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Foto: Maurício Burim/SE

Para resgatarmos a dignidade humana é necessário que


cada um de nós sinta-se ofendido enquanto humanidade
toda vez que a dignidade de uma pessoa é violada,
afastando por completo a ideia de que esta possa ser uma
violação singular. (Paulo Abraão)

Às Educadoras e Educadores,

A Secretaria Municipal de Educação, em seu Projeto Político-Pedagógico, vem ao


longo dos anos construindo uma educação que valoriza a formação integral, con-
siderando as várias dimensões humanas. Nesse sentido, busca trazer as temáticas
constitutivas dos sujeitos histórico-sociais para o espaço escolar.

Tais temáticas estão presentes na Proposta Curricular Quadro de Saberes Neces-


sários (QSN), o qual explicita e privilegia a leitura de mundo e a responsabilida-
de em transformá-lo, propiciando aos(às) educandos(as) o exercício de sua cida-
dania, de sua identidade, de modo a favorecer a garantia dos direitos humanos e
o combate a toda forma de violência.

Nessa perspectiva, a presente publicação aborda questões relacionadas às várias


formas de violência, com o objetivo de possibilitar aos(às) educadores(as) a sensi-
bilização para o tema, e contribuir no desenvolvimento de uma proposta pedagó-
gica inclusiva que assegure mudanças nas relações desiguais de poder, geradoras
de desigualdades sociais, por meio do estabelecimento de um bom nível de rela-
ções de amizade, solidariedade e laços afetivos, sociais e políticos.

Este Livro aborda a conceituação a respeito das violências, apresenta o documen-


to que será adotado pela Rede Municipal para o “Registro Escolar da Violência
Doméstica e Sexual contra Criança e Adolescente”, como também os Sinaliza-
dores de Direitos Humanos (SDH), a fim de assegurar e defender a integridade
física, intelectual, emocional e moral de crianças e adolescentes, a partir da co-
municação visual.
Compreendemos a complexidade da temática e sabemos que a construção deste
trabalho não se faz sozinho, sendo necessária a “articulação entre sujeitos e seto-
res sociais diversos e, portanto, com saberes, poderes e vontades diversas, para
enfrentar problemas complexos” (MOYSÉS, 2004).

Esperamos que a presente publicação possa ampliar o conhecimento dos(as)


educadores(as) em relação a essa temática, e que todos(as) possam atuar de for-
ma a construir uma articulação junto à comunidade escolar e em parceria com
outros atores, numa rede ampla e articulada de proteção e garantia de direitos,
contribuindo, assim, para a implementação de políticas públicas e ações estra-
tégicas para a prevenção de violências contra crianças, adolescentes e jovens de
nossa cidade.

Prof.ª Neide Marcondes Garcia


Secretária Municipal de Educação
Maio de 2012
Introdução ...................................................................................................... 9

Marcos LegaIs ................................................................................................ 13

responsabILIdade da escoLa dIante da vIoLação dos


dIreItos das crIanças e adoLescentes ......................................... 17

vIoLêncIa e vuLnerabILIdade ............................................................... 19

defInIção de vIoLêncIas .......................................................................... 21


- Violência Intrafamiliar .................................................................................... 21
- Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes ................................. 22
- Formas da Violência Sexual ............................................................................ 25

forMando o oLhar do educador para IdentIfIcar a


vIoLêncIa doMéstIca e o abuso sexuaL ......................................... 31

IndIcadores de vIoLêncIas ................................................................... 32


- Violência Física ................................................................................................. 32
- Violência Psicológica ....................................................................................... 32
- Negligência/Abandono ................................................................................... 33
- Violência Sexual ............................................................................................... 34
MItos e reaLIdades sobre o abuso sexuaL ................................... 35

por que a escoLa deve notIfIcar às autorIdades casos


de suspeIta ou ocorrêncIa de vIoLêncIas? ............................. 37

notIfIcando suspeItas ou ocorrêncIas de vIoLêncIas .... 40

coMo acoLher a crIança e proteger sua IdentIdade? ........ 41

o que fazer ........................................................................................................ 43

regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e sexuaL


contra crIanças e adoLescentes ..................................................... 44

sInaLIzadores de dIreItos huManos ............................................. 47

servIços de referêncIa no MunIcípIo de guaruLhos ............ 55

referêncIas bIbLIográfIcas .................................................................. 60


As violências contra a criança e o adolescente representam um grave problema
social. Elas acompanham a trajetória da humanidade, manifestando-se de múl-
tiplas formas, nos diferentes momentos históricos, sociais e culturais. O proces-
so histórico permite visualizar como crianças e adolescentes foram, ao longo do
tempo, envolvidos em relações de agressões e maus-tratos por diversas institui-
ções sociais (família, escola, igreja, etc.).

No Brasil, as gradativas transformações socioculturais, incluindo a caracteriza-


ção desse grupo social como “sujeitos de direitos”, exigiram a mobilização de
diferentes segmentos da sociedade pública e civil, culminando com a promulga-
ção da Constituição Federal de 1988 e a instituição do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), em 1990.

Para a materialização dos princípios da prioridade absoluta e da proteção inte-


gral dos direitos da criança e do adolescente, a Constituição Federal e o ECA cria-
ram um Sistema de Garantia de Direitos que se apoia em três eixos: promoção de
direitos, defesa e controle e efetivação do direito.

• Promoção dos Direitos: operacionaliza-se pelo desenvolvimento da polí-


tica dos direitos da criança e do adolescente, prevista no artigo 86 do ECA,
que integra o âmbito maior da política de promoção e proteção dos direitos
humanos. Fazem parte deste eixo todas as políticas públicas, especialmente
as políticas sociais que, por meio de programas, serviços e ações públicas,
devem garantir a todo o segmento a satisfação das necessidades básicas
como garantia de direitos humanos e, ao mesmo tempo, como um dever do

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 9


Estado, da família e da sociedade (art. 14). Constam, portanto, deste eixo,
ações preventivas, interventivas, protetivas e socioeducativas, instituindo a
Assistência Social como política pública fundamental para a promoção de
direitos.

• Defesa: caracteriza-se pela garantia de acesso à justiça, ou seja, pelo re-


curso às instâncias públicas e mecanismos jurídicos de proteção legal dos
direitos humanos, gerais e especiais, da infância e da adolescência, para
assegurar sua exigibilidade em concreto (art. 6º). Situa-se aqui a atuação do
Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Seguran-
ça Pública, dos Conselhos Tutelares, entre outros.

• Controle e Efetivação do Direito: realiza-se pelas instâncias públicas cole-


giadas próprias, nas quais se assegure a paridade e participação de órgãos
governamentais e de entidades sociais (art. 21). Caracterizam tais instân-
cias os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, os diversos
Conselhos de formulação e controle das políticas públicas (Conselho de
Assistência Social, Educação, Saúde, entre outros) e os órgãos e os poderes
de controle interno e externo definidos nos artigos que vão do 70 ao 75 da
Constituição Federal (contábeis, financeiros e orçamentários). Além disso,
de forma geral, o controle social é exercido soberanamente pela sociedade
civil, por meio das suas organizações e articulações representativas.

Combater a teia de violência que, muitas vezes, começa dentro de casa e em locais
que deveriam abrigar, proteger e socializar as pessoas é uma tarefa que somente
poderá ser exercida pela mobilização social, por políticas públicas intersetoriais e
pela criação de rede de proteção integral.

Entende-se a escola como um espaço privilegiado para a construção da cidadania,


onde um convívio harmonioso deve ser capaz de garantir o respeito aos Direitos
Humanos e educar a todos, no sentido de evitar as manifestações de violências,
ampliando sua responsabilidade social.

Desde 2010, a Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Universida-


de Federal de São Paulo (UNIFESP/Campus Guarulhos), vem desenvolvendo o
curso Escola que Protege (MEC/SECADI), cujo objetivo é compartilhar, com edu-
cadores, educadoras e outros profissionais, informações relativas às diferentes

10 Secretaria Municipal de Educação


formas de violência a que estão submetidas nossas crianças e adolescentes, visan-
do subsidiar ações práticas de enfrentamento às violências no contexto escolar e
social, tendo o ECA como referência.

A Rede de Proteção Integral, prevista no ECA, depende, para sua constituição,


de um processo participativo, democrático, negociado e não impositivo. Todos
os participantes devem aderir a ela e atuar conscientemente como parte do con-
junto. Sua constituição se dá como elaboração coletiva e adesão consciente a um
projeto de ação comum. Por sua própria definição, a Rede não é um projeto da
Prefeitura ou das ONGs ou de qualquer outro ator isolado: é um organismo em
que todos participam e em que todos decidem. É uma organização horizontal.

Com o intuito de fortalecer esta Rede de Proteção, as Secretarias de Educação,


Saúde e Desenvolvimento e Assistência Social de Guarulhos iniciaram discus-
sões com o objetivo de construir uma ação intersetorial, na região do bairro Água
Chata/Pimentas, envolvendo os representantes dos diversos equipamentos de
garantia dos direitos, como escolas, Unidades Básicas de Saúde, Centro de Refe-
rência de Assistência Social e Conselho Tutelar do bairro dos Pimentas.

Salientamos, por fim, que o propósito maior desta publicação é contribuir com
a discussão para uma educação cada vez mais inclusiva na escola, como objeto
de diálogo entre educadores na Hora-Atividade das Escolas da Prefeitura, para,
com isso, fazer frente a todas as formas de violência e violação de direitos de
crianças e adolescentes. Com a garantia de que esse é um passo fundamental
para uma real humanização, acreditamos que cabe a todos nós garantir as condi-
ções fundamentais para o desenvolvimento pleno dos educandos.

Secretaria Municipal de Educação

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 11


Foto: Maurício Burim/SE
Marcos LegaIs

Resgatando as diferentes formas de ver a criança no decorrer da história, os


marcos legais e a atuação dos poderes públicos e da sociedade no sentido de
protegê-la, pode-se contextualizar uma trajetória que, embora tenha acumulado
conquistas significativas, ainda tem limites que precisam ser superados pela via
da mobilização de uma Rede de Proteção Integral e da efetivação de políticas
públicas.

Para apresentar um panorama geral desses movimentos, resgatamos os princi-


pais marcos das legislações que hoje protegem crianças e adolescentes:

art. 227 (constituição federal) É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar


à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito,
à liberdade, à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

§ 4º - A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do


adolescente.

Refletindo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança de 1989,


essa proteção está expressa no ECA, nos artigos:

art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,


discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qual-
quer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

art. 13 Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente


serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem
prejuízo de outras providências legais. (negrito nosso)

art. 15 A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como


pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, huma-
nos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.

art. 56 Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conse-

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lho Tutelar os casos de:

I - maus-tratos envolvendo seus alunos;

II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares;

III - elevados níveis de repetência.

art. 245 Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à


saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade
competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de
maus-tratos contra criança e adolescente:

Pena – multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de rein-
cidência. (negrito nosso)

Lei nº 11.525, de 25 de setembro de 2007, acrescenta § 5º ao art. 32 da Lei nº 9.394, de


20 de dezembro de 1996, para incluir conteúdo que trate dos direitos das crianças e
dos adolescentes no currículo do ensino fundamental. (negrito nosso)

Lei Municipal nº 6.568, de 5 de outubro de 2009, institui nas escolas a campa-


nha de combate a violência, conhecida como bullying.

Art. 1º Fica o Poder Executivo responsável por instituir a Campanha de Combate a Vio-
lência, conhecida como bullying, de ação interdisciplinar e de participação comunitária,
nas escolas públicas municipais e privadas, no Município de Guarulhos.

Parágrafo único. Entende-se por bullying atitudes de violência física ou psicológica, in-
tencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente, praticadas por um indiví-
duo ou grupos de indivíduos, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la
ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder
entre as partes envolvidas.

Lei Municipal nº 6.763, de 22 de novembro de 2010, estabelece o direito da criança


e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante
adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos,
ainda que educacionais e/ou pedagógicos, no lar, na escola, em instituição de atendimento
público ou privado ou em locais públicos.

14 Secretaria Municipal de Educação


Foto: Vanda Martins/SE
Foto: Maurício Burim/SE
responsabILIdade da escoLa dIante da vIoLação
dos dIreItos das crIanças e adoLescentes
A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.
Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade
e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não
de sua negação, não temos outro caminho se não viver a nossa opção. Encarná-la,
diminuindo, assim, a distância entre o que dizemos e o que fazemos. (Paulo Freire)

A escola, como espaço de vida, precisa abrir-se ao mundo, dispondo-se a apre-


endê-lo e a modificá-lo. Temos de assumir o compromisso de buscar caminhos
para essa transformação. O educando que queremos formar será participante e
consciente da importância da leitura do mundo e de sua responsabilidade em
transformá-lo.

Desse modo, a escola é um espaço de ampliação da experiência humana, deven-


do, para tanto, considerar as experiências cotidianas das crianças e adolescentes,
trazer novas informações e possibilitar o acesso aos conhecimentos acumulados
historicamente. O currículo se torna, assim, um instrumento de formação huma-
na.

No QSN, a temática a respeito da garantia de direitos das crianças e adolescentes


e a prevenção às diversas formas de violências estão inseridas nos eixos Autono-
mia e Identidade, Interação Social e Natureza e Sociedade, dos quais destacamos
alguns saberes:

• Diferenciar os comportamentos saudáveis dos prejudiciais, para si mesmo


e para os outros (sexuais, uso de drogas, violência física, psíquica, etc.).

• Reconhecer a importância de buscar esclarecimentos e informações sobre


a sexualidade: na escola, na família ou com um profissional especializado.

• Defender-se de vínculos nos quais se sinta manipulado e/ou explorado.

• Reconhecer a importância do consentimento mútuo para as trocas afetivas


(toques, aperto de mão, abraços, beijos) correspondentes aos diferentes
Tempos da Vida, esclarecendo e prevenindo o abuso sexual.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 17


• Perceber a importância e a necessidade de relacionar-se eticamente com os
outros, não aceitando qualquer forma de violência (verbal, física e psicoló-
gica) presenciada ou vivida (por exemplo: violência doméstica, bullying,
exploração sexual, homofobia, entre outras).

• Conhecer e compreender que os cidadãos brasileiros têm direitos e deve-


res.

• Conhecer a situação das crianças que trabalham no Brasil e compreender


o processo de construção das leis, refletindo sobre seus direitos e deveres
(ECA).

• Conhecer a existência dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciá-


rio) que regem o Estado Democrático de Direito Brasileiro.

• Conhecer e refletir sobre as desigualdades sociais presentes no Brasil.

Nessa perspectiva, a escola deve desenvolver uma proposta pedagógica inclusi-


va e respeitosa da diversidade humana, e criar um ambiente que leve as crianças
e adolescentes a desenvolverem um bom nível de autoestima e de relações de
amizade com seus companheiros.

A escola pode promover o acolhimento das crianças e adolescentes que estão


sendo vítimas de algum tipo de violação de direitos, na medida em que conhece
mais a respeito do assunto e inclui em suas práticas pedagógicas outras formas
de intervenção que contemplem as várias linguagens: como o teatro, a dança, as
artes plásticas, as línguas como forma de expressão humana e como possibilida-
de de mediação da escola/educador(a), para que essa temática seja trabalhada.

Além de propiciar ambiente adequado ao tratamento dessa questão nas escolas,


os(as) educadores(as) também podem promover reflexões junto à comunidade
e outros parceiros sobre a importância do enfrentamento às violências contra
crianças e adolescentes.

18 Secretaria Municipal de Educação


vIoLêncIa e vuLnerabILIdade

Um bom começo para compreendermos a questão da violência é conceituar o


problema, analisando a forma como ele está sendo tratado. Conceituar é explicar
a natureza do fenômeno em estudo, e um mesmo fenômeno pode ser explicado
segundo diferentes teorias, diferentes olhares.

Atualmente, no Brasil, o marco teórico adotado para conceituar as violências


contra crianças e adolescentes tem por base a teoria do poder. Assim, a violên-
cia sexual contra crianças e adolescentes também tem sua origem nas relações
desiguais de poder, que se traduzem na dominação de gênero, classe social e
faixa etária, sob o ponto de vista histórico e cultural, contribuindo para a mani-
festação de abusadores e exploradores. A vulnerabilidade própria da criança, sua
dificuldade de resistir aos ataques e o fato de a eventual revelação do crime não
representar grande perigo para quem o comete são algumas das condições que
favorecem sua ocorrência.

Todo poder implica a existência de uma relação, mas nem todo poder está asso-
ciado à violência. O poder é violento quando se caracteriza como uma relação
de força de alguém que a tem e que a exerce visando alcançar objetivos e obter
vantagens (dominação, prazer sexual, lucro) previamente definidas.

A relação violenta, por ser desigual, estrutura-se num processo de dominação,


por meio do qual o dominador, utilizando-se de coação e agressões, faz do do-
minado um objeto para seus “ganhos”. A relação violenta nega os direitos do
dominado e desestrutura sua identidade. O poder violento é arbitrário ao ser
“autovalidado” por quem o detém e se julga no direito de criar suas próprias
regras, muitas vezes contrárias às normas legais.

Segundo Faleiros (1998), violência, aqui, não é entendida como ato isolado, psi-
cologizado pelo descontrole, pela doença, pela patologia, mas como um desen-
cadear de relações que envolvem a cultura, o imaginário, as normas, o processo
civilizatório de um povo.

Outro conceito importante é o de vulnerabilidade, que pode ser compreendi-


da como a chance de exposição das pessoas ao adoecimento, e, também, como
a resultante de um conjunto de aspectos não apenas individuais, mas também

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coletivos e contextuais, que estão relacionados com a maior suscetibilidade ao
adoecimento e, ao mesmo tempo, com a maior ou menor disponibilidade de re-
cursos de proteção. Sendo assim, as diferentes situações de vulnerabilidade dos
sujeitos individuais e coletivos podem ser particularizadas pelo reconhecimento
de três componentes interligados: o individual, o social e o programático ou ins-
titucional (AYRES et al., 2003).

No plano pessoal, a vulnerabilidade está associada a comportamentos que criam


a oportunidade de se infectar e/ou adoecer e estar exposto a situações de risco.
Depende, portanto, do grau e da qualidade da informação sobre o problema de
que os indivíduos dispõem, da sua capacidade de elaborar essas informações e
incorporá-las ao seu repertório cotidiano e, também, das possibilidades efetivas
de transformar suas práticas. O grau de consciência que os indivíduos têm dos
possíveis danos decorrentes de comportamentos associados à maior vulnerabili-
dade precisa ser considerado, mas a mudança de comportamentos não é compre-
endida como decorrência imediata da vontade dos indivíduos.

Conhecimentos e comportamentos têm significados e repercussões muito diver-


sos na vida das pessoas, dependendo de uma combinação, sempre singular, de
características individuais, contextos de vida e relações interpessoais que se esta-
belecem no dia a dia. Por isso, não é possível dizer que uma pessoa ‘é vulnerável’.
Só é possível dizer que uma pessoa está (mais ou menos) vulnerável a um deter-
minado problema, em um determinado momento de sua vida.

No plano institucional, a vulnerabilidade está associada à existência de políticas


e ações organizadas para enfrentar o problema da violência. Pode ser avaliada a
partir de aspectos como: a) compromisso das autoridades com o enfrentamento
do problema; b) ações efetivamente propostas e implantadas; c) integração dos
programas e ações desenvolvidos nos diferentes setores como saúde, educação,
bem-estar social, trabalho, etc.; e d) sintonia entre programas implantados e as
aspirações da sociedade. Quanto maiores forem o compromisso, a integração e o
monitoramento dos programas de prevenção e atenção à saúde, maiores serão as
chances de canalizar os recursos, de otimizar seu uso e de fortalecer as institui-
ções e a sociedade frente à violência.

No plano social, a vulnerabilidade está relacionada a aspectos sociais, políticos e


culturais combinados: acesso a informações, grau de escolaridade, disponibilida-

20 Secretaria Municipal de Educação


de de recursos materiais, poder de influenciar decisões políticas, possibilidades
de enfrentar barreiras culturais, etc. A vulnerabilidade social pode ser entendida,
portanto, como um espelho das condições de bem-estar social, que envolvem
moradia, acesso a bens de consumo e graus de liberdade de pensamento e ex-
pressão. Quanto menor a possibilidade de interferir nas instâncias de tomada de
decisão, maior a vulnerabilidade dos cidadãos. Para avaliar o grau de vulnerabi-
lidade social é necessário conhecer a situação de vida das coletividades.

Fatores externos constituem uma poderosa influência sobre o modo como crian-
ças, adolescentes e jovens pensam e se comportam — o meio em que eles vivem,
os veículos de comunicação de massa, a indústria do entretenimento, as institui-
ções comunitárias e religiosas e o sistema legal e político constituem tais fatores.

De outro lado, estão as necessidades de grande importância para o desenvolvi-


mento desse segmento, representadas pelo acesso à educação formal, aos ser-
viços de saúde, às atividades recreativas, ao desenvolvimento vocacional e às
oportunidades de trabalho. Muito frequentemente, a pobreza priva o adolescente
e o jovem de tais acessos.

Acresce-se, ainda, a exposição da criança e mais particularmente do adolescente


e do jovem aos riscos associados à violência física, aos distúrbios sociais, às mi-
grações e aos conflitos armados. Também podemos enfatizar a curiosidade de
quem está descobrindo o mundo e, às vezes, sente o desejo de experimentar tudo
o que se apresenta como novo.

Tal situação, na qual se imbricam fatores biológicos e psicológicos, culturais, so-


cioeconômicos e políticos, podem aumentar a vulnerabilidade desse segmento
populacional aos mais diversificados agravos, especialmente em situações em
que não haja a garantia dos direitos de cidadania.

defInIção de vIoLêncIas

vIoLêncIa IntrafaMILIar

A violência intrafamiliar é toda ação ou omissão que prejudique o bem-estar, a


integridade física, psicológica ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimen-

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 21


to de outro membro da família. Pode ser cometida dentro ou fora de casa por
algum membro da família, incluindo pessoas que passam a assumir função pa-
rental, ainda que sem laços de consanguinidade, e em relação de poder referente
à outra.

O conceito de violência intrafamiliar não se refere apenas ao espaço físico onde a


violência ocorre, mas também às relações em que se constrói e se efetua.

A violência doméstica distingue-se da violência intrafamiliar por incluir outros


membros do grupo, sem função parental, que convivam no espaço doméstico.
Incluem-se aí empregados(as), pessoas que convivem esporadicamente, agrega-
dos, etc.

A violência intrafamiliar expressa dinâmicas de poder/afeto, nas quais estão pre-


sentes relações de subordinação-dominação. Nessas relações (homem/mulher,
pais/filhos, diferentes gerações, entre outras), as pessoas estão em posições opos-
tas, desempenhando papéis rígidos e criando uma dinâmica própria, diferente
em cada grupo familiar.

vIoLêncIa doMéstIca contra crIanças e adoLescentes

A violência doméstica se caracteriza como:

todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra


crianças e ou adolescentes que, sendo capaz de causar à vítima dor ou
dano de natureza física, sexual e/ou psicológica, implica, de um lado,
uma transgressão do poder/dever de proteção do adulto. De outro, leva
à coisificação da infância, isto é, a uma negação do direito que crianças
e adolescentes têm de serem tratados como sujeitos e pessoas em condi-
ção peculiar de desenvolvimento (AzEVEDO; GUERRA, 1998).

Alguns profissionais preferem denominar esse fenômeno sob a terminologia de


maus-tratos, embora atualmente essa definição esteja sujeita a críticas de vários
estudiosos porque faz supor que a ‘maus-tratos’ se contrapõem os ‘bons-tratos’.

Tanto os maus-tratos quanto a violência doméstica contra crianças e adolescentes


podem ser agrupados em seis tipos, segundo sua natureza: negligência, abando-
no, violência psicológica, violência física, violência sexual e abuso sexual.

22 Secretaria Municipal de Educação


negligência: é uma forma de violência caracterizada por ato de omissão do res-
ponsável pela criança ou adolescente em prover as necessidades básicas para seu
desenvolvimento sadio. Pode significar omissão, em termos de cuidados diários
básicos como alimentação, cuidados médicos, vacinas, roupas adequadas, higie-
ne, educação e/ou falta de apoio psicológico e emocional.

abandono: é uma forma de violência muito semelhante à negligência. Segundo


o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (CLAVES), o aban-
dono se caracteriza pela ausência do responsável pela criança ou adolescente na
educação e nos cuidados. O abandono parcial é a ausência temporária dos pais,
expondo a criança a situações de risco. O abandono total é o afastamento do gru-
po familiar, ficando as crianças sem habitação, desamparadas e expostas a várias
formas de perigo.

violência psicológica: é um conjunto de atitudes, palavras e ações para enver-


gonhar, censurar e pressionar a criança de modo permanente. Ela ocorre quando
xingamos, rejeitamos, isolamos, aterrorizamos, exigimos demais das crianças e
dos adolescentes, ou mesmo quando os utilizamos para atender a necessidades
dos adultos. Apesar de ser extremamente frequente, essa modalidade de violên-
cia é uma das mais difíceis de serem identificadas e podem trazer graves da-
nos ao desenvolvimento emocional, físico, sexual e social da criança (ABRAPIA,
1997; CRAMI, 2000).

violência física: caracterizada como todo ato violento com uso da força física de
forma intencional, não acidental, praticada por pais, responsáveis, familiares ou
pessoas próximas da criança ou adolescente, que pode ferir, lesar, provocar dor
e sofrimento ou destruir a pessoa, deixando ou não marcas evidentes no corpo e
podendo provocar inclusive a morte. Pode ser praticada por meio de tapas, belis-
cões, chutes e arremessos de objetos, o que causa lesões, traumas, queimaduras
e mutilações.

violência sexual: consiste não só numa violação à liberdade sexual do outro,


mas também numa violação dos direitos humanos da criança e do adolescente.
É praticada sem o consentimento da pessoa vitimizada. Quando cometida con-
tra a criança, constitui crime ainda mais grave. A violência sexual é todo ato ou
jogo sexual com intenção de estimular sexualmente a criança ou o adolescente,

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 23


visando utilizá-los para obter satisfação sexual, em que os autores da violência
estão em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança
ou adolescente. Abrange relações homo ou heterossexuais. Pode ocorrer em uma
variedade de situações como estupro, incesto, assédio sexual, exploração sexual,
pornografia, pedofilia, manipulação de genitália, mamas e ânus, até o ato sexual
com penetração, imposição de intimidades, exibicionismo e ‘voyeurismo’ (obten-
ção de prazer sexual por meio da observação). É predominantemente doméstica,
especialmente na infância.

abuso sexual: é descrito como toda situação em que uma criança ou adolescen-
te é usado(a) para gratificação sexual de pessoas mais velhas. O uso do poder,
pela assimetria entre abusador e abusado, é o que mais caracteriza esta situa-
ção. O abusador “se aproveita do fato de a criança ter sua sexualidade desperta-
da para consolidar a situação de acobertamento. A criança se sente culpada por
sentir prazer e isso é usado pelo abusador para conseguir o seu consentimento”
(ABRAPIA, 2002).

abuso sexual intrafamiliar

Também chamado de abuso intrafamiliar incestuoso, é qualquer relação de cará-


ter sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente ou entre um adolescente
e uma criança, quando existe um laço familiar (direto ou não) ou relação de res-
ponsabilidade (COHEN, 1993; ABRAPIA, 2002).

Na maioria dos casos, o autor da agressão é uma pessoa que a criança conhece,
ama ou em quem confia. O abusador quase sempre possui uma relação de paren-
tesco com a vítima e tem certo poder sobre ela, tanto do ponto de vista hierárqui-
co e econômico (pai, mãe, padrasto), como do ponto de vista afetivo (avós, tios,
primos e irmãos).

Nem toda relação incestuosa é abuso sexual, por exemplo, quando ela se realiza
entre adultos da mesma idade e mesma família sem o emprego de força física ou
coerção emocional e psicológica. Mas a relação incestuosa com uma criança ou
adolescente é considerada abuso sexual, mesmo quando ocorre sem uso de força
física.

24 Secretaria Municipal de Educação


abuso sexual extrafamiliar

É um tipo de abuso sexual que ocorre fora do âmbito familiar. Também aqui
o abusador é, na maioria das vezes, alguém que a criança conhece e em quem
confia: vizinhos ou amigos da família, educadores, responsáveis por atividades
de lazer, médicos, psicólogos e psicanalistas, padres e pastores. Eventualmente,
o autor da agressão pode ser uma pessoa totalmente desconhecida. Os exemplos
são os casos de estupro em locais públicos.

abuso sexual em instituições de atendimento à criança e ao adolescente

É uma modalidade de abuso similar aos tipos já mencionados. Ocorre dentro


das instituições governamentais e não governamentais encarregadas de prover,
proteger, defender, cuidar de crianças e adolescentes e lhes aplicar medidas
socioeducativas e que dispensem atendimento psicossocial, educacional, saúde
e outros espaços de socialização.

Pode ocorrer entre as próprias crianças e/ou adolescentes ou entre estas/estes e


profissionais da instituição. Quando ocorre entre as próprias crianças e adoles-
centes, os recém-chegados são forçados a se submeter sexualmente a grupos de
adolescentes mais velhos e antigos na instituição que dominam o território e o
poder local.

No caso da prática sexual entre funcionários e internos, a violência sexual


aparece não como uma atividade de prazer, mas como uma atividade do poder
instituído, que submete a vítima aos caprichos de quem detém o poder. Desse
modo, são reproduzidas as relações de poder e dominação existentes na sociedade
(SANTOS, 2004).

forMas da vIoLêncIa sexuaL


1) abuso sexual sem contato físico
São práticas sexuais que não envolvem contato físico:
O assédio sexual caracteriza-se por propostas de relações sexuais. Baseia-se, na
maioria das vezes, na posição de poder do agente sobre a vítima, que é chantage-
ada e ameaçada pelo autor da agressão.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 25


O abuso sexual verbal pode ser definido por conversas abertas sobre ativida-
des sexuais destinadas a despertar o interesse da criança ou do adolescente ou a
chocá-los (ABRAPIA, 2002).

Os telefonemas obscenos são também uma modalidade de abuso sexual verbal.


A maioria deles é feita por adultos, especialmente do sexo masculino. Podem
gerar muita ansiedade na criança, no adolescente e na família (ABRAPIA, 2002).

Quanto à internet, as redes sociais e as salas de bate-papo são o principal pas-


satempo das quase 9 milhões de crianças brasileiras que navegam pela rede. Al-
guns comportamentos virtuais preocupam os pais, principalmente em relação
aos crescentes casos de pedofilia.

Cerca de mil novos sites de pedofilia são criados todos os meses no Brasil. Destes,
52% tratam de crimes contra crianças de 9 a 13 anos, e 12% dos sites de pedofilia
expõem crimes contra bebês de zero a três meses de idade, com fotografias.

A pedofilia, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é definida como


a preferência sexual por crianças pré-púberes ou no início da puberdade. A pe-
dofilia, por si só, não é um crime, mas sim um estado psicológico e um desvio
sexual. A pessoa pedófila passa a cometer um crime quando, baseada em seus
desejos sexuais, comete atos criminosos, como abusar sexualmente de crianças
ou divulgar/produzir pornografia infantil. Tal desejo sexual é duradouro.

O uso do termo pedofilia para descrever criminosos que cometem atos sexuais
com crianças é visto como errôneo, especialmente quando tais indivíduos são
vistos de um ponto de vista clínico.

A maioria dos crimes envolvendo atos sexuais contra crianças são realizados por
pessoas que não são clinicamente pedófilas (mas realizaram o ato por outras ra-
zões, como para aproveitar-se da vulnerabilidade da vítima), e que não sentem
atração sexual primária por crianças.

Nem todos que distribuem a pornografia infantil na internet são abusadores, ex-
ploradores sexuais ou pedófilos. Os agentes criminosos, que variam de simples
usuários de rede aos pedófilos, no sentido estrito, distribuem a pornografia in-
fantil pelos mais diversos motivos, que vão desde a mera diversão até a manifes-
tação da prática real do abuso sexual.

O exibicionismo é o ato de mostrar os órgãos genitais ou se masturbar diante da


criança ou do adolescente ou no campo de visão deles. A experiência, contudo,

26 Secretaria Municipal de Educação


pode ser assustadora para algumas crianças e adolescentes (ABRAPIA, 2002).

O voyeurismo é o ato de observar fixamente atos ou órgãos sexuais de outras


pessoas, quando elas não desejam ser vistas, e obter satisfação com essa prática.
A experiência pode perturbar e assustar a criança e o adolescente (ABRAPIA,
2002). Nas relações sexuais entre adultos, o voyeurismo pode ser uma prática
sexual consentida.

A pornografia é a exposição de pessoas com suas partes sexuais visíveis ou práti-


cas sexuais entre adultos, adultos e crianças, entre crianças ou entre adultos com
animais, em revistas, livros, filmes e, principalmente, na internet. Nem sempre
envolve ato sexual: o crime pode ser caracterizado por cenas de nudez de crian-
ças e adolescentes que tenham conotação pornográfica.

Essa forma de abuso também pode ser enquadrada como exploração sexual co-
mercial, uma vez que, na maioria dos casos, o objetivo da exposição da criança ou
do adolescente é a obtenção de lucro financeiro.

2) abuso sexual com contato físico

São atos físico-genitais que incluem carícias nos órgãos genitais, tentativas de
relações sexuais, masturbação, sexo oral, penetração vaginal e anal.

O atentado violento ao pudor consiste em constranger alguém a praticar atos


libidinosos, utilizando violência ou grave ameaça. Aqui, seria forçar a criança ou
o adolescente a praticar tais atos ou forçá-los a permitir a prática de tais atos, que
podem ser masturbações e/ou toque em partes íntimas, sexo anal e oral.

O estupro é ter com uma pessoa relação sexual de qualquer natureza ou utili-
zar objeto com este fim, sem seu consentimento ou com o emprego de violên-
cia, constrangimento ou grave ameaça. A defloração anal de homens e mulheres,
sexo oral forçado, bem como a utilização de objetos com a finalidade de abuso
sexual caracterizam tal prática.

A Lei nº 12.015/2009, que versa sobre Crimes contra a Dignidade Sexual, considera como
crime de estupro de vulnerável, independentemente do sexo da vítima, qualquer tipo de
relacionamento sexual (conjunção carnal ou outro ato libidinoso) com crianças e ado-
lescentes com idade inferior a 14 anos. É crime também a prática de tais atos diante de
menores de 14 anos ou a indução a presenciá-los.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 27


Há duas facetas da violência sexual, que se inter-relacionam e precisam ser en-
tendidas em suas especificidades: o abuso sexual, que já descrevemos neste ma-
terial e a exploração sexual, além de outras.

exploração sexual: compreende o abuso sexual praticado por adultos e a remu-


neração em espécie ao menino ou menina e a uma terceira pessoa ou várias. A
criança é tratada como objeto sexual e mercadoria. A exploração sexual comer-
cial de crianças constitui uma forma de coerção e violência contra crianças, que
pode implicar trabalho forçado e forma contemporânea de escravidão, conforme
consta na Declaração de Estocolmo (1998), aprovada no I Congresso Mundial
contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, realizado em
Estocolmo no ano de 1996.

turismo sexual: orientado para exploração sexual, caracteriza-se, por um lado,


pela organização de excursões turísticas com fins não declarados de proporcio-
nar prazer sexual para turistas estrangeiros ou de outras regiões do país e, por
outro lado, pelo agenciamento de crianças e adolescentes para oferta de serviços
sexuais.

Tráfico de pessoas: para fins de exploração sexual de crianças e adolescentes, é


uma das modalidades mais perversas de exploração sexual. A prática envolve
atividades de cooptação e/ou aliciamento, intercâmbio, recrutamento, transpor-
te, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou
uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abu-
so de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de
pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha
autoridade sobre outra para fins de exploração.

trabalho infantil: qualquer trabalho realizado por uma criança com idade me-
nor do que 15 anos. É um tipo de trabalho excessivo, caracterizado como aquele
que supera as forças físicas ou mentais da vítima, ou que produz fadiga anormal;
é trabalho impróprio para as condições orgânicas da vítima, segundo a idade ou
sexo. Em qualquer das hipóteses, o referencial para a análise é a própria vítima,
levando-se em conta seu condicionamento físico, capacidade mental, sua força
muscular, sua idade e sexo.

28 Secretaria Municipal de Educação


Foto: Maurício Burim/SE
Foto: Maurício Burim/SE
forMando o oLhar do educador para IdentIfIcar
a vIoLêncIa doMéstIca e o abuso sexuaL

As crianças e adolescentes avisam de diversas maneiras, quase sempre não ver-


bais, as situações de maus-tratos e abuso sexual. Reunimos os principais sinais
da ocorrência de abuso para ajudar o educador a enxergar essa situação e agir
sobre ela. Contudo, é importante lembrar que as evidências de ocorrência de vio-
lência sexual são compostas não só por um, mas por um conjunto de indicadores
apresentados pela criança e listados abaixo.

Se o(a) educador(a) desconfia que uma criança está sofrendo violência sexual,
mesmo que seja apenas suspeita, ele(a) deve conferir. Em caso de indecisão, peça
a opinião de seus colegas de trabalho. Lembre-se sempre, porém, de proteger a
identidade da criança.

O(a) educador(a) também pode discutir suas opiniões e ações com profissionais
de outras áreas como médicos, advogados, psicólogos, assistentes sociais, conse-
lheiros tutelares que compõem a rede intersetorial.

É importante ressaltar que a presença isolada de um dos indicadores não é


significativa para a interpretação da presença de violências contra crianças e
adolescentes. Bom conhecimento das principais características das diferentes
fases do desenvolvimento infantil ajuda a esclarecer se o comportamento da
criança/adolescente é indicativo de violências.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 31


IndIcadores de vIoLêncIas

vIoLêncIa físIca

Indicadores físicos da Indicadores Comporta- Indicadores a respeito das


Criança/Adolescente mentais da Criança/Ado- famílias
lescente
Presença de lesões físicas Medo dos pais e/ou respon- - Como explica as lesões
que não se ajustem à causa sáveis; alega causas pouco sofridas pela criança?
alegada; ocultamento de viáveis às lesões; fugas - Como descreve a criança?
lesões antigas; hematomas do lar; baixa autoestima, - Como é a forma de impor
e queimaduras em diferen- considerando-se merece- limites?
tes estágios de cicatrização; dor das punições; diz ter - Quais as expectativas que
contusões em partes do sofrido violência física; têm em relação à criança?
corpo que geralmente não comportamento agressivo - Como é a relação com o
são sofridas com quedas com colegas; desconfia de professor?
habituais. contato com adultos; está
sempre alerta, esperando
que algo ruim aconteça.

vIoLêncIa psIcoLógIca

Indicadores físicos da Indicadores Comporta- Indicadores a respeito das


Criança/Adolescente mentais da Criança/Ado- famílias
lescente
Problemas de saúde sem Isolamento social; carência - Como é a demonstração
causa orgânica: distúrbios afetiva; baixo conceito de afeto entre os membros
da fala, distúrbios do sono, de si próprio; regressão da família?
afecções cutâneas, disfun- a comportamentos - Como se referem à crian-
ções físicas em geral. infantis (também pode ça?
Obs.: Por se tratar de vio- ser indicador de outros - Como são as expectativas
lência que fere o psiquismo problemas emocionais que em relação à criança?
e não a integridade física não a violência); submissão
da criança, as sequelas e apatia; dificuldades e
são preponderantemente problemas escolares, mas
emocionais. Quando há in- sem limitações cognitivas
dicadores físicos, estes são e intelectuais; tendência
resultantes de um quadro suicida.
de psicossomatização.

32 Secretaria Municipal de Educação


negLIgêncIa / abandono

Indicadores físicos da Indicadores Comporta- Indicadores a respeito das


Criança/Adolescente mentais da Criança/Ado- famílias
lescente
Padrão de crescimento Criança desenvolve - Como se dá a relação da
deficiente; vestimenta atividades impróprias para família com a escola?
inadequada ao clima; a idade: é responsável - Participam de atividades,
necessidades não atendidas, pelos serviços domésticos, reuniões ou outras formas
como higiene, alimentação, cuidados com irmãos de interação?
educação (evasão escolar), menores, etc. (é comum - Como lidam com as
saúde (vacinas atrasadas, a criança ser considerada questões de saúde da
por exemplo); fadiga madura e “precoce”, mas o criança?
constante; criança sofre fato é que está assumindo - Quais os cuidados que
frequentemente acidentes responsabilidades de demonstram em relação
(pela falta de cuidados por adulto); isolamento social; às questões de higiene e
parte de um adulto); pouca carência afetiva; falta de aparência pessoal?
atividade motora (falta de concentração e atenção
estimulação). provocadas pela fadiga e
necessidades não atendidas.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 33


vIoLêncIa sexuaL

Indicadores físicos da Indicadores Comporta- Indicadores a respeito das


Criança/Adolescente mentais da Criança/Ado- famílias
lescente
Dor ou inchaço na área Apresenta comportamento - Como é o contato da
genital ou anal a pon- sexual inadequado à idade; família com a escola e com
to de causar, inclusive, fugas de casa; não confia outros espaços de sociali-
dificuldade de caminhar e em adultos, apresentan- zação?
sentar; secreções na vagina do sentimento de medo; - Quais são as característi-
ou no pênis; infecções uri- vergonha excessiva; ideias cas dos familiares?
nárias; doenças sexualmen- ou tentativas de suicídio; - Como lidam com as ques-
te transmissíveis; compro- autoflagelação; depres- tões de sexualidade?
metimento no controle das são; sentimento de culpa; - Esclarecem as dúvidas
fezes e urina; dificuldades baixa autoestima; expres- das crianças?
e doenças emocionais; são de afeto sensualizado
roupas íntimas rasgadas ou ou mesmo certo grau de
manchadas de sangue. provocação erótica, inapro-
priado para uma criança;
desenvolvimento de brinca-
deiras sexuais persistentes
com amigos, animais e
brinquedos; masturbar-se
compulsivamente; desenhar
órgãos genitais com deta-
lhes e características além
de sua capacidade etária;
medo ou mesmo pânico de
certa pessoa ou sentimento
generalizado de desagrado
quando a criança é deixada
sozinha em algum lugar
com alguém; mudanças
extremas, súbitas e inexpli-
cadas no comportamento,
como oscilações no humor
entre retraída e extroverti-
da; regressão a comporta-
mentos infantis.

34 Secretaria Municipal de Educação


O surgimento de objetos pessoais, brinquedos, dinheiro e outros bens que estão além
das possibilidades financeiras da criança/adolescente e da família, pode ser indicador de
favorecimento e/ou aliciamento. Se isso ocorre com várias crianças da mesma sala ou
série/ano, pode indicar ação de algum abusador na região.

MItos e reaLIdades sobre o abuso sexuaL


Mitos Realidades
O estranho representa “Estranhos” são responsáveis por pequeno percentual
perigo maior para crianças dos casos registrados. Na maioria das vezes, entre 85% a
e adolescentes. 90% dos casos, crianças e adolescentes são sexualmente
abusados por pessoas que já conhecem, como pai ou mãe,
parentes, vizinhos, amigos da família, colegas de escola,
babá, professor(a) ou médico(a).
O autor do abuso sexual é Os crimes sexuais são praticados em todos os níveis
psicopata, tarado que todos socioeconômicos, religiosos e étnicos. Na maioria das ve-
reconhecem na rua, de- zes, são pessoas aparentemente normais e queridas pelas
pravado sexual, homem crianças e pelos adolescentes. A maioria dos agressores é
mais velho e alcoólatra, heterossexual e mantém relações sexuais com adultos.
homossexual ou retardado
mental.
O pedófilo tem caracte- Do ponto de vista da aparência física, o pedófilo pode ser
rísticas próprias que o qualquer pessoa.
identificam.
A criança mente e inventa Raramente a criança mente. Apenas 6% dos casos são
que é abusada sexualmen- fictícios e, nessas situações, trata-se, em geral, de crian-
te. ças maiores que objetivam alguma vantagem.
Se uma criança ou adoles- O autor da agressão sexual tem inteira responsabilidade
cente “consente” é porque pela violência sexual, qualquer que seja a forma por ele
deve ter gostado. Só quan- assumida.
do ela disser “não” é que
fica caracterizado o abuso.
O abuso sexual, na maioria O abuso ocorre, com frequência, dentro ou perto da casa
dos casos, ocorre longe da criança ou do abusador, que, normalmente, procura
da casa da criança ou do locais em que a criança/adolescente estará completamen-
adolescente. te vulnerável. O maior índice das ocorrências tem sido no
período diurno.
É fácil identificar o abuso Em apenas 30% dos casos há evidências físicas. As auto-
sexual em razão das evi- ridades devem estar treinadas para as diversas técnicas de
dências físicas encontradas identificação de abuso sexual.
nas crianças e adolescen-
tes.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 35


O abuso sexual está asso- A violência física contra crianças e adolescentes abusa-
ciado a lesões corporais. dos sexualmente não é a ação mais comum, mas sim o
uso de ameaças e/ou a conquista da confiança e do afeto
da criança. Crianças e adolescentes são, em geral, pre-
judicados pelas consequências psicológicas do abuso
sexual.

O abuso sexual limita-se Além do ato sexual com penetração vaginal (estupro) ou
ao estupro. anal, outros atos são considerados abuso sexual, como
o “voyeurismo”, a manipulação de órgãos sexuais, a
pornografia e o exibicionismo.
A divulgação de textos O malefício é enorme para as crianças fotografadas ou
sobre pedofilia e fotos de filmadas. O uso dessas imagens e textos estimula a acei-
crianças e adolescentes tação do sexo de adultos com crianças, situação crimino-
em posições sedutoras sa e inaceitável. Sabe-se que, frequentemente, o contato
ou praticando sexo com do pedófilo inicia-se de forma virtual na internet, mas
outras crianças, adultos e logo pode passar para a conquista física, levando inclusi-
até animais não causa ma- ve ao assassinato de crianças.
lefícios, uma vez que não
há contato e, muitas vezes,
tudo ocorre virtualmente
na tela do computador.
As vítimas do abuso Níveis de renda familiar e de educação não são indica-
sexual são oriundas de dores de abuso. Famílias das classes média e alta podem
famílias de baixo nível ter melhores condições para encobrir o abuso e manter
socioeconômico. o “muro do silêncio”. Vítimas e autores do abuso são,
muitas vezes, do mesmo grupo étnico e socioeconômico.
Crianças e adolescentes Crianças e adolescentes só revelam o “segredo” quando
só revelam o “segredo” se confiam e sentem-se apoiadas.
tiverem sido ameaçadas
com violência.
A maioria dos casos é Estima-se que poucos casos são denunciados. Quando há
denunciada. envolvimento de familiares, poucas são as probabilidades
de que a vítima faça a denúncia, seja por motivos afetivos
ou por medo do abusador; medo de perder os pais; de ser
expulso; de que outros membros da família não acreditem
em sua história; ou de ser o causador da discórdia fami-
liar.
A maioria de pais e profes- A maioria, no Brasil, desconhece a realidade do abuso
sores está informada sobre sexual de crianças. Pais e professores desinformados não
abuso sexual de crianças, podem ajudar uma criança.
sobre sua frequência e so-
bre como lidar com ele.

36 Secretaria Municipal de Educação


O abuso sexual é uma situ- O abuso sexual é extremamente frequente em todo o
ação rara que não merece mundo. Sua prevenção deve ser prioridade até por ques-
prioridade por parte dos tões econômicas: estudo realizado nos EUA, por exem-
governos. plo, revelou que os gastos com atendimento a dois mi-
lhões de crianças que sofreram abuso sexual chegaram a
US$ 12,4 milhões por ano.
É impossível prevenir o Há maneiras práticas e objetivas de proteger as crianças
abuso sexual de crianças. do abuso sexual.

por que a escoLa deve notIfIcar às autorIdades


casos de suspeIta ou ocorrêncIa de vIoLêncIas?

O ato de notificar às autoridades sobre casos de violência pode contribuir para


interromper o ciclo de violências contra a criança e o adolescente. Não denun-
ciar pode acarretar até o suicídio da vítima. Estudos demonstram que crianças
sexualmente abusadas acabam tendo uma visão muito diferente do mundo e dos
relacionamentos. Sofrem muito de culpa, baixa estima, problemas com a sexua-
lidade e dificuldades em construir relações afetivas duradouras. Assim, o quanto
antes receberem apoio educacional, médico e psicológico, mais chances terão de
superar a experiência negativa da infância e ter uma vida adulta mais prazerosa
e saudável.

O ECA, em seu artigo 13, prescreve: “Os casos de suspeita ou confirmação de maus-
-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho
Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais”. No artigo
245, o ECA estabelece multa de 3 a 20 salários de referência (aplicando-se o dobro
em caso de reincidência), se “deixar o médico, professor ou responsável por estabele-
cimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar
à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou
confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente”.

Resumindo, deve-se denunciar para que:


• o abusador não volte a violentar a criança ou o adolescente;
• outras crianças e adolescentes não sejam sexualmente abusados;
• e para que crianças e adolescentes sexualmente abusados não repitam,
quando adultos, a violência recebida.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 37


Por que muitos(as) educadores(as), mesmo sabendo ser obrigação legal, não
notificam às autoridades as suspeitas ou ocorrências de violência sexual e outras
formas de violência?

Resistência psicológica e emocional

Muitos(as) educadores(as) também vivenciaram situações de violência e abuso


e, inconscientemente, resistem relembrar esses momentos difíceis. É preciso lem-
brar a essas pessoas o custo desse silêncio para a sua vida social, emocional e
psicológica, enfatizando que uma atitude de denúncia pode contribuir para o
próprio processo de elaboração da violência sofrida, podendo também ajudar
outras crianças a não “passarem pelo que elas passaram”. Algumas crianças ja-
mais revelam as violências sofridas, carregando, muitas vezes, esse drama pelo
resto da vida.

Falta de percepção das situações de abuso e informação sobre como proceder

A atenção de muitos(as) educadores(as) não está orientada para a identificação


das evidências de ocorrência do abuso. Alguns suspeitam da ocorrência, mas
não sabem como abordar a criança, como fazer a denúncia ou mesmo a quem
recorrer.

Falta de tempo

Muitos(as) educadores(as), sabendo que essas ações demandam tempo tanto


para proteção da criança quanto para a responsabilização do agressor, acabam
por se omitir. A essas pessoas queremos lembrar que dedicar seu tempo à criação
de uma cultura de respeito aos direitos da criança e do adolescente poderá evitar
que novas gerações sejam violentadas, ajudando-as a ter uma vida adulta sexual
e afetivamente saudável. Convém lembrar que omissão também é crime.

38 Secretaria Municipal de Educação


Medo de se envolver em complicações

Muitos(as) educadores(as) e autoridades escolares têm medo de complicações


com as famílias da criança ou do agressor. Gostaríamos de lembrar que a escola
pode fazer a denúncia de forma anônima, apesar de não ser essa a melhor solu-
ção. Pode também pedir proteção à polícia em casos de ameaça.

Falta de credibilidade na Polícia e na Justiça

Muitos(as) educadores(as) não acreditam que a notificação possa garantir a pro-


teção da criança ou que a Justiça irá responsabilizar os agressores. A esses(as)
educadores(as) é importante frisar que:

• Os serviços de disque-denúncia têm registrado número cada vez maior


de denúncias em todo o Brasil. De janeiro a março de 2011, foram contabi-
lizados cerca de 4.200 registros de abuso e exploração sexual de crianças
e adolescentes. O volume deste ano é cerca de 35% maior na comparação
com o mesmo período do ano passado, quando foram apresentados 3.125
registros, indicador de que as campanhas estão surtindo o efeito desejado;

• Inúmeras denúncias recebidas vêm sendo transformadas em inquéritos,


quando anteriormente os casos de exploração sexual nem chegavam à in-
vestigação;

• O número de agressores penalmente responsabilizados pelos seus atos


vem aumentando significativamente.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 39


notIfIcando suspeItas ou ocorrêncIas de
vIoLêncIas

Que fazer quando há suspeitas de qualquer forma de violência ou dúvidas sobre


o diagnóstico?

A notificação deve ser realizada como um instrumento importante de proteção e


não de denúncia e punição. É um direito da criança, do adolescente e da família
viver em um ambiente que promova o bem-estar físico, social e emocional, livre
de qualquer forma de violência, opressão ou negligência.

Como previsto em lei, mesmo nos casos de suspeita, a notificação deve ser feita
ao Conselho Tutelar. No entanto, é importante fundamentar as suspeitas com o
registro de observações a respeito de aspectos sociais e psicológicos. Baseados nas
evidências de violências e abuso, descritas neste documento, o(a) educador(a) e/
ou a direção da escola podem oferecer denúncia de suspeita de violências e/ou
abuso às autoridades responsáveis e deixar que elas se encarreguem de abordar
a criança e proceder às apurações, para que não haja a revitimização.

Revitimização é a repetição de atos de violência pelo agressor ou a repetição da


lembrança de atos de violência sofridos, quando o relato do trauma necessita ser
repetido para vários profissionais; é uma forma comum de violência. Isso pode
acarretar prejuízos também para a justiça, pois a vítima, por cansaço, pode omitir
fatos ou, por considerar que está chamando a atenção, pode aumentar os aconte-
cimentos.

Outra forma de revitimização é a peregrinação pelos serviços para receber aten-


dimento ou, quando esse atendimento é sem privacidade, expor a dor e o so-
frimento diante de terceiros. Essa falta de sigilo pode estigmatizar a criança ou
adolescente como “abusada”, agravando o trauma.

40 Secretaria Municipal de Educação


coMo acoLher a crIança e proteger sua
IdentIdade?

A proteção e a promoção dos direitos da infância e da adolescência também de-


vem ser contempladas na forma como falamos sobre o assunto. Alguns cuidados
com a comunicação são fundamentais para proteger, e não estigmatizar, as crian-
ças e adolescentes que estão sofrendo alguma forma de violência ou negligência.
Algumas expressões ou jargões podem inclusive levar à “revitimização” e causar
um efeito inverso ao que nos propomos. Esse cuidado é ainda mais importante
quando estamos falando de violência sexual, um tema delicado, rodeado de tabu
e de silêncio.

O(a) educador(a), devido sua proximidade com a criança, deverá aproveitar uma
oportunidade de maior intimidade em que possa acolhê-la, sem expô-la frente a
outras pessoas. Esse acolhimento é peça fundamental para derrubar o “muro do
silêncio”.

A postura do(a) educador(a) pode contribuir para o acolhimento da criança e do


adolescente, na medida em que:

• Reconhece os sinais de violência, a partir da sensibilização e formação


para isso;

• Acolhe as crianças e os adolescentes vítimas de violências de forma huma-


nizada, sem preconceitos e juízos de valor;

• Garante a necessária privacidade durante a apuração dos fatos, estabele-


cendo um ambiente de confiança e respeito;

• Mantém sigilo sobre as informações prestadas pela vítima ou pelo seu


responsável, repassando a outro profissional, ou outro serviço, apenas as
informações necessárias para garantir o atendimento adequado;

• Diferencia comportamentos e sinais resultantes de situações de violência


de outras causas como indisciplina, problemas orgânicos, deficiências mo-
tora, visual, auditiva, cognitiva, etc.

• Avalia a gravidade da situação, a possibilidade de risco de vida ou de


repetição da violência sofrida, considerando o estado em que se encontra

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 41


a vítima, as condições da família, o tipo de violência sofrida e o tipo do
agressor;

• Garante que os casos de violência contra crianças e adolescentes sejam


imediatamente comunicados ao Conselho Tutelar;

• Garante encaminhamento imediato até 72 horas após o ocorrido — dos ca-


sos de estupro e atentado violento ao pudor, ao serviço de saúde responsá-
vel pelo acolhimento a este tipo de violência, para as medidas de prevenção
das DST/AIDS e da gravidez;

• Inclui a discussão sobre causas, consequências e formas de enfrentamento


da violência doméstica, nas atividades educativas realizadas pela unidade;

• Incentiva a formação de grupos de discussão sobre a educação de filhos


e debates sobre temas como: liberdade, limites, uso e abuso de drogas,
sexualidade, fases do desenvolvimento de crianças e adolescentes, direitos
da mulher e do idoso, violência doméstica/familiar, entre outros;

• Participa ativamente dos encontros da Rede de Proteção local, discutindo


os casos notificados por qualquer um dos membros da rede e definindo
procedimentos de intervenção e acompanhamento, elaborando propostas
de enfrentamento conjunto dos problemas vivenciados.

proteger a identidade da criança e do adolescente vítima de violência e/


ou sexualmente abusados deve ser um compromisso ético-profissional. As
informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com
as pessoas que puderem ajudá-las. Mesmo assim, use codinomes e mantenha
o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas.

42 Secretaria Municipal de Educação


o que fazer

• Apurar os fatos com base em observações da criança/adolescente em di-


versas situações do cotidiano escolar, ou com base no acolhimento e conver-
sa a respeito do assunto, caso sinta-se à vontade para isso;

• Preencher o regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar


e sexuaL contra crIanças e adoLescentes;

• Encaminhar o regIstro escoLar da vIoLêncIa Intrafa-


MILIar e sexuaL contra crIanças e adoLescentes em EN-
VELOPE LACRADO/CONFIDENCIAL, em duas vias, uma para o Conse-
lho Tutelar de sua região e outra para a Secretaria Municipal de Educação,
DOEP, Divisão Técnica de Políticas para a Diversidade e Inclusão Educacio-
nal.

Obs.: em caso de danos físicos à criança/adolescente, a família, o responsável, a


escola, a Unidade Básica de Saúde ou o Conselho Tutelar podem fazer o Boletim
de Ocorrência, quando necessário, pois só assim será possível o exame de corpo
delito.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 43


regIstro escoLar da vIoLêncIa IntrafaMILIar e
sexuaL contra crIanças e adoLescentes

44 Secretaria Municipal de Educação


Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 45
sInaLIzadores de dIreItos huManos – sdh
O tema Direitos Humanos é fundamental para assegurar e defender a integridade
física, intelectual, emocional e moral de crianças e adolescentes no mundo todo. Por
sua universalidade e abrangência, os direitos humanos se configuram como língua
pátria de todos os que se mobilizam para combater e prevenir a incidência de violên-
cias contra crianças e adolescentes.

A Universidade Federal de São Paulo mantém, no seu Campus Guarulhos, o Nú-


cleo de Pesquisa e Estudo sobre Criança e Infância (NUPESCI), que desenvolveu um
trabalho interdisciplinar voltado para a sinalização de direitos humanos. Estamos
num tempo em que a comunicação visual tem lugar preponderante na circulação de
ideias e mensagens.

Nesse sentido, os sinalizadores de direitos humanos (sdh) são desenvolvidos no


NUPESCI da Unifesp e são organizados com critérios de exposição que têm finalida-
de pedagógica. Os sdh têm por objetivo introduzir, no cotidiano das instituições e
dos locais públicos, uma série de alertas educativos para que as pessoas possam per-
ceber pequenas situações do dia a dia permeáveis à violação dos direitos humanos.

Além disso, os sdh são planejados tematicamente de modo a fazer com que cada
conjunto de sinalizadores aborde temas específicos, que podem, para além de sensi-
bilizar pessoas, oferecer subsídios para que professores trabalhem com a questão em
sala de aula. Os sdh estão expostos para que possam ser lidos e divulgados, mas,
considerando a realidade de sala de aula, também podem ser dramatizados, pinta-
dos ou transformados em tema de debate ou produção de texto.

Sistematicamente, novos temas são acrescentados de modo a oferecer para cada es-
cola ou instituição pública condições de construir repertórios de direitos humanos.
Que todos os leitores dos sdh possam perceber o papel relevante que possuem em
relação à prevenção das violências praticadas contra crianças e adolescentes!

Marcos Cezar de Freitas


Universidade Federal de São Paulo

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 47


48 Secretaria Municipal de Educação
Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 49
50 Secretaria Municipal de Educação
Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 51
52 Secretaria Municipal de Educação
Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 53
servIços de referêncIa no MunIcípIo de guaruLhos

conseLho tuteLar da crIança e adoLescente - I


(região centro)
Rua Presidente Prudente, 28 - Centro
CEP: 07110-140
Tel: (11) 2441-2437 / 2441-2438
Plantão: (11) 7351-0789
Email: ctcentroguarulhos@hotmail.com

conseLho tuteLar da crIança e adoLescente - II


(região cumbica)
Rua Jati, 247 - Cumbica
CEP: 07180-140
Tel: (11) 2412-9062 / 2446-3760
Plantão: (11) 6740-5951
Email: conselhocumbica@yahoo.com.br

conseLho tuteLar da crIança e adoLescente - III


(região são João / bonsucesso)
Rua Nova York, 5 - Jd. Presidente Dutra
CEP: 07171-010
Tel: (11) 2431-9081 / 2431-8485
Plantão: (11) 7116-4248
Email: ctsaojoaoguarulhos@ig.com.br

conseLho tuteLar da crIança e adoLescente - Iv


(região pimentas)
Av. Juscelino Kubitschek de Oliveira, 4.555 - Jd. Arujá - Pimentas
CEP: 07272-480
Tel: (11) 2498-2879 / 2496-5466
Plantão: (11) 7144-2880
Email: ctpimentas@yahoo.com.br

conseLho tuteLar da crIança e adoLescente - v


(região taboão)
Rua Ipauçu, 192 - Jd. Bela Vista
CEP: 07133-290
Tel: (11) 2408-2824 / 2443-4057
Plantão: (11) 7179-9352
Email: cttaboao@hotmail.com

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 55


conseLho MunIcIpaL dos dIreItos da crIança e do
adoLescente - cMdca
presidente: Sonidelane Cristina Mesquita de Lima
periodicidade das reuniões: mensal (2ª terça-feira de cada mês)
telefones: 2408-5123 / 2461-4937
Email: cmdcaguarulhos@ig.com.br

secretarIa de desenvoLvIMento e assIstêncIa


socIaL
cras - centros de referência da assistência social

acácIo
Rua Maria Luiza Pericó, 177 - Jd. Acácio
Telefone: 2406-2113

centro
Av. Brigadeiro Faria Lima, 375 - Cocaia
Telefone: 2087-4275

ItapegIca
Rua Ceres, s/ nº - Vila São Rafael
Telefone: 2421-0656

ponte aLta
Estrada Mato das Cobras, s/ nº - Ponte Alta
Telefone: 2438-1507

centenárIo
Avenida José Miguel Ackel, 1100 - Centenário
Telefone: 2425-4369

cuMbIca
Avenida Monteiro Lobato, 5.088 - Cumbica
Telefone: 2411-1317

santos duMont
Rua Adalberto Bellini, 173 - Jd. Bananal
Telefone: 2467-3315

56 Secretaria Municipal de Educação


são João
Rua Marcial Lourenço Seródio, 644 - Jd. São João
Telefone: 2467-2535

presIdente dutra
Av. Rio Real, 218 - Jd. Presidente Dutra
Telefone: 2433-2882

pIMentas
Estrada Capão Bonito, 64 - Jd. Maria de Lourdes
Telefone: 2484-0809, ramais: 204 / 205

nova cIdade
Rua Itália, 13 - Parque das Nações
Telefone: 2484-2813

centros de referência especializados da assistência social


(creas)
Rua Prof. João de Barros, 87 - Jd. zaira
Telefone: 2467-5707 / 2467-5772

secretarIa da saÚde
unIdades de referêncIa do 1º atendIMento para os
casos de abuso sexuaL

crIanças e adoLescentes
(Vítimas até 17 anos, 11 meses e 29 dias)

hospital Municipal da criança e do adolescente


Rua José Maurício, 185/191 - Centro
Fone: 2475-9688

hospital Municipal pimentas bonsucesso


Rua São José do Paraíso, 100 - Jd. Imperial
Fone: 2489-6610

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 57


adoLescentes, aduLtos e Idosos
(Vítimas a partir de 14 anos)

hospital Municipal de urgências


Avenida Tiradentes, 3392 - Bom Clima
Fone: 2475-7422

hospital Municipal pimentas bonsucesso


Rua São José do Paraíso, 100 - Jd. Imperial
Fone: 2489-6610

policlínica alvorada
Avenida Santa Helena, 70 - Jd. Alvorada
Fone: 2484-5659

policlínica bonsucesso
Rua Catarina Mariana de Jesus, s/nº - Bonsucesso
Fone: 2438-7658

policlínica dona Luiza


Rua Centenário, 14 - Jd. Dona Luiza
Fone: 2303-4150

policlínica Maria dirce


Rua Ubatã, 100 - Jd. Maria Dirce
Fone: 2088-7400

policlínica paraíso
Avenida Silvestre Pires de Freitas, 50 - Jd. Paraíso
Fone: 2088-4050

policlínica são João


Rua Taipu, 92 - Jd. São João
Fone: 2229-2240

58 Secretaria Municipal de Educação


acoMpanhaMento aMbuLatorIaL eM quaLquer
unIdade básIca de saÚde

coordenadorIa da MuLher - casa das rosas, Margaridas e beth’s


(centro de atendimento às Mulheres em situação de violência doméstica)
Rua Francisco Antônio de Miranda, 66 – Centro
Fone: 2475-9624

casa da MuLher cLara MarIa I - região centro


Rua Francisco Antônio de Miranda, 65 / Fone: 2468-3569 e 2472-6926

casa da MuLher cLara MarIa II - região angélica


Rua Alberto de Melo Seabra, 292 / Fone: 2480-1060

casa da MuLher cLara MarIa III - região haroldo veloso


Rua Agostinho dos Santos, 17 / Fone: 2467-6445

casa da MuLher cLara MarIa Iv - região tranquilidade


Rua Brigadeiro Lima e Silva, 480 / Fone: 2086-2374

casa da MuLher cLara MarIa v - região recreio são Jorge


Rua Margarida, 48 / Fone: 2446-1576

casa da MuLher cLara MarIa vI - região ponte alta


Rua Doutor Mário Luiz Macca, 781 / Fone: 2087-2788

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 59


referêncIas bIbLIográfIcas
ASSOCIAçãO BRASILEIRA MULTIPROFISSIONAL DE PROTEçãO à IN-
FâNCIA E A ADOLESCêNCIA - ABRAPIA. abuso sexual: mitos e realidade. 3.
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______. Maus-tratos contra crianças e adolescentes - proteção e prevenção: guia
de orientação para educadores. Petrópolis, RJ: Autores & Agentes & Associados,
ABRAPIA, 1997.
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H. C. O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: novas perspectivas e
desafos. In: CzERESNIA, D.; FREITAS, C. M. (Orgs.). promoção da saúde: con-
ceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. p. 117-39.
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revisitada. São Paulo: Cortez, 1998.
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cação. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).
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CRAMI. cartilha sobre maus tratos. São José do Rio Preto, SP: [s.n.], 2000.
COHEN, C. o incesto um desejo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1993.
COSTA, E. F.; MOURA, D. C. a escola e o seu papel social diante da criança
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Universidade Federal de Pernambuco. Pró-Reitoria de Extensão, 1997. (Artigo).
Disponível em: <http://www.ufpe.br/proext/images/publicacoes/cadernos_de_
extensao/Educacao/papel.htm>. último acesso em: 10 abr. 2012.
FALEIROS, V. P.; FALEIROS, E. S. escola que protege: enfrentando a violência
contra crianças e adolescentes. 2. ed. Brasília: MEC/SECAD, 2008.
______. Redes de exploração e abuso sexual e redes de proteção. In: anais do
congresso nacional de assistentes sociais. Brasília: [s.n.], 1998.
FEDERAçãO DOS BANCÁRIOS DA CUT DE SãO PAULO - FETEC. calar-se é
permitir – denunciar é proteger! Campanha de combate à violência sexual con-
tra crianças e adolescentes. São Paulo: FETEC, 2009.

60 Secretaria Municipal de Educação


FERNANDES, D. apresentação sobre violência doméstica contra crianças e
adolescentes - vdcca. Guarulhos, SP: [s.n.], 2010.
MOYSÉS, S. J. et al. Avaliando o processo de construção de políticas públicas de
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letiva, Rio de Janeiro, v. 9, n. 3, p. 627-641, jul.-set., 2004.
RENNÓ, D. S. Introdução à política pública de assistência social. Núcleo Espe-
cializado de Infância e Juventude. Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
São Paulo: [s.n.], 2011.
SANTOS, B. R. et al. guia escolar: métodos para identificação de sinais de abuso
e exploração sexual de crianças e adolescentes. 2. ed. Brasília: MEC/SEDH, 2004.
SECRETARIA DE ESTADO DE SAúDE DO DISTRITO FEDERAL. Manual para
atendimento às vítimas de violência na rede de saúde pública do df. 2. ed.
Brasília: Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, 2009. Disponível em:
<http://www.scribd.com/doc/55010487/23/Devemos-Evitar-a-Revitimizacao>.
último acesso em: 10 abr. 2012.
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAçãO DE GUARULHOS. proposta cur-
ricular: Quadro de Saberes Necessários – QSN. Guarulhos, SP: SME, 2009.

LeIs
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sa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
______. Lei 12.015/09. crimes contra a dignidade sexual, 2009.
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SãO PAULO (Estado). comunicado nº 052/11. Diretoria Regional de Assistência
Social da Grande São Paulo Norte - DRADS/SPN, 1/6/2011.
decLaração de estocoLMo, 1998. I Congresso Mundial sobre Explora-
ção Sexual de Crianças e Adolescentes, 1996.

sIte
PORTAL PROMENINO, FUNDAçãO TELEFôNICA. <http://www.promenino.
org.br/>.

Educação Inclusiva | Violências Contra Crianças e Adolescentes 61


expedIente

Prefeito Gestor do Departamento de Controle da Execução


sebastião almeida Orçamentária da Educação
Josmar nunes de souza
Vice-Prefeito
carlos derman Gestor do Departamento de Alimentação e
Suprimentos da Educação
Secretária Municipal de Educação Marcelo colonato
neide Marcondes garcia
Gestor do Departamento de Manutenção de
Secretário Adjunto de Educação Próprios da Educação
prof. fernando ferro brandão Luiz fernando sapun

Gestora do Departamento de Ensino Escolar Gestora do Departamento de Planejamento e


sueli santos da costa Informática na Educação
cintia aparecida casagrande
Gestora do Departamento de Orientações
Educacionais e Pedagógicas Gestora do Departamento de Serviços Gerais da Educação
sandra soria Margarete elisabeth shwafati

dIvIsão técnIca de poLítIcas para dIversIdade e IncLusão educacIonaL


Marli dos Santos Siqueira e Sueli Mariana de Medeiros (organização/elaboração do material); José Fernando
Bezerra Junior, Luci Aparecida Cavalcante Soares Rocha e Maria Cecília Ramos da Silva Santos (elaboração);
Cláudia Simone Ferreira Lucena, Divaneide Alves da Silva, Elide Viviane da Silva, Josefa de Jesus Moreira,
Maria Arlete Bastos Pereira, Marilene da Cruz Costa, Nereide Vibiano e Silvana Lumiko Yamabuchi.

revIsão
Cristiane Machado
Maria Aparecida Contin
Tiago Rufino-Fernandes

Agradecimentos ao Prof. Dr. Marcos Cezar de Freitas e à Isabel Aparecida dos Santos Mayer pela parceria e
contribuição teórica; e à Ellen Maria Oliveria Lopes, Floripes Fernandes Miranda Pinho, Francisca Alves dos
Santos, Leila de Jesus Pastores Carbajo e Vera Canto Berzaghi pela representação da Supervisão Escolar nas
discussões para elaboração desta publicação.

dIvIsão técnIca de pubLIcaçÕes educacIonaIs


José Augusto Lisboa, Claudia Elaine Silva, Maria de Lourdes Dias da Silva, Vanda Martins, Maurício Burim
Perejão, Eduardo Calabria Martins, Maristela Barbosa Miranda, Camila Lima dos Santos e Márcia Pinto.
Foto: Maurício Burim/SE

Foto: Maurício Burim/SE

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