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Finanças Corporativas

Diego Figueiredo Dias


SOBRE A FACULDADE

A Faculdade Cidade Verde (FCV) nasceu de um sonho, de um projeto


de vida de professores universitários que compartilhavam de um mesmo
desejo, o de produzir e difundir o conhecimento ao maior número de pes-
soas, com o intuito de formar profissionais aptos a atuarem no mundo dos
negócios. E assim, unidos por este propósito transformador, constituíram a
FCV por meio da União Maringaense de Ensino Ltda (UME).

2005 - O Diário Oficial da União (DOU) oficializou o projeto com a


publicação dos dois primeiros cursos: Administração e Ciências Contábeis.
O sonho tomava forma, novos apoiadores vieram e os primeiros alunos,
ao todo eram 35. Ainda em 2005, o grupo alçava mais um passo com a
implantação dos cursos de pós-graduação latu-sensu, nas áreas de Gestão
e Contabilidade.

2006 - mais uma conquista com a autorização do curso de Ciências


Econômicas. A esta altura, o sonho já não cabia no pequeno espaço, e fez-
se necessário melhorar a estrutura física.

2008 - Iniciou-se uma pesquisa de mercado com intuito de buscar um


novo local, com facilidade de transporte e segurança.

2009 - O crescimento do novo centro de Maringá, a FCV inicia o seu


processo de mudança para a Avenida Horácio Raccanello Filho, 5950.

2010 - Ocorreu a mudança para o atual endereço da instituição, ano


em que houve também a autorização dos cursos tecnólogos em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas, Gestão Comercial e Gestão da Produção Industrial.

2011 - Direito passa a integrar o complexo de cursos e atividades que daria


base ao desenvolvimento da FCV.

2014 - Em parceria com os Institutos Lactec, a FCV traz para Maringá o Mes-
trado Profissional em Desenvolvimento de Tecnologia.

2015 - Mais dois novos cursos passam a integrar a oferta de cursos superio-
res, os Tecnólogos em Gestão de Recursos Humanos e Tecnólogo em Marketing.
De lá pra cá, foram muitas as lutas para garantir a qualidade de ensino e inovação.

2016 - As novas conquistas: os cursos de Psicologia e Design Gráfico.

2017 - Lançamento de oito cursos de Graduação e mais de oitenta cursos de


Pós-Graduação à distância nas áreas de Educação, Gestão, Direito e Informática.

Hoje, a FCV é reconhecida como um importante centro de produção e difusão


de conhecimento com mais de vinte cursos de pós-graduação e onze de gradu-
ação presenciais, lançando os cursos de Graduação e Pós-Graduação à distância,
tendo como foco a manutenção dos mesmos padrões de qualidade apresentados
nos cursos presenciais. As instalações atuais da sede estão distribuídas em mais
de dez mil metros quadrados, comportando seus diversos departamentos admi-
nistrativos; biblioteca (com acervo de dezoito mil livros); cinco laboratórios de
informática, um de anatomia, uma brinquedoteca, trinta e quatro salas de aula,
Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ), salas de professores e de apoio pedagógico,
duas cantinas e área de laser. No tocante à qualificação dos professores, a FCV
conta com mais de 90% do seu corpo docente composto por mestres e douto-
res. Essa é a FCV de hoje, uma faculdade de negócios preocupada em formar ci-
dadãos éticos, contribuindo para o desenvolvimento social, buscando resultados
sustentáveis através do ensino presencial e a distância.
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link:
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cobrados?
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Corporativas.
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fiz meu mestrado.


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RESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO Diego Figueiredo Dias APRESENTA
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http://epx.com.br/ctb/hp12c.php
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Finanças

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Quem nunca comprou nada parcelado?


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Quem nunca pensou em financiar um veículo?


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Corporativas

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Neste livro vou levar você ao mundo dos cálculos financeiros!


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importante em nosso cotidiano, seja na vida pessoal ou profissional.

área da gestão, tenha uma calculadora financeira. Recomendo a HP 12 C.


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e pós-graduação desde que me formei em Economia, área em que também
Olá caro acadêmico! É um prazer tê-lo conosco na disciplina de Financas

Você sabe calcular se os juros anunciados são efetivamente os juros

momento, pode optar por acessar gratuitamente um emulador através do


É muito importante que você, enquanto futuro profissional graduado na
Neste livro, procurei abordar de forma prática este conteúdo que é tão
Sou o Professor Diego Figueiredo Dias, atuo como docente de graduação

Não é uma calculadora barata, então se você não pode comprar no


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descontos simples.

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Espero que você aproveite este conteúdo! Bons estudos!

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de depreciação e também introduz conceitos de análise de investimentos.

Prof. Me. Diego Figueiredo Dias


juros e descontos compostos, além de tratar também da correção monetária.
conceitos iniciais da matemática financeira, como porcentagem e juros e
Nosso livro foi dividido em 3 unidades, onde a primeira trata sobre os

A terceira e última unidade aborda os tipos de amortização, o conceito


A segunda unidade aprofunda mais no conceito de juros e parte para os

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UNIDADE 1: INTRODUÇÃO À MATEMÁTICA FINANCEIRA 11

INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 13

PERCENTAGEM ................................................................................................................... 14

TAXA UNITÁRIA ................................................................................................................... 20

DESCONTO COMERCIAL OU DESCONTO POR FORA............................................. 35

UNIDADE 2: JUROS COMPOSTOS, DESCONTOS


COMPOSTOS, AMORTIZAÇÃO E DEPRECIAÇÃO 43

INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 45

CAPITALIZAÇÃO E DESCONTOS COMPOSTOS ........................................................ 48

DESCONTO RACIONAL OU POR DENTRO ................................................................. 51

DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO ................................................................................ 57

SUMÁRIO
Método Linear (ou Quotas Constantes) .............................................................................58

Método Soma dos Dígitos .......................................................................................................60

Método Saldo Decrescente .....................................................................................................61

O segundo método é conhecido como Sistema de Amortização Constante (SAC)

70

UNIDADE 3: INTRODUÇÃO A ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 75

INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 77

MÉTODOS DETERMINÍSTICOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS...................... 81

MÉTODO DO VALOR ANUAL UNIFORME EQUIVALENTE (VAUE) ....................... 83

A TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE (TMA) ................................................................ 84

MÉTODO DO VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL) ...................................................... 85


MÉTODO DA TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) .................................................... 87

SUMÁRIO MÉTODOS NÃO EXATOS.................................................................................................. 89

ÁRVORES DE DECISÃO ..................................................................................................... 93

A ANÁLISE DE SENSIBILIDADE ...................................................................................... 101

A ANÁLISE DE CENÁRIOS ................................................................................................ 103

PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO ........................................................................ 108

QUAIS ANÁLISES UTILIZAR PARA CADA SITUAÇÃO .............................................. 123

CONCLUSÃO 128

REFERÊNCIAS 152
UNIDADE 1

Introdução à matemática
financeira

Diego Figueiredo Dias

Objetivos de Aprendizagem

• Introduzir os conceitos e as formas de cálculos de Porcentagem;


• Abordar de forma prática o conceito de Juros e Desconto Simples.
Plano de Estudo

Serão abordados os seguintes tópicos:

• Percentagem
• Exercícios resolvidos de porcentagem
• Elementos do cálculo percentual
• Taxa unitária
• Juros simples
• Desconto racional ou desconto por dentro
• Desconto comercial ou desconto por fora
UNIDADE I - Finanças Corporativas

INTRODUÇÃO
É muito comum em nosso cotidiano lidarmos com os assuntos que serão abordados nesta

unidade: Cálculo percentual e de juros!

Você vai ao comércio e logo vê uma placa: 50% de desconto à vista!

Ou ainda: Financie seu veículo com taxa de 0,99% ao mês!

Você sabe fazer um cálculo de porcentagem? Usando a calculadora? Ou sabe fa-

zer de cabeça ou através de fórmulas?

É muito comum fazermos tais contas de maneira intuitiva.

Uso um exemplo clássico que com certeza já ocorreu na sua família ou com algum

conhecido: Meu falecido avô paterno, quase sem nenhum estudo, mas a vida toda

comerciante. Fazia contas dificílimas sem o auxílio de calculadora e ainda ficava

bravo com os netos que a utilizavam. Cálculos percentuais exatos!

Nós podemos treinar isto! Vamos lá?

13
UNIDADE I - Finanças Corporativas

PERCENTAGEM
Como podemos calcular qual foi o nosso aproveitamento em um determinado exame?

Suponhamos que você tenha acertado, em um exame, 12 das 15 questões apresentadas.

A razão entre o número de questões acertadas e o número total de questões é: 12/15

Isto significa que se dividirmos 12 por 15 chegaremos ao resultado de 0,8. O valor 0,8 sig-

nifica 80%. Sabe por quê? Como o próprio nome já diz “POR CENTO”, SE MULTIPLICARMOS

0,8 POR 100, CHEGAMOS AO 80%.

Isto significa que seu aproveitamento foi de 80% ao acertar 12 questões num exa-

me que continha 15.

Vamos utilizar outro exemplo:

Se você conseguisse acertar 25 questões num exame de 50?

Divida o 25/50 e chegará ao resultado de 0,5 que se multiplicado por 100, revela

seu aproveitamento de 50%.

14
UNIDADE I - Finanças Corporativas

FIQUE POR DENTRO


Na Calculadora HP 12C:
50 ENTER 25 %T
Note que na HP12C existe uma tecla “%T” além da tecla normal “%”.
Neste caso onde queremos saber o quanto um número (por exemplo,
25) representa percentualmente de outro (50), digitamos primeiro o nú-
mero 50 na sequência apertamos ENTER, lançamos o 25 e por último a
tecla %T. Tente você mesmo!

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS DE PORCENTAGEM

1. Quanto é 15% de 80?

Multiplique 15 por 80 e divida por 100.

15 x 80 = 1200

1200/100 = 12

12 é 15% de 80

Se você achar mais fácil, você pode simplesmente multiplicar 15% na sua forma decimal,

que é 0,15 por 80:

0,15 x 80 = 12

15
UNIDADE I - Finanças Corporativas

2. Quanto é 70% de 30?

Multiplique 70 por 30 e divida por 100:

21 é 70% de 30

Ou então você pode multiplicar 70% na sua forma decimal, que é 0,70 por 30:

0,7 x 30 = 21

70% de 30 é igual a 21.

3. Quanto é 150% de 45?

Multiplique 150 por 45 e divida por 100:

67,5 é 150% de 45

Você também pode simplesmente multiplicar 150% na sua forma decimal, que é

1,50 por 45:

1,50 x 45 = 67,5

16
UNIDADE I - Finanças Corporativas

4. Expresse a razão de 19 para 25 como uma porcentagem.

A razão de 19 para 25 pode ser expressa nestas duas formas:

Ao realizarmos a divisão de 19 por 25 iremos obter o valor da razão:

Tal como procedemos no caso das razões centesimais, devemos multiplicar este

valor decimal por cem e acrescentar o símbolo “%” para termos a representação

da porcentagem, na verdade o multiplicamos por 100%:

17
UNIDADE I - Finanças Corporativas

5. 30% da população de uma cidade litorânea mora na área insular e os demais 337.799

habitantes moram na área continental. Quantas pessoas moram na ilha?

Sabemos que 30% da população da cidade mora na ilha e o restante, ou seja, 70% mora

no continente. Como 70% corresponde a 337.799 habitantes, podemos montar uma re-

gra de três para calcularmos quantos habitantes correspondem aos 30% que moram na

ilha:

337.799 está para 70, assim como x está para 30:

Podemos resolver este exercício de uma outra forma. Se multiplicarmos 337.799 por 100 e

dividirmos este produto por 70, iremos encontrar o número total de habitantes da cidade:

Ao calcular 30% de 482.570 iremos encontrar o número de habitantes da ilha:

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UNIDADE I - Finanças Corporativas

ELEMENTOS DO CÁLCULO PERCENTUAL

Vimos no exemplo do início desta unidade que:

12/15 = 80/100

Neste exemplo, chamando o 12 de percentagem, o 15 de principal e o 80 de taxa,

temos:

Percentagem/principal = taxa/100

Daí, obtemos as seguintes definições:

Taxa é o valor que representa a quantidade de unidades tomadas em cada 100.

Percentagem é o valor que representa a quantidade tomada de outra, proporcional-

mente a uma taxa.

Principal é o valor da grandeza da qual se calcula a percentagem.

O principal, a percentagem e a taxa são os elementos do cálculo percentual.

19
UNIDADE I - Finanças Corporativas

FIQUE POR DENTRO


Na prática, é muito comum:
— empregarmos as palavras desconto, comissão, multa, parte, quota, abatimen-
to, prejuízo, lucro etc. em lugar de percentagem;
— designarmos a taxa percentual simplesmente por percentagem. Assim, tanto
faz dizermos, em uma situação qualquer, que o lucro foi de R$ 80,00 ou de 20%.

TAXA UNITÁRIA
Vimos que a taxa percentual se refere a 100, isto é:

25/100 = 25%

Porém, na resolução de muitas questões, é mais prático (e, algumas vezes, neces-

sário) tomarmos como valor referencial a unidade, obtendo o que chamamos de

taxa unitária (simbolizada por i). Assim:

20
UNIDADE I - Finanças Corporativas

JUROS SIMPLES

Juros são definidos como sendo a remuneração do capital, a qualquer título.

Assim, são válidas as seguintes expressões como conceitos de juros:

A. remuneração do capital empregado em atividades produtivas;

B. custo do capital de terceiros;

C. remuneração paga pelas instituições financeiras sobre o capital nelas

aplicado.

Os juros são fixados por meio de uma taxa percentual que sempre se refere a uma

unidade de tempo (ano, semestre, trimestre, mês, dia).

21
UNIDADE I - Finanças Corporativas

Exemplos:

12% ao ano = 12% a.a.

4% ao semestre = 4% a.s.

1% ao mês = 1% a.m.

Os regimes de juros estudados na Matemática Financeira são conhecidos como juros

simples e juros compostos.

No regime de juros simples, apenas o capital inicial, também chamado de principal, rende

juros. Juros não são capitalizados e, consequentemente, não rendem juros.

No regime de juros compostos, somam-se osi juros do período ao capital para o

cálculo de novos juros nos períodos seguintes. Juros são capitalizados e passam a

render juros. O regime de juros compostos será apresentado na unidade II.

FIQUE POR DENTRO


O Valor do Dinheiro no Tempo
A Matemática Financeira está diretamente ligada ao valor do dinheiro no tempo,
que, por sua vez, está interligado à existência da taxa de juros.
Do ponto de vista da Matemática Financeira, $1.000,00 hoje não são iguais a
$1.000,00 em qualquer outra data, pois o dinheiro cresce no tempo ao longo dos

22
UNIDADE I - Finanças Corporativas

períodos, devido à taxa de juros por período.


Assim, um capital de $1.000,00 aplicado hoje, com uma taxa de juros de 8% a.a.,
implicará um rendimento anual de $80,00, proporcionando um montante de
$1.080,00 no final de um ano.
Pode-se dizer que considerando uma taxa de juros de, por exemplo, 8% a.a., é
indiferente termos $1.000,00 hoje ou $1.080,00 daqui a um ano. Um capital de
$1.000,00 hoje somente será igual a $1.000,00 daqui a um ano na hipótese irreal
da taxa de juros ser considerada igual a zero.

Vamos falar agora da simbologia que adotaremos

A simbologia e a convenção utilizadas em todo este material didático serão idênticas

àquelas adotadas por todas as calculadoras da marca HP, inclusive pela HP-12C.

As grandezas monetárias podem ser representadas no fluxo de caixa de acordo

com as convenções de final de período e de início de período, que são apresenta-

das a seguir.

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UNIDADE I - Finanças Corporativas

Fonte: Matemática Financeira Objetiva e Aplicada – obra do autor Abelardo de Lima Puccini, 7a.
edição, Editora Saraiva.

No regime de juros simples, os juros de cada período são obtidos pela aplicação da taxa

de juros i sempre sobre o principal PV, fazendo com que os juros tenham o mesmo valor

em todos os períodos. Assim, temos:

• juros de cada período: PV x i

• juros de n períodos: n x PV x i

24
UNIDADE I - Finanças Corporativas

O valor futuro FV, também chamado de montante, é resultante da aplicação de um

principal PV, durante n períodos, com uma taxa de juros i por período.

No regime de juros simples, FV é obtido pela expressão:

FV = montante = principal + juros = PV + n x PV x i

ou seja:

FV = PV (1 + i x n)

em que a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve coincidir com a unidade

referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.

A Expressão Genérica FV = PV (1 + i x n) pode ser verificada, consideran-

do PV = 1.000,00 e n = 8% ao ano, o montante FV, no final de cada ano é:

• n = 1 => FV = 1.000,00 (1 + 0,08 x 1) = 1.080,00

• n = 2 => FV = 1.000,00 (1 + 0,08 x 2) = 1.160,00

e assim por diante. Observe na tabela 2.1 que o montante FV corresponde ao Saldo

no final de cada ano após o pagamento.

25
UNIDADE I - Finanças Corporativas

EXEMPLO:

1. Um comerciante tomou emprestado num banco estatal a importância de R$ 18.000,00

pelo prazo de dois anos a uma taxa de juros de 30% ao ano. Qual será o valor dos juros e

o montante a serem pagos?

PV = R$ 18.000,00

FV = ?

n = 2 anos

i = 30% aa ou 30/100 = 0,3

FV = PV (1 + i x n)

FV = 18.000,00 (1 + 0,3 X 2)

FV = 18.000,00 x 1,6

FV = 28.800,00

26
UNIDADE I - Finanças Corporativas

FIQUE POR DENTRO


Em relação aos elementos do Diagrama Padrão são relevantes os seguintes
comentários:
a) os intervalos de tempo de todos os períodos são iguais. Assim, por exemplo,
todos os meses têm a mesma duração de 30 dias;
b) a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve necessariamente coin-
cidir com a unidade referencial de tempo utilizada para definir o número de pe-
ríodos n;
c) os problemas comuns de Matemática Financeira envolvem, em geral, apenas
quatro elementos, sendo que dois deles são obrigatoriamente a taxa de juros i e
o número de períodos n. Os outros dois elementos a serem relacionados podem
ser PV com FV, PV com PMT, e FV com PMT;
d) as fórmulas deste compêndio são desenvolvidas apenas para este Diagrama
Padrão, assumindo a convenção de final de período. Os problemas que se enqua-
dram nessa situação têm solução imediata. Os demais problemas deverão ser en-
quadrados nesse Diagrama Padrão mediante desdobramentos e outros artifícios
que não alteram o enunciado do problema;
e) a Calculadora HP-12C está preparada para resolver os problemas que se enqua-
dram neste Diagrama Padrão, com a convenção de final de período.
Ressaltamos os seguintes pontos:
a calculadora está preparada para utilizar a convenção de final de período quando
a função END estiver ativa (acione as teclas g e END, e verifique se a palavra BEGIN
não aparece indicada no visor);
a calculadora deve apresentar sempre a letra C indicada no visor (pressione

27
UNIDADE I - Finanças Corporativas

concomitantemente as teclas STO e EEX), para que realize todos os cálculos a


juros compostos, independentemente do valor de n ser um número inteiro ou
fracionário;
os valores monetários sejam de PV, FV ou PMT devem ser registrados na calcu-
ladora sempre de acordo com a convenção de sinal, isto é, as entradas de caixa
(recebimentos) devem ter o sinal positivo (+), e as saídas de caixa (pagamentos)
devem ter o sinal negativo (–);
os problemas que envolvem apenas quatro elementos devem ser resolvidos com
o registro do número zero para o elemento monetário (PV, FV ou PMT) que não
participa do problema;
os valores do número de períodos n podem ser números inteiros ou fracionários.
Por exemplo, n pode ser registrado em anos, fração de ano, fração de mês etc.;
o registro de uma taxa de juros de 8%, por exemplo, deve ser feita com a coloca-
ção do número 8 na tecla correspondente a i. A calculadora, internamente, faz as
operações com 8%, isto é, com 8/100 = 0,08;
a calculadora sempre interliga os cinco elementos (n, i, PV, PMT e FV). Por exem-
plo, no caso de obtenção do PV, a HP-12C calcula a seguinte relação:
PV = valor presente de FV + valor presente de PMT
Fonte: Matemática Financeira Objetiva e Aplicada – obra do autor Abelardo de
Lima Puccini, 7a. edição, Editora Saraiva.

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UNIDADE I - Finanças Corporativas

DESCONTO RACIONAL OU DESCONTO POR DENTRO

A taxa de juros i, também denominada taxa de rentabilidade ou, ainda, taxa de desconto

“por dentro”, pode ser obtida a partir da Relação a seguir, que fornece:

O valor do desconto, expresso em $, corresponde aos juros acumulados no tempo. Assim,

genericamente, ele pode ser obtido pela diferença entre o valor futuro FV, ou montante, e

o valor presente PV, ou principal, ou seja:

Desconto = FV − PV

O valor do desconto “por dentro” (Dd), ou racional, é obtido multiplicando-se o

valor presente PV pela taxa de desconto i, e esse produto pelo prazo da operação

n, ou seja:

Dd = PV X i X n

Na prática, entretanto, o valor presente é sempre a incógnita, sendo normalmente

conhecidos o valor futuro FV, o prazo n e a taxa de desconto i. Vamos a seguir

29
UNIDADE I - Finanças Corporativas

deduzir a fórmula que permite obter o valor do desconto racional a partir das vari-

áveis conhecidas.

O valor do desconto “por dentro”, ou racional, é também obtido pela aplicação da

expressão geral para desconto, isto é:

Dd = FV – PV

A partir da expressão acima, podemos chegar na seguinte relação:

Substituindo o PV desta última equação, na equação anterior, temos:

30
UNIDADE I - Finanças Corporativas

Vamos resolver alguns exercícios?

1. Calcule o número de meses necessário para um capital dobrar de valor, com uma

taxa de juros de 2% ao mês, no regime de juros simples.

Solução:

Supondo o valor de PV = $100,00, então teríamos FV = $200,00, e os dados do

problema seriam os seguintes:

PV= $100,00;

FV = 2 X 100,00 = $200,00;

i = 2% ao mês = 0,02;

n=?

Pela Relação apresentada anteriormente temos:

FV = 200,00 = PV (1 + i X n) = 100,00 (1 + 0,02 X n)

200,00 = 100 + 2 X n

que fornece n = 50 meses.

31
UNIDADE I - Finanças Corporativas

2. Calcule o valor da taxa mensal de desconto “por dentro” usada numa operação de

desconto de 60 dias de um título cujo valor de resgate é $10.000,00 e cujo valor do

principal é $9.750,00.

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

PV= $9.750,00;

FV = $10.000,00;

n = 60 dias = 2 meses;

i = ? (% ao mês)

ou seja, 1,282% ao mês.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Veja que sempre utilizamos as mesmas unidades de

tempo, se nos derem o tempo em dias e a taxa em meses, temos que converter um ou

outro para as mesmas unidades. Vai depender de como o problema pede. Se pedir em

meses, transforme dias em meses, isto é, 60 dias = 2 meses.

32
UNIDADE I - Finanças Corporativas

Outra coisa importante é que quando fazemos o cálculo do i no problema anterior,

o resultado sai na forma unitária e se quisermos apresentar na forma percentual é

só multiplicar por 100, isto é, 0,01282 X 100 = 1,282%.

3. Calcule o valor do desconto simples de um título de $1.000,00, com venci-

mento para 60 dias, sabendo-se que a taxa de desconto “por dentro” é de

1,2% ao mês.

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

FV = $1.000,00;

n = 60 dias;

i = 1,2% ao mês = 1,2%/30; temos ao dia = 0,04% a.d. = 0,0004

Desconto = FV – PV = ?

PV = FV/(1 + i X n) = 1.000,00/(1 +0,0004 X 60) = $ 976,56

e, portanto, o desconto “por dentro” é igual a (1.000,00 − 976,56) = $23,44.

33
UNIDADE I - Finanças Corporativas

4. Um empresário tem uma conta de cheque especial num banco que permite

saques a descoberto e que cobra 1,5% ao mês sobre o saldo devedor, a

juros simples, pelos dias que a conta ficar descoberta. Calcule o montante

de juros cobrado no mês de abril, assumindo que a conta tem saldo zero no

final de março e que em abril são emitidos os seguintes cheques:

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

i = 1,5% ao mês = 1,5%/30 = 0,05% ao dia = 0,0005 a.d.

a) Calculando os juros devidos por período:

• Juros de 1o. de abril a 10 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor

é de $2.000,00, e portanto: Juros = 2.000,00 X 0,0005 X 10 = $10,00

• Juros de 11 de abril a 20 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é

de $3.000,00, e portanto: Juros = 3.000,00 X 0,000 X 10 = $15,00

34
UNIDADE I - Finanças Corporativas

• Juros de 21 de abril a 30 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é

de $4.000,00, e portanto: Juros = 4.000,00 X 0,0005 X 10 = $20,00

Assim, o total de juros devidos no mês de abril é igual a:

Juros do mês de abril = (10,00 + 15,00 + 20,00) = $45,00

b) Utilizando o conceito de saldo médio:

O saldo devedor médio no mês de abril é obtido pela relação:

SALDO MÉDIO = (2000 x 10 + 3000 x 10 + 4000 x 10)/ 30

O que nos dá o valor de $ 3000,00

DESCONTO COMERCIAL OU DESCONTO POR FORA


No regime de juros simples, os descontos de cada período são obtidos pela aplicação da

taxa de desconto d sempre sobre o valor futuro FV, ou montante, fazendo com que os

descontos tenham o mesmo valor em todos os períodos.

35
UNIDADE I - Finanças Corporativas

Assim temos:

desconto de cada período: FV x d

desconto de n períodos: n x FV x d

Observar que a taxa de desconto d (“por fora”) é aplicada sobre o valor futuro FV

para produzir o valor presente PV, ao passo que a taxa de desconto i (“por dentro”),

ou taxa de rentabilidade, é aplicada sobre o valor presente PV para produzir o valor

futuro FV.

Assim, o valor do desconto “por fora” (Df ), ou comercial, é obtido multiplicando-se

o valor futuro FV pela taxa de desconto d por período, e esse produto pelo número

de períodos de desconto n, ou seja:

Df = FV x d x n

O valor presente PV, ou principal, resultante do desconto “por fora” sobre o montante FV,

durante n períodos, com uma taxa de desconto d por período, é obtido, a juros simples,

pela expressão:

PV = montante −descontos = FV − n x FV x d

36
UNIDADE I - Finanças Corporativas

ou seja:

PV = FV (1 − d x n)

em que a unidade referencial de tempo da taxa de desconto d deve coincidir com a

unidade referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.

Podemos então expressar o desconto por fora, como:

Vejamos um exemplo

Calcule o valor do desconto simples de um título de $1.000,00, com vencimento para 60

dias, sabendo-se que a taxa de desconto “por fora” é de 1,5% ao mês.

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

FV = $1.000,00;

n = 60 dias; d = 1,5% ao mês = 1,5%/30 ao dia = 0,05% a.d. =

0,0005 a.d.

37
UNIDADE I - Finanças Corporativas

Desconto = FV − PV = ?

Sabemos que

PV = FV (1 − d x n) = $1.000,00 x (1 − 0,0005 x 60) = $970,00

e, portanto, o desconto “por fora” é igual a (1.000,00 � 970,00) = $30,00.

INDICAÇÃO DE LEITURA
PUCCINI, Abelardo de Lima; PUCCINI, Adriana. Matemática Financeira: objetiva e aplicada.

Ed. Compacta. São Paulo: Saraiva, 2009.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caros alunos, nesta unidade trabalhamos as principais fórmulas do regime de juros simples e

demonstramos algumas de suas aplicações em diversos problemas do mercado.

É importante lembramos que, no regime de juros simples, a taxa de desconto d

(“por fora”, ou comercial) é comumente utilizada apenas com o nome de taxa de

desconto, por ser este o método consagrado pelo mercado nas operações de des-

conto de títulos comerciais.

38
UNIDADE I - Finanças Corporativas

A taxa de juros i (taxa de desconto “por dentro”, ou racional) é mais conhecida

como taxa de rentabilidade.

Tanto a taxa de desconto por dentro, quanto à taxa de desconto por fora são valo-

res que não correspondem a “verdadeira” taxa de juros (taxa efetiva) da operação,

pelo fato do regime de juros simples ser conceitualmente incorreto, na medida em

que só remunera o capital inicial (principal) aplicado.

O valor nominal de um título (valor de resgate) descontado a juros simples (descon-

to comercial) representa o valor que será creditado na conta corrente do investidor.

Esse é o valor presente do título. Para conhecer a taxa efetiva de desconto da ope-

ração é preciso comparar o valor presente do título com o seu valor nominal, por

meio do cálculo da taxa interna de retorno, que é feita a juros compostos.

A HP-12C dispõe de funções especiais para realizar cálculos no regime de juros

simples. Entretanto, os exemplos deste capítulo foram desenvolvidos sem o uso

dessas operações especiais da calculadora, pois as fórmulas e expressões de ju-

ros simples são de fácil solução com as operações convencionais de qualquer

calculadora.

39
UNIDADE I - Finanças Corporativas

ATIVIDADES
1) Calcule o montante acumulado no final de quatro semestres e a renda recebida a

partir da aplicação de um principal de $10.000,00, com uma taxa de juros de 1% ao

mês, no regime de juros simples.

2) Um título com valor de resgate de $1.000,00, com 80 dias a decorrer até seu

vencimento, está sendo negociado a juros simples, com uma taxa de descon-

to “por fora” de 15% ao ano. Calcule: a) o valor do principal desse título; b)

o valor do desconto simples; e c) a rentabilidade mensal desse título, até seu

vencimento.

3) Imagine que o título do Problema 2 seja vendido com a garantia de recompra

num prazo de três dias, e que nessa operação de três dias seja assegurada uma

rentabilidade de 1,2% ao mês. Calcule: a) o valor do título por ocasião da recom-

pra; e b) a rentabilidade mensal e a taxa de desconto anual (“por fora”) desse

título para o seu prazo remanescente de 77 dias a decorrer até seu vencimento.

4) Um investidor aplicou um principal de $1.000,00 para receber um montante

de $1.300,00 no prazo de 36 meses. Calcule, no regime de juros simples: a)

a rentabilidade trimestral do investidor; e b) a taxa de desconto mensal (“por

fora”) que corresponde à rentabilidade do item a.

40
UNIDADE I - Finanças Corporativas

5) Um banco comercial empresta $15.000,00 a um cliente, pelo prazo de três me-

ses, com uma taxa de 1% ao mês, juros simples, cobrados antecipadamente.

Dessa forma, o valor líquido liberado pelo banco é de $14.550,00, e o cliente

deve pagar os $15.000,00 no final do 3o. mês. Além disso, o banco exige um

saldo médio de $1.500,00 ao longo de todo o prazo do empréstimo. Calcule a

taxa de rentabilidade mensal do banco nessa operação, a juros simples.

6) Uma empresa deseja descontar títulos num banco comercial que opera com

uma taxa de desconto comercial de 1% ao mês, juros simples. O primeiro títu-

lo tem um valor de $10.000,00 e vencimento no prazo de 90 dias. O segundo

título tem um valor de $10.000,00 e vencimento no prazo de 180 dias. Calcule

o valor a ser creditado pelo banco na conta dessa empresa, pelo desconto

desses títulos.

41
UNIDADE 2

Juros compostos, descontos


compostos, amortização e
depreciação
Diego Figueiredo Dias

Objetivos de Aprendizagem

• Trabalhar os conceitos e formas de aplicação dos Juros e Descontos


Compostos;
• Abordar as formas de amortização e depreciação.

Plano de Estudo

Serão abordados os seguintes tópicos:

• Capitalização e descontos compostos


• Desconto racional ou por dentro
• Amortização e depreciação
UNIDADE II - Finanças Corporativas

INTRODUÇÃO
Certa vez resolvi trocar meu veículo por um novo, mas como eu não tinha todo o dinheiro

pra pagar à vista, resolvi financiar uma parte. A concessionária anunciava em sua vitri-

ne, uma taxa de juros de 0,99% ao mês para o financiamento do carro, em 12 parcelas

mensais.

Como ando sempre com minha HP 12C, fui conferir, fazendo os cálculos.

Conversando com o gerente da loja, ele me informou o seguinte:

Para financiar o valor de R$ 15.000,00, que correspondia à metade do valor de um

carro, eu iria pagar 12 parcelas mensais de R$ 1.375,00, sendo a primeira 30 dias

depois do fechamento do negócio.

Com essas informações e com a calculadora HP 12C, em alguns segundos, você

pode conferir se aquela taxa de 0,99% ao mês, divulgada pala empresa vendedora,

é a taxa que realmente custa para você como consumidor.

Vamos lá, pegue a sua calculadora HP 12 C ou no emulador online (que já passei o

link na apresentação deste material) e faça junto comigo:

45
UNIDADE II - Finanças Corporativas

1. Primeiramente ligue a HP: tecla ON.

2. Apague todas as memórias financeiras de sua HP, pois ela poderá pegar dados

armazenados e fazer o cálculo errado. Para isso aperte duas teclas: digite primeiro

a tecla f (amarela) e depois a tecla CLx. Faça isso sempre que você for começar um

novo cálculo. (f CLx).

3. Digite a tecla f e a tecla do número 2 para aparecer duas casas decimais na HP. Se

você quiser que apareça mais casas decimais é só teclar f e número desejado. (f 2)

4. Observe se no visor está aparecendo o termo BEGIN (ele não deve aparecer,

pois ele serve para cálculos com uma parcela de entrada, que não é o caso, esse

financiamento é sem entrada). Assim, se você digitar a tecla g (azul) e depois a te-

cla do número 7 (BEG) irá aparecer o termo BEGIN que serve para cálculos quanto

você já paga uma parcela no ato da compra. Nesse caso, digite a tecla g e depois

8 (END), o termo BEGIN irá desaparecer e o cálculo será feito considerando um

financiamento sem entrada, como é esse caso. (g 8)

5. Digite 12, que é o número de parcelas do financiamento, e aperte a tecla n. (12 n)

6. Digite 15000, que é o valor financiado, aperte a tecla CHS para ele ficar negativo

(-15.000,00) e digite PV. (15000 CHS PV)

46
UNIDADE II - Finanças Corporativas

7. Agora digite 1375, que é o valor de cada parcela, e depois a tecla PMT. (1375

PMT)

8. Por último, digite a tecla i, que é a informação que você deseja que a HP calcule,

ou seja, a taxa de juro. (i)

Observe que no visor apareceu 1,50. Caso não tenha aparecido esse valor, fique

tranquilo, refaça todos os passos bem devagar e com cuidado que vai dar certo.

Dessa forma podemos concluir que a taxa que está custando para quem for com-

prar esse carro financiado é de 1,50% ao mês. Bem diferente da taxa de 0,99%

estampada nas vitrines da loja.

Mas, por que você acha que isso acontece?

Neste caso, foi porque a loja informou apenas a taxa de juro do negócio e não in-

formou que havia outros custos a mais para fazer o financiamento, como o Imposto

sobre Operações Financeiras, taxa para fazer o cadastro do cliente consumidor,

taxa para a abertura de crédito etc. Essas outras informações não são apresenta-

das de maneira clara para você que é o consumidor, mas estão todas escondidas e

são acrescentadas diretamente no valor das prestações. Se você não ficar atento,

pagará todas elas sem perceber e sem saber que está pagando.

47
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Por isso é muito importante que você saiba fazer o cálculo da taxa correta, pois

assim, você mesmo descobrirá se há mais valores sendo cobrados no seu financia-

mento e não ficará dependendo das informações que lhe forem passadas.

Esse é um exemplo de armadilha que o mercado prepara para os consumidores.

Se você estiver preparado, não será surpreendido por nenhuma delas.

Vamos agora verificar estas situações e aprender a nos preparar!

CAPITALIZAÇÃO E DESCONTOS COMPOSTOS


Veremos nesta unidade que o conceito de juros compostos é muito importante, uma vez

que esse é o sistema indicado para efetuar análises e transformações de fluxos de caixa

de forma conceitualmente correta. Inicialmente, apresentaremos o problema da capita-

lização composta, que trata da valorização do dinheiro ao longo do tempo. Em seguida,

apresentaremos o problema inverso, ou seja, o da diminuição das grandezas futuras, na

medida em que são trazidas para o valor presente, mediante as operações de desconto

composto.

Nos dois casos, os estudos incluem deduções de fórmulas genéricas e suas aplicações

em exemplos numéricos, cujas soluções são apresentadas pelo Simulador da HP-12C.

48
UNIDADE II - Finanças Corporativas

No regime de juros compostos, os juros de cada período, quando não são pagos

no final do período, devem ser somados ao capital e, consequentemente, também

passam a render juros. A esse processo dá-se o nome de capitalização de juros,

e, como ele acontece no regime de juros compostos, costuma ser chamado de

capitalização composta.

No regime de juros compostos, os juros de cada período são obtidos pela aplica-

ção da taxa de juros i sobre o capital aplicado no início do período de capitalização.

Assim, temos:

A. no 1° período de capitalização (n = 1)

capital no início do período = PV

juros do período = PV x i

capital no final do período = FV = PV +PV x i = PV (1 + i)

49
UNIDADE II - Finanças Corporativas

B. no 2° período de capitalização (n = 2)

capital no início do período = PV (1 + i)

juros do período = PV (1 +i) x i

capital no final do período = FV = PV (1 +i) +PV (1 + i) x i =

= PV (1 +i) x (1 +i)

e portanto:

FV = PV (1 +i)²

C. no 3° período de capitalização (n = 3)

A expressão para o valor futuro FV, ou montante, no final do 3° período de capitali-

zação pode ser deduzida de forma análoga, e toma o seguinte aspecto:

FV = PV (1 +i)³

50
UNIDADE II - Finanças Corporativas

D. no enésimo período de capitalização A expressão genérica do valor futuro

FV, ou montante, resultante da aplicação de um principal PV durante n pe-

ríodos de capitalização, com uma taxa de juros i por período, no regime de

juros compostos é:

FV = PV (1 +i)n

em que a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve coincidir com a uni-

dade referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.

DESCONTO RACIONAL OU POR DENTRO


A taxa de desconto i (por dentro, ou racional) é usualmente denominada taxa de desconto

e é muito utilizada pelo mercado financeiro.

Temos que

que fornece o valor do principal PV a partir de FV, em função dos parâmetros n e

i. O valor do desconto “por dentro” (Dd), ou racional, expresso em $, é obtido pela

aplicação da Expressão Genérica para desconto combinada com a Relação, isto é

51
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Se temos PV, achemos então FV

O problema envolvendo o cálculo do valor futuro FV a partir do valor presente PV

consiste na solução da Expressão Genérica (5.1), em que a relação (1 +i)n precisa

ser calculada para os parâmetros i e n.

A expressão (1+i)n pode ser calculada para qualquer valor de i e de n, com a utiliza-

ção da HP-12, basta utilizar das teclas a seguir:

Vamos exemplificar?

Calcule o valor acumulado no final de seis anos, no regime de juros compostos,

com uma taxa efetiva de 10% ao ano, a partir de um investimento inicial (principal)

de $1.000,00.

52
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Solução:

n = 6 anos;

i = 10% ao ano;

PV = $1.000,00;

FV = ?

Primeiro passo é limpar a calculadora: f Clx

Segundo passo é digitar 1000 (que é o valor principal), inverter o sinal clicando em

CHS. Isto deve ser feito, pois a calculadora reconhece a partir da inversão do sinal,

que isto foi a entrada, o principal, como se fosse uma saída de caixa.

Terceiro passo é digitar 10 i

Quarto passo é digitar 6 n

E por fim, tecle em FV.

A calculadora lhe dará o número 1.771,56.

Isto significa que após 6 anos, o capital de 1000 acumulará 771,56 de juros, permi-

tindo um montante de 1.771,56.

53
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Quando o problema pedir o contrário, dado FV pra achar PV. Faça os mesmos

passos apenas trocando a tecla PV por FV, inclusive mantenha a troca de sinal

utilizando CHS.

Vamos a mais um exercício?

O montante de $1.000,00, colocado no final do 4° mês do diagrama indicado a

seguir, deve ser capitalizado e descontado com a taxa de 1% ao mês, no regime

de juros compostos.

Calcule:

A. o valor acumulado no final do 7° mês, pela capitalização do montante de

$1.000,00 indicado no diagrama;

B. o valor que deve ser investido no final do 1° mês, para se obter o montante

de $1.000,00 indicado no diagrama.

54
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Solução:

a. montante no final do 7° mês

Assim, o valor de $1.000,00 fica colocado no ponto zero da nova escala de tempo,

e deve ser tratado como um valor presente PV, que precisa ser capitalizado três

meses para atingir o final do 7° mês.

Na HP 12C

1. 1000 CHS PV

2. 3 n

3. 1 i

4. FV

O resultado será 1.030,30.

55
UNIDADE II - Finanças Corporativas

b) principal no final do 1° mês

Nesse caso, para enquadrarmos o problema no Diagrama Padrão, precisaremos

colocar o valor PV (a ser determinado) no ponto zero da nova escala de tempo,

conforme indicado a seguir:

Assim, o valor de $1.000,00 fica colocado no ponto 3 da nova escala de tempo,

e deve ser tratado como um valor presente FV, que precisa ser descontado três

meses para atingir o final do 1° mês.

Na HP 12C

1. 1000 CHS FV

2. 3 n

3. 1 i

4. PV

O resultado será 970,59.

56
UNIDADE II - Finanças Corporativas

DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO
O que é DEPRECIAÇÃO?

É a diminuição do valor dos bens corpóreos em decorrência de desgaste ou perda de

utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolescência. Expressa a perda de valor que os

valores imobilizados de utilização sofrem no tempo, por força de seu emprego na gestão.

O encargo da depreciação poderá ser computado como custo ou despesa operacional,

conforme o caso. A depreciação dos bens utilizados na produção será custo, enquanto a

depreciação dos demais bens há de ser registrada como despesa operacional.

O LANÇAMENTO PODE SER D = DESPESA DE DEPRECIAÇÃO OU C =

DEPRECIAÇÃO ACUMULADA

Segundo as leis brasileiras, segue uma tabela de depreciação:

Alguns bens não se depreciam como:

57
UNIDADE II - Finanças Corporativas

• Terrenos, salvo em melhoramentos ou construções;

• Bens que normalmente aumentam de valor com o tempo, como obra de arte;

• Prédios e construções não alugados nem utilizados por seu proprietário na

produção de seus rendimentos ou imóveis destinados à venda.

Como calculamos DEPRECIAÇÃO?

Método Linear (ou Quotas Constantes)


É o método que contabiliza, como despesa ou custo, uma parcela constante do valor do

bem em cada período.

Exemplo: A empresa comprou, no início de janeiro, um veículo com vida útil estima-

da de 5 anos pelo valor de $ 30.000,00, sem valor residual estimado.

Qual será o valor da depreciação?

No final do primeiro ano, deverá reconhecer a despesa de depreciação de $

30.000,00 : 5 = $ 6.000,00 por ano.

Para calcularmos o valor da depreciação mensal, para efeito de apuração de resul-

tados mensais, basta dividir o valor da depreciação anual por 12:

R$ 6.000,00 : 12 = R$ 500,00 por mês.

58
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Se considerarmos um valor residual de R$ 3.000,00 o valor anual da depreciação será:

($ 30.000,00 - $ 3.000,00) : 5 = $ 5.400,00 por ano.

Para calcularmos o valor da depreciação mensal, para efeito de apuração de resul-

tados mensais, basta dividir o valor da depreciação anual por 12:

R$ 5.400,00 : 12 = R$ 450,00 por mês.

A contabilização do valor da depreciação mensal será efetuada da seguinte forma:

débito de despesa de depreciação e crédito da conta Depreciação Acumulada,

portanto o lançamento será:

Débito – Despesa de Depreciação $ 450,00

Crédito – Depreciação Acumulada $ 450,00

No final do primeiro ano, o Ativo Imobilizado da empresa deverá ser apresentado

no Balanço Patrimonial da seguinte forma:

Veículos $ 30.000,00

(-) Depreciação Acumulada ($ 6.000,00) $ 24.000,00

Desta forma, o leitor do balanço saberá a idade aproximada do Ativo Imobilizado

59
UNIDADE II - Finanças Corporativas

da empresa.

Método Soma dos Dígitos


Este método consiste em somar os algarismos desde a unidade até o

algarismo que representa o número de anos da vida útil do bem. No

exemplo do item anterior, sem considerar o valor residual, teríamos:

1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15

Quota do 1o. Ano = 5/15 x $ 30.000 = $ 10.000

Quota do 2o. Ano = 4/15 x $ 30.000 = $ 8.000

Quota do 3o. Ano = 3/15 x $ 30.000 = $ 6.000

Quota do 4o. Ano = 2/15 x $ 30.000 = $ 4.000

Quota do 5o. Ano = 1/15 x $ 30.000 = $ 2.000

soma = $ 30.000

Neste método, o valor mensal da depreciação:

60
UNIDADE II - Finanças Corporativas

no primeiro ano, seria de R$ 10.000,00 : 12 = R$ 833,33.

no segundo ano, seria de R$ 8.000,00 : 12 = R$ 666,67.

no terceiro ano, seria de R$ 6.000,00 : 12 = R$ 500,00.

no quarto ano, seria de R$ 4.000,00 : 12 = R$ 333,33.

no quinto ano, seria de R$ 2.000,00 : 12 = R$ 166,67

Método Saldo Decrescente


Também denominado método de Matheson ou Exponencial, ou ainda método da por-

centagem fixa sobre o valor contábil.

Onde n é o número estimado de anos da vida útil do bem.

Usando o exemplo anterior e supondo um valor residual de R$ 1.500, teríamos:

61
UNIDADE II - Finanças Corporativas

% anual = 1 – 0,54928

% anual = 0,45072 ou 45,072%

Quota do 1o. Ano = 45,072% x 30.000 = $ 13.521,60

Quota do 2o. Ano = 45,072% x 16.478,40 = $ 7.427.15

Quota do 3o. Ano = 45,072% x 9.051,25 = $ 4.079,58

Quota do 4o. Ano = 45,072% x 4.971,67 = $ 2.240,83

Quota do 5o. Ano = 45,072% x 2.730,84 = $ 1.230,84

Total = $ 28.500,00

Neste caso, a depreciação mensal seria de:

No primeiro ano = R$ 13.521,60 : 12 = R$ 1.126,80

62
UNIDADE II - Finanças Corporativas

No segundo ano = R$ 7.427,15 : 12 = R$ 618,93

No terceiro ano = R$ 4.079,58 : 12 = R$ 339,97

No quarto ano = R$ 2.240,83 : 12 = R$ 186,74

No quinto ano = R$ 1.230,84 : 12 = R$ 102,57

O inconveniente deste método é a necessidade de um valor residual para

proceder o cálculo da depreciação.

FIQUE POR DENTRO


Exemplo de depreciação de um Congelador
Vida útil determinada pelo empresário = 4 anos
Valor de aquisição = 4.800
Valor residual (valor do mesmo congelador com 4 anos de uso) =
2.400
Valor Depreciável = Valor contábil - Valor residual
Valor Depreciável = 4.800 - 2.400 = 2.400
Taxa anual de depreciação = 25% a.a.
Depreciação no primeiro ano = 600
No segundo ano:

63
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Valor contábil = 4.800 - 600 = 4.200


Valor residual do congelador, agora para 3 anos = 1.800 (valor deve ser avaliado
ano a ano)
Valor depreciável = 4.200 - 1.800 = 2.400
Taxa de depreciação no segundo ano = 33,3333%
Depreciação no segundo ano = 800
No terceiro ano:
Valor contábil = 4.200 - 800 = 3.400
Valor residual do congelador, agora com 2 anos de uso e mais dois ano a usar =
1.000
Valor depreciável = 3.400 - 1000 = 2.400
Taxa de depreciação no terceiro ano = 50%
Depreciação no terceiro ano = 1.200
No último ano:
Valor contábil = 3.400 - 1.200 = 2.200
Valor residual, nesta data, é igual ao valor de mercado = 1.100
Valor Depreciável = 2.200 - 1.100 = 1.100
Taxa de depreciação no quarto ano = 100%
Depreciação no quarto ano = 1.100
Como consequência, o valor contábil estará refletindo o valor recuperável do
ativo.
Caso o empresário resolva continuar a usar o congelador, deverá ele estipular
nova vida útil e o valor contábil de partida será os 1.100.

64
UNIDADE II - Finanças Corporativas

O que é AMORTIZAÇÃO?

É a perda do valor dos bens imateriais em razão do tempo. Enquanto a deprecia-

ção é usada para os bens materiais (tangíveis), a amortização é usada para os bens

imateriais (intangíveis),como benfeitorias e imóveis de terceiros, marcas e patentes,

despesa de organizações etc.

A amortização dos componentes do intangível sujeita-se a dois prazos:

• Um mínimo de cinco anos, para fins fiscais;

• Um máximo de dez anos, que é aplicável a todas as pessoas jurídicas que

possuam escrituração contábil regular.

O LANÇAMENTO SER D = AMORTIZAÇÃO E C = AMORTIZAÇÃO ACUMULADA

Quais são os métodos de amortização?

Os dois métodos mais utilizados são: Sistema de Amortização Progressivo (SAP,

PRICE, ou Sistema Francês) e Sistema de Amortização Constante (SAC).

O primeiro método, conhecido também como Price ou Francês utiliza-se

da Tabela Price e é um método usado em amortização de empréstimo cuja principal

65
UNIDADE II - Finanças Corporativas

característica é apresentar prestações (ou parcelas) iguais. O método foi apresentado em

1771 por Richard Price em sua obra “Observações sobre Pagamentos Remissivos” (em in-

glês: Observations on Reversionary Payments).

O método foi idealizado pelo seu autor para pensões e aposentadorias. No entanto,

foi a partir da 2ª revolução industrial que sua metodologia de cálculo foi aproveita-

da para cálculos de amortização de empréstimo.

A Tabela Price usa o regime de juros compostos para calcular o valor das parcelas

de um empréstimo e, dessa parcela, qual é a proporção relativa aos pagamentos

dos juros e a amortização do valor emprestado.

Tomemos como exemplo um empréstimo de $ 1.000,00 com taxa de juros de 3%

ao mês a ser pago em 4 parcelas mensais. Para calcular o valor da parcela, deve-se

usar a fórmula de juros compostos combinada com a da progressão geométrica,

resultando em:

66
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Um mês depois do empréstimo, o saldo devedor cresce 3% indo para $ 1.030,00,

porém, como também deve ocorrer o pagamento de $ 269,03, o saldo devedor

passa a ser $ 760,97. Perceba que o pagamento da parcela cobriu os juros de $

30,00 e também fez a amortização de $ 239,03 (269,03 - 30,00) do valor empresta-

do. O mesmo ocorre nos meses seguintes, porém, como o saldo devedor diminui

a cada mês, o valor das parcelas relativo ao pagamento dos juros é decrescente.

67
UNIDADE II - Finanças Corporativas

FIQUE POR DENTRO


Tabela Price no Brasil
No Brasil, a interpretação matemática da existência de juro composto na Tabela
Price fica condicionada a fórmula anterior, que estabelece como regra geral na
formação dos juros embutidos nas parcelas uma progressão Geométrica decres-
cente, ou seja do maior para o menor. Vale ressaltar que juros compostos é uma
unidade de medida, assim como juros contínuos ou juros simples. Em uma mes-
ma série de pagamentos, podemos medir o custo financeiro por diversas unida-
des de medida, especialmente juros compostos e juros contínuos. A proibição
legal no Brasil é a cobrança de juros sobre juros já cobrados do mutuário.
Apesar de amplamente utilizada em todo o mundo ocidental, a metodologia
de cálculo é discutida em alguns países do mundo, por ser o único sistema que
permite o pagamento em parcelas iguais e periódicas ao longo do prazo do
empréstimo.
Embora a tabela Price seja também muito utilizada no Brasil pelo mercado e

68
UNIDADE II - Finanças Corporativas

segmentos financeiros, seu uso tem sido contestado perante o judiciário, uma vez
que a legislação brasileira permite o uso de juros compostos somente em deter-
minadas operações que possuam previsão legal.
“A aplicação da Tabela Price aos contratos de prestações diferidas no tempo im-
põe excessiva onerosidade aos mutuários devedores do SFH, pois no sistema em
que a mencionada Tabela é aplicada, os juros crescem em progressão geométri-
ca, sendo que, quanto maior quantidade de parcelas a serem pagas, maior será
a quantidade de vezes que os juros se multiplicam por si mesmos, tornando o
contrato, quando não impossível de se adimplir, pelo menos abusivo em relação
ao mutuário, que vê sua dívida se estender indefinidamente e o valor do imó-
vel exorbitar até transfigurar-se inacessível e incompatível ontologicamente com
os fins sociais do Sistema Financeiro da Habitação.” (Min José Delgado, STJ, REsp
668795 / RS ; Recurso Especial2004/0123972-0, 2005). Porém, este é o único mé-
todo que permite pagamentos iguais ao longo do período.
É muito conhecido o trecho do texto de Price para definir a transferência de renda
pelo juro composto de suas tabelas:
Um centavo de libra emprestado na data de nascimento de nosso Salvador a um
juro composto de cinco por cento teria, no presente ano de 1781, resultado em
um montante maior do que o contido em DUZENTOS MILHÕES de Terras, todas
de ouro maciço. Porém, caso ele tivesse sido emprestado a juro simples ele teria,
no mesmo período, totalizado não mais do que SETE XELINS E SEIS CENTAVOS.
(Nogueira, 2002, Tabela price da Prova Documental e Precisa elucidação de seu
anatocismo)
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabela_Price

O segundo método é conhecido como Sistema de Amortização

69
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Constante (SAC)
Sistema de Amortização Constante (SAC) é uma forma de amortização de um empréstimo

por prestações que incluem os juros, amortizando assim partes iguais do valor total do

empréstimo.

Neste sistema o saldo devedor é reembolsado em valores de amortização iguais.

Desta forma, no sistema SAC o valor das prestações é decrescente, já que os ju-

ros diminuem a cada prestação. O valor da amortização é calculada dividindo-se

o valor do principal pelo número de períodos de pagamento, ou seja, de parcelas.

O SAC é um dos tipos de sistema de amortização utilizados em financiamentos

imobiliários. A principal característica do SAC é que ele amortiza um percentual

fixo do saldo devedor desde o início do financiamento. Esse percentual de amorti-

zação é sempre o mesmo, o que faz com que a parcela de amortização da dívida

seja maior no início do financiamento, fazendo com que o saldo devedor caia mais

rapidamente do que em outros mecanismos de amortização.

Exemplo

70
UNIDADE II - Finanças Corporativas

Um empréstimo de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) a ser pago em 12 meses

a uma taxa de juros de 1,0% ao mês (em juros simples). Aplicando a fórmula para

obtenção do valor da amortização iremos obter um valor igual a R$ 10.000,00. Essa

fórmula é o valor do empréstimo solicitado divido pelo período, sendo nesse caso:

R$ 120.000,00 / 12 meses. Logo, a tabela SAC fica:

Note que o juro é sempre 1,0% do saldo devedor do mês anterior, a prestação é a

soma da amortização e o juro. Sendo assim, o juro é decrescente e diminui sempre

71
UNIDADE II - Finanças Corporativas

na mesma quantidade, R$ 100,00. O mesmo comportamento tem as prestações. A

soma das prestações é de R$ 127.800,00. Gerando juros de R$ 7.800,00.

Outra coisa a se observar é que as parcelas e juros diminuem em progressão arit-

mética (PA) de r = -100.

FIQUE POR DENTRO


Fórmulas
A=cte
Rk=[(n-k+1).i+1].P/n
Rk=A+Jk
A=P/n
Jk=(n-k+1).i.P/n
em que:
P: Financiamento
n: Quantidade de Prestações
i: taxa de juros
Rk: Prestação
A: Parcela da Amortização
Jk: Parcela do Juro k
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_Amortiza%C3%A7%C3%A3o_
Constante

72
UNIDADE II - Finanças Corporativas

INDICAÇÃO DE LEITURA
INTRODUÇÃO À MATEMÁTICA FINANCEIRA

Autores

CLOVIS DE FARO

GERSON LACHTERMACHER

JONATHAN HERNANDES MARCANTONIO

CLOVIS DE FARO

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro aluno, esta unidade trouxe os conceitos mais importantes sobre capitalização e des-

conto compostos, bem como depreciação e amortização.

São conceitos que você utilizará muito em sua vida profissional. Atualmente mui-

tas empresas de assessoria financeira e ou contábil contratam profissionais desta

área, pois muitas pessoas não gostam ou não sabem trabalhar com estes temas.

Pense que isto pode ser um diferencial muito importante na sua carreira.

73
UNIDADE II - Finanças Corporativas

ATIVIDADES
1) Calcule o saldo de uma caderneta de poupança que rende juros compostos de 10%

ao mês, com deposito inicial de R$ 1.000,00 aplicado durante 3 meses.

2) Calcule o valor que você deve aplicar com juros compostos de 2% ao mês,

durante 5 meses, para conseguir um montante de R$40.000,00?

3) Um capital de R$ 25.000,00 aplicado por 5 meses produziu um montante de

R$ 37.800,00. Qual a taxa mensal de juros?

4) Durante quanto tempo deve ficar aplicado R$ 5.000,00 à taxa de 7% ao mês para

produzir o montante de R$ 12.000,00?

74
UNIDADE 3

Introdução a análise de
investimentos

Diego Figueiredo Dias

Objetivos de Aprendizagem

• Introduzir conceitos de análise de investimentos


• Verificar alguns métodos utilizados por especialistas em tomada de
decisões.

Plano de Estudo

Serão abordados os seguintes tópicos:

• Métodos exatos de análise de investimentos


• Método do valor anual uniforme equivalente (vaue)
• A taxa mínima de atratividade (tma)
• Método do valor presente líquido (vpl)
• Método da taxa interna de retorno (tir)
• Métodos não exatos
• As árvores de decisão
• A análise de sensibilidade
• A análise de cenários
• Processo de tomada de decisão
• Exemplo de aplicação
• Quais análises utilizar para cada situação
UNIDADE III - Finanças Corporativas

INTRODUÇÃO
Diversas pessoas que lidam com projetos de investimentos, sempre se deparam com a es-

colha de alternativas que envolvem estudos econômicos. E o pior, é muito comum vermos

estas pessoas fazerem suas escolhas sem que o custo do capital empregado seja conside-

rado de maneira correta. Somente um estudo econômico pode confirmar a viabilidade de

projetos tecnicamente corretos.

Neste material, nós veremos parte do que os estudiosos chamam de “Engenharia

Econômica”. Tal engenharia objetiva a análise econômica de decisões sobre inves-

timentos e tem muitas aplicações, pois os investimentos poderão ser de empresas

privadas, públicas ou mesmo investimentos pessoais.

Alguns exemplos de problemas que estudaremos são:

• Temos o dinheiro, é melhor comprar o veículo a vista ou a prazo

• Construir uma indústria com esteira para transportar materiais ou fazer o

transporte manualmente

• Utilizar tubo de maior ou menor diâmetro para a construção de uma rede de

abastecimento de águas

77
UNIDADE III - Finanças Corporativas

REFLITA
Uma coisa que deveria ser comum, mas nem sempre é:
Uma empresa sempre deveria fazer uma análise de viabilidade ao comprar uma
nova máquina, ao instalar uma nova fábrica, ou até mesmo ao alugar um novo
equipamento, ou seja, sempre que fizer um investimento!

Sempre que formos fazer uma análise sobre investimentos, devemos considerar os aspec-

tos econômicos do mesmo, ou seja, devemos nos preocupar com a rentabilidade.

Aplicando corretamente os critérios econômicos, poderemos saber quais inves-

timentos são rentáveis ou não. Ou ainda, como poderemos aplicar dinheiro de

maneira a obter maior retorno.

Mas de nada adianta analisarmos a rentabilidade dos rendimentos se não pos-

suirmos o dinheiro para aplicar, nem termos a possibilidade de conseguir financia-

mentos. Os investimentos mais rentáveis deverão ser analisados de acordo com

critérios financeiros, os quais mostrarão os efeitos do investimento na situação

financeira da empresa, ou seja, como o investimento poderá afetar o capital de giro

da empresa.

78
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Além do supracitado, existem fatores a serem analisados que não são conversíveis

em dinheiro. Vejamos a seguir.

A decisão de se implantar um projeto deve considerar três critérios relevantes:

• Econômico: rentabilidade do investimento

• Financeiro: disponibilidade de recursos

• Imponderáveis: fatores não conversíveis em dinheiro

Este último critério trata das repercussões de um investimento que não são direta-

mente conversíveis em dinheiro, por isso chamado de imponderáveis. Um exem-

plo: investir para manter o nível de emprego. Manter a satisfação do cliente, dentre

outros. Geralmente quem faz a análise deste último critério não somos nós, gesto-

res do projeto, mas sim a alta administração da organização.

De acordo com Filho e Kopittke (2008), é conveniente ter em mente que para se

fazer um estudo econômico adequado, alguns princípios básicos devem ser con-

siderados, como:

• Observar alternativas de investimento. De nada adianta calcular se é vantajo-

so comprar algo a vista se não há condição de conseguir dinheiro para isso.

79
UNIDADE III - Finanças Corporativas

• Expressar as alternativas sempre em dinheiro. Não há como comparar 200

horas/mensais de mão de obra com 200 Kwh de energia. Convertendo os

dados em dinheiro teremos um denominador comum muito prático.

• Considerar apenas as alternativas. Por exemplo, numa análise para decidir

sobre o tipo de motor a comprar não é relevante saber o consumo de energia

dos mesmos se for igual para os dois.

• Mensurar sempre os juros sobre o capital empregado. Sempre existe algu-

ma maneira de empregar o dinheiro de modo que ele renda alguma coisa.

Quando aplicamos o dinheiro em um projeto devemos ter certeza de ser esta

a coisa mais rentável a se fazer.

• Não considerar o passado, pois o que interessa é o presente e o futuro. Não

posso dizer: “este carro não pode ser vendido por menos que 30.000,00,

pois eu gastei muito com ele em oficina”. Isto não existe. O que realmente

importa é o valor de mercado do carro.

80
UNIDADE III - Finanças Corporativas

MÉTODOS DETERMINÍSTICOS DE ANÁLISE DE


INVESTIMENTOS
Para que o método de análise de um projeto seja definido, temos antes que definir qual é

o objetivo da empresa que está elaborando e analisando o projeto.

Não faz muito tempo, as empresas apenas pensavam no lucro ao final do ano ao

fazerem um projeto. Porém os objetivos das empresas mudaram, assim como mu-

daram também os modelos de gestão com o passar dos tempos.

REFLITA!
Hoje é comum, vermos empresários abrindo mão do lucro presente para garantir
um aumento no market share e quem sabe chegar até a uma sonhada liderança
dentro de 3 anos.

Para uma análise sob este enfoque é necessário utilizarmos o conceito de “custo

de recuperação do capital”.

De acordo com Filho e Kopittke (2008), antigamente as empresas normalmente

utilizavam a contabilidade de custos conjugada à contabilidade financeira. Com

81
UNIDADE III - Finanças Corporativas

isso, todo investimento feito era amortizado em determinada quantidade de anos,

sob a forma de depreciação. A recuperação do capital era lançada a uma taxa zero.

Pelo conceito de equivalência, deve haver uma taxa tal que torne equivalente o in-

vestimento feito e sua recuperação. E é esta taxa que determina o custo do capital

investido a ser lançado como despesa.

Por isso é interessante que a empresa separe as contabilidades!

Utilizamos 3 métodos1 de análises de investimentos que se ajustam a tais conceitos:

1. Método do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE): consiste em achar uma

série uniforme equivalente a todos os custos e receitas para cada alternativa.

A alternativa que tiver o maior saldo positivo é a melhor.

2. Método do Valor Presente Líquido (VPL): calcula o valor presente equivalente

das saídas de fluxo de caixa de cada alternativa, somando-o ao investimento

inicial. A opção que apresentar o Valor Presente Líquido Total mais positivo é

a melhor. A taxa utilizada para descontar o fluxo de caixa é a TMA2.

1 O nosso objetivo não é aprofundar nos métodos, pois vocês terão estes conteúdos aprofunda-
dos em seu curso mais adiante, em outras disciplinas.

2 Taxa Mínima de Atratividade é a taxa a partir da qual o investidor considera que está obtendo
ganhos financeiros. É uma taxa associada a um baixo risco, ou seja, qualquer sobra de caixa pode ser
aplicada, na pior das hipóteses, na TMA. Geralmente é utilizada a SELIC (taxa básica de juros da econo-
mia), a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e/ou a TR (Taxa Referencial).

82
UNIDADE III - Finanças Corporativas

3. Método da Taxa Interna de Retorno (TIR): taxa para qual a saída do fluxo de

caixa proveniente de um investimento é equivalente ao valor inicial investido,

ou seja, é a taxa que zera os ganhos do investidor. Este método calcula a TIR

de todas as alternativas para compará-las com a TMA definida. Os investi-

mentos com TIR maior que a TMA são consideráveis rentáveis.

Estes métodos são equivalentes e, se bem aplicados conduzem ao mesmo resulta-

do. Porém, cada um se adapta melhor a determinado tipo de problema. Veremos

cada um deles brevemente.

MÉTODO DO VALOR ANUAL UNIFORME


EQUIVALENTE (VAUE)
Como já mencionado o VAUE consiste em achar uma série uniforme equivalente a todos

os custos e receitas para cada alternativa. A alternativa que tiver o maior saldo positivo é

a melhor. Porém os mais utilizados são a TIR e o VPL. Como custo de oportunidade, temos

o conceito de TMA que veremos a diante.

83
UNIDADE III - Finanças Corporativas

A TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE (TMA)


Como já mencionado, ao considerarmos uma proposta de investimentos, devemos levar

em conta de que estamos perdendo a oportunidade de aplicarmos estes recursos em ou-

tras coisas. Por exemplo, se eu investir $ 100 mil na compra de um equipamento, eu posso

ter que deixar de investir este dinheiro em ações, ou na própria poupança e ainda quem

sabe num outro projeto. Porém, como as oportunidades são várias, nós devemos levar em

consideração algumas opções de fácil acesso e um tanto quanto segura.

No Brasil, para pessoas físicas, é comum a TMA ser igual à rentabilidade da pou-

pança. Para pessoas jurídicas, a determinação da TMA é mais complexa e depen-

de do prazo do investimento ou da importância estratégica das alternativas.

Agora, quando vamos fazer comparações de curto prazo, como comprar uma

componente da produção hoje com desconto ou daqui a 10 dias sem desconto,

utilizamos a remuneração dos títulos bancários de curto prazo como os CDB´s.

84
UNIDADE III - Finanças Corporativas

MÉTODO DO VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)


De acordo com GROPPELLI e NIKBAKHT (2006), existem vantagens e desvantagens neste

método, veja a seguir.

FIQUE POR DENTRO


VANTAGENS E DESVANTAGENS
O método do valor presente líquido tem três vantagens importantes. Primeira, ele
usa os fluxos de caixa em lugar dos lucros líquidos. Fluxos de caixa (lucros líquidos
+ depreciação) incluem a depreciação como uma fonte de fundos. Isso funciona
porque a depreciação não é um desembolso de caixa no ano em que o ativo é
depreciado. Ao contrário da contabilidade, no campo das finanças considera-se
o fluxo de caixa em lugar dos lucros líquidos. Portanto, a abordagem do VPL, ao
contrário do método da taxa média de retorno, é consistente com a moderna te-
oria financeira.
Segunda, o método do VPL, ao contrário dos métodos da taxa média de retorno
e do período de amortização (payback), reconhece o valor do dinheiro no tem-
po. Quanto maior o tempo, maior o desconto. Ou, simplificando, se os fluxos de
caixa de um projeto, com risco médio, são descontados à 10%, um outro proje-
to com um maior grau de risco deve ser descontado a uma taxa superior à de
10%. Portanto, o valor do dinheiro no tempo para um projeto está refletido na
taxa de desconto, que deve ser selecionada com cuidado pelo analista financeiro.
Geralmente, a taxa de desconto tende a se elevar caso a oferta monetária esteja

85
UNIDADE III - Finanças Corporativas

escassa e haja expectativa de elevação da taxa de juros. Terceira, aceitando so-


mente projetos com VPL positivos, a companhia também aumentará o seu valor.
Um aumento no valor da companhia, na realidade, é um aumento no preço das
ações ou na riqueza dos acionistas. O método do VPL do orçamento de capital
deve, portanto, no final das contas, acarretar maior riqueza aos acionistas. Já que
o objetivo da moderna administração financeira é aumentar, continuamente, a
riqueza dos acionistas, o método do VPL deve ser visto como a técnica mais mo-
derna de orçamento de capital. Existem, entretanto, algumas limitações à aborda-
gem do VPL. O método supõe que a administração seja capaz de fazer previsões
detalhadas dos fluxos de caixa dos anos futuros. Na realidade, entretanto, quanto
maior o período, mais difícil a estimativa dos fluxos de caixa futuros. Os fluxos de
caixa futuros são influenciados pelas vendas futuras, pelos custos da mão-de-o-
bra, dos materiais e dos custos indiretos de fabricação, pelas taxas de juro, pelos
gostos dos consumidores, pelas políticas governamentais, pelas mudanças de-
mográficas etc. A superestimação ou subestimação dos fluxos de caixa futuros
podem levar à aceitação de um projeto que deveria ser rejeitado, ou à rejeição de
um projeto que deveria ser aceito. Além do mais, o método do VPL supõe que a
taxa de desconto seja a mesma durante toda a duração do projeto. No exemplo
precedente, você descontou os fluxos de caixa à 10% durante quatro anos, po-
rém uma taxa de desconto de 10% pode não ser realista. A taxa de desconto de
um projeto, tal como a taxa de juro, na realidade, muda de um ano para o outro.
A taxa de desconto pode ser afetada por oportunidades de reinvestimento de
fluxos de caixa futuros, pelas taxas de juro futuras e pelos custos de levantamen-
to de novos capitais. O problema pode ser resolvido pela previsão das taxas de
juros futuras e, então, pelo desconto do fluxo de caixa de cada ano futuro pela
taxa de desconto prevista. Embora essa seja uma sugestão inteligente, você há de

86
UNIDADE III - Finanças Corporativas

concordar que a predição de uma taxa de juro para os próximos cinco ou dez anos
é tão incerta quanto os resultados de se lançar uma moeda cinco ou dez vezes!
Contudo, não obstante tais limitações, o método do VPL é ainda o melhor método
de orçamento de capital.

MÉTODO DA TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)


De acordo com GROPPELLI e NIKBAKHT (2006), existem vantagens e desvantagens neste

método, veja a seguir.

FIQUE POR DENTRO


VANTAGENS E DESVANTAGENS
Numerosas pesquisas têm mostrado que, na prática, o método da TIR é mais uti-
lizado que a abordagem do VPL. A razão disso pode ser atribuída à facilidade de
cálculo da TIR, parecida com a TMR; porém, ao usar os fluxos de caixa e ao reco-
nhecer o valor do dinheiro no tempo, parece-se com o VPL. Em outras palavras,
embora a TIR seja fácil e compreensível, ela não possui as restrições da TMR e do
período de amortização (payback), pois ambos os métodos ignoram o valor do
dinheiro no tempo.
O principal problema com o método da TIR é que ele, muitas vezes, fornece taxas
de retorno não-realistas. Suponha uma taxa mínima de retorno de 11% e uma TIR
calculada de 40%. Isso significa que a administração deve aceitar imediatamente
o projeto por causa da sua TIR de 40%? A resposta é não! Uma TIR de 40% implica

87
UNIDADE III - Finanças Corporativas

em que a companhia tem uma oportunidade de reinvestir seus fluxos de caixa


futuros à taxa de 40%. Se a experiência passada e a economia indicarem que os
40% representam uma taxa não-realista para futuros investimentos, então uma
TIR de 40% é suspeita. Falando francamente, uma TIR de 40% é muito boa para ser
verdade! A menos que a TIR calculada seja uma taxa razoável para reinvestimento
dos fluxos de caixa futuros, ela não deve servir como parâmetro de aceitação ou
rejeição de um projeto.
Um outro problema com o método da TIR é que ele pode fornecer diferentes ta-
xas de retorno. Suponha que haja duas taxas de desconto (duas TIR´s) que tornem
o valor presente igual ao investimento inicial.
Nesse caso, qual taxa deve ser usada na comparação com a taxa mínima? A fina-
lidade dessa pergunta não é resolver os casos em que haja diferentes TIR´s, mas
que você saiba que o método da TIR, não obstante sua popularidade no mundo
dos negócios, apresenta mais problemas do que imagina um profissional.

88
UNIDADE III - Finanças Corporativas

MÉTODOS NÃO EXATOS


Os três métodos exatos, VPL, VAUE e TIR são equivalentes e ajustam-se perfeitamente ao

conceito de “equivalência” da matemática financeira. Alguns analistas, no entanto ainda

utilizam métodos não exatos. Não é nosso interesse nos aprofundar, mas sim passar bre-

vemente por eles apenas para conhecimento.

O principal método não exato é o do tempo de recuperação do capital investido, o

famoso PAYBACK. Ele mede o tempo necessário para que o somatório das parce-

las anuais seja igual ao investimento inicial.

Este método não leva em consideração a vida do investimento, e pode ser dificul-

tada sua aplicação quando o investimento inicial se der por mais de um ano ou

quando os projetos comparados tiverem investimentos iniciais diferentes.

De acordo com GROPPELLI e NIKBAKHT (2006), veja o exemplo:

A Companhia ABC planeja investir num projeto que tem um desembolso inicial

de $3.700. Ela previu que o projeto proporcionará entradas de caixa regulares de

$1.000 no ano 1, de $2.000 no ano 2, de $1.500 no ano 3 e de $1.000 no ano 4. Se

a empresa tivesse como meta um período de amortização (payback) de três anos,

você recomendaria que esse projeto fosse aceito?

89
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Solução:

As informações anteriores devem ser reescritas no seguinte formato:

A NO FLUXO D E C AIXA ($)

1 1.000

2 2.000

3 1.500

4 1.000

Você pode ver por essa informação que após dois anos a empresa terá recuperado

$3.000 dos seus $3.700 investidos. Então, calculemos a proporção do terceiro ano

que a empresa precisará para recuperar os $700 restantes do seu investimento

inicial ($3.700 – $3.000 = $700). Para fazer isso, simplesmente dividimos os $700

pela entrada de caixa do terceiro ano:

700/1.500 = 0,47

Em termos redondos, 0,47 de um ano é, aproximadamente, 24 semanas (0,47 x 52

semanas = 24 semanas), perfazendo um total de 2 anos e 24 semanas antes que o

investimento seja recuperado.

90
UNIDADE III - Finanças Corporativas

A seguir, compare esse período de recuperação com o período-meta para ver se a

empresa deve prosseguir com o investimento. Nesse caso, o período de recupera-

ção efetivo (2 anos e 24 semanas) é menor que o período-meta de 3 anos. Portanto,

o projeto é aceitável.

Ainda de acordo com os autores existem vantagens e desvantagens na utilização

do método. Veja no saiba mais.

FIQUE POR DENTRO


VANTAGENS E DESVANTAGENS
O método do período de recuperação do investimento tem várias vantagens e
desvantagens. A principal vantagem é que esse método é fácil de usar. Não é
necessário fazer cálculos complicados para encontrar quantos anos um projeto
demora para recuperar o seu investimento inicial. O período de recuperação do
investimento também é fácil entender. Portanto, quando os analistas precisam
de uma medida rápida do risco, eles podem usar o método do período de recu-
peração para ver se o capital investido será recuperado em um período razoável
de tempo. O método do período de recuperação do investimento, não obstante
sua simplicidade, pode ser de valia mesmo para as maiores corporações multi-
nacionais. Para tais empresas, eventos políticos — tais como a nacionalização de
setores num país estrangeiro — são as principais fontes de risco. Em termos de
possíveis eventos políticos, então, quanto menor o período de recuperação do

91
UNIDADE III - Finanças Corporativas

investimento, menor o risco do projeto. O método do período de recuperação


de investimento, portanto, pode ajudar as empresas a medir o risco de perder o
capital em países estrangeiros. A principal desvantagem desse método é ignorar
completamente o valor do dinheiro no tempo. No método do período de recu-
peração de investimento, não existe diferença entre o valor de uma entrada de
caixa de $100 no primeiro ano e o mesmo montante de entrada de caixa um ano
depois. Além do mais, o método
do período de recuperação não leva em consideração as entradas de caixa pro-
duzidas após o período em que o investimento inicial foi recuperado. Por causa
desses graves obstáculos, o método do período de recuperação de investimento
não deve ser visto como uma abordagem muito boa ao orçamento de capital.

Vimos os métodos convencionais mais utilizados para a análise de um projeto. De acor-

do com estes métodos, o trabalho do gestor seria basicamente avaliar o risco, escolher

uma taxa de desconto apropriada e calcular o valor presente dos fluxos de caixa.

De acordo com Samanez (2009), na prática esta tarefa não é tão simples e vai muito além

disto. Uma vez conhecidos as possíveis falhas do projeto, o gestor pode decidir se inves-

te mais em informação, como uma melhor pesquisa de mercado, por exemplo. Pode-se

decidir investir mais em um novo processo tecnológico com o objetivo de confirmar a

qualidade, durabilidade, resistência, etc. Ou seja, o projeto não é algo estático!

92
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Neste capítulo, então, abordaremos algumas técnicas usadas no planejamento e

controle de um projeto de investimento, de modo que o gestor possa ter uma visão

melhor da sensibilidade do empreendimento às mudanças nas principais variáveis.

De acordo com Samanez (2009), para conseguir uma análise econômica robusta,

deve-se examinar o impacto das diversas fontes de risco sobre o VPL do projeto.

Isso pode ser feito por meio de algumas técnicas, das abordaremos neste capítulo a:

ÁRVORES DE DECISÃO
A árvore de decisão é uma metodologia gráfica de verificar as consequências de decisões

atuais e futuras bem como os eventos aleatórios relacionados. Este método nos possibilita

o entendimento e o controle de um número expressivo de problemas de investimentos

sujeitos a riscos.

De acordo com Samanez (2009), esta metodologia consiste num meio de mostrar

a anatomia de uma decisão de investimento, assim como a interação entre decisão

presente, eventos possíveis, atitudes de competidores e possíveis decisões futuras

e suas consequências.

93
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Este método aborda dois elementos essenciais para a análise real de investimentos, sendo

eles a incerteza e o investimento seqüencial.

Vejamos a estrutura da árvore de decisão:

Fonte: Adaptado de FILHO e KOPITTKE (2008)

Os nós quadrados representam as decisões e os nós redondos representam nós de incer-

teza, ou seja, eventos aleatórios.

De acordo com Filho e Kopittke (2008), nos ramos de uma árvore de decisão de-

vem ser levados em conta:

94
UNIDADE III - Finanças Corporativas

• As probabilidades após os nós de incerteza

• Os valores de investimentos nos nós de decisão

• Os retornos no final dos ramos

Veja o exemplo adaptado de Filho e Kopittke (2008):

Um vendedor ambulante está considerando a possibilidade de vender camisas esporti-

vas. As camisas seriam compradas por $ 10.00 e vendidas por $ 35.00. Como a qualida-

de do material é baixa estima-se que haja 30% de perda para o vendedor ambulante.

Independente da quantidade adquirida, seus custos de transporte e manutenção serão

de $ 1000.00 por dia.

As camisas não vendidas terão um valor residual de $ 2.00.

A demanda diária pelas camisas depende das condições de vigilância nas ruas: se

a vigilância for ostensiva, o vendedor somente consegue vender 50 camisas, ven-

dendo 4 vezes mais se a vigilância das ruas for fraca. Caso a vigilância for média,

o vendedor consegue colocar 120 camisas.

As camisas só podem ser compradas em lotes pré determinados: 80, 160, 240 ou

320 unidades.

95
UNIDADE III - Finanças Corporativas

A experiência tem mostrado que há 40% de chance de que a vigilância seja fraca

contra 30% de vigilância ostensiva. Em consequência ela é média 30% das vezes.

Calcule:

a. Qual a quantidade de camisas que o vendedor ambulante deverá comprar para

maximizar o seu lucro esperado?

b. Disponha os resultados sob forma de matriz de receitas.

Solução:

a) Quantidade de camisas que maximiza o lucro esperado.

Alternativas:

A. compra de 80 camisas

B. compra de 160 camisas

C. compra de 240 camisas

D. compra de 320 camisas

96
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Alternativa A:

Custo da alternativa: 80 x 10.00 + 1000.00 = 1800.00

Camisas vendáveis: 80 x 0,7 = 56

Receitas:

• Para vigilância ostensiva: 50 x 35.00 + 6 x 2.00 = 1762.00

• Para vigilância média: 56 x 35,00 = 1960.00

• Para vigilância fraca: 56 x 35.00 = 1960.00

Receita líquida:

• Para vigilância ostensiva (o): 1762.00 - 1800.00 = -38.00

• Para vigilância média (m): 160.00

• Para vigilância fraca (f ): 160.00

97
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Calcula-se as receitas líquidas das outras alternativas de forma análoga.

A árvore de decisão apresenta-se assim:

Fonte: Adaptado de FILHO e KOPITTKE (2008)

98
UNIDADE III - Finanças Corporativas

As receitas líquidas esperadas são as seguintes:

• E(A) = 0,3 x (-38) + 0,3 x 160 + 0,4 x 160 = 100.60

• E(B) = 706.20

• E(C) = 836.60

• E(D) = 571.00

Desta forma, a melhor alternativa é a C, que consiste na compra de 240 camisas.

Pode-se, também, apresentar o problema sob a forma de matriz de decisão:

Fonte: Adaptado de FILHO e KOPITTKE (2008)

A partir destes dados pode-se, por exemplo, calcular o valor de uma informação adicional.

Vamos fazer aqui uma exemplificação, que apesar de hipotética, pode ser utilizada

99
UNIDADE III - Finanças Corporativas

para outros casos, é claro!

Até quanto o vendedor ambulante poderá pagar a um hipotético policial corrupto

para que lhe informe qual o tipo de vigilância que irá ocorrer com certeza?

Deve-se verificar, neste caso, qual a melhor opção quando se sabe o que vai

ocorrer:

• Caso a vigilância seja ostensiva a melhor alternativa é a A, ou seja, o prejuízo será

de $38.00.

• Caso a vigilância seja média a melhor alternativa é a B, com lucro de 1320.

• Caso a vigilância seja fraca a melhor opção é a alternativa D, com lucro de 2848.

Assim o valor esperado da receita líquida, com informação perfeita, é de:

V(p) = -38 x 0,3 + 1320 x 0,3 + 2848 x 0,4 = 1523,80

Ora, o valor esperado sem esta informação era de $836,60, correspondente à al-

ternativa C.

Assim o vendedor deve estar disposto a pagar ao policial no máximo:

1523,80 - 836,60 = 687,20

100
UNIDADE III - Finanças Corporativas

REFLITA!
Este exemplo serviu para nos mostrar que a empresa pode gastar adicionalmen-
te no caminhar de um projeto para conseguir informações. Mas deve-se calcular
exatamente qual é o máximo que ela poderá pagar de modo que compense o
investimento.

A ANÁLISE DE SENSIBILIDADE
De acordo com Samanez (2009), como na projeção dos fluxos de caixa de um projeto

geralmente temos que trabalhar com grande quantidade de variáveis ou fatores, torna-

se importante identificar quais deles tem um peso maior na determinação de tais fluxos.

Como vimos, não podemos considerar os projetos como sendo estáticos, pois os

mesmo lidam com variáveis, que como o próprio nome já diz, variam ao longo do

tempo e podem causar alterações nos fluxos de caixa futuros.

Mas como mensurar tais alterações? Como saber como estas alterações irão afe-

tar o andamento do meu projeto?

A análise de sensibilidade permite identificar as variáveis críticas no processo de projeção

e determinação dos fluxos futuros de modo que possamos avaliar o projeto considerando

diversas hipóteses sobre o comportamento destas variáveis.

101
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Existem duas maneiras de fazermos a análise de sensibilidade: modo unidimensio-

nal e multidimensional.

Análise unidimensional: Quando medimos os efeitos de cada variável separadamente.

Análise multidimensional: Quando analisamos os efeitos das variáveis ao mesmo

tempo.

Atualmente, com o avanço da tecnologia informática, podemos fazer a análise de

sensibilidade em cenários que representam fenômenos econômicos que provocam

movimentos em mais de uma variável de cada vez.

REFLITA!
Acontecimentos que podem provocar grande impacto direto ou indireto no pro-
jeto devem ser o foco do gestor! Merecem estudos mais aprofundados ou inves-
timentos maiores em informação, o que pode deixar mais caro o projeto, porém
com um nível de segurança maior!

102
UNIDADE III - Finanças Corporativas

A ANÁLISE DE CENÁRIOS
Um problema da análise de sensibilidade em si, é a correlação que podem apresentar as

variáveis. Um número grande de vendas pode se associar facilmente a preços menores

ou época de promoções. O que surgiu para melhorar a análise de sensibilidade foi uma

variante desta, conhecida como análise de cenários.

Na análise de cenários, ao invés da variação de um parâmetro por vez, podemos

fazer variar um conjunto destes, formando assim os cenários.

São atribuídos valores a cada parâmetro e após varias análises de sensibilidade

podemos identificar as variáveis-chave que, em cada cenário, determinam o su-

cesso e o insucesso do projeto.

Vejamos o exemplo a seguir proposto por Samanez (2009).

EXEMPLO.

Efetue uma análise de sensibilidade (com o uso de cenários) para um projeto que requer

um investimento inicial de $ 150, depreciável em 10 anos. Suponha que as informações

contidas no Quadro 1 são as apresentadas pelo departamento de Marketing a respeito do

mercado, da participação da empresa nesse mercado, do preço unitário de venda, do custo

variável e do custo fixo para três cenários possíveis: o pessimista, o otimista e o esperado.

103
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Quadro 1. Informações sobre os três cenários possíveis para o projeto tratado.

CENÁRIOS

VARIÁVEL PESSIMISTA OTIMISTA ESPERADO

Mercado 900 unidades/ano 1.100 unidades/ano 1.000 unidades/ano

Participação 4% 16% 10%

Vendas Projetadas 36 unidades/ano 176 unidades/ano 100 unidades/ano

Preço Unitário $ 3,5/unidade $ 3,80/unidade $ 3,75/unidade

Custo Variável $ 3,6/unidade $ 2,75/unidade $ 3/unidade

Custo Fixo Total $ 40/ano $20/ano $30/ano

Fonte: Samanez (2009).

A partir destas informações, o Quadro 2 mostra o fluxo de caixa esperado para o

período de 10 anos e o VPL de cada cenário.

104
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Quadro 2. Fluxo de caixa esperado e o VPL de cada cenário

CENÁRIOS

PESSIMISTA OTIMISTA ESPERADO

ANO 0 DO ANO 1 AO DO ANO 1 AO DO ANO 1 AO


($) 10 ($) 10 ($) 10 ($)

Investimento -150

Receitas   126 668,8 375

(-) custo variável


   -129,60 -484   -300
total

(-) custo fixo total    -40  -20  -30

(-) depreciação    -15  -15  -15

Lucro antes de juros


  -58,60  149,80 30
e IR

(-) IR (50%)    0,0  -74,90  -15

(+) Depreciação    15  15  15

Fluxo de caixa livre


-150 -43,6 89,90 30
(FCL)

VPL (10%)   -417,90 402,40 34,34

Fonte: Samanez (2009)

O cálculo do VPL considerou uma taxa de desconto de 10% ao ano. No caso do

cenário esperado:

105
UNIDADE III - Finanças Corporativas

VPLesperado= - $150,00 + = $ 34,34

Como o VPL do cenário esperado é positivo, uma decisão apressada poderia recomendar

o investimento. Porém, algumas dúvidas podem surgir a partir das estimativas do cenário

esperado:

• Será que o mercado absorve 1.000 unidades por ano?

• Será que a empresa conseguirá abocanhar 10% desse mercado?

• Se os concorrentes lançarem um produto de melhor qualidade ou menor

preço, o que ocorrerá?

• Será que o custo variável ficará realmente em torno de $ 3,00 por unidade?

Vimos através do exemplo que o projeto poderá até dar prejuízo, como no caso do

cenário pessimista. Mas o que fazer então? Temos que analisar qual variável tem

mais peso, ou quais variáveis. Isto quer dizer que existem algumas variáveis que

causam mais impacto no projeto quando elas se alteram.

106
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Quadro 3. VPL do cenário pessimista com a mudança de uma variável de cada vez

VPL MUDANÇA DO VPL


MUDANÇA RECALCULADO
($) EM VALOR ($) EM %

Diminuição de 20% na participação no


-413,48 -4,42 -1,06%
mercado

Aumento de 20% no custo variável


-577,18 -159,28 -38,11%
unitário

Aumento de 20% no custo fixo unitário 467,06 -49,16 -11,76%

Fonte: Samanez (2009)

Observando a tabela, podemos concluir que os parâmetros que mais podem co-

locar em risco o sucesso econômico do projeto são os aumentos inesperados

nos custos variáveis e fixos, já que nesses casos, o VPL assume maiores valores

negativos.

Cabe aqui salientar que esta análise não define o significado de otimista e pessi-

mista, visto que não usa probabilidades. O trabalho técnico em análise econômica

de projetos exige transformar possibilidades em probabilidades. A análise também

não considera a possibilidade de ocorrer variáveis interdependentes. Nesse caso,

talvez fosse necessário fazer uma análise de cenários ou uma análise de sensibili-

dade conjunta.

107
UNIDADE III - Finanças Corporativas

PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO


De acordo com Filho e Kopittke (2008), devemos ter em mente que a análise das alternati-

vas de investimento é apenas um passo de um processo de solução de um problema. De

nada adiante boa técnica de análise de alternativas se estas não forem adequadamente

geradas.

Segundo Krick (1971) apud Filho e Kopittke (2008), os passos básicos para o “pro-

cesso do projeto” são:

1. Formulação do problema

2. Análise do problema

3. Busca de alternativas

4. Avaliação das alternativas

5. Especificação da solução preferida

A fase I implica descrever de maneira geral, porém resumida, as características

do problema. Por exemplo, a empresa apresentou dificuldades no escoamento da

produção, pois as instalações não estão adequadas para a recente expansão das

vendas.

108
UNIDADE III - Finanças Corporativas

A fase II requer uma especificação mais pormenorizada das características deste

problema incluindo as restrições. Esta fase inclui também a definição dos critérios

e sua ponderação para a posterior análise das alternativas.

A fase III busca identificar alternativas que atendam as especificações e as

restrições.

A fase IV consiste num confronto entre os resultados qualitativos e quantitativos

através dos critérios estipulados na fase II.

A fase V, finalmente, consiste na escolha da alternativa com base na análise das

fases de I a IV.

Existem outras metodologias interessantes. Vejamos a que foi proposta por Kepner

e Tregoe (1980) apud Filho e Kopittke (2008).

De acordo com esta metodologia existem 7 fases para a análise de decisão, foca-

das na melhor alternativa. As fases são as seguintes:

1. Estabelecer os objetivos: resultados que se espera obter.

2. Classificar os objetivos: devemos classificar os objetivos em OBRIGATÓRIOS e

DESEJÁVEIS.

109
UNIDADE III - Finanças Corporativas

3. Desenvolver alternativas dentre as quais será feita a escolha

4. Avaliar as alternativas

5. Escolher a melhor alternativa como decisão tentativa

6. Avaliar as consequências adversas da decisão tentativa

7. Controlar os efeitos da decisão final, evitando as conseqüências adver-

sas e fazendo um acompanhamento adequado

EXEMPLO DE APLICAÇÃO3:

Suponha que você tenha que decidir sobre uma melhor localização industrial. Veja os da-

dos que você possui.

A empresa que lhe contratou pretende implantar uma nova unidade de produção capaz

de produzir 300 mil toneladas no ano. Esta empresa, apesar de já ter definida sua pro-

dução deve se confrontar com dois problemas: a escolha adequada da tecnologia e da

localização.

3 Este exemplo foi proposto por Filho e Kopittke (p. 278, 2008)

110
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Existem dois grandes centros consumidores para o produto em questão, os quais chamare-

mos de C1 e C2. Existe também um centro fornecedor de matéria prima que denominare-

mos MP. A matéria prima a qual o autor se refere é a principal, podendo ser encontradas as

matérias primas secundárias em qualquer uma das localidades.

Duas tecnologias são possíveis, A ou B.

Então o problema que você tem que resolver é: Instalar-se em C1, C2 ou MP, e

utilizar A ou B. Ou seja, são 6 possibilidades, C1 - A; C1 - B; C2 - A; C2 - B; MP - A;

MP - B.

• MP fica ao sul do estado, a 250 KM de C2 e a 400 KM de C1.

• C2 fica no oeste do estado, a 250 KM de MP e 500 KM de C1.

• C1 fica no leste do estado, a 500 KM de C2 e 400 KM de MP.

C1 e C2 não possuem problemas de mão de obra, porém o centro C2, além de

possuir tradição neste ramo de indústrias, possui mão de obra mais barata.

O centro C1 não possui tradição neste ramo industrial. A empresa prevê, baseada

em sólido estudo de mercado, que venderá 1/3 da sua produção em C2 e 2/3 em C1.

111
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Já a fonte de matérias primas MP, possui sérios problemas de mão de obra, que exigiriam

um centro de treinamento e poderiam ocasionar problemas com rotatividade de pessoal,

visto que a população não está acostumada ao trabalho na indústria.

Para ambas as tecnologias, os processos produtivos requerem investimentos semelhantes

e o consumo de matéria prima é o mesmo, porém, com a tecnologia B o custo com maté-

ria prima secundária seria maior. O processo A economiza nos materiais secundários, mas

possui um custo de mão de obra superior, pois exige maior qualificação.

O processo A conta com perspectivas de produzir com melhor qualidade futura,

pois trata-se de uma tecnologia nova. Porém existe uma certa incerteza, visto que

o processo B já é testado e aprovado, apesar de mais antigo.

O preço competitivo nas localidades C1 e C2 é de 2.400/t. o preço da matéria pri-

ma é de 320/t (na fonte) e o consumo é de 1,2 t/t de produto. O custo de transporte

de matéria prima é de 0,16/tkm e, para o produto é de 0,56/tkm.

O custo dos materiais secundários é de 240/t de produto para o processo B e de

144/t para o processo A.

A incidência do custo de mão de obra no processo B é de 404/t no centro C2, 456

em C1 e 488 no centro MP. Para o processo A a mão de obra é 20% mais cara.

112
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Os demais custos somam 400/t indiferentemente ao processo ou à localização. O

custo de recuperação do capital é de 150 milhões/ano.

Considere alguns fatores adicionais:

1. MP é um porto marítimo

2. A empresa, no futuro, tem o objetivo de ampliar a produção e tentar o mer-

cado externo.

3. A empresa terá problemas de rejeitos industriais.

4. O centro C1 possui alta concentração industrial com sérios problemas de

poluição ambiental.

5. O governo está criando incentivos para descentralização industrial.

6. Está prevista a construção de uma linha férrea entre MP e C2.

7. A prefeitura de MP poderá oferecer infra estrutura para a indústria.

113
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Veja que você enquanto tomador de decisão teve que organizar todos os dados

referentes às possibilidades e agora deve escolher onde produzir. Seus superiores

estão aguardando sua decisão de melhor localidade e tecnologia. E você, o que

decidiria? Como utilizaria todos estes dados?

Vejamos a seguir.

1. Estabelecimento dos objetivos

• Produzir com máxima lucratividade possível.

• Ter amplas condições de crescimento.

• Atingir no futuro o mercado externo.

• Manter o padrão de inovação tecnológica.

• Evitar poluição ambiental.

• Reduzir investimento inicial.

• Evitar problemas com mão de obra.

• Evitar riscos em relação ao processo produtivo.

114
UNIDADE III - Finanças Corporativas

2. Classificação e ponderação dos objetivos

Os objetivos podem ser classificados em obrigatórios e desejáveis. Colocaremos um obje-

tivo obrigatório que será:

“Produzir com lucratividade (margem de lucro sobre as receitas) mínima de 7%”

Os demais objetivos e restrições serão ordenados e ponderados conforme vere-

mos na aplicação do item 4 a seguir.

3. Desenvolvimento das alternativas

Como já mencionado anteriormente, seis são as possibilidades visto que possuímos três

localidades vezes duas tecnologias possíveis. Porém, antes da análise é necessário estabe-

lecer uma matriz de custos baseados nos dados já mencionados anteriormente, calculan-

do assim a lucratividade e a perda relativa sobre as receitas.

115
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Quadro 4. matriz de cálculo dos custos de cada combinação

LOCALIZAÇÕES TECNOLOGIA A TECNOLOGIA B


ALTERNATIVAS MP C1 C2 MP C1 C2

Custos            

Transporte de matéria prima para 0 23.400 14.400 0 23.040 14.400

Transporte de produtos acabados


44.800 0 56.000 44.800 0 56.000
para C1

Transporte de produtos acabados


14.400 28.000 0 14.400 28.000 0
para C2

Subtotal 58.800 51.040 70.400 58.800 51.040 70.400

Mão de obra 175.680 164.160 145.440 146.400 136.800 121.200

Matéria prima 115.200 115.200 115.200 115.200 115.200 115.200

Materiais secundários 43.200 43.200 43.200 72.000 72.000 72.000

Outros custos 120.000 120.000 120.000 120.000 120.000 120.000

Recuperação do capital 150.000 150.000 150.000 150.000 150.000 150.000

TOTAL DOS CUSTOS 662.880 643.600 644.240 662.400 645.040 648.800

A Receitas 720.000 720.000 720.000 720.000 720.000 720.000

B Margem de lucro 57.120 76.400 75.760 57.600 74.960 71.200

Diferença sobre melhor alternativa


C 19.280 0 640 18.800 1.440 5.200
(C1 A)

D Perda sobre receitas C/A 2,70% 0 0,10% 2,60% 0,20% 0,70%

E Lucratividade 7,90% 10,60% 10,50% 8,00% 10,40% 9,90%

Fonte: Filho e Kopittke (2008)

116
UNIDADE III - Finanças Corporativas

4. Avaliação das alternativas

As seis alternativas produzirão com rentabilidade acima de 7%, o que significa que todas

terão lucratividade, que fora nosso único objetivo obrigatório.

A perda da pior alternativa quantitativa (MP-A) em relação às receitas é de apenas

2,7%. Portanto, todas as alternativas deverão ser analisadas com mais cautela,

visto que a diferença entre elas não é significativa. Qualquer objetivo secundário

que for alcançado pode superar esta perda facilmente.

Para tomarmos a decisão, portanto, devemos ponderar os outros objetivos e restri-

ções. Temos que montar uma matriz de ponderação, como a que segue.

117
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Quadro 5. matriz de ponderações

Tecnologia A Tecnologia B

Objetivos desejáveis Peso MP C1 C2 MP C1 C2

E P E P E P E P E P E P

Produzir com máxima lucratividade 10 5 50 10 100 10 100 5 50 10 100 9 90

Condições de crescimento 9 5 45 5 45 10 90 5 45 5 45 10 90

Exportar futuramente 7 10 70 5 35 8 56 10 70 5 35 8 56

Inovação tecnológica 7 10 70 10 70 10 70 6 42 6 42 6 42

Evitar poluição 7 10 70 5 35 10 70 10 70 5 35 10 70

Evitar problemas de mão de obra 7 3 21 8 56 10 70 3 21 8 56 10 70

Evitar riscos no processo 5 5 25 5 25 5 25 10 50 10 50 10 50

Reduzir investimento inicial 3 30 30 5 15 5 15 10 30 5 15 5 15

TOTAL 55 381 381 496 378 378 483

NOTA PONDERADA = TOTAL/55 6,9 6,9 9 6,9 6,9 8,8

Fonte: Filho e Kopittke (2008)

Obs.: Produto (P) = Escore (E) x Peso

118
UNIDADE III - Finanças Corporativas

5. Escolha da melhor alternativa em primeira tentativa

Considerando-se os resultados obtidos através do confronto dos objetivos e res-

trições estabelecidos, a tendência é que façamos a escolha pela localização C2.

Porém, como o resultado de C2 ficou parecido tanto com a tecnologia A quanto

com a B, temos que fazer outra análise mais aprofundada, ou seja, das consequ-

ências adversas.

6. Consequências adversas

As duas alternativas de tecnologia para a localização C2 possuem algumas notas

baixas que devemos analisar com mais atenção.

7. Em relação à localização:

Ambas receberam nota 5,0 no objetivo 8, reduzir investimento inicial.

Esta nota foi atribuída devido a possibilidade da localização MP oferecer incentivos

a instalação. Como não existe certeza disto vir a ocorrer, uma posição mais con-

servadora manteria a posição C2.

119
UNIDADE III - Finanças Corporativas

8. Em relação às tecnologias:

C2 – A recebeu nota baixa no objetivo 7 ao mesmo tempo que C2 – B recebeu nota

baixa no objetivo 4. Ou seja, há dúvidas sobre o novo processo, em relação ao

risco de operacionalizá-la, mas também ao colocarmos estaríamos possibilitando

inovações tecnológicas.

A escolha de A traz um risco embutido do processo não funcionar a contento.

Pode-se dizer que é raro isto acontecer (propabilidde = 20%), mas com alto de

índice de gravidade, ou seja, se ocorrer é muito grave. (90 numa escala de 0 a 100)

Já a escolha de B, em troca de segurança, impossibilita grandes progressos tec-

nológicos, com 60% de probabilidade, porém com índice mais baixo de gravidade

( 20, numa escala de 0 a 100)

Em suma, para estas duas possibilidades (C2 – A e C2 – B) teríamos o seguinte:

120
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Quadro 6. Consequências adversas para cada tecnologia

PROBABILIDADE GRAVIDADE
CONSEQUENCIAS ADVERSAS PXG
DE 0 A 1 DE 0 A 100

C2 - A      

Processo não funcionar a contento 0,2 90 18

Impossibilidade de progressos tecnológicos 0 20 0

SUBTOTAL 18

C2 - B

Processo não funcionar a contento 0 90 0

Impossibilidade de progressos tecnológicos 0,6 20 12

SUBTOTAL 12

Fonte: Filho e Kopittke (2008)

9. Conclusão

Em função das informações fornecidas, da metodologia adotada e das pondera-

ções aplicadas, observamos uma tendência para a escolha da combinação C2 – B.

Esta escolha só foi possível após diversas análises, pois quantitativamente poderí-

amos ter escolhido a alternativa C1 – A.

121
UNIDADE III - Finanças Corporativas

Na matriz de ponderações, C2 – A passou a ser a melhor alternativa. Somente após

a análise das consequências adversas é que foi possível chegar a C2 – B.

É importante ressaltar que o exemplo é meramente didático. Quando for aplicado

na prática, deve ser bem mais pormenorizado, estudado em conjunto com os di-

versos setores da empresa, para que possa ser definido o que seria ponto positivo

e o que seria ponto negativo de cada decisão. O importante após esta exposição é

perceber que as vezes a tomada de decisão, ao ser feita com a análise de apenas

o que é mais positivo, não é a melhor solução. Os pontos adversos também são

importantes e as vezes decisivos na escolha do gestor do projeto.

Portanto, para concluirmos a nossa disciplina de Avaliação de Projetos, é impor-

tante o gestor ter em mente que para cada situação podem aparecer diferentes

soluções.

122
UNIDADE III - Finanças Corporativas

REFLITA!
- Em que situações é necessário utilizar técnicas de análise de investimentos?
- Quais as técnicas mais indicadas para cada situação?

QUAIS ANÁLISES UTILIZAR PARA CADA SITUAÇÃO


De acordo com Filho e Kopittke (2008), podemos classificar as situações e as utilizações

dos métodos da seguinte forma:

MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS


Utilizar quais em que situações?

TIPOS DE INVESTIMENTOS:

1. Suficientemente importantes para justificar o esforço

2. Situações não óbvias → organizar o problema

3. O aspecto econômico é significativo → influirá na decisão

123
UNIDADE III - Finanças Corporativas

SITUAÇÕES EM QUE O ASPECTO ECONÔMICO (CUSTO OU LUCRO) É


PREPONDERANTE

Existe boa previsibilidade:

1. VPL

2. TIR

3. PAYBACK

Situações imprevisíveis

1. Análise de sensibilidade

2. Análise de cenários

3. Outros métodos para situações de risco e incerteza

124
UNIDADE III - Finanças Corporativas

SITUAÇÕES ONDE ALÉM DO ASPECTO ECONÔMICO EXISTEM OUTROS CRITÉRIOS


IMPORTANTES
1. Análise de custo-benefício – Aspectos sociais (analisar os prós e contras)

2. Análise Multicritério

INDICAÇÃO DE LEITURA
Um ótimo exemplo da aplicação prática da análise de multicritério é o tex-

to que segue no link, onde os autores utilizaram para a decisão de localiza-

ção de uma usina termoelétrica. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.

php?pid=S0101-74382005000200002&script=sci_arttext&tlng=en

125
UNIDADE III - Finanças Corporativas

ATIVIDADES
1) Explique qual a implicação de uma superestimação de fluxo de caixa para um proje-

to, quando se utiliza o método do Valor Presente Líquido.

2) Por que um mesmo projeto analisado pelos métodos TIR e VPL pode ser acei-

to por um, porém rejeitado pelo outro método?

3) Por que o método PAYBACK deve ser utilizado com cuidado? Cite quais as

principais vantagens e desvantagens deste método.

4) Faça uma simulação utilizando a análise de cenários. Investimento inicial de

R$200,00 com depreciação em 10 anos.

CENÁRIOS

VARIÁVEL PESSIMISTA OTIMISTA ESPERADO

Mercado 500 unidades/ano 700 unidades/ano 600unidades/ano

Participação de
10% 20% 15%
mercado

Vendas Projetadas 36 unidades/ano 176 unidades/ano 100 unidades/ano

Preço Unitário $ 2,00/unidade $ 2,80/unidade $ 2,30/unidade

Custo Variável $ 3,80/unidade $ 3,00/unidade $ 3,25/unidade

Custo Fixo Total $ 40/ano $20/ano $30/ano

126
UNIDADE III - Finanças Corporativas

5) Por que nem sempre é viável a utilização pura e simples dos métodos VPL, TIR

e/ou Payback?

6) Quais os cuidados devemos tomar ao utilizarmos estes métodos?

7) Quais são os fatores que nos levam a utilizar os métodos alternativos de aná-

lise de investimentos?

127
CONCLUSÃO
Para concluir nosso livro, deixo a vocês alguns exercícios resolvidos. Espero que este con-

teúdo tenha sido de grande valia pra você! Um grande abraço e sucesso!

PORCENTAGEM

1. Calcule 25% de R$ 700,00.

Você multiplica os dois valores e divide por 100:

(25 x 700)/100 = R$175,00

Ou, divide o número percentual por 100 e multiplica pelo outro valor:

(25/100) x 700 = R$ 175,00

Com a Calculadora HP 12C

700 ENTER 25 %: Resposta 175,00

128
2. Determine o valor sobre o qual você calcula 20% e o resultado dá 60?

Pode ser elaborada uma regra de três:

Se 20% é 60, 100% (que é o valor total) é x:

20 x = 60 . 100 x = 6.000/20 x = 300

Com a Calculadora HP 12C

20 ENTER 60 %T: Resposta 300

NO COMÉRCIO

1. Um computador que estava sendo vendido por R$ 2.000,00 teve seu preço

aumentado em 20%. Calcule o novo preço de venda.

Resolução: Exercícios assim podem ser resolvidos com uma regra de três, na qual valor da

base de cálculo (2.000,00) é 100% e o valor a ser calculado (x) é 100% mais o aumento de

20% (120%)

129
2.000,0 100
= x = 2.400,00
x 120

Com a Calculadora HP 12C

2000 ENTER 20 % + ( Resposta: 2.400,00)

2.Um carro está sendo vendido a prazo por R$ 30.000,00 e, para pagamento à

vista, você tem 5% de desconto. Calcule o valor à vista.

Resolução: Da mesma forma você pode usar a regra de três, porém o valor a ser calculado

é o valor com desconto, assim ele é 95% (100% - 5%)

30.000,00 = 100
x 95

x = R$ 28.500,00

Com a Calculadora HP 12C

30000 ENTER 5 % - ( Resposta: 28.500,00)

130
3. Depois de um aumento de preço de 20% uma geladeira foi vendida por R$

600,00. Qual era o seu preço antes do reajuste?

Resolução: O preço anterior que será calculado era 100%, o novo preço pelo qual ela foi

vendida (R$ 600,00) é 120% (100% + 20%)

X = 100
600 120

x = R$ 500,00

4. Um comerciante comprou um produto por R$ 14,00 cada. Por quanto ele

deverá vender esse produto para obter um lucro de 30% sobre o preço de

custo?

Resolução: o preço de venda é igual ao custo do produto, mais o lucro. Conforme a fór-

mula abaixo:

V=C+ L

Nesse exercício, o lucro será calculado sobre o custo, conforme o enunciado.

Dessa forma, o custo é 100%, assim:

131
V = 100% + 30%

V = 130%

O valor da venda é 130% do valor do custo que é R$ 14,00.

(14 x 130)/100 = 18,20

Resposta: O valor da venda é R$ 18,20.

Com a Calculadora HP 12C

14 ENTER 30 % +

5. Uma calculadora foi vendida por R$ 125,45 com um lucro de 30% sobre o

custo. Qual o valor do custo dessa calculadora?

Resolução: Da mesma forma, o cálculo será feito sobre o valor do custo.

132
Assim, pode ser resolvido com a regra de três:

V=C+L R$ %
V = 100% + 30 % 125,45 --------- 130
V = 130% X --------------- 100
X = 96,50

Resposta: R$ 96,50.

Com a Calculadora HP 12C

125,45 ENTER 1 ENTER 30 % + ÷

6. Por quanto deve ser vendido um televisor comprado por R$ 640,00 a fim de

se obter 20% de lucro sobre o preço de venda?

Resolução: Nesse caso o lucro é sobre o preço de venda que não se sabe qual é. Assim,

esse preço de venda corresponde a 100%. Então,

V=C+L R$ %
100% = C + 20% 640,00 ------------ 80
C = 100% - 20 % X --------------- 100
C = 80%

X = 800

Resposta: R$ 800,00.

133
Com a Calculadora HP 12C

80 ENTER 640 % T

JURO SIMPLES

1. Calcule o juro simples gerado por um capital de R$ 2.500,00, quando aplica-

do durante 8 meses a uma taxa de 3,5% ao mês.

Resolução: O cálculo do juro simples é muito fácil. É só multiplicar o valor do capital, R$

2.500,00, pela taxa unitária (3,5/100) 0,035 e pela período, 8 meses. Observe se a taxa e o

número de períodos estão na mesma medida. Nesse caso a taxa e o número de períodos

estão medidos em mês.

j = c i n :. j = 2.500,00 . 0,053 . 8 :. j = 700,00

134
2. Uma aplicação de R$ 40.000,00, rendeu, em 3 meses, R$4.800,00 de juro.

Calcule a taxa mensal de juro.

Resolução: A fórmula utilizada é a mesma do exercício anterior transformada para o cál-

culo da taxa i.

C = 40.000,00 ; n = 3 ; j = 4.800,00 e i = ?

ou 4%.

Resposta: a taxa unitária é 0,04 (o resultado do cálculo acima). Esse valor multi-

plicado por 100, resulta na taxa percentual, 4% ao mês. Ela é uma taxa mensal

porque o tempo está expresso em mês.

135
3. Uma aplicação financeira feita durante 2 meses a uma taxa de 3% ao mês

rendeu R$1.920,00 de juro. Calcule a quantia aplicada.

Resolução: a fórmula aplicada é a mesma do juro, porém modificada para o cálculo do

capital C.

j = 1.920,00 ; i = 0,03 ; n = 2 e c = ?

JURO COMPOSTO

1. Calcule o saldo de uma caderneta de poupança que rende juros compostos

de 10% ao mês, com deposito inicial de R$ 1.000,00 aplicado durante 3 meses.

Resolução: com o sistema de juro composto a taxa não pode ser multiplicada pelo núme-

ro de períodos, mas ela é somada com um e elevada ao número de períodos. Esse resulta-

do é multiplicado ao capital inicial da aplicação.

136
M = C (1+i)n

M = 1.000 (1+0,10)3

M = 1.000 (1,10)3

M = 1.000 X1,331

M = 1.331,00

Com a Calculadora HP 12C

1000 CHS PV 3 n 10 i FV Resposta: 1.331,00

Observação: não esqueça das teclas f Clx, sempre que for começar um novo

cálculo.

137
2. Calcule o valor que você deve aplicar com juros compostos de 2% ao mês,

durante 5 meses, para conseguir um montante de R$40.000,00?

Resolução: nesse caso o cálculo é do valor do capital.

M = C ( 1 + i )n

40.000,00 = C ( 1 + 0,02)5

40.000,00 = 1,104081 C

C = 36.229,23

Com a Calculadora HP 12C

40000 CHS FV 5 n 2 i PV

138
3. Um capital de R$ 25.000,00 aplicado por 5 meses produziu um montante de

R$ 37.800,00. Qual a taxa mensal de juros?

Resolução: Você deve dividir o montante pelo capital, elevar o resultado ao inverso do

n (1/n) e diminuir um. Assim você calcula a taxa unitária, depois é só multiplicar por 100

para achar a taxa percentual.

i = (37.800/25.000)1/5 - 1

i = (1,512)0,2 - 1

i = 1,08620 – 1

I = 0,0862

I = 8,62% ao mes.

Com a Calculadora HP 12C

37800 CHS FV 25000 PV 5 n i

139
4. Durante quanto tempo deve ficar aplicado R$ 5.000,00 à taxa de 7% ao mês

para produzir o montante de R$ 12.000,00?

Resolução: você deve calcular o logaritmo do montante dividido pelo capital e dividir esse

valor pelo logaritmo de um mais a taxa unitária, conforme a fórmula abaixo:

n= n=

n= n=

n = 12,94 meses , aproximadamente 13 meses.

Com a Calculadora HP 12C

5000 CHS PV 12000 FV 7 i n

140
5. Uma taxa de 2% ao mês, equivale a que taxa anual?

Resolução: esse é um exercício de capitalização de taxa. A fórmula abaixo calcula taxas em

um período maior (ip >) quando você tem a informação da taxa no período menor (ip<)

como é o caso desse exercício que pede o cálculo da taxa anual. Como a relação é de taxa

mensal para taxa anual, o número de períodos n é 12. Assim:

ip > = (1+ ip<)n – 1

ip > = (1+ 0,02)12 – 1

ip > = 0,2682 ao ano (taxa unitária)

ip > = 26,82% ao ano (taxa percentual)

6. Uma taxa de 30% ao mês, equivale a que taxa diária?

Resolução: esse exercício é diferente do anterior, pois se trata de descapitalização de taxa.

Dessa forma, a fórmula abaixo calcula taxas em um período menor (ip<) quando você tem

a informação da taxa no período maior (ip >) como é o caso desse exercício que pede o

cálculo da taxa diária quando foi informada a taxa mensal. Como a relação é de taxa men-

sal para taxa diária, o número de períodos n é 30 e o expoente agora é 1/30. Assim:

141
ip < = (1+ip)1/n – 1

ip < = (1+ 0,3)1/30 - 1

ip < = 1,008784 - 1

ip < = 0,008784 ao dia

ip < = 0,8784% ao dia

SÉRIES DE PAGAMENTOS

1. Calcule o valor que você pagaria à vista por um computador que você com-

prou e vai pagar em 7 parcelas mensais sem entrada (renda postecipada) de

R$ 500,00, considerando que a loja vendedora cobra uma taxa de juros embu-

tido nessas parcelas de 4,5% ao mês.

Resolução: nesse caso você vai calcular o valor atual postecipado (Ap) informando na fór-

mula abaixo a taxa de juro unitária mensal, o número de parcelas mensais e o valor de

cada parcela (PMT).

142
Ap= 5,89267 . 500 = 2.946,34

Dessa forma, você poderia comprá-lo por R$ 2.946,34 à vista. A formula acima

desconta os juros que estão embutidos nas parcelas.

Com a Calculadora HP 12C

500 CHS PMT 4,5 i 7 n PV

Observe que não pode estar presente na tela da calculadora a informação BEG,

que seria para o cálculo com entrada. Se estiver, digite g 8 que ela desaparecerá e

o cálculo será feito sem entrada como pede o exercício.

2. O mesmo exercício anterior, porém se fosse com uma parcela igual na en-

trada (renda antecipada).

Resolução: observe a diferença na fórmula abaixo. Quando há uma entrada, chamada de

143
série antecipada, o expoente do divisor é (n – 1), nesse caso 7 - 1:

Aa= 6,15784 . 500 = 3.078,92

Com a Calculadora HP 12C

(digite as teclas g 7 para aparecer BEG na tela) 500 CHS PMT 4,5 i 7 n PV

144
3. Agora em outra situação, caso você tenha o valor à vista do bem e queira

calcular o valor das parcelas (PMT):

No caso acima o computador custa à vista R$ 2.946,35 e você vai comprá-lo a prazo para

pagar em 7 parcelas iguais, mensais e sem entrada, pagando juros de 4,5% ao mês.

Resolução: agora você informa o valor à vista (Ap) e calcula o valor das parcelas (PMT).

Com a Calculadora HP 12C

145
(digite as teclas g 8 para não aparecer BEG na tela, pois é sem entrada)

2.946,35 CHS PV 4,5 i 7 n PMT

SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO

1. Um empréstimo de R$ 24.000,00 foi realizado através do SAC. O pagamento

será realizado em 4 anos (n), sendo um pagamento por ano, a uma taxa de 8%

ao ano. Construa a planilha.

1º passo: antes da elaboração da planilha é necessário calcular as amortizações:

24.000,00 = 6.000,00 por ano


4

146
Tabela 1: Cálculo pelo Sistema de Amortização Constante (SAC)

ANO SALDO PRESTAÇÃO JUROS DO AMORTIZAÇÃO


(FINAL) DEVEDOR (AMORT.+JURO) PERÍODO CONSTANTE

0 24.000,00 - - -

1 18.000,00 7.920,00 1.920,00 6.000,00

2 12.000.00 7.440,00 1.440,00 6.000,00

3 6.000,00 6.960,00 960,00 6.000,00

4 0 6.480,00 480,00 6.000,00

2º Passo: no período “zero” representa-se o empréstimo adquirido.

3º Passo: no período “um” (segunda linha) discrimina-se:

- os juros do período, R$ 1.920,00 (R$ 24.000,00 vezes 8%);

- o saldo corrigido, R$ 25.920,00 (saldo devedor R$ 24.000,00 mais os juros do

período R$ 1.920,00);

- a prestação, R$ 7.920,00 (soma da amortização, R$ 6.000,00 com os juros do

período, R$1.920,00);

- o saldo devedor, R$ 18.000,00 que é o saldo anterior (R$ 24.000,00) menos a

amortização (R$ 6.0000,00).

147
4º Passo: refaz-se as mesmas operações do período “um” para os demais perío-

dos até o término.

2. Um empréstimo de R$ 75.000,00 deve ser pago em 10 meses com pres-

tações iguais e consecutivas (Price), sem entrada, à taxa de 5% ao mês.

Construa a planilha.

Antes de montarmos a planilha deveremos calcular as prestações constantes:

75.000,00 = 7,7217 PMT

PMT = 9.712,88

148
Cálculo pelo Sistema Price ou Francês

RCL PV CHS 1 f amort x><y

MÊS SALDO PRESTAÇÃO JUROS DO


AMORTIZA-ÇÃO
(FINAL) DEVEDOR CONSTANTE PERÍODO

0 75.000,00 - - -

1 69.037,12 9.712.88 3.750,00 5.962,88

2 62.776,10 9.712,88 3.451,86 6.261,02

3 56.202,03 9.712,88 3.138,81 6.574,07

4 49.299,25 9.712,88 2.810,10 6.902,78

5 42.051,33 9.712,88 2.464,96 7.247,92

6 34.441,02 9.712,88 2.102,57 7.610,31

7 26.450,20 9.712,88 1.722,05 7.990,83

8 18.059,83 9.712,88 1.322,51 8.390,37

9 9.249,95 9.712,88 903,00 8.809,88

10 0,43 * 9.712,88 462,50 9.250,38

* Arredondamento de centavos.

149
Cálculo pelo Sistema Price com a hp 12c

Passos Dígitos Visor  


1º F REG f 2 0 Limpa a HP 12 –C
2º 75.000,00 CHS PV -75.000,00 Valor do bem
3º 10 n 10 Períodos
4º 5i 5 Taxa
5º PMT 9.712,84 Valor da prestação
6º 1 f ( AMORT) 3.750,00 Juros
7º X<>Y 5.962,84 Amortização
8º RCL PV -69.037,16 Saldo devedor
9º CHS 69.037,16  
10º 1 f ( AMORT) 3.451,86 Juros
11º X<>Y 6.260,98 Amortização
12º RCL PV -62.776,18 Saldo devedor
13º CHS 62.776,18  
14º 1 f ( AMORT) 3.138,81 Juros
15º X<>Y 6.574,03 Amortização
16º RCL PV -56.202,15 Saldo devedor
17º CHS 56.202,15  
18º 1 f ( AMORT) 2.810,11 Juros
19º X<>Y 6.902,73 Amortização
20º RCL PV -49299,42 Saldo devedor
21º CHS 49.299,42  
22º 1 f ( AMORT) 2.464,97 Juros
23º X<>Y 7.247,87 Amortização
24º RCL PV -42.051,55 Saldo devedor
25º CHS 42.051,55  
26º 1 f ( AMORT) 2.102,58 Juros
27º X<>Y 7.610,26 Amortização
28º RCL PV -34.441,29 Saldo devedor
29º CHS 34.441,29  

150
30º 1 f ( AMORT) 1.722,06 Juros
31º X<>Y 7.990,78 Amortização
32º RCL PV -26.450,51 Saldo devedor
33º CHS 26.450,51  
34º 1 f ( AMORT) 1.322,53 Juros
35º X<>Y 8.390,31 Amortização
36º RCL PV -18.060,20 Saldo devedor
37º CHS 18.060,20  
38º 1 f ( AMORT) 903,01 Juros
39º X<>Y 8.809,83 Amortização
40º RCL PV -9.250,37 Saldo devedor
41º CHS 9.250,37  
42º 1 f ( AMORT) 462,52 Juros
43º X<>Y 9.250,32 Amortização
44º RCL PV -0,05 Saldo devedor
45º CHS 0,05  

151
Referências
GROPPELLI, A. A.; NIKBAKHT, E. Administração financeira. 2. ed. São Paulo: Saraiva,

2006.

FILHO, N. C.; KOPITTKE, B. H. Análise de Investimentos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

PUCCINI, Abelardo de Lima; PUCCINI, Adriana. Matemática Financeira: objetiva e

aplicada. Ed. Compacta. São Paulo: Saraiva, 2009.

SAMANEZ, C.P. Engenharia Econômica. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.