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DIREITO CIVIL 3 - TEORIA GERAL DOS CONTRATOS RESUMO

Flávio Tartuce Afonso Mendes

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
1.1 Conceito de Contrato. Conceito Clássico e Conceito Contemporâneo

 O Contrato é tão antigo quanto a sociedade; É o ato jurídico bilateral, dependente de pelo menos
duas declarações de vontade, cujo o objetivo é a criação, a alteração ou até mesmo a extinção de
direitos e deveres de conteúdo patrimonial;
 É um negócio jurídico por excelência e um ato jurídico em sentido amplo;o CC/2002 não o
conceitua (deixando tal tarefa para doutrina); Alguns autores conceituam o tema de uma maneira
pós-moderna, como Paulo Nalin que o dita como "a relação jurídica subjetiva, nucleada na
solidariedade constitucional, destinada à produção de efeitos jurídicos existenciais e patrimoniais,
não só entre os titulares subjetivos da relação, como também perante terceiros"(eficácia externa
da função social do contrato);
 Maria Helena Diniz aponta dois elementos: estrutural (alteridade - dois ou mais) e funcional
(composição de interesses); tal afirmativa veda a autocontratação (que pode ser permitida no caso
de alguém expressamente autorizar outrem para tal ato); Diz-se que a alteridade continua
presente, já que há o interesse de dois ou mais indivíduos;

1.2. A Suposta Crise dos Contratos


 Caio Mario da Silva Pereira diz: "o mundo moderno é o mundo dos contratos"; E de fato, o
contrato é o instituto mais importante de todo o Direito Civil do próprio Direito Privado"; Mesmo
assim alguns autores estrangeiros dizem haver uma crise; Podem ser representados por Grant
Gilmore com o livro "The Death of Contract" (Columbus, Ohio);
 Analisando Gilmore a palavra crise significa mais mudança de estrutura que possibilidade de
extinção; O contrato definitivamente não está em decadência, mas sim em seu apogeu como
instituto emergente e central do DP;
 Uma das principais alterações vem na autonomia da vontade (possibilidade de revisão, liberdade
de extinguir o pacto, etc); eficácia perante terceiros, alteração na estrutura; Não se pode pensar no
contrato mais como aquele documento no qual há impossibilidade de revisão das cláusulas e do
seu conteúdo;

1.3. A Tese do Diálogo das Fontes, Diálogo entre CDC e CC/2002 em Relação aos Contratos
 A real função do contrato não é atender interesses do mercado, mas sim da pessoa humana;
Contrato deve atender o mínimo para que a pessoa viva com dignidade; Tanto o CC/2002 quanto o
CDC consagram a princípiologia do contrato e não se excluem, completando-se muitas vezes;
 Aproximação principiológica se dá pela elaboração de ambos sobre hedge da mesma Constituição;
são principios: o da vulnerabilidade, o da confiança, boa-fé e do equilíbrio contratual;
 Claudia Lima Marques propões diálogo sistemático de coerência entre os dispositivos: a)havendo
aplicação simultânea, uma lei serve de base pra outra; b) Aplicação coordenada faz uma
complementar a outra, de forma direta; c) Diálogos de influência recíprocas sistemáticas faz com
que o consumidor sofra influências do próprio CC;
 Lembra-se que as duas fontes citadas também dialogam com a CLT; também embasando-se em
princípios constitucionais;
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1.4. Elementos Constitutivos dos Contratos. A escada ponteana


 Contrato apresenta elementos naturais que o diferencia dos outros negócios (preço, pra compra e
venda); Pontes de Miranda criou a escada ponteana que divide o negócio jurídico em 3 pontos: o
de existência, o de validade e o da eficácia;
 No plano da existência observa-se os pressupostos para ocorrência do negócio (substantivos),
agente, vontade, objeto, forma. Não havendo a existência de algum desses o negócio é inexistente;
A validade é onde se dá adjetivo ao substantivo: agente capaz, vontade livre, sem vícios, objeto
lícito e possível (determinado ou determinável), caso não se enquadre nesses elementos o negócio
é, por regra, nulo de pleno direito; O plano da eficácia diz respeito as consequências do negócio
(da condição, do termo, encargo, juros, mora); De acordo com a escada deve-se olhar nessa ordem
os elementos, um não pode existir sem o outro (contrato acometido por vício que não for proposta
ação anulatória tem prazo decadencial de 4 anos, daí ocorre a convalidação);
 No atual Código o artigo 2035 fala da validade dos negócios que: "se constituídos antes da entrada
em vigor deste código, obedece ao disposto nas leis anteriores referidas no 2045 mas os seus
efeitos, produzidos após a vigência deste código aos preceitos dele se subordinam"; Se o negócio
foi celebrado na vigência do código de 16 é sobre este olhar que se observa a validade do contrato,
no plano da eficácia devem ser aplicadas as regras do momento de produção de seus efeitos;
 Boris Casoy teve um contrato com a record celebrado em 12 de abril de 2002 (código de 16), após
a emissora descumprir o contrato o apresentador requereu os 24 milhões de reais de multa, o
magistrado, já observando sob a luz do novo ordenamento, diminui a multa exagerada para 6 (o TJ
acertou em 10);
 No novo código a falta de outorga uxória ou marital gera anulabilidade do negócio, no código
antigo era nulo; um imóvel comprado sobre vigência do antigo texto sem outorga conjugal é nulo
ou anulável¿ NULA, já que foi efetuada no antigo código é sobre a luz dele que se analisa a
validade;

1.5. Principais Classificações Contratuais


 A matéria interessa muito na análise de contratos de espécie;

1.5.1. Quanto aos direitos e deveres das partes envolvidas ou quanto à presença de sinalagma
 Contrato é unilateral quando apenas um dos contratantes assume deveres em face de outro, como
ura e na doação pura e simples, o mutuo, o comodato (doação modal, com modo e encargo é
contrato unilateral imperfeito);
 Contrato bilateral traz uma simultânea e recíproca prestação entre credor e devedor, por isso
também se chama sinalgmático (possui sinalagma, igual prestação); casos como a compra e venda,
trocam, permuta, locação;
 Contrato plurilateral possui várias pessoas como os consórcios e seguro de vida em grupo; não se
confunde a classificação em uni, bi e plurilateral de contrato com aquela de negócio jurídico, já que
contrato tem sempre mais de uma pessoa;

1.5.2. Quanto ao sacrifício patrimonial das partes


 São onerosos os contratos que trazem vantagens para ambos os contratantes (há sacrifício
patrimonial das partes, prestação e contraprestação); São gratuitos aqueles que oneram somente
uma das partes, proporcionando à outra uma vantagem (art. 114 diz que prevê-se interpretação
restritiva dos negócios benéficos);
 Em regra, os contratos onerosos são bilaterais e os gratuitos são unilaterais;
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1.5.3. Quanto ao momento do aperfeiçoamento do contrato


 São consensuais aqueles que têm aperfeiçoamento pela simples manifestação de vontade das
partes envolvidas (compra e venda, doação, locação); São reais aqueles que apenas se aperfeiçoam
com a entrega da coisa (comodato, mútuo); Não se pode confundir o aperfeiçoamento do contrato
(plano de validade) com seu cumprimento (plano de existência)

1.5.4. Quanto aos riscos que envolvem a prestação


 Será cumulativo ou pré-estimado quando as partes já sabem quais são as prestações (Compra e
venda) e será aleatório quando a prestação não é conhecida com exatidão, dependendo-se da
sorte;
 Dois tipos de contrato aleatório: Contrato aleatório emptio spei (um dos contratantes toma para si
o risco relativo à própria existência da coisa); Contrato aleatório emptio rei speratae (risco de
versar somente em relação à quantidade da coisa esperada, foi fixado um mínimo entre as partes -
venda de esperança com coisa esperada);
 Regras: "Se for aleatório o contrato, por se referir a coisa existente, mas exposta a risco, assumido
o adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse,
em parte ou em todo, no dia da celebração do contrato"; Poderá ser anulada pelo prejudicado se
for dolosa e esse provar;

1.5.5. Quanto à previsão legal


 Contratos típicos são aqueles regulados por lei, enquanto os atípicos não encontram previsão legal;
Para o professor Álvaro Villaça Azevedo, contratos atípicos podem ser classificados como um: a)
Contrato típico + elemento típico (Ex: Garagem); b) Contrato atípico + elemento atípico (Ex: Nova
garantia pela Internet); c) Contrato típico + Elemento atípico (Compra e venda na Internet);

1.5.6. Quanto à negociação do conteúdo pelas partes. O conceito de contrato de adesão.


Diferenças em relação ao contrato de consumo
 Contrato de adesão é aquele em que uma parte, o estipulante, impõe o conteúdo negocial,
restando à outra parte, o aderente duas opções: aceitar ou não o conteúdo desse negócio; Não
resulta portanto do livre debate entre as partes;
 Conceito semelhante é visto no CDC, art. 54, que estipula algumas regras: a) § 1º: inserção de
cláusulas eventualmente discutidas não afasta a natureza de contrato de adesão; b) § 2º: admite-
se cláusula resolutória; § 3º: deverão ser escritos de modo a possibilitar o seu entendimento pelo
consumidor, em termos "claros e com caracteres ostensivos, cujo tamanho da fonte não será
inferior a 12";
 Não se confunde com contrato de consumo, que é aquele em que alguém, um profissional, fornece
um produto ou presta serviço a um destinatário final, fático econômico, denominado consumidor,
mediante remuneração direta ou vantagens indiretas; Segundo a corrente finalista somente será
consumidor aquele que for destinatário fático e econômico do bem de consumo; último na cadeia
de consumo; a Teoria maximalista diz que qualquer um pode ser considerado como consumidor
(finalista prevalece);
 Usa-se uma mistura das duas teorias chamada finalista aprofundada para casos em que fica
patente a hipossuficiência da pessoa em frente à outra parte contratual; como um taxista que
compra um carro para prestar seu serviço ou uma costureira que o mesmo faz;

1.5.7. Quanto à presença de formalidades


 São solenes os contratos que exigem uma forma especial para sua celebração, como é o caso da
compra e venda e imóvel acima de 30 salários mínimos; Informais ou não solenes admitem forma
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livre; (parte da doutrina diferencia formalidade, exigência de qualquer forma aplicada em lei, como
forma escrita, de solenidade que seria a aplicação de ato público);

1.5.8. Quanto a independência do contrato. O conceito de contrato coligado


 Contrato principal é aquele que existe por sí só (locação) o acessório tem dependência de sua
validade para com outro contrato (fiança); Pelo principio da gravitação jurídica o acessório segue o
principal; (acessório não pode trazer mais obrigações do que o contrato principal; O que acontece
com acessório (nulo ou anulável) não repercute no principal;
 Contratos coligados são aqueles nos quais existe uma independência entre os negócio jurídicos,
que são ligados por uma cláusula acessória ou um nexo funcional (implícitos ou explícitos); É um
intermediário entre principal e acessório de tal modo que as vicissitudes de um podem inferir
sobre o outro;
 Seria uma pluralidade de negócios para a realização de uma mesma operação econômica;

1.5.9. Quanto ao momento do cumprimento


 São instantâneos os de execução imediata, com cumprimento imediato (compra e venda à vista);
São de execução diferida os contratos cujo cumprimento acontece uma vez só no futuro (compra
com cheque pós datado); Execução continuada tem um trato sucessivo (compra e venda com
prestações periódicas);
 PS: instantâneos podem ser analisados posteriormente por imprevisibilidade, onerosidade
excessiva, entre outros;

1.5.10. Quanto à pessoalidade


 Contratos pessoais, personalíssimos ou intuitu personae são aqueles que a pessoa do contratante
é um elemento determinante para sua conclusão; não pode ser transmitido por ato inter vivos ou
mortis causa (morreu = extinção do contrato); exemplo típico -> fiança;
 Contratos impessoais são aqueles em que a pessoa do contratante não é juridicamente relevante
para a conclusão do negócio;

1.5.11. Quanto às pessoas envolvidas


 a) Contrato individual ou intersubjetivo: um sujeito com cada polo; b) individual plúrimo: mais de
um sujeito em um ou ambos polos; c) Individual homogêneo: por uma entidade com autorização
legal para representar pessoas determinadas; d) Coletivo: Entidade autorizada pela lei para defesa
de interesses de um grupo; e) Difuso: entidade que tenha autorização legal para defesa de
interesse de pessoas indeterminadas, vinculados por uma situação de fato;
 Quanto a ações difusas e coletivas, o MP tem legitimidade para a defesa dos interesses do
patrimônio público;

1.5.12 Quanto à definitividade do negócio


 Preliminares ou pré-contratos subordinam-se a celebração de outros, denominados definitivos,
estes, por sua vez, não tem qualquer dependência futura de aspecto temporal;
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CAPÍTULO 2 - TEORIA GERAL DOS CONTRATOS - OS PRINCIPIOS CONTRATUAIS


NO CÓDIGO CIVIL DE 2002
2.1. Introdução. O contrato na perspectiva civil - constitucional
 Princípios tem tido um grande papel na atual codificação brasileira; são regramentos básicos,
aplicáveis a um determinado instituto jurídico, no em questão os contratos; Podem estar expressos
na norma ou não (CC tem a função social expressa mas o CDC não); Verifica-se muita importância
do CDC nos contratos, já que a grande maioria dos negócios está enquadrada nos arts. 2º e 3º; por
isso se fala em diálogo de fontes;
 Não são esquecidos os princípios do Direito Civil Constitucional (valorização da dignidade,
solidariedade, isonomia); Destaca-se hoje a horizontalização dos direitos fundamentais (aplicação
dos princípios constitucionais entre os particulares, além de reconhecer que existem aplicações
imediatas); deve-se ter preenchimento dos conceitos legais a partir de principios como a dignidade
da pessoa humana, a boa-fé, a solidariedade social; tais princípios significam o ponto maio no
Direito Contratual Contemporâneo;

2.2. Princípio da autonomia privada


 É inafastável a grande importância da vontade sobre os contratos; O negócio jurídico é produto da
liberdade da pessoa humana e tem nisso seu elemento central; Domínio da vontade advém de um
longo processo cultural; Autonomia não é absoluta, encontrando limitações de ordem pública;
Nota-se na doutrina uma substituição do velho princípio da autonomia da vontade pela autonomia
privada (adoção da função social embutida);
 Edson Roppo (italiano) diz que a autonomia e a liberdade dos sujeitos privados em relação à
escolha do tipo contratual encontra limites no sistema de direito positivo, além das subjetividades,
já que se referem às pessoas com quem as avenças são celebrados; Expressão "autonomia da
vontade" tem conotação subjetiva, psicológica, enquanto autonomia privada denota um modo
objetivo, concreto e real;
 Função social não elimina totalmente a autonomia privada, mas a reduz, atenua o alcance desse
princípio; Contrato não é mais a pura vontade dos contratantes, sendo uma soma de valores;
percebe-se muitas vezes a imposição de cláusulas pelo ordenamento, o dirigismo contratual (Por
ex: nulidade absoluta de cláusulas tidas como abusvias); Nos contratos de adesão a vontade
restringe-se a um mero sim ou não;
 Larenz diz que a autonomia privada é a possibilidade, oferecida e assegurada aos particulares, de
regulares suas relações mútuas dentro de determinados limites, por meio de negócios jurídicos,
em especial os contratos; há a relativização do princípio da força obrigatória dos contratos (pacta
sun servanta); Em situações de dúvida entre a proteção da liberdade da pessoa humana e os
interesses patrimoniais deve prevalecer a primeira;
 Eventualmente, uma norma restritiva da autonomia privada pode admitir a interpretação
extensiva ou a analogia, visando a proteger a parte vulnerável da relação contratual (aderemte,
consumidor, trabalhador); Função social nos direitos implica que os interesses da sociedade
sobrepõe-se ao dos indivíduos, sem se perder a individualidade;

2.3. O princípio da função social dos contratos

2.3.1. Análise dos arts. 421 e 2035, parágrafo único, do Código Civil
 Art. 421, CC: "A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do
contrato"; tem por objetivo tornar explícito, como princípio condicionador de todo o processo
hermenêutico, que a liberdade de contratar só pdoe ser exercida em consonância com os fins
sociais do contrato; Valoriza-se a equidade, razoabilidade, bom senso;
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 Real função do contrato não é a segurança jurídica, mas sim atender aos interesses da pessoa
humana; a PL 699/2011 tenta mudar a redação do citado artigo para: "a liberdade contratual será
exercida nos limites da função social do contrato"; termo liberdade contratual pois ele se relaciona
com o conteúdo contratual (limitado pela função social do contrato); retira-se o "em razão" pois o
que da razão para o contrato é a autonomia privada, não a função social;
 Art. 2035, Parágrafo Único, CC: "Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem
pública, tais como os estabelecidos por este código para assegurar a função social da propriedade
e dos contratos"; Como convenção entende-se qualquer ato jurídico celebrado, negócio jurídico; os
atos celebrados antes não estão sobre à luz deste artigo, mas seus efeitos sim;
 Muitos alegam incosntitucionalidade da aplicação deste artigo nos efeitos (torna-se ineficaz, total
ou parcialmente) de negócios celebrados anteriormente (art. 5º, XXXVI, CF/88) mas isso não é
verificado já que a retroatividade é justificada, motivada, em prol da proteção dos preceitos de
ordem pública;
 Função social do contrato é matéria de ordem pública, espécie do gênero função social da
propriedade lato sensu; Por isso, defende-se que o art. 2.035 consagra o princípio da
retroatividade justificada ou motivada; constatando-se a costumeira influência das normas de
ordem pública sobre os institutos privados;
 Luiz Edson Fachin defende a possibilidade de inadimplemento contratual por desrespeito à função
social do contrato; Segundo ele há plena possibilidade de ser anular, juridicamente, negócio
celebrado antes da vigência da atual codificação, desde que o contrato ainda esteja gerando
efeitos;
 O art. 2.035 é de extrema importância pois prevê expressamente que a função social dos contratos
é preceito de ordem pública; e tem em seu bojo o princípio da retroatividade motivada ou
justificada;

2.3.2. Eficácia interna e externa da função social dos contratos


 A função social é um princípio contratual de ordem pública, pelo qual o contrato deve ser,
necessariamente, visualizado e interpretado de acordo com o contexto; Possui o sentido interno e
externo, o primeiro ligado às partes contratantes e o segundo para além das partes contratantes;
 A função social do contrato pode ser vista no plano da validade do negócio, como degende Gerson
Luiz Carlos Branco: "A violação do art. 421 conduz à invalidade ou à ineficácia do contrato ou de
cláusulas contratuais";
 Marinha Falcão Cunha defende que em contratos de financiamento bancário são abusivas as
cláusulas contratuais de repasse de custos administrativos, seja porque estão intrinsecamente
vinculadas ao exercício da atividade econômica ou boa-fé objetiva; Mas a tendência da
jurisprudência é não seguir esse pensamento, entendendo-se que tais taxas são permitidas para
contratos celebrados até o fim da vigência da Resolução 2.303/1996 do CMN, ressalvado possíveis
abusos;
 Enunciado n. 542 do CJF/STJ: "a recusa de renovação das apólices de seguro de vida pelas
seguradoras em razão da idade do segurado é discriminatória e atenta contra a função social do
contrato; Também vai de encontro ao art. 4º do Estatuto do Idoso;
 Há os que entendem que o principio só tem eficácia interna, ou só externa, ou mista ou nenhuma
(Tartuce entende a mista); verifica-se eficácia interna pela proteção ao vulnerável, nulidade
cláusula abusiva, vedação de onerosidade excessiva, proteção de direitos individuais e dignidade
da pessoa humana; Vê-se a eficácia externa nas hipóteses de um contrato que gera efeito de
conduta de terceiro, na proteção de direitos metaindividuais e difusos, na citada função
socioambiental do contrato;
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2.3.3. Dispositivos do Código de Defesa do Consumidor e do Código Civil de 2002 consagrados noa
função social dos contratos
 É forçoso interpretar o contrato como uma bolha ou corrente que aprisiona as partes; a função
social seria a agulha ou chave, que liberta;
 Nota-se os arts. 39 e 51 do CDC que reveem, respectivamente, as práticas abusivas, que podem
gerar a modificação da avença ou a sua invalidade, cessando seus efeitos; O art. 51 traz a
possibilidade de uma cláusula tida como abusiva declarar a nulidade do negócio (totalmente
antenado com a intervenção estatal dos contratos e um Direito pós-moderno);
 O art. 51 do CDC traz um rol de 16 incisos exemplificativos (não taxativos) do que tornaria a
nulidade absoluta do contrato (atenuação de responsabilidade por vícios; transferência de
responsabilidade para terceiros; estabelecimento de obrigações abusivas, entre outros); as
cláusulas abusivas que colocam o consumidor em desvantagem, contrariando a boa-fé;
 Exemplo seria o seguro saúde que limita os dias de internação do paciente, tal cláusula foi fruto de
análise da súmula 302 do STJ, que confere nulidade absoluta para ela; A ação que visa reconhecer
a nulidade absoluta não é cabível de prescrição e decadência, já que envolve ordem pública; ]
 O CC/2002 possui normas que afastam o caráter absoluto da força obrigatória do contrato e
procuram analisar os negócios celebrados em comunhão; o Art. 108 (Reconhece a proteção dos
vulneráveis colocando necessidade de escritura pública somente para imóveis acima de 30
salários);
 Art.157 (Possibilidade de anubilidade dos contratos quando estiver presente a lesão, novo vício do
negócio jurídico); art. 170 (Possibilita a conversão do contrato nulo, desde que preenchidos
requisitos apontados no comando legal - contrato de compra e venda de imóvel nula, por ausência
de escritura em contrato preliminar de compra e venda); art. 406 (limitar taxa de juros - relação
direta com função social); art. 413 (adequa a fixação de multa ao contexto social, afastando o
enriquecimento sem causa e, prevendo o dever do juiz - o controle de cláusula penal é um dos
melhores exemplos da eficácia interna da função social do contrato); A redução da cláusula penal
preserva a função social do contrato na medida em que afasta o desequilíbrio contratual e seu u
como instrumento de enriquecimento sem causa;
 Nos contratos de adesão nota-se os arts. 423 e 424 do CC (para alguns traz o princípio da
equivalência material, para outros a equivalência material é algo dentro da função social dos
contratos);
 O art. 423 diz: Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-
se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente; Ex: se tiver duas formas de pagamento,
prevalecerá mais interessante para o aderente; a PL 699/2011 quer mudar a redação do citado
artigo, incluindo a definição do que seria contrato de adesão;
 Art. 424, CC diz: "Nos contratos de adesão, são nulas de pleno direito às cláusulas que estipulem a
renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio"; O que seria o
direito resultante da natureza do negócio? O primeiro exemplo seria a cláusula de eleição de foro
(se é de adesão o aderente ficaria impedido de demandar ou ser demandado em seu domicílio) - o
Art. 112 do CPC (antigo) diz ser nula a eleição de foro em contrato de adesão; A Locação pode
assumir forma de contrato de adesão e ter uma cláusula de não indenização de benfeitorias
necessárias (o art. 35 da Lei de Locações permite tal cláusula no contrato, sem citar adesão) - Se o
contrato de adesão, será nula a renúncia já que comando legal reconhece esse direito do aderente;
Por último nota-se o contrato de fiança, onde o fiador tem o benefício de ordem ou de excussão
(outros são demandados primeiro) e dele pode abrir mão, não sendo por meio do contrato de
adesão, em decorrência da aplicação do 424;
 Percebe-se a relação direta entre a função social dos contratos e a proteção ao aderente; Nota-se
ainda o art. 425 (reconhece o poder imaginativo da pessoa humana na criação de novas figuras
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contratuais e o art. 426 (limita a liberdade contratual no que tange ao conteúdo do negócio -
contrato de herança não pode se dar em pessoa viva);
 Nota-a ainda que o contrato pode ser perfeitamente equilibrado entre as partes mas se revele
ruim para a sociedade, como o caso de dano ambiental; Lucas Abreu Barroso fala da função
ambiental do contrato ("Possibilitam ainda a oposição de terceiros aos contratos cujo o objeto
importe em prejuízo para o meio ambiente, o que se dará por intermédio de atuação para tais fins
administrativa - pelo Estado - ou judicialmente - pelos particulares, seus substitutos ou pelo
próprio Estado -;

2.4. O princípio da força obrigatória dos contratos (pacta sunt servanda)


 Decorrente do princípio da autonomia privada, restringe a liberdade para aqueles que contrataram
e que vieram a formar consensualmente o contrato; Visualiza-se nos arts; 389, 390, 391 o CC que
mantém a manutenção obrigatória das convenções como princípio jurídico no ordenamento
brasileiro - o contrato é lei entre as partes; Doutrina e jurisprudência encarregam-se de diminuírem
os excessos;
 Ricardo Lorenzetti traz duas teses conflitantes: a primeira opõe-se a qualquer intervenção interna ,
cria-se um microssistema privado (com os direitos de terceira geração, entende-se como
superada); A segunda traz o interesse coletivo no contrato;
 Não é exagerado afirmar que o principio da força obrigatória tende a desaparecer, outro princípio
o substituirá, talvez o da conservação ou a própria boa-fé;

2.5. Princípio da boa-fé objetiva

2.5.1. Conceitos básicos relacionados a boa-fé objetiva e à eticidade


 Anteriormente analisava-se apenas a intenção do sujeito de direito (boa-fé subjetiva) agora
observa-se também a conduta das partes (boa-fé objetiva); Para análise geral da boa-fé objetiva
deve-se levar em contra o sistema do CC e as conexões sistemáticas com outros estatutos
normativos;
 Tornou-se comum afirmar que a boa-fé objetiva, conceituada como sendo exigência de conduta
leal dos contratantes, está relacionada com deveres anexos, que são ínsitos a qualquer negócio
jurídico, não havendo sequer a necessidade de previsão do instrumento negocial; A quebra desses
deveres anexos (cuidado em relação a outra parte, respeito, informar quanto ao conteúdo, agir
conforme a confiança, lealdade, colaboração, razoabilidade...) gera violação positiva do contrato;
 Art. 113, CC traz como conteúdo não somente a boa-fé objetiva, mas também a função social dos
contratos, ao prever que os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme os usos do lugar
de sua celebração;
 A segunda função da boa-fé objetiva é denominada a funçãod e controle (quem contraria a boa-fé
comete abuso de direito, gerando responsabilidade civil, independente de culpa; A terceira função
é denominada função de integração do contrato, segundo o art. 422, CC: "Os contratantes são
obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios da
probidade e boa-fé; O 422 não inviabiliza a aplicação, pelo julgador do princípio da boa-fé nas fases
pré e pós contratual;

2.5.2. O princípio da boa-fé objetiva ou boa-fé contratual, Análise do art. 422 do Código Civil
 Art. 422, CC: "os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em
sua execução, os princípios da probidade e da boa-fé"; Boa-fé objetiva está dentro de um princípio
geral (boa-fé) que deve ser preenchido pelo aplicador do direito caso a caso;
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 o art. 5º, XIV da CF assegura a todos direito à informação, inclusive no plano contratual; Encontra-
se a boa-fé objetiva fundamentada na função social da propriedade, prevista nos arts. 5º, XXII, XXIII
e 170, III da CF/88.
 A boa-fé objetiva é um prefeito de ordem pública; o Art. 167 § 2º do CC consagra a inoponibilidade
do ato simulado (nulo) contra terceiros portadores de boa-fé; Arrisca-se a enunciar a boa-fé
objetiva sendo: boa fé subjetiva (intenção) + probidade (lealdade);
 Surge dúvidas sobre a aplicação do referido artigo na fase pré-contratual (O PL699/2011 busca
incluir expressamente a necessidade de boa fé em tal fase); Atualmente é possível aplicar a boa-fé
na fase pré contratual, tendo o caso do tomates como seu precursor (Uma empresa distribua
sementes para os agricultores com a promessa de comprar os tomates depois; uma certa vez, não
se comprou os tomates e os agricultores entraram com ação indenizatória por quebra da boa-fé;
Agricultores venceram);
 o CC/02 atenta para a necessidade de observância dos chamados deveres anexos ou de proteção;
Um caso famoso é o de Zeca Pagodinho (Era garoto propaganda da Nova Schin com slogan
'Experimenta'; Foi pra Brahma com a canção 'Experimentei e não gostei' - foi condenado a pagar
R$ 960000 pela quegra de contrato e o mesmo valor - depois diminuido para metade pelo TJ - pela
canção atentar contra a boa-fé objetiva;
 Súmula 308 do STJ: "A hipoteca firmada na entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou
posterior à celebração a promessa de compra e venda não tem eficácia perante os adquirentes do
imóvel" - Exemplo de boa-fé objetiva pois era comum a construtora pegar financiamento com o
banco para construir o prédio, colocando o próprio prédio como garantia, mas ao não pagar não
podem aqueles que adquiriram de boa-fé serem responsabilizados pelo feito;
 Na fase pós contratual um exemplo é o de uma fornecedora que vende 120 vestidos para dada
boutique; Liquidado este contrato vende-os para a boutique ao lado; Mesmo que o contrato tenha
sido celebrado perfeitamente o adquirente não agiu com boa-fé na fase pós-contratual; Mesmo
raciocínio se dá quando não se retira o nome daquele que pagou o inadimplemento na lista de
inadimplentes (Objeto do Informativo n. 501 do STJ que traz prazo pra retirada do nome);

2.5.3. A função de integração da boa-fé objetiva. Os conceitos oriundos do direito comparado:


Supressio, Surrectio, Ti quoque, Venire contra factum proprium e Duty to mitigate the loss
 Enunciado 26 da I Jornada de Direito Civil: "A cláusula geral contida no art. 422 do CCC impõe ao
juiz interpretar e, quando necessário, suprir e corrigir o contrato segundo a boa-fé objetiva,
entendida como exigência de comportamento leal dos contratantes;
 Supressio (Verwirkung) é a supressão, por renúncia tácita, de um direito ou posição jurídica, pelo
seu não exercício com o passar dos tempos; art. 330 CC: "o pagamento reiteradamente feito em
outro local faz presumir renúncia do credor relativamente previsto no contrato;
 Surrectio (Erwirkung) é o contrário, sendo o surgimento de um direito que não existia até então
decorrente da efetividade social, de acordos com costumes;
 Tu quoque significa que um contratante que violou uma norma não poderá, sem caracterização do
abuso de direito, aproveitar-se dessa situação anteriormente criada pelo desrespeito; Vedado que
alguém faça contra o outro o que não faria contra si mesmo (regra de ouro);
 Exceptio doli é conceituada sendo a defesa do réu contra ações dolosas , contrárias a boa-fé; No
Direito romano a exceptio doli se dividia em specialis (impugnação da base jurídica da qual o autor
pretendia retirar o efeito juridicamente exigido) e a generalis (O réu contrapunha à acção o incurso
do autor em delo, em momento da discussão da causa); O art. 476 do CC traz a exceptio non
adimpleti contractus: Ninguém pode exigir que uma parte cumpra com sua obrigação se primeiro
não cumprir a sua própria;
 Venire factum proprium non protest diz que não se pode exercer direito próprio contrariando
comportamento anterior, devendo ser mantida a confiança e o dever de lealdade decorrentes da
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boa-fé objetiva depositada na formação do contrato; A contradição pode se dar por fato contra a
conduta inicial, quebra da legítima confiança, comportamento contradiório em sí ou num possível
dano da contradição; o STJ tem uma conhecida decisão de um marido que fez negócio sem outorga
uxória, a mulher após disse que reconheceu tácitamente a venda 17 anos depois pretendeu-se a
nulidade de negócio (como dizia o CC/16) o que foi afastado juridicamente por comportamento
contraditório entre sí; Outro exemplo é o caso da empresa que administra cartão de crédito que
mantinha prática de aceitar pagamento atrasado e, do nada não aceita mais; Outro exemplo é
quando duas partes resolvem certa obrigação, a máxima é utilizada para afastar da
jurisdicionalidade questões superadas na transação das partes;
 O duty to mitigate the loss ou mitigação do prejuízo pelo próprio credor trata da impossibilidade
do credor agravar o próprio prejuízo; exemplo: num contrato de locação de imóvel urbano em que
houve inadimplemento, deve o locador ingressar o quanto antes com ação de despejo, não
permitindo assim que a dívida assuma valores excessivos; Há exemplo de normas no contrato de
seguro, como por exemplo a 769 que diz que o segurado deve informar logo que saiba, incidente
que possa agravar consideravelmente o risco coberto, outro é o 771 que diz o dever, também de
informar em caso de sinistro;
 Há relação direto do duty to mitigate the loss com o stop loss; este segundo fixa o ponto de
encerramento de uma operação financeira com o propósito de parar ou até de evitar determinada
perda; Assim, a galta de observância do referido pacto permite a responsabilização da instituição
por prejuízos do investidor;

2.6. O princípio da relatividade dos efeitos contratuais


 Contrato é fruto do direito pessoal, não real e o princípio da relatividade diz que o contrato
celebrado, em regra, somente atinge as partes contratantes, não prejudicando ou beneficiando
terceiros estranhos a ele (contrapondo-se com o efeito erga omnes dos direitos reais);
 O art. 436 diz: "o que estipula em favor de terceiro pode exigir o cumprimento da obrigação"
assim, terceiro também é permitido exigi-la desde que sujeito às condições e normas do contrato;
Exemplo é o seguro de vida; O art. 438 diz que o estipulante pode reservar-se o direito de
substituir o terceiro designado, independentemente da anuência sua e do contratante, podendo
ser feita em atos inter vivos ou por disposição de última vontade; (nota-se que esse efeitos se dão
de dentro do contrato para fora, são portanto exógenos);
 Outra exceção encontra-se encontra-se nos arts. 439 e 440 que tratam da promessa de fato de
terceiro, figura negocial pela qual determinada pessoa promete que uma determinada conduta
seja praticada por outrem, sob pena de responsabilização civil; O art. 440 diz que se o terceiro se
obrigou pessoalmente estará ele sob pena de responsabilidade; Exemplo: Produtor que promete
cantor no show; Confederação de times que vende jogos dos times; (O art. 439 diz ainda que a
responsabilidade não existirá se o terceiro for cônjuge do promitente); Nota-se que a promessa se
dá de fora para dentro, são esses contratos endógenos;
 Terceira exceção é o contrato com pessoa a declarar (entre arts. 467 e 471) diz que pode uma das
partes no momento da conclusão do contrato, reserva-se na faculdade de indicar a pessoa que
deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes;
 Quarta exceção à relatividade é as previsões dos arts. 17 e 29 do CDC que fala do consumidor por
equiparação ou bystander dizendo que todos os prejudicados pelo evento, mesmo que não tenha
relação direta de consumo com o prestador ou fornecedor pode ingressar com ação fundada no
Código consumerista (Ex: Ladrão rouba a identidade, abre conta e banco põe nome da vítima no
SERASA por falta de pagamento; cabe ação contra o banco);
 Quinta exceção se dá na Teoria de Nelson Nery dizendo que a função social do contrato constitui,
senão ruptura, um abrandamento do principio da relatividade; Enunciado 21do CJF aprovado na I
Jornada do Direito Civil: "Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço
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a outrem pagará pelo ajuste desfeito"; Um exemplo seria a possibilidade de responsabilizar


terceiro que vende combustível ao posto revendedor, que por sua vez, mantém contrato de
exclusividade com a distribuidora, exibindo sua bandeira (Shell vender posto pra BR); Outro
exemplo seria a vitima de evendo danoso poder propor ação direta contra a seguradora, mesmo
não havendo relação contratual entre as partes (TJ de São Paulo entendeu assim e depois voltou
atrás, dizendo que só se poderia entrar com ação conjunta, contra o segurado e a seguradora);

CAPÍTULO 3 - A FORMAÇÃO DO CONTRATO PELO CÓDIGO CIVIL E PELO


CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
3.1. A formação do contrato pelo código civil
 Contrato é a conjunção de duas ou mais vontades coincidentes, denominada autonomia privada; É
possível identificar 4 fases da formação do contrato civil:

3.1.1. Fase de negociações preliminares ou de puntuação


 São os debates prévios, entendimentos, tratativas ou conversações sobre o contrato preliminar ou
definitivo; Fase não está prevista no Código civil de 2002 e, por isso, muitos dizem que não vincula
as partes, não havendo responsabilidade civil;
 Entretanto, é possível a responsabilização contratual nessa fase do negócio pela aplicação do
princípio da boa-fé objetiva; O Enunciado 25 e 170 CFJ/STJ dizem que a boa-fé (ação de
colaboração, informação, respeito à confiança, lealdade, probidade...) deve estar presente em
todas as fases do contrato; A violação dos deveres anexos constitui inadimplemento;
 Enunciado 363 CJF/STJ da IV Jornada de Direito Civil: "Os princípios da probidade e da confiança
são de ordem pública, estando a parte lesada somente obrigada a demonstrar existência da
violação"; Não é incorreto afirmar que a fase de puntuação gera deveres às partes;

3.1.2. Fase da proposta, policitação ou oblação


 Denominada fase da oferta formalizada, policitação ou oblação constitui na manifestação de
vontade de contratar de uma das partes em relação à outra; declaração unilateral que só produz
efeitos ao ser recebida por uma das partes; O art. 429 diz que mesmo quando o oblato é
determinavél, não determinado, condiciona-se o formulador;
 A proposta deve ser séria, clara precisa e definitiva (art. 427); a Aceitação deve ser pura e simples
(art. 431);
 Art. 428 diz que a proposta deixa de ser obrigatória: I - se feita sem praz a pessoa presente, e
imediatamente não for aceita (considera-se presentes a proposta feita por telefone ou meio
semelhante); II - Feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para chegar a
resposta do conhecimento do proponente (analise se dá caso a caso e se consagra ausente quando
não existe facilidade de comunicação imediata - carta e atualmente email - análise se dá de acordo
com a boa-fé); III - Feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo
dado;
 Caso haja aceitação fora do prazo, com adições, restrições ou modificações, haverá nova proposta
com inversão de papeis (contraproposta);Forma-se o contrato entre presentes a partir do
momento em que oblato aceita a proposta, ocorrendo choque de vontades; entre ausentes a partir
do momento em que aceitação for expedida;
 Exceções: a) se antes da aceitação ou com ela chegar ao proponente retratação do aceitante; b) Se
o proponente se houver comprometido a esperar resposta em caso em que as partes
convencionaram a aplicação da subteoria da recepção; c) se a resposta não chegar no prazo
determinado;
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 Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar que foi proposto; se tiver contraproposta, no segundo
lugar; o CC 2002 adotou a teoria da expedição como regra e a teoria da recepção como secundária;

3.1.3. Fase de contrato preliminar


 pré contrato ou pactum de contrahendo aparece como uma novidade nesse código entre os arts.
462 e 466 e não é obrigatório entre as partes, sendo despensavél; Não precisa ter a mesma forma
mas necessita dos mesmos requisitos (validade do negócio); São dois tipios:
 Compromisso de contrato: inicialmente há um compromisso unilateral no qual as duas partes
assinam mas apenas uma se obriga; art. 466, CC: "Se a promessa de contrato for unilateral, o
credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou,
inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor"; Exemplo: Arrendatário que
podia assumir a opção de comprar o arrendamento mercantil pagando o valor residual garantido
VRG no fim do contrato (entendeu-se que se pagando por prestações mensais devia-se aceitar
também - Sumula 293 STJ);
 Compromisso bilateral de contrato: os dois assinam o documento com o fim de celebrar o contrato
definitivo; Questão Compra e venda de bens imóveis -> Se ocorrer com compromisso bilateral terá
obrigação de fazer e efeito entre as partes; com registro vira direito real do promitente comprador,
obrigação de dar e efeito erga ominis; Se houver compromisso bilateral e o promitente -vendedor
se negue a celebrar o contrato, o compromisário-comprador tem 3 opções:
 1ª: Seguir Art. 463 e pedir tutela específca das obrigações de fazer; 2º: Pedir na obrigação de fazer
que a outra parte celebre o contrato definitivo; pode o juiz conferir caráter definitivo a contrato
preliminar; 3º: conversão em perdas e danos;
 Há ainda o direito real de aquisição a favor do promitente comprador, que pode ser contra o
prórpio promitente vendedor ou contra qualquer um que comprasse o bem; já que tem efeito erga
omnis;
 No momento da conclusão pode uma das partes indicar terceiro que assumirá direitos e
obrigações; fica a indicação impossibilitada (art. 470) se: A pessoa negar ou for insolvente, fato
desconhecido anteriormente;

3.1.4. Fase de contrato definitivo


 Quando ocorre o choque ou encontro da das vontades originárias das outras fases contratuais; A
responsabilidade civil contratual está nos arts. 389 a 391, mas a jurisprudência e doutrina tendem
a unificar a responsabilidade com o CDC;
 Não se pode esquecer da boa-fé objetiva e dos deveres anexos ou laterais da fase pós-contratual;

3.2. A formação do contrato pelo código de defesa do consumidor


 O CDC não prevê com riqueza de detalhes regras quanto à formação do consumo; necessitando do
diálogo de fontes (diálogo de complementaridade) com o CC; Mas o CDC prevê entre os arts. 30 e
38 regramentos aplicáveis a fase pré-contratual;
 O art. 30 da Lei Consumerista traz o princípio da boa-fé objetiva ao vincular o produto, o serviço, o
contrato ao meio de proposta e à publicaidade demonstrando que a conduta proba também deve
estar na fase pré contratual; Para fazer cumprir os exatos termos da publicidade o art. 35 da Lei
n.8078/90 menciona, entre as suas possibilidades o cumprimento forçado da obrigação nos termos
da oferta, podendo o consumidor escolher ainda, se quiser pela aceitação de outro produto ou
pela recisão do contrato;
 O dever de informar na fase pré negocial é percebido no art. 33 do CDC (Ex: sempre deve ter o
nome do fabricante para que o consumidor possa exercer seu direito em relação a eventual vício);
O art. 31 da mesma lei estabelece a necessidade de informações completas e precisas sobre a
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essência, quantidade, e qualidade do produto e do serviço; Completa a norma o parágrafo único


que diz ser necessário haver informações completas e precisas;
 No art. 36 a CDC diz que a identidade deve vir de tal modo que o consumidor possa se identificar
como tal, não deve vir mascarada ou simulada; O art. 37 § 1º proíbe a chamada publicidade
enganosa (seja ala advinda de ação ou omissão - sendo possível ação de danos morais) - Contando
a boa-fé presumida do consumidor à veracidade da publicidade deve a quem patrocina a causa; no
§2º ele fala: "É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória em qualquer natureza, a que
incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveita da deficiência do julgamento e
experiência da criança, desrespeite os valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o
consumidor a se comportar de forma perigosa à sua saúde ou segurança";
 O STJ consagrou a teoria da aparência, pela qual se responsabilizam de maneiro solidária todos os
envolvidos e beneficiados pela publicidade (responsabilidade da montadora por oferta enganosa
da concessionária); Obs: profissionais liberais são, em parte, exceção no sistema consumerista vista
no art. 14 § 4º da Lei n. 8078/90;
 O art. 48 traz a responsabilidade pré-contratual do negóciio de consumo; a declaração de vontade
vinculam prestador ou fornecedor (EX: orçamento prévio) - aplicação lógica da máxima venire
contra factum propium non potest; Nas vendas realizadas fora do estabelecimento tem-se um
prato de arrependimento (art. 49) de sete dias - atenta o artigo que isso não é aplicado em caso de
excesso (contratar e descontratar várias vezes a TV a cabo);
 O art. 52 traz a boa-fé objetiva no caso de outorga de crédito ou financiamento a favor de
consumidor, nesse caso deve-se informar: Preço, Juros, Acréscimos, Periodicidade das prestações,
Soma total a se pagar;
 O art. 39 veda algumas práticas consideradas abusivas como a recusa de atendimento de demanda
do consumidor, execução de serviços sem orçamento prévio; Nota-se que o CDC tem maior
atenção pras fases preliminares, deixando de lado as outras (Completadas com o CC);

3.3. A formação do contrato por via eletrônica


 Contrato de via eletrônica ou internet ainda são alvo de vasta discussão; Inserem-se neles todos os
princípios fundamentais vigentes; São características desses contratos a celeridade, o dinamismo, a
autorregulamentação, a existência de poucas leis, uma base legal prática costumeira;
 Não impede a aplicação da Lei 8078/90 (CDC) nesses casos; um PL de n. 281/12 propõe a inclusão
de um capítulo próprio no CDC dos contratos eletrônicos ficariam nos arts; 44-A a 44-F;
 Há vasta discussão se os contratos por via eletrônica são entre ausentes (email parecido com carta)
ou entre presentes (Internet se parece mais com telefoneque com carta, rapidez notória); Mas se
deve analisar cada caso e verificar; Nelson Rosenvald: "Em sede de internet, qualquer aceitação
poderá se realizar enquanto a oferta se mantiver no servidor, pois quando subtraída do site já não
será acessível ao público e não mais subsistirá";
 Se o contrato for firmado por email e corror entre ausentes, aplica-se a teoria da agnição na
subteoria da recepção; "A formação dos contratos realizados entre pessoas ausêntes por meio
eletrônico completa-se com a recepção pelo proponente" (Enunciado. 173 III Jornada Direito Civil);
 Deve o fornecedor confirmar o recebimento da aceitação da oferta, bem como eventuais
arrependimentos do consumidor (arts. 44-C e 44-D); denominada teoria do duplo-clique;
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CAPÍTULO 4 - A REVISÃO JUDICIAL DOS CONTRATOS PELO CÓDIGO CIVIL E


PELO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
4.1. Introdução

 A revisão judicial de suma importância na atual realidade dos negócios; este autor tem defendido
que a extinção do contrato deve ser a ultima ratio, o último caminho a ser percorrido (isso vem de
acordo com o princípio da conservação contratual, ligado à função social dos contratos);
 Deve ser estudado de acordo com a perspectiva do CC e do CDC já que a revisão judicial por fato
superveniente é diferente em cada diploma;

4.2. A revisão contratual pelo Código Civil


 contractus qui habent sucessivum et dependentiam de futuro, rebus sic stantibus intelligentur (os
pactos de execução continuada e dependentes do futuro entende-se como se as coisas
permanecessem como quando da celebração) - ou seja, contrato só pode permanecer como está
se assim permanecerem os fatos;
 Há a necessidade da comprovação dessas alterações na realidade (teoria da pressuposição); os
contratos devem ser cumpridos enquanto as condições externas vigentes no momento da
celebração se conservarem imutáveis - alterações aplicam a regra rebus sic stantibus,
restabelecendo o status quo ante; Mudança deverá ser: alteração radical das condições
econômicas do momento, onerosidade excessiva para uma das partes;
 Há dúvida doutrinária quanto à teoria adotada pelo CC em relação à revisão contratual de fato
superveniente; Alguns autores adotam a teoria da imprevisão, origem na cláusula rec sic stantibus
- predomina na prática a análise do fato imprevisível a possibilitar a revisão por fato superveniente;
Outra parte da doutrina dota a ideia que essa revisão dar-se-á por onerosidade excessiva;
 Afastando qualquer polêmica, afirma-se que o CC de 2002 traz a revisão contratual por fato
superveniente diante de uma onerosidade excessiva - Base nos arts. 317 e 478 do CC; Em regra, a
revisão não é possível em contratos unilaterais já que para ter onerosidade excessiva é necessário
o sinalagma, mas o art. 480 possibilita a revisão de contratos unilaterais, desde que onerosos;
 Contrato deve assumir forma cumulativa e as partes devem ter total ciência das prestações; não
poderá ocorrer de forma aleatória; Mas os contratos aleatórios que tiverem uma parte cumulativa
(contrato de seguro - prestação mensal) essa parte cumulativa pode ser alvo de revisão;
 Os contratos instantâneos ou de execução imediata estão de fora da aplicação da revisão judicial,
sendo preferia a execução diferida (paga uma vez no futuro) ou de periódica/continuada
(denominados de trato sucessivo ocorrem repetidamente no tempo);
 Apesar do entendimento de não ser possível rever negócio de execução imediata a jursiprudência
tem admitido a revisãod esses negócios (Súmula 286 do STJ diz que a renegociação de contrato
bancário ou a confissão de dívida não afasta a possibilidade de revisão de contratos extintos);
 A onerosidade não precisa de alguma das partes auferir vantagem, apenas o desequilíbrio; Quando
a onerosidade excessiva provém da álea normal e não de acontecimento imprevisível, com como
contratos aleatórios, em regra, não são alvos de revisão; Não está coberto objetivamente pelos
riscos próprios da contratação; (Deve-se analisar, ex: $100 reais a mais na prestação de uma família
pobre, é dinheiro);
 Qual dispositivo ampara a revisão contratual por fato superveniente? Alguns dizem que o art. 478,
que diz que nos contratos de execução continuada, excessivamente onerosa, acontecimento
extraordinários resultam em resolução do contrato (Tartuce não concorda pois o art. trata de
resolução contratual); Outros afirmam ser o art. 317 que diz que por motivos imprevisíveis houver
uma desproporção manifesta poderá o juiz corrigi-lo;
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 Poucos casos vem sendo enquadrados como imprevisíveis pelos tribunais já que eles entendem
que aquilo que de mercado, o meio que envolve o contrato e na sociedade pós-moderna quase
tudo é previsivel; Alvaro Vilaça diz que se não for minimizado o conceito de magnitude poder-se-á
estagnar o instituto para o mundo da fantasia;
 Outro ponto de destaque é o art. 478 que menciona a necessidade de existência de eventos
imprevisíveis e extraordinário, o que será necessário provar para o magistrado optar pela revisão;
O art. 480 diz que somente incidirá naqueles casos em que, a parte requer extinção e o magistrado
faz opção pela revisão, aplicando o princípio da conservação;
 Enunciado n. 17 da IJDC: "a interpretação da expressão 'motivos imprevisíveis' constante no art.
317 do CC, deve abarcar tanto causas de desproporção não previstas como também causas
previsíveis, mas de resultado imprevisível";
 Deve-se entender também como motivos imprevisíveis os fatos supervenientes alheios à vontade
das partes e à sua atuação culposa; O aderente, que tem proteção no CC somente terá revisão de
contrato se provar a existência fatos imprevisíveis (Para Tartuce vai contra a função social); A
proteção não se dá aos consumidores necessariamente, mas sim a parte mais fraca;
 Súmula 380 do STJ diz que "A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a
caracterização de mora do autor"; Encargos e parcelas indevidas ou abusivas impede a
caracterização de mora; Realizado o pagamento, de forma judcial ou não o credor deve recebê-lo
sob pena de cair no duty mitigate the loss;
 É possível verificar a revisão do contrato por fatos anteriores à celebração como lesão ou vício no
negócio; Prevê o art, 171, II que a lesão gera anulabilidade do negócio (prazo de 4 anos); Enunciado
149 do CJF/STJ: "Em atenção ao princípio de conservação dos contratos, a verificação da lesão
deverá conduzir sempre que possível, à revisão judicial do negócio jurídico e não sua anulação,
sendo dever do magistrado incitar os contratantes a seguir regras do art. 157 § 2º; O princípio da
conservação é um dos mais importantes na atualidade;

4.3. A revisão contratual pelo Código de Defesa do Cosumidor


 O CDC, como norma de ordem pública e interesse social, instituiu no sistema consumerista a regra
de que mesmo uma simples onerosidade excessiva ao consumidor poderá ensejar a chamada
revisão contratual por fato superveniente; Expressão função social do contrato está intimamente
ligada ao equilíbrio - teoria da equidade contratual, teoria da equivalência material;
 Art. 6º, V do CDC diz que são direitos básicos co consumidor a modificação das cláusulas com
prestações desproporcionais; E o Código citado prevê claramente interpretação mais favorável ao
consumidor na hipótese de cláusula obscura; Tartuce entende que para revisão de contrato de
consumo não é necessária a prova de imprevisibilidade, mas somente uma simples onerosidade ao
vulnerável (fundamentado na boa-fé, equilíbrio e isonomia); Apenas exige-se a quebra da bese
objetiva do negócio, a quebra de seu equilíbrio intrínseco (TJ's e STJ tem aplicado a teoria de
imprevisão o que é, para o autor, engano);
 CDC adota a teoria da equidade contratual para preservar a dignidade da pessoa humana,
solidariedade social, igualdade material (previstos art. 170, III da Carta Magna); Nessa nova
realidade interesses difusos, coletivos e individuais homogênios prevalecem sobre o interesse
particular;
 Decisão do STJ diz que necessita-se haver revisão da cláusula que prevê variação cambial num
contrato de Leasing e distribuição do ônus entre arrendantes e arrendatários (súbita alteração na
política cambial gerou onerosidade excessiva); Tartuce é contra dizendo que não estão,
consumidores e empresas de leasing em igualdade para ser distribuído igualmente o ônus;
 A Súmula 381 do STJ diz: "Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer de ofício, da
abusividade das cláusulas" Tartuce é contra baseado no CDC e no art. 5º, XXXV da CF e pede para
que a citada súmula seja revista;
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CAPÍTULO 5 - EFEITOS DOS CONTRATOS - OS VÍCIOS REDIBITÓRIOS, OS


VÍCIOS DO PRODUTO E A EVICÇÃO

5.1. Introdução
 Um dos principais efeitos relacionados com os contratos refere-se aos vícios contratuais
(redibitórios) e em relação à evicção (perda da coisa diante de fato superveniente); Nota-se que
estes vícios citados não confundem-se com vícios de vontade (erro, dolo, coação, estado de perigo
e lesão) ou vícios sociais (simulação e fraude contra credores);

5.2. Vícios Redibitórios no Código Civil


 São defeitos que desvalorizam a coisa ou tornam imprópria para o uso ou lhe diminuem
sensivelmente o valor; Não se confunde vício redibitório (a pessoa compra exatamente o objeto
que desejava, mas, apresenta um defeito oculto, não comum aos demais objetos da espécie - gera
abatimento do preço ou resolução do negócio - tem-se esse nome pois a pessoa tem o direito de
redibir, ou seja, rescindir) e erro (a pessoa compra uma coisa, pensando que é outra - compra um
candelabro de aço pensando que é prata - gera anulabilidade do negócio);
 Vícios são típicos dos negócios sinalagmáticos. mas pode ocorrer em doação onerosa
(remuneratória ou modal); Vício oculto é aquele que nenhuma circunstância pode revelar, senão
mediante exames e testes; Tartuce discorda da maioria da doutrina dizendo que são apenas
aqueles eu somente podem ser conhecidos mais tarde, por exemplo, quando se tiver a posse
poderá ser imediato ou que se perceba depois;
 Interessante lembrar que o adquirente poderá fazer uso das ações edilícias, pedindo abatimento
proporcional do preço (ação quanti minoris ou ação estimatória) ou resolução do contrato (ação
redibitória - precisa comprovar má-fé - princípio da conservação);
 A responsabilidade do alienante permanece ainda que a coisa pereça em poder do adquirente em
virtude do vício oculto já existente no momento da entrega (art. 444, CC); Discute-se sobre a
possibilidade de se pleitear troca do bem, entende-se que se o vendedor é profissional é possível,
se não o é, não (Venda de carro próprio usado e venda pra concessionária);
 Prazo para ingressar com ações edilícias: a)casos de vícios com fácil constatação é de 30 dias para
bens móveis e 1 ano para móveis (Se o comprador já estava em posse do bem diminui para a
metade); b) Vícios ocultos: 180 dias móveis e 1 ano para imóveis (Há um Enunciado e uma corrente
de pensamento que diz que se terá contra si, em caso de vícios ocultos, prazo de 30 dias para
móveis e 1 ano para imóveis, desde que percebidos no tempo de 180 dias e 1 ano - Tartuce
discorda pois abre-se espaço para má-fé;
 Uma novidade é a compra e venda de animais, no art. 445 §2º diz que os prazos quanto as vícios
redibitórios seriam aqueles previstos em legislação especial; Na falta de previsão, deve-se aplicar
usos e constumes legais (como animais são móveis semoventes, em regra, aplica-se prazo de 180
dias); Maria Helena Diniz da exemplo de costume contra legem, segundo ela em Barretos o
negócio se dá mediante palavra e confiança e exigir documentação seria um fatos de dissociação;
 Art. 446 diz: "Não correrão prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia;
mas o adquirente deve denunciar o defeito em trinta dias sob pena de decadência"; Caso de
garantia preconiza o CDC (diálogo de complementariedade); Essa decadência refere à perda da
garantia ou o direito de ingressar com ação edilícia? Tartuce entede que apenas a garantia; Maria
Helena: "Com o término do prazo de garantia ou não denunciado o adqurente tem o prazo de 30
dias;
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5.3. Os vícios do produto no código de defesa do consumidor


 A Lei n. 8078/90 também trata de vícios; Coexistem as normas do CC e do CDC, sendo o primeiro
atuando quando existem paridade de força entre os sujeitos e o segundo quando há disparidade;
Vícios do produto são aqueles (na relação de consumo) que atingem o objeto do negócio,
desvalorizando-o ou inutilizando-o, tornando-os impróprios para o consumo ou diminuindo-lhes o
valor (art. 18, CDC - adaptado);
 Para tais vícios respondem solidariamente fornecedor (comerciante) e produtor - coisa que não
acontece no CC; O art. 18 permite ao consumidor prejudicado requerer: substituição do produto,
restituição do valor pago ou abatimento do preço; Tudo isso, diz o § 1º não sendo sanado o vício
num prazo de 30 dias (caso não respeite esse prazo não poderá pleitear - Há julgados que dizem
em falta de interesse de agir pois o prazo para sanar o vício não foi respeitado);
 As partes poderão convencionar redução (mínimo 7 dias) ou ampliação (máximo 180 dias) no prazo
- §2º; Consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas expostas sempre que, em razão da
extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou
características do produto - § 3º; Quando não houver outro pra substituir poderá se escolher
algum de mesma espécie, pode-se pegar outro com eventual restituição de diferença - § 4º;
Produtos in natura, quando não se identifica o produtor, não há solidariedade (tudo do
fornecedor) - § 5º; O § 6º do art. 18, CDC prevê quando se pode presumir vício (produto
impróprio): validade vencida, deterioração, alteração, falsificação algo nocivo à saúde, quebra de
regras, etc;
 O art. 19 diz que vícios de quantidade também geram responsabilidade solidária; quando o
conteúdo líquido for diferente do rotulado ou anunciado, pode-se exigir: abatimento no preço,
complementação do peso, substituição por outro, restituição da quantia paga; §2º diz que caso os
equipamentos de pesagem do fornecedor não estejam nos padrões ele responde solidariamente;
 O art. 23 diz que não exima-se do fornecedor a responsabilidade se ele ignorar os vícios de
qualidade de seus produtos ou serviços - teoria da confiança, boa-fé objetiva; O art. 25 diz que é
vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, atenue de indenização os casos de
vício;
 o Art. 26 diz que para que o consumidor exerça seus direitos o prazo é de 30 dias para bens não
duráveis e 90 dias para duráveis; os aparentes são contatos a partir da entrega da coisa (§1º) e os
ocultos da sua percepção (§3º); O § 2º diz que obstam a decadência: Reclamação devidamente
formulada enquanto não há resposta do fornecedor; instauração de inquérito civil do MP até seu
encerramento (Consumidor que formular reclamação após 10 dias tem seu prazo congelado, após
a resposta ele tem mais 80 dias - durável - para reclamar em juízo); havendo prazo de garantia
convencional se começa a contar a partir do término da garantia;

5.4. A Evicção
 Evicção é uma perda da coisa diante de uma decisão judicial ou de um ato administrativo que a
atribui a um terceiro; pode haver de maneira total ou parcial (arts; 447 a 457 do CC); O STJ tem
entendi que a evicção pode estar presente em casos de apreensão administrativa - a mesma corte
entendeu que não é necessário o trânsito em julgado para o exercício desse direito (No mesmo
passo vai o informativo 519 da corte que diz que desde que haja efetiva ou iminente perda da
posse ou da propriedade é possível evicção e não mera cogitação da perda ou limitação do direito;
 O art. 447 diz que a garantia legal em relação à essa perda da coisa, objeto do negócio, que atinge
contrato bilaterais mesmo que tenha sido adquirido em hasta pública; O arrematante evicto
poderá ir a juízo em face do executado, a fim de buscar o preço que pagou pela coisa mais perdas e
danos; Subsidiariamente reconhecida a responsabilidade do exequente;
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 São elementos subjetivos da evicção: O alienante (transferiu a coisa viciada de forma onerosa) O
evicto, adquirente ou evencido (perdeu a coisa adquirida) e o evictor ou evecente (teve decisão
judicial ou administrativa em seu favor;
 art. 199, II diz que não corre prescrição enquanto pendente ação de evicção; A responsabilidade da
execução é legal, mas o contrato pode reforça-la (com limite de dobro do valor da causa); A
exclusão da responsabilidade pode ocorrer de maneira expressa, mas os produtos dela dependem
do conhecimento do adquirente;
 Washington de Barros Monteiro diz: a) Clausula expressa de exclusão de garantia + conhecimento
da evicção pelo evicto -> isenção total de qualquer responsabilidade por parte do alienante; b)
Cláusula expressa - ciência específica de risco por parte do adquirente -> responsabilidade pelo
preço pago; c) Cláusula expressa de exclusão de garantia sem que o adquirente haja assumido o
risco da avicção de quem foi informado -> direito de reaver o preço que desembolsou;
 Não havendo a referida cláusula a responsabilidade do alienante será plena devendo-se pagar
(450, CC): preço pago, frutos se tiver a restituir, indenização pelas possíveis despesas e custas
judiciais; O preço da coisa decorre do valor na época da perda; O alienante responsabilização ainda
que a coisa esteja deteriorada ou perdida - se não consagrar dolo de adquirente (450, 451 e 454);
 Se o evicto tiver auferido vantagem da deteriorização e não tiver sido condenado a pagar tais
valores ao evictor, o valor dessas vantagens deferirá ser deduzido da quantia pleiteada pelo
alienante; Benfeitorias não abonadas ao evicto pelo evictor deverão ser pagas para o alienante; se
o alienante prestou benfeitorias ele não tem direito;
 No caso de perda parcial se ela for considerável poderá o evicto optar pela recisão e a restituição
da parte do preço correspondente ao desfalque, se for não considerável poderá pleitear perdas e
danos; o problema é determinar o que é considerável: geralmente é aquilo maior que metade do
valor da coisa - mas pode também ser medido na essência;
 art. 456 diz que: "para exercer o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará do litígio
o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe determinarem as leis do
processo"; Mas os tribunais tem entendido que essa denunciação não é obrigatória, assim
também entende o enunciado 434 da V Jornada de Direito Civil;
 Enunciado 29 do CJF/STJ na I JDC diz: "A interpretação do art. 456 do novo Código Civil permite ao
evicto a denunciação direta de qualquer dos responsáveis pelo vício"; Trata-se da denunciação per
saltum que traz mais opções de demanda ao evicto prejudicado, dando-lhe efetividade no direito
material;
 O art. 456, parágrafo único diz: "Não atendendo o alientante à denunciação da lide, e sendo
manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação ou usar de
recursos; o 457 diz: "Não pode o adquirente demandar pela evicção se sabia que a coias alheia era
1litigiosa";
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CAPÍTULO 6 - A EXTINÇÃO DOS CONTRATOS

6.1. Introdução
 Contrato tem um ciclo de existência: nasce do mútuo consentimento, produz e feito e morre com o
cumprimento de prestações (quitação); Mas o contrato pode ser extinto antes de seu
cumprimento, ou no decurso deste;
 Por causas anteriores, com nulidade e anulabilidade e posteriores à sua celebração como resilição
e resolução; CC, arts. 472 a 480; 4 formas básicas: Normal, Fatos anteriores, posteriores e morte;

6.2. Extinção normal dos contratos


 Pelo cumprimento da obrigação (pago preço, parcelas, coisa entregue); Findo o prazo previsto -
termo final; Lembrando que a boa-fé deve estar presente sempre;

6.3. Extinção do contrato por fatos anteriores à celebração


 Haverá invalidade por contrato nulo (portador de nulidade absoluta) ou anulável (nulidade
relativa); alguns autores ainda dizem que existe o contrato inexistente (falta de elementos
fundamentais - mas é uma forma de contrato nulo);
 A nulidade do contrato (art. 166, I, CC) apresenta-se no caso de absolutamente incapaz, ausente de
representação (menores de 16, enfermos e deficientes mentais sem o necessário discernimento
para a prática dos atos da vida civil; pessoas que, por causa transitória ou definitiva, não puderem
exprimir sua vontade); Nulo será quando o objeto for ilícito, impossível indeterminado ou
indeterminável (art. 166, II); Ilícito (III); Não seja revestido da forma prevista na lei, no caso de
necessária solenidade (IV e V); Tiver como objeto fraudar lei imperativa (VI); Quando a lei assim
declarar (VII); Art. 167 traz a simulação passando a gerar nulidade absoluta - distingue-se negócio
simulado (de aparência) e negócio dissimulado (de essência);
 A anulabilidade de contrato (171, I) diz que quando o contrato for celebrado por relativamente
incapaz sem a devida assistência (entre 16 e 18, ébrios eventuais, viciados em tóxicos e deficientes
mentais com discernimento mental reduzido; excepcionais sem desenvolvimento completo e
pródigos); Nos demais erros do negócio jurídico (erro, dolo, coação, ameaça, estado de perigo e
fraude contra credores - prazo de 4 anos - II); Compra e venda de imóveis celebrados sem outorga
conjugal (art. 1649); Venda de ascendente para descendente sem autorização dos outros
descendentes de do cônjuge;
 Podem-se pactuar antes do contrato ainda uma cláusula resolutiva expressa (evento futuro e
incerto - produz efeitos extintivos independente de pronunciamento judicial); cláusula de
arrependimento - declaração unilateral de vontade - já existe intenção presumida e eventual de
aniquilar o negócio);

6.4. Extinção por fatos posteriores à celebração


 Por fatos posteriores ou supervenientes a celebração do contrato fala-se em recisão contratual
(ação de recisão): este gênero possui a resolução (extinção pode descumprimento) e resilição
(vontade unilateral ou bilateral);
 A resolução comporta 4 categorias: a) inexecução voluntária; b) inexecução involuntária; c)
cláusula resolutiva tácita; d) resolução por onerosidade excessiva;
 A resolução por inexecução voluntária e a impossibilidade da prestação por culpa ou dolo do
devedor; nas obrigações de dar, fazer e não fazer; sujeitará a parte inadimplente ao ressarcimento
pelas perdas e danos sofridos - danos emergentes, lucros cessantes, danos morais, estéticos e
outros danos imateriais; a parte poderá pedir cumprimento forçado do contrato, resolução em
perdas e danos; A teoria do adimplemento substancial deve ser observada (se o contrato tiver sido
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quase todo cumprido, não caberá a sua extinção, apenas efeitos jurídicos; cumprimento relevante
é observado casuisticamente e dispositivo visa a conservação do negócio jurídico);
 A resolução por inexecução involuntária acontece por fato alheio a vontade como caso fortuito
(evento totalmente imprevisível) força maior (previsível, mas inevitável); a outra parte não poderá
pleitear perdas e danos; Só haverá responsabilidade: a) mora do devedor, a não ser por ausência
de culpa; b) previsão contratual (cláusula de assunção convencional); Casos previstos judicialmente
(art. 583, comodante responderá pelo dano);
 A cláusula resolutiva tácita decorre da lei e gera resolução em decorrência de evento futuro e
incerto, geralmente relacionado ao inadimplemento (condição); Depende de interpretação (Ex:
exceção de contrato não cumprido - uma parte pode exigir da outra se cumprir a sua); Art. 477
prevê quebra antecipada do contrato por inadimplemento antecipado (se uma parte perceber que
há risco real e efetivo, demonstrado pela realidade fática, que a outra parte não cumpra a
obrigação);
 A última é a resolução por imprevisibilidade e onerosidade excessiva: Poderá ocorrer resolução em
decorrência de um evento extraordinário e imprevisível que dificulte e adimplemento - deve ser
interpretada a imprevisibilidade não somente em relação ao fato, mas também as consequências
que ele produz; (Enunciado 366, IV JDC: fato extraordinário é aquele que não está coberto
objetivamente pelos riscos próprios da contratação); O juiz pode modificar o contrato e não
resolvê-lo desde que ouvidas todas as partes; o art. 480 diz que se aos obrigações couberem a
apenas uma das partes, não há equilibrio e pode-se pleitear redução; Maior parta da doutrina
entende ser possível revisão de contratos unilaterais puros (Tatuce entende que não pela
inexistência de sinalgma); A frustação por fim de contrato (aluga casa pro carnaval, governo proíbe
festa - contrato cumprido) não se confunde com a impossibilidade de prestação por onerosidade
excessiva; A resilição bilateral é feita por um novo negócio (com mesmas sonelidades, se
necessário);
 A resolução unilateral é possível, de acordo com art. 47 em hipóteses excepcionais (na locação,
prestação de serviços, mandato, comodato, depósito, doação, fiança); são 4 modos: a)Denúncia
vazia e cheia (locação de coisa móvel ou imóvel regida pela Lei de locações, Findo o prazo extingue-
se o contrato - necessária notificação; alguns casos cabível em caso de inadimplemento); b)
Revogação: quebra de confiança; cabe revogação por parte do mandante, depositante, doador; c)
Renúncia: também por quebra de confiança; mas cabe ao mandatário, depositário e donatário; d)
exoneração por ato unilateral: o fiador pode, previsto no art. 835 revogar; terá eficácia plena
depois de 60 dais; Diante da natureza do contrato, se uma parte fez investimentos consideráveis a
resilição unilateral só ser possível transcorrido o prazo compatível com a natureza e o vulto dos
investimento (parte autora pede continuidade compulsória do contrato); Lembrando que resilição
e resolução são espécies de recisão;

6.5. Extinção por morte de um dos contratantes


 Só quando a parte assume obrigação personalíssima; como no caso de fiança; tal obrigação não se
transmite para herdeiros;
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CAPÍTULO 7 - CONTRATOS EM ESPÉCIE - DA COMPRA E VENDA

7.1. Conceito de compra e venda e seus elementos principais


 Art. 481 diz que a compra e venda acontece quando alguém (vendedor) se obriga a transferir ao
comprador o domínio de cosia móvel ou imóvel mediante uma remuneração (preço); O contrato
por si só não gera transmissão da propriedade, que vem da tradição (móvel) ou do registro
(imóvel);
 Coisa deve ser corpórea, se incorpórea não é compra e venda, mas sim cessão de direitos; são
elementos: partes, cosia e preço; Partes devem ser capazes, não se esquecer de regras como
outorga conjugal; consentimento deve ser livre e espontâneo e deve recair sobre os demais
elementos do contrato (coisa e preço) - vícios causam anulação;
 Coisa deve ser lícita, determinada ou determinável - contrato sob encomenda coisa deve existir em
posterior momento (recomenda-se que o devedor já tenha a o coisa em seu domínio, podendo
gerar ineficácia do contrato - não nula ou inexistente, mas ineficaz); deve ser também alienável
(bem de família não pode);
 Preço deve ser determinado por moeda nacional corrente, pelo valor nominal, conforme art. 315
CC; exceção compra e venda internacional; Preço pode ser arbitrado pelas partes ou por terceiro
de sua confiança (Art. 485); pode ser fixado por taxa de mercado certo dia e lugar (art. 486); Se não
houver tabelamento oficial, usa-se o preço corrente das vendas habituais do vendedor - preço do
tabelamento envolve matéria de ordem pública, não podendo ser sobreposto por outro preço
fixado pela autonomia privada (art. 488); É nulo se for deixada a fixação do preço ao livre-arbítiro
de uma das partes -artigo 489 visa atacar o cartel não o contrato de adesão;

7.2. Natureza jurídica do contrato de compra e venda


 a) É bilateral ou sinalagmático; b) Contrato oneroso, pois a sacrifício para ambas as partes; c) Por
regra cumulativo (partes já saber de antemão suas prestações), eventualmente Aleatório (com
elemento álea, sorte - risco) - Venda da esperança (quanto a existência da coisa - assunção do risco
por um dos contratos quanto a existência da coisa, outro tem direito de receber desde que de sua
parte não tenha dolo, culpa); Venda de esperança com coisa esperada (riscos quanto a quantidade
da coisa, alienante terá direito a todo preço desde que não tenha concorrido em culpa);
 d) Ele é consensual (se aperfeiçoa com manifestação de vontade)Art. 282 (compra e venda
considera-se perfeita com acordo de objeto e preço) a entrega é relativa ao cumprimento; e) pode
ser formal (solene - no caso de imóveos) ou informal (não solene - móveis) - Tartuce entende
solenidade como escritura, não forma escrita; f) é um contrato típico porquê encontra-se na
codificação privada (o de adesão pode ser consumo);

7.3. A estrutura sinalagmática e os efeitos da compra e venda. A questão dos riscos e das
despesas advindas do contrato
 Compra e venda é uma relação complexa, com as partes sendo credoras e devedoras enter sí;
Quanto ao risco da coisa: o vendedor; pelo preço: comprador; despesas de transporte: vendedor,
em regra; escritura: comprador, em regra;
 490 diz que em relação as despesas pode haver previsão em sentido contrário no instrumento
contratual; 491 diz que não sendo a venda de crédito o vendedor não é obrigado a entregar a coisa
antes de receber o preço;
 não havendo estipulação em contrário a coisa se entrega onde celebra o contrato (art. 493); Se a
coisa for entrega por ordem do comprador em outro lugar ele assume a culpa, por ordem do
devedor, ele assume a culpa; art. 495 diz que antes da tradição o comprador cair em insolvência
poderá o devedor sobrestar a cosia da entrega de contrato;
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7.4. Restrições à compra e venda


 Autonomia privada contratual é não sempre soberana, sofrendo limitações de ordem pública;

7.4.1. Da venda de ascendente a descendente (art. 496 do CC)


 "É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do
alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se
o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória";
 Torna-se ele suscetível de anulabilidade, não se falando mais em nulidade como no antigo código;
dispensa a dita autorização se o sistema for o da separação absoluta (apenas convenciona, pois a
sumula 377 diz que comunicam-se os bens havidos pelos cônjuges durante o casamento mesmo no
regime da separação legal ou obrigatória - transformando em um espécie de comunhão parcial);
Com isso, a outorga conjugal é desinsada apenas se o regime de separação de bens for estipulado
de forma convencional, por pacto antenupcial; Tartuce entende que haverá separação absoluta
tanto na separação legal quanto na convencional, sendo desnecessária outorga conjugal;
 O prazo dizia o STF na Súmua 494 que era de 20 anos, mas o STJ tem decido de acordo com o art.
179 pelo prazo de 2 anos, perdendo a aplicação da súmula; Tartuce entende que o prazo começa a
contar da escritura pública, não do registro (o artigo cita a "conclusão do ato");
 O que significa a expressão "em ambos os casos" no artigo? Nada. a redação antiga do projeto
vedava tanto a venda de ascendente para descendente quanto o contrário, quando a acertaram
não mudou-se a redação do parágrafo; Além disso a jurisprudência tem entendido que para
anulação é cabível quando existir proba do prejuízo pela parte que alega anulabilidade;

7.4.2. Da venda entre cônjuges (art. 499 do CC)


 O art. 499 possibilita a compra e venda entre cônjuges desde que o contrato seja compatível com o
regime de bens por eles adotado; somente será possível a venda de bens excluídos da comunhão;
essa ideia pode ser aplicada na união estável;
 Não havendo vícios (fraude contra credores, fraude à exceção, simulação) é possível a venda dos
bens que não estejam nos bens comuns; É possível a venda no regime de comunhão universal pous
há bens excluídos desse regime;
 É possível a venda entre os cônjuges dos bens com cláusula de incomunicabilidade? Alguns
entendem que sim; Tartuce que não, observando que a incomunicabilidade não gera
inalienabilidade;

7.4.3. Da venda de bens sob administração. As restrições constantes no art. 497 do CC


 De acordo com o artigo não podem ser comprados ainda que em hasta pública: I - pelos tutores,
curadores, testamenteiros e administradores os bens confiados à sua guarda e administração; II -
Pelos servidores públicos os bens ou direitos da pessoa jurídica que a servirem, ou que estiverem
sob sua administração direta ou indireta; III - Pelos juízes e serventuários da justiça em geral os
bens que se litigar no tribunal onde servirem; IV - pelos leiloeiros e seus prepostos quanto aos bens
cuja venda esteja a ele encarregado;

7.4.4. Da venda de bens em condomínio ou venda de coisa comum - o direito de prelação legal do
condômino (art. 504 do CC)
 O condômino, enquanto pender o estado de indivisão da coisa, não poderá vender a sua parte a
estranho, se o outro condômino a quiser, em igualdade de condições; divide-se os bens em
condomínio: pró indiviso (não existe separação física, cada um tem uma fração ideal) e pró diviso
(apesar de estar em condomínio, cada um tem uma parcela fisicamente separada - neste caso o
aviso é dispensável);
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 Prelação legal ou preempção legal é o direito de preferência do condômino sobre a venda de bem
indivisível; Tartuce entende que a ação é de ajudicação e a jurisprudência adota assim; Tento em
vista a boa-fé objetiva o depósito deve ser integral para que a parte preterida exercite seu direito;
A jurisprudência vem adotando a contagem de 180 dias a partir da ciência inequívoca da venda;
 art. 504 traz a ordem de preferência dos condôminos: I - tem preferência o condônimo que tiver
benfeitorias de maior valor; II - Falta de benfeitorias, o dono do quinhão maior; III - Falta de
benfeitorias e quinhão igual: aquele que depositar primeiro;

7.5. Regras especiais da compra e venda

7.5.1. Venda por amostra, por protótipos ou por modelos (art. 484 do CC)
 A amostra é a reprodução perfeita e corpórea de uma coisa determinada; Protótipo é o primeiro
exemplar de cuma coisa criada e Modelo constitui uma reprodução exemplificativa; Se a venda
tiver como objeto bens móveis e se realizar por amostra, protótipos ou modelos há uma presunção
que serão entregues conforma a qualidade prometida; caso a entrega não ocorra conforma
pactuado aplicar-se-ão as regras de vício redibitório;
 Não ocorre o aperfeiçoamento do negócio até a tradição. com a qualidade esperada; Caso não
tenha a qualidade o negócio pode ser desfeito;

7.5.2. Venda a contento ou sujeita a prova (arts. 509 a 512 do CC)


 Muitas vezes são presumidas em alguns contratos, como venda de vinhos e perfumes; diz aue a
venda não se aperfeiçoa enquanto o comprador não se declara satisfeito com o bem a ser
adquirido; Tradição não gera transferência, mas posse direta;
 Gera um direito personalíssimo, não se transmite aos sucessores; Não havendo prazo estipulado o
vendedor terá direito de intimá-lo, judicial ou extrajudicialmente, para que o faça em prazo
improrrogável;
 Diferença entre venda a contento e sujeita a prova é que na primeira o comprador não conhece
ainda o bem que irá adquirir, dependendo de aprovação inicial, na segunda o comprador semente
necessita de prova de que o bem a ser adquirido é aquele que ele já conhece;

7.5.3. Venda por medida, por extensão ou ad mensuram (art. 500 do CC)
 Na compra e venda de bem imóvel, poderão as partes estipular o preço por medida e extensão;
admite-se em regra, uma variação de área de até 1/20, 5%; havendo uma variação superior ao
tolerável estará presente o vicio, podendo o comprador prejudicado exigir: a) complementação da
área; b) abatimento proporcional do preço; c) resolução do contrato;
 Deve-se aplicar o princípio da conservação contratual (resolução é ultima ratio); Se, em vez de
houver uma área em excesso o vendedor poderá ingressar com ação para provar que tinha
motivos justos para ignorar a medida (enriquecimento sem causa) - pode-se pedir completar o
valor ou devolver o excesso de área;
 O prazo para o ingresso é de um ano contado do registro do título; Se a venda for realizada ad
corpus, com coisa certa e determinada, não caberão os pedidos aqui descritos, eventualmente
formulados pelo suposto comprador ou vendedor;

7.5.4. Venda de coisas conjuntas (art. 503 do CC)


 Venda de coisas conjuntas, em que há uma universalidade de fato (venda de um rebanho bovino);
Também pode haver alienação de bens que compõem a universalidade de direito (relações
jurídicas de uma pessoa);
 Art. 503 diz que coisas vendidas conjuntamente o defeito oculto de uma coisa não autoriza
rejeição de todas; o vício que atinge o boi não cai no rebanho; Como exceção há o casos de venda
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coletiva, ou seja, a venda na qual as coisas vendidas constituem um todo só, como no caso da
parelha de cavalo ou par de sapatos (vício de um pode gerar depreciação coletiva);

7.6. Das cláusulas especiais da compra e venda


 Há cláusulas especiais que, embora não lhe retire caracteres essenciais, alteram sua fisionomia.
cláusulas especiais, para valerem e terem eficácia, devem constar expressamente do instrumento;

7.6.1. Cláusula de retrovenda


 Vendedor reserva-se o direito de reaver o imóvel que está sendo alienado, dentro de certo prazo,
restituindo o preço e reembolsando todas despesas; prazo máximo de 3 anos, somente é
admissível nas vendas de bens imóveis;
 Geralmente são utilizados por emprestadores de dinheiro que querem fugir dos percalços de uma
execução judicial; STF tem entendido isso como simulação; Cláusula tem o condão de tornar a
compra e venda resolúvel, trata-se de cláusula resolutiva expressa;
 A propriedade do comprador, até o prazo de três anos, é resolúvel; Se o comprador se recusar a
receber, depositar-se-á judicialmente; Direito de resgate ou retrato poderá ser exercido pelo
devedor ou pelos seus herdeiros e legatários, particularmente em relação a terceiro adquirente;
 Não há impedimento a que o imóvel onerado com cláusula de retrovenda possa ser vendido a
terceiro, desde que esse conheça o ônus; e deve celebrar com outorga conjugal, salvo regime de
separação absoluta de bens;

7.6.2. Cláusula de perempção, preferência ou prelação convencional


 Aquela pela qual o comprador de um bem móvel ou imóvel terá obrigação de oferecê-lo a quem
lhe vendeu, por meio de notificação judicial ou extrajudicial, para que este use do seu direito de
prelação em igualdade de condições no caso de alienação futura;
 É importante não confundir a perempção, que significa preferência, com perempção civil (extinção
da hipoteca pelo decurso temporal de 30 anos);
 Art. 513, parágrafo único, do CC traz os prazos de extensão temporal máxima de 180 dias para
bens móveis e 2 anos para imóveis; a partir da tradição ou registro de venda (Tartuce entende
tradição); prazos podem ser reduzidos pelas partes, mas não aumentados; Art. 516 traz os prazos
decadenciais para manifestação do vendedor originário após notificação, que será de 3 dias para
móveis e 60 dias para imóveis;
 Sei direito de prelação for conjunto (estipulado a favor de dois ou mais indivíduos em comum, só
poderá ser exercido em relação à coisa como um todo); Art. 518 diz: "Responderá por perdas e
danos o comprador, se alienar a coisa sem ter dado ao vendedor ciência do preço e das vantagens
que por ele lhe oferecerem"; a pretensão dessas perdas e danos deve ser dado em 3 anos;
 Perempção legal: a favor do condomínio - cabe anulação da compra e venda ou adjudicação, prazo
decadencial de cento e oitenta dias; Perempção convencional: cabem perdas e danos. prazo
prescricional de 3 anos;
 O art. 519 diz que o direito de retrocessão a favor do expropriado; "Se a coisa for expropriada para
fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se
desapropriou ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado o direito
de preferência pelo preço atual da coisa; Matéria seria mais própria no direito administrativo que
civil; STJ já entendeu que esse direito é basicamente pessoal, e outra vez reconheceu competência
real ao tema, fica a dúvida quanto ao caráter real ou pessoal;
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7.6.3. Cláusula de venda sobre documentos (arts. 521 a 528)


 Prática de comerciantes e costume dos empresários no mercado internacional; Crédito
documentário ou trust receipt tem por objeto bens móveis, a tradição ou entrega da coisa, é
substituída pela entrega do documento correspondente à propriedade, geralmente o título
representativo do domínio; Sendo prevista a cláusula e e estando a documentação em ordem, não
pode o comprador recusar o pagamento, a pretexto de defeito de qualidade ou do estado da coisa
vendida, salvo se o defeito houver sido comprovado;
 Art. 532, CC: "estipulado o pagamento por intermédio de estabelecimento bancário, caberá a este
efetuá-lo contra a entrega dos documentos, sem obrigação de verificar a coisa vendida, pela qual
não responde. Parágrafo único: Neste caso, somente após a recusa do estabelecimento bancário a
efetuar o pagamento, poderá o vendedor pretendê-lo, diretamente o comprador"
 De acordo com o art. 7º CDC o bancário responde solidariamente; Entende-se que se o caso se
enquadrar nos arts. 2º e 3º do CDC será por ele cuidado;

7.6.4. Cláusula de venda com reserva de domínio


 Pactum reservati dominii; por meio dessa cláusula o vendedor mantém o domínio da coisa
(exercício da propriedade) até que o preço seja pego de forma integral peço comprador (muito
comum na compra e venda de veículos financiados); O comprador recebe a mera posse direta do
bem; Pelos riscos da coisa responde o comprador, a partir de quando ela lhe é entregue; exceção
do res perit domino; chama-se res perit emptoris;
 Propriedade é condicional (evento futuro e incerto), com condição o pagamento integral da dívida
ou da última parcela; Não pode o objeto de venda com reserva de domínio, mas na dúvida, decide-
se pelo adquirente de boa-fé;
 No caso de mora, poderá o devedor: a)promover ação de cobrança das parcelas; b)recuperar a
posse da coisa vendida; erroneamente, poderia se pensar que a medida cabível seja reintegração
de posse, mas é ação de busca e apreensão;
 Art. 525: "O vendedor somente poderá executar a cláusula de reserva de domínio após constituir o
devedor em mora, mediante o protesto do título ou interpelação judicial"; Jurisprudência recente
tem entendido que o protesto já basta para a constituição em mora do devedor; Tartuce entende
que as parcelas, não sendo pagas haverá mora, sem necessidade de notificação;
 Havendo consumo, aplica-se artigo 53 do CDC; A teoria do adimplemento substancial (teoria do
quase cumprimento total do contrato) aplica-se quando grande parte das parcelas já foi paga, não
cabendo ação de busca e apreensão; (boa-fé objetiva e função social dos contratos);
 No caso de busca e apreensão e perdendo o comprador a coisa, ele terá direito de reaver o que
pagou, descontado valores relacionados com a depreciação da coisa;
 É preciso ter em mente que a cláusula de venda com reserva de domínio não se confunde com a
alienação fiduciária em garantia ou com o leasing ou arrendamento mercantil;
Cláusula de venda com Alienação fiduciária em Leasing ou arrendamento
reserva de domínio garantia mercantil
Natureza jurídica de cláusula Constitui direito real de Natureza jurídica de contrato
especial de compra e venda garantia sobre coisa própria típico ou atípico (debate
(art. 521 a 528, CC). (arts. 1361 a 1368, CC). doutrinário e jurisprudencial).
O vendedor mantém a O devedor compra um bem de Constitui uma locação com
propriedade enquanto o terceiro, mas como não pode opção de compram com o
comprador tem a posse direta, pagar o preço, alina-o, pagamento do VRG (Valor
pagas as parcelas adquire-se transferindo a propriedade. O Residual Garantido). A
de forma integral. proprietário do bem é credor jurisprudência vem entendo
fiduciário, mas a propriedade é que o valor pode ser diluído
resolúvel se o preço for pago periodicamente ou integral no
de forma integral pelo final.
devedor.
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A ação cabível para reaver a Ação cabível para reaver a Ação cabível para reaver a
coisa é busca e apreensão, coisa móvel é a busca e coisa é a ação de busca e
prevista no CPC, não cave apreensão prevista no apreensão, conforme o art. 3º
prisão civil. Decreto-lei 911/69. Não cabe § 15 do Decreto-lei 911/96,
prisão, segundo decisão incluído pela lei 13043/14. Não
recente de STF e STJ. cabe prisão civil.

CAPÍTULO 8 - CONTRATOS EM ESPÉCIE - DA TROCA E DO CONTRATO


ESTIMATÓRIO

8.1. Da troca ou permuta

8.1.1. Conceito e natureza jurídica


 As partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro; operam-se ao mesmo
tempo duas vendas e, por isso, aplica-se residualmente a compra e venda;
 O contrato é bilateral e sinalagmático, oneroso, cumulativo e translativo de propriedade; Quanto a
formalidade, assim como a compra e venda pode ser formal ou informal, solene ou não solene;

8.1.2. Objeto do contrato e relação com a compra e venda


 Podem ser trocados todos os bens que puderem ser vendidos; partes devem se preocupar com a
manutenção do sinalagma, não sendo admitida qualquer situação de onerosidade excessiva;
Podem ser aplicadas as regras previstas nos vícios redibitórios e evicção;
 Troca e permuta de bens imóveis é título passível de registro de matrícula imobiliária (Enunciado n.
434, V JDC); apesar das semelhanças com compra e venda, é diferente por não ser dinheiro
utilizado e por na troca o tradente ter o direito de repetir o que deu se a outra parte não lhe
entregar o objeto permutado (na compra e venda uma vez entregue a coisa vendida não poderá
pedir-lhe a devolução no caso de não ter recebido o preço);

8.1.3. Troca entre ascendentes e descendentes


 art. 533, CC, II: "É anulável a troce de valores desiguais entre ascendentes e descendentes se não
houver consentimento dos demais desdentes e do cônjuge do alienante"; Se os valores forem
iguais ou o bem mais valioso pertencer ao descendentes dispensa-se consentimento;
 Para troca haverá necessidade de autorização do cônjuge qualquer que seja o regime de união; o
prazo para anular é de 2 anos;

8.2. Contrato Estimatório ou venda em consignação

8.2.1. Conceito e natureza jurídica


 Entre os arts. 534 a 537 é conceituado como sendo o contrato em que alguém, o consignante,
transfere ao consignatário bens móveis, para que o último os venda, pagando um preço de estima
ou devolva os bens ao fim do contrato;
 É bilateral ou sinalagmático, oneroso (preço de estima) é real (aperfeiçoamento com entrega da
coisa), cumulativo; (Há quem diga que é unilateral); É não solene, pode ser instantâneo ou assumir
forma continuada;

8.2.2. Efeitos e regras do contrato estimatório


 Discussão acerca da natureza jurídica da obrigação, se seria alternativa ou facultativa; Tartuce filia-
se a obrigação alternativa por algumas razões, dentre eles o art. 537 que diz que o consignante não
pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe ser comunicada a restituição; Findo o
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prazo do contrato o consignante terá duas opções: a)cobar o prelo da estima ou b)ingressa com
ação de restituição de posse; Se a conclusão for a de que a obrigação do consignatário é
facultativa, havendo apenas o dever de pagar o preço de estima e uma faculdade quanto à
devolução da coisa, o consignante, não poderá fazer uso da ação de reintegração de posse;
 Art. 253 diz que na obrigação alternativa, se uma das duas prestações não puder ser objeto de
obrigação ou se uma delas se tornar inexequível, subsistirá o débito quanto a outra; O art. 535 diz
que o consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço se a restituição da coisa na sua
integralidade não for possível; Tal similaridade apenas reforça o caráter alternativo, para Tartuce;

CAPÍTULO 9 - CONTRATOS EM ESPÉCIE - DA DOAÇÃO

9.1. Conceito e Natureza Jurídica


 Arts. 538 a 564 - o doador transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o donatário, sem a
presença de qualquer remuneração; por ato de mera liberalidade, sendo benévolo, unilateral e
gratuito; É também consensual (aperfeiçoa com manifestação de vontade) e Cumulativo (partes já
sabem de imediato suas prestações); Pode ser formal e solene (Imóveis com mais de 30 salários)
ou formal e não solene (Imóveis menores e móveis) - O art. 541 dispensa a forma escrita,
autorizando doação verbal pela tradição para móveis de pequeno valor (para calcular o valor leva-
se em conta o patrimônio das partes); interpretação deve ser restritiva (art. 114, CC);
 A aceitação do donatário, para Tartuce, não é elemento essencial, mas sim complementar do
contrato; para que ele seja válido basta a intenção de doar, a aceitação está no plano da eficácia; O
art. 539 diz que pode-se fixar o prazo para aceitação e caso não venha resposta, presume-se aceito
(muda em caso de doação condicional); A aceitação da doação pura e simples para absolutamente
incapaz é dispensada (presume-se que só vai aumentar o patrimônio e trazer benefício); Aceitação
tácita pode vir também do comportamento do donatário, incompatível com a recusa; Pode ser
tácita na hipótese de casamento futuro, ao se casarem (Não aceita-se tacitamente doação com
encargo);
 O doador não é obrigado a pagar juros moratórios nem está sujeito às consequências da evicção ou
de vícios redibitórios, salvo em doações com encargo e remuneratórias (Obrigam até o limite do
serviço prestado ou do ônus imposto); Donatário é obrigado a executar os embargos da doação
caso tenham sido instituídos em favor do doador, de terceiros ou do interesse geral;

9.2. Efeitos e Regras da doação sob prisma de suas modalidades ou espécies

9.2.1. Classificação da doação quanto à presença ou não de elementos acidentais


 Doação pura e simples é aquela feita por mera liberalidade, sem lhe impor qualquer
contraprestação, encargo ou condição
 Doação condicional (condição) tem eficácia subordinada a um evento futuro e incerto - Nascituro,
Casamento, Cláusula de reversão; Doação a termo subordina a um evento futuro e certo (Lapso
temporal) - Não pode ser a morte, caracterizaria herança de pessoa viva;
 Doação modal é gravada com ônus restritivo de liberdade (Doa terreno onde vai construir a casa);
Para Tartuce é unilateral imperfeita (Não bilateral como defendem alguns) pois não constitui um
dever jurídico a fazer com que o contrato seja sinagmático;

9.2.2. Doação remuneratória


 Doação de retribuição a um serviço prestado, não pode ser exigida pelo donatário (doação de um
automóvel ao médico que salvou a vida); Esta análise é pertinente por 3 coisas: I - cabe alegação de
vício redibitório quanto ao bem doado já que é onerosa; II - Não se revogam por ingratidão as
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doações puramente remuneratórias (art. 564, I); III - As doações remuneratórias de serviços feitos
ao ascendente não estão sujeitas a colação;

9.2.3. Doação contemplativa ou meritória


 Art. 540, CC é feita em contemplação a um merecimento do donatário, por sua qualidade pessoal
(Doa livros a um professor pois aprecia seu trabalho);

9.2.4. Doação a nascituro


 Art. 542 do CC: "A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal";
Aceitação deve ser manifesta pelos pais ou curador (com autorização judicial); A aceitação está no
plano de validade, o nascimento de eficácia já que existe mera expectativa de direitos;
 Há jurisprudência reconhecendo a possibilidade de doação para prole eventual; Caso decorrido
dois anos após a abertura da sucessão do doador, não for concebido o donatário, o bem será
destinado a herdeiros legítimos;

9.2.5. Doação sob forma de subvenção periódica


 Doação de trato sucessivo, o doador estipula rendas a favor do donatário; por regra tem causa
extintiva a morte do doador ou do donatário, mas poderá ultrapassar vida do doador (não
donatário);
 Diferencia do contrato de constituição de renda sobre bem imóvel já que este é gênero, a doação é
espécie; a doação é gratuita e o contrato de renda pode ser oneroso; Contrato de renda sempre
está ligado ao imóvel e esta doação ao patrimônio;

9.2.6. Doação em contemplação de casamento futuro (doação propter nuptias)


 Doação propter nuptias é aquela realizada em contemplação de casamento futuro com pessoa
certa e determinada (condicional); O art. 546 não se aplica a união estável até pela dificuldade de
se apontar o plano fático de sua existência (Nada impede doação condicionada a começar a viver
com outrem);

9.2.7. Doação de ascendente a descendente e doação entre cônjuges


 Art. 544 do CC importam no adiantamento que lhes cabe na herança; o objetivo é a proteção da
quota dos herdeiros; A doação deverá constar no inventário sob pena de sonegação; É possível que
o doador dispense essa colação; Poderá haver doação de um cônjuge para outro no regime de
separação; STF entendeu ser nula a doação entre cônjuges no sistema de comunhão universal;
 Essa doação não pode implicar fraude à execução (ineficaz), Fraude contra credores (anulável),
Simulação ou Frauda à lei (nulas);
 Sobre a possibilidade de doação no regime de separação total, Tartuce é adepto a teoria da
manutenção da Súmula 377 pela qual nesse regime comunicam-se os bens havidos durante o
casamento; Se há comunicação de alguns bens, a separação não é tão obrigatória assim, não
havendo óbice para doação;
 O art. 544 não se estende aos conviventes, porque companheiro não é herdeiro necessário e
porquê a norma é especial e restritiva;

9.2.8. Doação com cláusula de reversão


 É aquela que o doador estipula que os bens doados voltem ao seu patrimônio se sobreviver ao
donatário (art. 547); intento do doador de beneficiar somente o donatário e não seus sucessores;
Só tem eficácia se o doador sobreviver ao donatário, caso contrário, incorporaram-se ao
patrimônio do segundo; Cláusula é personalíssima (não transfere a terceiro);
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 Essa cláusula não constitui inalienabilidade do bem, mas a doutrina tradicional entende que
falecendo o donatário o bem volta ao doador (posicionamento que deve mudar);

9.2.9. Doação conjuntiva


 Conta com a presença de dois ou mais donatários; presente uma obrigação divisível e divisão
presumidamente igualitária;
 Por regra, não há direito de acrescer, falecendo um deles a quota será distribuída para os
sucessores (salvo contrato ou lei digam oposto); O art. 551 constitui exceção dizendo que o direito
de acrescer é possível no caso de donatários marido e mulher;

9.2.10. Doação manual


 Doação de bem móvel de pequeno valor pode ser celebrada verbalmente, desde que seguida da
entrega imediata do bem; denomina-se doação manual; Exceção a regra da forma escrita; Bem de
pequeno valor depende de análise casuística (principio da razoabilidade) mas na dúvida prevalece
o contrato (princípio da conservação contratual);

9.2.11. Doação inoficiosa


 Art. 549 é nula quanto à parte que exceder o limite de que o doador, no momento da liberalidade,
poderia dispor em testamento; prejudica a legítima; essa nulidade, diferente das demais cabe
somente a parte que excede a legítima (Patrimônio de 100 mil, doou 70, a nulidade cabe aos 20);
 Valor a ser apurado deve levar em conta o momento da liberalidade não da sucessão; como é de
ordem pública não está sujeita a prescrição a decadência - não precisa aguardar o falecimento
(outro entendimento existe dizendo que por ser patrimonial tem prazo de 10 anos - art. 205); fato
é que o autor da ação terá quer ser interessado, ou seja, herdeiros necessários do doador;

9.2.12. Doação universal


 Nula é a doação de todos os bens sem reserva do mínimo para a sobrevivência do doador (art. 548,
CC); Princípio da proteção a dignidade da pessoa humana, deve ser assegurado o mínimo para sua
sobrevivência; A nulidade, por ser de ordem pública pode ser pedida a qualquer tempo;
 É possível tal doação desde que se faça um usufruto com reserva de renda e alimentos;

9.2.13. Doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice


 Enuncia o art. 550 que é anulável a doação do cônjuge ao seu cúmplice, desde que proposta ação
anulatória pelo outro cônjuge ou herdeiros necessários, dois anos depois de dissolvida a sociedade
conjugal; Dispositivo não se aplica se o doador viver com o donatário; aplica-se somente aos
casados, não a separados ou solteiros;
 Problema em relação com o art. 1642, V que diz que qualquer que seja o regime de bens tanto
marido quanto mulher podem reivindicar os bens comuns doados ou transferidos pelo outro
cônjuge ao concubino; o 550 diz em anulação o 1642 em ação reivindicatória;

9.2.14. Doação a entidade futura


 Lei possibilita a doação a uma pessoa jurídica que ainda não exista (art. 554) se a entidade não
estiver constituída num prazo de 2 anos, caducará; chama-se doação com condição suspensiva;

9.3. Da promessa de doação


 Discute-se a viabilidade da promessa de doação; Tartuce acredita que não há óbice já que o
ordenamento não proíbe a prática; o art. 466 é um sustentáculo a essa possibilidade assim como o
enunciado 549 da VI JDC que diz: "a promessa de doação no âmbito da transação constitui
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obrigação positiva"; o futuro beneficiário é investido do direito de exigir o cumprimento da


promessa de doação da coisa;
 O STJ já reconheceu a eficácia da promessa de doação;

9.4. Da revogação da doação


 Revogação é forma de resilição unilateral; forma de extinção do contrato; direito potestativo a
favor do doador; Revogação pode acontecer por dois motivos ingratidão, matéria de ordem
pública art. 556, CC; é proibida a renúncia prévia do direito de revogar; nula a cláusula em que se
abre mão da cláusula de renúncia;
 Art. 557 traz rol de motivações para revogação por ingratidão: a) Donatário atentar contra a vida
do doador; b) cometer ofensa física; c) injuriou gravemente; d) recusou ao doador alimentos que
necessitava; Esse rol é de natureza exemplificativa não taxativa; caracterizando ingratidão como
violações da boa-fé objetiva;
 Também pode ocorrer quando ofendido for cônjuge, ascendente, descendente, ainda que adotivo
ou irmão do doador (art. 558); Art. 561 diz que no caso de homicídio doloso contra o doador a ação
caberá aos herdeiros; A revogação por ingratidão não prejudica direito adquirido por terceiros,
nem obriga ao donatário devolver frutos percebidos até a citação válida (art. 563);
 Não é admitida a revogação (564): a) doações puramente remuneratórias; b) doações modais com
encargo já cumprido; c) Doações relacionadas com o cumprimento de uma obrigação natural
incompleta; d) Doações propter nuptias;
 O art. 559 diz que o prazo quanto a revogação é de um ano e isso, aplica-se tanto na revogação
quanto na inexecução de encargo (quanto a segunda hipóteses alguns acreditam ser o prazo de 10
anos, art. 205, CC); Lei 12122/09 diz que a revogação segue rito sumário;

CAPÍTULO 10 - CONTRATOS EM ESPÉCIE - LOCAÇÃO DE COISAS E FIANÇA

10.1. Locação. Conceitos Gerais


 Sentido amplíssimo locação é quando uma das partes, mediante remuneração, compromete-se a
fornecer à outra, por certo tempo o uso de uma coisa não fungível, a prestação de um serviço ou a
execução de uma obra determinada; Seria a Locação de coisas (locatio rei); Locação de serviços
(locatio operarum); Locação de obras ou empreitada (locatio operis faciendi) - o CC diz que apenas
a locação de coisas é espécie de locação;
 Termos locação e arrendamento são muitas vezes utilizados como sinônimos, mas usa-se locação
para imóveis urbanos e arrendamento para os rurais e rústicos;

10.2. Locação de coisas no Código Civil (arts. 565 a 578 do CC)


 Contrato pelo qual uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso
e gozo de coisa não fungível, mediante certa remuneração, denominada aluguel; Diferencia do
empréstimo pela existência de remuneração. um modo de locação é ad pompam vel ostenationem
(vinho para ornamentar festa);
 Forma pode ser qualquer uma inclusive a verbal; contrato consensual e informal; com prazo
determinado ou indeterminado (silêncio presume-se indeterminação); Pode ter como objeto
móveis ou imóveis; Imóveis podem ser urbanos (Lei de Locações - 8.245/91) ou Rural (Estatuto da
terra - 4.505/64); O locador é obrigado a entregar ao locatário a coisa;
 Ocorrendo deterioração da coisa sem culpa do locatário aplica-se a regra res perit domino; Locador
deve resguardar o locatário contra turbações e esbulhos; responderá o locador por vícios e
defeitos do produto;
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 Art. 569 diz que são obrigações legais do locatário: a) Servir-se da coisa; b) Pagar pontualmente o
aluguel; c) Levar ao conhecimento do locador esbulho; d)) Restituir a coisa quando finda a locação;
Se a locação for estipulada em prazo fixo, antes do seu vencimento não poderá o locador reaver a
coisa alugada a não ser que indeniza o locatário; Somente poderá devolver a coisa pagando a
multa prevista no contrato, proporcionalmente ao tempo que restar;
 A multa ser proporcional ao tempo que restar deve-se a função social do contrato e caso a multa
seja muita onerosa o juiz deve reduzi-la; O art. 572 diz: "Será facultado ao juiz fixá-lo em vases
razoáveis"; O art. 413 diz: "penalidade deve ser reduzida"; Há uma divergência entre a faculdade
e/ou o dever do juiz em acertar a pena, Tartuce acompanha o dever para imóveis urbanos sendo o
572 aplicado somente em locações que seguem a codificação privada;
 Art. 4º da LL diz que" durante o prazo estipulado para duração do contrato, não poderá o locador
reaver o imóvel alugado. O locatário, todavia, poderá devolvê-lo pagando a multa pactuada,
proporcionalmente ao período de cumprimento do contrato ou, na sua falta, a que for
judicialmente estipulada" - diálogo de fontes 413, CC art. 4º LL;
 A locação cessará de pleno direito com o término do prazo estipulado e independentemente de
qualquer notificação ou aviso; Findo o prazo da locação e, sem oposição do locador, o locatário lá
permanecer, compreende-se que houve prorrogação com prazo indeterminado;
 Sendo alienada a coisa, o novo propietário não será obrigado a respeitar o contrato a não ser na
sua vigência ou com cláusula de vigência no caso de alienação; Morrendo o locador ou locatário,
transfere-se a locação para herdeiros; Quanto as benfeitorias se pagará as necessárias e úteis
autorizadas, lembrando que a Súmula 158 do STF permite a renúncia à indenização de benfeitorias
no contrato;

10.3. Locação de urbano residencial ou não residencial. Estudo da lei de locação (Lei 8.245/91) e
das alterações incluídas pela lei 12.112/09

10.3.1. Introdução
 Lei de Locação constitui um microssistema jurídico que regulamente locação de imóveis urbanos
residenciais e não residenciais; Objetivo no inicio era liberação do mercado, construção de imóveis
para locação e aceleração da prestação jurisdicional; Não é uma norma protetiva do locatário, mas
as inovações mais protegem o locador e o fiador; CC tem aplicação subsidiária;
 Critério utilizada para diferenciação entre rural e urbano é a destinação: urbano (residência,
indústria, comérico) e rural (agricultura, pecuária);
 art. 1º da LL diz que a norma não terá incidência nos casos de locação de imóveis: a)Públicos ou
bens que integram o patrimônio público (Lei de Licitações); b) Vagas autônomas de garagem ou
espaços destinados a veículos (podem entrar na LL como acessórios que seguem principal, sozinho
aplica-se CC); c) Espaços publicitários e outdoors (CC); d) Locação de espaços em hotéis residência,
flat (CC ou CDC); e) Arrendamento Mercantil - leasing (Lei n. 6.099/74 e Lei n. 11.649/08);
 Entende-se majoritariamente a não subsunção de imóveis urbanos ao CDC; Tartuce alega que caso
o locador seja um profissional nessa atividade isso pode ser caracterizado; e o locatário pode ser
um consumidor por equiparação ou bystander;

10.3.2. Características e regras gerais da Lei de Locação. Aspectos Materiais


 Art.2º da LL diz que havendo pluralidade de locadores e locatários todos serão solidários entre sí,
salvo estipulação em contrário; Parágrafo único presume a solidariedade também nas habitações
coletivas (residência de várias pessoas sem relação de parentesco); Como a experiência revela que
a localçao de imóveis coletivos são em maioria verbais, inverte-se no caso o ônus da prova;
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 Art. 3º diz que se o contrato for celebrado com prazo superior a 10 anos, haverá necessidade de
outorga uxória, caso não haja o cônjuge não responde depois disso; José Fernando Simão defende
que ela é dispensada em caso de separação absoluta; não aplica-se a união estável
 Durante o prazo convencionado não poderá o locador reaver o imóvel alugado; Frise-se ainda que
a Lei n. 12.744/12, que trata da locação nos contratos de construção ajustada ("built-to-suit"),
introduziu outra alteração no comando ao estabelecer que a redução da multa não é cabível em
tais contratos, valorizando a autonomia privada;
 Ação para reaver é despejo e NÃO reintegração de posse; Essa ação de despejo não
necessariamente será proposta pelo proprietário, o usufrutuário tem legitimidade (exemplo); LL
especifica as hipóteses nas quais é exigida a prova das propriedades para o ajuizamento da ação de
despejo; nos demais casos atenta-se a natureza pessoal;
 art. 6º da LL dispõe que o locatário poderá denunciar a locação por prazo indeterminado a
qualquer tempo, mediante aviso por escrito ao locador; No que concerne ao aluguel, enuncia o art.
17 da LL que é livre a sua convenção, vedada estipulação em moeda estrangeira; O aluguel não
pode ser cobrado antecipadamente salvo na locação por temporada ou ausência de garantias (art.
20, LL); o índice e periodicidade dos reajustes são previstos na legislação específica; Não pode se
configurar onerosidade excessiva;
 O aluguel da sublocação não poderá exceder o da locação (art. 21, LL) exceto a feita para
habitações coletivas multifamiliares (máximo o dobro); Ação de despejo deve ser proposta pelo
adquirente do imóvel, tendo igual direito o promissário comprador e promissário cessionário;
 Art. 9º da LL diz os casos gerais que geram denúncia cheia, motivada, cabíveis no contrato: a)
Mútuo acordo descumprido; b) Prática de infração contratual; c) falta de pagamento de aluguéis;
d) Realizações de reparos urgentes determinados pelo poder público; art. 7º diz que também
elenca como extinção a extinção do usufruto ou do fideicomisso (prazo de 90 dias para denúncia);

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