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Exercícios de Linguagens e Redação - 3º ano/Pré-vest - fevereiro 2020

Texto para a próxima questão

Naquela manhã de céu limpo e ar leve, devido à chuva torrencial da noite anterior, saí a
caminhar com o sol ainda escondido para tomar tenência dos primeiros movimentos da
vida na roça. Num demorou nem um tiquinho e o cheiro intenso do café passado por Dona
Linda me invadiu as narinas e fez a fome se acordar daquela rema letárgica derivada da
longa noite de sono. Levei as mãos até a água que corria pela bica feita de bambu e o
contato gelado foi de arrepiar. Mas fui em frente e levei as mãos em concha até o rosto.
Com o impacto, recuei e me faltou o fôlego por alguns instantes, mas o despertar foi
imediato. Já aceso, entrei na cozinha na buscação de derrubar a fome e me acercar do
aconchego do calor do fogão à lenha. Foi quando dei reparo da figura esguia e discreta de
uma senhora acompanhada de um garoto aparentando uns cinco anos de idade já
aboletada na ponta da mesa em proseio íntimo com a dona da casa. Depois de um
vigoroso “Bom dia!”, de um vaporoso aperto de mãos nas apresentações de praxe, fiquei
sabendo que Dona Flor de Maio levava o filho Adão para tratamento das feridas que
pipocavam por seu corpo, provocando pequenas pústulas de bordas avermelhadas.

(GUIÂO, M. Disponível em: www.revistaecologico.com.br. Acesso em: 10 mar. 2014


(adaptado))

1. ENEM-2017) A variedade linguística da narrativa é adequada à descrição dos fatos. Por


isso, a escolha de determinadas palavras e expressões usadas no texto está a serviço da:

a) localização dos eventos de fala no tempo ficcional.

b) composição da verossimilhança do ambiente retratado.

c) restrição do papel do narrador à observação das cenas relatadas.

d) construção mística das personagens femininas pelo autor do texto.

e) caracterização das preferências linguísticas da personagem masculina.

Texto para a próxima questão

Zé Araújo começou a cantar num tom triste, dizendo aos curiosos que começaram a chegar
que uma mulher tinha se ajoelhado aos pés da santa cruz e jurado em nome de Jesus um
grande amor, mas jurou e não cumpriu, fingiu e me enganou, pra mim você mentiu, pra
Deus você pecou, o coração tem razões que a própria razão desconhece, faz promessas e
juras, depois esquece.

O caboclo estava triste e inspirado. Depois dessa canção que arrepiou os cabelos da
Neusa, emendou com uma valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas
bonita que só a gota serena. Era a história de uma boneca encantadora vista numa vitrine
de cristal sobre o soberbo pedestal. Zé Araújo fechava os olhos e soltava a voz:

Seus cabelos tinham a cor/ Do sol a irradiar/ Fulvos raios de amor./ Seus olhos eram
circúnvagos/ Do romantismo azul dos lagos/ Mãos liriais, uns braços divinais,/ Um corpo
alvo sem par/ E os pés muito pequenos./Enfim eu vi nesta boneca/ Uma perfeita Vênus.
(CASTRO, N. L. As pelejas de Ojuara o homem que desafiou o diabo. São Paulo: Arx, 2006
(adaptado).)

2. (ENEM-2017) O comentário do narrador do romance “[…] emendou com uma valsa mais
arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que só a gota serena” relaciona-se
ao fato de que essa valsa é representativa de uma variedade linguística:

a) detentora de grande prestígio social.

b) específica da modalidade oral da língua.

c) previsível para o contexto social da narrativa.

d) constituída de construções sintáticas complexas.

e) valorizadora do conteúdo em detrimento da forma.

Texto para a próxima questão

As atrizes

Naturalmente Naturalmente

Ela sorria Sem nem olhar a minha Cara

Mas não me dava trela Tomavam banho

Trocava a roupa Na minha frente

Na minha frente Para Sair com outro cara

E ia bailar sem mais aquela Porém nunca me importe

Escolhia qualquer um Com tais amantes

Lançava olhares (…)

Debaixo do meu nariz com tantos filmes

Dançava colada Na minha mente

Em novos pares É natural que toda atriz

Com um pé atrás Presentemente represente

Com um pé a fim Muito para mim

Surgiram outras

(CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2006 (fragmento))


3. ENEM-2017) Na Canção, Chico Buarque trabalha uma determinada função da
linguagem para marcar a subjetividade do eu lírico ante as atrizes que ele admira. A
intensidade dessa admiração está marcada em:

a) “Naturalmente. Ela sorria/ Mas não me dava trela”.

b) “Tomavam banho/ Na minha frente/ Para sair com outro Cara”.

c) “Surgiram outras Naturalmente/ Sem nem olhar a minha Cara”.

d) “Escolhia qualquer um/Lançava olhares / Debaixo do meu nariz”.

e) “É natural que toda atriz Presentemente represente/ Muito para mim”.

Texto para as próximas questões

Por que torcidas do futebol e da política escondem sociopatas?

Leonardo Sakamoto

1 Por mais que entendamos os processos que levam à desumanização do adversário ou


2 mesmo os mecanismos que fazem com que pessoas pacatas se tornem monstros
3 descontrolados quando em bando, não consigo encontrar uma palavra melhor do que
4 ‘‘idiota’’ para me referir a quem entra em uma briga por causa de um jogo de futebol.
5 Porque, no fundo, não é o futebol o motivo da agressão. Há algo maior no fundo. O futebol
6 é apenas o instrumento de descarga. É interessante como se dá a formação de matilhas
7 pela identidade reativa a um outro grupo ao invés da percepção das características do seu
8 próprio grupo. Ou seja, muita gente se une pelo ódio e não pela solidariedade. O problema
9 é que a união pela negação é incapaz de criar um projeto próprio de país, mas apenas algo
10 com sinal invertido. Nesse contexto, há torcidas políticas que abandonam a razão muito
11 antes que alguns torcedores de times de futebol. Pois apesar de muitos destes estarem
12 envolvidos em atos de barbárie e selvageria, seus componentes sabem quando o seu time
13 dá vexame, protestam contra os dirigentes, vaiam a própria esquadra, reconhecem jogadas
14 de craque do adversário. Mas não é assim que muita gente que se torna torcedora fanática
15 na política, adotando ares de seita fundamentalista religiosa, dividindo o mundo entre o
16 divino e o satânico. Há pessoas que parecem não aceitar serem questionadas. Talvez para
17 afastar os medos e inseguranças sobre suas próprias crenças. Acredito que meu ponto de
18 vista está correto. E defendo-o. Mas sei que isso não faz dele o único. Uma outra pessoa
19 pode defender que a forma mais correta de acabar com a fome, a violência, as guerras, a
20 injustiça seja por outro caminho. O Brasil não é um país que respeita a dignidade do outro
21 e não há perspectivas para que isso passe a acontecer pois, acima de tudo, falta
22 entendimento sobre direitos humanos e, consequentemente, apoio da própria população.
23 Que, bem treinada pelos programas do tipo ‘‘espreme que sai sangue’’ na TV, acha isso
24 uma ‘‘coisa de proteger bandido’’ e esquece que a própria liberdade de professar uma
25 crença ou de não ser agredido gratuitamente por dizer o que pensa diz respeito a direitos
26 humanos. Gostamos de viver as tradições por aqui. Como o direito de deixar claro quem
27 manda e quem obedece. Se necessário, através da porrada – que é o que realmente nos
28 une e nos faz brasileiros. São uma minoria de violentos. Na política, no futebol, na religião.
29 E que, portanto, deveria ser tratada ou expelida por seus companheiros políticos, suas
30 torcidas, os outros fiéis. O problema é que o resto da sociedade, por cumplicidade ou
31 indiferença, segue no papel de refém e espectadora de um show de horrores que parece
32 não ter fim.
(*Texto adaptado. Original disponível em:
https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/06/19/por-que-torcidas-do-futebol-e-da-
politica-escondem-sociopatas/ Acessado em 23/06/2017)

4. (UNESPAR-2017) Em relação ao emprego dos mecanismos de coesão, assinale a


alternativa INCORRETA:

a) "muitos destes" (linha 11) refere-se à "times de futebol" (linha 11).

b) "seus" em "seus componentes", "seu" em "seu time" (linha 12) e "própria" em "própria
esquadra" (linha 13) se referem a "torcedores de times de futebol" (linha 10-11).

c) O sujeito de "acha isso" (linha 23) e "esquece" (linha 23) é "própria população" (linha 22).

d) "coisa de proteger bandido" (linha 23) refere-se a "direitos humanos" (linha 21).

e) "os outros fiéis" (linha 29) recupera "seus companheiros políticos, suas torcidas" (linha
28-29).

5. Em relação ao gênero textual, é CORRETO afirmar que:


a) Trata-se de uma notícia, pois caracteriza-se por apresentar um relato integral de algum
acontecimento sem comentários ou interpretações do autor.
b) Trata-se de uma entrevista, pois caracteriza-se por apresentar um formato de pergunta-
resposta.
c) Trata-se de um editorial, texto no qual é expressa a opinião da empresa jornalística
sobre algum fato da realidade sem possuir autoria assinada.
d) Trata-se de um artigo de opinião, pois apresenta a opinião de um autor sobre um tema
ou fato de grande repercussão na sociedade.
e) Trata-se de uma carta do leitor, texto no qual o leitor do veículo jornalístico expressa sua
opinião sobre alguma notícia que já foi publicada na imprensa.

6. A coerência textual, diferentemente da coesão, não pode ser observada na superfície do


texto. Para compreender o que está escrito, é necessário que haja um compartilhamento
de informações contextuais entre o leitor, o autor e o texto. Assim, para uma compreensão
total de um texto é necessário possuir conhecimentos prévios sobre seu tema. Além disso,
para um texto ser coerente, ele precisa seguir alguns princípios básicos inerentes à
coerência textual, sendo eles:

I. Princípio da Relevância: todas as informações presentes no texto precisam dialogar entre


si;

II. Princípio da Não Contradição: um texto não pode possuir ideias e informações que se
contradigam;

III. Princípio da Não Conotação: todas as palavras do texto precisam estar em seu sentido
denotativo, tal como aparece no dicionário;

IV. Princípio da Não Tautologia: o texto não pode possuir ideias repetidas escritas com
outras palavras, ou seja, não pode ser redundante.
Estão corretos os princípios:

a) I, II, III e IV; d) I, II e IV;

b) II, III e IV; e) I e IV.

c) I, II e III;
7. UDESC-2009) Analise as afirmativas quanto às recomendações da norma culta sobre
acentuação gráfica.

I - Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e a vê-lo.

II - Logo depois, seguiu na direção do Largo da Carioca, para entrar num tílburi.

III - A idéia de estarem descobertos parecía-lhe cada vez mais verossimil.

IV - Camilo, em si, reconhecia que podia serví-la por toda uma eternidade.

V - A mesma suspensão das suas visitas apenas com o pretexto futil, trouxe-lhe magoas.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas II e IV são c) Somente as afirmativas I e II são


verdadeiras. verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I e III são d) Somente as afirmativas III, IV e V são


verdadeiras. verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

Texto para a próxima questão

História de bem-te-vi

Cecília Meireles

Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que
passarinho é coisa só de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas
antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem
bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que
tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto
palácio verde podem morar muitos passarinhos.

Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás,
maracanãs e "querejuás todos azuis de cor finíssima...". Nós esquecemos tudo:
quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...

Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.

E é pena, pois com esse nome que tem — e que é a sua própria voz — devia estar
em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento
oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão
inocente e agradável que ninguém se aborreceria.

O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo


a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos
vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a
articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: "...te-vi! ...te-
vi", com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam
muito rebeldes e novidadeiras achei natural que também os passarinhos estivessem
contagiados pelo novo estilo humano.

Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão — como posso saber,
com a folhagem cerrada da mangueira? — animou-se a uma audácia maior Não quis
saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão:
"...vi! ...vi! ...vi! ..." o que me pareceu divertido, nesta era do twist.

O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha
voado com o seu team de futebol — que se não há de pensar de bem-te-vis assim
progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus
brasões? Talvez tenha sido atacado por esses crioulos fortes que agora saem do
mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que
encontram.

Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar E cantava assim: "Bem-bem-bem...te-vi!" Pensei:


"É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!..." Depois, o passarinho
mudou. E fez: "Bem-te-te-te... vi!" Tornei a refletir: "Deve estar estudando a sua
cartilha... Estará soletrando..." E o passarinho: "Bem-bem-bem...te-te-te...vi-vi-vi!"

Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido
uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos
assuntos, ouviram, pensaram e disseram: "Que engraçado! Um bem-te-vi gago!"

(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)

(Texto extraído do livro “Escolha o seu sonho", Editora Record – Rio de Janeiro,
2002, pág. 53)

Vocabulário

Ornitólogo – aquele que estuda as aves

Twist – dança de origem americana, da década de 1960.

Team – palavra da língua inglesa traduzida em português como “time”, grupo esportivo.

8. (VALOR 10) (Instituto Cidades–2015) Sobre a tipologia textual e as funções da


linguagem no texto, é correto afirmar que:

a) O texto se enquadra no gênero conto, tendo como função da linguagem predominante a


fática.

b) O texto se enquadra no gênero crônica, havendo a presença da função poética pela


presença da linguagem figurada.
c) O texto se enquadra no gênero narrativo, sendo a função apelativa a predominante.

d) O texto se enquadra no gênero dissertativo, sendo a função metalinguística a


predominante.

Texto para a próxima questão

A Questão é Começar

Coçar e comer é só começar. Conversar e escrever também. Na fala, antes de iniciar,


mesmo numa livre conversação, é necessário quebrar o gelo. Em nossa civilização
apressada, o “bom dia”, o “boa tarde, como vai?” já não funcionam para engatar conversa.
Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol. No escrever também poderia
ser assim, e deveria haver para a escrita algo como conversa vadia, com que se divaga até
encontrar assunto para um discurso encadeado. Mas, à diferença da conversa falada, nos
ensinaram a escrever e na lamentável forma mecânica que supunha texto prévio,
mensagem já elaborada. Escrevia-se o que antes se pensara. Agora entendo o contrário:
escrever para pensar, uma outra forma de conversar. Assim fomos “alfabetizados”, em
obediência a certos rituais. Fomos induzidos a, desde o início, escrever bonito e certo. Era
preciso ter um começo, um desenvolvimento e um fim predeterminados. Isso estragava,
porque bitolava, o começo e todo o resto. Tentaremos agora (quem? eu e você, leitor)
conversando entender como necessitamos nos reeducar para fazer do escrever um ato
inaugural; não apenas transcrição do que tínhamos em mente, do que já foi pensado ou
dito, mas inauguração do próprio pensar. “Pare aí”, me diz você. “O escrevente escreve
antes, o leitor lê depois.” “Não!”, lhe respondo, “Não consigo escrever sem pensar em você
por perto, espiando o que escrevo. Não me deixe falando sozinho.” Pois é; escrever é isso
aí: iniciar uma conversa com interlocutores invisíveis, imprevisíveis, virtuais apenas, sequer
imaginados de carne e ossos, mas sempre ativamente presentes. Depois é espichar
conversas e novos interlocutores surgem, entram na roda, puxam assuntos. Termina-se
sabe Deus onde.

(MARQUES, M.O. Escrever é Preciso, Ijuí, Ed. UNIJUÍ, 1997, p. 13)

9. (PUC-SP–2011) Observe a seguinte afirmação feita pelo autor: “Em nossa civilização
apressada, o “bom dia”, o “boa tarde” já não funcionam para engatar conversa. Qualquer
assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol.” Ela faz referência à função da linguagem
cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique a alternativa que explicita essa função.

a) Função emotiva. d) Função conativa.

b) Função referencial. e) Função poética.

c) Função fática.

Texto para a próxima questão

Madrigal Melancólico

O Que Eu Adoro em ti,

Não é a tua beleza. A beleza é um conceito.

A beleza, é em nós que ela existe. E a beleza é triste.


Não é triste em si, Graça aérea como o teu próprio
pensamento.
Mas pelo que há nela de fragilidade e de
incerteza. Graça que perturba e que satisfaz.

O que eu adoro em ti, O que eu adoro em ti,

Não é a tua inteligência. Não é a mãe que já perdi.

Não é o teu espírito sutil, Não é a irmã que já perdi.

Tão ágil, tão luminoso, E meu pai.

– Ave solta no céu matinal da montanha.

Nem é a tua ciência O que eu adoro em tua natureza,

Do coração dos homens e das coisas. Não é o profundo instinto maternal

Em teu flanco aberto como uma ferida.

O que eu adoro em ti, Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.

Não é a tua graça musical, O que eu adoro em ti – lastima-me e


consola-me!
Sucessiva e renovada a cada momento,
O que eu adoro em ti, é a vida.
(Disponível em: <https://natrodrigo.wordpress.com/2009/03/19/madrigal-melancolico/>.
Acesso em: 21 nov. 2018.)

10. (VALOR 5) (IFPI – 2012) Marque o sinônimo de “melancólico” (título):

a) Enfadonho; d) Misterioso;

b) Tristonho; e) Fantasio

c) Alegórico;

Texto para a próxima questão

Burnout: conheça o tipo mais devastador de estresse

A síndrome da exaustão ou do esgotamento profissional já atinge 30% dos brasileiros

Gabriela* se levantou, com muito esforço, e preparou um café da manhã dos


campeões: suco misturado com vodca. Nem ela acreditou na cena, mas foi a única
saída que encontrou para encarar o peso de mais um dia inteiro no escritório.

A assistente de marketing promocional não suportava a rotina profissional havia


meses. Trabalhava 14 horas, das 8h às 22h, e eventualmente passava sábados e
domingos em eventos promovidos pela empresa. Acordava trabalho, respirava
trabalho e dormia trabalho.

Aos 33 anos, tinha crises de labirintite e não passava um dia sem cair no choro.
Quando terminou de tomar o suco batizado com álcool, enviou uma mensagem para
seu psiquiatra. Foi a gota d’água: “Gabriela, você precisa parar agora. Venha para o
consultório que vou prescrever uma licença de um mês. Chega”, respondeu o médico.

Em outro canto do país, no começo de 2015, Helloá Regina ouviu o despertador e se


preparou para começar mais um dia de trabalho. Juntou todas as forças para levantar
da cama, mas não conseguiu. O corpo não respondia.

Aprovada em um concurso da prefeitura de uma capital, a jovem de 23 anos passava


nove horas diárias trabalhando. Em seguida, emendava outro turno na faculdade para
concluir o curso de Administração Pública. Mas nem lá parava de pensar nos
abacaxis que precisava descascar no trabalho: nos prazos a serem cumpridos, nas
constantes ameaças de ser exonerada, na culpa por não dar conta dos pepinos.

Sentia dor de cabeça, perdia o sono, mal conseguia assistir às aulas. Até que o corpo
tomou por ela a decisão: era hora de se afastar do trabalho.

Helloá e Gabriela sucumbiram ao cansaço e à pressão do ambiente de trabalho.


Viraram parte das estatísticas: 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores
brasileiros sofrem com a síndrome de burnout (ou síndrome do esgotamento
profissional), segundo estimativa da International Stress Management Association
(Isma).

A proporção é semelhante à do Reino Unido, onde um a cada três habitantes (mais


de 20 milhões de pessoas) enfrenta o problema. Mesmo na Alemanha, conhecida por
ter carga horária reduzida entre os países desenvolvidos, 2,7 milhões de pessoas —
8% da força de trabalho — apresentam sinais de burnout.

É um problema mundial, que, segundo especialistas, aumenta a cada ano e causa


danos à saúde e à economia. No Brasil, a falta de produtividade causada pela
exaustão gera prejuízo de 3,5% do nosso PIB (Produto Interno Bruto), conforme
cálculos feitos pela Isma em 2010.

Esses milhões de pessoas não conseguem relaxar. Não há feriado ou férias que
consigam repor todas as energias sugadas pelo expediente.

“É o nível mais devastador do estresse, é uma exaustão que não passa nunca, e a
pessoa não consegue se adaptar a uma situação nova”, explica a psicóloga Ana
Maria Rossi, presidente da Isma no Brasil. “Não é um cansaço comum. É uma doença
mesmo, como um fogo descontrolado”, completa ela.

Imagine seu pior dia no trabalho: às 19h seu chefe exigiu um relatório extenso e
complexo para a manhã do dia seguinte. Com o tempo apertado, o trabalho não saiu
tão bom assim. E ele, claro, não gostou do resultado. Você está cansado e sente que
seu empenho não valeu a pena. Bate aquela insegurança e você se pergunta quanto
tempo levará até que o RH o chame para conversar sobre a sua demissão.

Seu corpo entra em alerta, um estágio inicial e natural de estresse — aquela reação
biológica que prepara o organismo para correr ou lutar. A maioria das pessoas supera
a crítica, sai para reclamar com os amigos e esquece o dia ruim. Ou parte em busca
de outro emprego. Mas nem todo mundo consegue agir assim.
“Pessoas que estão de saco cheio do trabalho ficam loucas pelo fim do expediente. Aí
saem com os amigos, vão ao cinema. Mas alguns, por mais que odeiem o trabalho,
não conseguem se desligar dele, só pensam nisso. Chegam em casa mortos e não
fazem mais nada”, explica o psiquiatra Emmanuel Kanter.

É como se, para essas pessoas, todos os dias, inclusive os fins de semana, fossem
repletos de medo e de uma sensação de incompetência e impotência. O corpo nunca
desliga o sinal de alerta. E, uma hora ou outra, mostra os sinais de exaustão, que, se
agravados, podem ser até fatais.

*O nome foi trocado para não identificar a entrevistada.

(Adaptado de: <https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2017/01/burnout-conheca-o-


tipo-mais-devastador-de-estresse.html>. Acesso em: 05/04/2017.)

11. (IFPI-2017) Quanto à utilização de tipologias textuais no texto, assinale V para


verdadeiro e F para falso, em seguida marque a opção CORRETA:

( ) Há, no texto em análise, a presença das três tipologias textuais: narração,


descrição e argumentação.

( ) Há uma predominância da tipologia textual argumentativa, apesar de haver


também traços das tipologias narrativa, injuntiva e descritiva.

( ) Pode-se identificar traços textuais das tipologias narrativa e injuntiva no texto em


análise.

( ) Apesar de predominantemente descritivo, o texto deve ser considerado


dissertativo.

( ) Não é possível identificar no texto as tipologias textuais descritiva, injuntiva e


expositiva.

a) V, V, V, F, F. d) F, F, V, F, F.

b) V, V, V, V, F. e) F, F, F, F, F

c) F, F, F, F, V.
12. São características de um texto injuntivo:

I. Verbos no imperativo.

II. Tem a intenção de instruir o leitor.

III. Apresenta uma tese central que é sustentada por fatos e argumentos.

Estão corretas as afirmações:

a) I e II. c) II e III.

b) I e III. d) Somente a III.


e) Todas as afirmações estão corretas.

Texto para as próximas questões

Serpente (Pitty)

Logo mais, amanhã já vem

Um pressagio, eu vi tambem

Arrastou o ceu numa conjuraçao

Corpos ebrios em confusao

A sustentação é que a manhã já vem

Logo mais, amanhã já vem

O acaso empurra quem

Se agarra à borda, preso em negação

Solitário na multidão

A sustentação é que a manhã já vem

Logo mais, amanhã já vem

Chega dessa pele, é hora de trocar

Por baixo ainda é serpente

E devora a cauda pra recomeçar


(Disponível em: <https://www.letras.mus.br/pitty/serpente/>. Acesso em: 21 nov. 2018.))

13. (VALOR 10) Na segunda estrofe da música Serpente, da cantora nordestina Pitty, foram
retirados os sinais de acentuação gráfica de algumas palavras. Assinale a alternativa em que todas
as palavras estão grafadas corretamente:

a) céu – córpos – ebríos – confusão.

b) presságio – também – céu – conjuração – ébrios – confusão.

c) presságio – também – céu – conjuração – ebríos – confusão.

d) tâmbem – céu – conjuração – ebríos – confusão.

e) pressàgio – também – céu – conjuração – ébrios – confusão.

14. As palavras borda, solitário, é, já e baixo são, respectivamente:

a) paroxítona – paroxítona – oxítona – oxítona – oxítona.

b) oxítona – paroxítona – oxítona – oxítona – oxítona.

c) paroxítona – proparoxítona – oxítona – oxítona – paroxítona.

d) paroxítona – paroxítona – oxítona – oxítona – paroxítona.

e) oxítona – paroxítona – oxítona – oxítona – paroxítona.

15. Analise as frases a seguir. Algumas delas contêm desvios da norma culta padrão. Identique-as e
reescreva-as adequadamente.

a) Por mais que esforçasse-se para conquistar a promoção não tinha o reconhecimento do seu
chefe.

b) Já era tempo do Brasil acordar para a corrupção.

c) Bolsonaro presidente do Brasil faz questão de ser polêmico.

d) Vende-se moveis planejados.

e) Chegou a casa no horário.

f) Já se passou duas horas desde que chegamos no hospital.

g) Faltou dois professores na escola hoje.

h) Cajá e cajú são minhas frutas favoritas.

i) Preferimos vender a casa do que continuar morando aqui.

j) Encontrá-lo-emos assim que chegarmos à Portugal.

k) Haviam mil pessoas na manifestação.

l) Não importe-se com nossa vida. Se importe com a sua.

Colégio Visão
Colégio Visão
Texto para a próxima questão

Naquela manhã de céu limpo e ar leve, devido à chuva torrencial da noite anterior, saí a
caminhar com o sol ainda escondido para tomar tenência dos primeiros movimentos da
vida na roça. Num demorou nem um tiquinho e o cheiro intenso do café passado por Dona
Linda me invadiu as narinas e fez a fome se acordar daquela rema letárgica derivada da
longa noite de sono. Levei as mãos até a água que corria pela bica feita de bambu e o
contato gelado foi de arrepiar. Mas fui em frente e levei as mãos em concha até o rosto.
Com o impacto, recuei e me faltou o fôlego por alguns instantes, mas o despertar foi
imediato. Já aceso, entrei na cozinha na buscação de derrubar a fome e me acercar do
aconchego do calor do fogão à lenha. Foi quando dei reparo da figura esguia e discreta de
uma senhora acompanhada de um garoto aparentando uns cinco anos de idade já
aboletada na ponta da mesa em proseio íntimo com a dona da casa. Depois de um
vigoroso “Bom dia!”, de um vaporoso aperto de mãos nas apresentações de praxe, fiquei
sabendo que Dona Flor de Maio levava o filho Adão para tratamento das feridas que
pipocavam por seu corpo, provocando pequenas pústulas de bordas avermelhadas.

(GUIÂO, M. Disponível em: www.revistaecologico.com.br. Acesso em: 10 mar. 2014


(adaptado))

1. ENEM-2017) A variedade linguística da narrativa é adequada à descrição dos fatos. Por


isso, a escolha de determinadas palavras e expressões usadas no texto está a serviço da:

a) localização dos eventos de fala no tempo ficcional.

b) composição da verossimilhança do ambiente retratado.

c) restrição do papel do narrador à observação das cenas relatadas.

d) construção mística das personagens femininas pelo autor do texto.

e) caracterização das preferências linguísticas da personagem masculina.

Texto para a próxima questão

Zé Araújo começou a cantar num tom triste, dizendo aos curiosos que começaram a chegar
que uma mulher tinha se ajoelhado aos pés da santa cruz e jurado em nome de Jesus um
grande amor, mas jurou e não cumpriu, fingiu e me enganou, pra mim você mentiu, pra
Deus você pecou, o coração tem razões que a própria razão desconhece, faz promessas e
juras, depois esquece.

O caboclo estava triste e inspirado. Depois dessa canção que arrepiou os cabelos da
Neusa, emendou com uma valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas
bonita que só a gota serena. Era a história de uma boneca encantadora vista numa vitrine
de cristal sobre o soberbo pedestal. Zé Araújo fechava os olhos e soltava a voz:

Seus cabelos tinham a cor/ Do sol a irradiar/ Fulvos raios de amor./ Seus olhos eram
circúnvagos/ Do romantismo azul dos lagos/ Mãos liriais, uns braços divinais,/ Um corpo
alvo sem par/ E os pés muito pequenos./Enfim eu vi nesta boneca/ Uma perfeita Vênus.

(CASTRO, N. L. As pelejas de Ojuara o homem que desafiou o diabo. São Paulo: Arx, 2006
(adaptado).)

Colégio Visão
2. (ENEM-2017) O comentário do narrador do romance “[…] emendou com uma valsa mais
arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que só a gota serena” relaciona-se
ao fato de que essa valsa é representativa de uma variedade linguística:

a) detentora de grande prestígio social.

b) específica da modalidade oral da língua.

c) previsível para o contexto social da narrativa.

d) constituída de construções sintáticas complexas.

e) valorizadora do conteúdo em detrimento da forma.

Texto para a próxima questão

As atrizes

Naturalmente Naturalmente

Ela sorria Sem nem olhar a minha Cara

Mas não me dava trela Tomavam banho

Trocava a roupa Na minha frente

Na minha frente Para Sair com outro cara

E ia bailar sem mais aquela Porém nunca me importe

Escolhia qualquer um Com tais amantes

Lançava olhares (…)

Debaixo do meu nariz com tantos filmes

Dançava colada Na minha mente

Em novos pares É natural que toda atriz

Com um pé atrás Presentemente represente

Com um pé a fim Muito para mim

Surgiram outras

(CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2006 (fragmento))

Colégio Visão
3. ENEM-2017) Na Canção, Chico Buarque trabalha uma determinada função da
linguagem para marcar a subjetividade do eu lírico ante as atrizes que ele admira. A
intensidade dessa admiração está marcada em:

a) “Naturalmente. Ela sorria/ Mas não me dava trela”.

b) “Tomavam banho/ Na minha frente/ Para sair com outro Cara”.

c) “Surgiram outras Naturalmente/ Sem nem olhar a minha Cara”.

d) “Escolhia qualquer um/Lançava olhares / Debaixo do meu nariz”.

e) “É natural que toda atriz Presentemente represente/ Muito para mim”.

Texto para as próximas questões

Por que torcidas do futebol e da política escondem sociopatas?

Leonardo Sakamoto

1 Por mais que entendamos os processos que levam à desumanização do adversário ou


2 mesmo os mecanismos que fazem com que pessoas pacatas se tornem monstros
3 descontrolados quando em bando, não consigo encontrar uma palavra melhor do que
4 ‘‘idiota’’ para me referir a quem entra em uma briga por causa de um jogo de futebol.
5 Porque, no fundo, não é o futebol o motivo da agressão. Há algo maior no fundo. O futebol
6 é apenas o instrumento de descarga. É interessante como se dá a formação de matilhas
7 pela identidade reativa a um outro grupo ao invés da percepção das características do seu
8 próprio grupo. Ou seja, muita gente se une pelo ódio e não pela solidariedade. O problema
9 é que a união pela negação é incapaz de criar um projeto próprio de país, mas apenas algo
10 com sinal invertido. Nesse contexto, há torcidas políticas que abandonam a razão muito
11 antes que alguns torcedores de times de futebol. Pois apesar de muitos destes estarem
12 envolvidos em atos de barbárie e selvageria, seus componentes sabem quando o seu time
13 dá vexame, protestam contra os dirigentes, vaiam a própria esquadra, reconhecem jogadas
14 de craque do adversário. Mas não é assim que muita gente que se torna torcedora fanática
15 na política, adotando ares de seita fundamentalista religiosa, dividindo o mundo entre o
16 divino e o satânico. Há pessoas que parecem não aceitar serem questionadas. Talvez para
17 afastar os medos e inseguranças sobre suas próprias crenças. Acredito que meu ponto de
18 vista está correto. E defendo-o. Mas sei que isso não faz dele o único. Uma outra pessoa
19 pode defender que a forma mais correta de acabar com a fome, a violência, as guerras, a
20 injustiça seja por outro caminho. O Brasil não é um país que respeita a dignidade do outro
21 e não há perspectivas para que isso passe a acontecer pois, acima de tudo, falta
22 entendimento sobre direitos humanos e, consequentemente, apoio da própria população.
23 Que, bem treinada pelos programas do tipo ‘‘espreme que sai sangue’’ na TV, acha isso
24 uma ‘‘coisa de proteger bandido’’ e esquece que a própria liberdade de professar uma
25 crença ou de não ser agredido gratuitamente por dizer o que pensa diz respeito a direitos
26 humanos. Gostamos de viver as tradições por aqui. Como o direito de deixar claro quem
27 manda e quem obedece. Se necessário, através da porrada – que é o que realmente nos
28 une e nos faz brasileiros. São uma minoria de violentos. Na política, no futebol, na religião.
29 E que, portanto, deveria ser tratada ou expelida por seus companheiros políticos, suas
30 torcidas, os outros fiéis. O problema é que o resto da sociedade, por cumplicidade ou
31 indiferença, segue no papel de refém e espectadora de um show de horrores que parece
32 não ter fim.

Colégio Visão
(*Texto adaptado. Original disponível em:
https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/06/19/por-que-torcidas-do-futebol-e-da-
politica-escondem-sociopatas/ Acessado em 23/06/2017)

4. (UNESPAR-2017) Em relação ao emprego dos mecanismos de coesão, assinale a


alternativa INCORRETA:

a) "muitos destes" (linha 11) refere-se à "times de futebol" (linha 11).

b) "seus" em "seus componentes", "seu" em "seu time" (linha 12) e "própria" em "própria
esquadra" (linha 13) se referem a "torcedores de times de futebol" (linha 10-11).

c) O sujeito de "acha isso" (linha 23) e "esquece" (linha 23) é "própria população" (linha 22).

d) "coisa de proteger bandido" (linha 23) refere-se a "direitos humanos" (linha 21).

e) "os outros fiéis" (linha 29) recupera "seus companheiros políticos, suas torcidas" (linha
28-29).

5. Em relação ao gênero textual, é CORRETO afirmar que:


a) Trata-se de uma notícia, pois caracteriza-se por apresentar um relato integral de algum
acontecimento sem comentários ou interpretações do autor.
b) Trata-se de uma entrevista, pois caracteriza-se por apresentar um formato de pergunta-
resposta.
c) Trata-se de um editorial, texto no qual é expressa a opinião da empresa jornalística
sobre algum fato da realidade sem possuir autoria assinada.
d) Trata-se de um artigo de opinião, pois apresenta a opinião de um autor sobre um tema
ou fato de grande repercussão na sociedade.
e) Trata-se de uma carta do leitor, texto no qual o leitor do veículo jornalístico expressa sua
opinião sobre alguma notícia que já foi publicada na imprensa.

6. A coerência textual, diferentemente da coesão, não pode ser observada na superfície do


texto. Para compreender o que está escrito, é necessário que haja um compartilhamento
de informações contextuais entre o leitor, o autor e o texto. Assim, para uma compreensão
total de um texto é necessário possuir conhecimentos prévios sobre seu tema. Além disso,
para um texto ser coerente, ele precisa seguir alguns princípios básicos inerentes à
coerência textual, sendo eles:

I. Princípio da Relevância: todas as informações presentes no texto precisam dialogar entre


si;

II. Princípio da Não Contradição: um texto não pode possuir ideias e informações que se
contradigam;

III. Princípio da Não Conotação: todas as palavras do texto precisam estar em seu sentido
denotativo, tal como aparece no dicionário;

Colégio Visão
IV. Princípio da Não Tautologia: o texto não pode possuir ideias repetidas escritas com
outras palavras, ou seja, não pode ser redundante.

Estão corretos os princípios:

a) I, II, III e IV; d) I, II e IV;

b) II, III e IV; e) I e IV.

c) I, II e III;
7. UDESC-2009) Analise as afirmativas quanto às recomendações da norma culta sobre
acentuação gráfica.

I - Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e a vê-lo.

II - Logo depois, seguiu na direção do Largo da Carioca, para entrar num tílburi.

III - A idéia de estarem descobertos parecía-lhe cada vez mais verossimil.

IV - Camilo, em si, reconhecia que podia serví-la por toda uma eternidade.

V - A mesma suspensão das suas visitas apenas com o pretexto futil, trouxe-lhe magoas.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas II e IV são c) Somente as afirmativas I e II são


verdadeiras. verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I e III são d) Somente as afirmativas III, IV e V são


verdadeiras. verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

Texto para a próxima questão

História de bem-te-vi

Cecília Meireles

Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que
passarinho é coisa só de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas
antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem
bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que
tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto
palácio verde podem morar muitos passarinhos.

Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás,
maracanãs e "querejuás todos azuis de cor finíssima...". Nós esquecemos tudo:
quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
Colégio Visão
Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.

E é pena, pois com esse nome que tem — e que é a sua própria voz — devia estar
em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento
oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão
inocente e agradável que ninguém se aborreceria.

O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo


a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos
vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a
articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: "...te-vi! ...te-
vi", com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam
muito rebeldes e novidadeiras achei natural que também os passarinhos estivessem
contagiados pelo novo estilo humano.

Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão — como posso saber,
com a folhagem cerrada da mangueira? — animou-se a uma audácia maior Não quis
saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão:
"...vi! ...vi! ...vi! ..." o que me pareceu divertido, nesta era do twist.

O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha
voado com o seu team de futebol — que se não há de pensar de bem-te-vis assim
progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus
brasões? Talvez tenha sido atacado por esses crioulos fortes que agora saem do
mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que
encontram.

Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar E cantava assim: "Bem-bem-bem...te-vi!" Pensei:


"É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!..." Depois, o passarinho
mudou. E fez: "Bem-te-te-te... vi!" Tornei a refletir: "Deve estar estudando a sua
cartilha... Estará soletrando..." E o passarinho: "Bem-bem-bem...te-te-te...vi-vi-vi!"

Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido
uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos
assuntos, ouviram, pensaram e disseram: "Que engraçado! Um bem-te-vi gago!"

(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)

(Texto extraído do livro “Escolha o seu sonho", Editora Record – Rio de Janeiro,
2002, pág. 53)

Vocabulário

Ornitólogo – aquele que estuda as aves

Twist – dança de origem americana, da década de 1960.

Team – palavra da língua inglesa traduzida em português como “time”, grupo esportivo.

8. (VALOR 10) (Instituto Cidades–2015) Sobre a tipologia textual e as funções da


linguagem no texto, é correto afirmar que:

Colégio Visão
a) O texto se enquadra no gênero conto, tendo como função da linguagem predominante a
fática.

b) O texto se enquadra no gênero crônica, havendo a presença da função poética pela


presença da linguagem figurada.

c) O texto se enquadra no gênero narrativo, sendo a função apelativa a predominante.

d) O texto se enquadra no gênero dissertativo, sendo a função metalinguística a


predominante.

Texto para a próxima questão

A Questão é Começar

Coçar e comer é só começar. Conversar e escrever também. Na fala, antes de iniciar,


mesmo numa livre conversação, é necessário quebrar o gelo. Em nossa civilização
apressada, o “bom dia”, o “boa tarde, como vai?” já não funcionam para engatar conversa.
Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol. No escrever também poderia
ser assim, e deveria haver para a escrita algo como conversa vadia, com que se divaga até
encontrar assunto para um discurso encadeado. Mas, à diferença da conversa falada, nos
ensinaram a escrever e na lamentável forma mecânica que supunha texto prévio,
mensagem já elaborada. Escrevia-se o que antes se pensara. Agora entendo o contrário:
escrever para pensar, uma outra forma de conversar. Assim fomos “alfabetizados”, em
obediência a certos rituais. Fomos induzidos a, desde o início, escrever bonito e certo. Era
preciso ter um começo, um desenvolvimento e um fim predeterminados. Isso estragava,
porque bitolava, o começo e todo o resto. Tentaremos agora (quem? eu e você, leitor)
conversando entender como necessitamos nos reeducar para fazer do escrever um ato
inaugural; não apenas transcrição do que tínhamos em mente, do que já foi pensado ou
dito, mas inauguração do próprio pensar. “Pare aí”, me diz você. “O escrevente escreve
antes, o leitor lê depois.” “Não!”, lhe respondo, “Não consigo escrever sem pensar em você
por perto, espiando o que escrevo. Não me deixe falando sozinho.” Pois é; escrever é isso
aí: iniciar uma conversa com interlocutores invisíveis, imprevisíveis, virtuais apenas, sequer
imaginados de carne e ossos, mas sempre ativamente presentes. Depois é espichar
conversas e novos interlocutores surgem, entram na roda, puxam assuntos. Termina-se
sabe Deus onde.

(MARQUES, M.O. Escrever é Preciso, Ijuí, Ed. UNIJUÍ, 1997, p. 13)

9. (PUC-SP–2011) Observe a seguinte afirmação feita pelo autor: “Em nossa civilização
apressada, o “bom dia”, o “boa tarde” já não funcionam para engatar conversa. Qualquer
assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol.” Ela faz referência à função da linguagem
cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique a alternativa que explicita essa função.

a) Função emotiva. d) Função conativa.

b) Função referencial. e) Função poética.

c) Função fática.

Texto para a próxima questão


Colégio Visão
Madrigal Melancólico

O Que Eu Adoro em ti, O que eu adoro em ti,

Não é a tua beleza. Não é a tua graça musical,

A beleza, é em nós que ela existe. Sucessiva e renovada a cada momento,

Graça aérea como o teu próprio


pensamento.
A beleza é um conceito.
Graça que perturba e que satisfaz.
E a beleza é triste.

Não é triste em si,


O que eu adoro em ti,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de
incerteza. Não é a mãe que já perdi.

Não é a irmã que já perdi.

O que eu adoro em ti, E meu pai.

Não é a tua inteligência.

Não é o teu espírito sutil, O que eu adoro em tua natureza,

Tão ágil, tão luminoso, Não é o profundo instinto maternal

– Ave solta no céu matinal da montanha. Em teu flanco aberto como uma ferida.

Nem é a tua ciência Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.

Do coração dos homens e das coisas. O que eu adoro em ti – lastima-me e


consola-me!

O que eu adoro em ti, é a vida.


(Disponível em: <https://natrodrigo.wordpress.com/2009/03/19/madrigal-melancolico/>.
Acesso em: 21 nov. 2018.)

10. (VALOR 5) (IFPI – 2012) Marque o sinônimo de “melancólico” (título):

a) Enfadonho; d) Misterioso;

b) Tristonho; e) Fantasio

c) Alegórico;

Texto para a próxima questão


Colégio Visão
Burnout: conheça o tipo mais devastador de estresse

A síndrome da exaustão ou do esgotamento profissional já atinge 30% dos brasileiros

Gabriela* se levantou, com muito esforço, e preparou um café da manhã dos


campeões: suco misturado com vodca. Nem ela acreditou na cena, mas foi a única
saída que encontrou para encarar o peso de mais um dia inteiro no escritório.

A assistente de marketing promocional não suportava a rotina profissional havia


meses. Trabalhava 14 horas, das 8h às 22h, e eventualmente passava sábados e
domingos em eventos promovidos pela empresa. Acordava trabalho, respirava
trabalho e dormia trabalho.

Aos 33 anos, tinha crises de labirintite e não passava um dia sem cair no choro.
Quando terminou de tomar o suco batizado com álcool, enviou uma mensagem para
seu psiquiatra. Foi a gota d’água: “Gabriela, você precisa parar agora. Venha para o
consultório que vou prescrever uma licença de um mês. Chega”, respondeu o médico.

Em outro canto do país, no começo de 2015, Helloá Regina ouviu o despertador e se


preparou para começar mais um dia de trabalho. Juntou todas as forças para levantar
da cama, mas não conseguiu. O corpo não respondia.

Aprovada em um concurso da prefeitura de uma capital, a jovem de 23 anos passava


nove horas diárias trabalhando. Em seguida, emendava outro turno na faculdade para
concluir o curso de Administração Pública. Mas nem lá parava de pensar nos
abacaxis que precisava descascar no trabalho: nos prazos a serem cumpridos, nas
constantes ameaças de ser exonerada, na culpa por não dar conta dos pepinos.

Sentia dor de cabeça, perdia o sono, mal conseguia assistir às aulas. Até que o corpo
tomou por ela a decisão: era hora de se afastar do trabalho.

Helloá e Gabriela sucumbiram ao cansaço e à pressão do ambiente de trabalho.


Viraram parte das estatísticas: 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores
brasileiros sofrem com a síndrome de burnout (ou síndrome do esgotamento
profissional), segundo estimativa da International Stress Management Association
(Isma).

A proporção é semelhante à do Reino Unido, onde um a cada três habitantes (mais


de 20 milhões de pessoas) enfrenta o problema. Mesmo na Alemanha, conhecida por
ter carga horária reduzida entre os países desenvolvidos, 2,7 milhões de pessoas —
8% da força de trabalho — apresentam sinais de burnout.

É um problema mundial, que, segundo especialistas, aumenta a cada ano e causa


danos à saúde e à economia. No Brasil, a falta de produtividade causada pela
exaustão gera prejuízo de 3,5% do nosso PIB (Produto Interno Bruto), conforme
cálculos feitos pela Isma em 2010.

Esses milhões de pessoas não conseguem relaxar. Não há feriado ou férias que
consigam repor todas as energias sugadas pelo expediente.

“É o nível mais devastador do estresse, é uma exaustão que não passa nunca, e a
pessoa não consegue se adaptar a uma situação nova”, explica a psicóloga Ana
Maria Rossi, presidente da Isma no Brasil. “Não é um cansaço comum. É uma doença
mesmo, como um fogo descontrolado”, completa ela.
Colégio Visão
Imagine seu pior dia no trabalho: às 19h seu chefe exigiu um relatório extenso e
complexo para a manhã do dia seguinte. Com o tempo apertado, o trabalho não saiu
tão bom assim. E ele, claro, não gostou do resultado. Você está cansado e sente que
seu empenho não valeu a pena. Bate aquela insegurança e você se pergunta quanto
tempo levará até que o RH o chame para conversar sobre a sua demissão.

Seu corpo entra em alerta, um estágio inicial e natural de estresse — aquela reação
biológica que prepara o organismo para correr ou lutar. A maioria das pessoas supera
a crítica, sai para reclamar com os amigos e esquece o dia ruim. Ou parte em busca
de outro emprego. Mas nem todo mundo consegue agir assim.

“Pessoas que estão de saco cheio do trabalho ficam loucas pelo fim do expediente. Aí
saem com os amigos, vão ao cinema. Mas alguns, por mais que odeiem o trabalho,
não conseguem se desligar dele, só pensam nisso. Chegam em casa mortos e não
fazem mais nada”, explica o psiquiatra Emmanuel Kanter.

É como se, para essas pessoas, todos os dias, inclusive os fins de semana, fossem
repletos de medo e de uma sensação de incompetência e impotência. O corpo nunca
desliga o sinal de alerta. E, uma hora ou outra, mostra os sinais de exaustão, que, se
agravados, podem ser até fatais.

*O nome foi trocado para não identificar a entrevistada.

(Adaptado de: <https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2017/01/burnout-conheca-o-


tipo-mais-devastador-de-estresse.html>. Acesso em: 05/04/2017.)

11. (IFPI-2017) Quanto à utilização de tipologias textuais no texto, assinale V para


verdadeiro e F para falso, em seguida marque a opção CORRETA:

( ) Há, no texto em análise, a presença das três tipologias textuais: narração,


descrição e argumentação.

( ) Há uma predominância da tipologia textual argumentativa, apesar de haver


também traços das tipologias narrativa, injuntiva e descritiva.

( ) Pode-se identificar traços textuais das tipologias narrativa e injuntiva no texto em


análise.

( ) Apesar de predominantemente descritivo, o texto deve ser considerado


dissertativo.

( ) Não é possível identificar no texto as tipologias textuais descritiva, injuntiva e


expositiva.

a) V, V, V, F, F.

b) V, V, V, V, F. d) F, F, V, F, F.

c) F, F, F, F, V. e) F, F, F, F, F

Colégio Visão
12. São características de um texto injuntivo:

I. Verbos no imperativo.

II. Tem a intenção de instruir o leitor.

III. Apresenta uma tese central que é sustentada por fatos e argumentos.

Estão corretas as afirmações:

a) I e II. d) Somente a III.

b) I e III. e) Todas as afirmações estão corretas.

c) II e III.

Texto para as próximas questões

Serpente (Pitty)

Logo mais, amanhã já vem Se agarra à borda, preso em negação

Um pressagio, eu vi tambem Solitário na multidão

Arrastou o ceu numa conjuraçao A sustentação é que a manhã já vem

Corpos ebrios em confusao Logo mais, amanhã já vem

A sustentação é que a manhã já vem Chega dessa pele, é hora de trocar

Logo mais, amanhã já vem Por baixo ainda é serpente

O acaso empurra quem E devora a cauda pra recomeçar

(Disponível em: d) tâmbem – céu – conjuração – ebríos –


<https://www.letras.mus.br/pitty/serpente/ confusão.
>. Acesso em: 21 nov. 2018.))
e) pressàgio – também – céu –
13. (VALOR 10) Na segunda estrofe da conjuração – ébrios – confusão.
música Serpente, da cantora nordestina
Pitty, foram retirados os sinais de 14. As palavras borda, solitário, é, já e
acentuação gráfica de algumas palavras. baixo são, respectivamente:
Assinale a alternativa em que todas as
palavras estão grafadas corretamente: a) paroxítona – paroxítona – oxítona –
oxítona – oxítona.
a) céu – córpos – ebríos – confusão.
b) oxítona – paroxítona – oxítona –
b) presságio – também – céu – oxítona – oxítona.
conjuração – ébrios – confusão.
c) paroxítona – proparoxítona – oxítona –
c) presságio – também – céu – conjuração oxítona – paroxítona.
– ebríos – confusão.
d) paroxítona – paroxítona – oxítona –
oxítona – paroxítona.
Colégio Visão
e) oxítona – paroxítona – oxítona – e) alfabetização – armação – tristonho –
oxítona – paroxítona. felizmente.

d) analfabeto – apreender – tristonho –


infelizmente.

14. Analise as frases a seguir. Algumas delas contêm desvios da norma culta padrão.
Identique-as e reescreva-as adequadamente.

a) Por mais que esforçasse-se para conquistar a promoção não tinha o reconhecimento do
seu chefe.

b) Já era tempo do Brasil acordar para a corrupção.

c) Bolsonaro presidente do Brasil faz questão de ser polêmico.

d) Vende-se moveis planejados.

e) Chegou a casa no horário.

f) Já se passou duas horas desde que chegamos no hospital.

g) Faltou dois professores na escola hoje.

h) Cajá e cajú são minhas frutas favoritas.

i) Preferimos vender a casa do que continuar morando aqui.

j) Encontrá-lo-emos assim que chegarmos à Portugal.

k) Haviam mil pessoas na manifestação.

l) Não importe-se com nossa vida. Se importe com a sua.

Colégio Visão