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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo

FFO – FONÉTICA E FONOLOGIA

Turma: 1º semestre

Professora: Alice Pereira Santos

Componentes do Grupo:

Ana Gabriela Araujo Rossetto – Prontuário: 1764799

Janete Almeida – Prontuário: 1467875

Lyka Nishiyama Higa – Prontuário: 1764829

Thamiris Lemos Vieira – Prontuário: 1764985

TRABALHO AVALIATIVO – ARQUIFONEMA /N/

ARQUIFONEMA

Arquifonema é a neutralização de fonemas que não apresentam contraste fonêmico em ambientes


específicos. Portanto, a transcrição fonêmica é idêntica para qualquer tipo de dialeto de uma língua, pois ela
não apresenta as variações fonéticas de determinados fonemas em determinadas situações. No português,
existem os arquifonemas dos fonemas /S/, /R/ e /N/.

"[...] os exemplos apresentados a seguir a realização fonética da consoante que ocorre no


final de sílaba na palavra “mes”: ['mes] ou ['mej] “mes”; [mezbu'nitu] ou [me3 bulnitu]
“mes bonito” e [mezatra'zadu] “mes atrasado”. Em todos estes exemplos podemos
depreender o significado da palavra “mês”. Note contudo que a consoante final da palavra
“mês” nestes exemplos ocorre como qualquer um dos segmentos [s,zj ,3]. Concluímos
então que os fonemas /s,z,{,3/ apresentam contraste fonêmico em início de palavra (cf.
“(ele) seca, Zeca, (ele) checa, jeca”) e em posição intervocálica (cf. “assa, asa, acha,
haja”). O contraste fonêmico contudo não é atestado em posição de final de sílaba (cf.
['mes] ou ['mej] “mes”; [mezbu'nitu] ou [me3 bu'nitu] “mes bonito” e [mezatra'zadu] “mes
atrasado”)." (CRISTÓFARO, 1998, p.157)
"Devemos então buscar uma maneira de expressar este tipo de comportamento, ou seja, o
fato de certos fonemas perderem o contraste fonêmico em ambientes específicos. Para
isto, utilizamos a noção de neutralização e arquifonema. Dizemos que há neutralização
dos fonemas /s,zj,3 / em posição final de sílaba em português. Para representarmos a
consoante que ocorre em posição final de sílaba - que corresponde a um dos segmentos
[s,z j,3 ] - utilizamos o símbolo /S/ o qual representa um arquifonema. Portanto, um
arquifonema expressa a perda de contraste fonêmico, ou seja, a neutralização - de um ou
mais fonemas em um contexto específico." (CRISTÓFARO, 1998, p.158)
ARQUIFONEMA /N/

Este jogo do Conjunto Fonoarticulação envolve o traço distintivo de nasalidade de vogais em pares
mínimos diferenciando-se pela presença e ausência do m ou n (nasalização). Se focarmos no arquifonema
/N/ em especifico, os teóricos divergirão a respeito de sua função.

O N ao final de uma sílaba contamina a vogal antecessora, deixando-a nasal. Com este efeito surgiu
a seguinte dúvida: seriam novas formas das vogais ou uma variação do fonema?

"Salientamos aqui que, do ponto de vista teórico, ambas as análises são possíveis. Se
assumimos que há contraste fonêmico entre vogais orais e nasais teremos que admitir doze
fonemas vocálicos para o português (sete orais e cinco nasais). A segunda proposta - de
interpretarmos as vogais nasais como uma vogal oral seguida de arquifonema nasal /VN/ -
permite-nos postular um conjunto de sete fonemas vocálicos para o português
(correspondentes às vogais orais) e um arquifonema nasal /N/ - que ocorre em posição
posvocálica.” (CRISTÓFARO, 1998, p.166)

Segundo Cristófaro, é aceito dois pontos de vista teóricos – Head (1964), Pontes (1972) e Black
(1973) x Mattoso Câmara (1970) – a respeito desse efeito. A primeira seria da admissão de doze fonemas
vocálicos (sendo sete delas orais e cinco nasais) e a segunda proposta apresenta a interpretação de que as
vogais nasais seriam a combinação das vogais orais somadas ao arquifonema /N/, tornando-se dessa forma
/VN/ (ex: /aN, eN, iN, oN, uN/) em posição pós-vocálica.

"Lembramos ao leitor que a seqüência de vogal oral e arquifonema nasal /N/ representa
casos de vogais nasais que ocorrem como vogais nasais em qualquer dialeto do português:
/'siN/ ['si] “sim” ou /'siNto/ ['sitü] “sinto”. Enquanto as vogais nasais são consistentes em
todos os dialetos do português, as vogais nasalizadas variam consideravelmente de dialeto
para dialeto. Lembre-se que vogais nasalizadas ocorrem seguidas de uma consoante nasal
que se manifesta foneticamente: [ba'nãno] ou [bã'nãno] [ba'nano] “banana”. A transcrição
fonêmica de uma vogal nasalizada consiste de uma vogal oral seguida de uma consoante
nasal (e não de arquifonema!): /ba'nana/. A consoante nasal que segue a vogal nasalizada
pode ser /m,n ji/" (CRISTÓFARO, 1998, p.167)
"Vogais nasais são sempre nasais para qualquer falante de qualquer dialeto do português:
“sim” /'siN/ ['si]. Vogais nasalizadas podem ser nasalizadas ou orais dependendo de
dialeto: “banana” /ba'nana/ [ba'nãno] [bã'nãno] [ba'nano]. A questão que queremos
abordar é quanto à representação de vogais médias quando nasais ou nasalizadas. Do
ponto de vista fonêmico desconhece-se línguas que contrastem vogais médias nasais. Ou
seja: e/(é) e (ò)/o não apresentam contraste fonêmico nas línguas naturais."
(CRISTÓFARO, 1998, p.167)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 SILVA, THAÏS CRISTÓFARO. (1998) Fonética e fonologia do português: roteiro de estudos e


guia de exercícios. São Paulo: Contexto.

 https://oprogramalinguisticalista.files.wordpress.com/2015/03/fonologia-cc3b3pia1.png