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A INTERDISCIPLINARIDADE E O TRABALHO DOCENTE: UMA

PERSPECTIVA DIALÓGICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO


FUNDAMENTAL

Lucia Maria Batista Fonseca1 - UFPA


Maria Dulce Gonçalves de Matos2 - UFPA
Erick Cristian Tourão Oliveira 3 - UFPA
Osvaldo dos Santos Barros4 - UFPA

Grupo de Trabalho - Didática: Teorias, Metodologias e Práticas


Agência Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

Neste artigo apresentamos os resultados de uma pesquisa realizada com quatro professores
dos anos iniciais do Ensino Fundamental em duas escolas públicas localizadas em um bairro
periférico da cidade de Belém-Pá, região Norte do Brasil. A pesquisa foi desenvolvida com
foco nos seguintes objetivos: objetivo geral, identificar em contexto escolar se há diálogo
entre o ensino interdisciplinar e as áreas do conhecimento no ensino do 5° ano do Ensino
Fundamental na rede pública de ensino, e como especificos verificar se há presença da ação
interdisciplinar na relaçao entre planejamento e ensino, identificar quais procedimentos
metodológicos são garantidos no planejamento escolar e identificar a formação do professor e
as influências teóricas que orientam suas práticas pedagógicas. Os procedimentos
metodológicos assumidos nesta pesquisa foram de abordagem qualitativa e para colaborar
com o diálogo entre pesquisador e pesquisados, optamos pela entrevista compreensiva, por
entender que esta pode promover a interação entre os sujeitos da pesquisa, quebrando a
hierarquia entre os mesmos. Nesta pespectiva, procuramos identificar por meio da entrevista,
se no fazer pedagógico dos professores do 5° ano do Ensino Fundamental existe relação

1
Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal do Pará, especialista em Psicologia Educacional com
Ênfase em Psicopedagogia pela Universidade Estadual do Pará, Especialista em Gestão Escolar pela
Universidade Federal do Pará, Especialista em Educação do Campo Currículo, Cultura e Letramento pela
Universidade Federal do Pará. Especialista em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável pelo
Instituto Federal do Pará. Pós-Graduanda do Programa de Pós-Graduação em Docência em Educação e Ciências
e Matemáticas – PPGDOC - Universidade Federal do Pará. E-mail:luciafonseca64@hotmail.com
2
Graduada em Matemática. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Docência em Ensino de Ciências e
Matemáticas. E-mail:mariadulce.matos@hotmail.com
3
Licenciado em Matemática pela Universidade Federal. Email:proferickoliveiramat@gmail.com
4
Doutor em Educação Matemática. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnomatemática –
GETNOMA. E-mail: osvaldosb@ufpa.br

ISSN 2176-1396
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dialógica interdisciplinar e quais as dificuldades encontradas ao tentar estabelecer esse


diálogo em contexto escolar. Para dar veracidade aos dados desse artigo, fundamentamos a
pesquisa em Barbosa, Candau, Tomaz, Veiga-Neto, Tardif, entre outros, por entendermos que
suas pesquisas fazem referências ao nosso objeto de investigação. a pesquisa revelou que as
ações pedagógicas desenvolvidas no interior das duas escolas pesquisadas não contemplaram
os objetivos propostos por não apresentarem clareza entre o fazer docente e as práticas
interdisciplinares de ensino e aprendizagem. Contudo, esse tema não se esgota aqui, requer
maior aprofundamento pela relevância que representa para a comunidade escolar, assim como
para a melhoria na qualidade do processo de ensino aprendizagem.

Palavras-chave: Interdisciplinaridade. Formação Continuada. Prática Docente.

Introdução

As discussões no setor da educação acerca da interdisciplinaridade, surge novamente,


após décadas da sua origem epistemológica. Essa temática se faz necessário, pois a sociedade
atual necessita de cidadãos críticos, reflexivos e participativos, capazes de intervirem na sua
realidade para a formação de uma sociedade com justiça e equidade social.
Nesta perspectiva, a educação é fundamental, e a escola é um lócus privilegiado, pois
nela se encontra diversos atores sociais. Porém a maneira como está estruturada, com
currículos pré-estabelecidos, dispostos em disciplinas isoladas, dificilmente conseguirá
colaborar para formação cidadã. Com essa estrutura, o conhecimento tem se dado de forma
fragmentada, dividida em especializações, o que impede um trabalho coletivo, que pode
possibilitar a construção de alternativas para solução de problemas e a busca do bem comum
aos seres humanos.
Os programas educacionais propõem a interdisciplinaridade como alternativa para
eliminar a fragmentação do conhecimento, promover a interação e as relações entre as
diversas áreas do conhecimento. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (Brasil,
1998), possivelmente para facilitar a compatibilidade e a aproximação com a estrutura
disciplinar vigente, foi adotada uma concepção de interdisciplinaridade com outro nível de
abrangência, em que o desenvolvimento de projetos aparece como proposta para vencer a
fragmentação do conhecimento escolar e promover uma educação para construção da
cidadania (TOMAZ; DAVID, 2013, p.17).
Diante dessa afirmativa a adoção da interdisciplinaridade na sala de aula pode
possibilitar análise do processo educacional da sociedade atual, propor soluções para
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problemas emergentes na escola, utilizando como estratégia a investigação através da


pesquisa.
Diante do exposto, propomos uma pesquisa de abordagem qualitativa, com o objetivo
de identificar em contexto escolar se há relaçao interdisciplinar nas areas do conhecimento no
ensino do 5° ano do Ensino Fundamental, que utilizará como instrumento na coleta de dados a
entrevista e terá como participantes 4 professores que atuam no 5 ano do ensino fundamental
de duas escolas públicas localizada em bairro periférico da cidade de Belém – Pa.
Para colaborar com o diálogo entre pesquisador e pesquisados, optamos pela entrevista
compreensiva, por entender que esta pode promover a interação entre os sujeitos da pesquisa,
quebrando a hierarquia entre os mesmos. Segundo Kaufman (2013), o objetivo da entrevista
compreensiva é quebrar essa hierarquia, o tom que se deve buscar é muito mais próximo de
uma conversa entre indivíduos iguais do que aquele do questionário administrado de cima
para baixo. Foi a partir dessa compreensão que buscamos desenvolver a entrevista.
Como instrumento norteador da entrevista foram organizadas três perguntas cada uma
acompanhada por outras sub-perguntas, as quais chamamos de categorias que se classificam
numa sequência de letras que vão da letra (a) a letra (e), todas como possibilidades de
respostas aos objetivos específicos que se constituíram da seguinte forma. Objetivo 1-
verificar se há presença da ação interdisciplinar na relação entre planejamento e ensino.
Objetivo 2- identificar quais procedimentos metodológicos são garantidos no planejamento
escolar e objetivo 3- identificar a formação do professor e as influências teóricas que orientam
suas práticas pedagógicas.
Para um melhor entendimento de como foram coletados os dados apresentamos as
duas perguntas e suas categorias: Primeira - Qual a influência da formação inicial no seu fazer
pedagógico? (a) Qual sua formação? (b) há quanto tempo atua como docente? (c) Com quais
turmas tem trabalhado no ensino fundamental? (d) Participa de formação continuada ofertada
pela rede de ensino? (e) Quantas vezes por ano? (f) Percebe a formação como necessária a sua
atuação docente?
Segunda - A interdisciplinaridade tem ressignificado seu conceito de ensino e
aprendizagem? (a) No seu fazer pedagógico consegue dialogar de forma interdisciplinar com
todas as disciplinas? (b) Como dialoga com o ensino da matemática articulado as outras
disciplinas? (c) Como analisa o conhecimento matemático adquirido pelo aluno por meio do
ensino interdisciplinar?
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Com esse propósito fomos até as escolas (lócus da pesquisa) com a finalidade de
apresentarmos a equipe gestora nossa intenção de pesquisa, conhecer os espaços de atuação
dos sujeitos da pesquisa - os professores, e analisar o documento base que fundamenta a
estrutura organizacional da escola o Projeto Político Pedagógico.

Interdisciplinaridade: possibilidades

Os debates a respeito da interdisciplinaridade iniciaram nas academias após a segunda


guerra mundial que frente a nova realidade provocada pelos efeitos desastrosos causados pela
bomba atômica e pela revelação das atrocidades cometidas em campos de concentração
resultados da criatividade da Ciência Moderna, fez-se necessário repensar qual sua
contribuição na sociedade contemporânea de maneira a refletir sobre os avanços da tecnologia
e seu comprometimento com as consequências.
A partir desses questionamentos percebeu-se que as disciplinas científicas enquanto,
produtoras de conhecimentos não poderiam continuar sendo tratadas de forma isoladas,
tornando-se necessário uma ruptura nessa forma de organização do saber.
A abordagem interdisciplinar fora impulsionadas na década de 1970, com a intenção
de “mover-se nas fronteiras de territórios estanques e separados procurando descobrir, brechas
e permeabilidades no espaço do ‘entre’ que permitam estabelecer novas relações.”
(FURLANETTO, 2014, p.60). Neste sentido, a interdisciplinaridade é apresentada como uma
aproximação entre o conhecimento compartimentalizado e pela arrogância dos especialistas e
suas relações com as disciplinas podem ser em diferentes ordens e propiciar diferentes níveis
de interdisciplinaridade.
Santomé (1998 apud Furlanetto, 2014, p. 60) aponta a interdisciplinaridade em três
tipos:

A linear no qual as leis de uma disciplina são tomadas para explicar fenômenos de
outra; a Estrutural quando as interações entre as disciplinas favoreçam a criação de
novas leis que possibilitam o surgimento de uma nova disciplina; a Restritiva,
quando as disciplinas colaboram na resolução de um problema especifico ou na
consecução de um projeto e não são obrigatoriamente afetadas pelo novo
conhecimento produzido (SANTOMÉ, 1998 apud FURLANETTO, 2014, p. 62).

Percebe-se que discutir interdisciplinaridade em contexto educacional requer


conhecimento dos fatos históricos e suas implicações/contribuições no processo cientifico, a
fim de estabelecer relação entre as partes de um todo articulado gerando conectividade entre
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os saberes apreendidos. Portanto, a interdisciplinaridade está para além da compreensão de


interação entre duas ou mais disciplinas, “ela apresenta possibilidades diversas de intercambio
por inúmeros fatores como: espaciais, temporais, econômicos, demográficos, sociais,
epistemológicos”. (FURLANETTO, 2014, p. 61).
Com o propósito de ampliar a compreensão sobre interdisciplinaridade, Lenoir (2001
apud Furlanetto, 2014, p.63) buscou analisá-la articulada aos contextos culturais nos quais ela
tem se desenvolvido.

A primeira lógica [...], diz respeito aos países de língua francesa, que tem uma
concepção de sociedade e de educação centrado na razão, priorizando o saber e não
questionando para que ele serve.
A segunda concepção [...] é mais pragmática e operacional, realizada na América do
Norte de origem anglo-saxônica, onde a questão central é a funcionalidade do saber,
forma os sujeitos para participarem das atividades e do progresso social.
A terceira concepção seria a brasileira que ainda precisa ser mais bem investigada.
(LENOIR, apud FURLANETTO, 2014, p. 63).

Neste contexto a interdisciplinaridade é compreendida como uma forma de entender a


ligação entre as diferentes áreas de conhecimento, unindo-se para transpor algo inovador,
abrir sabedoria, resgatar possibilidades e ultrapassar o pensar fragmentado. É a busca
constante de investigação, na tentativa de superação do saber.

Interdisciplinaridade: um outro olhar no contexto educacional

No Brasil a interdisciplinaridade começou a ser abordada a partir da Lei de


Diretrizes e Bases Nº 5.692/71, se intensifica com a nova LDB Nº 9.394/96 e com os
Parâmetros Curriculares Nacionais. Desde então, sua presença no cenário educacional
brasileiro tem se tornado mais presente no discurso e na prática de alguns professores. A
utilização da interdisciplinaridade como forma de desenvolver um trabalho de integração dos
conteúdos de uma disciplina com outras áreas de conhecimento é uma das propostas
apresentadas pelos PCNs como contribuição para o aprendizado do aluno, porém, estudos têm
revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida.
Contudo, para observância da interdisciplinaridade é preciso entender que as
disciplinas escolares resultam de recortes e seleções arbitrárias, historicamente constituídas,
expressões de interesses e relações de poder que ressaltam, ocultam ou negam saberes. Dessa
forma, é preciso compreender a distinção entre disciplina cientifica e escolar. A disciplina
cientifica refere-se a um tipo de conhecimento sistematizado, com base em conhecimentos
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científicos, já as disciplinas escolares, principalmente as do Ensino Fundamental, não tem


como objetivo produzir conhecimentos, mas sim, possibilitar que os alunos se apropriem dos
conhecimentos produzidos pelas disciplinas cientificas.
Segundo Lenoir (2001 apud Furlanetto, 2014, p.63) a interdisciplinaridade cientifica
tem como objeto as disciplinas científicas e por finalidade a produção de novos saberes em
resposta às demandas sociais, enquanto a Interdisciplinaridade escolar tem por objeto as
disciplinas escolares e por finalidade a difusão dos saberes produzidos pelas disciplinas
científicas e a formação de atores sociais (FURLANETTO, 2014). Neste sentido a
interdisciplinaridade funciona como complemento principal no conhecimento escolar
transmitindo uma nova dinâmica na metodologia aplicada. Esse conceito se evidencia quando
se considera que todo conhecimento mantêm um diálogo permanente com outros
conhecimentos que pode ser de questionamento, de confirmação e de aplicação.
Nos anos de 1980, de acordo com pesquisas realizadas por Fazenda (2002), constatou-
se ser quase impossível propor práticas interdisciplinares, as ações apoiadas apenas em
princípios teóricos não davam conta de atender a realidade educacional centrada em modelos
pré-concebidos, partindo assim, para uma análise detalhada das práticas desenvolvidas na
escola consideradas interdisciplinares para que houvesse maior clareza de como os
professores articulavam os saberes das disciplinas, pedagógicos e experiências para tecer suas
ações pedagógicas, ou seja, a atitude interdisciplinar passou a ser investigada e descrita, e,
dessa forma o papel do sujeito ganhou maior destaque na construção da interdisciplinaridade.
Já nos anos de 1990, a proliferação de práticas intuitivas e de projetos
interdisciplinares desafiou os pesquisadores a explicitar o caminho percorrido pela
interdisciplinaridade na escola. Foi o momento de explosão do debate acerca das
incompreensões das práticas interdisciplinares desenvolvidas em contexto escolar. De acordo
com Fazenda (2003) as práticas interdisciplinares acontecem quando os sujeitos desenvolvem
uma atitude interdisciplinar que se caracteriza como abertura para si mesmo e para o outro
(sujeitos e conhecimento). Dessa forma, a interdisciplinaridade se caracteriza não como uma
nova disciplina, mas como um conhecimento novo que parte dos saberes contidos nos
extremos das disciplinas e facilita as relações entre os sujeitos.
Portanto, a interdisciplinaridade é mais do que uma categoria de conhecimento, ela se
fundamenta nas ações, alimenta-se do trabalho, das experiências, das vivencias de um
educador ao viver a educação. “Interdisciplinaridade é uma nova atitude ante a questão do
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conhecimento, de abertura para compreensão de aspectos ocultos do ato de aprender, exigindo


uma profunda imersão no trabalho cotidiano, na pratica” (FAZENDA, 2003, p.9). Como
vemos, o trabalho interdisciplinar busca o diálogo como possibilidade de desenvolvimento
humano estabelecendo uma proposta de superação de certas áreas do conhecimento em
relação às outras, é a busca constante de investigação, na tentativa de superação do saber.

A Interdisciplinaridade e o trabalho docente

A interdisciplinaridade é uma temática que é compreendida como uma forma de


trabalhar em sala de aula, no qual se propõe um tema com abordagens em diferentes
disciplinas. Segundo Fazenda (2002), o pensamento interdisciplinar parte da premissa de que
nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. Tenta, pois, o diálogo com outras
formas de conhecimento, deixando-se interpenetrar por elas. Neste contexto é fundamental
que o professor se aproprie dos conceitos interdisciplinares, da importância em aproximar os
saberes disciplinares com vistas a permitir o enriquecimento das relações com o outro e com o
mundo.
A interdisciplinaridade funciona como um principal complemento no conhecimento
escolar transmitindo uma nova dinâmica na metodologia aplicada. É sabido que no modelo
tradicional de ensino o aluno só é ativo enquanto reprodutor daquilo que recebeu, tornando-se
limitado a outras intervenções assim como é sabido também que esse modelo de ensinar não
atende a pluralidade cultural que permeia nossas escolas.
Assim, Silva (1999, p.68) nos aponta que:

Não compete mais ao aluno efetuar a unidade do conhecimento mediante


unicamente seu próprio esforço: a escola, através de seus docentes, deve oferecer
aos alunos um conhecimento interdisciplinar, com a contribuição das diferentes
disciplinas para uma pesquisa globalizante (SILVA, 1999, p.68).

Neste sentido, a aprendizagem escolar depende de uma interação complexa entre


alunos, professores, conteúdos e do próprio contexto educacional, o professor precisa
estimular os alunos e lançar desafios capazes de serem enfrentados, conduzindo-os ao sucesso
de suas pesquisas. Na proposta interdisciplinar o professor deve ser sensível em sua prática,
fazendo uso de uma didática que o aproxime dos alunos e os possibilite modificar, enriquecer
e construir novos métodos de interpretação do conhecimento, pois o aluno será sempre o
agente da aprendizagem.
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Entendendo a interdisciplinaridade como uma proposta que visa superar o tratamento


do conhecimento escolar na qual os múltiplos conhecimentos se interligam e se relacionam
com a realidade na comunidade na qual o aluno está inserido, compreende-se que quanto
maior o diálogo melhor será o entendimento escolar, e em consequência melhor será a
aprimoração da aprendizagem.
Nesta perspectiva os Parâmetros Curriculares Nacionais sinalizam que o conhecimento
é o resultado de um processo de modificação, construção e reorganização utilizado pelos
alunos para assimilar e interpretar os conteúdos escolares. Dessa forma, trabalhar na
perspectiva interdisciplinar exige que o professor adote uma postura crítica e faça uso de
metodologias adequadas ao ensino interdisciplinar, e assim possibilite aos alunos um ensino
que garanta a eficácia na compreensão da realidade.

A Formação Continuada de Professores

A formação continuada de professores está assegurada na LDB nº 9.394/96 e


recomendada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª
série. Ultimamente as políticas públicas para educação têm incorporado a garantia da
formação continuada por considerar de fundamental importância a qualificação continuada e
continua na formação docente.
Com os desafios propostos pela sociedade do século XXI, a instituição escolar vem
desempenhando vários e novos papéis neste campo de constante mutação, o professor passa
por transformações emergenciais haja vista, que neste contexto ele é o responsável pela
formação de alunos, que devem ser capazes de refletir sobre si e sobre suas ações, no sentido
de intervirem na realidade que está posta.
Além desses desafios o professor precisa estar preparado para possibilitar a criação de
novos caminhos para a construção de saberes, tendo em vista que os alunos hoje fazem parte
da geração que está em contato com novas tecnologias e fontes de acesso ao conhecimento.
Portanto é preciso investir em práticas pedagógicas inovadoras que preparem os alunos para o
verdadeiro exercício da cidadania, para atender às exigências da sociedade que clama por um
ensino de qualidade.
Pesquisas têm revelado que os professores estruturam sua pratica a partir dos saberes
adquiridos pela experiência da pratica cotidiana, dessa forma o professor continua a formação
iniciada nas instituições formadoras de professores no contexto da escola. Segundo Candau
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(1996, p.144), “considerar a escola como lócus de formação continuada passa a ser uma
afirmação fundamental na busca de superar o modelo clássico de formação continuada e
construir uma nova perspectiva na área de formação continuada de professores”, assim, não se
podem ignorar os saberes que os professores adquirem por meio de sua vivência individual e
coletiva.
A valorização do professor é um tema recente e pesquisadores como Tardif (2014),
têm discutido a natureza do saber docente e embora esse campo de pesquisa seja novo e
pouco explorado, já existem trabalhos significativos para o avanço das questões levantadas
sobre essa temática. Daí a necessidade de se oportunizar espaços de reflexão coletiva para que
os professores possam socializar os conhecimentos construídos.
Contudo, é importante garantir que a formação provoque mudança real nas práticas
educacionais uma vez que a formação continuada está voltada para o professor em exercício e
tem como função básica contribuir para o professor ampliar e alterar de maneira crítica a
própria prática e gerir sua própria formação, ela deve representar um investimento feito pelos
professores no sentido de aprimoramento das suas ações docentes, ao longo de toda carreira
pessoal e profissional.
Corroborando com essa visão Nóvoa, (1992) afirma que a

Formação do professor deve estimular o desenvolvimento da visão crítica e


reflexiva, que lhes forneça os meios de aprimoramento do pensamento e das práticas
autônomas e facilite a dinâmica do investimento na auto formação participada, isto
é, em formação construída não somente em processos solitários, mas com base na
participação colegiada. (NÓVOA, 1992, p. 23)

Portanto, torna-se necessário formar professores que desenvolvam a capacidade de


refletirem sobre sua prática, observem as práticas de seus pares, assumam o trabalho
colaborativo como caminho possível para mudanças em suas práticas com o objetivo de
construção de uma educação de qualidade e tenham como meta a busca pela
profissionalização docente.

Matemática e interdisciplinaridade: um diálogo possível

O conhecimento matemático deve ser apresentado aos alunos como historicamente


construído em sua prática filosófica, científica e social além da sua permanente evolução,
contribuindo para a compreensão do lugar que ela tem no mundo, já que o significado da
matemática para o aluno resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais
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disciplinas, entre ela e seu cotidiano, é possível observar traços que a caracteriza como:
abstração, precisão, rigor lógico, caráter irrefutável de suas conclusões, bem como o extenso
campo de suas aplicações. Assim, a “interdisciplinaridade é um método de pesquisa e de
ensino suscetível de fazer com que duas ou mais disciplina interajam entre si” (JAPIASSU,
1976, p.136).
Neste contexto, a relação da matemática de forma interdisciplinar torna-se possível à
medida que o professor relaciona o objeto da matemática a ser apreendido pelos alunos,
fazendo conexão entre os saberes existentes nas outras áreas oportunizando ao aluno a
construção do seu conhecimento. Para GOMES (2014, p. 86), “ultimamente vem sendo
apontado como caminho para a escola a orientação de um currículo que dialogue com os
saberes locais na perspectiva interdisciplinar.
Contudo evidencia-se a necessidade da escola olhar para o espaço onde está inserida
com a finalidade de identificar quais são as expectativas da comunidade com relação a
qualidade de vida humana coletiva, local e qual a contribuição que a escola pode oferecer.
Como vemos, a integração deve complementar as diversas disciplinas e a possibilidade de
acesso à pesquisa, motivando o educando e o educador a buscarem novos conhecimentos
sobre um determinado assunto, problema ou questão.
Segundo Veiga-Neto (1994, p. 145), dentre as várias contribuições pertinentes ao
ensino interdisciplinar, temos:

a)um maior diálogo entre professores, alunos, pesquisadores etc., de diferentes áreas
do conhecimento; (b) um melhor preparo profissional e uma formação mais
integrada do cidadão; (c) uma Ciência mais responsável, já que seria possível trazer
a problematização ética para dentro do conhecimento cientifico; (d) a reversão da
tendência crescente de especialização, de modo que se desenvolveria uma visão
holística da realidade; (e) a criação de novos conhecimentos, graças a fecundação
mútua de áreas que até então se mantinham estanques; (f) reverter um suposto
desequilíbrio ontológico de que padece a Modernidade, isto é, reverter o
descompasso entre uma pretensa natureza última das coisas e as ações humanas que
tem alterado tal natureza (VEIGA-NETO, 1994, p. 145)

No entanto, é necessário que o professor atue como aquele que fornece as informações
necessárias que o aluno precisa e não tem condições de adquirir sozinho, além de mediador,
ao confrontar as respostas dos alunos, ao disciplinar as condições em que cada aluno pode
intervir para expor sua solução, questionar, contestar. Atualmente o papel do professor está
para além dos conteúdos programáticos, ele precisa aplicar todo o seu conhecimento
específico nas áreas de influência da matemática.
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Análise dos dados da pesquisa

Nos deteremos a análise dos dados coletados, visando a compreensão da concepção


relativa à Interdisciplinaridade, o seu uso ou não junto ao processo ensino aprendizagem e as
possíveis dificuldades presente no pensamento dos professores do 5° ano do Ensino
Fundamental, (sujeitos de nossa pesquisa), assim como as contribuições da formação
continuada no fazer pedagógico desses professores. Para preservar a identidade dos
professores colaboradores desta pesquisa usaremos somente a letra inicial do nome de cada
um (uma) para identificarmos como sujeitos da pesquisa.
Na primeira categoria, foi identificado que todos os professores entrevistados possuem
formação inicial em pedagogia o que pressupõe um favorecimento ao entendimento das bases
teórico-metodológicas que fundamentam o ensino no século XXI. Com relação à atuação,
somente uma professora está iniciando a carreira docente com apenas um ano de regência, os
demais apresentam experiência ente 17 a 24 anos de docência e recebem formação continuada
de duas a três vezes ao mês, do Programa de Formação em Alfabetização e Matemática
(ALFAMAT), ofertada pela Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) desde o ano de
2014.
A formação direcionada a esses professores de acordo com suas vozes funciona como
uma espécie de treinamento para aquisição das habilidades propostas pela matriz de referência
da Prova Brasil. Pudemos observar na fala do professor Almir que,

[...] na realidade o que é trabalhado nessas formações é a abordagem de


determinados conteúdos para preparar os alunos para um evento especifico que é a
Prova Brasil, porque a intenção é manter a meta do IDEB ou ultrapassar a meta do
IDEB, então em função disso, a minha crítica a proposta de formação é que nós
estamos preparando nossos alunos apenas pra um momento, quando na verdade
deveríamos estar preparando pra vida toda.

Contudo observamos também que essa formação tem permitido a alguns professores a
reflexão sobre sua atuação, seus saberes e seu compromisso social frente a sua comunidade
escolar, segundo a professora Elizabete [...] “na formação é trabalhado a elaboração de
atividade que englobam várias disciplinas, das quais cerca de 80% destas são usadas em sala
de aula, porém o professor tem que saber usá-las dentro de sala de acordo com sua turma”.
Contudo, percebe-se que embora a formação tendo características perceptíveis de
desenvolvimento de um currículo centrado na perspectiva do estimulo resposta com vistas a
atender a um conhecimento único para todos os estudantes, observa-se que em meio a esses
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aglomerados de saberes há espaço para os professores promoverem uma reflexão acerca do


trabalho docente, das necessidades educacionais de seus alunos de acordo com seus contextos
sociais além das possibilidades de diálogos com as demais disciplinas.
A nosso ver, aqui tem início o processo interdisciplinar de ensino e aprendizagem ao
considerar a integração de mais de uma disciplina que se complementam para dar melhor
compreensão ao estudo de um mesmo tema, pois “o conceito de interdisciplinaridade fica
mais claro quando se considera o fator trivial de que todo conhecimento mantém um diálogo
permanente com os outros conhecimentos, que pode ser de questionamento, de confirmação,
de complementação, de negação, de ampliação, [...]” (BRASIL, 1998, p. 88).
Desta forma a primeira categoria buscou observar de que maneira a formação
continuada tem influenciado o fazer pedagógico dos professores de forma a perceberem a
interdisciplinaridade como componente favorável a aquisição do conhecimento a serem
adquiridos pelos alunos, pois de acordo com Veiga-Neto (1994), o ensino interdisciplinar
contribuiria para um maior diálogo entre professores, alunos e pesquisadores de diferentes
áreas do conhecimento. No âmbito desta compreensão, apresentamos alguns recortes de fala
dos professores afirmando a contribuição da formação continuada em serviço no fazer
pedagógico.
Na segunda e última categoria buscaremos identificar se a interdisciplinaridade tem
ressignificado o conceito de ensino e aprendizagem dos professores envolvidos na pesquisa
tomando como foco o ensino da matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Para
que haja compreensão do que os professores entendem por trabalho interdisciplinar
destacaremos trechos das falas para ilustrar a categoria em análise.
Partindo do pressuposto de como os professores entendem e relacionam as disciplinas
em contexto interdisciplinar no seu fazer docente, trazemos a seguinte fala do professor
Almir,

Eu trabalho sempre buscando a interdisciplinaridade, ainda é algo um pouco


distante, pois preciso sentar para planejar, traçar meta às vezes trabalho com a
matemática, com as ciências naturas ou no campo da geografia sempre buscando
expor e transmitir tudo que é útil que o texto possa tá passando mostrando o tempo
histórico, os recursos humanos, e formação biológica entre outros aspectos
aprimorando o máximo, possibilitando o avanço no conhecimento, só que às vezes
esse texto ocorre de forma casual durante a aula, eu percebo uma coisa ou outra e
abordo em cima do que o texto permite.
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Diante dessa afirmativa fica explicito que há compreensão do fazer interdisciplinar e


para corroborar com esse pensamento, os PCN apontam que o critério central da
interdisciplinaridade é o potencial de um tema permitir conexões entre diversos conceitos e
entre diferentes formas de pensamento, ou, ainda, a relevância cultural do tema, tanto no que
diz respeito às suas aplicações, como à sua importância histórica no desenvolvimento da
própria ciência.
Neste contexto é notório que a pratica de planejar de forma interdisciplinar ainda não
se faz presente no cotidiano dessa escola, impedindo que a transposição didática aconteça em
sua plenitude, ou seja, a resistência do professor em se abster de velhas pratica a dá lugar a
um novo saber que possibilite ao aluno perceber-se como sujeito ativo no processo de
construção do seu conhecimento.
Diante dessa realidade faz-se necessário repensar o fazer pedagógico entre os
professores do 5° ano das escolas pesquisadas, da equipe gestora ( direção, coordenação e
orientação escolar) e da própria formação continuada em serviço, no sentido de rever as
concepções de ensino que fundamentam o sistema educacional brasileiro e a organização
pedagógica na perspectiva interdisciplinar, como tentativa de romper com a concepção
tradicional de ensino compartimentalizado, centrado nas disciplinas afins.
Durante a entrevista com os professores foi percebido certa preocupação com o ensino
da matemática e com os desafios encontrados no cotidiano escolar, primeiro apontam como a
matemática é vista pelos alunos, de acordo com o professor Almir... “a matemática a princípio
pro aluno é considerada uma montanha muito alta para subir; o que de certa forma dificulta
o processo de aprendizagem”.
Todavia observa-se no enunciado acima uma tentativa em justificar por que a
aprendizagem matemática não acontece de forma satisfatória passando a atribuir o fracasso a
carga negativa que o aluno traz consigo sobre o ensino da matemática. Ainda neste contexto
observamos que as práticas pedagógicas são efetivadas de forma isoladas, cada professor
desenvolve sua aula de acordo com seu conhecimento.

[...] não há um plano interdisciplinar proposto pela escola, isso depende de cada um
individualmente, de cada professor. O professor tem que ser muito perceptivo e não
deixar passar a oportunidade de ensinar o conhecimento como um todo, vamos
interligando os conteúdos eu tenho essa pratica, não vou dizer que é uma exigência
da escola não, é uma coisa que tu não vai encontrar em outra sala de aula
(Professora Aline)
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Essas falas nos permitem observar que nessas escolas não há uma proposta de ensino
que aproxime o corpo docente para o desenvolvimento de uma proposta pedagógica
interdisciplinar, que permita o diálogo entre as disciplinas, em destaque a matemática objeto
de interesse dessa pesquisa. Por outro lado percebe-se que a maturidade cientifica construída
em cada sujeito entrevistado tem aberto espaços para construção de práticas pedagógicas
diferenciadas, porém ainda de maneira isolada, nada substancial que garanta uma prática
efetiva de interdisciplinaridade.
Como elemento final da investigação, apresentamos aos professores entrevistados o
seguinte questionamento: Como vocês analisam o conhecimento matemático adquirido pelo
aluno por meio do ensino interdisciplinar? Professor Almir, “Eu entendo que é mais presente
no aluno e fica mais fácil o conhecimento dele porque ele facilmente vai conseguir interligar
o assunto, porque matemática isolada sem a forma interdisciplinar se torna uma coisa muito
passageira pro aluno”.
Percebe-se que há um desejo presente na fala do professor em se apropriar dos
conceitos de interdisciplinaridade, da condução desta na relação com as disciplinas e ajustar a
prática docente para a eficiência da aprendizagem. O significado da matemática para o aluno
resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu
cotidiano.
Nesse sentido, a interdisciplinaridade tem muito a contribuir com o processo de
construção de conhecimento do aluno sob a orientação dos docentes durante a condução do
processo ensino/aprendizagem. Como observamos anteriormente as práticas docentes
apresentadas pelos professores não acontece de forma consciente, planejada, até porque nas
falas dos professores, ficou claro que não existe um direcionamento plausível para o
ensino/aprendizagem que a escola deseja alcançar.
Convém destacar, que o instrumento que deve nortear todas as ações educativas da
escola, o Projeto Político Pedagógico está desatualizado, não faz parte do cotidiano escolar,
cabendo a cada professor organizar suas ações, provocando um descompasso entre ensino e
aprendizagem. Atualmente, o modelo de currículo que se almeja, é o de base interdisciplinar,
que requer uma visão da escola criativa, ousada que apresente uma outra concepção de
divisão do saber, onde o conteúdo precisa ser garantido em harmonia, com significado para os
alunos. Diante desse propósito a professora Fátima diz que
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A proposta da escola vai de cada professor, exceto no passado, quando a escola


propôs certos temas pra ser trabalhado dentro das disciplinas mas com o passar do
tempo, com mudança de governos, hoje a dinâmica tá cada vez mais centrada na
disciplina [...] Projeto Político Pedagógico nem sei por onde anda, na jornada
pedagógica tivemos uma conversa sobre nossa necessidade de revitalização do ppp,
muita coisa ficou no ar, a gente tá trabalhando de manhã de um jeito, de tarde de
outro, de noite de outro.

Percebe-se nestas afirmações que o trabalho interdisciplinar dentro dessas escolas


apresenta certo grau de comprometimento que a grosso modo, cabe dizer, que a ausência de
ações pedagógicas que orientem, discutam e apresentem possibilidades de um ensino
interdisciplinar a esses professores é o que de fato tem dificultado o diálogo entre o ensino e a
aprendizagem em contexto interdisciplinar.
Com base na pesquisa e nos referenciais apresentados no decorrer deste trabalho é
possível dizer que o coletivo dessas escolas precisa funcionar de forma efetivamente coletiva
em busca de garantirem de fato um ensino que possibilite aos sujeitos da aprendizagem um
sentido que justifique sua permanência na instituição escolar, que a dialogia entre as
disciplinas transgrida o campo utópico tornando-se possível um fazer interdisciplinar onde
todas as ações da escola convirjam numa mesma direção.

Considerações finais

Ao estabelecer relação entre os dados coletados e o objetivo central da pesquisa ficou


evidente na fala dos entrevistados, que estes no exercício de sua docência com alunos do 5°
ano do Ensino Fundamental, não desenvolvem seu fazer pedagógico de forma interdisciplinar,
não há um planejamento intencional que sustente as práticas interdisciplinares, elas quando
acontecem são de forma esporádica e por coincidência, depende do nível de abstração que
cada professor tem sobre a prática da interdisciplinaridade em contexto escolar, porém,
justificam que a interdisciplinaridade pode favorecer o desenvolvimento dos alunos e que
através da interlocução entre as disciplinas é possível promover uma aprendizagem
significativa.
Entretanto observamos que o tema interdisciplinaridade ainda é muito vago na visão
dos professores, talvez esse seja o motivo que os conduz a um planejamento disciplinar,
desarticulado com as áreas do conhecimento ausente de ações pedagógica interdisciplinar que
favoreça o ensino e a aprendizagem, que aproxime professores, alunos e conhecimento.
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Ainda neste contexto, observamos que os professores de uma das duas escolas
envolvidas na pesquisa, manifestaram a insatisfação com a atual situação em que se encontra
a organização pedagógica da escola, ou melhor, a falta de direcionamento das ações
pedagógicas só tem a contribuir para um ensino desarticulado, no qual cada um define aonde
quer chegar e como vai chegar. Segundo BARBOSA (2013), a prática interdisciplinar, sofre
impedimentos resultantes da formação cultural da sociedade que reflete no setor educacional
através da formação do professor treinado por um saber fragmentado e realizando o seu
trabalho sob as mais diversas influências.
Com relação à formação continuada ofertada pela Rede de Ensino do município de
Belém, os professores destacaram que a mesma está voltada para construção de estratégias
que garantam a eficácia no ensino dos conteúdos e a forma como estes devem ser trabalhados,
mas não de forma interdisciplinar. De acordo com Elias e Feldmann (2013, p. 119), “a
interdisciplinaridade, quando trabalhada em sala de aula, apresenta-se ao educador como
forma de resistência, na luta contínua pela transformação da estrutura escolar e,
consequentemente, das estruturas políticas, econômicas e sociais.”
No entanto, observou-se que a estrutura teórica que fundamenta a ação pedagógica do
professor ainda está em construção/transição caracterizando-o como esse profissional de
busca constante, fato este que consideramos o principal entrave que impede o professor de
reagir em busca de mudanças que alicerce as estruturas pedagógicas da escola e institua de
fato ações planejadas e conscientes de um fazer interdisciplinar.
Portanto, a pesquisa revelou que as ações pedagógicas desenvolvidas no interior das
duas escolas pesquisadas não contemplaram os objetivos propostos por não apresentarem
clareza entre o fazer docente e as práticas interdisciplinares de ensino e aprendizagem.
Contudo, esse tema não se esgota aqui, requer maior aprofundamento pela relevância que
representa para a comunidade escolar, assim como para a melhoria na qualidade do processo
de ensino aprendizagem.

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conhecimento. In org. FAZENDA, Ivani. Práticas Interdisciplinares na Escola – São Paulo:
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