a anarquia do MST. O MST
foi abafado no fim do governo de Getúlio Vargas, retornado suas ações e movimento em 1954,
no estado de Pernambuco, onde recebeu apoio Clodomir Morais e posteriormente cresceu em
outros estados. A partir daí, as Ligas Camponesas exerceram intensa atividade até a queda
de João Goulart, em 1964. O mais conhecido líder do primeiro período foi Gregório Lourenço
Bezerra, Francisco Julião Arruda de Paula.

O nome de Clodomir Morais também se estampa na história do movimento das Ligas


Camponesas, que se fundiu no MST, com o surgimento do Partido dos Trabalhadores, na
década de 80. Clodomir viveu uma vida politica atuante, na era Vargas sobreviveu a era da
ditadura militar, quando foi preso e exilado em 1962.

A história Clodomir é para mim um fascínio, um filme de ação, patriotismo. Sempre que tive
oportunidade, a divulguei, na esperança de servir de parâmetro, para os jovens de hoje, que
tendo todas as facilidades de um mundo moderno, tecnologicamente viável, que põe ao
alcance de todos, a informação, o conhecimento e torna igual as oportunidades, como sonhava
Clodomir. Basta ao jovens de hoje querer e o conhecimento que está disponível em qualquer
lugar, nas redes sócias, nas s bibliotecas se multiplicam por todos lugares. Em Brasilia as
muitas paradas de ônibus, se tornaram bibliotecas publicas onde você pode levar um livro e
sem necessariamente a obrigatoriedade de deixar outro. As redes de computadores estão dentro
de casa e nas ruas, o que falta ao jovem senão querer?!.

Para vencer na vida, primeiro precisamos vencer a nós mesmos; vencer nossos preconceitos,
nossa vaidade, não permitindo que sobreviva em nós, o espírito de comodidade humana,
conhecido como preguiça. (fanacos)

Clodomir tinha origem modesta; sua mãe era cortadora de cana e seu pai Alfaiate, obvio, não
era ticos, nem remediados, eram pobres, sem miséria. Talvez fosse ele o mais sonhador de
cindo filhos! Sonhava, como lá se dizia "ser alguém na vida" e foi, foi o grande, foi mestre. Se
voltar era uma consequência natural, para Clodomir tinha que haver uma razão para voltar, e
não simplesmente voltar. Tinha-se que ter uma historia vitoriosa, um resultado plausível, não só
em razão do seu ego, mas também, presumo, para presentear sua terra, seus amigos, sua
família e o, forte brasão dos Morais de Santa Maria da Vitória.

Se sobreviver em São Paulo hoje já é uma tarefa árdua, naquele tempo não era nada mais
ameno; talvez se contasse com maior afeto por parte das pessoas, mas a qualquer tempo a
determinação, a responsabilidade, o desejo de prosperar, são parcelas fundamentais para atingir
o sucesso.

Morais, como era conhecido pelos mais íntimos, criou e dirigiu uma ampla delegação
parlamentar de Pernambuco e Paraíba aos países do Leste europeu e outros países do ocidente
europeu, a fim de forçar o estabelecimento de relações culturais e comerciais com a União
Soviética, Tchecoeslováquia, Alemanha Oriental, Alemanha Federal, no curto governo de Jânio
Quadros; Conseguiu aprovar por unanimidade, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, seu
projeto de criação do Banco de Desenvolvimento de Pernambuco (BANDEPE). Costumava
dizer:

“Eu sou um lascado em matéria de dinheiro, porém fundei um dos grandes bancos do
país.” Se vê porque Clodomir de Morais é um referencial para cultura e polica nacional.

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Atuou por décadas na ONU onde promovera diversas frentes de trabalhos, voltados para a
educação. O conhecia de ouvir falar, mas no inicio dos anos 90 o conheci, ao retornar do exílio
e assumir uma cadeira no Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília. Criou a
IATTERMUNDO (Instituto de Apoio Técnico aos Países de Terceiro Mundo) com sede na casa
Oscar Niemeyer/UnB, onde promovia cursos profissionalizantes para comunidades carentes.
Atuei nesse período como professor de informática, formando de técnicos de manutenção e
operadores de diversos aplicativos para um mercado em plena expansão.

No golpe militar deflagrado em 1964, seu nome já era figurinha marcada pelas lideranças
militares, como uma das lideranças a ser eliminada; afinal, era um militante do PCdoB e uma
liderança no cenário nacional. Não demorou e Clodomir foi preso e excilado. Paulo Freire era o
seu companheiro de cela e juntos essas duas celebridades traçavam planos para mudar a cultura
social e política do País. Paulo Freire é o referencial maior da cultura nacional, o grande
responsável pela modernização do ensino brasileiro. Quem nos assegura de que não haja, na
inovação do Ensino aplicada do Paulo Freire, não tenha uns “pitacos” do Professor e Sociólogo
Clodoir?! O período de cárcere serviu para estreitar a amizade, o patriotismo entre esses dois
idealistas e esse encontro no cárcere está registrado no livro "Aprendendo com a própria
história”, autor Paulo Freire, (Editora Paz e Terra)".

Ainda menino, entre os 11 aos 12 anos, quando residi no Rio de Janeiro com uma tia (Jublia
Costa); chamou-me no quarto para vê a noticia sobre um prisioneiro da ditadura. Ela assustada
com o que poderia acontecer com o prisioneiro que conhecia dos tempos de Escola, disse-me
que se tratava de um terrorista, segundo o governo, chamado Clodomir de Moraes e que ele era
de Santa Maria da Vitória. Depois disso nunca mais ouvimos nada sobre o prisioneiro, que
acabou sendo expulso do seu País. Suas orações e as orações de muitas velhinhas de Santa
Maria, principalmente sua mãe, foram ouvidas. Morais fora expulso do país e não
assassinado.

No meu livro, "Conto mais um ponto" narro um episódio ocorrido em Correntina, quando os
militares mandavam e desmandavam, sob a proteção do Partido da Revolução Nacional, diga-
se ARENA, onde se alojavam todos os políticos de direita e a oposição, impedida em sua
liberdade de manifestar ou criar outros partidos de oposição, tiveram que se contentar com a
legenda da ARENA-2, numa ação política vigiada. Nesse período, representava Santa Maria e
a região do oeste baiano um deputado santamariense, Deputado estadual Adão de Souza,
ligado a Arena 1, logo, um aliado dos militares. Certo dia corri, como todo menino corria,
atrás de um avião que girava no céu buscando a rota de pouso, (conto Correndo atrás do avião)
e ao pousar, ví sair da aeronave um cidadão elegante, num terno fino e sapatos reluzentes, que
era esperado pela comitiva do Prefeito Elias França Barbosa. A filarmônica tocava um dobrado
de autoria do maestro João Guara, (Dois corações)... fogos e mais fogos... viva o deputado
Adão! Viva o Prefeito Elias... A comitiva desceu a rua da fusaca, como assim era chamada a
rua Gois Calmon, como uma procissão de gente feliz!

Iam a frente as autoridades, cumprimentadas por acenos das janelas e portas tomadas por
curiosos. Fogos de artifícios chamavam atenção, propositadamente. A procissão política tinha
que ser vista e correspondida pelo povo, era uma prova de prestígio popular do Prefeito,
principalmente em razão daqueles que saiam e se juntavam a procissão política. Não restam
duvidas que o Deputado e o Prefeito eram aliados dos militares, que protegiam seus agraciados
sob o manto do Partido da Renovação Nacional - diga-se ARENA 1, certamente éramos a
oposição era os cristãos que ao menor vacilo, a política descia o porrete de borracha, quando
não os enjaulavam sob acusação de perturbar a ordem pública.

Lembrei-me de um certo Deputado, baiano, de mandato pernambucano, filho de Santa Maria


da Vitória... Aquele que minha dia mostrara na televisão preto e branco, preso no Rio de
Janeiro... Pensei com meus botões: - Qual deles é o verdadeiro herói do povo? O que aceitou
servir as conveniências militares, através da ARENA 1 ou aquele que foi preso por não aceitar
trair seus ideais e os interesses do seu povo ? A resposta é sua.!

Quando disse no inicio que os brasileiros teriam que se orgulhar e procurar conhecer a história
de Clodomir Santos de Morais, não foi exagerado. Isso que escrevi é apenas uma breve
introdução do pouco que sei do grande mestre Clodomir.

Após a anistia e abertura política pelo General Figueiredo em 1979, Clodomir Morais retornou
ao Brasil, visitou sua terra natal e é obvio que não poderia ali se estabelecer naquele momento.
Tinha muita coisa por fazer, pouco tempo, quem sabe, para recuperar todo tempo perdido no
Brasil, pois suas ações não pararam em nenhum momento enquanto esteve exilado. Sua nave
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10/02/2020 CLODOMIR DE MORAIS
pousou na Universidade de Brasilia, onde criou o Instituto IATTERMUNDO, trazendo com ele
o fiel escudeiro, Joaquim Lisboa, meu amigo contemporâneo, que tornou-se um guardião da
obra do mestre e hoje é o responsável pela biblioteca Campesina, fundada por Clodomir
quando esse concluíra idealizado em Brasilia, que nos deixou por legado a IATTERMUNDO,
uma ONG de Apoio Técnico aos Países do Terceiro Mundo. A seu convite passo ser um
membro da diretoria naquele período e passo então a contribuir com trabalhos voluntários.
O Instituto implementou o projeto dos dez Sistemas de Participação Social na identificação de
Projetos geradores de Emprego e Renda, que atualmente funcionam nas cidades de São Paulo,
Cuiabá, Vitória, São Paulo, Mato Grosso e Espírito Santos, Alagoas, Tocantins e Rondônia.
Sua passagem organizacional passa também pelo movimento dos Trabalhadores Rurais sem
Terra (MST); em todos os seus projetos de luta, está clara a busca de soluções e oportunidade
para todos os povos, promovendo ações na geração de postos de trabalho e disparando o
processos de organização das massas;, visando dar soluções a problemas crônicos, como a
distribuição de renda e de terras, na tão sonhada e nunca concluída Reforma Agrária.

.Mas foi no dia 31 de dezembro 1979, mesmo ano da abertura política e fim do período de
muitos exilados, que Clodomir retorna a Santa Maria da Vitória, depois de longas décadas,
afastado. Sentia necessidade urgente de rever sua terra, seus amigos, seus parentes, que por
vezes não acreditavam nunca, que um dia poderia revê-los, vivo ou morto. Naquele dia foi
recebido com um justo reconhecimento e homenagens. Centenas de santamarienses, na praça
principal o saudavam, alguns até com aclamação e admiração. Era o retorno do filho querido,
importante, que deixou sua terra aos 14 anos de idade, para se tornar um cidadão do mundo.

Saciada a saudade, Clodomir retorna a sua trajetória publica de cidadão do mundo; viaja o
mundo pela Organização das Nações Unidas, com missões bem sucedidas em Costa Rica,
Honduras, Portugal, Suíça, México, Chile, Nicarágua e Alemanha. Suas ditas missões
objetivavam a criação de emprego e renda para as populações carentes, no meio rural e urbano
em todos os continentes onde havia representação da ONU. Clodomir era o responsável, pela
Organização Internacional do Trabalho e Organização das Nações Unidas para a Agricultura e
Alimentação, Organização do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras
missões por ele comandadas, todas, lograram êxitos.

Clodomir aposentou-se algumas atividades, mas nunca se aposentou de seus ideias, na saúde,
na alegria, na tristeza, na doença, fosse o tempo que fosse, ele estava ali, firme. Viajando
menos, porém mais incomodado em vê o ritmo dos projetos como ele queria. No seu ritmo. De
quando em vez recebia um recado e um convite, para retornar a fundação IATTERMUNDO,
quem dera eu tivesse o ritmo do velho mestre. Entre Santa Maria e Rodonia, onde sua esposa
era servidora do Estado, ele transitava, com algumas paradas rápidas por Brasilia, onde por
vezes nos víamos.

Clodomir Santos de Morais um supre acadêmico. Professor residente nas Universidades de


Rostock (Alemanha); Universidad de Chile, institución de educación superior estatal
y pública; na Universidade de Brasília (Brasil). Na universidade alemã cursou seu doutorado
de direito.

O desemprego, segundo Clodomir de Morais: "é o responsável pela camuflada Guerra Civil do
desemprego, na qual milhares e milhares de indivíduos se matam violentamente, seja roubando,
assaltando ou traficando drogas. O desemprego põe os indivíduos uns contra os outros e
também empurra povos contra povos, nações contra nações à luz dos choques surgidos pelo
fechamento de fronteiras, contra os migrantes e por políticas de discriminação racial. A
capacitação Massiva para a criação de postos de trabalho nos espaços econômicos deixados
pelo empresário capitalista da tecnologia de ponta, constitui a forma correta de enfrentar o
fenômeno massivo do desemprego."

Clodomir de Morais foi conferencista nas Universidades de Berlim (Alemanha), de Wisconsin


(EUA), e em varias universidades da América Latina e África. Foi professor de sociologia na
Universidade Federal de Rondônia desde 1996. Mais de 20 livros publicados, alguns dos quais
em vários idiomas. Seu pequeno manual Elementos de teoria da Organização, feito para
operários, assalariados agrícolas, estudantes secundaristas e universitário, já alcançou 133
edições em 14 diferentes países e em vários idiomas e dialetos.

Um fato interessante e até mesmo profético, aconteceu em outubro de 2015 quando Clodomir
esteve no I Congresso do MPA, participando das atividades do evento onde fora homenageado,
recebendo o reconhecimento dos camponeses brasileiros.

Et t t P id t Dil d t i d d C
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Esteve presente no evento a Presidente Dilma, que ao adentrar o recindo do Congresso, parou e
o escutou por um ou dois alguns minutos os aplausos de 4 mil camponeses a aguardava e o
mestre discretamente lhe disse:
“Dilma, aí está o seu pré-sal, acredite nas massas, as massas são quem fazem as revoluções, e
ela poderá assegurar e reconduzir o seu governo rumo a justiça social, apõe-se nas massas”.

Está aí o momento político, onde as massas se dividem em opiniões. Os verdes e amarelos


pedem a sua saída do governos, enquanto os vermelhos gritam: Não vai ter golpe. Este fato
nos reporta ao movimento das galinhas verdes Nos lembrou Clodomir que a Ação Integralista
Brasileira (AIB – 1932) que acabou por ser uma extensão do movimento constitucionalista.
Vestiam camisas verdes, para diferencia-los dos opositores. (Tal qual hoje, os verdes e amarelos
e o vermelhos). Nos contou Clodomir em 2013 em nosso ultimo encontro, quando falamos do
momento político: - Plinio Salgado marcou uma marcha afim de celebrar o segundo
aniversário do Manifesto Integralista. Compareceram a praça da Sé, quase 10 mil seguidores.
O fato gerou um conflito de oponentes, que interpretaram a iniciativa como uma demonstração
de força inspirada na Marcha sobre Roma - manifestação fascista de 1922, que
impulsionou Mussolini ao poder; então fora mobilizarada a força policiam e o pau quebrou.
(definição minha)

"Toda a esquerda se uniu contra a manifestação integralista que seria realizada naquele dia. O
objetivo dos integralistas era atacar a organização da classe operária, a sede da Federação
Sindical de São Paulo e os sindicatos que tinham sede no edifício Santa Helena, na frente do
qual haviam planejado o desfile. A conclusão é que os seguidores da AIB entraram para a
história com a denominação da "Revoada dos galinhas-verdes, com o desfecho e a
debandada dos integralistas, que corriam se livrando das camisas verdes.

Clodomir era uma enciclopédia viva, sua memória buscava fatos distantes, como se ocorridos
no dia anterior. Este é o perfil de um homem que lutou contra a ditadura militar e que depois da
anistia, continuou sua luta, por uma questão de idealismo. Não se aproveitou de ter sido um
guerreiro da democracia, para assaltar a nação, com projetos imorais, como os atuais homens e
mulheres que se valem das comunitárias, para se “dar bem”. O menino fecha o seu ciclo na
historia numa pequena cidade do oeste baiano, as margens do Rio Corrente; retorna as origens,
o pó.

Os heróis podem cometer equívocos, mas nunca erram, se não desiste da sua luta, não
decepcionam nunca. Clodomir estará sempre presente em espirito, nas paginas de seus livros,
manuais, artigos e mídias. Estará presente enquanto vida houver em um que seja de seus
discípulos. Ao professor minha eterna gratidão, minha admiração e meu pesar por esta
separação apenas física, mas dolorida. Obrigado professor Clodomir de Morais, obrigado
Santa Maria da Vitória, por tão honrado filho, tão tão dignificante história, aqui resumida por
um admirador incontestável do menino, do homem, do ancião.

---------------
FONTE: Livraria Campesina.
Este texto será publico no formado de livreto, com ilustrações e os comentários postados, desde
sua primeira versão, em 2010. Convidados para o prefácio o amigo santamariense, Professor
João Nogueira da Cruz

Flamarion Costa

Enviado por Flamarion Costa em 30/06/2010


Reeditado em 24/05/2017
Código do texto: T2350832
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.


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sem a devida permissão do autor.

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Comentários

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10/02/2020 CLODOMIR DE MORAIS

06/08/2014 17:54 - Sebastião Araújo [não autenticado]

Qualquer comentário que se faça sobre Prof. Clodomir Santos de Morais é pouco pelo que
ele representa para o país e o mundo. Sou muito grato a ele pelo muito que me ensinou
durante o processo de implementação de diversos eventos de implementação da
capacitação massiva.

31/01/2014 02:52 - Damares L. de Albuquerque [não autenticado]

Tive o privilégio de fazer o Curso de Capacitação Massiva através do PROGRAMA


NACIONAL DE GERAÇÃO DE RENDA NO ANO 2000.Foi uma pena o Governo Federal
posterior não ter dado continuidade ao Programa=, cujo eixo central era a Metodologia
Libertária do Professor Clodomir. É muito gratificante saber que um dos meus
referenciais profissional e humanitário se faz presente neste País...

10/07/2013 18:05 - JOHN LINDSAY F.CAMPOS [não autenticado]

O Clodomir mora aqui na minha querida Santa Maria da Vitoria e se quiserem entrar em
contato com ele é só me falar,que eu o vejo todos os dias.

03/03/2013 12:14 - Professor Josa ( Josenild [não autenticado]

- Ilustre amigo de tantos tempos e de tantas lutas e histórias. O destino é assim, fértil de
realizações nacionalistas e patrióticas. Você sabe muito bem, meu amaigo. somos
remanescentes de ideais e ideários que hoje, nas mais cordiais lembranças, perpetuam
as raízes humanitárias dos nossos " SONHOS MSONHADOS DE DESBRAVADORES DE
CONSCIÊNCIA". Nobre amigo, lhe parabenizo pelo Editoral. Você foi bastante
contundente em expressar o seu sentimento nativista de um homem pobro, recheado de
esperança e movido pelo espírito sólido de tamanha senssibilidade. Nós, na condição
livre de "Poetas Baianos" que somos, temos a liberdade de poder demonstrar esse afeto,
esse carinho e respeito pelas pessoas honestas e nacionalistas do nosso interior baiano,
Correntina a sua terra natural,e Santa maria da Vitória, também a minha terra natural,
da Bahia e do Brasil. Salve! Salve! Salve! nossas " Correntina e Santa Maria da Vitória,
na Bahia". Receba o meu carinhoso abraço. Do seu eterno amigo de infância. ( Josa ).

01/03/2013 18:56 - saimon lima [não autenticado]

Bom dia, alguém pode me passar o contato do Clodomir? Quero convida-ló para dar uma
palestra na nossa semana acadêmica de geografia aqui da UFT. Desde já agradeço a
tênção.

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Sobre o autor

Flamarion Costa
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