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ARTIGOS INÉDITOS JAN/DEZ 2009 73

Avaliação de políticas públicas de turismo a partir do estudo


etnográfico entre trabalhadores informais da Praia do Futuro
em Fortaleza1

Evaluation of public policies in tourism from the ethnographic


study of informal workers in Praia do Futuro in Fortaleza

Evaluation des politiques publiques dans le tourisme: l’étude


ethnographique des travailleurs du secteur informel à Praia
do Futuro/Fortaleza

Evaluación de políticas públicas en el turismo desde el estudio


etnográfico de los trabajadores informales en la Praia do
Futuro en Fortaleza

Ivo Luis Oliveira Silva*


Alcides Fernando Gussi**

Resumo: Este artigo pretende oferecer sub- Abstract: This article aims to provide subsi-
sídios para uma avaliação de políticas públi- dies for an evaluation of public policies for
cas de turismo no Ceará, considerando suas tourism in Ceará, considering their interface
interfaces com o mundo do trabalho. Para with the world of work. For that, it focuses
tanto, centra-se na investigação das políti-
on the research of tourism policies in the city
cas de turismo na cidade de Fortaleza em
dois momentos: o primeiro, o da construção of Fortaleza in two stages: the first, the
histórica das políticas públicas de turismo no historical development of public policies for
Ceará; o segundo momento apresenta os re- tourism in Ceará; the second stage presents
sultados de uma pesquisa, de caráter the results of a ethnographic, between the
etnográfico, entre os ambulantes da Praia do informal traders of Praia do Futuro which had
Futuro que teve como intuito investigar como the intention to investigate how they conduct
esses realizam o seu trabalho nesse espaço their work in this space and construct their
e constroem suas representações sobre o
representations own. In conclusion, it was
mesmo. Como conclusão, verificou-se que as
found that the tourism policies Ceará not
políticas de turismo cearense não se articu-
lam às demandas dos trabalhadores informais, articulate the demands of informal workers,
reforçando a precariedade de seu trabalho. reinforcing the precariousness of their work.

Palavras-chave: turismo, avaliação, políti- Keywords: tourism, evaluation, public policy,


cas públicas, trabalho, Praia do Futuro. work, Praia do Futuro.

* Mestre em Avaliação de Políticas Públicas pelo Mestrado em Avaliação de Políticas Públicas da Universidade
Federal do Ceará (Mapp/UFC)
** Historiador, mestre em Antropologia Social e doutor em Educação pela UNICAMP. Professor do Departamento
de Economia Doméstica e do Mestrado em Avaliação de Políticas Públicas da UFC. E-mai: agussi@uol.com.br
74 JAN/DEZ 2009 ARTIGOS INÉDITOS

Introdução Este artigo


apresenta subsí-
tendo-se aos interesses do capital e das
políticas neoliberais, em detrimento do de-
dios para a uma senvolvimento propriamente dito. Este pro-
avaliação das políticas públicas de turismo, cesso surge como um meio de crescimento
considerando as transformações contempo- e exploração do turismo e possui em sua di-
râneas do mundo do trabalho. Para tanto, nâmica o processo de apropriação do espa-
apresentamos aqui investigação realizada ço e a exclusão da população local do pro-
centrada na avaliação das políticas públicas cesso produtivo e de “participação”, em que
de turismo na cidade de Fortaleza, apresen- o turismo faz uso dos processos de trans-
tada aqui em dois momentos: o primeiro, em formação dos territórios para o seu próprio
que realizamos a construção histórica das uso. Assim esse processo é entendido por
políticas públicas de turismo no Ceará; no Cruz: “a força do turismo é dada por sua
segundo momento, apresentamos os resul- capacidade de criar, de transformar e, inclu-
tados de uma pesquisa de caráter etno- sive, de valorizar, diferencialmente, espaços
gráfico entre os trabalhadores informais da que podiam não ter valor no contexto da
Praia do Futuro2 . Composta por uma exten- lógica de produção” (CRUZ, 2000, p. 17).
sa área litorânea, dividida como Praia do Fu- Dessa forma, o discurso contido nas polí-
turo I e II, o seu território abrange o Bairro ticas públicas de que “todos” ganham com o
Serviluz ao Caça e Pesca, aproximadamente turismo encobre as contradições e as diver-
7,5 km de extensão. Tal território está sob sas formas de exploração do trabalho. Par-
jurisdição da Secretaria Executiva da Regio- tindo disso, entendemos que as políticas de
nal II, na cidade de Fortaleza. O mapa, abai- turismo no Ceará são norteadas por uma ideia
xo, apresenta a visualização do lugar. de desenvolvimento associada ao progresso
e ao desenvolvimento econômico, e não ao
desenvolvimento social o que, em decorrên-
cia disso, leva à exclusão social.
Assim, consideramos que o turismo não
deve ser concebido apenas como uma mera
atividade econômica, mas sim como um com-
plexo processo de intervenção capaz de
modificar – para melhor – as condições de
vida das comunidades receptoras.
Resta saber como as políticas públicas de
turismo do Ceará, sobretudo as que atingem
os trabalhadores informais da Praia do Futu-
ro, traduzem esses pressupostos: é essa in-
quietação de que nos move neste artigo.

Localização aérea do litoral de Fortaleza. Políticas de turismo no estado


Fonte: www.earth.google.com.br
do Ceará
Finalmente, neste artigo, articulamos es-
ses dois momentos, com reflexões finais vi-
sando avaliar em que medida as políticas de As políticas de turismo no Ceará remon-
turismo vêm permitindo a inclusão social do tam, historicamente, como marco legal, em
segmento de trabalhadores informais, visan- 1957, à instituição da lei para a criação do
do também oferecer subsídios para a formu- Conselho Municipal de Turismo, órgão que
lação de futuras políticas. se incumbiria de planejar as atividades tu-
Partimos do pressuposto central de que a rísticas na capital, no governo de Acrísio
atividade turística estaria voltada para a Moreira da Rocha, através da lei n° 1.249/
mercantilização do lugar, acuada pelo “pro- 57. Porém, apenas em 1971 foi criado o pri-
cesso de turistificação do espaço”, subme- meiro órgão oficial de turismo a EMCETUR -
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Empresa Cearense de Turismo. (BENEVIDES, de Mudança, para o período de 1987 a 1990,


1998, p. 54). Antes disso, relatos históricos no qual vislumbra o turismo como uma saída
anteriores à criação da EMCETUR demons- viável para o crescimento da economia local,
tram que a promoção do turismo do Ceará propondo, então, aproveitar o potencial tu-
era coordenada por ações isoladas do go- rístico como uma alavanca para o desenvol-
verno estadual. A atividade no estado tinha vimento. Entre as diretrizes básicas, “a prin-
uma “ínfima importância sobre sua estrutura cipal era transformar o turismo na maior in-
sócio-espacial, o que se refletia na ausência dústria do Estado” (CORIOLANO, 1998, p. 76).
de ações por parte do setor público”. Nesse período, a ideia de salvar a econo-
(BENEVIDES; 1998, p.54) mia do estado a partir da atividade turística
A atividade turística passou a ser alvo foi responsável pela disseminação do fenô-
dos interesses econômicos no Ceará, sobre- meno do turismo tido como a indústria “sem
tudo a partir da década de 1970. Nesse pe- chaminés” ao ser considerado pelo governo
ríodo, o litoral passou por mudanças, quan- Tasso como propulsor para o desenvolvimento
do a sua ocupação passou a ser redirecionada de outros setores da economia.
para a atividade turística. Em 1971, o go- Em 1989, o governo Tasso Jereissati ela-
vernador César Cals de Oliveira Filho elabo- borou o Programa de Desenvolvimento do
rou um plano de ação denominado de PLAGEC Turismo do Litoral Cearense - PRODETURIS
– Plano de Governo do Estado do Ceará que com o objetivo de “mapear e organizar o es-
tinha como principal objetivo “o crescimento paço físico de todo o litoral cearense, com
do Estado, se orientado pela política nacio- vistas a detectar suas potencialidades de
nal”. (ROMERO, 2000, p.81). investimentos públicos e privados” (CEARÁ,
A partir de 1978, o IPLANCE - Instituto 1994, p.19-20), com a perspectiva de esta-
de Planejamento do Ceará prestou uma in- belecer uma ação direcionada para os em-
tensa colaboração ao conhecimento dos re- preendimentos turísticos, de forma planeja-
cursos turísticos do estado, elaborando o I da e integrada. Para isso, o Ceará foi divido
Plano Integrado do Desenvolvimento Turísti- em regiões turísticas, cuja divisão mais tar-
co do Estado do Ceará 78/80 por meio do I de viria subsidiar estudos para formulação
Programa Estadual de Férias Turísticas. O do Programa do Desenvolvimento do Turismo
programa tinha como objetivo “o desenvol- do Nordeste - PRODETUR/NE, financiado pelo
vimento equilibrado do mercado turístico ade- Banco Internacional para a Reconstrução e
quando os elementos que conformam a oferta o Desenvolvimento BIRD.
de bens e serviços às exigências atuais e Em 1994, no governo de Ciro Gomes, su-
futuras da demanda” (CEARÁ; 1981 p. 11). cede com a continuação do modelo da polí-
A organização da atividade turística pelo tica cearense “tassista”, considerado um
estado levou à sucessiva criação de órgãos caso paradigmático dos processos de inves-
estaduais do setor ao longo do tempo. As- timentos em infraestrutura e na consolida-
sim, ações específicas de turismo, foram ção de uma imagem que carregava em si o
desenvolvidas pela Empresa Cearense de mérito de um governo de mudanças. A polí-
Turismo (EMCETUR), posteriormente deno- tica pública tinha como meta a inserção do
minada Companhia de Desenvolvimento In- planejamento turístico centralizado no de-
dustrial e Turismo do Ceará (CODITUR), pos- senvolvimento econômico a partir das ações
teriormente pela Fundação de Turismo de em promoção e infraestrutura turística, ca-
Fortaleza (FORTUR), até se constituir, em bendo “ao Estado estimular a formação de
1995, a Secretaria de Turismo do Estado do parcerias estratégicas para a promoção da
Ceará (SETUR). Destaca-se que, a partir de atividade turística em todo o Ceará”. (CEA-
1989, o turismo em Fortaleza inicia-se uma RÁ, 1994, p. 20).
trajetória das grandes perspectivas com a No Ceará, segundo uma ótica de política
criação de políticas públicas específicas para de desenvolvimento regional, a atividade tu-
o setor e com o mapeamento das poten- rística tem assumido, nos vários planos de
cialidades turísticas (CEARÁ, 1996). ação dos quatro últimos governos estaduais
Em um momento posterior, o governo Tas- - período de Tasso Jereissati (1987-1990;
so Jereissati, em 1987, apresentou o Plano 1995-1998; 1999-2002), intercalado pelo
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governo de Ciro Gomes (1991-1994), segui- Secretaria do Meio Ambiente do Estado do


do por Lúcio Alcântara (2003-2006) e atual- Ceará - SEMACE.
mente por Cid Gomes (2006-2010), - uma Com a mudança de governo em 2000, o
atribuição relevante para se conceber o de- então secretário de Turismo, Sr. Raimundo
senvolvimento econômico do estado, e tam- José Marques Viana, renomeou o projeto e
bém ser responsável pela diversificação pro- sua amplitude, intitulando-o “Atendimento da
dutiva do estado. Qualidade”. O projeto ampliou sua área de
Assim como as demais capitais do Nor- atuação, deixando a Praia do Futuro e pas-
deste, Fortaleza foi modelada por ações de sando a agrupar outros espaços turísticos
“turistificação” conduzidas por políticas pú- da cidade, tais como o Centro Dragão do
blicas justificadas pelo viés econômico. A Mar, Mercado Central, Praça do Ferreira,
estratégia é criar condições para produção Centro de Artesanato Luiza Távora, o cen-
de territórios turísticos, apoiando-se em tro comercial de compras da avenida
ações que se justificam por serem destina- Monsenhor Tabosa, a Praia de Iracema e a
das ao desenvolvimento econômico da cida- avenida Beira-Mar. Com esse deslocamento,
de. Este processo representa a formulação perdeu-se a dimensão da educação ambiental
e implementação de políticas públicas de tu- e passou-se a trabalhar com a questão da
rismo construídas com o propósito de au- informação turística, da promoção do desti-
mentar o fluxo turístico, desenvolver a no turístico e a pesquisa de satisfação.
infraestrutura e atrair grandes investimen- Em 2003, a mudança de governo leva tam-
tos para o setor. Durante esse processo, no bém o projeto a mudar novamente. Na ges-
discurso oficial, a atividade turística tam- tão de Lúcio Gonçalo de Alcântara, o então
bém é considerada como componente im- secretário de Turismo do Estado, Sr. Allan
portante para resolução do desemprego na Pires de Aguiar renomeou o projeto para
cidade. “Atendimento ao Turista”, que permaneceu
A Praia do Futuro passa a ser contempla- até 2005. Nessa terceira fase, o projeto con-
da pelas políticas públicas apenas a partir tinuou na perspectiva da promoção e pes-
de 1997, quando se desenvolveram as pri- quisa, mas não mais trabalhava com a
meiras atividades turísticas voltadas para a mobilização da comunidade e nem com a re-
Praia do Futuro. Nesse ano, é executada a alização de campanhas educativas.
primeira ação na Praia do Futuro com um Devido a ausência de dados nos órgãos
projeto intitulado como Brigada da Qualida- públicos pesquisados, não podemos avaliar
de. O seu objetivo foi o de trabalhar com a a efetividade destes projetos. Não há refe-
capacitação de alunos para a formação de rências quanto aos seus custos, à opera-
educadores ambientais e pesquisadores cionalização dos cursos realizados no âmbi-
(censitários) do turismo. Os alunos passa- to dos mesmos, a frequência dos alunos, a
vam pelo processo de treinamento e logo quantidade de trabalhadores atendidos, as-
após recebiam fardamento, que os diferen- sim como não há como medir a evolução e
ciava dos transeuntes locais. As principais os resultados aplicados durantes os anos em
ações desenvolvidas nesse projeto eram que o projeto vigorou. Recorre-se à ideia de
encabeçadas pelas campanhas de educação que o projeto possa de alguma maneira ter
ambiental, pretendendo despertar, nos influenciado na vida de algum indivíduo iso-
frequentadores, turistas e trabalhadores (for- ladamente, mas no tocante ao coletivo dos
mais e informais) locais, a conscientização grupos atendidos pelo mesmo não se perce-
para a limpeza das praias. be mudanças.
O projeto continha ações isoladas, pas- Especificamente, o projeto com o vende-
sando a atuar apenas no período da alta es- dor ambulante da Praia do Futuro pretendia
tação turística e contava, ainda, com a dis- contribuir com o desenvolvimento social a
tribuição de material promocional e a aplica- partir da atividade do turismo por meio da
ção de questionários a fim de analisar o per- identificação e capacitação dos profissionais
fil socioeconômico dos visitantes em Forta- autônomos engajados na prestação dos ser-
leza. Dessa iniciativa, surgiram outros pro- viços ao turista na orla marítima de Fortale-
jetos como o “Praia Limpa”, desenvolvido pela za. Além disso, visava à sensibilização para o
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desenvolvimento do espírito coletivo de ci- Na orla, essa mesma dualidade é identificada


dadão e a conscientização para a importân- pela heterogeneidade dos empreendimentos
cia e os benefícios que a atividade turística turísticos em toda extensão da Praia do Futu-
podia trazer para a comunidade receptora. ro. Barracas de praias são complexos segmen-
Segundo nossos estudos sobre o anda- tos de serviços e produtos que coabitam com
mento dos projetos, diagnosticamos a práti- equipamentos abandonados e de precários
ca do seu recomeço a cada novo mandato, equipamentos. Não é difícil encontrar barra-
do desprezo pelo que se construiu em ges- cas em condições de higiene e estrutura física
tões passadas, da alteração de políticas e comprometidas. Há existência de vazios na
práticas que se mostraram exitosas, muitas ocupação da orla pelas barracas de praia.
vezes decorrentes de posições personalistas A intensa procura das praias como desti-
ou da não consideração da importância da no turístico tem proporcionado o desenvol-
atividade, o que resultou no desperdício dos vimento de um vasto conjunto de atividades
recursos. ligadas a alojamento, entretenimento e ali-
Entendemos que a adoção das políticas mentação. O turismo se constitui como fa-
públicas voltadas para o desenvolvimento do tor evidente de crescimento econômico. Nes-
turismo deve vincular-se a três requisitos sa intensa relação comercial, o espaço pú-
fundamentais: a transversalidade da ativi- blico passa a ser ocupado para fins exclusi-
dade, a continuidade das ações desenvolvi- vamente econômicos. Com a construção des-
das e a participação da comunidade. Não foi ses equipamentos, cria-se uma apropriação
o caso das políticas levadas a cabo na Praia nos espaços públicos que provocam um efeito
do Futuro e que envolviam a comunidade lo- de constrangimento e separação social en-
cal, sobretudo os trabalhadores informais da tre visitantes e população do entorno. Re-
praia, no contexto das políticas de turismo percute, assim, na dinâmica urbana via uma
do Ceará. seletividade que prioriza o visitante, em de-
Como contribuição para a elaboração de trimento daqueles de menor poder aquisiti-
vo, ampliando, assim, a exclusão social.
políticas públicas que levem em considera-
Desse modo, podem-se perceber como
ção os requisitos aqui apontados, realiza-
diferentes territórios passam a “conviver” num
mos uma pesquisa de caráter etnográfico
mesmo espaço. Na Praia do Futuro, verifica-
entre os ambulantes da Praia do Futuro, com
se a existência destes territórios, partindo
o intuito de reorientar essas políticas, se-
das barracas de praia, podendo-se destacar
gundo nosso pressuposto anteriormente pos-
a característica seletiva e excludente da
to, o de que o turismo não deve ser conce-
atividade turística, criando espaço de con-
bido apenas como uma mera atividade eco-
sumo, de uso praticamente exclusivo dos
nômica, e sim como um complexo processo
turistas causando a segregação dos outros
de intervenção capaz de modificar, para me-
frequentadores, que ficam á margem dos
lhor, as condições de vida das comunidades
atrativos criados para o turismo. Do ponto
receptoras.
de vista social, trata-se de um modelo de
turismo que segrega e excludente para a
demanda de menor poder aquisitivo.
Observando de perto os Notório destacar a importância da econo-
ambulantes da Praia do Futuro mia da Praia do Futuro, mas contraditoria-
mente, põe em xeque a capacidade do es-
paço como uso comum. A segregação cada
No espaço da área da Praia do Futuro e vez maior dos seus habitantes em áreas
adjacências identifica-se uma dura realida- privatizadas e exclusivas acaba por referen-
de social . No entorno das dunas que dar um modelo de desenvolvimento de turis-
margeiam a Praia do Futuro, verifica-se con- mo aplicado no estado do Ceará.
juntos residenciais de alto padrão, com resi- Na Praia do Futuro, constatam-se, com
dências suntuosas de famílias abastadas facilidade, inúmeras restrições que alguns
convivendo com famílias de baixa renda em estabelecimentos comerciais fazem em rela-
aglomerados de barracos. ção a livre circulação dos vendedores am-
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bulantes. As barracas investem em seguran- uma tríplice abordagem: jurídico-política,


ça pessoal, cercas artificiais (telas de pro- econômica e cultural. Assim, os conflitos de
teção) e naturais (pinheiros, cocos) que de- poder e a relação com o território se vislum-
marcam o território. Trata-se de uma segu- bram quando os ambulantes são proibidos
rança pesada, que delimita os espaços, ain- de circular na área de alvenaria reservada
da que não minimize um certo sentimento de às barracas.
insegurança. No espaço da Praia do Futuro, padrões
Quanto à ocupação do espaço pelos tra- de migração inter-regional, interestadual
balhadores informais na Praia do Futuro, o podem ser encontrados facilmente entre os
trabalho de campo identificou alguns com- ambulantes. A crescente complexidade da
portamentos, sendo um deles a valorização relação migração-emprego pode ser vista
de espaços comerciais mais cobiçados, como parte do processo de reestruturação
apossados e demarcados por grupos conso- produtiva, que, com mudanças nas formas
lidados, enquanto outras áreas estão sem de inserção no mercado de trabalho, torna-
ocupação. Essa demarcação se dá por al- se o elemento fundamental para o entendi-
guns grupos de trabalhadores informais con- mento da nova configuração espacial da mi-
solidados, como é o caso dos vendedores gração e da urbanização, e das inter-rela-
de água de coco que quase de forma ções entre as dinâmicas regionais. Mais da
contratual-informal passam a ser solicitados metade das razões para migrar, dentre os
pelos funcionários das barracas, na qual o que entrevistamos, contudo, referem-se a
trabalhador informal está localizado. motivos não necessariamente relacionados
De alguma forma, olhar de perto os am- a emprego. No atual contexto de distribui-
bulantes da Praia do Futuro se assemelha a ção espacial da população, marcado por
olhar para sujeitos tão próximos do cotidia- movimentos migratórios diversos, outras di-
no da cidade, mas ao mesmo tempo tão dis- mensões, além da econômica, passam a ter
tantes do conjunto da sociedade. significativo papel na decisão de migrar.
Nesse sentido, abordando os conflitos Percebe-se, na observação com os infor-
ocasionados pela presença dos vendedores mais, uma mobilidade humana diária entre os
ambulantes na Praia do Futuro, Ximenes bairros da cidade e Praia do Futuro. O moti-
(2006) expõe a existência de uma verdadei- vo central do deslocamento urbano é a di-
ra batalha travada nas areias da Praia do nâmica e a instabilidade do emprego e a ge-
Futuro, que também verificamos na pesqui- ração de informais dentro desse sistema. O
sa de campo. De um lado, vendedores am- fato é que as pessoas que perderam o em-
bulantes e donos de barracas. No meio do prego encontram ocupação no mercado in-
embate, os frequentadores do local. Os pro- formal, movidas pela crença de que o turis-
prietários dos estabelecimentos reclamam que mo é bom e a Praia do Futuro é um espaço
o comércio informal prejudica as vendas e favorável para a atividade.
garantem que a prática afugenta os banhis- Classificamos os vendedores ambulantes
tas. Os ambulantes defendem-se, argumen- da Praia do Futuro em três categorias dis-
tando que precisam trabalhar para sobrevi- tintas: os primeiros são estacionários ou fi-
ver. E muitos frequentadores se dizem inco- xos, aqueles que permanecem presos em um
modados com o assédio dos vendedores. determinado ponto da praia, disponibilizando
Assim, identificam-se grupos sociais que es- de estrutura física representativa, compos-
tabelecem relações de poder, formando ter- ta de carrinhos e veículos automotivos, apre-
ritórios no conflito na Praia do Futuro. sentando, com isso, melhor estrutura de tra-
Nesse sentido, concordamos com Souza balho.
(2001) que salienta que o território é um Já os denominados como itinerantes têm
espaço definido e delimitado por e a partir como área de comercialização a extensa faixa
de relações de poder, e que o poder não se de areia, não conseguindo estabelecer pon-
restringe ao estado e não se confunde com tos fixos e dispõem de uma estrutura mais
violência e dominação. Para o autor, o poder simples de comercialização. Eles dispõem de
apresenta-se, direta ou indiretamente, tam- equipamentos desmontáveis, de fácil manu-
bém na caracterização de um território, em seio para circulação, como carrinhos de mão,
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tabuleiros e demais suportes de apoio que ência de mercadoria, pessoas se misturaram


servem para expor suas mercadorias. Final- aos informais como delinquentes, ciganos,
mente, os ambulantes móveis são aqueles pedintes e delituosos, disputando espaço com
que dependem unicamente do seu corpo para os trabalhadores informais. Essa permuta
realizar as vendas. acaba por agravar ainda mais a imagem ne-
As relações sociais dos vendedores am- gativa desses trabalhadores.
bulantes com o local são instáveis, margi- O surpreendente é perceber que alguns
nais e heterogêneas. A instabilidade deve- tipos de mercadorias comercializadas aten-
se à própria submissão do fenômeno a dem as necessidades reais do comércio de
sazonalidade. Em períodos de baixa tempo- artesanato e de alimentação no espaço. Há
rada, esses trabalhadores se deslocam para casos em que os vendedores de água de coco
outros nichos de mercado, o que explica a constroem uma relação quase que “necessá-
rotatividade desses trabalhadores. Marginais, ria” com as barracas. Vivem e comercializam
porque os trabalhadores sobrevivem à mar- livremente, sendo solicitados pelos garçons
gem das garantias legais do trabalho. Hete- dos estabelecimentos comerciais. Pode-se
rogêneas, devido à capacidade de atração dizer que essa relação é positiva. O mesmo
do fenômeno que ampara os múltiplos gru- não se pode afirmar quanto aos demais ven-
pos sociais: homens, mulheres, crianças, dedores ambulantes que comercializam pro-
adolescentes, idosos e estrangeiros que bus- dutos com preços mais baixos, como biquínis,
cam garantir uma forma de sobrevivência. cangas e bonés, que algumas barracas tam-
Os vendedores constroem representações bém disponibilizam nas suas lojas de conve-
sobre o significado do seu trabalho. O dis- niência. A relação de competição merca-
curso empregado é o de que “melhor está dológica se acirra e os ambulantes são impe-
aqui trabalhando, do que estar na rua rou- didos de circular entre os estabelecimentos,
bando”, “preciso trabalhar, não posso morrer mantendo-se afastados.
de fome”, “tenho filhos para criar”. Discur- Quanto à origem dos produtos comercia-
sos carregados de autodefesa, como se o lizados, há uma conexão entre os vendedo-
ambulante tivesse que se defender diante res ambulantes e a lógica que opera o mer-
da condição imposta ao trabalho informal. cado formal por meio da formação de uma
Discurso decorado e impregnado culturalmen- cadeia que integra um processo produtivo
te da ideia de que “poderia ser pior” ou “ruim entre oferta de produtos e serviços ao con-
com, pior sem”. A autodefesa dos vendedo- sumidor. Certo que o trabalho de rua também
res ambulantes soa como uma resposta à está submetido ao domínio do capital, fazen-
animosidade que existe por parte de alguns do parte do processo de circulação das mer-
frequentadores e turistas que acabam não o cadorias, ou seja, da transformação da
percebendo como trabalhador, mas associa- mercadoria em lucro, o qual irá para a mão do
o a possível delinquente. comerciante, que em seguida o utiliza para
A informalidade é multifacetada, oferecem comprar novas mercadorias, e assim, nova-
inúmeros produtos e serviços que disputam mente, volta à mão do produtor, para se tor-
a atenção dos clientes. São vendedores de nar “capital-dinheiro” e reiniciar o ciclo da
cigarros, bronzeador, sorvetes, chapéus, produção. Assim, identificamos que há a for-
óculos, empadas, camarão, lagosta, amen- mação de uma cadeia que integra um pro-
doim, castanha de caju, sanduíches natu- cesso produtivo entre oferta de produto e
rais, queijo assado, água de coco, artesa- serviços, e o intercâmbio entre o mercado
nato, frutas regionais, livros de histórias in- formal e informal.
fantis e outros itens garantem a comercia- Identificamos, também, na organização do
lização na Praia do Futuro. trabalho informal, certa complexidade nas
Mesmo sendo uma atividade discriminada relações trabalhistas, algumas reproduzindo
por alguns frequentadores e reprimida por a organização patronal de trabalho. Desse
muitos barraqueiros, ainda sim, encontram modo, alguns vendedores ambulantes em-
espaço para a continuidade de suas ativida- pregam mulheres, informalmente, sem garan-
des, quando muitas pessoas se mostram in- tias trabalhistas, apenas com uma forma de
teressadas por seus produtos. Nessa aflu- pagamento de diárias. Identificou-se, tam-
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bém, que, no período considerado como de sempre estavam acompanhadas de familia-


baixa estação, os números de subcontra- res que também trabalhavam no local, ainda
tados diminuem. No caso específico em ques- que não é difícil encontrarmos crianças e
tão, uma vendedora ambulante menciona adolescentes que comercializam na areia, o
“empregar” cerca de 8 (oito) mulheres com que coloca o trabalho infantil com uma for-
pagamentos fixos diários em torno de R$10,00 ma de subcontratação do trabalho informal.
a R$15,00, dependendo da comercialização. Encontrou-se na orla inúmeros trabalha-
Nos principais meses do ano, esse número dores com deficiência escolar, sendo que
se eleva para 15 (quinze) mulheres. muitos interromperam os estudos e outros
Dentro dessa organização informal, pode- não se encontram estimulados em terminá-
se compreender a complexidade do fenôme- los. Narram que a exigência da formação de
no da informalidade, e de como o sistema da curso profissionalizante e experiência pro-
informalidade pode construir diferentes graus fissional, os distanciam do ingresso no mer-
de organização, mesmo considerando sua pre- cado formal de trabalho.
cariedade. O fato é que essa organização do A precária formação educacional contri-
segmento informal não é capaz de anular a bui para que esse mesmo trabalhador torne-
precariedade a que esse trabalho está sub- se um prisioneiro de si, já que seu conheci-
metido. O contrato é estabelecido na forma mento é limitado, o que o torna dependente
de prestação de serviços e os ganhos aferi- de sua ocupação, relativamente mais
dos são por meio de diárias ou comissões. despreparado que os demais, os que à dis-
Além disso, o sistema de compra e a revenda tância de outras oportunidades, amputando
dos produtos demonstra uma relação tecida o sonho de uma vida melhor.
numa cadeia produtiva precária. O desalento quanto à busca de oportuni-
A Praia do Futuro é uma grande área aber- dades de trabalho formal, os baixos salários
ta, os alimentos ficam expostos ao sol, sub- e alta rotatividade das atividades empurram
metidos a focos de insalubridade, bem como o trabalhador informal a uma condição de
a presença de animais. Há a deficiência de fragilidade. O retorno ao mercado de traba-
hábitos de higiene quanto à lavagem das lho formal é desejo de muitos, sobretudo pela
mãos antes da manipulação de alimentos e busca da estabilidade e por melhores remu-
após interrupções pelos ambulantes. Mani- nerações, mas os mesmos não encontram
pulação de dinheiro sem higienização das mecanismos para viabilizar esse retorno.
mãos. Falta de equipamento de proteção in- Observar de perto os ambulantes permite
dividual. Um exemplo notável é a exposição identificar valores, concepções e ideias que
de queijo sem nenhuma proteção. As defici- se organizam dentro do fenômeno da
ências no manuseio e preparo dos alimentos informalidade. Compreender suas diferentes
podem estar representadas no pequeno co- visões que esses têm de si e do meio no
nhecimento de boas práticas de fabricação, qual estão inseridos.
na ausência de controle de qualidade, no A rua apresenta-se como um agente
armazenamento, asseio e no uso de vesti- definidor do trabalho, principalmente, por ins-
menta pessoal adequado. tituir uma “suposta” condição temporária,
Nenhum vendedor ambulante relatou-nos mas que, na verdade, caracteriza-se ao
ter recebido algum treinamento específico mesmo tempo como uma forma de aprisio-
para o manuseio de alimentos. Com a convi- namento. O que a princípio apresenta-se
vência com a realidade, o que se acredita é como trabalho temporário e provisório, vai
que ocorreu uma adaptação provisória com passando com o tempo e transformando-se
relação às atividades desenvolvidas, seja por em definitivo devido à incapacidade do tra-
uma necessidade de sobrevivência ou até balhador de ingressar, por si próprio, no mer-
mesmo certa identificação quanto ao traba- cado de trabalho formal.
lho. O que se percebe é que, com o passar Contudo, para os trabalhadores informais
dos anos, os ambulantes acabam fincando da Praia do Futuro, há uma ideia de liberdade
raízes, a ponto de seus filhos enveredarem associada ao seu trabalho, apesar de toda
pelos caminhos de seus pais. As crianças, sua precariedade. A liberdade assume uma re-
abordadas durante o trabalho de campo, lação direta com a autonomia, com o fato de
ARTIGOS INÉDITOS JAN/DEZ 2009 81

poder governar a si mesmo, reger suas vidas e Nesse sentido, a cidade de Fortaleza, bem
criar suas rotinas de trabalho, poder ser re- como o litoral cearense, tornou-se, a partir
munerado por sua atividade, ter como se man- de meados dos anos 1980, um espaço privi-
ter, apesar das duras “penas”. Essa ideia de legiado para a implantação de uma política
autonomia construída por esses trabalhado- pública de turismo, visando superar o atraso
res aponta para um ideal de liberdade. econômico pela via do incentivo à atividade.
Ao descreverem suas expectativas quanto A pesquisa com os ambulantes na Praia do
ao futuro, os trabalhadores informais revelam Futuro foi desenvolvida com o intuito de in-
um quadro preocupante: a imagem de um mun- vestigar como os trabalhadores informais
do desencantado, entre a discrepância do que apropriam-se deste espaço turístico, alvo das
se sonha e do que se pode realizar. políticas públicas. Como conclusão, verifica-
Assim mesmo, concluímos que o trabalho mos que as políticas e os programas públi-
informal possibilita um sentimento de cos de turismo para a localidade não atingi-
pertencimento e de identidade aos vende- ram os trabalhadores pesquisados.
dores ambulantes, inclusive em relação à lo- De um lado, consideram os personagens
calidade que eles ocupam, a Praia do Futu- sociais que vivem à sombra das políticas pú-
ro. Para esses trabalhadores informais, ape- blicas, sem que de alguma maneira sejam
sar de desempenharem suas funções de for- transformados por elas. De outro, a existên-
ma precária, o sentimento de trabalhar os cia de políticas públicas de turismo compen-
faz sentir, de alguma forma, vivos. satórias, sem rupturas com as políticas tra-
dicionais nessa área, o que impõe a neces-
sidade de se pensar essas políticas em con-
Considerações finais sonância com a possibilidade de um turismo
com princípios de desenvolvimento social.
Esta pesquisa abre possibilidades de re-
A atividade turística desemboca em um flexão das políticas públicas de turismo, vol-
potencial considerável de transformação do tadas para lógica econômica, que se colo-
espaço. O discurso oficial das políticas pú- cam em dissonância com mercado de traba-
blicas de turismo do Ceará configura a cren- lho informal presente na cidade. Como sub-
ça de que o turismo é fonte de oportunida- sídio para formulação de políticas futuras,
des de emprego para as populações locais. os resultados da pesquisa de caráter
O que se tentou discutir é aqui como ocor- etnográfico permitem pensar de que forma,
re o direcionamento das políticas públicas ao incorporar os ambulantes da Praia do Fu-
de turismo no Ceará em contraposição aos turo - seu modo de vida, suas representa-
potenciais efeitos que o turismo pode resul- ções, seus projetos e sonhos - poderá levar
tar no estabelecimento de formas de desen- a elaboração de uma (outra) política de tu-
volvimento sustentado, sobretudo no tocante rismo que promova o desenvolvimento sus-
à capacidade de gerar trabalho. tentável.

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28 dez. 2004. Disponível em: <http://www.noolhar.com.br>. Acesso em: 27 dez. 2006.

Résumé: Cet article vise à fournir des Resumen: Este artículo tiene por objectivo
subventions pour une évaluation des politiques la evaluación de las políticas públicas para
publiques pour le tourisme au Ceará, compte el turismo en Ceará, teniendo en cuenta su
tenu de leur interface avec le monde du travail. interacción con el mundo del trabajo. Para
Pour cela, il concentre sur la recherche de ello, se centra en la investigación de las po-
politiques du tourisme à Fortaleza en deux líticas de turismo en la ciudad de Fortaleza,
étapes: la première, l’évolution historique des en dos etapas: la primera, el desarrollo his-
politiques publiques pour le tourisme au Ceará; tórico de las políticas públicas para el turis-
la seconde présente les résultats d’une enquête mo en Ceará; la segunda etapa presenta los
ethnographique entre fournisseurs la rue de Praia resultados de una investigación etnográfica
do Futuro, qui avait l’intention d’enquêter sur entre de os vendedores de la Praia do Futu-
la façon dont ils mènent leurs travaux dans cet ro, que tenía la intención de investigar la
espace et de construire leurs représentations forma en que realizan su trabajo en este
de la même chose. En conclusion, il a été espacio y construyen sus representaciones
constaté que les politiques du tourisme au Ce- de la misma. En conclusión, se comprobó que
ará ne s’articuler pas avec les demandes des las políticas de turismo Ceará no articular
travailleurs du secteur informel, ce qui renforce las demandas de los trabajadores informales,
la précarité de leur travail. lo que refuerza la precariedad de su trabajo.

Mots-clés: tourisme, l’évaluation, politique Palabras-clave: turismo, evaluación, polí-


publique, travail, Praia do Futuro. tica pública, trabajo, Praia do Futuro

Notas

1 Trata-se dos resultados parciais da dissertação de autoria de Ivo Luis de Oliveira Silva, intitulada “Trabalho
e política pública: subsídios para uma avaliação das políticas de turismo a partir do estudo dos trabalha-
dores informais da Praia do Futuro em Fortaleza – CE” e apresentada no Programa de Mestrado Profis-
sional em Avaliação de Políticas Públicas - MAPP da Universidade Federal do Ceará- UFC, como requisito
para obtenção do título de Mestre em Avaliação de Políticas Públicas, sob orientação do Prof. Dr. Alcides
Fernando Gussi.
2 A pesquisa com os ambulantes na Praia do Futuro foi desenvolvida com o intuito de investigar como os
trabalhadores informais realizam o seu trabalho ocupando o espaço da Praia do Futuro e constroem
suas representações sobre o mesmo. Realizamos uma aproximação etnográfica que levou-nos a reali-
zar uma pesquisa de campo com a duração de 3 (três) meses ininterruptos, em que realizamos 24
(vinte e quatro) visitas ao local, com as técnicas de observação participante, aplicações de questionári-
os, entrevistas semiestruturadas e construção de histórias de vida. Oficialmente a Prefeitura Municipal
de Fortaleza segmenta a Praia do Futuro em Praia do Futuro I e Praia do Futuro II. Os limites da Praia do
Futuro I são: avenida Renato Braga até a praça 31 de Março; oceano Atlântico até a rua Trajano de
Medeiros. A Praia do Futuro II tem seus limites na praça 31 de Março até o rio Cocó e oceano Atlântico
e a rua Trajano de Medeiros.