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Resumo de Obrigações

 Príncipios basilares do direito da obrigação

 Princípio da Liberdade Contratual


Dentro dos limites da lei, as partes tem a faculdade de fixar livremente o conteúdo dos
contratos, celebrar contratos diferentes dos previstos ou incluir cláusulas que lhes aprouver (art.
405º/1).
O contrato do seguro, Cabovisão, eletricidade, água são contratos de adesão e não se tem a
possibilidade de modificar mas tem-se a liberdade de celebrar ou não celebrar o contrato.
Para além destes, tem-se a lei. É a liberdade de celebrar contratos previstos na lei (legalmente
típicos) ou que não estejam previstos na lei (contratos de concessão comercial), em que o
concessante se obriga a vender e o concionário a comprar. Este contrato não tem a
regulamentação especificada na lei, pois são contratos atípicos, mas mesmo assim, as partes
podem celebrar esse contrato.
Outra vertente deste princípio, é a possibilidade dos contratos típicos terem cláusulas (art.
878º). Este princípio permite também modificar os contratos duradouros, ou seja,
possibilidade de modificação do conteúdo dos contratos, por exemplo: modificar o local do
pagamento da renda.
Ainda outra vertente, a liberdade de extinção dos contratos – as partes têm a todo o tempo a
liberdade de extinguir os contratos – revogação por mútuo acordo.
Já no artigo 830º fala nas restrições da liberdade contratual – contrato promessa. Imagine
que, A e B celebraram um contrato de promessa de compra e venda, para além de vincular as
partes, tem-se por objetivo que no futuro acabem por celebrar o contrato definitivo da compra e
venda. Neste contrato promessa tinha-se uma cláusula que dizia que tinha de ser celebrado até
ao final de Março de 2015. Passou o mês de Março e nada, tem-se um atraso no cumprimento
de obrigação. O que pode fazer B? Pode lançar mão da execução específica se estiver
preenchido os pressupostos da lei, por via do Tribunal que supre a declaração negocial. Há aqui
uma forma de restrição ao princípio da liberdade contratual.
Há outras situações em que este princípio tem restrições. Bem, há três grupos de pessoas que
merecem proteção (trabalhadores, arrendatários e consumidores). Hoje em dia, tem-se poucos
trabalhadores e os arrendatários foram integrados no regime da locação. O regime do
arrendamento urbano tinha normas imperativas, enquanto no arrendamento não habitacional tem
normas liberais (art. 1110º) – as regras relativas à duração de renúncia da arrendação são
livremente estabelecidas pelas partes. Este artigo remete para o artigo 405º, que refere que as
partes podem estabelecer, mas não tudo, tem de ser dentro dos limites da lei, pelo que impõe
restrições.
O consumidor tem uma proteção rigorosa. Ele é uma pessoa física, singular que atua com
motivos alheios à sua atividade profissional. Nesse domínio, tem-se varias regras, uma a 24/96
que dá a noção de consumidor no artigo 2º: “todo aquele a quem sejam fornecidos bens,
prestados serviços ou transmitidos quaisquer direitos, destinados a uso não profissional, por
pessoa que exerça com caracter profissional uma atividade económica que vise a obtenção de
benefícios”. Nesta relação tem-se um vendedor (fornecedor profissional) e um consumidor (com
motivos alheios à sua atividade profissional e comercial) que celebram um contrato ao
domicílio. Na compra de um produto que não agrade pode-se voltar atrás e extinguir o contrato.

 Princípio do Ressarcimento dos Danos


Implica a obrigação de indemnização “quem estiver obrigado a reparar um dano deve
reconstituir a situação que existiria, se não se tivesse verificado o evento que obriga à
reparação” (artigo 562º).
Imagine que o vendedor celebra com o comprador um contrato de compra e venda de um
automóvel. A certa altura deixa de funcionar e vai para o mecânico. Volta reparado mas passado
uns dias avaria de novo. Obvio que o automóvel causou danos que à partida são indemnizados.
Esses danos são respetivos à responsabilidade civil contratual ou imergente. É preciso preencher
determinados pressupostos para ocorrer certa responsabilidade, nomeadamente: o facto ilícito, o
culposo, dano e o nexo de causalidade. A ilicitude da responsabilidade extracontratual provem
do direito absoluto, já a responsabilidade civil provem do direito relativo. A culpa muitas vezes
pode ser dos dois, do culpado e do lesado (artigo 570º).

 Princípio da Restituição do Enriquecimento Injustificado


È a remissão para uma figura: enriquecimento sem causa (art. 473º). Enuncia-se o princípio
geral que refere: “aquele que, sem causa justificativa, enriquecer à custa de outrem é obrigado a
restituir aquilo com que injustamente se locupletou”. Por exemplo: vou ao banco e engano-me
num número, alguém há-de receber a quantia que transferi e por isso, enriquece injustamente.
Este princípio é fonte das obrigações tal como um contrato. Assim, segundo o art. 289º no que
diz respeito à nulidade, os efeitos são restitutivos e quanto à anulabilidade os efeitos são
retroativos. Porquê? É restritivo porque não produz qualquer efeito e na anulabilidade os efeitos
produzem-se só que provisoriamente e por isso, dá lugar à retroatividade. Se um negócio
jurídico não produz efeitos como pode haver acabamento? São prestações sem conteúdo
jurídico e por isso, se fala em restituição. Uma coisa são as obrigações e os agentes de um
contrato, outra é o incumprimento do contrato. O art. 289º/2 refere: “tendo alguma das partes
alienado gratuitamente coisa que devesse restituir, e não podendo tornar-se efetiva contra o
alienante a restituição do valor dela fica o adquirente obrigado em lugar daquele, mas só na
medida do seu enriquecimento”. Já o art. 442º/2/parte final dá lugar à restituição da coisa. Tem a
faculdade de exigir o dobro se houve entrega da coisa, será restituído o sinal e a parte do
pagamento.

 Princípio da Boa-Fé
Este princípio está expresso em enumeras normas. É um princípio basilar para o cumprimento
de uma obrigação e tem carater objetivo enquanto regra de conduta das partes. Segundo o art.
762º/2, “no cumprimento da obrigação, assim como no exercício do direito correspondente,
devem as partes proceder de boa-fé”, ou seja, celebrado um contrato ele deve ser cumprido,
portanto, está-se numa situação de cumprimento do contrato que produzirá outros efeitos e
outras obrigações. A boa-fé tem de estar na celebração do contrato e no cumprimento das
obrigações. (art. 227º/1: “quem negoceia com outrem para conclusão de um contrato deve,
tanto nos preliminares como na formação dele, proceder segundo as regras da boa-fé, sob pena
de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte”, ou seja, no período da
formação do contrato tem-se uma regra que resulta no princípio basilar da boa-fé. Assim, junta-
se o art. 227º mais o art. 762º). Este princípio é importante para as fases vitais do negócio
jurídico e da relação obrigacional – formação, integração e execução – onde se exterioriza a
regra da boa-fé. Outro preceito a denunciar é o abuso do direito (art. 334º): “é ilegítimo o
exercício de um direito, quando o titular exceda manifestamente os limites impostos pela boa-fé,
pelos bons costumes ou pelo fim social ou económico desse direito”, por exemplo: tem-se um
contrato de arrendamento que está sujeito a forma escrita, mas o senhorio diz que não é
necessário, o contrato é nulo. Entretanto, o arrendatário foi pagando a renda e 18 meses depois,
o senhorio chega a conclusão que a renda era pouca e que arranjou que pagava mais. Meteu uma
ação para anular o negócio que já era nulo. O arrendatário pode também intentar uma ação por
abuso de direito, já que não agiu de boa-fé. Também as cláusulas de contratos gerais
(seguradoras) não podem ir contra a boa-fé: artigo 15º.

 Princípio da Responsabilidade Patrimonial


Quando uma das partes não cumpre a obrigação pode-se instaurar uma ação declarativa para
exigir o cumprimento da obrigação. Se não cumprir instaura-se uma ação executiva (art. 817º:
ação de cumprimento e de execução). Está-se perante uma ação de incumprimento e pretende-se
com a ação executiva penhorar os bens para ver a obrigação cumprida, bens esses, são do
património do devedor. O art. 218º veio permitir a execução deste princípio, permitindo
penhorar bens de terceiros (fiador ou avalista). Ambos são garantias pessoais. O fiador responde
a titulo subsidiário, isto é, primeiro ataca-se os bens do devedor e só depois os do fiador. O
avalista pressupõe a prescrição de um contrato, o que é mais gravoso, pois não pode opor
nenhuma exceção. Ele só pode invocar a falsidade da assinatura. É solidário. Portanto, os bens
de terceiros podem ser afetados por força do incumprimento do seu fiado. Artigo 601º:
correspondem aos bens do devedor sem prejuízo dos termos especiais. Também o artigo 604º
refere que os credores tem o direito de ser pagos proporcionalmente pelos preços do devedor, ou
seja, se houver mais do que um credor, eles são pagos proporcionalmente. Há casos, porém, que
existem causas legitimas de preferência, isto é, os credores têm preferência nos bens do devedor.

 Princípio da Pontualidade do Cumprimento (art. 406º/1)


“O contrato deve ser pontualmente cumprido e só pode modificar-se ou extinguir-se por mútuo
consentimento de contraentes ou nos casos admitidos na lei”, ou seja, só pode modificar-se ou
extinguir-se os contratos por mútuo acordo. Os contratos existem por serem cumpridos e para
alem disso, serem cumpridos pontualmente. É uma regra basilar. Este princípio tem algumas
exceções como: o direito de livre revogação dos contratos de consumo, é uma figura que
permite a não celebração dos contratos (contrato à distancia, contrato ao domicilio, contrato de
seguro, contrato de credito ao consumo). Nestes contratos, o consumidor, pessoa física, tem 14
dias para livremente revogar o contrato. Não precisam de nenhuma razão, apenas basta
mencionar o contrato. É uma faculdade de extinguir/ não cumprir a obrigação e é a única
exceção a estes príncipios e serve apenas para negócios de consumo.

 Princípio da Justiça Comutativa ou da Equivalência das


prestações
O direito pretende que as prestações sejam equilibradas, por exemplo: negócios usuários – art.
282º; venda de coisas defeituosas – art. 911º e 913º. Um exemplo: vai-se a uma loja e repara-se
que a roupa tem um defeito, o vendedor, sabendo que não vende, baixa o preço, mas o
consumidor fica com a coisa defeituosa. Neste princípio consagra-se o direito à reparação da
coisa dentro do prazo da garantia legal, direito à substituição da coisa, redução do preço ou
direito à resolução do contrato. A lei 67/2003 modifica os meios de defesa do consumidor (art.
4º).
O artigo 812º prevê uma cláusula penal que fixa antecipadamente a indemnização da coisa. No
caso de haver incumprimento de uma parte, essa parte paga um tanto por indemnização. Tem-se
que provar o dano e o facto. A cláusula penal pode ser reduzida de acordo com a equidade, se
for excessiva.

 Conceito de Obrigação
O conceito de obrigação surge previsto no art.397º do CC, e são situações jurídicas que
têm por conteúdo a vinculação de uma pessoa em relação a outra á adoção de uma
determinada conduta em benefício desta.

O que carateriza a obrigação é a circunstância de determinada pessoa se encontrar


adstrita a realizar uma específica conduta, positiva ou negativa, no interesse de outra,
também determinada ou determinável. Essa conduta é designada por prestação.
 Características da Obrigação

1. Patrimonialidade: suscetibilidade de a obrigação ser avaliável em dinheiro.


2. Mediação: o credor não pode exercer ainda e imediatamente o seu direito, necessita da
colaboração do devedor para obter a satisfação do seu interesse
3. Relatividade: significa que a obrigação se estrutura numa relação entre credor e
devedor, isto é, inter-partes, o que quer dizer que não afeta terceiros.
4. Autonomia: a obrigação é autónoma quando resulta de uma relação jurídica
obrigacional

 Requisitos \Objeto da Prestação


Os requisitos da prestação estão presentes no art.280º do CC, e a prestação está sujeita
às regras relativas ao objeto negocial. Assim, a prestação tem que ser possível, física,
lícita, determinável, conforme á ordem pública e aos bons costumes.

 Relação Jurídica Obrigacional

 Simples: só há um vínculo jurídico (negócio jurídico unilateral) isto é, só há deveres


para uma das partes.
 Complexa: existem dois vínculos jurídicos, criam-se direitos e deveres para ambos
simultaneamente.

 Sujeito ativo: credor


 Sujeito passivo: devedor

 Objeto mediato: imóvel, preço


 Objeto imediato: pagamento do preço, entrega da coisa

 Fontes da obrigação: contratos, negócios jurídicos unilaterais, enriquecimento sem


causa, gestão de negócios, responsabilidade civil

 Requisitos formais: liberdade de forma (219º) e quando se trata de um imóvel há


exceção (875º)

 Requisitos materiais: possível (caso não seja temos nulidade 401º), lícito (398º) e
determinável (400º)

 Efeitos reais: 879º\a) príncipio da consensualidade, o direito de propriedade transfere-


se por mero efeito do contrato (408º\1), com a exceção de existir reserva de propriedade
(409º)

 Efeitos obrigacionais: 879º\b c ) entrega da coisa e pagamento do preço.

 Confronto entre direitos de crédito e direitos reais


Para distinguir direitos de crédito e direitos reais considera-se os seguintes aspetos:
1. Os direitos reais são absolutos e de exclusão. O respetivo titular pode opô-los às restantes
pessoas, impedindo-as de interferir na coisa sobre que versam. Inversamente, os direitos de
crédito são relativos. Dado que se dirigem apenas contra uma ou mais pessoas determinadas,
têm como correspondente um dever especial ou particular, em regra, de conteúdo positivo, e não
um dever geral ou universal. Portanto, os direitos reais não precisam da colaboração ou
mediação do devedor, já os direitos de crédito necessitam da colaboração do devedor. Desta
diferença, resultam várias consequências, nomeadamente:
a) Os direitos reais podem ser ofendidos por qualquer pessoa ao passo que os direitos de crédito
só podem sê-lo pelo devedor ou devedores.
b) Ao contrário dos direitos de crédito, os direitos reais apresentam-se assistidos de dois
importantes atributos. Traduz-se um direito de preferência, que neste sentido, consiste no facto
de o direito real superar todas as situações jurídicas com o mesmo sobre a coisa em que incide.
Também se traduz num direito de sequela, por força do qual os titulares dos direitos reais têm a
faculdade de perseguir e reivindicar a coisa, seu objeto, onde quer que se encontre.
c) Em virtude de se acharem providos de eficácia contra terceiros, os direitos reais estão
subordinados a restrições que não atingem os direitos de crédito.
Por exemplo: no art. 879º produz um efeito real (a transmissão do direito de propriedade e
produzem-se dois efeitos obrigacionais (entrega e pagamento da coisa). Se tem essas obrigações
também tem direitos (direito a exigir ou pretender a entre da coisa), que se não for entregue dá
origem a um incumprimento pelo que se pode intentar uma ação para esse incumprimento virar
cumprimento. Dito isto, imagine que A e B celebraram um contrato promessa de compra e
venda de um imóvel. Desse contrato só há lugar à percussão de efeitos obrigacionais, portanto,
vincula as partes. Sucede que, A, proprietário do imóvel, vendeu a C esse mesmo imóvel. Quid
Iuris? C é proprietário porque este contrato também produziu efeitos reais (transmissão da
propriedade). O que B pode fazer? Pode exigir uma indemnização pelo não cumprimento da
obrigação.
Por ventura, A vendeu a B, e entretanto, arrendou a C. Tendo em conta a transmissão de
propriedade, C não tem direito ao arrendamento pois A não tinha legitimidade para celebrar esse
contrato.

 Direitos de crédito e direitos pessoais de gozo

Direitos obrigacionais que envolvem o gozo de uma coisa, por exemplo: a locação (art. 1022º).
Alguém se obriga a proporcionar o gozo da coisa. Também é o caso do contrato de comodato
(art. 1129º). Pretende-se a entrega de uma coisa para que se sirva dela. Quanto aos direitos de
gozo, eles têm umas características especiais que os diferem de direitos de crédito com regime
especial. São direitos de crédito só que não são os direitos de crédito comuns. Tais
características são:
1. Corpus e o animos (posse): a entrega da coisa e a intenção de agir como proprietário da
coisa. Sem estas características não se tem posse mas detenção de uma coisa e ou se é possuidor
ou se é detentor. A figura da usucapião dá a possibilidade ao possuidor de se tornar proprietário
da coisa, em função dos carateres. Outra característica da posse é os métodos de defesa da
posse (art. 1276º). A posse está ligada aos direitos reais e através dela pode-se adquirir a
propriedade, por exemplo: Senhorio celebra um contrato de arrendamento da habitação com
Arrendatário. A é detentor na medida que não tem o animos. O senhorio, pelo contrário,
preenche as duas categorias, é possuidor (art. 1037º/2: senhorio arromba porta ao arrendatário,
ele pode utilizar este artigo como manutenção da coisa). Há uma certa ligação entre os direitos
de gozo e os direitos reais. Segundo o artigo 407º, há uma incompatibilidade entre direitos
pessoais de gozo: quando, por contratos sucessivos, se constituírem, a favor de pessoas
diferentes, mas sobre a mesma coisa, prevalece o direito mais antigo em data, ou seja, o
senhorio arrendou em Janeiro de 2015 a Matilde e depois em Fevereiro arrendou a Carolina,
qual contrato prevalece? O primeiro, entre o senhorio e Matilde, pois vale o direito
primeiramente constituído. Outra situação que aproxima os direitos de gozo aos direitos reais: o
senhorio celebra um contrato de arrendamento com Ana. Entretanto, o senhorio vende a Sara
que agora é proprietário e senhorio de Ana. O direito ao arrendamento mantem-se apesar da
mudança de propriedade, pois dá-se o fenómeno da inerência à coisa (art. 1057º). Estas
características aproximam os direitos de crédito aos direitos reais. Também se dá o fenómeno
da cessação da posição de senhorio (crédito de rendas).

 Tipos de exceções
1. Exceção do não cumprimento: ideia de “toma lá, dá cá. Num contrato bilateral,
enquanto uma das partes não cumprir a sua obrigação, a outra invoca esta figura até a
verificação da obrigação (art. 428º e seguintes).

2. Exceção de fiança: alguém não paga as prestações de um contrato de compra e venda.


O fiador civil goza do benefício da execução prévia. Ele é fiador do devedor principal.
Só quando o devedor não tiver mais património é que o credor vai sobre o património
do fiador. Está presente a figura da subsidiariedade da fiança (art. 638º/1). Esta
norma tem natureza supletiva (pode ser afastada pelas partes sem sentido contrário),
pelo que, o fiador é solidário para com o devedor – figura da solidariedade da fiança.

3. Exceção do direito de retenção: este direito é a faculdade de reter de alguém uma


coisa para satisfação do seu crédito (art. 754º).
 Obrigação Natural
A obrigação diz-se natural, quando se funda num mero dever de ordem moral ou social, cujo
cumprimento não é judicialmente exigível, mas corresponde a um dever de justiça. O art. 404º
do código civil consagra a regra geral sobre a matéria, fixando que “as obrigações naturais estão
sujeitas ao regime das obrigações civis em tudo o que não se relacione com a realização coativa
das prestações, salvas as disposições especiais na lei”. As obrigações naturais são, em princípio,
suscetiveis de revestir, quanto ao objeto, as mesmas modalidades das obrigações civis.

Prescrição (art. 402º a 404º): corresponde a um dever de justiça. A prescrição tem o prazo
ordinário de 20 anos, no entanto, há casos em que o prazo pode derivar, como por exemplo: art.
510º é de 5 anos, e no art. 317º é de 6 meses. Prescrever o direito é torna-lo mais fraco, porque
não se extingue, é fazer um contrato em que a outra parte pode alegar prescrição. O devedor
perde o direito de exigir e só tem o direito de pretender, ou seja, torna-o o direito fraco. O
regime destas obrigações é diferente das obrigações típicas.

 Classificação das Prestações

1. Prestação de coisa e de facto


1.1.1. Prestação de coisa: são aquelas cujo objeto consiste na entrega de uma coisa,
quer presente quer coisa futura. Se for futura pode ser relativamente futura, coisa
que de facto existe mas que á data da declaração negocial não está na
disponibilidade do declarante (892º). Pode ainda ser absolutamente futura, não
existem naquela data nem estão disponíveis, ou seja, não estão na disponibilidade
do sujeito (880º).
1.1.2. Prestação de facto: são aquelas que consistem em realizar uma conduta de
outra ordem, pode ser uma conduta positiva (facere) a prestação tem por objeto
uma ação, ou pode ser uma conduta negativa (nom facere) a prestação tem por
objeto uma omissão do devedor, isto é, corresponde á não realização de uma
determinada conduta.

2. Prestações Fungíveis e infungíveis


2.1.1 Fungíveis: são aquelas em que a prestação pode ser realizada por outrem que não
o devedor (767º\1)
2.1.2 Infungíveis: são aquelas em que só o devedor pode realizar a prestação (767º\2)

3. Prestações Instantâneas, Duradouras e Fracionadas


3.1.1 Instantâneas: são aquelas cuja execução ocorre num único momento, por
exemplo ir ao bar e tomar um café.
3.1.2 Duradouras: são aquelas cuja execução se prolonga no tempo, em virtude de
terem por conteúdo ou um comportamento prolongado no tempo ou uma repetição
sucessiva ou prestações isoladas por um período de tempo. Segundo o artigo 434º
as prestações duradouras podem ser de execução continuada (dar de renda) ou de
execução periódica (pagar a renda).
3.1.3 Fracionadas: está-se perante uma única obrigação cujo objeto é dividido em
frações, com vencimentos intervalados, pelo que há sempre uma definição prévia do
seu montante global e o decurso do tempo não influencia o conteúdo e extensão da
prestação, apenas no seu meio de realização. Nas prestações fracionadas há a
possibilidade de invocar duas figuras:
3.1.3.1: resolução do contrato 434º 1ªparte, para se aplicar tem que preencher
certos requisitos:
 Compra e venda a prestações
 Reserva de propriedade 409º
 Entrega da coisa
 Falta de pagamento de uma prestação inferior a 1\8 (se for mais de 8
prestações é inferior, se for menos de 8 prestações será superior a 1\8)

3.1.3.2: perda do benefício do prazo 934º 2ªparte, tem que preencher


requisitos:
 Compra e venda a prestações
 Com ou sem reserva de propriedade
 Entrega da coisa
 Falta de pagamento de uma prestação inferior a 1\8

Num caso prático:


Quando há a falta de uma prestação tenta proteger-se o devedor – art- 934º que tem o regime
especial o credor não pode resolver o contrato nem se dá a perda do benefício do prazo, só pode
exigir juros da prestação em falta. Mas temos que verificar o 934º 1ª parte resolução do contrato
e verificar os requisitos. Verificar o 934º 2ª parte e requisitos. Se não preencher um destes
requisitos, quer da 1ª quer da 2ª parte vamos para o regime geral 781º e 801º\2 devemos
escolher o regime mais favorável á situação concreta. No 781º dá-se a perda do benefício do
prazo, no 801º\2 dá-se a resolução do contrato mas tem limite do 886º

4. Prestações de resultado e de meios


4.1.1 Resultado: o devedor vincular-se-ia efetivamente a obter um resultado
determinado, respondendo por incumprimento se esse resultado não fosse obtido
4.1.2 Meios: o devedor não está obrigado á obtenção do resultado, mas apenas a atuar
com a diligência necessária para que o resultado seja obtido. Isto é, existe a
vinculação a um ou mais meios, não garante o resultado, mas obriga-se a fazer tudo
aquilo que estiver ao seu alcance para conseguir.

 Tipo de Impossibilidade

 Originária – artigo 401º\1 e 289º, leva á nulidade com efeitos do artigo 289º,
isto é, retroatividade. Quando se celebra o contrato a prestação já não é possível.
 Superveniente: Deixa de ser possível após a celebração do contrato.
o Impossibilidade culposa 801º, responde por responsabilidade civil.
o Impossibilidade não culposa 790º\1, nestes casos extingue-se a prestação
do devedor, nos contratos em geral (795º\1) o credor fica desobrigado e
tem direito a restituição. Exceção 796º com a propriedade transfere-se o
risco, ou seja, quando há transferência o credor não fica desobrigado.

 Tipo de incumprimento
 Mora (804º)

A mora é o atraso no cumprimento. Tem que preencher requisitos:

 A prestação ainda tem que ser possível


 Tem de haver interesse no credor nos termos do art.808º\2

 Incumprimento definitivo (798º)

Tem que preencher requisitos:

 Não há interesse do credor, há a manutenção do contrato e a indemnização.

 Modalidades das obrigações


 Específicas: A adquire todas as cadeiras que existem na sala X.
 Genéricas: 539º A adquire 1 cadeira das 10 que estão na sala X. A regra é que a
obrigação genérica concentra-se com o cumprimento da obrigação, isto é, com a entrega
da coisa 541º a contrário. Como consequências da concentração temos a transferência
da propriedade e do risco.
 Obrigações plurais
As obrigações podem ter pluralidade de sujeitos. E neste sentido temos a conjunção – se houver
2 sujeitos passivos, cada um só responde pela sua parte da prestação 513º a contrário. E temos a
solidariedade- a prestação pode ser pedida a um devedor 512º porém só existe se isso existir
por lei ou por vontade das parte 513º.

Características da solidariedade:
 Identificação da prestação para todos.
 Extensão integral do direito/ dever de prestar em relação a todos.
 Efeito extintivo da obrigação por via do cumprimento.

Tipos de solidariedade:
 Solidariedade passiva (de devedores)
A ______________________________________ B e C
Relações Externas

Ponto de vista do credor Ponto de vista dos devedores


Art. 518º Art. 523º
Exclusão do benefício da divisão: se A só “Dação do cumprimento”: entrega de outra
exigir de B, este tem de pagar. B não pode coisa de valor superior.
exigir a divisão da prestação. “Compensação”: A devia 1500€ a C.
“Novação”: devedor D substituía o B

Art. 519º
Maior eficácia do direito do credor: A pode Art. 514º
exigir de B a prestação em falta. A devia a C 1500€, B demandado pode
invocar a exceção de não cumprimento do
contrato – amplitude dos meios de defesa.
Art. 517º/1 – 2ª Parte
O credor pode demandar ambos os devedores
conjuntamente. Art. 520º
Impossibilidade da prestação.
B _________________________________ C
Relações Internas

Art. 524º
Direito de Regresso

Art. 516º
Em princípio a repartição é proporcional

Codevedores: B e C
B pagou a C, se lhe foi dado um prazo mais largo
para pagar, pode invocar esse prazo para evitar o
cumprimento. Evita o pagamento de regresso
imediatamente. C vai pagar mas pode ser mais
tarde.
Art. 526º

 Solidariedade ativa (de credores)

Relações Externas
Ponto de vista do credor Ponto de vista do devedor

Art. 528º Art. 529º


Banco pode escolher a quem dar 10.000€

Art. 532º
Art. 517º/1
X e Y, qualquer um pode demandar o Banco

 Classificações dos contratos


1.1. Consensuais: em regra, basta o consenso das partes.
1.2. Formais: é preciso forma específica (art. 220º - nulidade por falta de forma).

2.1 Reais Quoad Effectum: não é preciso outro ato para além do consenso.
2.2Reais Quoad Constitutionem: é preciso outro ato para além do consenso: mútuo (art. 1142º
- carece da entrega do dinheiro) ou penhor civil (precisa da entrega).

3.1 Só produz efeitos obrigacionais: o contrato de arrendamento e o contrato de promessa.


3.2 Produz efeitos reais mais obrigacionais: o contrato de compra e venda.
4.1. Contratos unilaterais: produz efeitos para uma das partes, por exemplo: a doação.
4.2. Contratos bilaterais: produz efeitos para ambas as partes:
4.2.1. Sinalagmáticos: existe correspondência das obrigações (contrato de compra e venda).
4.2.2. Não sinalagmáticos: falta ligação entre prestações por exemplo: contrato mútuo (não há
obrigação da entrega, sem ela nem contrato há).

5.1. Gratuitos: gera obrigações para uma das partes, por exemplo: a doação.
5.2. Onerosos: gera obrigações para ambas as partes, por exemplo: a compra e venda.

6.1. Típicos: existe um regime legal que regula o negócio.


6.2. Atípicos: não existe um regime legal que regula o negócio.
 Regras aplicadas:
 Partes convencionam.
 De direito dos contratos em geral.
 De analogia.

7.1Contrato Misto: um único contrato com várias prestações (art. 1605º).


7.2Contrato Coligado: mais de um contrato com ligação entre eles.

 Gestão de Negócios
Presente no art. 464º, e trata-se da prática de atos urgentes e necessários.

Requisitos da gestão de negócios:

 Não há autorização: ou porque o dono do negócio não estava em condições de


prestar a autorização (coma) ou porque não foi possível contactá-lo.
 Direção de negócio alheio (um assunto qualquer de outrem), como:
1. Prática de atos jurídicos, por exemplo: contratar.
2. Prática de atos matérias, por exemplo: consertar um telhado.
3. Proteger o bom nome, a honra, a imagem.

 Gestão tem de ser feita no interesse e por conta de outrem – gestão


representativa (art. 471º): quando o gestor atua em nome do dono do negócio, isto é, o
gestor atua em nome próprio para produzir efeitos na esfera do dono do negócio. Se o
gestor atuar no seu interesse não usamos as regras da gestão de negócio:
1. Gestão regular: o dono do negócio tem de ressarcir o gestor das despesas que tenha
efetuado, dos juros e dos prejuízos que eventualmente tenha sofrido.
2. Gestão irregular: o gestor apenas será ressarcido nos termos do enriquecimento sem
causa. Não respeita o interesse do dono do negócio.
 Quando há gestão regular o que acontece?
Aplica-se o art. 468º/1: quando se prova que a mesma foi feita em conformidade com o
interesse e a vontade real ou presumível do dono do negócio. E aplica-se o art. 469º
quando há aprovação.

 Quando há gestão irregular o que acontece?


Prova-se que não se teve em consideração o interesse e vontade do dono do negócio,
logo este só responde nos termos do enriquecimento sem causa. Há possibilidade do
interesse do dono no negócio não corresponder à sua vontade. Aqui, não havendo
aprovação deve-se privilegiar o interesse do dono do negócio.

 Deveres do gestor (art. 465º)


 Informar logo que possível o dono do negócio.
 Prestar todas as informações necessárias.
 Prestar contas e entregar-lhe tudo o que receber em seu nome.
 Dar continuidade à gestão (art. 466º/1).

 Responsabilidade do gestor (art. 466º)


Gestor responde pelos danos a que der causa por culpa sua pela gestão ou pausa da
gestão (ver art. 437º - aferição da culpa em geral). No art. 466º/2 está presente a
aferição da culpa em concreto. Já o art. 470º refere que, a gestão não dá lugar a
remuneração a menos que o ato praticado corresponda a um ato profissional do gestor.

 Contrato de Promessa
Os artigos mais importantes são o 410º a 413º, 441º a 442º, 755º\l\f (direito de
retenção), 830º (contrato de promessa de execução específica).

O contrato de promessa só produz efeitos obrigacionais. Ao contrato de promessa são


aplicadas as normas do contrato prometido (contrato definitivo) – princípio da
equiparação.

 Noção
Presente no artigo 410º\1\1ª parte, “á convenção pela qual alguém se obriga a celebrar
certo contrato são aplicáveis as disposições legais relativas ao contrato prometido”.
 Requisitos do contrato de promessa
 Convenção contratual.
 Efeitos obrigacionais: “alguém se obriga”.
 Celebração futura de determinado contrato.
É possível distinguir contratos de promessa unilaterais e bilaterais e ainda, contratos de
promessa com eficácia real e com eficácia obrigacional.
1. Contrato de promessa bilateral (art. 410º/2): a promessa respeitante à celebração de um
contrato vincula ambas as partes e ambas têm de assinar o documento.
2. Contrato de promessa unilateral (art. 411º): vincula apenas uma das partes, por exemplo:
Ana celebrou um contrato com Bento, nos termos do qual apenas ela é que se vincula a vender.
O problema que suscita: Bento entregou 5.000€ a Ana. O que significa esses 5.000€? Podem ser
considerados sinal. Acontece que esta promessa é unilateral e Bento que, não se vinculou,
entregou o dinheiro, será que pode mesmo ser um sinal? A teoria maioritária defende que é uma
figura equivalente ao sinal e caso Ana falhe a promessa, Bento pode exigir de volta.

 Príncipio da Equiparação:
Resulta duas ideias: o contrato de promessa é sempre um contrato e todas as regras gerais do
negócio são-lhe aplicáveis mas também são aplicáveis as regras do contrato prometido, no
entanto, há desvios:
 Forma (410º\2): a partir do contrato prometido retira-se a forma do contrato promessa
(doc.autentico ou doc.particular), no fundo é necessário a redução a escrito do contrato
promessa. Para a venda de um quadro, não é preciso documento, pelo que há liberdade
de forma (410º\2). Além da redução a escrito exige-se duas formalidades:
reconhecimento das assinaturas e certificação da licença de construção (410º\3).
 Regras do contrato definitivo que pela sua razão não são extensivas ao contrato
promessa, como é o caso dos artigos 879º, 1682º\A, 892º, 1408º.

3. Eficácia real da promessa (art. 413º): para este efeito é necessário o preenchimento de
cinco requisitos, nomeadamente:
 Princípio da transmissão/ constituição dos direitos reais (compra e venda).
 Sobre bens imoveis ou móveis sujeitos a registo.
 Declaração expressa (as partes da promessa têm de atribuir eficácia real ou erga omnes).
 Inscrição no registro.
 Escritura pública ou documento particular autenticado.

 Pedido Indemnizatório: com uma cláusula penal estão a compelir um cumprimento.


 Regime do sinal: só pode ser aplicado quando há um incumprimento definitivo mais a
resolução do contrato. Tem-se que transformar a mora em incumprimento definitivo e para tal
pode-se aplicar uma das quatro vias:
1. Há uma impossibilidade de cumprimento: artigo 801º/1
2. Perda de interesse da coisa: é uma perda que tem de ser objetiva para todos, para além
disso tem de ser declarada à contra parte.
3. Interpelação abominatória: para esta situação é preciso transformar a mora em
incumprimento definitivo e resolução do contrato. Tem que respeitar três requisitos:
 Tem que haver intimação para o cumprimento.
 Tem que existir na própria declaração um prazo razoável e suplementar para o cumprimento.
Por prazo razoável, a jurisprudência estabelece 15 dias, mas tudo depende do tipo de contrato de
promessa. Se o prazo não for razoável, o sujeito que fez a interpelação passa a incumpridor.
 É preciso que exista a cominação (consequência), sob pena de incumprimento definitivo e
resultado.
4. Recusa séria e definitiva do cumprimento.

 Incumprimento definitivo e resolução do contrato (art. 808º):


Não cumprida a obrigação subjacente pode-se aplicar o regime do sinal, por via da lei, desde
que se trate de um incumprimento definitivo e seja pedido a resolução do contrato.
Pode haver cláusula de prazo. Se não houve escritura na data prevista está-se perante um
incumprimento de mora. Só há incumprimento definitivo quando conste no contrato.
Para o incumprimento definitivo e resolução do contrato aplica-se o regime do sinal (art.
441º/1). Segundo o artigo 442º/2 se quem constitui o sinal deixar de cumprir a obrigação que lhe
seja imputável, o outro pode fazer coisa sua o sinal entregue, ou seja, o promitente-comprador
está em incumprimento, o promitente-vendedor fica com o sinal. Porém se for ao contrário, o
promitente-comprador tem o direito de pedir o sinal em dobro do que prestou (sinal +
indemnização). Se houver tradição da coisa (entrega da coisa) o seu valor constitui a
transmissão, restituído o valor do sinal e o preço pago.
Ainda há a possibilidade da coisa ser valorizada, ou seja, foi entregue um sinal de 10.000€ para
um preço convencionado entre as partes de 100.000€, porém a coisa valorizou para 150.000€, o
promitente-vendedor incumpriu terá de devolver os 10.000€ do sinal mais 50.000€ resultantes
da valorização da coisa.
O artigo 442º/4 estabelece indemnizações para algumas situações, no entanto, as indemnizações
não podem ter um valor superior mesmo que os danos tinham sido maiores.

 Execução específica:
Se alguém se tiver obrigado a celebrar certo contrato e não cumprir a promessa, pode a outra
parte, na falta de convenção em contrário, obter sentença que produza os efeitos da declaração
negocial do faltoso, sempre que a isso não se oponha a natureza de obrigação assumida (art.
830º/1). Em face deste preceito, se qualquer um dos promitentes não celebrar o negócio
definitivo, cabe à outra parte a faculdade de conseguir sentença que substitua a manifestação de
vontade do faltoso. A execução específica é um efeito natural e meramente acidental do contrato
promessa. Contudo, a norma que a estabelece tem natureza supletiva e os contraentes podem
afastá-la mediante “convenção em contrário”. Não se exige uma cláusula expressa nesse
sentido, uma vez que, entende-se que há convenção em contrário se existir sinal (art. 440º a
442º) ou se houver sido fixada uma pena para o não cumprimento da promessa (art. 830º/2).
Todavia, elimina-se a possibilidade de exclusão expressa ou presumida da execução específica
quanto às promessas respeitantes a direitos reais sobre edifícios, frações autónomas. Nestes
casos, a norma é imperativa pois impede o afastamento da execução específica.
Por exemplo: Ana vendeu a Carlos um imóvel, depois de celebrar contrato promessa com
Bento. Por sua vez, Bento vai instaurar uma ação de execução específica contra Ana, mas Bento
só tem o direito obrigacional, oponível a registro. O contrato entre Ana e Bento só produz
efeitos obrigacionais e inter partes. Mas Carlos tem o direito real, não oponível mas não
registrou – inoponibilidade a terceiros. Porém é Bento ou Carlos que ganha a ação e fica com a
coisa? Prevalece o direito real mesmo ele não estando registado (acórdão 5/11/1998).
Requisitos da execução específica (art. 830º):
1. Tem de haver mora (mas ser possível)
2. Na falta de convenção em contrário (execução específica):
 Existe cláusula de execução específica, é possível a execução específica.
 Existe cláusula que impede execução específica, não se admite a execução e a cláusula pode
ser expressa ou tácita (art. 830º/2 – sinal ou pena para caso de não cumprimento da promessa.
 Omissão no contrato promessa quanto à execução específica, é possível execução.

Sempre que a isso não se aplicar a natureza da obrigação assumida – pressupõe a entrega da
coisa (penhor) carece do consentimento de alguém (co- proprietário e cônjuge).

Direito de Retenção:
 Direito de reter as coisas (art. 754º).
 Muito importante o artigo 755º/f) que remete para o artigo 442º.

Direito de retenção (requisito):


 Promessa de transmissão e constituição do direito real.
 Tradição da coisa (entrega da coisa).
 Incumprimento definitivo imputável à outra parte.

Por exemplo: Ana celebra um contrato promessa de compra e venda com Bento e Ana entrega a
coisa e Bento entrega um sinal de 100.000€ de uma coisa de 200.000€. Desta forma, dá o direito
à retenção da coisa quando não há cumprimento.
Bento designa-se como retentor, ele passa a reter mas não para sempre, não se transforma em
proprietário, só até ser ressarcido dos danos de 200.000€. Ele retém para receber o crédito.
Caso não houvesse sinal: o imóvel seria penhorado após uma ação executiva. Bento tem de abrir
mãos com a venda executiva e perde a coisa que nunca foi sua. No entanto, há um conflito
porque Bento tem um título de crédito em sede de ação executiva, assim Bento terá de reclamar
o seu crédito. Se reclamar vai receber o valor, senão reclamar recebe o crédito no âmbito da
ação executiva se a venda for 100.000€, mas Bento tem a receber 200.000€. Primeiramente
recebe os 100.000€ e depois propõe uma ação para receber o restante.
 Pacto de preferência
Consiste num acordo pelo qual alguém se obriga a dar preferência a outrem na eventual
conclusão futura de um determinado contrato. O pacto de preferência apresenta-se sempre
unilateral, visto que só uma das partes se vincula. O beneficiário permanece livre de exercer ou
não o direito que lhe cabe. Já o promitente não assume uma obrigação ou vinculação pura e
simples mas antes condicionada. Ele fica adstrito a dar preferência a outrem na realização de
determinado contrato, todavia apenas se compromete a preferi-lo.
Sendo assim, o pacto de preferência pode ser:
1. Legal: decorre da compropriedade (art. 1409º), por exemplo: Ana e Bento são
comproprietários, se Ana quiser vender a sua cota parte a Carlos por 50.000€, tem de dar
preferência a Bento. No entanto, se Ana vende-se a Carlos, sem dar preferência a Bento, este
podia instaurar uma ação no prazo de 6 meses a contar da data que teve conhecimento (art.
1410º).
2. Convencional: decorre da convenção. Pode ser aplicada eficácia real (art. 1410º - 421º/2 –
instaura a ação de preferência) ou eficácia obrigacional (art. 1410º à contrário – só tem direito a
uma indemnização por causa dos danos causados).

Qual dos tipos de pacto de preferência prevalece? A legal ou a convencional?


Segundo o artigo 422º prevalece primeiramente a legal e só depois a convencional. O preferente
legal está acima do preferente convencionado.

 Parte Prática
Caso Prático 1:
A e B, administrador da empresa Y, celebraram um contrato de compra e venda através
do qual, A adquire um imóvel de propriedade de Y.
A compromete-se a pagar, no prazo de 15 dias. Decorrido esse prazo, não o faz. B,
agastado com a situação, pretende receber a quantia em falta e tendo conhecimento que A
é socio de uma empresa pretende obter um montante da empresa em questão. Quid Iuris?
A celebrou um contrato de compra e venda de um imóvel com B, administrador da empresa Y.
15 dias depois B vai sobre a empresa de A, pois não fez o pagamento.
Assim, é preciso identificar a relação jurídica obrigacional, a fonte obrigacional (requisitos:
matérias e formais; e efeitos) e identificar o incumprimento.
Quanto à fonte tem-se um contrato de compra e venda (art. 874º), e são partes A e Y. Quanto aos
vínculos da relação jurídica obrigacional/efeitos: reais (879º/a) e obrigacionais (879º/b/c).
Assim, ambos são, simultaneamente, credor e devedor, logo tem-se dois vínculos e portanto, é
uma relação jurídica obrigacional complexa. Em que momento é que A se torna proprietário?
Art. 408º, por mero efeito do acordo – princípio da consensualidade.
Qual é o objeto da obrigação? O imóvel, a entrega do imóvel, e tem de ter a forma de escritura
pública – requisito formal. Embora a regra seja a liberdade de forma (219º) para os imoveis há
uma exceção e por isso, tem de ser por escritura pública.
A prestação tem de ser possível (401º), determinável (400º) e lícita (298º) – requisitos materiais.
A não paga o preço, está-se perante um incumprimento que poderá ser de mora (atraso – 804º)
ou definitivo (798º). A mora tem dois requisitos: prestação ainda tem de ser possível e tem de
haver interesse do credor (808º/2).
O definitivo é quando já não é possível a realização da prestação e nesse sentido, Y notifica A
(Interpelação Admonitória – 808º/1) tem dois requisitos: tem de ter um prazo razoável e
estabelecer uma culminação (resolução do contrato).
Quando a mora cessa? Quando o credor deixa de ter interesse, quando se torna definitivo ou
quando se cumpre a obrigação.
Solução desta situação: Y quer receber o dinheiro da empresa X, em que há é acionista. Uma
obrigação tem as respetivas características: autonomia, relatividade e patrimonialidade (398º/2).
A que interessa aqui é a relatividade, é um direito relativo, só produz efeitos entre as partes e
não afeta terceiros, estabelece-se um vínculo da ausência da eficácia externa das obrigações.
Logo, Y só pode ir buscar a sua prestação a A e não pode a X por ser uma parte distinta.

Caso Prático 2:
A apresentou uma proposta à empresa X para adquirir um relógio de coleção. Enquanto
espera pela resposta foi abordado por B, que sabia daquela proposta, tinha muito interesse
na compra do relógio para completar a sua coleção.
Consequentemente, A e B celebraram um contrato de compra e venda. Entretanto, A
recebeu a resposta da empresa X, dizendo-lhe que não vai vender o relógio. Face a isso, A
exige o pagamento do preço a B, sendo que este invoca a nulidade do contrato. Quid Iuris?

A ________________ X (proposta de compra)

B (compra e venda do relógio)

Está-se perante uma relação jurídica complexa, são duas: A e X e A e B. A primeira relação tem
como objeto o relógio (art. 202º), no art. 211º fala que, as coisas podem ser futuras e aí
distinguem-se coisas absolutamente futuras (não existem naquela data e não estão na
disponibilidade) e coisas relativamente futuras (coisas que de facto existem mas que à data do
conhecimento não estão na disponibilidade).
Posteriormente, A celebra um contrato de compra e venda com B, pode faze-lo? Segundo o art.
880º, sim pode. E B pode invocar a nulidade? Sim, pode. O art. 880º permite a compra e venda
de bens futuros, mas distingue-se duas obrigações: obrigação de resultado e obrigação de meios
(compromete-se a diligenciar o relógio). Se A tivesse prometido tentar mas não consegui-se o
relógio, não haveria uma falta de cumprimento pois ele apenas se obrigou a tentar e não a
conseguir. Na obrigação de resultado obriga-se a entregar a coisa, logo há responsabilidade). A e
B são simultaneamente credor e devedor, está-se perante o regime de bens futuros (art. 880º: é
um negocio jurídico aleatório, é a sorte dos acontecimentos). Se tiver natureza aleatória, B pode
não pagar o preço. Então segundo o art. 880º/2, B pode arguir nulidade e porque? Porque X
recusou a proposta, logo o relógio não está nas mãos de A e por isso já não é venda de bens
futuros mas de bens alheios (art. 892º).
A quer exigir o dinheiro a B a qualquer custo, pode? Não, porque não há nada na hipótese que
nos diga que a compra e venda tem caracter aleatório. B pode arguir nulidade? Pode, pois tem a
certeza que A não é nem será proprietário do relógio.

Caso Prático 3:
Em 15/01/2015, Carolina vendeu a Matilde um automóvel pelo preço de 8000€ a ser pago
em 16 prestações mensais, sucessivas e iguais. Ficou convencionado que o automóvel seria
entregue apos o pagamento da primeira prestação. A vendedora reservou a propriedade
até ao pagamento integral das oito primeiras prestações.
NOTA: Classificação das prestações no tempo:
1. Prestações Instantâneas: ir ao bar e tomar um café.
2. Prestações Fracionadas: estão limitadas.
3. Prestações Duradouras: o quanto não está definido.
a) Execução continuada: dar em arrendamento um imóvel.
b) Periódica: pagar o arrendamento.
Estas prestações têm regimes jurídicos diferentes, para a fracionada é o art. 781º (falhando uma
prestação, vencem-se as restantes) – perda do benefício do prazo, isto é, podem ser exigidas as
prestações vincendas. Outro aspeto desta prestação é a resolução do contrato (432º - 434º/1),
portanto, Carolina podia exigir o pagamento e resolver o contrato com efeitos retroativos.
Nas prestações duradouras já não há perda do benefício do prazo e a resolução do contrato tem
efeitos prospetivos (art. 432º - 434º/2).
No caso de uma compra e venda seria resolvida com o art.781º (perda do benefício do prazo
mais a resolução do contrato, art. 801º/2 – 432º e 434º/1). Em primeiro lugar tem-se a
manutenção do contrato, na segunda a destruição do contrato. No entanto, a compra e venda a
prestação tem um outro regime (art. 934º): a parte mais fraca é o devedor do preço. O art. 934º e
780º, pretende dar uma segunda oportunidade ao devedor. O art. 934º divide-se em duas partes:
uma a resolução de contrato (801º/2) e outra diz respeito à perda do beneficio do prazo (781).

Resolução do caso:
Matilde faltou à 4ª e 5ª prestação, podia Carolina resolver o contrato? Verificou-se a compra e
venda à prestação, a reserva da propriedade, a entrega da coisa e ainda, a falta do pagamento de
valor inferior a 1/8. Matilde não pode beneficiar do art. 934º, pois falhou com duas prestações,
sendo possível para Carolina resolver o contrato e exigir o pagamento do resto das prestações,
isto só no momento em que tem a reserva de propriedade.

a) Classifique o contrato celebrado entre Carolina e Matilde.


Foi celebrado um contrato de compra e venda entre Matilde e Carolina (art. 874º) que não tem
obrigatoriedade de forma (art. 875º à contrário), pelo que se estabelece o regime da liberdade de
forma presente no artigo 219º. Portanto, a conclusão do contrato não está dependente de forma.
Verificou-se os efeitos do contrato respetivos aos do artigo 875º do Código Civil.
A transferência de propriedade está prevista no contrato, mas só ópera após a 8ª prestação, já
que foi estabelecida a reserva de propriedade (art. 408º e 409º). Essa transferência não está
relacionada com o pagamento da coisa nem com a sua entrega. A entrega da coisa é instantânea
e foi feita após o pagamento e entrega da coisa. Por outro lado, o pagamento do preço é uma
prestação fracionada e será feito em 16 prestações.

b) Suponha que Matilde faltou ao pagamento da 4ª e 5ª prestação. Carolina pretende


resolver o contrato e reter as prestações já obtidas. Pode fazê-lo?
Não se aplica o regime especial nesta situação (art. 934º), na medida em que não se verifica
todos os requisitos. Assim, aplica-se a regra geral. Há limite do artigo 886º? Não, porque já
houve entrega da coisa mas não a entrega de propriedade. Portanto, Carolina pode resolver o
contrato nos termos do artigo 801º/2, mas não pode reter as prestações (art.434º/1).

c) Imagine agora que, Matilde falhou o pagamento da 10ª prestação. Quid Iuris?
O regime especial não é aplicável na medida que, já não há reserva de propriedade e assim, não
pode haver resolução do contrato (art. 934º/1ª parte). Quanto à perda do benefício do prazo: os
requisitos estão preenchidos, pelo que ainda é aplicável (art. 934º/ 2ª parte). Há, portanto, uma
inaplicabilidade do regime geral, artigo 781º. Assim, Carolina não pode fazer nada, apenas pode
exigir os juros da prestação em atraso.

Caso Prático 4:
João vende a Ana um computador pelo preço de 1000€ a pagar em 10 prestações mensais.
Reservou a propriedade até integral pagamento. A entrega da coisa foi imediata.
a) Ana falha o pagamento da 5ª prestação. Quid Iuris?
Está-se perante uma relação jurídica obrigacional complexa com dois vínculos: entrega da coisa
(instantânea) e pagamento da coisa (fracionada). Neste contrato está estabelecida a reserva de
propriedade (art. 409º). Ana faltou ao pagamento da 5ª prestação. Verifica-se o regime especial
do artigo 934º e retira-se que não se pode resolver o contrato nem beneficia da perda do prazo
por não preencher todos os requisitos. Logo, não acontece nada de mal a Ana, pelo que, se
aplica os mecanismos de defesa.

b) A solução seria a mesma se não houvesse reserva de propriedade?


Se não houver reserva de propriedade não há lugar à aplicação do artigo 934º/1ª parte, logo
haveria possibilidade à resolução do contrato nos termos do artigo 801º/2, mas é preciso
verificar o limite do artigo 886º e como houve entrega da coisa e a propriedade está no
comprador, já não seria possível a resolução do contrato. Quanto à perda do benefício do prazo:
não haveria, pois é indiferente haver ou não entrega da coisa. A resolução seria igual, mas com
fundamentos diferentes.

c) Pressuponha agora que, em vez da 5ª prestação referida na alínea a), Ana falhou a 5ª e
6ª prestação nas mesmas condições.
Não se aplica o regime especial do artigo 934º/1ª parte nem a 2ª parte, por isso pode-se aplicar o
regime geral do artigo 801º/2 sem o limite do 886º, ou o artigo 781º. Logo, João pode escolher o
regime que lhe der mais garantias, na medida que, se aplicar o artigo 801º/2 será para a
destruição do contrato (recebe a coisa mas devolve as prestações), ou o artigo 781º para a
manutenção do contrato (exige as restantes prestações).

Caso Prático 5:
a) Nuno compra a Jorge um computado em segunda mão pelo preço de 600€ a pagar em
seis prestações mensais e sucessivas de 100€ cada. Havendo reserva de propriedade até
integral pagamento. Acordam entre eles que, Jorge procederá à entrega da coisa 5 dias
depois, data em que se vencerá a primeira prestação do preço. Na véspera da data
acordada, um incendio destrói o computador. Quando Nuno se dirige para levantar o
computador é informado por Jorge que a sua obrigação se extinguiu mas que ele terá de
proceder de qualquer maneira ao pagamento do preço.
Contrato de compra e venda (art. 874º com os efeitos no art. 879º/a/b/c). O efeito da alínea a)
não opera porque há uma reserva de propriedade nos termos do art. 409º. Quais são as
consequências jurídicas: não há transferência do risco, na medida que, não houve transferência
de propriedade. MAS, como há reserva de propriedade (condição suspensiva, o risco corre por
conta do alienante (vendedor) durante a pendencia da ação – art. 796º/3/2ª parte). Logo,
extingue-se a obrigação por causa imputável do devedor (art. 790º/1) e Nuno foi exonerado do
pagamento da sua prestação (art. 795º/1).

b) Imagine que, Jorge entrega a Nuno o computador de forma acordada e que Nuno
cumpre as três primeiras prestações, acabando por falhar a quarta. Quid Iuris?
Relação Jurídica Obrigacional Complexa: o pagamento do preço é uma prestação fracionada.
Nuno faltou ao pagamento de uma prestação, poderia aplicar o regime do art. 934º/1ª parte e 2ª
parte? Não, porque a prestação é superior a 1/8. Por isso, aplica-se o regime geral, há o limite do
art. 886º? Não, porque ainda não foi transmitida a propriedade, pelo que, Jorge pode resolver o
contrato (art. 801º/2) ou exigir as restantes prestações (art. 781º). Assim, Jorge irá escolher o
regime que lhe for mais favorável.

c) Perante o incumprimento de Nuno, Jorge resolve vender o computador a Luís. Nuno


fica indignado porque só falhou uma prestação e consulta um advogado.
O advogado dirá a Nuno que ele tem de pagar todas as prestações em falta pois a reserva de
propriedade é uma condição suspensiva que, assim que for verificada irá concluir o contrato.
Assim, Jorge teria feito um contrato de compra e venda de coisa alheia com Luís e será nulo nos
termos do artigo 872º.

Caso Prático 6:
Maria tem uma herdade no Alentejo na qual produz vinho. Vendeu a Joaquim e a Nuno,
dois irmãos, 500 litros de vinho tinto da colheita de 2011 de entre aqueles que tinha no seu
armazém, tendo ficado acordado que o vinho seria entregue daí a 30 dias na caso dos
adquirentes e que o pagamento seria efetuado em 8 prestações iguais, mensais e sucessivas,
vencendo-se a primeira na data de celebração do contrato.

a) Pressuponha que, 3 dias antes da celebração do contrato houve uma inundação que
levou à perda do vinho, facto que Maria desconhecia.
Relação Jurídica Obrigacional Complexa que tem origem num contrato de compra e venda (art.
874º que pode ter ou não os efeitos do art. 879º). O que se passa aqui? Maria vendeu o vinho
mas desconhecia que 3 dias antes tinha havido uma inundação, logo a obrigação é impossível,
isto é, há uma impossibilidade que pode ser:
1. Originaria (art. 401º - gera a nulidade e tem efeitos retroativos – art. 289º).
2. Superveniente (art. 790º/1 – não culposa. A impossibilidade culposa está no art. 798º e tem
responsabilidade civil). A Superveniente ainda extingue a prestação do devedor e o credor está
desobrigado e tem direito à restituição (art. 785º/1). Há uma exceção (art. 796º): quando há
transferência de propriedade, o credor não fica obrigado.
Está-se perante uma impossibilidade originária, pelo que, o negócio seria nulo (art. 401º) e caso
já tenha havido entrega do preço, este deveria ser restituído (art. 289º).

b) Pressuponha que, a inundação ocorreu 3 dias depois da celebração do contrato. A


solução seria a mesma?
Distingue-se obrigações específicas de obrigações genéricas (art. 539º). Na específica por
exemplo: Ana adquire uma cadeira da sala X; Ana adquire todas as cadeiras da sala X. Na
genérica, por exemplo: Ana adquire uma cadeira das 10 que estão na sala X.
Em regra, a genérica tem a figura da concentração (torna-se especifica) com o cumprimento
(art. 541º à contrário. Tem como efeitos a transferência da propriedade e do risco. No art. 541º
está presente o acorda das partes, a extinção parcial e a mora do credor (art. 813º: não recebe e
não cria condição e art. 797º: ónus do cumprimento).
Que tipo de impossibilidade está presente? A superveniente não imputável (art. 790º/1).
Extingue-se a obrigação do devedor, mas o que acontece com a obrigação do credor? Como no
momento da inundação não tinha havido a transferência de propriedade aplica-se o art. 795º/1,
que refere que Joaquim e Nuno ficam desobrigados e têm direito a receber o que já prestaram.

c) Pressuponha agora que, já depois de entregue o vinho, os adquirentes recusaram-se a


pagar a segunda prestação. A quem e em que termos poderá Maria, se for esse o caso,
exigir o pagamento?
Contrato de compra e venda ás prestações e há uma falha na segunda prestação. A primeira
coisa a fazer é ver se o devedor beneficia do regime especial: art. 934º - não há reserva de
propriedade, logo, esta questão fica aqui resolvida e verifica-se o art. 801º/2 com o limite do art.
886º. Como a coisa já foi entregue, o credor não beneficia do regime da resolução do contrato.
O vendedor pode beneficiar a perda do benefício do prazo? Não há perda (art. 781º), pelo que,
Maria só pode exigir a prestação em falta e não as posteriores. Essa prestação seria pedida
metade a Joaquim e metade a Nuno por causa da figura da conjunção.
Esta obrigação tem uma pluralidade de sujeitos: conjunção (regra geral: cada um só responde
pela sua parte da prestação – art. 513º à contrário) e solidariedade (quando cada um dos
devedores responde pela prestação integral – 512º). O art. 513º só existe por lei por vontade das
partes.
Caso Prático 7:
Ana comprou a Bento 5000 garrafas de vinho da colheita de 2004, dentro daqueles que
este ainda tinha no seu armazém. Ficou convencionado que as garrafas seriam entregues
daí a 15 dias no restaurante do comprador. No dia marcado para a entrega, Bento não
conseguiu efetuar, uma vez que o comprador tinha o restaurante fechado para férias. No
regresso à Régua, a camioneta de Bento que transportava o vinho foi roubada aparecendo
uns dias depois com as garrafas todas partidas. Determine as consequências de tal facto na
relação contratual.
Está aqui presente uma impossibilidade superveniente (destruição do vinho deu-se
posteriormente). Qual é a fonte da relação jurídica obrigacional? Contrato de compra e venda
(art. 874º com os efeitos do art. 879º). O art. 795º aplica-se em contratos gerais e o art. 796º nos
contratos que envolvem transferência de propriedade.
Trata-se de uma obrigação genérica (art. 539º). Em que momento se torna especifica? Quando
se concentra? Com o momento da entrega (art. 541º à contrário). Sendo uma obrigação genérica
não se aplica o art. 408º, não se verificando o efeito do art. 879º/a.
Bento vai entregar o vinho e ao contrário do combinado, Ana não aparece. Está-se perante um
caso do 541º, mora do credor (art. 813º): sem motivo justificado não aceita a prestação que lhe é
oferecida, pelo que tem como consequência o artigo 814º/815º/816º. Assim, transfere-se a
propriedade e o risco no momento em que não atendeu a porta, ou seja, quando se concentrou
(art. 796º e 815º).
Com a destruição da garrafa tem-se uma impossibilidade superveniente, o que acontece à
prestação do devedor? Extingue-se (art. 791º) e o que acontece á do credor? Correndo o risco
por conta dele, ele tem de pagar o vinho (art. 796º).

a) A camioneta foi assaltada durante o percurso e aparecem as garrafas partidas uns dias
depois. Quid Iuris?
O risco corre por parte do devedor, ele não fica exonerado enquanto não cumprir a sua
obrigação (art. 540º). Enquanto Bento tiver garrafas daquela colheita tem de entregar, senão tem
de devolver o dinheiro a Ana.

Caso Prático 8:
Nuno arrenda a Jorge um imóvel pelo valor de 6000 euros anuais a pagar em prestações
sucessivas de 12 meses de 500 euros cada.
Nuno entrega o arrendado a Jorge e este cumpre as cinco primeiras prestações, acabando
por falhar a sexta. Nuno, revoltado, pretende resolver o contrato fazendo suas as
prestações já recebidas, pode fazê-lo?
Em alternativa, pode Nuno exigir as prestações vincendas?
Como não se trata de uma compra e venda não se pode aplicar o regime especial do art. 934º.
Está aqui presente um contrato de arrendamento de prestações duradouras e periódicas a ser
pagas em prestações sucessivas. Nuno pode resolver o contrato, por ter efeitos prospetivos e não
retroativos. Mas já não se aplica a perda do benefício do prazo (art. 781º). Portanto, pode faze-lo
nos termos do art. 434º/2, ficando com as prestações já recebidas, no entanto, não pode pedir as
vincendas porque o tempo é indeterminado e não se sabe o prazo que o Jorge vai permanecer no
arrendado.
Caso Prático 9:
António, emigrante em França, possui uma casa onde é natural.
Na sua ausência, e após um temporal, o seu irmão mandou restaurar o telhado da casa por
a água estar a danificar o recheio. Porque o empreiteiro fez um preço de amigo deu
também uma pintadela ao exterior sendo certo que era conhecida a repugnância de
António pela cor rosa com qua a casa foi pintada.
Para o conserto do telhado, primeiramente, deve-se verificar os requisitos da gestão de negócios
 Direção de negócio alheio.
 Falta de autorização (impossibilidade de contacto ou dono do negócio não estava em
condições físicas/ psíquicas para dar autorização) – há o dever de informar. O irmão logo que
possa tem de prestar todas as informações e manter a gestão se necessário.
 Os atos que constituem a direção do negócio alheio devem ser urgentes.
 Tem de ser no interesse e por conta de outrem.
A gestão de negócios pode ser irregular ou regular. Na regular há aprovação final (art. 469º) ou
nos termos (art. 468º) quando se consegue fazer prova jurídica de que os atos efetuados foram
por conta da vontade real ou presumida do dono). Para o arranjo do telhado está-se perante uma
gestão regular.
Já para o conserto da pintura, a gestão não foi aprovada logo é irregular. Como não é um ato
urgente, não chega a ser gestão de negócios pelo que resolve-se esta questão pelas regras do
enriquecimento sem causa.

Caso Prático 10:


António, coproprietário com Berta, sua irmã, de um terreno no Alentejo, foi abordado por
Joaquim que lhe propôs a compra do imóvel por 50000€.
Entusiasmado com a oferta, António sem referir não ser o único proprietário mas também
sem ter falado com a irmã, com medo que ela não aceitasse, acabou por dizer que aceitava
o contrato pelo qual se obrigava a vender. Assim, foi feito num papel vulgar, ambos se
comprometeram a vender e a comprar, estabelecendo que a escritura se faria dois meses
depois.
Joaquim entregou, imediatamente, a António 12500€ comprometendo-se a pagar outro
tanto daí a um mês, altura em que podia ficar com o terreno em seu poder. Chegados ao
momento em que a escritura deveria ser feita, António diz a Joaquim que não vende a
quinta porque Berta não está de acordo. Quid Iuris?
Está-se perante um contrato de promessa, de que resulta uma prestação jurídica (obrigam-se a
contratar). É diferente de pacto de preferência porque neste não se obrigam a contratar, apenas
há a obrigação de dar a preferência na venda).
O contrato de promessa é um contrato preliminar/preparatório do contrato definitivo (art.
410º/1). Aqui surge o princípio da equiparação do regime jurídico do contrato prometido ao do
contrato de promessa. Por regra, o de promessa rege pelo contrato prometido mas há exceções: a
forma (art. 410º/1) pela sua razão de ser não são extensivas – não segue a mesma forma e há
regras que não se aplicam, uma vez que, no contrato de promessa só abrange efeitos
obrigacionais. Por exemplo: a compra e venda de bens alheios é nula porque ninguém pode
prometer o que não lhe pertence (art. 892º) mas é válido prometer a venda de bens alheios,
materialmente, uma vez que, se está na expectativa de vir a ser seu. Na compra e venda de bens
futuros (art. 893º) é diferente pois se prometer tentar obter, a obrigação de meios não terá
responsabilidade mas se prometer obter, já haverá responsabilidade quanto à obrigação de
resultado.
A forma do contrato em relação a imoveis está presente no artigo 410º/2 e porque é uma
exceção? Porque segundo o art. 875º tinha se ser por escritura pública e não o foi. No artigo
410º/2 refere que vale um contrato por escrito apenas com as assinaturas de ambas as partes. No
entanto, há requisitos formais para a construção de edifícios presentes no art. 410º/3.
Neste caso, está presente uma compra e venda que tem os requisitos formais preenchidos, uma
vez que, não há exigência do tipo de folha de papel e tem que haver o compromisso e a
assinatura das partes. Como se fala num terreno não é necessário o reconhecimento das
assinaturas (art. 410º/2 – exceção ao principio da equiparação, não se aplica o art. 875º, logo é
formalmente válido). Quanto à validade material, a promessa de venda não é considerada um
ato de disposição, pois só tem atos meramente obrigacionais, logo a promessa feita por António,
mesmo sem o consentimento da irmã, é válida numa perspetiva material, isto porque, só tem
efeitos obrigacionais e não reais (não há transmissão da propriedade). Se a promessa tivesse
efeitos reais, António não podia celebrar por não ter poderes suficientes.
Entusiasmado com a oferta, aceitou, ele obrigou-se a contratar (contrato de promessa com a
obrigação de resultado), logo é preciso qualificar os 12.500€ recebidos (art. 440º - regra geral
para qualquer contrato, exceto a compra e venda (art. 441º - presume-se que os 12.500€ é um
sinal ilidível – trata-se do principio do pagamento). A impossibilidade de António outorgar a
escritura é um incumprimento definitivo porque a prestação não é possível, por não ser o único
proprietário.
Face a isto, pode haver vários tipos de incumprimento: mora (art. 813º), execução específica
(art. 830º - pressupõe que haja interesse do credor e a prestação seja possível) e incumprimento
definitivo que ocorre quando a prestação não é possível ou quando a mora é transferida em
incumprimento definitivo através de interpolação admonitória (art. 808º/1).
Para resolver este caso pode-se aplicar, apenas, o regime do sinal (art. 442º/2). Decorrido um
mês da sua celebração, deu-se a tradição da coisa (entrega da coisa), o que pode aumentar o
valor do bem e quando aumenta, aplica-se o direito de retenção (art. 755º/f).
Caso Prático 11:
Maria herdou um valioso quadro. Marta está interessada na aquisição daquele quadro.
Consequentemente redigiram um documento através do qual a primeira prometia vender
à segunda e esta prometia comprar o aludido quadro, pelo preço de 10.000€, tendo sido,
desde logo, entregues 5.000€.
a) Qual a forma exigível para o contrato celebrado entre Maria e Marta?
Aplica-se o Princípio da Equiparação do contrato de promessa ao contrato prometido e como
não é uma exceção terá liberdade de forma (art. 875º à contrário, art. 219º e art. 410º/1). Está
preenchido o requisito formal, pelo que, poderiam celebrar o contrato da maneira que queriam,
mas era preferível ser escrita para termos de prova.
b) Três dias depois de celebrado o contrato, Maria veio a constatar que o quadro, que
estava numa casa da família, tinha sido destruído já há duas semanas em virtude de um
pequeno incendio. Quid Iuris?
Está presente uma Impossibilidade Originária (a prestação não é possível e por isso gera a
nulidade presente no artigo 401º com os efeitos do artigo 289º). Como não há nenhum tipo de
responsabilidade nem para o credor nem para o devedor, Marta podia apenas exigir os 5.000€ de
Maria. Esses 5.000€ podem ser considerados sinal (art. 440º e ss)? Sim, na situação prevista do
artigo 441º.

c) Depois de celebrado o contrato, Matilde, famosa galerista, abordou Maria oferecendo-


lhe 20.000€ pelo quadro. Maria disse-lhe que já estava comprometida com Marta. No
entanto, Matilde insistiu até que conseguiu convencer Maria a vender-lhe o quadro, o que
efetivamente aconteceu.
Não há lugar à execução específica (art. 830º/1/2), pelo que, contra Maria, Marta pode usar o
regime do sinal (recebe os 5.000€ entregues mais 5.000€ de indemnização) e por causa do
Principio da Relatividade (art. 397º) ela só pode exigir de Maria. E como o contrato de
promessa só produz efeitos obrigacionais e não reais, a obrigação não teria eficácia externa. No
entanto, há uma exceção: a Matilde pode ser chamada a responsabilizar-se também pelos danos
sofridos e por ter conhecimento do vínculo existente entre Marta e Maria (art. 483º e 334º -
responsabilidade contratual).

Caso Prático 12:


Por escrito em particular, assinado por ambos, Pedro prometeu vender a Joaquim e este
prometeu comprar ao primeiro uma fração autónoma de um prédio urbano. O preço
convencionado foi de 150000€ tendo o promitente vendedor recebido logo metade dessa
quantia. Ao pretender efetuar a escritura do contrato definitivo deparou-se Joaquim com
a recusa de Pedro, invocando este a nulidade do contrato promessa porque o documento
que o formalizara não continha o reconhecimento presidencial das assinaturas e por ser
um imóvel comum, a sua mulher não outorgou o ato.
a) Aprecie os fundamentos de nulidade invocados por Pedro.
Existe um vício de forma porque se está perante uma exceção do princípio da equiparação.
Trata-se de um imóvel que teria de ser sob escritura pública mas o contrato de promessa podia
ser um documento particular (art. 410º/2). Pedro não pode invocar este argumento, é uma
nulidade atípica que não pode ser invocada pelo promitente vendedor (art. 410º/3) e as
assinaturas têm de ser reconhecidas. A falta de assinatura da mulher não tem efeitos reais mas
apenas efeitos obrigacionais e por isso, não se pode aplicar regras que pela sua própria naturezas
não são aplicáveis (art. 1682º/A).

b) Diga os direitos que assistem a Joaquim.


Joaquim pagou metade do imóvel e isso é considerado sinal (art. 441º), pelo que, está-se perante
um contrato de promessa com sinal e por isso, há um incumprimento. Primeiro, verifica-se se há
mora (art. 830º) e como se está numa situação do nº3, as partes não podem afastar o regime da
execução específica por ser uma fração autónoma de um edifício. Mas daqui surge um
problema: o bem é comum e a mulher não prometeu vender nada, e se o Tribunal procedesse a
uma declaração de venda seria considerada venda de bens alheiros (art. 892º). Não se está
perante uma situação de mora porque a mulher de Pedro não esta convencionada, pelo que, é
uma situação de incumprimento definitivo e Joaquim só pode usar o regime do sinal (recebe os
75000€ entregues mais 75000€ correspondentes a uma indemnização).

Caso Prático 13:


Em documento por si assinado e redigido, Ana comprometeu-se a dar prioridade a Bento
na compra de um quadro de um famoso pintor no caso de decidir vende-lo.
a) Um mês depois, Ana permutou esse quadro por uma escultura que pertencia a Carlos.
Neste caso está presente um contrato de promessa (art. 414º) que constitui um pacto de
preferência sobre uma coisa móvel. A forma do contrato de promessa é a liberdade de forma
(art. 219º). A pessoa obriga-se a dar preferência se contratar não contrata. Ana não vendeu o
quadro, mas sim o permutou. O contrato entre Ana e Carlos é de natureza diferente daquele que
Ana se comprometeu a celebrar com Bento. O direito de preferência caducou, uma vez que, só
existia se fosse celebrado um contrato de compra e venda.

b) Pressuponha que meses mais tarde Bento recebeu uma carta de Ana: “comunico-lhe
que estou disposta a vender o meu quadro por 10.000€. Queira informar nos termos e
prazo legais se está interessado na compra”. Bento não respondeu. Um ano depois o
quadro foi vendido a Daniel por aquele preço. Diga se Bento conserva algum direito.
A comunicação para ser dada a preferência tem requisitos, nomeadamente:
1. Objeto do pacto de preferência:
 Móvel (não há nunca uma ação de preferência): o juiz substituiu a terceira pessoa pelo
preferente no contrato celebrado com o autor do pacto de preferência, ou seja, substitui Carlos
por Bento.
 Imóvel (art. 1410º + 413º “senão” 798º)
2. Projeto de contrato: (montante preço; forma do pagamento; quando vai ser celebrada a
escritura da venda deve-se dizer a quem vai ser vendida a coisa – art. 416º).
3. Forma (é uma questão de prova).
Neste caso, a comunicação não cumpre requisitos logo o direito de preferência não caduca. Só
caduca quando for feita comunicação nos moldes previstos na lei e passado o prazo estipulado.
O bem é móvel, pelo que, não está sujeito a registro e não há lugar a ação de preferência (art.
421º - 798º).

Caso Prático 14:


Pedro é colecionador de selos e tem tentado adquirir um.
Joaquim, proprietário do selo não o vendeu. Francisco, conhecedor do desejo de Pedro,
soube que Joaquim decidiu vender o selo. De imediato tentou contactar Pedro que estava
de férias mas não conseguiu.
Depois de ponderar, Francisco procurou Joaquim propondo-lhe comprar o selo para o
primo, esclarecendo que não tinha interesse pessoal na aquisição. Joaquim aceitou.
Quando Pedro voltou disse ao Francisco que não estava interessado no selo por aquele
preço. Tendo em atenção que Francisco já tinha pago a Joaquim, determine a posição
jurídica de cada um dos intervenientes.
Está aqui presente um assunto alheio, uma vez que, há uma impossibilidade para comunicar
Pedro e assim, Francisco age com a intenção de fornecer-lhe o selo. Portanto, trata-se de gestão
representativa. O contrato é válido mas não eficaz pois carece de ratificação (art. 268º). E o
contrato não sendo ratificado não produz efeitos em relação a Pedro (art. 471º/1 - art. 268º).
Como Pedro não aprova o negócio não vai pagar o valor do selo. Joaquim tem direito de reaver
o dinheiro nos termos do artigo 473º, uma vez que, Joaquim enriqueceu sem causa.
NOTA: Gestão não representativa não tem este fim.

Frequência de 11 de Julho de 2014 (GRUPO IV) – ver aula prática 28/05 TGO
1. P invoca nulidade do contrato de promessa com base em conhecimento presencial das
assinaturas. Pelo art. 410º/2/3 o contrato seria nulo e através do art. 220º, Pedro não tem de
invocar a nulidade (art. 410º/3). A falta de consentimento não gera nulidade (art. 1682º/A). Um
terceiro podia invocar? Não, não se aplica o artigo 286º. E se as partes pusessem uma clausula
em que não podiam invocar nulidade. Mas o artigo 410º/3 é uma norma imperativa e por isso
não podiam colocar uma vez que, seria abuso de direito. E se um terceiro invocasse a nulidade
com base na simulação? Os terceiros só não podem invocar a nulidade por omissão das
formalidades: (acórdãos do art. 410º/3), Mas por simulação pode.

2. Incumprimento definitivo e por isso, aplica-se o regime do sinal.

Frequência do dia 11 de Julho de 2014 (GRUPO I):


A celebra com B uma pacto de preferência.
A celebra com C um contrato de arrendamento.
A celebra com D e com C um contrato de compra e venda.
O direito de preferência pode ser legal ou convencional, neste caso é convencional. Pode ter
eficácia obrigacional ou eficácia real, neste caso, tem eficácia obrigacional (consequência da
violação: art. 798º).
O contrato de arrendamento tem cariz obrigacional mas o contrato de compra e venda tem cariz
real, ou seja, são contratos com natureza diferente e por isso A podia arrendar.
A notificação (art. 416º) tem liberdade de forma. Por ser meio legal, aplica-se o artigo 798º que
corresponde a uma indemnização e por isso, não fazia sentido aplicar a execução específica.