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Pe.

Carlos Jose Quadrupani

PEÇA A DEUS UM DIRETOR ESPIRITUAL E CONSERVE-O SEM BUSCAR OUTRO


“Obedecei aos vossos superiores, porque eles velam como quem há de dar conta das vossas almas”(Hb 13, 17).

Aquele que obedece à Igreja de Cristo, não obedece a uma autoridade humana, mas ao próprio Deus, pois Ele disse:
“Quem vos ouve, a mim ouve”. Jamais se perdeu uma alma com a obediência; jamais se salvou uma alma sem a
obediência. (São Filipe Néri). Aquele que menospreza a obediência, diz São Bernardo, e deixa-se guiar por suas
próprias luzes ou paralisar por seus temores, não precisa de demônio que o tente; ele mesmo se faz demônio para
si.

Guardemo-nos de temer que um diretor prudente possa enganar-se no que nos prescreve, ou que ele não conheça
suficientemente o estado de nossa consciência, porque julgamos não lha ter aberto com bastante clareza. Com
semelhantes temores a obediência seria sempre eludida ou suspensa. Se o vosso diretor não vos tivesse
compreendido e conhecido bem, ou se não vos tivésseis explicado com clareza, ele teria continuado a interrogar-
vos. Se não o fez, é porque se acha suficientemente informado.

Não é a nós que Deus manifesta o estado de nossa alma, mas àquele que deve guiar-nos em seu lugar. Baste-te
ouvir de sua boca queestás em bom caminho e que a misericórdia e a graça de Deus estão contigo: deves acreditá-lo
e obedecer nisto como em tudo o mais. “Porque, diz São João da Cruz, não se submeter inteiramente ao que diz o
confessor, é orgulho e falta de fé.”

Não basta que a obediência regule nossas obras exteriores, é preciso ainda que ela dirija nossa inteligência e nossa
vontade. Não te contentes, portanto, de executar o que ela te ordena, mas crê e abraça o que ela te manda crer e
querer. É nessa submissão interior que consiste particularmente o mérito da santa obediência.

Que a tua obediência seja simples, pronta, sem reservas e sem inquietudes. Simples, porque não deves submetê-la
ao raciocínio, mas determiná-la com este único pensamento: DEVO OBEDECER; pronta, porque é a Deus que deves
obedecer; sem reservas, porque a obediência se estende a tudo o que não viola a lei de Deus; sem inquietudes,
porque aquele que obedece a Deus não pode extraviar-se. Esse pensamento deve bastar-te para afastar todo o
temor de errar ou de ter errado.

A quem escolher para dirigir-te assim no caminho da virtude? Eis o que diz São Francisco de Sales sobre esse ponto
tão importante: Vai, disse Tobias ao seu filho, quando quis mandá-lo a um país desconhecido, vai procurar um
homem prudente que te conduza. O mesmo te digo a ti, Filotéia: Queres sinceramente entrar no caminho da
devoção? Procura então um bom guia que te conduza. De todos os conselhos, este é o mais necessário e o mais
importante.

Mas quem encontrará semelhante amigo? O sábio responde: Aquele que teme a Deus, isto é, o humilde que deseja
ardentemente avançar na vida espiritual, pede a Deus com fervor que te dê um que seja segundo o seu coração e
não duvides de que Ele te dará um sábio e fiel condutor, ainda que para isso tenha de te mandar um anjo, como ao
jovem Tobias.

E com efeito, ele deverá ser um anjo para ti, isto é, quando Deus o tiver enviado a ti, já não deverás considerá-lo
como um simples homem. Vê nele o representante de Deus, e tem confiança, pois que o mesmo Deus te conduzirá e
te instruirá por seu intermédio. Acrescenta à confiança uma sinceridade total, falando-lhe de coração aberto e
confiando-lhe fielmente o bem e o mal que há em ti. Com isso o bem estará mais seguro e o mal se enfraquecerá,
tua alma se tornará mais forte nos sofrimentos e mais moderada nas satisfações. Ajunta à confiança um religioso
respeito, mas em tão justa medida que a veneração não diminua a confiança, e a confiança não faça perder o
respeito.

Confia nele com o respeito de uma filha para com o seu pai, e respeita-o com a confiança de um filho para com a
sua mãe. Numa palavra, essa amizade que deve ser forte e delicada, deve ser toda espiritual, toda santa, toda
sagrada e toda divina.

Encontram-se muito menos diretores do que se pensa, que sejam capazes deste ministério. É necessário que ele seja
cheio de caridade, de ciência e de prudência. Se faltar uma dessas três qualidades, a escolha não estará sem perigo.
Repito, pede a Deus um diretor, e quando o tiveres encontrado, agradece à divina majestade e conserva-o, sem
buscar outro. Vai a Deus com toda a simplicidade, com humildade e confiança, porque farás indubitavelmente uma
felicíssima viagem.

Nota, finalmente, que o diretor e o confessor podem não ser a mesma pessoa. Quantas almas dirigia São Francisco
de Sales, das quais não era confessor! Ao diretor, diz ele, a alma deve descobrir-se totalmente. Ao confessor acusam-
se simplesmente os próprios pecados para receber a absolvição.

[por Robert Mialhe, em A MEDIDA DAS VIRTUDES.

Avisos para a vida cotidiana adaptados do P. QUADRUPANI]

https://capelasantoagostinho.com/2018/04/20/peca-a-deus-um-diretor-espiritual-e-quando-o-tiveres-encontrado-
agradeca-a-providencia-divina-e-conserve-o-sem-buscar-outro/

Mais claro que isso impossível!


Direção para viver Cristãmente

pelo Rev. Pe. Quadrupani

DO VESTIR

1 — Podem-se estabelecer a este respeito quatro regras principais:

1. O vestuário deve ser proporcionado ao nascimento hierárquico de cada um; 2. aos seus meios; 3. à idade em que
cada um se acha ; 4. ao estado de viúvo, casado ou solteiro. Assim Santo Agostinho repreendeu uma mulher casada,
que queria vestir-se de preto como se fosse uma religiosa.

2 — Os vestidos servem não só para indicar a condição da pessoa que os traz, como para observar a decência, e
proteger-nos contra os rigores das estações. Seria pois um grande mal violar o pudor, com os mesmos meios que
servem para o proteger; e seria grande culpa sofrer frio, que pode ser nocivo à saúde, seguindo as modas
caprichosas e levianas, ou antes loucas e ridicularmente extravagantes, que jamais se poderão conciliar nem com a
fé do cristão, nem com a razão do homem.

3 — O piedoso Thomaz More, falando numa ocasião a uma jovem senhora que expunha a sua saúde aos rigores do
frio, com o único fim de se distinguir pela elegância de seus vestidos, dizia-lhe: Deus será injusto para conosco, se
vos não condenar ao inferno, vendo-vos tão corajosa e intrépida em sofrer tantos incômodos só para agradar ao
demônio e aos seus sectários.

4 — Há mártires da fé; também há mártires da vaidade. Desejamos sofrer? Que o sofrimento seja coordenado à
gloria de Deus e salvação nossa, e não à perdição de nossas almas.

http://a-grande-guerra.blogspot.com.br/2013/12/mais-claro-que-isso-impossivel.html

“Aquele que suporta as tribulações com paciência tem o paraíso antecipado”…


Veja como é importante a resignação com a Vontade de Deus
É necessário ter paciência nas provações e nas tribulações, pois, se Deus as permite, são sempre para um bem maior.

Em tudo o que acontece reconhecei sempre a vontade de Deus.

Toda a malícia dos homens e do demônio não pode fazer que aconteça alguma coisa contra a vontade de Deus;

É por isso que Nosso Senhor afirma que não cairá um cabelo da nossa cabeça sem a vontade do Pai celeste.

Assim, nas doenças, nas tentações, nas injúrias, em qualquer acontecimento, remontai à vontade de Deus, dizendo
com um coração submisso e amante:

“Seja feita a Vossa vontade”; que o Senhor faça de mim o que quiser, quando quiser e como quiser.

Deste modo, as coisas difíceis e pesadas tornam-se fáceis de suportar.


Santa Maria Madalena de Pazzi dizia: “Não sentis que doçura encerra esta só palavra: vontade de Deus?”.

Como o cajado mostrado a Moisés adoçou o amargor das águas, da mesma sorte esta palavra dá doçura às coisas
mais amargas.

Porém, na ausência desta luz e deste ato de fé, a pena é insuportável: por isso São Felipe Neri dizia:

“Nesta vida não há purgatório, mas há ou o paraíso ou o inferno, porque aquele que suporta as tribulações com
paciência tem o paraíso antecipado, e aquele que não as suporta com paciência tem o inferno”.

Não só a tribulação vem de Deus, mas é destinada por Ele para alcançar-nos um maior bem.

O medicamento desagrada ao doente, mas o médico dedicado prescreveu-o para sua cura. Para que, pois, mudar em
assunto de queixas o que devia ser para nós motivo de ação de graças?

A cruz, diz o nosso santo, é a verdadeira porta por onde se entra no templo da santidade: não se pode entrar nele
por nenhuma outra.

Vale mais conservar-nos um instante na cruz, do que gozar as delícias do céu.

A felicidade dos bem-aventurados consiste no gozo de Deus, e a dos homens neste mundo no sofrimento pelo amor
de Deus:

É por isso que Nosso Senhor chama felizes aos que sofrem durante o exílio, porque serão eternamente consolados
na pátria: “Felizes os que choram”.

Eu disse – sofrer pelo amor de Deus; porque segundo a expressão de Santo Agostinho não há ninguém que ame o
sofrimento ou a impressão da dor;

Mas amamos sofrer, amamos a virtude da paciência e o mérito e o fruto que dela provém aos que sofrem.

Assim, pois, a nossa inclinação natural a sermos livres do sofrimento não sem opõe à mais perfeita resignação.

É o grito da natureza, que a graça aperfeiçoa pouco a pouco, mas que não pode nunca destruir.

Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele próprio, para mostrar que era um verdadeiro homem, pediu que o cálice de sua
paixão se afastasse dEle.

Não procureis, pois, ser estoicamente indiferente ou insensível; mas cristãmente paciente, ou corajosamente
resignado. É o que pedem a razão do homem e a fé do cristão.

Fonte: Retirado do livro “Direção para sossegar nas suas dúvidas as almas timoratas” do Rev. Pe. P. Quadrupani.

http://www.aascj.org.br/home/2016/03/%E2%80%9Caquele-que-suporta-as-tribulacoes-com-paciencia-tem-o-
paraiso-antecipado%E2%80%9D%E2%80%A6-veja-como-e-importante-a-resignacao-com-a-vontade-de-deus/

"Os vestidos indecentes não pertencem senão às mulheres desonradas e de reputação perdida. Não suponho que
se encontrem nas mulheres honradas e honestas, para as quais escrevo. Mas já que o abuso neste ponto é tão grave,
retende as observações seguintes: elas serão para vós um preservativo e vos servirão também constantemente de
remédio.

Nenhum uso contrário pode mudar a natureza das coisas nem tornar lícito o que é intrinsecamente indecente em
si, e, por consequência, essencialmente criminoso; de outra sorte poder-se-iam desculpar todos os pecados, pois
que se cometem de todas as espécies. O pecado de outrem não desculpa o vosso; e, se é costume pecar, é
também costume condenar-se. Mais vale, portanto, salvarmo-nos com o pequenino número, do que perdermo-
nos com a multidão.

Olhando-vos ao espelho, segui este sábio conselho de Sócrates, que será útil mesmo a uma cristã virtuosa: 'Olhando-
vos ao espelho', diz ele, 'se vos encontrais bela, dizei a vós mesma: é preciso que cultive a minha alma, a fim de
que a beleza do meu coração não seja inferior à do meu corpo. Mas se encontrais em vós alguma disformidade,
dizei corajosamente: é preciso redobrar de cuidados para ornar o interior, a fim de que a beleza mais brilhante da
alma supra a do corpo'"(R. Pe. Carlos José Quadrupani, Barnabita, "Direção para Sossegar, em suas Dúvidas, as
Almas Timoratas", Cap. XVIII).

http://cumpetroetsubpetrosemper.blogspot.com/2012/01/santas-admoestacoes-sobre-modestia-no.html