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Acústica

sobre Física Por Prof. Luiz Ferraz Netto


leobarretos@uol.com.br
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Som
O ouvido íntegro pode ser sensibilizado por uma onda mecânica que se propaga num
campo ondulatório (meio material), como o ar, desde que essa onda apresente intensidade
suficiente e sua freqüência encontre-se dentro de um certo intervalo subjetivo. À estas
sensibilizações denominaremos por sensações sonoras. Em geral, ao estudo da
produção (fontes sonoras), propagação e fenômenos correlatos sofridos pela onda
mecânica sonora ou audível, denomina-se Acústicae, em particular, denominaremos
por som à toda onda mecânica nas condições acima especificadas (intensidade suficiente
e freqüência limitada num certo intervalo). Se a freqüência da onda sonora pertence ao
intervalo subjetivo (depende do observador), 16Hz -------- 20000 Hz, esse som é audível
para o ser humano.
Ultra-som e Infra-som
Ondas longitudinais de freqüências superiores a 20 kHz, caracterizam sons inaudíveis e
denominam-se ultra-sons; e aquelas de freqüências inferiores a 16 Hz, também
inaudíveis, são ditas infra-sons.

Escala das Ondas Mecânicas

Freqüência Método de
Denominação Aplicação
Hz excitação
Vibração da água em Prognóstico do tempo,
0,5 ---- 20 Infra-sons grandes reservatórios, diagnóstico de doenças
batidas do coração. do coração.
Voz humana e dos a- Para comunicação e si-
nimais, instrumentos nalização, assim como
20 ---- 2.104 Sons Audíveis
musicais, apitos, se- para a medição de dis-
reias, alto-falantes ... tâncias.
Deteção submarina por
Emissores magnetos- eco, limpeza e deteção
trictivos e piezoelétri- de defeitos em peças e
cos, apitos de Galton, estruturas de constru-
também são excitados ções, aceleração de re-
2.104---- 1010 Ultra-sons
por alguns animais e ações químicas, inves-
insetos (morcegos, tigação em medicina,
gri- biologia e física
los, gafanhotos etc.) molecu-
lar.
Vibrações térmicas
Em investigações cien-
1011 .... Hipersons das
tíficas.
moléculas
Como citamos na tabela acima, os ultra-sons de altas potencias podem ser produzidos por
emissores piezelétricos (quartzo vibrante) e encontram larga aplicação nos sonares. Em
Química, os ultra-sons provocam oxidações e despolimerizações; em Físico-Química,
fazem cessar estados de equilíbrio instáveis (superfusão, supersaturação) e impressionam
a chapa fotográfica. Em Física, provocam a coagulação dos aerossóis, determinam nos
líquidos o fenômeno de cavitação, excitam a luminescência de certos líquidos. Em
Biologia, determinam a segmentação dos microrganismos e, por vezes, sua destruição
(aplicação a esterilização do leite).
Sons Musicais e Ruídos
Quanto ao efeito sobre o ouvido, os sons são classificados em sons musicais e ruídos.
Subjetivamente esta classificação deixa muito a desejar, pois há quem (muito
propriamente) considere o rock'n rol um ruído e outros (mais desprovidos de sensibilidade)
um som musical.

Fisicamente, entende-se por som musical ao resultado da superposição de ondas sonoras


periódicas ou aproximadamente periódicas; ruídos correspondem a ondas sonoras não-
periódicas e breves, que mudam imprevisivelmente de características. O som musical
pode ser simples, quando corresponde a uma única onda harmônica e composto quando
compõe-se de duas ou mais ondas harmônicas.
Superposição de 3 sons musicais simples (lá3,lá4 e lá5) resultando num som
composto.

Fontes Sonoras
É todo e qualquer dispositivo capaz de produzir ondas sonoras num meio material elástico
(campo ondulatório); citaremos alguns de destaque em Acústica:
a) cordas vibrantes — violão — violino — piano — cordas vocais etc.
b) tubos sonoros — órgão - flauta — clarineta — oboé etc.
c) membranas e placas vibrantes: tambor — címbalos etc.
d) hastes vibrantes: diapasão — “triangulo” etc.
Qualidades Fisiológicas do Som
Os sons simples distinguem-se uns dos outros por duas características, a saber,
INTENSIDADE e ALTURA; os sons compostos, além daquelas, diferenciam-se pelo
TIMBRE.
A intensidade fisiológica do som esta ligada à amplitude das vibrações (e, portanto à
energia transportada pela onda sonora); é a qualidade pela qual um som forte (grande
amplitude — muita energia) se distingue de um som fraco (pequena amplitude — pouca
energia).

Apesar de variarem num mesmo sentido, é preciso não confundir intensidade fisiológica
(ou intensidade auditiva ou ainda nível sonoro) com a intensidade física (ou intensidade
sonora, quando se trata de onda sonora) da onda que é uma grandeza física associada ao
fenômeno vibratório. Vamos detalhar isso um pouco mais.
Vale lembrar que, durante a propagação das ondas tem lugar um transporte de energia, no
entanto, as partículas do meio não se deslocam no sentido da propagação das ondas,
limitando-se a realizar movimentos oscilatórios nas proximidades da posição de equilíbrio
(quando a amplitude das ondas é pequena e o meio em que se propagam não é viscoso).
A grandeza que é numericamente igual à energia média transportada pela onda, por
unidade de tempo, através de uma unidade de área da superfície da onda é denominada
intensidade física da onda. Essa intensidade é medida em W/m2. A intensidade das
ondas acústicas é denominada intensidade física do som ou, simplesmente, intensidade
sonora.
Durante a propagação das ondas mecânicas, a velocidade e a aceleração das partículas
do meio variam de acordo com a mesmo tipo da lei do deslocamento (espaço, elongação),
ou seja, uma lei harmônica. Quando a 'amplitude' do deslocamento (elongação máxima)
das partículas durante a propagação de uma onda harmônica plana de
pulsação w apresenta o valor a,
a 'amplitude' máxima da velocidade da oscilação terá o valor vmáx. = w.a
a 'amplitude' máxima da aceleração da oscilação terá o valor gmáx.= w2.a
e a intensidade física da onda será dada por I = (1/2).V.r.w2.a2
onde r é a massa específica do meio onde a onda se propaga, V é a velocidade de
propagação.
Como w = 2.p.f e, uma vez que r e V são características do meio elástico, supondo-o
homogêneo e à temperatura constante podemos escrever:
I = k.f2.a2
--- para uma dada freqüência, a intensidade física é diretamente proporcional ao quadrado
da amplitude;
--- para uma dada amplitude, a intensidade física é diretamente proporcional ao quadrado
da freqüência (e isso explica claramente a alta energia transportada por um ultra-som).
O nível de variação da intensidade fisiológica (DS) cuja unidade é o bell (b) e a intensidade
física (I) cuja unidade é o W/m2 relacionam-se mediante uma lei experimental ou lei de
Weber-Fechner:
A variação da intensidade fisiológica (DS), na zona central do campo de audibilidade é
proporcional à variação dos logaritmos das intensidades físicas correspondentes.
Assim, seja So uma intensidade fisiológica de referência e Io a correspondente
intensidade física. Se S é outra intensidade fisiológica qualquer e I a intensidade física
correspondente, a lei de Weber-Fechner permite escrever:
adotando-se So ==> Io e tomando-se S ==> I vem S - So = log(I/Io), em bell (b).
Exemplo: Numa conversação fraca (conversa baixa), seja I1 = 10 mW/cm2 a intensidade
física recebida por um ouvinte. Calcular qual será a variação da intensidade auditiva
percebida pelo ouvinte, quando a intensidade da onda sonora da conversação aumentar
para I2 = 100 mW/cm2.
Solução: I1 = 10 mW/cm2 ==> S1 e I2 = 100 mW/cm2 ==> S2 , pergunta-se o valor de DS
= S2 - S1 ; pomos
DS = log10(I2/I1) = log10(100/10) = log1010 = 1 bell
Comumente, em vez de usarmos o bell como nível de variação de intensidade auditiva,
usa-se o decibel, de modo que, podemos por:
DS = S2 - S1 = 10.log10(I2/I1) (db)
Por convenção internacional, definiu-se So= 0, para Io = 10-12 W/m2 como sendo a
intensidade auditiva de referência, relativa a um som simples de freqüência 1000 Hz. Essa
intensidade corresponde ao limiar de audição.

A intensidade do som captada pelo ouvido corresponde à sensação do que se denomina


popularmente de volume do som. Quando o som tem uma determinada intensidade
mínima, o ouvido humano não capta o som. Essa intensidade mínima é denominada nível
mínimo de audição, ou como colocamos acima, limiar de audição e esse mínimo difere
segundo a freqüência dos sons. Quando a intensidade é elevada, o som provoca uma
sensação dolorosa. A intensidade mínima a que um som ainda provoca sensação dolorosa
tem o nome de limiar da sensação dolorosa.
A intensidade auditiva também pode ser referida em fons e, para tanto, basta que se fixe
as seguintes referências: freqüência de 1000 Hz; intensidade física de 10-12 W/m2 ==> So
= 0 fon. Com essas convenções a lei de Weber-Fechner torna-se:
S (em fons) = 10.log10 (I/10-12), com I em W/m2 .
Exemplo: Sabendo-se que uma onda sonora apresenta intensidade física de 1 W/m2 dizer,
em fons, a intensidade auditiva percebida por um observador.
Solução: So = 0 ==> 10-12 W/m2
S = ? ==> 1 W/m2
S = 10.log10(1/10-12) = 10.log101012 = 120 fons
Notas:
a) No ar, o som se propaga, normalmente, sob a forma de ondas esféricas, valendo: I1/I2
= d22/d12 , ou em palavras: a intensidade física da onda diminui com o quadrado da
distância à fonte.
b) No ar, o som se propaga, normalmente, sob a forma de ondas esféricas, valendo: a1/a2
= d2/d1 , ou em palavras: a amplitude de vibração das partículas do meio diminui com a
distância da partícula considerada à fonte.
A altura do som está ligada unicamente à sua freqüência; é a qualidade pela qual um som
grave (som baixo --- freqüência baixa) se distingue de um som agudo (som alto ---
freqüência alta).
É fácil perceber que essa característica do som depende tão somente da freqüência; sabe-
se, por exemplo, que encurtando-se uma lamina elástica (gilete presa no bordo da mesa),
aumenta-se a freqüência de suas vibrações e, correlativamente, constata-se que o som
emitido se torna mais e mais agudo.

O quociente das freqüências de dois sons, define um intervalo sonoro (i), em particular, se
i = 2, ou seja, f2/f1 = 2, teremos um intervalo de uma oitava — a freqüência do som mais
agudo é o dobro da freqüência do outro.
A definição dos diversos intervalos musicais levam ao estabelecimento de uma ESCALA
MUSICAL. Em música, usam-se apenas determinados sons, de freqüências convencionais
e que se denominam notas musicais. Denomina-se gama ao conjunto das notas musicais
pertencentes ao intervalo de uma oitava.

Gama natural de Zarlino dó1 ré1 mi1 fá1 sol1 lá1 si1 dó2
Intervalos fundamentais:
1°) tom maior = 9/8 ... (f2/f1 = 9/8)
2°) tom menor = 10/9 ... (f2/f1 = 10/9)
3°) semi-tom = 16/15 ... (f2/f1 = 16/15)
Relação com a tônica (dó1): 1 9/8 5/4 4/3 3/25/315/8 2

Notas dó1 ré1 mi1 fá1 sol1 lá1 si1 dó2


Intervalos
9/8 10/9 16/15 9/8 10/9 9/8 16/15
relativos
Relação
24 27 30 32 36 40 45 48
entre notas
A fim de que os diversos instrumentos musicais possam dar as mesmas notas,foi
necessário fixar a altura absoluta de uma certa nota, isto é, sua freqüência. Um congresso
internacional fixou:
freqüência do lá3 = 435 Hz
Em musica, utilizam-se nove oitavas, cada uma delas sendo caracterizada por um índice
compreendido entre -1 e +9 (não se usa o índice zero):
-1__1__2__3__4__5__6__7__8__9.
Cada nota de uma certa oitava (por exemplo ré4) tem freqüência igual ao dobro da nota
correspondente da escala anterior (no caso, ré3 ) assim, no exemplo: fré4 = 2.fré3 .
Exemplo: Conhecida a freqüência do lá3 = 435 Hz, determinar a freqüência do si-1.
Solução: Inicialmente deve-se determinar a freqüência do lá-1(que pertence à mesma
gama do si-1):

Os limites extremos da voz humana são cerca de 60 e 550 Hz para o homem e 110 e 1300
Hz para a mulher. Imagine a 'incompatibilidade auditiva' que deve existir entre um casal
cujo homem fala na base dos 60 Hz e a mulher na base dos 1300 Hz! [Nota: Nos E.U.A.
há casos de divórcios baseados em incompatibilidade auditiva.]
O timbre depende dos harmônicos associados ao som fundamental no caso dos sons
musicais ou das ondas que se superpõem, no caso dos sons compostos em geral. No
caso dos sons musicais, é a qualidade que permite distinguir dois sons de mesma altura
emitidos por fontes sonoras diferentes; uma flauta e um violino, por exemplo, ambos
emitindo, digamos, o dó3.
É o número (quantidade) e as intensidades dos harmônicos (que sempre existem ao se
tocar um instrumento musical) que acompanham o som fundamental que dão ao som
musical essa característica (enfeite) particular.

Abaixo, esquerda, ilustramos a forma de onda denominada dente de serra. O som


correspondente é produzido à partir do som fundamental de freqüência f ao qual se
superpõem os sons de freqüências 2f, 3f, 4f, ..., respectivamente, com amplitudes 1/2, 1/3,
1/4, ...
Mediante softwares geradores de gráficos de funções, tal curva pode ser posta assim:
f(t)=sin(2·p·440·t)+sin(2·p·880·t)/2+sin(2·p·1320·t)/3+sin(2·p·1760·t)/4+....
Nesse exemplo, a freqüência fundamental é a de 440 Hz. Fazendo 2·p·440·t = x, 2·p·880·t
= 2x, etc. a função será: y = f(x) = sinx + (sin2x)/2 + (sin3x)/3 +
(sin4x)/4 + ...

Acima, direita, ilustramos a forma de onda denominada onda quadrada. O som


correspondente é produzido à partir do som fundamental de freqüência f ao qual se
superpõem os sons de freqüências 3f, 5f, 7f, ..., respectivamente, com amplitudes 1/3, 1/5,
1/7, ...
Mediante softwares geradores de gráficos de funções (EquationGrapher), tal curva pode
ser posta assim:
f(t)=sin(2·p·440·t)+sin(2·p·1320·t)/3+sin(2·p·2200·t)/5+sin(2·p·3080·t)/7+...
Nesse exemplo, a freqüência fundamental é a de 440 Hz.
Fazendo 2·p·440·t = x, 2·p·1320·t = 3x, etc. a função será: y = f(x) = sin(x) + sin(3x)/3 +
sin(5x)/5 + sin(7x)/7 + .. ...

Como funciona a levitação acústica


por Tracy V. Wilson - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Neste artigo
1.
Introdução

2.
A física da levitação acústica

3.
Som não linear e levitação acústica

4.
Mais informações

5.
Veja todos os artigos sobreCiências naturais

A física da levitação acústica


Um levitador acústico báscio tem duas partes principais: um transdutor, que é uma
superfície vibratória que cria sons, e um refletor. Normalmente, o transdutor e o refletor
têm superfícies côncavas para ajudar a focalizar o som. O processo é muito simples: uma
onda sonora viaja do transdutor e é rebatida pelo refletor. Três propriedades básicas dessa
onda é que a auxiliam a suspender objetos no ar.
A primeira é que ela, como todos os sons, é uma onda de pressão longitudinal. Em uma
onda longitudinal, o movimento dos pontos na onda é paralelo à direção de sua viagem,
algo semelhante ao tipo de movimento que você veria se empurrasse e puxasse a
extremidade de uma mola de brinquedo. No entanto, a maioria das ilustrações mostra o
som como uma onda transversal, que é o que você veria se movesse uma ponta dessa
mola, e que agora necessitaria estar na horizontal, para cima e para baixo. Isso acontece
simplesmente porque ondas transversais são mais fáceis de visualizar do que ondas
longitudinais.
A segunda propriedade é que a onda pode se refletir em superfícies, seguindo a Lei da
reflexão, que afirma que o ângulo de incidência (o ângulo no qual algo atinge uma
superfície) é igual ao ângulo de reflexão (o ângulo no qual ele deixa a superfície). Em
outras palavras, uma onda sonora rebate em uma superfície com o mesmo ângulo que
atingiu essa superfície. Uma onda sonora que atinge uma superfície a um ângulo de 90º
será refletida de volta para o mesmo lugar de onde veio, com o mesmo ângulo. A maneira
mais fácil de compreender a reflexão de ondas é imaginar uma daquelas molas de
brinquedo presa a uma superfície horizontal por uma de suas extremidades. Se você
pegasse a extremidade livre da mola e a movimentasse rapidamente para cima e para
baixo, uma onda iria percorrer o comprimento da mola. E quando a onda atingisse a
extremidade fixa da mola, seria refletida na superfície e voltaria em sua direção. Dessa
forma, podemos dizer que você criaria uma onda longitudinal na mola.
E finalmente, quando uma onda sonora se reflete em uma superfície, a interação entre
suas compressões e rarefações causa interferência. As compressões que encontram
outras compressões se amplificam, e compressões que encontram rarefações acabam
entrando em equilíbrio com elas. Algumas vezes, a reflexão e a interferência podem se
combinar para criar uma onda estacionária. Essas ondas estacionárias parecem se
deslocar para frente e para trás, ou vibrar em segmentos em vez de viajar de um lugar
para outro. Essa ilusão de imobilidade é o que dá nome às ondas estacionárias.
Ondas sonoras estacionárias possuem nós ou nodos definidos (áreas de pressão
mínima) e antinodos ou ventres (áreas de pressão máxima). Os nós de uma
onda estacionária são o "coração" da levitação acústica. Para ajudar na visualização,
imagine um rio com rochas e correntes. A água está calma em algumas partes do rio e
turbulenta em outras. Destroços e espuma se juntam nas porções calmas do rio. Para que
um objeto flutuante possa permanecer parado na parte da água que se move rapidamente,
seria necessário ancorar esse objeto ou impulsioná-lo contra o fluxo da água.
Basicamente, é isso o que a levitação acústica faz, só que, em vez da água, usa um som
que se move através de um gás.
A levitação acústica utiliza a pressão do som para permitir
que objetos flutuem

Ao colocar um refletor à distância certa de um transdutor, o levitador acústico cria uma


onda estacionária. Quando a orientação da onda estiver paralela à força exercida pela
gravidade, partes da onda estacionária irão possuir uma pressão constante para baixo e
outras terão uma pressão constante para cima. Os nós, por sua vez, possuem pressão
muito baixa.
No espaço, onde a gravidade é muito pequena, as partículas flutuantes se juntam nos nós
da onda estacionária, que são "calmos" e imóveis. Já na Terra, os objetos se juntam logo
abaixo dos nós, onde a pressão de radiação acústica, ou a quantidade de pressão que
uma onda sonora pode exercer sobre uma superfície, entra em equilíbrio com a força da
gravidade.
Dependendo da influência da gravidade, os objetos pairam
em uma área levemente diferente dentro do campo sonoro

É preciso mais do que ondas sonoras comuns para conseguir a quantidade de pressão
necessária. Na próxima seção, vamos examinar o que as ondas sonoras de um levitador
acústico têm de tão especial.

Som não linear e levitação acústica


Ondas estacionárias comuns podem ser relativamente potentes. Por exemplo, uma
onda estacionária em um duto de ar pode fazer com que a poeira se junte em um padrão
que corresponde aos nós da onda. Além disso, uma onda estacionária reverberando
através de uma sala pode fazer com que os objetos em seu caminho vibrem. E
ondas estacionárias de baixa freqüência também podem fazer com que as pessoas se
sintam nervosas ou desorientadas.

Mas esses feitos não são nada quando comparados à levitação acústica. É preciso muito
menos para influenciar o local onde a poeira vai se acumular ou para quebrar um vidro do
que para erguer objetos do solo. Ondas sonoras comuns são limitadas por sua
natureza linear. Aumentar a amplitude da onda vai fazer com que o som fique mais alto,
mas não vai afetar o formato da onda ou fazê-la ficar mais poderosa fisicamente.
No entanto, sons extremamente intensos, como os que podem fazer nossos ouvidos
doerem, costumam ser não lineares. Eles podem causar respostas desproporcionalmente
grandes nas substâncias que atravessam. Alguns efeitos não lineares incluem:
• ondas com formas distorcidas
• ondas de choque, como ruídos sônicos
• corrente acústica, que é o fluxo constante do fluido através do qual a onda viaja
• saturação acústica, ou o ponto no qual a matéria não pode mais absorver
energia da onda sonora
A acústica não linear é um campo complexo, e o fenômeno físico que causa esses efeitos
pode ser difícil de se entender. Porém, no geral, efeitos não lineares podem se combinar
para formar um som intenso muito mais potente do que um som mais sereno. E é devido a
esses efeitos que a pressão de radiação acústica pode se tornar forte o bastante para
se equilibrar com a força da gravidade. O som intenso é uma parte central da levitação
acústica - e os transdutores em muitos levitadores produzem sons de mais de 150 decibéis
(dB). Para se ter uma idéia, uma conversa comum tem cerca de 60 dB, ao passo que em
uma danceteria chega-se a algo em torno de 110 dB.
Outras utilizações para sons não lineares
Vários procedimentos médicos baseiam-se na acústica não linear.
Por exemplo, o exame de ultra-som utiliza efeitos não lineares
para permitir que médicos examinem bebês no útero ou órgãos
internos. As ondas de alta intensidade do ultra-som também
podem pulverizar pedras nos rins, cauterizar ferimentos internos e
destruirtumores.

Mas fazer objetos levitarem com o som não é só mirar um transdutor de alta capacidade
em um refletor. Os cientistas também devem usar sons da freqüência correta para criar a
onda estacionária desejada. Qualquer freqüência pode produzir efeitos não lineares se
estiver no volume certo, mas a maioria dos sistemas usa ondas de ultra-som, que não
podem ser ouvidas pelo ser humano. E além da freqüência e do volume da onda, os
pesquisadores também devem se concentrar outros fatores.
• A distância entre o transdutor e o refletor deve ser um múltiplo da metade do
comprimento de onda do som produzido pelo transdutor. Isso produz uma onda
com nós e antinodos estáveis, e há ondas capazes de produzir vários nós que
podem ser utilizados, embora os que fiquem mais próximos ao transdutor e ao
refletor não costumem ser apropriados para levitar objetos. Isso acontece porque
as ondas criam uma zona de pressão na região próxima às superfícies
refletivas.
• Em um ambiente de microgravidade, como no espaço, as áreas estáveis
dentro dos nós devem ser grandes o suficiente para apoiar o objeto flutuante. Já
na Terra, as áreas de alta pressão logo abaixo do nó também devem ser grandes
o bastante. Por isso, o tamanho do objeto a ser levitado deve ser de 1/3 à
metade do comprimento de onda do som. Objetos maiores do que 2/3 do
comprimento de onda do som são grandes demais para levitarem, já que o
campo não é grande o bastante para apoiá-los. Quanto maior a freqüência do
som, menor o diâmetro dos objetos que ele pode levitar.
• Objetos que tenham o tamanho certo para levitar também devem ter a massa
certa, ou seja, os cientistas devem avaliar a densidade do objeto e determinar se
a onda sonora é capaz de produzir pressão suficiente para contrapor a força que
a gravidade exerce sobre ele.
• Gotas de um líquido que está sendo levitado devem ter umnúmero de
Bond apropriado, que é a razão que descreve a tensão superficial, densidade e
tamanho de um líquido no contexto da gravidade e do fluido que o rodeia. Se o
número de Bond for baixo demais, a gota irá explodir.
• A intensidade do som não deve ser excessiva para a tensão de superfície de
gotículas de líquido que estão sendo levitadas. Se o campo sonoro for intenso
demais, a gota irá se achatar e explodir.
Pode parecer que é necessário muito trabalho para suspender pequenos objetos a apenas
alguns centímetros de uma superfície. Levitar objetos pequenos, ou até animais pequenos,
por distâncias curtas também pode parecer algo relativamente inútil. A levitação acústica,
porém, possui várias utilizações, tanto no solo como no espaço.
• A fabricação de equipamentos eletrônicos muito pequenos e
demicrochips costuma envolver o uso de robôs ou equipamentos complexos. Os
levitadores acústicos podem realizar a mesma tarefa por meio da manipulação
do som. Por exemplo, materiais fundidos levitados irão resfriar e endurecer
gradativamente e, se estiverem em um campo sonoro ajustado corretamente, o
objeto sólido resultante será uma esfera perfeita. De maneira semelhante, um
campo com a forma correta pode forçar plásticos a se depositarem e
endurecerem apenas nas áreas corretas de um microchip.
• Há ainda materiais que são corrosivos ou que reagem com recipientes comuns
utilizados durante análises químicas. Os pesquisadores podem suspender esses
materiais em um campo acústico para estudá-los sem o risco de os recipientes
contaminarem a amostra ou serem destruídos.
• O estudo da física das espumas possui um grande obstáculo: agravidade. A
gravidade puxa o líquido da espuma, fazendo que ela seque e se destrua. Com
os campos acústicos, os pesquisadores podem conter a espuma no espaço, sem
que haja interferência da gravidade, o que levaria a uma melhor compreensão de
como a espuma desempenha certas tarefas, como a limpeza da água do oceano.
Os pesquisadores continuam a desenvolver novas configurações para os sistemas de
levitação e novas aplicações para a levitação acústica. Para aprender mais sobre as
pesquisas deles, o som e tópicos relacionados, confira os links na página a seguir.

Outras configurações para levitadores


Embora um levitador com um transdutor e um refletor possa
suspender objetos, algumas configurações podem aumentar a
estabilidade ou permitir movimentos. Um exemplo disso são os
levitadores que possuem três pares de transdutores e refletores,
posicionados ao longo dos eixos X, Y e Z. Outros possuem um
grande transmissor e um pequeno refletor móvel, permitindo que
o objeto suspenso se mova quando o refletor é movido.