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Título:

Texto: Juizes 6. 11 – 24
Local: Igreja Presbiteriana dos Guararapes
Por: José Valdeci Monteiro da Silva

Você se acha valente? Você se acha uma pessoa forte para enfrentar situações
adversas?

Ou sente medo de situações conturbadas? Aquelas que nos deixam meio que sem
saída? Ou você é daqueles que precisa da ajuda de outras pessoas para fazer aquilo que
sente dificuldades?

Talvez, alguns de nós já estejamos fugindo a alguns dias de responsabilidades as


quais não conseguiram ver que o Senhor as colocou em suas mãos para que você as
resolva. E o máximo que tem feito é fugir até com grande maestria, arranjando desculpas
para não assumi-las.

Até mesmo as dificuldades hodiernas - aquelas que sempre teremos conosco - são
usadas para nos convencermos que não estamos prontos ou qualificados para a tarefa, ou
que somos incapazes de assumir qualquer responsabilidade.

Isso é engraçado por que ao mesmo tempo uma das propostas mais viciantes de
nosso tempo tem invadido a vida de muitas pessoas, ela é a autoafirmação: o fato das
pessoas dizerem a si mesmas e a outras que elas podem tudo, é só fazer o que precisam
fazer.

Lhes digo: É fácil sermos tentados por está proposta. Ainda mais quando junto a ela há
uma onda de “vitimização” presente em nossos dias.

Falando em dificuldades, olhando para o texto, quero falar um pouco das


dificuldades de Gideão:

O período em que viveu Gideão se tratava de um período conturbado. Não havia


líder ou rei que estivesse a frente da nação ou que estivesse no seu governo, ao passo
que não havia temor no coração do povo, como mostra o verso 1, cap. 6:

“Fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; por isso, o Senhor os
entregou nas mãos dos midianitas por sete anos”.

O povo adorava a um deus falso chamado Baal, vivendo em idolatria e longe do


Senhor, e eram escravos dos midianitas, que destruíam suas plantações, gado e qualquer
animal. O povo passava por muitas aflições – Eram vítimas destes algozes.

A angustia e a dor do povo eram tamanhos por causa desta situação que os
israelitas começaram a clamar a Deus, conforme o verso 6:

“Assim, Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas; então, os filhos de
Israel clamavam ao Senhor”.
A situação de Israel era humilhante, eles estavam enfraquecidos na fé, e isto por
causa do pecado da idolatria, deixaram de crer em Deus como seu único Deus, como
mostra o verso 1.

Tudo o que eles estavam passando era produto do pecado e reflexo das
implicações da Aliança.

Israel tinha 3 opções: (1) Se acovardar diante do inimigo, levados pela sua baixa
estima; (2) Se autoafirmar como criadores de seu próprio destino, elevando por si só sua
autoestima; (3) ou clamar a Deus, esperando naquele que é forte e valente a fim de que
desbaratasse seus inimigos.

O verso 7 diz que o povo clamou a Deus e em resposta Deus envia um profeta que
fala sua Palavra, dizendo: (v. 8 – 10)

Nisto o povo de Israel acertou! Clamou a Deus em busca de socorro. Podemos


observar nas escrituras que é neste tipo de situação, com o povo sendo oprimido e
passando com falta de fé e esperança que uma das teofânias mais frequentes do AT
surgia: a aparição do Anjo do Senhor.

Diz o texto, no verso 11: “Então, veio o Anjo do Senhor a Gideão”.

O anjo do Senhor já tinha aparecido a outros, como Abraão e seu neto Jacó. E
todas as vezes que o Anjo apareceu ele trouxe da parte de Deus socorro e redenção ao
seu povo.

Aqui com Gideão não seria diferente. Porém, veremos que Gideão não demonstrou
tanta fé e coragem para assumir sua responsabilidade. Sua estima estava baixa e sua fé
estava fraca que, no instante que o Anjo do Senhor apareceu, Gideão estava colocando a
salvo sua comida. Isso demostra desconfiança - um comportamento de quem está
temendo os constantes acontecimentos e não os enfrentando ou assumindo sua
responsabilidade.

Interessante é o que o Anjo diz no verso 12.

O Anjo do Senhor se apresenta com palavras que, a primeira vista, são tanto quanto
duvidosas sobre a pessoa de Gideão. Observe o que o Anjo diz: “O Senhor é contigo,
homem valente”.

Inevitavelmente a pergunta viria: Como é que este homem pode ser chamado de
valente? Ele está escondendo o trigo!

Como eu disse: Algo aqui aparenta desconexo com a realidade quanto ao caráter de
Gideão, até porque isto continua visível na resposta incrédula do próprio Gideão no verso
seguinte.

Vejamos como Gideão responde ao Anjo (v. 13):

Ah! Senhor meu! Se o Senhor é conosco, por que nos sobreveio tudo isto?

Ora, como um homem valente poderia estar a se queixar?


Gideão ainda se mostra abatido, sem esperança e desfavorecido pelo Senhor.

Suas hesitações continuam nos versos 15 e 17:

v. 15 - E ele disse: “Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel?”

v. 17 – Ele respondeu: “Se, agora, achei mercê diante dos teus olhos, dá-me um sinal de
que és tu, Senhor, que me falas”. (A palavra Senhor aparece em maiúsculo em todos os
momentos que o Anjo falou).

Então, por que o Anjo do Senhor o chamou de homem valente? Ou em outra


versão: de homem valoroso?

Há uma ressalva quanto a Gideão que poderia nos convencer disto, e é a seguinte:
que Gideão se lembrava dos feitos do Senhor e da Aliança, do Pacto feito por Deus com o
seu povo, quando diz em sua resposta no verso 13: “...E que é feito de todas as maravilhas
que nossos pais nos contaram, dizendo: não nos fez o Senhor subir do Egito?...”.

Isto é importante, mas, só o fato de se lembrar do pacto não evidencia valor a ponto
de ser visto como homem valente.

A fala do Anjo do Senhor em todos os momentos foi insistente: no verso 14 o Anjo


diz a Gideão para “ir na força dele e livrar o povo das mãos dos midianitas”.

Meus irmãos, isso seria uma piada se não fosse o próprio Deus que estivesse
falando com Gideão. Tanto é que no final do verso temos: “... por ventura, não te enviei
eu?”.

Só que nada disso convenceu Gideão. A propósito ele continuou dando desculpas
ao Senhor (vv. 15).

Ele se vê fraco: “... Com que livrarei Israel?”

Ele diz que não tem família rica, sendo a mais pobre de Manassés. No entanto, No
verso 27 o texto diz que ele tinha pelo menos 10 criados.

E no final ele diz que é o menor da casa de seu pai.

É evidente que o medo e apatia de Gideão eram tamanhos que ele não conseguia
reconhecer os recursos de sua própria casa e nem que era o Senhor que estava falando
com ele.

Então, no verso 16, o anjo do Senhor torna a falar com Gideão como se ele não
tivesse dado respostas. Diz o versor: “Tornou-lhe o Senhor: Já que eu estou contigo,
ferirás os midianitas como se fossem um só homem”.

Passa a ser até engraçado, porque o anjo do Senhor assume uma postura
completamente indiferente às respostas dadas por Gideão.

Olha! Não me importo com o que você pensa!

Olha! Não me importo com sua nova desculpa!


Olha! Não me importo com sua dor, com sua fraqueza, com seu medo...

O que me importa é que você livre o povo! O que é importante é que eu estou com
você.

Por que o anjo faz isso? No final desta fala há algo extremamente importante e que
nos responde a pergunta: Por que o Anjo do Senhor chamou Gideão de valente?
Exatamente porque é o Senhor quem está com Gideão e está enviando Gideão.

Teologicamente falando a aparição do Senhor tem dois intentos e um único objetivo:

1. Intento sacramental;
2. Intento espiritualizante;

E o objetivo de ambos é demonstrar para o povo que o Senhor está com eles e
pronto para conferir redenção.

O intento sacramental tem haver com o desejo de Deus de se aproximar


intimamente de seu povo. Deus faz isso com finalidade de comunicar e assegurar o povo
sobre seu plano e interesse.

Deus fala de seus propósitos eternos, de como eles serão executados e o que o
povo, uma vez conhecedores destes propósitos, terá que fazer para que tudo ocorra como
determinado.

No texto o intento sacramental se mostra no fato de Deus ter falado com homens,
ter ouvido a eles, tudo isto como resultado da condescendência de sua parte em também
fazê-los participantes de seus propósitos.

O Anjo do Senhor apresentou a Gideão os propósitos do Senhor: Gideão seria o


libertador do povo.

Já o intento espiritualizante está ligado a natureza espiritual do próprio Deus.

Explicarei: Certa vez, o Senhor Jesus tratando sobre adoração com a mulher Samaritana
disse que: Deus é Espírito. Então, mesmo que o anjo na maioria da sua fala tenha falado
na 3ª pessoa, o que fica claro aqui é que Gideão estava diante do próprio Deus.

Logo, o intento espiritualizante auxilia o intento sacramental de modo que sendo


Deus Espírito estará seguramente com o homem em qualquer lugar ou em qualquer
momento.

A questão da mulher Samaritana era quanto ao local de adoração, onde Deus está?
No monte Jerezim ou no templo em Jerusalém? E Jesus diz que não se trata de lugar.
Mas, de verdadeira adoração. Isto é adoração em Espírito e Verdade.

Com isso, o que Gideão precisava entender é que o Senhor não apenas estava
enviando a ele para libertar o povo, mas, também estaria com ele em todos os momentos.

Contudo, Gideão se mostra o mestre das desculpas.


No verso 17 ele diz: “Se, agora, achei mercê diante dos teus olhos, dá-me um sinal
de que és tu, Senhor, que me falas”.

Gideão começa a fazer testes com sua fé e com Deus.

Vejam! Ele conhecia a história de Israel; o pacto (era participante dele); conhecia os
Patriarcas; a Lei; mas, isso não foi o bastante para ele crer redentivamente, não foi o
bastante para que ele cresse de forma a aceitar sua vocação, não foi o bastante para que
ele obedecesse sem êxitar. Não tinha fé ao ponto de crer que seria utilizado pelo
protagonista da história na Redenção de seu povo.

A fé de Gideão estava capenga, mal das pernas, a ponto de que ele pediu um sinal!

Quando está cena acontece por outras vezes elas foram produzidas por pessoas
que não possuíam uma fé genuína ou estavam com debilidade na fé:

1. Em Mc 8. 11 e 12 os Fariseus tentam a Jesus por um sinal do céu, e sua resposta é


enfática no verso 12:

Diz o texto que: Jesus, arrancando do intimo do seu espírito um gemido disse: Por que
pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se lhe dará
sinal algum.

2. E em segundo lugar, em I Co 1. 22 e 23, Paulo exorta aos irmãos de Corinto, debilitados


em sua fé em meio a tantos problemas e disputas pessoais, dizendo:

“Porque tanto Judeus pedem sinais, quanto os gregos buscam sabedoria; Mas, nós
pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os Judeus, loucura para os gentios”;

Agora, uma vez que não consegue fazer com que sua resposta seja aceita, Gideão
passa a fazer prova de Deus, pedindo um sinal (segue até o v. 23).

Seu desejo foi de trazer uma oferta, um holocausto diante do Anjo do Senhor e, pelo
que parece, a postura de incredulidade começa a se volver em conversão – verso 18 e 19.

Ele Chega com a oferta diante do Anjo, no verso 20.

O Anjo do Senhor, ainda na espera de Gideão, define como deve ser feita a oferta,
ou seja, ele trata como deve ser a forma da adoração. Isso estabelece definitivamente a
conversão de Gideão a Deus e que a palavra de Deus, dada pelo Anjo, seria guia para a
vida e conduta dele.

E no verso 21, a presença do fogo e o consequente desaparecimento do Anjo do


Senhor demonstra que a oferta foi recebida, os pecados foram expiados, porque o cordeiro
trazido representava o próprio sacrifício redentor de Cristo sobre ele.

Isso faz Gideão temer, mas não de seus inimigos, e sim da presença de Deus. Pois
seu pensamento era que ele irá morrer. Ele diz no verso 22: “Ai de mim, Senhor Deus! Pois
vi o Anjo do Senhor face a face”.
Muitos outros que tiveram visões da parte de Deus também pensaram que
morreriam. Mas, a condescendência da parte do Senhor em sua misericórdia, que dura dia
após dia, não permitiu que isto ocorresse com eles.

De maneira que, o Senhor ainda volta a falar com Gideão dizendo no verso 23: “Paz
seja contigo! Não temas! Não morreras!”

E como último ato daquele momento, Gideão ergue um altar naquele local e adora
ao Senhor chamando-o de O Senhor é Paz.

E logo em seguida, o chamado de Gideão lhe dá força e coragem para enfrentar os


seus compatriotas idolatras de Baal, pois, Gideão passou a entender que baal e o medo
não são nada diante do Anjo do Senhor e de sua presença.

Quero chamar a atenção dos irmãos para algumas coisas que julgo como muito
importante:

A aparição do Anjo do Senhor no AT tem completa ligação com a pessoa de nosso


Senhor Jesus Cristo e sua encarnação. De maneira que, na encarnação de nosso Senhor
temos a expressão máxima dos intentos: sacramental e espiritualizante.

Leiamos João 1.18.

E em Mateus 28.20, parte b, Jesus nos diz algo surpreendente:

“... e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”

Vemos na história da Israel que tão logo o propósito quanto à aparição do Anjo do
Senhor se cumpriu ela foi posta de lado. Mas, em relação a vermos Deus, a Escritura
aponta que aqueles que desejam ver a Deus devem olhar para Cristo.

Nele está à verdadeira paz com Deus, que tanto precisamos para creditar confiança
nas coisas que ele colocou sobre nossas responsabilidades.

Nele temos plena segurança; nele, os propósitos e intentos e desejos estão


cumpridos, e encontramos força para cumprirmos com seus mandamentos e propósitos,
no fazer o seu serviço.

E quanto a isto que podemos confiar que o intento sacramental e o intento


espiritualizante continuam efetivamente ativos em nós, agora, através da presença de seu
Espírito, ora, operante na igreja.

É ele quem opera de forma a nos conduzir para as boas obras, como diz o texto de
Efésios, capítulo 2. 10:

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus
preparou para que andássemos nelas”.

Paulo falou para a igreja de Corinto quanto à necessidade dos dons, no capítulo
12.31a:
“Portanto, procurai com zelo os melhores dons”.

Uma vez que o Senhor está conosco será possível aconselharmos uns aos outros;
acudirmos os necessitados; orarmos e sermos respondidos, segundo sua vontade; será
possível pregar sua palavra, honrando com fidelidade; será possível contribuirmos com
nossas habilidades em qualquer serviço necessário; administrar os trabalhos e assumir
qualquer responsabilidade que expresse verdadeira fé, testemunho e amor – porque o
Senhor está conosco.

Gideão não parecia um homem de grande fé e coragem até que entendeu o Senhor
o convenceu disto.

Gideão não parecia um grande líder até que não mais relutou com seu chamado,
com sua vocação.

Talvez você tema não ser um bom pai. Mas, você é pai!

Talvez você tema não ser um bom esposo. Mas, você é esposo!

Ou, até mesmo, um bom cristão. Eu creio que você seja um cristão!

E, talvez, haja receio, medo em seu coração quanto a fazer algum serviço na casa
do Senhor.

Mas, quero te lembrar - e ao mesmo tempo te encorajar -, dizendo que: não há


como se desculpar diante de Deus.

Dizer que não está preparado também não nos faz isentos de sermos
responsabilizados.

Na verdade, nada disso importará diante Dele, nossas desculpas não funcionam.
Também chegar dizendo:

É Senhor! O Senhor sabe, né!? Naquele dia que eu tinha que eu tinha que fazer...
Não deu!

Ah! Senhor, eu te disse que faria aquilo que o Senhor colocou em minha mão. Mas,
sabe de uma coisa? Eu passei para fulana, ela é mais capaz do que eu e irá fazer melhor o
serviço.

Olha Senhor, eu não estou bem. Tá tudo dando errado mesmo... E mais: Acho que
o Senhor não se importa se eu deixar as coisas como estão. Então, façamos o seguinte:
Mande outro!

A verdade é que Deus não se importará com nossas desculpas.

E que cabe a nós entender que a palavra dele é mais forte do que a nossa, e que
nós precisamos crer que as realizações que temos a fazer serão feitas, não porque serão
feitas por nós. Mas, porque é o Senhor que está a fazer através de nós.

A verdade é que, não consigo imaginar o Apóstolo Paulo não anuindo com isto.
Por que ele mesmo disse em I Corintios 1.27:

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus
escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”.

E na II Carta ele diz, no cap 12. 10:

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições,
nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”.

Também o apóstolo João, seguindo este discurso, diz em sua 1ª Carta, cap. 2 verso
24:

“Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos
escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o
maligno.”

Isto tudo prova que a autoafirmação é um ídolo do qual precisamos nos livrar, bem
como, a vitimização é um pecado envolto de suposta fraqueza da qual precisamos nos
abster.

Muito embora, tudo isto seja possível de ocorrer, Deus tem nos chamado para nos
mostrar que para Ele não há coisa alguma difícil, e que você pode dizer como disse o
Apóstolo Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece”.