Você está na página 1de 3

HF369 - ESTÉTICA I (5o per.

Professor: LEANDRO CARDIM

EMENTA (PARTE PERMANENTE)

Curso introdutório de caráter temático ou panorâmico sobre as questões relativas


à Estética ou questões postas pelas teorias e práticas das artes.

PROGRAMA (PARTE VARIÁVEL)

SOBRE A FILOLOGIA DA PALAVRA (AUERBACH) E DA IMAGEM (WARBURG)

I. Objetivos
Apresentar e discutir a especificidade e o alcance do método filológico segundo
Erich Auerbach e Aby Warburg. Não se trata tanto de retomar, no detalhe, o itinerário
intelectual destes dois autores, mas de investigar as razões, o sentido e o alcance do uso
da filologia como método de estudo das palavras e das imagens.

II. Programa
- O método e o escopo do programa filológico de Erich Auerbach
- A questão da filologia da literatura mundial
- O privilégio da filologia
- O perspectivismo
- A comparação entre a literatura e a pintura
- O filologismo
- Gênese circunstanciada de um prejuízo
- Aproximações e passagens: a figura
- Iconologia e memória segundo Aby Warburg
- A Biblioteca Warburg de Ciência da Cultura (KBW)
- A imagem funciona em situação histórica: Sandro Botticelli
- A ninfa de Domenico Ghirlandaio
- A tensão entre a função religiosa e a função urbana da imagem & a tensão entre
cristianismo e mundo clássico em Domenico Ghirlandaio
- Dürer e a fórmula de Páthos
- Arte e superstição
- O estilo ideal à antiga
- O papel da arte clássica
- A conduta pictórica
- A ninfa de Eduard Manet
- Atlas Mnemosyne

III. Justificativa
Trata-se de trazer à tona um debate histórico circunscrito em torno das relações
entre literatura e arte. A investigação sobre o estatuto e o alcance do método filológico
será ocasião para retomar este debate. Através desta investigação compreenderemos as
razões, o sentido e o alcance da pretensa superioridade da palavra sobre a imagem. Há
filólogos que defendem, por exemplo, um privilégio do meio escrito, a palavra seria
portadora de pensamentos. Outros, atribuem à palavra, quando comparada ao cinema
que exprime o perspectivismo dos fenômenos exteriores, a peculiaridade de ser a única
capaz de exprimir o perspectivismo histórico da consciência humana e de reconstruir,
assim, sua unidade. Seja como for, o filologismo (forma específica de intelectualismo e
objetivismo) não foi consenso entre os filólogos e muito menos entre os historiadores da
arte. Estes ajudaram a compreender, por exemplo, que comparada à literatura, a pintura
depende de menos intermediários e está mais aberta a inovações radicais. A resposta
pela história da arte não diminui a importância dos trabalhos dos filólogos da palavra.
Na verdade, ela ajuda a recolocar o debate e a ampliar o método. Não se trata de decidir
se é o pintor ou o escritor que está no topo da hierarquia, já que é precisamente esta
posição tradicional que é afastada e superada. Mas superar não é excluir. A filologia
ajuda a compreender que o estudo da palavra e da imagem exige o reconhecimento de
uma tradição que só se torna eficaz quando afastada e superada.
O curso destacará a importância de se colocar em questão alguns procedimentos
tradicionais nas abordagens da palavra e da imagem. Ele também pretende despertar o
interesse pelo estudo da literatura e da arte através de uma disciplina que não só
reconhece o solo em que brota seu objeto, mas também compreende suas condições de
origem e a direção de seus efeitos.

PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS
Aulas expositivas baseadas em textos e em imagens exibidas em sala de aula.

FORMAS DE AVALIAÇÃO
Participação em sala e prova escrita.

BIBLIOGRAFIA
AUERBACH, E. Mímesis. A representação da realidade na literatura ocidental. São
Paulo: Perspectiva, 2002.
__________ Introdução aos estudos literários. Tradução José Paulo Paes. São Paulo:
Cultrix, 1972.
__________ "Filologia da literatura mundial", in Ensaios de literatura ocidental.
Filologia e crítica. Trad. Samuel Titan Jr. e José Marcos M. de Machado. São Paulo:
Ed. 34, 2007.
__________ Figura. Trad. Duda Machado. São Paulo: Ática, 1997.
BASSETTO, B. F. Elementos de filologia românica. Volume I. História externa das
línguas românicas. São Paulo: Edusp, 2013.
BERENSON, B. Esthétique et histoire des arts visuels. Tradução Jean Alazard. Dijon:
Albin Michel, 1953.
CURTIUS, E. R. "Literatura européia", in Literatura européia e Idade Média Latina.
Trad. Teodoro Cabral. São Paulo: Edusp, 2013.
DIDI-HUBERMAN, G. Diante do tempo. História da arte e anacronismo das imagens.
Trad. Vera Casa Nova. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2015.
__________ A imagem sobrevivente. História da arte e tempo dos fantasmas segundo
Aby Warburg. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013.
__________ Diante da imagem. Questões colocadas aos fins de uma história da arte.
Trad. Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 2013.
EAGLETON, T. Teoria da literatura. Uma introdução. Trad. Waltensir Dutra. São
Paulo: Martins Fontes, 2006.
GOMBRICH, E. H. A história da arte. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: LTC, 1999.
__________ Os usos das imagens. Estudos sobre a função social da arte e da
comunicação visual. Trad. Ana Carolina de Azevedo, Alexandre Salvaterra. Porto
Alegre: Bookman, 2012.
GREEM, G. Literary criticism & the structures os history Erich Auerbach & Leo
Spitzer. Londres: University of Nebraska Press, 1982.
HANSEN, J. A. "Mímesis: figura, retórica & imagem", in Erich Auerbach: V Colóquio
Uerj. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1994.
KRAUSS, W. "Marburg sob o nazismo". Trad. de Luiz Costa Lima, in 34 Letras, nº5/6,
1979.
LERER, S. Literary history and the challenge of philology. The legacy of Erich
Auerbach. California: Stanford University Press, 1996.
MICHAUD, P.-A. Aby Warburg e a imagem em movimento. Trad. Vera Ribeiro. Rio de
Janeiro: Contraponto, 2013.
PODRO, M. The critical historians of art. London: Yale University Press, 1982.
WAIZBORT, L. A passagem do três ao um. Crítica literária, sociologia, filologia. São
Paulo: Cosac Naify, 2007.
__________ "Erich Auerbach e a condição humana", in O pensamento alemão no
século XX. São Paulo: Cosac & Naif, 2012.
__________ "Erich Auerbach sociólogo", in Tempo social. Usp, junho, 2004.
__________ "O mundo condensado", Cult, nº 169.
WARBURG, A. L'Atlas Mnémosyne. Trad. de Sacha Zilberfard. Paris: L'écarquillé,
2012.
__________ "O nascimento de Venus e A primavera de Sandro Botticelli. Uma
investigação sobre as concepções de Antiguidade no início do Renascimento italiano",
in Histórias de fantasma para gente grande. Escritos, esboços e conferências. Org.
Leopoldo Waizbort. Trad. Lenin Bicudo Bárbara. São Paulo: Companhia das Letras,
2015.
__________ "A última vontade de Francesco Sassetti", "A arte do retrato e a burguesia
florentina", in. A renovação da Antiguidade Pagã. Contribuições científico-culturais
para a história do Renascimento europeu. Trad. Markus Hediger. Rio de Janeiro:
Contraponto, 2013.
__________ "Arte italiana e astrologia internacional no Palazzo Schifanoia em Ferrara",
in Histórias de fantasmas para gente grande - Aby Warburg. Escritos, esboços e
conferências. Trad. Lênin Bicudo Bárbara. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
RANCIÈRE, J. Les bords de la fiction. Paris: Seuil, 2017.
__________ O fio perdido. Ensaios sobre a ficção moderna. Trad. Marcelo Mori. São
Paulo: Martins Fontes, 2017.
__________ A partilha do sensível. Estética e política. Trad. Mônica Costa Neto. São
Paulo: Editora 34, 2005.
SAID, E. W. Humanismo e crítica democrática. Trad. Rosaura Eichengerb. São Paulo:
Companhia das Letras, 2007.
TADIÉ, J.-Y. A crítica literária no século XX. Trad. Wilma de Carvalho. Rio de
Janeiro: 1992.

Você também pode gostar