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MEDIUNIDADE

Allan Kardec define em seu “Livro dos Médiuns”

Médium é:

“Todo aquele que sente num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato,
médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio
exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos.
Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns”.
A Umbanda é uma religião de natureza mediúnica. Sua definição estabelece que em seus
rituais aconteçam à manifestação do espirito para a prática da caridade.

Como espíritos encarnados, mesmo distantes de nossa verdadeira morada, dispomos de


inúmeras formas de comunicação com outros níveis de consciência. A manifestação do
espirito comunicante e sua mensagem através de seus instrumentos constituem o ato
mágico na sua mais sublime interpretação.

MEDIUNIDADE E AUTOCONHECIMENTO

Mediunidade é a capacidade de entrar em contato com outras consciências ou espíritos,


encarnados e desencarnados, e transmitir-lhes o pensamento, os sentimentos, as ideias e
as sensações, sob as mais variadas formas. E médium é todo aquele que tem esta
capacidade, em maior ou menor grau. A natureza do encarnado é mediúnica

Captando e transmitindo pensamentos e sentimentos que vêm de fora de si mesmo, o


médium trabalha o tempo todo, com o que não é seu, com o que não lhe pertence e nem
nasce dentro dele. Ele trabalha, principalmente, com os conteúdos de outras mentes que,
aproveitando-se de sua capacidade, tentam se comunicar.

Uma das questões mais presentes nas pessoas é como distinguir o que é seu do que é dos
espíritos que se comunicam, como saber se o que está sendo transmitido não é conteúdo
do próprio médium, e não das consciências ou entidades que se comunicam por intermédio
dele, especialmente porque se sabe que mais de 70% dos médiuns hoje permanecem
totalmente conscientes durante o fenômeno.

As entidades que se comunicam por um médium podem mudar e variar muito de um


trabalho para o outro, sendo quase impossível prever com exatidão quem irá se comunicar a
cada oportunidade ou que tipos de conteúdos surgirão a cada trabalho. E esta questão se
complica ainda mais quando pensamos na sintonia, pois nenhum fenômeno mediúnico
ocorre sem que haja uma boa dose de similaridade, de afinidade entre os conteúdos do
médium e da entidade comunicante, para que as ideias transmitidas sejam melhor
compreendidas e repassadas pelo médium.

Como saber, então, com segurança, o que é do próprio médium e o que vem da
entidade? Como distinguir entre coisas, às vezes, muito parecidas, passando pelo
mesmo canal? Além disso, como manter-se isento e imparcial nas comunicações,
quando, muitas vezes, o que chega mobiliza o médium profundamente, tocando seus
sentimentos e emoções de maneira mais intensa?

Só podemos distinguir coisas quando as conhecemos bem, quando as reconhecemos,


quando as identificamos com certa facilidade. Não é possível, portanto, ao médium,
distinguir os seus conteúdos dos conteúdos das entidades comunicantes se ele não

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conhecer algo desses conteúdos, para poder identificá-los, compará-los e separá-los


adequadamente.

Não podendo controlar os conteúdos que lhe chegam, ao médium não resta outra opção a
não ser trabalhar naquilo que está mais próximo dele, sobre o que ele tem muito mais
controle e com o que está em contato 24 horas por dia, 7 dias por semana: ele mesmo, seus
conteúdos, suas questões, seus padrões, sua luz e sua sombra.

Um bom médium, portanto, além de dominar o fenômeno e as técnicas, precisa


conhecer a si mesmo em profundidade, precisa trabalhar constante e cuidadosamente
o autoconhecimento.

Um bom médium, antes de se entregar aos fenômenos, precisa saber quais são as suas
próprias dúvidas e questões, as suas dificuldades e limitações, as suas qualidades e
necessidades, para, só então, poder transmitir, com segurança, aquilo que lhe chega de
outras mentes, por intermédio de sua própria capacidade de comunicação psíquica, sem o
receio de estar misturando o que é seu com o que é de quem se comunica ou de estar
interferindo na comunicação.

Estudar e praticar mediunidade é, antes de tudo, um trabalho de autoconhecimento, um


estudo interno profundo, que deve nos colocar cara a cara com tudo o que somos, com tudo
o que sabemos e, principalmente, ainda não sabemos de nós mesmos.

Como é possível ser um médium consciente, responsável e equilibrado se não houver


autocontrole sadio das próprias emoções, se o médium não for capaz de olhar para si
mesmo com autocrítica saudável, se não houver disposição sincera para reconhecer as
próprias características, trabalhando aquelas em que se percebe desequilibrado ou confuso,
limitado ou incômodo.

Num transe mediúnico, o médium entra em contato profundo com muito do que as entidades
sentem e pensam, e precisa estar seguro do que ele próprio pensa e sente, para não se
deixar confundir ou mesmo enganar nos trabalhos que irá fazer.

Quando um médium se conhece, ele não teme o contato com outras mentes, pois está
seguro do que está dentro dele e não será facilmente desviado, desequilibrado ou
enganado. Quando ele não se conhece, no entanto, fica perdido em meio ao fluxo de
sentimentos, emoções e pensamentos que lhe chegam e pode ver-se perturbado tentando
separar o que percebe, ou questionando-se sobre o que está acontecendo com ele.

O estudo e o exercício da mediunidade, portanto, exigem autoconsciência, autoanálise,


autocrítica, observação constante de si mesmo, não como juiz ou carrasco, mas como
testemunha lúcida e fiel do que se passa interiormente, pronto para atuar naquilo que for
necessário para melhorar-se, quando solicitado.

Mediunidade é meio de comunicação. E toda comunicação fica muito prejudicada quando há


ruído, quando o sinal não é forte, quando o meio que a transmite não consegue ser fiel,
imparcial e ético na sua função. O médium que cuida de manter isolados, embora não
escondidos ou anulados, seus conteúdos, mantém limpos e calibrados os seus canais de
comunicação, garantindo recepções e transmissões de qualidade, tanto para ele quanto
para quem se comunica através dele.

Mediunidade é intercâmbio de ideias, sentimentos, pensamentos, emoções e sensações e,


quando está ciente disso e de seus próprios conteúdos, o médium consegue não só receber
informações e orientações importantes para si mesmo e os que o acompanham, como
também pode colaborar com os seus próprios conteúdos, conhecimentos e experiências,
ajudando os que o buscam para a comunicação, fazendo da mediunidade uma troca rica e
construtiva.

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Mediunidade é serviço de integração de dois mundos - ou, quem sabe, mais até - que
funcionam de forma diferenciada, em frequências distintas, com diferentes características e
peculiaridades. E o médium que sabe disso e procura conhecer a contento essas
diferenças, bem como as semelhanças que existem, consegue acompanhar todo fenômeno
de forma lúcida e com grande discernimento, sem se deixar afetar negativamente por aquilo
que lhe chega.

Mediunidade é oportunidade de trabalhar pelos outros, mas, antes de tudo, por si mesmo,
estudando-se e aplicando aquilo que aprende nas comunicações em sua própria vida.

PRINCIPAIS SINTOMAS DA MEDIUNIDADE

a) Sintoma clássico: suor excessivo nas mãos e axilas, principalmente nas mãos. As mãos
ficam molhadas, quase geladas. Os pés também podem ficar gelados; as maçãs do rosto
muito vermelhas e quentes; as orelhas ardem.

b) Depressão psíquica: a pessoa fica totalmente instável, passando de uma grande alegria
para uma profunda tristeza sem motivo aparente. Fica melancólica e sente uma profunda
solidão. É como se o mundo todo estivesse voltado contra ela. É facilmente irritável e, nessa
fase, ela vai ferir com palavras e gestos aqueles que mais gosta.

c) Alterações no sono: sono profundo ou insônia. A insônia é provocada pela aceleração no


cérebro devida à vibração. Os pensamentos voam de um assunto para outro, incontroláveis,
e a pessoa não consegue dormir. O sono profundo é devido à perda de ectoplasma
(energia espiritual), de força vital. Há um enfraquecimento geral do organismo e as
vibrações da pessoa são reduzidas.

d) Perda de equilíbrio e sensação de desmaio: a perda de equilíbrio é uma sensação muito


rápida. A pessoa pensa que vai cair e tenta se segurar em alguma coisa, mas a sensação
termina antes que ela consiga fazer qualquer gesto. É extremamente desagradável.
A sensação de desmaio normalmente ocorre quando a vibração abandona a pessoa
bruscamente. Ela fica muito pálida e tem que sentar para não cair. Às vezes ocorre
sensação de vômito ou de diarreia. Um copo de água com bastante açúcar e respiração
pela narina direita normalmente bastam para contornar essa situação.

e) Taquicardia: comum em algumas pessoas. Há uma súbita alteração no ritmo dos


batimentos cardíacos, fruto do aceleramento provocado pela vibração atuando.

f) Medos e fobias: a pessoa fica com medo de sair sozinha, de se alimentar, de tomar
remédios, pois acha que tudo lhe fará mal. Às vezes tem medo de dormir sozinha ou com a
luz apagada. É muito comum, também, uma total insegurança em tudo o que vai fazer.

Todos esses sintomas tendem a desaparecer com a preparação espiritual e o


desenvolvimento mediúnico, mas o tempo necessário ao desenvolvimento dependerá muito
do grau de mediunidade, do interesse e da preparação espiritual do médium.

OS TIPOS MAIS COMUNS DE MEDIUNIDADE

Existem mais de 100 tipos de mediunidade, mas os mais comuns são os seguintes:

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a) Intuição: é um tipo de mediunidade onde o médium recebe em seu pensamento, sob a


forma de uma sugestão, mensagens provindas de um espírito. No caso da intuição vinda
através de uma entidade o médium deve aprender a identificar a entidade que o está
intuindo. Essa identificação, ele aprenderá a fazer no seu desenvolvimento, pois cada
entidade produz uma sintonia diferente no organismo.

b) Incorporação: é a mediunidade em que o médium sintoniza a vibração da entidade e


essa vibração toma conta de todo o seu corpo. A sintonia é mental e pode produzir uma
incorporação parcial ou uma integral.

Na incorporação parcial, o médium fica consciente, isto é, ele sabe que está ali, sente,
observa, mas não domina o corpo nem controla o raciocínio. Perde, também, a noção de
tempo e, embora tenha sido espectador de si mesmo, perde a noção de muita coisa que se
passou, ao desincorporar. Na incorporação parcial pode haver uma quebra de sintonia
ocasional, o que permitirá ao médium interferir na comunicação.

Na incorporação integral, o médium em um nível de transe muito intenso, pois há uma


perfeita sintonia com a vibração da entidade. Nesse caso, não há possibilidade de
interferência e, ao desincorporar, o médium pode ter sua memória recente afetada.
Esclarecendo que a incorporação parcial é tão autêntica quanto a integral. O único problema
é o médium não interferir, procurando se isolar e deixar que a entidade atue livremente. A
esmagadora maioria dos médiuns (mais de 95%) trabalha em incorporação parcial e uma
pequeníssima minoria (menos de 5%), em incorporação integral.

c) Vidência: é o tipo de mediunidade que permite, àquele que a possui desenvolvida, ver as
entidades, as irradiações. Pode ser de três tipos: direta, intuitiva e focalizada. Na vidência
direta, o médium pode ver as entidades de quatro maneiras diferentes:

1 - na projeção, o médium vê apenas um facho de luz, uma coloração que depende da


vibração atuante. Não vê forma humana, nem identifica a entidade.

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2 - na parcial, o médium percebe uma forma humana ao lado de quem está trabalhando
espiritualmente, mas ainda não dá uma perfeita identificação. Vê somente o contorno, a
forma.

3 - no acavalamento, o médium vê a entidade por cima dos ombros de outro médium. Já


percebe se é masculina ou feminina, se é caboclo ou preto-velho ou outro falangeiro
qualquer, se os cabelos são longos ou curtos, etc. Muitos médiuns que tiveram esse tipo de
vidência afirmam, por desconhecimento, que as entidades vistas possuíam mais de dois
metros de altura, não percebendo que a entidade, vista acima dos ombros de outro médium,
produziu uma falsa impressão de altura.

4 - no encamisamento, o médium vê a entidade toda, perfeita. Isso acontece na


incorporação integral, quando a entidade toma conta do corpo de outro médium. Na vidência
intuitiva, o médium vê apenas com a mente. Ele se concentra e recebe a imagem mental,
por intuição. Na vidência focalizada, o médium utiliza algum objeto para a vidência, como
um copo d'água ou um cristal. As imagens aparecem no objeto de vidência.

d) Clarividência: é o tipo de mediunidade que permite ver fatos que ocorreram no passado
e que ocorrerão no futuro. Os clarividentes podem ver os corpos astral e mental de outras
pessoas, e tomar conhecimento da vida em outros planos espirituais. É um tipo de
mediunidade difícil de ser encontrado.

e) Audição: o médium ouve uma voz clara e nítida nos seus ouvidos e dessa forma recebe
as mensagens. Na audição, devemos ter o mesmo cuidado que temos na intuição, no que
diz respeito à identificação de quem está dando a mensagem.

f) Transporte: é a capacidade de visitar espiritualmente outros lugares, enquanto o corpo


físico permanece repousando tranquilamente; o espírito se desliga do corpo e vai para o
espaço. Esse transporte pode ser voluntário ou involuntário. No transporte voluntário, o
médium se predispõe a realizá-lo. Ele se concentra e se projeta espiritualmente a outros
lugares, tomando conhecimento do que vê e do que ouve.

O transporte involuntário ocorre durante o sono. Todos nós nos desligamos do corpo físico
durante o sono e entramos em contato com pessoas e lugares dos quais não nos
recordamos ao acordar. Às vezes, recebemos nesses transportes soluções para os nossos
problemas que, mais tarde, nos parecerão ideias próprias. Diz um ditado popular: "Para a
solução de um grande problema, nada melhor que uma boa noite de sono".

g) Desdobramento: é um transporte em que o espírito do médium fica visível à outra


pessoa. O corpo físico fica repousando, o espírito do médium se transporta a outro ambiente
e, nesse ambiente, torna-se visível.

h) Psicografia: tipo de mediunidade muito comum, podendo ser intuitiva, semi-mecânica ou


mecânica. É a capacidade de receber comunicações pela escrita. Na psicografia intuitiva, o
médium recebe as mensagens na mente e as passa para o papel. É pura intuição.

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Na psicografia semi-mecânica, o médium, à medida que vai escrevendo, vai também


tomando conhecimento do que escreve. O espírito atua, simultaneamente, na mente e na
mão do médium.

Na psicografia mecânica, o espírito atua somente na mão do médium, que escreve sem
tomar conhecimento da mensagem recebida.
Quando, ao invés de escrever, o espírito utiliza a mão do médium para pintar, esse tipo de
mediunidade é chamado de psicopictografia.

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