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CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA 1

DO ESTADO DE SÃO PAULO


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CONSULTA Nº 105.421/2014

Assunto: Sobre plantão médico.

Relator: Conselheiro Antônio Pereira Filho.


Ementa: Não se exime de responsabilidade do
plantão que assumiu. Na impossibilidade total de
dar plantão deve avisar com antecedência mínima
de 24 a 48 hs ao responsável pela escala de plantão
e ao colega que o indicou para dar o plantão e ao
Diretor Técnico.

O consulente Dr. C.L.C.G.A. solicita parecer do


CREMESP acerca de plantão médico. Neste sentido, apresenta as seguintes dúvidas:

1) A partir do momento que assumi um plantão


esporádico:

a) Eximo-me de responsabilidades ético-legais


sobre ele caso avise o chefe da escala com antecedência da impossibilidade de realiza-
lo? Ou devo avisar o Diretor Técnico do hospital?

b) Se eu devo avisar previamente, com quanto


tempo de antecedência devo fazê-lo: 48h ou não há prazo? Quem devo avisar (chefe de
escala, Diretor Técnico)? Como devo avisar (por escrito ou basta verbalmente)? Se for
por escrito, é necessário reconhecer firma em cartório?

c) Caso eu não avise ninguém sobre a minha


ausência, ou o faça de forma incorreta, incompleta ou infundada, posso ser penalizado?
Por quem? Qual a penalidade?

2) O médico que organiza escala de plantão de


um serviço:

a) Tem alguma responsabilidade sobre o


plantonista que faltou ao plantão sem aviso ou comunicado prévio?

b) Se não, quem se responsabilizaria em fazer o


plantão: o Diretor Técnico ou outra pessoa?

c) Se sim, quais responsabilidades ele tem?


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3) Caso um plantonista assuma plantões fixos


com algum serviço e pretende não mais fazer plantões neste local:

a) Há um período mínimo de antecedência que


ele deva comunicar sua saída em definitivo da escala?

b) A quem ele deve comunicar: ao organizador


da escala ou Diretor Técnico? Independente se há ou não vínculo documentado com o
serviço (como na questão 4)?

c) E baseado no direito de ir e vir, o plantonista


pode simplesmente comunicar sua saída da escala, sem qualquer burocracia ou
registros, e, a partir de então, não ter mais responsabilidade alguma sobre os plantões
assumidos?

d) Caso o plantonista deva comunicar sua


saída, ele deve ter uma justificativa plausível para tal ou não é necessário? Esta
justificativa deve ser expressa sob a forma escrita?

e) Se for necessário comunicação documentada


de sua retirada da escala, mas esta for feita de forma incompleta, infundada ou
inconsistente, o seu pedido tem validade? Este plantonista está sujeito a alguma
penalidade caso faça este trâmite burocrático de forma inadequada e não vá mais
realizar os plantões por ele assumido?

4) Em caso de trabalhar em um serviço no qual


não há forma alguma de vínculo documentado (por exemplo: contrato, carteira de
trabalho assinados), o plantonista pode ser responsabilizado sobre alguma falta que teve
com os outros ou algum plantonista, organizador da escala ou hospital que está
prestando serviço?

5) Em caso de não possuir documentação que


comprove vínculo com determinado serviço, a escala ou o livro de registros de
atendimentos dos pacientes do plantão servem como comprovante trabalhista e,
consequentemente, determina ao plantonista seus direitos e deveres como tal? Existe
período mínimo destes registros para que sejam considerados um vínculo (3 meses, por
exemplo)?

6) No caso de terminar meu horário de plantão


e não haver médico que o assuma no meu lugar, posso simplesmente ir embora? Quem
devo e como devo comunicar neste caso? Devo esperar alguém para assumir no meu
lugar para que eu possa ir embora, independente se eu tenho que sair para assumir
plantão em outro serviço?
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7) No caso de eu ser o único plantonista do


hospital (e eu estar no plantão da Ginecologia e Obstetrícia, por exemplo) e os médicos,
que passam visita nas enfermarias e evoluem os pacientes, não comparecem, eu devo ir
até a enfermaria e evoluí-los? Mesmo que eu esteja com urgências no meu plantão de
Ginecologia e Obstetrícia? E no caso de eu não ter urgências no meu plantão, como devo
proceder?

8) Em caso de plantão de Ginecologia e


Obstetrícia não haver anestesista e pediatra de retaguarda para cesáreas ou trabalhos
de parto, como devo proceder? Posso não conduzir o caso das pacientes gestantes que
cheguem ao plantão? Quem devo comunicar sobre este problema no momento em que eu
estiver no plantão? Posso deixar o plantão alegando falta de condições de trabalho nesta
circunstância?

9) Quando entro no plantão, o que levo em


conta para considerar falta de condições de trabalho? Em caso de constatá-las no
momento em que assumi o plantão, como devo proceder? Deixar o hospital neste caso é
considerado abandono de plantão?”

PARECER

Respondendo pontualmente aos quesitos:

Pergunta nº 1. A partir do momento que assumi


um plantão esporádico:

a) Eximo-me de responsabilidades ético-legais


sobre ele caso avise o chefe da escala com antecedência da impossibilidade de realiza-lo?
Ou devo avisar o Diretor Técnico do hospital?

Resposta a) Não se exime de responsabilidade


do plantão que assumiu. Na impossibilidade total de dar plantão deve avisar com
antecedência mínima de 24 a 48 hs ao responsável pela escala de plantão e ao colega
que o indicou para dar o plantão e ao Diretor Técnico.

b) Se eu devo avisar previamente, com quanto


tempo de antecedência devo fazê-lo: 48h ou não há prazo? Quem devo avisar (chefe de
escala, Diretor Técnico)? Como devo avisar (por escrito ou basta verbalmente)? Se for
por escrito, é necessário reconhecer firma em cartório?
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Resposta b) Já respondido. Quanto a


comunicação sugiro oral e por escrito sem necessidade de reconhecer firma.

c) Caso eu não avise ninguém sobre a minha


ausência, ou o faça de forma incorreta, incompleta ou infundada, posso ser penalizado?
Por quem? Qual a penalidade?

Resposta c) Sem dúvida responderá a


sindicância junto a este Conselho tão logo sejamos comunicados da infração ética ao
Artigo 9 que reza:

CAPÍTULO III

RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL

É vedado ao médico:

Art. 9º Deixar de comparecer a plantão em horário


preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença de
substituto, salvo por justo impedimento.

Parágrafo único. Na ausência de médico


plantonista substituto, a direção técnica do
estabelecimento de saúde deve providenciar a
substituição.

Pergunta nº 2. A partir do momento que assumi


um plantão esporádico:

a) Tem alguma responsabilidade sobre o


plantonista que faltou ao plantão sem aviso ou comunicado prévio?

b) Se não, quem se responsabilizaria em fazer o


plantão: o Diretor Técnico ou outra pessoa?

c) Se sim, quais responsabilidades ele tem?

Resposta a, b e c) Prejudicados por falta de


clareza no questionamento.
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Pergunta 3) Caso um plantonista assuma


plantões fixos com algum serviço e pretende não mais fazer plantões neste local:

a) Há um período mínimo de antecedência que


ele deva comunicar sua saída em definitivo da escala?

Resposta a) Não, exceto se houver alguma


norma interna da instituição. Deve comunicar o mais rápido possível, permitindo ao
Diretor Técnico a substituição por outro médico que assuma de forma fixa aquele
plantão.

b) A quem ele deve comunicar: ao organizador


da escala ou Diretor Técnico? Independente se há ou não vínculo documentado com o
serviço (como na questão 4)?

Resposta b) Aos dois

c) E baseado no direito de ir e vir, o plantonista


pode simplesmente comunicar sua saída da escala, sem qualquer burocracia ou registros,
e, a partir de então, não ter mais responsabilidade alguma sobre os plantões assumidos?

Resposta c) Não. O direito constitucional de ir e


vir não tem nenhuma relação com a situação colocada na Consulta. É um sofisma.

d) Caso o plantonista deva comunicar sua saída,


ele deve ter uma justificativa plausível para tal ou não é necessário? Esta justificativa
deve ser expressa sob a forma escrita?

Resposta d) Já respondido no ítem 3-a

e) Se for necessário comunicação documentada


de sua retirada da escala, mas esta for feita de forma incompleta, infundada ou
inconsistente, o seu pedido tem validade? Este plantonista está sujeito a alguma
penalidade caso faça este trâmite burocrático de forma inadequada e não vá mais realizar
os plantões por ele assumido?

Resposta e) Idem ao ítem “d”

Pergunta nº 4. Em caso de trabalhar em um


serviço no qual não há forma alguma de vínculo documentado (por exemplo: contrato,
carteira de trabalho assinados), o plantonista pode ser responsabilizado sobre alguma falta
que teve com os outros ou algum plantonista, organizador da escala ou hospital que está
prestando serviço?
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Resposta nº 4. Sim.

Pergunta nº 5. Em caso de não possuir


documentação que comprove vínculo com determinado serviço, a escala ou o livro de
registros de atendimentos dos pacientes do plantão servem como comprovante trabalhista
e, consequentemente, determina ao plantonista seus direitos e deveres como tal? Existe
período mínimo destes registros para que sejam considerados um vínculo (3 meses, por
exemplo)?

Resposta nº 5) Enviar a pergunta ao Sindicato


dos Médicos local.

Pergunta nº 6. No caso de terminar meu horário


de plantão e não haver médico que o assuma no meu lugar, posso simplesmente ir
embora? Quem devo e como devo comunicar neste caso? Devo esperar alguém para
assumir no meu lugar para que eu possa ir embora, independente se eu tenho que sair para
assumir plantão em outro serviço?

Resposta nº 6. Sim, deve esperar o substituto e


comunicar imediatamente o Diretor Técnico que é o responsável pela instituição junto ao
CREMESP (Resolução CFM nº 1.342/91) e Código de Ética Médica, artigo 9, já citado
nesta Consulta.

Pergunta nº 7. No caso de eu ser o único


plantonista do hospital (e eu estar no plantão da Ginecologia e Obstetrícia, por exemplo) e
os médicos, que passam visita nas enfermarias e evoluem os pacientes, não comparecem,
eu devo ir até a enfermaria e evoluí-los? Mesmo que eu esteja com urgências no meu
plantão de Ginecologia e Obstetrícia? E no caso de eu não ter urgências no meu plantão,
como devo proceder?

Resposta nº 7. Deve dar o melhor de si, segundo


um dos princípios fundamentais do Código de Ética Médica:

CAPÍTULO I

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

II - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde


do ser humano, em benefício da qual deverá agir
com o máximo de zelo e o melhor de sua
capacidade profissional.
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Entretanto, os casos de urgência da enfermaria


devem ser atendidos.

Pergunta nº 8. Em caso de plantão de


Ginecologia e Obstetrícia não haver anestesista e pediatra de retaguarda para cesáreas ou
trabalhos de parto, como devo proceder? Posso não conduzir o caso das pacientes
gestantes que cheguem ao plantão? Quem devo comunicar sobre este problema no
momento em que eu estiver no plantão? Posso deixar o plantão alegando falta de
condições de trabalho nesta circunstância?

Resposta nº 8. Deve transferir os pacientes ao


seu hospital de referência, comunicar ao Diretor Técnico imediatamente, mas jamais
abandonar o plantão.

Pergunta nº 9. Quando entro no plantão, o que


levo em conta para considerar falta de condições de trabalho? Em caso de constatá-las no
momento em que assumi o plantão, como devo proceder? Deixar o hospital neste caso é
considerado abandono de plantão?”

Resposta nº 9. Prejudicado por falta de maiores


informações. É abandono de plantão evidentemente, o restante respondido na questão 8.

Anexo consultas e Resoluções do CREMESP e


CFM sobre o assunto.

Este é o nosso parecer, s.m.j.

Conselheiro Antônio Pereira Filho

APROVADO NA REUNIÃO DA CÂMARA DE CONSULTAS, REALIZADA EM 06.02.2015.


HOMOLOGADO NA 4.647ª REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 10.02.2015.