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Cur so de Engenharia de Minas

SERVICOS MINEIROS II

Eng.: Neves Jemuce

2019
1
Influência de desenhos de minas
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As classificações geomecânicas permitem de maneira
empírica,quantificar a capacidade que o maciço rochoso
possui para se adaptar às novas condições provocadas pela
escavação

Como se disse, ao realizar uma escavação subterrânea,


modifica-se o estado de tensão pre-existente
desenvolvendo-se picos de tensão.
Tipos de Aberturas
Aberturas com Desenvolvimento Linear: as dimensões da
secção transversal são pequenas.
São poços(vertical ou inclinado), rampas e galerias:
horizontais (túneis, cabeceiras, travessas) e inclinadas
(raises, descidas, chaminés, passagens de minério,
estéril e do pessoal).

Aberturas com Desenvolvimento em Volume: as dimensões


são proporcionais em qualquer direcção.
 Alargamentos ou realces
 Câmaras para utilidades diversas.
 Poços inclinados.
 Rampas.
 Cabeceiras (drift).
 Travessas ( cross- cut).
 Raises
 Descidas
 Chaminés
Exemplo de mineracao indicando varias formas de acesso.
Tipos de Aberturas
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Lavra por Câmaras e Pilares (Room and Pillar)
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• Características Gerais

Aberturas de várias câmaras deixando uma fila


de pilares
A destruição dos pilares depende:

- A distribuição dos teores

- Características geomecânicas da rocha


encaixante.
• Desmonte do Minério

 O desmonte é feito com face livre frontal e


vertical,

 Por explosivos ou

 Mecânico: mineradores contínuos


O número maior de galerias é para fazer face a vazão de ar requerido
na mina.
Q = A* v onde:
Q – vazão do ar
v – velocidade do ar, que não deve exceder 5m/s.
A - área da secção

O valor Q é condicionado a seguintes factores:

Temperatura ( profundidade maior, mais calor).


Potência total instalada no subsolo ( equipamentos).
Número total de mão de obra ( pessoal na mina).
Escala de produção ( gases produzidos pela mina e equipamentos).
Vista de Câmaras e pilares
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Sistemas de Mineração por Câmaras e Pilares
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• horizontal (mergulho < 5º)

• inclinada (mergulho entre 10 – 20º)

• vertical (mergulho entre 20 – 45º)


Mineração inclinada:
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Produção:
mineração ascendente ou descendente entre galerias
de transporte.
perfuração com uso de marteletes manuais (“jack
legs”).
superfícies acidentadas impedem equipamentos
mecanizados.
mais intensivo em mão-de-obra.
Manuseio de minério

minério é movido por “sluchers” até nível de


extracção.
utilização de carros de mina para transporte até
o poço.
Mineração horizontal:
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• Produção:

permite a utilização de grandes máquinas


(conjuntos mecanizados).

utilização de jumbos para altas taxas de


produtividade.

uso de bancadas para corpos de minério


potentes
• Manuseio de minério:

carregado directamente na face de trabalho.

utilização de equipamentos de alta mobilidade


(LHD’s).
Mineração vertical: acesso
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é feito por galerias
inclinadas no corpo de minério

• Produção:
 Galerias horizontais ramificam a partir das galerias de
acesso inclinadas.
 Extracção de minério de cima para baixo (descendente)

• Manuseio de minério:

 minério é carregado na face e transportado até o poço.


Especificações
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• Potência do corpo de minério < 60 m;
• Forma do corpo de minério tabular;
• Mergulho do corpo de minério menor que 45º;
• Vão das câmaras baseado na segurança do suporte;
• Tamanho do pilar baseada na resistência do material
• Rocha competente
• Selectivo dentro dos limites de perfuração
Vantagens:
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• Boa produtividade;

• Custo moderado;

• Método flexível, passível de mecanização;

• Selectivo e com mínimo desenvolvimento


preparatório.
Desvantagens:
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• Ocorrência de problemas de controle do terreno;

• Perda de minério nos pilares


Aplicação:
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• Corpos de minério relativamente horizontais;

• Potência limitada;

• Encaixante e minério competentes.


TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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A engenharia do espaço subterrâneo tem várias facetas, algumas
das quais não relacionadas às condições da rocha;

Mecânica das Rochas é o suporte directo para vários dos aspectos


críticos do trabalho de engenharia;

No planeamento, localização, dimensões, formas e orientações de


câmaras; selecção dos suportes; arranjo para construção de
acessos; desmonte; projecto de instrumentação.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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Tensão é uma grandeza vectorial, ligada ao acúmulo de
energia, associada a um plano (tensor),

Está relacionada à tendência de deslocamento relativo


das partículas de um corpo, em função de solicitações
externas.

A oposição das partículas a este deslocamento gera a


tensão
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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Maciço rochoso é o conjunto formado por tipo litológico,
descontinuidades e água,

A influência de descontinuidades geológicas nas características mecânicas


dos maciços rochosos, quais sejam resistência e deformabilidade, é
inegável. Müller (1963) sugere uma redução de até 1/30 na resistência da
rocha devido à existência de planos de fraqueza.

As descontinuidades aumentam, a permeabilidade e a deformação de um


maciço rochoso, elas tendem a diminuir sua resistência e capacidade de

suporte.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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O estado de tensões no interior de um maciço rochoso varia, de ponto a
ponto, tanto para o valor quanto para direcção das componentes principais
que o definem.

Por um lado devido às variações de intensidade e de direcção das


solicitações que o motivaram, por outro, em virtude das heterogeneidades
que os maciços sempre evidenciam.

Em uma rocha não escavada, regular e horizontal, as tensões verticais


actuantes sobre um determinado volume de rocha têm como grande causa
a gravidade e seu valor é igual ao peso da coluna litostática de secção
transversal unitária sobreposta ao ponto considerado.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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As tensões que se desenvolvem em uma determinada região, no interior
de um maciço rochoso virgem (antes de ser escavado), são designadas
por tensões naturais ou tensões “in situ”.

Com o advento de uma escavação, ocorre uma modificação no estado


natural de tensões, havendo uma distribuição de tensões no maciço
circunvizinho à escavação (tensões induzidas).

Distribuição esta que pode gerar, nos contornos desta escavação,


concentrações de tensões tais que chegam até a ruptura do maciço.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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Executada a abertura, a transmissão das tensões deixa de ser possível
através do vazio criado. A carga distribui-se de um lado e do outro dos
limites deste vazio, originando as concentrações de tensões nas paredes
(laterais) da galeria, considerando-se a tensão vertical como a mais
importante.

Forma-se, em torno da galeria, uma


zona aliviada de tensões e a porção da
rocha descomprimida, em seu interior,
ficando submetida à acção de seu peso
próprio, sofre flexões que originarão
esforços de tracção, se ultrapassarem o
limite de resistência da rocha, acabarão
Distribuição de Tensões Naturais e Induzidas (Silveira, 1987).
por levar a rocha do teto à ruptura.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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Esta zona de descompressão ou de alívio de tensões não se propaga
indefinidamente. Ela tende a limitar-se superiormente pela formação de
uma abóboda auto-suportante (“arco de pressão”). A instalação deste arco
de pressão auto-suportante, transferindo lateralmente as cargas actuantes,
é que permite a sustentação dos tectos das escavações (Silveira, 1987).

A escavação de um poço ou de uma galeria permite a expansão das


rochas em direcção ao vazio criado, expansão esta que será maior ou
menor dependendo da forma e dimensões das escavações, da
profundidade de trabalho e da natureza das rochas.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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Para a previsão do comportamento de escavações subterrâneas em várias
formas e configurações, são utilizados cada vez mais intensamente os
processos de cálculo baseados nas teorias dos elementos finitos, das
diferenças finitas, dos elementos de fronteira ou dos blocos singulares,
comumente designados como modelamento matemático ou modelagem
numérica.
Os dois membros estruturais auto-suportantes com que se pode contar em
aberturas subterrâneas são:
 a viga e
 o arco, que mantém a estabilidade pela transformação da pressão
vertical em pressão horizontal e diagonal.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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Zona clástica é a zona de reajustamento de tensões quando se executa
uma abertura em uma rocha e ela é definida até a região em que o
material passa a não sofrer nenhuma influência pela abertura. Isto é até a
região onde o equilíbrio inicial não é perturbado (limite de influência).

Em um material fraturado com um alto coeficiente de atrito, a pequenas ou


moderadas profundidades, a pressão sobre o escoramento será devida à
rocha na zona clástica acima do suporte e a pressão exercida no topo do
arco para estabilizar a rocha será uma função do peso específico da rocha
e do raio da abertura.
.
.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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No estado clástico-plástico de rochas:

 ângulo de atrito interno: é função do grau de rugosidade e


angulosidade dos elementos que constituem o material incoerente no
qual se trabalha

Se esses elementos são livres e separados, mas angulosos, o valor de 


será de 37º a 42º.
Se os fragmentos são envolvidos por partículas de argila húmida, o
ângulo não será maior que 30º.
Mas se são separados por camadas de argila, o ângulo de atrito interno
não chegará em torno de 25º.

 J = 1 + sen 
1 - sen 
onde o  é o ângulo de atrito interno e vai definir a maior ou menor
estabilidade de um material incoerente.
.
TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS
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Em resumo:

 antes da execução da abertura ˃ distribuição natural das tensões

 após a execução da abertura ˃ redistribuição das tensões e criação de:

• zonas de concentração

• zonas de alívio
Pilares de minério - áreas tributárias
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Pilares de minério - áreas tributárias
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Pilares de minério - áreas tributárias
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Pilares de minério - áreas tributárias
Observações sobre a hipótese tributária:
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a) Só actuam tensões verticais; as tensões horizontais
poderiam ajudar a melhorar a estabilidade

b) Todos os elementos são rígidos, não se considerando


deformações elásticas

c) O peso sobrejacente é redistribuído em função


unicamente de considerações geométricas

d) σm(p) em geral é o limite superior actuando nos pilares. É valor


conservativo, fácil de calcular. Pela teoria elástica pode se ter valores
até 40% menores.
Mecanica de Rochas – ruptura é o término da integridade
física

Lavra – colapso do pilar é quando interfere nas operações


normais. Pode ter sofrido rupturas, as vezes até induzidas
para diminuir sua rigidez.

Lavra – piso sustenta pilares que sustentam o tecto.


Objetivo é manter afastamento tecto-piso, com um tecto
estável.
Pilares de sustentação – 9 a 11 m
Pilares de protecção – 7 a 60 m separando painéis
90 a 120 m protegendo entradas e
acessos principais
Peso da coluna da rocha:
Tensao(media):

Se La = Lp = 50%
Area de influencia: =4Lp²
Taxa de Extracção (e): área escavada/área total

Pilar Rectangular
Aplicação

1.1. Qual a tensão média nos pilares quadrados pelo modelo


de áreas tributárias?

1.2. Se não existir escavação, qual a tensão média no pilar?


1.3. Se a largura do pilar for igual à da abertura, quanto
estamos extraindo percentualmente?
Fazer Ciência não lhe fará ser
uma pessoa melhor...

...mas mesmo assim você poderá


ser feliz, se souber como agir!
Obrigado!

njemuce@ispt.ac.mz
nevesjemuce@gmail.com