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Pe.

Leslie Rumble

Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (1/20)


Os Mórmons

ou

"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.

Doutor em Teologia

Missionarii Sacratissimi Cordis

"Missionários do Sagrado Coração"

PUBLICAÇÃO DO

SECRETARIADONACIONAL DE DEFESA DA FÉ

EDITORA VOZES LIMITADA

1959

IMPRIMATUR

POR COMISSÃO ESPECIAL DO EXMO.

E REVMO. SR. DOM MANUEL PEDRO DA CUNHA CINTRA

BISPO DE PETRÓPOLIS.

FREI DESIDÉRIO KALVERKAMP, O. F. M. PETRÓPOLIS, 2-III-1959.

OS MÓRMONS OU "SANTOS" DOS ÚLTIMOS DIAS

Escrevo este livrinho por um senso de dever para com os próprios Santos dos Últimos Dias, mesmo mais do que para
outros que pudessem estar interessados no estudo de uma religião tão notável quer pela sua natureza quer pelas
suas realizações, pois estou convencido de que muitos bons e sinceros crentes do Livro de Mórmon, professando-se
cristãos, como se professam, realmente não se dão conta das reais implicações dos ensinamentos que até agora
tomaram como pressupostos. E nem por um momento penso que eles desejariam considerar como uma explanação
da religião de Cristo aquilo que na realidade é uma contradição dessa religião — se verdadeiramente ela fosse tal.
Por certo, eu sustento que, diferindo, como diferem, das crenças dos cristãos mantidas durante dois mil anos, e
dependendo, como dependem, de interpretações da Bíblia opostas às de todos os grandes sábios cristãos, antigos e
modernos, a crenças dos Mórmons são inconciliáveis com a Fé Cristã. Mas, embora isso corra por conta de uma
aparente falta de simpatia de minha parte para com o sistema religioso que discuto, entretanto não significa que em
qualquer tempo eu haja conscientemente ignorado as exigências da exatidão; e ainda menos implica que eu tenha
falta de caridade para com as pessoas dos próprios Mórmons. Se assim fosse, este livrinho nunca teria sido escrito.

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Os Mórmons

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"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.


Doutor em Teologia

Missionarii Sacratissimi Cordis

"Missionários do Sagrado Coração"

MISSIONÁRIOS DE UTAH

Bem recentemente, bateram-me à porta dois jovens Americanos, pedindo ver-me. Foram introduzidos na sala de
recepção, e, quando entrei alguns momentos depois, eles se levantaram para se apresentar, de maneira muito
cavalheiresca e cortês. Disseram-me que eram missionários de Utah, representando a "Igreja de Jesus Cristo dos
Santos dos Últimos Dias", e que por um católico tinham sido aconselhados a obter de mim esclarecimentos que não
tinham podido obter dele.

"Então os srs. são Mórmons", disse eu."Popularmente somos chamados desse modo", respondeu o mais velho dos
dois, "mas preferimos o título de "Santos dos Últimos Dias". Embora aceitemos o Livro de Mórmon, a denominação
oficial da nossa Igreja é essa que lhe demos". Quando nos sentamos, eles me contaram a sua história. Andando de
porta em porta, pedindo ao povo considerar a sua explicação de uma dispensação religiosa para os cristãos, eles não
podiam deixar de surpreender-se com a sua incapacidade de fazer qualquer impressão nas pessoas católicas. Da
parte de outros, muitas vezes havia interesse, e sempre incerteza. Mas os Católicos justamente não queriam ouvir
coisa alguma sobre outras religiões. E, quando eles perguntaram a um católico como era que ele podia conciliar com
os claros ensinamentos da própria Bíblia a certeza que ele tinha da sua fé, foi então que eles me foram
encaminhados.

O mais moço dos dois exibiu então um exemplar da Versão Douay da Bíblia, no qual os versículos que eles
consideravam como falando contra as Igrejas Cristãs ortodoxas e em favor do Mormonismo haviam sido sublinhados
com tintas de diversas cores. Tive de lhes dizer que absolutamente não tinha intenção de travar discussão sobre o
significado de uma multidão de textos, no breve tempo de que dispúnhamos. Mas concordei em lhes dar a
explicação em busca da qual eles tinham vindo, tornando-lhes clara a atitude que a vasta maioria dos católicos
imediatamente adota em face de esforços feitos para os ganhar para qualquer outra religião. E apresentei-lhes
brevemente os fundamentos escriturários, históricos e racionais para a convicção católica de que, se a Igreja Católica
não é a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo, absolutamente não existe nenhuma Igreja verdadeira, de acordo com
os requisitos bíblicos.

Eles escutaram pacientemente, atentamente mesmo. Não se mostraram ressentidos com a minha sugestão de que
as próprias qualificações deles dificilmente se podia esperar tivessem peso contra a autoridade docente da Igreja
Una, Santa, Católica e Apostólica de todos os séculos. Com singeleza admitiram a sua falta de erudição bíblica, e a
sua ignorância da história da Igreja Cristã desde os tempos apostólicos. Apenas disseram que acreditavam nos
particulares episódios históricos que o Livro de Mórmon narrava, e nas revelações divinas proclamadas pelo seu
profeta Joseph Smith e continuadas entre os Santos dos Últimos Dias. Estas é que lhes haviam sido ensinadas; e eles
nunca tinham visto razão qualquer para duvidar delas; e tinham sido enviados para fora de Utah a fim de explicar as
suas doutrinas a todos os homens de boa vontade. Eles se retiraram, pedindo desculpas de haverem tomado o meu
tempo, e dizendo que haviam compreendido a necessidade de aprofundar mais a matéria. Por minha vez, resolvi
também olhar mais de perto o Mormonismo deles, e estou expondo os resultados do meu estudo para uso de
outros interessados no assunto, e não menos, como já disse, para benefício dos próprios Mórmons.

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O PROFETA JOSEPH SMITH

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é assim chamada por pretender oferecer a plenitude da
revelação que Deus fez à humanidade por meio de Jesus Cristo — plenitude que foi reservada a estes últimos
tempos, e aos "santos", ou àqueles que querem fazer-se discípulos dos novos ensinamentos conforme ensinados por
Joseph Smith.

Obviamente devemos começar perguntando quem é esse Joseph Smith. E imediatamente topamos com
dificuldades, pois temos de resolver se a história da vida dele revela um homem que se afigure a espécie de pessoa
que Deus teria escolhido para tal missão. Joseph Smith, filho de um fazendeiro, nasceu em Sharon, Vermont, E.U.A.,
a 23 de dezembro de 1805. Sua família mudou-se para Palmyra, em 1815, e, quatro anos depois, para a pequena
cidade de Manchester, Ontário, County, N.Y. Todos os biógrafos concordam em que Joseph recebeu pouca ou
nenhuma instrução no sentido escolástico do termo. Os próprios Mórmons, como veremos, insistem muito nisto.

Nervoso, ele era altamente temperado, e sujeito a ataques epilépticos a que mais tarde chamou transes, e durante
os quais pretendia que lhe advinham visões celestes. Mas ele próprio provou-se um inventador tão arguto e tão
pouco dotado de qualquer senso de veracidade, que é impossível tomar a sua palavra como sendo a realidade das
suas experiências. O Dr. Edward Fairfield, antigo presidente do Michigan College, disse que três testemunhas que
haviam conhecido pessoalmente Joseph Smith desde dez anos de idade lhe disseram que "ele era simplesmente um
mentiroso notório". Mas por que teria ele volvido a sua atenção para o campo religioso?

Para compreender isto, devemo-nos lembrar de que, durante a primeira metade do século dezenove, uma onda de
entusiasmo evangélico varreu toda a América. Metodistas, Campbellistas, Congregacionalistas, Milleristas, Shakers e
outros procediam, um após outro, a reuniões reavivamentistas, pondo distritos inteiros em fermentação religiosa e
despertando as mais vivas controvérsias. Frenesi e histeria tornaram-se a ordem do dia. Novas religiões — cultos
esdrúxulos com crentes loucos — brotaram como cogumelos durante aquele período emocional. E o excitável
Joseph Smith não deixou de ser afetado pela atmosfera reinante, de superstição e de credulidade. Nesse comenos,
veio para Manchester um pregador reavivamentista, ex-Batista, chamado Sidney Rigdon, que aderira aos
Campbellistas. Rigdon era um homem bem educado, inteligente, e dotado de grande facilidade na citação das
Escrituras. Veio-lhe porém o pensamento de que, em vez de pregar as doutrinas de Alexandre Campbell, ele podia
do mesmo modo erigir-se em mestre de Israel e pregar o seu próprio sistema. Por isto decidiu dar ao mundo uma
revelação totalmente nova. Em Joseph Smith, com quem se encontrou nesse tempo, achou ele um cooperador de
boa vontade, embora no fim ele é que tenha sido reduzido a cooperar com Joseph Smith. Porque Joseph Smith tinha
as qualidades psicopáticas necessárias para um "visionário", qualidades que faltavam a Rigdon.

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EXPERIÊNCIAS MÍSTICAS

Diz-nos Joseph que, pelo ano de 1820, tendo então uns quatorze anos de idade, teve a sua primeira visão. Declara
que, no meio de todas as pretensões antagônicas das diferentes seitas protestantes, ele se interessou por saber à
qual Igreja deveria aderir. Deu-se a uma fervorosa oração, durante a qual Deus Pai e Jesus Cristo simultaneamente
lhe apareceram e lhe disseram que "a nenhuma", visto que todas as Igrejas existentes estavam erradas.

Três anos mais tarde, de acordo com o seu próprio relato, ele foi visitado por um anjo chamado Moroni. Esse anjo
lhe disse que havia um livro, de lâminas de ouro, dando um relato dos primeiros habitantes da América e contendo a
plenitude do evangelho eterno como a eles fora revelado. Essas lâminas estavam enterradas na terra.

Joseph Smith foi o único designado para desenterrá-las, e com elas ele acharia dois "óculos", duas mágicas pedras
transparentes metidas em aros de prata, as quais Deus preparara para o habilitar a traduzir o que estava escrito nas
lâminas. Todavia, não devia ele tentar recuperar as lâminas antes de quatro anos passados. Depois o anjo lhe deu
uma visão do lugar delas, de modo que ele fosse capaz de reconhecê-lo mais tarde quando lá fosse.

Escusa dizer que Joseph Smith ficou inteiramente excitado pelo pensamento de haver sido escolhido para
restabelecer na terra a real Igreja de Jesus Cristo. Mas possuiu a sua alma em paciência até que, decorridos quatro
anos, por ordem do anjo foi e achou as lâminas no lado oeste da colina Cumorah, a quatro milhas de Palmira, perto
da estrada para Manchester. Com elas estavam os "óculos". E estes habilitaram-no milagrosamente a ler a
linguagem de aparência estrangeira gravada nas lâminas, entendendo-as ele em inglês. Assim, levou consigo as
lâminas e os óculos, ditou a uns escribas uma tradução delas, e, quando acabou, foi-lhe ordenado devolver as
lâminas e os óculos ao anjo Moroni, que as levou para sempre deste mundo!

Estas pretensões são tão extravagantes, que a custo parece necessário refutá-las; todavia, até o dia de hoje todos os
que se fazem Mórmons, espera-se que as aceitem. Por isto devemos penetrar mais a fundo no assunto.

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AS LÂMINAS DE OURO

No dizer de Joseph Smith, as lâminas que ele achou estavam gravadas numa língua desconhecida; mas, com o auxílio
dos "óculos", aos quais chamava "Urim" e "Thummin", ele foi capaz de decifrar e de traduzir para o inglês as
inscrições.

A "língua desconhecida" nunca foi identificada. Desde então os Mórmons têm dito que ela era "Egípcio Reformado",
mas foi provado que nunca houve estilo de hieróglifos "Egípcio Reformado". Joseph Smith declara que mostrou uma
cópia dos caracteres que ele traçara, tirados das chapas — mas não as próprias chapas — a um Professor Charles
Anthon, em New York; e que o Professor Anthon lhe assegurara que os caracteres eram Egípcios, Caldaicos, Assírios
e Árabes. Segundo Smith, o Professor Anthon deu-lhe mesmo um certificado para esse fim, mas tomou-o de volta e
rasgou-o quando lhe foi dito que um anjo é que havia revelado o local das lâminas. Só por isto o certificado seria
válido até hoje! Infelizmente o Professor Anthon publicou mais tarde uma declaração, admitindo que Smith lhe
trouxera uma cópia de caracteres estranhos que pretendia serem uma língua antiga, mas declarava: "Uma
brevíssima investigação convenceu-me de que aquilo era mero embuste, e mesmo um embuste muito grosseiro". E
Martin Harris, uma das testemunhas oficiais de Smith, deu evidência de que tal tinha sido realmente o veredito
expresso naquele tempo pelo Professor Anthon!

Ante a increpação de que ninguém jamais viu as lâminas de ouro, e de que só havia a sua palavra em favor do que
ele mesmo fez, Joseph Smith exibiu o testemunho jurado de testemunhas que declaravam lhes terem sido
mostradas as reais lâminas de ouro, e terem elas visto "a gravação existente nelas". Mas é um fato chocante que
todas as suas três testemunhas principais, Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris, tenham abandonado a
Igreja Mórmon originária. Se eles houvessem realmente crido na origem divina desta, nunca teriam feito tal. Mas,
admitindo a apostasia desses, os Mórmons hoje proclamam que eles ao menos nunca retrataram o seu testemunho.
Podem eles persuadir-se disso, mas o Professor Fraser, da Universidade de Chicago, depois de examinar a questão,
escreveu: "Ao renunciarem ao Mormonismo, todos os três denunciaram como falso esse testemunho; mas
entrementes esse testemunho ajudou Smith a se impor aos crédulos, particularmente na ausência das próprias
lâminas de ouro, que súbita e misteriosamente desapareceram". Martin Harris, que mais tarde voltou ao
Mormonismo, reafirmou o seu testemunho; mas, premido por um interrogatório cerrado, disse que as lâminas
nunca haviam sido expostas realmente diante dos seus olhos. Estavam cobertas com um pano, mas lhe foi dada uma
visão sobrenatural delas por debaixo do pano!

Basta quanto à lenda das placas de ouro que os Mórmons ainda aceitam, mas que historiadores críticos declaram
completamente incrível, e não apoiada por qualquer coisa que possa ter visos de genuína evidência.

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O LIVRO DE MÓRMON

Tempo é agora de tornarmos à mensagem, tão vital para a humanidade, que Joseph Smith proclama ter extraído das
lâminas. Começou ele ditando a tradução delas, feita por ele mesmo, a escribas em Manchester, em 1827, conforme
o seu próprio relato, e acabou o trabalho em Fayette, N.Y. em 1829. Menção nenhuma é feita de ter tido qualquer
parte nesse trabalho Sidney Rigdon, o pregador reavivamentista que tinha tanta facilidade na citação da Escritura. A
obra completa foi publicada como o "Livro de Mórmon", em 1830. Nela nos é dada a estupenda informação, que não
deve ser achada em quaisquer outros registros históricos, de que os índios Americanos são realmente os
descendentes das dez tribos perdidas de Israel; que Jesus Cristo pessoalmente visitou e pregou o seu evangelho na
América; e que os índios em certo tempo tiveram uma plena civilização cristã, mas a perderam completamente! A
história começa com a confusão das línguas na Torre de Babel, cerca de 2200 anos A. C. Uma parte da gente então
dispersada achou o seu caminho para a América do Norte, e foi conhecida como Jareditas.

Contudo, os Jareditas foram suplantados por uma invasão de Israelitas uns 1500 anos depois. Eis como isso
aconteceu. Pelo século sétimo A. C. havia um hebreu chamado Lehi que, com sua mulher e filhos, vivia em
Jerusalém. Esse homem foi mandado por Deus fugir para um país distante. Com a mulher e os filhos e com um
bando de seguidores, atravessou ele o oceano num barco, e aportou à América. Ali os novos colonos se
multiplicaram e prosperaram. Entretanto, quando Leni morreu, Deus designou o seu filho mais moço, Nefi, para
chefe da tribo. Outro filho, Laman, que era mais velho, ressentiu-se com isso; e os descendentes dos dois filhos, os
Nefitas e os Lamanitas, estiveram constantemente em guerra.

Aos Nefitas, como povo escolhido de Deus, Cristo veio após a sua ressurreição, para estabelecer a sua Igreja com o
auxílio deles na América, como a havia fundado na Palestina. Dentre os Nefitas Cristo escolheu outros doze
apóstolos, e igualmente nomeou profetas, pastores, mestres e evangelistas, deixando uma Igreja organizada que
floresceu por perto de 200 anos. Mas, ai! os Nefitas não permaneceram fiéis. Perderam a sua herança pelas suas
transgressões, e foram destruídos pelos Lamanitas, que por sua vez degeneraram nas tribos selvagens da América do
Norte.

Todavia, por causa dos "últimos dias", o último dos profetas Nefitas, Mórmon, recebera ordem de Deus para gravar
em lâminas de ouro um registro dos tratos de Deus com seu povo e das suas revelações, registro a ser escondido na
terra até aparecer e se unir com a Bíblia, como outro livro sagrado, para o cumprimento dos desígnios de Deus. O
irmão de Mórmon, Moroni, depois de acrescentar algumas recordações pessoais, enterrou as lâminas de ouro no
ano 420 (A. D.).

Quatorze séculos depois, Moroni, agora um anjo, revelou a um rapaz pobre, sem instrução, Joseph Smith, o lugar
secreto onde as lâminas haviam sido escondidas. O tempo estava maduro para que os Santos dos Últimos Dias
herdassem a plenitude da verdadeira religião, e Joseph Smith foi divinamente chamado para o fim de introduzir os
homens na Nova Dispensação.

Obedientemente, com o auxílio dos "óculos" mágicos, ele traduziu as indecifráveis inscrições de "Egípcio
Reformado" gravadas nas lâminas de ouro, e deu à humanidade o Livro de Mórmon como um suplemento,
igualmente inspirado e necessário, à Bíblia.

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DIFICULDADES CRÍTICAS

Já que centenas de milhares de Mórmons crêem na autenticidade dele, é inoportuno dizer que o Livro de Mórmon é
fraudulento acima de qualquer dúvida. Mas a falsidade do livro persiste acima de toda dúvida, exceto para as vítimas
de uma credulidade cega. O único argumento, apresentado pelos Mórmons, que à primeira vista poderia parecer de
peso é o fato de Joseph Smith ter sido inteiramente sem instrução, e daí não poder ter digerido e escrito um livro
elaborado, cheio de tantas referências históricas e em estilo consistentemente estrangeiro. Tarefa tal requereria um
erudito capaz, que Joseph Smith obviamente não era. Portanto, dizem eles, claramente o livro foi inspirado por
Deus.

Mas essa dificuldade que os Mórmons propõem aos outros é como nada, comparada com as dificuldades que os
próprios Mórmons defrontam. Passando por alto o absurdo etnológico de atribuir aos índios Americanos uma
ancestralidade judia, consideremos alguns pontos derivados de um exame crítico do próprio livro.

À páginas 47, Nefi declara que, ao chegarem à América em 600 A.C, os Israelitas acharam entre os animais da
floresta "a vaca e o boi, e o burro e o cavalo". Mas é certo que estes animais não são nativos da América, tendo sido
introduzidos naquela terra pelos europeus somente depois do descobrimento dela por Colombo no século XV A. D.
Se o livro fosse divinamente inspirado, esse engano elementar não teria sido cometido.

Ademais, é de supor que Mórmon tenha gravado o seu registro nas lâminas de ouro pelo menos antes de 420 A. D.,
quando elas foram enterradas. Como fez então Mórmon para incorporar em II Nefi, 1, 14, uma expressão
claramente tirada de Shakespeare: "país indescoberto de cujas plagas viajor nenhum regressa"? Mórmon escrevia
mais de mil anos antes de Shakespeare ter nascido!

Dificuldade similar ocorre pelo fato de o Livro de Mórmon conter centenas de citações tanto do Antigo como do
Novo Testamento, transcrições verbais exatas da Versão Autorizada da Bíblia por King James, a qual foi publicada
pela primeira vez em 1611 A. D. Devemos acaso dizer que, mais de mil anos antes de existir a Versão King James,
Mórmon traduziu-a cuidadosamente para o "Egípcio Reformado"? Ou, mais razoavelmente, deveremos dizer que
quem quer que escreveu o livro viveu depois que a Versão King James foi publicada?

Também poderíamos perguntar como foi que Mórmon se arranjou, no século IV A. D., para gravar nas suas lâminas
de ouro citações, palavra por palavra, da "Confissão de Fé de Westminster", a qual se formou no século XVII A. D.
Ou, ainda, como foi que os postulados peculiares de uma obscura seita presbiteriana que floresceu em Geneva, N.Y.,
nos próprios dias de Joseph Smith, tornou-se conhecida de Mórmon tantos séculos antes; e por que razão, no seu
"Egípcio Reformado", ele achou necessário, ou mesmo possível, imitar passagens do "Livro Metodista de Disciplina",
do qual os reavivamentistas tanto tinham feito objeto de discussão popular nos primeiros anos do século XIX. Estes
são apenas alguns dos obstáculos insuperáveis para a aceitação do Livro de Mórmon como genuíno.

Mas que havemos de dizer ao argumento de Mórmon de que ao iletrado Joseph Smith era impossível, por quaisquer
poderes naturais seus, inventar tal livro? Podemos somente responder que não Joseph Smith, mas sim o ex-Batista,
ex-pregador reavivamentista Campbellista, Sidney Rigdon, a quem não faltava o necessário conhecimento de
história, literatura e Escritura, é que foi o real autor desse livro fraudulento, em que abundam as doutrinas e a
fraseologia campbellistas. O patológico Joseph Smith tinha a personalidade necessária para praticar uma deslavada
impostura para a qual ao douto Rigdon faltava a necessária impudência; e ao bom êxito da fantástica história das
lâminas de ouro foi essencial que Rigdon se conservasse no fundo de cena.

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OUTROS ESCRITOS SAGRADOS

Depois de publicar o Livro de Mórmon, Joseph Smith publicou mais tarde aquilo que ele proclamava ser um livro
escrito por Abraão, mas não incluído entre os livros do Antigo Testamento. Os dizeres que ele atribuía a Abraão
eram, novamente, fictícios. Em 1833 ele comprara alguns rolos de papiro de um mercador de curiosidades antigas
chamado Chandler. Esses rolos continham alguns hieróglifos e desenhos realmente egípcios. Em 1912, muito tempo
depois da morte de Smith, esses hieróglifos foram submetidos ao exame de oito eminentes sábios egípcios, os quais
todos declararam que as figuras representavam ritos funerários egípcios comuns, e não tinham absolutamente nada
que ver com Abraão! Mas Joseph Smith era absolutamente ignorante da escrita e dos costumes egípcios.
Ainda mais tarde, ele publicou um livro chamado "O Livro de Doutrinas e Pactos", para dar as revelações que ele
mesmo proclamava ter recebido como o profeta designado para a edificação do Reino de Deus nos últimos dias. Esse
livro explana doutrinas e deveres, prediz o Segundo Advento, e a Sião Americana, e um Milênio vindouro com Cristo
governando o mundo.

Aparelhado com o Antigo e o Novo Testamentos, com o Livro de Mórmon e com as suas "Doutrinas e Pactos",
Joseph Smith, com a cooperação do seu amigo Sidney Rigdon, sentiu-se pronto para lançar na sua carreira sua nova
religião; e agora podemos passar a um breve relato da notável história dela.

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ASPECTO HISTÓRICO

Joseph Smith começou a organizar os seus sectários em Igreja em Palmyra, N.Y., em 1830; mas em Fayette, N.Y., a 6
de abril desse ano, é que a nova seita foi formalmente constituída sob o título de "Igreja de Jesus Cristo dos Santos
dos Últimos Dias".

Todavia, as estranhas doutrinas dos Mórmons despertaram muita hostilidade, e a oposição forçou-os a emigrar para
Kirtland, Ohio, para onde eles se transferiram em janeiro de 1831. Smith decidiu que Kirtland devia ser Sião, ou a
Nova Jerusalém, de onde Cristo reinaria após a sua volta a este mundo. Mas um contratempo em torno de um Banco
que ele fundara, e do qual emitiu notas sem valor, tornou-se expediente de uma nova revelação indicando que a
Sião devia ser estabelecida em Jackson County, Missouri, e não em Ohio. Por isso Smith e Rigdon levaram os seus
sectários para Missouri. Mas os Missourianos declararam-lhes guerra, e os Santos dos Últimos Dias transferiram-se
para Illinois, onde, em 1838, nas margens do Mississipi, fundaram a cidade de Nauvoo — nome que Smith declarou
hebraico e querendo dizer "Belo Lugar".

Em Nauvoo, em 1843, Smith pretendeu ter recebido uma revelação que ordenava os casamentos polígamos, e agiu
de acordo com ela, tomando mulheres adicionais, e desvencilhando-se das objeções de sua mulher legal, Emma,
com intimá-la a submeter-se à Vontade de Deus. Mas não demorou muito no gozo do modo de vida patriarcal. O
povo levantou-se em revolta contra as práticas dos Mórmons. Joseph Smith e seu irmão Hyrum foram detidos e
metidos na cadeia de Cairo, para ali aguardarem o julgamento. Mas a plebe enfurecida não quis saber de
julgamento. Irrompeu na cadeia a 27 de junho de 1844 e fuzilou os dois irmãos.

Sidney então reclamou sucessão à Presidência, argumentando que desde o começo tinha sido conselheiro de Smith;
mas Brigham Young, que aderira à Igreja em 1832, é que foi eleito. Brigham Young excomungou Rigdon e então, para
fugir a ulteriores embates com a lei da terra, começou a emigração para o longínquo Utah em 1847, para ali fundar
Salt Lake City (Cidade do Lago Salgado) às margens do Grande Lago Salgado.

Que ele foi bem sucedido evidencia-se pelo fato de haver morrido, uns trinta anos depois, deixando mais de um
milhão de dólares a dezessete esposas e cinqüenta e seis filhos.

Por alguns anos a Igreja Mórmon, com a ajuda de imigrantes convertidos vindos de além-mar, cresceu
fenomenalmente e construiu uma comunidade independente em coisas tanto temporais como espirituais,
inteiramente isolada e livre dos "gentios". Em 1893, o Templo em Salt Lake City foi completado a um custo de três
milhões de dólares; e, por um sistema de dízimos, mais de quatro milhões de dólares são arrecadados anualmente
para fins da Igreja. Mas a crescente invasão de Utah pelos "gentios" e as relações de negócio com eles estão
resultando em grandes transformações sociais; enquanto que o espírito, bem mais crítico, da época moderna tem
reduzido firmemente o número dos que se convertem às fantásticas doutrinas de Joseph Smith e de Brigham Young.
O que são essas doutrinas religiosas veremos a seu tempo.

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Doutor em Teologia

Missionarii Sacratissimi Cordis

"Missionários do Sagrado Coração"

SEITAS ANTAGÔNICAS

Aqui deve ser notado que os Mórmons não formam um só corpo unido, pois estão divididos em diversas seitas
independentes e antagônicas.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com quartel-general em Salt Lake City, Utah, é o corpo maior,
reconhecido por mais de 2.000 congregações, principalmente em Utah e Idaho, com um total de mais de 900.000
membros.

A seguinte em grandeza é a "Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias", com quartel-general
em Independence, Missouri. Esta Igreja originou-se logo depois da morte de Joseph Smith.

Porque, quando Brigham Young foi eleito Chefe, uma minoria protestou contra a designação dele, declarando que o
filho de Joseph Smith, também chamado José, é que era o sucessor legítimo. Essa minoria, sob a chefia de Joseph
Smith Jr., erigiu-se em 1853 em Igreja independente. Seus membros, muitas vezes conhecidos como "Josefistas",
repudiam a poligamia, negam que Joseph Smith a tenha jamais ensinado, e asseveram que Brigham Young foi
responsável pela introdução da repugnante doutrina de esposas múltiplas. Mas historicamente não há a mais leve
dúvida de que o próprio Joseph Smith proclamou o direito e o dever da poligamia. A "Igreja Reorganizada de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias" pretende ser a verdadeira sucessora da corporação original, e numa disputa
sobre propriedade em 1894, conseguiu um veredito judiciário para esse fim. A "Igreja Reorganizada" tem umas 200
congregações, com 116888 membros ao todo. Outro grupo minoritário que recusou submeter-se à chefia de
Brigham Young persistiu como "A Igreja de Cristo (Lote do Templo)".

Este grupo tem o seu quartel-general em Bloomington, Illinois; e tem 2179 membros, com 50 igrejas. O estranho
título que assumiram vem da sua pretensão a uma revelação tida de Deus de que eles devem identificar um Templo
para a Nova-Jerusalém em Independence, Missouri. Eles compraram o terreno em 1867, mas a "Igreja Reorganizada
de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias" obteve posse legal da propriedade. A "Igreja de Jesus Cristo (Lote do
Templo)" ainda o reclama, e diz que tem o dever de edificar o Templo.

Um grupo ainda mais pequeno, chamando-se simplesmente "A Igreja de Jesus Cristo", é conhecido como os
"Strangistas". Este grupo foi fundado por James J. Strang em Burlington, Wisconsin, logo depois da morte de Joseph
Smith. Recusando reconhecer Brigham Young, Strang declarou que fora designado sucessor de Smith mediante
revelações divinas feitas tanto a ele mesmo como a Smith. Proclamou que a sua Igreja era a única Igreja Mórmon
verdadeira, mas o corpo associativo dela está hoje reduzido a 123 adeptos apenas!
Ainda menor é a "Igreja de Jesus Cristo (Cutleristas)", fundada em 1853 por Alpheus Cutler, um dos Mais-Velhos
originais de Smith, como resultado do que ele declarava ser uma incumbência direta de Deus. Há apenas uns 24
membros hoje em dia que ainda acreditam nessa incumbência direta.

Finalmente, há a "Igreja de Jesus Cristo (Bickertonistas)", fundada por William Bickerton, em Greenock,
Pennsylvania. Bickerton ficou sendo sectário de Brigham Young por um ano ou dois, e depois, desgostoso com a
poligamia de Brigham Young, deixou a fundação de Utah e foi para Pennsylvania a fim de ali se estabelecer por si
mesmo. A sua variedade de Mormonismo tem cerca de 1500 membros, num crescimento não muito pronunciado
desde a sua origem em 1862! Eles vivem numas trinta pequenas comunidades, cada uma com sua própria
organização como igreja.

Nenhuma dessas seitas contendentes tem melhor — ou pior — direito do que qualquer das outras a representar o
genuíno Mormonismo. E todas igualmente falham se o próprio Livro de Mórmon é uma fraude. Mas, já que nada é
bem sucedido como o sucesso, basearemos o nosso estudo das doutrinas Mórmons principalmente nas da "Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias" de Utah.

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Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (11/20)


Os Mórmons

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"Missionários do Sagrado Coração"

NOVA DISPENSAÇÃO

Joseph Smith, como vimos, cresceu num ambiente de reavivamentismo protestante, e declarou que ficava
desnorteado com as pretensões e contrapretensões das seitas colidentes. Como tantos outros antes dele, procurou
uma solução abandonando todas as outras e erigindo uma Igreja sua — assim aditando mais um rebento do
protestantismo para aumentar a confusão que o afligira inicialmente!

Mas ao menos podemos ver que o Mormonismo é inteiramente resultado dos princípios protestantes do juízo
privado operando num círculo puramente protestante. Não se pode dizer que Joseph Smith tenha rejeitado o
Catolicismo, pela simples razão de não haver ele sabido coisa alguma sobre este. O seu movimento foi uma reação
contra a confusão do Protestantismo; e ao tipo fundamentalista de Protestantismo — a única religião que ele
conhecia — foi que aditou o Livro de Mórmon e algumas revelações ulteriores que imaginava lhe terem sido
concedidas.

"No seu artigo sobre "Mormonismo", na "Encyclopaedia Britannica", Reed Smoot, ex-Senador de Utah, diz-nos que o
Mormonismo "não pretende ser uma nova religião, mas considera-se uma nova dispensação". Diz ele que tem
havido muitas dispensações concedidas por Deus de tempo em tempo, mas que a última dispensação "da plenitude
dos tempos" foi agora proclamada por meio de Joseph Smith.

As fontes da verdadeira doutrina para os Mórmons são agora:

1. As Escrituras Judaica e Cristã; isto é, o Antigo e o Novo Testamentos;

2. O Livro de Mórmon;

3. A Doutrina e os Pactos (Revelações feitas a Joseph Smith);


4. A Pérola de Grande Preço (coleção de escritos de Moisés e de Abraão não contidos na Bíblia, e outros escritos de
Joseph Smith).

Entretanto, a doutrina contida nestes documentos está sendo continuamente suplementada por novas revelações
feitas aos Mórmons, as quais só têm força obrigatória se oficialmente adotadas por uma Conferência Geral da Igreja.

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Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (12/20)


Os Mórmons

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TODAS AS OUTRAS SÃO APÓSTATAS!

As conseqüências da pretensão Mórmon para as outras Igrejas são mais propriamente drásticas. Porquanto os
Mórmons sustentam que, desde a morte do último dos Apóstolos, S. João, não houve nenhuma autoridade divina
para a administração das ordenações do evangelho. Nenhuma sucessão apostólica foi mantida. Todas as outras
Igrejas divorciariam-se do evangelho original, e todos os seus batismos e outros ritos sacramentais têm sido nulos e
inválidos. Só agora, 2000 anos depois, é que o apostolado foi restaurado em Joseph Smith. A ele foram dadas, por
direta revelação de Deus, as chaves do Reino na Nova Dispensação. E foi-lhe mandado reunir e construir a Nova-
Jerusalém na América, a fim de estar pronta para a Segunda Vinda de Cristo e para o Milênio.

Devemos fazer aqui uma pausa para fazer notar a inconsistência de professar-se continuada crença no Novo
Testamento, e depois passar-se a asseverar o fracasso da Igreja estabelecida pessoalmente por Cristo, a necessidade
de aditar à Bíblia novos livros "inspirados", e o advento de uma "nova dispensação" ordenada por Deus e dada ao
mundo por intermédio de Joseph Smith!

É impossível que a Igreja estabelecida pessoalmente por Cristo tenha fracassado. Porquanto Ele disse: "Edificarei a
minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16, 18). Se deveras cremos em Cristo, temos
de crer que as forças do mal não têm conseguido prevalecer contra a Igreja que ele estabeleceu. Mas as portas do
inferno teriam prevalecido contra ela se a Igreja inteira, em todas as épocas até a chegada de Joseph Smith,
houvesse apostatado! Se se dissesse que a promessa de Cristo não excluiu a possibilidade do fracasso por um
tempo, desde que a Igreja fosse finalmente restaurada, então que é da promessa de Cristo aos Apóstolos: "Eis que
estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos" (Mt. 28, 20)?

Além disso, toda menção de uma revelação adicional e de uma "Nova Dispensação" é inteiramente oposta ao claro
ensino do Novo Testamento. Porquanto neste nos é dito que a plenitude da revelação e dispensação absolutamente
finais para o gênero humano foi dada no próprio Cristo e por intermédio dele. Assim lemos que Deus, que em
tempos passados falou por meio dos profetas, "por último de todos, nestes tempos, nos falou por seu Filho" (Heb 1,
1-2). "Por último de todos" não deixa lugar para "posteriormente por meio de Joseph Smith".

Tratando deste assunto na parábola dos maus vinhateiros, o próprio Cristo descreve a situação dizendo que o dono
da vinha tinha enviado em vão uma série de menores mensageiros: "Tendo, porém, um filho, que lhe era muito caro,
também o enviou a eles por último de todos, dizendo: Eles respeitarão meu filho. Mas os vinhateiros disseram-se
uns aos outros: Este é o herdeiro; vamos e matemo-lo, e a herança será nossa" (Mc 12, 6-7). Não houve lugar, na
mente de Cristo, para qualquer nova dispensação a ser concedida em épocas posteriores.
Também nos é dito que o corpo inteiro da verdade revelada foi dado aos Apóstolos, para ser guardado e manejado
por eles e pelos seus sucessores, para ser pregado até os confins da terra. "Tudo quanto ouvi de meu Pai dei-vos a
conhecer" (Jo 15, 15). Cristo não disse: "Calei uma porção de coisas que serão publicadas mais tarde no Livro de
Mórmon"! A sua revelação não foi uma revelação parcial, tal como a que foi dada por intermédio dos profetas de
antanho, mas sim única e completa. E ele ordenou aos seus Apóstolos: "Ide e ensinai todas as nações... a
observarem tudo quanto eu vos mandei". E não acrescentou: "Exceto na América, onde vou aparecer aos Nefitas
depois da minha ressurreição, escolhendo dentre eles outro grupo de Apóstolos para ali estabelecerem por mim a
Igreja"!

Quanto à pretensão Mórmon de que a "plenitude dos tempos" veio somente com Joseph Smith, S. Paulo disse aos
Gálatas que a "plenitude dos tempos" já tinha vindo com o nascimento de Cristo. "Quando veio a plenitude dos
tempos", escreveu ele, "Deus enviou seu Filho, feito da mulher" (Gál 4, 4).

O nosso dever como cristãos é "pugnar ardorosamente pela fé uma vez por todas transmitida aos santos" (Judas, 3).
Isto é, manter intacta, sem alterações ou adições, as doutrinas ensinadas aos primeiros cristãos pelos Apóstolos. A
idéia Mórmon de que Cristo só deu um ensino parcial, a ser completado por Joseph Smith, é impossível para quem
quer que crê no Novo Testamento e quer merecer o nome de cristão.

Mas, se o Mormonismo fracassa na sua pretensão de ser a revelação de uma nova dispensação, ainda piores se
tornam as coisas quando nos volvemos para a sua exposição dos ensinamentos cristãos individuais que ele professa
aceitar.

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ARTIGOS DE FÉ

Uma das últimas coisas que Joseph Smith fez antes de ser morto em 1844 foi escrever um artigo para uma "História
das Denominações Religiosas nos Estados Unidos", explicando a fé da Igreja Mórmon. A sua declaração é como
segue:

CREMOS em Deus-Pai Eterno, e em seu Filho Jesus Cristo, e no Espírito Santo.

CREMOS que os homens serão punidos pelos seus próprios pecados, e não pela transgressão de Adão.

CREMOS que, mediante a expiação de Cristo, todo o gênero humano pode ser salvo, por obediência às leis e
ordenações do evangelho.

CREMOS que essas ordenações são: 1) Fé no Senhor Jesus Cristo; 2) Arrependimento; 3) Batismo por imersão para a
remissão dos pecados; 4) Imposição das mãos para o Dom do Espírito Santo.

CREMOS que um homem deve ser chamado por Deus, mediante "profecia e imposição das mãos" feita por aqueles
que estão em autoridade, para pregar o evangelho e administrar as ordenações deste.

CREMOS na mesma organização que existiu na primitiva Igreja, ou seja: apóstolos, profetas, pastores, mestres,
evangelistas, etc.
CREMOS nos dons de línguas, de profecia, de revelação, de visões, de curas, de interpretações de línguas, etc.

CREMOS que a Bíblia é a Palavra de Deus, enquanto traduzida corretamente.

CREMOS também que o livro de Mórmon é a Palavra de Deus.

CREMOS tudo o que Deus revelou, tudo o que ele não revela, e cremos que ele ainda revelará muitas coisas grandes
e importantes pertinentes ao Reino de Deus.

CREMOS na literal reunião de Israel e na restauração das dez tribos; que Sião será edificada neste Continente; que
Cristo reinará pessoalmente sobre a terra, e que a terra será renovada e atingirá a sua glória paradisíaca.

No principal, os supracitados artigos de fé são mero sumário do Protestantismo evangélico comum, com o qual
Joseph Smith já estava familiarizado, salvo quanto à exclusão dos efeitos do pecado original e à insistência sobre a
aceitação do Livro de Mórmon como Palavra de Deus igualmente à Bíblia, sobre as revelações divinas a serem ainda
dadas, e sobre o estabelecimento de Sião na América. Da poligamia, que ele já proclamara necessária, não faz
menção, para o fim de publicidade, na "História das Denominações Religiosas nos Estados Unidos".

O que entretanto precisa ser sobretudo frisado é que, enquanto na sua declaração Joseph Smith fala a língua do
Protestantismo evangélico, os Mórmons de modo algum entendem as palavras realmente em sentido protestante
ortodoxo.

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Os Mórmons

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DEUS, O HOMEM E CRISTO

Por exemplo, o primeiro artigo de Smith aparenta uma profissão de fé na doutrina cristã da SS. Trindade. Mas, na
realidade, não é nada disso. Porquanto, de acordo com os seus ensinamentos oficiais, o Mormonismo não é uma
seita cristã, mas sim politeísta, ensinando uma doutrina de muitos deuses de categoria desigual. Joseph Smith
ensinava que "o próprio Deus foi uma vez como nós somos agora, e é um homem enaltecido". Segundo Brigham
Young, a fim de criar o homem, que só podia ser feito por geração física, Deus veio a este mundo como Adão, "com
um corpo celestial, trazendo uma de suas mulheres, Eva". Adão, diz portanto ele, "é nosso Pai e nosso Deus, e o
único Deus com quem temos que ver" (Brigham Young, "Journal of Discourses" ("Jornal de Discursos"), vol. 6, p. 50).
Adão é o "único" Deus com quem temos que ver, porque acima de Adão há Jeová, e acima de Jeová, há Eloim, o
maior de todos os Deuses! Cristo, como Filho Eterno de Deus (de qual Deus, é difícil dizer), não é da mesma
substância que o Pai, enquanto que o Espírito Santo é descrito às vezes, não como uma Pessoa, mas como uma
"influência", como um "fluído divino", a mais pura e mais refinada de todas as substâncias elétricas ou magnéticas!

Verdade é que hoje em dia os Mórmons geralmente rejeitam a teoria "Adão-Deus" de Brigham Young, mas
esquecem que, consoante os seus próprios princípios, como veremos, Brigham Young, como Presidente
devidamente eleito, foi dotado de infalibilidade e não podia incidir em erro doutrinário!

E que é do homem? Aparentemente foi pecaminoso, para "Adão", gerar filhos, porque, de acordo com o Catecismo
Mórmon, ele devia ter pecado comendo o fruto proibido, do contrário "não teria aqui conhecido o bem e o mal, nem
poderia ter posteridade mortal". Todavia, os seres humanos que foram gerados, se forem bons Mórmons,
finalmente se tornarão "Deuses, criando e governando mundos e povoando-os com a sua prole" (Manual, Parte I, p.
52). O céu Mórmon é evidentemente muito diferente do céu no qual, segundo Cristo, as pessoas "nem se casarão
nem se darão em casamento" (Mt. 21, 30). Entrementes, consoante o ensino Mórmon, Deus está continuamente
criando almas que anseiam por corpos humanos. E aqueles que na terra proporcionam o maior número de corpos
para esses espíritos ansiosos serão os mais gloriosos na eternidade. Logo, a poligamia é aí obviamente indicada!

Dizem os Mórmons que, desde que eles obedeçam aos preceitos da sua religião, a sua salvação é possibilitada
mediante a Expiação operada por Cristo. Mas quem é Cristo? Os Artigos de Joseph Smith declaram que ele é o "Filho
de Deus". Porém escritores Mórmons dizem que, na encarnação, "Ele não foi gerado do Espírito Santo".
Argumentam que a concepção é impossível sem a intercorrência marital física. Foi José, então, o pai de Jesus? Não.
Porque então Cristo não seria o Filho de Deus. Por isto eles dizem que Deus-Pai veio à terra em forma humana,
tomou Maria como sua mulher legal, e das relações maritais na carne nasceu Cristo! Pior ainda, no seu "Jornal",
Orson Hyde diz que o próprio Cristo praticou a poligamia, desposando "as Marias e Marta, de modo que pudesse ver
seus filhos antes de ser crucificado"! A quem quer que tenha a mais leve compreensão disto, tais ensinamentos não
passam de uma caricatura blasfema da doutrina cristã.

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A IGREJA MÓRMON

Igualmente pasmosa é a doutrina Mórmon sobre a Igreja. É-nos dito que Cristo fundou a sua Igreja na Palestina,
escolhendo ali doze apóstolos, mas que a Igreja fracassou. Aparentemente prevenindo o fracasso foi para a América
após a sua ressurreição e escolheu outros doze apóstolos de entre os Nefitas, fundando a sua Igreja em solo
americano. Mas essa Igreja também fracassou. A única coisa a fazer era esperar pela chegada de Joseph Smith ao
cenário do mundo nos últimos dias, e obter que ele fundasse outra Igreja por Ele. Por isto o último dos profetas
Nefitas, Mórmon, deixou plenas instruções em benefício do dito Joseph Smith. Em 1830, agindo sob os
mandamentos divinos, Joseph Smith reconstruiu a Igreja Cristã, dando-lhe a mesma organização — assim
proclamava ele — que a possuída pela Igreja primitiva. E a Igreja que ele estabeleceu, a Igreja Mórmon, é a única
Igreja verdadeira no mundo hoje em dia!

Constitucionalmente, a nova Igreja tinha "apóstolos, profetas, pastores, mestres e evangelistas". Havia dois
sacerdócios, o de Melquisedec para as coisas espirituais, e o de Aarão para as coisas temporais. Todos os membros
deviam herdar os milagrosos dons de línguas, de profecia, de revelação, de visões, etc, que ocasionalmente
apareceram na Igreja primitiva.

Mas sobre a Igreja inteira a autoridade mais alta está investida num Presidente e em dois Conselheiros. Quando o
Presidente morre, a "Primeira Presidência" é dissolvida, e a autoridade fica com os doze apóstolos, que devem
eleger um sucessor.

Para o seu Presidente os Mórmons reclamam uma infalibilidade muito maior do que a infalibilidade jamais
reclamada por qualquer Papa na Igreja Católica. Escrevendo na "Encyclopaedia Britannica" sobre o "Mormonismo",
Reed Smoot, ex-Senador por Utah, diz: "Só há um único homem na terra de cada vez... que possa receber revelação
para a direção da Igreja, e esse homem é o Presidente da Igreja, Profeta de Deus, Vidente e Revelador e interlocutor.
A sua palavra oficial, quando falando em nome do Senhor, a Igreja deve recebê-la como da própria boca de Deus".

Comparada com esta, quão mais moderada é a pretensão católica de que o Papa deve contar, não com qualquer
revelação divina, nem mesmo com inspiração divina, mas somente com a assistência divina para salvaguardá-lo de
erro quando ele define doutrina cristã para a proteção da fé apostólica contra interpretações heréticas!

Tal é, pois, a Igreja que os Mórmons sustentam ser a única Igreja do Deus Vivo, sendo todas as outras umas
abominações amaldiçoadas.

No tocante aos Sacramentos, os Mórmons seguem a usual tradição protestante de dois, o Batismo e a Ceia do
Senhor. Dos Batistas eles tiraram a doutrina de que o Batismo deve ser por imersão (coisa para a qual não há
garantia na Escritura), e ensinam que o rito é absolutamente necessário para a salvação. Uma vez que também
ensinam que todos os batismos administrados desde a morte do último dos Apóstolos até o advento da Igreja deles
foram nulos e inválidos, eles sentiram que tinham de achar algum meio de evitar uma condenação assim em grosso
de todas as precedentes gerações de cristãos. Por isto introduziram proxi-batismos para os mortos.

Mórmons caridosos podem tomar nos lábios os nomes de pessoas mortas e ser batizados em favor delas! Se,
tomando isto a sério, todos os Mórmons fossem gente totalmente desinteressada e levassem a vida inteira, desde a
infância até a extrema velhice, sem fazer outra coisa senão receber proxi-batismo pelos mortos, a custo eles fariam
uma apreciável impressão sobre o vasto número de cristãos anteriores que viveram e morreram durante os dois mil
anos passados! Mas todos os proxi-batismos no mundo não podem adiantar para aqueles que já sofreram o seu
julgamento por Deus. A doutrina é completamente não-escriturística à parte o seu absurdo.

Adotando a condenação "Adventista do Sétimo Dia" ao álcool em todas as suas formas, os Mórmons celebram até
mesmo a Ceia do Senhor com água em vez de com vinho. E, além do uso privado de álcool, o uso de chá, café e fumo
também é fortemente combatido.

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POLIGAMIA

Estranhamente oposta a esta atitude ascética era a teoria e prática Mórmon da poligamia. Joseph Smith proclamava
que a necessidade da poligamia lhe fora primeiramente revelada em 1831, quase um ano depois de haver ele
fundado a Igreja. Aparentemente foi-lhe ela revelada como uma espécie de pensamento segundo, que fora
descurado na primeira excitação de pôr a nova Igreja em andamento.

De qualquer forma, foi em 1831 que pela primeira vez ele começou a falar de uniões adicionais como casamentos
celestes, e citou em justificação delas o exemplo dos patriarcas de antanho. Quando sua mulher Emma fez objeção
ao fato de trazer ele para casa outras mulheres para participarem dele com ela, Joseph prontamente teve uma
revelação para acalmar os seus escrúpulos. Em "Doutrina e Pactos", n. 52, seção 132, ele faz Deus dizer: "E receba
minha serva Emma Smith todas aquelas que foram dadas ao meu servo Joseph, e que são virtuosas e puras diante de
mim".
Já notamos a doutrina Mórmon das almas criadas que esperam ansiosamente por corpos humanos, somente por
meio dos quais podem elas alcançar a eterna bem-aventurança como deuses. Portanto, quanto mais mulheres os
homens tiverem, e quanto mais filhos, tanto maior será a sua glória. De fato, casamentos múltiplos são necessários
para a própria salvação da pessoa!

Que, teoricamente ao menos, os Mórmons acreditam que a poligamia é necessária para a salvação, não é um
exagero. Quando o Governo dos Estados Unidos começou a dar passos para proibir a poligamia, a Primeira
Presidência da Igreja Mórmon publicou uma proclamação, em 1885, dizendo: "Mais de quarenta anos atrás, o
Senhor revelou à sua Igreja o princípio dos casamentos celestiais... Quem haveria de supor que qualquer homem
nesta terra de liberdade religiosa teria a presunção de dizer ao seu semelhante que ele não tinha direito de adotar
medidas por ele julgadas necessárias para escapar à condenação?"

Joseph Smith proclamou publicamente a lei da poligamia em Nauvoo em 1841; e a mesma lei Mórmon foi de novo
publicamente proclamada sob Brigham Young por um Concílio da Igreja em 1852. Entretanto, quando, a 24 de
setembro de 1890, o Governo dos Estados Unidos proibiu absolutamente a poligamia até mesmo entre os Mórmons,
eles concordaram em abster-se dela na prática. Mas nunca a repudiaram em princípio. Dizem que Deus dispensa da
necessidade dela os que não podem praticá-la no seu tempo.

É simplesmente justo aqui dizer que a "Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias" repudia a
acusação de haver Joseph Smith ensinado e praticado a poligamia, dizendo que Brigham Young foi quem a
introduziu, assim se divorciando da verdadeira fé conforme ensinada por Joseph Smith. Mas os Mórmons de Utah
insistem em que Joseph Smith teve uma revelação em favor da poligamia, e que tanto a ensinou como praticou. E a
evidência, sem dúvida, está do lado destes.

Por isto a Igreja Mórmon julga de seu dever ir avante durante estes "últimos dias da plenitude dos tempos", em
preparação para a iminente Segunda Vinda de Cristo (doutrina haurida dos Milleristas) e para o estabelecimento do
Reino Milenar de Cristo sobre o mundo inteiro, com seu quartel-general na América.

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"Missionários do Sagrado Coração"

ZELO MISSIONÁRIO

É quase incrível o zelo missionário com que os Mórmons têm procurado propagar as suas doutrinas. Já desde 1837,
muito tempo antes da emigração de Nauvoo para o Grande Lago Salgado, missionários foram enviados à Inglaterra.
Ali distribuíram milhares de folhetos e fizeram tantos convertidos, que tiveram de estabelecer uma agência de
navegação para auxiliar na obra de "reunir Israel à Terra de Sião". O primeiro grupo migratório fez-se de vela para
Nauvoo em junho de 1840. Por volta de 1851 os Mórmons tinham para mais de 50000 convertidos na Inglaterra, dos
quais 17000 emigraram para a então estabelecida Cidade do Lago Salgado.

Em anos mais recentes, novo ímpeto foi dado ao movimento missionário pelo número grandemente crescente de
outros Americanos que haviam invadido o Estado de Utah. Novos convertidos eram necessários para equilibrar o
voto; e entre as duas guerras mundiais toda sorte de aliciantes eram apresentados aos emigrantes que estivessem
desejosos de se fazer "Santos dos Últimos Dias" e transferir-se para Utah e compartilhar a prosperidade Mórmon.
Embora os resultados já não sejam espetaculares, o zelo missionário não diminuiu; ou, antes, o sistema de enviar
missionários a todas as partes do mundo ainda é mantido. A maioria dos Mórmons jovens espera-se que façam um
aprendizado missionário de dois ou três anos no estrangeiro antes de tomarem o seu lugar no mundo de negócios.
Assim, por volta dos vinte e um ou vinte e dois anos de idade, eles vão aos pares para qualquer país que lhes seja
designado.

Os Mórmons de Utah têm para mais de 2000 desses missionários no campo; a "Igreja Reorganizada", cerca de 200.
Porém a maioria desses missionários têm o olho nas perspectivas dos seus negócios futuros, mais do que nas almas.
Jovens, profissionalmente mal preparados, e ignorantes das condições reinantes em outras terras, para não falar das
línguas estrangeiras, eles não podem esperar fazer muitos com vertidos. E hoje o mundo é mais sofisticado do que o
era na época de Joseph Smith.

Todavia, é essa toda a experiência; e, admitindo essa ineficiência, os Mórmons dizem que o próprio dever de
argumentar com todos e diversos em favor da sua Igreja faz os jovens voltarem confirmados na sua lealdade a esta.
Se isto fosse verdade, só se poderia concluir é que um partidarismo cego supre nos jovens missionários a falta de
conhecimento do Cristianismo, e, muitas vezes, até mesmo do seu próprio Mormonismo.

Muita coisa contida neste livrinho sobre a sua religião seria uma revelação para muitos deles; porque eles não
conhecem nem a sua própria história como ela realmente é, nem como são caóticos os seus próprios ensinamentos
religiosos.

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Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (18/20)


Os Mórmons

ou

"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.

Doutor em Teologia

Missionarii Sacratissimi Cordis

"Missionários do Sagrado Coração"

NO BRASIL

No Natal de 1925, em Buenos Aires, Melvin J. Ballard, do Conselho dos Doze Apóstolos, deu ordem de "missionar" a
América do Sul. De Buenos Aires partiram os missionários para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina,
adquirindo, depois, uma propriedade em Joinville, onde se construiu uma capela.

Mais foi em 25 de maio de 1935 que o presidente Howells, em Joinville, anunciou a organização da Missão Brasileira,
independente da Missão Sul-Americana, sendo essa data considerada como início das atividades da Missão
Brasileira. Depois o escritório central transferiu-se para São Paulo.

A segunda guerra mundial fez regressar os missionários para os E.U.A., o que afetou a Missão, confiada, nessa
emergência, a membros locais. Mas já em 1946 retornaram os missionários, sempre em número crescente. Entre
nós os Mórmons usam, como meio de proselitismo, visitas domiciliares frequentes. Basta uma pessoa da família
mostrar algum interesse pelos missionários ou por sua doutrina, que não deixarão mais em paz esta casa, com suas
reiteradas e prolongadas visitas, até a impertinência. Usam também o ensino gratuito do inglês, e clubes de
conversão, as festas e os bailes, a música e o esporte, principalmente o basquete. Grande atração exercem também
as bolsas de estudos nas suas Universidades dos E.U.A., que prometem aos membros da Missão Estrangeira.

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Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (19/20)
Os Mórmons

ou

"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.

Doutor em Teologia

Missionarii Sacratissimi Cordis

"Missionários do Sagrado Coração"

ÚNICO VEREDITO POSSÍVEL

Qual é, pois, a verdade sobre o Mormonismo? Pode-se chegar a qualquer outra conclusão que não seja a de que ele
é uma religião substituta, de feitura humana, inteiramente inconciliável com o genuíno Cristianismo? Joseph Smith
certamente foi um impostor, e de forma alguma era o tipo de homem que Deus escolheria para a missão profética
qual ele pretendia ser a sua.

A Lenda das Lâminas de Ouro é uma invenção evidente. Os próprios Mórmons envergonham-se dela e por ela se
desculpam. O Livro de Mórmon está pejado de fatos errôneos, de história errônea, de moral errônea, e de errôneos
modos de ver a religião e a vida.

Os ensinamentos de Joseph Smith, de Brigham Young e de outros autorizados escritores sobre doutrina Mórmon,
embora usando termos cristãos, pervertem-lhes totalmente o significado, e oferecem um ensino tão distante quanto
possível da verdade cristã. Brigham Young não hesitou em escrever: "Todo espírito que confessa que Joseph é um
profeta, e que o Livro de Mórmon é verdadeiro, é de Deus; e todo espírito que não faz isso é do Anticristo". Em
ouvidos verdadeiramente cristãos tal abuso e distorção da Escritura não se fazem sem blasfêmia.

E sempre persiste o imoral ensinamento que justifica a poligamia. Se os Mórmons o têm abandonado na prática, tem
sido só por serem a isso compelidos pela lei civil. Se premidos, dirão que ainda crêem nele, embora não o pratiquem
sob as circunstâncias presentes. Mas o fato de haver ele sido alguma vez ensinado e praticado seria suficiente para
condenar o Mormonismo como inteiramente oposto à religião de Cristo.

Mas, dir-nos-ão, devemos explicar o seu êxito. E isso é tão difícil? Certamente simples fatores naturais podem
explicá-lo. Nos estágios iniciais, o assassínio de Joseph Smith deu a este a auréola do martírio. Na sua excitação, os
sectários dele perderam de vista que, não motivos religiosos, mas sim o que com razão foi considerado conduta
social vergonhosa, agravada pela má reputação que ele granjeara para si mesmo, é que foi a causa da morte dele. E,
quando Brigham Young, homem de energia indomável e de vontade de aço, tomou o encargo deles, eles foram
simplesmente prontíssimos em assentir aos seus planos.

Ardilosamente Brigham Young levou-os para Utah antes da incorporação deste como um dos Estados Unidos, e ali
governou, como chefe da Igreja e do Estado, por trinta anos. Ali, onde outros não podiam alcançá-los, e onde não
havia escapatória para os pusilânimes, os Mórmons puderam medrar. Acaso não é significativo que as outras e
menores seitas Mórmons, descritas anteriormente neste livrinho, perdendo as vantagens que a Igreja de Utah
ganhou pela sua migração, tenham feito pouco ou nenhum progresso durante o mesmo período de tempo? E
mesmo em Utah, agora que as ferrovias lhe trouxeram um grande afluxo de outros Americanos, tem-se verificado
uma parada no crescimento do Mormonismo ali. Se ele tem sobrevivido com a vitalidade que tem conservado, isto
se deve ao vigoroso arranco a ele dado por Brigham Young, à sólida base material sobre a qual o estabeleceu, e ao
fato de ser ele sustentado ao mesmo tempo pela forte organização hierárquica de que Young o proveu. Mas, à
medida que a credulidade míngua, o Mormonismo vai achando cada vez mais difícil resguardar do declínio o seu
espírito.

A história inteira do movimento, um entre tantos outros que surgiram na primeira metade do século dezenove,
prova apenas que os seres humanos são tão incuravelmente religiosos que, se não obtêm a religião certa, ou
inventarão uma errada para si mesmos, ou se apegarão a uma que lhes seja proposta com entusiasmo pelos outros.
Joseph Smith, como vimos, não tinha a religião certa. Nunca conheceu o Catolicismo. E, espantado com a confusão
das seitas protestantes à volta de si, simplesmente aumentou a confusão inventando ainda outra religião sua, com o
auxílio do pregador reavivamentista Sidney Rigdon. Não era desse modo que a paz devia ser achada, ou para ele
mesmo ou para os seus seguidores.

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Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (20/20)


Os Mórmons

ou

"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.

Doutor em Teologia

Missionarii Sacratissimi Cordis

"Missionários do Sagrado Coração"

VERDADEIRO PORTO DA PAZ

O único caminho real para a verdadeira paz — e falo como alguém que trilhou esse caminho, saindo da verdadeira
confusão do Protestantismo que tantas vezes mencionei no correr deste livrinho, — é aquele que leva de volta à
Igreja Católica, à calma e à quietude da Antiga Fé.

Se temos alguma crença real em Jesus Cristo e na sua divindade; se cremos que Ele detém a verdadeira chave para o
mistério da vida humana; se cremos que só Ele pode controlar os corações e vontades impertinentes dos homens; se
cremos que as suas doutrinas são autorizadas e que somente sobre elas é que as vidas mais altas e mais nobres
foram construídas no passado e podem ser construídas no futuro; se queremos toda a certeza da verdade e todos os
meios de graça que Ele pretendeu que possuíssemos, — então volvamos a nossa atenção para a Igreja Una, Santa,
Católica e Apostólica.

Essa Igreja, que hoje conta para mais de 400.000.000 de cristãos de todas as nações na face da terra, foi fundada
pessoalmente por Jesus Cristo. Essa Igreja foi por ele incumbida de ensinar todas as nações em seu nome. Contra
essa Igreja ele prometeu que as portas do inferno, ou as forças do mal, nunca prevaleceriam. E a essa Igreja ele
prometeu a sua presença e proteção permanente até o fim dos tempos. E essas são as pretensões dessa Igreja, as
quais ninguém tem o direito de passar por alto.

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155ª Nota - A Bíblia é necessária?


Os próprios apologistas católicos acentuaram o fato de que, mesmo que a Bíblia subitamente desaparecesse da
terra, por efeito de alguma grande calamidade, isso não afetaria uma só doutrina da Igreja Católica, nem poria em
risco a sua existência. Deve ser notado que, na estimativa dos católicos, semelhante perda seria uma grande
calamidade. Eles consideram a posse da Bíblia como uma grandíssima bênção. Mas, ao mesmo tempo, declaram que
a Bíblia não é necessária à existência da Igreja Católica ou à continuidade da sua missão junto à humanidade.

Desde o começo poderíamos ser lembrados, de que, se a Bíblia não desapareceu da face da terra, devemo-la à Igreja
Católica; porque foi ela quem a preservou em forma manuscrita no correr dos primeiros séculos. Porém aspecto
muito mais importante do assunto deve ser aqui considerado.

A real afirmação em discussão é de todo evidentemente verdadeira; porque a Igreja Católica existiu antes que uma
linha sequer do Novo Testamento tivesse sido escrita; e, se ela pode existir então, sem dúvida poderia existir e ter
continuado existindo se nem uma linha dos evangelhos e do resto do Novo Testamento houvesse sido jamais
confiada à escrita.

Devemos lembrar-nos de que as tremendas notícias do nascimento de Nosso Salvador e da realização, por ele, da
nossa redenção foram tornadas conhecidas desde o começo pela pregação dos Apóstolos; e, certamente, aos três
mil convertidos pelo primeiro sermão de São Pedro em Jerusalém não foram dados Novos Testamentos! Nos Atos
dos Apóstolos, escritos cerca de sessenta e três anos depois do nascimento de Cristo, temos editada a observação de
que, quando São Pedro tinha completado o seu primeiro discurso em público, “o Senhor fazia crescer diariamente na
Igreja o número dos que haviam de ser salvos” (At. 2, 47). E já vimos a afirmação, num versículo anterior, de que os
primeiros cristãos “perseveravam todos na doutrina dos Apóstolos” (At. 2, 42). Assim, a Igreja existia então, embora
nem uma linha do Novo Testamento houvesse sido ainda escrita. E, no entanto, aqueles primeiros membros da
Igreja eram tão cristãos como os dos séculos posteriores que tiveram a boa fortuna de possuir cópias dos
evangelhos.

(Excerto de “A Teoria de ‘A Bíblia somente’”, Padre Dr. L. Rumble, MSC)

A imortalidade da alma
PUBLICAÇÃO DO SECRETARIADO NACIONAL DE DEFESA DA FÉ

A Imortalidade da Alma

VOZES EM DEFESA DA FÉ

CADERNO 31

PE. DR. L. RUMBLE, M. S. C.

A Imortalidade da Alma

RESPOSTA AOS RACIONALISTAS, TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E ADVENTISTAS

IMPRIMATUR POR COMISSÃO ESPECIAL DO EXMO. E REVMO. SR. DOM MANUEL PEDRO DA CUNHA CINTRA, BISPO
DE PETRÓPOLIS. FREI DESIDÉRIO · KALVERKAMP, O. F. M. PETRÓPOLIS, 15-IV-I959.

A IMORTALIDADE DA ALMA

Há quase uma geração, o filósofo C. E. M. joad, então professando um agnosticismo a que mais tarde renunciou,
declarou que nunca os homens foram menos religiosos, mas também nunca foram mais infelizes, enquanto a taxa de
suicídios era anormalmente alta.

Haja ou não haja sinais de um retorno à religião como dizem alguns observadores, haja ou não haja felicidade mais
geral e um declínio no número dos suicídios, os jornais mantêm-nos dolorosamente cônscios de que muitos ainda
procuram pôr fim - como pensam - aos seus atropelos, mediante uma morte auto infligida. Dificilmente se passa
uma semana sem um triste parágrafo na imprensa dizendo de alguém que "se atirou da janela de um sétimo andar'',
ou foi achado morto "num carro fechado", ou não acordou de "uma superdose de pílulas soporíferas", ou foi achado
sem vida no seu escritório, com um revólver ao lado de uma nota dizendo que "não tinha razão nenhuma para viver”
e, portanto, decidira "dar cabo de tudo".

Seria um engano concluir que as vítimas desses trágicos acontecimentos não tinham crença numa vida futura.
Porquanto, mesmo que não fosse questão de deficiência mental crônica ou de loucura temporária, a concentração
sobre os atropelos e ansiedades poderia resultar em completa inadvertência para qualquer pensamento exceto o de
escapar das dificuldades presentes, deixando o futuro cuidar de si mesmo.

Porém outras pessoas, normais, equilibradas e refletidas, persistem com o problema de saber o que é feito
atualmente dessa gente transviada que ficou obsessa unicamente com o pensamento de pôr termo à sua existência
neste mundo. Passou ela ao puro nada? Ou ainda é ela mesma, conhecendo as coisas, querendo coisas em algum
lugar, capaz de ser feliz ou desgraçada numa vida continuada sob condições diversas que experimentamos deste
lado do túmulo? Assim volta a pergunta que os homens sempre se têm feito e sempre se farão em qualquer época:
A alma humana é imortal por sua própria natureza? Sobrevive à morte do corpo? Ou a morte é o fim?

CONFUSÃO MODERNA

Há - e são poucos - os que respondem que esta única vida terrena é tudo o que temos. Alguns negam a existência de
uma alma realmente distinta do corpo; outros, embora concedendo a realidade da alma, insistem em que ela parece
com o corpo. Mas a vasta maioria dos seres humanos não compartilham esses modos de ver. Muitos deles estão
convencidos de que isso a que chamamos morte não é o fim. Mesmo · aqueles que carecem dessa certeza definitiva
relutam muito em abandonar inteiramente o pensamento da sobrevivência da alma. Por isto refugiam-se em
generalidades vagas, dizendo que pessoas enlutadas "podem ser confortadas pelo pensamento de que neste
universo nada morre"; ou de que nós "continuamos a viver nas vidas das gerações futuras"; ou mesmo de que "parte
da personalidade do homem sobrevive nas suas obras".

Por certo, esses pronunciamentos patéticos não são somente inadequados, são positivamente falsos. Nenhuma
"parte da personalidade do homem sobrevive nas suas obras". Estas últimas podem prolongar-se neste mundo como
uma lembrança dele para outros que se dão conta de que elas foram realização dele. Pelo seu caráter, podem elas
refletir os dons particulares dele no campo da ciência, da arte, da literatura, da música ou da filantropia. Por outras
palavras, elas perpetuam a memória da personalidade dele entre os homens. Porém a memória que as pessoas têm
da personalidade de outro homem não é a personalidade do próprio homem, nem parte dela. Nem tão pouco a
personalidade e a imortalidade de alguém, em qualquer sentido da palavra, continuariam a viver nas "vidas das
gerações futuras". As vidas das gerações futuras são próprias destas, e não as vidas dos seus predecessores. Tão
seguramente como nós desta geração existimos agora, enquanto eles ainda são como inexistentes, assim também
eles terão a sua própria existência separada quando houvermos saído deste cenário terreno. Quanto a confortar as
pessoas enlutadas com o pensamento de que "neste universo nada morre'', esta inverdade óbvia ainda não enxugou
uma só lágrima. A morte é um fato, e sabemo-lo. A vegetação morre. Os animais morrem. Os seres humanos
morrem. E' um absurdo dizer que neste universo nada morre; nem podem as pessoas enlutadas ser confortadas por
semelhante pensamento. Somente quando podemos ir a uma filha desolada que acabou de perder sua mãe, e dizer-
lhe que o eu real daquela querida mãe, cuja nobre -mente ela compartilhou, cujo amor tanto significava para ela,
cuja virtude e radiante personalidade, com todo o seu altruísmo, era a verdadeira luz da sua vida - somente quando
podemos ir e assegurar a essa filha que sua amada mãe não encontrou a sorte da vegetação insensível ou dos
animais irracionais, só então é que podemos esperar confortá-la. Pondo de lado todos os subterfúgios, encarecemos,
portanto, a questão de saber se a sobrevivência pessoal é ou não é uma realidade efetiva. É ou não é verdade que a
alma humana individual é imortal?

O HOMEM TEM UMA ALMA?

Vimos que há quem procure encurtar toda a discussão negando que haja no homem qualquer coisa tal como uma
alma distinta do corpo. Para essas pessoas, o homem é meramente corpo; e a morte é apenas uma incapacidade
desse corpo para continuar funcionando, devido à desorganização das suas células. Mas isto nada resolve. Porque
nos deixa a braços com o problema de sabermos que princípio organizador era esse, e o que sucedeu com ele para
que não mais pudesse ser operante.

O Professor Hans Driesch, escrevendo como cientista e como filósofo, e abstraindo totalmente de considerações
religiosas, formula o problema claramente como segue:

"O efeito empírico da morte é uma certa mudança com respeito à matéria de um corpo orgânico. Esse corpo foi um
"corpo vivo"; agora torna-se .um "cadáver". E o cadáver obedece a leis puramente mecânicas com respeito a todas
as suas mudanças; já não é mais um "organismo", não há nele "comportamento'', mas simplesmente "mudança".
Assim, alguma coisa desapareceu que tinha sido presente e ativa antes. E a vitalidade mostrou que essa alguma
coisa não é uma mera peculiaridade de estrutura material. Um "ens" particular se foi, o qual antes estivera operando
com uma matéria do corpo em questão. Haja ou não haja quaisquer "causae occasionales" materiais de morte, o
resultado desta é, em qualquer caso, a separação desse "ens" da matéria do corpo. E para onde foi esse "ens"
imaterial? ("The Science andPhilosophyoftheOrganism'', "A Ciência e a Filosofia do Organismo'', p. 334).
Pondo de lado, por enquanto, todo esclarecimento adicional feito conhecido a nós pela revelação divina, a solução
desse problema só pode ser obtida por uma análise racional de todas as atividades da alma humana, principalmente
das de caráter intelectual e moral.

Recusar o esforço mental necessário para tal exame do assunto é ficar ao rés-do-chão de um materialismo
inteiramente inadequado e irracional, evitando o esforço para subir aos níveis mais altos da inteligência, onde se
pretende que a razão humana acha o seu verdadeiro lar.

A palavra latina correspondente à alma é "anima" e a alma é definida como sendo o princípio animador do
organismo vivo. A inspiração do oxigênio pela respiração, e a tomada de alimento pela comida e bebida são
condições da existência continuada do organismo; mas a alma é o princípio de vida dele. Sem a alma a vida não é
possível.

Tenhamos em mente o que disse o Professor Driesch - que um corpo morto não é um organismo. A despeito das
aparências, ele não é a mesma coisa que um corpo vivo. Um cadáver pode preservar por um tempo a sua aparência
externa; mas, se a alma se separou de um corpo humano, esse princípio unificador do corpo retirou-se. O corpo
morto não tem verdadeira unidade, nem coordenação de funções em demanda de um objetivo ou fim comum. É
somente um agregado de substâncias materiais mais ou menos complexas, já em curso de decomposição. É uma
unidade real somente nos nossos pensamentos. Na realidade, é apenas uma coleção de partículas inanimadas de
matéria, já a caminho da dissolução.

Enquanto vivos, alguns organismos são sensíveis; outros não o são. Não falamos das manifestações sensitivas de um
vegetal. Os animais, entretanto, têm o poder de sensação. Assim também o homem. Mas além desse poder, o
homem é dotado de razão. Nenhum simples animal poderia exprimir esses pensamentos sobre o assunto, ou
entendê-los. Mostrada a ele esta página, ele veria nela apenas sinais, não achando nestes quaisquer significados
inteligíveis. Porém o homem é mais do que um simples animal, e por causa da sua alma é que ele é de um tipo mais
alto do que o possuído pelos animais brutos. Como veremos depois, o homem é um ser criado que consiste num
corpo material sensível e numa alma imaterial ou espiritual e inteligente - alma imortal por sua própria natureza e
incapaz de perecer com o corpo.

Dizem os materialistas - e é uma presunção para a qual não oferecem prova - que, quando o corpo morre, a alma
inteligente do homem não mais pode exprimir-se, e, portanto, passa ao esquecimento com o corpo. Mas falar da
alma como "já não sendo capaz ' de se exprimir" é atribuir-lhe uma realidade em seu próprio direito. Se se sustenta
que essa alma, como um agente, se exprimia através do corpo como um instrumento, então logicamente não se
pode dizer mais do que, quando o corpo morre, a alma já não pode exprimir-se por meio desse corpo. Saltar daí para
a conclusão de que, portanto, a alma "passa ao esquecimento com o corpo" é ir além de qualquer evidência
admissível.

Pensando assim, H. G. Wells sustentou a posição tipicamente materialista de que isso a que chamamos a nossa
personalidade é meramente uma série de estados mutáveis de consciência, e que a morte significa reabsorção para
dentro do universo inconsciente, pondo fim a todos os sonhos individuais e pessoais. Mas, se há coisa certa, é que a
nossa personalidade não é meramente uma série de estados mutáveis de consciência. Nem poderíamos mesmo
conhecer que temos estados mutáveis de consciência se não houvesse um "eu" permanente cônscio de que eles
estavam mudando. Há um "EGO" ou "EU" permanente que tem os vários estados de consciência, que os segura
juntos e os relaciona uns com os outros. Um argumento que desdenhe este fato é sem valor. Cada alma humana
sobreviverá à morte individualmente e pessoalmente; e é mero senso comum o viver à luz dês de fato.

ATIVIDADES INTELECTUAIS

Acaso a nossa posição é uma presunção, para a qual nenhuma prova pode ser oferecida? Detenhamo-nos sobre o
fato da inteligência, pela qual o homem se distingue dos animais meramente sensitivos.

É um fato objetivamente evidente que os seres humanos pensam. Lendo um livro, eles não veemsomente com seus
olhos uma série de sinais escritos. Têm outro poder distinto que os habilita a verem um sentido e um significado nas
palavras, e a refletirem sobreele. Esse é o poder do pensamento, do qual o organismo meramente material não é
capaz. Porquanto o conhecimento intelectual, como oposto ao conhecimento sensitivo, não é material, e sim
espiritual. E uma atividade imaterial exige um princípio imaterial responsável por ela.

Esse princípio imaterial no homem é a alma; e, sendo imaterial, difere, em espécie, do corpo material. Enquanto o
corpo material é corruptível, a alma imaterial e espiritual é, por sua própria natureza, incorruptível ou imortal.

A reflexão sobre nós mesmos mostra-nos que exercemos atividades que exigem um poder imaterial ou espiritual
dentro de nós, poder pertencente a uma alma que não é coisa composta, capaz de se desintegrar e de se corromper,
mas que deve ser tão simples, inorgânica e espiritual como o próprio pensamento. Quer gostemos da perspectiva
quer não, a alma, por pura necessidade, deve continuar vivendo após a morte.

TENDÊNCIAS INATAS

Se a alma é, por sua própria natureza, imortal, deve haver, em harmonia com essa natureza, um desejo inato de
sobrevivência. E esse desejo inato existe. Estar sem ele não seria normal, mas anormal. A única dúvida que aqui
poderia surgir é sobre se algum sólido argumento pode ser baseado nas nossas inclinações. Pensamento de desejo,
dir-nos-ão, não dá em nada. Contudo, seguramente há uma imensa diferença entre inclinações incitadas pelos
nossos desejos, e inclinações que existem independentemente dos nossos desejos e que apenas sucede estarem em
concordância com eles. O que devemos fazer é estudar as inclinações em si mesmas.

Quando nos achamos dotados pela natureza de certas inclinações tendentes naturalmente para um objeto dado,
inclinações que não nos demos a nós mesmos, e que homens que julgam de seu interesse fazê-lo têm de lutar para
suprimir, estamos justificados em basear um argumento sobre elas. Se todos os nossos pensamentos seguem um só
caminho, se temos necessidades, desejos, alvos e aspirações inatas para um certo objeto, podemos estar certos de
que tal objeto existe.

Dotaria Deus o homem do sentido da audição, sem dar, no entanto, a qualquer coisa o poder de produzir um simples
som? A tendência inteira do ouvido seria ouvir, e, no entanto, ele nunca o faria por faltar o seu objeto
complementar, o som. Toda tendência natural tem seu objeto. Deus nos deu olhos e a inclinação para ver. É
inconcebível que ele nos houvesse dado olhos e no entanto nunca houvesse criado a luz, habilitando-nos a satisfazer
essa inclinação. Assim, a arraigada inclinação para a imortalidade implica a existência desta. A inclinação,
profundamente arraigada em todos os homens normais, não pode deixar de corresponder a alguma coisa.

Na verdade, nós não deveríamos ajustar as nossas convicções a disposições de ânimo transitórias, crendo aquilo que
no momento é agradável de crer. Mas o pensamento da imortalidade não é necessariamente um pensamento
agradável. Acarreta um senso de grave responsabilidade e o temor de um possível desastre eterno. Por esta razão,
há pessoas que preferiam muito que ela não fosse verdade. Se ela for verdade, elas terão ou de mudar de vida ou de
topar com uma desdita que não ousam contemplar. Por isto elas põem de lado pensamentos de uma outra vida na
qual terão de responder pela sua conduta na vida presente, e fazem-no por não quererem mudar de vida e negam
crer na imortalidade. Mas são as únicas vítimas do seu pensamento de desejos.

SE HOUVESSE JUSTIÇA!

A ideia de justiça constitui uma eficaz linha de pensamento em seu próprio direito. É um conceito ao qual o homem
não pode escapar todo o tempo, por mais bem-sucedido que seja em recusar advertência a ele em dados períodos
durante a vida. Nós não podemos apartar-nos da convicção de haver coisa tal como a justiça.

Nós todos distinguimos entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, embora divirjamos quanto àquilo que
precisamente é certo e bom, ou errado e mau, em dados casos. E a nossa razão recusa-se a admitir que realmente
possa ser melhor escolher e fazer o mal do que escolher e fazer o bem.

Todavia, o bem e o mal não estão equilibrados nesta vida. Pessoas boas muitas vezes sofrem, enquanto que as más
muitas vezes são bem-sucedidas. Se não há vida futura, a gente má tem somente que ser suficientemente cuidadosa
para evitar ser pegada pelos agentes da justiça humana, e vê-se livre dela para sempre! A razão revolta-se contra tal
proposição. Pode um homem escapar de responder por seus crimes nesta vida, mas certamente responderá por eles
na outra. Há uma vida futura, e a alma é imortal.

HUMANIDADE NÃO LOGRADA

Frequentemente se diz que há uma segurança no número. Isto pode ser aplicado, em sentido mui verdadeiro, ao
presente problema. Porquanto é um fato notável que a crença na sobrevivência da alma após a morte do corpo
tenha sido a convicção mais difundida do gênero humano em todas as épocas, desde os tempos mais primitivos.

Sir James Prazer, destacada autoridade sobre este assunto, diz:

"Entre as raças selvagens, uma vida após a morte não é matéria de especulação e de conjectura, de esperança ou de
medo; é uma certeza prática, da qual o indivíduo pensa tão pouco em duvidar como duvida da realidade da sua
existência consciente. Ele presume-a sem investigação e age com base nela sem hesitação, como se ela fosse uma
das mais bem comprovadas dentro dos limites da experiência humana" ("Belief in Immortality'', "Crença na
Imortalidade'', p. 468).

Como devemos explicar o fato de a convicção geral entre todos os povos ter sido sempre que a alma humana é
imortal? Em estrita lógica, pode-se dizer que provar que a imortalidade sempre foi a opinião geral da raça humana
inteira é provar somente que os homens sempre pensaram desse modo, e não que pensaram corretamente. Mas o
problema é explicar o fato de haverem eles tão natural e espontaneamente alimentado semelhante crença.

Não é fácil sustentar que desde o começo o gênero humano inteiro tenha laborado em ilusão nessa matéria. E a
explicação mais razoável é que, por intuição, o homem sempre se deu conta da natureza imperecível do seu espírito
ou de sua alma.

Com o progresso da civilização e da cultura, o poder da inteligência humana dedicou-se à análise da arraigada
propensão do homem para pensar de si mesmo como sendo incapaz de cessar totalmente de existir; e os filósofos
de todas as nações e de todas as religiões têm arrolado as várias razões pelas quais a alma deve diferir, tanto em
natureza como em destino, do corpo material. Essas razões podem parecer mais convincentes a muitos, hoje em dia,
do que o simples fato do consenso universal da humanidade; mas esse fato em si mesmo não é sem peso como
confirmação da verdade de que a alma humana continua a viver após a morte do corpo.

REVELAÇÃO DIVINA

Portanto, a razão natural sozinha, sem o auxílio da revelação divina, proveu a humanidade de fundamentos mais do
que suficientes para a crença na imortalidade da alma. Mas tanto judeus como cristãos têm, ademais do fato de que
com a morte não acaba tudo, a segurança, imensuravelmente mais impressionante, a eles dada pelo ensino positivo
de Deus revelado na Sagrada Escritura. Aquele que nos fez nos diz que as nossas almas são imortais, e que há um
destino esperando-nos para além deste mundo.

O próprio Cristo, tanto como os judeus a quem ele falava, tomaram como concedida a verdade natural de que a
alma é distinta do corpo e diferente deste em natureza. Quando Cristo disse aos judeus: "Não temais os que podem
matar o corpo mas não podem matar a alma"(Mt 10, 28), não houve protestos, da parte dos circunstantes, de que
matar o corpo era matar a alma, visto serem eles uma só e mesma coisa! Todos concordaram em que a alma é coisa
diversa do corpo, e não sujeita à destruição com ele.

Assim também, não houve murmurações de desaprovação quando Cristo contou a parábola do Homem Rico e do
Mendigo Lázaro, falando do mendigo como tendo morrido e como tendo sido levado imediatamente "pelos anjos
para o seio de Abraão", e não como tendo passado a uma inexistência inconsciente. A sobrevivência da alma foi
aceita por todos como sendo a verdade revelada.

Para os cristãos, também, o fato histórico da própria ressurreição de Cristo prova que a alma humana de Cristo
continuou vivendo após a sua morte na cruz, para se reunir com o seu corpo quando ele ressurgisse do túmulo. E a
declaração dele de que finalmente a ressurreição da carne será experimentada por todo o gênero humano
pressupõe a existência continuada das suas almas, com as quais os seus corpos ressuscitados deverão se reunir, para
formarem, uma vez mais, as completas personalidades que anteriormente existiam neste mundo. "Vem a hora ",
disse Jesus, “em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho de Deus. E os que obraram o bem sairão
para a ressurreição da vida; mas os que obraram o mal, para a ressurreição do juízo" (Jo 5, 28-29).

Se na morte o homem, corpo e alma, passa a uma completa inexistência, não haverá questão da sua "ressurreição".
Seria possível a Deus "criar" outro ser como ele; mas esse outro ser seria outro, e não a mesma pessoa que vivera
anteriormente. A "réplica" não possuiria identidade com o homem que morrera. Ressurreição significa restauração
do corpo na mesma e idêntica alma que anteriormente o possuía - alma que sobreviveu para aguardar essa reunião.

Todos os ensinamentos de Cristo que declaram o julgamento dos seres humanos após a morte, a vida eterna de
felicidade ou de desdita que os aguarda, e a sabedoria de amontoarmos tesouros para nós não na terra, mas no céu
(Mt .6, 19), seriam realmente sem sentido se a alma não fosse, por sua própria natureza, imortal, e se não houvesse
vida para além do túmulo. Por isso, a Igreja Católica, no Concílio de Latrão, em 1513, condenou como herética e
inteiramente oposta à fé cristã qualquer negação da imortalidade da alma humana. Um cristão, se quiser
permanecer cristão, deve crer na sobrevivência consciente da alma após a morte.

Foi dito, até mesmo por clérigos protestantes que se professam expoentes da religião cristã, que a ideia da
imortalidade é pré-cristã, que as suas origens são pagãs, que os Egípcios e os Gregos acreditavam nela, e que a
doutrina não pode ser considerada como fazendo especificamente parte da revelação cristã. A Fé cristã, disseram
eles, exige que creiamos na ressurreição da carne, mas não na imortalidade natural da alma. Essa ideia os cristãos
foram buscar aos pagãos!

Ora, é verdade, como vimos, que os Egípcios e os Gregos e outros pagãos haviam chegado, pela razão,
intuitivamente ou por dedução lógica, à verdade natural da imortalidade da alma. Mas nem tudo o que os Egípcios,
Gregos e outros pagãos descobriram era necessariamente errado, por terem eles tido de descobrir tais coisas por si
mesmos.

Todavia, não é verdade que os cristãos tenham ido buscar a doutrina aos pagãos; eles a conhecem por divina
revelação, como haurida de uma fonte distinta e adicional. O conhecido teólogo anglicano E. L. Mascall diz com
razão:

"E' importante notar que, de fato, a crença cristã · na imortalidade humana não assentou, em primeiro lugar, sobre o
raciocínio filosófico. Foi herdada pela Igreja Cristã da religião plenamente desenvolvida dos judeus; e, sob a guia
divina, os judeus tinham sido levados a crer na imortalidade ... O fato importante para os cristãos é haver Jesus Cristo
francamente ensinado que a vida do homem se estende para além-túmulo" (Man: His OriginandDestiny", "O
Homem: sua Origem e Destino'', pp. 42-43).

CRENÇAS JUDAICAS

Devemos dar aqui alguma atenção à crença judaica na imortalidade da alma. Porque há comunidades que se
professam cristãs e que, no entanto, enchem os países de panfletos e folhetos declarando falsa a doutrina da
imortalidade da alma e em completa divergência com os ensinamentos da Bíblia. As mais ativas dessas comunidades
são as Testemunhas de Jeová (fundadas pelo Pastor Charles T. Russell, 1874); os Adventistas do Sétimo Dia
(fundados por Mrs. Ellen O. White, 1860); e os Cristadelfos (fundados por Jonh Thomas, 1848).

Comum a estas, e a todas as seitas similares e menores, é a quase intérmina citação dos textos da Escritura cortados
do seu contexto e interpretados superficial e literalmente sem preocupação do claro ensino da Bíblia em outros
lugares. Gosta-se muito de citar especialmente o Antigo Testamento, e pretende-se que os próprios judeus, que
seguramente deviam ter conhecido as suas próprias Escrituras, não tinham crença na imortalidade da alma.

Ora, é verdade que, devido à natureza progressiva da revelação divina, as referências à vida após a morte não são
tão claras nos primeiros livros do Antigo Testamento como o são nos últimos, e nos do Novo Testamento. Mas o
Antigo Testamento é obscuro quanto à natureza da vida após a morte. Em parte alguma ele nega a existência
continuada da alma. Como veremos, isso sempre foi tomado como concedido. O mesmo eu que ocupava o corpo
físico sobrevivia no "Sheol", ou mundo inferior das almas evoladas. E esteve em plena concordância com essa
convicção que, falando aos judeus do seu tempo sobre Abraão, Isaac e Jacob, o próprio Cristo dissesse que
Deus "não é o Deus dos mortos, mas dos vivos" (Mt 22, 32).

Talvez que o mais claro testemunho, no Antigo Testamento, da imortalidade da alma seja o contido em Sabedoria 3,
1-3:

"As almas dos justos estão nas mãos de Deus; e o tormento da morte não as tocará. Aos olhos do ignorante elas
pareceram morrer, e a sua partida foi tomada como desdita, e a sua separação de nós como total destruição; elas,
porém, estão em paz".

Alguns Protestantes, nem todos, de modo algum, rejeitam o Livro da Sabedoria como apócrifo, pelo fato de
rejeitarem a coleção Septuaginta dos Livros do Antigo Testamento e de só aceitarem o Cânone ou rol Palestinense, o
qual não o contém. Mas isto é para sua perdição, e eles não têm esperança de provar que o Cânone Septuaginta
deve ser rejeitado. O Livro da Sabedoria é tão verdadeiramente um Livro inspirado do Antigo Testamento como
qualquer outro; e S. Paulo fez uso dele nas suas Epístolas aos Romanos, Coríntios e Efésios, assim garantindo a sua
aceitação católica.

Todavia, duas passagens do Antigo Testamento que nenhum protestante discutirá são as do Deuteronômio 18, 11 e
1 Samuel (Reis) 28, 1 1. Na primeira lemos: "Não haja entre vós ninguém . . . que procure saber a verdade obtida dos
mortos", proibição que indica a crença reinante na possibilidade de comunicação com as almas sobreviventes dos
falecidos. No último achamos a alma de Samuel chamada por ordem de Saul do "Sheol'', a habitação dos espíritos
evolados. Como podia isso ser, se a alma de Samuel houvesse perecido com seu corpo?

Mas volvamo-nos para os ensinamentos dos próprios Rabinos judeus sobreeste assunto da sobrevivência da alma
após a morte.

O mais eminente dos Rabinos judeus alemães, Leo Baeck, diz, no seu livro "Das WesendesJudentums'', que a
imortalidade da alma é uma doutrina do Judaísmo, e que esta vida "recebe o seu sentido da futura". O Dr. Kohler,
Diretor de um Colégio Americano para Rabinos Judeus, na sua autorizada obra "Teologia Judaica", diz que a nossa
própria natureza exige a imortalidade, que "corresponde a crer em Deus, o qual não pode decepcionar o coração
humano". O Rabino Morris Joseph, no seu livro "Judaism as Creedand Life" ("O Judaísmo como Credo e Vida"),
escreve: "A doutrina da imortalidade faz parte integrante do Credo judaico". O Rabino Isaac Epstein, no seu livro
"Judaism", diz que os Judeus, tanto ortodoxos como reformados, creem na imortalidade da alma.

Tome-se esta oração do Serviço Fúnebre no Livro de Oração judeu autorizado:

"O' Senhor, és cheio de compa1xao, tu que habitas no alto; Deus de perdão, que és misericordioso, lento em te irares,
e abundante em amorosa bondade, concede o perdão das transgressões, proximidade da salvação e perfeito repouso
à sombra da tua divina presença, nos lugares exaltados, entre os santos e puros que brilham como o fulgor do
firmamento, àquele que se foi para a sua mansão eterna. Suplicamos-te, ó Senhor de compaixão, te lembres dele por
todas as ações boas, meritórias e piedosas que ele praticou enquanto esteve na terra. Abre para ele as portas da
justiça e da luz, as portas da compaixão e da graça. Oh! Abriga-o sempre mais sob o manto das tuas asas; e seja a
sua alma atada no vínculo da vida eterna. O Senhor é a sua herança. Descanse ele em paz. E digamos: Amém".

Semelhante oração certamente só poderia ser dita pelos que creem que a alma humana é imortal.

DIFICULDADES DO ANTIGO TESTAMENTO

Contra o ensino tanto judeu como cristão uma quantidade de textos mal interpretados da Bíblia são aventados pelas
seitas estranhamente materialistas que mencionei. Seria impossível, num livrinho destas dimensões, tratar de todos
eles, mas pode ser útil discutir alguns exemplos típicos.

Uma passagem favorita é o Gênese 2, 7, onde lemos que Deus "formou o homem do limo da terra, e insuflou-lhe nas
narinas o sopro de vida, e o homem tornou-se uma alma viva".
Cruamente é arguido que, portanto, o homem não recebeu uma alma, mas é uma alma, e que, conseguintemente,
quando um homem morre, a alma também morre, e não pode ser imortal. Mas o sentido do texto hebraico é
simplesmente que Deus deu ao corpo do homem -um princípio de vida, uma alma que o habilitasse a tornar-se um
ser vivo. Nada é dito, no real texto citado, sobre a natureza dessa alma. O que é tornado claro é que Deus tomou um
cuidado todo especial na formação do homem, cuidado que em parte alguma se aplica aos animais, implicando um
parentesco especial com Deus não possível no caso dos animais. E a afirmação, no Gênese 1, 26, de que o homem foi
feito à imagem e semelhança de Deus só pode referir-se, não ao corpo material do homem, mas à sua alma
espiritual, inteligente e imortal - tal como Deus é um puro espírito, inteligente e imortal.

Em outras partes do Antigo Testamento este ensino é tornado suficientemente claro. O Eclesiastes, 12, 7, torna
evidente que o homem é um ser composto, constante de dois princípios distintos, um corpo material e uma alma
espiritual. Falando da dissolução da união entre o corpo e a alma pela morte, diz ele: "Então o pó voltará para a
terra, da qual era, e o espírito voltará para Deus, que o deu".

E apela-se para o Gênese, 2, 17, onde é dito que Deus decretou a morte como a pena do pecado. Pergunta-se: Se a
alma do homem é imortal e não pode morrer, então o castigo foi intentado para o corpo somente? A resposta é que,
de diferentes pontos de vista, tanto o corpo como a alma são sujeitos a essa pena.

A alma, imortal por natureza, não pode morrer, no sentido de se tornar inexistente. Mas pode morrer, e,
eventualmente, quando o pecado é combatido, ela morre para a vida verdadeiramente espiritual e sobrenatural da
graça, do amor e da amizade de Deus. Em inimizade com Deus, as almas de nossos primeiros pais eram mortas para
essa vida. Quanto aos seus corpos, desde o momento do seu pecado nossos primeiros pais (e a sua posteridade)
ficaram sujeitos à pena, em devido tempo, da morte física corporal, da qual, no entanto, seriam isentos.

"ALMA" E "SHEOL"

As comunidades protestantes que se dispõem a provar que a alma não é imortal pegam-se da palavra "alma'', onde
quer que ela ocorra na Bíblia, de um modo que parece quadrar com o seu propósito, sem se preocuparem com o
sentido em que ela é usada. Assim, Juízes, 16, 30, são citados onde Sansão, na iminência de abater o templo sobre si
mesmo e sobre os seus inimigos, exclamou: "Morra minha alma com os Filisteus". Mas Sansão quis apenas
dizer: "Morra eu com os Filisteus". Então como agora, era uma figura de linguagem inteiramente comum o aludir a
um objeto completo falando da sua parte principal. Sinédoque é o termo técnico para essa figura de linguagem.

Se dissermos que um homem se fez de vela para um porto distante, não queremos dizer que um barco é uma vela,
em vez de ter tomado uma vela. Nem, quando dizemos que algumas centenas de almas pereceram num naufrágio,
queremos dizer que os passageiros eram todos almas desencarnadas! Expressões tais como a usada por Sansão são
simplesmente sem aplicação ao problema da imortalidade da alma.

Semelhantemente, pelo fato de ser o de "túmulo" um dos sentidos que a palavra hebraica "sheol" pode ter,
pretensos opositores escriturários da doutrina da imortalidade falam como se esse fosse o único significado possível
dessa palavra, ignorando o sentido muito mais frequente em que ela é usada, a saber: como se referindo ao "mundo
inferior dos espíritos evolados" reservado para as almas daqueles cujos corpos mortos foram colocados no túmulo. A
importância desta distinção tornar-se-á clara quando tratarmos de passagens específicas da Escritura.

Dizem-nos que no livro de Job, 3, 17, é dito do estado do homem após a morte: "Ali o mau cessa de perturbar; e ali o
cansado está em repouso". Porém tais declarações no Antigo Testamento devem ser julgadas de acordo com o
imperfeito grau de conhecimento concedido aos homens antes de a plenitude da verdade ter vindo com a
dispensação cristã. O "sheol" ou mundo inferior que Job tinha em mente era o lugar de reunião dos mortos que
estavam livres das provações e cuidados deste mundo, mas que ainda viviam devido à imortalidade de suas almas. A
vida deles, entretanto, era considerada como uma vida em trevas e sombras, sem pensamento ou atividade como a
conhecemos deste lado do túmulo. Essas ideias, inadequadas, daquilo que a vida futura representa não são
argumentos contra o fato da existência dela.
No Novo Testamento nos é dito que o espírito de Cristo, entre a sua morte na cruz e a sua ressurreição, visitou e
instruiu os espíritos conscientes dos que haviam morrido antes do seu advento a este mundo (1Ped 3, 19-20). Todo
Judeu teria reconhecido nesse incidente particular a referência ao "sheol" hebraico.

Ainda, em Job 7, 9, lemos: "Assim como a nuvem é consumida e dissipada, assim também aquele que baixa ao
túmulo não mais se levantará". Inteiramente certo. Do ponto de vista da vida como a conhecemos neste mundo e
deste lado do túmulo, é matéria de experiência comum que, uma vez que um homem morre, está morto, e não pode
reassumir as atividades em que anteriormente se empenhara na terra. Mas o mesmo Job, que filosofava que a vida
neste mundo acabava com a morte, insistiu em que ele teria vida depois desta vida e noutro mundo. Em 19, 25-27,
declara: "Pois sei que meu Redentor vive, e no último dia ressuscitarei da terra. E serei revestido novamente da minha
pele; e em minha carne verei a meu Deus. O qual eu mesmo verei, e os meus olhos contemplarão; e não outro". O
verdadeiro "eu" de Job, a sua alma, estará ali esperando ser "revestida novamente" da sua contraparte corporal,
para poder ter uma vida futura não apenas como um espírito desencarnado, mas na sua humanidade completa,
consistente em corpo e alma.

Foi aventado que, em 27, 3, Job identifica a sua alma com o ar que respiramos. Acaso ele não disse: "Enquanto o
meu hálito estiver em mim, e o espírito de Deus nas minhas narinas, meus lábios não falarão a maldade"? Disse,
falando a linguagem da -poesia hebraica, para dizer simplesmente: "Enquanto eu viver". Mas, quando, por exemplo,
S. Paulo disse: "Quem é que conhece o que existe no homem, senão o espírito do homem que nele está?" (1 Cor 2,
11), não falava do ar que respiramos, e sim da alma inteligente do homem. A citação de palavras sem consideração
com o sentido em que elas são usadas é perda de tempo na discussão deste assunto - ou, dessa forma, de qualquer
outro assunto.

OS SALMOS

Desnecessário é dizer que ·também os Salmos são catados em busca de algumas frases soltas que possam parecer
apoiar, mesmo superficialmente, a negação da imortalidade feita por aquelas seitas cujos preconcebidos sistemas
religiosos exigem tal negação.

Assim, o Salmo 6, 5, é invocado: "Pois na morte não há lembrança de ti; e no túmulo quem te agradecerá?" Mas
estas palavras de modo algum são opostas à doutrina da imortalidade da alma. São naturalmente condicionadas
pelo conhecimento imperfeito da vida futura permitido nos tempos do Antigo Testamento. A crença então era que
as almas sobreviviam à morte do corpo, mas que o "sheol" para o qual elas iam era uma região de tristeza, sem
muitas das coisas quetornam desejável a vida neste mundo. As almas evoladas eram julgadas como tendo somente
uma fraca consciência de existir, sem serem capazes de empenhar-se no culto externo de lembrança e de louvor
oferecido a Deus nos serviços religiosos que tanto significavam para o povo judeu. O quanto estes significavam para
ele é expresso no Salmo 25, 8: "Amei, ó Deus, a beleza de tua casa e o lugar onde habita a tua glória".

Mas, se os falecidos deviam ser lastimados por não mais poderem participar dos serviços religiosos de lembrança e
de louvor, não eram considerados inexistentes. Assim, no Salmo 16, 9-11, achamos a convicção da felicidade futura:
"Portanto meu coração está alegre e a minha glória se rejubila. Minha carne descansará na esperança. Pois não
deixarás minha alma no "sheol"; nem sofrerás que o teu santo veja a corrupção. Mostrar-me-ás o caminho da vida.
Em tua presença há plenitude de alegria. À tua direita há prazeres para sempre".

Em favor de uma restauração para a vida, saindo de um estado de inexistência, o Salmo 17, 15 é citado: "Quanto a
mim, contemplarei a tua face em justiça; serei satisfeito quando acordar com a tua semelhança". Mas estas palavras
nem sequer se referem ao estado das almas após a morte, e ainda menos a qualquer despertar de uma condição de
inexistência para a existência. Elas eram simplesmente as preces noturnas do salmista, e exprimiam a alegria que ele
acharia em acordar na manhã seguinte para retomar a sua contemplação mental e o sentimento interior da união
espiritual com Deus.

O Salmo 49, 15 muitas vezes é citado para mostrar que a alma está tão morta no túmulo como o corpo quefoi
sepultado. Mas novamente a palavra traduzida como "túmulo" é o hebraico "sheol". Lemos: "Deusredimirá minha
alma do poder do túmulo ("sheol"): pois ele me receberá". Os pensamentos do salmista são de almas num estado de
trevas e de frustração. As suas ideias eram necessariamente condicionadas pelo grau imperfeito de verdade revelada
então disponível. Ele não tinha ideias claras acerca da "redenção" e da "ressurreição da carne" no sentido cristão
desses termos. Sabia que Enoc e Elias haviam sido transportados deste mundo sem terem tido de morrer; e sente
obscuramente que de algum modo - ele não sabe como - Deus certamente tratará o justo diferentemente de como
tratará o mau. Em espírito de fé e de confiança ele exprime essa esperança.

O cristão, olhando para trás, com a luz mais clara do Novo Testamento para ajudá-lo, vê nessas palavras uma
significação maior do que a percebeu o próprio escritor delas. Todas as almas são imortais por sua própria natureza,
e continuarão conscientemente após a morte. Mas, ao passo que as almas dos maus serão deixadas no submundo
do "sheol", Deus tomará as almas dos justos para si no céu. Por isto S. Paulo disse aos Coríntios que, se o nosso
tabernáculo terreno for dissolvido, nós temos uma casa não feita com as mãos, mas eterna, no céu (2 Cor 5, 1); e
escreveu aos Filipenses (1, 23) sobre o seu próprio desejo "de ser dissolvido e estar com Cristo, coisa muitíssimo
melhor". Estas palavras seriam inteiramente sem sentido se a morte significasse o não estar ele com Cristo, mas
simplesmente ser inexistente!

No Salmo 78, 50, pedes-nos considerarmos as palavras: "Ele não poupou da morte a alma deles, mas entregou a vida
deles à peste". A própria referência à doença corporal é, no entanto, bastante para mostrar que a morte física do
corpo era o castigo deles. A sorte da alma depois da sua separação do corpo nem sequer é aí aludida. Se pensa que a
cada vez que as palavras "alma" e "morte" são encontradas na Sagrada Escritura, a imortalidade da alma está sendo
negada, não haverá fim para as ilusões de quem quer que seja.

O Salmo 115, 16-17, quando diz: "Os céus são os céus do Senhor; mas a terra ele a deu aos filhos dos homens. Os
mortos não louvam o Senhor, nem aquele que desce ao silêncio'', apenas afirma que os mortos não podem mais
juntar-se ao louvor que Israel oferece a Deus neste mundo, e de modo algum se refere à condição das almas
evoladas, salvo para dizer que elas foram para o grande silêncio na medida em que a comunicação conosco ainda
nesta vida entra em causa.

O Salmo 146, 4, diz: "Seu espírito ir-se-á, e ele voltará à terra; nesse mesmo dia perecerão os seus desígnios". Mas, aí
também, do nosso ponto de vista nesta vida, um homem morre e é sepultado, voltando seu corpo ao pó; e a morte
pôs um fim a tudo o que êle planejara fazer neste mundo. Nada além disto é dito atinente mente a ele no estado ao
qual a sua alma passou.

ECLESIASTES

O Eclesiastes é provavelmente o mais popular de todos os Livros do Antigo Testamento entre os anti-imortalistas.
Tomemos algumas passagens mais frequentemente citadas. O Eclesiastes, 3, 18, diz: "Eu disse no meu coração, a
respeito dos filhos dos homens: Deus quer prová-los, e mostrar-lhes que eles são como as bestas". Aqui devemos
notar que em versículos anteriores o escritor acentuara a prevalência da injustiça entre os homens, declarando que
Deus finalmente julgará a humanidade e verá que a justiça triunfe. No versículo 18 ele prossegue dizendo, não que o
homem perece totalmente como os animais, mas que em muita coisa compartilha com eles as condições da vida
animal. A fim de provar ou experimentar os homens, pondo à prova a sua boa vontade, Deus não põe fim a todas as
desordens morais neste mundo. E, da visão da sua própria conduta, tão pouco acorde com a razão, tão ditada pela
paixão cega, que às vezes eles caem mais baixo do que os próprios animais, deveriam os homens aprender ao menos
a humildade.

O versículo 19 continua: "Porque a morte do homem e dos animais é uma só. Assim como o homem morre, assim
também morrem eles. Todas as coisas respiram igualmente, e o homem não tem nada mais do que a besta. Todas as
coisas estão sujeitas à vaidade". Ora, seria ir muito além e mesmo contra o pensamento do escritor imaginar estar
ele aí tratando da natureza intrínseca do homem e negando a imortalidade da alma. Ele não está interessado em
psicologia, mas no ensino de uma lição de moral. A morte é tão inevitável para o homem como para os animais, e
todos os interesses meramente terrenos são temporais, na melhor das hipóteses. Seria, pois, loucura concentrar-se
somente em interesses terrenos como se eles fossem todo o fim e objetivo da existência humana, com exclusão dos
interesses mais altos e eternos.
O mesmo pensamento é repetido no versículo 20: "Todas as coisas vão para um mesmo lugar; da terra foram feitas,
e à terra voltam juntas". Os corpos dos homens, do mesmo modo que os corpos dos animais, voltam à terra. Que o
pensamento aqui não é da alma do homem, feita à imagem e semelhança de Deus, isto é evidente pelas palavras:
"da terra foram feitos".

O versículo 21 acrescenta: "Quem sabe se o espírito dos filhos de Adão sobe ao alto, e se o espírito dos animais desce
para baixo?" Mas o escritor aí está em nexo não com o fato da sobrevivência das almas humanas, mas com o modo
de ser dela. Que ele admite o fato, é claro por 12, 7, onde ele diz que, na morte, ''o pó retorna à sua terra de onde
era, e o espírito retorna a Deus, que o deu". Tudo o que ele aqui indica é que o homem é ignorante das condições do
além-túmulo, e dá isto como uma razão a mais para a humildade. A questão da imortalidade da alma não é tratada
em parte alguma do Eclesiastes 3, 18-20.

Outro texto favorito no livro é achado em 9, 4-5: "Para todos os vivos há esperança; é melhor um cão vivo do que um
leão morto. Porque os vivos sabem que morrerão; mas os mortos nada sabem; nem têm mais recompensa; pois sua
memória é esquecida". Quem crê na imortalidade pode aceitar cada palavra aí. Enquanto um homem está nesta vida
pode esperar realizar alguma coisa pelas suas atividades físicas e mentais; mas a morte porá fim a todos os seus
projetos neste mundo. A pessoa viva mais incompetente está em melhor situação, no que respeita à atividade neste
mundo, do que a pessoa mais competente que morreu. Os vivos sabem que morrerão; mas os mortos já não são
capazes de usar a sua inteligência nesta vida, nem de gozar qualquer dos frutos dos seus labores, embora os tenham
acumulado muitos; nem são lembrados muito tempo pelos que deixaram atrás. Mas esta descrição dos mortos em
relação à vida neste mundo não diz nada, e nem pretende dizer coisa alguma, concernente às condições para as
quais eles foram. De modo algum nega a imortalidade da alma e a retribuição futura.

Mas o Eclesiastes não continua no versículo 6: "O seu amor também, e o seu ódio e a sua inveja, tudo pereceu: nem
eles têm parte neste mundo nem na obra que se faz debaixo do sol"?Sim; e confirma o fato de estar falando sob o
ponto de vista desta vida somente. Os mortos não mais têm parte na vida que deixaram, a vida que
passaram "debaixo do sol". Nadaé dito sobre o estado da alma desde o momento em que ela se foi para Deus, que a
deu.

E nem o caso contra a imortalidade é melhorado pela citação do versículo 10: "Seja o que for que a tua mão entenda
fazer, faze-o seriamente; porque nem obra, nem razão, nem sabedoria, nem ciência estarão no inferno para onde
vais celeremente". Porquanto o sentido aí é simplesmente o de que a morte em breve nos cortará desta vida, e,
portanto, deveríamos fazer o máximo das nossas oportunidades em deveres que cessam quando somos tirados
deste mundo. Dizer que as nossas ocupações terrenas não serão possíveis no "sheol" não tem nada que ver com
quais serão as condições ali. O Eclesiastes não teve intenção de tratar da questão de ser a alma imortal ou não.

OS PROFETAS

Que se deve dizer de Isaías 26, 14? Ali lemos: "Eles estão mortos; não viverão. Faleceram; não ressuscitarão: por isso
visitaste-os e destruíste-os, ·e fizeste perecer toda a sua memória". Aqui, uma vez mais, não há referência, de um
modo ou de outro, à sorte das almas no outro mundo. Isaías está falando das nações opostas ao povo de Deus.
Declara a destruição delas da face da terra, e prediz o seu desaparecimento até mesmo das páginas da história
humana.

Que Isaías considerava o "sheol" ou as regiões inferiores como um mundo dos ainda viventes, é evidente pela sua
descrição, em 14, 9-10, da recepção feita pelas outras almas que já ali se achavam à alma do rei de Babilônia.
Descrevendo essa recepção, escreve ele: "O "sheol" nas suas profundezas conturbou-se para vir ao teu encontro, à
tua chegada ... todos responderão e dir-te-ão: Também tu foste ferido tal como nós, foste feito semelhante a nós".
Isso seria impossível se as almas não sobrevivessem à morte do corpo.

As Testemunhas de Jeová gostam muito de citar Jeremias 51, 57: "Embriagarei os seus príncipes e os seus sábios, os
seus capitães e os seus magistrados, e os seus homens poderosos; e eles dormirão um sono perpétuo e não
acordarão, diz o rei, cujo nome é o Senhor dos exércitos". As palavras aí não têm a menor referência à questão da
imortalidade da alma. Jeremias apenas prediz a destruição a sobrevir a Babilônia, declarando que os governadores e
soldados dela serão cortados permanentemente desta vida pela - morte.

Ainda mais frisam eles Ezequiel 18, 4: "A alma que peca morrerá". Estas palavras são interpretadas como
significando que a alma que peca morre no sentido de se tornar inexistente. Contudo, no mesmo capítulo, versículo
23, Ezequiel diz: "Tenho eu algum prazer em que o mau morra, e não em que se converta dos seus caminhos e
viva?" Longe de se referir a qualquer morte física da alma, Ezequiel está atacando uma noção judaica então reinante,
de que toda a responsabilidade pelo pecado poderia ser lançada sobre os antepassados, e que os judeus ainda
estavam sendo punidos pelos pecados de seus pais. Ele portanto anunciou de forma vigorosa e incisiva que cada
indivíduo pelos seus próprios pecados também merece o castigo da morte corporal que veio ao mundo para o
homem como pena do pecado dos nossos protoparentes. Por causa de uma passagem que trata da responsabilidade
moral dos pecadores arguir que a alma não é imortal por sua própria natureza, mostra completa incompreensão dos
princípios ordinários da interpretação escriturária.

OS EVANGELHOS

É-nos dito que os que creem na imortalidade da alma gostam muito de citar S. Mateus 10, 28: "Não temais os que
matam o corpo, mas não podem matar a alma", porém evitam ardilosamente completar a citação, que assim
continua: "antes temei os que podem perder tanto a alma como o corpo no inferno (Geena) ". Estas últimas palavras
não mostram a destrutibilidade da alma? Certamente não, em qualquer sentido de reduzir a alma a um estado de
inexistência.

Cristo usou a palavra inferno no sentido da palavra grega "Geena", para significar a desgraça dos perdidos que
experimentarão a eterna destruição de todas suas esperanças de felicidade celeste, e não deles mesmos. Em Mateus
18, 9, lemos como, noutra ocasião, ele preveniu os seus ouvintes: "Se teu olho te escandaliza, arranca-o e lança-o
fora de ti. É melhor para ti entrares na vida com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do
inferno (Geena)". Se Geena significasse destruição ou extinção absoluta, o aviso perderia toda a sua força. O que a
posse dos dois olhos nunca poderia compensar é a consciência da ruína irreparável; e a experiência eterna
pressupõe a imortalidade da alma.

Outra indicação do pensamento de Cristo sobre o assunto é a de, na disputa dos Fariseus, que acreditavam na
imortalidade, com os Saduceus, que a negavam, haver Cristo ficado do lado dos Fariseus e contra os Sadueeus (Mt
22, -23-34).

Uma passagem nos evangelhos que tem causado muita perturbação aos opositores da sobrevivência da alma após a
morte é a de S. Lucas 23, 43, onde achamos registadas as palavras de Nosso Senhor ao ladrão moribundo: "Em
verdade, te digo, hoje mesmo estarás comigo no paraíso". Seria fatal para as teorias deles admitir que a alma do
ladrão naquele mesmo dia experimentaria a felicidade do além-túmulo. Assim, para fugirem a esta dificuldade eles
fazem essas palavras rezar assim: "Em verdade, digo-te hoje: Estarás comigo no paraíso".

Mas, posta inteiramente de parte a não garantida mudança na pontuação, fazer essas palavras rezarem desse modo
é coisa inteiramente oposta às regras gramaticais da sintaxe grega concernente à ênfase posicional. "Semeron", a
palavra grega correspondente a "hoje", tem a sua posição enfática dada em relação às palavras que a seguem. Não
haveria sentido em Nosso Senhor dizer: "Digo-te hoje". O ladrão penitente sabia perfeitamente que não era ontem
ou amanhã. "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso" mostra o inesperado privilégio prometido ao bom ladrão no
meio dos seus sofrimentos agônicos. A reprodução sugerida é uma distorção da Escritura para quadrar com ideias
preconcebidas.

Do evangelho de S. João com frequência são citadas estas palavras: "Ninguém subiu ao céu, senão aquele que do céu
desceu, o Filho do Homem, que está no céu" (Jo 3, 13). No tempo em que Cristo falou, isso era inteiramente
verdadeiro. Porquanto o céu não esteve aberto à humanidade enquanto Cristo não completou a sua obra redentora
e para lá subiu ele próprio. Mas perguntam-nos: Se as almas são imortais, onde estavam enquanto se achavam
impedidas de ir para o céu? A resposta a isso seria clara por tudo o que foi dito sobre o ensino do Antigo
Testamento. Estavam no "sheol" ou mundo inferior dos espíritos evolados; ou, para usar um termo mais recente,
estavam na "limbo", o estado intermediário onde elas aguardavam a ascensão de Cristo. S. Pedro, em 1 Ped 3, 19-20,
diz-nos expressamente que as almas em prisão, ao encontro das quais a alma de Cristo foi após a sua morte na cruz,
eram os espíritos daqueles que tinham vivido e morrido nos tempos do Antigo Testamento. Esse ensino certamente
pressupõe a imortalidade da alma.

ATOS DOS APÓSTOLOS

Por algum estranho processo mental, os opositores escriturários da imortalidade pensam provar David como
inexistente, citando os Atos 2, 34: "David não subiu ao céu, mas ele próprio disse: O Senhor disse a meu Senhor,
senta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos o escabelo dos teus pés".

Ora, S. Pedro usou essas palavras no seu primeiro sermão em Jerusalém. Estava provando aos judeus a ressurreição
e ascensão corporal de Cristo, e o fato de ser Cristo maior do que David. Por isso ele frisou o fato de que o corpo de
David ainda estava no túmulo, e que ainda não tinha havido para ele qualquer ressurreição e ascensão corporal ao
céu. Por outro lado, S. Pedro mostrou que esse mesmo David havia profeticamente olhado no futuro um maior do
ele, ao qual ele mesmo tinha de chamar "Senhor'', e que ressurgiria corporalmente do túmulo, ascenderia em corpo
e alma ao céu, e ali seria entronizado, no mais alto lugar de honra e glória. O seu argumento era que, se eles tinham
qualquer crença em David, deveriam aceitar Cristo, no qual era cumprido tudo o que David profetizara relativamente
ao Messias.

Tudo isso precisamente não diz nada sobre a condição da alma de David, nem fornece a mais leve evidência de que a
sua alma não esteja agora no céu com Cristo ressuscitado e ascendido, embora o seu corpo ainda não haja
ressurgido dos mortos. Para isso David deve esperar, com o resto do gênero humano, a ressurreição geral no fim dos
tempos. Mas a alma de David está no céu, tal como S. Paulo ansiava por esse mesmo privilégio quando dizia que
desejava "ser dissolvido e estar com Cristo, coisa muito melhor".

AS EPÍSTOLAS

Em 1 Cor 15, 45, S. Paulo escreve: "O primeiro homem, Adão, tornou-se uma alma viva; o último Adão tornou-se
espírito vivificante". Mais uma vez é tirada daí a conclusão de que o corpo e a alma devem ser uma coisa só; que
Adão não "teve" uma alma - "era" uma alma. Essa crua literalidade, entretanto, absolutamente não acarreta tal
significado. Que Adão se tornou uma "alma viva" é um modo figurado de dizer que lhe foram dados todos os
elementos constitutivos de uma vida humana natural, constante de corpo e alma.

Todavia, Cristo veio do céu para restaurar o homem numa vida mais do que meramente natural. "Eu vim", disse ele
de si mesmo, "para que eles tenham a vida, e a tenham mais abundantemente" (Jo 10, 10). Cristo veio para ser o
Doador ele uma vida celestial e sobrenatural. Como Redentor do homem, o seu intuito era desfazer o pecado do
primeiro Adão e elevar o homem a um destino mais alto e celestial, muito acima do nível dessa vida meramente
natural acima ela qual ele nunca poderia elevar-se pelo seu próprio poder. Esse destino, tanto para a alma como
também para o corpo depois da ressurreição, será à semelhança de Cristo ressuscitado, ascendido e glorificado -
mesmo como ele é dado por Cristo.

Como todo o capítulo quinze da primeira Epístola aos Coríntios tem dado origem a muitas ideias falsas poderia ser
bom aditar uma nota acerca do ensino de S. Paulo sobre a ressurreição.

Depois que a alma deixa o corpo, na morte, sobrevivendo sob condições próprias aos seres espirituais
desencarnados, o próprio corpo é sepultado e se corrompe como os outros corpos materiais. Mas os nossos corpos,
diz-nos S. Paulo, ressurgirão de novo no último dia, não no mesmo estado de quando foram sepultados, mas tão
mudados e "espiritualizados", que serão capazes de compartilhar o destino das almas espirituais às quais foram
reunidos. Assim, a parte mortal do homem "assumirá a imortalidade", semelhante à parte já imortal do homem, a
alma; e, se alguém houver morrido em estado de graça e amizade com Deus, ·corpo e alma serão glorificados para
um destino celestial e eterno.

Outro repto à doutrina da imortalidade da alma é tirado de 1 Tim 6, 16. Ali S. Paulo fala de Cristo "Rei dos reis e
Senhor dos senhores, o único que tem a imortalidade". Com que direito então se diz que as almas humanas possuem
a imortalidade por uma lei própria da sua verdadeira natureza?

Aqui a dificuldade surge da tentativa de interpretar o Cristianismo sobre o nível puramente natural, e não de acordo
com o nível sobrenatural e espiritual a que ele realmente pertence. Escreve S. Paulo: "O simples homem com os seus
dons naturais não pode perceber os pensamentos do espírito de Deus; estes parecem loucura para ele, e ele não pode
apreendê-los, porque eles exigem um exame que é espiritual" (1 Cor 2, 14).

Todas as almas são naturalmente imortais. Todavia, a afirmação de que "só Cristo tem a imortalidade" não se refere
à imortalidade natural, porém a algo imensuravelmente mais alto e inteiramente único. Enquanto toda alma deve
por necessidade continuar a viver, pode continuar a viver ou em trevas e em desdita, ou em luz e em felicidade. Mas,
para fazer isto, ela precisa herdar uma vida divina. Nenhum poder natural do homem habilitá-lo-á a herdar essa vida
divina. Tal vida, comunicada a nós pela Natureza Divina do próprio Deus, a única espécie de imortalidade que
realmente vale a pena procurar, só pode ser dada por Cristo. Neste sentido, "só ele tem a imortalidade".

Esta é a imortalidade cristã, completamente diferente da imortalidade meramente natural. Ela supõe a alma elevada
a um nível muito mais alto do que o nível meramente natural, e colhida na própria vida de Deus através de Cristo. O
princípio dessa vida divina e imortal, a graça santificante, podemos possuí-lo desde agora. Por ele se verificam as
palavras de Cristo: "O reino de Deus está dentro de vós" (Lc 17, 21). Isto fornece a chave para a compreensão da
ulterior e seguinte passagem da primeira Epístola de S. João.

Em l João, 5, 12, ocorrem estas palavras: "Aquele que tem o Filho tem a vida. Aquele que não tem o Filho não tem a
vida". Isso não parece como se a alma humana não tivesse imortalidade inerente por si mesma? Se tomarmos
modos de ver meramente naturais, assim poderia parecer. Porém modos de ver meramente naturais nunca podem
fornecer uma compreensão verdadeira da religião cristã.

O que S. João quer dizer é que somente aqueles que aceitam, amam e servem Cristo é que têm a espécie de vida que
Cristo veio dar. Os que rejeitam Cristo não têm dentro de si essa vida divina da graça. Nós todos somos
naturalmente imortais; mas Cristo ajunta uma qualidade especial à nossa imortalidade natural, habilitando-nos não
apenas a continuar a viver depois da morte, mas a fazermo-lo no próprio céu, achando intérmina felicidade na muito
íntima relação pessoal com o próprio Deus. Neste sentido nos é dito: "Esta é a vida eterna: conhecer-te, e a Jesus
Cristo que nos enviaste" (Jo 17, 3). Os que rejeitam isto serão imortais no sentido de continuarem vivendo
eternamente, mas não terão essa espécie de vida eterna que é a única digna do nome de vida.

CONCLUSÃO

Como vimos na primeira parte deste livrinho, é sem fundamento toda asserção de haver-se a razão emancipado da
crença numa vida futura. A própria razão conhece que este mundo é pequeno demais para ela. Os animais inferiores
acham nele tudo o que requerem. O homem, não. Pode ele achar o bastante para as suas necessidades corporais,
mas certamente não o bastante para os seus poderes de mente, e de vontade, e de amor. Do ponto de vista deles,
se não há vida futura, o homem seria como um milionário condenado a viver numa pequena aldeia, incapaz, a
despeito de todos os seus recursos, de comprar qualquer coisa exceto aquilo que ele pudesse achar no armazém
dessa única aldeia!

As pretensas dificuldades tiradas da Sagrada Escritura absolutamente não são dificuldades. Muitas das passagens
citadas são simplesmente irrelevantes, não tendo conexão com a questão da imortalidade da alma. O próprio Cristo
tomou como pressuposta a doutrina da imortalidade natural da alma. Ele veio oferecer uma "super-imortalidade" de
graça neste mundo, e de eterna felicidade no outro. Ele mesmo, naquela natureza humana pela qual se fez um só
conosco, atingiu uma nova e gloriosa vida depois da sua morte, e repetidas vezes manifestou-se aos seus seguidores,
nas aparências da Ressurreição, assegurando-os - e a nós da realidade daquela nova e gloriosa vida, privilégio que
ele tornara possível também para nós. Tudo isso não é fantasia, mas fato histórico.

Por uma verdadeira necessidade do nosso ser, nós todos devemos continuar a viver depois da morte, queiramos ou
não. A única escolha em nosso poder é entre continuarmos a viver em suprema felicidade ou continuarmos a viver
na mais horrenda desdita. Foi com a seriedade desta alternativa em mente que Cristo formulou a questão: "Que
aproveita a um homem ganhar o mundo inteiro se sofrer a perda da sua alma?" (Me 8, 36). A negação de uma vida
futura simplesmente esvaziaria essa questão de qualquer significado real. A única coisa sensata a fazer é guardarmos
essa pergunta em mente para nós mesmos, e vivermos à luz dela.

http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/protestantismo/903-a-imortalidade-da-alma