Você está na página 1de 370

Tradução: Seraph Wings

Revisão: Seraph Wings


Leitura Final: Aurora Wings
Formatação: Aurora Wings

01/2020
Aviso
A tradução foi efetuada pelo grupo Wings Traduções (WT), de
modo a proporcionar ao leitor o acesso à obra, incentivando à
posterior aquisição. O objetivo do grupo é selecionar livros sem
previsão de publicação no Brasil, traduzindo-os e disponibilizando-os
ao leitor, sem qualquer forma de obter lucro, seja ele direto ou
indireto.

Levamos como objetivo sério, o incentivo para o leitor adquirir


as obras, dando a conhecer os autores que, de outro modo, não
poderiam, a não ser no idioma original, impossibilitando o
conhecimento de muitos autores desconhecidos no Brasil. A fim de
preservar os direitos autorais e contratuais de autores e editoras, o
grupo WT poderá, sem aviso prévio e quando entender necessário,
suspender o acesso aos livros e retirar o link de disponibilização dos
mesmos, daqueles que forem lançados por editoras brasileiras. Todo
aquele que tiver acesso à presente tradução fica ciente de que o
download se destina exclusivamente ao uso pessoal e privado,
abstendo-se de o divulgar nas redes sociais bem como tornar público
o trabalho de tradução do grupo, sem que exista uma prévia
autorização expressa do mesmo.

O leitor e usuário, ao acessar o livro disponibilizado responderá


pelo uso incorreto e ilícito do mesmo, eximindo o grupo WT de
qualquer parceria, coautoria ou coparticipação em eventual delito
cometido por aquele que, por ato ou omissão, tentar ou
concretamente utilizar a presente obra literária para obtenção de
lucro direto ou indireto, nos termos do art. 184 do código penal e lei
9.610/1998.
Sinopse
Um novo e sexy independente da Best-seller nº 1 do New York Times,
Vi Keeland.
Quando conheci Ford Donovan, não tinha ideia de quem ele era...
bem, além do óbvio. Jovem, lindo, bem sucedido, inteligente. Eu mencionei
jovem? Se mencionei, vale a pena repetir. Ford Donovan era muito jovem
para mim.
Vamos voltar a como tudo começou. Minha melhor amiga decidiu
que eu precisava começar a namorar de novo. Então, sem o meu
conhecimento, ela criou um perfil para mim em um site de namoro
popular, um que convidava homens com idades entre 21 a 27 anos a se
candidatar para um encontro. Aqueles apelidados de Cunnilingus King
foram informados de que iriam direto para o topo para avaliação. O perfil
não deveria ser ativado. Outro ponto que vale a pena repetir, não deveria.
No entanto, foi assim que conheci Ford, e começamos a mandar
mensagens. Ele me fez rir; no entanto, eu fui inflexível que por causa de
sua idade, só poderíamos ser amigos. Mas depois de semanas insistindo,
eu finalmente concordei com um único encontro, o meu primeiro depois de
vinte anos casada com meu namorado do ensino médio. Eu sabia que não
poderia durar, mas estava curiosa sobre ele.
No entanto, você sabe o que dizem... a curiosidade matou o gato.
Minhas pernas tremiam ao entrar no restaurante. Ford estava sentado no
bar. Quando ele se virou, ele me tirou o fôlego. Seu sorriso sexy quase
derreteu minha calcinha. Mas... ele parecia muito familiar.
Quando me aproximei, percebi o porquê. Ele era filho do vizinho na
casa de verão da nossa família. O garoto da porta ao lado. Só que agora...
ele era todo homem. Eu não o via há anos. Saí do restaurante e planejei
deixar toda essa loucura para trás. O que eu fiz.
Até o verão chegar. E adivinhem quem decidiu usar a casa de verão
da sua família este ano?
1
Valentina
Compre uma tanga.

Esfreguei meus olhos e me inclinei para reler o Post-it colado no


abajur ao lado do sofá onde adormeci. Eu tinha que estar lendo errado.

Não. Dizia compre uma tanga, tudo bem. Só que não era a minha
letra. Sorrindo, puxei o quadrado amarelo do abajur de franjas de
aparência feminina, que inclinou quando descolei a
nota. Automaticamente levei a mão para endireitá-lo, depois a
afastei. Uma cortina inclinada ou uma pintura torta enlouquecia
Ryan. Partir me deu uma sensação renovada de alegria sobre o meu
divórcio.

Pensando bem, meu ex-marido odiava este abajur quando eu


trouxe para casa. Como a esposa obediente que eu era, o escondi no
quarto de hóspedes. Um dia depois que Ryan saiu de casa, eu o espanei
e o coloquei na sala de estar. Desde então comprei algumas almofadas
de franjas combinando que ele também odiaria.

Eu levantei e minha dor de cabeça começou a


latejar. Ugh. Ressaca do vinho. Eu fui até a cozinha por um café muito
necessário e dois Tylenol. No meu caminho, encontrei outro bilhete,
esse na porta da frente.

Junte-se ao Match.com.

Eu arranquei o quadrado amarelo e o amassei, junto com o da


tanga. Ontem à noite tinha sido noite de cinema com a minha melhor
amiga, Eve. Uma vez por mês, dividíamos uma garrafa de vinho (ou
duas) e assistíamos a filmes. Nós fazíamos isso desde o último ano do
ensino médio, mais anos do que eu queria calcular tão cedo pela
manhã.

Não era segredo para ninguém que me conhecesse que eu tinha


uma ligeira obsessão por notas pegajosas. Na maioria dos dias, você
podia encontrar quadrados presos na porta da frente, no espelho do
banheiro, no painel do meu carro... praticamente em qualquer
lugar. Amassar os papéis quando eu terminava cada tarefa me fazia
sentir como se estivesse realizando coisas. Hoje em dia, os quadrados
estavam em todo lugar, quadruplicando a quantidade que normalmente
tinha, porque eu estava usando-os para estudar para o teste de
certificação de ensino de língua italiana. Post-its com frases traduzidas
estavam por toda a casa.

Aparentemente, minha melhor amiga entrou em ação antes de me


deixar desmaiada no sofá ontem à noite.

Fazer sexo estava preso à geladeira. Pelo menos eu estava lendo a


lista de tarefas dela em ordem, eu precisava da tanga e do Match.com
para conseguir um pouco de ação.

Só horas depois me deparei com as últimas notas de Eve. O que


estava preso no espelho do banheiro dizia: Brunch com minha melhor
amiga incrível. Domingo à tarde, Capital Grille na 72º.

***

— Você deveria sair com Liam.

Todos os domingos, Eve e eu íamos a um restaurante diferente


para checar a competição. Ela possuía um bistrô francês no Upper East
Side e gostava de experimentar os cardápios e conferir os preços de
novos lugares, embora hoje ela parecesse estar verificando mais coisas
do que o normal.

— Liam? O nosso garçom?

— Sim.
— Quantos anos ele tem, vinte?

Eve ergueu um copo de martini cheio do líquido rosa para os


lábios dela. — Eu tenho vibradores mais velhos do que ele. — Ela
tomou um gole. — Mas ele está acima da idade de consentimento. E
suponho que eu poderia jogar aquelas coisas fora se o levasse para
casa. Aposto que ele pode ter uma ereção ao meu comando. — Eve
estalou os dedos, demonstrando como poderia funcionar. — Duro, Liam.

Eu ri. — Você provavelmente precisaria jogar o Tom fora se


levasse aquele rapaz para casa.

— Não me tente. Ele adormeceu na cadeira às oito horas da noite


passada. Que tipo de amiga deixa sua melhor amiga se casar com um
homem velho?

— Como se qualquer uma de nós pudesse tê-la parado, mesmo


que achássemos que casar com Tom seria um erro. O que não foi. Além
disso, quem mais te aturaria? Todas estávamos gratas por você não
morrer uma solteirona.

— Falando de solteironas...

— Nem comece.

— Você já saiu com Mark?

— Mark e eu somos apenas amigos.

— E ele quer saltar em seus ossos.

— A tinta em meus papéis de divórcio mal secou.

— Já faz dezoito meses.

Realmente? Janeiro, fevereiro, março, abril… Oh Deus. Já faz. Para


onde vai o tempo hoje em dia?

— Dezoito meses não é muito tempo.


— Você esteve separada por dois anos antes disso. Quanto tempo
passou desde que você teve um bom sexo?

— Como passamos de falar de você para minha vida sexual? Ou a


falta dela? Novamente.

Eve começou a fazer pressão para eu namorar enquanto Ryan


ainda estava arrumando suas coisas no caminhão em movimento. Ela
tinha boas intenções. Mas ultimamente ela aumentou a pressão normal
para uma pressão total.

Ela ignorou minha tentativa de mudar de assunto. — Quanto


tempo? Dois anos e meio, Val?

— Na verdade. — Eu mexi a massa no meu prato com o meu


garfo. — Se estamos falando de sexo bom, infelizmente, são mais de dez
anos. Ryan não era exatamente apaixonado no final.

O garçom muito bonito (e muito jovem) voltou para a nossa


mesa. — Posso trazer para as senhoras mais alguma coisa?

Quando ele falou, olhou diretamente para mim. Eu poderia não


estar na cena de namoro, mas podia jurar que ele estava flertando.

— Alguma sobremesa? Algo doce, talvez?

Ele é realmente adorável. — Umm… eu estou bem cheia, na


verdade. Mas obrigada.

— É por minha conta. Não posso tentá-la um pouco? Deixe-me


surpreendê-la. Você nunca sabe, às vezes um novo sabor é tudo que
precisa para o seu apetite voltar.

Eu olhei para seus antebraços, musculosos e tatuados. Você tem


toda a razão. — Umm... claro. Talvez eu leve para casa para o Ryan.

O sorriso do garçom desapareceu pouco antes dele.

— Por que diabos você fez isso? — Eve repreendeu.


— O quê?

— Mencionar o nome de um homem para um cara que estava


dando em cima de você.

— Eu quis dizer Ryan, meu filho, ele pode estar vindo para casa
da faculdade neste fim de semana, não meu ex-marido idiota.

— Eu sei disso. Mas o garçom gostoso não.

— E daí? Você não pensa seriamente que vou sair com um garoto
de vinte anos, não é?

— Por que não? Você não precisa se casar com ele. Você só
precisa voltar a sair, Val.

— Eu saio. Eu simplesmente não conheci ninguém.

O rosto de Eve gritou besteira. E ela estava certa. Desde o meu


divórcio, eu nem tentei conhecer alguém. Honestamente, o pensamento
me aterrorizava. O último encontro que tive foi na oitava série, quando
Jimmy Marcum me levou para o baile de formatura do ensino
médio. Meu ex-marido Ryan e eu estávamos juntos desde o colegial.

— Estou nervosa sobre namoro. Eu nunca realmente fiz isso. —


Peguei o guardanapo do meu colo, sentindo um espirro chegando. —
Achoo!

— Deus te abençoe. — Ela se inclinou para frente e cobriu minha


mão com a dela. — Eu sei querida. Mas quanto mais você espera para
voltar a sair, mais difícil fica. Você está pensando demais nisso.

Nós pagamos a conta e seguimos para nossos carros com os


braços ligados. Quando chegamos ao meu Volkswagen Routan, Eve
balançou a cabeça.

— Você precisa comprar um carro diferente.


— O quê? Por quê? — Meu SUV prata estava em ótimo estado. —
Volkswagens são legais.

— Sim. O irmão mais velho de Lara Meyer dirigia um no ensino


médio era legal. Um ônibus hippie ou um pequeno bug conversível,
talvez. Essa coisa… é uma minivan. Parece que você está dirigindo um
carro cheio de crianças para o treino de futebol antes de ir para casa
fazer o jantar do seu marido.

— Foi exatamente para isso que usei.

— Usava. Você tem essa coisa por dez anos. Seu filho começou a
dirigir seu próprio carro quase três anos, pelo amor de Deus. Eu não
acho que você ainda precise da minivan para levá-lo ao treino.

— Tanto faz. É só um carro.

— Quer assistir a um filme amanhã?

— Eu não posso, na verdade. Tenho um grupo de estudo. O teste


chegará em breve.

— Te vejo no próximo sábado, então?

Eu apertei os olhos.

— Você irá ao nosso churrasco do Memorial Day.

— Uau, já chegamos ao final de maio? Acho que minha agenda


está cheia até junho.

Eve beijou minha bochecha. — Sabichona.

Ela andou até o carro estacionado a alguns pontos de distância e


gritou por cima do ombro enquanto abria seu BMW.

— Aliás, escrevi o seu número de telefone no verso do cheque


para o garçom gostoso. Boa noite, Valentina. Divirta-se.
Baseado no sorriso que ela me deu quando passou por mim e
acenou, eu não tinha ideia se ela estava brincando ou falando sério.

Jesus, espero que ela esteja brincando.

***

Na manhã seguinte, quando liguei meu telefone, tinha duas


chamadas perdidas de um número desconhecido e um texto de Mark.

Mark: chinês ou italiano hoje à noite?

Era a vez de Mark hospedar nosso grupo de estudo da noite de


sábado, e o anfitrião fornecia o jantar. Ele morava em Edgewater como
eu. Desiree e Allison, as outras duas do nosso quarteto, viviam do outro
lado do rio em Manhattan.

Valentina: Você sabe que meu nome de solteira é Di


Giovanni, certo? Nunca escolheria moo shu sobre almôndegas. ☺

Mark: Di Giovanni, hein? Isso é muito mais sexy que


Davis. Você deveria usá-lo. Combina mais com você. Italiano,
então. Te vejo às cinco.

Ele realmente era um cara legal. Mudar as coisas da amizade


para mais não seria tão difícil. Tínhamos muito em comum, ambos
divorciados, filhos da mesma idade e decidimos por uma mudança de
carreira tardia para o ensino. Mas eu simplesmente não o via sob essa
luz. Não que eu realmente tivesse me esforçado para tentar, mesmo que
tivesse certeza que ele me via assim. Assim como Eve.
Meu telefone tocou enquanto eu servia meu café da
manhã. Chamada desconhecida. Hmm... a terceira desde a noite
passada. Eu ignorei e mandei uma mensagem para Eve.

Valentina: Você realmente deu aquele garçom meu número


ontem à noite?

Ela respondeu quando terminei minha primeira dose de cafeína.

Eve: Não. Mas eu poderia acidentalmente ter dado o seu


número de telefone para outra pessoa.

Valentina: Acidentalmente? Como você acidentalmente dá


um número de telefone para alguém?

Eve: Prometa que você não ficará brava.

Eu apertei em Chamada ao invés de mandar mensagens


novamente. — O que você fez?

— Vamos começar com o que eu não fiz.

— OK…

— Eu não dei o seu número para aquele garçom.

— Você já me disse isso.

— Eu sei. Mas poderia ter, e quero ter certeza que você saiba que
eu nunca daria o seu número de telefone de propósito.

Para Eve parecer preocupada em me dizer algo, eu sabia que não


era pouco. — O que você fez?
— Eu acidentalmente coloquei seu número de telefone no
Match.com.

— Você o quê?

— Eu não queria torná-lo público. Eu achei que seria privado,


mas a configuração estava errada. Verde significa ir. Vermelho significa
parar. Quem diabos faz um site onde o botão vermelho significa sim?

— Do que você está falando? Eu nem tenho uma conta no


Match.com.

— Umm... você tem agora.

Meu estômago afundou. — Por favor, me diga que você não fez
isso.

— Eu não fiz. — Ela fez uma pausa e por um segundo me senti


um pouco aliviada. Então ela continuou. — Eu não… pretendia.

— O que você fez?

— Eu te inscrevi para uma conta no Match.com ontem à noite


quando cheguei em casa. Eu configurei tudo, mas não pretendia tornar
público. Pelo menos não imediatamente. Eu achei que se configurasse e
facilitasse para você, você estaria disposta a tentar. Eu ia falar com você
sobre isso no churrasco.

— Você pretendia que fosse privado. Significa que não é privado?

— Essa não é a pior parte.

— O que poderia ser pior?

— Desde que achei que estivesse definido como


privado. Configurei a conta com um status engraçado para lhe mostrar.

Oh Deus.

Eu corri para o meu laptop e o abri. — O que diz?


— Relaxe. Já exclui. Eu o exclui a uma hora. Mas não antes de
chamar muita atenção. Percebi o que tinha acontecido quando o e-mail
que criei para usar com a conta começou a sinalizar a cada dois
minutos.

— O que dizia? — Eu gritei.

— Dizia que mãe divorciada de 37 anos de idade, procura por sexo


casual para se preparar para namorar novamente.

— Por favor, me diga que você está brincando!

— Eu queria estar.

***

Uma semana depois, meu telefone parecia ter se acalmado. Uma


noite, sentada no sofá com uma taça de vinho, criei coragem para olhar
a página que Eve fizera para mim.

Algo que você sempre quis fazer: ir para a Itália.

Cor favorita: rosa choque. Não rosa algodão doce ou sorvete de


morango. Fúcsia. Quanto mais ousado, melhor.

Eu bebi meu vinho e sorri. Isso era totalmente algo que eu


diria. Eve fez um bom trabalho sendo eu.

Frase preferida: Una cena senza vino e venha un giorno senza


sole.

Meu sorriso se alargou. Ela realmente havia escrito certo. Um dia


sem vinho é como um dia sem sol. Era a citação favorita do meu
pai. Quando ele faleceu, mandei fazer duas placas de madeira sob
medida, uma para minha cozinha e outra para minha mãe.

Descrição física: Um metro e cinquenta e dois, cintura fina com


curvas em cima e embaixo. Pele bronzeada, cabelos longos, escuros e
encaracolados que arrumo obsessivamente, mesmo que meus cachos
arrasem, e olhos azuis que são o único presente genético da minha
mãe. Minha melhor amiga mandou dizer: — Você vai olhar duas
vezes. Eu garanto.

Idade: Vinte e nove (mais oito, mas quem está contando).

Quem eu estou procurando: o Sr. certo, claro.

Meu par ideal é: Entre as idades de vinte e oito e trinta e


oito. Alto. Inteligente. Engraçado. Que goste de viajar. Possa dançar
(porque eu não posso). Pegue a rota cênica ao dirigir. Tenha um paladar
distinto. Não se chame Ryan. Tenha um apelido divertido. (Apelidos
como Cunnilingus King vão para o topo da pilha).

Ela havia postado algumas fotos minhas. Cada uma delas


legendada. A primeira era uma foto minha de biquíni em uma bala de
canhão no trampolim da piscina interna de Eve. Meu cabelo estava
voando, joelhos dobrados e eu segurava o meu nariz. Você não podia
ver meu rosto inteiro, mas pelo perfil, poderia dizer que eu estava
sorrindo. A foto era engraçada. Não era uma que eu teria escolhido, mas
tinha muita personalidade, e eu gostei. Abaixo, ela legendou: Não tenha
medo de voar.

A segunda foto foi tirada na formatura do colegial de Ryan. Eu


estava usando um vestido de verão floral preto e branco com a parte de
cima que fazia meus peitos parecerem maiores do que eram. Eu usava
um chapéu de sol branco de abas largas. Estava ventando naquele dia,
então eu estava segurando a aba do chapéu e cobri quase todo o meu
rosto, exceto meus lábios. A única coisa que você podia ver era um
batom vermelho brilhante em um sorriso de orelha a orelha. A legenda
dizia: Esta sou eu sendo uma mãe orgulhosa.

A última foto foi uma de Eve e eu no ensino médio. Deve ter sido
tirada na 9ª ou 10ª série, já que eu ainda não estava
grávida. Estávamos abraçadas e usávamos roupas iguais. Abaixo dessa
ela havia escrito: A mesma melhor amiga há mais de vinte anos.
Depois de editar algumas das loucuras que Eve tinha escrito no
meu perfil, deixei-o definido como privado. Fui até a geladeira e servi
uma terceira taça de vinho. Quando fechei a porta, um imã caiu no
chão. O pedaço de papel que ele estava segurando flutuou no ar e
pousou aos meus pés. Eu o peguei e li. Eve tinha feito a lista durante
uma de nossas noites de cinema há algumas semanas atrás. O título
estava escrito em negrito e sublinhado: Lista da Minha Vez, Val. As
primeiras entradas estavam com a sua caligrafia. Elas começaram
inocentemente o suficiente...

Tornar-se uma professora

Visitar Roma

Plantar um jardim gigante só com flores

Tomar aulas de dança

Ir ao baile

Aprender a surfar

Ir a um festival de música

Deixar minha árvore de Natal até Março

Conseguir um pug

Essas eram todas as coisas que eu queria fazer, mas Ryan tinha
sido contra, voltar para a escola, viajar para a Europa, plantar um
jardim sem nenhuma outra razão além de cheirar flores, conseguir um
cachorro. Tínhamos um jardim no nosso quintal, mas meu ex-marido o
enchera de legumes. Ele achava que plantar flores onde ninguém
pudesse vê-las seria um desperdício. E a árvore, eu amava montar
minha árvore de Natal. Havia algo sobre descer as escadas de manhã,
quando ainda estivesse escuro, e a árvore iluminar a sala de estar. Mas
Ryan odiava decorações, ele as chamava de bagunça e sempre insistia
que nossa árvore fosse desmontada no dia 26 de dezembro. Se fosse
minha escolha, continuaria com ela o ano todo. Eu também queria um
cachorro, um pug, especificamente. Mas Ryan alegava que eles o faziam
espirrar, apesar de termos muitos amigos com cachorros, e ele parecia
bem em suas casas.

Ao longo dos anos do meu casamento, deixei meus desejos para


trás por todo o resto. E esse era o ponto da lista que Eve tinha
começado para mim, era a minha escolha agora. Minha vez.

Embora os primeiros nove itens da lista fossem inofensivos, as


coisas ficaram muito mais interessantes à medida que a noite
prosseguia e terminamos a segunda garrafa de vinho.

Usar lingerie sexy por baixo da minha roupa sem motivo

Sair com sete homens em sete noites

Fazer sexo em um lugar público onde eu possa ser pega

Uma noite - sem nomes trocados

Sexo anal

Trio foi riscado depois que Eve e eu debatemos os méritos por um


tempo.

Eu dobrei o pedaço de papel e enfiei na minha bolsa. Essa era a


última coisa que eu queria que meu filho encontrasse quando
finalmente viesse para casa neste verão. Pegando meu copo de vinho
cheio voltei para o sofá com o meu laptop, me sentei olhando para a tela
por um tempo. Match.com. Eu tomei um gole e folheei as fotos que Eve
tinha postado. Você realmente não conseguia enxergar meu rosto em
nenhuma deles, ninguém precisaria saber que eu estava on-line
checando as coisas. Suponho que para metade das coisas da minha
lista da Minha Vez ser concluída, eu precisaria começar com um
encontro.
Eu não tinha certeza se era o lembrete da lista de todas as coisas
que eu não tinha feito, ou talvez o vinho. Ou talvez... apenas talvez, já
fosse hora. Mas fiz algo que nunca pensei que faria…
coloquei público no meu perfil.

Que se dane. É a minha vez.


2

Ford
Minha assistente tinha um ótimo rabo.

— Como diabos você consegue fazer algum trabalho por aqui? —


A cabeça de Logan virou-se para seguir Esmée enquanto ela saía do
meu escritório. Seus quadris balançavam de um lado para o outro, e a
cabeça do meu amigo perfeitamente sincronizada.

Eu não podia culpá-lo. A maldita coisa era uma obra de


arte. Completa e cheia de curvas, atualmente envolto em tecido
vermelho apertado que moldava seu corpo, um coração perfeito de
cabeça para baixo. Quando Logan inclinou a cabeça para a direita e
quase tocou seu ombro, eu sabia que ele estava mentalmente virando o
coração para cima.

Esmée chegou à porta e olhou por cima do ombro com um sorriso


de flerte. — Há mais alguma coisa que eu possa fazer por você, Sr.
Donovan? Sr. Beck?

— Estamos bem. Obrigado, Esmée.

Claro, Logan sendo Logan, não conseguiu ficar de boca fechada.

— Eu preciso trabalhar aqui para ouvir você dizer Sr. Beck com
esse sotaque toda manhã?

Esmée foi transferida recentemente de Paris para Nova York. Seu


forte sotaque francês aumentava sua sensualidade de dez para um
transbordante onze. Eu deveria ter sido mais esperto ao pedir que ela
para trouxesse café com Logan em qualquer lugar nas proximidades.
— Ignore meu amigo. Ele não sai muito em público. Você se
importaria de fechar a porta quando sair?

Quando a porta se fechou, amassei um papel da minha mesa e


joguei nele. — Pare de cobiçar minha equipe, idiota. Você vai me fazer
ser processado por assédio no local de trabalho.

— Não me diga que você ainda não fez uma jogada.

— Eu não mergulho minha caneta na tinta da empresa.

— Desde quando? A última vez que passei pelo seu escritório,


você estava fodendo aquela ruiva da contabilidade com os sapatos sexy-
pra-caralho. E se não me engano, a prima dela também, ao mesmo
tempo, você tem sorte.

— Isso foi há muito tempo. Eu amadureci desde então.

Logan inclinou a cadeira para trás e sorriu. — Eu esqueci. Está


certo. A recepcionista, Sra. Madura, qual era o nome dela
mesmo? Misty? Marsha? Magdalene?

— Maggie. E não me lembre. Aquilo me custou uma pequena


fortuna.

— Eu teria pago uma pequena fortuna pelo que aquela mulher lhe
deu.

— Exceto que você não tem uma pequena fortuna, cuzão.

Alguns anos atrás eu estava passando por uma fase difícil e não
pensando com a cabeça certa. Minha recepcionista se filmou enquanto
me dava um boquete debaixo da minha mesa. Eu não tinha ideia de que
a coisa toda era uma armação. Ela posicionou câmeras de dois ângulos
diferentes e me disse para agir como um chefe irritado dando uma
ordem à sua secretária. Eu nunca tinha participado de uma encenação
antes, mas acabou sendo muito excitante.
Até que ela me mostrou uma cópia do vídeo e ameaçou me
processar por assédio sexual no local de trabalho. Meu advogado me fez
resolver antes de ir ao tribunal. Essa foi uma lição de negócios em
expansão que eles não me ensinaram na faculdade.

— Então, qual é o nosso plano para a próxima semana? — Logan


perguntou.

— Meu apartamento às seis. O trem C fica a uma quadra ao norte


da 81º.

Todos os anos, meus colegas de faculdade se reuniam para uma


visita a bares no fim de semana. Começamos cedo e batemos um bar
diferente a uma curta distância de cada parada em uma linha de
trem. Uma hora em cada bar. Dez paradas do trem, dez bares
diferentes. Na maior parte das vezes, os caras começavam a cair na
quinta parada. Mas Logan e eu sempre chegamos ao fim. Eu ia no meu
próprio ritmo, alternando águas entre as minhas bebidas. Logan, bem,
ele não usava a abordagem conservadora. Mas o filho da puta poderia
segurar mais álcool do que qualquer um que eu já conheci.

— O que você acha de um aquecimento? Bater no O'Malley?

Eu olhei o horário no meu celular. — São dez e meia da manhã.

Logan deu de ombros. — E daí?

— Eu tenho trabalho real a fazer. Na verdade, você precisa dar o


fora daqui. Eu tenho uma reunião em dez minutos.

— Eu ainda não consigo acreditar que você chama sentar neste


lugar e fazer aquela gatinha persa lhe trazer café, de trabalho.

— Uma pessoa de Paris é parisiense, não persa, idiota. E nem


tudo é tão simples quanto parece.

Ele deu de ombros e levantou. — Tanto faz. Beber hoje à noite?

— Não posso. Buscando Bella.


— Annabella. A sua irmãzinha?

— Não tão pequena mais. Ela passou um semestre no exterior em


Madri. Ela está voando para casa hoje à noite. Eu lhe disse que iria
buscá-la no aeroporto.

— Ela já está na faculdade?

— Vai começar seu segundo ano. Dezenove.

— Caramba. Ela sempre foi uma coisinha fofa. Aposto que ela é
um número quente agora que ela está na idade legal.

— Nem pense nisso, idiota.

Logan riu e estendeu a mão para um aperto. Nós nos


abraçamos. — Na próxima semana, então, menino bonito?

O interfone tocou e a voz de Esmée entrou. — Ford, você tem a


Sra. Peabody na linha.

A testa de Logan enrugou. — Peabody? Você ainda fala com essa


maluca?

— Ela não é maluca... Ela é apenas excêntrica.

— Excêntrica é apenas a maneira educada de dizer maluca. —


Logan balançou a cabeça. — Eu me preocupo com você às vezes. Eu
acho que você pode ser tão maluco quanto ela.

— Saia, idiota. E não assedie minha recepcionista ao sair.

***

Não fazia sentido sair do escritório e ir até a minha casa, só para


voltar ao centro da cidade e ir ao aeroporto às dez. Eu tinha merda o
suficiente para fazer aqui para me manter ocupado por dias de qualquer
maneira. Quando chegou às sete horas, o andar estava bem vazio, só eu
e a equipe de limpeza noturna. Eu pedi comida tailandesa e decidi
sentar na área de estar em frente às janelas, em vez de ficar atrás da
minha mesa com as costas voltadas para a cidade.

Afundei no sofá de couro, tirei os sapatos e apoiei os pés na mesa


de vidro à minha frente. Ainda faltavam algumas horas para matar,
então comecei a examinar meu e-mail enquanto comia com pauzinhos
de um recipiente de papelão. Minha caixa de entrada estava um maldito
desastre. Em qualquer momento, havia sempre trezentos itens não lidos
e complementares para administrar. Eu classifiquei os mais antigos
primeiro e abri um que estava evitando por quase uma semana. O
diretor de marketing queria que eu considerasse um investimento de
meio milhão de dólares em uma campanha publicitária com o
Match.com.

Eu normalmente não questionava seu julgamento, ele esteve com


meu pai por vinte e cinco anos. Mas eu não tinha certeza se um site de
namoro era o lugar certo para comercializar o espaço de trabalho de
luxo compartilhado em Manhattan. E isso era uma grande quantidade
de mudança. Parte do problema era que eu não tinha experiência em
como a cena de namoro online funcionava ou os hábitos de compra de
seus usuários.

Depois de ler a proposta do PowerPoint, cliquei no link do último


slide, decidindo fazer um test drive no site. Demorei cerca de dez
minutos para criar uma conta. Quando isso me levou a começar uma
busca, senti como se estivesse comprando no supermercado os
ingredientes para fazer minha refeição favorita - interesses, formação,
altura, tipo de corpo. Eu comecei a entrar na onda e adicionei merdas
como meus slogans favoritos e meu lugar feliz para que o site pudesse
me combinar com mulheres com ideais semelhantes.

Minha pesquisa retornou mais de mil perfis. Eu cliquei em


alguns, e em poucos minutos, um rosto começou a se confundir com o
seguinte. Todas as mulheres que vi no bar popular do mês também
deveriam ter um perfil neste maldito site.
Eu cliquei um pouco mais e notei alguns anúncios começando a
aparecer. Em poucos minutos, eles sabiam o suficiente sobre mim para
atingir exatamente o tipo de produto que eu compraria. Eu listei um dos
meus hobbies como caminhada e marquei a caixa de renda acima de
duzentos e cinquenta mil por ano. Um anúncio apareceu à esquerda da
minha tela mostrando uma mochila, para qualquer condição
metrológica, top de linha da marca Patagonia, por quatrocentos
dólares. Este site conhecia seus usuários, provavelmente reunia mais
detalhes íntimos do que em qualquer outro lugar.

Depois que comprei a mochila azul Mountain Elite, cliquei no


meu e-mail e disse ao diretor de marketing para seguir em
frente. Vendido.

Sem vontade de continuar limpando meu e-mail e horas antes de


ter que sair para pegar Bella, reduzi meus critérios de pesquisa no
Match.com e atualizei meu perfil. A categoria idade me deixou cerca de
dez minutos olhando para a tela.

Dezoito a vinte e quatro?

Vinte e cinco a trinta e um?

Trinta e dois a trinta e oito?

Na idade madura de vinte e cinco anos, eu já estava cansado de


namorar a multidão de dezoito a vinte e quatro. Estive lá, já fiz isso. Eu
não tinha paciência para jogos. Eu queria uma mulher que soubesse
quem ela era, em vez de alguém que tentasse ser a mulher que achava
que eu queria. Desmarcar opção. Expirado, dezoito a vinte e quatro.

Marcando a caixa da faixa etária de vinte e cinco a trinta e um


anos, meu cursor pairou sobre a próxima caixa. Por que eu estava
excluindo a incrível idade de trinta e dois anos? Isso era mais
experiência. E provavelmente menos besteira. Clique.
Depois de todas as minhas alterações, eu agora tinha apenas
uma dúzia de mulheres que eram minha suposta combinação ideal. Da
um a cinco parecia interessante, definitivamente valia uma segunda
olhada. Então cliquei no número seis, uma mulher de Nova Jersey. Seu
perfil na verdade me fez rir alto.

Intrigado, cliquei nas suas fotos. Havia só algumas, mas uma em


particular me chamou a atenção. Era uma foto tirada de lado enquanto
ela pulava em uma piscina. Seu cabelo escuro voava acima dela, e a
parte do rosto que eu podia ver estava franzida em um sorriso. E
mesmo sem poder dar uma boa olhada em seu corpo, já que estava
encolhido, podia ver que ela tinha as curvas para arrasar no biquíni que
usava. Melhor ainda, ela parecia o tipo de mulher que se importava
mais em se divertir do que com o cabelo e a maquiagem arruinados na
piscina. E ultimamente, esse último era o tipo de mulher que eu parecia
atrair quando saía.

No momento em que meu telefone tocou, lembrando-me da hora


de sair para pegar Bella, havia perdido quase duas horas em um site de
namoro que nunca imaginei que fosse visitar. Comecei a desligar meu
laptop, mas a última janela aberta tinha a foto da mulher pulando na
piscina. Isso me fez sorrir novamente antes clicar fechar.

Meu dedo pairou sobre o botão de energia para desligar meu Mac,
mas depois pensei melhor e voltei ao site de namoro mais uma vez.

Escaneei minhas combinações, procurando por uma em


particular. Encontrando Val44, dei mais uma olhada.

Que diabos? Por que não?

Muitas pessoas usavam sites como este.

Cliquei no botão abaixo do seu perfil para avisar que estava


interessado.
***

— Este lugar é tão chato.

Arrastei as últimas malas da minha irmã para o meu


apartamento e peguei uma garrafa de água da geladeira. Estava muito
úmido para quase final de Maio.

— Manhattan? É chato? Isso é algo que nunca ouvi.

Bella revirou os olhos. — Não me refiro a Manhattan. Eu quero


dizer seu apartamento. Que diversão posso ter com meu irmão?

— Onde mais você ficaria? Além disso, você está aqui para passar
o verão, não para sempre. — Graças a Deus pelas pequenas
coisas. Bella tinha quatorze anos quando nossos pais morreram cinco
anos atrás. Eu nunca pensei em não assumi-la e me tornar seu
guardião, mesmo que tivesse apenas vinte anos na época. Mas admito
que fiquei aliviado quando ela decidiu partir para a faculdade. Criar
uma menina de quatorze anos era mais fácil que uma de dezenove.

— A casa de verão. Vou para Montauk no verão.

— Não posso me deslocar para lá todos os dias.

— E daí? Quem te pediu para se deslocar? Eu quis dizer que vou


passar o verão lá, e você vai passar o verão aqui.

— Não vai acontecer.

— Por que não?

— Porque você estaria sozinha, e lá não é seguro.

— É Montauk. Ninguém fecha as portas lá. Passamos todos os


verãos lá enquanto crescíamos. Montauk é mais seguro que Manhattan.

— Como eu sei que você não dará festas selvagens?

— E daí se eu fizer isso?


— Você tem dezenove anos, não vinte e um.

Ela arqueou uma sobrancelha. — E você nunca bebeu ou deu


uma festa até os vinte e um anos?

— Isso é diferente.

— Como?

— Apenas é.

— Deus, Ford. Quando você se transformou no papai?

Mesmo se eu tivesse instalado segurança na casa de praia ao


leste, eu não tinha certeza se era um bom lugar para Bella
estar. Nenhum de nós havia ido até lá desde que perdemos mamãe e
papai, e se havia um lugar no mundo que estivesse cheio de lembranças
deles, era Montauk, mamãe lavando nossos pés no chuveiro ao ar livre,
tomando café da manhã com meu pai no deck dos fundos. Papai
encostado na porta em silêncio, observando mamãe dançar ao som da
música na cozinha. A maneira como ele sorria quando olhava para ela,
esse pensamento cutucou uma ferida que apenas começara a cicatrizar.

Quando o nosso contador sugeriu que alugássemos o local, nem


sequer pensei na ideia. Prefiro encarar o prejuízo com a manutenção da
propriedade a deixar estranhos entrarem na casa.

Bella nunca seria capaz de lidar com a sensação de todas essas


memórias. Honestamente, não tinha certeza se eu poderia. Eu
provavelmente deveria simplesmente colocar o lugar à venda.

— Vamos lá, Ford. Você sabe, eu não preciso da sua permissão


para ir. Eu posso pegar o Jitney enquanto você estiver no trabalho.

Claro, ela estava certa. Bella tinha mais de dezoito anos e poderia
ir a qualquer lugar que quisesse agora. A única coisa que eu segurava
sobre ela eram as alças da bolsa. Eu era seu administrador financeiro
até os vinte e um anos.
— Talvez possamos passar um fim de semana lá ou algo assim?
— Eu disse.

— Você quer dizer nós dois? Nossa, que romântico. Soa como
uma explosão.

Eu suspirei. Este ia ser um longo verão.


3

Valentina
No início, percorrer as respostas que recebi foi divertido. Eu
filtrava os perfis enquanto tomava um copo de vinho e lia o fluxo
interminável de mensagens. Mas depois de alguns dias, ficou claro que,
embora alguns dos caras parecessem legais, eu não responderia a
nenhum deles.

Eu não tinha ideia do que dizer. Eu não estou totalmente pronta.

Quando eu estava prestes a desligar e ir para a cama, uma


mensagem instantânea apareceu na parte inferior da minha tela. Eu
nem sabia que você poderia enviá-las. Donovan620, de Nova York,
escreveu: Ryan é meu nome do meio. Estou desclassificado?

Eu tinha me esquecido de mudar a parte do meu perfil que dizia


que meu par ideal não poderia se chamar Ryan, muito focada em
remover a parte sobre o favoritismo mostrado aos apelidados de Rei
Cunnilingus. Embora, provavelmente fosse melhor desde que o
pensamento de chamar outro homem de Ryan depois de tantos anos
com o meu marido era muito estranho para mim. Além disso, também
era o nome do meu filho.

Quando não respondi em alguns minutos, apareceu outra


mensagem.

Donovan620: Sério? Fui vetado por causa de um nome do


meio? Eu provavelmente posso mudar isso legalmente se
precisar. Embora meu avô possa ficar chateado.
Sua mensagem me fez rir, então eu respondi.

Val44: Eu realmente acho que estaria tudo certo com Ryan


como nome do meio, contanto que você o abreviasse em sua
assinatura e não o usasse se apresentando.

Donovan620: Se você conhecer alguém aqui que se apresente


usando seu primeiro nome, o do meio e o sobrenome, deve excluí-
lo imediatamente. Isso é estranho.

Val44: Você provavelmente está certo.

Donovan620: Eu escuto muito isso. Então… por que tão anti-


Ryan, Valentina D?

Ele usou meu nome completo, o que significava que deveria ter
verificado o meu perfil. Curiosamente, cliquei no dele. Havia apenas
uma foto, embora definitivamente chamasse minha atenção. Ele estava
no ar, pulando de um trampolim alto, e a foto foi tirada do chão. Seus
joelhos estavam dobrados e seus braços os envolviam enquanto ele
pulava na piscina. Era quase a mesma foto do meu perfil, exceto que ele
era, claro, um homem. Eu olhei mais atentamente, Donovan620
definitivamente era um homem, com alguns incríveis braços
musculosos envolvendo os joelhos. Mesmo os músculos da sua
panturrilha se destacavam na foto.

Outra mensagem apareceu. Eu não havia respondido sua


pergunta sobre o nome Ryan.

Donovan620: Você está ocupada checando meu perfil ou me


ignorando?
Val44: Ignorando você.

Donovan620: Bem, você não é muito boa nisso, visto que


acabou de responder.

Ele me fez sorrir de novo. Então confessei.

Val44: Eu poderia estar verificando o seu perfil. Você notou


algo interessante sobre nossas fotos de perfil?

Donovan620: Isso foi o que me chamou a atenção. Por


qualquer mulher que faça balas de canhão vale a pena mudar
meu nome do meio.

Donovan era espirituoso. Eu gostei dele. E talvez, apenas talvez,


seus músculos fossem bons também. Eu enchi meu copo de vinho.

Donovan620: Essa não é a única coincidência. Vá em frente,


me verifique completamente.

Clicando de volta no perfil dele, continuei a ler.

Idade: 25 anos

Meu par ideal: idade suficiente para ter juízo, jovem o suficiente
para não dar à mínima. Inteligente. Amar o ar livre e as coisas simples
da vida, como tomar o caminho cênico ao dirigir.

Val44: Você acabou de adicionar isso ao seu par ideal?


Donovan620: Não.

Val44: Bem, parece que temos algumas coisas em comum. É


muito ruim eu não cumprir o resto dos seus critérios.

Donovan620: Qual parte?

Val44: Embora eu seja definitivamente velha o suficiente


para ter juízo, parece que dou à mínima.

Donovan620: Vou ignorar sua sensibilidade, já que você


lidou com o meu infeliz nome do meio.

Val44: Isso é muito gentil da sua parte. Mas nós temos outro
problema, um que temo não conseguiremos ignorar.

Donovan620: E isso é...

Val44: Você é jovem demais para mim. Você tem vinte e cinco
anos. Tenho trinta e sete.

Donovan620: Seu perfil afirma que sua combinação ideal é


entre as idades de vinte e cinco e trinta e oito.
Val44: Minha amiga escreveu isso. Eu atualizei
recentemente para mais de 35.

Donovan620: Ela é uma boa amiga?

Val44: Sim. Por quê?

Donovan620: Porque você deveria ouvi-la. Ela conhece você e


provavelmente sabe do que está falando.

Val44: Sim, mas...

Sua próxima mensagem apareceu antes que eu pudesse terminar.

Donovan620: Idade é apenas um número. O importante é que


você é obviamente jovem de coração, já que ainda pode fazer a
bola de canhão e escolher a rota cênica entre a via rápida. Não
diga não ainda. Converse comigo por um tempo. Veja se nos
conectamos. Então decida.

Val44: Eu não sei, Donovan. Eu tive um filho cedo. Meu filho


não é muito mais jovem que você.
Donovan620: uma semana. Vamos. Esta é minha primeira
experiência no Match, e você não quer estragar isso para mim. O
resultado disso poderia me marcar para a vida se der errado.

Eu pensei nisso por um tempo. Eu não estava planejando


conhecê-lo pessoalmente durante esse tempo.

Val44: É realmente sua primeira experiência aqui?

Donovan620: Eu juro. Você pode verificar a data de adesão


no meu perfil.

Eu percebi que ele não tinha uma razão para mentir sobre algo
tão insignificante, então aceitei sua palavra sobre isso. Talvez
mergulhar de cabeça e conversar com alguém aqui pela primeira vez,
quando também era a sua primeira vez, não seria tão ruim. Quero dizer,
nenhum de nós tinha qualquer noção preconcebida de como deveria
ser, o que provavelmente aliviaria o estresse de sentir que eu não tinha
ideia do que estava fazendo.

Val44: E só conversaríamos online durante a próxima


semana? Sem nos encontrarmos pessoalmente?

Donovan620: Se é isso que você quer, sim.

Eu sabia que tinha que mergulhar meu dedo do pé de volta na


água. Por que não dar um passo de bebê e conversar
online? Prática. Como isso não levaria a nada no final da semana, como
doeria concordar?
Val44: Ok. Uma semana.

***

— Você não me disse que iria transformar seu churrasco do


Memorial Day em uma festa. — Eu entreguei a Eve um prato de bolo de
vidro cheio com o meu tiramisu caseiro. Era o favorito dela.

— Apenas alguns extras.

O quintal era visível da cozinha através das duplas portas


francesas. Tinha de haver cinquenta pessoas do lado de fora, e dentro
havia algumas circulando, também. Normalmente, o churrasco do
Memorial Day dos Monroe era limitado a vinte pessoas.

— Alguns? Quem são todas essas pessoas? Eu teria feito duas


sobremesas.

Eve ignorou meu comentário com a mão, então vasculhou a


gaveta de utensílio. Ela pegou uma enorme colher e, antes que eu
pudesse impedi-la, pegou uma colher cheia da sobremesa deliciosa que
eu acabara de lhe dar.

— Isso me levou horas para fazer!

— Eu não ia compartilhar de qualquer maneira. Você nunca


notou que todo ano eu escondo na parte de trás da geladeira e
acidentalmente me esqueço de pegá-la?

Meu telefone tocou no meu bolso. Acontecia muito isso


ultimamente. Donovan e eu passamos horas trocando mensagens nos
últimos quatro dias. Até mesmo progredimos de conversas dentro do
aplicativo de namoro para mensagens de texto, provavelmente não a
ação mais inteligente, mas pelo menos agora recebia uma notificação de
texto quando ele mandava mensagens e não tinha que abrir o aplicativo
a cada cinco minutos para ver se perdi alguma coisa.

Donovan: Você deixou um pouco desse tiramisu em casa?


Valentina: Eu não posso deixar nada em casa, ou
comerei. Essa coisa é minha fraqueza. Seria como se eu colasse
alguns biscoitos champagne na minha bunda com as calorias
disso.

Donovan: Agora esses soam como deliciosos biscoitos


champagnes...

Eu senti um pequeno formigamento lendo a última frase. Ele


sempre era educado em nossas trocas, na maior parte. Mas às vezes ele
lançava frases sensuais como essa e eu realmente gostava disso.

— Para quem você está mandando mensagens? — Eve perguntou.

— Ninguém.

Ela apertou os olhos. — Ninguém, hein?

Tom Monroe me salvou de mais interrogatórios. Vindo do quintal,


ele passou um braço ao redor da cintura de sua esposa por trás, puxou-
a contra ele e roubou a colher de sua mão. Ele enfiou um bocado do
meu belo tiramisu entre os lábios e falou com a boca cheia.

— Essa coisa é melhor que sexo.

Eve arqueou uma sobrancelha para mim. — Eu te disse. Velho.

Seu marido, acostumado com suas brincadeiras, a ignorou. —


Você já conheceu o Jonathon?

Eve deu uma cotovelada nele. — Ela acabou de chegar


aqui. Ainda não mencionei o Jonathon.
Tom bufou. — Ou Will. Ou Jack. Ou Mike, Adam ou
Timmy. Embora eu ache que minha esposa esteja errada e Timmy seja
gay.

Eu fixei meu olhar na minha amiga. — Do que ele está falando?

Eve pegou a colher de volta do marido e encheu a boca com mais


sobremesa. Apontando para suas bochechas, ela fez sons distorcidos
transmitindo sua incapacidade de falar.

Eu olhei por cima do ombro dela. — Tom, o que sua esposa fez?

— Ela me fez convidar todos os homens do meu escritório. Estou


supondo que você não tinha ideia.

— Bom palpite. — Eu me virei para Eve. — Por favor, me diga que


você não lhes disse que eu sou solteira e quero conhecer alguém.

— Claro que não.

— Graças a Deus.

— Eu disse que você era solteira e queria transar.

Meus olhos se arregalaram como pires.

Eve estendeu a mão e a colocou no meu braço. — Estou


brincando.

— É melhor você estar.

Ela se soltou do aperto do marido e colocou o braço em volta do


meu pescoço. — Vamos lá, deixe-me apresentá-la a algumas pessoas.

Jonathon acabou por ser um cara muito legal, embora não fosse
do meu tipo. Ele era bonito o suficiente. O problema foi mais sua
abundante espiritualidade. Eu gosto de um homem que tenha fortes
crenças, não me entenda mal. Mas quando alguém passa quinze
minutos pregando sobre sua igreja e religião durante os primeiros vinte
minutos que nos conhecemos, acho que ele pode ser um pouco
reverente demais para a minha frequente boca suja.

Will morava com a mãe e nunca tinha se casado, um sinal de


alerta, mesmo para um fora do cenário como eu.

Mike me falou sobre sua ex-esposa por meia hora. Claramente,


ele ainda estava preso a ela.

Timmy, bem... Tom acertou. Ele estava mais interessado em Mike


do que eu.

Isso me deixou com Adam. Um metro e oitenta de altura, sem


barba, ombros largos sob uma camiseta polo azul-marinho com um
pequeno cavalo nela e mocassins Ferragamo. Meu interesse foi
despertado.

— Então você trabalha com Tom na Dunn e Monroe?

— Trabalho lá há cerca de um ano agora.

— O que você faz?

— Eu sou o vice-presidente de finanças.

Durante a meia hora seguinte, Adam e eu nos conhecemos. Ele


era tão engraçado e inteligente quanto bonito e educado. Ele certamente
cumpriu todos os requisitos para um homem que eu deveria
namorar. No entanto... não havia borboletas na minha barriga. Mas
talvez minhas expectativas estivessem altas. Talvez eu tenha assistido
muitos filmes românticos. Eu senti essa empolgação quando conheci
Ryan, embora fosse uma adolescente naquela época. Talvez as coisas
fossem mais moderadas e agradáveis ao namorar um homem na casa
dos trinta. Isso fazia sentido.

Embora quando ele se desculpou para atender uma ligação,


percebi que estava errada.
Meu celular vibrou no meu bolso, então o peguei. O nome de
Donovan brilhou na tela... causando uma agitação no meu peito e um
enxame de borboletas no meu estomago. Droga.

Donovan: Como está à festa que não me convidou para ir


com você?

Valentina: Está legal. Embora, mais calma que a maioria


dos anos. Tem uma vibe muito diferente. Nem tem ninguém na
piscina.

Donovan: Ninguém na piscina? Viu, você deveria ter me


convidado. Eu estaria na piscina e você também.

Eu olhei em volta. O habitual churrasco na piscina dos Monroe


era mais como um coquetel este ano. As pessoas estavam um pouco
mais bem vestidas e o ar estava mais carregado. Estava legal, mas não
a usual festa despreocupada que Eve normalmente dava.

Valentina: É uma galera diferente da habitual. Mais colegas


de trabalho do marido de Eve.

Donovan: O que ele faz?

Valentina: Ele é um gestor de fundos mútuos.

Donovan: Parece chato. Definitivamente deveria ter me


levado.
Valentina: Ah, é mesmo? E o que você faz que é tão
excitante?

Donovan: Eu te disse, sou autônomo.

Valentina: Sim, mas você não elaborou.

Donovan: Você não perguntou.

Ele tinha um ponto. Eu hesitei em investigar mais profundamente


quem era Donovan nos últimos dias. Quanto mais conversávamos, mais
eu gostava dele. E não tinha intenção de me envolver com um garoto da
idade dele. Encontrar coisas em comum tornaria ainda mais difícil
cortar essa ligação no final da semana. Antes que eu pudesse
responder, meu telefone tocou novamente.

Donovan: Nem um pouco curiosa?

Valentina: Claro. Eu só não queria ser muito intrusiva.

Donovan: Intrusiva = Com medo de conhecê-lo por temer


realmente gostar de você.

Valentina: Não é nada disso.


Era totalmente isso!

Donovan: Bem, então, tudo bem ser intrusiva. Então


pergunte.

Suspirei. Olhando ao redor do quintal, percebi que conheci uma


tonelada de pessoas muito legais hoje. Mas estava mais interessada em
conversar com Donovan. Eu me sentei e aguentei firme.

Valentina: Querido Donovan, posso perguntar o que você faz


para viver?

Donovan: Claro, Val. Estou feliz que você tenha


perguntado. Eu estou no mercado imobiliário.

Totalmente não era o que eu esperava que ele dissesse. Eu tinha


essa imagem de Donovan andando de bicicleta com uma bolsa de
mensageiro pendurada no ombro ou trabalhando como novato no corpo
de bombeiros. Definitivamente, não um negociante do mercado
imobiliário de Manhattan.

Valentina: Uau. Não foi o que achei que você diria.

Donovan: O que você achou que eu fazia?

Eu não queria insultá-lo e dizer que achava que ele poderia ser
um mensageiro, então fui com o bombeiro, achando que era inofensivo.

Valentina: Eu não sei Bombeiro poderia ter sido meu palpite.


Ou fantasia. Tanto faz.

Donovan: As mulheres tendem a pensar que os bombeiros são


gostosos, correto?

Valentina: Não se precipite agora.

Donovan: Ok, então. O que, exatamente, fez você pensar que


eu poderia ser um bombeiro?

Merda. Eu não conseguia pensar em nada.

Nesse momento, Adam retornou.

— Me desculpe por isso. Era minha filha. Ela tem dezesseis anos
e se tratava de uma crise. A mãe dela tirou sua chapinha por ter saído,
e ela achou que me ligar e exigir que eu mandasse a mãe devolver seria
uma boa ideia.

Eu sorri. — Eu entendo que ela não ficou feliz quando desligou.

— Você pode apostar nisso. Minha ex e eu não concordamos em


muitas coisas, mas apoiamos as decisões um do outro como pais.

— Há quanto tempo estão divorciados?

— Nove anos. E você?

— Como você sabe que sou divorciada?

— Eve pode ter mencionado isso.

Eu forcei um sorriso. — Me desculpe por isso. Ela tem boas


intenções. Mas insiste que eu preciso voltar ao mundo do namoro,
mesmo que só tenha passado dezoito meses.
— Eu estaria extrapolando se perguntasse quanto tempo às
coisas não estavam boas antes do divórcio? Comigo foi pelo menos cinco
anos. Então, quando finalmente nos separamos, já fazia muito tempo
que qualquer um de nós estava feliz, e ambos estávamos prontos para
seguir em frente.

— Acho que você está certo. Ficamos separados por dois anos
antes do divórcio, e as coisas não estavam boas há um bom tempo. —
Meu telefone tocou na minha mão e olhei para baixo.

— Você quer atender? Eu posso ir buscar algumas bebidas. Que


tal mais uma margarita?

— Eu adoraria. Obrigada, Adam.

Voltando ao meu telefone, havia três textos sucessivos de


Donovan, com um minuto de diferença.

Donovan: Não tem nada, hein?

Donovan: Admita. Você acha que eu sou gostoso.

Donovan: Tenho um amigo que está no NYFD. Eu posso pegar


o uniforme dele se você sair comigo.

Valentina: Desculpe. Eu estava conversando com alguém.

Donovan: homem ou mulher?

Valentina: Por que você pergunta?


Donovan: Porque se for um homem, eu quero saber se você o
acha gostoso também.

Valentina: Você é muito convencido, não é?

Donovan: Eu? Você é a única sonhando que sou um bombeiro


gostoso.

Valentina: Eu nunca disse...

Minhas mensagens de texto foram interrompidas por outra


dele. Ele tinha dedos rápidos.

Donovan: Admita.

Valentina: Por que isso é tão importante para você?

Donovan: Porque eu gosto de você. E se você estiver


fantasiando sobre mim, há uma chance maior de convencê-la a
sair comigo.

Eu realmente queria que ele fosse um pouco mais velho, mesmo


que apenas alguns anos, na casa dos trinta mais especificamente.
Valentina: Eu gosto de você também, Donovan. Eu não quero
lhe dar falsas esperanças. Eu gostei desse tempo conversando
com você... de verdade. Mas você é muito jovem para mim.

Donovan: Eu não sou tão jovem assim. Eu pensei seriamente


sobre isso ontem. A expectativa média de vida para um homem é
de 68,5 e para uma mulher é de 73,5. Isso significa que você
provavelmente vai viver cinco anos a mais do que eu. Portanto, eu
tenho uma desvantagem de 5.

Valentina: Uma desvantagem?

Donovan: Sim. Como no golfe. Eu adiciono cinco anos à


minha idade. Então, temos realmente apenas sete anos de
diferença, e você certamente pode superar isso.

Eu ri e balancei a cabeça.

Valentina: Boa tentativa. Mas sua lógica é falha. Nós


medimos a vida por quanto tempo estamos aqui. Portanto, você
não tem nenhuma desvantagem.

Donovan: É hora de você mudar essa perspectiva, Val. A


idade não deve ser contada por quanto tempo estamos vivos. Deve
ser contada pelos anos que nos resta. Olhe para frente, não para
trás.
Era só uma troca engraçada. Eu não achei que era para ser
profundo ou qualquer coisa do tipo. No entanto, suas palavras me
atingiram. Eu estive olhando para trás, por um longo tempo. Donovan
estava certo.

Eu engoli o resto da margarita no meu copo e olhei para o meu


telefone por um longo momento. A festa estava acontecendo ao meu
redor, mas tudo ficou quieto de repente.

Eu era solteira.

Eu não era feliz há muito tempo.

Meu filho era um homem adulto e não precisava mais de mim.

Muito em breve, eu estaria fazendo uma grande mudança de


carreira.

Por que eu estava constantemente olhando para o meu


casamento fracassado?

Valentina: Eu posso ter sonhado um pouco sobre como você


ficaria em um uniforme de bombeiro. E…

Eu respirei fundo.

Valentina: Se você ainda quiser ir a um encontro, vamos a


isso.

Donovan: Você se sente mal por que vou morrer cinco anos
antes, não é?

Eu ri alto. Era bom. Como respirar fundo no primeiro dia da


primavera.
Valentina: Acabei de ter uma epifania. Estou ansiosa
agora. E esquecendo todas as minhas regras auto-impostas do
passado.

Donovan: Assim é que se fala. Quando posso te ver


pessoalmente?

Adam estava voltando até mim com um copo cheio de margarita.

Valentina: Podemos conversar amanhã? Fui rude com o


cavalheiro que acabou de me buscar uma bebida.

Donovan: Cavalheiro?

Valentina: Sim... Adam.

Meu rosto se iluminou com outro pensamento inovador. Só que


este, eu provavelmente não deveria compartilhar com Donovan. Mas eu
estava tão animada.

Valentina: Talvez eu saia com Adam também! Conversamos


amanhã! Tenha uma boa noite.

Depois disso, enfiei meu celular no bolso e dei a Adam toda a


minha atenção. O mundo ficou subitamente mais brilhante.
4

Valentina
— Que diabos eu uso em um encontro? Não tenho um há vinte
anos.

Eu freneticamente vasculhei meu closet. Tudo o que eu possuía


de repente parecia gritar mamãe de futebol. Peguei uma roupa nova que
usei algumas semanas atrás e segurei contra mim, mostrando para Eve.

— Ele vai levá-la a um funeral?

Eu realmente tinha comprado para um funeral. Oh meu Deus. Eu


não tinha nada para vestir.

Eu joguei os cabides no chão do meu closet e me juntei a Eve na


cama. Cobrindo o rosto com as mãos, resmunguei: — Eu não posso
fazer isso. Eu não posso ir.

— Você tem um armário cheio de roupas e um corpo incrível. Há


algo aí que você pode usar. Além disso, tudo o que você precisa é de
roupas intimas agradáveis. É só com o que ele se importará.

Meus olhos se arregalaram. — Ele vai ver minha calcinha hoje à


noite? No primeiro encontro?

Eve teve pena de mim, me poupando mais fácil do que


normalmente fazia quando ela ferrava comigo. — Relaxe. Estou
brincando.

Eu peguei um lenço no meu criado mudo. — Achoo! — Minha


outra mão cobriu meu coração acelerado. — Graças a
Deus. Honestamente, não tenho ideia do que ele espera. O que eu
espero. O que diabos estou fazendo?

— Você está tomando sua vida de volta. É a sua vez, Val. Isso é o
que você está fazendo. E já era tempo. — Eve levantou da cama e
entrou no closet. — E se você quiser mostrar a esse gostoso sua
calcinha hoje à noite no primeiro encontro, faça isso. Faça o que te faz
feliz. É hora de você colocar suas próprias necessidades em primeiro
lugar.

— Mas o que ele espera que aconteça?

— Se ele estiver esperando que algo aconteça, ele é um idiota e


não vale o seu tempo.

— Talvez seja cedo demais.

Eve tirou a cabeça do meu closet e falou comigo severamente, não


muito diferente de como alertava meu filho às vezes. — Você vai.

Meus ombros caíram. — Sim mãe.

— E não espirre no pobre rapaz!

Oh Deus. E se eu espirrar nele? Eu não tinha pensado


nisso. Desde que eu era uma garotinha espirrava quando ficava
nervosa. Estava sob controle há anos, provavelmente porque não
acontecia nada na minha vida mundana para ficar excitada ou nervosa,
mas ultimamente notei que isso estava acontecendo de novo.

Eve desapareceu no armário, mas voltou. — E pare de se


preocupar com espirrar nele agora!

Ela me conhecia muito bem.

Demorou mais quarenta e cinco minutos para concordarmos com


o que eu deveria usar, e no final, quase todo o conteúdo do meu closet
estava em uma pilha na minha cama. Eu vesti uma saia vermelha, uma
linda sandália de tiras e salto alto que eu tinha comprado, mas nunca
tive a oportunidade de usar, e um top preto justo com um decote sutil.

— Você não achou esse top muito apertado?

— Você parece sexy, contudo elegante.

Eu peguei um suéter, mesmo estivesse uma noite quente. Eve o


tirou da minha mão. — Você não precisa de um suéter. Você só quer se
cobrir.

Ela estava absolutamente certa. Eu suspirei, soltando uma


respiração nervosa. — Tudo bem. — Saímos do quarto bagunçado e
fomos para a cozinha.

— A que horas ele vai te pegar?

— Ele não vai. Eu vou encontrá-lo.

— Ele não se ofereceu para buscá-la? Espere, deixe-me


adivinhar. Ele se ofereceu. Mas você lhe disse que preferiria encontrá-lo
em algum lugar.

— É mais seguro assim.

— E você não poderá pular fora se lhe der seu endereço.

Isso também.

— Eu não vou pular fora.

Eve abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água. Abrindo, ela


ponderou algo antes de falar. — Por que eu não te levo e te
busco? Posso esperar do lado de fora e me certificar de que ele não é
um serial killer ou algo assim.

— Você só quer ter certeza de que vou encontrá-lo.

Ela engoliu metade de sua água. — Onde você disse que vai
encontrá-lo? Tom e eu estávamos conversando sobre sair para
comer. Talvez eu possa espioná-lo, verificar se ele é digno de ver sua
calcinha no primeiro encontro.

***

Cheguei ao restaurante dez minutos mais cedo e, no entanto,


ainda estava sentada no carro quinze minutos depois do horário em que
deveria encontrar-me com Donovan. Eu nunca tive um ataque de
pânico, mas tinha certeza que era isso que estava acontecendo. Minhas
mãos estavam suadas, meu coração estava acelerado e tive a vontade
incontrolável de fugir para a segurança da minha casa, embora não
houvesse nenhuma maneira de dirigir nessas condições.

Quando meu telefone tocou com um texto recebido, hesitei em


olhá-lo, sabendo que havia uma boa chance de quem quer que fosse
que me faria lidar com a minha situação atual. Ao ignorá-lo, eu poderia
ganhar mais tempo. Então foi o que fiz por mais cinco minutos.

Na próxima vez que meu telefone tocou, era uma ligação em vez
de um texto. Eu espiei o identificador de chamadas. Era Donovan e eu
estava vinte minutos atrasada. Ele foi um cara tão legal até agora. Ele
não me merecia ficar esperando. Respirando fundo, eu peguei e atendi.

— Olá.

— Valentina? Está tudo bem? — Sua voz era profunda e


rouca. Realmente viril e muito sexy. Algo mais que eu não esperava.

— Sim. Não, sim Eu quero dizer não. Desculpe-me, Donovan. Eu


não vou ser capaz de encontrá-lo hoje à noite.

— O que está acontecendo? Você está bem?


— Eu estou. É… é… eu não percebi que não estava pronta até
agora. — Só então, uma buzina ecoou à distância. Eu abri a janela do
meu carro para pegar ar fresco.

— Onde você está?

— Eu estou... eu estou... meio que no estacionamento.

— Do restaurante?

— Sim. — Eu me senti como um idiota admitindo isso.

— Nervosa?

— Você pode dizer isso.

— Quer que eu saia?

— Na verdade não.

— O que posso fazer para ajudar?

— Nada. Eu sinto muito. Eu sei que isso é ridículo. Estou agindo


como uma adolescente e estou tão envergonhada.

— Que tipo de carro você dirige?

— Por favor, não saia e me busque. Isso tornará minha


humilhação ainda pior.

— Eu não vou sair a menos que você queira. Eu só quero ter


certeza de que você está segura.

— Eu dirijo um Routan prateado. Mas eu estou bem. Eu só


preciso sentar aqui por um tempo.

— OK. Fique ao telefone comigo. Talvez isso ajude você a


relaxar. Você não deve dirigir se estiver nervosa de qualquer maneira.

Aqui estou eu enrolando esse pobre rapaz, e ele está oferecendo


para me fazer companhia ao telefone enquanto relaxo. — Obrigada.
— Então, eu provavelmente não deveria te dizer isso, se você já
está nervosa em me encontrar, mas é uma coincidência muito estranha
para guardar para mim mesmo.

— O quê?

— Você precisa entrar porque uma velha senhora que eu conheço


teve um sonho que eu conheceria minha futura esposa hoje.

— Do que você está falando?

— Sra. Peabody É uma longa história, mas eu meio que tenho


uma amiga mais velha, e às vezes ela tem essas premonições e sonhos
estranhos. Hoje de manhã ela me ligou aleatoriamente e disse que
acordou às duas da manhã sabendo que eu iria encontrar minha futura
esposa hoje.

— Oh sério? — Eu ri. — Ela disse mais alguma coisa?

— Não. Bem, exceto que ela sentiu cheiro de pãezinhos de canela


no forno e vomitou logo depois.

— Ela o quê?

— Ela vomitou. Mas isso é normal. Ela sempre vomita depois de


suas premonições.

Eu balancei a cabeça. — Eu acho que você está certo.

— Então você vai entrar?

— Não... — eu ri. — Eu quis dizer que você não deveria ter me


contado, porque agora estou com medo que você seja um pouco louco.

— Somos todos um pouco loucos, Val. Que divertido seria se


apenas enchêssemos nossa vida com coisas normais?

Essa era uma pergunta que eu poderia responder, uma vez que
minha vida tinha sido chata como o inferno nos últimos anos: sem
nenhuma diversão. Talvez eu precisasse de uma Sra. Peabody na minha
vida.

— Você está certo.

— Qual é a sua bebida favorita, Val?

— Eu costumo beber vinho, mas minha bebida preferida é um


dirty martini.

Donovan parecia divertido. — Não era o que eu esperava.

— O que você esperava?

— Alguma bebida frou-frou.

— Elas são um desperdício de calorias.

— Bem, eu vou sentar no bar e pedir dois dirty martinis. Se você


decidir entrar, o seu estará esperando por você. Eu não estou com
pressa. Por que você não toma alguns minutos, reclina o assento, fecha
os olhos e relaxa. Ligarei novamente daqui a pouco para verificá-la.

— OK. Obrigada.

Alguns minutos depois, uma batida na minha janela me


assustou. Eu quase congelei, esperando que fosse Donovan. Mas não
era. Em vez disso, era um homem mais velho usando uma camisa
branca, colete preto e calças pretas, um garçom e não meu
encontro. Em uma mão, ele segurava um dirty martini, e na outra ele
tinha um prato de antepasto.

Eu baixei o restante da janela. — Oi.

— Do cavalheiro no bar.

Sorrindo, aceitei a entrega, tomei um grande gole do martini e


telefonei para ele.
Donovan respondeu sem dizer alô. — Isso conta como um
primeiro encontro agora. Estamos tomando uma bebida juntos. A
minha está deliciosa. Como está a sua?

Eu me acomodei novamente no meu lugar. — Está gostoso. Bem


forte. Eu gosto muito do sabor da azeitona.

— Já que você tocou no assunto, eu também gosto de forte.

Eu ri. — É mesmo?

— É. Eu sinto muito. Espere um segundo. Eu tenho alguém me


bipando, e preciso atender isso.

— Vá em frente. Vou sentar aqui e aproveitar meu coquetel. — A


linha ficou muda por um momento, e então ele voltou.

— Me desculpe por isso. Eu deveria lhe dizer que há outra mulher


na minha vida, muito exigente.

— Oh?

— Ela é uma dor gigante na minha bunda, mas não consigo


descobrir como ignorar suas ligações.

— Sua ex-esposa?

— Pior. Irmã mais nova. Estou sempre com medo de que, desta
vez, algo esteja realmente errado e eu não atenda.

— Aconteceu alguma coisa?

— Ela está chateada com o pintor que está trabalhando no meu


apartamento no momento.

— O que ele fez?

— Ele chegou às 9 da manhã de hoje... em um sábado.

— OK…
— Ela não se levanta até pelo menos uma.

Eu ri.

— A propósito, sua bebida só tem uma dose de álcool. É


principalmente suco de azeitona. Mas talvez você deva beber apenas
metade, caso decida não entrar e querer dirigir em um futuro próximo.

Deus, esse homem era tão atencioso. A maneira como ele


facilitava tudo para mim tornava as coisas mais difíceis ao mesmo
tempo. Ficamos no telefone conversando por mais meia
hora. Considerando nossa situação atual, a conversa se concentrou em
primeiros encontros ruins. Como eu realmente não fazia isso há vinte
anos, Donovan dominou a maior parte da conversa. Ele me disse que
desprezava quando as pessoas roubavam comida de seu prato, mas
parecia ser uma ocorrência frequente. Seus últimos três primeiros
encontros pediram salada, beberam demais e depois começaram a
roubar a comida do seu prato.

— Eu queria esfaquear a mão do meu último encontro com o


garfo toda vez que ela se aproximava. Eu não entendo. Peça sua própria
comida, se estiver com fome.

— Elas provavelmente são autoconscientes em pedir uma grande


refeição na frente de seu encontro.

— Por quê?

— Porque quase todas as mulheres são autoconscientes sobre o


seu peso.

— Você é?

— Eu costumava ser. Mas quando cheguei aos trinta anos,


aprendi a aceitar que nunca seria magra e, em vez disso, agora amo
minhas curvas.

— Eu amo suas curvas também.


— Você nem viu minhas curvas ainda.

Donovan ficou quieto.

— Você desligou?

— Não. Ainda estou aqui.

Então ele ficou quieto novamente. Nós nunca tivemos um


momento estranho antes, e eu não tinha certeza do que ele estava
pensando. Se ele era tão esperto quanto parecia, provavelmente estava
pensando. Que diabos eu estou fazendo falando ao telefone com essa
maluca?

Eu falei baixinho. — Sinto muito por esta noite.

— Nada para se desculpar, Val.

— Isso não é verdade. Mas obrigada por dizer isso.

Mais uma vez, ele ficou quieto. Ele provavelmente estava se


arrependendo do dia em que me mandou uma mensagem, e eu não
podia culpá-lo.

Depois de um minuto inteiro de silêncio, nós dois falamos ao


mesmo tempo. Estranhamente, dissemos as mesmas palavras. Eu
disse: — Ouça, Donovan, — quando ele disse: — Ouça, Val.

— Você primeiro, — eu ofereci.

— Damas primeiro.

— Eu... — Quando abri a boca para começar a agradecer e me


despedir, notei o garçom caminhando novamente até o meu
carro. Desta vez, ele estava carregando um pedaço de bolo. — O garçom
está vindo na minha direção com um enorme pedaço de bolo de
chocolate. Isso é para mim também?

— Eu tive que comprar sua sobremesa. Não posso deixar o seu


primeiro encontro em vinte anos ser uma merda, posso?
O garçom sorriu quando se aproximou. Eu comecei a baixar
minha janela para aceitar o que parecia ser uma deliciosa fatia de bolo
de lava de chocolate derretido, então percebi quão insana eu estava
sendo. — Você pode esperar um segundo? — Perguntei a Donovan.

Eu pressionei mudo antes de sair do carro. Agradeci ao garçom e


fiquei do lado de fora com o bolo na mão. Depois de um minuto, respirei
fundo e dirigi-me à porta do restaurante para comer a sobremesa com o
meu encontro. Pessoalmente.

No interior, o bar estava quase vazio. Mesmo que ele estivesse de


costas para mim, não foi muito difícil descobrir qual homem era
Donovan. Havia um casal mais velho sentado em uma extremidade do
bar e duas garotas que pareciam novinhas, sentadas a alguns bancos
longe de um homem segurando o telefone no ouvido.

Ativei meu telefone e falei baixinho. — O bolo parece


delicioso. Obrigada.

— Não tem de que.

Meus pés estavam pesados, como se meus sapatos fossem feitos


de blocos de concreto. Olhando para as costas de Donovan, fiquei em
silêncio por um momento enquanto o observava.

— Escute, Val, eu adoraria te ver pessoalmente. Mas se você não


estiver pronta, não está pronta. Eu não quero tornar as coisas mais
difíceis para você.

Engoli. — Eu acho que estou pronta.

— Você acha?

Eu balancei a cabeça. — É melhor eu fazer isso antes de mudar


de ideia. Vire-se. Eu estou de pé cerca de seis metros atrás de você. —
Eu prendi a respiração enquanto observava Donovan se virar. Mesmo
que sua cabeça girasse rapidamente, parecia acontecer em câmera
lenta.
Meus olhos encontraram com os dele. Ele era ainda mais lindo do
que eu imaginava depois de ver seu perfil. Seu cabelo loiro escuro
estava desgrenhado daquela maneira sexy eu não dou à mínima, mas
ainda parecia perfeito. Fortes traços masculinos, uma mandíbula
áspera revestida de barba por fazer na pele bronzeada, nariz reto e
proeminente e olhos da cor do mel. Sua gravata azul-escura estava solta
no colarinho e seus ombros largos preenchiam sua camisa, acentuando
um pouco os músculos de seu peitoral.

Lindo. Ainda havia algo muito familiar sobre ele. Eu simplesmente


não consegui colocar meu dedo nisso. Donovan deu alguns passos
hesitantes na minha direção. Se eu não soubesse melhor, teria pensado
que ele estava tão nervoso quanto eu.

O garçom que estivera visitando meu carro interrompeu a


aproximação de Donovan, estendendo um cartão de crédito. — Seu
cartão, Sr. Donovan.

Sr. Donovan?

Donovan era o seu sobrenome, não o primeiro?

Donovan... Donovan? Eu conhecia um Donovan.

Meus olhos se arregalaram.

Oh meu Deus.

Tudo se encaixou na velocidade da luz.

Seu perfil dizia que seu lugar feliz era Montauk.

Ele tem uma irmã cerca de cinco anos mais jovem.

Donovan Ford.

Ford Donovan.

O rapaz ao lado da nossa casa de veraneio.


Aquele que costumava ficar de olho em Ryan para mim anos
atrás. Sua irmãzinha brincava com meu filho.

Donovan viu o olhar no meu rosto.

E então eu vi o olhar de reconhecimento atingi-lo.

— Senhora Davis?

Minha mão voou para cobrir minha boca. — Achoo!


5

Valentina
Quando a manhã finalmente chegou, pensei em começar o dia
cedo. Eu joguei e virei à noite toda, incapaz de dormir. Pensamentos
sobre Donovan, Ford, continuaram se infiltrando em meu cérebro,
embora eu tenha tentado ao máximo esquecer todo o pesadelo que
havia acontecido.

Aspirei a casa, esvaziei a máquina de lavar louça e comecei a


vasculhar uma pilha de correspondências quando meu celular tocou. O
rosto de Eve brilhou na tela.

— Me dê todos os detalhes.

Eu balancei a cabeça repetidamente, mesmo que ela não pudesse


me ver. — Foi horrível.

— O que aconteceu? O que o bastardo fez com você? Eu vou


cortar suas bolas.

A resposta de Eve me fez sorrir pela primeira vez desde que tinha
visto meu encontro. — Não. Não é esse tipo de horrível. Ele foi um
perfeito cavalheiro.

— OK…

— Muito doce e engraçado também.

— Parece horrível, — disse ela sarcasticamente.

— E lindo.

— Que audácia dele.


— Essa não é a pior parte.

— Vamos ver… ele é jovem, lindo, doce e engraçado. O que


poderia ser pior que isso? Ele é grande como um cavalo?

— Eu não sei. E você sabe por que eu não sei disso?

— Porque você é uma puritana tensa que não transa há anos?

— Isso pode ser verdade. Mas o maior problema é que ele é um


dos amigos de Ryan.

Eve gargalhou. — Isso não é um problema, isso é fantástico! Trepe


com ele e mande-o jogar golfe com seu ex. Deixe que ele coma seu
coração quando perceber o que perdeu.

— Ummm… Eve, eu não estava falando sobre o meu ex, Ryan. Eu


estava falando do meu filho.

— Estarei aí em vinte minutos.

***

No minuto em que abri a porta, Eve passou apressada por mim


sem dizer uma palavra, preparou um lote de mimosas e bebeu uma taça
inteira antes mesmo de tentar iniciar nossa conversa.

— Então ele não te reconheceu online também? — Ela disse


enquanto enchia o copo.

— Não há realmente uma imagem clara do meu rosto no site de


namoro, lembra? Você postou as fotos. Além disso, eu não o via há
anos. E o nome dele é Ford Donovan. Eu simplesmente assumi que
Donovan620 significava que seu primeiro nome era Donovan, e eu não
conectei os dois... de jeito nenhum.

— Por que você não o viu em tantos anos? Você está sempre em
Montauk no verão. Eles alugaram a casa deles ou algo assim?
— Não. — Eu engoli em seco. — Seus pais morreram em um
acidente de carro cinco ou seis anos atrás. Um trator-reboque perdeu o
controle na LIE1 durante uma tempestade de gelo. Eu não fiquei
sabendo disso até um bom tempo depois. Mas a casa está sem uso há
anos.

— Oh Deus. Isso é horrível.

— Sim. Seus pais eram mais velhos que Ryan e eu. Mas a maioria
das pessoas que têm filhos da idade do meu filho são mais velhas. Eles
eram um casal muito feliz, muito apaixonados. Namorados do ensino
médio como nós também. Eu realmente me lembro de vê-los na praia
no último verão que passaram em Montauk. O pai de Ford deitado no
cobertor com a cabeça no colo da sua esposa de óculos escuros, e ela
lendo para ele. Era muito doce, e me fez perceber o quanto Ryan e eu
nos distanciamos.

— O que Ford disse quando percebeu quem você era?

— Ele disse que não importava para ele. Ele realmente tentou me
convencer a ficar e seguir com o encontro. Você acredita nisso?

— Por que você não ficou?

Eu olhei para Eve como se ela tivesse duas cabeças. — Você


perdeu tudo que eu acabei de dizer? Ele não só tem vinte e cinco anos,
mas costumava tomar conta do meu filho.

Eve suspirou. — Você tomou uma bebida, pelo menos?

— Não. Bem, mais ou menos. Eu tive um pequeno colapso antes


mesmo de nos encontrarmos, e ele mandou um garçom entregar um
martini no meu carro enquanto eu estava enlouquecendo para entrar.

Ela interrompeu. — Sua minivan, você quer dizer.

1A Interestadual 495 (I-495), também conhecida como Long Island


Expressway ( LIE ), é uma rodovia interestadual auxiliar no estado americano de Nova
York.
— Sim. Minha minivan velha. Que me encaixo dirigindo. Ele, por
outro lado, se encaixa ao volante daquele pequeno carro esporte que ele
tem.

— Que tipo de carro é?

— Eu não faço ideia. Por que isso importa?

— Porque você merece um namorado com um pequeno carro


esporte.

— Ele não vai ser meu namorado.

— Por que não?

— Eve, você bebeu o primeiro lote dessas coisas no caminho até


aqui?

— Vamos dissecar isso. Atenha-se aos detalhes. Qual é o


problema real? É a idade dele ou o fato de ele conhecer Ryan que te
incomoda?

— Ambos.

— Então, se ele não conhecesse Ryan, você sairia com ele?

— Não. Ele é muito jovem.

Eve sorriu. Eu realmente achei que ela poderia estar


enlouquecendo. — Eu mal posso esperar para conhecê-lo.

— O quê? Você não vai conhecê-lo.

— Mas eu vou passar o fim de semana com você daqui a duas


semanas em Montauk.

— E daí? Ele não vai lá há anos. Eu espero que isso não mude em
breve. Eu só quero deixar todo esse incidente bizarro para trás.

Ela sorriu. — Bem, isso faz uma de nós.


***

Depois da nossa sessão de estudos naquela noite, Allison


começou a limpar a mesa da sala de jantar de Mark. — Tenho que
correr. Eu não percebi que era tão tarde. O carro do meu marido está
na oficina e ele trabalha no turno da noite, então precisa usar o meu.

— Vá. Vou ajudar Mark a limpar, — eu disse.

— Tem certeza disso?

— Claro. Meu filho está na faculdade. Ele deveria voltar para casa
há duas semanas, mas conseguiu um estágio de verão no último
minuto. Então ele está na Carolina do Norte. Infelizmente, sinto falta de
limpar a bagunça dele.

Allison me deu um abraço. — Você é a melhor.

— Ei, e eu? — Disse Mark. — Eu fiz toda essa comida italiana.

Allison riu. — O entregador do Salpino abriu a porta para mim


quando cheguei. — Ela pegou um biscoito da caixa branca da padaria
na mesa da sala de jantar e fechou a parte superior. Ela apontou para o
adesivo dourado no topo. — Você também fez os biscoitos a partir do
zero?

Esta noite tinha sido apenas nós três, já que Desiree não pode
vir. Então, quando Allison saiu, ficamos só eu e Mark.

Peguei os pratos e os levei para a pia. A cozinha e a sala de estar


eram em plano aberto com apenas um degrau de um ambiente para o
outro.

— Como você se sente sobre o teste? — Perguntei. — Está pronto?

— Sta arrivando se sono pronto o no, — disse ele. Está chegando,


esteja pronto ou não.
Eu sorri. — Stai andando alla grande. — Você vai se sair bem.

Mark pegou o resto da bagunça do jantar e da sobremesa


enquanto eu enchia a máquina de lavar louça. Quando ele terminou,
inclinou um quadril contra a ilha.

— O quê?

Ele estava me olhando engraçado.

Ele encolheu os ombros. — Nada. Eu estava pensando que


devíamos comemorar depois de passarmos no exame.

— Essa é uma excelente ideia. E gosto da sua confiança, depois


de passarmos, se todos passarmos.

— Talvez pudéssemos sair para jantar. Italiano, claro.

— Isso parece perfeito. Acho que Desiree vai viajar uma semana
depois do exame, mas talvez na semana seguinte.

O rosto de Mark me disse que eu tinha entendido mal antes de ele


dizer qualquer coisa. — Oh. Eu quis dizer apenas nós dois
comemorando.

Coloquei o último prato na lava-louças e enxuguei as mãos. —


Desculpa. Eu achei que você queria dizer todos os quatro.

Um momento de silêncio constrangedor passou. Eventualmente,


Mark disse: — E aqui eu pensando que estava sendo muito suave.

— Oh, você foi suave. Eu estou totalmente sem


prática. Honestamente, um encontro poderia me dar um tapa na
cabeça, e eu não reconheceria isso. Já faz muito tempo.

Ele parecia esperançoso. — Bem, então parece que você precisa


de um.

Eu não queria magoá-lo. Eu gostava dele. Eu realmente


gostava. Ele se tornou um bom amigo. Eu simplesmente não achava
que gostava dele desse jeito. O que era muito ruim, porque se ele fosse
meu namorado, poderíamos passar o verão inteiro em Montauk. No
entanto, ele não me passava aquela vibração, o tipo de vibração que o
cara que era perfeitamente errado para mim passava. Maldito seja Ford.

— Você se importaria de marcar esse encontro depois do


teste? Eu quero focar nisso por enquanto. — Além disso, eu não tinha
certeza.

Ele forçou um sorriso. — Claro.

Eu saí me sentindo um pouco triste. Eu queria querer sair com o


Mark. Mas pareceu a decisão certa adiar. Talvez depois de algumas
semanas sem vê-lo na aula e em nosso grupo de estudo, eu começasse
a sentir sua falta e percebesse que estava errada.

Meu telefone ficou na minha bolsa a noite toda, e quando o peguei


em casa para colocá-lo no carregador, vi que tinha algumas mensagens
perdidas. Senti aquela vibração familiar no meu estomago, vendo que
eram de Donovan, ou melhor, Ford.

Donovan: Eu bebi com uma mulher esta noite.

A agitação de repente morreu. Por mais ferrado que fosse, senti


uma pontada de ciúmes. Ridículo, eu sei. Um cara com quem eu não
podia sair, não queria sair, e não tinha direito de sair. No entanto, isso
não fez o que senti menos real.

Donovan: Eu encerrei mais cedo. Preferia ter bebido com


você, mesmo que no estacionamento.

Deus, por que ele tem que ser tão doce? E tão jovem. Eu
provavelmente não deveria responder, mas...
Valentina: Se isso faz você se sentir melhor, um homem me
convidou para sair hoje à noite, e meio que o despachei também.

Os pequenos pontos saltaram quando ele começou a digitar


imediatamente.

Donovan: É errado que apenas ouvir sobre um homem te


convidando para sair me deixe com ciúmes?

Eu sorri tristemente. Eu sinto sua dor, amigo. Antes que eu


pudesse responder novamente, outro texto chegou.

Donovan: Por que você não disse sim?

Valentina: Mark e eu somos bons amigos. Eu simplesmente


não o vejo assim.

As mensagens de texto pararam por alguns minutos, e eu fiquei


ansiosa esperando por sua resposta.

Donovan: Tome café comigo.

Café. Soava tão inocente.

Valentina: Eu não posso.

Donovan: Por que não? É só café. Não há nada de errado


dois adultos compartilharem uma xícara de café. Eu não estava
pedindo que você fizesse isso no meu apartamento na manhã
seguinte, enquanto estaria vestindo minha camiseta.

Uma imagem passou pela minha cabeça de pé em frente a uma


cafeteira usando apenas a camiseta da Ford e um sorriso satisfeito e
feliz. Meu cabelo uma bagunça selvagem da noite anterior, e ele em
nada além de uma calça de moletom cinza e baixa. Ele chegando por
trás de mim e passando os braços em volta da minha cintura, me
puxando contra ele enquanto escovava meu cabelo para o lado e beijava
meu pescoço.

— Bom dia, — rosnado contra a minha pele.

Eu estendi a mão e toquei a área que ele beijou. Piscando


algumas vezes, percebi que estava sonhando acordada. Oh
Deus. Vívido. Acho que talvez eu deva tomar um banho rápido e desligar
o telefone. Liguei meu celular no carregador da minha mesa de
cabeceira e me forcei a sair.

O chuveiro provou ser mais difícil. Sem qualquer estímulo mental,


exceto a cor neutra dos azulejos de pedra caída, minha mente tendeu a
vagar. E esta noite minha mão quis se juntar enquanto meu cérebro
fazia um show. Meu esforço para limpar minha mente de tudo sobre
Ford foi exatamente o oposto, e tive que diminuir o tempo no chuveiro.

Depois do meu ritual de hidratação e limpeza, fui para a cama e


apaguei a luz. Eu tinha toda a intenção de ignorar o meu telefone e
dormir, eu realmente tinha, mas meia hora depois isso estava me
matando, e eu percebi que nunca iria descansar sem saber se havia
mais textos de Ford esperando por mim.

Então, infelizmente, puxei meu celular do carregador na minha


mesa de cabeceira. Com certeza, alguns novos textos chegaram
enquanto eu tentava afastá-lo da minha mente.
Donovan: Você já desligou?

Donovan: Se você vai me ignorar, não há razão para me


segurar. Nada a perder…

Dez minutos depois…

Donovan: Ok, então eu menti. Quero tomar um café com você


porque não posso deixar de imaginá-la vestindo minha camiseta
na manhã seguinte.

Donovan: Você parece realmente sexy nela, a propósito.

Donovan: Uma xícara de café.

Donovan: Vou me comportar.

Donovan: Eu juro.

Esse tinha sido seu último texto, mas no minuto em que terminei
de atualizá-los, um novo chegou.

Donovan: Você está lendo meus textos agora. Posso ver que
eles mudaram para lido. Então eu sei que você não está
dormindo...
Eu sorri tristemente e suspirei.

Valentina: Não, eu não estou dormindo. Embora devesse


estar. Você sabe por quê? Porque tenho que acordar às cinco da
manhã de amanhã, não importa a que horas eu vá para a
cama. Aposto que você pode dormir até o meio dia, como a
maioria dos jovens.

Donovan: Na verdade, estou na academia às 5:30 e no


escritório às 6:45 todas as manhãs. Boa tentativa. Que tal café às
6 da manhã, já que você estará de pé mesmo?

Eu ri para mim mesma.

Valentina: Você é persistente. Vou admitir isso. Mas me


desculpe, eu simplesmente não posso, Ford.

Eu comecei a digitar: eu simplesmente não posso, não importa o


quanto queira. Mas apaguei. Eu precisava acabar com essa loucura, por
nós dois.

Em vez de responder, fui aos meus contatos e


editei Donovan para Ford, um gentil lembrete de que Donovan não era
um homem pelo qual eu poderia me interessar; ele era simplesmente
Ford, o garoto da casa ao lado.
6

Valentina
Duas semanas depois

O ar cheirava melhor em Montauk. O sal parecia abrir meus


pulmões e lavar as tensões da vida. Estava muito escuro na hora que
cheguei. Após o Memorial Day, sexta à noite o tráfego de East Hampton
tornou-se uma zona de guerra de pessoas vestindo designers. Era por
isso que sempre preferia Montauk. Para a maioria dos homens, uma
roupa chique para jantar significava trocar suas botas de pesca.

De pé no deque quase à meia-noite, fechei os olhos e ouvi as


ondas quebrando enquanto respirava profundamente. Depois de mais
algumas expirações, meus ombros começaram a relaxar.

Até que uma voz me assustou.

— Sra. Davis?

Eu pulei e soltei um grito muito feminino.

— Eu sinto muito. Eu não queria te assustar. É Bella, Annabella


Donovan, da casa ao lado.

— Oh. — Minha mão segurou meu peito. — Oi, Bella. Eu não vi


você aí.

Nosso bairro praiano não tinha cercas, apenas um caminho de


areia entre as casas altas. Bella estava na praia no final das escadas
que levavam ao meu deck.
— Eu não sabia que havia mais alguém aqui, — disse ela. — Eu
nem tinha certeza se você ainda era dona da casa. Eu não venho aqui
há anos. Mas estou feliz que vocês ainda estejam por aí. É tão calmo à
noite aqui fora.

— Na verdade, sou só eu agora. Ryan e eu nos divorciamos, e meu


filho Ryan ficou na faculdade durante o verão para fazer um estágio. —
Prendi a respiração por um momento antes de fazer a próxima
pergunta. — Você está... aqui sozinha?

— Sim. Eu enlouqueci o meu irmão o suficiente para que ele me


deixasse vir passar o fim de semana. Eu queria ficar o verão inteiro,
mas Deus me livre que ele confia em mim aqui sozinha.

Uma mistura confusa de alívio e decepção me atingiu. Eu estaria


mentindo se dissesse que não tinha pensado em Ford muitas vezes nas
últimas semanas, ele se certificara disso com um texto ou dois a cada
dia. Mas não respondi desde a noite em que cheguei em casa do grupo
de estudo.

— Então é só nós, meninas, — Bella disse.

— Eu acho que sim. — Eu sorri.

— Até o meu irmão dor na bunda aparecer.

Minha pele arrepiou, e não foi por causa do frio no ar. — Você
está... esperando por ele?

— Ele não deveria vir, mas não confia em mim. Ele está viajando
a negócios agora, embora eu tenha a sensação de que possa aparecer
quando voltar. Ele me ligou cinco vezes hoje e mandou instalar um
sistema de alarme na casa.

— Bem, suponho que seja isso que os irmãos mais velhos devam
fazer, cuidar de suas irmãs.
Ela encolheu os ombros. — Ei. Você gostaria de fazer uma aula de
ioga ao nascer do sol na praia comigo? São apenas algumas casas
abaixo. Eu levanto meia hora antes e caminho para aquecer. Eu posso
levar uma amiga se você quiser tentar amanhã.

Eu me senti um pouco desorientada por Bella estar na casa ao


lado, para não mencionar a perspectiva de seu irmão aparecer para ver
como ela está. Então não consegui pensar em uma desculpa rápida
porque não podia fazer ioga ao nascer do sol.

— Umm... Claro. Eu adoraria.

— Fantástico. Eu te encontro aqui às seis horas?

— Parece bom.

— Ok, então vou tomar banho. Eu tenho areia em lugares onde


não deveria haver areia. Boa noite, senhora Davis.

Ela sorriu e começou a caminhar em direção a sua casa quando a


chamei. — Bella?

Ela se virou.

— Me chame de Valentina ou Val, por favor.

— Ok, Val. Vejo você pela manhã.

***

Saí para o deck com meu café da manhã e encontrei Bella se


alongando na areia atrás de nossas casas.

— Estou atrasada? — Eu gritei, verificando a hora no meu


telefone.

— Não. Estou adiantada. — Ela se inclinou para a direita e


esticou o braço esquerdo sobre a cabeça. — Acordei uma hora atrás
ouvindo o que pensei ser o som da chuva batendo na minha janela. Mas
quando saí, não estava chovendo.
— Você quer um pouco de café?

— Eu realmente amaria algum. O meu acabou e tive que fazer


descafeinado esta manhã, que é como tomar um banho com uma capa
de chuva. Qual é o ponto?

— Eu não poderia concordar mais. — Eu balancei a cabeça na


direção da casa. — Vamos lá, vamos deixá-lo devidamente ‘cafeinada’.

Lá dentro, Bella olhou para os pequenos quadros alinhados na


janela da cozinha enquanto eu servia uma xícara fumegante de café.

— Então você e o Sr. Davis estão divorciados agora?

Ela se concentrou em uma foto antiga do meu ex-marido e nosso


filho. Eu havia erradicado a casa de todos os outros vestígios de Ryan
Sr., mas não parecia certo me livrar dessa foto. Meu filho usava seu
uniforme de beisebol da Little League e olhava para o pai com
admiração. Uma parte minha esperava que a foto a vista algum dia
lembrasse meu filho que ele estava perdendo seu pai desde o nosso
divórcio. As coisas que aconteceram entre Ryan e eu não deveriam
estragar o relacionamento entre pai e filho, mas meu filho protegia sua
mãe.

— Fará dois anos neste outono que nosso divórcio foi finalizado.

Ela enrugou o nariz. — Ele não era muito amigável, era?

Eu ri. Ryan nunca tinha sido fã dos Donovans ao lado. Ele


reclamava que eles ouviam música muito alta e deixavam seus filhos
correrem livremente. Ele revirava os olhos quando os pais de Bella
dançavam no deck dos fundos, enquanto eu muitas vezes secretamente
desejava ter esse tipo de casamento.

— Não. Ele não era um vizinho muito amigável, não é?

Nós compartilhamos um sorriso quando entreguei a Bella creme


para o seu café.
— Quero dizer, eu não o vejo há anos. Mas me lembro de que ele
sempre parecia ter acabado de chupar um limão.

Essa era uma descrição perfeita de Ryan nos últimos dez


anos. Amargo.

Depois que Bella preparou seu café com creme e açúcar suficiente
para induzir um coma diabético, nos sentamos nas espreguiçadeiras no
meu deck. O amanhecer era mágico sobre a praia.

— Então, que faculdade você está cursando?

— Não tenho certeza. Eu adoraria entrar em algo como


atuação. Eu estava originalmente em administração, mas meu irmão
levou todo o cérebro quando nasceu e não me deixou nenhum.

— Tenho certeza que você é muito inteligente.

— Para o curso de Administração precisamos cursar


Contabilidade 101 no primeiro ano da faculdade. O professor nos disse
antes do primeiro teste que, se não tirássemos pelo menos sessenta
pontos, poderíamos desistir da aula porque só ficaria mais difícil a
partir daí. Eu fiz vinte e oito.

Minhas sobrancelhas se ergueram. — De cem?

— E eu estudei. — Ela tomou um gole de café. — Eu deixei a aula


no dia seguinte. Eu nem sei por que escolhi Administração como
curso. Eu acho que senti que deveria ter uma especialização, saber o
que eu quero ser quando crescer. Como Ford.

— Nem todo mundo sabe o que deve fazer imediatamente. Eu fui


uma técnica de tomografia computadorizada por quinze anos. Era um
bom trabalho porque me permitiu trabalhar meio período em torno do
horário escolar de Ryan, embora nunca tenha sido algo pelo qual era
apaixonada. Na verdade, voltei para a faculdade para me tornar
professora de italiano e farei o teste de licenciamento em algumas
semanas. Meus avós são da Itália e sempre amei o idioma. Estou muito
animada com isso agora. Demorei quase vinte anos para descobrir isso.

— Isso é muito legal. Eu faria isso, mas meio que sou uma droga
em línguas estrangeiras. É parte da razão pela qual estou pensando que
atuar pode ser para mim. Você realmente não precisa ser bom em inglês
ou matemática. Além disso... — Ela sorriu. — Meus pais sempre
disseram que eu era uma rainha do drama.

— Você vai descobrir. Leve o tempo que precisar.

Desde que Bella os citou, percebi que não havia problema em


falar sobre seus pais. — A propósito, sinto muito por seus pais,
Bella. Eu não ouvi sobre isso até algumas semanas depois que
aconteceu, ou eu teria ido ao funeral. Eu nem sequer tinha o endereço
de sua casa para enviar um cartão. Sempre gostei dos seus pais e
admirava o relacionamento deles.

— Obrigada. — Ela sorriu tristemente. — É estranho estar aqui


sem eles. Toda vez que abro a porta dos fundos ou olho para a praia,
sinto que devo vê-los se beijando. Isso costumava me enojar, mas agora
acho que é legal o quanto eles se amavam. De um jeito estranho, foi
bom que eles morressem juntos. Um não teria conseguido viver sem o
outro.

Uau. Que lindo, mas triste pensamento. Nós tomamos nosso café
em um silêncio confortável por um tempo depois disso, aproveitando o
nascer do sol. Quando uma multidão começou a se formar na praia,
achamos que era hora de ir.

Bella e eu colocamos nossas esteiras na areia uma ao lado da


outra e passamos alguns minutos alongando. Eu estava curvada,
balançando meus dedos na areia enquanto tentava alcançar meus pés,
quando senti uma mão nas minhas costas. Assustada, minha reação
imediata foi levantar rapidamente, tão rapidamente que peguei o
instrutor desprevenido e bati minha cabeça diretamente em sua
mandíbula.

— Oh meu Deus. Eu sinto muito! — Esfreguei o topo da minha


cabeça enquanto sua mão pressionava sua mandíbula. Sua mandíbula
muito sexy. Oh Deus. Inacreditável.

— Está tudo bem. Isso foi minha culpa. Eu achei que você tivesse
me visto chegando. Eu estava tentando guiá-lo ao se curvar. Você está
inclinada à sua direita.

Eu definitivamente o teria notado. Nosso instrutor era alto, com


cabelos escuros puxados para trás em um rabo de cavalo, pele
bronzeada e olhos escuros. Alto, moreno e bonito. Definitivamente
lindo. Embora essa não fosse a parte que distraía tanto. Não, com isso
eu poderia lidar. Mas a calça de moletom cinza e sem camisa, era
exatamente o que eu imaginava Ford usando na minha fantasia
algumas semanas atrás. Esse pensamento, junto com o peito esculpido
ridiculamente incrível diante de mim, me transformou em um idiota
desajeitada.

— Oh. Nossa. Sim. Desculpa. Para a direita? OK. Sim. Desculpe


de novo.

As sobrancelhas do instrutor se levantaram e ele sorriu


conscientemente.

O calor subiu pelas minhas bochechas e não diminuiu. —


Umm. Desculpe de novo.

— Não é um problema. Por que não tentamos isso de novo? Desta


vez sem a batida. — O instrutor gostoso piscou, então colocou a mão
quente sobre a pele exposta das minhas costas. — Dobre na cintura.

Fiquei feliz por esconder meu rosto e ter uma desculpa para a cor
que já tinha corrido para o meu rosto. Quando meus dedos alcançaram
a areia, o instrutor deu um passo atrás de mim e segurou meus quadris
com as duas mãos, guiando-me a virar para a esquerda. — Pronto, você
está alinhada agora. Quando você alongar na sua curvatura, há menos
chance de machucar suas costas.

Fiquei curva tempo suficiente para que ele se mudasse para outra
pessoa. Quando eu finalmente me levantei, Bella se inclinou para mim,
falhando em sua tentativa de sussurrar.

— Ele é gostoso e estava te checando totalmente.

A aula de ioga ao amanhecer acabou sendo a melhor aula de


exercícios que já fiz. Não apenas o instrutor era incrível nas
demonstrações e ajudando todos os alunos a se posicionarem, mas nos
orientou a usar esses momentos para apreciar a beleza ao nosso
redor. O nascer do sol, a luz que brilhava no oceano
extraordinariamente calmo, manchas laranja e douradas cintilando na
água, era absolutamente de tirar o fôlego.

Enquanto nos movíamos através de nosso vinyasa2, entrando em


um cão virado para cima, meus olhos, que estavam fechados nos
últimos minutos, de repente se abriram. Eu tive aquela sensação que
você tem quando alguém está observando, uma consciência espinhosa
que senti em toda a minha pele. Olhando para a esquerda e para a
direita, não encontrei ninguém em minha visão periférica, e o instrutor
estava ocupado ajudando uma mulher algumas fileiras à minha
frente. No entanto, esse sentimento estranho permaneceu comigo até o
final da aula.

Depois que nossa hora acabou, o instrutor de ioga veio se


apresentar. — Nós realmente não nos conhecemos corretamente. — Ele
estendeu a mão. — Eu sou Ty. Eu não vi você na aula antes. Você está
de férias em Montauk esta semana?

2Um vinyasa é uma transição suave entre asanas nos estilos de yoga moderno, como
exercícios como o Ashtanga Vinyasa Yoga e o Bikram Yoga, especialmente quando o
movimento está emparelhado com a respiração.
— Na verdade, moro a algumas casas daqui. Bem, eu tenho uma
casa de verão aqui. É minha primeira semana, e Bella me convidou
para a aula. Somos vizinhas.

Ty sorriu para Bella e voltou sua atenção para mim. — Você


gostou da aula? Estamos aqui cinco dias por semana.

— A aula foi incrível. Você definitivamente vai me ver de novo.

— Estou ansioso por isso.

Algo sobre a maneira como ele disse isso, ou talvez fosse o brilho
em seus olhos, me fez sentir bem. Eu poderia ter trinta e sete anos, mas
gostava de pensar que estava envelhecendo graciosamente.

Bella e eu sacudimos a areia de nossas esteiras e as


enrolamos. Eu olhei para o oceano enquanto ela amarrava a dela. —
Lembre-me de não tomar café antes da ioga, — disse ela. — Eu tive que
ir ao banheiro nas últimas sete poses.

Minha pele tinha uma camada de suor no treino, e uma brisa


morna flutuava, deixando meus braços arrepiados. Eu deveria ter me
sentido suja, mas em vez disso me diverti com os calafrios, sentindo-me
mais viva do que há muito tempo.

— Muito obrigada por me convidar. Deixe-me fazer um café da


manhã depois que eu tomar banho.

Bella gemeu em resposta ao meu convite. Não era exatamente a


resposta que eu esperava.

— Qual é o problema? Por favor, não me diga que você está de


dieta. Você é tão magra.

Eu ainda estava de frente para o oceano, mas me virei para as


nossas casas assim que ela me falou seu problema.

— Meu irmão dor-na-bunda está aqui.


7

Ford
Eu fiquei no deck dos fundos assistindo a aula de ioga por quase
meia hora antes de terminar. Nos últimos dois dias, estava dizendo a
mim mesmo que precisava vir até Montauk verificar Bella, ter certeza de
que tudo estava bem, essa foi a razão pela qual eu
vim. A única razão. Mas ao ver Valentina usando calças de yoga pretas
justas e uma camiseta de ginástica que mostrava seu abdômen liso,
percebi que nem notaria se minha irmã tivesse um buraco gigante no
rosto.

— Eu te disse, eu estou bem, — Bella choramingou enquanto se


aproximava, ainda a dez metros de distância.

Valentina olhou para mim, parecendo nervosa. Presumi que ela


não tinha compartilhado nosso pequeno bate-papo no Match.com e
quase encontro com minha irmã, e estava ansiosa pelo que eu poderia
deixar escapar. Claro que eu não faria isso. Eu mantinha minha vida
sexual longe da minha Bella, não que houvesse sexo para falar quando
se tratava de Val, de qualquer maneira. Infelizmente.

Chegando ao convés, minha irmã beijou minha bochecha e depois


correu para a porta dos fundos. — Eu tenho que ir ao banheiro. Estarei
de volta em um minuto. Você se lembra da Sra. Davis?

— Eu lembro.

Val estava olhando para qualquer lugar, menos para mim, até que
comecei a falar.
— Como você está, Sra. Davis? — Eu arqueei uma sobrancelha e
tomei meu café. Uma vez que ouvi a porta dos fundos fechar e minha
irmã estava fora do alcance da voz, dei um passo mais perto de
Valentina. — Você não respondeu nenhuma das minhas mensagens.

— Eu... eu não sabia mais o que dizer.

— Mas você ainda lê todas elas. Você poderia ter me bloqueado ou


simplesmente ignorado.

Ela parecia confusa. — Eu não queria ser rude.

— Uh-huh. Apenas rude o suficiente para me esquecer, entendi.


— Eu dei outro passo para mais perto. — Posso te perguntar uma
coisa?

— O quê? — Ela falou no meu ombro, e eu não tinha certeza se


ela estava evitando o contato visual ou vigiando Bella. Provavelmente
ambos.

— Valentina? — Eu esperei até que ela olhasse para mim. — Você


já pensou em mim desde a noite no restaurante?

Ela fechou os olhos. — Não importa.

— Para mim, importa.

— Não vamos tornar isso mais difícil do que precisa ser, Ford.

Foi a primeira vez que a ouvi dizer meu primeiro nome. E eu


gostei do som disso... gostei muito.

— Por que eu não começo? Pensei em você. Muito.

— Por que importa se eu penso em você se nada vai acontecer?

— Só importa, — eu disse.

A porta de vidro deslizante da nossa casa fez um guincho


estridente quando se abriu. O ar salgado enferrujava tudo aqui.
Eu abaixei minha voz. — Diga-me a verdade, e vou continuar
fingindo que você é apenas a senhora Davis.

Os olhos de Valentina brilharam. A porta guinchou novamente


quando minha irmã a fechou atrás dela.

Eu abaixei minha voz ainda mais. — Vamos. Diga-me. Você


pensou em mim?

Seus olhos voaram entre minha irmã e eu algumas vezes.

Eu me inclinei e sussurrei: — Diga.

— Não.

Sem tirar os olhos de Val, falei com minha irmã. — Oi Mana. Eu


estava querendo te dizer uma coisa.

Valentina parecia estar prestes a surtar. Eu sorri e murmurei


Diga. O pânico no rosto dela era adorável.

— Tudo bem, — ela cerrou os dentes. — Eu pensei. Você está feliz


agora?

Eu sorri de orelha a orelha. — Você ouviu isso, Bell? Até a sra.


Davis diz que estou certo.

Bella não tinha ideia do que estávamos falando, mas revirou os


olhos. — Seja o que for, não o encoraje.

— Vou tentar me lembrar disso.

— O que você está fazendo aqui? — Minha irmã perguntou. — E


por que você está aqui tão cedo? Você deve ter saído da cidade às
quatro da manhã para chegar aqui agora.

Dei de ombros. — Imaginei que evitaria o tráfego. — Eu tranquei


os olhos com Val. — Ultimamente, não tenho dormido bem de qualquer
maneira. Algumas coisas na minha cabeça. Está me mantendo
acordado à noite.
Minha irmã assumiu que eu estava falando sobre o trabalho. —
Bem, simplesmente faça o que você sempre faz. Corra atrás do que quer
como se não fosse da conta de ninguém, e você conseguirá.

— Muito bom conselho. — Eu sorri.

— Nós estávamos indo tomar um café da manhã. Valentina ia


preparar. Mas desde que você está aqui, você pode nos levar a algum
lugar, Sr. Milionário.

— Eu posso fazer isso. — Eu olhei para Val. — John's Pancake


House?

— Ummm… eu não me importo de cozinhar. Você está convidado


a se juntar a nós.

De jeito nenhum eu deixaria passar uma oportunidade de entrar


em sua casa. — Melhor ainda.

— Bem, por que vocês não me dão um tempinho, e vou tomar um


banho e começar o café da manhã.

Ela desapareceu em sua casa. Esperei impacientemente quinze


minutos, e então Bella finalmente desceu as escadas.

— Você nem se trocou ainda? — Eu disse.

— Minha colega de quarto da faculdade ligou enquanto eu estava


no andar de cima. É impossível tirar Brooke do telefone. — Ela jogou o
celular no sofá e tirou o laço do cabelo. — Acha que Val vai se importar
se eu tomar um banho rápido?

— Por que não vou até lá e a aviso antes dela começar a


cozinhar? Então você pode levar o seu tempo.

— Perfeito. Obrigada, Ford.

Sim. Perfeito.
***

— Hey. — Val abriu a porta de tela e olhou por cima do meu


ombro procurando Bella.

— Ela virá daqui a pouco. Ela queria nos dar um tempo a sós.

Os olhos de Val se arregalaram. Ela era fofa quando se apavorava,


mas eu a lhe dei uma folga, inclinando-me para ela quando passei. —
Brincadeira. Relaxe.

Eu não entrava em sua casa há anos... provavelmente desde os


dezessete anos e fiquei de olho em Ryan pela última vez. O layout era
exatamente o mesmo que o nosso, só que o dela era pintado com cores
mais brilhantes. Eu fui direto para a cozinha, meu nariz liderando o
caminho.

— Nossa acompanhante está no chuveiro. O que cheira tão bem?

— Estou fazendo frittatas de espinafre e queijo feta, com bacon ao


lado.

Um monte de post-its amarelos na geladeira me chamou a


atenção. Alguns tinham recados óbvios escritos neles, mas um dizia
apenas Óleo.

Val me notou lendo. — A porta dos fundos range.

— Você quer WD-403, não óleo real então.

— Oh sim. OK. Obrigada.

— Eu tenho um pouco de lubrificante que pode ajudar você.

3WD - 40 é uma marca registrada amplamente usada em diversas áreas como óleo de
penetração (limpador, lubrificante e solução anticorrosiva).
Ela olhou de soslaio para mim, sem saber se eu estava sendo um
espertinho ou não. Consegui manter a cara séria e voltei para a
geladeira.

Apontando para outra nota, perguntei: — VS?

— Oh. Eu… uh… preciso ir buscar… — Ela balançou a cabeça. —


Significa Victoria's Secret.

— Eu posso te ajudar com isso também. Os espelhos nos


provadores não são confiáveis. Eu virei para você modelar para mim.

Valentina riu, e esse som era incrível, no topo com meus outros
favoritos como o oceano e um fogo crepitante. Isso me atraiu para mais
perto de onde ela estava em frente ao fogão. Três queimadores
funcionando de uma só vez.

— Uau. Isso parece delicioso.

— Eu só tenho três panelas pequenas, então só posso fazer duas


frittatas de cada vez.

Dei de ombros. — Funciona para mim. Bella não precisa comer de


qualquer maneira.

— Como você é atencioso. — Ela foi até a geladeira, pegou o


queijo feta e começou a espalhá-lo na frigideira com os ovos.

Eu me movi atrás de Val, definitivamente mais perto do que era


amigável, e respirei fundo. — Cheira delicioso.

Ela me ignorou. A boca do fogão que ela não estava usando tinha
um prato forrado de papel toalha cheio de bacon crocante. Eu estiquei o
braço ao redor dela para roubar um pedaço, e meu peito roçou
levemente contra suas costas. Eu a ouvi prender a respiração, mesmo
com o chiar do bacon.

Bom saber.
Ela não se mexeu quando me inclinei para roubar um segundo
pedaço.

Desta vez, propositadamente acariciei suas costas. — Você cheira


bem.

Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, permitindo-me ver


sua nuca, a pele que estava tomada por pequenos arrepios, então não
recuei.

— Adorei saber que você pensou em mim esta semana. Você está
curiosa sobre o que eu estava fazendo quando pensei em você? Porque
não consigo parar de imaginar o que você estava fazendo enquanto
pensava em mim.

A respiração de Valentina ficou mais áspera. Eu queria girá-la e


pressionar meu corpo contra o dela, fazê-la ofegar na minha boca. Mas
mesmo que pudesse ver a reação dela em sua pele, sua linguagem
corporal ainda estava rígida. Eu consegui abrir a porta, mas ela não
estava me convidando para entrar.

Hesitante, toquei seu braço.

— Ford. — Sua voz estava tensa em advertência, como se sua


cabeça e corpo estivessem em conflito e sua cabeça estivesse vencendo
a luta.

— Eu começo. Pensei em você durante o dia em que estava no


trabalho, olhando para o computador onde conversamos pela primeira
vez. Pensei em você enquanto estava em uma reunião de negócios no
almoço ontem, imaginando que vinho você pediria. Mas meu horário
favorito para pensar em você foi durante a noite. Eu tirei todas as
minhas roupas, fui para a cama, fechei meus olhos e peguei meu...

— Alguém em casa? — A voz de minha irmã interrompeu.

Merda. Instintivamente, recuei. Val sacudiu a cabeça algumas


vezes antes de correr para a porta.
Bella ainda tinha o cabelo molhado do banho. Incrível ela escolher
hoje para não gastar uma hora se preparando. — Mmmm… cheira bem
aqui. Esse treino me deixou com muita fome.

Eu peguei o olho de Val. — Assistir me deixou com fome também.

Val voltou para o fogão, sem olhar de novo na minha


direção. Fiquei a poucos metros de distância, encostado na pia da
cozinha com os braços cruzados sobre o peito, apenas observando-a.

— Há café na cafeteira e creme na geladeira, — disse ela para


Bella. — Fique a vontade.

— Eu não como uma frittata a uma eternidade. Nossa mãe


costumava fazê-los. Você meio que me lembra dela. Ela não te lembra
da mãe, Ford?

Meus olhos se fecharam e eu balancei a cabeça. — Ela


definitivamente não me lembra da minha mãe.

Val chapou as duas frittatas e colocou-as na mesa. — Vocês dois


podem comer.

— Nós vamos esperar por você, — eu disse.

— Esfriará enquanto eu faço o meu. Coma.

Bella chamou minha atenção e sorriu quando se sentou à


mesa. Ela apontou o garfo para mim antes de começar a comer. Mãe.

Eu iria definitivamente esperar Val para comer depois desse


comentário. Eu não estava realmente com tanta fome assim. Ela
finalmente se sentou alguns minutos depois.

— A aula de hoje foi incrível, certo? — Minha irmã disse.

— Foi. Eu realmente gostei. Já faz um tempo desde que fiz ioga,


então posso ficar dolorida depois.
— E aquele instrutor estava totalmente dando em cima de
você. Aposto que ele te convida para sair na próxima vez.

Valentina deu a minha irmã um sorriso educado, e então nossos


olhos se encontraram brevemente. Minha irmã estava totalmente
inconsciente, então é claro que continuou.

— Ele não conseguia tirar os olhos de você. Devemos fazer a aula


de novo amanhã. Ele é totalmente digno de se levantar tão cedo.

Eu tive um lapso momentâneo na sanidade. — Talvez eu também


faça a aula.

— Você? — Minha irmã bufou.

— Claro. Por que não?

— Você nunca fez ioga.

Eu levantei e coloquei meu prato na pia. — Eu sou todo sobre


tentar coisas novas.

— Bem, eu sou toda sobre conseguir um emprego hoje.

— Um emprego? Você só ficará aqui durante o fim de semana.

Os lábios de Bella franziram. — Eu tenho uma entrevista para


garçonete de verão em um restaurante na cidade. Imaginei que, se
conseguisse um emprego, você veria que sou responsável o suficiente
para ficar aqui durante o verão. Além disso, preciso economizar algum
dinheiro. Eu meio que explodi minhas economias durante o meu
semestre no exterior. — Ela olhou para o telefone. — Mate-me. Minha
entrevista é daqui a vinte minutos. Vou me atrasar. Deixe-me ajudá-la a
limpar antes de eu ir, Val.

Valentina acenou para Bella. — Deixe comigo. Vá para a sua


entrevista. Você não quer se atrasar.

— Vá, — acrescentei. — Eu vou ajudar Val a limpar.


— OK. Eu te devo uma.

— Vou adicionar à pilha de ciosas que você me deve.

Val e eu ficamos em silencio depois que a porta de tela se


fechou. Parecia que conversa fiada seria necessário.

— Ela deveria ficar aqui por um fim de semana de quatro dias, e


está indo a uma entrevista de emprego.

— Bem, pelo menos ela tomou alguma iniciativa. Você poderia ter
chegado a uma casa cheia de copos vermelhos e adolescentes
desmaiados.

— Eu acho.

Val se levantou e pegou seu prato e o de Bella. Mas eu tirei das


mãos dela. — Deixe comigo. Sente. Você cozinhou.

— Eu não posso simplesmente sentar aqui e deixar você limpar.

— Por que não?

— Eu não sei. Eu simplesmente não posso.

— Vou te dizer, se você não me deixar limpar, vou continuar


minha história sobre o que eu estava fazendo enquanto pensava em
você esta semana.

Ela começou a falar, mas depois fechou a boca e se sentou de


novo, um leve rubor nas bochechas.

Murmurei para mim mesmo, embora alto o suficiente para que ela
pudesse ouvir: — Que pena. É uma história fenomenal.

Depois de lavar todos os pratos e colocá-los na lava-louças, notei


uma poça de água se formando aos meus pés. — Eu acho que você tem
um vazamento?
— Porcaria. Ryan deveria ter consertado isso quando esteve aqui
no verão passado. Eu lhe disse que chamasse um encanador, mas como
dividimos as despesas da casa, ele nunca quer gastar em um reparo.

— Eu posso dar uma olhada.

— Não. Está tudo bem.

— Eu sou bom em consertar as coisas. — Eu sorri. — Não deixe


minha cara bonita te enganar achando que sou um inútil.

— Realmente, tudo bem. Eu posso ligar para alguém.

Eu coloquei minha mão em seu ombro. — Eu vou consertar


isso. Você tem um balde e uma caixa de ferramentas com uma chave
inglesa em algum lugar?

— Eu acho que Ryan tem algumas coisas na dispensa.

Pensando bem, eu não queria usar a merda do ex dela por algum


motivo. — Eu vou correr ao lado e pegar o que preciso para tirar o ralo e
ver o que está acontecendo.

— Oh. OK.

Cheguei à porta da frente e me virei para fazer uma piada


desagradável sobre conseguir cuidar de seus canos, afinal, mas quando
o fiz, encontrei seus olhos firmemente presos à minha bunda. Pega,
seus olhos saltaram para encontrar os meus e um olhar culpado tomou
conta de seu rosto.

Eu pisquei. — O sentimento é mútuo. Eu admirei sua bunda


durante a maior parte da aula de ioga, então estamos quites. — Eu
balancei minhas sobrancelhas. — Já volto para cuidar de seus canos.
8

Valentina
Ryan certamente já não se parecia mais assim.

Mordi meu lábio, olhando para a metade inferior de Ford


esparramada no chão da minha cozinha. Ele desmontou minha pia,
encontrou uma rachadura no cano de esgoto e foi em três lojas de
suprimentos de encanamento diferentes para encontrar a peça certa,
uma em East Hampton. Agora ele estava no fundo do balcão da minha
pia, instalando o novo dreno. Eu fiquei por perto, entregando-lhe a
ferramenta ocasional e olhando seu corpo. Eu não pude evitar. Sua
camiseta escura tinha subido, me dando um show pessoal estrelando
abdominais duros, um V profundo, uma tatuagem que subia pela sua
lateral, e uma linha de cabelo sexy-como-o inferno que terminava na
cintura da sua cueca Calvin Klein. A visão fez meus dedos coçarem para
traçar aquela trilha feliz até o fim.

Ele torceu seu corpo enquanto usava a chave para apertar algo, e
o V de seu abdômen se aprofundou. Jesus. Pensando bem, eu tinha
certeza que Ryan nunca foi assim. Suspirei, lamentando
silenciosamente a perda do que estava bem à minha frente, a poucos
centímetros de distância, mas que nunca teria.

Ford deslizou para fora do balcão, e eu rapidamente desviei meus


olhos, esperando não ser pega olhando para ele uma segunda vez hoje.

— Vá em frente. Faça um teste. Ligue a água.


Inclinei-me para frente e levantei a alavanca da torneira enquanto
Ford observava por baixo. Depois de um minuto, ele sorriu. — Bom
como novo.

— Uau. Muito obrigada. Eu te devo muito. Você terá que me


deixar fazer um bom jantar, pelo menos.

— Que tal você me deixar levá-la para jantar em vez disso?

— Isso não vai lhe pagar o favor. Só aumentar minha dívida.

Ele levantou uma sobrancelha. — Você pode pagar depois do


nosso encontro.

— Ford...

— Relaxe. Estou brincando. Tipo. Que tal uma cerveja no deck


dos fundos?

Eu sorri. — Isso parece incrível, na verdade. Deixe-me apenas


limpar aqui, e me juntarei a você. Há muita cerveja na geladeira.

— Na verdade, eu vou correr ao lado e tomar um banho rápido. —


Ele levantou as mãos.

Elas estavam gordurosas e sujas. E másculas. Há algo tão sexy


em um cara cujas mãos parecem não ter medo de fazer trabalho
físico. Mãos ásperas sempre pareceram excitantes para mim. Depois,
havia as tatuagens em seus antebraços musculosos. Eu realmente
precisava parar de encontrar coisas sensuais sobre esse homem.

Garoto... quero dizer garoto.

Ele não é um homem, Valentina.

Eu olhei para seus ombros largos. Deus, ele realmente parece um,
no entanto.

Precisando de uma distração, comecei a limpar. — OK. Parece


bom. Vejo você daqui a pouco.
De alguma forma eu consegui não olhar para a bunda dele
enquanto ele se dirigia para a porta desta vez.

Depois que eu limpei a bagunça na cozinha, fui para o quarto


para me trocar. O sol da tarde começara a aquecer a casa e eu sabia
que o deck dos fundos estaria quente demais.

Escolher uma roupa provou ser mais difícil do que eu


pensava. Normalmente, eu apenas colocava meu maiô com shorts ou
uma manta à tarde, mas não queria parecer que estava tentando atrair
atenção. Meus seios C eram difíceis de esconder nas melhores
circunstâncias. Eu acabei mudando três vezes e finalmente resolvi por
uma camiseta branca simples e shorts jeans velhos e rasgados. Os
shorts eram um pouco jovens para mim, mas Eve poderia ter
mencionado que minha bunda parecia boa neles. Além disso, eles
estavam meio gastos, então não pareceria que eu estivesse tentando
demais.

Desci as escadas assim que Ford bateu na porta de tela da frente.

— Ei. — Ele olhou minhas pernas e sorriu. — Você parece bem.

Seu cabelo estava penteado para trás, ainda molhado do


chuveiro, e ele não usava nada além de shorts e óculos escuros de
aviador. Limpei a garganta e tentei ignorar o pacote de oito e as
tatuagens agora em exibição total.

— Umm... obrigada. Você quer um pouco de protetor solar? O sol


está assando no deck dos fundos neste momento.

Deus, pareço a mãe dele.

— Não. Eu estou bem. Eu não queimo.

Comecei a preparar mentalmente minha fala raios UV são


perigosos mesmo que sua pele não fique vermelha, mas me detive. Um
homem de vinte e cinco anos não precisa de uma palestra.
Garoto.

Ele é um garoto, Valentina.

Peguei duas cervejas na geladeira e fomos para o deck nos


sentando lado a lado em duas espreguiçadeiras. Ford estendeu a
cerveja para mim. — Por estar de volta em Montauk.

Eu bati minha garrafa com a dele. — Por estar de volta em


Montauk.

A cerveja gelada estava realmente deliciosa. Ford deve ter


concordado, desde que soltou um alto ahhh quando terminou de beber
metade da garrafa.

— Eu senti falta aqui, — disse ele. — Eu esqueci o quanto amo


isso.

— Quando foi a última vez que você esteve aqui? Eu sei que não
vejo vocês há anos. Mas Ryan e eu dividimos o uso da casa, e deixei que
ele a usasse nas últimas duas temporadas, então posso ter perdido
você.

— Eu não estive aqui desde o verão antes de meus pais


morrerem. Eu definitivamente estava evitando vir. Este lugar está cheio
de tantas lembranças. Mas até agora me senti em paz estando
aqui. Acho que já passou tempo suficiente para que eu possa lembrar
os bons momentos e apreciá-los, em vez de ficar amargurado por eles
terem partido.

— Seus pais realmente amavam Montauk. Tenho certeza de que


ficariam felizes por você se sentir assim e poder criar novas memórias.

Ficamos em silêncio por um tempo, absorvendo as ondas batendo


contra a costa e o sol brilhando ao longo da água. Apesar de ter sido um
dia quente de quase verão, a praia estava bastante vazia. A temporada
turística não começava a chegar ao pico até as crianças saírem da
escola, que o que era daqui a uma ou duas semanas.
— Sim. Eles realmente amavam a temporada de verão na casa. —
Ele levou a garrafa de cerveja aos lábios e ficou olhando para o oceano
enquanto falava. — A vida era corrida quando estávamos em casa na
cidade, eles trabalhavam muito. O tempo parecia desacelerar aqui, no
entanto.

— Eu costumava vê-los juntos e invejar o relacionamento


deles. Eles eram tão gentis um com o outro, e isso me lembrou quão
distante Ryan e eu nos tornamos.

Ford olhou para mim e sorriu tristemente. — Eles costumavam


deixar frascos Mason4 nas mesinhas de cabeceira do quarto. Durante o
verão, eles escreviam pequenas notas de amor em pedaços de papel e
colocavam-nas nos frascos um do outro, uma ou duas linhas dizendo
coisas aleatórias que gostavam que o outro tinha feito naquele
dia. Então no Dia dos Namorados a cada ano, eles vinham sozinhos
verificar a casa. Eles passavam uma noite e trocavam os frascos.

— Uau, nem sei o que dizer. Isso é tão romântico.

— Sim. E nós sempre brincamos com meu pai que ele era muito
pão duro para comprar um presente de Dia dos Namorados. — Ford
bebeu o resto de sua cerveja e pegou meus olhos. — Você sabe, minha
mãe era um ano mais velha que meu pai.

— É mesmo?

Ele assentiu. — Ser atraído por uma mulher mais velha deve ser
de família.

Eu ri. — Eu não acho que é um traço genético, e um ano é muito


menos do que doze.

4Um frasco de pedreiro, em homenagem a John Landis Mason, que o inventou e


patenteou em 1858, é um frasco de vidro moldado usado em conservas para
conservar alimentos. Aboca da jarra possui uma rosca em seu perímetro externo para
aceitar um anel de metal (ou "faixa").
— Eu fiz algumas pesquisas na semana passada. Jay-Z é doze
anos mais velho que Beyoncé. Ryan Reynolds é onze anos mais velho
que Blake Lively.

— Os homens sempre gostaram de mulheres mais jovens ao longo


da história.

Ele abanou o dedo para mim. — Eu pensei que você poderia dizer
isso. Então estou preparado. A esposa de Hugh Jackman é treze anos
mais velha que ele. O namorado de Allison Janney é vinte anos mais
novo. E Holland Taylor é trinta e dois anos mais velho que Sarah
Paulson.

Ele definitivamente ganhou crédito pela ingenuidade. Felizmente,


fui poupada de responder pelo som de alguém batendo na minha porta
da frente.

— Valentina? — Bella gritou.

Eu fui deixá-la entrar, enquanto Ford ficava no deck.

— Ei. — Eu abri a porta de tela. — Como foi a sua entrevista?

— Foi ótima. Eles me ofereceram o trabalho. Mas preciso da sua


ajuda. Eu estava esperando que você pudesse me ajudar a convencer
meu irmão a me deixar ficar aqui durante o verão.

Ford gritou do deck. — Ainda não pode lutar suas próprias


batalhas, hein, Bella?

Seus ombros caíram. — Merda. Eu não sabia que ele estava aqui.

Eu ofereci um sorriso simpático. — Desculpa. Mas vamos lá para


trás. E parabéns por conseguir o emprego.

No meu caminho para o deck, peguei outra cerveja para


Ford. Entregando para ele, eu tomei meu lugar sem pensar em nada
disso.
Bella olhou de um lado para o outro entre nós. — Bem, vocês dois
não parecem confortáveis?

Eu me senti compelida a explicar, mesmo que não estivéssemos


fazendo nada de errado. Não era incomum que dois vizinhos sentassem
juntos e compartilhassem uma cerveja à tarde.

— A pia da cozinha estava vazando, e a Ford consertou para


mim. Levou horas. Ele acabou de terminar.

Ford olhou para mim e balançou a cabeça. Ele sabia o que eu


estava fazendo.

— O que você quer, Bella? — Ele disse.

Ela colocou a mão nos quadris. — Eu quero ficar. Seu


apartamento é chato e eu adoro isso aqui. O restaurante me contratou
para trabalhar no turno mais movimentado, quinta, sexta, sábado e
domingo, então estarei trabalhando o tempo todo e não poderei sair do
controle.

Ford se sentou e coçou o queixo. Bella aproveitou a oportunidade


para continuar vendendo.

— Além disso, Valentina vai estar aqui todo o verão, então ela
pode ficar de olho em mim.

Ele olhou para mim e puxou seus óculos escuros pelo nariz para
encontrar meus olhos. — Você vai ficar o verão todo? Não apenas nos
fins de semana?

Eu balancei a cabeça. — Eu tenho que ir a cidade fazer o meu


exame da faculdade na próxima semana, mas fora isso, não tenho
planos de sair.

Ford apertou os olhos. Eu podia ver as rodas em sua cabeça


girando. Ele esfregou o queixo. — O verão inteiro, hein?

Eu balancei a cabeça hesitante.


Ele olhou para a irmã. — Você sabe o quê? Vá em
frente. Fique. Eu acho que pode ser bom para você passar um tempo
aqui neste verão, afinal de contas. — Ele deu um sorriso travesso. — Na
verdade, estou ansioso para passar o maior tempo possível aqui
também.

Bem, isso certamente saiu pela culatra.

***

Mais tarde naquela noite, eu estava estudando no sofá quando


Ford bateu na porta. — Ei. Eu tenho que voltar para a cidade amanhã
de manhã cedo antes do trânsito. Eu só queria falar com você sobre
Bella.

— Claro, entre.

Ele olhou para os livros espalhados e minha pilha de cartões de


memórias caseiros. — Estudando para o seu exame na próxima
semana?

— Sim. É na quinta-feira.

— Você sabe, eu falo um pouco de italiano. Talvez eu possa te dar


uma mão, se você precisar.

— Você fala?

— Eu fiz um semestre no exterior em Roma no meu segundo ano


de faculdade. Na verdade, eu fiquei lá apenas por volta de sete
semanas. — Ele desviou o olhar. — Era lá que eu estava quando recebi
a ligação sobre o acidente dos meus pais.

— Oh Deus. Eu sinto muito. Isso deve ter sido horrível, receber


uma ligação assim quando você está tão longe.
Ele assentiu. — Diga alguma coisa em italiano.

— Como o quê?

— Eu não sei. Qualquer coisa.

Eu pensei por um momento, então disse, — Sperou davvero di


não bombardare questo teste. — Eu realmente espero que não
bombardeie este teste.

Ford sorriu. — Eu não tenho ideia do que você disse, mas soou
sexy pra caralho.

Eu ri. — Deixe-me ouvir você dizer alguma coisa.

Ele inclinou a cabeça para um lado. — Mi piace molto il tuo


aspetto senza un reggiseno. — Eu realmente gosto da maneira como você
parece sem um sutiã.

Meus olhos se arregalaram e olhei para baixo. Com certeza, meus


mamilos estavam praticamente perfurando minha camiseta. Eu não
esperava companhia. Eu cruzei meus braços sobre o peito. — Está frio
aqui.

— Mesmo? Estou meio quente.

Tão maldito arrogante.

— Você disse que queria falar comigo sobre Bella?

Ele riu. — Sim. Se a casa começar a tremer por uma festa, me


avise? Não poderei voltar aqui até o próximo fim de semana.

— Tenho certeza que ela vai ficar bem. Mas se isso faz você se
sentir melhor, vou ficar de olho nela.

— Obrigado. Ela é uma dor na minha bunda. Mas eu quero


mantê-la longe de problemas.

Eu sorri. — Você tem um lado suave, Ford.


Ele se inclinou e me beijou na bochecha antes de mover a boca
para o meu ouvido. — Eu tenho um lado duro que gostaria de mostrar a
você também.

Meu corpo inteiro se juntou aos meus mamilos ganhando vida.

Ford puxou a cabeça para trás. Ele deu uma olhada no meu rosto
e um sorriso malicioso se espalhou pelo dele. — O verão inteiro. Eu mal
posso esperar.
9

Valentina
— Estou tão feliz que acabou. — Eu soltei um longo suspiro de
alívio.

Mark e Allison já estavam do lado de fora esperando que Desiree e


eu terminássemos o teste. Eles tinham terminado antes, mas queria
usar até o último minuto disponível para rever minhas respostas pela
terceira vez.

— O que você achou? — Perguntou Mark.

Foi mais fácil do que eu pensei que seria, mas estava com medo
de me azarar e dizer isso em voz alta. — Eu me senti preparada.

Desiree sorriu. — Eu também. Embora, não esteja certa se tenho


a capacidade de julgar o andamento das coisas. Também achei que meu
ex, Travis, iria propor a noite em que ele me largou.

Todos nós rimos. — Então, o que todo mundo vai fazer no


verão? Parece que teremos muito tempo livre sem aulas e estudar, —
disse Mark.

— Vou a Minneapolis por algumas semanas para cuidar meu


sobrinho porque minha irmã precisa fazer uma histerectomia, — disse
Allison.

— Sinto muito por ouvir isso, mas que ótima irmã você é por
ajudar. Eu vou passar o verão em Montauk. Nós temos uma casa lá. Se
você voltar cedo, deve aparecer lá e relaxar um pouco. — Eu olhei para
todos os meus três parceiros de estudo. — Vocês todos deveriam.
— Nós? Você está compartilhando um verão? — Allison
perguntou.

Eu balancei a cabeça. — Não. Desculpa. Nós somos eu e meu ex-


marido. Eu fiquei com a casa neste verão, mas nos revezamos. Já faz
quase dois anos, mas ainda assim escorrego e digo isso às vezes. Mas
ela é nossa, então eu acho que, tecnicamente, está tudo bem neste
caso.

— Eu nunca estive em Montauk, — disse Mark.

— E você viveu em Nova Jersey toda a sua vida?

Mark riu. — Sim. Nascido e criado em Edgewater. Eu nunca


estive nos Hamptons também. Acho que devo corrigir isso em breve.

— Você realmente deveria. Eu pessoalmente poderia passar sem


os Hamptons. No verão, é principalmente lojas de luxo e cercadas de
gente polida. Montauk é muito mais descontraída, na maior parte, uma
antiga vila de pescadores e mais casual. Eu amo aquilo lá.

— Bem, então, farei questão de conhecer neste verão. Talvez você


possa me dar um tour se eu for.

— Claro. — Eu olhei para Allison e Desiree. — Realmente,


pessoal. Vamos manter contato. Vocês são bem vindos se quiserem ir.

Nós nos abraçamos e prometemos ligar em breve, e então fui para


o meu carro. Eu tive que desligar meu telefone antes do teste começar,
então liguei novamente. Assim que a tela se iluminou, o nome de Ford
apareceu com uma nova mensagem de texto.

Ford: Bem, como foi? Não me deixe na expectativa...

Eu sorri. Ford e eu tínhamos mandado mensagens de texto à


semana toda. Inicialmente, os textos tinha sido sobre Bella, ele
perguntou se eu a tinha visto e como as coisas estavam indo. Mas nos
últimos dias não tiveram nada a ver com sua irmã. Parecia que
estávamos de volta a quando começamos a enviar mensagens de texto,
antes que eu soubesse que Donovan era o Ford, o garoto da casa ao
lado.

Eu estaria mentindo se dissesse que não gostava das nossas


comunicações. Ele era espirituoso e, embora eu não devesse, ansiava
por ouvi-lo. Eu poderia até ter checado meu celular como uma
adolescente nos últimos dias. Eu sabia que era errado, mas podia
justificar isso na minha cabeça como manter contato por causa de
Bella. Era a coisa certa a se fazer. E agora, ele estava apenas sendo
cordial, perguntando como foi meu teste. Era isso. Ele estava sendo
amigável... Eu não podia não responder.

Eu suspirei, sabendo muito bem que estava mentindo, mas


mandei uma mensagem de volta de qualquer maneira.

Valentina: Eu sinto que me saí bem.

Ele mandou uma mensagem de volta imediatamente.

Ford: Excelente. Precisamos celebrar este fim de semana.

Eu odiava sentir uma vibração na minha barriga lendo que ele


estaria em Montauk novamente em breve.

Valentina: Você vai para lá neste fim de semana?

Ford: Já estou aqui. Cheguei há uma hora.

Eu mascarei como realmente me senti.


Valentina: Oh. Isso é bom. Tenho certeza que Bella deve
estar feliz com alguma companhia.

Ford: Esqueça ela. Espero que você fique feliz com alguma
companhia também...

Eu não queria responder com sinceridade, então decidi não


responder. O homem me deixava confusa para começar, e eu precisava
dirigir. Eu o veria amanhã. Então joguei meu celular na minha bolsa e
liguei o carro.

O homem me deixava nervosa.

Garoto.

Pense nele como um garoto, Valentina.

Eu queria muito.

Mas estava ficando cada vez mais difícil lembrar sua idade.

***

— Ei, — eu gritei para Ford enquanto eu saía para o meu


deck. Ele piscou algumas vezes e olhou para cima de seu laptop. Eu
achei que ele tinha me visto sair, mas aparentemente não tinha.

— Você voltou.

— Cheguei há alguns minutos atrás. Como está Bella?

— Ela está bem. Acabou de sair para o trabalho. A casa ainda


está de pé, então acho que as coisas correram bem.
Eu sorri. Eu planejava me sentar no deck e aproveitar o sol do fim
da tarde, mas parecia estranho agora, já que ambos estávamos
sozinhos. Nossas casas eram tão próximas que provavelmente
poderíamos saltar de um deck para o outro se precisássemos.

— Fico feliz que tenha corrido bem. Você parece ocupado. Vou
deixar você voltar ao trabalho. — Acenei e me virei para voltar para a
casa.

A voz de Ford me parou quando minha mão tocou a maçaneta da


porta de vidro deslizante. — Espere, — ele chamou. — O que você vai
fazer agora?

— Umm. Eu… uh… eu ia dar uma volta, — eu menti. — Demorei


quase quatro horas para chegar aqui com todo o tráfego. Imaginei que
minhas pernas pudessem precisar de um bom alongamento.

— Se importa se eu me juntar a você? Eu preciso parar de olhar


para este computador.

— Uh. Certo. Seria ótimo. Eu vou me trocar. Volto em alguns


minutos.

Trocar-me se transformou em arrumar meu cabelo, escovar meus


dentes e retocar minha maquiagem. Eu fiquei muito desapontado por
ter feito tanto esforço extra.

Quando voltei para o deck, encontrei Ford esperando no final da


minha escada com dois copos de vinho. Eu tinha duas cervejas na
minha mão. — Acho que nós dois tivemos a mesma ideia.

— Grandes mentes. Você quer deixar um aqui ou levar um em


cada mão para a nossa caminhada?

— Por que não nos sentamos por alguns minutos antes de


começarmos a caminhar? Não tenho certeza se sou capaz de manobrar
pela areia sem derramar as duas coisas.
— Boa ideia. — Nós nos sentamos lado a lado no terceiro degrau
da areia. Eu escolhi beber o vinho primeiro, enquanto Ford pegou a
cerveja.

— Você trouxe cerveja porque sabe que eu gosto? — Ele


perguntou.

Eu sorri. — Você trouxe o vinho porque é o que eu bebo?

Ele sorriu de volta. — Só porque não temos suco de azeitona na


casa. Vou ter que remediar isso.

Nossas pernas roçaram uma na outra e a excitação passou por


mim. Sério, era apenas uma perna. O que diabos havia de errado
comigo? Minha libido estava morta há tanto tempo, e tinha que escolher
um momento totalmente inoportuno para acordar? Nada como um
pouco de álcool para voltar a dormir. Eu engoli metade do meu copo de
vinho e tentei ser eu mesma.

— Você parecia estar estressado sentado em frente ao seu


laptop. Tudo bem no trabalho?

— Não, não era trabalho. Eu estava limpando as montanhas de


mulheres no Match.com que me enviaram mensagens.

A queimadura de ciúmes rastejou pelo meu corpo, me fazendo


sentir quente.

— Oh. Isso é bom.

Ford bateu no meu ombro com o dele. — Brincando. Eu não


estive no Match desde que começamos a conversar. E você?

Eu balancei a cabeça. Não querendo analisar por que qualquer


um de nós não tinha voltado ao site de namoro, mudei a nossa
conversa. — Eu devo ter confundido concentração com estresse.
Ele balançou sua cabeça. — Você realmente não o fez. Eu tenho
algumas grandes decisões para tomar no trabalho que estão pesando na
minha cabeça.

— Você disse que trabalha no setor imobiliário, certo?

— Sim. Minha família possuía uma empresa de armazenamento


comercial e meu pai e eu, também começamos a investir em locais para
escritórios temporários. A parte do armazenamento comercial das
coisas não estava indo tão bem como antes, então começamos a fazer a
transição dos prédios que possuíamos para algo novo. As instalações de
armazenamento se converteram em agradáveis suítes de escritório
temporárias, tetos altos, dutos expostos e tijolos. Convertemos um
antes do acidente, e ficou muito bom. As pessoas adoram a ideia de ter
um lugar para ir trabalhar com tudo disponível para elas, recepcionista,
impressoras, Wi-Fi, móveis, mas sem o compromisso e a despesa de
arrendamento a longo prazo. A maioria das pessoas só trabalha em um
escritório alguns dias por semana, portanto, compartilhar o custo e o
espaço com outras pessoas funciona.

— Uau. Isso é incrível. Você fez administração na faculdade?

Ele balançou sua cabeça. — Arquitetura.

— Bem, eu acho que converter o espaço bate com isso, então,


certo?

— Sim. Meu pai era o lado comercial das coisas. Eu via o


potencial dos edifícios antigos. Era algo que estávamos fazendo juntos.
— Ele empurrou a areia com o pé e ficou quieto.

— Deve ter sido enorme assumir tudo depois que seus pais...

Ele assentiu. — Meus pais foram inteligentes no planejamento de


contingência, no entanto. Eles tinham um fundo de investimento em
vigor, então se alguma coisa acontecesse com eles, às ações de sua
corporação iam para mim e para minha irmã, mas o diretor financeiro
deles se tornaria o presidente até eu me formar na faculdade e
completar vinte e um anos. Uma vez que fiz essas coisas, tive a opção
de me tornar co-presidente, o que fiz. Então, aos vinte e cinco anos,
tornei-me o único presidente.

— Então você teve ajuda nos últimos anos, mas agora está
sozinho?

— Tecnicamente, sim. Mas Devin, o Diretor Financeiro, ainda está


lá para mim sempre que preciso dele. Temos mais alguns prédios de
armazenamento comercial com arrendamentos vencendo, por isso estou
tentando decidir se devo convertê-los em mais espaços para escritórios
temporários. Agora seria a hora. Esse foi o estresse que você leu no meu
rosto enquanto eu estava no meu laptop.

— Eu entendo que não é uma decisão fácil.

— É e não é. O negócio de armazenamento ainda dá lucro, mas os


espaços para escritórios tem um retorno muito maior sobre o
investimento. Um dos prédios que poderia estar disponível para
converter em breve é o primeiro que meus pais compraram há vinte e
cinco anos. Era especial para eles, então parece errado mudar as
coisas... Eles trabalharam muito para construir o que tinham.

Eu poderia não ser um magnata dos negócios, mas sabia que


adicionar emoção a qualquer decisão de negócios tornava muito mais
difícil. — Deixe-me perguntar algo. Se seu pai ainda estivesse aqui, e ele
visse os números dos espaços para escritórios em comparação com o
negócio de armazenamento, o que ele faria?

Ford sorriu. — Ele converteria todos eles, exceto o prédio com o


qual eles começaram. Ele manteria aquele pela minha mãe.

Dei de ombros. — Bem, talvez seja a sua resposta, então.

Ele pensou sobre isso por um minuto e depois assentiu. — Você


sabe o quê? Você está certa. Estou olhando para isso errado. Eu deveria
honrar meu pai fazendo o que acho que ele faria, não congelando seus
negócios no tempo.

Eu bati meu ombro contra o dele de brincadeira. — Rapaz, isso foi


fácil. Seu trabalho parece um pedaço de bolo.

Ford riu e terminou sua cerveja. Ele se levantou e ofereceu sua


mão para me ajudar. — Vamos. É sua vez. Nós vamos resolver todos os
seus problemas durante a nossa caminhada.

— E se eu não tiver nenhum problema?

Ele sorriu. — Oh, mas você tem. Sua cabeça e seu corpo estão em
desacordo sobre um determinado problema. Esse é um que devemos
discutir em detalhes.

***

— Então, quando você receberá o resultado do teste que fez?

Ford e eu andamos cerca de quarenta e cinco minutos pela


praia. Atrás de nós, o sol começava a descer, e o céu se iluminava com
lindos tons de laranja e roxo, então nos viramos para voltar e apreciar a
vista.

— Dezessete dias.

— Isso não é tão ruim.

— Não, não mesmo. Fiz meu estágio com uma mulher mais velha
que disse que levou dois meses para receber seus resultados anos
atrás.

Ford sorriu.

— O quê?
— Eu estava só pensando em como você vai ser aquela professora,
aquela que dá a todos os garotos do colegial, sonhos molhados.

Eu enruguei meu nariz. — Ugh. Nem diga isso.

— O quê? Eu totalmente fantasiaria sobre você se fosse minha


professora. — Ford riu. — Agora sério, acho legal que você tenha
voltado à faculdade e tenha conseguido o diploma, decidiu se tornar
professora. Você sempre quis ser uma?

— Sim. Desde a terceira série, quando tive a Sra. Moynihan. Eu


adorava ler, mas tinha uma estranha obsessão pelo espaço na
época. Todas as segundas e sextas-feiras, íamos à biblioteca da escola e
pegávamos livros para ler durante o tempo de silêncio. Todas as outras
crianças escolhiam livros como Harold e Purple Crayon, enquanto eu
queria ler livros sobre Plutão e asteroides espaciais. Alguns de meus
colegas começaram a tirar sarro de mim, me chamando de Valentina de
Vênus, então mudei para livros parecidos com os das outras crianças,
mesmo que não gostasse muito deles. De qualquer forma, a sra.
Moynihan notou, e um dia, na biblioteca, ela me entregou um livro que
achou que eu gostaria. A capa de um livro infantil regular e popular,
mas dentro havia um livro sobre o sistema solar. Ela tirou a capa de um
livro e colocou no que eu realmente queria ler para que eu pudesse ler
em particular.

— Fantástico.

— Eu troquei as capas até duas semanas depois de voltarmos do


feriado de Natal, quando tivemos um orador convidado, um astronauta
aposentado. Ele trouxe um velho traje espacial e todas as crianças
ficaram loucas. Na semana seguinte, todos começaram a procurar livros
sobre astronautas nos dias de biblioteca. A Sra. Moynihan sempre foi
especial para mim. Eu mantive contato com ela por anos. Quando eu
estava na décima série, ela morreu e minha mãe me levou ao seu
funeral. Fomos até o Sr. Moynihan para dar condolências e ele
reconheceu meu nome. Acontece que a razão pela qual ele se lembrou
do meu nome foi porque sua esposa havia passado um feriado inteiro de
Natal escrevendo cartas para 150 astronautas implorando que fossem
palestrar na escola porque ela tinha uma aluna que precisava que os
outros vissem quão legal o espaço poderia ser.

— Uau. Cento e cinquenta cartas manuscritas. Isso é dedicação.

Eu balancei a cabeça. — O que você queria ser quando era


pequeno?

Ford sorriu. — Bem, isso mudou quando fiquei mais velho, mas
no jardim de infância minha professora nos fez desenhar o que
queríamos ser. Eu desenhei Papai Noel.

— Você queria ser o Papai Noel?

— Não ria. É um ótimo trabalho. Você só trabalha uma noite por


ano, consegue voar em um trenó puxado por renas malucas, e todo
mundo deixa biscoitos na mesa quando você passa pelas casas.

— Uhhh, Papai Noel trabalha o ano todo fazendo os brinquedos.

Ele encolheu os ombros. — Eu achei que os elfos faziam tudo


isso.

— O que aconteceu depois que você descobriu que o Papai Noel


não era real?

Ford parou abruptamente no lugar e seus olhos se


arregalaram. — Papai Noel não é real?

Nós dois gargalhamos. Quando começamos a andar novamente,


Ford disse: — Você vai pensar que sou cheio de merda, mas depois que
percebi que a coisa do Papai Noel não ia dar certo, eu queria ser um
astronauta.

Eu empurrei seu braço. — Você só está dizendo isso porque eu


lhe disse que era obcecada pelo espaço.
Ford desenhou um X em seu peito. — Eu juro. Mas faz sentido
porque nossa conexão é tão forte. Nós somos ambos nerds espaciais no
coração.

Ele estava me provocando, mas não estava errado. Nossa


conexão era forte. Mesmo antes que eu soubesse que sua personalidade
estava ligada a um rosto lindo e corpo ridiculamente forte, eu também
sentira isso. Ford me fazia rir e me sentir bem comigo mesma.

Eu sufoquei esse pensamento e conduzi nossa conversa para um


território mais seguro. — Então, como você acabou indo para a
faculdade de arquitetura se era um nerd espacial?

— Na verdade cursei as duas ciência aplicada e arquitetura como


principal na faculdade nos dois primeiros anos. Mas abandonei a
ciência no meu terceiro.

— O que fez você se concentrar na arquitetura?

Ele olhou para mim e parecia que estava debatendo como


responder. Finalmente, ele deu de ombros. — A vida. Eu morava em
Boston na faculdade e, depois do acidente, queria que Annabella ficasse
em Nova York e terminasse a escola com as amigas. Temos uma família
muito pequena, meu pai era filho único e minha mãe tem uma
irmã. Minha tia Margaret mora em Ohio e se ofereceu para nos levar,
mas tínhamos acabado de perder nossos pais e experimentamos
mudanças suficientes para durar uma vida inteira. Então eu voltei para
casa, e Bella e eu ficamos juntos no apartamento dos nossos pais
enquanto eu terminava meu curso e começava a trabalhar em tempo
integral na empresa. A mudança para arquitetura pareceu mais
prática. Eu não tinha tanto tempo livre para fazer os trabalhos em dois
cursos difíceis.

Oh. Uau. Eu não tinha pensado sobre a logística deles perderem


seus pais, e o que aconteceu imediatamente depois que seus pais
morreram. Naturalmente, assumi que tinha sido um evento de
mudança de vida, perder os pais jovens inesperadamente em um
dia. Mas Ford havia se sacrificado tanto por sua irmãzinha. Ele se
tornou um pai com uma filha adolescente e um negócio herdado para
gerir da noite para o dia. As escolhas que ele fez foram nobres e
maduras.

Eu estendi a mão e toquei seu braço. — Nem todas as pessoas


teriam desistido do que você desistiu.

— Confie em mim, eu tive meus momentos em que não fiz a coisa


certa. Alguns anos atrás, minha tia teve que intervir e me
endireitar. Certa manhã, entrei no escritório e sentei-me à minha mesa,
e me ocorreu que eu era um homem de quarenta e cinco anos de idade
aos vinte e dois anos. Eu tinha uma filha de dezesseis anos, morava na
casa dos meus pais e estava sentado na cadeira do meu pai. Eu senti
como se minha própria vida tivesse desaparecido e eu literalmente
tivesse me tornado o meu pai.

Eu entendi como ele se sentia. Ficar grávida aos dezessete anos


significou o fim abrupto da minha juventude de várias maneiras. —
Entendo. Eu me lembro vividamente de estar em casa numa noite de
sexta-feira quando tinha vinte anos. Meu marido estava dormindo no
sofá às oito e meia e eu tinha uma criança de dois anos dormindo no
outro quarto. Liguei a TV, coloquei meus pés para cima e comecei a
assistir Family Feud. Minha mãe costumava assistir isso o tempo todo,
mas com um cara diferente apresentando o programa. Olhei para baixo,
percebi que estava de pijama às oito e meia da noite de sexta-feira e me
ocorreu que eu havia me transformado na minha mãe.

Ford olhou para mim. — O que você fez?

— Eu vesti roupas que não me parecia certo usar, coloquei o


monitor de bebê ao lado do meu marido dormindo e saí com Eve.

Eu sorri, me lembrando daquele fim de semana. Eu fiquei fora por


quase dois dias, mas no final, Eve teve que praticamente me levar para
casa porque eu estava bêbada e chorando muito porque sentia falta do
meu filho.

— Eu me diverti por dois dias, depois fiquei doente de cama por


três. Mas eu definitivamente me perguntei se tinha feito às escolhas
certas algumas vezes.

— Sim, eu fiz algo parecido, exceto que minha agitação durou


quase um ano. Eu comecei a estragar tudo no trabalho, levava
mulheres para casa enquanto morava com minha irmãzinha, e gastei
um monte de dinheiro do seguro de vida dos meus pais. Minha tia
finalmente me alertou sobre isso. Ela me disse para me recompor,
porque enquanto ser meu pai poderia não ser o que eu havia planejado,
deveria me sentir honrado em ficar no lugar do homem. — Ele
assentiu. — Ela estava certa. Além disso, a Sra. Peabody me ligou cerca
de quinze minutos depois que minha tia acabara de me dar um sermão
e me disse para colocar minha cabeça no lugar.

Minhas sobrancelhas se uniram. — Sra. Peabody? A mulher que


você mencionou ter premonições ou algo assim, certo?

— Sim. Ela às vezes acorda no meio da noite com essas sensações


fortes. Ela as tem desde criança. Mas naquele dia, ela me ligou logo
depois que minha tia saiu e disse que tinha a sensação de que algo
ruim iria acontecer comigo. — Ele riu. — Então ela me disse para ficar
sóbrio e colocar a cabeça no lugar. Pouco antes de desligar na minha
cara.

— Quem é ela?

— É uma longa história, mas liguei para o numero dela por


acidente há alguns anos. Pelo menos, acho que foi um acidente. Ela não
acha. Uma noite, quando eu estava em um lugar de merda, bêbado
tentando ligar para uma mulher que conheci. Eu disquei errado e
cheguei a Sra. Peabody. Começamos a conversar e eu divaguei e contei
a história da minha vida. Ela disse que ficou acordada até tarde,
esperando uma ligação por causa de um sonho que teve que um
estranho precisava de ajuda.

— Oh, nossa. Isso é louco.

Ele riu. — Sim. Essa é a ponta do iceberg com a Sra. Peabody. Ela
tem 76 anos e mora em um asilo no Wyoming.

— E você manteve contato com essa mulher depois disso?

— Eu ainda mantenho contato com ela. Já faz cerca de três


anos. No dia seguinte ao minha bebedeira, acordei e lembrei vagamente
de conversar com alguém. Então olhei minhas chamadas perdidas e
disquei o último número. A Sra. Peabody atendeu e voltamos a
conversar. Ela tinha acabado de sair do consultório do podólogo e
descobriu que precisava amputar o dedo do pé no dia seguinte. Ela é
diabética e tem problemas de circulação. De qualquer forma,
conversamos por um tempo, e eu não tinha certeza se ela era louca,
clarividente, solitária ou apenas excêntrica. Eu ainda não tenho
certeza. Mas ela parecia nervosa sobre a cirurgia, e era óbvio que só
precisava conversar. Então passamos algumas horas no telefone de
novo, só que desta vez ela falou mais. Eu imaginei que lhe devia
uma. Depois disso, eu pesquisei o número do telefone dela e consegui
um endereço para enviar algumas flores pela sua recuperação. — Ele
deu de ombros. — Conversamos algumas vezes por mês desde então.

— Isso é um pouco bizarro, mas também estranhamente


doce. Embora eu acredite que algumas pessoas tenham dons especiais
como esse.

— Oh sim? — Ele sorriu. — Então me sinto inclinado a lhe dizer


que a Sra. Peabody ligou esta manhã e disse que se a minha vizinha
não dormisse comigo, algo de ruim poderia acontecer comigo.

Eu estreitei os olhos. — Você é tão cheio de merda.


Ele riu. — Tudo bem... mas se eu quebrar uma perna amanhã, é
culpa sua.

Paramos quando chegamos à minha casa e ficamos no pé da


escada. Nós tínhamos que ter andado cinco ou seis quilômetros, mas eu
poderia ter continuado andando por mais cinco conversando com ele,
era tão fácil de fazer.

— Para que conste, você deveria se orgulhar de como lidou com as


coisas desde o acidente, especialmente com sua irmã. Você pode não ter
feito tudo perfeitamente, mas ela parece uma garota normal de
dezenove anos que é bem ajustada.

— Sim. Eu tive muita ajuda e nem sempre foi bonito. Mas acabei
no lugar certo, mesmo tomando um caminho diferente do que eu
esperava.

A modéstia era outra qualidade que eu achava atraente em um


homem. Por que Ford não podia ser egocêntrico?

— Mesmo que eu esteja divorciada e começando de novo aos


trinta e sete anos, eu também não mudaria nada.

— Você vê? Não somos tão diferentes quanto você pensa.

Talvez não em valores, mas uma lacuna de geração inteira se


estendia entre nós. — Oh sim? Qual é seu músico favorito?

— Eu escuto tudo. Mas estou em Jack Johnson agora.

— Nunca escutei. A minha banda favorita era os Backstreet Boys.

Ford encolheu os ombros. — Isso não é uma diferença. Essa é


uma oportunidade de compartilhar coisas novas um com o outro.

— Eu não tenho um Instagram ou SnapFace.

— Você quer dizer SnapChat.


— Tanto faz. Eu apenas provei meu próprio ponto. Eu nem sei
mais como a mídia social é chamada. Você tem Facebook?

— Não.

— Deixe-me adivinhar, porque o Facebook é para pessoas idosas?

— Não. Porque nós não sabemos as senhas da minha mãe, e


quando eu tinha uma conta, ele continuou me enviando lembranças de
coisas com ela marcadas após o acidente.

Merda. Agora eu me sentia horrível. — Desculpa. Eu não percebi.

Havia ficado escuro e Ford e eu permanecemos no final da minha


escada por mais algum tempo, mas por fim parecia que eu precisava
encerrar a noite. Agradeci-lhe por se juntar a mim na minha
caminhada.

— Ei! — Ele gritou quando cheguei ao último degrau. — Jante


comigo esta noite?

Eu fiz uma careta. Não porque ele convidou, mas porque eu


queria. Eu realmente queria.

— Eu não posso.

— Já tem planos?

Eu balancei a cabeça.

— Muito cansada de sua viagem e da nossa caminhada?

Eu balancei a cabeça novamente. — Sinto muito, Ford.

Ele me deu um sorriso triste. — Está tudo bem. Eu vou te vencer


pelo cansaço. Eu não desisto facilmente. Boa noite linda.
10

Valentina
Eu ouvi a música da minha cozinha e presumi que as pessoas
deveriam ter vindo à praia hoje mais cedo. Mexendo meu café, me vi
cantando junto enquanto ia apreciar a vista da manhã com minha
xícara de cafeína no deck dos fundos.

Um Ford sem camisa levantou uma caneca enquanto eu saía. —


Bom dia, vizinha.

Que visão, tudo bem. Eu poderia me acostumar a ver isso todas as


manhãs.

— Bom dia. — Forcei meus olhos a voltarem para a porta de tela


fechando-a e depois me virei para olhar a praia, protegendo meus
olhos. Demorei um minuto para perceber que não havia ninguém lá
ainda, e a música vinha da porta ao lado. Eu olhei para Ford. — Por
acaso, Backstreet Boys está simplesmente tocando esta manhã em sua
casa?

Ele sorriu e acenou para eu me juntar a ele em seu deck. —


Venha tomar seu café comigo e ouvir minha nova banda favorita.

Eu revirei meus olhos.

— Vamos. Eu baixei dois álbuns completos.

Eu ri, mas fui me juntar ao homem louco em seu deck de


qualquer maneira.

Garoto.
Garoto louco.

Desci as escadas, dei alguns passos na areia e subi as escadas


para o seu deck. Quando cheguei onde Ford estava sentado, ele se
levantou e pegou minha caneca da minha mão, colocando-a sobre a
mesa.

— Qual é sua música favorita? Espere… deixe-me tentar


adivinhar… 'I Want it That Way'?

— Não. Mas acho que essa era a música mais popular deles.

A música 'Everybody' que estava tocando agora, tinha um ritmo


de dance disco, e Ford pegou minha mão e me fez girar. Eu ri quando
ele não girou sob nossos braços.

— Eu não sou uma grande dançarina, — eu disse.

— Ninguém está assistindo, eu prometo.

Nós brincamos de dançar pelo resto da música. Foi muito


bom. Quando a próxima veio, ele ainda tinha a minha mão.

Meus olhos se iluminaram depois dos primeiros compassos. — É


isso! Essa é minha música favorita. Chama-se — ‘Incomplete’.

— É? Bem, então definitivamente não podemos parar de dançar


ainda. — Ford puxou minha mão e eu praticamente tropecei em seus
braços.

Antes que eu pudesse pensar, ele passou o outro braço em volta


da minha cintura e me puxou contra ele. Deus, era bom. Fazia muito
tempo desde que eu estivera nos braços de um homem, especialmente
um com um corpo tão firme, muito, muito firme. E ele cheirava
incrivelmente também, amadeirado, mas limpo, muito masculino.

Eu respirei fundo e Ford pressionou sua mão contra minhas


costas. Cada músculo em seu corpo parecia muito duro contra o meu
macio. Ele sabia como desacelerar a dança e estava confiante em sua
liderança, o que fez com que minha mente se perguntasse se essa
habilidade poderia ser levada para o quarto.

Pare com isso, Val. Não vá lá...

A cabeça de Ford se abaixou e ele descansou sua bochecha contra


a minha. Ele cantou um pouco do refrão, sobre ser sensual e balançar
seu corpo, e eu cedi completamente aproveitando o momento. Eu sabia
que era idiota, mas... mencionei o quão bom seu corpo duro
parecia? Isso era o mais perto que eu provavelmente chegaria a senti-lo
pressionado contra o meu, então, ei... por que não? Eu me deixei me
perder nele.

Foi por isso que não ouvi ninguém chegando até que a porta de
tela de sua casa se fechou.

— Achei que tínhamos uma regra de não pernoite para


convidados,— Bella brincou.

Eu pulei para longe dos braços de Ford e tropecei para trás,


quase caindo de bunda.

Os olhos de Bella se arregalaram quando ela me viu. — Oh. Val,


eu não sabia que era você. É muito cedo. Assumi que ele tivesse
passado a noite com uma garota.

Eu estava tão nervosa. — Não. Só eu. — Eu peguei meu café na


mesa. — Era... Backstreet Boys... e... sim... minha banda favorita... e
então... eu deveria ir. — Eu praticamente corri do deck deles. — Achoo!

Deus, droga. Bella provavelmente achou que eu era louca, mas eu


não parei para olhar para trás para verificar.

Dentro da segurança da minha própria casa, inclinei a cabeça


contra a porta. Eu estava sem fôlego de, bem, tudo, pelo jeito que foi
nos braços de Ford, ser pega em flagrante, subir as escadas para a
minha casa. O que diabos eu estava pensando, permitindo que isso
acontecesse? Eu estava tão privada de contato humano, contato de um
homem, que me deixei levar por um toque que me fazia bem.

Eve estava certa. Eu realmente precisava transar.

Mas, no momento, eu realmente precisava de um banho frio.

***

— Toc, toc, — Bella chamou da minha porta dos fundos.

Fiquei nervosa, achando que ela poderia ter vindo gritar comigo,
me chamando de velha safada pelo que ela tinha visto mais cedo.

Eu respirei fundo e abri a porta. — Ei.

— O que você vai fazer hoje?

— Ummm. Nada.

— Quer ir à mostra de arte na cidade? Será ao ar livre sob tendas


na praça.

Deixei escapar uma respiração aliviada que estava segurando. —


Oh. Eu li sobre isso. Não percebi que começava hoje.

— Minha mãe e eu costumávamos ir todos os anos. Eles tinham


algumas coisas bem legais. Se você não gosta de arte, também têm joias
e cerâmicas.

— Não, eu amo mostras de arte. Especialmente as locais como


esta. Mas…

Ela sorriu. — Ford me deixou um cartão de crédito e disse que


posso comprar algo para o meu novo apartamento. Sairei do dormitório
no próximo semestre. Devemos causar alguns danos.
— Ele deixou um cartão de crédito para você... então ele não vai
com você?

Ela balançou a cabeça, não parecendo incomodada com a minha


pergunta. Aliás, ela não parecia se importar em nos encontrar
dançando no convés mais cedo também. — Ele foi à cidade para uma
reunião.

— Ele vai voltar?

Ela encolheu os ombros. — Amanhã, eu acho.

Eu não tinha nada para fazer hoje, então disse a Bella que iria
com ela. Seria uma boa distração desta manhã, de qualquer maneira.

Como Bella dirigia um carro pequeno, pegamos meu Volkswagen


para o caso de qualquer um de nós encontrar algo grande que
quiséssemos trazer para casa. Depois que superei a ansiedade que senti
achando que Bella poderia dizer algo sobre Ford e eu, realmente me
diverti.

Nós andamos pelos corredores e paramos para ver cada


exposição. Nosso gosto por arte acabou sendo bem parecido. Bella
comprou uma cópia colorida de um surfista pegando onda em Ditch
Plains, uma praia de surf local. Tinha o pôr-do-sol mais surpreendente
no fundo que parecia cor reforçada, entretanto não era.

Enquanto esperávamos na fila para comprar um pretzel, um


garoto de boa aparência com cabelo loiro avermelhado pelo sol iniciou
uma conversa sobre a foto que Bella estava segurando. Eles ainda
estavam conversando depois que pagamos pelo nosso pretzel e águas,
então eu disse a Bella que iria voltar até uma exposição de joias que
passamos onde gostei de um anel.

Eu realmente só queria dar-lhes alguma privacidade, porque


achei que poderia ter havido uma faísca entre ela e o surfista.
Eu passeei por alguns corredores e ouvi o som abafado do meu
celular tocando dentro da minha bolsa. Parando para procurar, vi o
nome de Mark na tela. Como Bella estava ocupada, achei que poderia
atender.

— Ei, Mark.

— Ei, Valentina. O que você está fazendo?

Eu bebi minha água. — Não muito. Enchendo minha cara com


um pretzel e andando em uma mostra de arte no momento.

— Em Montauk?

— Sim. É uma mostra local na cidade, mas há muitos bons


artistas.

— Se importa se eu me juntar a você?

Eu parei e olhei ao redor. — Você está aqui? Em Montauk?

— Ainda não. Mas estarei em breve. Acabei de passar por uma


cidade chamada Amagansett, então não acho que esteja muito
longe. Eu tinha um compromisso em Holbrook hoje, e enquanto
estacionava, foi cancelado. Pensei, que diabos? Já estou a meio
caminho de Montauk e está um dia lindo… então porque não?

— Oh. Uau. Amagansett é perto.

Ele estava a apenas dez quilômetros de distância e já passara por


todos os pontos que tinham tráfego intenso. Ele provavelmente estaria
aqui em quinze minutos.

Eu não tinha certeza de como me sentia sobre Mark estar em


Montauk. Eu o convidei para vir, mas fiz isso como um convite ao grupo
de estudo como um todo. Mas me senti desconfortável em dizer que
estava ocupada demais agora que havia lhe dito que estava passeando
por uma mostra de arte. Além disso, Mark era um amigo, eu não
deveria me sentir estranha em vê-lo.
Ele deve ter sentido minha hesitação. — Se você está ocupada,
tudo bem. Eu só pensei em dar uma chance.

Eu balancei a cabeça. — Não, não. Eu não estou ocupada. Claro


que você está convidado a se juntar a mim. Vou te dar um passeio por
Montauk, se você quiser.

— Doce. Isso seria bom.

Com certeza, quinze minutos depois, Mark ligou e perguntou


onde deveria estacionar. Bella tinha terminado sua conversa com o
surfista, então nos aproximamos para encontrá-lo fora das barracas.

— Ei.

Nós nos abraçamos.

Mark olhou em volta. — Isso é muito legal. Eu mal posso esperar


para ver a cidade inteira.

Eu sorri abertamente. — Você praticamente acabou de fazer


isso. Bem, a parte comercial e empresarial de qualquer maneira. Mas
não é isso que eu amo em Montauk.

Eu lhe apresentei a Bella. — Esta é minha vizinha,


Annabella. Bella, esse é Mark, um amigo da faculdade. Nós estávamos
em um grupo de estudo juntos, e fizemos nosso exame de certificação
de ensino na semana passada. Mark nunca esteve em Montauk.

Bella apertou a mão de Mark. — Você acabou de se mudar para a


área ou algo assim?

Ele riu. — Não. Apenas nunca estive a leste de Long Island.

Conversamos por alguns minutos, e então eu disse: — Bem,


ainda temos alguns corredores da mostra que não passamos. Você quer
vê-los conosco?
Mark disse com certeza, mas Bella se afastou. — Umm… se vocês
não se importarem, vou pular o resto da mostra. Já vimos a maior parte
de qualquer maneira.

— Oh. Ok, eu vou te levar para casa.

— Não, divirta-se. Eu posso pegar uma carona com o Freddie.

Minhas sobrancelhas franziram. — Freddie?

— O cara com quem eu estava conversando na fila.

Oh. O cara surfista. Meu modo mãe entrou em cena. — Você acha
que é uma boa ideia? Entrar no carro dele? Você acabou de conhecê-lo.

Bella parecia divertida. — Eu ficarei bem, mãe. Ele é morador


local.

— Mas…

Ela olhou para Mark. — Prazer em conhecê-lo. Vejo você em casa


mais tarde, Val.

Antes que eu pudesse defender meu caso, ela começou a se


afastar.

Mark sacudiu a cabeça. — Me lembra da minha filha. Ela achou


que eu estava louco por ficar com raiva dela ter pulado um concerto
para o qual comprei ingressos para o Natal. Ela saiu com um dos caras
da banda de abertura em vez disso. Ela tinha dezessete anos na época.

Eu não tinha experiência com uma filha, tendo apenas Ryan, mas
sabia que, se tivesse uma, iria querer trancá-la até os trinta anos.

— Eu sempre lamentei por nunca ter tido uma menina. Não tenho
tanta certeza disso agora.

Mark e eu andamos pela mostra. Ele tentou insistir que apenas


checássemos os artistas que eu ainda não tinha visto, mas ganhei essa
batalha.
Depois da mostra de arte, pegamos o meu carro para que eu
pudesse lhe dar um tour por Montauk. Nossa primeira parada foi no
farol, seguido pelos píeres de pesca, onde todos os barcos comerciais e
de passeio chegavam. Alguns tinham acabado de voltar de pescarias,
então ficamos parados e observamos os companheiros filetarem suas
capturas. Depois, tomamos uma bebida no bar do cais. Ele pediu uma
cerveja e eu pedi uma margarita de morango sem álcool, desde que
estava dirigindo.

— Então você decidiu aonde vai se inscrever depois de pegar o


certificado? — Ele perguntou.

— Eu gostaria de encontrar um trabalho de substituição de


licença em algum lugar perto de casa, se possível.

A testa de Mark enrugou. — Você quer uma posição


temporária? Não um efetivo?

Eu tomei minha bebida gelada. — Sim. Eu estive brincando com a


ideia de ter um ano de experiência e, em seguida, um ano na Itália
ensinando depois disso.

— Uau. Isso certamente tornará muito mais fácil encontrar uma


posição no final do verão. A maioria das pessoas prefere algo
permanente.

— É a primeira vez na minha vida que posso fazer escolhas por


mim mesma. Ryan estará na faculdade por mais três anos. Eu quero
aproveitar.

Mark sorriu e seus olhos percorreram meu rosto.

— O quê?

Ele encolheu os ombros. — Nada. Só acho uma mulher que gosta


de uma aventura sexy.
Sem saber como responder a isso, enchi minha boca com
bastante bebida gelada para congelar meu cérebro.

— Você está pronto para ir? — Perguntei. — Vou lhe mostrar


algumas praias antes que fique escuro. O estacionamento é terrível
naquelas que os surfistas frequentam, mas se você não se importa em
caminhar, elas são realmente bonitas.

— Isso soa fantástico. — Mark se levantou e foi para trás da


minha cadeira, esperando que eu ficasse de pé para que ele pudesse
puxá-la.

Ele era realmente um cara muito legal, muito cavalheiro. Quando


eu ponderei se algo poderia florescer entre nós depois que ele me
convidou para um encontro, achei que talvez se o visse fora do nosso
ambiente regular onde estudávamos, poderia vê-lo sob uma luz
diferente. Mas as poucas horas que passei com ele hoje provaram o que
eu suspeitava, não havia faísca. Ou talvez não tenham sido as últimas
horas que me provaram isso, mas as horas desta manhã com Ford,
onde as faíscas foram tão fortes, que eu ainda sentia a queimadura.

***

Eu mostrei a Mark praticamente todo Montauk, e estava escuro


quando o levei de volta para a cidade onde ele havia estacionado. Eu
parei atrás do seu carro e deixei meu motor ligado.

— Bem, esta foi uma surpresa muito boa, Mark. Eu tinha


esquecido totalmente como algumas das praias que vimos hoje são. Eu
costumo ficar na praia bem atrás da minha casa, mas definitivamente
vou revisitar alguns dos locais que vimos. Eu precisava desse pequeno
tour hoje.

— Então a sua casa fica bem na praia?


Eu balancei a cabeça. — É sobre palafitas, então o quintal é a
areia.

— Uau. Seria pedir demais vê-la antes de partir?

Eu realmente queria ir para casa, tomar banho e subir na cama,


mas me senti engraçado dizendo não. — Ummm… claro. Não é muito
longe da cidade. Bem na estrada velha de Montauk.

— Eu te seguirei.

— OK.

No curto trajeto até minha casa, comecei a ficar nervosa por


algum motivo. Eu sabia que era idiota, porque Ford e eu não estávamos
namorando nem nada. No entanto, por alguma razão, não queria que
ele me visse com Mark. Para não mencionar, qualquer que fosse a
ansiedade que eu sentia, certa ou errada, era ridícula, porque Ford nem
estava em Montauk esta noite. Bella tinha dito que ele planejava passar
a noite na cidade.

Exceto que ele deve ter mudado de planos...

No momento em que meus faróis se voltaram para a garagem,


pousaram em um conjunto de olhos ao lado. Ford estava sentado nos
degraus da frente de sua casa bebendo uma cerveja. A pequena
ansiedade que senti de repente se transformou em pânico total.

Tomei algumas respirações profundas enquanto estacionava,


dizendo a mim mesma que estava sendo ridícula e não estava fazendo
nada de errado. Eu poderia levar Mark para dentro da casa e dormir
com ele, se quisesse. Na verdade, isso era exatamente o que
eu deveria estar fazendo hoje à noite.

Pelo espelho retrovisor, pude ver que Mark tinha começado a sair
do seu carro, então tive que engolir. Minha casa e a da Ford estavam a
apenas seis metros de distância. Não era como se eu pudesse fingir que
não o vi sentado lá.
Mark me encontrou na porta do meu carro quando saí e a fechou
para mim. Nós andamos alguns passos em direção às escadas da
frente, e meus olhos se encontraram com os de Ford. Ele não disse uma
palavra, apenas me observou em silêncio enquanto bebia sua cerveja.

— Uh, ei, — eu chamei, sentindo-me totalmente desajeitada.

Ford assentiu.

Por mais estranho que tenha me sentido, não pude evitar as


apresentações. — Hum, Mark, este é meu... — Amigo? O homem que me
faz tomar banho frio? Cara que conheci no Match? —... esse é Ford.

Mark se aproximou e estendeu a mão. Ford não se levantou, mas


a apertou. Estava tudo tranquilo, e tentei pensar em algo para
preencher o silêncio desconfortável, porque não parecia que Ford fosse
ajudar.

— Ford é dono da casa. Ele é o irmão de Bella. — Olhei para Ford,


que ainda não havia tirado os olhos de mim. O olhar intenso em seu
rosto fez meu estômago pular de nervoso. — Mark conheceu Bella hoje
na mostra de arte da cidade.

— Uau. Bela casa para um cara tão jovem. — Mark estava sendo
o seu eu usual e amigável. — Eu tenho uma filha que gostaria de
apresentar a você, — ele repreendeu.

Eu fechei meus olhos. Eu não achei que poderia ficar mais


estranho, mas, sim, ficou.

A boca de Ford era uma linha reta quando ele levou a cerveja até
ela e continuou o tratamento silencioso.

— Bella disse que você tinha uma reunião na cidade hoje e não
voltaria até amanhã.

— Mudança de planos. — Seus olhos dispararam entre Mark e


eu. — Surgiu uma coisa.
Eu balancei a cabeça.

Enquanto sentia a tensão que emanava de Ford, pelo menos Mark


parecia indiferente. — Prazer em conhecê-lo, — disse ele.

Meus olhos se encontraram com os de Ford quando comecei a


subir as escadas. — Tenha uma boa noite.

A ansiedade que eu sentia lá fora continuou quando Mark e eu


escapamos para a casa. Dei-lhe a grande turnê em velocidade recorde,
mostrando-lhe o interior, seguido pelo deck dos fundos. A lua iluminava
a praia o suficiente para ver o oceano no escuro, e o som das ondas
quebrando com uma brisa suave. Ele ficou maravilhado com a
vista. Teria sido uma noite magnífica para sentar aqui, mas eu estava
muito esgotada. Eu nem sequer fui educada e ofereci-lhe uma bebida
ou uma xícara de café.

Tomando a dica não tão sutil, Mark se despediu dez minutos


depois. Eu o levei até a porta da frente, curiosa para ver se meu vizinho
ainda estava por perto, mas Ford havia desaparecido.

Eu deveria estar aliviada por ele não estar mais por perto. Mas em
vez disso, sua ausência me encheu com uma ansiedade esmagadora
com a qual não sabia bem o que fazer.

***

Um bom, longo mergulho na banheira com um copo de vinho


ajudou a aliviar a tensão. Embora, mesmo depois disso, eu ainda me
sentisse mal e não estivesse pronta para dormir, então fui até a cozinha
para encher o copo. Eu coloquei vinho e fiquei olhando para fora da
janela da cozinha que dava para a casa de Ford e Bella. As luzes
estavam acesas e só o carro da Ford estava em casa. Eu sabia que Bella
tinha que trabalhar hoje à noite, então provavelmente não estaria em
casa por algumas horas. Talvez eu devesse ir e limpar o ar?

Eu não estava vestida e não tinha ideia do que diabos diria. Não
havia nada para discutir, porque não havia nada entre nós. Então, em
vez disso, bebi meu vinho e olhei fixamente para a noite.

Um par de faróis entrando na garagem ao lado da minha me


trouxe de volta do pensamento profundo. Bella deve ter saído cedo do
restaurante. Eu estava feliz por não ter ido lá. Mas depois que o carro
estacionou, me inclinei para perto da janela e notei que não era o carro
de Bella.

E a mulher que usava um vestido curto o bastante para mostrar


sua bunda se ela se curvasse mesmo que ligeiramente não era
certamente a irmã de Ford. Minhas emoções, que estavam em tumulto
durante a última hora, de repente não entraram em contradição. A
queimadura de ciúmes subiu de dentro de mim e aqueceu minhas
bochechas.

Eu assisti a mulher oscilar em seus estiletes e andar em direção à


casa. Quando ela chegou às escadas, as luzes de segurança
automáticas acenderam, e o rosto que não consegui ver no escuro ficou
claro.

Claro que ela era linda.

E tinha um corpo assassino.

Quilômetros e quilômetros de pernas.

Peitos que ainda não haviam se familiarizado com a gravidade


também.

Jovem.

Muito jovem.
Ela tinha uma garrafa de vinho em uma mão e uma mochila na
outra.

Eu me senti doente. No entanto, como assistir a um acidente de


carro ruim, não consegui desviar o olhar. Quando ela chegou ao topo da
escada, Ford abriu a porta. Ele deveria estar esperado por ela.

Ansioso.

Eu desviei o olhar quando ele a pegou em seus braços para um


abraço. Não deveria ter doído tanto. Mas isso não tornou mais fácil de
engolir.

***

Eu tinha acabado de adormecer quando ouvi um


barulho. Sentada em um nevoeiro, eu não tinha certeza de onde tinha
vindo, só que tinha me acordado. Eu esperei para ver se eu ouvia de
novo, porque não tinha certeza de não ter imaginado.

Mas então eu ouvi o barulho novamente. Vinha do andar de baixo


e parecia que as latas de lixo rolavam na brisa. Saindo da cama, espiei
pela janela do segundo andar. Nossa estrada não tinha iluminação
pública, e estava escuro demais para ver qualquer coisa sem as luzes
exteriores da casa. Então desci as escadas para acender a luz da
varanda e dar uma olhada melhor.

No final da escada, vi a silhueta de uma pessoa parada do lado de


fora da minha porta da frente. Era tarde e eu sabia que Ford tinha
companhia, então provavelmente não era ele. Talvez Mark tivesse
voltado? Isso não parecia provável desde que ele partira há mais de
uma hora e já estaria na metade do caminho para casa.

Meu coração acelerou quando me aproximei da porta. — Quem é?


— É Ford.

Isso não fez nada para diminuir meu pulso acelerado.

Eu abri a porta. — Está tudo bem?

— Não. Posso entrar?


11

Ford
— Como foi o seu encontro? — Eu olhei para fora através das
portas de vidro deslizantes, para a escuridão. Valentina estava em
algum lugar atrás de mim.

— Não foi um encontro.

Eu me virei e peguei seus olhos. — Mas parecia um.

— Bem, não importa o que parecia. Não foi. Mark é um amigo da


faculdade. Nós pertencíamos a um grupo de estudo juntos.

Eu dei alguns passos em direção a ela. — Sim. Eu me lembro de


você falando sobre ele... a noite que ele lhe convidou para um encontro.

Ela endireitou os ombros. — Como foi o seu encontro?

Minhas sobrancelhas franziram. Encontro? Então me dei conta de


que ela deveria ter visto Nina entrar, minha prima Nina, que veio passar
o fim de semana com Bella. Eu me perguntei se ela estava sentindo
tanto ciúme quanto eu, então segui em frente e a deixei pensar no que
ela obviamente estava pensando.

— Ótimo, ótimo. — Enfiei minhas mãos nos bolsos e encolhi os


ombros. — Nina, ótima menina.

— Ela saiu cedo.

Eu sorri abertamente. — Não, ela ainda está lá. Se acomodando


para passar a noite.
Val parecia magoada, mas eu queria que ela ficasse furiosa. Então
pressionei. Suas costas inclinaram-se contra a pia da cozinha. Eu dei
mais alguns passos, então fiquei bem na frente dela.

— Só vim aqui para ver se você conhece algum bom restaurante


romântico que fique abertos até tarde na cidade.

— Não. — Seus olhos dispararam adagas, e sua voz era


áspera. Claramente, ela não ia mesmo considerar minha pergunta e
pensar sobre isso.

Eu me aproximei ainda mais, dentro de seu espaço pessoal. Ela


não tinha para onde recuar.

— E as praias de nudismo? Pensei em talvez irmos a uma praia


de nudismo amanhã.

Seus olhos faiscaram. — Não.

Ela estava definitivamente com ciúmes, embora fizesse o máximo


para não demonstrar isso. Mas onde há uma faísca, há fogo, então
continuei adicionando gasolina.

— Que tal lojas de lingerie? Nina gosta de fazer compras. Eu odeio


isso, então talvez possa fazer algo que ambos desfrutemos.

Ela apertou os olhos. — Talvez você devesse voltar para a cidade


no fim de semana. Não há muitas lojas como essa em Montauk.

Eu estalei a língua e sorri. — Que pena. E quanto a lojas de


brinquedos sexuais? Talvez alguma roupa íntima comestível e tinta
corporal? Você acha que mancha os lençóis?

Isso funcionou. Eu realmente vi a faísca em seus olhos virar


chamas. — Você sabe o que, Ford? Eu realmente não quero ouvir sobre
sua vida sexual.
Eu coloquei uma mão em cada lado do balcão atrás dela,
engaiolando-a. — Por que não, Val? Qual é a razão pela qual você não
quer me ouvir falando sobre fazer sexo com outra mulher?

— Eu simplesmente não quero. Você quer ouvir sobre minha vida


sexual?

Meu peito queimou até mesmo a ouvindo dizer vida sexual. Eu


comecei a ficar com raiva. — Porra, não. Mas você sabe por que eu não
quero ouvir sobre isso?

Ela olhou para mim, vapor praticamente saindo de seu nariz.

— Não vai tentar adivinhar? Deixe-me te dizer, porra. Eu não


quero ouvir sobre sua vida sexual porque estou com
ciúmes. Porque eu quero ser o único a levá-la a um encontro e a dormir
na sua cama. E você se sente do mesmo jeito que eu, mas tem muito
medo de admitir isso.

Ela levantou a voz. — Eu não sinto!

Eu me inclinei, então estávamos nariz a nariz. —


Mentirosa. Admita.

— Não!

— Diga.

— Você é louco!

— Você sabe o que, Val? Eu prefiro ser louco a um covarde. Deve


ser uma merda finalmente estar livre para viver um pouco e ser tensa
demais para agir de acordo com o que está sentindo.

Ela fez uma careta para mim. — Foda-se.

Minha boca se curvou em um sorriso malicioso. — Isso é um


convite? Porque estou aqui sempre que você me quiser. E como
tenho apenas vinte e cinco anos, posso foder quando precisar. Eu
duvido que o velho Mark consiga fazer isso a noite toda.

O peito de Valentina arfava; Eu podia sentir o calor que emanava


de seu corpo. Quando olhei para baixo, vi seus mamilos salientes
através de sua camiseta. Ela estava tão excitada quanto eu, embora não
cedesse escondendo isso sob sua raiva.

— Você é tão idiota! — Ela gritou.

Foda-se. Se sou um idiota, eu poderia muito bem ser um gigante.

Havia apenas uma maneira de vencer esse argumento. Eu envolvi


minhas mãos em torno de suas bochechas e esmaguei meus lábios
sobre sua boca zangada. Ela hesitou por meio segundo, mas uma vez
que o choque inicial passou, ela se abriu para mim e choramingou na
minha boca. Sentindo os seios dela empurrados contra o meu peito, a
pressionei contra o balcão da cozinha e inclinei a cabeça para
aprofundar o beijo.

Qualquer restrição que lhe restava, cedeu e todo o inferno se


soltou.

Nós não conseguíamos chegar perto o suficiente. Agarrando a


parte de trás de suas coxas, a levantei e guiei suas pernas em volta da
minha cintura. A ereção que tinha começado a engrossar durante a
nossa discussão cresceu dolorosamente, sentindo o calor úmido vindo
de suas pernas.

Valentina gemeu, e tudo e qualquer coisa deixou de existir, além


de nós dois. Ela cravou as unhas nas minhas costas e eu puxei seu
cabelo. Eu sabia que seria assim. Uma atração física torna a química
intensa, mas uma conexão física e mental é um combustível.

Não sei quanto tempo ficamos assim, mas no fim tivemos que
parar em busca de ar, e o intervalo de um segundo cheio de respirações
ofegantes foi o suficiente para permitir que Val começasse a recuperar
os sentidos. Ela empurrou meu peito e chegou a tocar seus lábios
inchados.

Eu acariciei seu rosto e murmurei: — Obrigado, papai.

— Papai?

Eu inclinei minha testa contra a dela. — Ele me disse uma vez


que a melhor coisa a fazer quando você está tendo uma discussão que
não pode ganhar com uma mulher de quem gosta é beijá-la, então
ambos ganham.

Ela sorriu tristemente. — Você provavelmente deveria ir para


casa, Ford.

Eu tracei seu lábio inferior com o polegar. — Nina é minha


prima. Ela veio passar o fim de semana com minha irmã.

Os olhos de Valentina se estreitaram. — Sua prima?

— Você achou que ficaria com uma mulher, mesmo depois de


persegui-la por um mês? Eu não sou o tipo de cara que usa outra
mulher para substituir a que eu quero, mas não posso ter.

Ela olhou para baixo. Coloquei meus dedos sob o seu queixo e
levantei para que nossos olhos se encontrassem novamente. — Diga-
me, Val. É tão bom beijar Mark quanto me beijar?

Pode ter sido uma declaração arrogante, mas eu sabia, sem


dúvida, que beijar alguém não parecia o que acabara de acontecer e
estava disposto a apostar que o sentimento era mútuo.

— Eu não beijei Mark. E não foi um encontro. Não que seja da


sua conta se fosse.

Eu olhei bem para os olhos dela. — Ele sabe que não era um
encontro?

Ela balançou a cabeça. — Você deveria ir. Está tarde.


Eu posso ter pressionado por aquele beijo, mas não era realmente
um idiota. Além disso, eu sabia que a cabeça dela ainda estava lutando
com seu corpo, e levaria um tempo para eles estarem alinhados, se isso
fosse possível.

Eu não correria o risco de que só ter aquele beijo com ela. Então
balancei a cabeça e me inclinei, escovando meus lábios nos dela mais
uma vez. — Boa noite linda.

***

O beijo poderia ter acabado, mas a lembrança era o presente que


persistia. No chuveiro, me masturbei aos sons que ela fez enquanto
meus lábios estavam pressionados aos dela, a sensação de quão
molhada ela estava, mesmo através de nossas roupas. Eu era tão
patético que cheirei a porra da minha bermuda, esperando que alguns
de seus sucos tivessem chegado até ela.

Na cama, fiquei imaginando o que ela estava fazendo nesse exato


momento. Seus dedos estavam dentro dela? Fechei meus olhos e a
imaginei deitada espalhada em sua cama, seu cabelo selvagem e escuro
cobrindo todo o travesseiro, e seus grandes olhos azuis brilhando
enquanto ela bombeava os dedos dentro e fora de sua boceta apertada.

Porra.

Eu realmente precisava me masturbar novamente.

Mas em vez disso, peguei meu telefone na mesa de cabeceira. Se


ela já não estivesse arrependida do nosso beijo, estaria em algum
momento, e eu queria que ela soubesse que não sentia remorso. Na
verdade, queria que ela soubesse o quanto estava feliz que o beijo
aconteceu, e que voltei para casa comemorando.
Ford: Não lamento ter te beijado.

Eu assisti como o texto mudou de Enviado para Entregue e


para Lido. Mas nenhuma resposta veio.

Tudo bem, pelo menos você está lendo. Então continuei.

Ford: Eu gostei tanto que acabei de gozar lembrando.

Enviado então Entregue e depois Lido, novamente.

Eu sorri quando nenhum texto de retorno chegou. Imaginei-a


sentada em sua cama, lutando com seu próprio desejo, sua mão
ansiosa no cós de sua calcinha.

É isso? Você quer ouvir mais? Bem, ok então...

Ford: Meu pau estava todo ensaboado e duro. Fechei meus


olhos e imaginei que minha mão era você. Eu ouvi o pequeno som
que você fez quando puxei seu cabelo. Você gostou disso, não
gostou? Eu senti seus seios lindos pressionados contra o meu
peito. Aposto que você vai gostar quando eu tomar seu mamilo
entre meus dentes e puxar com força também.

Enviado. Entregue. Lido.

Ford: Eu gozei tão difícil… tão forte. Mas gostaria que


tivesse sido dentro de você.

Enviado. Entregue. Lido.


Ford: Diga-me, Val. Você se tocou quando saí? Pensou em
mim? Você usou sua mão? Deus, o que eu não daria para chupar
esses dedos depois de terem estado dentro de você.

Enviado. Entregue. Lido.

Ford: Tudo bem. Você pode me contar sobre isso outra


hora. Tem algo que preciso cuidar agora
também. Novamente. Doces sonhos, minha Valentina. Eu mal
posso esperar para te ver amanhã.

***

Eu esperava vê-la antes de partir. Mas quando me levantei às seis


e meia, o carro dela já havia desaparecido. Esperei até quase oito, mas
quando ela ainda não tinha voltado, tive que pegar a estrada. A reunião
que eu tinha ontem quando Bella mencionou que havia deixado Val na
mostra de arte com um cara foi remarcada para as onze de hoje, e eu
não podia ferrar isso novamente. Então terminei meu café e saí.

Dirigi apenas cerca de três quilômetros antes de me deparar com


uma barraca de beira de estrada que vendia frutas, legumes e flores
frescas. Às vezes meu pai e eu íamos para Montauk um dia depois da
minha mãe, e ele sempre parava e comprava flores nesse lugar. Eu
tinha passado meia dúzia de vezes nas últimas duas semanas e nunca
pensei em parar.

Eu parei no acostamento e comprei um enorme buque de flores


silvestres com girassóis gigantes e, em seguida, dirigi de volta para a
casa. O carro de Valentina ainda não estava lá, então deixei no tatame
na porta da frente dela e pisei no acelerador para chegar à minha
reunião.
Algumas horas depois, sentei-me no saguão de um escritório,
esperando a reunião das onze horas começar, e decidi enviar-lhe outro
texto.

Ford: Bom dia. Espero que tenha dormido bem. Você


levantou cedo esta manhã. Estava esperando vê-la antes de vir
para a cidade, para podermos conversar.

Parei antes de bater enviar e sorri, decidindo adicionar mais.

Ford: Ou fazer um pouco mais.

Após alguns segundos, o texto mudou para Lido. Fiquei animado


quando os pontos começaram a pular. Mas então eles pararam. Um
minuto depois começou de novo. Então pararam novamente.

Pare de pensar demais, Valentina.

Nenhum texto de retorno havia chegado no final da tarde, então


presumi que seria assim até que pudesse chegar até ela
pessoalmente. Infelizmente, isso não seria hoje. Eu precisava ir ao
escritório e fazer algumas coisas depois da reunião. E o tráfego na noite
de sexta-feira seria uma merda desde que era o primeiro fim de semana
oficial do verão.

Mas eu queria saber se Val havia partido, talvez ido para casa em
Nova Jersey para me evitar. Eu não tinha falado com a minha irmã o
dia todo, então coloquei no viva-voz e disse a Siri5 para ligar para Bella.

— Ei. O que está acontecendo?

— Você não precisa me ligar só porque não te vi hoje.

Eu imaginei os olhos de Annabella revirando.

5O Siri é um assistente virtual que faz parte dos sistemas operacionais iOS, iPadOS,
watchOS, macOS e tvOS da Apple Inc.
— Apenas checando. Não tinha certeza se você sabia que eu não
voltaria hoje à noite.

— Oh bem. Deixe-me planejar uma festa. Vou me certificar de


publicar no Instagram para que algumas centenas de estranhos
apareçam.

— Fofa.

— Estou bem, Ford. E Nina está aqui para o fim de semana e


tenho Val.

— Val está por aí? O carro dela havia sumido quando saí hoje de
manhã.

— Sim. Estamos plantando flores nas caixas do seu deck para


sua festa neste fim de semana agora.

— Festa?

— Ela fará um churrasco com as amigas.

Eu tinha esquecido que ela mencionou que sua melhor amiga


estaria indo para um longo fim de semana.

— Oh sim. Tudo bem, bom.

— Então… desde que Nina está aqui e Val tem companhia neste
fim de semana, você realmente não precisa voltar. Eu vou ficar bem.

Eu sabia que ela estava certa. Mesmo que eu não a quisesse


sozinha em Montauk quando falamos sobre isso na primeira vez, passar
um tempo lá me fez sentir muito melhor sobre isso. Ela poderia ficar
sozinha por um fim de semana. Embora... eu tivesse uma festa para ir
neste particular.

— Eu te vejo amanhã de qualquer maneira, — eu disse. — Fique


bem.
12

Ford
— Bom dia. — Saí para o meu deck e acenei com a cabeça para a
mulher sentada no lado adjacente. O carro de Val não estava na
garagem, mas um que eu não reconheci estava.

A mulher tirou os óculos escuros e sorriu. — Você deve ser Ford.

Eu sorri de volta. — E você deve ser Eve. É bom ou ruim que você
saiba meu nome?

Eve se levantou e caminhou para se apoiar no corrimão da


plataforma que ficava em frente à minha casa. Ela tomou um gole de
uma caneca. — Você tem sido um tema quente de conversa
ultimamente. Eu estava esperando vê-lo. Você vem ao churrasco hoje?

— Eu não fui convidado.

— Bem, deixe-me corrigir isso. Ford, você gostaria de vir ao


churrasco hoje? Nós adoraríamos tê-lo.

Eu sorri abertamente. — Absolutamente. Que horas?

— Duas.

— O que eu devo trazer?

Ela piscou. — Apenas a sua presença.

***
— Ei.

Valentina abriu a porta de tela da frente. O olhar em seu rosto me


disse que sua amiga não mencionou que eu viria. Estendi a garrafa de
vinho que eu trouxe.

— Eve me convidou.

Ela balançou a cabeça. — Claro que ela fez.

— Você quer que eu vá embora?

— Não. Não, está tudo bem. Entre. Os vizinhos do outro lado


virão também.

Não foi exatamente uma recepção calorosa, mas pelo menos ela
não me mandou partir. Um homem desceu as escadas enquanto nós
dois estávamos na porta. Eu achei que pudesse ser o pai dela.

— Tom, — disse Valentina. — Este é Ford.

Tom estendeu a mão imediatamente. — Prazer em conhecê-lo.

Ela terminou a apresentação enquanto nos


cumprimentávamos. — Tom é o marido de Eve.

Eu tive que me esforçar para não deixar a surpresa aparecer no


meu rosto. Esse cara era o marido de sua melhor amiga, não pai?

Tom levantou os óculos escuros. — Eve precisava de óculos de sol


maiores que estavam lá em cima. Aparentemente o que cobre metade do
seu rosto não é bom.

Val sorriu e acenou em direção à cozinha. — Ela gritou para você


trazer protetor solar também, mas você já estava lá em cima. Há alguns
no gabinete ao lado do fogão. Eu estava prestes a fazer um monte de
margaritas.

Eu segui o balanço de sua bunda até o liquidificador. Assim que


Tom saiu pela porta dos fundos, fiquei atrás de Val e sussurrei em seu
ouvido. — Sua melhor amiga é casada com um homem muito mais
velho, hein?

Ela despejou a mistura no liquidificador. — É diferente.

— Como?

Val se virou para mim. — Ela tinha trinta e três anos quando o
conheceu. Ela experimentou a vida.

Nós estávamos quase no lugar exato que a duas noites atrás


quando nos beijamos.

— Eu experimentei a vida. Talvez devêssemos discutir sobre isso


novamente. Gostei da maneira como o último desentendimento que
tivemos sobre esse assunto terminou.

Val suspirou. — Por que você não vai lá para fora? Eu sairei em
um minuto.

Eu preferia ficar aqui, mas não queria pressionar. Então eu


coloquei o vinho que trouxe na geladeira e juntei os copos de margarita
no balcão para levar para fora comigo. Eu quase esqueci a outra coisa
que tinha trazido, quando alcancei a maçaneta da porta.

Olhando para trás por cima do ombro, vi que Val não estava
prestando atenção. Eu peguei a nota amarela que tinha escrito do meu
bolso e a colei na porta dos fundos bem no nível dos olhos dela antes de
sair. Dormir com o Ford realmente deveria estar em sua lista de afazeres
de qualquer maneira.

Eve puxou a cadeira ao lado dela no minuto em que saí. Ela deu
um tapinha na almofada. — Venha sentar-se. Quero te conhecer
melhor.

Seu marido balançou a cabeça. — Isso é Eve dizendo por que


estou prestes a interrogá-lo. Desculpe-me, cara.

Eu sorri e me sentei. — Está tudo bem. Interrogue a vontade.


Um minuto depois, Valentina lutou para abrir a porta dos fundos
enquanto segurava uma jarra, um recipiente de sal e um saco de
batatas fritas. Levantei-me para abri-la e tirei o jarro de suas mãos.

O interrogatório começou antes que Val tivesse enchido todos os


copos.

— Então, Ford, alguma vez teve uma namorada séria?

Valentina a repreendeu. — Eve…

Eu acenei para ela. — Está tudo bem. Eu não me importo de jeito


nenhum. — Eu olhei para Eve. — Uma. Durou cerca de um ano e meio.

— O que aconteceu?

Meus olhos correram para Valentina e de volta para Eve. Tenho


que ser honesto. — Eu passei por uma fase difícil e decidi que precisava
fazer algumas mudanças em minha vida. Ela fazia parte disso.

Valentina deve ter assumido que o problema foi logo após o


acidente dos meus pais. Ela limpou a garganta e interveio: — Ford
perdeu seus pais em um acidente de carro há cinco anos.

O rosto de Eve caiu. — Eu sinto muito.

— Obrigado. — As palavras pairaram no ar por um tempo, então


voltei para sua pergunta inicial. — A relação que eu tinha terminou há
dois anos.

A testa de Valentina se enrugou.

Eve sorveu sua margarita. — Vocês ainda são amigos?

Eu mostrei um sorriso culpado. — Ela não é minha maior fã. Não.

Eve parecia imperturbável pela minha resposta. — Republicano


ou democrata?

— Democrata.
— Último livro que você leu?

— The Outsider. Stephen King.

— Pessoa da manhã ou coruja da noite?

— Ultimamente, pessoa da manhã.

— Com o que você mais se importa?

— Minha irmã. Mas não diga isso a ela.

Eve sorriu. — Com o que você se importa menos?

Eu cocei meu queixo. — O que as outras pessoas pensam.

— Boa resposta. — Ela assentiu.

Eu peguei uma batata e mergulhei no guacamole. — Obrigado.

— Com o que você é obcecado?

Meus olhos saltaram para encontrar Valentina e depois voltaram


para Eve. Eu sorri abertamente. — Atualmente, sua melhor amiga.

O sorriso de Eve cresceu mais largo enquanto o rubor de


Valentina se aprofundou. O interrogatório durou mais cinco minutos
antes de Tom se levantar e acenar com a cabeça em direção à praia.

— O que você acha de jogarmos vôlei?

Eve fez beicinho. — Estou falando com Ford.

Ele pegou a mão dela e puxou-a para cima. — Sim. É por isso que
é hora do vôlei.

***
Às nove da noite, era só Val e eu no deck dos fundos. Tom estava
cansado e Eve começou a soltar as palavras. Eu me diverti passando o
dia com todo mundo. Bella e Nina tinham vindo por um tempo, assim
como os vizinhos do outro lado. Mas eu estava feliz por finalmente estar
sozinho com Valentina agora.

— Desculpe pela inquisição durante todo o dia. Eve é incrível,


mas ela não é ótima com limites.

— Está tudo bem. Eu realmente gostei dela.

Val suspirou. — Eu posso dizer que ela gostou de você também. O


que a tornará insuportável agora. Ela quer que eu volte a sair.

— Mulher inteligente. — Eu sorri. — Eu concordo.

— Um mês atrás ela estava tentando me fazer sair com um


garçom que não tinha idade suficiente para beber ainda.

Isso limpou o sorriso do meu rosto.

— Ela tem boas intenções... Ela realmente tem. Ela só acha que
eu preciso colocar um primeiro no meu currículo.

— Um primeiro?

— Encontro. Sexo. Relação. Tanto faz.

Eu peguei o vinho que tínhamos acabado de abrir e enchi o copo


de Val. — Você realmente precisa começar a aceitas os conselhos do
sua amiga. Ela parece muito inteligente.

Val respirou fundo outra vez. A ênfase na expiração parecia muito


com frustração.

Estávamos sentados um ao lado do outro, mas eu queria ver seu


rosto, ler cada pequena coisa que me diria o que suas palavras não o
fariam. Então puxei a cadeira dela e movi a minha, então estávamos de
frente um para o outro.
Inclinando-me, nossos joelhos se tocaram e eu a notei estremecer
um pouco, embora ela tentasse encobrir. Sua mente poderia estar
relutante sobre nós, mas seu corpo estava muito entusiasmado.

— Eu não lamento o beijo na outra noite, — eu disse. — Nem um


pouco.

Ela fechou os olhos. — Isso não deveria ter acontecido.

— Esquecendo o que você acha por um minuto, tem que admitir


que foi fenomenal.

Val sorriu tristemente. — Foi um bom beijo, sim.

Meu ego se sentiu machucado. Bom? Foi melhor que bom. Eu


poderia ser mais jovem que ela, mas beijei meu quinhão de mulheres, e
aquele beijo... foi... viciante. Nós tivemos um tipo de química que nos
deixou incoerentes. Eu deslizei minhas mãos sob a parte de trás de
seus joelhos e a puxei para a borda de seu assento. — Se você acha que
foi apenas um bom beijo, acredito que precise atualizar sua memória.

Ela colocou a mão no meu peito, embora eu sentisse que se


tivesse me inclinado e tomado sua boca, sua resistência não teria
durado. Eu deveria ter feito isso. Mas nossa conexão física não era o
problema. Era a cabeça dela que eu precisava trabalhar.

— Tudo bem. — Ela suspirou novamente. — Foi um beijo


alucinante. O tipo que me manteve acordada por três horas depois,
porque meu corpo estava tão acelerado que não conseguia parar o
suficiente para dormir. Isso faz você se sentir melhor?

Eu sorri abertamente. — Sim. E fico feliz em saber que você


também não dormiu.

Ela revirou os olhos. — Você se certificou disso com seus textos.


Bom saber. Estendi a mão, peguei uma das dela e levei os nós dos
dedos aos meus lábios, permitindo que minha língua pastasse sobre a
pele macia.

— Eu não estava brincando hoje quando respondi a pergunta de


Eve sobre pelo que estou obcecado. Você é tudo em que posso pensar
no último mês.

— Eu não vou insultar você, tentando alegar que é uma rua de


mão única. A partir do momento em que nos conhecemos no Match,
passei uma quantidade excessiva de tempo pensando em você também.

Eu ainda tinha a mão dela na minha, então a apertei. — Isso não


lhe diz alguma coisa?

Valentina olhou para os pés por um momento antes de falar. —


Eu comecei a namorar o Ryan quando eu tinha quinze anos. Eu
engravidei aos dezessete anos e casei aos dezoito. Quando eu tinha
trinta e quatro anos, eu o peguei me traindo. Em vez de partir, passei
um ano tentando fazer funcionar. Eu me culpei, ganhei um pouco de
peso, não me maquiei na metade do tempo. Eu achei que se me
colocasse em melhor forma, mantivesse a casa melhor, prestasse mais
atenção a ele como homem, as coisas ficariam bem.

Ela balançou a cabeça. — Obviamente, não ficaram. Levei muito


tempo para aceitar que meu casamento fracassado não foi tudo culpa
minha. Mas levei ainda mais tempo para descobrir quem eu
sou. Quando você se torna um eu aos quinze anos e, de repente, você é
um eu pela primeira vez aos trinta e cinco, precisa dedicar algum tempo
para realmente ser eu.

Ela apertou minha mão dessa vez. — Estou incrivelmente atraída


por você. Dolorosamente. Mas mesmo se tivéssemos a mesma idade,
ainda não estou pronta para um relacionamento.

Meus ombros caíram. Eu poderia argumentar que ela estava


errada sobre a diferença de idade, mas como poderia argumentar com a
necessidade de encontrar a si mesma? Pela primeira vez, senti uma
sensação de derrota.

Eu balancei a cabeça. — OK.

Val sorriu sem entusiasmo. — Eu sinto muito.

Inclinei-me e beijei sua bochecha, sabendo que era hora de me


despedir e encerrar a noite. — Eu também.

***

Meu pau estava tão deprimido quanto eu.

Ao contrário das outras noites em que cheguei em casa da porta


ao lado, não senti a necessidade de me masturbar. Tomei um banho
rápido para lavar a areia e o sal e coloquei uma calça de moletom.

Era sábado à noite e nem dez ainda. Eu deveria ter me vestido e


saído para encontrar alguém interessado em animar tanto meu pau
mole quanto eu. Mas vamos encarar isso, havia apenas uma pessoa em
quem nós dois estávamos interessados.

Nós queríamos Valentina.

Então, em vez disso, liguei meu laptop e comecei a responder


alguns e-mails de trabalho. Os primeiros foram da minha assistente,
confirmando compromissos e perguntando em que dia eu queria me
encontrar com os advogados para converter um dos prédios de
armazenamento em escritórios. Então eu abri um do vice-presidente de
marketing. Ele me forneceu uma atualização sobre nossa campanha
publicitária do Match.com: o montante do orçamento gasto até o
momento e quais os alvos de anúncio tiveram o melhor desempenho.
Aparentemente, nosso espaço temporário de escritório atraiu a
maioria dos solteiros divorciados entre os 32 e os 40 anos que não
estavam procurando um relacionamento sério.

Eu zombei. Deve ser eu.

Embora isso fizesse sentido. Era lógico que as pessoas que


tinham acabado de sair de um casamento ruim gostavam da ideia de
espaço temporário para escritórios. Suas vidas estavam em um estado
de fluxo, e a última coisa que queriam fazer era entrar em um novo
compromisso em longo prazo enquanto isso acontecia. Isso é o que
tornava nosso espaço de escritório tão atraente, você poderia usá-lo
sempre que quisesse e ir embora sempre que quisesse.

Use-o sempre que quiser e vá embora sempre que quiser.

Esse pensamento me bateu na cara.

Jesus Cristo. Eu sou tão idiota assim?

Eu estava fazendo as coisas errado com Valentina.

Ela me disse claramente que não estava pronta para um


relacionamento.

E o que eu fiz? Fui para casa choramingar.

Eu precisava examinar minha cabeça por não propor uma


alternativa.

Agarrando meu celular, mandei um texto rápido.

Ford: Você pode me encontrar na praia?

Um minuto depois, os pontos começaram a pular.

Valentina: Agora?
Ford: sim. Eu preciso te perguntar uma coisa.

Valentina: O que é?

Não. Não iria acontecer. Essa era uma conversa que precisávamos
ter cara a cara.

Ford: Vai demorar só um minuto.

Valentina: Ok. Dê-me alguns. Eu acabei de sair do chuveiro.

Ansioso, saí para esperar. Valentina me encontrou no final da


escada na areia. Seu cabelo estava molhado e ela usava shorts e uma
blusa.

— O que está acontecendo? — Ela sussurrou.

— Eu estava pensando sobre o que você disse, que não está


pronta para um relacionamento.

— OK…

Dei de ombros. — Não vamos ter um.

Seu lindo nariz arrebitado enrugou. — Do que você está falando?

— Simples. Estamos atraídos um pelo outro. Você não está pronta


para um relacionamento, não estou querendo me casar, e sua melhor
amiga acha que você precisa de um primeiro em seu currículo. Nós dois
estamos aqui passando o verão. Com alguma sorte, você conseguirá um
emprego de professora. Bella vai voltar para a faculdade e eu vou voltar
para Manhattan. Ambos estaremos aqui para o verão pelo que... oito
semanas? Por que não passar esse tempo apreciando a química que
sabemos que existe? Sem amarras. Vamos nos separar e isso
acaba. Apreciaremos o que podemos ser, em vez de lamentar o que não
podemos ser.

— Isso é... isso é loucura.

— Por quê?

— Por que... — Ela parou, incapaz de chegar a um motivo.

Eu sorri. — Bom argumento.

Ela olhou para mim. — Você não precisa ser um idiota.

Uma brisa leve soprou e carregou o cheiro de algo doce no ar. Eu


não tinha certeza se era seu xampu, ou perfume, ou talvez apenas
sabonete, mas definitivamente acordou o cachorro preguiçoso entre as
minhas pernas que estava fazendo beicinho desde que a deixei mais
cedo. Lentamente me movi em direção a ela. Valentina deu alguns
passos para trás e bateu na madeira das escadas atrás dela.

Abaixei a cabeça para alinhar com a dela e aproveitei ao


máximo. — O que você me diz? Nenhum relacionamento. Sem
expectativas. Apenas um verão de foda, dura, suave, seja lá o que você
estiver com vontade, sempre que estiver com vontade de fazer isso.

O peito de Valentina subia e descia. Por que diabos eu não pensei


nisso antes? Era o arranjo perfeito, realmente. Ela me queria tanto
quanto eu a queria, nós dois teríamos o que precisávamos. Val
conseguiria uma aventura de verão despreocupada, e eu passaria as
oito semanas seguintes tirando-a do meu sistema. Eu sinceramente
queria me bater por perder as últimas semanas tentando fazer com que
ela saísse comigo quando a solução óbvia estava bem na minha frente o
tempo todo.

— Mas... — ela começou a falar.


Parecia que ela havia finalmente encontrado uma razão pela qual
minha ideia não era boa. O que quer que fosse, meu argumento era
melhor, embora o meu precisasse ser demonstrado. Coloquei um dedo
sobre sua boca para impedir que seus lábios se movessem.

— Dane-se mas... — Eu envolvi minha outra mão em torno de sua


nuca, e minha boca desceu sobre a dela antes que ela pudesse
argumentar. Assim como na primeira vez, qualquer que fosse a luta,
durou apenas um segundo. Nossas línguas se encontraram e aquela
faísca sempre presente acendeu em um incêndio total. Nenhum de nós
conseguia o suficiente. Nós tateamos e agarramos, puxamos e
empurramos até que estávamos ambos sem fôlego. Quando paramos
por ar, seus olhos estavam vidrados. Eu empurrei um pedaço de seu
cabelo molhado atrás da orelha. — Pense nisso. Seríamos bons juntos.

Ela chupou o lábio inferior em sua boca. — Eu deveria entrar.

Eu não queria deixá-la ir, mas sabia que ela precisava pensar
sobre isso.

Eu balancei a cabeça. — Vá. Vou esperar até você entrar e


trancar.

Eu a segui até as escadas para que eu pudesse ver do deck que


ela entrou em segurança. Enquanto ela caminhava para a porta, eu fiz
um jogo mental.

Se ela não olhar para trás, dirá não.

Se ela olhar para trás, ela dirá sim.

Ela andou todo o caminho até a porta sem olhar para trás em
minha direção. Mas no último segundo, quando estava prestes a fechar
a porta, parou, olhou para cima mais uma vez e sorriu.

Foda-se sim!
13

Valentina
— Então... vamos fingir que não vamos falar sobre isso? — Eve
tomou um gole de café e me olhou sobre a caneca.

Suspirei. — Eu estava esperando poder pelo menos ingerir um


pouco de cafeína primeiro.

Eram quase nove horas. Eu não tinha dormido tanto em muitos


anos. Então, novamente, eu também não ficava acordada até às três da
manhã. Mas foi impossível adormecer depois do que Ford havia
proposto... para não mencionar... aquele beijo.

A Eve pousou a caneca dela e pegou um tubo de protetor solar. O


sol já estava forte. Ela esguichou um pouco da loção na palma da mão e
começou a passar. — Ele é ridiculamente gostoso.

Eu fiz uma careta. — Eu sei.

— Parece inteligente também.

— Ele é.

— Tem um bom senso de humor.

— Na verdade, isso foi o que me atraiu primeiro quando ele me


mandou uma mensagem no Match.com. Ele é espirituoso e me fez rir de
toda a perspectiva de namorar.

Eve terminou um braço e começou do outro. — Você se lembra de


quando tínhamos dez anos e eu bati minha bicicleta em um carro que
estava saindo de uma garagem? Eu fui direto para dentro dele e quebrei
meu dente da frente.

— Como eu poderia esquecer? Você virou o guidão e caiu


esparramada no concreto. Você estava fria e achei que estivesse morta.

— Você se lembra de como fiquei com medo de andar de bicicleta


depois disso?

Eu sabia onde ela estava indo com seu passeio de bicicleta pela
estrada da memória. — Você não poderia ser mais sutil se você
tentasse. Eu sei o que você está tentando dizer, e com certeza, é claro
que estou com medo de voltar a sair. Mas é mais que isso. Só não estou
pronta.

— Há algumas coisas para as quais nunca nos sentimos


totalmente preparadas. Você se sentiu pronta para ter um bebê?

— Claro que não. Mas eu tinha dezoito anos e ainda era uma
criança.

— Você se sentiu pronta para se casar?

— Eu também era uma criança.

— Tudo bem. Bem, você se sentiu pronta para voltar à faculdade


aos trinta e quatro anos? Ou pronta para se divorciar? Ou pronta para
o seu filho se afastar?

Eu me endireitei na minha cadeira. — Não.

— Nós raramente estamos prontas para as grandes coisas da


vida, não importa o quanto nos preparemos. Às vezes, tão pronto quanto
sempre estarei, tem que ser o suficiente.

Deus, eu odiava quando ela estava certa. Eu mastiguei meu lábio


inferior. — Ontem à noite ele sugeriu que tivéssemos uma aventura de
verão, sem compromisso, já que não quero um relacionamento.
Eve bateu as mãos. — Perfeito!

Eu passei metade da noite jogando e virando, tentando chegar a


um argumento contra sua sugestão. Infelizmente, tudo que consegui do
meu exame de consciência foram círculos escuros sob meus olhos.

Suspirei. — Ele tem vinte e cinco...

— Meu marido tem cinquenta e cinco. Quer negociar?

Ela estava brincando, é claro. Eve adorava Tom. Além disso,


quando a única coisa “errada” com o seu marido para zombar era a
idade dele, você conta suas estrelas da sorte.

Eve levou sua caneca aos lábios e parou antes de bebericar. —


Puta merda.

— O quê?

Um dedo baixou os óculos escuros para a ponte do nariz. Sua


boca literalmente se abriu enquanto ela olhava por cima do meu ombro
para a praia. Seguindo sua linha de visão, virei-me e encontrei Ford a
algumas casas de distância, sem camisa e correndo ao longo da beira
da água. Mesmo a quinze ou dezoito metros, podíamos ver a flexão de
cada músculo em seu abdômen quando ele se movia.

Ele acenou enquanto nós duas olhávamos como idiotas.

— Sério... — Eve se abanou. —… se você não pegar uma carona


naquele garanhão, acho que precisa examinar sua cabeça.

Ford correu pela praia em direção à casa. Eve empurrou os óculos


de sol dela. Eu ri, sabendo que ela estava escondendo os olhos para que
pudesse continuar olhando quando ele se aproximou.

— Bom dia, senhoras. — Ford parou com as mãos nos quadris,


olhando para nós da areia. Ele nem sequer estava sem fôlego.

— Bom dia! — Eve gritou. — Estávamos falando sobre você.


Eu atirei para minha melhor amiga e sua boca gigantesca um
olhar furioso.

Ford sorriu. — Oh sim? Coisas boas, espero.

Eve sorriu largamente. — Eu diria que sim. Nossa discussão foi


sobre sua proposta por alguns meses de sexo.

— Eve! — Eu olhei ao redor. Eu realmente queria matá-la agora.

Ford, por outro lado, parecia divertido. Suas sobrancelhas se


ergueram. — Bom saber. Quais as perspectivas a meu favor até agora?

Eve se virou e me deu um olhar rápido, inclinando a cabeça como


se estivesse me avaliando, então olhou de volta para Ford. — Eu diria
que cerca de cinquenta por cinquenta agora. Preciso de um pouco mais
de tempo para inclinar as probabilidades a seu favor.

Ele riu. — Bom, então, deixe-me sair do seu caminho.

Ford virou-se para caminhar em direção às escadas que levavam


ao seu deck, e Eve o chamou. — Ei, menino-brinquedo?

Ele balançou a cabeça e riu. — Sim?

— Vamos passar o dia na praia. Por que você não se junta a nós?

Suas covinhas apareceram. — Eu adoraria. Eu tenho que


trabalhar por algumas horas, mas vou encontrá-las mais tarde.

— Parece bom!

Eu esperei até que Ford estivesse dentro de sua casa para atacá-
la. — Que diabos?

Ela sorriu como se não tivesse acabado de quebrar o código de


garotas. — Você pode me agradecer mais tarde, depois que ele lhe der
todos os orgasmos que eu sei que um homem com aquele corpo é capaz.
***

Tentei voltar a relaxar, mas não foi fácil.

A água estava calma hoje, então trouxemos algumas boias e as


amarramos a uma âncora na praia com um longo cabo de
reboque. Ondas lentas e constantes começaram a me fazer cochilar
enquanto eu flutuava e absorvia o sol.

Até que ouvi sua risada.

Eu olhei para a praia, embora realmente não precisasse confirmar


quem era. Meu corpo formigou em alerta. Ford tinha acabado de chegar
à praia e se plantou na cadeira em que eu estava sentada ao lado de
Eve e Tom. Senti seis olhos me perfurando enquanto flutuava. E eu
tinha certeza que Eve estava prestes a começar uma conversa
inapropriada, se já não tivesse. Então virei meu rosto para o sol,
respirei fundo e me concentrei em relaxar. O som da água quebrando
contra a areia abafou suas vozes, e depois de um tempo comecei a
cochilar novamente.

Até que de repente eu voei no ar e mergulhei na água.

— O que... — Eu afastei o cabelo molhado do meu rosto e cuspi


um bocado de água salgada.

Ford parecia muito orgulhoso de si mesmo. Ele segurava a boia


que eu estava cochilando em uma mão. O idiota tinha se esgueirado e
levantado minha boia, comigo ainda em cima dela.

Ele exibia um sorriso de orelha a orelha. — Está quente aqui. Eu


achei que você precisava se refrescar.

Eu joguei água nele. — Eu estava curtindo a paz.

— Você parecia entediada.


Eu olhei para ele furiosa. Pelo menos tentei, embora não estivesse
realmente chateada. — Eu não dormi bem ontem à noite. Um pequeno
cochilo teria sido bom.

Ford deu um sorriso orgulhoso e se aproximou de mim. — Por


que você não dormiu bem?

Eu joguei mais água nele enquanto recuava. — Vá embora.

Seu sorriso cresceu mais largo. — Diga-me por que você não
dormiu bem e eu vou embora.

Eu joguei água nele de novo. Ele riu e se lançou sobre


mim. Agarrando-me pela cintura, ele me levantou da água e acima da
sua cabeça. Eu gritei para ele me colocar no chão.

— Diga-me.

— Coloque-me para baixo para que eu possa chutar sua bunda.

— O que foi isso? Você disse me afundar?

Eu tentei me soltar das mãos dele. — Não se atreva!

Eu mal terminei a frase quando ele me mergulhou na


água. Então, tão rápido quanto mergulhou, ele me levantou
novamente. Só que desta vez quando ele me levantou, meu corpo
escorregadio deslizou de suas mãos. Eu tentei sair do alcance dele, mas
antes que pudesse ter uma chance, ele me puxou de volta. Seus braços
envolveram minha cintura e ele me puxou contra seu peito.

Eu me debati e tentei parecer puta, mas era difícil fingir um tom


de raiva enquanto sorria. — Eu vou seriamente chutar o seu traseiro.

— É? Isso deve ser divertido de assistir.

Eu tentei soltar seus braços ao redor da minha cintura, mas seus


dedos eram fortes demais. Ele se inclinou e apoiou à cabeça no meu
ombro, quase sussurrando, ele disse: — Pare de lutar, Valentina.
Eu não acho que ele estava se referindo a nossa brincadeira na
água. — Eu não posso acreditar que você acabou de me tirar da minha
boia e me molhar.

Ele me deu um abraço de urso por trás. — Eu sinto muito. Isso


foi errado da minha parte. Vamos nos beijar e fazer as pazes.

Eu ri. — Você é um idiota.

Tão fodido quanto era, tive o impulso muito forte de me virar,


envolver minhas mãos em volta do seu pescoço, pernas ao redor de sua
cintura e escalá-lo como um coala em uma árvore.

Eu não o fiz. Embora me permitisse apreciar a sensação de estar


envolvida em seus braços fortes.

Parei de lutar e Ford sussurrou em meu ouvido. — Viu? Não é tão


difícil parar de lutar contra isso.

Eu inclinei minha cabeça contra o peito dele e fechei os olhos. Era


tão bom; Eu honestamente não tinha certeza de quanta luta ainda
restava em mim.

***

Deitei de bruços, observando duas menininhas fazendo um


castelo de areia a alguns metros de distância. — Eu me lembro da
primeira vez que nossas famílias se encontraram na praia. Ryan não era
muito mais velho que elas.

Eve e Tom foram até a casa tomar banho e Ford sentou-se em


uma cadeira ao meu lado.

Ele levantou. — Chegue um pouco para lá.


Minha manta era grande o suficiente para dois, embora eu
estivesse deitada no meio dela. Eu me movi e Ford se juntou a mim de
barriga para observar as meninas.

— Eu tinha doze anos quando meus pais compraram a casa, —


disse ele.

— Ryan tinha seis anos. Ele costumava te seguir por aí. Você
sempre foi muito gentil e deixava que ele saísse com você.

Ford rolou de lado para me encarar. Ele arrastou um dedo ao


longo da minha espinha. — Você quer mais filhos algum dia?

Eu protegi meus olhos do sol para olhar para ele. — Não tenho
certeza se isso está nas cartas para mim. Sou solteira, trinta e sete,
abstinente e prestes a começar uma nova carreira.

— E se você tivesse trinta e sete anos e fosse feliz casada?

Eu sorri. — Se vamos fingir, eu poderia ser feliz casada com


alguém que não seja Ryan?

Ele descansou a mão nas minhas costas. — Certo. Já que


estamos fingindo, você pode ser casada com um homem mais jovem que
não consegue tirar as mãos de você.

Revirei os olhos, mas falei honestamente. — Ryan e eu tentamos


ter outro filho há dez anos. Nós tentamos por mais de cinco anos, mas
não conseguimos engravidar, o que era irônico, já que Ryan não foi
exatamente planejado para o meu último ano do ensino médio. Nós dois
fizemos exames e não encontraram um motivo médico para que não
pudéssemos conceber. Isso simplesmente não aconteceu.

— Então você quer mais filhos?

Eu balancei a cabeça. — Estou ficando velha demais.


— Muitas pessoas têm filhos em seus quarenta anos agora. Você
está realmente presa em números, não é? Doze anos é uma grande
diferença de idade. Trinta e sete anos é muito velha para ter um bebê.

Havia mais verdade nisso do que ele sabia. Eve foi a única pessoa
que eu já admiti a verdade sobre a traição de Ryan.

Eu rolei na manta e enfrentei Ford. — Ryan me traiu com uma de


vinte anos de idade.

Embora anos houvesse passado agora, era quase tão difícil dizer
essas palavras hoje quanto quando aconteceu.

Um olhar de compreensão cruzou o rosto de Ford. Ele assentiu. —


Seu ex é realmente um idiota.

Eu sorri tristemente. — Isso, ele é.

Ficamos em silêncio por um tempo, mas ficamos de lado,


encarando um ao outro. A praia estava esvaziando, embora eu não
tivesse vontade de ir embora ainda, e parecia que Ford também não.

— E quanto a você? Você quer filhos algum dia?

Ford tirou a mão de minhas costas quando me virei, mas agora


ele descansou na minha cintura. Seu toque era natural e
reconfortante. Ele acariciou a curva da minha cintura com o polegar. —
Não tenho certeza. Eu já tenho uma de dezenove anos e isso não é
muito divertido.

Eu sorri. — Você é bom com ela. Eu acho que você seria um ótimo
pai.

— Oh sim?

Eu balancei a cabeça.
Ele deslizou a mão para baixo da minha cintura, para cima e
sobre o meu quadril até a minha coxa. Arrepios surgiram em todo o
meu corpo, mesmo deitada no sol quente.

— Você sabe no que eu sou bom?

— No quê?

Ele se inclinou e esfregou o nariz com o meu. — Praticando em


fazer bebês.

Eu sorri abertamente. — É mesmo?

Ele assentiu. — Você sabe o que mais é verdade?

— O quê?

— Não há melhor maneira de se vingar do seu ex-marido por


dormir com uma garota de vinte anos do que ter uma aventura de verão
com um homem mais jovem.
14

Valentina
Eu não via Ford desde a noite de domingo na praia. Ele tinha
saído cedo na manhã seguinte para o seu escritório na cidade, e nós só
trocamos alguns textos rápidos nos dias que se seguiram. Mas quando
voltei do mercado uma hora atrás, o carro dele estava estacionado na
entrada da garagem. Eu odiei ter ido direto para o andar de cima e
arrumado meu cabelo antes mesmo de esvaziar o porta malas.

E nem vamos falar sobre o quanto fiquei empolgada quando meu


telefone tocou. Minha cabeça estava na geladeira, tentando decidir o
que fazer para o jantar, e eu pulei e bati na porta do freezer. Minha
maldita pulsação decolou como um trem desgovernado enquanto eu
pegava o telefone do balcão, e isso foi antes mesmo de confirmar quem
mandou uma mensagem.

Ford: O que você está fazendo?

Valentina: Tentando descobrir o que fazer para o


jantar. Você?

Ford: Pensando em ir a essa degustação no novo restaurante


que abriu na cidade.

Eu tinha visto os avisos de inauguração algumas semanas


atrás. O lugar tinha um cardápio de degustação de sete pratos, que era
bem do meu gosto. Eu agi tímida, tentando disfarçar que não estava
constantemente olhando pela janela nos últimos dias para ver se ele
estava de volta.

Valentina: Oh. Você voltou a Montauk?

Ford: Cheguei há cerca de uma hora.

Mais como uma hora e quinze minutos atrás, mas quem está
contando?

Antes que eu pudesse responder, outro texto chegou.

Ford: O que você diz? Quer ir?

Eu mordisquei meu lábio inferior.

Valentina: Bella vai?

Ford: Não. Só nós.

Deus, eu queria. Eu queria muitooooooo.

Valentina: Ford...

Eu ri de sua resposta.

Ford: Valentina...

Outro texto entrou.


Ford: Duas pessoas não podem aproveitar a companhia uma
da outra e compartilhar uma refeição juntos?

Valentina: Então não é um encontro?

Os pequenos pontos saltaram. Então parou. Então começou de


novo.

Ford: Podemos chamar do que te fizer feliz. Apenas venha


desfrutar de uma refeição comigo.

Talvez eu estivesse sendo ridícula. Amigos podem comer juntos.

Valentina: Ok. Apenas dois amigos saindo para comer


juntos. Eu acho que não é diferente de Eve e eu.

Ford: Se você diz isso. Eu não sabia que você chupava o


rosto da sua melhor amiga no final da noite. Mas isso é legal. ;)
Até daqui a vinte minutos.

***

Ford estava na minha varanda da frente com um enorme buquê


de flores, semelhantes às que ele deixou na minha porta não muito
tempo atrás. Eu abri a porta de tela.

— Ummm. Achei que isso não era um encontro.


Ele entrou, parando para se inclinar e beijar minha
bochecha. Droga. Ele cheirava bem também.

— Namorar implicaria um relacionamento, e nós já estabelecemos


isso. Isso não significa que eu não possa comprar flores e uma boa
refeição antes de fazermos sexo.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Eu não concordei em fazer sexo


com você. Eu concordei em jantar.

Ele sorriu. — Ainda não. Mas espere até ver quanto sou charmoso
no nosso encontro hoje à noite.

Eu não pude deixar de rir. — Eu preciso pegar minha bolsa no


andar de cima. Dê-me um minuto.

***

Nosso jantar de sete pequenas porções de degustação foi


delicioso, e nossa conversa nunca teve um momento de calmaria. Nós
conversamos sobre o trabalho de Ford, como ele decidiu avançar com a
conversão de mais do negócio de armazenamento para espaços de
escritórios, e como comecei a procurar posições de ensino para que
estivesse pronta quando recebesse meus resultados. Nós ficamos
sentados em uma mesa por mais de duas horas, e eu poderia ter ficado
sentada lá por mais duas horas.

— O que você acha de irmos ao bar do outro lado da rua e tomar


uma bebida?

Eu balancei a cabeça. — Eu gostaria disso. Por que não pedimos


a conta? Tenho certeza de que o garçom quer colocar outras pessoas em
nossos lugares agora mesmo.

Ford se levantou e estendeu a mão para me ajudar. — Já fiz


isso. Paguei a conta quando fui ao banheiro há pouco tempo.
— O quê? Por quê?

— Porque, caso contrário, você argumentaria comigo que


deveríamos dividi-la para que você pudesse continuar fingindo que não
estamos em um encontro.

Eu olhei para ele. — Nós não estamos em um encontro.

Ele deu um puxão na minha mão, me colocando de pé. —


Certo. Não é um encontro.

— Não é.

Ele piscou enquanto entrelaçava os dedos nos meus. —


Absolutamente. E eu não vou olhar para o seu traseiro nesse jeans
apertado quando abrir a porta do restaurante para você passar
primeiro.

Eu apertei os olhos. — Você é um idiota.

Ele levou nossas mãos unidas até os lábios para um beijo. —


Talvez. Mas sou um idiota com o melhor encontro da sala.

***

Meu não encontro foi cardado6.

Acho que pode ter sido a primeira vez.

Pior, o barman sedutor olhou para mim e perguntou o que eu


queria beber. Pelo menos finja que podemos ter nascido na mesma
década, se você vai questionar se o meu encontro tem mais de vinte e um
anos. Agrade-me.

Uh. Espere. Eu não estou em um encontro.

6 Pedir a identidade de alguém.


Tanto faz.

O bar estava lotado. Eu só vim aqui para almoçar, então não


tinha ideia de que era assim numa quinta à noite. Olhei em volta, certa
de que eu era uma das pessoas mais velhas, se não a mais velha da
sala.

— Pare de pensar demais, — sussurrou Ford em meu ouvido.

Enquanto esperávamos pelas nossas bebidas, terminei de


examinar o bar cheio de pessoas de vinte e poucos anos e me virei para
Ford. — O garçom acha que eu sou sua mãe.

Aparentemente, ele achou minha ansiedade divertida.

Ele sorriu. — Você acha?

Eu fiz uma careta para ele. — Não é engraçado.

— Não. Mas se é isso que eles acham... então isso com certeza é.

Ele enganchou uma das mãos em volta do meu pescoço e me


puxou para ele. Sua boca ainda sorridente bateu na minha, e ele me
beijou até que eu esqueci todos os outros ao nosso redor. Meus dedos
enrolaram em sua camisa quando ele quebrou a nossa conexão.

Ele recuou apenas o suficiente para olhar nos meus olhos. —


Podemos muito bem dar-lhes algo para falar se quiserem.

As pessoas estavam disputando lugares em pé no bar para


pedir. Ford pegou minha mão e nós serpenteamos pela multidão,
tentando encontrar um lugar para sentar. Duas pessoas em um canto
mais calmo estavam se levantando, então ficamos perto para pegar a
mesa.

Assim que nos sentamos, uma explosão de riso explodiu em todo


o bar. Era a terceira vez que acontecia desde que entramos, parecia que
todo mundo tinha acabado de ouvir a mesma piada, mas não
estávamos envolvidos. Nossa mesa tinha um iPad montado, e logo
percebemos o que todo mundo estava rindo. Havia um jogo de
curiosidades em todo o bar, curiosidades sobre sexo, para ser
específico.

Uma garçonete se aproximou e colocou dois copos e


guardanapos. — Apenas bebidas ou vocês gostaria de ver um menu do
bar?

— Só bebidas. — Ford levantou sua cerveja cheia. — Mas estamos


satisfeitos por agora.

— Se vocês quiserem entrar no próximo jogo, há uma taxa de


entrada de vinte dólares. O último jogo acabou, então o novo deve
começar em poucos minutos. Vencedor divide a caixinha
cinquenta/cinquenta com o bar. Fazemos isso todos os verões como
uma arrecadação de fundos para o câncer de mama, cem por cento da
parte do bar é doado.

Ford tirou um punhado de dinheiro do bolso e entregou-lhe uma


nota de vinte. — Estamos dentro.

Quando a garçonete se afastou, ele olhou para mim. — Você acha


que é melhor em trivialidades sexuais do que eu?

Quem alegaria não ser melhor em tal jogo? — Claro.

Ele sorriu. — Que tal uma pequena aposta por fora, então?

— O que vamos apostar?

Ele esfregou o queixo. — Se eu ganhar, você vai a um encontro


real comigo, um onde eu te levo a um bom restaurante e você não finge
que não é um encontro.

— E se eu ganhar?

— Isso é difícil. Um encontro comigo poderia funcionar como seu


prêmio também.
Eu balancei a cabeça. — Tão cheio de si mesmo.

Ele se levantou para colocar seu dinheiro de volta no bolso da


frente. — Tudo bem. Que tal agora? Se eu ganhar, você vai a um
encontro comigo. Se você ganhar, vou consertar suas portas de correr
dos fundos.

— Elas são estridentes, não são?

— Sua estrutura está enferrujada. Você precisa mudar a cada


poucos anos. O minha também precisa ser mudada.

Eu estendi a minha mão. Como eu poderia perder? — Você tem


um acordo. Aquele rangido me deixa louca.

***

Qual é o comprimento médio de um pênis ereto?

Senti minhas bochechas vermelhas enquanto lia as respostas. As


escolhas eram:

A. 12,4 a 13,9 centímetros de comprimento

B. 13,9 a 15,7 centímetros de comprimento

C. 15,7 a 17,7 centímetros de comprimento

D. 22,9 a 24,1 centímetros de comprimento


Sem pensar, eu tinha espalhado meu polegar e indicador para ver
quanto eram seis centímetros. Quando olhei para cima, Ford arqueou a
sobrancelha.

— Eu lhe ofereceria um bastão de medição. Mas eu não sou


mediano.

Seu sorriso era tão perverso e parecia que ele queria me comer
viva.

Eu me contorci no meu lugar. — Ummm. Eu vou com o A.

— Para o bem da humanidade, eu gostaria de dizer que a


resposta é D. Mas eu li isso em algum lugar uma vez, e acho que na
verdade é B.

Decidimos colocar minhas respostas no iPad para que o


computador pudesse rastrear uma de nossas pontuações, mas
mantivemos seu registro separado. Até agora, nós tínhamos respondido
cinco perguntas e ele tinha acertado três, eu acertei uma, e nós dois
respondemos uma errada.

Os telões gigantes lançaram a resposta e mais um ponto foi para


Ford. Ele deu um sorriso satisfeito.

— Eu entendi errado, — eu disse. — Mas eu não estou


desapontada em descobrir que o macho médio é maior do que eu
imaginava.

Ford piscou. — Você não ficará desapontado quando vir o meu


também, linda.

Jesus. Eu definitivamente precisava de outro copo de vinho.

Alguns minutos depois, a próxima pergunta apareceu na tela:

Quantas terminações nervosas tem o clitóris?


Oh senhor. Parecia um zilhão no momento.

As escolhas eram:

A. 22

B. 310

C. 1.000

D. 8.000

Nós dois ficamos surpresos ao descobrir que a resposta era


D. Bem, não é de admirar.

Ford chamou nossa garçonete para me pedir outro vinho e


recusou o reabastecimento de sua cerveja meio vazia desde que ele
estava dirigindo.

Eu li a próxima pergunta na tela e balancei a cabeça. — Isso é


uma combinação? Você é amigo do dono e pediu que ele fizesse essas
perguntas quando chegamos aqui ou algo assim?

Ford olhou para baixo para ler a pergunta.

Com que idade uma mulher atinge seu pico sexual?

Ele olhou para cima. — Eu amo esse jogo.

Eu ri e li as respostas em voz alta:


A. 18

B. 25

C. 38

D. 45

Sem me consultar, Ford estendeu a mão e pressionou C como


nossa resposta.

— Eu achei que estávamos colocando os meus palpites?

— Você estava realmente pensando em escolher outra coisa?

O telefone de Ford tocou na mesa. Nós olhamos para baixo e


encontramos o nome de Bella piscando na tela.

— Eu adoraria ignorar isso. Mas não posso. — Ele gemeu.

— Claro que não. Atenda. — Seu relacionamento com sua irmã


era uma das coisas que eu mais gostava nele. Ela o enlouquecia, mas
ele estava lá para ela cento e dez por cento.

Ele bateu para responder, e o simples levantar de seu braço fez


um músculo em seu bíceps flexionar. Levei meu vinho aos meus
lábios. Isso está bem no topo da minha lista também.

— O que aconteceu? — Ford imediatamente se levantou. Ele


passou a mão pelo cabelo enquanto escutava. — Eu estarei aí.

Ele enfiou a mão no bolso e jogou algumas notas na mesa. — Eu


preciso ir. Bella acabou de ser presa.
***

Dizer que a tensão no ar era forte na volta para casa era um


eufemismo. Ford xingou o carro à sua frente por ter entrado a direita
sem sinalizar e bateu a mão no volante.

— Ford? — A voz fraca de Annabella veio do banco de trás. Ela


estava deitada desde que a pegamos na delegacia. — Eu acho que vou
vomitar.

Ford resmungou uma série de maldições e parou em uma rua


lateral. Bella lutou para lidar com a maçaneta da porta e saiu do
carro. Ela deu alguns passos e dobrou os joelhos, inclinando-se para
frente em uma posição pronta para vomitar. Eu peguei a maçaneta da
porta, mas a Ford me parou.

— Não

— Mas… ela pode sufocar. Ela vai sujar seu cabelo.

— Ela vai ficar bem. Eu vou ficar de olho nela daqui. Eu não vou
mimá-la, e não vou deixar você fazer isso também.

— Ford...

Ele se virou para mim. Eu nunca o vi verdadeiramente com raiva


antes. Sua mandíbula estava tensa, seus lábios achatados em uma
linha sombria, e sua voz tinha toda a severidade de um pai muito
irritado.

— Ela tem idade suficiente para ir a bares com uma identidade


falsa, comprar maconha, ficar chapada e ser presa, então tem idade o
suficiente para segurar seu próprio cabelo para trás. Eu não sou um
idiota. Eu sentei no banheiro e segurei o cabelo dela quando ela estava
realmente doente. Mas ela está sozinha nessa merda.
Enquanto eu lutava vendo uma adolescente vomitando sozinha
na beira da estrada, também não era meu direito decidir como pai
dela. Eu era mãe; Eu mimava as pessoas quando elas estavam doentes
ou deprimidas, o amor duro não estava na minha composição
genética. Embora eu soubesse que meu ex-marido provavelmente agiria
do mesmo jeito se fosse nosso filho.

Assistir Ford na delegacia enquanto ele advogava em favor dela, e


agora o vendo irritado e desapontado com sua irmã, acho que pela
primeira vez percebi que ele realmente não era um típico garoto de 25
anos. As circunstâncias da vida que ele tinha lidado o forçaram a
amadurecer mais rápido do que a maioria das pessoas da sua idade.

Ele ganhou seu cartão de adulto da maneira mais difícil. E o fato


de eu estar tratando-o como se ele ainda fosse um menino tinha sido
um insulto a ele em muitos níveis. Uma coisa era não querer sair com
ele porque não estava pronta, mas outra completamente me esconder
atrás de uma desculpa que o desrespeitava.

Olhei pela janela e vi Bella, que ainda estava sem ar, depois
estendi a mão e peguei a de Ford. Seu rosto suavizou
infinitesimalmente, e ele respirou fundo e entrelaçou os dedos nos
meus.

A meia hora de carro dos Hamptons levou o dobro do tempo que


deveria. Nós tivemos que parar três vezes para Bella vomitar, ou pelo
menos porque ela achou que poderia vomitar. Por mais que me doesse,
fiquei no carro nas três paradas. Mas quando chegamos em casa, tive
que pelo menos ajudá-la a deitar. Ela balbuciou para mim quando tirei
seus sapatos.

— Às vezes, quando eu brincava na praia o dia inteiro, ficava tão


cansada depois do banho que adormecia antes que mamãe entrasse
para escovar meu cabelo.
Sentei-me na cama ao lado dela e puxei as cobertas. — A praia
nos derruba.

— Mas quando acordava de manhã, meu cabelo não estava


bagunçado. Mamãe costumava escovar enquanto eu dormia.

Isso fez meu coração doer, ela estivesse errada pelo que fez esta
noite ou não. Eu sorri tristemente e acariciei seu cabelo. — Mães têm
superpoderes assim.

— Eu sinto falta dela. Ela adorava tanto aqui.

— É lindo em Montauk, mas acho que o que sua mãe


provavelmente gostava mais era de estar aqui com sua família sem as
distrações do dia a dia.

Annabella se enrolou na posição fetal. Eu prendi o cobertor ao


redor dela para que ela ficasse enrolada como uma salsicha e fiquei,
esfregando seu cabelo até que ela adormecesse.

Eu encontrei Ford no andar de baixo na sala de estar bebendo um


líquido âmbar de um copo.

— Ela está dormindo.

Ele assentiu e inclinou o copo para engolir os restos em um


gole. — Você quer uma bebida?

— Claro. Mas eu não acho que posso beber o que você está
bebendo.

Ford se levantou e caminhou até uma prateleira de vinhos na


cozinha. — Eu tenho o cabernet que você gosta.

Eu assisti da porta enquanto ele puxou-o para fora e começou a


abrir a tampa antes de encher um copo para mim e reabastecer o seu
próprio com uísque.
Voltando para a sala de estar juntos, ele me entregou o copo de
vinho.

— Você coincidentemente tem o vinho eu gosto? — Eu bati o


ombro com ele, brincando.

— Eu também comprei mais da colônia que você disse que gostou


na semana passada. — Ford sentou-se e encostou a cabeça no encosto
do sofá, olhando para o teto. — Tenho certeza de que minha ânsia é um
sinal de imaturidade para você. Mas eu só quero agradá-la.

Eu balancei a cabeça. Deus, eu tenho sido tão idiota.

— Na verdade, acho que a atenção em um homem é incrivelmente


atraente.

Ford levou o copo à boca e bebeu como se estivesse tomando


remédio. — Deixe-me adivinhar, você acha a atenção atraente, mas na
sua mente eu sou apenas um menino, não um homem, então isso não
se aplica a mim.

Suspirei e abaixei meu copo de vinho. — Me desculpe, por tratá-lo


do jeito que tenho feito.

Ele sentou-se e assentiu, embora seus olhos estivessem


hesitantes em aceitar minhas desculpas.

— Assistir como você lidou com sua irmã esta noite me fez
perceber que você está certo, a idade não é o que importa. — Eu
balancei a cabeça. — Eu conheço muitos homens de quarenta anos que
agem como adolescentes.

Ele ainda não parecia convencido de que minha perspectiva havia


mudado. Eu nunca convidei um homem para um encontro na minha
vida. Inferno, eu não estive em um encontro há mais de vinte anos,
então quem era eu para julgar como as coisas deveriam
acontecer? Sentei-me mais ereta e engoli o resto do meu vinho antes de
me virar para olhar diretamente para Ford.
— Você sairia para jantar comigo amanhã à noite?

— Não posso. Tenho uma reunião na cidade à tarde.

— Na noite seguinte?

O polegar de Ford esfregou o lábio inferior enquanto ele me


avaliava. — Você se sente mal por mim porque meus pais morreram e
eu criei minha irmãzinha?

Eu fui honesta. — Sim eu me sinto. Mas isso não tem nada a ver
com o motivo de eu estar te convidando para sair.

Geralmente seu rosto era muito fácil de ler, mas desta vez eu não
conseguia ver o que estava acontecendo dentro de sua cabeça.

Ele olhou para mim mais um pouco antes de falar novamente. —


Por quê?

— Porque o quê?

— Por que você quer sair comigo?

— Você quer dizer por que hoje, quando eu disse não antes?

Ele balançou sua cabeça. — Não. Quero dizer, me diga as razões


pelas quais você quer sair comigo.

Eu apertei os olhos, sem saber se ele estava dando


voltas. Quando percebi que ele estava esperando por uma resposta real,
não demorou muito para pensar em uma. — Você é inteligente,
engraçado, bonito e maduro.

— Então você não está apenas saindo comigo por um encontro de


pena?

Eu sorri. — Não. Definitivamente não.

Ford repeliu o resto de sua segunda bebida e bateu o copo vazio


na mesa. Ele enrolou a mão em volta do meu pescoço e me puxou para
ele. Seu lábio se contraiu no canto. — Só para você saber, eu teria ido a
um encontro de pena. Eu não dou a mínima como consigo. Mas foi bom
ouvir você dizer essas coisas.

Eu empurrei seu peito, embora ele não tenha se mexido.

— Desde que você está me convidando para sair, que tal vir aqui
e me beijar para variar?

Eu sorri e me inclinei para roçar meus lábios contra os


dele. Quando fui recuar, Ford passou os dedos firmemente em meu
cabelo e me manteve lá, aprofundando o beijo. Foi duro e carente, e
antes que terminasse, ele mordiscou meu lábio inferior, causando uma
pontada de dor.

Eu me vi pensando que este beijo marcava o início oficial da


minha aventura de verão, duro, carente e tinha uma pontada de dor,
muito parecido com o modo como as coisas terminariam no Dia do
Trabalho.

— Já era tempo, — ele rosnou. — Já perdemos quase metade do


verão.
15

Ford
Fiz reservas para duas noites depois no Blue, um restaurante
novo e sofisticado com vista para o lago Montauk. A sala de jantar tinha
paredes escuras, mesas à luz de velas e uma vista que fazia você
esquecer que estava a poucos minutos de uma rodovia. Música suave
vinha de um piano em uma sala adjacente tocado por um homem que
parecia um jovem Ray Charles. Eu nunca levei um encontro para um
lugar que tivesse música lenta antes.

— Uau. Isso é muito legal, — Valentina disse enquanto eu puxava


sua cadeira.

Empurrando a cadeira para ela, do ângulo em que me


encontrava, podia ver diretamente de cima seu vestido vermelho e
sexy. Eu me inclinei, beijei seu ombro nu e sussurrei em seu ouvido. —
Eu realmente amo seu vestido. Especialmente a vista daqui.

Val olhou para cima e seguiu minha linha de visão até o decote
dela.

Ela riu. — E aqui eu pensando que você realmente gostou do


vestido.

— Eu gostei. — Eu pisquei. — Mal posso esperar para ver no seu


piso mais tarde.

Sentei-me e o garçom chegou para anotar nossos pedidos de


bebida. Nós pedimos uma garrafa do Cabernet que Val amava, e eu
esperei por ela quando ele ofereceu uma degustação antes de
servir. Observando-a girar o líquido carmesim em seu copo e levá-lo aos
lábios, me fez perceber que provavelmente deveria ter tomado conta dos
negócios antes do jantar. Até a marca de batom que ela deixou para
trás na borda da taça me excitou. Eu tive que me ajustar discretamente
embaixo da mesa quando imaginei como essa marca ficaria no meu
pau.

Val se inclinou quando o garçom se foi. — O que está acontecendo


nessa sua cabeça? Você está olhando como se estivesse pensando
profundamente.

Eu engoli e pisquei algumas vezes. — Nada. Só pensando em uma


reunião que tive hoje cedo.

Ela apertou os olhos. — Você está cheio de merda.

Isso me fez sorrir, porque eu estava cheio de merda. Mas o que eu


estava pensando não era exatamente material apropriado de um
primeiro encontro.

— Eu só estava pensando em como você está linda esta noite.

Ela ergueu o copo de vinho e levou-o à boca novamente. Eu mal


podia esperar para provar isso em seus lábios mais tarde.

— É mesmo? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Você não


estava pensando em mais nada?

— Eu não acho que você realmente quer saber.

— Claro que eu quero. Diga-me.

— Você não vai usar isso contra mim se for inadequado?

Ela sorriu e um brilho diabólico surgiu em seus olhos. — Claro


que não.

Foda-se. Se você realmente quer saber... Tanto para ser um


cavalheiro, então. Eu esperei até que ela colocasse seu copo de volta na
mesa e apontei meus olhos para as marcas de batom nele.
Eu me inclinei e abaixei minha voz. — Eu estava imaginando
olhar para baixo e ver essa marca em volta do meu pau.

Val soltou uma risada nervosa e eu tomei um gole do meu próprio


copo para me refrescar. Depois disso, nossa conversa sempre fácil
parecia esquisita. Nós conversamos sobre a minha semana na cidade e
o que ela fez fazendo enquanto eu estava fora, mas me senti
desconfortável agora e não como eu e Val. Eu esperava que não tivesse
realmente a chateado com o que eu disse.

No momento em que terminamos nossos aperitivos, precisava


dizer alguma coisa.

— Eu… fui muito longe com o que eu disse anteriormente sobre o


batom? Eu não quis ofendê-la.

Val limpou os cantos da boca com um guardanapo. — Não. Você


não me ofendeu. Você está sendo um perfeito cavalheiro. Eu perguntei o
que você estava pensando.

— Então, algo está incomodando você? Parece que algo mudou


depois de eu ter feito esse comentário.

Val olhou viajando entre os meus olhos e engoliu em seco. — Sou


eu. Não você.

— O que está acontecendo?

— Estou... nervosa... sobre... você sabe.

Minhas sobrancelhas franziram. — O quê?

Ela olhou em volta e depois se inclinou e baixou a voz. — Sexo.

— Por quê?

— Porque eu não... tenho... eu fui casada por... — Ela balançou a


cabeça. — Eu só fiz sexo com Ryan.
Oh uau. Eu não fazia ideia. Mas é claro que isso fazia sentido. Ela
estava com ele desde o ensino médio.

Eu tentei amenizar isso, acalmar seus nervos. — Tenho certeza de


que não mudou muito. Cera de vela pingando, cavalgada, todos os
quatro buracos.

Seus olhos se arregalaram. — Quatro? Quais são os quatro?

Eu ri. — Relaxe. Estou brincando. — Eu balancei a cabeça. —


Nada precisa acontecer até que você esteja pronta. Então pare de
pensar nisso. Você realmente precisa parar de pensar em tudo e
simplesmente aceitar as coisas como elas são.

Ela respirou fundo. — OK.

As coisas pareciam mais relaxadas depois disso. O garçom trouxe


nosso jantar, e voltamos à nossa conversa habitual e confortável.

— Como vão as coisas entre você e Bella?

— Ela não estava por perto quando cheguei em casa hoje, então
ainda não a vi desde aquela noite. Eu mandei uma mensagem para
checá-la enquanto estava fora, mas eu só tive respostas de uma
palavra. Bem. Sim. Não. Ok. Tenho certeza que ela queria
adicionar foda-se ao final de cada uma delas, mas conseguiu se
conter. Eu não entendo. Ela faz algo errado, e então age irritada comigo,
como se eu fosse culpado.

— Ela está se esquivando. Se ela ficar chateada com você, não


precisa olhar para dentro. Mas Bella é uma garota esperta. Ela sabe que
estava errada.

— Sim.

— Tenho certeza que você não era um anjo na faculdade.

— Esse é o problema. Eu lembro o que estava fazendo na idade


dela.
Valentina sorriu. — Eu pulei os anos de festa. Eu praticamente
passei de brincar de bonecas para ter uma vida real.

Depois do jantar, Val pediu licença para ir ao banheiro. Enquanto


ela estava fora, fui até o pianista e fiz um pedido. Eu acho que ele não
tinha muitos, porque quando ela voltou, ele começou a tocar minha
música: — Lady in Red.

Eu fiquei de pé. — Dança comigo?

— Eu adoraria. Mas tenho dois pés esquerdos, então não me


responsabilizo por nenhum ferimento.

Mesmo que parecesse completamente estranho levar uma mulher


para um encontro e convidá-la para dançar lentamente, eu não podia
deixar passar a oportunidade de segurar Valentina perto. Nós
caminhamos para a pista de dança, e eu a envolvi com força em meus
braços. Ela colocou uma mão no meu ombro e a outra apertou a minha.

— Eu mencionei quão linda você está hoje à noite?

— Sim. Eu acredito que foi enquanto você estava olhando para o


meu vestido.

— Eu não pude resistir. Estou tão inacreditavelmente atraído por


você.

Ela corou. — Obrigada. O sentimento é mútuo.

Eu me senti leve - não apenas nos meus pés, mas no meu peito e
na minha mente. Se alguém me perguntasse há alguns meses se eu
achava que estaria em um lugar escuro, teria achado que eram
loucos. Mas podemos nos adaptar a quase tudo, começamos a enxergar
na escuridão depois de um tempo, até encontrar conforto.

Val colocou a cabeça no meu peito e nós deslizamos pela pista de


dança. Pode ter sido a primeira vez que fiquei grato por minha mãe ter
me forçado a aprender a dançar. Eu me senti feliz, balançando com
essa mulher em meus braços.

Eu sabia que Val precisava ir devagar, e mesmo que eu não


fizesse sexo há algum tempo, isso estava perfeitamente bom para mim,
esse sentimento era tudo o que eu precisava dela agora.

***

O carro de Bella estava estacionado na garagem quando


chegamos. Ela deve ter saído do trabalho mais cedo. — Você se importa
se verificarmos Bella?

— Não, claro que não. Mas eu estou arrumada. Talvez deva ir me


trocar primeiro?

Dei de ombros. — Só vai levar um minuto. Ela pode nem estar


acordada.

Val hesitou, mas acabou concordando. Minha irmã estava no sofá


quando entramos, vendo televisão. Ela olhou entre nós e fez uma careta
para mim.

— Oi, Val.

— Oi.

Eu balancei a cabeça. — Você vai ser prepotente comigo? Sim,


isso faz sentido. Eu estava definitivamente errado por dirigir até os
Hamptons e tirar sua bunda da prisão. E nunca deveria ter parado
meia dúzia de vezes para que você pudesse vomitar seu cérebro. Para
não mencionar, checá-la a noite toda para ter certeza de que você não
engasgou com o seu próprio vômito. Mas claro, fique chateada comigo.
Bella revirou os olhos. — Supere a si mesmo. Foi uma vez e você
foi muito pior na minha idade. Você não é meu pai, e eu tenho mais de
dezoito anos agora, então você nem é mais meu guardião legal. Eu
posso fazer o que eu quiser. — Ela tirou o cobertor e foi para o
banheiro. A porta bateu ecoando pela sala.

Meu sangue estava fervendo. — Ela não pode estar falando


sério. Se ela vai agir como uma criança de dez anos e não pode nem
mesmo aceitar seus erros, não tenho tanta certeza se pode morar
sozinha na faculdade. Eu ainda controlo suas finanças, e vou arrastar
sua bunda mimada para casa.

Valentina esfregou meu braço. — Ela está apenas envergonhada e


atacando.

— Ela deveria estar envergonhada. — Eu andei até a cozinha. —


Eu preciso de uma cerveja. Você quer um copo de vinho?

— Claro.

Eu servi o vinho dela e gesticulei em direção à porta dos


fundos. — Deck?

Ela assentiu e eu mantive a porta aberta para ela.

Tomei minha cerveja enquanto me inclinava sobre o deck em


silêncio, pensando.

— Você quer falar sobre isso? — Val finalmente disse.

Eu me virei. O luar iluminava seu rosto e me bateu como eu era


idiota. Eu matei o clima.

— Eu não deveria ter parado para verificá-la.

— Não. Você fez a coisa certa.

Eu soltei um suspiro profundo e peguei a mão de Val. — Vamos


voltar para eu dizendo como você está linda esta noite.
Ela sorriu. — Nós podemos fazer isso.

Eu segurei sua bochecha e me inclinei para beijá-la, mas ela se


afastou. — Bella está aqui.

Dei de ombros. — E daí?

— E se ela nos vir?

— Quem se importa se ela vê? — Eu achei que ela estava sendo


tímida, então estendi a mão para ela. Mas ela recuou, fora do meu
alcance.

— Eu me importo.

— Por quê?

— Eu só me importo…

— Bem, eu não. Eu não vou esconder o tempo que passo com


você durante todo o verão. Você não é um pequeno segredo sujo, Val.

— É apenas... inapropriado.

— Por que diabos isso é inapropriado?

— Apenas é.

O motivo me atingiu. — Você tem vergonha de estar comigo?

— Não é isso.

— Então o que diabos é isso?

Ela tentou chegar a algum motivo bobo, mas não conseguiu


encontrar um.

Eu balancei a cabeça, chateado. — Ótimo. Eu acho que você não


é meu pequeno segredo sujo, mas eu sou o seu.

— Ford...
Eu bebi o resto da minha cerveja. — Está tudo bem. Estou
cansado de qualquer maneira.

Valentina pareceu surpresa, mas não disse nada.

— Por que eu não te acompanho até porta ao lado?

Ela me disse que não era necessário, mas a acompanhei de


qualquer maneira. Depois que ela abriu a porta se virou para mim. —
Você quer entrar e conversar?

Eu balancei a cabeça. — Não, obrigado.

— Ford… eu não queria ferir seus sentimentos. Eu sinto muito.

Sim eu também. Eu também.

Eu balancei a cabeça. — Boa noite, Val.


16

Valentina
Eu me senti horrível.

Tenho vergonha dele?

Ele é um homem bonito, inteligente e bem sucedido. O que diabos


há para se envergonhar?

Vergonha é mesmo a palavra certa?

Envergonhada?

Eu me senti envergonhada.

As duas emoções eram semelhantes, mas com uma diferença


significativa. Vergonha era o que você achava de si
mesma. Envergonhada era sobre o que os outros pensavam de você.

Eu não estava envergonhada. No entanto, por alguma razão,


eu me importava com o que as outras pessoas
pensariam. Independentemente da distinção entre as emoções, o
resultado era o mesmo para Ford: eu o fiz sentir terrível.

Era tarde, mas sabia que nunca conseguiria dormir. Ele poderia
estar se sentindo da mesma maneira, então achei que era melhor
limpar o ar. Peguei meu telefone da mesa de cabeceira e pensei no que
queria dizer antes de digitar.

Valentina: Você estava certo. Estou te tratando como meu


pequeno segredo sujo. Mas não tem nada a ver com você ou o que
penso sobre você. Eu acho que você é um homem incrível, e ainda
estou lisonjeada e perplexa que um cara tão maravilhoso quanto
você iria me querer. Mas, independentemente do motivo, você quer,
e eu também te quero. Eu só tenho esse senso estúpido do que é
apropriado e inadequado, e preciso superar isso. Sinto muito pela
maneira como agi, Ford. Você pode me perdoar?

Um minuto depois, meu telefone tocou com uma mensagem


recebida.

Ford: Vou precisar de uma desculpa em pessoa.

Eu soltei um suspiro que não percebi que estava segurando e


sorri.

Valentina: Eu posso fazer isso. Que tal eu te levar para o


café da manhã amanhã?

Ford: Que tal você tirar sua bunda da cama agora? Eu estive
parado na sua porta da frente por dez minutos debatendo em
bater.

Eu praticamente pulei da cama e corri para a porta da


frente. Ford estava encostado na casa e não se mexeu. Ele esperou que
eu fosse até ele.

Eu saí e parei na frente dele. — Eu sinto muito.

Ele deslizou um braço em volta da minha cintura e me puxou


contra ele. — Você precisa parar de dar importância para o que as
outras pessoas pensam. Apropriado e inadequado, não importa se você
quer algo e não está machucando ninguém.
Eu balancei a cabeça. — Eu sei. Eu preciso trabalhar nisso. E se
isso faz você se sentir melhor, não é só você. Eu amo calças brancas, e
ainda não as uso depois do Dia do Trabalho por causa de alguma regra
de moda arcaica.

O lábio de Ford se contraiu. — Bem, agora eu não me sinto tão


mal.

Eu descansei minhas duas mãos em seu peito. — Isso não vai


acontecer da noite para o dia. Mas vou trabalhar nisso.

A mão de Ford deslizou para minha bunda. — Eu ficaria feliz em


ajudá-la a trabalhar em ser inadequada.

Eu ri. — Aposto que você faria.

Ele abaixou a cabeça e roçou os lábios contra os meus. — Eu não


posso ficar com raiva de você.

Na mesma nota, eu precisava abordar o que tinha começado tudo


isso. — Eu ainda não acho que seja uma boa ideia estarmos juntos na
frente de Annabella.

Ford cruzou os braços e um músculo em sua mandíbula


flexionou.

— Mas não é o que você pensa. Eu sei que você está chateado
com ela agora, mas você é o seu modelo. Ela te admira. Os adolescentes
prestam atenção ao que as pessoas fazem, mais do que dizem. Você
realmente quer lhe mostrar que está tudo bem em ter uma aventura de
verão? Ela não vai entender porque está tudo bem para você e não para
ela.

Ford pensou nisso por um minuto. — Bem. Acho que você está
certa. Sua defesa sobre se meter em apuros usando uma identidade
falsa é que eu costumava beber quando era menor de idade. Isso torna
difícil dizer que algo está errado quando você fez as mesmas coisas.
— Exatamente.

Ford segurou minha bochecha. — Viu? Nós temos um bom


equilíbrio. Ajudarei você a tirar o pau inadequado da sua bunda e você
me ajudará a dar um bom exemplo para minha irmã pé no saco. Agora
vamos nos beijar e fazer as pazes.

Sua mão deslizou no meu cabelo, e ele agarrou a parte de trás do


meu pescoço e inclinou minha cabeça para cima. Plantando seus lábios
sobre os meus, sua língua mergulhou em minha boca e nossos corpos
imediatamente se fundiram. O homem poderia beijar seriamente. Ele
deixou meus joelhos fracos e ofegante a cada momento.

— Você quer entrar? — Eu perguntei quando o beijo acabou.

Ford olhou nos meus olhos. — Sim, eu quero. Mas não, eu não
vou. Outra noite... quando você estiver pronta para eu entrar.

Eu fiquei desapontada. Mas ele estava certo. Embora meu corpo


estivesse definitivamente pronto, eu não tinha certeza de que eu estava.

Eu balancei a cabeça. — OK.

Ele me beijou mais uma vez, depois pressionou os lábios na


minha testa. — Boa noite linda.

Em transe, observei-o descer minhas escadas. Ele se virou


quando chegou ao final e me chamou. — Você ainda me deve café da
manhã amanhã. Voltarei para cobrá-lo de manhã.

***

Meu telefone tocou no balcão. Antes deste verão, muitas vezes


perdia meu celular em casa. Horas se passavam sem que eu o
verificasse. Agora o levava para o banheiro enquanto estava no chuveiro
para ouvir o ping de um texto, fale sobre ansiedade.

Ford: Café da manhã em vinte?

Enrolei meu cabelo em uma toalha e mandei uma mensagem de


volta.

Valentina: Parece bom. Acabei de sair do chuveiro. A porta


dos fundos está aberta. Entre.

Ford: Ok. Mas me faça um favor? Use o top branco que você
usou na semana passada.

Eu não sabia que ele gostava disso. Mas claro. Por que não?

Valentina: Ok!

Ford estava encostado no balcão da minha cozinha com uma


caneca de café na mão quando desci. Seus olhos demoraram correndo
pelo meu corpo e se agarraram aos meus seios em sua subida de volta.

Eu limpei minha garganta. — Bom dia.

— Realmente. — Ele assentiu.

Fui até a pia e larguei minha caneca de café vazia.

— Eu não sabia que você gostava de tops brancos simples.

Eu olhei no espelho depois de colocar o top que ele pediu. O


material abraçava minhas curvas, mas não de uma forma obscena ou
qualquer outra coisa. E o tecido não era nada especial, algodão fino e
branco, muito simples, na verdade. Eu não tinha certeza do que ele
gostava tanto. A menos que talvez fosse mais revelador quando eu
estava com frio.

Ford pegou meus olhos. — Tire seu sutiã.

Eu pisquei algumas vezes. — O quê? Quer dizer tirá-lo antes de


irmos tomar o café da manhã e ficar sem?

Ele assentiu.

— Eu não posso ir a um restaurante sem sutiã.

— Por que não?

— Porque é inadequado... — Eu parei no meio da frase quando


percebi que tinha caído na sua armadilha.

Ele sabia qual seria minha resposta. O espertinho sorriu com


uma sobrancelha arqueada.

— OK. Eu entendi seu ponto. Mas eu realmente não posso sair


para o café da manhã sem sutiã.

— É desconfortável não usar um?

— Não.

— Alguém vai se machucar com isso?

— Eu acho que não. Mas seria estranho. Mulheres de trinta e sete


anos não saem sem sutiãs.

Ele cruzou os braços sobre o peito. — Novamente com a merda da


idade. Você sairia sem um aos vinte e dois?

Dei de ombros. — Talvez. — Eu totalmente teria.

— Você tem seios lindos. Melhor que qualquer coisa de vinte e


poucos.
Eu me senti desconfortável, mas foda-se. Ele estava certo. Eu
tinha peitos lindos. E se esse modesto ato de semi-indecência o fazia
feliz, por que não? Eu segurei seus olhos quando levei as mãos às
costas, levantei meu top e abri meu sutiã. Deslizar as alças e tirar dos
meus braços foi simples, Deus sabe que nós mulheres somos melhores
que Houdini quando se trata de tirar o sutiã sem retirar qualquer outra
peça de roupa. Uma vez que meus braços estavam fora, estendi a mão
por baixo do meu top e puxei o sutiã do meu corpo. Eu estava feliz por
ter colocado algo bonito esta manhã, nude com renda. Eu segurei e
joguei na cabeça de Ford. Aterrissou perfeitamente, com uma alça
pendurada em seu rosto.

Seus olhos brilhavam. Eles desceram para olhar meus peitos, e o


sorriso sumiu de seu rosto. Meus mamilos estavam orgulhosos,
saudando-o.

— Merda, — ele gemeu. — Talvez eu não tenha pensado direito.

Eu sorri, amando como ele estava afetado. — Pronto para ir?

Ele murmurou alguma coisa sobre como ele seria o inadequado


andando com uma ereção e partimos para o café da manhã.

***

Ninguém pareceu notar ou se importar.

Enquanto eu tirava meu sutiã principalmente para provar um


ponto para Ford, ele realmente provou um para mim. John's Pancake
House tinha uma espera de quinze minutos, e ninguém olhou para mim
de forma diferente do habitual. Ou eles não notaram, ou não se
importaram com isso, o que tinha sido o argumento de Ford.
Bem, na verdade, uma pessoa certamente percebeu e se
importou.

Ford se levantou do estande e me ofereceu sua mão. Ele me


puxou e olhou para os meus mamilos ainda eretos, rosnando no meu
ouvido. — Esta lição sobre comportamento inadequado é fenomenal.

A calçada do lado de fora da John's Pancake House estava


lotada. As pessoas enchiam os bancos e ficavam no estacionamento
esperando por mesas, típico para o café da manhã em qualquer dia da
semana durante o verão em Montauk. Ford abriu a porta do meu carro,
mas antes que eu pudesse entrar, ele pegou meu rosto em suas mãos e
me beijou. Como nas vezes anteriores, foi longo e apaixonado e me
deixou tonta.

— Todas aquelas pessoas provavelmente assistiram, — ele


sussurrou no meu ouvido. — Totalmente inadequado.

Eu sorri e não me preocupei em verificar se alguém tinha


prestado atenção, nem mesmo quando me acomodei no carro. Parecia
bom demais para se importar.

— Você tem algum plano para hoje? — Ford clicou o cinto de


segurança

— Não. Você tem algo em mente?

Ele assentiu. — Sim. — Ele ligou o motor e começou a manobrar


sem acrescentar mais nada.

Eu ri. — Você vai compartilhar comigo?

— Que tal eu te dar uma dica?

— Deixe-me adivinhar em vez disso. Faremos algo inapropriado?

Ele sorriu. — Agora você pegou o espírito.


***

Inadequado acabou por ser uma viagem muito longa. Já


estávamos na estrada há quarenta e cinco minutos. Ford não quis me
dizer para onde estávamos indo, mas no minuto em que vi a placa à
frente, sabia que ele entraria. Eu não estava errada.

Prazeres de Cupido, como o sinal dizia, era uma loja de


brinquedos para adultos. Eu passei um milhão de vezes na saída para
Montauk, mas nunca parei.

— Eu já estive em uma loja para adultos antes, sabe.

Ford desligou o carro e se virou no banco para me encarar. —


Comprar para si ou um presente para alguém?

— Um presente. Em vez de um poço de desejos no chá de panela


de Eve, tivemos uma caixa de brinquedos sujos.

— Bom. Então essas questões devem ser fáceis?

Minhas sobrancelhas se abaixaram. — Questões?

— Você vai fazer ao vendedor algumas perguntas sobre seus


produtos.

Meus olhos se arregalaram.

Ford riu. — Suponho que você só tenha entrado e comprado


alguma coisa, esperando não encontrar ninguém que te conhecesse.

— Que tipo de perguntas você espera que eu faça?

Ele se inclinou para frente e plantou um beijo casto em meus


lábios. — Inadequadas, é claro.

Eu não queria que ele visse que eu estava nervosa, então entrei
na loja com a cabeça erguida.
No interior, dois homens estavam atrás do balcão. Eu
internamente estremeci. Claro, não poderiam ter sido duas
mulheres. Fazer a um homem estranho uma pergunta sobre qualquer
coisa a ver com brinquedos sexuais estava totalmente fora da minha
zona de conforto.

Ford viu o olhar no meu rosto e tentou me acalmar, dizendo que


faria a primeira pergunta. Essa perspectiva me intrigou o
suficiente. Mesmo que eu me acovardasse, poderia ficar pelo
entretenimento.

Nós examinamos a loja por um tempo. Olhar todos os brinquedos


íntimos me fez sentir uma mistura estranha de intrigada, nervosa e
excitada.

A parte de trás da loja tinha uma seção aberta cheia de


vídeos. Ford se inclinou enquanto folheava a pornografia. — Veja como
é fácil. — Ele limpou a garganta e chamou o funcionário do balcão. —
Desculpe. Você tem algum vídeo estritamente anal?

O balconista respondeu. — Sim claro. Você está procurando


macho/macho ou macho/fêmea?

— Macho/fêmea.

O cara apontou para uma parede atrás de nós. — Confira a


série A Porta Traseira Está Sempre Aberta. Eu acho que há cerca de dez
deles. Boa qualidade.

— Obrigado!

Ford se aproximou de mim novamente. — A porta dos fundos está


sempre aberta? Você disse isso para mim esta manhã quando mandei
uma mensagem. Se eu tivesse percebido o que você estava tentando me
dizer, não estaríamos aqui agora.

Eu ri. — Eu acho que você vai precisar dos filmes por um tempo
para isso.
Ford se afastou e voltou alguns minutos depois, segurando um
pacote de plástico na mão.

Ele levantou para mim. Bolas anais.

— Vá perguntar se tem estas em um tamanho maior.

Minha reação imediata não foi de jeito nenhum. Mas eu queria


provar que não era um idiota, talvez eu precisasse provar isso para mim
mesma.

Eu mastiguei meu lábio por um minuto antes de tirar o pacote de


suas mãos. — Tudo bem.

O olhar chocado no rosto de Ford me deu coragem suficiente para


prosseguir. Ele não achou que eu tivesse coragem. Olhando para baixo,
eu literalmente tinha as bolas em minhas mãos.

Eu caminhei até o balcão. — Ummm. Desculpe. Você sabe se tem


estes em um tamanho maior? — Eu podia sentir meu rosto começando
a aquecer... e senti um espirro vindo.

O cara respondeu como se eu tivesse perguntado sobre o


tempo. — Tem. Elas são pedidos especiais. As que tem na loja são de
vidro e vão até uma polegada na última conta. Mas este fabricante
também tem um conjunto de silicone que vai até duas polegadas e
outro que vai até três. Você gostaria que eu encomendasse? Podemos
mandá-las direto para sua casa para lhe poupar uma viagem.

— Ahhhh... — Eu sabia que meu rosto estava vermelho


flamejante. Eu cobri minha boca e virei minha cabeça. —
Achoo! Desculpe.

— Deus te abençoe.

Eu ainda tinha as bolas anais na minha mão, e o cara estava


esperando por uma resposta. — Ummm. Vou pensar sobre
isso. Obrigada.
Antes que eu pudesse fugir, Ford estava ao meu lado. Ele colocou
o vídeo anal que o funcionário tinha lhe recomendado no balcão e pegou
as bolas das minhas mãos. — Nós vamos levar estas por agora.

O funcionário nos cobrou e, de alguma forma, consegui sair da


loja sem morrer de vergonha. No estacionamento, começamos a
gargalhar. Ford me beijou contra o carro através dos nossos sorrisos.

Eu olhei em volta. — Existe um ônibus cheio de crianças para


quem estou sendo inadequada ou algo assim?

Ford empurrou meu cabelo atrás da minha orelha. — Não, eu


simplesmente não consigo resistir te beijar.

Meu coração acelerou. Esse homem poderia me transformar em


uma poça de papa trinta segundos depois de me envergonhar até a
morte. Ele fazia uma série insana de emoções virem à vida dentro de
mim, medo, ansiedade, luxúria, ganância, desejo.

E havia um pouco de algo mais espalhado nessa piscina de


sentimentos, algo que eu sabia que no fundo iria me esmagar no final
do verão.
17

Valentina
— Merda, — Ford parou em sua garagem. Um conversível
vermelho estava estacionado à nossa frente e duas garotas estavam
tirando a bagagem do porta-malas.

— Companhia inesperada?

Ele gemeu e balançou a cabeça. — Inesperada, não. Não


desejada, sim. Eu esqueci que as amigas de Bella viriam para o fim de
semana. Eu acho que serão seis delas.

Cada garota tinha uma mala e uma mochila. — Parece que elas
ficarão todo o verão.

— Melhor que não seja. Eu deveria tê-la feito cancelar depois da


merda que ela aprontou. Mas eu esqueci completamente. E claro, ela
não me lembrou. — Ford abriu a porta do carro. — Espero que você não
se importe de eu passar muito tempo na sua casa neste fim de semana.

Eu sorri. — Tudo bem comigo.

Assim que saímos do carro, as garotas viram Ford.

Uma gritou e correu para cumprimentá-lo, com os braços bem


abertos quando se aproximou. — Ford! Eu estava esperando que você
estivesse aqui. — Ela pressionou seu jovem corpo contra o dele. Ford
deu um abraço desajeitado de um braço e um tapinha nas costas.

— Como está Sierra? — Ele ergueu o queixo para a outra


garota. — Ei, Holly.
A amante de abraços olhou-o de cima a baixo. — Você parece
bem. — Seus olhos brilhavam com interesse, e ela deu um sorriso
tímido. — Então, novamente, você sempre está bem.

— Sim. Obrigado. Eu acho que minha irmã está em casa. Eu não


a vejo desde a noite passada.

As meninas finalmente notaram outra pessoa ao lado de Ford e


ele fez as apresentações. — Valentina, estas são duas das amigas da
minha irmã, Sierra e Holly.

Eu sorri. — Prazer em conhecê-las, meninas.

Sierra inclinou a cabeça, rapidamente se esquecendo de mim. —


Você pode me ajudar a subir as escadas com a minha mala, Ford?

— Eu não sei por que diabos você trouxe tanto, mas sim,
claro. Eu preciso falar com Bella de qualquer maneira. — Ele se virou
para mim. — Você quer entrar?

Achei que deveria deixá-lo lidar com Bella e suas amigas por
conta própria. — Eu tenho algumas coisas para fazer. Falo com você
depois.

Ford assentiu, embora não parecesse empolgado em ir com as


amigas de sua irmã.

Ao subir as escadas até a porta da frente, tentei não reparar em


como ele parecia ter mais a idade delas que a minha. Eu estava
começando a esquecer, e vê-lo com essas jovens trouxe tudo de volta.

Lá dentro, coloquei uma carga de roupa na máquina e fiz uma


pequena limpeza. Quando meu telefone tocou, fiz uma careta vendo o
nome do meu ex na tela e considerei ignorá-lo. Mas nós tínhamos um
filho e compartilhamos bens. Não era como se ele me ligasse para bater
papo, então relutantemente atendi.

— Olá?
— Ei, querida.

Eu queria entrar pelo telefone e estrangulá-lo toda vez que ele me


chamava assim. Eu o corrigi pelo menos uma dúzia de vezes. Talvez eu
devesse ter pedido pelo retorno do meu nome como parte do nosso
acordo de divórcio.

— Valentina, por favor.

— Hábito. Desculpa. Embora eu não veja o grande problema. Eu


não me importaria se você me chamasse por um apelido.

Não? Qual deles você gostaria? Idiota, imbecil, traidor?

— O que posso fazer por você, Ryan?

— Jesus, Val. Você não precisa parecer tão infeliz toda vez que eu
ligo.

Mas eu estava, e era preciso esforço para escondê-lo, esforço que


eu não me importava mais em gastar. — Você falou com o Ryan? Está
tudo bem com ele?

— Não. Eu não falei com ele. Não é por isso que estou ligando. Eu
só queria que você soubesse que estarei em Montauk amanhã. Vou me
encontrar com um empreiteiro para fazer um orçamento às duas horas
das estacas que precisamos substituir.

Ele já tinha mandado um cara para fazer um orçamento na


semana passada.

— O primeiro não foi bom ou algo assim?

— Foi muito caro. Esse cara deve ser mais razoável.

Suspirei. — OK. Tudo bem. Mas eu estarei aqui, então você não
precisa vir.

— Conseguiremos um preço melhor se eu estiver aí.


Minhas sobrancelhas franziram. — Você o conhece ou algo
assim?

— Não. Mas os homens conseguem melhores preços.

Um idiota. — Quem disse?

— É um fato conhecido.

— Eu não conheço esse fato.

— Isso é porque você é uma mulher.

Eu revirei meus olhos. — Eu posso lidar com isso sozinha. Eu


preferiria que você não viesse.

— Você não precisa ser uma vadia sobre isso. Estou indo e esse é
o fim da discussão.

Isso soou mais como o Ryan que eu conhecia.

— Na verdade, este é o fim da discussão. — Eu bati em desligar e


joguei meu telefone na mesa.

Deus, como eu tinha ficado casada com esse idiota por vinte
anos?

Eu decidi dar um passeio na praia para limpar a minha cabeça e


fazer algum exercício. Colocando em um vestido de verão, peguei meus
fones de ouvido de uma gaveta, passei filtro solar, e amarrei meu cabelo
em um rabo de cavalo.

Na saída, encontrei uma nova nota amarela presa na porta dos


fundos. Beije mais Ford. Eu tirei com um sorriso no rosto. Eu não tinha
certeza de quando ele colocou esta aqui. Esse era um item que não se
importaria de fazer.

A caminhada de uma hora me fez bem. Eu até corri metade dela e


a adrenalina me deixou mais relaxada. Quando me aproximei da minha
casa, ouvi música estridente. Corpos estavam no deck do meu
vizinho. Quanto mais perto eu chegava, mais pele eu via. Parecia que
Bella e suas amigas estavam começando a festa cedo. Ford estava no
corrimão do deck, inclinando e me observando enquanto eu caminhava.

— Venha me salvar, — ele gritou.

Eu sorri. Os biquínis das mulheres atrás dele eram bem


pequenos. — Não parece que você está sendo torturado.

— As aparências podem ser muito enganadoras. — Ele acenou


para eu subir até o deck. — Venha. Você se esqueceu de levar o
presente que te comprei hoje para casa.

Eu inclinei minha cabeça. Presente?

Ele sorriu. — Na loja de brinquedos. Não se preocupe, se você


estiver muito ocupada para subir, vou pedir para minha irmã entregar a
sacola.

— Fofo. Muito fofo.

No entanto, não duvidei que ele entregasse a sua irmã anal e a


pornografia para entregar para mim, então subi a escada do deck dele
em vez da minha.

Bella estava deitada nas espreguiçadeiras com duas de suas


amigas. Ela me cumprimentou e fez uma careta para seu irmão.

— Oh garoto, — eu sussurrei. — Ainda te dando um gelo, hein?

Ele assentiu. — Ela realmente teve coragem de me pedir para


comprar álcool para ela e suas amigas. Você acredita nessa merda?

— Ford! — A garota que eu conheci antes gritou. Eu acho que o


nome dela era Sierra. — Você pode nos ajudar a levar essas cadeiras até
a beira da água?

Ele balançou sua cabeça. — Elas acham que eu sou o servente


delas, aparentemente.
— Mas se você fizer isso, elas não ficarão aqui no deck com você.

Ele apontou para mim. — Isto é uma grande verdade. Eu volto já.

Eu assisti do deck enquanto Ford arrastava espreguiçadeiras


pelas escadas até a praia. Quando ele terminou, Sierra agarrou seu
braço e tentou puxá-lo para a água com ela. Ela usava um biquíni fio
dental e dois pequenos triângulos no topo que mal cobriam seus
mamilos, e fez o máximo para que ele notasse. A garota definitivamente
estava de olho nele.

— Acho que você tem uma admiradora, — eu disse quando ele


voltou.

— Sierra é uma dor na minha bunda. No décimo segundo


aniversário da minha irmã, ela fez uma festa do pijama. Ela entrou na
minha cama enquanto eu dormia. Eu tinha dezoito anos e acordei com
uma criança de doze anos ao meu lado.

Eu cobri minha boca. — Oh meu Deus. É uma paixão longa e não


correspondida então.

— Sorte minha, — resmungou Ford. — Você quer um pouco de


vinho ou algo assim?

— Na verdade, eu vou tomar uma água, se você não se importa.

Ele assentiu. Enquanto ele foi buscar bebidas para nós, eu


observei as garotas na praia. Sierra estava fazendo cambalhotas e
mortais para trás. Ela realmente tinha um corpo incrível. Ela poderia
ter sido uma garota quando tentou fazer Ford notá-la, mas
definitivamente era uma mulher agora.

Ford voltou com a minha água e se inclinou sobre o corrimão ao


meu lado, observando o que eu estava assistindo.

— Sua pequena paixão é bastante flexível.


Ele se virou para mim, ainda inclinado. — É uma sugestão de
ciúme que eu detecto em seu tom?

Como eu poderia não ter inveja do corpo daquela menina? — Ela


é linda. Com o corpo de uma garota de dezenove anos. — Encolhi os
ombros. — Eu não posso competir com isso.

— Você quer dizer que ela não pode competir com você.

Eu não estava sendo insegura ou ciumenta. Eu honestamente


não entendia como a Ford poderia dizer tal coisa, mas realmente
acreditava que ele estava falando sério.

— Eu não entendo, Ford. Como você pode querer estar comigo,


quando você poderia ter aquilo?

Ele me olhou de cima a baixo e balançou a cabeça. — Você se


olha no espelho e vê a mulher que seu ex fez você se sentir, uma mãe de
trinta e sete anos de idade. Eu olho para você e vejo o que você
realmente é, uma mulher sexy que tem peitos matadores, curvas que
quero memorizar no escuro e uma risada contagiante. Ela nunca será
melhor que você, Val. — Ele segurou meu rosto. — E se o nosso verão
juntos é tudo que você quer, espero que pelo menos até o final você
possa olhar no espelho e ver a mulher que você é.

Deus, esse homem era absolutamente inebriante. Eu ansiava por


ele e estava exausta por tentar lutar contra isso.

Eu me inclinei para ele. — Que tal pedirmos comida e você ficar


em minha casa hoje à noite, então Blondie não fará uma segunda
tentativa de subir em sua cama?

Ford procurou meus olhos. — E se Bella perguntar onde eu


dormi?

Eu coloquei um beijo gentil em seus lábios. — Minta… ou diga a


verdade. Eu nem tenho certeza se me importo mais.
18

Valentina
Nós nos sentamos no chão da sala comendo comida chinesa.

Quando fui arrumar a mesa, Ford colocou os pratos de volta no


armário e trouxe a sacola para a sala de estar. Ele então empurrou a
mesa de café para abrir espaço para nós nos sentarmos e jogarmos
duas almofadas no chão.

Eu nunca fui boa em comer com pauzinhos, mas ele me ensinou


e abriu a boca para testar minhas habilidades. É claro que eu me
atrapalhei com o camarão Szechwan, e ele se espalhou por toda a sua
camiseta branca. Isso acabou por ser uma coisa boa, porque ele ficou
sem pelo resto da nossa refeição.

Deus, ele era mais delicioso que a comida, e chinês era um dos
meus favoritos.

Eu consegui levar três grãos de arroz na minha boca. — Eu falei


com Ryan esta tarde.

Os pauzinhos de Ford estavam a meio caminho de seus lábios e


ele parou. — Seu filho?

Eu balancei a cabeça. — Eu gostaria. Temos que fazer alguns


reparos em nossas estacas de apoio, e ele quer estar aqui quando o
contratado vier fazer um orçamento.

— Quando ele vem?

— Amanhã às duas. Eu só queria que você soubesse antes que


ele aparecesse.
Ele assentiu. — Obrigado. Eu aprecio isso.

Conversamos e passamos as caixas para viagem de um lado para


o outro. Adorei o quão Ford parecia a vontade em minha casa.

— Tem um festival de música chegando em algumas semanas na


Randall Island, — disse ele. — Achei que talvez pudesse conseguir
ingressos para nós. Um dos caras do Backstreet Boys estará tocando.

— Eu adoraria. Eu sempre quis ir a um festival de música. Na


verdade, está na minha lista.

Ford pescou um pedaço de frango a xadrez do recipiente em suas


mãos e estendeu-o para mim com seus palitinhos. Eu abri minha boca
e me inclinei para pegá-lo, mas ele puxou de volta antes que eu pudesse
agarrá-lo e me deu um beijo rápido em seu lugar.

— Sua lista?

— Eve fez uma lista pós-divórcio de coisas que eu preciso fazer.

— Interessante. O que mais há nessa lista? — Ele me deu o


pedaço de frango e pegou outro para ele.

— Ir para Roma, conseguir um cachorro, manter minha árvore de


natal por alguns meses depois do Natal, só coisas que eu sempre quis
fazer e meu ex era contra.

Percebi que a nossa pequena maratona de compras abordou


outro item da minha lista. Era uma conversa totalmente inapropriada
para um jantar e algo fora da minha zona de conforto para conversar
com um homem. Mas hoje tinha sido muito divertido, e eu sabia que
Ford apreciaria minha participação, então decidi ser ousada.

— E... anal.

Ford começou a tossir. Eu achei que ele poderia estar sufocando


com o pedaço de frango acabara de colocar em sua boca. Seu rosto
ficou vermelho.
— Oh meu Deus, você está bem?

Ele bateu no peito com a palma da mão e pegou a


cerveja. Tomando um grande gole, ele tossiu mais um pouco antes de
falar com uma voz rouca. — Você está brincando comigo? Você não
pode dizer que tem anal na sua lista de tarefas enquanto estou
mastigando.

— Oh. Desculpa. Achei que você gostaria disso, especialmente


com nossas compras hoje.

Seus olhos escureceram. — Eu preciso ver esta lista de


tarefas. Melhor ainda, eu me ofereço para ajudá-la a realizar todos os
itens neste verão.

— Você nem sabe o que mais tem nela.

— Não dou à mínima. Estou aqui para servir.

Eu ri e eu realmente não era muito de rir. — Como um


escoteiro. Sempre preparado para dar uma mão.

Ele balançou sua cabeça. — Merda. É isso que eles fazem nos
escoteiros? Eu achei que eles ajudavam velhinhas a atravessar a
rua. Se eu soubesse que havia contas anais e pornografia envolvidas,
teria me juntado.

Nós rimos quando o telefone de Ford tocou. Ele olhou no


identificador de chamadas, e seu rosto pareceu dividido em atendê-lo.

— É Devin. Meu Diretor Financeiro.

— Atenda se precisar.

— Tem certeza de que não se importa?

— De modo nenhum. Vou limpar aqui e pegar um pouco de


vinho.
Enquanto Ford atendia seu telefonema, guardei a sobra de
comida chinesa e abri uma garrafa de vinho. Servindo dois copos, fiquei
na cozinha para lhe dar um pouco de privacidade.

Quando ele terminou, me encontrou olhando para o calendário na


geladeira. Eu estava segurando a página de julho e olhando para o mês
de agosto, quando ele passou os braços em volta da minha cintura e
beijou meu ombro.

— Têm planos chegando?

— Não. Acabei de perceber que faltam apenas seis semanas e


meia até o Dia do Trabalho.

— Você está preocupada em encontrar um emprego quando as


aulas começarem? Você pegará seus resultados na próxima semana,
certo?

Claro que eu estava preocupada em encontrar um emprego. Mas


isso não era o que estava pesando na minha cabeça no
momento. Faltam apenas seis semanas e meia. O que diabos eu estava
esperando? Eu já tinha perdido quase metade do verão. Tick tock. Tick
tock. Chegou a hora, é agora ou nunca. Eu o convidei para ficar aqui
esta noite, mas, estranhamente, não foi até esse momento que decidi
que o queria agora. Nunca foi a história da minha vida e eu queria viver
um pouco.

Eu respirei fundo e esvaziei meu copo de vinho em um grande


gole antes de me virar nos braços de Ford para encará-lo. — Estou
preocupada que já tenha perdido metade do verão te afastando.

Seus olhos estavam hesitantes, e pude dizer que ele queria a


confirmação do que eu estava dizendo.

Ele me assustou até a morte, mas cansei de ter medo. — Eu


quero você, Ford.
Ele segurou minhas bochechas e puxou meu rosto para encontrar
o dele. Nossos lábios colidiram em um beijo que era apaixonado, mas
diferente dos outros que compartilhamos. Era mais lento, menos
frenético, mais sensual e mais profundo.

A maneira como ele me segurou e levou seu tempo me fez sentir


como se ele valorizasse o momento tanto quanto eu. Beijos entre mim e
Ryan sempre foram um meio para um fim: um passo que precisava ser
completado antes que pudesse passar para o segundo passo. Eu nunca
senti como se ele realmente gostasse de me beijar. E para ser honesta,
não me lembrava de me sentir assim também. Pelo menos não por
muito tempo. Mas eu queria beijar Ford por horas.

Ele me pressionou contra a geladeira e me levantou, guiando


minhas pernas para envolvê-lo. Ele pressionou entre as minhas pernas
entreabertas e eu gemi em nossas bocas unidas, sentindo quão duro ele
já estava. Deus, eu o quero.

Eu o queria contra a geladeira, no chão da cozinha, na mesa, nos


balcões, se dependesse de mim, não perderíamos mais um minuto do
nosso tempo mudando para outro lugar. Mas Ford deveria ter outras
ideias. Ele segurou minha bunda, mudou meu peso em seus braços e
começou a se mover.

— Eu adoraria nada mais do que transar com você contra a


parede. Mas já faz dois anos para você, e quero cuidar bem de você, o
que significa que terá minha boca até que esteja molhada e pronta o
suficiente para que meu pau possa deslizar dentro de você.

Oh Deus.

Ele começou a subir as escadas. — Só de pensar que você não


esteve com um homem em dois anos, me deixa duro como uma
rocha. Estar perto de você me faz sentir como um tipo de homem das
cavernas de Neanderthal. Estou surpreso por não ter batido na cabeça
do seu colega de estudos e te arrastado para casa comigo quando
apareceu aqui com ele.

Dentro do meu quarto, Ford me colocou no chão. Ele tirou a


carteira da calça e puxou uma tira de camisinhas, jogando-as na minha
mesa de cabeceira antes de se sentar na cama. Meu corpo inteiro
zumbiu com a maneira como ele tomou seu tempo olhando o meu
corpo. Seus olhos se encheram de calor, e ele lambeu os lábios como se
mal pudesse esperar para me devorar.

— Dispa-se para mim. Tire seu vestido.

Sua voz era áspera, mas tinha um tom sensual de autoridade que
me excitou.

Segurando seu olhar, baixei as tiras do meu vestido de verão de


um ombro, depois do outro, antes de deslizá-lo pelos meus tornozelos e
deixá-lo cair no chão. O jeito que Ford olhou para mim me fez sentir
desnorteada de uma maneira que eu não esperava. Era como se ele não
quisesse apenas ver meu corpo, ele queria me ver nua.

Ele lambeu os lábios. — Você é linda. Eu fantasiei estar dentro de


você todos os dias desde que começamos a trocar mensagens, e não
tinha ideia de que você seria uma mulher linda por dentro e por fora.

Minhas entranhas estavam se transformando em mingau. Este


homem poderia me possuir, ele poderia inflamar meu corpo com
palavras sujas em um minuto, me dizendo coisas que ele queria fazer
comigo, e então faria meu coração inchar com seu lado doce. Era uma
combinação perigosa. Não havia muito que eu não lhe desse agora.

Ford levantou o queixo. — Tire seu sutiã.

Nervosa, meus dedos se atrapalharam nas minhas costas com o


fecho. Embora a maneira como seus olhos escureceram quando eu
lentamente escorreguei o sutiã de meus ombros e revelei meus seios me
deu confiança para ficar de pé. Ele levou seu tempo me bebendo, e
meus mamilos incharam e endureceram sob seu olhar.

— A calcinha.

Eu assisti seu pomo de Adão balançar para cima e para baixo


enquanto ele engolia.

De pé diante dele completamente nua, meu coração bateu no meu


peito em antecipação. Ford se levantou e estendeu a mão para mim. Ele
me beijou até que meus joelhos pareciam muito fracos para segurar
meu peso. Então ele nos virou e me guiou para sentar na beira da
cama.

Caindo de joelhos na minha frente, ele colocou as mãos nas


minhas coxas e abriu minhas pernas.

— Eu quero que você assista. — Ele levantou uma perna e deu


um beijo carinhoso no topo do meu pé, olhando para mim sob seus
cílios escuros e grossos. — Veja-me lamber sua boceta doce até que
você goze na minha boca.

Oh Deus.

Eu perdi essa batalha muito rápido. No minuto em que sua boca


tocou entre as minhas pernas, minha cabeça caiu para trás com um
gemido. Tanto para assistir. Ele lambeu lentamente, traçando o
contorno dos meus lábios antes de bater sua língua sobre o meu
clitóris. Ele brincou e chupou, a intensidade de seus movimentos
aumentando, junto com a minha fome.

No entanto, ele não me forçou a cruzar a linha de chegada. Em


vez disso, ele me provocou com a ameaça do orgasmo, e depois
diminuiu a velocidade, recuando, mantendo-o ligeiramente fora de
alcance. Eu não tinha certeza se era intencional ou não.

Tentando reunir meu juízo, olhei para o rosto dele entre as


minhas pernas. Ford olhou para cima, sentindo meu olhar nele. Ele deu
um sorriso perverso e se aproximou lentamente apertando meu clitóris
com a língua. Eu saltei e o brilho em seus olhos ficou mais intenso.

Oh meu Deus. O bastardo. Ele sabia exatamente o que estava


fazendo.

— Assista, e farei você gozar.

Ele estava se segurando até que eu fizesse o que ele


pedia. Frustrada e um pouco chateada, enterrei meus dedos em seu
cabelo e puxei-o com mais força contra mim. Fazia tantos anos desde
que estive excitada, e tive a súbita vontade de chutar a bunda dele por
manter meu orgasmo de mim.

Eu ouvi uma risada abafada, mas depois a língua dele me


penetrou.

— Sim. Sim.

As coisas ficaram frenéticas depois disso. Ford rosnou e lambeu,


mordeu e chupou. Tudo dentro de mim construiu, meus músculos
inchando e apertando, preparando-se para o clímax me possuir.

— Ford...

Ele empurrou dois dedos dentro de mim e chupou meu clitóris


enquanto olhava para mim. Meu corpo tremeu enquanto meu orgasmo
começou a me puxar para baixo. Eu lutei para manter nossos olhares
travados, mas quando a grande onda bateu e meus músculos
começaram a se contrair em torno de seus dedos, eu caí de volta na
cama e deixei que ela me afogasse.

Gozei mais e mais difícil do que jamais poderia lembrar. Parecia


que anos de ondas de orgasmo reprimidos haviam sido construídas e
assumidas como um tsunami. Eu lutei para recuperar o fôlego quando
voltei a mim.
Enquanto estava ocupada tentando me recompor, aparentemente
Ford também estava ocupado. Num minuto eu estava deitada na beira
da cama, tentando recolher os pedaços depois de ser quebrada, e no
próximo as calças dele tinham sumido, e ele me arrastou até a
cabeceira da cama.

— Você está bem? — Ford beijou logo acima do meu umbigo.

— Não, — eu suspirei. — Estou com raiva de você, na verdade.

Ele riu e lambeu a parte de baixo do meu seio direito. — Oh


sim? Por quê?

— Você passou o último mês e meio me dizendo coisas boas e


tentando me fazer dormir com você… quando tudo que tinha que fazer
era isso. Você perdeu muito tempo, droga.

Ford chupou meu mamilo e puxou-o entre os dentes, fazendo


minhas costas arquearem na cama. Ele deu atenção ao outro antes de
subir para pairar sobre mim. — Só teremos que compensar todo esse
tempo perdido.

Eu senti o quão duro e quente ele estava, pressionado contra o


meu clitóris inchado. Um minuto atrás estava gasta e saciada, e agora
estava desesperada para tê-lo, para ter o resto dele.

Ele empurrou afastou uma mecha de cabelo do meu rosto e se


inclinou para beijar meus lábios. Minhas mãos viajaram pelas suas
costas e escorregaram em sua cueca boxer. Eu apertei sua bunda dura
e nosso beijo aqueceu rápido. Quando raspei minhas unhas ao longo de
suas costas, ele gemeu.

— Foda-se. Eu preciso estar dentro de você.

Ele levantou e tirou sua cueca boxer antes de pegar o


preservativo. Ele usando os dentes para abrir o pacote foi a coisa mais
sexy que eu vi em muito tempo. Ford cuspiu a embalagem no chão e,
em seguida, pegou minha mão e me guiou para envolvê-lo enquanto ele
embainhava a si mesmo.

Quando percebi o quão longe meu polegar e indicador estavam,


não tinha certeza se deveria estar animada ou
preocupada. Fazia realmente muito tempo.

— Espalhe-se para mim, linda. Espalhe-se bem.

Nossos olhos se encontraram e eu fiz o que ele pediu, abrindo


minhas pernas para ele do outro lado da cama. Ele alinhou a cabeça
grossa de seu pênis com a minha abertura e empurrou para dentro
sempre muito devagar. Eu não tinha dado uma boa olhada em quão
grande ele era; Eu só sabia que ele era largo. Mas Ford pareceu
entender que precisava tomar seu tempo. Ele balançou seus quadris
para dentro e para fora, me esticando um pouco mais com cada
impulso, indo um pouco mais fundo até que finalmente estava
completamente dentro de mim.

— Foda-se. — Seus braços tremiam, e ele murmurou contra meus


lábios. — Você é muito gostosa.

Ele capturou minha língua e me beijou apaixonadamente


enquanto deslizava dentro e fora. Eu estava tão molhada e meu corpo
apertava ao redor dele como um punho. Ele quebrou nosso beijo e se
afastou para olhar para mim.

— Linda. — Ele acelerou seus impulsos e sorriu para mim. —


Linda pra caralho. — O quarto estava em silêncio, exceto pelo som de
nossos corpos batendo um contra o outro. Ele se abaixou e agarrou
uma das minhas pernas, puxando-a pelo joelho. A mudança de posição
apertou ainda mais meu corpo ao redor dele, e ele começou a esfregar
no ponto sensível dentro de mim.

Oh Deus. Lá vem de novo.


Eu cravei minhas unhas em suas costas, e ele deu uma dica do
que eu precisava, movendo-se mais e mais rápido, moendo com cada
impulso e me fodendo profundamente. Meu clitóris latejou e meu
coração acelerou descontroladamente.

— Ford... — eu gritei.

As veias do seu pescoço estavam inchadas e sua respiração ficou


irregular. Eu sabia que ele estava prestes a perder o controle também.

— Goze comigo, — ele gemeu. — Sinta-me.

Ele bateu com tanta força que quase me derrubou. Mas era
exatamente o que eu precisava. Meu corpo se apertou ao redor dele e
começou a pulsar. Ford sentiu o golpe, viu no meu rosto e correu para a
sua própria libertação.

— Porra, — ele rugiu.

Eu observei enquanto seu maxilar ficava tenso, e ele meteu mais


duas vezes antes de afundar em mim tão profundamente que eu
engasguei.

Desmoronando, ele enterrou o rosto no meu pescoço e me beijou


enquanto recuperava o fôlego. Eu podia sentir seu esperma quente
dentro de mim, mesmo através do preservativo. Por mais que eu
estivesse sobrecarregada e mentalmente e fisicamente esgotada, não
pude deixar de pensar que, se tinha sido tão bom com um preservativo,
como diabo seria pele a pele?

Ford levantou a cabeça e olhou para mim. Ele apertou os


olhos. — O que você já está pensando? Meu cérebro pode não funcionar
até amanhã depois disso.

Eu ri. — Nada.

— Nem tente isso. — Ele bateu um dedo na minha testa. — Eu


como é quando as rodas em sua cabeça estão girando.
Eu sorri. O homem tinha acabado de me chupar enquanto eu o
observava e então quase me fodeu ao esquecimento, mas eu ainda era
modesta quando se tratava de falar sobre sexo.

Mas eu estava sendo boba, então fui honesta. — Eu estava


pensando em como seria bom te sentir sem o preservativo.

— Você está tomando pílula?

Embora eu não tivesse razão para estar nos últimos anos, ainda
tomava para regular meu período. Eu balancei a cabeça.

Ford pulou da cama tão rápido que me assustou. Eu achei que


talvez tivesse algum inseto.

— O que... o que há de errado?

— Vou me livrar deste maldito preservativo.

Ele foi ao banheiro e voltou em dez segundos. Ele se arrastou


sobre mim. — Pronto.

Eu ri. — Pronto para quê?

Ford segurou minha mão e a levou para baixo, para sentir entre
suas pernas. Ele estava tão duro quanto antes de fazermos sexo.

Lendo a confusão no meu rosto, ele sorriu. — Você passou a


primeira metade do verão me dando todas às razões pelas quais não
achava que vinte e cinco era certo para você. — Ele se alinhou, e com
um impulso firme de seus quadris, ele empurrou para dentro de
mim. — Agora eu posso passar a segunda metade mostrando todas as
razões pelas quais vinte e cinco é certo para você.
19

Valentina
Eu acordei com algo cutucando meu traseiro.

Ford estava enrolado em volta de mim, um lençol cobrindo apenas


nossas metades inferiores enquanto estávamos de conchinha. Um braço
musculoso manteve sua frente enfiada nas minhas costas. No começo
eu não tinha certeza se ele estava acordado, mas então a mão cobrindo
minha caixa torácica deslizou para cima e roçou meu peito.

— Bom dia. — Sua voz era rouca e sexy.

— Como você sabia que eu estava acordada?

Seu polegar e indicador rolaram meu mamilo. — Eu simplesmente


sabia.

Eu sorri. Nós ficamos acordados até o sol nascer explorando os


corpos um do outro. Eu não poderia contar o número de vezes que
fizemos sexo... quatro? Meu corpo tinha uma deliciosa dor para provar
isso. A mão de Ford deslizou para baixo entre as minhas pernas e me
segurou.

— Dolorida?

Eu minimizei porque não conseguia o suficiente dele. — Um


pouco.

Ele nos rolou então de repente eu estava de costas. — Eu preciso


pular no chuveiro em alguns minutos. Tenho uma reunião para me
preparar. E preciso comer um pouco antes disso.
— Oh. OK. Eu posso te fazer alguma coisa.

Ele deu um sorriso malicioso. — Eu vou te comer no café da


manhã. — Sua cabeça desapareceu sob o lençol.

— Isso não é… oh. Uau. Está bem então.

Dez minutos depois, eu estava desossada. — Você é... muito bom


nisso.

Ele se aninhou no meu pescoço. — Estou feliz que você


aprove. Eu pretendo passar um bom tempo com a cabeça entre suas
pernas.

Alguns minutos depois, ele se apoiou em seu cotovelo. — Eu


realmente não quero me levantar. Mas preciso tomar um banho. Eu vou
pegar o trem para a cidade para que possa trabalhar durante a viagem
de duas horas ida e volta. Acha que pode me pegar hoje à noite? Eu
quero te levar a algum lugar.

— Onde?

— É uma surpresa.

Eu sorri. — OK.

Ford se levantou da cama. Eu o vi sem camisa na praia e senti


cada músculo ondulado de seu corpo na noite passada, mas vê-lo em pé
nu na luz da manhã, cada centímetro da pele linda, bronzeada e lisa em
exibição, era realmente incrível. Ele tinha aquele V profundo e cada um
dos músculos do abdômen formava seu próprio montinho de
delícias. No entanto, sua bunda era de parar o transito. Por trás, ele
parecia a versão pornográfica de um anúncio de protetor solar com a
pele bronzeada que se desvanecia até uma firme bunda branca.

Eu me apoiei no meu cotovelo para vê-lo andar nu. Ele parecia


perfeitamente confortável fazendo isso, como deveria estar com esse
corpo.
— Eu preciso fazer o exercício que você está fazendo.

Ele riu. — Oh sim? Nós podemos fazer isso. Amanhã de manhã


vamos a academia juntos.

Eu deitei minha cabeça de volta. — Eu disse que precisava. Eu


não disse que iria realmente. Mas sinta-se livre para vir depois que
terminar e todo suado.

Ele se inclinou e me deu um beijo casto. — Se importa se eu


tomar banho aqui?

— Não. De modo nenhum. Vou arrastar minha bunda para baixo


e fazer um café enquanto você faz isso.

— Ótimo.

Eu ainda não estava pronta para voltar a terra da realidade, então


peguei a camiseta de Ford da noite passada e a coloquei sobre a minha
cabeça. Desde que caiu quase em meus joelhos, não me incomodei com
um sutiã ou calcinha.

Na cozinha, liguei o Bose Soundlink7. A cafeteira estava ao lado e


tinha uma nota amarela anexada.

Acariciar as bolas de Ford

Eu cobri minha boca e gargalhei. Isso se tornou um jogo para


ele. Eu não tinha ideia de quando ele veio até a cozinha. Ele deve ter se
levantado depois que eu adormeci. Eu encontrei uma segunda nota
presa na porta dos fundos.

Comprar fantasia de professora impertinente.

Outra estava presa à torradeira.

7 Os produtos de áudio portáteis vendidos pela BoseCorporation foram


comercializados como os modelos " SoundLink ". Esses sistemas de alto-falantes sem
fio são alimentados por bateria e reproduzem áudio através de uma conexão sem fio
de um dispositivo de origem separado (como um computador ou smartphone).
Cobrir-me com Nutella.

Depois havia a da lava-louças.

Batom vermelho, por favor.

Esse estava sublinhado com dois riscos fortes.

Suas notas sujas me faziam sorrir como uma adolescente que


acabara de receber uma do garoto bonitinho da sala de aula. Uma
música do Backstreet Boys tocou no rádio, me lembrando do dia em
que eu saí do deck e encontrei Ford ouvindo o álbum deles. Suspirando
com satisfação, peguei os grãos de café da geladeira e os moí, exibindo o
sorriso mais pateta.

Quando o som alto do moedor parou, uma voz me assustou. —


Alguém está feliz esta manhã.

O sorriso caiu do meu rosto. Ryan. Meu ex-marido estava na


porta da cozinha. Eu não o ouvi entrar.

Eu cruzei meus braços sobre meu peito sem sutiã. — Que


diabos? Como você entrou aqui?

Ele deu de ombros e ergueu uma chave. — Entrando.

— Você não pode fazer isso.

— Eu acabei de fazer.

— Eu não estou vestida.

Os olhos de Ryan percorreram minhas pernas nuas. — Nada que


eu não tenha visto antes. Mas você está bem, Val. Você começou a se
exercitar de novo?

Eu odiava o jeito que ele olhava para mim, como se tivesse


direito. Eu passei por ele e peguei uma manta do sofá da
sala. Envolvendo-a ao redor do meu corpo, eu a puxei com força para
mantê-la fechada. — Você não pode simplesmente entrar na casa de
alguém.

Seus olhos se estreitaram. — Não é a casa de alguém... é


a minha casa.

Com o choque de encontrar alguém na casa, Ryan de todas as


pessoas, eu esqueci completamente que outra pessoa também estava
aqui. Ford desceu as escadas vestindo apenas uma calça jeans com o
botão de cima aberto. Seu cabelo estava molhado do chuveiro. Vi seu
sorriso desaparecer quando ele viu meu ex-marido em pé na cozinha.

Ryan se virou, ouvindo alguém atrás dele. Ford congelou na parte


inferior das escadas, e seus olhos dispararam de Ryan para os meus.

Entrei em pânico e soltei a primeira coisa que surgiu na minha


cabeça. — Ummm... Ford está consertando o cano do chuveiro lá de
cima.

No minuto em que as palavras saíram da minha boca, eu sabia


que Ford não ficaria feliz. Sua mandíbula flexionou e ele olhou para
mim.

Ryan sacudiu a cabeça e pareceu enojado. — O garoto da casa ao


lado está consertando os canos enquanto você está andando meio
nua? Que diabos, Val? Você está tentando seduzir o pobre garoto?

Senti a raiva irradiando de Ford e queria matar Ryan por criar


essa situação. Eu escolhi atacar a causa do problema. — Por que você
está aqui, Ryan? Não é nem meio-dia e você disse que o contratado não
chegaria antes das duas.

— O trânsito estava leve e pensei em verificar aquele cano com


vazamento na cozinha.

— Ford já consertou isso. — Eu puxei a manta em volta de mim


ainda mais apertada. — Você pode, por favor, sair enquanto eu me
visto?
Os olhos de Ryan se estreitaram. — Esta é a minha casa.

— Não é o seu ano. De fato, nem é no próximo ano desde que você
ficou com os dois últimos. Você precisa sair agora mesmo.

Um celular começou a tocar. Percebendo que era dele, Ryan


resmungou alguma coisa e tirou-o do bolso enquanto caminhava em
direção à porta da frente. Ele a bateu atrás dele. O andar inteiro tremeu
em seu rastro.

Fui até a Ford e levantei as mãos para tocar o peito dele, mas ele
deu um passo para trás, fora do meu alcance. — O garoto ao
lado? Estou consertando os canos?

— Eu sinto muito. Eu fui pega de surpresa, e... eu simplesmente


não o quero se metendo na minha vida.

O maxilar de Ford pode ter ficado rígido de raiva, mas pude ver a
dor em seus olhos. — Certo.

— Ford...

Ele balançou sua cabeça. — Eu tenho que ir.

— Espere... eu não...

A porta se fechou uma segunda vez e eu fiquei sozinha na sala de


estar, envolvida em uma manta e ainda usando a camisa de Ford.

Deus, eu realmente fodi tudo.

***

— Você quer almoçar no Lobster Roll?

— Não.
Meu ex-marido parecia genuinamente confuso. Sua testa
enrugou. — Por que não?

— Porque eu tenho coisas para fazer.

Eu estava sentada no deck dos últimos vinte minutos. O


empreiteiro tinha ido e vindo, e Ryan insistiu em verificar a pia da
cozinha para ter certeza de que o vazamento fora resolvido
corretamente, embora eu tivesse dito que funcionava bem.

— Você não parece ocupada para mim.

Eu olhei para ele. — Como você acha que Kaylee vai se sentir
sobre você almoçar com sua ex-esposa?

— É Kayla. E acabou. Ela foi para a Índia estudar ioga por


algumas semanas e decidiu ficar. Conheceu um cara rico.

— Que pena.

Eu olhei para cima e vi um homem diferente do que eu costumava


ver. Ryan envelhecera e ganhara algum peso. Sua linha do cabelo tinha
começado a recuar, e ele tinha penteado seus cabelos para frente em
uma tentativa fracassada de cabelo moderno que não escondia a
calvície. Dois anos atrás, eu nunca pensei que chegaria o dia em que eu
olhasse para ele e não sentisse falta da nossa vida juntos. Quando ele
me largou, eu achei que minha vida tivesse acabado.

Mas não acabou. Acontece que finalmente estava


começando. Demorei um bom tempo para chegar aqui, mas eu havia
superando Ryan - tipo, muito.

— Vamos lá… você ama aqueles rolinhos de lagosta. Vai ser como
nos velhos tempos.

— Eu amo. Mas posso ir aproveitá-los sozinha... e estar em


melhor companhia.
Ryan esfregou a nuca. — Bem. Tanto faz. Eu deveria pegar a
estrada antes do tráfego da hora do rush de qualquer maneira. Eu
entrarei em contato sobre o agendamento da reforma.

Eu não me incomodei em acompanhá-lo. Ele entrou sozinho. Ele


poderia sair por conta própria. Uma vez que ouvi seu carro ligar e sair
da garagem, respirei um pouco mais fácil. Embora apenas um problema
tenha sido resolvido.

Eu ainda não tinha ouvido falar de Ford. Eu tinha enviado um


texto antes, que apareceu como lido, mas ele nunca
respondeu. Chequei meu telefone pela décima vez, embora não tivesse
vibrado. O último texto foi o que eu mandei para ele.

Valentina: Eu me diverti muito na noite passada, e me


desculpe pelo que aconteceu esta manhã. Deixe-me saber em qual
trem devo buscá-lo mais tarde.

Suspirei. Ele tinha ido à cidade para uma reunião, então essa
poderia ser a razão pela qual ainda não havia respondido. Embora, no
fundo, eu soubesse que não era isso.

Horas depois, ficou mais difícil inventar uma desculpa e dizer a


mim mesma que estava tudo bem. Então decidi enviar outro texto.

Valentina: Ei. Só checando. Já sabe em que trem você


estará?

Alguns minutos depois, meu telefone tocou.

Ford: Mudança de planos. Não voltarei hoje à noite.

Valentina: Oh. OK. Tudo corre bem com a sua reunião?


Ford: tudo bem.

Valentina: Vejo você domingo, então?

Ford: Claro.

Eu sabia que precisávamos conversar pessoalmente, mas eu


tinha que pelo menos tentar me desculpar novamente.

Valentina: Sinto muito por esta manhã. Ryan aparecendo me


jogou em um loop.

Ford: não tem problema. Nenhuma razão para contar ao seu


ex sobre suas fodas casuais.

Ele estava ferido e atacando. Engolir a isca e discutir sobre o texto


só pioraria as coisas. Então tentei não fazer isso.

Valentina: Jantar amanhã à noite? Eu cozinho algo para


nós.

Ford: Não se incomode. O jantar não é necessário. Talvez


você possa me agendar para ir até aí por volta das oito para fodê-
la?

Eu mereço isso.
Valentina: Oito parece bom. Até domingo. Mal posso esperar.

Não surpreendentemente, meu sentimento não foi correspondido.


20

Ford
— Lembra-se daquele sonho que eu tive sobre todas as flores
roxas em um funeral na semana passada?

A Sra. Peabody nem sequer disse olá. Ela só começou a falar


quando atendi o telefone.

— Ei, Sra. P. — Eu joguei a caneta na minha mesa e me inclinei


na minha cadeira. — Sim, claro que eu lembro. Você teve uma forte
premonição durante o dia que alguém ia morrer, e então você sonhou
com um funeral com toneladas de flores roxas.

— Eu vomitei duas vezes naquele dia. Mas isso pode ter sido por
causa da caçarola de atum que este inferno serve no almoço às terças-
feiras. Eu desprezo as terças-feiras. Quem diabos achou que era uma
boa ideia colocar maionese no forno?

Eu ri pela primeira vez hoje. — Então, e o funeral? Alguém


realmente morreu?

— Sim. A mulher no quarto ao meu lado. Não acordou no


domingo. Eles caem como moscas por aqui no verão. Dizem que mais
pessoas morrem nas duas semanas seguintes ao Natal do que em
qualquer outra época, mas não neste lugar. É no verão, com certeza.

— Havia flores roxas no funeral dela?

— Não. Não teve um funeral. Foi direto para o crematório. As


crianças não queriam perder nada da herança, tenho certeza. Eu paguei
pelo meu para não ser enganada. De qualquer forma, só queria dizer
que estava certa de novo.

— Não é à toa, Sra. P, mas você mora em uma instalação de vida


assistida com idosos que têm problemas de saúde. Eu não tenho
certeza se você pode chamar isso de premonição. — Eu peguei o café na
minha mesa.

— Isso pode ser verdade. Eu suponho que alguém provavelmente


morre toda semana neste lugar. Mas a mulher que morreu? O nome
dela era Violet.

Eu estava no meio do café e engoli pelo cano errado. — O nome


da mulher era Violet?

— Mmmm-hmmm. Então pare de duvidar de mim, garoto.

Nós conversamos por quinze minutos. A sra. P me contou que sua


filha ligara e planejava ir visitá-la, embora eu já tivesse ouvido falar
disso algumas vezes, e ela ainda não aparecera em todos os anos em
que estive conversando com ela. Ela também reclamou do fisioterapeuta
e do dentista, os dois que ela jurou estavam roubando o seguro porque
não havia nada de errado com ela.

— Então, como estão as coisas com a futura Sra. Donovan? — Ela


finalmente perguntou.

Eu fiz uma careta. — Não tenho certeza se você entendeu bem. As


coisas não estão indo como eu pensei que iriam.

— Bem. Eu descrevo como os vejo. Eu não posso controlar se você


vai e estraga as coisas. Você conheceu a mulher destinada a ser sua
esposa. Deus sabe que não seria a primeira vez que um homem jogaria
uma chave em seu próprio futuro.

— O que faz você ter certeza de que sou eu quem está estragando
tudo?
— Porque você acabou de dizer que as coisas não estão indo como
eu pensei que iriam.

— E daí?

— Você não fica esperando que as coisas aconteçam do jeito que


você gostaria. Você faz acontecer, idiota.

***

Minha reunião da tarde foi na parte alta da cidade.

Eu poderia ter pulado em um táxi depois ou até mesmo pulado no


metrô localizado em frente ao prédio. Mas, em vez disso, decidi
percorrer os trinta e poucos quarteirões de volta ao meu
apartamento. Estava uma bela noite de verão. Percorrer alguns
quarteirões saindo do meu caminho para andar ao longo do parque não
era tão incomum.

O fato de ter passado por certo bistrô francês, também foi


coincidência total. Eu parei na frente por um minuto antes de decidir
entrar. Por que não parar e tomar uma cerveja desde que eu estava na
vizinhança? Eu nem sabia se Eve estaria aqui. Claro, ela disse que
trabalhava seis dias por semana, mas hoje poderia ter sido seu único
dia de folga.

Um homem mais velho estava de terno na área de recepção da


frente.

— Posso ajudar? Você tem uma reserva para esta noite?

— Umm. Não.

Ele usou um dedo para escanear uma lista bastante cheia de


nomes e horários. — Eu sinto muito. Não tenho mesas disponíveis.
Eu olhei ao redor do restaurante e não vi nenhum sinal de
Eve. Meus ombros caíram, mas eu assenti. — Obrigado, de qualquer
maneira.

Assim que me virei para sair, ouvi meu nome. — Ford?

— Ei.

Eve saiu de uma porta da parte de trás do restaurante. Presumi


que talvez fosse a cozinha.

— Eu estava apenas... andando e vi o lugar e...

Eve sorriu e veio me abraçar. Ela absolutamente sabia que eu


estava mentindo, mas parecia genuinamente feliz em me ver.

— Entre. Vamos sentar no bar.

Enquanto ela foi para o outro lado e nos fez duas bebidas,
observei o restaurante. O lugar era realmente agradável, toneladas de
vidro ao longo da frente que exibiam o parque do outro lado da rua. A
sala de jantar tinha madeira escura misturada com toalhas de mesa
cor-de-rosa e pelo menos uma dúzia de candelabros de cristal diferentes
e ornamentados. Estranhamente, isso lembrava muito da personalidade
de Eve.

— Este lugar é muito legal, meio divertido, mas tradicional ao


mesmo tempo.

Ela pulou na banqueta ao meu lado. — Estou aqui há sete anos.


— Ela inclinou a cabeça em direção a uma mesa no canto. — Tom
sentou-se ali por dezenove dias consecutivos até que eu concordei em
sair com ele.

— O que a fez finalmente ceder?

— Naquela noite, a recepcionista me disse que ele fez uma reserva


na mesma mesa, no mesmo horário, por um ano. — Ela encolheu os
ombros. — Eu imaginei que qualquer homem que fosse tão persistente
valeria um encontro.

Eu levantei a bebida que ela colocou na minha frente. — Um ano,


hein? Eu só tenho até o Dia do Trabalho.

Eve deu um tapinha na minha mão descansando no bar. — Estou


feliz que você passou por aqui. Sabe, meus problemas com Tom não
eram tão diferentes do que está acontecendo na cabeça da Val. Quando
o conheci, tinha trinta anos e ele tinha cinquenta. Eu brinco que ele é
velho o suficiente para ser meu pai, mas nunca foi o número que me
assustou. Foi que estávamos em lugares diferentes em nossa vida. Ele
estava financeiramente estável e pensando em contas de
aposentadoria. Ele cometeu todos os seus erros e aprendeu com eles,
ele sabia o que queria. Eu, por outro lado, tinha acabado de estourar
meus cartões de crédito comprando uniformes de garçonete para um
restaurante que não sabia se seria capaz de pagar o aluguel do próximo
mês, e escolhi o último cara que namorei porque ele tinha covinhas,
mesmo que fosse um desempregado, aspirante a ator.

— O que fez você superar as diferenças?

Ela sorriu e riu. — Eu não tenho certeza se superei. Eu ainda


acho que quatro mil por uma bolsa Chanel é um investimento melhor
no meu futuro do que um IRA8. Eu duvido que algum dia teremos a
mesma opinião sobre muitas coisas. Mas depois do nosso primeiro
encontro, ele se tornou minha pessoa a quem recorrer. Coisas bobas, eu
costumava ligar para meus pais ou para Val para lhes contar algo
engraçado que um cliente fazia, ou eu os chamava para desabafar sobre
meu senhorio aumentando meu aluguel. Até então, eu nunca tinha
compartilhado as pequenas coisas que aconteciam a cada dia com
quem eu namorava. Eu me vestia e saía para um encontro, tinha um
bom tempo... Eu achava que aqueles jantares e noites eram vida, mas

8Uma conta de aposentadoria individual (IRA) é uma ferramenta de investimento


com vantagem fiscal que os indivíduos usam para reservar fundos para poupanças de
aposentadoria.
não eram. A vida é as pequenas coisas que acontecem entre os passeios
extravagantes.

Eu balancei a cabeça. — Entendi. Mas Val e eu não estamos


realmente nesse lugar diferente na vida.

— Val acha que você deveria estar em um lugar diferente. Ela


basicamente perdeu os encontros e tudo que vem com ser solteira em
seus vinte anos porque teve Ryan muito jovem. Além disso, ela é tímida
sobre relacionamentos em geral. Seu ex-marido realmente a
queimou. Ela era uma boa esposa, leal e confiante. Ela não viu isso
chegando quando ele a traiu. E o fato da outra mulher ser uma menina,
ela deve estar pensando se o marido fez isso... imagine como as coisas
vão ser quando ela estiver na casa dos cinquenta e você ainda estiver na
casa dos trinta.

Meus ombros caíram. — Você está tentando me fazer sentir


melhor? Porque você está fazendo um trabalho muito ruim.

Eve sorriu tristemente. — Eu sinto muito. Infelizmente, meu


único conselho para você é ser paciente. Quanto mais ela aproveitar
cada dia com você, mais perceberá o que é importante. Ela precisa
descobrir as coisas por conta própria, e isso vai levar algum tempo. Mas
posso te prometer uma coisa... ela vale a pena a espera.

***

Eu não gostei do jeito que ela lidou com merda.

Eu não queria ser apenas uma aventura de verão

Eu não gostava de me esconder do ex dela.

Mas Val nunca foi intencionalmente ofensiva.


Infelizmente, não pude dizer o mesmo.

Eu tentei ao máximo fazê-la se sentir uma merda.

Vou até aí por volta das oito para fodê-la.

E por isso, eu lhe devia um pedido de desculpas.

Eu bati e esperei, olhando para os meus pés.

O sorriso de Val foi hesitante quando ela chegou à porta. Ela


também não abriu totalmente para me convidar para entrar. — Não
achei que você voltaria até mais tarde.

— Eu pulei em um trem mais cedo. — Eu olhei para ela e peguei


seus olhos. — Sinto muito pela merda que eu disse no texto, Val.

Ela deu um passo para trás e abriu a porta. — Sou eu quem


deveria estar me desculpando. Entre.

Durante toda a viagem de duas horas de trem até aqui, eu pensei


sobre o que Eve tinha dito, como eu precisava dar a Val algum espaço
para encontrar seu próprio caminho. Esse tinha sido meu plano... até
que entrei na sala e a puxei contra mim.

Sim. Ótimo plano por espaço.

Eu enterrei meu rosto em seus cabelos e inalei profundamente. —


Eu senti sua falta.

— Me desculpe, eu fingi que você estava aqui apenas para


consertar os canos quando Ryan apareceu, e sinto muito por deixá-lo se
referir a você como o garoto da casa ao lado.

— Eu entendo. — Eu recuei e coloquei seu cabelo atrás da


orelha. — Eu odiei isso. Mas eu entendi. Ele foi seu marido por vinte
anos e... você ainda está dizendo a si mesma que isso é apenas uma
aventura de verão.

— Ford...
Eu a puxei contra mim e a acalmei contra o meu peito. — Deixe-
me terminar meu pedido de desculpas e então você pode falar se
quiser. OK?

Ela assentiu.

— As pessoas trazem a história para novos relacionamentos,


experiências passadas, boas ou ruins. Você está trazendo confiança,
trapaça e decepção com você. Então está hesitante em se apegar muito
rápido. A maior influência de relacionamento que tive em minha vida
não foi minha. Eu cresci assistindo meus pais, que eram muito
apaixonados e tiveram pouco tempo. Então, estou ansioso para seguir
em frente, com medo de deixar algo bom escapar pelos meus dedos,
porque nunca sabemos quanto tempo temos.

Val recostou-se. Ela parecia desnorteada. — Tem certeza de que


sou aquela que é doze anos mais velha? Porque, sinceramente, você
parece mais maduro do que eu ultimamente.

Eu pressionei meus lábios na testa dela.

Quando ela olhou para mim, sorriu tristemente. — Sinto muito


por fazer você sentir como se eu quisesse esconder o que está
acontecendo entre nós.

Eu estudei seus olhos. — O que está acontecendo entre nós, Val?

Ela balançou a cabeça. — Eu não sei. Mas é possível ter os


sentimentos certos na hora errada? Eu sinto que não estou pronta para
nada sério, mesmo que seja meio louca por você. Há tantas coisas que
eu deveria fazer por mim primeiro.

Doeu ouvir que ela achava que era a hora errada, mas ela saiu de
um casamento de vinte anos e só tinha estado com um homem. Eu
acho que era melhor que ela soubesse agora que as coisas com a gente
poderiam não ser para sempre, ao invés de descobrir isso daqui a um
ano.
Quais eram minhas escolhas? Tomar o que ela era capaz de me
dar ou partir. Do jeito que me sentia, não tive escolha.

Engoli. — Vamos apenas curtir um ao outro pelo resto do verão.


21

Valentina
— Eu passei! — Eu cobri minha boca em descrença e olhei para o
meu nome na tela.

Valentina Di Giovanni Davis

Exame de Certificação de Professores do Estado de Nova Iorque –


Aprovado.

Teste de Especialidade de Conteúdo - Italiano – Aprovado.

Estava bem ali em preto e branco, mas ainda assim parecia


surreal. Meu telefone começou a zumbir com os textos recebidos. Os
resultados foram postados às oito da manhã, então eu sabia que meus
amigos estavam recebendo os deles também.

Ford saiu do chuveiro no meu quarto com uma toalha enrolada


na cintura.

— Eu passei!

— Puta merda. Já são oito horas?

Eu balancei a cabeça, incapaz de parar de sorrir. Ele caminhou


até a cama e me pegou, me girando em um círculo.

— Parabéns. Eu estou fodendo uma professora. Isso é meio


quente.

Eu li a enxurrada de mensagens de meus amigos. Mark


passou. Desiree passou. Allison passou. — Todos nós passamos!
— Isso é ótimo. Precisamos celebrar.

Sentei-me na cama e mandei uma mensagem de volta para meus


amigos. Ford sentou ao meu lado com um sorriso orgulhoso no rosto.

— Parece surreal, — eu disse. — Há dez anos, quando tivemos


problemas para engravidar, decidi me matricular em uma aula de
italiano. Meu filho tinha acabado de começar a segunda série e eu
precisava fazer alguma coisa. Ryan me disse que era um desperdício de
dinheiro. Não sei por que, mas não contei a ele que estava pensando em
me tornar professora. Eu realmente fiz uma aula por semestre durante
alguns anos antes de contar meus planos. — Dei de ombros. — Eu
sabia que ele diria que eu não precisava de um emprego em tempo
integral. Ele viu meu desejo de fazer algo por mim como uma espécie de
insulto a ele como provedor financeiro. E agora, dez anos depois, aqui
estou finalmente, o momento não poderia ser mais perfeito. Estou
pronta para uma mudança.

Ford deslizou a mão para cima e para baixo da minha coxa


nua. — Estou orgulhoso de você. Eu sei que não estive lá pelos anos em
que você trabalhou, mas sei em primeira mão como pode ser difícil ser
pego na vida em que você está e esquecer seus próprios sonhos.

Eu balancei a cabeça. Ele definitivamente entendia.

Ford se levantou da cama. — Eu adoraria ficar e passar o dia


comemorando dentro de você, mas tenho que estar no escritório. O que
você diz que celebramos hoje à noite na minha casa? Arrume uma mala
e passe a noite.

— Ok… mas arrumar uma mala? Eu posso apenas correr ao lado


se precisar de alguma coisa.

— Eu quis dizer meu apartamento na cidade. Quero mostrar-lhe


meu apartamento de qualquer maneira e precisamos celebrar. Pegue o
trem e vamos ficar esta noite.
Eu amava a cidade e queria comemorar. Uma mudança de
cenário seria divertida. — Isso parece ótimo. Vou pegar o trem mais
tarde e te encontrar em algum lugar.

***

Ford havia me mandado uma mensagem para vestir algo


sexy. Então, vinte minutos antes de eu sair para pegar um trem para a
cidade, uma limusine preta parou na frente da minha casa. Ele me
enviou uma limusine, e quando liguei, ele insistiu que eu entrasse e
disse que estávamos começando nossa comemoração mais cedo.

Champagne já estava aberto e esperando quando entrei no banco


de trás. Então pedi ao motorista que esperasse alguns minutos e corri
de volta para casa para trocar de roupa. Eu originalmente tinha
considerado um vestido curto, azul Royal decotado e saltos, mas
parecia muito para usar no trem. No entanto, usar na parte de trás de
uma limusine me fez sentir como se estivesse saindo para uma noite
especial.

O motorista havia sido instruído a não me dizer para onde


estávamos indo, e Ford estava sendo misterioso quanto ao jantar. À
medida que atravessamos Manhattan, a excitação cresceu dentro de
mim. Era uma noite cristalina, e a cidade estava iluminada do lado de
fora das janelas escuras. Eu me senti como uma criança em uma loja
de doces, esperando para ver que delicias o dono da loja tinha para
mim.

Mas a excitação que eu sentia pela cidade foi totalmente eclipsada


pelo homem parado no meio-fio quando a limusine diminuiu e parou na
calçada. Ford estava vestido de terno, as pernas bem abertas, as mãos
enfiadas nos bolsos da calça enquanto observava a limusine se
aproximar. Ele abotoou o paletó e se inclinou para abrir a porta traseira
quando paramos. Estendendo a mão, ele me cumprimentou com um
sorriso insanamente sexy. Levei mais tempo do que deveria para dar-lhe
a mão porque estava muito ocupada babando.

Deus, Ford parecia incrível. Seus ombros eram largos, a cintura


estreita e a perfeição do traje sob medida contrastava de maneira tão
singular com a bagunça de seu cabelo. Parecia que ele não dava à
mínima, e isso elevava o barômetro da sensualidade a um nível letal.

Eu molhei meus lábios secos e finalmente saí. — Você está tão


bonito.

Ele passou os braços em volta da minha cintura e me puxou


contra ele em um beijo carinhoso. Ele murmurou contra meus lábios, —
Você já fez sexo na parte de trás de uma limusine? Por favor, me diga
que sim, então não te empurrarei de volta para dentro e estragarei essa
noite já no começo.

Eu sorri. — Eu não fiz. Mas não me oponho a pular a sobremesa


e comê-la no carro mais tarde.

Ele deu um passo para trás e balançou a cabeça. — Você está


bonita. Linda. Sexy. E tão incrivelmente fodível neste momento.

Eu ri, mas o elogio disparou direto para a minha cabeça se


misturando com as duas taças de champanhe que desfrutei na viagem.
Eu me senti atordoada e alta, mas muito feliz.

Ford fechou a porta da limusine e pegou minha mão. —


Vamos. Vamos entrar antes de desistirmos.

Eu reparei a distancia o nome do restaurante enquanto


caminhávamos até a porta. Osteria Isabella, eu sabia que era exclusivo.
Eve tinha mencionado isto antes… o tipo de lugar onde o cardápio nem
listaria os preços. Foi tão fofo de Ford sair para a minha
comemoração. Mas eu não tinha ideia de tudo o que ele tinha feito até
chegarmos a nossa mesa.
Cinco rostos sorridentes gritaram — Surpresa! — Todos de uma
vez. Assustada, eu dei um passo para trás.

— Eve? Tom? — Não apenas minha melhor amiga estava aqui,


mas também meus três parceiros de estudo. Eu olhei para a Ford. —
Como? Quando?

— Eu roubei seu telefone quando você estava no chuveiro e


peguei o número deles para organizar a noite. Você merece uma
celebração real.

Senti uma dor no peito e meus olhos começaram a


marejar. Ninguém nunca tinha feito nada tão carinhoso por mim. Todos
os olhos da mesa estavam em nós. Sufocada, não tive palavras para
expressar minha gratidão, mas sabia o que falaria volumes. Pela
primeira vez, não hesitei. Estendi a mão e peguei o lindo rosto de Ford
em minhas mãos e puxei seus lábios para baixo para encontrar os
meus, em público, na frente de todos os meus amigos.

Depois, ele se inclinou para o meu ouvido. — Obrigado.

Eu sorri. — Não, obrigada.

***

— Eu não sabia. Sinto muito, — Mark se inclinou sobre a mesa


para mim e sussurrou.

Vendo o olhar confuso no meu rosto, ele esclareceu apontando


seus olhos para Ford, que estava sentada do meu outro lado,
atualmente absorto em uma conversa com Tom.

— Em Montauk. Eu não percebi que você estava saindo com


alguém, e me forcei em você por um dia.
— Não. Está tudo bem. Eu gostei de mostrar a você os arredores.

Os olhos de Mark caíram nos meus lábios por um momento. Ele


sorriu. — Ele é um bastardo sortudo. Mas estou feliz se você está
feliz. Você merece isso.

— Obrigada.

Na minha visão periférica, peguei Ford assistindo minha sessão


de sussurros com Mark, e eu me virei e pisquei. Ele sorriu,
definitivamente mais confortável com o que tínhamos agora do que
algumas semanas atrás.

Durante toda a noite, o riso fluiu tão livremente quanto o


vinho. Passei tempo conversando com meus amigos, comemorando
nosso sucesso e desfrutando de boa comida e companhia. Ford e eu não
tínhamos nos falado desde que entramos. Estava me deixando
aproveitar a noite que ele tinha organizado, e se eu não estivesse
enganada, parecia que ele estava se divertindo também.

Podemos não ter falado muito um com o outro, mas


compartilhamos muitos olhares e sorrisos íntimos, um dos quais Eve
acabara de pegar.

Ela tomou um gole de sua bebida e me deu um olhar


conhecedor. — Eu realmente gosto dele.

Suspirei. — Eu também.

— Você parece... viva novamente.

— Eu era um zumbi antes deste verão?

Eu estava brincando, mas Eve levantou uma sobrancelha.

Ela olhou para Ford. — Ele veio me ver no outro dia.

— O quê? Quando... e onde?

— Ele passou pelo meu restaurante e parou.


— Ele só passou por passar?

Ela encolheu os ombros. — Ele é louco por você.

— Eu sei. Eu não entendo, mas finalmente estou começando a


perceber que, por algum motivo, ele realmente quer estar comigo.

Eve sacudiu a cabeça. — Eu sairia com você se eu fosse um cara.

Eu ri. — Obrigada. Eu acho.

— Você não vê, mas você é um bom partido. Você é linda,


amorosa, calorosa, ferozmente protetora, leal, inteligente, uma ótima
mãe. Seu ex-marido idiota nunca apreciou o que tinha.

— Honestamente, Ford me faz sentir bonita. Ele me observa


enquanto estou dormindo às vezes. Isso pode parecer assustador, mas é
realmente doce. Ele fica lá olhando para mim com esse rosto reverente
que você não pode fingir. Ele me fez me olhar no espelho e procurar a
beleza que ele vê. E sabe de uma coisa? Às vezes eu encontro.

Eve pegou minha mão. — Eu sei que você precisa fazer algumas
coisas, diabos, eu fui a única a incomodá-la para fazer sua lista Minha
Vez. Mas você pode ter um namorado e ainda se encontrar. Ryan queria
que você ficasse trancada em seu pequeno castelo mesquinho, porque
era fraco e inseguro. Ford pode ser mais jovem, mas é mais forte e mais
confiante em quem ele é. Eu não acho que ele precisa ser o centro do
seu universo. Ele só quer fazer parte do seu mundo.

***

Fiquei de boca aberta.

Ford não tinha apartamento. Ele tinha um andar inteiro.


Do lado de fora, o prédio parecia o que era na maior parte, um
armazém gigantesco. Mas o último andar foi convertido em espaço
vital. Tinha um designer industrial com vigas de aço desgastadas, dutos
expostos, paredes de tijolos e pisos de concreto polido, mas era quente e
aconchegante, com madeira natural, uma lareira gigantesca e uma
cozinha moderna de aço inoxidável, embora a melhor parte fosse o
mezanino aberto acima da metade do apartamento. Um terraço na
cobertura ocupava um espaço de seis metros no ar, com paredes de
vidro. De pé na sala de estar, você poderia olhar para cima e ver o céu
noturno cintilando. Eu estava sem palavras.

— Ford, isso é… isso é impressionante. Absolutamente incrível.

Ele era adoravelmente modesto. — Parece mais do que é. A área


era bastante deprimente quando meus pais o compraram trinta anos
atrás. Não era moda viver aqui até a última década.

— Mas você fez isso?

— Bem, empreiteiros fizeram. Só projetei o layout e converti o


espaço de armazenamento para moradia. Estava em construção quando
o acidente aconteceu. Meu pai nunca chegou a vê-lo concluído. Eu
terminei e mudei para cá depois que passei por esse corte áspero. Isso
me ajudou a sentir que algo era meu.

— Tenho certeza que seu pai teria orgulho deste lugar e suas
escolhas, Ford. — Eu andei até uma escada aberta em direção a sala
com telhado de vidro. — Posso ver lá em cima?

— Claro.

Ford me levou a um grande espaço ao ar livre. Era parcialmente


afundado no espaço interno abaixo para criar um mezanino, e o espaço
interior era visível olhando através de uma parede de vidro. Fiquei do
lado de fora no telhado do prédio e pude ver sua cozinha.

— Eu sinto que estou em uma casa da árvore.


Ele sorriu. No chão, ao longo do perímetro de toda a sala, havia
plantas em vasos multicoloridos. — É o que sobrou das plantas da
minha mãe. Ela tinha um polegar verde. O meu é preto.

Eu nunca tinha visto nada assim. — Ford, isso deveria estar em


uma revista.

Ele enfiou as mãos nos bolsos. — Obrigado.

— Então é isso que você quer fazer com todo o espaço dos
depósitos? Você pode converter todos eles nisso?

Ele assentiu. — Tipo isso. Seriam diferentes porque mantenho os


elementos comerciais da estrutura de suporte intactos, e esses são
diferentes em cada andar. E, claro, apenas o último andar pode ter a
claraboia.

Eu examinei a sala com admiração. — Obviamente não sei nada


sobre construção ou arquitetura, mas sei do que gosto. E eu mataria
para morar aqui.

Ford andou atrás de mim e passou os braços em volta da minha


cintura. — Oh sim? Você sabe do que gosta? — Ele deu um beijo doce
no meu ombro antes de ir para o meu pescoço e depois para o meu
ouvido. — Diga-me... você gosta disso?

Uhhh... duh. Eu balancei a cabeça. — Eu definitivamente gosto.

Ele estendeu a mão e debaixo do meu vestido, deslizou os dedos


ao longo da minha coxa. — Que tal agora?

Fechei meus olhos e inclinei minha cabeça contra ele. — Mmm...


sim.

Suas mãos subiram para segurar meus seios e ele apertou com
força. — E isto?

Soltei um ofegante sim quando ele beliscou meus


mamilos. Minhas costas arquearam quando ele afundou seus dentes no
meu ombro. Eu definitivamente teria uma marca amanhã, mas sorriria
quando a visse no espelho.

— Eu amo a ideia de foder você aqui fora. É uma pena que a


gente esteja tão alto e ninguém vai ver. Porque eu gostaria que o mundo
inteiro assistisse.

Eu me virei para olhá-lo e ele tomou minha boca em um beijo,


sem pressa e viciante; ele me fez sentir como se estivesse
flutuando. Uma mão escorregou para dentro da alça do meu vestido, e
ele puxou e beliscou meus mamilos já empinados em picos
duros. Quando eu gemi em sua boca, ele deslizou a outra mão para
cima e dentro da minha calcinha.

Encontrando-me encharcada, ele rosnou: — Tão molhada pra


mim.

Ele pressionou sua frente mais profundamente em minhas costas,


e eu senti sua ereção no topo da minha bunda. Seus dedos
pressionaram contra o meu clitóris. — Isso, você gosta disso?

Eu não tinha certeza se ele estava se referindo a senti-lo atrás de


mim ou seus dedos dentro da minha calcinha. Desde que gostava de
ambos, eu assenti. — Sim.

— Mostre-me como você gosta. — Ele encontrou minha mão e a


cobriu com a sua, guiando-nos para dentro da minha calcinha e sobre o
meu broto inchado. Aplicando pressão, ele me fez massagear círculos
lentos e suaves.

— Ford, — eu choraminguei.

— Diga-me... diga-me o que você gosta.

— Mais…

Ele aumentou a pressão sobre meus dedos e empurrou mais


fundo em mim. Meus olhos se fecharam, mas eu o senti me observando
atentamente do lado. Ele guiou meus dedos para baixo, em direção a
minha abertura, e depois persuadiu dois dentro em mim. Sua mão ficou
sobre a minha enquanto meus próprios dedos entravam e saíam da
minha boceta.

— É bom? Diga-me…

— Ford... — Eu abri meus olhos, sentindo a onda familiar


começar a se aproximar de mim, e ele empurrou um dos seus dedos
para dentro junto com os meus dois. Ele usou o polegar estendido e
esfregou meu clitóris ao mesmo tempo em que nossos dedos unidos
bombeavam para dentro e para fora. Eu comecei a ceder.

— Olhe para mim.

Meus olhos encobertos encontraram os famintos e eu gritei.

Sua mão assumiu quando meu corpo ficou mole. Meus braços
caíram para os meus lados enquanto ele dedilhava cada último pulsar
de orgasmo do meu corpo. Ford me pegou em seus braços.

Ele me beijou enquanto descia as escadas. — Eu só quero fazer


isso com você de novo e de novo. Não dou a mínima para a minha
própria libertação. É muito mais gratificante ver você desmoronar sob o
meu toque.

Eu não pude conter meu sorriso bobo. — Eu gosto disso.

Ele sorriu de volta. — Isso é bom. Porque estou apenas


começando com a nossa celebração.
22

Valentina
Nós nos tornamos inseparáveis.

Durante a semana, quando Ford tinha que trabalhar, eu ia para a


cidade por uma noite ou duas. Ele passava os dias em seu escritório e
eu ia a museus e passava tempo com Eve em seu restaurante. Às vezes
até o encontrava para o almoço. Ontem, fiz um piquenique para nós e
comemos no parque não muito longe de seu escritório. À noite, saíamos
para jantar ou pedíamos e comíamos nus na cama. Fins de semana,
passávamos em Montauk brincando em diferentes praias.

Ele até começou a me ensinar a surfar, outro item da minha lista


do Minha Vez. Eu era uma merda, mas alguns respingos nas ondas
sempre terminavam na areia, então valeu a pena. Eu não conseguia me
lembrar de ser tão feliz em anos.

Mas o tempo estava se movendo muito rápido agora. Eu mandei


mais de cem currículos e já tinha várias entrevistas. Amanhã tinha uma
segunda entrevista em uma escola não muito longe da minha casa em
Nova Jersey. A posição seria perfeita para mim, uma aula de
substituição de licença de um ano em Introdução ao italiano para
alunos do ensino médio. Embora pensar em qualquer coisa que
ocorresse após o Dia do Trabalho me fez sentir um pouco mal do
estômago.

Esta noite íamos ao festival de música para o qual ele comprara


ingressos, outro item da minha lista. No final do verão, eu não teria
muitas coisas sobrando.
— Recebi um e-mail interessante hoje, — disse Ford.

Ele estava deitado na minha cama, nu, com as mãos atrás da


cabeça enquanto me observava tentar encontrar algo apropriado para
usar em um concerto de doze horas. Na verdade, eu pesquisei festivais
de música no Google para ver o que as pessoas usavam porque não
tinha ideia. As fotos que apareceram me assustaram. Não só eu não
tinha um top de crochê, uma micro saia jeans e botas de caubói, como
também não usaria, mesmo que parecesse o que metade das
participantes do sexo feminino estavam usando.

— Oh sim? Qual foi o email?

— Um prédio em Chicago que está à venda.

Eu coloquei minha cabeça para fora do closet. — Chicago?

— Sim. Nós éramos os donos. É uma longa história, mas meu pai
queria expandir o negócio de escritórios temporários fora de Nova York.
Seu plano era abrir um escritório em Chicago. Ele comprou um prédio
lá três anos antes do acidente. Era um armazém antigo em ruínas que
precisava de uma tonelada de trabalho para reformar.

— Oh. Uau. Mas você disse que está à venda. Então ele comprou
e vendeu?

Ford sacudiu a cabeça. — Não. Eu realmente o vendi. Quando


meu pai comprou, havia um inquilino existente que ainda tinha alguns
anos sobrando em seu contrato. Trabalhamos nos planos de conversão
e esquemas enquanto eu estava na faculdade. Foi uma espécie de coisa
nossa. Era para ser o primeiro projeto que eu administraria depois de
me formar. Mas depois do acidente, estar em dois estados era demais
para lidar. Era só Bella e eu, e eu não podia ficar correndo de um lado
para outro em Chicago durante a construção o tempo todo. Ela tinha
apenas quatorze anos. Então o vendi. Aparentemente está à venda
novamente.
— Você está pensando em comprar de volta?

Ele encolheu os ombros. — Eu não sei. É estranho que esteja


disponível novamente tão cedo. Agora que Bella está longe na escola e
as coisas correm suavemente de novo no escritório aqui, eu
provavelmente poderia lidar. Eu ainda tenho todos os nossos planos
antigos. Parece que eu deveria, pelo menos, dar uma olhada. Acho que
vou voar até lá um dia da semana que vem. Eu nunca estive na
propriedade. Eu estava na faculdade nessa época.

— Parece quase como se fosse para ser, a maneira como o projeto


deixou sua vida quando você precisava e agora de repente está de volta.

Ele assentiu. — Isso foi o que pensei também.

— Eu realmente acredito que algumas coisas acontecem por um


motivo. Como eu tendo uma aula por semestre durante alguns anos, e
um ano e meio antes do meu divórcio, decidi fazer mais. Eu não tinha
ideia de que me divorciaria e a decisão se tornaria tão importante para
mim. Mas o momento não poderia ter sido mais perfeito. Terminar as
aulas me deu algo para me concentrar em alguns momentos difíceis, e
quando terminei, meu filho foi para a faculdade. Talvez você deva fazer
esse projeto, pela maneira como a oportunidade caiu no seu colo.

— Sim. — Ele olhou para lugar nenhum por um minuto, e então


seus olhos voltaram para os meus. — Você pode estar certa. Coisas
importantes parecem acontecer por um motivo, e não devemos nos
afastar delas, mesmo que não seja como vimos às coisas acontecendo
originalmente. Se algo parece certo, temos que fazer funcionar.

Nós estávamos definitivamente falando sobre mais do que um


prédio em Chicago agora. E embora eu concordasse com ele, a
discussão me deixou nervosa. Eu quebrei o contato visual e entrei no
closet pegando um bonito e brilhante vestido de verão azul.

Segurando-o contra mim, inclinei a cabeça. — Que tal esse?


Ele franziu a testa e segurou meus olhos por um momento antes
de olhar para o vestido. — Eu acho que qualquer um dos sessenta e
três que você me mostrou seria perfeito.

***

Eu tive o melhor momento no show quando cheguei lá, quando


percebi que ninguém realmente dava a mínima sobre o que eu usava ou
quantos anos eu tinha. Chegamos ao festival por volta das três. Isso
vinha acontecendo desde o meio-dia e estava programado para
continuar até pelo menos a meia-noite. Às dez horas, eu definitivamente
estava começando a cansar. Ford e eu nos sentamos na grama, eu entre
suas pernas com as costas contra o peito e os braços em volta de mim.
A maioria do público era jovem, mas também havia uma quantidade
decente de pessoas da minha idade e mais velhas.

— Você veio para muitos desses?

Ford beijou o topo da minha cabeça. — Eu costumava quando


estava na faculdade.

Eu olhei em volta. — Há uma sensação tão despreocupada aqui.


Não tenho certeza se é a música ou as pessoas, ou talvez as duas
coisas, mas estou tão relaxada.

Ele me deu um bom aperto. — Eu gostaria de pensar que é a


companhia.

Eu sorri. — Tenho certeza de que tem muito a ver com isso.

Uma voz estridente estalou minha bolha feliz. — Ford?

Seus braços se apertaram em volta de mim. — Jess. Como vai?


A mulher nem tentou esconder estar me avaliando. Seus olhos
começaram nos meus sapatos e subiram até o topo da minha cabeça.
Ela fez uma cara de desaprovação.

— Eu estou bem. Faz algum tempo.

Houve um silêncio constrangedor, e eu sabia no íntimo que ele


tinha dormido com ela. Não me pergunte como, as mulheres só têm um
sexto sentido sobre essas coisas. Claro, isso me fez examiná-la ainda
mais atentamente. Seu corpo era ridiculamente perfeito, bronzeado e
magro... e muito disso estava em exibição. Ela estava basicamente
usando a roupa que eu tinha visto nas fotos do festival que pesquisei no
Google, top de crochê, saia jeans minúscula e botas de cowboy. Ela
também tinha dezenas de braceletes no braço, uma gargantilha e três
ou quatro colares longos para completar sua roupa.

Ford inclinou a cabeça para mim. — Valentina, esta é Jessica.

— Oi, — eu disse.

Jessica me mostrou seu sorriso branco e falso quando seus olhos


se moveram acima de mim. — Você parece bem, Ford.

Ele encolheu os ombros. — Obrigado. Deve ser porque estou feliz.

Ela inclinou a cabeça. — Você deveria me ligar em algum


momento.

Eu poderia ser insegura sobre a minha idade e o que estava


acontecendo entre nós, mas essa idiota não seria desrespeitosa. Ford
tinha seus braços ao meu redor, pelo amor de Deus.

Eu respondi a ela quando ele começou a falar. — Você precisa de


espaços de escritório?

Seu nariz enrugou. — Não?

Eu exibi o mesmo sorriso falso que ela me deu, junto com sua
inclinação tímida da cabeça. — Então você quer que ele ligue para...
Eu ouvi a risada suave de Ford atrás de mim.

A garota olhou para nós por alguns segundos, depois virou o


cabelo e revirou os olhos. — Cuide-se, Ford. Você tem meu número.

Eu mexi meus dedos. — Tchau, tchau.

Jess estava a menos de três metros de distância quando Ford me


jogou de costas na grama. Ele parecia completamente divertido,
sorrindo largamente com a cabeça pendurada sobre a minha. — Você é
sexy pra caralho quando está com ciúmes.

— Eu não estava com ciúmes. Aquela garota foi apenas rude.


Você está sentada com os braços em volta de mim, e ela te pede para...
ligar para ela?

Ford esfregou o nariz com o meu. — Você gosta de mim e não


quer que outras mulheres me vejam nu.

— Tenho a sensação de que você já viu aquela mulher nua.

— Foi há muito tempo.

— Fico feliz em ouvir isso.

— Ciúme significa que você se importa.

— Bem, é claro que eu me importo.

Seu rosto ficou sério. — Você acha que isso vai mudar em uma
semana ou duas?

Deus, ele estava certo. O verão estava chegando ao fim, e eu não


podia imaginar não vê-lo mais, muito menos partir. Ele teria muitas
mulheres para tomar o meu lugar.

— Não, tenho certeza que não vai.

— Não precisa.

Eu fiz uma careta. Se fosse assim tão fácil.


Ele abaixou a cabeça e roçou os lábios nos meus. — Não é tarde
para mudar de ideia. Talvez você precise de alguns lembretes de Post-it
em torno da casa para lembrar-se disso.

Algo me dizia que eu não precisaria de um post-it para lembrar


como esse verão me fez sentir. Pelo contrário, eu poderia precisar de
algo realmente poderoso para me fazer esquecer.
23

Ford
Eu sorri, olhando para o antigo armazém. Eu definitivamente
poderia entender a excitação do meu pai sobre isso agora. Meus pais
compraram este edifício histórico em um leilão imobiliário. O tempo que
papai e eu passamos trabalhando nos planos para restaurá-lo e renová-
lo eram algumas das minhas melhores lembranças com ele.

Eu conhecia o prédio tão intimamente de fotos e desenhos, mas


nunca tinha entrado. Havia sempre uma razão ou outra porque eu não
podia viajar para verificar as coisas aqui em Chicago. Mas nunca
sentimos pressa, porque tínhamos muito tempo. Até que de repente não
tivemos mais.

Vender o prédio alguns meses depois da morte do meu pai foi


difícil. Mas quando uma oferta por mais do que pagamos caiu no meu
colo, parecia que eu não tinha escolha. Ainda assim, o destino tinha
uma maneira de trazer coisas que deveriam estar de volta para você às
vezes.

Como a Valentina.

E esse lugar.

Um BMW branco parou em frente ao prédio e estacionou. Louise


Marie Anderson tinha uma foto em seu cartão de visita na agenda do
meu pai, então quando a motorista saiu do carro, eu tinha certeza de
que era ela. Ela sorriu enquanto andava em minha direção.
— Eu não tenho que perguntar quem você é. Você é a imagem do
seu pai. — Ela estendeu a mão. — Louise Anderson. Mas meus amigos
me chamam de Andi.

Eu sorri. — Meu pai se referia a você como Andi, então vou tomar
isso como um bom sinal.

Depois que ela apertou minha mão, ela não soltou. Ela envolveu a
outra mão ao redor da minha. — Eu senti muito a perda de seus
pais. Eles eram pessoas tão boas.

Eu balancei a cabeça. — Obrigado. Minha irmã e eu apreciamos


as flores que você enviou. Foi muito atencioso.

— Claro. — Ela balançou a cabeça. — Eu costumava me derreter


com a maneira como seu pai olhava para sua mãe, a maneira como eles
estavam sempre de mãos dadas. Eles pareciam dois adolescentes
apaixonados.

Minhas sobrancelhas franziram. — Eu não sabia que você


conheceu minha mãe. Nós sempre brincávamos que meu pai tinha uma
namorada aqui porque nenhum de nós vinha em suas viagens para
Chicago.

— Ah não. Ela veio aqui algumas vezes. Na verdade, quando


vieram pela primeira vez olhar este prédio, deve ter sido há sete anos
agora, o que eles mais gostaram foi o último andar. Eles conversaram
sobre transformá-lo em um apartamento para eles mesmos.

Hã. Acho que minha mãe não queria que eu me sentisse mal por
nunca poder vir com papai em suas viagens. Isso era próprio dos meus
pais, no entanto, querer fazer um pequeno ninho de amor em um prédio
que eles compraram.

Quando eles estavam vivos, o constante contato deles tinha sido


meio grosseiro para mim, eles eram meus pais. Mas por alguma razão,
depois que eles faleceram, estavam entre as minhas memórias mais
preciosas.

— Bem… estou ansioso para ver o lugar. Mal posso acreditar que
esteja de volta ao mercado em tão pouco tempo.

— Divórcio. — Ela assentiu com a cabeça. — Odeio dizer isso,


mas provavelmente setenta e cinco por cento das minhas vendas
repetidas de propriedade são devido a um rompimento.

Andi e eu visitamos o prédio vazio. Era uma sensação tão


estranha andar pelo espaço em que papai e eu passamos tantos anos
trabalhando. Quando decidi dar uma olhada, achei que expandir para
Chicago, como papai planejara fazer e construir nosso projeto de
conversão de sonhos, me traria algum tipo de fechamento. Eu sempre
lamentei ter que vender este prédio. Mas estar aqui trouxe uma dor
surda ao meu peito e fez meus ombros sentirem que eu estava
carregando uma barra de peso de cem quilos.

O prédio tinha onze andares, então demorou um pouco para


percorrer. No momento em que chegamos ao último andar, o lugar que
meus pais tinham imaginado fazer deles, eu estava começando a sentir
que precisava de um pouco de ar fresco.

Eu puxei minha gravata e afrouxei enquanto seguia Andi ao


redor. Ela apontou para uma parede de janelas. — Essas são antigas,
obviamente. E não muito eficiente em termos de calor para os invernos
de Chicago. Mas Marie as amava. Ela disse a Michael que queria
transformá-las em portas para usar dentro do espaço como separadores
de salas. Não tenho certeza de quão fácil seria fazer isso, mas ele
pareceu amar a ideia.

Eu não sabia que meu pai havia trazido um designer de


interiores. — Marie? Você teria suas informações de contato? Eu não
tinha percebido que ele já tinha começado a trabalhar com um designer
de interiores. Nós só fizemos o layout da conversão juntos, não qualquer
decoração.

Andi riu. — Sua mãe, Marie... não uma designer de interiores.

— O nome da minha mãe era Athena. — Não era um nome que as


pessoas ouviam com frequência fora da aula de História Grega.

— Sério? — Suas sobrancelhas franziram. — Eu poderia jurar que


tivemos uma conversa toda sobre como tínhamos o mesmo nome ao
contrário. Sou Louise Marie e ela disse que era Marie Louise.

A agente imobiliária parecia confusa e, de repente, parecia quase


agitada. Ela balançou a cabeça e se virou para o outro lado da sala.

— Hum… isso mesmo. Estou confundindo-a com outra


cliente. Eu sinto muito por isso... Athena... certo.

As pessoas cometiam erros com nomes o tempo todo. Inferno, eu


não me lembrava do nome da maioria das pessoas trinta segundos
depois de conhecê-las. Mas algo sobre Andi me disse que ela não
cometeu nenhum erro. Porém, isso não fazia sentido.

Minha cabeça estava definitivamente fodendo comigo aqui, todas


as memórias do tempo que papai e eu passamos juntos trabalhando
nesse prédio. Eu afastei a sensação estranha pela qual estava passando
em favor de terminar a turnê. Lá fora, engoli ar fresco em meus
pulmões.

— Então o vendedor está querendo se livrar disto sem problemas,


receber o que pagou e partir. Mas tenho a sensação de que pode haver
algum espaço de manobra. Cá entre nós, não é um divórcio muito
amigável, e acho que uma venda rápida, e não arrastar a separação de
ativos, pode levá-los a aceitar uma pequena perda.

Eu balancei a cabeça, mas me senti dizimado por algum


motivo. Fiquei feliz por ter decidido ficar na cidade hoje à noite para
verificar com um engenheiro de construção amanhã porque tinha a
impressão de que metade do que vi hoje seria um borrão pela
manhã. Minhas emoções estavam realmente ferrando comigo.

— Você gostaria de alguma sugestão para o jantar ou algo assim?


— Andi perguntou depois que trancou a porta da frente. Ela ainda
parecia um pouco aérea, quase distante ou nervosa.

— Não, obrigado. O hotel tem um restaurante, e provavelmente


vou comer lá.

— Tudo bem... então... eu vejo você às nove amanhã?

Eu balancei a cabeça. — Nove horas. Obrigado pela turnê hoje.

Entrei no meu carro alugado e vi Andi se afastar. Em vez de ligar


o carro, descansei a cabeça no encosto por alguns minutos com os
olhos fechados. Tomei algumas respirações profundas, mas não
consegui afastar a sensação de dor no meu estômago.

Então peguei o telefone e liguei para o gerente de contabilidade no


meu escritório. — Ei Dan. É Ford. Ainda temos os relatórios de
despesas dos meus pais de alguns anos?

— Mantemos seis anos de registros em uma das unidades de


armazenamento. A Receita Federal geralmente pode voltar e fazer uma
auditoria dos últimos três anos, mas se eles encontrarem um erro
substancial, podem voltar seis. Seu pai gostava de ficar do lado seguro,
especialmente porque ele certamente tinha o espaço de
armazenamento. Você precisa de algo?

— Será que você pode puxar os relatórios de despesas do meu pai


e da minha mãe e ver se minha mãe veio em qualquer uma das viagens
do meu pai a Chicago?

— Sim. Claro. Dê-me algumas horas.

— Obrigado, Dan.
***

Alguns pensamentos são como um fio solto em um suéter. Você


pode puxá-lo e arriscar desfazer a coisa toda ou cortá-lo e seguir em
frente. Quando Andi disse que minha mãe tinha vindo a Chicago com
meu pai em mais de uma ocasião, foi um fio solto. Mas eu o cortei e
segui em frente, imaginando que a minha mãe não queria que eu me
sentisse mal por ela vir ver o projeto que eu havia trabalhado por anos.

Mas então outro fio se soltou quando Andi disse que o nome de
minha mãe era Marie Louise, ela parecia tão certa. E na segunda vez,
eu não poderia simplesmente cortar o fio e seguir em frente. Eu puxei, e
agora parecia que estava esperando meu mundo inteiro descarrilar.

Depois que chequei no hotel, eu fui à academia me livrar de


algumas das minhas energias instáveis e depois tomei banho. Agora eu
estava sentado no bar do restaurante. Meu telefone finalmente tocou
assim que peguei meu hambúrguer.

— Ei, Dan.

— Ei, Ford.

— Você encontrou algo?

— Eu chequei todos os relatórios de despesas que temos, e não


tem nenhum registro de sua mãe ter viajado para Chicago. A assistente
deles fez todas as reservas e os relatórios de despesas para a empresa,
provavelmente não perderia isso, mas suponho que seja possível.

Meu peito começou a doer e o esfreguei. — Alguma chance de


você lembrar se contratamos um designer de interiores em
Chicago? Estou aqui verificando o prédio que era nosso, ele voltou ao
mercado.

Dan estava na empresa desde que nasci e se lembrava de tudo.


— Seu pai era muito bom em não gastar em projetos antes do
início da construção oficial. Você nunca sabe quando pode ter
problemas com o departamento de construção mudando todos os seus
planos.

Eu balancei a cabeça. Isso era definitivamente verdade. Eu estava


prestes a deixá-lo desligar o telefone. Talvez Andi estivesse errada sobre
tudo com o meu pai, e eu estava puxando um fio que só precisava ser
cortado. Honestamente, parecia ridículo pensar no que eu estava
pensando.

Eu ri. — Você está certo, Dan. Muito obrigado.

— Sem problemas. Se você está pensando em comprar o prédio de


volta, pode querer verificar com o advogado do seu pai aí. Lembro-me de
que havia uma questão de zoneamento no qual ela trabalhou para ele
antes da compra, não tenho certeza se o atual proprietário mudou o
zoneamento novamente. Mas isso é algo para se olhar se você decidir ir
em frente.

Eu balancei a cabeça. É por isso que meus pais pagavam a Dan


mais do que a um gerente de contabilidade médio, sua mente era uma
armadilha de aço.

— Obrigado, Dan. Alguma chance de você se lembrar do nome do


advogado?

— Landsford, eu acho. Deixe-me procurar no


computador. Enviamos um cheque e ela está na nossa lista de
fornecedores. Espere um segundo.

Meus ombros relaxaram e me abaixei para o hambúrguer na


minha frente. De repente, meu apetite retornou. Dan voltou na linha
assim que mordi.

— Sim, é Landsford. Marie Louise Landsford, da Esquire, é para


quem fizemos o cheque.
Marie Louise.

Eu quase engasguei com o meu hambúrguer.

— Você quer que eu lhe envie suas informações de contato? — Ele


perguntou.

Consegui forçar a descida da boca cheia de comida, mas ainda


assim senti como se tivesse um nó na garganta depois de engolir. —
Sim. Isso seria útil. Obrigado, Dan.

***

Eu não costumava ser uma pessoa nervosa.

A última vez que me senti assim foi quando fiquei na frente do


juiz e lhe disse que queria a custódia legal da minha irmã de catorze
anos. Eu não estava nervoso por estar tomando a decisão errada, estava
nervoso que ele dissesse que eu não estava qualificado ou que minha
irmã estaria melhor em um orfanato ou com minha tia em Ohio.

Mas enquanto eu estava sentado no meu carro, estacionado na


Superior Street, em frente ao prédio do escritório de advocacia de Marie
Louise Landsford, o Esquire, minhas mãos estavam suadas e meu
estômago estava amarrado em um nó. Parecia que eu poderia me
inclinar e vomitar meu café da manhã, só que eu não tinha comido
nada desde a única mordida do hambúrguer na noite passada. Meus
olhos também coçavam, embora isso pudesse ser por falta de sono e
não por nervosismo. Eu podia sentir meu batimento cardíaco,
ricocheteando contra o meu peito, percorrendo meus ouvidos, mesmo
em minha garganta.

Meu telefone tocou no meu bolso, um texto de Valentina. Eu


troquei algumas mensagens com ela na noite passada, mas não
mencionei nada sobre o meu pai ou o que estava acontecendo. Eu não
podia nem admitir isso para mim mesmo, muito menos dizer as
palavras em voz alta para outra pessoa. Eu também não havia
mencionado que tinha cancelado o compromisso que eu deveria ter com
o engenheiro esta manhã. A única coisa que ela sabia era que eu havia
atrasado meu voo para encontrar um advogado sobre zoneamento. O
que era meio que verdade, eu acho. Pelo menos era o que eu planejava
dizer quando entrasse em seu escritório sem um agendamento. Eu não
tinha planos, além disso. Eu não conseguia nem pensar no que poderia
dizer ou em como poderia lhe questionar.

Valentina: Boa sorte com o advogado hoje e tenha um voo


seguro para casa mais tarde. Deixe-me saber em que trem você
estará de manhã e eu vou buscá-lo. Eu tenho uma pequena
surpresa para você.

Eu olhei para o meu celular como se as palavras fossem


rabiscos. Não havia nenhuma maneira que eu poderia enviar
mensagens de texto. Em vez disso, enfiei o celular no bolso. Eu só
precisava acabar com essa merda.

Saí do carro, respirei fundo e me dirigi para a porta.

Uma mulher da minha idade estava sentada atrás de um balcão


de recepção. Ela sorriu. — Oi. Posso ajudar?

— Sim. Ummm. Não tenho hora marcada, mas esperava poder


falar com a Marie.

— Posso perguntar ao que isso se refere?

— Estou pensando em comprar um prédio na área, e ela fez


algum trabalho para o meu pai anteriormente.

— Oh. Ok. — Ela apontou para uma porta fechada à sua


esquerda. — Ela está com um cliente agora, mas deve terminar a
qualquer minuto. Assim que ela terminar, perguntarei se pode falar com
você.

— Obrigado.

— Posso saber seu nome por favor?

— Ford. Ford Donovan.

Se meu sobrenome significava alguma coisa para a recepcionista,


ela não mostrou. Ela me disse para sentar e sentei em um sofá de couro
e fingi folhear uma cópia da Architectural Digest. Alguns minutos
depois, a porta do escritório de Marie se abriu. Meu coração, que já
estava batendo rápido, decolou como um trem desgovernado. Um
homem mais velho de terno saiu primeiro, conversando com alguém
atrás dele.

— Eu acho que uma vez que enviarmos essas últimas revisões,


eles finalmente assinarão o contrato, — disse uma voz de mulher.

Eu ainda não conseguia vê-la.

— Bom. Bom. Estou ansioso para deixar tudo isso para trás.

O homem deu alguns passos e a mulher que estivera falando


apareceu na porta.

— Eu entrarei em contato em breve.

Ao vê-la pela primeira vez, eu congelei. Que diabos? Eu a


conhecia. Mas de onde? Eu folheei uma agenda mental de onde eu
poderia tê-la visto antes. Eu estava absolutamente certo de que nos
conhecíamos. Mas eu nunca estive em Chicago.

O cliente foi até a porta da frente e a advogada deu alguns passos


em direção à recepcionista, que se virou para falar com ela.
— Eu não queria interromper desde que você estava quase
terminando com o Sr. Wetson, mas você tem alguém sem hora
marcada.

Marie olhou para a área de estar pela primeira vez. Eu


levantei. No minuto em que seus olhos pousaram em mim, seu rosto
inteiro mudou. Sua boca abriu, seus olhos caíram com tristeza, e toda a
sua cor se esvaiu.

Completamente alheia, a recepcionista continuou falando. — Você


já fez algum trabalho para a família dele antes. Ele não tem hora
marcada, mas você tem meia hora antes do próximo cliente.

Aquele rosto pálido e cheio de tristeza, clicou. O funeral! Ela foi ao


funeral dos meus pais. Aquele fim de semana foi quase um borrão,
havia tantos amigos que iam e vinham. Durante dois dias, passei a
maior parte do meu tempo em pé e apertei as mãos das pessoas. Eu
não poderia repetir o que alguém realmente disse se minha vida
dependesse disso.

Mas lembrei-me de vê-la. Ela estava sentada em uma cadeira no


canto de trás sozinha, chorando. Ela parecia muito perturbada, então
fui ver se ela estava bem. Foi a primeira vez que a vi, mas isso não me
pareceu incomum. Pessoas saíram da toca para prestar suas
condolências no funeral.

Eu andei até onde Marie estava, ainda olhando para mim. A


recepcionista se virou quando me aproximei. — Oh. Aqui está
ele. Marie, esse é...

Marie sorriu tristemente e sacudiu a cabeça. Sua voz era solene e


seu tom resignado. — Eu sei quem ele é. Olá, Ford.

Eu balancei a cabeça, incapaz de dizer qualquer coisa.

Marie inclinou a cabeça para a porta. — Por que não conversamos


no meu escritório?
Eu balancei a cabeça e a segui para dentro. Ela fechou a porta
depois de dizer à recepcionista para cancelar sua próxima reunião e
fazer suas ligações.

Caminhando para o outro lado de sua mesa, ela estendeu a


mão. — Por favor, sente-se.

Eu continuei olhando para ela, mesmo quando me sentei.

Ela se sentou em sua cadeira e remexeu alguns papéis que não


precisavam ser tirados de sua mesa. Falando suavemente, ela disse: —
Como você está?

— Bem.

Ela assentiu. — Bem. Fico feliz em ouvir isso.

Eu olhei para ela. Eu honestamente não precisei fazer a pergunta,


a culpa e tristeza em seu rosto me deram a maioria das
respostas. Então eu pulei as besteiras e fui para as coisas que não
sabia.

— Quanto tempo vocês dois estavam tendo um caso?

Ela olhou para baixo. — Cerca de três anos.

Jesus Cristo. Três malditos anos? Pensei nos últimos verões em


Montauk antes que eles morressem. Meus pais estavam dançando e
apaixonados como sempre. Eu balancei a cabeça. — Por quê?

Ela suspirou. — Simplesmente aconteceu. Nenhum de nós


planejou isso. Eu era bem casada também. Pelo menos achei que era na
época.

— Era?

Ela assentiu. — Eu contei ao meu marido sobre o caso depois que


voltei para casa do funeral. Eu não conseguia esconder o quanto estava
chateada e sabia que nosso casamento acabara. Eu fui injusta com ele
por um longo tempo. Nós nos divorciamos há alguns anos.

Eu não entendia. Parecia impossível relacionar meus pais


sorridentes e aparentemente felizes com meu pai tendo um caso com a
mulher na minha frente. Eu pensei por um longo tempo, deixando o
silêncio na sala crescer.

Quando finalmente falei, olhei diretamente nos olhos dela. — Ele


amava minha mãe. Eles eram felizes.

Eu podia ver que minhas palavras causaram sua dor. Tão fodido
como era, isso me fez sentir mal.

Ela assentiu. — Claro que ele amava. Não há desculpa para o que
eu fiz, o que seu pai e eu fizemos, Ford. A única coisa que posso dizer é
que estávamos casados há muito tempo. Eu me casei com meu
namorado do ensino médio, assim como seu pai. — Ela balançou a
cabeça e olhou pela janela. — Curiosidade? Eu não sei. Eu passei muito
tempo pensando sobre isso, tanto enquanto estava acontecendo, quanto
nos últimos três anos. Nenhum de nós tinha muita experiência. Nós
não namoramos ou realmente vivemos vidas adultas fora dos nossos
cônjuges. Então, acho que talvez tenhamos chegado a um certo ponto
em nossas vidas, a meia-idade, e nos perguntamos quem éramos sem
nossos cônjuges. Você é jovem, então não espero que
entenda. Honestamente, não tenho certeza se entendo, mas acho que
precisava da validação de que o que eu tinha não seria minha vida aqui
na Terra.

Ela voltou seu olhar para mim e balançou a cabeça. Havia


lágrimas em seus olhos. — No momento em que percebi que o que eu
tinha era o suficiente, e deveria agradecer a minhas estrelas da sorte
em vez de pensar estar perdendo alguma coisa, era tarde demais.

Sentei-me em silêncio, tentando entender tudo, mas não consegui


entender nada em minhas mãos. Nada fazia sentido. Eu sabia em meu
coração que nunca voltaria aqui, nunca veria essa mulher novamente,
então queria ter certeza de lhe perguntar o que eu precisava saber e
dizer o que precisava dizer. Esperando que as coisas viessem a mim,
olhei ao redor da sala, perdido em pensamentos. Meus olhos pousaram
em uma foto emoldurada de uma garotinha. Ela não poderia ter mais de
cinco ou seis anos.

Não.

Apenas fodendo não.

Minha voz era tão monótona. — Essa é a sua filha?

Marie sorriu. — Sim. Rebecca. — Seu sorriso murchou. — O


divórcio foi duro para ela. Eu não posso nem imaginar o que você
passou... e agora vir aqui e lidar com isso.

Continuei olhando para a foto, procurando por sinais do meu


pai. Eu tive que engolir um nó gigante na minha garganta para
perguntar o que precisava saber. — Ela é... do meu pai?

Os olhos de Marie se arregalaram. — Oh! Não, Deus, não. Essa é


uma foto antiga. Rebecca fará dez no próximo mês. Ela se virou e olhou
para a foto. — Ela tinha cerca de seis anos, então eu posso entender
por que você acha isso. Mas posso assegurar-lhe que ela nasceu anos
antes de eu conhecer seu pai.

Graças a Deus por uma coisa, eu acho. Eu sentei por mais um


minuto ou dois em silêncio, pensando sobre o que mais eu precisava
saber. Mas realmente, eu já tinha descoberto muito.

Eu levantei. — Obrigado por sua honestidade.

Ela assentiu e se levantou. — Sinto muito, Ford. Sobre tudo, o


caso, sua perda, você descobrindo. Tudo. Se eu pudesse rebobinar e
fazer tudo de novo, isso nunca teria acontecido.

Saí do escritório de Marie Louise Landsford sem olhar para trás.


Infelizmente, eu não precisava olhar para trás, porque a
honestidade dela já havia mudado tudo o que eu via olhando para
frente.
24

Valentina
Eu parei de ouvir música ao longo dos anos, e nem percebi.

Eu ouvia no carro, claro. Mas eu não explodia mais enquanto


estava em casa limpando, tomando banho ou cozinhando, como fazia
anos atrás. Ultimamente, porém, isso havia mudado. Eu me vi fazendo
coisas que não fazia há muito tempo, cantar junto com a música
quando estava no chuveiro, dançar enquanto dobrava a roupa, plantar
flores, cozinhar sem uma festa para levar a sobremesa. Sentia-me mais
leve e feliz do que em muito tempo. E se quisesse admitir isso para mim
ou não, uma das grandes razões para essa mudança era o homem da
casa ao lado, que estava atualmente voltando para Montauk.

Uma música do Billy Joel tocou enquanto eu estava no chuveiro,


e eu cantei, cantei “Only the Good Die Young” como se estivesse fazendo
um show para uma plateia lotada. Foi bom... tão bom. Enquanto eu
tirava o condicionador do meu cabelo, fechei os olhos e me juntei a
Taylor Swift para uma performance ensurdecedora de “Shake it Off” que
culminou com meu canto e dança com a toalha para secar minhas
costas. Enrolei meu cabelo em uma toalha e coloquei calças de ioga e
uma camiseta. Pegando meu hidratante, limpei a névoa do espelho e
encontrei um rosto sorrindo para mim no reflexo, o meu próprio. Eu me
senti tonta.

Esta manhã eu tinha feito a aula de ioga ao nascer do sol com


Bella e depois saí para uma longa caminhada na praia. Na metade do
caminho de volta para casa, meu celular tocou. Era a escola onde fiz a
segunda entrevista ontem. Eu consegui o emprego!
Desde então, não parei de sorrir. E eu mal podia esperar para
contar à Ford. Ele estava com pressa para pegar o avião para casa, de
Chicago, quando lhe mandei uma mensagem, então imaginei que
guardaria minha surpresa até que ele chegasse em Montauk. Meus
planos era ir ao supermercado e pegar algumas coisas para fazer sua
comida favorita.

Embora esses planos tenham mudado abruptamente no minuto


em que abri a porta do banheiro.

Eu me assustei e pulei ao ver um homem casualmente encostado


no corrimão da escada a poucos metros da porta do banheiro. Mas
então meus olhos se arregalaram e a mandíbula se abriu.

— Surpresa. — Meu filho sorriu e gargalhou. — Muito bom o


show que você deu. Achei que você nunca sairia daí. Eu não sabia que
você era uma Swiftie9, mãe.

— Oh meu Deus. Ryan! Você está em casa! — Eu o agarrei em um


abraço gigante.

Ele riu e me abraçou de volta.

— O que você está fazendo aqui? Achei que você não voltaria para
casa durante todo o verão por causa do estágio?

— Eu terminei um projeto em que estava trabalhando alguns dias


antes, então perguntei se poderia aproveitar hoje para fazer um fim de
semana de quatro dias com o Dia do Trabalho. Eu preciso voltar cedo
na segunda de manhã.

— Por que você não me ligou? Como você veio do aeroporto?

Ele encolheu os ombros. — Eu queria te surpreender. Eu peguei o


trem e depois um táxi.

9 Fã da cantora e compositora e atriz americana Taylor Swift.


— Bem, você conseguiu. — Deus, eu precisava apertá-lo um
pouco mais. Eu me aconcheguei em outro abraço. — Senti sua falta.

— Eu percebi que poderia ser um verão difícil estar aqui sozinha


pela primeira vez.

Exceto... uh-oh... que eu não estava sozinha.

— Umm... eu me mantive ocupada.

Ele olhou para o meu rosto. — Você está bem, mãe.

Eu bati na toalha enrolada na minha cabeça. — Deve ser o


turbante.

Ryan sorriu. — Não… algo está diferente. Você parece... eu não


sei... menos estressada, talvez.

Eu apertei a mão dele. — Eu estou. Eu ia te contar quando


conversássemos esse fim de semana. Mas consegui um emprego.

— Uau. Parabéns. Fantástico. E muito rápido.

— Sim. Estou muito feliz com isso.

Seus olhos enrugaram nos cantos e ele sorriu calorosamente. — É


isso. Você parece feliz.

— Eu estou. — Embora uma grande parte disso não tenha nada a


ver com conseguir um emprego.

— Bem, vamos lá. Vá secar o cabelo ou o que fizer quando tirar a


toalha, e vamos comer alguma coisa para comemorar. Estou faminto.

— OK! Dê-me quinze minutos.

Depois que sequei meu cabelo, mandei um texto rápido para


Ford.

Valentina: Meu filho me surpreendeu. Ele está em casa para


o fim de semana do feriado.
Eu esperei o texto mostrar como entregue, mas não
aconteceu. Verificando o horário no meu telefone, ele deveria ter saído
do avião e estar no trem agora. Embora talvez seu voo tivesse atrasado e
seu telefone ainda estivesse desligado. Apertei o botão da chamada, mas
foi diretamente para o correio de voz. Seu telefone definitivamente
estava desligado. Então mandei outro texto.

Valentina: Eu ainda vou te buscar no trem. Mande-me uma


mensagem quando souber em qual você estará.

Joguei meu celular na minha bolsa e coloquei um par de


chinelos. Ryan estar em casa complicaria as coisas entre Ford e eu e os
planos que eu tinha para comemorar este fim de semana, mas eu não
podia ficar chateada por meu filho ter me surpreendido. Eu estava feliz
por ele estar em casa.

No caminho descendo as escadas, fiquei surpresa ao ouvir duas


vozes, mas não encontrei ninguém na casa. — Ryan? — Eu gritei.

— No deck de trás!

Eu encontrei Ryan inclinado sobre o corrimão falando com


Bella. — Eu não sabia que Ryan viria neste fim de semana, — disse ela.

— Eu também não. Ele me surpreendeu.

— Awww, isso é tão doce. Já faz um tempo, hein, Rye-Rye?

Eu não tinha ouvido esse apelido em pelo menos dez anos. Bella
costumava chamar Ryan assim quando ele era pequeno, e ele odiava
isso.

Mas quando eu olhei para o meu filho, ele não parecia mais odiar
isso. Seus olhos mergulharam fazendo uma rápida varredura sobre
Bella. Ele estava checando-a. — Você mudou.
Ela bateu os cílios. — Assim como você.

Oh Deus. Não.

Eu precisava tirar Ryan daqui, porra. Eu puxei o braço do meu


filho. — Nós temos que correr. Até mais, Bella.

Nosso almoço durou duas horas. Fomos ao Lobster Roll e


sentamos nos bancos comendo e conversando, principalmente sobre
seu primeiro ano de faculdade e seu estágio.

— Tudo o que fizemos foi falar sobre mim. Diga-me como foi o seu
verão. É estranho estar aqui sem papai e eu?

Eu balancei a cabeça. — É diferente, mas não estranho. Ele


realmente apareceu algumas semanas atrás para pegar um orçamento
de algum trabalho que precisamos fazer na casa.

— Como foi isso?

Eu sorri. — Como nos últimos anos que estivemos juntos. Ele


disse algo que me irritou e eu o mandei sair.

Ryan riu. — Ele tem me ligado muito ultimamente.

Na minha cabeça, pensei: claro que ele tem. Sua namorada


novinha mudou-se para a Índia, então ele finalmente tem algum tempo
para prestar atenção em seu filho. Ryan não poderia ter tempo
para dois adolescentes em sua vida ocupada.

Mas eu engoli meus pensamentos reais e escolhi algo


agradável. — Isso é bom. Fico feliz que vocês dois estejam fazendo um
esforço maior para ficarem conectados.

Ele encolheu os ombros. — Como você se sentiria em relação a


Tom se ele traísse Eve?

Eu sabia onde ele queria chegar. — Eu adoro o Tom. Mas eu


sempre ficaria do lado de Eve, claro. Mas, Tom não é meu pai.
Ele amassou o guardanapo e jogou no prato vazio. — Ele não está
mais com ela.

Eu balancei a cabeça. — Eu sei. Ele me disse.

— Há... alguma maneira de perdoá-lo?

Oh Deus. Ele pode parecer um homem adulto, mas por dentro


ainda era meu garotinho que odiava ver seus pais separados.

— Quer saber? Eu meio que o perdoei. Pelo menos estou seguindo


em frente. Eu não vou mentir, seu pai e eu nos separando foi difícil
para mim. Eu acho que você sabe isso. Mas agora que estou do outro
lado, percebo que teríamos acabado aqui, não importa o quê. Éramos
crianças quando nos casamos, e não me arrependo das decisões que
tomei porque tive você, e seu pai e eu... tivemos alguns bons anos. Mas
nos afastamos a medida que crescemos, e nenhum de nós foi feliz por
muito tempo. Eu culpei o que ele fez, porque era mais fácil na
época. Mas nosso relacionamento estava com problemas muito antes de
ele fazer o que fez. Na verdade, a má situação do nosso casamento foi
provavelmente uma das principais razões pelas quais ele procurou
outra pessoa.

Meu filho olhou para baixo. — Entendi. Fui estúpido em


perguntar.

Eu estendi a mão e peguei a mão dele. — Não, não foi. É


perfeitamente normal que um filho queira que seus pais sejam felizes no
casamento.

Ryan assentiu. — Isto me lembra. O que eu deveria ter dito a


Bella sobre seus pais? Eu não tinha certeza se deveria dizer alguma
coisa, então não disse.

— Eu acho que você pode apenas dar condolências a ver


novamente. Ela fala muito sobre eles e está bem com as pessoas
mencionando isso.
— Louco que ela perdeu os dois. — Ele balançou a cabeça. — E
eu estou sentado aqui egoisticamente perguntando se você e papai
podem voltar a ficar juntos. Coloca as coisas em perspectiva.

— Sim. Mas ela parece estar bem.

Meu filho sorriu. — Ela parece bem.

Eu enruguei o nariz. Meu filho assumiu que fosse um sentimento


desagradável que qualquer mãe teria sobre seu filho checando uma
menina.

Ele riu. — Sim. Tenho certeza que meu rosto seria igual se você
me dissesse que um cara era gostoso.

Eu estremeci interiormente. Tenho certeza que seu rosto seria pior


se eu dissesse que o cara que acho gostoso é o irmão da garota que você
acha gostosa.

***

Naquela noite, eu ainda não tinha ouvido falar de Ford, e meu


texto não estava aparecendo como entregue ainda. Eu estava ficando
preocupada e procurei Bella, embora sob falsos pretextos.

Eu bati na porta ao lado e ela apareceu em seu uniforme. — Ei.

— Ei, Bella. Você já ouviu falar do seu irmão? Umm... Eu queria


pedir a ele para olhar minha pia novamente. Ele consertou para mim no
começo do verão.

— Sim. Ele está no quarto dele. Desmaiou, eu acho.

Eu falhei em esconder minha surpresa. — Ele está em casa?


Ela pegou as chaves do carro do balcão da cozinha. — Chegou em
casa há uma hora. Bêbado. Ele estava oscilando. Estou surpresa que
ele subiu as escadas. Eu tenho que ir trabalhar, mas fique à vontade
para acordá-lo. Embora duvide que ele esteja em condições de consertar
alguma coisa.

— Ummm. OK. Obrigado. Talvez eu só dê uma olhada nele para


ter certeza que ele está bem.

Ela sorriu. — Tão mãe.

Eu esperei embaixo até que ela entrou no carro e saiu da


garagem, e então fui até o quarto de Ford. Com certeza, ele estava
apagado. Virado para baixo, com os braços e as pernas bem abertos
sobre a cama, segurando o celular em uma das mãos.

Eu fui até ele e sussurrei: — Ford?

Ele não se mexeu então tirei o celular da mão dele e apertei o


botão lateral. Morto. Bem, pelo menos isso me fez sentir melhor sobre
por que ele não ligou. Fui até a mesinha e coloquei a carregar para ele,
depois me sentei na beira da cama e o observei dormir.

— Dia ruim, querido? — Eu afastei uma mecha de seu cabelo do


rosto. — Você está quieto desde que foi para Chicago. Provavelmente foi
difícil visitar o prédio em que você e seu pai trabalharam juntos,
hein? Muitas memórias.

Claro que ele não respondeu. Depois de vê-lo dormir um pouco,


tirei os seus sapatos, peguei uma garrafa de água e dois Tylenol do
banheiro e deixei seu auxiliar de ressaca ao lado da cama.

Eu me inclinei e beijei sua bochecha gentilmente. Senti um aperto


no peito quando percebi que em alguns dias não o veria mais. Deus, eu
não estou pronta para isso acabar.
25

Ford
Meus pulmões queimavam e eu não conseguia recuperar o fôlego.

Eu nem sabia onde estava. Eu me levantei ao amanhecer com


uma ressaca hostil. Tylenol e duas garrafas de água não fizeram nada
para aliviar a batida na minha cabeça. Eu não conseguia nem me
lembrar de chegar em casa. Eu me lembrava de sentar no bar do
aeroporto, disparando vodca e pedindo mais no avião. Depois disso, foi
praticamente um borrão. De alguma forma eu consegui pegar o trem
certo e cheguei na minha cama. Em qualquer outro dia, se eu tivesse
acordado com esse tipo de dor de cabeça assassina, teria me virado e
voltado a dormir.

Mas esta manhã eu precisava sentir mais dor. Então eu saí para
correr. E eu corri. E corri. E continuei correndo. Eu corri até sair da
praia, então continuei avançando, percorrendo ruas laterais e passando
por casas e quarteirões o mais rápido que podia.

Finalmente, minhas pernas cederam e eu caí.

Então aqui estava eu, sentado no meio de um parque que nunca


tinha visto antes, em algum quarteirão onde nunca estive, ofegando e
sangrando de um joelho arranhado e aberto. Minha cabeça ainda doía,
mas a queimadura nos meus pulmões parecia melhor.

Eu sentei com meus cotovelos nos joelhos e minha cabeça entre


eles.

Meu pai é um maldito traidor.


O homem cuja cadeira eu sentei no trabalho, cuja filha eu criei
nos últimos cinco anos, cujo relacionamento eu achava que era tudo... o
homem que eu tinha admirado desde que conseguia me lembrar.

Doía pra caralho. E eu simplesmente não conseguia entender.

Por quê?

Por quê?

Meus pais pareciam tão apaixonados. Eles não brigavam. Eles


não tinham problemas financeiros. Eles terminavam as frases um do
outro, pelo amor de Deus. Enquanto me sentei lá, imagens deles
passavam na minha cabeça como uma apresentação de slides
acelerados.

Eles dançando no convés.

Mamãe lendo para o papai na praia.

Ele agarrando sua bunda e ela rindo quando achavam que


ninguém estava prestando atenção.

Todos os eu te amo.

Os frascos de Mason.

Os dois escrevendo coisas que amavam um no outro e os


trocando como presentes.

Quem diabos faz isso se não está apaixonado?

E essa era a parte que não conseguia conciliar.

Mesmo que tivesse descoberto que ele tinha um caso de longa


data com outra mulher, eu ainda não tinha dúvidas de que ele amava
minha mãe. Então, se ele amava minha mãe, por que faria isso?

Por quê?

Por quê?
Por quê?

A única resposta que fazia sentido era a que sua amante me


dera. Eles se casaram muito jovens, nenhum deles conhecia uma vida
sem o outro, e meu pai atingiu certa idade e começou a ter uma crise de
identidade.

Uma crise de meia idade.

Não foi correto.

Isso era uma certeza.

Mas também foi o que aconteceu no casamento de Valentina.

Porra.

Eu estava chateado como o inferno com o meu pai, mas não era
por isso que meu peito parecia vazio no momento.

Valentina estava certa o tempo todo.

Eu não vi porque não queria ver.

Ela estava com o marido desde os dezesseis anos, a mesma idade


em que meus pais se reuniam.

Eu queria que ela escolhesse ficar comigo, mas como ela poderia
decidir o que queria quando nem sabia o que havia lá fora.

***

Merda.

Esta manhã eu tinha lido os textos de Val de ontem, então sabia


que seu filho Ryan estava na cidade. Mas não tinha ideia do que ela
disse a ele. Eu não assumi nada. No entanto, não tinha certeza, então
joguei pelo seguro. Os dois estavam no deck dos fundos, debruçados
sobre o corrimão olhando para a praia enquanto eu andava pela areia,
horas depois de ter saído para a minha corrida.

— Ei. — Eu levantei meu queixo para eles.

— E aí cara? Há quanto tempo. — Ryan sorriu.

— Ei. — A voz de Valentina estava atada com hesitação.

Eu percebi que era um bom sinal ele não ter descido as escadas e
me dado um soco na cara por ter fodido sua mãe. Mas enquanto Ryan
parecia alegre e relaxado, Val parecia qualquer coisa, menos
isso. Vendo as veias do pescoço dela salientes pela tensão me fez sorrir
pela primeira vez em dois dias. Por que vê-la tensa por alguém descobrir
sobre nós me dava tanta alegria? Talvez eu fosse apenas um idiota.

Subi as escadas para o deck deles em vez do meu e apertei a mão


de Ryan. A última vez que o vi, ele tinha apenas quatorze anos. Agora
ele era quase tão alto quanto eu. — Todo crescido. Acho que você não
vai querer que eu faça castelos de areia com você esse ano?

Ryan sorriu. — Eu mudei para busca de sereias. Talvez possamos


ir encontrar algumas mais tarde.

Meus olhos cintilaram para Val e depois voltaram, e eu tossi. —


Você está na Universidade da Carolina do Norte, certo? Está gostando?

— É ótimo. Meu primeiro ano foi uma explosão.

Ele olhou para a mãe e seu rosto ficou sério. Merda. Talvez eu
tenha julgado mal a situação e ela tenha dito a ele.

— Ouça... eu só queria dizer que sinto muito por seus pais.

Eu balancei a cabeça. — Obrigado.

O simples lembrete de meu pai varreu qualquer frivolidade


momentânea que havia. Meus ombros voltaram a segurar pedras.
— Eu vou para casa tomar banho. — Eu olhei para Val e depois
acenei para Ryan. — Bom te ver.

Quando saí do chuveiro, não fiquei surpreso ao encontrar um


texto de Val.

Valentina: Tudo bem? Eu vim ontem à noite, mas você estava


apagado.

Eu nem sabia que ela esteve aqui. Mas meu telefone estava
carregado e havia água e Tylenol na mesa. Isso fazia sentido agora.

Ford: Desculpe por isso. Apenas uma longa viagem. Eu não


tinha comido e bebi algumas doses.

Valentina: Não tem problema. Eu imaginei que a viagem


poderia ter sido difícil. :-(

Você pode dizer isso.

Ela digitou mais antes que eu pudesse responder.

Valentina: Ryan me surpreendeu. Eu sei que isso estraga a


gente passando um tempo juntos no último fim de semana...

Ontem, eu teria dito que seu filho aparecendo no último fim de


semana que eu tinha para convencê-la de que o que tínhamos era mais
do que uma aventura era o universo conspirando para arrancar meu
coração. Mas hoje, sem meu cérebro nadando em álcool, eu estava
começando a achar que talvez o destino tivesse intervindo.

Chicago me ensinou uma lição. Eu precisava dar um passo atrás


e deixar Valentina seguir em frente. Ela merecia uma ruptura fácil. Era
o que ela queria, e eu teria apenas tornado mais difícil para ela. A
surpresa do seu filho nos impediria de passar um final de semana
inteiro na cama, era uma droga, embora provavelmente fosse o melhor.

Ford: Tudo bem. Aproveite o seu tempo com ele. Eu tenho


muito trabalho a fazer, de qualquer maneira. O voo de Bella é
domingo. Eu provavelmente vou deixá-la e ficar na cidade.

Valentina: Ryan vai surfar mais tarde. Talvez pudéssemos


conversar então?

Ford: Claro.

Algumas horas depois, o único trabalho real que fiz foi enviar um
e-mail para a corretora de imóveis em Chicago, agradecendo-lhe pelo
tempo, mas avisando-a que decidira não avançar com a
reaquisição. Todas as razões para querer aquela propriedade tinham
desaparecido no momento em que saí do escritório de Marie. Ela
respondeu e não pareceu surpresa.

Bella passou a tarde fazendo as malas e depois foi trabalhar no


seu turno final. Eu estava limpando a geladeira, jogando fora coisas que
não iríamos usar nos próximos dois dias, quando Val bateu na porta
dos fundos.

— Ei.

Eu deslizei a porta de tela. Ela deu uma olhada no que eu estava


fazendo e seu sorriso caiu. — Eu não posso acreditar que o verão está
quase no fim.

Esta tarde, decidi não mencionar o que descobri em Chicago para


Val. Eu não estava planejando contar à minha irmã, por que arruinar
sua memória do nosso pai idiota também? Então não parecia justo
contar a mais ninguém. Que bem isso faria? Val havia perdido a fé
suficiente nos homens com seu próprio casamento. Não havia nenhuma
razão para destruir completamente qualquer esperança que ela se
apegasse, talvez nem todo cara lá fora fosse um idiota total.

Mas ela sabia que algo estava errado.

— Ryan decidiu ignorar o surfe porque estava muito chato. Ele


saiu para uma corrida, então pensei em passar aqui. — Ela olhou em
volta para a sala de estar. — Bella está em casa? Eu pensei ter visto o
carro dela sair.

— Ela foi trabalhar. Saiu há alguns minutos.

Ela assentiu, e levei alguns segundos para perceber por que isso
parecia fazê-la se sentir mal. Foi provavelmente a primeira vez que ela
esteve sozinha na minha presença que eu não tentei agarrá-la.

Eu a puxei contra mim e a envolvi em meus braços. Inalando


profundamente, percebi o cheiro que sempre me lembraria desse verão,
perfume floral, loção bronzeadora de coco e a praia. Eu queria
engarrafar o perfume e chamá-lo de Valentina.

Eu senti seus ombros relaxarem enquanto ela se aconchegou em


mim. — O que aconteceu em Chicago?

Engoli. — O prédio precisaria de muito trabalho.

Ela olhou para mim. — Eu sinto muito. Eu sei que o projeto


significava muito para você.

— Está tudo bem. É o que é.

— Eu tinha um grande fim de semana planejado para nós. Eu ia


fazer a sua comida favorita e seria sua sobremesa favorita. Mas com o
Ryan aqui...

— Suponho que você não contou a ele sobre nós.


Ela balançou a cabeça. — Eu simplesmente não consegui. E isso
não tem nada a ver conosco. É a primeira vez que o vejo há meses e...
bem, ele mal aceitou que o pai e eu nunca voltaremos a ficar
juntos. Ontem, ele realmente me perguntou se havia uma chance de
perdoar o pai dele.

Nós conversamos sobre o ex dela antes, mas meu interesse em


como ela se sentia em relação a ele definitivamente mudou depois da
minha viagem a Chicago.

Eu olhei nos olhos dela. — Você disse que a infidelidade não foi o
único problema, que foi o catalisador, fazendo você recuar e reexaminar
seu casamento, e então percebeu como as coisas estavam
quebradas. Mas e se você tivesse recuado e visse um casamento feliz?

— Eu não sei. É difícil dizer. Mas acho que seria mais capaz de
passar por uma noite, um erro bêbado que ele lamentou. Mas não um
relacionamento. Ryan estava saindo com a mulher com quem me traiu
por meses e tinha sentimentos por ela. Eles ficaram juntos através do
nosso divórcio. Acho que não me imagino recuando de mais do que um
caso de uma noite e encontrar um casamento feliz, porque enquanto
erros podem acontecer, ter um relacionamento com outra pessoa não é
um erro. É uma escolha.

Eu balancei a cabeça. — Ryan perguntou se vocês poderiam


voltar a ficar juntos. Ele não viu que o seu casamento não era feliz?

Ela sorriu tristemente. — Nem eu vi que meu casamento não era


feliz.

Eu acho que você realmente nunca sabe o que está acontecendo a


portas fechadas. Essa conversa havia tomado um rumo deprimente, e
eu precisava animar isso. Eu estendi as mãos e as enfiei na parte de
trás de seu short. — Então, quão leve é o sono do seu filho? Vamos nos
esgueirar na sua casa ou na minha?
Ela envolveu as mãos em volta do meu pescoço. — Que tal
sairmos sorrateiramente e dar um passeio pela praia, onde as dunas
são altas? Podemos levar um cobertor?

— Bom. Finalmente ter areia na fenda da minha bunda neste


verão valerá a pena. — Eu escovei meus lábios nos dela. — Isso soa
como um plano.
26

Valentina
Era agora ou nunca.

Ryan tinha acabado de dormir e eu tomei um banho.

Era isso. O momento da verdade finalmente chegou. Uma


aventura de verão.

Isso era o que deveria ser. Colocar meu primeiro sob o cinto,
enfiar o dedo do pé na piscina para sentir a água antes de mergulhar.
Mas em algum lugar ao longo do caminho, isso se transformou em
mais. Tentei fingir que não, que o sorriso no meu rosto era de um bom
momento, mas isso não era verdade, era?

Eu comecei a me apaixonar por Ford antes mesmo de nos


conhecermos. Tínhamos nos conectado apenas com trocas de
textos. Ele me fez rir, me fez ser eu mesma, uma pessoa que
estranhamente esqueci como ser. E isso foi antes da conexão física,
inegavelmente intensa desde o primeiro toque. O homem poderia
iluminar meu corpo de uma maneira que eu nem percebi que poderia
brilhar. Mas ele fez mais do que isso, ele iluminou meu interior. Eu não
me senti tão viva quanto nesse verão... bem, nunca.

Por semanas questionei como eu iria me afastar no final do


verão. Mas, enquanto os últimos dias passavam, comecei a me
perguntar se poderia partir. Claro que fisicamente eu poderia, mas se
fizesse, eu estaria deixando um pedaço do meu coração para trás?
Eu olhei no espelho enquanto passava um pouco de batom e
tinha uma pequena conversa comigo mesma. — Do que você tem tanto
medo? Você já se apaixonou por ele.

Fechei meus olhos, percebendo a resposta. Você está com medo de


se machucar novamente.

Essa era a verdade em poucas palavras. Eu dei todas as


desculpas existentes: você é jovem demais para mim. Eu não estou
pronta para um relacionamento. Preciso me encontrar. Mas eram todas
defesas que eu colocava para evitar ser atingida na cara com a verdade.

Eu estava aterrorizada.

Então havia o fato de que Ford parecia ter parado de pressionar


por algo mais ultimamente. Suponho que uma pessoa não consegue
suportar tanta rejeição. Talvez ele tivesse se acostumado com a ideia de
uma aventura de verão e não quisesse mais nada.

Havia apenas uma maneira de descobrir. Não era como se eu


pudesse adiar mais. Era isso.

Agora ou nunca.

Ele poderia voltar para casa e saltar para o mundo dos encontros
em algumas semanas. Eu não podia imaginar que ele seria celibatário
por dois anos como eu.

E talvez ele encontrasse alguém de quem gostasse.

Às vezes você não tem uma segunda chance.

E daí se não desse certo? Talvez ele não seja o meu para
sempre. Eu poderia me machucar. Mas também poderia me arrepender
de não ter tido uma chance.

E eu prefiro ter memórias a arrependimentos.


De repente, senti-me um pouco sem fôlego. Eu não estava pronta
para que as coisas acabassem, e precisava deixá-lo saber disso hoje à
noite.

Eu sorri para o meu reflexo no espelho. Oh meu Deus. Você


realmente vai se arriscar.

Tomando minha decisão, a sensação de ruína iminente que tive


nos últimos dias se transformou em uma antecipação
vertiginosa. Peguei meu celular, ainda sorrindo, e enviei uma
mensagem.

Valentina: Vemos-nos em breve?

Parecia a mais longa espera da minha vida.

Merda. E se ele tivesse adormecido?

E se eu não conseguir falar com ele?

E se…

Os minúsculos pontos começaram a pular, e meu pulso disparou.

Ford: Pronto quando você estiver.

Thump-thump-thump

Deus, meu coração estava acelerado.

Valentina: Te encontro na praia em cinco!

Eu peguei um cobertor no armário do meu quarto e suavemente


abri a porta. O quarto de Ryan era bem ao lado do meu. Não ouvindo
nenhum som, desci as escadas na ponta dos pés, agradecida por ter
decidido colocar um trilho de tapetes sobre as escadas para que não
rangessem. Na cozinha, deixei as luzes apagadas enquanto pegava uma
garrafa de vinho e dois copos do armário antes de abrir a porta dos
fundos. Eu teria que me lembrar de agradecer a Ford novamente por ter
livrado a porta do guincho alto na outra manhã enquanto eu estava
dormindo.

A lua estava clara esta noite. Iluminava a praia o suficiente para


ver e fazia a água, que estava excepcionalmente calma, brilhar
majestosamente. No final da escada, Ford levantou um cobertor, uma
garrafa de vinho e dois copos de vinho.

Eu ri. — Mentes brilhantes pensam iguais.

Ele levou a mão para o bolso de trás e tirou algo. Segurando um


abridor de garrafas, ele sorriu. — Onde está seu abridor?

Eu não tinha pensado nisso. Eu ri. — Ok, você venceu.

Nós deixamos meus suprimentos sob as escadas e levamos os de


Ford conosco para nossa caminhada. Ele pegou minha mão na sua e
pareceu tão natural. — Há uma duna a cerca de 400 metros à frente e
não há casas na área.

— Você está planejando que algo aconteça para que precisemos


de privacidade? — Eu bati meu ombro no dele.

— É a nossa última noite juntos. Estou planejando que algo


aconteça pelo menos três vezes.

Ele estava brincando, mas ouvi-lo dizer que era a nossa última
noite juntos me fez sentir ansiosa. Todos os meus medos voltaram
correndo. E se ele tivesse mudado de ideia? Ele foi tão persistente até
recentemente. Ele tinha decidido que uma aventura de verão era tudo o
que ele queria? Meu nervosismo levou o melhor sobre mim enquanto
caminhávamos e fiquei quieta.
Quando chegamos à parte alta das dunas, Ford parou, tirou
alguns galhos do caminho e estendeu o cobertor. Ele abriu o vinho,
serviu dois copos e nos sentamos lado a lado, de frente para o oceano.

Estava uma noite tão serena. A água lavava a costa a quinze


metros de distância e o som era quase hipnótico. A lua iluminava o
oceano, lançando uma larga faixa de luz através da água escura e
cintilante. Nós dois olhamos. Tínhamos acabado de chegar aqui, e eu já
queria que esta noite nunca acabasse.

Com esse pensamento, respirei fundo.

— Val, eu... — Ford falou no mesmo momento exato que eu disse:


— Ford, eu...

Nós dois rimos.

— Você primeiro, — disse ele.

— Não, vá em frente. Realmente, — eu parei. — Eu só ia comentar


sobre como deveríamos ter feito isso no início do verão. Descer para a
praia, quero dizer.

Ford assentiu. Ele pegou um graveto, um pequeno, alguns


centímetros de comprimento, e quebrou-o ao meio, jogando fora parte
dele. Então ele quebrou o pequeno pedaço pela segunda vez e fez o
mesmo.

— Está tudo bem? — Eu me virei da água para encará-lo,


inclinando a cabeça.

— Sim. Estou cansado da minha viagem.

— Oh. OK.

Ele se virou para mim e passou um tempo apenas estudando meu


rosto. Finalmente, ele afastou uma mecha de cabelo do meu ombro e
começou a falar. — Este verão tem sido incrível. Quando nos
conhecemos, você estava procurando por você mesma. Mas algo
aconteceu nos últimos meses. Você parou de tentar encontrar a pessoa
que era e deixou-se ser quem você é agora. — Ele engoliu em seco. —
Eu nunca vou esquecer este verão.

Isso soou muito como um adeus. Um nó na minha garganta


dificultou a fala. — Eu me sinto diferente do que quando cheguei
aqui. Eu não estou mais com raiva do meu ex-marido. Não estou tão
preocupada com o que as pessoas que nem conheço pensam. —
Sorri. — Embora não ache que vou comprar contas anais sozinha no
futuro próximo.

Ele sorriu. — Isso é uma vergonha.

— Mas seriamente. Você está certo. Eu sinto que comecei a


encontrar quem eu sou. E muito disso é por sua causa. Você me fez
parar de olhar para trás, parar de me agarrar aos meus medos, e
apenas ser. Faz muito tempo desde que vivi no momento.

Eu respirei fundo e olhei para baixo, reunindo forças para dizer o


que estive pensando por um tempo. — Sei que eu disse que isso não
poderia ser mais do que uma aventura de verão. Mas foi. Isto é. E não
quero que acabe, Ford.

Nossos olhos se encontraram e eu vi tanta agitação nos dele. Ele


quebrou nosso olhar para olhar o oceano por um longo tempo, e quando
olhou de volta para mim, uma poça de lágrimas tinha se construído em
seus olhos.

Oh meu Deus. Essas não parecem lágrimas de felicidade.

Ele pegou minha mão e a apertou. — Era você quem estava


certa. Eu estava errado. Você precisa viver um pouco e experimentar as
coisas. Estou feliz que tivemos este verão, mas isso é tudo que pode ser.

Parecia que um elefante havia sentado no meu peito. Meu coração


se partiu ao meio como o galho que ele tão facilmente quebrou alguns
momentos atrás. Mesmo que eu soubesse que isso era uma
possibilidade distinta, não estava pronta para o quanto doía.

Eu me abri para isso, e tornou muito mais doloroso ser


rejeitada. Eu não sei como segurei os soluços, mas definitivamente não
conseguia falar. Então eu simplesmente balancei a cabeça.

Ford entendeu que isso significava que eu concordava e me puxou


contra ele para um abraço. Lágrimas silenciosas correram pelo meu
rosto enquanto eu me agarrava a ele. Nós balançamos para frente e
para trás e seguramos firme. O jeito que ele me segurou tão perto, se
não tivesse acabado de dizer o que disse, eu teria pensado que ele
estava me segurando porque não queria que isso acabasse também.

Depois de muito tempo, eu discretamente enxuguei minhas


lágrimas e puxei minha cabeça para trás para olhar para ele. Eu estava
feliz por estar no luar e não na luz do dia, então ele não podia ver a cor
do meu rosto, eu sabia que tinha que estar vermelho e manchado.

— Faça amor comigo, Ford.

Eu queria me perder nele pelo menos mais uma vez. Ele olhou
nos meus olhos, como se para ter certeza de que era o que eu realmente
queria. E nesse momento, me bateu forte. Deus, eu me apaixonei por
ele.

Eu balancei a cabeça, mesmo que ele não tivesse feito uma


pergunta, e sussurrei: — Por favor.

Sempre muito lentamente, Ford envolveu suas mãos em volta do


meu rosto e começou a me beijar. Eu derramei tudo o que estava
sentindo da minha boca para a dele, tristeza, saudade,
amor, desejo. Eu queria lhe mostrar com meu toque como me sentia por
ele, porque sabia que nunca teria a chance de dizer as palavras agora.

O beijo foi tão apaixonado e terno, e meu coração batia muito


rápido no meu peito. Quando ele me guiou para me deitar no cobertor,
nossos lábios se separaram e nos encaramos. Parecia... eu não sei...
monumental de alguma forma. Como se minha vida fosse mudar depois
desta noite de alguma maneira importante, e eu não tinha mais certeza
se era para melhor.

Mas eu precisava dele dentro de mim. Eu precisava sentir a


conexão uma última vez. Estendendo a mão, envolvi seu pescoço e
puxei seus lábios de volta para os meus. A sensação de seu peso em
cima de mim era quase esmagadora, mas era exatamente o que eu
precisava.

Ford foi devagar, beijando meu pescoço e minha clavícula. Ele


beijou ao longo do meu queixo e até o meu ouvido. — Você é
incrivelmente linda, Valentina. Eu vou me lembrar deste verão para
sempre.

Eu nunca fiquei tão perdida em um momento. Não ouvi mais


nada, não vi mais nada, apenas o senti. De alguma forma, nós tiramos
nossas roupas e então ele estava na minha entrada, mais uma vez
olhando para mim.

Ele empurrou para dentro com uma ternura que fez minhas
lágrimas começarem a fluir mais uma vez. Ele me beijou novamente no
momento certo. Nós sempre estivemos conectados, mas desta vez era
diferente, parecia que nossas mentes, corpos e almas estavam
alinhados quando ele começou a entrar e sair de mim. Nada jamais se
sentiu tão incrível. Eu ouvi as pessoas dizerem que quando faziam
amor, elas se tornaram uma, até o momento, eu nunca tinha
experimentado isso. Mas nós éramos um, conectados de todas as
formas possíveis, mesmo que apenas por breves momentos. Foi uma
experiência dolorosa e mágica.

Eu envolvi meus braços e pernas ao redor dele e o segurei com


unhas e dentes. Embora eu sentisse o meu orgasmo crescendo, não
poderia ter me preparado para a intensidade quando isso aconteceu. De
abalar a terra. Ou talvez não fosse tanto a terra se partindo em
pedaços, mas meu próprio coração dentro do meu peito. Eu gritei,
deixando o nome de Ford sair dos meus lábios como um hino. Ele ficou
tenso e gemeu na minha boca quando gozou dentro de mim.

Ficamos arfando por um longo tempo, a cabeça dele pendurada


no meu ombro com o rosto no cobertor.

Quando ele finalmente levantou, sua voz estava rouca. — Vou


sentir saudades de você.

Eu não podia devolver o sentimento porque estava com muito


medo de que, se abrisse a boca, chorasse descontroladamente e uma
afirmação de amor pudesse vazar.

Então, em vez disso, eu o abracei e pensei comigo mesma...

Eu vou sentir sua falta também. Mais do que você jamais saberá.

Fizemos amor duas vezes mais naquela noite. E a intensidade e a


paixão não diminuíram nem um pouco. Depois da terceira rodada,
minha cabeça descansou em seu peito e ouvi a respiração de Ford se
tornar mais lenta e mais profunda. Ele adormeceu, mas eu não
consegui. Eu queria saborear cada último minuto que nos restava.
27

Ford
Eu não era bom com despedidas.

A última vez que eu tive que dizer algo significativo foi quando
disse adeus aos meus pais. O velório acabara de terminar, e o agente
funerário perguntara se eu queria passar alguns momentos em
particular para me despedir. Minha irmã era muito jovem e esperou do
lado de fora com minha tia enquanto me fechei no quarto com dois
caixões, postos lado a lado.

Embora a maior parte desses dias fosse um borrão, lembro-me de


estar sentado lá sozinho, com muita clareza. O padre disse algo que me
marcou: Despedidas não são para sempre e não são o fim; são apenas
até nos encontrarmos novamente.

Talvez eu só precisasse acreditar que era verdade naquele dia,


mas aquelas palavras me deram a força para sair daquele quarto sem
realmente sentir como se fosse a última vez que eu os veria.

Hoje me senti assim. Eu sabia em meu coração que deixar


Valentina ir era o que eu tinha que fazer, mas isso não tornava nada
mais fácil. Especialmente desde que tinha certeza que se não tivesse
causado uma ruptura limpa na noite passada, ela teria tentado
continuar as coisas.

Isso tornou muito mais difícil. Matou-me saber que ela estava
sofrendo, e me doeu ser a causa disso. Mas eu também sabia em meu
coração que tinha que ser assim. Ela precisava desse tempo. Ela disse
isso o tempo todo, e eu fui egoísta demais para acreditar. Acho que
tenho que agradecer ao querido papai por me fazer ver as realidades de
um relacionamento.

Era muito irônico pensar nisso agora.

Eu carreguei as malas da minha irmã para o carro. De alguma


forma, ela chegou com duas malas e agora, oito semanas depois, tinha
quatro, além de algumas ilustrações que ela queria que eu enviasse
para a faculdade. Seu voo era daqui a sete horas. Mas ela precisava
passar no meu apartamento para pegar algumas coisas que tinha
deixado para trás e depois tinha que estar no aeroporto duas horas
antes da partida. O tráfego nessa época do ano podia ser de três horas,
ou mesmo cinco, de Montauk a Manhattan, de modo que sete horas não
dava realmente muito espaço.

Minha irmã jogou uma mochila no banco do passageiro do meu


carro. — Eu vou à casa ao lado me despedir de Valentina. Você quer
vir? — Ela disse.

Pular a despedida e levá-la para casa comigo é uma opção em vez


disso? Eu balancei a cabeça. — Vá em frente. Eu tenho que pegar
algumas coisas da casa ainda. Passarei lá em um minuto.

Bella foi até a casa ao lado e eu me sentei no sofá. Eu estava


acordado desde que voltamos para casa ao amanhecer, então toda a
minha merda estava embalada e já no carro. Eu olhei ao redor da sala
de estar. Tudo estava no lugar, como quando chegamos, no começo do
verão. No entanto, nada era o mesmo. Eu apoiei meus cotovelos nos
meus joelhos e minha cabeça caiu em minhas mãos. Minha mente girou
a maior parte da semana, mas esta manhã estava pior. Eu me senti
tonto enquanto ia e vinha, debatendo comigo mesmo sem parar.

Talvez isso não tenha que ser o fim? Talvez ambos estaríamos
aqui no próximo verão?

Despedidas não são para sempre e não são o fim; são apenas até
nos encontrarmos novamente.
Ou talvez eu estivesse me enganando só para facilitar o dia de
hoje, como fiz no funeral.

Uma parte minha queria propor a mesma época no próximo ano,


se ambos estivéssemos solteiros? Mas isso não seria justo. Eu sabia que
Val se importava comigo, tinha sentimentos por mim. Ela precisava
estar livre para experimentar e descobrir o que realmente
queria. Mesmo que esse pensamento me fizesse querer dar um soco na
parede, ela precisava namorar. Então eu não poderia propor a mesma
época no próximo ano. Mas isso não poderia me impedir de pensar
nisso. Quando você ama alguém, é mais fácil continuar dia após dia, se
realmente acredita que não acabou.

Jesus Cristo.

Quando você ama alguém…

Eu a amava?

Pensei sobre o jeito que poderia ficar a olhando por horas


enquanto ela dormia. Como me sentia mais calmo e menos estressado
do que em anos. Como não tinha interesse em outras mulheres. Como
ela era a primeira pessoa para quem eu queria ligar quando algo de
bom ou ruim acontecia.

Eu puxei meu cabelo.

Porra.

Quando diabos isso aconteceu?

Uma batida na porta da frente me arrancou da minha festa de


piedade. Val sorriu tristemente do outro lado antes de entrar.

— Bella foi à cidade para comprar guloseimas para o longo dia de


viagem. Ryan ia tomar café da manhã, então eles foram juntos. — Ela
olhou ao redor da sala vazia. — Parece que você está pronto para partir.

Eu balancei a cabeça.
Ela veio e sentou-se ao meu lado no sofá. Seu rosto estava livre de
maquiagem, e parecia que ela estava um pouco inchada de
chorar. Embora tivéssemos ficado acordados a noite toda, então poderia
ser isso também.

Eu coloquei meu braço em volta do ombro dela e puxei-a para


mim. Eu não tinha forças para olhar diretamente para ela e fazer isso.

— Eu sou péssimo em despedidas, Val. — Eu balancei a cabeça e


olhei para baixo.

Sua voz era suave. — Eu também.

Ficamos calados por um bom tempo. Eu não queria sair por


aquela porta sem deixá-la saber o que ela significava para mim, mas
também precisava ter certeza de cortar as amarras. A cidade ficava a
apenas alguns minutos de distância, então não demoraria muito para
Bella e Ryan voltarem.

Vasculhei meu cérebro para encontrar as palavras certas, mas


depois percebi que não precisava descobrir como resumir tudo o que
estava sentindo. Uma mulher sábia já fizera isso por mim.

Eu me virei e segurei sua bochecha, permitindo que meu polegar


acariciasse sua pele macia uma última vez. — Há algum tempo você me
perguntou se era possível ter os sentimentos certos na hora errada. Eu
não entendi como isso era possível. Mas agora entendo.

Uma lágrima vazou de um olho. Mas então ela levantou o queixo,


engoliu e forçou um sorriso através de sua tristeza. E Deus, sua força
me fez me apaixonar um pouco mais. Eu ouvi o barulho do cascalho ao
lado e a puxei contra mim para um último beijo.

Nós olhamos nos olhos um do outro até que Bella abriu a porta
da frente. — Você está pronto para ir, irmão mais velho dor-na-bunda?
Ela estava completamente alheia ao que tinha interrompido. Dei
uma última e longa olhada no rosto de Valentina e assenti. — Acho que
sim.

Val e eu levantamos. — Cuide-se, Val.

— Você também, Ford.

Valentina saiu primeiro, depois Bella, depois eu. No momento em


que fechei a casa, Bella já estava no banco do passageiro. Val estava no
pé da escada, segurando o corrimão. Eu tive que lutar comigo mesmo a
cada passo enquanto descia as escadas e até o carro para não voltar e
agarrá-la, gritar o que ela significava para mim e foda-se deixá-la ir.

Mas eu não estava partindo por mim. Eu estava fazendo isso por
ela, e de alguma forma isso me deu força, embora por pouco.

Eu liguei o carro e olhei por trás do volante uma última vez antes
de sair da garagem. Nossos olhos se encontraram. Internamente, eu
disse que precisava acreditar que era possível, mas do lado de fora
apenas acenei.

Mesma época no próximo ano, talvez?


28

Ford
Duas semanas se passaram.

Eu não tive contato com Valentina depois que parti com


Bella. Nossa única conexão tinha sido Montauk e Match, e o verão
acabou. Embora eu tivesse começado a acompanhar o Match.com uma
ou duas vezes por dia, checando se o perfil dela tinha mudado para
ativo. Logicamente, entendi que não tinha lutado por ela porque ela
precisava ver outras pessoas, então o perfil dela deveria mudar para
ativo. Mas ia partir meu coração em dois quando isso acontecesse.

De uma maneira fodida, eu queria que isso acontecesse. Eu


queria a dor, queria saber que ela seguiu em frente. Talvez estar com
ciúmes e chateado tornasse mais fácil para mim fazer exatamente isso.

Hoje à noite fiz planos com Logan, mesmo que não estivesse com
vontade de sair. Ele me encheu o saco por eu ter desaparecido durante
todo o verão até que concordei em lhe encontrar para beber. Eu
imaginei que uma bebida não me mataria. Ficamos sentados no bar
durante duas horas. Eu intencionalmente escolhi um lugar que sabia
que não era um ponto de conexão. Eu não estava com vontade de
passar a noite conversando com um monte de mulheres mas quais não
tinha interesse.

Mas eu acho que não funcionou muito bem.

— Esses assentos estão ocupados? — Disse uma loira alta.

Eu olhei ao redor do bar. Havia muitos outros lugares


abertos. Mas Logan se adiantou na resposta.
Ele puxou o banquinho ao lado dele. — Nós estávamos os
guardando, só esperando vocês duas chegarem aqui.

Eu revirei meus olhos.

As mulheres riram.

— Eu sou Gianna, — disse a loira. Ela usava uma camisa


vermelha decotada e seus seios saltavam.

— Eu sou Amber. — A morena me ofereceu sua mão.

— Logan Flint. — Ele pegou a mão de Gianna e levou-a aos lábios.

Ninguém flertava mais do que Logan. Ele não sabia como desligar
isso. Ele conseguia uma foda ou um tapa, era cinquenta/cinquenta,
com chances de se dar bem.

— Ford. — Eu balancei a cabeça e apertei a mão da Barbie


Número Um.

Eu poderia não estar no clima de companhia, mas não havia nada


de errado com a minha visão. Ambas eram bonitas. Sexy, na
verdade. Embora, me visse comparando-as com Valentina.

Val tinha uma beleza natural, uma aparência de garota da casa


ao lado que permitia ver quem ela era imediatamente. A maioria das
mulheres usava máscaras. Eu nunca entendi porque elas usavam tanta
maquiagem, especialmente quando eram jovens. Elas pintavam seus
rostos inteiros, sobrancelhas, pálpebras, maçãs do rosto, nariz, lábios,
até que sua pele parecesse artificial. Elas achavam que isso escondia
suas falhas, mas para mim isso escondia sua beleza.

Logan chamou o barman e disse-lhe para colocar o que as


senhoras estavam bebendo em sua conta. Enquanto elas estavam
pedindo, ele se inclinou para mim. — Eu fico com a loira.

— Você pode ficar com ambas, amigo.


Ele olhou para mim como se eu tivesse duas cabeças. Por mais
fodido que fosse, parecia errado estar falando com mulheres em um
bar.

Eu era solteiro e não tinha falado com Valentina em duas


semanas, mas meu coração parecia estar trapaceando. Eu tive que me
forçar a ficar e terminar a minha cerveja enquanto conversava. Apesar
do meu humor, as mulheres se mostraram muito legais. Eu as julgara
porque elas se importavam com suas aparências e se aproximavam de
homens em um bar. Mas Amber acabou sendo advogada e Gianna era
professora. Eu me vi perguntando a Gianna sobre seu trabalho, o que
ela achava de seu primeiro ano ensinando e que horas saía à tarde.

Basicamente, eu estava desesperado para saber como Valentina


estava aproveitando suas primeiras semanas e usei essa mulher como
substituta.

O bar ficou mais cheio, e eles ligaram a música, o que dificultou a


conversa.

Gianna levou uma mão ao ouvido. — Vocês gostariam de sair


daqui? Eu moro a alguns quarteirões de distância e está tão
barulhento.

Logan deu um salto na oferta. — Absolutamente. — Ele levantou


a mão para o barman para fechar a conta. Eu poderia estar
substituindo Gianna por Val em uma conversa sobre o ensino, mas não
havia como substituí-la em qualquer outra coisa.

Eu me inclinei para Gianna para que ela pudesse me ouvir. —


Obrigado pela oferta. Mas eu trabalho cedo amanhã, então vou para
casa.

Ela fez beicinho. — Tem certeza? Talvez apenas uma bebida?


— Sim. Tenho certeza. — Levantei e enfiei a mão no bolso para
tirar minha carteira. Deixando cair uma nota de cem no bar, me virei
para Logan: — Eu vou para casa, amigo.

Suas sobrancelhas franziram. — O quê? Por quê?

— Eu tenho uma reunião logo pela manhã.

— E daí? Você é o chefe. Adie para a tarde.

— Não posso, — eu disse.

Porém, isso não era exatamente verdade. Eu poderia atrasar


minha reunião de marketing matinal se quisesse. Eu simplesmente não
queria. Provavelmente era contra o código dos manos escapar como
parceiro de Logan, mas eu estava confiante de que ele ainda iria para
casa com as duas.

Logan tentou se opor. Mas eu já havia me despedido das


senhoras. Eu bati nas costas do meu amigo. — Falo com você mais
tarde.

Ele balançou a cabeça e murmurou, então só eu pude ouvi-lo. —


Você é louco.

Sim, louco por uma mulher que talvez veja no próximo ano.

***

Eu peguei o caminho mais longo para casa.

Não era o caminho mais rápido, mas ficava a apenas sete quadras
fora do meu caminho. Logan e eu nos encontramos em um bar na
cidade, não muito longe do restaurante de Eve. Se eu andasse dois
quarteirões para o norte e cinco quarteirões para leste, poderia pegar o
trem R, e isso me deixaria a um quarteirão do meu prédio. E daí, se
passei pelo trem N cinco quadras atrás e esse me deixava mais
perto? Eu ainda estava, tecnicamente, a caminho de casa.

Eu disse a mim mesmo que iria passar, não parar e


definitivamente não entrar. Com essa estratégia, eu nem sabia ao certo
qual diabos era o ponto; no entanto, fui compelido a pelo menos passar.

Infelizmente, apesar de ter diminuído a velocidade a um passo de


caracol um prédio antes do restaurante, quando passei pelo bistrô de
Eve, a única coisa que consegui foi dar mais doze passos. Ninguém
entrou ou saiu, e Eve não estava à vista. Murcho, embora não soubesse
o que eu esperava que acontecesse, continuei andando. Mas quando
cheguei ao canto, minha mente começou a girar.

É sexta á noite. Não seria fora do comum para Val jantar no


restaurante de sua amiga.

Ela pode estar lá dentro.

Talvez eu pudesse apenas olhar pela janela e ver.

Sim, vou voltar e dar uma olhada rápida.

Virando-me, comecei a voltar para o restaurante.

Porra. O que eu estou fazendo?

E se Val estiver lá com um encontro?

E se eles saírem pela porta rindo e sorrindo quando eu passar?

Eu acho que estou enlouquecendo.

Resmunguei para mim mesmo, mas diminuí a velocidade quando


cheguei novamente à porta do restaurante. Quando estava quase no
outro extremo das longas janelas, tentei parecer casual. Parando,
peguei meu telefone e mexi nele. Minhas costas estavam para a janela,
então me virei para olhar para dentro. Só que havia muito brilho, e tudo
que pude ver foi meu reflexo. Deixei escapar um suspiro de frustração,
enfiei meu celular no bolso e me virei para ir embora mais uma vez.

Mas só dei três passos.

— Foda-se isso, — eu gemi. Eu tinha que saber. Voltando para a


janela mais uma vez, coloquei minhas mãos em concha para olhar para
dentro, meu nariz pressionado contra o vidro. Eu podia ver por dentro
agora, mas não havia muita coisa acontecendo. Algumas mesas
estavam ocupadas, mas o restaurante estava meio vazio, o que,
suponho, fazia sentido, já que era bem tarde. Eu examinei o ambiente,
observando cada mesa. Em um ponto, vi um flash de cabelo escuro e
encaracolado, e por meio segundo fiquei animado... no entanto, acabou
não sendo ela.

Meus ombros caíram. Eu estava olhando o salão e não


diretamente para minha frente, então uma batida no vidro me
assustou. Eu finalmente olhei para o casal sentado literalmente bem do
outro lado de onde meu rosto estava pressionado. O cara levantou as
mãos no gesto universal que porra você está fazendo. Merda.

Acenei um pedido de desculpas e parti.

Perfeito. Agora eu não estou apenas controlando sua conta no


Match, Instagram e Facebook. Estou me transformando em um stalker
absoluto. Eu precisava ir para casa.

***

Pelo menos um relacionamento do Match.com funcionou.

Algumas semanas depois, sentei-me na sala de conferências com


minha equipe de marketing passando pelos dois primeiros meses de
resultados de nossa campanha publicitária. Acabou sendo o melhor
retorno monetário que já tivemos, mais bem-sucedido que outdoors,
anúncios de jornal e publicidade em revistas de imóveis comerciais.

A equipe de marketing criou alguns novos anúncios para


veiculação, quatro anúncios em vídeo, cada um segmentando um grupo
demográfico diferente. Até agora, só tínhamos usado gráficos
estáticos. Cada vídeo de vinte segundos apresentava um casal diferente
que se conhecera no Match.com e também usava espaço de escritório
compartilhado. Aparentemente, as pessoas comiam aquelas vinhetas
curtas em que o casal feliz conta sua história de amor de merda, então
as taxas de cliques são altas.

Embora hoje eu os odiasse. Danem-se estas pessoas felizes


quando tenho que ser miserável.

Os anúncios foram filmados em nossos escritórios e os casais


mencionavam porque adoravam usar nosso espaço de trabalho
compartilhado. Parecia mais histórias de sucesso do Match.com do que
publicidade, mas imaginei que esse era o ponto. Consegui aguentar
dois, ansioso para terminar com os casais felizes projetados na tela
branca.

O terceiro casal apareceu na tela, e uma mulher que


provavelmente tinha trinta e poucos anos disse: — Meus pais são
divorciados. Eu sou divorciada. Ron foi a primeira pessoa que conheci
no Match.com.

Ron entrou, sorrindo para ela. — Nós nos demos bem,


mas ela não queria um relacionamento.

A câmera se aproximou do joelho do homem, onde a mulher


estava com a mão. — Eu saí com um monte de homens porque parecia
que deveria. — Ela encolheu os ombros. — Mas continuei pensando em
Ron.

O cara riu. — Ela estava em negação, mas eu soube


imediatamente.
A câmera se aproximou de seus rostos e eles olharam nos olhos
um do outro. Depois baixou para a barriga, a barriga de grávida, e a
mão, adornada com uma aliança, esfregou o estômago. — Às vezes você
só tem que dar uma chance.

O vídeo mudou para a forma como ele também arriscou e


começou seu próprio negócio e precisava de um espaço de escritório
impressionante sem o compromisso e o preço. Mas eu parei de ouvir.

Eu me levantei abruptamente antes que eles pudessem mostrar o


último vídeo. — Bom trabalho. Avance com isso.

Eu vi a confusão nos rostos da minha equipe enquanto ia em


direção à porta. Eles se entreolharam, silenciosamente perguntando o
que diabos havia de errado comigo. Eu simplesmente não dava a
mínima.

Mais tarde naquela noite, meu telefone do escritório tocou. O


identificador de chamadas dizia que era Logan. Eu não sentia vontade
de conversar, mas ele ligou para o meu celular mais cedo, então pensei
em me certificar que tudo estava bem. Jogando minha caneta na mesa,
recostei-me na cadeira.

Ele começou a falar antes mesmo de dizer olá. — Lembra-se das


gêmeas de Chi Omega? As ginastas que tinham aqueles lábios
suculentos?

Eu balancei a cabeça. — Jenna e Justine. Jenna era uma


empresária e Justine pré-med.

— Tanto faz. Eu as vi no elevador do meu prédio hoje no


trabalho. Não as via há alguns anos.

— Como elas estão?

— Elas estão mais gostosas do que nunca. É assim que elas


estão.
— Você está ligando para me dizer que ficou com as duas? Porque
eu realmente não quero ouvir os detalhes.

— Não. Estou ligando para lhe dizer que Jenna perguntou sobre
você. Ela disse que tinha a maior queda por você na faculdade.

— Oh sim? Isso deve ter ferido o seu ego.

— De modo nenhum. Eu pego qualquer uma. Eu ainda não posso


notar a diferença de qualquer maneira. Temos planos com elas na sexta
à noite.

— Nós?

— Sim. Nós quatro.

— Não, obrigado.

— Cara... você sabe o quão flexível elas são?

Eu ainda não tinha interesse. Eu esfreguei meus olhos com uma


mão. — Eu não estou disposto a isso.

— Eles vão te ajudar nisso. Vamos. O que você vai fazer? Passar o
próximo ano abstinente, só para dirigir até Montauk com suas
esperanças no Memorial Day e ver o novo namorado de Valerie, de 40
anos de idade, atendendo a porra da porta quando você bater?

Meu queixo flexionou. — É Valentina.

Eu nunca deveria ter lhe contado sobre o que estava acontecendo


comigo, o que aconteceu neste verão. Mas um dia depois que o deixei
sozinho com as duas mulheres que tentaram nos pegar no bar, ele
apareceu no meu escritório para perguntar o que diabos estava
acontecendo. E como um boceta, eu descarreguei meu conto infeliz
nele.

Mas o negócio era que eu conhecia Logan, ele podia ser


implacável e, acredite ou não, estava preocupado comigo. Ele só achava
que essa era a maneira de me fazer sentir melhor. Eu não tinha dúvidas
de que, se dissesse não, ele estaria em meu escritório em algum
momento amanhã. Eu não duvidava mesmo que ele aparecesse com as
gêmeas no meu apartamento na sexta à noite.

— Tudo bem.

— Excelente. — Eu podia ouvir o sorriso em sua voz. — Você não


vai se arrepender, amigo. Estou lhe dizendo que Janna tinha um brilho
nos olhos quando disse seu nome.

— É Jenna.

— Tanto faz. Encontre-nos as sete no Boggs para o jantar.

***

O jantar não foi terrível, principalmente porque parecia que


quatro velhos amigos da faculdade estavam colocando o papo em dia,
em vez de um encontro duplo. Apesar do constante flerte de Logan com
Justine. Na verdade, ele estava flertando com Justine no bar enquanto
esperávamos a nossa mesa. Mas quando estávamos sentados para o
jantar, ele começou a flertar com Jenna também. O idiota ainda não
conseguia distingui-las, embora eu tenha apontado que um estava de
vermelho e a outra de preto.

Depois que terminamos de comer, Logan sugeriu que fôssemos ao


bar do outro lado da rua. Eu o abandonei da última vez, então fui junto,
embora preferisse ir para casa. Em um ponto ele e Justine foram
dançar, deixando Jenna e eu sozinhos conversando.

— Então... você está vendo alguém? — Ela sorveu sua vodka com
framboesa através de um canudo fino vermelho.

Eu tentei esconder minha hesitação. — Não.


— Eu também. Eu tenho estado tão ocupada com o trabalho que
não vou a um encontro há meses. — Ela sorriu e inclinou a cabeça. —
Qual é a sua desculpa?

Eu não queria ser rude, mas também não queria explicar


nada. Por sorte, o barman veio e me salvou de responder.

— Posso trazer mais uma rodada para vocês?

Eu olhei para Jenna.

— Claro, — disse ela. — Eu adoraria outro.

— Só para ela, por favor. Eu estou bem.

O garçom se afastou.

— Você não vai se juntar a mim para outra bebida? — Ela sorriu.

— Eu tenho muito trabalho para fazer de manhã.

— Oh. Ok. — Ela pegou sua bolsa. — Você pode me desculpar por
apenas um minuto? Eu preciso correr até o banheiro feminino.

— Claro. — Eu levantei e esperei que ela saísse de seu assento.

Enquanto ela estava no banheiro feminino, peguei meu telefone e


comecei a rolar pelo e-mail. Nada me chamou a atenção, então abri o
Instagram.

A primeira foto que apareceu foi uma foto na conta de Eve. Nós
nos seguimos durante o verão. Porra. Eu não deveria ter pegado meu
telefone. Parecia que alguém havia me chutado no estômago. Eve e o
marido Tom sorriam de orelha a orelha para a câmera em um dos lados
de uma mesa, e sentados diante deles, parecendo igualmente felizes,
estava Val e um idiota. Como eu sabia que o cara era um
idiota? Simples. Ele estava sentado ao lado da minha garota. A imagem
foi como um acidente de carro ruim. Eu sabia que era estúpido olhar,
mas não conseguia parar. Depois de muito tempo, consegui baixar os
olhos para ler a legenda.

As travessuras estão atrasadas.

Logicamente, eu sabia que tinha zero direito de ficar


chateado. Ela deveria seguir em frente, ir a encontros, experimentar a
vida, essa era a porra da razão pela qual não estávamos juntos. Mas
isso tinha que ser tão fácil para ela?

Eu olhei para o rosto dela novamente. Durante o verão, aprendi


seus sorrisos, o nervoso, o falso que ela dava quando estava tentando
ser educada, e o verdadeiro que ela me dava com muita frequência. E
esse, esse era o verdadeiro. Eu queria jogar meu telefone do outro lado
da sala da pior maneira.

Mas como eu sou um glutão por castigo, cliquei do Instagram


para o Match.com. Eu só tinha que digitar V e o nome dela preenchia
automaticamente, provavelmente porque eu tinha verificado muitas
vezes. Seu perfil apareceu na minha tela e fiquei sem fôlego. O status do
perfil de Val havia sido alterado em algum momento nas últimas vinte e
quatro horas, de Inativo para Ativo.

Porra.

Porra.

Porra.

Eu deixei tudo para o destino, e parecia que o destino tinha me


fodido.

Jenna voltou do banheiro enquanto eu ainda estava olhando para


o meu celular.

— Você sentiu minha falta? — Ela bateu os cílios, e seus lábios


recém-pintados brilharam.
Eu deveria sair daqui com ela. Se Val pôde seguir em frente tão
facilmente, eu também poderia.

Mas... Deus, eu era um boceta.

Eu parei e enfiei a mão no bolso por dinheiro. Jogando o


suficiente no bar para cobrir três vezes o que tínhamos bebido, olhei
para Jenna e levantei meu telefone. — Eu sinto muito. Algo surgiu. Eu
preciso correr.

— Ah não. Está tudo bem?

— Sim. Não, sim. Eu só... preciso encerrar a noite. Eu realmente


sinto muito. Foi bom ver você, Jenna.

— Você quer o meu número?

Eu não queria insultá-la mais do que já tinha não ligando. — Eu


fui honesto mais cedo quando disse que não estava vendo
ninguém. Mas eu conheci alguém neste verão, e ainda não a esqueci.

Jenna sorriu tristemente. — Garota de sorte. — Ela abriu a bolsa


e tirou algo de dentro. Entregando-me um cartão de visita, ela disse: —
Se você quiser ajuda para superá-la, me ligue. Muitos homens não
teriam admitido o que você acabou de fazer, e eu realmente aprecio
isso. Eu gosto de você. Não precisa ser mais do que é. Ligue se quiser
apenas uma companhia para a noite.

Eu me inclinei e beijei sua bochecha, pegando o cartão de sua


mão. — Obrigado, Jenna. Se cuide.
29

Valentina
— Então... algum homem interessante no trabalho? — Eve serviu
vinho em seu copo, mas coloquei a mão sobre o meu, impedindo-a de
reabastecer.

— Você me perguntou isso há uma semana quando fomos


almoçar.

— Eu sei. Mas você estava amuada ainda. Eu estava esperando


que tivesse notado uma vez que começou a sorrir novamente. E por que
você não quer mais vinho?

Dei de ombros. — O sorriso ainda é falso. Estou ficando boa


nisso. E eu não quero mais vinho porque me sinto pior depois de ter
bebido demais.

Esta era a noite de cinema. Eve e eu não tivemos nossa reunião


mensal regular em um tempo. Primeiro eu estive em Montauk durante
todo o verão e, quando finalmente voltei para casa, tive uma tonelada de
coisas acontecendo nas primeiras semanas de trabalho. Entre a noite
de escola aberta, a preparação de planos de aula e a acomodação em
casa, a única coisa que eu parecia ter tempo de fazer era beicinho.

Era a minha vez de escolher o filme, então aluguei um piegas


drama triste sobre um cachorro morrendo.

— Minha mãe costumava ter um ditado. A dor nos torna forte. As


lágrimas nos fazem valentes. Um coração partido nos faz sábios. Mas o
vinho nos faz esquecer toda essa porcaria.
Eu tentei me livrar do sentimento pesado de melancolia, mas
simplesmente não conseguia passar por isso, não importa o quanto
tentasse.

— Quando Ryan e eu nos separamos, me senti perdida. Não sabia


como ser apenas eu quando fomos um casal por tanto tempo. Mas,
pensando bem, nunca desejei Ryan como homem. Eu ansiava pelo
conforto de quem nós éramos. Era quase como ter parado de fumar,
você sabe que não é bom para você... mas quando para, sente como se
estivesse perdendo uma grande parte da sua vida. É difícil superar o
hábito. É diferente com Ford. Sinto falta dele… Não uma rotina ou um
acoplamento. Sinto falta de estar sentada conversando às duas da
manhã. Sinto falta do jeito que ele olhava para mim, como se eu fosse
algo especial, do jeito que ele segurava minhas bochechas antes de me
beijar. O jeito que ele me fazia rir. Quando estávamos juntos, tudo
parecia super fácil e natural, e ele me fez sentir... eu não sei...
segura. Mesmo que eu tivesse sido traída e ferida, senti que podia
confiar nele. Sabe?

A faísca esperançosa nos olhos de Eve se dissipou. — Você está


realmente apaixonada por ele.

Eu balancei a cabeça. — Eu nem sei quando isso aconteceu. Um


minuto eu estava cuidando da minha própria vida e sobrevivendo a
cada dia, e no seguinte eu mal podia esperar para acordar de
manhã. Eu achei que era seguro me divertir com ele, porque nunca
esperei que fosse mais do que isso. Sabe? Eu só não esperava
que fosse ele.

— Eu entendo. Eu realmente entendo. Eu não esperava que o


amor da minha vida fosse um homem na faixa dos cinquenta anos que
usa um suéter do Mister Rogers10 e vai para a cama às nove horas. Mas

10 Fred McFeely Rogers era uma personalidade da televisão americana, músico,


marionetista, escritor, produtor e ministro presbiteriano. Ele foi o criador, showrunner
e apresentador da série de televisão pré-escolar Mister Rogers 'Neighbourhood, que foi
de 1968 a 2001.
é assim que acontece, com a pessoa mais inesperada, no momento mais
inesperado. Quando olhamos para frente, não conseguimos ver
nada. Mas, de repente, olhamos para trás e sacudimos a cabeça, como
não vimos que isso aconteceria quando o vimos pela primeira vez,
porque de repente está claro como o dia.

Suspirei. — Eu preciso seguir em frente.

— Tem certeza de que é o que você precisa, Val? Talvez você deva
conversar com ele. Talvez haja uma razão pela qual você não pode
seguir em frente. Às vezes você precisa seguir seu instinto e lutar pelo
que parece certo. Ele pode estar se sentindo da mesma maneira.

— Não. Era para ser apenas uma aventura de verão. Eu estou


sendo boba.

— Você não está sendo boba. Você deve ter tempo para lamentar
a perda de alguém de quem tanto gosta. Só não deixe passar dois anos,
como depois do divórcio. OK?

Eu balancei a cabeça. — De qualquer forma, para voltar à sua


pergunta original, há um cara bonito no trabalho. Ele está no meu
departamento. O italiano é sua primeira língua, então ele tem um
sotaque sexy.

Eve tomou um gole de vinho. — Continue. Conte-me mais.

Dei de ombros. — Ele é professor há quinze anos, mas começou


este ano porque se mudou para Nova Jersey de Connecticut. Ele é viúvo
com apenas quarenta anos.

— Uau. Como a esposa dele morreu?

— Não tenho certeza. Ele não disse. Só mencionou que sua


esposa morreu há três anos e ele voltou para Nova York para ficar mais
perto de sua família. Ele tem uma filha adolescente.

— Como é a bunda dele?


Eu ri. — Eu não notei.

— Como ele é?

— Eu não sei. Italiano, pele bronzeada, olhos escuros, cabelos


escuros. Ele é bonito.

— Boa aparência. Assim como meu pai. Ele não é gostoso?

— O que eu posso te dizer? É difícil comparar com o último


homem que vi nu.

— Oh Deus. Querida, você não pode comparar nada com


Ford. Ele é lindo e jovem. Se você deixar isso ser o seu padrão, você vai
morrer uma velha solteirona. Comparação é o ladrão da alegria. Não
faça isso.

— Eu sei. Eu realmente sei. Só vai levar algum tempo. — Eu me


levantei e enchi a tigela de batatas fritas, colocando-a na mesa de café
na frente de Eve. — Mark me ligou na semana passada.

— Oh sim? Eu gostei dele. Ele parecia um cara legal.

— Ele é. Na verdade, conversamos ao telefone por mais de uma


hora. Ele disse que debateu por duas semanas sobre ligar ou não. Mas
ele queria checar e ver se eu estava gostando de dar aulas. Foi muito
bom ouvir dele. Ele tinha algumas histórias bastante engraçadas para
compartilhar sobre suas primeiras semanas. Ele está ensinando em um
bairro difícil no Brooklyn.

— E…

— Ele perguntou como estavam as coisas com Ford e eu. Eu disse


que tinha terminado. Ele sugeriu que nos encontrássemos para colocar
o papo em dia em breve. Mas acho que ele sabe que as coisas entre nós
só serão platônicas.

— Por quê? Você deveria sair com ele. Seguir em frente.


— Oh meu Deus. A última vez que você me empurrou para sair
com alguém, tive meu coração partido.

— Sim, mas você voltou ao jogo. Fazia vinte anos desde que você
passou um tempo com um homem. Na verdade, você nunca passou
tempo com um homem porque naquela época eles eram apenas
garotos. Foi só um verão. Será mais fácil arriscar desta vez do que
depois de um casamento de duas décadas.

Eu não tinha certeza se Eve estava certa sobre isso. — Vou


pensar sobre isso.

Ela sorriu. — Essa é minha garota.

***

— Ei, querida.

Ugh. Ele ouve alguma coisa que eu digo? Eu deveria ter seguido
meu primeiro instinto quando vi o nome do meu ex-marido aparecer no
meu celular.

— Se vamos chamar um ao outro por apelidos, vou usar o meu


preferido depois que você se mudou.

Ele ignorou meu comentário. — Ouça, sobre a casa de verão.

Ótimo. Eu falo com você e lembro-me do meu verão com Ford em


uma única conversa. — O que tem?

— O conserto das estacas vai custar cerca de trinta mil. Mas isso
é apenas para remediar. Precisamos que todas as estacas sejam
substituídas nos próximos cinco a sete anos para repará-la
corretamente, e isso é quase o dobro do preço.
Maravilhoso. E sou responsável por metade disso, de acordo com
nosso acordo de divórcio. — Eu não tenho esse tipo de dinheiro. Você
sabe que acabei de voltar ao trabalho.

— Sim. Eu também não tenho. É por isso que acho que devemos
vender a casa.

— O quê? Não!

— O mercado está em alta agora. Poderíamos receber quase cinco


vezes o que pagamos quinze anos atrás.

— Sim, mas então o quê? Nenhum de nós seria capaz de pagar


por outra.

— Você pode ser capaz de comprar uma casa pequena em direção


ao farol que não fica na praia. Eu realmente nem gosto mais de lá,
então não recompraria.

— Eu amo a nossa casa. Nós não podemos vendê-la.

— Bem, se não fizermos alguma coisa, ela cairá na água nos


próximos anos. Isso resolverá nosso problema.

Deus, ele realmente sempre foi um idiota. —


Precisamos fazer alguma coisa, pagar pelo conserto.

— Então você vai cobrir os sessenta mil?

— Sessenta? Trinta seria minha metade.

— Eu te disse que não tenho os trinta.

— Mas o nosso acordo de divórcio exige que cada um pague


metade.

— Não posso pagar o que não tenho.

Ryan tinha um bom salário. Embora ele estivesse me pagando


pensão alimentícia, as mensalidades da faculdade e ainda tivesse que
pagar as contas de sua própria casa. Eu queria discutir com ele e dizer
que isso era problema dele, mas na verdade era problema nosso, e se
tornaria meu problema se eu quisesse manter a casa de verão.

— E se hipotecarmos a casa Montauk para pagar o conserto?

— Eu não posso assumir outro pagamento, Val.

— Eu vou pagar. Eu tenho um emprego agora. Você só tem mais


dois anos de pensão. Quando isso acabar, você pode me ajudar a pagar.

— Veja se você consegue hipotecar e falaremos sobre isso. Caso


contrário, acho que não temos escolha a não ser vendê-la.

Ótimo. Tenho certeza de que o banco vai adorar meu histórico de


um mês de emprego.
30

Ford
— Ford? É você?

Merda.

Eu comecei a passar pelo restaurante de Eve praticamente todos


os dias, mas foi a primeira vez em quatro semanas que a encontrei. Eu
tinha passado a porta quando ela abriu e me chamou.

— Oh, ei. Eu estava apenas passando. Eu tenho um compromisso


a alguns quarteirões de distância ou teria parado para dizer
cumprimentá-la. — Sim, certo.

Eve me deu um sorriso suspeito, mas eu não tinha certeza de


qual parte da minha besteira ela não estava comprando. Ela apontou
para o restaurante atrás dela. — Eu estava arrumando as mesas, me
preparando para reservas de jantar, quando vi você passar.

Eu balancei a cabeça e enfiei as mãos nos bolsos. Eu realmente


era um idiota mentiroso. — Como vai?

Ela inclinou a cabeça. — Bem. Ocupada. Você?

— Bem. Tudo bem. — Eu tinha que perguntar. Seria rude não


fazer isso. — Como está Valentina?

Ela pareceu pensar na resposta antes de falar. — Ela está


incrível. Amando seu trabalho. Conheceu um professor
italiano. Voltando ao ritmo normal.
— Um professor italiano? — Aparentemente, eu precisava que ela
soletrasse para mim.

Eve deu de ombros, como se as próximas palavras não me


fizessem sentir como se ela tivesse me chutado nas bolas. — Ela está
indo devagar, é claro. Toda a cena de namoro é nova para ela.

Eu engoli e balancei a cabeça, mas minha expressão passou de


uma besteira feliz para ferida. — Eu tenho que correr.

— Claro. — Eve sorriu como se tivesse gostado de desferir o


golpe. — Sua reunião aqui perto. Eu acho que você tem muitas
dessas. Você deve chegar a ela. Cuide-se, Ford.

A noite inteira e na manhã seguinte, me senti inútil. Sentei em


uma reunião e li alguns e-mails, mas não podia dizer sobre o que
diabos eram. Felizmente, era sexta-feira. Saí do meu escritório às duas
horas.

Minha assistente olhou para cima. — Almoço mais tarde hoje?

Eu balancei a cabeça. — Vou dar uma passada na propriedade da


cidade de Long Island, só para checar. Não voltarei. Se você precisar de
mim, pode ligar para o meu celular.

— OK. Tenha um ótimo fim de semana.

— Sim. Você também, Esmée.

Vim a pé para o trabalho, mas deixei meu carro estacionado em


uma garagem a poucos quarteirões do escritório. Como ainda era cedo,
consegui andar pela cidade e chegar à garagem em menos de meia
hora. Minha mente estava presa repetindo tudo sobre Valentina uma e
outra vez... desde o tempo que passamos juntos até o que Eve tinha dito
na noite passada. A única coisa boa foi que lamentar por mim mesmo
sobre o que eu tinha perdido me impedia de pensar em meu pai e em
todas as merdas que tinham acontecido em Chicago.
Era um dia lindo e quente, não teríamos muitos desses agora que
eram quase meados de outubro. Então decidi sair da Via Expressa na
próxima saída e estacionar para baixar a capota do meu carro. Um
pouco de ar fresco poderia ajudar a clarear minha mente na meia hora
de carro. Mas quando a capota do meu carro baixou, em vez do céu
azul, tudo que vi foi um outdoor.

Um anúncio gigante do Match.com que deveria ter quase três


andares de altura.

Eu ri ironicamente e balancei a cabeça. Esqueça o destino,


leia. Tome seu futuro em suas próprias mãos. Participe do Match.com
hoje. Ela está esperando por você.

O universo está realmente fodendo comigo hoje.

— Sim, — eu resmunguei. — Ela não está esperando por mim.

Respirei fundo, liguei o carro e o rádio, só para que a música


terminasse e uma nova começasse. Uma dos Backstreet Boys. Inclinei-
me para desligar, mas não consegui pressionar o maldito botão.

Esquecer o destino? Era muito difícil quando ele estava ocupado


jogando merda na sua cara.

***

Via expressa este de Long Island - Manhattan.

A grande e verde sinalização à frente mostrava uma seta


apontando para as duas pistas da esquerda. O sinal ao lado tinha uma
seta apontando para a direita.

Via expressa leste de Long Island - Long Island leste.


Onde a casa ficava. No entanto, quando cheguei à bifurcação na
estrada, no último segundo virei o carro para a direita e segui em
direção ao leste.

Por quê? Eu não tinha a mínima ideia. Parecia que eu precisava ir


para Montauk, por algum motivo. Talvez eu precisasse clarear a minha
cabeça... não tinha certeza. No entanto, ir ao lugar que me lembrava
dos meus pais fingindo um casamento feliz e a mulher que eu amava
que tinha começado a namorar outro homem, provavelmente não era o
melhor lugar para encontrar clareza.

Mas quando cheguei à estrada, não havia como voltar atrás. Por
alguma razão, era onde eu precisava estar hoje.

O tráfego de outono não estava tão ruim, e eu desci a Old


Montauk Highway assim que o sol começou a se por. Eu ainda tinha a
capota abaixada e a temperatura do ar parecia ter caído vinte graus
entre a perda da luz do dia e a brisa que soprava do oceano. Montauk
era uma cidade fantasma nessa época do ano. A maioria das garagens
estava vazia quando passei, incluindo a que ficava ao lado da minha,
não que eu esperasse encontrar alguém. Eu entrei em nossas calçadas
adjacentes, o som de cascalho esmagado sob meus pneus me
lembrando muito do verão.

Sem mala, nem sacolas, estacionei e respirei fundo o ar fresco


antes de sair. Fechando meus olhos, senti o cheiro do oceano e do
verão. Talvez isso realmente fosse o que eu precisava para me sentir
melhor.

Porém, esse pensamento fugaz não durou muito. Na verdade,


desapareceu no momento em que abri os olhos e comecei a sair do
carro.

Que porra é essa?

Essa merda é real?


Como não percebi isso quando entrei na garagem?

Eu tinha vindo aqui em busca de algo, talvez um sinal de que era


hora de seguir em frente. Mas o que eu não esperava era que esse sinal
fosse literal.

Cumprimentando-me do gramado ao lado estava isso.

Sotheby's11

À venda

Exclusividade na venda

***

Eu me sentia como se estivesse sentado na casa de outra pessoa,


como se tivesse entrado em um Airbnb12 que aluguei para o fim de
semana, em vez do deck dos fundos de um lugar onde me senti
praticamente em casa toda a minha vida. Era fodido sentir que não
pertencia mais aqui quando este verão parecia o único lugar ao qual
pertencia. Que diferença em um curto período de tempo.

Eu pensei em ir para a cidade e pegar uma garrafa de, bem,


qualquer coisa, para esquecer a placa do lado de fora. Mas tinha vindo
até aqui por clareza, e afogar minhas tristezas só tornaria as coisas
mais borradas.

Então, em vez disso, sentei-me no deck e terminei de ver o sol se


pôr. Eu olhei para o deck vazio ao lado e, em seguida, de volta para o

11 A Sotheby's é uma corporação multinacional americana fundada no Reino Unido,


com sede na cidade de Nova York. Uma das maiores corretoras de arte fina e
decorativa, joias, imóveis e colecionáveis do mundo, a operação da Sotheby's está
dividida em três segmentos: leilão, finanças e revendedor.
12 O Airbnb, Inc. é um mercado on-line para organizar ou oferecer hospedagem,

principalmente casas de família ou experiências de turismo. A empresa não possui


nenhuma lista de imóveis, nem realiza eventos; atua como corretor, recebendo
comissões de cada reserva.
local onde nós dançamos pela primeira vez a sua música favorita. Ela
cheirava tão bem naquele dia. Eu respirei fundo e fechei meus
olhos. Eu poderia estar louco, mas realmente podia sentir o cheiro dela,
vê-la rindo enquanto a tomava em meus braços, sentir o jeito que seu
corpo macio se sentia pressionado contra o meu. Isso era o que parecia
estar em casa agora. Sem ela, tudo parecia vazio. Não era a casa ou o
lugar, era eu, por dentro.

Eu abri meus olhos, e a coisa mais fodida aconteceu. Bem onde


me imaginei dançando com Valentina, vi meus pais dançando, da
mesma forma que eles costumavam dançar. Minha mãe usava aquele
vestido branco esvoaçante que costumava colocar depois que saía do
banho, e meu pai vestia calções de banho azul-marinho. Eles pareciam
tão felizes. Que farsa.

Eu sentei do lado de fora, vendo coisas que não estavam


realmente lá por um longo tempo, até que estava tão escuro que não
podia mais ver o deck ao lado. Então eu entrei. Pensei em passar a
noite aqui, já que estava tarde. A equipe de limpeza do final da
temporada havia desfeito todas as camas, então fui até o quarto dos
meus pais, onde as mantas sobressalentes eram guardadas e planejei
simplesmente dormir no sofá. Mas quando puxei um cobertor para
baixo, algo caiu junto com ele, direto no chão e quebrou se espalhando
por toda parte.

Os jarros Mason dos meus pais.

Um deles, de qualquer maneira. O outro eu vi enfiado na parte de


trás do armário atrás do resto dos cobertores.

Ótimo. Só o que eu precisava. Vidro quebrado para limpar e mais


lembranças de uma vida que foi construída sobre uma mentira.

Fui ao armário da cozinha pegar a vassoura e a pá e voltei ao


quarto para varrer o vidro. Deus sabe por que, mas peguei as pequenas
tiras de papel dobradas da pilha de vidro e as coloquei na cômoda ao
lado. Sem olhar para elas, eu nem sabia ao certo de quem eram, da
minha mãe ou do meu pai.

Depois que terminei a limpeza, peguei os papéis e abri a gaveta de


cima para colocá-los lá por enquanto.

Mas quando fui fechar a gaveta, não consegui.

Peguei uma das pequenas tiras e olhei para ela na minha


mão. Parecia uma invasão de privacidade lê-las, mas também parecia
que eu estava aqui por uma razão e talvez isso fosse parte disso. O
destino esteve me atraindo para este lugar o dia todo, então por que
parar agora. Com cautela, eu lentamente desdobrei o primeiro e li.

Porque eu disse que você estava monopolizando o lençol à noite


ultimamente, e hoje você fez a cama com dois lençóis para que
pudéssemos cada um ter um.

Eu sorri. Parecia algo que minha mãe faria com


certeza. Aparentemente, peguei o pote do meu pai. Isso fez com que
parecesse um pouco menos intrusivo, ou dava a mínima por invadir sua
privacidade menos ainda. Peguei outro da gaveta e desdobrei.

Porque você nadou com Annabella por uma hora esta tarde,
quando tudo o que realmente queria fazer era sentar na praia e ler o seu
livro.

Isso foi legal. Embora não me fizesse menos irritado com o que ele
tinha feito.

Porque quando fui ao banheiro me preparar para a cama, você já


havia colocado a pasta de dente na minha escova de dente para mim.

Eu continuei lendo.

Porque você dirigiu todo o caminho até os Hamptons para comprar


o livro que eu estava morrendo de vontade de ler no dia em que foi
lançado e me surpreendeu.
Comecei a ficar chateado com todas as lembranças de como
minha mãe era boa para o meu pai. Como diabos ele pôde traí-la com
quão atenciosa ela era? Meu queixo apertou enquanto eu continuava a
abrir.

Porque você me perdoou quando eu não merecia perdão.

Eu congelei. Ela sabia? Simplesmente assumi desde que eles


ficaram juntos que ela não tinha ideia. Eu sabia que às vezes os casais
superavam traições, mas tinha que ser uma luta e eu nunca tinha visto
nenhum sinal de tempos difíceis. Do lado de fora, meus pais tinham um
casamento perfeito. Peguei outra tira... ainda havia uma dúzia ou mais.

Porque você assiste The Bachelor só porque eu amo isso, mesmo


que você odeie.

Minhas sobrancelhas franziram. Meu pai odiava esse show, mas


ele sentava com minha mãe enquanto ela assistia a cada semana. Voltei
e reli todos os pedaços de papel que já havia aberto. Eu assumi que
estas eram as anotações do meu pai, mas quanto mais eu olhava para a
caligrafia, mais percebia que estava lendo o frasco da minha mãe o
tempo todo.

Mas o que diabos ele tinha que perdoá-la?

Eu continuei, me sentindo mais cauteloso do que nunca. O resto


não esclareceu mais sobre o que havia ocorrido entre os dois, até chegar
ao último.

Porque enquanto o destino decidiu que viemos para vida um do


outro, às vezes temos que lutar para ficar. E todos os dias, você me
lembra de que valemos a luta.

***
Eu não consegui dormir. O sangue nas minhas veias parecia
estar bombeando tão rápido que tornava impossível até ficar
deitado. Eu andei de um lado para o outro na sala de estar. Tudo era
tão fodido. Meu pai traiu minha mãe, talvez minha mãe tenha traído
meu pai, ou talvez ela tenha feito outra coisa para machucá-lo. Talvez
ela soubesse do caso dele e tenha escolhido ficar do mesmo jeito. Talvez
ela tivesse tido o seu próprio. Eu nunca saberia e, a essa altura, não
queria saber.

A parte mais fodida disso tudo foi que eu estava olhando para eles
para descobrir como viver minha própria vida. Antes de ir para Chicago,
eu tinha tanta certeza das coisas entre Valentina e eu. Ela era a única
que não tinha certeza. E quando voltei, ela obviamente decidiu que
deveríamos continuar depois do verão, exatamente o que eu queria. E
eu fui o idiota que a afastou. Empurrei-a de volta para o namoro. Eu
balancei a cabeça pensando na foto dela e daquele cara no Instagram.

Ótimo trabalho, Ford.

Bom trabalho!

Se você ama alguma coisa, liberte-a e, se ela não voltar, nunca foi
sua.

Isso era um monte de merda.

Se você ama alguém e a liberta, é bem feito. Você deveria ter se


agarrado a essa merda.

Se ela estiver aqui no próximo ano, isso será um sinal.

Sim. Eu tenho um sinal aqui, tudo bem.

De. Uma. Fodida. Venda.

Eu passei minhas mãos pelo meu cabelo e puxei as raízes.

O que diabos eu estava pensando?


Quando você ama alguém, você não se afasta. Nunca.

Porra.

Porra.

Porraaaa.

Eu precisava vê-la.

Antes que fosse tarde demais.

Se já não era.
31

Valentina
Você não pode forçar sentimentos a existir mais do que pode
forçá-los a acabar.

Minha reunião com o grupo de estudo hoje à noite foi divertida, e


eu estava feliz por ter decidido parar de lamentar o tempo suficiente
para ir.

Allison não foi capaz de encontrar uma posição permanente em


tempo integral, então aceitou um emprego como substituta permanente
em todo o distrito. Basicamente, ela ficava sentada e calada por seis
períodos de quarenta e dois minutos por dia. Ela não estava animada,
mas supostamente uma professora de italiano em seu distrito iria se
aposentar no final do ano, e ela estava com um pé na porta para
assumir. Desiree havia tirado uma licença maternidade de três
meses. Parecia que Mark e eu tivemos sorte de conseguir vagas em
período integral com benefícios por um ano.

Eu peguei o trem até o restaurante para poder tomar um copo de


vinho ou dois, e depois do jantar, Mark se ofereceu para me dar uma
carona para casa. Minha casa era praticamente no caminho, então foi
estranho dizer não.

Quando paramos na frente da minha casa, ele estacionou o carro


e se virou para mim. — Esta noite foi divertida. Estou feliz que você
tenha decidido ir.

Eu sorri. — Eu também.
Ele pegou meu olhar. — Então… as coisas com você e o sangue
jovem terminou?

Engoli. — Sim.

Mark assentiu. — Você parecia feliz com ele.

— Eu estava.

Ele assentiu e desviou o olhar por um minuto. — Se as coisas não


derem certo com ele, eu adoraria sair com você... como amigos... ou
mais.

Parecia uma maneira estranha de dizer isso... se as coisas não


derem certo com ele... depois que acabei de admitir que havíamos
terminado. Mark viu a confusão no meu rosto.

Ele levantou o queixo em direção a minha casa. — Não tenho


certeza se ele recebeu o memorando que vocês terminaram.

Eu não entendi, mas me virei para olhar para onde Mark estava
apontando. Meu coração falou uma batida.

Oh meu Deus.

Ford.

Ele estava sentado na minha varanda da frente no escuro.

— Eu... eu... não estava esperando por ele.

— Reparei nisso. Você vai ficar bem?

Fisicamente sim. Mentalmente, provavelmente não. — Umm...


sim... claro.

Eu queria sair do carro, mas não consegui descobrir como me


mover.

Por sorte, Mark era um cavalheiro. Enquanto fiquei lá olhando


para o homem sentado na frente da minha casa, ele saiu e caminhou
até o lado do passageiro e abriu a minha porta. Estendendo a mão, ele
me ajudou a sair do carro. Embora meus pés ainda não se movessem.

Mark sorriu tristemente. — Eu te daria um beijo na bochecha,


mas tenho a sensação de que posso perder meus dentes. Então vou
apenas desejar boa noite. Você quer que eu te leve até a porta?

— Ummm... Não, eu estou bem. — Eu dei alguns passos


hesitantes e voltei. — Mark?

Ele olhou para cima.

— Obrigada por ser um bom amigo.

Ele deu um aceno resignado. — A qualquer hora, Val. A qualquer


hora.

De alguma forma eu consegui colocar um pé na frente do outro


enquanto Mark se afastava. Ford se levantou quando cheguei a escada.

— Ei. — Sua voz estava rouca, e ele parecia um pouco


desgrenhado, mas Deus, ele estava tão lindo. Quaisquer emoções
menores que senti ao perdê-lo vieram correndo de volta. Meu pulso
começou a acelerar a toda velocidade apenas estando perto dele, mas
minha mente estava gritando Corra para o outro lado! Ele tinha uma
atração magnética tão intensa sobre mim que era como lutar contra a
gravidade.

— O que você está fazendo aqui?

Ele olhou para baixo e achei que era um ato de vergonha. Oh meu
Deus. Isso é um convite para sexo?

— Podemos... entrar?

Minhas emoções estavam pulando por toda parte. Num minuto


senti esperança e calor, e no seguinte senti raiva e frio.
Subi as escadas, passando por ele. — Vá para um bar,
Ford. Tenho certeza de que você não terá nenhum problema em
encontrar alguém para levar para casa essa noite.

— O quê? Não. — Ele estendeu a mão e agarrou meu braço. —


Isso é... não é por isso que estou aqui. — Ele passou a mão pelo
cabelo. — Eu quis dizer, podemos entrar para conversar?

Olhei em seus olhos e não vi nada além de sinceridade. E talvez


um pouco de medo. Eu balancei a cabeça. — OK. Entre.

Minhas chaves tilintaram na minha mão, tremendo quando as


tirei da bolsa e abri a fechadura. Ford me seguiu.

Eu apontei para a sala de estar. — Só me dê um minuto. Eu volto


logo.

Tirei o casaco e o pendurei, em seguida, fui direto para o


banheiro. Eu precisava de um minuto para pôr a cabeça no
lugar. Embora cinco minutos inteiros não tenham feito isso, então voltei
tão confusa quanto estava quando entrei.

— Você quer algo para beber? — Eu certamente precisava de algo.

Ford sacudiu a cabeça. — Não, obrigado.

Fui à cozinha e servi uma taça de vinho.

— Sua casa é muito legal. Eu gosto dos abajures.

Isso me fez sorrir. Ele escolheu a única coisa que Ryan mais
odiava. — Obrigada. Eu esqueci que você nunca esteve aqui.

Ford estava sentado na cadeira, então me sentei em frente a ele


no sofá. Seus cotovelos estavam nos joelhos e sua cabeça estava em
suas mãos. Eu inicialmente achei que a aparência desgrenhada era
porque ele estava bêbado, mas agora podia ver que era estresse.

— Está tudo bem?


Ele balançou a cabeça. — Não.

Oh Deus. Eu senti um congelamento de pânico. — Bella está


bem?

Ele assentiu. — Sim. Sim. Ela está bem. Todo mundo está bem.

— OK…

Ele continuou olhando para o chão por mais algum tempo antes
de olhar nos meus olhos. — Na verdade, isso é mentira. Todo mundo
não está bem. Eu estou um desastre do caralho.

Eu coloquei meu vinho na mesa. — O que está acontecendo? Você


está me deixando nervosa.

Ele balançou sua cabeça. — Me desculpe. — Depois de um


minuto, ele se levantou e foi para o sofá ao meu lado. Ele pegou uma
das minhas mãos na dele.

Eu tentei esconder o tremor que seu toque causou no meu corpo,


olhando para as nossas mãos unidas.

Eventualmente, Ford colocou dois dedos debaixo do meu queixo e


levantou para que nossos olhos se encontrassem. — Não sei por onde
começar.

— Basta dizer o que quer que esteja em sua cabeça.

Os dois dedos que ele usou para levantar meu queixo ainda
estavam descansando sob ele. Ele estendeu o polegar e acariciou minha
bochecha, ternamente. — Eu senti tanto sua falta.

Eu fechei meus olhos. Eu queria ouvir essas palavras mais do que


tudo, mas tinha medo de acreditar que significavam mais do que
deveriam. O último mês tinha sido tão difícil e eu não queria regredir.

Ford apertou minha mão. — Quando fui a Chicago, descobri que


meu pai estava tendo um caso.
— O quê? Como?

— É uma longa história, mas basicamente, a agente imobiliária


mencionou algumas coisas que não batiam, como encontrar minha mãe
algumas vezes quando eu sabia que ela nunca tinha ido a Chicago. —
Ele deu de ombros. — Segui uma trilha e fiquei cara a cara com uma
mulher com quem meu pai estivera por anos.

Minha testa enrugou. — Mas isso não faz nenhum sentido. Seus
pais eram as pessoas mais felizes que eu conhecia. Eles eram muito
apaixonados.

Ele assentiu e soltou um suspiro robusto. — Isso era o que eu


achava também. Mas aparentemente, meu pai teve algum tipo de crise
na meia-idade, achava que estava perdendo algo melhor, já que não
sabia o que mais existia por aí. Ele estava com minha mãe desde o
colegial.

Nós ficamos em silêncio. Eu precisava absorver o que ele disse.


Parecia inimaginável que qualquer um dos seus pais felizes tivesse
trapaceado. Mas suponho que algumas pessoas teriam dito a mesma
coisa sobre o meu casamento.

— Você tem certeza?

Ele encolheu os ombros. — Ela admitiu isso. Durou anos.

Enquanto as notícias eram alucinantes, tive que me perguntar


por que ele não tinha me dito antes. É claro que Ryan estava em casa
quando Ford retornou de sua viagem, mas passamos a última noite
juntos e tivemos tempo de sobra para conversar.

Então me bateu as palavras que ele usou. As coisas começaram a


se encaixar.

Meu pai achava que estava perdendo algo melhor, já que não sabia
o que mais existia por aí. Eles estavam juntos desde o ensino médio.
Eu disse a Ford durante todo o verão como precisava
experimentar a vida porque não sabia o que mais existia lá
fora. Descobrir sobre seu pai deve tê-lo feito pensar que a mesma coisa
aconteceria entre nós se não nos afastássemos.

Eu olhei em seus olhos tristes. — Eu não queria que as coisas


terminassem. Tentei te dizer isso na nossa última noite juntos.

Ele assentiu. — Eu sei. Mas achei que era assim que tinha que
ser. Pensei que talvez no próximo verão... depois de algum tempo.

— Você queria que eu tivesse encontros até o próximo verão?

Ele zombou. — Porra, não. Mas achei que era assim que tinha que
ser... o que era melhor para você.

Eu balancei a cabeça, com medo de fazer a pergunta. — E


agora? Você ainda acha que é assim que tem que ser?

— Provavelmente deveria ser. — Ele fez uma pausa por um longo


tempo e, em seguida, olhou tão profundamente em meus olhos, que
senti dentro de mim. — Mas estou tão apaixonado por você, eu
simplesmente não consigo.

Lágrimas encheram meus olhos. — Você me ama?

— Eu te amei quase desde o começo. Só demorei um pouco para


admitir para mim mesmo porque você tinha certeza de que não
deveríamos estar juntos.

— Eu estava com medo de me machucar novamente. Eu achei


que, se ficássemos fisicamente separados, meu coração não se
partiria. Mas estar fisicamente separado não significa que seu coração
esqueça.

Ford respirou fundo e pareceu se preparar. — Você e Mark...


estão juntos?
Eu balancei a cabeça. — Não. De modo nenhum. Fui jantar com
ele, Allison e Desiree. Ele só me deu uma carona para casa.

— E o cara a outra noite?

— Que cara?

— Aquele que Eve postou no Instagram?

— Aquele é o seu gerente de fim de semana. Foi tirada há um ano


ou dois em seu aniversário, e tínhamos acabado de cantar para ele
depois que o restaurante fechou. Ele é felizmente casado com quatro
filhas. Eu nem sei por que ela postou agora. Foi tão aleatório.

Ford soltou uma longa lufada de ar e passou os dedos pelos


cabelos. — Eu estou um desastre desde que você reativou seu perfil do
Match.com.

Eu franzi minha testa. — Eu não reativei meu perfil.

— Não?

— Eu não o abri desde antes do verão.

Ocorreu-me que eu não era a única com acesso a essa conta. Eve
a configurou. Um perfil reativado, postando uma foto minha no
Instagram sorrindo enquanto estava sentada ao lado de outro homem...
algo me disse que não eram uma coincidência. Eu comecei a rir.

— O que é tão engraçado?

— Você com ciúme.

Suas sobrancelhas se levantaram. — Você acha que eu


enlouquecer é engraçado?

— Eu acho. Isso é bem feito por terminar comigo. Estou pensando


em sair em alguns encontros e postar uma foto no Instagram só para
você.
A mandíbula de Ford enrijeceu, mas ele também teve que
trabalhar para esconder um sorriso. Ele se inclinou para frente, me
dobrou por cima do seu ombro e levantou, lançando-me de costas em
um movimento furtivo.

Pairando sobre mim, ele afastou um fio de cabelo do meu rosto. —


Podemos continuar de onde paramos?

— Você quer dizer nos esgueirarmos como adolescentes e nos


esconder do meu filho e sua irmã?

Ele esfregou o nariz com o meu. — Não, eu quero dizer nos


apaixonar mais.

Eu balancei a cabeça. — Eu não acho que posso, Ford.

Seu rosto caiu e a dor em seus olhos era verdadeiramente


real. Eu não poderia machucá-lo assim, mesmo depois do que ele me
fez passar.

Estendendo a mão, acariciei sua bochecha. — Eu não posso


porque não tenho certeza se é possível me apaixonar mais por você.

Seu queixo caiu para o peito, e ele soltou uma profunda e baixa
risada. — Você vai me fazer pagar por um longo tempo, não é?

Eu sorri abertamente. — Oh sim.

Ford pressionou seus lábios nos meus. Um calor que faltava


desde o verão imediatamente se espalhou pelo meu corpo. Deus, eu
senti tanto a falta dele.

— Sinto muito, — ele sussurrou. — Eu nunca deveria ter


partido. Achei que se eu deixasse você ir, se voltasse, seria minha para
sempre.

— Quando alguém já está dentro de você, não pode simplesmente


deixar ir seu coração. A única maneira de desconectar é quebrá-lo.
— Sim. Eu sei disso agora. Você se lembra de quando me
perguntou se era possível ter os sentimentos certos na hora errada?

Eu balancei a cabeça. — Eu estava apavorada naquela época.

— Nós dois estávamos, só que em momentos diferentes. A verdade


é que você nunca pode ter os sentimentos certos na hora errada, porque
nunca há um momento errado para a pessoa certa.

Eu olhei em seus olhos. — Vamos parar de fugir um do outro.

Ford apoiou a testa na minha. — Eu te amo pra caralho,


Valentina. Eu amo como você não tem ritmo, mas isso não te impede de
dançar. Eu amo como você espirra quando está nervosa e ainda tenta
esconder que está. Eu amo o pequeno som que você faz quando goza, e
se entrega tão completamente a mim que nem sabe que faz isso. Eu
amo que você voltou para a faculdade e quer correr atrás de todas as
coisas que não conseguiu fazer. Mas acima de tudo, te amo porque
eu tenho que… não posso não te amar. Eu tentei e é fisicamente
impossível.

— Deus, Ford. Eu também te amo. E quero que o mundo inteiro


saiba disso. Incluindo meu filho.

— Bom. Vou lhe ajudar a passar a mensagem. — Ele segurou


minha cintura e, de repente, eu estava no ar e fui jogada de volta em
seu colo, escarranchando-o. — Vou começar contando ao cara que te
deixou.
32

Ford
Joguei minhas chaves na mesa e gritei: — Val?

— Estou no andar de cima! Me trocando.

— Nossas reservas são para oito e meia. Não demore muito.

Eu tive uma reunião tardia esta tarde, e esta noite era a noite de
pais e mestres de inverno em sua escola, então íamos jantar fora. Tinha
sido uma semana longa e ainda não era sexta-feira.

Val estava nervosa em se encontrar com os pais, especialmente


com os poucos alunos que não estavam indo tão bem em sua aula. Não
ajudou que no último final de semana, quando ela planejava preparar
um pequeno resumo das anotações sobre cada aluno, teve uma visita
inesperada que ocupou a maior parte do seu tempo livre.

O filho dela novamente a surpreendeu, voltando para casa mais


cedo para o recesso de inverno. Bem, ele surpreendeu a nós dois, na
verdade. Valentina ainda não havia contado sobre nós. Ela queria lhe
contar pessoalmente quando ele chegasse em casa no intervalo, em vez
de por telefone. Seu plano era conversar com ele sozinha uma noite e
depois nós três sairíamos para jantar uma noite ou duas depois. Mas
assim como todas as coisas entre Val e eu, não foi exatamente como
planejado.

O voo de Ryan deveria pousar as oito da noite no sábado. Nos


últimos dois meses, nos revezamos ficando na casa um do outro. Com
Bella de volta à faculdade e seu filho longe, nos sentíamos muito
confortáveis andando semi nus e ocasionalmente transar no chão da
cozinha, se estivéssemos no clima. Eu era tão louco por ela como
sempre, e o clima acontecia muito. Por isso, não era incomum que eu
acordasse Val a chupando e, em seguida, tivesse meu pau balançando
ao vento enquanto fazia duas xícaras de café em sua cozinha uma hora
depois.

Mas era incomum alguém abrir a porta às nove da manhã e


entrar enquanto meu pau estava em plena exibição.

O voo de Ryan para casa surpreendeu a todos nós, claro. Eu


ainda tinha os vestígios de um olho roxo para mostrar exatamente a
surpresa que foi. Seu filho socou primeiro e perguntou depois. Eu não
podia dizer que o culpava. Não é preciso dizer que o visual foi muito
mais difícil de engolir do que a maneira como sua mãe planejava contar
que agora tinha namorado, especialmente porque era eu.

Tirei meu casaco e joguei-o sobre uma cadeira na mesa da


cozinha. O deslocamento do ar fez um papel dobrado no topo da pilha
da correspondência voar da mesa para o chão. Sem pensar muito nisso,
inclinei-me para pegá-lo, apenas as cores do logotipo no topo da carta
me chamaram a atenção, verde, branco e vermelho.

Collocamento internazionale di Roma

Meu italiano estava enferrujado, mas eu sabia o que era. Meu


coração afundou lendo a primeira linha.

Prezada Sra. Di Giovanni,

Parabéns! Temos a satisfação de informar que recebemos sua


inscrição e que uma de nossas escolas consorciadas a convidou para
participar da sua equipe no próximo ano letivo.

Eu ouvi o som de saltos clicando nas escadas e, em seguida, a voz


feliz de Val. — Eu sobrevivi e estou pronta para comemorar não ter
espirrado em nenhum dos pais!
Eu me virei com a carta ainda na mão e o sorriso sumiu do rosto
de Val. — Oh. Sim. Isso chegou hoje. As instruções diziam que poderia
levar até doze semanas para descobrir se você conseguiu uma
colocação. Eu não esperava receber depois de apenas duas.

Não era como se fosse uma surpresa que ela tivesse aplicado. Eu
fui o primeiro a incentivá-la a não mudar seus planos. Mas isso tornava
real.

Eu forcei um sorriso. — Parabéns. Isso é ótimo.

Ela andou até mim e pegou a carta das minhas mãos,


pressionando um beijo nos meus lábios. — Você é tão cheio de merda.

— Não. — Eu balancei a cabeça. — É uma boa notícia. Eu só não


esperava hoje, acho, então me pegou desprevenido.

Val suspirou. — Eu ainda não decidi se vou. Só precisava me


inscrever até o final do ano.

— Você vai.

Ela franziu a testa. — Parece que você mal pode esperar para se
livrar de mim.

Eu envolvi minhas mãos ao redor de sua cintura e as tranquei


atrás das suas costas. — Sem chance. Eu viver pelas férias escolares
mais do que fiz no ensino médio. Eu te disse, vai precisar de mais do
que um oceano de distância para nos separar. — Eu a apertei contra
mim. — Será bom. Você vai se divertir muito e vou estar ocupado
enquanto você estiver fora, também.

Os olhos de Val se arregalaram. — Você comprou o prédio?

Eu balancei a cabeça. — Comprei. Eles aceitaram minha


oferta. Em breve serei o orgulhoso proprietário de uma pilha de aço em
ruínas.

Ela sorriu. — Que você vai transformar em algo incrível.


Depois que desisti do prédio em Chicago, não estava planejando
procurar outro projeto para expandir. Mas um caiu no meu colo. Eu
peguei Val para almoçar na escola um dia, e fomos a uma pizzaria a
alguns quarteirões de distância. Depois, parei em um estacionamento
nas proximidades para que eu pudesse beijá-la e dar uns amassos
antes de levá-la de volta. Acontece que o estacionamento era ligado a
um antigo armazém em ruínas nos arredores de uma área agradável e
promissora.

Beijei minha garota até que ela fizesse aquele barulho que eu
amava tanto, e então quando coloquei o carro no sentido inverso com
um grande sorriso no rosto, olhei para cima e me vi encarando um aviso
gigante de leilão público no prédio a minha frente. Eu voltei depois de
deixar Val na escola, e uma coisa levou a outra.

— Acredito que sim. Porque agora o lugar deveria ser condenado.

As coisas entre Val e eu estavam sérias. Provavelmente mais


sérias do que deveriam depois de seis meses. Por mais fodido que fosse,
eu casaria com ela amanhã e nunca mais olharia para trás. Mas eu
ainda achava importante que ela tivesse as experiências que queria ter,
que se encontrasse. Ensinar em Roma durante um ano era uma grande
parte disso. Eu a queria a quatro mil quilômetros de distância? Porra,
não. Mas queria que ela fosse feliz mais do que odiava o pensamento de
estar tão longe dela. Ela precisava terminar sua lista Minha Vez. Bem,
nem toda ela, de maneira alguma ela ficaria com sete homens diferentes
em sete noites. Mas a encorajei a continuar com as mais importantes,
como ensinar em Roma e tentar anal.

E empurrá-la para seguir seus sonhos me fez perceber que era


bom ter os meus próprios também, como expandir o negócio de
escritórios temporários para uma nova área. Não seria Chicago, mas
algo em meus próprios termos.
— Já que estamos no assunto de imóveis e viagens... — O rosto
de Val ficou sombrio. — Eu assinei o contrato da venda da casa de
praia hoje.

— Oh sim? Você não parece feliz com isso.

— É difícil. Estou muito feliz por eles terem oferecido o valor total,
mas é difícil ficar feliz em vendê-la, no geral. Eu tenho muitas
lembranças de Ryan crescendo.

Val não queria vender a casa de praia, mas seu ex-marido idiota a
forçou. Conforme seu acordo de divórcio, eles tinham que dividir o custo
de todos os grandes reparos. Ela não tinha dinheiro para financiar a
substituição de estacas que precisava ser feita e também não conseguiu
um empréstimo, pois ainda não tinha um histórico de trabalho
estável. A casa de praia significava muito para ela, e lhe ofereci o
dinheiro ou mesmo um empréstimo, mas ela não aceitou. Por isso... tive
que comprá-la sob um nome corporativo e não lhe contar.

— Eu sei. Mas, se serve de consolo, tenho certeza de que o novo


proprietário fará ótimas memórias também.

— Eu acho…

— Tenho certeza que eles vão foder por toda a casa.

Val se encolheu. — Isso não me faz exatamente sentir melhor.

— Por quê? O novo proprietário tem o direito de fazer novas


memórias. Não vai manchar as suas de forma alguma.

Ela encolheu os ombros. — Eu acho. É difícil pensar em outra


pessoa dentro da minha casa. Sabe?

Eu a puxei para perto e sussurrei em seu ouvido. — Eu sei. Por


isso comprei a casa.

A cabeça de Valentina se afastou abruptamente. — O que você


disse?
— Eu comprei a casa. Para nós.

— Do que você está falando? Uma corporação comprou a casa.

— E qual é o nome dessa corporação?

— BJ Cummings13, Inc.

Eu levantei uma sobrancelha. Esperando ela dissesse algo sobre o


nome da corporação, mas ela nunca o fez. E agora eu sabia o porquê,
ela não tinha entendido a piada.

Seus olhos se arregalaram. — Oh meu Deus. Você está brincando


comigo? BJ Cummings? Que diabos?

Eu ri. — Não havia nenhuma maneira de eu deixar você se vender


aquela casa, não quando tenho grandes planos para ela.

Suas sobrancelhas franziram. — Que planos?

Eu coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. — Darei a


minha esposa como presente de casamento algum dia. Ainda faltam
alguns anos... porque ela é teimosa e precisa ir devagar. Mas esse é o
meu plano.

O rosto de Valentina derreteu. Seus olhos se encheram de


lágrimas. — Essa é a coisa mais doce que alguém já fez por mim. Mas o
fato de você querer fazer isso é mais que suficiente, Ford. Eu não posso
deixar você gastar esse tipo de dinheiro em uma casa ao lado da que
você possui. Isso não faz sentido.

— Minha irmã ama a casa dos meus pais. E enquanto gostei de


estar lá neste verão, era só por sua causa. Eu não quero a casa de
família deles. Eu quero ter minha própria família com você. Além disso,
você não tem outra escolha a não ser assinar a venda. O dinheiro já foi
depositado e temos um contrato obrigatório.

13Aqui ele fez uma piada no nome criado para a corporação falsa, BJ (boquete)
Cummings (gozando).
— Você é inacreditável. Eu quero pelo menos pagar metade da
casa, então a possuiremos em conjunto.

— BJ Cummings não aceita dinheiro.

— Ah não?

Eu balancei a cabeça. — Ele só aceita sexo como pagamento.

— É mesmo? — Seus olhos brilharam com malícia, e ela colocou


os braços ao redor do meu pescoço. — Bem, então, eu gostaria de fazer
um pagamento agora mesmo.

— Temos reservas para o jantar em quinze minutos.

Ela ficou na ponta dos pés e falou com os lábios contra os


meus. — Foda-se o jantar.

Agora ela estava falando. Eu a apoiei na parede e a prendi contra


ela. Esconder o que eu estava fazendo sobre sua casa estava pesando
nos meus ombros. Segredos não tinham espaço em um relacionamento,
e tirar isso do meu peito foi um grande alívio.

Fazia apenas quatro dias desde que estive dentro dela, mas
parecia um ano. Enterrei meu rosto em seu pescoço e comecei a sugar a
pele delicada que levava ao ouvido dela. — Deus, eu senti sua falta.

Ela ofegou. — Também senti sua falta. Não há tempo para se


despir. Tirei minha calcinha antes de descer e a coloquei na bolsa para
dá-la a você durante o jantar.

Eu imediatamente enfiei a mão por baixo da bainha de seu


vestido e a deslizei entre suas pernas. Com certeza, ela estava nua. E
molhada. Eu gemi. — Você já está encharcada para mim.

Val deslizou as mãos entre nós e começou a desabotoar minha


calça. Não havia visão mais sexy do mundo do que a minha garota
tremendo em um frenesi para chegar ao meu pau. Mais tarde, quando
ela absorvesse que eu realmente comprei sua casa e disse que lhe daria
como presente de casamento algum dia, eu faria amor com ela quando
a dúvida começasse a surgir. Mas agora? Agora era tudo sobre
foder. Foder minha mulher que ia me deixar por meses para ensinar em
Roma. E ela me fodendo porque uma parte dela estava com medo e com
raiva do que eu fiz.

Eu usei meus quadris para mantê-la presa na parede enquanto


ajudei a empurrar minhas calças. Val envolveu as pernas em volta da
minha cintura. No minuto em que meu pau latejante sentiu a umidade
quente entre as pernas abertas, eu estava acabado. Eu precisava estar
dentro dela.

Eu agarrei meu eixo e me guiei dentro dela. Nossos gemidos se


misturaram em uma música dolorosamente erótica enquanto
simultaneamente a puxei contra mim e empurrei até que afundasse
profundamente dentro dela. Então, eu parei para apreciar a
sensação. Nada jamais pareceu tão bom.

Eu tentei começar devagar, entrando e saindo em um ritmo


suave, mas não durou. Em pouco tempo, eu estava batendo nela. Mas
ela estava bem ali comigo, implorando por mais, dizendo para ir mais
duro, mais rápido... mais.

Essa palavra... mais... era tudo sobre como eu me sentia em


relação a ela. Eu queria mais, mais do coração dela, mais do corpo dela,
só mais.

Puxei minha cabeça para trás para olhar para ela, e nossos
olhares trancaram. A voz de Val tremeu. — Eu amo você, Ford.

— Eu te amo mais.

Quando gozei, o corpo dela tremeu, e eu murmurei o nome dela


várias vezes.

— Obrigada, Ford. E se o que acabamos de fazer é o pagamento


que BJ Cummings quer, ele receberá muitos desses no futuro.
— A BJ planeja cobrar cada um desses pagamentos, mas esta é
uma hipoteca de cinquenta anos.

— Cinquenta anos? — Suas sobrancelhas levantaram. — Eu não


quero nem calcular a idade que terei até então.

— Bom. Porque a idade é apenas um número usado para contar


todos os anos que vou amá-la.
Epílogo

Valentina
Quase dois anos depois

Ficar nua sob o meu vestido.

Eu tirei a nota da cafeteira e sorri de orelha a orelha. Ford deve


ter escapado durante o meio da noite para colocar isso
aqui. Considerando que as meninas e eu não fomos para a cama até
depois de uma da manhã, ele deve ter ficado acordado até muito
tarde. Eu ri para mim mesma, Tom definitivamente não lhe fez
companhia ao lado. Ele dorme às nove. Pelo menos ele tinha a
companhia de Ryan.

Depois de um começo difícil, meus dois rapazes se


aproximaram. Ultimamente, Ryan estava falando sobre mudar seu
curso para arquitetura. Ele passou todo o verão passado trabalhando
com Ford na reforma de um prédio, e isso parecia ter dado alguma
direção para sua carreira.

— Bom dia, futura Sra. Donovan. — Eu me virei para encontrar


minha futura cunhada esfregando o sono de seus olhos enquanto
entrava na cozinha.

— Você acordou cedo. — Eu estendi a mão e peguei duas canecas


do armário sobre a cafeteira.

— Meu irmão ainda é uma dor no rabo.

— O que ele fez agora?


Bella apertou os olhos e se inclinou para ler uma nota adesiva na
geladeira. Seu rosto se contorceu como se ela tivesse cheirado algo
ruim. — Ugh. Sério? É muito cedo para ler isso do meu irmão.

Eu não tinha notado a outra. Eu rapidamente a peguei.

Curvar-me nua no espelho e mandar uma selfie da minha bunda


para Ford.

Eu ri, mas então olhei ao redor da sala e notei três outras


notas. Eu não poderia deixar a irmã do meu futuro marido ficar cega no
dia do nosso casamento. O que ela poderia, considerando as outras
tarefas a fazer, incluindo Fugir até a casa ao lado e chupar meu
namorado uma última vez, e Inserir um plug anal para se preparar para
as festividades da noite de núpcias. Porém, a última me confundiu um
pouco: Ser lambida pelo seu presente de casamento.

Bella serviu meio a meio nossos cafés e levou uma caneca aos
lábios. — Vocês são muito nojentos. Você vai me fazer vomitar meus
biscoitos.

— Alguém disse biscoitos? — Eve entrou na cozinha.

Ela usava uma camiseta que mal cobria metade de sua barriga
redonda e uma calça de moletom enrolada de baixo dela. Ela acariciou a
barriga muito grávida.

Eu me aproximei e abaixei a cabeça para falar com minha futura


afilhada. — Bom dia, minha princesinha.

— Ou príncipe.

— Não há como minha afilhada ser um menino.

Eve e Tom ficaram chocados ao descobrir que estavam grávidos


há oito meses. Quando eles se conheceram, decidiram deixar as
crianças para o destino. Com Eve com quase quarenta e nada tendo
acontecido, ela praticamente concluiu que eles não teriam uma
família. Então foi um choque quando o vírus estomacal de Eve acabou
sendo uma gravidez de dois meses.

Eu mesmo achei que poderia estar grávida na semana passada,


mas fiz um teste e deu negativo. O estresse do casamento e a mudança
para o apartamento de Ford devem ter desregulado o meu ciclo. Como
Eve e Tom, Ford e eu concordamos em deixar mais membros da família
para o destino. Embora, admito, fiquei um pouco triste quando um
sinal negativo apareceu no bastão na semana passada.

— Ah merda. Eu quase esqueci. Meu irmão me acordou por um


motivo.

— O quê?

— Ele ligou e disse para ir até a porta da frente. Aparentemente,


ele deixou um presente de casamento para você lá, e eu devo trazê-lo.

Minhas sobrancelhas franziram, e Eve e eu seguimos Bella até a


porta.

Eu gritei, encontrando uma gaiola. — Oh meu Deus! Um


cãozinho!

O pequeno pug adorável começou a latir e pular para cima e para


baixo. Ele estava tão animado que continuou batendo a cabeça no topo
do suporte de plástico. — Traga-o para dentro. Traga-o para dentro. —
Eu ri. — Ele vai se machucar fazendo isso.

Bella carregou a gaiola para dentro, e eu sentei no chão da sala e


destranquei a porta de metal. O garotinho correu direto para o meu
colo. Ele realmente me derrubou e começou a lamber meu rosto.

— Bem, olhe para isso, — Eve disse. — Ele me lembra de seu


noivo quando viu você pela primeira vez.

Ah. Aquele último post-it fazia mais sentido agora.


Eu estava incomodando Ford para conseguir um cachorrinho por
alguns meses agora, um dos últimos itens que sobraram na minha lista
da Minha Vez. No começo, nós adiamos por causa do ano que ensinei
em Roma. Então, consegui uma nova posição na minha escola, e Ford
estava ocupado preparando a inauguração do novo edifício de
escritórios temporários. A vida tinha sido ocupada nos últimos dois
anos. Mas neste verão, nosso plano era desacelerar, e o tempo seria
perfeito para adestrar esse carinha. Nosso casamento no fim de semana
do Memorial Day era apenas o começo de um verão longo e preguiçoso
em Montauk.

— Eu não posso acreditar que ele fez isso. Ele é tão adorável. —
Eu cocei atrás das orelhas dele, e a perna esquerda do cachorro
começou a tremer. — Bella, você se importaria de pegar meu celular
para que eu possa enviar uma mensagem para Ford? Eu não quero
largar esse cara. Está no balcão da cozinha.

Bella encontrou meu telefone e tirou uma foto do meu novo


cachorro lambendo meu rosto enquanto eu sorria. Ela mostrou para
mim, e eu disse a ela para enviá-la para seu irmão.

Um minuto depois, meu telefone apitou com um texto recebido.

Ford: Estou com ciúmes de um cachorro. Como faço para


conseguir um pouco disso?

Eu sorri e mandei uma mensagem de volta. Meu filhotinho estava


nocauteado em menos de dois minutos e agora estava aconchegado no
meu colo.

Valentina: Eu deixá-lo lamber meu rosto depois que você


disser aceito.

Ford: Não é seu rosto que lamberei hoje à noite, querida.


Bella gemeu. — Vocês dois devem arrumar um quarto. Eu não
posso nem te olhar mandando mensagens um para o outro. Você fica
com... — Ela acenou com a mão na frente do meu rosto. —… Aquele
olhar que diz que está transando com meu irmão. Nojento.

Eu ri.

Valentina: A propósito… a sua irmã encontrou uma das suas


notas esta manhã.

Ford: O que diabos ela fazia acordada antes de você?

Valentina: Nós ficamos acordadas até tarde e eu dormi. O ar


Montauk deve ter me nocauteado.

Ford: Bem, é melhor você relaxar e economizar toda a sua


energia para esta noite.

Valentina: Eu vou. E obrigada pelo cachorrinho! Ele é tão


adorável. Embora agora eu tenha um filho fora do casamento pela
segunda vez. Você não poderia ter esperado algumas horas para
me dar? ;)

Ford: Eu posso devolvê-lo?

Valentina: Tarde demais. Eu já o amo. Ele tem nome?


Ford: Não. É com você. Escolha algo bom.

Valentina: Você está nervoso sobre hoje?

Ford: De jeito nenhum. Você já é minha para sempre. Isso é


apenas uma formalidade.

***

Oh meu Deus.

Eu cobri minha boca e olhei para o bastão. O sinal positivo era


um azul profundo e escuro. Eu devo ter feito o primeiro teste cedo
demais. Minha mão tremia, e continuei sussurrando, Oh meu Deus, oh
meu Deus repetidamente. Acho que fiquei mais chocada do que aos
dezessete anos quando aconteceu a primeira vez.

— Tudo bem aí? — Eve bateu na porta do banheiro.

O som me fez pular.

— Ummm. Sim. Achoo! — Tudo bem. Eu sairei em alguns


minutos.

— Tudo bem. Quinze minutos para o show. Não demore muito.

Estou grávida.

Oh meu Deus.

Meu filho tem vinte e um anos.


E estou grávida de novo.

Meu ex-marido e eu tentamos por anos depois de termos Ryan,


então apenas assumi que isso não podia acontecer. Então, novamente,
Ryan e eu nunca praticamos engravidar tanto quanto Ford e eu. Eu
tinha minhas dúvidas sobre muitas coisas com meu futuro marido, mas
seu desejo por mim nunca foi uma delas. O homem era insaciável,
então eu realmente não deveria estar surpresa por ele ter me
engravidado.

Oh meu Deus.

Eu preciso contar a ele.

Eu comprei um relógio de bolso antigo como presente de


casamento. Isso era muito melhor.

Ainda tremendo, joguei o bastão no cesto de lixo e destranquei a


porta do banheiro. Minha dama de honra e madrinha estavam lá
embaixo esperando por mim. Na excitação, tinha esquecido que era a
primeira vez que elas me viam no meu vestido de casamento. Eu escolhi
um vestido de renda simples em um modelo de sereia e uma cauda
curta. Ele tinha uma vibe praiana e era perfeito para um casamento
descalço na areia.

Eu desci as escadas devagar.

— Você parece... — Eve enxugou os olhos. — Linda. Você está


brilhando, Val. Eu nunca te vi tão feliz.

Brilhando. Boa escolha de palavras.

Eu abracei minha melhor amiga e quase cunhada. —


Obrigada. Vocês duas estão lindas.

— Você está pronta para se casar?

— Na verdade não.
O sorriso de Eve caiu. — Qual é o problema?

— Nada. Nada. Mas preciso falar com a Ford antes da cerimônia.

— Ele já está lá fora na praia, esperando por você.

— Você pode… sair e pedir-lhe para vir até aqui? Vai levar apenas
um minuto.

— Certo. Claro. — Ela hesitou. — Você tem certeza que está tudo
bem? Eu ouvi você espirrar no banheiro.

Eu sorri. — Foi só a poeira. Eu estou bem.

Eve e Bella saíram pelos fundos e, alguns minutos depois, Ford


bateu na porta.

— Eu achei que você não queria que eu te visse antes do


casamento por causa da superstição boba?

Meus pés estavam congelados no chão da sala. Ford teve que


caminhar até mim. Eu não consegui nem encontrá-lo no meio do
caminho. No minuto em que ele deu uma boa olhada no meu rosto, ele
ficou pálido.

— O que está acontecendo, querida? Você está nervosa?

Eu balancei a cabeça.

Ele imediatamente me envolveu em seus braços. — Está tudo


bem. Isso é normal. Só respire fundo algumas vezes.

Eu fiz, mas isso não me deixou mais calma. Depois de um


minuto, Ford puxou a cabeça para trás para olhar para mim. — Você
está tremendo.

Eu balancei a cabeça. — Ford... eu... — Eu engasguei e uma


lágrima derramou e deslizou pelo meu rosto.
Ele limpou com o polegar. — Não chore, baby. Tudo vai ficar
bem. Nós não temos que fazer isso se você não estiver pronta.

Oh meu Deus, não. Isso era o que ele pensava? Eu não conseguia
raciocinar o suficiente para explicar, então ao invés disso, eu apenas
soltei: — Estou grávida.

Ele congelou. — O quê?

Eu balancei a cabeça. — Quando fui colocar meu batom, uma


onda de náusea me atingiu com cheiro dele. Eu ainda não tive meu
período, e tinha uma sensação estranha. O teste que comprei na
semana passada veio com dois bastões, então fiz o segundo. Deu
positivo. Estou grávida. Estamos grávidos.

A cabeça de Ford caiu. — Jesus Cristo, Val. Eu achei que você


estava insegura. Você me assustou pra caralho.

— Eu sinto muito. Eu não pretendia.

Ele me levantou no ar. — Você está realmente grávida? Nós


vamos ter um filho?

Eu ri. — Nós vamos.

Ele me girou duas vezes e gritou mais alto: — Nós vamos ter um
bebê! Nós vamos ter um bebê!

— Ummm… Ford, se você continuar me girando assim, vai se


casar com vômito por todo o seu ombro. Estou enjoada desde que tentei
colocar o batom. Eu achei que era só nervosismo, mas aparentemente
não é.

— Ah merda. Desculpa. — Ele me colocou no chão e me envolveu


em seus braços, tão apertado que eu mal conseguia respirar. — Eu não
achei... — Ele balançou a cabeça. — Eu simplesmente não achei que
aconteceria. E eu estaria bem com isso. Mas agora... Puta merda, eu
acho que realmente queria isso.
Eu sorri e segurei as lágrimas. — Eu também. Eu realmente não
percebi o quanto até que vi o sinal positivo alguns minutos atrás. Eu
não podia nem esperar até depois da cerimônia para lhe contar.

Ford tomou minhas bochechas em suas mãos e falou com seus


lábios pressionados aos meus. — Minha esposa vai ter meu bebê.

— Bem, tecnicamente, ainda não sou sua esposa. Nós temos que
ir lá fora resolver essa parte. Há cinquenta ou mais pessoas lá fora que
estão aguardando uma festa.

Ele me beijou com força. — Deixe-os esperar.

Depois de um beijo longo e emocional, Ford encostou a testa na


minha. — Você sabe o que eu acabei de pensar?

— Que eu não consigo casar antes de engravidar?

Ele riu. — Não. Mas isso é muito engraçado.

— O que você acabou de pensar então?

— Você lembra quando nos conhecemos, eu te contei que a Sra.


Peabody teve um sonho que eu conhecia minha futura esposa?

Eu balancei a cabeça. — Eu lembro.

— Você lembra o que mais ela disse?

Eu pensei. Ela disse algo sobre ter vomitado. — Ela vomitou


depois da premonição, certo?

— Ela acordou e sentiu o cheiro de pãezinhos de canela assando


no forno e vomitou. Pão no forno.

Eu cobri minha boca. — Oh uau. Isso é louco.

— Bem, isso não é nem a metade. Esta manhã ela me ligou e


perguntou se tinha duas meninas na nossa festa de casamento. Eu
disse não. Ela disse que tinha sonhado que havia gêmeas no nosso
casamento.

Meus braços arrepiaram e meus olhos se arregalaram. — Oh meu


Deus. Você não acha...

Ford balançou a cabeça e seu sorriso sumiu. — Foda-me. Duas


garotas.

Eu ri. — Nós não sabemos se é verdade.

— Sim eu sei. Teremos meninas gêmeas. E eu vou precisar de


uma espingarda se elas forem parecidas com a mãe delas. Ele me beijou
novamente. — Vamos lá, preciso casar com a mãe dos meus bebês para
que eu possa pelo menos me qualificar para algumas visitas conjugais
enquanto estiver na prisão.

Nós rimos e fomos juntos para o deck dos fundos. Lá embaixo


estavam todos os nossos amigos e familiares, casualmente, esperando a
cerimônia começar. Nós paramos no corrimão para absorver tudo. Duas
barracas de festa brancas grandes foram montadas bem na praia e uma
passarela de madeira conduzia do final das escadarias de ambas as
casas, até um arco cheio de flor. Cadeiras brancas tinham sido
colocadas em ambos os lados da passarela de madeira. Esta pequena
cidade de verão tinha muitas memórias antigas para nós dois. E agora,
nós faríamos novas como uma família.

Olhei em volta para todas as pessoas que esperavam para


compartilhar nosso dia. Era bem incrível, na verdade. Passamos a vida
pegando peças de quebra-cabeça, e nunca sabemos onde elas se
encaixarão ou como se encaixarão para formar o quadro geral. Eu
passei anos tentando encaixar peças em lugares onde não pertenciam,
mas nunca me senti completa. Até hoje. Todas as minhas peças do
quebra-cabeça finalmente se encaixaram e pude ver a bela imagem.
Eu respirei fundo e gravei o momento na minha memória antes de
me virar nos braços de Ford. — Você está pronto para se casar comigo,
Sr. Donovan?

Ele escovou seus lábios nos meus. — Eu estive esperando minha


vida inteira para casar com você, Sra. Donovan. Vamos fazer isso.

FIM.