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Pe Stefano Maria Manelli

A força da recitação do Terço – Padre Stefano Maria Manelli


A Coroa do Agradecimento

O fundador dos Franciscanos da Imaculada explica a força da recitação do Terço

Padre Stefano Maria Manelli

ROMA, sexta-feira, 11 de maio de 2012 (ZENIT.org) – “Oh, Santa coroa do Rosario!” Esta invocação à coroa do
Rosario nasce espontânea quando vemos a coroa nas mãos da Rainha do Rosário em Pompéia, nas mãos da
Imaculada em Lourdes, nas mãos do Imaculado Coração em Fátima.

O quanto deve ser importante esta coroa do Rosario se a a mesma Nossa Senhora a tem nas suas mãos de Rainha do
céu e da terra, se dela mesma, em pessoa, nos foi presenteada em Lourdes, e nos foi recomendado com insistência
materna em Fátima!

A partir de São Domingos, a coroa do Rosario esteve nas mãos de exércitos de Santos e de Papas, de místicos e de
missionários, de estadistas e de artistas, de cientistas e de heróis, de homens e de mulheres, de pessoas idosas e de
crianças, em todo momento e em todas as partes da terra.

Lembremos, por exemplo, São Francisco de Sales, Santa Margarida Maria Alacoque, Santo Afonso de Ligório, Santa
Bernadette Soubirous, São Pio X, Santa Maria Goretti, São Pio de Pietralcina, a beata Teresa de Calcutá … Podemos
também lembrar os cientistas Galileo Galilei, Ampere, Pasteur, Marconi; os músicos Vivaldi, Gluck; os pintores
Miquelângelo e beato Angelico; os pensadores e escritores, Rosmini e Manzoni …

“Oh, Santa Coroa do Rosário”

A coroa do Rosário é “santa” porque produz coisas santas, recebe graças, atrai muitas bênçãos, não somente sobre
os que rezam a coroa, mas também sobre a casa, sobre a família e sobre o trabalho de quem recita. A coroa do terço
é “santa” porque abre as janelas de vinte mistérios da vida de Jesus e de Maria, com o exercício da contemplação e
do amor que conduzem a alma para as alturas da santidade.

O Rosário também foi chamado e definido de diversos modos: coroa de graças, rosa de graças, tesouro de graças,
corrente de graças, fonte de graças…

São Pio de Pietrelcina, em particular, gostava de dizer que o Rosário é também a arma para toda batalha espiritual e
temporal, a arma de triunfo contra todo inimigo, a arma de todas as vitórias (como nos lembra Lepanto), de onde
Nossa Senhora do Rosário também foi chamada de “Nossa Senhora das vitórias”, muito querida por Santa Teresinha.

O beato Bartolo Longo, finalmente, deseja que todos morram com a coroa do terço nas mãos, dando-lhe o “último
beijo da vida que se apaga”, para apresentar-nos ao juízo de Deus com a alma coberta pela “Santa Coroa do
Rosario”.

Para maior aprofundamento:

Padre Stefano Maria Manelli, “O Rosario benedetto di Maria!” (Casa Mariana Editrice)

http://www.zenit.org/article-30293?l=portuguese

http://www.amoranossasenhora.com.br/2012/11/a-forca-da-recitacao-do-terco-padre-stefano-maria-manelli/

A assunção de Maria ao céu – Padre Stefano M. Manelli, F.I.


Fundador dos Franciscanos da Imaculada explica como ganhar o céu

Padre Stefano M. Manelli, F.I.

ROMA, segunda-feira, 13 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Ao contemplar a assunção de Maria ao céu em corpo e
alma, contemplamos o nosso destino final de acordo com o plano de Deus: o paraíso.
Para merecer o paraíso, no entanto, precisamos nos esforçar para viver como Maria viveu, praticando as virtudes no
sacrifício diário da nossa vida. “Só será recompensado quem tiver legitimamente lutado”, diz o apóstolo Paulo (2 Tim
2,5).

A assunção da Virgem Maria ao céu nos lembra as suas virtudes santas, brilhantes como estrelas no firmamento da
sua vida. Toda a vida de Maria foi uma constelação de virtudes, um Éden de graça na terra, depois transportado para
o Éden infinito e eterno dos céus. E nós, contemplando Maria, temos que aprender a viver como ela para ser um dia
acolhidos no paraíso.

É por esta razão que a Igreja diz que sobre a terra os homens “voltam os olhos para Maria, que refulge como o
modelo da virtude perante toda a comunidade dos eleitos” (Lumen Gentium). O papa Paulo VI afirma que as
virtudes de Maria são o modelo para todos, e que “dessas virtudes da Mãe também se adornarão os filhos, que, com
tenaz propósito, se espelham nos seus exemplos para reproduzi-los na própria vida” (Marialis cultus).

Mas quais são as virtudes de Maria que mais devemos imitar?

O grande apóstolo de Maria, São Luis Grignion de Montfort, nos ensina que “a verdadeira devoção à Santíssima
Virgem leva a alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes de Maria, em particular a sua humildade profunda, a sua
fé viva, a sua obediência cega, a sua contínua oração, a sua mortificação universal, a sua pureza divina, a sua
caridade ardente, a sua paciência heroica e a sua sabedoria divina”. Que tesouro imenso de virtudes sublimes é
Maria!

Se o caminho da virtude foi o caminho de Maria para o céu, então ele deve ser também o nosso caminho. Não há
outra maneira de ir da terra ao céu sem passar pelo purgatório, que é um lugar de purificação dolorosa, diante do
qual empalidecem até mesmo os sofrimentos mais atrozes da terra.

Todos os santos são santos porque praticaram as virtudes de modo perfeito, brilhando mais por alguma virtude que
os caracteriza em particular: assim, São Francisco de Assis brilha em especial pela pobreza; Santa Clara de Assis pelo
amor à Eucaristia; São Luís Gonzaga pela pureza; Santa Teresa de Jesus pela oração; São Francisco Xavier pelo amor
às almas nas missões; Santa Gemma Galgani pelo amor ao Cristo crucificado e à Virgem das Dores; São Maximiliano
Kolbe pelo amor à Imaculada Conceição; São Pio de Pietrelcina pelo amor ao rosário.

Nossa Senhora de Fátima também nos fala do purgatório, e em termos nada reconfortantes. Para a pequena Lúcia,
que perguntava onde estava a alma de uma companheira falecida recentemente, Maria respondeu: “Ela está no
purgatório e lá permanecerá até o fim do mundo”. É terrível. Mas por que não pensamos que poderia ser assim para
nós também?

No céu se entra perfeito, com todas as virtudes. Os três pastorzinhos compreenderam isto muito bem e se aplicaram
com todo o ardor na busca da virtude. Jacinta, por exemplo, nos encanta pela candura e pela mortificação, pela
oração e pela paciência nos sofrimentos terríveis que padeceu ao passar por uma cirurgia sem anestesia. Fascina
especialmente pela sua caridade heroica para com os pobres pecadores, que eram a paixão do seu coração inocente.

O pequeno Francisco de Fátima, igualmente, nos encanta pelo seu recolhimento, pela sua reserva e capacidade de
contemplação e de adoração. São coisas incríveis em um menino de dez anos, idade em que eles são apaixonados
pelo esporte e por correr despreocupadamente.

Quanta maturidade, no entanto, e que paixão amorosa ele demonstra ao querer sempre “consolar Jesus”, passando
horas a fio perto do tabernáculo, onde Jesus fica escondido!

É assim que se entra no céu. Só assim. Contemplando Maria assunta ao céu, descobrimos o verdadeiro caminho da
vida cristã, na esteira esplendorosa e sublime da Mãe Celestial: um caminho de virtudes que nos levam para cima.

Virtude a praticar: a imitação de Maria.

http://www.zenit.org/article-31049?l=portuguese

http://www.amoranossasenhora.com.br/2012/11/a-assuncao-de-maria-ao-ceu-padre-stefano-m-manelli-f-i/
Por que os cristãos aspiram ao céu? – Pe. Stefano M. Manelli F.I.
Fundador dos Franciscanos da Imaculada explica o desejo dos homens de olhar para o céu

Pe. Stefano M. Manelli F.I.

ROMA, quinta-feira, 9 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Jesus, que sobe ao céu apartando-se dos homens e do
mundo, nos convida a subir com a nossa alma para aspirar aos bens eternos, renunciando aos bens passageiros
deste mundo pobre.

Contemplando a ascensão de Jesus, ouvimos como fosse se dirigida a nós a vibrante exortação de São Paulo aos
cristãos colossenses: “Buscai as coisas do alto! Saboreai as coisas do alto, não as da terra” (Cl 3,2).

Se de fato olhássemos mais para cima, quantas esperanças e consolações receberíamos de Deus, que não
recebemos dos homens nem do mundo!

A mãe heroica dos sete irmãos macabeus, depois da matança dos seis primeiros filhos, exortou o sétimo, o menor, a
enfrentar o martírio com coragem: “Meu filho, olha para o céu!” (2 Mac 7, 28). O mesmo se lê nos atos do martírio
de São Timóteo. O santo, corajoso, foi imerso em cal. Entre os terríveis espasmos, ele ouviu os anjos lhe dizerem:
“Levanta a cabeça e pensa no céu que te espera”.

Infelizmente, as pessoas não sabem mais viver sem ser assoladas pelos interesses e pelas preocupações materiais. O
bem-estar e o consumismo as absorvem. Elas não sabem, não conseguem pensar em mais nada. Sexo, esportes,
política, dinheiro, diversão, negócios, sucesso, televisão, mídia: é um bombardeio todos os dias, um ataque de
alegrias turbulentas e de tristezas que derrubam, uma correria nervosa que domina os homens e os empurra
cegamente, num contorcer-se que não tem nenhum sentido nem escopo, a não ser aquele prazer agoniado das
breves satisfações mundanas. Mais ou menos como os animais. Diz muito bem o Espírito Santo por intermédio do
profeta: “O homem, na prosperidade, não compreende. É como os animais” (Sl 48,21).

Na vida do beato Henrique Susone, dominicano, lemos que, quando criança, em passeio de barco pelo magnífico
Lago Ueberlingen ao lado de mãe e contemplando as ondas que brilhavam como pérolas, ele disse a ela, estupefato:
“Mãe, olha quantas pérolas!”. “Sim”, respondeu a mãe, “parecem pérolas, mas, se tentares pegá-las com a mão, só
recolherás um pouco de água fria. Em vez disso, olha para o sol e pensa no Sol eterno que é Deus”.

Jesus é o sol, e a sua ascensão nos chama para cima, bem para o alto. A educação cristã se beneficiaria muito da
lembrança constante deste mistério da ascensão, que nos revela o destino final da nossa jornada terrena seguindo
os passos de Jesus: a subida ao Paraíso.

Na família de Santa Teresinha, por exemplo, todas as noites, além da recitação do rosário que jamais ficava relegada,
aqueles pais exemplares falavam para os filhos das verdades eternas. E santa Teresinha, um dia, escreveria: “Ao
ouvir os nossos pais falarem da eternidade e das coisas santas, nós nos sentíamos dispostos a considerar as coisas do
mundo como vaidade, mesmo sendo ainda tão pequenos. A certeza de um dia partir para longe da minha terra
escura me fora dada desde a infância… Eu sentia no meu coração, por meio de aspirações íntimas e profundas, que
outra terra, uma região muito mais bela, seria um dia a minha casa…”.

O desapego do mundo nos alça para o céu e nos faz pensar na eternidade. O pensamento da eternidade evoca o céu
e o inferno, e a escolha do céu nos compromete na luta contra o pecado, que o diabo, a carne e o mundo querem
nos levar a cometer, para nos precipitar na eternidade do inferno.

Bem dizia a pequena Jacinta de Fátima, quando afirmava: “Se os homens soubessem o que é a eternidade, fariam de
tudo para mudar de vida!”. E a sabedoria de Jó nos lembra que os dias do homem “passam mais velozes do que o fio
no carretel” (Jó 7,6), e que a nossa vida “é uma flor que logo murcha, uma sombra que desaparece” (14,1.2), para
em seguida nos encontrarmos diante de Deus e da eternidade.

Contemplando a ascensão de Jesus ao céu, oremos ao Imaculado Coração de Maria e peçamos que ela mantenha o
nosso pobre coração sempre voltado para o céu.

Virtude a praticar: o desapego do mundo.

http://www.zenit.org/article-31022?l=portuguese
http://www.amoranossasenhora.com.br/2012/11/por-que-os-cristaos-aspiram-ao-ceu-pe-stefano-m-manelli-f-i/

A virtude mariana da prudência – Padre Stefano M. Pio Manelli


A Virgo Prudens

O fundador dos Frades Franciscanos da Imaculada explica a virtude mariana da prudência

Por padre Stefano M. Pio Manelli

ROMA, sábado, 05 de maio de 2012 (ZENIT.org) – Não é errado dizer que a primeira virtude demonstrada por Nossa
Senhora na Anunciação foi a virtude cardeal da prudência. Na verdade, nas extraordinárias palavras de saudação do
anjo Gabriel – “Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1, 28) – o evangelista São Lucas diz que a Virgem
Maria ficou rapidamente amedrontada, tocada ou perturbada. Por quê? Por causa da intervenção da virtude da
prudência!

Está na natureza da virtude da prudência, de fato, o dever de alertar a pessoa de toda precipitação ou juízo
precipitado das coisas, ajudando a dar-se conta primeiramente do que escuta, do que vê e do que acontece. A estas
palavras notáveis do Anjo, a virtude da prudência se fez presente e colocou em guarda a jovem virgem Maria,
comprometendo-a a refletir para avaliar prudentemente o significado destas palavras angelicais, em vez de exaltar-
se sem dar-se conta do seu real significado.

Literalmente, de fato, o evangelista São Lucas diz que às belas palavras de saudação do Anjo, a Virgem Maria, muito
prudentemente, antes de exaltar-se, “pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação” (Lc 1, 29). Prudência
e deliberação caminham lado a lado com estas palavras do evangelista, e muito mais, unem-se profundamente no
comportamento da virgem Maria.

Junto com a perturbação inicial de Nossa Senhora, de fato, o Anjo Gabriel, em seguida, dá uma explicação, não
menos extraordinária também: “Não tema, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e
darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus
lhe dará o rono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 30-33 ).

Nas palavras do Anjo, portanto, continua a revelação de coisas realmente extraordinárias; coisas grandes, coisas
enormes, coisas humanamente incríveis, que, querendo, podem ser resumidas nas palavras: Tu, Virgem Maria, serás
mãe do mesmo Filho de Deus!

A estas palavras do Anjo, agora, poderiamos pensar que imediatamente, por parte da Virgem Maria, não havia mais
nada a fazer, a não ser alegrar-se e exaltar-se até o sétimo céu, regozijando-se de uma alegria divina sem medida.
Porém, isso não aconteceu. Por quê?

Maria, de fato, até mesmo depois das outras palavras do Anjo, apresenta-se com a sua prudência e circunspecção,
não se exaltando para nada com as palavras tão sublimes que o Anjo Gabriel disse à ela e que diz respeito
especificamente ao plano de Deus para ela.

É próprio da virtude da prudência, de fato, observar com cuidado cada coisa, para saber discernir o bem do mal,
evitando assim, qualquer risco de dano a si ou aos outros. A este respeito, no entanto, surge uma pergunta: mas era
possível que por parte do Anjo Maria recebesse algo de mal ou de inconveniente? Trata-se de um anjo enviado por
Deus!

A resposta a esta razoável pergunta fica ainda no ar, porque Maria, refletindo prudentemente nas palavras do Anjo,
capta um ponto problemático com relação à sua condição pessoal de virgem consagrada a Deus, e por isso ela pode
imediatamente perguntar como acontecerá isso que o Anjo disse, tendo ela já consagrado a sua virgindade a Deus:
“Como é possível? Eu não conheço homem”(Lc 1, 34). Isto é: como ela poderá se tornar Mãe do Filho de Deus sem
trair a oferta da sua virgindade a Deus? O problema, portanto, era realmente grande para Maria, era crucial.

Se é verdade que ela deveria rapidamente exaltar-se com o projeto de uma tão sublime maternidade divina, como
conciliá-lo, no entanto, com a já consagrada virgindade dela a Deus? De alguma forma ela pode tirar de Deus o que
já lhe tinha doado e que pertence somente a Ele? Será que Ela pode não mais prestar atenção à sua virgindade dada
a Deus? … São perguntas realmente delicadas e intrigantes!
Prudência e circunspecção respondem não. Neste caso, só Deus podia resolver o assunto, porque é sagrado dever da
criatura salvaguardar sempre o direito de Deus ao qual pertencia a virgindade que Maria já lhe tinha oferecido.

E aqui estão as últimas palavras do Anjo à Virgem que tem se mostrado tão atenta e prudente: “O Espírito Santo virá
sobre ti, e a potência do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Aquele que nascerá será, portanto, chamado Santo e
Filho de Deus”(Lc 1, 35).

Neste ponto, a conclusão desta lição altíssima sobre a virtude cardeal da prudência foi a resposta final de Maria ao
Anjo que agora pôde dizer-lhe com toda a sua alma: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua
palavra “(Lc 1, 38).

Que a “Virgo Prudens ” nos ensine também a preciosa virtude cardeal da prudência!

http://www.zenit.org/article-30244?l=portuguese

http://www.amoranossasenhora.com.br/2012/11/a-virtude-mariana-da-prudencia-padre-stefano-m-pio-manelli/

A ação libertadora da Confissão – Padre Stefano Maria Manelli


Fundador dos Franciscanos da Imaculada explica como o sacrifício de Jesus libertou a humanidade do pecado

Padre Stefano Maria Manelli *

ROMA, sexta-feira, 3 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – No Jardim das Oliveiras, Jesus fez o exame de consciência da
humanidade. Todos os pecados dos homens de todos os tempos, toda a fealdade, a vergonha, os horrores e os
sofrimentos, as dores e as tristezas, para pagar pelos crimes da humanidade: este foi o exame de consciência do
gênero humano, sofrido por Jesus com tamanha angústia mortal que o fez suar sangue até banhar-lhe o corpo e a
terra.

Contemplando Jesus a suar sangue no Jardim das Oliveiras, deveríamos abrir os nossos olhos para a realidade do
pecado, para nos horrorizarmos e chorar lágrimas de sangue, como as que chorava São Francisco de Assis.

Recordemos o clamor materno de Nossa Senhora em Fátima: “Não ofendam mais o Senhor nosso Deus!”. O pecado
é o sofrimento de Jesus. Seus tormentos e suas gotas de sangue são todos os nossos pecados. Se pensássemos
seriamente sobre isto, não ficaríamos tão indiferentes nem nos tornaríamos tão facilmente escravos do pecado.

Uma vez, olhando para um crucifixo, a pequena Jacinta de Fátima perguntou a Lúcia:

- Porque Nosso Senhor está assim, pregado numa cruz?

- Porque ele morreu por nós.

- Então me conte como foi.

E Lúcia contou a Jacinta toda a Paixão e Morte de Jesus. “Ao ouvir narrar os sofrimentos do Senhor,a pequenina se
comoveu e chorou… Ela chorou amargamente e dizia: ‘Pobre Jesus! Eu não vou cometer nenhum pecado! Eu não
quero que ele sofra mais!’”.

A dor e o propósito de Jacinta são o fruto do verdadeiro exame de consciência. A dor sincera leva a não cometer
mais pecados para não ferir Jesus e não o fazer sofrer.

Por outro lado, o pecado é também a causa de muitos castigos e problemas que afligem a humanidade. Lembremo-
nos do que Jesus disse ao paralítico depois de curá-lo: “Vai e não peques mais, para que não te suceda coisa pior” (Jo
5,14).

Na segunda aparição, Lúcia de Fátima pediu a Maria pela cura de uma pessoa doente, e Nossa Senhora disse: “Se ela
se converter, ficará curada ainda este ano”. Faltas e pecados são a causa dos nossos males e castigos. Na terceira
aparição, Nossa Senhora também disse: “Se os homens não pararem de ofender a Deus, explodirá uma nova e mais
terrível guerra… Deus… punirá o mundo pelos seus crimes com a guerra, com a fome, com a perseguição contra a
Igreja e contra o Santo Padre”.
Os pecados são a perdição do mundo. Se amamos a humanidade, paremos de pecar. Nós temos que lutar contra
todo pecado, em especial através da penitência, e da penitência sacramental, isto é, a confissão.

A confissão é o sacramento do perdão, que destrói os nossos pecados. Quem odeia o pecado, ama a confissão,
porque bem sabe que a confissão apaga a própria sombra do pecado na alma. Mais: sabe que a confissão torna a
alma pura e resplandecente e muito cara a Jesus.

Na vida de Santo Antônio de Pádua, lemos que um dia foi até ele um grande pecador que pretendia se confessar. O
arrependimento sincero, no entanto, fazia chorar o pecador tão irrefreavelmente que ele sequer podia contar os
seus pecados. O santo disse a ele: “Veja: vá escrever os seus pecados e volte para lê-los”. O penitente obedeceu e foi
escrever os seus pecados numa folha de papel. Voltou até o santo, se ajoelhou aos seus pés e começou a ler a lista
de pecados. E qual não foi a sua surpresa ao perceber que, terminada a leitura e recebida a absolvição sacramental,
a folha em que ele havia escrito os seus pecados tinha-se tornado toda branca!

Este é o resultado da confissão sincera dos pecados: a alma é lavada pelo Sangue divino de Jesus e fica iluminada
pela graça. Por esta razão, São Francisco de Assis se confessava três vezes por semana, e muitos outros santos se
confessavam até diariamente.

Nós, além da confissão todo primeiro sábado do mês, não devemos nos esquecer da confissão todas as semanas, de
acordo com a mais sadia e sábia norma da verdadeira vida cristã. Sem a confissão frequente, semanal, nunca
amadurecerá em nós a dor do pecado e o crescimento do amor puro diante do sofrimento de Jesus e do Coração
Imaculado de Maria circundado de espinhos.

Virtudes a praticar: a dor do pecado.

Para aprofundamento: Pe. Stefano Maria Manelli, “Ó Rosário bendito de Maria”.

* O pe. Stefano Manelli, fundador da ordem religiosa dos Frades Franciscanos da Imaculada, é um dos autores
católicos que mais livros venderam. Seus escritos foram impressos em milhões de cópias, com vários tendo sido
traduzidos para diversos idiomas. Entre os de maior circulação, “A devoção a Nossa Senhora”, “Jesus Eucarístico
Amor” e “Maio, Mês de Maria”.

http://www.zenit.org/article-30976?l=portuguese

http://www.amoranossasenhora.com.br/2012/11/a-acao-libertadora-da-confissao-padre-stefano-maria-manelli/

Maria, mulher fiel e corajosa – Pe. Stefano Maria Pio Manelli

Permalink: http://www.zenit.org/article-30287?l=portuguese

A força da mãe que acompanhou Jesus no Calvário


P. Stefano Maria Pio Manelli

ROMA, quarta-feira, 9 de maio, 2012 (ZENIT.org) – A fortaleza é a virtude que brilhou em grau eminente naquela que
se manteve fiel e corajosa ao lado do Filho, acompanhando-o até ao Calvário e permanecendo em pé ao lado da
cruz.

A fortaleza é a virtude cardeal que supera os obstáculos, mantendo o espírito firme nos sacrifícios e nas provações. É
importantíssima na vida espiritual de cada alma, já que a vida de perfeição e de santidade é uma luta constante
contra inúmeros inimigos, internos e externos. A fortaleza cristã é força no sacrifício, coragem na luta e fidelidade na
perseverança. Com a fortaleza, o cristão domina o medo, refreia a ira, reprime os ressentimentos, se enche de
confiança e de paciência na adversidade, mantém-se firme contra a opressão da dor e da morte. A fortaleza demarca
o caminho reto do dever sem temeridade e sem desânimo, domando o medo com a audácia, pronta para resistir e
para agir, para suportar o ataque inimigo e partir para a ofensiva. No perigo, quando a vida é posta em risco, ela
brilha com todo o seu esplendor e, por isso, é a glória dos mártires.

Também desta virtude, como de todas, encontramos em Maria um exemplo e modelo perfeito, que todos devemos
admirar e imitar com empenho. Ela é a Virgem poderosa, aquela que esmaga a cabeça da serpente infernal, como
lemos na Gênesis (3,15) e no Apocalipse (12,9). Já no Antigo Testamento encontramos prefigurada a fortaleza de
Maria, como na figura de Judite, que, ousada e brava na luta contra o inimigo Holofernes, salva um povo prestes à
desesperada rendição.

Ao cortar corajosamente a cabeça de Holofernes, comandante do exército inimigo, ela prefigura Maria esmagando a
cabeça da serpente infernal, salvando com o Filho a raça humana, como co-redentora ao lado do Redentor. Ao
lermos na fortaleza de Judite a fortaleza de Maria, vemos escrito que Maria era uma mulher forte, especialmente no
Calvário, a ponto de que a história da salvação a apresenta como co-redentora com seu Filho para a salvação de
todos os homens. A fortaleza e a pureza, a beleza e a coragem brilharam radiantes em Judite, e, em todas essas
virtudes, ela prefigura a “bendita entre as mulheres” (Lc 1,42), a mulher forte por excelência, a imaculada, a
guerreira invencível que esmaga a cabeça do inimigo com seu pé virginal.

Ao pensarmos na vida de Maria, como não supormos a grandeza da sua força quando, menina de três anos,
consagrou-se para servir a Deus no templo, subindo as escadas com intrepidez admirável? Como foi grande a sua
coragem ao fazer um voto de virgindade a Deus, indo contra as leis do mundo judaico! Ao aceitar tornar-se mãe do
Redentor, conhecendo os sacrifícios cruéis e heróicos que acompanhariam essa missão! Ao permanecer, intrépida e
forte, ao pé da cruz do seu Filho e seu Deus, tornando-se co-redentora da humanidade com ele! A beleza da
fortaleza, o exemplo da Virgem Mãe, nos inspiram a santa ambição de tornar-nos mais fortes também, e de dar à
virtude infusa da fortaleza a facilidade de um hábito adquirido. Todos podemos e devemos tornar-nos fortes para ir
para o céu, lembrando as palavras de Jesus: “O reino dos céus é conquistado pela força, e só os violentos o
conquistam” (Mt 11, 12).

Mas quais são os meios para conseguir esta virtude? O primeiro é a oração, intensa e contínua. O segundo é a
consideração diligente da paixão de Cristo e da dor de Maria. O terceiro é a educação da vontade, treinando-a para
fazer o que nos custa, para perseverar mesmo nas pequenas coisas. Que valor não têm diante de Deus os pequenos
sacrifícios de cada dia, a rejeição espontânea de certas satisfações? O quarto e último meio é a vitória sobre as
dificuldades atuais. Todos nos encontramos em alguma dificuldade: interna, externa, moral, física… São Boaventura
o explica bem, dizendo que “nos acostumamos a suportar pequenos aborrecimentos, porque quem se deixa afetar
por males pequenos nunca será capaz de tolerar os maiores”. Se nos rendermos, acabamos recuando e abrindo a
porta para novas derrotas.

Mas se estamos determinados a vencer, a vitória é certa e nos abre o caminho para novos triunfos. Vamos começar
a trabalhar, portanto, sem demora e sem vacilações. Em vez de dobrar a cabeça, levantemos a testa e peçamos a
Nossa Senhora que nos encha de confiança em Deus, certos de que Ele nos dará todas as graças necessárias para
combatermos o mal, vencermos as barreiras e conseguirmos a santidade que ele próprio quer de nós.

http://www.zenit.org/article-30287?l=portuguese

http://www.amoranossasenhora.com.br/2012/11/maria-mulher-fiel-e-corajosa-pe-stefano-maria-pio-manelli/

“NÃO É ERRADO DIZER QUE A PRIMEIRA VIRTUDE DEMONSTRADA POR NOSSA


SENHORA NA ANUNCIAÇÃO FOI A VIRTUDE CARDEAL DA PRUDÊNCIA.” – ARTIGO
– MÊS MARIANO – PE. STEFANO M. PIO MANELLI – FUNDADOR DA ORDEM DOS
FADRES FRANCISCANOS DA IMACULADA (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS ZENIT – ROMA
– 05.05.2012)
5 de maio de 2012 por Lúcia Barden Nunes - Blog "Castelo Interior - Moradas"

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Província São José – Brasil

Fonte: Agência de Notícias Zenit - Roma

A Virgo Prudens

O fundador dos Frades Franciscanos da Imaculada explica a virtude mariana da prudência

Por Pe. Stefano M. Pio Manelli


ROMA, sábado, 05 de maio de 2012 (ZENIT.org) – Não é errado dizer que a primeira virtude demonstrada por Nossa
Senhora na Anunciação foi a virtude cardeal da prudência. Na verdade, nas extraordinárias palavras de saudação do
anjo Gabriel – “Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1, 28) – o evangelista São Lucas diz que a Virgem
Maria ficou rapidamente amedrontada, tocada ou perturbada. Por quê? Por causa da intervenção da virtude da
prudência!

Está na natureza da virtude da prudência, de fato, o dever de alertar a pessoa de toda precipitação ou juízo
precipitado das coisas, ajudando a dar-se conta primeiramente do que escuta, do que vê e do que acontece. A estas
palavras notáveis do Anjo, a virtude da prudência se fez presente e colocou em guarda a jovem virgem Maria,
comprometendo-a a refletir para avaliar prudentemente o significado destas palavras angelicais, em vez de exaltar-
se sem dar-se conta do seu real significado.

Literalmente, de fato, o evangelista São Lucas diz que às belas palavras de saudação do Anjo, a Virgem Maria, muito
prudentemente, antes de exaltar-se, “pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação” (Lc 1, 29). Prudência
e deliberação caminham lado a lado com estas palavras do evangelista, e muito mais, unem-se profundamente no
comportamento da virgem Maria.

Junto com a perturbação inicial de Nossa Senhora, de fato, o Anjo Gabriel, em seguida, dá uma explicação, não
menos extraordinária também: “Não tema, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e
darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus
lhe dará o rono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 30-33 ).

Nas palavras do Anjo, portanto, continua a revelação de coisas realmente extraordinárias; coisas grandes, coisas
enormes, coisas humanamente incríveis, que, querendo, podem ser resumidas nas palavras: Tu, Virgem Maria, serás
mãe do mesmo Filho de Deus!

http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com.br/2009/12/liturgia-01-de-janeiro-santa-maria-mae.html

A estas palavras do Anjo, agora, poderíamos pensar que imediatamente, por parte da Virgem Maria, não havia mais
nada a fazer, a não ser alegrar-se e exaltar-se até o sétimo céu, regozijando-se de uma alegria divina sem medida.
Porém, isso não aconteceu. Por quê?

Maria, de fato, até mesmo depois das outras palavras do Anjo, apresenta-se com a sua prudência e circunspecção,
não se exaltando para nada com as palavras tão sublimes que o Anjo Gabriel disse à ela e que diz respeito
especificamente ao plano de Deus para ela.

É próprio da virtude da prudência, de fato, observar com cuidado cada coisa, para saber discernir o bem do mal,
evitando assim, qualquer risco de dano a si ou aos outros. A este respeito, no entanto, surge uma pergunta: mas era
possível que por parte do Anjo Maria recebesse algo de mal ou de inconveniente? Trata-se de um anjo enviado por
Deus!

A resposta a esta razoável pergunta fica ainda no ar, porque Maria, refletindo prudentemente nas palavras do Anjo,
capta um ponto problemático com relação à sua condição pessoal de virgem consagrada a Deus, e por isso ela pode
imediatamente perguntar como acontecerá isso que o Anjo disse, tendo ela já consagrado a sua virgindade a Deus:
“Como é possível? Eu não conheço homem”(Lc 1, 34). Isto é: como ela poderá se tornar Mãe do Filho de Deus sem
trair a oferta da sua virgindade a Deus? O problema, portanto, era realmente grande para Maria, era crucial.

Se é verdade que ela deveria rapidamente exaltar-se com o projeto de uma tão sublime maternidade divina, como
conciliá-lo, no entanto, com a já consagrada virgindade dela a Deus? De alguma forma ela pode tirar de Deus o que
já lhe tinha doado e que pertence somente a Ele? Será que Ela pode não mais prestar atenção à sua virgindade dada
a Deus? … São perguntas realmente delicadas e intrigantes!

Prudência e circunspecção respondem não. Neste caso, só Deus podia resolver o assunto, porque é sagrado dever da
criatura salvaguardar sempre o direito de Deus ao qual pertencia a virgindade que Maria já lhe tinha oferecido.

E aqui estão as últimas palavras do Anjo à Virgem que tem se mostrado tão atenta e prudente: “O Espírito Santo virá
sobre ti, e a potência do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Aquele que nascerá será, portanto, chamado Santo e
Filho de Deus”(Lc 1, 35).
Neste ponto, a conclusão desta lição altíssima sobre a virtude cardeal da prudência foi a resposta final de Maria ao
Anjo que agora pôde dizer-lhe com toda a sua alma: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua
palavra “(Lc 1, 38).

Que a “Virgo Prudens ” nos ensine também a preciosa virtude cardeal da prudência!

Publicado em Agência de Notícias Zenit – Roma.

A PUREZA DE NOSSA SENHORA


Do livro “Um mês com Maria” do Padre Stefano Maria Manelli

A pureza é a virtude mais límpida de Nossa Senhora. O esplendor da sua Virgindade sempre intacta faz d’Ela a
criatura mais radiosa que se possa imaginar: a Virgem mais Celestial, toda “candor de luz eterna” (Sb 7,26). O dogma
de fé na Virgindade Perpétua de Maria Santíssima, o dogma de fé na Concepção Virginal de Jesus por obra do
Espírito Santo, o Dogma de fé na Maternidade Virginal de Maria: esses 3 dogmas investem a Imaculada de um
esplendor virginal que “os céus dos céus não podem conter”. (I Re 8,27) E através dos séculos, na Igreja, à ditosa
Virgem, se inspiraram as filas angélicas das virgens que começaram já desta terra a viver só de Jesus para seguir o
Cordeiro no tempo e na eternidade (cf. Ap 14,4). E se existiram ou existem dementes que querem jogar as sombras
das baixezas deles sobre uma verdade de fé tão resplendente como a Virgindade de Maria, além de S. Jerônimo (que
desbaratou os heréticos Elvídio e Joviniano) e S. Ambrósio (que escreveu páginas de encanto supremo sobre a
Virgindade) toda a Igreja no seu caminho milenar celebrou e glorificou em Maria, a Toda Virgem, a Sempre Virgem
na alma e no corpo, a Virgem Santa consagrada divinamente pela presença do Verbo de Deus que n’Ela se encarnou
, revestindo-se da mesma Virgindade da Mãe.

A ira de Deus

Se volvermos o olhar para a humanidade, a visão de sonho e de encanto sobre a Virgindade Imaculada de Maria
desaparece de modo súbito e brutal. Impureza, luxúria, sensualidade, adultério, pornografia, homossexualidade,
nudismo, espetáculos imundos, bailes obscenos, relações pré-matrimoniais, contracepção, divórcio, aborto… Eis o
espetáculo nauseabundo que a humanidade oferece aos olhos de todos. Santo Céu! Quantos abismos de torpezas
nesta pobre Terra. Pode-se continuar assim sem provocar a ira de Deus? (cf. Ef 5,6). Maria disse pela pequena e
inocente Jacinta (ignorante do verdadeiro significado daquilo que dizia) que os pecados que mais mandam almas ao
Inferno são os pecados impuros. Quem poderia desmentir esta afirmação observando o teatro das vergonhas que o
mundo mostra todos os dias? É verdade que o pecado impuro não é o pior nem o mais grave dos pecados. Mas é o
mais frequente e o mais nojento. Isto sem dúvida. Nós conhecemos o valor da pureza proclamada por Jesus: “Bem-
aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (cf. Mt 5,8); conhecemos os dois mandamentos de Deus
que nos resguardam da impureza: 6º e 9º; conhecemos até a recomendação mais que enérgica de S. Paulo aos
cristãos: “A fornicação e a impureza de toda espécie, não sejam nem nomeadas entre vós, mas o mesmo valha para
as vulgaridades e os discursos triviais: todas coisas indecentes.” (Ef 5,3-4) Conhecemos o ensinamento nobre do
Catecismo da Igreja: “O 6º mandamento nos ordena de ser santos no corpo, portanto, o máximo respeito à própria
pessoa e ao próximo, como obras de Deus e templo onde Ele mora com a sua presença e com a sua
Graça”;conhecemos as firmes chamadas da Igreja com recentes documentos de primordial importância (Humanae
Vitae). Conhecemos todas estas iluminosas indicações para abater as seduções do mundo e da carne, mas a
humanidade e até a cristandade não faz mais que escorregar continuamente para formas de costumes sempre mais
degradantes, como homem animal que não mais compreende o que é espiritual, a favor do mais cego e obtuso
ateísmo: quem entra na lúxuria, diz S. Ambrósio, abandona a via da fé! (cf. I Cor 2,14).

Leia também esta breve e profunda meditação da Irmã Lúcia, aquela que viu Nossa Senhora de Fátima.

Quais são os remédios

A fuga das ocasiões, a oração e os sacramentos. Todo pecado impuro – de ação, desejo, olhar, pensamento, leitura
– é pecado mortal. Precisamos nos defender com todas as forças, até à violência, caso precise, porque aquilo a que
aspira a carne é morte, mas aquilo a que tende o espírito de vida é paz, porque desejo da carne é inimizade com
Deus (cf. Rm 8,-7). Lembremos S. Bento e S. Francisco que se jogaram entre os espinhos para apagar a
conscupiscência que atrai e alicia (cf. Tg 1,14). Lembremos S. Tomás de Aquino que se serve de um tição ardente
para desvendar uma insídia perigosa. Recordemos S. Maria Goretti que se deixa esfaquear por 14 vezes para salvar
sua virgindade. As ocasiões mais comuns de pecado, porém, exigem, sobretudo, a mortificação dos olhos (evitar
cinemas, leituras sujas), da língua (evitar as conversas torpes e os discursos licenciosos), dos ouvidos (não escutar
canções e piadas vulgares), da vaidade (opor-se às modas indecentes). De tudo isto parece evidente que a vida do
homem na terra é uma batalha (cf. Jo 71) e que é necessária a contínua vigilância com a ajuda de Deus (oração e
sacramentos) para não se deixar dominar pela concupiscência (cf. I Ts 4,5). É humilhante, mas é esta a nossa real
condição: carne e espírito estão sempre em luta cerrada entre eles: “Nos meus membros existe outra lei, que move
guerra à minha alma e me torna escravo da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm 7,23) S. Domingos Sávio,
que rasgava as revistinhas que recebia dos companheiros; S. Luiz Gonzaga, que em público, chama a atenção de
quem fala despudoradamente e se impõe penitências terríveis; S. Carlos Borromeu que desde menino se avizinhava
amiúde aos Sacramentos; S. Afonso Maria de Ligório tirava os óculos quando o papai o levava ao teatro… São
exemplos que deveriam nos convencer a usar todos os modos para guardar a pureza do coração e dos sentidos.

Castidade conjugal

Os problemas morais mais sérios são aqueles que se referem os esposos. A castidade conjugal é um dever de todos
os esposos cristãos, e é um dever fecundo de graças e bênçãos. Mas os assaltos do malígno são maciços:
contracepção e onanismo, divórcio e abortos estão massacrando os cônjuges cristãos, sem dizer das relações pré-
matrimoniais, que são somente uma imunda profanação dos corpos e das almas daqueles noivos, escravos
miseráveis da carnalidade. Desejam ter só 2 filhos; usam das pílulas e outros meios para evitarem gravidezes
posteriores, profanando por anos e anos as relações matrimoniais que deveriam simbolizar a união entre Cristo e a
Igreja (cf. Ef 5, 25) . “A pílula anticoncepcional vem do Inferno, dizia Pe. Pio, e quem usa comete pecado mortal”. E
ainda: “Para todo bom casamento o número dos filhos é estabelecido por Deus e não pela vontade dos esposos”, e
ainda: “Quem está na estrada do divórcio, está na estrada do Inferno”. Pior ainda para quem cometer o crime do
aborto!!! Que abram bem os olhos os esposos cristãos! Profanar o sacramento do matrimônio nunca acontecerá
sem castigos e maldições sobre as famílias. Se lembrem bem que com Deus não se brinca! (cf. Gl 6,7).

Votos

- Recitar 3 Aves-Marias em honra da virgindade de Maria;

- Eliminar e destruir qualquer coisa de não modesto que tenha consigo;

- Mortificar bem os sentidos, especialmente a vista.

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:_de6KmjC6YsJ:modaemodestia.com.br/igreja/sacerdotes
/a-pureza-de-nossa-senhora+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

São Francisco de Assis: modelo de amor eucarístico para os sacerdotes e os fiéis


Do site da Congregação para o Clero, da Santa Sé:

Pe. Stefano Maria Manelli, FI

São Francisco de Assis, «ardia com o fervor do mais profundo de todo o seu ser para com o sacramento do Corpo do
Senhor, pois ficava absolutamente estupefato diante de tão amável condescendência e de tão digna caridade.
Achava que era um desprezo muito grande não assistir pelo menos a uma missa cada dia, se pudesse. Comungava
com freqüência e com tamanha devoção que tornava devotos também os outros. (...)

Certa ocasião quis mandar os frades pelo mundo com preciosas âmbulas para guardarem o preço de nossa redenção
no melhor lugar, onde quer que o encontrassem guardado de maneira menos digna.

Queria que se tivesse a maior reverência para com as mãos sacerdotais, pelo poder divino que lhes foi conferido
para a confecção do santo sacramento. Dizia freqüentemente: “Se e acontecesse de encontrar ao mesmo tempo um
santo descido do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o presbítero, e me apressaria a beijar as suas
mãos. Até diria: ‘Espera, São Lourenço, porque as mãos deste homem tocam a Palavra da vida e têm algo de sobre-
humano’”»[1].

Nesta excepcional página do Bem-aventurado Tomás de Celano, primeiro biógrafo de São Francisco de Assis, é
resumida toda a sua vida Eucaristica, rica de amor e de fé, de devoção e fervor. Não falta mesmo nada para que seja
uma vida Eucarística exemplar, plena e perfeita para todos: tanto para os próprios sacerdotes como para os simples
fiéis.

A Santa Missa, a Santa Comunhão, a adoração Eucarística, o decoro do altar e das Igrejas, a veneração pelos
Sacerdotes, ministros da Eucaristia: em tudo isto São Francisco é de tal modo Mestre e modelo que se pode
considerá-lo verdadeiramente não apenas como um Santo Eucarístico, mas como um serafim enamorado da
Eucaristia.

Entre todos os seus filhos, veremos figuras admiráveis de serafins da Eucaristia, como Santo Antônio de Lisboa (de
Pádua) e São Boaventura, que escreveram páginas de doutrina sublime e de comovente amor à Eucaristia; como São
Pasqual Baylon, declarado patrono dos Congressos Eucarísticos; como São José de Copertino, que levitava num vôo
estático na direção dos Ostensórios e Sacrários; como o Bem-aventurado Mateus de Gingenti e o Bem-aventurado
Boaventura de Pontenza, que, depois de mortos, com seus próprios corpos cadavéricos, adoraram a Eucaristia; como
São Pio de Pietrelcina, que por muitas oras, de dia e de noite, velava em oração diante do Altar Eucarístico.

Para São Francisco, a Santa Missa era um mistério de graça tão sublime que, na carta ao Capitulo geral e a todos os
frades, escreveu esta esclamação de fogo: «pasme o homem inteiro, estremeça todo o mundo e exulte o céu
quando, sobre o altar, na mão do sacerdote, está Cristo, Filho do Deus vivo».[2]

A coisa que impressiona São Francisco é o amor de Jesus, impelido a uma humildade inconcebível: «Ó admirável
alteza e estupenda condescendência! Ó humildade sublime! Ó sublimidade humilde, pois o Senhor do Universo,
Deus e Filho de Deus, de tal maneira se humilha que, por nossa salvação, se esconde sob uma pequena forma de
pão!»[3]

Por isto, considerava grande falta de amor da nossa parte a ausência à Missa diária. Por isto ele assistia pelo menos
uma Santa Missa por dia mas, quando estava doente, dentro de suas possibilidades, pedia que lhe celebrassem a
Santa Missa em sua cela, ou pelo menos pedia para que lhe lessem o Evangelho da Missa do dia: «quando não podia
ir à Missa, sempre queria ouvir o Evangelho daquele dia»[4]

Esta é uma lição para todos nós, que freqüentemente somos tão preguiçosos e criamos tantas dificuldades para
participar da Missa dominical! Nem falemos da Missa diária, tão abandonada que, em muitas Igrejas, o Sacerdote
deve celebrar a Santa Missa para os bancos ou para quatro velhinhas devotas.

Sobre a Santa Comunhão, São Francisco nos ensina como recebê-la como serafins ardentes de amor: «Comungava
com freqüência e com tamanha devoção que tornava devotos também os outros»[5]. Eis a verdadeira devoção:
aquela que edifica, que constrói, que impulsiona também aos outros à perfeição. São Boaventura, de fato, diz que
era tão grande a devoção de São Francisco ao receber a Comunhão que «tornava os outros devotos». Basta pensar
que logo após a Comunhão, ao «saborear o Cordeiro imaculado suavemente, como se estivesse ébrio no espírito, na
mente era quase sempre arrebatado em êxtase»[6]. E Celano nos revela o íntimo de São Francisco, escrevendo que
«ao receber o Cordeiro imolado, imolava o seu espírito com aquele fogo que sempre ardia no altar de seu
coração»[7]. Este é o amor que se funde, a imolação de amor que não admite divisão: “quem come a minha Carne e
bebe o meu Sangue permanece em mim e eu nele” (Jo VI,56).

São Francisco se preparava para a Santa Comunhão com um cuidado atentíssimo: não apenas a sua vida santa,
diariamente rica de heroísmo, mas também a Confissão sacramental devia preparar cada dia a sua alma para receber
Jesus Eucarístico com a máxima candura da graça. Naquele tempo, não se podia comungar mais de três vezes por
semana: então, São Francisco confessava-se três vezes por semana. Quando se ama, quer-se agradar a pessoa
amada, dando-lhe tudo que possa fazê-la feliz. A alma purificada pelo Sacramento da Confissão se torna uma casa
cheia de candor e de perfume para Jesus, Hóstia Imaculada. São Francisco não só sabia e fazia isto, mas
recomendava-o a todos com fervor verdadeiramente seráfico. Na carta a todos os fiéis, São Francisco escrevia assim:
Jesus «quer que todos nos salvemos por ele e o recebamos com coração puro e com nosso corpo casto, mas são
poucos os que querem recebê-lo»[8].
Quando se ama, além disso, olha-se com olhos de amor não apenas a pessoa amada, mas também a tudo aquilo que
diz respeito a ela. Neste sentido, São Francisco cultivou a atenção altíssima de amor seja à adoração Eucarística, seja
à veneração por tudo que se refere à Eucaristia, como as Igrejas e os Sacerdotes.

A paixão de amor pela adoração Eucaristia foi tão ardente em São Francisco que não eram poucas as noites inteiras
passadas por ele aos pés do Sacrário. E se, às vezes, o sono lhe assaltava, cochilava um pouco sobre os degraus do
altar e depois recomeçava, incansável e fervorosamente. Quem o sustentava? A fé e o amor àquele “tão Sublime
Sacramento”.

A sua fé e o seu amor à Eucaristia irradiam-se por sua vida e pelos seus escritos com um fulgor luminosíssimo.
Escreveu uma vez aos frades: «rogo a todos vós, irmãos, com o beijo dos pés e com a caridade que posso, que
manifesteis toda reverência e toda honra, tanto quanto puderdes, ao santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso
Jesus Cristo»[9].

Para São Francisco, a fé na Eucaristia forma um todo com a fé na Santíssima Trindade e no Verbo Encarnado. E assim
queria que fosse para todos. Por isto, escrevia com vigor e calor: «o Filho, no que é igual ao Pai, é visto por alguém
diferentemente do Pai, diferentemente do Espírito Santo. Por isso todos os que viram o Senhor Jesus segundo a
humanidade e não viram e creram segundo o espírito e a divindade que ele era o verdadeiro Filho de Deus, foram
condenados; assim também agora todos os que vêm o sacramento que se consagra pelas palavras do Senhor sobre o
altar por mão do sacerdote na forma de pão e vinho, e não vêem e crêem segundo o espírito e a divindade, que é
verdadeiramente o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, foram condenados». E, pouco depois,
continua sua amonição com uma comparação muito apropriada: «como se mostrou aos santos apóstolos em Carne
verdadeira, assim também a nós agora no Pão Sagrado. E como eles com a visão de sua Carne só viam a Carne dele,
mas criam que era Deus contemplando com olhos espirituais; assim também nós, vendo o Pão e o Vinho com os
olhos corporais, vejamos e creiamos firmemente que é seu santíssimo Corpo e Sangue vivo e verdadeiro»[10].

Esta fé e este amor chegarão ao ponto de fazê-lo exclamar muitas vezes que «nada vejo corporalmente neste século
do mesmo Filho de Deus, senão o santíssimo Corpo e o seu santíssimo Sangue (...). E esses santíssimos mistérios
sobre todas as coisas quero que sejam honrados, venerados e colocados em lugares preciosos»[11].

O amor à Casa do Senhor é inseparável do amor à Eucaristia. Não se pode amar a Jesus e não cuidar de sua Casa. São
Francisco nos deixou uma lição estupenda de amor e correção também neste ponto. Pessoalmente, ele já se
preocupava da limpeza da Igreja, dos cálices e dos cibórios, das toalhas e das hóstias, dos vasos de flor e das
lâmpadas.

Exortava os ministros do Altar a serem fervorosos e fiéis ao circundar o Santíssimo Sacramento com todo decoro e
reverência. Em uma carta aos Custódios, parece escrever de joelhos: «eu vos rogo, mais do que por mim mesmo,
que, quando for conveniente e virem que é oportuno, supliqueis humildemente aos clérigos, que devam venerar
sobre todas as coisas o santíssimo corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo (...). Devem ter preciosos os cálices,
corporais, ornamentos do altar e tudo que pertence ao sacrifício. E se em algum lugar estiver colocado
pauperrimamente o santíssimo Corpo do Senhor, que por eles seja posto em lugar precioso e fechado à chave, de
acordo com o mandato da Igreja, e seja levado com grande veneração e administrado aos outros com discrição. (...)
Quando é sacrificado pelo sacerdote sobre o altar e é levado a alguma parte, todas as pessoas, de joelhos, retribuam
louvores, glória e honra ao Senhor Deus vivo e verdadeiro»[12].

Estas coisas São Francisco escrevia e vivia. Quando chegava em um lugar, depois de ter pregado ao povo, sempre
reunia o clero à parte e falava destes problemas com fervor apaixonado, recorrendo até às ameaças das penas
eternas: «Será que não somos movidos pela piedade de todas essas coisas se o próprio piedoso Senhor se apresenta
em nossas mãos e o tratamos e recebemos todos os dias em nossa boca? Ou ignoramos que devemos cair em suas
mãos? Portanto, emendemo-nos depressa e firmemente disso tudo e de outras coisas; e onde quer que esteja o
santíssimo corpo de nosso Senhor Jesus Cristo ilicitamente colocado e abandonado, seja removido desse lugar e
colocado e confiado a um lugar precioso»[13].

Mais concretamente ainda, São Francisco mesmo, indo a pregar pelas cidades e vilarejos, «carregava uma vassoura
para varrer as Igrejas», como refere a Legenda perusina, «porque o bem-aventurado Francisco ficava muito sentido
quando entrava numa igreja e via que não estava limpa», e isto o levava a recomendar aos sacerdotes «para que
tivessem um cuidado solícito por conservar limpas as igrejas, os altares e tudo que serve para celebrar os divinos
mistérios»[14].

Além disso, «uma vez, quis enviar alguns frades por todas as províncias – diz o Espelho de perfeição –, para levarem
muitas píxides, bonitas e limpas, e onde encontrassem o Corpo do Senhor indignamente guardado, o colocassem
naqueles píxides de maneira honrosa. Quis também enviar alguns outros frades por todas as províncias com bons e
belos ferros para fazer hóstias boas e limpas»[15].

Se a isto acrescentamos que São Francisco pedia a Santa Clara que fizesse corporais para que fossem doados a
Igrejas pobres e que ele mesmo, às vezes, preparava os vasos de flores para o altar, podemos ter uma idéia mais
completa do fervor Eucarístico de São Francisco.

***

O que dizer, em particular, da veneração de São Francisco pelos Sacerdotes do Altar? Basta que nos reportemos ao
seu Testamento: «O Senhor me deu e dá tanta fé nos sacerdotes, que vivem segundo a forma da santa Igreja
Romana, por causa de sua ordem, que, se me fizerem perseguição, quero recorrer a eles mesmos. E não quero
considerar pecado neles, porque enxergo neles o Filho de Deus»[16].

Esta é a visão sobrenatural de São Francisco sobre os consagrados “in Persona Christi”, ou seja, os sacerdotes:
«enxergo neles o Filho de Deus». Por isto ele queria que «fossem honrados de maneira particular os sacerdotes que
tratam os venerandos e máximos sacramentos, a tal ponto que, onde os encontrassem, inclinando a cabeça, lhes
beijassem as mãos (...) e em qualquer lugar que encontrassem um sacerdote, rico ou pobre, bom ou mau,
inclinando-se humildemente faziam-lhe uma reverência»[17].

Aos próprios Sacerdotes ele diz com amor: «Vede vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos, porque Ele é
santo. E assim como o Senhor Deus os honrou acima de todos por causa desse ministério, assim também vós amai-o,
reverenciai-o e honrai-o sobre todos»[18]. É realmente inefável a dignidade daquele que “re-presenta Cristo” e é
chamado a ser, onde quer que seja, “presença de Cristo”, e a pensar, falar e agir em tudo “como Cristo”.

Por isto, São Francisco se preocupava de que os Sacerdotes possam sempre «celebrar a missa, puros com pureza
façam com reverência o verdadeiro sacrifício do santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo, com
intenção santa e limpa»[19]. Tenham sempre a máxima devoção e o máximo candor de alma, com a perfeita
obediência a todas as normas da Igreja e com toda a delicadeza ao tê-lo entre as mãos e ao distribuí-lo aos outros,
fazendo assim admirarem-se os anjos que lhe assistem.

São Francisco não se cansa de recomendar aos sacerdotes sobretudo a humildade, fazendo referência ao exemplo
do próprio Cristo, o qual «se humilha diariamente, como quando veio do trono real ao útero da Virgem; vem
diariamente a nós ele mesmo aparecendo humilde; desce todos os dias do seio do Pai sobre o altar nas mãos do
sacerdote»[20].

E as mãos do sacerdote deveriam ser puras como as mãos de Nossa Senhora, recomenda o Pai Seráfico, exprimindo-
se com estas palavras sublimes: «ouvi, irmãos meus: Se a bem-aventurada Virgem é assim honrada, como é digno,
porque o carregou em seu santíssimo útero; (...) como deve ser santo, justo e digno quem toca com as mãos, toma
com o coração e com a boca e dá aos outros para tomar, aquele que já não há de morrer, mais vai viver para sempr e
é glorificado, em quem os anjos querem olhar».[21]

Por isto, considerando tais e tão sublimes deveres do sacerdote, São Francisco não pode deixar de fazer uma
dolorosa e amarga constatação relativa a cada sacerdote: «grande miséria e miserável debilidade, quando o tendes
tão presente e vós buscais alguma outra coisa em todo o mundo»[22]. Se cada sacerdote pudesse refletir sobre
estes branos do Pai Seráfico!...

Podemos encontrar a conclusão de todo o discurso sobre a piedade e sobre a vida Eucarística segundo São Francisco
de Assis nesta sua pequena exortação, que vale certamente para todos nós: «não retenhais nada de vós para vós
mesmos, para que vos receba inteiros aquele que a vós se dá inteiro»[23]. Ser um do outro, ser um no outro: não
seria este talvez o conteúdo das divinas palavras de amor do Sumo e Eterno Sacerdote: «Quem come a minha Carne
e bebe o meu Sangue permanece em mim e eu nele» (Jo VI,56)?...
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[1]Celano, Tomás de. Segunda vida de São Francisco, cap. 152 in Fontes Franciscanas (FF), Ed. Mensageiro de Santo
Antônio, Santo André 2005. O original latino diz: «Flagrabat erga sacramentum Dominici Corporis fervore omnium
medullarum, stupori permaximo habens caram illam dignationem et dignantissimam caritatem. Missam vel unicam
non audire quotidie, si vacaret, non parvum reputabat contemptum. Sæpe communicabat, et tam devote, ut alios
devotos efficeret. (...) Diligebat propterea Franciam ut amicam Corporis Domini, atque in ea mori propter sacrorum
reverentiam cupiebat. Voluit quandoque mittere fratres per mundum (cfr. Ioa 3,16) cum pretiosis pixidibus, ut
ubicumque indecenter locatum pretium redemptionis adverterent, optimo reconderent loco. Sacerdotalibus manibus,
quibus de ipso conficiendo tam divina collata auctoritas est, magnam volebat reverentiam exhiberi. Frequenter
dicebat: “Si sancto cuiquam de cælo venienti (cfr. Ioa 3,31) et pauperculo alicui sacerdoti simul me contingeret
obviare, praevenirem honore (cfr. Rom 12,10) presbyterum, et ad manus eius deosculandas citius me conferrem.
Dicerem enim: “Oi! Exspecta, sante Laurenti! quia manus huius Verbum vitæ contrectant (cfr. 1Ioa 1,1), et ultra
humanum aliquid possident!”». (NT)

[2] Francisco de Assis, S. Carta a toda a Ordem, n. 26 in FF. O original latino diz: «Totus homo paveat, totus mundus
contremiscat, et cælum exsultet, quando super altare in manu sacerdotis est Christus, Filius Dei vivi». (NT).

[3] Ibidem. O texto latino diz: «O admiranda altitudo et stupenda dignatio! O humilitas sublimis! O sublimitas humilis,
quod Dominus universitatis, Deus et Dei Filius, sic se humiliat, ut pro nostra salute sub modica panis formula se
abscondat!». (NT).

[4] Legenda Perusina, 50,2 in FF. O original latino diz: «cum non posset audire missam, volebat audire Evangelium
illius diei». (NT).

[5] Celano, T. Ibidem. O original latino diz: «Sæpe communicabat, et tam devote, ut alios devotos efficeret». (NT).

[6] Boaventura, S. Legenda maior de São Francisco, 9,2,5 in FF, ibidem. O original latino diz: «Saepe communicabat et
tam devote, ut alios devotos efficeret, dum ad immaculati Agni (cfr. 1Pet 1,19) degustationem suavem, quasi spiritu
ebrius, in mentis ut plurimum rapiebatur excessum». (NT).

[7] Celano, T. Ibidem, 152,3. O original latino diz: «Reverendum enim illud omni reverentia prosequens, membrorum
omnium sacrificium offerebat, et agnum immolatum (cfr. 1Pet 1,19) recipiens, illo igne qui in altari cordis semper
ardebat (cfr. Lev 6,12; Sir 23,22), spiritum immolabat ». (NT).

[8] Francisco de Assis, S. Carta II aos fiéis, nn. 14-15 in FF. O original latino diz: «Et vult ut omnes salvemur per eum et
recipiamus ipsum puro corde et casto corpore nostro. Sed pauci sunt, qui velint eum recipere ». (NT).

[9] Francisco de Assis, S. Carta à toda a Ordem, n. 12 in FF. O original latino diz: «Deprecor itaque omnes vos fratres
cum osculo pedum et ea caritate, qua possum, ut omnem reverentiam et omnem honorem, quantumcumque
poteritis, exhibeatis sanctissimo corpori et sanguini Domini nostri Jesu Christi». (NT).

[10] Francisco de Assis, S. Admoestações, nn. 7-9.19-21 in FF. O original latino diz: «filius in eo, quod æqualis est
Patri, videtur ab aliquo aliter quam Pater, aliter quam Spiritus Sanctus. Unde omnes qui viderunt Dominum Jesum
secundum humanitatem et non viderunt et crediderunt secundum spiritum et divinitatem, ipsum esse verum Filium
Dei, damnati sunt; ita et modo omnes qui vident sacramentum, quod sanctificatur per verba Domini super altare per
manum sacerdotis in forma panis et vini, et non vident et credunt secundum spiritum et divinitatem, quod sit
veraciter sanctissimum corpus et sanguis Domini nostri Jesu Christi damnati sunt (...). Et sicut sanctis apostolis in vera
carne, ita et modo se nobis ostendit in sacro pane. Et sicut ipsi intuitu carnis suæ tantum eius carnem videbant, sed
ipsum Deum esse credebant oculis spiritualibus contemplantes; sic et nos videntes panem et vinum oculis corporeis
videamus et credamus firmiter, eius sanctissimum corpus et sanguinem vivum esse et verum». (NT).

[11] Francisco de Assis, S. Testamento, nn. 10-11 in FF. O original latino diz: «Et propter hoc facio, quia nihil video
corporaliter in hoc sæculo de ipso altissimo Filio Dei, nisi sanctissimum corpus et sanctissimum sanguinem suum,
quod ipsi recipiunt et ipsi soli aliis ministrant. Et hæc sanctissima mysteria super omnia volo honorari, venerari et in
locis pretiosis collocari». (NT).
[12] Francisco de Assis, S. Carta I aos Custódios, nn. 2-7 in FF. O original latino diz: «Rogo vos plus quam de me ipso,
quatenus, cum decet et videritis expedire, clericis humiliter supplicetis, quod sanctissimum corpus et sanguinem
Domini nostri Jesu Christi (...). Calices, corporalia, ornamenta altaris et omnia, quæ pertinent ad sacrificium, pretiosa
habere debeant. Et si in aliquo loco sanctissimum corpus Domini fuerit pauperrime collocatum, iuxta mandatum
Ecclesiæ in loco pretioso ab eis ponatur et consignetur et cum magna veneratione portetur et cum discretione aliis
ministretur. (...) Quando a sacerdote sacrificatur super altare et in aliqua parte portatur, omnes gentes flexis genibus
reddant laudes, gloriam et honorem Domino Deo vivo et vero». (NT).

[13] Francisco de Assis, S. Carta aos Clérigos, nn. 8-11 in FF. O original latino diz: «Non movemur de his omnibus
pietate, cum ipse pius Dominus in manibus nostris se præbeat et eum tractemus et sumamus quotidie per os
nostrum? An ignoramus, quia debemus venire in manus eius? Igitur de his omnibus et aliis cito et firmiter
emendemus; et ubicumque fuerit sanctissimum corpus Domini nostri Jesu Christi illicite collocatum et relictum,
removeatur de loco illo et in loco pretioso ponatur et consignetur». (NT).

[14] Legenda Perusina, 18,5 in FF. O original latino diz: «Et portabat scopam ad scopandas ecclesias. Nam multum
dolebat beatus Franciscus, cum intraret aliquam ecclesiam et videret ipsam non mundatam, et propterea semper,
postquam predicaverat populo, finita predicatione, faciebat congregari omnes sacerdotes, qui aderant ibi, in aliquo
remoto loco, ut a secularibus non audiretur, et predicabat eis de salute animarum, et maxime ut curam et
sollicitudinem haberent conservandi mundas ecclesias, et altaria et omnia, que pertinent ad celebranda divina
mysteria». (NT).

[15] Espelho de Perfeição, 65,1-12 in FF. O original latino diz: «quodam tempore, voluit mittere fratres aliquos per
universas provincias qui portarent multas pyxides pulchras et mundas, et ubicumque invenirent Corpus Domini
inhoneste repositum, ipsum in illis pyxidibus honorifice collocarent. Quosdam etiam alios fratres voluit mittere per
universas provincias cum bonis et pulchris ferramentis ad faciendum hostias bonas et mundas». (NT).

[16] Francisco de Assis, S. Testamento, nn. 6.9 in FF. O original latino diz: «Dominus dedit mihi et dat tantam fidem in
sacerdotibus, qui vivunt secundum formam sanctæ ecclesiæ Romanæ propter ordinem ipsorum, quod si facerent mihi
persecutionem, volo recurrere ad ipsos. Et nolo in ipsis considerare peccatum, quia Filium Dei discerno in ipsis». (NT).

[17] Legenda dos três companheiros, 57, 9; 59,11 in FF. O original latino diz: «Sacerdotes quoque qui tractant
veneranda et maxima sacramenta voluit singulariter a fratribus honorari, intantum ut ubicumque illos invenirent
caput coram eis flectentes oscularentur manus eorum (...) Ubicumque autem inveniebant sacerdotem, divitem vel
pauperem, bonum vel malum, inclinantes se humiliter ei reverentiam faciebant». (NT).

[18] Francisco de Assis, S. Carta a toda a Ordem, nn. 23-24, in FF. O original latino diz: «Videte dignitatem vestram,
fratres (cfr. 1Cor 1,26) sacerdotes, et estote sancti, quia ipse sanctus est (cf Lev 19,2). Et sicut super omnes propter
hoc ministerium honoravit vos Dominus Deus, ita et vos super omnes ipsum diligite, reveremini et honorate». (NT).

[19] Ibidem, n. 14 in FF. O original latino diz: «celebrare voluerint, puri pure faciant cum reverentia verum sacrificium
sanctissimi corporis et sanguinis Domini nostri Jesu Christi sancta intentione et munda». Existem variações na
tradução de «puri pure», como «puros e cheios de pureza». (NT).

[20] Francisco de Assis, S. Admoestações, 1,16-18 in FF. O original latino diz: «quotidie humiliat se, sicut quando a
regalibus sedibus venit in uterum Virginis; quotidie venit ad nos ipse humilis apparens; quotidie descendit de sinu
Patris super altare in manibus sacerdotis». (NT).

[21] Francisco de Assis, S. Carta a toda a Ordem, nn. 21-22 in FF. O original latino diz: « Audite, fratres mei: Si beata
Virgo sic honoratur, ut dignum est, quia ipsum portavit in sanctissimo utero; (...) quantum debet esse sanctus, iustus
et dignus, qui non iam moriturum, sed in æternum victurum et glorificatum, in quo desiderant angeli prospicere,
contractat manibus, corde et ore sumit et aliis ad sumendum praebet!». (NT).

[22] Ibidem, n. 25 in FF. O original latino diz: «Magna miseria et miseranda infirmitas, quando ipsum sic praesentem
habetis et vos aliquid aliud in toto mundo curatis» (NT).

[23] Ibidem, n. 29 in FF. O original latino diz: «Nihil ergo de vobis retineatis vobis, ut totos vos recipiat, qui se vobis
exhibet totum» (NT).
"A Coroa do Agradecimento"
Por Frei Stefano Maria Manelli, FFI

"Oh, Santa coroa do Rosário!” Esta invocação à coroa do Rosario nasce espontânea quando vemos a coroa nas mãos
da Rainha do Rosário em Pompéia, nas mãos da Imaculada em Lourdes, nas mãos do Imaculado Coração em Fátima.

O quanto deve ser importante esta coroa do Rosário se a a mesma Nossa Senhora a tem nas suas mãos de Rainha do
céu e da terra, se dela mesma, em pessoa, nos foi presenteada em Lourdes, e nos foi recomendado com insistência
materna em Fátima!

A partir de São Domingos, a coroa do Rosário esteve nas mãos de exércitos de Santos e de Papas, de místicos e de
missionários, de estadistas e de artistas, de cientistas e de heróis, de homens e de mulheres, de pessoas idosas e de
crianças, em todo momento e em todas as partes da terra.

Lembremos, por exemplo, São Francisco de Sales, Santa Margarida Maria Alacoque, Santo Afonso de Ligório, Santa
Bernadette Soubirous, São Pio X, Santa Maria Goretti, São Pio de Pietralcina, a beata Teresa de Calcutá ... Podemos
também lembrar os cientistas Galileo Galilei, Ampere, Pasteur, Marconi; os músicos Vivaldi, Gluck; os pintores
Miquelângelo e beato Angelico; os pensadores e escritores, Rosmini e Manzoni ...

"Oh, Santa Coroa do Rosário”

A coroa do Rosário é "santa" porque produz coisas santas, recebe graças, atrai muitas bênçãos, não somente sobre
os que rezam a coroa, mas também sobre a casa, sobre a família e sobre o trabalho de quem recita. A coroa do terço
é “santa” porque abre as janelas de vinte mistérios da vida de Jesus e de Maria, com o exercício da contemplação e
do amor que conduzem a alma para as alturas da santidade.

O Rosário também foi chamado e definido de diversos modos: coroa de graças, rosa de graças, tesouro de graças,
corrente de graças, fonte de graças...

São Pio de Pietrelcina, em particular, gostava de dizer que o Rosário é também a arma para toda batalha espiritual e
temporal, a arma de triunfo contra todo inimigo, a arma de todas as vitórias (como nos lembra Lepanto), de onde
Nossa Senhora do Rosário também foi chamada de “Nossa Senhora das vitórias”, muito querida por Santa Teresinha.

O beato Bartolo Longo, finalmente, deseja que todos morram com a coroa do terço nas mãos, dando-lhe o “último
beijo da vida que se apaga", para apresentar-nos ao juízo de Deus com a alma coberta pela “Santa Coroa do
Rosário”. T

A doçura de Maria Santíssima


Muito bem escreveu Dante Alighieri quando fez São Bernardo dizer este louvor à Santíssima Virgem Maria: “In te
misericordia, in te pietate/ in te magnificenza, in te s’aduna/ quantunque in creatura è di bontate”(1) , como também
se canta na Liturgia da Igreja em honra da Divina Mãe.

Qualquer bondade que haja nas criaturas se encontra também em Maria Santíssima. A doçura é uma das coisas boas
mais preciosas e belas nas criaturas. A doçura e a amabilidade, a suavidade e a mansidão, a delicadeza e a fineza...,
todas elas parecem serem palavras, de alguma forma, sinônimas entre si. Uma das frases de Jesus diz: “Aprendei de
mim que sou manso e humilde de coração...”(2) . E Ele quis retratar-se, de fato, no cordeiro manso que se deixa
tosar e até mesmo sacrificar, sem aos menos se queixar... A doçura, então, é uma característica de Jesus. Mas Jesus
recebeu sua doçura de sua divina Mãe!

Quanta doçura, portanto, possuía Maria Santíssima?... Quem pode medi-la?... Pensemos na doçura de um anjo, na
doçura do sorriso de uma menininha, na doçura dos beijos de uma mãe em seus filhos... Pensemos na doçura de um
doce coberto de mel, na doçura da lua no céu estrelado, na doçura das campinas salpicadas de florzinhas... Se pense
na doçura suave de certas músicas, de certos crepúsculos, de certas poesias, de certos rostos das Madonas do
Século XV...

Pois bem, todas essas doçuras, transfiguradas, se encontram reunidas em Maria Santíssima, a criatura “cheia de
graça”, que nunca cessou de atrair as almas em todo o mundo, desde que apareceu sobre a Terra como uma Aurora
de uma beleza sublime e encantadora. Parece realmente que Deus reuniu em Maria toda doçura, todas as doçuras
possíveis, e o fez revestindo Maria de uma dupla Maternidade: aquela divina e aquela humana, para ser a terníssima
e dulcíssima Mãe de Jesus e de todos os homens seus filhos.

Pode-se até dizer que, por vezes, basta pronunciar simplesmente o nome de Maria para descobrir nele tanta doçura
para a nossa alma. O mesmo acontecia com todos os santos e as Santas, com todos os verdadeiros devotos de Nossa
Senhora, mas também, e talvez até mais, com os muitos pecadores arrependidos que, tocados no coração pela
divina Mãe, choraram amargamente, mas também com tanta doçura íntima, os seus pecados e crimes, encontrando
em Maria a Mãe mais suave e solícita da conversão e salvação deles.

Não deveríamos todos nós nos deixar atrair pela doçura materna de Nossa Senhora? Não deveríamos também nós
nos esforçar para imitar a sua doçura tão materna? Não sentimos nós a exigência de retribuir a doçura de Nossa
Senhora com a nossa doçura?

É sabido que o oposto da doçura é a amargura, e quantas vezes nós oferecemos a Nossa Senhora muitas amarguras,
e apenas amarguras! Pensemos, de fato, nas amarguras dos nossos pecados e defeitos, das nossas negligências e
descasos de todos os dias com as quais damos desgostos à Virgem Maria sem sequer pensar nisso ou nos
importarmos. Somos capazes de nos tornar até duros ou indiferentes diante de sua Maternidade terníssima e
dulcíssima!

Peçamos a Nossa Senhora que nos obtenha as graças do arrependimento pelos nossos pecados, do firme propósito
de não fazê-la sofrer mais, do sincero empenho diário de filhos determinados a não lhe oferecer mais as amarguras
de nossas culpas e infidelidades, mas as doçuras de nossos atos de virtude, de nossos generosos sacrifícios, de
nossos humildes, mas sinceros “fioretti”(3) , dulcíssimos para o Seu coração de Mãe dulcíssima.

Padre Stefano Maria Manelli FI(4)

Fonte: http://migre.me/f0ETl.
Tradução: Pale Ideas.

Notas
(1) Paraíso: Canto XXXIII, 21: “Em ti misericórdia, em ti piedade, em ti magnificência, em ti se aduna tudo o que na
criatura há de bondade”. Cf. http://migre.me/f0BlL.
(2) São Mateus 11,29. O texto completo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para
as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (11,28-30).
(3) Fioretti é uma palavra italiana que, em sentido estrito, significa pequenas flores, mas em sentido figurado
significa “pequenas histórias”, e tornou-se conhecida ao designar pequenos eventos da vida de São Francisco. Cf. “Os
Fioretti de São Francisco”: http://migre.me/f0DtW.
(4) Padre Stefano Maria Pio Manelli FI é, junto com Padre Gabriel Maria Pelletieri, fundador (1970, logo após o
nefasto Concílio Vaticano II), dos Frades Franciscanos da Imaculada, que constitui uma reforma bastante acentuada
ao carisma da Ordem dos Frades Menores Conventuais (ou Franciscanos Conventuais), acrescentando-lhe a
fisionomia mariana e missionária própria de S. Maximiliano Maria Kolbe. Para tanto, prepararam um regulamento
de vida chamado “Trilha Mariana de Vida Franciscana”. Receberam reconhecimento pontifício em 1998, logo dando
vida a dois ramos femininos: as Irmãs Franciscanas da Imaculada(aprovadas em 1998) e as Clarissas da
Imaculada (2006), de clausura. Também logo se associou ao apostolado dos frades e das freiras um movimento leigo
chamado Missão da Imaculada Mediatriz (MIM). Nascido em 1933, de uma família de 21 filhos, Padre Manelli
recebeu inúmeras vezes os Santos Sacramentos das mãos de São Padre Pio, inclusive a Primeira Comunhão. Seus
pais, Settimio e Licia Manelli, são objeto de um processo canônico para examinar as virtudes para uma eventual
canonização. Os Frades Franciscanos da Imaculada celebram a missa do Motu Proprio. Para quem tiver interesse, o
blog Livros Católicos para Download possui um livro de Padre Manelli: “Um Mês com Maria”, que vale a pena
ler: http://migre.me/f0CP3.
+

http://vashonorabile.blogspot.com.br/2013/06/a-docura-de-maria-santissima.html

A assunção de Maria ao céu


Padre Stefano M. Manelli, F.I.

ROMA, segunda-feira, 13 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Ao contemplar a assunção de Maria ao céu em corpo e
alma, contemplamos o nosso destino final de acordo com o plano de Deus: o paraíso.
Para merecer o paraíso, no entanto, precisamos nos esforçar para viver como Maria viveu, praticando as virtudes no
sacrifício diário da nossa vida. "Só será recompensado quem tiver legitimamente lutado", diz o apóstolo Paulo (2 Tim
2,5).
A assunção da Virgem Maria ao céu nos lembra as suas virtudes santas, brilhantes como estrelas no firmamento da
sua vida. Toda a vida de Maria foi uma constelação de virtudes, um Éden de graça na terra, depois transportado para
o Éden infinito e eterno dos céus. E nós, contemplando Maria, temos que aprender a viver como ela para ser um dia
acolhidos no paraíso.
É por esta razão que a Igreja diz que sobre a terra os homens "voltam os olhos para Maria, que refulge como o
modelo da virtude perante toda a comunidade dos eleitos" (Lumen Gentium). O papa Paulo VI afirma que as virtudes
de Maria são o modelo para todos, e que "dessas virtudes da Mãe também se adornarão os filhos, que, com tenaz
propósito, se espelham nos seus exemplos para reproduzi-los na própria vida" (Marialis cultus).
Mas quais são as virtudes de Maria que mais devemos imitar?
O grande apóstolo de Maria, São Luis Grignion de Montfort, nos ensina que "a verdadeira devoção à Santíssima
Virgem leva a alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes de Maria, em particular a sua humildade profunda, a sua
fé viva, a sua obediência cega, a sua contínua oração, a sua mortificação universal, a sua pureza divina, a sua
caridade ardente, a sua paciência heroica e a sua sabedoria divina". Que tesouro imenso de virtudes sublimes é
Maria!
Se o caminho da virtude foi o caminho de Maria para o céu, então ele deve ser também o nosso caminho. Não há
outra maneira de ir da terra ao céu sem passar pelo purgatório, que é um lugar de purificação dolorosa, diante do
qual empalidecem até mesmo os sofrimentos mais atrozes da terra.
Todos os santos são santos porque praticaram as virtudes de modo perfeito, brilhando mais por alguma virtude que
os caracteriza em particular: assim, São Francisco de Assis brilha em especial pela pobreza; Santa Clara de Assis pelo
amor à Eucaristia; São Luís Gonzaga pela pureza; Santa Teresa de Jesus pela oração; São Francisco Xavier pelo amor
às almas nas missões; Santa Gemma Galgani pelo amor ao Cristo crucificado e à Virgem das Dores; São Maximiliano
Kolbe pelo amor à Imaculada Conceição; São Pio de Pietrelcina pelo amor ao rosário.
Nossa Senhora de Fátima também nos fala do purgatório, e em termos nada reconfortantes. Para a pequena Lúcia,
que perguntava onde estava a alma de uma companheira falecida recentemente, Maria respondeu: "Ela está no
purgatório e lá permanecerá até o fim do mundo". É terrível. Mas por que não pensamos que poderia ser assim para
nós também?
No céu se entra perfeito, com todas as virtudes. Os três pastorzinhos compreenderam isto muito bem e se aplicaram
com todo o ardor na busca da virtude. Jacinta, por exemplo, nos encanta pela candura e pela mortificação, pela
oração e pela paciência nos sofrimentos terríveis que padeceu ao passar por uma cirurgia sem anestesia. Fascina
especialmente pela sua caridade heroica para com os pobres pecadores, que eram a paixão do seu coração inocente.
O pequeno Francisco de Fátima, igualmente, nos encanta pelo seu recolhimento, pela sua reserva e capacidade de
contemplação e de adoração. São coisas incríveis em um menino de dez anos, idade em que eles são apaixonados
pelo esporte e por correr despreocupadamente.
Quanta maturidade, no entanto, e que paixão amorosa ele demonstra ao querer sempre "consolar Jesus", passando
horas a fio perto do tabernáculo, onde Jesus fica escondido!
É assim que se entra no céu. Só assim. Contemplando Maria assunta ao céu, descobrimos o verdadeiro caminho da
vida cristã, na esteira esplendorosa e sublime da Mãe Celestial: um caminho de virtudes que nos levam para cima.
Virtude a praticar: a imitação de Maria.
Certo dia um confrade perguntou a São Pio de Pietrelcina: "Padre, o que o senhor pensa de Nossa Senhora?"
Respondeu o Santo: "Ela vale mais do que a teologia e a filosofia".

Esta resposta de São Pe. Pio é o eco daquelas palavra do Espírito Santo que a Liturgia põe nos lábios de Nossa
Senhora: "Eu habito nas alturas dos céus e penetro nas profundezas dos abismos" (Eclo 24, 5). Que celeste
imensidão é o mistério de Maria!

(A Devoção a Nossa Senhora - Pe. Stefano Maria Manelli fundador dos Frati Francescani dell'Immacolata, pág. 6)

Rosário caminhando.
O ROSÁRIO PELAS RUAS

Em particular, podemos dizer que a recitação do Rosário feita silenciosamente enquanto se caminha, viaja, foi a
ocupação mais comum entre os santos .

Alguns o demonstraram até externamente passando de rua em rua, com o Rosário em movimento entre as mãos .

*
São João Batista de La Salle, não só caminhava sempre com a Coroa na mão, mas obrigou até todos os seus filhos a
percorrer as ruas da cidade recitando o Rosário.

*
São Luiz Grignion de Montfort tinha o Rosário como companheiro inseparável das suas intermináveis viagens
missionárias, santificando com as Ave-Marias ,as ruas e regiões da França.

*
São Felipe Néri, São Félix de Cantalice, Santo Afonso Maria de Ligório, Santo Antônio Maria Claret, e outros não
faziam mistérios de caminhar ou viajar sempre recitando Rosários sem número .

*
Era belo ver São Leonardo de Porto Maurício voltar ao convento após as fadigas apostólicas, recitando serenamente
o Rosário. E era um espetáculo edificante ver o jovem São João Berchmans com outros frades , recitar devotamente
o Rosário pelas ruas da cidade.

*
São Carlos de Sezze, indo e vindo dos campos , recitava sempre a Coroa . E o servo de Deus Pe.Anselmo Treves,
quando encontrava alguém , lhe perguntava: “Fez bom passeio ? Semeou muitas Ave-Marias pelo seu caminho ?”

*
São Conrado de Parzhan, humilde capuchinho da Baviera, reunia os rapazes pelas ruas e recitava com eles o Rosário ,
em pia procissão , que edificava toda a cidade .

*
Santa Joana D’Arc se reconhecia facilmente, cavalgando absorta junto ao seu rei . Ele mesmo uma vez lhe perguntou
o que sonhava enquanto cavalgava tão silenciosa . “Gentil Sire- responde a heroína- estou recitando o Rosário ”.

*
Nos nossos tempos Santa Bertila Boscardin de Vicenza, São Maximiliano Maria Kolbe, em Roma, Pe. Dolindo Ruotolo,
em Nápoles, atravessavam as ruas da cidade recitando o Rosário.
*
São José Cafasso conta que um dia , de manhã cedo , encontrou pelas ruas de Turim uma velhinha toda recolhida. O
Santo lhe perguntou: “ Por que , boa velhinha, andas pela rua a esta hora ?”

“Passo a limpar as ruas”, respondeu a velhinha. Admirado, o Santo perguntou: “ Que quer dizer ?” “Esta noite foi
carnaval e foram cometidos muitos pecados . Por isso , passo rezando o Rosário , para purificar as ruas de tantos
pecados ”. Muito bem , boa velhinha!

*
“O Rosário é minha oração predileta.Oração maravilhosa. Maravilhosa na simplicidade e na profundidade. A todos
exorto de coração que a rezem!” (João Paulo II)

(Fonte: O Santo Rosário e os Santos, Pe. Stefano Maria Manelli,F.F.I.)


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Ação de Graças após a Sagrada Comunhão


O tempo da Ação de Graças à Santa Comunhão é o momento mais real do amor íntimo com Jesus.

Amor de pertença total recíproca: não mais dois, mas um, na alma e no corpo. Amor de interpenetração e fusão: Ele
em mim e eu nEle, a consumir-nos na unidade e na unicidade do amor.

"Sois minha presa amorosa, como eu sou presa de vossa imensa caridade", dizia Santa Gemma a Jesus, com ternura.

"Bem-aventurados os convidados para a ceia das bodas do Cordeiro" está escrito no Apocalipse (c. 19, 9). Pois bem,
na Comunhão Eucarística a alma realiza, verdadeiramente, em celeste união virginal, o amor nupcial a Jesus, a quem
pode dizer, com o transporte tenríssimo da Espoa dos Cânticos: "Beije-me com os beijos da sua boca" (Cant. 1,1).

A Ação de Graças após a Santa Comunhão é uma pequena experiência do amor paradisíaco nesta terra: no Paraíso,
de fato, como amaremos a Jesus se não sendo eternamente um com Ele?

Jesus querido, Jesus doce, como devemos Vos agradecer por cada Santa Comunhão que nos concedeis! Não tinha
razão Santa Gemma ao dizer que no Paraíso Vos agradeceria pela Eucaristia mais do que qualquer outra coisa? Que
milagre de amor o ser completamente fundidos conVosco, Jesus!

São Cirilo de Alexandria, Padre da Igreja, serve-se de três imagens para ilustrar a fusão de amor com Jesus na Santa
Comunhão: "Quem comunga é santificado, divinizado em seu corpo e em sua alma da mesma forma como a água
que é colocada sobre o fogo se torna fervente... A Comunhão opera como o fermento mergulhado na farinha:
fermenta toda a massa... Da mesma forma que, fundindo juntas duas velas, a cera resultará uma na outra; assim, eu
creio, quem se nutre da Carne e do Sangue de Jesus se funde com Ele por tal participação e se encontra sendo ele
em Cristo e o Cristo nele". [Grifos nossos]

Por esta razão, Santa Gemma Galgani falava com espanto da união eucarística entre "Jesus tudo e Gemma nada", e
exclamava extasiada: "Quanta doçura, Jesus, na Comunhão! Abraçada a Vós quero viver, abraçada a Vós quero
morrer".

E o Beato Contardo Ferrini escreveu: "A Comunhão! Ó doces abraços do Criador com a sua criatura! Ó inefável
elevação do espírito humano! Que possui o mundo que se compare a estas alegrias puríssimas de Céu, a esses
ensaios da glória eterna?".

Pense-se, também, ao valor trinitário da Santa Comunhão.

Um dia, Santa Maria Madalena de' Pazzi, depois da Comunhão, ajoelhada entre as noviças, com os braços em cruz,
elevou os olhos ao céu e disse: "Irmãs, se compreendêssemos que, durante o tempo em que duram em nós as
espécies eucarísticas, Jesus está presente e opera em nós inseparavelmente com o Pai e o Espírito Santo, e portanto
está presente toda a Santíssima Trindade...", e não pôde terminar porque foi arrebatada em sublime êxtase.

Por isso os santos, quando podiam, não colocavam limites de tempo para a Ação de Graças, que duravam pelo
menos meia hora. Santa Teresa de Jesus exortava às suas filhas: "Permaneçamos amorosamente com Jesus e não
percamos a hora que segue à Comunhão: é um tempo excelente para tratar com Deus e para Lhe submeter os
interesses de nossa alma... Visto que sabemos que Jesus bom resta em nós até que o calor natural não tenha
consumido os acidentes do pão, devemos ter muito cuidado para não perder tão boa ocasião para tratar com Ele e
apresentar-Lhe as nossas necessidades".

São Francisco de Assis, Santa Juliana Falconieri, Santa Catarina, São Pascoal, Santa Verônica, São José de Cupertino,
Santa Gemma e muitos outros, logo após a Santa Comunhão, quase sempre caiam em êxtase de amor: e o tempo,
então, era medido apenas pelos Anjos!

São João de Ávila, Santo Inácio de Loyola, São Luís Gonzaga faziam a ação de graças, de joelhos, por duas horas.
Santa Maria Madalena de' Pazzi gostaria de nunca interrompê-la, e precisavam obrigá-la para que se alimentasse um
pouco.

"Os minutos que se seguem à Comunhão – dizia a Santa – são os mais preciosos que nós temos na vida; os mais
adequados para, de nossa parte, tratarmos com Deus, e de parte de Deus, para nos comunicar o Seu amor".

Santa Teresa de Jesus quase sempre caía em êxtase após a Santa Comunhão, e às vezes era necessário removê-la da
mesa de comunhão das Irmãs!

São Luís Grignon de Montfort, após a Santa Missa, permanecia por, pelo menos, meia hora para a Ação de Graças, e
não havia preocupação ou compromisso que o fizesse renunciar a isso porque, como ele dizia, "não daria esta hora
de agradecimento nem mesmo por uma hora do Paraíso".

O Apóstolo escreveu: "Glorificai e levai a Deus no vosso corpo" (1 Cor 6, 20). Pois bem, não há momento em que
estas palavras se realizem mais literalmente como no tempo imediatamente após a Santa Comunhão. Que feio,
então, o comportamento de quem faz a Comunhão e sai rapidamente da igreja, logo após a Missa, ou até mesmo
imediatamente após a Comunhão!

Lembremo-nos do exemplo de São Filipe Neri que fazia acompanhar por dois acólitos, com as velas acesas, aquele tal
que sempre saía da igreja logo após a Comunhão... Que bela lição! Que seja apenas por educação, quando
recebemos um hóspede devemos nos entreter com ele e nos interessar por ele. Se esse hóspede for Jesus, então,
devemos, de fato, lamentar-nos de que sua presença corporal em nós dure apenas quinze minutos ou um pouco
mais.

A este respeito, São José Cottolengo supervisionava pessoalmente a confecção das hóstias para a Missa e as
Comunhões, e à freira responsável ordenara expressamente: "Faça as minhas hóstias mais grossas porque eu preciso
estar longamente com Jesus e não quero que as sagradas espécies se consumem logo!".

E Santo Afonso de Ligório, porque enchia o cálice quase até à borda? Apenas para possuir por mais tempo Jesus em
seu corpo!

Não estamos, talvez, ao oposto dos Santos, nós, quando consideramos a Ação de Graças sempre muito longa e,
talvez, não vemos a hora que acabe? Mas, cuidado! Porque se é verdade que em todas as Comunhões Jesus
"devolve ao cêntuplo a acolhida que Lhe é dada" (Santa Teresa de Jesus), também é verdade que seremos
responsáveis ao cêntuplo por nossas acolhidas perdidas!

Um confrade de Padre Pio contou que certo dia foi se confessar com o santo frade, acusando, entre outras coisas,
ter omitido algumas ações de graça na Santa Missa, por razões de ministério. Benevolente ao julgar outros tipos de
falhas, quando ouviu esta falta Padre Pio tornou-se sério, escureceu-se-lhe o rosto, e disse com voz firme:
"Tomemos cuidado que o 'não poder' não seja um 'não querer'. Tu deves fazer o agradecimento sempre, ou então
pagarás caro!".

Pensemos, reflitamos sobre isso seriamente. Por algo tão precioso como a Ação de Graças, façamos nossa a
advertência do Espírito Santo: "Não perca nem mesmo a menor parte de um bem tão grande" (Eclesiastes 14: 14).

Particularmente bonito é o agradecimento feito em íntima união com Nossa Senhora da Anunciação. Imediatamente
após a Santa Comunhão, nós também trazemos Jesus em nossas almas e em nossos corpos à semelhança de Maria
Santíssima Anunciada; e não poderíamos adorar Jesus ou amá-Lo melhor do que unindo-nos à Divina Mãe, tornando
nossos os sentimentos de adoração e de amor que Ela nutriu por Jesus Deus escondido dentro de seu imaculado
seio. Para este fim, pode ser útil a recitação meditada dos Mistérios Gozosos do Rosário. Provemos. Só teremos a
ganhar unindo-nos a Nossa Senhora para amar Jesus com o seu Coração de Paraíso!

(Extraído de: Gesù Eucaristico Amore, do Padre Stefano Maria Manelli, F.I.)

Fonte: http://www.jesumary.altervista.org/geucamore_ringraziamento.htm.

Tradução: Giulia d'Amore.

http://precantur.blogspot.com.br/2013/10/acao-de-gracas-apos-sagrada-comunhao.html

Um Anjo vai contando os passos


Devemos julgar-nos muito felizes toda vez que se nos oferece a possibilidade de participar de uma SANTA MISSA!

Pensemos em Santa Maria Goretti que, para ir à Santa Missa aos domingos, tinha que andar a pé 24 quilômetros
para ir e voltar! Pensemos em Santina Campana, que ia à Santa Missa estando com febre bem alta! Pensemos
em São Maximiliano Maria Kolbe, que celebrava a Santa Missa, mesmo quando se achava em condições tão
precárias de saúde, que um seu coirmão tinha que sustentá-lo no Altar para que não caísse. E, quantas vezes o Pe.
Pio de Pietrelcina, estando febril e sangrando, celebrou a Missa?

Com maior razão devemos preferir a Santa Missa aos divertimentos nos quais se gasta o tempo sem nenhuma
vantagem para a alma. São Luís IX, Rei da França, participava de várias Santas Missas cada dia. Um de seus ministros
queixou-se disso, dizendo que o rei podia ocupar aquele tempo nos trabalhos do reino. Mas o santo rei lhe disse: “Se
eu empregasse o dobro do tempo que levo para participar das Santas Missas, nos divertimentos, ou na caça,
ninguém iria dizer nada!”

Quando tivermos chegado a compreender que a Santa Missa tem um valor infinito, já não nos causarão admiração o
amor e o cuidado dos Santos procurando participá-la cada dia e o mais que pudessem.

O Pe. Pio de Pietrelcina disse um dia a um penitente: “Se os homens compreendessem o valor da SANTA MISSA, para
cada Missa seria necessário chamar os carabineiros, a fim de manterem em ordem as multidões de gente nas
Igrejas”.

Sejamos generosos, e procuremos fazer todo o esforço possível até mesmo algum sacrifício de boa vontade para não
perdermos um bem tão grande - especialmente nos dias de preceito (domingos e festas) e, portanto, quem deixa de
ir comete pecado grave mortal.

Santo Agostinho dizia aos cristãos do seu tempo: “Todos os passos que alguém dá para participar da Santa Missa são
contados por um Anjo e por eles Deus lhe concederá um prêmio muito grande nesta vida e na eternidade”. E o
Santo Cura d’Ars acrescenta: “Como fica feliz o Anjo da Guarda, quando acompanha uma alma que vai à Santa
Missa!”.

Fonte: Manelli, Pe. Stefano Maria. Jesus, Nosso Amor Eucarístico. Serviço de Animação Eucarística Mariana.

São João Maria Vianney, o Santo pároco


Quando S.João Maria Vianney chegou à pequena e pouco conhecida aldeia de Ars, alguém lhe disse: já sem
nenhuma esperança: “Aqui não há mais nada que fazer!”

- “Então, é sinal de que está tudo por fazer”, respondeu o Santo. E, em seguida, começou a fazer. E que é que foi
fazendo?.... Levantava-se às duas da madrugada, punha-se em oração junto ao Altar, dentro da igreja escura.
Recitava o Ofício Divino, fazia a meditação e se preparava para a Santa Missa. Depois da Santa Missa, dava Ações de
Graças e continuava em oração até o meio-dia: sempre de joelhos no piso nu da igreja, sem se apoiar em nada, com
o terço nas mãos e o olhar fixo no Sacrário.

E assim continuou por algum tempo. Mas, depois... ele teve que começar a mudar os horários, chegando ao ponto
de precisar modificar completamente o seu programa diário. Jesus Eucarístico e a Santíssima Virgem iam atraindo
pouco a pouco as almas daquela pobre Paróquia, até que a igreja foi considerada pequena para conter as multidões,
e o confessionário do Santo foi pressionado por filas intermináveis de penitentes.

O Santo Cura viu-se, dentro em breve, obrigado a ouvir confissões durante dez, depois quinze e até dezoito horas
por dia.

Como se teria dado aquela transformação?

Uma igreja pobre, um Altar sem atrativos, um Sacrário abandonado, um velho confessionário, um Sacerdote
desprovido de meios e pouco dotado: como é que se poderia operar naquela desconhecida aldeola uma
transformação tão admirável?

«Meu Deus, concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo
da minha vida!»: foi com esta oração que começou a sua missão.

S.João Maria Vianney, rogai por nós e por todos Sacerdotes!!!

Fonte: Manelli, Pe. Stefano Maria. Jesus, Nosso Amor Eucarístico. Serviço de Animação Eucarística Mariana.

Beijava as duas mãos sacerdotais


A venerável Catarina Vannini via, em êxtase, os Anjos que, durante a Missa, circundavam as mãos do Sacerdote e
as sustentavam no momento da elevação da Hóstia e do Cálice.

Poderemos imaginar com que respeito e afeto a Venerável beijava aquelas mãos?

Santa Edwirges, rainha, cada manhã assistia a todas as Santas Missas que eram celebradas na capela da Corte,
mostrando-se muito agradecida e reverente para com os Sacerdotes que tinham celebrado: convidava-os entrar,
beijava suas mãos com suma devoção, fazia que se alimentassem, tratando-os com as mais distintas honras. Ouvia-
se como a rainha exclamava comovida: "Bendito seja quem fez Jesus descer do Céu e O deua mim."

S. Pascoal Baylon era o porteiro do convento. Todas as vezes que chegava um Sacerdote, o Santo Fradinho se
ajoelhava e lhe beijava respeitosamente as duas mãos. Dele foi dito, como de S. Francisco, que "era devoto das
mãos consagradas dos Sacerdotes." Ele as julgava capazes de deter longe os males e cumular de bens a quem
nelas tocasse com veneração, porque são as mãos das quais Jesus se serve.

E, como era edificante ver o Pe. Pio de Pietrelcina procurando beijar com amor as mãos de qualquer Sacerdote, às
vezes até agarrando-as de surpresa! E, que dizer de outro Servo de Deus, Dom Dolindo Ruotolo, que não admitia
que um Sacerdote pudesse negar-lhe “a caridade” de deixá-lo beijar-lhe as mãos?
Enfim, sabemos que este ato de veneração muitas vezes foi premiado por Deus com verdadeiros milagres. Na vida
de Santo Ambrósio se lê que um dia, logo após a celebração da Santa Missa, o Santo viu aproximar-se dele uma
mulher paralítica, que queria beijar suas mãos. A pobre mulher tinha grande fé naquelas mãos que tinham acabado
de consagrar a Eucaristia: e ficou curada no mesmo instante. A mesma coisa aconteceu em Beneveto: uma mulher
paralítica, havia quinze anos, pediu ao Papa Leão IX licença para beber a água por ele usada durante a Santa Missa,
quando lavou os dedos. O Santo Papa atendeu aos desejos da enferma em seu pedido humilde, como o pedido da
Cananéia, rogando a Jesus que lhe desse “as migalhas que caem da mesa do dono da casa” (Mt 15,27), e ficou
imediatamente curada.

Fonte: Manelli, Pe. Stefano Maria. Jesus, Nosso Amor Eucarístico. Serviço de Animação Eucarística Mariana.

À Custa de Grandes Sacrifícios


Oh! A paixão dos Santos pela Comunhão diária! Quem poderia descrevê-la? São José de Copertino, que não deixou
de unir-se cada dia ao seu Amado, chegou a dizer certa vez aos seus co-irmãos: “Ficai sabendo que no dia em que
eu não puder receber o Cordeirinho (assim ele chamava piedosamente ao Cordeiro Divino), vou passar desta para
outra vida”. E, de fato, foi somente em um dia em que a violência da doença o impediu de receber a Jesus
Eucarístico: no dia de sua morte!

Quando o pai de Santa Gema Galgani, preocupado com a saúde da filha, a censurou porque ela saía muito cedo para
ir à Missa, recebeu esta resposta de sua Santa filha: “Mas, papai, o que me faz mal é ficar longe de Jesus
Sacramentado!”.

Quando Santa Cataria de Gênova soube do interdito que pesava sobre sua cidade, com a proibição de celebrar-se aí
a Missa e de dar-se a Comunhão, cada manhã ia a pé para fora de Gênova, até chegar a um longínquo Santuário,
para poder comungar. Alguém lhe disse que aquilo era um exagero; mas a Santa lhe respondeu: “Se eu tivesse que
andar muitas milhas sobre carvões acesos para conseguir receber a Jesus, eu acharia aquele caminho tão fácil,
como se estivesse andando sobre um tapete de rosas”.

Aprendamos a lição, nós que talvez tenhamos a nossa igreja até a poucos passos de nossa casa, podendo ir a ela com
toda a comodidade para receber a Jesus em nosso coração. E, mesmo que isso nos custasse algum sacrifício, não
valeria a pena fazê-lo?

Mas, há mais ainda: pensemos como os Santos teriam desejado comungar, não uma vez só, mas muitas vezes cada
dia. A uma filha espiritual, que se gabava, como de um ato de heroísmo, por comungar todos os dias, o Pe. Pio de
Pietrelcina lhe disse uma vez: Minha filha,se fosse possível,eu fariadez comunhões cada dia, de todo o coração!” E,
daquela vez que um dos seus filhos espirituais se acusou em Confissão de ter feito, por puro esquecimento, duas
comunhões na mesma manhã, o Pe. Pio, iluminado, lhe disse; “Oh! Que feliz esquecimento!”.

JESUS SACRAMENTADO, NOSSO DEUS AMADO!

Fonte: Jesus, Nosso Amor Eucarístico - Pe. Stefano Maria Manelli. Serviço de Animação Eucarística Mariana.

A Santa Comunhâo-Açâo de Graças


AÇÃO DE GRAÇAS

Agora, que Jesus está em ti, eis-te transformado num Sacrário vivo. Procura recolher-te, e adora ao teu Senhor. Dize
a Ele toda a alegria que sentes ao recebê-lo. Abre a Ele o teu coração, e fala-lhe com grande confiança, conversa com
Ele pelo menos por um quarto de hora.

Oração

Diante do vosso infinito amor, ó Jesus, eu me

sinto profundamente comovido, e, cheio de reco-

nhecimento, não sei fazer outra coisa, senão repetir:

Obrigado, ó Jesus!
Que é que eu vos poderei dar, ó Senhor, em

troca do vosso Dom?

Eu ouço a vossa dulcíssima voz, que me

repete: "Meu filho, dá-me o teu coração". Sim, ó Senhor,

eu Vos ofereço o meu coração e minha alma; eu Vos

consagro toda a minha vida, e quero ser vosso por toda

a eternidade.

A Jesus Crucificado

Eis-me aqui, ó meu amado e bom Jesus, eis- me prostrado em vossa santíssima presença e Vos peço com o mais vivo
fervor que imprimais em meu coração sentimentos de fé, esperança e caridade, de dor dos meus pecados e do
propósito de não mais Vos ofender; enquanto com grande amor e profunda compaixão, vou considerando as vossas
cinco chagas, começando por isto que o santo Profeta Davi dizia de Vós: "Transpassaram as minhas mãos e os meus
pés; contaram todos os meus ossos".

Invocações

Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-
me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, escutai-me. Não permitais que eu me separe de Vós. Do inimigo
maligno defendei-me. Na hora de minha morte, chamai-me, e mandai-me ir para Vós, para que eu Vos louve com os
Vossos Santos pelos séculos dos séculos. Amém.

Pe. Estêvão M. Manelli,FI. Jesus,nosso amor eucaristico. p.161-162

http://www.rosarioperpetuo.com.br/index.php?pag=oracao&detalhe=ok&codoracao=90

Jesus, nosso amor eucarístico - Pe. Estêvão M. Manelli


"A devoção à Eucaristia - disse São Pio X, o Papa da Eucaristia - é a mais nobre de todas as devoções, porque tem o
próprio Deus por seu objeto; é a mais salutar, porque nos dá o próprio Autor da graça; e é a mais suave, pois suave é
o Senhor".

A devoção à Eucaristia, unida à devoção a Nossa Senhora, é uma devoção do Paraíso, porque é a devoção que tem
os Anjos e os Santos. "Imaginemos uma academia do Paraíso - dizia a extática Santa Gema Galgani - onde é preciso
que não se aprenda nada mais, senão amar. O Cenáculo é uma escola, Jesus é o Mestre, e as doutrinas que ele ensina
são sua Carne e seu Sangue".

A Eucaristia é Jesus Amor. Por isso ela é o Sacramento do Amor, e de um Amor total: ela contém Jesus vivo e
verdadeiro, e ele é o "Deus Amor" (Jo 4,8), o Deus que nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1).

Todas as expressões do amor, as mais altas e profundas, estão contidas na Eucaristia: o Amor Crucificado, o Amor de
União, o Amor de Adoração, o Amor contemplativo, o Amor orante e o amor que inebria.

Jesus Eucarístico é Amor Crucificado no Santo Sacrifício da Missa, no qual se faz imolação por nós; é Amor de
União na Comunhão Sacramental e Espiritual, pela qual se torna um só com quem o recebe; é Amor de Adoração no
santo tabernáculo no qual está presente como um holocausto de adoração ao Pai; é Amor contemplativo, no
encontro com as almas que se comprazem em "ficar a seus pés", como Maria de Betânia (Lc 10, 39); é Amor de
Oração, em sua "incessante intercessão por nós" diante dos olhos do Pai (Hb 7, 25); é Amor inebriante, nos celestes
êxtases da união nupcial com os seus prediletos, os virgens e as virgens, que ele faz que se unam a sim com um amor
exclusivo, como fez com São João Evangelista, o Apóstolo virgem, o único que no Cenáculo "esteve reclinado sobre o
peito de Jesus" (Jo 21, 20)

"Ser possuídos por Jesus, e possuí-lo: eis o Reino perfeito do Amor" - assim escreveu São Pedro Julião Eymard. Pois
bem; é a Eucaristia que realiza este "Reino perfeito do amor" em todos os puros de coração, que se aproximam dos
santos Tabernáculos e se unem a Jesus sacramentado, com humildade e amor. Jesus na Eucaristia se imola por nós, e
se dá a nós, e fica entre nós com uma humildade e um amor infinitos.

"Ó maravilhosa altura e dignação que nos espanta!" - exclama o seráfico São Francisco. "Ó humildade sublime e
humilde sublimidade, que o Senhor do Universo, Deus e Filho de Deus, tenha querido humilhar-se, a ponto de
esconder-se sob a pequena figura do pão, por nossa salvação! Contemplai, irmãos, até que ponto Deus desceu!... E, a
partir daí, não reserveis mais nada para vós mesmos, a fim de que sejais inteiramente acolhidos por aquele que se dá
todo a vós".

E Santo Afonso de Liguori acrescenta, com aquela sua afetuosa ternura: "Meu Jesus! Que invenção amorosa foi esta
do Santíssimo Sacramento, de virdes esconder-vos debaixo das aparências do pão para fazer-vos assim amar e
encontrar por quem vos deseja!".

Que o pensamento do Sacerdote, que nos dá Jesus cada dia e o da Bem-aventurada Virgem Maria, que é a Mãe
divina de Jesus e de todos os sacerdotes, esteja sempre presente em nosso afeto para com o Santíssimo
Sacramento, porque a Eucaristia, Nossa Senhora e o Sacerdote são inseparáveis, do mesmo modo que, no Calvário,
foram inseparáveis Jesus, Maria e João Evangelista.

Aprendamos tudo isso na escola dos Santos. Eles viveram de maneira ardente e sublime, como verdadeiros Serafins
de amor à Eucaristia. E só eles são o caminho mais seguro para irmos a Jesus, nosso Amor Eucarístico.

Fonte: Jesus Nosso Amor Eucarístico - Nossa Vida Eucarística, segundo os exemplos dos Santos (traduzido do italiano
pelo Côn. A. Taciano). Pág. 3 a 6 - Disponível no blog: Cristo em Nós

Jesus Eucarístico é Deus no meio de Nós - Pe. Estêvão M. Manelli


Quando São João Maria Vianney chegou à pequena e pouco conhecida aldeia de Ars, alguém lhe disse, já sem
nenhuma esperança: "Aqui não há mais nada que fazer!".

- "Então, é sinal de que está tudo por fazer", respondeu o Santo. E, em seguida, começou a fazer. E que é que foi
fazendo?...Levantava-se às duas da madrugada, punha-se em oração junto ao altar, dentro da igreja escura. Recitava
o Ofício Divino, fazia a meditação e se preparava para a Santa Missa, dava ações de graças e continuava em oração
até o meio-dia: sempre de joelhos no piso nu da igreja, sem se apoiar em nada, com o terço nas mãos e o olhar fixo
no Sacrário.

E assim continuou por algum tempo.

Mas, depois... ele teve que começar a mudar os horários, chegando ao ponto de precisar modificar completamente
o seu programa diário. Jesus Eucarístico e a Santíssima Virgem iam atraindo pouco a pouco as almas daquela pobre
Paróquia, até que a igreja foi considerada pequena para conter as multidões e o confessionário do Santo foi
pressionado por filas intermináveis de penitentes.

O santo Cura viu-se, dentro em breve obrigado a ouvir confissões durante dez, depois quinze até dezoito horas por
dia.

Como se teria dado aquela transformação?

Uma igreja pobre, um altar sem atrativos, um sacrário abandonado, um velho confessionário, um sacerdote
desprovido de meios e pouco dotado: como é que se poderia operar naquela desconhecida aldeola uma
transformação tão admirável?

Em S. Giovanni Rotondo

As mesmas perguntas podemos fazer hoje a respeito de uma aldeia do Gargano, S. Giovani Rotondo, que até poucos
anos atrás estava como perdida e desconhecida por entre as escarpas rochosas do promontório. Hoje S. Giovanni
Rotondo é um centro de vida espiritual e cultural cuja fama ultrapassa os limites da Nação.

Pois ai também foi um pobre frade enfermo, num pequeno convento ameaçando ruir, com uma pequena igreja
deserta, com um altar e um Sacrário que sempre tiveram por companheiro apenas o pobre frade, que ia usando seu
terço e suas mãos na reza incansável de rosários e mais rosários...
Mas, como? A que é que se deve a admirável transformação acontecida, tanto em Ars, como em S. Giovanni
Rotondo, para onde centenas de milhares, talvez milhões de pessoas acorriam, de todas as partes do mundo?

Só mesmo Deus é que podia operar aquelas transformações, servindo-se, segundo os seus caminhos, das "coisas
inconsistentes para humilhar as consistentes" (1 Cor 1, 28).

Tudo a ele se deve, ao poder divino e infinito da Eucaristia, à força todo-poderosa de atração, que se irradia do
Sacrário, e que se irradiou dos Sacrários de Ars e de S. Giovanni Rotondo, atingindo as almas através do ministério
daqueles dois sacerdotes, verdadeiros "ministros do Tabernáculo" (Hb 13, 10) e "dispensadores dos mistérios
divinos" (1 Cor 4, 1).

O Emanuel

Mas, afinal que é a Eucaristia? É Deus no meio de nós. É o Senhor Jesus presente nos Sacrários de nossas igrejas,
com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. É Jesus coberto com o véu das aparências do pão, mas realmente,
fisicamente presente nas hóstias consagradas para ficar no meio de nós, agir em nós, à nossa disposição. Jesus
Eucarístico é o verdadeiro "Emanuel", isto é, "Deus Conosco" (Mt 1, 23).

"A fé da Igreja - ensina nos Pio XII - é esta: que um só e o mesmo é o Verbo de Deus e o Filho de Maria, que sofreu na
cruz, que está presente na Eucaristia, e que reina no Céu".

Jesus Eucarístico estás entre nós como um irmão, como um amigo, como esposo de nossas almas. Ele quer vir a nós
para ser o nosso alimento de vida eterna, o nosso amor, o nosso sustento; ele quer fazer de nós um só corpo com
ele para ser o nosso Redentor e Salvador, que nos leva ao Reino dos Céus para mergulhar-nos na eternidade do
Amor.

Com a Eucaristia, Deus, na verdade, nos deu tudo.

Santo Agostinho exclama: "Sendo Deus onipotente, não pôde dar mais; sendo sapientíssimo, não soube dar mais; e
sendo riquíssimo, não teve mais o que dar..."

São Pedro Julião Eymard, quando chegou a Paris, foi morar numa casa muito pobre na qual faltavam muitas coisas
necessárias. Mas, se alguém lamentava isso e se condoía por ele, o Santo lhe respondia: "Temos o Santíssimo
Sacramento, e ai está tudo o de que preciso". E, quando as pessoas o procuravam para conseguirem graças, auxílios
ou conforto, o Santo lhes dizia: "Achareis tudo isso na Eucaristia: a palavra de conforto, a ciência, os milagres... Sim,
até os milagres!..."

Que quereis ainda mais?

Vamos, pois, à Eucaristia. Aproximemo-nos de Jesus, que quer fazer-se nosso, para fazer-nos seus, divinizando-nos:
"Jesus, alimento das almas fortes - exclamava Santa Gema Galgani - fortalecei-me, purificai-me, divinizai-me".

Aproximemo-nos da Eucaristia com um coração puro e ardente. Como os Santos. Nunca será demais o nosso
cuidado em procurar conhecer e tornar conhecido este Mistério infefável. A meditação, o estudo, a reflexão sobre a
Eucaristia hão de encontrar um espaço de tempo no decorrer de nossas horas. E esse será o tempo mais abençoado
do nosso dia. Ele nos fará bem à alma e ao corpo.

Na vida de São Pio X se lê que um dia, quando ele era pároco de Salzano, foi visitar um clérigo que estava doente.
Ora, naquela mesma hora em que foi visitá-lo, lá estava chegando também o médico, que pergunto ao enfermo
como estava. O jovem clérigo respondeu-lhe que naquele dia estava sentindo-se melhor, porque tinha ensinado um
pouco de catecismo aos irmãozinhos, falando-lhes sobre a Eucaristia.

A esta resposta, o médico exclamou em tom de zombaria: "Ora, esta é boa! Nas clínicas em que estudei nunca ouvi
dizer que a doutrinazinha cristã pudesse produzir tais efeitos!"

Contra esta investida tão amarga interveio imediatamente o Pároco em defesa do clérigo, e disse ao médico: "Ah!
Sim. Os efeitos da doutrina que vós aprendestes nós os estamos vendo muito bem, doutor, e até um míope os poderia
ver, pois deles o cemitério está cheio... Ao passo que a Doutrina Cristã preenche um lugar que só alguém privado do
cérebro não poderá ver: o Paraíso!"
A Eucaristia é o celeste "fermento" (Mt 13, 33) capaz de levedar, na natureza humana de cada homem, todos os bens
espirituais e temporais... É um bem de tal modo grande, que outro maior não se pode desejar... De fato, que se
poderia desejar ainda, quando temos conosco Jesus vivo e verdadeiro, Deus feito homem, o Verbo que se fez carne
e sangue para a nossa salvação e felicidade?

Bem respondeu, já no leito de morte, São Pedro Julião Eymard a um religioso que lhe pedia um último pensamento
como lembrança: "Nada mais tenho a dizer-vos. Vós tendes a Eucaristia. Que quereis ainda mais?".

E é mesmo assim.

Fonte: Jesus Nosso Amor Eucarístico - Nossa Vida Eucarística, segundo os exemplos dos Santos (traduzido do italiano
pelo Côn. A. Taciano). Pág. 9 a 14

O maometano, o Bispo, e a Presença Real


"Como é possível - perguntou um estudioso maometano a um Bispo missionário - como é possível que o pão e
vinho se tornem Carne e Sangue de Cristo?"

O Bispo respondeu: "Quando nascestes, tu eras pequeno; e, crescestes depois, porque teu corpo foi transformando
em carne e sangue os alimentos que ias tomando. Pois bem; se o corpo do homem é capaz de transformar em carne
e sangue o pão e o vinho, com quanto maior facilidade Deus o poderá fazer!"

O maometano tornou a perguntar-lhe: "Como é possível que em uma Hóstia tão pequena esteja presente Jesus
Cristo todo inteiro?"

O Bispo respondeu: "Olha a paisagem que está na tua frente, e considera um pouco quanto o teu olho é pequeno
em comparação com ela. Pois bem; se em teu olho tão pequeno cabe a figura de um campo tão vasto, por que Deus
não haveria de poder fazer em realidade em sua Pessoa o que em nós existe em figura?

O maometano, então, lhe perguntou ainda: "Como é possível que o mesmo Corpo se ache, ao mesmo tempo,
presente em todas as vossas igrejas, e em todas as Hóstias Consagradas?"

E o Bispo lhe disse: "Para Deus nada é impossível. Esta resposta já poderia bastar. Mas a própria natureza se
encarrega de dar uma resposta à esta tua pergunta. Aqui está um espelho. Joga-o no chão e quebra-o em muitos
pedaços.Cada pedacinho pequeno vai te mostrar a mesma imagem que te estava sendo mostrada pelo espelho,
quando estava ainda inteiro. Desse modo, é o mesmo e idêntico Jesus que se apresenta, não só em figura, mas na
realidade, em todas as Hóstias Consagradas. Ele está verdadeiramente em todas elas."

Retirado da obra Jesus - Nosso Amor Eucarístico do Pe. Estêvão M. Manelli, FI

Respeito e veneração pelos sacerdotes - Pe. Estevão M. Manelli


Sabemos que São Francisco de Assis não quis fazer-se sacerdote, porque se julgava muito indigno de tão excelsa
vocação. Ele venerava os sacerdotes com tal devoção, que os considerava os seus “Senhores”, pois neles via
somente o Filho de Deus, e o seu amor à Eucaristia se fundia com o amor ao sacerdote, o qual consagra e administra
o Corpo e o Sangue de Jesus. De modo particular ele venerava as mãos do sacerdote, e as beijava sempre de joelhos
com grande devoção; e lhes beijava também os pés, e até os próprios rastos deixados por um sacerdote, que tivesse
por ali passado.

São João Bosco exorta a todos com estas palavras: “Eu vos recomendo um grande respeito para com os sacerdotes;
descobri vossa cabeça em sinal de reverência, quando falardes com eles, ou quando passais por ele pelo caminho, e
beijai-lhes obsequiosamente a mão. Tomai cuidado para não desprezá-los, com fatos ou por palavras. Quem não
respeita os ministros sagrados, deve temer um grande castigo do Senhor”.

A veneração pelas mãos consagradas do sacerdote, beijadas com reverência pelos fiéis, sempre existiu na Igreja.
Baste-nos pensar que durante as perseguições dos primeiros séculos, um dos maiores ultrajes contra os bispos e
sacerdotes consistia em amputar-lhes as mãos, para que assim não pudessem mais nem consagrar, nem abençoar.
Por isso, os cristãos recolhiam aquelas mãos amputadas e, mergulhadas em aromas as conservavam como relíquias.
Além disso, o beijo das mãos do Sacerdote é uma expressão delicada de fé e de amor à Jesus, que o sacerdote
personifica.

Quanto mais fé e amor se têm, tanto mais nos sentimos impelidos prostrar-nos diante do sacerdote e a beijar
aquelas mãos “santas e veneráveis” (Cânon Romano) entre as quais Jesus se torna amorosamente presente entre
nós cada dia. “Ó veneranda dignidade do sacerdote - Exclama Santo Agostinho – em cujas mãos o Filho de Deus se
encarna como no seio da Virgem!” E o Cura d’Ars dizia: “ Dá-se um grande valor aos objetos que foram colocados em
Loreto , na tigela da Virgem Santa e do Menino Jesus. Mas os dedos do sacerdote, que tocaram na carne adorável de
Jesus Cristo e penetraram no Cálice, onde esteve o Seu Sangue e na âmbula, onde esteve o Seu Corpo, acaso não são
muito mais preciosos?" Talvez não tenhamos ainda pensado nisso. Mas assim é. Os exemplos dos santos o
confirmam.

Fonte: JESUS, NOSSO AMOR EUCARÍSTICO – Nossa Vida Eucarística, segundo os exemplos dos Santos (traduzido do
italiano pelo Côn. A. Taciano). Pgs. 159-161. Disponível no site: Identidade Católica

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