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Deixa ver foi

Capítulo Um

Alexis

Confissões & Consequências

Meu celular vibrou junto com o som do meu punho batendo na


porta. Eu passei o saco de papel marrom e meus livros para o meu braço
esquerdo para pegar o telefone no bolso. Era uma mensagem de Paige.

Nós precisamos conversar. Quando você vai chegar em


casa?

Paige era minha companheira de quarto. Planejávamos ir para a


mesma faculdade e dividir o quarto desde o nosso primeiro ano na
escola. A minha mãe, é claro, não concordava. Ela me ofereceu um carro,
se eu ficasse em casa e na faculdade comunitária. Nenhuma vantagem me
tiraria do nosso combinado, então meu irmão ficou com o carro, e eu
arrumei as malas e me mudei para os dormitórios.

Mandei-lhe uma mensagem curta para avisá-la que eu estava na


casa do Logan. Enfiei o telefone de volta no bolso e bati na porta um
pouco mais alto. Quando eu estava prestes a chamá-lo para avisar que eu
estava lá, a porta se abriu.

Ele estava incrível, apesar de estar vestindo apenas jeans. Bem...


Talvez por causa disso. Logan era o cara que a maioria das meninas no
campus ficava de olho e desejava. Ele tinha uma bolsa de estudos por
causa do futebol. E tinha uma aparência de bad boy, mas era de uma
família proeminente. Cabelo loiro bagunçado e um sorriso assassino que
iluminava seus olhos azuis. Eu não me importava que ele dirigisse sua
motocicleta como um maníaco; eu simplesmente amava subir na garupa
atrás dele e me segurar para um passeio. Ele era tudo o que fazia uma
menina derreter. E eu derreti.

Nós nos conhecemos no ensino médio. Logan estava dois anos à


minha frente. Depois que ele se formou, mantivemos um relacionamento
a longa distância. Ele passou algumas noites entrando escondido pela
minha janela depois que a minha mãe ia dormir. Agora que estávamos
morando no mesmo campus, tudo parecia estar se alinhando. Aos vinte
anos, eu achava que tinha a minha vida organizada.

— Adivinha o que comprei para nós? — eu sorri e passei por ele,


balançando o saco de papel marrom. Deixei meus livros sobre a mesa
perto da cozinha. Seu apartamento era pequeno, mas muito maior do que
o quarto que Paige e eu compartilhávamos.

Ele sorriu. — Você é a única garota que eu conheço que fica tão
animada com hambúrgueres de trailer.

Eu fiz beicinho para ele. — Não tire sarro do meu amor por
hambúrguer.

— Eu nunca faria isso. — disse ele, puxando-me e envolvendo os


braços na minha cintura. — Contanto que você me ame mais.

— Hmm? — eu fingi pensar sobre isso, e ele franziu a testa para


mim. Eu ri da sua expressão. Meu telefone tocou, então puxei-o do meu
bolso. Nós dois olhamos para o rosto de Paige na minha tela.

— Talvez eu devesse atender. Ela me mandou mensagem o dia todo.

— Não! — ele pegou o telefone da minha mão e deu um passo para


trás. O que diabos foi isso?
Franzi as sobrancelhas para ele. Ele continuou olhando para o
telefone, até parar de tocar. — O que foi isso?

— Nós precisamos conversar. — ele pareceu nervoso, como se


quisesse fugir.

— Essa é a segunda vez hoje que alguém precisa conversar. — eu


não gostava disso. Qualquer conversa que começava com essas palavras
não terminava bem.

Ele caminhou ao redor, colocou o meu telefone em cima da mesa e,


puxou uma cadeira. — Sente-se.

Eu balancei a cabeça. Outro mau sinal. Eu não ia me sentar como se


fosse fraca demais para aguentar a notícia.

— Apenas me diga o que está acontecendo.

— Eu te amo...

— Logan... Desembuche.

Ele estendeu a mão para mim, mas eu recuei. Seu olhar abaixou. —
Eu dormi com a Paige.

Huh?

Espera…

Eu precisei de um minuto para o meu coração começar a bater


novamente. Tomei algumas respirações para estabilizar, mas não
funcionou.

— Eu sinto muito, Lexi.

Sinto muito?

— O que você espera que eu faça com isso, Logan? — até para mim
soou instável — abalado — quando o tom ecoou na minha cabeça.
— Podemos passar por isso. — ele apertou minha cabeça entre as
mãos, forçando-me a olhar em seus olhos.

— Não, não podemos. — eu disse com toda a calma possível. Eu


queria sair. Sair da sala que parecia estar me sufocando com as suas
declarações de verdade. Ele confessou. Ele tinha aliviado do seu segredo,
mas como eu deveria seguir em frente depois que ele abriu o fardo de seu
peito e colocou-o sobre meu coração quebrado? Eu tentei puxar minha
mão, mas ele apertou seus braços. Meus olhos ardiam, mas eu me recusei
a derramar uma única lágrima na frente dele.

— Sem mais mentiras. Eu só quero ficar com você sem isso entre
nós.

Eu dei-lhe tudo por quatro anos, e tudo se resumiu a uma


confissão. Logan me traiu com Paige e me quebrou. Eu cresci com Paige, e
eu não conseguia entender como ela me machucou desse jeito.

Meu relacionamento com Paige nunca se recuperaria dessa. Eu não


tinha certeza se eu me recuperaria. Então me lembrei de todas as
mensagens de Paige e...

— Ela ia me contar? — perguntei.

— O quê? — Logan puxou o seu cabelo, um sinal claro do seu


nervosismo que eu sempre achei fofo. Naquele momento me irritou. Eu só
queria uma resposta.

— Paige está tentando me encontrar o dia todo. Ela ia me contar,


Logan? Você confessou por causa disso?

Ele se recostou na cadeira e olhou para longe.

— Você é um idiota. Se ela não fosse me contar, algum dia você


contaria?
Ele ficou em silêncio. Peguei meus livros e telefone e fui para a
porta. Mas antes de chegar lá, Logan pulou na minha frente.

— Aonde você vai? — seus olhos estavam frenéticos e em pânico.

— Nós terminamos. — eu me esquivava, mas ele continuava


fechando a porta quando eu a abria.

— Você não pode me deixar. — suplicou ele. Eu estava de frente


para a porta, e ele estava implorando ao meu ouvido.

Ele estava delirando se achava que eu ficaria com ele. Ele achou que
se confessasse estaria salvo? Que seria a nossa salvação? Porque eu só via
o que ele tinha feito como nossa destruição.

— Eu te amo tanto, Lexi. Por favor... — suas palavras eram


sombrias, e eu sabia que a umidade contra o meu pescoço eram lágrimas
de culpa.

— Eu amava você também. — eu puxei a porta, e desta vez ele me


deixou ir. Eu andei pelo corredor com a cabeça erguida, apesar do fato de
estar carregando o fardo da confissão de Logan em meus ombros. Todos
aqui sabiam que eu era a namorada de Logan. Toneladas de meninas
estavam apenas esperando que eu saísse do caminho. Recusava-me a sair
do edifício chorando. A última coisa que eu precisava era ser a fofoca do
campus pela manhã.

Eu desci as escadas, perguntando-me aonde ir. Eu não estava


pronta para voltar ao dormitório, ver Paige e encarar o fim de uma
amizade de dez anos. Eu passei pela minha agenda de telefone e liguei
para a única pessoa com quem eu podia contar em qualquer situação.

— Al... Alec. — minha voz começou a tremer quando ouvi meu


irmão atender.
— Qual é o problema, Lexi? — Alec sempre sabia quando algo
estava acontecendo.

— Logan dormiu com a Paige. — a confissão rasgou minhas


entranhas, e eu finalmente solucei quando cheguei à saída.

— Porra! Eu vou matar aquele idiota.

— Não, Alec. Eu só preciso que você me tire daqui. Eu não posso


voltar para o meu dormitório, e está chovendo muito.

— Eu estarei aí em dez minutos. Ninguém fode com a minha irmã


mais nova.

— Hey, apenas por dois minutos.

— Sim, como eu sobrevivi sem você por dois minutos inteiros?

— Você não sobreviveu. Eles não conseguiram fazê-lo respirar até


que eu saí.

— Você acha que você é o meu mundo.

— Não sou?

— Claro que você é, Lexi. — eu ouvi o tilintar das chaves do carro


quando ele as pegou. O elevador apitou atrás de mim, e eu notei Logan
saindo. Ele usava um moletom com capuz e tênis e estava vindo na minha
direção. Eu não queria mais lidar com ele. Nunca mais.

— Alec?

— Sim? — ele estava respirando pesado como se tivesse corrido até


o carro mascando chiclete. Ele sempre estava.

— Você pode se apressar?

— Não se preocupe. Estarei aí em poucos minutos, e eu vou encher


o idiota de porrada até ele se tocar. — ele desligou e eu saí pela porta. Eu
fiquei sob o toldo de metal, achando mais seguro aqui fora na chuva do
que lá com Logan. Fazia sentido estar chovendo, porque parecia que uma
grande parte da minha vida tinha acabado de ser lavada por uma
tempestade.

Logan saiu, e eu fui bem para a esquerda. — Você não pode andar
até em casa nesta chuva. Suba e vamos conversar.

— Alec está vindo me pegar. — se ele soubesse o que era bom para
ele, Logan sairia antes dele chegar. Meu padrasto tinha ensinado artes
marciais mistas para o Alec, e Logan não acabaria no lado vencedor.

— Eu vou esperar com você.

Eu o ignorei.

Cinco minutos se passaram. Senti-o me observando, com


necessidade de dizer alguma coisa... Qualquer coisa, mas eu orei para ele
manter a boca fechada e desaparecer. A tensão era insuportável. As
emoções estavam me afogando. Se eu não as deixasse sair, eu me
autodestruiria. Eu planejei a nossa vida perfeitamente como uma
adolescente patética e delirante que só via cores brilhantes e bonitas. Eu
estava vendo as coisas mais claras. Eu só não apreciava os cinza-escuros e
negros do mundo.

Os vinte minutos seguintes pareceram uma eternidade. O vento


soprava a chuva com raiva. Eu estava molhada e gelada até os ossos. Alec
estava demorando muito. Peguei meu telefone e rapidamente disquei o
número dele. Andei na frente de Logan, tomando cuidado para evitar
qualquer contato.

Logan agarrou meu braço, pausando os meus movimentos. Olhei


para o rosto dele com raiva e puxei o braço.

— Lexi...
— Não, Logan. Não fale, e não me toque.

Porra! Onde está Alec? Fui para longe do Logan e peguei o


telefone. Algo estranho se agitou dentro de mim quando a ligação foi para
o correio de voz, mas eu afastei a sensação inquietante. Até agora tinha
passado meia hora, e Logan estava remexendo e se movendo lentamente
em minha direção, murmurando coisas para si mesmo.

Meu telefone tocou quando estava pegando-o de novo, e eu atendi


com pressa. — Alô.

— Alexis... — minha mãe soou sufocada e quase inaudível. Ela


estava claramente perturbada. Eu esperava que fosse Alec me ligando de
volta. O nó no estômago cresceu. — Alexis... Querida... Eu preciso que
você me encontre no hospital.

Foi quando eu ouvi - a angústia em seu tom. A sensação de mal-


estar aumentou, e eu tomei algumas respirações para não gritar.

— Mãe... — eu não queria dizer, mas eu senti.

— Alec sofreu um acidente. Por favor... Apenas se apresse.

O telefone escorregou da minha mão e bateu no chão, quebrando


em pedaços. Todo o resto deslizou para fora dos meus braços e seguiu o
telefone. Era ruim, realmente ruim. Eu ouvi em sua voz, senti na minha
alma, e a dor era insuportável. Eu balancei em meus pés e teria chegado
ao chão se Logan não tivesse me segurado.

— O que aconteceu, Lexi?

Tentei responder. Minha boca ficava abrindo e fechando, mas eu


não conseguia formar as palavras.

Logan pegou seu telefone e ligou para minha mãe. — Oh merda. —


ele disse antes de me pegar nos braços e correr para o seu carro.
Assim que chegamos ao hospital, eu vomitei no estacionamento. Eu
continuei tendo ânsia mesmo quando meu estômago esvaziou. Era como
se eu estivesse eliminando a minha conexão com meu irmão. Eu não
queria entrar. Eu sabia que meu irmão não estava naquele prédio, e eu
estava com medo de enfrentar esse fato.

Minha mãe nos encontrou no corredor com um olhar triste,


lágrimas escorrendo pelo seu rosto, e as mãos trêmulas. Virei-me e
comecei a ir embora antes que ela dissesse alguma coisa.

— Alexis. — ela me chamou. Eu não podia lidar com isso.

— Não. — eu continuei a fazer o caminho de volta para a saída, mas


ela me alcançou, me virou e me abraçou.

— Ele se foi imediatamente. Ele não sentiu qualquer coisa.

— Não. Não. Não. — eu gritei quando a dor explodiu em meu peito e


viajou através de cada célula do meu corpo. Eu tentei afastá-la, mas ela
não quis me liberar. Eu não queria ouvir isso. As lágrimas da minha mãe
molharam meu cabelo quando eu enterrei minha cabeça em seu peito e
ofeguei por ar. Parecia que a vida tinha sido sugada para fora de mim.

A culpa foi minha. Ele estava indo me buscar. E em um instante ele


se foi. O que eu deveria fazer? Ele fazia parte de quem eu era. Então,
quem era eu agora?

Logan me puxou para uma cadeira, e eu estava dormente demais


para sequer me importar com a sua presença. Poderíamos ter ficado
sentados lá por alguns minutos ou horas. Minha cabeça não conseguia
mais calcular o tempo. Meu mundo acabou com meu irmão gêmeo.

Um grande homem com olhos vermelhos veio até nós e deu suas
condolências. Em seguida, ele confessou que estava em excesso de
velocidade. Estava chovendo, e a estrada estava escorregadia. Alec
reduziu na frente do seu caminhão, e ele não conseguiu parar a tempo.
Era a verdade feia, colocada aos nossos pés em um momento que os
detalhes não importavam mais. Ele chegou a confessar a sua parte na
morte de Alec, só para deixar o nosso fardo mais pesado com os detalhes
horríveis do último minuto do meu irmão.

Eu odiava confissões. Todo mundo simplesmente pegava seu monte


de merda e enterrava nas feridas abertas que causava.
Capítulo Dois

Ryder

Mar de Tristeza

— O que você está fazendo aqui, Ryder? — meu pai saiu da sua casa,
fechando a porta atrás dele. Era a segunda vez que eu vinha aqui desde
que paramos de nos falar, e todas as vezes ele fechou a porta para me
manter longe da sua nova família.

Fazia cinco anos que eu tinha ido embora e o deixado nessa


porta. Ele tentou entrar em contato comigo, mas eu estava bravo demais
para atender. Mas algo continuava me atraindo e me arrastando até aqui.

Eu trabalhei pra caralho toda a minha vida por esta luta pelo
campeonato. E toda vez que eu pensava sobre o caminho que me trouxe
até aqui, eu via meu pai me ensinando kickboxing, Taekwondo, e tudo
relacionado à luta. Ele esteve lá em cada luta. Cada vitória, cada
derrota. Ele era meu apoio, mas estávamos no ponto onde eu não poderia
mesmo chamá-lo mais de pai. Ele era apenas David para mim.

Sua saída abrupta da família foi dolorosa, e eu não consegui


perdoá-lo por isso. Levei duas semanas para convencer-me a convidá-lo
para o campeonato, mas eu estava em dúvida de novo. Definitivamente,
ele não estava feliz por me ver aqui. Surpreso? Sim. Feliz? Eu não via isso.

Foda-se, eu dirigi todo o caminho até aqui por uma razão. — Eu vim
convidá-lo para o campeonato no sábado.

— Oh. — ele pareceu perplexo. Como se nunca tivesse pensado que


seria levantada a bandeira branca. — Eu adoraria estar lá.
Deixei escapar um suspiro que eu não sabia que estava segurando.

— Mas eu não posso. Este não é um bom momento para eu sair da


cidade. Vanessa...

— Esqueça, David. Esqueça que eu convidei. Eu quase me esqueci


que sua esposa e seus filhos vêm em primeiro lugar. — a decepção foi
instantânea, mas eu não queria que ele visse. Virei-me para sair, mas ele
agarrou meu braço. Olhei para sua mão, e de volta para ele. Ele tirou a
mão quando viu o quão perto eu estava de atacar.

— Ouça, Ryder, Alec sofreu um acidente de carro. Ele... Não


sobreviveu, e... Eu não posso sair agora. Por favor, entenda.

— Alec... O quê? O que você está dizendo? Não. Não. — eu balancei


a cabeça, passando a mão sobre o rosto. Um nó se formou na minha
garganta enquanto eu lutava contra a rápida onda de emoções no meu
peito. Mágoa, raiva, e arrependimento rapidamente borbulharam dentro
de mim. David e eu tivemos problemas que talvez nunca consertássemos,
mas Alec costumava ser um bom amigo. Antes de David arruinar tudo,
tínhamos sido como uma família. Eu, Alec, e...

— Alexis? Onde ela está? — eu não precisava perguntar como ela


estava porque eu tinha certeza que ela estaria devastada.

— Ela estava trancada no quarto desde a noite passada. Antes de


você chegar aqui ela finalmente saiu. Ela queria sentar-se na praia como
ela costumava fazer com Alec. Se você quiser, você pode ir vê-la.

Eu queria entrar no carro e ir embora, mas era obrigado a vê-la. —


Eu não acho que ela iria querer me ver.

—Vocês costumavam ser próximos.

—Até que eu cortei os dois da minha vida. Eu não quero aborrecê-


la. — Alexis e Alec tinham tentado chegar a mim tantas vezes, mas eu não
queria ter nada a ver com eles. Eu sabia que era injusto culpá-los por algo
que surpreendeu a todos nós, mas eu precisava de distância de David. E
eu não podia fazer isso e mantê-los na minha vida.

—Sinto muito sobre Alec. — voltei para o carro e eu quis me afastar,


mas eu não podia. Tudo o que eu imaginava era Alexis sozinha e
sofrendo. Olhei por cima do ombro, para o caminho que corria ao longo
da lateral da casa grande e que levava à praia privada atrás dela. Bati a
porta do carro e decidi que daria apenas uma rápida olhada nela, e depois
partiria.

A brisa estava fria quando desci o caminho, fazendo com que a


temperatura do inverno parecesse menor do que realmente era. O oceano
rugia por causa dos fortes ventos que sopravam a água para a praia.

Ao olhar para a praia do lado da casa, eu a vi. Os ângulos agudos de


seu rosto estavam destacados pela luz da lua, mas ela estava muito longe
para eu ver sua expressão.

O vento chicoteava seu longo cabelo escuro e ela estava sentada na


areia olhando para a água turbulenta. Suas pernas estavam dobradas, e
seu queixo descansava nos joelhos. Tinha a sensação de estar invadindo
um momento privado, mas eu também sentia vontade de ir tirá-la da bola
de proteção que ela formou ao redor de si e melhorar as coisas para ela.

Ela levantou-se, e eu dei um passo para trás, para as sombras do


caminho escuro. Se ela virasse, eu sabia que me veria olhando para ela, e
eu não estava pronto para encará-la novamente. Tomei o caminho de
volta para o carro com uma corrida apressada. Quando eu alcancei o topo
da colina, olhei por cima da grade para ver o quão perto ela tinha
chegado, mas ela desapareceu. Eu fiz a varredura da praia, mas não a vi
em lugar nenhum.

Ela não pode ter voltado para casa tão rápido.


Quando eu olhei de volta para o lugar onde ela estava sentada, eu a
vi distante. Ela estava entrando na água gelada.

Que porra ela está fazendo? A temperatura da água deve estar


abaixo de zero.

Eu pulei por cima do corrimão e caí duro na areia fria. A queda era
íngreme, e meu ombro tomou o impacto da queda. Eu soube
imediatamente que eu o tinha deslocado. A dor foi intensa, e eu me
agarrei ao ombro e girei o braço até ele se encaixar de volta no lugar. A
dor era insuportável, mas eu consegui me recompor enquanto corria em
direção ao mar, apesar da dor na minha articulação.

— Hey! — eu gritei, mas ela não olhou para trás.

A água tomou meus sapatos primeiro, mas, em seguida, uma


enorme onda bateu contra mim. Parecia que alguém tinha jogado um
lençol de gelo contra o meu corpo. As ondas continuavam me empurrando
para trás, e ela tinha uma boa vantagem. Eu mergulhei e comecei a nadar
contra a corrente, no mesmo tempo amaldiçoando a fraqueza do meu
braço. Impulsionar o meu peso contra a maré era a única chance que eu
tinha de alcançá-la.

— Alexis! — eu gritei para ela quando subi para respirar. Ela olhou
para trás, depois começou a se mover mais rápido.

Porra! Nós dois vamos morrer nessa água.

Eu não conseguia sentir minhas mãos ou os pés, mas eu me


mantive em movimento. Uma onda empurrou-a para trás. Eu mergulhei
sobre ela e finalmente consegui segurar seu braço. Em seguida, outra
onda nos atingiu com força suficiente para nos afundar. Eu soltei seu
braço, e quando eu ressurgi, eu não a vi em qualquer lugar.

O pânico tomou conta de mim. Eu mergulhava, mas não conseguia


ver nada nas profundezas glaciais do oceano. Subi para respirar, mas fui
atingido por outra onda. Senti o frio agarrar meu corpo. Eu precisava dar
o fora, mas eu não iria deixá-la. Eu simplesmente não podia deixá-
la, porra.

Eu olhei em direção à casa. Estava longe demais. Se eu gritasse por


socorro, ninguém iria me ouvir. Eu virei e vi algo. A luz da lua refletia seu
suéter branco a poucos metros de distância. Pareceu que demorou muito
para alcançá-la, mas quando consegui, eu a vi flutuando logo abaixo da
superfície. Eu puxei o corpo sem vida em direção à costa, mas demorou
demais. Seu peso parecia uma tonelada para puxar com os meus músculos
rígidos e mãos dormentes. Quando chegamos a areia, ficou ainda mais
frio, se isso fosse possível.

— Socorro! — minha garganta queimou quando gritei. Ao colocá-la


na areia, percebi que o amuleto de seu colar estava preso no meu
cabelo. Eu agarrei-o nas extremidades e arranquei de seu pescoço,
deixando o resto emaranhado no meu cabelo. Comecei a bombear seu
peito, silenciosamente agradecendo o tio de Drew por me fazer ter aquelas
aulas de primeiros socorros. Seu rosto estava extremamente pálido, os
lábios roxos e azulados e seu cabelo se agarrava ao rosto como um
cobertor preto.

— Você não vai morrer comigo, porra. — eu inclinei a cabeça para


trás, coloquei meus lábios gelados contra os dela, e soltei o ar em seus
pulmões. Eu comecei a bombear seu peito novamente, e vi uma mulher
correndo em nossa direção.

— Não! Não! Alexis, baby, por favor!— Vanessa caiu de joelhos na


areia dura e começou a tirar o cabelo molhado de Alexis do seu
rosto. Alexis gaguejou, então tossiu. Eu puxei a cabeça para o lado quando
ela tossiu a água salgada para fora dos seus pulmões. Seus olhos se
abriram, e ela olhou para mim por alguns segundos curtos antes dela
começar a tossir novamente.
— Ryder. — David estava ao meu lado. Eu não sabia há quanto ele
estava lá, porque eu nem o vi sair da casa. — O que aconteceu?

— Ela entrou na porra do mar, foi isso que aconteceu. Ela só... Ela
só... Ela queria morrer, não é? — eu arrastei uma mão fria sobre meu
rosto enquanto lutava com o quão perto eu cheguei de perder Alexis.

Uma sirene de ambulância soou distante, e a mãe de Alexis a


segurou em seus braços, balançando para frente e para trás e sussurrando
em seu cabelo. David me puxou de lado enquanto os paramédicos
desciam para a praia com uma maca.

—Você sabe o tanto que ela e Alec eram próximos. Ela está tão
desconectada desde que ela soube, mas nunca pensamos... — ele passou a
mão pela nuca, como costumava fazer quando estava preocupado que eu
tivesse uma concussão depois de uma luta. — Deixe-me levá-lo para
dentro e aquecê-lo.

— Eu estou bem. — na verdade, eu estava tão frio que eu não


conseguia nem sentir minhas bolas, mas eu não queria David agindo
como um pai amoroso.

— Ryder...

— Eu tenho um suéter no carro. — eu assisti enquanto tiravam


Alexis da praia. — Ela vai ficar bem?

David colocou a mão no meu ombro e me puxou para encará-lo. —


Você salvou a vida dela. O que você fez essa noite... Eu não posso explicar-
lhe o quanto isso significa para Vanessa e para mim. Obrigado, filho.

Eu acenei com a cabeça antes de deixá-lo na praia. Eu fui para o


carro, mas mal. Meu orgulho teimoso não me deixaria admitir que meu
ombro doía pra caralho por causa da queda. Eu lutei para puxar o suéter
por cima do braço dolorido. No meio do caminho para casa, eu parei e
chamei meu amigo Ty para me buscar. Mesmo com o aquecedor no
máximo, meu corpo estava em convulsão por causa do frio e meu braço
parecia que não estava ligado ao meu corpo. Coloquei a cabeça para trás e
fechei os olhos, sabendo que eu tinha fodido totalmente a minha chance
na luta pelo campeonato, que aconteceria em menos de uma semana.

Eu cheguei à casa de David, pensando que o campeonato era a


maior coisa que já me aconteceu, mas naquela noite, naquela praia, um
anjo de cabelos escuros me puxou para dentro do seu mar de tristeza, e eu
teria morrido antes de deixá-la se afogar nele.
Capítulo Três
Alexis

Eu fiquei no hospital por dois dias, e as checadas constantes


estavam me cansando. Cada vez que eu tentava dormir um pouco, a porta
se abria. Quando a porta se abriu, pela décima vez naquele dia, eu
mantive meus olhos fechados e fingi dormir. Talvez a enfermeira
entendesse a dica e fosse se foder. Deixe-me chafurdar na minha tristeza
pelo menos uma vez. Eu não queria falar sobre meus sentimentos. Eu não
queria comer. Eu não queria nada, além de Alec.

Uma sombra caiu sobre mim, observou silenciosamente. Uma


sensação estranha rastejou sobre a minha pele. Eu abri os olhos, e Ryder
estava de pé em cima de mim. Seu cabelo escuro tinha ondas soltas e
atingia os ombros. Seus olhos estavam surpreendentemente
azuis. Lembrei-me de olhar para aqueles olhos quando eu acordei
cuspindo água salgada. Ele estava vestido todo de preto e seu braço
direito estava em uma tipoia. Não era bom.

— Eu causei isso? — perguntei, apontando para a tipoia.

— Deslocou quando eu saltei sobre a grade, e eles acreditam que


agravou a lesão quando eu a puxei para fora.

— Desculpa.

Ele deu de ombros como se um ombro deslocado não fosse um


problema grande para um lutador.

— Você vai conseguir lutar? — David me contou sobre o


campeonato. Eu sabia que essa luta significava tudo para Ryder.

— Não parece, mas há sempre o próximo ano.


— Ótimo. Eu estou fodendo a vida de todos.

— Não foi culpa sua. Eu não entrei naquela água gelada para que
você pudesse encontrar outra coisa para se lamentar na vida. — ele tirou
algo do bolso, abriu minha palma da mão na cama, e colocou meu colar
nela.

— Isso é seu. Ficou preso no meu cabelo quando eu a puxei para


fora. Eu o consertei.

Alec me deu esse colar. Eu pensei que havia perdido no mar. —


Obrigada. — eu disse, não apenas pelo colar, mas pelo que ele fez. Por
mais que eu quisesse que tudo terminasse naquele oceano, eu sabia o
quanto ele tinha corrido risco me resgatando.

— O que diabos você estava pensando, Lexi? — ele me deu um olhar


decepcionado.

— Eu não estava. — era a única resposta que eu tinha. Eu não estava


pensando. Eu estava tão consumida com a dor que isso nublou meu juízo.

Ele balançou a cabeça e deu um passo para trás. — Só me faça um


favor.

— Qualquer coisa. — ele arriscou a única coisa que significava o


mundo para ele para me salvar. Eu faria o que ele pedisse.

— Você pode me prometer que quando ficar muito difícil você vai
lutar contra isso? Não deixe que a dor te engula, lute contra isso. Não faça
isso pela sua mãe ou porque eu lhe pedi. Faça porque você vale a pena.

— Você está parecendo o David. — eu ri. Ele não o fez.

— David me ensinou a lutar por mim. — ele se virou e saiu do


quarto. Eu sentia falta dele. Ele estava tão fechado e distante. Nada como
o Ryder que eu conhecia.
Nos últimos dois dias, eu me agarrei às memórias de Ryder como
uma tábua de salvação. Mas depois dessa visita, eu soube que ele não
estava tão ansioso quanto eu para recuperar o tempo perdido.

Eu tinha treze anos quando coloquei meus olhos pela primeira vez
em Ryder Hayes, e eu soube mesmo na época, que eu precisava tê-
lo. Minha paixonite estudantil foi intensa e, aparentemente, não
desapareceu ao longo dos anos.

Depois que meu pai morreu, David nos apoiou. Isso causou um
enorme abismo entre ele e sua família. Ryder ficou lá durante os dois
primeiros anos.

Na época, pensávamos que David era apenas um velho amigo da


mamãe. Analisando, era estranho não tê-lo conhecido antes do meu pai
morrer. Alec, Ryder, e eu nunca suspeitamos que mamãe e David eram
mais do que amigos. Eles, na verdade, foram noivos antes de meus pais se
conhecerem. Quando percebemos que eles eram um pouco mais que
amigos, Ryder não levou muito bem. Especialmente, por que David ainda
era casado com sua mãe.

Nossa família implodiu. Alec e eu ficamos tão zangados com mamãe


que mal falamos com ela durante meses. Houve uma explosão ainda
maior no dia que David deixou a esposa e se mudou para nossa
casa. Acontece que nunca se casaram porque os pais da mamãe
proibiram. Eles eram esnobes da alta sociedade e já tinham decidido
quem era bom o suficiente para sua filha, e David não era.

Mamãe tinha vinte anos e estava no terceiro ano da faculdade,


quando David decidiu que seria melhor para ela se eles se
separassem. Mais tarde, ela me confidenciou que ficou devastada. Ela
tentou tudo o que podia para fazer com que ele visse que ela não se
importava se seus pais deixassem de pagar a faculdade, mas ele não
mudou de ideia. Um ano depois, ele se casou com a mãe de Ryder, e um
ano depois disso, tiveram um bebê. Então, quando seus pais esperavam
que ela se casasse com o papai, ela parou de lutar por David e seguiu em
frente.

Eu senti raiva de David por um tempo. Eu odiava que mamãe


tivesse substituído meu pai alguns anos depois de seu ataque cardíaco
fatal. David se divorciou da esposa e se casou com mamãe pouco
depois. Isso só alimentou o ódio de Ryder pelo pai e ressentimento em
relação a mim e Alec. Nós tentamos ir atrás dele inúmeras vezes, mas ele
nos evitou.

Um ano depois que eles se casaram, eu empurrei a amargura para o


lado e comecei a conhecê-lo. Meus pais sempre me pareceram felizes, e eu
tinha certeza de que eles eram, mas o que eu percebi mais tarde foi que
mamãe era muito diferente com David. Eles não eram duas pessoas que
viviam na mesma casa com seus filhos. Eram duas pessoas que viviam
como um. Qualquer um que os observasse, não podia deixar de ver o amor
que compartilhavam. Alec, é claro, foi mais indulgente do que eu. Logo se
tornou amigo de David. Eles conversavam constantemente, jogavam
videogames, e iam para a academia juntos.

Eu sabia que David sentia falta de Ryder; ele mostrava quando


estava com Alec. Eu não tinha certeza do que qualquer um de nós faria
sem ele.
Capítulo Quatro
Três anos depois…

Alexis

— Mãe! Acalme-se. — eu gritei enquanto minha mãe corria ao redor


da sala, ajeitando almofadas e limpando quaisquer vestígios de pó. Eu
nunca tinha visto minha mãe tão ansiosa com a visita de alguém.

— Você deve ir se trocar, Alexis. — ela olhou para o meu short cinza
e top preto curto como se eu não me trocasse há dias.

— Mãe, o cara não vem aqui para ver David há três anos. Por que
você está tratando a visita dele como a segunda vinda de Cristo?

Amar-nos custou tudo ao David. Depois que Alec morreu, David


ficou retraído e quieto. Ele chegou a amá-lo como a um filho nos sete anos
que passamos juntos. Alec ajudava a preencher o buraco deixado pelo
Ryder. Quando Alec se foi, eu quase podia ver o vazio nos olhos de David.

Com o tempo, eu me ressenti que Ryder tivesse nos cortado de sua


vida e demorado tanto para ao menos dar uma chance ao David. E David
tinha tentado inúmeras vezes. Talvez eu fosse um pouco tendenciosa. Eu
esperei Ryder aparecer por anos, mas ele não veio. Eu senti falta dele a
primeira vez que ele desapareceu da nossa vida. A noite que ele me tirou
do oceano fazia cinco anos que não o via.

Depois daquela noite, ele me mandou mensagem a cada duas


semanas. Ele perguntava como eu estava, e depois eu ficava sem notícias
dele por um tempo. Ele nunca respondia quando eu enviava mensagens
para saber como ele estava. Eu tinha a sensação que existia um grande
muro entre nós que só se abria quando ele queria saber como eu
estava. Eu queria que ele respondesse as minhas perguntas. Eu me tornei
obcecada com o pensamento de Ryder, mas ele não me permitiu conhecer
quem ele havia se tornado desde que fomos amigos.

Ele tinha salvado minha vida em mais de um sentido. Eu olhava


para as suas mensagens, não importava o quanto fossem concisas, era
como se fosse Natal. Talvez eu achasse que iriamos construir um vínculo
por causa do que nós compartilhamos. Um ano depois daquela noite, ele
me mandou uma mensagem.

Ganhei o campeonato. Achei que você gostaria de saber.

Foi a primeira vez, desde que Alec morreu, que eu realmente sorri e
fiquei genuinamente feliz. Ryder sabia que eu me culpava por ele não ter
competido, de modo que a mensagem significava muito para a culpa que
eu carregava. Uma semana depois, ele me enviou outra mensagem.

Por que você usa aquela lua em torno de seu pescoço?

Foi a primeira vez que ele me perguntou algo pessoal, então eu


fiquei animada.

Alec me deu. Dizia que eu iluminava suas noites escuras.

Esperei que ele me enviasse outra mensagem, mas não


aconteceu. Depois disso, as mensagens foram diminuindo, até que
pararam. Eu enviei algumas, mas ele não respondeu.

Ele estava vindo para a nossa casa, e eu não ia me vestir e fingir que
eu não estava chateada por ele ter me afastado por anos.
— Isso significa tudo para o David. Por favor, Alexis, vamos fazer
tudo o que pudermos para curar esta família.

Ela suspirou quando viu minha expressão vazia. A campainha


tocou, e eu coloquei meu laptop no sofá, descruzei as pernas, e decidi
esperar no meu quarto. Eu sabia que ele não estava aqui para me ver, mas
meu coração bateu ansioso só por saber que ele estava do outro lado da
porta.

Atravessei a sala de estar rapidamente, o saguão, e subi as


escadas. Meu quarto parecia o mesmo desde o colegial. Todo ano eu
prometi a mim mesma que voltaria para a faculdade, mas no final do ano,
eu ainda estava aqui. Aos vinte e três anos, eu estava presa no limbo, e
não tinha certeza de como sair disso.

Eu pulei na cama de solteiro e tentei ouvir a sua voz que vinha do


térreo. Não durou muito tempo. Comecei a caminhar pelo quarto. Minha
ansiedade começou a crescer, até que eu não aguentei mais.

Eu precisava ver Ryder.

A última vez que o vi estava amarrada a uma cama de hospital, sob


avaliação psicológica. Dois dias depois, ele apareceu no funeral de
Alec. Ele ficou na parte de trás e desapareceu depois que a poeira
dispersou sobre o caixão do meu irmão. Eu não tinha posto os olhos sobre
ele desde então. Bem, às vezes eu sonhava com ele chamando-me no mar,
e as suas palavras ficaram comigo todos os dias.

Eu não podia simplesmente deitar na minha cama quando Ryder


estava tão perto. Eu precisava vê-lo mais desesperadamente do que
gostaria de admitir. Eu desci as escadas correndo, abri a porta da cozinha,
e minha respiração foi roubada de mim instantaneamente. Eu não
conseguia descobrir se o homem diante de mim era real, ou se eu
simplesmente conjurei-o na minha imaginação.

Ele estava de tirar o fôlego.


Ele parecia melhor do que há três anos. Seu cabelo preto estava
mais curto - arrumado, um pouco mais longo em cima, estiloso. Ele
parecia maior. Talvez 1,90. Eu sabia que ele não podia ter crescido muito
mais, mas sua massa muscular o fazia parecer maior em todos os lugares.

Firme, completamente de dar água na boca. Lembrava-me bem


daqueles lábios. Eu fantasiei com eles quando adolescente.

A pele perfeitamente bronzeada. Ele era escuro e mordaz com o tipo


de olhos no qual você pode se perder.

Ele olhou para mim com os olhos intensamente azuis, e meu


coração disparou. Ele estreitou-os, levantou a cabeça e, em seguida, sua
carranca se transformou em um sorriso perversamente tentador.

Meu Deus, onde estava o menino que saiu do quarto do hospital, e


de onde este homem saiu?

Meu corpo inflamou com desejo. Ele era demais para absorver tudo
de uma vez. Devorei-o com os olhos, de pé, boquiaberta e sem
palavras. Braços e ombros largos esticavam a camiseta preta, que
contornava seu corpo musculoso. Rosto bonito, não, fascinante. Que atrai,
e antes que você percebesse, estava olhando de boca aberta. Havia um
pequeno corte suturado sobre a sobrancelha esquerda, mas de resto, ele
era impecável.

— O que aconteceu com seu rosto?

Ele riu, esfregando o queixo com a mão. — Você não gosta do meu
rosto?

— Não. Quero dizer, sim... — cale a boca, Lexi. Meu rosto


esquentou quando eu tropecei nas palavras. Claro que eu gostava do seu
rosto, mas não era isso que eu estava tentando dizer. Eu não deveria e
nem estava preocupada com o corte no rosto.

— Desculpe, eu não queria interromper. — finalmente consegui


controlar o meu fascínio por essa mudança nele.
Ele apenas ficou lá, olhando para mim mais do que me deixava
confortável. Quem eu estava enganando? Eu não ficaria confortável perto
dele, ele olhando para mim ou não.

— Como você está, Alexis?

— Eu estou bem. Você?

Ele deu de ombros. Dar de ombros não era uma resposta à minha
pergunta. Eu queria que ele dissesse: Eu estou bem, mas eu senti sua
falta, ou eu queria ver você, mas eu estava ocupado. Algo mais do que um
encolher de ombros indiferente.

Parecia que ele queria dizer mais, mas ele balançou a cabeça. Ele
virou-se para David e minha mãe, e eu saí da sala.

Eu era um pouco apaixonada por Ryder antes de vê-lo novamente,


mas o filho de David poderia facilmente tornar-se minha obsessão
novamente.
Capítulo Cinco
Ryder

— Eu preciso que você assine este contrato.

David olhou para o documento na mesa entre nós, mas não fez
nenhum movimento para assiná-lo. Eu não desejava estar na sua casa,
mas não era minha opção. Eu queria muito mais que ele fosse até o
ginásio, mas ele recusou. Eu precisava que ele assinasse o documento
para mim, e depois não precisaria lidar com ele novamente.

Depois que David nos deixou, tio Drew e a academia eram tudo que
eu tinha para voltar. David apareceu no funeral do tio de Drew no mês
passado. Depois de três anos sem contato, eu odiei ver seu rosto, pois
ainda me deixava com raiva. Eu o evitei o máximo possível, mas quando o
testamento foi lido e eu descobri que a academia foi deixada para o tio
Drew e David quando o pai deles morreu, eu soube que manter o meu pai
longe da minha vida não seria tão fácil como antes. Especialmente por
que ele pareceu estar tentando recuperar o tempo perdido no funeral.

— Por que você está tornando isso mais difícil? Você não pisa na
academia há anos, e agora você quer uma parte dela?

Ele olhou para mim, depois para o papel sobre a mesa. — Se eu


assinar este documento, eu nunca mais vou vê-lo.

— O que é este novo interesse em fazer parte da minha vida? Você


passou anos ignorando a minha existência, e agora você quer voltar?

— Eu cometi um monte de erros, mas não era para você ser uma
vítima em tudo isso. Eu nunca te ignorei. Tentei me aproximar de
você. Eu só quero uma chance de fazer parte da sua vida novamente.
— Eu tenho vinte e cinco anos. Eu não sou mais o idiota que
costumava deixar mensagens de voz patéticas para você voltar para casa,
implorando à sua porta para que você fosse ao campeonato. Eu superei
isso, David. E eu superei você. Você nunca deu a mínima para mim ou
para a mãe.

— Ryder, seu pai o ama. — Vanessa entrou na nossa conversa como


se ela tivesse o direito de estar envolvida em nosso assunto.

— Que tal você ficar fora disso, hein? Você é a razão pela qual toda
essa merda começou. — ela engasgou com a minha declaração e tentou
disfarçar seu embaraço, abaixou a cabeça e deixou os longos cabelos
ruivos cobrirem o rosto. Senti uma pequena pontada de culpa, mas a
ignorei quando me lembrei de toda a dor da minha mãe quando David a
deixou por Vanessa Cole. Ela era a rainha da beleza, rica, com quem
minha mãe não tinha nenhuma chance de competir. Eu odiava admitir
que eu realmente gostasse dela antes de tudo acontecer, mas eu gostava.

—Ryder, eu entendo que você está com raiva, mas não culpe a
Vanessa. Culpe-me. A culpa foi minha.

— Eu não me importo de quem foi a culpa. — a porta da cozinha


abriu, cortando as palavras da minha boca. E a mulher que passou por ela
paralisou toda a porra de pensamento da minha cabeça.

Ela.

Ela olhou para mim com aqueles olhos castanhos brilhantes, e eu


fui jogado de volta para a noite em que ela abriu os olhos e olhou para
mim na areia. A noite que ainda me assombrava.

O olhar que ela me deu foi diferente. Seu olhar era faminto, e eu a
deixaria comer à minha mesa qualquer dia da semana. Seus lábios se
separaram com um suspiro quieto quando ela parou e olhou para mim.

Porra, por que ela estava me olhando assim?


Ela mudou. Foi-se a mulher pálida, frágil amarrada à cama do
hospital.

Meu olhar viajou sobre sua camisa e o short minúsculo e justo.

Cintura pequena.

Quadris curvilíneos.

Pernas suaves e macias.

Se eu tivesse uma lista de verificação, levaria dias para marcar cada


parte dela que eu gostaria de lamber. Então eu puxaria aquelas pernas
longas e sedosas em volta da minha cintura e...

Desvie o olhar, Hayes. Você não precisa obter uma ereção na


cozinha de seu pai com sua enteada.

Ela puxou a camisa curta para baixo, em um esforço para cobrir seu
piercing no umbigo exposto. A camisa ficou mais apertada no peito, e meu
olhar subiu para os mamilos.

Foda-se isso. Eu precisava sair de lá. Eu nunca quis tanto uma


mulher. Sempre tinha sido assim com Lexi, mas, definitivamente,
aumentou a intensidade. Eu quase não dei a mínima que David estivesse
no cômodo. Eu queria empurrá-la contra a parede e fazer com que ela me
implorasse.

Mulheres geralmente não me afetam dessa maneira. Ser um lutador


me mantinha ocupado demais para pensar em mulheres, mas Alexis
sempre tinha um jeito de me distrair. Não me interpretem mal. Eu
gostava de foder, e com frequência, mas a forma como ela estava me
excitando não era algo que eu estava acostumado. Evitar as suas
tentativas de entrar em minha vida foi uma boa decisão. Eu sempre tive
uma queda pela Alexis, mas mudou, fundiu com desejo completo.
— O que aconteceu com seu rosto? — ela perguntou em voz
baixa. Sua preocupação com um pequeno corte na minha testa era fofa.

— Você não gosta do meu rosto? — eu brinquei com ela.

— Não. Quero dizer, sim... — ela passou a mão no cabelo escuro e


sorriu timidamente.

— Desculpe, eu não queria interromper. — disse ela, mas ainda


ficou ali, me encarando como se quisesse que eu fizesse algo. Agarrá-la e
reivindicá-la como minha. Não. A última coisa que eu precisava era deixar
que uma mulher tão bonita como ela, com tanto poder sobre mim,
enfiasse as garras em mim.

— Como você está, Alexis?

— Eu estou bem. Você?

Eu dei de ombros. Ela fez beicinho.

Eu queria dizer para ela que pensava nela algumas vezes. Pensava
sobre aquela noite. A água fria. Seu corpo sem vida. Ela esteve em meus
sonhos inúmeras vezes ao longo dos anos, mas ela não se parece em nada
com a mulher em pé diante de mim.

Eu me virei para David e tentei recuperar os sentimentos


desconhecidos que me invadiram só por olhar para ela.

Alexis Cole...

Apenas dizer o nome dela na minha cabeça fazia meu pau reagir,
empurrar meu jeans, que de repente ficou muito apertado. Eu nunca
tinha fugido de uma mulher que eu queria foder, mas eu precisava ficar
longe dela. Eu sabia, sem dúvida, se colocasse as mãos sobre ela, eu nunca
a deixaria ir.
Provavelmente, ela tinha um namorado, um noivo, ou algo
assim. Voltei a olhar para sua mão e me surpreendi quando me senti
aliviado por seu dedo estar sem aliança. Ela ainda poderia ter um
namorado. E eu...

Eu o quê?

Os velhos hábitos persistiam. E eu estava ficando louco se estava


pensando em me tornar seu cão de guarda novamente. Eu precisava fazer
o que eu vim fazer e ficar longe da sedutora de olhos castanhos inocentes.

— Você vai assinar ou o quê? — disse para o David, mais


agressivamente do que eu queria.

Olhares foram trocados entre Davi, Vanessa, e Alexis. De alguma


forma eles comunicavam... Alguma coisa. Eu não olhei de novo para
Alexis, mas eu senti quando ela saiu, como se ela tivesse sugado todo o ar
para fora do cômodo. Quando ela se foi, tudo voltou ao normal, e eu pude
respirar novamente. Bom, talvez eu pudesse me concentrar de novo na
academia e não em ficar com a Alexis e me sentir entre suas pernas. David
olhou para mim com um sorriso malicioso que me dizia que isso não ia
ser fácil.

— Que tal fazer um trato? Vanessa e eu vamos viajar por um


tempo. Precisamos de alguém para ficar de olho na Alexis. Vanessa não se
sente confortável deixando-a para trás.

Não, não é uma boa ideia. Eu só fiquei duro por passar três minutos
na mesma sala que ela. Qualquer quantidade de tempo a mais e eu não
saberia quais linhas não cruzar.

— Ela não está bem? — perguntei. Alexis sempre falava que estava
bem. Não houve uma vez que mandei mensagem que ela disse que estava
tendo um dia ruim, e isso me preocupava. Você não podia quase ter se
afogado no oceano e estar perfeitamente bem.
— Vanessa ainda se preocupa com ela, mas Alexis não vai gostar se
colocarmos alguém para vigiá-la, por isso não a deixe saber.

— Não. Eu não sou babá. Eu fiz a minha parte anos atrás. Além
disso, ela chegou até aqui. Eu só preciso que você assine estes papéis, e
nunca terá que se preocupar comigo te incomodando mais.

Eu não estava disposto a me torturar propositadamente passando o


tempo em estreita proximidade com Alexis.

Lá estava ele de novo, aquele idiota em minhas calças. Meu pau já


estava feliz antecipando por passar tempo com ela. David tinha um brilho
animado em seus olhos, e eu sabia que o filho da puta estava tramando
algo.

— Eu não estou interessado em fazer jogos, David. O que está


rolando?

Ele riu. — Eu não estou armando nada. Desde que Alec morreu, eu
não via Alexis reagir a qualquer pessoa como ela fez há um minuto.

— Reagiu a mim? Você jura que está me empurrando para cima de


Alexis? Confie em mim, você não me quer perto dela. Provavelmente, ela
ficaria dez vezes mais fodida quando eu terminasse com ela.

Ele riu como se eu estivesse brincando. Se ele soubesse quantas


mulheres eu peguei e me esqueci, ele a trancaria. Alexis não era como as
outras mulheres. Ela não precisava de alguém como eu para foder a
cabeça dela.

— Você parece comigo quando eu tinha a sua idade.

— Eu não sou nada como você! — merda. Eu não queria gritar tão
alto. Admito que possa ser um idiota às vezes, mas eu não era nada como
David. Ou, pelo menos, eu esperava que não.
— Calma, Ryder. Entendi. Eu não sou exatamente a sua pessoa
favorita. Só cuide de Alexis, e a academia é sua.

Isso não funcionaria para mim. Eu tinha investido meu dinheiro do


prêmio bem o suficiente para que eu pudesse me dar ao luxo de comprá-la
do David.

— Eu pago meio milhão de dólares. Isso é muito mais do que vale a


sua metade. Vou ligar para o meu advogado...

— Ryder! Eu não quero seu dinheiro. Eu não estou tentando voltar


para a sua vida, porque você está reinando como campeão do UFC, ou
porque você tem uma porrada de dinheiro. Eu vou provar isso para você
de uma maneira ou de outra. Aceite o acordo. — ele saiu da sala como se
tivesse o direito de estar chateado comigo.

Foda-se ele e seu acordo. Eu só tenho que descobrir outra maneira


de tirá-lo da academia.
Capítulo Seis
Alexis

— Alexis, é hora de levantar. — minha mãe gritou pela porta. A


batida incessante estava me deixando louca. Depois que encontrei Ryder
na cozinha, eu pulei na cama e passei horas virando de um lado para o
outro por causa da frustração sexual.

Eu não entendia. Ele era apenas um homem. Como ele podia estar
consumindo todos os meus pensamentos? Quando eu percebi que não
conseguiria tirá-lo da minha cabeça, eu tomei um comprimido para
dormir. Normalmente, eu os usava para afugentar as lembranças que
assombravam as minhas noites, mas na noite anterior, me ajudou a
esquecer do homem que seria problema demais para a minha sanidade.

— Alexis?

— Eu estou acordada, mãe. — eu murmurei, esperando que ela me


deixasse em paz.

— Você dormiu o dia todo. Dave e eu vamos sair em uma hora, mas
talvez devêssemos cancelar. — ela suspirou, e eu senti a preocupação em
seu tom.

Abaixei a cabeça no travesseiro e soltei um grito abafado. Ela me


sufocava constantemente. Eu não a culpava depois do que eu a fiz passar,
mas isso me deixava louca.

— Não se preocupe, Vanessa. Ryder vai ficar de olho nela. — a voz


de David estava um pouco abafada pela porta, mas, definitivamente, eu
ouvi o comentário dele corretamente.
Pulei para fora da cama, ainda um pouco tonta das pílulas que
tomei antes, mas eu saí pela porta em tempo recorde. Abri a porta, e
minha mãe quase caiu completamente porque ela estava com a cabeça
dela encostada contra a porta.

— Por que Ryder ficaria me vigiando? — David olhou para mim com
ar culpado, em seguida, olhou para a minha mãe pedindo ajuda. — David,
o que você fez?

— Ele só vai passar por aqui, assim sua mãe não vai ficar tão
preocupada.

— Não. Meu Deus, eu não preciso de uma babá. Provavelmente ele


acha que vai ter que ficar em alerta de suicídio agora.

Minha mãe estremeceu, e tentei me acalmar. Ela não estava no


ponto de apenas falar sobre o que eu fiz. Ela sempre reagia à palavra
suicídio como se alguém a acertasse com um bastão.

— Já faz mais de três anos, mãe. Por que você não pode confiar em
mim?

— Não é que eu não confie em você. Eu só... — ela passou a mão


pelo seu cabelo vermelho brilhante. Ela parecia tão pequena e frágil. Eu
odiava que ela passasse tanto tempo preocupada comigo.

— Mãe, vá se divertir com seu marido. Eu sou uma menina


grande. Eu posso cuidar de mim mesma. — eu a abracei rapidamente, dei-
lhe um beijo, e fechei a porta em seu rosto preocupado.

Voltei para a cama e puxei o lençol sobre a cabeça e caí no sono


rapidamente.

***
Meu coração estava batendo acelerado, a dor irradiava através de
cada célula do meu corpo, e o grito se formando em minha garganta
queimava. Uma voz muito distante chamava por mim, e alguém puxava
meu braço e me acordava. Sentei-me na minha cama e lutei para
respirar. Minha mão automaticamente se estendeu para Alec, e alívio
me inundou quando senti sua pele quente sob meus dedos.

— Pesadelo? — ele sorriu para mim do seu travesseiro.

Deitei de novo, e ele me acolheu em seus braços. — Eu sonhei que


você tinha ido. Não me lembro como, ou por que, mas tudo que sei é que
eu senti que você ia morrer.

— Eu não vou a lugar algum, Lexi. Você tem tido esses sonhos
desde que papai morreu. Você não vai perder todos, Lexi. Perder papai
tem sido difícil para todos nós, mas pelo menos ainda temos um ao
outro.

Eu olhei para o rosto dele, que era tão semelhante ao meu, e


estendi a mão para tocá-lo, mas antes que eu sentisse sua pele quente
debaixo das minhas mãos, ele desapareceu. Ele se foi em um flash de luz
ofuscante que explodiu dolorosamente na minha cabeça.

Acordei sobressaltada.

Alec voltava para mim muitas vezes. Os sonhos sempre pareciam


tão reais, mas eu sabia que era só minha mente delirante me pregando
peças.

Minha respiração rápida e forte ameaçou me sufocar, e as lágrimas


brotaram em meus olhos quando a realidade começou a afundar. Os
pesadelos eram insistentes. Na maioria das noites, se eu não tomasse uma
pílula para me ajudar a dormir, eu ficava acordada. Eu sentia como se
estivesse presa em um túnel do tempo, onde todas as lembranças
reviviam, apenas para desaparecer quando eu piscava os olhos. A tristeza
corria em minhas veias de dia e de noite e me deixava pesada.

Eu enrolei em meu travesseiro e deixei as lágrimas caírem. Percebi


anos atrás que se eu não as deixasse cair, eu me afogava nelas.

***

Eu saí do banheiro e fui para a minha mesa. A música tocando no


bar estava alta, e empurrei um monte de gente para fazer algum
progresso. Quase cheguei lá sem interrupção quando fui parada.

— Lexi. — a voz atrás de mim enviou calafrios pela minha


espinha. Sua mão envolveu lentamente a minha cintura, pressionando seu
corpo contra as minhas costas. Seus lábios estavam contra a minha
orelha, e eu senti cheiro de álcool em seu hálito quando ele sussurrou: —
Você está bem, baby?

Houve um tempo em que suas palavras sussurradas me derretiam,


mas eu não senti nada, e ele trazia de volta lembranças das quais eu fugia
há anos.

— Eu estou bem, Logan.

— Fale se você precisar de alguma coisa. — ele tentou se aproximar,


mas eu me afastei. Noah, o barman, estava olhando para nós do outro
lado do cômodo. Ele ficava sempre em alerta quando Logan começava a
me sufocar, mas não era necessário. Logan e eu nos tornamos amigos. Eu
fiquei chateada com ele um longo tempo. Além de me culpar pela morte
de Alec, eu culpava o Logan. Apesar da minha atitude fria e desagradável
no começo, Logan ficou por perto. Depois que Ryder me tirou do oceano,
Logan se manteve constante em minha vida. Ele me segurou quando eu
chorei, me fez sair da cama quando eu afundei em depressão e ele até
ficou quieto quando eu o culpei pelo que aconteceu. Depois de anos de
terapia, eu fui capaz de perdoá-lo, mas nós nunca voltaríamos ao que
éramos antes. A relação nunca teve possibilidade de ser salva, mas talvez
a nossa amizade fosse.

Eu sabia que Logan ainda tinha esperança que voltaríamos a ficar


juntos. Ele achava que eu precisava de tempo para lidar com a morte de
Alec e depois eu voltaria para ele, mas eu não suportava olhar para ele
sem pensar no quanto eu tinha perdido, ou como ele me traiu. Ele só
aparecia neste bar, porque sabia que eu vinha sempre aqui.

— Você está bem? — Shelby perguntou quando eu me sentei na


frente dela na nossa cabine. Shelby era a única pessoa neste mundo
inteiro que chegava perto de me compreender e porque eu tinha me
fechado. Mas, assim como a minha mãe, ela estava sempre me estudando
e procurando sinais de depressão. Ela era namorada de Alec antes dele
morrer, por isso, nos conectamos através da nossa perda.

Foi tão difícil para ela quanto para mim. Nestes três anos depois do
acidente, Shelby não tinha aberto seu coração para outro cara. Com seu
longo cabelo ruivo e os olhos verdes brilhantes, ela recebia muita atenção,
mas era quase tão fechada como eu. Eu sempre brincava que com seu
cabelo vermelho ela parecia mais com a minha mãe do que eu.

— Eu estou bem, Shelby. — ela estreitou os olhos, tentando avaliar a


minha reação por ver Logan. Ela não encontraria, porque eu havia me
tornado uma especialista em ficar sem expressão. Ela finalmente
concordou com a cabeça, desistindo da sua inquisição não verbal sobre
minhas emoções. Ela não me queria ver voltando com o Logan. Ela
também não acreditava que éramos apenas amigos. A garçonete deixou as
nossas bebidas em cima da mesa.
— Por que você é tão legal com ele? Houve um tempo em que você
não suportava vê-lo.

— Eu o perdoei, e me sinto muito melhor por isso. — eu respondi


sem rodeios, desejando mudar de assunto. — Além disso, ele mudou. Ele
não é o mesmo garoto selvagem que quebrou meu coração.

— Oh Deus, agora você está inventando desculpas para ele. Por


favor, não volte para aquela fossa. Ele ainda é o mesmo idiota daquela
época. Ele só usa uma máscara perto de você. Eu quero que você seja feliz,
querida, mas não com ele. E se você for honesta consigo mesma, você vai
admitir que nunca o amou realmente. — o olhar de Shelby perfurou o
meu, então eu desviei o olhar.

— Eu não quero falar sobre Logan. Nós não vamos voltar. Fim da
história. Viemos aqui para esquecer os homens e seus dramas, então
vamos beber, dançar e esquecer. — ela sorriu para mim, então nós
brindamos com nossos copos de Martini a noite feliz de meninas.

Levantei o copo nos meus lábios, e de repente, houve uma mudança


na atmosfera. Não estou brincando. Era como uma atração
magnética. Meu olhar foi atraído para o outro lado da sala e parou em
Ryder. A última vez que eu o vi, minha atração por ele me atingiu com
tanta força que fiquei sem fôlego. Eu me senti da mesma maneira ao vê-lo
entrar no bar. Ele era vaidoso e arrogante de uma maneira que me
irritava, mas sexy e intrigante de uma forma que me excitava.

Eu o observei atravessar o cômodo e se dirigir para o bar, pensando


que eu nunca tinha visto um homem tão sexy. Suas características faciais
perfeitamente esculpidas eram de tirar o fôlego, mas
assustadoras. Assustadora do tipo como um remédio ruim. Você sabe do
tipo que eu estou falando. O tipo que promete uma cura para o seu
sofrimento, apenas para deixá-lo viciado em algo muito pior do que a dor
original.
Eu sabia que deveria ter me virado e ignorado sua presença, mas eu
não conseguia parar de olhar seu corpo. Sua camiseta cinza desbotada
abraçava seu peito e braços musculosos. Sua calça jeans preta era justa
apenas o suficiente para mostrar suas coxas e bunda, as botas pretas e
uma jaqueta de couro finalizavam seu visual.

Shelby virou a cabeça para ver o que me tirou a atenção, e sua boca
abriu.

— Opa. — ela sussurrou. Seus olhos se voltaram para mim, e ela


sorriu animadamente. — Puta merda, eu acho que toda mulher do lugar
acabou de gozar.

Ela estava certa, e eu sabia porque eu tinha finalmente parado de


olhar para ele tempo suficiente para perceber que o calor entre as minhas
pernas foi um resultado direto de observar Ryder. Eu me senti toda
agitada por dentro, e eu não me sentia assim há anos. Fiquei de costas
para o bar enquanto ele se sentava na cadeira mais próxima da nossa
mesa. Ele estava a menos de cinco metros de distância, e meu coração
começou a acelerar.

— Vou falar com ele. — eu disse.

— O quê? Não. Eu não acho que é uma boa ideia, Lexi. Você passou
anos mantendo a maioria dos homens a distância. Não mude
agora. Quero dizer, olhe para ele. Ele é o tipo de cara que vai quebrar o
seu coração e você vai rastejar de volta pedindo mais.

— Eu posso ver o que ele é, Shelby, mas não há necessidade de


avisos. Esse é o Ryder.

Ela olhou por cima do ombro para ele, então de volta para mim. —
Ryder? O filho de David, Ryder?

— Sim.
— O quê? Você nunca mencionou que seu meio-irmão era assim. —
ela debruçou sobre a mesa, dando-me um olhar incrédulo. Dei de ombros
para ela e fingi que a boa aparência do Ryder não me perturbava.

Ele não tinha olhado na minha direção, mas ele sabia que eu estava
lá. David o pediu para cuidar de mim. Eu não sabia como David o
convenceu, mas foi um choque ver Ryder fazendo esse favor para
David. Levantei e dei um beijo na testa de Shelby.

— Já volto, Shells. — ela sorriu com o uso do apelido que Alec


costumava chamá-la. Ela balançou a cabeça enquanto eu caminhava em
direção ao bar.

Meus olhos traçaram a forma de suas costas largas quando me


aproximei, parando no cabelo enrolado da sua nuca. Seu cabelo era
selvagem e bagunçado no topo. Imaginei minhas mãos agarrando-o
enquanto ele...

Pare com isso, Lexi.


Capítulo Sete
Ryder

Estava escuro, barulhento, e abafado no bar abarrotado onde Ty me


pediu para encontrá-lo. O barman rapidamente colocou duas doses na
nossa frente e saiu. Ty virou a dele e levantou uma sobrancelha para
mim. Peguei o copo e deixei o líquido âmbar entorpecer a minha irritação.

Ty era o meu treinador e meu melhor amigo desde que tínhamos


doze. Ninguém sabia tanto sobre a minha vida e esteve lá por tantas fases
ruins quanto o Ty. Quando o tio Drew adoeceu, Ty colocou seus planos em
espera para se tornar o meu treinador e empresário. Nenhum de nós
achou que seria em longo prazo, mas Ty era um grande treinador. Ele
passou anos treinando comigo quando éramos mais jovens.

A capacidade de Ty de me incentivar me tirou de um lugar muito


ruim e me levou para o meu segundo campeonato. Depois que Drew se
foi, nosso único obstáculo era conseguir com que David nos vendesse a
academia.

O tio Drew nos criou lá. Ele nos treinou lá. Eu estaria perdido sem
aquele lugar, então a qualquer custo, eu precisava fazer David me vender
a sua metade.

— Encontre uma mulher. Você precisa transar. — Ty me deu um


tapinha no ombro antes de se levantar e ir para a pista de dança com a
mulher com quem esteve conversando antes de eu chegar. Seu assento foi
rapidamente tomado por uma loira de pernas longas com um decote
muito grande no seu vestido apertado.
— Você é o Falcão? — sua expressão animada me disse que já sabia
a resposta a essa pergunta, então continuei quieto. Ela riu e colocou a mão
no meu bíceps.

— Eu sabia que era você. Eu assisto você lutar há anos. Você é


incrível.

— Obrigado. — eu sinalizei para o bartender me trazer outra dose


enquanto ela escorregou do banquinho e veio para o meu lado.

— Você quer dançar? — ela descansou a mão no meu joelho,


deslizando os dedos pela minha coxa.

— Eu não danço. — eu dançava, mas não estava interessado em


dançar com ela.

Ela lambeu levemente a minha pele e disse: — Você quer sair


daqui?

Eu estava cansado de fodas aleatórias. Era a principal razão de


querer ficar longe do bar essa noite. Quanto eu estava prestes a dispensá-
la, ela me envolveu com a sua mão e gemeu de forma sexy.

Porra. Há semanas eu não me enterrava em alguém macia e


quente. Pensamentos de Alexis me mantinham acordado a noite toda e eu
precisava de alguma distração. Levantei-me, agarrei a mão dela, e dei de
cara exatamente com a beleza de olhos cor de avelã que eu estava
evitando de propósito.
Ela estava tão perto do meu banco que teve que apoiar as mãos no
meu peito para não cair para trás. Reflexivamente, envolvi um braço na
sua cintura para mantê-la estável.

Seu corpo macio pressionou contra o meu, e eu reagi


instantaneamente. Se eu não a tirasse de perto de mim rapidamente, ela
ia descobrir o que eu queria fazer com ela. Ela engasgou e os lábios
entreabriram apenas um pouco, mas o suficiente para me fazer querer
pressionar meus lábios nos dela e descobrir qual era o seu sabor.

Deus, eu preciso soltá-la. Mas ela cheira tão bem.

Era incrível tê-la pressionada contra mim. Quando ela empurrou o


meu peito, eu peguei a dica e a soltei. Ela fez um esforço para endireitar a
blusinha vermelha que ela estava tentando passar como um vestido e
sorriu sem jeito.

Ela ficou nervosa. Bom. Pelo menos eu não era o único a ter essa
sensação.

— Desculpe, uhh... O que você está fazendo aqui?

A loira se inclinou e me envolveu com o braço, marcando


território. Eu não sabia por que eu estava tentado me distanciar, mas eu
não gostei disso. Eu não devia nada para Alexis. Eu mal falei com ela
durante anos. Ela, definitivamente, não tinha qualquer direito sobre o
meu pau e em quem eu o colocava.

— Estou tomando uma bebida. É isso que as pessoas normalmente


fazem em um bar.
— Eu sei que David lhe disse para ficar de olho em mim, mas eu não
preciso que você me siga e seja minha babá. — ela apontou o dedo
acusador para mim.

Porra, ela é gostosa quando está brava.

O modo como ela inclinou a cabeça me fez querer chupar seu


pescoço exposto. — Eu não vou ficar de olho em você. Eu falei para o
David que eu não faria isso. Estou apenas tomando uma bebida.

Ela olhou para mim como se não acreditasse. Eu não dava a mínima
se ela acreditava ou não, mas vê-la de repente me deu vontade de ficar por
aqui.

— Tudo bem. — ela finalmente disse, olhando para a mulher


grudada ao meu quadril. Uma pequena careta se formou em seu rosto
antes dela continuar: — Tenha um bom... O que seja. — ela balançou a
cabeça em desaprovação ao ir para o outro lado do bar. Então, ela não
aprovava a minha companhia para esta noite.

— Eu vou ter que deixar para outra hora. — eu disse, observando


Lexi se afastar.

— Por quê? — a loira fez beicinho e tentou aproximar ainda mais


perto. — Seria incrível.

— Desculpe. — eu a tirei de cima de mim e sentei na extremidade do


bar, onde eu me escondi de mulheres agressivas e mantive um olho em
Alexis.
Eu vi quando um dos bartenders a seguiu e encurralou-a perto de
um corredor. Ela pareceu nervosa, até desconfortável. Seu boné estava
puxado para baixo, sobre sua cabeça, e eu não consegui identificar o rosto
dele, mas se ele tentasse alguma coisa, eu estava pronto para...

Merda. Eu não sabia, quando tinha me tornado seu protetor de


novo, mas meu instinto me dizia que o cara era má notícia. Eu estava
prestes a levantar e intervir, quando ela fugiu e se dirigiu para uma mesa
a poucos metros de mim. Ela estava nervosa quando se sentou e começou
a falar com uma mulher ruiva em uma cabine.

Na próxima hora, ela tomou mais quatro bebidas antes de ir para a


pista de dança com a amiga. Se eu tinha pensamentos de ir embora antes
disso, não seria possível por muito tempo ainda. A julgar pela forma como
elas tropeçaram para a pista de dança, ela tomou algumas bebidas além
da conta.
Capítulo Oito
Alexis

Eu me sentia viva.

Como se eu estivesse voando enquanto Shelby e eu dançávamos ao


redor do clube em alta intensidade. Até fortalecida. Eu via vislumbres
rápidos de corpos se tocando à medida que as luzes giravam e criavam as
imagens sensuais na minha mente. O zumbido de excitação que viajava
pelo cômodo era tão inebriante quanto as bebidas do bar.

Eu não conseguia explicar a mudança que senti quando Ryder veio


atrás de mim, mas foi instantânea e inegável. Os cabelos da minha nuca se
levantaram, minha pele arrepiou, e a sensibilidade sexual atingiu o seu
pico.

Eu senti seu calor atrás de mim, mas eu não virei. O som das
batidas do meu coração martelava na minha cabeça, mais alto do que a
música saindo dos alto-falantes. Shelby agarrou meu braço enquanto
dançávamos, e o seu olhar quando ela olhou por cima do meu ombro
confirmou meu instinto. Ryder Hayes estava atrás de mim, e era minha
oportunidade de colocar minhas mãos sobre ele.

Virei-me e colidi com ele. Ele estava de pé muito perto. A música


mudou para algo sobre sentir-se vivo. Com toda a coragem líquida que
bebi antes de vir para a pista de dança fluindo pelo meu sangue,
corajosamente, encostei meu corpo no dele. Inclinei-me e perguntei: — Eu
achei que você não dançava? — ou pelo menos foi o que ele disse à mulher
no bar.
— Não com ela. — a tensão em seu corpo aumentou quando
esfreguei meus seios contra o seu peito duro. Eu coloquei as mãos em seu
abdômen definido e deixei-as viajar ao longo dos contornos rígidos de seu
corpo. Ele se encolheu, mas não tentou me parar. Olhei para aqueles
olhos azuis. Porra, eu tenho uma fraqueza séria por olhos azuis. Fiquei
mais corajosa quando vi o desejo em seu olhar.

Ele me quer tanto quanto eu o quero.

Virei-me e fiquei de costas para ele, fechei os olhos e derreti em


cima dele. A música pulsava, seu quadril tenso pressionou mais, e então,
ele finalmente cedeu e colocou a mão suavemente no meu quadril e
balançou no ritmo. Eu estendi a mão para trás e subi pela sua coxa.

Esse homem é todo feito de músculos?

Eu gemi involuntariamente quando sua ereção inconfundível


pressionou as minhas costas. Ele se inclinou e eu estava ansiando pela sua
próxima jogada. — Você bebeu demais. Hora de te levar para casa.

O quê?

Não. Eu estava me divertindo muito. Eu só tinha sonhado em tocá-


lo desta forma. Eu me virei para encará-lo e tropecei, e o cômodo
continuou girando quando achei que tivesse parada. Seu braço envolveu a
minha cintura como uma barra de ferro, me estabilizando.

— Eu disse que eu não preciso de uma babá.

— Só deixe-me levá-la para casa.

— Para a sua casa? — eu sorri para ele, passando corajosamente os


braços em volta do seu pescoço.

Ele suspirou e depois assentiu.


— Se você queria me levar para casa, tudo o que tinha que fazer era
pedir.

— Nada vai acontecer, Alexis. Diga boa noite para a sua amiga
porque eu vou colocá-la na cama. — eu fiz beicinho para ele, mas ele
apenas olhou para mim, esperando que eu seguisse suas ordens.

Shelby estava realmente envolvida com o seu novo parceiro de


dança, então eu agarrei seu braço e puxei-a para perto. — Ryder vai me
levar para casa, Shells.

— Você acha que é uma boa ideia? Você bebeu muito, e se algo
acontecer com você...

— Nada vai acontecer com ela. — Ryder falou para Shelby, mas ela
olhou para ele com desconfiança.

— Melhor nada acontecer ou vou atrás de você. — Shelby apontou


um dedo para ele, e ele riu da sua tentativa de ser intimidante.

— Vou me lembrar disso. — ele colocou a mão na minha cintura e


me levou até a saída.

— Tchau, Shells. — eu gritei para ela quando a deixei para


trás. Conforme atravessávamos a multidão e estávamos quase saindo,
Logan apareceu na nossa frente.

— Onde você está indo, Lexi?

— Agora não, Logan. — eu estava muito mais ousada com um


lutador enorme perto de mim, do que eu normalmente era. Logan ainda
achava que eu pertencia a ele. Se eu lhe dissesse que ia levar Ryder para
casa e foder com ele, uma batalha seguiria. Não que eu achasse que Ryder
iria me permitir ter algo com ele.

Ele se posicionou na frente de Ryder, apesar de Ryder ser maior e


mais alto do que ele. — Eu não posso deixar você sair com ela. Ela bebeu
demais. Se você acha que vai levá-la para casa, vai ter que passar por
mim.

— Sim, e como é que você está pensando em me parar? — Ryder


chegou mais perto, mas Logan não recuou.

— Se ele quer me levar para casa, não é problema seu. — Deus, eu


realmente precisava saber quando parar de beber. Eu não conseguia
fechar a boca.

— Lexi, eu juro por Deus, se você deixá-lo... — ele puxou meu braço
rudemente, e Ryder agarrou-o pelo colarinho e empurrou-o com um
braço.

— Não toque nela novamente.

Logan se acalmou quando viu o olhar perigoso no rosto de Ryder,


mas ainda olhou desafiadoramente para ele, claramente suspeito. —
Quem diabos você pensa que é?

— Ele é meu meio-irmão, babá, protetor, salvador, ele é a porra do


super-homem. — ele era tudo, exceto o que eu queria que ele fosse. Meu
amante, meu namorado... Tudo o que nos permitia ser íntimos.

— Oh, você é o filho do David. — disse Logan, e Ryder deu de


ombros.

— Vamos, Alexis. — ele me puxou para fora do clube. Fiquei


surpresa por Logan nos deixar tão facilmente, mas feliz por estar longe
dele. Provavelmente, ele achava que eu estava segura com o meu meio-
irmão. Imaginei que ele não tinha ideia do quanto eu queria Ryder e o que
eu o deixaria fazer comigo.

A brisa quente bateu na minha pele sensibilizada, e eu tremi


enquanto ele me levava através do estacionamento. Ele parou na frente de
uma motocicleta elegante e moderna, e meu estômago se apertou. A
última vez que subi na garupa de uma moto, eu estava apaixonada pelo
Logan. Depois que terminamos jurei ficar longe de homens com
motocicletas, apesar do tanto que gostava. Ele olhou para mim e me
entregou um capacete. Ele viu minha expressão tensa e estendeu a mão
para acariciar meu rosto.

— Nunca andou de moto? Não se preocupe, o corpo parece grande e


perigoso, mas o passeio é emocionante. — o sorriso que ele me deu me
disse que ele estava falando mais do que a moto. Eu sorri para ele, em
seguida, coloquei o capacete. Ele pulou na moto, e o motor rugiu para a
vida, me assustando.

— Suba. — ele ordenou. Hesitei, então me resignei a quebrar minha


promessa por apenas esta noite e subi na moto e encostei no seu
quadril. Tentei puxar meu vestido para baixo, mas o meu esforço foi
inútil. Ele subiu para um nível indecente, e a curva do banco me
empurrou para a frente, até que a parte úmida da calcinha estava contra
ele.

Jesus, eu espero que ele não possa sentir o tanto que ele está me
deixando excitada.

— Segure-se firme. — disse ele quando colocou a moto na estrada. O


vento soprava meu cabelo comprido ao redor, e meu sangue bombeava
com entusiasmo. Eu apoiei a cabeça nas suas costas, fechei os olhos, e
acariciei os músculos definidos do seu abdômen através da camisa. Seu
cheiro, o barulho da moto, como ela vibrava entre as minhas pernas, e
senti-lo sob meus dedos aumentaram minha excitação. Meu clitóris estava
pulsando com necessidade, e eu apertei minhas pernas firmemente para
me impedir de esfregar contra ele e aliviar a dor.

Minha mão deslizou para baixo, e eu segurei sua ereção


impressionante. Sua ingestão aguda de respiração me excitou, e eu
comecei a massageá-lo. Quando ele parou em um sinal, ele virou e olhou
para mim. Ele cobriu a minha mão com a sua e gemeu alto.

— Se você não parar, eu vou perder o controle desta moto e nós dois
vamos cair. — sua voz estava rouca e vibrou através de mim como o motor
da moto. Puxei rapidamente a mão da sua carne quente.

Ok, Lexi, sem mais Martini para você.

A última coisa que eu precisava era ser responsável pela morte de


outra pessoa.

Minha mente confusa por causa do álcool não conseguia decifrar se


levou cinco ou trinta minutos para chegar à casa de Ryder, mas eu sei que
apreciei cada segundo abraçando seu corpo forte, à medida que o motor
poderoso rugia abaixo de nós.

Nós paramos em um enorme edifício parecido com um


armazém. Hayes Elite Boxe, lia-se na placa acima da entrada. Esta deve
ser a academia que Ryder sempre falava. O edifício de tijolo abrangia
metade do bloco. Na frente, havia duas grandes janelas de vidro em
ambos os lados da entrada de porta dupla. Ryder deu a volta e entrou em
uma das três portas de garagem. Ele estacionou a moto ao lado de um
carro antigo preto e brilhante, que parecia uma antiguidade. Ao lado deste
carro tinha um modelo esporte caro. Ele me ajudou a descer da moto, em
seguida, me levou pela garagem, em direção a uma porta de aço. Atrás da
porta havia um longo corredor com três grandes recortes de vidro na
parede, que davam vista para a academia.

No final do corredor, um elevador se abriu logo que ele apertou o


botão. Ele digitou um código numérico em uma caixa na parede, as portas
se fecharam, e o elevador começou a subir.

Ele ficou no lado oposto, me estudando. Seus polegares


enganchados no cós do jeans, sua bota descansava contra a parede, e seus
olhos estavam me despindo. Ele pode estar fingindo ser um perfeito
cavalheiro, mas ele queria fazer coisas sujas comigo. Eu via isso em seus
olhos.

Sua tatuagem aparecia por baixo da camisa. O braço direito estava


coberto com uma luva tribal completa. Eu queria rasgar a camisa dele e
ver quais outros trabalhos de arte que ele tinha lá embaixo.

Nossos olhos se encontraram, e ele lambeu os lábios, fazendo um


arrepio involuntário correr pelo meu corpo. Ele era um problema, e eu era
o novo brinquedo com o qual ele queria jogar até quebrá-lo. Eu não tinha
dúvida de que não demoraria muito para que ele me quebrasse, mas eu
não me importava. Eu ficaria com todas as peças quebradas sem qualquer
cola para me juntar, mas a troca valeria a pena. O elevador parou, e ele
saiu sem olhar para trás. Ele sabia que eu ia segui-lo. Meu corpo não me
permitiria parar de segui-lo. Eu não sentia tanta paixão há muito tempo,
se é que já aconteceu alguma vez. Ele abriu a porta à direita, e nós
entramos em seu apartamento.

O apartamento era muito chique e incrivelmente limpo para um


bad boy solteiro. O piso de madeira escuro brilhante me deu vontade de
tirar os sapatos - eram impecáveis desse tanto. Um par de sofás cinza
elegantes ficava na frente de uma enorme TV de tela plana, que cobria
quase toda a parede. Logo depois da sala de estar tinha uma cozinha
aberta, toda com armários brancos e bancadas pretas reluzentes. Ele era
incrivelmente limpo. Ele odiaria morar comigo.

Espera. Acabei de me imaginar morando com ele? Sim... Foi muita


bebida.

— Vamos levá-la para a cama.

Eu peguei a mão que Ryder me ofereceu, e ele me levou ao redor de


uma meia parede que ficava na parte de trás da sala de estar. Do outro
lado era o quarto de Ryder. A cama ficava escondida perto da parede, mas
não havia porta, portanto, era basicamente um apartamento enorme com
um quarto quase privado. A cama negra maciça dominava a maior parte
do espaço. Um grande armário com portas de vidro corria ao longo de um
lado da sala, uma porta que levava a um banheiro espaçoso na outra
parede. Havia uma grande variedade de faixas de caratê, troféus e três
cinturões de campeonato em um canto.

— Você é muito incrível, não é? — eu disse enquanto admirava sua


prateleira de conquistas.

Ele deu de ombros, mas qualquer homem com esse tanto de prêmio
tinha que ser um lutador muito foda. Eu queria vê-lo em ação, todos os
músculos vigorosos e movimentos graciosos. Imaginei-o na minha
cabeça. Ele era, provavelmente, tão gracioso quanto aquela cama
enorme. Por que alguém precisa de uma cama tão grande? Quantas
pessoas ele coloca nela?

Para com isso, Lexi. Quantas mulheres ele coloca na cama dele
não é problema seu.

Eu pulei de cara na cama e enterrei a cabeça nos travesseiros. A


cama era fantástica. Tinha o cheiro dele. Eu paralisei quando a mão de
Ryder tocou no meu tornozelo. Ele deslizou para baixo e tirou a minha
sandália preta. Meu corpo aqueceu quando ele fez o mesmo com a outra.

— Você quer tirar o vestido?

Isso aí!

Minha cabeça se levantou, e eu virei para olhar para ele. — Nós


vamos transar? — eu perguntei ao me ajoelhar e comecei a puxar meu
vestido pelas minhas coxas.

Ele sorriu e balançou a cabeça. Ele andou até o armário, abriu a


porta e me deu uma camiseta que estava em uma pilha de roupas
dobradas perfeitamente e jogou para mim.
— Coloque isso. Eu já volto.

Ele estava realmente matando a imagem de bad boy com aquele


apartamento extremamente imaculado, armário bem organizado, e,
depois dispensando os meus avanços bêbados. Eu tirei o vestido e
coloquei a camiseta. Ficou enorme em mim, mas bem mais confortável do
que dormir de vestido.

Quando ele voltou, eu estava cochilando. Ele bateu no meu ombro e


me entregou uma garrafa de água e dois comprimidos.

— Tome. Vai ajudar com a ressaca de manhã. — eu tentei alcançá-


los, mas meu estômago revirou. Saltei da cama e corri para o banheiro. Eu
vomitei tudo o que eu tinha consumido, e mais algumas coisas. Enquanto
eu fazia amizade com o vaso, as mãos de Ryder puxavam gentilmente meu
cabelo para trás. Eu estava bêbada demais para ficar constrangida. Eu me
odiaria de manhã por deixar que ele me visse assim.

— Você está bem? — ele perguntou depois de vários minutos de


silêncio em que eu pairei sobre o vaso sanitário. Eu estava exausta demais
para levantar a cabeça. Provavelmente dava a impressão que eu tinha
desmaiado lá dentro.

— Eu estou bem. — eu murmurei e forcei-me a levantar com a ajuda


de Ryder. Se eu estivesse sozinha, eu teria dormido no chão do
banheiro. Lavei a boca na pia, então voltei para o quarto, peguei os
comprimidos, e joguei-os na boca. Peguei a garrafa de água e os engoli.

— Eu vou ficar no sofá, para o caso de você precisar de mim.

— O quê? Por quê? Há muito espaço para você dormir aqui. Quatro
pessoas poderiam dormir aqui e não se tocarem.

Ele olhou para mim como se fosse discutir, mas eu dei-lhe um olhar
incrédulo e ele suspirou em resignação. Rapidamente tirou a camisa e o
meu fôlego. Seu corpo era uma obra de arte. Tatuagens intrincadas
cobriam do seu pulso, ao ombro. No outro lado, a tatuagem não ocupava
todo o braço, parava sobre seu bíceps. Ele também tinha uma pequena
tatuagem no abdômen inferior que estava quase toda coberta pelo
jeans. Porém, mais bonito do que as tatuagens era o seu corpo. Cada
músculo era definido de forma proeminente debaixo das tatuagens, bem
delineados sob sua pele lisa.

Ele afrouxou o cinto, abriu a calça, e a abaixou. Suas coxas eram


grossas e fortes, com um pouquinho de cabelo escuro. Sua cueca boxer
abraçava seu corpo, e o vulto grosso entre as pernas formou uma piscina
entre as minhas.

Quanto ele vai tirar?

Infelizmente, ele parou por aí.

Ele se acomodou na extremidade da cama, mas isso não fez


diferença. Meu corpo estava tão alerta que ele podia muito bem estar em
cima de mim.
Capítulo Nove
Ryder

Alexis Cole...

Esse nome me assombrava há anos. Eu a observei enquanto ela


dormia, esparramada em minha cama, e sabia que tinha acabado de
arrumar uma porrada de problemas. O que eu sentia por ela era desejo,
mas junto com algo tão intenso que eu quase tinha medo de avançar em
qualquer coisa física com ela. Eu tinha certeza que ia transar com
ela. Porém, sabia que não deveria.

Já fiz isso antes, e não terminou bem. Eu não era bom em


relacionamentos. Eu não me permitia chegar ao ponto onde uma mulher
podia fazer meu mundo desmoronar. Não importava o quão sexy ela fosse
e não importava o quanto meu pau queria reivindicá-la. Ela gemeu
baixinho e abraçou mais os travesseiros. A camiseta subiu até os quadris,
mostrando a curva delicada da sua bunda. A calcinha preta minúscula que
ela estava usando mal cobria alguma coisa, e minha mão coçava para a
agarrar e rasgá-la fora.

Saltei da cama e decidi que um chuveiro era necessário, antes do


meu treino da manhã. A água fria bateu na minha pele como pingos de
gelo afiados. A tortura gelada não fez nada para esfriar o fogo aceso pela
bela criatura em minha cama.

Eu deveria ter pensado melhor antes de me aproximar de uma


mulher que me fazia sentir mais do que desejo. No momento em que ela
se aproximou de mim no bar, eu sabia que estava em apuros. A maneira
como ela empurrou suas curvas suaves contra mim na pista de dança me
fez delirar, como se tivesse tomado mais de dois drinques. Seus
movimentos eram inebriantes, seu toque poderosamente
estimulante. Dormir na mesma cama foi um grande erro.

Eu mudei para água quente porque a água fria estava deixando tudo
paralisado, exceto o meu pau duro. Enrolei minha mão no meu pau
quando a água começou a aquecer meu sangue. Imagens da minha Alexis
espalhada, aberta em minha cama, gemendo enquanto eu enfiava em seu
calor macio, úmido, me fez gozar rápido. Eu acariciei meu pau até
descarregar uma pequena fração da dor que ela estava causando.

Alguns minutos depois, enrolei uma toalha na cintura, entrei


calmamente no quarto, e coloquei uma calça de ginástica e uma
camiseta. Eu deixei Alexis dormindo na minha cama, meu pau calmo o
suficiente para me aventurar até a academia, mas meu corpo ainda estava
altamente consciente de que obteve o que realmente queria.

Duas horas mais tarde, depois de 13 km, duas rodadas no saco de


velocidade, e uma centena de flexões, Ty estava lutando para segurar o
saco de pancadas pesado enquanto eu batia nele. Eu estava tentando
liberar toda a minha frustração reprimida, mas foi em vão.

— O que diabos está acontecendo com você hoje? E onde você foi na
noite passada?

— Eu tive que cuidar de alguém. — eu dei alguns socos rápidos e


mudei para chutes poderosos.

— Isso é algum tipo de código para transar?

— Não. Isso significa que eu tive que arrastar uma Alexis bêbada
para fora do clube e deixá-la dormir no andar de cima.

— Alexis? A enteada de David, a Alexis?

— Sim. — respondi ofegante, mas não estava pronto para


interromper o treino.
— Eu pensei que você tivesse se recusado a cuidar dela.

— Eu recusei, mas depois de ontem à noite, talvez ela realmente


precise de alguém para cuidar dela. — se ela tivesse se oferecido para
qualquer outro homem do jeito que fez para mim, eu tinha certeza de que
ele não se importaria com a quantidade de bebida que ela ingeriu. O que
foi mais assustador era o quanto eu queria protegê-la de qualquer coisa
que pudesse acontecer.

— Ela vai foder sua cabeça e a luta está chegando. — disse Ty


calmamente. Ele estava lá quando eu me retirei do campeonato por causa
do ombro, e ele ficou devastado. Todo o trabalho que fizemos naquele ano
foi para a merda, quando eu saltei o muro para salvar Alexis.

— Ela não vai atrapalhar a luta. — eu bufei, socando tanto o saco


que Ty foi empurrado para trás.

No entanto, eu não tinha tanta certeza sobre David fodendo a


minha cabeça. David sempre dava um jeito de conseguir o que queria, e
eu era impressionado com isso, até eu e a minha mãe nos tornamos
vítimas dele. Desta vez, ele estava jogando Alexis para cima de mim,
voltando para minha vida, e isso poderia virar meu mundo de cabeça para
baixo.
Capítulo Dez
Alexis

Eu tentei fazer uma fuga rápida do apartamento de Ryder sem ser


notada, mas esqueci que a tela de vidro do corredor me deixava visível
para toda a academia. Não havia muitas pessoas, mas meus olhos foram
imediatamente atraídos para os de Ryder de qualquer maneira, então o
lugar podia muito bem estar vazio. As flexões de seus músculos, seus
socos precisos e sua excelente forma me paralisaram.

Eu fiquei boquiaberta em um transe desamparado. Eu não


conseguia colocar meus pés em movimento em direção à saída. Seu cabelo
escuro estava encharcado de suor. Seus músculos definidos e tensos
conforme ele batia com o punho em um enorme saco uma e outra vez.

Como é que ele consegue ficar ainda mais atraente batendo


violentamente em um saco e suando em bicas?

Ele tinha barba por fazer escura, que mal cobria o queixo forte. Sua
pele bronzeada parecia tão suave. Eu queria correr minhas mãos sobre o
vale definido de seu abdômen e sentir o calor de sua pele sob a minha
língua. Ele era a receita perfeita para o desastre, e eu estava ansiando para
ser destruída.

Seus músculos eram fortemente definidos por toda parte, e eu me


perguntava como eles eram embaixo daquele short. Como se atraído pelo
meu olhar, ele parou de bater no saco e virou a cabeça para mim.

Uma onda de calor selvagem fluiu pelo meu corpo enquanto ele
sorria para mim. Oh, merda. Ele sabia que eu estava admirando-o. Não.
Eu estava praticamente fodendo ele com os olhos.
Ele balançou a cabeça em direção à porta, mandando-me entrar na
academia. Droga. Desejei que não tivesse deixado meus hormônios me
governarem e feito uma fuga rápida como tinha planejado. Eu passei
muito mais tempo cheirando seu travesseiro do que uma pessoa sã,
imaginando como seria acordar ao lado dele. Senti o desaparecimento do
meu senso comum quando me aproximei da porta e encontrei com ele no
meio da sala. Ele tinha esse tipo de efeito sobre os meus sentidos.

Ele parou na minha frente, me encurralando com seu grande


corpo. Eu senti a energia que irradiava da sua pele, ou talvez fosse toda a
testosterona no cômodo que me deixava atordoada. Tinha que ser algo
mais do que seu sorriso arrogante e olhos azul-bebê brilhantes.

Ele mordeu o lábio inferior, seus olhos viajando por cima do meu
vestido, fazendo-me sentir nua. Meus mamilos enrijeceram quando ele os
acariciou com mais do que um olhar faminto.

— Onde você está indo?

— Casa. — eu resmunguei. Droga, ele estava afetando minhas


habilidades vocais também.

— Como você planeja chegar lá? Você não trouxe seu carro.

Eu dei de ombros. Eu não tinha pensado muito à frente, mas eu


imaginei que poderia chamar um táxi quando chegasse lá fora.

— Você não quer andar por este bairro nesse pequeno vestido de
festa. — seus olhos correram para a barra do meu vestido, e ele balançou a
cabeça como se estivesse no comando de onde eu ia e do que era aceitável
para eu vestir.

— Estou quase terminando aqui. Então, podemos ir comer alguma


coisa. — Ele agarrou minha mão e, apesar da mão estar enfaixada, uma
energia passou entre nós. Seu olhar saltou para o meu, e eu sabia que ele
tinha sentido também. Ele acariciou a palma da minha mão com o polegar
e sorriu, puxando-me do outro lado da academia em direção ao homem
com quem ele estava treinando.

— Este é Tyler Bradshaw, o Terceiro. — disse Ryder ao pararmos na


frente dele.

O homem lhe deu um olhar irritado antes de dizer: — Chame-me de


Ty.

Ele era alto e tinha o corpo de um fisiculturista, a camiseta esticada


em seu peito como uma segunda pele. Seus olhos castanhos eram bem
mais bonitos do que os meus, talvez por causa do contraste entre eles e
sua pele cor de caramelo. Ele estendeu a mão, e eu a aceitei.

— Alexis.

— Você é a razão pela qual Ryder está tão perturbado hoje. — ele riu
e Ryder olhou para ele.

Ele está perturbado? Bom, porque eu me sentia toda torcida por


dentro. Eu ansiava por estender a mão e tocá-lo, saboreá-lo.

— Vamos. — Ryder me afastou de Ty antes que ele revelasse mais


informações, das quais eu adoraria saber. Nós passamos por um conjunto
de portas duplas no outro lado da academia. Estas portas eram de aço, e
havia um longo corredor atrás delas com um número de portas ao longo
dele. O corredor estava úmido por causa do vapor que escapava de uma
das portas que eu supus que eram os chuveiros.

No final do corredor, Ryder abriu uma porta para um pequeno


escritório e praticamente me empurrou para dentro. — Fique aqui
enquanto eu tomo um banho.

— Por que eu tenho que ficar aqui? Não posso esperar na academia?
— eu não gostava muito de salas pequenas, mal iluminadas. Eu preferiria
assistir aos homens se exercitando. E se Ryder não estivesse lá fora, eu
não precisava me preocupar em parecer uma idiota babona.

— Não. — disse ele sem nenhuma explicação, em seguida, virou-se


se dirigindo de volta pelo corredor em direção aos chuveiros.

Olhei ao redor da sala e decidi que não era o escritório de


Ryder. Havia uma pequena mesa velha, com pilhas de papéis por todo o
lado. O tapete era marrom e parecia ser algo dos anos setenta.

Uma dúzia de molduras estava pendurada na parede, e a TV tinha


que ser uma antiga em preto e branco. Para uma academia que tinha os
equipamentos mais modernos possíveis, isso simplesmente não
encaixava. Parecia que eu tinha entrado em um túnel do tempo.

Eu andei até as fotos na parede e rapidamente avistei um jovem


Ryder entre eles. Mesmo quando adolescente, ele tinha um fogo feroz em
seus olhos quando foi fotografado, com um prêmio que ganhou. Próximo
a esse quadro havia uma foto de um Ryder ainda mais jovem e David.

A foto era fantástica, feita exatamente no momento certo. Ryder


estava dando um soco, que provavelmente nocauteou seu oponente, e
David estava parado perto do ringue, aplaudindo-o. Apesar do que
pensava Ryder, David o amava, e minha mãe moveria a Terra para
arrumar o relacionamento deles.

Fui até a mesa e decidi arrumar alguma coisa naquela


confusão. Antes que percebesse, tinha organizado todas as faturas e
pastas em pilhas pequenas separadas.

Ryder entrou de novo na sala. Seu peito estava nu, e ele usava um
short escuro. Seu cabelo molhado gotejava sobre seus ombros, e vi
quando uma gota de água escorreu pelo seu peito e sobre o seu
mamilo. Porra, eu estava com ciúmes da água tocando sua pele. Ele vestiu
a camiseta e estreitou os olhos enquanto olhava ao redor da sala.
— Ficou entediada? — ele perguntou, erguendo a sobrancelha.

—Não, mas pelo que vi do seu apartamento, achei que o seu TOC
atingia o máximo por aqui.

Ele riu secamente enquanto caminhava mais para dentro do


escritório e sentou-se na borda da mesa. — Eu não tenho TOC, mas meu
tio, definitivamente, precisava de alguma ajuda com a organização.

— Bem, de nada.

Ele me olhou pensativo. — Você tem emprego?

— Por quê?

— Passo a maior parte do meu tempo treinando ou em


campeonatos na estrada. Alguém pode ser útil para manter este escritório
em ordem. Pagar as contas e coisas assim.

— Eu não sei. — ficar perto de Ryder por um curto período de


tempo já estava me deixando tonta. Vê-lo em uma base diária destruiria o
pequeno controle com o qual estava lutando.

— Por que não? — ele saiu da mesa, deu a volta e ficou ao meu lado.

— Eu só não acho que é uma boa ideia.

Ele se aproximou e sorriu. — Será que tem algo a ver com você estar
atraída por mim?

— Eu não estou atraída por você. — retruquei. Minha irritação e


comportamento nervoso só provaram que ele estava certo.

Ele jogou o braço em volta do meu ombro. Fui imediatamente


envolvida pelo seu cheiro. Eu não sabia se era apenas sabão ou algo mais,
mas ele cheirava incrivelmente. Involuntariamente, eu me inclinei para
mais perto. — É uma pena, porque eu me sinto atraído por você. — ele
enterrou o nariz no meu cabelo e disse: — Vamos comer.
Meu coração acelerou. Demorou dez anos, mas finalmente consegui
que Ryder admitisse que era atraído por mim.
Capítulo Onze
Ryder

Nós fomos para o café que ficava a uma quadra da academia. Eu


vinha aqui desde os meus oito anos, o que deveria ter me feito questionar
a razão de trazer Alexis aqui. Denise, a proprietária, considerava-se
família e, como tal, me envergonhava com velhas histórias, ou ficava
superprotetora quando ela não gostava de uma mulher que eu trazia.
Normalmente, eu não me importava se ela gostava das mulheres, porque
elas não ficavam muito tempo por perto. Mas eu realmente não queria
que ela afugentasse Alexis antes que eu tivesse a chance de descobrir o
que ia fazer com ela.

— Onde você encontrou essa? — Denise olhou para Alexis com


desaprovação.

— Seja legal, Denise. Ela é enteada de David.

— Oh... Oh, eu entendo. Você faria qualquer coisa para afastar


David da academia.

Eu não tinha certeza do que ela achava que estava acontecendo


entre Alexis e eu, e eu ainda não tinha ideia, então queria que ela me
desse uma pista. Talvez ela pensasse que eu estava usando Alexis para
conseguir a academia, mas na verdade, David estava usando-a para me
levar de volta para a sua vida.

— Você está pronta para pedir? — ela perguntou, olhando


desconfiada para Alexis. Denise também era uma amiga próxima da
minha mãe, e ela estava fazendo de Alexis a inimiga. Ela era a filha da
mulher que destruiu o casamento da sua amiga. Elas ficaram putas ao
descobrirem que eu quase morri tirando-a do mar. Elas não queriam que
ela morresse, mas ficaram mais irritadas por eu ter me colocado em risco.

— Dê-nos um minuto, por favor.

— Tudo bem. — ela olhou para Alexis uma última vez antes de
deixar-nos em paz.

— Deve parecer que eu passei a noite na sua cama, porque ela está
olhando para mim como se eu fosse sua vagabunda mais recente.

— Você passou a noite na minha cama.

— Você sabe o que quero dizer. — ela olhou para mim. Eu sorri para
ela, e formou-se um sorriso na sua boca lentamente. — Nada aconteceu, e
ela provavelmente acha que nós tivemos um caso de uma noite.

—Não se preocupe com a Denise. Ela pensa que é minha mãe. Você
devia experimentar o hambúrguer.

Ela olhou para o cardápio, mas não antes de me dar um olhar para
que eu soubesse que ela estava ciente de que eu mudei de assunto.

— Eu realmente não estou com fome. — ela olhou de volta para


mim.

— Você precisa comer alguma coisa.

— Você vai me levar para casa depois que eu comer?

— Claro. Você pode pegar algumas das suas coisas e voltar para a
minha casa.

— Por que eu faria isso? — ela estreitou os olhos e um vislumbre da


faísca de raiva da noite anterior voltou.

— Porque seus pais acham que você precisa ser cuidada, e eu acho
que eles podem estar certos.
— Eu pensei que nós já tivéssemos decidido que eu não preciso de
você como babá.

— Depois do jeito que você ficou bêbada ontem à noite, eu acho que
precisa. Além disso, deve ser muito solitário naquela casa grande.

Ela me olhou, tentando formular seu próximo argumento, mas


depois, ela suspirou e desviou o olhar. Ela tinha desistido. Ela ia se
hospedar comigo esta noite, e talvez muito mais noites. Denise voltou, e
eu pedi para nós dois.

— Por que você pediu para mim? — Alexis fez uma careta.

— O quê?

— Você não pode simplesmente presumir o que eu quero. Você não


me conhece mais.

— Você ama hambúrgueres.

— Não mais. — ela cruzou os braços sobre o peito. Apertei os olhos e


apoiei os cotovelos sobre a mesa.

— Você é a mesma garota que costumava fazer sua mãe levá-la a


uma hamburgueria diferente toda sexta-feira, porque você ―só tinha que
experimentar todos os hambúrgueres do mundo?‖ — eu zombei do seu
tom.

Ela não gostou. Sua careta aumentou. — Eu cresci.

— Você cresceu. — eu concordei, recostando-me na cabine, então


deixei meu olhar viajar para o corte V profundo de seu vestido e admirar a
curva suave dos seus seios.

— E o meu carro? — ela cruzou os braços sobre o peito para tirar


minha atenção deles.
— Nós vamos buscá-lo no caminho de volta da sua casa, e você pode
estacioná-lo na garagem. — ela tinha deixado o carro no clube, e eu
imaginei que teríamos que fazer uma parada e buscá-lo.

Nossa comida chegou rapidamente. Ela olhou para o seu


hambúrguer e para a montanha de batatas fritas e depois olhou para o
meu frango grelhado no pão de trigo e franziu a testa para mim.

— Você me convenceu a pedir o alimento mais gordo no cardápio e,


então pediu isso? — ela apontou para o meu prato como se eu estivesse
conspirando contra ela.

— Eu tenho uma luta em duas semanas. Dieta rigorosa. — eu dei de


ombros e mordi o meu sanduíche.

— Você luta há muito tempo. — não era uma pergunta. Ela sabia
que eu vinha lutando desde antes de nos conhecermos. Ela pegou uma
batata frita, mergulhou-a na poça de ketchup que tinha feito, e, em
seguida, mordeu-a.

— Parece minha vida inteira. Meu pai, quero dizer David começou a
me levar para a academia quando eu tinha cinco anos. Lutar sempre foi a
minha vida.

— Então você come, dorme, e respira a vida de lutador. E ainda


mora no andar de cima da academia.

— Morar na academia não era algo para ser de longo prazo. Quando
treinei para o meu primeiro campeonato, eu, praticamente, morava
lá. Perguntei ao tio Drew se poderia ficar no estúdio sobre a academia, e
ele achou que era uma boa ideia. Isso me mantinha dedicado ao treino e a
cabeça na próxima luta.

— É um lugar agradável. Tenho certeza de que não foi difícil para


você.
Eu ri quando me lembrei de como era o lugar. — Confie em mim,
logo que me mudei era uma antiga dispensa extremamente fria. Eu a
converti alguns anos atrás para o que você vê agora. Além disso, morar
sobre a academia me permitiu passar mais tempo com o Drew antes dele
morrer.

Ela levantou o olhar do prato e me olhou com simpatia. — Sinto


muito sobre Drew. Eu o encontrei algumas vezes, e ele era um cara muito
legal. — ela sorriu, talvez lembrando de algo. — Engraçado, também.

— Você conheceu o Drew? — eu me inclinei com os cotovelos sobre


a mesa. Eu estava muito interessado em saber quando e como ela
conheceu meu tio.

— Sim, ele foi ver o David algumas vezes, e minha mãe convencia-o
a ficar para o jantar.

— Sério? — fiquei surpreso por Drew esconder essas visitas de


mim. Quando o meu ódio por David se manifestou, Drew nunca tentou
defender o irmão. Até onde eu sabia, David tinha sido cortado da família.

Alexis continuou a comer e não fez mais perguntas. Eu fiquei feliz


porque estava muito ocupado tentando descobrir porque Drew escondeu
as visitas e que David era proprietário de parte da academia.

— Gostou do hambúrguer? — eu coloquei uma nota de cinquenta


dólares sobre a mesa antes de sairmos.

Ela sorriu timidamente. — Eu quase me esqueci do quanto os


amava.

— Bem, é para isso que estou aqui. — eu joguei meu braço por cima
do ombro dela enquanto caminhávamos de volta para a minha casa.

— Para quê? — ela inclinou a cabeça para olhar para mim.

— Para lembrá-la de tudo o que você costumava amar.


Ela tentou esconder o sorriso, mas eu vi em seus olhos quando
entramos na academia. Na garagem, ela fez uma pausa antes de entrar no
carro, estudando-o com um olhar curioso. Ela olhou para mim por cima
do teto e perguntou: — É o mesmo carro de quando você tinha dezessete
anos?

Eu sorri e balancei a cabeça. Ela olhou de volta para o carro e


estreitou os olhos. — Eu me lembro dele ser muito mais detonado do que
isso.

— Ei, ela nunca foi detonada. É uma Camaro 69. Só precisava de


alguém para amá-la e deixá-la bonita.

Ela me deu um olhar cômico e riu. — Era um pedaço de merda que


era muito precioso para eu andar.

— Oh, entendi. Você ainda tem raiva por eu não tê-la deixado dar
uma volta.

Ela balançou a cabeça, revirou os olhos e abriu a porta. Ela entrou e


eu segui, fechamos as portas ao mesmo tempo. Olhei para ela, e ela olhava
para frente, os braços cruzados sobre o peito. — Parece que vou conseguir
dar uma volta, afinal.

— Lexi, isso foi há oito anos. Você tinha quinze anos e não tinha
nada a ver com os lugares que eu ia.

Ela se virou e olhou para mim, incrédula. — Você deixava o Alec ir


com você, e nós éramos da mesma idade.

Virei a chave na ignição, apertei o botão para a portão da garagem,


e comecei a dar ré. —Você é uma menina - Alec era um menino.

Eu olhei para ela quando engatei o carro. Seus olhos se estreitaram,


os dedos tocando furiosamente os braços. Ela estava ficando irritada
comigo. — Dois pesos e duas medidas?
— Não, não era assim, porque havia várias garotas, mas você era
diferente.

— O que diabos isso significa? — ela estava beirando o ódio agora, e


eu não estava no clima para discutir com ela.

O que eu quis dizer foi que ela era muito sexy e ainda ingênua. Ela
não tinha ideia de como me virava do avesso. Eu não ia passar as noites
brigando com os caras, porque ela tinha o mesmo efeito sobre eles. Alec e
eu nos tornamos irmãos, nós saíamos muito, mas eu nunca vi Lexi como
amiga ou irmã. Ela era uma ameaça desde o primeiro dia, e eu a mantinha
à distância, empurrando-a para longe.

Ela percebeu que eu não ia responder a sua pergunta, então ela


bufou e se virou. Ela ficou em silêncio no carro por um tempo antes de
falar novamente. — Não foi o David que te deu este carro?

E agora... Ela queria me irritar.

Eu dei-lhe uma olhada de lado, passei o dedo sobre o lábio em


agitação, e me voltei para a estrada.

Eu a vi virar na minha direção pela visão periférica, mas continuei a


ignorá-la. — Huh? Acho que é uma coincidência que o seu bem mais
precioso foi dado de presente por...

— Lexi. — falei nervoso, interrompendo-a. — Você não quer levar


isso mais longe. — eu virei meu olhar irritado para ela, e ela hesitou por
alguns segundos, mas finalmente cedeu, então eu voltei para a estrada.

O carro era do meu avô antes de ter sido do David. Eu o amava


desde que eu tinha uns oito anos. David realmente me deu, mas eu não
precisava que Lexi tentasse desenterrar algum significado mais profundo
do fato que eu adorava esse carro. Eu coloquei um monte de trabalho
nele, mudei-o, e tornou-se meu. Eu nem via mais o David quando olhava
para este carro, mas Lexi estava tentando jogá-lo dentro da equação.
Nós dirigimos o resto do caminho em silêncio. Eu não diria que o
bairro que eu morava era decadente, mas a diferença ficava evidente,
quando o deixávamos para trás e chegávamos à comunidade da praia do
Norte da Califórnia, onde Alexis morava.

A viagem de carro levou trinta minutos. Estacionei na grande


entrada da moderna mansão confortável. Era a segunda vez esta semana
que eu vinha na casa que eu prometi ficar longe anos atrás.

— Dê-me cinco minutos. — ela saltou do carro e correu até a


pequena escada. Fiquei feliz por ela não me convidar para entrar porque
eu não queria voltar lá.

Olhei de volta para a casa e fiz uma careta com a memória que ela
despertou. De início, o lugar era como uma segunda casa para mim. Eu
não entendia naquela época qual era a relação de David com a bonita
viúva ruiva. Ele explicou que eram velhos amigos de faculdade, e eu
acreditei. Isso durou dois anos, quando eu descobri a verdade.

Tinha sido difícil. Eu passei dois anos saindo com Alec e Alexis, e
então tive que cortá-los. O dia que eu encontrei David e Vanessa juntos
intimamente, horas depois que ele deixou a cama da minha mãe, foi
chocante. Na viagem de volta para casa, eu lhe disse que ele precisava
contar para a mamãe, ou eu contaria. Aos dezessete anos, eu sabia como a
coisa toda era fodida, mas eu não estava preparado para David nos deixar.

As primeiras semanas depois que David deixou minha mãe foram


horríveis. Mamãe se recusava a aceitar qualquer coisa de David, e mesmo
que ela tivesse uma boa condição financeira como enfermeira, não
podíamos nos dar ao luxo de manter o mesmo estilo de vida. Nós
mudamos do nosso bangalô para um pequeno apartamento. Ela achava
que a mudança limparia a memória de David de nossas vidas, mas era
mais fácil dizer do que fazer. Ela me fez prometer ficar longe dos Coles, e
eu fiz isso.
Havia noites que ela ficava deprimida. Na parte da manhã, ela
tentava encobrir com maquiagem os olhos inchados de uma noite de
choro. Uma noite, cinco semanas depois que David saiu, eu a encontrei
encolhida no chão do banheiro, chorando. Ela me deixou consolá-la por
alguns minutos, mas então ficou realmente irritada. Talvez ela estivesse
com raiva porque eu a tinha visto no seu ponto mais baixo. Ela decidiu
que queria confrontar o David. Ela tentou me convencer a ficar, mas era
impossível deixá-la sair sozinha quando ela estava tão perturbada.

Naquela noite, eu esperei na parte inferior das escadas dessa casa


quando a mamãe tocou a campainha, batendo o pé, impaciente. Quando
David abriu a porta, vi o pânico em seus olhos mesmo de onde eu
estava. Ele deu um passo para fora da casa, fechando a porta
silenciosamente atrás de si. Ele estava tentando manter sua nova vida
separada da antiga fechando essa barreira de madeira.

— O que você está fazendo aqui, Julia? — sua voz era um sussurro
suave, para não alertar a nossa presença a qualquer pessoa do outro
lado. Ele estava nos tratando como se estivéssemos sendo ultrajantes e
tivéssemos ultrapassado uma linha, quando ele era que tinha nos
traído. Ele me irritava como parecia que tinha vergonha de nós. O
mesmo homem que tomou conta de mim quando eu estava doente, me
ensinou a dar o meu primeiro soco. Ele torcia por mim, de pé, ao lado do
ringue como se tivesse tudo o que precisava na vida. Parecia que aquele
homem era uma mentira. Ele me trouxe a esta casa muitas vezes sob
falsos pretextos, e eu nunca enxerguei através do seu disfarce.

— Eu quero falar com ela. — minha mãe falou fervendo de ódio.

— Não, não, não. — David agarrou o braço da mamãe e desceu a


escada com ela. Ele parou na minha frente e tentou entregá-la, como se
ela nunca tivesse significado nada para ele. — Leve a sua mãe para casa,
Ry.
Ele olhou nos meus olhos, e eu vi. Era puro pânico lá. Ele faria
qualquer coisa para se livrar de nós e não perturbar a sua nova família.

— Por favor, Ry. Este não é um bom momento. Leve-a para casa.

— Foda-se. — as palavras saíram irregulares entre os dentes


cerrados. Eu me segurei o máximo para não dar um soco e derrubá-
lo. Mesmo aos dezessete anos, eu sabia que poderia fazer isso com ele,
mas não consegui derrubar o homem que já tinha sido a pessoa mais
importante na minha vida. Eu não quebrei o contato visual, de modo que
notei quando ele vacilou, como se as minhas palavras o queimassem.

— Ryder. — ele começou, mas eu nunca deixei-o terminar e


inventar mais desculpas.

— Não. Foda-se você e sua nova família. Você acha que pode
simplesmente subir essa colina chique e esquecer as pessoas que você
deixou para trás. Você nunca foi o homem que eu pensei que você era.

Eu peguei a mão da mamãe e puxei-a de volta para o carro,


apesar da gritaria para Vanessa sair. Eu coloquei a mamãe no lado do
passageiro e peguei as chaves.

David observou-nos com as mãos nos bolsos e um olhar triste no


rosto. Quando dei a volta na entrada de automóveis circular, eu vi
Vanessa sair pela porta. Ela colocou a mão no braço de David, e ele
olhou por cima do ombro para ela. Logo antes de sair da garagem, eu os
vi no espelho retrovisor. Ela o puxou para um abraço, tentando aliviá-lo
da dor que aparentemente causamos.

A porta de trás do carro se abriu, me tirando deste momento


antigo. Alexis jogou uma mochila chique no banco de trás, e depois se
juntou a mim na frente. Ela colocou jeans apertado e uma camiseta
grande, que ainda assim conseguia acentuar suas curvas. Seu cabelo
estava puxado para cima em um rabo de cavalo apertado, e ela aplicou
algo nos lábios que os faziam parecer carnudos e cor-de-rosa. Eu queria
agarrá-la pela nuca e pressionar aqueles lábios nos meus.

Ela virou a cabeça para mim e sorriu, como se soubesse o que eu


estava pensando. Eu realmente não dava a mínima se ela sabia ou não,
contanto que sua mente estivesse no mesmo caminho.

— Você vai ficar sentado aí me olhando o dia todo?

Olhei para ela um pouco mais, e ela revirou os olhos e colocou


óculos de sol. Virei o carro e saí da garagem.
Capítulo Doze
Alexis

Ryder entrou no estacionamento do bar.

— Puta merda. — eu sussurrei quando meu coração apertou. Meu


carro era o único deixado lá. Bem... O que restava dele.

Havia vidro em todos os lugares. Quem quer que tenha feito isso
sequer deixou uma janela inteira ou espelho. Tinta spray vermelha
manchava o verniz pérola impecável do meu pequeno Audi R8 esportivo.
Minha mãe me deu de presente no meu vigésimo primeiro aniversário
quando a herança do meu pai tornou-se minha, mas ainda insistiu para
que eu a deixasse gerenciá-la. O carro valia mais do que as casas de
algumas pessoas, e eu quase morri com a visão de seus ferimentos.

Eu era tão idiota. Quem deixava um carro de luxo passar a noite no


estacionamento de um bar? Por mais que o bar fosse de alto padrão e não
muito longe do meu condomínio fechado, ainda assim, eu estava me
sentindo muito idiota no momento. Para não falar de coração partido.

— Quem faria isso? — a pergunta era mais um pensamento interior


franco, mas Ryder entrou na conversa de qualquer maneira.

— Talvez tenha sido aquele imbecil que ficou na minha cara na


noite passada.

— Logan? — eu olhei para o carro e de volta para o Ryder. — Não,


Logan não faria isso. Ele sabe o quanto eu amo esse carro. Ele não me
machucaria desse jeito.
Ele deu de ombros, como se não acreditasse em mim, mas eu tinha
certeza. Logan não faria isso.

— Nós temos que chamar a polícia. — disse ele, finalmente abrindo


a porta e saindo. Segui-o, mas fiquei mais deprimida à medida que me
aproximava do carro. Seria um longo dia.

***

Após o incidente com o carro, apresentação de um relatório para a


polícia, e uma viagem a garagem para ver o que eles poderiam fazer ao
meu carro, eu estava exausta. Apesar de estar esgotada, eu não conseguia
dormir. Ryder concordou que não havia razão para não dormirmos na
mesma cama, mas eu teria que me comportar. Exatamente como quando
éramos crianças, Ryder estava sempre interessado em todas as meninas,
exceto eu. Quando ele tirou a camisa, me seduzindo com todos os seus
músculos tatuados, eu fiquei descaradamente tentada a quebrar minha
promessa e fazê-lo me desejar.

Tentar dormir ao lado dele aumentou minha excitação e conseguiu


evocar um sonho realmente quente induzido por Ryder. No sonho, eu
estava explorando sua ereção impressionante. Eu o acariciava enquanto
ele gemia e pedia mais. Eu acordei e percebi que minha mão estava
inadequadamente perto daquela parte dele. Ele estava usando uma boxer
cinza, mas sua forma estava perfeitamente delineada no tecido
pegajoso. A palma da minha mão estava acomodada na sua coxa, os dedos
roçando o comprimento de aço dele. Olhei para ele e agradeci a Deus que
ele ainda estivesse dormindo.

Uma vez que eu já estava praticamente apalpando-o, simplesmente


joguei o decoro ao vento. Quer dizer, eu tinha esperado dez anos para
tocá-lo intimamente. Eu não podia me parar nem se eu quisesse. Eu
poderia nunca ter outra chance de tocá-lo desta forma. Eu movi meus
dedos sobre o tecido de algodão da sua boxer. Sua ereção matutina estava
dura e quente sob meus dedos. Ele se contorceu quando eu deslizei os
dedos cuidadosamente para baixo e sobre a ponta enorme. Minha
temperatura estava se elevando, minha respiração irregular. Eu estava
quase salivando na hora que passei o polegar sobre a cabeça.

Espera.

Oh meu Deus.

Meu polegar roçou as duas peças pequenas e redondas que


sobressaíam da cabeça. Passei a mão de novo para ter certeza que eu não
estava em algum tipo de fantasia, mas só confirmei.

Ele tem um piercing.

Eu circulei a barra inconfundível através da ponta dura, então olhei


de volta para ele. Dessa vez, ele estava olhando direto nos meus olhos com
um olhar preguiçoso e faminto.

— O que é isso? — eu perguntei estupidamente. Como se molestá-lo


enquanto ele dormia não fosse grande coisa.

— Se você não sabe o que é, então você não devia estar com a mão
enrolada nele.

— Não isso. É um piercing? — eu sussurrei como se fosse um


grande segredo.

Ele riu de mim, uma risada profunda e sexy.

— Por que você faria isso?

— Se você conseguir o que quer, você vai descobrir.

— O que eu quero?
— Você sempre teve uma maneira de conseguir o que quer. Pelos
olhares que você me deu ontem, você me quer. Mas não é uma boa ideia,
Lexi.

— Eu não estava te dando olhares, e eu não quero você.

— É? — ele levantou uma sobrancelha e olhou para a minha mão. —


Então, por que a sua mão ainda está no meu pau?

Eu puxei a mão, mas continuei a olhar para ele. Eu tinha ouvido


falar de caras com piercings, mas nunca imaginei que veria um.

— Como você luta com... Aquilo?

— Eu não luto. Eu tiro esse e coloco um menor. — ele se mexeu


desconfortavelmente e levantou uma sobrancelha quando percebeu o meu
olhar ainda fixo naquela parte dele.

— Posso ver? Quero dizer... Eu só quero...

— Foda-se, não! — ele puxou o cós da cueca e disse: — Essa é a


única barreira que tenho entre nós, e acho que deveríamos mantê-la.

— Por favor. Eu nunca vi.

— Se você nunca viu um pau, então você não quer ver este. Pode
assustá-la. — ele piscou e sorriu.

— Muito engraçado. Eu nunca vi um com piercing.

Suas mãos estavam atrás da cabeça, as pernas cruzadas. Ele estava


esparramado, incrivelmente sexy e sorrindo para mim. — Chama-se
apadravya1. Se você procurar online verá muitos exemplos.

— Por favor... — eu fiz beicinho.

— Lá vem. Você não mudou nada, afinal.

1
Piercing que trespassa a glande.
— O quê?

— Você está fazendo beicinho para tentar conseguir algo. Se eu


deixar você ver o meu pau, você vai querer tocá-lo, e então você vai querer
colocar sua boca sobre ele, e como diabos eu deveria dizer não a isso?

— Ryder. — eu aproximei o corpo do dele, e ele ficou tenso, sem ter


mais tanta certeza.

— Nós não vamos fazer isso, Alexis.

Mergulhei minha cabeça na curva de seu pescoço e lambi a pele lisa


de lá. Ele se transformou em uma estátua. Eu achava que ele não estava
nem respirando. — Você sabe que você quer me mostrar. — sussurrei.

Ele gemeu e tremeu. Sim, estava funcionando.

Movi a mão sobre os músculos definidos do seu abdômen. Ele


agarrou meu pulso quando cheguei à beira da sua cueca com os
dedos. Nossos olhares se encontraram. Seus olhos azuis piscaram em
advertência. Eu tentei seduzi-lo com um sorriso. Eu não me lembrava de
ser tão divertido tentar ter algo com ele quando eu era mais jovem, mas
devia ter melhorado, porque o aperto de Ryder no meu pulso
afrouxou. Ele mexeu os quadris e puxou a boxer para baixo apenas o
suficiente para que seu pau saísse, duro e batendo contra seu abdômen,
com uma barra de prata brilhante atravessando a cabeça.

Ele era grosso, rígido e aveludado. Era deslumbrante.

Minha boca encheu de água com vontade de lambê-lo. Eu queria


sentir o metal frio e sua pele quente contra a minha língua ao mesmo
tempo. Ryder observava cautelosamente como um falcão que o
chamavam, pronto para atacar no meu próximo passo.

Eu sabia o que ele estava vigiando, e ele sabia que eu ia tentar,


então eu fui com tudo. Eu estendi a mão e toquei a peça de prata. Eu a
puxei suavemente e seu corpo sacudiu como se tivesse sido atingido por
um raio.

Em um piscar de olhos, eu estava de costas com Ryder inclinando-


se sobre mim, como um animal pronto para atacar. Foi-se a luz
brincalhona que estava em seus olhos minutos atrás, substituída pelo
desejo escuro.

— Você quer jogar sujo? Porque é assim que eu gosto. Você não tem
ideia do que você está pedindo. — suas mãos se moveram até a minha
lateral, puxando a camiseta para cima, até que ele segurou meus seios em
suas palmas. Ele girou e puxou as pontas endurecidas. — Você quer que
eu te foda? É isso que você quer realmente, Lexi?

Meu gemido foi sufocado quando sua boca cobriu a minha e sua
língua deslizou pelos meus lábios. O beijo foi faminto e sem restrições. Eu
entrelacei meus dedos em seu cabelo e prendi os seus lábios. Eu queria
prová-lo desde que coloquei os olhos sobre ele. Os golpes fortes da sua
língua contra a minha despertavam uma necessidade em mim que eu não
tinha sentido antes.

Ele se acomodou entre as minhas coxas, balançando sua ereção


contra a minha calcinha molhada. Ele moveu sua boca para o meu
pescoço, sua língua acariciando a pele sensível. Formigamento subiu pelo
meu corpo, e eu sabia que não levaria muito tempo para eu gozar. Ele
mudou o peso, dando-se algum espaço de manobra para passar a mão na
minha barriga e calcinha. Eu o queria como nunca quis qualquer homem.

Ele deslizou com força dois dedos na minha carne molhada, e seu
polegar acariciou delicadamente o meu clitóris. Ele girou o dedo
lentamente no lugar sensível, e eu ofeguei por ar. Seus olhos cheios de
desejo fixaram nos meus, e ele me prendeu em um olhar sensual. Sua
expressão era séria e o rosto estava tenso. Os músculos da sua mandíbula
se contraíam, e eu sabia que estava lhe custando muito para não me
devorar do jeito que ele queria.

Cada músculo do meu corpo apertava quando um dedo escorregava


para dentro de mim. Eu estava ofegante, e minhas pálpebras estavam tão
pesadas que eu queria fechá-las e desfrutar a sensação de Ryder
explorando o meu corpo, mas eu não conseguia desviar o olhar.

Ele deslizou um segundo dedo dentro de mim, e eu estendi a mão e


agarrei os seus ombros. Eu me contorcia debaixo dele à medida que ele
mexia os dedos para atingirem o meu ponto G. Minhas pernas começaram
a tremer, e meus mamilos endureceram quando cada centímetro do meu
corpo buscava o orgasmo.

Ele lambeu a concha da minha orelha e sussurrou: — Porra, eu amo


esse som que você está fazendo.

Eu nem tinha percebido que estava gemendo tanto, mas era


incontrolável. Sua boca se moveu sobre o meu corpo até que estava
chupando meu mamilo. Em um instante, tudo ficou escuro, a força do
meu orgasmo me cegou. Estremeci e gritei enquanto seus dedos
continuaram a sua tortura doce dentro do meu corpo apertado.

Quando, finalmente, ele tirou os dedos, ele me beijou suavemente e


olhou nos meus olhos. Eu não estava preparada para as emoções que eu vi
quando nossos olhares se encontraram. Eu gostaria de poder fechar os
olhos e fingir que o que acabamos de compartilhar foi puramente físico,
porque eu sabia que ele não me daria mais, apesar do que sentia. Mas, na
realidade, eu sabia que o que sentia por Ryder me faria ansiar por mais
dele.

Mais importante ainda, mais com ele.

Ele encostou a cabeça no meu ombro, ofegando suavemente. Sua


ereção pesada apoiada na minha coxa. Com um movimento suave do
quadril, ele poderia me levar, encher-me da maneira que eu precisava. E
eu deixaria. Mas, quando empurrei contra ele, ele ficou tenso. Eu acariciei
seus cabelos e beijei seu ombro, mas ele só congelou mais. Ele afastou-se
tão rapidamente, que fui surpreendida pela frieza do quarto sem a sua
presença sobre mim.

— Ryder? — ele olhou para mim, depois voltou para o banheiro.

— Eu não deveria ter feito isso. Eu tenho que ir até a academia. —


ele fechou a porta atrás dele e, segundos depois, ouvi o chuveiro ligando.

O que acabou de acontecer?

Eu estava pronta. Eu estava além de pronta. Mesmo com o grande


orgasmo que eu tive, meu corpo sabia que tinha perdido a grande
final. Eu ainda sentia a cabeça grossa do seu pênis empurrando a minha
coxa. Eu imaginava-o me esticando e fazendo-me desejar mais de tudo o
que tinha para oferecer.

Eu sabia que ele me queria. Esse não era o problema. Ryder não
parecia o tipo de homem que não tomava uma mulher quando a desejava,
por isso não conseguia entender por que ele ficou tão frio comigo.

O chuveiro desligou, e eu pulei da cama e comecei a vasculhar a


minha mochila. Eu não queria que ele pensasse que eu estava deitada na
sua cama, deprimida porque ele me rejeitou. Eu não precisava que Ryder
Hayes pisasse na minha vida e me deixasse mais fodida do que eu era
antes dele, de qualquer maneira.

Ryder saiu de toalha. Eu olhei para ele enquanto caminhava para


seu armário. Tanto esforço para não parecer necessitada. No minuto em
que ele entrou, eu observei cada movimento seu. Ele deixou a toalha cair,
e eu engasguei.

Merda, eu espero que ele não tenha ouvido isso.


Mas ele era a perfeição viril. Até a sua bunda era sexy. Ele vestiu a
cueca, em seguida, short. Ele jogou uma camiseta por cima do ombro e foi
em direção à saída sem dizer uma palavra para mim. Como se ele não
tivesse passado os últimos dez minutos me dando o melhor orgasmo que
eu já tive.

— O que eu devo fazer aqui o dia todo?

Ele parou no meio do quarto, mas não olhou para trás. — A oferta
de emprego ainda está de pé. — disse ele e saiu. Atirei-me de volta na
cama e gritei no travesseiro para aliviar minha frustração. Ryder era um
idiota, mas eu não conseguia ficar longe. Nós, mulheres heterossexuais,
sempre temos problemas para ficar longe de paus. Era uma condição
irreversível.

***

Eu tomei banho. Eu me familiarizei com a sua cozinha, preparei um


café da manhã com os últimos dois ovos da geladeira. Eu limpei a
bagunça que fiz na cozinha, arrumei a cama, e tentei assistir TV.

Eu estava além de entediada e, embora tivesse passado apenas duas


horas, eu queria ver Ryder. Eu não me importava se ele me olhasse com
raiva do outro lado da sala. Eu só queria estar onde ele estava, mesmo que
isso fosse muito patético. Fazia menos de uma semana que ele tinha
voltado para a minha vida, e eu já estava inclinada à obsessão. Parecia a
época que eu tinha treze anos. Qualquer vez que David chegava com ele,
eu ficava perto dele.

Vesti calças pretas e um top roxo e peguei o elevador para


descer. Eu entrei na academia de cabeça erguida como se eu não estivesse
tremendo de nervoso no interior. O meu olhar foi atraído para Ryder
imediatamente. Ele estava no canto esquerdo, pulando corda. Seus olhos
se estreitaram quando ele me viu atravessar a sala.

Havia dois homens treinando em um ringue no meio da grande


sala. A única outra mulher à vista era uma loira feroz que estava
levantando mais peso do que eu já tinha visto uma mulher fazer. A julgar
pela expressão brava e pelo tamanho do seu bíceps, provavelmente, ela
lutava profissionalmente.

Fui direto para as esteiras, porque corrida era praticamente o nível


dos meus exercícios de costume. Quando digitei o meu peso, altura e
outras perguntas aleatórias que a máquina estava me perguntando, um
homem aproximou-se e inclinou-se contra ela. Ele era bonito, cabelo
louro-escuro, quase na altura dos ombros. Sorriso torto sexy com um
nariz torto para combinar. Ele deve ter quebrado o nariz em algum
momento, mas não destoava da sua aparência.

— Se você vier todos os dias, eu posso começar a aparecer mais


cedo. — disse ele.

— Provavelmente, não vai me encontrar aqui cedo. Eu acordo tarde.

— Meu tipo de garota. Se eu dormisse ao seu lado, eu odiaria sair da


cama cedo pela manhã. Eu sou Jacob, a propósito.

— Sou Lexi.

— Garotas como você não costumam se exercitar em academias de


boxe.

— Eu sou meia-irmã de Ryder. — eu senti o olhar de raiva do Ryder


direcionado para nós, sem sequer olhar para trás. Eu tinha tanta certeza
que ele estava me encarando que parecia que ele estava respirando na
minha nuca.
— Nossa. — seu sorriso se alargou, e quando ele estava prestes a
continuar, Ryder gritou seu nome do outro lado da sala.

— Jacob, você veio aqui para treinar ou o quê? — perguntou Ryder.

Jacob me deu um tapinha no meu ombro e disse: — Vejo você mais


tarde, Lexi. — ele piscou para mim e saiu. Mesmo que ele fosse bonito,
não me provocava os mesmos sentimentos que Ryder.

Ryder aproximou-se e pôs-se no local que Jacob desocupou. — Você


veio até aqui para distrair os lutadores?

Uma risada me escapou, e então eu percebi que ele estava falando


sério. — Qual é o problema, Ryder, preocupado que eu deixe outra pessoa
terminar o que você começou esta manhã?

Sua boca torceu um pouco, e ele balançou a cabeça para mim. —


Você realmente quer falar sobre isso agora? Foi por isso que veio aqui
flertar com Jacob? Você está tentando me provocar ciúmes, Alexis?

— Eu não estava flertando com Jacob.

— Espero que não, porque eu não vou deixar você ficar com ele. —
eu observei-o ir embora, enfaixar as mãos e entrar no ringue.

Quem ele pensa que é para me dizer com quem posso ou não ficar?

Liguei a esteira, fingindo-me absorta no treino, quando na verdade


estava olhando para ele. Ele foi para cima do Jacob como um animal. Eu
vacilei em vários dos socos e chutes que ele despejou nas costelas e
ombros de Jacob. Parecia ser mais do que um treino. Ele não tinha o
direito de ficar com raiva de Jacob por me paquerar. Eu era dele horas
atrás. Ele teve sua chance, e ele rejeitou.
Capítulo Treze
Ryder

No minuto em que provei a pele dela, eu sabia que tinha ido longe
demais. Se eu tivesse afundado meu pau em seu calor, eu nunca a deixaria
partir. Eu teria a reivindicado como minha e a feito contar todos os seus
segredos. Eu a teria fodido até que ela se rendesse e entregasse cada
pedaço de si para mim. Eu queria fazê-la minha. Merda, eu precisava
fazê-la minha. Eu não devia, mas era um desejo antigo que não tinha
diminuído.

Eu precisava desacelerar, dar um passo atrás. Agir muito rápido


com Alexis podia ser desastroso para nós dois. Eu não queria fazer o
movimento errado e perder a minha chance com ela, mas eu não era bom
nessa merda. Eu sabia que ia foder isso.

Jacob resmungou sobre sua respiração assim que nós deixamos o


ringue. Eu sabia que tinha sido duro com ele, mas se ele queria dar uma
de maricas por isso, ele não deveria ser um lutador de MMA. Eu
reconhecia que estava acima da sua categoria de peso, e, geralmente, eu
era muito menos agressivo quando nós treinávamos, mas eu odiei
observá-lo flertar com a Alexis. Ele teve sorte de eu não ter batido sua
cara no tatame.

Alexis terminou sua corrida, caminhou em direção às portas do


vestiário, e Jacob a seguiu de perto. Eu os parei, porque eu não o deixaria
sozinho com ela.

— Há um novo bar na rua. Deixe-me te pagar uma bebida esta


noite. — disse Jacob.
Alexis estava encostada na parede e Jacob inclinado sobre ela com
um braço acima da sua cabeça.

— Você tem idade suficiente para beber?

Jacob sorriu timidamente. — Quase.

— Quase? Tipo, vinte?

— Dezenove.

Ela balançou a cabeça para ele.

— Mas nunca me barraram. Olhe para mim, eu sou enorme. Como


soube que eu não tinha vinte e um?

Ela encolheu os ombros. — Apenas instinto.

— Então, você virá?

— Você é muito jovem.

— Qual é. Quantos anos você tem?

— Vinte e três.

Ele levantou a cabeça e mostrou suas covinhas. Meninas sempre


caíam nessa merda. — Eu gosto de mulheres mais velhas. — ela balançou
a cabeça, recusando novamente.

— Vamos como amigos.

— Ela não pode ir. — eu respondi por ela quando parei ao lado
deles. Ela olhou para mim.

Ela me olhou nos olhos e sorriu desafiadoramente quando disse. —


Eu estarei lá, Jacob.

Eu rosnei para ela quando ela olhou de novo para Jacob com um
sorriso sedutor. Eu odiava a gama insana de emoções que ela me
provocava. Eu ia de feliz a excitado para frustrado e acabava chateado. Eu
bati a mão na porta no caminho de volta para a academia. Eu não
precisava fazer nada estúpido por causa da Alexis. Se ela queria tomar
bebidas com Jacob, eu me certificaria de arrastá-la para casa antes que ela
oferecesse à criança algo que o levaria à morte.

Alexis

Eu saí do banheiro, vestida para impressionar. Ryder estava deitado


no sofá, assistindo a um jogo de futebol e me ignorando
completamente. Seu mau humor durou o dia todo até à noite. Acho que
meus esforços para deixá-lo com ciúmes não deram em nada. Ele nem
sequer se preocupou em olhar na minha direção quando atravessei a sala.

Eu estava vestida com um top dourado frente única, minúsculos


shorts pretos que pareciam pintados em mim, meia-calça preta, e as
minhas botas de cano curto douradas. Era uma roupa apropriada para o
clima de outono? Não, mas eu não me importava. Eu queria enlouquecer
o Ryder. Eu precisava fazê-lo pagar por me excitar e me rejeitar. Acima de
tudo, eu queria sua atenção. Eu não me enganaria pensando que ele não
pegava qualquer mulher que quisesse. Eu sabia que um homem com uma
beleza tão rude e poderosa como a de Ryder escolhia as mulheres onde
quer que fosse, mas esta noite eu queria ser a que ele observaria. Eu
queria que ele precisasse de mim do jeito que eu precisava dele. Se eu
fosse honesta, era o que sempre quis.

Era tarde demais para mudar de ideia sobre ir para o bar sem ser
óbvia, então eu peguei minha bolsa e deixei o apartamento. Eu estava
esperando o elevador, quando ouvi a porta abrir atrás de mim, seguido de
passos e o barulho da corrente presa ao cinto de Ryder.

Eu entrei no elevador, e Ryder seguiu-me, de pé do lado oposto. As


mangas da sua jaqueta de couro esticaram quando ele cruzou os braços e
olhou para aminha roupa. Ele riu, balançou a cabeça, em seguida, desviou
o olhar.

— O que é tão engraçado?

— Você está tentando me fazer ciúme. — ele olhou para mim.

— Por que eu faria isso?

— Você quer a minha atenção, Lexi? Você conseguiu. Agora, por


que não voltamos lá para cima, pedimos o jantar e assistimos a um filme?

— Não, obrigada. — as portas se abriram, e eu andei em direção à


saída. Ele puxou meu braço me virando.

— Não me provoque Alexis. Você pode não gostar do que vai


acontecer.

Eu puxei meu braço. — Isso não é sobre você, Ryder. — sempre foi
sobre ele, desde o momento em que coloquei os olhos sobre ele, mas eu
nunca admitiria isso.

A caminhada foi menos de um quarteirão, e Ryder ficou atrás de


mim com as mãos nos bolsos e a cabeça abaixada. O pequeno bar tinha
uma sensação abafada. Era quinta-feira à noite, e estávamos próximos da
faculdade local, de modo que o lugar estava lotado. Jacob estava no bar, e
eu fingi ficar animada ao vê-lo. O homem com quem ele estava
conversando desocupou o assento e eu o peguei.

Ryder sentou-se na extremidade oposta do bar, olhando


diretamente para Jacob e eu. Olhando para mim.
— Então, Lexi, você tem namorado? — Jacob interrompeu meu
olhar com Ryder. Eu virei para ele pegando minha bebida.

— Você não deveria ter perguntado antes de me convidar para vir


aqui?

Ele sorriu. Aquele sorriso provavelmente pegou um monte de


mulheres, mas ele não fazia nada comigo.

— Amigos podem sair para beber. — boa resposta. Fiquei feliz por
ele ter percebido que ficaríamos na zona de amigos esta noite.

— Então, recebo uma resposta à minha pergunta?

— É complicado.

— Complicado é código para envolvida.

Talvez ele estivesse certo. Ryder e eu estávamos envolvidos em


alguma coisa. Eu só não sabia o que era. Eu queria muito menos
animosidade entre nós, e mais do calor excitante da sua cama naquela
manhã.

— Vamos dançar. — Jacob puxou levemente na minha mão, e eu o


segui até a pista de dança.

— Talvez eu possa descomplicar sua situação. — disse ele


pressionando as minhas costas. A música era rápida, e Jacob não teve
escrúpulos para invadir o meu espaço. Sua mão repousava em meu
quadril; seu corpo balançava ritmicamente com a música. Eu me diverti
com Jacob por dois minutos inteiros.

Então eu vi Ryder.

Ele estava entre duas belas mulheres a centímetros de distância de


mim. Elas estavam pressionadas contra ele, enquanto ele virava a garrafa
de cerveja na boca. Ele me olhou nos olhos e piscou.
O jogo começou.

Ele estava me desafiando para ver quem ultrapassaria mais os


limites, mas eu não queria jogar. Eu queria ser a pessoa que estava com
ele, capturando tudo de Ryder Hayes em meus braços.

Desculpei-me com Jacob e voltei para o bar. Eu precisava de uma


bebida rapidamente. Eu pedi rum e Coca-Cola e esperei que diminuísse a
queimação de ciúme nas minhas entranhas. Ryder deslizou na cadeira
vazia ao meu lado, mas eu fingi ignorar sua presença. Uma mão pousou
sobre a pele exposta na parte inferior das minhas costas, e eu sabia que
era Jacob. Eu não tinha a mesma sensação de agitação de quando Ryder
me tocava.

O barman serviu a minha bebida, e antes que eu pudesse pagar,


Ryder colocou uma nota de vinte no balcão. Eu olhei para ele. Ele deu de
ombros.

— Ryder, eu não sabia que você estava aqui hoje à noite. — ele
ignorou totalmente o comentário de Jacob. Ele nem sequer olhou para
ele. Eu tomei um gole da bebida e esperei que a tensão do momento
estranho desaparecesse.

Assim que eu abaixei o copo, Ryder o pegou. Eu não consegui


desviar o olhar quando ele olhou para mim e levou o copo aos
lábios. Quando ele colocou no balcão, ele os lambeu, como se tocar a
minha boca através do copo fosse algum tipo de beijo íntimo. O tipo de
beijo profundo, que reivindicava e não deixava nenhuma dúvida sobre a
quem eu pertencia.

Ele olhou para baixo, onde a mão de Jacob descansava nas minhas
costas e curvou o lábio em desgosto, seu rosto uma careta tensa. — Pare
de tocá-la.
Oh-oh. Eu tinha um mau pressentimento que Ryder estava louco
para colocar o punho em contato direto com o rosto de Jacob. Jacob
pareceu confuso por alguns segundos, então ele achou que sabia do que se
tratava.

— Vamos lá, Ryder, você está levando muito a sério o papel de


irmão mais velho. Eu vou cuidar bem de Lexi. — sua mão deslizou sobre
minha cintura e descansou no meu umbigo. Seu corpo ficou estreitamente
mais pressionado contra o meu do que alguns segundos atrás.

Eu estava desconfortável, e a raiva que Ryder exalava era uma força


palpável que mudava a energia no cômodo. Tentei mover a minha cadeira
para frente, mas Jacob me abraçou mais e cochichou no meu ouvido. —
Você está maravilhosa esta noite.

Ele passou a língua contra a minha pele, e eu fiquei chocada com o


tanto que ele era corajoso. Antes de eu reagir, Jacob foi arrancado. Eu me
virei a tempo de pegar o punho de Ryder conectando com o rosto de
Jacob. Jacob cambaleou para trás, mas manteve o equilíbrio. Qualquer
outra pessoa teria sido nocauteada, mas a estrutura de Jacob deve ter
vindo a calhar.

Jacob tocou seu lábio e voltou com sangue em seus dedos. Ele
estava com raiva, e parecia que queria revidar, mas por algum motivo ele
se segurou.

— Foda-se. — ele resmungou. — Eu não sabia que ela estava fora


dos limites.

Jacob forçou o seu caminho através da multidão, em direção à


saída. O olhar acusador da Ryder pousou em mim.

Oh, não. Ele não ia me fazer sentir culpada por algo que não foi
culpa minha. Ele que se foda, eu pensei quando me virei e tomei o resto
da minha bebida.
— Vamos. — seu tom de comando não desceu muito bem. Só me
deixou com raiva. Era por isso que eu ficava bem longe de caras como
Ryder. Eles achavam que podiam controlar todos os aspectos da minha
vida, e antes que eu percebesse, estava tão perdida em desejo que deixava.

— Pode me trazer outra? — eu gritei para o barman. Eu podia sentir


Ryder, imóvel atrás de mim, como uma estátua. Minha bebida veio, e
minha mão tremia quando a peguei.

Eu realmente esperava que ele não fosse ficar atrás de mim por
muito tempo. Ele estava me deixando nervosa, ansiosa, irritada e com
tesão. Era uma combinação estranha de emoções, mas Ryder sempre me
fazia sentir. E sentir ferozmente.

Ele deu um passo mais perto, muito parecido com o que Jacob
tinha feito, mas dessa vez o meu corpo aqueceu instantaneamente. Meu
pulso acelerou quando seu peito pressionou as minhas costas. Minha
boceta latejou quando senti sua respiração no meu pescoço. Ele colocou
as mãos no balcão, me enjaulando no casulo quente do seu corpo. Seus
lábios roçaram a minha orelha. Meu corpo derreteu no dele, encorajando-
o a fazer outra jogada.

— Tire seu traseiro dessa cadeira e vamos para casa antes que você
me obrigue a fazer outra coisa que vou me arrepender.

Eu fiquei tensa. Ele estava tentando me intimidar, e eu não ia


permitir. — Ou o quê? — eu o desafiei.

— Ou vou arrastá-la para fora daqui.

Olhei por cima do ombro, e seu rosto estava a menos de um


centímetro do meu. Se qualquer um de nós se movesse um milímetro,
nossos lábios se tocariam. — Atreva-se. — eu sussurrei em desafio.
Sua expressão incrédula foi quase engraçada. Ele tinha que saber
que eu não ia simplesmente ceder. Ele acenou com a cabeça em aceitação
e deu um passo para trás.

Bom. Com um pouco de distância entre nós, meu cérebro começou


a funcionar novamente. Voltei-me para o bar e peguei a bebida.

Ryder Hayes fodido e sua merda machista.

Quando o copo tocou meus lábios, eu fui puxada por trás, e minha
bebida derramou toda sobre a minha camisa. Enquanto abaixei o copo,
Ryder me jogou por cima do ombro em um movimento rápido e
caminhou para a saída.

Eu estava chateada.

Não, eu estava enfurecida.

Eu sacudi minhas pernas e bati em suas costas, mas ele continuou


em direção à porta. A multidão se afastou, as pessoas olhavam, mas não
se atreviam a criticar o valentão de cem quilos me levando para fora do
bar em estilo Tarzan.

Eu tentei mordê-lo, mas ele bateu na minha bunda com tanta força
que ardeu, deixando para trás uma sensação de formigamento. Ele me
colocou para baixo na calçada, e eu o ataquei. Eu dei um soco no seu
estômago. Que saiu pela culatra, porque ele nem sequer pestanejou, mas
minha mão doeu muito. Foi como bater em uma parede de tijolos de
músculo sólido.

— Quem diabos você pensa que é? Nunca me envergonhe assim de


novo. — eu apontei meu dedo para o seu rosto como se isso fosse
intimidá-lo. — E o que diabos foi aquilo? Ele é apenas um garoto.

Algo mudou na sua expressão de raiva, e ele suspirou. Ele passou a


mão sobre o rosto, em seguida, disse. — Você sabe o quê? Você está
certa. Faça o que você quiser. Eu não sei nem por que me importo. Você
quer foder Jacob... Foda.

Ele passou por mim e voltou para o bar. Eu olhei para ele através do
vidro e a minha camisa molhada me fazia sentir ainda mais gelada no ar
da noite.

Ele era um valentão grande, dominador e sexy. Mas um valentão,


no entanto. Eu precisava me distanciar dele para o bem da minha
sanidade. Ele me fazia sentir como nunca, e eu imaginava que era melhor
do que os três anos que passei sem sentir absolutamente nada. Eu estava
viva ao redor dele, e eu gostava disso, não, eu gostava dele.

Eu percebi tarde demais que voltei para a academia e não tinha


jeito de entrar. Fiquei lá tentando descobrir o que fazer a seguir. Estava
escuro, a rua era tranquila, e eu tinha um sentimento assustador de que
eu estava sendo vigiada. Provavelmente estava sendo paranoica, porque
assistia a muitos filmes de terror, e a cena de ação geralmente começava
com uma garota estúpida de pé no escuro em pouca roupa.

Eu fui forçada a caminhar o quarteirão de volta para o bar. Eu


realmente não queria voltar depois de Ryder me arrastar para fora, mas
esperar fora da academia, à uma da manhã, não era uma opção.

Ryder estava no canto mais distante do bar, no mesmo lugar que ele
me observou mais cedo. Ele pegou um copo, bebeu, e depois se inclinou
para a mulher ao lado dele enquanto falava. Como se tivesse sentido meu
olhar, ele olhou para cima e nossos olhares se encontraram por alguns
segundos, meu coração acelerou.

A mulher de cabelos escuros estendeu a mão e tocou seu rosto, e ele


se virou para ela. Ele olhou para mim, e eu soube seu próximo movimento
antes dele fazer. Era hora da vingança. Mas saber o que ele estava prestes
a fazer não tornou menos doloroso de ver quando ele colocou a mão na
nuca dela e puxou-a para um beijo.
O sentimento de facada no peito era familiar. Era uma sensação
semelhante a da noite que Logan confessou ter ficado com Paige. Meu
cérebro me dizia para fugir, mas meu coração dizia para ir lá e separá-los.

No meio das minhas emoções turbulentas, eu tive um momento de


clareza. Por mais que eu quisesse comparar este momento com o que
Logan fez comigo, não era a mesma coisa. Ryder não era meu, e ele estava
livre para fazer o que quisesse. Ele não me fez nenhuma promessa. Ele
ainda não tinha me levado da maneira que eu queria.

Fui até eles, canalizando uma calma interior. — Eu preciso das


chaves da sua casa. — merda, eu parecia um pouco chorosa e talvez com
ciúmes. Ela interrompeu o beijo, e eles olharam para mim.

— Você é Alexis. — não era uma pergunta. Ela parecia saber


exatamente quem eu era, e ela não gostava de mim. Eu olhei para ela e
odiei que ela fosse tão bonita.

— Eu vi Ryder levá-la para fora mais cedo. Ele disse que estava
cuidando de você.

— Leah é uma amiga da família. — disse Ryder, limpando o batom


de seus lábios.

Ugh...

— Vamos Ryder, somos um pouco mais do que amigos. — ela se


inclinou para beijá-lo novamente, mas ele desviou. Ele pegou suas chaves
e entregou para mim.

— Como você vai entrar? — perguntei.

— Não se preocupe, eu vou entrar.

Eu queria pedir para ele vir comigo, mas depois de criar um grande
problema para ficar antes, eu não ia implorar-lhe para sair. Eu desejei ter
ficado para o filme. Ir ao bar tinha sido um desastre.
Capítulo Quatorze
Alexis

2:00 da manhã.

Eu estava andando freneticamente de um lado para o outro na sala


de estar de Ryder. Por que eu ligava para o que ele estava fazendo com
Leah? Eu não precisava de um homem como Ryder, embora eu o
quisesse. Eu fui impulsionada pelo meu desejo de estar com ele. Talvez
tenha passado muitos anos centrada em memórias. Pensei que Ryder
Hayes pudesse ser mais do que uma fantasia e se tornasse uma parte da
minha vida real novamente. Meu coração doía conforme a minha chance
com ele se esvaía.

3:00 da manhã.

Eu sabia que meu médico achava que eu apresentava


comportamento maníaco, mas eu nunca acreditei que era louca. Neste
momento, eu me sentia uma lunática. Ryder estava de volta na minha
vida há alguns dias, e eu já estava muito envolvida. Talvez eu tivesse o
transformado em super-herói na minha cabeça e adorava o pensamento
do que ele representava na minha vida. Só porque ele me salvou de mim
mesma, e eu era incrivelmente atraída por ele há anos, não queria dizer
que estávamos destinados a ficar juntos. Certo?

Certo. Ele não era meu. Eu precisava colocar isso na minha cabeça,
não importava o que eu tinha evocado em meus devaneios insanos -
Ryder não me pertencia e isso nunca aconteceria.
4:00 da manhã.

Eu não conseguia dormir em seu quarto.

Eu me arrastei para fora da cama de Ryder, deixando para trás


todas as imagens dele e Leah que me atormentavam. Deitei-me no sofá,
puxei um cobertor sobre o meu corpo. As imagens delirantes me
seguiram, mas eu consegui afastá-las o suficiente para aceitar o que
aconteceu esta noite. Eu provoquei Ryder e ele deu o troco, então eu
deitaria lá e processaria isso.

5:00 da manhã.

Eu senti um par de mãos deslizarem sob meu corpo, me acordando


de um sono profundo. Ryder me pegou levantando-me do sofá e me
carregou em direção ao seu quarto. Eu queria lutar com ele, discutir, mas
não fiz isso.

Ele cheirava à mistura de sabonete do seu banho, misturada com


algumas doses fortes de álcool. Ele me colocou na cama e tirou a
camiseta. Seus jeans escuros se juntaram à camiseta em uma pilha no
chão. Ele caiu sobre a cama, estendendo a mão para mim, mas eu me
afastei.

Ele olhou para mim com olhos suplicantes. — Eu só quero te


abraçar.

Não. Eu não disse isso em voz alta, mas eu deveria. Ele me agarrou
pela cintura e me puxou para o seu corpo, minhas costas contra a sua
frente.

— Eu não quero te machucar. É por isso que eu preciso ficar longe.


— ele disse suavemente. Meu coração se apertou no meu peito.

Por que ele tem que tornar isso tão difícil?


Suas palavras corroeram meu coração. Eu não queria que ele
sentisse que eu era muito boa para ele. Se for pensar, eu era problema
demais para ele. Eu estava tão fodida neste momento que não sabia como
fazê-lo se sentir o homem incrível que eu sabia que ele era.

Ficamos ali em silêncio por mais de uma hora, tão inquietos quanto
confusos. Ele acariciou minha pele suavemente, dando atenção extra para
à cicatriz no meu braço. Provavelmente, ele estava inventando histórias
malucas de como arrumei cada arranhão. O silêncio se estendeu, mas a
pergunta fazendo um buraco no meu peito e saiu.

— Você transou hoje à noite? — a minha pergunta assaltou o


silêncio, e eu queria pegar as palavras de volta, mas já era tarde demais.

Ele riu. — Se tivéssemos transado, você se lembraria.

— Você sabe o que eu estou perguntando. Você dormiu com ela?

Sua mão se moveu sob minha camisa para descansar no meu


umbigo. Ele apertou sua excitação nas minhas costas, enterrou seu rosto
no meu cabelo, e inalou. — Eu não tenho uma fraqueza, mas você está
rapidamente se tornando a minha. Você chegou às minhas veias, e eu não
poderia ficar com outra mulher, nem se eu quisesse.

Ele beliscou meu pescoço com os dentes e depois acalmou com um


golpe da sua língua antes de sussurrar. — Eu estou muito obcecado em
conseguir estar dentro de você.

Meu corpo tremeu. Meu pulso acelerou. O que quer que estivesse se
formando entre Ryder e eu seria explosivo. Meu corpo tremeu.
Ryder

É assim que sempre deveria ter sido.

Minha cabeça estava deitada no peito de Alexis. Eu escutava o ritmo


do seu batimento cardíaco enquanto suas mãos estavam emaranhadas no
meu cabelo. Ela era tudo que eu queria, mas tudo o que eu sabia que eu
não deveria ter.

Na noite anterior, eu queria machucá-la, empurrar Leah na cara


dela do jeito que ela tinha empurrado Jacob na minha. Eu era bom em
afastar as pessoas. Eu lutava muito quando eu me sentia ameaçado, e eu
não queria que Alexis fosse vítima disso.

Ela não era como as outras mulheres. Ela era Alexis, a menina que
me seguia para todo lado com os olhos arregalados aos treze anos. Ela era
a garota que tirei do oceano frio. Ela era frágil. Ela quebrava
facilmente. Eu não queria ser a pessoa que a machucaria ou a colocasse no
limite novamente. Eu nunca quis nada mais para ela, além de que fosse
feliz e segura, mas se ela ficasse ao meu redor, isso poderia não ser
possível. Minha vida estava cheia do tipo de merda que fazia uma mulher
correr. Eu ficava fora por longos períodos. Mulheres se reuniam ao meu
lado, desesperadas por um pedaço do campeão. Alexis tinha problemas de
confiança, e eu não parecia muito confiável no papel.

Ela cheirava a fruta proibida e parecia o céu. Salvar sua vida não me
comprou um bilhete para o seu céu; se serviu para algo, foi para me fazer
querer protegê-la de caras como eu. Logicamente, eu sabia que precisava
ficar longe dela, mas quando ela arrastou a mão nas minhas costas nua e
eu ouvi seu pulso acelerar, a lógica voou para fora da porta.

Eu tremia como uma maldita menina quando ela me acariciou. Meu


pau estava duro como pedra pressionado na sua coxa. A tensão sexual era
palpável. Meu dedo girou o seu piercing de umbigo e a sua pele lisa. Ela
deslizou a mão para baixo pelas minhas costas, e deslizou para o cós da
minha cueca, e eu me afastei lentamente, deixando-a sozinha na cama.

Ela suspirou, e passou a mão sobre o rosto frustrado. Quanto mais


tempo ela dormia na minha cama, mais minha resistência tornava-se
fraca. Eu daria qualquer coisa que ela quisesse, por isso não demoraria
muito para que ela quebrasse minhas defesas e me fizesse dar o que ela
estava pedindo.

Uma batida na porta me impediu de participar da conversa


estranha que seria necessária depois do que aconteceu entre nós. Eu vi a
hora no caminho para a porta, e percebi que tinha dormido demais. Eu
precisava me concentrar para a luta da próxima semana. Ty estava do
outro lado da porta, e ele estava chateado.

— Você nunca se atrasa. — disse ele.

— Eu sei. Vou descer em dez minutos.

— Eu não gosto disso, Ryder. Jacob me contou o que aconteceu


ontem à noite. Você não está focado e você vai jogar tudo fora.

— Não, eu não vou. Agora, dê o fora daqui e me deixe ficar pronto.


— eu empurrei a porta na cara dele e usei o banheiro ao lado da cozinha
para tomar banho. Eu não queria tropeçar em Alexis novamente.

Meu treino foi mais curto do que o habitual, porque eu tinha


algumas coisas para fazer antes do jantar com a minha mãe. Tomei banho
na academia e fui de lá. Eu não queria lidar com o que estava acontecendo
entre Alexis e eu. Eu mandei uma mensagem para ela quando estava
saindo da academia avisando que ficaria fora até tarde.

***
— Então, eu fiquei sabendo que você está pendurado na filha de
Vanessa. — o tom da minha mãe era acusatório, como se eu estivesse
traindo-a por ficar perto de Alexis.

— Ela vai ficar uns dias na minha casa. — eu comi uma garfada da
janta e mantive meu olhar fixo no prato.

— Ryder, você não pode estar falando sério sobre essa garota. Ela é
filha da Vanessa.

— Ela não é a mãe dela.

— É claro que ela não é. Ela só dorme em sua cama quando você
está praticamente noivo de Leah.

Eu deixo cair meu garfo e olho para ela. — Mãe, só porque você
quer que eu me case com a Leah não significa que eu vou.

Ela largou o garfo que bateu contra o prato quando ela olhou para
mim. — Você e Leah estavam bem antes de você salvar essa menina. Você
jogou fora o campeonato e um bom relacionamento, tudo por essa
vagabunda.

— Você nem mesmo a conhece! — eu nunca gritei com minha


mãe. Nunca. Mas seu julgamento de merda estava realmente me
irritando. Ela se levantou do assento e se inclinou sobre a mesa em minha
direção.

— Eu não quero nem chegar perto de conhecê-la. Eu nunca vou


aceitá-la, a menos que você esteja pronto para se afastar de mim como seu
pai fez, eu sugiro que você reavalie as suas opções. — ela caminhou pelo
longo corredor e bateu a porta do quarto.

Eu afastei o prato e recostei na cadeira. Eu era um homem adulto, e


minha mãe não tomava decisões sobre com quem eu transava ou quem eu
amava. Mas ela sabia que nunca a isolaria de minha vida. Passamos anos
difíceis juntos, e isso nos aproximou mais. Alexis podia ser um problema
nesse ponto, mas eu odiava que a minha mãe estivesse julgando-a sem
dar uma chance.

Caminhei pelo corredor para o quarto e bati na porta. Eu comprei


este apartamento depois da minha primeira luta no campeonato. Uma vez
que ela era sozinha, era muito mais eficiente do que o lugar que
compartilhávamos. Ela abriu a porta e voltou para a cama.

Segui-a e sentei na beirada da cama. Ela encostou-se à cabeceira,


me ignorando, enquanto continuava de mau humor. Seu cabelo castanho
curto emoldurava seu rosto oval. Seus olhos azuis estavam
enevoados. Nós não discutíamos muitas vezes, e ela estava lutando para
manter sua postura. Subi mais para cima da cama e puxei-a para mim. Ela
inclinou a cabeça no meu ombro e suspirou.

— David está usando-a para afastá-lo de mim.

— Você sabe que isso não é possível, mãe. Não me afastarei, e eu


sempre estarei aqui.

— Tem sido eu e você há muito tempo. Se ela te leva para aquela


família, David terá o que sempre quis, e eu não vou ter nada.

— Pare de se preocupar tanto. Alexis e eu somos apenas


amigos. Ninguém pode me tirar de você. — eu a abracei, beijando o topo
de sua cabeça.

— Leah é uma garota legal.

— Mamãe…

Ela olha para mim com um sorriso. — O quê? Eu só quero o melhor


para você.

— Eu sei mãe. Deixe-me viver minha vida da melhor maneira que


eu sei.
— Tudo bem, mas quando essa menina machucar você...

— Mãe, ela é só uma amiga.

— Sim, sim, sim, apenas amigos. Nós veremos.


Capítulo Quinze
Alexis

Passei a maior parte da tarde no apartamento de Ryder, me


convencendo a ir para a academia. No meio da tarde, a sua mensagem
chegou.

Vou jantar com a minha mãe. Não me espere.

Ok. Preciso ir em casa pegar algumas coisas.

Ele respondeu quase que imediatamente.

Como você vai chegar lá???

É engraçado como ele não disse uma palavra para mim esta manhã,
mas não teve nenhum problema em falar comigo por trás da segurança do
seu telefone. Mandei uma resposta.

Vou dar um jeito.

Peguei minha bolsa, coloquei um moletom, e saí do


apartamento. Eu devia só ter pegado todas as minhas coisas e ido para
casa definitivamente, mas eu não faria isso. Meu telefone tocou. Outra
mensagem de Ryder.

Ty irá levá-la.

Isso não é necessário.

Ele estará pronto em cinco minutos.

Ty morava no apartamento na frente do de Ryder, então eu esperei


no corredor até que ele saiu, e nós caminhamos até a garagem juntos.
Ele dirigiu o carro esporte elegante que eu tinha visto na garagem
dias atrás. Eu era uma pessoa ansiosa, e o silêncio de Ty aumentava a
tensão no carro. Ele olhou para mim quando eu tentei ligar o rádio, então
eu não liguei. Ele olhou para mim quando eu mexi desconfortavelmente
no lugar, então fiquei parada. Ele olhou para mim até quando eu
bocejei. O que quer que estivesse em sua mente, estava prestes a se
libertar, e eu não tinha certeza se queria saber o que ele pensava de mim.

Quando chegamos à minha casa, eu pulei para fora do carro e corri


até as escadas. Peguei meu laptop e iPad da minha mesa. Quando saí do
quarto, parei para olhar a foto de Alec na minha mesa de cabeceira. As
pessoas achavam que era mais difícil quando eu via suas fotos. Acho que
minha mãe as escondeu de mim. Na realidade, o que realmente
machucava era não poder ver seu rosto. Eu tinha um medo constante de
esquecer a aparência dele. Então, eu sempre mantinha a foto dele perto de
mim. Peguei o pequeno porta-retratos e coloquei na minha bolsa antes de
sair do quarto. Quanto mais rápido eu entrasse naquele carro, mais cedo
eu ficaria longe de Ty.

Ty continuou em silêncio na volta para casa. Grande


surpresa. Estava escurecendo, e o carro de Ryder não estava na garagem
quando chegamos. Estendi a mão para a maçaneta, logo que o carro
parou.

— Não o machuque. — eu paralisei com as palavras de Ty, em


seguida, olhei para ele. Ele estava olhando para o para-brisa com dois
dedos nos lábios.

— Você não gosta de mim, porque acha que eu vou machucar seu
amigo?

Ele olhou para mim, seus olhos castanhos um pouco menos


cautelosos. — Eu nunca disse que não gostava de você. Estou apenas
sendo cauteloso pelo Ryder. Ele é como um irmão para mim, e depois que
ele a salvou, é como se você tivesse ficado com ele. Levou semanas para
reabilitar o seu braço, mas essa não foi a pior parte. Ele aparecia bêbado
na minha casa no meio da noite. Ele estava tão ansioso que eu pedia para
ele dormir no sofá. Eu não conseguia descobrir o que estava acontecendo
com ele. Ele nunca tinha sido muito de beber antes disso.

— Então ele começou a chamar você durante o sono, e eu percebi


que ele estava revivendo a coisa toda. Na época, Leah morava com ele. Eu
imagino que ele chamar por você não a agradou, então ele acabava no
meu sofá. Agora ele está obcecado em ser seu protetor. Eu soube o que
aconteceu com Jacob. Ryder não briga com qualquer um fora do
ringue. Ele está se apegando a você, e se alguma coisa acontecer com você,
ele vai enlouquecer.

Era estranho ouvir sobre Ryder sofrendo com o que eu tinha


feito. Era um pouco vergonhoso pensar que eu tinha causado problemas
em sua vida.

— Ty, eu respeito que você esteja preocupado com ele, mas não é
possível que eu o machuque. Ele não vai deixar me aproximar o suficiente
para isso.

— Provavelmente, ele acha que vai te machucar, então ele recua. Eu


sei que ele quer você, e eu quero que ele seja feliz, mas, por favor, não faça
nenhuma loucura, porque ele nunca se recuperaria.

Eu balancei a cabeça, peguei minhas coisas e saí do carro o mais


rápido possível. Eu estava em um lugar diferente naquela época. E me
incomodava quando todos achavam que eu ainda estava no limite.

***
Meu quinto dia na casa do Ryder pareceu mais como uma
vida. Ficar perto dele fazia os dias mais completos, vibrantes. Eu estava
começando a ficar tão centrada em seu universo, que meu senso de tempo
real desapareceu.

Eu estava na cama, inquieta esperando por ele, quando ele chegou


em casa na noite anterior. Tomou banho, deslizou sob os lençóis, e
encostou sua pele quente à minha, até que adormecemos nos braços um
do outro, como amantes.

Nós acordamos ao amanhecer. Eu sabia que ele estava acordado


porque ele me segurou com mais força, e sua respiração suave mudou
para algo mais errático. A energia sexual era tanta que o suor brotava na
minha pele, mas nenhum de nós fez um movimento. Eu estava cansada de
ser rejeitada, mas quase frustrada o suficiente para reagir. Ele estava
atraído por mim, eu tinha certeza disso, mas ele não deixava as coisas
progredirem.

Eu fiquei em seus braços por mais ou menos uma hora, me


torturando, antes de escapar do seu abraço pesado. Eu senti seu olhar me
seguindo do outro lado do quarto. Peguei minha bolsa e levei-a para o
banheiro do outro lado do apartamento. Eu precisava de distância. Eu
precisava de algum tempo para colocar os meus pensamentos e o meu
corpo sob controle. Ficar com Ryder pode não ter sido uma ideia
inteligente, mas como eu poderia resistir ao seu convite quando foi o que
sempre desejei? Não importava o quanto eu ficava chateada por ele
continuar me afastando, ir embora não era uma solução aceitável para
mim.

Meu reflexo no espelho me assustou. Meu cabelo estava uma


bagunça, e meus olhos estavam vermelhos de cansaço. Parecia que eu
estava no meio de uma batalha. E eu meio que estava em uma batalha
para manter o controle do meu corpo e do meu coração. Eu me
apaixonaria por Ryder, e só esperava que ele estivesse lá para mim.
Tomei banho, amarrei o cabelo em um rabo de cavalo apertado, e
coloquei as minhas roupas de ginástica. Ryder estava na cozinha quando
eu saí. Seu cabelo estava molhado do banho. Ele usava short de corrida
preto, que mal se sustentava em seus quadris estreitos. Ele estava sem
camisa, e eu vi os pelos que escapavam do seu short. Eu pensei que tivesse
me controlado no banheiro, mas o nível de calor do cômodo subiu junto
com a minha temperatura corporal.

Eu bebi a visão de seu peito nu. A forma como os músculos do seu


abdômen se estendiam e formavam um V delicioso, que acentuava a
perfeição do seu corpo me dava arrepios.

— Aonde você vai? — ele perguntou, observando-me babar sobre


seu corpo.

— Para uma corrida.

— Então, vamos fazer isso. — ele pegou a camiseta no balcão e


vestiu.

Ele quer correr comigo?

Ele provavelmente passava dos 15 quilômetros por dia. Eu não ia


correr com ele de jeito nenhum. Eu era mais do tipo de esteira de menina,
e Ryder corria ao ar livre. — Eu não vou conseguir acompanhar.

Ele olhou para mim e sorriu. — Vou correr no seu ritmo. Você vai
ficar bem.

Ele disse que ia correr no meu ritmo?

Bem, ele disse, mas ele me forçou a ir muito mais longe do que eu
estava confortável. Até o momento que voltamos para o ginásio, eu estava
ofegante por ar, implorando por água, e deitando no piso almofadado com
Ty rindo de mim.
Ryder me entregou uma garrafa de água enquanto Ty continuava a
se divertir com o meu estado de exaustão. Eu sabia que nunca mais
correria com ele. Ele tinha me levado mais longe do que eu pensava ser
possível com seus tons comandantes e jeito de instrutor. Logo que
recuperei o fôlego, eu me arrastei para o vestiário feminino. Tomei banho
e troquei para a roupa que deixei no meu armário alguns dias antes.

Ryder estava esperando do lado de fora da porta do vestiário


quando eu saí. Ele ainda não havia tomado banho, mas ele tinha tirado a
camiseta encharcada de suor. Nós nos encaramos silenciosamente até que
eu não aguentei mais. Se ele ia continuar a ignorar a energia entre nós,
então eu faria isso também. Eu tentei passar por ele, mas ele agarrou meu
braço e me puxou de volta. Minhas costas pressionaram seu peito nu por
alguns breves segundos antes dele me virar. Eu o empurrei, mas seu corpo
era tão sólido quanto a parede que eu estava encostada.

Ele estendeu a mão, e eu vacilei antes mesmo dele me tocar. Eu


estava cansada do jogo que ele parecia estar fazendo. Eu o desejava há
tantos anos. Ele tinha que saber há quanto tempo eu o queria, mas eu
nunca percebi o mínimo de interesse dele até que ele voltou para a minha
vida na semana passada. Eu não queria que ele me beijasse, porque eu
sabia que ele se afastaria depois de me excitar. Ele aproximou mais, seus
lábios a uma mero centímetro de distância dos meus. Ele correu as pontas
dos dedos pelo meu rosto e meu pescoço conforme encostava mais o
corpo no meu.

Deus, não estava assim tão quente um minuto atrás.

Eu tremi quando os dedos passaram pela minha pele. — Sinto


muito sobre a outra noite. Eu estava com ciúmes, mas eu não devia ter
jogado Leah na sua cara.

Eu balancei a cabeça para o seu pedido de desculpas, porque eu não


consegui me livrar dos pensamentos lascivos tempo suficiente para
responder. Meu olhar estava preso em seus lábios cheios. Ele se inclinou,
minha respiração ficou curta e difícil, mas em vez de me beijar, ele passou
os lábios no meu rosto.

— O que você está fazendo comigo? — ele sussurrou, beijando o


ponto sensível sob a minha orelha que fez meu corpo tremer. — O que
quer que esteja fazendo, eu não quero que pare. — ele se afastou e olhou
para mim, seus olhos azuis escuros de desejo.

— Nunca. — disse ele contra os meus lábios. Ele lambeu meu lábio
inferior, e eu gemi mais. Eu precisava de mais. Agarrei sua cabeça em
minhas mãos e deslizei a língua em sua boca. A sua língua contra a minha
me fez delirar. Ele gemeu do fundo da garganta. Suas mãos deslizaram
pelos meus lados, então as colocou sob a minha camiseta. Ondas de
prazer fluíram através de mim enquanto ele acariciava a minha pele.

Senti o comprimento grosso dele pressionado contra o meu


estômago. Nossas línguas lutavam para saciar uma fome que esteve
pressente entre nós durante toda a semana. Um formigamento começou
em meu núcleo, e se eu não conseguisse Ryder dentro de mim em breve,
se transformaria em uma dor insuportável.

Ele continuava a empurrar a língua na minha boca, sondando as


profundezas para uma conexão mais profunda. Quando ele chupou minha
língua, percorreu o meu sexo como se ele estivesse me acariciando lá. A
pressão foi tão incrível que eu faria qualquer coisa se ele só me liberasse
do desejo em que eu estava me afogando. Eu precisava que ele me fodesse
até que eu gritasse o nome dele com lágrimas nos olhos. Ele deslizou os
dedos em minhas calças. Flertou com o cós da minha calcinha. Eu me
empurrei mais para cima dele, encorajando-o a me tocar onde eu
precisava mais. Em algum lugar na minha mente, eu registrei uma porta
abrindo, mas eu estava muito absorvida no sabor do beijo de Ryder para
me afastar.
— Agora eu entendo. — as palavras interromperam o nosso
momento erótico. Eu quebrei o beijo e olhei para o rosto carrancudo de
Jacob. Ryder ignorou sua presença, mordendo e chupando meu pescoço.
Talvez ele quisesse que Jacob visse que ele era meu dono, porque ele não
recuou, mesmo depois que tentei afastá-lo.

— Fodendo sua meia-irmã, hein? — Jacob balançou a cabeça


enquanto se aproximava. Ele se apoiou na parede ao nosso lado, em
seguida, disse: — O que a minha irmã acha disso?

Ryder finalmente relaxou e olhou para Jacob. — Leah sabe onde


estamos.

Leah é irmã do Jacob?

— É mesmo? — Jacob riu. — Ela parece achar que vocês dois estão
próximos de ser um casal novamente. Ela disse que vocês se
reconectaram algumas noites atrás. Olha, ela é minha irmã e eu sei que
ela fez alguma merda fodida, mas você também fez. Essa não é a primeira
vez que você precisou de espaço, mas vocês dois sempre acabam juntos
novamente.

— Nós não voltamos. Eu a coloquei em um táxi. Não aconteceu


nada. — Ryder estava olhando para Jacob, mas eu sabia que a explicação
era para mim.

— Ele está usando você, sabia? — ele disse diretamente para mim,
depois olhou para Ryder. — Quando você terminar com ela, me avise. Eu
nunca fui homem de sobras, mas por ela... — ele deu de ombros com um
sorriso arrogante no rosto.

Os músculos dos ombros do Ryder ficaram tensos sob meus


dedos. Ele cerrou os dentes, e um músculo em sua mandíbula saltou. Uma
nova tempestade estava se formando em seus olhos, totalmente diferente
daquela que estava se formando entre nós segundos antes.
— Se você tocá-la alguma vez, eu vou terminar o que comecei na
outra noite. — o tom de Ryder era frio e com raiva. Jacob pareceu um
pouco surpreso por Ryder me defender.

Ele balançou a cabeça e disse: — Uau Ryder, Leah vai ficar


interessada em saber como você é protetor em relação a ela. — ele pegou
sua mochila do chão, deixando-nos sozinhos no corredor.

Ryder encostou a testa na minha e suspirou. Corri a mão


suavemente pela sua nuca e cabelo. A tensão começou a sair dele à
medida que me olhava nos olhos. Ele me beijou de novo, suavemente e
sensualmente.

— Eu sinto muito por isso. — disse ele quando finalmente se


afastou.

— Tudo bem. Provavelmente é mais culpa minha do que sua. Eu


nunca deveria tê-lo estimulado.

Ele apertou minha cabeça entre as mãos. Uma careta


profundamente gravada em seu rosto. — Eu não quero arrastá-la para a
minha merda. Eu deveria ficar longe, mas eu não sei como.

—Não fique.

Ele sorriu, balançou a cabeça, e beijou o topo da minha cabeça. —


Você não tem ideia do que você está pedindo. Você nunca vai conseguir se
livrar de mim.

Eu nunca quis.

***
Deixei a academia e voltei para a casa de Ryder, muito excitada e
profundamente agitada. Excitada pelos beijos de Ryder e agitada com as
palavras de Jacob. Todas as minhas perguntas sobre Leah foram
respondidas, e eu não gostava do que eu tinha ouvido.

Obviamente, Leah era fixa na vida de Ryder. A última coisa que eu


precisava era me apaixonar por outro homem que iria me machucar. Não
havia nenhuma razão para eu não ter Ryder fisicamente se eu pudesse
manter toda a bagagem emocional na baía. O que aconteceu com Logan
quase me destruiu. Com Ryder seria pior. Eu peguei meu telefone e enviei
uma mensagem de texto para Shelby.

Você acha que vai acontecer de novo?

Shelby sempre respondia na hora, então sua resposta chegou em


menos de um minuto.

O quê???

Perder-me tão profundamente por alguém que vai me


custar tudo.

Você não perdeu tudo.

Perdi minha outra metade. Na maioria dos dias parece tudo.

Eu esperei ela responder, mas ela me ligou em vez disso. Atendi no


segundo toque. — Eu sei que eu sempre faço isso, mas é diferente dessa
vez.

— Diferente? Por causa do Ryder e do que ele está fazendo você


sentir?

— Eu não quero ser como eu era com Logan. Eu não quero que
ninguém seja capaz de me machucar daquele jeito de novo.
— É exatamente disso que eu estou falando. Eu quero que você seja
feliz, mas você não se permite. Você acha que era assim que Alec queria
que você vivesse? — à menção do nome dele, meu coração gaguejou e uma
dor forte ecoou dentro de mim.

— Alec não está aqui para se preocupar com o que eu faço.

— Você dá uma de forte. Como se controlasse o seu destino e você


não precisasse amar mais, mas isso é besteira. Você está
fingindo. Fingindo ser feliz com a vida que você criou, mas eu conheço
você, Lexi. Você não está feliz.

Quando eu não estava fingindo, todos pairavam sobre mim. Uma


vez que eu descobri como tirar todos de perto, não tinha mais jeito de
voltar a apenas ser eu. Não sobrou muito de mim, de qualquer
maneira. Eu não sabia quem eu era desde que perdi o Alec.

— Eu quero ser feliz, Shelby, mas estou com medo.

— Eu sei, querida, mas ambas precisamos superar nossos medos.

— Eu sei que você está certa. Eu sinto falta de você, Shells. —


normalmente nós conversávamos todos os dias e nos encontrávamos três
vezes por semana.

— Vamos nos encontrar sexta à noite. Te vejo no The Lounge.

— É... Eu não sei. A última vez que estive lá alguém destruiu as


janelas do meu carro.

— Sim, eu soube disso. Você está bem?

— Eu estou bem, mas minha mãe vai me matar quando ela receber
a conta.
— Lexi, por favor, o seu pai deixou mais de dez milhões de dólares
em um fundo. Com o que aconteceu com Alec, todo esse dinheiro vai para
você.

— Você não conhece a minha mãe. Ela não quer que eu fique esnobe
como meus avós eram. Ela odeia quando eu desperdiço dinheiro.

— Mas o incidente com carro não foi culpa sua.

— Foi. Deixei o meu carro passar a noite. Eu fui irresponsável. Para


início de conversa ela nem queria que eu comprasse o carro. Ela confiou
em mim para cuidar dele e eu não cuidei.

— Ok, já que é um lugar tão dolorido, podemos ir para outro lugar.

Pensei em ir para o bar da rua da academia de Ryder, mas o lugar


era cheio de alunos da faculdade. Eu realmente gostava do nosso bar, e eu
não ia deixar ninguém me afastar de lá.

— Não, vamos nos encontrar sexta-feira, às 10 da noite, no The


Lounge.

— Ótimo, eu estarei lá.


Capítulo Dezesseis
Alexis

Eu despertei bruscamente. Meu coração acelerado, e respirando


pesadamente.

— Você está bem? — perguntou Ryder, mas eu olhei para ele


fixamente, sem estar plenamente consciente de onde eu estava e o que ele
estava fazendo lá.

— Lexi?

— Sinto muito. Eu não queria te acordar. — corri a mão pelo cabelo


e caí de volta no travesseiro. Eu não sabia quando Ryder tinha ido para a
cama, mas eu estava estressada demais para me importar.

— Você quer falar sobre isso? — sua mão acariciou o meu braço. Ele
me puxou até que nos encaramos.

— Foi só um pesadelo.

Eu olhei em seus olhos, e percebi que ele estava tentando decidir se


deveria forçar o assunto, mas achou melhor não. Ele balançou a cabeça
lentamente. Sua presença na cama geralmente aliviava a minha ansiedade
e me permitia dormir. Hoje à noite, eu acho que não descansaria muito
mais. Ele ficou em silêncio por um longo tempo, mas senti seus
pensamentos enchendo o quarto.

— Só pergunte. — eu disse. Eu odiava quando as pessoas achavam


que se me perguntassem algo que estavam pensando, que eu
quebraria. Se Ryder realmente queria conversar, eu não queria que ele
tivesse medo de me fazer perguntas.
— Você pensa sobre aquela noite?

Finalmente. Ninguém nunca fala sobre aquela noite.

— Quase todos os dias. — eu respondi imediatamente, porque eu


sabia que era o que ele estava pensando. — Penso em como estava cega
pela dor. Eu penso sobre o que teria acontecido se você não estivesse
lá. Será que eu veria Alec novamente, ou eu teria me afastado por
nada? De qualquer forma, na época, eu preferia o nada a ter que ficar sem
ele.

— Nós sentiríamos sua falta, Lexi. — Ryder fechou os olhos e


respirou fundo. — Você sempre vai significar algo para todos que a
conhecem.

Eu sorri para ele, e ele olhou para mim, os olhos cheios de


preocupação. Estendi a mão e passei-a sobre a barba por fazer começando
a crescer em seu rosto.

— Mais do que tudo, eu me lembro de você me chamando e do olhar


aliviado em seu rosto quando eu acordei. Você me salvou em mais
maneiras do que algum dia vai perceber.

Ele me puxou contra seu peito com um grande braço em volta da


minha cintura, aconchegou a cabeça no meu pescoço e me cheirou. Fiquei
espantada com o tanto que era natural a sensação de estar em seus
braços, e fiquei ainda mais surpresa quando comecei a cair em um sono
sem sonhos momentos mais tarde.

***

Ryder acordou na manhã seguinte com um humor estranhamente


eufórico.
— Deixe-me levá-la para sair? — perguntou ele com um pequeno
sorriso sensual. Nós tínhamos acabado de tomar o café da manhã que ele
preparou, e ele não tinha que treinar naquele dia. Era uma ocasião muito
rara, de acordo com ele.

— Aonde vamos?

— É uma surpresa. — ele me puxou para os seus braços e me


abraçou. Parecia que tínhamos chegado a um ponto decisivo, e ele já não
negava seus sentimentos por mim. Seu flerte carinhoso era empolgado, e
eu não iria reclamar.

— O que eu devo vestir?

— Você está bem assim. — eu dei um passo para trás e olhei para o
meu jeans rasgado e camiseta e balancei a cabeça. Eu não sei se
ficaríamos fora a noite toda e sabia que eu ia ficar com frio.

— Vai ficar muito frio à noite para esta camiseta.

Ele olhou para minha camiseta de um jeito malicioso. — Isso é por


que você é fria? — ele estendeu a mão e deslizou rapidamente um dedo
sobre o meu mamilo enrugado, que ficou ainda mais duro. O calor de seu
toque em minha pele sensível fez com que o fogo disparasse no meu
núcleo. Ele moveu lentamente o dedo para baixo até que tocou o pequeno
piercing pendurado no meu umbigo.

—Isso é sexy. — ele caiu de joelhos e rolou a língua sobre a joia,


então no meu umbigo. A sensação acetinada de sua boca contra a minha
pele enquanto ele lambia me enviou chamas de desejo por todos os
poros. Eu agarrei o seu cabelo para me equilibrar, quando a força da
minha excitação fez com que minhas pernas e corpo tremessem, e eu
ficasse molhada. Ele beijou a pele acima do cós do meu jeans, em seguida,
recuou.

— Vamos sair daqui. — disse ele.


Não, vamos ficar aqui. Foi o que meu corpo disse, mas ele
empurrou em direção à porta. Peguei um suéter e segui-o para fora do
apartamento.

Ryder

Nós paramos em um grande estacionamento, e eu olhei para


Alexis. Ela olhou para mim como se eu tivesse perdido a cabeça e
perguntou: — Um parque de diversões?

— Sim, você não gosta?

— Eu costumava gostar. Quero dizer, eu me animo quando vejo um,


mas também há um pouco de nostalgia misturada. Eu nunca estive em
um deles sem Alec.

— Podemos ir para outro lugar.

Depois da noite que ela teve, eu queria fazer algo para vê-la sorrir,
não trazer de volta memórias que fossem deprimi-la. Comecei a girar a
chave na ignição, mas ela colocou a mão sobre a minha ainda em
movimento.

Ela olhou calmamente pelo para-brisa, para o parque. Eu percebi


pelo seu olhar que ela estava visitando um tempo no passado. Eu não
sabia o que dizer, então eu fiquei quieto e deixei que ela tivesse um
momento para recordar Alec. Então ela sorriu sozinha e começou a falar.

— Quando tínhamos oito... — ela começou, com os olhos ainda fixos


no parque. Era como se ela estivesse revivendo enquanto estava me
contando. — Alec decidiu que íamos ao gira-gira, dez vezes seguidas. E eu
sempre topava qualquer coisa que ele dizia.

Disso, eu me lembrava. Quando era mais nova, ela faria qualquer


coisa que Alec e eu disséssemos. Ela confiava em nós incondicionalmente,
e eu sempre queria protegê-la de sua ingenuidade. Eu sabia que ela tinha
uma razão diferente para fazer todas as coisas que eu falava. Sua paixão
por mim era engraçada na época, mas eu me achava velho demais para
ela. Ela sempre foi surpreendentemente bela. Aos treze anos, ela já havia
desenvolvido o tipo de corpo de quinze que eu só admirava quando ela
usava biquíni na praia. Então, quando qualquer outro menino sequer
olhava em sua direção, me certificava de que eles soubessem que ela não
estava disponível.

Ela olhou para mim com um sorriso triste. — Para mim, as ideias de
Alec eram sempre brilhantes.

Eu sorri para ela. — Elas eram muito brilhantes. Lembra o dia que
Alec decidiu que deveríamos escalar três quilômetros da praia até o
lago? Aquela foi uma ótima ideia.

Ela olhou para mim e balançou a cabeça. — Não, foi uma má ideia.

— O quê? Nós nos divertimos muito no lago. Todas as crianças mais


velhas passavam tempo lá.

— Não, você se divertiu com Melanie. Para mim foi horrível, porque
eu tive que ver você babar em cima dela.

— Primeiro, eu não estava babando. E em segundo lugar, você


estava com ciúmes?

Ela revirou os olhos para mim e cruzou os braços. — Não finja que
você não sabia que eu tinha uma queda por você.

Apertei os olhos e fingi surpresa. — Como eu poderia saber?


— Ryder? — ela olhou para mim com uma sobrancelha levantada.

— Ok, eu sabia, mas você era jovem demais para mim.

— Não, eu não era, e Melanie era muito velha para você. Ela tinha
tipo, 20 anos?

— Ela tinha dezoito. E, em sua defesa, ela achava que eu tinha


dezoito também. Você tem que admitir que eu era alto para dezesseis
anos.

— Ela era nojenta. — ela me olhou com uma careta.

— Não é assim que eu me lembro dela.

— Isso é porque você estava muito ocupado olhando para os peitos


dela.

— Ela tinha grandes peitos. — eu sorri com o tanto que ela estava
ficando irritada e com ciúmes.

—Eu tinha peitos. — ela fez beicinho.

—Sim, e eles eram ótimos. Não tão grande como são agora, mas eu
os notava.

— Então você me observava? — seu rosto se iluminou, e ela se


inclinou para mim.

— Claro que sim, mas eu nunca te toquei.

— Por que não? Você não teve problemas em tocar a Melanie no


lago.

— Deus. — eu gemi, fechando os olhos. — Você realmente me


observou.

— Observei até que não aguentei mais.


Ok, talvez eu não devesse ter mencionado essa memória, porque ela
obviamente não aproveitou aquele dia, tanto quanto eu.

— Até que ponto você foi com ela?

— Não muito. — menti. Melanie deixou-me sentir e tocar coisas que


fariam uma Lexi com quatorze anos de idade chorar. Se eu não fosse um
adolescente com tanto tesão, provavelmente teria percebido que eu estava
magoando a Lexi.

— Você sabe que eu teria deixado você tocar os meus.

— Você está louca? — olhei para ela. — Eu nunca teria tocado e nem
deixaria ninguém tocar em você. Além disso, Alec teria tentado arrancar a
minha cabeça.

— Não, ele não tentaria. Provavelmente, você já era faixa preta, e


Alec adorava você.

— Sim, mas eu teria deixado que ele chutasse a minha bunda se eu


tivesse te tocado.

Ela sorriu para mim. — Bem, Logan tirou minha virgindade quando
tinha dezesseis anos, e Alec não chutou a bunda dele.

— Jesus, Lexi! Eu realmente não precisava saber disso.

Ela riu e se inclinou para mim. — Se eu tive que assistir você


acariciar a Melanie, então você pode saber quem eu fodi.

Puxei-a para mim com uma mão na sua nuca, mas ela tentou se
afastar. Movi a mão para o seu cabelo, apertei mais, e puxei-a até que
ficamos a um centímetro de distância.

— Se eu tiver que ouvi-la falar sobre foder alguém, é melhor que


seja porque estou entre as suas pernas te comendo.
Eu bati os lábios contra os dela em um beijo com raiva que a deixou
ciente que ela era minha e era melhor esquecer todos os outros homens
fodidos. Nós nos afastamos ofegantes. Suas mãos estavam emaranhadas
no meu cabelo e os olhos pesados de desejo. Enfiei minha mão na sua
calça jeans e toquei sua boceta molhada, girando os dedos em seu calor
úmido. — Isso sempre foi meu.

— Você me deixou. — disse ela em um tom abafado.

— E eu estou aqui agora.

Ela saiu de seu assento e montou em mim. Meu dedo ainda estava
enterrado nela, e ela falou em suaves gemidos. — Então, quando você vai
me fazer sua?

Porra! Ela começou a esfregar na minha mão e beijar meu pescoço,


e eu jurava que nenhuma outra mulher tinha deixado o meu pau tão
duro. Eu sabia que precisava transar com ela em breve, mas não em um
carro em um estacionamento do parque de diversões. Eu queria fazer
amor com ela na minha cama, então fodê-la contra a parede, e depois
lamber sua boceta doce até que ela desmaiasse de prazer.

Sua respiração ficou presa, e ela endureceu sobre mim. Eu


continuei a empurrar meus dedos dentro dela e rolar meu polegar sobre
seu clitóris até que ela engasgou e pulsou contra o meu dedo. Ela encostou
a cabeça no meu ombro e respirou pesadamente contra a minha pele. —
Vamos para casa.

— Não, eu quero levá-la ao parque de diversões.

Ela levantou a cabeça e me deu um olhar incrédulo. Ela se abaixou e


colocou sua mão sobre a minha ereção dura como pedra.

— Eu acho que você quer ir para casa. — ela beijou meu queixo
enquanto acariciava-me através do jeans. Os sons de um grupo de pessoas
rindo caminhando me fez lembrar onde eu estava antes da minha
necessidade quase tomar conta da minha cabeça. Agradeci a Deus pelo
vidro fumê, que nos deixavam quase imperceptíveis. Eu puxei a mão para
fora da sua calça e usei-a para mantê-la distante.

— Não. Pule fora do meu colo e me dê um minuto para me


acalmar. Então vou te levar para o parque, e nós vamos andar e ir no gira-
gira dez vezes pelo Alec.

Seus olhos se arregalaram, e ela balançou a cabeça


vigorosamente. — Nããão. Eu só cheguei a sete vezes e meia naquele dia.

— Meia?

— Sim. — ela disse ao voltar para o seu lugar. — Eu vomitei na


oitava volta, e não vou me envergonhar vomitando na sua frente.

Eu sorri para ela. — Acho que você já passou esse marco no meu
banheiro na outra noite.

— Ugh. — ela fez uma careta. — Eu realmente sei como mantê-lo


interessado.

— Você nunca teve problema para me deixar com tesão e


interessado... — eu olhei para o nó apertado na frente da minha calça
jeans e depois para ela. — Vamos, antes que eu mude de ideia.

Corremos pelo estacionamento, e ela passou horas comendo


tranqueira que eu não podia, e, em seguida, nós fomos ao gira-gira onze
vezes em memória do nosso irmão Alec.

— Você está com fome? — eu deixei minhas chaves sobre a mesa ao


lado da porta, enquanto caminhávamos em direção à cozinha.

— Você não acha que já comemos o suficiente esta noite?

Após o parque, paramos no bar para tomar uma bebida. Uma


bebida que se transformou em muito mais bebidas e ainda mais danças.
Ela ficou me olhando com aquele olhar faminto a noite toda, e eu
sabia o que queria, mas eu não queria transar com ela enquanto ela
estivesse bêbada. Ela sentou-se na ilha da cozinha e me observou. Ela
nem sequer disfarçou seu interesse em mim quando eu me virei e peguei-
a admirando o meu corpo abertamente.

Eu coloquei um grande prato de vegetais crus na nossa frente, e ela


franziu a testa para mim.

— Trata-se de algum tipo de sinal que eu preciso perder peso?

Eu ri e coloquei uma cenoura na boca.

— Tudo o que você precisar para manter esse traseiro tão gostoso,
eu ficarei feliz em providenciar. Assim... — eu apontei para o prato entre
nós. — É como eu mantenho meu corpo bonito o suficiente para mantê-la
sempre voltando.

— Como posso voltar a algo que eu nunca tive?

Eu sorri para ela antes de morder um pedaço de aipo. Estudei seu


rosto por alguns momentos em silêncio, e ela começou a se contorcer no
assento. Ela estava cansada e parecia um pouco triste também.

— Eu sei que sempre que vejo um vislumbre da Lexi feliz, você


desliga. Por que você não se permite ser feliz?

— A realidade está no caminho da minha felicidade. — ela


respondeu honestamente. — Toda vez que eu começo a me sentir feliz, a
realidade me dá um tapa na cara.

— Você já pensou que enfrentar a realidade pode fazer você ver


todas as suas opções de forma mais clara? — comecei a limpar o
balcão. Ela não respondeu a pergunta, e eu sabia que ela não iria. Passei
por ela, puxei a minha camiseta sobre a cabeça.

— Vamos, vamos levá-la para a cama.


— Vamos fazer sexo? — ela sorriu sedutoramente e bateu na minha
bunda. Ela riu da minha expressão de espanto e agarrou a minha mão.

— Nada de sexo hoje à noite. Bebemos muito.

Ela gemeu até que nos acomodamos na cama. Então ela adormeceu
instantaneamente. Quando comecei a cochilar, eu soube que estava
chegando mais perto de Alexis do que eu queria, mas eu não estava
disposto a desistir de tê-la em minha vida ou segurá-la em meus braços à
noite.
Capítulo Dezessete
Ryder

Alexis saiu do banheiro com o vestido mais curto e apertado que eu


já a tinha visto usar. A cor marfim contrastava com as tranças escuras e a
pele beijada pelo sol, mas o corte V profundo na frente me fez ficar
apreensivo. Suas pernas ficaram sexy no salto preto. Ela me disse que
pegaria um táxi para encontrar uma amiga no clube que fomos há uma
semana. Eu não a deixaria ir vestida daquele jeito sem mim ao seu lado de
jeito nenhum.

Quando nos sentamos no bar, um número de homens olhou para


ela com interesse aberto. Ela ria e conversava com a sua amiga, alheia a
agitação que ela estava fazendo naquele vestido.

— Por que você simplesmente não mija na perna dela? — disse


Ty. Eu mandei uma mensagem para ele me encontrar aqui antes de sair
de casa. A última coisa que eu precisava era colocar o meu punho no rosto
de outra pessoa.

— Sério, homem, cara feia para todo mundo que olha para ela não
vai mantê-los longe.

Alexis estava sentada à esquerda de costas, então eu fui forçado a


voltar-me para Ty no lado oposto. — Por que ela tem que
usar aquele vestido?

— Você não entendeu. — Ty riu e levantou-se, caminhou em volta


de mim, e sussurrou algo para Alexis.

Que diabos foi isso?


Alexis sorriu para ele, me deu uma rápida olhada, e então ele pegou
a mão dela e levou-a para a pista de dança. O idiota olhou para mim e
sorriu. Ele sabia que se fosse qualquer outra pessoa, eu chutaria a bunda
dele.

— Ei, Noah. — Shelby acenou quando um novo bartender


apareceu. Ele inclinou a cabeça na direção dela, acenou com a cabeça e se
moveu para o outro lado do bar. Shelby olhou para mim e deslizou sobre o
assento. — Eu acho que essa é a minha chance de lhe agradecer por salvar
Lexi aquela noite.

— Nada do que me agradecer. — eu peguei a garrafa e bebi minha


cerveja. Ela sorriu.

— Você é modesto. Eu gosto disso. Mas falando sério,


obrigada. Lexi me mantém sã sem perceber. Quando Alec estava aqui,
Lexi e eu não erámos tão próximas. Nós nos unimos através da perda e eu
sei que Alec ficaria feliz em ver o quanto nos amamos agora. — a
expressão triste atravessou seu rosto, e eu percebi que era difícil para ela
falar sobre Alec.

— Ela parece estar melhor. Você a ajudou.

— Nós nos ajudamos, mas você a impediu de pular fora.

— Eu? Eu não falava com ela há anos. Eu quis ligar em muitas


ocasiões, mas não liguei. Eu achava que não conseguiria ajudá-la.

— Aquelas mensagens de texto... Ela as valorizava. Toda vez que


você enviava uma eu sabia, porque era quando ela ficava animada. Ela me
contava que você a checava com um pequeno sorriso no rosto. Ela se
preocupava com você, e eu odeio dizer isso para você, mas, por favor, não
a machuque.

— Eu não pretendo.
— Levou um longo tempo para ela chegar onde está. Eu não quero
que você destrua tudo o que ela trabalhou tão duro para reconstruir. —
era exatamente disso que eu estava com medo. Era a razão pela qual eu
estava tentando me segurar.

— O que vocês dois estão cochichando? — perguntou Alexis quando


ela e Ty voltaram.

— Só estou tentando conhecer o Ryder. — disse Shelby, piscando


para mim, e então gritou por mais dois Martinis. Quando ela voltou para
o seu assento, Logan sentou. Ela olhou para ele e fez uma careta, mas ele
não percebeu porque só tinha olhos para Alexis.

— Lexi. — ele chamou, mas ela ignorou-o, afastando-se dele até que
ficou entre as minhas pernas.

— Oh, Logan. — exclamou Shelby com falso entusiasmo. — Você


conheceu Ryder? — era óbvio que ela não era a sua maior fã e estava
tentando me usar contra ele.

Ele olhou para mim e encolheu os ombros. — Sim, meio-irmão da


Lexi, ou algo assim.

— Ou algo assim. — Lexi respondeu. Ela se aproximou de mim,


colocando as mãos no meu peito e em seguida arrastou-as para
baixo. Suas mãos macias acariciaram minha barriga, fazendo com que os
músculos do meu abdômen se apertassem. Seus dedos criaram pequenas
ondas de choque no meu sistema. Meu pau ficou tenso na minha calça
jeans em resposta aos seus toques leves. Na minha visão periférica, eu vi
Logan estreitar os olhos. Ele pegou sua cerveja e fingiu estar mais
interessado nela do que no show de Lexi.

Ela estava tentando enviar uma mensagem ao idiota, e eu fiquei


muito empenhado em mantê-lo longe da minha garota. Ela se inclinou, e
ele parou de beber para olhar para ela. Ela deslizou sua mão na minha
cintura e pressionou seu corpo contra o meu. Ela cheirava a
baunilha. Completamente comestível. Ela beijou sob meu queixo, em
seguida, enfiou a língua para fora, lambendo-me de uma maneira que me
fez querer tê-la bem ali.

Merda. Eu sabia que ela podia sentir a reação do meu corpo. Ela
beijou todo o caminho da minha mandíbula, em seguida lambeu os lábios,
inclinando-se para beliscar meu lábio com os dentes.

Logan bateu a garrafa no bar, mas eu não poderia me importar


menos com ele. Ele caminhou até nós, mas eu estava com a mão no
quadril de Lexi e seus lábios pressionados aos meus. Ele puxou seu braço,
e ela interrompeu o beijo com um sorriso malicioso.

— Nós precisamos conversar. — disse ele com os dentes cerrados,


puxando-a do meu braço para a borda da pista de dança. Eu estava
tentado puxá-la de volta para que ela pudesse continuar sua doce tortura,
mas Ty me agarrou e me deu um olhar que dizia para me acalmar. Pensei
em dar três minutos para Lexi recuar antes de ir lá e ter que buscá-la.

— O que aconteceu entre eles? — eu perguntei para Shelby.

— Você devia perguntar a Lexi. Mas ela ainda o considera amigo.

Sim, Shelby definitivamente não gostava de Logan, e eu estava com


ela. Eu não ligava para o que ele era em sua vida, eu não o queria perto
dela nunca mais. Se eu tivesse ficado por perto, ele nunca teria tido a
oportunidade de ter Lexi primeiro. O pensamento dele tocando uma
inocente de dezesseis anos de idade fez meu estômago revirar.
Capítulo Dezoito

Alexis

— Que porra você está fazendo? — eu cruzei os braços e olhei para


longe enquanto Logan gritava comigo. — Você sabe o que um cara como
ele vai fazer com você? — ele continuou.

— Eu não sei, Logan. Algo parecido com o que você fez comigo? —
eu levantei uma sobrancelha e olhei para ele. Ele se encolheu, deu um
passo para trás, e então suspirou.

— Eu era jovem e estúpido. Você sabe que sinto muito por tudo o
que aconteceu. Eu sei que posso ser o que você precisa agora. Ele... — ele
apontou para Ryder, em seguida, olhou para mim. — Ele é um lutador
famoso. Ele leva uma mulher diferente para a cama todas as noites.

Ele colocou as mãos em meu rosto. — Eu sinto sua falta. — declarou


e se inclinou para me beijar. Virei a cabeça a tempo de os lábios pousarem
na minha bochecha. — Você não sente a minha falta?

— Quando é que você vai conseguir entender que eu não quero o


que você quer? — perguntei-lhe na voz mais calma que consegui. — Não
há mais volta para nós.

Ele passou a mão pelo seu cabelo loiro, então a descansou no


quadril. Ele estava ficando com raiva, e isso era algo que eu tinha me
acostumado. Ele era um homem adulto que tinha ataques quando não
conseguia o que queria.
— Olha, Lexi, eu sei que você já passou por muita coisa, mas é hora
de viver a sua vida. Não existem muitos homens que aguentariam sua
atitude desinteressada. Eu esperei por você...

— Eu não pedi isso para você! — minha paciência se esgotou. Eu


não estava no clima para outro de seus discursos.

Dei um passo para longe dele, mas ele agarrou meu braço para
impedir minha saída. — Nós não terminamos de conversar.

— Sim, nós terminamos. — eu balancei a sua mão, mas ele me


puxou de volta. Eu bati contra ele e olhei seus olhos irritados.

— Você é uma vadia fria, às vezes. — ele rosnou para mim. O


quê? Algo mudou em seus olhos. Uma raiva que eu nunca tinha visto nele
brilhava lá.

— Logan...

— Eu acho que você precisa soltá-la. — disse Ryder quando chegou


atrás de Logan.

Logan olhou por cima do ombro antes de voltar para mim. — Ele vai
te machucar mais do que eu. — ele soltou meu braço e empurrou Ryder no
caminho de volta para o bar. Ryder olhou para ele, e eu percebi que ele
estava pensando em ir atrás de Logan. Eu puxei o braço dele e ele virou-se
para mim, sua expressão nervosa suavizou.

— Aquele cara é um idiota. — ele olhou de volta para o bar, onde


Logan virou uma dose e gritou para o garçom pedindo outra.

— Sim, ele é.

Ele olhou para mim com uma sugestão de sorriso. O ar entre nós
esquentou, e eu precisava estar mais perto. Eu ainda podia sentir sua pele
suave sob a minha língua. Eu fiz aquilo para irritar o Logan, para fazê-lo
ver que o que tínhamos realmente acabou, mas a eletricidade entre Ryder
eu era inconfundível. Cada segundo com ele estava incorporado em minha
mente, e eu queria que ele ficasse lá.

Eu tentei passar por ele para voltar para Shelby, mas ele me puxou,
seus dedos afundaram nos meus quadris. — Por que você sempre tem que
me testar?

— Eu não estava tentando testar você, Ryder. — eu consegui dizer


com seu hálito quente fazendo calafrios correrem pela minha espinha. Ele
beliscou meu pescoço, e eu gritei e olhei para ele.

— Você vem aqui vestida desse jeito, sabendo que vai me deixar
louco. Então você me usa para provocar aquele idiota. E se isso não fosse
ruim o suficiente, você permite que ele coloque os lábios em você. O show
que você fez não era necessário. Eu não vou deixar ninguém mais ter você,
Lexi.

Eu tentei empurrá-lo, mas seu poder sobre meus quadris era


firme. — Você não é meu namorado, Ryder. Você não é nem meu irmão de
verdade, então você não pode controlar a minha vida.

Ele moldou o meu corpo no dele e encostou sua excitação


inconfundível contra mim. — Isso parece com amor fraternal? — ele
sussurrou. — Eu não quero ser seu irmão, e eu nem sequer preciso ser seu
namorado. Eu só tenho que ser o único homem que se acomoda entre as
suas pernas sexys e a envolve.

Ele correu a língua quente no meu pescoço, e eu jurava que fiquei


segundos de distância de combustão na pista de dança. A multidão em
torno de nós tornou-se uma névoa embaçada que a música fluía. Ryder
lambeu minha clavícula, e, em seguida, moveu-se para entre meus seios.

— Ryder. — gemi e tentei afastá-lo. Eu precisava de um pouco de


espaço para ter uma perspectiva lógica, mas ele me negou. Ele segurava e
chupava a pele na parte superior do meu peito. Se a pista de dança não
estivesse tão cheia, eu tinha certeza que seríamos um enorme espetáculo.

Suas mãos finalmente soltaram meus quadris, apenas para mudar


de posição e pousar na minha bunda. Ele me mantinha prisioneira, mas
eu era uma muito bem disposta.

— Ryder, não podemos fazer isso aqui. — eu nem sequer reconheci


a minha voz quando ela saiu.

Ele finalmente se afastou, apenas para descansar a cabeça contra a


minha testa. Seus olhos estavam tão dilatados que já não pareciam
azuis. Ele olhou para mim, sua respiração pesada com a necessidade.

— Deixe-me levá-la para casa para que possamos parar de fingir


que não precisamos um do outro mais do que qualquer outra coisa.

— Sim. — eu consegui sussurrar. Seus lábios roçaram os meus, e ele


respirou fundo antes de pegar minha mão e me arrastar de volta para o
bar. Nós nos despedimos rapidamente. Shelby e Ty nos deram sorrisos
cheios de significados antes de voltarem à conversa. Logan ainda estava
lá, atirando punhais com o olhar na minha direção. Noah estava
debruçado sobre o balcão, sussurrando algo para ele. Eu achei estranho,
porque Noah odiava Logan, mas Ryder me puxou para a porta antes que
eu pudesse interrogá-lo.

Eu estava mais nervosa ao subir na garupa da moto de Ryder neste


momento. Era muito mais fácil flertar com ele quando eu estava
embriagada. A atração entre nós era muito mais forte do que admitíamos,
e eu estava, definitivamente, com medo que fosse difícil conter algumas
emoções uma vez que dormíssemos juntos.

Quando chegamos a sua casa, eu o segui em silêncio até o


elevador. Eu sabia que era minha última chance de voltar atrás, mas eu
não poderia, mesmo se eu quisesse. Meu corpo estava muito em sintonia
com o dele, e isso tomava a minha mente. Ryder olhou para mim, depois
para a porta se fechando, e aproveitou vindo para cima de mim. Ele me
apoiou contra a parede do elevador tão rapidamente que me agarrei a ele
para manter o equilíbrio.

Ele me levantou, envolvendo minhas pernas em volta de sua cintura


enquanto sua língua invadiu minha boca. Hoje à noite eu ficaria com
Ryder em força total, e não havia nada que eu pudesse fazer para pará-
lo. A porta se abriu, e ele quebrou o beijo enquanto se atrapalhava para
pegar as chaves no bolso. Eu grudei em sua garganta imediatamente,
correndo minha língua ao longo da veia que estava tensionada em seu
pescoço grosso, e então eu chupei sua pele. Ele era melhor do que eu me
lembrava. Ele apertou minhas costas contra a porta enquanto tentava
colocar a sua chave na fechadura.

Quando a porta finalmente se abriu, ele tropeçou no apartamento e


fechou a porta atrás de nós. Seu corpo grande me empurrou contra uma
parede, e sua respiração acariciou minha orelha. — Última chance. — ele
sussurrou. — Você ainda pode fugir antes que arruíne isso.

— Arruinar o quê? — eu perguntei com uma voz trêmula. A


adrenalina pulsando nas minhas veias ampliava tudo o que eu sentia. Seu
perfume era delicioso, picante, e perigoso. Eu precisava provar. Coloquei
a minha língua para fora, e ele respirou fundo enquanto eu acariciava sua
pele macia com a língua. Ele era doce e salgado, sabores opostos que se
complementavam.

— Arruinar tudo o que você vem tentando se segurar. A inocência


da nossa relação vai acabar. Eu nunca vou deixar você sair com outro
homem. Você nunca poderá comparar, de qualquer maneira. — disse ele
com um sorriso malicioso.

— Um pouco arrogante?
Seus lábios esmagaram os meus como se estivessem tentando
provar algo, e eu abri a seu comando, curiosa. Sua língua era tão letal
como prometida, porque eu estava começando a perder o meu processo
de pensamento enquanto ele me consumia, sugava e bebia da minha boca
como um homem morrendo de sede. Seus dedos agarraram a parte de
trás das minhas coxas enquanto ele me carregava sem esforço pela sua
casa. Eu apertei automaticamente minhas pernas ao redor de sua cintura,
agarrando o seu ombro e cabelo.

Nossos lábios ficaram grudados até ele me jogar no meio de sua


cama grande. Ouvi um clique, e o quarto se encheu de luz suave. Os meus
olhos ajustaram, ele estava sobre mim, me beijando e esfregando sua
ereção massiva entre as minhas coxas. Ele me tocava de um modo
esmagadoramente agressivo, atacando todos os meus sentidos ao mesmo
tempo. Eu provei-o na minha boca, eu senti suas mãos explorando o meu
corpo, e o seu cheiro persistente no ar estava me fazendo delirar. Seus
gemidos me tentavam a empurrá-lo de costas e realmente fazê-lo rugir.

Eu mantive meus olhos fechados porque eu sabia que a visão dele


elevando-se sobre mim seria minha ruína. Suas feições suaves tinham um
aspecto áspero. Ele era uma grande anomalia. Nada parecido com os
caras que eu estava acostumada a ter por perto. Ele era único em todos os
sentidos, superava qualquer homem que eu tinha me relacionado, e ele
mal tinha me tocado ainda.

Sua mão deslizou sobre meu peito. Eu arqueei para ele. O esforço
para levá-lo a aliviar a dor em meus mamilos eretos era inútil porque ele
estava no comando e só me dava pequenos pedaços de prazer. Ele afastou
a boca dos meus lábios, e eu senti falta da sensação imediatamente. Olhei
para ele sob as pálpebras pesadas quando ele se ajoelhou entre as minhas
coxas e mordeu o lábio inferior.

Deus, isso é sexy.


Ele estendeu a mão, e antes que eu pudesse detê-lo, ele subiu a
parte superior do meu vestido até os meus seios e rasgou-o ao meio.

— Que diabos? — engoli em seco enquanto eu tentava sentar e olhar


para o meu vestido favorito, mas ambas as mãos em concha foram para os
meus seios nus, e eu imediatamente caí de volta para a cama, fraca pelo
prazer. Ele beliscou meus mamilos, e foi como se tivesse acariciado meu
clitóris. Choques de prazer me tomaram enquanto minha cabeça virava de
um lado para o outro no travesseiro. Justo quando pensei que estava no
meu ponto de ruptura, sua língua quente envolveu um dos bicos dos meus
seios sensivelmente rígido. Ele chupou gentilmente e meus gemidos
ecoavam pela sala. Ele mordia e lambia repetidamente antes de fazer o
mesmo com o outro. Eu estava à beira de algo grande.

— O que você precisa? — ele murmurou contra meu mamilo


torturado.

Esqueci-me de ficar envergonhada e choraminguei. — Eu preciso


gozar. Por favor, deixe-me gozar. — eu implorei. Sua mão foi
imediatamente para a minha calcinha, puxando o tecido de lado.

Ele deslizou as pontas dos dedos sobre a carne molhada entre


minhas pernas enquanto gemia, acariciando levemente o meu clitóris. Ele
mergulhou dois dedos grossos em minha umidade apertada, e eu perdi o
fôlego. Ele chupou forte o meu mamilo, seus dedos cutucando no meu
lugar mágico perfeitamente. Um suspiro saiu da minha boca firmemente
fechada, então eu explodi. Eu tinha certeza de que estava tendo uma
experiência extracorpórea, porque tive a sensação de estar em outro
plano. Minha mente desligou, e tudo que eu pude fazer foi sentir a
adrenalina da sensação vertiginosa que fluía através de mim.

Quando olhei para baixo, eu o senti tirando minha calcinha. Deitei


mole na cama, porque eu não tinha a capacidade de me mover. Do mesmo
modo como meus olhos ficaram pesados e começou a fechar, meu corpo
foi jogado para alta excitação quando sua língua acariciou meu
clitóris. Ele fez círculos preguiçosos com a língua sobre o broto inchado,
me trazendo de volta para um passeio selvagem ao êxtase. Ele se afastou,
e meu quadril subiu para seguir a língua que ele tinha tirado de mim. Eu
gemi em frustração e ele se esquivou de meus esforços. Ele se inclinou e
lambeu cada mamilo.

— Você tem um gosto incrível. — ele agarrou minhas coxas e


mergulhou de volta. Ele não deixou nada intocado, lambeu e chupou
minhas dobras, em seguida, voltou a chupar suavemente meu clitóris
entre os lábios. Minhas mãos agarraram o lençol quando gozei mais forte
do que antes. Ao som do meu primeiro grito, ele empurrou um dedo em
mim e eu rompi de novo. Eu senti meus músculos apertando em torno de
seu dedo enquanto ele manobrava para dentro e para fora, ainda
lambendo meu gozo gentilmente.

Acabada. Eu estava totalmente e completamente acabada, e ainda


não o tinha totalmente. A cama se moveu quando ele saiu de cima, e eu o
observei tentando recuperar o fôlego. Ele tirou a camisa e jeans
rapidamente enquanto eu absorvia a visão de seu corpo esculpido. Seus
dedos deslizaram na sua cueca boxer, e eu me apoiei no cotovelo,
observando-o animada que ele revelasse essa parte de si mesmo.

Ele a abaixou pelas coxas musculosas, e seu membro grosso se


projetou orgulhosamente. Ele não era assustadoramente longo, mas era
assustadoramente grosso. Um arrepio nervoso passou pelo meu corpo
quando eu pensei no tanto que ele ia me esticar. E qual a sensação do
piercing?

Os homens que eu tinha dormido antes dele acabavam rápido e


pareciam garotos em comparação. Eu estava fazendo exatamente o que
ele disse que eu faria. Estava comparando-o a outros homens que eu tinha
estado com ele. Parecia que ele já tinha me arruinado, sem sequer me
possuir plenamente.
Quando ele subiu na cama e rastejou entre as minhas coxas, eu
notei a tatuagem que não pude ver completamente antes. Exatamente no
seu quadril tinha uma lua crescente tatuada em tinta preta. — Isso é…?

Oh meu Deus! Ele tem uma tatuagem da lua? Minha lua. Como é
que eu não percebi isso antes?

Eu estendi a mão, correndo a mão sobre o desenho escuro. Era


quase exatamente igual a que eu usava no meu colar, exceto que a dele
parecia peças juntas de um quebra-cabeça.

— Por que você fez isso? — eu olhei para ele, minha cabeça cheia
com perguntas.

— Podemos falar sobre isso mais tarde? — ele estava


completamente fascinado pela umidade entre as minhas pernas. Ele
correu um dedo sobre ela, e eu tremi.

— Podemos falar agora? — Se a tatuagem queria dizer o que eu


pensava, nós precisávamos conversar imediatamente. Ele olhou para
mim, então falou.

— Honestamente, eu não consegui parar de pensar em você depois


daquela noite no oceano. Parecia a coisa certa.

— Por que é um quebra-cabeça?

— Você me disse que Alec falava que você era a lua dele, mas
naquela noite você estava quebrada. A tatuagem são os pedaços de você
juntos de novo.

O quê? Eu quero dizer… Uau.

Seus olhos estavam sérios quando ele se inclinou sobre mim e


agarrou um preservativo na mesa de cabeceira. — Eu preciso entrar em
você, Lexi.
Ele estava desesperado para me reivindicar, mas a tatuagem
realmente me balançou. Todo esse tempo eu achava que estava em
segundo plano para ele. Parece que eu estive em sua mente tanto quanto
ele na minha. Ele rasgou o pacote e começou a rolar o látex pelo seu eixo.

Sua pele quente me cobriu quando ele deitou em cima de


mim. Senti-o cutucando o meu centro, e fiquei tensa. Ele olhou em meus
olhos, dando um beijo suave nos meus lábios. — Não tenha medo,
baby. Eu vou cuidar de você. — naquele instante, o medo tomou conta de
mim. Não um medo de qualquer coisa física, mas das emoções no meu
coração. Em seus olhos, eu vi e senti algo que eu escondia há anos. Eu
estava aterrorizada com a possibilidade de ser ferida de uma maneira
mais profunda do que física. Este homem me faria querer mais.

Ele já me fez sentir mais nesta última semana do que em três


anos. Eu sabia que se eu o deixasse entrar dessa maneira, ele consumiria
minha vida. Eu queria sentir a miríade de sensações que ele provocava no
meu corpo todos os dias. Sua barba arranhou meu rosto quando ele
acariciou a minha nuca, e seu pau grosso pressionou a minha entrada.

— Pare. — eu sussurrei, fazendo com que seu corpo congelasse e sua


cabeça subisse. Sua expressão era faminta quando ele olhou em meus
olhos. Seus olhos azuis eram pequenas lascas sob as pálpebras pesadas
conforme ele lutava para conter-se.

— O que está errado?

Eu balancei a cabeça contra o travesseiro e empurrei contra os


músculos tensos de seu peito. — Eu não posso.

— Fale comigo, Lexi.

— Eu simplesmente não posso. — ele olhou nos meus olhos com


pesar, suspirou profundamente, e descansou a testa entre os meus seios.
— Dê-me um minuto. — ele murmurou contra a minha pele. Suas
respirações firmes acariciavam meus bicos endurecidos, e eu lutei contra
a vontade de empurrar meus quadris para cima e deixá-lo afundar
totalmente. Quando ele finalmente se afastou e balançou as pernas para
fora da cama, minha boceta protestou e chamou-me de todos os tipos de
nomes por deixar escapar o homem que eu sabia que iria me mostrar o
paraíso.

Ignorei todas as mensagens que meu corpo estava enviando e usei a


cabeça para formular um plano de fuga. Meu vestido estava rasgado na
altura da minha barriga, então eu não poderia sair daqui com ele. O som
da água correndo no banheiro significava que eu teria alguns minutos
para me trocar, pegar minhas coisas e sair daqui sem uma conversa
desconfortável. Saltei da cama e peguei sua camiseta do chão, puxando-a
sobre a minha cabeça. Encontrei a calça de moletom que eu tinha deixado
sobre a cama mais cedo e a vesti. Enquanto eu equilibrava em um pé para
colocar os sapatos, eu tropecei para trás, batendo contra uma parede dura
de músculo. O chuveiro ainda estava ligado, então eu imaginei que ele
ainda não tinha saído.

— Saindo sem dizer adeus? — ele rosnou em minha orelha, sua mão
na minha barriga me puxando de volta para ele.

Virei-me e desejei que eu não tivesse feito isso. Ele ainda estava em
toda a sua glória nua com uma raiva, excitação que realmente precisava
de atenção. Depois dos dois orgasmos incríveis que ele me deu, me senti
horrível deixando-o neste estado. Eu queria colocá-lo na minha boca e
aliviar sua dor, mas se eu fizesse isso, iria longe demais para parar as
coisas. Tudo nesse homem era viciante, e eu sabia que seu gosto na minha
língua nunca seria apagado.

Ele estendeu a mão e passou-a pelo meu cabelo, então seu aperto
aumentou quando ele levou o meu rosto a um centímetro do seu. — Não
vá a qualquer lugar. Nós precisamos conversar. Se você tiver saído
quando eu acabar, eu vou encontrá-la e arrastá-la de volta.

— Ryder, eu acho que não devo ficar. Talvez nós dois precisemos de
algum espaço.

Ele inclinou-se e correu o nariz no meu pescoço, me inspirando.

Por que ele tem que ser tão intenso e convincente?

Arrepios cobriram a minha pele quando a sua língua provocou a


pele debaixo da minha orelha.

E absolutamente sedutor.

— Eu preciso de você aqui. — sua voz estava rouca e pesada com


desejo. — Não faça isso. — E como apareceu abruptamente, ele se virou e
desapareceu pela porta do banheiro. Contra o meu melhor julgamento, eu
voltei para a cama, mas sabia que eu estava muito ferrada para dormir.
Capítulo Dezenove
Ryder

Antes mesmo de abrir os olhos, eu sabia que ela tinha ido


embora. O calor de seu corpo tinha sumido, e eu tinha certeza que não a
encontraria em qualquer lugar do apartamento. O que aconteceu na noite
anterior foi indomável, selvagem, e talvez um pouco induzido pelo
álcool. Eu tinha lutado contra o que eu sentia por ela por muito tempo.

Consegui convencê-la a passar a noite, mas ela ficou tão quieta e


rígida que eu sabia que tinha atingido uma parede de tijolos. Eu não tinha
certeza se podia ficar com raiva dela ter fugido antes do sol nascer, porque
a conexão que senti com ela me assustou também. Eu tinha me metido
numa situação em que algo bonito poderia se transformar em algo feio e
destruir ambos.

Desci para a academia, pensando em afugentar os meus problemas


com Lexi com exercício vigoroso, mas em vez disso, eu entrei em um
desastre. Meu coração despencou, minha respiração parou quando
vi. Uma das grandes janelas na frente da academia estava
quebrada. Ainda estavam juntas, mas as linhas intrincadas tornava
aparente que alguém tinha tentado quebrá-la. A outra janela não estava
rachada, mas algo estava escrito nela. Alguns dos lutadores que chegaram
antes de mim estavam conversando. Quando entrei, eles ficaram em
silêncio, todo mundo me olhando, esperando uma reação.

Larguei minha bolsa e fui direto para a porta. No lado de fora,


parecia pior. As palavras ―ela é uma prostituta‖ estavam no vidro e
pintadas com spray. Fogo ferveu na boca do estômago. Eu queria matar
alguém. Eu queria pegar quem foi o responsável e esmagar sua cabeça
contra o vidro quebrado. O pensamento de alguém me ameaçando
anonimamente me deixou furioso.

Ty saiu pelas portas e sussurrou. — Droga... — ele olhou para mim


com um olhar nervoso. — Você está bem?

— Foda-se, não! Eu pareço bem para você? — infelizmente para Ty,


ele sempre recebia o peso da minha agitação. — Lexi foi embora na noite
passada, então eu venho aqui e tenho que lidar com esta merda. O
veadinho nem foi mesmo homem suficiente para dizer na minha cara.

— Por que você não me deixa lidar com isso? — eu deixei. Eu me


afastei do edifício porque eu precisava de um pouco de ar. No momento
que voltei, Ty já tinha apresentado queixa e chamado alguém para limpar
e consertar as janelas. Levaria três dias para reparar, e eu sabia que em
cada momento que eu tivesse que olhar para isso eu ia ficar mais puto.

— Vamos para uma corrida. — disse Ty, logo que eu pisei na


academia. O ar fresco da manhã e a queimação em meus músculos
deveriam ajudar a me afastar longe de tudo, mas não estava funcionando.

— Ela está me quebrando. — eu arfava conforme Ty e eu corríamos


até a colina. Ty fez uma pausa e, em seguida, dobrou a velocidade para me
acompanhar.

— Você acha que isso é engraçado? — eu fiz uma careta para o seu
rosto divertido.

Ele balançou a cabeça antes de dizer. — Não há nada engraçado


sobre o amor e a dor que vem com ele, mas é um pouco divertido ver isso
acontecer com alguém como você.

— Sim, minha vida amorosa é uma piada.


— Não foi que eu quis dizer. Olhando para você do lado de fora, eu
sei que essa coisa com Alexis significa muito para você. Tenho certeza que
tudo vai valer a pena no final.

— O que você é, o médico do amor?

Ele riu. — Olha, Ryder, o caminho para o amor é longo e difícil. A


julgar pela sua atitude ultimamente, você está cansado da parte
difícil. Frustração sexual é uma cadela.

Sua risada soou distante quando eu aumentei o ritmo descendo o


morro e deixando-o para trás.

Eu fingi não estar esperando Alexis quando voltamos para a


academia, mas no momento que ela entrou duas horas mais tarde, tudo
pareceu ter paralisado, e eu parei abruptamente de bater no saco pesado
para assistir a sua caminhada até a mim.

— O que aconteceu com a janela? — exclamou ela, com os olhos


arregalados e angustiados.

— Alguém deixou-nos uma mensagem. Ainda acha que seu amigo


Logan é inocente? Ele nos observou saindo na noite passada.

Ela suspirou passando uma mão pelo cabelo. — Eu não sei. Tudo
está tão confuso. Talvez eu e você devêssemos apenas voltar a ignorar um
ao outro.

— O quê? Nós precisamos conversar. Agora!

Ela olhou para mim e balançou a cabeça, seguindo-me para o


escritório.

— Por que você foi embora? — perguntei, logo que a porta fechou.
Ela suspirou, inclinando-se de costas contra a porta. Provavelmente
ela não saiu de perto da porta, porque queria fazer uma fuga rápida. — Eu
não sabia que eu era obrigada a ficar para o café da manhã.

— Não faça parecer como se o que aconteceu não significou nada,


porque significou...

— Não quis dizer nada disso! — ela gritou quando finalmente


deixou seu posto na porta e andou até mim. — Olha, Ryder, estamos
atraídos um pelo outro desde o início. O que aconteceu seria o próximo
passo, mas paramos. Então, por que nós temos que fazer parecer que é
mais do que é?

Seu comportamento era tão frio e ela estava tão fechada, que eu
sabia que não importava o que eu dissesse, eu não ia chegar até ela. Eu
estendi a mão e a puxei contra mim. Ela se encolheu com o contato.

— A razão pela qual você correu esta manhã não é porque não há
nada entre nós. Você correu porque você sente isso também. Você pediu
por isso a semana toda, então o que mudou? — eu aproximei mais o rosto,
e seus olhos fixaram nos meus lábios, sua respiração ficou curta e
difícil. Ela pode ser boa em esconder suas emoções, mas seu corpo reagia
a mim da mesma maneira que o meu respondia a ela.

— Você estava certo. Somos amigos, e eu não quero estragar isso. —


argumentou.

— Sim, eu pensei que nós pudéssemos fazer isso funcionar, mas


agora eu preciso de mais. Preciso te fazer minha, ver você sorrir ao meu
lado na parte da manhã, e ouvi-la gemer meu nome durante a noite.

— Deus, Ryder. Por que você está dizendo essas coisas? Nós nos
divertimos. Agora acabou.

— Diversão. — eu ri de sua atitude indiferente. — Se eu quisesse me


divertir, eu poderia ter trazido qualquer mulher daquele bar para casa e
fodido. Mas isso é tudo que você tem para oferecer, não é? Você me
implorou a semana toda para eu te foder, mas assim que as coisas ficam
sérias, você foge como um ladrão de noite.

Ela me empurrou no peito, tropeçando ligeiramente para trás. — O


que diabos você quer de mim? — ela gritou, seus olhos castanhos
queimando. A raiva era muito melhor do que a encarada gelada que ela
estava me dando alguns momentos atrás. Eu puxei seus braços até que ela
ficou pressionada contra mim. Ela tentou se afastar, mas a minha mão
estava muito apertada.

Ela olhou nos meus olhos quando eu disse. — Eu quero você. Eu


quero tanto você que não vou permitir que nem você fique no meu
caminho. — seus olhos se arregalaram, mas ela derreteu em meu abraço.
Ela inclinou a cabeça no meu ombro e suspirou.

— Por que você tem aquela tatuagem? — a pergunta foi um


murmúrio no meu ombro.

— O que a tatuagem tem a ver com isso? — eu a afastei para olhar


em seus olhos.

— Tudo. — ela sussurrou, em seguida, fechou os olhos. Quando os


abriu, eles brilhavam com emoções. — Você pegou a minha coisa mais
importante e transformou-a em uma parte permanente de seu corpo.

Ela deslizou as mãos pelo meu lado, sob a minha camisa, e


empurrou o cós do meu jeans. Meu pau saltou atenro quando ela
espalmou os dedos sobre a tatuagem.

— Eu estou com medo de deixá-lo entrar. Você é mais importante


para mim do que imagina, e eu não quero perder você, porque nós
complicamos a nossa amizade. — ela baixou a cabeça, mas eu levantei o
olhar dela para o meu com um dedo sob o seu queixo.
— Nosso relacionamento sempre foi complicado, porque temos
lutado contra o que sentimos. Talvez seja a hora de fazermos o que
realmente queremos.

— E o que é? — ela mordeu o lábio e levantou uma sobrancelha,


fazendo com que o meu pau pulsasse com a necessidade. Puxei-a mais
para o meu abraço para que ela pudesse sentir o quanto ela me afetava.

— Eu quero você ao meu lado quando eu lutar. Eu quero rir com


você durante o jantar. — Eu coloquei meus lábios em seu ouvido e
continuei. — E eu quero te foder tanto durante a noite que o seu corpo vai
tornar-se um elemento permanente em minha cama.

Ela estremeceu em meus braços enquanto eu lambia sua


pele. Depois, ela gemeu docemente Eu tive que me impedir de empurrá-la
sobre a mesa e levá-la bem ali.

— Eu não confio em você com meu coração.

— Eu sei, mas me dê uma chance. Eu sempre cuidei de você. Eu


prometo cuidar de seu coração. — beijei-a novamente até nós ficarmos
sem fôlego e parar por ar.

— Eu tenho que voltar para o meu treinamento ou Ty vai matar nós


dois.

Ela choramingou e se agarrou à minha camisa. O olhar em seu rosto


era puro sexo, e eu dei um passo para trás para esfriar o fogo que acendi
entre nós.
Capítulo Vinte
Alexis

— Então, como vocês dois se conheceram? — eu perguntei enquanto


Ryder jogava uma das minhas batatas fritas em Ty do outro lado da
mesa. Depois de três horas de treinamento, Ty proibiu Ryder até de olhar
para o meu prato de carboidratos gordurosos. Eu estava feliz por Ryder
ter me encurralado esta manhã e me feito reconhecer como eu me sentia a
respeito dele. Eu realmente tentei fugir e esquecer a minha atração por
Ryder, mas depois de tomar um táxi para casa, percebi que nunca
conseguiria ficar lá mais três dias sozinha. As seis horas que passei na
casa vazia pareceu uma eternidade. Eu não sei se a minha mãe estivesse
em casa eu teria durado mais tempo, mas eu sabia que, eventualmente,
encontraria o caminho de volta para Ryder.

— Primeiro, nós realmente nos odiamos, até que ele chutou a minha
bunda. Então nos tornamos inseparáveis. — Ty respondeu com um
sorriso.

— Não entendi. Você não deveria tê-lo odiado mais depois que ele
chutou sua bunda?

Ty deu de ombros enquanto Ryder continuava comendo seu


almoço. — Talvez, mas simplesmente fiquei espantado com as habilidades
que o garoto tinha. Naquela época, ele não era a potência que você vê
agora. Ele era muito magro, e eu tinha certeza que eu poderia derrubá-lo.

— Você nunca poderia me derrubar. — disse Ryder entre mordidas.

— Bem, eu achava que sim e mostrar a Jenny Hartman que eu era a


melhor escolha.
— Vocês brigaram por uma garota? — eu ri ao olhar para Ryder, que
estava fingindo estar muito absorto em sua refeição para ouvir Ty.

— Primeira e última vez. Mas um de nós deveria ter insistido com


Jenny, porque uma vez que a luta acabou, ela saiu com Marcus Young.

Eu cutuquei Ryder com o cotovelo, e ele finalmente olhou para


mim. — Então, você não ficou com a garota?

Ele deu de ombros. — Nem sempre entendo as mulheres. Eu ainda


estou lutando para pegar a que realmente quero.

Bem, eu acho que é a minha dica para terminar a luta. Ele olhou
para mim de uma forma que deixou minha calcinha molhada, fazendo-me
mover no meu lugar. Seu celular vibrou em cima da mesa, interrompendo
o momento. Ele o pegou e pediu licença. Ty me deu um olhar estranho, e o
silêncio me incomodou.

— Então... Depois da luta, vocês dois se tornaram próximos.

— Sim. Depois disso, eu ficava incomodando-o para me ensinar a


lutar, então ele me levou para a academia de seu avô.

— Quantos anos você tinha?

— Doze. A academia se tornou meu lugar favorito. Passávamos a


maior parte de nosso tempo livre lá com Drew e David.

— Você era bom?

— Inferno, sim. — seu sorriso iluminou seus olhos castanhos.

— Então, por que você não está lutando em vez de treinando?

Seu sorriso sumiu, e ele se mexeu desconfortavelmente no assento e


olhou pela janela. Quando ele olhou para mim havia tristeza lá. Talvez eu
não devesse ter perguntado.
— Sofri um acidente de carro há alguns anos. Quebrei o braço em
dois lugares, algumas costelas, e meu joelho ficou esmagado sob a
marcha. Depois disso, minha carreira como lutador acabou.

Puta merda.

— Sinto muito.

Ele deu de ombros, mas eu sabia como um instante podia mudar


sua vida. Alec não escapou de um acidente, e mudou todos que o amavam.

— Isso me mudou, mas também afetou Ryder. Muita coisa


aconteceu com ele. David foi embora, e então ele teve certeza que eu ia
morrer depois que eles me tirassem dos destroços. Mencionei que ele
estava lá? Ele tinha vindo logo atrás de mim, e viu quando eu derrapei na
estrada e bati em uma árvore.

Isso era horrível. Ty era como um irmão para ele, e eu só podia


imaginar o quão devastado ele ficou nessa noite.

— Então ele perdeu Alec sem nunca ter a chance de consertar as


coisas. Alec era um grande garoto, e todos nós sentimos falta de ter ele
por perto.

Eu olhei para ele com surpresa. — Você conheceu o Alec?

Ele assentiu. — Ryder costumava trazê-lo o tempo todo. Quando


tudo veio abaixo, Alec foi à academia algumas vezes, mas parou quando
percebeu o quão distante Ryder tinha se tornado. Quando Alec morreu...
Ele realmente se arrependeu de ignorá-lo, depois ele te tirou do
oceano. Eu não soube o quanto aquela noite o mudou até que ele se
tornou obcecado em você.

— Você acha que ele está obcecado em mim? — endireitei na


cadeira, esperando que eu não fosse um fascínio louco que Ryder acabaria
ficando entediado. Ele passou a mão sobre o rosto e suspirou.
— Eu não quero dizer que ele está apenas obcecado em você. Ele
obviamente teve sentimentos por você durante anos, mas depois daquela
noite, é como se ele finalmente aceitasse o que sentia.

— Sentimentos? Por mim? Como você sabe? — torci minhas mãos


nervosamente. Ty olhou para elas, colocando as mãos sobre as minhas,
parando meus movimentos antes de encontrar meu olhar.

— Porque eu o conheço, e ele nunca foi desta forma com ninguém.

Ryder caminhou até a mesa, olhou para nossas mãos unidas, e


franziu a testa.

— Vocês dois estão ainda falando de mim?

— Talvez. — eu sorri para ele quando ele deslizou ao meu lado na


cabine. Ty tirou a mão dele da minha, e eu coloquei minha mão sobre a
coxa de Ryder. Seus músculos ficaram tensos sob o meu toque, e ele me
deu um olhar de aviso quando a minha mão viajou para cima, então se
acalmou quando senti sua ereção empurrando contra o tecido da sua
calça. Definitivamente, estava na hora de corrigir esse problema.

***

Quando voltamos para a casa de Ryder, sua paciência desapareceu e


sua necessidade de me possuir aumentou. Ele me arrastou para o quarto e
me jogou em sua cama, puxando sua camisa sobre a cabeça. Os raios de
luz solar que atravessavam as cortinas iluminavam seu corpo definido.

Ele se arrastou para a cama e olhou para mim com uma


sobrancelha arqueada em pergunta. Provavelmente esperava que eu me
afastasse de novo, mas eu estava cansada de lutar contra algo que eu
queria tanto quanto a minha próxima respiração. Mantê-lo à margem era
exaustivo, e eu preferia gastar meu tempo esgotando-me sexualmente.

Estendi a mão, agarrando a sua nuca e puxando-o para baixo até


que nossos lábios se tocaram. Eu chupei o seu lábio inferior quando ele
pressionou seu peso em mim. Corri minhas mãos pelos seus cabelos e
empurrei minha língua em sua boca. Ele gemeu e empurrou sua coxa
entre minhas pernas, espalhando-as com um movimento rápido. Sua
língua dançou com a minha. Seus quadris balançaram contra o meu
núcleo formigando. Uma onda quente de excitação passou por mim
enquanto ele devorava a minha boca com fortes golpes de sua língua. Meu
desejo por ele era um frenesi aquecido que me fazia delirar com a luxúria.

— Deus, Ryder. — eu gemi quando ele beijou toda a minha


clavícula. — Eu preciso de você... Demais.

Ele estendeu a mão, e justo quando pensei que ele ia desabotoar


minha camisa, ele rasgou-a. Botões espalharam em torno de nós e eu
fiquei boquiaberta.

— O que há com você sempre rasgando as minhas roupas?

— O que há com as suas roupas sempre no meu caminho? —


respondeu ele quando puxou minha calça jeans sobre meus quadris e
pelas minhas pernas. No minuto em que eu estava nua, ele puxou minhas
pernas em volta da sua cintura, acomodando-se entre ela. Seu corpo
cobria completamente o meu. Sua ereção cutucou meu centro dolorido
através do jeans quando ele se inclinou para me beijar novamente. Ele
correu beijos no meu rosto e no meu pescoço, em seguida, parou
abruptamente.

— Você não tem ideia do quanto preciso de você, mas eu não acho
que você esteja pronta.
— O quê? — engoli em seco quando sua boca se fechou sobre o meu
mamilo, sua língua deslizando sobre o pico endurecido como uma carícia
sedosa. — Estou pronta. Eu estou tão... Além de pronta.

Meu tom de voz estava rouco e sem fôlego quando ele me atacou
com a língua. Abaixei me atrapalhado com o fecho do seu cinto. Ele
colocou a mão sobre a minha para me impedir de libertá-lo.

— Por favor. — eu implorei, apalpando a carne dura através da


calça.

Ele puxou minha mão, e eu me concentrei em seus dedos quando


ele começou a afrouxar o cinto. O barulho do zíper abrindo pareceu ecoar
na sala silenciosa, e ele abaixou a calça e cueca em um movimento.

Uh-huh, ainda tão impressionante como eu me lembrava. Eu


fantasiei sobre esta parte dele tantas vezes que comecei a pensar que eu
tinha imaginado o quão grande e fascinante ele era. Estendi a mão para
tocá-lo, mas ele prendeu minhas mãos sobre minha cabeça e sussurrou. —
Eu preciso te tocar primeiro.

Sua respiração estava pesada quando sua mão escorregou entre as


minhas pernas e repartiu a minha carne úmida. Eu tremi quando ele
deslizou sobre o cume latejante, deslizando o dedo para o meu corpo mais
do que disposto.

— Você está tão molhada. Você me fez esperar tanto tempo para
isso? Você sabe quantas vezes eu sonhei com isso? Você - quente,
molhada, e suplicante.

— Por favor, Ryder. — eu soluçava enquanto ele me excitava com


seus dedos hábeis.

— Oh, com certeza você vai me agradar. — ele retirou o dedo e


pegou suas calças, jogou em cima da cama, puxando uma embalagem de
alumínio. Ele se ajoelhou entre minhas pernas, rolando o preservativo em
tempo recorde. Ele veio para cima de mim, eu segurei seus ombros, me
preparando, porque eu sabia que ele ia me esticar.

Sua ponta ampla empurrou a minha entrada lentamente. Ele


deslizou devagar, e minha respiração ficou presa. Eu fechei os olhos,
notei-o me observando de perto. Sua boca acariciou minha clavícula com
beijos suaves, e então sua língua passou para o meu mamilo. Uma onda
de prazer me deixou mais molhada, e ele deslizou até o fim. Meus olhos se
arregalaram e meus músculos apertaram com o choque de estar tão cheia
dele.

— Relaxe. — ele sussurrou. — Abra-se e deixe-me possuí-la. — eu


relaxei as coxas, mas ele não se mexeu. Ele começou a chupar um mamilo,
depois o outro, até que me perdi em uma nova onda de excitação. Eu
estava molhada e ele estava duro, mas ele também era grande. Ele
encheu-me tão completamente; eu podia sentir seu pau pulsar dentro de
mim. Ele saiu e se dirigiu lentamente de volta para mim. Senti o metal das
pontas do seu piercing perfurando as minhas paredes. Minhas costas
arquearam para fora da cama e faíscas piscaram atrás de minhas
pálpebras quando o prazer tomou conta de cada célula do meu corpo.

– Eu sei que você não quer isso, mas eu sinto coisas por você, Lexi,
e eu não posso simplesmente afastá-las mais.

Outro impulso profundo arrancou um gemido áspero dos meus


lábios. Ele me penetrou com habilidade e abalou as minhas defesas.

— Não diga coisas desse tipo. — eu solucei com seu impulso para
baixo, tremendo um pouco, e depois cerrei os olhos com força como se
para bloquear suas palavras gentis. O tipo de palavra que poderia me
fazer gritar meu amor por ele muito antes de estar pronta.

Ele retirou, inclinando-se sobre mim com as palmas das mãos no


colchão conforme seus impulsos se tornavam mais ferozes. Umidade
reuniu atrás das minhas pálpebras bem fechadas enquanto eu dançava à
beira do orgasmo. Algo surpreendente estava tentando se libertar, mas eu
não conseguia compreender. A ponta do seu dedo sacudiu o meu clitóris
latejante, e, em seguida, uma onda de êxtase me bateu tão forte que eu
gritei.

— Oh... Porra!

Os movimentos de Ryder abrandaram enquanto eu


gozava. Momentos depois, ele saiu. O choque de perdê-lo dentro de mim
não durou muito tempo porque ele me virou e me puxou para cima dele,
me penetrando com o seu eixo rígido.

Eu não gostei da mudança de posição. Meus ossos pareciam


gelatina após o orgasmo que eu experimentei. Não podia me mover, nem
se eu quisesse, mas isso não importava porque Ryder guiava meu corpo
enquanto balançava em mim em um ângulo muito diferente. Ele
mordiscou meu lábio inferior, em seguida, mergulhou sua língua em
minha boca. Suas mãos foram para a minha bunda, e eu comecei a mover-
me junto com ele, o que aumentou a minha necessidade. Eu capturei seus
gemidos e me deleitei com o poder que eu tinha sobre seu prazer. Eu girei
os quadris enquanto ele se empurrava em meu corpo apertado.

Ele afastou os lábios de mim e jogou a cabeça para trás contra o


travesseiro. As veias do seu pescoço realçaram, e ele gritou enquanto eu
ondulava sobre ele e torcia até a última gota de prazer de seu corpo. Seu
pênis pulsava dentro de mim com a sua libertação.

Caí em cima dele, descansando minha cabeça em seu


ombro. Nossos corpos encharcados de suor e abraçados enquanto ele
acariciava minhas costas e meu cabelo. Ele deu beijos leves no meu rosto,
e eu gostei do carinho depois de fazer amor. Quando eu finalmente tentei
me mover, ele balançou a cabeça para a minha tentativa de me afastar e
gentilmente me girou. Ele tirou o preservativo e jogou no lixo.
Ele envolveu-se em torno de mim. Sua respiração estabilizou e ele
adormeceu. Lágrimas silenciosas caíram dos meus olhos. O que era para
ser uma grande experiência sexual se transformou em um floreio de
emoções, e eu não sabia o que fazer com isso. Por mais irritada que
estivesse com Ryder por me bombardear com seus sentimentos num
momento em que eu não podia me defender, eu sabia que no fundo do
meu coração eu sentia também.

Eu estava me apaixonando por Ryder Hayes, e eu não achava que


estava pronta.

Não. Eu sabia que não estava pronta.


Capítulo Vinte e Um

Ryder

Eu a tornei minha. Nada me impediria de tê-la.

Eu arrisquei tudo por Alexis, e eu sabia que nunca seria o mesmo


sem ela. Sexo com ela foi melhor do que eu tinha imaginado, mais do que
eu sabia que seria. Isso me fez sentir poderoso, mais fraco ao mesmo
tempo. Eu nunca me senti fraco. Eu era um lutador, e fraqueza era algo
que eu não conseguia compreender até que Lexi passou a mão nas minhas
costas e absorveu meus tremores enquanto liberei mais do que apenas o
meu sêmen em seu corpo apertado.

Ela estava dormindo com um pequeno sorriso no rosto quando a


campainha tocou. Escorreguei para fora e debaixo dela para atender a
porta antes que o som estridente a acordasse. O rosto do outro lado me
fez desconfiar. Minha mãe estava lá com um largo sorriso, mas eu sabia
que assim que ela descobrisse que Lexi estava aqui as coisas ficariam
feias.

— Bom dia, querido. — ela passou por mim e foi para a cozinha.

— O que você está fazendo aqui, mamãe? — perguntei, seguindo


atrás dela.

— Preciso de um convite para tomar café da manhã com o meu


filho?

— Não, mas... — merda. Ela sabia que Lexi estava hospedada


comigo, então eu tinha a sensação de que ela veio aqui à procura de
problemas.
— Mas o quê? — ela colocou a mão no quadril e curvou uma
sobrancelha.

— Você não veio aqui para começar um problema, não é?

— O que você está insinuando, Ryder? — ela começou a mexer em


torno da cozinha, pegando os ovos.

Ela não me olhava nos olhos, então ela estava aqui, definitivamente,
por causa da Alexis. — Mamãe…

Eu ouvi Alexis movendo-se no meu quarto, e eu esperava que ela


não saísse. Depois da noite que tínhamos compartilhado, eu não precisava
da minha mãe chegando para arruinar o que deveria ser uma manhã
incrível.

Naquele momento, Alexis apareceu em uma das minhas


camisetas. Seu cabelo estava desgrenhado, e ela tinha a aura de uma
mulher que tinha sido completamente fodida.

Ela não sabia que eu tinha companhia até que estava praticamente
na minha frente. Então ela começou a puxar a camiseta para baixo,
embora o comprimento fosse logo acima dos joelhos.

— Oi. — ela disse timidamente enquanto minha mãe lhe media com
um olhar.

— Alexis, esta é a minha mãe, Julia Kent. Mãe, Alexis Cole. —


minha voz estava tensa e tinha advertência subentendida para minha
mãe. Ela olhou para mim, então de volta para Lexi.

Então suspirou e disse: — Parece que a cadela sexy que roubou meu
marido teve uma filha sexy que está farejando o meu filho.

Merda.
Os olhos de Lexi se arregalaram, e ela deu um passo para trás. Seu
peito subiu e a respiração tornou-se irregular. No momento que pensei
que ela estava prestes a fugir, ela deu um passo à frente e olhou para
minha mãe com fogo nos olhos.

— Você veja como fala sobre a minha mãe.

Minha mãe soltou uma risada sarcástica. — Sua mãe é uma


prostituta que fodeu meu marido antes de seu pai estar frio no túmulo.

— Chega mãe. — eu dei um passo à frente quando ela se aproximou


de Lexi.

— Lexi, espere por mim no quarto. Eu preciso falar com a minha


mãe. — eu olhei nos olhos de minha mãe, mas eu sabia que Lexi não tinha
se movido. Quando me virei, percebi seus olhos enevoados e as suas mãos
trêmulas. — Lexi...

Ela piscou, desviou o olhar, e suspirou antes de se virar e ir para o


meu quarto.

— Mãe, o que você está fazendo? — ela olhou para longe, cruzando
os braços sobre o peito. — Mãe? — ela olhou para mim e encolheu os
ombros. — Você vai estragar isso para mim.

— O que você quer dizer? Você disse que eram apenas amigos. — ela
me deu um olhar afiado e acusatório.

— As coisas mudam.

— O que mudou? Três dias atrás, ela era sua amiga e agora ela é o
que... Sua namorada? — suas sobrancelhas franziram.

— Não, mas ela é importante para mim. Eu preciso que você a deixe
fora de sua briga com David e Vanessa.
— Portanto, agora é a minha briga com David e
Vanessa? Costumava ser a nossa briga. Você sempre esteve do meu lado.

— E eu sempre vou estar do seu lado, mas Lexi não merece o seu
ódio.

— Eu simplesmente não entendo o que há com ela e sua mãe. Você


dormiu com ela, e agora ficou louco. Você é igualzinho ao seu pai.

— Se você continuar a atacá-la, eu vou ter que pedir para sair. — eu


cruzei os braços, e nossos olhares se encontraram. Ela sempre sabia
quando eu estava falando sério sobre algo. Ela recuou. Ela não ia gostar,
mas faria isso por mim.

— Sério? — ela sussurrou, chocada por eu ter ficado do lado de


Lexi. Ela olhou para mim, espantada.

— Eu não vou dizer mais nada para ela. — disse ela com os dentes
cerrados. E voltou a se mover em torno da cozinha para continuar fazendo
o café da manhã. — Eu suponho que ela vai se juntar a nós no café da
manhã?

— Sim, ela vai. Eu vou ver como ela está. — eu me virei para o
quarto, mas fiz uma pausa e olhei para trás.

— E, mamãe? — ela olhou por cima do ombro para mim. — O que


você disse sobre o pai dela... — ela trocou de pé nervosamente. — Foi
desnecessário.

Ela assentiu com um olhar de tristeza. Isso era um bom


sinal. Pequeno, mas ainda assim bom. Talvez eu pudesse levá-la a ver Lexi
como uma pessoa separada de sua mãe.

Lexi não estava no quarto, mas o chuveiro estava ligado. Eu peguei


um preservativo antes de me juntar a ela no banheiro. Tirei a camiseta e
cueca, abrindo as portas de vidro. Ela virou-se, cobrindo os seios
molhados com as mãos.

— Ryder, o que você está fazendo? Saia.

Eu sorri com a sua tentativa de se esconder. Ela colocou a mão no


meu peito para me segurar quando me aproximei, expondo seu mamilo
rosa e duro. Havia algo sobre vê-la molhada, de qualquer forma, que me
deixava duro como uma rocha. Estendi a mão e arrastei um dedo sobre o
mamilo. Ela gemeu, e meu pau estremeceu em apreço. Seu olhar passou
rapidamente para baixo, e os lábios entreabriram, enquanto observava
meu pau alongar.

— Lexi, eu toquei cada curva do seu corpo. — minha mão viajou


para baixo na sua lateral, sobre seu quadril, e deslizou sobre sua
bunda. Puxei-a contra mim, lambendo a água da pele.

— Eu já provei você quando gozou. — seu corpo tremeu quando


deslizei meus dedos lentamente da sua coxa para o calor úmido entre as
coxas.

—E eu fodi esta boceta apertada. — ela gemeu e mordeu meu ombro


no momento que meu dedo escorregou em sua boceta molhada. Seus
mamilos eram pérolas duras contra meu peito, e seus gemidos deixaram
meu pau mais duro do que eu pensava ser possível.

— Mas sua mãe...

— Eu não me importo. Ela fodeu nossa manhã e eu estou tentando


remediar isso. — eu precisava. Eu coloquei um preservativo, agarrei a
parte de trás de suas coxas, e a levantei, espalhando-a até que suas pernas
estavam em volta da minha cintura. A cabeça do meu pau esticou sua
entrada quando eu a pressionei. Suas unhas cravaram em meus
ombros. Sua cabeça caiu para trás contra a parede do chuveiro, olhos bem
fechados e ela engasgou e ofegou. Meu pau estremeceu quando seus
músculos macios o apertaram. Eu me movi lentamente de encontro a ela,
observando conforme a água caía sobre seu pescoço, sobre a curva de seus
seios, sua barriga e para onde estávamos unidos. Ela se movimentava
para coincidir com meus golpes. Sua boceta apertada e molhada me faria
gozar rápido.

Inclinei-me e a beijei, empurrando minha língua em sua


boca. Engoli seus gemidos e me alimentei do seu desejo enquanto sua
língua girava em torno da minha, quente e com fome. Separamos nossos
lábios. A água fumegante caía sobre nós, agarrando-se a seus cílios
quando eles abriram. Sua língua deslizou para fora, e ela lentamente
lambeu meus lábios, em seguida, mordeu. Meu controle acabou.

Enterrei a cabeça na curva do pescoço dela enquanto a penetrei


mais e mais duro e rápido, quase selvagemente. A cada impulso, suas
costas arqueavam, e ela agarrava-me, estimulando a minha fome
animalesca.

— Ryder, por favor... — ela implorou para gozar. Eu a fodi em um


ritmo mais rápido, seu calor escorregadio me fazendo delirar. Ela
empurrou os seios para frente. Eles sacudiam tentadoramente com cada
impulso, semelhantes a uma oferta. Eu chupei um mamilo, sugando e
puxando-o com meus lábios. Ela gritou o meu nome e se contorceu a
medida que chegava ao orgasmo. Sua vagina se apertou em uma série de
espasmos, agarrando-se ao meu pau. Eu bombeei freneticamente
tentando prolongar o êxtase em minhas veias. Eu liberei jatos quentes que
abalaram o meu corpo. O mamilo era um vermelho irritado quando eu o
liberei e, então eu corri minha língua para acalmá-lo. Ela estremeceu, seus
dedos puxaram meu cabelo.

— Oh. Meu. Deus. — disse ela sem fôlego. — Eu acho que vi estrelas
em plena luz do dia. — eu ri quando ela beijou debaixo do meu queixo. —
Você pode me descer agora.
Eu balancei a cabeça. — Eu gosto de você exatamente onde você
está.

Ela riu e apertou seus músculos internos que eu gemi.

— Jesus, você está tentando me matar. — eu relutantemente


escorreguei meu pau semiereto para fora e a coloquei diretamente sob a
água. Ela pegou o xampu e começou a massagear o meu couro cabeludo.

— Sua mãe foi embora?

— Não. Ela está preparando o café da manhã.

Ela fez uma pausa no meio de lavar meu cabelo e me encarou. — Eu


prefiro beber um de seus shakes nojentos do que comer o café da manhã
dela.

Eu ri, mas ela olhou para mim com uma sobrancelha levantada.

— Vamos lá, não é tão ruim assim. — corri a mão com sabão sobre
seu peito. Suas pálpebras abaixaram e apertei seu mamilo sob o meu
dedo. — Eu vou até experimentar a comida antes de você comer. — eu
sorri para ela, mas ela balançou a cabeça.

— Isso não é engraçado. Sua mãe me odeia. — ela fez beicinho.

— Bem, eu não. Venha aqui. — puxei-a em meus braços e a beijei


até que ela gemeu, esquecendo tudo sobre o desjejum com a minha mãe.
Capítulo Vinte e Dois
Alexis

Eu não estava ansiosa para enfrentar novamente a mãe de


Ryder. Ele achava que estaria tudo bem porque tinha conversado com ela,
mas eu sabia que não. Eu não conhecia todos os detalhes sobre o que
aconteceu entre a minha mãe, David, e Julia, mas eu sabia que todo o ódio
estava prestes a cair em cima de mim.

Eu deveria ter esperado Ryder, mas se tivesse ficado no quarto mais


um minuto, ele teria me prendido à cama. Eu estaria gritando seu nome,
independentemente de sua mãe estar na sala ao lado. Mas assim que
entrei na cozinha, eu sabia que deveria ter esperado. Leah estava
empoleirada na ilha da cozinha com uma bela porção de comida na frente
dela. Senti-me encurralada, mas coloquei uma cara de brava quando Julia
sorriu para mim.

— Você conhece a Leah? — ela perguntou com um sorriso satisfeito,


servindo um prato muito menor para mim. — Fiz o café da manhã para
você.

— Nós nos conhecemos. — eu murmurei enquanto eu pegava um


copo do armário, abri a geladeira, e derramei um copo de shake saudável
que Ryder tinha de sobra. Eu fiz uma careta enquanto o bebia.

— Você não quer seu café da manhã? — perguntou Julia. Seu


sorriso era tão falso que fez a bebida descer muito mais difícil. — Você
está em algum tipo de dieta? Sua bunda está um pouco grande.

— Não há nada de errado com a bunda dela. — Ryder entrou e


sorriu para a minha careta enquanto eu tentava engolir mais shake. Ele
não tinha notado Leah, mas eu vi o momento em que ele notou. Seu
sorriso se dissipou, e suas feições ficaram duras com raiva.

— Que porra é essa, mãe?

— Cuidado com a boca, Ryder. Eu nunca mais pude ver Leah. Ela é
uma amiga da família, e eu achei que ela gostaria de tomar café da manhã
com a gente. — ela se virou e começou a servir um prato para Ryder.

— Mãe? — ela o ignorou e continuou enchendo seu prato. — Posso


falar com você na outra sala por um minuto?

— Depois de comer, querido.

Ela colocou seu prato ao lado de Leah no final da ilha. Ele


contornou o balcão, dando um passo atrás de sua mãe, e falou com raiva:
— Agora!

Eles saíram da sala, e eu não tinha a intenção de ficar sozinha com a


Leah. Eu coloquei o copo meio vazio na pia e me virei para sair da
cozinha.

— Eu não vou deixar você tirá-lo de mim. — disse ela às minhas


costas.

Eu virei para encará-la, e ela me olhou com raiva. O sorriso doce


açucarado que ela estampava quando Ryder estava no cômodo se foi.

— Sua mãe pode ter roubado David, mas...

— O que há com vocês duas, me culpando por tudo o que aconteceu


com a minha mãe? O que eles fizeram me machucou também, mas isso
está no passado e Ryder e eu não temos nada a ver com isso.

Ela levantou-se e me encarou. — A mesma coisa que você está


tentando fazer. A diferença é que eu não vou deixar você ganhar.
Eu me aproximei mais dela, porque me recusava a deixar que ela
me intimidasse. — Você vandalizou meu carro e a academia, não é? — eu
não sabia se era verdade, mas eu queria ver o olhar no seu rosto quando
dissesse isso.

— O quê? — ela olhou para mim como se eu tivesse ficado louca. —


Eu nunca faria isso com Ryder. Ele sabe disso. Obviamente, eu não sou a
única que sabe quem você é.

Eu odiava confrontos, e eu não queria fazer parte deste. Eu deixei o


apartamento com pressa, contente quando encontrei Ty na academia.

— Qual é o problema? — Ty perguntou quando eu bati as portas da


academia e derrubei a bolsa em uma pilha aos meus pés, com raiva.

— Eu quero ficar com Ryder. Eu realmente quero. E eu finalmente


aceitei isso. Ontem à noite foi... Bem, ontem à noite foi incrível. — eu senti
o rubor aquecer o meu rosto quando Ty riu da minha gagueira. Eu estava
balbuciando, mas não me importei. — Mas você sabe o quê, Ty?

— O que, Lexi? Tenho a sensação de que estamos indo para a parte


que fez você ficar com raiva.

— Sim, nós estamos. Esta manhã eu acordei e percebi que era tudo
um conto de fadas. A mãe de Ryder apareceu sem ser convidada, e ainda
por cima chamou a Leah. Ela me odeia e preferiria muito mais vê-lo com
aquela vadia. Leah com suas covinhas perfeitas, olhos cinzentos
brilhantes e bunda bonita. Você sabe que ela me disse que a minha bunda
era grande?

Ty inclinou a cabeça para ter uma visão melhor da minha bunda e


sorriu. — Sua bunda é fantástica, Lexi.

— Isso nunca vai funcionar. Ela estará sempre no meio, e eu não


quero que Ryder tenha que escolher entre mim e sua mãe.
— Lexi! — Ty agarrou meu braço e me balançou levemente. — Não
importa o que a mãe de Ryder quer. Ele quer você.

— Mas...

— Ele. Quer. Você. E Ryder sempre consegue o que quer. Agora


venha aqui e eu vou mostrar-lhe como se livrar de toda a raiva reprimida.

Ty me ensinou a soltar minha tensão socando um saco. Comecei


pensando que era ridículo, francamente, bater no saco poderia produzir
mais danos para o meu lado do que para o saco. Mas Ty me mostrou como
dar socos rápidos e ficou me provocando sobre Leah. Antes que eu
percebesse, eu estava enfiando o meu punho no saco, realmente tirando-o
do seu eixo.

— Aí sim. — Ty me encorajou. — Essa é minha garota. Nós não


deixamos ninguém bater em nossa cara. Nós lutamos para revidar.

Eu estava suada, mas a liberação de endorfina foi incrível. Imaginei


o corpo de Leah saltando para o tapete enquanto batia em seu rosto. Eu
estava em meu próprio mundo, onde eu era uma lutadora campeã e Leah
estava aprendendo a se afastar do que era meu.

Um braço em volta da minha cintura, me tirou do meu universo


alternativo. — Ei, Ty tentando ensiná-la a chutar a minha bunda? — Ryder
me puxou de costas contra ele com ambos os braços em volta da minha
cintura.

— Não, mas eu imaginei o rosto de Leah enquanto soquei nos


últimos quinze minutos.

— Eu conversei com a minha mãe.

— Outra vez? — eu não era tola o suficiente para acreditar que


qualquer coisa que Ryder dissesse, poderia mudar o que ela sentia por
minha mãe e eu.
— Ela vai recuar.

— Ok. — eu não acreditei nem por um minuto, mas não havia


necessidade de discutir sobre isso. A mãe de Ryder me odiava, e ela não ia
aceitar-nos de repente.

Ryder me beijou no pescoço. — Agora, vá encontrar outro


treinador. Este é meu.

Ty sorriu para mim. — Desculpe, Lexi, eu vou deixar você me


imobilizar no tatame e me derrubar amanhã. — Ryder deu um tapa na
nuca dele. Eu ri e fui para a esteira, esperando que fazendo os meus
músculos queimarem um pouco mais, eu esqueceria totalmente a
pequena proeza de Julia no andar de cima.
Capítulo Vinte e Três
Ryder

— O que é tudo isso?

— Jantar. — Lexi acenou com a mão sobre a refeição que ela


colocou sobre a pequena mesa de jantar. Parecia que uma vez que Lexi
tinha cedido a seus sentimentos, ela entrou com tudo. Ela estava ali em
um pequeno avental minúsculo com nada além de uma lingerie por baixo.

— Onde você conseguiu tudo isso?

— Bem, Shelby me pegou, e eu fui ao supermercado.

— E o avental? — eu movi meu olhar para seus seios. O avental não


cobria muito, então eu estava hipnotizado pela forma como o tecido
abraçava suas curvas.

— Eu achei que você gostaria de uma sobremesa, portanto, fiz uma


parada extra. — ela mordeu o lábio inferior, torcendo as mãos nas
costas. Ela estava totalmente fora de sua zona de conforto, mas eu gostei
que ela tivesse feito o esforço desnecessário para me agradar. Eu a achava
sexy usando minhas roupas.

— Você fez tudo isso para mim? — eu me aproximei. Eu nunca quis


uma vida familiar, especialmente depois de como tudo terminou com
David. Mas com Lexi parecendo uma dona de casa de uma Playboy, eu
estava considerando.

Ela assentiu com a cabeça. Eu coloquei as mãos sobre a pele suave e


exposta de seus quadris.

— Eu quero a minha sobremesa agora.


Ela balançou a cabeça enquanto eu me inclinava para beijá-la.

— A comida vai esfriar. — disse ela, baixando os olhos e encarando


os meus lábios avidamente.

— Eu a aqueço. — eu sussurrei contra seus lábios. — Primeiro quero


você quente. — ela gritou quando eu a levantei e levei-a para o meu
quarto.

Eu me diverti com ela por mais de uma hora. Até o centro úmido
ganancioso dela convulsionar de prazer, e eu ficar bêbado do sabor dela
na minha língua.

— Espere. — ela disse quando eu estava pronto para mergulhar


nela. — Camisinha.

— Nós não precisamos.

— O quê? — ela pareceu em pânico e empurrou o meu peito.

— Eu luto no ringue. Nós sangramos muito. Fazemos exames


religiosamente. Eu estou limpo, e você está tomando pílula.

— Ryder... — ela ainda estava em dúvida, mas eu queria tudo dela


sem barreiras. — Eu nunca fiz sem proteção.

— Nem eu. — inclinei-me e acariciei seu cabelo. — Você me tem por


inteiro, Lexi. Você quer o meu coração; é seu. Você quer ter os meus
filhos? Eu darei a você. — eu empurrei o cabelo dela para trás da orelha e
dei um beijo em seus lábios.

— Eu amo você, Lexi... Então, o que vai ser? Você vai tomar tudo de
mim? — ela assentiu com a cabeça enquanto eu limpava a umidade
ameaçando rolar do seu olho direito.

Eu sabia que era difícil para ela deixar cair o muro que tinha
construído em torno de seu coração, mas ela concordou. Então eu fiz
amor com ela. Eu dei tudo o que eu tinha até que ela estava entrando e
saindo da consciência.

***

Era tarde, e eu não conseguia dormir. Eu verifiquei a academia três


vezes desde que Alexis adormeceu. Com as janelas fechadas com tábuas,
eu estava nervoso que o idiota voltasse e fizesse algo estúpido. Como foder
com o equipamento que eu tinha lá em baixo. Depois de três horas, eu me
cansei e decidi que não ia conseguir dormir até que eu tivesse cuidado do
problema.

Quando eu fechei a porta do apartamento, a porta de Ty abriu, e ele


enfiou a cabeça para fora. — Cara, vai dormir. Se eu ouvir você andando
por esses corredores mais uma vez - espera, onde você está indo?

Ele olhou para o capacete na minha mão e franziu a testa. — Eu


preciso encontrar alguém.

Ty saiu no corredor e foi atrás de mim. — Espere, espere. Quem?

— Aquele cretino que Alexis costumava namorar.

—Você nem sabe se foi ele.

— Eu vou descobrir. — eu o empurrei para fora do meu caminho,


indo direto para o elevador.

— E como é que você está pensando em encontrá-lo? — ele gritou


atrás de mim.

— Eu vou para o bar que aquele idiota sempre vai.


—Ryder, você não pode entrar em uma briga de rua no
momento. Você tem que defender o seu cinturão em alguns meses. Sem
imprensa negativa.

— Eu só vou falar com ele. — Ty não pareceu convencido. — Nós


vamos só conversar. — eu repeti enquanto as portas fecharam.

***

Peguei um banco no bar onde eu tinha um ponto de vista de todo o


local. Em uma inspeção rápida, eu não vi Logan, mas eu sabia que ele
apareceria.

— O que você vai pedir? — o barman olhou para mim com


impaciência. Eu o tinha visto aqui da última vez que vim com Lexi. Ele
sussurrou algo em seu ouvido, e eu não tinha gostado. Pela cara dele, eu
tinha certeza que ele tinha uma queda por ela.

— Nada por enquanto. — ele se virou para sair, mas eu o chamei. —


Espera... Você conhece Lexi, certo? — ele estreitou os olhos, depois
assentiu com um olhar cauteloso.

— Você viu aquele idiota que está sempre perto dela?

— Logan?

— Sim, você viu?

— Ele estava aqui, tomou algumas bebidas, em seguida, saiu para os


fundos com uma garota.

— Lá atrás?

— Há uma saída atrás dos banheiros. Seu garoto Logan pode ser
obcecado com Lexi, mas ele nunca fica solitário.
Eu balancei a cabeça e saí do banco. — Obrigado cara.

Ele deu de ombros e saiu. A saída no final do longo corredor era,


obviamente, uma saída dos empregados. A porta estava aberta, escorada
com um tijolo. Ouvi vozes sussurrantes quando saí para o pequeno beco.

Logan estava quase escondido por uma enorme lixeira, mas eu


ainda pude ver a sua cabeça. Dei a volta no lixo e encontrei-o com as
calças abaixadas até os tornozelos, sendo atendido por uma mulher com
cabelo louro longo. — Eu acho que Lexi adoraria saber disso. — eu disse,
surpreendendo ambos.

— Que porra é essa? — Logan gritou enquanto corria para se


cobrir. A garota estava claramente envergonhada. Ela ficou de pé e correu
de volta para o clube.

— O que você quer? — Logan rosnou, subindo o zíper da sua calça


jeans.

— Você deixou aquela mensagem nas janelas da minha academia?

— O quê? Que mensagem?

— O spray de tinta nas janelas na minha academia? Você fez aquilo?

— Olha, eu não sei o que você está falando. E, além disso, eu não lhe
devo nenhuma explicação. — ele tentou ir embora, mas eu agarrei-o pelo
colarinho e bati contra a parede.

— Eu só vou falar uma vez. Fique longe da Lexi. E se eu descobrir


que você teve alguma coisa a ver com o que aconteceu com o carro dela ou
na minha academia... — eu sorri. Ele não gostou. — Você vai se
arrepender.

— Você está louco? Saia de cima de mim. — ele lutou, mas não
conseguiu se soltar. Eu deixei-o ir com um pequeno empurrão que fez sua
cabeça bater na parede. Ele olhou, fungando, o punho cerrado. Eu
desafiei-o com os olhos e com a minha posição para que ele fizesse um
movimento. Eu estava tão disposto a terminar esta noite.

— Você só está com raiva porque sabe que quando ela acabar de
brincar com você, ela vai precisar de um homem de verdade para cuidar
dela. Ela vai voltar para mim.

— E há quanto tempo esteve com ela? Três anos? — seu sorriso se


transformou em uma careta — E eu que sou louco? — voltei para o clube,
deixando-o para trás.

Enquanto voltava para casa, repassava toda a conversa na


cabeça. Meu instinto me dizia que ele não vandalizou minha academia. E
se esse era o caso, significava que eu precisaria fazer uma visita para Leah.
Capítulo Vinte e Quatro
Alexis

O telefone tocou, tirando-nos do nosso torpor cheio de sexo. Tirei a


coberta da minha cabeça e estendi a mão para ele, mas Ryder foi mais
rápido, empurrando o telefone que estava na mesa de cabeceira e para o
chão antes de desaparecer sob os lençóis. — Ryder o telefone continua...
ohh.

Eu esqueci o que estava dizendo quando ele passou a língua sobre o


meu clitóris sensível. Ele me dividia com seus dedos, sua língua quente
acariciando meus lábios. Ele rolou a ponta quente e úmida sobre o meu
clitóris, e calor irradiou pela minha espinha, endurecendo os meus
mamilos. Ele chupou o broto dolorido, então deslizou a língua sobre ele,
dolorosamente lento. Meus quadris começaram a se mover, mas ele me
agarrou me segurando no lugar, enterrando o rosto mais profundamente
entre as minhas pernas.

Sua língua letal me lambeu rápido, depois lentamente. Ondas de


energia percorreram da minha boceta para meus mamilos doloridos e deu
curto-circuito em meu cérebro. Minha temperatura passou de quente ao
inferno. Minhas pernas tremeram, meus quadris empurraram, e minhas
costas arquearam conforme a tensão em mim estourou e subiu. Eu gritei o
nome dele. Eu clamei a Deus. Então eu vi estrelas e flutuei em êxtase
enquanto ele continuava a me lamber.

Senti-o se mover, beijando até a minha barriga debaixo do meu


peito, e, em seguida, prendendo o meu mamilo, o prazer intensificado
pelos efeitos remanescentes do meu orgasmo. Ficou de joelhos,
envolvendo minhas pernas na sua cintura e moveu meus quadris até que
me ergui. Ele balançou os quadris, seu pau duro sobre a minha boceta
molhada. O pino na ponta do seu pênis esfregou o meu clitóris, frio e
duro, ainda atirando fogo no meu núcleo. Eu gemi. Ele respondeu com
um gemido e olhou para baixo, paralisado com o tanto que eu estava
molhada e aberta para ele. Ele observou seu pênis deslizar sobre meu sexo
com um olhar de fome misturado com algo mais, algo quente e
animalesco.

Ele fez uma pausa na minha entrada e olhou para mim. Ele
empurrou a cabeça para dentro. Eu engasguei. Ele puxou para fora e
engasguei de novo. Eu gemi em frustração, a dor em meu núcleo
crescendo rapidamente. Ele deslizou um pouco mais
profundamente. Movi meus quadris para forçá-lo a me dar mais, mas seu
poder sobre meus quadris era constante. Ele retirou, deu-me um pouco
mais, enquanto assistia meu rosto. Eu apertei meus músculos ao redor
dele, sugando-o mais profundamente para dentro de mim. Ele se
encolheu, a respiração um assovio, e empurrou profundamente.

Um grito agudo me escapou, mas eu sorri triunfante. Ele me


encarou bravo, mas eu não me importei. Eu estava cheia dele e contente
que fosse do meu jeito. Ele estendeu a mão e beliscou meu mamilo. A dor
se transformou em prazer delicioso quando ele acariciou-o
suavemente. Ele inclinou seu corpo sobre o meu até que sua boca estava
na minha orelha.

— Você acha que vai ser do seu jeito com esse pequeno
truque? Hein?

Eu balancei a cabeça, correndo a mão sobre suas costas.

— O que você quer? — sua voz ficou presa em uma nota rouca.

— Eu quero que você me foda. — seu pau empurrou dentro de mim,


e eu girei meus quadris, fazendo-o gemer.
— Como? — sua mão se moveu para o lado do meu peito, por cima
da minha lateral, para segurar os movimentos do meu quadril.

— Eu quero você duro e rápido. — eu tentei mordê-lo, mas ele


evitou. Ele olhou nos meus olhos, um sorriso brincando no canto de sua
boca.

— Você pode me ter. — ele puxou para fora, em seguida, empurrou


de volta. — Mas vou aproveitar o meu tempo nessa boceta.

Eu senti cada centímetro dele quando ele empurrou seu


comprimento duro lentamente, então arrastou para fora. Pele quente
contra a carne escorregadia. Ele puxou todo o caminho para fora, em
seguida, afundou tão profundamente que deve ter atingido o fim. Suas
investidas do quadril eram nada menos do que especialistas.

Ele pairava sobre mim, um braço nas minhas costas e seu rosto
uma aparência feroz de concentração carnal. Corri minhas mãos sobre os
fortes músculos de suas costas conforme ele apertava e se movia sob meus
dedos. Ele sugou meu mamilo, chupando-o enquanto o piercing na ponta
do seu pênis encostava-se ao feixe de nervos dentro de mim. Ele balançou
várias vezes com o seu impulso sem pressa, e ainda acariciava o meu
clitóris latejante.

Meu sexo pulsava; a dor se transformou em um espasmo e uma


série de choques tomou conta de mim. Meu orgasmo me agarrou pela
garganta e tirou meu ar. Foi bom. Não, foi espetacular. Ryder grunhiu, e
seus músculos ficaram tensos sob a minha mão. Eu olhei para ele quando
seu pescoço esticou e ele cerrou os dentes.

— Isso é bom, baby. Goze para mim, goze em cima de mim. — ele
parecia um deus, todos os músculos esticados, elevando-se sobre mim
conforme ele tomava o seu prazer do meu corpo. Ele rosnou, tremeu, e
jorrou sua libertação quente em mim. Eu acariciei seu pescoço e passei os
dedos pelo seu cabelo quando ele caiu em cima de mim. Eu recebi o seu
corpo pesado, suado sobre o meu à medida que absorvia a sua força e
amor através de carícias suaves e leves beijos.

— Jesus. — ele sussurrou contra a minha pele. Ele olhou para cima,
sorriu e soltou uma risada esgotada. — Você vai ser a minha morte. — ele
abaixou a cabeça novamente, e nós ficamos dessa forma por longos
minutos antes de nos levantarmos da cama para tomar banho.

Quando eu saí do banheiro, eu pisei no telefone que Ryder tinha


deixado cair no chão antes. Apanhei-o, e quando fui colocá-lo na mesa de
cabeceira, o telefone tocou. O rosto de Leah piscou na tela, e eu olhei para
ele. Muito tempo depois que ele parou de tocar eu ainda olhava para
ele. Eu empurrei meus problemas de confiança e inseguranças de lado e
desliguei o telefone.

Ryder está comigo, e eu tenho que confiar nele.

A conversa de confiança não estava funcionando porque eu ainda


estava me perguntando o que ela queria dele e se eles conversavam
regularmente. Ryder saiu envolto em uma toalha, indo direto para o seu
armário. Era seu último dia de folga antes da luta, e então ele comeria,
dormiria, e treinaria. E eu esperava que ele encontrasse um pouco de
energia para mim durante a noite.

Sentei-me na beirada da cama, observando-o se vestir. Ele me jogou


um olhar sedutor enquanto eu devorava seu corpo com os olhos. Ele sabia
o que eu estava pensando. Eu tinha certeza que ele estava pensando a
mesma coisa, mas não importava o quanto eu o quisesse, precisava de
uma pausa. Após a rodada na cama, Ryder tinha me levado novamente no
chuveiro, forte e rápido, exatamente como pedi para ele. Eu consegui do
meu jeito, afinal.

— Leah ligou. — eu não ia dizer nada, mas apenas saiu. Ele deu de
ombros e continuou calçando as botas.
— Você vai ligar de volta? — eu estava forçando.

Pare de forçar, Lexi.

Ele deu de ombros novamente. Eu odiava quando ele fechava-se


desta maneira, mas eu sabia que isso significava que ele ficava chateado
com o tema. Eu estava prestes a perguntar-lhe por que ela o ligou três
vezes esta manhã quando o telefone tocou novamente. Meu intestino
apertou com o som, mas então eu percebi que era o meu telefone e não
Leah ligando novamente. Ryder pareceu nervoso até que ele percebeu que
era o meu telefone. Eu esperava que ele fosse ficar incomodado com a
ligação, não nervoso. Sua reação fez o bicho do ciúme me bater de novo,
virando meu estômago.

Peguei o telefone sem olhar para ele. — Olá.

— Lexi, graças a Deus. Cheguei em casa e o lugar está deserto. —


minha mãe suspirou ao telefone. — Onde você está?

Olhei para Ryder, murmurei para ele que era minha mãe, e saí do
quarto. Minha mãe ia entender tanta coisa quando eu falasse que estava
com Ryder, que não queria ter essa conversa na frente dele. — Estou com
Ryder, mãe.

— Oh, isso é ótimo! — praticamente pude ouvir seu sorriso através


do telefone.

— Não é o que você pensa mãe. — mas era. Ela só não precisava
saber. — Eu estava sozinha em casa, então eu fiquei com Ryder.

— Oh. — este oh era mais decepcionado e me dizia que ela comprou


minha história. — Bem, eu estou aqui agora, querida, e eu senti sua
falta. Venha para casa.

— Ok, estarei aí daqui a pouco. — eu desliguei o telefone e Ryder


veio atrás de mim.
— Então, eu fui apenas uma cura para sua solidão.

— Não. Eu só disse aquilo por que... — ele mordeu minha orelha,


fazendo-me gritar.

— Eu sei a razão. — ele riu e lambeu o local que tinha acabado de


morder. — Está tudo bem. Você conta para ela sobre nós quando estiver
pronta.

— Nós, hein? — eu me virei, passando os braços em volta de seu


ombro. — Eu gosto do som de você e eu sendo um nós.

— Bom, porque nós somos um casal agora. — ele sorriu e levantou


uma sobrancelha. — Quero dizer, eu não me importaria de um trio se você
parasse de me drenar sexualmente. — eu bati no braço dele e franzi a
testa. Ele riu, inclinando-se para me beijar. — Tudo bem, eu vou aceitar
assim, contanto que você continue fazendo aquela coisa de apertar lá
embaixo e me chupar em sua...

— Ei! — eu beijei seu maxilar. — Pare de conversa suja para


mim. Você está me deixando excitada, e eu tenho que ir para casa.

— Então pare de me provocar com sua língua e deixe-me levá-la


para tomar café da manhã primeiro.

Relutantemente, parei de provocá-lo com a minha língua, e nós


conseguimos deixar o apartamento sem rasgar as roupas um do outro.

— Então você vem para luta essa noite na academia? — ele


perguntou enquanto caminhávamos pelo corredor.

— Claro, como é que funciona?

— Bem, nós treinamos um bando de caras aqui e ali, então a cada


seis meses nós fazemos uma noite de luta. Os caras competem, e o
campeão consegue uma luta comigo. — ele ficava tão animado quando
falava sobre luta.
— A balança não fica um pouco desequilibrada?

— Não, você ficaria surpresa com o quão bom alguns dos caras
são. Quando você está jovem e faminto, você mataria para derrotar o
campeão. Eu sei disso, já fui um deles uma vez.

Eu ri quando nós entramos no elevador. — E agora você é um


veterano na idade madura de vinte e cinco anos?

— É melhor você acreditar nisso. — ele me agarrou, me puxando


para seus braços.

— Não era nenhum amador fazendo você gritar o nome dele esta
manhã... E ontem à noite... E de novo hoje à noite. — ele deu beijos ao
longo da minha clavícula enquanto falou. Eu tive que tirá-lo de cima de
mim no momento em que as portas se abriram.
Capítulo Vinte e Cinco
Ryder

Vanessa estava animada para ver Lexi, excessivamente animada por


apenas só dez dias. Acho que tinha mais a ver com Lexi do que comigo.

— Você parece tão feliz, querida. — ela afastou Alexis com as duas
mãos em seus braços e sorriu para ela. Ela olhou para mim e sorriu.

— É bom ver você de novo, Ryder. — eu assenti. David estava de pé


na escada, olhando para nossa reunião, mas principalmente olhando para
mim. Ele foi abraçar Lexi, então veio até mim e estendeu a mão. Deus, eu
queria ser um idiota e espancar sua bunda, mas Lexi estava olhando para
mim com olhos suplicantes, então eu respirei e apertei sua mão.

— Posso falar com você por um minuto? — perguntou David. Olhei


para Lexi, e ela deu de ombros. Eu o segui até a cozinha, mas recusei o
assento que ele me ofereceu.

— Ryder. — ele começou, correndo a mão nervosamente familiar


sobre a nuca.

— David. — respondi. Ele se encolheu com o uso do seu nome. Era


algo que eu sabia que o irritava.

— Eu não tinha certeza de que iria entrar.

— Eu não tinha certeza também. — na verdade, eu estava


determinado a deixar Lexi e voltar para a cidade, mas ela tinha me
convencido a entrar com ela.
David colocou as mãos nos bolsos e suspirou. Eu sabia exatamente
o que ele estava pensando. As coisas nunca eram tensas entre nós, quando
eu era mais jovem.

— Como está sua mãe? — ele perguntou, com os olhos fixos no


chão.

— Não pergunte pela minha mãe, porra. — eu rebati. Eu pensei que


pudesse lidar com vir aqui e jogar como se nada tivesse acontecido, mas
isso foi um erro. Eu não queria que ele fingisse estar preocupado com a
mãe por minha causa. Comecei a passar por ele, mas ele agarrou meu
braço. Eu olhei para a mão segurando-me e pensei em como poderia
facilmente fazê-lo removê-la. Como poderia machucá-lo facilmente como
ele machucou a minha mãe.

— Eu sinto muito, ok? — disse ele, soltando meu braço tão


rapidamente quanto agarrou. Eu dei um passo para trás e observei seu
comportamento nervoso. — Eu não sei o que dizer a você.

— Não há nada a dizer. Você fez a sua escolha. Você tem a mulher
que sempre quis. Tudo o que tinha a fazer era esmagar a minha mãe para
conquistá-la.

— Eu não queria que fosse assim, Ryder. Você sabe o quanto você
significa para mim.

— Oh eu sei. Só a mãe que nunca significou nada para você.

— Eu gostaria que houvesse uma maneira de explicar, mas eu não


acho que você queira ouvir qualquer coisa que eu tenha a dizer.

— Não quero. Eu fiz o que você queria. Fiquei de olho na Lexi, a


mantive feliz, agora mantenha a sua palavra e assine o contrato da
academia.
— O quê? — Lexi engasgou atrás de mim. — Foi tudo para conseguir
a academia?

Merda. Eu tinha ficado com raiva e falei como se tivesse a usado, o


que não era o caso.

— Não, Lexi, escuta...

— Não! — seus olhos brilharam com lágrimas não derramadas. —


Você me usou. Porra, eu sou tão estúpida.

— Lexi, não tinha a ver com... — ela levantou a mão para me parar
quando me aproximei dela.

— Eu não quero ouvir. — ela me empurrou quando eu me


aproximei. — É por isso que ainda mantém Leah em sua vida? Você estava
apenas esperando conseguir a academia para voltar para ela? ―Faça Alexis
feliz e David vai me dar a academia‖. — ela disse em um tom zombeteiro.

— Pare! Simplesmente pare. Não foi assim. Você está torcendo


tudo.

— Foda-se, Ryder. — ela se afastou violentamente, deixando-me


perguntando como diabos tudo deu errado em um momento.

— Ryder. — disse David, se aproximando de mim.

— Foi você. — eu disse, olhando para ele.

— O quê? — ele parecia confuso.

— Você fodeu isso para mim. Você e seu negócio estúpido. Se você
já tivesse assinado os papéis, Lexi e eu estaríamos bem. Agora eu tenho
que descobrir como fazê-la acreditar que eu não a usei.

— Olha, eu só estava tentando ajudar. Você e Lexi sempre foram


próximos, e eu pensei, que colocando vocês dois juntos...
— Bem, da próxima vez fique de fora da minha vida. Lexi e eu
teríamos encontrado um ao outro sem a sua ajuda. — eu não tinha certeza
se isso era verdade, mas eu queria que Davi parasse de tentar se meter em
minha vida.

Eu procurei por Alexis e a encontrei em seu quarto. A porta estava


trancada, e ela não abriu para mim. — Vá embora. — foi a única coisa que
ela disse. Depois de uma hora em sua porta, eu decidi que era melhor
deixá-la esfriar e voltar mais tarde. David me parou pouco antes de eu
abrir a porta do meu carro.

— Aqui. — ele disse, entregando-me dois envelopes.

— O que é isso? — eu olhei para ele com desconfiança.

— Você pode ficar com a academia. Foi ideia de Drew me adicionar


ao testamento. Ele pensou que isso fosse nos unir de novo, mas eu não
quero dar-lhe mais motivos para me odiar. Tome. — ele acenou com os
envelopes para mim.

— Tio Drew planejou isso tudo?

Ele assentiu. — Pegue o envelope. Ele vai explicar tudo.

Cautelosamente o tirei de suas mãos como se estivessem atados


com algum tipo de veneno.

— Você ainda o tem. — disse ele, olhando para o meu Camaro. Eu vi


o canto do seu lábio subir ligeiramente, mas sua expressão sombria não
mudou muito. Eu o vi virar e ir embora, perguntando-me por que eu não
me sentia tão feliz quanto eu achava que ficaria tirando-o da minha vida.

***
Lexi me evitou. Dois dias de ligações constantes e tentando
convencê-la a me ouvir não me levou a lugar nenhum. Eu ficava inquieto à
noite e exausto durante o dia, porque eu estava treinando como um
animal. Não importava o que estava acontecendo com Lexi, eu ainda era o
lutador que todos conheciam como Falcão, e eu tinha um título a
defender.

No final do terceiro dia, eu estava tão exausto e estressado por


causa da Alexis que eu não conseguia pensar direito. Eu estive olhando
para o envelope que David me deu há dias. Eu não diria que estava com
medo de abri-lo, mas eu não sabia como iria reagir a uma carta deixada
para trás por um homem que era como um pai para mim. Eu empurrei
minhas preocupações para o lado e rasguei o envelope.

Ryder,

Se você está lendo isso, o câncer ganhou e eu estou muito longe. Eu


quero que você saiba que um dos melhores momentos da minha vida
aconteceu vendo você crescer e ganhar aquele campeonato.

Provavelmente, você está se perguntando por que diabos eu deixei


a academia para o seu pai. A verdade é que eu fiz isso para forçá-lo a
enfrentá-lo. Você tem sido como um filho para mim desde o primeiro
dia, mas eu nunca poderia substituir David em sua vida.

Você está com raiva dele por arruinar a família unida que
tivemos, e eu entendo isso. Mas eu também entendo o que David fez. Eu
estava lá quando ele se apaixonou por Vanessa, e eu o assisti
desmoronar depois de desistir dela. Ele nunca se arrependeu de sua
decisão porque sua escolha trouxe você para as nossas vidas.
O que aconteceu com Vanessa foi errado, mas eu o perdoei. Às
vezes o amor é jogado no nosso caminho, e não importa quantos
obstáculos coloquemos, não há como pará-lo.

Depois que eu partisse, eu não queria que você ficasse


sozinho. Somos Hayes. Lutamos duro e ficamos juntos. Se você está
lendo isso, então você está, pelo menos, em condições de falar com
David. Eu não estou pedindo que você faça isso por mim. Eu gostaria
que você fizesse isso por você. Se você deixar o ódio, então talvez você
possa ver que David ainda é o mesmo homem que sempre te amou. Ele
não é o herói que você projetou. Ele foi um homem derrotado pelo
amor. Talvez um dia você vá conhecer uma garota que fará você
destruir sua vida inteira. E então talvez, apenas talvez você vá entender
os erros de David.

Justo quando você pensou que tinha se livrado de mim, eu ainda


estou interferindo em sua vida. Este é o meu último adeus. Eu te amo,
Ry. Lute duramente, ame mais, e seja o campeão que eu sempre soube
que você era.

Tio de Drew

Eu tinha razão. A carta teve um forte efeito sobre mim. Eu limpei a


garganta para desobstruir as emoções que começaram inchar lá. O
homem estava sempre certo. Mesmo na morte, ele sabia como voltar e
agitar algum sentido em mim.

Apesar de suas palavras, eu simplesmente não estava pronto para


lidar com David. Eu me sentia sobrecarregado com meus sentimentos por
Lexi, a pressão para segurar o meu título, e, em seguida, meu tio
empurrando David na minha cara como seu último desejo.
Eu precisava de um pouco de ar. Era demais para mim, então eu
pulei no meu carro e segui para um bar onde ninguém me
conhecia. Sentei-me lá por horas, bebendo demais e pensando ainda mais.
Eu queria consertar as coisas com Alexis, então eu decidi que o primeiro
passo era tirar Leah da minha vida. Eu deveria ter percebido que ir vê-la,
enquanto eu estava bêbado não era uma boa ideia.

***

— Eu realmente preciso que você se afaste. — disse quando ela


finalmente concordou em sair e conversar comigo. Ela tentou me
convencer a entrar, mas uma coisa que eu sabia sobre Leah era que ela
não era tímida quando se tratava de um homem tentador. Leah se
encostou no meu carro, cruzou os braços e olhou para baixo na rua como
se não tivesse ouvido uma palavra que eu disse. — Leah? — ela forçou
olhar para mim, uma careta profunda no rosto.

— O que você quer de mim, Ryder?

— Eu quero que você pare de me ligar no meio da noite. Eu preciso


que você pare de ir à minha casa e fazer Alexis se sentir desconfortável. E
pare de conspirar com a minha mãe para nos separar.

Ela suspirou, seus ombros pendurados com pesar.

— Nós já passamos por tantas coisas juntos, então ela simplesmente


chega e você esquece o que nós éramos. — ela se levantou fora do carro,
me olhando diretamente nos olhos. — Ficamos bem juntos, mas você está
fingindo que nunca quis, merda. Eu estava com você quando você era um
ninguém.
Eu dei um passo para trás dela e passei a mão no rosto antes de
enfrentar seu olhar magoado. — Eu nunca quis que você tivesse a
impressão que o que tivemos não significou nada.

— Não me venha com essa merda, Ryder. Eu tinha uma vida boa e
um bom trabalho. Eu desisti de tudo para vir aqui e ficar com você. Agora
eu mal posso me dar ao luxo de ficar aqui. — ela acenou para o
apartamento que ela estava alugando. — Se Jacob não for escolhido pelo
UFC este ano, nós vamos ter que nos mudar.

Ela tinha o direito de estar com raiva. Eu a deixei ter esperança


onde não havia nenhuma. Eu sempre soube que ela me amava mais do
que eu algum dia a amei. Eu a deixei arriscar tudo por mim e não dei nada
em troca. Eu dei a volta no carro, abri a porta e peguei meu talão de
cheques do porta-luvas.

Ela me encarou enquanto eu o preenchia. Eu destaquei e entreguei


a ela. Ela o pegou, olhou para mim, e depois revirou os olhos. — Você acha
que pode me comprar, por que você se sente culpado. Você nunca me
deixou entrar, e acabou.

— Eu não estou tentando comprá-la. Eu gostava de você, e eu não


quero ver você passar necessidade. Você estava lá por mim, então me
deixe fazer isso por você.

Ela enfiou o cheque no bolso de trás da calça jeans. — Alguma vez


você me amou?

— Nós simplesmente não funcionamos bem juntos.

Ela empurrou um dedo no meu peito. — Isso é porque você estava


preso a ela. Você gosta de fingir que eu fodi tudo, mas o seu coração
deixou nosso relacionamento antes de eu conhecer o Carter.

Eu me encolhi com a menção do nome de Carter. Eu não podia


fingir que não me irritava por ela ter dormido com aquele idiota. Por
outro lado, eu estava agradecido por ele ter me acordado e me feito
perceber que o que eu sentia por Leah não era real. Se eu sentisse por
Leah metade do que eu sinto por Lexi, eu nunca teria ido embora tão
facilmente.

O único erro que eu fiz foi não cortar Leah completamente da


minha vida. Tínhamos este pequeno arranjo doentio onde éramos livres
para namorar quem queríamos, mas continuávamos a foder. Ela nunca se
queixou ou tentou ficar entre mim e outra mulher, até Lexi. Eu percebi
que ela nunca se sentiu ameaçada por outra mulher antes. Ela tinha em
sua cabeça que consertaríamos as coisas e voltaríamos a ficar juntos, mas
esse navio partiu há muito tempo.

— Você está certa. Eu não vou mentir para você e dizer que minha
cabeça não ficou fodida depois que resgatei Lexi do oceano. Ela tem um
lugar especial no meu coração desde que éramos crianças. Não importa
onde nós erramos. Tudo o que importa é que nós fizemos, e nós não
podemos corrigir.

— Então, você nunca me amou. — seus olhos embaçaram e ela se


engasgou com as palavras.

— Venha aqui. — eu agarrei a mão dela e puxei para mais perto. Eu


não vim aqui para machucá-la. Nós tínhamos trocado mágoas suficiente
ao longo dos últimos cinco anos. — Eu amei você, mas as coisas mudaram
entre nós.

— Já estivemos aqui antes... — ela sussurrou. — Você sempre volta.

— Não mais.

Ela fechou os olhos, inclinando a testa contra a minha enquanto as


lágrimas derramavam em seu rosto. Eu a segurei. Ela suspirou. Eu não
podia dizer que não era difícil dizer adeus a nós. Ela era uma
constante. Eu a conheci em um momento em que eu estava sozinho.
Eu era um lutador jovem, esperançoso, de cabeça quente que
brigava durante o dia e fodia à noite. Ela chamou minha atenção em uma
luta. Ela estava lá com seu irmão, calmamente me olhando com aquele
olhar. Após a luta, eu não consegui encontrá-la, mas ela me encontrou no
bar e fomos todos para festa da vitória. Eu sabia que estava fodido, mas
seus olhos me fizeram lembrar Alexis, então eu a levei para casa e nunca a
deixei sair. Eu nos condenei desde o início. Eu não sabia na época, mas eu
sabia agora. Eu a deixei representar o que eu queria. Quando eu quase
perdi Alexis, eu não podia continuar a mentir para mim mesmo sobre eu e
Leah. Tornei-me distante, e ela tinha dormido com alguém para foder
comigo. Ela jogou na minha cara para me machucar, mas era como se ela
tivesse aberto a porta em que eu estava preso e me libertado.

Leah agarrou minha camisa, inclinou-se e apertou seus lábios


contra os meus. Nesse ponto, eu deveria tê-la empurrado. Eu deixei o
álcool e a culpa que eu sentia me governar. Ela gemeu desesperadamente
contra meus lábios, pedindo a última ligação. Então, em vez de me
afastar, eu deslizei minha mão em seu cabelo e a beijei de volta. Ela
derreteu em mim e gemeu, sua língua deslizando em minha boca. Quando
se afastou, eu vi nos olhos dela que um beijo de adeus lhe deu mais
esperança do que ela tinha momentos atrás. Eu fodi isso.

Eu deveria ter ficado em casa.


Capítulo Vinte e Seis
Alexis

Uma batida na porta interrompeu minha insônia. Depois que


briguei com o Ryder, eu me escondi no quarto por dias. Era como se eu
estivesse esperando que a escuridão do cômodo fosse engolir toda a
minha dor para as suas profundezas. Eu fui viciada em tristeza por tanto
tempo que me senti como uma nova pessoa com Ryder. Apenas para
descobrir que estava sendo esmagada por uma mentira.

Minha mãe passou pela porta quando não respondi e acendeu a


lâmpada de cabeceira antes de sentar na beirada da cama. — Ryder ligou.

Eu odiei o pequeno salto que o meu coração deu com a menção do


nome dele. Ele sempre tinha sido a minha fraqueza. Ele mudou tudo na
semana passada, fazendo-me ver a possibilidade de felicidade.

— Ele estava preocupado com você. — ela continuou.

— Eu não quero falar sobre Ryder. — eu murmurei com a cabeça


embaixo do travesseiro.

— Alexis, olhe para mim. — a seriedade em sua voz me fez virar


para ela.

— Você sabe por que pedimos para o Ryder cuidar de você?

Olhei para ela, mas não respondi. Eu não sabia que havia uma razão
além do seu medo obsessivo.

— Aquele dia que você entrou na cozinha e viu Ryder, eu


percebi. Aquele olhar que você direcionou para ele. — ela sorriu
suavemente antes de continuar. — Pela primeira vez desde que Alec
morreu, sua máscara caiu. Havia emoção de verdade em seu rosto, em vez
de sorrisos vazios, e eu vi paixão real. Ele afetou você, e eu quis empurrá-
la na direção da única pessoa que conseguiu fazer você sentir em anos. E a
maneira como ele olhou para você...

— Mãe, eu odeio estourar sua bolha, mas era apenas desejo.

— Talvez tenha sido naquele dia, mas eu tenho certeza que se


tornou algo mais desde então. Ryder liga todas as noites, preocupado com
você. Isso não é um homem com desejo. Ele não concordou com o negócio
que David propôs Lexi. Fale com ele, ok?

Ela se foi. Eu chorei. Então eu me levantei e decidi parar de deixar


as coisas me derrubarem. Tomei banho, vesti a roupa de treino, e dirigi o
carro da mamãe até a academia.

***

— Então, onde está o seu cão de guarda?

— Não comece Jacob. — ele estava me evitando, mas


principalmente porque Ryder estava sempre de olho nele. Ryder não
estava aqui para assustá-lo.

Ele ergueu as mãos em autodefesa e deu um passo para trás. — Eu


só queria saber se era seguro conversar com você.

— Mais uma vez, o que você quer?

— Nós não podemos ser amigos?

— Não, se você está esperando que Ryder me dispense para que


você entre em cena...

— Ok, talvez eu estivesse um pouco...


— Você foi um grande idiota por dizer isso.

— Ok, eu fui rude e repugnante, mas eu realmente gosto de você. Eu


não quero ver você se apegar ao Ryder quando ele nunca vai largar a
minha irmã.

— Eles terminaram.

— Não pareceu assim a noite passada. — a tensão em seus lábios


deu-lhe uma expressão incomumente séria, mas eu sabia que ele estava
tentando nos separar ao me fazer duvidar de Ryder. Ele olhou para baixo
e começou a envolver a mão com uma faixa. — Eu sei que você não quer
acreditar em mim, mas Ryder foi à minha casa ontem à noite falar com
Leah, e pelo beijo que ela deu nele, não pareciam terminados.

— Vamos lá, Jacob. Isso é realmente baixo. Você poderia me deixar


voltar ao treino? — liguei a esteira e comecei a correr.

— Se você não acredita em mim, pergunte para ele. Está meio que
evidente na expressão dele, de qualquer maneira. — ele acenou com a
cabeça em direção à porta, e eu me virei e vi Ryder entrando com sua
cabeça baixa. Eu pisei em falso na esteira e tropecei antes de desligá-
la. Ryder olhou na minha direção, mas evitou contato com os olhos, virou
rapidamente e foi direto para Ty.

Desde a semana que começamos a ficar oficialmente, Ryder nunca


ficou em um cômodo sem me tocar, ou sem flertar constantemente com
seu olhar sexy. Um nó se formou na minha garganta quando olhei para
Jacob, que apenas deu de ombros como se dissesse ―eu te avisei‖ e saiu.

Eu realmente não gostei de estar inclinada a acreditar em Jacob,


mas depois de ter sido tão inflexível para falar comigo, por que ele estava
me ignorando? Fiquei desconfortável em pensar que tudo o que Ryder
tinha finalmente me feito acreditar era uma mentira. As palavras que ele
me sussurrou à noite me fizeram confiar que o seu coração estava tão
comprometido quanto o meu.

Tive a sensação de que algo estava errado porque a energia entre


nós não era a mesma, mas eu estava com medo de enfrentá-lo. Então, eu
corri e corri e corri até as minhas pernas doerem. Passei ainda mais
tempo no chuveiro, e quase me convenci a deixar a academia sem
perguntar para ele o que estava acontecendo. Eu não queria saber se
estava acontecendo o que temi desde o início. No final, eu não aguentaria
as dúvidas e suspeitas me comendo.

Eu decidi enfrentá-lo.

— Podemos conversar? — perguntei quando me aproximei dele. Ele


olhou para mim, em seguida, voltou a treinar com Ty. Ty olhou para mim
com uma expressão confusa. Ele inclinou a cabeça para o lado enquanto
tentava descobrir o que estava por trás da atitude de Ryder.

— Eu estou ocupado. — ele resmungou.

— Ryder? — ele me ignorou, pulando sobre as bolas aos seus pés,


batendo o saco de velocidade de forma agressiva.

Eu agarrei o braço dele, irritada por ser dispensada.

— O quê? — ele disse em um tom sério.

Eu rebati. — Você está me atormentando para conversar com você


há dias, e agora você está me excluindo.

— Bem, você não pode esperar que eu fique por perto até que você
esteja pronta para me dar o seu tempo. Eu não quero fazer seus jogos,
Lexi. Cresça.

Ele se virou para o saco, mas parou quando eu perguntei: — Aonde


você foi ontem à noite?
Ele virou-se e estreitou os olhos azuis para mim, e então ele olhou
atrás de mim, para Jacob, como se fosse matá-lo.

— Apenas responda essa pergunta e deixo-o em paz. — ele ainda


não tinha olhado de novo para mim. Jacob estava se movendo lentamente
mais distante de nós, com medo da raiva de Ryder. Eu puxei o seu bíceps
tenso para chamar sua atenção. Quando ele olhou nos meus olhos, eu
perguntei: — Você a beijou?

Ele se encolheu, ainda que levemente, depois desviou o olhar cheio


de culpa. Tirei a mão como se ele estivesse me queimado. Ele olhou para
mim e eu recuei.

— Posso explicar? — ele parecia ao mesmo tempo nervoso, culpado,


e revivendo o problema. Eu balancei a cabeça, porque eu não queria os
detalhes.

— Não precisa. Eu acho que entendi. Você diz que não era por causa
da academia, mas no minuto que a pegou de volta, correu de volta para
ela.

— Não, não foi assim.

Eu levantei a mão, cortando a explicação. Uma risada amarga


escapou-me antes de eu me virar e sair da academia. Eu saí do edifício e
corri como louca para o carro da minha mãe.

— Ei! Onde você está indo? — Jacob estava correndo para me


alcançar. Olhei e ele correu para o meu lado, tentando acompanhar o meu
ritmo rápido.

— Eu não sei. — respondi. — Para longe dele.

— Eu estava certo?

Parei abruptamente, fazendo-o dar alguns passos para trás e me


encarar. Eu o enfrentei com raiva.
— Só para constar, eu não estava tentando magoá-la.

Eu suspirei, respirei profundamente e deixei de lado a raiva que


nem era direcionada para Jacob. — Tudo bem. Estou feliz que você tenha
sido sincero comigo.

— E agora?

Eu dei de ombros. Honestamente, eu não sabia o que


aconteceria. Eu queria voltar e bater no Ryder do jeito que ele estava
acertando o saco, mas mais do que isso, eu queria me enrolar em um
canto e lamber minhas feridas. — Você vem para a luta amanhã?

— Eu estava planejando, mas agora...

— Você ainda pode vir. Vou até buscá-la.

Eu balancei um dedo na frente do seu rosto. — Isso não vai


acontecer.

Ele riu. — Ok, entendi. Você não está interessada em mim. — ele
levantou uma sobrancelha e sorriu, mostrando sua covinha bonita. —
Embora eu não consiga entender como você pode dispensar algo tão sexy.
— ele balançou as sobrancelhas e flexionou os músculos do braço,
enquanto beijou seu bíceps volumoso.

Eu estraguei tudo quando não consegui esconder meu sorriso. Ele


era incrivelmente chato, mas engraçado de um jeito bobo. — Posso ir
agora, ou você vai continuar me seguindo?

— Eu vou deixar você ir, se você me deixar buscá-la amanhã.

Eu balancei a cabeça. — Ryder não vai gostar. — por que eu me


importava? Eu nem conseguia explicar isso.

— Bom, mais uma razão para você vir comigo. Você pode me ver em
ação, e quando eu ganhar, você pode me assistir chutando o traseiro do
Ryder. Então, podemos esfregar o nosso amor na cara dele. — ele riu
quando fiz uma careta para ele. — Estou só brincando.

—Tudo bem, irei com você, mas eu só estou concordando porque eu


não quero que Ryder pense que vim por ele.

— Ei, eu sou fácil. Vou aceita-la do jeito que der. — eu franzi a testa,
olhando-o do jeito mais maligno. Ele riu e jogou um braço sobre os meus
ombros e nós caminhamos até a rua. — Eu gosto de você, Lexi.

— Bem, eu ainda não sei como me sinto sobre você.

Ele levantou uma sobrancelha com um sorriso moleque no rosto. —


Contanto que você sinta alguma coisa, fico satisfeito.

— Você vai parar algum dia?

Ele balançou a cabeça vigorosamente. — Eu fui um garoto muito


hiperativo. Algo de que nunca me livrei. — ele inclinou a cabeça, olhando
para o céu como se imerso em pensamentos. — Eu acho que é
definitivo. Eu poderia precisar de uma mulher como você para me
controlar e curar o meu jeito desordenado.

Eu sorri para ele. — Ok, eu decidi. Você me irrita pra caramba. —


ele franziu a testa. — Mas é fofo. — eu continuei.

Seu rosto se iluminou com um sorriso tolo. — Eu sabia. Você gosta


de mim. — ele brincou e arqueou uma sobrancelha. Eu belisquei seu lado
quando paramos na frente do meu carro. Ele me deu um abraço apertado,
o que eu não retribuí. — Não se esqueça de me enviar seu endereço. —
gritou ele enquanto voltava para a academia. Ele não notou Ryder de pé a
poucos metros de distância, uma expressão tempestuosa no rosto e os
braços cruzados sobre o peito grande. Jacob esbarrou nele, olhou para o
seu rosto carrancudo, e então encolheu os ombros antes de entrar. Ryder
estava ali irradiando intimidação.
Tentei dar a volta no carro e me distanciar dele, mas ele foi
rápido. Ele fechou a porta enquanto eu tentava abri-la. — Podemos
conversar?

Eu não me virei, porque eu sabia que ele ia me convencer com um


olhar. Eu balancei a cabeça. Ele suspirou, segurou meu braço e me virou.

E lá se foi. Minha resistência se desfez em pedaços.

— Lexi, eu sei que prometi não machucá-la, mas eu errei, estou


arrependido. Mas eu preciso que você saiba que nunca foi sobre a
academia. Encontrar com você no bar foi coincidência, e tudo o que
aconteceu depois disso foi o destino.

— Eu sei disso. Eu vim aqui pensando que talvez eu tivesse


exagerado. Talvez eu só tivesse acreditado porque estava com muito medo
de acreditar em nós. Mas estou ainda mais confusa agora. Demorou cerca
de 10 minutos para você seguir em frente.

— Não foi assim. — ele deu um passo para trás, correndo as mãos
pelo cabelo. — Você não falava comigo, e eu li aquela carta do meu tio e
fiquei me sentindo... Sobrecarregado. Eu bebi e depois fui falar com Leah,
fazê-la recuar. Ela me beijou. Foi um beijo de despedida. Eu me senti
culpado e beijei-a de volta. Me desculpe, eu te machuquei, mas você tem
que saber que não significou nada.

Ele enterrou as mãos no meu cabelo, ambos os polegares


acariciando minhas têmporas. Senti o movimento despertando cada
célula do meu corpo. — Você roubou meu coração quando eu tinha treze
anos, e você nunca me devolveu. Leah foi um negócio cru. Ela tentou
ganhar algo que nunca foi meu. — ele se inclinou e beijou a minha
nuca. Tentei disfarçar meu arrepio, mas ele sentiu. Os cabelos da minha
nuca se levantaram. Ele estava me bombardeando com sua energia
sensual.
— Você não pode simplesmente tomar meu coração e ir embora. O
que eu devo fazer sem ele?

As palavras que saíam da sua boca pareciam mágicas, mas eu não


queria acreditar em contos de fadas. Era muito mais difícil de lidar com a
vida real quando você construía suas esperanças em fantasias. Eu
empurrei seu peito e ele cedeu, dando-me alguns centímetros de espaço.

— Apenas me dê tempo para pensar.

Ele balançou a cabeça, parecendo preocupado. — Você ainda vai vir


me ver lutar amanhã?

— Sim. — eu quis muito ver Ryder lutar pessoalmente durante tanto


tempo, que não queria perder, mesmo que eu ainda estivesse um pouco
irritada com ele. Mas aparecer com Jacob... Ryder ia ficar puto. Oh, bem,
ele merecia.
Capítulo Vinte e Sete
Ryder

Subi no ringue e olhei para onde Lexi estava sentada. Ela chegou e
se sentou em um lugar totalmente diferente do que eu tinha reservado
para ela, mas eu fiquei feliz por ela estar aqui. Tentei relaxar, uma vez que
a luta estava prestes a começar, mas eu estava muito ansioso para falar
com ela. Notei que alguém sentou ao seu lado e quase se dobrou em cima
dela.

Que porra é essa? Ela está sentada com Jacob?

Desde quando eles eram amigos? Eu juro que vou bater tanto
naquele merda que ele vai ficar longe de Alexis para sempre.

Jacob lutou mais de uma hora atrás e foi imobilizado pelo lutador
que eu ia enfrentar. Ele estava obviamente perdendo a sua vantagem
dando em cima da Lexi. Ele ficou claramente afastado de mim no dia
anterior na academia, e eu pensei que fosse mais sensato deixar o garoto
em paz porque eu estava mais irritado comigo mesmo do que com ele. Eu
não queria descarregar a raiva nele, mas eu queria tê-lo enfrentado no
ringue.

O sinal soou, e eu fui imediatamente atingido com uma direita


sólida no queixo. Ela estava mexendo com minha cabeça e minha
luta. Minha concentração estava fodida.

Concentre-se, Falcão.

Eu sabia que tinha estragado tudo. Eu deixei Leah me levar para


uma situação que arriscava tudo que tinha construído com Lexi. Mas ela
sentada ali, na minha luta, com Jacob era desnecessário. Talvez não fosse
nada. Talvez ele tivesse sentado aleatoriamente ao lado dela e ela estivesse
mandando-o ir se foder. Olhei na direção dela de novo e ela sorria para
ele. Ele se inclinou mais para falar com ela. Eu senti minha raiva
crescendo. A queimadura começou em meu peito e explodiu em uma raiva
que eu nunca tinha experimentado antes.

Um forte punho me atingiu logo abaixo do olho, seguido por três


golpes nas minhas costelas.

Merda, isso dói. Eu estava fora do jogo. Eu nunca estava desligado.

Concentre-se, Falcão.

Eu balancei, saltei à esquerda enquanto circulávamos o ringue. Ele


desviou do meu soco com a mão direita, mas caiu direto no meu gancho
de esquerda. Eu bati nele uma vez, duas vezes, e ele tropeçou, em seguida,
se equilibrou de novo.

Eu já deveria ter derrubado este filho da puta.

A multidão gritava: — Falcão! Falcão! — meus olhos se deslocaram


do meu oponente direto para Alexis. Ela era a única pessoa na sala que
não estava assistindo a luta. Ela colocou a mão na coxa de Jacob e
sussurrou em seu ouvido. Foi muito íntimo. Meu peito apertou. Um
poderoso punho bateu em meu rosto. Eu tropecei enquanto o sangue
escorria do corte na minha sobrancelha. Houve um silêncio chocado da
multidão quando ele veio para cima de mim com a força de um assassino,
e me deu dois golpes pesados na cabeça.

Nós nos agarramos. Tomei outro golpe nas costelas


machucadas. Foda-se isso, e ela. Ela ia me matar aqui. Eu dei uma
joelhada na sua barriga. Ele me soltou. Bati o punho repetidamente em
seu rosto e cabeça, imaginando que ele era Jacob. Sim, está funcionando.

Ele tentou me dar uma rasteira, mas não conseguiu. Ele deu um
passo para trás. Eu acertei-o com um golpe no nariz, em seguida, um
chute certeiro na cabeça. Ele caiu instantaneamente. Ele estava tonto,
mas finalizei com socos rápidos na cabeça. Estava acabado desde que o
derrubei, e não havia volta. O juiz me arrastou de cima dele e me deu a
vitória por nocaute.

A multidão explodiu, mas eu só estava focado em Alexis. Ela estava


finalmente olhando na minha direção, um pequeno sorriso nos lábios
quando ela olhou para mim com admiração. Eu pulei para fora do ringue,
e ela estreitou os olhos quando me viu correndo na direção dela, a fúria
evidente em meu olhar. Ty tentou me puxar rapidamente pelo corredor,
mas não antes de eu agarrar o braço de Alexis quando passamos pelo seu
assento. Ela tentou se afastar, mas eu dei-lhe um olhar duro, e ela parou
de resistir, me seguindo pelas portas duplas, ao fundo do corredor, para o
meu vestiário.

Alexis correu para o outro lado da sala quando Ty trouxe alguém


para suturar meu corte. Ela ficou de pé contra a parede, olhando para as
mãos e furtivamente para mim. Eu mal tirei os olhos dela, minha raiva
fervendo enquanto eu ignorava a picada dos pontos. A sala estava
bombeada com adrenalina e Ty e o resto da minha equipe comemoravam
a minha vitória, reencenando o nocaute. Eu não consegui entrar na
comemoração quando tudo que eu queria era o cômodo vazio e ficar
sozinho com Alexis.

— Saiam. — ordenei assim que os pontos foram dados. Todo mundo


parou de rir e brincar ao redor, mas ninguém se moveu. — Deem o fora!

A sala limpou instantaneamente. A tensão se intensificou. Ela


mordia o lábio com apreensão estudando algo no chão.

— O que diabos você acha que estava fazendo lá fora?

— Nada. — ela murmurou. Ainda sem contato visual.


— Nada? — levantei-me do banco e me aproximei dela. — Você quer
me magoar, né? — ela balançou a cabeça. — Sim, você quer foder comigo
até eu enlouquecer. — ela negou, mas eu sabia que ela queria me
magoar. Eu queria me machucar por fazê-la duvidar de mim. — Ele sabe
que você é minha?

— Você sabe? — ela levantou uma sobrancelha.

Olhei em seus olhos. — Eu me desculpei. O que você quer que eu


faça para você voltar? Porque eu vou fazer. Você vem aqui e
propositadamente fode com a minha cabeça e quase me custou a luta.

— Ryder, nada está acontecendo entre Jacob e eu. Você precisa se


concentrar quando você está lá ou seu próximo adversário vai bater na
sua cara.

— Isso faria você se sentir melhor? Eu nem percebi que você


assistiu algo da luta. Você parecia ocupada. — a acusação no meu tom fez
com que ela revirasse os olhos.

— Eu assisti. E não, não é isso que eu quero. — ela deu um passo


para trás, olhando para mim quando suas costas bateram na parede.

— Eu expliquei o que aconteceu, eu pedi desculpas, mas você ainda


quer que eu pague. Talvez se eu deixasse alguém bater na minha cara,
fosse punição suficiente para você.

Ela deu um passo adiante, colocando uma mão em cada lado do


meu rosto. — Eu não quero te magoar. Não é fácil para mim confiar em
homens, e eu quero confiar em você, mas... — ela suspirou, depois olhou
para baixo. — Você me machucou. — disse ela baixinho.

Suas palavras doeram no meu coração. Apoiei a testa contra a


dela. — Eu sinto muito, baby. — eu beijei-a suavemente. Coloquei a mão
na sua nuca, puxando-a para mais perto, um pouco tempestuosamente,
forçando-a a olhar para mim.
— Você é minha. Minha. — eu desafiei-a a negar com o olhar. —
Você quer tempo para ficar puta comigo? Eu vou dar esse tempo. Você
quer gritar e berrar comigo? Faça. Merda, se você quiser, eu deixo você
me derrubar no ringue. — ela riu, mas rapidamente perdeu o humor
quando ela viu o quão sério eu estava.

— Mas não ache que porque eu cometi um erro vou deixar alguém
levá-la de mim. Eu estraguei tudo, mas eu esperei muito tempo para ter
você e perdê-la por um beijo que não significou nada. — aproximei mais,
empurrei-a de volta na parede e pressionei o meu corpo ao dela. —
Aquilo. Significou. Nada. Isso aqui... — beijei-a novamente. — Significa
tudo para mim. — ela choramingou entre os beijos. — Esses lábios são
meus. — eu inclinei sua cabeça para cima e lambi do seu queixo até seu
ouvido. Ela gemeu. — Esse som que você faz pertence a mim. Faça de
novo.

Eu chupei e lambi sua pele lisa. Ela gemeu alto. Eu arrastei a mão
pela lateral dela, sobre os quadris, em seguida, até a saia curta. Eu
acariciei a pele macia de suas coxas, afastando-as suavemente. Pressionei
minha palma contra sua calcinha. Ela engasgou no primeiro contato, sua
respiração ficou irregular e as unhas afundaram nos meus ombros.

— Essa boceta é minha. — ela estremeceu e gemeu com as palavras


íntimas, ou com o jeito que eu estava brincando com seu clitóris inchado
sobre o tecido fino. Eu empurrei a calcinha de lado, passando dois dedos
sobre seu calor úmido.

— É minha Alexis? — ela virou a cabeça para longe de mim, e


ofegou quando eu mergulhei o dedo no seu buraco apertado.

— É minha?

Ela assentiu com a cabeça freneticamente. — Oh Deus... É sua, sua.


— seu quadril balançou contra a minha mão. Sua carne suave, molhada
estava me fazendo delirar. Eu queria, e eu sabia que mataria com
porradas qualquer um que tocasse neste meu pedaço de paraíso. Eu rolei
meu polegar sobre aquele pequeno broto, e ela começou a tremer e
suplicar.

— Por favor... Ohh, por favor, Ryder.

— Por favor, o quê? — olhamos um para o outro sob as pálpebras


pesadas de desejo. Ela abaixou meu short e olhou o meu pau se projetar,
duro e irritado por ter ficado confinado tanto tempo.

— Lembre-me por que é sua. — seus olhos estavam implorando por


mim, e seus lábios carnudos. Porra, aquela merda estava deixando o meu
pau duro. Ela envolveu uma perna ao redor da minha cintura, esfregando
sua boceta molhada contra mim. Um rosnado começou no fundo do meu
peito e se libertou. Eu rasguei sua calcinha, determinado, e empurrei para
dentro dela rápido e duro.

Ela empurrou a cabeça contra a parede; o pescoço esticado


enquanto ela se engasgava com um suspiro e olhava em silêncio e em
choque para o teto. Eu congelei, esperando pra caralho que eu não a
tivesse machucado.

— Você está bem? — eu consegui perguntar, apesar das ondas de


choque de prazer correndo pela minha espinha, minando a minha voz.

— Não. Pare. — pelo seu discurso trêmulo, eu achava que ela estava
experimentando o mesmo nível de prazer. Tirei quase tudo, depois
empurrei de volta em seu corpo apertado. Ela arrastou as unhas pelo meu
braço, ferindo a pele. Eu mal registrei a dor através da intensa sensação
que corria pelo meu pau. O prazer era tão avassalador que me agarrou
pela cabeça e guiou-me à loucura.

Meus dedos afundavam na perna que estava em volta da minha


cintura, à medida que eu empurrava mais para dentro dela. Havia tanto
calor úmido que eu estava suando por causa da onda de prazer que
tremulava em cima de mim. Eu empurrei mais rápido e com mais força,
estimulando seu clitóris. Ela estava trêmula e ofegante, gritando
incoerentemente. Ela estava perto. Eu estava mais perto. As mãos dela
foram para o meu cabelo. Minhas bolas apertaram, ansiando por
libertação conforme eu me perdia dentro dela. Eu chupava seu pescoço e a
batia na parede. Ela ficou tensa sob meus dedos, sua boceta se apertou no
meu pau, e ela gritou. Ela gritou seu orgasmo, tremendo e puxando meu
cabelo.

Seu túnel ficou mais quente, mais úmido, agarrando-me e puxando


o orgasmo de cada célula do meu corpo e meu pau. Eu derramei dentro
ela, gozando pelo que pareceu uma eternidade. E quando eu pensei que
tivesse acabado, sua boceta continuou a apertar, puxando tanto esperma
de mim que eu pensei que estivesse a um passo de perder todo o senso de
realidade. Eu desapareci dentro e fora dela quando inclinei o meu peso
sobre ela, cerrei os dentes, e tentei dar sentido ao que eu sentia.

Eu tinha tido relações sexuais. Muito. Mas isso... Acabou com tudo
o que eu achava que sabia. A única coisa em que eu podia me agarrar era
que Alexis era o meu início e o fim. Eu nunca permitiria que ela me
deixasse de novo, porque eu tinha perdido meu coração tão
profundamente para ela, que sabia que não sobreviveria se ela me
deixasse.

— Ei. — disse ela, segurando a minha cabeça com as mãos,


forçando-me a olhar para o brilho verde desbotado de seus olhos.

— A quem você pertence? — ela perguntou, devolvendo as minhas


palavras.

— A você. — eu resmunguei, ainda tentando entender o sentido das


minhas emoções. — Sempre foi você.
Ela me puxou, me beijando. Eu embalei sua cabeça quando
aprofundei o beijo, tentando absorver o máximo dela, o quanto o meu
coração podia suportar.
Capítulo Vinte e Oito
Ryder

— Mantenha os olhos fechados.

Alexis remexeu quando eu abri a porta e a levei para o


telhado. Puxei-a para o centro, em seguida, dei um passo para trás.

— Ok, pode abrir.

Ela abaixou as mãos e olhou em volta com admiração. — Isso esteve


aqui o tempo todo?

Eu balancei a cabeça enquanto ela continuava a fazer a varredura


do deck na cobertura que foi reformada há dois anos. O pátio foi decorado
com grandes cadeiras e espreguiçadeiras. O piso era de concreto liso que
combinava muito bem com o mobiliário moderno que a designer tinha
insistido em colocar. Havia uma enorme churrasqueira, na qual eu
costumava fazer churrasco para os lutadores todos os verões. Havia até
uma rede sob uma pérgola grande.

— Por que você esperou tanto tempo para me trazer até aqui? — ela
me deu um tapa no braço, em seguida, caminhou até a rede. Nós
tínhamos ido jantar a pé, e no caminho de volta, ela mencionou o tanto
que a noite estava bonita. Eu sabia que ela ia adorar ainda mais vista do
deck, então eu a arrastei do meu apartamento para a porta que levava até
aqui.

— Podemos deitar? — ela apontou para a rede.

— Claro. — eu me ajeitei primeiro e a ajudei a se acomodar entre as


minhas pernas.
— É incrível. — ela olhou para as estrelas enquanto eu passava a
mão sobre o seu braço. Ficamos ali por um tempo, desfrutando
calmamente o momento até que ela rompeu o silêncio.

— Você já pensou que estaríamos aqui assim?

— Não. — eu respondi rapidamente, porque eu tinha certeza de que


isso nunca iria acontecer. — Mas a primeira vez que David me levou a sua
casa, e você olhou para mim com aqueles olhos castanhos brilhantes, eu
sabia que, se você se esforçasse o suficiente, você iria me derrotar.

— Você está brincando? — ela estava deitada com a cabeça sobre o


meu coração e olhava para mim. — Eu tentei todas as vezes que ficávamos
sozinhos, mas você era frio e mau.

— Era um mecanismo de defesa. Toda vez que você ficava muito


perto de mim, sentia coisas que eu não deveria estar sentindo por uma
adolescente inocente de treze anos de idade. Sempre que você ficava
nervosa, você explodia e eu podia respirar novamente.

— Você percebe que a sua prepotência e atitude rude desperdiçou


um monte do nosso tempo.

— Eu tive que ser mandão. Alec te deixava escapar de tudo.

— Sim, ele deixava, mas você era um malvado total. Você me falava
o que eu podia vestir, isso quando eu podia sair, e você nunca me deixava
ir a qualquer lugar com você e Alec sem uma briga.

— Isso porque você era ingênua e completamente inconsciente do


seu sex appeal. Você saía naquele biquíni estúpido, e os amigos do Alec se
amontoavam e sussurravam sobre o tanto que você era quente. Eles até
tinham um desafio para ver quem seria corajoso o suficiente para puxar
as cordas de seu biquíni para que pudessem ver mais. Eu tive que
ameaçá-los com danos corporais para fazê-los recuar.
Ela deu uma risadinha. — Não admira eles terem passado a me
evitar na escola.

— Não foi engraçado. Cuidar de você era desgastante.

— Você não era meu irmão. Não era seu trabalho cuidar de
mim. Você era tão insuportável.

— Não foi fácil para mim também. Eu era um adolescente que tinha
um tesão de dois anos por uma menina que eu estava tentando proteger
de caras como eu.

— Quem vai me proteger agora?

— Estou começando a perceber que eu era a pessoa que mais


precisava de proteção. Você desempenhou o papel principal na minha
vida, e eu fui apenas um coadjuvante.

— Como eu posso ter o papel principal em sua vida?

— Tudo sempre foi sobre você. Mesmo quando eu te excluí você


ainda estava aqui. — eu apontei para o meu coração. — Eu nunca consegui
me comprometer com outra mulher, e a única vez que tentei, foi com
alguém que me lembrava você. E eu não pude nem dar o meu coração
para ela. — corri os dedos pelos seus cabelos. — Você sempre controlou
este jogo da vida. Você liderou cada movimento que eu fiz durante
anos. Você é a rainha em nosso jogo de xadrez. Eu sou apenas o peão.

Ela olhou para mim, pensativa, e então estendeu a mão, passou os


dedos sobre meu rosto. — Eu amo você, Ryder. — ela se inclinou e me
beijou, seus lábios suaves e doces. Eu sabia o que ela sentia. Mas ouvi-la
dizer isso...

Merda...

Nunca algo soou tão doce.


— E você está certo. Desde o dia em que te conheci, eu nunca parei
de lutar para liderar a sua vida, o seu coração, mas isso é só porque você
sempre teve esse papel na minha.

Ela me beijou de novo, e eu retribuí, empurrando a língua em sua


boca. Sua língua tocou a minha, provocando-me para aprofundar o
beijo. Eu segurei seu rosto com as mãos enquanto seus lábios suaves se
moviam contra os meus. Esse beijo era diferente; não era urgente ou
intenso demais, mas ainda me excitava de forma abrangente. Ela moveu a
boca sobre a minha, como se estivesse tentando tirar tudo de mim
desesperadamente, e eu daria a ela de boa vontade. Ela sugou meu lábio
inferior e beijou a minha mandíbula. Ela se acomodou em meus braços, e
eu a segurei até ela adormecer.
Capítulo Vinte e Nove
Alexis

Entramos na garagem e eu congelei. — Oh meu Deus... Meu bebê


está aqui. — Meu carro estava estacionado ao lado da moto dele em todo
seu esplendor original. Todas as janelas foram reparadas, e até mesmo a
pintura parecia mais brilhante do que o habitual. Fui até lá e deslizei
minha mão no teto.

— Eu senti tanto sua falta. Desculpe-me deixei você sozinho e parti


com aquele homem mau.

Olhei para Ryder, e ele balançou a cabeça, não inteiramente


entretido pela conversa que eu estava tendo com o meu carro.

— Este carro me deu alguns dos melhores passeios da minha vida.


— eu corri minha mão sobre o capô. Ele veio por trás e empurrou-me
contra o carro, prendendo-me com seu corpo.

— Você está tentando me fazer ter ciúmes de um carro? — ele


franziu a testa em confusão.

— Eu não sei. Está funcionando?

Ele me virou, colocou as mãos na minha bunda, e as minhas pernas


em volta da sua cintura. Ele caminhou até a frente do carro e colocou-me
no capô.

— Não sou ciumento, mas eu deveria simplesmente ter que mostrar


quem cavalga você melhor.
Ele puxou meu short e calcinha sobre meus quadris, tirou e jogou-
os sobre o ombro. Ele enfiou um dedo em mim, fazendo com que minhas
costas arqueassem no carro.

— É o carro que está fazendo você ficar com tesão? Molhada? — ele
começou a girar o polegar sobre meu clitóris, e minha cabeça começou a
rodar.

— Porque se for... — ele acrescentou outro dedo, me esticando. —


Então eu posso ficar com ciúmes.

— Oh Deus. — eu gemi, balançando os quadris na sua mão.

— Tire a camisa. — suas palavras eram atadas com autoridade e


desejo. Eu me movi rapidamente, tirei a camisa e abri o sutiã. Uma vez
que meus seios estavam expostos, ele estendeu a mão e apertou-os em
suas palmas. Ele pegou meu mamilo, e ondas de prazer passaram por
mim. Eu estava perto. A dor latejante na minha protuberância inchada
estava prestes a explodir, mas ele parou. Ele simplesmente se afastou
exatamente quando eu estava chegando lá. Ele olhou para mim,
imóvel. Seus olhos percorreram a minha forma nua esticada no capô do
meu carro. Eu me mexi desconfortavelmente, e seus olhos se moveram
para o meu rosto, olhando nos meus olhos.

Ele tirou a camisa em um movimento rápido, em seguida,


empurrou a calça jeans e cueca até os joelhos. Ele me agarrou pelas coxas
e me puxou até que minha bunda ficasse na borda. Ele ajeitou o pênis em
suas mãos e começou a correr a cabeça dele sobre a minha entrada
molhada.

O metal frio embaixo de mim nem chegava perto de ser tão bom
quanto aquele pau passando pelo meu clitóris. — Sim... — eu nunca mais
questionaria por que um cara sofria colocando um piercing em seu pênis.
Ele se afastou.
Deus, não o deixe parar novamente.

Mas ele não parou. Ele moveu seus quadris e lentamente empurrou
dentro de mim. Suas pálpebras estavam semicerradas, os músculos do
ombro duros e tensos. Ele me esticou, a ponta sólida de seu piercing
massageando meu interior, fazendo meu corpo vibrar com prazer. Ele se
inclinou e estremeceu quando enfiou os últimos centímetros. Sua pele
quente acariciava meus mamilos sensíveis, as mãos estavam em meus
quadris, limitando os meus movimentos.

— Porra. — ele gemeu em êxtase torturante. Tentei empurrar contra


ele, mas ele me segurou com mais força. — Não se mova. — sua respiração
pairava em meu pescoço enquanto ele dava beijos leves na minha pele. —
Você está tão quente e molhada... Tão fodidamente apertada que vou
gozar rápido.

Meu corpo estava em chamas, apesar do metal frio embaixo de


mim. Eu tinha certeza que havia vapor irradiando do capô porque
estávamos em uma névoa. Eu precisava que ele se perdesse. Eu queria me
perder nele. Eu estendi as mãos e as corri pelo seu cabelo.

— Perca-se em mim, baby.

Ele rosnou no meu ouvido, recuou e começou a me penetrar. Eu


desencadeei uma besta. Ele estava empurrando rapidamente, acariciando
meu lugar feliz com o piercing. Estremeci quando ele tremeu. Ele grunhia
e eu choramingava. Reagíamos um ao outro como se nossos corpos
estivessem experimentando o mesmo nível de euforia.

Eu estava lá. O acúmulo foi lento e tortuoso, mas a queda seria


excitante. Minhas coxas enrijeceram, apertaram em volta dele. Ele
empurrou longo e duro, e eu quebrei. — Ahh... Oh Deus... Tão bom ...

Ele rosnou de satisfação. Seus impulsos ficaram mais lentos e


erráticos naturalmente. Sua grande estrutura tremeu e ele me soltou. Seu
calor me encheu quando seus lábios desceram para reivindicar os
meus. Ficamos deitados sobre o capô do meu carro por longos minutos
apenas acariciando e beijando antes que ele me ajudasse a
levantar. Subimos rápido para nos limpar antes de voltarmos para baixo e
sairmos sem mais atrasos.

Nós fomos ao longo da costa em sua motocicleta. Gostei da forma


como o vento bateu contra a minha pele e adorei a sensação do seu calor
enquanto viajávamos juntos pela estrada. Ele me levou para uma
hamburgueria que ele descobriu anos atrás. Ele sabia que eu gostaria dos
hambúrgueres, e ele estava certo. Ryder estava determinado a me colocar
de volta no jogo, me fazendo experimentar todos os hambúrgueres que o
mundo tinha para oferecer.

Quando chegamos em casa, desmoronamos na cama e


conversamos. Falamos sobre sua próxima luta e sobre eu voltar para a
faculdade. Também conversamos sobre o nosso futuro, porque não havia
dúvida de que tínhamos um.

Eu amei Ryder por tanto tempo, e eu sabia que isso nunca


mudaria. Eu já tinha experimentado o amor com outro homem, e eu sabia
que isso era diferente. O tipo de amor que eu sentia por ele não podia ser
abalado depois de algumas lágrimas. Era o tipo de amor que ficava com
você por toda a vida, e, se possível, que transcendia a isso.

Nós adormecemos totalmente vestidos, envolto nos braços um do


outro, e eu acordei pensando que era assim que eu queria acordar todos
os dias da minha vida. Mas, infelizmente, nem sempre podemos ter o que
queremos.

***
— Nós já conversamos sobre isso, Lexi. — Ryder franziu a testa para
mim enquanto jogava as coisas em uma mochila.

— Não, você me disse que tinha que ir para o local de


treinamento. Você nunca mencionou que seria uma viagem de seis horas
de distância. Eu pensei que ainda teria as suas noites.

— Você sempre pode vir comigo.

— Eu não posso. Lembra que eu ia me matricular na faculdade e


procurar um emprego?

Nas duas semanas desde a luta, ficamos no nosso próprio


mundo. Ele me levou para jantar em um restaurante chique. Ele quis
levar-me a um lugar especial, uma vez que estávamos oficialmente
juntos. Eu não tive coragem de dizer a ele que eu costumava ir lá com os
meus avós e eu odiava o lugar. Eu tinha que admitir, porém, com ele, a
experiência foi diferente. Talvez tudo se resumisse à companhia e não ao
ambiente.

O jantar foi seguido de idas ao cinema, passeios de moto até a


montanha para olhar a cidade, e meu favorito... Deitar à noite no deck da
sua cobertura, dormir sob as estrelas. O clima era ótimo, a vista bonita,
mas a companhia tinha sido incrível.

— Eu preciso de você comigo. — ele colocou a mochila ao lado da


porta, depois pulou ao meu lado na cama. Ele se inclinou e me beijou.

— Por favor. — disse ele. Ele sabia que seus beijos me distraíam e
tiravam meu bom senso.

— Talvez eu possa encontrá-lo lá em algumas semanas.

— Uma semana. — ele puxou meu robe, estreitando os olhos


quando percebeu que eu não estava usando nada por baixo.
— Um mês. — eu respondi. Ele se inclinou, capturando meu mamilo
já excitado na boca quente. Eu arqueei, o calor irradiando da ponta do
meu peito para o meu núcleo pulsante.

— Duas semanas, no máximo. — ele se moveu para o outro mamilo,


dando-lhe o mesmo tratamento requintado. Sua língua girou. Ele me
derrotou. Suas mãos abaixaram. Eu ofeguei. Duas semanas de repente
pareceu uma eternidade. Ele passou os dedos em toda a minha pele lisa,
calor úmido, e eu cedi. Eu o seguiria em qualquer lugar se ele continuasse
fazendo isso com a língua.

Ele partiu no dia seguinte, e eu senti mais falta dele do que


admitia. As próximas três semanas foram difíceis. Sim, eu
disse três semanas. Embora eu tivesse prometido que estaria lá em duas
semanas, surgiu uma oportunidade que me manteve longe mais tempo.

Shelby me ofereceu um estágio na agência de publicidade onde ela


trabalhava. Adorei o trabalho. Ele me manteve ocupada, e eu conheci uma
tonelada de pessoas novas. Comecei a me sentir... Viva. Eu percebi que
não era eu mesma há tanto tempo que precisava de um tempo sozinha
para descobrir quem eu era sem Ryder. Ele me centrou, e eu sabia que era
melhor perto dele. Mas eu precisava aprender a ficar sozinha e recuperar
minha vida.

Ryder e eu falamos constantemente. Ele não entendia minha


necessidade de ficar separada dele, mas aceitou. Pela manhã, ele me
ligava assim que acordava, sua voz toda sonolenta e áspera. Era sexy pra
caramba e me deixava excitada. Depois que ele treinava, ele me ligava,
mas ele estava tão cansado que não conseguíamos falar muito antes dele
começar a cochilar. O estágio foi apenas por um mês, as aulas não
começariam em seis semanas depois que terminasse, e eu não estava
ansiosa para dias vazios e noites solitárias. Então, depois de quase um
mês longe dele, eu ia pegar um trem para ficar com ele.
Na noite anterior à minha partida, eu encontrei Shelby no The
Lounge. Decidimos nos sentar no bar e ignorar nossa cabine de
costume. Estávamos ali para rir, dançar e ficar bêbadas. Nós não saíamos
há semanas, e ela realmente queria se divertir um pouco antes de eu ir
encontrar Ryder.

— Doses, barman. — ela gritou para Noah. Ele olhou para nós e
sorriu, pegando uma garrafa de tequila e dois copos. Serviu os copos na
nossa frente e despejou o fogo líquido neles.

— Já faz um tempo, senhoras. — ele apoiou os cotovelos no balcão,


olhando diretamente nos meus olhos. Noah era o barman desde que
começamos a vir aqui. Eu tinha compartilhado algumas noites de
bebedeira com ele. Ele, invariavelmente, tentava transformar essas noites
de bebedeira em algo mais, mas eu fugia de manhã. Ele foi o único cara
com quem dormi depois de Logan, e eu gostava dele. Eu nunca quis me
colocar na posição de ser magoada por qualquer pessoa, então, nunca
ficamos sérios.

Ele ergueu a sobrancelha com piercing e sorriu sedutoramente para


mim. Ele tinha ligado o interruptor namoradeiro, mas eu teria que
desapontá-lo esta noite.

— Sedutora. — disse ele. Ele começou a me chamar assim, após a


segunda vez que desapareci antes que ele acordasse. Nós rimos disso, mas
percebi que o incomodou. O que eu não entendia era por que ele
continuava a flertar comigo quando ele sabia que nunca lhe daria mais do
que algumas noites.

— Como você está, Noah?

— Sentindo sua falta. — ele era sempre direto. Eu gostava disso


nele. — Eu vou ter que carregá-la para fora hoje à noite? — ele perguntou,
olhando para a dose no bar.
— Umm... Não. Eu vou pegar um táxi se isso chegar tão longe.

Ele franziu a testa e se endireitou. Um cliente no bar chamou sua


atenção, e ele se afastou, mas não antes de me dar um olhar interrogativo.

Shelby riu. — O garoto apaixonado vai ficar de coração partido hoje


à noite.

— Pare Shelby. Ele não está apaixonado por mim.

— Se você diz. — ela pegou as duas doses, entregando-me


uma. Viramos a tequila, seguida das fatias de limão que Noah deixou para
nós.

— Então, a última vez que estivemos aqui você estava se divertindo


com Ty. — ela olhou para mim e franziu a testa. Eu conhecia Shelby, e eu
sabia quando ela estava se preparando para se divertir com um cara. Se o
que eu estava pensando estava correto, eu me senti mal por Ty. Se Noah
pensava que eu era uma feiticeira, Shelby era uma femme fatale. Ela havia
transformado seu coração em pedra depois que Alec morreu.

Ela balançou a cabeça enquanto cuspiu a fatia de limão. — Não


tente desviar. Nós estávamos falando sobre você e Noah.

— Não. Você estava falando sobre mim e Noah. Eu estava muito


mais interessada no que aconteceu depois que eu saí com Ryder.

— Nada. — ela gritou como se estivesse ofendida. Ela deu uma


olhada na minha cara séria e riu. — Ok, talvez eu quisesse ver se ele era
tão grande por toda parte.

— Ah-ha! — eu saltei do meu assento em comemoração. — Eu sabia.

Ela corou quando fez sinal para Noah encher seu copo. — Não é
nada sério. Estamos apenas nos divertindo. — pareceu que ela estava
tentando se convencer. Inclinei a cabeça e observei-a puxar os cabelos
nervosamente e se recusar a olhar para mim.
— Oh meu Deus, você realmente gosta dele.

— Não, eu não. — ela balançou a cabeça loucamente. — Não,


Lexi. Eu não posso gostar dele. Simplesmente não posso.

Noah encheu nossos copos, e depois desapareceu. Shelby olhou


fixamente para as prateleiras de álcool empilhado em silêncio. Eu sabia
onde estava a sua cabeça, e eu não queria que ela continuasse afastando
todo mundo porque não queria se machucar. Eu tinha feito isso, e eu
percebi como fiquei mais feliz quando abri meu coração para Ryder.

— Shelby... — eu comecei, mas ela balançou a cabeça, recusando-se


a ouvir o que eu ia dizer. — Shelby, ele ia querer que você seguisse em
frente.

Ela olhou para mim com os olhos vidrados. — Mas eu não quero. E
se eu esquecer? E se eu me permitir aceitar o que Ty me faz sentir e
esquecer o que eu tinha com Alec? — ela enxugou os olhos antes que as
lágrimas pudessem cair e pegou o copo, tentando afastar seus
sentimentos.

— Você não vai esquecê-lo, Shelby. Ele foi seu primeiro amor, e
você não se esquece disso. Você se envolver com Ty, não vai negar o que
sente por Alec.

— Eu não estou dizendo que eu o amo. — ela afirmou, olhando pra


baixo.

— Mas você sente algo por ele.

— Faz apenas um mês, mas... Sim, eu sinto alguma coisa por ele.

— E como é que Ty se sente sobre minha melhor amiga?

— Ele é... Tão apaixonado. Quando estamos sozinhos, ele é como


um grande urso de pelúcia. Ele quer que eu admita que é mais do que
sexo. Eu tinha certeza que ele estava errado, mas desde que eles viajaram,
eu percebi que eu realmente sinto falta dele.

— Jura? Você deveria vir comigo.

— Não, não consigo sair do trabalho tão em cima da hora.

— Você pode nos encontrar em Vegas para o campeonato. — eu dei


um empurrão encorajador nela. Ela sorriu.

— Talvez. — ela piscou, pegou a minha dose e bebeu também.

Nós tomamos mais um pouco antes de eu falar para Noah


interromper a tequila da Shelby. Dançamos com alguns caras, mas eu me
recusava a deixá-los nos comprar bebidas. Shelby fez beicinho quando eu
disse que pagaríamos por nossas próprias bebidas, mas eu a lembrei que
estávamos namorando o tipo de lutador possessivo.

— Fale por você. — disse ela enquanto Noah colocava um pouco de


bebida frutada em nossa frente. — Ainda sou solteira.

— Quem te ligou há quinze minutos?

Ela corou e deu uma risadinha. — Ele sente minha falta. Disse para
falar para você se certificar de que ninguém fica perto da sua querida.

— Sua querida?

— É assim que ele me chama... — eu levantei a mão para impedi-la


de continuar.

— Não importa, eu não preciso de muita informação. — Shelby


estava definitivamente bêbada se ia começar a contar seus segredos
sexuais.

— Você realmente vai voltar para a faculdade? — eu concordei


enquanto cuidava da minha bebida. — Você vai ficar no campus?
— Não, eu estou fora da vida no campus. — eu tinha saído depois do
acidente de Alec, e eu sabia que não queria voltar. — Eu vou ficar em casa
e viajar todos os dias. Talvez encontre um trabalho para me manter
ocupada, também.

— Você está procurando um emprego, Lexi? — Noah disse, parando


na nossa frente, apoiado no balcão. — Nós estamos procurando ajuda
aqui. — ele parecia tão esperançoso.

—Desculpe, vou deixar a cidade amanhã de manhã por algumas


semanas.

— Sim... Onde você está indo? Férias com a família?

Err... Merda. Eu não queria ter essa conversa ―nós terminamos


porque eu tenho um namorado‖ com Noah. Eu não lhe devo nada, uma
vez que nunca estivemos oficialmente juntos. Achei que era melhor acabar
logo com isso. Pelo menos eu tinha um pouco de coragem líquida para me
apoiar. Poderia muito bem arrancar o Band-Aid.

— Vou me encontrar com o meu namorado.

Ele respirou fundo, como se eu o tivesse perfurado com um objeto


afiado. Sua linguagem corporal mudou imediatamente quando ele se
afastou do bar e fingiu limpá-lo.

— Namorado, hein? — ele me espiou.

Eu apenas assenti atrás da minha bebida. Eu estava realmente me


escondendo atrás de uma bebida? Sim... Sim, eu estava. Eu me senti
mal. Ele sempre foi tão doce comigo, mas ele não era Ryder. Ele não pôde
ultrapassar minhas barreiras e me fazer querer tudo com ele.

— Há quanto tempo isso vem acontecendo?

— Alguns meses. — ele balançou a cabeça, uma carranca profunda


estragando seu belo rosto.
— Por isso não te vi muito?

— Sim, acho que sim.

Ele colocou as duas mãos no balcão, seus braços e olhos abertos em


mim. — Então é algum tipo de relacionamento de longa distância?

Deus, por que ele está fazendo isso?

O seu olhar estava me deixando além de desconfortável. Eu assenti,


tomando a bebida.

Por que eles fazem canudos tão pequenos?

Foda-se o canudo. Eu empurrei-o de lado e bebi do copo em


grandes goles.

— Posso te perguntar uma coisa? — ele disse, inclinando-se para


perto de mim, invadindo meu espaço pessoal. Eu tinha terminado a
bebida, então não mais onde me esconder. Eu não respondi, então ele
simplesmente perguntou.

— O que fizemos um ano e meio?

Uhh... Sexo?

Não, aliviamos a tensão.

Nah... Porra. Sim, era isso.

Todas essas coisas me vieram à mente, mas eu não podia dizer. Do


jeito que ele estava agindo, você pensaria que tínhamos tido um
relacionamento fora do quarto. No ano e meio, nós só passamos oito dias,
não, oito noites juntos. No grande esquema das coisas, oito das mais de
quinhentas noites não constituíam compromisso.

Um cliente chamou por ele, mas ele continuou olhando para


mim. Eu estava congelada. Eu não conseguia descobrir o que dizer, sem
ferir seus sentimentos.
— Sinto muito. — eu disse com sinceridade. Ele olhou para mim,
apertando a mandíbula, e então acenou com a cabeça como se estivesse
farto de mim. Ele saiu quando o cliente ficou barulhento pela sua próxima
rodada de bebidas.

— Isso foi intenso. — Shelby abanou o rosto.

— Você está dizendo o óbvio. Eu quase corri para fora daqui. — a


pior parte foi que ele me fez sentir uma merda quando eu nunca tinha
sido desonesta com ele. A primeira vez que conversamos, ele me
perguntou por que eu sempre rejeitava todo sujeito que se aproximava de
mim, e eu disse que não estava no mercado para um namorado. Eu tinha
uma enorme parede, mas deixei-o deslizar através das rachaduras. Três
meses após a primeira conversa, eu vim ao bar sozinha. Eu bebi muito e
disse um monte de coisas que eu não lembro. Eu sabia que era algo sobre
o quanto eu odiava Logan, e a única coisa que eu sentia falta era do
sexo. Ele se ofereceu para me ajudar com a minha frustração sexual, e eu
pensei que ele estava brincando, mas o olhar em seus olhos era sério.

— Você está falando sério? — eu disse. Meu riso saiu do meu rosto
quando ele olhou para mim como se já tivesse me visto nua.

— Muito sério. — ele respondeu.

— Eu não estou procurando um namorado.

— Eu só quero fazer você se sentir bem.

Dois anos de frustração sexual e cinco coquetéis me fizeram


considerar a oferta de Noah. Eu o deixei passar pelo meu escudo, e ele
estava me fazendo sentir como se eu o tivesse usado.

— Eu disse que ele ficaria de coração partido. — declarou Shelby.

— E você não deixou um rastro de corações quebrados atrás de


você?
— Não. Ninguém se apega em uma noite. Eu avisei sobre dormir
com o mesmo cara uma e outra vez. Ele fica confuso. As linhas que
estavam claras no início tornam-se borradas. Era uma receita para
capturar sentimentos e estava prestes a terminar em desastre.

— Eu não tenho tempo para o seu 'eu te avisei' no


momento. Podemos sair daqui antes que ele volte?

— Sim, claro. Quero falar com Ty antes de dormir, de qualquer


maneira. — eu coloquei minha jaqueta de couro, peguei minhas chaves e
bolsa, então me encaminhei até a porta.

Noah nos observou com um olhar pensativo enquanto saíamos do


bar. Bem, lá se foi a minha oportunidade de trabalho. Por mais que eu
amasse Ryder, eu não queria que meus dias girassem em torno dele.
Minhas noites? Sim. Minhas noites podiam girar em torno de Ryder. Ele
era realmente bom em assumir minhas noites e fazer-me flutuar em um
sono nebuloso de Ryder.
Capítulo Trinta
Alexis

Meu trem chegou às seis. Dois minutos depois do horário da


chegada, e eu puxei apressadamente minha mala pelo corredor, em
direção à estação. Fazia muito tempo que eu não via o Ryder, e meu
coração estava acelerado com a ansiedade. O túnel pareceu ter
quilômetros de comprimento, mas quando a luz finalmente apareceu ao
final dele, eu não vi Ryder em qualquer lugar. Estava lotado, mas eu não
tinha paciência para ficar vasculhando as massas para
encontrar meu Falcão.

Alguém esbarrou em mim por trás, porque eu tinha parado no fim


do túnel, bloqueando outras pessoas que tentavam passar. Lentamente
entrei na estação. Um par de mãos fortes agarrou os meus quadris, e me
puxou de costas para uma forma sólida, e eu estava cercada por uma aura
que era apenas Ryder.

— Sentiu minha falta? — perguntou ele, acariciando a minha nuca


com o rosto e beliscando minha pele com os dentes. Ele me virou e sorriu
de um jeito malicioso, então mordeu o lábio.

Deus, eu amo quando ele faz isso. E ele sabia.

Ele usava um boné da UFC puxado para baixo, mas aqueles olhos
azuis de bebê brilhavam para mim. Eu não consegui resistir mais, eu
precisava beijá-lo, tipo cinco minutos atrás. Apoiei-me, inclinei a cabeça,
e pressionei meus lábios nos dele. Seu corpo ficou tenso, então ele se
abriu e empurrou sua língua contra a minha. Ele tinha gosto de menta e
desejo. Confie em mim, se o desejo tinha um gosto, era esse. Viajou por
todos os poros do meu corpo e me incendiou. Eu fiquei ofegante; ele
gemia. Eu agarrei o seu rosto entre as mãos; e ele apertou minha bunda
nas suas. Ele me beijou ferozmente, com paixão e uma necessidade que
era correspondida.

Alguém assobiou, estourando a nossa pequena bolha e nos forçando


a nos afastar. Nós olhamos nos olhos um do outro, respirando
pesadamente, com o desejo ainda nublando nosso juízo.

—Leve-me para casa. — exigi.

Ele fechou os olhos e grunhiu. — Nós não podemos.

— Por que não? — eu precisava que ele me levasse para a sua casa
para que pudéssemos trabalhar em abrandar esse fogo infernal. Eu sabia
que o fogo não se apagaria. Sempre que Ryder estava por perto, eu ficava
muito sensível e excitada e precisava de algum alívio.

— Vamos jantar com a equipe.

Eu bufei. Meu corpo protestou, mas fiquei feliz por ele querer que
eu conhecesse a sua equipe. Ele vinha para este local de treinamento há
anos, e eu sabia que ele estava tentando me envolver em todas as partes
da sua vida.

— Então vamos. — eu sorri e ele suspirou. A tensão sexual ainda


mantinha seu corpo tenso, mas ele agarrou minha mão e minha mala e
saímos do prédio.

Corremos para um pequeno restaurante a poucos quarteirões da


estação de trem. Ryder deixou minha mala com a anfitriã e depois ela nos
levou para a parte de trás do restaurante, para uma sala privada. Havia
cerca de trinta pessoas reunidas em uma longa mesa com bandejas de
comida enchendo o centro. A energia era alta. Lutadores, treinadores, e
algumas mulheres estavam absortos em uma conversa animada de luta do
campeonato do ano passado.
— Aeee! — o grupo exclamou enquanto Ryder me arrastava atrás
dele. — Aí está ele. — um homem alto de cabelos grisalhos, disse. Ryder
me puxou até ele e fez as apresentações.

— Este é Frankie Young, treinador extraordinário. Frankie, minha


menina, Alexis. — ele me deu um sorriso cheio de dentes. Apesar de sua
calvície, ele parecia um homem de vinte anos. Eu peguei a mão que ele
estendeu, e fiquei um pouco surpresa quando ele me puxou para um
abraço. Ryder riu da minha expressão de espanto e pegou uma cadeira
para mim. Ty estava sentado à minha direita, e Ryder tomou o assento ao
meu lado esquerdo.

— Eu senti sua falta, Lexi. — Ty inclinou e beijou meu rosto. Devo


admitir que, apesar do nosso começo difícil, eu tinha aprendido a amar
Ty. Eu senti falta dos meus meninos quando eles viajaram. Senti falta até
da academia.

Ryder não perdeu tempo para pegar um prato e encher. Foi quando
notei o salmão, peito de frango, legumes, saladas, e a grande variedade de
alimentos saudáveis. Eu cresci com Alec e seus amigos barulhentos
jogando videogames e comendo todo tipo de comida gordurosa que
existia. Era bom ver este grupo de caras grandes tão conscientes de seus
corpos e diligentes com o esporte.

— Então, nós podemos finalmente conhecer a garota pela qual


Ryder desistiu do campeonato. — Frankie estava olhando diretamente
para mim. Ryder parou o garfo no meio do caminho para a boca e deu
uma olhada em Frankie. Um aviso, pensei.

— Não se preocupe, Ryder, eu não estou tentando deixar sua garota


desconfortável. Eu só ia dizer-lhe o quanto nós todos temos orgulho de
você. — Ryder relaxou, olhou para mim, e depois continuou a comer.

— A maioria de nós estava lá naquele ano. Sabíamos que havia algo


especial nesse garoto. Ele estava pronto para ganhar o campeonato. Mas o
negócio em ganhar um título como esse, é que você tem que estar mais do
que pronto. Tem que ser o seu destino. — Ryder virou para mim e olhou
dentro dos meus olhos enquanto Frankie continuava falando.

— O destino do Ryder naquele ano era estar naquela praia para te


salvar. Eu espero que você nunca se sinta culpada, porque ele não perdeu
aquele título. Simplesmente não era a hora dele. Talvez ele tenha
aprendido alguma coisa naquela noite, porque ele só voltou melhor e
lutou mais. Ele estava inspirado, e eu acho que por você.

Eu estava encantada com o olhar poderoso de Ryder. Ele ficou


olhando para mim enquanto Frankie transmitia uma mensagem para
ele. Eu nunca teria sido capaz de desviar o olhar se Ryder não tivesse
sorrido, piscado para mim, e voltado para o seu prato.

Todo mundo estava ouvindo Frankie, mas me observando. Isso me


deixou desconfortável, e eu resisti à vontade de me contorcer no
assento. Eu odiava quando as pessoas que não me conheciam falavam
sobre aquela noite. Fazia-me sentir fraca. Como se estivessem todos
olhando para a pobre menina suicida que não conseguiu lidar com a
vida. Eu não era mais aquela garota. Claro, eu ainda lutava com a perda
de Alec, mas eu estava em um lugar melhor. Naquela noite foi
diferente. No calor do momento, parecia que meu mundo tinha
terminado.

Eu passei pelo resto do jantar observando silenciosamente. Os


treinadores e os lutadores pareciam uma grande família. Depois de dizer
adeus, Ryder me puxou para fora do cômodo para o lobby. Enquanto
esperávamos a anfitriã para trazer a minha mala, Ryder passou os braços
em volta da minha cintura, minhas costas apoiadas no seu peito,
enquanto ele mordiscava minha orelha.

— Você é tipo um herói por aqui, hein?

— Herói... Nah. — ele moveu os lábios sobre o meu pescoço.


— Todo mundo admira o campeão.

— Você me admira? — ele lambeu ao redor da minha orelha. —


Logo que voltarmos para o hotel... — ele sussurrou. — Eu vou te foder
como se estivesse disputando o título do campeonato.

— Você já tem o título do campeonato. — murmurei.

— Sim, agora eu vou ser o campeão dessa boceta. — ele apertou


mais os meus quadris e pressionou sua ereção nas minhas costas. A
anfitriã interrompeu, entregando a minha mala para Ryder. Nós saímos
do restaurante, e um dos lutadores que estava no jantar foi para o lado de
fora, fumando um cigarro. Ryder ficou tenso, segurou minha mão com um
pouco mais de força.

— Ryder. — disse ele, soprando a fumaça na nossa direção.

— Carter. — Ryder passou por ele, mas parou quando Carter


continuou falando.

— Como está a nossa menina, Leah? — Ryder olhou por cima do


ombro para ele. — Eu vejo que você a substituiu. — Carter sorriu para
mim, e eu senti repulsa. Era um daqueles sorrisos assustadores e lentos
que faziam sua pele arrepiar.

— Você não pode manter uma garota dessas. Nunca


conseguiria. Talvez você devesse ter ficado preso com a Leah. Ela era toda
a fim de você, quando não estava gritando meu nome.

Ryder riu e balançou a cabeça. — Você sempre quer o que eu


tenho. Mas não era Leah que você realmente queria, não é? — ele soltou
minha mão e enfrentou Carter. — Você quer o meu cinto – desafie-me por
ele.

Carter olhou para ele, mas não disse uma palavra. Sua mandíbula
estava cerrada, a mão estava em punhos, mas ele ficou ali em
silêncio. Ryder balançou a cabeça, agarrou a minha mão e nós
continuamos descendo a rua.

— O que foi aquilo?

— Ele é o cara com quem Leah me traiu.

— O quê? Ela te traiu? Como é que você nunca me contou isso?

Ele deu de ombros. — Você nunca perguntou.

— Então, por que é que ela ainda fica por perto fingindo que te
ama?

— Oh, ela me amava. Ela estava apenas tentando chamar minha


atenção.

— Funcionou?

Ele olhou para mim. — Ela chamou a minha atenção, não apenas na
forma como ela queria. Eu percebi que não estava investindo em nosso
relacionamento. Meu ego ficou mais machucado do que qualquer outra
coisa.

— Então, sua namorada trai você, e tudo que você consegue pensar
é que o seu pau não era suficiente para ela.

Ele parou de andar na frente da entrada do hotel e olhou incrédulo


para mim.

— Oh, meu pau foi mais do que suficiente. Eu só não gosto de


partilhar o que é meu com outros homens. — ele agarrou meu braço e me
puxou pelas portas. — Agora coloque sua bunda lá em cima para que eu
possa descobrir quanto desse pau você aguenta.

Eu ri enquanto ele pressionava repetidamente o botão do


elevador. Fazia mais de um mês que não ficávamos juntos. Eu ia pagar
por aquele comentário. De um jeito duro.
Capítulo Trinta e Um
Ryder

— Eu acho que vou morrer aqui. — eu disse enquanto ela me


implorava para deixá-la dormir. O calor apertado da sua boceta era tão
acolhedor que eu não podia sair.

— Durma. — ela implorou enquanto arranhava minhas costas.

— Eu sei, baby. — sussurrei, balançando-a no meu ritmo à medida


que me movia profundamente dentro dela. — Eu estou quase lá.

Ela gemeu, mas pareceu mais um grito abafado. Então ela começou
a bater no meu ombro para indicar que a intensidade era demais. Não
houve misericórdia. Eu não ia deixá-la escapar. Eu dei-lhe mais. Ela
gemeu, levantou seus quadris do colchão.

— Oh Deus... — ela gozou violentamente, selvagem e indomável,


suando e gritando meu nome. Eu a senti ficar mais molhada. Eu fiquei
mais duro.

Porra, eu precisava gozar.

Sua vagina pulsava. Meu pau latejava.

— Isso mesmo, baby. Quem é o campeão desta boceta?

Ela raspou as unhas nas minhas costas e rosnou para mim. — Você
é a merda do rei desta boceta.

Ela era sexy pra caralho gozando, toda ofegante e sedutora


enquanto se contorcia embaixo de mim.
Minhas bolas doíam. Eu tinha gozado tanto que não tinha certeza se
elas tinham mais algo a oferecer. A espiral de prazer começou na base do
meu pau e crepitou através de cada célula do meu corpo. Quando o prazer
começou a me consumir, eu me desprendi. Acontecia todas as vezes que
eu ficava com ela, o momento em que tudo se tornava completo e todas as
minhas barreiras caíam. Eu me tornava impotente com o poder que ela
tinha sobre mim, enquanto o meu orgasmo me sacudia até a medula. E
como se soubesse o que eu precisava, ela começava a acariciar a minha
pele e esfregar meu cabelo.

Eu gozei com força, em espasmos, derramando meu gozo


profundamente em seu corpo, mas era mais do que uma experiência
física. Preenchia um vazio que eu nunca soube que existia. Eu perdia a
noção da realidade, ia para um lugar onde tudo o que eu podia fazer era
sentir. E ao acabar, me deixava emocionalmente saciado.

Ela não se queixou quando deitei sobre ela como uma grande pilha
de suor. Ela apenas me abraçou. Ela gemeu quando eu finalmente saí do
seu calor e de cima dela.

— Acho que você o quebrou. — ela olhou para mim com olhos
cansados.

—Ele não pareceu quebrado.

— Bem, ok. — ela enrolou-se em mim e riu fracamente. — Você é


cruel. Está tentando me matar de excesso de orgasmo.

— Você adorou. — as semanas longe de Alexis foram uma tortura, e


eu as compensei em estocadas. Eu beijei o topo de sua cabeça e rolei para
fora da cama. Depois de pegar uma garrafa de água, voltei com um pano
para limpá-la. Ela estava cochilando, de modo que quando o pano quente
tocou sua carne sensível, ela gemeu e fechou as coxas. — Não mais…
— Shh... Deixe-me cuidar de você. — ela relaxou e deixou-me limpá-
la antes de eu voltar para a cama. Abracei-a ansioso, pelas próximas duas
semanas com Lexi.

***

Na semana seguinte, eu estava exausto. Entre o estresse da próxima


luta, dias de treino longos, e Lexi, eu estava esgotado. Eu me sentia mal
por ter feito Lexi vir aqui. Passava o tempo treinando muito, e sabia que
ela ficava sozinha. Provavelmente deveria tê-la mandado para casa, mas
eu era muito egoísta. Eu precisava dela aqui. Eu me sentia mais calmo
quando sabia que poderia voltar para casa e para ela.

Três dias atrás, Jacob chegou à cidade. Ele tinha uma luta ilegal
agendada em menos de uma semana e estava hospedado no mesmo
hotel. Normalmente, eu gostava de ter o garoto por perto, mas não se ele
fosse ficar pendurado em torno da Lexi durante todo o dia. Sua
programação de treinamento não era tão brutal quanto a minha, então ele
encontrava tempo de sobra para estar com ela. Nos últimos três dias eles
tinham ido ao museu e almoçado juntos duas vezes. Minha paciência
estava se esgotando com Jacob.

Abri a porta da minha suíte e minha carranca se aprofundou. Lexi e


Jacob estavam rindo e jogando pipoca um no outro enquanto assistiam a
um filme. Lexi me notou primeiro. Ela levantou-se e veio até mim. Ela
colocou os braços ao redor do meu pescoço e me abraçou, mas meus
braços ficaram ao meu lado enquanto eu observava os olhos de Jacob
fixos nos shorts minúsculos de Lexi e depois na curva de suas costas, até
que pousaram em mim. Eu inclinei a cabeça e o encarei com raiva. Ele
deu de ombros e sorriu com culpa.
— Ei, baby. — Lexi me empurrou e sorriu. — Fizemos o jantar para
você.

— OK. Deixe-me só levar Jacob para fora.

— Mas Jacob ia ficar e...

— Não. Ele está indo embora. — eu coloquei a minha mochila no


chão e acenei com a cabeça em direção à porta. Jacob recebeu a
mensagem, pegou suas coisas, e me seguiu. Enquanto nós caminhamos
para o elevador, ele colocou as mãos nervosamente nos bolsos, cabeça
para baixo.

— Eu tenho sido bom para você, certo? — perguntei. Ele me deu um


olhar de esguelha e assentiu. Ele era um garoto com um amor pelas artes
marciais quando Leah o levara a uma das minhas lutas. Levei-o sob a
minha asa e lhe ensinei tudo o que sabia. O garoto tinha coração e em
poucos anos podia até ser tão bom quanto eu. Mas isso não significava
que eu iria deixá-lo com um passe para tentar pegar a minha menina e
verificar a bunda dela, enquanto ela estava em meus braços.

— Não pense que porque eu gosto de você, você pode se meter


comigo ou com a minha garota. Se você tocá-la, vou quebrar todos os
ossos do seu corpo e acabar com a sua carreira.

Ele balançou a cabeça como se eu estivesse sendo ultrajante. — Eu


não estava...

— Sim, você estava.

Nós dois sabíamos que ele ficou de olho na Lexi desde o primeiro
dia. Talvez ele realmente acreditasse que eu ainda sentia algo pela sua
irmã, e eu não me importaria se ele flertasse com Lexi. Se fosse o caso, eu
precisava deixar claro onde meu coração estava para que ele não fodesse
com ele. Não havia nada neste mundo pelo qual eu lutaria mais duro.
— Não brinque comigo, Jacob. — eu lhe dei um tapinha no rosto e
olhei para ele. Meus punhos cerrados, e meus músculos se contraíram em
antecipação de uma luta. Ele balançou a cabeça e virou para o
elevador. Fiquei ali em uma posição de lutador completo até que as portas
se fecharam, então caminhei de volta para a suíte.

Bati a porta com força, assustando Lexi. Ela olhou para mim, e eu
sabia que ela estava chateada. Foda-se isso. Fui eu que cheguei em casa e
encontrei-a aconchegada com outro homem.

— O que você disse a ele?

— Eu simplesmente esclareci para o garoto que ele não era homem


o suficiente para tomar o que é meu.

Ela suspirou. — Ryder, nós somos apenas amigos.

— Não. Você é amiga dele. Ele quer transar com você. — eu olhei
para ela ali de pé, com seus shorts minúsculos e um top apertado que
delineava seus mamilos tão perfeitamente que ela poderia muito bem
estar nua, e franzi a testa.

— E o que diabos você está vestindo? Será que você fica molhada
por deixar o pau do garoto duro?

Ela suspirou e olhou para mim como se eu estivesse ficando


louco. Provavelmente, eu estava. Sempre me deixava louco quando outros
homens olhavam para ela. Uma vez que ela se tornou minha, eu fiquei um
pouco desequilibrado por causa do ciúme. Ela tomou uma respiração
profunda, calmante, então exalou.

— Você sabe o quê? Eu sei que você está estressado, então eu vou
deixar passar essa. Mas essa é a sua única folga.

Ela se aproximou de mim com os braços cruzados sobre o peito. —


Deixei tudo para vir ficar com você, porque eu sentia tanto sua falta que
doía. Você é o mentor de Jacob. Ele é seu amigo. Eu não achava que era
um grande problema, mas se você não quisesse que eu saísse com ele,
tudo o que tinha a fazer era dizer. Toda essa sua postura machista é
que não me deixa molhada. — ela me devolveu as palavras como se tivesse
acabado de ganhar a discussão.

Eu levantei a cabeça e sorri lentamente. — Você tem certeza? —


enganchei meu braço em volta da cintura dela e puxei-a para mais
perto. — Vamos ver se isso é verdade.

— Não. — seus olhos se arregalaram, e ela tentou empurrar o meu


braço. — Não me toque, Ryder. — eu ignorei o aviso e deslizei facilmente a
mão em seus shorts. Ela engasgou com o contato.

— Bem... Olhe para isso. — disse enquanto o meu dedo escorregou


sobre sua carne molhada. — Minha merda machista a excita.

Ela estreitou os olhos, segurando minha camisa. — Tudo bem, isso


me excita, mas também me irrita.

— Tudo bem para mim. Fico excitado quando você está


nervosa. Você fica toda selvagem e agressiva. — eu deslizei dois dedos
dentro dela e comecei em um ritmo que a faria explodir em minutos. —
Você ainda está com raiva? Você vai tornar esta noite difícil? Fazer-me
pagar?

Seus olhos cor de avelã ficaram um pouco menos verdes e um


pouco mais castanhos. Eles sempre faziam isso quando ela estava
excitada. Suas pálpebras tremiam, sua testa caiu no meu peito, e ela
ofegou. Ela estava perto. Ela gemeu e olhou para mim com desespero
quando eu tirei a mão.

— O que você está fazendo? Termine. — perguntou ela.

— Eu não quero fazer você gozar e iluminar o seu humor. — peguei


minha mochila e joguei por cima do meu ombro. — Vou tomar banho.
— Idiota.

Eu ri. — Ah, sim, é assim que eu gosto. Você está brava? Porque está
me deixando com um tesão do caralho. — eu gritei enquanto me afastava.

Ela rosnou para mim. Quando cheguei ao banheiro, um travesseiro


bateu minha cabeça. Eu ri quando fechei a porta. Minha vida deve ter sido
chata antes dela voltar para ela. Definitivamente, eu não me lembro de ser
tão divertida.
Capítulo Trinta e Dois
Alexis

Uma semana depois, Ryder deixou a Califórnia e voou para Vegas


para a sua luta. Falei para Ryder que tinha que ir para casa antes e depois
pegaria um voo para encontrá-lo lá. Isso não o deixou feliz. Ele ficou
emburrado os dois últimos dias que passamos juntos.

Quando cheguei em casa, David decidiu que queria se juntar a mim


e ir ver a luta de Ryder. Eu consegui convencer Ryder a arrumar um
assento para o David ao meu lado, mas acabou que tive que esperar mais
dois dias para David arrumar a sua programação. Isso não deixou Ryder
mais amigável em relação a David.

Além de tudo isso, houve um atraso por causa de um nevoeiro no


aeroporto, assim, no momento em que pousamos em Las Vegas, faltavam
poucas horas para a hora do show. Corremos para a MGM, e eu consegui
cinco minutos com Ryder antes de Ty me expulsar. Aparentemente, eu
atrapalharia a sua concentração. Nós assistimos algumas lutas, mas Ryder
era a atração principal. Estava ansiosa enquanto o locutor se preparava
para chamá-lo.

A fome e a emoção da multidão por violência criava uma energia


pesada que sufocava o ar. Eu estava nervosa, e o nervosismo me colocava
à beira de medo, mas eu também estava cheia de expectativa. O outro
lutador foi chamado ao palco.

— Senhoras e senhores... Com 1,85 m, 107 kg,


Manny “Rebelde” Jones.
Ele saiu com um grande grupo em meio a gritos e insultos. Ele não
era muito maior do que Ryder, mas era arrogante pra caramba,
gesticulava e posava para a multidão. As mulheres babavam nele. Ele
tinha o cabelo pintado de preto, e do meu lugar incrivelmente perto, eu vi
o brilho faminto em seus olhos quando ele piscou e começou a saltar pelo
ringue.

Ryder era brutal e feroz no ringue, mas isso não impediu o meu
coração de acelerar no momento que o locutor se preparou para chamá-
lo. Eu tinha fé que ele ia ganhar essa luta, mas eu ainda temia que ele
pudesse se machucar. A última luta que assisti ele estava desconcentrado,
e eu não consegui assistir quando ele foi atingido e começou a sangrar. A
conversa que tive com Jacob foi uma distração para mim. Minhas mãos
ficaram trêmulas e meu coração doeu até o último segundo daquela luta.

— Senhoras e senhores... Com 1,88m, 99 kg, o campeão dos pesos


pesados... Ele, o único... Ryder “Falcão” Hayes.

A multidão se iluminou, um pandemônio se instalou quando as


pessoas gritavam, e gritos femininos trovejaram por toda a arena. O ruído
abalou o lugar. Ryder saiu do meio do seu time, totalmente
indiferente. Estava concentrado e impassível. Ele não posou ou quis
chamar a atenção; apenas emanava força.

Jesus, ele é uma bela visão.

Seu short de luta agarrava-se às suas coxas musculosas e


bumbum. Não é de admirar que as mulheres estivessem
enlouquecendo. Aquele short e as luvas de luta eram tudo que ele estava
usando. Sua cor clara e as tatuagens acentuavam as formas definidas do
seu corpo. Quando chegou ao ringue, ele inclinou a cabeça na direção
onde sabia que eu estaria. Ele me deu um sorriso sedutor, piscou, depois
mordeu o lábio inferior.
Foda-se, ele sabia o que fazia comigo. Como se eu não estivesse
repleta de emoções suficientes, eu estava excitada. Oh Deus... Eu era
como todas as mulheres gritando no cômodo. Eu queria foder o homem,
não, a besta que acabou de entrar no ringue, pronta para rasgar seu
oponente. Havia um desejo básico que tomava conta de uma mulher
quando confrontada com uma máquina de combate cheia de testosterona.
Eu estava experimentando isso a todo vapor, e eu me mexi no assento
para tentar apagar o fogo que Ryder tinha começado.

Ryder começou a saltitar de pés descalços, flexionando os dedos,


balançando a cabeça, e arremetendo os braços. O sino tocou. Eu
vacilei. Eu não sabia dizer quem deu o primeiro soco porque os
movimentos deles eram muito rápidos e irregulares. Eles desferiam socos
selvagens e chutes poderosos. Era impressionante e agonizante observar
dois homens poderosos lutando pelo domínio. Eles lutavam sujo, de
forma imprevisível. Eu soltei a respiração que estava segurando quando o
round terminou.

O próximo round aumentou minha ansiedade à medida que eles


ficavam mais violentos. O Rebelde deu alguns golpes em Ryder que o
fizeram tropeçar. Vi-o estabilizar. Depois, uma onda de fúria tomou conta
dele, porque ele ficou selvagem. Ele deu um gancho de esquerda, em
seguida, uma série de golpes que deixaram o seu adversário preso nas
cordas do ringue. Sangue respingou, Rebelde protegeu o rosto com as
mãos, mas Ryder continuava a atacar.

Rebelde surpreendeu Ryder com uma joelhada nas costelas,


fazendo-o cambalear para trás. Quando Rebelde tentou dar um passo em
frente para outro golpe, Ryder pegou seu braço e abaixou-o em um
movimento rápido. Ryder se movimentava à medida que eles
lutavam. Em seguida, ele estrangulou-o de um jeito estranho. As pernas
de Ryder envolveram-se em seu pescoço. Ele tentou se libertar, mas Ryder
era muito forte. Rebelde começou a ficar vermelho, tentando se levantar
várias vezes, mas Ryder o mantinha preso. Rebelde cedeu e caiu, logo que
Ryder o soltou. A torcida vibrou. Todo mundo se levantou. Câmeras
dispararam flashes. Eu fiquei presa na onda de energia vitoriosa.

A celebração foi a pleno vigor na arena. Foi-se o Ryder estoico que


tinha entrado mais cedo. Ele estava saltando entusiasticamente ao redor
do ringue em triunfo. Ele subiu nas cordas, apontando e gesticulando
para os fãs. Então ele olhou para mim. Ele apontou, piscou e murmurou:
— Você é a próxima.

Sim, eu sou.

Se ele queria conquistar meu corpo, eu deixaria. Ele poderia me


imobilizar e me socar qualquer hora que quisesse. Ele estava tomado por
pura adrenalina, uma resistência desenfreada e animalesca, e eu mal
podia esperar para que ele se esgotasse em mim, por mim. O ar chiou
entre nós enquanto ele continuou me olhando e saiu das cordas.

Nos próximos minutos, foi anunciado o vencedor, e ele deu algumas


entrevistas curtas, durante todo o tempo enviando-me olhares sutis com
tons sexuais. A maneira íntima que ele me observava fazia calor líquido se
formar entre as minhas pernas. Ah, sim, definitivamente, ele estava à
espreita. Estremeci, cruzei os braços sobre os seios para esconder meus
mamilos endurecidos.

Quando chegamos à parte de trás, parecia que a festa já tinha


começado. Ryder tinha um vestiário privado, mas havia tantas pessoas lá
que eu tinha certeza que estava mais cheio do que o vestiário
compartilhado. Ryder levantou-se no banco, cantando, estimulando todos
na sala cheia de testosterona. Ele deve ter tomado um banho rápido antes
de eu voltar aqui, porque todos os respingos de sangue tinham ido
embora. Assim que ele desceu, agarrou meu braço e me puxou para um
beijo tão intenso que eu esqueci onde estávamos e quem estava
assistindo. Sua mandíbula se moveu com força, exigindo tudo de mim. E
eu dei a ele. Sua língua deslizou contra a minha, quente e deliciosa. Sua
boca seduzia os meus sentidos. Eu estava toda molhada e quente. Não
consegui suprimir meus gemidos quando ele me empurrou contra um
armário, com a mão massageando minha bunda e a ereção pressionada
contra mim.

— Porra, eu preciso de você. — ele sussurrou contra os meus


lábios. Eu gemi como se suas palavras tivessem acabado de me
acariciar. Uma semana de frustração sexual reprimida, que não pôde ser
satisfeita pelo telefone, estava prestes a explodir. Então, quando ele me
apalpou na frente de toda a sua equipe, eu sabia que ele não esperaria até
voltarmos para o quarto.

Ryder pegou minha mão e me puxou por um pequeno corredor e


para uma sala vazia. Talvez fosse um armário, porque estava cheia de
equipamentos.

— Eu tenho que ter você, baby. — disse ele, lambendo e chupando


meu pescoço como se não tivesse comido durante toda a semana. E ele
não tinha me comido toda a semana. Eu sentia falta de deixá-lo se
alimentar de mim. A fome o transformou em uma besta. Sua intensidade
era diferente de tudo que eu já tinha experimentado. Suas mãos iam para
o meu cabelo, meu quadril, depois subiram minha camisa.

Eu deslizei minhas mãos em seus shorts apertados, encontrando-o


quente e duro, envolvi minha mão em torno de seu comprimento liso de
aço, e acariciei-o. Ele mordeu meu pescoço com mais força, empurrando
nos meus dedos que o envolviam. Ele abaixou meu sutiã, expondo meus
seios, em seguida, capturou meus mamilos. Eu fiquei além de
excitada. Fiquei inflamada, a um minuto de detonar. Ele colocou as mãos
no meu jeans, e passou os dedos sobre o meu sexo, e estremeceu.

Ele estremeceu?
Imagine como eu me senti quando ele mergulhou os dedos no meu
calor escorregadio. Com um toque suave sobre o meu clitóris, eu fiquei à
beira de gozar.

— Porra, você está tão molhada. — ele resmungou. Ele enfiou um


dedo na minha boceta. Eu choraminguei. Minhas pernas tremeram
enquanto ele acrescentou outro dedo, me fodendo a um ritmo
apressado. Eu me derreti. Ele me segurou com a mão livre para me
manter firme.

Ele enfiava e tirava os dedos, profundo e com força, a sua palma


esfregando o meu clitóris. O atrito era requintado. Meus quadris se
moviam contra sua mão enquanto eu procurava o final bonito. Minha
respiração ficou presa e eu gritei quando gozei. Meu corpo pulsou para a
vida quando ele rosnou, esfregando a ereção na minha perna.

Ele me beijou avidamente, com desejo, e tanta paixão que só fez


reforçar a minha necessidade por ele.

Eu precisava saboreá-lo. Eu queria sentir seu prazer pulsando


contra minha língua. Eu caí de joelhos. Tirei seu pênis, os músculos das
coxas enrijeceram quando ele estendeu a mão para o meu cabelo. Eu
coloquei meus lábios na cabeça, sugando-o suavemente em minha
boca. Ele assobiou, ele puxou com mais força meus cabelos soltos. Eu
deslizei meus lábios até a metade, em seguida, arrastei lentamente de
volta. Ele tinha gosto de suor, cheiro masculino e viril. Mas, para mim,
tinha cheiro de vitória e sabor de campeão, e eu queria fazer o campeão
sucumbir a mim. Desequilibrá-lo e provar a sua força na minha língua.

— Leve tudo. — ele exigiu, cansado da minha provocação. Coloquei-


o de novo na boca, levando-o mais profundamente. Ele gemeu quando eu
me afastei, chupando na cabeça e rolando minha língua sobre seu
piercing. Se ele puxasse mais o meu cabelo eu perderia alguns
fios. Quando eu tentei chupá-lo de novo, ele puxou meu cabelo, segurou
minha cabeça para trás e olhou para mim.

—Abra-se, Lexi.

Pisquei para ele e lambi a gota de líquido na ponta. Ele soltou um


som gutural, depois empurrou seu pênis lentamente em minha boca. Ele
moveu os quadris, guiando seu pau dentro e fora enquanto eu lambia a
pele lisa por baixo.

— É assim que você quer, certo? Você quer me foder com a boca?

Eu gemi. Minha boceta apertou quando ele penetrou minha boca de


forma mais agressiva. Eu o forçava a assumir o comando, e isso estava me
excitando. Ele manteve um ritmo constante até que estava empurrando
tão profundamente que seus pelos pubianos fizeram cócegas no meu
nariz. Então ele fez uma pausa, grunhiu e empurrou seu pau na minha
boca. Agarrei a bunda dele e levei-o o mais profundo possível. Ele jogou a
cabeça para trás e gozou na minha língua, ofegando meu nome. Era
salgado e continuei lambendo-o durante seu orgasmo, fazendo-o
murmurar incoerentemente.

O rei gozou. E eu me senti como sua conquistadora.

***

Ryder estava atrasado para a conferência de imprensa. Ele vestiu


shorts de ginástica, colocou uma camiseta com um monte de logotipos
dos patrocinadores e depois um boné da UFC. Ele enganchou o braço no
meu ombro, e nós corremos pelo corredor. — Há um carro esperando do
lado de fora que irá levá-la para casa.

— Que casa? Pensei que você fosse ficar aqui.


— Eu estava hospedado aqui, mas agora que a luta acabou, eu quero
ficar longe de toda a publicidade. Eu aluguei uma casa para o fim de
semana. Ty vai dar uma pequena pós-festa lá hoje à noite. Depois disso, a
teremos inteira para nós.

— Tudo bem, nos vemos lá. — inclinei-me e beijei-o.

— Quando você voltar para o quarto, não se enfeite toda para a


festa. — disse ele. — Vou sujar você de novo. — ele me deu um beijo nos
lábios, em seguida, me deixou de pé em frente à baía de elevadores
enquanto corria pelo corredor.

As portas se abriram no instante em que apertei o botão. Entrei no


elevador vazio e apertei o botão para o segundo andar para sair pelo
lobby. Encostei-me à parede traseira quando as portas começaram a
deslizar para fechar. Antes delas fecharem, alguém segurou a porta e
entrou. Não apenas alguém. Mas Leah, e ela tinha apoio. A mãe de Ryder
entrou atrás dela, e quando as portas se fecharam desta vez, eu me senti
presa. Elas, efetivamente, me fizeram prisioneira.

Julia estendeu a mão para trás e apertou o botão de parada de


emergência, e eu balancei a cabeça. — Não temos nada para falar.

— Mas nós temos, Lexi. — disse Leah. — Há algo que você precisa
saber.

— Seja qual for o plano que vocês duas inventaram para eu


terminar com Ryder não vai funcionar.

— Ouça, Alexis. — Julia disse meu nome como se fosse sujeira. Eu


deveria ter ficado ofendida, mas eu sabia de onde vinha seu ódio.

— Nós duas sabemos que eu não gosto de você, mas isso não é sobre
como eu me sinto. Eu não vou deixar meu filho arruinar sua vida só para
estar com você.
— E como eu arruinaria sua vida? — eu cruzei os braços e endureci
a expressão. Ela olhou para Leah e acenou com a cabeça.

— Diga a ela.

Olhei para Leah nervosamente torcendo as mãos e batendo os pés.

— Estou grávida. — Leah soltou. Olhei para ela, fazendo uma careta
para a sua explosão estranha. Foi tão abrupta que deu a impressão que ela
tinha vomitado as palavras para mim.

— Isso é o melhor que você pode fazer, Leah? Porque é muito triste.

— É verdade. — ela gritou, dando um passo para perto de Julia. —


Ryder não quer que você saiba. Ele faria qualquer coisa para não manchar
o seu precioso relacionamento.

— Se vocês duas acabaram de desperdiçar o meu tempo, eu preciso


me aprontar para uma festa.

— Você não acredita em mim? — ela estreitou os olhos com raiva. —


Ele está tão desesperado para mantê-la, que me pagou para se livrar dele.

— O quê? Você está louca? Ryder nunca faria isso. — olhei para
Julia com raiva. — E você é a mãe dele. Como você pode acreditar nisso?

—Porque Ryder não é o mesmo desde que você entrou na vida


dele. Ele está se transformando em David. Ele fará qualquer coisa para
ficar com você. Mostre para ela. — disse Julia.

— Tudo bem. — ela tirou um pedaço de papel do bolso da calça


jeans e desdobrou. Ergueu-o na frente do meu rosto, e lá estava. A cópia
de um cheque depositado na conta de Leah por vinte mil dólares. — Eu
sabia que não deveria ter sacado se não ia insistir nisso, mas eu mudei de
ideia.
Eu não queria acreditar. Eu tinha me convencido de tanta certeza
do nosso amor que não duvidei de nada. Mas quando olhei para a
assinatura de Ryder e distingui a sua caligrafia, senti a minha convicção se
dissipar também.

— Ele escolheu você em vez de Leah, de mim, até mesmo do próprio


filho. Você precisa colocar um fim nisso antes que ele perca todos que o
amam.

Eu balancei a cabeça, mas apenas para fazê-las recuar. Julia


finalmente cedeu, depois de me encarar alguns momentos
silenciosamente. Ela apertou um botão, o elevador começou a se mover
novamente. Quando as portas se abriram, passei correndo por elas, então
não tive certeza se elas saíram.

Eu estava correndo pelo saguão quando alguém me agarrou pelo


braço e me virou.

— Está tudo bem, Lexi? — perguntou David, parecendo


preocupado.

— Eu estou bem. — eu tentei me afastar, mas ele aumentou o


aperto.

— Você está corada, trêmula. Você sabe que pode falar comigo,
certo?

— Eu sei, David, mas eu estou bem. Eu só tenho que chegar em casa


e relaxar.

— Que casa? Eu pensei que você e Ryder fossem se hospedar aqui.

— Não, ele alugou uma casa. Há uma festa hoje à noite, se você
quiser vir.

— Ryder pode não gostar que você me convide.


— Vai ficar tudo bem. Apenas tente ir.

— Tudo bem, querida, eu vou tentar. — ele me puxou e me abraçou,


beijando o topo da minha cabeça. — Nós só nos preocupamos porque te
amamos.

— Eu sei. Eu também te amo. — eu me inclinei para trás e olhei


para ele. — Eu espero que você saiba disso.

— Eu sei.

— Eu tenho que ir. Eu mando uma mensagem para você com o


endereço quando eu chegar lá. — eu me afastei, acenei uma última vez, e
saí para encontrar o motorista.

A casa era enorme, e parecia que a festa já tinha começado. A


entrada estava cheia, por isso, o motorista estacionou do outro lado da
rua e levou a minha mala para mim. Peguei o telefone e mandei uma
mensagem com o endereço para o David. Quando estava atravessando a
rua, ouvi um carro frear, e eu saí do seu caminho. Mandar mensagem e
atravessar a rua era muito estúpido.

Não era uma casa. Era uma mansão enorme de três


andares. Quando passei pela entrada, ouvi a música que vinha do
quintal. O motorista desceu os degraus e me deu as instruções para o meu
quarto. Subi as escadas para o terceiro andar, passei por um longo
corredor e pelas portas duplas que levavam para o nosso quarto.

A cena foi definitivamente montada para o romance. Meus pés


afundaram em tapetes vermelhos felpudos, e eu vi uma área de estar
aconchegante exatamente na frente de um grande terraço, e a cama...

A cabeceira cinza-escura ia quase até o teto, e a cama era decorada


com um monte de travesseiros combinando. Fui direto para o terraço e
abri as portas francesas. Eu andei até a beirada e olhei por cima. A
pequena festa da qual Ryder me avisou já tinha mais de cinquenta
pessoas. A piscina era bem debaixo de mim, e eu observei as pessoas ao
redor dela, mas eu estava muito alto para que alguém me notasse.

Eu queria estar animada com a vitória de Ryder e comemorar com


todo mundo, mas aquele pequeno grão de dúvida sobre Leah tinha criado
raízes. Voltei para o quarto e me joguei na cama. Eu não conseguiria fazer
qualquer coisa até conversar com Ryder.
Capítulo Trinta e Três

Ryder

Era depois da meia noite quando cheguei à casa. A festa de Ty


estava em pleno vapor, mas tudo o que eu queria fazer era ir lá para cima
com Lexi e colocar todos para fora. Tomei a decisão certa em alugar este
lugar para o fim de semana. Eu gostava de lutar, mas o lado público de ser
o campeão ficava cansativo.

Se tivéssemos ficado no hotel, a imprensa teria seguido cada passo


que déssemos para fora do quarto. Por mais que eu quisesse que o mundo
soubesse que Lexi era minha, eu não queria que eles investigassem seu
passado. Se a mídia descobrisse sobre Alec e a subsequente tentativa de
suicídio dela, eles transformariam a tragédia em notícias de
entretenimento. Eu sabia que não conseguiria manter em segredo para
sempre, mas eu queria proteger Lexi por tanto tempo quanto possível.

Eu abri a porta para o nosso quarto e encontrei Lexi deitada na


cama. Eu sorri quando virei a fechadura da porta. Larguei minha bolsa,
em seguida, tirei a camiseta. Eu tinha certeza que ela estaria pronta para
participar da festa, mas parecia que ela estava esperando por mim. Eu
poderia simplesmente deixá-la me convencer a não descer.

Eu subi na cama, e Lexi se assustou quando eu rastejei sobre


ela. Ela devia estar em um pensamento profundo para não ter me ouvido
entrar. Ela sorriu timidamente para mim, um pouco nervosa também. Eu
cobri-a com o meu corpo e comecei a beijá-la.

— Ryder. — disse ela quando eu cheguei à sua clavícula. — Ryder. —


ela insistiu.
— O quê? — eu olhei para ela.

— Nós precisamos conversar.

— Temos menos de uma hora para estar lá embaixo. Você


realmente quer conversar?

Ela assentiu com a cabeça. Olhei para ela, desejando que ela
mudasse de ideia, mas havia uma urgência definitiva em seu olhar. Desci
da cama, e ela sentou na beirada para me encarar.

— O que está acontecendo?

— Leah está grávida?

— O quê? Como eu... Espere, você acha que é meu? — merda, um


milhão de pensamentos diferentes passou pela minha cabeça, mas eu
ainda não consegui processar nenhum.

— Então ela está?

— Não, quero dizer, eu não sei. — eu gaguejei como se eu estivesse


nervoso ou culpado, e ela olhou para mim com desconfiança. Eu respirei
fundo, segurei suas mãos nas minhas, e comecei tudo de novo.

— Eu não sei se ela está grávida, e se ela está, não é meu. De onde
toda essa merda veio?

— Leah e sua mãe me encurralaram no hotel.

— Ótimo... Eu achei que tivéssemos superado essa merda.

Ela desviou o olhar, então murmurou algo que eu não consegui


entender.

— O quê?

Ela olhou para cima e olhou para mim. — Ela disse que você pagou
para que ela se livrasse dele. Ela até me mostrou o cheque.
Eu sorri e balancei a cabeça. Eu sabia que Lexi estava tentando
extrair algo da minha reação a esta informação, mas eu não pude deixar
de sorrir para o quão inteligente Leah tinha sido. Eu não sabia que ela iria
tão longe. Levantei Lexi para que ela me enfrentasse. Se ela queria ler
minha expressão, eu não ia escondê-la.

— Leah é obsessiva. Ela vai inventar qualquer coisa para tirá-la do


caminho. Você não pode simplesmente acreditar em todas as besteiras
que saem de sua boca. Anos atrás, quando eu era um lutador sem sucesso,
ela se mudou para a Califórnia para ficar comigo. Ela estava passando por
dificuldade, e me senti mal, então lhe dei um cheque para que ela pudesse
se reerguer. Eu não durmo com ela há mais de quatro meses.

Ela tentou se afastar, mas eu agarrei as suas mãos.

— E minha mãe... Te odeia. Geralmente, ela é um pouco mais lógica


do que isso, mas ela está desesperada. Ela acha que se eu ficar com você,
David ganhou. Eu estaria mentindo se eu dissesse que David nunca se
importou comigo. Ele me amava, e ela conseguiu ficar com a coisa mais
importante para ele. Então, agora ela se voltaria até para o diabo para
afastá-la de mim.

— Mas eu não estou tentando consertar seu relacionamento com o


David. E eu não quero me intrometer entre você e sua mãe também. Eu só
quero você, sem todo esse... Drama.

Eu peguei o rosto dela e puxei-a para perto.

— Você me tem, mas nunca será fácil. Você pode viver com isso? —
ela pareceu derrotada. Eu sabia que esse não era o caminho que ela queria
que as coisas tomassem, mas era a circunstância em que estávamos
presos. Eu a puxei para os meus braços, e ela enfiou a cabeça debaixo do
meu queixo.
— Eu nunca digo isso, mas eu sou meio que um lutador
famoso. Haverá sempre uma mulher tentando tirá-la do meu caminho. Eu
só preciso que você pergunte primeiro antes de deixar todas essas dúvidas
ocuparem espaço em sua cabeça. Prometo ser sempre honesto com você.

Ela se afastou e roçou a ponta dos dedos na minha bochecha. — Me


desculpe, eu duvidei de você.

— Está tudo bem. Ela tinha a minha assinatura para apoiá-la. E


minha mãe provavelmente vai te infernizar. Ela é minha mãe. Eu não
posso excluí-la, mas eu posso calá-la quando ela tentar te machucar. —
beijei-a suavemente, em seguida, olhei de novo em seus olhos cor de
avelã. — Esse amor nunca vai ser fácil, mas sempre valerá a pena
lutar. Mesmo que eles consigam afastá-la de mim, eu vou atrás de
você. Você é aquele pedaço de felicidade sem o qual não posso viver.

Enfiei minha mão sob a sua blusa, e ela enrijeceu.

— A festa? — perguntou ela, porque ela sabia que se nós


começássemos nunca chegaríamos lá.

— Ty vai arrombar a porta se não formos. Vamos tomar banho


juntos. Vai economizar tempo.

Nós dois sabíamos que isso não economizaria tempo, mas seria
muito divertido. Quente, divertido e molhado.
Capítulo Trinta e Quatro
Alexis

A língua de Ryder estava em mim. Oh Deus, as coisas que ele podia


fazer com a boca. Ele me empurrou contra a parede do chuveiro, abriu
minhas pernas, e abaixou para me lamber onde eu sentia mais
dor. Tínhamos exatamente meia hora antes de Ryder precisar ir para a
festa, mas ele estava determinado a me fazer chegar ao orgasmo. Ele
acariciou, sugou, e trabalhou meu clitóris até eu tremer, pedindo por
libertação. Eu sabia que ele conseguiria. Meus mamilos estavam
enrijecidos, doloridos da necessidade suprimida.

Ele se afastou, e eu gemi. Eu precisava alcançar, e nós não tínhamos


muito tempo. Ele se levantou, empurrou seu pau grande e bonito na
minha entrada, e eu exultei. Finalmente, ele ia me dar o que eu realmente
queria.

Ele bateu em mim, minha cabeça bateu na parede de azulejos, e eu


engoli água. Seus impulsos eram fortes, acertando os pontos certos. Ele
não precisava olhar para mim. Ryder sempre sabia como me fazer chegar
lá, e eu chegaria rápido. A nossa pele molhada se chocava à medida que
seu pênis poderoso entrava em mim uma e outra vez. Centímetro após
centímetro de aço quente enchia-me e me fazia ofegar. Meus gemidos
reverberaram pelo cômodo. Seus gemidos se misturaram e nós fazíamos
música erótica. Uma onda de êxtase tomou conta de mim, me ergueu,
depois, me derrubou, e me levantou novamente. Eu senti como se gozasse
várias vezes, a minha mente muito confusa para saber quando acabava
um orgasmo e o próximo começava. Ryder estava lá comigo no final,
terminando com um grande grito de libertação, convulsionando quando
explodiu dentro de mim. Ele puxou para fora e nós nos beijamos até que a
água ficou fria e o fogo estava surgindo novamente em minha barriga. Eu
queria ficar aqui e fazer coisas deliciosas com o seu corpo sexy, mas não
podíamos.

Eu empurrei Ryder para fora do chuveiro para que ele não se


animasse e fiquei para me refrescar. Quando voltei para o nosso quarto,
ele estava completamente vestido. Usava uma calça jeans desbotada,
camisa branca de botões, e um colete cinza-escuro. Ryder ficava bem de
esporte fino.

— Você está maravilhoso. — eu beijei sua bochecha enquanto


passava. Ele arrancou minha toalha, e eu gritei, tentando me cobrir com
as mãos. Ele se inclinou para me beijar, mas houve uma batida forte na
porta. Ele resmungou algo antes de sair para atender a porta.

Quando ele voltou, eu tinha conseguido me vestir com lingeries. —


Apresse-se, Lexi. Ty está aqui e precisamos descer.

— Vão sem mim. Desço em 15 minutos. — ele olhou para o relógio,


depois franziu a testa para mim.

— Você não precisa de muito tempo. Você já está incrível.

— Eu tenho que me vestir, secar o cabelo, passar um pouco de


maquiagem.

— Tudo bem. — ele ergueu a mão para me interromper. — Quinze


minutos, Lexi. — ele me avisou e saiu do quarto.

Eu arrumei o cabelo e o deixei natural, o que não era. Era a grande


noite de Ryder, e eu queria parecer que eu pertencia ao seu
mundo. Coloquei um vestido de coquetel preto rendado que dava a
impressão de que eu estava nua por baixo. Era curto, apertado e sexy. Eu
tinha acabado de colocar os sapatos de salto alto vermelhos, quando
houve uma batida na porta. Passaram-se cinco minutos após a hora que
eu disse a Ryder que eu desceria. Ele estava tão impaciente que
provavelmente voltou assim que percebeu que o meu tempo tinha
acabado. Eu abri a porta e dei um passo para trás surpresa.

— O que você está fazendo aqui, Noah?

— Você está linda, Alexis. — Seu olhar viajou sobre mim.

— Você é um dos amigos de Ryder? — isso podia realmente ficar


muito estranho e rápido.

— Não.

— Oh... Tudo bem.

Sua expressão era estranha, e sua presença em nosso quarto estava


me deixando nervosa. Eu estava atrasada, então se Ryder me pegasse aqui
e descobrisse a nossa ligação, não seria bonito.

— Nós precisamos conversar. — ele abriu caminho para o quarto,


fechando a porta, impedindo a minha saída.

— Eu não acho que é uma boa ideia conversar aqui. Vamos descer
para a festa e falar lá.

— Por quê? O seu namorado vai ficar bravo? — ele parou na minha
frente, com as mãos nos bolsos da calça jeans. Sua postura era
alarmante. Eu não era mestre em linguagem corporal, mas eu sabia que
ele não estava aqui para conversa fiada. Eu dei um passo para trás,
procurando a saída mais próxima pelo quarto.

— Como você chegou aqui?

Ele deu de ombros. — Eu a segui da luta. Com a festa acontecendo,


ninguém me questionou.

— Há um monte de pessoas lá embaixo. — talvez se ele se lembrasse


de que havia uma casa cheia de pessoas, ele não faria nada estúpido.
— Você sabe, eu achei que você fosse diferente. Gostava de ver você
no bar. Você nunca deixava qualquer homem comprar uma bebida ou
levá-la para casa. Eu pensei que você era uma boa garota. Aquela atenção
toda fazia você se sentir bem, Lexi? Você escondeu que você estava
realmente bem.

— Não era assim, Noah. Eu nunca menti para você. — Ele se moveu
rapidamente, agarrou o meu braço e me puxou em direção a ele. Eu me
assustei, tentando puxar para trás, mas seu aperto era firme.

— Mas você é uma mentirosa. Você não passa de uma puta. — ele
assobiou. Eu tentei puxar meu braço, mas ele me segurou com mais força.

— Eu esperei um ano e meio para que você visse que nem todos os
caras são ruins. Se você tivesse me dado uma chance, eu poderia ter feito
você feliz.

— Eu nunca menti para você. Eu falei que não estava à procura de


um namorado.

— Isso é porque a única pessoa com quem você tinha se envolvido


era Logan. Eu queria mostrar que eu podia ser bom para você, mas me
apaixonei por uma puta... De novo. Você me fez acreditar que era
diferente, que você não dormia com todos, como as outras meninas no
bar.

— Eu não dormi.

— Então por que você se prostitui para esse lutador? — ele


gritou. Eu vacilei, puxei a cabeça para trás quando ele se aproximou do
meu rosto.

— O que eu era pra você, Lexi? Um jogo?

Eu balancei a cabeça. Neste ponto, eu estava com muito medo para


responder mais.
— Bem, eu estou tão cansado de garotas como você. — ele me
soltou, colocou a mão na testa como se tivesse uma dor de cabeça.

— Você, minha mãe, Hannah... Tudo puta. — uma das suas mãos
envolveu a minha cintura, me puxou para mais perto, enquanto a outra
foi para o meu cabelo e puxou minha cabeça para trás. Eu vi sua intenção
e eu não o beijaria de jeito nenhum. Ele puxou minha cabeça para mais
perto até que seus lábios estavam no meu ouvido. — Você me fez te amar.
Você me deve.

Ele moveu a mão da minha bunda, até a minha coxa. Tentei pensar
racionalmente. Eu não queria fazer um movimento e falhar. Eu não
conseguiria chegar até a porta. A música da festa estava alta. Ninguém me
ouviria gritar, mas a festa era no pátio, abaixo do terraço. Se eu gritasse de
lá, possivelmente conseguiria ajuda.

Eu estava resistindo, e ele não gostou. Ele tentou erguer os dedos


entre as minhas coxas, mas eu pressionei-as firmemente.

— Abra as pernas, vaca, e deixe-me dar a você o jeito que eu deveria


ter dado no começo. — ele puxou meu cabelo com mais força. Queimou
tanto que meus olhos lacrimejaram. Eu relaxei o corpo e deixei-o deslizar
as mãos entre as minhas pernas.

— É isso mesmo, você é uma cadela. Seja uma prostituta e implore


para eu foder você. — eu tinha que jogar de forma inteligente ou eu iria
me machucar.

— Sim, eu sou uma prostituta. — eu nem sequer soava convincente,


mas eu tinha que tentar. — Eu quero ser a sua puta.

Ele estreitou os olhos. — Você é uma boa menina. Faça como eu


digo, e talvez eu a perdoe por prostituir-se para aquele babaca.

— Qualquer coisa, faço qualquer coisa. — eu ia vomitar. Eu não


podia acreditar que ele era o mesmo homem com quem eu gostava de
ficar. Ele era um monstro. Não tinha nenhum vestígio do Noah que eu
conhecia. Sua força no meu cabelo afrouxou um pouco, e eu recuei. Era o
que eu estava esperando. Eu levantei a perna rapidamente, mirei na
virilha.

Ele caiu, e eu deslizei, abri as portas para o terraço. Eram apenas


três andares; alguém me ouviria gritar. Eu gritei no topo dos meus
pulmões. Suas mãos me empurraram. Ele era forte e me
desequilibrou. Eu tropecei nos saltos quando olhei para trás e para
Noah. Tentei segurar no corrimão, mas a força do empurrão foi
demais. Tudo o que eu senti foi o ar livre. Eu bati meu braço duro na
saliência do concreto quando caí, e a dor impediu a minha capacidade de
alcançar e agarrar qualquer coisa. De repente eu estava em queda livre
para o esquecimento.
Capítulo Trinta e Cinco
Ryder

Eu estava andando pela festa no piloto automático. Muitos


promotores estavam aqui, e Ty não teria me deixado perder isso. Mas
tudo que eu conseguia pensar era em Alexis e no quanto eu queria passar
a noite sozinho com ela. Ty estava tentando me puxar para a pequena
conversa com alguns dos nossos patrocinadores, mas tudo o que
conseguia fazer era murmurar ou acenar a cabeça. Principalmente porque
eu não estava prestando atenção em nada ou qualquer coisa que o
pequeno grupo reunido à minha volta estava dizendo.

Por que Lexi está demorando tanto?

Notei Leah e minha mãe saírem da casa para o pátio. Pedi licença e
fui direto até elas, e puxei-as para o lado.

— Você perdeu o juízo? — eu gritei para Leah. — Eu não toco em


você há quatro meses.

— E você... — eu me virei para minha mãe. — Você realmente


acredita que eu pagaria para ela fazer isso? Você não me conhece?

— Depois que você está com ela, você mudou.

— Eu dei o cheque, porque ela estava passando por dificuldade, e eu


me senti culpado. Pior erro que já fiz. — olhei de volta para Leah, a minha
raiva aumentando constantemente.

— Leah? — minha mãe virou-se para Leah, mas ela não quis
encontrar seu olhar. — Olhe para mim, Leah. — ela disse.

— Ele pagou para você se livrar do bebê?


Leah estava tensa, olhos brilhantes, depois os ombros caíram
quando ela suspirou.

— Não. — ela fechou os olhos e uma lágrima derramou com o


movimento. Quando os abriu, limpou rapidamente a umidade e olhou
para a minha mãe.

— Não é justo como ela possa simplesmente entrar e tomar tudo o


que era para ser meu. Eu sei que você entende como me sinto. Eu só
queria machucá-la, e ela não ia acreditar em mim sem a sua ajuda.

— Oh, Leah... Eu confiei em você. Você me fez duvidar do meu


próprio filho.

— Eu sei, mas eu tinha que fazer alguma coisa. Olhe. — ela apontou
o outro lado da sala. — Ela até conseguiu que ele perdoasse o pai. —
minha mãe olhou para onde David estava com sua bebida, e respirou
fundo. Ela olhou para mim com desapontamento e mágoa em seus olhos.

— Eu não perdoei ninguém.

— Então, o que ele está fazendo aqui? — perguntou minha mãe.

— Eu não sei, e eu não me importo. O que eu preciso saber é se você


está do meu lado ou não.

— Eu estou sempre do seu lado.

— Então pare de me sacanear.

— Eu não devia ter vindo aqui. — ela olhou para David, de repente,
parecendo nervosa e vulnerável. Ela não via David há anos, e este
encontro parecia ser um choque para o seu sistema.

Quando a tensão começou a crescer entre ela e David, alguém


gritou, chamando a atenção de todos. O grito sobressaiu através da
música alta explodindo através dos alto-falantes e as conversas entre a
multidão. Eu peguei um vislumbre rápido de algo caindo,
não, alguém caindo.

Cabelos longos e escuros.

Vestido preto.

Água espirrou fortemente da piscina, quando ela caiu nela. David e


eu nos entreolhamos, e uma sensação de déjà vu tomou conta de
mim. Meu mundo saiu do eixo. O pavor que encheu meu peito foi
imediato e me consumiu.

Três segundos.

Foi esse o tempo que levou para o meu corpo recuperar o atraso
com o que meu cérebro tinha registrado. Alguém tinha caído do meu
terraço. Eu não precisava ver o rosto dela para saber que era Alexis que
estava no fundo da piscina. David e eu corremos para a piscina e
mergulhei, altamente consciente de que desta vez eu poderia não ser
capaz de salvá-la. Eu cheguei até ela rapidamente, passei meus braços em
torno de sua cintura e puxei-a para a superfície.

Ty estava na borda, para puxá-la da água, junto com David quando


eu saí. Na hora que cheguei ao seu lado, ela estava deitada no concreto
frio. Ela estava mole e parecia sem vida, com o braço em um ângulo
estranho. Eu embalei-a contra o meu corpo, puxando seu cabelo molhado
do rosto. Minha mão ficou molhada com mais água. Ela estava
sangrando. Eu procurei na cabeça por um corte ou ferida, mas não
consegui encontrar de onde o sangue estava vindo.

Ty puxou meu braço e gritou comigo para deitá-la, mas eu não dei a
mínima. Eu precisava segurá-la. Eu precisava fazê-la acordar. Eu sabia
que ela faria isso por mim. Ela fez antes. Havia tanta coisa que eu não
tinha dito. Tanto que não tinha feito.
Minhas mãos tremiam enquanto eu a segurava. Meu coração
afundou no peito. Minha visão estava embaçada e os meus olhos arderam,
mas eu não podia estar chorando. Eu nunca chorei.

Eu nunca entendi por que Lexi tinha entrado no oceano anos atrás,
mas quando eu a segurei em meus braços, eu sabia que iria segui-la em
qualquer lugar nesta terra e além.

***

Eu apaguei, enlouqueci depois de puxar Alexis da piscina. Foi


reação do choque e adrenalina, não da lógica. Eu devia saber que mantê-
la por perto não era seguro. Eu devia saber que ela poderia precisar de
reanimação. Mas vê-la deitada no chão frio me fez perder todo o senso de
sanidade.

Ty me disse que eu tinha que ser sedado, mas eu não me lembro de


nenhum dos acontecimentos que levaram a isso. Aparentemente, depois
que eu a puxei em meus braços, eu não deixei ninguém tocá-la. Os
paramédicos ficaram com medo que eu causasse mais danos com a
maneira que eu estado movendo-a, por isso, quando ninguém conseguiu
afastar-me dela, eles enfiaram uma agulha no meu pescoço.

Foram as quatros horas mais longas da minha vida. Andei pela sala
de espera e corredores do hospital por horas antes que alguém nos desse
qualquer notícia. Ty e eu ficamos ansiosos quando o médico saiu.— Você é
da família de Alexis Cole? — ele perguntou.

— Eu sou o irmão dela. — parecia errado dizer isso, mas ele não
teria me dito nada se eu dissesse que era o namorado.
— Senhorita Cole perdeu muito sangue. Com a permissão da mãe,
demos-lhe uma transfusão. Parece que ela bateu a cabeça na borda da
piscina durante a queda. Já suturamos o corte em sua cabeça e colocamos
um gesso em seu braço quebrado.

— Eu posso vê-la?

— Sim. Ela está estável, mas não acordou ainda. Fale com a
enfermeira em uma hora, e ela vai direcioná-lo para o quarto. — eu o
observei desaparecer pelas portas duplas, tentado a segui-lo para eu
mesmo ver se ela estava bem. Ty bateu no meu braço e me tirou dos meus
pensamentos antes que eu fizesse algo.

— Vamos até a lanchonete comer alguma coisa.

Eu não queria ir, mas eu sabia que se eu recusasse, ele ficaria lá


comigo. Ele não sairia do meu lado até que soubesse que eu estava bem, e
isso incluía ter certeza que eu comesse alguma coisa e normalmente
funcionava.

Ty sentou perto de mim, em silêncio bebendo um café. Ele estava


me observando de perto, como se eu fosse enlouquecer a qualquer
minuto. A cadeira ao meu lado raspou no chão, e David se juntou a
nós. Ty olhou para ele, balançou a cabeça, em seguida, pegou o café e nos
deixou sozinhos.

Traidor do caralho.

Ele me observou como um guarda-costas por horas, e logo que


David apareceu, ele saiu da sala. Este não era um momento que eu queria
compartilhar com David. Eu não tinha a energia para me proteger das
suas mentiras.

— Não agora, David. — eu não olhei para ele, mas eu percebi que ele
virou sua cadeira para ficar de frente para mim.
— Eu sei que eu sou a última pessoa com quem você quer
conversar. Mas nós dois amamos Alexis, e eu acho que nós deveríamos
falar sobre isso.

— O que há para falar? — eu me virei e olhei para ele. — Deixei-a no


quarto. Ela estava bem. Perfeitamente feliz. Eu não sei como ela acabou
naquela piscina.

— Você sabe que ela não vai à terapia há quase um ano. Talvez
devesse voltar. Quando eu a encontrei depois da luta, eu sabia que algo
estava errado. Eu deveria tê-la feito ficar.

Dei um olhar afiado para ele. — Você acha que ela pulou?

— Eu não sei o que aconteceu. Vocês dois discutiram? Eu vi Leah na


luta. Talvez ela estivesse com ciúmes?

— Leah contou alguma mentira para ela, mas nós conversamos


sobre isso. Isso é loucura. Eu não sei como lidar com isso. Talvez eu nunca
devesse ter ficado com ela. Se ela não tivesse vindo para cá comigo, isso
nunca teria acontecido.

— Você não pode simplesmente desistir dela.

— Eu não vou desistir, mas você está fazendo parecer que ela ainda
está instável. Eu vivo a vida de um lutador. Tudo o que sei é exercitar,
lutar, festejar, e foder. Eu nem era fiel a Leah. Como diabos vou saber se
posso fazer isso por ela? Eu a mataria se estragasse tudo. Eu não posso
viver minha vida me preocupando se ela vai morrer amanhã por causa de
algo que eu tenha feito.

—Não deixe nenhuma dúvida mantê-lo longe do que você quer. Isso
não é quem você é, e não sabemos o que aconteceu ainda.

— Você não sabe quem eu sou.


— Eu sei que você não desiste. Eu cometi o erro de desistir da
minha felicidade, porque eu achava que sabia o que seria melhor para
Vanessa. Isso me assombrou por anos. E acabou me levando a tomar
decisões que feriram todos na minha vida.

— Sério, você vai ficar aí e me dizer que nunca amou minha


mãe? Que sua vida com a gente foi um grande erro de merda?

Ele pareceu alarmado. — Não foi isso que falei. Você ama a Leah?

— O que isso tem a ver com alguma coisa?

— Apenas responda a pergunta.

— Eu a amo como amiga. Nós compartilhamos muito, mas não é


nada parecido com o que eu sinto com Alexis.

— Bem, é exatamente assim que me sinto sobre sua mãe e


Vanessa. Não se afaste de Alexis, filho. Não importa o que aconteceu, ela
vai precisar de você. — ele apertou meu ombro e saiu.
Capítulo Trinta e Seis
Alexis

— Ryder, Ryder, acorde. — ele estava encostado desajeitadamente


sobre a beirada da cama. Seu rosto repousava sobre os braços
cruzados. Ele se mexeu, então espiou para mim através das pálpebras
semicerradas. Seu cabelo estava uma bagunça, e ele estava com marcas
vermelhas do sono em seu rosto, mas adorável.

— Alexis? — ele sussurrou a pergunta como se não tivesse certeza se


ainda estava sonhando. Eu sorri. Ele caiu para frente, colocando as duas
mãos em cada lado do meu rosto.

— Hey, baby. — ele sussurrou, olhando para mim com os olhos


avermelhados. Seus polegares acariciaram meu rosto enquanto ele se
inclinou, beijou-me suavemente, em seguida, enterrou o rosto no meu
pescoço.

— Ryder?

— Sim, querida. — suas palavras foram sussurradas.

— O que aconteceu? — seu corpo ficou tenso. Ele se afastou e olhou


para mim.

— Você não se lembra? — eu balancei a cabeça. Ele levantou-se e


recuou. — Eu preciso chamar o médico.

— Não. Ryder, o que aconteceu? Por que eu estou em um hospital?

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo desgrenhado. — Você


caiu.
— O quê? Como? — eu tentei estender a mão até ele, e percebi que
estava presa à cama.

Que porra é essa?

— Porque tem isso nos meus pulsos? — eu gemi ao olhar as


restrições semelhantes às que usei depois que Ryder me tirou do
mar. Minha respiração tornou-se difícil, e houve um aperto em meu
peito. Eu me senti presa.

— Calma, baby. — ele estava ao meu lado, tentando fazer com que
eu deitasse de novo. — É apenas uma precaução.

— Isso não é precaução, Ryder. O que aconteceu? Por que você os


deixou fazer isso comigo? — eu puxei os punhos, mas eu sabia por
experiência que não conseguiria soltá-los.

— Você caiu do terraço na casa.

— Eu caí ou... — eu estreitei os olhos quando vi a acusação nos


dele. — Você acha que eu pulei. — não era uma pergunta, porque eu vi em
seu rosto todo.

— Não, eu não acho nada. Eu só quero que você melhore.

— Eu não sei o que aconteceu. — eu tentei evocar quaisquer


memórias, mas não resultou em nada. — Eu nunca faria isso, Ryder. — se
ele não acreditasse em mim, ninguém faria. Ele se inclinou e me beijou.

— Ryder, por favor, eu não posso passar por isso novamente. Todo
mundo que vier aqui, me olhará como se eu fosse louca. Você já está
fazendo isso. Por favor, faça-os tirar isso.

— Ok, baby. Vou fazê-los tirá-lo. — ele se levantou para ir buscar


um médico.
— Você acredita em mim? — ele olhou para mim em silêncio,
passou a mão na nuca. — Por que eu faria isso? Estou feliz. Você me faz
feliz. Por que eu faria isso agora?

— Se você me diz que você não fez isso, então eu acredito em você.

— Não fiz. — ele beijou minha testa, em seguida, saiu do quarto.

***

Ryder conseguiu que eles retirassem as restrições. Eles ficaram


apreensivos com isso, porque a minha mãe não confiava na minha
palavra. Especialmente por que eu não tinha nenhuma lembrança do que
aconteceu.

Ela entrou no quarto no mesmo minuto que Ryder contou para ela
que eu estava acordada. Eu não soube como ela chegou a Vegas tão
rápido, mas minha mãe moveria céus e terra para estar ao meu lado
quando eu estava machucada. Ficamos deitadas em silêncio por quase
uma hora, e ela pairando sobre mim. Sua mão acariciava o meu cabelo
enquanto ela se acomodava no lado oposto ao braço que eu tinha
quebrado.

— Eu sei que tem sido difícil para você, mas eu fiquei tão brava com
você depois daquilo. — ela quebrou o silêncio que se instalara sobre nós.

A sensação de aperto voltou no meu peito enquanto eu observava os


olhos da minha mãe lacrimejarem. Nós nunca conversamos sobre isso, e
eu não tinha certeza se eu podia lidar com essa conversa agora. Eu estava
muito abalada emocionalmente. — Você sabe por que eu fiz aquilo.

— Claro que eu sei. Eu sei que você e Alec eram inseparáveis, e eu


sei a dor que você sentiu, porque eu compartilho esse sentimento com
você. — uma lágrima deslizou pela lateral do seu rosto e correu para o
meu travesseiro. Estávamos deitadas de frente uma para a outra, e não
havia como escapar da dor em seus olhos.

— Eu sempre pensei que seria melhor se eu não falasse com você


sobre aquela noite, mas depois disso...

— Mãe, eu sei que todo mundo pensa isso, mas eu não pulei da
varanda.

Ela assentiu com a cabeça, mas não acreditou em mim. — Quando


seu pai morreu e, em seguida, Alec alguns anos mais tarde, eu fiquei tão
brava com eles por ter nos deixado. Mas eu sabia que não tinha sido opção
deles, e com o tempo, cheguei a um acordo com suas mortes. Mas o que
você fez... — ela balançou a cabeça e continuou. — Você escolheu me
deixar. Mesmo sabendo como eu estava devastada por perder seu irmão,
você escolheu me machucar.

— Mãe, eu nunca quis machu...

— Mas você machucou. — ela gritou, com a voz trêmula pela


emoção. — Quando eu vi você deitada na praia naquela noite, eu quase
desmaiei com a dor que explodiu dentro do meu peito. Eu me perguntava
que tipo de piada cruel era essa, perder todos que eu amava e ser deixada
aqui sozinha.

— Eu sinto muito, mamãe. — eu sussurrei através das lágrimas que


começaram a cair.

— Lexi, eu te amo, e tudo que eu quero é que você seja feliz. Eu não
posso passar todos os dias me perguntando se este é o dia que você vai
desistir e eu vou perder tudo. — seus braços me envolveram, e ela me
puxou contra seu peito, beijando o topo da minha cabeça.
— Eu não vou deixar você, mãe. — eu prometi enquanto nos
abraçávamos, e eu finalmente encontrei o sono quando ela me segurou
em seus braços.
Capítulo Trinta e Sete
Alexis

Mais uma noite no hospital e, depois eu estaria liberada. Os


médicos achavam que eu tinha perdido a memória porque bati a cabeça, e
eles não tinham certeza de quando eu teria minha memória de
volta. Minha mãe finalmente foi para um hotel, mas só depois de David a
convencer que Ryder tinha tudo sob controle. A porta se abriu quando eu
estava tentando sentar-me em uma posição desconfortável.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei, surpresa.

—O quê? Um cara não pode visitar sua namorada depois que ela cai
três andares em uma piscina? — o sorriso de Jacob era contagiante, então
eu sorri, mas ainda assim o repreendi.

— É cedo demais para piadas.

— Quem mais vai fazer você exibir esse belo sorriso?

— Ninguém. — eu bufei. — Todo mundo vem aqui e age como se eu


estivesse no meu leito de morte. — ele puxou uma cadeira e se sentou do
meu lado direito. Seu rosto ficou sério por um momento, e eu não
gostei. Jacob era meu amigo divertido; ele deveria me fazer rir.

— Você quase morreu.

— Eu sei. Confie em mim, eu sei. — eu suspirei, e encostei a cabeça


no travesseiro.

— Então, como você está? — perguntou.


— Bem, além da dor de cabeça e a dor constante no meu braço, eu
estou realmente muito melhor do que a última vez que eu estive em uma
cama de hospital.

— Bem, bem, porque eu estou aqui para fazer você sorrir.

Estendi a mão do meu braço bom e baguncei seu cabelo com


diversão. Ele fechou os olhos, inclinando-se para o meu toque. — Você é
um bom garoto. — ele olhou para mim e franziu a testa.

— Garoto? — ele levantou-se e estendeu os braços abertos. — Sou


oitenta quilos de poder. — ele jogou um sorriso com covinhas na minha
direção. — Não pense que por que sou seis anos mais novo do que Ryder
eu não seja homem suficiente para você. Eu sou jovem e viril. — ele
flexionou os bíceps. Ele estava tão animado que eu não pude deixar de rir
de suas palhaçadas. — Eu tenho seis anos a mais de resistência do que ele.
— depois, ele começou a fazer gestos obscenos empurrando os quadris, e
eu ri até que lágrimas escorressem pelo meu rosto. Ele riu de si mesmo,
em seguida, caiu de volta em seu assento.

— Obrigada. — eu disse uma vez que acalmei meu riso.

— Pelo quê?

— Por ser você e me fazer rir.

— A qualquer hora, Lexi. Só para constar, eu tenho que confessar


que eu estava errado.

— Sobre o quê? — eu inclinei a cabeça, esperando por sua resposta.

— Ryder. — ele respondeu.

Eu levantei as sobrancelhas e sorri. — Uau, um homem que admite


que esteja errado. Eu ainda poderia me apaixonar por você, afinal de
contas. — eu brinquei.
— Bem, isso é uma pena, porque eu não quero mais você. — ele
cruzou os braços sobre o peito e deu de ombros.

— Você iria me querer tanto.

— Foda-se, claro que sim. — ele olhou para mim como se eu fosse
louca, e eu ri de sua rápida mudança no comportamento. Ele se inclinou e
descansou o rosto na barra lateral da cama. — Você sabe que eu estava lá
quando você caiu? — eu fiquei sóbria imediatamente.

— Ryder ficou doido. Eu não sei o que foi pior, ver você cair ou
assistir a dor angustiante que rasgou o Ryder. Ele ama você. — ele passou
a mão pelo cabelo. — Sim... Ele realmente ama.

— Eu sei Jacob, eu sei.

Ele ficou e me manteve entretida por quase uma hora antes de


precisar ir embora. — Mais uma vez, obrigada por ter vindo. — eu dei-lhe
um abraço de uma mão antes dele começar a recuar em direção à porta.

— Sou oficialmente do seu time Lexi. Se minha irmã tentar foder


com você, basta me chamar, porque eu vou derrubá-la. — ele apontou
para mim enquanto acenava com a cabeça.

— Claro que sim. — eu virei o lábio em descrença.

— Eu a derrubaria por você. Claro, mamãe ia me matar depois. —


ele deu de ombros. — Algo sobre lealdade em família e essas coisas.

— Bem, não se preocupe comigo. Eu posso lidar com sua irmã.

— Graças a Deus. — ele suspirou de alívio, passando a mão sobre a


testa. — Leah é muito durona. — eu ri quando ele saiu do quarto,
encontrando com Ty e Shelby que entravam. Eu estava tendo um dia
extremamente ocupado. Parece que quando você quase morre, você tem
visita garantida de todos que conhece.
Shelby me abraçou. — Você me assustou pra caralho.

— Desculpe. Eu queria que não tivessem te ligado.

— O quê? Por que você diria isso?

— Você já passou por suficiente, Shells. Eu não quero que você se


preocupe comigo. Eu ligaria quando acordasse.

— Essa é o problema. Ninguém sabia se você ia acordar. Ty disse


que havia muito sangue. Certo, querido? — Shelby olhou para Ty.

Ele só olhou para mim com uma cara séria e expressão solene. —
Diga alguma coisa, Ty, o silêncio está me matando aqui. — ele tomou o
lugar mais próximo de mim, e Shelby recuou. Ele agarrou minha mão e
colocou em seus lábios. — A primeira conversa que tivemos eu pedi para
não magoar Ryder, e...

— Ty, eu não me lembro o que aconteceu, mas eu sei que eu nunca


faria mal ao Ryder dessa forma. Eu não... — eu tentei sentar para que
pudesse olhá-lo nos olhos.

— Shh... Deixe-me terminar. — eu relaxei, recostando-me na


montanha de travesseiros que minha mãe trouxe para mim. — Eu pedi
para não machucá-lo, mas, desde então, você se tornou parte da nossa
família. Não é só sobre ele mais. Nós todos te amamos. Eu nunca fiquei
tão assustado quanto o momento em que você caiu do céu. Jesus,
Lexi! Não faça essa merda de novo. Ryder praticamente morreu lá. Eles
tiveram que dar-lhe um sedativo para acalmá-lo.

Esta era a primeira vez que eu estava ouvindo isso. Ninguém quis
me dar muitos detalhes de como eu caí e tudo o que aconteceu depois.

— Você é uma pessoa incrível, e eu posso entender porque Ryder


ama você há tanto tempo. Eu só não quero que você se sinta tão perdida
que você não possa vir até nós. Nós somos lutadores. Nós não
desistimos. Não é o código pelo qual vivemos. Se você precisar de mim, eu
estou aqui para você.

— Eu prometo ir até você se eu não puder ir para o Ryder, mas eu


não fiz o que você pensa. Você me viu. Eu estava feliz.

— Eu também sei que você encontrou com a Leah.

— Isso é besteira, Ty. Ryder disse que conversamos sobre isso. —


Ryder e eu tivemos uma longa conversa na noite anterior, e ele me contou
tudo o que aconteceu com sua mãe e Leah. A última coisa que eu
lembrava era de Ryder ganhando o campeonato. Depois disso, era tudo
branco. — Eu não pulei. Você pode simplesmente confiar na minha
palavra?

Ele olhou para mim com curiosidade. — Vou tentar.

— Isso é tudo que eu peço.

Ele saiu depois disso, mas Shelby ficou. Ela escovou meu cabelo e
trançou. Nós assistimos alguns seriados antigos antes de Ryder voltar, e
ela sair.

— Eu trouxe uma coisa para comer. — ele sorriu para mim


timidamente, escondendo um saco de papel nas costas. Pela primeira vez
em dias, ele parecia controlado. Ele estava vestindo uma camiseta branca,
calça surrada e tênis brancos. Ele parecia mais delicioso do que o que
estava escondido no saco de papel.

— É do hambúrguer variedade? — eu levantei as sobrancelhas.

— É. — ele estendeu o saco gorduroso na minha frente e


acenou. Cheirava deliciosamente. Se o paraíso realmente tivesse um
cheiro, seria esse. Eu agarrei o saco, passei e cheirei. Sim, paraíso tinha
cheiro de hambúrguer e batatas fritas gordurosas.
— Sente-se. — eu dei um tapinha no espaço vazio ao meu lado na
cama. Ele sentou com cuidado, com medo de machucar meu braço. A
verdade era que Ryder incomodava tanto a enfermeira por causa da dor
no meu braço que eu era bombardeada com muitas drogas e quase nem
sentia o braço.

Ele me alimentou e até deu algumas mordidas. Ele defendeu seu


cinturão e ganhou, então eu o convenci a absorver um pouco de junk food
comigo.

— Então você sai daqui amanhã.

— Não, nós vamos sair daqui amanhã. Você realmente devia ir


dormir em casa esta noite.

— Não vai acontecer, Lexi. Eu vou ficar aqui até que eles a
liberem. Então vamos voar para casa juntos, e você vai se mudar para a
minha casa.

— Uau, você é realmente bom no papel de idiota dominador. —


revirei os olhos para ele.

— Eu disse algo errado?

— Sim, você disse. Você não pode simplesmente exigir que eu more
com você. Seria bom se você me desse uma escolha.

— Oh, eu entendo. — ele tentou esconder seu sorrisinho fofo, então


se virou para mim. — Lexi, por favor, quer morar comigo? Eu não posso
sobreviver sem você lá. Por favor... — ele apertou as palmas das mãos,
fazendo beicinho, obviamente tirando sarro de mim.

— Desde que você pediu direitinho, posso fazer-lhe esse favor. — ele
balançou a cabeça, passou o braço em volta da minha cintura e acariciou
minha nuca. — E eu não vou voltar a ver o Dr. Evans.

Sua cabeça virou de repente e ele olhou para mim. — O quê?


— Eu ouvi você e minha mãe falando sobre conseguir ajuda para
mim.

— Eu nunca disse que você precisava voltar. Foi ideia da sua mãe, e
eu disse para ela que você estava bem. Você ainda pode precisar chorar
por Alec, mas eu sei que você não está nesse lugar escuro mais.

— Então você acredita em mim?

— Claro que acredito. O que eu disse para você na semana passada


quando você disse que queria que eu a ensinasse a lutar?

— Você me disse que não queria me ensinar a lutar com outras


pessoas. Você queria me ensinar a lutar por mim.

— E qual foi a sua resposta? — ele empurrou meu cabelo para trás.

— Eu disse que eu estava lutando por mim desde que você me tirou
do mar.

— Eu sei que você ainda tem pesadelos ocasionais, e eu sei que às


vezes você fica com um olhar vidrado quando uma memória de Alec a
atinge. Mas eu também sei que a minha Alexis é uma lutadora desde que
me derrubou por chamá-la de menininha. Você teve um momento de
fraqueza; ninguém é forte o tempo todo.

Eu sorri. Quando eu tinha quinze anos, Ryder e Alec iam a uma


festa, e eu queria ir. Ryder me dispensou imediatamente. Ele disse: —
Essa festa não é para as menininhas. — eu sabia por que ele não me queria
lá, e me irritava que ele me visse como irmã caçula quando eu sentia
muito mais.

— Eu não era uma garotinha. Eu era uma jovem mulher.

— Eu não daria a mínima se você tivesse trinta. Eu não ia passar a


noite tentando afastar um bando de caras com tesão.
— Bem, você comeu sujeira por causa disso. — eu o derrubei e
realmente consegui manter a cabeça dele na areia por alguns
segundos. Era incrível o tanto que você ficava forte quando o cara que
você amava te irritava.

— Eu deixei você me derrubar.

— Não, você não deixou. Eu o derrubei, Ryder Hayes, e não se


esqueça disso.

— Baby, você pode me derrubar sempre que quiser. Eu vou deixar


você até me amarrar e conseguir o que quiser.

— Sério? — sentei-me e olhei para ele com entusiasmo.

— Mas só se eu puder amarrá-la primeiro. — ele riu da minha


ansiedade.

— Você é tão injusto. — eu balancei a cabeça para ele por esmagar


minha fantasia com a dele. Recostei a cabeça de novo no travesseiro, e ele
deslizou para mais perto.

Eu tinha adormecido até que senti Ryder se afastando de mim e


saindo da cama. Estava escuro e silencioso, mas ainda era muito cedo. —
Onde você está indo?

—Eu tenho que fazer alguns telefonemas e me certificar de que está


tudo pronto para ir para casa amanhã. A recepção é muito ruim aqui em
cima, então eu vou lá fora por um minuto.

— Tudo bem, baby. — ele beijou minha testa e saiu. A cama ainda
cheirava a ele, então eu enterrei meu rosto nele e cochilei novamente.

Ele me acordou ao voltar. Eu o senti de pé em cima de mim,


pensando. Eu me perguntava no que ele pensava tão profundamente. Abri
os olhos e me virei para ele. Noah... Por que Noah estaria... -
oh merda. Seu rosto trouxe de volta flashes da noite que eu caí. Ele estava
com raiva. Eu lutei com ele. Ele me empurrou. Ele me empurrou!

Eu o vi se movendo para mais perto sob a luz fraca, mas foi lento
para reagir. Um travesseiro cobriu meu rosto, me sufocando. Entrei em
pânico. Eu não conseguia respirar, eu não podia gritar por socorro, e eu
tinha certeza que estava piorando a situação por resistir, mas eu tinha que
lutar. Eu arranhei suas mãos, mas ele era um homem forte, e eu só tinha
um braço bom.

De repente, eu podia respirar. Engoli em seco e gaguejei como um


peixe fora de água. Eu ouvi um barulho no quarto. — Eu vou te matar! —
Ryder gritou enquanto batia o punho várias vezes no rosto de Noah.

Antes que eu realmente compreendesse tudo o que estava


acontecendo, as pessoas estavam correndo para o quarto e a luta tinha
sido separada.

— Ele estava tentando matá-la, solte-me! Vou acabar com esse filho
da puta.

— A prostituta merecia morrer. Todas merecem. — Noah gritou


quando o seguraram.

Policiais foram chamados. Noah foi algemado, e Ryder foi levado


para a delegacia de polícia para interrogatório. A polícia tomou meu
depoimento e me disse que me dariam um retorno sobre as acusações que
Noah iria enfrentar.

Mamãe voltou pouco depois, porque Ryder ligou para ela no


caminho para a delegacia. David estava com Ryder, e eu fiquei feliz por
Ryder tê-lo deixado ajudar. Eu sabia que ele estava furioso, e talvez,
apenas talvez, ainda houvesse esperança de reparar o relacionamento
deles.
Capítulo Trinta e Oito
Ryder

Eu não posso acreditar que ela ficou com aquele barman e nunca
me contou.

A noite que fui falar com Logan, eu senti que Noah sentia algo pela
Lexi, mas eu não percebi que ele já tinha ficado com ela. Só de pensar
nisso me fez querer puxá-lo para fora de sua cela para mais algumas
rodadas.

O imbecil confessou tudo. Ele admitiu que vandalizou o carro de


Lexi depois que ele a viu sair comigo. Ele ainda foi responsável pela tinta
spray na janela da academia. O homem era perturbado, e eu não sabia
como Lexi não tinha percebido sua loucura em mais de um ano de
convivência. Ele a perseguia. Ele até a observou na noite que ela foi para a
minha casa depois do bar. Se alguma coisa tivesse acontecido com ela
naquela noite, teria sido minha culpa por deixar a minha raiva me
dominar.

David parou na frente do hospital. Ele esperou por mim na


delegacia de polícia e diminuiu o meu nível elevado de raiva. Eu não sairia
da delegacia até que soubesse que o bastardo não ia conseguir fiança e ir
atrás de Lexi.

David me levou para a casa depois, e eu peguei nossas malas. Ele


dirigiu até o hospital para pegar Lexi para que pudéssemos ir ao
aeroporto. Quanto mais rápido saíssemos de Vegas, mais rápido
deixaríamos toda essa merda para trás.

— Obrigado. — eu disse quando estendi a mão para abrir a porta.


— A qualquer hora, Ry. — fiz uma pausa quando ele me chamou
pelo meu apelido de infância. Olhei para ele, e ele parecia nervoso, mas
manteve contato com os olhos.

— Eu senti sua falta, pai. — admiti. Falar isso foi muito mais fácil do
que eu esperava, e, na verdade, tirou um peso do meu peito. Eu não tinha
mais resistência quando se tratava de David. Tio Drew estava
certo; minha raiva me impedia de ver David como um homem, e não
como uma espécie de paradigma. Ele cometeu erros, e não era certo que
eu continuasse culpando-o quando tinha cometido uma porrada de
erros. Parecia que para mim e para o meu pai, se apaixonar pelas
mulheres Cole era inevitável. Nós apenas precisávamos aprender a parar
de lutar contra isso e deixar que elas tivessem os corações que já eram
delas, de qualquer maneira. David pareceu chocado com as minhas
palavras, mas se recuperou rapidamente.

— Você sabe, não importa como me sinto sobre Vanessa ou a sua


mãe, você é meu filho. E meu amor por você nunca mudou.

Eu balancei a cabeça. — Bem, eu sou um idiota temperamental, mas


não importa o tanto que fiquei irritado... Eu sempre soube disso. — eu
sorri quando abri a porta e saí logo depois que eu vi um enorme sorriso se
espalhar pelo rosto de David. Nós ficaríamos bem. Só levaria algum
tempo.

Percorri rapidamente os corredores até o quarto de Lexi. Quando eu


abri a porta, ela estava jogando coisas em uma pequena mala com uma
mão.

— Parece que você é uma zona de perigo. Eu vou ter que passar o
resto da minha vida lutando para mantê-la viva. — eu disse com um
sorriso no rosto. Estava feliz por ter tido tempo para me acalmar e poder
brincar sobre isso. Na noite anterior, eu estava com raiva de Noah, mas eu
também estava chateado por Lexi nunca tê-lo mencionado.
— O que aconteceu na delegacia? Eles contaram algo sobre Noah?

— Acontece que o seu namorado...

— Ele nunca foi meu namorado. — ela corrigiu enquanto eu


segurava a porta aberta para ela.

— Mas ele foi alguma coisa para você? — eu levantei uma


sobrancelha em desafio.

Ela assentiu com a cabeça, enquanto continuamos no corredor. —


Sim, ele era algo, mas não é há algum tempo.

—Por que você não me contou?

— Como se você quisesse saber com quem eu tinha dormido.

— Eu não quero, mas quando alguém destrói as janelas do seu


carro, seria bom saber todos os suspeitos.

— Noah nunca passou pela minha cabeça. Quero dizer, era sempre
ocasional entre nós. Tínhamos um acordo, ou pelo menos eu achei que
tivéssemos.

— Bem, o nome verdadeiro dele é Nolen. Ele se mudou para a


Califórnia, vindo do Texas. Aparentemente, ele matou sua namorada de
longa data, Hannah, quando ela o deixou por outro homem. Há um
mandado de prisão contra ele, e ele provavelmente vai ser encaminhado
para enfrentar essas acusações depois que o sistema judicial de Vegas
terminar com ele.

Ela parou de andar quando saímos do elevador e olhou para mim,


um pouco atordoada com a enorme quantidade de informações que eu
tinha acabado de despejar em seu colo. — Ele é um assassino? — ela
sussurrou.
— Parece que você estava certa sobre Logan, no entanto. — eu
peguei a mão dela e continuei pelo corredor.

— Sim, Logan pode ser um idiota, mas não é um assassino


psicopata.

— Eu ainda não concordo com essa amizade.

— Logan é inofensivo. Ele passou aqui há poucos dias e me disse


que espera que você me mantenha feliz.

Agora eu parei de andar e olhei para ela com uma expressão


chocada. — Ele veio aqui?

— Sim, ele soube do que aconteceu e queria se certificar de que


estava tudo bem. Ele esperou até que você saísse para os dois não
entrarem em outra briga. Ele me contou sobre o incidente no beco, por
sinal.

— Ele ainda está rondando minha namorada. Definitivamente, eu


não gosto dele, assassino ou não. — eu joguei um braço sobre o ombro
dela enquanto saíamos do hospital, na esperança de deixar para trás todo
o tumulto que nos seguiu.
Epílogo
Alexis

Eu nunca acostumei-me à arena durante a luta pelo


campeonato. Desta vez, estávamos na arena Baltimore, e estava
lotada. Não muito tempo depois de chegarmos a casa de Vegas, Carter se
juntou a um novo grupo de treinamento e desafiou Ryder pelo título. O
treinamento rigoroso começou de novo, mas desta vez Ryder foi mais
empenhado. Esta batalha era pessoal, mesmo que fosse para o público.

Acabou que Leah nunca parou de ver Carter. Ela realmente estava
grávida, e o bebê era dele. Eles se tornaram um casal, mas eu sempre tive
a sensação de que Carter estava apenas tentando fazer ciúmes em
Ryder. A luta era inevitável. Era necessário que aqueles dois homens
entrassem no ringue e provassem quem era o melhor lutador de uma vez
por todas.

Seis meses fizeram muita diferença. A vida tinha se


acomodado. Não há mais vandalismo. Sem Leah forçando o caminho para
a vida de Ryder. Até Logan estava fora do radar.

David estava sentado ao meu lado, batendo o pé nervosamente. Ele


era completamente compassivo quando se tratava de Ryder. Nós, muitas
vezes, passávamos as tardes de domingo com ele e mamãe, e eles ficavam
muito mais relaxados na presença um do outro.

Ryder esteve tão ocupado durante a última semana que mal nos
vimos. Os meios de comunicação estavam agitados. Uma vez que esta era
a terceira vez que Ryder era desafiado para o título, a mídia enlouqueceu
cobrindo todos os detalhes da luta. Não demorou muito tempo para eles
encurralarem o nosso relacionamento, e, mais especificamente, o meu
passado.
Foi uma tempestade de merda. Houve histórias de eu ser instável,
como eu o levei a retirar-se do campeonato anos atrás, e eles ainda
tinham depoimentos de testemunhas dizendo que eu tinha saltado do
terraço em Las Vegas.

Ryder ficou incontrolável em sua raiva. Eu não consegui acalmá-lo


quando as histórias começaram a pipocar. Ele considerou se aposentar,
mas eu não deixei. Aposentar o teria feito parecer fraco. Especialmente
por que Carter já havia o desafiado. Expliquei-lhe que eu não era
frágil. Eu podia lidar com o que a imprensa jogasse na minha direção, mas
não com Ryder desistindo do seu sonho por minha causa.

As histórias morreram nos meses seguintes, mas ressurgiram no


momento que Ryder e eu chegamos aqui para a luta. Havia piadas sobre
como eu lidaria com o meu namorado se ele perdesse o título e como eles
esperavam que o hotel não nos reservasse um quarto acima do segundo
andar. Eu estaria mentindo se dissesse que não doía ser motivo de piada,
mas eu tinha que ser forte. Ryder se aposentaria sem pensar duas vezes se
eu me sentisse oprimida.

As costas do adversário bateram no tatame, e eu prendi a


respiração. Seu adversário lutou quando ele lhe deu um soco no rosto. O
oponente passou o braço em volta do seu pescoço, e minutos depois, tudo
estava acabado. O adversário caiu, e eu pulei quando Jacob foi anunciado
o vencedor.

Eu gritei e gritei enquanto Jacob pulava ao redor do ringue. Ele


havia sido escolhido pela UFC meses atrás, e esta era a sua primeira
luta. Depois que Leah se mudou com Carter, Jacob tem o seu próprio
apartamento a poucas quadras da academia. Ryder não estava muito em
êxtase por sermos amigos, mas ele não tinha tanto ciúme porque Jacob
tinha atenuado o flerte. Eu virei minha cabeça e meus olhos caíram sobre
Leah que estava sentada a algumas fileiras atrás. Ela passou a mão sobre a
barriga estendida e sorriu levemente antes de olhar de volta para Jacob
que saía do ringue.

Poucos minutos mais tarde, Carter foi anunciado, e eu zombei


quando ele fez o caminho para o ringue. Carter fazia a minha pele
arrepiar. Eu não gostava de Leah, mas eu não queria Carter com ela. O
homem era um canalha. Eles moravam muito perto de nós, então eu
estava sempre encontrando com ele, e ele deixava claro que faria qualquer
coisa para me fazer afastar de Ryder. Ele me propôs de tantas maneiras
diferentes que já esperava algo novo a cada vez, e ele não falhava no
desafio.

Quando o nome de Ryder foi chamado, meus tímpanos quase


romperam com o estrondo. Como de costume, ele estava calmo, recolhido,
e inteiramente focado. Eu? Eu estava literalmente à beira do meu assento
quando o sino tocou.

Eles se rodearam sondando, dançando um pouco, e, em seguida,


Carter desferiu um gancho de direita e vários outros golpes, que Ryder
facilmente os desviou. Ryder olhou. Seu olhar estava atento e seus
movimentos eram violentamente calculados, enquanto Carter era hostil,
mas imprevisível em seu comportamento. Ele estava muito ansioso pela
vitória, mas Ryder estava determinado.

Carter levou um golpe violento no rosto, mas retribuiu com um


chute na cabeça. Segurei minha cadeira e prendi a respiração. Ryder
pareceu não se incomodar com o chute enquanto ele continuava a avançar
sobre Carter.

Eu não conseguiria aguentar muito mais, e não precisei. Ryder deu


um soco no queixo de Carter e o sangue derramou da sua boca. Ryder o
segurou pela parte de trás de sua cabeça, levantou o joelho até o nariz de
Carter. Eu vacilei com a quantidade de sangue cobrindo o rosto de Carter,
mas Ryder não tinha acabado. O ataque continuou enquanto ele
conseguiu manter Carter apoiado contra a grade.

O punho de Ryder se conectou com o rosto dele várias vezes. E


apesar de Carter ser um idiota, eu mal conseguia assistir a surra que ele
estava tomando. Carter tropeçou e lutou para manter os braços para cima
para desviar os golpes. Rezei para que ele acabasse por cair, e ele caiu. Ele
desmoronou no tatame, mas Ryder não cedeu. O árbitro puxou Ryder, e
ele ficou no meio do ringue, abriu os braços, e soltou um rugido que pôde
ser ouvido sobre gritos da multidão de ―Falcão, Falcão, Falcão‖.

Meu Ryder era sempre o melhor quando estava em seu


elemento. Ele era um belo Hulk em forma de homem, e meu coração se
encheu sabendo que ele era meu. Ele examinou a multidão e parou
quando me encontrou. Ele apontou e murmurou: —Para você.

Ryder não ficou feliz quando Carter deu em cima de mim. Se não
fosse por essa disputa, ele teria batido o rosto de Carter no chão já há um
tempo. Demorou algum convencimento, mas Ryder percebeu que
precisava confiar em mim para manter Carter longe e esperar a sua
chance de rasgá-lo em pedaços. E ele tinha feito exatamente isso.

Voltei a olhar para Leah, e ela não estava olhando na minha


direção, mas um sorriso brincava em seus lábios. Eu não pude realmente
compreender o sorriso já que seu namorado foi vencido. Esperava que
isso os tirasse das nossas vidas, porque os últimos meses tinham sido
muitos cheios de Carter e Leah. Eu estava pronta para mais Ryder e Lexi
sem eles como distração.

Parecia que Ryder estava tentando segurar o cinto até que não
pudesse mais lutar. Tudo estava se alinhando para nós. Eu voltei para a
faculdade, e estava batalhando pela minha graduação em
marketing. Abriu uma vaga na empresa de publicidade onde eu tinha
estagiado, e eu realmente consegui o emprego. Shelby achava ridículo eu
querer trabalhar quando tinha a herança do meu pai, mas eu fiquei em
casa e chorei por três anos. Era hora de viver a vida, então eu agarrei o
touro pelos chifres e o montei. Com mais força do que nunca. Fiz isso por
minha mãe. Fiz isso por Ryder. Eu fiz isso pela memória de meu irmão,
mas o mais importante, eu fiz isso por mim.

Após a luta, passamos a noite no quarto do hotel. Ryder não alugou


uma casa e se recusou a participar de uma festa. Ele me fodeu com força,
em seguida, lentamente, e fez com que eu soubesse que não importava
quantas pessoas gritassem seu nome, o único grito que importava para ele
era o meu, enquanto ele me devastava mais e mais.

Foi um longo voo de volta para a Califórnia, e quando chegamos lá,


nós desabamos na cama, exaustos pelos últimos meses. Na parte da
manhã, ele me acordou e me disse para fazer as malas para sairmos em
férias, mas não quis me dizer aonde estávamos indo.

— Então, para onde vamos? — eu perguntei ao sairmos da garagem.

— Nós vamos para a praia.

— Sério? — eu perguntei, entusiasmada. Nós vivemos na Califórnia,


e a água tende a ser fria. Além disso, tínhamos acesso a uma praia privada
na casa de mamãe.

— Eu vou te levar para uma ilha particular, onde eu posso mantê-la


nua o dia todo e você não precisa se preocupar com qualquer um ouvindo-
a gritando.

— Você é insaciável. — eu o repreendi, mas amei a ideia.

— Com uma resistência incrível. — ele apontou com um sorriso


confiante.

— Babe, tanto por mais que eu aprecie o gesto, você não pode
permitir isso com salário de um lutador. — eu achava que lutadores
profissionais de MMA não ganhavam tão bem, então eu não queria que
ele extrapolasse.

Ele olhou para mim e balançou a cabeça. — Você não sabe o que eu
posso pagar. Tio Drew me ensinou a investir sabiamente desde o primeiro
dia. A academia inteira é minha, e tenho também, alguns outros
investimentos muito inteligentes. Então, não pense que porque seu papai
deixou-lhe uma fortuna, nós vamos sair de férias por sua conta. Nunca.

— Ok. — eu dei de ombros. Eu só não queria que ele pensasse que


precisava me impressionar com dinheiro, mas parecia que ele tinha tudo
sob controle. — Podemos fazer uma parada primeiro?

— Claro. — disse ele, seguindo as instruções que lhe dei. Quando


estacionou, ele percebeu que eu estava fazendo e olhou para mim
nervosamente. — Você tem certeza?

Eu balancei a cabeça, e ele me ajudou a sair do carro, mas ficou a


uma distância pequena enquanto eu me inclinei e rocei a mão sobre as
palavras gravadas na pedra lisa.

Alec Cole Jr.

— Eu sinto sua falta. — eu comecei com uma respiração trêmula. Eu


não queria ficar muito emocionada, mas era mais difícil do que eu
esperava.

— Eu queria que você estivesse aqui todos os dias. Parece errado ser
feliz novamente sem você, como se eu estivesse traindo nossas memórias,
nosso vínculo. É ilógico, eu sei, mas você sempre foi o racional. Você me
equilibrava.

— Talvez um dia estaremos juntos de novo, e vou me sentir


completa novamente. Eu sei que sempre vou sentir esse buraco no peito,
mas em alguns dias não parece mais como um abismo escuro. Eu tinha
medo que ele me sugasse para as suas profundezas até que não houvesse
mais nada de mim.

Eu puxei as pequenas ervas que cresciam em torno da pedra. — Eu


acho que você quer que eu seja feliz. Ame de novo. Talvez um dia eu tenha
um menino, e ele vai ter o seu sorriso e cabelo fantástico.

Engasguei com a risada, enquanto lágrimas escorriam pelo meu


rosto. — Oh, e você não iria acreditar que eu acabei com ele. — eu olhei
para trás e sorri para Ryder enquanto ele corou. Ele realmente corou. Eu
acho que ele ficou um pouco tímido por ouvir a nossa conversa
privada. Virei de novo. — Você sempre me disse que ele voltaria quando
estivesse pronto.

Eu enxuguei as lágrimas e plantei a palma da mão na pedra fria,


uma última vez. — Eu amo você, Alec. Eu não sei como dizer adeus para
sempre. Você está em mim e eu estou em você. Eu vou viver por você... Eu
vou viver por nós.

Levantei-me e tirei a poeira das mãos antes de Ryder agarrá-las e


me puxar para perto. — Você está bem?

— Sim. — assenti. — Eu acho que ele está feliz por eu ter você agora.

— Como você sabe disso?

—Talvez a minha ligação com Alec não tenha morrido com ele,
afinal. Ele ainda está aqui. — eu bati no meu coração, e Ryder sorriu,
enganchando o braço no meu ombro e me levando de volta para o carro.

Eu o deixaria me levar a qualquer lugar. Ele já tinha me


acompanhado pela maioria da minha vida, e ela se transformou excelente.

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