UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS ENGENHARIA AGRONÔMICA Introdução à Agroecologia Prof. Dr.

Luiz Antônio Correia Margarido

Produção de Café Orgânico

Fabiana Britti Bacalhau Flávia Crivelari Fassis Flávio de Souza Costa Frederico Paiva Cavalieri Gláucia Cristina Pavão

RA. 347213 RA. 347124 RA. 347272 RA. 347116 RA. 346888

ARARAS, 2010

as duas espécies mais conhecidas são a Coffea arábica. Rena & Maestri. quentes e úmidas da bacia do Congo. é um arbusto pertencente à família das rubiáceas e ao gênero Coffea. que atinge 2 a 4 m de altura. diminuindo a capacidade fotossintética da planta. O café robusta é mais resistente a temperaturas maiores e a doenças. uma de suas características mais visíveis são seus frutos. porém também é estimulada a formação de botões florais e aumento do tamanho dos frutos. lenho duro. A cultura esta adaptada a um sombreamento parcial. que necessita de poda para manter a estrutura adequada da planta que possibilita a obtenção de maiores produtividade e facilidade para efetuar os tratos fitossanitários. que se tornam geralmente vermelhos quando maduros. comprometendo a qualidade da bebida. A faixa ideal de temperatura para a cultura do café arábica é de 19 a 22OC. Na espécie Coffea canephora a planta apresenta vários caules ou multicaule. conhecida como café conilon ou robusta. O café arábica apresenta flores totalmente brancas e sementes claras. Em temperaturas mais baixas que 10OC o crescimento do fruto é inibido e a planta é também muito suscetível a geadas.. 1950. Quando exposta ao sol a superfície da folha pode atingir temperaturas mais altas e quando a temperatura passa de 34OC a taxa de assimilação de Co2 cai praticamente à zero. então as plantas sombreadas podem ter uma capacidade fotossintetizante maior que as expostas ao sol. se . assemelhando-se a rubis. enquanto que o café conilon apresenta flores bicolores (faixas brancas e marrons) e sementes marrons. O cafeeiro é um arbusto de crescimento contínuo. normal) e plagiotrópicos (do grego plágios: oblíquo. a quantidade ideal de chuva é de 1500 a 1900 mm anuais. branco amarelado e dois tipos de ramos: ortotrópico (do grego orthós: reto. essas espécies são as mais cultivadas. pois ela aproveita apenas cerca de 1% da energia luminosa fotossinteticamente ativa. transversal). o cafeeiro. conhecida como café arábica e a espécie Coffea canephora. O café arábica é originário das florestas subtropicais da região serrana e o café robusta é originário das regiões equatoriais baixas. 1986). com dimorfismo de ramos (Carvalho et al. conforme as condições climáticas da região. Em temperaturas mais altas aumenta proliferação de pragas e infecção.1. Possui caule cilíndrico. resiste bem a um período de seca que não ultrapasse três meses. Introdução A planta do café.

está passando por diversas evoluções na área agronômica. Um exemplo é em relação a doença ferrugem. 2001). atualmente. Catucaí. modo agrícola onde prevalece a busca da maior produtividade através da utilização intensa de insumos . Sacramento MG1. tipos de terrenos de suas propriedades. pois o cafeeiro possui bom desenvolvimento das raízes superficiais.essa quantidade não for bem distribuída pode causar floração desuniforme e maturação desigual dos frutos. 1998). em regiões de maior incidência deve-se plantar cultivares resistentes que no caso o café Robusta já possui uma resistência natural de campo maior. Icatu vermelho. Paraíso MG H 419-1. Alguns exemplos de cultivares indicados em sistemas de agricultura orgânica são: Icatu amarelo. época de maturação. SCOTT. ocorrência de pragas e doenças. 2. Oeiras. qualidade de bebida. Catiguá MG1 e MG2. com adubação verde e rotação de culturas. mercadológica e também comercial. Sistema Convencional e Sistema Orgânico do Cultivo de Café A cafeicultura nacional apresenta características próprias de cultivo e. que se apresentam em tendências que deverão delinar o futuro da atividade (MARQUES. espaçamento. Nesses casos se encaixam os produtores orgânicos e os de montanha com dificuldades de mecanização devido à alta declividade do solo. Movimentos crescentes visando reduzir o uso de insumos agrícolas e implementação de sistemas de cultivo baseados em procedimentos biológicos renovam o interesse de pesquisadores e agricultores em práticas agrícolas. Em relação à agricultura realizada de modo convencional. dentre outras. micro clima. A escolha do cultivar deve ser feita com base em vários aspectos como: produtividade. Araponga MG1. Tupi (IAC 1669-33). Os solos ideais para o cultivo do café são aqueles que possuem boa drenagem. solos rico em húmus e levemente ácidos. PauBrasil MG2. Isso tem levado produtores a optarem por sistemas de produção que diminuam os impactos causados por produtos derivados de combustíveis fósseis e busquem a utilização de sistemas apropriados adequando além de sua condição de sistemas familiares. que visem à recuperação e manutenção da fertilidade do solo e à redução no consumo de energia (SARRANTONIO. Obatã (IAC 1669-20). não necessitam serem muito profundos.

externos. Enquanto que se verifica que a denominação de agricultura ecológica engloba várias concepções. agroecológica e/ou orgânica. comercialização direta com os consumidores.. que em sua essência visam a redução dos agroquímicos na agricultura. A princípio. 2004). Juntamente com a comprovação pelos dados estatísticos e mercadológicos apontando para um crescimento na demanda por cafés orgânicos tendo em vista o interesse. permacultura. No primeiro momento também o aumento da produtividade contribui para a diminuição da migração rural e melhora a distribuição de renda (SOUZA. 2005). . consome recursos não-renováveis e em sua maioria voltada ao mercado externo (REINJNTJES. pois o manejo inadequado de produtos orgânicos pode contaminar o solo ou mesmo diminuir sua fertilidade. as questões de ordem ambiental e social são também representantes indicativas da relação qualidade. conservação dos recursos naturais e respeito a natureza (BEUS e DUNLAP. como agroecologia. Outro ponto que merece atenção que a simples substituição de agroquímicos por adubo orgânico não representa necessariamente uma agricultura ecológica. (PEREIRA et al. agricultura natural entre outros. O modo de exploração da “agricultura convencional” como citado anteriormente é intensivo em capital. o mercado do café orgânico tem ganhado força por consumidores conscientes das questões ligadas à saúde.. uma vez que tem sido utilizadas para diferenciação entre produtos no mercado. o que a curto prazo trás resultados econômicos visíveis como o aumento da produtividade e eficiência agrícola. porém a longo prazo trazem danos ambientais que não são contabilizados pelos adeptos da agricultura convencional. Nesse sentido. denominado de valor ético (fraid trade). cuja imagem vem sendo associada a uma agricultura sustentável. THEODORO et al. 1990). a alternativa de produção orgânica esteve intimamente ligada às novas exigências de consumidores que se preocupam com a qualidade do produto e com a qualidade de vida e estão dispostos a pagar. mas vem ganhando força pela adesão de um público ligado as questões de caráter ambiental (de não utilização de agrotóxicos e busca do equilíbrio solo/planta) e social (respeito e valorização do trabalhador rural). 2002. (AZEVEDO et al.. HAVERKORT e WATERS-BAYER. 2002b). 1994). a defesa da agricultura em pequenas propriedades. como também são inseridos aparatos tecnológicos que substituem progressivamente a mão-de-obra empregada. assim a agricultura ecológica trata-se de uma mudança técnica e cultural mais ampla.

pois o selo obtido oferece garantias ao consumidor que realmente o produto foi produzido de forma orgânica. (NEVES et al.O motivo pelo qual o estímulo a produção orgânica de café se estendeu na última década foi mediante a um contexto do conhecimento e reconhecimento sobre a qualidade dos produtos orgânicos e os benefícios que os alimentos produzidos desta forma trazem à saúde e ao meio ambiente. por se tratar de uma cultura perene. atualmente. Para tanto. 2004). Além disso. incluindo comunidades de agricultores familiares . Segundo Coelho (2002). a alternativa que se apresenta. aumentando a independência do produtor em relação ao mercado (desenvolvimento endógeno). com a certificação da produção desde os primeiros passos da conversão. como atividade do agronegócio envolvendo direta e indiretamente. Em conjunto com essa alternativa.já que esta atividade da produção orgânica exige intensa força de trabalho. No contexto de que a atividade orgânica possui um caráter de equilíbrio entre a própria demanda comercial quanto ao social.. Como ainda não . buscadas junto a um órgão certificador. promovendo benefícios econômicos e não-econômicos a vários outros agentes da cadeia produtiva. que é uma das marcas da agricultura familiar. seguindo os princípios e as técnicas adequados à produção. em que se destacam a utilização de nãoagrotóxicos e adubos sintéticos capazes de proporcionar uma agricultura de caráter mais sustentável. a agricultura orgânica surge como alternativa mais sustentável. é conversão das lavouras convencionais à produção orgânica. os tratos culturais aplicados ao café devem ter como princípio básico a utilização de produtos da própria propriedade ou locais (recursos locais). o preparo da área deve ser feito de forma a restabelecer o equilíbrio entre a natureza e a lavoura. o Brasil é o maior produtor mundial há mais de 150 anos e o café teve grande influência na construção do país e que permanece. ambientalmente equilibrada e mais justa. deve-se embasar em alguns pilares fundamentais para que seja bem sucedido: todo aquele que trabalha de forma direta ou indiretamente na lavoura de café deve ser orientado para as mudanças de atitudes e pensamentos necessárias. pequenos e médios produtores. durante e pós-conversão. na perspectiva dos equilíbrios agroecossistêmicos. as oportunidades relativas às regiões para. As realizações dessas modificações devem ser de forma correta e segura. Reconhecendo o novo sistema. beneficiamento e comercialização. principalmente. cerca de 10 milhões de pessoas em uma cadeia que vai do campo à xícara.

uma base tecnológica é determinante da conversão. Para fazer agricultura orgânica existe um conjunto de normas que são necessárias para caracterizá-la. deve ser também economicamente viável para o produtor. sempre considerando que todo o processo de transição para a produção orgânica e. devido ao sistema orgânico ainda apresentar pouco investimento em termos de pesquisa científica e em desenvolvimento enquanto um sistema de produção. com condições econômicas ou tradições culturais. existem diferentes formas de trabalhar a terra. de uma mudança proporcionada através de busca e reflexão. o produtor tem a opção de escolher entre diferentes certificadoras a que melhor o satisfaça. Se o mercado é um dos componentes determinantes da conversão. se está diante de um processo que exige educação e mobilização de recursos. O mercado é outro aspecto a ser considerado. visto que dificulta a sustentabilidade do sistema. Se. não pode ser ignorado na conversão para a agricultura orgânica. . Para conversão de um sistema de agricultura convencional para agricultura orgânica é preciso considerar vários aspectos. o que a define como tal. como no caso da conversão. tanto culturais. 3. deve ter como base as regras de produção e de comercialização exigidas para a obtenção da certificação desejada. normativos ou mesmo de mercado. além disso. As dificuldades para utilizar conceitos de ecologia em agricultura. para cada região do mundo. O processo de conversão referindo-se à estratégia para conversão gradativa e que pretende estabelecer alguns passos lógicos a serem seguidos. a mudança muitas vezes está condicionada por meio de um estímulo oriundos do mercado. à condução da cultura e ao respeito ao ser humano. O conceito orgânico emitido pelas certificadoras abrange aspectos relativos à isenção de agrotóxicos. respeitando os limites e restrições. Este aspecto deve ser muito respeitado no caso da agricultura orgânica. isto é. educacionais. Além disso. técnicos. à preservação do meio ambiente. podendo variar de acordo com a situação de cada lavoura e de agroecossistema correspondente. Solos e preparo da área Em primeiro lugar o agricultor deve analisar a aptidão de produção da terra que ele dispõe. conseqüentemente. grandes e diversificadas. Tem-se encontrado hoje. a certificação do processo. a agricultura é uma atividade muito dinâmica.existe um único selo de certificação orgânica. à qualidade nutricional.

arados. as de meio ano e as de um ano. áreas alagadiças. O produtor orgânico deve estar atento aos cuidados relacionados à conservação do meio ambiente. mais propriamente. Grades. A qualidade da semente. a necessidade da irrigação ser por micro aspersão. Mudas A formação de mudas sadias é de grande importância para o sucesso da produção. e subsoladores devem ser evitados para que não ocorra erosão na área. evitar desmatamentos desnecessários ou irregulares. que não apresente sintomas doenças. A redução da luminosidade não deve . tipo Sombrite. de alta produtividade. É de fundamental importância o fácil acesso à água de boa qualidade e com vazão adequada. como antes mencionado. que favoreçam o ataque de fitopatógenos. Existem dois tipos de mudas. promover a conservação de mananciais. Já os tubetes são pouco utilizados devido ao preço mais elevado. 4. As queimadas devem ser evitadas. sendo esta a mais utilizada por ficar um período menor no viveiro. evitando-se. de cooperativas ou de produtores registrados e inspecionados pelos órgãos de defesa sanitária vegetal. com tela de nylon. O viveiro deve ser construído em local com boa luminosidade. Sementes da própria lavoura devem ser colhidas de plantas vigorosas. ou 14 cm de largura por 29 cm de altura para mudas de um ano. Para produzir 1000 mudas é necessária uma área de 10m2 de viveiro. O café é uma planta com uma boa rede de raízes. A área deve ser preparada utilizando técnicas que evitem o removimento da camada arável do solo e a desagregação da estrutura do solo. com topografia preferencialmente plana. é fundamental para a obtenção de boas mudas. tais como. O tamanho dos saquinhos varia de 11 cm de largura por 20 cm de altura para mudas de meio ano. quantidade de substrato é menor. O viveiro deve ser protegido com cobertura de palha (sapê ou outra) ou. As sementes devem ser provenientes de instituições oficiais. Para uma boa conservação do solo deve optar pelo plantio direto e para o cultivo mínimo (plantio ou a semeadura da cultura com o mínimo de perturbação do solo). As mudas podem ser plantadas em saquinhos de polietileno ou em tubetes. necessidade de suporte no viveiro e mão de obra especializada.O cafeeiro prefere solos bem drenados levemente ácidos e com uma boa quantidade de húmus.

Nesse método deve se tomar cuidado para não danificar o sistema radicular da plântula durante o transplante para o recipiente. nas adubações complementares de cobertura ou mediante pulverização foliar e no controle de pragas. Depois de plantado deve se cobrir os saquinhos ou tubetes com palha para que as sementes não sejam deslocadas com a irrigação e para manter a umidade por um período de tempo maior. A construção do viveiro deve levar em conta a trajetória do sol. Na semeadura direta são colocadas duas sementes por saquinho plástico. É proibido o uso de brometo de metila para a desinfestação do substrato. para assegurar maior homogeneidade das mudas.ultrapassar 50%. Uma alternativa para o combate contra fitopatógenos é a utilização da solarização. . serão transplantadas para o recipiente. Trata-se de um método físico de desinfestação. agentes fitopatogênicos e de ervas espontâneas no viveiro. A semeadura pode ser feita de forma direta ou indireta. Deve se analisar se a terra utilizada para o plantio não possui sementes de plantas daninhas. 5. 50 a 70% de sub-solo argiloso + 30 a 50% de esterco bovino curtido. Durante a solarização a temperatura do substrato deve atingir níveis que são letais à grande maioria dos fitopatógenos e da plantas espontâneas. Substratos Os substratos devem conter elevado teor de matéria orgânica. 3. baseado no uso da energia solar para elevação da temperatura do solo. Uma forma de realizar esse método pode ser colocando o substrato em um terreiro cobrindo com uma lona de polietileno fina e transparente de 4 a 5 dias de radiação solar. Já na semeadura indireta as plântulas com o tamanho pequeno (palito de fósforo). 2. 70 a 80% de sub-solo argiloso + 20 a 30% de vermicomposto. 85 a 90% de sub-solo argiloso + 10 a 15% de cama de aviário curtida (atualmente proibido a utilização ) As principais diferenças quanto à formação de mudas de café para um cultivo convencional ou orgânico residem na composição do substrato para abastecimento dos saquinhos ou tubetes. Podem ser de três tipos diferentes: 1. no processo de desinfestação do mesmo. com profundidade de 1 cm.

além de atuar indiretamente na disponibilidade dos mesmos. 7. pratica essa que a agricultura orgânica não é a favor. a matéria orgânica é a principal fonte de macro e micronutrientes essenciais às plantas.7m). reduz a plasticidade e a coesão.0 x 0. Porem para a pratica da agricultura orgânica o plantio adensado não é recomendado. Do ponto de vista físico. evitando perdas. aumenta a capacidade de retenção de água e a aeração. Alem disso o plantio adensado inviabiliza o plantio de adução verde a partir do segundo ano.Na cafeicultura orgânica a utilização de herbicidas é proibida. devido à elevação do pH. já que esse tipo de plantio se caracteriza por estimular a monocultura.7m). 6. e também o consorcio de plantas de porte baixo durante os anos.0 x 0. permitindo maior penetração e distribuição das raízes. sendo um dos grandes fatores prejudiciais na agricultura moderna. A importância da matéria orgânica no sistema de produção orgânico A presença de matéria orgânica no solo é considerada fundamental para a sua manutenção das características físicas. 1981. Uma forma eficiente e relativamente barata de se elevar o teor de matéria orgânica dos solos é por meio da adubação verde e da adição de adubos orgânicos. Plantio No Brasil o plantio adensado tem aumentado a cada ano que passa. aumenta a capacidade de retenção dos nutrientes. Quimicamente. Biologicamente. aumentando a aeração e a retenção de umidade. Muitos produtos que podem ser utilizados como adubo orgânico são produzidos nas . a matéria orgânica aumenta a atividade dos microorganismos do solo. podendo variar de 5 a 10 mil plantas por ha (2. 1985). químicas e biológicas. sendo feito um controle manual contra plantas invasoras nos saquinhos ou tubetes que estiverem no viveiro. a matéria orgânica melhora a estrutura do solo. 1. químicas e biológicas do solo. por ser fonte de energia e de nutrientes (Kiehl. ou podendo ser superior a 10 mil plantas por ha (plantio super adensado. A monocultura é fator que aumenta o numero de fitoparasitas. A matéria orgânica provoca mudanças nas características físicas.

O produto pode ser aplicado nas covas. Na agricultura orgânica não é permitido o uso de determinados fertilizantes químicos. 8. de alta concentração e solubilidade. camas de aviário. tais como uréia. 10. é uma cultura eficiente no uso de fosfato de fontes naturais. com o decorrer do tempo. das perdas de nutrientes que venham a ocorrer. 9. Para correção do nível de fósforo são recomendados: termofosfatos. cloreto de potássio e outros. palhas. superfosfatos. Resíduos da agroindústria também podem ser usados e nessa categoria estão incluídas as tortas oleaginosas (amendoim. fosfato de rocha natural. algodão. deve-se tomar cuidado de destorroar para quebrar os torrões grandes antes de aplicar no solo. sob a saia do cafeeiro ou nas ruas. A quantidade de Bokashi a ser aplicada varia em função do histórico e da análise do solo. borra de café.próprias unidades de produção. O Bokashi possibilita a melhoria do solo em diversos aspectos e. Deve-se atentar para a possibilidade de contaminação por metais . Nutrientes essências para o cafeeiro O fósforo é um nutriente importante para o desenvolvimento do cafeeiro que. como os estercos. restos vegetais e compostos. No caso de aplicação manual. bagaços de frutas e outros subprodutos da indústria de alimentos. pode-se diminuir gradativamente a dosagem. ou mesmo a farinha de osso. resíduos das usinas de açúcar e álcool (torta de filtro. É obtido da fermentação de farelos com o auxílio de microrganismos. entre outros aspectos. mamona. Adubação A adubação do cafeeiro deve ser planejada de acordo com as análises do solo e dos tecidos foliares e as quantidades variam em função da idade da planta e do tipo de adubo usado. Bokashi Bokashi significa composto orgânico em japonês. salitres. cacau). no entanto. vinhaça e bagaço de cana) e resíduos de beneficiamento de produtos agrícolas.

Biofertilizantes São basicamente resíduos de biodigestores. Os efluentes de biodigestor. em geral de pocilgas e estábulos. por exemplo. baias e pocilgas. contêm substâncias com potencial de funcionar como defensivos naturais quando regularmente aplicados via foliar. Podem ser aplicados sobre a planta via pulverizações e sobre o solo. As fontes de potássio recomendadas na agricultura orgânica são as cinzas vegetais. Outros biofertilizantes como o Supermagro e o Agrobio.. Os biofertilizantes. preferindo sempre fontes comprovadamente isentas de contaminações indesejáveis. nas condições brasileiras. .pesados quando do uso de escórias ou mesmo pó de rocha. Vários tipos de biofertilizantes são utilizados. os sulfatos. obtidos da fermentação de materiais orgânicos como a vinhaça. têm na sua formulação fontes variadas de matéria orgânica. é o material pastoso resultante de sua fermentação (digestão anaeróbica) em mistura com água. as águas de lavagem de estábulos. E a disponibilidade de nitrogênio está relacionada com a quantidade de matéria orgânica no solo principalmente pela relação C:N. zinco. De acordo com Guimarães et al. podendo ser obtidos da mistura de diversos materiais orgânicos com água. sendo está ideal quando 30:1. além de serem importantes fontes de macro e micronutrientes. Esses elementos são importantes não só pelo seu papel no metabolismo das plantas como também por suas relações com os mecanismos de defesa das plantas. (2002). incluindo vegetais e minerais como pós de rocha e micronutrientes. a vinhaça. onde estes nutrientes estão na forma complexada com a matéria orgânica. o sulfato de potássio e o sulfato duplo de potássio e magnésio. boro e cobre estão entre os micronutrientes mais importantes para o cafeeiro e as fontes recomendadas incluem o pó de basalto. O potássio é o nutriente mais importante para o cafeeiro por estar relacionado com os processos de frutificação e de defesa natural das plantas (Guimarães et al. 2002). algas marinhas e os biofertilizantes. contém somente esterco e água. enriquecidos ou não com minerais. a casca de café. 11. Nos solos brasileiros é comum haver deficiência de alguns micronutrientes. O biofertilizante de esterco bovino.

É distribuído usando-se tanques ou através de um sistema de aspersão sobre o solo ou sobre a planta. possivelmente pelos hormônios vegetais nela presentes. O biofertilizante líquido produzido a partir da simples fermentação de esterco fresco de bovinos. em diluições de 20 a 40% e volumes de 100 a 200 m3/ha 12. Os ingredientes básicos do biofertilizante Supermagro são água. é recomendado para aplicação em maiores concentrações. Phomopsis sp. melaço e leite..Os biofertilizantes funcionam como fonte suplementar de micronutrientes e de componentes não específicos e embora seus efeitos sobre as plantas não estejam totalmente estudados. estimulam. além de aumentar a resistência contra insetos e ácaros. resíduos animais. garcae) . Têm papel direto no controle de alguns fitoparasitas através de substâncias com ação fungicida.) -Mancha aureolada (Pseudomonas syringae pv. O Supermagro é proveniente da fermentação anaeróbia da matéria orgânica de origem animal e vegetal que resulta num líquido escuro utilizado em pulverização foliar complementar à adubação de solo. principalmente Bacillus subtilis (Pedini. a resistência das plantas ao ataque de pragas e agentes de doenças. esterco bovino.. Colletotrichum spp. 2000). -Olho Pardo ou Cercosporiose (Cercospora coffeicola) -Seca dos ramos e ponteiros (Phoma spp.Ácaros vermelhos -Cigarrinhas -Nematóides . ao que tudo indica. Atua também como defensivo natural por meio de bactérias benéficas. de acordo com condições climáticas regionais. mistura de sais minerais (micronutrientes). bactericida e/ou inseticida presentes em sua composição e há estudos mostrando também seus efeitos na promoção de florescimento e de enraizamento em algumas plantas cultivadas. Controle alternativo de Pragas e Doenças Principais pragas e doenças do cafeeiro. que inibe o crescimento de fungos e bactérias causadores de doenças nas plantas. como fonte de micronutrientes. são: -Ferrugem (Hemileia vastatrix).

Este mesmo levantamento de 2006 indicou que o Brasil possuía uma área de 6 mil hectares. A área sob as plantas deve ser coberta com panos ou plásticos limpos para que os frutos colhidos não entrem em contato com o solo.3% da área total de lavouras de cafés no país. No ano de 2004 foram pouco mais de 6 mil sacas o que representava 3% da produção anual. o que resulta em qualidade superior do produto.5% de todo o café comercializado no mundo era orgânico. evitar a contaminação dos frutos com fungos presentes no solo e produtores de micotoxinas. uma possível contaminação com fungos produtores de micotoxinas. Mercado e Comercialização Estimativas quanto a comercialização de café do estudo The World of Organic Agriculture. De acordo com o Manual de Segurança e Qualidade para a Cultura do Café (2004). evitar a mistura de grãos caídos com os grãos colhidos. representando 12% da produção. Representou um aumento de 93% no período. deve-se coletar somente os grãos maduras ou "cereja". Deve-se.mostraram que cerca de 1. evitando. Em 2005 foi de 11. 14. óleos de sementes de Nim 13.isto é. portanto. Colheita O café está pronto para a colheita quando os frutos atingem o estágio "cereja". Levando. A colheita do café orgânico deve ser feita de forma seletiva.se em conta que o Brasil tem a maior área plantada de café no mundo. A colheita deve ser realizada o mais rapidamente possível.6 mil sacas. como também o uso de biofertilizantes como uma forma preventiva e a utilização de caldas bordalesa. sendo ideal que se complete num período de 2 a 3 meses. assim. o que representava 0. o principal cuidado a ser observado durante a colheita do café é. O Brasil ainda exporta muito pouco da sua lavoura de café orgânico. viçosa. Statistics & Trends 2006 . entretanto para o ano seguinte a estes houve uma inversão e um . pode-se concluir que possui também o maior potencial de crescimento.O controle pode ser realizado a partir de variedades mais resistentes. justamente.

Figura 1: Exportações de café orgânico brasileiro período de 2004 a 2006 De acordo com dados do CIC (Centro de Inteligência em Café). seguido pelos EUA com 20% e pela Eslovênia e Alemanha com 12% cada. como mostra a figura 2. O México é o maior produtor mundial com 30 toneladas por . No mercado interno este produto possui preços atrativos no mercado nacional e internacional para o produtor. qualidade e menor oferta.queda abrupta de 83%. Figura 2: Destino das exportações brasileiras de café orgânico. os principais importadores de café orgânico do Brasil no ano de 2006 foram: Japão com 49% do total das exportações brasileiras. conforme demonstra o gráfico (figura 1) da CECAFÉ (Conselho de Exportadores de Café do Brasil). por consequência de suas características de produção.

2008). Neste quesito o Brasil aumenta seu potencial competitivo em relação a outros países produtores. Os consumidores de maior poder aquisitivo buscam singularidades. tem consciência ambiental e de sustentabilidade. 2008). diversidade e diferenciação nesta bebida. Japão e Europa. também são importantes (SEBRAE. O Japão e os EUA tem oferecido de 15% a 50% mais pelo café do tipo orgânico comparado com o tradicional. Por quê produzir café orgânico? O mercado mundial necessita de mais produtores de cafés orgânicos. O essencial para esse segmento de mercado é que o produtor encontre um consumidor com gostos sofisticados e disposto a pagar muito por pouco. Certificação . Um exemplo disto é o café mexicano que recebe de 15 a 20% mais que o café tradicional produzido no México quando exportado para os EUA.ano. Segundo o Datasenso em uma pesquisa realizada no sul e sudeste do Brasil em 2002. que apresenta modificações significativas dada a crescente preferência por cafés finos e tipo exportação. seguido pelo fato de não conter agrotóxicos. podendo se tornar uma área interessante ao pequeno produtor (SEBRAE. Costa Rica e Peru aonde a produção chega a 30% do total. Isto ocorre devido ao preço de venda pouco competitivo com o do café convencional e do desconhecimento do significado do termo orgânico. Guatemala. Outro quesito a se considerar é a atração de clientes preocupados em apoiar atitudes de preservação e que valorizem cuidados ambientais. Colômbia. denotando que esses consumidores além da preocupação com a saúde. Nicarágua. representando cerca de 11% da produção mexicana de café. Mas esses consumidores diversificados são exigente também na qualidade do produto. 15. sendo os mais citados o bem estar de quem consome um produto orgânico. Os preços atrativos para o produtor vêm da menor oferta. Outros países latinoamericanos como Bolívia. a. do requintamento e da qualidade do produto e de suas características produtivas. O consumo do café na forma orgânica ainda é muito baixo no Brasil apesar do grande potencial do mercado interno para consumo de cafés diferenciados. fazendo com que o café se torne especial. o consumo é motivado principalmente por fatores individuais e sensitivos. assim a presença de selos certificadores se torna imprescindível.

que recebem o selo de certificação representados na figura 3 a seguir. Referências Bibliográficas . as lavouras e todo o processo de beneficiamento são inspecionados. e em 2004 houve maior referência aos cafés Fair Trade e Orgânicos no Brasil. protegendo o consumidor . ostentando um nível diferenciado no mercado. Em 2003 o país passou a exportar café certificado. Para ser certificado a cultura deve seguir as filosofias mais amplas da agricultura orgânica e como tal. adotar princípios básicos e ser capaz de atestar e garantir as características inerentes. sendo aproximadamente 200 produtores. possibilitando uma diminuição nas tentativas de burlar o processo. Sua característica é a preocupação por parte dos consumidores com a qualidade e o valor biológico dos produtos. permitindo assim a busca de posicionamento diferenciado no mercado. Este processo pode ser obtido junto a várias empresas . 16. Trata-se de aspectos éticos ligados à comercialização. O modelo de certificação Fair Trade (comércio justo) vem surgindo com bastante força. Figura 3: Selos das principais certificadoras de produtos orgânicos. A certificação dá suporte à rastreabilidade do produto. Na certificação do café.A certificação garante a origem do produto e sua qualidade. assim como com questões de cunho sociais e ecológicas.

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