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Contextualizando a Caminhada

Ao encerrar minha jornada no curso de Ciências Sociais em 1986, na UFSC 1 ,

estava ávido por trabalhar em algum projeto que fosse realmente relevante, no qual

pudesse aplicar os ensinamentos universitários. De 1986 a 1989 tentei militar pela

categoria profissional. Na época, participando de reuniões da APS/SC 2, descobrira

cedo que o mercado de trabalho para sociólogos pesquisadores era muito escasso,

a não ser se o acadêmico tivesse optado por fazer licenciatura, e não o bacharelado.

Neste mesmo período, a história da AIDS3 estava em evidência e não demorou

muito para eu descobrir a sede do GAPA/SC4, perto do local onde trabalho, bem no

centro da cidade de Florianópolis, onde como voluntário, apresentei-me para alguns

trabalhos, mas logo percebi que as poucas atividades que existiam eram de cunho

ainda assistencialista. Optei então por fazer o acompanhamento de pacientes e seus

familiares no hospital de referência, Hospital Nereu Ramos, após o expediente de

trabalho, como uma nova opção de minha atuação militante na área. Todavia,

acompanhando pacientes terminais e familiares, descobri a dimensão do

preconceito que se exercia (e se exerce ainda hoje) contra os (as) portadores do

vírus HIV5, em especial, contra os (as) homossexuais.

Na época, a noção que se tinha era a de que a AIDS era uma doença exclusiva

deste público, tanto que nos Estados Unidos já se falava em uma peste gay (termo

em inglês que equivale a homossexual). No final de maio de 1990 recebi

1
Universidade Federal do Estado de Santa Catarina.
2
Associação dos Profissionais em Sociologia no Estado de Santa Catarina.
3
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
4
Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS de Santa Catarina.
5
Vírus da Imunodeficiência Adquirida.

2

capacitação pela SES6, para ser multiplicador de informações sobre a síndrome. O

curso de 20 horas denominava-se “Aconselhamento em AIDS” e, além do que fazia

no hospital, e na sede do GAPA junto ao disque-AIDS, por livre iniciativa comecei a

dar mini-palestras em condomínios próximos de minha residência.

Depois de um ano e meio, tive que me afastar dessas tarefas para dar mais

atenção a minha vida privada, mas nunca deixei de ter em mente que poderia ser

mais útil nessa área de resgate da cidadania dos/das considerados/as “desiguais”

por parte da sociedade heterodominante.

Em meados de 1995 a empresa onde trabalho resolveu aderir a mais recente

tecnologia de comunicação, a Internet.

Movido pela curiosidade e por uma boa dose de leitura, empreendi os ensaios

de construção de minhas primeiras homepages7 e, também, iniciei minhas primeiras

“navegações on-line8”.

O termo possui o sentido que é dado à ação de atravessar mares, oceanos,

lagoas, rios, só que no sentido virtual. Ou seja, navegar num “mar de informações”.

Foi criado pela empresa Netscape que utilizava como logomarca um timão

sugerindo que seu browser9 equipara-se à uma embarcação virtual. Com um pouco

mais de habilidade, construí minha primeira homepage pessoal. Nela falava um

pouco sobre minha história e também sobre meus conhecimentos sobre AIDS.

6
Secretaria de Estado da Saúde.
7
Homepage, em inglês, equivale à página de apresentação. É a primeira página de um endereço na Internet.
8
On-line significa conectado a Rede Mundial de Computadores, a Internet (vide mais no glossário).
9
Vide Glossário.

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Imediatamente, comecei a receber vários e-mails com consultas sobre este e

outros assuntos, o que me obrigou a seguir a estratégia de deixar perguntas e

respostas já prontas no próprio site.

Com o passar do tempo, mais de noventa por cento (90%) de meu site10 era

dedicado ao assunto e o público homossexual era o que mais contatava comigo.

Foi aí que nasceu a idéia de, em 1996, criar um espaço para a Educação Sexual

específica de gays e lésbicas, já que, à época não era possível falar em AIDS sem

deixar de tocar em sexualidade, e em orientação homossexual. Assim, em primeiro

de setembro de 1996, nascia o http://www.glssite.net. Não sabia, à época, que o

surgimento do site em si era um marco, haja visto que não havia espaços correlatos

na América Latina com esse propósito, a não ser nos Estados Unidos, Canadá,

França e Inglaterra.

Com a finalidade de aprimorar o trabalho que vinha sendo executado na

Internet, bem como de dotar o site de uma pedagogia devidamente embasada na

área da educação emancipatória, de 23 de outubro de 1998 a 30 de outubro de 1999

participei do Curso de Pós-Graduação, em nível de Especialização em “Educação

Sexual” oferecido pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Como

requisito formal apresentei a monografia intitulada: “Aspectos da Educação Sexual

Emancipatória num Site Homossexual, na Internet – http://www.glssite.net”. Essa

pesquisa consistiu em analisar todo o site e saber como poderia melhorar sua

linguagem, para torná-lo especificamente voltado para a Educação Sexual

Emancipatória, ainda de uma minoria.

10
Ver glossário.

voltando-se para todas as categorias. Nesta época passei a freqüentar o NES11. relação atualizada de grupos e 11 Núcleo de Estudos da Sexualidade da UDESC. simulados por programas de computador. com o passar do tempo este passou por várias melhorias em sua programação e design12 tornando-se mais rápido e mais interativo. da UDESC. 12 Desenho. Inglaterra. fóruns. um grupo de colunistas voluntários (as) que escrevem sobre assuntos diversos. o site ampliou seu leque de abrangência. projeto. 13 Conjunto dos meios de comunicação de massa (rádio. O site recebe visitas de pessoas provenientes dos mais diversos países. mais de dez listas de discussões temáticas. sistemas de classificados pessoais e de bate-papos. Estados Unidos. 16 Que só existem potencialmente. Contém também. serviços. endereços de pessoas formadoras de opinião na mídia13 para utilizar-se na militância eletrônica. deixando de ser apenas focado nas minorias sexuais. layout. 4 Em questão de pouco tempo. posso afirmar que.As ligações de hipertexto que estão embutidas em um documento. e outros. notícias. dentre os quais destacam-se Brasil. links14 da World Wide Web15 para outros espaços virtuais16 da Internet de interesse similar. Portugal. Ele apresenta um sistema de busca variado. com a finalidade de desenvolver trabalhos em escolas e pesquisas com grupos da própria universidade. etc. TV. Relembrando o início do site. . Jornal. como pode ser visto no anexo nove (9). Hoje. 14 Links . um espaço destinado a informações sobre Educação Sexual que contém uma seção de perguntas e respostas prontas e outra para tirar dúvidas on- line. dicas. 15 Rede com a Amplitude do Mundo. esboço. a freqüência média de acesso é de oitenta a duzentas pessoas/dia.) Ver mais no glossário.

como por exemplo.br). em Florianópolis. Além disso. site Glsparty (www.br) já descontinuado.com. nesse sentido. a criação de uma enquete a qualquer tempo. que se encontra no Texas.midiagls. interessado em dar prosseguimento aos 17 Toda conta de e-mail acessível através de um browser (navegador) a partir de qualquer computador localizado no mundo que esteja conectado a Internet.Net foi “provedor de conteúdo”19 por dois anos do portal20 Matrix (www. EUA.Net é possível através de um login18 e uma senha com a “assinatura” (fulanadetal@glssite. 19 Provedor de Conteúdo – É toda aquela pessoa física ou jurídica que fornece conteúdo para determinados portais.Site que oferece uma série de serviços aos usuários (as) além de conteúdo. na seção destinada a cultura. localizado em Florianópolis-SC.com. um serviço de web-mail17. que se localizava no Rio de Janeiro-RJ. numa perspectiva de educação sexual emancipatória.com. espaço dedicado a pesquisas de opinião. 18 Um nome. localizado em São Paulo- SP e era “site âncora”21 do portal Midiagls (www. Hoje o uso desse instrumento tecnológico faz parte de um processo que busca propiciar um espaço pedagógico virtual para trabalhar a questão específica dos direitos sexuais como direitos humanos. o GLSSITE. Também. informações sobre Direitos Sexuais e outros Direitos Humanos.br). também descontinuado. e-mail e homepage. 21 Site âncora é um site de grande porte que serve de chamariz para portais. 20 Portal . .imais. 5 organizações não-governamentais e governamentais. sistema de oferta de empregos e busca de trabalho exclusivamente para o público homossexual.com.glsparty.floripa.com. O acesso ao web-mail do Glssite. um apelido.net). constituído em parceria com o. O site é bastante dinâmico e está em constante atualização. um conjunto de letras e números maiúsculos e/ou minúsculas. foi provedor de conteúdo do site Imais (www. Desde maio de 2003 está hospedado num do servidores do provedor de acesso www.br) também do Rio de Janeiro/RJ.matrix. até abril de 2003.br.

Continuam os autores informando que: Assim. Walter Benjamin. essa é a definição dessa denominação: “Escola de Frankfurt.glssite. concluindo as disciplinas obrigatórias em 2002. frente a essas dúvidas.net possui uma didática emancipatória? É possível se apropriar destas didáticas e usá- las com outros propósitos? Isto estaria acontecendo no www. Conforme Japiassú e Marcondes (1996 p. emigraram com o advento do nazismo. Na elaboração do projeto de dissertação senti várias vezes a necessidade de esclarecer dúvidas em relação aos objetivos de meu trabalho no site.a uma crítica da . pois a racionalidade científica e técnica conseguem o feito de converter o homem num escravo de sua própria técnica. segundo os autores. como por exemplo: o que as pessoas que acessam o site pensam a respeito de sua utilidade como instrumento que busca prestar uma educação emancipadora? Os usuários e usuárias vêem realmente o site como um instrumento educativo? É possível “trabalhar” o paradigma emancipatório em sua expressão na proposta de Direitos Sexuais como Direitos Humanos no site? Em que perspectivas? O www.glssite. aprofundando as origens hegelianas de Marx. no ano de 2000 ingressei como aluno especial no curso de Pós-Graduação em Nível de Mestrado em “Educação e Cultura” UDESC. A pretensão básica do grupo foi a de elaborar uma teoria crítica do conhecimento.net? Na minha caminhada. educação e sexualidade. Nome genérico para designar um grupo de filósofos e pesquisadores alemães que. etc. introduzindo um questionamento no sistema de valores individualistas. Jüngen Habermas. encontrei respaldo na Teoria Crítica da Escola de Frankfurt.112). Max Horkheimer. a escola de Frankfurt elucidou o caráter contraditório de conquista racional do mundo. unidos por amizade no início dos anos 30. Procedeu ainda. e . 6 estudos em educação. só retornando a Alemanha depois da Guerra: Theodor Adorno. em relação à mídia de uma maneira geral e mais especialmente à Internet. de um lado. de outro. e em 2001 tornei-me aluno efetivo. Herbert Marcuse. de modo mais ou menos radical.

objetos virtualizados tais como sites que disseminam informações. numa série de conferências radiofônicas pronunciadas em 1962. a alienação. nas pessoas. pergunto: pode a apropriação desta mesma mídia proporcionar a emancipação pelo esclarecimento? Em Adorno. Este último. da concepção positivista do mundo. Vida e Obra. Para Adorno. que diverge frontalmente dessa interpretação. não apenas adapta seus produtos ao consumo das massas. pois esta induz ao engodo que satisfaz os interesses dos detentores dos veículos de comunicação de massa. noções de normalidade e naturalidade. dos totalitarismos. categoria esta que pode ser utilizada pelo poder hegemônico para criar necessidades. Foi Fig. ao mesmo tempo. principalmente através da indústria cultural. nos objetos. mas. p. determina o próprio consumo. Os defensores da expressão ”cultura de massa” querem dar a entender que se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas.01 dialogando com Foucault que me veio à mente mais . a indústria cultural.” Também encontrei-me com Michel Foucault (1987 e 2001) e sua explanação sobre a construção cultural do poder e de como este poder está potencializado nas ações. mas. lê-se: “O termo (Indústria Cultural) foi empregado pela primeira vez em 1947. uma categoria forte nessa escola pós-marxista. constroem saberes. quando da publicação da Dialética do Iluminismo. 7 ”massificação“ da indústria cultural. em larga medida. ao aspirar à integração vertical de seus consumidores.7-8). etc. da Coleção Os Pensadores (2000. de Horkheimer e Adorno. educam.“ Essa teoria explicita que a realidade é um construto cultural. Segundo essa teoria. modelos de consumo. explicou que a expressão” indústria cultural “visa a substituir” cultura de massa “. este poder hegemônico utiliza-se das novas mídias para fabricar.

está por detrás da Internet? E. O termo também ficou esclarecido no capitulo III . fundador do utilitarismo.O Panoptismo – da obra de Foucault Vigiar e Punir (1987).” Uma de suas obras importantes foi o livro intitulado. presídios. hospital etc. intitulada O Panóptico (1786). também se situa a Internet. Bentham elabora todo um plano de organização arquitetural das prisões a fim de submeter os prisioneiros a uma vigilância permanente e poder reinserí-los no sistema produtivo. como instrumento cultural. o Big Brother. o da mídia. concretamente. minha dúvida se dissipou em grande parte quando me deparei com a explicação sobre o Panoptismo (Panopticon) elaborado no final do século XVIII (Fig. . E nesse contexto. do mesmo autor onde fica claro como esta estruturação arquitetônica para zoológicos. Princípios de Moral e de legislação (1780). que pode se prestas a manutenção do status qüo do hegemônico e. até. 28). Pretendia estender esse plano a todas as instituições de educação e de trabalho”. 8 fortemente a seguinte questão: quem ou o quê. desenvolvido depois por John Stuart Mill (1806-1873). exercício do poder. disciplinando-os conforme sua conveniência. De acordo com Japiassú e Marcondes (1996 p. ao exercício do panoptismo para a alienação e controle. quem sabe.02) e controla (Fig. escolas. e no capítulo XIV . “Em outra obra. O Grande Irmão. o poder hegemônico é a metáfora do Panóptico que a tudo vê (Fig.01). é assimilada politicamente com a nítida intenção de exercer controle sobre os corpos. “Jeremy Bentham (1748-1832) Filósofo inglês.O Olho do Poder – do livro Microfísica do Poder. ou seja.03).

Mas. na construção sócio-histórico-cultural da sociedade ocidental cristã. de uma maneira geral. Entendo que a sexualidade é um tema sobre o qual o ser humano.glssite. Por outro lado. enquanto buscava um fio condutor mais central para este trabalho tentava perceber o nexo em estar com um trabalho voltado para a emancipação e . tem seus direitos expropriados.net buscava trilhar este caminho. o conhecimento pode lhe proporcionar à emancipação. 9 Na realidade. E é na luta contra essa redução que o site continua. foi proibido de discutir emancipatória e conscientemente. 03 paradigma emancipatório em Educação Sexual. hegemonia e alienação estão interligadas porque a alienação é uma ferramenta do hegemônico. de pseudoverdades que incluem normatizações e naturalizações de práticas relacionadas à sexualidade humana. Por isso a importância de pesquisar constantemente se o site está orientado realmente por um Fig. o surgimento do www. oportunizando a desconstrução de mitos e tabus.02 emancipatório e do esclarecimento e essas descobertas só vieram corroborar o que eu pensava: muitas vezes. inclusive na dimensão da sexualidade. Com essa redução esse ser humano está empobrecido. do Fig.

ou seja. é própria da humanidade? Foi nesta caminhada que encontrei mais um cúmplice. afinal. ou seja. que Direitos Humanos são para todos e todas e que o diferente. os mecanismos que agem. o “não-normal”. que em seu livro – Escola e Democracia -. na página 37: 22 Entenda-se ferramenta. ou seja.25). 23 Rabardel (2003) pensa “instrumento” como algo antropotécnico. as ferramentas22. haveria a necessidade dessa atividade que justificasse a minha hipótese dos Direitos Sexuais como Direitos Humanos como se eles assim já não o fossem? Isso não funcionaria exatamente ao contrário do que esperava. trata da Teoria da Curvatura da Vara. . pensados ou concebidos em função do ser humano (antropocêntrico) e inclusive propõe a substituição do termo “artefato” por “instrumento” devido às múltiplas possibilidades de relacionamento com o mesmo. Perguntei-me algumas vezes: até que ponto há a necessidade de possibilitar às pessoas com orientação sexual distinta daquela estabelecida pelo poder hegemônico como “normal” e “natural”. Dermeval Saviani. ou seja. 10 esclarecimento de uma parcela muito privilegiada de nossa sociedade – a parcela que tem acesso a uma mídia mediatizadora global – a Internet. enfim? Haveria a necessidade de uma afirmação da identidade GLBT em nossa sociedade? E ainda. o “não-hegemônico”. Um processo sócio-histórico (1999. ao reapresentar o que me parecia óbvio. através do instrumento23 chamado computador. p. a diversidade sexual. aqui no sentido vygotskyano de mediação simbólica. o que significa isso? Saviani explica-a da seguinte maneira. não estaria fragmentando ainda mais o entendimento do global. Mas. o estranho. Para mais informações recomendo a leitura de Marta Khol de Oliveira – Vygotstky – Aprendizado e desenvolvimento. o “não-natural”. as relações de poder que se estabelecem. que possibilita acesso a Internet para que possam interpretar a sociedade em que vivem.

Levantar indicadores da compreensão dos pesquisados e pesquisadas sobre a relação entre os Direitos Sexuais como Direitos Humanos. ela fica curva de um lado e se você quiser endireitá-la. Lênin responde o seguinte: quando a vara está torta. . ela foi enunciada por Lênin ao ser criticado por assumir posições extremistas e radicais. ainda que com acesso limitado a poucas pessoas. elejo como área temática do trabalho a relação entre educação e sexualidade e como recorte específico a questão da mídia Internet e sua possível contribuição para uma proposta de educação sexual emancipatória. não basta colocá-la na posição correta. tornam-se objetivos específicos da pesquisa: . possa ser uma mídia que possibilite uma reflexão crítica. É preciso curvá- la para o lado oposto”.Desafiar os (as) freqüentadores (as) do site a exporem o entendimento que têm sobre Direitos Sexuais como Direitos Humanos. 11 “Conforme Althusser (1977. pp. direitos sexuais e humanos e de um site especializado. . . Portanto. Talvez este seja o momento de “curvar a vara” para o lado oposto na questão dos Direitos Sexuais como Direitos Humanos e essa teoria deve me acompanhar nos meus objetivos. emancipatória e libertadora por parte de seus (suas) usuários (as)? defino meu objetivo geral: investigar essas possibilidades. numa linha emancipatória.136-138). A partir da questão problematizadora central: quais as possibilidades da Internet colaborar para a reflexão sobre educação sexual.Aperfeiçoar o site a partir dos resultados da pesquisa. Nessa mesma linha.

Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno. poder e Internet virtual. no sentido “da dialética das relações entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido (mundo exterior)”. começo pela categoria Construto Cultural / Construção Cultural: estes termos significam que todo o conhecimento é uma produção histórico-cultural. p. Karl Marx.Análise dos dados através da Análise de Conteúdo de Bardin (1977). dentre outros. Lev Semenovich Vygotsky. com a finalidade de saber qual o entendimento que seus (as) usuários (as) têm sobre Direitos Sexuais como Direitos Humanos. . 12 Como caminho metodológico opto por realizar uma pesquisa de cunho qualitativo numa abordagem dialética. Serão executadas as seguintes etapas neste trabalho: .Revisão bibliográfica sobre temas centrais necessários ao trabalho: educação. . considerado o pai da epistemologia contemporânea.que vamos encontrar em Gaston Bachelard. mas. como bem deixaram claro Marx e Vygotsky. Quanto ao caminho metodológico.glssite. Michel Foucault.1996. Como já afirmei anteriormente tenho como cúmplices preferenciais neste trabalho como Jüngen Habermas. sexualidade. como encontramos em (JAPIASSU . Não se trata pura e meramente do termo – construtivismo . pelo www. . por exemplo.53).net. Dialogando com eles defino a seguir as categorias que são fundamentais neste trabalho no seu ponto de partida.Elaboração de propostas pedagógicas para aperfeiçoamento do site e de outros instrumentos de mídia. devidamente localizada no tempo e no espaço.

conforme Japiassú (1996). podemos dizer que o materialismo dialético reconhece como essência do mundo a matéria que. cada um deles formando uma totalidade. Em (JAPISASSÚ. impossibilitam uma leitura mais interpretativa das realidades estudadas. O fato é que.]3.] Para pensarmos a história.]. Mais tarde. a lei da contradição..71) vamos encontrar.[. (JAPIASSÚ. Aliás.. e o supera na medida em que eleva estágio superior [. Isto é o que norteia o meu caminho metodológico .23). as pesquisas de cunho positivistas (que surgiram com Augusto Comte) sempre foram amarradas ao conteúdo. p. 1996. momento que só se apresenta opondo-se ao momento que o precedeu: ele o nega manifestando suas insuficiências e seu caráter parcial.. Não é um método. São comparativas neste sentido e. a informação de que: “[. ao dado com outras informações.. Estas leis básicas caracterizam essencialmente o materialismo dialético”. Em Triviños (1987) vamos ler a afirmação de que a dialética é a luta dos contrários. Karl Marx vai se apropriar deste conceito de Hegel juntamente com Engels e formalizar o método dialético.. uma das características do positivismo é a de não aceitar outra realidade que não sejam os fatos observáveis. mas um movimento conjunto do pensamento e do real.71). Resumidamente. p. importa-nos concebê-la como sucessão de momentos. Sempre estava ligada mais ao “como” do que ao “porquê” se produzem às relações entre os fatos. Em Hegel.. 1987. de acordo comas leis do movimento. 13 Conforme Triviños (1987) “O Materialismo dialético apóia-se na ciência para configurar sua concepção do mundo. que a matéria é anterior à consciência e que a realidade objetiva e suas leis são cognoscíveis. a dialética é o movimento racional que nos permite superar uma contradição. 1996. diz Hegel. também. se transforma. p.(TRIVIÑOS.

1977.. mesmo através da disponibilização educativa e política de um site que permita uma relação dialética não só com a temática do mesmo. 14 nas análises de conteúdo feitas através de Bardin. tanto Adorno quanto Horkheimer explicam melhor sobre o conceito de esclarecimento em Dialética do Esclarecimento (1985). mas não é meu propósito me aprofundar neste quesito. termo que associa maioridade à autonomia da “voz ativa” (“Mund”=boca) como momento fundamental do ser esclarecido[. a temática era Educação e Emancipação. numa linguagem mais coloquial é que. ela é uma construção humana. A este propósito. Para Adorno (op. o que pretendo dizer. apesar de a Internet estar sendo usada de forma hegemônica. se é uma construção humana..]”. existe uma maneira de romper com ela (a hegemonia repressora). 1995. p.. mas que leve as pessoas a refletirem sobre a própria existência da Internet e como ela vem sendo usada. Em seguida.p. Em suma. para quem este tipo de análise é “um conjunto de técnicas de análise das comunicações”. trabalho com a categoria Emancipatório / Emancipação: a emancipação adota o sentido da pessoa devidamente esclarecida “quanto aos mecanismos de alienação e de manipulação ideológica presentes no sistema..] o objetivo da educação estaria na emancipação (“Muendigkeit”).. Num debate ocorrido na rádio de Hessen. p.48). neste trabalho.31).. transmitido em 14 de abril de 1968 entre Adorno e Becker. Pois.(BARDIN.cit. a emancipação metaforicamente estaria ligado à menoridade e maioridade.61) “[.]”Esclarecimento é à saída dos homens da sua autoculpável menoridade”. Alerto então para o fato de que.]” conforme (PUCCI.169) citando Kant. como já foi dito acima e.. e na revelação de verdades [. .. bem! Conforme ADORNO (1995 p. ele cita um breve ensaio daquele (Kant) intitulado “Resposta à Pergunta: o que é esclarecimento?”[.

emancipar e esclarecer também quanto ao poder. O www. Podemos falar numa irreversibilidade da implantação das tecnologias da informação e comunicação – TIC nos processos educativos que irão mudar significativamente a forma como vemos e exercemos a educação.net é um produto multimídia. Mediação. mediatizadas devidamente. podendo ser utilizado como instrumento de mediação. ou seja.glssite. é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação. Este processo não diz respeito somente aos novos métodos. e assegurar que não se percam de vista as finalidades maiores da educação. 15 Outra categoria que surge como ponto de partida do meu trabalho é a de Mediação: conforme (OLIVEIRA. p.6) fala de uma educação voltada para a autodidaxia. “Um conceito central para a compreensão das concepções vygostkianas sobre o funcionamento psicológico é o conceito de mediação. 1997 p.] entender como funciona esta autodidaxia para adequar métodos e estratégias de ensino. a relação deixa de ser direta para ser mediada por esse elemento”.. em termos genéricos. para educar. formar o cidadão competente para a vida em sociedade o que inclui a apropriação crítica e criativa de todos os recursos técnicos à disposição desta sociedade”. ou seja.26). aquela centrada no utilizador e para isso ela aponta duas razões: “[. .. Neste sentido Belloni (2001. proporcionarão novos conhecimentos. Também implica numa mudança significativa em relação à quantidade e a qualidade das informações que.

] – a expectativas dos jovens a serem formados para compreender sua época[..] – o crescimento nacional e internacional das privatizações de todas as tecnologias da informação[. seja por questões geográficas. que têm oportunizado o estudo e a atualização para pessoas de variados segmentos da sociedade. Conforme relata para a UNESCO. .. Isso fica bem evidente no momento em que sabemos do sucesso das várias formas de ensino à distância – EAD. nas escolas..] – a importância crescente da comunicação visual e da informação em todos os campos[. 16 Ao mesmo tempo em que ressalta estes pontos ela nos faz dois questionamentos importantes: “Como poderá a escola contribuir para que todas as nossas crianças se tornem utilizadoras (usuárias) criativas e críticas destas novas ferramentas e não meras consumidoras compulsivas de representações novas de velhos clichês? [. 2001 p. a saber: “O consumo elevado das mídias e a saturação à qual chegamos – a importância ideológica das mídias.]”. E... p. nos apresenta sete motivos que devem nos levar a ensinar as mídias.8). 2001. seja por questões relativas a disponibilidade de tempo... notadamente através da publicidade – a aparição de uma gestão da informação nas empresas[. Para Belloni as TIC só fazem sentido se realizadas em suas duplas dimensões: como ferramentas pedagógicas e como objetos de estudo. a educação para as mídias relaciona-se diretamente com a educação para a cidadania e democratização das oportunidades educacionais e do acesso ao saber.....] Como pode a escola pública assegurar a inclusão de todos na sociedade do conhecimento e não contribuir para a exclusão de futuros ”ciberanalfabetos” ?” (BELLONI.(MASTERMANN (1993) apud BELLONI.10).] -a penetração crescente das mídias nos processos democráticos[..

p. mas ele transita entre tudo e todos. . “um elemento mediador”.161). etc. onde a informação vira moeda de negociação.111). no contexto sócio-cultural. a informação vira poder. parte do meu eixo das reflexões iniciais para a pesquisa. Trabalho com base no entendimento de que o poder não se encontra num lugar específico. Nela. p. elaboram seus próprios signos relacionais e têm a capacidade de aprimorar as tecnologias disponíveis para tal. socialização. 1996. Uso principalmente as obras de Michel Foucault: “Vigiar e Punir”. o computador passa a juntar-se aos demais eletrodomésticos e torna-se uma ferramenta multiuso (como se fosse um “cybercanivete” suíço) de pesquisa. 17 Portanto. é a da multimídia. Com o advento das interconexões possibilitadas pela Internet. p. principalmente no que diz respeito ao texto. É apropriado e delegado conforme as 24 No sentido de Vygotsky. onde trabalhou principalmente sobre como tornar os corpos dóceis. Outra categoria importante. portanto (do ponto de vista foulcaultiano). somos sujeitos que. chego à categoria Poder. além de tornar claro o princípio do panoptismo de Jeremmy Benthan e “Microfísica do Poder” (FOUCAULT. 1987.27). Com o surgimento do computador passamos a contar com um instrumento 24 complexo e dotado de várias ferramentas úteis. E.(OLIVEIRA. por último. incluo a Internet. à base da punição e do controle através da tecnologia da disciplina (FOUCAULT. estudo. em que apresenta a idéia de “como o poder pode ser considerado explicativo da produção dos saberes”.

Essas são as premissas básicas que me remetem à busca dos fundamentos pedagógicos no capítulo que segue. os significantes e significados do poder em diversas instâncias. . inclusive na sexualidade.248). II e III. p. Ele esteve mais preocupado em fazer um estudo semiótico25 sobre a representatividade. “O poder não existe [. e que foi bem constado em sua última obra: a “História da Sexualidade” volumes I. 25 Ciência geral de todos os sistemas de signos. 18 conveniências.. mais ou menos coordenado” (FOUCAULT.] Na realidade. 1996. 2001.244). conforme (JAPIASSÚ.. o poder é um feixe de relações mais ou menos piramidalizado. Foucault não chegou a fazer uma taxionomia do poder. p.

19 CAPITULO 1 Refletindo sobre a Internet .

Neles há informações que podem tratar de vários assuntos.a mais recente forma de interação entre indústrias e/ou com revendedores/as sem a intermediação de um provedor de acesso. apresenta gigantescas comunidades residenciais e de negócios através dos chamados “portais”. também. inicialmente. . rádios-transmissores e satélites é o mais novo espaço de comunicação criado pela humanidade. mas. Nascida. 20 A Internet pode ser considerada a mais sofisticada rede de comunicações que a tecnologia humana já pode conceber. proporcionando troca de informações e encontros virtuais entre pessoas localizadas nos mais remotos lugares do nosso planeta. tal qual uma enorme teia. Nos espaços virtualizados podemos encontrar setores destinados a depósitos de informações especializadas sob a forma de sítios (sites). provedores de acesso ou shoppings virtuais. Entendido por muitos como ”mundo virtual”. multimídia26. desde comércio entre empresas (busines to busines). que utiliza milhares de quilômetros de cabos telefônicos. não só pelo seu caráter global. para fins militares. ao redor da Terra. onde o computador de um acessa uma parte do computador do outro. comércio entre a indústria ou revendedora com o/a consumidor/a (business to consumer) e o peer to peer . que podem ter várias páginas (homepages). Sites esses. posteriormente. 26 Ver glossário. Este instrumento fantástico. passou ao domínio público. até o presente momento. usando servidores próprios. ela passou a ser o elo entre as comunidades científicas na última década e.

21

Sites em que você pode apresentar um currículo particular, com os dados de

uma determinada pessoa buscando por emprego.

Estes sites se prestam também, a encontros virtualizados entre duas ou mais

pessoas que, para isto, podem se utilizar de vários programas, os chamados chat

´s27, como por exemplo o programa denominado IRC28, ou ainda, as salas de bate-

papo de imensos portais, como aquelas encontradas no UOL, Terra, IG, Ibest,

Yahoo, Globo, só para citar alguns.

À medida em que os diversos sites são criados e organizados segundo os

princípios ideológicos de seus autores, a Internet acaba se constituindo num espaço

pluralmente articulado de formação e informação, regulado por relações de poder

verticalizadas e horizontalizadas.

Se de um lado as informações ideologicamente conservadoras e sectárias,

podem induzir à formação de pessoas alienadas, reforçando as posturas

preconceituosas e unilaterais, por outro, há quem acredite que a Internet possa

também estimular a cidadania plena e as mudanças sociais para um mundo mais

democrático e igualitário.

“Tapscot defende a tese de que a tecnologia assumiu definitivamente a
distribuição do conhecimento e a distribuição do poder, forçando uma
mudança radical nas relações entre o Estado e o cidadão. Excessivamente
informado e com todo o ferramental de comunicação ao alcance das mãos,
o cidadão se torna cada vez mais consciente e impaciente com a
inoperância político-burocrática dos governos, passando a agir mais
fortemente para uma mudança mais radical nesta relação” (SANTOS, 1999,
p.d2).

27
Bate papo.
28
Internet Relay Chat –sistema que permite a muitos usuários conversarem em tempo real através da Internet.

22

Portanto o mundo virtual constitui-se numa forma pela qual as pessoas

acreditam estar subvertendo o que está estabelecido, ao menos nas relações

interpessoais, uma vez que o anonimato garante o exercício pleno das exposições

dos mais profundos desejos, sejam relacionados ao amor, ao sexo, ao carinho, entre

os gêneros masculino, feminino e transgêneros, com pessoas de diferentes

orientações sexuais, geograficamente dispersas, etc.

Desta forma, ela apresenta-se não apenas como esse novo instrumento da

multimídia que pode servir aos propósitos mercantilistas e de lazer, mas também à

Educação e nela a Educação Sexual de seus usuários e usuárias e dos educadores

e educadoras sexuais, que todos e todas somos.

Entendo a sexualidade como uma construção sócio-histórico-cultural, e com

características distintas em cada sociedade. Todavia percebo que estas

características sofrem um questionamento, quando confrontadas com o paradigma29

hegemônico de sexualidade imposto pelo dito primeiro mundo ocidental cristão.

Este paradigma hegemônico está baseado em valores histórico-culturais

judáico-cristãos que prescrevem a única aceita relação heterossexual com fins

procriativos, dito “normal” e “natural”, quando são e essencializadas as funções dos

aparelhos sexuais, denominados por eles (e, em muitos livros sobre biologia e

educação sexual) como “aparelhos reprodutores”, cujo conteúdo está destituído do

direito ao prazer.

Desta forma, a ideologia por detrás do paradigma hegemônico é essencialmente

heterodominante e excludente quanto às demais formas de conjugação sexual e

29
O conceito de paradigma, aqui, é o de modelo.Um padrão. Conceito que se aproxima do de Thomas S. Kuhn,
onde paradigma é um modelo epistemológico (conhecimento).

23

afetiva. Isto, por exemplo, abre um precedente para a existência de movimentos

homofóbicos.

Sem dúvida, a importância desta pesquisa está na busca da ampliação e difusão

de conhecimentos relevantes sobre a sexualidade humana, através de um

instrumento da multimídia moderna, abrangente e eficiente (a Internet).

Um espaço, um site, que certamente se constituirá num local de permanente

consulta e discussão para educadores e educadoras sexuais, daí sua

responsabilidade.

Através dessa troca (feedback), as pessoas poderão contribuir para o

aprimoramento desse veículo de formação e informação de opiniões, visando o

exercício da cidadania plena e real e a construção de uma sociedade com mais

conhecimento e baseada nos direitos a livre expressão sexual de seus cidadãos e

cidadãs.

Lendo a introdução da dissertação de Bittencourt (1999, p.8) , encontro a

seguinte afirmativa:

“Com grande crescimento do potencial interativo introduzido pela Internet, e
levando em conta a educação como um todo, a modalidade educação a
distância transformou-se em com uma excelente alternativa, pois além de
atender um grande número de pessoas que estão dispersas
geograficamente, e conseguir atender aos anseios do sistema educacional
convencional, através da EaD é possível desenvolver nos indivíduos
participantes,o nível de consciência capaz de dar possibilidades de refletir e
transformar a sociedade.”

É também desse autor a constatação de que:

“Com a expansão das Redes de Computadores e, principalmente com o
advento da Internet surgiu a Comunicação Mediada por Computador (CMC

vamos falar um pouco do acesso à rede e. que não é limitada pela Web. provendo o maior enriquecimento das comunicações. O que deve ser discutido é a exclusão do conhecimento a. logo se conclui que há uma exclusão social e. A Internet foi o veículo que conseguiu. CMC é qualquer sistema capaz de apresentar e/ou transportar informações de um computador para uma pessoa ou de pessoa para pessoa e por meio dos computadores. deu uma entrevista para o repórter André Borges da revista Internet Business ( 2002. sexualidade e Internet sem falar também sobre a reprodução. a discussão sobre os limites e a sua inserção social. estão no caminho certo? London . Jack. empresário.sobre este assunto temos uma primeira questão. e introduziu um grande número de novos recursos. Sabemos que a força da Internet é tamanha e que penetra na vida do cidadão de tal maneira que traz. que deve ser melhor esclarecida. p. que é muito debatida. Segundo Lohuis apud Otsuka (1996) . Temos 7 milhões de assinantes de jornais diários no Brasil.58). que ainda se restringe algo em torno de 7% da população. E. A CMC possibilitou uma comunicação muito mais rápida. O economista. mas da qual tenho uma visão diferente da usual. chegar a menor exclusão. menos de 3 milhões de assinantes de revistas. mas por uma questão da organização da sociedade como um todo. E quando se discute a questão da imprensa. no mais curto espaço de tempo. mas social. Isto quer dizer que o fenômeno não é digital. no mundo virtual da exclusão que ocorre no plano do mundo dito real. como se isso fosse um calcanhar de Aquiles da Internet ou um equívoco da organização da rede como instrumento econômico e que pudesse colocá-la em xeque. 24 – Computer Mediated Communication). continua: Como temos 11 milhões de usuários. promovidas pelo governo e o setor privado.” Nesse momento percebo que não posso falar sobre a temática educação. consigo. o escritor e estudioso da World Wide Web. onde diz: “IB . Trata-se da chamada exclusão digital. Sabe quantos usuários a TV a cabo tem? Quatro milhões.“ . intensa e eficiente. você não ouve falar em que exclusão de mídia impressa e o do cabo. do conhecimento. As ações de popularização da Internet.

E.glssite.Marcador de Hipertexto. softwares31. . É a linguagem usada para escrever um documento World Wide Web. monitor. principalmente por conta da mediação que estabeleço com ela. à medida que me aproprio de algo. Reflexões sobre mediação Criar um site voltado à Educação Sexual não é tão simples como parece ser. na medida em que vou me apropriando dos objetos. 31 Sistema de processamento de dados de um computador. então de 30 Parte física de um computador . Ele deve proporcionar cada vez mais uma mediação necessária a uma compreensão cada vez mais aprofundada de conceitos que devem ser abstraídos.32 O site deve servir como um instrumento que remeta à uma reflexão permanente por parte de seus usuários e usuárias. Mas afinal. Programa de computador. os hardwares30. o que seria essa mediação? À luz de Vygotsky (1997). registrando a importância mediadora da Internet. placas etc. há grande possibilidade de elas mudarem suas formas de pensar. desse processo. 32 HypertText Mark-Up Language . Isso quer dizer que. vou modificando minha forma de pensar. seja qual for a abordagem.material eletrônico. 25 Tudo isso me leva a perceber e destacar. modifico a própria ferramenta. linguagens de programação e escrita HTML. seja para incluir ou excluir pessoas. mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação: a relação deixa. Conforme o pensamento de Rabardel (2003). em termos genéricos. o currículo oculto. na medida em que as pessoas vão se “apropriando” de um site emancipatório tal qual o www. Há muito mais fatores envolvidos do que apenas a parte técnica relativa às tecnologias. periféricos.

tem um elo de ligação.net) um instrumento do mediador ou mediadora. é a interface34 que amplia as possibilidades de reflexão. “Um dos conceitos mais úteis e importantes de Vygotsky (1974) para esse domínio é a zona de desenvolvimento potencial. para quem a aprendizagem deve seguir o desenvolvimento. na escola professores e professoras. 33 No sentido de Pierre Rabardel (2003). seja para a emancipação. ou seja.glssite.. A Internet (e nela o www. Ao invés de ser só estímulo e respostas. mas que pode realizar com o apoio de um colega ou de um adulto. situa-se nessa zona.] Esse autor defende que a “interação social ela é a origem e o motor da aprendizagem e do desenvolvimento intelectual” [. “Proponemos um modelo que sitúa al instrumento como tercer pólo entre el sujeto y el objeto (em el sentido filosófico del termino. . Assim. E continua o autor relembrando: Pode-se afirmar que. O site e todos os seus elementos caracteriza-se sempre como instrumento de mediação. em parte contrariando Piaget (1977). 26 ser direta e passa a ser mediada por esse elemento. quando ocorre.] a interação social é o “ponto de partida de uma condenação cognitiva cujos efeitos se manifestam posteriormente nas produções individuais”.” 34 Meio através do qual o usuário de computador interage com um programa... Conforme Morgado (1998). os (as) colegas mais experientes são os (as) principais mediadores. A aprendizagem. O autor procura explicar a distância entre o nível de desempenho atual das crianças e que aquilo que ela não é capaz de fazer sozinho.. o sistema operacional. para Vygotsky é a aprendizagem que promove o desenvolvimento. O mediador é quem ajuda a concretizar um desenvolvimento que a pessoa ainda não atinge sozinha. ou não! Instrumento33 aqui entendido como um Elemento que é interposto entre usuários (as) e o conteúdo. ao intervir e estimular exatamente na zona de desenvolvimento potencial [.

a Teoria Crítica. etc. rádio. todos (as) os (as) esses (as) usuários (as) são sempre. na época. através de pensadores tais como Max Horkheimer e Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno e. todos (as) sempre mediadores (ras). 27 No caso do educador ou educadora.net. neste momento histórico. Mediação.glssite. é parte integrante da mídia de massa (mass media35) sendo um nicho constituído de um pequeno número de pessoas privilegiadas economicamente. relacionando-se entre si. e cada vez mais. assim como busca ser mediadora na perspectiva emancipatória a proposta pedagógica do construtor do site www. Alienação. Na realidade. como vimos.glssite. pois estava centrada. entendo que essa teoria não deu conta de explicar toda a sociedade e as relações humanas presentes nela. ampliada pela Teoria Crítica.net. a Internet e nela o www. Teoria Crítica e o Direito a Informação – Mass Media. partindo do pressuposto de que. educadores (as) e educandos (as) uns dos outros e portanto.). E qual seria essa base pedagógica? Busca-se no site trabalhar e propor conteúdos voltados inicialmente à crítica à tradição racionalista proposta pelo materialismo histórico. ele torna-se uma excelente ferramenta de pesquisa e construção do saber. . em sua relação com usuários e usuárias do Glssite. Todavia. televisão. O Materialismo Histórico é teoria formulada por Karl Marx (1818-1883) que busca tecer uma crítica à tradição racionalista. Já. surgida a partir dos anos 30. e entre os usuários e usuárias. na questão material da sociedade e na estrutura econômica das mesmas.net. 35 Para Houais (2001) é o conjunto dos meios de comunicação de massa (jornal.

que devem ser utilizadas para a ”fabricação do consenso” . ao tratarem do tema “socialização no ciberespaço”. e a libertação da humanidade da ignorância. Também Chomsky e Dieterich (1999. categorizam os indivíduos atingidos pelas mass media.. a fracassada socialização escolar. E prossegue dizendo que: No seu clássico ensaio (afirmativo) sobre necessária doutrinação das massas na democracia liberal. a denúncia dos totalitarismos. e as transnacionais da imagem entram por elas como se estivessem em sua própria casa. que tem como metas a busca do real além dos fatos. busca dar ênfase à concepção materialista da história. Entendo que a dimensão que hoje mais se aproxima das tendências atuais na teorização educacional crítica é exatamente a dimensão cultural. Jüngen Habermas. estas portas estão abertas em nível mundial. 28 posteriormente. a crescente violência se viu e as conseqüências pessoais que resultam do desemprego estrutural e da reprodução atrofiados. implantando a ”verdadeira . gerem com um potencial desestabilizador incontrolável para o regime. p. Ao fazê-lo. Essa perspectiva foi e continua sendo fundamental para a criação e manutenção pedagógica do site de Educação Sexual. Bernays define os meios de comunicação de massa como” portas abertas à mente pública “(open doors to the public mind).. a busca da autonomia do homem e da mulher.] Hoje.em benefício da classe dominante [. mas usando para isso também a dimensão cultural. levando os agentes sociais a saírem da condição de “objeto” e a colocarem-se como “sujeitos” do processo educacional. principalmente a televisão: “Para este exército industrial de reserva e o crescente exército de pessoas e lumpenizadas.211). Edward L. a ”educação“ fica nas mãos da televisão é a função dos meios de comunicações audiovisuais impedir que a crescente desintegração familiar. dentre outros. o desmascaramento das manipulações ideológicas. a Teoria Crítica propõe desencadear a auto-reflexão.

tendo sido a mesma precedida pela invenção da imprensa. desde a década de 80. Finalizam. que a primeira cultura realmente universal na história do homem. que permite o ser humano comunicar-se em tempo e espaço do real à semelhança do cérebro humano.217).”“. nós estamos vivenciando a quarta revolução informático-cultural da época moderna. Para os autores acima citados. dados e vozes (grifo meu). também fazem a seguinte comparação: “Trata-se de um verdadeiro sistema neurológico mundial . o que permite a comunicação instantânea mediante a transmissão de imagens. e atualmente estamos vivendo a revolução da multimídia”. a partir da década de 80. fez aparecer uma cultura auditiva de massas. em 1445. nos anos 20 do século XX.(p. para Chomsky e Dieterich (1999) “Teve por base o uso massivo dos computadores.uma gigantesca rede de transmissores e receptores que interage. 29 essência do processo democrático” até no último o rincão do submundo capitalista. e mediante agentes” neurotransmissores “eletrônicos -. que gerou uma cultura escrita universal para uma elite informativa. A seguir. definem: “Por ”multimídia” entende-se a convergência das funções do telefone.“(p. afirmando: .216). está-se criando a cultura cibernética. A quarta revolução. cuja rede de mais de 100 bilhões de neurônios transmite informação por meio de neurotransmissores químicos”. Com este o último desenvolvimento. Em seguida. seguida pela evolução comunicativa das imagens da televisão e nos anos 50. depois o emprego do rádio. da televisão e do computador numa só tecnologia.

Este é um sonho de controle ideológico. Conceito de Poder – a Internet sob a Ótica de Foucault Ao dialogar com Michel Foucault aprendi que o poder emana de tudo e de todos. < pix [pl. máquinas movidas a programas utilizadas por pessoas. 36 Espaço cibernético. de picture] + el(ement). Inform. e que só pode assumir uma única cor por vez. m. nos fetiches “pixelizados”37 que demandam o consumo em esfera global.. mas constitui e é constituído. que impregnam os hipertextos bem como nos signos. Portanto está o ciberespaço também “minado” pela questão do poder. Ele (o poder) não tem uma direção. seu enorme potencial de doutrinação a capacidade de criar um mundo novo. Na Internet encontramos o poder tanto na esfera dos discursos. conferências de especialistas etc. sendo uma voltada para a elite (como banco de dados. jornais. abrev.] S. ambos autores afirmam que o ciberespaço36 será dicotômico e se constituirá de duas dimensões. [Ingl.216-217). Isto equivale a dizer que o poder como tal pode ser exercido através de múltiplas linguagens e signos. às vezes é sutil e subliminar. A menor unidade gráfica de uma imagem matricial. De forma profética. que operam longe de qualquer controle democrático das maiorias que constituem o objeto da sua atividade. [É o tamanho ou extensão do pixel que determina o grau de resolução da imagem: quanto menor for aquele. maior será esta. derivado de picture element.” (p. de pic.]. 30 “Enquanto as bases tecnológicas o do ciberespaço são uma digitalização ( a elaboração da informação em forma binária ) e a multimídia. não é linear. O poder pode ser delegado. por que o novo mundo global está sendo criado a imagem de um punhado de empresas transnacionais e. próprio e global: a realidade virtual. informação econômica. . 37 Pixel .) e outra para a doutrinação das massas. 1. 'elemento de imagem'. apreendido.

cujos recursos podem ser compartilhados. colocar opiniões. “enganando” a Internet. um nick (um apelido). no mundo tangível. independentemente do tempo e do espaço. o “status qüo?”. como cita Weininger (2001. direto ou indireto. estão tremendamente enganados. que podem ser alcançados por qualquer pessoa localizada geopoliticamente em qualquer canto deste planeta. como instrumento.” Trazendo o discurso ao foco deste trabalho. em seu trabalho: “O uso da Internet para fins educativos”: "[. é muito mais poderosa do que se pensa. “hackeando”38 sites. que esta atividade implica. proporcionar uma educação emancipatória que pode ser socializada em escala planetária. p. essa potencialidade incorpórea. virtual. . divulgar informações e muito mais. Todos (as) têm uma função específica.] a Internet não deve ser apenas encarada como milhões de computadores. portanto. 31 Aqueles (as) que acreditam estar subvertendo as identidades civis. Se num primeiro momento posso trabalhar num contexto de produzir informações que vão gerar conhecimentos de cunhos emancipatórios e libertadores. que é a de reproduzir virtualmente o que é. real. isto é.. a questão que se coloca é: é possível se apropriar deste espaço virtual para fazer contraposto ao que está estabelecido e que faz a manutenção do estado atual das coisas. por outro lado não posso me esquecer do custo financeiro. 38 Hackers são programadores que invadem sites para demonstrar a fragilidade do sistema de segurança. que podem entrar em contato como pessoas. e sim como os milhões de seres humanos atrás das telas e dos teclados: cientistas. A internet. fazer perguntas ou respondê-las. discutir.. através de um codinome qualquer. trocar informações e dicas. Minha reflexão admite duas respostas: sim e não. Afinal de contas.1). professores. alunos e pais.

a descontextualização a que somos reintegrados (as) consecutivamente para que não possamos abstrair a realidade da mesmice que muitos (as) de nós vivemos. Não há escapatória. E. Frente ao exposto. de nossa cidadania. no final das contas. posso produzir informações a partir de minha residência e arcar com as despesas financeiras que isto implica ou de uma instituição pública quando. . o que fazer com a grande parcela de “ciberexcluídos” vítimas das outras facetas da mass media? Esta é uma interrogação que me leva a reflexão de que devemos ter em mente também a questão da alienação. vou descobrir que faço parte dos (as) contribuintes que pagam os impostos que custeiam a rede de Internet daquela mesma instituição. enquanto falo das possibilidades de uma educação emancipatória através desta nova multimídia para os (as) “ciberincluídos”. a partir deste ponto. 32 De uma maneira mais simples. reflito sobre as possibilidades de resgate de nossos direitos.

33 CAPITULO 2 .

não a corporações. tais como definidos em documentos assinados por governos da maior parte dos países. "moedas". Mais adiante. mas as leis internacionais se aplicam a Estados. 100 milhões de crianças morando ou trabalhando nas ruas e. Conforme o jornalista Rolf Kuntz.oestado. afirma o relatório. mais de 1 bilhão sem acesso a água limpa no mundo subdesenvolvido. O ódio racial. percebo que os direitos humanos viraram moedas a serem negociadas fora da jurisdição da ONU e. Daí as pressões para inclusão dos direitos nos acordos de comércio. ele continua comentando o fato e faz uma interrogação: "Esses números são tratados no relatório como negações dos direitos humanos. no sentido que está se . religioso e contra minorias sexuais continua provocando violência.com." Neste particular. A segunda delas nos chama a atenção: "2) Falhas de jurisdição . 790 milhões de indivíduos subnutridos. como novidade.Organização das Nações Unidas informa que milhões de pessoas vivem sem direitos. 34 De acordo com o site www. 2. de 29 de junho de 2000 um documento da ONU .2 bilhão de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia. 34 milhões de infectados com HIV.br. Também as empresas transnacionais "podem ter enorme impacto nos direitos humanos".4 bilhões sem saneamento. do referido jornal: "O mundo encerra o século 20 carregando problemas do século 19. foi por sua iniciativa ou em resposta a pressões. Como cobrar a efetivação desses direitos”? Este documento aponta para três dificuldades essenciais a serem tratadas imediatamente." (2001). enquanto os acordos comerciais são sustentados por meios de imposição.os mecanismos de efetivação dos direitos humanos são fracos. Se algumas delas adotaram códigos em relação ao problema. com 1.

por um motivo ou outro. intitulado “Conferência Aprova Ações contra Impunidade e Propõe Sistema de Proteção dos Direitos”.sapo. Dependendo da fonte. Digo "possível". já dava o tom e a palavra-chave a ser perseguida na luta por inclusividade e reconhecimento de que ninguém pode ser discriminado(a) com base em sua orientação sexual. A quantidade de números diferentes que se ouve ou se lê é inacreditável. 191. 35 colocando aqui. Neste momento chegaríamos a 191 + 2 = 193 (Fonte: Disponível em <http://tsf. Reafirmo que tanto na esfera econômica como no campo do direito humano há relações de poder e. direitos humanos e poder financeiro podem até se equiparar. para muitas pessoas. o número 189 é muito usado para representar a quantidade de países no mundo. Por isso. há ainda dois países (Taiwan e Vaticano) que são independentes e que não são membros da ONU. Embora este número represente quase todos os países no mundo. em muitas circunstâncias. encontraremos como resposta 189. no sentido foulcaultiano. acessado em 06/11/03) ou disponível em <http://geography. Sabemos que existiam 189 países membros das Nações Unidas.about. a Internet. E. Obviamente. e como essa rede da qual procuramos nos apropriar.asp?id_artigo=TSF113476&seccao=&id_comment=489550>. Sigo buscando então o esclarecimento se é possível. não porque os instrumentos podem não estar lá. as informações podem não estar.com/library/weekly/aa091399. é mesmo no sentido mercantil. um documento encaminhando a VI Conferência Nacional dos Direitos Humanos expedida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.htm>. 192 ou 193 países independentes no mundo. Em 2001. pode promover uma possível educação emancipatória. acessado em . mesmo com o esclarecimento. foi neste sentido 39 Uma pergunta sobre geografia muito freqüente é "Quantos Países existem no mundo?". A impunidade sempre esteve ligada historicamente às questões de Direitos Humanos em quase todos os 19339 países neste nosso planeta.pt/online/forum/interior. mas sim porque pode acontecer de “tudo” estar lá e a pessoa optar simplesmente pelo oposto. são estas relações de poder que acabam se tornando o fio condutor central. até 03 de março de 2002 (hoje são 191 países membros). pois a maioria das fontes utiliza critérios diferentes do que os que realmente identificam um País. em 05 de junho de 2001.

entre 23 e 27 de agosto de 1999. 06/11/03. O próprio Plano Nacional de Direitos Humanos (Brasil) – PNDHU.Congresso Mundial de Sexologia. . isto não se tornou realidade. decidida em Valência e promulgou-a durante o evento. a Assembléia Geral aprovou as emendas para a Declaração de Direitos Sexuais. no congresso seguinte da WAS - World Association for Sexology . em 29 de julho de 1997 (anexo 2) durante o XIII Congresso Mundial de Sexologia “Sexualidade e Direitos Humanos”. a dignidade do ser humano e em seu artigo 5º citar que “todos são iguais perante a lei”. dentre os princípios fundamentais. Mais tarde.leia-se ONG´s . como um libelo de defesa desses direitos. em sua edição XV. mas também na “formulação do direito”. divulgando-o mundialmente desde então (anexo 3).ocorrido em Hong Kong (CHINA). conforme o anexo 1. faz propositura de emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por orientação sexual. começaram a pensar na elaboração de um documento de cunho "afirmativo e identitário". devendo isso ser entendido e observado obrigatoriamente não só pelos “órgãos que aplicam o direito”. Já em 1997 surge a Declaração de Valência/Espanha sobre os Direitos Sexuais. na realidade. 36 que a comunidade científica na área da sexualidade devidamente articulada com a comunidade civil . Essa Declaração hoje percorre o planeta. Mas apesar do fato de até a Constituição da República Brasileira elencar.Organizações Não-Governamentais e militantes autônomos de outras áreas.

37

Todos os dias os direitos humanos, e neles os sexuais, vêm sendo aviltados em

nosso país, apesar das diretrizes constitucionais e o novo código civil. Como o meu

recorte epistemológico é essencialmente sobre as minorias sexuais e, dentre estas,

como ponto de partida para o site, as pessoas GLBT´s, há que registrar que para

elas, há muito tempo, há mais deveres que direitos e por isso o caráter afirmativo

dos onze pontos dos Direitos Sexuais, formulados pela comunidade científica –

WAS, tem um peso político imenso junto a essa parcela da comunidade.

Em abril de 2003 o Brasil tentou incluir através de uma proposta de revisão a

questão da Orientação Sexual no que tange a Declaração Universal dos Direitos

Humanos (anexo 4), junto a ONU e foi vencido no que até, para alguns, foi

denunciado como uma manobra política de cristãos e muçulmanos fundamentalistas

essencialistas (cristãos e muçulmanos crêem que o sexo exista apenas para a

reprodução. Para esses, o prazer carnal está num patamar inferior à espiritualidade

e à transcendência.). Portanto, nessa visão, culturas que aceitam o prazer pelo

prazer são geralmente entendidas como inferiores.

Mas, felizmente, muitos países estão mudando sua mentalidade e adequando-

se às necessidades e aos anseios de seus cidadãos e cidadãs, incluindo aí também

a questão dos GLBT´s.

Mas, quem são afinal esses cidadãos e cidadãs? Como resgatar seus direitos?

Como buscar emancipação para todos e todas os/as cidadãos/cidadãs no mundo e

garantir que os direitos sexuais sejam finalmente entendidos e desvelados como

parte indissociável dos direitos humanos?

38

Reflexões sobre Direitos Humanos e a Constituição Brasileira

Na busca desses direitos empreendi uma pequena revisão da Constituição

Brasileira, mais especificamente naqueles capítulos ou parágrafos que dizem

respeito aos Direitos Humanos.

Sobre a questão dos Direitos Humanos no panorama legal do Brasil, a

Constituição da República Brasileira elenca, dentre os princípios fundamentais, a

dignidade do ser humano e em seu artigo quinto (5º) cita que todos são iguais

perante a lei.

Sublinhei (literalmente) alguns aspectos de nossa Constituição Federal, que não

se encontram em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos,

ao mesmo tempo se configuram em categorias exemplares para outros trabalhos

científicos que queiram fazer a leitura da Lei sob a ótica da exclusão social, exclusão

sexual, exclusão de gênero e por orientação sexual, conforme Warken e Warken

(2003, p.9)

“Algumas palavras, estrategicamente colocadas, ou, simplesmente
registradas de qualquer forma, levam a interpretações diferentes. Tal fato
também nos reconduz ao aspecto educacional como ponto basilar da
replicação da exclusão”.

Conforme os autores, constatações óbvias podem ser feitas: a democracia

expressa na Carta Magna é alvo de medidas provisórias e tropeços interpretativos.

O direito, quando acessível pelo cidadão e cidadã que o busca, possui um

contraponto na morosidade burocrática de sua prática.

39

O bem-estar da população tem dificuldades no que tange as questões relativas a

seguridade social, a inacessibilidade a um plano de saúde terceirizado que

contemple todas as pessoas ficando a cargo da exploração comercial. A liberdade

encontra um poder paralelo demandado pela criminalidade, em especial o

narcotráfico. A igualdade é um disparate. O menor trabalhador que tenta ajudar em

casa não tem guarida na própria Consolidação das Leis do Trabalho – CLT;

mulheres continuam ganhando subsalários cumprindo as mesmas tarefas e, em

muitas vezes, enfrentando jornada dupla de trabalho. A questão das aposentadorias

é sobejamente conhecida por todos (as), em seus tropeços.

A noção de família está dispersa, mas é mal delineada no Código Civil, que não

permite, dentre outras coisas, que casais de pessoas de mesmo sexo possam

efetivar uma adoção em conjunto, já avisava a página 33 do jornal Diário

Catarinense, de 19 de janeiro de 2003: “DIREITOS HUMANOS – Direitos foram

ignorados na nova lei e especialistas consideram a falha um retrocesso –

Homossexuais Foras do Código Civil”.

A única possibilidade é a adoção por uma das partes, já que a noção de família

está ligada a noção casal e este deve ser constituído por pessoas de sexos

diferentes, favorecendo esse entendimento às pessoas heterossexuais. O pluralismo

é apenas um adjetivo democrático, que também encontra dificuldade em ser

expresso pelos próprios artifícios legislados.

Portanto um país sem preconceito é um sonho ainda distante de se tornar

realidade, pois as desigualdades sociais são imensas.

foram destacados os incisos I e IV. p. Neste. etc. Naquele. onde a liberdade. além de afastar diversos preconceitos. . trabalho.10). 5º. no segundo. a promoção do bem de todos. deixando dizer que: todos são iguais perante a lei.574. onde são expressos os objetivos fundamentais da República. sem distinção de qualquer natureza. poderia ter ponto final antecipado. pois ao ir mais longe como foi. a justiça e a solidariedade são evidenciados. 3º. pois o estado não dá conta de coisas tão essenciais como saúde. Conforme Warken e Warken (2003. um marco na defesa dos direitos sexuais como direitos humanos. onde observam-se as conquistas das mulheres em alguns campos e da consciência da existência de um contingente homossexual que deve ser respeitado. educação. deixam qualquer pessoa indignada. Mais recentemente. já mesmo. e. o Estado de Santa Catarina promulgou a Lei º 12. justa e solidária. de 04 de abril de 2003 e impressa no Diário Oficial do estado em 07 de abril de 2003 (anexo 5) que dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual contra Gays. luz. torna-se clara a necessidade de todos revitalizarem tais valores através de mecanismos capazes de torná-los inatacáveis.” E terminam os autores sugerindo: ”A redação dada ao Art. ou existe pessoa não-humana?) é o alvo preferido de todo um intrincado de aberrações legais. que. Lésbicas e Transgêneros. saneamento básico. começou. onde o primeiro estabelece a construção de uma livre. incluímos a preconceitualidade relativa a orientação sexual e não só os aspectos que permeiam a existência social de homens e mulheres. água. 40 A dignidade da pessoa humana (uma redundância sem explicação. ao contrário. “No Art. a estabelecer as desigualdades em relação ao que não se encontra ali descrito como garantia”. estando dentre eles o de sexo.

também colaborador. Sabedores disso iniciamos uma campanha na Internet juntamente com um pequeno grupo publicando uma explicação do caso no www.br . Foi um movimento intenso e muito participativo na busca de um instrumento de resgate. 41 Contextualizando um pouco a caminhada que veio resultar na promulgação dessa Lei. juntamente com associados da então Deputada. o direito a livre orientação sexual. Terminados os trabalhos. assim como o discurso da então deputada Ideli Salvati-PT e o documento apresentado às bancadas foram subsidiados por não-militantes do Partido dos Trabalhadores. a Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Coube a mim a elaboração da justificativa embasada de forma histórico-científica e a outros (as) participantes. os endereços de e-mail dos componentes da Comissão foram disponibilizados na homepage da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. com a bancada renovada. há que registrar que todo o texto da mesma. Luiz Henrique da Silveira.fervo. instaurou uma Comissão de Justiça e Cidadania para rever o caso da Proposta de Lei anti-homofóbica de autoria da então Deputada Ideli Salvati. Desta feita. quando também emitimos e-mails para todas as pessoas possíveis para que enviassem outros e-mails aos participantes da Comissão de Justiça e Cidadania pedindo a derrubada do veto do ex-governador. a elaboração de um texto de cunho jornalístico bem elaborado. . e em tempo hábil. a Comissão aprovou a derrubada do veto por unanimidade e Santa Catarina conta hoje com uma lei anti-homofóbica contra quaisquer atitudes baseada na orientação sexual do indivíduo.glssite.com.net e no site www. incisivamente. O texto foi aprovado por unanimidade! Posteriormente foi impugnado pelo então governador Esperidião Amin Helou Filho na passagem de seu mandato para o governador eleito.

parto então para o palco da pesquisa: o encontro virtual com a/a outro/a. . 42 Agora que pretendo ter deixado mais clara minha busca de alguns dos fundamentos pedagógicos necessários para a investigação. com a necessária revisão de literatura.

43 CAPITULO 3 O Encontro Virtual com o outro: o cenário da pesquisa .

Se a pessoa desejar voltar ao quadro anterior. É uma espécie de quadro móvel. a página de entrada. Fig. nesse tempo de revisão teórica. Direito Sexuais e Educação Sexual.04 Quadro (frame) principal. 44 Novamente. o GLSSITE. ou seja. A seguir apresentarei sinteticamente a estrutura do mesmo para facilitar a compreensão da minha proposta atual de trabalho (Fig. Coluna lateral esquerda – aqui estão links para informações gerais Coluna Central – aqui estão informações comentadas com links Coluna Direita – aqui ficam os acessos para links específicos em Direito Humano.NET passou a consubstanciar-se de um site voltado para a Educação Sexual. no navegador A seguir pode ser visualizado como é a homepage do site. Quadro (frame) menu 2 do site – É fixo. várias mudanças continuaram ocorrendo também no site. e nela também para um site de militância pelos Direitos Humanos e. visualizada através de um navegador. pelos Direitos Sexuais40.Contém identificações do site e janela para navegação (links). basta clicar no botão correspondente a voltar. Todas as vezes que um link é acionado em algum frame (quadro) a informação solicitada irá aparecer neste grande espaço tracejado em vermelho. . mais especificamente. É a partir dela que todas as demais 40 Direitos Sexuais – Conjunto de 11 preceitos formulados durante os Congressos Mundiais de Sexologia da World Association for Sexology (Vide anexos). Hoje. 04).

um fórum. E. O que fiz nada mais foi que me apropriar de uma tecnologia para trabalhar com a Educação Sexual Emancipatória. Ele aponta para um caminho já trilhado por mim. Se eu fiz. um chat. de um modo ou de outro encontrarão uma pessoa. um dos pontos que considero mais importantes: o site é transparente. no outro lado da tela do computador com quem possa estabelecer uma relação dialética (uma lista de discussão. dar alguns exemplos apenas para que o leitor e leitora se familiarizassem com o fato de que. No momento do trabalho faço uma espécie de “fotografia do site” que está estruturado da maneira que apresento a seguir. na realidade. verdadeiro e militante. 45 páginas abrirão. As pessoas sabem que. isso não existe se não na forma de códigos HTML. conforme já foi ilustrado no esquema acima. nem tudo o que vêem na Internet é o que parece ser. mas não é. Amanhã você poderá acessá-lo e vê-lo com outra aparência. essa transparência que lhe confere a credibilidade. a não ser. pois ele é dinâmico. Perceba que. . um amontoado de códigos que virtualmente dão a impressão de ser algo.) e dela ambos saem ganhando. Poderia elencar os códigos HTML´s. mas este não é o propósito aqui. etc. figuradamente. conforme a figura 05. outras pessoas poderão fazer. Mas.

46 Fig.05 .

de pessoas formadoras de opinião. Toronto. é uma página virtual com os principais sistemas de busca GLBT • Chat (Batepapo) • Lés. • Bi. independente da orientação sexual colaboram com textos sobre quaisquer assuntos da vida humana. é uma página virtual que contém datas de eventos e fatos importantes. também constam do site. Ribeirão Preto. • Trans. comentados: Coluna Esquerda • Capa. para heterossexuais. Auckland. é uma página virtual para as cinco categorias acima fazerem qualquer tipo de anúncios. 47 Continuando. Curitiba e Florianópolis • Endereços. para bissexuais. Santa Maria. para homossexuais masculinos. são pessoas que. é o link para retorno a página virtual de entrada do site. • Colunistas. Há colunistas em Nova York. • Busca. Canadá. • Classificados. • Agenda. • Gay. João Pessoa. apresento a seguir cada link e uma breve explicação de seus respectivos conteúdos. para homossexuais femininos. São Paulo. Conforme a figura 05. . Rio de Janeiro. para transexuais e transgêneros (disfóricas/os de gênero) • Hetero.

• Entrevistas. endereços de ONG´s estão nesta página virtual. • WebMail. sistema de troca de e-mails por tema. sistema de homepage pré-programada onde é possível inserir uma notícia a qualquer hora. • Webchat e IRC. centrais de atendimento policial e psicológico específico para GLBT´s. • Links. • Rádio1. • Postais. • Segurança. sistema de bate-papo on-line. anel de sites co-irmãos. 48 • Entidades. endereços e telefones de GLBT´s procurando emprego e de empresas que buscam este público. • Trabalho. página virtual de divulgação de nomes. página virtual com pessoas que fazem as coisas acontecerem. um sistema de e-mail gratuito acessível de qualquer ponto do planeta • WebRing. • Rádio2. a partir de qualquer lugar no mundo. rádio personalizada do portal Terra. rádio personalizado do site Usina do Som. uma série de imagens que podem ser enviadas como cartões postais virtuais. • Notícias. • Fóruns. em tempo real. sistema de troca de opiniões em reformulação. endereços de sites importantes na Internet. • Listas. .

• Livros e Revistas. informados pelos próprios visitantes. informados pelos próprios visitantes. • Motéis. relação virtual de endereços de cinemas gayfriendly em todo o país. informados pelos próprios visitantes. indicação de filmes politicamente corretos em relação aos/as GLBT´s. • Restaurantes. • Cinemas. • Filmes. relação virtual de endereços de restaurantes gayfriendly em todo o país. . • Viagens. • Hotéis. relação virtual de endereços de Motéis gayfriendly em todo o país. relação virtual de endereços de boates gayfriendly em todo o país. • Boates. informados pelos próprios visitantes. informados pelos próprios visitantes. • Saunas. • Músicas. lista de lugares interessantes sugeridos pelo público. relação virtual de endereços de bares gayfriendly em todo o país. informados pelos próprios visitantes. relação virtual de endereços de hotéis gayfriendly em todo o país. informados pelos próprios visitantes. nomes de músicas sugeridas por quem freqüenta. diversos endereços para comprar livros e revistas: grande parte deles podem ser adquiridos no próprio site. relação virtual de endereços de saunas gayfriendly em todo o país. 49 • Bares.

• Visibilidade na Internet. sistema para que as pessoas deixem recados. • Sistema de E-mail. . • Princípios. papéis de fundo para possíveis de serem colocados pelo visitante no próprio site. • Livro de Visitas. 50 • Formulário. página virtual que explica como a homossexualidade é interpretada a luz da ciência. logotipos. • A Ciência. caixas para postagem de login e senha para acessar suas contas de e-mail. ícones. diversos textos científicos e jurídicos ligados ao tema. nossos endereços de e-mail. lista de princípios sobre os procedimentos do site. trinta e seis endereços para a pessoa visitante encontrar o que quer na Web. • HOMOSSEXUALIDADE • O que é? página virtual que responde a esta pergunta. formulário eletrônico para fazer críticas e sugestões dos itens acima. Coluna Direita • Sistema de Busca. geralmente com as cores do arco-íris. • Direitos Humanos • Direitos Sexuais. • Fale Conosco.

formas de prevenção e contágio. explica sobre termos utilizados no que se convencionou chamar de Comunidade Gay. • Literatura. e está inserida em nosso cotidiano possibilitando o medo a outras possibilidades de orientação sexual. • Eu Sou? página virtual que procura levar a pessoa a reflexão sobre o fato de ela ser ou não. homossexual. explica sobre os aparelhos sexuais humanos sem aprofundar-se. formas de prevenção é contágio. 51 • A Religião. • EDUCAÇÃO SEXUAL • AIDS. explica sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. • É Natural? página virtual que responde como a naturalização da heterossexualidade é culturalmente construída. sexo e outros. . explica sobre diversas Doenças Sexualmente Transmissíveis. sexualidade. • É Normal? página virtual que responde como a normatização da heterossexualidade é culturalmente construída. • DST´s. assim como a homofobia. • Aparelhos Sexuais. página virtual que explica como a homossexualidade é interpretada à luz da religião. indica e vende literatura científica sobre educação sexual. • Glossário.

etc. • EVENTOS • Dia Mundial da AIDS. • Apoio para Campanhas. respostas pré-configuradas sobre assuntos já tratados. • Pesquisas. . espaço para a pessoa formular sua pergunta sobre educação sexual diretamente a quem dirige o site. explica sobre outras formas de desejo sexual. esclarece quais são as campanhas em prol dos Direitos Humanos que participamos. • Parafilias. é feita uma chamada na primeira página do site. comenta sobre a importância política deste dia. Monografias. comenta sobre a importância política deste dia. cada vez que um artigo novo é postado por um/uma colunista. • Chamada para artigos. comentário sobre assunto pertinente sobre algo que está acontecendo no mundo. 52 • Perguntas. justiça. • ESTUDOS CIENTÍFICOS • Teses. violência. relaciona as pesquisas em andamento e pesquisas já finalizadas no site. mediante pesquisas efetuadas dentro e fora da internet. • Respostas. • Parada do orgulho GLBT. moda. base de dados alimentada por usuários e usuárias e. Coluna do Centro • Editorial. Isto equivale a uma publicação ainda não indexada. TCC´s e Outros. comportamento. Dissertações.

net. Esta continha um javascript41 que abria uma pequena janela informando que o criador do site estava procedendo uma pesquisa cientifica com coleta de dados. Procedimentos quanto à coleta de dados quantitativos A coleta de dados ocorreu durante um período de trinta e oito dias (38). e outras informações técnicas. desde 01 de setembro de 1996. Atualmente o Glssite. Escolha as opções e justifique sua resposta.glssite. o site.net recebe uma média de duzentos (200) acessos por dia e este valor variou para mais ou para menos. de 25/09/2001 à 01/11/2001. mais de trezentas mil pessoas já passaram pelo site desde sua criação.htm). como cabeçalho: “Estamos executando uma pesquisa de cunho científico e queremos contar com sua colaboração. Em tese. Cabe aqui um parêntesis.net/glssite/pesquisa/pesquisa1. Foi efetuada através de um formulário eletrônico inserido no www. o país de origem. Com ela pretendemos identificar o entendimento que as pessoas têm sobre Direitos Sexuais. o esclarecimento de que a amostra surgida a partir das pessoas que responderam a provocação. .glssite. Qualquer pessoa que utilizava este endereço acionava o surgimento da primeira página do site. 53 • Contadores: Três contadores orientam quantas pessoas visitaram diariamente. em (http://www. pois esta é uma 41 Ver glossário. Às pessoas interessadas bastava apenas clicar num determinado link que a levava a um formulário eletrônico com o seguinte texto. a homepage. foi intencional.

homossexual ou pansexual. companheir@. e podiam ser: masculino. A você nosso OBRIGADO!” Em seguida. Na segunda janela havia três opções para a escolha do sexo: homem. . abaixo. 54 pesquisa qualitativa. o Distrito Federal-DF. Na terceira janela as opções diziam respeito à orientação sexual. quais sejam: bissexual. Na quarta janela as opções relacionavam-se ao gênero. indicaria o país onde se encontrava no momento do preenchimento do questionário. heterossexual. A sexta janela referia-se a localização espacial em relação ao Brasil. mulher ou transexual. 42 Termo que se assemelha a janela com várias opções em cascata . viúv@ e outro. definindo o Estado onde se encontrava vivendo. A quinta janela pedia que o (a) visitante escolhesse uma das cinco possibilidades de enquadramento no que se refere ao estado civil: casad@. solteir@. Ao terminar. Foram relacionados 26 estados e ainda. Caso a pessoa não residisse no Brasil. feminino ou transgênero. Na primeira janela havia um questionamento sobre a idade das pessoas pedindo que as mesmas se enquadrassem numa das faixas apresentadas. na sétima janela optando por um dos 193 países relacionados na mesma. clique no botão ENVIAR. apareciam sete janelas dropdown42 contendo itens designados pela categoria “você”.

um outro script43 abria a página (http://www. com preenchimentos de justificativas que fugissem aos propósitos da pesquisa foram descartados. Questionários totalmente em branco ou. Ao terminar de responder o questionário a pessoa clicava num botão que enviava o formulário através de e-mail ao endereço do pesquisador. O nono e último item do questionário fazia uma pergunta a qual só tinha duas opções: sim ou não: “Você conhece a Declaração Universal dos Direitos Sexuais?”. Assim que o servidor de e-mails emitisse o formulário.glssite. .net/direitosex/direitossexuais. seguidas de uma justificativa: “Para você. “questões”. 55 Procedimentos quanto à coleta de dados qualitativos Os dados qualitativos referiam-se a um conjunto de dois procedimentos e iniciaram. enviados mais de uma vez ou. o oitavo item era uma pergunta com duas opções apenas. Direitos Sexuais são Direitos Humanos? Sim ou não?” Mais abaixo dizia: “Justifique sua resposta no quadro abaixo”. É importante salientar que as pessoas podiam optar em responder todos os itens ou só alguns itens.” Nas palavras – “clique aqui” – havia um link para (http://www. Obrigado por ter colaborado com nossa pesquisa.net/adm/agradecepesq. Dados Quantitativos 43 Veja o glossário.html) de agradecimento com o seguinte conteúdo: “O seu formulário já esta sendo encaminhado. Na seqüência.htm). Para conhecer a Declaração Universal dos Direitos Sexuais clique aqui.glssite.

82% 21 a 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos 41 a 45 anos 25. 15. Temos assim.32% 51 a 55 anos 27. 12.20% (gráfico 1). Sendo. duzentos e três questionários válidos para a pesquisa (222-19=203=100%). 56 N° de respostas 1. 13. A faixa etária que apresentou o maior número de questionários é aquela que representa as pessoas com idades entre 21 a 25 anos. que cento e nove (109) destes contendo justificativa.20% 25.27% 24. 0. 0. 6. Em seguida aparece à faixa etária correspondente às pessoas com . duzentos e vinte e dois (222) questionários preenchidos por pessoas que denominarei: VISITANTES.40% 10 a 15 anos 1. 0. 20. 11.49% 13.30% 56 a 60 anos Gráfico 1 – Tabela de faixas etárias versus quantidades de respostas No total foram recebidos.32% 46 a 50 anos 41. formulários totalmente vazios ou formulários que foram aproveitados para outros propósitos que não a pesquisa. através de e-mail.40% 2. noventa e quatro (94) sem justificativa.99% 16 a 20 anos 31. Daqueles duzentos e vinte e dois questionários (222) apenas dezenove (19) apresentaram problemas tais como: formulários em duplicata. que representam 20. 6.49% Não Respondeu 13. 12.

Análise de Conteúdo Como pode-se ler no item que trata dos procedimentos quanto à coleta de dados qualitativos. sobrevieram algumas questões: quando se trata de análise de conteúdo.32%. 57 idades entre 26 a 30 anos com 13. Direitos Sexuais são Direitos Humanos? Sim ou não?” Mais abaixo dizia: “Justifique sua resposta no quadro abaixo”. me apresentou ao seu método da análise de conteúdo. as faixas etárias correspondentes às idades de 31 a 35 anos. o que representa um índice significativo. na confecção do questionário. Todavia um fato sobreveio: como fazer a análise de conteúdo de tanta informação? Como transformar isso de uma forma inteligível e produtiva sem cair em redundâncias e tornar o trabalho prolixo? Foi nesse momento que encontro Bardin (1977) que.69%) contendo justificativa. em seqüência. . além das perguntas que remetem as questões quantitativas. Foram cento e nove respostas (109 = 53. seguida de uma justificativa: “Para você.30%. Trabalhando com Bardin. por sua vez. havia uma questão uma pergunta com duas opções apenas. o que é passível de interpretação? O que se esconde por detrás das afirmações e da linguagem simbólica? Que sentidos pretendemos salientar? De acordo com a autora. e 36 a 40 anos também com 12. cada uma.

30) A idéia básica ao utilizar a análise de conteúdo como um conjunto de técnicas de análise das comunicações. . aparentemente sem lógica.cit. as informações soltas. tem que ser reinventada a cada momento. Sexo Biológico. que precisa ser lapidada e polida para que possamos visualizar as suas características mais básicas.]” (BARDIN. A técnica de análise de conteúdo adequada ao domínio e ao objectivo pretendidos. Direitos Humanos. de inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e que por si determinam indicadores. p.. aparentemente sem nexo. por vezes dificilmente transponíveis. é remeter o pesquisador à arqueologia sobre o que nos é dado como “pedra bruta” . 2. 1977..105) fazer uma análise temática. p. ou freqüência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido. 3. 4. Sexualidade. consiste em descobrir os «núcleos de sentido» que compõem a comunicação e cuja presença. mas somente em algumas regras de base. a saber: 1. é um método muito empírico. Na análise dos conteúdos foram localizadas inicialmente o que denominei de pré-categorias. Não existe o pronto-a- vestir em análise de conteúdo. Direitos Jurídicos ou Legais. dependente do tipo de «fala» a que se dedica e do tipo de interpretação que se pretende como objectivo. 58 “A análise de conteúdo (seria melhor falar de análises de conteúdo). Para Bardin (op. Nessa busca dos núcleos de sentido faço o reconhecimento das prováveis categorias constantes nas respostas.[. ou seja.

59 5. Sexualidade Como Dimensão Humana 3. Direitos Sexuais como Direitos Humanos. Respeito à diversidade . Direitos Humanos 2. foram constituídas três grandes categorias: 1. Após a análise exaustiva das cinco pré-categorias.

60 CAPITULO 4 .

C). acessado em 07/11/03. Disponível em <http://www..pr.br/seid/mineropar/dtermos.te. em que se conceituem como “direitos humanos”. como bem podemos encontrar em centenas de documentos. no pensamento de Amenófis IV (Egito.ONU em 1948. de Platão (Grécia. todavia. 45 Rocha plutônica. C). Quase na mesma época há Dharmasutra de Baudhayama. tem como fundo a própria história humana.la sf (gr stéle) 1 Pedra vertical monolítica destinada a ter inscrições ou esculturas. 3 Marco fronteiriço.C..). século XVIII antes de Cristo).html>. como cita Herkenhoff (2003) “Num sentido próprio. surgiu a Lei das Doze Tábuas em 450 a. dentro de cada cultura num determinado momento histórico. século XIV a. formulado entre 500 e 300 a.gov. sua forma de organização histórico-politico-social. Em seguida. com plagioclásio intermediário e minerais ferromagnesianos. Esse rei da Babilônia mandou escrever. 2 Pequeno monumento monolítico sem base nem capitel. na filosofia de Mêncio (China. quaisquer direitos atribuídos a seres humanos. em especial horblenda. pode ser assinalado o reconhecimento de tais direitos na Antiguidade: no Código de Hamurabi (Babilônia. Sua constituição. praticamente sem quartzo. granular. século IV a. Elas foram supostamente baseadas nas leis do grego Sólon e foi um dos resultados da luta por igualdade levada a cabo pelos plebeus em Roma. 61 Trabalhando com a categoria dos Direitos Humanos Não se pode falar em Direitos Humanos sem falar da Declaração Universal dos Direitos Humanos que foi formulada pela Organização das Nações Unidas . . como tais. em 21 colunas. 282 cláusulas que ficaram conhecidas como Código de Hamurábi registrado em uma estela44 de diorito45.694 a. onde estavam escritas as Teorias dos Quatro Varna para os brâmanes e assim por diante. muitos dos quais remontam a séculos antes de Cristo. logo após a Segunda Guerra Mundial (anexo 4).C. no Direito Romano e em inúmeras civilizações e culturas ancestrais” 44 (es.C. na República. século IV a. Podemos citar o Código de Hamurábi de 1. C. encomendado por Khammu-rabi.

a declaração universal da ONU válida ainda hoje é aquela de 1948. nega direitos fundamentais a casais de pares iguais. não posso ser tão simplista e reducionista ao afirmar que ela. as Leis. ou de pessoas de mesmo sexo. como um ícone. Para outra pessoa. por que não ter direitos iguais?”. englobando assim homens e mulheres) que responderam ao questionário entendem que a nossa legislação não é inclusiva. que rege muitas lutas por inclusão no mundo. Uma outra/o visitante deixa algo mais claro: “Pois nos meus direitos humanos estão minha liberdade de escolha e minha . 62 Portanto. inclusive a sexual. pois diz que todos somos iguais perante a lei. a declaração. todas as pessoas no mundo têm direitos e deveres”. ao mesmo tempo. As pessoas (será assim que denominarei no texto a seguir. Todavia. todavia. é somente uma mera construção cultural. Uma pessoa visitante faz um questionamento: “Pagamos tudo o que os outros pagam. Sob a ótica deste capítulo que trata da categoria direitos humanos. ou seja. Outra cita: “É justa toda e qualquer forma de expressão. É um direito inerente a cada ser vivo”. Uma das pessoas acredita que Direitos Sexuais são Direitos Humanos “por que todos são iguais perante a lei”. simples. mas que diante das regras que estabelecemos. o que não está em consonância com o que preceitua a Declaração Universal dos Direitos Humanos (anexo 4). Ela vai mais além. Tem como pano de fundo algo muito profundo e. o fato de que somos seres diversos quanto ao formato psico-morfo-fisiológico. a opinião é um pouco mais elaborada: “Independente da orientação sexual. somos todos iguais. apresento alguns comentários efetuados por algumas visitantes.

a questão dos direitos sexuais serem direitos humanos é uma condição sine qüa nom46. 2001. é preciso aceitar a diferença. ocorrido de 9 a 11 de outrubro de 2000: “Creio.: sine quibus non] loc. Para o Secretário de Estado dos Direitos Humanos. cf. durante o I Encontro do Ministério Público da União – MPU.1. p. .11). Já a “fala” desta (e) outro (a) visitante também é reveladora: “Obviamente. algumas vezes. loc. inclusive com o mesmo entendimento das/os pesquisadas/os. Isso passa. Isso evidentemente. Embaixador Gilberto Vergne Sabóia.”(SABOIA. por dificuldades de natureza cultural. fator sem o qual a circunstância não se completa. HOUAISS.. ninguém é visto como ser humano antes de ser localizada sua sexualidade e. O número de assassinatos no Brasil bate recordes. 2001..408. desde que dentro da lei. pois se não. direitos sexuais são sireitos humanos mas infelizmente. é preciso reconhecer os direitos das pessoas serem diferentes. Como é possível que uma sociedade que se vê como tolerante seja capaz de aceitar ou conviver com esse tipo de violência?” (SABOIA. Já esta 46 [lat. devido a isso há tantos preconceitos. 2 elemento. vai de encontro não só às regras dos direitos humanos como a própria visão nós temos de nossa sociedade. à questão dos homossexuais.adj. Ou seja. por exemplo. principalmente no interior como eu vivo. não seria tão importante às pessoas saberem” qual sabonete você usa ao tomar banho”. 11). p.pl.subst. Para ela/ele. Essa categoria tem manifestações em vários segmentos da sociedade atual. indispensável. também que o respeito aos direitos humanos no Brasil passa fundamentalmente pelo reconhecimento do direito de cada um assumira sua própria identidade e escolher os seus próprios caminhos. Temos a visão do Brasil como uma sociedade relativamente tolerante. 63 liberdade de escolha é ser bissexual”. p. O Brasil tem uma das taxas mais elevadas de violência contra homossexuais. Na continuidade de seu pronunciamento diz o embaixador: “Queria me referir.

liberdade de opinião.” Como o caro leitor e leitora devem ter notado. quando dá ao homem o direito de ir e vir.” Num outro registro encontramos uma expressão afirmativa. É uma questão de educação coisa que no Brasil não se tem bons resultados diga-se de passagem temos nossos direitos violados sempre. ficou claro que para as pessoas pesquisadas este está contido naquele. sobretudo ter consciência da lei de causas e efeitos. 64 outra pessoa faz uma relação direta dos Direitos Sexuais com os Direitos Humanos: “Uma vez que ao levarmos em consideração a declaração o universal dos direitos humanos. principalmente no que diz respeito aos direitos humanos e. Tenho direito de ser o que eu quiser independentemente. Já esta outra visitante nos coloca uma constatação óbvia: ”minha conduta sexual é um direito adquirido enquanto cidadã”. com a mania de certas pessoas de rotulagem as outras e serem bastante taxativas com suas opiniões inflexíveis. respeito e dignidade ao ser humano não impede de ele admitir que praticar suas sexualidade de acordo com sua vontade própria. têm um entendimento de pertencimento a proteção das leis que regem seu país. Aqui. no que tange aos direitos sexuais. mas com valores judáico-cristãos: “Todos somos iguais perante Deus. os outros têm o dever de me respeitar pois o direito de alguém termina quando começa o direito do próximo. e eu não sou ninguém para criticar”. senão vejamos: “Todo ser humano tem direito de escolher sua opção sexual. o forte registro de uma necessidade . sem qualquer imposição dada pela sociedade do conceito de família que se tem até hoje. Uma outra pessoa nos traz também a reflexão à noção de limites. há uma sensação nítida de que as pessoas diversas do hegemônico imposto pelo capital.

Somos humanos e por tal natureza básica temos o direito de sermos e exigir que nossos direitos sejam respeitados”. após a minha morte”. dá-nos um alerta e nos traz a essa realidade: “Humildes modalidades. O sucesso do poder disciplinar se deve sem dúvida ao uso de instrumentos simples: o olhar hierárquico. para minha companheira. às vezes. não visa nem a expiação. relembro aqui Foucault. os desempenhos. reafirmando o direito: “Não somos melhores nem piores que os heteros ou bissexuais. E são eles justamente que vão pouco a pouco invadir essas formas maiores. quando ao tratar. (FOUCAULT. no regime do poder disciplinar. Outra visitante traz um assunto preocupante. o estado hegemônico e homofóbico tenta disciplinar a orientação sexual. 1987. Após ler esta frase. nem que seja velada”. hoje: “Porque nós temos que ter direito de enterrar. os direitos sexuais. 65 suprema: “Tenho direito de expressar o que sinto desde que não prejudique outra pessoa. no capítulo II – Os Recursos para o Bom Adestramento. Nesse momento. os . p. nem mesmo exatamente a repressão. ela existe. a sanção normalizadora e sua combinação num procedimento que lhe é específico. de seu livro Vigiar e Punir. ressalta: “Em suma. O aparelho judiciário não escapará a essa invasão. o exame”. no mesmo livro Foucault. Isto inclui meus sentimentos”. se os compararmos aos rituais majestosos da soberania ou aos grandes aparelhos do Estado. não há como não adjetivar de cruel a maneira que. conforme sua conveniência. e deixar bens e plano de saúde e etc.143). mal secreta. Põe em funcionamento cinco operações bem distintas: relacionar os atos. Mais adiante. Já esta outra fala expressa juízo de valor. procedimentos menos. modificar-lhes os mecanismos e impor-lhes os seus processos. a arte de punir. Outra visitante questiona a Constituição: “Por que devem ser respeitados? Apesar de estar na Constituição quaisquer formas de discriminação.

se relacionam com o nível mais geral do poder constituído pelo Estado. outras três frases de impacto de visitantes.. tanto quanto o direito a vida. porque o indivíduo vivencia sua sexualidade durante toda a sua existência. como média a respeitar ou como o ótimo de que se deve chegar perto[.1987. Sobre esse recorte que estas pessoas estão fazendo e sobre aos quais também ajuda-nos Foucault nas reflexões que podemos fazer. quando ela comenta sobre a inalienidade política de ser quem é. quando questionadas se direitos sexuais são direitos humanos: “Se não são. todavia. p. Torna-se inalienável o seu direito de viver sua sexualidade. que possuem tecnologia e história específicas. p. Esta pessoa constata que somos seres sexuais e sexualizados. com todas as prerrogativas. espaço de diferenciação e princípio de uma regra a seguir. até porque não se nasce sem sexo. XII e XIII) e esclarece as formas como os micropoderes se relacionam com o macro- poder. integrados ao Estado e como esses micro-poderes. Registro a seguir. independente do sexo a que pertença ou mesmo que venha a pertencer por opção. deveriam ser. Pode-se até nascer sem uma definição precisa. Freud já dizia isto. 66 comportamentos singulares (grifo meu) a um conjunto. quando faz a introdução de Microfísica do Poder (2001.. Diferenciar os indivíduos em relação uns aos outros e em função dessa regra de conjunto – que se deve fazer funcionar como base mínima.152). mas se nasce com sexo e vive-se com ele”. o poder central. remeto-me as palavras do Deputado Nilmário Miranda (2000) (PT) pronunciadas na abertura da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos . que é ao mesmo tempo campo de comparação. talvez o tema seja mais esclarecido por Machado.]”(FOUCAULT.

[.. p. com o objetivo de encontrar alternativas à crescente violência contra homossexuais: “Esta é a primeira vez que no Congresso Nacional.. nota-se evidente pertinência das questões suscitadas pela homossexualidade com a primeira geração. que é a proibição de discriminações injustas... precipuamente no que diz respeito ao direito à identidade pessoal e à integridade física e psíquica.]. (ROLIM. todas estas pessoas apontam para o fato de que os Direitos Sexuais são inalienáveis aos Direitos Humanos. Atitude de pura discriminação deve ser criminalizada”. Não há sentido falar num sem pressupor a existência do outro. a liberdade individual. Miranda e Rolim corroboram isto. abrange os direitos fundamentais e as liberdades clássicas individuais [. . principalmente no que diz respeito ao princípio fundamental da isonomia e seu corolário. Em síntese.14). Outra pessoa responde: “Sim.] Se avançarmos ainda mais no exame das relações entre homossexualidade e o conteúdo dos direitos de primeira geração. Nas palavras de deputado Marcos Rolim em 2002: “A primeira geração de direitos humanos.] foram dimensionadas à luz dos direitos fundamentais de primeira geração. afirma: “Gay também é ser humano”.” (MIRANDA. O modesto número de pessoas presentes reflete as dificuldades naturais de iniciativas como esta inclusive o preconceito da sociedade sobre o assunto. 2002) . [. 2000.. pode-se vislumbrar a inclusão da problemática nos direitos de personalidade. tais como a liberdade de expressão. a proteção da intimidade e da vida privada. pois nossa sociedade é muito mal resolvida em questão de sexo. os direitos humanos dos cidadãos homossexuais são debatidos em evento organizado exclusivamente para esse fim.. cujo objetivo maior é alcançar a igualdade formal entre os indivíduos. 67 Deputados. em 21/09/1999. A propósito. Sendo assim. Outra visitante. Muita humilhação e assassinatos são cometidos por pessoas que não se aceitam ou têm problemas outros e justificam o ato de negar a si mesmo e ao outro baseado que a outra pessoa tem uma orientação sexual que impede a sua convivência com a sociedade em geral.

Esse é um movimento atual. que surge para “curvar a vara” para a questão. 68 Como vimos. por exemplo. principalmente. no que diz respeito . as chamadas “minorias”. A própria Declaração dos Direitos Sexuais da WAS . principalmente desde o governo federal passado. que reflete se em várias organizações homofóbicas que apregoam a discriminação. Mas estas duas declarações. em várias das sociedades atuais não atentaram para o fato desses já estarem inseridos nos Direitos Humanos. educativo. infelizmente. Direitos Humanos e Direitos Sexuais podem ter um peso pedagógico. o próprio Estado brasileiro tem reconhecido em tese. cada vez maior a medida em que tornem mais claras as necessidades das pessoas no que tange a sua própria natureza. já que muitos segmentos. na política dos direitos humanos dos vários países. inclusive as sexuais através das atividades da Comissão Nacional dos Direitos Humanos que tem se reunido e até constituíram o Plano Nacional de Direitos Humanos – PNDH já citado e.World Association for Sexology. a das várias religiões. para que não haja “brechas” de modo a propiciar direitos iguais as pessoas não heterossexuais. Talvez isto ocorra pela necessidade cada vez mais imperiosa de se fazer frente à intervenção negativa das instituições tradicionais. esclarecedor e emancipatório. é um reflexo de que a comunidade científica internacional está preocupada com a questão dos direitos humanos e neles os sexuais em seus respectivos países. que até hoje encontra-se na fase de estudos e argumentações que possibilitem uma alteração substancial na Constituição Brasileira. a necessidade de dar mais importância a determinados segmentos da sociedade brasileira. ao seu próprio desejo mas.

Como certos manifestantes desse fim de século gritaram nas ruas “Nós somos o povo”.glssite. ressaltando a categoria Direitos Sexuais. pois mesmo com a pergunta Direitos Sexuais são Direitos Humanos. desvelando e desconstruindo as pseudo-verdades repletas de axiomas excludentes. para sacudir os que se encontram em estado de incapacidade de indignar-se com que está estipulado como verdade.” (LÉVY. o www. E certamente. Nessa busca. com a dos direitos sexuais já . Pretende ser mais um espaço virtual educativo que oportunize às pessoas talvez uma forte provocação. poderemos então pronunciar uma frase um pouco bizarra. uma ação afirmativa. 69 aos seus próprios direitos. os coletivos humanos se jogariam a uma escritura abundante. visando esclarecer as dicotomias existentes. E. membros de uma minoria que sofre um processo muito cruel de exclusão (os/as homossexuais). ao dar ênfase a essa categoria maior.net buscou incorporar estes princípios emancipadores e libertadores como paradigmas norteadores do seu existir virtual.glssite. 2004). Como educador. a uma leitura inventiva deles mesmos e de seus mundos.net procura ser mais uma interface numa mediação emancipatória com o público. via pesquisa. mas que ressoará de todo seu sentido quando nossos corpos de saber habitarem o cyberspace: “Nós somos o texto. meramente. de expectadores e expectadoras da história. o www.” E nós seremos um povo tanto mais livre quanto mais nós formos um texto vivo.que teria muitas razões para realizar. não o faz pois entende que isto seria redutor! Resgata essa minoria que Direitos Sexuais são realmente Direitos Humanos. a categoria Direitos Humanos deve ser realmente eixo principal de qualquer processo educativo. procuro sempre que o trabalho possa levar as pessoas à condição de protagonistas e não. É como diz Pierre Lévy: “Por intermédio dos espaços virtuais que os exprimiriam. em sua maioria. os/as protagonistas da pesquisa. e webmaster do site.

com pessoas que se sintam à vontade com o tema e que se identifiquem com o trabalho junto com adolescentes e crianças”. e não destacado! Vejamos as seguintes opiniões que conjugam direito e sexualidade e apontam para a próxima categoria. a escolha sexual de qualquer pessoa”. . tem sua própria dinâmica e que a mesma é mutável. Outro visitante diz: “Porque o ser humano é livre para fazer sexo com quem quiser. Para Silva (2004) “Por isso que eu digo que a sexualidade é uma dimensão humana séria e precisa ser trabalhada com muita responsabilidade.(SILVA. sempre sexuada. Visitantes e o autor deixam claro que a dimensão humana. ninguém tem o direito de escolher o meu parceiro”. 2004). com um referencial teórico que ilumine a prática pedagógica em sala de aula. a sexualidade como dimensão humana: “Considero um direito pessoal. 70 inserido.

teóricos da escola de Frankfurt. para fazer a introdução desta categoria. como poderá ler mais abaixo. assim. totalitária.. pela indústria cultural. em nossa sociedade.] Os seres humanos adotaram uma atitude hostil perante o que é vivo dentro deles e. mas. mas sim de origem econômica.108). preconceitos. Ao trocar idéias com Nunes (1987) por meio de seu livro “Desvendando a Sexualidade”.. vejo que ele revela dez pontos importantes na literatura de Reich. Com Nunes dialogamos. mas não o por dinheiro. concordando com sua afirmação que: “A sexualidade numa dimensão emancipatória supõe também normas e limites como marcos de sujeitos plenos. o modelo ditado pelo capital.100). p. que a legislação vigente apenas visa fazer a manutenção da diminuição expressa pelo modelo hegemônico. Não há sociedade sem a normatização da sexualidade. possui várias dimensões. segregações. e não sanções. alienaram-se de si próprios. p. “discípulo dissidente de Freud”. pecados e medos. 1987. De uma lado reconhecemos que a exigência social de normatização não significa que toda a normatização deva ser unilateral.” (NUNES. como diz. mordazmente repressora como a história milenar do patriarcalismo tem demonstrado. Cintra (2003) ajuda-nos a aprofundar o que é esta dimensão sexualidade: . No sétimo item registrado vamos encontrar o seguinte: “[. um desfiar de acusações. conforme denunciam Adorno e Horkheimer.”(NUNES. Essa alienação não é de origem biológica. que configura a morte. sabemos que a sexualidade se a coordenação da sociedade é uma força tanto erótica quanto “tanática”. Desde o pioneirismo de Freud. 1987. no capítulo em que o autor se refere a “descompressão sexual”. 71 Sexualidade como Dimensão Humana A segunda categoria deste trabalho está ligada intrinsecamente a primeira e chama a atenção para o fato de que a construção da sexualidade. Este modelo exclui o ato sexual por desejo. derivada de tânatos.

72 “Ao ser uma dimensão humana a sexualidade não deixa escapar a nenhum de nós.. etc. Mas o que nos diferencia dos demais seres vivos. Enfim. Essa idéia fica muito clara. natural. ético. hoje. ditados pelo Papa João Paulo II. em várias épocas e culturas. criador e transformador de suas condições de existência. O que é feio. nessa abordagem religiosa um mecanismo voltado à procriação. Desde a medicina higienista até as igrejas. Frente ao exposto. no âmbito de sexualidade. Não há como conversar sobre o tema sem considerar nossas concepções. ou não. do nascimento até a morte. é o que possibilitará uma compreensão mais abrangente da sexualidade humana[. Portanto a sexualidade é inerente ao ser humano e pode manifestar-se de diversas maneiras. percebemos o quanto a história da sexualidade está intimamente ligada à construção cultural do desejo. não existe uma sexualidade. 2003. imoral. poderemos observar como a sexualidade se manifestou de diversas formas e como o desejo se expressou diferentemente através dela.]” (CINTRA. tudo está lá. ou seja. mas.. Se formos analisar muitos dos livros de história. como agente-produto. portanto. 17). O que é proibido. quando a autora se refere a Santo Agostinho e Lutero e sobre quanto os preceitos daquele primeiro ainda são referência aos católicos e católicas. pecado. são os diversos códigos de conduta que legitimam a expressão do desejo através da sexualidade. . p. nossa história e nossa própria sexualidade Tomar o ser humano como sujeito-objeto de pesquisa e. normal. todos promulgam regras e diretrizes sobre a sexualidade padrão. sujo. o sexo é ainda. Em nossa sociedade. é que ela está intimamente ligada à construção cultural do desejo. Trocando idéias com Cabral (1999). sexualidades.

reagem demonstrando descontentamento. até o presente momento da apresentação deste trabalho. a sexualidade é que está na base de qualquer expressão humana” (p. a autora nos dá dimensão exata da importância da sexualidade como dimensão humana ao traçar uma linha de comparação sobre como a sexualidade era vista a luz da igreja. Apenas a titulo de ilustração. com Sigmund Freud (Eros e Tânatos) e na Idade Média. Posso registrar que. p. aprioristicamente. p. em razão dos hábitos culturais o sexo permanecia ausente da análise da vida cotidiana e mesmo da patologia”. órgão reprodutor.27). existem três correntes subjacentes aos estudos sobre . 1999.26). A concepção positivista e a moral vitoriana em evidencia. Isto afirmado por volta de 1900. na maioria delas. registrando uma das contribuições que esse autor trouxe à questão da dimensão humana da sexualidade: “A teoria de Freud contrariava diretamente a ideologia reinante daquela época. Na seqüência de seu trabalho. 73 A autora comenta sobre Freud. (CABRAL. sua etiologia é sexual. sem quaisquer menções aos prazeres do sexo. durante muito tempo quase a maioria dos livros que tratam de morfofisiologia humana tratavam (muitos ainda tratam!) o aparelho sexual humano apenas como aparelho reprodutor. Mais adiante diz Cabral que “para o freudismo que surgia. Até então. 1999. com Santo Agostinho. por isso foi também considerada escandalosa. no momento em que ele classifica as neuroses e mostra que.25). afrontava o que ela chama de puritanismo da época. com a dualidade corpo-alma – “Uma reflexão sobre a corporeidade coloca-nos numa condição de sujeito – a partir do corpo que somos – e objeto – a partir daquilo que somos como corpo” (CABRAL. ou.

Uma das antropólogas que dedicou grande parte de sua vida a estudos sobre a relação do ser com o meio e sobre como. estuda as culturas a partir das sexualidades. enquanto proposta pedagógica. culturalmente. ao convidar Margaret Mead para esse encontro. desta relação cada cultura se manifesta diferentemente foi Margaret Mead que. 48 A etnologia é o ramo da antropologia que estuda e compara as diferentes culturas. Assim. A partir das manifestações das sexualidades. em 1931. nas décadas seguintes. podemos supor uma etno- sexualidade48 como uma nova proposta pedagógica. A primeira corrente parte do pressuposto de que a sexualidade é determinada por uma herança genética. ou seja. e/ou. ou seja. A segunda. é que a sexualidade enquanto dimensão humana possui diversas nuances. compreender as culturas. 74 sexualidade: a essencialista biologizante. de que a sexualidade se manifesta diferentemente em cada uma pessoa de acordo com a relação ontogenética47 do ser e o meio ambiente em que está inserido. ou seja. iniciou uma série de pesquisas na Nova Guiné por dois anos. A sexualidade humana tem uma carga de possibilidades genéticas que podem manifestar-se ou não. de acordo com o tempo e espaço. 47 Deriva de ontologia. a culturalista e aquela que considera ambas. como se constituem. Ontogênese diz respeito a constituição corpo-mente do ser. de acordo com o meio e a cultura em que a pessoa está inserida. também. A terceira e última é uma junção das duas. ciência que considera o ser em si mesmo. seria o oposto. O que pretendo dizer. . publicando o livro “Sexo e Temperamento” em 1950 (1999). os papéis sexuais referentes ao ser masculino e feminino e foram de suma importância para subsidiar a luta emancipatória das feministas ( e de outras categorias). Seu trabalho deu grande contribuição aos chamados estudos de gênero. A etno-sexualidade.

onde mostra como estruturas sociais. Na atribuição do que é certo ou errado. explica-nos algo que muito poucas pessoas sabem. . normal ou patológico. Katz (1996). os livros. separa. intervém na sexualidade. 31) já deplorava as pessoas não heterossexuais! A dimensão da sexualidade é tão importante que.86). 75 A educadora Louro (1998). classifica”. aceitável ou inadmissível está implícito um amplo exercício de poder que. em faz a seguinte afirmação: “A sexualidade. em seu livro “A Invenção da Heterossexualidade”. ela se constitui num campo político. logo após o surgimento da AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. na qual uma pessoa tinha um desejo exacerbado por pessoa do sexo oposto e a homossexualidade a ela equiparava-se. isso lá pela última década do século XIX. no início dos anos oitenta (1981). no mesmo tipo de entendimento. discutido e disputado. Nele conta que heterossexualidade já foi entendida como uma patologia. Sexualidade e Educação”. E vemos assim o quanto à dimensão da sexualidade encontra diversas possibilidades de respostas no discurso de vários autores e autoras. 1996. Louro (1997) escreveu um artigo denominado “Construção Escolar das Diferenças”. os brinquedos.1998. socialmente. não há como negar é mais do que uma questão pessoal e privada. prestam-se a construir determinada tipologia de sexualidade e como estas servem de mecanismos de reprodução do que está estabelecido pela visão social hegemônica. apenas diferenciando-se quanto ao objeto do desejo. (LOURO. Hoje. p. em várias vertentes e paradigmas. discrimina. ou locais sociais como a escola. p. em diversos livros também vamos encontrar várias informações sobre como a arquitetura. Em seu livro “Gênero. época em que o Doutor Von Kraftt-Ebing (KATZ. o currículo.

Aponta essa manifestação para um viés que confunde sexualidade com orientação sexual. Vejamos algumas de suas respostas: “A sexualidade faz parte do homem e. entende que a sexualidade é inerente ao ser humano. é inadequada. somente em 1998. heterossexual.” A noção de corporeidade. no que diz respeito a esta categoria pode-se depreender que a maioria das pessoas que contribuíram com suas participações. E. “A partir do momento em que falamos de seres humanos. portanto um e outro são uma coisa só”. Vejamos esta outra frase: “A sexualidade é uma das partes mais importantes do indivíduo. dentre outros o tema transversal denominado “Orientação Sexual”. ). direitos ligados à sexualidade constituem direitos de cidadania sim na medida em que fazem parte deste maravilhoso conjunto chamado ser humano”. de personalidade versus sexo está muito presente. Outras pessoas já partem do pressuposto de que a sexualidade é uma escolha como vemos na seguinte frase: “Todo o ser humano tem direito de definir sua sexualidade”. para uma vertente sexual hoje. já orientação sexual refere-se ao desejo sexual. etc. homossexual. oficialmente. criando. . 76 várias atividades sobre o esclarecimento de seu significado verdadeiro foram iniciadas mas no Brasil. é o processo. surgem os primeiros Cadernos dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN. (denominação adotada no texto mas que para muitos pesquisadores e pesquisadoras. não podemos excluir um fator tão importante como sexualidade. “A sexualidade é parte integrante do indivíduo e não pode ser considerada uma coisa à parte”. Das respostas à pesquisa. Isto porque Educação Sexual. Todas essas manifestações apontam o entendimento de que a sexualidade é dimensão indissociável do ser humano.

Dessa forma deixa de servir como um instrumento educacional. 77 Uma outra fala interessante passa a idéia de sexo com a finalidade de reprodução e prazer: “Lembro-me de uma música. Já esta visitante faz uma relação com a cultura: “A sexualidade está intimamente ligada com a condição humana em todos os sentidos. que corrobora muitas das manifestações na pesquisa: “A concepção freudiana. (WEREBE . A expressão humana sexual está ligada à expressão cultural de cada um de nós”.” Em Costa (1997) encontrei a seguinte afirmação. capaz de livrar o gênero humano da angústia de uma sexualidade frustrada e desprezível”. ao definir que o homem é um animal que se auto-reprime através das organizações sociais. Esta visitante estabeleceu diferenças: “A sexualidade é inerente ao ser humano.3). 1997. desta forma não há forma de dicotomizar o ser sexual do ser social. tentando colocar limites e barreiras para o seu prazer sexual. frase que faz parte do título. procurou controlar a vida sexual de seus membros. que há anos atrás era a vinheta do fantástico (heeergg) que dizia assim:” sexo. sem ele o mundo não vive “. p.1998. Assim foram estabelecidas juridicamente regras e normas para assegurar o caráter politicamente conservador e a utilidade econômica da sexualidade. Equipara-se a esta outra: “Sexualidade é humanidade”. Não se pode falar de sexualidade num site na Internet. As possibilidades de Mediação Emancipatória de um Site sobre Educação Sexual. p. e é objetivo geral da pesquisa foram tornando- se cada mais claras neste capítulo. Há quem .Nada mais HUMANO!!”. em todos os tempos. também afirma: “Cada sociedade. sem que possamos contextualizá-la devidamente. abandona os pressupostos de construção de uma sexualidade afirmativa e adentra na instrumentalização da repressão sexual. Contempla esse visitante a inter-relação de sexo com sexualidade numa perspectiva mais holística. Werebe (1998). ou num livro.(COSTA.48).

78 acredite que a sexualidade “sempre foi assim”. há quem nem sabe definí-la. organizar grupos de debates acerca do tema. deve ser observada. Todavia. enfim. quando se trata de uma educação que se pretende emancipatória e libertadora em qualquer instância educativa. Portanto nesta perspectiva a categoria “sexualidade como dimensão humana” é fundamental para subsidiar o entendimento da próxima categoria desvelada na pesquisa: o respeito a diversidade. julgo necessário deixar clara a linha de raciocínio coadunada com o objetivo principal de deste trabalho. Ou seja: o respeito à diversidade é prerrogativa básica. a existência de inúmeras orientações sexuais. por conseguinte. o site é uma ferramenta para alavancar novas reflexões ou um instrumento que pode se prestar a contribuir com a desalienação humana. sinto que algumas reflexões ainda são necessárias. inclusive em um site na Internet sobre educação sexual. para que não ocorram outros entendimentos se não aqueles . há quem não sabe identificá-la ou localizá-la. Respeito à Diversidade A presente categoria esta entrelaçada às categorias anteriores e trouxe o reconhecimento da existência de uma diversidade sexual e. Prestar esclarecimentos. é uma das funções do site. Para que a categoria emergida flua com facilidade. O emergir desta categoria brotou da questão de que a preservação da individualidade e não apenas da individualização. Dependendo da ótica.

já que está em mudança. ao mundo das aparências.. por sua vez. seja. conciliar ambas as posições que o influenciaram em sua metafísica dualista. há a seguinte afirmação: “Em seus estudos. sendo o mundo das formas. Freud fez uma analogia com a tragédia de Sófocles na passagem em que Édipo não compreende o que está escrito no oráculo: “Conhece-te a ti mesmo”. ou seja. na seção destinada a comentar a respeito das “Manifestações da Sexualidade Adolescente” (p. p. se distingue de todos os outros indivíduos”. possuindo as mesmas características essenciais. no capítulo relativo a Educação Sexual. Para Japiassú e Marcondes (1996) há várias possibilidades de leitura em relação a este termo: "(lat.136. que explique a totalidade do real (Parmênides). 1998. p. a busca de um elemento único. 79 que desejo transmitir nessa caminhada e que tratem das manifestações dos visitantes do site que participaram da pesquisa. todo objeto é igual a si mesmo”. é uma das questões mais centrais da metafísica clássica em seu surgimento (Heráclito.” (JAPIASSU e MARCONDES. Temos por um lado. Vejamos a primeira reflexão em relação ao termo “identidade”: de acordo com Houaiss (2001). Tardio identitas. o ser. a essência. se expressa pela fórmula “A=A”. a palavra identidade é o conjunto das características próprias e exclusivas de um indivíduo.. 1996. o princípio da identidade . da mudança e do conflito. sendo que em um sentido dialético algo pode ser e não ser o mesmo. Na lógica. por outro lado. continuam Japiassú e Marcondes: “A questão da identidade e da diferença. do mesmo e do outro.].(SANTA CATARINA. segundo a qual a mudança pertence ao mundo material. fixo. . de idem: o mesmo) Relação de semelhança absoluta e completa entre duas coisas. o pluralismo de Heráclito vê o real como reino da diferença. Platão). a identidade é o conhecimento que cada um de nós buscamos em nós mesmos como unidade pessoal que.27).).27). eterno. imutável. Na Proposta Curricular de Santa Catarina (1998). Parmênides. E. Ou. Platão busca. que são assim a mesma[. de certo modo. uma das três leis básicas do raciocínio para Aristóteles.

A afirmação identitária que proponho no site procura resgatar a humanidade (entendida aqui em sua dimensão social) também das pessoas não incluídas nas regras padronizantes que regem a sociedade. 80 Neste sentido veremos a seguir o quão importante é a identidade para alguém. por um momento necessário de “curvatura” do não-hegemônico contrapondo-se com a excessiva curvatura do hegemônico. quando Saviani fala de Althusser. para fazer valer a sua dominação. que são expressões de um positivismo arcaico e ultrapassado. etc. pp. principalmente para alguém que não tem sua cidadania reconhecida pelo hegemônico. na linha de raciocínio que adotei. vão sendo apropriados indevidamente. usando do contraste entre os indivíduos que se constituem socialmente (grifo meu) . visando à emancipação pelo esclarecimento.136-138) quando descreve a “Teoria da Curvatura da Vara” (observe a página 10. dizendo que tal teoria pertence a Lênin) vejo que identidade e diversidade estão intimamente ligadas. conceitos soltos. sob uma ótica reducionista da “naturalidade” e “normalidade”. o respeito à diversidade passa por uma afirmação identitária. regras essas que buscam naturalizar “a verdade dos que dominam”. antes de tudo uma atitude política. e que nos desdobramentos. a afirmação identitária é. Mas. Portanto. inclusiva e resgatadora da cidadania. o que é afirmação identitária? Partindo do pressuposto que toda a cultura hegemônica hoje ainda celebra a heterossexualidade como padrão e não a diversidade da sexualidade e suas demais facetas. Desta forma. Você se lembra quando falei de sobre “”Teoria da Curvatura da Vara?” Vejamos isso com maior riqueza de detalhes e a linha de correlação que pretendo estabelecer: Relembrando meu diálogo com Saviani (1977.

. com pessoas não-brancas. dentre outras 49 dimensões. a partir da abstração e do entendimento de que as pessoas diferentes têm tantos direitos quanto deveres. conforme todas as outras. pretende ser mais um agente de mediação. é completamente desfocada da realidade e dificulta afirmações identitárias que possibilitem aos seres humanos serem contemplados em sua tão rica diversidade. pessoas que atingiram a maturidade (ou. e com as diferentes orientações sexuais. mas certamente não a exclui. circulou 4. da discussão política também. velhice).710 mensagens só no primeiro semestre de 2003. A idéia é que. etc.net no sentido vygotskyano. lista de discussão chamada listagls.glssite. enquanto economicamente ativos (produtivos) e reprodutivos da espécie. só são “gente”. A leitura capitalista de que os indivíduos só têm utilidade. como pertencentes a uma ou mais categorias e não somente a uma. E isto vai além do campo da sexualidade. Assim tem sido com a mulheres. econômica. mas a que se mostra mais eficiente é a política. Enquanto promove a educação sexual na Internet. Utiliza-se. pessoas ditas portadoras e portadores de doenças ou necessidades especiais etc. de etnias diversas. o www. com centenas de mensagens (a lista de distribuição de e-mails. o que equivale a 783 mensagens por mês ou quase 27 mensagens por dia. Tornou-se (o site) um fórum de debates. oportunizando a discussão de temas relacionados às sexualidades. ocorra a inclusão. lidas por mais de trezentos participantes/dia). 49 Outras dimensões poderiam ser: sexual. 81 num primeiro momento. portadoras de necessidades especiais.

82

Desde 13 de janeiro de 1999 o site foi visitado por 188.401 pessoas.

Infelizmente os dados do contador que datavam a partir da criação do site e, no dia

primeiro de setembro de 1996 foram perdidos quando o próprio provedor foi atacado

por crackers50.

Mas a estimativa é que os números já devem estar além dos duzentos e

cinqüenta mil (250.000) acessos. As pessoas que mais visitam o site provem dos

seguintes lugares (por ordem de freqüência): 1) Brasil, 2)Portugal, 3)Espanha,

4)Japão, 5)Alemanha, 6)Estados Unidos, 7)Arábia Saudita, 8)Países da América

Central, 9)Itália e 10)França.

Informações completas com números e percentuais podem ser obtidos no

seguinte endereço: http://www.nedstatbasic.net/s?tab=1&link=3&id=155565, ou nos

anexos 9, 10 e 11.

Portanto, no sentido de oportunizar um espaço político-pedagógico

emancipatório, de respeito à diversidade para gays, lésbicas, bissexuais,

transgêneros e heterossexuais o www.glssite.net agrega capital intelectual às

pessoas, desconstruindo mitos e tabus, por exemplo, no sentido que Furlani (1998)

comenta:

“Sem dúvida a sexualidade constitui-se “numa questão social, estrutural,
histórica” e, discutí-la, compreendê-la, recriá-la e re-significá-la passa por
transitar, não só na Biologia, mas na contribuição de estudos nas áreas da
História, da Antropologia, da moral, da evolução social e da política
econômica. Isto porque “as relações sexuais são relações sociais,
construídas historicamente em determinadas estruturas, modelos e valores
que dizem respeito a determinados interesses de épocas diferentes”, que
consolidam modelos sociais hegemônicos de vivência e, mais do que isso,
ditam as “verdades” sobre a sexualidade individual e coletiva.” (FURLANI,
1998, p.16).

50
Pessoas que desenvolvem programas com o intuito de invadir e destruir conteúdo.

83

A questão de um site voltado para a Educação Sexual de GLBT51 e a tantas

outras letras que podem a vir e existir e significar todas as orientações possíveis,

significa socializar que existem “n” possibilidades de ajuntamentos afetivos, eróticos,

sexuais e sabe lá mais o quê, entre as pessoas.

Por que parece haver tanta necessidade em afirmar sua identidade e o seu

contraposto, a diferença tratado como desigualdade? Para estabelecer os limites,

diria Friedrich Nietzsche, ou pelo menos a noção de fronteiras (borderlines) entre os

indivíduos.

Usarei o signo, a linguagem, para demonstrar essa noção. Senão, vejamos a

última palavra que escrevi no parágrafo anterior, “indivíduos”. Indivíduo significa

próprio do ser. Pode-se referir a um grupo de indivíduos mulheres ou homens,

todavia trata-se “do indivíduo”, trata-se “do ser” e, não, “da indivíduo”, ou “da ser”.

Esta construção de linguagem possui toda uma justificativa gramatical que acentua a

diferença entre os gêneros feminino e masculino e, por extensão, de todas as

possíveis variações que não fazem parte do que está hegemonicamente

estabelecido como normal e natural. Estes substantivos-sujeitos não incluem o

feminino.

Sintetizando, a questão da produção social da identidade tem a ver, conforme

Silva (2000) com o estabelecimento da diferença, ou seja, parametrizar, localizar o

outro, que não é igual a mim. Ao fazê-lo, eu o estabeleço no tempo e no espaço, na

forma de uma construção cultural, atribuindo-lhe um valor.

51
Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros.

84

É neste sentido, então, por exemplo, que as pessoas não-heterossexuais

precisam afirmar, estabelecer as suas identidades sociais, para demonstrarem que

existem enquanto agentes político-sociais.

Entendo que não-heteros, paradoxalmente, não precisam de muito esforço para

se afirmarem como tal, uma vez que o Estado, quando lhes nega as mesmas

condições previstas na legislação e as aceita somente para as pessoas

heterossexuais, os (as) reconhece legitimamente.

Mais adiante, este mesmo Estado cobra deveres de todas as pessoas:

heterossexuais ou não. Mas, os direitos são apenas na medida que atendem as

prerrogativas do hegemônico. Ou seja, só tem direitos em sua plenitude quem é

heterossexual. Esta negação dos direitos aos outros e outras não-heterossexuais

lhes dá a ferramenta exata para afirmarem suas identidades como seres humanos

diversos, constituídos (as) que são, culturalmente. Portanto, na negação, a

afirmação!

Conforme Silva (2000),

“Em uma primeira aproximação, parece ser fácil definir ”identidade”. A
identidade é simplesmente aquilo que se é: “sou brasileiro”, “sou negro”,
[...]A identidade assim concebida parece ser uma positividade (“aquilo que
eu sou”), [...] um “fato” autônomo [...] ela é auto-contida e auto suficiente. Na
mesma linha de raciocínio, também a diferença como uma entidade
independente [...]é aquilo que o outro é: “ela é homossexual”, “ela é
velha”[...] A diferença tal como a identidade, simplesmente existe.” (SILVA,
2000, p.74).

Mais adiante, ele afirma:

“Além de serem interdependentes, identidade e diferença partilham de uma
importante característica: elas são o resultado de atos de criação lingüística.
Dizer que são o resultado de atos de criação significa dizer que não são

Seria mais ou menos aquilo que Foucault (2002) pretendia dizer. “étnica” é a música ou a comida dos outros países. desejável. para se ter uma noção da contribuição firme de Silva. porque está investido de um poder que nós delegamos a outrem.” (SILVA. se devidamente contextualizado. única. equiparando-se as heterossexuais.. quando deu a aula inaugural no Collège de France em 2 de setembro de 1970. Paradoxalmente.Elas não são criaturas do mundo natural ou de um mundo transcendental. respeitadas ou toleradas[. A força homogeinizadora da identidade normal é diretamente proporcional a sua invisibilidade. ou seja. p. Eis aqui algumas frases das pessoas que responderam ao questionário on-line.]. “Igualdade perante todos”. . volto a citá-lo num ponto que considero crucial: “A identidade normal é ”natural”. que não são coisas que estejam simplesmente aí. “ser branco” não é considerado uma identidade étnica ou racial. Trata-se da igualdade de direitos em relação as demais pessoas. que não são essências. ou seja.p. 2000. dentre outras coisas de que. à espera de serem reveladas ou descobertas. e não perante um determinado grupo social.” (SILVA. É a sexualidade homossexual que é “sexualizada”. A questão da identidade dita “normal” é tão forte que a visitante não se deu conta da obviedade de suas palavras. E. somos sempre pessoas diferentes. Num mundo governado pela hegemonia cultural estadunidense. Respeito a Diversidade: “Todos temos direito de ser diferentes”. são as outras identidades que são marcadas como tais: Numa sociedade em que impera a supremacia branca. 85 “elementos” da natureza. Pretendeu dizer que todos somos iguais perante a Lei. não a heterossexual.83. mas do mundo cultural e social. por exemplo. o discurso tem o poder de excluir..76). grifo meu). mas simplesmente como a identidade. selecionadas para esta categoria. A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma identidade. 2000.

inclusive a de orientação sexual. que possui diversos estudos quanto a multiculturalismo e hibridismo. outro visitante virtual diz: “Todos têm o direito de serem iguais e diferentes”. porque como o sexo envolve grande parte de nossas vidas e deve ser considerado o direito humano a opção de uma vida sexual satisfatória e equilibrada. de acordo com a conveniência de cada época. foi mais interessante incluir que excluir. com respeito às expressões alheias”. O discurso aqui embutido é de total inclusividade. Trata das culturas . É uma construção cultural e. bissexuais ou transgêneros. como tal. ao seu final. Novamente voltamos à questão de que a diversidade. O mesmo ocorre na mesma linha de pensamento nas seguintes frases: “A diversidade sexual é um fato real da natureza humana”. Numa análise das Constituições Brasileiras. manifesta-se: “Todo ser humano independente da identidade sexual tem o direito de se expressar seja qual for sua preferência sexual”. Aqui temos outra frase interessante que. às vezes. Pinto (1999). Ela mostra no artigo que. “Por que antes de sermos gays. de educação sexual. o Brasil teve períodos históricos em que. durante a promulgação das oito (08) constituições. somos tod@s seres humanos”. emancipatório. deve ser entendida e trabalhada em qualquer processo intencional. 86 Se não vejamos como o visitante virtual que se identifica como homossexual. escreveu um artigo denominado “Foucault e as Constituições brasileiras: quando a lepra e a peste se encontram com os nossos excluídos”. recorre ao respeito à diversidade: “Assim. obviamente. lésbicas. Nesta minha reflexão sobre diversidades encontro com Bhabha (1998). na medida da necessidade.

Homi Bhabha levanta diversas categorias. por exemplo. Especialmente em seu texto “O Local da Cultura”. . no enfrentamento da questão do respeito à diversidade. Nenhuma análise das categorias que são apresentadas nesta dissertação pode se caracterizar como pronta. fechada em si mesma porque todas fazem parte de um processo. acabada. 87 que se encontram num determinado momento histórico. dentre as quais. borderline). de ações afirmativas sobre a questão das possibilidades de mediação emancipatória do site www. esta somente se firmará quando forem vivenciadas ações afirmativas eficazes. “identidades” e deixa antever o papel importante da educação nas questões de gênero. temporariamente. podendo dar origem a uma terceira cultura que pode. Mas certamente servem de momentos.glssite.net. carecer de identidade e ficar limítrofe (ou. por sua vez.

88 CAPITULO 5 .

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é criado pelo poder hegemônico que.br/011003/p_070. mais. cujo título é:” Historiador diz que os discriminados são os homens e que eles têm menos direitos que as mulheres”. a chance de fazer uma escolha. é mais que uma estratégia de um grupo totalmente 52 Disponível em:<http://veja. porque não vou entrar no mérito desta questão antropológica. Incluir o excluído no processo de oportunidades que são oferecidas a outras pessoas é oferecer-lhe. por exemplo. . Já as pessoas não-heterossexuais. não estão sob a proteção de qualquer égide e têm grandes dificuldades de se articularem entre si e usufruírem o que a há de melhor e. exemplos do oposto não faltam. pelo menos. são pessoas que supostamente estão inclusas num processo de normalidade. Um artigo que deixa isto muito bem claro. não! Todavia. Muitas mulheres heterossexuais principalmente estão num outro patamar de valores que lhes possibilita reivindicar uma série de benefícios e a justiça assim as entende. está numa entrevista feito por Diogo Schelp (2003) com o autor de “O Sexo Oprimido”52. não são reconhecidas socialmente. Van Creveld. embora tenham uma jornada dura de trabalho não remunerado como domésticas. muitas vezes mães. este – “não poder articular-se” . nem por isso todas as mulheres resolveram ter uma identidade profissional “essencialmente masculina”. Muitas delas entendem que.com. 90 Considerações Finais Começo este parágrafo com uma interrogação: “Incluir” o excluído será inserí-lo na mesmice? Acredito que. mas.html> acessado em 04/10/2003. As mulheres.abril. Ora! Homens e mulheres heterossexuais sempre puderam fazer escolhas sob a égide que contém as regras do hegemônico que sempre lhes favorece. no sentido marxista.

no sentido de que sua força de trabalho se transforma em valor de troca. porque. posso afirmar que a Internet possibilitou e possibilita um trabalho de sucesso em larga escala junto ao público. O filósofo francês. compartilhar informações e interesses comuns. bissexuais.22- 26). alienado e que prefere as mesmices que conservam o que está exposto como “normal”. lésbicas.NET. p. Nesta ótica. Essa afirmação é corroborada pelas estatísticas que venho obtendo junto ao GLSSITE. tome o cérebro humano. “Fazendo um recorte ”ocidental” poder-se-ía dizer que “excluídos são todos aqueles que são rejeitados de nossos mercados materiais ou simbólicos. citando Wanderley (1999). imagine que podemos. sob o título “Estamos Todos Conectados”. escapando a seu próprio controle e tornando-se uma “coisa autônoma”. que se intensificam à medida que envelhecemos. espaço que criei em 1996. integrar essa “constelação de neurônios” com a de milhões de outras pessoas. fazem a seguinte colocação: “Quanto à Educação Sexual propriamente dita. Fazemos infinitas conexões. Warken e Warken (2003). Para começar. p. p. A Internet nos permite hoje criar uma superinteligência coletiva. transexuais e simpatizantes.233). criando comunidades e estimulando conexões. revela a possibilidade de construirmos uma inteligência coletiva. que é o título desta dissertação de mestrado.24). . Essa é a comparação que faço. Para o entrevistado. graças ao computador. Pierre Lévy. as possibilidades de mediação emancipatória de um site sobre Educação Sexual. 2003. Agora. dar início a uma grande revolução humana” (LÉVY. em entrevista a Revista Nova Escola (2003. a reificação é o último estágio da alienação do trabalhador. com a finalidade de divulgar informações sobre formas de prevenção contra 53 Segundo a teoria marxista. 91 reificado53.(JAPIASSÚ. de nossos valores”. visam demonstrar que é possível quebrar determinados paradigmas ditos hegemônicos. site destinado à Educação Sexual de gays. 1996. inteligência coletiva: “É a capacidade de trocar idéias.

glssite. citado por Zuin: “De um certo modo. uma outra área para colunistas voluntários. e assim por diante. 92 a AIDS [.144). ou seja.19). p.A educação seria impotente e ideológica se ignorasse o objetivo de adaptação e não preparasse os homens para se orientarem no mundo.1999.. p. Horkheimer e Adorno (1985. emancipação significa o mesmo que conscientização. citavam: “Na indústria.92). racionalidade. vislumbro sim possibilidades promissoras na Internet. Adorno (2000. De acordo com Adorno.] e que hoje é também referência no que se refere a Direitos Sexuais e Direitos humanos. Então. p. que vai se libertando de velhas amarras. 2003. porque sua . Esta é a ótica na qual procuro trabalhar no www. Ele só é tolerado na medida em que sua identidade incondicional com o universal está fora de questão”. por exemplo. não podem fazê-lo. quando conceitua iluminismo.glssite.. juntamente com Horkheimer já diziam: “O desenfeitiçamento do mundo é a erradicação do animismo”. mas que. Já que a Internet está aí. Acredito que a emancipação se dá com o processo contínuo de esclarecimento da pessoa. o individuo é ilusório não apenas por causa da padronização do modo de produção.. mas com o significado histórico e cultural de sua realidade.” (ZUIN. ao tomar contato não só com a realidade visível. Neste sentido é que o próprio www.” (WARKEN e WARKEN..net também possui uma área destinada a trabalhos de pesquisadores e pesquisadoras. que gostariam de compartilhar conhecimentos através da publicação de seus materiais em livros reais. p.net. dados os elevados custos. principalmente para educadoras e educadores.119). Em “Dialética do Esclarecimento”. podem aproveitá-la.

Mais adiante...8). de certa forma. Matrix Revolution (2003) deve entender melhor onde Bordieu quer chegar. Neste artigo Bordieu demonstra sua preocupação quanto a mídia no sentido que já deixamos claro. já que sanciona o triunfo do produto que é plebiscitado pelo maior número de pessoas. todas as conseqüências do que estão fazendo?”. tudo o que se agrupa sob o nome de “catch all” de informação. ou seja. imune a qualquer exceção cultural sancionada pelas limitações regulamentares[. p. Quem assistiu aos três filmes dos irmãos Wachonski. a lei do lucro. p.. a mídia também se presta ao poder na sua face desumanizada.1999. sabem realmente o que fazem. Há um momento em que ele declara que gostaria de fazer uma pergunta aos donos de negócios na mídia global: “senhores do mundo.]. 93 realidade é do jeito que é. O mestre parece estar muito aborrecido por estar assistindo a coisificação do conhecimento e com a falta de indignação das pessoas.” (BORDIEU. numa forma de catarse. (17/10/99. isto é. ou talvez por elas se encontrarem aparentemente. e que esse produto industrial padronizado deve assim obedecer à lei comum. aqui na dissertação. Dizem-nos enfim que a lei do lucro. do jornal Folha de São Paulo.8). ainda referindo-se as mídias ele cita: “[. é eminentemente democrática. mais simplesmente.] em suma. vocês têm domínio de seu domínio? Ou. é a minha realidade apenas uma virtualidade que vivifico . Matrix (1999) e Matrix Reloaded (2001). Esse processo é um auxílio precioso na construção do protagonismo de cada cidadão. Num artigo escrito para o caderno Mais!. o sociólogo Pierre Bordieu escreveu um artigo intitulado: “Bordieu desafia a mídia Internacional”. de cada cidadã. a lei do mercado. o que estão fazendo. deve ser tratado como uma mercadoria igual às outras.. a que se devem aplicar as mesmas regras que a qualquer outro produto. Afinal de contas.

Em “Pedagogia da Autonomia” do Mestre Paulo Freire. Masetto (2001) pergunta. que não me ajuda numa emancipação? Em seu artigo “Mediação Pedagógica e o Uso da “Tecnologia”. acredito que a mensagem de que esta mídia é possível de ser utilizada para uma Educação Sexual Emancipatória. encontrei diversos tópicos sobre o que ele pensa ser o conjunto de valores para que se tenha uma boa prática educativo-crítica.7 de seu livro. listas de discussão. diz: . com um recorte na área da educação sexual. continuará a ecoar. um dos espaços mais dialéticos dentro do site.net é um espaço virtual que vive um processo constante de transformação. Ele se reconstrói e vai se adequando às necessidades das pessoas em sua busca de emancipação. Mesmo se o site deixar de estar acessível por algum motivo. Isto porque o www. fora a parte de documentação e educacional são as chamadas. enquanto que minha realidade “real” é algo mais obscuro da qual preciso me alienar e. 94 enquanto estou narcotizado. mesmo que seja numa outra oportunidade.glssite. a tecnologia é uma ferramenta de mediação entre quem ensina e quem aprende (e vice-versa).glssite.net. criticamente: “Para que se preocupar com tecnologias que colaborem para um ensino e uma aprendizagem mais eficazes? Não basta o domínio do conteúdo como todos apregoam?” Para o autor. Nessa perspectiva. para os direitos humanos. Educar para a cidadania. Insisto nisto porque educar é o ponto focal do www. sempre dinâmicas e realimentadoras do site. E certamente essa perspectiva dialética é uma indicação de uma prática educativa crítica. O item 1.

35-36). . Tente! Você pode. um desafio. Há vários caminhos ainda não trilhados na Internet. podem ser revistos.. já trilhados. de classe. uma oportunidade. antes que estas ferramentas sejam utilizadas apenas para aumentar as distâncias sociais entre as pessoas e o conhecimento. Outros. Eu estou tentando. digo isto não pensando somente na educação sexual. a Internet e seus sites educacionais servem e devem servir cada vez mais para à inclusão digital.[. muito mais que servir para diminuir distâncias. E.“ (FREIRE. E. p. a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo. mas nas “educações”. Mas devem os e as que educam ocupar também esses espaços. conhecimento não pode ser um privilégio e. Aceite o risco. 1995. O velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo continua novo. Desde a mais generalista aquela mais específica. de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia. É possível mudar? Esta dissertação é quase uma proposta. 95 “É próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco. Isto porque precisamos estar atentos (as) também para o fato de que. sim.. reinventados.] A prática preconceituosa de raça. assim como o critério de recusa ao velho não é apenas cronológico.

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estão referidas as seguintes . 117. Propor o aperfeiçoamento da legislação penal no que se refere à discriminação e à violência motivadas por orientação sexual. Propor emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por orientação sexual. 115. 10 ANEXOS 1 .gov. Incluir nos censos demográficos e pesquisas oficiais dados relativos à orientação sexual.htm Orientação Sexual 114.mj.PNDHU – Plano Nacional de Direitos Humanos Referencias AOS Homossexuais no PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS II http://www. 118. 116.br/sedh/index. Excluir o termo 'pederastia' do Código Penal Militar. No capítulo GARANTIA DO DIREITO A IGUALDADE. Apoiar a regulamentação da parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação da lei de redesignação de sexo e mudança de registro civil para transexuais.

Implementar programas de prevenção e combate à violência contra os GLTTB. incluindo campanhas de esclarecimento e divulgação de informações relativas à legislação que garante seus direitos. juízes e operadores do direto em geral para promover a . 232. Transexuais e Bissexuais . assim como pesquisas que tenham como objeto as situações de violência e discriminação praticadas em razão de orientação sexual. Promover a coleta e a divulgação de informações estatísticas sobre a situação sócio-demográfica dos GLTTB. TRANSEXUAIS E BISSEXUAIS: 10 ESTRANGEIROS E MIGRANTES: 9 CIGANOS: 6 PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIENCIA: 17 IDOSOS: 13 Gays. Travestis. Apoiar programas de capacitação de profissionais de educação. LESBICAS. 233. policiais.GLTTB 231. Lésbicas. 10 minorias sociais com o total de propostas afirmativas: CRIANÇAS E ADOLESCENTES: 45 MULHERES: 19 AFRO-DESCENDENTES: 28 POVOS INDIGENAS: 23 GAYS.

Incentivar programas de orientação familiar e escolar para a resolução de conflitos relacionados à livre orientação sexual. Estimular a formulação. da defesa da livre orientação sexual e da cidadania dos GLTTB. Estimular a inclusão. 240. 10 compreensão e a consciência ética sobre as diferenças individuais e a eliminação dos estereótipos depreciativos com relação aos GLTTB. Inserir. o tema da livre orientação sexual. nos programas de formação de agentes de segurança pública e operadores do direito. 237. Promover campanha junto aos profissionais da saúde e do direito para o . 235. Apoiar a criação de instâncias especializadas de atendimento a casos de discriminação e violência contra GLTTB no Poder Judiciário. 236. 234. implementação e avaliação de políticas públicas para a promoção social e econômica da comunidade GLTTB. com o objetivo de prevenir atitudes hostis e violentas. 238. 239. Incentivar ações que contribuam para a preservação da memória e fomento à produção cultural da comunidade GLTTB no Brasil. no Ministério Público e no sistema de segurança pública. em programas de direitos humanos estaduais e municipais.

intelectual e espiritual. como força integradora da identidade e contribui para fortalecer e/ou produzir vínculos interpessoais. integridade e segurança corporal. 10 esclarecimento de conceitos científicos e éticos relacionados à comunidade GLTTB. Este direito abrange o controle e desfrute do próprio corpo. A luta contra a violência constitui uma prioridade. psíquico. se constrói continuamente pela mútua interação do indivíduo e as estruturas sociais. Direito à autonomia. em 29-7-97. 2 . Tradução de Sonia Melo As pessoas participantes no XIII Congresso Mundial de Sexologia “Sexualidade e Direitos Humanos” declaram que: A sexualidade humana é dinâmica e mutável. incluindo o auto-erotismo. . invioláveis e insubstituíveis de nossa condição humana: Direito à liberdade que exclui todas as formas de coerção. está presente em todas as épocas da vida. e violências de toda índole. propomos que a sociedade crie as condições dignas onde se possam satisfazer as necessidades para o desenvolvimento integral da pessoa e o respeito aos seguintes Direitos Sexuais inalienáveis. promotora do desenvolvimento pessoal e social. mutilações.Declaração de Valência sobre os Direitos Sexuais. livre de torturas. É parte de uma sexualidade livre de conflitos e angústia. O prazer sexual. é fonte de bem estar físico. A criança tem direito de ser desejada e querida. Portanto. exploração e abusos sexuais em qualquer momento da vida e em toda condição.

Direito à saúde sexual. . classe social. Direito à vida privada que implica na capacidade de tomar decisões autônomas com respeito à própria vida sexual dentro de um contexto de ética pessoal e social. 10 Direito à igualdade e à equidade sexual. gênero. Direito à decisão reprodutiva livre e responsável. O exercício consciente racional e satisfatório da sexualidade é inviolável e insubstituível. objetiva e verídica sobre a sexualidade humana que permita tomar decisões a respeito da própria vida sexual. etnia. Refere-se a estar livre de todas as formas de discriminação. seja qual for o sexo. Direito a uma educação sexual integral desde o nascimento e ao largo de toda a vida. Direito à livre associação. Ter ou não ter filhos. investigação e tratamento. Direito à informação ampla. A AIDS e as DST requerem há tempos mais recursos para seu diagnóstico. Incluindo a disponibilidade de recursos suficientes para o desenvolvimento da investigação e conhecimentos necessários para sua promoção. Significa a possibilidade de contrair ou não matrimônio. Implica respeito à multiplicidade e diversidade das formas de expressão da sexualidade humana. de dissolver dita união e de estabelecer outras formas de convivência sexual. o espaçamento entre os nascimentos e o acesso as formas regulares de fecundidade. religião e orientação sexual a qual se pertença. idade. Neste processo devem intervir todas as instituições sociais.

A sexualidade é construída através da interação entre o indivíduo e as estruturas sociais. da família e da sociedade. ocorrido em Hong Kong (CHINA).1 – Declaração de Hong Kong 3 . seu patrimônio mais importante e seu respeito deve ser promovido por todos os meios possíveis. carinho e amor. 10 A sexualidade humana constitui a origem do vínculo mais profundo entre os seres humanos e de sua realização efetiva depende o bem-estar das pessoas.World Association for Sexology Durante o XV Congresso Mundial de Sexologia.. Para . entre 23 e 27 de agosto p. É portanto. O total desenvolvimento da sexualidade é essencial para o bem estar individual. Os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade inerente. expressão emocional.World Association for Sexology)aprovou as emendas para a Declaração de Direitos Sexuais.2. prazer. O desenvolvimento total depende da satisfação de necessidades humanas básicas tais quais desejo de contato. A SAÚDE SEXUAL É UM DIREITO HUMANO BÁSICO E FUNDAMENTAL 6. Saúde sexual é um direito fundamental.p. Sexualidade é uma parte integral da personalidade de todo ser humano. em 1997. intimidade. dos casais. então saúde sexual deve ser um direito humano básico.Declaração dos Direitos Sexuais WAS . no XIII Congresso Mundial de Sexologia. a Assembléia Geral da WAS . decidida em Valência. dignidade e igualdade para todos os seres humanos. interpessoal e social.

intelectual e espiritual. incluindo o autoerotismo. é uma fonte de bem estar físico. classe social. orientação sexual. respeitados e defendidos por todas sociedades de todas as maneiras.O DIREITO À AUTONOMIA SEXUAL. 4. Saúde sexual é o resultado de um ambiente que reconhece. independentemente do sexo. promovidos. 10 assegurarmos que os seres humanos e a sociedade desenvolva uma sexualidade saudável. psicológico. g6enero. mutilação e violência de qualquer tipo. raça.O DIREITO AO PRAZER SEXUAL O prazer sexual. 5.O DIREITO À PRIVACIDADE SEXUAL O direito às decisões individuais e aos comportamentos sobre intimidade desde que não interfiram nos direitos sexuais dos outros.O DIREITO À LIBERDADE SEXUAL A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. 3. Também inclui o controle e o prazer de nossos corpos livres de tortura. religião. 1 . 2. idade. os seguintes direitos sexuais devem ser reconhecidos. exploração e abuso em qualquer época ou situações de vida. No entanto.O DIREITO À IGUALDADE SEXUAL Liberdade de todas as formas de discriminação. deficiências mentais ou físicas. INTEGRIDADE SEXUAL E À SEGURANÇA DO CORPO SEXUAL Este direito envolve a habilidade de uma pessoa em tomar decisões autônomas sobre a própria vida sexual num contexto de ética pessoa e social. respeita e exercita estes direitos sexuais. . aqui se excluem todas as formas de coerção.

O DIREITO À EXPRESSÃO SEXUAL A expressão sexual é mais que um prazer erótico ou atos sexuais. preocupações e desordens. 4 .Declaração Universal dos Direitos Humanos Proclamada em 10 de dezembro de 1948. pela vida afora e deveria envolver todas as instituições sociais.O DIREITO ÀS ESCOLHAS REPRODUTIVAS LIVRES E RESPONSÁVEIS É o direito em decidir ter ou não ter filhos. 7.O DIREITO À SAÚDE SEXUAL O cuidado com a saúde sexual deveria estar disponível para a prevenção e tratamento de todos os problemas sexuais. o número e o tempo entre cada um. ao divórcio. 11.O DIREITO À LIVRE ASSOCIAÇÃO SEXUAL Significa a possibilidade de casamento ou não. Cada indivíduo tem o direito de expressar a sexualidade através da comunicação. pela Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) . e ao estabelecimento de outros tipos de associações sexuais responsáveis. 11 6. 10. 9. e o direito total aos métodos de regulação da fertilidade. expressão emocional e amor. 8.O DIREITO À EDUCAÇÃO SEXUAL COMPREENSIVA Este é um processo que dura a vida toda. desde o nascimento.O DIREITO À INFORMAÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO CIENTÍFICO A informação sexual deve ser gerada através de um processo científico e ético e disseminado em formas apropriadas e a todos os níveis sociais. toques.

CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram. 11 CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade. CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover. sua fé nos direitos do homem e da mulher. à rebelião contra a tirania e a opressão. na Carta. como último recurso. para que o homem não seja compelido. em cooperação com as Nações Unidas. da justiça e da paz no mundo. CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei. de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade. CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito aos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade. e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla. o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades. CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso. CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações. A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos do Homem" como o ideal comum a ser atingido por todos os . e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra.

Artigo 2 I. através do ensino e da educação. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. religião. Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta declaração sem distinção de qualquer espécie. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política. sexo. sob tutela. e. nascimento. origem nacional ou social. à liberdade e à segurança pessoal. cor. língua. Artigo 1 Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos. se esforce. Artigo 3 Todo o homem tem direito à vida. 11 povos e todas as nações. sem governo próprio. opinião política ou de outra natureza. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. riqueza. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. . quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. seja de raça. ou qualquer outra condição. II. quer se trate de um território independente. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. tanto entre os povos dos próprios Estados Membros. tendo sempre em mente esta Declaração.

Artigo 6 Todo homem tem o direito de ser. em todos os lugares. 11 Artigo 4 Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. Artigo 5 Ninguém será submetido a tortura. Artigo 10 . a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas. Artigo 8 Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. detido ou exilado. nem a tratamento ou castigo cruel. Artigo 9 Ninguém será arbitrariamente preso. a igual proteção da lei. reconhecido como pessoa perante a lei. desumano ou degradante. sem qualquer distinção. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo 7 Todos são iguais perante a lei e tem direito.

a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial. Artigo 11 I. era aplicável ao ato delituoso. no seu lar ou na sua correspondência. nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que. . Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. Artigo 13 I. inclusive o próprio. II. no momento da prática. não constituam delito perante o direito nacional ou internacional. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. em plena igualdade. Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país. e a este regressar. para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa. na sua família. II. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que. 11 Todo o homem tem direito. no momento. Artigo 12 Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada.

Os homens e mulheres de maior idade. II. Todo o homem. sem qualquer restrição de raça. III. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. II. sua duração e sua dissolução. nacionalidade ou religião. II. têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. Artigo 15 I. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento. Artigo 17 . Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. Artigo 16 I. 11 Artigo 14 I. Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas. vítima de perseguição. tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. Todo homem tem direito a uma nacionalidade. nem do direito de mudar de nacionalidade.

só ou em sociedade com outros. Todo o homem tem direito à propriedade. II. Artigo 18 Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento. isolada ou coletivamente. receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios. Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas. pela prática. Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. pelo ensino. este direito inclui a liberdade de. 11 I. II. consciência e religião. Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. Artigo 21 I. sem interferências. esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. independentemente de fronteiras. pelo culto e pela observância. ter opiniões e de procurar. . Artigo 19 Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão. Artigo 20 I. II. em público ou em particular.

assim como a sua família. Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses. por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. por sufrágio universal. a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. como membro da sociedade. essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas. outros meios de proteção social. uma existência compatível com a dignidade humana. pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado. Todo o homem. à livre escolha de emprego. Artigo 22 I. que lhe assegure. Todo o homem tem direito ao trabalho. Artigo 23 I. sem qualquer distinção. pelo esforço nacional. Todo o homem. Todo o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória. IV. tem direito a igual remuneração por igual trabalho. Artigo 24 . dos direitos econômicos. A vontade do povo será a base da autoridade do governo. 11 III. II. tem direito à segurança social e à realização. sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade. III. se necessário. e a que se acrescentarão.

e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. Todo o homem tem direito à instrução. velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. A instrução técnica profissional será acessível a todos. nascidas dentro ou fora do matrimônio. Todas as crianças. 11 Todo o homem tem direito a repouso e lazer. cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. II. e direito à segurança em caso de desemprego. invalidez. inclusive alimentação. gozarão da mesma proteção social. II. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. A instrução promoverá a compreensão. vestuário. Artigo 25 I. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. viuvez. habitação. a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos. pelo menos nos graus elementares e fundamentais. . A instrução será gratuita. doença. esta baseada no mérito. A instrução elementar será obrigatória. inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. bem como a instrução superior. Artigo 26 I. Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar.

todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei. . Artigo 29 I. de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios. II. literária ou artística da qual seja autor. exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral. Todo o homem tem deveres para com a comunidade. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica. 11 III. Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade. Artigo 28 Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. No exercício de seus direitos e liberdades. Artigo 27 I. da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. II.

Artigo 30 Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado. Art.CONTEÚDO DA LEI ESTADUAL 12. nos termos desta Lei.APROVADA EM SANTA CATARINA Lei 12. bissexuais ou transgêneros. do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos. 1º Serão punidos. 12 III. toda e qualquer manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra qualquer cidadão ou cidadã homossexual. A Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina decreta: Art. em hipótese alguma. Esses direitos e liberdades não podem.574/2003 Dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual e adota outras providências. para os efeitos desta Lei: . bissexual ou transgênero. 2º Consideram-se atos atentatórios e discriminatórios aos direitos individuais e coletivos dos cidadãos e cidadãs homossexuais. grupo ou pessoa. 5 . serem exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.574/2003 .

bissexual ou transgênero. pensões ou similares.praticar atendimento selecionado que não esteja devidamente determinado em lei.preterir. compra. de ordem moral. 12 I . sobretaxar ou impedir a locação. e VIII . constrangedora. sendo estas expressões e manifestações . sobretaxar ou impedir a hospedagem em hotéis. IV .submeter o cidadão ou cidadã homossexual. II . III . intimidatória ou vexatória.proibir o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado. aberto ao público.proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão ou cidadã homossexual. VI .inibir ou proibir a admissão ou o acesso profissional em qualquer estabelecimento público ou privado em função da orientação sexual do profissional. arrendamento ou empréstimo de bens móveis ou imóveis de qualquer finalidade. V . filosófica ou psicológica. atos de demissão direta ou indireta. VII . ética.preterir.praticar o empregador. aquisição. ou seu preposto. bissexual ou transgênero a qualquer tipo de ação violenta. em função da orientação sexual do empregado. motéis.

instaladas neste estado. civil ou militar. bissexual ou transgênero que for vítima dos atos discriminatórios poderá apresentar sua denúncia pessoalmente ou por carta. que intentarem contra o que dispõe esta Lei. na forma da lei. telex. II . de caráter privado ou público. o sigilo do denunciante.comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos. 4º A prática dos atos discriminatórios a que se refere esta Lei será apurada em processo administrativo. Art. Art. garantindo-se. 12 permitidas ao demais cidadãos e cidadãs. seguido da identificação de quem faz a denúncia. e III . § 1º A denúncia deverá ser fundamentada através da descrição do fato ou ato discriminatório. 3º São passíveis de punição o cidadão ou cidadã.reclamação do ofendido.ato ou ofício de autoridade competente. telegrama. . 5º O cidadão e a cidadã homossexuais. inclusive os detentores de função pública. com ou sem fins lucrativos. que terá início mediante: I . e toda e qualquer organização social ou empresa. via internet ou fax ao órgão estadual competente e/ou a organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos. Art.

multa de R$ 1. podendo ser elevados em até dez vezes quando for verificado que. § 2º Os valores das multas serão corrigidos a partir da data da publicação dessa Lei pela taxa de juros SELIC.suspensão da licença estadual para funcionamento por trinta dias. resultarão inócuas. Art. IV .advertência. 6º As penalidades aplicáveis aos que praticarem atos de discriminação ou qualquer outro ato atentatório aos direitos e garantias fundamentais da pessoa humana serão as seguintes: I . § 1º As penas mencionadas nos incisos II a V deste artigo não se aplicam aos órgãos e empresas públicas.cassação da licença estadual para funcionamento. competirá à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania promover a instauração do processo administrativo devido para apuração e imposição das penalidades cabíveis. .multa de R$ 3. em razão do porte do estabelecimento.000 (um mil Reais).000 (três mil Reais). 12 §2º Recebida a denúncia. III . cujos responsáveis serão punidos na forma do Estatuto dos funcionários públicos. e V . II .

que providenciará a sua cassação. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. a autoridade municipal para eventuais providências no âmbito de sua competência. 8º O Poder Público disponibilizará cópias desta Lei para que sejam afixadas nos estabelecimentos e em locais de fácil leitura pelo público em geral. Art. dentro do Departamento de Defesa para estabelecer a liderança norte-americana em ciência e tecnologia aplicáveis militarmente.A História da Internet 1957 . igualmente.A União Soviética lança o foguete Sputnik . 7º Aos servidores públicos que. deverá ser comunicada a autoridade responsável pela emissão da licença. os Estados Unidos formam a Advanced Research Projects Agency (ARPA). Como resposta. por ação ou omissão deixarem de cumprir os dispositivos da presente lei. Art. serão aplicadas as penalidades cabíveis nos termos do Estatuto dos funcionários públicos. 6 . . Revogam-se as disposições em contrário. 12 § 3º Quando for imposta a pena prevista no inciso V supra. comunicando-se. 10. Art. no exercício de suas funções e/ou em repartição pública. o primeiro satélite artificial terrestre.

precursor direto do TCP. o SRI (Stanford Research Institute). a UCSB (Universidade da Califórnia em Santa Barbara) e a Universidade de Utah. é feita a primeira demonstração pública da Arpanet. o IMP. 1971 – Os computadores estão conectados a cerca de 24 lugares. 1967 . 1972 – Na International Conference on Computer Communication. 1969 – O Departamento de Defesa dos EUA contrata um time de pesquisadores nas áreas de negócios. a ARPA discute um protocolo para a troca de mensagem entre computadores. é desenvolvido o conceito da Arpanet Packet Switch. quatro lugares são escolhidos como os lares dos primeiros IMPs da Arpanet: Universidade de UCLA. acadêmica e do governo para colaborar com a Arpanet.A Arpanet patrocina um estudo intitulado “A Competitive Network of Time Sharing Computers” (ou Uma Rede Competitiva com Computadores Interligados Simultaneamente). . também nos EUA. em Los Angeles. uma organização científica e educacional. da BBN Tecnologies envia o primeiro e-mail. em Washington. Ray Tomlinson. o NWG define os protocolos para acesso de terminal remoto (Telnet) e para transferência de arquivos (FTP). dedicada as pesquisas na área de tecnologia da informação. 1970 – É criado o network Control Protocol (NPC).Os primeiros planos de packet-switching sobre princípios de operatividade são apresentados em um simpósio da ACM (Association for Computing Machinery). 12 1965 .

1980 – A Arpanet se espalha rapidamente pelos EUA. os computadores em mais de 200 lugares são conectados via Arpanet. a CCITT (International Telegraph and Telephone Consultation Comitee) define o protocolo X.25 para redes públicas de pacotes. publicam “A Protocol for Packet Network Interconection”. 1977 – A BBN desenvolve o primeiros TCP para Unix. a mudança de NCP para TCP é . a direção da Arpanet passa da ARPA para a Defense Communicatios Agency. mais de dez mil pessoas tem acesso a Rede. 1981 – Começa a CSNET (Computer Science Network). o que demanda mais uma grande revisao nos padrões de endereçamento de redes. que permite a comunicação por computadores via um sistema de redes. 12 1973 – É feita a primeira conexão internacional da Arpanet. é feita a primeira grande revisão no protocolo da Telnet. 1979 – Surge a Usenet. definindo o Transmission Control Protocol (TCP). conectando mais de 400 hosts em universidades. no governo e em organismos militares. pela Universidade de Stanford e pela Universidade College. entre Inglaterra e Noruega. 1975 – A Arpanet alcança 63 IMPs. AT&T Bell Labs desenvolve o UUCP(Unix to Unix Protocol). 1974 – Vintion Cerf e Bob Kahn. 1976 – Os primeiros roteadores Internet são desenvolvidos pena pela BBN. em Londres. da ARPA.

at) . de Nova York. por dia. 1990 – O Brasil(. 1989 . 1983 – O TCP/IP é estabelecido. o crescimento da rede dificulta o acesso da comunidade acadêmica – era o embrião da Internet2.br) se conecta à NSFNET juntamente com a Argentina (.448.cl) a Grécia(. (Because It’s Time Network) começa como uma rede cooperativa na City University. o número de requisiçòes de arquivos.in) a Irlanda (. o Chile (. a Arpanet começa a ser denominada Internet. um sistema de redes regionaois de roteadores conectados por meio de um backbone. começa o desmantelamento da Arpanet.ie). a Bélgica (. 1982 – O Departamento de Defesa dos EUA resolve montar uma rede de dados de defesa. é desenvolvido o Name Server da Universidade de Wisconsin. o número de hosts Internet passa de 100 mil.gr).ar). baseada na tecnologia da Arpanet. 12 programada para 1° de janeiro de 1983.A Arpanet desaparece. o Internet Relay Chat (IRC) é desenvolvido por Jarkko Oikarinen. o número de hosts da Arpanet ultrapassa mil. a Índia (.692 pacotes transmitidos pela Arpanet. a BITNET. 1984 – É estabelecido o DNS (Domain Name Server). 1987 – Mais de mil BBSes estão ligados em rede. 1988 – É registrada a marca de 77. a Áustria (. 1986 – A National Science Foundation implementa a NSFNET. a . estações de trabalho se tornam acessíveis e há uma explosao de redes locais. A internet começa a surgir.be). via FTP chega a mil por mês.

1991 – São lançados a World Wide Web. a Espanha(. criado por Philip Zimmermann. em julho. representantes de 34 universidades americanas iniciam a Internet2.5 milhão de hosts na Internet e mais de 100 países estão conectados a Rede. a expressão “Surfando na Internet ”é cunhada por Jean Armour Polly. numa reunião em Chicago. no mês de julho a estimativa é de que cerca de 30 milhões de pessoas já estejam conectadas à Internet. a America On- line (AOL) e a CompuServe tornam-se provedores de acesso. 1993 – a NSF cria a InterNIC. 1996 – Começa a Guerra dos Browsers entre a Netscape e Microsoft. é lançado o ICQ pela empresa israelense Mirabilis. A Eletronic Forntier Foundation (EFE) é fundada. já são dois para cada usuário acadêmico. são mais de 3 milhões de hosts existentes na Internet.es).kr). e a Suíça (. já existem mais de 1. como o Prodigy. 1995 – Serviços de acesso discado tradicionais. a Internet Society é fundada. . o Mosaic se torna o aplicativo cm maior taxa de crescimento. o Gopher e o PGP (Pretty Good Privacy). mais de 1 milhão de hosts ligados à Internet. 1994 – O número de usuários comerciais explode. 12 Coréia do Sul (. 1992 – A Internet une 17 mil redes em 33 países.ch). o número de requisiçòes por arquivos via ftp chega a 50 mil por mês. usuários fora das universidades começam a ter acesso à Internet no Brasil.

net” . a Netscape. 112p NOTA: Em novembro de 1999. tornando inatingíveis milhões de sistemas no mundo todo. até 08/11/03 Conforme http://www.net/s?tab=1&link=3&id=155565&cou=all. Já são 151 milhões os usuários ligados a internet. Manual integrante da revista guia da Internet. O Departamento de Justiça dos EUA abre um processo contra a Microsoft para impedir a prática de cartel: a Microsoft queria instalar o Internet Explorer em todas as máquinas equipadas com o Windows (quase 80% do mercado mundial de computadores pessoais).br n° 32. em novembro. 1998 – Em abril. Rio de Janeiro/RJ: Ediouro publicações S/A 1999 . 12 1997 – Na manhã de 17 de julho. acessado em 08/11/03 . Enciclopédia da Rede.com" e “. A união das empresas com a Sun Microsystems indica para a formação de uma frente anti-Microsoft. (FONTE: LEIRIA. a AOL compra a Mirabilis em junho e. a Microsoft é considerada culpada pela justiça norte-americana de estar praticando monopólio e forçando usuários a comprarem seus produtos 7 – Procedência dos cem (100) últimos acessos. um erro humano na Network Solutions interrompe o tráfego nos endereços com terminações ". Luis.nedstatbasic.

2 16. Arabia Saudí 1278 % 0. Reino Unido 558 % 0.5 11.1 1.8 4. Japón 1526 % 0. Canadá 792 % 0.com) 1336 % 0.2 18.4 14.6 9.3 15. Uruguay 406 % 0. Portugal 4069 % 0. Países Bajos 358 % .4 13. Alemania 1436 % 0.8 5.2 17. Italia 1134 % 0.6 8. 13 País de procedencia 13207 67. Estados Unidos 9286 % 2. Brasil 4 % 4. Francia 992 % 0. Argentina 737 % 0. España 1624 % 0. EEUU Comercial (. Emiratos Árabes Unidos 422 % 0.7 7. Red 1145 % 0. Chile 411 % 0. México 806 % 0.7 6.4 12.1 3. Corea del Sur 402 % 0.2 19.2 20.6 10.7 2.

2 21.1 35. Polonia 172 % 0.1 23. Suiza 335 % 0.1 24. Austria 155 % 0.1 25. Colombia 116 % EEUU Instituciones 0. Nueva Zelanda 91 0. Suecia 192 % 0. Turquía 99 % 0.1 32.1 36.1 26.1 37. Israel 118 % 0.0 40.1 34. República Checa 119 % 0.1 28. Kuwait 96 % 41.edu) % 0.0 .1 38. Dinamarca 99 % 0. Perú 139 % 0. 13 0. Venezuela 155 % 0. China 295 % 0.1 39.1 27.1 29. Australia 284 % 0. Bélgica 300 % 0.1 33. 114 Educativas (.1 31.1 30. Finlandia 100 % 0. Taiwán 175 % 0.2 22. Grecia 106 % 0. Noruega 103 % 0.

Croacia 41 % 0.0 57. Hong Kong 76 % 0. Antigua USSR 65 % 0.0 49.0 53.0 44.0 50. República Dominicana 27 % . Singapur 49 % 0. Irlanda 31 % 0. Tailandia 79 % 0.0 55. Sudáfrica 38 % 0. Hungría 50 % 0. Egipto 30 % 0.0 45. Bolivia 90 % 0.0 46. Túnez 73 % 0. Omán 30 % 0.0 58.0 54. Arpanet Antiguo 35 % 0. India 58 % 0.0 43. Malasia 78 % 0.0 60. Indonesia 60 % 0. Filipinas 30 % 0.0 51.0 47.0 52.0 56.0 59. Rúsia 48 % 0.0 42.0 61. 13 % 0.0 48. Costa Rica 33 % 0.

0 75.0 72.0 65.0 80. Rumania 15 % 0. Cabo Verde 15 % 0. Yugoslavia 19 % 0. Chipre 23 % 0.0 71.0 68.0 64.0 70.0 67. Jordania 11 0. 13 0.0 73.0 62. 22 de lucro % 0. Bulgaria 18 % 0.0 63. Ecuador 13 % 82. Irán 25 % 0. Islas Cocos 14 % 0. Panamá 27 % 0.0 . Estonia 21 % 0.0 79.0 69. Puerto Rico 16 % 0.0 66.0 78.0 76. Eslovaquia 21 % 0. Luxemburgo 21 % 0. Letonia 25 % 0. Vietnam 19 % 0. Qatar 23 % Organización sin fines 0.0 81. Ucrania 16 % 0. Eslovenia 18 % 0.0 77. Paraguay 24 % 0.0 74.

0 92.0 97. Mónaco 4 % 0. Macao 6 % 0. Mozambique 9 % 0. Seychelles 3 % 0. 11 Gubernamentales (.0 85.0 84.0 89.gov) % 0. Angola 9 % 0.0 96. Islandia 9 % 0.0 93.0 98.0 83.0 86.0 91. Nicaragua 8 % 0. Cuba 3 % . Líbano 4 % 0.0 95. Lituania 10 % 0.0 99. 13 % EEUU Instituciones 0. El Salvador 7 % 0.0 100.0 90. Bahráin 5 % 0. Pakistán 6 % 0.0 87. Marruecos 8 % 0.0 88. Yemen 9 % 0. Guatemala 11 % 0. Bosnia y Hercegovina 4 % 0.0 94.

até 08/11/03 Conforme http://www. acessado em 08/11/03 Visualizaciones de página por día 12 octubre 2003 191 13 octubre 2003 212 14 octubre 2003 204 15 octubre 2003 166 16 octubre 2003 183 17 octubre 2003 174 18 octubre 2003 149 19 octubre 2003 156 20 octubre 2003 173 21 octubre 2003 182 22 octubre 2003 196 23 octubre 2003 230 24 octubre 2003 210 25 octubre 2003 168 26 octubre 2003 186 27 octubre 2003 182 28 octubre 2003 197 29 octubre 2003 203 30 octubre 2003 184 31 octubre 2003 165 1 noviembre 2003 205 2 noviembre 2003 91 3 noviembre 2003 162 4 noviembre 2003 163 5 noviembre 2003 168 .nedstatbasic.glssite.net.net/s?tab=1&link=1&id=155565&name=GLS. 13 8 – Número de visitante por dia ao site www.

nedstatbasic.glssite. acessado em 08/11/03 Navegadores .net.net/s?tab=1&link=5&id=155565. até 08/11/03 Conforme http://www. 13 6 noviembre 2003 153 7 noviembre 2003 150 8 noviembre 2003 119 Total 4922 9 – Plataformas e Navegadores usados pelos visitantes por dia ao site www.

1 % Total 100. Windows 2000 8. O termos é mais costumeiramente aplicado ao software utilizado para paginar a World Wide Web. No Brasil o termo mais empregado é navegador). Netscape Communicator. Neoplanet. esboço. A. Windows 95 2. Windows ME 9. Opera.0 % 10 – Glossário Browser – Paginador – Navegador Um programa que é usado para explorar a rede. projeto. MSN Explorer.7 % 3. Windows 98 42. 13 Sistemas operativos 1.6 % 4.WebChat Trata-se de um espaço destinado a conversas. Chat. layout. Exemplos de paginadores: Internet Explorer. Windows XP 37. Mozilla. etc. bate-papos. localizado no interior de uma página da internet – uma homepage –e que é composto a partir de uma programação na linguagem java inserida em meio aos códigos HTML da mesma. (N. .5 % 2.2 % 5. Design Desenho.

) Homepage. Um dos mais populares e importantes usos das comunicações digitais. periféricos.Página de apresentação. ao invés do usual sistema de postagem tradicional. Hardware A parte física de um computador ( material eletrônico. E-Mail – Correio Eletrônico – Cartas Virtuais Um método de envio de mensagens via computadores.Transferir A transferência de um arquivo de outro computador para o seu. placas etc.Quadros Recurso para paginadores Web introduzido no Navigator 2 (Browser da Netscape) que permite a uma página Web possuir várias janelas controladas e roladas separadamente. 13 Download . Formulário Eletrônico Trata-se de uma página que contém espaços com a forma de quadrados a serem preenchidos com dados que serão enviados posteriormente ao e-mail do dono da página. . Frames . monitor.

com). (N.Marcador de Hipertexto É a linguagem usada para escrever um documento World Wide Web. Internet Rede de computadores de alcance mundial. IRC – Internet Relay Chat ( bate-papo on-line) O IRC . que estabelece interatividade adicional ao ser embutida em páginas Web.sun. É possível estabelecer que qualquer endereço WWW seja a sua página de apresentação padrão. No mundo utiliza-se com freqüência estas duas palavras unidas como. criada pela Sun Microsystems. homepage) .. desde a invenção da Web (http://java. HTML – HyperText Mark-Up Language . Seus comandos São embutidos na página HTML e interpretados pelos navegadores.A . A . Os experts aclamam-na como o mais significativo avanço da Rede. através dos paginadores Web. você sempre iniciará sua navegação a partir da pagina Web escolhida. (N. Java Linguagem de programação para Intranet.O programa de IRC mais popular de todos é o mIRC). 13 O primeiro local visitado ao acessar um site World Wide Web. conectados através do protocolo IP.Internet Relay Chat permite que muitos usuários conversem em tempo real através da Internet. A . JavaScript É uma linguagem compacta para desenvolvimento de aplicações Internet. assim.

um disquete de 1. Um dispositivo que converte informações binárias em um sinal análogo. Um disco rígido – HD descartável (externo. As âncoras permitem que o usuário salte de um pedaço da informação para um item relacionado. etc. ele esteja armazenado. Link – Ligação –âncoras As ligações de hipertexto que estão embutidas em um documento (HTML) da World Wide Web.Modulator/Demodulator Modulador/Demodulador. equivalente a um (1) megabyte e quarenta e quatro é considerada uma mídia. não importando onde. e transforma aquele sinal novamente em dados que podem ser reconhecidos pelo . e assim outras tantas formas de armazenamento são. ou seja. etc. cartazes. a rádio e. que pode ser transmitido pelos canais de telefone de voz. e sim executada dinamicamente pelo interpretador do browser. mídias. Mídia – Media – Mass Media O conjunto dos meios de comunicação de massa (jornal.44” (um vírgula quarenta e quatro polegadas).). transportável) é uma mídia. na Internet.filmes. Modem . 14 linguagem não é compilada. Mailing List – Lista de Correspondências Um grupo de discussão em que as mensagens são distribuídas por e-mail. televisão. por exemplo. Não confundir com o setor da área das agências de publicidade e jornais que lidam com veiculação de anúncios. Mídia também é entendido no meio profissional da área de Tecnologia da Informação – TI com sendo também os meios pelos quais uma série de informações pode ser carregada.

Provedor . que significa as iniciais de World Wide Web. a Internet. o visualizador do projeto. como os demais termos estrangeiros. On-line significa conectado a Rede Mundial de Computadores. A . 14 computador no seu destino. enquanto a simpatia não se torna rotina. controle quando e quais elementos serão transmitidos. arte gráfica.cada computador. Multimídia e Hipermídia Multimídia é qualquer combinação de texto. escreveremos “on-line” e. Portal Site que oferece uma série de serviços aos usuários (as) além de conteúdo. som. para acessar a Internet. animação e vídeo transmitida pelo computador. ou seja. a multimídia torna-se hipermídia. passa a se chamar multimídia interativa. e-mail e homepage. Quando em rede de computadores. também designado por WWW. Se permite que o usuário. em itálico. (N. outros não. Mas.. necessita de pelo menos um modem. Muitas pessoas o utilizam separado por hífen. Se fornece uma estrutura de elementos vinculados pela qual o usuário pode mover-se. On-line (ou online) Não há uma definição da comunidade científica quanto à forma de escrever este termo. No momento parece que a simpatia por online (junto) vem ganhando simpatia. todos eles acessam a Internet através de um único modem).

Software Sistema de processamento de dados de um computador. São os lugares por onde se navega. e sim executada dinamicamente pelo interpretador do browser. Site Qualquer uma das redes individuais que. constitui a internet. Uma das coisas que ela possibilita. ou sítio é um espaço fechado com características próprias. A linguagem não é compilada. Programa de computador. *N. O mesmo que lugar – Designação dos servidores a que se tem acesso por meio da Internet. . como todas. 14 Um provedor de acesso a Internet é uma empresa que possui computadores servidores que conectam o usuário a Internet. por exemplo. Proporciona acesso dos usuários à rede e armazena as informações e programas que formam a Internet. constitui a internet. Servidor Computador conectado permanentemente à rede. A . ao acessar um endereço na internet. O provedor pode prover serviços de hospedagem de homepages e/ou serviços de e-mail ao (a) usuário (a)final Script É uma linguagem compacta para desenvolvimento de aplicações Internet. é. Seus comandos São embutidos na página HTML e interpretados pelos navegadores. abrir uma mini-página com uma enquete ou propaganda. Qualquer uma das redes individuais que. No Brasil designa-se comumente que um site. como todas.

A .World Wide Web Rede de Abrangência Mundial – Seção gráfica da Internet formada por páginas de hipertexto. 14 URL – Uniform Resource Locator. *N. Bastante utilizado para se referir a uma conexão World Wide Web. simulado por programas de computador Web . Virtual Que só existe potencialmente. Basicamente significa o endereço de uma homepage. WWW Sigla que equivale a World Wide Web . ou site. Uma tentativa de padronizar a localização ou os detalhes de endereçamento dos recursos da Internet.