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SEMINÁRIO ADVENTISTA LATINO-AMERICANO DE TEOLOGIA


LUCAS DOS SANTOS ANTONIO

A FUNÇÃO DO TEMPLO/SANTUÁRIO CELESTIAL EM APOCALIPSE 11:19 E


SUA CORRESPONDÊNCIA COM O SANTUÁRIO TERRESTRE

CACHOEIRA-BA
2018
2

LUCAS DOS SANTOS ANTONIO

A FUNÇÃO DO TEMPLO/SANTUÁRIO CELESTIAL EM APOCALIPSE 11:19 E


SUA CORRESPONDÊNCIA COM O SANTUÁRIO TERRESTRE

Projeto de pesquisa apresentado como


requisito para aprovação na disciplina de
Trabalho de Conclusão de Curso II, no
Seminário Adventista Latino Americano de
Teologia.

Orientador: Prof. Dr. Leonardo Nunes.

CACHOEIRA-BA
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2018
A FUNÇÃO DO TEMPLO/SANTUÁRIO CELESTIAL EM APOCALIPSE 11:19 E
SUA CORRESPONDÊNCIA COM O SANTUÁRIO TERRESTRE1

LUCAS DOS SANTOS ANTONIO2

RESUMO
Este trabalho analisou a função do Santuário Celestial em Apocalipse 11:19, traçando
um paralelo do Juízo Investigativo com a descrição do Dia da Expiação em Levítico
16. Em primeira instância, foi revisado o contexto histórico da perícope em Apocalipse
e sua relação com o seu correspondente no Antigo Testamento. A seguir foi realizada
uma análise exegética, com foco na questão literária do livro do Apocalipse,
entendendo qual o contexto em que essa perícope foi escrita e qual a ideia que João
intentou transmitir aos seus leitores através de pesquisa em diversos teóricos. Foram
analisadas as palavras “Arca da Aliança” e sua repetição no Antigo Testamento, e
quais os momentos em que aparecem a mesma expressão relacionada ao tema
proposto. Na conclusão, constatamos que certamente o acontecimento descrito em
Apocalipse 11:19 é o Dia da Expiação/Juízo Investigativo, que Cristo Jesus é o Sumo
Sacerdote que ministra agora no Santuário Celestial, figura do qual pediu a Moisés
que fizesse na Terra.

Palavras-chave: Santuário. Expiação. Arca. Aliança. Apocalipse.

ABSTRACHT
This work examined the function of the Heavenly Sanctuary in Revelation 11:19,
drawing a parallel from the Investigative Judgment with the description of the Day of
Atonement in Leviticus 16.
In the first instance, the historical context of the pericope in Revelation and its
relationship with its correspondent in the Old Testament were reviewed. An exegetical
analysis was then carried out focusing on the literary question of the book of
Revelation, understanding the context in which this period was written and the idea
that John would like to pass to his readers through research in various theorists. The
words "Ark of the Covenant" and its repetition in the Old Testament were analyzed,
and the moments in which the same expression related to the proposed theme
appears. We conclude by believing that indeed the event described in Revelation 11:19
is the Day of Atonement / Investigative Judgment and that Christ Jesus is the High
Priest who now ministers in the Heavenly Sanctuary, a figure of which he asked Moses
to do on earth.

Keywords: Sanctuary. Atonement. Ark. Alliance. Apocalypse.

1 Trabalho apresentado à Faculdade Adventista da Bahia – Seminário Adventista Latino-


Americano de Teologia, como requisito parcial de avaliação da disciplina de TCC II, sob orientação do
Prof. Dr. Leonardo Nunes. leonardo.nunes@adventista.edu.br
2 Graduando no 4º ano do curso Bacharelado em Teologia pela Faculdade Adventista da Bahia

– Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. agendalucasantonio@gmail.com


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INTRODUÇÃO

A temática do santuário/templo é escassamente abordada pela literatura


teológica, em reflexo à pouca difusão do tema nos círculos cristãos. Contudo, uma
análise do cânon bíblico, tanto no Antigo como no Novo Testamento, resulta em
inúmeras repetições das expressões templo/santuário/tabernáculo. No livro do
Apocalipse esse tópico e os símbolos relacionados a ele são apresentados algumas
vezes. Foi escolhido e definido o texto de Ap 11:19 para um exame do objeto Arca da
Aliança, buscando entender o acontecimento quando João observa a Arca da Aliança
e sua correspondência no Antigo Testamento.
O Apocalipse é um livro que comunica os últimos acontecimentos da Terra,
incluindo o julgamento tanto de humanos como do dragão e os desdobramentos da
execução da sentença. Para compreensão da perícope selecionada - Ap 11:19 - foi
feita, primeiramente, uma análise do texto no idioma original de Apocalipse, o grego,
onde a palavra (κιβωτὸς τῆς διαθήκης/ Arca da Aliança) aparece mostrando a utilidade
do Santuário Celestial. Além disso, foi realizada pesquisa bibliográfica entre
estudiosos do tema proposto. Também foi pesquisada a correspondência do
templo/santuário no Antigo Testamento procurando associações com a temática, que
ajudem a elucidar a função do Templo/Santuário Celestial.
Para o estudo proposto do templo/Santuário Celestial em Apocalipse 11:19
foram formulados os seguintes objetivos: (1) identificar a presença do santuário
celestial em Ap 11:19; (2) analisar a função do templo/santuário celestial em Ap 11:19;
(3) determinar a relação do templo/santuário celestial em Ap 11:19 com seu
equivalente terrestre.
Tendo em mente as riquezas dos conteúdos a serem contemplados em
Apocalipse 11, o seguinte projeto se limita a averiguar a função de Cristo no
templo/santuário celestial e seu relacionamento com o equivalente terrestre. Podendo
assim, futuramente, outras pesquisas serem realizadas sobre o assunto do
Tempo/Santuário Celestial no livro do Apocalipse

2 TEXTO ORIGINAL E TRADUÇÃO


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Καὶ ἠνοίγη ὁ ναὸς τοῦ θεοῦ ὁ ἐν τῷ οὐρανῷ, καὶ ὤφθη ἡ κιβωτὸς τῆς διαθήκης αὐτοῦ ἐν
τῷ ναῷ αὐτοῦ· καὶ ἐγένοντο ἀστραπαὶ καὶ φωναὶ καὶ βρονταὶ καὶ σεισμὸς καὶ χάλαζα μεγάλη.

E foi aberto o templo do Deus no céu, e foi vista a arca da aliança do Senhor no
templo dEle. E houve relâmpagos e vozes e trovões e granizo tremendo.

3 CONTEXTO HISTÓRICO

O termo Apocalipse vem do grego (Ἀποκάλυψις) e significa ‘revelação’, pode


também ser chamado como ‘a revelação de Deus a João’. Essa é a única obra
apocalíptica contida no Novo Testamento. Seu significado literal é “descerramento”,
ou seja, de maneira especial na literatura religiosa, um descerramento do futuro
(NICHOL, 2014).
Ellen White (2002, p. 64) escreve:
“a afirmação de que o Apocalipse é um mistério, que não pode ser
compreendido, é contradita pelo próprio título do livro: Revelação de Jesus
Cristo, a qual Deus Lhe deu para mostrar a Seus servos as coisas que
brevemente devem acontecer. [...] Bem-aventurado aquele que lê, e os que
ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão
escritas; porque o tempo está próximo." (Apoc. 1:1-3).

Alguns eruditos comentam que não teria sido João, o apóstolo, a escrever essa
obra, e sim João, o presbítero; como relatado na Bíblia Arqueológica:”

Hoje, todavia, muitos estudiosos conservadores sustentam o ponto de vista


de Dionísio, bispo de Alexandria do século III, de que o livro foi escrito por
outro João, o Presbítero.

Alguns também acreditam que o nome João descrito nas escrituras seria um
pseudônimo, pois era muito utilizado em obras apocalípticas judaicas no início da era
cristã. Agora, se no apocalipse também houvesse um pseudônimo, seria esperado
que o autor se intitulasse como um apóstolo. Mas a simples declaração do autor de
que seu nome é João, “irmão vosso” (Ap 1:9; cf. a referência de Pedro a Paulo, em
2Pe 3:15), testemunha que ele estava usando seu nome verdadeiro (NICHOL, 2014).
Para Nichol (2014, p. 791), João é identificado várias vezes como sendo João. o
apóstolo, em Ap. 1:1, 4, 9; 21:2; 22:8. Outra evidência de que o autor de Apocalipse é
mesmo o apóstolo de Cristo é a existência de paralelos com o evangelho de João. Na
Bíblia de Estudo Andrews (2015), comenta-se que, embora a Bíblia não revele quem
era esse “João”, a maior parte das fontes históricas antigas o identifica com o João
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dos evangelhos, irmão de Tiago, filho de Zebedeu e discípulo de Cristo (Mt 4:21, 22;
Mc 3:17; 10:35-41; Lc 9:28; Jo 13:23-25; 18:15-17). Tal identificação é apoiada por
evidências no próprio livro do Apocalipse, que contém muitos paralelos de linguagem
com o evangelho de João.
O livro é escrito enquanto o apóstolo João está exilado na ilha de Patmos,
localizada na costa de Éfeso, no mar Egeu, em tempo de perseguição, onde as
autoridades romanas usavam essa ilha como lugar de exílio. Provavelmente, João
estava sendo obrigado a realizar trabalhos forçados. Alguns cristãos, nessa época, já
estavam mortos e outros aprisionados por sua fé. Estava estabelecer-se, naquele
contexto, o culto obrigatório ao imperador romano.
Essa ilha foi onde João teve visões de Deus a respeito de como seria
estabelecido o reino de Deus na Terra, e também, o livro do Apocalipse seria a
revelação do livro profético de Daniel. Por isso ambos os livros devem ser estudados
juntos.
João era bem conhecido na região da Ásia Menor por conta de suas viagens em
busca de espalhar o evangelho que Cristo lhe confiara. João endereça seus escritos
às sete igrejas da Ásia menor, que foram repreendidas e incentivadas de acordo com
as condições que apresentavam. São as igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira,
Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
A data do livro do Apocalipse diverge entre os eruditos modernos onde
especulam se a escrita será atribuída em uma data anterior, durante o reinado de Nero
(54 – 68 d.C.) ou de Vespasiano (69 – 79 d.C.), ou ainda uma data posterior no fim do
reinado de Domiciano (81 – 96 d. C.). Nichol (2014, p. 796) firma que, em geral, os
eruditos que preferem a data anterior, identificam a perseguição mencionada nas
cartas às sete igrejas com a que os cristãos sofreram durante o governo de Nero (64
d.C.) ou de Vespasiano, embora não seja claro até que ponto este último perseguiu a
igreja.
O livro do Apocalipse sugere alguns temas específicos para que a compreensão
seja ainda mais acessível ao leitor. Os temas abaixo são sugeridos pela Bíblia
Arqueológica (2013), é que ‘Deus está no controle’, ou seja, as visões de João
penetram a barreira que separa o reino celestial do mundo terreno e revelam a
realidade do céu, que triunfará sobre a ilusão terrena. O segundo tema proposto é que
‘Jesus voltará’, ou seja, a volta de Cristo nos leva à libertação que será precedida de
vários acontecimentos catastróficos, como desastres naturais, guerras entre as
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nações, eventos cósmicos sobrenaturais; por isso, temos que estudar o livro do
Apocalipse olhando para o futuro, onde o justo será recompensado e o maligno será
julgado e destruído. Por fim, o terceiro tema sugerido é a salvação para todos que a
receberem, ou seja, essa salvação não é exclusiva e sim inclusiva para todo língua e
nação, toda raça e cor.
Reynolds (2016, p.101) defende que “o conflito cósmico entre Cristo e Satanás
é o tema fundamental de Apocalipse.” Ellen White (2013, p. 585) escreve que
no Apocalipse todos os livros da Bíblia se encontram e se cumprem. Ali está o
complemento do livro de Daniel. O primeiro é uma profecia; o outro uma revelação.
“No livro de apocalipse, lemos acerca de uma obra especial que Deus deseja que Seu
povo faça nestes últimos dias” (WHITE, 2012, p. 113).
Informação importante de se relatar sobre o livro de Apocalipse é que o seu
material em toda sua extensão, é composto de alusões ao Antigo Testamento.
Identificar esses símbolos é crucial para a compreensão de sua mensagem.
LaRondelle escrevendo sobre o conteúdo do livro do Apocalipse informa-nos:
Nenhum livro se baseia tão fortemente no AT como o Apocalipse. Ele está
imerso na teologia e na profecia do AT. A menos que compreendamos e
apreciemos esse fato, não perceberemos plenamente o significado do livro.
João deve grande parte de sua teologia, vocabulário e simbolismo ao AT,
embora sempre seja profundamente cristocêntrico (LARONDELLE, 1997, p.
35)

Em apocalipse 11:19, João relata ter visto o santuário de Deus aberto no céu.
O móvel que João enxerga nesse momento é a arca da aliança/concerto (Ex. 25:10-
22; 37:1; 40:1-3, 20-21; Nm 7:89; 10:33-36; 17:1-11). Enquanto ele observa a arca,
sobrevêm relâmpagos, vozes, trovões e grande saraivada, representando a presença
divina (Apocalipse 4: 5; 8: 5; 16:18; cf. Êx 19: 16-19; 20:18; Deut. 5: 22-23).
No Antigo Testamento, Deus pediu a Moisés que fizesse um santuário onde ele
pudesse habitar no meio do povo (Ex. 25:8), e lhe deu todos os detalhes para que se
fizesse conforme o modelo que foi visto no céu (Hb. 8:5). A vontade de Deus era estar
perto de sua criação caída e, então, restaurar cada um deles ao plano inicial. Por isso,
Deus deixou todas as medidas, materiais, formas, dimensões, posturas e manejos a
serem realizadas na construção do Templo/Santuário terrestre.
O santuário ordenado por Deus era formado de seis móveis, sendo eles: o altar
de sacrifício (Ex. 27:1-8) e pia (Ex. 29:17-21) que ficavam do lado de fora do templo,
num lugar determinado no pátio do templo; o altar de incenso (Ex. 30:1-10), mesa dos
pães (Ex. 25:23-30) e candelabro (Ex. 25:31-40) se localizavam dentro do santuário
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na parte do santo, e por fim, a arca da aliança (Ex. 25:10-16), no compartimento do


santíssimo. A arca da aliança era feita de madeira de acácia revestida de ouro por
dentro e por fora, contendo argolas e varais para ser transportada se assim fosse
necessário. Dentro da arca foram depositadas as tábuas do testemunho (1 Rs 8:9),
que foram escritas pelo dedo de Deus (Ex. 31:18). Sobre a arca era colocada uma
tampa com dois querubins feitos de ouro, e que ficavam um de frente ao outro olhando
reverentemente para a arca com as asas estendidas para cima, cobrindo o
propiciatório (Ex. 25:17-22), era nesse local que Deus apareceria ali para falar com o
sumo-sacerdote (Ex. 25:22). Ellen White diz:

Muito eu poderia dizer sobre o santuário; a arca contém a lei de Deus; a


cobertura da arca, que é o propiciatório; os anjos em ambas as extremidades
da arca; e outras coisas relacionadas com o santuário celestial e com o
grande dia da expiação. Eu poderia dizer muito sobre os mistérios do Céu,
mas meus lábios estão fechados. Não tenho disposição para procurar
descrevê-los. Carta 253, 1903. (WHITE, 2002, p. 18)

Para Holbrook (2002, p. 133), na condição simbólica a arca fazia parte da


adoração israelita como parte central. Os elementos que se reuniam na arca são
essenciais à redenção: o próprio Deus, Sua lei, o sangue sacrifical e a mediação
sacerdotal. A arca da aliança simbolizava o trono de Deus (Sl 80:1; II Sm 6:2). A glória
do Senhor aparecia no lugar santíssimo, chamada de Shekinah, pairando entre os
querubins, demonstrando a presença do Senhor dos Exércitos. A lei moral dos Dez
Mandamentos estava dentro da arca, dando testemunho da vontade divina e firmando
a aliança com seu povo, tornando-se a base moral de Seu domínio e governo
universal. Justiça e juízo são a base do Seu trono, dizia a nação israelita (Sl 97:1 e 2).
A transgressão dessa lei então resultava a uma conduta contrária ao caráter de Deus
e requeria a morte do transgressor (Ez. 18:4; Rm 6:23). Com o dia da expiação, o
sangue aspergido na cobertura da arca (o propiciatório) atuava no sentido ritual de
satisfazer a justiça divina. Esse ritual possibilitava a absolvição do transgressor após
arrependimento humano. A graça de Deus besuntava todos os rituais: diário e anual.
Tudo girava em torno da arca.
A arca da aliança não era para ser vista todos os dias ou por qualquer pessoa.
Em Levítico 16 encontramos a ordem de Deus dada para Moisés do que deveria ser
feito sobre o santuário terrestre. Arão não poderia entrar para dentro do véu, onde
estava a arca da aliança, quando quisesse; se entrasse, morreria instantaneamente,
pois ali estava a presença do Senhor como uma nuvem acima da tampa da arca. Esse
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evento da entrada de Arão no lugar santíssimo, e o ritual de oferta e sacrifício, era


conhecido como dia da expiação (Lv. 16:30). Quando voltamos à visão de João, em
Apocalipse 11:19, percebemos, então, que João vê algo privilegiado e que somente o
sumo-sacerdote tinha autorização de ver em dia especial (Lv. 16:29).
O livro do apocalipse deve ser aberto perante o público. A muitos foi ensinado
que é um livro selado; mas está selado unicamente para quem rejeita a luz e a verdade
(WHITE, 2002, p. 195).

4 CONTEXTO LITERÁRIO

O livro de Apocalipse é considerado como profecia apocalíptica, assim como o


livro de Daniel no Antigo Testamento. Esses dois livros se diferem do restante dos
livros proféticos que são caracterizados como profecia clássica, conhecidos como
profetas maiores e menores.
Sobre a linguagem do livro do Apocalipse, Reynolds declara:
O Apocalipse também tem elementos de epístola. Após o preâmbulo (1:1-3),
há uma típica introdução epistolar (v.4-5), que segue um estilo semelhante
ao das epístolas paulinas. Primeiro, é apresentado o nome do autor, seguido
por uma identificação dos destinatários. Finalmente, há uma saudação. Que
deseja graça e paz da parte da divindade triúna. Na visão subsequente (1:9-
3:22), sete cartas são ditadas a João pelo Cristo glorificado e enviadas às
sete igrejas mencionadas em 1:11. Cada uma dessas cartas, por sua vez,
segue uma forma epistolar levemente modificada, na qual os destinatários
são referidos antes que o autor se identifique. Em vez de uma saudação
inicial, Jesus vai direto ao ponto: “eu conheço as tuas obras”, mas conclui
com um apelo individual e uma promessa a cada igreja. O livro em si também
é concluído com um estilo epistolar formado por apelos, promessas e bênção
final: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Ap. 22:21).

Strand (2017, p. 28), pesquisador assíduo do livro profético, relata algumas


características ao gênero da literatura apocalíptica, presente no livro de Apocalipse.
Entre elas estão: a) os contrastes assinalados: que é nada mais nada menos do que
a linha de demarcação entre o bem e o mal, justos e ímpios, salvação dos filhos de
Deus e perdição para seus inimigos; b) o alcance cósmico: o estilo literário
apocalíptico tem um alcance cósmico ou um escopo universal, abordando o grande
conflito entre o bem e o mal do ponto de vista que descerra a cortina expondo e
envolvendo toda raça humana; c) a ênfase escatológica: embora a profecia
apocalíptica fale sobre o fluxo do tempo, ela também tem um enfoque no fim dos
tempos descrevendo a luta entre o bem e o mal e como ela vai acabar com o
prosseguir do tempo com Deus aniquilando a maldade e instaurando seu reino de
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amor; d) a origem em tempos de angústia e perplexidade: essas característica


surgem em tempos de perseguição, onde o povo de Deus chega a questionar se Ele
ainda está no controle, ensinando de fato que mesmo em momentos horrendos da
história, Ele comanda tudo; por isso, a profecia apocalíptica é terreno apropriado para
proporcionar conforto e esperança aos que estão oprimidos e humilhados no momento
em que mais necessitam; e) base em visões e sonhos: essa característica se
assemelha à profecia clássica porque são encontradas repetidas referências de
visões e sonhos, além de que o aparecimento de anjos para ajudar a decifrar sonhos
e visões não é algo incomum; f) o extenso uso do simbolismo: embora a profecia
clássica também use simbolismo, a apocalíptica se destaca por isso, pois
encontramos inúmeros símbolos de várias espécies deixando o repertório rico.
Holbrook (2017. p. 20) declara que muitos eruditos ainda creditam esses elementos
como características básicas da profecia apocalíptica. Essas características não são
exclusivas da literatura apocalíptica, elas podem aparecer na literatura clássica e entre
outras.
O simbolismo complexo é uma característica forte do livro do Apocalipse,
levando muitos leitores e intérpretes à confusão e consternação, bem como a aplicar
seus significados pessoais ao invés de determinar a extensão bíblica do significado.
Entretanto, segundo White (2002, p. 191), “ninguém deve desanimar no estudo do
Apocalipse por causa de seus símbolos aparentemente místicos”.
Para Holbrook (2017. p. 18), ambas as espécies de literatura profética ensinam
a verdade divina, como fazem todos os outros tipos de literatura bíblica. Contudo,
assim como nos outros gêneros literários, as características peculiares desse tipo de
literatura devem ser levadas em consideração pelo estudante. Infelizmente os leitores
normalmente não fazem distinção entre as características proféticas, obscurecendo a
compreensão e o avanço no conhecimento do conteúdo profético.
Entendemos que o livro do Apocalipse e o de Daniel apresentam o perfil literário
apocalíptico bem claro, todavia, existem alguns trechos em outros livros no AT e NT
que apresentam o mesmo estilo literário como: Isaias 24-27; Ezequiel 38; 39; Joel 2;
3; Zacarias 9-14 se assemelham ao conteúdo de Daniel e Apocalipse, como também,
Mateus 24, Marcos 13, Lucas 17; Lucas 21, I Tessalonicenses 4 e II Tessalonicenses
1; II Tessalonicenses 2.
Ao se tratar do conteúdo de Apocalipse mais especificamente, Stefanovic
declara:
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As referências ao santuário celestial e seus móveis na primeira metade do


livro (cf. Apocalipse 4: 5;5: 8; 8: 3-5) mostram que os eventos retratados em
Apocalipse 1-11 estão relacionados ao ministério de Cristo no Santo Lugar
do santuário celestial. Agora em Apocalipse 11:19, a abertura do Lugar
Santíssimo com a Arca da Aliança aponta para o início de uma nova fase do
ministério de Cristo no santuário celestial, que pode ser melhor definido como
o juízo pré-advento (cf. Apocalipse 14: 7). (STEFANOVIC. 2013. p. 137)

Para Holbrook (2017 p. 345), a principal narrativa de Apocalipse 11 está


emparelhada com a de Apocalipse 10 para informar o material parentético entre as
apresentações da sexta e sétima trombeta. Isso acontece pelo fato de ambas as
unidades estarem em relação entre os conteúdos de suas profecias e a maneira como
elas tratam o tempo profético.
Dentro do Apocalipse são encontradas muitas imagens do santuário,
introduzindo várias cenas sequenciais e visões. Essas cenas se encontram dentro do
arranjo geral. Alguns estudos recentes afirmam que o santuário deve ser um ponto
central dentro do livro do Apocalipse. Segundo Holbrook (apud MAXWELL, 1985,
p.164), “‘o santuário celestial é um eixo central da mensagem do Apocalipse’, e que
as ‘cenas do santuário são pontos de referência que nos guiam ao significado do
Apocalipse.’”
Segundo Holbrook (2017, p. 138), as cenas se seguem na seguinte ordem: 1)
Ap 1:12-20, Terra – focaliza a obra terrestre de Cristo (combinada com imagens do
lugar santo); 2) Ap 4-5, inauguração do santuário Celestial (completa mistura de
imagens do santuário, mas focaliza o lugar santo); 3) Ap 8: 3-5, intercessão no
Santuário Celestial (Lugar Santo); 4) Ap 11:19, juízo no Santuário Celestial (lugar
santíssimo); 5) Ap 15: 5-8, cessação do ministério no santuário celestial; 6) Ap 19: 1-
10, Doxologia no céu (ausência de explícitas imagens do santuário); 7) Ap 21:1 - 22:5,
de volta à terra (o Tabernáculo de Deus está com os homens).
Seguindo o pensamento e defesa de Holbrook, o acontecimento que está claro
no Apocalipse 11:19, e que está encaixado na quarta cena do santuário, é o dia da
expiação/ juízo. Sobre o tema do dia da expiação, Holbrook comenta:
A cena introdutória do santuário da quarta grande seção do Apocalipse (Ap
11:19) nos conduz ao lugar santíssimo para o início do mais sagrado dia
antitípico do ano religioso, o Dia da Expiação (Yon Kippur). As sete cenas do
grande conflito que se seguem destacam o anúncio de que “é chegada a hora
do juízo” (Ap 14:7). O Yon Kippur típico incluía não somente a obra do juízo
investigativo, a expiação final e a purificação do santuário (Lv 16), mas
também juízo retributivo/executivo sobre os pecadores impenitentes do
acampamento (Lv 23:29-30) e o rito da eliminação por meio do bode Azazel,
que era enviado para o deserto (Lv 16:10, 20-22) (HOLBROOK, 2017, p. 148).
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Sendo assim, a primeira parte do livro do Apocalipse focaliza a inauguração e


intercessão, enquanto que a outra metade se move para o juízo e rejeição; metade do
livro é histórico e a outra metade escatológico.
Quando falamos de esboço no livro do Apocalipse, percebemos que existem
inúmeros escritores que apresentam propostas incoerentes e frequentemente
incompatíveis com o próprio texto. Holbrook apresenta um esboço que, em sua visão,
o próprio livro do Apocalipse identifica:
Devemos permitir que o próprio livro nos dê as indicações para o seu esboço.
Quando é seguido este procedimento, um belo e amplo modelo literário para
todo o livro realmente surge do texto. Toma a forma de um quiasma, isto é,
um modelo de paralelismo inverso (HOLBROOK, 2017, p. 35).

Essa estrutura quiástica indica que qualquer interpretação do livro do Apocalipse


inteiramente históricas ou inteiramente escatológicas são incorretas, pois, o conteúdo
está divido em grandes partes que são históricas e escatológicas. Sempre que a
interpretação correta é feita de qualquer perícope, pode ser encontrado o significado
da sentença seguinte nessa estrutura apocalíptica; as interpretações se completam.
O livro do Apocalipse foi dividido em oito visões3, contendo um prólogo e um
epílogo. As divisões são essas: a) Prólogo, 1:1- 10a; b) Igreja Militante, 1:10b- 3:22;
c) o trabalho contínuo de Deus na salvação, 4:1- 8:1; d) anúncio das trombetas, 8:2-
11:18; e) poder do mal se opondo a Deus e seus santos, 11:19- 14:20; f) taças da ira
de Deus, 15:1- 16:17; g) poderes do mal julgados por Deus, 16:18 - 18:24; h)
julgamento final de Deus, 19:1 - 21:4; i) a igreja triunfante, 21:5- 22:5; e j) epílogo,
22:6-21.
A perícope de Apocalipse 11:19 está dentro da quarta visão que tem como fulcro
o poder do mal se opondo a Deus e Seus santos. No entanto, existem também, dentro
dessas oito visões, estruturas paralelas como: cena de introdução vitoriosa; descrição
profética básica; interlúdio; e culminação escatológica. Nossa perícope de estudo se
encontra dentro da cena de introdução vitoriosa com cenário do templo.
Confirmando essa estrutura quiástica, Holbrook declara:
A ampla estrutura quiástica em si enfatiza um tema duplo que inclui e apoia
as várias mensagens do livro – 1) que Cristo é o Alfa e o Ômega, e 2) que
Ele retornará no final da era para recompensar todas as pessoas segundo
suas obras (Ap 1:7-8 e 22:12-13). Em outras palavras, ele é um auxílio e apoio

3 Essa estrutura quiástica está mais detalhada no livro da série ‘santuário e profecias

apocalípticas: Estudo sobre o Apocalipse: temas introdutórios, p. 48. v. 6.


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coerente, fidedigno e sempre presente para seus fiéis durante esta era de
adversidade para eles (HOLBROOK, 2017, p. 59).

Deus usa a cultura, formação, estilos literários ou maneiras de pensar dos


indivíduos para a quem ele deseja revelar suas maravilhas. Holbrook (2017) declara:
Deus procura diligentemente encontra-los onde estão, a fim de que possam
compreender, o máximo possível, suas revelações por intermédio deles (ver
1Co 9:19-23).

Stefanovic (2013, p. 367) explica que Apocalipse 12:1 começa uma visão
completamente nova no livro. Nós observamos que a visão das sete trombetas foi
concluída com a abertura do lugar mais sagrado do templo celestial. A abertura do
lugar santíssimo permitiu a João ver "a arca da aliança em seu templo" (11:19). A
aparência da arca da aliança aqui parece ser muito significativa, porque foi pela arca
da aliança, no lugar mais sagrado do templo do Antigo Testamento, que o rolo da
aliança foi armazenado (cf. Deuteronômio 31: 24). -26). No contexto do livro de
Apocalipse, o rolo de sete selos tem todas as características do livro do pacto do Velho
Testamento que foi armazenado pela arca da aliança (Deuteronômio 31: 9, 24-26).
Isso sugere que a aparição da arca no santuário celestial, no início da seção
completamente nova do Apocalipse, tem algo a ver com a revelação do conteúdo do
rolo selado de Apocalipse 5, o livro da aliança eterna de Deus. Apenas uma parte do
rolo selado foi revelada a João em Apocalipse 10 na forma simbólica do pequeno rolo.
Nessa nova visão, a aparência da arca da aliança é evidentemente ligada à revelação
de uma porção do pergaminho lacrado por causa de sua aparência e é acompanhado
por relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e grande granizo. Esses fenômenos
também acompanharam a entrega da lei no Monte Sinai (Êx 19: 16-19; 20:18,
Deuteronômio 5: 22-23). Aqui temos um anúncio da revelação dos planos de Deus
com relação ao futuro retratado na maneira de dar a lei no Sinai. Portanto, é muito
apropriado entender a segunda metade do Apocalipse (capítulos 12-22: 5) como a
revelação do que foi retratado simbolicamente no pequeno rolo de Apocalipse 10.
Como vimos, o pequeno rolo de Apocalipse 10 contém apenas uma porção do rolo de
sete selos de Apocalipse 5, como se aplica aos eventos finais da história da Terra. Em
sua Providência, Deus achou importante divulgar o conteúdo do pequeno pergaminho
ao seu povo do tempo do fim para ajudá-lo a se preparar para os eventos que estão
prestes a acontecer na Terra no tempo do fim.
14

5 ARCA DA ALIANÇA

A Arca da Aliança (no Hebraico: ‫ הברית ארון‬- aróhn habberíth; Grego: κιβωτὸς
τῆς διαθήκης kibotós tes diathékes") é descrita na Bíblia como o objeto em que as
tábuas dos Dez Mandamentos e outros objetos sagrados teriam sido guardadas,
como também veículo de comunicação entre Deus e seu povo escolhido (Hb 9:5).
A expressão Arca da Aliança é utilizada muitas vezes no Antigo Testamento. Em
alguns versos a arca da aliança está em movimento, pois quando o acampamento dos
israelitas se movia, a arca ia à frente (Nm 10:33-36; Js 3:14-17; 4:18; 6:1-7; 1Sm 4:2-
11; 7:1-2; 1Rs 8:1-11) e o povo seguia demonstrando Deus guiando Seu povo.
Sua origem e montagem, segundo o livro do Êxodo, foi orientada por Moisés,
que por instruções divinas indicou seu tamanho e forma. Nela foram guardadas as
duas tábuas da lei, a vara de Arão e uma porção do maná. Essas três coisas
representavam a aliança de Deus com o povo de Israel. Para os judeus, a Arca não
era só uma representação, mas a própria presença de Deus. Em Êxodo 25:10-31, é
relatado como ela deveria ser feita, a mando de Deus. A arca era feita de madeira de
acácia, revestida de ouro puro por dentro e por fora, com 70 cm de altura por 70 cm
de largura e 110 cm de comprimento, com 4 argolas para ser transportada.

Sobre a tampa, chamada propiciatório, "o Kapporeth", foi esculpida uma peça
em ouro, formada por dois querubins de frente um para o outro, cujas asas cobriam e
formavam uma só peça (Êx. 25,10-21; 37,7-9). De acordo com o relato do verso
22, Deus se fazia presente no propiciatório no meio dos dois Querubins de ouro em
uma presença misteriosa que os Judeus chamavam Shekinah, ou presença de Deus.
Ellen White, comentando sobre a arca, declara:

Deus deu o modelo da arca a Moisés, e instruções especiais de como devia


ser feita. A arca era para conter as tábuas de pedra, nas quais Deus gravara,
com Seu próprio dedo, os Dez Mandamentos. Tinha a forma igual à de um
cofre, e estava coberta e marchetada de ouro puro. Era ornamentada com
coroas de ouro na parte superior. A cobertura desta caixa sagrada era o
propiciatório, feito de ouro maciço. De cada lado do propiciatório estava fixado
um querubim de ouro puro e sólido. Suas faces estavam voltadas uma na
direção da outra, e olhavam reverentemente para baixo na direção do
propiciatório, o que representava todos os anjos celestiais olhando com
interesse e reverência para a lei de Deus depositada na arca no santuário
celestial. Estes querubins tinham asas. Uma asa de cada anjo estendia-se
para o alto, enquanto a outra asa de cada anjo cobria seu corpo. A arca do
santuário terrestre era o modelo da verdadeira arca no Céu. Lá, ao lado
da arca celestial, permanecem anjos vivos, um em cada extremidade, e cada
15

um deles, com uma asa estendida para o alto, cobre o propiciatório, enquanto
a outra asa se dobra sobre o corpo, em sinal de reverência e humildade
(WHITE, 2014, p. 153).

White ainda informa-nos que:

Além do segundo véu estava colocada a arca do testemunho, e uma cortina


bela e rica estendia-se diante da arca sagrada. Esta cortina não alcançava o
topo da construção. A glória de Deus, que estava sobre o propiciatório, podia
ser vista de ambos os compartimentos, mas em menor grau do primeiro.
Diretamente defronte à arca, porém separado por uma cortina, estava o altar
de ouro, de incenso. O fogo sobre este altar fora aceso pelo próprio Senhor,
e era conservado religiosamente, alimentado com santo incenso, o qual
enchia o santuário com uma nuvem fragrante, dia e noite. Esta fragrância se
estendia por quilômetros ao redor do tabernáculo. Quando o sacerdote
oferecia o incenso diante do Senhor, olhava para o propiciatório. Muito
embora não pudesse vê-lo, sabia que ele ali estava, e enquanto o incenso
subia qual nuvem, a glória do Senhor descia sobre o propiciatório e enchia o
santíssimo. Era visível no lugar santo, e frequentemente enchia ambos os
compartimentos, de modo que o sacerdote era incapaz de oficiar e obrigava-
se a permanecer à porta do tabernáculo (WHITE, 2014).

Somente os sacerdotes levitas poderiam transportar a tocar na arca, e apenas


o sumo-sacerdote, uma vez por ano, no dia da expiação, quando a luz da Shekinah
(Nm 7:89) se manifestava, entrava no santíssimo do templo e do meio dos querubins,
ouvia a voz de Deus ao falar com Seu servo. Em Hebreus 9:1-5, está registrado o
seguinte:

Ora, a primeira aliança tinha regras para a adoração e também um santuário


terreno. Foi levantado um tabernáculo; na parte da frente, chamado Lugar
Santo, estavam o candelabro, a mesa e os pães da Presença. Por trás do
segundo véu havia a parte chamada Lugar Santíssimo, onde se encontravam
o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, totalmente revestida de
ouro. Nessa arca estavam o vaso de ouro contendo o maná, a vara de Arão
que floresceu e as tábuas da aliança. Acima da arca estavam os querubins
da Glória, que com sua sombra cobriam a tampa da arca. A respeito dessas
coisas não cabe agora falar detalhadamente.

Stefanovic, ao discorrer sobre a arca da aliança e seu significado para o povo,


declara:

Nos tempos do Antigo Testamento, a Arca da Aliança era o símbolo da


aliança de Deus e Sua presença com o Seu povo. Assim, a referência à Arca
da Aliança em Apocalipse 11:19 serve como um lembrete para o povo de
Deus do tempo do fim de Sua aliança promete estar com eles, até o fim do
mundo. Ele estará com eles “sempre, até o fim dos tempos” (Mt 28:20)
(STEFANOVIC, 2014).
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CONCLUSÃO

Concluímos, então, que a função do Santuário Celestial, em Apocalipse 11:19,


é referente ao Dia da Expiação, o mesmo evento relatado em Levítico 16, pois João
tem a oportunidade impressionante de observar a arca da aliança que ficava dentro
do segundo compartimento, o santíssimo, lugar que só o sacerdote poderia entrar, e
em uma data específico. Não era permitida a entrada em qualquer circunstância,
porque Deus falava com o sacerdote através da Shekinah que aparecia entre os
querubins no propiciatório da arca da aliança, tornando-se ali Seu trono. Conforme a
arca se movia, a glória do Senhor, na forma de uma nuvem, acompanhava o povo
tanto de dia, quanto de noite.
A estrutura quiástica de Holbrook de que o Apocalipse é composto de oito visões
foi a mais sensata encontrada entre os teóricos pesquisados.
Encontramos a importância desse acontecimento dentro do livro do Apocalipse
que tem uma estrutura literária apocalíptica onde a perícope estudada encontra-se na
cena de introdução vitoriosa ao Grande Conflito e remete ao dia do juízo, pois Cristo
agora é quem faz expiação por nós no Santuário Celestial.
O Santuário Terrestre foi ordenado por Deus a Moisés, figura do santuário
Celestial. Nada ali foi feito por acaso. Cada ritual, cada cerimônia apontava para o
amor de Deus pelo Seu povo, pois, o santuário foi feito para que Deus habitasse no
meio deles. Sempre que a expressão Arca da Aliança aparece no Antigo ou no Novo
Testamentos, ela está envolvida com o móvel que ficava no segundo compartimento
do Santuário, o Santíssimo.

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