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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA 1ª

VARA CÍVEL DA COMARCA DE COLATINA ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

Requerentes: Regina Celia Juliani e Outros.


Requeridos: Dirceu Calavotte e Outros
Processo n.º: 0005683-50.2018.8.08.0014

DIRCEU CALAVOTTE, brasileiro, casado, portador do CPF o n.º


451.247.797-72 e RG sob o n.º 16077 MTPS-ES, filho de Pedro Cavalotte e Maria
da Silva Cavalotte, residente e domiciliado na Rua João Tinelli, n.º 717, bairro
Honório Fraga, Colatina-ES, CEP 29.704-432. (DOC. 01 – Documentos
pessoais), por meio de seu advogado, conforme procuração em anexo (DOC. 02
– Procuração), com escritório na Rua Fioravante Rossi, n.º 3273, Bairro Honório
Fraga, Colatina-ES, CEP 29.704-424, endereço que indicam para receber
intimações/notificações, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
com fundamento no artigo 335 do Código de Processo Civil, oferecer
CONTESTAÇÃO à “AÇÃO DEMARCATÓRIA”, que lhe move REGINA CELIA
JULIANI e OUTROS, já qualificados nos autos em epígrafe, pelas razões e
fundamentos doravante delineados:

CAPÍTULO I
SINOPSE FÁTICA

Os Requerentes ingressaram com a presente demanda em face


dos Requeridos alegando, em síntese, que:

São legítimos proprietários do imóvel urbano, registrado sob a


matrícula n.º 1/4.507, de ordem do livro 2-V, em 05 de novembro de 1979, no
Cartório de Registro Geral de Imóveis desta Cidade de Colatina-ES.

Alegam que a propriedade do referido imóvel originou-se após o


falecimento do senhor João Juliani Filho, o qual era pai/genro dos Requerentes.
Desta forma, por força do princípio do saisine tomaram a posse dos bens do “de
cujus” .

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Informam que o imóvel a ser demarcado, abrange uma área de
terras medindo 7.796,66m², remanescente da matrícula registrada sob o n.º 4.752,
do livro de ordem 2-X, de lavra do Cartório de Registro Geral de Imóveis desta
comarca.

Por fim, aduzem que devido ao decurso do tempo em vista do


desenvolvimento urbano, possuem incertezas acerca dos marcos que assinalam
os limites entre as propriedades.

Diante dos fatos pleiteiam os Requerentes as demarcações dos


limites entrem as propriedades, a fim de reconhecê-los como legítimos proprietários
do citado terreno.

Sendo assim, estes são, em síntese, os fatos relevantes da lide que


em consonância com o que será analisado minuciosamente a seguir, não há que
se concordar com o pleito pretendido, pelas razões abaixo delineadas, bem como
pelas provas ora anexadas.

CAPÍTULO II
PRELIMINAR
DA FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL:

A ação demarcatória tem como objetivo proceder à demarcação


entre prédios, aviventar rumos apagados e renovar marcos destruídos ou
arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas
despesas.

No presente caso em tela, os Requerentes, em síntese, alegam


que são legítimos proprietários de uma área remanescente de 7.796,66m², e que
os Requeridos estariam ocupando terreno que são de sua propriedade.

Ora Excelência, Honrado Magistrado, da narrativa fática contida na


exordial, percebe-se, de imediato, o equívoco dos Requerentes ao escolherem o
procedimento da Ação Demarcatória para postular sua pretensão, uma vez que
esta espécie de ação, conforme preleciona o artigo 574 do Código de Processo
Civil somente é cabível ao legítimo proprietário de determinado imóvel em face de
seu confinante de demarcar as divisas, aviventar os rumos apagados e renovar os
marcos destruídos ou arruinados, devendo, para tanto, ser CLARA e
INCONTESTÁVEL a PROPRIEDADE e os LIMITES DE CONFRONTAÇÃO
contidos no REGISTRO GERAL DE IMÓVEIS.

Neste diapasão, os Requerentes alegam que devido o lapso


temporal, bem como o desenvolvimento urbano possuem incertezas acerca dos
marcos que assinalam os limites entre as propriedades, não restando outra

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alternativa senão a propositura da presente demanda, como objetivo de delimitar a
área de propriedade comum dos Requerentes.

Ora M.M. Juiz de Direito, os Requerentes afirmam indiretamente


que o terreno do qual se dizem proprietários encontra-se ocupado pelos
Requeridos, vez que alegam categoricamente que possuem incertezas acerca dos
marcos que assinalam os limites entres os confrontantes.

Se de fato o terreno de propriedade dos Requerentes encontra-se


ocupado pelos Requeridos, como afirmado em sua peça inicial, não há que se falar
em Ação Demarcatória, já que não existe o que ser demarcado, mas sim em Ação
Reivindicatória pura e simples, pois este é o procedimento adequado para o
proprietário que deseja reaver o imóvel ocupado por terceiros ilegitimamente.

Ora, obscuras são as intenções dos Requerentes, pois tentam


obter através da exordial vantagens que não lhe são devidas, uma vez que na Ação
Demarcatória não se discute a titularidade dos imóveis demarcandos, mas tão
somente as divisas existentes entre estes, sendo certa a dimensão da propriedade
de acordo com o título aquisitivo.

No caso em apreso, percebe-se nitidamente que os Requerentes


desejam reaver área que segundo entendimento corrente no local, pertence à
Requerida - Casa do Menino de Colatina, e não delimitar as divisas existentes entre
os imóveis.

Nesses termos ficam impugnadas todas as alegações e


documentos eventualmente apresentados pelos Requerentes, no tocante a
titularidade do imóvel.

Desta forma, como os Requerentes nunca exerceram a posse


sobre o imóvel, a única via a ser eleita seria a Ação de Reivindicação de Domínio,
mas nunca, como é lógico, Ação Demarcatória, já que na verdade não há o que se
demarcar, aviventar ou fixar.

Aliás, cabe ressaltar que a área em litígio, no que diz respeito ao


Requerido, encontra-se devidamente individualizada, não havendo, portanto,
necessidade da demarcação de terras, por já existir seus respectivos limites.

Diante de todos os argumentos expostos, requer a Vossa


Excelência em respeito ao artigo 17 do Código de Processo Civil que se digne
acolher a preliminar ora suscitada, reconhecendo a falta de interesse processual
dos Requerentes para demandar em Ação Demarcatória, diante dos fatos narrados
na própria inicial, julgando o processo sem resolução do mérito, conforme
preleciona o artigo 485, inciso VI do Novo Código de Processo Civil.

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CAPÍTULO III
DA LEGÍTIMA PROPRIEDADE DO REQUERIDO; DO NÃO
RECONHECIMENTO DOS REQUERENTES COMO LEGÍTIMOS
PROPRIETÁRIOS; DA INEXISTÊNCIA DE INCERTEZA ACERCA DOS
MARCOS QUE ASSINALAM OS CONFINANTES.

Na remota hipótese de não ser acolhida por Vossa Excelência a


preliminar acima arguida, o que se admite unicamente por amor ao debate jurídico
e em atendimento ao Princípio da Eventualidade, ainda assim, no mérito não
merece prosperar a presente ação. Senão vejamos.

Atualmente, o Requerido possui 3 (três) lotes de terreno urbano


que se confronta com a área em litigio do “vértice M-3, de coordenadas N
7.840.068.227 M.E e 325.474,110 m; deste segue com azimute de “345º56’26”
e distância de 47,74m.

Importante consignar que o referido imóvel urbano, foi adquirido


pelo Requerido do Sr. ERNESTO JACÓBSEM na data de 07 de janeiro de 1987,
ou seja, há mais de 20 (vinte) anos (DOC.03 – Recibo de Compra e Venda).

O imóvel adquirido possuía, à época, as seguintes características:


três lotes de terras de n.ºs 1, 2 e 3 da quadra s/n, com uma área medindo
1.124,00m², situado na Rua João Tinelli, n.º 717, Bairro Honório Fraga, Colatina-
ES, CEP 29.704-432, devidamente cadastrado sob a inscrição imobiliária n.º
01.04.370.1011.001.

Na época da aquisição dos lotes pelo Requerido, esse, por sua vez,
afirma que a área em litígio já pertencia, de fato, a atual proprietária - Casa do
Menino de Colatina -, e que segundo entendimento corrente no local já vinha
exercendo o domínio e a posse mansa, pacífica e sem qualquer oposição há mais
de 20 (vinte) anos.

Pois bem, analisando a documentação acostada nesta


contestação, bem como as declarações do Requerido, constata-se que somente
agora, após muito mais de 50 (cinquenta) anos de exercício, pela atual proprietária
do terreno em tela, de posse de todos os poderes inerentes ao domínio, eis que
surgem os pseudos proprietários do imóvel, dizendo-se donos e legítimos
possuidores de uma área de terra medindo 7.796,66m².

Área essa remanescente da matrícula registrada sob o n.º 4.752,


do livro de ordem 2-X, com escopo de reivindicar a demarcação das divisas, sob a
alegação que, devido o lapso temporal e com o desenvolvimento urbano possuem
incertezas dos marcos que assinalam os limites entre as propriedades.

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Ora Excelência, Honrado Magistrado é totalmente discrepante o
embasamento fático dos Requerentes, haja vista intitularem-se legítimos
proprietários e não saberem ao certo ondem encontra sua propriedade.

Basta uma simples análise dos autos que o MM. Juiz de direito
concluirá que tanto a narrativa fática, bem como as provas acostadas na exordial
não são contundentes para ensejar a demarcação de divisas, conforme requerido.

Ora Honrado Magistrado, às incertezas acerca dos marcos que


assinalam os limites entre as propriedades, nunca existiram na realidade, haja vista
o Requerido conhecer como legítimo confrontante da área de terras medindo
7.796,66m² a Requerida Casa do Menino de Colatina, sendo certo que essa sempre
manteve suas dividas rigorosamente delimitadas, cercadas, limpas e em perfeitos
estado de conservação.

Assim, o Requerido se opõe contra a demarcação de divisas, bem


como os Requerentes como legítimos proprietários, pois não há que se falar em
incertezas acerca dos marcos que assinalam os limites entre as propriedades
descritas na exordial, uma vez que essa não descreve a realidade dos fatos.

CAPÍTULO IV
DA CARACTERIZADA LITIGANCIA DE MÁ-FÉ

A boa-fé é um dos princípios basilares do Direito, devendo nortear


todas as condutas humanas.

Em vista disso, o novo Código de Processo Civil enumerou como


deveres das partes, bem como de todos os envolvidos em processo judicial, “expor
os fatos em juízo conforme a verdade” - artigo 77, inciso I do CPC/15 -, “não
formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas
de fundamento” - art. 77, inc. II, NCPC -, dentre outros.

Entretanto, por todo o exposto até então se percebe claramente


que os Requerentes faltaram com o cumprimento dos referidos deveres, vez que
distorceram a verdade dos fatos ao alegarem que são Legítimos Proprietários da
área de terra em litígio, como ficou comprovado pela narrativa fática os
Requerentes não passam de psêudos proprietários do imóvel.

Ao alterar a verdade dos fatos, os Requerentes deixaram de


proceder com lealdade e boa-fé, formulando pretensão destituída de fundamento e
violando, por conseguinte, os deveres enumerados no artigo 77 do Código de
Processo Civil de 2015.

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Desta maneira, pode os Requerentes ser considerados por
litigância de má-fé, enquadrando-se nas hipóteses descritas nos incisos I, II e V do
artigo 80 do NCPC.

Ora Excelência, Honrado Magistrado, ao alegarem que são


Legítimos proprietários da área de 7.796,66m² e que devido o lapso temporal, bem
como o desenvolvimento urbano possuem incertezas acerca dos marcos que
assinalam os limites entre as propriedades, a promovente alterou na verdade dos
fatos, deduzindo pretensão contrária a fato incontroverso e agindo de modo
temerário, merecendo, portanto, ser condenados a pagar multa de 1% (um por
cento) sobre o valor dado à causa, além dos honorários devidos aos patronos dos
Requeridos e das despesas processuais, a teor do contido no artigo 81 do Código
de Processo Civil.

CAPÍTULO V
DOS PEDIDOS

Ante a todos exposto, o Requerido requer e espera o acolhimento


das razões acima expostas para julgar totalmente improcedente a presente
demanda.

Requer também que seja acolhida a preliminar de falta de interesse


processual, julgando o Requerido carente de interesse processual e,
consequentemente, julgando extinto o processo sem julgamento do mérito, com
fulcro no artigo 485, inciso VI, do Código de Processo Civil.

Seja julgado improcedente o pedido autoral, considerando as


razões acima expostas, para que, ao final, seja a Requerida - Casa do Menino de
Colatina - mantida no domínio do terreno.

Seja consequentemente, os Requerentes condenados ao


pagamento de custas e honorários advocatícios em favor do Requerido.

Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito,


especialmente, pelo depoimento de testemunhas, pelo depoimento pessoal das
partes Requerentes e prova documental.

Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Colatina-ES, 11 de outubro de 2018.

Brenon Nunes Drosdosky


- OAB/ES 30.043 -

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