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SIMULADO

MPGO

DIREITO CONSTITUCIONAL

1. É considerado precursor dos estudos sobre o poder constituinte,


a) Hans Kelsen
b) Joseph Sieyès
c) Ferdinand Lassalle
d) Friedrich Müller
Gabarito: B
a) Incorreta. Hans Kelsen é expoente positivista, autor da Teoria Pura do Direito.
b) Correta. O padre francês Emmanuel Josepf Sieyès é considerado precursor sobre os estudos
do poder constituinte. Em 1789 escreveu sua obra O que é o Terceiro Estado?
c) Incorreta. Ferdinand Lassalle é conhecido por ser defensor da concepção sociológica do
conceito de Constituição.
d) Incorreta. Friedrich Müller é autor alemão defensor do método normativo-estruturante.

2. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – As Constituições concisas resultam numa maior estabilidade do arcabouço constitucional,
bem como numa flexibilidade que permite adaptar a Constituição a situações novas e
imprevistas do desenvolvimento institucional de um povo, a suas variações mais sentidas de
ordem política, econômica e financeira, a necessidades, sobretudo, de improvisar soluções que
poderiam, contudo, esbarrar na rigidez dos obstáculos constitucionais.
II – Formalmente constitucional será aquele texto que contiver as normas fundamentais e
estruturais do Estado, a organização de seus órgãos, os direitos e garantias fundamentais.
Material, por seu turno, será aquela Constituição que elege como critério o processo de sua
formação, e não o conteúdo de suas normas. Assim, qualquer regra nela contida terá o caráter
de constitucional.
III – As constituições dogmáticas são sempre escritas e partem de teorias preconcebidas, de
planos e sistemas prévios, de ideologias bem declaradas, de dogmas políticos. São elaboradas
de uma só vez, racionalmente, por uma Assembleia Constituinte.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: C
I – CORRETA - Quanto à extensão, podem as Constituições ser sintéticas (concisas, breves,
sumárias, sucintas, básicas) ou analíticas (amplas, extensas, largas, prolixas, longas,
desenvolvidas, volumosas, inchadas).
Sintéticas seriam aquelas enxutas, veiculadoras apenas dos princípios fundamentais e
estruturais do Estado. Não descem a minúcias, motivo pelo qual são mais duradouras, na
medida em que os seus princípios estruturais são interpretados e adequados aos novos anseios
pela atividade da Suprema Corte. O exemplo lembrado é a Constituição americana, que está em
vigor há mais de 200 anos (é claro, com emendas e interpretações feitas pela Suprema Corte).
Pinto Ferreira, analisando o constitucionalismo pátrio, indica a Constituição de 1891 como
exemplo de sintética.
Paulo Bonavides, a seu turno, e com precisão, observa que “as Constituições concisas ou breves
resultam numa maior estabilidade do arcabouço constitucional, bem como numa flexibilidade
que permite adaptar a Constituição a situações novas e imprevistas do desenvolvimento
institucional de um povo, a suas variações mais sentidas de ordem política, econômica e
financeira, a necessidades, sobretudo, de improvisar soluções que poderiam, contudo, esbarrar
na rigidez dos obstáculos constitucionais”.
II – INCORRETA - O conceito de Constituição pode ser tomado tanto em sentido material como
formal.
Materialmente constitucional será aquele texto que contiver as normas fundamentais e
estruturais do Estado, a organização de seus órgãos, os direitos e garantias fundamentais.
Como exemplo podemos citar a Constituição do Império do Brasil, de 1824, que, em seu art.
178, prescrevia ser constitucional somente o que dissesse respeito aos limites e atribuições
respectivos dos poderes políticos e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos; tudo o que
não fosse constitucional poderia ser alterado, sem as formalidades referidas (nos arts. 173 a
177), pelas legislaturas ordinárias.
Formal, por seu turno, será aquela Constituição que elege como critério o processo de sua
formação, e não o conteúdo de suas normas. Assim, qualquer regra nela contida terá o caráter
de constitucional. A brasileira de 1988 é formal!
III – CORRETA - Quanto ao modo de elaboração as Constituições poderão ser dogmáticas
(também denominadas “sistemáticas”, segundo J. H. Meirelles Teixeira) ou históricas.
Dogmáticas, sempre escritas, consubstanciam os dogmas estruturais e fundamentais do estado
ou, como bem observou Meirelles Teixeira, “... partem de teorias preconcebidas, de planos e
sistemas prévios, de ideologias bem declaradas, de dogmas políticos... São elaboradas de um só
jato, reflexivamente, racionalmente, por uma Assembleia Constituinte”. Como exemplo,
destacamos a brasileira de 1988.
Históricas, constituem-se através de um lento e contínuo processo de formação, ao longo do
tempo, reunindo a história e as tradições de um povo. Aproximam-se, assim, da costumeira e
têm como exemplo a Constituição inglesa.
Lenza, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 22. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 117/119. Destacamos.

3. De acordo com o art. 3º do ADCT, a revisão constitucional será realizada:


a) após três anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos
membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral.
b) após cinco anos, contados da publicação da Constituição, pelo voto em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três
quintos dos votos dos respectivos membros.
c) após três anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria relativa dos
membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral.
d) após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta
dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral.
Gabarito: D
Art. 3º, ADCT A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação
da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em
sessão unicameral.

4. Quanto aos tipos de federalismo analise as proposições a seguir marcando (V) para
verdadeira e (F) para falsa e assinale a assertiva que possui a sequência correta.
I – Quanto à formação, o federalismo pode ser dividido em federalismo por agregação e por
segregação. O primeiro é criado a partir da reunião de vários Estados até então soberanos e o
segundo é formado a partir de uma divisão de um Estado unitário preexistente para um Estado
Federal. ( )
II – Teríamos, quanto origem, um federalismo centrifugo no qual o Estado Federal se forma da
periferia para o centro, e um federalismo centrípeto, no qual o Estado Federal é criado do
centro para a periferia. ( )
III – Quanto à maior ou menor concentração de poder, o federalismo centrifugo é o que
proporciona uma maior concentração de poder no governo (polo) central, centrípeto é o
federalismo que proporciona uma maior descentralização de poder com uma sensível
diminuição do poder central e um incremento (aumento ou ampliação) dos poderes regionais.
Já o federalismo de equilíbrio e aquele que objetiva instaurar uma equilibrada e equitativa
repartição de poderes entre o governo central e os governos regionais. ( )
IV – O federalismo dual trabalha com uma repartição de competências privativas entre os entes
federados, que, assim, vão atuar em esferas distintas, separadas e independentes, não havendo
cooperação ou mesmo colaboração recíproca, já o federalismo cooperativo, caracteriza-se pela
busca de colaboração reciproca através da possibilidade de atuação comum ou concorrente
entre os poderes central e regionais. ( )
a) V, F, V, F
b) V, F, F, V
c) V, F, F, F
d) F, V, V, F
Gabarito: B
I – VERDADEIRO.
II – FALSO - Teríamos, quanto origem, um federalismo centrípeto no qual o Estado Federal se
forma da periferia para o centro, e um federalismo centrifugo, no qual o Estado Federal é
criado do centro para a periferia.
III – FALSO - Quanto à maior ou menor concentração de poder, o federalismo centrípeto é o
que proporciona uma maior concentração de poder no governo (polo) central, centrifugo é o
federalismo que proporciona uma maior descentralização de poder com uma sensível
diminuição do poder central e um incremento (aumento ou ampliação) dos poderes regionais.
Já o federalismo de equilíbrio e aquele que objetiva instaurar uma equilibrada e equitativa
repartição de poderes entre o governo central e os governos regionais.
IV – VERDADEIRO.

5. Analise as assertivas a seguir e marque a alternativa CORRETA


I – Para que sejam alterados os limites territoriais de um Município é necessária a realização de
consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos.
II – Compete ao STF julgar pedido de intervenção federal baseado no descumprimento de
ordem de reintegração de posse de imóvel rural ocupado pelo MST, expedida por Juiz Estadual
e fundada exclusivamente na aplicação da legislação infraconstitucional civil possessória.
III – Para a criação de novos Municípios, o art. 18, § 4º, da CF/88 exige a edição de uma Lei
Complementar Federal estabelecendo o procedimento e o período no qual os Municípios
poderão ser criados, incorporados, fundidos ou desmembrados.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: C
I - STF. Plenário. ADI 2921/RJ, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado
em 9/8/2017 (Info 872).
II- INCORRETA
A União poderá intervir no Estado ou DF para prover (garantir) a execução de ordem ou decisão
judicial que esteja sendo desrespeitada (art. 34, VI, da CF/88). Ocorrendo esse
descumprimento, o STF, o STJ ou o TSE, a depender de qual ordem/decisão judicial esteja sendo
desatendida, irá requisitar ao Presidente da República a intervenção federal. Se o Estado/DF
estiver descumprindo uma decisão de juiz ou Tribunal de 2ª instância, o Tribunal local deverá
fazer uma representação ao Tribunal Superior competente (STF, STJ ou TSE) solicitando a
intervenção. Se o Tribunal Superior concordar, irá requisitar ao Presidente da República a
intervenção. Para saber qual Tribunal Superior será competente, deverá ser analisada a matéria
discutida e para quem seria dirigido o eventual recurso. Compete ao STJ julgar pedido de
intervenção federal baseado no descumprimento de ordem de reintegração de posse de
imóvel rural ocupado pelo MST, expedida por Juiz Estadual e fundada exclusivamente na
aplicação da legislação infraconstitucional civil possessória. Isso porque a decisão
descumprida analisou tema relacionado com direito civil privado, não tendo feito
considerações sobre questões constitucionais. Logo, o eventual recurso contra a decisão,
quando o processo superasse as instâncias ordinárias e chegasse aos Tribunais Superiores, seria
apreciado pelo STJ em sede de recurso especial. Não caberia, no caso, recurso extraordinário ao
STF, razão pela qual esta Corte não seria competente para julgar o pedido de intervenção
relacionada com o desatendimento da decisão. Quanto ao mérito, na situação concreta
envolvendo ocupação de sítio pelo MST, tendo sido deferida decisão judicial para a retomada
do imóvel há muitos anos, o que nunca foi cumprido, deverá ser deferida a intervenção
federal? Prevalece que sim. Deve ser deferido pedido de intervenção federal quando verificado
o descumprimento pelo Estado, sem justificativa plausível e por prazo desarrazoado, de ordem
judicial que tenha requisitado força policial para promover reintegração de posse em imóvel
rural ocupado pelo MST, mesmo que, no caso, tenha se consolidado a invasão por um grande
número de famílias e exista, sem previsão de conclusão, procedimento administrativo de
aquisição da referida propriedade pelo Incra para fins de reforma agrária. É certo que a
ocupação de grande número de famílias é sempre um fato que merece a consideração da
autoridade encarregada da desocupação, mas não é em si impeditiva da intervenção. A inércia
do Estado-executivo em dar cumprimento à decisão do Estado-juiz enfraquece o Estado de
direito, que caracteriza a República brasileira. STJ. Corte Especial. IF 107-PR, Rel. Min. João
Otávio de Noronha, julgado em 15/10/2014 (Info 550). STJ. Corte Especial. IF 116/PR, Rel. Min.
Felix Fischer, julgado em 16/12/2015.
III - STF. Plenário. ADI 4992/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2014 (Info 758).

6. Sobre o funcionamento e a estrutura do Poder Legislativo assinale a alternativa


INCORRETA.
a) O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de
julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro.
b) A Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para receber o
compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República.
c) A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes
orçamentárias.
d) Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no
primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas,
para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo.
Gabarito: D
a) Art. 57, CF.
b) Art. 57, §3º, III, CF.
c) Art. 57, §2º, CF.
d) Art. 57, §4º, CF Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de
fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das
respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo
na eleição imediatamente subsequente.

7. Com relação aos crimes de responsabilidade do Presidente da República, assinale a


alternativa CORRETA nos termos da Constituição Federal.
a) Os crimes de responsabilidade do Presidente da República serão definidos em lei
complementar, que estabelecerá as normas de processo e julgamento.
b) Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos
Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Senado Federal, nos crimes de
responsabilidade ou nas infrações penais comuns.
c) Tanto no caso de crimes de responsabilidade como nas infrações penais comuns o Presidente
da República ficará suspenso de suas funções após a instauração do processo pelo Senado
Federal.
d) Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o
afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.
Gabarito: D
a) Art. 85, Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as
normas de processo e julgamento.
b) Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara
dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas
infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
c) Art. 86, § 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal
Federal;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
d) Art. 86, § 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver
concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do
processo.

8. Assinale a alternativa INCORRETA, com relação às garantias do Poder Judiciário.


a) As garantias dos membros do Poder Judiciário são vitaliciedade, inamovibilidade e
irredutibilidade de subsídios e, contrapondo-se a elas, temos as vedações que não deve ser
entendida como garantias.
b) A doutrina divide as garantias do Poder judiciário em garantias institucionais e dos membros.
c) Essas garantias visam a preservar o Poder judiciário no que tange à sua independência e no
que diz respeito ao exercício funcional do seu mister.
d) As garantias institucionais envolvem a instituição como um todo e são explicitadas numa
tríade, que envolve, basicamente, a autonomia funcional, administrativa e financeira do Poder
judiciário.
Gabarito: A
a) As garantias dos membros do Poder judiciário são a: vitaliciedade; inamovibilidade,
irredutibilidade de subsídios. Além destas, temos, ainda, as vedações que também podem ser
entendidas como garantias.
b) e c) A doutrina divide as garantias do Poder judiciário em garantias Institucionais e dos
membros. Essas garantias visam a preservar o Poder judiciário no que tange à sua
independência e no que diz respeito ao exercício funcional do seu mister.
Essas garantias estão fundadas no princípio da separação dos Poderes. Elas acabam por ter por
finalidade última a preservação do próprio Estado Democrático de Direito.
Certo é que o primeiro indício de que o país está perdendo (claudicando) a democracia ocorre
quando o Poder judiciário está se enfraquecendo. Sem dúvida, este é o primeiro Poder (de forma
explicita ou mesmo sub-reptícia) que é atacado e usurpado por um Estado autocrático (ou em
vias de se tomar autocrático). Ou seja, quando passamos por uma crise institucional tal que não
há possibilidade de questionamento de atos ilegais, abusivos ou mesmo arbitrários, sejam eles,
por exemplo, administrativos ou legislativos, ê porque a própria permanência do princípio
democrático se encontra em xeque. Portanto, defender o judiciário é defender a democracia.
d) As garantias institucionais envolvem a instituição como um todo, ou seja, a sua organização
institucional por completo. Essas garantias serão explicitadas numa tríade, que envolve,
basicamente, a autonomia funcional, administrativa e financeira do Poder judiciário. Sem
dúvida, essas autonomias permitem que o judiciário, enquanto instituição, desenvolva seu
mister de forma independente.
(FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional - 8. ed. Salvador: Juspodivm,
2016, p. 1096 e 1098).

9. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I - Compete aos Tribunais de Justiça definirem quais as competências que serão delegadas ao
órgão especial, desde que aprovadas pela maioria absoluta de seus membros.
II - O procedimento para a escolha dos Desembargadores pelo quinto constitucional foi tratado
de forma exaustiva pelo art. 94 da CF/88, não podendo o constituinte estadual inovar e
estabelecer novas etapas que não estejam expressamente previstas.
III - Um advogado escolhido para ser nomeado Desembargador pelo quinto constitucional não
pode ser impedido de tomar posse sob o argumento de que ele responde a um inquérito.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: A
I - CORRETA - Em regra, o órgão interno do Tribunal que decide as questões administrativas é o
Plenário, chamado de "tribunal pleno" e que é formado, como o próprio nome diz, pela
totalidade dos julgadores. Ocorre que nos Tribunais maiores (exs: TJ/SP, TJ/MG) existem
centenas de membros, o que dificulta a reunião para decidirem as questões administrativas.
Diante disso, a fim de facilitar o funcionamento, a CF/88 previu que, se o Tribunal possuir mais
que 25 membros, ele poderá criar um "órgão especial" para exercer algumas atribuições
administrativas e jurisdicionais que seriam originalmente de competência do tribunal pleno
(art. 93, XI). Compete aos Tribunais de Justiça definirem quais as competências que serão
delegadas ao órgão especial, desde que aprovadas pela maioria absoluta de seus membros.
STF. Plenário. MS 26411 MC/DF, rel. orig. Min. Sepúlveda Pertence, red. p/ o acórdão Min.
Teori Zavascki, julgado em 26/11/2015 (Info 809).
II – CORRETA - A Assembleia Legislativa de determinado Estado aprovou emenda constitucional
afirmando que, após o Governador escolher um dos candidatos da lista tríplice para ser
Desembargador pelo quinto constitucional, ele deveria ainda submeter esse nome à apreciação
da ALE. Assim, o candidato escolhido pelo chefe do Poder Executivo somente seria nomeado se
a Assembleia aprovasse a indicação pelo voto da maioria absoluta dos Deputados. Dessa forma,
foi criada mais uma etapa na escolha dos Desembargadores pelo quinto constitucional, que não
está prevista no art. 94 da CF/88. O STF julgou essa emenda inconstitucional. A exigência de
submissão do nome escolhido pelo governador à Casa Legislativa, para preenchimento de vaga
destinada ao quinto constitucional, invade a atuação do Poder Executivo. O procedimento para
a escolha dos Desembargadores foi tratado de forma exaustiva pelo art. 94 da CF/88, não
podendo o constituinte estadual inovar e estabelecer novas etapas que não estejam
expressamente previstas na Carta Federal. STF. Plenário. ADI 4150/SP, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 25/2/2015 (Info 775).
III – CORRETA - O princípio constitucional da presunção de inocência veda o tratamento
diferenciado a qualquer pessoa, ou a restrição de seus direitos, pelo simples fato de responder
a inquérito. Assim, um advogado escolhido para ser nomeado Desembargador pelo quinto
constitucional não pode ser impedido de tomar posse sob o argumento de que ele responde a
um inquérito. STF. 2ª Turma. MS 32491/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
19/8/2014 (Info 755).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

10. Assinale a alternativa CORRETA.


a) O controle político é o da matriz austríaca e está presente na Constituição da Áustria de
1958.
b) O controle difuso é o da matriz austríaca, em que todos os juízes analisam se as leis
contrariam ou não a Constituição.
c) O controle de natureza judicial é aquele realizado por órgão do Poder Judiciário tendo por
base a matriz francesa.
d) O controle de natureza mista é aquele no qual coexistem o controle judicial e o político,
ambos como regra geral do sistema.
Gabarito: D
a) O controle político é o da matriz (sistema) francesa e está presente na Constituição da frança
de 1958 (aqui já citada). Nesta, o controle é realizado por um órgão político, aqui citado e
intitulado de "Conselho Constitucional".
b) Nesse sentido, o controle difuso é o da matriz norte-americana, em que todos os juizes
analisam se as leis contrariam ou não a Constituição. Já o controle concentrado, conforme
citamos anteriormente, se traduz na matriz austríaca e nele apenas um único órgão de cúpula,
chamado de Tribunal ou Corte Constitucional, realiza a aferição de compatibilidade de leis ou
atos normativos em relação à Constituição.
c) O controle de natureza judicial é aquele realizado por órgão do Poder Judiciário (ou de
estrutura jurisdicional) tendo por base as matrizes norte-americana e austríaca. Ou seja, na
perspectiva americana, por intermédio de todos os órgãos integrantes do Poder judiciário, e na
perspectiva Austríaca, por meio de um Tribunal ou Corte Constitucional.
d) Existe ainda o controle de natureza mista (controle misto), no qual coexistem o controle
judicial e o político, ambos como regra geral do sistema. Eles convivem com o mesmo peso,
tradição e desenvoltura constitucional.
(FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional - 8. ed. Salvador: Juspodivm,
2016, p. 1319/1320).

11. Assinale a alternativa INCORRETA.


a) As propriedades rurais e urbanas onde forem localizadas culturas ilegais de plantas
psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e
destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao
proprietário.
b) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública,
ou por interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro, ressalvados os
casos previstos na Constituição.
c) Não cumprida a função social da propriedade urbana e após esgotadas as providências legais,
é facultado ao Poder Público municipal que promova a desapropriação com pagamento
mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com
prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor
real da indenização e os juros legais.
d) Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel
rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em
títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até
vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
Gabarito: B
a) Art. 243, CF. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na
forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação
popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas
em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.
b) art. 5o, XXIV, CF. A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou
utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro,
ressalvados os casos previstos nesta Constituição.
c) Art. 182, § 4º, CF. É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área
incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não
edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena,
sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente
aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais,
iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
d) Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o
imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização
em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de
até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.

12. A Lei Delegada nº 4, de 26 de setembro de 1962, estabelece diversas medidas de


intervenção no domínio econômico para assegurar a livre distribuição de produtos
necessários ao consumo do povo. NÃO é medida autorizada pela referida lei
a) a aplicação de multa àquele que sonegar gêneros ou mercadorias, recusar vendê-los ou os
retiver para fins de especulação.
b) a compra, armazenamento, distribuição e venda de tecidos e calçados de uso popular.
c) o tabelamento de preços máximos de mercadorias e serviços essenciais.
d) a desapropriação de animais de serviço ou destinados à reprodução.
Gabarito: D
A) Certa.
LD 4/62. Art. 11 Fica sujeito à multa de 150 a 200.000 Unidades Fiscais de Referência - UFIR,
vigente na data da infração, sem prejuízo das sanções penais que couberem na forma da lei,
aquele que:
b) sonegar gêneros ou mercadorias, recusar vendê-los ou os retiver para fins de especulação;
B) Certa.
LD 4/62. Art. 2º A intervenção consistirá:
I - na compra, armazenamento, distribuição e venda de:
d) tecidos e calçados de uso popular;
C) Certa.
LD 4/62. Art. 6º Para o controle do abastecimento de mercadorias ou serviços e fixação de
preços, são os órgãos incumbidos da aplicação desta lei, autorizados a:
III - tabelar os preços máximos de mercadorias e serviços essenciais em relação aos
revendedores;
D) Errada.
LD 4/62. Art. 2º. (...) § 2º Não podem ser objeto de desapropriação, com amparo nesta lei,
animais de serviço ou destinados à reprodução.

13. No que se refere à intervenção do Estado no domínio econômico, assinale a opção


correta.
a) As reservas do setor público, modalidade de atuação governamental, compreendem a edição
de normas de conteúdo financeiro ou fiscal por meio das quais o Estado impulsiona medidas de
fomento ou de dissuasão da atividade econômica.
b) Na regulação cultural, um dos tipos de atuação estatal nos diversos setores da economia, o
Estado intervém no interesse público definindo padrões para a segurança e desestimulando a
exploração de fatores de produção potencialmente poluentes.
c) No Estado intervencionista socialista, a ingerência estatal na atividade econômica visa
garantir a efetivação de políticas de caráter assistencialista na sociedade, de modo que os
notadamente hipossuficientes sejam providos em suas necessidades básicas.
d) As falhas de mercado que ensejam a regulação estatal das atividades econômicas, como
forma de intervenção indireta, incluem a assimetria informativa.
Gabarito: D
A) As reservas do setor público, modalidade de atuação governamental, compreendem a
edição de normas de conteúdo financeiro ou fiscal por meio das quais o Estado impulsiona
medidas de fomento ou de dissuasão da atividade econômica.
Errado, pois houve confusão de conceitos entre as modalidades de atuação governamental
reservado setor público e fiscal e financeira.
Sobre a modalidade de atuação fiscal e financeira, o Estado permanece fora da atividade
econômica, mas edita normas de conteúdo financeiro ou fiscal, através das quais impulsiona
medidas de fomento ou de dissuasão. Concedendo benefícios fiscais ou impondo cargas
tributárias mais ou menos pesadas, o estado estimula determinadas atividades econômicas ou
desestimula outras.
Já as reservas de mercado são um monopólio de iure a favor da administração, que pode ser ou
não acompanhado de um monopólio de fato na medida em que esta assuma diretamente a
execução de tal atividade em todos os seus âmbitos ou a outorgue, também de forma
exclusiva, a um terceiro.
B) Na regulação cultural, um dos tipos de atuação estatal nos diversos setores da economia, o
Estado intervém no interesse público definindo padrões para a segurança e desestimulando a
exploração de fatores de produção potencialmente poluentes.
Errado.
Por meio da regulação cultural o Estado visa fomentar a produção cultural nacional, garantindo
a preservação do patrimônio histórico-cultural do país, bem como a preservação dos valores
morais da sociedade. Ex.: ANCINE e IPHAN.
A regulação cultural busca criar identidade cívica da população com sua respectiva Nação,
ampliando, destarte, a interação e a integração dos valores de identificação do povo com sua
pátria.
C) No Estado intervencionista socialista, a ingerência estatal na atividade econômica visa
garantir a efetivação de políticas de caráter assistencialista na sociedade, de modo que os
notadamente hipossuficientes sejam providos em suas necessidades básicas.
Errado.
O modelo socialista caracterizou-se pela absorção total da atividade econômica por parte do
Estado. Por sua vez, no modelo social, a intervenção na atividade econômica apresenta-se mais
moderada, objetivando garantir que sejam efetivadas políticas de caráter assistencialista na
sociedade, para prover os notadamente hipossuficientes em suas necessidades básicas.
Tratou-se de um modelo de Estado esbanjador, inchado, incapaz de investir nas demandas
sociais mais urgentes – transporte, habitação, saúde, educação e segurança pública, por
exemplo. No que tange à sua relação com os cidadãos mostrou-se igualmente pernicioso, uma
vez que levou o indivíduo a sentir–se sufocado e refém nas mãos do Estado-pai e,
concomitantemente, achar-se no direito de eternamente ficar clamando do Poder Público a
resposta a todo e qualquer anseio.
D) As falhas de mercado que ensejam a regulação estatal das atividades econômicas, como
forma de intervenção indireta, incluem a assimetria informativa.
Certo.
Segundo Leonardo Vizeu Figueiredo, via de regra, o Estado não intervirá na economia, somente
o fazendo quando se configure estritamente necessário para garantir a observância dos
princípios constitucionais que norteiam a Ordem Econômica, notadamente os princípios da livre
iniciativa e da liberdade de concorrência.
Somente haverá motivo para promover a regulação de algum setor da economia se existir uma
das chamadas falhas de mercado, que se manifestam das formas a seguir listadas, aliadas a
uma insatisfação social e politicamente inaceitável(condição política):
a) Deficiência na distribuição dos bens essenciais coletivos;
b) Externalidades;
c) Assimetria informativa;
d) Poderio e desequilíbrio de mercado.

14. A respeito do processo legislativo, assinale a alternativa CORRETA.


a) As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.
b) Em nenhuma hipótese a matéria constante de projeto de lei rejeitado poderá constituir
objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa.
c) A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei à casa iniciadora que o
enviará ao Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.
d) O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de lei que
não sejam de sua iniciativa.
Gabarito: A
a) Art. 69, CF. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.
b) Art. 67, CF. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir
objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta
dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.
c) Art. 66, CF. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao
Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.
d) Art. 64, § 1º, CF. O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de
projetos de sua iniciativa.

15. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Os direitos fundamentais não são absolutos, havendo, muitas vezes, no caso concreto,
confronto, conflito de interesses. Nesses casos a solução ou vem discriminada na própria
Constituição, ou caberá ao intérprete, que deverá levar em consideração a regra da máxima
observância dos direitos fundamentais envolvidos, conjugando-a com a sua mínima restrição.
II – Em que pese a literalidade do artigo 5º da CF, o STF entendeu que aos estrangeiros, mesmo
que não residentes no país, são titulares - não de todos - mas de alguns dos direitos
fundamentais consagrados pela Constituição de 1988.
III – Ao contrário dos estrangeiros, o STF não reconhece a titularidade de direitos fundamentais
às pessoas jurídicas, entendendo que apenas pessoas físicas são titulares de direitos
fundamentais.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: B
I – CORRETA - Por encontrarem limitações em outros direitos constitucionalmente consagrados,
os direitos fundamentais não podem ser considerados absolutos, razão pela qual a relatividade
(ou limitabilidade) costuma ser apontada como uma de suas características. A harmônica
convivência das liberdades públicas exige que sejam exercidas dentro de determinados limites
fixados pela constituição, a qual deve compatibilizar encargos de unidade e integração com
uma base material pluralista (ZAGREBELSKY, 1992). A tese da existência de direitos absolutos é
incompatível com a ideia de que todos os direitos são passíveis de restrições impostas por
interesses coletivos ou por outros direitos também consagrados na constituição. A
impossibilidade de prevalência simultânea de dois direitos colidentes, sem que haja uma
cedência recíproca, impõe o reconhecimento da relatividade desses direitos.
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional. 11. ed. Salvador: Ed. JusPodivm, 2016. p.
271/272
II – CORRETA - Nos moldes da dicção constitucional presente na literalidade do art. 5° da CR/88,
os direitos fundamentais têm como titulares principais os brasileiros – tanto natos quanto
naturalizados - e os estrangeiros residentes no Brasil.
Entretanto, há que se registrar que essa perspectiva literal (interpretação literal) não deve
prevalecer. Nesses termos, de forma extensiva (interpretação extensiva).
O próprio STF, em sua jurisprudência, já no início dos anos 90, reconheceu aos estrangeiros,
mesmo que não residentes no país, a condição de titulares - não de todos - mas de alguns dos
direitos fundamentais consagrados pela Constituição de 1988.
Nesse sentido, nada impede que um habeas corpus seja impetrado por estrangeiro de
passagem, que tenha sua liberdade de locomoção dentro do território nacional violada. Nesses
termos, conforme o Pretório Excelso: "O súdito estrangeiro, mesmo aquele sem domicílio no
Brasil, tem direito a todas as prerrogativas básicas que lhe assegurem a preservação do status
libertatis e a observância, pelo Poder Público, da cláusula constitucional do due process. o
súdito estrangeiro, mesmo o não domiciliado no Brasil, tem plena legitimidade para impetrar o
remédio constitucional do habeas corpus (...)" Temos, ainda, que o STF já reconheceu a
estrangeiro, com base no princípio da isonomia, o benefício da substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos em virtude do preenchimento dos requisitos do Código Penal.
Também já decidiu o STF que o estrangeiro que cumpre pena no Brasil pode ser beneficiado com
a progressão de regime. Nesses termos, não há fundamento para negar aos estrangeiros que
cumprem pena no Brasil os benefícios da execução penal, dentre eles a progressão de regime.
Isso porque, conforme o Pretório Excelso, a condição humana da pessoa estrangeira submetida
a pena no Brasil é protegida constitucionalmente e no âmbito dos direitos humanos. Assim, em
regra, é juridicamente possível a progressão de regime para estrangeiros que cumpram pena no
Brasil.
III – INCORRETA - No mesmo sentido que o estrangeiro, as pessoas jurídicas, modernamente,
são igualmente titulares de alguns direitos fundamentais. O STF reconhece, por exemplo, o
direito à indenização por danos morais, o di reito à imagem, o direito de propriedade. Assim
também não há impedimento para exercício de direitos fundamentais pelas pessoas jurídicas,
podendo as mesmas pessoas jurídicas reclamar ofensas a seu direito de igualdade, de
propriedade, de sigilo de correspondência etc. Há, inclusive, na Constituição de i988, direitos
específicos destas, como o de não interferência estatal no funcionamento das associações (art.
5°, XVIII) e o de não serem dissolvidas compulsoriamente (art. 5°, XIX).
Fernandes, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 9. ed. rev. ampl. e atual. -
Salvador. Juspodivm, 2017, p. 347/348.

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL


16. O princípio que estabelece que o Direito Penal deve ser um meio necessário para a
proteção de bem jurídico e que a tutela penal deixa de ser necessária quando existir, de
forma eficaz, outros meios de controle social menos lesivos aos direitos individuais, é
denominado:
a) Princípio da legalidade.
b) Princípio da lesividade.
c) Princípio da insignificância.
d) Princípio da subsidiariedade.
Gabarito: D
O princípio da subsidiariedade preconiza que o Direito Penal deve atuar de forma subsidiária
(Direito Penal como ultima ratio), ou seja, somente quando se revelarem insuficientes as
outras formas de controle social. Obs.: Parte da doutrina trata os princípios da
fragmentariedade e da subsidiariedade como expressões do princípio da intervenção mínima.
Outra parte da doutrina, trata a subsidieriedade e a fragmentariedade como expressões
sinônimas.

17. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.


I- Não é punível a tentativa de contravenção.
II- As contravenções penais são punidas com penas de detenção ou de prisão simples.
III- A duração da pena de prisão simples não poderá ser superior a 30 anos, seguindo a sorte do
limite de execução das penas decorrentes do cometimento de crimes.
IV- Em relação às contravenções penais, em caso de ignorância ou de errada compreensão da
lei, quando escusáveis, a pena poderá deixar de ser aplicada pelo magistrado.
Estão corretas:
a) I, II, III e IV.
b) I, II e III.
c) I e III.
d) I e IV.
Gabarito: D
I- Correta. Art. 4º da Lei de Contravenções Penais.
II- Incorreta. LCP, art. 5º. As penas das contravenções penais são prisão simples e/ou multa.
III- Incorreta. LCP, art. 10: A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser
superior a cinco anos, nem a importância das multas ultrapassar cinquenta contos.
IV- Correta. LCP, art. 8º.

18. Assinale a alternativa INCORRETA quanto às causas de exclusão da ilicitude previstas no


Código Penal.
a) No que tange ao estado de necessidade, o Código penal adotou a teoria unitária.
b) É possível que haja legítima defesa real contra legítima defesa putativa.
c) Não é possível legítima defesa contra estado de necessidade.
d) Nas causas excludentes da antijuridicidade, o agente responderá pelo excesso doloso, mas
não culposo.
Gabarito: D
a) Correta. De acordo com o Código Penal, o estado de necessidade sempre será causa de
exclusão da ilicitude (estado de necessidade justificante), com base na adoção da teoria
unitária, pois o art. 24 do CP não considera expressamente o balanço de bens, apenas
exigindo o critério da razoabilidade. Diversamente, a teoria diferenciadora, adotada pelo
Código Penal Militar, preconiza que o estado de necessidade poderá ser causa de exclusão da
ilicitude ou da culpabilidade, considerando-se a variação de valor dos bens em conflito: se o
bem protegido pelo agente for de valor superior ao bem sacrificado, haverá exclusão da
ilicitude (estado de necessidade justificante); ao passo que se o bem protegido for de valor
inferior ou de igual valor ao bem sacrificado, poderá haver exclusão da culpabilidade (estado de
necessidade exculpante).
b) Correta. Ex.: o agente, agindo em legítima defesa imaginária, realmente pratica uma
agressão injusta (ilícita), embora a imagine justa.
c) Correta. Isso porque, quem agente amparado por estado de necessidade não pratica
agressão injusta (ilícita).
d) Incorreta. CP, art. 23, parágrafo único: O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo,
responderá pelo excesso doloso ou culposo.

19. Assinale a alternativa correta quanto à Suspensão Condicional da Pena.


I – O sistema franco-belga é o adotado pelo Código Penal para o sursis da pena.
II – Na aplicação do sursis simples, no primeiro ano do período de prova, o condenado terá que
prestar serviços à comunidade ou ser submetido à limitação de fim de semana. Aplica-se aos
casos em que o condenado não reparou o dano injustificadamente ou quando as circunstâncias
judiciais não lhe são favoráveis.
III – Para a aplicação do denominado sursis etário, a execução da pena privativa de liberdade,
superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado
seja maior de sessenta anos de idade.
IV – Período de prova é o tempo em que o condenado deverá obedecer às condições
estabelecidas, iniciando-se com a audiência admonitória, realizada após o trânsito em julgado
da condenação. No caso de condenação por crime ou contravenção penal, o período de prova
será de 2 a 4 anos, com exceção do sursis etário e humanitário, em que referido período será
de 4 a 6 anos.
a) I, II, III e IV são corretas.
b) I, II e III são corretas.
c) I e II são corretas.
d) Apenas a III é correta.
Gabarito: C
I – Correta. Obs.: Há três sistemas para o sursis da pena: - Sistema anglo-americano
(probation sistem): o réu fica submetido ao período de prova, após o reconhecimento de sua
responsabilidade penal, mas sem que tenha sido imposta a ele determinada pena.
Descumprindo as condições, o julgamento é retomado. Este sistema não é contemplado no
ordenamento jurídico brasileiro. - Sistema do probation of first offender act: haverá a
suspensão da ação penal, inclusive antes de se reconhecer a responsabilidade penal do réu.
Há a imposição de determinadas condições, as quais, não sendo cumpridas, gerarão a
retomada do processo. É adotado para a suspensão condicional do processo. O sujeito fica
submetido a determinadas condições. Não cumprindo as condições, é possível a retomada do
processo, cuja denúncia já foi recebida pelo magistrado anteriormente. - Sistema franco-
belga: é o sistema adotado no Código Penal para o sursis da pena. O sujeito é condenado,
sendo imposta uma pena privativa de liberdade, sendo que, em momento posterior, haverá a
suspensão da pena, fixando o juiz certas condições, as quais o condenado deve se submeter.
Caso não as observe, poderá cumprir a pena privativa de liberdade.
II – Correta. Sursis simples: CP, art. 77 e 78, §1º. Aplica-se aos casos em que o condenado não
reparou o dano injustificadamente ou quando as circunstâncias do art. 59 do CP não lhe são
favoráveis. Sursis especial: CP, art. 78, §2º. O condenado não precisa prestar serviços à
comunidade e não é submetido à limitação de fim de semana no primeiro ano do período de
prova. Aplica-se aos casos em que o condenado reparou o dano, salvo justificativa, e desde
que as circunstâncias judiciais lhe sejam favoráveis.
III – Incorreta. CP, art. 77, §2º: A execução da pena privativa de liberdade, NÃO superior a
quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior
de SETENTA anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão.
IV – Incorreta. Período de prova é o tempo em que o condenado deverá obedecer às
condições estabelecidas, iniciando-se com a audiência admonitória (ou de advertência),
realizada após o trânsito em julgado. No caso de condenação por crime, o período de prova é
de 2 a 4 anos (CP, art. 77). Se a condenação for pela prática de contravenção penal, o período
será de 1 a 3 anos (LCP, art. 11). No caso de sursis etário e humanitário, o prazo de prova será
de 4 a 6 anos (CP, art. 77, §2º).

20. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.


I – A coação física irresistível exclui a culpabilidade do coagido, em virtude de inexigibilidade de
conduta diversa.
II – A desobediência civil pode configurar causa supralegal de exclusão da culpabilidade.
III – A obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal, como causa de exclusão da
culpabilidade, aplica-se às relações de direito privado, como as relações familiares e as de
trabalho.
a) I, II e III são corretas.
b) Apenas a II é correta.
c) Apenas I e II são corretas.
d) Apenas a III é correta.
Gabarito: B
I – Incorreta. A coação moral irresistível (vis compulsiva) exclui a culpabilidade do coagido
(coacto), em virtude de inexigibilidade de conduta diversa. Já a coação física irresistível exclui
a conduta, em virtude da ausência de voluntariedade.
II – Correta. A desobediência civil, consistente em atos de rebeldia com a finalidade de expor
publicamente a injustiça da lei, pode configurar causa supralegal de exclusão da culpabilidade
(por inexigibilidade de conduta diversa) quando fundada na proteção de direitos
fundamentais e o dano for juridicamente irrelevante (DOTTI, René Ariel. Curso de Direito
Penal. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 428). São exemplos os bloqueios de estradas e as
ocupações de vias públicas.
III – Incorreta. A causa exculpante prevista no art. 22 do CP (Se o fato é cometido sob coação
irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem) refere-se às relações de ordem
pública (de direito administrativo), não se aplicando às relações de direito privado.

21. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I - Consuma-se o crime de furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço
de tempo e seguida de perseguição ao agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou
desvigiada.
II - Destreza, para fins de furto qualificado, é a especial habilidade física ou manual que permite
ao agente subtrair bens em poder direto da vítima sem que ela perceba o furto.
III – Não é legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o
repouso noturno (art. 155, § 1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º),
pois a posição topográfica do § 1º (vem antes do § 4º) é fator que impede a sua aplicação para
as situações de furto qualificado (§ 4º).
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: B
I – CORRETA - Consuma-se o crime de furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que por
breve espaço de tempo e seguida de perseguição ao agente, sendo prescindível a posse mansa
e pacífica ou desvigiada. STJ. 3ª Seção. REsp 1524450-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
14/10/2015 (recurso repetitivo) (Info 572).
II – CORRETA - No crime de furto, não deve ser reconhecida a qualificadora da “destreza” (art.
155, § 4º, II, do CP) caso inexista comprovação de que o agente tenha se valido de excepcional
— incomum — habilidade para subtrair a coisa que se encontrava na posse da vítima sem
despertar-lhe a atenção. Destreza, para fins de furto qualificado, é a especial habilidade física
ou manual que permite ao agente subtrair bens em poder direto da vítima sem que ela perceba
o furto. É o chamado “punguista”. STJ. 5ª Turma. REsp 1478648-PR, Rel. para acórdão Min.
Newton Trisotto (desembargador convocado do TJ/SC), julgado em 16/12/2014 (Info 554).
III – INCORRETA - É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido
durante o repouso noturno (art. 155, § 1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art.
155, § 4º). Não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as
qualificadoras do § 4º. São circunstâncias diversas, que incidem em momentos diferentes da
aplicação da pena. Assim, é possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e,
na terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o
repouso noturno. A posição topográfica do § 1º (vem antes do § 4º) não é fator que impede a
sua aplicação para as situações de furto qualificado (§ 4º). STF. 2ª Turma. HC 130952/MG, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 13/12/2016 (Info 851). STJ. 6ª Turma. HC 306450-SP, Rel. Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014 (Info 554).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

22. Assinale a alternativa CORRETA.


a) Aquele que destrói, inutiliza ou deteriora documento público ou particular, em benefício
próprio ou alheio ou em prejuízo de terceiro pratica o crime de dano qualificado.
b) Aplica-se o princípio da insignificância ao crime de dano quando o sujeito danifica protetor
de fibra de aparelho telefônico público pertencente à concessionária de serviço público, cujo
prejuízo fora avaliado em R$ 137,00.
c) Se o agente for o proprietário da coisa e a destruir, em regra, não haverá crime de dano,
salvo se destruir coisa própria que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou
convenção, caso em que estará configurado o delito previsto no art. 346 do CP.
d) Aquele que destrói, inutiliza ou deteriora coisa alheia responde por crime de dano simples,
com pena de reclusão de um a seis meses e multa.
Gabarito: C
a) Dano sobre documento (público ou particular), em benefício próprio ou alheio ou em prejuízo
de terceiro, se ajusta ao disposto no art. 305 do CP.
b) STF - 712 - Princípio da insignificância e bem de concessionária de serviço público. É
inaplicável o princípio da insignificância quando a lesão produzida pelo paciente atingir bem
de grande relevância para a população. Com base nesse entendimento, a 2ª Turma denegou
habeas corpus em que requerida a incidência do mencionado princípio em favor de acusado
pela supostaprática do crime de dano qualificado (CP, art. 163, parágrafo único, III). Na espécie,
o paciente danificara protetor de fibra de aparelho telefônico público pertencente à
concessionária de serviço público, cujo prejuízo fora avaliado em R$ 137,00. Salientou-se a
necessidade de se analisar o caso perante o contexto jurídico, examinados os elementos
caracterizadores da insignificância, na medida em que o valor da coisa danificada seria somente
um dos pressupostos para escorreita aplicação do postulado. Asseverou-se que, em face da
coisa pública atingida, não haveria como reconhecer a mínima ofensividade da conduta,
tampouco o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. Destacou-se que as
consequências do ato perpetrado transcenderiam a esfera patrimonial, em face da privação
da coletividade, impossibilitada de se valer de um telefone público. HC 115383/RS, rei. Min.
Gil mar Mendes, 25.6.2013.
c) Objetividade jurídica: tutela-se o patrimônio alheio (móveis ou imóveis). Sujeito ativo: é crime
comum, que pode ser praticado por qualquer pessoa. Se o agente for o proprietário da coisa,
em regra, não haverá crime, salvo se destruir coisa própria que se acha em poder de terceiro
por determinação judicial ou convenção, caso em que estará configurado o delito previsto no
art. 346 do CP (crime contra a administração da justiça). Poderá, também, caracterizar o crime
de fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro, descrito no art. 171, V do CP, se
o agente danificar coisa sua para enriquecer-se ilicitamente em prejuízo da seguradora.
(Cunha. Rogério Sanches. Código Penal para Concursos. 9ª ed. Juspodivm. 2016. p. 523/526.)
d) Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
23. Julgue as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
I – Ato obsceno é aquele contrário ao sentimento médio de pudor da sociedade, devendo ter
um mínimo de conotação sexual. Trata-se de elemento que depende de um juízo axiológico
para a compreensão do seu significado, o que conduz à imprecisão e vagueza do tipo, e, por
conseguinte, arranha o princípio da taxatividade.
II – Com relação ao ato obsceno, o indicativo de uma ação física (ato), da sua compreensão se
excluem os discursos obscenos, as canções imorais, as propostas torpes etc., aliás suscetíveis de
serem punidas por outro título.
III – Não haverá o crime se o ato for praticado em lugar que não ofereça a publicidade
requerida para que se ofenda a coletividade.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: A
I – CORRETA - O crime consiste em praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto
ao público.
Ato obsceno (elemento normativo do tipo): é aquele contrário ao sentimento médio de pudor da
sociedade, devendo ter um mínimo de conotação sexual. Trata-se de elemento que depende de
um juízo axiológico (valorativo) para a compreensão do seu significado, o que conduz à
imprecisão e vagueza do tipo, e, por conseguinte, arranha o princípio da taxatividade.
Alexandre Salim, Marcelo André De Azevedo. Direito Penal. parte especial - dos crimes contra a
pessoa aos crimes contra a família – 6ª Ed. Salvador: Juspodivm, 2017, p. 529
II e III – CORRETAS - Indicativo de uma ação física (ato), da sua compreensão se excluem os
discursos obscenos, as canções imorais, as propostas torpes etc., aliás suscetíveis de serem
punidas por outro título." (ob. cit., v. 5, p. 144-145).
Note-se que "ato obsceno" rem significado relativo, modificando-se de acordo com os valores
culturais inerentes à coletividade, que certamente não serão os mesmos em todo o país, além
de se modificarem com o passar do tempo.
Não haverá o crime se o ato for praticado em lugar que não ofereça a publicidade requerida
para que se ofenda a coletividade. Assim, se o agente se envolve, por exemplo, em ato sexual
em um terreno, público, aberto ou exposto ao público, sem a possibilidade de ser presenciado
(difícil acesso, condições climáticas, horário avançado) não haverá o crime.
(Cunha. Rogério Sanches. Código Penal para Concursos. 9ª ed. Juspodivm. 2016, p. 658)

24. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA a respeito do crime de


explosão (art. 251, CP).
I – Como se está diante de delito de perigo comum, sujeito passivo é a sociedade em geral,
mas, se ninguém (vida, integridade física ou patrimônio de outrem) for exposto a perigo com a
conduta do agente, não haverá crime de explosão.
II - O delito consiste em expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem,
mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância
de efeitos análogos.
III - A explosão não é essencial à configuração do crime, já que o tipo também pune atos
anteriores a ela, como o mero arremesso ou a simples colocação da dinamite.
a) Todas estão corretas.
b) ApenasI e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: A
I – CORRETA - Bem jurídico - Tutela-se, como no crime de incêndio, a incolumidade pública.
Sujeitos - Trata-se de crime comum, portanto qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do delito
de explosão. Como se está diante de delito de perigo comum, sujeito passivo é a sociedade em
geral. Atenção: se ninguém (vida, integridade física ou patrimônio de outrem) for exposto a
perigo com a conduta do agente, não haverá crime de explosão.
II – CORRETA - Tipo objetivo - O delito consiste em expor a perigo a vida, a integridade física ou
o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de
dinamite ou de substância de efeitos análogos.
II – CORRETA - O delito do art. 251 do CP consuma-se no momento em que a explosão, o
arremesso ou a simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos
expuser a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem.
Atenção: a explosão não é essencial à configuração do crime, já que o tipo também pune atos
anteriores a ela, como o mero arremesso ou a simples colocação da dinamite.
A tentativa será possível nas duas primeiras modalidades (explosão e arremesso). A simples
colocação de dinamite dificilmente aceitará a forma tentada.
Alexandre Salim, Marcelo André De Azevedo. Direito Penal. parte especial - dos crimes contra a
incolumidade pública aos crimes contra a administração da justiça –5ª Ed. Salvador: Juspodivm,
2017, p. 47/48.

25. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – A norma contida no art. 311 do Código Penal busca resguardar a autenticidade dos sinais
identificadores dos veículos automotores, sendo, pois, típica, a simples conduta de alterar, com
fita adesiva, a placa do automóvel, ainda que não caracterizada a finalidade específica de
fraudar a fé pública.
II – A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada em
razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando a
qualificação do órgão expedidor.
III – Não resta configurado o crime de corrupção passiva se a solicitação ou recebimento de
vantagem indevida, ou a aceitação da promessa de tal vantagem, esteja relacionada com atos
que formalmente não se inserem nas atribuições do funcionário público, mesmo que, em razão
da função pública, materialmente implicam alguma forma de facilitação da prática da conduta
almejada.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: B
I – CORRETA - A norma contida no art. 311 do Código Penal busca resguardar a autenticidade
dos sinais identificadores dos veículos automotores, sendo, pois, típica, a simples conduta de
alterar, com fita adesiva, a placa do automóvel, ainda que não caracterizada a finalidade
específica de fraudar a fé pública. Assim, a conduta de colocar uma fita adesiva ou isolante para
alterar o número ou as letras da placa do carro e, assim, evitar multas, pedágio, rodízio etc.,
configura o delito do art. 311 do CP. STF. 2ª Turma. RHC 116371/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 13/8/2013 (Info 715). STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1327888/SP, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 03/03/2015.
II – CORRETA - Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de
documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o
documento público, não importando a qualificação do órgão expedidor.
III – INCORRETA - O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a solicitação ou
recebimento de vantagem indevida, ou a aceitação da promessa de tal vantagem, esteja
relacionada com atos que formalmente não se inserem nas atribuições do funcionário público,
mas que, em razão da função pública, materialmente implicam alguma forma de facilitação da
prática da conduta almejada. Ao contrário do que ocorre no crime de corrupção ativa, o tipo
penal de corrupção passiva não exige a comprovação de que a vantagem indevida solicitada,
recebida ou aceita pelo funcionário público esteja causalmente vinculada à prática, omissão ou
retardamento de “ato de ofício”. A expressão “ato de ofício” aparece apenas no caput do art.
333 do CP, como um elemento normativo do tipo de corrupção ativa, e não no caput do art.
317 do CP, como um elemento normativo do tipo de corrupção passiva. Ao contrário, no que se
refere a este último delito, a expressão “ato de ofício” figura apenas na majorante do art. 317,
§ 1.º, do CP e na modalidade privilegiada do § 2.º do mesmo dispositivo. STJ. 6ª Turma. REsp
1745410-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 02/10/2018
(Info 635).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>.

26. Assinale a alternativa INCORRETA.


a) A lei 13.260/2016 regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5º da Constituição Federal,
disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e
reformulando o conceito de organização terrorista.
b) Usar ou ameaçar usar gases tóxicos capazes de causar danos ou promover destruição em
massa por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião,
quando cometido com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo
pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública é considerado crime de
terrorismo.
c) Pratica crime de terrorismo o agente que sabota o funcionamento ou apodera-se, com
violência, grave ameaça a pessoa ou serve-se de mecanismos cibernéticos, do controle total ou
parcial, ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de portos,
aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios
esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais,
instalações de geração ou transmissão de energia, instalações militares, instalações de
exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições bancárias e sua rede de
atendimento;
d) Constitui crime, previsto na Lei Antiterror, receber, prover, oferecer, obter, guardar, manter
em depósito, solicitar, investir, de qualquer modo, direta ou indiretamente, recursos, ativos,
bens, direitos, valores ou serviços de qualquer natureza, para o planejamento, a preparação ou
a execução dos crimes de crime terrorismo.
Gabarito: C
a) Art. 1º, 13.260/2016. Esta Lei regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5o da
Constituição Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e
processuais e reformulando o conceito de organização terrorista.
b) Art. 2º, 13.260/2016. O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos
previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado,
expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.
§ 1o São atos de terrorismo: I - usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer
consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros
meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa;
c) Art. 2º, 13.260/2016. O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos
previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado,
expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.
§ 1o São atos de terrorismo: IV - sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave
ameaça a pessoa ou servindose de mecanismos cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda
que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos,
estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos,
instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de
geração ou transmissão de energia, instalações militares, instalações de exploração, refino e
processamento de petróleo e gás e instituições bancárias e sua rede de atendimento; OBS. Em
que pese a alternativa descrever um ato de terrorismo, para que se configure crime de
terrorismo é necessário intenção específica por parte dos agentes, elencada no caput do art.
2º: “O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste
artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião,
quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a
perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.
d) Art. 6º, 13.260/2016. Receber, prover, oferecer, obter, guardar, manter em depósito,
solicitar, investir, de qualquer modo, direta ou indiretamente, recursos, ativos, bens, direitos,
valores ou serviços de qualquer natureza, para o planejamento, a preparação ou a execução
dos crimes previstos nesta Lei: Pena - reclusão, de quinze a trinta anos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem oferecer ou receber, obtiver, guardar, mantiver
em depósito, solicitar, investir ou de qualquer modo contribuir para a obtenção de ativo, bem
ou recurso financeiro, com a finalidade de financiar, total ou parcialmente, pessoa, grupo de
pessoas, associação, entidade, organização criminosa que tenha como atividade principal ou
secundária, mesmo em caráter eventual, a prática dos crimes previstos nesta Lei.

27. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Trata-se de questão unânime que o bem jurídico tutelado pelo crime de Lavagem de
Dinheiro é a ordem econômica ou socioeconômica afetada, porque, as mais das vezes, a
lavagem se dá mediante utilização do sistema financeiro, bem como porque a lavagem constitui
um obstáculo para a atração de capital estrangeiro lícito, além de comprometer a confiança,
que é essencial ao funcionamento do sistema financeiro.
II – No crime de lavagem de dinheiro, não impedimento à aplicação da lei brasileira o fato de
que a infração penal antecedente tenha sido praticada no exterior, como no caso do ingresso
não declarado de valores que haviam sido objeto de evasão de divisas no país de origem.
III – A lavagem de dinheiro é crime comum, que, no Brasil, pode ser cometido até mesmo pelo
sujeito ativo da infração penal antecedente), ao contrário do que se dá com a receptação (CP,
art. 180) e com o favorecimento real (CP, art. 349), que não podem ter como autor a mesma
pessoa que praticou a infração penal antecedente.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: D
I – INCORRETA - A determinação do bem jurídico ofendido não é tranquila na doutrina, sendo
três as principais correntes: a) o mesmo bem jurídico da infração penal antecedente, que é
novamente ou mais intensamente lesado com a prática da lavagem; b) a administração da
justiça, na ideia de que o cometimento desses crimes torna difícil a recuperação do produto do
crime e que isso dificultaria a ação da Justiça, sendo este o bem jurídico principal, ao lado da
ordem econômica e do sistema financeiro; c) a ordem econômica ou socioeconômica afetada,
porque, as mais das vezes, a lavagem se dá mediante utilização do sistema financeiro, bem
como porque a lavagem constitui um obstáculo para a atração de capital estrangeiro lícito,
além de comprometer a confiança2, que é essencial ao funcionamento do sistema financeiro.
Mais acertado, em nosso modo de ver, é considerar o crime como pluriofensivo (TRF4, AC
19997103001155-3, Germano, 1ª T., u., 18/12/2000), atingindo a ordem econômica, a
administração da justiça e o bem jurídico protegido pela infração penal antecedente.
II - CORRETA - Não impede a aplicação da lei brasileira o fato de que a infração penal
antecedente tenha sido praticada no exterior (LLD, art. 2º, II), como no caso do ingresso não
declarado de valores que haviam sido objeto de evasão de divisas no país de origem (TRF3, CJ
201003000356740, 1ª S., m., 05/05/2011).
Aplica-se ao crime em comento o art. 7º, I, “b” e II, “a”, do CP, de modo que, atendidas as
condições do § 2º, o delito é punível ainda que praticado no exterior, por conta do princípio da
justiça universal ou cosmopolita (TRF3, HC 20060300111807-9, Johonsom, 1ª T., u.,
04/09/2007).
III – CORRETA - É crime comum, que, no Brasil, pode ser cometido até mesmo pelo sujeito ativo
da infração penal antecedente (STJ, AP 458, Dipp, CE, m., 16/09/2009), ao contrário do que se
dá com a receptação (CP, art. 180) e com o favorecimento real (CP, art. 349), que não podem
ter como autor a mesma pessoa que praticou a infração penal antecedente.
A participação no delito antecedente não é condição para que possa o agente ser sujeito ativo
da LD (STF, HC 84.869-9, Pertence, 1ª T., u., 21/06/2005; STJ, ROMS 16.813, Dipp, 5ª T., u.,
23/06/2004; STJ, AP 458, Dipp, CE, m., 16/09/2009; TRF1, HC 20030100042543-8, Carlos Olavo,
4ª T., u., 18/02/2004; TRF2, HC 200802010179611, Abel Gomes, 1ª TE, u., 10/06/2009).
Gonçalves, Victor Eduardo Rios. Legislação penal especial / Victor Eduardo Rios Gonçalves, José
Paulo Baltazar Junior; coordenador Pedro Lenza. – 2. ed. – São Paulo: Saraiva, 2016, p. 802/803.

28. Assinale a alternativa INCORRETA.


a) Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, no Código de Trânsito Brasileiro,
salvo disposição em contrário, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de
Processo Penal.
b) Nos crimes de trânsito o juiz fixará a pena-base segundo as diretrizes previstas no art. 59 do
Código Penal, dando especial atenção à culpabilidade do agente e às circunstâncias e
consequências do crime.
c) A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor pode ser imposta isolada ou cumulativamente com outras penalidades.
d) A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação, para
dirigir veículo automotor, tem a duração de dois a cinco anos.
Gabarito: D
a) Art. 291, CTB. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos neste
Código, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este
Capítulo não dispuser de modo diverso, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995,
no que couber.
b) Art. 291, § 4º, CTB. O juiz fixará a pena-base segundo as diretrizes previstas no art. 59 do
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), dando especial atenção à
culpabilidade do agente e às circunstâncias e consequências do crime.
c) Art. 292, CTB. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para
dirigir veículo automotor pode ser imposta isolada ou cumulativamente com outras
penalidades.
d) Art. 293, CTB. A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a
habilitação, para dirigir veículo automotor, tem a duração de dois meses a cinco anos.

29. (FCC 2017) Sobre a teorias da pena, é correto afirmar:


a) O exame criminológico cumpre o projeto ressocializador determinado pelo ordenamento
jurídico, pois permite a aferição concreta desta função da pena.
b) A prevenção especial positiva relaciona-se com a concepção etiológica de crime.
c) A Lei de Crimes Hediondos comprovou na prática seus objetivos declarados de prevenção
geral negativa.
d) A implementação de um programa de direitos humanos nos presídios brasileiros passa pela
implementação das ideias de prevenção geral positiva.
Gabarito: B
As teorias preventivas atribuem à pena a capacidade e a missão de evitar que no futuro se
cometam delitos. Essas teorias também reconhecem que, segundo sua essência, a pena se
traduz num mal para quem a sofre. Mas, como instrumento político-criminal destinado a atuar
no mundo, não pode a pena bastar-se com essa característica, uma vez que é destituída de
sentido social-positivo. Para como tal se justificar, a pena tem que usar esse mal para alcançar a
finalidade precípua de toda a política criminal, que é a prevenção. Tais teorias subdividem-se
em Teoria Preventiva Geral e Teoria Preventiva Especial.
A prevenção geral, na sua corrente positiva, afirma que a função do direito penal é dar
afirmação aos valores, e, devido a essa afirmação, os sujeitos se absterão da prática de
delitos, ou seja, acredita que a criminalização está fundamentada em seu efeito positivo sobre
os não criminalizados, sob a forma de um valor simbólico, produtor de consenso, e, portanto,
reforçador de sua confiança no sistema social em geral e, em particular, no sistema penal. Já na
sua corrente negativa, pretende obter da pena a dissuasão dos que não delinqüiram e podem
sentir-se tentados a fazê-lo, através da intimidação. Em outras palavras, para essa teoria, o
castigo do delinquente é um meio de induzir os demais cidadãos ao bom comportamento.
A Teoria da Prevenção Especial visa apenas o delinquente, objetivando que este não volte a
praticar novos delitos. Essa teoria não busca retribuir o fato passado e também não se dirige à
coletividade. Ou seja, a pena se dirige a uma pessoa determinada que é o sujeito delinquente.
Deste modo, a pretensão dessa teoria é evitar a reincidência. E, para isso, utiliza-se da pena de
prisão. No entanto, os seus partidários falam em medidas e não em pena, uma vez que,
segundo eles, a pena implica a liberdade ou a capacidade racional do indivíduo, partindo de um
conceito geral de igualdade e a medida supõe que o delinquente é um sujeito perigoso e, por
isso, deve ser tratado de acordo com a sua periculosidade.
A prevenção positiva persegue a ressocialização do delinquente por meio da sua correção. Ela
advoga por uma pena dirigida ao tratamento do próprio delinquente, com o propósito de
incidir em sua personalidade para que o sujeito não volte a cometer delitos. Em outras
palavras, essa vertente da teoria aduz “que a finalidade última das sanções penais, bem em sua
forma de penas propriamente ditas, bem nas medidas de segurança e reabilitação, deve ser a
reinserção social ou a ressocialização do delinquente, evitando desta forma que, uma vez
cumprida sua pena, volte a delinquir.” Essa teoria está baseada, portanto, nas ideologias Re:
ressocialização, reeducação, reinserção, repersonalização, reindividualização e reincorporação.
A prevenção negativa busca a segregação do delinquente, com o fim de neutralizar a possível
nova ação delitiva. É a chamada Inocuização que Von Listz apresentou em seu Programa de
Marburgo em 1882. Dizia o renomado autor que “[...] a luta pela delinquência habitual
pressupõe um exato conhecimento da mesma. Esse conhecimento ainda hoje nos falta. Trata-
se, com efeito, somente de um elo dessa corrente, frise-se, o mais perigoso e significativo, de
manifestações patológicas da sociedade que nós comumente agrupamos sob a denominação
de proletariado. Mendigos e vagabundos, indivíduos alcoolizados e dados a prostituição,
sujeitos de vida errante e desonestos, degenerados física e espiritualmente, que concorrem
todos os dias para a formação do exército dos inimigos capitais da ordem social, exército
cujo Estado maior parece formado por delinquentes habituais” (Fonte:
www.ambitojuridico.com.br. Autora: Francine Lúcia Buffon Baldissarella).

30. (CESPE 2018 adaptada) Ainda com referência ao texto da questão acima, conforme a
criminologia crítica, o crime praticado contra Estela pode ser explicado
a) por traumas de infância desenvolvidos por João, o que tornou difícil a sua relação com as
mulheres.
b) pela pouca iluminação da rua que Estela elegeu para voltar para casa depois da aula.
c) pelo comportamento imprudente de Estela, que, no período noturno, andava sozinha em rua
mal iluminada.
d) por multifatores, como uma cultura misógina que desvaloriza as mulheres e que legitima a
sua punição quando não forem atendidos os interesses e os desejos masculinos.
Gabarito: D
A teoria crítica, também chamada de teoria radical ou nova criminologia, é uma vertente que se
propõe a criticar a própria criminologia, questionando, por exemplo, a sociedade capitalista
como pano de fundo para o fenômeno criminal. Esta teoria possui diversas ramificações.
A criminologia crítica repensa o sistema penal e a própria sociedade, apontando os problemas
estruturais e injustiças sistêmicas, buscando a construção de uma sociedade mais solidária e
justa.
Principais aspectos da teoria crítica: superação da ideia de criminalização quase exclusiva dos
pobres e marginalizados, bem como a denúncia da estigmatização promovida pelo sistema
penal; necessidade de descriminalização de condutas de ofensividade irrelevante, que somente
atingem a moralidade pública; necessidade do direito penal voltar-se para crimes de
vitimização difusa.

31. Sobre o arquivamento do Inquérito Policial:


I - Para o STJ, o arquivamento do inquérito policial com base na existência de causa excludente
da ilicitude faz coisa julgada material e impede a rediscussão do caso penal.
II - Para o STF, o arquivamento de inquérito policial em razão do reconhecimento de excludente
de ilicitude não faz coisa julgada material. Logo, surgindo novas provas seria possível reabrir o
inquérito policial, com base no art. 18 do CPP e na Súmula 524 do STF.
III - A vítima de crime de ação penal pública não tem direito líquido e certo de impedir o
arquivamento do inquérito ou das peças de informação.
Está correto o que se afirma em:
a) I, II, III.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) III, apenas.
Gabarito: A
OBS. Atente-se para o fato de que as assertivas I e II, em que pese serem contraditórias, são
entendimentos de tribunais diversos, sendo ambas corretas nos termos dos julgados abaixo
colacionados.
I – CORRETA - PENAL. PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. INQUÉRITO POLICIAL
ARQUIVADO POR RECONHECIMENTO DA LEGÍTIMA DEFESA. DESARQUIVAMENTO POR PROVAS
NOVAS. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA MATERIAL. PRECEDENTES. 1. A permissão legal
contida no art. 18 do CPP, e pertinente Súmula 524/STF, de desarquivamento do inquérito
pelo surgimento de provas novas, somente tem incidência quando o fundamento daquele
arquivamento foi a insuficiência probatória - indícios de autoria e prova do crime. 2. A
decisão que faz juízo de mérito do caso penal, reconhecendo atipia, extinção da punibilidade
(por morte do agente, prescrição...), ou excludentes da ilicitude, exige certeza jurídica - sem
esta, a prova de crime com autor indicado geraria a continuidade da persecução criminal -
que, por tal, possui efeitos de coisa julgada material, ainda que contida em acolhimento a
pleito ministerial de arquivamento das peças investigatórias. 3. Promovido o arquivamento
do inquérito policial pelo reconhecimento de legítima defesa, a coisa julgada material impede
rediscussão do caso penal em qualquer novo feito criminal, descabendo perquirir a existência
de novas provas. Precedentes. 4. Recurso especial improvido. (REsp 791.471/RJ, Rel. Ministro
NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 25/11/2014, DJe 16/12/2014)
II – CORRETA - EMENTA Habeas corpus. Processual Penal Militar. Tentativa de homicídio
qualificado (CP, art. 121, § 2º, inciso IV, c/c o art. 14, inciso II). Arquivamento de Inquérito
Policial Militar, a requerimento do Parquet Militar. Conduta acobertada pelo estrito
cumprimento do dever legal. Excludente de ilicitude (CPM, art. 42, inciso III). Não configuração
de coisa julgada material. Entendimento jurisprudencial da Corte. Surgimento de novos
elementos de prova. Reabertura do inquérito na Justiça comum, a qual culmina na condenação
do paciente e de corréu pelo Tribunal do Júri. Possibilidade. Enunciado da Súmula nº 524/STF.
Ordem denegada. 1. O arquivamento de inquérito, a pedido do Ministério Público, em virtude
da prática de conduta acobertada pela excludente de ilicitude do estrito cumprimento do
dever legal (CPM, art. 42, inciso III), não obsta seu desarquivamento no surgimento de novas
provas (Súmula nº 5241/STF). Precedente. 2. Inexistência de impedimento legal para a
reabertura do inquérito na seara comum contra o paciente e o corréu, uma vez que subsidiada
pelo surgimento de novos elementos de prova, não havendo que se falar, portanto, em
invalidade da condenação perpetrada pelo Tribunal do Júri. 3. Ordem denegada. (HC 125101,
Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma,
julgado em 25/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-180 DIVULG 10-09-2015 PUBLIC 11-09-
2015)
III – CORRETA - CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL.
INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE, TERATOLOGIA OU ABUSO DE PODER. DENEGAÇÃO DA ORDEM.
1. A vítima de crime de ação penal pública incondicionada não tem direito líquido e certo de
impedir o arquivamento do inquérito ou peças de informação. 2. Em regra, não há ilegalidade,
teratologia ou abuso de poder, passível de correção via mandado de segurança, na decisão
judicial que, acolhendo promoção do Ministério Público, determina o arquivamento de
inquérito policial. 3. A norma inserta no art. 28 do Código de Processo Penal concede ao Juiz a
prerrogativa de, considerando os elementos trazidos nos autos de inquérito ou nas peças de
informações, anuir ou discordar do pedido de arquivamento formulado pelo órgão ministerial,
não sendo cabível, em caso de concordância, a prévia submissão do pedido ao Procurador-
Geral. 4. Segurança denegada. (MS 21.081/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, CORTE ESPECIAL,
julgado em 17/06/2015, DJe 04/08/2015)

32. Assinale a alternativa CORRETA a respeito da denúncia e da queixa crime.


a) A denúncia ou queixa necessariamente conterá a exposição do fato criminoso, com todas as
suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa
identificá-lo, a classificação do crime e o rol das testemunhas.
b) A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, neste caso do instrumento
do mandato deve consta impreterivelmente o nome do querelado e a menção do fato
criminoso.
c) A queixa, quando a ação penal for privativa do ofendido, não poderá ser aditada pelo
Ministério Público, a quem caberá apenas intervir em todos os termos subsequentes do
processo.
d) Quando, em autos ou papéis de que conhecer, o juiz verificar a existência de crime de ação
pública, remeterá ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao
oferecimento da denúncia.
Gabarito: D
a) art. 41, CPP. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas
circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo,
a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.
b) Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo constar
do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo
quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente
requeridas no juízo criminal.
OBS. tenha cuidado, pela letra da lei, o mandato deve conter o nome do QUERELANTE, mas
de acordo com a doutrina trata-se do nome do QUERELADO, ou seja, do autor do fato.
c) Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for privativa do ofendido, poderá ser aditada
pelo Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os termos subseqüentes do processo.
d) Art. 40, CPP.

33. Assinale a alternativa CORRETA a respeito da citação por carta precatória.


a) Certificado pelo oficial de justiça que o réu se oculta para não ser citado, a precatória será
convertida em citação por hora certa, independentemente de devolução.
b) Verificado que o réu se encontra em território sujeito à jurisdição de outro juiz, a este
remeterá o juiz deprecado os autos para efetivação da diligência, desde que haja tempo para
fazer-se a citação.
c) A precatória será devolvida ao juiz deprecante, mediante traslado, depois de lançado o
"cumpra-se" e de feita a citação por mandado do juiz deprecado.
d) Mesmo em caso de urgência a precatória deverá conter todos os requisitos legais previstos
do CPP.
Gabarito: B
a) art. 355, § 2º, CPP. Certificado pelo oficial de justiça que o réu se oculta para não ser citado, a
precatória será imediatamente devolvida, para o fim previsto no art. 362.
b) Art. 355, § 1º, CPP. Verificado que o réu se encontra em território sujeito à jurisdição de
outro juiz, a este remeterá o juiz deprecado os autos para efetivação da diligência, desde que
haja tempo para fazer-se a citação.
c) Art. 355, CPP. A precatória será devolvida ao juiz deprecante, independentemente de
traslado, depois de lançado o "cumpra-se" e de feita a citação por mandado do juiz deprecado.
d) Art. 356, CPP. Se houver urgência, a precatória, que conterá em resumo os requisitos
enumerados no art. 354, poderá ser expedida por via telegráfica, depois de reconhecida a firma
do juiz, o que a estação expedidora mencionará.

34. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Entende-se por questões prejudiciais aquelas que exigem solução antes do julgamento do
processo criminal. Podem ter natureza penal ou extrapenal. Nestes casos, o objeto da ação
penal assume a condição de questão prejudicada.
II – As questões prejudiciais afetam apenas o aspecto da ilicitude da conduta, não interferindo
na culpabilidade.
III – Para que uma determinada questão seja considerada prejudicial em face da matéria de
fundo discutida no processo criminal, deve apresentar as seguintes características:
anterioridade lógica, necessariedade e autonomia.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: C
Trata-se de matéria regulamentada nos arts. 92 a 94 do CPP. Como questões prejudiciais
entendem-se aquelas que exigem solução antes do julgamento do processo criminal. Podem
ter natureza penal ou extrapenal. Nestes casos, o objeto da ação penal assume a condição de
questão prejudicada. (ASSERTIVA I)
Exemplos:
A prova da ocorrência de um crime anterior (um furto, por exemplo) é prejudicial no processo
criminal por receptação, pois deve ser decidida antes de manifestar-se o juiz quanto à
condenação ou absolvição do réu.
Prova do furto: questão prejudicial
Receptação: questão prejudicada
A decisão relativa à nulidade do primeiro casamento é prejudicial em relação ao processo penal
por bigamia, dado que interfere diretamente na sentença a ser proferida pelo juiz criminal.
Nulidade das primeiras núpcias: questão prejudicial
Bigamia: questão prejudicada
As questões prejudiciais afetam apenas o aspecto da tipicidade da conduta (caracterização do
tipo fundamental ou incidência do tipo derivado), não interferindo na ilicitude ou na
culpabilidade. (ASSERTIVA II) Os próprios arts. 92 e 93 do CPP condicionam o reconhecimento
da existência da infração penal à prévia solução dessas vertentes. Ora, por infração penal
compreende-se o fato típico, no que difere do conceito de crime, que abrange, além da
tipicidade, também a ilicitude (teoria bipartida) e, para muitos, a culpabilidade (teoria
tripartida).
Veja-se, no exemplo citado da receptação, que o comportamento de quem adquire algo apenas
será típico se ilícita a procedência do bem móvel adquirido. Situação idêntica ocorre em relação
à bigamia, em que o segundo casamento apenas será típico caso o primeiro tenha sido
validamente realizado. Logo, a prova da origem ilícita do bem adquirido e a prova da nulidade
do casamento são questões prejudiciais, pois a respectiva demonstração é condição sine qua
non para que se possa afirmar que a conduta do agente, de fato, subsume-se à descrição típica
dos crimes de receptação, no primeiro caso, e de bigamia, no segundo.
Para que uma determinada questão seja considerada prejudicial em face da matéria de fundo
discutida no processo criminal, deve apresentar as seguintes características: (ASSERTIVA III)
Anterioridade lógica. A questão prejudicial condiciona a questão principal discutida no processo
penal, interferindo diretamente no julgamento desta última demanda. Em outras palavras, é
possível dizer que a anterioridade lógica significa que a questão prejudicada (por exemplo, a
receptação) depende logicamente da questão prejudicial (por exemplo, o furto que lhe foi
anterior).
Necessariedade: este atributo traduz a conotação de intransponibilidade. Em resumo, para que
se esteja diante de uma hipótese de prejudicialidade, é imprescindível que o juiz criminal
dependa do resultado de uma determinada questão, para que possa considerar típica a ação
atribuída ao agente. Destarte, se for possível ao juiz proferir sentença sem nenhuma
consideração a tal resultado, não se estará diante de uma questão prejudicial.
Autonomia: a questão prejudicial pode ser objeto de um processo autônomo, cível ou criminal,
distinto daquele em que figura a questão prejudicada. A nulidade de um casamento, por
exemplo, pode ser discutida no âmbito de ação civil própria independentemente de existir um
processo criminal por bigamia em tramitação na órbita penal.
(Avena, Norberto Cláudio Pâncaro Processo penal – 9.ª ed. rev. e atual. – São Paulo: MÉTODO,
2017, p. 233/234)

35. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Segundo o STF diante do trânsito em julgado de duas sentenças condenatórias contra o
mesmo condenado, por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação mais favorável ao réu.
Não importa qual processo tenha iniciado antes ou em qual deles tenha ocorrido primeiro o
trânsito em julgado. O que irá prevalecer é a condenação que foi mais favorável ao réu.
II – Não se verifica prejuízo no caso em que Ministro impedido participa de julgamento cujo
resultado é unânime, pois a subtração do voto desse magistrado não teria a capacidade de
alterar o resultado da votação.
III – O agente que, numa primeira ação penal, tenha sido condenado pela prática de crime de
roubo contra uma instituição bancária não poderá ser, numa segunda ação penal, condenado
por crime de roubo supostamente cometido contra o gerente do banco no mesmo contexto
fático considerado na primeira ação penal, ainda que a conduta referente a este suposto roubo
contra o gerente não tenha sido sequer levada ao conhecimento do juízo da primeira ação
penal, vindo à tona somente no segundo processo.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: D
I – INCORRETA – Trata-se do entendimento do STJ - Diante do trânsito em julgado de duas
sentenças condenatórias contra o mesmo condenado, por fatos idênticos, deve prevalecer a
condenação mais favorável ao réu. Não importa qual processo tenha iniciado antes ou em qual
deles tenha ocorrido primeiro o trânsito em julgado. O que irá prevalecer é a condenação que
foi mais favorável ao réu. STJ. 6ª Turma.HC 281101-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 03/10/2017 (Info 616). Obs: a 1ª Turma do STF possui um precedente em sentido
contrário: Os institutos da litispendência e da coisa julgada direcionam à insubsistência do
segundo processo e da segunda sentença proferida, sendo imprópria a prevalência do que
seja mais favorável ao acusado. STF. 1ª Turma. HC 101131, Rel. Min. Luiz Fux, Rel p/ Acórdão
Min. Marco Aurélio, julgado em 25/10/2011.
II - CORRETA - Não se verifica prejuízo no caso em que Ministro impedido participa de
julgamento cujo resultado é unânime, pois a subtração do voto desse magistrado não teria a
capacidade de alterar o resultado da votação. STF. 1ª Turma. HC 116715/SE, rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 5/11/2013 (Info 727). STF. 2ª Turma. HC 126797 AgR, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 07/04/2015.
III – CORRETA - Dois roubos praticados no mesmo contexto fático e nova denúncia: coisa
julgada. O agente que, numa primeira ação penal, tenha sido condenado pela prática de crime
de roubo contra uma instituição bancária não poderá ser, numa segunda ação penal,
condenado por crime de roubo supostamente cometido contra o gerente do banco no mesmo
contexto fático considerado na primeira ação penal, ainda que a conduta referente a este
suposto roubo contra o gerente não tenha sido sequer levada ao conhecimento do juízo da
primeira ação penal, vindo à tona somente no segundo processo. STJ. 5ª Turma. HC 285589-
MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 4/8/2015 (Info 569).
(CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>)

36. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ao alterar as hipóteses
autorizativas da concessão de prisão domiciliar, permite que o juiz substitua a prisão preventiva
pela domiciliar quando o agente for gestante ou mulher com filho até 12 anos de idade
incompletos.
II – A prisão temporária, por sua própria natureza instrumental, só pode ser considerada
legítima caso constitua medida comprovadamente adequada e necessária ao acautelamento da
fase pré-processual, servindo para tanto a suposição de que o suspeito virá a comprometer a
atividade investigativa.
III – A alegação de desproporcionalidade da prisão preventiva somente poderá ser aferível após
a prolação de sentença, não cabendo, durante o curso do processo, a antecipação da análise
quanto a possibilidade de cumprimento de pena em regime menos gravoso, caso seja prolatada
sentença condenatória.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: C
I - CORRETA - O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ao alterar as hipóteses
autorizativas da concessão de prisão domiciliar, permite que o juiz substitua a prisão preventiva
pela domiciliar quando o agente for gestante ou mulher com filho até 12 anos de idade
incompletos (art. 318, IV e V, do CPP). STF. 1ª Turma.HC 136408/SP, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 5/12/2017 (Info 887). STF. 2ª Turma. HC 134069/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 21/6/2016 (Info 831).
II – INCORRETA - A prisão temporária, por sua própria natureza instrumental, é permeada pelos
princípios do estado de não culpabilidade e da proporcionalidade, de modo que sua decretação
só pode ser considerada legítima caso constitua medida comprovadamente adequada e
necessária ao acautelamento da fase pré-processual, não servindo para tanto a mera
suposição de que o suspeito virá a comprometer a atividade investigativa. STJ. 6ª Turma. HC
379.690/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 04/04/2017.
III – CORRETA - A alegação de desproporcionalidade da prisão preventiva somente poderá ser
aferível após a prolação de sentença, não cabendo, durante o curso do processo, a antecipação
da análise quanto a possibilidade de cumprimento de pena em regime menos gravoso, caso
seja prolatada sentença condenatória, sob pena de exercício de adivinhação e futurologia, sem
qualquer previsão legal. Assim, não há que se falar em ofensa ao princípio da homogeneidade
das medidas cautelares porque não cabe ao STJ, em um exercício de futurologia, antecipar a
provável colocação da paciente em regime aberto/semiaberto ou a substituição da sua pena de
prisão por restritiva de direitos. STJ. 5ª Turma. RHC 77070/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado
em 16/02/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 79041/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
28/03/2017.
(CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>)

37. Julgue as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I - A exceção da verdade consiste na oportunidade assegurada ao réu para demonstrar a
veracidade das afirmações consideradas ofensivas pelo querelante.
II - A exceção da notoriedade do fato é aquela que visa demonstrar que a afirmação realizada
pelo réu não causa reação no meio social, já que respeita a fato conhecido por todos.
III - Não se admitem as exceções da verdade e da notoriedade do fato no crime de difamação,
pois, neste caso, é violada a honra subjetiva da pessoa, não importando a verdade ou a
notoriedade do que foi afirmado pelo réu.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: B
Exceção da verdade e exceção da notoriedade do fato (art. 523): contemporaneamente à
apresentação da resposta (arts. 396 e 396-A do CPP), poderá o querelado, em petição distinta,
apresentar exceção da verdade ou exceção da notoriedade do fato.
A exceção da verdade consiste na oportunidade assegurada ao réu para demonstrar a
veracidade das afirmações consideradas ofensivas pelo querelante. (ASSERTIVA I)
(...)
Por outro lado, a exceção da notoriedade do fato é aquela que visa demonstrar que a
afirmação realizada pelo réu não causa reação no meio social, já que respeita a fato
conhecido por todos. É cabível apenas na difamação, independentemente da condição do
ofendido (funcionário público ou não). (ASSERTIVA II)
Observação importante: Parte da doutrina considera que a exceção da verdade não é oponível
no crime de difamação, mas apenas a exceção da notoriedade do fato. Neste sentido,
Guilherme de Souza Nucci referindo que “a exceção da verdade diz respeito ao crime de calúnia
(imputar a alguém, falsamente, fato definido como crime), enquanto a exceção da notoriedade
do fato refere-se ao delito de difamação de funcionário público, no exercício das suas funções
(imputar a alguém fato ofensivo à sua reputação)”. Discordamos, porém, deste entendimento,
mesmo porque a exceção da verdade está prevista no Código Penal tanto em relação à calúnia
(art. 138, § 3.º), quanto no tocante à difamação (art. 139, parágrafo único, do Código Penal),
vinculando-se, neste último caso, a que se trate de crime praticado contra funcionário público
no exercício das suas funções. Portanto, aderimos à posição de que, enquanto na calúnia é
possível apenas a exceção da verdade, na difamação admite-se tanto a exceção da verdade
(desde que se trate de crime cometido contra funcionário público no exercício das suas funções,
a teor do citado art. 139, parágrafo único, do CP), quanto a exceção da notoriedade do fato
(esta independente de quem tenha sido a pessoa difamada).
Não se admitem as exceções da verdade e da notoriedade do fato no crime de injúria, pois,
neste caso, é violada a honra subjetiva da pessoa, não importando a verdade ou a
notoriedade do que foi afirmado pelo réu. (ASSERTIVA III)
(Avena, Norberto Cláudio Pâncaro Processo penal / Norberto Avena. – 9.ª ed. rev. e atual. – Rio
de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 534/335). Destacamos.

38. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I - A tese absolutória de legítima defesa, quando constituir a tese principal defensiva, deve ser
quesitada ao Conselho de Sentença antes da tese subsidiária de desclassificação em razão da
ausência de animus necandi.
II - A desclassificação do crime doloso contra a vida para outro de competência do juiz singular
promovida pelo Conselho de Sentença em plenário do Tribunal do Júri, mediante o
reconhecimento da denominada cooperação dolosamente distinta pressupõe a elaboração de
quesito acerca de qual infração menos grave o acusado quis participar.
III – O direito às três recusas imotivadas é garantido ao acusado, e não à defesa, ou seja, cada
um dos réus terá direito às suas três recusas imotivadas ainda que possuam o mesmo
advogado, sob pena de violação da plenitude de defesa.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: C
I – CORRETA - A tese absolutória de legítima defesa, quando constituir a tese principal
defensiva, deve ser quesitada ao Conselho de Sentença antes da tese subsidiária de
desclassificação em razão da ausência de animus necandi. Assim, nos casos em que a tese
principal for absolutória (ex: legítima defesa), o quesito de absolvição deve ser formulado antes
que o de desclassificação (tese subsidiária). Isso se justifica com o objetivo de garantir a
plenitude da defesa, já que a absolvição é mais vantajosa do que a mera desclassificação para
outro crime menos grave. STJ. 6ª Turma. REsp 1509504-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 27/10/2015 (Info 573).
II – INCORRETA - A desclassificação do crime doloso contra a vida para outro de competência do
juiz singular promovida pelo Conselho de Sentença em plenário do Tribunal do Júri, mediante o
reconhecimento da denominada cooperação dolosamente distinta (art. 29, § 2º, do CP), não
pressupõe a elaboração de quesito acerca de qual infração menos grave o acusado quis
participar. Assim, não há falar em ocorrência de nulidade absoluta no julgamento pelo Tribunal
do Júri, por ausência de quesito obrigatório, na hipótese em que houve a efetiva quesitação
acerca da tese da desclassificação, ainda que sem indicação expressa de qual crime menos
grave o acusado quis participar. Afastada pelos jurados a intenção do réu em participar do
delito doloso contra a vida em razão da desclassificação promovida em plenário, o juiz natural
da causa não é mais o Tribunal do Júri, não competindo ao Conselho de Sentença o julgamento
do delito, e sim ao juiz presidente do Tribunal do Júri, nos termos do que preceitua o art. 492, §
1º, primeira parte, do CPP. STJ. 6ª Turma. REsp 1501270-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 1º/10/2015 (Info 571).
III - O direito de a defesa recusar imotivadamente até 3 jurados é garantido em relação a cada
um dos réus, ainda que as recusas tenham sido realizadas por um só defensor (art. 469 do CPP).
De acordo com o art. 468, caput, do CPP, o direito a até 3 recusas imotivadas é da parte. Como
cada réu é parte no processo, se houver mais de um réu, cada um deles terá direito à referida
recusa. Dessa forma, o direito às três recusas imotivadas é garantido ao acusado, e não à
defesa, ou seja, cada um dos réus terá direito às suas três recusas imotivadas ainda que
possuam o mesmo advogado, sob pena de violação da plenitude de defesa. STJ. 6ª Turma. REsp
1540151-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 8/9/2015 (Info 570).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

39. Assinale a alternativa correta.


I – Compete privativamente aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito
Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de
responsabilidade, sem ressalvas.
II – Membro do Ministério Público estadual que comete crime federal será julgado pelo
Tribunal Regional Federal da região do lugar da infração.
III – A competência por prerrogativa de função não existe nas causas cíveis, mas apenas em
relação aos feitos criminais.
a) I, II e III estão corretas.
b) Apenas II e III são corretas.
c) Apenas I e II são corretas.
d) Apenas a III é correta.
Gabarito: D
I – Incorreta. CF/88, Art. 96. Compete privativamente: (...) III - aos Tribunais de Justiça julgar
os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério
Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça
Eleitoral.
II – Incorreta. No caso de cometimento de crime por parte de magistrados e de membros do
Ministério Público, o julgamento será sempre pelo Tribunal ao qual tais autoridades
estiverem vinculadas, ressalvada, apenas, a competência da Justiça Eleitoral (v. art. 96, III,
CF/88), pouco importando a natureza do crime que cometem.
III - Correta. Obs. IMPORTANTE: O foro por prerrogativa de função só é concedido enquanto o
sujeito estiver no exercício do cargo ou da função. Uma vez encerrado o cargo, os autos
devem retornar ao juízo singular.

40. Complete corretamente a lacuna:


Durante o julgamento não será permitida a leitura de documento ou a exibição de objeto que
não tiver sido juntado aos autos com a antecedência mínima de __________, dando-se
ciência à outra parte.
a) 3 dias
b) 3 dias úteis
c) 5 dias
d) 5 dias úteis
Gabarito: B
CPP, art. 479: Durante o julgamento não será permitida a leitura de documento ou a exibição
de objeto que não tiver sido juntado aos autos com a antecedência mínima de 3 (três) dias
úteis, dando-se ciência à outra parte. Obs.: Jurisprudência importante: O prazo de 3 dias úteis
a que se refere o art. 479 do Código de Processo Penal deve ser respeitado não apenas para a
juntada de documento ou objeto, mas também para a ciência da parte contrária a respeito de
sua utilização no Tribunal do Júri. REsp 1.637.288-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Rel. para
acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, por unanimidade, julgado em 8/8/2017, DJe 1/9/2017 –
informativo 610, STJ.

41. Com relação à citação e intimação, assinale a alternativa INCORRETA, nos termos do CPP.
a) A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será pessoal.
b) Estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta rogatória,
suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento.
c) O processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado pessoalmente para
qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, ou, no caso de mudança de
residência, não comunicar o novo endereço ao juízo.
d) Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos
o processo e o curso do prazo prescricional, devendo o juiz determinar a produção antecipada
das provas consideradas urgentes e decretar prisão preventiva do réu.
Gabarito: D
a) Art. 370, § 4º, CPP. A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será pessoal.
b) Art. 368, CPP. Estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta
rogatória, suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento.
c) Art. 367, CPP. O processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado
pessoalmente para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, ou, no caso de
mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo.
d) Art. 366, CPP. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado,
ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a
produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão
preventiva, nos termos do disposto no art. 312.

42. Com relação às testemunhas, assinale a alternativa INCORRETA nos termos do CPP.
a) O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas
partes.
b) A testemunha fará, sob palavra de honra, a promessa de dizer a verdade do que souber e Ihe
for perguntado.
c) Ocorrendo dúvida sobre a identidade da testemunha, o juiz procederá à verificação pelos
meios ao seu alcance, não podendo tomar-lhe o depoimento.
d) O depoimento da testemunha será prestado oralmente, não sendo permitido à testemunha
trazê-lo por escrito.
Gabarito: C
a) Art. 209, CPP. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das
indicadas pelas partes.
b) Art. 203, CPP. A testemunha fará, sob palavra de honra, a promessa de dizer a verdade do
que souber e Ihe for perguntado, devendo declarar seu nome, sua idade, seu estado e sua
residência, sua profissão, lugar onde exerce sua atividade, se é parente, e em que grau, de
alguma das partes, ou quais suas relações com qualquer delas, e relatar o que souber,
explicando sempre as razões de sua ciência ou as circunstâncias pelas quais possa avaliar-se de
sua credibilidade.
c) Art. 205, CPP. Se ocorrer dúvida sobre a identidade da testemunha, o juiz procederá à
verificação pelos meios ao seu alcance, podendo, entretanto, tomar-lhe o depoimento desde
logo.
d) Art. 204, CPP. O depoimento será prestado oralmente, não sendo permitido à testemunha
trazê-lo por escrito.

43. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – As consequências jurídicas extrapenais previstas no art. 91 do Código Penal são decorrentes
de sentença condenatória. Tal não ocorre, portanto, quando há transação penal, cuja sentença
tem natureza meramente homologatória, sem qualquer juízo sobre a responsabilidade criminal
do aceitante.
II – A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa
julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando
se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de
denúncia ou requisição de inquérito policial.
III – O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais
cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite
de um ano.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: A
I – CORRETA - As consequências jurídicas extrapenais previstas no art. 91 do Código Penal são
decorrentes de sentença condenatória. Tal não ocorre, portanto, quando há transação penal,
cuja sentença tem natureza meramente homologatória, sem qualquer juízo sobre a
responsabilidade criminal do aceitante. As consequências geradas pela transação penal são
essencialmente aquelas estipuladas por modo consensual no respectivo instrumento de
acordo. STF. Plenário. RE 795567/PR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 28/5/2015 (Info 787).
II – CORRETA - Súmula vinculante 35-STF: A homologação da transação penal prevista no artigo
76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a
situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal
mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.
III – CORRETA - Súmula 243-STJ: O benefício da suspensão do processo não é aplicável em
relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade
delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da
majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

44. De acordo com o CPP, a competência NÃO será determinada por conexão:
a) quando ocorrer duas ou mais infrações, estas houverem sido praticadas, ao mesmo tempo,
por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o
lugar.
b) quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração.
c) quando ocorrer duas ou mais infrações, estas houverem sido umas praticadas para facilitar
ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas.
d) quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir
na prova de outra infração.
Gabarito: B
Art. 76, CPP. A competência será determinada pela conexão:
I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por
várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar,
ou por várias pessoas, umas contra as outras;
II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou
para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas;
III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir
na prova de outra infração.
Art. 77, CPP. A competência será determinada pela continência quando:
I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração;
II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1o, 53, segunda parte, e
54 do Código Penal.

45. Assinale a alternativa CORRETA nos termos do CPP.


a) O sequestro será ordenado pelo juiz, no curso do processo, de ofício, a requerimento do
Ministério Público ou do ofendido.
b) O sequestro será autuado em apartado e admitirá embargos, o qual deverá ser decidido
antes do fim da instrução processual.
c) Se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado o
sequestro será levantado.
d) Caberá o sequestro apenas dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os proventos da
infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro.
Gabarito: C
a) Art. 127, CPP. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou
mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o seqüestro, em qualquer
fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa.
b) Art. 129, CPP. O sequestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos de terceiro.
Art. 130, Parágrafo único, CPP. Não poderá ser pronunciada decisão nesses embargos antes de
passar em julgado a sentença condenatória.
c) Art. 131, CPP. O sequestro será levantado:
I - se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar
concluída a diligência;
II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure a
aplicação do disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal;
III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado.
d) Art. 125, CPP. Caberá o sequestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os
proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro.
Art. 132, CPP. Proceder-se-á ao sequestro dos bens móveis se, verificadas as condições
previstas no art. 126, não for cabível a medida regulada no Capítulo Xl do Título Vll deste Livro.

DIREITOS DIFUSOS, COLETIVOS E INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS


46) Sobre os direitos da pessoa com deficiência, marque a alternativa correta.
I) A proteção à pessoa com deficiência é fruto da Convenção Internacional sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência.
II) Convenção de Nova Iorque foi primeira convenção incorporada ao ordenamento jurídico
brasileiro com status de norma constitucional, nos termos do art. 5º, § 3º, da CF.
III) A proteção jurídica deve ser concretizada por meio da concessão de direitos diferenciados, e
não por meio da retirada da plena capacidade.
IV) Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo, médio ou
curto prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma
ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de
condições com as demais pessoas
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I, II e III estão corretas.
d) Apenas I, II e IV estão corretas.
Gabarito: Letra C
I) CORRETA
II) CORRETA
III) CORRETA - Segundo Nelson Rosenvald e Cristiano Chaves, “a proteção jurídica deve ser
concretizada através da concessão de direitos diferenciados, e não por meio da retirada da
plena capacidade”.
IV) ERRADA – Art. 2o. Lei 13146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência – EPD)

47) Julgue os itens abaixo.


I) Compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao longo de toda a
vida.
II) Em situações de risco, emergência ou estado de calamidade pública, a pessoa com
deficiência será considerada vulnerável, devendo o poder público adotar medidas para sua
proteção e segurança.
III) A pessoa com deficiência não poderá ser obrigada a se submeter a intervenção clínica ou
cirúrgica, a tratamento ou a institucionalização forçada.
IV) O consentimento da pessoa com deficiência em situação de curatela poderá ser suprido, na
forma da lei.
Quantas alternativas estão corretas?
a) Nenhuma
b) Apenas 1
c) Apenas 2
d) Todas
Gabarito: Letra D
I) CORRETA – Art. 10, caput, EPD
II) CORRETA – Art. 10, p. único, EPD
III) CORRETA – Art. 11, caput, EPD
IV) CORRETA – Art. 11, p. único, EPD
48. Considere as seguintes afirmações:
I. Em ação de improbidade administrativa, a medida cautelar de indisponibilidade dos bens
depende de comprovação de que o réu esteja dilapidando seu patrimônio, ou na iminência de
fazê-lo.
II. O Ministério Público não tem legitimidade para pleitear, em ação civil pública, a indenização
decorrente do DPVAT em benefício do segurado.
III. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o objetivo de
garantir o acesso a critérios de correção de provas de concurso público.
IV. Na ação civil pública, reconhecido o vício na representação processual da associação autora,
deve-se, antes de proceder à extinção do processo, conferir oportunidade ao Ministério Público
para que assuma a titularidade ativa da demanda.
Agora, assinale a alternativa CORRETA à luz da jurisprudência dominante do STJ.
(A) Somente as alternativas I, II e III estão corretas.
(B) Somente a alternativa IV está correta.
(C) Somente as alternativas III e IV estão corretas.
(D) Todas as alternativas estão corretas.
Gabarito: C
ASSERTIVA I – INCORRETA. Em sede de recurso repetitivo, o STJ firmou o entendimento de que
a decisão cautelar de indisponibilidade dos bens em ação de improbidade administrativa
depende apenas de fortes indícios da prática de ato de improbidade administrativa, sendo
presumido o periculum in mora
ASSERTIVA II – INCORRETA. A Súmula 470/STJ que previa a redação trazida pela assertiva em
exame FOI CANCELADA pelo STJ em 2015. Isso ocorreu após o STF reconhecer a legitimidade do
MP para ajuizar ação civil pública em defesa dos direitos individuais homogêneos dos
beneficiários do seguro DPVAT.
ASSERTIVA III – CORRETA. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. SISTEMA DE
MERITOCRACIA. LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 1.
Concurso público é o principal instrumento de garantia do sistema de meritocracia na
organização estatal, um dos pilares dorsais do Estado Social de Direito brasileiro, condensado e
concretizado na Constituição Federal de 1988. Suas duas qualidades essenciais - ser "concurso",
o que implica genuína competição, sem cartas marcadas, e ser "público", no duplo sentido de
certame transparente e de controle amplo de sua integridade - impõem generoso
reconhecimento de legitimidade ad causam no acesso à justiça. 2. O Superior Tribunal de
Justiça é firme em reconhecer a legitimidade do Ministério Público para ajuizar Ação Civil
Pública com objetivo de declarar a nulidade de concurso público realizado sem a observância
dos princípios constitucionais da legalidade, da acessibilidade e da
moralidade. 3. Se o Parquet tem legitimidade para postular anulação de concurso público,
igualmente a possui para invalidar ato administrativo que o tiver anulado. Precedentes do STJ.
4. Recurso Especial provido. (REsp 1362269/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA
TURMA, julgado em 16/05/2013, DJe 01/08/2013)
ASSERTIVA IV – CORRETA. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO.
SÚMULAS 5/STJ E 7/STJ. EXTINÇÃO DO FEITO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA
INDISPONIBILIDADE DA DEMANDA COLETIVA. INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS.
LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO. PRECEDENTES. 1. A irregularidade da representação
da associação foi confirmada pela Corte de origem com base na análise do Regimento Interno e
Estatuto Social da associação e das provas dos autos, o que inviabiliza sua modificação em sede
de recurso especial, ante o óbice das Súmulas n. 5/STJ e 7/STJ. 2. "A norma inserta no art. 13 do
CPC deve ser interpretada em consonância com o § 3º do art. 5º da Lei 7.347/85, que
determina a continuidade da ação coletiva. Prevalece, na hipótese, os princípios da
indisponibilidade da demanda coletiva e da obrigatoriedade, em detrimento da necessidade de
manifestação expressa do Parquet para a assunção do pólo ativo da demanda" (REsp
855.181/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 1º/9/2009, DJe
18/9/2009). 3. Somente a efetiva e fundamentada demonstração pelo Parquet de que a Ação
Civil Pública é manifestamente improcedente ou temerária pode ensejar seu arquivamento,
que deverá ainda ser ratificada pelo Conselho Superior do Ministério Público, nos termos do
art. 9º da Lei n. 7.347/85. Recurso especial conhecido em parte e provido. (REsp 1372593/SP,
Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2013, DJe
17/05/2013)

49. A respeito da publicidade, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, assinale a


alternativa incorreta:
A) A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a
identifique como tal.
B) O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para
informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão
sustentação à mensagem.
C) É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário,
inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de
induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade,
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
D) O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe
ao fornecedor.
Gabarito: D
A) CORRETA: considerando o teor do art. 36 do Código de Defesa do Consumidor.
B) CORRETA: considerando o teor do art. 36, parágrafo único, do Código de Defesa do
Consumidor.
C) CORRETA: considerando o teor do art. 37, §1º, do Código de Defesa do Consumidor.
D) INCORRETA: considerando o teor do art. 38 do Código de Defesa do Consumidor.

50. Com relação às práticas abusivas, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor,
assinale a alternativa incorreta.
A) É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas,
condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou
serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos.
B) É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas, recusar
atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades de
estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes.
C) É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas, enviar ou
entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer
serviço.
D) É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas,
prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde,
conhecimento ou condição social, para recusar-lhe seus produtos ou serviços.
Gabarito: D
A) CORRETA: considerando o teor do art. 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor.
B) CORRETA: considerando o teor do art. 39, inciso II, do Código de Defesa do Consumidor.
C) CORRETA: considerando o teor do art. 39, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor.
D) INCORRETA: considerando o teor do art. 39, inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor.

51. Assinale a opção correta à luz da jurisprudência do STJ, acerca das práticas comerciais
previstas no CDC:
(A) A cobrança de tarifa de água pela concessionária pode ocorrer por estimativa na hipótese
comprovada de falta do hidrômetro ou de seu mau funcionamento.
(B) Nos contratos de cartão de crédito, não é abusiva a previsão de cláusula-mandato que
permita à operadora emitir título cambial contra o usuário do cartão.
(C) Não constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa
solicitação do consumidor.
(D) A utilização de escore de crédito dispensa o consentimento do consumidor para utilização
pelos fornecedores.
Gabarito: D
A) Incorreta. ADMINISTRATIVO. FORNECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. TARIFA. COBRANÇA POR ESTIMATIVA DE CONSUMO. ILEGALIDADE.
NO CASO DE INEXISTÊNCIA DE HIDRÔMETRO. COBRANÇA PELA TARIFA MÍNIMA. 1. A alegação
genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que
teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2.
Considerando que a tarifa de água deve calculada com base no consumo efetivamente medido
no hidrômetro, a tarifa por estimativa de consumo é
ilegal, por ensejar enriquecimento ilícito da Concessionária. 3. É da Concessionária a obrigação
pela instalação do hidrômetro, a cobrança, no caso de inexistência do referido aparelho, deve
ser cobrada pela tarifa mínima. Recurso especial improvido. (STJ; 2ª Turma; REsp 1513218 RJ;
Julgamento: 10/03/2015).
B) Incorreta. É abusiva tal previsão.
C) Incorreta. Súmula 532-STJ "Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito
sem prévia e expressa solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e
sujeito à aplicação de multa administrativa.
D) Súmula 550 do STJ: A utilização de escore de crédito, método estatístico de avaliação de
risco que não constitui banco de dados, dispensa o consentimento do consumidor, que terá o
direito de solicitar esclarecimentos sobre as informações pessoais valoradas e as fontes dos
dados considerados no respectivo cálculo.

52. Marque a alternativa correta de acordo com a jurisprudência dos nossos Tribunais
Superiores acerca da aplicação do Código de Defesa do Consumidor:
(A) O Código de Defesa do Consumidor é aplicável à relação jurídica entre participantes ou
assistidos de plano de benefício e entidade de previdência complementar, seja ela fechada ou
aberta.
(B) Segundo o STJ, aplica-se o CDC às relações entre as operadoras de planos de saúde
constituídas sob a modalidade de autogestão e seus filiados.
(C) Não se aplica o CDC ao condomínio de adquirentes de edifício em construção, nas hipóteses
em que atua na defesa dos interesses dos seus condôminos frente a construtora ou
incorporadora.
(D) A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao crédito até o
prazo máximo de 5 anos. O termo inicial deste prazo inicia-se no dia subsequente ao
vencimento da obrigação não paga, independentemente da data da inscrição no cadastro.
Gabarito: D
A) Errada. Segundo o STJ, a súmula 321 do próprio Tribunal somente seria aplicável para as
entidades ABERTAS de previdência privada. Para entidades fechadas não se aplica o CDC (STJ,
2ª Seção, Resp 1.536.786-MG, Rel. Min. Luiz Felipe Salomão, julgado em 26/08/2015).
B) Errada. O STJ entendeu em julgado do ano de 2016 que não se aplica o CDC às relações entre
as operadoras de planos de saúde constituídas sob a modalidade de autogestão e seus filiados.
Assim, os planos de saúde de autogestão podem ser considerados como uma exceção à Súmula
469 do STJ: "Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde."
C) Errada, pois o STJ, por meio de sua 3ª Turma, no REsp 1.560.728-MG, de Relatoria do Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/10/2016, entendeu que o CDC se aplica ao
condomínio de adquirentes de edifício em construção.
D) Correta, de acordo com o que foi decidido pela 3ª Turma do STJ, no REsp 1.316.117-SC, de
Relatoria do Min. João Otávio de Noronha, e Relatado para acórdão Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 26/4/2016.

53. Acerca das sanções administrativas do Direito Consumerista brasileiro, marque a


alternativa correta:
(A) O PROCON pode interpretar as cláusulas de um contrato de consumo e, se considerá-las
abusivas, aplicar sanções administrativas ao fornecedor de produtos e serviços.
(B) As penas de cassação de alvará de licença, de interdição e de suspensão temporária de
atividade, bem como a de intervenção administrativa, serão aplicadas mediante procedimento
administrativo, sem a necessidade de reincidência em práticas infracionais.
(C) Os órgãos oficiais poderão expedir notificações aos fornecedores para que, sob pena de
desobediência, prestem informações sobre questões de interesse do consumidor, mesmo se
tratando de segredo industrial.
(D) Considera-se reincidente, para os fins de aplicação das sanções administrativas previstas no
CDC, o fornecedor que ostente registro de auto de infração lavrado anteriormente ao
cometimento da nova infração, ainda que pendente ação judicial em que se discuta a imposição
de penalidade.
Gabarito: A
A) Correta, de acordo com o que decidiu a 2ª Turma do STJ, no Resp 1.279.622-MG, de
Relatoria do Min. Humberto Martins, julgado em 08/08/2015.
B) Errada, pois é contrária ao que dispõe o disposto no Art. 59 do CDC.
C) A alternativa encontra-se incorreta, em face do que dispõe o art. 55, § 4°, do CDC, que
resguarda o sigilo industrial em tais hipóteses. Vejamos: Art. 55, §4º. Os órgãos oficiais poderão
expedir notificações aos fornecedores para que, sob pena de desobediência, prestem
informações sobre questões de interesse do consumidor, resguardado o segredo industrial.
D) Errada. O enunciado contrapõe-se ao que dispõe o art. 59, §3º, do CDC, ex positis:
Pendendo ação judicial na qual se discuta a imposição de penalidade administrativa,
não haverá reincidência até o trânsito em julgado da sentença."

54. Quanto à prescrição e à decadência, no âmbito do direito do consumidor, é correto


asseverar que:
(A) É de 3 anos o prazo de prescrição da pretensão do segurador, sub-rogado nos direitos do
segurado, de indenização pela deterioração de carga em navio por falha em contêiner.
(B) É de cinco anos o prazo para que o consumidor possa reclamar a remoção de vícios
aparentes ou de fácil constatação, decorrentes da construção civil, que não estejam ligados à
solidez e à segurança do imóvel.
(C) Pelo princípio da actio nata, o termo inicial do prazo prescricional para a propositura de
ação indenizatória, fundada em inscrição indevida em cadastros restritivos de crédito, é a data
em que ocorre, efetivamente, a negativação, em face do caráter público das informações
lançadas nos bancos de dados.
(D) A decadência do art. 26 do CDC não é aplicável à prestação de contas para obter
esclarecimentos sobre a cobrança de taxas, tarifas e encargos bancários.
Gabarito: D
A) Errada. O STJ entende que é de 1 ano o prazo de prescrição da pretensão do segurador em
tais casos (REsp 1.278.722-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/5/2016, DJe
29/6/2016).
B) Errada. Na verdade, é de 90 (noventa) dias o prazo para que o consumidor possa reclamar a
remoção de vícios aparentes ou de fácil constatação. O prazo de 5 (cinco) anos somente se
aplica aos casos de efetiva ameaça da solidez e segurança do imóvel, para os casos da
construção civil.
C) Incorreta. Pelo princípio da “actio nata”, o termo inicial do prazo prescricional para a
propositura de ação indenizatória, fundada em inscrição indevida em cadastros restritivos de
crédito, é a data em que o consumidor toma ciência do registro desabonador que é quando
ocorre, efetivamente, a lesão e suas consequências.
D) Correta, de acordo com o que dispõe a Súmula 477 do STJ"A decadência do art. 26 do CDC
não é aplicável à prestação de contas para obter esclarecimentos sobre a cobrança de taxas,
tarifas e encargos bancários.
55. No que tange à responsabilidade civil no âmbito das relações de consumo, é correto
afirmar que:
(A) A falta de pagamento do prêmio do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por
Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) justifica a recusa do pagamento da
indenização.
(B) Em casos de demora no atendimento em instituições bancárias, por tempo não razoável, a
jurisprudência pátria vem adotando a teoria do desvio produtivo do consumidor, a qual
sustenta existir um dano temporal que deve ser considerado na fixação do dano moral, do dano
material ou nos lucros cessantes.
(C) Não tem direito à reparação de perdas e danos decorrentes de vício do produto o
consumidor que, no prazo decadencial, não provocou o fornecedor para que este pudesse
sanar o vício.
(D) De acordo com o STJ, não há como responder solidariamente por vício de qualidade do
automóvel adquirido, o fabricante de veículos automotores que participa de propaganda
publicitária garantindo com sua marca a excelência dos produtos ofertados por revendedor de
veículos usados.
Gabarito: C
A) Incorreta. Enunciado que se contrapõe ao seguinte julgado do STJ: "CIVIL. SEGURO
OBRIGATÓRIO. DPVAT. ACIDENTE CAUSADO POR VEÍCULO SEM SEGURO. EVENTO ANTERIOR À
LEI N. 8.441/92. IRRELEVÂNCIA. RESPONSABILIDADE DE QUALQUER SEGURADORA.
PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO. - Mesmo nos acidentes ocorridos anteriormente à
modificação da Lei n. 6.194/74 pela Lei n. 8.441/92, a falta de pagamento do prêmio do seguro
obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT)
não é motivo para a recusa do pagamento da indenização. REsp 503604 SP 2002/0176396-7".
B) Incorreta. A teoria do desvio produtivo do consumidor, segundo a tese de Marcos Dessaune,
" evidencia-se quando o consumidor, diante de uma situação de mau atendimento (lato sensu),
precisa desperdiçar o seu tempo e desviar as suas competências - de uma atividade necessária
ou por ele preferida - para tentar resolver
um problema criado pelo fornecedor, a um custo de oportunidade indesejado, de natureza
irrecuperável. Em outra perspectiva, o desvio produtivo evidencia-se quando o fornecedor, ao
descumprir sua missão e praticar ato ilícito, independentemente de culpa, impõe ao
consumidor um relevante ônus produtivo indesejado pelo último ou, em outras palavras, onera
indevidamente os recursos produtivos dele (consumidor). Trata-se de fatos nocivos que não se
enquadram nos conceitos tradicionais de "dano material", de "perda de uma chance" e de
"dano moral" indenizáveis. Tampouco podem eles (os fatos nocivos) ser juridicamente
banalizados como "meros dissabores ou percalços" na vida do consumidor, como vêm
entendendo muitos juristas e tribunais." Ou seja, o dano temporal caraterizado pela teoria do
desvio produtivo do consumidor é uma categoria nova que não se enquadra nas categorias
tradicionais de dano moral, nem dano material e nem lucros cessantes.
C) Enunciado correto, de acordo com julgado da 3ª Turma do STJ, Resp 1.520.500-SP, de
Relatoria do Min. Marco Aurélio Belizze, julgado em 27/10/2015.
D) Errada. De acordo com o que a 4ª Turma do STJ, decidiu no Resp 1.365.609-SP, de Relatoria
do Min. Luiz Felipe Salomão, o fabricante pode, sim, responder de forma
solidária com o revendedor de veículo caso na hipótese sob comento.

56. Assinale a alternativa correta, acerca do Direito da Criança e do Adolescente, de acordo


com o entendimento dos Tribunais Superiores brasileiros:
(A) Caso o juiz discorde parcialmente da remissão, ele pode modificar os termos da proposta
oferecida pelo MP para fins de excluir aquilo que não concordou.
(B) O parecer psicossocial não possui caráter vinculante e representa apenas um elemento
informativo para auxiliar o magistrado na avaliação da medida socioeducativa mais adequada a
ser aplicada, podendo o juiz decidir contrariamente ao laudo.
(C) O adolescente que cumpria medida de internação e foi transferido para medida menos
rigorosa pode ser novamente internado por ato infracional praticado antes do início da
execução.
(D) Em que pese não ser possível a aplicação da medida de internação, é possível a aplicação da
medida socioeducativa de semiliberdade ao adolescente que tenha praticado um ato
infracional análogo ao delito do art. 28 da Lei de Drogas.
Gabarito: B
A) Incorreta. De acordo com recente julgado do STJ, caso o juiz discorde parcialmente da
remissão, ele NÃO pode modificar os termos da proposta oferecida pelo MP para fins de excluir
aquilo que não concordou. (STJ. 6ª Turma. Resp 1.392.888-MS, Rel. Min. Rogerio Schietti,
julgado em 30/6/2016).
B) Correta. O STF entende que o juiz pode decidir contrariamente ao laudo com base no
principio do livre convencimento motivado (STF, 1ª Turma, RHC 126205/PE, rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 24/03/2015).
C) Incorreta. De acordo com o STJ ele não pode ser novamente internado por ato infracional
praticado antes do início da execução, ainda que cometido em momento posterior aos atos
pelos quais ele já cumpre medida socioeducativa (STJ, 5ª Turma, HC 274.565-RJ, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 12/05/2015).
D) Incorreta. Segundo o STF, não é possível a aplicação de nenhuma medida socioeducativa que
prive a liberdade do adolescente (internação ou semiliberdade) caso ele tenha praticado um
ato infracional análogo ao delito do art. 28 da Lei de Drogas.

57. Assinale a alternativa correta, com relação às medidas socioeducativas previstas no


Estatuto da Criança e do Adolescente:
(A) No regime de semiliberdade, possibilita-se a realização de atividades externas, mediante
autorização judicial.
(B) Segundo o STJ, a depender das particularidades e circunstâncias do caso concreto, pode ser
aplicada, com fundamento no art. 122, II, do ECA (reiteração no cometimento de outras
infrações graves), medida de internação ao adolescente infrator que antes tenha cometido
apenas uma outra infração grave.
(C) A advertência consiste em admoestação verbal, que deve ser reduzida a termo e assinada,
podendo ser aplicada sempre que houver indícios da materialidade e autoria.
(D) O regime de semiliberdade só poderá ser adotado como forma de transição para o regime
aberto, após ser cumprido pelo menos um sexto da medida em internação.
Gabarito: B
A) Incorreta, pois a autorização judicial não é imprescindível, de acordo com o seguinte
dispositivo do ECA: Art. 120. O regime de semiliberdade pode ser determinado desde o início,
ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades
externas, independentemente de autorização judicial.
B) Correta. De acordo com o mais recente posicionamento do STJ, o ECA não estipulou um
número mínimo de atos infracionais graves para justificar a internação do menor infrator com
fulcro no art. 122, II, do ECA (reiteração no cometimento de outras infrações graves). Logo,
cabe ao magistrado analisar as peculiaridades de cada caso e as condições específicas do
adolescente a fim de aplicar ou não a internação. Está superado o entendimento de que a
internação com base nesse dispositivo somente seria permitida com a prática de no mínimo 3
infrações.
(STJ. 6ª Turma. HC 347.434-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Antonio
Saldanha Palheiro, julgado em 27/9/2016).
C) Incorreta. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver PROVA da materialidade e
indícios suficientes da autoria.
D) Incorreta. Enunciado que se contrapõe ao que dispõe o art. 120 do ECA, senão vejamos: “O
regime de semiliberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição
para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de
autorização judicial”.

58. Com relação à medida socioeducativa de internação, assinale a assertiva correta:


(A) Edmilson, adolescente condenado a cumprir medida socioeducativa de internação, diante
da inexistência de estabelecimento apropriado na cidade de residência de seus pais, foi
custodiado em unidade distante, em razão da superlotação da unidade mais próxima. Nessa
situação, houve violação ao direito absoluto do adolescente previsto no ECA: Edmilson deveria
ter sido enviado para a localidade mais próxima do domicílio dos seus pais, mesmo que a
unidade de custódia estivesse superlotada.
(B) A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de noventa dias.
(C) A medida socioeducativa de internação não comporta prazo determinado, devendo sua
manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada um ano.
(D) Ainda que durante todo o processo não tenha sido imposta internação provisória ao
adolescente, é possível que o adolescente infrator inicie o imediato cumprimento da medida
socioeducativa de internação que lhe foi imposta na sentença, mesmo que ele tenha interposto
recurso de apelação e esteja aguardando seu julgamento.
Gabarito: D
A) Incorreta. O STJ já teve a oportunidade de se manifestar sobre o tema por meio do
informativo 576, quando decidiu que, “Em casos excepcionais, relativiza-se o direito insculpido
no inciso VI, art. 124, de modo a garantir que a medida imposta seja efetivamente cumprida em
ambiente adequado e em localidade distinta da do domicílio dos pais ou responsáveis ou
próxima a eles”.
B) Incorreta. De acordo com o art. 108 do ECA, a internação, antes da sentença, pode ser
determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias, e não noventa.
C) Incorreta, de acordo com o seguinte dispositivo do ECA: Art. 121, § 2º. A medida [de
internação] não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada,
mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.
D) Correta. Segundo recente decisão do STJ, é possível que o adolescente infrator inicie o
imediato cumprimento da medida socioeducativa de internação que lhe foi imposta na
sentença, mesmo que ele tenha interposto recurso de apelação e esteja aguardando seu
julgamento. Esse imediato cumprimento da medida é cabível ainda que durante todo o
processo não tenha sido imposta internação provisória ao adolescente, ou seja, mesmo que ele
tenha permanecido em liberdade durante a tramitação da ação socioeducativa. Em uma
linguagem mais simples, o adolescente infrator, em regra, não tem direito de aguardar em
liberdade o julgamento da apelação interposta contra a sentença que lhe impôs a medida de
internação. (STJ. 3ª Seção. HC 346.380-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. Para
acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/4/2016).

59. Assinale a alternativa correta acerca das modalidades de família substituta.


(A) Ao menor sob guarda deve ser assegurado o direito ao benefício da pensão por morte
somente se o falecimento tiver ocorrido antes da modificação legislativa promovida pela Lei nº
9.528/97 na Lei nº 8.213/91.
(B) Considera-se adoção internacional aquela na qual a pessoa ou casal postulante não tem
nacionalidade brasileira.
(C) Os grupos de irmãos colocados sob adoção, tutela ou guarda terão de permanecer com a
mesma família substituta, ressalvada a suspeita da existência de risco de abuso ou outra
situação que justifique razoavelmente o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.
(D) Aquele que for nomeado tutor por ato de última vontade firmado pelos pais do pupilo
deverá, no prazo de trinta dias contado da abertura da sucessão, ingressar com pedido
destinado ao controle judicial do ato.
Gabarito: D
A) Incorreta. De acordo com recente posicionamento do STJ, ao menor sob guarda deve ser
assegurado o direito ao benefício da pensão por morte mesmo se o falecimento tenha se dado
após a modificação legislativa promovida pela Lei nº 9.528/97 na Lei nº 8.213/91. O art. 33, § 3º
do ECA deve prevalecer sobre a modificação legislativa promovida na lei geral da Previdência
Social, em homenagem ao princípio da proteção integral e preferência da criança e do
adolescente (art. 227 da CF/88). STJ. Corte Especial. EREsp 1141788/RS, Min. Rel. João Otávio
de Noronha, julgado em 07/12/2016).
B) Incorreta. De acordo com o Art. 51 do ECA: “Considera-se adoção internacional aquela na
qual a pessoa ou casal postulante é residente ou domiciliado fora do Brasil, conforme previsto
no Artigo 2 da Convenção de Haia, de 29 de maio de 1993, Relativa à Proteção das Crianças e à
Cooperação em Matéria de Adoção Internacional (...)”
C) Incorreta. Não basta a mera suspeita da existência de risco de abuso para permitir que os
irmãos sejam colocados em famílias separadas, é necessária a comprovação da existência de
risco de abuso; tampouco se satisfaz com uma justificativa razoável, impondo que a situação
justifique plenamente a excepcionalidade da exceção.
Art. 28, § 4º Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma
família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação que
justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em qualquer
caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.
D)Correta, conforme art. 37 do ECA: O tutor nomeado por testamento ou qualquer documento
autêntico, conforme previsto no parágrafo único do art. 1.729 da Lei no 10.406, de 10 de
janeiro de 2002 - Código Civil, deverá, no prazo de 30 (trinta) dias após a abertura da sucessão,
ingressar com pedido destinado ao controle judicial do ato, observando o procedimento
previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei.

60. De acordo com a Lei nº 12.594, de 18 de janeiro de 2012, que institui o Sistema Nacional
de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e regulamenta a execução das medidas destinadas a
adolescente que pratique ato infracional, assinale a alternativa correta.
(A) Os Municípios inscreverão seus programas e alterações, bem como as entidades de
atendimento executoras, no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
(B) As medidas socioeducativas de liberdade assistida, de semiliberdade e de internação
deverão ser reavaliadas no mínimo a cada 6 (seis) meses.
(C) A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da medida são
fatores que, por si, justificam a substituição da medida socioeducativa imposta ao adolescente
em conflito com a lei por outra menos grave.
(D) A elaboração do plano individual de atendimento (PIA) é de responsabilidade exclusiva da
equipe técnica do programa de atendimento no qual o adolescente tenha ingressado e deve se
dar no prazo máximo de dez dias a contar da data de ingresso no referido programa.
Gabarito: A
A) Correta. Enunciado que se amolda ao que dispõe o art. 10 da Lei 12.594/2012.
B) Incorreta. De acordo com a o art. 42 da Lei 12.594/2012, as medidas socioeducativas de
liberdade assistida, de semiliberdade e de internação deverão ser reavaliadas no MÁXIMO a
cada 6 (seis) meses.
C) Incorreta. Enunciado que contrapõe-se ao que dispõe o Art. 42. § 2º, da Lei 12.594/2012.
Vejamos: A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da medida não
são fatores que, por si, justifiquem a não substituição da medida por outra menos grave.
D) Incorreta, pois a elaboração do PIA deve se dar com a participação efetiva do adolescente e
de seus pais ou responsável, e o prazo será de 15 ou 45 dias, a depender da medida
socioeducativa a ser aplicada, conforme dispõe o art. 53 da Lei nº 12.594/2012.

61. Sobre a adoção, é correto afirmar que:


(A) é irrevogável, somente podendo ser desfeita em caso de adoções tardias que revelem grave
quadro de inadaptação do adotando na família adotiva.
(B) Não podem adotar os ascendentes e os colaterais até o terceiro grau do adotando.
(C) O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver
sob a guarda ou tutela dos adotantes.
(D) O STJ, com base no princípio do interesse superior da criança e do adolescente, entende ser
necessária a idade de doze anos para que o menor possa ser adotado por pessoa homoafetiva,
pois é preciso que esse menor se manifeste previamente a respeito da pretensa adoção.
Gabarito: C
A) Incorreta. De acordo com o art. 39, §1º do ECA, A" adoção é medida excepcional e
irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da
criança ou adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art. 25
desta Lei.
B) Errada. De acordo com o art. 42, §1º, do ECA, não podem adotar os ascendentes e os irmãos
do adotando. Os colaterais de terceiro grau já poderiam.
C) Correta, de acordo com o art. 40 do ECA.
D) Incorreta. Alternativa que não se coaduana com o entendimento do STJ sobre o assunto,
senão vejamos: “É possível a inscrição de pessoa homoafetiva no registro de pessoas
interessadas na adoção art. 50 do ECA), independentemente da idade da criança a ser adotada.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.540.814- PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/8/2015
(Info 567)

62. É direito do adolescente privado de liberdade:


A) receber visitas, ao menos, quinzenalmente.
B) avistar-se reservadamente com seu defensor.
C) incomunicabilidade.
D) ser informado de sua situação processual, quinzenalmente.
Gabarito: B
A) INCORRETA: Segundo art. 124, inciso VII, do ECA, é direito do adolescente receber visitas, ao
menos, semanalmente. É possível, contudo, que o juiz suspenda tais visitas ou restrinja quais
pessoas podem visitar o jovem, mediante decisão fundamentada.
B) CORRETA: É o que está previsto no art. 124, inciso III, do ECA: “avistar-se reservadamente
com seu defensor”.
C) INCORRETA: O art. 124, § 1º, dispõe que: “Em nenhum caso haverá incomunicabilidade”.
Segundo NUCCI, “desde a edição da Constituição Federal de 1988, eliminou-se a
incomunicabilidade do preso do cenário das detenções legais. Deduz-se isso pela redação do
art. 136, § 3º, IV, da CF, que veda a incomunicabilidade do preso em pleno Estado de Defesa,
quando muitas garantias e direitos individuais são restringidos. Mas nunca a viabilidade de
comunicação de quem se encontra detido com outras pessoas. Projeta-se, assim, para todas as
demais searas, não recepcionando, por exemplo, o art. 21 do Código de Processo Penal, que
ainda autoriza tal situação. Este Estatuto, criado após a Constituição de 1988, encontra-se de
acordo com a sua novel orientação. O adolescente terá sempre, em qualquer tempo, acesso ao
seu advogado e seus familiares” (NUCCI, Guilherme de Souza. Estatuto da Criança e do
Adolescente comentado. 4ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2018, p. 441).
D) INCORRETA: Segundo art. 124, inciso IV, do ECA, o adolescente tem direito de ser informado
de sua situação processual, sempre que solicitada.
63. Considerando o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a alternativa
que não configura uma garantia processual do adolescente.
A) Pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio
equivalente.
B) Igualdade na relação processual, sendo vedada a confrontação com vítimas nem tampouco
com testemunhas, visando a evitar constrangimentos e estigmatização ao adolescente em
peculiar situação de desenvolvimento.
C) Defesa técnica por advogado.
D) Assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei.
Gabarito: B
A) CORRETA: Segundo o art. 111, inciso I, é assegurado ao adolescente pleno e formal
conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio equivalente.
B) INCORRETA: A alternativa está em desconformidade com a previsão do inciso II, do art. 111,
pois ao adolescente é assegurada igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com
vítimas e testemunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa. Interessante a
doutrina e crítica de NUCCI, “esta garantia tem por finalidade evitar o quadro anterior do
Código de Menores brasileiro, privilegiando o paternalismo estatal, que considerava o menor
de 18 anos um simples espectador das medidas disciplinares a ele voltadas, sem igualdade na
relação processual. Por isso, hoje, o adolescente deve ser tratado em pé de igualdade com o
órgão acusatório, que lhe atribui a prática de ato infracional, como, ademais, prevê o art. 227, §
3.º, IV, da Constituição Federal. A direta consequência disso é a sua ampla possibilidade de
propor e produzir provas em seu benefício. A expressão “podendo confrontar-se com vítimas e
testemunhas” está mal-empregada, pois não se estimula, nem no processo penal comum, o
embate ou a acareação entre acusado e vítima ou entre réu e testemunhas. O que se pretende,
nesse contexto, é permitir ao menor assistir à produção da prova (direito de audiência) e, por
seu defensor técnico, participar da inquirição de vítima e testemunhas, propondo contraprova,
por meio de testemunhas suas”. (NUCCI, Guilherme de Souza. Estatuto da Criança e do
Adolescente comentado. 4ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2018, p. 373).
C) CORRETA: Segundo o art. 111, inciso III, é assegurado ao adolescente a defesa técnica por
advogado. A Constituição Federal de 1988 ratifica o entendimento de que a defesa técnica há
de ser efetivada por advogado, ao mencionar: “garantida de (…) defesa técnica por profissional
habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica” (art. 227, § 3.º, IV, CF). O postulado
envolve a defesa técnica desde o primeiro momento procedimental até o final.
D) CORRETA: Segundo o art. 111, inciso IV, ao adolescente é assegurada assistência judiciária
gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei. Tem assento constitucional, no art. 5.º,
LXXIV, da Constituição Federal: “o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos
que comprovarem insuficiência de recursos”. NUCCI esclarece que “Não deixa de ser peculiar a
lembrança deste preceito no Estatuto justamente na parte em que cuida do procedimento
verificatório de ato infracional. Por óbvio, não por preconceito, mas calcado na realidade, o
legislador tinha certeza de que o maior contingente de adolescentes autores de atos
infracionais viria da camada pobre da população, em face de inúmeros problemas sociais. Eis o
porquê da preocupação expressa de assegurar a assistência jurídica gratuita e integral aos
necessitados”. (NUCCI, Guilherme de Souza. Estatuto da Criança e do Adolescente comentado.
4ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2018, p. 374).

64. A Lei 9433/97 institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição
Federal e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº
7.990, de 28 de dezembro de 1989. Diante da afirmação e considerando os fundamentos que
norteiam o tema recursos hídricos, é CORRETO afirmar que:
(A) a água é um recurso natural ilimitado e, em razão da sua essencialidade, não há como
mensurar um valor econômico para tal.
(B) em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é para a manutenção do
campo industrial, a fim de garantir a geração de renda e a manutenção do emprego.
(C) a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas, sendo
certo que a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional
de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
(D) a gestão dos recursos hídricos deve ser centralizada e contar com a participação do Poder
Público, dispensando o acompanhamento dos usuários e das comunidades.
Gabarito: C
Trata-se de uma questão que aborda conceitos trazidos no artigo 1º da Lei 9433/97.
Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos:
I - a água é um bem de domínio público;
II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III - em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a
dessedentação de animais;
IV - a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas;
V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de
Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;
VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do
Poder Público, dos usuários e das comunidades.

65. De acordo com o tema responsabilidade pelo dano ambiental, é CORRETO afirmar que:
(A) A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva, com risco integral, havendo, entretanto,
uma relação de prejudicialidade entre as esferas cível, criminal e administrativa;
(B) Em matéria ambiental, mormente na esfera administrativa, vigora o princípio do non bis in
idem, já que pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou
Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência.
(C) O princípio do Non Bis in Idem em matéria ambiental impede a responsabilização penal, civil
e administrativa pela mesma hipótese de incidência.
(D) A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva, sem risco integral, havendo uma relação
de independência entre as esferas cível, criminal e administrativa.
Gabarito: B
Trata-se de questão que aborda o conhecimento aplicado da matéria responsabilidade
ambiental, trazendo conceitos extraídos de textos legais e doutrina consagrada. Primeiramente,
devemos ter em mente que a responsabilidade por dano ambiental está esculpida do art. 225,
§ 3 CF. Diante desse comando, fácil aferir que a responsabilidade pela reparação do dano
ambiental é independente nas esferas cível, criminal e ambiental. Consagrado ainda, o fato de
ser dano ambiental responsabilizado de maneira objetiva, a par de qualquer discussão sobre a
culpa de seu causador e, mais, o risco é considerado integral, afastando a possibilidade de se
discutir excludentes do nexo causal entre a conduta do agente e o resultado danoso.

66. São princípios a serem atendidos pela Lei 12651/12 (Novo Código Florestal), EXCETO:
(A) afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e
demais formas de vegetação nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos
hídricos e da integridade do sistema climático, para o bem estar das gerações presentes e
futuras.
(B) Diminuição da importância estratégica da atividade agropecuária e do papel das florestas e
demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na
melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados
nacional e internacional de alimentos e bioenergia.
(C) ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas, consagrando o
compromisso do País com a compatibilização e harmonização entre o uso produtivo da terra e
a preservação da água, do solo e da vegetação.
(D) responsabilidade comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em colaboração
com a sociedade civil, na criação de políticas para a preservação e restauração da vegetação
nativa e de suas funções ecológicas e sociais nas áreas urbanas e rurais.
Gabarito: B
Questão que envolve a literalidade do parágrafo único do artigo 1º-A da Lei 12.651/12.

67. O art. 50 da Lei 9433/97 (Lei de Recursos Hídricos) dispõe que: “Por infração de qualquer
disposição legal ou regulamentar referentes à execução de obras e serviços hidráulicos,
derivação ou utilização de recursos hídricos de domínio ou administração da União, ou pelo
não atendimento das solicitações feitas, o infrator, a critério da autoridade competente,
ficará sujeito às seguintes penalidades, independentemente de sua ordem de enumeração”.
São penalidades descritas pela lei em comento, EXCETO:
(A) multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, de R$ 100,00 (cem
reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais);
(B) embargo provisório, por prazo determinado, para execução de serviços e obras necessárias
ao efetivo cumprimento das condições de outorga ou para o cumprimento de normas
referentes ao uso, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos;
(C) embargo definitivo, com revogação da outorga, se for o caso, para repor incontinenti, no
seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos dos arts. 58 e 59 do
Código de Águas ou tamponar os poços de extração de água subterrânea.
(D) Prisão simples, de 15 (quinze) dias a 02 (dois) meses.
Gabarito: D
Tal questão trata da literalidade dos incisos do artigo 50, à exceção do gabarito (alternativa
“d”), vez que não há previsão de pena de prisão simples para a presente infração.
68. A Lei 11.101/05, que regulamenta os incisos II, IV e V do § 1o do art. 225 da Constituição
Federal, estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que
envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, cria o Conselho
Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança – CTNBio, dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança – PNB, e dá outras
providências. Em relação ao referido diploma, é CORRETO afirmar que:
(A) Não é crime utilizar embrião humano em desacordo com o que dispõe o art. 5o desta Lei, se
sujeitando tal conduta a embargo da atividade;
(B) No que se refere à responsabilidade civil e administrativa regulamentada na Lei de
Biossegurança, sem prejuízo da aplicação das penas previstas nesta Lei, os responsáveis pelos
danos ao meio ambiente e a terceiros responderão, solidariamente, por sua indenização ou
reparação integral, independentemente da existência de culpa. (C) O presente diploma cria o
Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, vinculado ao Congresso Nacional, sendo um órgão
de assessoramento superior para a
formulação e implementação da Política Nacional de Biossegurança – PNB.
(D) Toda instituição que utilizar técnicas e métodos de engenharia genética ou realizar
pesquisas com OGM e seus derivados poderá criar uma Comissão Interna de Biossegurança -
CIBio, sendo facultada à comissão indicar um técnico principal responsável para cada projeto
específico;
Gabarito: B
A presente questão trata de diversos dispositivos da Lei 11.105/05:
A) Art. 24:
B) Art. 20.
C) Art 8.
D) Art. 17.

69. Em relação aos princípios do Direito Ambiental, assinale o item correto:


(A) O princípio do Poluidor-pagador deve ser compreendido como direito ou licença a poluir
mediante pagamento, ou seja, significa que o poluidor irá pagar para poluir.
(B) No que se refere ao Princípio do Usuário-pagador, este princípio é voltado para utilização
racional dos recursos naturais, assim, deve o usuário pagar pela utilização dos recursos
naturais, apenas se existir o dano efetivo.
(C) O princípio da solidariedade intergeracional preconiza a solidariedade entre as gerações,
pois cada qual delas recebe o meio ambiente em um estado devendo buscar sua preservação
para que a geração futura o receba da melhor maneira.
(D) O Princípio da Prevenção é aplicado não em qualquer situação de perigo de dano, mas sim
naquelas em que o risco é incerto, acerca da degradação ambiental provocada por determinada
atividade. O perigo que se visa rechaçar é, então,
suposto.
Gabarito: C
A) Princípio do Poluidor-pagador: O princípio não deve ser compreendido como direito ou
licença a poluir mediante pagamento, ou seja, não significa que o poluidor irá pagar para poluir.
B) Princípio do Usuário-pagador: Este princípio é voltado para utilização racional dos recursos
naturais, assim, ainda que não exista o dano, deve o usuário pagar pela utilização dos recursos
naturais.
C) Correta.
D) Princípio da Prevenção: O princípio é aplicado não em qualquer situação de perigo de dano,
mas sim naquelas em que o risco é certo, conhecido e existe certeza científica cerca da
degradação ambiental provocada por determinada atividade.

70. Sobre o CONAMA é correto afirmar:


A) O CONAMA, como órgão consultivo e deliberativo, não tem poder normativo.
B) No que se refere ao estabelecimento de padrões de qualidade ambiental, o CONAMA é
responsável somente pela definição e expedição de normas e padrões de controle das emissões
veiculares de poluentes.
C) O plenário do CONAMA, como órgão integrante do SISNAMA, é composto exclusivamente
por representantes das 3 esferas do Poder Público ou por pessoas por eles indicadas.
D) Os Estados e Municípios podem elaborar normas supletivas e complementares às resoluções
do CONAMA.
Gabarito: D
A) INCORRETA: A parte final do inciso II do art. 6º da Lei 6.938 define que o CONAMA tem a
atribuição de deliberar sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente
ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida. Nesse contexto, talvez a
principal atribuição do CONAMA é, nos termos do inciso VII do art. 8° da LEI 6.938/91,
“estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do
meio ambiente com vistas ao uso racional dos recursos ambientais, principalmente os hídricos”.
Destaca-se que o Supremo Tribunal Federal considerou válidas Resoluções do CONAMA que
não se limitaram à regulamentação de normas advindas do Poder Legislativo, quando
resultantes da aplicação direta (fundamento primário) do direito constitucional ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado. Como exemplo, indica-se a ADPF 101 que considerou
válidas as Resoluções do CONAMA que obstaram a importação de pneus usados, salvo do
Mercosul.
B) INCORRETA: O inciso VI do art. 8º da Lei 6.938 atribui realmente ao CONAMA a
responsabilidade privativa de estabelecer normas e padrões nacionais de controle da poluição.
Não obstante, o inciso I do art. 9º da referida lei incluiu como instrumento da Política Nacional
do Meio Ambiente “o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental” que é exercido por
meio da função normativa geral do CONAMA, descrita no inciso VIII do art. 8º. Logo, a definição
em relação às emissões veiculares é privativa, mas não obsta a regulamentação pelo CONAMA
de outros padrões de qualidade ambiental (sonora, corpos hídricos, atmosférica).
C) INCORRETA: Embora o Decreto Presidencial 9.806/19, ao modificar o art. 5º do Decreto
99.274/90, tenha diminuído significativamente o número de integrantes do CONAMA, de 96
para 23, a participação no órgão não se restringe aos representantes do Poder Público. A sua
formação atende ao princípio da participação comunitária e, além dos representantes do Poder
Público, integra 4 representantes de entidades ambientalistas e 2 indicados pelas entidades
empresariais.
D) CORRETA: Trata-se de regra prevista nos §§ 1º e 2º da Lei 6.938/81, que trata da
competência legislativa concorrente e da administrativa comum. Referidas normas foram
recepcionadas pela Constituição Federal porquanto em consonância com os artigos 23, VI e VII;
24, VI, VI e VII; 30, I. Cumpre sempre destacar que nas referidas competências (concorrente e
comum) incide o princípio da predominância dos interesses.

DIREITO CIVIL E DIREITO PROCESSUAL CIVIL

71. Julgue os itens que seguem e marque a assertiva CORRETA


I - Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da
ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição
ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem
prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade,
ou se se destinarem a fins comerciais.
II - Ainda que se trate de pessoa pública, o uso não autorizado da sua imagem, com fins
exclusivamente econômicos e publicitários, gera danos morais. Assim, a obrigação de indenizar,
tratando-se de direito à imagem, decorre do próprio uso indevido desse direito, não sendo
necessário provar a existência de prejuízo. Trata-se de dano in re ipsa.
III - Tratando-se de imagem de multidão, de pessoa famosa ou ocupante de cargo público, deve
ser ponderado se, dadas as circunstâncias do caso concreto, a exposição da imagem é ofensiva
à privacidade ou à intimidade do retratado, ou que poderia ensejar algum dano patrimonial ou
extrapatrimonial. Há, nessas hipóteses, em regra, presunção de consentimento do uso da
imagem, desde que preservada a vida privada.
a) Todas estão incorretas.
b) Apenas III está incorreta.
c) Apenas II e III estão incorretas.
d) Todas estão corretas.
Gabarito: D
I – CORRETA – art. 20, CC
II – CORRETA - STJ. 3ª Turma. REsp 1102756-SP, Rel. Min. Nancy Andrigui, julgado em
20/11/2012.
III – CORRETA - STJ. 4ª Turma. REsp 801109/DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 12/06/2012.

72. Ainda sobre as pessoas jurídicas assinale a alternativa INCORRETA.


a) As pessoas jurídicas de direito privado têm sua existência legal com a inscrição do ato
constitutivo no registro respectivo, sendo que o direito de anular essa constituição por defeito
ao ato decai em três anos, contato o prazo da publicação de sua inscrição no registro.
b) Constituem espécies de pessoas jurídicas reconhecidas pelo Código Civil: pessoas jurídicas de
direito público, pessoas jurídicas de direito privado, interno e externo.
c) Regem-se pelo Código Civil, quanto ao seu funcionamento, as pessoas jurídicas de direito
público a que se tenha dado estrutura de direito privado, salvo disposição em contrário.
d) As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus
agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os
causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.
Gabarito: B
a) Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do
ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou
aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o
ato constitutivo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de
direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição
no registro.
b) INCORRETA - Art. 40, CC. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e
de direito privado.
c) Art. 41, Parágrafo único, CC. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito
público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao
seu funcionamento, pelas normas deste Código.
d) Art. 43, CC.

73. Analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.


I – Ao estado de perigo aplica-se, por analogia, o dispositivo legal relativo à lesão que prevê que
não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte
favorecida concordar com a redução do proveito.
II – Em embargos de terceiro não se anula ato jurídico, por fraude contra credores.
III – Não é suficiente para afastar a anterioridade do crédito que se busca garantir (requisito
exigido para a caracterização de fraude contra credores) a assinatura de contrato particular de
promessa de compra e venda de imóvel não registrado e desacompanhado de qualquer outro
elemento que possa evidenciar, perante terceiros, a realização prévia desse negócio jurídico.
a) Todas estão corretas
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas II e III estão corretas.
d) Apenas I e III estão corretas.
Gabarito: A
I – Enunciado 148, CJF.
II - Súmula 195-STJ.
III - STJ. 3ª Turma. REsp 1217593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/3/2013 (Info
518).

74. Marque a alternativa INCORRETA quanto às obrigações alternativas.


a) Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo
ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou,
mais as perdas e danos que o caso determinar.
b) Se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexequíveis, poderá o credor
reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos.
c) Quando a escolha couber ao devedor e uma das prestações tornar-se impossível por sua
culpa, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e
danos.
d) Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível,
subsistirá o débito quanto à outra.
Gabarito: C
a) Art. 254, CC
b) Art. 255, CC
c) Art. 255, CC - Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível
por cula do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra,
com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis,
poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e
danos.
d) Art. 253, CC.

75. Assinale a alternativa CORRETA.


a) Posse indireta é aquela que é exercida por quem tem a coisa materialmente, havendo um
poder físico imediato.
b) Posse clandestina é a obtida por meio de esbulho, for força física ou violência moral.
c) Posse precária é a obtida às escondidas, de forma oculta, à surdina, na calada da noite.
d) Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir a
posse ad usucapionem.
Gabarito: D
a) Posse direta ou imediata – aquela que é exercida por quem tem a coisa materialmente,
havendo um poder físico imediato. Como possuidores diretos podem ser citados o locatário, o
depositário, o comodatário e o usufrutuário.
Posse indireta ou mediata – exercida por meio de outra pessoa, havendo exercício de direito,
geralmente decorrente da propriedade. Exemplos: locador, depositante, comodante e
nuproprietário.
b) e c) Posse injusta – apresenta os referidos vícios, pois foi adquirida por meio de ato de
violência, ato clandestino ou de precariedade, nos seguintes termos:
Posse violenta – é a obtida por meio de esbulho, for força física ou violência moral (vis). A
doutrina tem o costume de associá-la ao crime de roubo. Exemplo: movimento popular invade
violentamente, removendo e destruindo obstáculos, uma propriedade rural produtiva, que está
sendo utilizada pelo proprietário, cumprindo a sua função social.
Posse clandestina – é a obtida às escondidas, de forma oculta, à surdina, na calada da noite
(clam). É assemelhada ao crime de furto. Exemplo: movimento popular invade, à noite e sem
violência, uma propriedade rural que está sendo utilizada pelo proprietário, cumprindo a sua
função social.
Posse precária – é a obtida com abuso de confiança ou de direito (precario). Tem forma
assemelhada ao crime de estelionato ou à apropriação indébita, sendo também denominada
esbulho pacífico. Exemplo: locatário de um bem móvel que não devolve o veículo ao final do
contrato.
d) Enunciado n. 302, JDC “Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato
jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do CC”.

76. Assinale a alternativa CORRETA a respeito da aquisição da propriedade móvel.


a) Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos,
independentemente de título ou boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade.
b) Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade, não sendo
essa ocupação defesa por lei.
c) O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, pertencerá
por inteiro ao proprietário do prédio.
d) Em qualquer caso, inclusive o da pintura em relação à tela, da escultura, escritura e outro
qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-prima, a espécie nova será do especificador.
Gabarito: B
a) Art. 1.260, CC. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente
durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade.
Art. 1.261, CC. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião,
independentemente de título ou boa-fé.
b) Art. 1.263, CC. Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade,
não sendo essa ocupação defesa por lei.
c) Art. 1.264, CC. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja
memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro
casualmente.
Art. 1.265, CC. O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio, se for achado por
ele, ou em pesquisa que ordenou, ou por terceiro não autorizado.
d) Art. 1.270, CC. Se toda a matéria for alheia, e não se puder reduzir à forma precedente, será
do especificador de boa-fé a espécie nova.
§ 1o Sendo praticável a redução, ou quando impraticável, se a espécie nova se obteve de má-fé,
pertencerá ao dono da matéria-prima.
§ 2o Em qualquer caso, inclusive o da pintura em relação à tela, da escultura, escritura e outro
qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-prima, a espécie nova será do especificador, se
o seu valor exceder consideravelmente o da matéria-prima.

77. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Muitos juristas sustentam que há uma grande proximidade do direito real de laje com a
superfície, o que justifica o seu reconhecimento como direito real sobre coisa alheia, como
direito real de gozo ou fruição.
II – Parte da doutrina sustenta que o direito real de laje se trata de um direito real sobre coisa
própria pelo fato de existir a abertura de uma matrícula própria, após a sua transmissão,
sustentando que se o direito real de laje fosse um direito real sobre coisa alheia, ele – por esse
princípio registral – não poderia gerar uma matrícula própria.
III – Não podem coexistir em um mesmo edifício, lajes de primeiro e de segundo grau, sejam de
forma ascendente – para o espaço aéreo –, ou descendente – para o subsolo.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: B
I – CORRETA - Em sentido contrário, muitos juristas sustentam que há uma grande proximidade
do direito real de laje com a superfície, o que justifica o seu reconhecimento como direito real
sobre coisa alheia, como direito real de gozo ou fruição, argumento que, a priori, convence este
autor. Ademais, parece-nos, como bem pontuado por José Fernando Simão em debates sobre o
tema, que o proprietário da construção-base, ora denominado cedente ou lajeiro, mantém o
direito de reaver a estrutura da coisa, da construção-base, o que acaba por englobar também a
laje. O cessionário, ou lajeário, possuindo um direito real sobre coisa alheia, um direito real de
gozo ou fruição, não tem o direito de reivindicá-la contra terceiro, mas apenas de ingresso de
demandas possessórias. Pensamos que a abertura de uma matrícula própria, aspecto formal e
acessório, não tem a força de mudar a natureza jurídica da categoria, para direito real sobre
coisa própria.
II – CORRETA - Entre os que entendem tratar-se de direito real sobre coisa própria, Carlos
Eduardo Elias de Oliveira argumenta que “a natureza jurídica é esclarecida pela leitura dos arts.
1.510-A e seguintes do Código Civil e do novo § 9.º que foi acrescido ao art. 176 da Lei de
Registros Públicos (conforme art. 56 da nova Lei). Na forma como foi redigido o Código Civil
nesse ponto, o Direito Real de Laje é uma espécie de Direito Real de Propriedade sobre um
espaço tridimensional que se expande a partir da laje de uma construção-base em direção
ascendente ou a partir do solo dessa construção em direção subterrânea. Esse espaço
tridimensional formará um poliedro, geralmente um paralelepípedo ou um cubo. A figura
geométrica dependerá da formatação da sua base de partida e também dos limites impostos no
ato de instituição desse direito real e das regras urbanísticas.
Teoricamente, esse espaço poderá corresponder a um poliedro em forma de pirâmide ou de
cone, se isso for imposto no ato de instituição ou em regras urbanísticas. Esse espaço pode ser
suspenso no ar quando o direito real for instituído sobre a laje do prédio existente no terreno ou
pode ser subterrâneo quando o direito real for instituído no subsolo. Enfim, o Direito de Laje é
um Direito Real de Propriedade e faculta ao seu titular todos os poderes inerentes à
propriedade (usar, gozar e dispor), conforme art. 1.510-A, § 3.º, do Código Civil”.177 Como se
nota da leitura do trecho transcrito, o assessor jurídico do Senado Federal, que também
participou do processo de elaboração da nova lei, traz uma simbologia geométrica interessante
para demonstrar a ideia de laje como direito real sobre coisa própria.
Como argumento suplementar, pontua o mesmo autor que se trata de um direito real sobre
coisa
própria pelo fato de existir a abertura de uma matrícula própria, após a sua transmissão, nos
termos do art. 1.510-A, § 3.º, do CC/2002 e do novo art. 176, § 9.º, da Lei de Registros Públicos,
também incluído pela Lei 13.465/2017. Conforme o último dispositivo, “a instituição do direito
real de laje ocorrerá por meio da abertura de uma matrícula própria no registro de imóveis e
por meio da averbação desse fato na matrícula da construção-base e nas matrículas de lajes
anteriores, com remissão recíproca”. Segundo ele, “se o Direito Real de Laje fosse um direito
real sobre coisa alheia, ele – por esse princípio registral – não poderia gerar uma matrícula
própria”.
No mesmo sentido, Vitor Frederico Kümpel e Bruno de Ávila Borgarelli seguem o entendimento
de que se trata de um direito real sobre coisa própria. (...)
III - INCORRETA - Como bem leciona Carlos Eduardo Elias de Souza sobre o último comando, “daí
decorre que, por meio das lajes sucessivas, poder-se-á ter várias unidades autônomas
sobrepostas em linha ascendente (espaço aéreo) ou descendente (subsolo). A laje de primeiro
grau é a que, em
primeiro lugar, repousa sobre ou sob a construção-base. A de segundo grau é a que segue após
a laje de primeiro grau. E assim sucessivamente. De qualquer forma, como a laje sucessiva
pressupõe uma laje anterior (a de segundo grau presume, por exemplo, a laje de primeiro grau),
é pressuposto inafastável que haja uma construção já realizada no caso de direitos reais de lajes
no espaço aéreo.
Em outras palavras, somente se poderá registrar um direito real de laje de segundo grau se, na
matrícula da laje anterior, já tiver sido averbada alguma construção. Não se pode estabelecer
direitos reais de lajes sucessivos no espaço aéreo sem a existência material e concreta de uma
construção. A propósito, uma prova de que a existência concreta de construção é requisito para
o direito real de laje no espaço aéreo é a previsão expressa de extinção da laje no caso de ruína
do prédio sem posterior reedificação (art. 1.510-E, CC). É diferente do que sucede com as lajes
subterrâneas, pois, como o subsolo possui existência concreta, não há necessidade de se exigir
uma prévia averbação de uma construção na laje anterior. Veja que a ruína da construção não
extingue os direitos de lajes subterrâneas exatamente em razão da intangibilidade desse espaço
(art. 1.510-E, I, CC)”.
Na linha das palavras transcritas, podem coexistir, perfeitamente e em um mesmo edifício,
lajes de primeiro e de segundo grau, sejam de forma ascendente – para o espaço aéreo –, ou
descendente – para o subsolo.
Porém, em todos os casos, é expressamente vedado ao titular da laje prejudicar com obras
novas ou com falta de reparação a segurança, a linha arquitetônica ou o arranjo estético do
edifício, observadas as posturas previstas em legislação local, o que mais uma vez é repetição
de norma prevista para o condomínio edilício (art. 1.510-C do Código Civil). (...)
Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 8. ed. rev, atual. e
ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018, p.1083/1090.

78. A respeito das normas fundamentais do processo civil, assinale a alternativa CORRETA.
a) As normas fundamentais do processo civil não estão previstas no NCPC, pois são
estruturadas em cláusulas abertas.
b) Não há previsão no NCPC de hipóteses em que contraditório seja diferido.
c) O processo para ser devido ele tem que ser realizado em um prazo razoável, o que não
significa dizer que o processo tem que ser célere. O processo tem que durar o tempo
necessário para que ele possa ser resolvido. Trata-se do princípio da duração razoável do
processo, o qual não possui acento constitucional.
d) De acordo com o Código de Processo Civil, é necessário ter interesse e legitimidade para
postular em juízo.
Gabarito: D
a) As normas fundamentais do processo civil estão previstas nos artigos 2o a 12 do NCPC. São
geralmente estruturadas em cláusulas abertas.
b) O art. 9o. do CPC prevê o contraditório diferido, ou seja, o contraditório será exercido em
momento posterior.
c) A duração razoável do processo encontra previsão legal tanto na CF, art. 5o. LXXVIII, como no
art. 4, CPC.
d) CORRETA. art. 17, CP. A possibilidade jurídica do pedido deixou de ser uma condição da ação.

79. A respeito da substituição e sucessão das partes marque a assertiva INCORRETA.


a) Sucessão processual nada mais é do que a exclusão de uma das partes para ingresso de
outra. Uma das partes primitivas sai, advindo outro sujeito que vai ocupar este lugar,
sucedendo-lhe.
b) Substituição processual é conhecida como legitimação extraordinária. Aqui, alguém pleiteia
em nome próprio direito alheio.
c) No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos casos expressos
em lei.
d) O adquirente ou cessionário poderá ingressar em juízo, sucedendo o alienante ou cedente,
sem que o consinta a parte contrária, intervindo como assistente litisconsorcial do alienante ou
cedente.
Gabarito: D
a) CORRETA.
b) CORRETA.
c) CORRETA Art. 108, NCPC
d) INCORRETA Art. 109, §§ 1º e 2º
1º O adquirente ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo o alienante ou
cedente, sem que o consinta a parte contrária.
§ 2o O adquirente ou cessionário poderá intervir no processo como assistente litisconsorcial do
alienante ou cedente.

80. Ainda sobre o litisconsórcio assinale a alternativa CORRETA


a) O litisconsórcio unitário sempre será necessário, já que está diante de uma relação jurídica
incindível, mas o litisconsórcio o litisconsórcio facultativo poderá ser simples ou unitário.
b) Não se conta em dobro o prazo para recorrer quando um só dos litisconsortes tenha
sucumbido.
c) O litisconsórcio multitudinário pode ocorrer tanto na fase de conhecimento, de liquidação,
ou mesmo na fase de cumprimento de sentença, sendo o litisconsórcio facultativo ou
necessário.
d) Pelo litisconsórcio multitudinário há possibilidade de limitação do número de litisconsortes
em razão da excessiva quantidade de sujeitos que acarretem dificuldades para a defesa,
dificuldades para a rápida solução do litígio ou dificuldades para o cumprimento da sentença,
mas o juiz só poderá limitar o número de litisconsortes caso seja provocado.
Gabarito: B
a) INCORRETA Via de regra, o litisconsórcio unitário também é necessário, já que está diante de
uma relação jurídica incindível, mas há hipóteses de litisconsórcio unitário simples. Da mesma
forma, em regra, o litisconsórcio facultativo é simples, mas também há hipóteses de
litisconsórcio facultativo unitário.
b) CORRETA Súmula 641 do STF
c) INCORRETA - litisconsórcio multitudinário, ou litisconsórcio recusável, pode ocorrer tanto na
fase de conhecimento, de liquidação, ou mesmo na fase de cumprimento de sentença.
Somente quando se tratar de litisconsórcio facultativo, não se podendo falar em
litisconsórcio multitudinário nos casos de litisconsórcio necessário.
d) INCORRETA - O juiz também pode agir de ofício nos casos de litisconsórcio multitudinário.

81. Ainda sobre as tutelas provisórias assinale a alternativa INCORRETA.


a) A superveniência de sentença de mérito implica a perda do objeto de agravo de instrumento
interposto contra decisão anteriormente proferida em tutela antecipada.
b) As medidas adequadas para efetivação da tutela provisória independem do trânsito em
julgado, inclusive contra o Poder Público.
c) Cassada ou modificada a tutela de urgência na sentença, a parte poderá, além de interpor
recurso, pleitear o respectivo restabelecimento na instância superior, na petição de recurso ou
em via autônoma.
d) Em incidente de desconsideração da personalidade jurídica é incabível a concessão de tutela
provisória de urgência.
Gabarito: D
a)STJ - EAREsp 488.188/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em
07/10/2015, DJe 19/11/2015- info 573
b) Enunciado 38, CJF
c) Enunciado 39, CJF
d) Enunciado 42, CJF - É cabível a concessão de tutela provisória de urgência em incidente de
desconsideração da personalidade jurídica.

82. Assinale a alternativa CORRETA conforme as disposições do Código de processo Civil.


a) O juiz poderá conhecer de ofício todas as matérias que podem ser alegadas pelo réu como
preliminares de mérito.
b) Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica
discutida independentemente de conhecimento, sob pena de arcar com as despesas
processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
c) A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem implica aceitação da
jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral.
d) Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo
invocado, deve o autor, em 15 (quinze) dias, alterar petição inicial para substituição do réu.
Gabarito: C
a) Art. 337, § 5o Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz
conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo.
b) Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da
relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas
processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
c) Correta. Art. 337, §6º, CPC.
d) Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo
prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial
para substituição do réu.

83. Nos termos do Código de Processo Civil assinale a alternativa CORRETA.


a) A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão
principal expressamente decidida.
b) A parte pode discutir no curso do processo as questões já decididas mesmo se quanto a elas
já se tenha operado a preclusão.
c) Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide mesmo
quando se tratar de relação jurídica de trato continuado.
d) Os motivos, quando importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença
e a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença fazem coisa julgada.
Gabarito: A
a) Art. 503, CPC.
b) Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo
respeito se operou a preclusão.
c) Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide,
salvo:
I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de
fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença;
II - nos demais casos prescritos em lei.
d) Art. 504. Não fazem coisa julgada:
I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da
sentença;
II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença.

84. Assinale a alternativa CORRETA de acordo com as disposições do Código de Processo Civil
a respeito das obrigações de entrega e coisa e o cumprimento de sentença e tal obrigação.
a) Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica,
fixará o prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento da obrigação.
b) O direito de retenção por benfeitorias deve ser alegado por petição e poderá ser exercido na
fase de cumprimento de sentença.
c) Não cumprida a obrigação de entregar coisa no prazo estabelecido na sentença, será
expedido mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse em favor do credor, conforme
se tratar de coisa móvel ou imóvel.
d) Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o autor deverá
individualizá-la-á na petição inicial.
Gabarito: C
a) Art. 498. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela
específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.
b) Art. 538, § 1o A existência de benfeitorias deve ser alegada na fase de conhecimento, em
contestação, de forma discriminada e com atribuição, sempre que possível e justificadamente,
do respectivo valor.
§ 2o O direito de retenção por benfeitorias deve ser exercido na contestação, na fase de
conhecimento.
c) Art. 538, CPC.
d) Art. 498, parágrafo único, CPC - Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e
pela quantidade, o autor individualizá-la-á na petição inicial, se lhe couber a escolha, ou, se a
escolha couber ao réu, este a entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz.

85. Sobre a execução por quantia certa, assinale a alternativa INCORRETA.


a) Antes de adjudicados ou alienados os bens, o executado pode, a todo tempo, remir a
execução, pagando ou consignando a importância atualizada da dívida, acrescida de juros,
custas e honorários advocatícios.
b) A execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens do executado, ressalvadas
as execuções especiais.
c) Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por cento, a
serem pagos pelo executado, que no caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, não
serão devidos.
d) Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente
providenciará, no prazo de 10 (dez) dias, o cancelamento das averbações relativas àqueles não
penhorados.
Gabarito: C
a) Art. 826, CPC.
b) Art. 824, CPC.
c) Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por
cento, a serem pagos pelo executado.
§ 1o No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, o valor dos honorários
advocatícios será reduzido pela metade.
d) Art. 828, §2º, CPC

DIREITO ADMINSITRATIVO E ELEITORAL

86. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.


I – O poder concedente poderá intervir na concessão, com o fim de assegurar a adequação na
prestação do serviço, bem como o fiel cumprimento das normas contratuais, regulamentares e
legais pertinentes. Cessada a intervenção, se não for extinta a concessão, a administração do
serviço será devolvida à concessionária, precedida de prestação de contas pelo interventor, que
responderá pelos atos praticados durante a sua gestão.
II – O contrato de concessão poderá ser rescindido por iniciativa da concessionária, no caso de
descumprimento das normas contratuais pelo poder concedente, mediante ação judicial
especialmente intentada para esse fim.
III – A inexecução total ou parcial do contrato acarretará a encampação do serviço pelo poder
concedente.
a) I, II e III são corretas.
b) Apenas a II é correta.
c) Apenas I e II são corretas.
d) Apenas a III é correta.
Gabarito: C
I – Correta. Lei 8987/95, arts. 32 e 34.
II – Correta. Lei 8987/95, art. 39: O contrato de concessão poderá ser rescindido por iniciativa
da concessionária, no caso de descumprimento das normas contratuais pelo poder
concedente, mediante ação judicial especialmente intentada para esse fim. Parágrafo único.
Na hipótese prevista no caput deste artigo, os serviços prestados pela concessionária não
poderão ser interrompidos ou paralisados, até a decisão judicial transitada em julgado.
III – Incorreta. Lei 8987/95, art. 38: A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a
critério do poder concedente, a declaração de caducidade da concessão ou a aplicação das
sanções contratuais, respeitadas as disposições deste artigo, do art. 27, e as normas
convencionadas entre as partes. (...) § 2o A declaração da caducidade da concessão deverá
ser precedida da verificação da inadimplência da concessionária em processo administrativo,
assegurado o direito de ampla defesa.

87. Assinale a alternativa correta quanto à Inexecução e a Rescisão dos Contratos


Administrativos.
I – Constitui motivo para rescisão do contrato a não liberação, por parte da Administração, de
área, local ou objeto para execução de obra, serviço ou fornecimento, nos prazos contratuais,
bem como das fontes de materiais naturais especificadas no projeto. Neste caso, não havendo
culpa do contratado, este será ressarcido dos prejuízos regularmente comprovados, tendo
direito à devolução da garantia prestada, aos pagamentos devidos pela execução do contrato
até a data da rescisão, bem como ao pagamento do custo da desmobilização.
II – A rescisão do contrato pelo não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações,
projetos ou prazos acarreta, a critério da Administração e sem prejuízo das sanções legalmente
previstas, a assunção imediata do objeto do contrato, no estado e local em que se encontrar,
por ato próprio da Administração, que poderá dar continuidade à obra ou ao serviço por
execução direta ou indireta.
III – A rescisão do contrato poderá ocorrer de forma amigável, por acordo entre as partes,
reduzida a termo no processo da licitação, desde que haja conveniência para a Administração.
a) I, II e III são corretas.
b) I e II são corretas.
c) I e III são corretas.
d) Apenas a III é correta.
Gabarito: A
I – Correta. Lei 8666/93, art. 78, XVI c/c art. 79, §2º.
II – Correta. Lei 8666/93, art. 80, I, §1º.
III – Correta. Lei 8666/93, art. 79, II.

88. Com relação ao poder discricionário, assinale a alternativa INCORRETA.


a) Poder discricionário é a prerrogativa concedida aos agentes administrativos de elegerem,
entre várias condutas possíveis, a que traduz maior conveniência e oportunidade para o
interesse público.
b) Oportunidade e conveniência são os elementos nucleares do poder discricionário. A primeira
indica em que condições vai se conduzir o agente; a segunda diz respeito ao momento em que
a atividade deve ser produzida.
c) Não se deve cogitar da discricionariedade como um poder absoluto e intocável, mas sim
como uma alternativa outorgada ao administrador público para cumprir os objetivos que
constituem as verdadeiras demandas dos administrados.
d) A moderna doutrina tem consagrado a limitação ao poder discricionário, possibilitando
maior controle do Judiciário sobre os atos que dele derivem. Um dos fatores exigidos para a
legalidade do exercício desse poder consiste na adequação da conduta escolhida pelo agente à
finalidade que a lei expressa.
Gabarito: B
a) A lei não é capaz de traçar rigidamente todas as condutas de um agente administrativo.
Ainda que procure definir alguns elementos que lhe restringem a atuação, o certo é que em
várias situações a própria lei lhes oferece a possibilidade de valoração da conduta. Nesses
casos, pode o agente avaliar a conveniência e a oportunidade dos atos que vai praticar na
qualidade de administrador dos interesses coletivos.
Nessa prerrogativa de valoração é que se situa o poder discricionário. Poder discricionário,
portanto, é a prerrogativa concedida aos agentes administrativos de elegerem, entre várias
condutas possíveis, a que traduz maior conveniência e oportunidade para o interesse público.
Em outras palavras, não obstante a discricionariedade constitua prerrogativa da Administração,
seu objetivo maior é o atendimento aos interesses da coletividade.
b) Conveniência e oportunidade são os elementos nucleares do poder discricionário. A primeira
indica em que condições vai se conduzir o agente; a segunda diz respeito ao momento em que a
atividade deve ser produzida. Registre-se, porém, que essa liberdade de escolha tem que se
conformar com o fim colimado na lei, pena de não ser atendido o objetivo público da ação
administrativa. Não obstante, o exercício da discricionariedade tanto pode concretizar-se ao
momento em que o ato é praticado, quanto, a posteriori, ao momento em que a Administração
decide por sua revogação.
c) Trata-se, sem dúvida, de significativo poder para a Administração. Mas não pode ser exercido
arbitrariamente. Conforme tem assinalado autorizada doutrina, o Poder Público há de sujeitar-
se à devida contrapartida, esta representada pelos direitos fundamentais à boa administração,
assim considerada a administração transparente, imparcial, dialógica, eficiente e respeitadora
da legalidade temperada. Portanto, não se deve cogitar da discricionariedade como um poder
absoluto e intocável, mas sim como uma alternativa outorgada ao administrador público para
cumprir os objetivos que constituem as verdadeiras demandas dos administrados. Fora daí,
haverá arbítrio e justa impugnação por parte da coletividade e também do Judiciário.
d) A moderna doutrina, sem exceção, tem consagrado a limitação ao poder discricionário,
possibilitando maior controle do Judiciário sobre os atos que dele derivem. Um dos fatores
exigidos para a legalidade do exercício desse poder consiste na adequação da conduta escolhida
pelo agente à finalidade que a lei expressa. Se a conduta eleita destoa da finalidade da norma,
é ela ilegítima e deve merecer o devido controle judicial. Outro fator é o da verificação dos
motivos inspiradores da conduta. Se o agente não permite o exame dos fundamentos de fato ou
de direito que mobilizaram sua decisão em certas situações em que seja necessária a sua
averiguação, haverá, no mínimo, a fundada suspeita de má utilização do poder discricionário e
de desvio de finalidade. Tais fatores constituem meios de evitar o indevido uso da
discricionariedade administrativa e ainda possibilitam a revisão da conduta no âmbito da
própria Administração ou na via judicial.
(Carvalho Filho, José dos Santos. Manual de direito administrativo – 32. ed. rev., atual. e ampl. –
São Paulo: Atlas, 2018, p. 162/163)

89. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I - A noção de fato administrativo não guarda relação com a de fato jurídico, do direito privado,
pois que não leva em consideração a produção de efeitos jurídicos, mas, ao revés, tem o
sentido de atividade material no exercício da função administrativa, que visa a efeitos de
ordem prática para a Administração.
II - Os fatos administrativos podem ser voluntários e naturais. Os fatos administrativos
voluntários se materializam de duas maneiras: por atos administrativos, que formalizam a
providência desejada pelo administrador através da manifestação da vontade; por condutas
administrativas, que refletem os comportamentos e as ações administrativas, sejam ou não
precedidas de ato administrativo formal. Já os fatos administrativos naturais são aqueles que se
originam de fenômenos da natureza, cujos efeitos se refletem na órbita administrativa.
III - A expressão atos da Administração traduz sentido amplo e indica todo e qualquer ato que
se origine dos inúmeros órgãos que compõem o sistema administrativo em qualquer dos
Poderes. O emprego da expressão leva em conta a natureza do ato, assim o critério
identificativo, portanto, reside na origem da manifestação de vontade.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: B
I – CORRETA – A noção de fato administrativo não guarda relação com a de fato jurídico,
encontradiça no direito privado. Fato jurídico significa o fato capaz de produzir efeitos na ordem
jurídica, de modo que dele se originem e se extingam direitos (ex facto oritur ius). A ideia de fato
administrativo não tem correlação com tal conceito, pois que não leva em consideração a
produção de efeitos jurídicos, mas, ao revés, tem o sentido de atividade material no exercício da
função administrativa, que visa a efeitos de ordem prática para a Administração. Exemplos de
fatos administrativos são a apreensão de mercadorias, a dispersão de manifestantes, a
desapropriação de bens privados, a requisição de serviços ou bens privados etc. Enfim, a noção
indica tudo aquilo que retrata alteração dinâmica na Administração, um movimento na ação
administrativa. Significa dizer que a noção de fato administrativo é mais ampla que a de fato
jurídico, uma vez que, além deste, engloba também os fatos simples, ou seja, aqueles que não
repercutem na esfera de direitos, mas estampam evento material ocorrido no seio da
Administração.
II – CORRETA - Observa com precisão SEABRA FAGUNDES que o fundamento do fato
administrativo, como operação material, é, como regra, o ato administrativo. Manifestada a
vontade administrativa através deste, surge como consequência a ocorrência daquele.
Entretanto, o fato administrativo não se consuma sempre em virtude de algum ato
administrativo. Às vezes, decorre de uma conduta administrativa, ou seja, de uma ação da
Administração, não formalizada em ato administrativo. A só alteração de local de determinado
departamento administrativo não se perfaz, necessariamente, pela prática de ato
administrativo; como a mudança de lugar, porém, representou atividade administrativa
material, poderá afirmar-se que constituiu um fato administrativo. Acrescente-se, ainda, que
até fenômenos naturais, quando repercutem na esfera da Administração, constituem fatos
administrativos, como é o caso, por exemplo, de um raio que destrói um bem público ou de uma
enchente que inutiliza equipamentos pertencentes ao serviço público.
Em síntese, podemos constatar que os fatos administrativos podem ser voluntários e naturais.
Os fatos administrativos voluntários se materializam de duas maneiras: (1ª) por atos
administrativos, que formalizam a providência desejada pelo administrador através da
manifestação da vontade; (2ª) por condutas administrativas, que refletem os comportamentos
e as ações administrativas, sejam ou não precedidas de ato administrativo formal. Já os fatos
administrativos naturais são aqueles que se originam de fenômenos da natureza, cujos efeitos
se refletem na órbita administrativa.
Assim, quando se fizer referência a fato administrativo, deverá estar presente unicamente a
noção de que ocorreu um evento dinâmico da Administração.
III – INCORRETA - A expressão atos da Administração traduz sentido amplo e indica todo e
qualquer ato que se origine dos inúmeros órgãos que compõem o sistema administrativo em
qualquer dos Poderes. O emprego da expressão não leva em conta a natureza deste ou
daquele ato. Significa apenas que a Administração Pública se exprime, na maioria das vezes,
por meio de atos, de forma que, ao fazê-lo, pratica o que se denomina de atos da
Administração. O critério identificativo, portanto, reside na origem da manifestação de
vontade. Uma vez praticado o ato, aí sim, caberá ao intérprete identifica-lo na categoria
adequada.
(Carvalho Filho, José dos Santos. Manual de direito administrativo – 32. ed. rev., atual. e ampl. –
São Paulo: Atlas, 2018, p. 162/163)

90. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Não será comum, mas, em tese, é possível que ambos os sujeitos do contrato sejam pessoas
administrativas, e nesse caso será ele administrativo em razão da própria natureza dos
pactuantes.
II – Os contratos administrativos regidos pela lei 8.666/93 regulam-se pelas suas cláusulas e
pelos preceitos de direito público, aplicando-se-lhes, supletivamente, os princípios da teoria
geral dos contratos e as disposições de direito privado.
III – Os contratos devem estabelecer com clareza e precisão as condições para sua execução,
expressas em cláusulas que definam os direitos, obrigações e responsabilidades das partes, em
conformidade com os termos da licitação e da proposta a que se vinculam.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: A
I - CORRETA - Na relação jurídica dos contratos administrativos, está de um lado a
Administração, parte contratante (art. 6o, XIV, do Estatuto), e de outro a pessoa física ou
jurídica que firma o ajuste, o contratado (art. 6o, XV).
Não será comum, mas, em tese, é possível que ambos os sujeitos do contrato sejam pessoas
administrativas, e nesse caso será ele administrativo em razão da própria natureza dos
pactuantes. (Carvalho Filho, José dos Santos. Manual de direito administrativo / José dos Santos
Carvalho Filho. – 32. ed. rev., atual. e ampl. – São Paulo: Atlas, 2018, p. 247)
II – CORRETA - Art. 54, lei 8.666/93. Os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam-
se pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público, aplicando-se-lhes, supletivamente,
os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado.
III – CORRETA – Art. 54, § 1º, lei 8.666/93. Os contratos devem estabelecer com clareza e
precisão as condições para sua execução, expressas em cláusulas que definam os direitos,
obrigações e responsabilidades das partes, em conformidade com os termos da licitação e da
proposta a que se vinculam.

91. Assinale a alternativa INCORRETA.


a) A ascensão e a transposição constituem formas inconstitucionais de provimento derivado de
cargos por violarem o princípio do concurso público.
b) É materialmente inconstitucional lei estadual que possibilite o provimento derivado de
servidores investidos em cargos de outras carreiras no cargo de auditor de saúde, em razão de
tratar-se de provimento derivado, o que viola o art. 37, II, da CF/88, que exige a prévia
aprovação em concurso para a investidura em cargo público.
c) É nula a contratação de pessoal pela Administração Pública sem a observância de prévia
aprovação em concurso público, razão pela qual não gera quaisquer efeitos jurídicos válidos em
relação ao empregado eventualmente contratado, ressalvados apenas o direito de ele receber
os salários referentes ao período trabalhado.
d) Segundo o STF a lei do ente federativo regulamentando o art. 37, IX, da CF/88 não poderá
prever hipóteses abrangentes e genéricas de contratações temporárias sem concurso público.
Gabarito: C
a) e b) A ascensão e a transposição constituem formas inconstitucionais de provimento
derivado de cargos por violarem o princípio do concurso público. STF. Plenário. ADI 3341/DF,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/5/2014 (Info 748). É materialmente
inconstitucional lei estadual que possibilite o provimento derivado de servidores investidos em
cargos de outras carreiras no cargo de auditor de saúde. Isso constitui provimento derivado, o
que viola o art. 37, II, da CF/88, que exige a prévia aprovação em concurso para a investidura
em cargo público. STF. Plenário. ADI 2940/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/12/2014
(Info 771).
c) É nula a contratação de pessoal pela Administração Pública sem a observância de prévia
aprovação em concurso público, razão pela qual não gera quaisquer efeitos jurídicos válidos em
relação ao empregado eventualmente contratado, ressalvados: • o direito de ele receber os
salários referentes ao período trabalhado; e • o direito de ele levantar os depósitos do FGTS
(art. 19-A da Lei 8.036/90). STF. Plenário. RE 705140/RS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
28/8/2014 (repercussão geral) (Info 756).
d) O STF decidiu que a lei do ente federativo regulamentando o art. 37, IX, da CF/88 não poderá
prever hipóteses abrangentes e genéricas de contratações temporárias sem concurso público.
Além disso, essa lei deverá especificar a contingência fática que caracteriza a situação de
emergência. A Lei questionada no STF era do Município de Bertópolis/MG e dizia que seria
possível a contratação temporária para “suprir necessidades de pessoal na área do magistério”.
Os Ministros entenderam que a lei municipal permitia, de forma genérica e abrangente, a
contratação temporária de profissionais para a realização de atividade essencial e permanente
(magistério), sem descrever as situações excepcionais e transitórias que fundamentam esse
ato, como calamidades e exonerações em massa, por exemplo. STF. Plenário. RE 658026/MG,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 9/4/2014 (Info 742).

92. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Mais que princípio inscrito na Constituição Federal, a democracia constitui fundamento e
valor essencial das sociedades ocidentais, definindo sua estética, o modo como elas existem e
operam.
II – Não sendo entendida como algo fixo, mas como um ideal a ser alcançado, a democracia foi
elevada a status de direitos humanos com previsão na Declaração Universal dos Direitos do
Homem, de 1948, no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, de 1966.
III – A participação popular no governo é condição sine qua non da democracia. À vista disso,
foram concebidos alguns modelos de democracia, os quais podem ser reunidos em três grupos:
democracia direta, indireta e semidireta.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: A
I e II – CORRETAS - Embora práticas democráticas tenham sido experimentadas por vários
povos, historicamente aponta-se a Grécia como o berço da democracia. Foram os gregos que
cunharam esse termo, que deriva de demokratia: demos, povo, e kratos, poder, ou seja, poder
do povo. Entretanto, há notáveis diferenças entre as ideias antiga e contemporânea de
democracia. Basta dizer que, na antiguidade, o povo era formado por poucas pessoas e o
sufrágio não era universal.
Mais que princípio inscrito na Lei Magna, a democracia constitui fundamento e valor essencial
das sociedades ocidentais, definindo sua estética, o modo como elas existem e operam. Tanto é
que o artigo XXI da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, e o artigo 25 do
Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, de 1966, elevaram-na ao status de direitos
humanos. Note-se, porém, que, a despeito da previsão formal em diplomas normativos, a
democracia não é algo fixo, pois encontra-se em permanente construção; para muitos
pensadores políticos, cuida-se de ideal a ser alcançado. Como ideal, a busca constante de sua
concretização exige a efetiva participação de todos os integrantes da comunhão social.
III - CORRETA - A participação popular no governo é condição sine qua non da democracia. À
vista disso, foram concebidos alguns modelos de democracia, os quais podem ser reunidos em
três grupos: democracia direta, indireta e semidireta.
Gomes, José Jairo. Direito eleitoral / José Jairo Gomes – 14. ed. rev., atual. e ampl. – São Paulo:
Atlas, 2018, p. 84 e 88.

93. A respeito da propaganda eleitoral, assinale a alternativa INCORRETA.


a) Ao postulante a candidatura a cargo eletivo é permitida a realização, na quinzena anterior à
escolha pelo partido, de propaganda intrapartidária com vista à indicação de seu nome.
b) Configuram propaganda eleitoral antecipada, mesmo que não envolvam pedido explícito de
voto, a menção à pretensa candidatura e a exaltação das qualidades pessoais dos pré-
candidatos.
c) Não será permitido qualquer tipo de propaganda política paga no rádio e na televisão.
d) A propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 15 de agosto do ano da eleição.
Gabarito: B
a) Art. 36, § 1º, Lei 9.504/97 Ao postulante a candidatura a cargo eletivo é permitida a
realização, na quinzena anterior à escolha pelo partido, de propaganda intrapartidária com
vista à indicação de seu nome, vedado o uso de rádio, televisão e outdoor.
b) Art. 36-A, Lei 9.504/97 Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não
envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das
qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos
meios de comunicação social, inclusive via internet: (....)
c) Art. 36 § 2º, Lei 9.504/97 Não será permitido qualquer tipo de propaganda política paga no
rádio e na televisão.
d) Art. 36, Lei 9.504/97 A propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 15 de agosto do
ano da eleição.

94. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do RCED.


a) Enquanto o Tribunal Superior não decidir o recurso interposto contra a expedição do
diploma, poderá o diplomado exercer o mandato em toda a sua plenitude.
b) É o RCED que constitui o cidadão em inelegibilidade, não sendo necessário que seja ajuizado
com prova pré-constituída da inelegibilidade.
c) O RCDE deve ser ajuizado no prazo de três dias, contados da diplomação.
d) O eleitor não é parte legítima para o ajuizamento do RCED.
Gabarito: B
a) Art. 216, CE. Enquanto o Tribunal Superior não decidir o recurso interposto contra a
expedição do diploma, poderá o diplomado exercer o mandato em toda a sua plenitude.
b) (...) não é o RCED que constitui o cidadão em inelegibilidade, mas apenas a declara. Por isso,
é necessário que o RCED seja ajuizado com prova pré-constituída. (OLIVEIRA, João Paulo. Direito
Eleitoral para concursos – Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p. 412.)
c) e d) OLIVEIRA, João Paulo. Direito Eleitoral para concursos – Salvador: Ed. JusPodivm, 2016,
p. 413.

95. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I - São cabíveis contra decisões proferidas pelos tribunais regionais eleitorais: o recurso parcial;
embargos de declaração; recurso ordinário; recurso especial eleitoral; agravo de instrumento
eleitoral; e agravo regimental.
II - Caberá agravo de instrumento eleitoral, dirigido ao TSE no prazo de quinze dias, quando não
for recebido o recurso especial, objetivando a sua subida.
III - Não há previsão legal acerca da possibilidade de interposição de embargos de declaração
das decisões dos juízes eleitorais.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
Gabarito: C
I – CORRETA – NETO, Jaime Barreiros. Código Eleitoral para Concursos I coordenador Ricardo
Didier- 5. ed. rev., atual. E ampl. - Salvador: Juspodivm, 2016, p. 117.
II – INCORRETA - Caberá agravo de instrumento eleitoral, dirigido ao TSE no prazo de três dias,
quando não for recebido o recurso especial, objetivando a sua subida. (NETO, Jaime Barreiros.
Código Eleitoral para Concursos I coordenador Ricardo Didier- 5. ed. rev., atual. E ampl.-
Salvador: Juspodivm, 2016, p. 118. Destacamos.)
III – CORRETA - Não há previsão legal acerca da possibilidade de interposição de embargos de
declaração das decisões dos juízes eleitorais. O artigo 275 do Código Eleitoral prevê tal espécie
de recurso tão somente em face de acórdãos proferidos por tribunais eleitorais. Decisões
isoladas de tribunais regionais eleitorais, no entanto, muitas vezes têm admitido a oposição do
referido recurso contra sentenças de primeiro grau (neste sentido, Ac. TRE-PA n°1863 Belém-
PA- 26.10.2004, Rei. Maria da Conceição Cardoso Mendes). (NETO, Jaime Barreiros. Código
Eleitoral para Concursos I coordenador Ricardo Didier- 5. ed. rev., atual. E ampl.- Salvador:
Juspodivm, 2016, p. 119)

DIRIETO TRIBUTÁRIO E MINISTÉRIO PÚBLICO

96. De forma geral, a lei ordinária é a lei utilizada para a instituição de tributos, porém o art.
146 da CF exige lei complementar para a regulamentação das seguintes matérias, EXCETO:
a) Regulamentação às limitações do poder de tributar.
b) Dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o DF
os Municípios.
c) Estabelecimento de normas específicas em matéria de legislação tributária.
d) Definição do tratamento diferenciado e favorecido para microempresas e para empresas de
pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados para o caso do ICMS, da
contribuição previdenciária e ao PIS.
Gabarito: C
Art. 146. Cabe à lei complementar:
I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios;
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;
III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:
a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados
nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;
b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;
c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas.
d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as
empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto
previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição
a que se refere o art. 239.

97. São tributos exigidos imediatamente, caso aumentados ou instituídos, ou seja, exceções
concomitantes às anterioridades anual e nonagesimal, EXCETO:
a) Imposto de Importação.
b) Imposto de Exportação.
c) Imposto sobre Operações Financeiras.
d) Imposto sobre Produtos Industrializados.
Gabarito: D
Em resumo, procure memorizar:
Tributos exigidos imediatamente, caso aumentados ou instituídos, ou seja, exceções
concomitantes às anterioridades anual e nonagesimal: II, IE, IOF, IEG e Empréstimo Compulsório
(Calamidade Pública ou Guerra);
Tributos exigidos 90 dias após o aumento, ou seja, exceções à anterioridade anual, porém
“regras” à anterioridade nonagesimal: IPI, CIDE-Combustível e ICMS-Combustível;
Tributos exigidos a partir de 1.º de janeiro do exercício financeiro seguinte, independentemente
da data do aumento ou da instituição, ou seja, exceções à anterioridade nonagesimal, porém
“regras” à anterioridade anual: IR e alterações na base de cálculo do IPVA e IPTU;
Tributos que são exceções concomitantes aos princípios da legalidade, da anterioridade anual e
da anterioridade nonagesimal: II, IE e IOF.
Sabbag, Eduardo de Moraes- Direito Tributário Essencial / Eduardo de Moraes Sabbag. – 14. ed.
rev., atual. E ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, out./2014, p. 30

98. Pode-se afirmar que as imunidades são:


a) A dispensa legal de pagamento de tributo.
b) Um favor legal consolidado na dispensa de pagamento de tributo devido.
c) A não incidência qualificada constitucionalmente.
d) A inibição do lançamento tributário.
Gabarito: C
Todas as demais assertivas dizem respeito à isenção, conforme se observa do texto abaixo.
No confronto entre imunidade e isenção, despontam os seguintes traços distintivos:
A isenção (a ser estudada no fim da presente obra) traduz-se em dispensa legal de pagamento
de tributo; a imunidade é a não incidência apreciada constitucionalmente;
A isenção situa-se no campo da incidência tributária e diz respeito à conjuntura econômica e
social de um país. Em síntese, o que se inibe na isenção é o lançamento do tributo, tendo
ocorrido fato gerador e nascido o vínculo jurídico obrigacional. Na imunidade, não há que se
mensurar em relação jurídico-tributária, posto que a norma imunizadora está excluída do
campo de incidência do tributo. A não incidência, a propósito, é a ausência de subsunção do
fato imponível ao conceito descrito na hipótese de incidência, ou seja, o acontecimento fático
não se alinha com fidelidade à descrição legal originária, restando incompletos os elementos
para a tipicidade.
A isenção, por sua vez, é um favor legal consolidado na dispensa de pagamento de tributo
devido, isto é, a autoridade legislativa impede que o sujeito passivo da obrigação tributária se
sujeite ao tributo. Portanto, inibe-se o lançamento. A imunidade, por seu turno, manifesta-se
pela não incidência qualificada constitucionalmente. Traduz-se no obstáculo, que decorre de
preceito constitucional, à incidência de tributos sobre fatos ou situações específicos.
Sabbag, Eduardo de Moraes. Direito Tributário Essencial / Eduardo de Moraes Sabbag. – 14. ed.
rev., atual. E ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, out./2014. p. 43.

99. Acerca da atuação do Ministério Público, analise as assertivas abaixo e marque a


alternativa correta.
I – O Ministério Público possui legitimidade para defesa em juízo de direitos individuais
homogêneos no caso de direitos indisponíveis, não sendo cabível no caso de direitos
disponíveis.
II – Na hipótese de ser proposta ação de interdição pelo Ministério Público, é necessária a
nomeação de curador especial ao interditando.
III – O Promotor de Justiça pode requisitar o inciamento ao Delegado de Polícia.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II está correta.
Gabarito: D
I – Alternativa incorreta. O Ministério Público possui legitimidade para defesa em juízo de
direitos individuais homogêneos desde que observada de forma alternativa as seguintes
circunstâncias:
a) presença de direito indisponível OU
b) direito disponível que, por sua importância e/ou extensão, tenha repercussão social.
Por exemplo: "O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública em defesa
dos direitos individuais homogêneos dos beneficiários do seguro DPVAT. Isso porque o STF, ao
julgar o RE 631.111-GO (Tribunal Pleno, DJe 30/10/2014), submetido ao rito do art. 543-B do
CPC, firmou o entendimento de que Órgão Ministerial tem legitimidade para ajuizar ação civil
pública em defesa dos direitos individuais homogêneos dos beneficiários do seguro DPVAT,
dado o interesse social qualificado presente na tutela jurisdicional das vítimas de acidente de
trânsito beneficiárias pelo DPVAT, bem como as relevantes funções institucionais do MP.
Consequentemente, é imperioso o cancelamento da súmula 470 do STJ, a qual veicula
entendimento superado por orientação jurisprudencial do STF firmada em recurso
extraordinário submetido ao rito do art. 543-B do CPC. REsp 858.056-GO, Rel. Min. Marco Buzzi,
julgado em 27/5/2015, DJe 5/6/2015." (Informativo 563 do STJ)
II – Alternativa correta. Conforme o artigo 752, §2º do novo CPC, sempre deverá ser nomeado
curador especial se o interditando não constituir advogado.
De acordo com tal dispositivo, o interditando, ou qualquer parente sucessível, poderá constituir
advogado para sua representação processual. No entanto, caso assim não proceda, prevê o CPC
que o juiz deverá então convocar a Defensoria Pública para defesa do interditando, caso já não
funcione como curadora especial dele (art. 72, parágrafo único). Ao Ministério Público cumprirá
apenas a função de fiscal da ordem jurídica (ou fiscal da lei), nos termos do art. 178, II, do CPC-
2015, caso não seja o autor da ação de interdição (art 747, IV). Em nenhuma hipótese poderá
figurar como representante do interditando ou de alguma das partes, ao que está impedido por
força do art. 129 da Constituição da República.
III – Alternativa incorreta. O Promotor de Justiça ou o Juiz de Direito não podem requisitar o
indiciamento à autoridade policial. Conforme o art. 2º, §6º da Lei 12.830/13, indiciamento é ato
privativo da autoridade policial, vedando-se a interferência externa.

100. Analise as assertivas abaixo:


I - Os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Territórios poderão ser
destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo, na forma da lei
complementar respectiva.
II - A destituição do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente da República,
deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal.
III - Comporão o CNMP, além de membros do MPU e dos MPs dos estados, da magistratura e da
advocacia, dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, um indicado pela
Câmara dos Deputados e o outro, pelo Senado Federal.
IV - O Ministério Público, nos autos do inquérito civil ou do procedimento preparatório, poderá
expedir recomendações devidamente fundamentadas, visando à melhoria dos serviços públicos
e de relevância pública, bem como aos demais interesses, direitos e bens cuja defesa lhe caiba
promover.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I, III e IV estão corretas.
d) Apenas II e IV estão corretas.
Gabarito: A
I – Alternativa correta. Art. 128, §4°, CF.
II – Alternativa correta. Art. 128, §2°, CF.
III – Alternativa correta. Art. 130-A. O Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de
quatorze membros nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela
maioria absoluta do Senado Federal, para um mandato de dois anos, admitida uma
recondução, sendo:
I - o Procurador-Geral da República, que o preside;
II - quatro membros do Ministério Público da União, assegurada a representação de cada uma
de suas carreiras;
III - três membros do Ministério Público dos Estados;
IV - dois juízes, indicados um pelo Supremo Tribunal Federal e outro pelo Superior Tribunal de
Justiça;
V - dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
VI - dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos
Deputados e outro pelo Senado Federal.
IV – Correta. Art. 15, caput, Res. 23/07, CNMP. Atenção ao seu parágrafo único:
“Art. 15. O Ministério Público, nos autos do inquérito civil ou do procedimento preparatório,
poderá expedir recomendações devidamente fundamentadas, visando à melhoria dos serviços
públicos e de relevância pública, bem como aos demais interesses, direitos e bens cuja defesa
lhe caiba promover.
Parágrafo único. É vedada a expedição de recomendação como medida substitutiva ao
compromisso de ajustamento de conduta ou à ação civil pública”.