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DIREITOS HUMANOS

Examinador: ERICA MARCELINA CRUZ

1. Na França há a prática de arremesso de anão, com o consentimento do anão e remuneração aos


mesmos. Comente o caso sobre a ótica das características e princípios de direitos humanos.
R: No caso em tela, há a possibilidade de ferir dois princípios fundamentais da constituição em ambas as
hipóteses que o estado poderia intervir, sendo que ao garantir a dignidade da pessoa humana do anão
poderia estão ferindo os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e ao deixar que o próprio tivesse
livre iniciativa poderia estar ferindo a dignidade da pessoa humana, pois em tese esse serviço prestado
menospreza o cidadão. Caberia então ser feito um juízo de valor pelos órgãos competentes.

2. Qual o conceito do termo crianças para a convenção que trata da repressão ao tráfico de pessoas?
R: O Protocolo De Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e
crianças, complementar à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado (Palermo),
promulgado pelo Decreto 5017/2004, em seu artigo 3º letra “d” define criança como qualquer pessoa
com idade inferior a 18 anos.

3. O que é reversão dos direitos humanos?


R: Não achei a resposta para essa pergunta – acho que deve se referir a proibição de reversão dos direitos
humanos concedidos, tipo efeito cliquet!!!

4. Cite três características de direitos humanos.


R: Universalidade, Inerência e Transnacionalidade.

5. “Direito de Defesa” é melhor enquadrado como direito de primeira, segunda ou terceira geração?
R: Primeira Geração, que são direitos a prestação negativa, ou direito de defesa pois protegem o
indivíduo contra intervenções indevidas do Estado

6. Lei Maria da Penha – Como podem ser fiscalizadas a obrigatoriedade da autoridade policial de
levar a efeito as medidas protetivas determinadas pelo juiz?
R: Diversos órgãos podem ajudar na fiscalização, o MP de acordo com o art. 129, VII da CF, a
Defensoria Pública, a vítima e seu defensor que podem comunicar ao juízo e órgãos específicos de
atendimento a mulheres criados pelo Estado.

7. Qual o significado da característica de interdependência em direitos humanos?


R: Interdependência ou inter-relação consiste no reconhecimento de que todos os direitos humanos
contribuem para a realização da dignidade humana, interagindo para a satisfação das necessidades
essenciais, sem exclusão.

8. A garantia da segurança pública se enquadra melhor em direito de primeira, segunda ou terceira


geração?
R: Segurança Pública se enquadra em primeira geração, pois há de se exigir do Estado ações para a sua
garantia.

9. Qual a relação entre o princípio da dignidade humana e a negativa de se submeter a transfusão de


sangue pelo paciente?
R: Segundo o Min. do STF Luís Roberto Barroso, cabe ao paciente, com a ressalva dos que não podem
expressar de modo pleno sua vontade, a escolha do tratamento. A recusa do paciente configura
manifestação da autonomia e liberadade, derivada da dignidade da pessoa humana.

10. O delegado pode autorizar o médico a realizar transfusão de sangue ante a negativa do paciente?
R: Entendo que sim em casos de haver risco de morte, pois nestes casos o médico nem necessitaria de
autorização para realizar a transfusão de sangue. No caso de conflito e em se tratando de opção parental
que possa causar grave dano irrecuperável ou a morte da criança, e não havendo risco iminente de morte,
deve-se recorrer à decisão judicial, não podendo o delegado autorizar.

11. Cite três características de direitos humanos.


R: Universalidade, Inerência e Transnacionalidade - questão 04

12. A conduta de mulheres americanas que viajavam para a África e pagavam para que mulheres
africanas engravidassem e desses a luz a bebês para serem levados para os Estados Unidos – Viola
algum princípio de direitos humanos?
R: Violaria a dignidade da pessoa humana das mães que venderiam seus filhos, o direito a família, os
direitos reprodutivos, o direito a nacionalidade. Mas haveria um conflito com relação aos direitos das
crianças ao serem levadas aos Estados Unidos teriam uma vida mais digna e com melhores condições.
Observação -tenho dúvida com relação à essa resposta

13. Em que consiste cláusula de desenvolvimento progressivo dos direitos humanos?


R: Consiste na obrigação que os Estados têm de conseguir progressivamente dar plena efetividade aos
direitos sociais, econômicos, é um dos fundamentos jurídicos da vedação do retrocesso.

14. A prisão em flagrante e a prisão provisória viola algum direito humano?


R: Somente se forem ilegais ou não respeitarem os direitos do preso, violam o princípio da presunção de
inocência ou da dignidade humana. A própria Constituição permite a prisão em flagrante e a provisória
oriunda de ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária. O STF entendeu que não há direito
absoluto na expressão trânsito em julgado em relação a prisão, permitindo assim a prisão antes do
trânsito em julgado.

15. A expressão “prestações negativas” se refere a que geração de direito? Por quê?
R: se refere a primeira geração de direitos, porque o Estado deve proteger a esfera de autonomia do
indivíduo. Também são chamados de direito de defesa.

16. Por que os direitos humanos representam uma “formulação normativa aberta”?
R: Porque uma das suas características é a sua preponderante aplicação por princípios, a sua estrutura é
principiológica, sendo raros os casos estritos de suas normas, portanto suas normas são abertas.

17. Costume gera direito?


R.: O costume pode gerar direito quando, diante de um caso concreto, a lei não for satisfatória. Ele surge
quando a prática reiterada de certos atos é capaz de criar, no meio social, a convicção de sua
obrigatoriedade. Para que tenha valor jurídico é necessário que a prática seja habitual e a crença de que
tais atos são indispensáveis à coletividade.

18. O direito à paz pertence a qual geração de direito?


R.: Inicialmente o direito à paz foi classificado com um direito de 3ª geração, visto que tal dimensão
aborda os direitos da comunidade, ligados à fraternidade e solidariedade. Por entender que o direito à paz
é um axioma da democracia participativa e direito supremo da humanidade, Bonavides propôs a sua
reclassificação em uma dimensão nova e autônoma para dar a ele relevância devida, incluindo-o nos
direitos de 5ª dimensão.

19. O que é o princípio da proporcionalidade no tratamento da aplicação da força previsto no


Código de Conduta?
R.: A proporcionalidade significa que os policiais devem agir com a força estritamente necessária na
medida exigida para o cumprimento de seu dever, não podendo agir de forma abusiva a ponto de violar a
integridade e demais direitos da pessoa submetida àquela medida.

Examinador: BARBARA LISBOA TRAVASSSOS

20. Como podem ser classificados os Direitos Humanos?


 Direitos de 1ª geração- civis e políticos ; 2º geração – socias , econômicos e culturais; 3ª geração
– direitos difusos e coletivos ; 4ª geração – democracia / manipulação genética ; 5ª geração –
direito a paz ; 6ª geração - pluralismo político, informação, busca da felicidade, agua potável.
 Sujeito ativo (individuo possui competência para influenciar na formação da vontade do estado) e
passivo (o indivíduo se encontra em posição de subordinação com o estado; possui deveres com
o estado). Positivo (indivíduo tem direito de exigir do Estado que este atue) e Negativo
(abstenção por parte do estado, ou seja, o indivíduo goza de um espaço de liberdade).
 Direitos de defesa e Direitos a prestação

21. Quais são os Direitos Humanos de quarta, quinta e sexta geração?


R.: A quarta dimensão de direitos humanos corresponde à fase de institucionalização do Estado Social,
sendo imprescindível para a realização e legitimidade da globalização política, responsável por
introduzir, no âmbito jurídico, os direitos à democracia, informação e pluralismo.
Os direitos de quinta dimensão estão relacionados, conforme alguns autores, à evolução da cibernética e
de tecnologia como a realidade virtual e a internet. Outros consideram como sendo o direito á paz,
supremo direito da humanidade e axioma da democracia participativa.
O direito de sexta dimensão está relacionado à agua potável, que é um exemplo de direito fundamental
de terceira dimensão, mas por sua relevância, merece ser destacada e alçada a um plano que justifique o
nascimento de uma nova dimensão de direitos.

22. Fale sobre o princípio da proporcionalidade.


R.: Princípio da proporcionalidade consiste na aferição da idoneidade, necessidade e equilíbrio da
intervenção estatal em determinado direito fundamental. Portanto, tal princípio exige que a restrição
imposta seja adequada, necessária e proporcional em sentido estrito. A adequação envolve a analise do
meio empregado e do objetivo a ser alcançado. O elemento necessidade visa identificar medidas menos
restritivas, mas tão eficiente quanto. Por fim, o elemento da proporcionalidade em sentido estrito exige
que o interprete realize uma avaliação do custo benefício da decisão normativa avaliada.

23. Discorra sobre o pacto dos direitos civis e políticos.


R.: O Pacto dos Direitos Civis e Políticos foi adotado pela ONU em 1966 e incorporado ao Brasil em
1992. Portanto, pertence ao sistema global de direitos humanos e impõe aos Estados o dever de respeitar
e garantir os direitos nele enunciados. Abrange os direitos de 1ª geração , por exemplo, liberdade de
expressão, integridade do preso , presunção de inocência, etc, Além disso, tal pacto possui aplicação
imediata, o que significa que seus direitos podem ser exigidos de plano. Vale destacar que o segundo
protocolo facultativo não não aboliu a pena de morte permitindo sua aplicação em tempo de guerra em
virtude de condenação por infração penal de natureza militar de gravidade extrema cometida em tempo
de guerra.

24. Em que contexto foram criados os direitos econômicos e sociais?


R.: Foram criados no contexto da fragilidade dos direitos liberais, tendo em vista que a liberdade não
garantia a efetivação dos direitos. Dessa forma, foram feitas reivindicações de um papel ativo do Estado
para assegurar uma condição material mínima de sobrevivência.
Os direitos humanos de segunda geração são frutos das chamadas lutas sociais na Europa e Américas,
sendo seus marcos a Constituição mexicana de 1917 (que regulou o direito ao trabalho e à previdência
social), a Constituição alemã de Weimar de 1919 (que, em sua Parte II, estabeleceu os deveres do Estado
na proteção dos direitos sociais) e, no Direito Internacional, o Tratado de Versailles, que criou a
Organização Internacional do Trabalho , reconhecendo direitos dos trabalhadores (ver a evolução
histórica dos direitos humanos).

25. Discorra sobre a incorporação dos tratados de Direitos Humanos conforme a EC n° 45/2004.
R.: Com a EC 45/04, os tratados internacionais passaram a ter uma tripla hierarquia normativa. Explico.
Os tratados de direitos humanos que forem incorporados no direito brasileiro seguindo o mesmo
processo legislativo utilizado para as demais leis, terão status de lei ordinária federal.
Entretanto, em se tratando de tratado internacional de direitos humanos, eles poderão ser incorporados
no ordenamento jurídico brasileiro com dois status: status de norma supralegal, porém,
infraconstitucional; e status de emenda constitucional. Se o processo legislativo utilizado para incorporar
o tratado de direitos humanos no Brasil for o comum, ele terá status de norma supralegal, isto é, estará
acima das leis ordinárias federais e abaixo da constituição. Ocorre que se for utilizado o mesmo processo
das Emendas Constitucionais – quórum de 3/5 votado em dois turnos das duas casas do congresso
nacional -, este tratado internacional de direitos humanos terá o status de Emenda Constitucional.

26. Cite e explique três características de direitos humanos.


R.: A indivisibilidade consiste no reconhecimento de que todos os direitos humanos possuem a mesma
proteção jurídica. A interdependência significa o reconhecimento de que todos os direitos humanos
contribuem para a realização da dignidade humana. A imprescritibilidade significa que tais direitos não
se perdem pela passagem do tempo. Existindo o ser humano, esses direitos são inerentes.

27. Em que momento os direitos sociais passaram a ser positivados como direitos fundamentais
nas constituições?
R.: Historicamente, são frutos de revoluções socialistas. Foram inseridos no campo constitucional de
modo pioneira na Constituição do México (1917) e Weimar (1919). No Brasil, a CF/1934 é o marco
inicial de introdução dos direitos sociais, mas foram incluídos no capítulo da “ordem econômica e
social”. Já na CF/88 temos um capítulo específico sobre, e ainda consagrou a não exaustividade dos
direitos sociais.

28. Por que temos dois pactos, um de direitos econômicos e outro de direitos sociais?
R.: A verdadeira razão teria sido “a dificuldade para se chegar a acordo sobre os mecanismos de
monitoramento de sua implementação”, na medida em que os Estados se expunham a uma espécie de
controle externo sobre suas ações no plano interno, e tal encontrava forte resistência.
Divergências entre os blocos mundiais soviético e "ocidental" levaram à adoção de dois tratados
distintos. Proposta da formulação de um só pacto abrangente, defendida pelos países alinhados à União
Soviética, foi derrotada pelo entendimento de que os direitos civis e políticos possuem diferente natureza
que os econômicos, sociais e culturais, especialmente porque os primeiros seriam de aplicação imediata
e, portanto, passíveis de cobrança, enquanto os demais seriam realizáveis progressivamente, sem que se
pudesse exigir do Estado sua concretização. Outro argumento prevalecente foi a diferença entre os
mecanismos de supervisão: como os direitos civis e políticos deveriam ser implementados
imediatamente, dizendo respeito fundamentalmente às liberdades individuais, sua violação poderia ser
denunciada a um órgão fiscalizador (posteriormente denominado Comitê de Direitos Humanos). Já os
econômicos, sociais e culturais se realizariam apenas diante da cooperação internacional e dos esforços
de cada Estado, não sendo possível, assim, a aplicação do sistema de denúncias.

29. Quais os princípios que regem o Brasil nas suas relações internacionais?
R.: Os princípios que regem o Brasil nas suas relações internacionais são independência nacional,
prevalência dos direitos humanos, autodeterminação dos povos, não intervenção, igualdade entre os
Estados, defesa da paz, solução pacífica dos conflitos, repúdio ao terrorismo e ao racismo, cooperação
entre os povos para progresso da humanidade e concessão de asilo político.

30. Existe algum órgão de monitoramento de Direitos Humanos previstos na Corte


Interamericana? Quais são?
R.: Sim, os comitês são órgãos de monitoramento e possuem a função de acompanhar e fiscalizar a
continuidade do cumprimento dos tratados pelos Estados, sob pena de imposição de sanções.

31. Cite os órgãos que compõem o sistema regional.


R.: No sistema interamericano – Comissão e a Corte
No sistema Europeu – Corte que faz juízo de admissibilidade e de mérito sendo a Comissão
absorvida por ela
No sistema africano – Comissão e a Corte
32. Fale sobre: Diversidade, preconceito e discriminação.
R.: Diversidade é a forma original e plural de algum aspecto, seja cultural, religioso, sexual, a qual pode
gerar discriminação e preconceito. Preconceito é a opinião preconcebida sobre pessoa ou algo sem o
necessário conhecimento para isso. Discriminação, por sua vez, é o ato de fazer distinção, exclusão ou
preferência em razão das diferenças, das diversidades.

33. O que se entende por políticas públicas de combate à discriminação?


R. Trata-se de conjunto de programas, ações e atividades desenvolvidas pelo Estado e pela comunidade
que visa coibir a discriminação, especialmente daqueles grupos historicamente violados. Como exemplo
podemos citar as ações afirmativas. Como exemplo podemos citar a Lei nº 12.288/2010 (Estatuto da
Igualdade Racial).

34. O que é política pública afirmativa?


R. Trata-se de ações afirmativas, ou seja, programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela
iniciativa privada para a correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de
oportunidades. Ex. Cotas para preenchimento de cargos públicos.

35. Acerca de um comentário preconceituoso em rede social, como se pode determinar a


competência, ou seja, se afeta à justiça estadual ou à federal?
R. O comentário preconceituoso pode ou não ensejar a tipificação como crime a depender da sua
natureza (Ex. Comentário homofóbico n é crime, embora possa ensejar indenização no cível). Se incidir
em crime, a doutrina, por todos Cleber Masson, e jurisprudência do STJ, tem-se consolidado no sentido
de que, para a fixação da competência da Justiça Federal, deve estar caracterizada lesão a bens, serviços
ou interesse da União, ou então que a conduta criminosa esteja prevista em tratado ou convenção
internacional de que o Brasil seja signatário (art. 109, IV e V, da CF)
Entretanto, tratando-se de conduta dirigida a uma pessoa determinada e não à coletividade, afasta-se a
competência da Justiça Federal. STJ CC Nº 120.559 - DF.

36. E se houver repercussão internacional, acarreta alguma alteração na competência?


R. conforme o art. 109, V, da CF, se o fato praticado tiver repercussão internacional e estiver previsto
em tratado ou convenção internacional da qual o Brasil seja signatário, atrai a competência da justiça
federal, tendo em vista que a omissão estatal poderá acarretar responsabilização da República Federativa
do Brasil perante os organismos internacionais.

37. Cite três características de direitos humanos.


R. Os direitos humanos (aqueles internacionalmente reconhecidos) apresentam diversas características.
Dentre elas podemos destacar: Historicidade - são frutos de uma evolução histórica, de modo que não
surgiram todos ao mesmo tempo; irrenunciabilidade - não pode ser renunciado pelo seu titular (embora
se admita em relação aos direitos disponíveis o seu não-exercício); imprescritibilidade - o decurso do
tempo não acarreta a prescrição.

38. Quais foram as primeiras manifestações de direitos humanos, historicamente falando?


R. A doutrina em direitos humanos diverge acerca das primeiras manifestações relativas aos Direitos
Humanos. Mas concordam os autores em relação a sua previsão inicial no Código de Hamurabi, na
Mesopotâmia, as leis de Sólon e Péricles, na Grécia, as Leis das XII Tábuas e a jurisprudência de Cícero,
na Roma Republicana.

39. O mandado de segurança encontra previsão similar em documentos de Direitos Humanos?


R. Na visão de muitos constitucionalistas, por todos Alexandre de Morais, o mandado de segurança,
ainda que embasado em instituições alienígenas, constitui-se em singular produto jurídico brasileiro, e
“não encontra instrumento absolutamente similar no direito estrangeiro".

40. Em que momento os direitos sociais passaram a ser positivados em constituição federal de
outros países?
R. Final da 1ª Guerra Mundial , com a Revolução Russa e mexicana. Segundo Fabio Comparato,
afirmação dos direitos sociais se deu a partir da constatação da fragilidade dos direitos liberais. Nesta
linha, a Constituição Mexicana de 1917 foi a primeira a atribuir aos direitos trabalhistas (que são direitos
sociais) a qualidade de direitos fundamentais, juntamente com as liberdades individuais e os direitos
políticos. Em 1918 na Rússia, tivermos a Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado. E
em 1919, a Constituição alemã de Weimar criou o Estado da Democracia Social, que representou a
melhor defesa da dignidade humana, complementando os direitos civis e políticos com os direitos
econômicos e sociais, ignorados na revolução industrial pelo liberal-capitalismo.

41. Acerca da flexibilização de direitos trabalhistas, qual a discussão em torno do assunto?


R. A flexibilização das condições de trabalho é o conjunto de regras que tem por objetivo instituir
mecanismos tendentes a compatibilizar as mudanças de ordem econômica, tecnológica, política ou social
existentes na relação entre capital e o trabalho” (MARTINS, 2002, p. 21-25). O que se discute é se esta
flexibilização dos direitos trabalhistas, como direitos sociais que são, violaria ou não os direitos
fundamentais. A luz de uma teoria dos direitos fundamentais, o que não se pode violar é o núcleo
fundamental do direito em tela. Logo, a discussão não é pacificada. Mas parece prevalecer nas cortes o
entendimento de que a flexibilização é constitucional dada a necessidade de progresso.

42. Fale sobre a ONU.


R. A partir das barbáries praticadas durante a segunda guerra mundial, os países decidiram que seria
necessário a criação de uma organização intergovernamental no intuito de evitar que conflitos como
aquele voltassem a acontecer. Em 24 de outubro de 1945 foi criada a ONU como o objetivo de manter a
paz internacional, garantir os Direitos Humanos, promover o desenvolvimento socioeconômico das
nações, incentivar a autonomia das etnias dependentes, tornar mais fortes os laços entre os países
soberanos. A Carta das Nações Unidas define como objetivos principais da ONU: a defesa dos direitos
fundamentais do ser humano; garantir a paz mundial, colocando-se contra qualquer tipo de conflito
armado; busca de mecanismos que promovam o progresso social das nações; criação de condições que
mantenham a justiça e o direito internacional. Para tanto a ONU é composta por diversos órgãos de
fiscalização dos seus objetivos.

43. Conceitue Direitos Humanos:


R. O conceito de direitos humanos não é um conceito unívoco, mas sim um conceito equívoco, ou seja,
plural. Direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça,
sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Na teoria dos direitos humanos,
estes são tidos como direitos reconhecidos internacionalmente em diplomas (tratados e convenções),
onde estados soberanos reconhecem determinados direitos como importantes à proteção dos indivíduos
não como objetos, mas sim como pessoas.

44. Dentre os princípios pelo qual o Brasil se pauta nas suas relações internacionais, quais se
relacionam aos direitos humanos?
R. Prevalência dos direitos humanos, repúdio ao terrorismo e ao racismo, cooperação entre os povos para
o progresso da humanidade ,defesa da paz , solução pacífica dos conflitos

45. Segundo o protocolo de tráfico de pessoas, o que se entende por tráfico de pessoas?
R. De acordo com o art. 3° do protocolo adicional das Nações unidas contra o crime organizado
transnacional relativo à prevenção, repressão e punição do trafico de pessoas, em especial mulheres e
crianças, a expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento, o transporte, a transferência, o
alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de
coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à
entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha
autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da
prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados,
escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos;

46. Por que esse protocolo faz uma referência especial às mulheres e crianças”?
R. Pesquisei em doutrina e não encontrei a explicação. Porém vou desenvolver como responderia esta
questão. O protocolo adicional das nações unidas contra o crime organizado transnacional relativo à
prevenção, repressão e punição do tráfico de pessoas, em especial mulheres e crianças, dá ênfase aos
grupos mais vulneráveis, notadamente as mulheres e crianças, por serem as principais vitimas dos crimes
relacionados ao tráfico de pessoais.

47. Diferencie asilo de exílio.


R. Asilo é o mesmo que proteção, amparo. Já exílio é isolamento social ou expatriação, seja voluntária
ou coagida, é o caso de pessoa que é expulsa do país ou que resolve deixar sua pátria. O asilo político é a
acolhida ou proteção que um país garante ao estrangeiro perseguido por motivos políticos e que lhe
solicita abrigo. O exílio político é geralmente forçado, involuntário, embora haja casos de pessoas que se
exilaram por vontade própria.

48. É possível deslocar a competência da justiça estadual para a federal na hipótese de grave
violação de direitos humanos?
R. Sim é possível. Nos termos do art. 109, parágrafo 5°, da CF, ocorrendo grave violação dos direitos,
com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de
direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá o PGR, suscitar, perante o STJ (3° seção), em
qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça
Federal. Para tanto, deve ser observado alguns requisitos, quais sejam: que o crime esteja previsto em
tratado ou convenção internacional; ineficácia das autoridades locais em investigar e processar;
possibilidade de o Brasil ser punido pela ausência de proteção aos direitos humanos.

49. O que se entende por grave violação de direitos humanos?


R: Existe quando há ameaça efetiva e real ao cumprimento de obrigações assumidas por meio de tratados
internacionais de direitos humanos firmados pelo Brasil, resultante de inércia, negligência, falta de
vontade política ou de condições reais de o Estado-membro, por suas instituições e autoridades, proceder
à devida persecução penal.

50. Cite um caso de grave violação de Direitos Humanos no Brasil.


R: O primeiro a ser aceito foi o Caso Manoel Mattos (advogado e defensor dos direitos humanos), em
2010.

51. Fale sobre o princípio da complementaridade do estatuto de Roma.


R: A jurisdição do TPI é exercida de maneira complementar em relação à jurisdição penal nacional dos
Estados, os quais possuem o dever primário de apurar, processar e julgar os crimes abrangidos na
competência do Tribunal Internacional. A atuação do TPI se justificará quando da não atuação, ou da
atuação irregular, dos Tribunais nacionais, eis que, se justificará atuação da Corte Internacional.

52. É possível uma associação ingressar solicitação diretamente à Corte Interamericana?


R: Associação não possui legitimidade para submeter um caso à Corte, pois somente tem competência
para ingressar perante a Corte, somente os Estados partes e a Comissão têm direito de submeter um caso
à decisão da Corte. Porém, as pessoas e entidades poderão, se o processo já tiver tramitando, requerer a
Corte medidas provisórias para evitar danos irreparáveis (art. 63.2).

53. A associação pode ingressar na Corte Americana como amicus curiae?


R: Qualquer pessoa ou instituição de qualquer país pode apresentar um amicus curiae, no qual, oferecem
voluntariamente sua opinião a respeito de algum aspecto relacionado com o mesmo, para colaborar com
o Tribunal na resolução da sentença.

54. Fale sobre a competência do TPI.


R: A jurisdição do TPI se limita a crimes mais graves, que afetam a comunidade internacional em seu
conjunto, tenso a Corte competência para julgar o crime de genocídio, crime contra a humanidade, crime
de guerra e o crime de agressão (Estatuto, artigo 5º).

55. Fale sobre genocídio


R: Entende-se por genocídio qualquer um dos atos que a seguir se enumeram, praticado com a intenção
de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, ético, racial ou religioso, enquanto tal (artigo 6º): a)
homicídio de membros do grupo; b) ofensas graves à integridade física ou mental de membros do grupo;
c) sujeição internacional do grupo a condições de vida com vista a provocar a sua destruição física, total
ou parcial; d) imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo; e) transferência,
à força de criança do grupo para outro grupo.

56. Em que consiste a cláusula da reserva do possível?


R: Essa teoria consiste diz que os direitos sociais, por exigirem uma disponibilidade Financeira do
Estado para sua concretização, estariam sujeitos a uma cláusula, denominado de cláusula de reserva
financeiramente possível, ou simplesmente reserva do possível, sendo necessário analisar se há
possibilidade financeira ou se é impossível financeiramente. Exemplo clássico é o salário mínimo,
mesmo sabendo dos benefícios não são efetivamente garantidos, sabemos que não é possível
simplesmente dobra o salário mínimo.

57. O que são prestações positivas na segunda geração?


R.: Significa que sua realização depende da implementação de políticas públicas estatais, do
cumprimento de certas prestações sociais por parte do Estado, tais como: saúde, educação, trabalho,
habitação, previdência e assistência social.

58.O que são prestações negativas na primeira geração?


R.: São direitos dos indivíduos e são oponíveis, usualmente, ao Estado, na medida em que exigem deste,
principalmente, uma abstenção, um não fazer – e não um agir ou uma prestação estatal – possuindo,
dessa forma, caráter negativo.

59.Como se relacionam o direito de reunião e o pacto?


R.: Em relação ao direito de reunião, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos assim prevê, no
artigo 21: “O direito de reunião pacífica será reconhecido. O exercício desse direito estará sujeito apenas
às restrições previstas em lei e que se façam necessárias, em uma sociedade democrática, no interesse da
segurança nacional, da segurança ou da ordem pública, ou para proteger a saúde ou a moral pública ou
os direitos e as liberdades das demais pessoas.”

60.No que consiste o “livro obrigatório” nas regras de tratamento mínimo para preso?
R.: A regra 6 previsto nas regras de Mandela determina que deverá existir um sistema padronizado de
gerenciamento dos registros dos presos em todos os locais desencarceramento. Tal sistema pode ser um
banco de dados ou um livro de registro, com páginas numeradas e assinadas.
OBS: TENHO DÚVIDA EM RELAÇÃO A ESSA RESPOSTA.

61.Atendimentos médicos e psicológicos estão nas regras mínimas?


R.: Sim. Segundo a Regra 24, 1. O provimento de serviços médicos para os presos é uma
responsabilidade do Estado. Os presos devem usufruir dos mesmos padrões de serviços de saúde
disponíveis à comunidade, e os serviços de saúde necessários devem ser gratuitos, sem discriminação
motivada pela sua situação jurídica.
Já em relação ao atendimento psicológico, a aregra 25, 2. prevê que Os serviços de saúde devem ser
compostos por equipe interdisciplinar e deve abranger a experiência necessária de psicologia e
psiquiatria.

62.É possível o contraditório no IP


R.: A nossa Constituição assegura o contraditório e ampla defesa nos processos judiciais e
administrativos, bem como os meios e recursos a ela inerentes. Porém, os inquéritos (policial, civil ou
ainda administrativo) são procedimentos inquisitivos, visando a coleta de fatos, sem ser informados pelo
contraditório e ampla defesa.

63. Em âmbito internacional, que direito se refere ao contraditório?


No âmbito internacional o direito a que se refere o contraditório é o direito às garantias judiciais,
previsto no art. 8 do Pacto de São José da Costa Rica e mencionado também no art. 14 do Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos.
64.Em que momento pode ser realizado o contraditório?
R.:A nossa Constituição assegura o contraditório e ampla defesa nos processos judiciais e
administrativos, bem como os meios e recursos a ela inerentes. Assim, somente após o inquérito, com o
início do processo judicial, os atos de supressão ou limitação de direitos devem ser submetidos a ampla
defesa e contraditório.

65. Em que consiste a primazia da norma mais favorável (pro homine)?


R: O princípio da interpretação pro homine impõe a necessidade de que a interpretação normativa seja
feita sempre em prol da proteção dada aos indivíduos, não podendo ser interpretada restritivamente ao
favor do Estado. Desse princípio nascem três diretrizes: interpretação sistemática de modo a reconhecer
direitos inerentes mesmo que implícitos, eventuais limitações a direito devem ser restritivas e
interpretação pro homine na análise das omissões e lacunas.

66. Que restrições haveria ao direito de reunião de forma pacífica?


R: O direito de reunião de forma pacífica não pode inviabilizar outra reunião no mesmo horário e deve
cumprir requisito formal de aviso prévio à autoridade competente. (Art.5°, XVI da CF).

Direitos Humanos - Examinadora: Gislaine Aparecida Santanieli

67. Quais os tratados internacionais de combate à tortura no Sistema Global e Regional?


R: O tratado internacional de combate á tortura no sistema global é a Convenção contra a Tortura e
Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes e o Protocolo Opcional. No sistema
regional temos a Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura.

68. As regras mínimas das Nações Unidas para tratamento de presos preveem que não será usada
força. Essa regra prevê exceção?
R: Essa regra prevê exceções.
“Os funcionários das unidades prisionais não devem, em seu relacionamento com os presos, usar de
força, exceto em caso de autodefesa, tentativa de fuga, ou resistência ativa ou passiva a uma ordem
fundada em leis ou regulamentos. Agentes que recorram ao uso da força não devem fazê-lo além do
estritamente necessário e devem relatar o incidente imediatamente ao diretor da unidade prisional.” ( Art.
82, 1, das Regras Mínimas das Nações Unidas).

69. Em que termos?


R: Os agentes que recorram ao uso da força devem respeitar o estritamente necessário e relatar o
incidente imediatamente ao diretor da unidade.
(Art. 82, 1, das Regras Mínimas das Nações Unidas) .

70. Em caso de legítima defesa do funcionário?


R: Em caso de autodefesa o funcionário pode também usar de força. (questão foi respondida de forma
mais completa no item 68)

71. Caso o funcionário tenha recorrido ao uso de força, faz necessária alguma comunicação nos
termos das regras mínimas?
R: Caso o funcionário recorra ao uso da força é necessário que o incidente seja comunicado
imediatamente ao diretor da unidade. (Art. 82, 1, das Regras Mínimas das Nações Unidas)

72. O Estatuto de Roma admite prisão perpétua?


R: O Estatuto de Roma admite prisão perpétua. Pode impor prisão até o limite máximo de 30 anos; ou
ainda pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do
condenado o justificarem. Art. 77, 1, a e b do Estatuto.

73. Em que caráter? Absoluto ou excepcional?


R: A prisão perpétua é de caráter excepcional, pois somente pode ser decretada se o elevado grau de
ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o justificarem. Art. 77, 1, a e b do Estatuto.

74. Em que circunstâncias?


R: Somente pode ser decretada, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do
condenado o justificarem. Art. 77, 1, a e b do Estatuto.

75. Há conflito entre o Estatuto de Roma e a CF/88 (Artigo 5º, XLVII)?


R: Não há conflito. Não se aplica á entrega a vedação da pena de caráter perpétuo existente internamente
e nos processos extradicionais à integra de um indivíduo ao TPI. A Emenda Constitucional 45/2004
introduziu o §4° no art. 5 da CF para afastar eventual alegação de inconstitucionalidade ao dispor que o
Brasil se submete à jurisdição do TPI.

76. Litígios no sistema global e regional → qual órgão ou corte competente para julgar os crimes
internacionais?
R: No sistema global, os crimes internacionais são julgados pelo Tribunal Penal Internacional.
77. Onde foi criado e onde passou a funcionar o Tribunal Penal Internacional?
R: Em 1998, durante a Conferência Intergovernamental em Roma, foi adotado o texto do tratado
internacional que cria o Tribunal Penal Internacional.
A sede do tribunal se localiza em Haia, conforme art. 3, 1, do Estatuto.

78. Quais os órgãos que compõem o Tribunal Penal Internacional?


R: São quatro órgãos: Presidência, Divisão Judicial, Procuradoria e Secretariado.
Conforme art. 34 do Estatuto: O Tribunal será composto pelos seguintes órgãos: a) A Presidência; b)
Uma Seção de Recursos, uma Seção de Julgamento em Primeira Instância e uma Seção de Instrução; c)
O Gabinete do Procurador; d) A Secretaria.

79. Diferencie entrega e extradição, nos termos do Estatuto de Roma.


R: O art. 102 do Estatuto diferencia a extradição do ato de entrega. A entrega é utilizada no caso de
cumprimento de ordem de organização internacional de proteção dos direitos humanos, como é o caso
do TPI. Já a extradição é termo reservado ao ato de cooperação jurídica internacional penal entre estados
soberanos.

80. Sobre qual ente recai a responsabilidade pela violação de tratados de proteção de direitos
humanos?
R: É de responsabilidade do Estado Federal a responsabilização pela violação de tratados, mesmo
quando o fato internacionalmente ilícito seja da atribuição interna de um Estado-membro da Federação.
Assim, a Federação responde pela conduta de seus entes internos.

81. Quais os objetivos do Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas,


Especialmente Mulheres e Crianças?
R. Os objetivos são especificados no Art. 2º do DECRETO Nº 5.017, DE 12 DE MARÇO DE 2004, que
dita: “Os objetivos do presente Protocolo são os seguintes:
a) Prevenir e combater o tráfico de pessoas, prestando uma atenção especial às mulheres e às crianças; b)
Proteger e ajudar as vítimas desse tráfico, respeitando plenamente os seus direitos humanos; e c)
Promover a cooperação entre os Estados Partes de forma a atingir esses objetivos.

82. O termo criança diz respeito a pessoa de que idade nos termos do Protocolo?
R. Diferente do que prevê o ECA (12 anos), o Protocolo define criança como sendo qualquer pessoa com
idade inferior a dezoito anos em seu Art. 3º.

83. Cabe prisão do depositário infiel no nosso ordenamento jurídico?


R. Conforme Súmula Vinculante nº 25 é ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a
modalidade do depósito. Esse entendimento foi construído a partir da ideia de status supralegal assumido
pelo pacto de São José da Costa Rica, que suspendeu a legislação infralegal que regulamentava tal tema.

84. O pacto está incorporado em nosso ordenamento com que status?


R. O pacto foi incorporado ao nosso ordenamento com status supralegal.

85. Efetivamente ou há previsão genérica dos direitos humanos?


R. No corpo da convenção há efetivamente previsão de direitos humanos, principalmente no que tange
aos direitos civis e políticos, mas o que não esgota a previsão, servindo como diretriz.

86. Na Convenção, consta somente direitos humanos de 1ª Geração?


R. Os direitos de primeira dimensão são tratados extensivamente ao longo do texto da Convenção
(direitos civis e políticos), sendo que há apenas menção expressa à implementação progressiva de
direitos de segunda geração (Art. 26), ou seja, no corpo da convenção não há direitos de segunda geração
propriamente ditos.

87. Aponte dois princípios pelos quais o Brasil se rege nas relações internacionais.

R. (TODOS)Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos
seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III -
autodeterminação dos povos; IV – não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da
paz;VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre
os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político.

88. Explique um deles.


R. Autodeterminação dos Povos - Este princípio garante o direito de um Estado de se autogovernar,
fazendo escolhas e tomando decisões sem que ocorra intervenção externa ou influências de outros
países, com o propósito de se estabelecer relações amistosas entre as nações e que se fortaleça a paz
mundial. De acordo com a Carta das Nações Unidas, o propósito deste princípio é desenvolver relações
amigáveis entre os Estados, com base no respeito da autodeterminação dos povos.

89. O que é a indivisibilidade dos direitos humanos?


R. A partir desse princípio podemos afirmar que os direitos humanos compõem um único conjunto de
direitos, uma vez que não podem ser analisados de maneira isolada, separada. Afirma-se, então, que o
desrespeito a um deles constitui a violação de todos ao mesmo tempo, ou seja, caso seja descumprido
seria com relação a todos.
90. Cite os direitos humanos em gerações.
R. 1º Geração (Civis e políticos); 2º Geração (Sociais, econômicos e culturais); 3º Geração (Difusos e
Coletivos); 4º Geração (Bobbio – Pesquisas biológicas e patrimônio genético/ Paulo Bonavides –
Democracia, direito à informação e pluralismo político); 5º Geração (PARA PAULO BONAVIDES –
direito à paz).

91. Cite três tratados internacionais pertencentes ao Sistema Global.


R. Declaração Universal dos Direitos Humanos; Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais; Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.

92. Explique a irrenunciabilidade dos Direitos Humanos.


R. Em geral, não é possível a renúncia dos direitos humanos, pois, como são direitos inerentes à
condição humana, ninguém pode abrir mão de sua própria natureza.
Dessa característica decorre que eventual manifestação de vontade da pessoa em abdicar de sua
dignidade não terá valor jurídico, sendo reputada nula. Um exemplo é o famoso caso francês do
"arremesso de anões", espécie de "entretenimento" outrora adotado em bares franceses, consistente em
arremessarem anões em direção a uma "pista" de colchões, como se fossem dardos humanos.

93. Se a proteção à vida é irrenunciável, explique o aborto permitido pela lei e a recusa à
transfusão de sangue pelas Testemunhas de Jeová.

R. Uma das características dos Direitos Humanos é a RELATIVIDADE, para essa característica os
direitos humanos não são absolutos, podendo sofrer limitações no caso de confronto com outros direitos.
Então, funda-se nessa característica a previsão legal dos casos de aborto e a possibilidade de recusa à
transfusão de sangue, em que pese, nesse último caso existirem divergências.

94. Há duas correntes sobre a incorporação dos tratados internacionais no ordenamento interno.
Quais são?
R. Não tenho certeza sobre qual aspecto a pergunta se refere, entretanto, para doutrina existem dois
modelos, o monista e dualista. Para o monista somente a partir da ratificação e do depósito do tratado no
plano internacional o Estado estaria vinculado internacional e internamente. Já para a Teoria Dualista,
somente com a promulgação do tratado internacional seria possível falar em vinculação interna.
Apesar da doutrina majoritária no país adotar a teoria monista, o STF se pronunciou na ADIn n. 1.480-
DF, no sentido de que o Brasil adota na verdade a teoria dualista moderada.
A doutrina considera a posição do Brasil como monista por admitir o conflito entre norma de direito
interno e norma de direito internacional, colocando-as em um mesmo plano. Seria, porém, de forma
moderada porque há a equiparação do tratado internacional à lei ordinária pela jurisprudência do STF

95. Quem é o sujeito ativo do crime de tortura pelo Tratado e pela nossa lei de tortura (Lei nº
9.455/97)?
R. O artigo 1º, 1 do tratado exige a vinculação, ainda que indireta do agente com o Estado.
A nossa lei de tortura é mais abrangente, abarcando as condutas praticadas por qualquer pessoa, sendo
em geral, crimes comuns, com algumas pontuais exceções.

96. Comente duas garantias que uma pessoa terá pelo Pacto Internacional sobre Direitos Civis e
Políticos.
R. Garantia de igualdade formal (Art. 26) - Com previsão semelhante ao texto constitucional, o Pacto
Internacional sobre Direitos Civis e Políticos prevê expressamente que todas as pessoas são iguais
perante a lei e têm direito, sem discriminação alguma, a igual proteção da Lei.
Ainda, no mesmo artigo é prevista a garantia de NÃO DISCRIMINAÇÃO, afirmando o texto que a lei
deverá proibir qualquer forma de discriminação e garantir a todas as pessoas proteção igual e eficaz
contra qualquer discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra
natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra situação.

97. Constituição Federal e Regras Mínimas das Nações Unidas para Tratamento dos Presos.
Governo do Estado, Decreto 12 proibindo o uso de algemas em parturientes. Em que
circunstâncias?
R.: De acordo com o Decreto n. 53.783/2012, no Estado de São Paulo, antes mesmo das Regras Mínimas
das Nações Unidas para o Tratamento de Presos (Regras de Mandela), que são de 2015, o uso de
algemas em parturientes é proibido durante o trabalho de parto e após o parto, ou seja, durante o período
de internação em estabelecimento de saúde. Essa vedação vai ao encontro dos princípios constitucionais
da dignidade da pessoa humana e da integridade física da parturiente presa (artigos 1º, III, 5º, III e XLIX,
da CR/88).

98. Todos os tratados são suscetíveis de denúncia?


R.: Denúncia é o ato unilateral pelo qual uma parte em um tratado anuncia sua intenção de se
desvincular de um compromisso internacional. Quando o tratado é silente em relação à denúncia, pode
ser que ela não seja possível, a depender da natureza do tratado (art. 56 da Convenção de Viena de
1969). A doutrina dá, dentre outros, como exemplos de tratados que não admitem denúncia: os tratados
de paz e de demarcação de fronteiras.
99. Fale sobre o Tribunal de Nuremberg e sua importância para o processo de internacionalização
dos direitos humanos.
R.: O Tribunal de Nuremberg foi criado pelo Acordo de Londres (1945/1946), em resposta às
atrocidades cometidas durante a segunda guerra mundial. Sua instituição foi um enorme avanço para o
processo de internacionalização dos direitos humanos, apesar das críticas de ter sido um tribunal ad hoc
(criado após o fato), porque representou a reação imediata da sociedade internacional às violências e
barbáries perpetradas durante o Holocausto, especialmente por processar e julgar os “grandes criminosos
de guerra” do Eixo europeu. Interessante destacar que o Tribunal de Nuremberg foi de significativa
importância para, depois, criar-se o Tribunal Penal Internacional. (Obs. Pergunta muito genérica: acho
que daria para falar outras coisas)

100. E a ideia de limitação da soberania do Estado? Fez parte?


R.: A limitação da soberania do Estado faz parte do processo de internacionalização dos direitos
humanos. Após as duas grandes guerras, principalmente para os estudiosos do Direito Internacional, a
soberania dos Estados, que antes era tida como absoluta, sofre uma relativização, tendo em vista não ser
admitida a violação de direitos humanos em seu nome. Tanto é verdade que, atualmente, existem
sistemas globais e regionais de proteção aos direitos humanos onde os Estados são punidos casos eles
sejam violados.

101. Quais os marcos históricos da 2ª geração dos direitos humanos?


R.: Os direitos humanos de segunda geração surgem com maior força após a Primeira Guerra Mundial,
quando começa a se fortalecer a concepção de Estado de Bem-Estar Social. Porém, em virtude da
revolução industrial, na Constituição Francesa de 1948 foram consagrados direitos econômicos e sociais.
Outros documentos históricos importantes foram a Constituição Mexicana de 1917, o Tratado de
Versalhes de 1919 e a Constituição Alemã de 1919, conhecida como Constituição de Weimar. Esta
última exerceu forte influência sobre os países democráticos.

102. Faça a interpretação evolutiva* dos direitos humanos. (Obs. Na pergunta original estava
escrito volitiva)
R.: Tratados de direitos humanos são instrumentos vivos, devendo ser interpretados, principalmente no
que tange aos conceitos jurídicos indeterminados, de acordo com as peculiaridades do lugar e do tempo
de sua aplicação. Em virtude de seu caráter expansivo e de sua eficácia irradiante, tratados de direitos
humanos devem ser interpretados de forma progressiva à maior proteção de tais direitos, consoante a
proibição do retrocesso.

103. Explique a proibição do retrocesso dos direitos humanos.


R.: A proibição do retrocesso, também conhecida como “efeito cliquet”, é uma das características dos
direitos humanos. Consiste na vedação da eliminação da concretização já alcançada na proteção de
algum direito, admitindo-se somente aprimoramentos e acréscimos. No âmbito interno ela decorre,
dentre outros, do princípio da dignidade da pessoa humana, do estado democrático de direito e da
consagração dos direitos e garantias individuais como cláusula pétrea. No âmbito internacional também
é proibida a confecção de tratados que diminuam a proteção dos direitos humanos.

104. O estatuto de Roma prevê a prisão perpétua e a CF/88 veda. Permitir, com base no estatuto,
não seria retrocesso?
R.: O tema possui divergência na doutrina. De um lado existe o posicionamento de que a permissão da
prisão perpétua no Estatuto de Roma seria um retrocesso na proteção dos direitos humanos, devendo o
artigo 5º, § 4º, da CR/88 ser declarado inconstitucional. Todavia, prevalece que a proibição à prisão
perpétua prevista na CF aplica-se somente no âmbito interno, sendo a mesma permitida em âmbito
internacional. Ademais, a criação do TPI, com a previsão de prisão perpétua, visa justamente punir de
forma veemente as maiores violações aos direitos humanos. Portanto, nessa ótica, não seria um
retrocesso, mas sim um avanço.

105. O Tribunal Penal Internacional julga indivíduos ou Estados?


R.: O TPI julga indivíduos, nos termos do artigo 25, 1, do Estatuto de Roma.

106. Que Corte ou Órgão é competente para julgar litígios entre Estados no Sistema Global e
Regional?
R.: No sistema global o principal órgão que julga os Estados é a Corte Internacional de Justiça, sediada
em Haia, na Holanda. Já no sistema regional, especificamente na América, tem-se a Corte
Interamericana de Direitos Humanos, sediada em San Jose, Costa Rica.

Examinador: ANA PAULA SABARIEGO BATISTA

107. O que é direito humanitário?


R.: O direito humanitário, também conhecido como Direito de Genebra, é o conjunto de normas
internacionais, aplicável em casos de conflitos armados, internos ou externos, com a finalidade de
garantir a proteção ao mínimo existencial. Em resumo, o direito humanitário visa proteger, em caso de
guerra, militares postos fora de combate (feridos, doentes, etc.) e populações civis em geral. O
Movimento da Cruz Vermelha atua na proteção do direito humanitário.

108. Qual é a relação entre direitos humanitários e direitos humanos?


R.: O Direito Internacional Humanitário (DIH) e os Direitos Humanos (DH) são complementares.
Ambos procuram proteger vidas, a saúde e a dignidade dos seres humanos, embora a partir de ângulos
diferentes. O Direito Internacional Humanitário é aplicado em situações de conflito armado, enquanto os
direitos humanos, pelo menos alguns deles, protegem o indivíduo em todas as situações, em tempo de
guerra e paz, da mesma maneira.

109. Os Direitos Humanos estão expressamente previstos em nossa CF?


R.: A doutrina costuma diferenciar direitos humanos de direitos fundamentais, tendo em vista que
possuem o mesmo conteúdo, apenas quanto ao local de previsão, explicando que os primeiros estão
previstos em âmbito internacional e, os segundos, em âmbito interno. Nesse sentido, os direitos humanos
não estariam previstos de forma expressa na CF. Contudo, é interessante lembrar que com a EC 45/2004
os tratados de direitos humanos aprovados na forma do § 3º do artigo 5º da CF/88 podem ter status de
emenda constitucional, inclusive já existe um tratado aprovado dessa forma. (Obs. Não tenho certeza da
resposta)

110. Há hierarquia entre os direitos humanos?


R.: Não há hierarquia entre os direitos humanos, tendo em vista que uma de suas características é a
indivisibilidade, isto é, todos os direitos humanos possuem a mesma proteção jurídica, uma vez que são,
em seu conjunto, essenciais para uma vida digna.

111. Qual o significado de discriminação?


R.: Discriminação significa distinção ou diferenciação. No entanto, o sentido mais comum do termo é
designar uma ação (tratamento) preconceituosa em relação a uma pessoa ou grupo de pessoas. Ela pode
se dar de diversas formas: racial, pela orientação sexual, porque questões de gênero, nacionalidade ou
cultura, dentre outras. Existe, também, a discriminação positiva, quando, por exemplo, uma minoria é
tratada de forma desigual para se atingir a igualdade material. É o caso das ações afirmativas.

112. Há diferença entre raça e etnia?


R.: Raça e etnia não são sinônimas. Etnia é um grupo definido pela mesma origem, afinidades
linguísticas e culturais, enquanto que raça como distinção entre os homens de acordo com diferenças
biológicas entre as etnias. Isto é, raça é um conceito biológico aplicado aos subgrupos de uma espécie.
Assim, considerando que a espécie humana não possui subespécies ou subcategorias, não é correto dizer
que existem diferentes raças humanas. O termo raça está ultrapassado.

113. O direito à paz pode ser considerado direito humano?


R.: Sim, o direito à paz pode ser considerado um direito humano, haja vista que, na perspectiva atual,
deixou de ser apenas mero propósito do Estado para se elevar à categoria de direito das pessoas;
114. Em qual geração se classifica o direito à paz?
R.: Segundo orientação do Professor Paulo Bonavides, o direito à paz se classifica como sendo direito de
5ª geração, dimensão ou família de direitos humanos;

115. Algum direito humano pode prescrever?


R.: Não, pois a imprescritibilidade é uma das principais características dos direitos humanos. A pretensão
de respeito e concretização destes direitos não se esgota pelo passar dos anos, ou seja, é atemporal e
pode ser exigido a qualquer tempo. Não se pode confundir, todavia, com o direito à reparação econômica
em virtude de violação de direitos humanos, pois, este sim é prescritível;

116. O que são direitos humanos de primeira geração?


R.: A 1ª geração, dimensão ou família de direitos humanos compreende os direitos da liberdade, que são os
direitos civis e políticos, fruto das revoluções liberais e da transição do Estado Absolutista ao Estado
Liberal de Direito. São direitos negativos, pois negam a intervenção estatal, de que são exercidos contra
o Estado, limitando os o seu poder de atuação;

117. Surgiram em que contexto histórico?


R.: Surgiram na Revolução Gloriosa, na Inglaterra em 1688, na Independência dos Estados Unidos da
América, em 1777 e, principalmente, na Revolução Francesa, em 1789.

118. Fale sobre o direito à liberdade. O que ele abrange?


R.: No contexto da 1ª geração, dimensão ou família de direitos humanos, o direito questionado pode ser
desmembrado em liberdade de expressão, de profissão, de reunião, de locomoção, entre outros. Nesta
conjuntura, em que houve segmentação entre o Estado e os direitos da sociedade pode-se afirmar que
qualquer intervenção do agente estatal na vida privada das pessoas seria considerada medida de
opressão, com clara tentativa de se resgatar o período absolutista;

119. De acordo com as regras mínimas para tratamento de presos, como devem ser separados os
presos para fins de cumprimento da pena?
R.: As Regras de Mandela, de nº 11, impõe que as diferentes categorias de presos serão alojados em
estabelecimentos distintos, ou em pavilhões distintos dentro de um mesmo estabelecimento, conforme
sexo e idade, antecedentes criminais, motivos de sua prisão e as necessidades específicas de seu
tratamento. Em síntese, homens serão recolhidos em estabelecimentos distintos das mulheres, presos
provisórios serão separados dos condenados em definitivo, encarcerados por dívida ou outra causa cível
separados de autores de crimes e, por fim, isolamento entre jovens e adultos;
120. Qual a razão dessa separação?
R.: A razão, com observância das Regras nº 1 e 2, de Mandela, que explicitam os princípios fundamentais,
é assegurar a todas as espécies de presos o respeito devido a sua dignidade e valores inerentes à condição
de seres humanos, além de se considerar as necessidades individuais de cada um, em particular das
categorias mais vulneráveis no ambiente penitenciário;

121. É possível utilizar o trabalho do preso como forma de punição disciplinar?


R.: Não, pois, segundo a Regra 97 de Mandela, o trabalho penitenciário não terá caráter aflitivo e nem
serão obrigados a trabalhar em benefício pessoal ou privado de qualquer funcionário de estabelecimento
prisional;

122. Como será o trabalho do preso, segundo as regras mínimas? É obrigatório? É remunerado?
R.: Segundo as Regras de Mandela, o trabalho do preso não possui caráter aflito, o que se entende não ser
obrigatório. Deve ser fixado por lei ou regulamento número máximo de horas para trabalho, dia de
descanso, tempo para educação e outras atividades, medidas para indenizar os casos de acidente de
trabalho ou doença adquirida em função do labor. O preso será remunerado por meio de sistema justo,
sendo permitido utilizar parte da remuneração para adquirir artigos de uso pessoal e o envio à família da
outra parte, além da administração penitenciária reservá-la em parte para criação de fundo a ser
restituído quando conquistar a liberdade;

123. Todos os direitos humanos são considerados fundamentais?


R.: Há uma tênue diferença entre direitos humanos e direitos fundamentais, ainda que ambas representem
conjunto de direitos inerentes à dignidade humana. Direitos humanos são utilizados para se referir aos
universalmente reconhecidos e positivados na ordem internacional. Já os direitos fundamentais referem-
se aos que se encontram na ordem interna do Estado. Assim, direitos fundamentais são direitos humanos
positivados na ordem jurídica interna do Estado e, portanto, a afirmação de que todos os direitos
humanos são considerados fundamentais parece ser correta.
Observação: Tenho dúvida sobre a conclusão destacada;

124. Quais os documentos que compõem a carta internacional de direitos humanos?


R.: A Carta Internacional dos Direitos Humanos é constituída pela Declaração Universal dos Direitos do
Homem, pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos Sociais e Culturais e pelo
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e seu Protocolo Facultativo;

125. O que se entende por eficácia vertical e eficácia horizontal dos direitos humanos?
R.: Eficácia vertical dos direitos humanos é a oponibilidade dos direitos humanos ao Estado. Já a eficácia
horizontal é a oponibilidade dos direitos aos particulares, no âmbito de suas relações privadas;
126. O que caracteriza uma minoria?
R.: O que caracteriza uma minoria são os aspectos econômicos, sociais culturais, físicos ou religiosos. São
grupos marginalizados dentro de uma sociedade devido a estas características;

127. Quando surgiu a concepção jurídica de igualdade?


R.: A concepção jurídica da igualdade surgiu com a Constituição de Virgínia, de 12 de junho de 1776, que
elencou topograficamente em seu art. 1º que "todos os homens são, por natureza, igualmente livres e
independentes". Na França, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 26 de agosto de
1789, em seu art.1º cunhou o princípio de que os homens nascem e permanecem iguais em direito. Tal
reflexo tornou-se a base do Estado moderno exercendo influência sobre todas as constituições
posteriores, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de em 10 de dezembro de 1948, que
teve o intuito de promover grandes transformações sociais.
Observação: Tenho dúvida sobre qual a resposta correta.
Outra resposta: Levando-se em consideração que a igualdade faz parte da 2º geração, dimensão ou
família de direitos humanos, que compreende os direitos de igualdade (sociais, econômicos e culturais),
o marco jurídico é a Constituição Mexicana, de 1917, e a Alemã (Constituição de Weimar), de 1919. A
1ª Constituição Brasileira a prever tais direitos foi a de 1934.

128. Qual a diferença entre igualdade formal e igualdade material?


R.: A igualdade formal é a prevista na lei observada no momento de sua elaboração e perante ela notada no
momento de sua interpretação ou aplicação pelos intérpretes, autoridades públicas e particulares.
A igualdade material é a busca pela igualdade real, tratando de forma desigual pessoas que se encontram
em condições desiguais, na medida e proporção de suas desigualdades;

129. Qual a diferença entre igualdade perante a lei e igualdade na lei?


R: Em apertada síntese, a igualdade perante a lei é a igualdade formal, ou seja, consiste no tratamento
equânime conferido pela lei aos indivíduos, visando subordinar todos ao crivo da legislação,
independentemente de raça, cor, sexo, credo ou etnia. Já a igualdade na lei é a igualdade material,
também chamada de igualdade aristotélica, essa igualdade faz-se necessário que o legislador, atentando
para a realidade, leve em consideração os aspectos diferenciadores existentes na sociedade, adequando o
direito às peculiaridades dos indivíduos, ou seja, tratar desigualmente os desiguais.

130. O que é o princípio da supremacia da norma mais favorável?


R: Segundo doutrina de Luís Garcia, ao nos depararmos com o concurso simultâneo de normas, sejam
elas internacionais ou internas, devemos escolher para aplicar a norma que: a) garantir mais amplamente
o gozo do direito; b) que admitir menos restrições ao exercício do direito humano; ou c) a que impor
maiores condições a eventuais restrições aos direitos humanos.
Assim, materialmente, a norma que otimizar de melhor forma o exercício de determinado direito, deverá
prevalecer. Notem que o referido princípio relaciona-se com o conhecido princípio da norma mais
favorável do Direito do Trabalho. Este princípio impõe ao jurista a opção pela norma mais favorável
quando da elaboração da norma, no confronto entre regras concorrentes, bem como na interpretação da
norma. Registre-se, ainda, que na definição da norma mais favorável prevalece a Teoria do
Conglobamento por Institutos, pelo qual devemos optar pela norma mais favorável dentro do conjunto
de normas relativos a determinada matéria ou instituto jurídico, de modo não desvirtuar o sistema
jurídico.

131. Como surgiu a ONU?


R: A ONU surgiu após o insucesso da Liga das Nações, uma instituição criada em circunstâncias
similares durante a I Guerra Mundial, em 1919, sob o Tratado de Versailles. A Liga das Nações deixou
de existir por causa da impossibilidade de evitar a II Guerra Mundial. Durante a Segunda Guerra, o
presidente estadunidense, Franklin D. Roosevelt, começou a discutir a criação de uma agência que
sucederia a Liga das Nações, e a Carta das Nações Unidas foi elaborada em uma conferência em abril–
junho de 1945; a carta entrou em vigor a 24 de outubro de 1945, e a ONU começou a operar.

132. O que significa “mínimo existencial”?


R: É o respeito por um núcleo essencial de direitos fundamentais, um patamar de conteúdo mínimo, com
ações e projetos definidos, desde logo, no orçamento do governo. Tal patamar proibiria a insuficiência
de direitos fundamentais básicos, a fim de garantir a dignidade humana. Suzana Tavares da Silva chega a
se referir a uma “mochila da dignidade humana”, a ser garantida a cada indivíduo pelos governantes.

133. A dignidade da pessoa deve ser observada por quem?


R: A dignidade da pessoa humana é um princípio basilar que rege toda sociedade. Ela é vetor para o
Estado no âmbito de criação e aplicação das leis, assim como deve ser respeitada e observada na relação
entre particulares. Desse modo todos devem observar a dignidade da pessoa sob pena de nulidade do ato
praticado e possível prática de infração penal.

134. O processo legal e o contraditório são considerados direitos humanos?


R: Sim. Os direitos humanos são todos direitos e liberdades básicas, considerados fundamentais para
dignidade. Nesse trilho, o processo legal e o contraditório são direitos previstos nos principais
documentos internacionais que asseguram os direitos humanos como, por exemplo, a DUDH e o Pacto
de San José. Tais direitos fundamentais são basilares para um justo processo e aplicação do direito.
135. Quais são as críticas que a expressão “geração” de Direitos Humanos recebe?
R: Parte da doutrina critica a expressão geração pela ideia de substitutividade que a geração posterior
tem sobre a anterior. Assim, segundo a corrente que não adota o referido termo, a segunda geração
estaria substituindo a primeira. O termo mais aceito hoje é dimensão o que retira a ideia de que uma
geração substitui a outra.

136. Por que se diz que os direitos humanos de terceira geração são metaindividuais?
R: Interesse metaindividual é aquele interesse que ultrapassa o círculo individual e corresponde aos
anseios de toda uma categoria. Dessa forma, sabendo que os direitos de terceira geração ou dimensão são
aqueles ligados à fraternidade que ultrapassam a esfera do individuo como, por exemplo, o direito ao
meio ambiente saudável, concluímos que os direitos humanos de terceira geração são metaindividuais.

137. Em que consiste o princípio da autodeterminação dos polos?


R: A autodeterminação dos povos é o princípio que garante a todo povo de um país o direito de se
autogovernar, realizar suas escolhas sem intervenção externa, exercendo soberanamente o direito de
determinar o próprio estatuto político. Em outras palavras, é o direito que o povo de determinado país
tem de escolher como será legitimado o direito interno sem influência de qualquer outro país.

138. Cite três tratados de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil.


R: No sistema global ou das Nações Unidas: Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de
Genocídio (1948), a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados (1951), o Pacto Internacional sobre
Direitos Civis e Políticos (1966), o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
(1966), a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial
(1965), a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (1979),
a Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis Desumanos Degradantes (1984), a
Convenção sobre os Direitos da Criança (1989), o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional,
Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Convenção de Mérida de 2003), etc.

139. Pacto Internacional de Direitos Civis e políticos – mediante a adesão ao protocolo


adicional impedindo a pena de morte, como fica a pena de morte prevista em nossa CF?
R: Ocorre que o próprio Pacto não traz a proibição em absoluto. Em seu artigo 6, o Pacto prevê a
possibilidade de aceitação de penas de morte em crimes graves no caso de países que não tenham
abolido a pena de morte. A exceção que o Pacto faz é a proibição de pena de morte para menores de 18
anos e em mulheres em estado de gravidez. Portanto, o caso previsto na CF de pena de morte em caso
apenas de guerra declarada é totalmente compatível com o PIDCP.

140. Quais são as características dos direitos humanos considerados universais?


R: Apesar da universalidade dos direitos humanos e da busca pela dignidade da pessoa humana, é difícil
promover tal conceito em culturas diferentes. Assim, essa concepção universal dos direitos humanos
costuma ser confrontada com o “relativismo cultural”: a cultura de cada país seria um entrave à validade
de um mesmo grupo de direitos em todos os países.

141. Há algum direito humano que não pode ser relativizado?


R: De acordo com a doutrina majoritária existem dois direitos que são considerados absolutos, portanto,
não relativizáveis: direito a não escravidão e proibição de tortura.

142. Quais os principais objetivos da ONU?


R: Carta da ONU: Artigo 76. Os objetivos básicos do sistema de tutela, de acordo com os Propósitos das
Nações Unidas enumerados no Artigo 1 da presente Carta serão:
a) favorecer a paz e a segurança internacionais;
b) fomentar o progresso político, econômico, social e educacional dos habitantes dos territórios tutelados
e o seu desenvolvimento progressivo para alcançar governo próprio ou independência, como mais
convenha às circunstâncias particulares de cada território e de seus habitantes e aos desejos livremente
expressos dos povos interessados e como for previsto nos termos de cada acordo de tutela;
c) estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de
raça, sexo língua ou religião e favorecer o reconhecimento da interdependência de todos os povos; e
d) assegurar igualdade de tratamento nos domínios social, econômico e comercial para todos os
Membros das nações Unidas e seus nacionais e, para estes últimos, igual tratamento na administração da
justiça, sem prejuízo dos objetivos acima expostos e sob reserva das disposições do Artigo 80.

143. Conceitue dignidades da pessoa humana.


R: Dignidade da pessoa humana é um conjunto de princípios e valores que tem a função de garantir que
cada cidadão tenha seus direitos respeitados pelo Estado. O principal objetivo é garantir o bem estar de
todos os cidadãos.
A dignidade da pessoa humana é um princípio fundamental do Brasil. Significa que é um objetivo que o
Estado deve cumprir, através da ação dos seus governos.
A dignidade da pessoa humana é ligada aos direitos e deveres do cidadão. Envolve as condições que são
necessárias para que uma pessoa tenha uma vida digna, com respeito aos seus direitos e deveres.
Também se relaciona com os valores morais, porque é a união de direitos e deveres para garantir que o
cidadão seja respeitado em suas questões e valores pessoais.

144. A dignidade pode variar conforme o local e a época?


R: Sim. A dignidade além de se ligar aos direitos e deveres do cidadão que garantam o bem-estar de
todos liga-se aos valores morais. Estes são variáveis de acordo com o tempo e local do cidadão.
145. Por que os direitos humanos de primeira geração são negativos?
R: A primeira geração de direitos humanos engloba os chamados direitos de liberdade, ou seja,
o Estado deve proteger a esfera de autonomia do indivíduo por meio de prestações negativas. Isto se
justifica porque esses direitos que regram a atuação do Estado e delimitam as liberdades individuais
surgiram com as Revoluções Liberais do Séc. XVIII na Europa e nos Estados Unidos da América, cujos
objetivos principais era restringir o poder absoluto do Estado (monarca) e ampliar a autonomia
individual, sobretudo no que diz respeito a propriedade.

146. Como podem ser exigidos os direitos de primeira geração?


R: Os direitos humanos de primeira geração podem ser exigidos tanto em seu tradicional papel
passivo (abstenção em violar os direitos humanos, ou seja, as prestações negativas) quanto ativo, pois há
de se exigir ações do Estado para garantia da segurança pública, administração da justiça, dentre outros.

147. O TPI é competente para julgar quais crimes?


R: O Tribunal Penal Internacional foi criado pelo Estatuto de Roma e busca tornar efetivo o
cumprimento das normas de direitos humanos, cuidando, sobretudo, de matérias afetas ao direito
internacional penal. O TPI, nesse contexto, é competente para julgar crimes graves, que afetem a
comunidade internacional, tais quais: o crime de genocídio; crimes contra a humanidade; crimes de
guerra e; o crime de agressão. (Art. 5º. Estatuto de Roma).

148. O que são crimes contra a humanidade?


R: O Estatuto de Roma (que criou o TPI) admite como crimes contra a humanidade os atos
desumanos (assassinato, extermínio etc.), cometidos como parte de um ataque (conflito armado),
generalizado ou sistemático contra uma população civil, com conhecimento do agente. Para além das
quatro notas acima referidas (atos desumanos, contra a população civil, atos generalizados ou
sistemáticos, durante conflito armado) o Estatuto de Roma agregou uma quinta nota: necessidade de
conhecimento do agente (de todas as características anteriores). (Art. 7º, Estatuto de Roma).

149. O Brasil pode ser julgado pelo TPI?


R: O Brasil ratificou o Estatuto de Roma no ano 2000, tendo a Emenda Constitucional 45/2004,
que incluiu o §4º no art. 5º da CF/88, reconhecido a submissão do Brasil à jurisdição internacional do
Tribunal. Assim, o Brasil pode ser julgado pelo TPI, uma vez que a atuação do tribunal dentro do
território brasileiro é amparada pelo ordenamento jurídico interno.

150. Quais as principais penas previstas no TPI?


R: Não há previsão de intervalo específico de pena por tipo de crime: o Tribunal pode impor à
pessoa condenada pena de prisão por um número determinado de anos, até o limite máximo de 30 anos;
ou ainda a pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do
condenado o justificarem. Além da pena de prisão, o Tribunal poderá aplicar multa e ainda a perda de
produtos, bens e haveres provenientes, direta ou indiretamente, do crime, sem prejuízo dos direitos de
terceiros que tenham agido de boa-fé.
Também pode o Tribunal impor medidas de detenção preventiva, solicitando que os Estados
cumpram o pedido de entrega (surrender). (Art. 77 e 89, ambos do Estatuto de Roma).

151. O TPI pode aplicar sanções de direito civil?


R: Sim, conforme item 2 do art. 77, do Estatuto de Roma, além da pena de prisão, o Tribunal
poderá aplicar multa e ainda a perda de produtos, bens e haveres provenientes, direta ou indiretamente,
do crime, sem prejuízo dos direitos de terceiros que tenham agido de boa-fé.

152. É possível a entrega de brasileiro para ser julgado pelo TPI?


R: Sim, apesar de ter havido divergência doutrinária sobre o tema, a questão hoje se encontra
pacificada. O Estatuto de Roma diferencia a extradição da entrega (surrender), pois esta é utilizado no
caso específico de cumprimento de ordem de organização internacional de proteção de direitos humanos,
como é o caso do Tribunal Penal Internacional. Logo, não haveria óbice constitucional ao cumprimento
de ordem de detenção e entrega de acusado brasileiro ao Tribunal, já que a Constituição brasileira só
proíbe a extradição de nacionais. Como o brasileiro não estaria sendo remetido a outro Estado, mas sim a
uma organização internacional (o Tribunal Penal Internacional) que representa a comunidade dos
Estados, não haveria impedimento algum.

153. Qual a diferença entre entrega e extradição?


R: Nos termos do art. 102 do Estatuto de Roma, por entrega entende-se a entrega de uma pessoa
por um Estado ao Tribunal Penal Internacional (nos termos do Estatuto). Por outro lado, por extradição
entende-se a entrega de uma pessoa por um Estado a outro Estado, conforme previsto em um tratado, em
uma convenção ou no direito interno.

154. As expressões “direitos dos humanos” e “direitos humanos” tem o mesmo


significado?
R: Não, a expressão “direitos dos humanos” tem cunho jusnaturalista e parte de uma visão
antropocêntrica de que o homem tem direitos que lhe são inatos, pois intrínsecos à natureza humana. A
expressão “direitos humanos”, por sua vez, representa a positivação dos direitos fundamentais no plano
internacional, fundando-se, portanto, na premissa contemporânea de que os direitos humanos são um
construído e não um dado.
* Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta

155. O que se entende por internacionalização dos direitos humanos?


R: Até meados do século XX, o Direito Internacional possuía apenas normas internacionais
esparsas referentes a certos direitos essenciais. Contudo, após a segunda guerra mundial e em razão das
barbáries cometidas neste período, criou-se o Direito Internacional dos Direitos Humanos, que tem como
marco a criação da Organização das Nações Unidas em 1945 (que possui várias passagens que usam
expressamente o termo “direitos humanos”), e, posteriormente, em 1948, a Declaração Universal dos
Direitos Humanos.

156. Cite as fontes históricas do processo de internacionalização dos direitos


humanos?
R: A Segunda Guerra Mundial foi o fato histórico que impulsionou o processo de
internacionalização dos direitos humanos ao demonstrar a necessidade de uma ação internacional que
protegesse de forma eficaz os direitos humanos. Todavia, anteriormente a esse período já existiam
normas internacionais esparsas referentes a certos direitos essenciais que podem ser consideradas como
fontes históricas desse processo de internacionalização, são elas: o Direito Humanitário, a Liga das
Nações e a Organização Internacional do Trabalho.

157. Conceitue vulnerabilidade.


R: Vulnerabilidade é a diminuição, por diferentes razões, das capacidades de enfrentar as
eventuais violações de direitos humanos. Essa diminuição de capacidades está associada a determinada
condição que permite identificar o indivíduo como membro de um grupo específico que, como regra
geral, está em condições de clara desigualdade material em relação ao grupo majoritário.

158. Em que consiste a vedação ao recesso social?


R: O princípio da vedação ao retrocesso social tem como conteúdo a proibição do legislador em
reduzir, suprimir, diminuir, ainda que parcialmente, o direito social já materializado em âmbito
legislativo e na consciência geral, ou seja, funciona como um limite à reforma, através do qual objetiva-
se proteger os indivíduos contra a superveniência de lei que pretenda atingir, negativamente, o direito
social já conquistado em sede material legislativa, de modo a vedar a propositura de normas tendentes a
suprimir tal direito social.

159. No que consiste a cláusula de abertura dos Direitos Humanos?


R: A cláusula de abertura dos direitos humanos, prevista no §2º do art. 5º da CF/88, consiste na
possibilidade ampliação do catálogo de direitos fundamentais materiais, que não se encontram
topograficamente localizados no Título II, mas que possuem a mesma importância institucional dos
direitos ali consagrados, muito embora não ostentem o arcabouço de proteção, no que tange às
limitações formais e materiais erigidas contra o Poder de Reforma, dos direitos formalmente
fundamentais.
Assim, a legislação ordinária e o trato das relações diplomáticas, por meio da celebração de
tratados, e mesmo outros direitos constitucionais não constantes do rol do Título II, podem ser
considerados direitos fundamentais (materiais) em decorrência da aplicação do § 2° do art. 5°.

160. É possível alguma forma de instrumento de coação ao preso de acordo com as


regras mínimas de tratamento ao preso?
R: As regras 47 a 49 das Regras de Mandela vedam expressamente a utilização de instrumentos de
restrição que sejam inerentemente degradantes ou dolorosos ao custodiado, admitindo-se o uso de outros
instrumentos de coação mediante previsão legal e somente em casos de precaução a fuga durante
transferência ou por ordem do diretor da unidade prisional (se outros métodos de controle falharem),
respeitada a estrita necessidade, a menor invasividade possível e a temporariedade da medida.

161.Como deve ocorrer a transferência de presos entre estabelecimentos prisionais?


R.: O regramento acerca da transferência de presos entre estabelecimentos prisionais se encontra
disciplinado nas Regras de Mandela, de 2015, as quais atualizaram as Regras Mínimas para o
Tratamento de Presos da ONU. Consoante regra de nº 73 acerca da Remoção de presos: 1. Quando os
presos estiverem sendo removidos de ou para uma unidade, devem ser expostos ao público pelo menor
tempo possível, e devem ser adotadas as devidas salvaguardas para protegê‑los de insultos, curiosidade e
qualquer forma de publicidade. 2. Deve ser proibido o transporte de presos em veículo com ventilação
ou iluminação inadequadas ou que possa submetê‑los a qualquer forma de sofrimento físico. 3. O
transporte de presos deve ter as despesas pagas pela administração e ser feito em condições iguais para
todos.

162.Preso pode ser filmado durante a transferência? Pode ser exposto ao público?
R.: Consoante a regra nº 73 das Regras Mínimas para o Tratamento de Presos da ONU, durante a
transferência de presos de uma para outra unidade, os presos devem ser “expostos ao público pelo menor
tempo possível, e devem ser adotadas as devidas salvaguardas para protegê‑los de insultos, curiosidade e
qualquer forma de publicidade”.

163.A mulher grávida pode ser algemada?


R.: A Lei n. 13.434 alterou o artigo 292, do Código de Processo Penal (CPP) proibindo o uso de algemas
em mulheres grávidas durante atos médico-hospitalares preparatórios para a realização do parto e
durante o trabalho de parto, bem como em mulheres durante o período de puerpério imediato. Referida
Lei pode ser considerada resultado das chamadas Regras de Bangkok, voltadas ao tratamento de
mulheres presas. O tratado da ONU é considerado marco normativo internacional sobre essa questão.
Entre as 70 medidas, a norma de número 24 estabelece a não utilização de instrumentos de contenção em
mulheres em trabalho de parto, durante o parto e nem no período imediatamente posterior.
Regra 24: Instrumentos de contenção jamais deverão ser usados em mulheres em trabalho de parto,
durante o parto e nem no período imediatamente posterior.

164.Em que consiste a inalienabilidade? Pode ser considerada uma característica de Direitos
Humanos?
R.: A inalienabilidade é uma característica dos direitos humanos e relaciona-se com a característica da
irrenunciabilidade. De acordo com a doutrina, os Direitos Humanos não poderão ser alienados. Dito de
outra forma, o titular não poderá dispor dos Direitos Humanos. Assim, os Direitos Humanos não poderão
ser comercializados pela pessoa tutelada por esse direito.

165.O não uso dos direitos humanos acarreta na prescrição?


R.: O instituto da prescrição não se aplica na seara dos direitos humanos, visto eu tais direito são
imprescritíveis. Uma das características dos direitos humanos é a imprescritibilidade, que remete à ideia
de que as normas de Direitos Humanos não se esgotam, nem se consomem com o passar do tempo. A
doutrina faz um alerta importante: não podemos confundir a imprescritibilidade dos Direitos Humanos
com reparação civil desses direitos. A pretensão indenizatória decorrente de violação de determinado
direito humano está sujeita à prescrição.

166.Cite outras características dos direitos humanos.


R.: Historicidade, superioridade normativa, autogeneratividade, universalidade,
limitabilidade/relatividade, irrenunciabilidade/indisponibilidade, concorrência, inalienabilidade,
imprescritibilidade, interdependência, caráter erga omnes, exigibilidade, abertura, aplicabilidade
imediata, dimensão objetiva, proibição do retrocesso, etc.

167.Qual foi o fato histórico que influenciou o surgimento dos direitos humanos de primeira
dimensão?
R.: A primeira dimensão dos Direitos Humanos compreende os direitos da liberdade, que são os direitos
civis e políticos, decorrentes das revoluções liberais e da transição do Estado Absolutista para o Estado
de Direito. Os grandes marcos históricos de surgimento dessa dimensão de direitos são: 1. Revolução
Gloriosa na Inglaterra, em 1688; 2. Independência dos Estados Unidos, em 1777; e 3. Revolução
Francesa de 1789. Por fim, identificam-se como marcos jurídicos dessa dimensão: 1. Constituição dos
EUA, de 1787 e 2. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão redigida na França, em 1789.

168.O devido processo legal e o contraditório podem ser considerados direitos humanos?
R.: Sim. Com a evolução do constitucionalismo nos Estados passou-se a valorizar cada vez mais os
direitos fundamentais do homem, o princípio do devido processo legal tem um inquestionável papel de
garantidor destes direitos em relação à atuação estatal. A origem histórica do princípio do devido
processo legal, é datada de 1215, com o advento do documento conhecido como Magna Carta das
Liberdades, no qual foram estabelecidos direitos individuais como forma de proteção contra o
autoritarismo do governo da Inglaterra. Ao versar sobre o devido processo legal, José Afonso da Silva
ressalta que, combinado com o direito de acesso à justiça, expresso no art. 5.º, XXXV, e o contraditório
e a plenitude de defesa, do art. 5.º, LV, fecha-se o ciclo das garantias processuais. Há duas dimensões
para o devido processo legal. O devido processo legal formal ou processual exige o respeito a um
conjunto de garantias processuais mínimas, como o contraditório, o juiz natural, a duração razoável do
processo e outras. O devido processo legal substancial ou material, por outro lado, é uma forma de
controle de conteúdo das decisões (fundamentação). Sobre o devido processo de caráter "material", o
STF tem reconhecido o devido processo legal substancial ou substantivo que, no realce de André
Carvalho Ramos (2014, p. 581), consiste em limite ao poder de legislar, obrigando que as leis sejam
elaboradas conforme os princípios da justiça. Nesta concepção, as leis devem ser dotadas de
razoabilidade (reasonableness) e de racionalidade (rationality),"guardando um real e substancial nexo
com o objetivo que se quer atingir" (RAMOS, 2014, p. 581). O ideal de justiça previsto no texto da Carta
Magna, portanto, também é fundamento apto a orientar a atividade do Estado na efetivação do postulado
do devido processo legal.

169.O IP admite o contraditório?


R.: Para a doutrina clássica, inexistem contraditório e ampla defesa no inquérito policial, mas ao mesmo
tempo não deixam de reconhecer o plexo de direitos do qual o investigado é titular. Para Henrique
Hoffman, “de maneira a conferir a máxima efetividade ao dispositivo constitucional, a análise do próprio
conteúdo desses princípios permite concluir que são aplicáveis na fase pré-processual tanto contraditório
como ampla defesa, mesmo que de maneira mais tênue”. Vale dizer, no inquérito policial o contraditório
incide de forma regrada quanto ao direito de informação (condicionado à conclusão das diligências
policiais). Já sua outra faceta, a possibilidade de reação, que se confunde com a própria ampla defesa,
não sofre maiores limitações. Interessante observar que as Cortes Superiores são contraditórias ao tratar
desse assunto. Se de um lado aduzem genericamente que não se aplica o contraditório e a ampla defesa
ao inquérito policial, de outro lado o STF edita a súmula vinculante 14 e o STJ assenta que “apesar da
natureza inquisitorial do inquérito policial, não se pode perder de vista que o suspeito (...) possui direitos
fundamentais que devem ser observados mesmo no curso da investigação, entre os quais o direito ao
silêncio e o de ser assistido por advogado”.

170.É possível perguntas realizadas por advogado no momento do interrogatório?


R.: Sim, é plenamente possível a atuação da defesa no momento do interrogatório policial. Tal é a
previsão do artigo 7º, inciso XXI do EOAB, acerca dos direitos dos advogados: assistir a seus clientes
investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório
ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele
decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:
a) apresentar razões e quesitos. Assim, o inquérito policial reclama a sua conciliação com a possibilidade
de aplicação do contraditório, interpretando o aludido inciso XXI do artigo 7º do EOAB de modo a
impor que se oportunize a defesa técnica ao investigado, vale dizer, o comando legal reclama que seja
sempre garantido ao investigado acionar e ser assistido por um defensor.

171.O código de conduta do funcionário responsável pela aplicação da lei abrange que tipo de pessoas?
R.: O artigo 1º do Código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei, adotado
pela Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 17 de Dezembro de 1979, através da Resolução nº
34/169, dispõe acerca das pessoas às quais são dirigidas referidas normas, quais sejam: funcionários
responsáveis pela aplicação da lei. O termo "funcionários responsáveis pela aplicação da lei" inclui
todos os agentes da lei, quer nomeados, quer eleitos, que exerçam poderes policiais, especialmente
poderes de detenção ou prisão. Nos países onde os poderes policiais são exercidos por autoridades
militares, quer em uniforme, quer não, ou por forças de segurança do Estado, será entendido que a
definição dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei incluirá os funcionários de tais serviços.

172.Os policiais militares estão abrangidos?


R.: Sim, consoante disposto no artigo 1º do referido Código: “Nos países onde os poderes policiais são
exercidos por autoridades militares, quer em uniforme, quer não, ou por forças de segurança do Estado,
será entendido que a definição dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei incluirá os
funcionários de tais serviços”.

173.Em que hipótese é permitido o uso de força física?


R.: O artigo 3º do Código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei, adotado
pela Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 17 de Dezembro de 1979, através da Resolução nº
34/169, dispõe acerca do uso da força, o qual é excepcional e proporcional: Os funcionários responsáveis
pela aplicação da lei só podem empregar a força quando estritamente necessária e na medida exigida
para o cumprimento do seu dever. Comentário: O emprego da força por parte dos funcionários
responsáveis pela aplicação da lei deve ser excepcional. Embora se admita que estes funcionários, de
acordo com as circunstâncias, possam empregar uma força razoável, de nenhuma maneira ela poderá ser
utilizada de forma desproporcional ao legítimo objetivo a ser atingido. O emprego de armas de fogo é
considerado uma medida extrema; devem-se fazer todos os esforços no sentido de restringir seu uso,
especialmente contra crianças. Em geral, armas de fogo só deveriam ser utilizadas quando um suspeito
oferece resistência armada ou, de algum outro modo, põe em risco vidas alheias e medidas menos
drásticas são insuficientes para dominá-lo. Toda vez que uma arma de fogo for disparada, deve-se fazer
imediatamente um relatório às autoridades competentes. Destaca-se ainda a existência dos “princípios
básicos sobre o uso da força e armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei”,
adotados por consenso em 7 de setembro de 1990, por ocasião do Oitavo Congresso das Nações Unidas
sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes.

174.O tratamento degradante é cabível em alguma hipótese?


R.: O artigo 5º do Código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei, adotado
pela Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 17 de Dezembro de 1979, através da Resolução nº
34/169, dispõe acerca do tratamento dos presos: “Nenhum funcionário responsável pela aplicação da lei
pode infligir, instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outro tratamento ou pena cruel,
desumano ou degradante, nem nenhum destes funcionários pode invocar ordens superiores ou
circunstâncias excepcionais, tais como o estado de guerra ou uma ameaça de guerra, ameaça à segurança
nacional, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública, como justificativa para
torturas ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes”. Nesse sentido, o Código de
conduta deve ser complementada pela Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas
Cruéis, Desumanos ou Degradantes, a qual define tortura.

Direitos Humanos - Examinador: Eduardo Augusto Paglione

175.O direito à paz pode ser considerado direito de que geração?


R.: Para parcela da doutrina o direito à paz se insere na 3ª dimensão de direitos humanos, juntamente
com o direito a uma qualidade de vida saudável, à proteção ao consumidor e à preservação do meio-
ambiente, relacionado aos direitos meta/supra ou transindividuais. Já para Paulo Bonavides, o direito à
paz integra uma quinta dimensão (geração) de direitos humanos e fundamentais, devido ao seu relevante
valor.

176.É pacífica na doutrina que é direito de 5ª geração?


R.: Não é pacífico na doutrina os direitos categorizados como de 5ª dimensão ou geração. Paulo
Bonavides enuncia que a quinta dimensão dos Direitos Humanos é responsável pelo direito à paz,
principalmente em decorrência de atentados terroristas como “11 de Setembro de 2011”. Para José
Alcebíades de Oliveira Júnior quinta geração diz respeito ao campo da cibernética e da tecnologia da
informação e comunicação de dados, que apresenta como característica comum a superação das
fronteiras mediante o uso da internet e outras ferramentas. José Adércio Leite Sampaio também admite a
existência de uma quinta dimensão dos direitos fundamentais, a qual, todavia, difere significativamente
das concepções anteriores. Tais direitos fundamentais, segundo ele, dizem respeito ao cuidado, à
compaixão e ao amor por todas as formas de vida, pois concebem o indivíduo como parte do cosmos e
carente de sentimentos de amor e cuidado (tese de Majid Tehrarian). Contudo, podem ser também
direitos de resposta à dominação biofísica que impõe comportamentos estereotipados de beleza, gerando,
em consequência, preconceito em relação a raças ou a padrões reputados inferiores ou imperfeitos, a
partir de uma perspectiva física e não intelectual (tese de Abu Marzouki).

177. Qual o único direito considerado sagrado pela Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão?
R.: resposta deixada em branco pelo colega.

178. Qual a natureza jurídica da Carta das Nações Unidas?


R: A Carta das Nações Unidas tem a natureza de tratado internacional e foi responsável por
estabelecer as Nações Unidas1.

179. Autodeterminação dos povos. Artigo 1º da PIDCP. Prevista também na CF/88. Qual a
amplitude desta autodeterminação?
R: Segundo o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, Todos os povos têm direito à
autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam livremente seu estatuto político e asseguram
livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural (art. 1, I, PIDCP).

180. O Estado reconhece a autodeterminação a outro Estado ou somente dentro do próprio Estado?
R: O estado reconhece a autodeterminação tanto a outros Estados como dentro do seu próprio
Estado. Isso, pois a autodeterminação dos povos pode ser entendida como o direito de autodeterminação
“nacional”, advindo do nacionalismo emergente do século XIX, que deu à autodeterminação uma forma
mais precisa, uma vez que deslocou o centro do princípio das pessoas vistas individualmente, para focar
nas pessoas enquanto partes de uma nação, como entidade étnica e cultural e também pode ser utilizado
sob uma perspectiva interna, reivindicado por povos indígenas ou minorias étnicas na luta pela
autodeterminação dentro dos Estados que habitam2.

181. O que é direito ao patrimônio comum?


R: Patrimônio comum pode ser entendido como um conjunto de bens de relevante interesse para
a humanidade. Esses bens podem ser de natureza tanto material quanto imaterial, desde que constituam
valores universais e que sejam considerados fundamentais para o progresso da humanidade,
compreendendo todos os seres humanos sem distinção3.

1
https://nacoesunidas.org/carta/

2
http://revistaadmmade.estacio.br/index.php/jurispoiesis/article/viewFile/2026/1202
3
https://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/artigo/4057/direitos-humanos-como-patrimonio-comum-humanidade
182. Quem é o sujeito passivo desses direitos?
R: Assim como os direitos humanos, todas as pessoas são sujeitos passivos desse direito a um
patrimônio comum.

183. Quais Estados?


R.: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta

184. PIDCP, artigo 22 → Qual o conceito de segurança nacional?


R: Segurança nacional pode ser entendida como a capacidade sistémica de protecção dos
cidadãos, incluindo os seus direitos e liberdades, bem como a integridade do território, dos nossos
interesses vitais, das instituições democráticas e da nossa posição estratégica na comunidade das nações.

185. Mulheres podem ser enquadradas como minoria ou vulneráveis?


R: As mulheres podem ser consideradas como um grupo vulnerável. Segundo Valério Maszuoli,
grupos vulneráveis são coletividades mais amplas de pessoas que, apesar de não pertencerem
propriamente às “minorias”, eis que não possuidoras de uma identidade coletiva específica, necessitam,
não obstante, de proteção especial em razão de sua fragilidade ou indefensabilidade (v.g. as mulheres, os
idosos, as crianças e adolescentes, as pessoas com deficiência).

186. Qual o entendimento da doutrina?


R: Segundo Valério Mazuoli, grupos vulneráveis são coletividades mais amplas de pessoas que,
apesar de não pertencerem propriamente Às “minorias”, eis que não possuidoras de uma identidade
coletiva especifica, necessitam, não obstante, de proteção especial em razão de sua fragilidade ou
indefensabilidade (v.g. as mulheres, os idosos, as crianças e adolescentes, as pessoas com deficiência).
Tais conceitos, contudo, muitas vezes se confundem, sendo certo que não raramente as minorias
estão também em situação de vulnerabilidade. O que interessa, porém, para a proteção internacional dos
direitos humanos, é que, seja para uma ou outra categoria, haja instrumentos efetivos de tutela dos
direitos que a ordem internacional prevê.

187. E como fica o artigo 5º, II, CF/88? É possível fazer distinção entre homens e mulheres?
R: Em que pese a igualdade entre homens e mulheres prevista na constituição, é possível adotar
tratamento diferenciado de acordo com a própria carta magna, em alguns casos particulares, mais
especificamente três: 1. licença-gestação para a mulher, com duração superior à da licença-paternidade
(art. 7°, incisos XVIII e XIX); 2. incentivo ao trabalho da mulher, mediante normas protetoras (art. 7°,
inciso XX); 3. prazo mais curto para a aposentadoria por tempo de serviço da mulher (art. 40, inciso III,
letras a, b, c e d; art. 202, I, II, III e § 1°).
Direitos Humanos - Examinadora: Érica Marcelina Cruz

188. Cite uma característica dos Direitos Humanos.


R: Segundo a característica da historicidade, os direitos humanos são históricos, são construídos
ao longo da história e modificados ao longo da história.

189. Com base na característica da historicidade, quando temos acrescentado um novo direito
humano, há nova interpretação do direito já previsto?
R.: Observação - não achei a resposta para essa pergunta

190. Por que a nomenclatura “geração” não é a mais adequada?


R: O nome geração da a ideia de que uma geração sucede à outra. Modernamente, pensou-se em
trocar a expressão geração de direitos por dimensão de direitos. Um direito não sucede o outro, não o
apaga. Ele se dimensiona (todos na mesma dimensão).

191. Direito humano é sinônimo de direito fundamental?


R: Direitos humanos não são sinônimos de direito fundamental. Direitos humanos são aqueles
ligados a liberdade e a igualdade que estão positivados no plano internacional. Já os direitos
fundamentais são os direitos humanos positivados na Constituição Federal. Assim, o conteúdo dos dois é
essencialmente o mesmo, o que difere é o plano em que estão consagrados.

192. Onde encaixaria o termo liberdade pública: em direitos humanos, direitos fundamentais ou nos
dois?

R: Os direitos humanos, como já se observou, possuem diversos sinônimos que, em regra,


convergem ao mesmo significado. Desta forma, o pensamento doutrinário predominante afirma que os
direitos humanos também poderão ser chamados de direitos naturais, direitos do homem, direitos
individuais, direito público subjetivo, liberdades fundamentais, liberdades públicas, direitos humanos
fundamentais, direitos fundamentais etc.

193. Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e


crianças → O consentimento dado pela vítima desconfigura o tráfico de pessoas?

R: O consentimento dado pela vítima não desconfigura o tráfico de pessoas.


Segundo o art. 3, d, do decreto 5.017, o consentimento dado pela vítima de tráfico de pessoas
tendo em vista qualquer tipo de exploração descrito na alínea a) do presente Artigo será considerado
irrelevante se tiver sido utilizado qualquer um dos meios referidos na alínea a.
Segundo o art. 3, a, a expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento, o transporte, a
transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a
outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de
vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de
uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo,
a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços
forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos (art. art. 3,
a, b, DECRETO Nº 5.017, DE 12 DE MARÇO DE 2004).

193. Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres


e crianças → O consentimento dado pela vítima desconfigura o tráfico de pessoas?

R: Não. O art. 3°, b, do Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas,


especialmente mulheres e crianças, prevê, taxativamente, que o consentimento dado pela vítima de
tráfico de pessoas é irrelevante se tiver sido utilizado qualquer um dos meios previstos no referido
protocolo. Uma mulher pode consentir em migrar para trabalhar como doméstica ou prostituta, ou para
trabalhar irregularmente em outro lugar, mas isso não significa que ela tenha consentido em trabalhar de
formas forçadas e desumanas ou em condições similares à escravidão, bem como em ser explorada, e, se
isso acontecer, fica caracterizado o tráfico de mulheres. Daí se deduz que o consentimento é irrelevante
para a caracterização do tráfico de pessoas, em outras palavras, sem o consentimento o tráfico será
caracterizado, pois a mesma não sabia que o sonho de possuir um trabalho e salário maior lhe levaria ao
sofrimento e dor, por meio do trabalho forçado e da exploração sexual, entre outros.

Obs.: dois colegas responderam à questão 193, por isso ficou em duplicidade.

194. Por que o tráfico é considerado causa e consequência de violação aos direitos humanos?

R:O tráfico internacional de mulheres é, ao mesmo tempo, causa e consequência de violações aos
direitos humanos. É consequência de violações aos direitos humanos porque se origina na desigualdade
social-econômica, na falta de perspectivas para profissionalização e na falta de possibilidades para a
realização de sonhos pessoais. Por outro lado, é causa de violação de direitos humanos, porque a sua
finalidade é a exploração da mulher, pois degrada sua dignidade e limita o seu direito de ir e vir. Por
isso, o tráfico é comumente entendido como sendo uma das formas mais explícitas de escravidão
moderna ligada ao fenômeno da globalização.
195. Conhece a doutrina a respeito?
R: Observação – não achei a resposta para essa pergunta. A pergunta foi retira ao artigo
https://jus.com.br/artigos/29418/trafico-internacional-de-mulheres-violacao-aos-direitos-humanos.

Direitos Humanos - Examinadora: Érica Marcelina Cruz

196. Existe pleonasmo na expressão “direitos humanos”?


R: Parte da doutrina questiona o uso da expressão “direitos humanos” por entender que esta representa
uma redundância, uma vez que não há direito cuja titularidade não seja exercida pelo ser humano ou suas
emanações (as pessoas jurídicas). Apesar de tal redundância, essa expressão é esclarecedora, pois
acentua a essencialidade de tais direitos para o exercício de uma vida digna, sendo, por isso, adjetivados
como “humanos”. Com isso, reconhece-se que esses direitos são de todos, sem qualquer outra
consideração ou qualificativo. Trata-se, então, de ênfase e valorização da condição humana como
atributo para o exercício desses direitos. Assim, o adjetivo “humanos” significa que tais direitos são
atribuídos a qualquer indivíduo, sendo assim considerados “direitos de todos”.

197. Bastaria dizer “direitos” para entender?


R: Sim, uma vez que não há direito cuja titularidade não seja exercida pelo ser humano ou suas
emanações

198. Coisa é titular de direitos?


R: Não, só ser humano é titular de direitos.

199. Quem é titular de direitos?


R: Tão somente o ser humano, sem qualquer outra consideração ou qualificativo.

200. Artigo 5º, Código de Conduta → O direito de não ser torturado é um direito absoluto ou
inviolável?
R: Há uma espécie de polarização dos entendimentos acerca dessa questão. Uns entendem que a tortura
deveria ser regulada e aplicada novamente de forma institucional, para crimes graves. Alega-se, entre
outros fundamentos, que não há direitos fundamentais absolutos e, que deveria sofrer ponderações nos
casos concretos, tendo como parâmetro o princípio da proporcionalidade. Um dos exemplos mais
utilizados para justificar a discussão sobre o uso legítimo da tortura diz respeito à chamada bomba –
relógio. Essa teoria tem o objetivo de relativizar a proibição da tortura. De acordo com ela, se bombas
relógio forem instaladas em determinados lugares, não havendo outros meios hábeis de localizá-las e
desinstalá-las, é perfeitamente aceitável a relativização do direito constitucionalmente previsto (art. 5º,
III da CF/88), de não ser torturado.
Outros advogam a tese de que a tortura não é jamais admissível em quaisquer circunstâncias, pois essa
prática colocaria em risco o Estado Democrático, pois após aberta uma exceção o caminho restaria livre
para que outras exceções sejam permitidas.

201. Bobbio: “Os direitos do homem são os que cabem ao homem enquanto homem”. O que
significa?

R: Significa dizer que o direito é inerente ao ser humano e que as coisas são despidas de direitos. Logo,
basta ser humano para ter direito, independente de qualquer condição.
Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta.

202. É característica ou conceito?


R: Refere-se ao conceito de direitos humanos. Menciona-se o status desejado para esses direitos, sem,
contudo, referir-se sobre o seu conteúdo.

203. O que é garantia da não ingerência?


R: A garantia da não ingerência decorre dos direitos de defesa, os quais consistem em um conjunto de
prerrogativas do indivíduo, voltado para defender determinadas posições subjetivas contra a intervenção
do Poder Público ou mesmo outro particular, assegurando que: 1) uma conduta não seja proibida; 2) uma
conduta não seja alvo de interferência ou regulação indevida por parte do Poder Público; e 3) não haja
violação ou interferência por parte de outro particular.

204. Esse ente é estatal? Dê exemplo.


R: Os direitos de defesa têm como consequência inicial a transformação desses direitos em um escudo
contra o poder estatal, concretizando exigências de abstenção, derrogação e até mesmo anulação de atos
do Estado, o que gera a chamada eficácia vertical dos direitos humanos (indivíduo x Estado). Porém, já é
um consenso no Brasil que os direitos de defesa também podem ser invocados contra outros particulares,
consagrando a eficácia horizontal dos direitos fundamentais (relação particular x particular). Exemplos,
direito à inviolabilidade domiciliar, intimidade e sigilos diversos.

205. Uma senhora é vítima de roubo. Uma semana depois, uma pessoa liga no 190 e informa
o paradeiro do indivíduo. O PM que conduz esse indivíduo viola direitos humanos?
R: Sim. A conduta do PM em conduzir o indivíduo suspeito de ter praticado o crime de roubo é uma
violação aos direitos humanos, pois estaria tolhendo-se o direito de ir e vir garantido pelo Constituição
Federal. Inclusive, constitui-se crime de abuso de autoridade, descrito no artigo 4º, a, da lei 4.898/65,
“ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual sem as formalidades legais ou com
abuso de poder”.
Ademais, o STF entendeu em recente julgado que a condução coercitiva viola a liberdade de locomoção,
por representar uma supressão absoluta, ainda que temporária, da liberdade de locomoção.
Portanto, se a condução coercitiva autorizada judicialmente é ilegal, quanto mais aquela despida de
qualquer ordem como é o caso em questão.
Caberia, no caso em tela, a instauração de Inquérito Policial para apurar melhor os fatos e, se presentes
os requisitos legais, realizar a representação pela decretação de prisão temporária em face do suposto
autor do crime.

206. Para que a autoridade policial possa representar pela prisão temporária, não é
necessário que o PM apresente esse indivíduo?
R: Não. É dispensável a apresentação do indivíduo para que autoridade policial possa representar pela
prisão temporária.

207. Qual a característica da efetividade?


R: Não entendi a pergunta.

208. Tem natureza supralegal, infraconstitucional ou supraconstitucional?


R: Não entendi a pergunta.

209. qual a natureza jurídica dos tratados internacionais?


R.: Depende da natureza do tratado. Se o tratado internacional versar sobre Direitos Humanos e não for
aprovado com quórum de emenda constitucional, terá natureza jurídica de norma supralegal. Se versar
sobre Direito Humanos e for aprovado com quórum de emenda terá status de norma constitucional. Se o
tratado internacional não versar sobre direitos humanos terá status de lei ordinária.
Art. 5º, §§2º3º CF/88.

210. fale sobre a universalidade dos direitos humanos?


R.: a universalidade dos direitos humanos compreende que tais direitos se destinam a todas as pessoas,
pela simples condição de ser humano, sem qualquer discriminação de qualquer ordem que seja, em
qualquer lugar do mundo.
DUDH

211. se recorda de outra característica? O que é imprescritibilidade?


R.: sim, historicidade dos direitos humanos. Imprescritibilidade é a impossibilidade de que se prescreva
os direitos humanos pelo fato de não os exercer. É diferente da reparação econômica pela violação desse
direito, este sim prescreve.

212. direitos humanos, essa expressão é pleonasmo?


R.: não, pela criatividade do nosso direito, é possível que se tenha uma pessoa que não seja humana, por
exemplo, a criação de uma Pessoa Jurídica. A pessoa Jurídica não pode ser considerada humana,
podendo ter alguns direitos garantidos pelo nosso ordenamento jurídico. (Achei essa resposta na internet,
artigos publicados pelos professores)
Art. 52 CC

213. O que é apoderamento para fins de prevenção do tráfico de pessoas?


R.: é uma forma de enfrentamento do tráfico de pessoas. É uma espécie de prevenção do desse crime
com o empoderamento/ fortalecimento de grupo vulneráveis, através de políticas públicas, visando
diminuir a vulnerabilidade de tais grupos. (Não achei nada de apoderamento, somente de
empoderamento)

214. Consegue ver características comuns entre as vítimas do tráfico?


R.: sim, são pessoas que pertencem a classe socioeconômica baixa da sociedade, são vítimas devido à
falta de oportunidade de emprego, pobreza, violência doméstica, instabilidade política e outros.

215. A mudança de posição econômica seria uma forma de prevenção do tráfico de pessoas?
R.: sim, as políticas públicas para melhoramento de salários, contribuiria para a mudança da posição
econômica e por consequência, diminuição desse tipo de crime. (Achei a pergunta muito subjetiva, não
tenho certeza se era isso que o examinador queria ouvir)

216. Cite três características dos direitos humanos.


R.: Irrenunciabilidade, a pessoa não tem a faculdade de dispor dos direitos inerentes à dignidade
humana. Inalienabilidade, os direitos humanos não pode ser objeto de comércio, não pode ser alienado,
entretanto, é possível comercializar alguns direitos da personalidade. Indivisibilidade, os direitos
humanos devem ser compreendidos como um conjunto único, indivisível.

217. O que significa vedação ao retrocesso no tocante aos direitos humanos?


R.: é a impossibilidade de supressão de direitos já reconhecidos pela ordem jurídica, isso configuraria
um retrocesso em detrimento da dignidade humana.
218. DUDH, artigo 27 → Movimento jovem em praça pública com uso de entorpecentes. Como
conciliar?
R.: Se no meio desses movimentos houver uso desses entorpecentes, será crime. Entretanto, caso o
movimento seja somente para discutir sobre a descriminalização do uso de drogas e não haver o uso
delas, não há ilegalidade nisso, o próprio STF já se manifestou. É crime instigar, induzir ou auxiliar o
uso de drogas, não a discussão sobre a legalização (Respondi como eu entendi, não tenho total certeza se
seria essa a resposta que o examinador queria ouvir).

219. De que forma faria a intervenção?


R.: a intervenção deverá ser pontual, poderá ser preso quem faz efetivamente o uso da droga ou quem
induz, instiga ou auxilia o uso de drogas. Se a manifestação for pacífica e não houver a instigação,
induzimento ou auxílio ao uso de drogas, o fato não será criminoso, será considerado manifestação do
pensamento e liberdade de reunião. (Respondi como eu entendi, não tenho total certeza se seria essa a
resposta que o examinador queria ouvir).

220. Artigo 5º e 7º. Fale a respeito da audiência de custódia.


R.: A audiência de custódia é o instrumento processual com a finalidade de que o juiz avalie a
legalidade e necessidade de manutenção da prisão. Basicamente, todo preso em flagrante deve ser
levado à presença da autoridade judicial, no prazo de 24 horas, para se verificar a legalidade e a
necessidade de manutenção no cárcere.
Art. 7º, §5º PSJCR, Resolução 213, CNJ

221. Cite três características dos direitos humanos?


R.: Irrenunciabilidade, a pessoa não tem a faculdade de dispor dos direitos inerentes à dignidade
humana. Inalienabilidade, os direitos humanos não pode ser objeto de comércio, não pode ser alienado,
entretanto, é possível comercializar alguns direitos da personalidade. Indivisibilidade, os direitos
humanos devem ser compreendidos como um conjunto único, indivisível. (Repeti a mesma resposta da
questão 216)

222. O que significa essa relatividade?


R.: é a possibilidade de que os direitos humanos sejam relativizados. Não existe direito fundamental
absoluto, diante do caso concreto é possível que alguns deles sejam limitados, por exemplo a
interceptação telefônica.

223. O que significa a característica da inviolabilidade?


R.: é a ideia de que os direitos humanos não devem ser violados, nem mesmo por normas internas ou ato
das autoridades públicas, sob pena de nulidade da norma ou do ato praticado.
224. A OIT se enquadra em qual sistema?
R.: a OIT atua no sistema universal de DH, é uma organização internacional que visa promover padrões
internacionais de condições de trabalho e bem-estar dos trabalhadores. Atua na defesa de direitos de 2ª
dimensão. (Respondi como eu entendi, não tenho total certeza se seria essa a resposta que o examinador
queria ouvir).

225. Dê exemplo que se encaixa no Sistema Regional.


R.: Corte Interamericana de Direitos Humanos, Corte Europeia de Direitos Humanos, Corte Africana dos
Direitos Humanos.

226. Quais os direitos de segunda geração?


R.: Prevalece que são os direitos econômicos, sociais e culturais. Também conhecidos como “direitos de
igualdade”. Exigem do Estado, em regra, prestações positivas.

227. Qual a diferença entre os grupos de vulneráveis e minorias?


R.: Há divergência doutrinária acerca do tema. Para alguns, não haveria diferença significativa entre as
expressões. Outros sustentam que minorias são grupos necessariamente minoritários numericamente na
sociedade que precisam de proteção face aos grupos dominantes. Enquanto vulneráveis são grupos não
necessariamente numericamente minoritários, mas que necessitam de proteção por conta de
características físicas ou psíquicas que os tornam vulneráveis. Outra corrente sustenta que nos grupos
vulneráveis não há uma identidade, um traço em comum entre os indivíduos como fator que os atraem.
A exemplo, consumidores, litigantes, sindicatos, o acusado penal. São indivíduos suscetíveis de serem
feridos, ofendidos ou atacados. E as minorias se revelam por traço cultural comum presente em todos os
indivíduos, originando grupos específicos, são sujeitos ligados entre si. Entretanto, nem sempre diz
respeito a um grupo que possui o menor número de pessoas, pelo contrário, por vezes são numerosos.
Por fim, sustenta-se também que grupo vulnerável seria gênero da qual minoria é espécie.

228. O gênero feminino se enquadraria em qual grupo?


R.: Para quem diferencia as expressões, as mulheres podem se enquadrar em ambos os conceitos, vez
que são vulneráveis faticamente e representam um grupo com ligação cultural comum. Podem, no
entanto, ser consideradas apenas vulneráveis, pois são maioria numérica na sociedade. Podem, ainda, ser
consideradas apenas minorias, por conta da identidade comum cultural existente entre as pessoas de
gênero feminino.
229. Uma mulher vítima de violência doméstica pede ao juiz medida protetiva. Como Delegado,
recebe um ofício para fiscalizar o cumprimento da medida imposta. Cumpre a determinação? Vai
fiscalizar?
R.: Não encontrei nada específico. Suponho que não cabe ao Delegado fiscalizar.

230. O que faz com o ofício?


R.: Provavelmente o candidato disse que não cumpriria a determinação.

231. Por que os direitos humanos apresentam uma formulação normativa aberta?
R.: Pois, com exceção da visão positivista, os direitos humanos são ideias abstratas, permeados muito
mais por princípios do que por regras. Assim, impossível definir precisamente os limites dos direitos
humanos, que se modificam ao longo do tempo.

232. O que significa regime indisponível de direitos humanos?


R.: A definição formal de direitos humanos não especifica o conteúdo dos direitos humanos, limita-se a
alguma indicação sobre o seu regime jurídico especial. Esse tipo de definição consiste em estabelecer
que os direitos humanos são aqueles que pertencem a todos os homens e que não podem ser deles
privado, em virtude de seu regime indisponível e sui generis.

233. Cite três características dos direitos humanos?


R.: Universalidade, Inerência, Transnacionalidade, Essencialidade, Superioridade, Reciprocidade,
Indivisibilidade, Interdependência, Imprescritibilidade, Inalienabilidade, Irrenunciabilidade,
Relatividade, Inviolabilidade.

234. O que significa a inviolabilidade?


R.: Não pode ser tolerada a violação dos direitos humanos, seja pela lei, pela autoridade ou pelo poder,
órgão ou entidade pública ou privada, sob pena de responsabilização civil, administrativa e criminal. A
Inviolabilidade existe para proteção contra terceiros, e a irrenunciabilidade para proteção contra o
próprio titular.

235. Cite exemplos de violação dos direitos humanos por agentes estatais.
R.: Tortura de presos por policiais, não atendimento médico em hospital público, impedimento de
matrícula em escola pública por deficiência de criança.

236. Como delegado, estaria violando os direitos humanos de uma pessoa, ao prendê-la?
R.: Em regra não. Se dentro das normas internacionais, constitucionais e legais a prisão não viola os
direitos humanos. Como nenhum direito é absoluto, a liberdade estaria sendo restringida por, no caso
concreto, outros direitos prevalecerem. Caso contrário, havendo alguma ilegalidade, haveria violação aos
direitos humanos relacionados à liberdade, ao direito de ir e vir.

237. Como se dá a incorporação dos tratados ao ordenamento jurídico?


R.: Após a assinatura do tratado pelo Presidente da República (art. 84, VIII, da CF), deve ocorrer a
aprovação parlamentar. O acordo só é perfeito quando a vontade do Poder Executivo se somar à vontade
manifesta do Congresso Nacional. A forma dessa autorização parlamentar é o decreto legislativo do
Congresso Nacional, nos termos do art. 49, I, da CF. Após, ocorre a promulgação do ato internacional
pelo Presidente da República. Esta promulgação se dá por Decreto Presidencial, incorporando a norma
internacional ao ordenamento interno (art. 84, IV, da CF). Em regra o tratado tem status de norma
ordinária (se não se tratar de tratado de direitos humanos ou, mesmo sendo, não conseguir aprovação na
forma do art. 5o, §3o, da CF), mas ao se tratar de tratado de direitos humanos, se aprovado o decreto
legislativo em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais, na forma do art. 5o, §3o, da CF.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua
fiel execução;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou
compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
O STF teve a oportunidade de dizer, quando do julgamento do RE 466.343 e do “HC” 87585, que o
ordenamento jurídico brasileiro agora pode ser formado por três níveis distintos: normas constitucionais,
normas supralegais e normas legais.

238. O que significa reversão dos direitos humanos ou reversibilidade?


R.: Não encontrei nada específico. Talvez esteja relacionada com a proibição ao retrocesso, efeito
cliquet. Nesse caso, seria o ato de uma norma revogar ou esvaziar o conteúdo de outra sobre direitos
humanos, o que seria vedado por esse princípio, considerando-se inválida tal inovação na ordem jurídica.

Direitos Humanos - Examinador: Eduardo Augusto Paglione

239. O direito à paz pode ser considerado direito de que geração?


R.: De 3a ou 5a geração.
240. É pacífica na doutrina que é direito de 5ª geração?
R.: Não. Tradicionalmente, considerando a existência de apenas 3 gerações ou dimensões, o direito à paz
pode ser considerado de 3a geração. Porém, Paulo Bonavidades considera o Direito à Paz como um
direito fundamental de 5ª geração.

241. Qual o único direito considerado sagrado pela Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão?
R.: conforme disposto no art. 17 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a propriedade é
um direito sagrado e inviolável. Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado,
ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir
e sob condição de justa e prévia indenização.

242. Qual a natureza jurídica da Carta das Nações Unidas?


R.: a Carta das Nações Unidas tem natureza jurídica de tratado, possuindo, portanto, força vinculante,
obrigando os Estados que a ela aderem. Corrobora com esse entendimento o disposto no artigo 103 da
Carta da ONU: "No caso de conflito entre as obrigações dos membros das Nações Unidas, em virtude da
presente Carta e as obrigações resultantes de qualquer outro acordo internacional, prevalecerão as
obrigações assumidas em virtude da presente Carta”.

243. Autodeterminação dos povos. Artigo 1º da PIDCP. Prevista também na CF/88. Qual a
amplitude desta autodeterminação?
R.: o princípio da autodeterminação dos povos deve ser entendimento como um direito que pode ser
exercido sem a obrigatória realização de fragmentações territoriais. Nessas condições, os povos em
questão mantêm com o Estado onde se localizam relações pacíficas, duradouras e contínuas. Todavia,
nenhum povo pode estar submetido à graves e sistêmicas violações de direitos humanos, da mesma
forma que nenhum Estado pode usar sua soberania ou seu direito à integridade territorial como escudo
para perpetra-las. Desta forma, quando objeto de graves violações de seus direitos, os povos atacados
podem legalmente realizar a secessão territorial para novos Estados ou se incorporar a outros.

244. O Estado reconhece a autodeterminação a outro Estado ou somente dentro do próprio


Estado?
R.: não há dúvidas que atualmente esse reconhecimento é realizado também em relação a outros Estados,
existindo um direito internacional à autodeterminação. Tal direito é assegurado em inúmeros
dispositivos internacionais, entre eles a Carta da ONU (art. 1º, §2º), o Pacto Internacional sobre Direitos
Civis e Políticos (art. 1º, §1º) e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (art.
1º, §1º).
245. O que é direito ao patrimônio comum?
R.: o patrimônio comum pode incluir desde espaços internacionais, como o alto-mar, a Antártica e o
espaço cósmico, bem como um patrimônio natural e cultural, que leva a um processo de proteção dos
direitos humanos e proteção ao meio ambiente. Cumpre ressaltar que as normas internacionais não
autorizam qualquer forma de domínio por parte de qualquer Estado sobre os mesmos e sobre os recursos
que neles se encontram.

246. Quem é o sujeito passivo desses direitos?


R.: o sujeito passivo desses direitos é a própria humanidade, uma vez que o direito ao patrimônio comum
pertence à própria humanidade, devendo ser objeto de proteção por todos os Estados, mas sem a
apropriação por parte de nenhum deles (não encontrei a resposta para essa pergunta).

247. Quais Estados?


R.: Conforme mencionado, todos os Estados podem e devem proteger o direito ao patrimônio comum,
porém não podem se apropriar individualmente desse patrimônio, que pertence a toda a humanidade
(tenho dúvida com relação à resposta, acredito que tenha sido feita com base na resposta do candidato).

248. PIDCP, artigo 22 → Qual o conceito de segurança nacional?


R.: conforme prevê o art. 22.º: 1. Toda a pessoa tem direito a associar-se livremente com outras,
incluindo o direito de fundar sindicatos e filiar-se neles para protecção dos seus interesses. 2. O exercício
deste direito só pode ser objecto de restrições, previstas na lei, necessárias numa sociedade democrática,
no interesse da segurança nacional, da segurança pública ou da ordem pública ou para proteger a saúde e
a moral públicas ou os direitos e liberdades de outrem. O presente artigo não impedirá que sejam
impostas restrições legais ao exercício deste direito quando se tratar de membros das forças armadas e da
polícia.
Quanto ao conceito de segurança nacional, ele é inerente à noção de Estado nacional desde a sua origem,
no século XVII. Consiste em assegurar, em todos os lugares, a todo o momento e em todas as
circunstâncias, a integridade do território, a proteção da população e a preservação dos interesses
nacionais contra todo tipo de ameaça e agressão externa.

249. Mulheres podem ser enquadradas como minoria ou vulneráveis?


R.: vulneráveis: não há uma identidade, um traço em comum entre os indivíduos como fator que os
atraem; são grupos compostos pela sociedade de uma maneira geral. A exemplo, consumidores,
litigantes, sindicatos, deficientes, o acusado penal. Minorias: traço cultural comum presente em todos os
indivíduos, originando grupos específicos, são sujeitos ligados entre si. Entretanto, nem sempre diz
respeito a um grupo que possui o menor número de pessoas, pelo contrário, por vezes são numerosos,
possuindo os seguintes elementos: 1. Posição de não-dominação junto ao corpo social; 2. Vínculo
subjetivo de solidariedade entre seus membros para a proteção de sua identidade cultural; 3. Demandam
uma especial proteção estatal e 4. Sofrem uma opressão social. Portanto, grupo vulnerável é gênero,
tendo como uma de suas espécie as minorias. As mulheres se encaixam como uma subdivisão dentro das
minorias.

250. Qual o entendimento da doutrina?


R.: no âmbito doutrinário, em regra, não se diferencia minoria de vulneráveis, estando as mulheres,
portanto, inseridas nas duas expressões tratadas como sinônimas. Mas ainda existe parte da doutrina que
realiza tal diferenciação.

251. E como fica o artigo 5º, II, CF/88? É possível fazer distinção entre homens e mulheres?
(Deveria constar art. 5º, I, da CF).
R.: a igualdade formal expressamente referida no inciso I do artigo 5° da Constituição Federal de 1988
não é suficiente para cumprir o papel histórico da Constituinte.
Historicamente, e com especial referência à realidade de nosso país, homens e mulheres não se colocam
em pé de igualdade mútua. Há inumeráveis diferenças no plano material, de cuja devida valoração
depende a efetivação da verdadeira igualdade entre os gêneros, assim, é plenamente possível realizar
distinção entre homens e mulheres no intuito de se conquistar a igualdade material, como exemplo temos
o art. 7º, XX, da CF e a Lei Maria da Penha.

Direitos Humanos - Examinadora: Érica Marcelina Cruz

252. Cite uma característica dos Direitos Humanos.


R.: Historicidade, Universalidade, Relatividade, Essencialidade, Irrenunciabilidade, Inalienabilidade,
Imprescritibilidade, Inviolabilidade, Complementaridade, Efetividade, Interdependência e Concorrência.

253. Com base na característica da historicidade, quando temos acrescentado um novo direito
humano, há nova interpretação do direito já previsto?
R.: os direitos humanos estão em constante evolução, sendo assim, para acompanhar a evolução da
sociedade, é necessário que o direito evolua e seja interpretado em conformidade com os novos valores
sociais, contudo, é importante frisar que há um núcleo intangível desses direitos, especialmente quando a
nova interpretação visa a suprimir ou reduzir direitos já consolidados.

254. Por que a nomenclatura “geração” não é a mais adequada?


R.: há quatro críticas quanto ao termo geração: 1. Em primeiro lugar, por transmitir de forma errônea, o
caráter de substituição de uma geração por outra; 2. A enumeração das gerações pode dar a ideia de
antiguidade ou posterioridade de um rol de direitos em relação a outros; 3. A teoria geracional é
rechaçada por apresentar os direitos humanos de forma fragmentada e ofensiva à indivisibilidade; 4. É
criticável em face das novas interpretações sobre o conteúdo dos direitos. Ex: direito à vida, em tese,
seria de primeira geração, mas já existem precedentes nacionais e internacionais que exigem prestações
positivas do Estado para assegurar uma vida digna, como saúde, moradia, educação, etc, o que a
colocaria como direito de segunda geração.

255. Direito humano é sinônimo de direito fundamental?


R.: Direitos humanos são aqueles ligados à liberdade e a igualdade que estão positivados no plano
internacional. Já os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados na Constituição Federal.
Assim, o conteúdo dos dois é essencialmente o mesmo, o que difere é o plano em que estão consagrados.

256. Onde encaixaria o termo liberdade pública: em direitos humanos, direitos fundamentais ou
nos dois?
R.: Liberdades Públicas tem como definição a institucionalização de um conjunto de direitos e garantias
do ser humano, cuja finalidade precípua é o respeito à sua dignidade, com proteção ao Poder Estatal e a
garantia das condições mínimas de vida e desenvolvimento do ser humano, ou seja, as liberdades
públicas que vão limitar o poder do Estado, de modo que, quando do uso de seu poder de polícia, não
venha a praticar arbitrariedades. Destarte, é possível encontrar hipóteses de liberdade pública tanto no
âmbito dos direitos humanos, como no âmbito dos direitos fundamentais.

257. Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e


crianças → O consentimento dado pela vítima desconfigura o tráfico de pessoas?
R: Por disposição expressa do referido protocolo, quando utilizados meios como “... ameaça ou uso da
força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação
de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios ...”, o consentimento da
vítima é irrelevante.

258. Por que o tráfico é considerado causa e consequência de violação aos direitos humanos?
R.: A relação de causa e consequência estão intimamente interligadas, uma vez que o tráfico de pessoas
é causa por colocar o ser humano, vítima da exploração, em um patamar de “objeto”, ou seja, um meio
para determinado fim, violando então sua dignidade. É consequência pois é fruto da desigualdade
socioeconômica, da falta de educação, de poucas perspectivas de emprego e realização pessoal, de
serviços de saúde precários e da luta diária pela sobrevivência.
Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta

259. Conhece a doutrina a respeito?


R.: Observação - não achei a resposta para essa pergunta

260. Existe pleonasmo na expressão “direitos humanos”?


R.: Há autores que criticam o uso da expressão “direitos humanos”, uma vez que não há direito que não
seja titularizado pelo ser humano ou suas emanações (pessoas jurídicas). Mesmo diante de redundância,
a expressão acentua a essencialidade de tais direitos para o exercício de uma vida digna, razão pela
adjetivação “humanos”.

261. Bastaria dizer “direitos” para entender?


R.: Observação - não achei a resposta para essa pergunta

262. Coisa é titular de direitos?


R.: Conforme entendimento doutrinário, apenas o ser humano pode titularizar direitos.

263. Quem é titular de direitos?


R.: Todo ser humano, dada a característica da universalidade dos direitos humanos.

264. Artigo 5º, Código de Conduta → O direito de não ser torturado é um direito absoluto ou
inviolável?
R.: Conforme entendimento da doutrina majoritária, quase que unanime, o direito de não ser torturado é
um direito absoluto. Todavia, há autores que defendem a tortura em situações extremas, aplicando-se a
teoria da bomba relógio (thicking time bomb scenario).

265. Bobbio: “Os direitos do homem são os que cabem ao homem enquanto homem”. O que
significa?
R.: O referido autor utiliza tal expressão para frisar que os direitos humanos (ou direitos do homem,
sinônimo em algumas obras) é inerente a condição de ser humano.
R.: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta

266. É característica ou conceito?


R.: É uma característica presente nos direitos humanos, pois o conceito, conforme alguns autores, é o
conjunto de direitos considerados indispensáveis à uma vida humana digna, pautada na liberdade,
igualdade e fraternidade.
R.: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta

267. O que é garantia da não ingerência?


R.: Esta garantia está relacionada aos direitos de liberdade, ou conforme explica a doutrina, direitos
fundamentais de primeira geração, qual o estado deve abster-se de intervir arbitrariamente na vida de
seus administrados.

268. Esse ente é estatal? Dê exemplo.


R.: Observação - não achei a resposta para essa pergunta

269. Uma senhora é vítima de roubo. Uma semana depois, uma pessoa liga no 190 e informa o
paradeiro do indivíduo. O PM que conduz esse indivíduo viola direitos humanos?
R.: Sim, pois estaria violando o direito à liberdade previsto tanto no artigo 5º da Constituição Federal,
como infringindo em uma prisão arbitraria, vedada pelo artigo 9º da resolução 217-A (III) da Declaração
Universal dos Direitos Humanos.

270. Para que a autoridade policial possa representar pela prisão temporária, não é necessário que
o PM apresente esse indivíduo?
R.: Não, pois basta que o indivíduo cumpra os requisitos presentes na lei de prisão temporária.

271. Qual a característica da efetividade?


R.: Dispõe que o estado deve criar mecanismos no sentido de garantir a efetivação dos direitos e
garantias previstos.

272. Tem natureza supralegal, infraconstitucional ou supraconstitucional?


R.: Observação - não achei a resposta para essa pergunta

273. Qual a natureza jurídica dos tratados internacionais?


R.: Do ponto de vista material, todos os tratados internacionais sobre direitos humanos possuem natureza
constitucional. A divergência existe sob o aspecto formal. O STF já firmou o entendimento no sentido de
que os referidos tratados são incorporados ao ordenamento jurídico com natureza formalmente
supralegal, podendo ter status constitucional e, portanto, passar a integrar o bloco de constitucionalidade
restrito, se forem aprovados pelo procedimento de emenda constitucional. A doutrina aponta 4 correntes:
natureza supra-constitucional, constitucional, legal e supra legal. (art. 5º, § 3º, da CF/88).

Examinador: PAULA DE BEM BITTENCOURT RIBEIRO

274. Cite duas características de direitos humanos.


R.: Caracteriza os direitos humanos a indivisibilidade, ou seja, eles devem ser vistos como um conjunto,
bloco único, indivisível e interdependente. Cita-se, ainda, a relatividade, no sentido de que os direitos
humanos podem sofrer limitações a fim de se adequarem a outros valores coexistentes na ordem jurídica.
Seriam absolutos, contudo, a proibição a tortura e a escravidão. (Convenção contra a tortura e outros
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, art. 2º.)

275. Explique historicidade.


R.: A historicidade, característica dos direitos humanos, importa a conclusão de que esses são frutos do
processo histórico, surgiram gradativamente. Refuta, pois, a tese de que seriam direitos naturais. A
historicidade é expansiva, no sentido de que sempre reconhecer novos direitos e ampliar a proteção à
pessoa, não se admitindo o retrocesso (efeito cliquet).

276. O que significa proibição do retrocesso?


R.: Também identificada na doutrina como princípio da proibição de evolução reacionária e proibição de
efeito cliquet, a proibição do retrocesso veda que direitos já reconhecidos na ordem jurídica sejam
suprimidos, pois isso configuraria um retrocesso em detrimento da dignidade da pessoa humana. Não
impede, porém, que sejam feitas restrições a direitos ou até mesmo que medidas estatais adotadas sejam
restringidas, já que os direitos comportam limitações.

277. Convenção Interamericana para eliminação de todas as formas de discriminação – A fixação


de cotas para deficientes estaria infringindo o direito à igualdade?
R.: Não ferem o direito à igualdade. As cotas são frutos de ações afirmativas, que consistem em
distinções, exclusões, restrições e preferências feitas por um Estado com o objetivo de assegurar o
progresso de grupos sociais ou étnicos ou de indivíduos que necessitem da proteção para proporcionar a
eles igual gozo ou exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais.

278. O Brasil é signatário do tratado sobre direitos econômicos, sociais e culturais?


R.: O Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, pertencente ao sistema global de
direitos humanos, foi incorporado ao Brasil em 1992, pelo Decreto 591, de 6 de julho e 1992.

279. Quais os principais sistemas regionais de direitos humanos?


R.: Os principais são o sistema interamericano, europeu e africano de direitos humanos.

280. A qual deles o Brasil aderiu?


R.: O Brasil aderiu ao sistema interamericano de direitos humanos ratificando, em 25 de setembro de
1992 e promulgando pelo Decreto Presidencial 678, de 06 de novembro de 1992 a Convenção
Americana sobre Direitos Humanos, principal documento desse sistema.

281. A convenção internacional sobre a tortura faz parte de qual sistema?


R.: A Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes
faz parte do sistema global de direitos humanos, tendo sido promulgada na ordem jurídica brasileira pelo
Decreto 40, de 15 de fevereiro de 1991.

282. Influenciou de alguma forma no ordenamento jurídico brasileiro?


R.: Sim. Foi editada a Lei 9.455, de 07 de abril de 1997, a qual define o crime de tortura e dá outras
providências. Outrossim, o Brasil instituiu o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, criou
o Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura e, ainda, o Mecanismo Nacional de Prevenção e
Combate à Tortura, mediante a Lei 12.847/2013.

283. O Brasil é signatário do protocolo de prevenção, supressão e punição ao tráfico de pessoas?


R.: Sim. O protocolo foi promulgado através do Decreto 5.017, de 12 de março de 2004.

284. Já foi criada alguma legislação para atender o previsto no tratado?


R.: Sim. A Lei nº 13.344/2016, que dispõe sobre a prevenção e a repressão ao tráfico interno e
internacional de pessoas, alterou o Estatuto do Estrangeiro, o Código Penal e o Código de Processo
Penal.

285. Quem é criança, segundo o ECA e segundo o protocolo?


R.: Criança, segundo o ECA, é a pessoa até doze anos de idade incompletos. Para o protocolo significa
qualquer pessoa com idade inferior a dezoito anos. (ECA, art. 2º, caput. PROTOCOLO ADICIONAL À
CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME ORGANIZADO TRANSNACIONAL
RELATIVO À PREVENÇÃO, REPRESSÃO E PUNIÇÃO DO TRÁFICO DE PESSOAS, EM
ESPECIAL MULHERES E CRIANÇAS, art. 3, c).

286. Qual a diferença entre tráfico de pessoas e tráfico de imigrantes?


R.: No tráfico de imigrantes há o conhecimento e consentimento da pessoa sobre o ato criminoso; o
crime termina com a chegada da vítima em seu destino e sempre é transnacional. No tráfico de pessoas o
consentimento da vítima é irrelevante, uma vez que ele geralmente é obtido sob malogro; o crime
necessita da chegada da vítima e em seguida da sua exploração com o fim de obtenção de benefício ou
lucro e, outrossim, pode ocorrer tanto internacionalmente como dentro do próprio país.

287. Segundo o protocolo, o transexual também tem seus direitos resguardados?


R.: O transexual tem o seu direito tutelado pelo protocolo, posto que ele visa prevenir, reprimir e punir o
tráfico de pessoas, em especial mulheres e crianças. Não objetiva, portanto, restringir a proteção as
mulheres e crianças, para as quais, é bem verdade, pretende resguardar os direitos com maior ênfase.
288. Cite duas características de direitos humanos.
R.: Caracteriza os direitos humanos a indivisibilidade, ou seja, eles devem ser vistos como um conjunto,
bloco único, indivisível e interdependente. Cita-se, ainda, a relatividade, no sentido de que os direitos
humanos podem sofrer limitações a fim de se adequarem a outros valores coexistentes na ordem jurídica.
Seriam absolutos, contudo, a proibição a tortura e a escravidão. (Convenção contra a tortura e outros
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, art. 2º.)

289. O que se entende por transnacionalidade?


R.: É o reconhecimento dos direitos humanos onde quer que o indivíduo esteja. Essa característica é
ainda mais importante na ausência de uma nacionalidade (apátridas) ou na existência de refugiados. Os
direitos humanos não mais dependem do reconhecimento por parte de um Estado ou da existência do
vínculo da nacionalidade, existindo o dever internacional de proteção aos indivíduos.

290. Os direitos humanos são absolutos?


R.: Não. Majoritariamente, entende-se que os Direitos Humanos podem sofrer limitações para adequá-
los a outros valores coexistentes na ordem jurídica. Para tanto, o STF tem utilizado a técnica da
ponderação. Todavia, com lastro na doutrina de Norberto Bobbio, existe corrente lecionando a existência
de dois direitos humanos absolutos: vedação à tortura e vedação a escravidão.

291. No Brasil pode ter pena de morte?


R.: Sim. Como regra, é vedada a pena de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do artigo
84, XIX, da Constituição. Ademais, conforme se depreende do Pacto de San José da Costa Rica, não se
poderia restabelecer a pena capital nos países que a hajam abolido. Assim, de acordo com a Convenção
Americana de Direitos Humanos, o Brasil não pode instituir novas possibilidades de pena de morte, a par
das já existentes.
Legislação relacionada: CF, Art. 5º, XLVII, “a”; Convenção Americana de Direitos Humanos, Art. 4º,
“3”.

292. O direito à não tortura é absoluto?


R.: O tema não é pacífico. A doutrina internacional majoritária, a exemplo de Norberto Bobbio, defende
que a vedação à tortura é um direito humano absoluto, não passível de relativização. Todavia, há quem
defenda sua relativização, em caráter excepcionalíssimo, tal qual no emblemático “cenário da bomba-
relógio”, em que, v.g., para descortinar o paradeiro de uma bomba prestes a matar milhares de inocentes,
seria possível afastar tal vedação, em prol da coletividade.

293. O que se entende por internacionalização dos tratados internacionais de direitos humanos?
R.: Até meados do século XX, o Direito Internacional possuía apenas normas internacionais acerca de
temas específicos, como as Convenções da OIT combatendo o trabalho escravo, normas de Direito
humanitário, etc. Com o término da 2ª Guerra Mundial, houve uma nova organização da sociedade
internacional, com a necessidade de universalizar os documentos internacionais a fim de evitar nova
perpetração das barbáries tais quais as oriundas do regime nazifascista. É nesse contexto que a “Carta de
São Francisco” instituiu a ONU, dando maior amplitude aos Direitos Humanos.

294. O que significa horizontalidade de direitos humanos?


R.: Não é necessária lei para possibilitar a aplicação dos direitos humanos às relações privadas. Logo, há
aplicação direta e obrigatória desses direitos nas relações entre pessoas e entes privados. Ademais,
vislumbram-se duas modalidades de eficácia horizontal: a vinculação das relações particulares aos
direitos humanos; e a fiscalização, pelo Estado, do cumprimento dos direitos humanos pelos particulares.

295. Por que se diz que os direitos sociais são pragmáticos?


R.: Porque eles dizem respeito a um facere estatal, importando em condutas positivas por parte do
Estado a fim de implantar direitos ligados ao ideal de igualdade (substancial). Para garantir o “mínimo
existencial”, o Estado precisa adotar condutas positivas, prestações à população, a fim de garantir os
direitos sociais, v.g., saúde, lazer, moradia, etc.

296. O Brasil pode arguir que não vai levar a efeito a implementação de determinado direito social
em razão de falta de dinheiro?
R: É farta a jurisprudência do STF no sentido de que, mesmo diante do argumento da “reserva do
possível”, o Estado deve resguardar o “mínimo existencial”, a fim de dar máxima efetividade aos
Direitos Humanos. O Supremo, aliás, salienta que não há que se falar em violação ao princípio da
separação dos poderes, mas tão somente determinação judicial para que o Executivo cumpra políticas
públicas previamente estabelecidas.
Jurisprudência relacionada (para aprofundamento): STF, RE 642.536-AgR, Rel. Min. Luiz Fux,
julgamento em 5-2-2013 (saúde pública); STF, ARE 860.979-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgamento em 14-4-2015 (educação de deficientes auditivos); STF, RE 592.581, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski (obras emergenciais em estabelecimentos prisionais); STJ, 2ª t., REsp 1.607.472-PE, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 15-9-2016 (realização de obras públicas de acessibilidade em
prédios públicos).

297. O que se entende por direito de quinta geração?


R.: Conforme a doutrina do constitucionalista Paulo Bonavides, a quinta dimensão dos Direitos
Humanos atine ao direito à paz, principalmente em decorrência de atentados terroristas como os
ocorridos nos EUA em 11/09/2001, que impingiu o medo de novos atentados e ataques contra a paz
mundial.
OBS: Eu pararia por aqui, mas parte da doutrina menciona ainda o direito à identidade individual, ao
patrimônio genético e à proteção contra o abuso das técnicas de clonagem.

298. Princípio que norteia o uso da força por funcionários responsáveis pela aplicação da lei – Há
alguma norma nesse sentido?
R.: Proporcionalidade e razoabilidade, conforme preconiza o artigo 3º do Código de Conduta para os
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (Resolução nº 34/169, de 1979, editada pela
Assembleia Geral da ONU). Conforme o diploma citado, o emprego legítimo da força apenas é cabível
quando estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento do seu dever. Ademais, a Lei
13.060/2014, em seu Art. 2º, aduz os seguintes princípios norteadores da utilização dos instrumentos de
menor potencial ofensivo: (I) Legalidade; (II) Necessidade; e (III) Razoabilidade e proporcionalidade.
Por fim, urge destacar a previsão do art. 292, do CPP, o qual preconiza que o agente deve se valer dos
meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência.
Legislação correlata:
Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei:
Art. 3º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando tal se
afigure estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento do seu dever.

Lei 13.060/2014:
Art. 2º. Os órgãos de segurança pública deverão priorizar a utilização dos instrumentos de menor
potencial ofensivo, desde que o seu uso não coloque em risco a integridade física ou psíquica dos
policiais, e deverão obedecer aos seguintes princípios:
I – legalidade;
II – necessidade;
III – razoabilidade e proporcionalidade.

Código de Processo Penal


Art. 292. Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à
determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar dos
meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência, do que tudo se lavrará auto subscrito
também por duas testemunhas.

299. O código de conduta do funcionário responsável pela aplicação da lei somente se aplica à
atividade policial?
R.: Não, conforme preceitua o Artigo 1º do referido diploma, tal regramento se aplica aos “responsáveis
pela aplicação da lei”. Nesse bojo, inclui-se, por exemplo, os agentes penitenciários.
Legislação correlata:
Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei:
Art. 1º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem cumprir, a todo momento, o dever
que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra actos ilegais, em
conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer.

300. O código pode ser aplicado aos policiais militares?


R.: Sim, conforme preceitua o Artigo 1º do referido diploma, tal regramento se aplica aos “responsáveis
pela aplicação da lei”. Nesse bojo, não há razão alguma que justifique excluir os Policiais Militares do
mencionado regramento.
Legislação correlata:
Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei:
Art. 1º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem cumprir, a todo momento, o dever
que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra actos ilegais, em
conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer.

301. O menor de dezoito anos pode ser algemado?


R.: Não há vedação legal à utilização de algemas em adolescentes. Aplicam-se, portanto, as regras
constantes da Súmula Vinculante nº 11 do STF.

302. Há alguma providência a ser tomada no uso de algemas?


R.: Sua utilização deverá ser registrada no Boletim de Ocorrência lavrado pela Polícia Militar, ou mesmo
em Registro de Ocorrência na Polícia Civil, ou, até no Auto de Prisão em Flagrante, confeccionado pela
autoridade policial, que, necessariamente, apontará um dos motivos constantes na Súmula Vinculante nº
11, do STF, vale dizer, se houve resistência por parte do preso, fundado receio de fuga no momento da
prisão, ou perigo para a integridade física ou a vida dos policiais, de terceiros ou do próprio preso.
STF, Súmula Vinculante 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de
fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da
autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.

303. Qual a diferença de necessidades de primeira e segunda geração na relação estado/indivíduo?


R.: Enquanto as necessidades de primeira geração estão ligadas ao ideal liberdade, importando, portanto,
eu uma abstenção estatal; as necessidades de segunda geração atinem a um fazer, a condutas positivas
por parte do Estado, no afã de implementar a igualdade material na sociedade.

304. Em qual geração estão inseridos os direitos da fraternidade? E em que consistem?


R.: Na terceira dimensão dos Direitos Humanos. São aqueles de titularidade da comunidade, como o
direito ao desenvolvimento, direito à paz (ressalte-se que, para Bonavides, a paz encontra-se inserta na 5ª
dimensão), direito à autodeterminação e, em especial, o direito ao meio ambiente equilibrado. São
oriundos da constatação da vinculação do homem ao planeta Terra, com recursos finitos, divisão
absolutamente desigual de riquezas em verdadeiros círculos viciosos de miséria e ameaças cada vez mais
concretas à sobrevivência da espécie humana.

305. Relativo ao Protocolo sobre à prevenção, repressão e punição do tráfico de pessoas, quais as
principais condutas previstas?
R.: O artigo 3.º, alínea “a”, do referido Protocolo visa coibir as condutas de recrutamento, transporte,
transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas, quando feitos por meio de ameaça, força ou outras
formas de coação, e com a finalidade de exploração da prostituição, trabalho forçado, escravatura ou
remoção de órgãos. Salienta-se que o consentimento da vítima, nas condições supracitadas, é maculado,
e, portanto, irrelevante.

306. Indivíduo que leva habitualmente pessoas ao aeroporto, contudo, desconhecendo a condição de
exploração, incorre em crime?
R.: A conduta de levar pessoas ao aeroporto não é ilícita, e, desde que o indivíduo não aja com dolo
específico referente ao tráfico de pessoas, não é possível a imputação do delito. Importante salientar que
o delito de tráfico de pessoas, tipificado no artigo 149 – A, do Código Penal, não comporta a figura
culposa.

307. Para caracterizar o tráfico de pessoas é necessário um número mínimo de pessoas?


R.: Não há quantidade mínima de sujeitos passivos para a caracterização do tráfico de pessoas, bem
como não há necessidade de pluralidade de sujeitos ativos, pois trata-se de crime comum e unissubjetivo,
ou seja, de concurso eventual.

308. Como e quando surgiu a liga das nações?


R.: A liga das Nações surgiu em 28 de abril de 1.919, em Versalhes, Paris, onde houve um acordo de
paz entre as nações vencedoras da primeira guerra mundial. Um dos pontos assentados no tratado de
Versalhes foi justamente o estabelecimento da Liga das Nações, cuja sede foi fixada em Genebra, na
Suíça.
309. A liga das nações ainda existe?
R.: Com a deflagração da segunda guerra mundial, por Adolf Hitler, foi constatado o fracasso da Liga
das Nações, pois seu objetivo precípuo era o de assegurar a paz mundial. Portanto, em 1.942, observou-
se a extinção da Liga das Nações. Porém, ao fim da segunda guerra mundial, em 1.946 as
responsabilidades da Liga das Nações foram assumidas pela Organização das Nações Unidas – ONU.

310. Qual o objetivo da criação da ONU?


R.: A ONU foi criada como reação às barbáries da segunda guerra mundial, e representa um marco
do Direito Internacional. O objetivo principal da ONU é assegurar um relacionamento pacífico na
comunidade internacional.

311. Cite uma obra e um filósofo grego importante para os direitos humanos.
R.: Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômaco, mostrou a importância de agir com justiça para o bem
comum, mesmo em face de Leis injustas.

312. Qual a importância do princípio da legalidade para os direitos humanos?


R.: O Princípio da Legalidade trouxe garantias e deveres aos cidadãos. Possuí uma vertente de
vedação da arbitrariedade pelos agentes estatais, garantindo que ninguém será punido senão por conduta
prevista em Lei, e outra garantindo proteção aos bens mais essenciais à sociedade.

313. O que é, como surgiu e qual a importância da OIT?


R.: A Organização Internacional do Trabalho – OIT, foi fundada em 1.919, como parte do Tratado de
Versalhes, e possuí o objetivo precípuo de promover a justiça social. Possuí representantes de governos,
dos trabalhadores e dos empregadores, e tem como função a formulação e aplicação de normas
internacionais do trabalho.

314. Cite alguns direitos humanos de primeira geração.


R.: Como exemplos de direitos de Primeira Geração, pode-se citar os direitos individuais, civis e
políticos, tais como: vida, igualdade, liberdade, propriedade, entre outros.

315. Tratando dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, foram criados dois pactos,
um de direitos civis e políticos e outro de direitos econômicos e sociais. Por que foram criados dois
pactos distintos em vez de um único?
R.: Segundo Valério Mazzuoli, a ONU decidiu por elaborar dois documentos distintos porque tratam-se
de categorias diferentes de Direitos, sendo que os Direitos Civis e Políticos seriam positivados nas
jurisdições nacionais, e os Direitos Sociais e Econômicos seriam implantados progressivamente.
316. Em que consiste a característica da efetividade dos direitos humanos?
R.: Dentre as características dos Direitos Humanos encontra-se a efetividade. É necessário criar
mecanismos para se garantir a efetividade dos Direitos Humanos, pois a mera previsão não concretiza o
fim a que se dispôs. Através da previsão de mecanismos efetivos, transforma-se o “dever ser” em “ser”.

317. O código de conduta dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei tem status de tratado?
R.: Não. O Código de Conduta dos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei tem Status de
Resolução. Trata-se da Resolução ONU nº 34/169.

318. O código de conduta tem caráter punitivo ou declaratório?


R.: Tem caráter de recomendação, ou seja, não possuí caráter punitivo, senão declaratório. Referem-
se a princípios que devem ser observados por todo funcionário responsável pela aplicação da Lei.

319. Quais os marcos históricos no positivismo brasileiro quanto à discriminação racial?


R.: A Lei 1.390 de 1951, conhecida como Lei Afonso Arinos, foi a primeira a prever como
contravenção penal a prática de preconceito racial. Já no âmbito internacional, a Convenção
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial é considerada um marco,
pois é um dos mais antigos tratados de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil. Foi assinada em 07 de
março de 1966, e ratificada em 27 de março de 1969.

320. À luz dos direitos humanos, a comercialização de emblemas com a suástica nazista acarreta em
alguma providência pelo delegado de polícia?
R.: O delegado de polícia deve apreender os objetos e instaurar o inquérito policial, haja vista a
conduta ser tipificada como crime no artigo 20, parágrafo 1.º, da Lei 7.716, de 1989. Importante salientar
que esta Lei atende a um mandado constitucional de criminalização, previsto no artigo 5.º, inciso XLII,
da Constituição Federal de 1988.

321. Cotas e ações afirmativas são expressões sinônimas?


R.: Ações afirmativas significam a implementação ou incremento de políticas de discriminação positiva,
tendo por objetivo central revisitar o conteúdo sociológico e jurídico, vislumbrando colocá-lo num
patamar de aplicabilidade real. Ação afirmativa é um gênero da qual a política de cotas faz parte.

322. As ações afirmativas têm caráter temporário ou definitivo?


R.: Segundo o informativo 663 do STF, a política de cotas, nas ações afirmativas seria imediata e
temporária, bem como tenderia a desaparecer à medida que as discrepâncias sociais fossem diminuídas.
323. Os direitos difusos e coletivos são alvos de proteção de direitos humanos?
R.: Sim, como direitos de terceira dimensão, são influenciados por valores de solidariedade. Segundo
Manoel Gonçalves Ferreira Filho (2000, p. 58), os principais direitos de solidariedade são: direito à paz,
direito ao desenvolvimento, direito ao meio ambiente e direito ao patrimônio comum da humanidade.

Direitos Humanos - Examinador: Marcos

324. As obrigações do PIDESC podem ser suspensas?


R.: O Pacto sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais declara que os direitos nele contidos
podem ser suspensos ou limitados por lei, mas só na medida em que tal seja compatível com a natureza
dos direitos e, exclusivamente, tendo em vista a promoção do bem-estar social numa sociedade
democrática.

325. O pacto admite suspensão?


R.: sim, em estado de defesa e de sítio. O próprio pacto diz que o exercício de direitos não pode ser
objeto de restrições, a não ser daquelas previstas na lei e que sejam necessárias numa sociedade
democrática, no interesse da segurança nacional ou da ordem pública, ou para proteger os direitos e as
liberdades de outrem

326. Em quais situações?


R.: estado de defesa e de sítio.

327. Qual a função do Comitê do PIDESC?


R.: O comitê fica encarregado de receber os relatórios ou informes, os quais são encaminhados pelos
Estados Partes. O Comitê DESC, após analisar o relatório ou informe, emite suas observações
conclusivas. Embora as conclusões não sejam dotadas de força legal, constituem-se em importante
instrumento de pressão para proteção e garantia dos direitos humanos.

328. Quais os requisitos para que um tratado de direitos humanos ingresse no ordenamento
jurídico interno?
R.: É do Chefe do Executivo a competência privativa para celebrar atos internacionais, mas depende de
abono do Legislativo para que posteriormente proceda com a ratificação. Aprovado pelo legislativo, o
Presidente da República poderá ratificar o tratado. Ratificado, surtirá efeitos na ordem internacional.
Após a ratificação, para que tenha validade interna, o tratado deve ser promulgado por decreto e
publicado pelo Presidente da República.
329. Após a EC 45/2004, é opção ou obrigação seguir o quórum de 3/5 para ingresso no
ordenamento jurídico?
R.: Somente será preciso o quórum de 3/5 caso o tratado internacional de direitos humanos queira ter
status de emenda constitucional, sendo, pois, uma opção. Os tratados internacionais de direitos humanos
ingressam automaticamente no Brasil com status supralegal.

330. Por que se optou por este quórum de aprovação de 3/5, nas duas Casas?
R.: Para que o tratado internacional de direitos humanos tenha status de emenda constitucional.

331. Existe exemplo de algum tratado que tenha sido aprovado com este quórum?
R.: Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo,
assinados em Nova York, em 30 de março de 2007 e o de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras
Publicadas para Pessoas Cegas.

332. No que consiste a indivisibilidade como característica dos direitos humanos?


R.: sob este prima podemos afirmar que tais direitos compõem um único conjunto de direitos, uma vez
que não podem ser analisados de maneira isolada, separada. Afirma-se que o desrespeito a um deles
constitui a violação de todos ao mesmo tempo, ou seja, caso seja descumprido seria com relação a todos.

333. Se em 1966 foram feitos dois pactos, como compatibilizar com a característica da
indivisibilidade?
R.: Através de outra característica chamada de Interdependência, os direitos humanos, em todas as suas
dimensões, estão vinculados uns aos outros, não podendo ser vistos como elementos isolados, mas sim
como um todo, um bloco que apresenta interpenetrações; as várias previsões constitucionais, apesar de
autônomas, possuem diversas intersecções para atingirem suas principais finalidades. No intuito de
exemplificarmos a característica relacionada neste comando, podemos dizer que a liberdade de
locomoção está relacionada à garantia do habeas corpus e ao devido processo legal.

334. Uma vez que um pacto versa sobre direitos de primeira geração e o outro sobre direitos de
segunda dimensão, há hierarquia entre eles?
R.: Não há hierarquia entre os diversos direitos humanos. Todos devem ser enxergados de forma única,
pois são interdependentes, indivisíveis.

335. No artigo 5º, §4º, da CF/88, o Brasil adere ao Estatuto de Roma. O Brasil pode fazer denúncia
deste pacto, assim como os Estados Unidos?
R.: No artigo 127 do pacto está previsto que qualquer Estado Parte poderá, mediante notificação escrita e
dirigida ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, retirar-se do presente Estatuto.
Acontece que o Brasil incorporou o pacto com status de emenda à constituição, o que acaba impedindo
sua retirada.

336. Ter constitucionalizado o pacto não seria um impedimento?


R.: Sim, pois segundo Mazzuoli (2005, p. 53) “[...] o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional
integrou-se ao direito brasileiro com status de norma constitucional, não podendo quaisquer dos direitos
e garantias nele constantes serem abolidos por qualquer meio no Brasil, inclusive por emenda
constitucional.”

337. Quais crimes podem levar o indivíduo ao Tribunal Penal Internacional? Conforme o art. 5° do
Estatuto de Roma, a competência do TPI se restringe aos crimes mais graves, que afetam a comunidade
internacional no seu conjunto. Nos termos do presente Estatuto, o Tribunal terá competência para julgar
os seguintes crimes: a) O crime de genocídio; b) Crimes contra a humanidade; c) Crimes de guerra; d) O
crime de agressão.

338. O Tribunal Penal Internacional prevê a pena de morte? Em que hipóteses? O artigo 23 do TPI
prevê que qualquer pessoa condenada pelo Tribunal só poderá ser punida em conformidade com as
disposições do presente Estatuto, nulla poena sine lege. E o art. 77 prevê as penas passíveis de aplicação,
quais sejam, a) Pena de prisão por um número determinado de anos, até ao limite máximo de 30 anos; ou
b) Pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o
justificarem, 2. Além da pena de prisão, o Tribunal poderá aplicar: a) Uma multa, de acordo com os
critérios previstos no Regulamento Processual; b) A perda de produtos, bens e haveres provenientes,
direta ou indiretamente, do crime, sem prejuízo dos direitos de terceiros que tenham agido de boa fé.
Portanto, não é admissível a pena de morte.

339. Comente a questão da redução da maioridade penal, considerando o princípio de vedação ao


retrocesso dos direitos humanos. Conforme o direito internacional público, a redução da maioridade
penal é criminalizar crianças, a PEC 171/93 que trata da redução da maioridade penal é inconvencional
por violar os instrumentos internacionais de proteção dos direitos das crianças, que estabelece que são
crianças todas as pessoas com menos de 18 anos. O Estado ao invés de descriminalizar negativamente,
precisa descriminalizar positivamente, protegendo-as em razão das suas particularidades que são
próprias, ou seja, é preciso adotar medidas para evitar a violência infantil através da educação por
exemplo.

340. É possível exceção ao princípio da vedação ao retrocesso? Sim. A vedação do retrocesso


determina que a amplitude da proteção não pode diminuir, porém, excepcionalmente, é possível que haja
a extinção ou redução de um direito através de uma justificativa legítima, por exemplo, se há duas
escolas num município, é possível que uma seja fechada para investimento maior na outra.

341. Regras mínimas para tratamento de presos → O que vem a ser a audiência de custódia?
Consiste na realização de uma audiência sem demora após a prisão em flagrante, permitindo o contato
imediato do flagranteado com o juiz, com um Defensor e com o MP, conforme o art. 7°, §5° da CADH.

342. Está prevista em algum diploma legal vigente? Encontra previsão normativa na CADH, art. 7°,
§5°, Resolução 213 do CNJ bem como Provimento conjunto n° 03/2015 da Prisidência do TJ/SP e
Corregedoria Geral de Justiça.

343. Explique a relatividade dos direitos humanos. Significa que não há direitos humanos absolutos,
pois todos os direitos encontram limites em outros direitos ou interesses coletivos também consagrados
em Tratados e Convenções internacionais. A relatividade é uma característica que todo direito possui
para permitir a convivência das liberdades públicas, a colisão de direitos pressupõe a cedência recíproca.

344. Existe algum direito fundamental ou garantia que tenha caráter absoluto? Em regra não,
porém menciona Fábio Konder Comparato que a vedação à tortura, à escravidão e toda forma de
servidão seriam hipóteses que não admitem exceção. Porém, há doutrinadores que entendem que mesmo
os direitos retromencionados podem ser relativizados diante de atentados terroristas, eis a Teoria do
cenário da bomba relógio.

345. Artigo 5º, LI, CF/88 → Há possibilidade de extradição do brasileiro nato? Em regra não há
exceção quanto a possibilidade de brasileiro nato ser extraditado.

346. Há possibilidade de relativização deste direito? Sim. Ocorre em caso de perda-mudança onde o
brasileiro nato adquire voluntariamente outra nacionalidade, sendo assim, perderá a brasileira. Diante do
exposto poderá ser extraditado.

347. A defensoria pública acionou a OEA solicitando que o Brasil deixe de aplicar o dispositivo no
tocante ao desacato. A OEA admite que particulares façam esse acionamento direto? No sistema
interamericano as pessoas físicas só podem responsabilizar o Estado através da Comissão. A Comissão
faz o juízo de admissibilidade da demanda, e se entender viável a reclamação, deflagra uma ação na
Corte Interamericana. Importa saber que o artigo 37 do Regulamento da Corte Interamericana de
Direitos Humanos prevê a figura do Defensor Público Americano junto à Comissão e à Corte
Interamericana de Direitos Humanos.
348. Qual órgão pode ser acionado? Diante de violação a direitos humanos de particulares, é a
Comissão Interamericana o órgão responsável por realizar o juízo de admissibilidade da denúncia.

349. Qual a função da comissão? Realiza a função de substituta processual ao levar a demanda à Corte.

350. A Convenção admite representação apócrifa? Não. Prevê o art. 46, inciso I, alínea “d” da
CADH, que a petição ou comunicação para ser admitida contenha o nome, nacionalidade, profissão,
domicílio e assinatura da pessoa ou do representante da legal da entidade. Porém, recomenda o guia para
o uso do Sistema interamericano de direitos humanos na proteção de denunciantes de atos de corrupção
do Ministério da Justiça, página 27, que as denúncias anônimas sejam resguardadas, aduz que a
autoridade competente deve avaliar as informações recebidas e decidir se tramitará ou não o processo da
denúncia.

351. No que consiste a universalidade como característica dos direitos humanos? Significa que
todas as pessoas são iguais em dignidade e direitos.

352. E o respeito ao regionalismo? Como compatibilizar com a característica da universalidade? A


compatibilização da universalidade com o regionalismo, segundo Cançado Trindade, deve haver o
respeito às particularidades culturais, desde que não violem direitos humanos.

353. Tratados. Algum documento pacificou a questão do universalismo X regionalismo? A


Convenção de Viena de 1993 prevê que embora se respeite os particularismos culturais, não se admite a
tolerância para com violações de direitos humanos.

353. Tratados. Algum documento pacificou a questão do universalismo X regionalismo?


R.: [Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta] Considera-se que esses direitos são
inerentes a todos os seres humanos, independente de sua nacionalidade. Ou seja, basta ser humano para
ter direitos humanos (Universalismo). Porém, considerando-se uma corrente relativista, os direitos
humanos não seriam, de todo, universais, pois deve haver diferentes concepções de direitos humanos em
culturas distintas (Regionalismo). Dessa forma, não se pode afirmar que, atualmente, haja documento
pacificando o a questão. Fontes: http://sites.fadisma.com.br/entrementes/anais/wp-
content/uploads/2015/05/direitos-humanos_-universalismo-e-relativismo-cultural.pdf ;
(http://www.ambito-
juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=18159&revista_caderno=29)

Observação: dois colegas responderam à questão 353, por isso está em duplicidade.
354. Qual o conceito de funcionário público nos termos do Código de Conduta aos aplicadores da
lei, no tocante ao uso de força?
R.: O termo "funcionários responsáveis pela aplicação da lei" inclui todos os agentes da lei,
quer nomeados, quer eleitos, que exerçam poderes policiais, especialmente poderes de prisão
ou detenção. Nos países onde os poderes policiais são exercidos por autoridades militares, quer em
uniforme, quer não, ou por forças de segurança do Estado, será entendido que a definição dos
funcionários responsáveis pela aplicação da lei incluirá os funcionários de tais serviços.

355. Pode chegar à morte o uso de força permitido?


R.: Código de Conduta, entre outras coisas estabelece que a força só pode ser usada quando estritamente
necessária e exige proteção completa para a saúde das pessoas detidas. Ainda, o uso letal da força só
poderá ser feito quando estritamente inevitável à proteção da vida. Decidir pelo uso da força letal
significa ter avaliado que a vida de pessoas, ou do próprio operador, encontra-se em risco de morte.

356. No âmbito da Polícia Civil, o que é sigilo?


R.: O sigilo, no contexto da indagação, refere-se àquele sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido
pelo interesse da sociedade. Assim, em não havendo óbice ao acesso dos procuradores àqueles
documentos já juntados ao IP, deve ser fraqueada ao mesmo tal consulta. Ainda, importante salientar que
o sigilo é sempre externo, ou seja, MP e Juiz sempre terão amplo acesso aos documentos de
investigação.
Legislação aplicável:
CPP
Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:
I – fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos
processos;
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo
interesse da sociedade.

Examinador: MARCELO VIEIRA CAVALCANTE

357. No que consiste a cláusula de inexauribilidade dos direitos humanos?


R.: Os direitos humanos são inesgotáveis no sentido de que podem ser expandidos, ampliados e a
qualquer tempo podem surgir novos direitos (vide art. 5º, § 2º, CF).

358. Há alguma consagração dessa cláusula em nossa CF?


R.: O art. 5º, § 2º, CF: § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a
República Federativa do Brasil seja parte.

359. O Pacto San José da Costa Rica está inserido no sistema global ou regional?
R.: A Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH; também conhecida como Pacto de San José
da Costa Rica) é um tratado internacional entre os países-membros da OEA e que foi subscrita durante a
Conferência Especializada Interamericana de Direitos Humanos, em 22 de novembro de 1969, na cidade
de San José da Costa Rica. Entrou em vigor em 18 de julho de 1978, sendo atualmente uma das bases do
sistema interamericano de proteção dos Direitos Humanos.

360 Tal pacto foi inserido em nosso ordenamento?


R.: O documento foi ratificado pelo Brasil em 25 de setembro de 1992, sendo que este passou a ter
validade no ordenamento interno a partir do Decreto 678 de 6 de novembro de 1992.

361. Com que status?


R.: Segundo atual entendimento do STF, os pactos internacionais de direitos humanos ratificados pelo
Brasil e que não tenham sido inseridos no ordenamento jurídico pátrio segundo procedimento previsto
no art. 5º, parágrafo 3º, da CF possuem status supralegal.

362. O Pacto San José Costa Rica possui protocolos adicionais?


Sim: Protocolo de San Salvador (Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos
em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais) e Protocolo Adicional à Convenção Americana
sobre Direitos Humanos Referente à Abolição da Pena de Morte, adotado em Assunção, em 8 de junho
de 1990, e assinado pelo Brasil em 7 de junho de 1994.

363. Qual a função das comissões?


R.: [Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta] A Comissão (CIDH) tem a função principal
de promover a observância e a defesa dos direitos humanos e, no exercício de seu mandato, tem as
seguintes funções e atribuições:
a) estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América; b) formular recomendações aos
governos dos Estados-membros, quando considerar conveniente, no sentido de que adotem medidas
progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis internas e seus preceitos
constitucionais, bem como disposições apropriadas para promover o devido respeito a esses direitos; c)
preparar estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas funções; d)
solicitar aos governos dos Estados-membros que lhe proporcionem informações sobre as medidas que
adotarem em matéria de direitos humanos; e) atender às consultas que, por meio da Secretaria Geral da
Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os Estados-membros sobre questões relacionadas
com os direitos humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-lhes o assessoramento que lhes
solicitarem; f) atuar com respeito às petições e outras comunicações, no exercício de sua autoridade, de
conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 desta Convenção; e g) apresentar um relatório anual à
Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos. (Art. 41 do PACTO DE SAN JOSÉ DA
COSTA RICA)

364. Há possibilidade de recebimento de petições apócrifas?


R.: Artigo 44 - Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não-governamental legalmente
reconhecida em um ou mais Estados-membros da Organização, pode apresentar à Comissão petições que
contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-parte.
Artigo 46 - Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 seja
admitida pela Comissão, será necessário:
a) que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os princípios
de Direito Internacional geralmente reconhecidos;
b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado
em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva;
c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução
internacional; e
d) que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio e a
assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição.
Artigo 47 - A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comunicação apresentada de acordo com
os artigos 44 ou 45 quando:
a) não preencher algum dos requisitos estabelecidos no artigo 46;

365. O crime de desacato viola o direito à liberdade de expressão?


R.: Desacato
Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela.
Partindo do conceito do crime de desacato, pode-se dizer que não há violação ao direito de liberdade de
expressão, na medida em que o exercício de qualquer liberdade pública deve ser responsável e sofre
limitações necessárias à saudável convivência social. Ou seja, deve ser levado em consideração que
nenhum direito é absoluto.

366. Carlos Veloso deu uma entrevista afirmando que a maioridade penal não constitui cláusula
pétrea. Comente tal afirmação com base no princípio da vedação ao retrocesso.
R.: A vedação ao retrocesso (Efeito Cliquet) consagra que aquele direito humano uma vez reconhecido
não deve sofrer anulação.
Nesse contexto, e levando em consideração que a CF afirma que (Art. 228) São penalmente inimputáveis
os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial, para aqueles que afirmam
existência de direitos fundamentais abrangidos pela cláusula de imutabilidade em outros Títulos da CF
(fora aqueles do Título II da CF - Dos Direitos e Garantias Fundamentais), não seria possível a alteração
da menoridade penal, sob pena de violação à vedação ao retrocesso. Contudo, para aqueles defensores da
ideia de que os direitos fundamentais, considerados cláusulas pétreas, apenas se localizam no art. 5º da
CF, não haveria que se falar em especial proteção (cláusula de imutabilidade) à maioridade penal fixada
em 18 anos.

367. Com base na característica da vedação ao retrocesso, pode-se dizer que é possível alguma
forma de retrocesso, mesmo temporariamente?
R.: A proibição de retrocesso não representa uma vedação absoluta a qualquer medida de alteração da
proteção de um direito específico. A inalterabilidade dessas regras levaria o Estado a destinar mais
recursos a esse direito social, diminuindo-se a proteção de outros direitos.
Assim, podemos listar três condições para que eventual diminuição na proteção normativa ou fática de
um direito seja permitida: 1) que haja justificativa também de estatura jusfundamental; 2) que tal
diminuição supere o crivo da proporcionalidade e 3) que seja preservado o núcleo essencial do direito
envolvido.

368. Falando-se do Pacto de Direitos Civis e Econômicos ou do Pacto San José da Costa Rica, a
possibilidade de serem suspensos temporariamente vai contra o princípio da vedação ao
retrocesso?
R.: O princípio da vedação ao retrocesso não é violado quando há a suspensão de direitos de forma
legítima e dentro de padrões previamente estabelecidos, como, por exemplo, no caso do Estado de Sítio,
cujo procedimento e cabimento estão previstos na CF.

369.Fale sobre os direitos de quarta geração.


R: Há divergência doutrinaria acerca dos direitos de quarta geração, sendo para Norberto Bobbio
referente aos efeitos da pesquisa biológica e da manipulação do patrimônio genético das pessoas. Por
outro lado, para Paulo Bonavides compreende como sendo direito à democracia.

370.No que consiste a característica de essencialidade dos direitos humanos?


R: A Essencialidade estabelece que os direitos humanos são inerentes ao ser humano, tendo dois
aspectos, o aspecto material que representa os valores supremos do homem e sua dignidade e o aspecto
formal, isto é, assume posição normativa de destaque.

371.O pacto de direitos civis e políticos possuem protocolos adicionais? Cite-os.


R: Sim, dois. Pacto de Direitos Civis e Políticos através do Primeiro Protocolo Facultativo, permitiu o
mecanismo de análise de petições de vítimas ao Comitê de Direitos Humanos. Segundo Protocolo
Facultativo prevê a abolição da Pena de Morte, com reserva expressa no artigo 2º que prevê não ser
admitida qualquer reserva ao protocolo, exceto se for formulada no momento da ratificação ou adesão,
que preveja aplicação da pena de morte em virtude de condenação por infração pena de natureza militar
de gravidade extremada cometida em tempo de guerra.

372.A terminologia geração vem sendo criticada, de modo que uma boa parte da doutrina entende que
deveria prevalecer o termo “dimensão”. Por quê?
R: A palavra geração transmite a ideia de substituição de lago antigo por algo novo, o que não ocorre
com o processo evolutivo dos direitos humanos. Em virtude disso, o uso da palavra geração tem sido
abandonado, se optando por utilizando a palavra dimensão para se referir ao processo histórico de
desenvolvimento dos direitos humanos.

373.Como ocorre o ingresso de tratado sobre direitos humanos no nosso ordenamento jurídico?
R:Os Tratados de direitos humanos são incorporados ao ordenamento interno brasileiro com status
supralegal, podendo vir a ter status constitucional se aforem aprovados duas vezes em cada Casa do
Congresso Nacional por 3/5 dos votos, ou seja, se forem aprovados pelo mesmo procedimento de
aprovação de uma emenda constitucional.

374.No nosso ordenamento há algum tratado que tenha ingressado com o status de EC?
R: Único tratado vigente no Brasil com status de emenda constitucional é a Convenção da ONU sobre os
Direitos das Pesas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, denominado de Tratado de
Marraqueche, que foi aprovado para facilitar o acesso a obras públicas às pessoas cegas o com
dificuldade para aceder ao texto impresso.

375.Cite um tratado que não tenha ingressado com esse status.


R: Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos-
Pacto de San José da Costa Rica, ambos promulgado pelo Brasil em 1992.

376.Na França há uma atração conhecida como lançamento de anão, com a concordância deste e
remuneração. Comente tal fato ante o princípio na inalienabilidade e indisponibilidade dos
direitos humanos.
R: Na cidade francesa de Morsang-sur-Orge, a prefeitura proibiu a prática e o caso foi parar na justiça,
que entendeu adequada a postura do poder público, visto que a irrenunciabilidade decorre de eventual
manifestação de vontade da pessoa em abdicar de sua dignidade não terá valor jurídico, sendo reputada
nula. O Anão chegou até mesmo a levar o caso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que concordou
com a decisão francesa, afirmando que a prática violaria a dignidade da pessoa humana. Os direitos
humanos não são objetos de comércio, portanto, não podem ser alienados.

377.O que é ação afirmativa?


R.: Ações afirmativas são medidas especiais e concretas para assegurar o desenvolvimento ou a proteção
de certos grupos raciais de indivíduos pertencentes a estes grupos com o objetivo de garantir-lhes, em
condições de igualdade, o pleno exercício dos direitos do homem e das liberdades fundamentais (art. 2°,
II, da Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, da Organização das
Nações Unidas, ratificada pelo Brasil em 1968).

378.A ação afirmativa pode ser permanente?


R: As políticas de ação afirmativa possuem natureza transitória. Apenas são legítimas se a sua
manutenção estiver condicionada à persistência, no tempo, do quadro de exclusão social que lhes deu
origem. Caso contrário, tais políticas poderiam converter-se em benesses permanentes, instituídas em
prol de determinado grupo social, mas em detrimento da coletividade como um todo.

379.Seria possível a aprovação de lei dando benefícios ao setor privado na hipótese de contratação de
deficientes?
R: Sim, pois segundo o art. 27, 1, h da Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência Os
Estados Partes salvaguardarão e promoverão a realização do direito ao trabalho, inclusive daqueles que
tiverem adquirido uma deficiência no emprego, adotando medidas apropriadas, incluídas na legislação,
com o fim de, entre outros: promover o emprego de pessoas com deficiência no setor privado, mediante
políticas e medidas apropriadas, que poderão incluir programas de ação afirmativa, incentivos e outras
medidas.

380.Uma escola pode recusar o atendimento/matrícula de criança com deficiência, sob a argumentação
de que não tem estrutura para atendê-la?
R: Consta da Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência, no art. 24, 2, a, Estados Partes
assegurarão que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob
alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino primário
gratuito e compulsório ou do ensino secundário, sob alegação de deficiência.

381.Há diferença entre direitos fundamentais e direitos humanos?


Os direitos humanos são instrumentos previstos em instrumentos jurídicos internacionais, possuindo
matriz internacional. Os direitos fundamentais estão previstos na constituição de um Estado específico,
possui matriz constitucional.
382.A constituição brasileira faz tal distinção?
R:Sim. A Carta Magna de 1988 ao estabelecer os princípios que regem as relações internacionais
estabeleceu no seu artigo 4º, II, a prevalência pelos direitos humanos. Por outro lado, no âmbito
nacional, ao tratar de tais direitos, fez referência ao direitos fundamentes, conforme preceitua o artigo 5º
da CF/88.

383.Em quantas esferas os direitos humanos são protegidos?


R: A proteção dos direitos humanos conta com um conjunto de sistemas normativos que formas 2
esferas: a global e o regional. No âmbito global fala-se em sistema de proteção das nações unidas. Os
sistemas regionais compreendem atualmente três: europeu, interamericano e africano.

384.Quantos e quais são os sistemas regionais?


R: Os sistemas regionais compreendem atualmente três: europeu, interamericano e africano.

(ATENÇÃO PESSOAL: A PARTIR DAQUI AS QUESTÕES REINICIAM A NUMERAÇÃO A


PARTIR DO 01 NOVAMENTE. ISSO OCORREU PORQUE EU DIVIDI AS QUESTÕES EM
DOIS BLOCOS – UM PARA QUEM ENTROU DEPOIS (questões 01 a 384 acima) E UM PARA
QUEM JÁ ESTAVA DESDE A PRIMEIRA RODADA (questões 01 a 687 abaixo)

Examinador: MARCELO VIEIRA CAVALCANTE

1. Historicamente falando, qual foi o predecessor do sistema global?


R: O sistema global de direitos humanos é formado pela chamada Carta Internacional de Direitos
Humanos, composta pela Declaração Universal de Direitos Humanos, Protocolo Internacional de
Direitos Civis e Políticos e Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Houve alguns predecessores desse sistema global, merecendo destaque a Magna Carta de 125, bem
como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, Ade 1789.
*Obs: Não entendi muito bem o sentido. Acho que a resposta seria mais ou menos por aí.

2. Do que se trata a Liga das Nações?


R. A Liga das Nações consistiu em reunião de nações a fim de, através de mediações e arbitragens,
manter a paz e a ordem mundial. Foi criada em 1919, pelo Tratado de Versalhes, o mesmo que colocou
termo à Primeira Guerra Mundial, sendo findada em 1946. Tinha estrutura semelhante à atual ONU,
composta de Secretariado, Assembleia Geral e um Conselho Executivo.

3. O Brasil fez adesão à liga das Nações?


R. Sim. O Brasil foi membro fundador da Liga das Nações.
4. O que é a Carta Internacional de Direitos Humanos?
R. Designa-se Carta Internacional de Direitos Humanos a Declaração Universal de Direitos
Humanos, mais os Dois Protocolos de 1966, quais sejam, o Protocolo Internacional de Direitos Civis e
Políticos e o Protocolo Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

5. Conceitue "dignidade da pessoa humana".


Dentre tantas outras formas de conceituar dignidade da pessoa humana, pode-se dizer que trata-se de
conjunto de princípios e valores inerentes ao ser humano, tendentes a garantir um mínimo existencial, e
que devem ser respeitados pelo Estado.

Direitos Humanos - Examinador: Ana Paula de Bem Bittencourt Ribeiro

6. Qual o objetivo do Protocolo de Prevenção, Supressão e Punicão do Tráfico de Pessoas,


especialmente Mulheres e Crianças?
R. Combater o tráfico de pessoas, em ordem global, especialmente mulheres e crianças, punindo os
traficantes e adotando medidas de proteção às vítimas.

7. Teria amplitude? Somente mulheres e crianças?


R. O Protocolo visa a combater amplamente o tráfico de pessoas no geral, com enfoque especial a
mulheres e crianças.

08. É necessário um número mínimo de pessoas para a configuração do crime de tráfico?


R.: A definição estabelecida no protocolo deixa claro que não se trata de um crime de concurso
necessário, podendo apenas um indivíduo traficar pessoas.

09. Cite duas características dos Diretos Humanos.


R.: Dentre as características dos Direitos Humanos estão:
Universalidade:
Essa característica garante que os direitos humanos englobam todos os indivíduos, pouco importando a
nacionalidade, a cor, a opção religiosa, sexual, política, etc. Ou seja, esses direitos se destinam a todas as
pessoas (sem qualquer tipo de discriminação) e possuem abrangência territorial universal (em todo
mundo).
Irrenunciabilidade: não é possível a renúncia dos direitos humanos, pois, como são direitos inerentes à
condição humana, ninguém pode abrir mão de sua própria natureza.

10. O estado pode deixar de proteger em algum momento?


R.: Sim, seguindo a característica da relatividade: A qual vem demonstrar que os direitos humanos não
são absolutos, podendo sofrer limitações no caso de confronto com outros direitos, ou ainda, em casos de
grave crise institucional, como ocorre, por exemplo, na decretação do Estado de Sítio.

11. Pode deixar de proteger o direito à vida, por exemplo?


R.: Sim, como característica relativa dos direitos humanos é possível em determinados casos deforma
legitima seja feito uma limitação em caso de confronto de direitos, de forma a harmonizar os direitos.
Podem ocorrendo mitigação do direito a vida em determinados casos, para tutelar naquele caso concreto
outro direito. Tanto que a DUDH não veda a pena de morte.

12. Podem surgir novos direitos que venham a ser elencados no rol dos direitos humanos?
R.: Sim, o mundo se encontra em constante evolução e os direitos humanos tem que acompanhar a
evolução humana, sob pena de caracterizar uma proteção ultrapassada e engessada, por isso a ampliação
é possível desde que estabelecidos em tratados e convenções. Eles se encontram em processo de
agregação constante, incorporam novos direitos, aumentam o âmbito de incidência entre os seres
humanos. Veda-se apenas a regressão ou eliminação dos direitos que já foram devidamente
conquistados.
Fala-se ainda do Princípio da inexauribilidade que dizerem inesgotáveis no sentido de que podem ser
expandidos, ampliados e a qualquer tempo podem surgir novos direitos (vide art. 5º, § 2º, CF).

13. O que preconiza a Declaração Universal dos Direitos Humanos?


R.: A DUDH prescreve principalmente uma preocupação em positivar internacionalmente, com precisão,
direitos mínimos aos seres humanos, em complemento aos propósitos das Nações Unidas de proteção de
direitos humanos e liberdades fundamentais de todos, sem distinção de sexo, raça, língua ou religião.

14. Qual a natureza da Declaração Universal dos Direitos Humanos?


R.: A DUDH foi confeccionada na forma de resolução da Assembleia Geral da ONU, o que do
ponto de vista formal não tem o poder de obrigar e impor sansões os países que não cumprirem as
determinações, por não ser tecnicamente um tratado ou convenção. Sob o ponto de vista material a
doutrina de forma majoritária conclui que a Declaração Universal é obrigatória e vinculante, seja por ser
considerada parte integrante da Carta da ONU, ou Direito Costumeiro Internacional, ou, ainda, porque é
considerada como Norma Imperativa (JUS CONGES).
Quanto à possibilidade de ser uma norma costumeira internacional, a Declaração Universal
corresponde aos requisitos necessários para tal. Desde sua adoção, os direitos nela dispostos vêm sendo
amplamente incorporados em outros documentos vinculantes, além de que a maioria dos Estados passou
a adotar condutas correspondentes àquelas ditadas pela Declaração.
Quanto ao caráter JUS COGENS. Como tal, é considerada como a mais importante fonte do Direito
Internacional, superior a quaisquer outras. Diante da ampla aceitação de que os Direitos Humanos são,
de fato, jus cogens, ambos compartilham das mesmas características, como a universalidade, a
imperatividade, a impossibilidade de derrogação e a consequente nulidade de normas que o derroguem.
No entanto, a questão central não é a de elevar o documento em si ao patamar de jus cogens, bastando
que as normas contidas nele sejam consideradas como imperativas e obrigatórias a todos os Estados,
mesmo os não signatários.
Já outros entendem que a resolução é uma extensão da CARTA DA ONU, constituindo-se um guia
para uma interpretação mais autêntica das disposições da carta, tendo força vinculante aos Estados no
que tange às suas prescrições.

15. Por que dois pactos com a mesma data (1966)?


R: No ano de 1966 foram editados dois tratados internacionais, um sobre direitos liberais, conhecido
como o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e outro sobre direitos sociais, denominado de
Pacto Internacional dos Direitos Sociais, Econômicos e Culturais. A diferença entre os diplomas reside
no fato de que o primeiro tem aplicação imediata, ao passo que o segundo deve ser aplicado
progressivamente de acordo com as possibilidades de cada nação.

16. Os pactos têm aplicação imediata?


R: A aplicabilidade imediata dos direitos humanos consiste no reconhecimento formal de que os direitos
humanos são completos e, por serem dotados de eficácia plena, podem, desde logo, ser aplicados.

17. Explique a característica da unidade dos direitos humanos.


R: A concepção contemporânea de Direitos Humanos destaca que eles são vistos como uma unidade
indivisível, interdependente e interrelacionada capaz de conjugar o catálogo de direitos civis e políticos
ao catálogo de direitos sociais, econômicos e culturais.

18. Para que um tratado seja incorporado ao nosso ordenamento jurídico, o que é necessário?
R: Para que um tratado obrigue o Estado brasileiro internamente ele dever· passar por quatro fases. São
elas: 1) assinatura internacional pelo Presidente da República; 2) aprovação pelo Congresso Nacional; 3)
ratificação e depósito no órgão internacional e 4) promulgação interna por meio de Decreto Executivo.

19. EC 45/2004 → O que ela reza a respeito?


R: A Emenda Constitucional nº 45/2004 promoveu deliberada valorização dos tratados internacionais de
Direitos Humanos, aos quais foi possibilitada a equivalência às emendas constitucionais, a depender tão
somente do quorum de aprovação (art. 5º, § 3º CF).
20. O Brasil já internalizou algum tratado de direitos humanos?
R: O Brasil já internalizou vários tratados de Direitos Humanos, contudo, nos moldes do art. 5º, §3º da
CF somente dois: 1) A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu
Protocolo Facultativo, e 2) O Tratado de Marraqueche, que foi aprovado para facilitar o acesso a obras
publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para acesso ao texto
impresso.

21. Interdependência em Direitos Humanos → O que significa?


R: Significa que os Direitos Humanos devem ser interpretados de forma única, como um bloco de
direitos entrelaçados e vinculados uns aos outros sem qualquer hierarquia.

22. O que seria a cláusula de vedação ao retrocesso?


R.: A cláusula de vedação ao retrocesso, também denominada de “efeito cliquet”, consiste na vedação de
diminuição ou amesquinhamento do núcleo essencial de determinado direito fundamental conquistado
ao longo da história.

23. Ao preso no Brasil é possível trabalhar?


R.: Sim, é possível o trabalho para o preso no Brasil, inclusive, trata-se de um dever do preso o trabalho,
de acordo com suas aptidões e capacidade.
Previsão legal: arts. 28 e seguintes da Lei nº 7210/84 (Lei de Execução Penal).

24. A todo preso?


R.: A todo preso é possível a realização de trabalho, porém, somente será um dever ao preso definitivo,
sendo facultativo o trabalho ao preso provisório.
Previsão legal: art. 31, parágrafo único, da Lei n.º 7210/84.

25. Esse trabalho é remunerado?


R.: Sim, apesar do trabalho do preso não ser regido pelo regime da Consolidação das leis Trabalhistas
(CLT), o trabalho do preso deve ser remunerado e não deve ser menor do que ¾ do salário mínimo
vigente.
Previsão legal: art. 29 da Lei n.º 7210/84.

26. Quando é remunerado, pode o valor recebido ser diferente do valor por aquele que não está preso
fazendo o mesmo trabalho?
R.: Sim, pode ser diferente. Tendo em vista que a Lei de Execução Penal aduz que o trabalho do preso
pode ser inferior a um salário mínimo, mas não podendo ser menor que ¾ deste.
Previsão legal: art. 29 da Lei n.º 7210/84.
27. É possível separar os presos por idade?
R.: Sim, é possível separar os presos por idade. É o que reza o artigo 5º, inciso XLVIII, da Constituição
Federal.

28. E por raça?


R.: Não é possível. Tendo em vista que não há referida previsão na Constituição Federal, nem mesmo na
Lei de Execução Penal. Os presos podem ser separados somente em razão do sexo, da idade e da
natureza do delito, bem como entre provisórios e definitivos.

29. O que significa patrimônio da humanidade?


R.: É tudo aquilo que tem um valor histórico universal excepcional para a humanidade, devido ao seu
valor histórico, arqueológico, natural, ambiental, ou um conjunto desses fatores avaliados pela
UNESCO.
- Fundamentação legal: art. 1 da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Cultural e Natural.
UNESCO, 1972.

30. Quem pode resguardar esses direitos?


R.: Os patrimônios já incluídos na lista de Patrimônio Mundial deverão inicialmente ser resguardados
pelo Estado-Membro da referida convenção onde se situa o bem, cabendo à UNESCO através do comité
intergovernamental para a proteção do património da humanidade, promover a fiscalização externa.
- Fundamentação legal: arts. 5º em diante da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Cultural e
Natural. UNESCO, 1972.

31. Direitos humanos e direitos fundamentais são a mesma coisa?


R.: Muito embora a essência seja a mesma, há a característica da positivação nos direitos fundamentais e
direitos humanos, sendo os primeiros previstos na ordem interna do Estado e os últimos na ordem
externa.

32. Cite três marcos históricos dos direitos humanos.


R.: O primeiro deles é a Cruz Vermelha, criada pela Convenção de Genebra de 1964. Um segundo
acontecimento é a luta contra a escravidão, tendo com marco o Ato Geral da Conferência de Bruxelas de
1890. O terceiro e último precedente histórico é a criação da Organização Internacional do Trabalho em
1919.

33. Quais conceitos as Leis das Doze Tábuas trouxeram?


R.: Foram estabelecidos conceitos relativos ao chamamento do réu em juízo, do julgamento, da execução
em caso de confissão ou de condenação, do pátrio poder, da propriedade e da posse, do direito dos
edifícios e terras, dos crimes, direito público e do direito sagrado.

34. O direito de acesso à informação e as conquistas tecnológicas são direitos de que geração?
R.: O direito à informação e as conquistas tecnológicas, como a manipulação genética são considerados
como direitos de 4ª (quarta) geração/dimensão pela doutrina majoritária.

35. Qual o papel da ONU no contexto internacional dos Direitos Humanos?


R.: Realizar a cooperação internacional, promovendo e estimulando o respeito pelos direitos do homem e
pelas liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião intervindo em
eventuais abusos e violações aos direitos humanos e fundamentais.
- Fundamentação legal: Carta das Nações Unidas.

36. E quanto à Liga das Nações? Qual o seu fundamento?


R.: A Liga das Nações foi criada após a Primeira Guerra Mundial (1920) e continha previsões genéricas
relativas aos direitos humanos, destacando-se as voltadas ao sistema das minorias e aos parâmetros
internacionais do direito ao trabalho, pelo qual os Estados comprometiam-se a assegurar condições justas
e dignas de trabalho para homens, mulheres e crianças. Foi precedente importante para a asserção do
tema “direitos humanos” ao plano do direito internacional, à medida que já previa sanções aos Estados
por violação aos direitos humanos.

37. Inexauribilidade: o que significa?


R.: Os direitos humanos são inexauríveis, no sentido de que têm a possibilidade de expansão, a eles
podendo ser sempre acrescidos novos direitos, a qualquer tempo, exatamente na forma apregoada pelo
§2º do art. 5º da CF.

38. Interceptação telefônica afronta o direito de privacidade previsto no CF/88?


R.: Não. A própria CF autorizou a quebra do sigilo das comunicações telefônicas por ordem judicial e
para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Ademais, entende o STF que não há, no
sistema constitucional brasileiro, direitos ou garantias de caráter absoluto.

39. Por que a Lei Maria da Penha trouxe um avanço para o nosso ordenamento jurídico?
R.: Porque conferiu aplicabilidade a uma série de instrumentos convencionais internacionais que buscam
tutelar pessoas com maior grau de vulnerabilidade, notadamente a mulher. Positivou internamente e deu
mais efetividade a uma série de medidas de proteção à mulher no âmbito da relação familiar-afetiva, bem
como à vedação da baixa proteção pelo Estado.

40. No âmbito processual, mudou alguma coisa?


R.: Sim. A principal mudança foi a não aplicação da Lei 9.099/95 – juizados especiais – aos crimes
praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. Outras mudanças foram,
exemplificativamente: a possibilidade de criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra
a Mulher, com competência cível e criminal (art. 14); necessidade de audiência específica para renúncia
da representação pela ofendida (art. 16); vedação de aplicação de penas de cesta básica ou outras de
prestação pecuniária, bem como substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa (art.
17); notificação da ofendida dos atos processuais relativos ao agressor (art. 21).

41. Direito das minorias → Quando falamos em assegurá-los, estamos falando em direitos de que
geração?
R.: Trata-se de direito de segunda geração (ou dimensão), pois visa à concretização material da
igualdade meramente formal, cujo adimplemento impõe ao Poder Público a satisfação de um dever de
prestação positiva, criando condições objetivas que propiciem às minorias direitos econômicos, sociais e
culturais em condições concretas de igualdade com o restante da população.

42. Os índios podem ser vulneráveis?


R.: Sim. Na perspectiva dos Direitos Humanos, a vulnerabilidade se fundamenta na sua existência como
grupo. A proteção especial que os povos indígenas obtêm do direito internacional contemporâneo
decorre do fato de que, diferentemente do que ocorre com as minorias em geral, não podem tais povos
ingressar no âmbito de proteção restrito aos direitos individuais, eis que se trata da segurança de direitos
coletivos, que também podem ser denominados de direitos de grupo. Tornam-se sujeitos coletivos de
proteção internacional, merecendo a tutela do direito internacional contra agressões que podem vir a
sofrer enquanto comunidade.

43. Quais direitos são garantidos a eles para haver um nivelamento com os demais grupos?
R.: São garantidos aos indígenas os seguintes direitos:
a) Previstos na Constituição e na legislação pátria:
 reconhecimento e proteção do Estado à organização social, costumes, línguas, crenças e tradições das
comunidades indígenas;
 reconhecimento dos direitos originários dos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam e
proteção de sua posse permanente em usufruto exclusivo para os índios;
 proteção da identidade (ou direito à alteridade), que consiste no direito à diferença, não podendo ser
aceito ato comissivo ou omissivo de assimilação;
 máxima proteção aos índios, nascendo o “in dubio pro” indígena e ainda o reconhecimento de que o
patamar de proteção alcançado não elimina novas medidas a favor das comunidades indígenas;
 garantia de utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem;
b) Segundo a Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos:
 direito à propriedade coletiva, comunal ou ancestral dos povos indígenas;
 direito à consulta livre e informada das comunidades indígenas e o respeito às tradições.
c) Previstos na Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas:
 Pleno exercício dos direitos humanos;
 direito à autodeterminação;
 Direito ao território;
 Direito ao consentimento livre, prévio e informado;
 Direito à educação e saúde de acordo com suas práticas;
 Direito ao desenvolvimento;
 Direito à cultura;
 Direito à propriedade imaterial sobre o conhecimento tradicional;
 Direito à manutenção dos contatos transfronteiriços.
d) Previstos na Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas:
 Direito ao gozo de todos os direitos humanos pelos indígenas, assim como dos direitos coletivos
indispensáveis para a sua existência, bem-estar e desenvolvimento integral como povo;
 direitos das mulheres indígenas à proteção contra todas as formas de discriminação e violência.
 direito a pertencer a um povo indígena de acordo com a sua identidade, tradição e costumes, vedada
qualquer hipótese de discriminação;
 direito de expressão livre da sua identidade cultural;
 direito à a integridade cultural e o patrimônio tangível e intangível, histórico e ancestral, a ser preservado
para a coletividade e para as gerações futuras;
 direito à educação a todas as crianças indígenas, sem discriminação em relação aos não indígenas;
 liberdade de exercício da espiritualidade indígena nas suas mais diversas formas, o qual inclui a
realização de tradições e cerimônias em público, o acesso a locais sagrados e a proteção dos símbolos
religiosos;
 direito à preservação dos sistemas próprios de família indígenas, nas variadas formas de união
patrimonial, filiação e descendência;
 direito à saúde onde permite-se o uso dos sistemas e práticas de saúde indígenas (plantas, animais e
minerais de uso medicinal), assim como o acesso irrestrito aos serviços de saúde acessíveis à população
em geral;
 direito ao meio ambiente sadio;
 direitos de livre associação, reunião, liberdade de expressão e pensamento;
 direito ao autogoverno em questões relacionadas aos assuntos locais e internos indígenas;
 direito à jurisdição indígena, desde que em conformidade com as normas internacionais de proteção aos
direitos humanos;
 direitos de participação ampla e efetiva dos povos indígenas na vida política;
 o direito dos povos indígenas nos tratados e acordos construtivos;
 direito dos indígenas sobre as terras e recursos que tradicionalmente ocupam e utilizam, bem como o
reconhecimento das formas alternativas de propriedade, posse e domínio de terras;
 direitos ao desenvolvimento (político, social, econômico e cultural), à paz, à segurança e à proteção dos
indígenas.

Legislação correlata: CF/88 – arts. 231 e 232; Lei 6.001/73 (Estatuto do Índio); Declaração da ONU
sobre os Direitos dos Povos Indígenas e Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

44. O que significa autodeterminação dos povos indígenas?


R.: Segundo André de Carvalho Ramos, “autodeterminação dos povos indígenas” consiste em
reconhecer que eles têm o direito de determinar livremente sua condição política e buscar livremente seu
desenvolvimento econômico, social e cultural, tendo direito à autonomia ou ao autogoverno nas questões
relacionadas a seus assuntos internos e locais, assim como a disporem dos meios para financiar suas
funções autônomas. O tripé da autodeterminação dos povos indígenas é território, governo e jurisdição.
Podem conservar e reforçar, então, seus próprios sistemas de edição de normas, educação, saúde,
moradia, cultura, meios de informação e solução de conflitos, entre outros.

45. Elenque as gerações de Direitos Humanos.


R.: 1ª geração – direitos civis e políticos; 2ª geração – direitos sociais; 3ª geração – direitos de
fraternidade/solidariedade (seriam os direitos difusos e coletivos); 4ª geração – direito à democracia,
direito à informação, direito ao pluralismo (relaciona-se com a globalização dos direitos humanos); 5ª
geração – direito à paz; 6ª geração – direito à preservação da água.

46. Qual o primeiro documento histórico prevendo a delegação do poder do povo para seus eleitos?
R.: Constituição Norte-Americana de 1787.

47. O que vem a ser o princípio da horizontalidade?


R.: Tal princípio corrobora a aplicação dos direitos fundamentais nas relações estabelecidas entre
particulares. Relaciona-se com a eficácia horizontal dos direitos fundamentais, também chamada de
"eficácia privada" ou de "eficácia em relação a terceiros", a qual analisa a problemática dos direitos
fundamentais nas relações entre particulares, bem como a vinculação do sujeito privado aos direitos
fundamentais.
Observação: não tenho certeza com relação a essa resposta, pois não achei nada que falasse
explicitamente sobre princípio da horizontalidade, apenas correlações com a eficácia horizontal dos
direitos fundamentais.

48. Como Código de Hamurabi, que previa o empalhamento como pena, pode ser um marco de
direitos humanos?
R.: É considerado um marco pois, apesar de prever tal pena e também de instituir a chamada Lei de
Talião (reciprocidade no trato de ofensas, onde o ofensor deveria receber a mesma ofensa proferida), foi
o primeiro código de normas de condutas, preceituando esboços de direitos dos indivíduos (1792-1750
a.C.), em especial o direito à vida, propriedade, honra, consolidando os costumes e estendendo a lei a
todos os súditos do Império na época.

49. O que é a unicidade?


(observação: achei respostas em 3 sentidos diferentes, como não sei qual sentido o examinador queria,
colocarei todos aqui)
R.: 1) É o reconhecimento de que os direitos humanos formam uma unidade de direitos tida como
indivisível, interdependente e inter-relacionada.
2) Significa que os direitos protegidos pelos direitos humanos apresentam uma unidade incindível em si.
3) Unicidade existencial é uma característica essencial da condição humana, é o fato de que cada um
de nós se apresenta como ente único e rigorosamente insubstituível no mundo.

50. Explique a Teoria Dualista moderada para a internalização dos tratados.


R.: Segundo a teoria dualista, existem 2 sistemas jurídicos que coexistem entre si: o internacional e o
interno, de sorte que normas internacionais só terão validade interna se incorporadas por lei interna. Para
a vertente moderada, adotada pelo STF, a internalização das normas internacionais não exige edição de
lei, satisfazendo-se com iter procedimental “mais simples” que, no Brasil, compreende a aprovação do
Congresso e decreto do Executivo.

51. Existe hierarquia entre os tratados no cenário internacional?


R.: Inexistência de hierarquia entre normas de direito internacional público: as normas devem estar
sempre posicionadas no mesmo plano hierárquico. Tal preceito tem a finalidade de evitar que um
eventual escalonamento normativo viesse a mitigar o princípio da horizontalidade e da igualdade entre
os diversos Estados.

52. O que significa dizer que os direitos civis e políticos têm aplicabilidade imediata?
R.: Significa dizer que tais direitos são autoaplicáveis, ou seja, tem eficácia direta e independente de
legislação infraconstitucional que os regulamente, diferentemente dos direitos sociais, econômicos e
culturais, que precisam ser progressivamente implementados.

53. O Brasil é signatário do Estatuto de Roma?


R.: Sim. No Brasil, o Estatuto de Roma foi aprovado pelo Congresso em 2002, mesmo ano em que
entrou em vigor internamente.

54. O que isso significa?


R.: Que o Estado Brasileiro se compromete a cumprir as disposições do referido tratado, o que engloba
suas regras referentes à investigação e processo de crimes e execução das penas e ao dever de combate à
impunidade penal. E que nacionais brasileiros que pratiquem crimes de jus cogens em qualquer território
poderão ser julgados pelo Tribunal Penal Internacional, bem como que crimes desta natureza praticados
em território brasileiro também poderão ser julgados pelo TPI.

55. O que é Tribunal Penal Internacional?


R.: É um tribunal penal criado pelo Estatuto de Roma como independente da ONU, com personalidade
jurídica própria. Sua jurisdição se restringe aos crimes de jus cogens (crimes que ofendem valores da
comunidade internacional), listados em 4: genocídio, crimes de guerra, crimes de agressão e crimes
contra a humanidade.

56. É um Tribunal de Exceção?


R.: Não, pois a jurisdição do TPI só pode ser invocada para crimes cometidos após sua entrada em vigor
e será sempre exercida consoante o devido processo legal. Ademais, a jurisdição internacional penal é
complementar à jurisdição nacional e só poderá ser acionada se o Estado não possuir vontade ou
capacidade para realizar a justiça e impedir a impunidade.

57. Alguém pode ser submetido a ele tendo processo pendente de julgamento no país?
R: Tendo processo pendente de julgamento no país, em regra, o indivíduo não poderá ser submetido ao
TPI, pois é órgão subsidiário, aplicando-se o princípio da complementaridade, a jurisdição internacional
só intervirá quando o direito interno não o fizer ou quando não tiver capacidade para reprimir o crime
internacional (preâmbulo Estatuto de Roma).

58. Nunca poderá?


R: Poderá haver atuação do TPI independentemente de qualquer atuação interna quando o processo
houver sido instaurado ou estar pendente ou a decisão ter sido proferida no Estado com o propósito de
subtrair a pessoa em causa à sua responsabilidade criminal por crimes da competência do Tribunal; ter
havido demora injustificada no processamento, a qual, dadas as circunstâncias, se mostra incompatível
com a intenção de fazer responder a pessoa em causa perante a justiça; o processo não ter sido ou não
estar sendo conduzido de maneira independente ou imparcial, e ter estado ou estar sendo conduzido de
uma maneira que, dadas as circunstâncias, seja incompatível com a intenção de levar a pessoa em causa
perante a justiça; se o Estado, por colapso total ou substancial da respectiva administração da justiça ou
por indisponibilidade desta, não estar em condições de fazer comparecer o acusado, de reunir os meios
de prova e depoimentos necessários ou não estar, por outros motivos, em condições de concluir o
processo (artigo 17 do Estatuto de Roma).

59. Que crimes podem ser levados a este Tribunal?


R: De acordo com o Estatuto de Roma, a competência do TPI restringir-se-á aos crimes mais graves:
crime de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agressão.

60. Qual a diferença entre direitos humanitários e direitos humanos?


R: Direito humanitário é o ramo do direito que proíbe os meios ou instrumentos de guerra que não sejam
estritamente necessários para superar o opoente e direitos humanos são o conjunto de direitos
considerados indispensáveis para a vida humana, à uma vida digna, fixados em tratados e convenções
internacionais.
61. O tráfico de pessoas e tráfico de imigrantes são sinônimos? Explique.
R: Não são sinônimos, o tráfico de pessoas é caracterizado pelo “recrutamento, transporte, transferência,
abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de
rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou
receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra
pessoa, para o propósito de exploração”; o contrabando ou tráfico de imigrantes é um crime que envolve
a obtenção de benefício financeiro ou material pela entrada ilegal de uma pessoa num Estado no qual
essa pessoa não seja natural ou residente.

62. O que diferencia? Qual o objetivo de um e de outro?


R: Diferenciam-se pelo consentimento, o contrabando de imigrantes envolve o conhecimento e o
consentimento da pessoa contrabandeada sobre o ato criminoso, no tráfico de pessoas, o consentimento
da vítima de tráfico é irrelevante para que a ação seja caracterizada como tráfico ou exploração de seres
humanos; pela exploração o contrabando termina com a chegada do imigrante em seu destino, enquanto
o tráfico de pessoas envolve, após a chegada, a exploração da vítima pelos traficantes, para obtenção de
algum benefício ou lucro, por meio da exploração e pelo caráter transnacional, o contrabando de
imigrantes é sempre transnacional, enquanto o tráfico de pessoas pode ocorrer tanto internacionalmente
quanto dentro do próprio país.
O tráfico de pessoas objetiva a exploração, que inclui prostituição, exploração sexual, trabalhos
forçados, escravidão, remoção de órgãos e práticas semelhantes, já o tráfico de imigrantes objetiva
benefícios financeiros.

63. Para o tráfico de pessoas é necessário o caráter da transnacionalidade?


R: Não é necessário a transnacionalidade para o tráfico de pessoas, que pode ocorrer tanto
internacionalmente quanto dentro do próprio país.

64. E se houver consentimento da pessoa registrado ecm cartório?

R: Há casos em que a pessoa vítima de tráfico sabe da exploração que sofrerá e consente com ela.
Mesmo nessa situação, existe o crime, e a vítima é protegida pela lei. Considera-se que, nessa situação, o
consentimento não é legítimo, porque fere a autonomia e a dignidade inerentes a todo ser humano
(direitos indisponíveis). Assim, ainda que o consentimento esteja registrado em cartório será considerado
irrelevante em face de qualquer situação de exploração descrita na Convenção.

65. Cite condutas típicas constantes do Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de
Pessoas, especialmente mulheres e crianças.
R: De acordo com o art. 3º do Protocolo o tráfico de pessoas consiste no recrutamento, o transporte, a
transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo a ameaça ou uso da força ou a
outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de
vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de
uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração.

66. Somente para exploração sexual?


R: Não, além da exploração sexual inclui-se outras formas de exploração, como o trabalho ou serviços
forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos.

67. E se for com fim econômico?


R: De acordo com o Protocolo deve ser punido o tráfico de pessoas para exploração sexual ou de
trabalho, independentemente se com fim econômico ou não.
Obs. Tenho dúvida sobre esta resposta

68. É necessário número mínimo de pessoas?


R: O Protocolo se aplica à prevenção, investigação e repressão das infrações estabelecidas quando
envolverem grupo criminoso organizado e de acordo com art. 1º, o Protocolo completa a Convenção das
Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, devendo ser interpretado em conjunto com
ela. Assim, necessário o número mínimo de três ou mais pessoas de acordo com a Convenção.
Obs. Tenho dúvida sobre esta resposta

69. Não é necessário o requisito de organização criminosa?


R: Deve-se adotar o requisito estabelecido pela Convenção das Nações Unidas contra o Crime
Organizado Transnacional que é de no mínimo 3 ou mais pessoas para a caracterização de grupo
criminoso organizado.
Obs. Tenho dúvida sobre esta resposta

70. Fale sobre uma característica dos direitos humanos.


R: Uma das características dos direitos humanos é a imprescritibilidade, que remete a ideia de que as
normas de direitos humanos não se esgotam, nem se consomem com o passar do tempo, não estando
sujeitos a prazo prescricional.

71. O titular do direito pode renunciar?


R: Segundo Valério Mazzuoli, em seu Curso de Direitos Humanos, “diferentemente do que ocorre com
os direitos subjetivos em geral, os direitos humanos têm como característica básica a
irrenunciabilidade, que se traduz na ideia de que a autorização de seu titular não justifica ou convalida
qualquer violação do seu conteúdo”. Cumpre salientar, no entanto, que segundo André de Carvalho
Ramos, a referida características perde, atualmente, a utilidade pois “...os conflitos entre direitos fazem
com que a interpretação dos direitos humanos tenha que ser acionada para estabelecer os limites entre
eles, sem que seja útil apelar à proteção da intangibilidade conferida genericamente a todos, pois todos
os direitos em conflito também terão”.

72. E nos direitos econômicos? Se tronar-se frei pode renunciar ao patrimônio?


R: Tendo em vista que, segundo a doutrina (Valério Mazzuoli e André de Carvalho Ramos) entende-se
que a irrenunciabilidade dos direitos humanos não é mais absoluta, deve-se, por óbvio, estender a
interpretação aos direitos humanos de cunho econômico, sendo possível, dessa maneira, que um frei,
movido pela sua fé e vocação, renuncie ao seu patrimônio.

Direitos Humanos - Examinador: Luís Francisco Segantin Júnior

73. A ONU instituiu a definição de minoria?


R: Não. Embora a ONU tenha previsto, no artigo 27, do Pacto Internacional dos Direitos Civis e
Políticos que “nos Estados em que haja minorias étnicas, religiosas ou linguísticas, as pessoas
pertencentes a essas minorias não poderão ser privadas do direito de ter, conjuntamente com outros
membros de seu grupo, sua própria vida cultural, de professar e praticar sua própria religião e usar sua
própria língua”, não houve, por parte daquela Organização das Nações Unidas uma definição do
conceito de minoria (Observação - tenho dúvida com relação a essa resposta).

74. Em que instrumento há o conceito de minoria?


R: Como respondido na questão acima, não houve, por parte da ONU, uma definição do conceito de
minoria. Nem mesmo a “Declaração Sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais
ou Étnicas, Religiosas e Linguísticas” dispõe sobre um conceito de minoria, contudo, referida declaração
dá a ideia do que seriam as minorias, delimitando-as às minorias nacionais ou étnicas, religiosas ou
linguísticas (Observação - tenho dúvida com relação a essa resposta).

75. A definição da ONU é genérica ou faz menção?


R: Nos termos da reposta acima, a ONU, na “Declaração Sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a
Minorias Nacionais ou Étnicas, Religiosas e Linguísticas”, faz menção apenas as minorias nacionais,
étnicas, religiosas e linguísticas, não sendo, portanto, genérica (Observação - tenho dúvida com relação a
essa resposta).

76. Tício, brasileiro, é muçulmano e deficiente. Poderia fazer o enquadramento: vulnerável ou


minoria?
R: Tício se enquadraria nos dois conceitos. Isso porque, por ser muçulmano, encaixa-se no conceito de
minoria, ao passo que, por ser pessoa com deficiência, enquadra-se no conceito de vulnerável.

77. Delegado de polícia. Ouve uns gritos no plantão. Escrivão discutindo com travesti querendo
que o nome social fosse inserido no B.O. Qual é a sua atitude já que assinará o B.O?
R: Vige, no Estado de São Paulo, o Decreto n 55.588, de 17 de março de 2010, que “dispõe sobre o
tratamento nominal das pessoas transexuais e travestis nos órgãos públicos do Estado de São Paulo e
dá providências correlatas”. Nos termos do referido decreto, “fica assegurado às pessoas transexuais e
travestis, nos termos deste decreto, o direito à escolha de tratamento nominal nos atos e procedimentos
promovidos no âmbito da Administração direta e indireta do Estado de São Paulo” (artigo 1º). Além
disso, prevê que “a pessoa interessada indicará, no momento do preenchimento do cadastro ou ao se
apresentar para o atendimento, o prenome que corresponda à forma pela qual se reconheça, é
identificada, reconhecida e denominada por sua comunidade e em sua inserção social” e “os servidores
públicos deverão tratar a pessoa pelo prenome indicado, que constará dos atos escritos” (artigo 2º e
§1º). Por fim, nos termos do referido diploma legal, “o descumprimento do disposto nos artigos 1º e 2º
deste decreto ensejará processo administrativo para apurar violação à Lei nº 10.948, de 5 de novembro
de 2001, sem prejuízo de infração funcional a ser apurada nos termos da Lei nº 10.261, de 28 de
outubro de 1968 - Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado”. À vista disso, como Delegado
de Polícia, determinaria, ao escrivão, que fosse inserido o nome social do travesti no boletim de
ocorrência, sob pena de responsabilidade administrativa.

78 - Existe algum ato normativo solucionando a questão (nome social)?


R= Sim. O Estado de São Paulo possui o Decreto nº. 55.588, de 17 de março 2010 que dispõe sobre o
tratamento nominal das pessoas transexuais e travestis nos órgãos públicos do Estado de São Paulo e dá
providências correlatas. Referida legislação dispõe que a pessoa indicará no momento do atendimento o
prenome pelo qual se reconheça e deseja ser tratada, que deverá constar também nos atos escritos.

79 - A imprescritibilidade dos direitos raciais está prevista na CF/88 ou em Pactos Internacionais?


R = A constituição prevê a imprescritibilidade do crime de racismo, como ato que atenta contra os
direitos raciais e à promoção da igualdade, no Art. 5º, inciso XLII. No mesmo sentido, no que se refere
aos Pactos Internacionais, o Estatuto de Roma prevê a imprescritibilidade dos crimes previstos naquele
diploma (Art. 29), dentre os quais, a perseguição de grupos por motivos raciais e o crime de apartheid
(Art. 7º, 1, “h” e “j”).

80 - Quais movimentos foram marcos na história?


R= a) Holocaustro – Alemanha - (Durante a Segunda Guerra Mundial, foram dizimados seis milhões de
judeus com fundamento na superioridade de uma raça);
b) Aparteid – Africa - (1948 até 1994 - convocação de eleições para governo de transição de Nelson
Mandela);
c) Leis de Jim Crow – EUA - que negavam aos cidadãos não brancos toda uma série de direitos
(Vigoraram entre 1876 e 1965): Elizabeth Eckford foi a primeira mulher negra a estudar numa escola
para brancos nos EUA;
d) Morte de Martin Luther King Jr. – EUA - (que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em resposta ao seu
trabalho contra a desigualdade racial) em 4 de abril de 1968, impulsionou uma série de ações para travar
o racismo na América e em todo o planeta;
e) No Brasil: criação dos quilombos; Lei Áurea (13 de maio de 1888); Fim do século XIX e século XX –
jornais e revistas voltados aos negros; outros (ex- Frente Negra Brasileira, Movimento Negro
Unificado);
(OBS - existem outros!!!).

81 - É correto afirmar que ações alternativas são excepcionais e permanentes?


R = Não é totalmente correto. As ações afirmativas poderiam ser consideradas como excepcionais,
havendo a necessidade de estatuí-las, na busca da igualdade material e o exercício de direitos por
determinados grupos. Uma vez alcançados estes objetivos, não mais será necessária a ação afirmativa,
tratando-se, pois, de medida de caráter temporário, não sendo característica do referido instrumento,
portanto, a permanência.

82 - O que seria a teoria da justiça compensatória?


R = É uma das teorias que visam justificar as ações afirmativas. Tem por fundamento a reivindicação de
reparação de um dano e concretização da justiça, ocasionado no passado, a determinado grupo de
minorias.

83 - Joaquim Barbosa fala em igualdade estática e igualdade dinâmica. O que seria?


R = A igualdade estática refere-se à igualdade formal, abstrata. Já a igualdade dinâmica refere-se à
igualdade material ou substancial, visada à efetiva concretização da igualdade, tratando-se os desiguais
na medida de suas desigualdades.
(Texto na íntegra: “Como se vê, em lugar da concepção “estática” da igualdade extraída das
revoluções francesa e americana, cuida-se nos dias atuais de se consolidar a noção de igualdade
material ou substancial, que, longe de se apegar ao formalismo e à abstração da concepção igualitária
do pensamento liberal oitocentista, recomenda, inversamente, uma noção “dinâmica”, “militante” de
igualdade, na qual, necessariamente, são devidamente pesadas e avaliadas as desigualdades concretas
existentes na sociedade de sorte que as situações desiguais sejam tratadas de maneira dessemelhante,
evitando-se assim o aprofundamento e a perpetuação de desigualdades engendradas pela própria
sociedade”).

84 - Há previsão no Sistema Global e Regional de fontes do direito internacional?


R= No que se refere ao Sistema Global, há previsão expressa das fontes de direito internacional,
conforme Art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (CIJ), de 1920, estabelecida pela Carta
das Nações Unidas. São elas: as convenções internacionais, os costumes internacionais e os princípios
gerais do Direito. (Não encontrei previsão expressa quanto aos Sistemas Regionais, nem doutrina que
falasse sobre o assunto. Teria que verificar cada um dos instrumentos Regionais).

85. O que se entende por jus cogens?


R.: A norma do jus cogens é uma norma imperativa, que impõe aos Estados obrigações objetivas, que
prevalecem sobre qualquer outra. É aceita e reconhecida pela sociedade internacional em sua totalidade,
como uma norma cuja derrogação é proibida e só pode sofrer modificação por meio de outra norma da
mesma natureza.

86. Poderia dar exemplos de normas jus cogens no nosso ordenamento?


R.: Proibição de genocídio, da escravidão, do tráfico de pessoas, da pirataria, respeito à
autodeterminação dos povos e ao Pacta sunt servanda.
87. Quais são os direitos de segunda dimensão?
R.: São os direitos sociais, econômicos e culturais. Apresentam caráter positivo, pois exigem atuações
positivas do Estado.

88. O Brasil reconhece a OEA?


R.: Sim, o Brasil é membro da Organização dos Estados Americanos.

89. Qual a natureza jurídica da Corte Interamericana? Apenas jurisdicional?


R.: A Corte é o órgão jurisdicional do sistema interamericano, desempenhando um papel fundamental
na afirmação dos direitos humanos no âmbito americano. Entretanto, ela possui competência contenciosa
e também consultiva. A competência contenciosa é para resolver litígios submetidos à apreciação do
Tribunal. A competência consultiva é para responder questionamentos acerca da interpretação da
Convenção Americana ou de outros tratados que integram o sistema interamericano e para emitir
parecer.

90. Que tipo de órgão?


R.: Trata-se de um órgão jurisdicional do sistema interamericano.

91. Os pactos de 1966 tem protocolo facultativo?


R.: A Declaração Universal dos Direitos Humanos com o Pacto dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto
dos Direitos Sociais, Econômicos e Culturais formam o que se denomina Declaração Internacional de
Direitos. O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos possui dois protocolos. O primeiro previu
que o Comitê de Direitos Humanos poderá receber e examinar as comunicações provenientes de
indivíduos que se considerem vítimas de uma violação dos direitos enunciados no Pacto. O segundo visa
a abolição da pena de morte. Já o Protocolo facultativo do Pacto de Direitos Sociais, Econômicos e
Culturais prevê que as vítimas de violações dispõem de um mecanismo para apresentar suas queixas e
denúncias em âmbito internacional ante o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU.
O Protocolo também adotou o sistema de comunicações interestatais e, ainda, um procedimento de
investigação das violações graves e sistemáticas de direitos econômicos, sociais e culturais.

92. precisa ser membro para acessar a comissão interamericana?


R.: As denúncias de violação de direitos humanos podem ser encaminhadas à Comissão por Qualquer
pessoa, por grupo de pessoas e por entidades não governamentais que sejam reconhecidas em um ou
mais Estados membros da OEA. Importa destacar que basta que o Estado adira ao Pacto de San José
para que a Comissão possa receber comunicações individuais em relação a esse Estado.
- art. 44 convenção americana
93. o código de conduta prevê o uso da arma de fogo?
R.: Sim. O código de conduta prevê que o uso de arma de fogo é uma medida extrema. Devem-se fazer
todos os esforços no sentido de excluir a sua utilização, especialmente contra crianças. - artigo 3,
item c do código de conduta

94. Fala em algum tipo de arma?


R. Sim. Arma de fogo (art. 3, c). Afirma que o emprego de arma de fogo é considerado uma medida
extrema.

95. violência é sinônimo de força?


R. A violência não se reduz apenas no uso da força. Isso porque, A violência no âmbito penal pode ser
própria (força física) ou violência imprópria (qualquer meio que reduza a vítima à impossibilidade de
resistência). Dessa forma, a violência não consiste, essencialmente, no uso da força.

96. conceitue força


R. Força é toda intervenção compulsória sobre o indivíduo ou grupos de indivíduos, reduzindo ou
eliminando sua capacidade de autodecisão.

97. podemos dizer que roubo pode ser caracterizado por força e grave ameaça?
R. Segundo Cleber Masson, violência consiste no emprego de força física sobre a vítima, mediante
lesão corporal ou via de fato (violência própria). De outro modo, no caso da violência imprópria não há
uso de força física (“ qualquer meio que reduza à impossibilidade de resistência”). Dessa forma,
podemos dizer que apenas no roubo próprio 1 parte (violência própria) pode ser caracterizado por força e
grave ameaça.

98. Quais os princípios norteadores do uso da força?


R. Princípios da proporcionalidade, razoabilidade e excepcionalidade – art. 3 código de conduta.

99. Pode fazer uma relação com o uso da força no Código Penal?
R: A força deve ser empregada, quando necessário, de forma moderada e legítima. Desta forma, pode-se
traçar um paralelo com o estrito cumprimento do dever legal, o exercício regular de direito, mas
principalmente com a legítima defesa (art.25 do CP), que consiste no uso moderado dos meios
necessários para repelir injusta agressão.

100. Um investigador trabalhando e, em uma manifestação, faz um disparo para cima, pois
estavam fechando o cerco contra ele. Essa conduta foi lícita?
R: O agente realizou o chamado “disparo de advertência” a esmo. Tal prática é vedada pela Portaria
Interministerial n° 4.226/2010 aos agentes federais ante a imprevisibilidade de seus efeitos. Entretanto,
em situações excepcionais, será possível reconhecer a licitude do disparo, caso seja o meio menos
gravoso disponível, ante a inexigibilidade de conduta diversa ou legítima defesa.

101. Esse disparo foi proporcional?


R: Em uma primeira análise, não, ante a imprevisibilidade de seus efeitos, visto que o projétil poderia
atingir fatalmente alguém durante sua queda. Entretanto, caso a turba representasse grave perigo, atual
ou iminente, ao agente ou terceiros e o disparo para cima fosse o meio menos lesivo à sua disposição,
seria possível reconhecer a proporcionalidade da medida.

102. Qual a primeira constituição brasileira que dispôs sobre os direitos sociais?
R: A Constituição Brasileira de 1934.

103. É correto afirmar que a CF/88 confere maior importância aos direitos fundamentais do
que à divisão dos poderes?
R: A CF/88 atribui grande importância aos direitos fundamentais, trazendo-os para o início do texto,
discorrendo amplamente sobre o tema e incluindo os direitos individuais como cláusula pétrea. Contudo,
a divisão dos poderes também possui status de cláusula pétrea, estando prevista logo no artigo 2º da CF.
Assim, tem-se que ambos possuem grande importância constitucional.

104. Qual a responsabilização do administrador, do juiz, do Delegado, quanto ao tratamento


do preso?
R: O Estado tem o dever objetivo de zelar pela integridade física e moral do preso sob sua custódia,
sendo possível a responsabilização pessoal de agentes públicos cuja conduta, por abuso de autoridade,
dolo, imprudência ou negligência, conduza ao tratamento desumano do preso.

105. Há questionamento jurídico quanto ao RDD?


R: A OAB impetrou uma ADI objetivando a declaração da nulidade os artigos da LEP que se referem ao
Regime Disciplinar Diferenciado por, supostamente, aviltarem o princípio fundamental da dignidade da
pessoa humana, as garantias fundamentais de vedação à tortura e ao tratamento desumano ou degradante,
e de vedação de penas cruéis. (Artigos 52, 53, 54, 57, 58 e 60 da LEP)

106. Há alguma ação em trâmite?


R.: Sim, a ADI 4162, STF.

107. O princípio da anterioridade tributária é um princípio fundamental?


R.: Sim, tendo em vista que a enunciação dos direitos e das garantias individuais não é exaustiva, pois há
dispositivos constitucionais esparsos no texto constitucional que consagram direitos e garantias
individuais. Um exemplo é o princípio da anterioridade tributária, garantia individual do contribuinte e
imunizada contra o poder supressivo de reforma constitucional. (doutrina de Nathalia Masson).

108. Nas ações afirmativas, o que seria o caráter dimensional da justiça?

R.: Trata-se da busca pelo redimensionamento e pela redistribuição de bens e oportunidades a fim de
corrigir distorções. Tais políticas públicas visam oportunizar aos que foram menos favorecidos (por
critérios sociais, econômicos, culturais, biológicos) o acesso aos meios que reduzam ou compensem as
dificuldades enfrentadas, de forma que possam ser sanadas as distorções que os colocaram em posição
desigual diante dos demais integrantes da sociedade.

109. Lei 12.288/10 → Qual o status dessa lei?


R.: Possui status de Lei Ordinária. (obs.: Segundo Mª Helena Diniz, lei que institui um estatuto é uma lei
ordinária que assume politicamente e socialmente um status diferenciado).

110. E se houver conflito no âmbito das normas?


R.: Conflitos entre regras podem ser resolvidos mediante o emprego de critérios de resolução. Estes
critérios são: 1) o hierárquico, pelo qual a regra hierarquicamente superior derroga a inferior, 2) o
cronológico, pelo qual a regra posterior derroga a regra anterior, e 3) o critério da especificidade, pela
qual a regra especial prevalece sobre a regra geral. Em caso de colisão de princípios deve ser ponderado
o peso de cada princípio no caso concreto. Não existe preferência absoluta, ou seja, que um princípio
prevalece em frente de outro.

111. Devemos considerar os direitos fundamentais e humanos ou o status das normas?


R.: Segundo Mª Helena Diniz, lei que institui um estatuto é uma lei ordinária que assume politicamente e
socialmente um status diferenciado. Desta feita, é possível entender pela necessidade de utilizar a
resolução de conflito entre normas em conjunto com a análise dos direitos fundamentais e humanos.
(obs.: resposta subjetiva).

112. O que é indivíduo abstrato e indivíduo especificado?


R.: O sujeito de direito concreto é aquele visto em sua especificidade e na concreticidade de suas
diversas relações, considerando-se categorizações relativas ao gênero, idade, etnia, raça. Contrário sensu,
tem-se o indivíduo abstrato como aquele enxergado de forma geral, sem se ater às suas particularidades.

113 - ADPF 186 – Qual a posição do senhor em relação às cotas? Sob que fundamento?
R: A política de cotas é uma ação afirmativa que representa apenas uma das formas de políticas positivas
de inclusão social. Acredita-se que todas as ações que visem a estabelecer e aprimorar a igualdade entre
nós são dignas de apreço. Há discussão quanto a sua adequação, uma vez que o ingresso nas
universidades públicas não é dificultado apenas em relação à raça do indivíduo, mas em muito por sua
condição financeira e social. Conquanto, assevera-se sua constitucionalidade, com base no princípio da
dignidade da pessoa humana, no espirito da Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de
Discriminação Racial, ratificada pelo Brasil, e sob o prisma dos direitos humanos, especialmente, em sua
3º geração, pois liberdade e igualdade devem ser repensadas segundo o valor fundamental da
fraternidade.

114 - No que consiste a regra de esgotamento dos recursos?


R: Atualmente, a regra consiste no esgotamento dos recursos internos como requisito de admissibilidade
do pedido. Possui caráter processual, o que não impede a responsabilidade internacional do Estado. Tem
por fim evitar a transformação dos Tribunais Internacionais em órgãos de quarta instância, mantendo a
ideia de subsidiariedade internacional. Ela promove o direito interno de cada Estado. Por outro lado, a
regra deve aprofundar a ideia de soberania, e não munindo os Estados de meios para obstaculizar a
efetivação dos direitos humanos. Por tal razão, existem exceções à regra, quando os recursos forem
inexistentes, ineficazes ou inacessíveis às vítimas.

115- Onde está prevista essa regra?


R: Encontra previsão na Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 46-1.a), no sistema europeu –
Convenção Europeia para a proteção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais (art, 35 – 1),
e no Sistema Africano – Carta Africana dos Direitos humanos e dos povos (art.56).

116 - Os pactos de 1966 → Em qual deles está previsto que um indivíduo acesse diretamente a
Convenção?
R: A Corte Interamericana de Direitos Humanos é órgão jurisdicional do sistema interamericano dos
direitos humanos. Segundo o art. 61, item 1, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, somente
os Estados-Partes e à Comissão Interamericana têm legitimidade para submeter um caso à decisão da
Corte Interamericana. Assim, em virtude de ausência de previsão no Pacto, os indivíduos não têm
legitimidade para submeter casos ao tribunal, o que nos levar a concluir que não há previsão do jus
standi perante a corte, materializado na possibilidade de acesso direto ao tribunal internacional, sem a
necessidade de intermediários. No entanto, com passar do tempo, a própria Corte passou a admitir que as
vítimas apresentem, diretamente e de forma autônoma, seus argumentos, arrazoados e provas.
Conquanto a jurisprudência da Corte tenha evoluído a ponto de permitir ao indivíduo a apresentação de
argumentos, arrazoados e prova de forma autônoma, ainda se exige que o caso tenha sido submetido por
algum Estado-Parte ou pela Comissão. Assim, embora o jus standi busque uma maior proteção dos
direitos humanos no plano internacional ao possibilitar a capacidade postulatória do indivíduo em si,
ainda não é admitido de forma plena e efetiva pela Corte Interamericana.

117- Há protocolo que permita dentro do sistema regional?


R: A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é um órgão principal da OEA, porem autônomo,
não representando o Estado de origem. Em relação à comissão, esta pode receber petições individuais e
interestatais contendo alegações de violações de direitos humanos. A Convenção Americana dispõe que
qualquer pessoa, não só a vítima, pode peticionar à Comissão, alegando a violação de direitos humanos
de terceiros. Ao contrário dos modelos europeu e interamericano, as petições individuais valem somente
em relação a violações maciças ou persistentes dos direitos humanos e não somente em termos de
violações individuais dos direitos humanos.

118- O que é o caráter ambivalente ou dúplice da OEA?


R: Obs – não encontrei no meu material.

119- Quais as penas podem ser aplicadas pela Corte Interamericana?


R: O segundo órgão da Convenção Americana de Direitos Humanos, a Corte Interamericana de Direitos
Humanos (Corte IDH), é uma instituição judicial autônoma, não sendo órgão da OEA, mas sim da
Convenção Americana de Direitos Humanos. Possui jurisdição contenciosa e consultiva, podendo emitir
pareceres ou opiniões consultivas, não vinculantes. A Corte IDH pode decidir pela procedência ou
improcedência, parcial ou total, da ação de responsabilização internacional do Estado por violação de
direitos humanos, abrangendo obrigações de dar, fazer e não fazer. Há o dever do Estado de cumprir
integralmente a sentença da Corte, conforme dispõe expressamente o art. 68.1 da seguinte maneira: ͞”Os
Estados Partes na Convenção comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem
partes”.

120. O que seria “soft law” e “hard law”?


R: Soft law são instrumentos com sem força cogente, os quais não vinculam os Estados, tratando-se de
uma orientação. Por outro lado, hard law são instrumentos com força cogente, os quais vinculam os
Estados a observá-los (ex: tratado).
Fonte: https://www.conjur.com.br/2015-jan-22/toda-prova-normas-sobredireito-resolver-conflitos-
direitos-humanos

121. Dê exemplos dentro do Sistema Regional Americano. Dê exemplos.


R: Exemplo de soft law, no Sistema Regional Americano, seria a Declaração Americana dos Direitos e
Deveres do Homem, de 1948, o qual, tido como marco inicial na construção do sistema interamericano,
não possui efeito vinculante. Por outro lado, como exemplo de hard law tem-se a Carta da Organização
dos Estados Americanos (OEA), que é um tratado.
Fonte: material de apoio do João Paulo Lordelo, p. 28. Download disponível em
https://www.joaolordelo.com/single-post/2017/06/26/Manual-Pr%C3%A1tico-de-Processo-Coletivo-e-
material-de-apoio-de-Direitos-Humanos

122. O Brasil é signatário do pacto de prevenção, supressão e punição do tráfico de pessoas,


especialmente mulheres e crianças?
R: Sim. Trata-se do Decreto 5017/2004, que é um Protocolo Adicional à Convenção de Palermo
(Decreto 5015/2004).

123. O que trouxe de novo para o nosso ordenamento?


R: a grande novidade é o conceito sistematizado de “tráfico de pessoas”; além disso, conceitua criança
como qualquer pessoa inferior a 18 anos (diferente do ECA); traz também mandamentos legislativos
para criminalizar as condutas do art. 3 no âmbito interno; instrumentos de assistência à vítima e também
de cooperação internacional.

124. Se uma mulher é levada para exploração sexual em outro país e chegando lá, ela adere,
configura o crime?
R: Configura. Nos termos do art. 3, b, do Dec. 5017/2004, o consentimento dado pela vítima, caso o
tráfico tenha ocorrido nos moldes do art. 3, a, será irrelevante. Nesse sentido, o art. 149-A, do CP,
também rechaça o consentimento, vez que o crime estará consumado com o mero “agenciar, aliciar,
recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência,
coação, fraude ou abuso”, com o fim de exploração sexual.

125. Qual a crítica ao termo “gerações” de direitos humanos?


R: Existem 4 críticas: primeiro por transmitir, de forma equivocada, o caráter de substituição de uma
geração pela outra; segundo por dar uma ideia de “antiguidade” ou “posteridade” de um rol de direitos
em relação a outro, induzindo que os de primeira geração foram reconhecidos antes dos direitos de
segunda geração; terceiro por apresentar os direitos humanos de forma fragmentada e ofensiva à
indivisibilidade; e quarto, por ser criticável à luz das novas interpretações sobre o conteúdo dos direitos
Fonte: André de Carvalho Ramos, Título III, 2.2, acesso em
https://books.google.com.br/books?id=a9RiDwAAQBAJ&pg=PT317&lpg=PT317&dq=#v=onepage&q
&f=false

126. Qual o ponto positivo desta expressão?


R: A classificação em gerações (e até mesmo dimensões) auxilia o estudioso a compreender o fenômeno
da produção de novos direitos, sendo um instrumento didático dos direitos humanos e de sua
“inexauribilidade”.
Fonte: André de Carvalho Ramos, Título III, 2.2, acesso em
https://books.google.com.br/books?id=a9RiDwAAQBAJ&pg=PT317&lpg=PT317&dq=#v=onepage&q
&f=false

127. No que consiste a inerência dos direitos humanos?


R.: Está ligada à universalidade dos direitos humanos, e diz respeito ao fato de que basta a condição
humana para ser titular de direitos essenciais. Nesse sentido, André Ramos de Carvalho: Fica registrada
a inerência dos direitos humanos, que consiste na qualidade de pertencimento desses direitos a todos os
membros da espécie humana, sem qualquer distinção.

128. É possível cogitar o controle de constitucionalidade através do decreto 6.949/09?


R.: Sim. Trata-se do decreto que dá vigência à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
e seu Protocolo Facultativo, aprovada pelo Congresso Nacional pelo procedimento do § 3º do art. 5º da
CF que, nos termos do mesmo artigo, possui status de emenda constitucional. Desta forma, pode sim ser
parâmetro de controle de constitucionalidade, nos termos da teoria do Bloco de Constitucionalidade,
adotada pelo STF.

129. Não seria o controle da convencionalidade?


R.: A distinção está apena na nomenclatura, ora referida como controle de convencionalidade
(Mazzuoli), ora como controle de constitucionalidade (André Ramos). Por se tratar de norma com status
constitucional, integrante do bloco de constitucionalidade estrito, nos termos da jurisprudência do STF, é
possível, em âmbito interno, ser realizado o controle de constitucionalidade (tanto difuso quanto
concentrado) tendo esta norma como parâmetro. Isto não impede eventual controle de convencionalidade
a ser exercido pelas cortes internacionais
Teoria do duplo controle ou crivo de direitos humanos: reconhece a atuação em separado do
controle de constitucionalidade (STF e juízos nacionais) e do controle de convencionalidade
internacional (órgãos de direitos humanos do plano internacional), no caso de o diálogo entre as cortes
(internas e internacionais) inexistir ou ser insuficiente.
André Ramos de Carvalho.

130. O controle da convencionalidade pode se dar por meio difuso?


R.: Sim. As normas de caráter supralegal (como a CADH) somente serão paradigmas de controle de
convencionalidade difuso, eis que não possuem “status constitucional”, a serem invocadas por ADI,
ADC, etc. As normas com status constitucionais podem ser parâmetro tanto de controle difuso quanto
concentrado.

131. E pelo modo concentrado?


R.: Sim. Utilizam-se, nesse caso as ações diretas de controle previstas no art. 102, I, a e §, 1º e 103, § 2º
da CF (ADI, ADC, ADPF e ADI por omissão). Somente os tratados internacionais com “status
constitucional” (art. 5º, § 3º da CF) podem ser parâmetros de controle concentrado de
constitucionalidade / convencionalidade.

132. O duplo grau de jurisdição tem previsão constitucional?


R.: Não.
A Constituição de 1988 não assegurou tal direito explicitamente, sendo fruto implícito: (I) dos direitos
decorrentes de tratados de direitos humanos (art. 5º, § 2º), como o Pacto Internacional de Direitos Civis
e Políticos e a Convenção Americana de Direitos Humanos; e (II) da previsão em diversos dispositivos
constitucionais de recursos a Tribunais (deduzido, por exemplo, dos arts. 102, II, e 105, II).
André Ramos de Carvalho.

133. Conhece decisão do STF fazendo menção ao duplo grau de jurisdição?


R.: Sim. Em resumo o STF entende que o direito ao duplo grau de jurisdição não é absoluto, pois há
diversas previsões na Constituição de julgamentos de única instância ordinária:
Em processo criminal da competência originária do Tribunal de Justiça (réu possuia prerrogativa de
foro), não é possível a interposição de recurso para o STJ objetivando o reexame da matéria de fato (...)
a CF enumera taxativamente os recursos cabíveis para o STF e o STJ e que a Convenção possui
natureza de lei ordinária (agora supralegal), não estando a CF, portanto, obrigada a observar as
disposições nela contidas, além do que o duplo grau de jurisdição não é uma garantia constitucional.
(STF, INFO – 183. RHC 79.785, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 29-3-2000, Plenário, DJ
de 22-11-2002)

134. Qual a posição do STF?


R.: A existência do duplo grau de jurisdição foi muito debatida pelos ministros do STF no seio da Ação
Penal n. 470, tendo restado decidido que o duplo grau não se fará obrigatório em qualquer decisão. No
entanto, desta mesma decisão, extrai-se o entendimento de que suprema corte admite referido postulado
que encontra guarida expressa na Convenção Americana sobre os Direitos Humanos, bem como decorre
de modo implícito da Constituição Federal.

135. E quanto aos embargos à execução fiscal?


R.: Tais embargos não possuem natureza jurídica de recurso, mas sim de ação, funcionando como
verdadeira defesa heterotópica perante a Execução Fiscal impetrada pela Fazenda Pública. Importante
destacar que no manejo desta ação, poderá ser cabível a interposição de eventuais recursos, expressando,
deste modo, o duplo grau de jurisdição.
(NÃO SEI SE A RESPOSTA É ESSA)

136. Fale sobre a força expansiva dos direitos fundamentais e a redução da maioridade penal.
R.: A proteção dos direitos fundamentais não há que ter limites, deste modo, a força expansiva dos
direitos fundamentais impõe o dever de interpretar a normatividade vigente no sentido mais favorável à
sua efetividade, mesmo nos casos de colidência entre direitos. Deste modo, considerando que a doutrina
reconhece a maioridade penal como um direito fundamental, sua redução representaria verdadeiro
retrocesso no campo dos direitos humanos, tendo sido rechaçada pela Comissão Interamericana de
Direitos Humanos e pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. Todavia, importante destacar a
existência de projeto de lei em trâmite perante o Poder Legislativo Federal que discute referida redução.

Direitos Humanos - Examinador: Fernanda Herbella Maia

137. O que são direitos de solidariedade?


R.: São os direitos humanos de quarta geração resultantes da globalização dos direitos fundamentais.
Como exemplos, pode-se citar o direito à democracia, à informação e ao pluralismo, conforme
preceituado pelo doutrinador Paulo Benevides.
Importante destacar a existência de doutrina diversa que entende que os direitos que integram essa
geração são aqueles ligados às novas tecnologias, como o biodireito e o cyberdireito.

138. Quem são os titulares dos direitos humanos?


R.: Qualquer ser humano, seja ele brasileiro ou estrangeiro residente no Brasil, nos termos do artigo 5º,
caput, da CF, bem como os estrangeiros não residentes aqui, conforme entendimento pacificado pelos
tribunais superiores, sob a justificativa de que o fato de não ter domicílio em nosso país não retira sua
condição de merecedor de dignidade e respeito.

139. Direitos humanos e direitos fundamentais é a mesma coisa?


R.: Há doutrina que preconiza que as expressões são sinônimas, no entanto, prevalece o entendimento de
que os direitos humanos são aqueles positivados no plano externo por meio de tratados e convenções
internacionais, ao passo que os direitos fundamentais encontram-se positivados no plano interno de um
estado, em sua Constituição Federal e na legislação infraconstitucional.

140. Pode uma pessoa jurídica ser titular de direitos humanos?


R.: Sim, podem ser titulares de direitos fundamentais. Ademais, o STF reconheceu que inclusive as
pessoas estatais podem os titularizar, todavia estas não o será com relação a todo e qualquer direito, mas
tão somente aqueles que forem compatíveis com sua personalidade jurídica, tais como os direitos de
caráter processual, estando dentre eles a ampla defesa, o devido processo legal, bem como o direito de
impetrar mandado de segurança.

141 - Quando pode ser buscada a Corte Interamericana de Direitos Humanos?


R: A Corte tem competência litigiosa, para conhecer de qualquer caso relativo à interpretação e
aplicação das disposições da Convenção Americana de Direitos Humanos a que lhe seja submetida
apreciação, sempre os Estados signatários reconheçam esta competência, por declaração ou convenções
especiais.
Basicamente conhece dos casos em que se alegue que um dos Estados-membros tenha violado um
direito ou liberdade protegido pela Convenção, sendo necessário que se tenham esgotados os
procedimentos previstos nesta.
As pessoas, grupos ou entidades que não sejam o Estado, não têm capacidade de impetrar casos junto à
Corte, mas podem recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A Comissão pode, então,
levar os assuntos diante desta, sempre que o Estado questionado haja reconhecido sua competência. Em
todos os casos, a Comissão deve comparecer em todos os casos apreciados pela Corte.
A Corte Interamericana possui duas atribuições essenciais: a primeira, de natureza consultiva, relativa à
interpretação das disposições da Convenção Americana, assim como das disposições de tratados
concernentes à proteção dos direitos humanos nos Estados Americanos; a segunda, de caráter
jurisdicional, referente à solução de controvérsias que se apresentam acerca da interpretação ou
aplicação da própria Convenção.

142 - É possível afirmar que a Constituição é discriminatória?


R: Não.
O princípio constitucional da igualdade, exposto no artigo 5º, da Constituição Federal, traduz-se em
norma de eficácia plena, cuja exigência de indefectível cumprimento independe de qualquer norma
regulamentadora, assegurando a todos, indistintamente, independentemente de raça, cor, sexo, classe
social, situação econômica, orientação sexual, convicções políticas e religiosas, igual tratamento perante
a lei, mas, também e principalmente, igualdade material ou substancial.

143 - A que característica dos direitos humanos se refere a discriminação?


R: Universalidade. Essa característica garante que os direitos humanos englobem todos os indivíduos,
pouco importando a nacionalidade, a cor, a opção religiosa, sexual, política, etc. Ou seja, esses direitos
se destinam a todas as pessoas (sem qualquer tipo de discriminação) e possuem abrangência territorial
universal (em todo mundo).
144 - O contraditório é um direito humano?
Sim.
Elencados como constitucionais, os princípios do contraditório e da ampla defesa devem ser analisados
de forma técnica, pois, a despeito de muitos não se contentarem com o resultado nos tribunais, tais
princípios não são, como sabemos, absolutos e nem, muito menos, medidas protelatórias ou garantias à
impunidade. Ambos são direitos constitucionais e, também, podem ser encontrados sob a ótica
dos direitos humanos. Logo, devem sempre ser observados onde devam ser exercidos, e de forma plena,
evitando prejuízos a quem, efetivamente, precisa defender-se.
145 - Se é um direito humano, por que não se fala em contraditório no inquérito policial?
R: Isso porque o inquérito policial não é, em sentido estrito, “instrução”, mas colheita de elementos que
possibilitem a instauração do processo. A Constituição Federal apenas assegura o contraditório na
“instrução crimina” e o vigente Código de Processo Penal distingue perfeitamente esta (arts. 394 a
405) do inquérito policial (arts. 4º a 23), como, aliás, ocorre na maioria das legislações modernas.

146 - O preconceito, a discriminação e o racismo são tratados da mesma forma nos instrumentos
de proteção dos direitos humanos?
R: O Estatuto da Igualdade Racial (lei nº 12.288/10) é um documento recente, publicado em 20 de julho
de 2010. Esse estatuto traz o conceito de discriminação racial e assim dispõe:
“Art. 1o (...)
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se:
I - discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em
raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o
reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades
fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida
pública ou privada;”
Cumpre destacar que preconceito é uma forma de pensar previamente sobre algo ou alguém sem
conhecê-lo(a), é a rotulação que se faz a alguém ou a um grupo de pessoas. O preconceito direciona no
sentido a discriminar toda uma coletividade, sendo esta ofensa chamada de racismo, a qual, por sua vez,
acaba por agredir diretamente o indivíduo, por meio de atitudes de cunho negativo sobre outrem.

147 - O que é direito à paz?


R: O direito à paz é concebido ao pé da letra qual direito imanente à vida, sendo condição indispensável
ao progresso de todas as nações, grandes e pequenas, em todas as esferas. É de assinalar na Declaração
do Direito dos Povos, o direito à Paz, contido na Resolução 39, da ONU, de 12 de novembro de 1984:
"os povos de nosso planeta têm o direito sagrado à paz" e, empregando a mesma linguagem solene,
acrescenta que "proteger o direito dos povos à paz e fomentar sua realização é obrigação fundamental de
todo Estado.”.
Desde Karel Vasak a paz já figurava como direito de terceira dimensão ao lado de outros conquistados.
O grande Jurista Paulo Bonavides propugnou pela transladação do direito a paz da terceira geração para
a quinta geração. De coadjuvante para protagonista. De mais um para o mais importante. De princípio
para norma jurídica. Da obscuridade para a ostensividade.

148. É possível falar que um cadáver tem dignidade?


R.: Ao se falar de crimes contra o respeito aos mortos, podemos encontrar duas correntes doutrinárias. A
primeira é liderada por Nelson Hungria, que afirma que os crimes contra o respeito aos mortos têm
parentesco com os crimes contra o sentimento religioso. Assim, a lei penal não serve à proteção da paz
dos mortos, mas ao sentimento de reverência dos vivos para com os mortos. De outro lado, a segunda
corrente apresenta o posicionamento de Alberto Silva Franco, Tadeu Antonio Dix Silva e Paulo César
Busato. Alberto Silva Franco e Tadeu Dix Silva, após apresentarem nota crítica aos posicionamentos que
vinculam o Direito penal à proteção de valores ético-sociais, estruturam uma construção do sentimento
de respeito aos mortos como derivação dos direitos e garantias fundamentais alicerçada na dignidade da
pessoa morta. Desta forma, defendem ser a dignidade da pessoa morta um valor cultural com amparo
constitucional, considerada como um valor que não possui existência material/tangível, mas que
necessita de pessoas ou coisas para sua percepção. Em outras palavras, apontam como bem jurídico
tutelado "a dignidade da pessoa morta, ao se considerar que 'sendo o cadáver a projeção ultraexistencial
da pessoa humana, o bem personalista da dignidade da pessoa morta constitui o objeto primário e
constante da tutela contra os atos de desrespeito e aos despojos humanos e aos sepulcros'".

149. Então, não posso falar que ao cadáver se aplica a dignidade da pessoa humana?
R.: A dignidade humana tem sua materialidade definida pelo conteúdo dos direitos fundamentais à vida,
à integridade física e psíquica, à liberdade, ao respeito e garantia de condições mínimas de vida, à
autonomia e à igualdade. Porém, nem toda lesão a esses direitos fundamentais caracteriza,
automaticamente, uma lesão à dignidade humana; é necessário que ocorra a "violação do núcleo
essencial de um destes direitos somada à dominação ou subjugação da pessoa". Deste modo, valendo-se
da análise do delito de vilipêndio a cadáver, apura-se que circunstâncias como no caso do médico e dos
estudantes Que utilizam corpo para estudo não infringe a dignidade da pessoa morta, pois não resulta de
conduta que tenha subjugado o status inerente à pessoa que "habitou" o corpo sem vida. Todavia,
condutas em contexto sexual ou de escárnio poderiam facilmente ser encaixadas sob essa filtragem, bem
como a "exploração completa de um cadáver para obter material comercializável ou a cremação de um
cadáver em um incinerador de lixo", pois se amoldam ao ato de subjugar a condição de pessoa. Nesses
casos, não se tutela o sentimento de respeito ao morto, mas sim a extensão sobrevivente de sua dignidade
enquanto pessoa humana. Somente em tal perspectiva é possível encontrar fundamentos justificantes de
tutela penal nas condutas descritas nos arts. 209, 210, 211 e 212 do CP.

150. O direito à liberdade é um direito humano?


R.: Sim, o direito à liberdade é um direito humano, assegurado como direito fundamental no artigo 5º da
CF/88, bem como consagrado na ordem internacional através de diplomas internacionais, tais como a
Declaração Universal dos Direitos Humanos e Pacto dos Direitos Civis e Políticos.

151. Uma mãe pode decidir o que é ou não digno para a seu filho?
R.: O artigo 18 do ECA regulamenta o disposto no artigo 227 da CF, ao afirmar ser dever de todos velar
pela dignidade das crianças, pondo-as a salvo de quaisquer tratamentos desumano, violento, aterrorizante
ou constrangedor. Em suma, o dever de velar pela dignidade da criança não se limita aos pais e aos
responsáveis legais, estendendo-se a qualquer pessoa que tenha conhecimento de algum abuso ou
desrespeito à dignidade da criança, devendo comunicá-lo, inclusive ao Ministério Público, pois este tem
a obrigação legal de propor medidas judiciais e extrajudiciais necessárias para a defesa do menor.

152. Pode haver variação da dignidade conforme o tempo e o lugar?


R.: Como intuitivo, a noção de dignidade humana varia no tempo e no espaço, sofrendo o impacto da
história e da cultura de cada povo, bem como de circunstâncias políticas e ideológicas.

153. Qual a principal característica dos direitos humanos?


R.: As principais características doutrinárias atribuídas aos Direitos Humanos são: (1) Historicidade. São
históricos como qualquer direito. Nascem, modificam-se e desaparecem. Eles apareceram com a
revolução burguesa e evoluem, ampliam-se, com o correr dos tempos; (2) Inalienabilidade. São direitos
intransferíveis, inegociáveis, porque não são de conteúdo econômico-patrimonial. Se a ordem
constitucional os confere a todos, deles não se pode desfazer, porque são indisponíveis; (3)
Imprescritibilidade. O exercício de boa parte dos direitos fundamentais ocorre só no fato de existirem
reconhecidos na ordem jurídica (...). Se são sempre exercíveis e exercidos, não há intercorrência
temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição; (4)
Irrenunciabilidade. Não se renunciam direitos fundamentais. Alguns deles podem até não ser exercidos,
pode-se deixar de exercê-los, mas não se admite sejam renunciados.”

154. A Constituição Federal é discriminatória?


R.: Os Ministros da Suprema Corte entenderam que a expressão “entre o homem e a mulher”, constante
no § 3º do art. 226 da Constituição Federal, é discriminatória, porque existentes, possíveis e válidas as
uniões entre homem e homem bem como entre mulher e mulher, não parece cabível manter a
constitucionalidade das demais regras vigentes no ordenamento jurídico brasileiro que estabeleçam essa
discriminação, verdadeira segregação de alguns institutos a apenas alguma espécie de seres humanos (os
heterossexuais).

155. Uma mulher que se prostitui está violando algum direito humano?
R.: Nenhum Documento Universal dos Direitos Humanos condena expressamente a prostituição,
individualmente, ou a tacha de exploração sexual. Observa-se, assim, que a prostituição individual,
praticada entre cliente e trabalhador sexual, ambos adultos e capazes, não envolve ofensa aos direitos
humanos.

156. Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e


crianças → Qual a idade da criança?
R.: Segundo o Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente
mulheres e crianças, o termo criança refere-se a qualquer pessoa com idade inferior a dezoito anos.
Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e
crianças,
Artigo 3
Definições
Para efeitos do presente Protocolo:
a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento
ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao
rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou
aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade
sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de
outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas
similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos;
b) O consentimento dado pela vítima de tráfico de pessoas tendo em vista qualquer tipo de exploração
descrito na alínea a) do presente Artigo será considerado irrelevante se tiver sido utilizado qualquer um
dos meios referidos na alínea a);
c) O recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de uma criança para fins
de exploração serão considerados "tráfico de pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos meios
referidos da alínea a) do presente Artigo;
d) O termo "criança" significa qualquer pessoa com idade inferior a dezoito anos.

157. Uma mãe pode consentir que o seu filho seja traficado?
R.: Segundo o Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente
Mulheres e Crianças, a configuração do tráfico de pessoas envolve uma série de hipóteses que dispensam
o consentimento da vítima para sua configuração. Logo, restará configurado o tráfico mesmo diante do
assentimento do responsável da vítima.

158. O que quer dizer a característica da imprescritibilidade?


R.: A imprescritibilidade implica reconhecer que os direitos humanos não se perdem pela passagem do
tempo: existindo o ser humano, há esses direitos inerentes.

159. Os crimes que violam direitos humanos são imprescritíveis?


R.: A Corte Interamericana de Direitos Humanos possui jurisprudência (Caso Barrios Altos vs.
Peru (2001), Caso Bulacio vs. Argentina (2003)) no sentido da incompatibilidade do instituto da
prescrição penal com crimes que implicam em graves violações de direitos humanos. Segundo o
Tribunal, o conteúdo do direito à verdade impede qualificar a prescrição da pretensão punitiva como
direito humano.

160. É possível falar em direitos de 4ª e 5ª geração?


R.: Segundo Paulo Bonavides, os direitos de 4ª geração referem-se à globalização dos direitos humanos,
correspondendo aos direitos de participação democrática, direito ao pluralismo, bioética e limites à
manipulação genética. Bonavides agrega ainda uma quinta geração, que seria composta pelo direito à
paz em toda a humanidade.

161. Já houve menção à 6ª geração?


R.: Parte da doutrina tem se posicionado positivamente quanto à existência de direitos humanos de sexta
geração, incluindo-se nessa dimensão o acesso à água potável.

162. É possível a entrega de um brasileiro nato ao tribunal penal internacional?


R: Sim. O ato da entrega, mencionado pelo Estatuto de Roma é diferente da extradição, pois aquele se
procede entre Tribunal Internacional e Estado soberano. Enquanto na extradição o indivíduo será julgado
pelo tribunal de outro Estado, do qual o Brasil não participou da formação; na entrega, a pessoa será
julgada pelo Tribunal Penal Internacional, que contou com a participação brasileira na sua construção
jurídica.

163. Há inquérito policial em trâmite. É possível o agente ser submetido ao Tribunal Penal
Internacional?
R: Sim, em conformidade com o artigo 58 do Estatuto de Roma, durante o inquérito ou até mesmo no
processo de instrução, há previsão de incidentes de detenção ou prisão preventiva do indiciado ou
acusado, para situações em que seja necessário para impedir cometimento de delitos, impedir a obstrução
ou para garantir o comparecimento em atos do processo.
164. O que quer dizer a relatividade dos Direitos Humanos?
R: Quer dizer que os direitos humanos não são absolutos, podendo sofrer limitações no caso de
confronto com outros direitos, ou ainda, em casos de grave crise institucional, como ocorre, por
exemplo, na decretação do Estado de Sítio.

165. A universalidade dos direitos humanos foi adotada?


R: Sim, essa característica foi adotada como garantia de que os direitos humanos sejam aplicáveis a
todos os indivíduos, pouco importando a nacionalidade, a cor, a opção religiosa, sexual, política, etc, em
abrangência territorial universal, sujeita ao relativismo cultural.

166. Foi adotada de forma absoluta ou há exceção?


R: Tem prevalecido na doutrina a ideia de forte proteção aos direitos humanos e fraco relativismo
cultural, concepção que afirma que o relativismo cultural não pode ser ignorado, mas não pode ser
defendido ao ponto de justificar violações a direitos humanos.

167. Código de Conduta – quem são os funcionários responsáveis pela aplicação da lei?
R: A expressão “funcionários responsáveis pela aplicação da lei” inclui todos os agentes da lei, quer
nomeados, quer eleitos, que exerçam poderes de polícia, especialmente poderes de prisão ou detenção.

168. Aplica-se à Guarda Civil Metropolitana?


R: Sim, incluída a GCM no texto do artigo 144 da CF, que trata da segurança pública, deve ser aplicada
à GCM o código de conduta, em consonância com o disposto no Artigo 1º. do dito dispositivo.

169. Por que a CF/88 não fala em direitos humanos e sim em direitos fundamentais?
R.: Porque a expressão “Direitos humanos” é utilizada para designar aqueles direitos fundamentais,
geralmente ligados à liberdade e à igualdade que estão positivados no plano internacional. Já os
direitos fundamentais são os direitos humanos positivados na Constituição Federal . Assim, o conteúdo
dos dois é essencialmente o mesmo, o que difere é o plano em que estão consagrados.

170. Qual a diferença entre direitos humanos e direitos humanitários?


R.: Direitos humanos são o conjunto de direitos indispensáveis para uma vida humana pautada na
liberdade, igualdade e dignidade. São indispensáveis à vida digna. Não existe um rol predeterminado
desses direitos, que passam a existir de acordo com as necessidades humanas ao longo da História.
Direito Humanitário é o ramo do direito que proíbe os meios ou instrumentos de guerra que não sejam
estritamente necessários para superar o opoente. Tais direitos humanitários possuem um duplo objetivo.
O primeiro é restringir os direitos dos combatentes através da limitação dos métodos e meios de guerra e
o segundo é a proteção aos direitos dos não combatentes, civis e militares

171. Pode-se dizer que uma pessoa mal remunerada tem seus direitos humanos violados?
R.: Sim, afinal, nos termos do art. 23 da DUDH, artigo 23, “todo o homem que trabalha tem direito a
uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência
compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção
social”.

172. O que é o tráfico de pessoas?


R.: O crime de tráfico de pessoas consiste no fato de o sujeito “agenciar, aliciar, recrutar, transportar,
transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou
abuso, com a finalidade de: I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; II - submetê-la a
trabalho em condições análogas à de escravo; III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; IV - adoção
ilegal; ou V - exploração sexual” (CP, art. 149-A, caput). São três os elementos que integram o delito:
(1) as condutas de agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa;
(2) mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso; (3) com qualquer das finalidades
descritas no tipo penal.

173. Qual a diferença entre o tráfico de uma criança e o sequestro de uma criança?
R.: O objeto jurídico do crime de tráfico de uma criança (art. 149-A, § 1o , II, do CP) é a liberdade
pessoal desta para não ser submetida a qualquer das finalidades previstas no tipo penal do art. 149 -A.
No caso de não estar presente algum dos dolos específicos previstos nos incisos do 149-A é que
poderá haver a modalidade do sequestro ou cárcere privado (art. 148, § 1º, IV, do CP).

174. É possível se falar em direitos humanos de 6ª geração?


R.: Sim, parte da doutrina leciona que a sexta dimensão alcança a democracia, o pluralismo político e o
direito à informação. Também há doutrina diversa mencionando que a sexta geração seria referente ao
direito à água potável.

175. Por que parte da doutrina critica a classificação do DH em geração?


R.: É que o uso do termo "geração" pode dar a falsa impressão da substituição gradativa de uma geração
por outra, o que é um erro, já que, por exemplo, os direitos de liberdade não desaparecem ou não
deveriam desaparecer quando surgem os direitos sociais e assim por diante. O processo é de acumulação
e não de sucessão. Além disso, a expressão pode induzir à ideia de que o reconhecimento de uma nova
geração somente pode ou deve ocorrer quando a geração anterior já estiver madura o suficiente,
dificultando o reconhecimento de novos direitos, sobretudo nos países ditos em desenvolvimento, onde
sequer se conseguiu um nível satisfatório de maturidade dos direitos da chamada "primeira geração".

176. O direito de greve é um direito humano?


Sim, Exª., o STF já o reconheceu como sendo um direito natural (Dec. Monocrática da Presidência, SS
2061 AgR/DF). Internacionalmente encontra-se previsto, por exemplo, no art. 8º do Pacto Internacional
dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1966, que foi ratificado pelo Brasil.

177. Os policiais civis podem exercer direito de greve?


Exª., o STF decidiu em sede de repercussão geral (informativo 860/2017) que o direito de greve, sob
qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem
diretamente na área de segurança pública. (ARE 654.432/GO, rel. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julg. Em 5-4-17).

178. Todas as características de direitos humanos estão previstas na Constituição federal?


Não, Exª, nem todas as características de direitos humanos encontram-se previstas na CRFB. O art. 5º,
§2º, da CF, permite a formação de um bloco de constitucionalidade, composto pelos direitos previstos
em tratados internacionais, os quais complementam o rol descrito na Constituição.

179. Qual o fundamento da declaração universal de direitos humanos?


Exª., a DUDH é reconhecida como o fundamento do direito internacional de direitos humanos. Ela
inspirou diversos tratados internacionais juridicamente vinculativos relativos aos direitos humanos e ao
desenvolvimento de tais direitos no mundo.

180. Por que elas (?) foram editadas? [elas..., a DUDH?; pergunta incompleta/confusa!]

Examinador: ERICA MARCELINA CRUZ

181. Os direitos sociais são autoaplicáveis?


Exª., há dissenso doutrinário sobre o tema, todavia prevalece a ideia de que os direitos sociais constituem
normas constitucionais de eficácia limitada. Inobstante isso, o STF já decidiu não haver falar em reserva
do possível em algumas situações, a exemplo da adequação no que tange à acessibilidade de prédios
públicos e reformas emergenciais de estabelecimento prisional.

182. O que é o princípio da não-tipicidade?


Exª., o princípio da não tipicidade também é conhecido como inexauribilidade, significa que o catálogo
de direitos fundamentais não é exaustivo. O rol pode ser ampliado por normas internacionais ou até pela
revelação de direitos fundamentais expressos ou implícitos no bojo do sistema jurídico nacional.

183. O que é eficácia horizontal dos direitos humanos?


R.: Consiste na incidência e observância dos direitos humanos em relações privadas marcadas pela
desigualdade entre os particulares,

184. Os direitos humanos são legais?


R.: A legislação não estabelece os direitos humanos, na medida em que eles são inerentes a cada pessoa
simplesmente por ela ser um humano. Não obstante, há a institucionalização dos direitos humanos,
consistente no seu reconhecimento pelo Estado como direitos positivos.

185. No que consiste a formulação normativa aberta de direitos humanos?


R.: A abertura dos direitos humanos consiste na possibilidade de expansão do rol dos direitos necessários
a uma vida digna. Fica consolidado, então, a não exauribilidade dos direitos humanos, sendo o rol de
direitos previsto na Constituição Federal e tratados internacionais meramente exemplificativo e não
exclui o reconhecimento futuro de outros direitos.

186. O que é dimensão objetiva de DH?


R.: Consiste na possibilidade de exigir do Estado o incremento de ações positivas para proteção dos
direitos humanos contra os próprios atos estatais (plano vertical), como ainda de possível ameaça de
lesão proveniente de terceiros, em especial de (e entre) atos de particulares (plano horizontal).

187. Quais as sanções previstas no Estatuto de Roma?


R.: O Estatuto de Roma prevê como sanção a aplicação de pena de reclusão, por um período que não
exceda a 30 anos; prisão perpétua, quando justificada pela extrema gravidade do crime e pelas
circunstâncias pessoais do condenado; multa; e seqüestro de bens ou haveres provenientes direta ou
indiretamente do crime.
(artigo 77)

188. Segundo tal estatuto, um genocida pode alegar privilégio de foro?


R.: Há peculiar previsão no Estatuto no sentido de que a função oficial do indivíduo não o eximirá da
responsabilidade criminal e de que as imunidades não obstarão o TPI de exercer sua jurisdição. Assim, o
TPI poderá julgar qualquer pessoa, ainda que se trate de um Chefe de Estado.
(artigo 27)
189. Qual a diferença entre extradição e entrega?
R.: Na entrega, há a entrega de uma pessoa para ser julgada perante o TPI, isto é, há uma cooperação
entre Estado e o Tribunal. Já na extradição, há a entrega de uma pessoa por um Estado para ser julgada
por outro Estado. É dizer, há cooperação entre Estados igualmente soberanos. Além disso, há diferença
entre os institutos, na medida em que o Brasil pode entregar brasileiro (nato ou naturalizado) para ser
julgado perante o TPI, ao passo que, em regra, não pode extraditá-lo para ser julgado por outro Estado
soberano.

190. O brasileiro nato pode ser processado pelo Estatuto de Roma?


R.: Sim. Caso cometa um crime da sua competência e não seja julgado por esse fato. Conforme doutrina
majoritária é possível/compatível a entrega de brasileiro nato ao TPI (Art.89 do Dec. Leg nº112/2002 c/c
Art.5º, §4º, CF/88), visto que a art.5º, LI, da CF/88 veda a extradição de brasileiro nato e não a entrega,
que são institutos diferentes.

191. Do que se trata a reversibilidade dos direitos humanos?


R.: Reversibilidade é o retrocesso nos direitos humanos já adquiridos. Segundo a doutrina, vigora nos
direitos humanos a característica da irreversibilidade dos direitos humanos adquiridos, inclusive, com
previsão no art.26, do Pacto São José da Costa Rica.

192. Cite 3 características de direitos humanos.


R.: Historicidade, ou seja, os direitos humanos são construídos gradualmente, fruto de conquistas
históricas; Universalidade, os direitos humanos são para todas as pessoas, independente de sua
nacionalidade, raça etc; Imprescritibilidade, a sua pretensão não se esgota com o passar do tempo.

193. Há diferença entre geração e dimensão de direitos humanos?


R.: Não. Geração ou dimensão dos direitos humanos significam a mesma coisa, ou seja, são
denominações utilizadas para o evento da evolução histórica dos direitos fundamentais. Todavia, os
defensores da expressão dimensão entendem que a terminologia geração seria imprópria porque dá a
entender que haveria a substituição de uma geração por outra.

194. Qual a competência do Tribunal de Nuremberg?


R.: Os crimes contra a paz, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, que foram cometidos por
pessoas que agiam por conta dos países do eixo, durante a 2ª Guerra Mundial.

195. Tal tribunal aplicou a lei ou os costumes?


R.: O tribunal aplicou o costume, que é fonte do direito internacional. Mitigando o princípio da
irretroatividade da lei penal, tendo em vista que não havia lei que estipulando o referido crime, tendo o
Tribunal de Nuremberg aceitado a criminalidade dessa conduta, com base nos costumes internacionais
da época.

196. Do que se trata a cláusula de desenvolvimento progressivo de direitos humanos?


R.: A referida cláusula trata da vedação ao retrocesso dos direitos humanos já conquistados, a exemplo
dos direitos sociais, econômicos e culturais. Essa cláusula de desenvolvimento progressivo encontra-se
expressa no art.26, do Pacto de São José da Costa Rica, que foi adotado pelo Brasil via Dec.
Nº678/1992.

197. No que consiste a reinterpretação dos direitos de 1ª geração?


R.: Consiste na releitura das clássicas liberdades da 1° dimensão de direitos a partir do surgimento dos
chamados direitos sociais de 2° dimensão. Em razão dos direitos sociais, as liberdades clássicas
passaram a ter um viés positivo (ação estatal para garantia do direito) ao lado do viés negativo
(absenteísmo estatal).

198. Direito de defesa – Tal expressão na doutrina de Canotilho refere-se a 1ª, 2ª ou 3ª geração?
R.: Canotilho estabelece 4 funções básicas para os direitos fundamentais: Defesa, Prestação Social,
Proteção Perante Terceiros e Não-Discriminação. A função de defesa relaciona-se com a 1° dimensão
dos direitos fundamentais, caracterizada pela abstenção estatal (não-interferência/não-intromissão).

199. O diretor de CDP que determina que o preso praticante de falta grave seja algemado em uma
cela, isolado dos demais presos, incorre em violação de direitos humanos.
R.: O uso de algemas é medida excepcional, ante a ausência de regulamentação do art. 199 da LEP e o
que dispõe o art. 284 do CPP. Ademais, o isolamento de preso como punição é criticado pela ONU, que
entende pela possibilidade apenas até o prazo de 15 dias, constituindo o excesso em tortura (viola art. 10
do Dec. 592/92).

200. O que é reversibilidade de direitos humanos?


R.: A reversibilidade seria a possibilidade de diminuição de direitos humanos já conquistados. A conduta
é impossível, haja vista o princípio da proibição do retrocesso social (efeito cliquet).

Examinadora: FERNANDA HERBELLA MAIA

201. Todos os direitos humanos são direitos fundamentais?


R.: Não. A diferença está no plano de positivação. Os direitos humanos estão no plano internacional, já
os direitos fundamentais decorrem da captura daqueles para a inserção no ordenamento jurídico interno.
Além disso, aqueles possuem matriz genérica, enquanto estes são implementados de acordo com a
peculiaridade do país.

202. Para os direitos humanos, o que é a ação positiva?


R.: Ação positiva pode ser vista como o fazer estatal, relacionada aos direitos fundamentais de segunda
dimensão. Outra forma de ação positiva reside nas ações afirmativas do Estado (discriminações
positivas), consistentes em políticas de mitigação das desigualdades sociais (igualdade de oportunidade).

203. Quem é considerada a pessoa de etnia negra para os direitos humanos?


R.: De acordo com o art. 1°, IV, do Estatuto da Igualdade Racial, população negra é o conjunto de
pessoas que se autodeclarem pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotem autodefinição análoga.

204. Há diferença entre raça e etnia? Quais?


R: Etnia é um grupo definido pela origem, afinidade lingüística e cultural. Raça diz respeito à diferenças
biológicas entre as pessoas, como as características físicas, por exemplo.

205. Porque os direitos humanos são tidos como invioláveis?


R: Porque não podem ser desrespeitados por atos infraconstitucionais ou de qualquer autoridade pública,
sob pena de responsabilização penal, civil e administrativa.

206. O princípio da dignidade da pessoa humana está ligado à inalienabilidade?


R: Os direitos humanos não possuem valor econômico, são intransferíveis, inegociáveis, estando fora do
comércio. Essa inalienabilidade resulta da dignidade da pessoa humana, sendo que o homem jamais
poderá deixar de ser homem, tendo sempre os direitos fundamentais como alicerce para garantia de tal
condição.

207. A constituição federal admite alguma forma de discriminação?


R: Sim, com base no princípio da igualdade. Por esse amparo constitucional é possível realizar
discriminações positivas para assegurar igualdade material entre os indivíduos.

208. O que é um grupo vulnerável?


R: São grupos de pessoas que estão mais suscetíveis de sofrerem agressões e que, por tal razão, merecem
proteção legal especial. Exemplos: Crianças, Mulheres, Idosos.
209. E as minorias, o que são?
R: São grupos não privilegiados em relação à outra parcela de grupos da sociedade. Exemplo:
comunidades indígenas, quilombos, ciganos, etc.

210. Se há no Estado de São Paulo delegacias para mulher, poderia haver concurso específico com
vagas somente para mulheres? É constitucional?
R: O STF já se manifestou no sentido de que é possível haver concurso público com previsão de vagas
somente para homens ou mulheres desde que a natureza do cargo justifique tal restrição de gênero. No
caso de Delegacias, não há justificativa que ampare o concurso somente para mulheres, pois o fato de
serem tais delegacias especializadas para o atendimento de mulheres, o cargo ocupado pelos atendentes
destas unidades não justificaria a restrição questionada.
211.O que são direitos de solidariedade? Há sinônimo usado pela doutrina? Como se classificam?
R . Karel Vasak, em 1979 apontou a existência deste terceiro tipo de direitos fundamentais, os chamados
direitos de solidariedade ou de fraternidade. Classificam-se na terceira geração ou dimensão de direitos,
são direitos de titularidade difusa, pertencentes à coletividade, tais como o Direito ao Meio Ambiente
ecologicamente equilibrado, o direito à paz, entre outros.

212. Há previsão, conforme as regras mínimas da ONU, para tratamento de presos envolvendo o
uso de algemas?
R. Sim. Na regra 47 é previsto que o uso de algemas, correntes ou colete de força nunca deve ser
utilizado como meio de sancionatório. Admitindo-se, tão somente, para transferência do preso a fim de
evitar evasão, por recomendação médica, ou quando estritamente necessário, quando esgotados todos os
meios de contenção do recluso, por ordem do Diretor do Presídio.

213. Dentro da delegacia o preso pode permanecer algemado?


R. Sim, desde que devidamente motivado pela autoridade policial, por razões que justifiquem a
excepcionalidade da medida, tendo como base o respeito à Constituição Federal, bem como as diretrizes
da Súmula Vinculante n° 11, em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à
integridade física própria ou alheia, por parte do preso.

214. Tais regras mínimas preveem o uso de algemas em gestantes?


R. Sim, em sua regra 48 é previsto que os instrumentos de coação (algemas) não devem ser utilizados
em mulheres em trabalho de parto, nem durante nem imediatamente após o parto.

215. Quais as características dos direitos humanos?


R. A doutrina traz inúmeras características,estas muitas vezes relacionadas, entre elas destacam-se:
Historicidade, Universalidade, Relatividade, Essencialidade, Irrenunciabilidade, Inalienabilidade,
Imprescritibilidade, Inviolabilidade, Complementaridade, Efetividade, Interdependência, concorrência,
entre outras.

216. Onde está situado o Tribunal Penal Internacional?


R. O TPI está sediado em Haia, na Holanda (ou países baixos, como expresso no Estatuto de Roma).

217. Quais os crimes submetidos a seu julgamento?


R. Submetem-se ao TPI, nos termos do artigo 5º do Estatuto de Roma o crime de genocídio, crimes
contra a humanidade, crimes de guerra e o crime de agressão.

218. Qual a definição de genocídio?


R.: Entende-se por genocídio qualquer ato praticado com intenção de destruir; no todo ou em parte, um
grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal, nos termos do art. 6º, do Estatuto de Roma do
Tribunal Penal Internacional.

219. Em que ano o Brasil passou a fazer parte do TPI


R.: O Brasil assinou o Estatuto de Roma em 07 de fevereiro de 2000, tendo ratificado e depositado o
instrumento em 20 de junho de 2002.

220. Direito à paz é direito humano? Como é classificado pela doutrina?


R.: Sim, classificado por parte da doutrina como direito de terceira dimensão, sendo um direito difuso e
coletivo, essencial para assegurar a vida em coletividade, deixando de ser um mero propósito para ser
elevado à categoria de direito das pessoas.

221. Como se classificaria segundo a teoria das gerações?


R.: Classificado com direito de terceira dimensão ou geração, na classificação de Karel Vazak, Ocorre
que, o professor Paulo Bonavides, entende que o direito à paz, por sua importância, deve ser tratado
numa dimensão autônoma, destarte, trata-o com direito de 5ª dimensão.

222. É possível contrato assinado por livre vontade das partes, em que a mulher aceita ser
trancada em casa pelo marido, ficando sob suas ordens?
R.: Em tese não, pois uma das características dos direitos humanos é a irrenunciabilidade, a qual
transmite a mensagem que as pessoas não têm o poder de dispor sobre a proteção à sua dignidade, não
possuindo a faculdade de renunciar à proteção inerente à dignidade humana. Exemplo emblemático é o
famoso caso francês do “arremesso de anões”.

223. O que são crimes contra a humanidade?


R.: Entende-se por crimes contra a humanidade qualquer ato cometido no quadro de um ataque,
generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque, nos
termos do art. 7º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.

224. O estatuto de Roma traz exaustivo dos crimes que o TPI julga?
R.: Sim, pois o Tribunal Penal Internacional somente poderá julgar crimes tipificados no Tratado,
atendendo ao princípio da legalidade, sendo competente para julgar os crimes de guerra, crimes contra a
humanidade, crimes de genocídio e o crime de agressão, nos termos do art. 5º do Estatuto.

225. Quem julga os crimes submetidos ao tribunal penal internacional? Qual o prazo de seus
mandatos?
R: As funções do Juízo de Julgamento em Primeira Instância serão desempenhadas por três juízes da
Seção de Julgamento em Primeira Instância. As funções do Juízo de Instrução, por sua vez, serão
desempenhadas por três juízes da Seção de Instrução ou por um só juiz da referida Seção. Com exceção
dos juízes da primeira composição do Tribunal Penal Internacional, a regra é de que o mandato será de
09 anos, proibida a recondução.
Estatuto de Roma
Artigo 36
1. Sob reserva do disposto no parágrafo 2o, o Tribunal será composto por 18 juízes.
2. a) A Presidência, agindo em nome do Tribunal, poderá propor o aumento do número de juízes
referido no parágrafo 1o fundamentando as razões pelas quais considera necessária e apropriada tal
medida. O Secretário comunicará imediatamente a proposta a todos os Estados Partes;
Artigo 39
2 b)
ii) As funções do Juízo de Julgamento em Primeira Instância serão desempenhadas por três juízes da
Seção de Julgamento em Primeira Instância;
iii) As funções do Juízo de Instrução serão desempenhadas por três juízes da Seção de Instrução ou por
um só juiz da referida Seção, em conformidade com o presente Estatuto e com o Regulamento
Processual.

226. Quem são os titulares dos direitos humanos?


R: Os direitos humanos pertencem a todos, indistintamente, a qualquer tempo e cultura. Adota-se o
conceito de amplitude subjetiva, ou seja, todos os seres humanos são titulares de direitos humanos.

227. Direitos humanos e direitos fundamentais são a mesma coisa?


R: Em que pese sejam ambos os termos (“direitos humanos” e “direitos fundamentais”) comumente
utilizados como sinônimos, eles se distinguem, uma vez que o termo “direitos fundamentais” se aplica
para aqueles direitos do ser humano reconhecidos e positivados na esfera do direito constitucional
positivo de determinado Estado, ao passo que a expressão “direitos humanos” guardaria relação com os
documentos de direito internacional, por referir-se àquelas posições jurídicas que se reconhecem ao ser
humano como tal, independentemente de sua vinculação com determinada ordem constitucional, e que,
portanto, aspiram à validade universal, para todos os povos e tempos, de tal sorte que revelam um
inequívoco caráter supranacional (internacional) (Sarlet, 2010, p. 29).

228. Uma pessoa jurídica pode ser titular de um direito fundamental?


R: Sim. Prevalece atualmente o entendimento de que as pessoas jurídicas são destinatárias de direitos
fundamentais, não obstante estes, originariamente, terem por referência a pessoa física. É certo que as
pessoas jurídicas não seriam detentoras de todo e qualquer direito fundamental, mas somente daqueles
que guardassem pertinência com sua real atividade. Neste contexto, os direitos enumerados e garantidos
pela Constituição são de pessoas físicas e jurídicas, pois têm direito à existência, à segurança, à
propriedade, à proteção tributária e aos remédios constitucionais.

229. O Brasil cumpre todas as disposições previstas nas regras das nações unidas para tratamento
dos presos?
R: Absolutamente não. As regras das nações unidas para tratamento dos presos (Regras de Mandela)
oferecem balizas para a estruturação dos sistemas penais em diferentes países, buscando melhorias ao
sistema carcerário. As regras, em outra visão, demonstram quão longe está o sistema carcerário
brasileiro de seu cumprimento, expondo a miséria que é o nosso sistema prisional. É de conhecimento
público que o sistema carcerário brasileiro é precário, não cumprindo com sua função ressocializadora e
viola, além de dispositivos e princípios constitucionais, a Lei de Execução Penal e as regras das nações
unidas para tratamento de presos, tendo o STF, inclusive, reconhecido a existência do Estado de Coisas
Inconstitucional no sistema penitenciário brasileiro, ante as graves, generalizadas e sistemáticas
violações de direitos fundamentais da população carcerária.

230. Ter direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito humano?


R: Sim. O meio ambiente ecologicamente equilibrado é inquestionavelmente um direito humano e
fundamental de terceira dimensão. Por ser um bem essencial à vida digna, ou seja, uma extensão do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, é merecedor de atenção especial no
que concerne à sua defesa e preservação. Logo, seu cuidado não se limita ao poder público, mas, irradia-
se, também, à coletividade. Vale dizer que o meio ambiente, atualmente, possui um caráter dúplice. Ao
mesmo tempo, que se firma como um direito subjetivo, recaindo sobre todo o grupo social, em esfera
nacional e internacional, o dever de defender e preservar o meio ambiente mantendo seu equilíbrio.
Além disso, é um direito objetivo pelo qual o Estado, através de ações preventivas, restauradoras e
promocionais, possui o dever de assegurar a todos a realização desse direito fundamental do homem.

231. Uma cadeia é um meio ambiente ecologicamente equilibrado?


R: Infelizmente, não. Em que pese a existência de abrangente legislação, é notório que uma cadeia, bem
como o sistema prisional como um todo, apresente situação caótica, em que pessoas são colocadas em
um ambiente ecologicamente desequilibrado, sem a mínima condição de salubridade, higiene e saúde,
restando comprometida a ressocialização e a educação do criminoso, impossibilitando que o mesmo
retorne recuperado, de fato, ao convívio social.

232. Todos os direitos de cadeia podem ser responsabilizados por violação ao


meio ambiente ecologicamente equilibrado?
R.: Ensina a doutrina que uma das características dos DH é a interdependência, ou seja, os DH são com
compostos de dimensões que não se superam, ao contrário, se complementam para melhor assegurar tais
direitos. Assim, não assegurados os direitos de 1ª e 2ª dimensões, não estariam assegurados os de 3ª, e,
aqui, a recíproca é verdadeira.

233. Pode haver sopesamento das violações de direitos humanos em pequena


ou grande violação?
R.: Sim, pode-se dizer que à luz da proporcionalidade uma tortura ou uma escravização é mais grave que
uma violação ao direito ao nome, todavia todos direitos são de suma importância e devem ser
respeitados em sua globalidade, sendo uma violação pequena um caminho para uma grande violação.

234. Direitos humanos e direitos dos homens, qual a diferença?


R. Direitos humanos são mais principiológicos, estão assegurados em níveis internacionais, ou seja,
estão alocados numa zona de flutuação, acima do ordenamento jurídico interno, ao passo que os direitos
dos homens Direitos dos homens são direitos de cunho jusnaturalistas, não positivados ou não escritos.
São direitos inatos que, de acordo com a sociologia do Direito, existem porque são intrínsecos à natureza
humana.

235. Qual o primeiro documento que afirma os direitos humanos? Onde foi
assinado?
R.: O primeiro registro de uma declaração dos direitos humanos foi o cilindro de Ciro, escrito por Ciro, o
grande, rei da Pérsia, por volta de 539 a.C.

236. Pessoa e humana, não seriam a mesma coisa? O que é dignidade da


pessoa humana? É norma ou princípio?
R.: Gramaticalmente falando, pessoa seria um substantivo e humana um adjetivo. Nesse viés, pode-se
dizer que não seria a mesma coisa, todavia toda pessoa é humana e merece que seus DH sejam
respeitados. Dignidade da pessoa humana é um meta princípio, positivado na CF, que diante de uma
ponderação de valores deve prevalecer. Por conta dele pode -se afirmar que a vedação para a tortura e ao
trabalho escravo são absolutos.

237. Todo preso está com sua dignidade temporariamente violada?


R.: Não. Nenhum preso tem a dignidade violada, a única restrição é privação da liberdade, vez que os
demais direitos continuam sendo assegurados.

238. Qual a importância da ONU na proteção dos direitos humanos?


R.: Manter a paz e da segurança internacional (vertente repressiva – forma de inibição da violação de
direitos baseada na punição com base legal).
• Promover os direitos humanos no âmbito internacional (vertente promocional – caracteriza-se pela
adoção de medidas capazes de criar o sentimento de pertencimento e um senso de identidade social para
romper com o isolamento dos guetos e com a repulsa e a hostilidade da mútua exclusão entre as
comunidades excluídas e a sociedade que as exclui, favorecendo o respeito à diversidade).
• Cooperar internacionalmente nas esferas social e econômica.

239. Todas as pessoas que pertencem a minorias estão com seus direitos humanos violados?
R.: Observação – Tenho dúvida com relação a essa resposta (não encontrei em lugar nenhum, então
construí).
Não. O simples fato de pertencerem a minorias não significa, obrigatoriamente, que as pessoas estejam
com seus direitos humanos violados. Porém, tais grupos estão mais sujeitos a sofrerem violações em
seus direitos que o grupo que representa a maioria em um Estado, em razão, entre outros motivos, pela
falta de representatividade política que, por vezes, atinge as minorias.

240. Diferenciação entre homens e mulheres no TAF é discriminação?


R.: A diferenciação entre homens e mulheres no TAF atende ao princípio da isonomia, que consiste em
dar tratamento igual àqueles que se encontrem em idêntica situação, e tratamento desigual, na medida
em que determinados indivíduos se desigualem, buscando o equilíbrio da relação. Dessa forma, tal
diferenciação pode ser considerada discriminação positiva, pois promove a igualdade entre indivíduos
biologicamente desiguais, realizando o princípio citado.

241. Mulher é minoria?


R.: Mulher não é minoria. Mulher faz parte do Grupo Vulnerável. Grupo Vulnerável, de acordo com as
lições apresentadas no caderno do Curso de Atuação Policial Frente a Grupos Vulneráveis -
SENASP/MJ, última atualização em 16/02/2009, é um conjunto de pessoas que, por questões ligadas a
gênero, idade, condição social, deficiência e orientação sexual, tornam-se mais suscetíveis à violação de
direitos. (fonte: http://daai.pc.rs.gov.br/lista/672/grupos-vulneraveis).

242. A Constituição consagrou a universalidade dos direitos humanos?


R.: Segundo prevê o artigo 4º, inciso II, da CF/88 a República Federativa do Brasil rege-se em suas
relações internacionais, entre outros, pelo princípio da prevalência dos direitos humanos. A
universalidade dos Direitos Humanos consiste na aplicação de tais direitos de maneira homogênea e
mundial, tendo por fundamento a dignidade da pessoa humana, característica inerente à condição de ser
humano. Dessa forma, e tendo em vista a definição de universalidade ora apresentada, é possível
concluir que a Constituição Federal consagrou a universalidade dos direitos humanos, em seu artigo 4º,
inciso II.

243. Qual o primeiro documento que afirma os direitos humanos? Onde foi assinado?
R.: O documento tido como marco dos Direitos Humanos, tais como hoje entendidos, é a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, de 1948, assinada em Paris, França. Nos dizeres de André de Carvalho
Ramos (2018, pag. 33): “Na realidade, a universalização dos direitos humanos é uma obra ainda
inacabada, mas que tem como marco a Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, não
fazendo sentido transpor para eras longínquas o entendimento atual sobre os direitos humanos e seu
regime jurídico”. No mesmo sentido, a Organização das Nações Unidas – ONU
(https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/declaracao/).

244. Pessoa e humana, não seriam a mesma coisa? O que é dignidade da pessoa humana? É norma
ou princípio?
R.: Não se pode dizer que pessoa e humana sejam a mesma coisa, na medida em que o Ordenamento
Jurídico pátrio prevê a existência das pessoas jurídicas, que consistem em entes formados pela
organização de pessoas ou bens, em busca de um interesse comum, dotados de personalidade jurídica,
sendo suas espécies definidas no artigo 40 do Código Civil. Dessa forma, são humanas apenas as pessoas
naturais. Para André de Carvalho Ramos (2018, pag. 84), “a dignidade humana consiste na qualidade
intrínseca e distintiva de cada ser humano, que o protege contra todo tratamento degradante e
discriminação odiosa, bem como assegura condições materiais mínimas de sobrevivência. Consiste em
atributo que todo indivíduo possui, inerente à sua condição humana, não importando qualquer outra
condição referente à nacionalidade, opção política, orientação sexual, credo etc.” Nessa linha, o ser
humano sempre deve ser visto como um fim em si mesmo, jamais como meio ou instrumento para
alcançar uma finalidade. O autor ainda faz a ressalva de que tal conceito é polissêmico e aberto, estando
em constante processo de desenvolvimento e construção. Ainda para o referido autor, “tanto nos
diplomas internacionais quanto nacionais, a dignidade humana é inscrita como princípio geral ou
fundamental, mas não como um direito autônomo.” Vale, por fim, apenas esclarecer que para a doutrina
majoritária os princípios são considerados espécies de normas, ao lado das regras.

245. Todo preso está com sua dignidade temporariamente violada?


R.: Partindo-se do tratamento constitucional devido à pessoa presa, não se pode afirmar, ou sequer
admitir, que existam presos sofrendo violação em sua dignidade, já que a pena imposta em questão
(prisão) limita-se a atingir o direito à liberdade, na modalidade de direito de “ir e vir”, estando mantidos
os demais direitos fundamentais previstos no artigo 5º da CF/88, bem como em outros dispositivos da
referida Carta, não atingidos pela condenação. Nessa esteira, segundo Ingo Wolfang Sarlet (2002, pag.
125), “o cidadão-preso precisa ser reconhecido como ser dotado de dignidade, entendendo-se esta como
qualidade inerente à essência do ser humano, bem jurídico absoluto, portanto, inalienável, irrenunciável
e intangível”. Porém, é preciso lembra que o STF, analisando o pedido liminar formulado na ADPF 347
MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/9/2015, reconheceu que o Sistema Carcerário Brasileiro
vive um “Estado de Coisas Inconstitucional”, admitindo que em seu âmbito há uma violação
generalizada de direitos fundamentais dos presos, bem como que as penas privativas de liberdade,
aplicadas nos presídios, acabam sendo penas cruéis e desumanas, entre outras conclusões, o que
desatente, portanto, as imposições constitucionais para o tratamento de presos, podendo-se ter como
certa, neste cenário, a violação de sua dignidade. (fonte:
https://www.dizerodireito.com.br/2015/09/entenda-decisao-do-stf-sobre-o-sistema.html).

246-Qual a importância da ONU na proteção dos direitos humanos?


R.: Manter a paz e a segurança internacionais (vertente repressiva – forma de inibição da violação de
direitos baseada na punição com base legal).
Promover os direitos humanos no âmbito internacional
Cooperar internacionalmente nas esferas social e econômica.

Examinador: Eduardo Augusto Paglione

247-Se existe, qual a diferença entre irrenunciabilidade e indisponibilidade dos Direitos Humanos
inerentes às características?
R.: Irrenunciabilidade – A pessoa humana não tem o poder de dispor a proteção à sua dignidade, isto é,
não tem a faculdade de renunciar à proteção à dignidade humana. Ressalta-se que eles podem até não ser
exercidos, mas não se admite que sejam renunciados.
inalienabilidade/indisponibilidade - Os direitos humanos são indisponíveis, isto é, os direitos humanos
não podem ser objeto de negociação

248- Esse entendimento do senhor é doutrinário?


R.: Sim, é a doutrina que realiza essa distinção.

249-Quem é o titular do direito ao meio ambiente?


R.: Grupo indeterminável - O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
É um direito que assiste a cada brasileiro, sem que, porém, o indivíduo possa dele dispor como bem
entenda, como se fosse um direito subjetivo individual, pois, ao mesmo tempo, pertence a todos.
Em síntese, é um direito/interesse difuso pertencem ao mesmo tempo a cada um e a todos que estão
numa mesma situação de fato.

250-Conhece a expressão titularidade coletiva?


R.: Grupo Determinável - Os titulares serão todos que fizerem parte da relação jurídica em comum.
Graças à relação jurídica existente entre os titulares do direito coletivo, ou entre os titulares com a parte
contrária, é possível determiná-los, identificá-los.
Ex: No caso dos usuários submetidos ao reajuste ilegal do plano de saúde, serão todos os usuários do
plano de saúde, e assim por diante. Logo, nos direitos coletivos, os titulares são determináveis.

251-O direito ao meio ambiente pode ser individual? Por quê?


R.: Sim.
Grupo indeterminável - O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
É um direito que assiste a cada brasileiro, sem que, porém, o indivíduo possa dele dispor como bem
entenda, como se fosse um direito subjetivo individual, pois, ao mesmo tempo, pertence a todos.
Em síntese, é um direito/interesse difuso pertencem ao mesmo tempo a cada um e a todos que estão
numa mesma situação de fato.

252-Quem é o titular do direito ao patrimônio comum?


R.: Estamos diante de um direito difuso, que tem por titularidade um grupo indeterminável, haja vista
que ao mesmo tempo pertence a cada um e a todos que estão numa mesma situação de fato.

253. O que se entende por minoria?


R - Minoria consiste em um grupo de pessoas que por determinada característica em comum torna-se
mais vulnerável socialmente, sendo frequentes vítimas de discriminação e preconceito. Não se refere
necessariamente a inferioridade numérica. Exemplo: homossexuais e negros.

254. O que a doutrina fala sobre o patrimônio comum da humanidade?


R- São bens materiais ou imateriais de importância para toda a humanidade, assim definidos pela
UNESCO.
255. O que quer dizer a não acionalidade dos direitos sociais previstos no Pacto Internacional dos
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais a CF/88?
R - A não acionabilidade significa que os direitos sociais estão sujeitos à reserva do possível, que
entretanto não pode ser invocada para justificar a ausência de ação para a garantia do mínimo existencial.
Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta.

256. Algum direito humano pode ser atingido pela prescrição?


R - Não, pois os direitos humanos são imprescritíveis, portanto, o seu não uso não gera a perda desses
direitos. As ações relativas a violações destes direitos, entretanto, podem ser prescritíveis.

257. O Código de Conduta, no último considerando (letra A) prevê que todos os órgãos devem ser
representativos da coletividade no seu conjunto. O que isso quer dizer?
Significa que todos os funcionários responsáveis pela aplicação da Lei devem pautar suas ações sempre
visando a coletividade como um todo, de modo a não favorecer indivíduos ou grupos determinados, em
detrimento de outros.
Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta

258. Qual seria a obrigação positiva e a obrigação negativa do aplicador da lei em relação à
corrupção?
R - A obrigação positiva é no sentido de evitar que a corrupção ocorra, seja com medidas preventivas ou
repressivas, atuando no controle da atividade da administração pública. Já a obrigação negativa
corresponde ao dever do aplicador da lei, na qualidade de agente público, de abster-se de praticar atos de
corrupção.

259. Concorda com a afirmação de que um rol extenso de direitos humanos os torna, por
consequência, irrelevantes? Por quê?
R- Não pois os direitos humanos se complementam e são os direitos mais básicos, ligados diretamente à
dignidade da pessoa humana, portanto todos os direitos humanos não imprescindíveis e devem ser
respeitados por todos.

260. Quem pode invocar o direito de autodeterminação dos povos?


R.: O direito de autodeterminação dos povos encontra-se previsto no artigo 1º tanto do Pacto
Internacional de Direitos Civis e Políticos quanto do Pacto Internacional dos Direitos Sociais,
Econômicos e Culturais e pode ser invocado pelos Estados para garantir sua liberdade em determinar seu
estatuto político, bem como a obrigação de que tal direito seja promovido e respeitado pelos demais
Estados.
261. Na Declaração de Direitos dos Homens e do Cidadão (1789), existe um direito considerado
sagrado. Qual seria?
R.: O direito considerado sagrado segundo Declaração de Direitos dos Homens e do Cidadão é o
direito a propriedade, conforme previsto expressamente em seu artigo 17 – “sendo a propriedade um
direito inviolável e sagrado, ninguém pode ser dela privado, a menos que seja de utilidade pública
legalmente constatada e sob condição de justa e prévia indemnização”.

262. A Corte Internacional de Justiça está subordinada a qual órgão internacional?


R.: A Corte Internacional de Justiça é o principal órgão judiciário da ONU, estando a ela vinculada e
subordinada.

263. Quem pode invocar o princípio da autodeterminação dos povos?


R.: Já respondido questão 260

264. Violados por quem?


R.: não entendi a pergunta

265. Só o estado pode invocar?


R.: Em regra, prevalece que apenas o Estado pode invocar o princípio da autodeterminação dos
povos. Contudo, há posição doutrinária que defende que a autodeterminação engloba também o direito
de secessão, ou seja, direito de parte da população com características próprias entenderem que não
pertencem a um Estado e, assim, alegando a autodeterminação criarem novo Estado.

266. Nações indígenas podem invocar?


R.: Existe divergência doutrinária, porém prevalece que as nações indígenas podem invocar a
autodeterminação, contudo com ressalvas em relação ao direito de secessão, tanto que a Convenção n.
169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais veda expressamente o uso do termo “povos” no sentido
comumente atribuído ao termo no Direito Internacional, como forma de aplacar o receio de Estados de
que os povos indígenas pudessem reclamar o direito à autodeterminação dos povos, levando a disputas
territoriais. Além disso, a Declaração da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas expressamente dispõe
que a integridade territorial dos Estados não deve sofrer modificação diante dos direitos dos povos
indígenas (art. 46). Assim, o sentido singular de “autodeterminação dos povos indígenas” consiste em
reconhecer que eles têm o direito de determinar livremente sua condição política e buscar livremente seu
desenvolvimento econômico, social e cultural, tendo direito à autonomia ou ao autogoverno nas questões
relacionadas a seus assuntos internos e locais.
267. As normas programáticas de direitos humanos são compatíveis com os Direitos Humanos?
R.: Não encontrei a resposta

268. Conhece o entendimento de Fábio Comparato?


R.: Não encontrei a resposta

269. O direito do desenvolvimento pode colidir com o direito do meio ambiente?


R.: Sim. De modo geral, a colisão dos direitos fundamentais ocorre quando o exercício de um direito
fundamental por parte de um titular colide com o exercício do direito fundamental por parte de outro
titular. No caso em análise, deve ser utilizada a ponderação para solução, a qual necessita de detida
observação do caso concreto para apresentar seu resultado, nesse contexto a interpretação dos direitos
fundamentais, deve ser usado o modelo de princípios como normas jurídicas, o que impõe o
sopesamento de princípios oferecidos no ordenamento jurídico, visando a melhor solução. Assim,
impende ressaltar que os direitos fundamentais não são absolutos e podem ser limitados pela aplicação
de outro direito fundamental.

270. E com o direito ao patrimônio comum?


R.: Não. Nesse caso deve se considerar que o princípio do meio ambiente ecologicamente equilibrado
(Edis Milaré, 2013, p. 257) é um princípio que ascendeu ao posto de valor supremo das sociedades
contemporâneas, passando a compor o quadro de direitos fundamentais de terceira geração. Assim, esse
constitui um “princípio transcendental de todo o ordenamento jurídico ambiental, ostentando o status de
cláusula pétrea, dessa forma deve ser tido como em um patamar superior ao patrimônio comum, de
característica individual.

271. A separação dos presidiários de acordo com a crença religiosa viola algum direito humano?
R.: Sim. Nesse caso é violado o direito ao tratamento isonômico, o qual advém da proibição de
discriminação.

272. Qual o entendimento dos pactos quanto a essa questão?


R.: Dispõe o Item 6. das regras mínimas para tratamento de presos que: “1. As regras que se seguem
deverão ser aplicadas imparcialmente. Não haverá discriminação alguma baseada em raça,
cor, sexo, língua, religião, opinião política ou qualquer outra opinião, origem nacional ou social, fortuna,
nascimento
ou em qualquer outra situação.
Ao contrário, é necessário respeitar as crenças religiosas e os preceitos morais do grupo a que pertença o
preso.”
273. O direito à vida é um direito disponível ou indisponível?
R.: Tomando por base o texto da CF, verifica-se que a vida é tratada como inviolável, o que é diferente
de indisponível, haja vista a possibilidade de aborto nas hipóteses legais e jurisprudencial admitidas. O
STF já manifestou entendimento no sentido de que, no ordenamento jurídico brasileiro, não existem
direitos que se revestem de caráter absoluto. Assim, deve se entender que a vida é um direito disponível,
porém isso não diminui, em nenhuma medida, a relevância da proteção e, como já demonstrado, de sua
respectiva inviolabilidade.

274. Há exceção?
R: O Direito à vida possui exceção, pois não é absoluto. A própria CF prevê a pena de morte para
tempos de guerra (art. 5º, XLVII, a); o ordenamento prevê casos de aborto lícito (Art. 128, I e II); Há
também as excludentes de ilicitude, que legitimam o término da vida.

275. O artigo 4º, III, CF/88 fala em autodeterminação dos povos. O que a doutrina entende por
“povos”?
R: Povo é o conjunto de pessoas conectadas pela identidade comum cultural, normativa e política.
Diferentemente de nação, não há necessária relação com determinado território.

276. As nações indígenas têm direito à autodeterminação?


R: As nações indígenas possuem direito à autodeterminação, conforme previsto em declaração da ONU
sobre direito dos povos indígenas. Assim, estes povos podem preservar sua cultura, tradição e leis.

277. Quem preserva os direitos dos indígenas: eles mesmos ou o Estado?


R: Ambos podem – e o Estado deve – proteger os direitos dos povos indígenas, conforme previsto nos
artigos 231 e 232, da CF.

278. Direitos ditos de solidariedade podem ser garantidos por meio de ação?
R: É absolutamente possível recorrer ao Judiciário para garantir o direito de solidariedade, desde que
previsto na norma. É o caso da ação para a prestação de alimentos, cuja causa de pedir possui como
arcabouço o dever de solidariedade.

279. O Brasil aderiu à Convenção de Viena?


R: Sim, o Brasil aderiu à Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, relações consulares e sobre
os tratados.

280. Até que o pacto tenha sido incorporado ao ordenamento, pode ser aplicado?
R: No plano interno o tratado somente pode ser aplicado após promulgação por decreto da presidência da
república, após apreciação pelo Congresso. Paradoxalmente, há produção de efeitos no plano externo.

281. O que a Convenção de Viena prevê?


R: Diversos tratados recebem o nome de Convenção de Viena, sendo que os mais importantes
preveem as imunidades diplomáticas e consulares, bem como codificou o direito
internacional consuetudinário referente aos tratados, ao codificar normas costumeiras aceitas e eficazes e
buscar harmonizar os procedimentos de elaboração, ratificação, denúncia e extinção de tratados.

282. Nos tratados internacionais, o que é o pacta sunt servanda?


R: Pacta Sunt Servanda significa que os pactos assumidos devem ser respeitados, todo tratado em
vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé. Determina, ademais, que um Estado não
pode invocar sua lei interna para justificar o descumprimento de um tratado de que seja parte.

283. Qual a condição para que sejam cumpridos os pactos e aplicado o princípio do pacta sunt
servanda?
R: A condição para que sejam cumpridos os pactos e aplicado o princípio em tela é que o acordo
não viole o jus cogens “direito cogente” que são as normas imperativas do Direito Internacional.
(SHAW, Malcom. Direito Internacional. Martins Fontes Editora: São Paulo, 2010, p. 42) Por exemplo,
os princípios da Carta da ONU são jus cogens, são eles: paz, segurança, Direitos Humanos, pacta sunt
servanda, dentre outros. Estas normas foram desenvolvidas por meio de tratados e de costumes
internacionais e são observadas por todos os sujeitos de Direito Internacional.

284. Entre as dimensões/gerações de direitos humanos, qual delas é decorrente da doutrina


socialista? Por quê?
R: A segunda geração de direitos humanos é decorrente da doutrina socialista, pois nesta geração
há eminente preocupação social, de caráter positivo, exigindo-se uma atuação estatal no que concerne
aos direitos sociais, econômicos e culturais.

285. Alguma das dimensões/gerações de direitos humanos é decorrente do capitalismo?


R: A primeira geração de direitos humanos é decorrente do capitalismo, uma vez que tem por
base economia de mercado, livre-iniciativa e proteção da propriedade privada, vetores do capitalismo.
Exigia-se do Estado uma não atuação, para que a economia pudesse se desenvolver.

286. O artigo 5º, IX, prevê que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de
comunicação, independentemente de censura ou licença. Esses direitos são assegurados à minoria?
R: Sem dúvidas, a todos são assegurados os direitos fundamentais, em igualdade de condições.
Em um Estado democrático de Direito, os direitos fundamentais exercem um papel contramajoritário que
visa, dentre outras coisas, garantir interesses daqueles que, em determinado momento histórico, podem
constituir uma minoria. Os direitos fundamentais são posições tão importantes que não poderiam estar
nos limites do arbítrio de uma maioria.

287. E como ficam os direitos da maioria neste artigo?


R: Ficam igualmente preservados, uma vez que a todos é assegurada a liberdade de expressão.
Entretanto, a liberdade de expressão não detém caráter absoluto, sendo passível de ponderação quando
do caso de colisão com outra norma fundamental de igual patamar, devendo sempre permanecer a
dignidade da pessoa humana. Assim, na hipótese de se ter um discurso de ódio contra minorias, sob o
pretexto do exercício da liberdade de expressão, em nítida colisão com a dignidade da pessoa humana, o
judiciário acaba exercendo um papel importante aos grupos minoritários, coibindo os excessos.

288.Há colisão dos direitos da maioria com os direitos da minoria?

R.: Via de regra ao deparar-se com aparentes conflitos entre direitos, deve ser levado a cabo alguns
princípios para resolução, tais como proporcionalidade, o denominado “pro homine”, da norma mais
favorável ao ser humano. Portanto as colisões são apenas aparentes, pois prevalece a harmonização.

289.Somente se discute no Poder Judiciário?


R.: Dentro da colisão entre direitos humanos, defende-se a possibilidade do chamado duplo controle, um
dentro do ordenamento jurídico interno, assim no poder judiciário, e o outro nas cortes internacionais a
que o Estado esteja vinculado.

290.O que a doutrina entende por minoria?


R.: Entende como sendo a categoria de pessoas social e historicamente menos protegidas pelas ordens
domésticas, por exemplo mulheres, idosos, crianças e adolescentes, povos indígenas e comunidades
tradicionais, pessoas com deficiência e, finalmente, pertencentes à comunidade LGBT.

291.A doutrina se divide entre o conceito de dimensão e geração. Qual o motivo dessa divergência?
R.: A divergência ocorre devido ao fato de aqueles críticos ao conceito de geração alegarem que esse
termo da ensejo a uma geração “substituir” outra, com a idéia de sucessão, o que iria em sentido
contrário com a característica da indivisibilidade dos direitos humanos, além de dar a idéia de a geração
anterior ser antiga com relação a posterior.

292.Em que década foi criada a doutrina das dimensões/gerações de direitos humanos?
R.: Há histórico de criação no século XX.

293.Qual seria a 5º geração?


R.: Uma corrente doutrinária considera o direito à paz, supremo direito da humanidade e axioma da
democracia participativa, como direito de quinta geração.

294.Quem defende essa posição?

R.: O doutrinador Paulo Bonavides é um dos defensores desta posição.

295. Conhece a posição divergente, que defende outros direitos de 5º geração?


R.: Paulo Bonavides classifica a 5ª Geração como aquela composta pelo direito à paz em toda
humanidade, o que, anteriormente, era classificada por Vasak como sendo de terceira geração. Já quanto
a divergência, há quem defenda que os direitos de 5ª geração são aqueles relacionados aos desafios das
novas tecnologias, derivando, então, um direito à identidade individual, ao patrimônio genético e à
proteção contra o abuso de técnicas de clonagem.

296. Por que temos dois pactos (Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e Pacto
Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais)?
R.: O que fundamentou a separação em dois pactos foram os argumentos de que os direitos neles
afirmados exigiam processos de implementação distintos, pois os direitos civis e políticos eram
autoaplicáveis e passiveis de cobrança imediata e os Direitos Sociais, Econômicos e Culturais seriam
pragmáticos e de realização progressiva. A exigência de diferentes procedimentos de implementação
viria a justificar a formulação de dois pactos diversos, já que para os primeiros o melhor mecanismo
seria a criação de comitê que apreciasse petições contendo denúncias de violações de direitos humanos,
o que seria inadequado para tutela de direitos dá segunda categoria.

297. A ONU tem em seus propósitos a solução de conflitos de direito econômico?


É possível afirmar que sim, tendo em vista que na Carta da ONU, um dos propósitos é exatamente esse,
vejamos: Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de
caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o respeito aos direitos
humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e [...]”

298. De acordo com a doutrina, o que significa a efetividade dos direitos humanos?
Não basta o singelo reconhecimento pelo Estado dos direitos humanos; ele deve empregar medidas
efetivas para a sua aplicação. O critério da máxima efetividade exige que a interpretação de determinado
direito conduza ao maior proveito do seu titular, com o menor sacrifício imposto aos titulares dos demais
direitos em colisão. A máxima efetividade dos direitos humanos conduz à aplicabilidade integral desses
direitos, uma vez que todos seus comandos são vinculantes. Também implica a aplicabilidade direta,
pela qual os direitos humanos previstos na Constituição e nos tratados podem incidir diretamente nos
casos concretos. Finalmente, a máxima efetividade conduz à aplicabilidade imediata, que prevê que os
direitos humanos incidem nos casos concretos, sem qualquer lapso temporal.

299. Como ficam as normas programáticas de direitos humanos com essa efetividade?
A maior controvérsia envolvendo os direitos sociais está na busca de sua efetivação, que pode esbarrar
em argumentos referentes à falta de recursos disponíveis, que limitaria a realização desses direitos a uma
“reserva do possível”. A “reserva do possível” é um argumento contrário à intervenção do Poder
Judiciário na luta pela implementação dos direitos sociais. Grosso modo, afirma-se que os recursos
públicos não são ilimitados e, assim, a decisão de alocação desses recursos finitos deve caber, em uma
sociedade democrática, ao Poder Executivo e ao Poder Legislativo, nas suas interações que desembocam
na aprovação do orçamento público. Caso o Judiciário interferisse, a separação das funções do poder
restaria abalada. No que tange à intervenção judicial para obrigar a Administração Pública a executar
obras no sistema prisional, foi adotada a seguinte tese pelo STF, em sede de repercussão geral: “É lícito
ao Judiciário impor à Administração Pública obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou
na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado
da dignidade da pessoa humana [...]”

300. O direito à propriedade privada pode ser considerado direito humano?


É um Direito Humano. Consiste na faculdade de usar, gozar, usufruir e dispor de um determinado bem.
Tem previsão no caput do artigo 5º da CF, em seu inciso XXII, e, também, no art. 170, incisos II e III
como princípio da ordem econômica e financeira da constituição. Consagrou-se, expressamente, a
relatividade do direito de propriedade, que não é mais absoluto e sagrado (como constava, por exemplo,
da Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, 1789, art. 17), devendo o proprietário
cumprir a função social da propriedade (art. 5º, XXIII, da CF).

301. Inclusive o latifúndio?


O direito de propriedade como um todo é considerado um direito humano. Desde que o latifúndio
cumpra sua função social, terá a proteção estatal. A função social da propriedade consiste na exigência
do exercício, pelo proprietário, dos atributos inerentes ao direito de propriedade de modo compatível
com o interesse da coletividade. Para cumprir a função social da propriedade, o proprietário deve tanto
respeitar limitações (dimensão negativa da função social da propriedade) quanto parâmetros de ação
(dimensão positiva), agindo em prol do interesse público. Logo, o objetivo do direito de propriedade não
é mais restrito aos interesses egoísticos do seu titular, mas sim é vinculado ao interesse de toda a
coletividade.

302: Não há direito absoluto?


R.: Segundo entende a doutrina majoritária, em regra, não há direitos absolutos, nem mesmo o direito à
vida, que é o fundamento para o exercício de todos os demais direitos, é absoluto. Contudo, a partir da
intelecção e exegese dos tratados internacionais de direito humanos, em particular, o Pacto de São José
da Costa Rica, e a DUDH, entende-se que a escravidão humana e a tortura são vedações absolutas.

303: Por quem é defendida essa posição na doutrina?


R.: Podem ser citados: André de Carvalho Ramos e Flávia Piovesan.

304: Qual a 5ª geração ou dimensão dos direitos humanos?


R.: Existem autores defendendo a existência dos direitos de quinta geração ou dimensão, sendo que entre
eles podemos citar o próprio Paulo Bonavides, aonde o mesmo vem afirmando nas últimas edições de
seu livro, que a Paz seria um direito de quinta geração.

305: Direito à paz não estaria na 3ª geração? Por que houve esse deslocamento?
R.: BONAVIDES fez expressa menção à possibilidade concreta de se falar, atualmente, em
uma quinta geração de direitos fundamentais, onde, em face dos últimos acontecimentos (como, por
exemplo, o atentado terrorista de “11 de Setembro”, em solo norte-americano), exsurgiria legítimo falar
de um direito à paz. Embora em sua doutrina esse direito tenha sido alojado na esfera dos direitos de
terceira dimensão, o ilustre jurista, frente ao insistente rumor de guerra que assola a humanidade, decidiu
dar lugar de destaque à paz no âmbito da proteção dos direitos fundamentais.”
Faz-se necessário destacar que a divisão acima detalhada das gerações ou dimensões dos direitos
fundamentais trata-se de um método meramente acadêmico, uma vez que os direitos dos seres humanos
não devem ser divididos em gerações ou dimensões estanques, retratando apenas a valorização de
determinados direitos em momentos históricos distintos.

306: Todos os direitos sociais são programáticos?


R.: A despeito, dos direitos sociais serem veiculados através de normas de cunho programáticos, ou seja,
aquelas que, apesar de possuírem capacidade de produzir efeitos, por sua natureza necessitam de outra
lei que as regulamente, lei ordinária ou complementar, alguns desses direitos não exigem atuação futura
do legislador, a exemplo, educação, saúde, férias, salário, etc.

307: O artigo 2º, II, do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais são
programáticos?
R.: segundo o art. 2º, II do Pacto: 2. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a garantir
que os direitos nele enunciados se exercerão em discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo,
língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica,
nascimento ou qualquer outra situação, pela simples leitura do texto, infere-se que o seu mandamento é
veiculado por norma de eficácia plena, cuja exigibilidade se dar de forma direta e imediata, não
carecendo de lei a posteriori para regulamentar a obrigação ali assumida.

308: Mesmo quando o pacto prevê que os direitos deverão ser exercidos sem restrição?
R.: acredito que o examinador insistiu nessas perguntas, pois desejava ouvir do (a) candidato (a), desde a
indagação 306, que nem todos os direitos sociais são programáticos.

309 – Qual a posição adotada pelo STF em relação a posição dos tratados em relação a CF/88?
R – O Supremo Tribunal Federal, ao analisar a temática acerca da posição no ordenamento jurídico as
quais possuem os tratados internacionais incorporados ao nosso país proferiu as seguintes conclusões:
(1) tratados internacionais de direitos humanos que sejam incorporados ao nosso ordenamento jurídico
na forma do art. 5º, §3 da CF88 terão status de norma constitucionais, sendo equivalentes a emendas
constitucionais; (2) tratados internacionais que disponham sobre direitos humanos, mas que não sejam
incorporados nos termos do citado dispositivo constitucional, terão status supralegal, estando acima das
legislação infralegal, mas abaixo das normas constitucionais; (3) tratados internacionais que não versem
sobre direitos humanos terão status de lei ordinária;

310 – Teria natureza supraconstitucional?


R – A resposta a esta indagação encontra-se perfeitamente sanada da leitura da questão anterior.

Examinadora: Bárbara Lisboa Travassos

311 – Cite três documentos históricos no campo dos Direitos Humanos.


R – Podemos citar os seguintes documentos: (i) Petition of Rigths; (ii) Declaração de direitos do bom
povo da Virgínia; (iii) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789); (iv) Habeas Corpus Act;

312 – O que a declaração dos direitos humanos traz como diferencial?


R – Resposta deixada em branco

313 – O que ela protege? Quais os valores por ela protegidos?


R – Trata-se do principal documento que serve de referência para o exercício da cidadania. O
documento, em seus trinta artigos, lista os direitos básicos dos seres humanos para a promoção de uma
vida digna a todas as pessoas, independente de nacionalidade, orientação sexual, cor ou religião. A
declaração, portanto, protege os valores fundamentais para a existência digna de todas as pessoas, tais
como a vida, a liberdade, a integridade física, dentre outros.

314 – Conceitue dignidade da pessoa humana


R – A dignidade da pessoa humana consiste na qualidade intrínseca de cada ser humano. Vale destacar
dois elementos que integram a dignidade humana: (a) elemento negativo: consiste na proibição de se
impor tratamento ofensivo, degradante ou ainda discriminação odiosa a um ser humano; (b) elemento
positivo: caracteriza-se na defesa da existência de condições materiais mínimas de sobrevivência digna a
cada ser humano.

315 – Direitos humanos são inerentes as pessoas? É um conceito do jusnaturalismo?


R – Sim, podemos afirmar que os direitos humanos são aqueles inerentes a todo ser humano. Isto por que
aqueles direitos fundamentais considerados básicos para a sobrevivência, como a vida, a liberdade e a
dignidade, são inerentes a qualquer ser humano, independente de sua origem. Este é um conceito
baseado na doutrina jusnaturalista, que afirma que os direitos humanos fundamentais são adquiridos pelo
homem com a sua existência, e não através de um pacto social, como defendem os jus contratualistas.

316. E quando são positivados?


R.: Observação: entendo duplo sentido na pergunta.
113. Quando no sentido de momento. R.: São positivados quando um Estado manifesta aceitação
no plano de direito internacional, e, por isso, positivados nos intrumentos de normatividade internacional
(por exemplo, os tratados e convenções interncionais).
114. Quando refere-se ao jusnaturalismo da pergunta 315. R.: Há separação pelo plano de
positivação, ou seja, quando positivado no plano do direito internacional, denomina-se Direitos
Humanos, e quando no plano interno do Estado, denomina-se Direitos Fundamentais.

317. Quais são as características dos Direitos Humanos?


R.: Superioridade normativa (normas jus cogens); Historicidade; Universalidade; Relatividade;
Irrenunciabilidade; Inalienabilidade; Imprescritibilidade; e Interdependência.

318. Defina duas dessas características.


R.: Superioridade normativa (normas jus cogens): existem normas de direitos humanos que são
hierarquicamente superiores no ordenamento internacional. A superioridade é, ao mesmo tempo,
superior material (conteúdo) e formalmente (jus cogens);
Historicidade: Os direitos humanos decorrem de formação histórica, surgindo e se solidificando
conforme a evolução da sociedade;
Universalidade: Os direitos humanos destinam-se a todas as pessoas e abrangem todos os territórios. Não
se deve desconsiderar as diferenças, mas com respeito às particularidades, objetiva-se encontrar um
modo de proteger a condição humana, independentemente do sexo, da cor, da religião ou condições
econômicas e sociais;
Relatividade: Os direitos humanos podem sofrer limitações para a dequá-los a outros valores
coexistentes na ordem jurídica;
Irrenunciabilidade: Não poderão os titulares do direito humano dispor desse direito, ainda que pretenda
fazê-lo;
Inalienabilidade: Os direitos humanos não poderão ser comercializados pela pessoa tutelada por esse
direito (há exceção, pois são relativos);
Imprescritibilidade: As normas de direitos humanos não se esgotam com o passar do tempo;
Interdependência: Constitui relação mútua entre os direitos humanos protegidos pelos diversos diplomas
internacionais.

319. Como o Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente


mulheres e crianças define o tráfico de pessoas?
R.: Artigo 3, “a”, do Decreto nº 5.017, de 12 de março de 2004: "tráfico de pessoas" significa o
recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à
ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de
autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para
obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A
exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração
sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a
remoção de órgãos.

320. Por que especialmente o tráfico de crianças e mulheres?


R.: Trata-se de pessoas com maior índice de vulnerabilidade, isto é, fatores como a pobreza, o
subdesenvolvimento, desigualdade de oportunidades possibilitam um número maior de mulheres e
crianças a vulnerabilidade ao tráfico de pessoas.

321. Conceitue vulnerabilidade.


R.: É uma característica de sujeição à fragilidade ou suscetível de ser ferido. No contexto social, é
materializado em indivíduos ou grupo de indivíduos relacionados, por exemplo, a exclusão social,
discriminação, violação de direitos fundamentais, ausência do bem-estar e desigualdade social.

322. Quando fala em direitos humanos, o que entende?


R.: Entende-se um conjunto de faculdades e instituições que, em cada momento histórico, concretizam
as exigências de dignidade, liberdade e igualdade humanas, as quais devem ser reconhecidas
positivamente pelos ordenamentos jurídicos em nível nacional e internacional. Sendo a dignidade da
pessoa humana, a base dos Direitos Humanos.

323. Os direitos humanos só encontram guarida na CF/88?


R: Além da CF/88, os Direitos Humanos encontram guarida em diversos Tratados
internalizados pelo Brasil.

324. Não temos direitos humanos expressos na CF/88?


R: Os Direitos Humanos são internalizados na forma de direitos e garantias fundamentais,
assim, estão expressos na CF/88, só que sob a roupagem de direitos e garantias fundamentais.

325. Fale sobre a EC 45/2004.


R: No que diz respeito aos Direitos Humanos, esta Emenda Constitucional acrescentou ao art.
5º da CF o §3º, que diz que os Tratados Internacionais de Direitos Humanos que forem aprovados na
forma das Emendas Constitucionais, terão o mesmo status que elas no ordenamento.

326. Tratados anteriores à EC 45/2004 está no ordenamento jurídico com que status?
R: Se forem tratados sobre direitos humanos terão status de norma supralegal, porém, se não
forem tratados sobre direitos humanos, terá ingressado no ordenamento jurídico brasileiro com o status
de lei ordinária apenas.

327. Conhece o conceito doutrinário da cláusula de vedação de retrocesso?


R: São cláusulas que proíbem medidas de efeitos retrocessivos, que diminuam ou suprimam a
proteção aos direitos humanos.

328. Se uma Delegacia da Mulher fosse fechada, poderia se invocar a cláusula de vedação de
retrocesso?
R: Não tenho certeza sobre a resposta, mas responderia da seguinte forma:
Sim, uma vez que que a criação de tal órgão proveio da necessidade de proteção específica de
determinado grupo. Assim, o Brasil ratificou a Convenção de Belém do Pará se comprometendo a incluir
em sua normativa interna normas penais, civis e administrativas necessárias a prevenir, punir e erradicar
a violência contra a mulher e adotar as medidas administrativas apropriadas a alcançar esse objetivo,
sendo a Lei Maria da penha um corolário desse objetivo. Dessa forma, a criação de Delegacias da
Mulher veio para dar efetividade a essas normas de proteção e, quando criadas, não poderão ser
suprimidas, pois seria uma clara violação a cláusula de vedação ao retrocesso.
329. De a classificação dos direitos humanos.
R: Podemos classificar os direitos humanos segundo a Teoria dos 4 status de Jellinek ou
segunda a teoria das gerações/dimensões dos direitos humanos de Vasak.
Pela teoria dos 4 status, o indivíduo pode se encontrar em 4 situações perante o Estado. Status
Subjectiones ou Status Passivo ( o indivíduo está subordinado ao Estado, que pode lhe impor deveres),
Status Libertatis ou Status Negativo (limitações impostas so Estado para a garantia dos direitos dos
indivíduos), Status Civitatis ou Status Positivo ( possibilidade de exigência do indivíduo de prestações
positivas) e Status Activus ou Status Ativo ( prerrogativas que possui o indivíduo para participar da
formação da vontade do Estado).
Pela teoria das gerações/dimensões dos direitos humanos de Vasak, estes podem ser divididos
em direitos de 1ª geração/dimensão (direitos referentes à liberdade e à defesa do indivíduo), direitos de
2ª geração/dimensão (direitos de igualdade) e direitos de 3ª geração/dimensão (direitos da coletividade).
Outros autores, como Paulo Bonavides, ainda acrescentam os direitos de 4ª geração/ dimensão (direitos
resultantes da globalização, como o direito a democracia) e de 5ª geração/dimensão (direito à paz).

330. O direito à petição estaria enquadrado em que geração?


R. O direito de petição é a garantia individual ou coletiva que viabiliza a provocação do Poder Público
para a defesa de direitos ou contra a ilegalidade ou abuso de poder. Trata-se de direito de primeira
geração ou dimensão porque investe as pessoas no poder de participar ativamente da vida política do
Estado.

331. Fale sobre a característica da complementariedade dos Direitos Humanos.


R. Os direitos humanos são fruto das conquistas históricas do homem, alcançados paulatinamente, com o
fim de ampliar a proteção às pessoas. Têm como característica, dentre outras, a complementariedade,
expressão empregada para designar que os direitos alcançados em determinado momento histórico não
são substituídos por novos direitos conquistados em momentos subsequentes. Os direitos humanos
devem ser considerados em conjunto, somando-se uns aos outros, complementando e ampliando a
proteção ao ser humano. Em razão dessa característica, atualmente, o termo geração, por transmitir a
ideia equivocada de que os novos direitos conquistados substituiriam direitos conquistados
anteriormente, tem sido substituído pela expressão dimensão.

332. Quais as regras mínimas das Nações Unidas para os presos?


R. As regras mínimas das Nações Unidas para o tratamento dos presos – Regras de Mandela conferem
aos prisioneiros, dentre outros, os direitos ao respeito, à dignidade, alimentação, higiene, vestuário,
exercícios e esportes, bem como saúde. Ademais, devem ser respeitados os demais direitos fundamentais
não afetados pela privação da liberdade. O objetivo é a reinserção social e a prevenção da reincidência.
333. Poderia falar em direito à assistência médica, odontológica?
R. Sim. Conforme preconiza o disposto na Regra 25, itens 1 e 2 (Regras de Mandela) toda unidade
prisional deverá assegurar serviços de saúde por equipe interdisciplinar, com pessoal qualificado
suficiente, abrangendo, inclusive, o serviço odontológico.

334. Num país como o nosso, como verificaria esses direitos para os presos, tendo em vista que a
maioria das pessoas não tem acesso a esses mesmos direitos?
R. Inicialmente cumpre consignar que a saúde, decorrência do direito fundamental à vida digna (art. 5º,
caput, CF), será assegurada, dentre outros, por meio da assistência médica e odontológica. Para as
pessoas presas esses direitos serão assegurados em conformidade com as disposições da Lei de
Execuções Penais que em seu art. 3º garante aos presos a manutenção de seus direitos não atingidos pela
sentença ou pela lei. Ademais, a manutenção da saúde encontra-se entre os direitos do preso previstos no
art. 41 da LEP. Com efeito, preconiza o art. 10 da LEP que a assistência à saúde da pessoa presa será
efetivada em caráter preventivo e curativo, compreendendo atendimento médico, odontológico e
farmacêutico. Com o advento da Política Nacional de Atenção à Saúde Integral das Pessoas Privadas de
Liberdade no Sistema Prisional (Portaria Interministerial nº 1 de 2014) a assistência médica e
odontológica à pessoa presa está inserida dentre as ações do SUS, garantida a liberdade de contratar
médico de confiança pessoal.

335. Quais os requisitos mínimos para o registro dos presos?


R. Os requisitos para o registro dos presos estão elencados nas Regras Mínimas das Nações Unidas para
o Tratamento de Presos (Regras de 6 a 10), sendo exigido, no mínimo, as seguintes informações:
a) Informações precisas que permitam identificar sua identidade única, respeitando a sua autoatribuição de
gênero;
b) Os motivos e a autoridade responsável pela sua detenção, além da data, horário e local da prisão;
c) A data e o horário de sua entrada e soltura, bem como de qualquer transferência;
d) Quaisquer ferimentos visíveis e reclamações acerca de maus-tratos sofridos;
e) Um inventário de seus bens pessoais;
f) Os nomes de seus familiares e, quando aplicável, de seus filhos, incluindo a idade, o local de residência e
o estado de sua custódia ou tutela;
g) Contato de emergência e informações acerca do parente mais próximo.

336. A mãe de uma pessoa que está presa procura o senhor como Delegado para ter informações
sobre o filho. O que deve constar?
R. Caberá à autoridade policial proceder ao encaminhamento da mãe à OAB ou à Defensoria Pública
(art. 16, § 3º da LEP), bem como à assistência social (art. 23, VII da LEP).
OBS: Não tenho certeza. Não localizei nada específico sobre o tema.

337. O nome da autoridade e os motivos da prisão devem constar?


R: **Não sei a resposta dessa.

338. Cite três documentos históricos dos quais possa falar.


Ex: Magna Carta (1215), Petition of Right (1628), Habeas Corpus Act (1679), Bill of Rights inglesa
(1689), Bill of Rights americana (1789), Convenções de Genebra, Declaração Universal dos Direitos do
Homem
R: Convenções de Genebra – objetivo era amenizar os efeitos das guerras, principalmente sobre a
população civil.
Declaração Universal dos Direitos do Homem – aprovada em 1948 – Declaração que consolida a
afirmação de uma ética mundial para os valores relativos aos direitos humanos. A Declaração coloca a
dignidade da pessoa humana como núcleo de todos os direitos humanos. Apesar de ser Resolução, tem
força jurídica vinculante.
Declaração dos Direitos dos Estados Unidos (Bill of Rights americana): Dez primeiras emendas à
Constituição Americana. Define os direitos básicos dos cidadãos norte-americanos perante o Estado.

339. É favorável à reserva de cota para negros em escolas públicas em concursos?


R: Seria favorável por serem um grupo de pessoas que historicamente tem sido desfavorecido no acesso
aos cargos públicos e que, por essa razão, necessita de medidas afirmativas inclusivas.

340. Seria favorável às cotas para mulheres na Polícia Civil?


R: Não seria favorável, porque há mulheres de todas as classes sociais e seria uma cota muito abrangente
e poderia privilegiar mulheres de melhores condições econômicas. Além disso, poderia até prejudicar as
mulheres pois dependendo do percentual reservado pode haver mais concorrência entre elas do que entre
os homens. Melhor manter a ampla concorrência.
OBS: Há Projeto de Lei nesse sentido para reservar 25% das vagas para mulheres nos concursos de
segurança pública:
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2113848

341. E se fosse para mulheres negras?


R: Não seria a favor, porque a maioria dos concorrentes são homens segundo as estatísticas dos
concursos das carreiras policiais. Ex: Agente da Polícia Cívil SP/2018 – 55.641 homens e 9.413
mulheres concorrendo. Seria um privilégio para uma quantidade bem menor de pessoas interessadas,
ainda mais com a condição racial empregada.
342. Por que temos dois pactos, se são da mesma época (Pacto Internacional de Direitos Civis e
Políticos e Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais)?
R: Tenho dúvida com relação à essa resposta. Achei na internet um artigo a respeito:
A adoção de um pacto ou tratado sobre direitos civis e políticos separado de um pacto ou tratado sobre
direitos sociais gerou grandes discussões. Segundo a própria Declaração Universal dos Direitos
Humanos, ao ressaltar os princípios da interdependência e da indivisibilidade entre direitos, o
reconhecimento da dignidade humana impõe a adoção de um padrão ético mínimo não apenas para
direitos civis e políticos, mas, também, para direitos sociais, econômicos e culturais. Ou seja: direitos
civis e políticos e direitos econômicos, sociais e culturais são igualmente necessários para a garantia da
dignidade humana.
Os anos que se seguiram à adoção da Declaração Universal trouxeram uma dupla visão de direitos. A
divisão do mundo em dois blocos – um socialista, outro capitalista – favoreceu uma divisão de direitos
também em dois blocos: o dos direitos liberais – direitos civis e políticos e o dos direitos socialistas –
direitos econômicos, sociais e culturais. Essa divisão, que durou até o final da guerra fria, constituiu uma
das causas pelas quais a ONU adotou dois pactos internacionais de direitos humanos: o Pacto
Internacional de Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais, ao invés de único pacto, incluindo todos os direitos.

343. Como definiria minoria?


R: Minoria é um termo utilizado juridicamente para classificar os grupos que em comparação a outros,
possuem um cabedal menor de direitos assegurados. No Brasil, as minorias são identificadas por grupos
relacionados às questões de gênero, idade, etnia/raça, religiosidade, homossexuais, portadores de
doenças estigmatizantes, entre outros. Em oposição à minoria, temos a maioria que vem a ser o grupo
dominante, detentor das riquezas e do poder.

344. O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e a Constituição Federal falam em


direito de autodeterminação. O que é a autodeterminação indígena?
R: A autodeterminação consiste no direito de todo e qualquer povo, dentre eles o indígena, estabelecer
livremente seu estatuto político, escolhendo seu modelo de desenvolvimento econômico, social e
cultural, sem opressão e submissão a qualquer forma de colonialismo.

345. Os antropólogos utilizam a nomenclatura “povos” e não tribos. Acusação de abandono


intelectual. Como entende o direito de autodeterminação de uma mãe indígena, que vive de
artesanato na Praça da República e não permite que a filha de 3 anos frequente a escola porque
ela mesma não frequentou? Que classificação daria como Delegado?
R: É possível que, em tese, seja a conduta formalmente típica, quando a criança atingir idade escolar (há
divergência quanto à idade, alguns citando 7 e outros 4 anos). No entanto, a responsabilização criminal
da mãe acarretaria efeitos contrários ao melhor interesse da criança. Dessa forma, outras medidas são
aplicáveis ao caso.

346. Faria BO? Tomaria outras medidas?


R: Registraria ocorrência e encaminharia ao Ministério Público para as medidas cabíveis.

347. Poderia citar outros exemplos de minoria no Estado de São Paulo ou vulneráveis?
R: De acordo com o Curso de Atuação Policial Frente a Grupos Vulneráveis - SENASP/MJ, esses
grupos são divididos em 6 categorias, a saber: mulheres, crianças e adolescentes, idosos, população em
situação de rua, pessoas com deficiência ou sofrimento mental e comunidade LGBT (lésbicas, gays,
bissexuais, travestis e transexuais).

348. Poderia citar os ciganos?


R: Os ciganos são caracterizados como minorias. Estes são constituídos por pessoas que se encontram
em uma posição não-dominante no Estado e que possuem características religiosas, étnicas e lingüísticas
próprias, que os diferenciam da maioria da população, por exemplo: índios, remanescentes de
quilombos, ciganos.

349. Qual a diferença entre direitos humanos e direitos fundamentais?


R: De acordo com a lição clássica, os direitos humanos são os direitos fundamentais reconhecidos pela
ordem externa. Por seu turno, os direitos fundamentais são positivados na Constituição, ou seja,
reconhecidos internamente.

350. Cite dois órgãos que temos no sistema interamericano?


R: Pode-se citar a existência da Comissão e da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

351. Cite três sistemas de proteção?


R.: Sistema regional interamericano; Sistema regional europeu; Sistema regional africano.

352. Dentro dos sistemas regionais, onde estão sediados?


R.: Sistema regional interamericano sediado em Washington, nos EUA;
Sistema regional europeu com sede em Estrasburgo, na França;
Sistema regional africano, sediado em Banjul, na Gâmbia
Não tenho certeza

353. É possível o contraditório no Inquérito Policial?


R.: Sim, apesar de não ser obrigatório, por se tratar de um procedimento administrativo inquisitório, é
possível o contraditório, desde que não atrapalhe na realização das diligências investigatórias. O
exercício do contraditório durante a fase pré-processual faz com que os elementos informativos colhidos
sejam recepcionados no processo penal com maior eficácia probatória.

354. Você, delegado, é o autor do crime de estupro de vulnerável. Há prova genética. Como
procede?
R.: Esse seria um caso de encaminhamento ao superior hierárquico de pedido de declaração de
suspeição, com a devida avocação do procedimento. Caso reste impossível tal medida, deve o delegado
agir com independência e proceder nos estritos termos da lei, devendo realizar seu indiciamento e pedido
de prisão temporária.

355. Como fica a situação em relação ao Tribunal de Nuremberg em relação ao princípio do juiz
natural?
R.: O Tribunal de Nuremberg foi criado posteriormente aos fatos submetidos à sua apreciação,
constituindo verdadeiro tribunal de exceção ad hoc, em detrimento da garantia do juiz natural. Contudo,
prevalece na doutrina que tal violação foi necessária e proporcional após a realização de um juízo de
ponderação, devendo prevalecer a proteção dos direitos humanos violados pelos alemães durante a 2ª
guerra mundial.

356. Qual o expoente dos direitos de 5º geração?


R.: Paulo Bonavides preceitua que a paz seria um direito de quinta geração. No entanto, há outros
autores que se referem a essa geração como aquela que engloba os direitos das novas tecnologias e
patrimônio genético.

357. Pelo Código de Conduta, poderia dizer quando é autorizado o uso de força?
R.: Somente quando se afigure estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento do seu
dever. Ela deve ser excepcional e empregada conforme o princípio da proporcionalidade, sendo o
emprego de armas de fogo medida de ultima ratio. Há ainda a súmula vinculante número 11 nesse
mesmo sentido. (Artigo 3º do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da
Lei)

358. Aplica-se aos policiais?


R.: Sim. O Código de Conduta se aplica a todos os funcionários responsáveis pela aplicação da lei,
expressão que inclui todos os agentes da lei, quer nomeados, quer eleitos, que exerçam poderes de
polícia, especialmente poderes de prisão ou detenção.
359. No caso de sigilo, qual a disposição que há no Código?
R.: As informações de natureza confidencial em poder dos funcionários responsáveis pela aplicação da
lei devem ser mantidas em segredo, a não ser que o cumprimento do dever ou as necessidades da justiça
estritamente exijam outro comportamento.

360. De acordo com a nossa legislação, o que entende por sigilo no âmbito da polícia judiciária?
R.: Dispõe o art. 20 do CPP que a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do
fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Cabe salientar que as diligências que estiverem em
andamento, sendo necessário o sigilo, como no caso de interceptação telefônica, por exemplo, terá
acesso restrito à autoridade policial, juiz e MP, até que seja documentada nos autos.

361. Entre as características dos Direitos Humanos, poderia falar da imutabilidade?


R.: Os direitos humanos são, por sua própria natureza, mutáveis, uma vez que vão evoluindo e
avançando juntamente com as mudanças e progressos da sociedade. Tanto que falamos em dimensões de
direitos humanos, pois, em que pesem os direitos não sejam substituídos, são eles acrescidos de outros
direitos com o passar do tempo.

362. Comente a Constituição Mexicana de 1917 e A Constituição de Weimar de 1919.


R.: A Carta Política mexicana de 1917 foi a primeira a atribuir aos direitos trabalhistas a qualidade de
direitos fundamentais, juntamente com as liberdades individuais e os direitos políticos. A Constituição de
Weimar, em 1919, trilhou a mesma via da Carta mexicana, e todas as convenções aprovadas pela então
recém-criada OIT regularam matérias que já constavam da Constituição mexicana.

363. Poderia citar alguns desses direitos sociais trazidos por elas?
R.: a limitação da jornada de trabalho, o desemprego, a proteção da maternidade, a idade mínima de
admissão nos trabalhos industriais e o trabalho noturno dos menores na indústria.

364. Função social da propriedade?


R.: função social da propriedade é conceito que determina que o direito à propriedade não é absoluto,
uma vez que ela deve atender à sua precípua função de habitar pessoas, famílias, serviços. A propriedade
parada, sem utilidade, não atende a essa função (art. 5º, XXIII, art. 170 e art. 182 da CF).

365.Quando foi a Revolução Socialista?


R.: A Revolução Socialista (Revolução Russa) se deu em 1917 e foi um período de conflitos, que
derrubou a autocracia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lenin. Recém-
industrializada e sofrendo com a Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha uma grande massa de
operários e camponeses trabalhando muito e ganhando pouco. Além disso, o governo absolutista do czar
Nicolau II desagradava o povo que queria uma liderança menos opressiva e mais democrática. A soma
dos fatores levou a manifestações populares que fizeram o monarca renunciar e, ao fim do processo,
deram origem à União Soviética, o primeiro país socialista do mundo, que perdurou até 1991.

366.Poderia traçar um paralelo entre a positivação dos direitos sociais e a flexibilização dos direitos
trabalhistas?
R.: O Século XX trouxe novas tendências mundiais em relação ao mercado laboral. O desenvolvimento
tecnológico trouxe consigo uma reflexão para as organizações no que diz respeito ao método que estas
adotariam para manter suas relações com os empregados. A flexibilização representa a atenuação da
rigidez protetiva do Direito do Trabalho, com a adoção de condições trabalhistas menos favoráveis do
que as previstas em lei, mediante negociação coletiva, em que a perda de vantagens econômicas poderá
ser compensada pela instituição de outros benefícios de cunho social, que não onerarão excessivamente a
empresa, nos períodos de crise econômica (efeito da globalização) ou de transformação na realidade
produtiva (efeito do avanço tecnológico).

367.Quando foi criada a ONU?


R.: A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada na Conferência de São Francisco em 1945. O
tratado que instituiu a ONU foi denominado “Carta de São Francisco”.

368.Comente a pensão alimentícia e a prisão civil no Pacto de San José da Costa Rica e no nosso
ordenamento jurídico.
R.: Desde a adesão do Brasil, sem qualquer reserva, ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos
(art. 11) e à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (art. 7º, 7), ambos no ano de 1992, não há
mais base legal para a prisão civil do depositário infiel, pois o caráter especial desses diplomas
internacionais sobre direitos humanos lhes reserva lugar específico no ordenamento jurídico, estando
abaixo da Constituição, porém acima da legislação interna. O status normativo supralegal dos tratados
internacionais de direito humanos subscritos pelo Brasil torna inaplicável a legislação infraconstitucional
com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de adesão. Remanesce intacta, no entanto, a
possibilidade de prisão civil por inadimplemento de pensão alimentícia no ordenamento jurídico pátrio,
conforme preconizado do Pacto de San José da Costa Rica, art. 7º, 7.
Art. 7º, 7, do Decreto nº 678/1992 – Pacto de San José da Costa Rica
Súmula Vinculante 25

369.Por que somente a pensão por alimentos é possível?


R.: Exatamente porque autorizada a prisão civil por inadimplemento de obrigação alimentar pelo já
citado acima art. 7º, 7, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Decreto nº 678/1992), sendo
vedada apenas a prisão civil do depositário infiel.
370.Se recorda de algum direito dos presos?
R.: As “Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Presos” (Regras de Mandela) é um
documento que possui 122 regras que servem como vetores a serem seguidos pelos Estados aderentes,
respeitadas as peculiaridades de cada um. Dentre essas regras, podemos a citar a Regra 1: “Todos os
presos devem ser tratados com respeito, devido a seu valor e dignidade inerentes ao ser humano.
Nenhum preso deverá ser submetido a tortura ou tratamentos e sanções cruéis, desumanos ou
degradantes e deverá ser protegido de tais atos, não sendo estes justificáveis em qualquer circunstância.
A segurança dos presos, dos servidores prisionais, dos prestadores de serviço e dos visitantes deve ser
sempre assegurada.”

371.Direito à água potável?


R.: Sim. A Regra 22, 2 preconiza o seguinte: “Todo preso deve ter acesso a água potável sempre que
necessitar.”

372. Médico psiquiatra?


R : De acordo com as regras de Mandela que dispõe sobre o tratamento de presos , os serviços de saúde é
de responsabilidade do Estado . Assim dispõe o artigo 22.1) “ Cada estabelecimento penitenciário deve
dispor dos serviços de pelo menos um médico qualificado, que deverá ter alguns conhecimentos de
psiquiatria. Os serviços médicos devem ser organizados em estreita ligação com a administração geral de
saúde da comunidade ou da nação. Devem incluir um serviço de psiquiatria para o diagnóstico, e em
casos específicos, o tratamento de estados de perturbação mental”.

373. Dê duas características dos Direitos Humanos e defina.


R: Os direitos humanos têm a característica da IMPRESCRITIBILIDADE – Os direitos não se perdem
pela passagem do tempo; INALIENABILIDADE – Não se pode atribuir dimensão pecuniária a tais
direitos; INDISPONIBILIDADE – Impossibilidade de o ser humano abrir mão desses direitos.

374. Considerando o conceito de Direitos Humanos, poderia afirmar que as normas


previdenciárias respeitam os Direitos Humanos?
R: Embora os direitos humanos e os direitos previdenciários sejam considerados ramos autônomos do
direito, eles se relacionam, se assemelham, quando suas respectivas legislações denotam de mesma
finalidade, e conforme demonstrado, o direito à previdência, objeto principal do Direito Previdenciário,
também é reconhecido como um Direito Humano em muitas documentos internacionais de proteção aos
direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.
Sendo assim, quando esses riscos sociais necessitam e exigem a cobertura, e ainda a proteção do Estado
através de prestações previdenciárias, como, por exemplo: benefícios de incapacidade, pensão por morte,
aposentadoria, as quais estão previstos tanto no Direito Previdenciário quanto nos Direitos Humanos,
pode-se concluir que esses dois ramos jurídicos distintos tornam-se unificados, podendo ser
denominados de Direitos Humanos Previdenciários.

375. Por que os direitos da família estão previstos e formas praticamente idênticas nos dois pactos
(Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e no Pacto Internacional de Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais)?
R: NÃO SEI SE ESTÁ CORRETO, MAS ACHO QUE PODE SER ESSA A RESPOSTA. Excelência,
essa previsão quase idêntica se dá em razão de que ambos os pactos há a previsão de que a família
constitui um elemento natural e fundamental da sociedade , merecendo ampla proteção e assistência
possível pelo Estado e por toda a sociedade.

376. Poderia falar da complementariedade como uma das características?


R: A característica da Complementaridade dos direitos humanos consiste em que tais direitos devem ser
interpretados em conjunto, e não de forma isolada, não havendo hierarquia entre eles.

Examinadora: ANA PAULA SABARIEGO BATISTA

377. As expressões “direitos do homem” e “direitos humanos” são sinônimas?


R: A expressão “direitos do homem” retrata uma origem jusnaturalista da proteção de determinados
direitos do indivíduo, no momento histórico de sua afirmação em face do Estado autocrático europeu no
seio das chamadas revoluções liberais, o que imprimiu um certo caráter sexista da expressão, que pode
sugerir preterição aos direitos da mulher. Já a expressão “direitos humanos “servem para definir os
direitos estabelecidos pelo Direito Internacional em tratados e demais normas internacionais sobre a
matéria.

378. Por que os direitos humanos são universais?


R: Os direitos humanos são universais devido serem titularizados por todos, independentemente da
nacionalidade, opção política, orientação sexual etc. O marco da universalidade dos direitos humanos foi
DUDH de 1948.

379. A expressão “funcionários responsáveis pela aplicação da lei” incluem os militares?


R.: Excelência, devemos nos recordar do código de conduta para os funcionários responsáveis
pela aplicação da lei (Resolução da Assembleia Geral da ONU 34/169).
O termo "funcionários responsáveis pela aplicação da lei" inclui todos os agentes da lei, quer
nomeados, quer eleitos, que exerçam poderes policiais, especialmente poderes de detenção ou prisão.
Nos países onde os poderes policiais são exercidos por autoridades militares, quer em uniforme,
quer não, ou por forças de segurança do Estado, será entendido que a definição dos funcionários
responsáveis pela aplicação da lei incluirá os funcionários de tais serviços militarizados.

380. Todos os direitos humanos são considerados fundamentais?


R.: Excelência, o elemento de diferenciação entre os direitos humanos e os direitos fundamentais
é a origem normativa.
Os Direitos Humanos consistem em direitos essenciais de matriz internacional, desenvolvido
dentro de um processo histórico longo a ser observado na evolução da humanidade e sem seus conflitos
postos.
Os Direitos Fundamentais consistem nos direitos essenciais de origem (matriz) constitucional,
são verdadeiros direitos humanos internalizados (contudo, com forte influência dos processos históricos
internos). Os direitos fundamentais têm origem nacional, normalmente nas Constituições dada à
essencialidade desses direitos.
Desta maneira, conforme se apresentou, podemos detrair que todos os direitos fundamentais
convergem ao gênero direitos humanos, mas nem todos direitos humanos convergem ao sentido de
direitos fundamentais, pois podem haver direitos deste jaez que embora previstos na normativa
internacional, não foram ainda internalizados pelo Estado.
Contudo, alguns autores, minoritariamente, defendem a união dos termos no Direito Pátrio, vez
que a nossa própria CF pareceria sufragar esse posicionamento, como se depreende de uma leitura aberta
do art. 5º, §3º, CF – pois, a norma constitucional se refere a tratados de direitos humanos equivalentes a
direitos fundamentais.

381. Qual o conceito de direitos humanos?


R.: Conjunto mínimo de direitos inerentes ao homem, considerados indispensáveis e
imprescindíveis para uma vida do ser humano pautada na dignidade, liberdade e igualdade; e, que
usualmente são descritos em documentos internacionais para que sejam seguramente garantidos.

382. Em relação ao tráfico de pessoas, quem é considerada criança segundo o


protocolo. Qual o significado de tráfico de pessoas?
R.: Excelência, o Protocolo de prevenção, supressão e punição do tráfico de pessoas,
especialmente mulheres e crianças (promulgado no ordenamento pátrio pelo Dec. nº 5.017/2004) em seu
art. 3º define criança como sendo a pessoa com idade inferior a dezoito anos de idade.
Note-se que, diferentemente do Estatuto Brasileiro da Criança e Adolescente, a legislação
internacional não realiza a distinção entre crianças e adolescentes.
Em relação ao conceito de tráfico de pessoas, o mesmo artigo do protocolo, conforme acima
mencionado, dispõe que: “a expressão "tráfico de pessoas" significa o recrutamento, o transporte, a
transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a
outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de
vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de
uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo,
a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços
forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos”; sendo
irrelevante a concordância da vítima, nestas condições, para que não se configure o tráfico de pessoas.

383. Citar 3 características dos Direitos Humanos? Por que são históricos?
R.: A primeira característica dos direitos humanos é sua essencialidade, pois são direitos
imprescindíveis para uma vida digna. A segunda característica é a superioridade normativa – no plano
interno, a CF/88 os coloca como cláusulas pétreas (art. 60, §4º, IV); já, no plano internacional, a
superioridade normativa é manifesta no reconhecimento do JUS CONGES – consiste no conjunto de
normas internacionais que contêm valores essenciais da comunidade internacional em um aspecto plural
(caso se valo um valor desses, a norma internacional será nula como consequência). A terceira
característica é o universalismo, entendido como uma característica que reconhece que os Direitos
Humanos pertencem a todos, não suportando qualquer discriminação seja de nacionalidade, local de
nascimento, religião, opção política, isto é, a ideia de universalismo não comporta quaisquer “fatores de
exclusão”.
Os direitos humanos são históricos, pois tais não são frutos apenas de um acontecimento
específico. Eles são produto de um processo temporal e complexo no qual vão formando suas nuanças.
Convém lembrar, neste diapasão, que, graças a essa característica os direitos humanos são mutáveis,
adaptáveis, aperfeiçoáveis. A evolução dos direitos humanos tem um fluxo evolutivo contínuo,
característica não estacionária, pois estão sempre em constante evolução de acordo com a exigência das
relações humanas no tempo4.

384. O que significa discriminação racial?


R.: Segundo o comitê da ONU sobre a eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial
(internalização pelo Dec. 65.810/89), no seu artigo I.1, dispõe: “a expressão ‘discriminação racial’
significará qualquer distinção, exclusão restrição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou
origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou
exercício num mesmo plano, (em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades
fundamentais no domínio político econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida
pública”.

385. Qual o papel do comitê para eliminação de discriminação racial?

4
Bruna Pinotti Garcia Oliveira & Rafael de Lazari, in: Manual de Direitos Humanos; 4ª Ed. Ed. Juspodivm - 2018. P. 73.
R.: Segundo o comitê da ONU sobre a eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial
(internalização pelo Dec. 65.810/89), no seu artigo VIII, estabelece a instituição de um Comitê para a
eliminação da discriminação racial, ao qual serão apresentados relatórios pelos Estados-partes e poderão
ser apresentadas reclamações. A partir do artigo XVII são estabelecidas questões formais sobre
assinatura, ratificação, denúncia e mecanismos afins.

386. O que são ações afirmativas?


São preferências feitas por um Estado com o objetivo de assegurar o progresso de grupos sociais ou
indivíduos que necessitam de proteção para proporcionar a eles a igual gozo ou exercício de direitos
humanos e liberdades fundamentais (André de Carvalho).

387. Conceitue racismo.


É a teoria segundo a qual certos povos ou nações são dotados de qualidades psíquicas e biológicas que os
tornam superiores a outros seres humano. Preconceito é sentimento em relação a uma raça ou um povo,
decorrente da adoção de crenças racistas (é estático). Discriminação é a concretização do preconceito (é
dinâmico).

388. O que é o conceito ampliativo dos direitos humanos? (**DÚVIDA QUANTO A RESPOSTA)
Os direitos humanos podem ser classificados quanto à finalidade, em direitos propriamente ditos
(reconhecimento jurídico) e, por outro lado, em garantias fundamentais (assegura a fruição dos direitos).
As garantias podem ser definidas em um sentido amplo como sendo um conjunto de índole institucional
e organizacional que visa assegurar a efetividade dos DH. (André de Carvalho).

389. É permitido, em algum caso, a utilização de instrumentos de coação a pessoas presas?


O art. 33 das Regras Mínimas para tratamento de reclusos apenas admite o uso no caso de (i) precaução
contra evasão (ii) razões médicas (iii) para dominar o recluso, após esgotados os outros meios.

390. O adolescente pode ser algemado no interior de uma delegacia?


Segundo a súmula vinculante 11, o uso de algemas é legítimo apenas em caso resistência e de fundado
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia. Caso esteja presente alguma hipótese,
o adolescente pode ser algemado dentro da delegacia, desde que o ato seja fundamentado.

391. Como deve ser feito a transferência de presos entre estabelecimentos prisionais? Quem arca
com as custas decorrentes dessa transferência? Pode haver tratamento diferenciado a presos?
Após a autorização do juiz da execução penal e intimação da defesa e MP, o preso será transportado
longe da vista do público em veículos com ventilação e iluminação (art. 45 das Regras Mínimas). Os
custos correm pela administração. O art. 3º da LEP veda a diferenciação de natureza racional, social,
religiosa ou política.

392.Em que contexto surgiu a primeira dimensão dos direitos humanos?


Surgiu durante as revoluções liberais do século XVIII na Europa e Estados Unidos, que tinham por
objetivo limitar o poder absoluto do monarca, imprimindo limites à atuação estatal. São os direitos civis
e políticos, como a liberdade e igualdade, também classificados como “direitos defesa”.

393. Direitos humanos e direitos humanitários significam a mesma coisa?


R: Direitos Humanos é uma expressão mais abrangente, significando proteção do ser humano em todos
os aspectos, englobando direitos civis e políticos e também direitos sociais, econômicos e culturais.
Enquanto o direito humanitário foca na proteção do ser humano na situação específica dos conflitos
armados (internacionais e não internacionais).

394. Conceitue direitos humanos.


R: “Os direitos humanos consistem em um conjunto de direitos considerado indispensável para uma vida
humana pautada na liberdade, igualdade e dignidade. Os direitos humanos são os direitos essenciais e
indispensáveis à vida digna.” (André de Carvalho Ramos).

395. Como surgiu a ONU?


R: A ONU surgiu como resultado de acordos feitos no final da Segunda Guerra (1939-1945) entre as
potências aliadas, para ajudar a resolver conflitos e obter cooperação internacional para solucionar
problemas econômicos, sociais e humanitários – objetivos semelhantes aos da antiga Liga das Nações,
criada ao final da Primeira Guerra, que não conseguiu cumprir sua missão.

396. Como se classificam os direitos humanos?


R: Os direitos humanos se classificam pelas funções em (i) direitos de defesa; e (ii) direitos a prestações.
Já pelas finalidades, classificam-se em (i) direitos propriamente ditos; e (ii) garantias fundamentais.
Quanto à forma de reconhecimento, dividem-se em (i) direitos expressos, (ii) direitos implícitos e (iii)
direitos decorrentes. Por fim, na Constituição são divididos em (i) direitos individuais, (ii) direitos
sociais, (iii) direitos de nacionalidade, (iv) direitos políticos e (v) direitos dos partidos políticos, mas há
quem diga que também estão consagrados os (vi) direitos coletivos.

397. Por que os direitos humanos são considerados indivisíveis?


R: Pois se reconhece que todos os direitos humanos possuem a mesma proteção jurídica, uma vez que
são essenciais para uma vida digna. Possui duas facetas: (i) implica reconhecer que o direito protegido
apresenta uma unidade incindível em si; e (ii) assegura que não é possível proteger apenas alguns dos
direitos humanos reconhecidos.

398. Como são internalizados os tratados de Direitos Humanos no Brasil?


R: Após a negociação internacional, a assinatura, a aprovação pelo Congresso Nacional e a ratificação
do Presidente da República, este publica um Decreto Presidencial para que o Tratado de Direitos
Humanos passe a integrar o ordenamento jurídico nacional. Assim, a vigência interna acontece após a
promulgação e publicação, com o dito Decreto Presidencial.

399. Em que contexto histórico surgiu a terceira dimensão de direitos humanos?


R: Eles emergiram após a Segunda Guerra Mundial, ligados aos valores de fraternidade ou solidariedade,
e relacionados ao desenvolvimento, ao meio ambiente, à autodeterminação dos povos, bem como ao
direito de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade e ao direito de comunicação. São
direitos transindividuais, destinados à proteção do gênero humano, em caráter de universalidade.

400. Quais foram os primeiros direitos humanos protegidos por tratado?


R: foram dos direitos civis e políticos, bem como os econômicos, sociais e culturais.
OBS: não tenho certeza

401. O código de conduta inclui os militares?


R: sim, pois se trata de "funcionários responsáveis pela aplicação da lei" termo este que inclui todos os
agentes da lei, que exerçam poderes policiais, especialmente poderes de detenção ou prisão.
- art. 1º da resolução 34/169 da ONU, de 17 de dezembro de 1979

402. Há alguma autorização para aplicação de penas degradantes?


R: Não, pois o direito a não ser submetido a tortura ou tratado de forma desumana ou degradante é
absoluto.
- DUDH; Pacto Internacional de direitos civis e políticos; Pacto San José da Costa Rica

403. Há algum direito humano que pode ser considerado absoluto?


R: a proibição da tortura e a proibição da escravidão.

404. A jurisdição do Trib. Penal Internacional pode ser considerada adicional a do estado?
R: Sim, a jurisdição do TPI é adicional e complementar a dos Estados, ficando condicionada à
incapacidade ou omissão do sistema judicial interno.

405. Quais os crimes julgados pelo Trib. Penal Internacional?


R: O TPI julga os crimes mais graves que preocupam a comunidade internacional em seu conjunto,
abrangendo os crimes de genocídio, contra a humanidade, de guerra e de agressão.
- art. 5º do Estatuto de Roma

406. O Trib. Penal Internacional pode impor sanções de ordem civil?


R: Sim, como no caso da reparação em favor de vítimas.
- art. 75 do Estatuto de Roma

407. Prescrever os crimes submetidos ao TPI?


R.: Segundo o art. 29 do Estatuto de Roma os crimes da competência do Tribunal Penal Internacional
não prescrevem.

408. O que é o princípio “Pro Homine”?


R.: O princípio “pro homine” impõe, seja no confronto entre normas, seja na fixação da extensão
interpretativa da norma, a observância da norma mais favorável à dignidade da pessoa, objeto dos
direitos humanos. Impõe a aplicação da norma que amplie o exercício do direito ou que produza maiores
garantias ao direito humano que tutela.

409. Qual o contexto histórico no surgimento dos direitos humanos de segunda dimensão?
R.: Surgem com o fim da 1° Guerra Mundial até o fim da 2° Guerra Mundial.
São direitos relacionados a igualdade, abrangendo os direitos sociais, econômicos e culturais, em razão
da evolução do Estado Liberal para o Estado Social. São direitos notadamente prestacionais, vale dizer,
os Estados passaram a ser obrigados a atuar positivamente para assegurar os direitos sociais, econômicos
e culturais.
O que se percebeu é que apenas a liberdade não era suficiente para se garantir a dignidade da pessoa
humana. Era necessária, também, uma atuação Estatal para corrigir eventuais distorções ocorridas na
sociedade em razão, principalmente, da primazia do poder econômico.
Marco histórico: Revolução Mexicana e Revolução Russa.
Marco jurídico: Constituição Mexicana de 1917 e Constituição de Weimar de 1919.
Surgem em decorrência da passagem do Estado Liberal para o Estado Social.

410. O que são minorias?


R.: São grupos de pessoas participantes do Estado Democrático de Direito que constituem minoria
numérica e em posição desprivilegiada no Estado. Possuem características religiosas, étnicas ou
linguísticas diferentes daquelas que a maioria da população adota. Demonstram um senso de
solidariedade para com o outro, alavancado, senão apenas implicitamente, por desejo coletivo de
sobreviver e cujo objetivo é conquistar igualdade com a maioria, nos fatos e na lei. Exemplo: índios,
remanescentes de quilombos, negros, ciganos, etc.

411. Existem características necessariamente que devem ser preenchidas por grupo que seja
considerado minoria?
R.: Elemento de não dominância;
Elemento de cidadania;
Elemento numérico;
Elemento de solidariedade entre seus membros para que sejam preservados as suas culturas, tradições,
religiões e idiomas.

412. O que são vulneráveis?


R.: Os grupos vulneráveis, devido às suas características, se constituem de pessoas que podem fazer
parte de uma minoria, mas dentro dessa minoria tem uma característica que as difere das demais e as
torna parte de outro grupo. Estão relacionados com as características especiais que as pessoas adquirem
em razão da idade, gênero, orientação sexual, deficiência e condição social. Exemplos: grupos que lutam
pelo casamento homossexual e as pessoas com deficiência.

413. O que é direito humanitário?


R.: O Direito Internacional Humanitário é também chamado de DIREITO DE GENEBRA, consistente
no ramo do Direito Internacional que visa a REDUZIR A VIOLÊNCIA INERENTE AOS CONFLITOS
ARMADOS, limitando o impacto das hostilidades para proteger um mínimo existencial. Objetivo do
Direito Humanitário é limitar a violência inerente à guerra. Proteção das vítimas de guerra.
Destinatários: São protegidas todas as pessoas, militares ou civis, combatentes ou não (civis, militares,
religiosos, pessoal da imprensa, mortos, religiosos etc). Têm prioridade de socorro: CRIANÇAS,
mulheres GRÁVIDAS, PARTURIENTES e mães LACTANTES.

414. Qual a natureza jurídica da Cruz Vermelha?


R.: O Comitê Internacional da Cruz Vermelha é a principal das entidades que compõem o Movimento
Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, cujo objetivo é promover assistência a
vítimas de conflitos armados e tragédias. Trata-se de entidade privada, sem fins lucrativos, cuja natureza
jurídica é híbrida: não é considerado uma organização governamental, mas se qualifica como entidade
sui generis (resposta com base em apostila do Prof. João Paulo Lordelo).

415. Em que documento apareceu pela primeira vez a expressão “Direitos Humanos”?
R.: Esse documento pioneiro foi a Carta das Nações Unidas (Carta de São Francisco), de 1945, tendo
como um de seus princípios o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais. Utilizou-se
expressamente o termo "direitos humanos" em diversos dispositivos, a exemplo dos arts. 1º, §3º, 55, "c",
62, §2º, 68 e 78. (OBS.: não tenho absoluta certeza, mas acredito que seja essa a resposta)

416. Qual a matéria jurídica da Declaração Universal de Direitos Humanos?


R.: A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) tem um caráter amplo, pretendendo regular
todos os direitos, e não apenas os civis e políticos (a Carta da ONU não listou o rol de direitos humanos,
apesar de contemplar a expressão em seu texto). Adotou-se concepção contemporânea de direitos
humanos, marcada por sua indivisibilidade. A Declaração versa também sobre direitos econômicos,
sociais, culturais, além dos direitos de liberdade e participação política. Não se incluem em sua matéria
jurídica, todavia: o direito de autodeterminação dos povos, o direito ao meio ambiente, além de
mecanismos de monitoramento dos direitos nela previstos.

417. No Brasil, qual a natureza jurídica da Declaração dos Direitos Humanos?


R.: A Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma Resolução da Assembleia Geral da ONU. Por
não ser um tratado internacional, há divergências sobre sua força vinculante e natureza jurídica: há quem
defenda que ela é vinculante por expressar interpretação autêntica do termo "direitos humanos", previsto
na Carta da ONU (esta sim é tratado); outros sustentam o caráter vinculante por representar costume
internacional sobre a matéria (André de Carvalho Ramos, em relação a uma parte da Declaração; para
Flávia Piovesan, a natureza seria tanto de interpretação autêntica como de costume internacional); para
alguns, o documento seria vinculante por se tratar de norma de jus cogens, inderrogável e com
superioridade na ordem jurídica internacional (Valério Mazuolli); e há posição no sentido de ser apenas
soft law.

Examinadora: Gislaine Aparecida Santanieli

418. Cite três documentos históricos no campo dos Direitos Humanos.


R.: Magna Carta inglesa (1215), Bill of Rights (Declaração Inglesa de Direitos, 1689) e Declaração
Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789).

419. Princípio pro onme, no que diz respeito à dignidade da pessoa humana, tem relação?
R.: O princípio pro homine exige que a interpretação dos direitos humanos seja sempre aquela mais
favorável ao indivíduo, exatamente porque todo ser humano é intrinsecamente dotado de dignidade. Há
outra relação: em uma colisão de direitos humanos de diferentes titulares, o princípio pro homine não
resolve o problema; nesses casos, deve o intérprete se orientar pela prevalência da norma que mais
promova a dignidade da pessoa humana (posição defendida por Ingo Sarlet).
420. No campo dos Direitos Humanos, cite cinco princípios pelos quais o Brasil se rege nas relações
internacionais.
R.: Prevalência dos direitos humanos; autodeterminação dos povos; defesa da paz; solução pacífica dos
conflitos; e repúdio ao terrorismo e ao racismo (art. 4º da CRFB).

421. Comente sobre uma das características dos Direitos Humanos: a universalidade.
R.: Essa característica garante que os direitos humanos englobam todos os indivíduos, pouco importando
a nacionalidade, a cor, a opção religiosa, sexual, política, etc. Ou seja, esses direitos se destinam a todas
as pessoas (sem qualquer tipo de discriminação) e possuem abrangência territorial universal (em todo
mundo)

422. Qual o instrumento de maior importância de Direitos Humanos?


R.: Pergunta muito abrangente. Todos os instrumentos de proteção aos direitos humanos têm sua devida
importância e em obediência ao princípio pro homine prevalecerá a norma que mais amplie esses
direitos.

423. Defina historicidade?


R.: Significa que os direitos humanos não surgiram todos ao mesmo tempo, são frutos de conquistas
históricas; são construídos gradualmente e vão se expandindo ao longo da história, devido a luta de
movimentos sociais para que se afirme a dignidade da pessoa humana.

424. O processo de judicialização da Declaração Universal de Direitos Humanos foi concluído com a
elaboração de dois pactos internacionais. Quais são?
R.: Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e Pacto Internacional dos Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais (PIDESC)

425. Defina ações afirmativas por parte do Estado.


R.: Ações afirmativas são políticas públicas feitas pelo governo ou pela iniciativa privada com o objetivo
de corrigir desigualdades presentes na sociedade, acumuladas ao longo de anos, oferecendo igualdade de
oportunidades a todos. Partem do conceito de equidade expresso na constituição, que significa tratar os
desiguais de forma desigual,

426.Qual o princípio histórico que pela primeira vez rege o Estado Brasileiro em suas relações
internacionais?
R.: A Constituição de 1988, em seu Artigo 4o, inciso II, é a primeira em nossa história a estabelecer a
prevalência dos direitos humanos como princípio do Estado brasileiro em suas relações internacionais.
427. Quais os princípios que regem a acessibilidade de pessoas com deficiência?
R.: À luz da CF/88, os princípios que regem são: igualdade (formal e material), dignidade da pessoa
humana, liberdade e cidadania.

428. A igualdade entre homem e mulher faz parte deste princípio?


R.: Sim, a igualdade entre homem e mulher faz parte dos princípios gerais da convenção sobre os
direitos da pessoa com deficiência. (artigo. 3º da convenção)

429. A CF/88 encontra-se em consonância com o direito das crianças?


R.: Sim. O artigo 227 da CF consagra a doutrina da proteção integral, sinalizando, claramente, a
responsabilidade da família, da sociedade e do Estado, trazendo para a nossa sociedade os avanços
obtidos na ordem internacional.

430. Qual a posição jus naturalista quanto à fundamentação dos Direitos Humanos?
R.: Para a corrente jusnaturalista, há um conjunto de normas vinculantes, anteriores e superiores ao
sistema de normas positivadas pelo Estado. Essa ideia de normas que são supralegais, isto é, estão fora
do direito e que são fruto da própria existência humana.

431. Defina a dignidade da pessoa humana?


R.: É um supraprincípio, um verdadeiro fundamento do Estado Democrático de Direito, que orienta a
criação e interpretação de todo o arcabouço dos direitos fundamentais. Baseia-se na dignidade inerente à
natureza humana, implicando no dever de respeito e proteção a qualquer tratamento que degrade a sua
essência.

432. Qual o marco inicial no Direito Internacional dos Direitos Humanos?


R.: Foi com a Declaração Universal dos DH, após as atrocidades da Segunda Guerra e da criação da
Organização das Nações Unidas (também em 1945), que líderes mundiais decidiram complementar a
promessa de uma comunidade internacional.

433. Quais os principais órgãos das Nações Unidas?


Conselho de Segurança, Conselho Económico e Social, Conselho de Tutela e Tribunal Internacional de
Justiça

434. Tratados internacionais produzem efeitos no ordenamento jurídico?


Antes da ratificação, todos os direitos e obrigações expressos no ato internacional ficam restritos às
relações mútuas dos contratantes, ou seja, apenas serão produzidos efeitos entre os Estados signatários.
No Brasil, após a ratificação, o tratado deve, ainda, ser promulgado por decreto do Presidente da
República, e publicado no Diário Oficial da União. A partir daí surgirão seus efeitos na ordem jurídica
interna.
Obs: confesso que não consegui delimitar o tema do que foi perguntado. Para não me estender muito,
preferi explorar esse ponto.

435. Como seria a aplicação?


R: Os tratados internacionais serão aplicáveis após terem sido aprovados pelo Congresso Nacional e
ratificados e promulgados pelo Presidente da República.

436. O que entende por funcionário responsável pela aplicação da lei?


R: Inclui todos os agentes da lei, quer nomeados, quer eleitos, que exerçam poderes policiais,
especialmente poderes de detenção ou prisão.
Art. 1º da Resolução nº 34/169

437. Comente sobre a aplicabilidade dos tratados internacionais?


R: Os tratados internacionais serão aplicáveis após terem sido aprovado pelo Congresso Nacional e
ratificado e promulgado pelo Presidente da República.

438. Que tipo de tratado tem a aplicabilidade imediata?


R: Tratados Internacionais de Direitos Humanos possuem aplicabilidade imediata, pois, conforme
determina a Constituição Federal, as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm
aplicação imediata.
Artigo 5º, § 1º da Constituição Federal.

439. Quais as duas correntes acerca da incorporação dos tratados no ordenamento jurídico
interno?
R: Há duas correntes que tratam da incorporação de Tratados Internacionais pelo ordenamento jurídico
interno: Monista e Dualista. A Monista aduz que o tratado produz efeitos jurídicos internos com a mera
ratificação. A Dualista aduz que é necessário que o conteúdo do Tratado Internacional seja transformado
em norma de Direito interno.

440. Quais as reservas formuladas pelos Estados dentro dos tratados internacionais de Direitos
Humanos?
R: Poderá formular as reservas que não sejam proibidas pelo tratado.
Art. 19 do Decreto 7.030/09 – Convenção de Viena sobre direitos do tratados.
Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta.
441. Qual a responsabilidade principal do Conselho de Segurança da ONU?
R: Manter a paz e segurança internacionais.
Art. 23 do Decreto 19.941/45 – Carta das Nações Unidas.

442. A quem se destina o Direito Humanitário?


R.: Destina-se aos militares postos fora de combate, como é o caso dos feridos, doentes, náufragos,
prisioneiros bem como às populações civis em geral, ou seja, àquelas pessoas que não participam ou que
deixaram de participar dos conflitos.

443. A quem se destina especificamente?


R.: Destina-se aos militares postos fora de combate, como é o caso dos feridos, doentes, náufragos,
prisioneiros bem como às populações civis em geral, ou seja, àquelas pessoas que não participam
ou que deixaram de participar dos conflitos.

444. Qual a finalidade da Liga das Nações?


R.: Promover a cooperação, a paz e a segurança internacionais, condenando agressões externas contra a
integridade territorial e a independência política dos seus membros.

445. Qual a finalidade da Organização Internacional do Trabalho?


R.: Promover oportunidades para que homens e mulheres possam ter acesso a um trabalho decente e
produtivo, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade.

446. Defina obrigação erga omnes.


R.: É a obrigação a todos imposta que deve ser observada independentemente de aceitação.

447. Quais os atos de formação dos tratados?


R.: Assinatura pelo Presidente da República, aprovação pelo Congresso Nacional por meio de decreto
legislativo e ratificação e depósito no órgão internacional.

448. Quanto à incorporação dos tratados de Direitos Humanos no ordenamento jurídico,


qual a posição majoritária e o que ela defende?

R.: Os tratados internacionais de direitos humanos aprovados de acordo com o §3º do art. 5º da
CF são equivalentes às emendas constitucionais, caso contrário terão status de norma supralegal e
infraconstitucional, segundo corrente majoritária. Para corrente minoritária, os tratados que versem sobre
direitos humanos sempre terão status de norma constitucional.
449. Quais os principais órgãos do sistema internacional de proteção aos Direitos Humanos?
R.: Os principais órgãos do sistema internacional de proteção aos Direitos Humanos são aqueles
pertencentes a ONU, em especial o Conselho de Direitos Humanos, Relatores Especiais de Direitos
Humanos e o Alto Comissariado de Direitos Humanos, assim como o Tribunal Penal Internacional,
criado pelo Estatuto de Roma.

450. O que é denúncia no tocante aos tratados internacionais de Direitos Humanos?


R.: Denúncia é o ato significativo da vontade de romper um compromisso internacional assumido pelo
Estado, que se exprime por escrito numa notificação, carta ou instrumento.

451. Todos os tratados internacionais são suscetíveis de denúncia?


R.: Em regra, o próprio tratado estabelecerá as hipóteses suscetíveis de denúncia. Entretanto, caso o
tratado seja omisso, deve-se observar o art. 56, § 1º da Convenção de Viena, que assevera a
impossibilidade de denúncia, salvo quando as partes tiveram a intenção de admitir referida possibilidade
ou quando a denúncia puder ser inferida da natureza do tratado.

452. No direito internacional, quais são as duas correntes ideológicas quanto à incorporação dos
tratados internacionais de direitos humanos no direito interno?
R.: O Modelo Tradicional assevera que a introdução do tratado na ordem interna está subordinada ao
cumprimento pela autoridade estatal de um ato jurídico especial (ex: Brasil), já o Modelo da Introdução
Automática (aplicabilidade imediata), entende que o tratado tem força vincante internamente tão logo
entre em vigor no universo das relações internacionais, sem necessidade de outras medidas que não as
necessárias para a ratificação e a publicação do ato.

453. Comente sobre a aplicabilidade do PIDCP e o PIDESC.


R.: Conforme expressamente previsto nos arts. 50 e 28, respectivamente, serão aplicadas as disposições
de ambos os pactos, sem qualquer limitação ou exceção a todas as unidades constitutivas dos Estados
Federativos. Os direitos e garantias fundamentais elencados pelos Pactos terão aplicação imediata,
conforme §§ 1º e 2º do art. 5º, CF/88.

454. Quais os diplomas que constituem a Carta Internacional dos Direitos Humanos?
R.: A Carta Internacional de Direitos Humanos compreende a Declaração Universal dos Direitos do
Homen, Pactos dos Direitos Civis e Políticos e o dos Direitos Sociais, Econômicos e Culturais.

455. Explique a inviolabilidade e a indisponibilidade dos Direitos Humanos.


R.: A inviolabilidade se refere a impossibilidade de desrespeito desses direitos por determinações
infraconstitucionais ou por atos de autoridades públicas, sob pena de responsabilização, sendo que
somente a Constituição pode estabelecer restrições aos direitos em tela, desde que proporcionais e
necessários ao convívio em sociedade. Já a indisponibilidade refere-se a impossibilidade de o ser
humano abrir mão desses direitos.

456. Interprete o princípio pro persona.


R: O princípio “pro persona” estabelece que, na hipótese de aparente conflito de normas entre o direito
interno e o direito internacional, deve ser aplicada a norma mais favorável à dignidade da pessoa
humana.

457. Explique as gerações/dimensões dos Direitos Humanos


R: A 1ª geração diz respeito aos direitos civis e políticos, ditos direitos de liberdade, que surgiram com
as Revoluções liberais e a transição do Estado Absolutista para o Estado Liberal de Direitos. A 2ª
geração compreende os direitos da igualdade, que são os direitos sociais, econômicos e culturais, fruto
da transição do Estado Liberal para o Estado Social. Já os direitos de 3ª geração, que surgiram após o
fim da 2ª Guerra Mundial através dos ideais de fraternidade, compreendem os direitos difusos, da
humanidade.
Obs: Paulo Bonavides ainda acrescenta os direitos de 4ª dimensão, que diz respeito aos direitos de
solidariedade lato sensu, como a democracia, e direitos de 5ª geração, preocupados com a paz mundial.

Examinador: LUIS FRANCISCO SEGANTIN JUNIOR

458. Qual o status normativo dos tratados de direitos humanos?


R: Segundo a atual jurisprudência do STF, em regra, os tratados internacionais de direitos humanos terão
status de supralegalidade, ou seja, acima das leis e abaixo da Constituição; se, contudo, forem aprovados,
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais (art. 5º, §3º, CF).
Obs: para a doutrina majoritária, como Mazzuoli e Flavia Piovesan, dentre outros, os tratados de direitos
humanos serão sempre materialmente constitucionais, com fundamento no art. 5º, §2º, CF.

459. Pode ser considerado supraconstitucional?


R: Para parte da doutrina, os Tratados internacionais centrífugos possuem status supraconstitucional, ou
seja, estariam acima da própria Constituição Federal

460. O que são tratados internacionais centrífugos?


R: Os tratados internacionais centrífugos são os que regem as relações jurídicas dos Estados ou dos
indivíduos com a chamada jurisdição global (Justiça global), ou seja, são chamados de centrífugos pois
são tratados que saem (ou fogem) do centro, retirando certas relações da jurisdição comum, normal. O
exemplo típico reside nas normas do Estatuto de Roma, que criou o TPI.

461. E os Tratados centrípetos?


R: Já os tratados centrípetos são aqueles que cuidam das relações do indivíduo ou do Estado no plano
doméstico (interno) ou regional. Não retiram o indivíduo ou o Estado do seu centro, ou seja, do seu
território ou da sua região planetária, dos seus limites jurisdicionais. A Convenção Americana sobre
Direitos Humanos, por exemplo conta com essa natureza. Ela está voltada para o plano interno
(doméstico) ou, no máximo, para a respectiva região planetária (sistema interamericano de direitos
humanos).

462. Faça um breve relato sobre a incorporação dos tratados de direitos humanos.
R: Inicialmente, há a assinatura do tratado, cuja competência é privativa do Chefe de Estado (art. 84,
VIII, CF). Após, inicia-se a fase interna do tratado, que deve ser aprovado pelo CN, mediante um decreto
legislativo (art. 49, I, CF). A terceira fase é a fase da ratificação, pelo Presidente da República, do texto
assinado e referendado pelo CN, obrigando-se ao cumprimento do tratado perante a ordem externa. Por
fim, ocorrerá a promulgação de um Decreto Presidencial, ocasião em que o tratado será incorporado ao
direito interno.

463. A quem compete promulgar os tratados?


R.: Ao Presidente da República, mediante Decreto.

464. Qual a consequência da promulgação?


R.: Uma vez promulgado o tratado pelo Presidente da República, será ele incorporado ao ordenamento
jurídico interno.

465. Qual a diferença entre minorias e vulneráveis?


R.: Minorias são grupos de pessoas participantes do estado democrático de direito que constituem
minoria numérica e em posição desprivilegiada no Estado. Possuem características religiosas, étnicas ou
linguísticas diferentes daquelas que a maioria da população adota. Demonstram senso de solidariedade
um para com o outro. Têm como objetivo conquistar igualdade com a maioria. São exemplos os índios,
remanescentes quilombolas, negros, ciganos, homossexuais etc. Grupos vulneráveis são grupos
compostos pela sociedade de uma maneira geral, não havendo uma identidade ou traço comum que os
atraem; estão mais vulneráveis ou fáceis de serem atingidos de forma negativa pela sociedade, a exemplo
de pessoas que lutam pelo casamento homossexual.

466. A lei faz distinção entre minorias e vulneráveis?


R.: A lei não faz nenhuma distinção. Importante salientar que tanto as minorias como os grupos
vulneráveis sofrem alguma forma de discriminação ou violência, carecendo, portanto, de tutela jurídica.

467. Características dos direitos humanos, cite.


R.: Universalidade; indisponibilidade; inalienabilidade; imprescritibilidade; vedação ao retrocesso
(Efeito Cliquet); interdependência, etc.

468. Diferença entre direitos humanos e direitos fundamentais.


R.: Os direitos humanos e direitos fundamentais têm o objetivo comum de assegurar um conjunto de
direitos inerentes à dignidade da pessoa humana, contudo, os direitos humanos estão positivados no
plano internacional, e os os direitos fundamentais positivados na Constituição Federal.

469. Qual a natureza jurídica do código de conduta dos funcionários responsáveis pela aplicação da
lei?
R.: Por se tratar de uma Resolução expedida pela Assembleia Geral da ONU, tem natureza jurídica
vinculante, de observação obrigatória por parte dos países-membros.

470. O senhor nomeia escrivão ad hoc, este excede o poder e agride uma parte que foi conduzida à
delegacia. A esse escrivão ad hoc se aplica o código de conduta?
R: Não se aplica. Entretanto, o escrivão “ad hoc” responderá criminalmente pela agressão ou abuso com
base na lei de Abuso de Autoridade (Lei 4898/65), se for o caso. [essa eu fiquei na dúvida. Por favor,
não me crucifiquem. hahahaha]

471. Quem se enquadra neste código?


R: Nos termos do art. 1º, parágrafo único, c/c com o art. 2ª da LEI Nº 10.261, o estatuto se aplica “aos
funcionários dos 3 (três) Poderes do Estado e aos do Tribunal de Contas do Estado” e não se aplica “aos
empregados das autarquias, entidades paraestatais e serviços públicos de natureza industrial, ressalvada a
situação daqueles que, por lei anterior, já tenham a qualidade de funcionário público.”. É importante
mencionar que essa norma deve ser interpretada à luz da CF/88.

472. Cite características dos direitos humanos.


R: São características dos Direitos Humanos a universalidade, indivisibilidade, não taxatividade,
imprescritibilidade, inalienabilidade.

473. O indivíduo pode renunciar aos direitos humanos?


R: Prevalece na doutrina que os Direitos Humanos são irrenunciáveis. Entretanto, o que pode ocorrer é o
seu não exercício em determinados casos concretos, o que não significa renúncia.
474. Pessoa vítima de tráfico internacional de pessoas para fins sexuais, se ela consentiu, isso ilide o
delito?
R: Tendo em vista que no tipo penal do art. 149-A do CP integram os verbos “mediante grave ameaça,
violência, coação, fraude ou abuso”, caso a suposta vítima consinta não há que se falar na ocorrência do
delito.

475. Por qual razão foram elaborados dois pactos de proteção de direitos humanos (econômicos e
sociais), ao invés de um?
R: Os pactos foram produzidos no contexto da Guerra Fria e a dualidade entre os modelos do
capitalismo e socialismo. Dessa forma, se fosse feito somente um pacto abrangendo direitos de primeira
e segunda dimensões, países que adotavam um dos regimes não assinariam acordos contendo direitos do
outro. Assim, com a divisão dos pactos ficaria mais fácil a assinatura de cada.

476. Há conflito entre o sistema regional e o internacional?


R: Prevalece na doutrina que os sistemas são complementares. Dessa forma, o Estado (ou o agente, caso
se trate de mecanismo de peticionamento individual) poderá recorrer a qualquer dos sistemas, no seu
âmbito de proteção.

477. Protocolo de prevenção ao tráfico de mulheres e crianças, há limite de idade neste documento
para as crianças?
R: O protocolo de prevenção ao tráfico de mulheres e crianças não estabeleceu um limite de idade para
as crianças. O artigo 3, “d” define criança como qualquer pessoa com idade inferior a dezoito anos.

478. Esse protocolo repercutiu direta ou indiretamente na legislação penal?


R: Pode-se dizer que o Protocolo Adicional à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em
especial Mulheres e Crianças repercutiu diretamente na legislação penal. Com base nesse protocolo
adicional, o Código Penal passou a prever, em seu art. 149-A, o crime de Tráfico de Pessoas.

479. Quais as fases para formação e incorporação dos tratados?


R: 1ª fase: Assinatura – competência do Presidente da República (art.84, VII CF); 2ª fase: Aprovação
do Congresso Nacional via Decreto Legislativo (art. 49, I CF; 3ª fase: Ratificação e depósito do
tratado de competência do Presidente da República; 4ª fase: Promulgação na ordem interna, por decreto
executivo do Presidente da República.

480. Qual a atual posição do STF sobre incorporação dos tratados?


R: A posição do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que os tratados em geral, inclusive os de
direitos humanos, somente podem ser aplicados na ordem jurídica brasileira depois de serem
promulgados na ordem interna.

481. O que se entende por corrente dualista e monista?


R: Corrente monista: entende que o direito interno e o direito internacional integram uma única ordem
jurídica, de modo que as normas internas e internacionais se aplicam ao plano interno indistintamente.
Para a corrente citada, o tratado valerá na ordem interna a partir do depósito na ordem internacional.
Corrente dualista: enxerga o direito interno e o direito internacional com integrantes de ordens
jurídicas diversa, de modo que normas internacionais devem valer apenas no plano internacional,
somente podendo ser aplicado no plano interno se forem convertidas em norma de direito interno. Para
essa corrente, somente com a promulgação na ordem interna o tratado valerá internamente.

482. Dê um exemplo da constituição federal que represente a teoria dualista.


R: Um exemplo que representa a teoria dualista é o art. 5, 3º da CF que dispõe que “Os tratados e
convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais”. (Não tenho certeza da resposta)

Examinadora: Ana Paula Sabariego Batista

483. O que são Direitos Humanos?


R: Os Direitos Humanos são a proteção de maneira institucionalizada dos direitos da pessoa humana
contra os excessos do poder cometidos pelos órgãos do Estado ou regras para se estabelecer condições
humanas de vida e desenvolvimento da personalidade humana.

484. Por que os Direitos Humanos são considerados universais?


R.: Porque se destinam a todas as pessoas (sem nenhum tipo de discriminação) e são válidos em
qualquer lugar do planeta (não há limitações territoriais à proteção da dignidade humana).
Art. 2º, pontos 1 e 2, da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

485. Não existe condição para ser destinatário dos Direitos Humanos?
R.: Não. Todo ser humano faz parte da família humanidade e, portanto, é destinatário dos direitos
humanos, independentemente de qualquer distinção ou condição.
Art. 2º, pontos 1 e 2, da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

486. Qual a natureza jurídica da Declaração Universal dos Direitos Humanos?


R.: A Declaração Universal dos Direitos Humanos, do ponto de vista formal, é uma Resolução (normas
diretivas, não obrigatórias), e não um Tratado (normas cogentes, obrigatórias). No entanto, haja vista
consagrar valores básicos universais, entende-se que, do ponto de vista material, possui força vinculante.

487. Por que a Declaração Universal dos Direitos Humanos é bipartida?


R.: Observação – não achei a resposta para essa pergunta. A Declaração Universal dos Direitos
Humanos é considerada bipartida – possivelmente – por consagrar, de um lado, direitos civis e políticos
(1ª dimensão), e, de outro, direitos sociais (2ª dimensão).

488. Ela prevê direitos de 1ª e 2ª dimensão?


R.: Sim. A Declaração Universal dos Direitos Humanos enuncia direitos civis e políticos (1ª dimensão),
bem como direitos sociais, econômicos e culturais (2ª dimensão), todos reconhecidos em paridade
hierárquica.

489. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi modificada?


R.: Observação – não achei a reposta para essa pergunta. Ao que tudo indica, a Declaração Universal dos
Direitos Humanos não sofreu modificação.

490. Todos os direitos que estão na Constituição são fundamentais?


R.: São fundamentais apenas os direitos previstos na CF/1988 que se mostram imprescindíveis para a
concretização da dignidade humana. Assim, sobretudo por ser a CF/1988 classificada como prolixa, não
se pode afirmar que todos os direitos nela estampados correspondam a direitos fundamentais.

491. Todos os Direitos Humanos são direitos fundamentais?


R: Não. É possível haver direito humano que não seja consagrado como direito fundamental e vice-versa
(obs.: direitos humanos e direitos fundamentais se diferenciam, essencialmente, no plano de positivação;
os primeiros são positivados em documentos internacionais, os segundos são positivados na ordem
jurídica interna de cada Estado).

492. O que significa o princípio da vedação ao retrocesso?


R: Consiste na vedação da eliminação da concretização já alcançada na proteção de algum direito,
admitindo-se somente aprimoramentos e acréscimos.

493. Pode limitar o poder constituinte originário?


R: Sim. O conjunto de direitos e garantias fundamentais já constitucionalmente firmados não poderiam
ser desrespeitados, nem mesmo por intermédio da atuação do poder constituinte originário.
494. O direito de não ser escravizado pode ser relativizado?
R: Não. Segundo Bobbio, o direito a não ser escravizado, trata-se de um direito absoluto.

495. De acordo com o Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas,


especialmente mulheres e crianças, o que é tráfico de pessoas?
R: É o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo
à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de
autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para
obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração.

496. Para que seja considerado tráfico de pessoas, o indivíduo tem que ser retirado à força
do país ou com uso de ameaça?
R: Não. Poderá ser utilizada a fraude ou engano.

497. O que são direitos do homem?


R: Direitos dos homens são direitos de cunho jusnaturalistas, não positivados ou não escritos. São
direitos inatos que, de acordo com a sociologia do Direito, existem porque são intrínsecos à natureza
humana, bastando a condição de ser humano para possuí-los, assim como o é o direito à vida.

498- Existe diferença entre direitos do homem e direitos humanos?


R.: "Direitos do Homem" é uma expressão jusnaturalista que conceitua direitos naturais aptos a proteção
global do homem, carecendo estes direitos de qualquer positivação, seja nacional ou internacional. A
partir do momento em que esses "Direitos do Homem" passaram a ser positivados nas constituições
contemporâneas, passaram a ser denominados "Direitos Fundamentais", como ocorre no Título II da
Constituição de 1988. Quando esses direitos previstos nas normas internas passaram a ser regulados em
tratados internacionais, seja no plano global, seja no plano regional, passaram a receber o nome de
"Direitos Humanos".

499- Por que os direitos humanos de primeira dimensão são comandos negativos ao Estado?
Exemplifique.
R.: Porque negam a atuação estatal em prol da liberdade dos indivíduos. É o que ocorre, por exemplo,
com as liberdades de expressão e de reunião, que são exercidas independentemente de anuência do
Estado.

500- Qual o instrumento de incorporação dos tratados internacionais de direitos humanos ao


ordenamento jurídico interno?
R.: A incorporação de um tratado à ordem jurídica interna é um ato complexo, o qual envolve uma
sucessão de atos e que, pelo entendimento do STF, somente se aperfeiçoa com o ato de promulgação que
é feito por um DECRETO EXECUTIVO do Presidente da República.

501- Fale sobre a solução de conflitos entre direito interno e tratados, sob a ótica da teoria
monista.
R. A doutrina monista, neste ponto, divide-se em duas: uma parte que entende que, havendo um conflito,
deverá prevalecer a ordem jurídica nacional de cada Estado – é o monismo com prevalência do Direito
interno ou monismo nacionalista; outra parte da doutrina entende que a primazia é da ordem
internacional em detrimento do Direito interno – monismo com prevalência do Direito Internacional ou
monismo internacionalista.

502- Por que os Direitos Humanos são inalienáveis?


R.: Os direitos humanos não podem ser comercializados porque são inerentes aos seres humanos, não
sendo valores econômicos e não há como valorá-los.

503- Em que contexto histórico surgiu a 1ª dimensão dos Direitos Humanos?


R.: Surgiu com as revoluções liberais e a transição do Estado Absolutista para o Estado Liberal de
Direito. Os acontecimentos históricos são: A Revolução Gloriosa na Inglaterra em 1688, o processo de
independência dos EUA em 1776 e, principalmente, a Revolução Francesa de 1789.

504- O que preconiza o princípio da norma mais favorável ao indivíduo?


R.: Referido princípio busca evitar a utilização de normas que estabeleçam menor proteção ao ser
humano. De acordo com aquele, nenhuma norma de direitos humanos pode ser invocada para limitar, de
qualquer modo, o exercício de qualquer direito já reconhecido por outra norma internacional ou
nacional. A primazia da norma mais favorável acaba com o problema da dicotomia entre direito interno
e direito internacional, pois se escolhe o direito mais favorável.

505. Regras mínimas para tratamento de presos → Como deve ser feita a transferência do preso
entre estabelecimentos prisionais?
R: Deve ser feita dentro de veículo com iluminação e ventilação adequados devendo o preso ter o
mínimo de tempo de exposição ao público protegendo contra insultos, curiosidades e qualquer forma de
publicidade.

506. O que o senhor acha da filmagem do preso em estabelecimento prisional?


R: Não condiz com o princípio da dignidade da pessoa humana, da privacidade e da intimidade.
507. Por que a expressão geração de direitos humanos é alvo de críticas?
R: Porquê a expressão gerações entende-se como se a geração nova superasse a geração passada, por
exemplo, os direitos de 2ª geração substituísse os de 1ª geração. Enquanto na verdade os direitos já
reconhecidos se somam aos novos direitos. Além disso, a expressão gerações passa uma ideia errônea
que os direitos humanos seriam fragmentados, divisíveis.

508. Quais as principais características dos Direitos Humanos?


R: Universal, Indivisível, Interdependente, irrenunciável, inalienável, imprescritível, histórico, essenciais
e inexauríveis.

509. O que é interdependência dos Direitos Humanos?


R:Os direitos humanos estão vinculados uns aos outros não podendo ser visto de maneira isolada, mas
sim em um conjunto.

510. Quais os principais sistemas de proteção dos Direitos Humanos?


R: Temos o sistema Global e o sistema Regional de proteção que abrange a proteção dos direitos
humanos em nível internacional ou regional.
Sistema Interno que são as normas internas de um Estado de proteção dos direitos humanos e o Sistema
Internacional que abrange toda a normativa internacional, ou seja, o direito internacional.
Sistema Geral ou Homogêneo que se destina a proteger todos os seres humanos sem especificar um
determinado grupo social e o Sistema Heterogêneo que destina a proteger um determinado grupo.

511. Quais os sistemas regionais mais importantes


R: O europeu, americano e africano.

512. O Brasil se enquadra em qual?


R. No Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos

513. A sentença proferida pela Corte Interamericana é passível de recurso?


R. A sentença da Corte IDH é definitiva e inapelável. Em caso de divergência sobre o sentido ou alcance
da sentença, cabe à parte ou ainda à Comissão interpor recurso ou pedido de interpretação, semelhante
aos nossos embargos de declaração, cujo prazo para apresentação é de 90 dias a partir da data da
notificação da sentença.
Ref. Curso de DH André Carvalho Ramos.

514. O que é princípio pro homine?


R. Trata-se de método de interpretação no qual exige que a interpretação dos DH seja sempre aquela
mais favorável ao indivíduo. O princípio pro homine implica reconhecer a superioridade das normas de
direitos humanos, e, em sua interpretação ao caso concreto, na exigência de adoção da interpretação que
dê posição mais favorável ao indivíduo.
Ref. Curso de DH André Carvalho Ramos.

515. Qual o momento do surgimento da concepção jurídica de igualdade?


R. A busca da igualdade foi o grande marco das Declarações de Direitos das revoluções liberais do
século XVIII, que precederam as primeiras Constituições. Nessas Declarações
e primeiras Constituições, a igualdade almejada era a igualdade perante a lei, que exigia um tratamento
idêntico para todas as pessoas, submetidas, então, à lei.
Ref. Curso de DH André Carvalho Ramos.

516. Quem são os funcionários responsáveis pela aplicação da lei abrangidos pelo Código de
Conduta?
R. O termo "funcionários responsáveis pela aplicação da lei" inclui todos os agentes da lei, quer
nomeados, quer eleitos, que exerçam poderes policiais, especialmente poderes de detenção ou prisão.
São responsáveis não só os elencados no art.144 da CF, mas também agentes penitenciários, guardas
municipais, pois detém poder de polícia.
Ref. art. 1° do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei –
Resolução 34/169 da Assembléia Geral da ONU – 17/12/79

517. O Código de Conduta é aplicado aos militares?


R. Sim, tendo em vista que também detém poder de polícia. Ademais, o Código dispõe que “nos países
onde os poderes policiais são exercidos por autoridades militares, quer em uniforme, quer não, ou por
forças de segurança do Estado, será entendido que a definição dos funcionários responsáveis pela
aplicação da lei incluirá os funcionários de tais serviços.
Ref. art. 1° do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei –
Resolução 34/169 da Assembléia Geral da ONU – 17/12/79

518. O Brasil aderiu?


R. Tendo como pressuposto a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Código de Conduta foi
adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em sua resolução 34/169 de 17/12/1979. Todavia,
apesar de “simples”, o Código de Conduta tem dificuldades de implementação nas polícias de todo o
mundo, inclusive e principalmente nas brasileiras.
Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta
519. Em que situações é permitido o uso de força física?
R.: Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando estritamente
necessária e na medida exigida para o cumprimento do seu dever (artigo 3º do Código de Conduta para
os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei).

520. Mulher grávida pode ser algemada na delegacia?


R.: Com relação à mulher grávida, a situação é excepcional, devendo ser observado, além do contido na
Súmula Vinculante 11, o teor do artigo 292, parágrafo único do CPP, que veda o uso de algemas em
mulheres grávidas durante os atos médico-hospitalares preparatórios para a realização do parto e durante
o trabalho de parto, bem como em mulheres durante o período de puerpério imediato.

521. Ameaça é justificativa para uso de tortura ou tratamento degradante?


R.: Não. Nos termos do artigo 2º, item 2, da Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas
Crueis, Desumanos ou Degradantes, “em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais
tais como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência
pública como justificação para tortura”.

522. Diferencie igualdade formal de igualdade material.


R.: a) Igualdade formal: todos são iguais perante a lei. b) Igualdade material para justiça social e
distributiva: tratar desigualmente os desiguais na medida da sua desigualdade. Visava compensar
desigualdades históricas ou vulnerabilidades de algumas categorias. c) Igualdade material para
reconhecimento de identidade: muitas das atrocidades praticadas durante a Segunda Guerra mundial
tinham como base o medo da diferença. O nazismo tinha como base o medo dos judeus, dos imigrantes,
dos homossexuais, dos ciganos, dos comunistas. Assim, percebeu-se o direito de ser diferente, com
normas que protegem a identidade (mulheres, minorias raciais, pessoas com deficiência).

523. A igualdade na lei se refere a quem?


R.: A igualdade na lei consiste na observância do princípio da igualdade tanto na aplicação quanto na
elaboração das leis. Assim, refere-se ao Poder Legislativo, no momento de elaborar a lei.

524. Qual a competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos?


R.: A Corte tem competência para conhecer de qualquer caso relativo à interpretação e aplicação das
disposições da CADH que lhe seja submetido, desde que os Estados Partes no caso tenham reconhecido
ou reconheçam a referida competência, seja por declaração especial, seja por convenção especial (artigo
62, item 3, da CADH).

525. Quais mecanismos de proteção do Sistema Interamericano dos Direitos Humanos?


R.: Convenção Americana de Direitos Humanos: Comissão Interamericana de Direitos Humanos e Corte
Interamericana de Direitos Humanos
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a mulher: pedido de
opinião consultiva, petição e processo perante a CIDH.

526. Como é composta a Corte interamericana de Direitos Humanos?


R.: A Corte IDH é composta por sete juízes, sendo vedado que dois sejam da mesma nacionalidade. Os
juízes são eleitos em votação secreta (a partir dos nomes indicados pelos Estados – até três, sendo ao
menos um de Estado diverso do proponente), pelo voto da maioria absoluta dos Estados-partes da
Convenção Americana.

527. O que é princípio ampliativo dos Direitos Humanos?


R.: Conhecido também como vedação ao retrocesso (ou efeito cliquet) significa que nenhuma
interpretação das normas de Direitos Humanos pode ser feita no sentido de suprimir o gozo e o exercício
dos direitos já reconhecidos ou limitá-los em maior medida do que a norma o faça (definição conforme o
art. 29 da Convenção Americana). Ou seja, os Direitos Humanos sempre podem ser ampliados, mas não
diminuídos.

528. Dê um exemplo de restrição de direitos.


R.: O exercício da liberdade religiosa, por exemplo, pode sofrer restrições para a proteção da segurança,
da ordem, da saúde e da moral públicas ou, ainda, em favor dos direitos e liberdades das demais pessoas.

529. Por que os Direitos Humanos são considerados indivisíveis?


R.: Porque se referem a um conjunto de prerrogativas enfeixadas na idéia de dignidade da pessoa
humana que, embora tenham seu reconhecimento como direitos e efetivação paulatinamente
desenvolvidos no correr história (nem todos de uma vez e nem de uma vez por todas – Bobbio),
constituem conjunto inseparável, dotado de unicidade.

530. Quais os principais objetivos da ONU?


R.: Segundo a carta da ONU, seus propósitos são atuar na manutenção da paz e segurança internacionais
(prevenção de ameaças, repressão a agressões e uso de meios pacíficos), desenvolver relações amistosas
entre as nações (com base nos princípios da igualdade e autodeterminação dos povos) e estimular a
cooperação internacional nos aspectos econômico, social e humanitário.

531. Qual o conceito de dignidade da pessoa humana?


R.: Numa perspectiva kantiana, pode-se afirmar que a dignidade humana significa que cada indivíduo
constitui um fim em si mesmo, sendo esta dignidade qualidade intrínseca e distintiva de cada ser
humano, que o protege contra todo tratamento degradante e discriminação odiosa (elemento negativo –
dever de respeito), representando, ainda, o conjunto das condições materiais mínimas aptas a assegurar a
sobrevivência (elemento positivo – dever de garantia).

532. É correto afirmar que a interpretação de dignidade muda com a época histórica?
R.: É possível ponderar que, numa perspectiva historicista da conquista e afirmação de direitos pelo
homem, o conteúdo dos elementos positivos e negativos da dignidade tem se alterado (e não o conceito
em si da dignidade, tal qual se depreende da doutrina kantiana – atributo inerente a todo ser humano),
Por exemplo, à época da Revolução Industrial não seria comum conceber como condição material
mínima à dignidade humana a necessidade de um meio ambiente ecologicamente equilibrado ou, ainda,
o novo (e ainda muito discutido no âmbito da União Europeia) direito fundamental à Internet.

(ATENÇÃO: AS QUESTÕES 533 A 539 POSSUEM DUAS RESPOSTA CADA UMA PORQUE
EU, ALINE, DISTRIBUÍ EQUIVOCADAMENTE A MESMA SEQUÊNCIA DE QUESTÕES
PARA DOIS COLEGAS. PEÇO DESCULPAS AOS COLEGAS OTAVIANO E PAULO
RIBEIRO. MANTIVE AS RESPOSTAS DOS DOIS PARA NÃO SER INJUSTA COM
NINGUÉM. MAIS UMA VEZ PEÇO DESCULPAS, A FALHA FOI MINHA)

533. No Brasil, a dignidade da pessoa humana tem previsão constitucional expressa?


R: Sim, está disposta como um dos fundamentos da República (art. 1º, III da CF); assim como está
prevista algumas vezes no capítulo VII, que dispõe sobre a família, criança, adolescente, jovem e idoso
(art. 226, § 7º; art. 227; art.230 da CF).
R.: Sim, a dignidade da pessoa humana é fundamento da República Federativa do Brasil, nos termos do
art. 1º, III, CF. Há ainda previsão no art. 226, §7º, CF, que determina o planejamento familiar é livre
decisão do casal, fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável.

534. O que é Direito Humanitário?


R: É o ramo do Direito Internacional Público que consiste de regras, costumeiras ou positivadas, que, no
contexto de conflitos armados, procura proteger as pessoas que não são partes das hostilidades (ou já não
mais o são) e restringir os métodos e meios de guerra empregados.
R.: O Direito Humanitário ou Direito Internacional da Guerra impõe a regulamentação jurídica do
emprego da violência internacional em situações de beligerância. Tutela a atuação dos militares, bem
como os direitos da população civil. Foi a primeira expressão de limitação à autonomia dos Estados, no
plano internacional.

535. Em que documentos internacionais surgiu pela primeira vez a expressão “Direitos Humanos”?
R: Muito embora a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão tenha sido um dos primeiros
documentos a apresentar uma série de direitos e limitações ao Estado, a expressão “Direitos Humanos”
foi utilizada dessa forma pela primeira vez na carta das Nações Unidas (art. 1º, item 3 da Carta).
R.: Há registros de que a expressão foi cunhada por Thomas Paine, em tradução para o inglês da versão
francesa da Declaração dos Direitos dos Homens e dos Cidadãos (1789).
O primeiro documento que usou a expressão foi a Declaração das Nações (1 de janeiro de 1942), no qual
EUA, Reino Unido, URSS, China e mais 22 governos aliados, que estavam lutando contra o eixo,
reconheceram a necessidade de “preservar os direitos humanos e a justiça na própria terra, assim como
em outras terras”. Posteriormente, em 26 de junho de 1945, constou diversas vezes no corpo da Carta da
ONU, assinada em São Francisco.
Consagrou-se, por fim, com a Declaração Universal de Direitos Humanos, em 1948.

536. O que se entende por efeito cliquet?


R: Também conhecido por Princípio da vedação ao retrocesso, é um princípio aplicável aos direitos
humanos que afirma que direitos já conquistados não podem retroceder, mas apenas avançar. Qualquer
medida tendente, por exemplo, a abolir qualquer direito social seria de natureza inconstitucional.
R.: Efeito cliquet é a vedação do retrocesso em termos de direitos humanos. Em outras palavras, a
proteção sempre deve ser progressiva, ampliando os direitos tutelados, não se permitindo o regresso
nesse contexto.

537. Todos os tratados internacionais de Direitos Humanos têm natureza de emenda?


R: Não. No processo de internalização dos tratados no Brasil, apenas tratados que tratem de direitos
humanos, aprovados pelo quórum de 3/5 dos membros das casas, em dois turnos possuem status de
emenda constitucional (art. 5º, § 3º da CF).
R.: De acordo com a literalidade do art. 5, §3º, CF apenas os tratados de DH aprovados em dois turnos,
por três quintos de cada uma das casas do Congresso, serão equivalentes à Emenda. Para parcela da
doutrina todos os tratados de DH são materialmente constitucionais por força do art. 5, §2º, CF (Flávia
Piovesan e Valério Mazzuoli)

538. Qual a natureza da Convenção Americana de Direitos Humanos?


R: Segundo o STF, o Pacto São José da Costa Rica possui status de supra legalidade, ficando acima da
legislação ordinária e complementar e abaixo das emendas constitucionais.
R.: De acordo com o STF, a Convenção Americana de Direitos Humanos possui status de
supralegalidade no ordenamento jurídico brasileiro. Está, portanto, abaixo da Constituição e acima das
demais leis.

539. Quais os primeiros Direitos Humanos protegidos por tratados internacionais?


R.: Conhecidos como liberdades públicas, os direitos de primeira geração/dimensão foram os primeiros
direitos a terem destaque na proteção dos Direitos Humanos.
R.: A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) consagrou em posição de igualdade os direitos
de 1ª e 2ª Geração: direitos civis e políticos, bem como sociais, econômicos e culturais.

540. O que significa dizer que os Direitos Humanos de terceira geração são
meta individuais?
R.: Os direitos de terceira geração/dimensão, consagram os valores da fraternidade e
solidariedade. Meta individuais, significa que não adianta cada indivíduo ter seus direitos protegidos,
pois existem direitos coletivos que se forem violados acarretam na inviabilização de todos os demais
direitos.

541. Dê exemplo de direito de 3ª dimensão. Eles se dirigem a quem?


R.: Art. 1 Autodeterminação dos povos, Progresso ou desenvolvimento, Direito ao meio ambiente,
Direito de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade, Direito de comunicação. Logo
pertencem a coletividade.

542. O que significa discriminação racial?


R.: A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da.
ONU.
Art. 1 “Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na
raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o
reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais
nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública”

543. O que são ações afirmativas?


R.: Consistem em programas públicos ou privados, em geral de caráter temporário desenvolvidos com a
finalidade de reduzir desigualdades decorrentes de discriminações, ou de uma hipossuficiência
econômica ou física, por meio de uma concessão de alguma vantagem. Fundamento na igualdade
material.

544. Poderia dar um exemplo de ação positiva no Brasil?


R.: Exemplos: bolsas de estudos para alunos carentes; cursos pré-vestibulares para carentes; incentivos
fiscais para empresas que contratam deficientes, Lei Maria da Penha.

545. Em sua opinião, as cotas ajudam?


R.: Sim, reduzem as discrepâncias causadas pela desigualdade material, desde que seja atendido seu
caráter da temporalidade e efetividade.

546.O senhor acha saudáveis as cotas?


R: sim. Em que pese existir decisões divergentes, as cotas são uma necessidade social de justiça. Tendo
em vista que permitem tratar os desiguais na medida da sua desigualdade e consertar erros históricos.
Ademais, as cotas têm limites. Devem ser fundamentadas, temporárias e respeitar o princípio da
proporcionalidade.

547.A Convenção tem um Comitê. Qual seria o papel desse comitê?


R: Não possui. Possui Comissão e Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O Comitê dos Direitos Humanos é o órgão criado em virtude dos art.º 28.º do Pacto Internacional sobre
os Direitos Civis e Políticos com o objetivo de controlar a aplicação.

548.No âmbito da Convenção, ela tem comissão. Qual o seu papel?


R: A função principal da Comissão é a de promover a observância e a defesa dos direitos humanos e
servir como órgão consultivo da Organização dos Estados Americanos nesta matéria.

549.O Brasil reconhece a competência do comitê?


R: Em junho de 2009, o Brasil, por meio do Decreto Legislativo nº 311/2009, incorporou ao
ordenamento jurídico o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que
também faz parte do sistema interamericano de proteção dos direitos humanos.

Examinadora: BÁRBARA LISBOA TRAVASSOS

550.Fale sobre a incorporação dos tratados internacionais em nosso ordenamento.


R: Em regar os tratados internacionais ingressam no ordenamento jurídico brasileiro como lei ordinária.
Sendo de direitos humanos, porém, ingressam com status supralegal ou são equiparados as Emendas
Constitucionais, caso aprovados na forma do art,5, parágrafo 3 da CF. Especial atenção também recebe
os tratados de direito tributário e de direito processual penal, que podem preponderar sobre a lei.

551.Com que status os tratados sobre direitos humanos ingressam em nosso ordenamento?
R: Os tratados internacionais de direitos humanos em regra possuem status de norma supra legal, estão
abaixo da constituição federal e acima das leis ordinárias. Caso sejam aprovados na forma do art 5, p.3
da CF serão equiparados às emendas constitucionais.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais.

552.Fale sobre a cláusula de vedação ao retrocesso.


R: Ou vedação do regresso: Uma vez conferido, concedido um direito fundamental, o Estado não poderá
retroceder, diminuir a sua proteção aos direitos humanos em relação ao estágio em que esta tutela se
encontra.

553.Um direito social pode ser atacado por essa cláusula?


R: Não. A cláusula serve para garantir a aplicação do direito social, não para restringi-lo. Em casos em
que um direito social impeça ou viole outro direito social, ocorrerá a aplicação da ponderação.

554.Cite uma característica dos direitos humanos, explicando-a.


R.: Historicidades. Os direitos humanos são históricos, pois são construídos pela convivência coletiva,
que teve origem nos direitos civis e políticos – 1ª geração – se desenvolveram como direitos
econômicos, sociais e culturais – 2ª geração – e chegaram ao seu ápice na institucionalização das
garantias coletivas – 3ª geração.

555.Pode ser pensado um estado sem fronteiras no que tange aos direitos humanos?
R.: Sim, aliás, uma das características dos Direitos Humanos é exatamente a transnacionalidade. Carlos
Weis afirma que esta característica é bem resumida por Dalmo de Abreu Dallari, para quem: “os direitos
fundamentais da pessoa humana são reconhecidos e protegidos por todos os Estados, embora existam
variações quanto à enumeração desses direitos, bem como quanto à forma de protegê-los. Esses direitos
não dependem da nacionalidade ou cidadania, sendo assegurados a qualquer pessoa”.

556.Quais as regras do código de conduta acerca das informações sigilosas?


R.: Devido à natureza dos seus deveres, os funcionários responsáveis pela aplicação da lei obtêm
informações que podem relacionar-se com a vida particular de outras pessoas ou ser potencialmente
prejudiciais aos seus interesses e especialmente à sua reputação. Deve-se ter a máxima cautela na
salvaguarda e utilização dessas informações as quais só devem ser divulgadas no desempenho do dever
ou no interesse da justiça. Qualquer divulgação dessas informações para outros fins é totalmente abusiva,
conforme artigo 4º do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei.

557.Uma correspondência de preso pode ser violada?


R.: Não há direitos ou garantias absolutos em nosso ordenamento jurídico. Assim, diante de normas e
princípios constitucionais que, aparentemente, estejam em conflito, deve o intérprete apoiar-se na
ponderação entre eles. Nessa linha que o STF reconheceu como constitucional a violação da
correspondência dos custodiados, mitigando a inviolabilidade das correspondências e prestigiando a
segurança pública e as restrições impostas a quem está sob a custódia estatal.

558.Os direitos humanos se distinguem dos direitos fundamentais? Em que?


R.: Direitos do homem são aqueles advindos do jusnaturalismo, pelo simples fato de se ter nascido
humano e independem de positivação (perspectiva biológica). Direitos humanos são aqueles positivados
na ordem jurídica externa, como, por exemplo, os previstos em tratados internacionais. Direitos
fundamentais são aqueles positivados e reconhecidos pelo ordenamento jurídico interno de um país,
como, exemplo, o direito à vida, que é um direito do homem (biológico), humano (protegido por
tratados) e fundamental (previsto e positiva pelo nosso ordenamento).

559.Com relação ao princípio do juízo natural qual a justificação para violar tal princípio?
R.: Juiz natural é o abstratamente constituído antes da ocorrência do fato, requisito imprescindível para
a independência e a imparcialidade o órgão julgador. São várias justificações, conforme veremos
adiante, mas desde que todas elas sejam baseadas em regras abstratas e impessoais, não direcionadas a
uma única pessoa.
A especialização de varas, a competência para proteção da prerrogativa funcional, a instituição de
Câmaras de férias, juízes convocados para participar de julgamento nos Tribunais, desaforamento
prevista no CPP e etc, são exemplos de mitigações do princípio em tela, mas aceitas e permitidas pelo
ordenamento.

560.Quais as críticas à expressão “gerações de direitos humanos”?


R.: Primeiramente, destaca-se que a doutrina moderna prefere a expressão “dimensões” e não
“gerações”, pois esta traz a ideia de sucessão, contrariando o caráter complementar dos direitos
humanos. Assim, com o surgimento de uma nova dimensão a anterior não deixa de existir. Bonavides
afirma que a melhor expressão seria “dimensão”, que se justifica tanto pelo fato de não existir realmente
uma sucessão ou desaparecimento de uma geração por outra, mas também quando novo direito é
reconhecido, os anteriores assumem uma nova dimensão, de modo a melhor interpretá-los e realizá-los.

560 - Quais as críticas à expressão “gerações de direitos humanos”?


R: 1)- Transmite, de forma errônea, o caráter de substituição de uma geração por outra; 2)- Enumeração
de gerações pode dar a ideia de antiguidade ou posteridade de um rol de direitos em relação a outros; 3)-
Apresenta os direitos humanos de forma fragmentada e ofensiva à indivisibilidade dos direitos humanos;
4)- Dificulta as novas interpretações sobre o conteúdo dos direitos.

(a questão 560 está em duplicidade pois dois colegas responderam a ela)


561- A dimensão significaria uma progressão de direitos humanos?
R: A dimensão significa que não há uma sucessão de direitos, mas sim a junção de uma nova dimensão
de direitos humanos que se une à outra já existente. Os direitos não se sucedem, se cumulam.

562- Qual ser humano deve ser protegido?


R: Todos os seres humanos devem ser protegidos (Lembrar da característica da universalidade dos
direitos humanos). Basta a condição de ser pessoa humana para se poder invocar a proteção dos direitos
humanos, tanto no plano interno quanto no plano internacional.
Art. 7, DUDH.

563- Por que há tratados que cuidam de grupos específicos, como mulheres e crianças?
R: Pois existem categorias de pessoas social e historicamente menos protegidas pelas ordens domésticas,
o que tem levado o direito internacional público a estabelecer padrões mínimos de proteção. As mulheres
e crianças fazem parte dos grupos vulneráveis, que são coletividades de pessoas que necessitam de
proteção especial em razão de sua fragilidade ou indefensabilidade.

564- A declaração universal surgiu em que momento histórico?


R: A Declaração Universal dos Direitos Humanos surgiu após a Segunda Guerra Mundial (fim em
1945). Foi adotada e proclamada em Paris, em 10 de dezembro de 1948.

565- Protocolo sobre tráfico de mulheres e crianças – Por que esse grupo especificamente?
R: São categorias de pessoas que estão no centro da proteção internacional de direitos na atualidade, as
quais têm merecido a criação de normas internacionais específicas de salvaguarda (grupos vulneráveis).

566- O que é tráfico de pessoas?


R: O tráfico de pessoas consiste no recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento
de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao
engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de
pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra
para fins de exploração. (art. 3, alínea “a”, Dec. 5.017/2004 – Protocolo de Palermo)

567- Qual o objetivo do protocolo sobre tráfico de pessoas?


R: a) Prevenir e combater o tráfico de pessoas, prestando uma atenção especial às mulheres e às crianças;
b) Proteger e ajudar as vítimas desse tráfico, respeitando plenamente os seus direitos humanos; e c)
Promover a cooperação entre os Estados Partes de forma a atingir esses objetivos. (Art. 2, Dec.
5.017/2004 – Protocolo de Palermo)
568-Contraditório e ampla defesa no IP é possível?
R: O princípio do contraditório é traduzido pelo binômio ciência e participação, impondo que “às partes
deve ser dada a possibilidade de influir no convencimento do magistrado, oportunizando-se a
participação e manifestação sobre atos que constituem a evolução do processo”.
Mais do que uma oportunidade de ação e reação, o contraditório garante que toda a persecução penal
seja desenvolvida com a observância da igualdade entre as partes, no sentido de que os contendores
tenham a mesma força (paridade de armas). Feitas essas breves considerações, salientamos que, de
acordo com a maioria da doutrina, o contraditório não seria aplicado ao inquérito policial, pois o
dispositivo constitucional que lhe serve de suporte é expresso ao afirmar que “aos litigantes, em processo
judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa,
com os meios e recursos a ela inerentes” (art.5°, inc.IV, da CF).
Nesse sentido, como o dispositivo faz menção a processo judicial ou administrativo, o contraditório não
se aplicaria ao inquérito policial, que é um procedimento administrativo. Ademais, os opositores da tese
defendida neste estudo também argumentam que o artigo se refere aos litigantes e aos acusados, o que
afastaria a figura do investigado.
Devemos ressaltar, todavia, que quando falamos em contraditório no inquérito policial, nos referimos,
principalmente, ao seu primeiro momento, qual seja: a informação. Isto porque não se pode vislumbrar a
plenitude do contraditório numa fase pré-processual.
A própria Lei 12.403/2011, que alterou o Código de Processo Penal na parte que trata das prisões e
medidas cautelares diversas, estipulou em seu artigo 282, §3°, o contraditório antes do deferimento da
medida, desde que não haja risco para a sua eficácia ou se trate de uma situação de urgência.
Diante dessa determinação legal, considerando que diversas medidas cautelares são decretadas durante a
fase pré-processual, concluímos que a intenção do legislador foi nortear a condução de toda a persecução
penal, inserindo o princípio do contraditório no inquérito policial sempre que não houver risco à eficácia
das investigações.
Em relação à ampla defesa, não vislumbramos campo para grandes discussões, sendo este princípio
perfeitamente adequado a esta fase da persecução penal. Nas lições de Brasileiro de Lima , a defesa
garante o contraditório e por ele se manifesta, afinal, a ampla defesa só é possível em virtude de um dos
elementos do contraditório, qual seja: o direito à informação.
Dito isso, podemos afirmar que o investigado tem direito a ampla defesa em seus dois aspectos: a-)
positivo – pode se utilizar de todos os meios que lhe permitam confrontar os elementos de prova que
digam respeito a autoria ou materialidade da infração; b-) negativo – consiste na não produção de
elementos de prova que possam lhe ser prejudiciais (v.g. não fornecimento de material gráfico para a
realização do exame grafotécnico, não submissão ao exame do etilômetro etc…).

569-Cite três documentos históricos de direitos humanos.


R: O primeiro documento majoritariamente referido pela doutrina quanto aos direitos humanos é
a Magna Carta, de 1215. Trata-se de um acordo entre reis e barões revoltados. Ela direciona-se à
proteção dos direitos dos ingleses, originários da law of the land (lei da terra). Embora restrita aos
ingleses, ela é o nascedouro dos direitos, tendo influnciado inúmeros outros documentos. Seu principal
desiderato é a limitação do poder do rei. A judicialidade é um dos princípios do Estado de Direito.
Prevê, v. G., direito de ir e vir, propriedade privada e graduação da pena do delito.
Em 1628 adota-se a Petition of Rights. Ela reafirmou os direitos da Magna Carta, dando ênfase à, v.
G., propriedade e à proibição da detenção arbitrária.
A Declaração de Direitos de 1689, ou Bill of Rights, submete a monarquia inglesa à soberania
popular. Ela limita a autoridade real. Ao rei não mais é permitido suspender leis ou as descumprir,
muito menos pode cobrar tributos sem o consentimento do Parlamento. Assegura-se a supremacia do
Parlamento. Neste momento, são dados passos importantes para a definição da separação de poderes.

570-Qual a diferença entre direitos humanos de primeira e segunda geração?


R: Cada geração foi associada, na Conferência proferida por Vasak, a um dos componentes do dístico da
Revolução Francesa: “liberté, egalité et fraternité” (liberdade, igualdade e fraternidade).
Assim, a primeira geração seria composta por direitos referentes à “liberdade”; a segunda geração
retrataria os direitos que apontam para a “igualdade”; finalmente, a terceira geração seria composta por
direitos atinentes à solidariedade social (“fraternidade”).
A primeira geração engloba os chamados direitos de liberdade, que são direitos às prestações negativas,
nas quais o Estado deve proteger a esfera de autonomia do indivíduo. São denominados também
“direitos de defesa”, pois protegem o indivíduo contra intervenções indevidas do Estado, possuindo
caráter de distribuição de competências (limitação) entre o Estado e o ser humano. São os direitos de
primeira geração compostos por direitos civis e políticos.
A segunda geração de direitos humanos representa a modificação do papel do Estado, exigindo-lhe um
vigoroso papel ativo, além do mero fiscal das regras jurídicas. Isso porque constatou-se que a inserção
formal de liberdade e igualdade em declarações de direitos não garantiam a sua efetiva concretização, o
que gerou movimentos sociais de reivindicação de um papel ativo do Estado para assegurar uma
condição material mínima de sobrevivência. Aqui são consagrados os direitos sociais, econômicos e
culturais.

571-O direito de petição enquadra-se em qual geração de direito?


R: O direito de petição como garantia processual (direito civil) que é pode ser enquadrado como direito
de primeira geração.

572-Conceitue dignidade da pessoa humana.


R: A dignidade humana consiste na qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano, que o protege
contra todo tratamento degradante e discriminação odiosa, bem como assegura condições materiais
mínimas de sobrevivência. Consiste em atributo que todo indivíduo possui, inerente à sua condição
humana, não importando qualquer outra condição referente à nacionalidade, opção política, orientação
sexual, credo etc.Portanto, trata-se de um conceito aberto e polissêmico.

573-Quais os crimes de competência do TPI?


R: De acordo com o artigo 5º do Estatuto de Roma, o TPI tem competência para julgar os crimes de
genocídio, contra a humanidade, crimes de guerra e o crime de agressão.

574-Defina o crime de genocídio.


R: Segundo o artigo 6º do Estatuto de Roma, entende-se por "genocídio", qualquer um dos atos que a
seguir se enumeram no dispositivo, praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo
nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal.
Há de se ressaltar que a Lei 2.889/56 também define o crime de genocídio no mesmo sentido que o
Estatuto de Roma.

575. Quais as características dos direitos humanos? Explique-as.


R: São características dos Direitos Humanos a universalidade (os direitos humanos são titularizados por
todos, independentemente da nacionalidade, opção
política, orientação sexual), indivisibilidade (Reconhecimento de que todos os direitos humanos
possuem a mesma proteção jurídica, uma vez que são essenciais para uma vida digna), não taxatividade
(não são esgotáveis, podendo sempre serem acrescentados), imprescritibilidade (não prescrevem pelo
seu não exercício), inalienabilidade (não podem ser transferidos). (André Carvalho Ramos)

576. Qual a diferença entre asilo diplomático e asilo territorial?


R: O asilo pode ser de dois tipos: diplomático – quando o requerente está em país estrangeiro e pede
asilo à embaixada brasileira - ou territorial – quando o requerente está em território nacional. Se
concedido, o requerente estará ao abrigo do Estado brasileiro, com as garantias devidas. (FONTE: Site
do Ministério da Justiça)

577. Conceitue direitos humanos.


Conjunto de direitos indispensáveis para uma vida humana pautada na liberdade, igualdade e dignidade.
São indispensáveis à vida digna. Não existe um rol predeterminado desses direitos, que passam a existir
de acordo com as necessidades humanas ao longo da História. (André Carvalho Ramos)

578. O direito de locomoção durante a marcha da maconha pode ser restringido?


Não pode. Uma vez que o STF já reconheceu a marcha da maconha como direito a livre manifestação do
pensamento (ADPF 187), o direito de locomoção não poderá ser restringido.

579. Com relação ao crime de tráfico de mulheres e crianças, como o estado pode se posicionar?
R: No ano de 2016, buscando adequar o ordenamento interno aos Tratados Internacionais que visam
coibir a prática do tráfico de mulheres e crianças, o Brasil promulgou a lei 13.344 que, além de tipificar
especificadamente a conduta, tratou de medidas que buscam a prevenção, proteção e a assistência às
vítimas.

580. Regras mínimas para tratamento dos presos – Há um livro obrigatório?


R: Existem resoluções da ONU, quais sejam, Regras de Tokyo, Bangkok e Mandela. Por serem
resoluções, prevalecem que são soft law, não havendo obrigatoriedade na sua aplicação. Por outro lado,
internamente, o Brasil possui mecanismos para coibir abusos no tratamento de presos, como no caso da
Súmula Vinculante 11, e a própria LEP, por exemplo.

581. Regras mínimas incluem atendimento médico e odontológico. É necessário também


psiquiátrico?
R: A regra 25 das Regras de Mandela, item II, estabelece que: “Os serviços de saúde devem ser
compostos por equipe interdisciplinar, com pessoal qualificado
suficiente, atuando com total independência clínica, e deve abranger a experiência necessária de
psicologia e psiquiatria. Serviço odontológico qualificado deve ser disponibilizado a todo preso.” Dessa
forma, também abrangem o tratamento psiquiátrico.

582) Direitos de primeira geração são negativos e os de segunda geração são positivos. Está certa
essa colocação?
Em regra, os direitos de primeira geração são negativos e os de segunda geração positivos, porém, há
exceções. Os direitos civis e políticos, de primeira geração, quando investem as pessoas no poder de
participar ativamente da vida política estatal são positivos e os direitos sociais, de segunda geração,
podem ser negativos, exigindo abstenção do estado, como no direito de greve e de liberdade de
associação.

Examinadora: Fernanda Herbella Maia

583) Qual a diferença entre direito social e direito econômico?


Direitos sociais são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, que
possibilitam melhores condições de vida aos menos favorecidos, através da igualização de situações
sociais desiguais, cita-se como exemplo o direito a educação e a saúde. Os Direitos Econômicos
possuem uma dimensão institucional, baseada no poder estatal de regulamentar o mercado, em vista do
interesse público, cita-se como exemplo a associação sindical e o direito a gozar de condições justas e
dignas de trabalho.

584) É possível afirmar que um é mais importante do que o outro na proteção dos Direitos
Humanos?
Não, os direitos humanos são unos, indivisíveis e interdependentes, ou seja, um complementa o outro,
não havendo hierarquia entre eles, sendo todos igualmente importantes e exigíveis para a materialização
da dignidade humana.

585) Sob a ótica dos Direitos Humanos e não do Direito Penal, há distinção nos tratados
internacionais entre a discriminação e o preconceito?
O preconceito é o conceito ou sentimento negativo concebido sem exame crítico ou razão, já a
discriminação é a materialização do preconceito, pois está ligada a ideia de segregação da pessoa em
razão do preconceito.

586) Os direitos humanos são universais ou absolutos? Por quê?


Esses direitos são universais, uma vez que se destinam a todas as pessoas sem qualquer tipo de
discriminação, e são relativos e não absolutos, pois podem sofrer limitações para se harmonizar com
outros direitos existentes. Porém, cabe ressaltar que, há doutrinadores que apontam a proibição de tortura
e de escravidão como absolutos, já que não admitem restrições.

587) É possível falar em globalização dos Direitos Humanos?


A globalização é um processo de integração entre países e pessoas de diferentes partes do mundo,
buscando formar uma única aldeia global. Inicialmente a globalização começou com a economia e
depois começou a permear a temática dos direitos humanos, o que foi intensificado após a segunda
guerra mundial, assim, foram criados documentos globais e regionais buscando interligar diversos países
na busca da proteção dos direitos humanos.

588) Qual a diferença entre globalização e universalidade?


A universalidade consiste na atribuição dos direitos humanos a qualquer pessoa, independente de
nacionalidade, credo, sexo ou qualquer outra discriminação, assim, a globalização assume relevância na
expansão e universalização dos direitos humanos, pois, propaga a ideia de proteção da dignidade da
pessoa humana e dos direitos dela decorrentes numa perspectiva global.

589. É possível direitos fundamentais de 4ª e 5ª geração?


R.: Sim. A 1ª geração é referente aos direitos civis e políticos, a 2ª geração se refere aos direitos sociais,
econômicos e culturais, e, a 3ª geração reflete os direitos da fraternidade e solidariedade. No que tange à
4ª geração, Norberto Bobbio entende que esta engloba os direitos decorrentes da manipulação genética.
Por outro lado, Paulo Bonavides entende que a 4ª geração diz respeito ao direito à democracia, à
informação e ao pluralismo, e, a 5ª geração diz respeito ao direito à paz.

590. Por que a Constituição não traz em seu texto a expressão direitos humanos?
R.: Isto ocorre, pois, a expressão “direitos humanos” é utilizada para se referir aos direitos da pessoa
humana positivados em âmbito internacional, de modo que a positivação interna destes direitos no
ordenamento jurídico dos Estados passa a receber a nomenclatura de direitos fundamentais.

591. Quais são os crimes contra a humanidade?


R.: São crimes contra a humanidade, entre outros, homicídio, extermínio, escravidão, tortura, crime de
apartheid, agressão sexual, deportação, quando cometidos no quadro de um ataque, generalizado ou
sistemático, contra qualquer população civil.
 Artigo 7º, 1, do Estatuto de Roma (decreto 4.388/02).

592. Onde estão previstos?


R.: Os crimes contra a humanidade estão previstos no Estatuto de Roma, mais especificamente em seu
artigo 7º, 1.

593. Qual o nome do estatuto?


R.: O nome do estatuto é Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.

594. Este rol trazido no Estatuto de Roma é taxativo?


R.: Há entendimento de que seja taxativo, mas que comportaria interpretação analógica por força da
fórmula genérica disposta na alínea “k”, do parágrafo 1º, do artigo 7º, do Estatuto de Roma. Contudo, há
doutrinadores que entendem que se trata, em verdade, de um rol exemplificativo.

595. Os direitos humanos são inalienáveis. Isso significa que nunca podem ser limitados ou negados?
R.: Não. Não obstante os direitos humanos serem revestidos de inalienabilidade, eles podem ser
limitados ou negados em situações específicas, como, por exemplo, o direito à liberdade pode ser
restringido se uma pessoa for condenada judicialmente pela prática de um crime.

596. E se uma mulher assina um contrato, por livre e espontânea vontade, assumindo que será
escrava do marido? Isso é possível?
R.: Não. Uma das características dos direitos fundamentais é a sua irrenunciabilidade, ou seja, o titular
dos direitos fundamentais não pode deles dispor, embora possa deixar de exercê-los. Ressalta-se, ainda,
que de acordo com Norberto Bobbio, alguns direitos são considerados absolutos, citando-se como
exemplo o direito de não ser escravizado.

597. Como é medida a vulnerabilidade de um grupo?


R.: A elaboração de um sistema de indicadores é um requisito para mensurar, caracterizar e identificar a
vulnerabilidade de indivíduos, grupos ou comunidade. Esse sistema deve ser capaz de sumarizar
informações relevantes de um fenômeno particular. Ex: identificar grupos populacionais e áreas sujeitas
à vulnerabilidade analisando-se suas dimensões sociais, econômicas e ambientais.

598. Como são chamados os direitos humanos de 1ª geração?


R.: São os direitos civis e políticos, originários principalmente, da Independência Norte-americana e da
Revolução Francesa, foram os primeiros a merecer reconhecimento em âmbito internacional.

599. O que são direitos negativos?


R.: Os direitos humanos de 1ª dimensão constituem, via de regra, a defesa do indivíduo diante do poder
do Estado. Decorrem da proteção à liberdade, e definem as situações em que o Estado deve abster de
intervir. São as chamadas liberdades públicas negativas ou direitos negativos.

600. Quais as regras mínimas das Nações Unidas no tratamento dos presos?
R.: Regras de Mandela. Além disso, observou-se à necessidade de cuidado diferenciado, considerando a
situação específica de crianças, adolescentes e mulheres submetidos à administração da justiça em
particular enquanto se encontram em situação de privação de liberdade.

601. Cite três destas regras.


R.:a-) Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros (Regras de Mandela); b-) Regras Mínimas das
Nações Unidas para a Administração da Justiça, da Infância e da Juventude (Regras de Beijing). c-)
Regras das Nações Unidas para a Proteção de Jovens Privados de Liberdade; d-) Regras das Nações
Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas e Medidas Não Privativas de Liberdade para as Mulheres
Infratoras (Regras de Bangkok).

602. Contempla mais ou menos direitos do que a lei de execução?


R.:As Regras Mínimas para o Tratamento de Presos é um guia para estruturar a Justiça e os sistemas
penais dos Estados. Em 2015 passaram por uma revisão e oficializaram um novo quadro de normas,
incorporando novas doutrinas de direitos humanos para torná-las como parâmetros na reestruturação do
atual modelo de sistema penal. Editaram-se, pois, as chamadas Regras de Mandela. Apesar de o Governo
Brasileiro ter participado ativamente das negociações para a elaboração das Regras Mínimas, até o
presente momento não está repercutida em políticas públicas no país, sinalizando o quanto carece de
fomento em nosso país a valorização das normas de direito internacional. Assim, conclui-se que as
Regras Mínimas contemplam mais direitos que a LEP.

603. Uma cadeia de trânsito deve cumprir essas regras mínimas?


R. Sim as regras mínimas se aplicam a todos os estabelecimentos penitenciários.

604. Se descumprir, poderá ser responsabilizada?


R. Como são regras de soft law, ou seja, não vinculantes, não há previsão de responsabilização no plano
internacional. Todavia a responsabilização deve se dar no âmbito interno, em caso de descumprimento
que viole direitos dos presos, como por exemplo por abuso de autoridade.

605. Direitos humanos e direitos dos homens: há assimetria nas expressões?


R. Sim, visto que direito dos homens pode ser entendido como direitos apenas do gênero homem,
enquanto direitos humanos abrange todo ser-humano.

606. Há previsão nas regras mínimas quanto ao uso de algemas?


R. Sim, no referido tratado há a previsão de que o uso de algemas não deve ser aplicado como sanção.
Internamente temos a súmula vinculante 11 e o Decreto nº. 8858/2016.

607. O que dispõe?


R. Que o uso de algemas não deve ser aplicado como sanção.
Internamente: Que as algemas só podem ser usadas em caso de fundado receio de fuga, resistência ou
perigo à integridade física dos envolvidos ou de terceiros, mediante fundamentação por escrito, sob pena
de nulidade da prisão.

608. Por que o STF editou uma Súmula se já havia previsão e o Brasil assinou tratado
internacional?
O STF editou a Súmula, em virtude do caráter não vinculante do Pacto, como dito, norma de soft law.

609. Uma pessoa mal remunerada tem os seus direitos humanos violados?
A remuneração deve garantir a dignidade humana e o mínimo de subsistência, o conceito de má
remuneração é relativo em cada situação, podendo sim, em determinadas circunstâncias ter seus direitos
humanos violados.

610. Todas as cláusulas pétreas versam sobre direitos humanos?


R.: Não. As cláusulas pétreas expressas na CF/88 têm previsão no artigo 60, §4º do texto constitucional.
Destaca-se que, além dos direitos e garantias fundamentais, são considerados dispositivos invioláveis a
forma federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, bem como a separação dos
poderes. Vale frisar que há consenso doutrinário no sentido de existirem cláusulas pétreas implícitas,
como por exemplo a forma de governo republicano.

611. Na visão dos Direitos Humanos, o que é tráfico de pessoas?


R.: Vem definido no capítulo I, artigo 3, alínea ‘a’, do Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do
Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e crianças. Consite no recrutamento, o transporte, a
transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a
outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de
vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de
uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração.

612. Protocolo de Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e


crianças → Qual a idade considerada para uma criança?
R.: Nos termos do artigo 3, “d”, o termo criança abrange toda pessoa menor de 18 anos. Vale ressaltar
que no ordenamento doméstico temos disposição diferente na Lei 8.069/90 que define criança como o
menor de 12 anos de idade.

613. Diferencie o tráfico de uma criança e um sequestro.


R.: A distinção reside basicamente na finalidade do agente e no sujeito passivo. O tráfico de uma criança
previsto no artigo 239 do ECA consiste na conduta de promover ato destinado ao envio de criança ao
exterior, seja com inobservância das formalidade legais, seja com o objetivo de lucro, sendo sujeito
passivo a criança com 12 anos incompletos. O crime de sequestro por sua vez possui tipificação no
Código Penal, artigo 140 e tem como sujeito passivo qualquer pessoa. Traduz-se na conduta de privar o
indivíduo de sua liberdade não exigindo nenhum ânimo específico do agente

614. Há previsão de sequestro e não do tráfico no Protocolo?


R.: Não. Conforme delineado acima, o protocolo define o Tráfico de Pessoas, mas não o sequestro.

615. O que é dignidade da pessoa humana?


R.: Dignidade da pessoa humana é um conjunto de princípios e valores que tem a função de garantir que
cada cidadão tenha seus direitos respeitados pelo Estado. O principal objetivo é garantir o bem estar de
todos os cidadãos. A dignidade da pessoa humana é um princípio fundamental do Brasil. Significa que é
um objetivo que o Estado deve cumprir.
616. Essa nomenclatura não seria redundante?
A função do termo tem por escopo distinguir as pessoas físicas, de modo que não seria um pleonasmo ou
expressão redundante.

617. Todo ser humano tem dignidade?


R: SIM. A dignidade é essencialmente um atributo da pessoa humana: pelo simples fato de "ser"
humana, a pessoa merece todo o respeito, independentemente de sua origem, raça, sexo, idade, estado
civil ou condição social e econômica. A dignidade é intrínseca: vem de dentro. Não é concedida – e nem
retirada – por ninguém.
Nesse sentido, assinala a DUDH já em seu preâmbulo, salientando que o reconhecimento da dignidade é
inerente a todos os membros da família humana.
Aduz ainda em seu art. 1º que: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e
direitos”.
A Convenção Americana de Direitos Humanos estabelece também, em seu art. 11, § 1º, que “Toda
pessoa humana tem direito ao respeito de sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade”.

618. E o animal?
(Me estendi aqui. Achei necessário por ser um tema atual, que não possui muitos materiais a respeito.)
R: Conforme a doutrina majoritária, a dignidade é uma qualidade inerente ao ser humano, que, dotado
de racionalidade, tem a capacidade amoldar o seu comportamento dirigindo-o, em função dos valores
mais elevados quais sejam: a moral, ética, honra, porém, tudo em função da sua racionalidade, fato
que não observamos nos outros seres vivos.
Em última análise a dignidade é uma qualidade humana que depende da racionalidade, portanto, em
tese todos os outros seres estariam excluídos da qualidade de sujeito da dignidade humana.
A filosofia kantiana mostra ainda que o homem existe como fim em si, não simplesmente como meio;
enquanto os seres desprovidos de razão têm um valor relativo e condicionado (ao de meios), eis porque
são chamados de “coisas”. Desta forma, o ser humano, por ser detentor do fim em si mesmo, tem sua
dignidade como algo superior a todos os demais direitos ou garantias que possam ser ou vir a ser
expressos.
Ademais, o art. 82 do Código Civil os classifica como bens “semoventes”, de modo que os animais não
gozam de personalidade jurídica, entendida esta como o atributo necessário para ser sujeito de direito, ou
seja, não possuem os atributos necessários para titularizar direitos e contrair obrigações.
Destarte, justamente por esta subordinação da proteção aos animais aos interesses humanos é que uma
série de práticas cruéis são historicamente cometidas contra animais, especialmente, legitimadas por
valores de ordem científica, sanitária e culturais.
Contudo, ainda que aos poucos, vem se construindo e solidificando na jurisprudência pátria, senão o
reconhecimento da existência de uma dignidade animal, ao menos a obrigatoriedade de revisão da forma
como estes podem e são tratados pelos homens, sem prejuízo mesmo ao reconhecimento, ainda que
mitigado, a determinados direitos de personalidade.
Minoritariamente, há uma abordagem pós-humanista, que visa questionar verdades preconcebidas
quanto ao sujeito humano e construir um panorama inclusivo dos demais sujeitos que constituem o todo,
entendendo os direitos dos animais como sendo de quarta dimensão.
A humanidade, por razões culturais e históricas, possui um enorme bloqueio ético em considerar que há
outros indivíduos, que não da espécie humana, oprimidos e discriminados de maneira arbitrária e
inquestionada. É um caminho que não visa desconstituir, mas ressignificar suas premissas e direcionar-
se para uma proteção da vida universal, uma vez que a dignidade, a priori, é direito inerente apenas aos
seres humanos, ainda que de maneira universalizada, como os direitos fundamentais de terceira geração.
Elevar os direitos fundamentais a este patamar é o mesmo que ressignificar o princípio da dignidade
humana, com uma finalidade essencialmente inclusiva, pois, enquanto os direitos fundamentais de
terceira geração abrangem todos os direitos do gênero humano, em seu último grau de evolução
conceitual, os direitos fundamentais de quarta dimensão corresponderiam a um passo além da dimensão
humana, protegendo os seres vivos que habitam o planeta em caráter universal.
O tratamento dos direitos dos animais como uma quarta dimensão dos direitos fundamentais justifica-se,
portanto, mediante a possibilidade de manter a proeminência da dignidade humana como vetor
constitucional e fazer, simultaneamente, uma releitura desse princípio, transferindo-o para o patamar de
uma dignidade global, pós-humana.
Quem quiser saber mais: https://www.conjur.com.br/2018-jun-16/observatorio-constitucional-animais-
ligados-quarta-dimensao-direitos-fundamentais#_ftn10

619. Toda vítima de um crime teve a sua dignidade violada? (Dúvida)


R: Tendo em vista que o direito penal tutela somente os bens jurídicos mais essenciais ao indivíduo e a
ordem social, via de regra, condutas criminosas violam sim a dignidade, já que esta, em uma de suas
perspectivas, é encarada como um conjunto de princípios e valores que tem a função de garantir que
cada cidadão tenha seus direitos respeitados pelo Estado.
No entanto, há de se considerar o fato de que o conceito de dignidade, além de extremamente
abrangente, não é uníssono na doutrina, bem como que a maioria dos autores elencam apenas o ser
humano como titular desse direito, sendo que nem sempre a vítima será uma pessoa física, como por
exemplo, nos crimes em que o sujeito passivo é o Estado, caso em que a violação não se daria no campo
da dignidade.
Salienta-se ainda que há quem entenda pela existência de uma “dignidade coletiva”, de modo que esta
poderia ser violada mesmo em crimes que possuem a sociedade / a coletividade como vítima, ainda que
não atinjam alguém de modo específico, como no tráfico de drogas, por exemplo.
620. Com que tratado, convenção ou protocolo o Brasil ingressou na proteção dos direitos
humanos? (Não achei ao certo. Só achei isso, mas não diz quando foi ratificado cada um. Quem
souber, avise no grupo)
R:
I - DECLARAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS APROVADAS PELO BRASIL
a) Sistema Global
Declaração Universal dos Direitos Humanos - 1948
Declaração do Direito ao Desenvolvimento - 1986
Declaração e Programa de Ação de Viena -1993
Declaração de Pequim - 1995
b) Sistema Regional Interamericano
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem - 1948

II - TRATADOS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO DE DIREITOS HUMANOS RATIFICADOS


PELO BRASIL
a) Sistema Global
Preceitos da Carta das Nações Unidas - 1945
Convenção contra o Genocídio - 1949
Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados - 1951
Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados - 1966
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos - 1966
Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - 1966
Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial - 1968
Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher - 1984
Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes 1984
Convenção sobre os Direitos da Criança - 1989
b) Sistema Regional Interamericano
Convenção Americana sobre Direitos Humanos - 1969
Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura - 1985
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher - 1994

621. A Carta Magna de 1215 previa garantias de que geração?


R: A Magna Carta Libertatum, de 1215, entre outras garantias previa a liberdade da igreja da Inglaterra,
restrições tributárias, proporcionalidade entre delito e sanção, previsão do devido processo legal, livre
acesso à justiça, liberdade de locomoção e livre entrada e saída do país, tendo previsto, desse modo,
garantias de primeira geração/dimensão.
Foi o primeiro documento a ter os direitos do homem reconhecidos formalmente. Tal reconhecimento de
direitos importa em uma limitação de poder, e principalmente em uma definição de garantias
especificas em caso de sua violação.

622. O que é aplicabilidade imediata dos direitos e garantias fundamentais?


R: Constitui previsão contida no art. 5º, § 1º, de nossa Constituição, classificando Ingo Sarlet o
dispositivo como de natureza principiológica, que impõe ao Estado a tarefa de maximizar a eficácia dos
direitos fundamentais, estabelecendo o princípio da máxima efetividade dos direitos fundamentais, de
modo que estes podem ser invocados desde logo pelo jurisdicionado.
Assevera Sarlet que:
(...) convém relembrar que todas as normas constitucionais, sendo dotadas sempre de um mínimo de
eficácia, sendo esta variável consoante seu grau de densidade normativa, também podem considerar-se –
em certa medida – diretamente aplicáveis, naturalmente nos limites de sua eficácia e normatividade.
Portanto, sendo os preceitos constitucionais dotados de certo grau de aplicabilidade, ainda que de
natureza programática ou limitada, não podem ter sua fruição negada pelo fato de estar atrelada a
dispositivo desta natureza.
Em suma, embora existam diversas correntes sobre a aplicação imediata dos direitos fundamentais e
posicionamentos divergentes (como, por exemplo, há quem entenda que existiriam exceções à
aplicabilidade imediata ou até que em razão dessa previsão não existiriam normas programáticas na CF),
assim, em consonância ao pensamento de Ingo, tem entendido o Supremo Tribunal Federal e maior parte
dos nossos tribunais sobre o tema.

623. O Código de Conduta dos aplicadores da lei autoriza o uso de força?


R: Sim, conforme o artigo 3º do mencionado código, os funcionários responsáveis pela aplicação da lei
podem fazer uso de força, desde que se afigure estritamente necessário e na medida exigida para o
cumprimento do seu dever.

624. E a nossa legislação? Prevê o uso de força nesse mesmo sentido?


R. Sim, mas o uso da força deve ser exceção e sempre pautada pela proporcionalidade da medida. Tal
previsão se encontra no art. 284, do Código de Processo Penal, verbis: “Art. 284. Não será permitido o
emprego de força, salvo a indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso”.

625. O Código de Conduta se aplica aos militares?


R. Sim, sem dúvida, de acordo com a melhor doutrina, a interpretação da expressão “funcionários
responsáveis pela aplicação da lei”, contida no art. 1º, do Código de Conduta para Funcionários
Responsáveis pela Aplicação da Lei, deve abranger todos os agentes da lei, mormente os que exercem
poder de prisão ou detenção de pessoas.
626. E ao Guarda Civil Metropolitano?
R. Sim, também será aplicável, uma vez que também são investidos de poderes de detenção ou prisão de
pessoas, conforme a interpretação mais ampla aplicável ao diploma ora em apreço.

627. Por que parte da doutrina critica a nomenclatura geração dos direitos fundamentais?
R. O principal argumento utilizado pelos autores que criticam repousa na noção inadequada do processo
evolutivo dos direitos humanos, uma vez que a palavra “geração” transmite uma ideia de substituição de
um objeto por outro, mais novo e diferente, de modo que, com o passar do tempo, uma geração é sempre
substituída por outra, sendo a geração antiga abandonada pelo surgimento da nova, e isso não condiz
nem um pouco com o processo histórico de afirmação dos direitos humanos.

628. Em que consiste a relatividade dos direitos humanos?


R. A relativização dos direitos humanos consiste na afirmação de que os direitos humanos podem sofrer
limitações, podem ser relativizados, não se afirmando como absolutos. Mormente, isso ocorre quando há
necessidade de adequá-los a outros valores coexistentes na ordem jurídica, surgindo a necessidade de
relativizar e harmonizar os bens jurídicos em colisão.

629. Quais são os direitos de 2ª geração?


R. São identificados como direitos sociais, direitos positivos, de natureza prestacional, que exigem do
Estado intervenção no domínio econômico e prestação de políticas públicas com vistas à concretização
da igualdade material, sendo largamente citados os direitos à educação, saúde e cultura.

630. Há hierarquia entre os direitos?


R. A compreensão das características da unidade, da indivisibilidade e da interdependência dos direitos
humanos nos levam a concluir que os direitos humanos devem ser entendidos com um bloco único,
indivisível e interdependente de direitos. Por esta razão, tem-se afastada a ideia de que haveria hierarquia
entre os direitos, como se uns fossem superiores aos outros, e propõe que todos os direitos são
igualmente exigíveis, por serem todos importantes para a materialização da dignidade da pessoa humana.
Por fim, houve quem sustentasse que os direitos liberais seriam superiores aos direitos sociais, mas tal
tese não prosperou diante da compreensão dos princípios retro expostos.

631. Poderia ter vagas destinadas aos afrodescendentes no concurso para a polícia?
R: É possível a adoção de cotas para afrodescendentes em concursos públicos, inclusive para a carreira
policial. Contudo, a adoção dessa ação afirmativa depende de expressa previsão legal, sob pena de
violação do princípio da legalidade. No caso da Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado de São Paulo,
não há essa previsão.

632. Poderia haver desigualdade no TAF, como por exemplo, barra diferente para homens e
mulheres? Seria ação positiva?
R: É possível a adoção de critérios diferenciados para homens e mulheres nos testes de aptidão física,
tendo em vista a existência de diferenças biológicas entre os dois sexos, como a altura média e a
constituição corporal. Tal medida é essencial para garantir a igualdade material, pois a adoção de um
critério único resultaria em situações injustas. A PCSP utilizava critérios diferentes para homens e
mulheres no TAF.

633. Todos os direitos humanos são imprescritíveis?


R: De acordo com a doutrina, a imprescritibilidade é uma característica de TODOS os direitos humanos,
vez que eles não cessam pela inércia do seu titular no decorrer do tempo.

634. Bobbio diz que o maior desafio hoje é proteger os direitos humanos. Disserte sobre isso.
R: Para Noberto Bobbio, “o problema fundamental em relação aos direitos do homem, hoje, não é tanto
o de justificá-los, mas o de protegê-los. Trata-se de um problema não filosófico, mas políticos”.

635. O que é internacionalização dos direitos humanos?


R: Trata-se do fenômeno de construção de sistemas e microssistemas internacionais de proteção aos
direitos humanos. Dentro de tal proposta, criam-se organismos e órgãos internacionais, mediante o
acordo de vontade de diferentes estados soberanos, surgindo assim um sistema edificado e conduzido
pela vontade plural e harmônica de diferentes nações.

636. Como se concretiza essa internacionalização?


R: A internacionalização dos direitos humanos se concretiza através da instituição de tratados e
convenções internacionais e da criação de órgãos de proteção e controle, como a ONU e a Corte
Interamericana de Direitos Humanos. O fenômeno ganhou seus primeiros esboços ideológicos no final
do século XIX e suas primeiras ações concretas vieram no início do século XX, com a criação da Liga
das Nações. Posteriormente, com o fim da Segunda Guerra Mundial, o processo de internacionalização
teve grande avanço a partir da criação da ONU e com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

637.Quais os dois sistemas de direitos humanos?


R: Atualmente existem dois sistemas de proteção de direitos humanos: o global e os regionais. O
primeiro está inserido no âmbito da ONU e possui influência global; enquanto o segundo sistema de
proteção dos direitos humanos tem atuação local, no âmbito africano, interamericano ou europeu.
638.Poderia ter vagas destinadas aos afrodescendentes no concurso para a polícia?
R.: Sim, apesar de não ser uma ação afirmativa prevista na CF, o STF entendeu que a reserva de vagas
para negros e pardos não viola a eficiência, pois os candidatos devem fazer concurso como os demais.
Ademais, o STF entendeu pela constitucionalidade da Lei 12.990/2014 que trata das cotas para negros e
pardos nos concursos publicos.

639.Poderia haver desigualdade no TAF, como por exemplo, barra diferente para homens e mulheres?
Seria ação positiva?
R.: Sim. O tratamento diferenciado com relação a homens e mulheres no TAF tem fundamento no
preceito constitucional da isonomia, em seu viés igualdade material, ou seja, tratar os desiguais de
maneira desigual na medida de sua desigualdade, visto que, em regra, subsiste sensível diferença entre
pessoas do sexo feminino e masculino no que tange sua constituição e aspectos biopsicologicos,
notadamente no que tange à força física.

640.Todos os direitos humanos são imprescritíveis?


R.: Sim. Todos os direitos humanos são exigíveis, não se perdendo com o decurso do tempo e não
deixando de existir pela falta de uso. Todavia, o que pode ocorrer é a prescrição decorrente do exercício
dos direitos humanos, pois é possível desenvolverem-se relações jurídicas negociais a partir dos direitos
humanos e caso haja violação estritamente negocial abre-se prazo para reclamar sua lesão.

Direitos Humanos – Examinador Luis Segantin

641.Bobbio diz que o maior desafio hoje é proteger os direitos humanos. Disserte sobre isso.
R.: Bobbio afirma que o maior desafio hoje é proteger os direitos humanos pois a proteção não mais se
limita a afirmá-los ou salvaguardá-los, mas principalmente torná-los efetivos, ou seja, fazer com que tais
direitos sejam levados a cabo, cumpridos e eficazes.

642.O que é internacionalização dos direitos humanos?


R.: Trata-se do fenômeno de construção de sistemas e microssistemas internacionais de proteção aos
direitos humanos, inspirado no princípio da cooperação internacional. A internacionalização ocorreu
efetivamente após a segunda guerra, quando surgiu a Organização das Nações Unidas e a Declaração
Universal de Direitos Humanos.

643.Como se concretiza essa internacionalização?


R.: Concretiza-se principalmente com a criação dos sistemas de proteção dos direitos humanos e com a
criação dos tratados, acordos e convenções de direitos humanos.
644.Quais os dois sistemas de direitos humanos?
R.: Os sistemas de direitos humanos são sistema universal/global de direitos humanos e sistema regional
de direitos humanos.

645. Quantos sistemas regionais existem?


R.: Existem três importantes sistemas jurídicos de proteção de direitos humanos de caráter regional: o
europeu, o americano e o africano. Cada qual tem por competência central, entre outras, zelar pelo
respeito e efetividade das Convenções de direitos humanos firmadas em cada continente

646. Código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei, ele faz menção ao
uso da força?
R.: Sim, em seu artigo 3º dispõe que os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem
empregar a força quando tal se afigure estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento
do seu dever. Assim, o emprego da força por parte dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei
deve ser excepcional.

647. Ele explica qual o tipo de força? Arma de fogo, por exemplo?
R.: Em comentário ao artigo 3, o código diz que o emprego de armas de fogo é considerado uma medida
extrema. Devem fazer-se todos os esforços no sentido de excluir a utilização de armas de fogo,
especialmente contra as crianças. Em geral, não deverão utilizar-se armas de fogo, exceto quando um
suspeito ofereça resistência armada, ou quando, de qualquer forma coloque em perigo vidas alheias e
não haja suficientes medidas menos extremas para o dominar ou deter. Cada vez que uma arma de fogo
for disparada, deverá informar-se prontamente as autoridades competentes.

648. O código dispõe sobre o uso de arma de fogo?


R.: Sim, no comentário ao artigo 3, dispõe que o emprego de armas de fogo é considerado uma medida
extrema. Devem fazer-se todos os esforços no sentido de excluir a utilização de armas de fogo,
especialmente contra as crianças. Em geral, não deverão utilizar-se armas de fogo, excepto quando um
suspeito ofereça resistência armada, ou quando, de qualquer forma coloque em perigo vidas alheias e
não haja suficientes medidas menos extremas para o dominar ou deter. Cada vez que uma arma de fogo
for disparada, deverá informar-se prontamente as autoridades competentes.

649. O código regula ações de quem lida com a força. Elenque 3 condutas previstas no código.
R.: Entre as condutas exigidas pelo código, encontra-se: a) o dever de cumprir, a todo o momento, o
dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais, em
conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer; b) o dever de
respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos fundamentais de todas as pessoas; c)
o dever de manter as informações de natureza confidencial em segredo, a não ser que o cumprimento do
dever ou as necessidades da justiça estritamente exijam outro comportamento.

650. Abade de Sieyès é representante de qual geração ou dimensão dos direitos humanos?
R.: Abade Sieyès foi o único grande nome da Revolução Francesa, sendo assim, como a Revolução
Francesa é o referencial histórico dos direitos de primeira geração/dimensão (direitos civis e políticos),
Sieyés os representa.
R.: Observação – Não encontrei uma resposta concreta para essa pergunta, então não tenho certeza da
resposta, como o nome de Sieyes está ligado a Revolução Francesa, achei que representaria a 1º geração
de direitos.

651. Cite três sistemas precursores da criação da ONU.


R.: A criação da Organização das Nações Unidas (ONU) se deu em fevereiro de 1945, na cidade de
São Francisco, EUA, como resultado das conferências de paz realizadas no final da Segunda Guerra
Mundial.
R.: Observação - Não encontrei resposta para essa pergunta.

652. Faça um paralelo entre o sistema internacional de direitos humanos e a soberania do estado.
R. A noção de soberania absoluta do Estado, sofre uma relativização em virtude do sistema internacional
de direitos humanos, pois são admitidas intervenções no plano nacional, em prol da proteção dos direitos
humanos; permitem-se formas de monitoramento e responsabilização internacionais, quando os direitos
humanos forem violados.

653. Há situações em que dispositivos de tratados entram em conflito com o ordenamento de um


país?
R. Sim, e neste caso a doutrina consagrada entende que pelo menos um dos preceitos deve ser derrogado
pelos critérios: hierárquico, cronológico e o da especialidade. Caso se trate do caso específico dos
direitos humanos, são usados critérios que dão preferência á luz do valor que resguardam, como por
exemplo, a norma mais favorável à pessoa humana.

654. Carta da ONU criou o conselho de segurança. Qual a sua finalidade? Cite 3 membros deste
conselho.
R. O Conselho de Segurança é o órgão da ONU responsável pela manutenção da paz e da segurança
internacionais. Ele é composto por apenas 15 membros, sendo estes cinco permanentes, e com poder de
veto, e dez não permanentes. Dentre os permanentes estão França, Reino Unido e os Estados Unidos da
América.
Artigos 23.1 e 24.1 da Carta da ONU.

655. Fale sobre a limitabilidade, complementariedade e concorrência dos direitos humanos.


R. Em decorrência da limitabilidade que se defende a inexistência de direitos absolutos. Na
complementariedade, um direito completa o outro. É por isso que se defende a existência de
“dimensões” e não de “gerações” de direitos. A concorrência diz que a regra é que os direitos humanos
coexistam, isto é, que eles possam ser exercidos conjuntamente, sem que um anule o outro.

656. Qual status das regras mínimas para tratamento dos presos?
R. As Regras Mínimas possuem natureza de soft law, que consiste no conjunto de normas não
vinculantes de Direito Internacional, mas que podem se transformar em normas vinculantes
posteriormente, caso consigam a anuência dos Estados. Serve como modelo para elaboração de normas
internas e parâmetro interpretativo para operadores do direito.

657. Lei execução penal, qual o seu status em nosso ordenamento jurídico?
R. A Lei de Execução Penal tem status de lei ordinária em nosso ordenamento jurídico. Assim, por ser
hierarquicamente inferior na pirâmide de Kelsen, esta lei deve estar compatível com a Constituição
Federal, Emendas Constitucionais e dos tratados considerados “supralegais”.

658. Conflito entre LEP e regras para tratamento de presos, qual se aplica?
R.: As Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Presos possuem natureza de soft law,
sendo, portanto, um conjunto de normas não vinculantes com caráter de orientações. Por conseguinte,
em tese, não podem prevalecer sobre uma norma da LEP. Insta salientar que, caso determinada regra
mínima seja repetição de um direito previsto em um tratado internacional de direitos humanos
internacionalizado em nosso ordenamento jurídico (seja com caráter supralegal, seja com caráter de
emenda constitucional), tecnicamente falando, será esse tratado que prevalecerá sobre a Lei de Execução
Penal e não propriamente as Regras de Mandela.
Obs.: Não achei a resposta exata para essa pergunta.

659. Há previsão nas regras mínimas para tratamento dos presos e na LEP sobre a revista íntima?
R.: Nas Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Presos há previsões sobre a revista
íntima dos reclusos nas regras 50 a 52, bem como sobre a revista íntima de visitantes na regra 60. A
LEP, por sua vez, é silente sobre o tema. Insta salientar que tramita no Congresso Nacional um Projeto
de Lei que visa acrescentar dispositivos na Lei de Execução Penal que tratem da revista pessoal.

660. Recente IBCCRIM, EDIÇÃO 267, diz que a revista íntima seria o estupro institucionalizado.
Qual a sua opinião?
R.: Eu concordo com a posição adotada pelo IBCCRIM, no sentido de que deve ser vedada a revista
vexatória. Isto porque se traduz em prática atentatória à dignidade humana em razão da violação ao
direito à intimidade e à convivência familiar entre o visitante e o preso. A meu ver, a revista íntima
deverá, em regra, ser realizada mediante o uso de equipamentos eletrônicos, somente sendo procedida a
revista manual nos casos em que subsistir fundada suspeita de porte de objetos proibidos.

661. As regras mínimas também se aplicam aos presos em prisão civil?


R.: Sim. Conforme previsão expressa contida na observação preliminar 3 das Regras Mínimas das
Nações Unidas para o Tratamento de Presos, a sua aplicação deve atingir a todas as categorias de presos,
criminais ou civis, em prisão preventiva ou condenados, inclusive os que estejam em medida de
segurança ou medidas corretivas.

662. Protocolo de prevenção ao tráfico de mulheres e crianças repercutiu no ordenamento jurídico


interno?
R.: Sim. O referido protocolo foi promulgado na ordem jurídica pátria por meio do decreto n. 5.017 de
2004. A legislação interna foi atualizada em 2016, com o advento da Lei n. 13.344 que, na linha do que
dispõe o Protocolo, trata da prevenção, repressão e proteção às vítimas de tráfico de pessoas. Insta
salientar que, com a novel legislação, o nosso Código Penal passou a punir o tráfico de pessoas praticado
com diversas finalidades (art. 149-A) e não apenas quando praticado com a finalidade de exploração
sexual (revogado art. 231 e art. 231-A).

663. Pelo protocolo, criança é até qual idade?


R.: Conforme previsão do art. 3º do Protocolo, o termo "criança" significa qualquer pessoa com idade
inferior a dezoito anos.

664. Elenque documentos de direitos humanos do sistema global e dos sistemas regionais que
mencionem direitos de segunda geração.
R.: A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um exemplo de documento no âmbito do sistema
global que menciona direitos de segunda dimensão, bem como o Pacto Internacional de Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais. Em relação, aos sistemas regionais, cabe mencionar a Carta Social
Europeia e a Convenção Americana de Direitos Humanos.

665. Protocolo de prevenção ao tráfico de pessoas, qual a idade prevista para criança?
Segundo o artigo 3, alínea “d”, da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado
Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres
e Crianças, o termo criança significa qualquer pessoa com idade inferior a dezoito anos.
666. No CP há 2 artigos que preveem o tráfico de pessoas, se essas pessoas chegarem ao local
para onde foram levadas pelos traficantes e disserem que foram por livre vontade, há crime?
R.: A lei 13.344/06 alterou o artigo 149-A do Código Penal, que estabelece o tráfico de pessoas para
diversos fins (sexual, reduzir a condição análoga de escravo, remoção de órgãos ou envio ilegal de
criança), reconhece que o consentimento livre e consciente do ofendido adulto com o fim de exploração
sexual é conduta atípica, para os demais fins protegidos o consentimento seria irrelevante.

667. Direitos de segunda geração, exemplifique.


R.: Ligados ao valor igualdade, os direitos fundamentais de segunda dimensão são os direitos sociais,
econômicos e culturais. São direitos de titularidade coletiva e com caráter positivo, pois exigem atuações
do Estado. Ex. assistência social, saúde, educação, trabalho, lazer, etc.

668. A doutrina moderna aceita a ideia de que uma geração é de ação e a outra de omissão?
R.: A doutrina moderna entende que as gerações de direitos humanos não se limitam a uma ação ou
omissão, as ações se complementam fazendo com que os direitos sejam totalmente protegidos. Ex. No
direito de primeira dimensão o papel do Estado não é apenas um não fazer, deve também exercer
positivamente certas condutas, como exigir omissões do poder público, garantindo por completo as
liberdades.

669. Dê exemplo de aplicação imediata.


R.: Um exemplo de aplicação imediata se deu na atuação do STF em garantir a aplicabilidade direta do
art. 196 da Constituição Federal no que concerne ao direito à saúde, reconhecendo o dever do Estado em
fornecer gratuitamente medicamentos às pessoas necessitadas, em um caso de instituição de políticas
públicas.

670. Grupos vulneráveis e minorias, diferencie e dê exemplos.


R: Grupos vulneráveis: são as pessoas que em face de algumas condições, como gênero, idade, opção
sexual, entre outras, são mais propicias a serem vítimas de determinadas violências (mulheres, crianças,
idosos, comunidade LGBT). Já o grupo das minorias daquele primeiro se difere, por serem grupos de
pessoas que possuem similitude de características (religião, etnia, raça) que as tornam diferentes da
grande maioria do grupo social, sendo desta forma também alvos de delitos específicos. É o caso dos
negros, ciganos, indígenas.

671. Trace um paralelo entre ação afirmativa e princípio da isonomia.


R: Podemos conceituar o princípio da isonomia na máxima Aristotélica que prega “tratar igualmente os
iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”, ou seja, igualdade em sentido
formal e principalmente material. Neste cenário, surge a ideia de ação afirmativa, que são atos ou
medidas especiais e temporárias, tomadas ou determinadas pelo Estado, espontânea ou
compulsoriamente, com os objetivos de eliminar desigualdades historicamente acumuladas. Portanto,
uma ação afirmativa se justifica justamente pelo princípio da isonomia, tendo em vista que o Estado
reconhece que para certos grupos de pessoas, é necessário dar tratamento desigual para assim se atingir a
isonomia de fato, e não apenas igualdade formal.

672. Há limites para as ações afirmativas?


R: Sim, se faz necessário obedecer a critérios limitadores com a finalidade de evitar criação de novas
discriminações, em desfavor então das maiorias. Por exemplo, critério temporal que determina que estas
ações devem ser temporárias até alcançarem o objetivo estipulado, devendo ser excluída em seguida.
Também é necessário que seja proporcional, e comprovada a existência de desigualdade.

673. A qual dos poderes compete a elaboração de ações afirmativas?


R: Por Excelência, compete ao Poder Legislativo, através de sua atividade típica de legislar. No entanto,
os demais Poderes também possuem competências, atípicas, na elaboração de ações afirmativas.

674. Conceitue dignidade da pessoa humana.

R: A dignidade da pessoa humana é um valor supremo que atrai o conteúdo de todos os direitos
fundamentais do homem. É um fundamento do Estado Democrático de Direito Brasileiro, e prerrogativa
de todo ser humano em ser respeitado como pessoa, de não ser prejudicado em sua existência. É
reconhecer o ser humano como início, centro e fim do direito.

675. Liberdade pública é sinônimo de direitos humanos?


R: Não. As liberdades públicas são direitos à proteção do cidadão contra arbitrariedade do estado e dos
particulares. Já os direitos humanos são direitos protegidos pela ordem internacional contra as violações
e arbitrariedades que um Estado possa cometer às pessoas sujeitas à sua jurisdição, não restringido
apenas a liberdade, mas baseados na tríade Liberdade, igualdade e fraternidade. Portanto, as liberdades
públicas são sempre direitos do homem, nem todos os direitos do homem são liberdades públicas.

676. Defina direitos humanos, direitos do homem e direitos fundamentais.


R: Direitos humanos: Conjunto de direitos essenciais e indispensáveis para uma vida humana pautada
na liberdade, igualdade e dignidade, inerente a todos membros da espécie humana, sem distinções.
Direitos fundamentais: Parte da doutrina sustenta que direitos fundamentais tem matriz constitucional,
com força vinculante internamente nos Estados, contudo, prevalece que direitos humanos e fundamentais
estão ligados umbilicalmente e não há diferenciação prática. Direitos do homem: Nomenclatura de
origem jusnaturalista, refere-se ao direito natural inerente a qualquer pessoa humana, independentemente
de estar ou não positivado.

677. Cite os documentos, marcos históricos que antecederam a formalização dos direitos humanos.
R: Entre outros, podemos citar: Magna Carta Inglesa de 1.215, Petition of Rights de 1.628, Habeas
Corpus Act 1.679, Bill of Rights 1.689, Declaração do Estado da Virgínia 1.776, Constituição
Americana 1.787, Revolução Francesa 1789, Constituição Francesa 1.791 e após as atrocidades
perpetradas pelo nazismo na 2ª guerra, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH) de 1948.

678. Quais os crimes de competência do TPI?


R: Destina-se a apurar a responsabilidade de indivíduos por crimes perpetrados contra os direitos
humanos, crimes de maior gravidade com alcance internacional, notadamente os seguintes: crime de
genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e o crime de agressão. (Art. 5º do Estatuto de
Roma, internalizado pelo Decreto 4.388/02).

679. Qual o prazo prescricional desses crimes?


R: Os crimes da competência do Tribunal não prescrevem. (Art. 29 do Estatuto de Roma, internalizado
pelo Decreto 4.388/02).

680. Empresa governamental comete crime de genocídio, a pessoa jurídica vai a julgamento no
TPI?
R: De acordo com o art. 25, inciso 1, do Estatuto de Roma, o Tribunal Penal Internacional será
competente para julgar as pessoas físicas.

681. Qual a instância do TPI? Em que instância ela atua, primeira, segunda?
R: A jurisdição do TPI é complementar às jurisdições nacionais, o que significa que somente será
exercida caso o Estado que tenha jurisdição sobre um determinado caso não tenha iniciado o devido
processo ou, caso o tenha feito, agiu com o intuito de subtrair o acusado à justiça ou de mitigar-lhe a
sanção. Assim, a atuação do TPI é apenas subsidiária. (Art. 1º do Estatuto de Roma).

682. Qual o contexto social que ensejou os direitos de segunda dimensão?


R. Os direitos humanos de 2ª dimensão compreendem os direitos de igualdade, que são os direitos
sociais, econômicos e culturais, fruto da transição do Estado Liberal para o Estado Social. Os direitos
humanos de segunda dimensão surgiram no final do século XIX e início do século XX. Os
acontecimentos históricos que marcaram essa dimensão são a Revolução Mexicana de 1910 e a
Revolução Russa de 1917.
683. Defina preconceito, discriminação e racismo.
R. O preconceito é uma opinião preconcebida em relação a determinada pessoa ou grupo, que não é
baseada em uma experiência real ou na razão.
O racismo é a crença de que os membros de cada raça possuem características, habilidades ou qualidades
específicas dessa raça e, portanto, algumas raças são superiores às outras.
A discriminação refere-se ao tratamento injusto ou negativo de uma pessoa ou grupo, por ela pertencer a
uma determinada classe, grupo ou categoria (como raça, idade ou gênero). Portanto, a discriminação é o
preconceito ou racismo em forma de ação.

684. É possível cogitar discriminação positiva?


R. Discriminação positiva é a aplicação da igualdade material. A discriminação positiva ou ações
afirmativas (ou ainda ações positivas) são medidas especiais e temporárias, tomadas ou determinadas
pelo Estado, espontânea ou compulsoriamente, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente
acumuladas, garantindo a igualdade material, pois a formal (todos são iguais perante a lei) vem desde o
surgimento do Estado Liberal.

685. Exemplo de ações afirmativas.


R. A discriminação positiva introduz na norma o tratamento desigual dos formalmente iguais, citando-se
como exemplo a reserva de vagas de cargos públicos para pessoas com deficiência, determinada pela
Constituição Brasileira de 1988, ou ainda a reserva de uma determinada quantidade de vagas nas
universidades públicas para alunos afrodescendentes ou da rede pública.

686. No ordenamento jurídico brasileiro há a definição de ação afirmativa?


R. Sim, no Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010).
São ações afirmativas os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada
para a correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades.

687. Qual o status da Convenção para eliminação de todas as formas de discriminação


racial?
R. A Convenção Internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial foi adotada
pela Resolução n. 2.106-A da Assembleia das Nações Unidas. Tal Convenção foi ratificada e
promulgada pelo Brasil, possuindo status supralegal, uma vez que não foi introduzida nos termos do art.
5º, §3º da CF/88.