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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIDOCTUM DE TEÓFILO OTONI

DIEGO LEONARDO SENA DE JESUS

RESENHA CRÍTICA

Teófilo Otoni – MG
Novembro de 2019
DIEGO LEONARDO SENA DE JESUS

RESENHA CRÍTICA SOBRE DOIS JULGADOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE


MINAS GERAIS ACERCA DA MATÉRIA TRABALHADA DURANTE O PERÍODO

Trabalho apresentado para obtenção de nota parcial e


complementação de carga horária na Disciplina de
Direito Tributário II no Centro Universitário UniDoctum de
Teófilo Otoni.
Orientador: Thiago Barbosa

Teófilo Otoni – MG
Novembro de 2019
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA
DE DÉBITO FISCAL. ISSQN. FATO GERADOR. EFETIVA PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS. ATIVIDADE DE LOCAÇÃO NÃO ASSOCIADA A PRESTAÇÃO
DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 31.
RECURSO DESPROVIDO

RESENHA CRÍTÌCA

Diego Leonardo Sena de Jesus

No caso em análise, o recorrente Município de Belo Horizonte interpôs recurso de


apelação em face da sentença proferida pelo juiz aquo, o qual, nos autos do
processo ajuizado por Ouromed Serviço Móvel de Saúde Ltda, julgou parcialmente
procedentes os pedidos iniciais, determinando a anulação da cobrança de ISSQN
em relação à atividade de locação de bens desvinculada de serviços nos contratos e
notas fiscais discriminados nos autos, bem como condenou a parte autora, ora
recorrida, ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como dos
honorários advocatícios fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa.
Pois bem. Conforme já exposto, o artigo 156, inciso III, da Constituição da
República de 1988 outorga competência aos municípios para instituir o imposto
sobre serviços de qualquer natureza ("ISSQN").
Além disso, ISSQN é disciplinado pela LC 116/03, a qual traz em seu anexo o
rol taxativo das atividades que são passíveis de serem tributadas por esse imposto.
Várias discussões que envolvem a cobrança do tributo ocorrem quando
atividades não expressamente previstas na lista anexa da LC 116/03 são tratadas
pelo fisco municipal como semelhantes, com o objetivo de atribuir-lhes o fato
gerador dessa espécie tributária.
No entanto, tal prática é vista com irregular nos casos de locação de bens
móveis.
Isso porque a locação de bens móveis não expressa uma obrigação de fazer
porque não implica um esforço humano dirigido à produção de um bem imaterial,
motivo pelo qual não pode ser tributada pelo imposto sobre serviços de qualquer
natureza.
Nesse sentido, o STF, ao analisar e julgar inúmeros casos, declarou
inconstitucional a cobrança do ISSQN nas locações de bens móveis, e editou a
súmula vinculante 31, que assim dispõe o seguinte:

É inconstitucional a incidência do imposto sobre serviços de qualquer


natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis."

Ademais, vale ressaltar que, apesar da edição da súmula vinculante 31 pela


Corte Suprema, prevalece hoje o entendimento de que na junção de locação de
bens móveis e prestação de serviços, deverá ser feita a distinção dessas atividades
econômicas. A locação dos bens móveis deverá ser feita mediante contrato, sem
emissão de nota. No que diz respeito ao serviço prestado, será emitida nota e
recolhido o ISSQN correspondente.
No caso dos autos, foi constatado que a parte recorrida tem como objetivo
social a prestação de serviços de ambulância, UTI móvel, remoção de pacientes,
serviços móveis de atendimento a urgência, atividade médica ambulatorial restrita a
consultas, locação de equipamentos médicos e locação de veículos.
Além disso, a recorrida comprovou que a locação das ambulâncias não
estava acompanhada de prestação de serviços, bem como que os valores das notas
fiscais relativas a tal locação
De outro lado, como já ate foi exposto no acordão em análise, o recorrente
também não demonstrou a prestação de serviços além da locação dos veículos nos
referidos contratos, ônus que lhe cabia nos moldes do art. 373, II, do CPC.
Logo, correta a decisão que determinou o afastamento da incidência do
ISSQN sobre a locação de ambulâncias ao fundamento de haver a associação da
prestação de serviços.
EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E REGISTRO DE ATO NOTARIAL.
PAGAMENTO DO ITBI ANTES DA LAVRATURA DA ESCRITURA PÚBLICA
DE COMPRA E VENDA. ILEGALIDADE - OCORRÊNCIA DO FATO
GERADOR. MOMENTO DE REGISTRO PERANTE O REGISTRO
IMOBILIÁRIO. DECISÃO REFORMADA. RECURSO PROVIDO.

RESENHA CRÍTÌCA

Diego Leonardo Sena de Jesus

O caso em análise trata-se de um agravo de instrumento interposto contra a decisão


que indeferiu o pedido liminar impetrado pelos agravantes, com o objetivo de
suspender a exigência do recolhimento do ITBI antes da lavratura de escritura de
compra e venda pelo Tabelião do 1º Ofício de Notas de Igarapé.
Pois bem. Importante ressaltar que a Constituição da República, em seu art.
156, II, atribui competência aos Municípios para instituir impostos sobre transmissão
“inter vivos”, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou
acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como
cessão de direitos a sua aquisição.
Por outro lado, dispõe o artigo 35 do Código Tributário Nacional:

Art. 35. O imposto, de competência dos Estados, sobre a transmissão de


bens imóveis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador:

I – a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do domínio útil de


bens imóveis por natureza ou por acessão física, como definidos na lei civil.

Como se vê, a Constituição Federal e o CTN estabelecem que o fato gerador


do ITBI é a transmissão inter vivos de bens imóveis, por ato oneroso.
Vale dizer, assim, que o imposto somente é devido quando se transfere o
domínio. E o momento da transferência é o registro no Cartório de Registro de
Imóveis, conforme os artigos 1.227 e 1.245 do Código Civil.
Desta forma, apenas mediante o registro imobiliário é que ocorre a
transmissão do bem imóvel, valendo anotar que antes da inscrição do título de
transmissão não ocorre qualquer transmissão de propriedade, não havendo falar na
ocorrência do fato imponível da obrigação tributária, tampouco no pagamento de
ITBI, ou multas e demais acréscimos.
Pontuo, ainda, que só a lavratura de escritura pública de compra e venda, ou
mesmo de promessa levada ao Cartório de Notas, como é o caso dos autos, não
supõe a possibilidade de exigência do ITBI como condição, muito embora se for ela
apresentada, deverá constar, só sendo a exigência legítima quando da transcrição
do título no Cartório de Registro de Imóveis.
Diante do exposto, correta a decisão que deu provimento ao recurso para
modificar a decisão agravada e deferir o pedido liminar, determinando o afastamento
da exigência da prova do pagamento do ITBI em escrituras de compra, ou de venda,
apresentadas pelo impetrante, e, especificamente, daquelas relativas aos lotes
descritos na inicial, sob pena de responsabilidade
Isso porque, conforme já evidenciado, verificando indícios de ilegalidade, bem
como o periculum in mora, haja vista que o óbice imposto pelo impetrado (agravado)
poderá causar embaraços à atividade empresarial dos agravantes, cujo objeto é a
compra e venda imóveis, a reforma da decisão agravada é medida que se impõe.