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MADA é uma irmandade para mulheres que desejam se


recuperar de qualquer tipo de relacionamento destrutivo ou
dependente, sejam eles de ordem sexo afetiva, familiar ou
profissional (homens, mulheres, amigos, pais, filhos, patrões,
empregados, irmãos, avós), entre outros tipos de
relacionamentos.

Consulte em nosso blog a lista atualizada das salas de MADA abertas


no Rio de Janeiro:

BLOG: www.grupomadarj.blogspot.com
(os endereços e horários das reuniões estão sempre atualizados no blog)

Envie um e-mail em caso de dúvidas:


E-MAIL: madarj1999@yahoo.com.br

Endereços em outros Estados:


Site Nacional: www.grupomadabrasil.com.br

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 2


“A RECUPERAÇÃO DO AMOR EXCESSIVO É PARA AQUELAS
QUE QUEREM, NÃO PARA AS QUE PRECISAM. A MAIORIA DAS
MULHERES PRECISA RECUPERAR-SE DE TODAS AS GRANDES E
PEQUENAS FORMAS DE FERIR A SI PRÓPRIAS E AOS OUTROS,
AO FORÇAREM QUESTÕES, DIRIGIREM E CONTROLAREM
PESSOAS E EVENTOS, PRATICAREM A REJEIÇÃO E
ENTREGAREM-SE À OBSTINAÇÃO. MAS POUCAS DE NÓS
QUEREMOS APRIMORAR MAIS A NÓS MESMAS DO QUE A
OUTRAS PESSOAS. ASSIM, CONTINUAMOS TENTANDO MUDAR
O QUE NÃO PODEMOS EM VEZ DE MUDAR AQUILO QUE
SOMOS CAPAZES”.

(Robin – Meditações)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 3


A Irmandade de MADA
agradece à Irmandade de
Alcoólicos Anônimos,
a célula-mãe de todos os
grupos de ajuda mútua

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 4


ÍNDICE

CARACTERÍSTICAS DE MULHERES QUE AMAM DEMAIS ............................................................................... 6


OS DOZE PASSOS DE MADA............................................................................................................................. 8
PRIMEIRO PASSO ................................................................................................................................................ 9
SEGUNDO PASSO ............................................................................................................................................. 12
TERCEIRO PASSO .............................................................................................................................................. 14
QUARTO PASSO................................................................................................................................................ 17
QUINTO PASSO ................................................................................................................................................. 21
SEXTO PASSO .................................................................................................................................................... 23
SÉTIMO PASSO .................................................................................................................................................. 25
OITAVO PASSO ................................................................................................................................................. 27
NONO PASSO ................................................................................................................................................... 29
DÉCIMO PASSO ................................................................................................................................................ 31
DÉCIMO PRIMEIRO PASSO.............................................................................................................................. 33
DÉCIMO SEGUNDO PASSO ............................................................................................................................ 35
INTRODUÇÃO ÀS DOZE TRADIÇÕES ............................................................................................................. 38
AS DOZE TRADIÇÕES DE MADA .................................................................................................................... 39
PRIMEIRA TRADIÇÃO ....................................................................................................................................... 40
SEGUNDA TRADIÇÃO ...................................................................................................................................... 43
TERCEIRA TRADIÇÃO ....................................................................................................................................... 46
QUARTA TRADIÇÃO ......................................................................................................................................... 48
QUINTA TRADIÇÃO .......................................................................................................................................... 51
SEXTA TRADIÇÃO ............................................................................................................................................. 54
SÉTIMA TRADIÇÃO ........................................................................................................................................... 56
OITAVA TRADIÇÃO .......................................................................................................................................... 59
NONA TRADIÇÃO ............................................................................................................................................ 61
DÉCIMA TRADIÇÃO ......................................................................................................................................... 64
DÉCIMA PRIMEIRA TRADIÇÃO ....................................................................................................................... 66
DÉCIMA SEGUNDA TRADIÇÃO ...................................................................................................................... 68
LEMAS ................................................................................................................................................................ 72
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................................... 74

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 5


CARACTERÍSTICAS DE MULHERES QUE AMAM DEMAIS

“Amar demasiado não significa amar muitos homens, ou apaixonar-se com muita
frequência, ou mesmo ter um grande amor genuíno por alguém.
Significa, na realidade, ficar obcecada por um homem e chamar isso de amor,
permitindo que tal sentimento controle suas emoções e boa parte de seu
comportamento, mesmo percebendo que exerce uma influência negativa sobre
sua saúde, bem estar e, ainda assim, achar-se incapaz de opor-se a ele. Significa
medir a intensidade do seu amor pela quantidade de sofrimento que ele lhe traz.
Ninguém se transforma em mulher que ama demais por acaso. Crescer como
mulher nessa sociedade e em famílias desajustadas, pode gerar padrões
previsíveis.”

(Robin – Mulheres que Amam Demais - Pág.23)

Os seguintes padrões são características típicas de


Mulheres que Amam Demais:

1. Você vem de um lar desajustado em que suas necessidades emocionais


não foram satisfeitas;

2. Como não recebeu um mínimo de atenção, você tenta suprir essa


necessidade insatisfeita através de outra pessoa, tornando-se super
atenciosa, principalmente com homens aparentemente carentes;

3. Como não pôde transformar seus pais nas pessoas atenciosas, amáveis e
afetuosas de que precisava, você reage fortemente ao tipo de homem
familiar, mas inacessível, o qual você tenta, mais uma vez, transformar
através de seu amor;

4. Com medo de ser abandonada, você faz qualquer coisa para impedir o
fim do relacionamento;

5. Quase nada é problema, toma muito tempo ou mesmo custa demais, se for
para “ajudar” a pessoa com quem está envolvida;

6. Habituada à falta de amor em relacionamentos pessoais, você está


disposta a ter paciência, esperança, tentando agradar cada vez mais;

7. Você está disposta a arcar com mais de 50 por cento da responsabilidade,


da culpa e das falhas em qualquer relacionamento;

8. Sua autoestima está criticamente baixa, e no fundo você não acredita que
mereça ser feliz. Ao contrário, você acredita que deve conquistar o direito
de desfrutar da vida;

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 6


9. Como experimentou pouca segurança na infância, você tem uma
necessidade desesperadora de controlar seus homens e seus
relacionamentos. Você mascara seus esforços para controlar pessoas e
situações, mostrando-se “prestativa”;

10. Você está muito mais em contato com o sonho de como o relacionamento
poderia ser do que com a realidade da situação;

11. Você é uma pessoa dependente de homens e de sofrimento espiritual;

12. Você tende psicologicamente e, com frequência, bioquimicamente a se


tornar dependente das drogas, álcool e/ou certos tipos de alimentos,
principalmente doces;

13. Ao ser atraída por pessoas com problemas que precisam de solução, ou ao
se envolver em situações caóticas, incertas e dolorosas emocionalmente,
você evita concentrar a responsabilidade em si própria;

14. Você tende a ter momentos de depressão, e tenta preveni-los através da


agitação criada por um relacionamento instável;

15. Você não tem atração por homens gentis, estáveis, seguros e que estão
interessados em você. Acha que esses homens “agradáveis” são
enfadonhos.

Mulheres que amam demais têm pouca consideração com a sua integridade
pessoal, dentro de um relacionamento amoroso. Concentram sua energia na
mudança do comportamento e sentimentos de outra pessoa com relação a elas,
através de manipulações desesperadas, como as dispendiosas chamadas
telefônicas e viagens aéreas.

Quando nossas experiências na infância são bastante dolorosas, somos


frequentemente compelidas a recriar situações parecidas em nossa vida, com o
intuito de conseguirmos domínio sobre elas.

Quando acontece algo muito doloroso emocionalmente, e dizemos a nós


mesmas que falhamos, estamos, na verdade, dizendo que temos controle sobre
isto: se nos modificarmos, o sofrimento cessará. Esse pensamento vale para todas
nós. A dinâmica está por trás de muitas das autoacusações em mulheres que
amam demais. Culpando-nos, prendemo-nos à esperança de que seremos
capazes de descobrir onde está o erro e corrigi-lo, controlando, dessa forma, a
situação e fazendo o sofrimento cessar.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 7


OS DOZE PASSOS DE MADA

1. Admitimos que éramos impotentes perante os relacionamentos e que


tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

2. Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmas poderia devolver-


nos à sanidade.

3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na


forma em que O concebíamos.

4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmas.

5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmas e perante outro ser humano,
a natureza exata de nossas falhas.

6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses


defeitos de caráter.

7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e


nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que
possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.

10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos erradas,


nós o admitíamos prontamente.

11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar o nosso contato


consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas
o conhecimento da Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar
essa vontade.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos,


procuramos transmitir esta mensagem às mulheres que ainda sofrem e
praticar estes princípios em todos os nossos relacionamentos.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 8


PRIMEIRO PASSO
"Admitimos que éramos impotentes perante os relacionamentos e que
tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.”

Dar o Primeiro Passo é o início fundamental na recuperação da dependência de


relacionamentos. Quando admitimos nossa impotência e inabilidade para dirigir
nossas próprias vidas, abrimos a porta da recuperação. Admitir ser impotente
pode ter um significado diferente para cada uma de nós, mas o que é
importante para a prática do Primeiro Passo é encarar a realidade destrutiva em
que nos encontrávamos antes de conhecermos MADA, e que hoje temos o
desejo profundo de mudar a nós mesmas, um dia de cada vez.

Impotência significa repetirmos o sofrimento, mesmo contra a nossa vontade. Se


não conseguimos parar, como podemos nos iludir, dizendo que controlamos? É
no Primeiro Passo que fazemos a admissão do nosso inútil controle e nos rendemos
diante das tentativas fracassadas dos relacionamentos.

Muitas de nós passaram pelo processo da negação, não admitindo a dificuldade


em se relacionar, culpando e acusando os parceiros e outros, daquilo que não
dava certo. Dessa forma, não percebíamos que a opção de estarmos naquele
relacionamento era somente nossa e que, na verdade, a “doença” nos impelia a
buscar um relacionamento inadequado e autodestrutivo.

Nossa doença é progressiva e fatal, atingindo a área física, mental e espiritual,


afetando vários segmentos de nossas vidas. O aspecto físico é o uso compulsivo
do controle: a incapacidade de parar, uma vez que tenhamos começado, por
exemplo, a ligar compulsivamente para a outra pessoa. O aspecto mental é a
obsessão ou o desejo incontrolável que nos leva a agir, mesmo destruindo nossas
vidas. A parte espiritual da nossa doença é o total egocentrismo.

Negação, substituição, racionalização, justificação, desconfiança dos outros,


culpa, vergonha, desleixo, degradação, isolamento e perda de controle são
alguns resultados da nossa doença. Não chegamos à irmandade de MADA
transbordando amor, honestidade, boa vontade e mente aberta. Chegamos
quando atingimos um ponto em que não podíamos mais continuar devido à dor
física, mental e espiritual. É incrível, mas ao nos sentirmos derrotadas, ficamos
prontas! Não precisamos mais lutar!

A dependência de relacionamentos é algo que age sobre nós de uma forma


muito sutil. Um comportamento inadequado adotado em relação ao nosso
parceiro, que de início fazemos parecer ser uma opção nossa, torna-se
rapidamente uma obsessão, especialmente quando o parceiro não corresponde
às nossas necessidades. E assim, ao invés de abandonarmos o relacionamento
por ele não corresponder às nossas expectativas, iniciamos uma luta conosco e
com o parceiro, na tentativa de fazer com que ele se modifique. Isso faz parte do
nosso comportamento obsessivo-compulsivo.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 9


Através de jogos e manipulações, tentávamos controlar a situação.
Temporariamente, nos afastávamos de nossos parceiros, mudando a tática de
jogo na relação, ora nos fazendo de vítima, ora sendo perseguidoras para tentar
reconquistá-lo. Tudo isso porque tínhamos a necessidade de que ele se
importasse conosco.

Progressivamente, fomos nos afastando de nossas próprias vidas, de nós mesmas.


Começamos a perceber que havíamos racionalizado verdadeiros absurdos para
justificar a confusão que tínhamos feito de nossas vidas.

Na realidade, essas escolhas não eram feitas conscientemente, pois não


sabíamos realmente o que queríamos de um relacionamento, nem tampouco
quais eram nossos verdadeiros valores. Muitas de nós viviam como um
“camaleão”, adotando valores de outras pessoas como sendo os valores mais
importantes, numa tentativa de agradá-las e assim sermos aceitas. Agora
precisamos aprender a modificar a nós mesmas, ao invés de modificar os outros,
para que possamos assim aceitar a companhia de pessoas que possibilitem uma
intimidade verdadeira.

Até abrirmos mão de todas as nossas restrições, sejam elas quais forem, estamos
colocando em risco os alicerces de nossa recuperação. Somos mestras em
manipular a verdade. As restrições nos privam dos benefícios que este programa
tem a nos oferecer. Livrando-nos de todas as restrições, nós nos rendemos e assim
podemos ser ajudadas na recuperação de nossa doença.

Em MADA não existe um grau de sofrimento necessário para que você venha a se
render e iniciar o processo de recuperação. Cada uma de nós pode investigar
sua própria vida, avaliar o sofrimento e a dor sentida no passado. A rendição
significa não ter mais que lutar. Hoje, o importante é ter o desejo sincero de
romper com os padrões doentios de se relacionar e iniciar o aprendizado de um
novo processo de vida, onde possamos viver bem conosco e com os outros.

Somente após admitir que falhamos e fracassamos nos nossos relacionamentos,


nessa etapa de nossas vidas, é que estaremos realmente prontas para iniciar a
recuperação.

O Primeiro Passo nos prepara para uma nova vida através de uma mudança do
nosso próprio pensamento.

A irmandade MADA oferece esse caminho de recuperação, através dos Doze


Passos, das Doze Tradições e de nossa Literatura.

“Se quisermos mudar nossa vida, é mais importante mudarmos as atitudes do que
as circunstâncias. A menos que mudemos as atitudes, é improvável que as
circunstâncias realmente possam mudar um dia”. (Robin - Meditações)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 10


PERGUNTAS DO PRIMEIRO PASSO:

1. Quando você reconheceu pela primeira vez que sua forma de se


relacionar era autodestrutiva?
2. Quando reconheceu que amar, para você, significava sofrer?
3. Qual o significado, para você, de “impotência”?
4. Qual a diferença entre “admissão” e “rendição”?
5. Descreva duas passagens em que você perdeu o controle da sua vida.
6. De que forma sua dependência de relacionamentos causa descontrole em
sua vida?
7. Qual é o seu sentimento quando outra pessoa coloca a vida dela em suas
mãos?

PARA REFLETIR: “Uma viagem de mil milhas precisa começar com um simples
passo.” (Lao-Tzu)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 11


SEGUNDO PASSO
“Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmas poderia
devolver-nos à sanidade.”

Tomamos conhecimento no Primeiro Passo da nossa impotência em controlar


nossos relacionamentos e do descontrole em que se encontravam as nossas
vidas. Esse reconhecimento seria intolerável se não fosse logo seguido pela
promessa de uma solução. Assim, se o Primeiro Passo diz bem, do nosso
desespero, o Segundo Passo nos revela o conforto de uma esperança que se
baseia na manifestação de um começo de fé.

O Primeiro Passo deixou um vazio em nossa vida. Precisamos encontrar alguma


coisa para preencher esse vazio. Este é o propósito do Segundo Passo. Como
podemos então modificar essa situação? Agora precisamos de ajuda para que
acreditemos no processo de recuperação.

Muitas de nós, no isolamento dos relacionamentos, tentamos modificar o


comportamento sem contudo obter um resultado. Com o tempo, voltamos a agir
da mesma maneira, o que nos deixava profundamente frustradas e com
vergonha de nós mesmas. A insanidade mais óbvia da doença é a obsessão nos
relacionamentos.

Algumas de nós, a princípio, não levamos esse Passo muito a sério. Passamos por
ele com pouco interesse, para constatarmos depois que os Passos seguintes não
funcionavam até que trabalhássemos o Segundo Passo.

O Segundo passo sugere que encontremos uma força além de nós, que nos
ajude a acreditar que há uma saída para o nosso sofrimento e também que há
uma maneira para praticar os Passos da recuperação. O Segundo Passo indica
um Poder Superior, não o Poder Superior. A compreensão de um poder superior
fica a nosso critério. Ninguém vai decidir por nós.

Chegamos a um ponto em que percebemos que precisávamos de um poder


maior do que a nossa doença. Podemos escolher o grupo, o programa, ou
podemos chamá-lo de Deus. A única diretriz sugerida é que esse Poder seja
amoroso, cuidadoso e maior do que nós. Não precisamos ser religiosas para
aceitar essa ideia. O importante é abrir nossas mentes para acreditar. Podemos
ter dificuldades, mas mantendo a mente aberta, mais cedo ou mais tarde,
encontramos a ajuda necessária.

Algumas de nós se afastaram do caminho espiritual e da fé, simplesmente porque


perderam a esperança de que a vida poderia tomar um rumo saudável.
Estivemos brigadas com “Deus” ou esse afastamento se deu porque a imagem
transmitida por nossos pais era ameaçadora: “Se você continuar agindo assim,
Deus vai te castigar! Você vai para o inferno!”. Pensamos que Deus havia nos
abandonado.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 12


Até mesmo a obsessão pelo seu parceiro, pode tê-lo colocado na posição do seu
“Poder Superior”, ao acreditar que o relacionamento preenchia tudo que
necessitava, deixando o controle da sua vida nas mãos dele.

Quem sabe agora, em MADA, a prática desse Passo possa dar a chance de
encontrar uma nova concepção de Deus, uma concepção que seja mais
adequada para nós. Um Deus amantíssimo.

Aqui em MADA, você não é obrigada a ter uma crença para praticar a
programação e desenvolver a espiritualidade. Você pode ter em mente que o
que encontra na Irmandade, é algo que lhe dá força e coragem, que é mais do
que conseguiria usando somente a força de vontade. Falamos e ouvimos as
outras. Vimos outras pessoas se recuperando e elas nos disseram que estava
funcionando.

À medida que vemos coincidências e milagres acontecendo em nossas vidas, a


aceitação se transforma em confiança. À medida que aprendemos a confiar
nesse Poder Superior começamos a superar o medo da vida. Nas mãos de um
Poder Superior a sanidade e a serenidade se tornam esperanças reais. O
processo de vir a acreditar devolve-nos à sanidade. A força para agir vem dessa
crença. Isso é praticar o Segundo Passo!

Que possamos fazer juntas o que não podemos fazer sozinhas. Em MADA, o que
funciona não é o “VER PARA CRER”, mas o “CRER PARA VER!”.

“Tentar recuperar-se de uma dependência de relacionamentos (ou de qualquer


tipo de dependência) sem fé, é o mesmo que subir uma montanha íngreme de
costas e com sapato de salto alto”. (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO SEGUNDO PASSO:

1. Como foi sua vida espiritual na infância?


2. Qual a sua visão sobre o conceito de uma vida saudável?
3. O que significa para você: sanidade / espiritualidade / crença / valores?
4. Como era seu Poder Superior na infância?
5. Você acredita verdadeiramente que pode, hoje, aprender a desenvolver
uma vida saudável?
6. Hoje, o que você pode fazer na sua recuperação para praticar o Segundo
Passo?

PARA REFLETIR: “Deveríamos estar atentos para não fazer do intelecto nosso Deus”
(Albert Einstein)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 13


TERCEIRO PASSO
"Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na
forma em que O concebíamos.”

No Primeiro Passo, admitimos que não tínhamos o controle sobre nossas vidas. No
Segundo Passo, vimos que precisávamos de algum Poder Superior a nós, para
recuperarmos a sanidade. Agora, no Terceiro Passo, vamos exercitar nossa
entrega e aceitação.

Como Mulheres que Amam Demais, várias vezes entregamos nossa vontade e
nossa vida a um poder destrutivo. Nossa vontade e nossa vida eram controladas
pelo nosso egocentrismo e pelos outros. Vamos aprender a deixar o controle das
atitudes perante nossos relacionamentos e nossas vidas, e confiá-lo a esse Poder
Superior. Como já vimos no Segundo Passo, esse Poder Superior será como cada
uma O conceba.

A dependência de relacionamentos é, basicamente, uma doença de controle.


Tentávamos, de todas as maneiras, controlar os relacionamentos doentios, para
que as pessoas agissem conforme a nossa vontade. Quem somos nós, então para
continuarmos insistindo em que seja feita a nossa vontade? Quem entre nós
poderá, em sã consciência, dizer que previu os acontecimentos que a levaram,
eventualmente, a bater na porta de MADA e estar presente hoje nesta sala?
Terão sido a nossa capacidade e a nossa inteligência que nos trouxeram aqui?
Certamente não.

Nenhuma de nós poderá afirmar que está aqui hoje porque assim planejou anos
atrás. Isso nos leva a pensar em como são as coisas e em como é cega e
inoperante a nossa vontade, quando se baseia apenas em nossa
autossuficiência. E, se somos cegas quanto às nossas próprias necessidades e
limitações, imaginem quanto às necessidades e limitações das pessoas cujas
vidas estão ligadas à nossa?

Achávamos que o nosso sofrimento era um martírio insuportável e viemos depois


a descobrir o contrário. Ele era apenas o caminho para uma vida bem mais feliz
do que a vida de muitas pessoas ditas “normais”.

Na realidade, nunca tivemos o controle sobre as coisas. O controle é apenas uma


ilusão. Não temos o poder de controlar a chuva, a vida, nem a morte.

Praticar o exercício de entregar a nossa vida e a nossa vontade aos cuidados de


um Poder Superior é uma maneira de aceitar a vida como ela se apresenta. Esse
é um Passo gigantesco. Não precisamos ser religiosas. Qualquer uma pode dar
esse Passo, só é preciso ter boa vontade. Descobrimos que tudo que
precisávamos fazer era tentar. Quando fizemos nossos melhores esforços, o
programa funcionou para nós como havia funcionado para outras.

O Terceiro Passo não diz: “Entregamos nossa vontade e nossas vidas aos cuidados
de um Poder Superior”, diz que: “Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida
aos cuidados de Deus, como nós O concebíamos”. Nós decidimos. Não foi o

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 14


“outro”, nossas famílias, uma autoridade, um terapeuta. Fomos nós que
decidimos! Depois de muito tempo, tomamos uma decisão por nós mesmas.

A palavra decisão implica ação. Esta decisão é baseada na fé. Entregar nossa
vontade e nossa vida a esse Poder Superior é confiar que qualquer resultado
obtido na nossa ação, Ele está cuidando de nós, acreditando que Ele sabe o que
necessitamos e o que é melhor para nós naquele momento. Sentiremos então
paz e serenidade, pois não estaremos mais lutando com a vida, mas apenas
fazendo a nossa parte.

Apesar de sabermos que a entrega funciona, muitas de nós podemos, ainda,


tomar nossa vida e nossa vontade de volta em algum momento, lutando para
retomar o controle. Podemos até ficar com raiva, porque nosso Poder Superior
permite isso. Não se preocupe com esses deslizes. Há momentos na nossa
recuperação em que a decisão de pedir ajuda a um Poder Superior é a nossa
maior fonte de força e coragem.

A maioria de nós sente que as chaves desse Passo são mente aberta, boa
vontade e rendição. Rendemos nossa vontade e nossa vida aos cuidados de um
Poder Superior a nós. Nossos medos são diminuídos e a fé começa a crescer à
medida que aprendemos o verdadeiro significado da rendição.
Fazer a Oração da Serenidade é uma forma de praticarmos o Terceiro Passo.

ORAÇÃO DA SERENIDADE
Concedei-nos, Senhor,
a Serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar;
Coragem para modificar aquelas que podemos;
e Sabedoria para distinguir umas das outras.

Agora, estamos prontas para a primeira avaliação honesta e começarmos o


Quarto Passo.

“Precisamos lembrar que a vida neste mundo é como uma sala de aula e que, à
medida que avançamos no aprendizado, as tarefas tornam-se cada vez mais
complicadas. Cada fase na escola da vida é necessária para o desenvolvimento
final. Cada uma é um desafio, mas, tão logo tenhamos dominado um estágio,
devemos seguir para o próximo. Nenhuma de nós, depois de ter aprendido o que
determinada fase tem a nos ensinar, deseja permanecer sempre no mesmo
ponto. Em vez disso, avançamos ansiosamente para a próxima série de estudos.
Portanto, se a vida parece muito difícil, tente lembrar que os desafios atuais
indicam não apenas o que ainda há para aprender, mas também até onde você
conseguiu chegar e quanto você já sabe. Aprender a não amar demais é uma
lição bem diferente de, por exemplo, aprender a não roubar. Aprenda a não
exceder os limites da compaixão. Entregue tanto a sua obstinação quanto a da
pessoa a quem você ama, a uma Vontade Superior. Esses desafios são tão sutis
quanto profundos.” (Robin – Meditações)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 15


PERGUNTAS DO TERCEIRO PASSO:

1. Como sua “vontade desenfreada” de controlar pessoas e situações


prejudicou a sua vida?
2. O que você considera ser necessário entregar, nesse momento, ao Poder
Superior?
3. Quais os instrumentos que você tem hoje para praticar o Terceiro Passo?
4. Qual o significado de Sabedoria / Aceitação / Serenidade?

PARA REFLETIR: “A maneira correta de rezar pela resposta para todos os seus
problemas é sentir e saber que Deus é o único que sabe a resposta. Porque isto é
verdade, você saberá a resposta e lembrará da verdade: Deus nunca falha”.
(Joseph Murphy)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 16


QUARTO PASSO
“Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmas."

No Primeiro Passo, admitimos a falência de nossos relacionamentos. No Segundo


Passo, pedimos a um Poder Superior que nos ajudasse na recuperação. E, no
Terceiro Passo, entregamos o controle de nossas vidas a esse Poder. Agora, no
Quarto Passo, vamos investigar a nossa vida e reconhecer, através de um
inventário minucioso, quais foram os impulsos doentios que nos levaram a agir de
forma insana e destrutiva em nossos relacionamentos.

O propósito de um profundo e destemido inventário moral é arrumar a confusão


e a contradição de nossas vidas, para que possamos descobrir quem realmente
somos. Estamos começando uma nova maneira de viver e precisamos nos livrar
da carga e das armadilhas.

Ao olharmos para nossas vidas no passado, vimos que nossas relações foram
movidas por impulsos dependentes. Quando indagávamos: “Por que sempre eu
acabo me relacionando com esse tipo de pessoa?”, achávamos que éramos
vítimas das situações, que não tínhamos sorte, que a vida estava contra nós...

Em uma reação inconsciente, passamos grande parte do tempo fazendo críticas,


nos lamentando. Críticas ao outro, à família, ao trabalho, ao governo, ao trânsito,
e nos julgamos as maiores vítimas. Vivíamos criticando, movidas por um desejo
doentio de controle. Fomos mestres em autoengano e racionalizações.

Através de uma investigação minuciosa, podemos superar esses obstáculos. Um


inventário escrito vai desvendar partes do nosso subconsciente, que
permanecem escondidas, quando apenas pensamos ou falamos sobre quem
somos. Quando está tudo no papel, é muito mais fácil ver a nossa verdadeira
natureza e muito mais difícil negá-la. A autoavaliação honesta é uma das chaves
da nossa nova maneira de viver.

É importante reconhecer todos os padrões em nossa forma doentia de nos


relacionar. Isso é fundamental para que possamos nos abster desses
comportamentos. Começamos a ser honestas conosco, quando admitimos que a
vida ficou ingovernável. Levou muito tempo para admitirmos que estávamos
derrotadas. Descobrimos que não nos recuperamos física, mental e
espiritualmente da noite para o dia. O Quarto Passo vai nos ajudar na nossa
recuperação.

A maioria de nós descobriu que não éramos tão terríveis, nem tão maravilhosas,
quanto imaginávamos. Ficamos até surpresas por descobrir que temos coisas
boas no nosso inventário. Qualquer pessoa, que esteja a algum tempo no
programa e tenha praticado este Passo, vai lhe dizer que o Quarto Passo foi um
momento decisivo na sua vida.

O propósito desse Passo é nos libertar de uma vida e padrões destrutivos. Damos
o Quarto Passo para crescer e ganhar força e discernimento. O Primeiro, o

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 17


Segundo e o Terceiro Passo são a preparação necessária para se ter fé e
coragem para escrever um inventário destemido. A nossa compreensão dos
Passos anteriores nos deixa à vontade. Nós nos damos o privilégio de nos
sentirmos bem com o que estamos fazendo. Estivemos nos debatendo por muito
tempo sem chegarmos a lugar nenhum.

Começamos agora o Quarto Passo e abrimos mão do medo. Simplesmente


escrevemos o melhor que podemos no momento. Precisamos pôr um ponto final
no passado e não nos agarrar a ele. Queremos ver nosso passado de frente,
como ele realmente foi, e libertá-lo para podermos viver o hoje. Para a maioria
de nós, o passado era um fantasma preso no armário. Temíamos abrir aquele
armário, com medo do que o fantasma pudesse fazer. Não temos que olhar o
passado sozinhas, agora, nossa vontade e nossa vida estão na mão do nosso
Poder Superior.

No Quarto Passo começamos a entrar em contato conosco. Escrevemos sobre as


nossas deficiências, tais como culpa, vergonha, remorso, autopiedade,
ressentimento, raiva, depressão, frustração, confusão, solidão, ansiedade,
deslealdade, desesperança, fracasso, medo e negação. As qualidades também
devem e precisam ser consideradas, se quisermos ter um quadro mais correto e
completo de nós mesmas. Isto é muito difícil para a maioria de nós, pois é difícil
aceitar que temos boas qualidades.

No entanto, todas temos qualidades, muitas delas recém-encontradas no


programa, tais como: mente aberta, consciência de um Poder Superior,
honestidade com os outros, aceitação, ação positiva, hábito de partilhar, boa
vontade, coragem, fé, carinho, gratidão, gentileza e generosidade.

Examinamos nossa atuação passada e nosso comportamento presente, para ver


o que queremos manter e o que queremos descartar. Ninguém está nos forçando
a desistir da nossa miséria. Este Passo tem a fama de ser difícil, na realidade, ele é
bastante simples. A maneira de escrever um inventário é escrevê-lo. Pensar a
respeito, falar sobre ele, teorizar, não faz dele um inventário escrito.

Nós nos sentamos com um bloco de papel, pedimos orientação, pegamos a


caneta e começamos a escrever. Qualquer coisa que pensemos é material para
o inventário. Você terá que escrever bastante, empregando o tempo e a energia
necessários para executar esse trabalho. Pode ser que, para você, escrever não
seja um meio de expressão fácil, em que se sinta à vontade. Entretanto, é a
melhor técnica para esse exercício. Não se incomode em escrever corretamente,
ou mesmo bem. Faça de forma a ter sentido para você. Você precisará ser
absolutamente honesta e autorreveladora em tudo o que escrever.

O inventário torna-se um alívio, pois a dor de fazê-lo é menor do que a dor de


não fazê-lo. Ao escrever vamos abrir a tampa da “panela de pressão”. Decidimos
se queremos servir o que tem dentro, colocar a tampa de volta ou jogar fora o
que está lá. Não precisamos nos cozinhar dentro dela.

Pedimos ajuda ao nosso Deus, rogando coragem para sermos destemidas e


profundas, e para que o inventário possa nos ajudar a colocar as nossas vidas em

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 18


ordem. Quando rezamos e agimos, sempre conseguimos melhores resultados.
Não vamos ser perfeitas. Se fôssemos não seríamos humanas. O importante é que
façamos o melhor.

Podemos abordar o Quarto Passo de várias maneiras, é só escolher. O Quarto


Passo pode ser feito periodicamente, nas várias fases do nosso processo de
recuperação, ou até mesmo, pode ser utilizado em um assunto específico – um
Quarto Passo do seu trabalho, de um relacionamento específico – sempre
mantendo o “holofote” virado para você.

É tentador fazer o Quarto Passo do outro. Isso é repetição de padrão!

Você pode guardá-lo em lugar seguro e compará-lo quando fizer o próximo. Uma
pessoa que já tenha feito o Quarto Passo, ou sua madrinha pode orientá-la. A
nossa experiência demonstra que nenhum inventário, por mais profundo e
completo que seja, terá qualquer efeito duradouro, se não for prontamente
seguido de um Quinto Passo, igualmente completo.

“Reze para ter disposição, força e coragem para olhar honestamente para o
passado e sua participação nele. A psique é sensível a tais esforços de “limpeza”
e colabora trazendo de volta a dor enterrada no passado, de maneira que ela
possa ser conscientemente eximida.” (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO QUARTO PASSO:

1. Escreva sobre as características da sua família. Como se relacionava com


as pessoas, que tipo de relações você mantinha com elas? Seus familiares
eram carinhosos e compreensivos com você?
2. Perante os outros, que “segredos” ou aparências sua família mantinha, para
esconder das pessoas que seu lar não era tão saudável quanto parecia
ser?
3. Você se sentia amparada quando necessitava de ajuda? Como se sentia
nessas situações?
4. Descreva, de uma maneira geral, o que achava que a sua família pensava
de você durante sua infância, adolescência e fase adulta.
5. Como você chama a atenção das pessoas (introversão, indiferença,
bondade extrema, agressividade, etc.) para que saibam que precisa de
ajuda?
6. Tente identificar que sentimentos você tinha quando o comportamento do
seu parceiro fugia ao seu controle? Sentia raiva, ciúmes, inveja, medo,
sentia-se abandonada, rejeitada? Esses sentimentos têm relação com
sentimentos familiares, conhecidos na sua infância?
7. Que tipo de jogo mantinha ou mantém nos seus relacionamentos, para
fazer com que as pessoas atendam às suas necessidades? Você se fazia de
vítima, acusava os outros, abandonava temporariamente o
relacionamento para que o parceiro sentisse a sua falta? Comprava
presentes para agradá-lo? Fazia muitos elogios?

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 19


8. Quais são seus medos da vida agora? Quais são os barulhos que ainda
escuta e os fantasmas que ainda vê?
9. Como a sua doença afetou as diversas áreas da sua vida?
10. Por que você mantém ou mantinha o relacionamento, mesmo sabendo
que ele era destrutivo?
11. Que justificativas você usa ou usava para não sair desse relacionamento?
12. Sente dificuldade em ficar só? Que sentimentos e preconceitos você tem
quando está sem um relacionamento?
13. Você acredita ter prejudicado outras pessoas em função de manter essas
relações doentias?
14. Quais as qualidades que você possui, mas tem dificuldade em admitir?
15. O que mais gosta em si mesma?
16. O que você deseja alcançar hoje em sua recuperação?

PARA REFLETIR: “As pessoas veem apenas aquilo que estão preparadas para ver”.
(Ralph Waldo Emerson)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 20


QUINTO PASSO
“Admitimos perante Deus, perante nós mesmas e perante outro ser
humano, a natureza exata de nossas falhas.”

O Quinto Passo é a chave para a liberdade. Ele nos permite viver confortáveis no
presente. Partilhando a natureza exata das nossas falhas, somos libertadas para
viver.

Depois de fazermos uma investigação de nossas vidas, através de um inventário


escrito, com as características, defeitos e qualidades, iremos compartilhar com
outro ser humano. O apego ao nosso passado acabaria por nos adoecer e nos
impedir de fazer parte da nossa nova maneira de viver. Se não formos honestas,
quando damos o Quinto Passo, teremos os mesmos resultados negativos que a
desonestidade nos trazia no passado.

Talvez muitos dos fatos revelados no Quarto Passo tenham sido mantidos em
segredo absoluto. Muitas vezes a nossa doença justificava nosso comportamento.
Então, é muito importante que alguém, que esteja em processo de recuperação,
nos ajude a descobrir a natureza exata de nossas falhas e o que nos levou ao
comportamento doentio, desfazendo a armadilha da negação e da posição de
vítima que nos é tão familiar. Dessa forma, descobriremos que a trama das nossas
ações de “amar demais” era, na verdade, movida pelo egoísmo, controle e
nossa incapacidade de amar e receber amor verdadeiro.

Os papéis desempenhados em nossos relacionamentos tinham a função de


resgatar os sentimentos enraizados na nossa infância, como a raiva, o medo e o
abandono. Ser “boazinha” escondia nossa necessidade de agradar e controlar
outras pessoas. O Quinto Passo sugere que admitamos a Deus, a nós mesmas e a
outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.

Olhamos nossas falhas, examinamos nossos padrões de comportamento e


começamos a ver os aspectos mais profundos da nossa doença. Agora,
sentamos com outra pessoa e partilhamos o inventário em voz alta.

É importante que a pessoa que escolhemos para fazer este Quinto Passo seja de
nossa inteira confiança, mantendo estrita confidência de nossas revelações e
que ela possa ter compreensão de nossos problemas. Essa pessoa pode ser uma
companheira mais experiente no programa de MADA, ou outra pessoa, mas o
importante é que conheça a natureza da nossa doença. Poderá ser um
terapeuta ou conselheiro espiritual. Mas não faça de seu parceiro esse ouvinte.

Nosso Poder Superior está conosco durante o nosso Quinto Passo. Receberemos
ajuda e estaremos livres para encarar a nós mesmas e a outro ser humano.
Parecia desnecessário admitir a natureza exata das nossas falhas ao nosso Poder
Superior - “Deus já sabe de tudo” - racionalizamos. Embora Ele já o saiba, a
admissão deve vir dos nossos próprios lábios, para que seja verdadeiramente
efetiva.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 21


O Quinto Passo não é simplesmente a leitura do Quarto Passo. Durante anos
evitamos ver como realmente éramos. Tínhamos vergonha de nós mesmas e nos
sentíamos isoladas do resto do mundo. Agora que capturamos a parte
vergonhosa do nosso passado, podemos varrê-la das nossas vidas, se as
encararmos e as admitirmos. Seria trágico escrever para depois jogá-la em uma
gaveta.

Estes defeitos crescem no escuro e morrem à luz da exposição. Quando expomos


as coisas à luz, elas perdem seu poder sobre nós. Junto com nosso Poder Superior
e uma outra pessoa, podemos mudar até os mais antigos padrões de
comportamento.

Nós não podemos procrastinar esse Passo. Ao praticarmos o Quinto Passo


entraremos no caminho de abertura e limpeza de nossa vida. Quando falamos
com outro ser humano sobre nossos sentimentos mais dolorosos, eliminamos
sentimentos e emoções reprimidas durante anos, fazendo com que
desapareçam. À medida que a dor desaparece, abrimos espaço para entrar
coisas novas em nossas vidas.

Temos de ser exatas, contando a verdade simples, nua e crua, o mais rápido
possível. À medida que partilhamos este Passo, geralmente a ouvinte também vai
partilhando um pouco da sua história. Descobrimos que não somos as únicas.
Com as “máscaras” no chão, precisamos fazer mudanças de padrões de
comportamento e, trazendo-os para fora, temos a possibilidade de lidar com eles
construtivamente. Não podemos fazer essas mudanças sozinhas. Precisamos da
ajuda de um Poder Superior e da Irmandade de MADA.

“Devemos abandonar o papel que nos serve há tanto tempo e, sob certos
aspectos, bem – o de vítima, mártir, libertadora ou vingadora – ou talvez
abandonar todos esses papéis sucessivamente.” (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO QUINTO PASSO:

1. Que justificativa a impede de confiar seus sentimentos mais profundos a


outro ser humano?
2. É difícil para você confiar nas pessoas, ou se abre facilmente com pessoas
inadequadas?
3. O que está faltando para você fazer o Quinto Passo?
4. O que significa para você a expressão “natureza exata”?

PARA REFLETIR: “A principal prova da verdadeira grandeza de um homem é a sua


humildade”. (John Ruskin)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 22


SEXTO PASSO
"Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses
defeitos de caráter.”

Porque pedir uma coisa, antes de estarmos prontas para ela? Isto seria pedir
problemas. Quantas vezes nós buscamos as recompensas de um trabalho, sem
fazer esforço? O que nós trabalhamos no Sexto Passo é a boa vontade.

A honestidade com que trabalharmos este Passo, será proporcional ao nosso


desejo de mudar. Queremos realmente nos livrar de nossos ressentimentos, da
nossa raiva e do nosso medo? Muitas de nós se apegam aos seus medos, dúvidas,
autoaversão ou ódio, pois há certa segurança distorcida na dor que nos é
familiar. Parece mais seguro abraçar o que conhecemos, do que abrir mão pelo
desconhecido.

No Quarto Passo, fizemos um inventário de nossas vidas, tomamos consciência


dos nossos defeitos de caráter, nossas armadilhas e jogos de “amar demais”.
Depois, compartilhamos as descobertas com outra pessoa, chegando à seguinte
questão: Como faremos para modificar esta realidade?

Muitas de nós devem lembrar de algum episódio de insanidade em algum


relacionamento e que, em um momento de desespero, juramos não agir mais
daquela maneira pedindo “Pelo amor de Deus”, que Ele nos tirasse daquela
situação. Porém, decorrido algum tempo, voltávamos a agir de forma doentia,
negando a gravidade da situação, imaginando ter o controle sobre as coisas e
pessoas. Isso ocorria porque não tínhamos consciência que éramos dominadas
pela doença de “amar demais”. Além disso, quando fazíamos esse pedido a um
Poder Superior, não tínhamos conhecimento da necessidade de mudança e de
uma predisposição interior para que Ele nos ajudasse, mas sim uma necessidade
de aliviar momentaneamente aquela situação, até que as coisas se
abrandassem.

Deus, como nós O concebemos, pode transformar nossas vidas e provocar essa
mudança. Compreendemos agora que, antes de pedirmos a Deus que nos
modifique, precisamos abrir nossa mente para que essas mudanças possam
ocorrer.

É necessário abrir mão de todos os hábitos que prejudicam a nós e aos outros.
Precisamos estar prontas e aceitar essas mudanças. Você pode estar pensando:
“Posso viver sem alguns comportamentos, mas de outros não estou disposta a
abrir mão (não importa qual seja), fazendo imposições, jamais conseguirei
mudar”.

Lembre-se: A remoção de nossos defeitos, ou seja, a nossa mudança, será feita


pelo Poder Superior. Precisamos apenas, com consciência, sentir e dizer: “Eu não
quero mais conviver com isso. Estou aberta para enfrentar essa mudança. Não
sou mais movida pelo desespero do sofrimento, mas pelo desejo de obter uma
melhora profunda”.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 23


Quando trabalhamos o Sexto Passo, é importante lembrar que somos humanas e
não devemos colocar expectativas irreais em nós mesmas. O princípio espiritual
do Sexto Passo é a boa vontade. Por sermos humanas, podemos nos desviar do
caminho, mas este Passo nos ajuda a caminhar em uma direção espiritual.

Uma das características de uma Mulher que Ama Demais é a falta de autoestima.
Acostumadas ao sofrimento, passamos pela vida acreditando que não
merecíamos ser felizes. Fazer o Sexto Passo é também acreditar que merecemos
essa mudança e estamos crescendo para uma consciência amadurecida. Com
isso em mente, colocamos nossa boa vontade em ação e passamos para o
Sétimo Passo.

“Se nossa dependência for o caminho para Deus, então devemos ficar gratas por
isso”. (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO SEXTO PASSO:

1. Ao dar uma olhada na lista do seu Quarto Passo, existe alguma coisa que
você acredita ser “impossível” abrir mão em sua vida, mas você sabe ser
necessário mudar?
2. Você acredita realmente que uma modificação profunda pode ocorrer em
sua vida?
3. O que significa “prontificar-se”?

PARA REFLETIR: “Quando você tem defeitos, não tenha medo de abandoná-los”.
(Confúcio)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 24


SÉTIMO PASSO
"Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.”

Quem já tentou livrar-se de imperfeições da sua personalidade, sabe muito bem


que essa é uma tarefa que dificilmente uma pessoa conseguirá realizar através
dos seus próprios recursos, pois parece não haver nenhum meio de fazê-lo. A
solução é recorrer a um Poder Superior, pedindo-lhe humildemente que nos livre
dos nossos defeitos e imperfeições.

Já que esse Passo trata especificamente da humildade, devemos pensar sobre o


que é a humildade e o que a sua prática poderá significar para nós. A humildade
resulta de sermos mais honestas conosco. Temos praticado a honestidade desde
o Primeiro Passo. Aceitamos nossa adicção e impotência. Encontramos uma força
acima de nós e aprendemos a confiar nela. Examinamos nossa vida e
descobrimos quem somos realmente. Somos verdadeiramente humildes quando
aceitamos e tentamos, honestamente, ser quem somos.

Essa melhor percepção da humildade inicia uma mudança revolucionária em


nossa maneira de ver. Nossos olhos começam a se abrir aos imensos valores que
resultam diretamente do doloroso esvaziamento do ego.

Até agora, havíamos dedicado nossas vidas, em maior escala, à fuga da dor e
dos problemas. À medida que a adicção progredia, dedicávamos nossa energia
para satisfazer nossos desejos naturais. O principal estimulante para esses nossos
defeitos era o medo egocêntrico, especialmente o medo de perder algo que já
possuíamos, ou de não ganhar algo que buscávamos.

O Sétimo Passo é de ação. É no Sétimo Passo que efetuamos a mudança em


nossa atitude que nos permite, com a humildade servindo de guia, sair de nós em
direção aos outros e a Deus, como O concebemos.

Essa é a nossa estrada para o crescimento espiritual. Mudamos todos os dias. Aos
poucos e com cuidado, saímos do isolamento e da solidão e entramos na
corrente da vida. Um dos perigos é sermos excessivamente duras conosco.

Partilhar com as companheiras sobre a recuperação é uma forma de não nos


tornarmos excessivamente críticas a nosso respeito. Aceitar os defeitos do outro
pode nos ajudar a nos tornarmos mais humildes e abrir caminho para que os
nossos próprios defeitos sejam removidos. Muitas vezes, o Poder Superior se
manifesta, ajudando-nos a tomar conhecimento de nossos defeitos. Uma nova
atitude nos tornará mais aceitáveis perante nós mesmas e em relação aos
demais.

“Não terei expectativas muito grandes em relação a uma rápida recuperação


de meu caráter. Preciso lembrar sempre de aceitar ajuda do Poder Superior em
tudo que estou tentando fazer”. Humildade e paciência, só por hoje!

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 25


“A recuperação exige que você mude – contudo, esforçar-se para mudar
radicalmente e rápido demais é uma garantia de que nada mudará de verdade.
Quando você rezar para mudar, reze também para ser capaz de esperar
pacientemente enquanto as mudanças acontecem”. (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO SÉTIMO PASSO:

1. Para você, o que significa humildade?


2. Qual o significado de prepotência e onipotência?
3. Qual é o antídoto do orgulho e do medo?

PARA REFLETIR: “Quando a pessoa está disposta e preparada, Deus entra em


ação”. (Aeschylus)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 26


OITAVO PASSO
"Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e
nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.”

O Oitavo Passo é o teste da nossa recém-encontrada humildade. Nosso objetivo


é a libertação da culpa que temos carregado. Queremos olhar o mundo de
frente, sem agressividade ou medo. Estamos dispostas a fazer uma lista de todas
as pessoas que prejudicamos, a fim de limpar o medo e a culpa que o passado
ainda nos traz?

Nossa experiência demonstra que precisamos sentir boa vontade para que este
Passo possa surtir qualquer efeito. O Oitavo Passo não é fácil, exige um novo tipo
de honestidade nas nossas relações com os outros. Pode ser chocante descobrir
que nós também magoamos os outros. O Oitavo Passo inicia o processo do
perdão: perdoamos os outros, possivelmente somos perdoados e, finalmente, nós
nos perdoamos e aprendemos a viver no mundo.

Quando chegamos a este Passo, estamos prontas para compreender mais do


que sermos compreendidas. Podemos viver e deixar viver mais facilmente,
quando conhecemos as áreas em que devemos fazer reparações. Pode parecer
difícil agora, mas depois que o fizermos, perguntaremos por que não tínhamos
feito isso há mais tempo.

Precisamos de um pouco de verdadeira honestidade para podermos fazer uma


lista precisa. Na preparação para fazer a lista do Oitavo Passo, é importante que
se defina o que é “prejudicar”. Uma definição de prejuízo é: dano físico ou
mental. Outra definição é: causar dor, sofrimento ou perda.

O prejuízo pode ser causado por algo que seja dito, feito ou deixado de fazer.
Pode-se ter prejudicado com palavras ou ações, intencionais ou não. O grau de
prejuízo pode variar desde fazer com que alguém se sinta mentalmente
desconfortável, até o dano físico ou mesmo a morte.

O Oitavo Passo nos confronta com um problema: muitas de nós têm dificuldade
de admitir que prejudicaram outras pessoas, colocando a culpa na doença. É
crucial evitar esta racionalização no Oitavo Passo. Temos que separar o que
fizeram conosco daquilo que fizemos com os outros. Deixamos de lado as nossas
justificativas e ideias de sermos vítimas.

Frequentemente sentimos que só prejudicamos a nós mesmas, porém


normalmente nós nos colocamos em último lugar na lista, quando nos colocamos.
Este Passo faz o trabalho externo para reparar os destroços das nossas vidas. O
que nos fará sentir melhor é limpar nossas vidas, aliviando a culpa.

Fazemos nossa lista ou a tiramos do Quarto Passo e acrescentamos mais nomes, à


medida que nos vem à cabeça. Encaramos a lista com honestidade e
examinamos abertamente os nossos erros, com o objetivo de nos dispormos a
fazer reparações. Alguns nomes surgem logo na mente, enquanto outros
precisam de reflexão.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 27


Muitas companheiras mencionam seus pais, cônjuges, amantes, filhos, amigos,
companheiros, conhecidos ocasionais, colegas de trabalho, patrões, professores
e desconhecidos. Podemos também nos incluir na lista, pois muitas vezes, na
nossa obsessão, estávamos lentamente cometendo suicídio.

A última dificuldade em fazer o Oitavo Passo é separá-lo do Nono Passo. Fazemos


este Passo como se não houvesse Nono Passo. Se nos concentrarmos exatamente
no que diz o Oitavo Passo, fazer uma lista e se dispor, nem sequer pensamos em
fazer as reparações. O mais importante é que este Passo nos ajuda a criar uma
consciência de que estamos, aos poucos, ganhando novas atitudes em relação
a nós mesmas e no trato com as outras pessoas.

O Oitavo Passo oferece uma grande mudança para uma vida dominada pela
culpa e pelo remorso. Nosso futuro é modificado porque não temos que evitar as
pessoas que prejudicamos. Como resultado desse Passo, recebemos uma nova
liberdade que pode pôr fim ao isolamento. Ao percebemos a necessidade de
sermos perdoados, temos uma tendência maior para o perdão. Sabemos que
não estivemos magoando os outros intencionalmente.

O Oitavo Passo é de ação. Como todos os Passos, oferece benefício imediato.


Agora, estamos livres para começar as nossas reparações no Nono Passo.

“Toda situação difícil na vida é um teste e, à medida que evoluímos, os testes


também evoluem, desde situações que põem à prova nossa coragem física, até
as que testam nossa coragem moral, integridade pessoal e capacidade de
autoconhecimento. Esses testes nunca são fáceis, mas uma vez que tenhamos
passado por um, não teremos que repeti-lo no mesmo nível, nunca mais. Quando
achamos que o mesmo teste reapareceu, ou não aprendemos a lição, ou a
estamos aprendendo num nível mais intenso e profundo.” (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO OITAVO PASSO:

1. Para mim, o que são danos?


2. A quem magoei?
3. Será que prejudiquei também meus filhos, doutrinando-os sutilmente com
desprezo ao pai?
4. Transmiti a eles minha ansiedade e meu ressentimento?
5. Desforrei neles a minha frustração?
6. Devo fazer reparações financeiras?

PARA REFLETIR: “Que seu interesse esteja apenas na ação e nunca nos
resultados”. (Bhagavad Gita)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 28


NONO PASSO
"Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre
que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.”

Este Passo não deve ser evitado. Às vezes o orgulho, o medo e a procrastinação
parecem uma barreira intransponível, que obstruem o caminho do progresso e do
crescimento. O importante é partirmos para a ação e estarmos prontas para
aceitar as reações das pessoas que prejudicamos. Fazemos as reparações o
melhor que podemos.

É essencial escolhermos o momento certo desse Passo. Devemos fazer as


reparações quando a oportunidade aparecer, exceto quando fazê-las possa
causar mais prejuízo. Ao trabalharmos o Oitavo Passo, ficamos realmente
dispostas a fazer reparações. As oportunidades surgirão quando estivermos
prontas.

Às vezes não poderemos realmente fazer as reparações por não ser possível nem
prático, ou as reparações podem estar além dos nossos recursos. Descobrimos
que a boa vontade pode substituir a ação, quando não for possível entrar em
contato com a pessoa que prejudicamos. Entretanto, jamais devemos deixar de
entrar em contato com alguém por constrangimento, medo ou procrastinação.

Queremos nos livrar da nossa culpa, mas não devemos fazê-lo às custas de outra
pessoa. Podemos correr o risco de envolver uma terceira pessoa que não queira
ser exposta. Não temos o direito, nem a necessidade, de colocar outra pessoa
em apuros. É necessário, frequentemente, receber orientação de outras pessoas
nestes assuntos.

Em alguns relacionamentos antigos, ainda pode existir um conflito não resolvido.


Fazemos nossa parte para resolver velhos conflitos através das reparações.
Queremos nos desviar de mais antagonismos e de contínuos ressentimentos. Em
muitos casos só podemos procurar a pessoa e pedir-lhe humildemente que
compreenda os nossos erros passados. Às vezes será uma ocasião de alegria,
quando velhos amigos ou parentes se mostrarem dispostos a abrir mão da sua
amargura.

Pode ser perigoso procurar alguém que ainda esteja magoado com nossos
desacertos. Pode ser necessário fazer reparações indiretas, quando as
reparações diretas não forem seguras ou puderem ameaçar outras pessoas.
Tentamos lembrar que as fazemos por nós mesmas. Em vez de nos sentirmos
culpadas ou com remorsos, nós nos sentimos aliviadas de nosso passado.
Aceitamos que foram nossas ações que causaram a nossa atitude negativa.

O Nono Passo nos ajuda com nossa culpa e ajuda os outros com a sua raiva. Às
vezes a única reparação que podemos fazer é nos mantermos serenas. No
processo da nossa recuperação somos devolvidas à sanidade, e parte da
sanidade é, de fato, o relacionamento com os outros.
Com menos frequência encaramos as pessoas como uma ameaça à nossa
segurança. A verdadeira segurança vai substituir a dor e a confusão mental

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 29


vivida no passado. Com humildade e paciência, procuramos as pessoas que
prejudicamos. Muitas das pessoas que nos querem bem podem relutar em
aceitar a realidade da nossa recuperação. Temos que nos lembrar da dor que
conheceram. Com o tempo, muitos milagres vão acontecer. A paciência é uma
parte importante da nossa recuperação.

O amor incondicional que experimentamos vai rejuvenescer a nossa vontade de


viver e, para cada atitude positiva da nossa parte, haverá uma oportunidade
inesperada. Uma reparação exige muita coragem e fé e o resultado é muito
crescimento espiritual.

Estamos nos libertando dos destroços do nosso passado. Vamos querer manter a
nossa casa em ordem, praticando um contínuo inventário pessoal no Décimo
Passo.

“Se a tarefa da sua alma for perdoar, você deve experimentar o imperdoável. Se
não, onde está a lição? Abençoe e perdoe, pelo menos no seu coração, peça
perdão a todos os homens (e mulheres) com quem já lutou e brigou no passado.
Quando perdoamos, oferecemos o bem em troca do mal e concluímos a lição.”
(Robin - Meditações)

PERGUNTAS DO NONO PASSO:

1. Qual o seu sentimento em relação à prática desse Passo?


2. Você sente que, de alguma maneira, poderia manipular “pessoas”, para
realizar reparações?
3. Qual o seu sentimento ao fazer uma reparação?

PARA REFLETIR: “Nem tudo o que se enfrenta pode ser modificado, mas nada
pode ser modificado antes de enfrentado.” (James Baldwin)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 30


DÉCIMO PASSO
“Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos erradas,
nós o admitíamos prontamente.”

O Décimo Passo nos liberta dos destroços do nosso presente. Se não


continuarmos atentas aos nossos defeitos, eles poderão nos levar a um beco sem
saída, do qual não poderemos escapar. Continuar fazendo o inventário pessoal
significa que criamos o hábito de olhar regularmente para nós mesmas, nossas
ações, atitudes e relacionamentos.

Somos criaturas de hábito e somos vulneráveis às nossas velhas maneiras de


pensar e reagir. Às vezes parece mais fácil continuar no velho trilho da
autodestruição, do que tentar uma nova rota aparentemente perigosa. Não
precisamos ser encurraladas pelos nossos velhos padrões. Hoje, temos uma
escolha.

O Décimo Passo pode nos ajudar a corrigir nossos problemas com a vida e evitar
que se repitam. Examinamos nossas ações durante o dia. Algumas de nós
escrevem sobre os seus sentimentos, avaliando como se sentiram e qual a sua
participação nos problemas que tenham ocorrido. Prejudicamos alguém? Temos
que admitir que estávamos erradas. Se encontramos dificuldades, fazemos um
esforço para resolvê-las. Quando estas coisas ficam pendentes, elas têm sua
maneira de envenenar o espírito. Esse passo pode ser uma defesa contra a velha
insanidade.

Podemos nos perguntar se estamos sendo arrastadas para os velhos padrões de


raiva, ressentimento e medo. Sentimo-nos encurraladas? Estamos arranjando
problemas? Estamos muito famintas, raivosas, solitárias ou cansadas? Estamos nos
levando muito a sério? Estamos julgando nosso interior pela aparência exterior dos
outros? Estamos sofrendo de algum problema físico?

As respostas a estas perguntas podem nos ajudar a lidar com as dificuldades do


momento. Não precisamos mais viver com a sensação de mal-estar. Muitas das
nossas principais preocupações e dificuldades maiores vêm da nossa
inexperiência de viver sem o “outro”. O Décimo Passo pode ser uma válvula de
escape.

Trabalhamos este Passo, enquanto os altos e baixos do dia ainda estão frescos em
nossa mente. Listamos o que fizemos e tentamos não racionalizar as nossas ações.
Isso pode ser feito por escrito no final do dia. Como fazer? A primeira coisa que
fazemos é parar. Depois, nos damos um tempo e nos permitimos o privilégio de
pensar.

Examinamos as nossas ações, reações e motivos. Muitas vezes, descobrimos que


estamos nos saindo melhor do que temos sentido. Isto nos permite examinar
nossas ações e reconhecer os erros antes que as coisas piorem. Precisamos evitar
racionalizações. Prontamente admitimos os nossos erros, não os justificamos.
Trabalhamos esse Passo continuamente. Trata-se de uma ação preventiva.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 31


Quanto mais trabalharmos esse Passo, menos precisaremos de sua parte
corretiva.

Este Passo é uma grande ferramenta para evitar a aflição antes de cairmos nela.
Vigiamos nossos sentimentos, emoções, fantasias e ações. Olhando
constantemente para nós mesmas, conseguimos evitar a repetição das ações
que nos fazem sentir mal. Precisamos deste Passo mesmo quando nos sentimos
bem e as coisas estão dando certo. Os sentimentos bons são uma coisa nova
para nós e precisamos nutri-los. Em momentos de confusão, podemos tentar as
coisas que funcionaram nos momentos bons. Temos o direito de nos sentirmos
bem.

Precisamos lembrar que todos cometem erros. Nunca seremos perfeitas! Mas,
podemos nos aceitar usando o Décimo Passo. Continuando o inventário pessoal,
somos libertadas, aqui e agora, de nós mesmas e do passado. Não justificamos
mais a nossa existência. Este Passo nos permite sermos nós mesmas.

“Em razão de a recuperação de uma dependência de relacionamento exigir um


esforço não rigoroso e ainda ser difícil de avaliar eficientemente, é muito mais
fácil para os dependentes de relacionamento afirmar a própria recuperação, do
que realmente realizá-la. É tão tentador nos ver como plenamente recuperados
quando, de fato, mal começamos o que tornará um processo vitalício de
mudança e crescimento, luta e auto-conhecimento. Uma das chaves da
recuperação está em reconhecer que ela e nós seremos sempre um processo,
nunca um produto acabado.” (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO DÉCIMO PASSO:

1. O que você entende por Inventário Pessoal?

Inventário Diário (limite as suas respostas às 24 horas passadas,


completando as perguntas no fim do dia):
1. Estou em recuperação hoje?
2. De que maneira agi diferente?
3. A minha doença dominou minha vida hoje? Como?
4. O que fiz hoje que não gostaria de ter feito?
5. O que eu gostaria de ter feito hoje e não fiz?
6. Hoje fui boa para mim? Como?
7. Hoje foi um bom dia? Estive feliz? Estive serena?
8. Li hoje alguma literatura de MADA?
9. Que passos pratiquei conscientemente?
10. O que aprendi hoje sobre mim mesma?
11. Preocupei-me com o ontem ou com o amanhã?

PARA REFLETIR: “Quem é consciente de suas próprias falhas não criticará as falhas
do próximo.” (James Ross)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 32


DÉCIMO PRIMEIRO PASSO
“Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar o nosso contato
consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas
o conhecimento da Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar
essa vontade.”

Os primeiros dez Passos de MADA preparam terreno para melhorarmos o nosso


contato consciente com o Deus da nossa compreensão. Eles nos dão a base
para alcançarmos as nossas metas positivas, que há muito buscamos. Entrando
nesta fase do nosso programa espiritual, através da prática dos dez Passos
anteriores, a maioria de nós acolhe de bom grado o exercício da prece e da
meditação. Nosso estado espiritual é o alicerce de uma recuperação bem
sucedida, que oferece crescimento ilimitado.

Muitas de nós começam realmente a apreciar a recuperação, quando


chegamos ao Décimo Primeiro Passo. Neste Passo, nossas vidas adquirem um
significado mais profundo. Deixando de controlar, ganhamos um poder muitíssimo
maior através da rendição. A natureza da nossa crença irá determinar a maneira
como oramos e meditamos. Só precisamos da certeza de que temos um sistema
de crença que funcione para nós. Os resultados contam na recuperação.

Como já foi dito, as nossas preces parecem funcionar, assim que entramos no
programa e nos rendemos à nossa doença. Quando viemos para o programa
pela primeira vez, recebemos a ajuda de um Poder Superior, isto se deu com a
nossa rendição ao programa. O objetivo do Décimo Primeiro Passo é aumentar a
nossa consciência desse Poder Superior e melhorar a nossa capacidade de usá-la
como fonte de força em nossas novas vidas. Quanto mais aprimoramos o nosso
contato consciente com nosso Deus através da prece e meditação, mais fácil
fica dizer “Seja feita a Vossa vontade e não a minha”.

Podemos pedir ajuda de Deus e nossas vidas melhoram. Nem sempre as


experiências dos outros, com a meditação e com suas crenças religiosas
individuais, são adequadas para nós. O nosso programa não é religioso. É
espiritual! A imagem do tipo de pessoa que gostaríamos de ser é apenas um
vislumbre da vontade de Deus para nós.

Frequentemente, a nossa perspectiva é tão limitada que só conseguimos ver


nossas vontades e necessidades imediatas. Temos que aprender a manter as
nossas vidas em uma sólida base espiritual, para assegurarmos a continuidade do
nosso crescimento e da nossa recuperação. Deus, como O concebemos, não vai
nos impor a Sua bondade, mas poderemos recebê-la, se pedirmos. A moralidade
forçada não tem o poder que vem a nós, quando escolhemos uma vida
espiritual. A maioria de nós reza, quando está com dor. Às vezes, quando
rezamos, acontece uma coisa impressionante: encontramos os meios, maneiras e
energias para realizarmos tarefas que estão além de nossas capacidades.
Aprendemos que, ser rezarmos com regularidade, não sentiremos dor com tanta
frequência. A meditação permite que nos desenvolvamos espiritualmente da
nossa própria maneira.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 33


Algumas das coisas que não funcionavam no passado poderão funcionar hoje.
Temos um novo olhar a cada dia, com a mente aberta. Sabemos que se
rogarmos pela vontade de um Poder Superior receberemos o que for melhor para
nós, independente do que pensamos. Este conhecimento é baseado na nossa
crença e na nossa experiência dentro da Programação.

Orar é comunicar nossas preocupações a um Poder maior que nós. Enquanto


mantivermos a fé e a renovarmos, alcançaremos a força ilimitada que nos
proporcionam a oração diária e a rendição. Para alguns, oração é pedir a ajuda
de Deus, como O concebemos. Meditação é escutar a Sua resposta. Em alguns
casos, Sua vontade é tão óbvia que temos pouca dificuldade em vê-la. Em
outros, estamos tão egocêntricas, que só aceitaremos a vontade Dele, após
muita luta e rendição.

Acalmar a mente através da meditação traz uma paz interior que nos põe em
contato com Deus dentro de nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros
resultados da meditação e a nossa experiência confirma isso. À medida que
crescemos espiritualmente e encontramos um Poder Superior, nossas
necessidades espirituais vão sendo satisfeitas e nossos problemas existenciais vão
sendo reduzidos.

Assim, a vontade Dele torna-se para nós a nossa própria vontade. Deixamos de
controlar as pessoas e passamos a deixá-las ser quem são. É muito importante
admitirmos a nossa impotência para que, com a ajuda de um Poder Superior,
possamos nos manter fora de relacionamentos destrutivos. Com o constante
contato com um Poder Superior, as respostas que buscamos vêm até nós e
ganhamos capacidade de fazer o que não conseguíamos. Com uma atitude de
rendição e humildade, retomamos este Passo repetidamente, para recebermos a
dádiva do conhecimento e da força de Deus. Construa sua oração, seu próprio
encontro com Deus.

“A primeira vez que nos encontramos ajoelhadas, geralmente estamos


desesperadas pedindo ajuda. Mais tarde, rezar humildemente se torna uma parte
valiosa de nossos esforços para conseguir orientação a fim de vivermos como
devemos. Finalmente, porque reconhecemos a imensurável importância que a
prece teve em nosso despertar espiritual, somos capazes de agradecer pelos
mesmos problemas que nos levaram a ajoelhar anteriormente.” (Robin Norwood)

PERGUNTAS DO DÉCIMO PRIMEIRO PASSO:

1. Tenho andado muito ocupada para orar?


2. Encontro tempo para meditação?
3. Tenho sido capaz de solucionar problemas sem ajuda de um Poder
Superior?
4. Às vezes tomo conhecimento da vontade de Deus?

PARA REFLETIR: “Certos pensamentos são orações. Há momentos em que, seja


qual for a atitude do corpo, a alma está de joelhos.” (Victor Hugo)

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 34


DÉCIMO SEGUNDO PASSO
“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos,
procuramos transmitir esta mensagem às mulheres que ainda sofrem e
praticar estes princípios em todos os nossos relacionamentos.”

Viemos para MADA devido aos destroços de nosso passado. A última coisa que
esperávamos, era um despertar espiritual. Queríamos apenas que a dor parasse.
Os Passos conduzem a um despertar de natureza espiritual. Este despertar é
demonstrado pelas mudanças em nossas vidas. As mudanças nos tornam mais
capazes de viver segundo princípios espirituais e de levar a nossa mensagem de
recuperação e esperança à Mada que ainda sofre. Entretanto, a mensagem não
tem sentido se não a vivermos.

À medida que a vivemos, nossas vidas e ações dão-lhe maior significado do que
nossas palavras e literatura jamais conseguiriam. A ideia de um despertar
espiritual adquire formas diferentes, nas diferentes personalidades que
encontramos na Irmandade. Entretanto, todo despertar espiritual, tem alguma
coisa em comum. Os elementos comuns incluem o fim da solidão e um sentido de
direção em nossas vidas.

Muitas de nós acreditam que um despertar espiritual não tem sentido se não for
acompanhado por uma crescente paz de espírito. Para manter essa paz de
espírito, nós nos concentramos no aqui e agora. Aquelas de nós que trabalharam
esses Passos o melhor que puderam, receberam muitos benefícios. Acreditamos
que os benefícios são o resultado direto de viver este programa.

Quando começamos a apreciar o alívio de não “amar demais”, corremos o risco


de assumir novamente o controle de nossas vidas, esquecendo a agonia e a dor
que já conhecemos. Nossa doença controlava as nossas vidas quando éramos
insanas, obsessivas. Ela (a doença) está pronta e aguardando para assumir o
controle de novo. Rapidamente, esquecemos que todos os nossos esforços
passados, para controlarmos as nossas vidas, falharam. A esta altura, a maioria de
nós percebe que, a única maneira de mantermos o que nos foi dado é partilhar
esta nova dádiva da vida com a mulher que ainda sofre. Chamamos a isso de
Levar a Mensagem, e nós a fazemos de diversas maneiras.

No Décimo Segundo Passo, praticamos os princípios espirituais de levar a


mensagem de recuperação de MADA, para mantê-la. Até uma companheira
com um só dia na Irmandade de MADA pode levar a mensagem de que o
programa funciona. Quando partilhamos com alguma companheira nova,
podemos pedir para sermos usadas como instrumento espiritual do nosso Poder
Superior. Não nos colocamos como deusas. É um privilégio responder a um apelo
por ajuda. Nós, que já estivemos no abismo do desespero, sentimo-nos gratas por
ajudar as outras a encontrarem recuperação.

Ajudamos as novas a aprender os princípios de MADA. Tentamos fazer com que


elas se sintam bem vindas, damos nosso acolhimento e as ajudamos a aprender o
que o programa tem a oferecer. Partilhamos nossa experiência, força e
esperança. Quando possível acompanhamos uma recém-chegada a uma
reunião. Este serviço abnegado é o verdadeiro princípio do Décimo Segundo

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 35


Passo. Recebemos nossa recuperação de um Deus, da maneira como nós O
concebemos. Nós nos colocamos agora à Sua disposição, como Sua ferramenta,
para partilhar a recuperação com aquelas que a procuram. Às vezes, o poder do
exemplo é a única mensagem necessária para que a mulher que ainda sofre
estenda a mão. Aprender a ajudar as outras é um benefício do Programa de
MADA. É impressionante como o trabalho dos Doze Passos nos afasta da
humilhação e do desespero e nos conduz para agirmos como instrumento do
Poder Superior. A habilidade de ajudar uma companheira que ama demais nos é
dada quando ninguém mais consegue. Vemos isso acontecer entre nós.

Esta virada milagrosa é a evidência de um despertar espiritual. Partilhamos da


nossa experiência pessoal, de como aconteceu conosco. Não damos conselhos,
pois quando isso é feito, perdemos o respeito das recém-chegadas. Isto turva a
nossa mensagem. Frequentamos as reuniões e nos fazemos visíveis e dispostas a
servir à Irmandade. Damos livremente e com gratidão o nosso tempo, serviço e o
que encontramos aqui. O serviço de que falamos em MADA é o propósito
primordial dos nossos grupos. Serviço é levar a mensagem à mulher que ainda
sofre. Quanto mais prontamente nós mergulharmos e trabalharmos, mais rico será
o nosso despertar espiritual.

Sentimos que as nossas vidas estão valendo a pena. Espiritualmente revigoradas,


estamos contentes de estarmos vivas. Antes, nossas vidas tornaram-se um
exercício de sobrevivência. Agora, estamos vivendo muito mais do que
sobrevivendo. A prática de princípios espirituais no nosso dia-a-dia, tais como:
esperança, rendição, aceitação, honestidade, mente aberta, boa vontade, fé,
tolerância, paciência, humildade, amor incondicional, partilha e interesse, nos
conduz a uma nova imagem de nós mesmas. Nossas decisões passam a ser
temperadas com tolerância.

Aprendemos a nos respeitar. Somos uma visão de esperança. Somos exemplos de


que o Programa funciona. A felicidade que temos em viver é uma atração para
aquelas que ainda sofrem.

“De acordo com um princípio espiritual, continuaremos a encontrar pessoas que


personificarão a oportunidade de aprendermos nossa lição mais urgente. Quando
aprendemos a superar o problema em nós mesmas, nossos “professores”
desaparecerão.” (Robin – Meditações)

PERGUNTAS DO DÉCIMO SEGUNDO PASSO:

1. O que você tem feito por uma Mulher que Ama Demais e está sofrendo?
2. O que são princípios espirituais?
3. Você é grata à Irmandade de MADA? De que maneira você demonstra
isso?
4. Como é o seu trabalho dentro da Irmandade?
5. Você sabe da necessidade da sala aberta para a nova que está
chegando?

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 36


PARA REFLETIR: “A maior revolução de nossos tempos é a descoberta de que ao
mudar as atitudes internas de suas mentes, os seres humanos podem mudar os
aspectos externos de suas vidas.” (Willian James)

BEM-VINDA A MADA!

Os Passos não terminam aqui.


Os Passos são um novo começo!

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 37


INTRODUÇÃO ÀS DOZE TRADIÇÕES

As doze tradições de MADA dizem respeito à vida própria da Irmandade.


Delineiam os meios pelos quais MADA mantém sua unidade e se relaciona com o
mundo exterior, sua forma de viver e desenvolver-se.

Ao chegarmos pela primeira vez na Irmandade de MADA, encontrávamo-nos


com toda a nossa atenção voltada para nós mesmas, para nossa própria
recuperação. Para nós, o Grupo que frequentávamos e a Irmandade, como um
todo estava garantida e nós não tínhamos ideia de como funcionava ou se,
futuramente, continuariam lá.

Conforme íamos saindo da nossa dependência de pessoas, começamos a


confiar em MADA. Sentíamo-nos confortáveis e seguras nesse nosso único refúgio
e, se alguma vez pensamos que a Irmandade pudesse estar ameaçada,
reagíamos com medo.

Começamos a compreender que não tínhamos que temer pela saúde de MADA,
pois a Irmandade tem Doze Tradições que foram elaboradas para manter os
nossos Grupos e os Comitês de Serviço funcionando.

Este estudo das Tradições que faremos a seguir visa mostrar como essas Doze
sugestões funcionaram para ajudar pessoas, Grupos de MADA como um todo, a
resolver problemas, a prosperar e a levar a mensagem àquelas mulheres que
ainda sofrem.

Temos uma imensa gratidão para com os Alcoólicos Anônimos por mostrarem o
caminho, através dos Doze Passos e das Doze Tradições, e por permitirem que
outras Irmandades as adaptassem.

As Doze Tradições englobam os mesmos princípios de vida que os Doze Passos.


Elas podem ser aplicadas em todas as áreas de relacionamento das nossas vidas.

Em espírito de Irmandade, só por hoje!

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 38


AS DOZE TRADIÇÕES DE MADA

1. Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação


individual depende da unidade de MADA.

2. Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito


comum: um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência
coletiva. Nossas líderes são apenas servidoras de confiança, não têm
poderes para governar.

3. Para ser membro de MADA, o único requisito é o desejo de evitar


relacionamentos destrutivos.

4. Cada Grupo de MADA deve ser autônomo, salvo em assuntos que afetem
outros Grupos ou MADA como um todo.

5. Cada Grupo possui apenas um único propósito primordial: transmitir a


mensagem à Mada que ainda sofre.

6. Nenhum Grupo de MADA jamais deverá sancionar, financiar ou emprestar


o nome de MADA a qualquer sociedade ou empreendimento alheios à
Irmandade a fim de evitar que problemas de dinheiro, propriedade ou
prestígio nos desviem do nosso propósito primordial.

7. Todos os Grupos de MADA deverão ser absolutamente autossuficientes,


rejeitando quaisquer contribuições ou doações de fora.

8. MADA deverá manter-se sempre não profissional, embora nossos centros de


serviço possam contratar funcionários especializados.

9. MADA jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém criar comitês
ou juntas de serviço, diretamente responsáveis perante aqueles a quem
prestam serviço.

10. MADA não opina sobre questões alheias à irmandade, portanto o nome de
MADA jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.

11. Nossa política de relações públicas baseia-se na atração, não na


promoção. Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa,
rádio, cinema, televisão ou em outros meios públicos de comunicação.

12. O anonimato é o alicerce espiritual de nossas Tradições, lembrando-nos


sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 39


PRIMEIRA TRADIÇÃO
“Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação
individual depende da unidade de MADA.”

Muitas de nós, Madas, vivemos a maior parte das nossas vidas no isolamento,
sendo este considerado o núcleo da nossa doença. Preferíamos ficar sozinhas,
para podermos agir sem interferências na nossa obsessão por pessoas. Era para
nós, muito difícil estar cercada por outras pessoas, ou procurá-las para pedir
ajuda.

Nosso desejo de viver livre dessa obsessão nos forçou a mudar nossas atitudes. A
recuperação começou para muitas de nós quando ingressamos em um Grupo
de MADA e descobrimos que não estávamos mais sozinhas, que havia outras
mulheres como nós. Ali encontramos aceitação, identificação, sensação de
pertencer a algum lugar e união com outras Madas.

Muitas de nós poderiam não estar vivas hoje se não tivéssemos ingressado em
nossos Grupos de MADA. Se quisermos continuar vivas e nos recuperando,
precisamos ter o apoio contínuo dos Grupos e a inspiração que recebemos de
nossas companheiras de MADA. Precisamos também da oportunidade diária de
poder ser úteis às outras companheiras. Sendo assim, a Primeira Tradição é uma
questão de vida ou de morte para nós. Entretanto, nem sempre é fácil manter a
unidade.

Membros de MADA trazem histórias diferentes e, nas reuniões, encontramos


mulheres diferentes de nós em seus modos de buscar a recuperação. Nosso
primeiro impulso é achar que elas estão fazendo tudo errado. Aí é que entra a
valorização do bem estar comum da Irmandade acima dos nossos pontos de
vista, pois se não fosse assim, MADA se partiria em diversas facções e perderia a
força que vem da união. O respeito pela unidade significa que o indivíduo
mantém em mente as regras básicas do grupo.

Em MADA, somos orientadas a mantermos as necessidades do Grupo inteiro em


mente, ao compartilharmos nossas experiências, força e esperanças. A unidade
entre Madas é a qualidade mais preciosa que a nossa Irmandade possui. Nossas
vidas, as vidas das que ainda estão por chegar dependem diretamente da
unidade. Ou nos mantemos unificadas ou MADA morre.

Geralmente começamos a reunião seguindo um roteiro, com avisos tais como:


“favor desligar o celular”, “esta é uma reunião aberta”, “o silêncio faz parte do
tratamento”, “não se deve dar conselhos”, etc. Informamos assim, a todos as
presentes, qual é a consciência do Grupo.

Podemos querer partilhar mais do que o tempo especificado. Podemos querer


aconselhar alguém na reunião, mas a Primeira Tradição nos diz para refrear tais
impulsos, para o bem do Grupo. É responsabilidade de todas nós, membros dessa
Irmandade, proteger o espírito de unidade e de apoio mútuo em MADA.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 40


MADA é um lugar onde todos os membros têm ampla oportunidade de
compartilhar, onde não tentamos confrontar-nos ou consertarmos umas às outras
dentro dos Grupos. As Doze Tradições, que asseguram a unidade de MADA, não
contém um só "não faça!”. Elas não se cansam de repetir "devemos”, mas nunca
dizem "você tem que...".

Quando chega a nossa vez de coordenarmos uma reunião de MADA, a Primeira


Tradição faz com que seja responsabilidade nossa, enquanto coordenadoras,
carinhosamente lembrarmos às companheiras as regras básicas do Grupo, todas
as vezes que a consciência do Grupo esteja sendo ignorada. Isso não significa
que todas as MADAS precisem concordar em todos os assuntos relacionados ao
funcionamento da Irmandade.

Discordância com relação às atividades do Grupo surge sempre e temos que


encontrar formas de resolvermos essa discordância sem destruirmos a unidade da
nossa Irmandade. Aprende-se que o clamor dos desejos e ambições interiores
tem de ser silenciado sempre que ameace prejudicar o Grupo.

O que a Primeira Tradição sugere é que ouçamos com respeito às opiniões de


outras pessoas. Expressamos nossas próprias opiniões honestamente, sem
depreciarmos aqueles que talvez não concordem com elas. Ao ouvirmos e
falarmos, mantemos nossas mentes e corações abertos à vontade do nosso Poder
Superior em todos os assuntos. Depois que a discussão acabou e o Grupo tomou
uma decisão, não permitimos que nenhum sentimento de antagonismo, que
ainda possamos sentir, divida o Grupo. Em MADA, resolvemos nossas diferenças
de opiniões pensando no bem estar do grupo, como um todo.

Unidade não significa uniformidade. Em MADA aprendemos que podemos


discordar de outras companheiras em assuntos importantes e, ainda assim, ser
amigas que dão apoio umas às outras. Ouvimos as outras com a mente aberta e
aprendemos a nos expressar sem insistirmos para que todas façam as coisas do
nosso jeito e ao nosso tempo.

Ao praticarmos a Primeira Tradição, começamos a entender melhor a nós


mesmas e aos outros. Torna-se mais fácil encontrar formas de fazer as coisas que
atendam a necessidade geral, surgindo a compreensão de que nenhum
sacrifício de caráter pessoal é demasiado grande face à preservação da
Irmandade.

REFLEXÕES DA PRIMEIRA TRADIÇÃO:

1. Será que praticamos bem o princípio da unidade?


2. Nosso Grupo está se dividindo em panelinhas e permanecendo indiferentes
a alguns membros?
3. Procuramos nos manter juntas enquanto Grupos ou tentamos criar a
discórdia?
4. Desencorajamos a fofoca?
5. Desencorajamos as companheiras de fazerem inventário umas das outras?

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 41


6. Concentramo-nos no que temos em comum ou trazemos à tona nossas
diferenças, apenas para que haja debate?
7. Somos gentis, mesmo com aquelas pessoas de quem não gostamos ou
falamos sobre o amor do grupo de MADA e continuamos agindo com
hostilidade em relação a algumas pessoas?
8. Encorajamos todas as companheiras a darem completa atenção a quem
está partilhando? Ou conversas paralelas, cumprimentos, etc., desviam
nossa atenção da reunião com frequência?
9. Nosso grupo encoraja os membros a falarem rapidamente ou permitimos
que alguns dominem a discussão, falando tanto que não sobra tempo para
as outras?
10. As coordenadoras ajudam as recém-chegadas a fazer parte do Grupo
logo de início, dando-lhes gentilmente informações sobre o roteiro da
reunião e as regras básicas do Grupo?
11. Encorajamos as companheiras a usarem o telefone para ajudarem umas às
outras, e não apenas para reclamações e fofocas?
12. Depreciamos outros membros que tenham uma forma diferente de
trabalhar o programa?
13. Apoiamos atividades que nos coloquem em contato com outros Grupos?
14. Nos damos ao trabalho de aprender sobre MADA como um todo?
15. Encorajamos todas as companheiras a compartilharem honestamente com
o Grupo, mesmo quando estão passando por momentos difíceis, ou
acreditamos que aquelas que estão tendo problemas não deveriam
compartilhar?

PARA REFLETIR: A Primeira Tradição de Unidade nos lembra de uma verdade


importante: “Não estamos mais sozinhas! Estamos em contato com outros seres
humanos. Nossa saúde emocional e espiritual depende da saúde dos nossos
relacionamentos”.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 42


SEGUNDA TRADIÇÃO
“Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito
comum: um Deus amantíssimo, que se manifesta em nossa consciência
coletiva. Nossas líderes são apenas servidoras de confiança, não têm
poderes para governar.”

A recém-chegada poderá perguntar: “Quem é a chefe aqui?”. E a resposta é


dada na Segunda Tradição: um Deus amantíssimo que se expressa na
consciência coletiva.

Quando nos deparamos com uma dificuldade ou desafio, pedimos orientação a


Deus, para que nos mostre o caminho melhor para o grupo como um todo. Em
MADA não existem posições de poder; temos uma estrutura de serviço. O
Intergrupo existe somente para executar serviços. Ele não tem poder para impor
regras aos grupos ou a membros individualmente. Nos grupos de MADA, as
companheiras são escolhidas para executar serviços, tais como abrir o grupo,
fazer o café, encontrar pessoas para partilhar temas específicos, frequentar as
reuniões do Intergrupo, reabastecer o estoque de literatura, etc.

Se algum membro deseja fazer alguma mudança na maneira como o Grupo


esteja operando, isto é trazido para discussão em uma reunião administrativa
com todos os membros que frequentam regularmente o Grupo. O assunto deve
ser discutido cuidadosamente, votamos as alternativas propostas e acreditamos
que a decisão a que chegamos juntas é a vontade do nosso Poder Superior. Logo
após, as companheiras responsáveis agem implementando a decisão no Grupo.

Alguns grupos fazem tais reuniões junto com a reunião de partilha e outros a
fazem separadamente. Os grupos de MADA, em geral, gastam muito pouco
tempo regular da reunião com assuntos de serviço.

Consciência de grupo não é a mesma coisa que regra da maioria. Essa


consciência é uma expressão da unidade do grupo de que fala a Primeira
Tradição, um elo comum que cresce entre nós à medida que cada uma
abandona a vontade própria. Para que possamos alcançar uma Consciência de
Grupo bem informada, afirmamos o direito de todas as companheiras do grupo
de participarem das discussões e ouvimos atentamente a todas com a mente
aberta. O propósito de nossas discussões é assegurar que a decisão a que o
Grupo chegou leva em conta todas as informações pertinentes.

Se quisermos chegar a uma decisão consciente, o Grupo precisará considerar as


necessidades e ideias de todos. Por esta razão, Grupos de MADA dão completa
atenção a todos os pontos de vista, mesmo o das minorias. Nenhuma
companheira, que se considere membro de MADA, é impedida de falar ou de
votar, como de acordo com a Terceira Tradição.

Nos Grupos de MADA, não se exige abstinência de relacionamentos, ou outros


requisitos, para ter direito a voto. Como podemos então confiar que votem
pessoas que podem não estar com a mente sã? Não permitir que algumas votem
significa negar sua condição de membro do grupo, condição essa essencial para
a recuperação da “doença do isolamento”. Certamente, isso constitui um risco,
mas deve-se levar em conta a necessidade de manter MADA aberto a todas as

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 43


companheiras que desejam o que a nossa Irmandade tem a oferecer. Portanto,
para permitir que atuemos sabiamente sob a autoridade de um Deus
amantíssimo, são necessários o conhecimento das Tradições de MADA e a
experiência de outros Grupos.

Uma vez que todos os pontos de vista tenham sido carinhosamente ouvidos, o
voto da consciência do Grupo é dado. Cada companheira baseia seu voto
naquilo que acredita ser o melhor para o Grupo, e não nas personalidades que
estão defendendo um determinado ponto de vista, nem no que suas amigas mais
próximas acreditam. Aquelas companheiras que têm longa experiência em
MADA e conhecimento das Tradições têm a responsabilidade de compartilhar o
que aprenderam.

Pela Segunda Tradição, não há perdedor em uma votação da consciência do


Grupo em MADA. As companheiras que diferem da opinião do Grupo podem, a
princípio, ficar insatisfeitas ou desapontadas, mas a longo prazo vemos que, na
maioria das vezes, o resultado foi uma boa coisa para o Grupo. Se acontecer
uma situação de desagravo, devemos lembrar que a realidade é que todas
ganhamos quando a vontade de Deus é realizada.

Entretanto, nem todas as decisões tomadas nos Grupos são sábias ou práticas.
Como seres humanos, cometemos erros e podemos e devemos procurar
melhores soluções para o problema. Processa-se, então, uma nova votação em
consciência de Grupo, a fim de corrigir a situação. Assim como acontece com
cada uma de nós, os Grupos de MADA, também aprendem com seus erros.
Nosso Poder Superior geralmente nos guia por intermédio de nossos erros.
Membros mais antigos, que já passaram por tais experiências, podem pensar que
suas opiniões devem prevalecer, apesar da Segunda Tradição. Entretanto,
quando elas tentam controlar, em vez de servir às outras companheiras,
geralmente as coisas dão errado.

Ao iniciarem um novo Grupo de MADA, algumas companheiras poderão ter que


tomar decisões no início, mas logo a consciência do Grupo assumirá a função de
liderança. O conselho das mais antigas continua a ser valioso, mas não é bom
para o Grupo que uma pessoa se mantenha em um serviço por muito tempo.
Uma parte vital do nosso crescimento pessoal em MADA é prestar serviço, mas
também é vital praticar a humildade e abrir mão do serviço, após um período de
tempo específico, de maneira que outra companheira possa ter a mesma
experiência.

Temos uma rotatividade na prestação de serviço em MADA, mesmo quando a


pessoa que está exercendo a função faz um bom trabalho ou deseja continuar.
Devemos logo aprender que não são elas, as prestadoras de serviço,
responsáveis pelo funcionamento do Grupo e sim nós, pois todas partilhamos a
responsabilidade deste funcionamento. Tudo que temos a fazer é o trabalho de
base e podemos confiar os resultados ao nosso amoroso Poder Superior, que nos
fornece todos os recursos de que necessitamos.

A maioria de nós chega em MADA com muita dificuldade em lidar com suas
famílias, seus amigos, seus companheiros, seus relacionamentos de trabalho, etc.
Fundamentalmente esses relacionamentos têm por base o poder, o controle e a

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 44


manipulação. Ao constatar que podemos utilizar também a Segunda Tradição
em nossas vidas lá fora, ficamos encorajadas.

Aprendemos em MADA que, ao invés de criticar, censurar ou discutir, podemos


cooperar com as decisões que ajudamos a tomar. Aprendemos a expressar
nossas necessidades e desejos de uma forma adulta. Temos disposição para
aderir a qualquer decisão que leve em conta a necessidade de todas.

“Há uma sensação confortadora em saber que a orientação para o Grupo não
vem através de indivíduos, mas da disposição do Grupo para seguir tudo o que a
sabedoria do Poder Superior possa expressar através dos seus membros.”

REFLEXÕES DA SEGUNDA TRADIÇÃO:

1. De que forma vivemos de acordo com os princípios da Segunda Tradição


em nossas reuniões de MADA?
2. Nosso Grupo encoraja todas as companheiras a participarem ativamente
das discussões da consciência de Grupo?
3. Ouvimos com a mente aberta os pontos de vista de todas?
4. Alguma vez pressionamos o Grupo a aceitar as ideias de certas
companheiras, simplesmente porque elas estão em MADA há muito
tempo?
5. Sentimos que temos de manter as aparências nas discussões do Grupo, ou
podemos caminhar juntas, de bom grado, com a consciência de grupo,
mesmo que tenhamos diferido dela no início?
6. Criticamos as companheiras que prestam serviço ou apoiamos seus
esforços?
7. Fazemos com que as pessoas que prestam serviços sejam responsáveis
perante o Grupo, de forma que se possa confiar nelas e contar com elas?
8. Será que o Grupo dá a devida atenção à Coordenadora, à Representante
de Grupo e a outras companheiras, quando estão dando avisos?
9. As companheiras do nosso Grupo se dispõem voluntariamente a assumir
cargos de serviço (secretária, tesoureira, etc...)?
10. Temos dificuldade para encontrar companheiras dispostas a prestar
serviço?

PARA REFLETIR: “Raiva e amargura são substituídas por harmonia e paz, quando
damos a mesma importância a cada pessoa e realmente ouvimos o que todas
têm a dizer. Quando isso acontece, a vontade de um Deus amantíssimo está
realmente se expressando através dos nossos Grupos.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 45


TERCEIRA TRADIÇÃO
“Para ser membro de MADA o único requisito é o desejo de evitar
relacionamentos destrutivos.”

Nenhuma mulher que tenha o desejo de evitar relacionamentos destrutivos pode


ser barrada em qualquer grupo de MADA. As companheiras de MADA têm
origens, raças e religiões muito diferentes. Podemos ter, e de fato temos,
diferenças quanto a opiniões, posição política, valores, estilo de vida, idade,
orientação sexual e posição econômica.

Não existem pré-requisitos para ser membro de MADA. Não é um pré-requisito


termos experiências semelhantes. Todas aquelas que já experimentaram a dor de
viver um relacionamento destrutivo são bem-vindas às nossas reuniões. Em MADA
encontramos uma enorme gama de opiniões sobre o programa em si, sobre os
Doze Passos, as Doze Tradições e como aplicá-los melhor.

Ninguém é expulsa de MADA por não trabalhar os Passos, não ter uma Madrinha,
não respeitar as Tradições ou não adotar os instrumentos que a maioria emprega.
Isso não quer dizer que os Passos, as Tradições e os instrumentos não são
importantes, mas isso mostra como praticamos os princípios da aceitação e do
amor incondicional em MADA.

A recuperação é uma jornada e o programa de Doze Passos e Doze Tradições é


a estrada pela qual viajamos juntas em MADA. O objetivo da Terceira Tradição é
assegurar que a estrada estará sempre acessível a todas que queiram viajar por
ela. Duas ou mais Madas que se unam com o objetivo de pôr em prática os Doze
Passos e as Doze Tradições são consideradas um Grupo de MADA, desde que,
como Grupo, não tenham outras filiações.

Deve-se notar que, mesmo que a companheira esteja passando por um


relacionamento destrutivo, ela será sempre bem-vinda às reuniões de MADA. A
porta nunca se fecha para uma companheira que tenha recaído no programa.
Ocasionalmente, os Grupos são incomodados por companheiras que destroem a
harmonia das nossas reuniões. Mesmo essas companheiras não são barradas no
Grupo e não é negada a elas a chance da recuperação.

A maioria dos problemas de personalidade podem ser tratados em base pessoal,


por meio do amadrinhamento. Nossas reuniões de MADA não serão sempre
perfeitas, mas nelas poderemos encontrar a recuperação, apesar das
imperfeições. Quando cada companheira é tratada com amor, o Grupo
sobrevive e emerge de cada experiência, mais forte do que nunca.

Qualquer companheira que nos diga que é um membro, é um membro. Damos


as boas vindas a todas de braços abertos. Não queremos excluir nenhuma de
nossas companheiras sofredoras ou criar barreiras à sua recuperação. Muitas de
nós chegam à Irmandade com a sensação de que o resto do mundo não nos
entende, de que não pertencemos a lugar algum e ficamos surpresas ao nos
depararmos com outras mulheres que se sentem da mesma forma.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 46


REFLEXÕES DA TERCEIRA TRADIÇÃO:

1. Nosso Grupo encoraja todas a tomarem parte nas discussões?


2. Fazemos com que todas as companheiras sintam-se bem-vindas, ou
existem algumas que preferíamos não ter no nosso Grupo?
3. Focalizamos nossas discussões nas coisas que temos em comum por sermos
Madas?
4. Permitimos que raça, idade, educação, religião (ou falta dela), crenças
políticas ou linguagem e nível social determinem se iremos estender as
mãos, durante as reuniões de MADA, ou pelo telefone?
5. Será que nos deixamos impressionar por uma companheira que seja uma
celebridade, pelo seu status profissional, pela sua experiência com outros
programas de Doze Passos, ou o Grupo consegue tratar as recém-
chegadas da mesma forma?
6. Fazemos questão de falar com as recém-chegadas, mesmo quando sua
aparência ou atitude não é convidativa? Fazemos com que elas se sintam
bem-vindas?
7. Será que o Grupo continua a dar as boas-vindas a todas as companheiras,
mesmo àquelas que tenham sido críticas em relação ao Grupo no
passado?

PARA REFLETIR: “Em MADA aprendemos que as pessoas podem discordar de nós
em assuntos importantes e ainda assim serem companheiras amorosas que nos
apoiam. Quando aplicamos, sem reservas, a Terceira Tradição, frequentemente
descobrimos a amizade sincera onde menos esperávamos, em pessoas que,
anteriormente, teríamos excluído de nossas vidas. Tal amizade está em toda
parte, à nossa volta, e tudo o que temos que fazer é abrirmos nossos corações
para recebê-la. Bem vindas ao Lar!”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 47


QUARTA TRADIÇÃO
“Cada Grupo de MADA deve ser autônomo, salvo em assuntos que afetem
outros Grupos ou MADA como um todo.”

“É proibido proibir!” Este Lema em MADA quer dizer que não há nada obrigatório
no Programa. Que, como indivíduos, somos responsáveis por nós mesmas e livres
para trabalhar (ou não) o Programa de Doze Passos, da forma que quisermos.

Isso também se aplica aos Grupos de MADA. A Quarta Tradição, a Tradição da


autonomia, dá aos Grupos de MADA o direito e a responsabilidade de operarem
da forma que acharem conveniente, livres de qualquer influência externa.
Autonomia significa que Grupos de MADA não podem ter qualquer filiação, a
não ser com a Irmandade. Também significa que nenhum Grupo de MADA pode
determinar as ações de outro Grupo de MADA.

Existe apenas um limite na Quarta Tradição: os Grupos não devem fazer nada
que prejudique outros Grupos ou MADA como um todo. A Quarta Tradição dá
aos Grupos a liberdade de fazer o que funciona melhor para eles. Cada Grupo
escolhe seu próprio horário e local de reunião, assim como as literaturas a serem
estudadas (aprovadas previamente pelo comitê de literatura).

Cada Grupo de MADA toma suas próprias decisões e comete seus próprios erros,
sem interferência de nenhum órgão de governo, além da sua própria
consciência de Grupo. Membros de MADA que visitam outros Grupos podem se
deparar com outras práticas que possam lhes parecer estranhas, mas não
devemos nos esquecer da autonomia do Grupo. Entretanto, Grupos de MADA
por todo o país, devem ser iguais em um aspecto: funcionar em uma atmosfera
que promova a recuperação, por intermédio dos Doze Passos e das Doze
Tradições.

Na Segunda parte da Quarta Tradição, verifica-se que a autonomia se aplica


apenas a assuntos que não afetem outros Grupos ou MADA como um todo. Um
tipo de problema que afetaria a Irmandade como um todo seria um Grupo de
MADA que não se apoiasse nos Doze Passos e nas Doze Tradições. Ao se intitular
MADA, mas não oferecerem, aos seus membros os princípios de MADA, esse
Grupo estaria transmitindo às companheiras uma ideia errada sobre o Programa
e prejudicando a Irmandade como um todo. Grupos que ignoram uma ou mais
das Doze Tradições, trazem discórdia para a Irmandade. Não se deve permitir
que discussões ocupem mais tempo do que o compartilhar sobre recuperação.

Uma infração de uma Tradição não resulta em expulsão do Grupo ou da


Irmandade. Quando um Grupo quebra uma Tradição, isso ocorre geralmente
porque as pessoas não estão bem informadas a respeito delas, e não porque
tenham escolhido ignorá-las. Quando a quebra de Tradição acontece, as
companheiras que conhecem as Tradições têm a responsabilidade de se
manifestar e informar ao Grupo que ele está funcionando fora das Tradições.
Quando essas companheiras falam, uma discussão saudável sobre as Doze
Tradições geralmente se segue e a maioria dos Grupos escolhe funcionar dentro
dessas orientações.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 48


As Tradições existem para prevenir problemas. Grupos que as ignoram
geralmente acabam se envolvendo em complicações de algum tipo. Surgem
problemas ou a atmosfera positiva muda. Companheiras se afastam, o
entusiasmo se esvai e a sobrevivência do grupo é ameaçada. Quando isso
acontece, membros familiarizados com os princípios de MADA podem apontar,
de forma precisa, a fonte do problema como decorrente da quebra de uma
determinada Tradição, e a consciência informada logo se mobiliza no sentido de
fazê-lo voltar à normalidade.

Em casos extremos, quando o Grupo está afetando MADA como um todo, por
causa de uma persistente recusa em funcionar segundo os princípios da
Irmandade, esse Grupo pode ser retirado das listas de reuniões. Entretanto, essa
atitude só deve ser tomada depois de muita reflexão.

Autonomia também significa que Grupos de MADA operam livres de influências


externas. Mesmo que outra organização nos proporcione locais de reunião, não
devemos permitir que elas influenciem o Grupo MADA. Claro que uma reunião
que ocorra em uma Igreja, edifício Comercial, Hospital ou Escola deve se ajustar
às regras do local, no que diz respeito a não fumar, não fazer barulho, arrumação
da sala, aluguel e coisas do gênero.

A autonomia de MADA é essencial se quisermos viver de acordo com nossas


Tradições e manter intacto o programa de recuperação de Doze Passos de
MADA. A Quarta Tradição oferece aos Grupos de MADA, a liberdade de
encontrarem seus próprios caminhos e aprenderem com suas próprias
experiências. Ao mesmo tempo, esta Tradição assegura a todas nós que a
Irmandade de MADA não será prejudicada pela ação equivocada de um Grupo
e que as reuniões de MADA continuarão a focalizar os princípios contidos nos
Doze Passos e nas Doze Tradições.

Viver de acordo com a Quarta Tradição em MADA significa aprender a agir de


forma autônoma, mesmo quando vivemos em harmonia com os outros. Aqui
aceitamos a responsabilidade por nós mesmas, por nossas ações, pelas
consequências e pela nossa própria recuperação. Todas precisamos do equilíbrio
implícito no princípio da autonomia, para sermos indivíduos e Grupo únicos que
devemos ser.

REFLEXÕES DA QUARTA TRADIÇÃO:

1. Respeitamos o direito de outros Grupos de terem práticas diferentes das


nossas?
2. Mantemos nosso Grupo livre do controle ou da influência alheia a MADA?
3. Paramos para pensar que as atitudes e ações do nosso Grupo irão moldar
muitas das primeiras impressões das recém-chegadas sobre MADA como
um todo?
4. Levamos em consideração que as ações do nosso Grupo podem afetar a
opinião pública sobre MADA como um todo?

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 49


5. Praticamos o princípio da autonomia, assumindo responsabilidade por
nossas próprias ações e evitando tentativas de controlar as ações dos
outros?

PARA REFLETIR: “Esta Tradição nos desafia, como indivíduos, como Grupos de
MADA e como Irmandade, a atingir um equilíbrio saudável entre nossa
responsabilidade para conosco e para com os outros, ao crescermos e
trabalharmos juntas como companheiras em recuperação.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 50


QUINTA TRADIÇÃO
“Cada Grupo possui apenas um único propósito primordial: transmitir a
mensagem à Mada que ainda sofre.”

MADA é uma Irmandade que oferece um programa espiritual que tem trazido
recuperação para muitas mulheres que haviam perdido a esperança. Nós, que
encontramos uma maneira saudável de nos relacionar, temos a responsabilidade
de assegurar que MADA não se desvie dos seus objetivos. Nossos Grupos se
reúnem para que possamos partilhar com outras companheiras a recuperação
obtida por intermédio dos Doze Passos e das Doze Tradições. MADA sempre
oferecerá recuperação para as mulheres que sofrem da nossa doença, desde
que nos lembremos que esse é o nosso propósito primordial.

Não podemos manter as dádivas preciosas da nossa própria recuperação, a não


ser que as passemos adiante, partilhando a mensagem de MADA. Isso nos remete
ao Décimo Segundo Passo. Quando focalizamos, em nossas discussões, os
princípios incorporados nos Doze Passos e nas Doze Tradições; quando
partilhamos o modo como encontramos a solução para nossos problemas de
relacionamento, percebemos que transmitimos a mensagem para as mulheres
que ainda sofrem, assim como para nós mesmas. Não importa quanta
recuperação tenhamos, precisamos ainda ouvir a mensagem de MADA.

Todas as vezes que oferecemos nossa experiência, nossa força e nossa esperança
à Mada que ainda sofre, retribuímos o que nos foi dado de graça e, desse modo,
perpetuamos o fluxo de energia curadora que alimenta nossa própria
recuperação. Devemos nossa própria recuperação a outras companheiras de
MADA. Encontramos companheiras que tinham feito e sentido as mesmas coisas
que nós. Escutamos atentamente o que elas diziam, pois queríamos saber como
elas estavam melhorando.

Falando abertamente sobre nossas batalhas, sob a perspectiva de nossa


recuperação em MADA, trazemos à recém-chegada uma mensagem de força,
fé e esperança, que não se encontra em nenhum lugar fora da Irmandade. A
Quinta Tradição nos mostra que não é somente discutindo nossos problemas
umas com as outras que iremos nos recuperar. É na mensagem de MADA, nos
nossos Passos e nas nossas Tradições que encontramos soluções para nossos
problemas. Viver por estes princípios salvou nossas vidas.

A habilidade única de cada Mada em identificar-se com a recém-chegada e


reabilitá-la, não depende de forma alguma de seu grau de instrução, eloquência
ou qualquer outra capacitação específica. A única coisa que importa é o fato
de ser uma Mada que encontrou a chave da sobriedade.

Honestidade, esperança, fé, coragem, integridade, boa vontade, humildade,


autodisciplina, amor, perseverança, serviço, espiritualidade, unidade, confiança,
mente aberta, responsabilidade, aceitação, igualdade, irmandade, os Doze
Passos, as Doze Tradições, amadrinhamento, deveriam ser o foco de cada

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 51


reunião de MADA, muito mais do que os problemas do grupo ou de divergências
com as companheiras.

Ajudamos muito mais quando escutamos, evitamos dar conselhos e partilhamos


nossas experiências de viver pelos princípios de MADA. Nossa Irmandade não é
um clube social, embora façamos ótimas amizades e desejemos vê-las nas
reuniões. A Quinta Tradição nos lembra que os Grupos de MADA geralmente
morrem se os seus membros formam grupinhos ou continuamente ignoram as
necessidades das recém-chegadas.

A Mada que ainda sofre nem sempre é uma recém-chegada. Pode ser uma
companheira mais antiga que esteja passando por dificuldades. Ver uma
companheira em recaída ou enfrentando problemas pode ser assustador para
nós. Geralmente ficamos tentadas a evitar o assunto, ou usamos o slogan “junte-
se às vencedoras” como uma racionalização para não falarmos com a pessoa
em recaída nas reuniões de MADA ou para nunca telefonarmos para as
companheiras que pararam de ir às reuniões. Quando reagimos assim, estamos
esquecendo o propósito primordial de nossa Irmandade.

A Quinta Tradição também nos diz para irmos além dos nossos Grupos, isto é, para
procurarmos Madas que nunca assistiram a uma reunião. Nosso propósito
primordial inclui a responsabilidade de atingir essas pessoas de todas as maneiras
possíveis. Esta é uma das razões pela qual cada Grupo de MADA gasta uma
parte de seus fundos, sustentando o Intergrupo.

A linha telefônica, o site na internet, o Comitê de Literatura, Comitê de Eventos e


o IP (Informação ao Público) são “corpos de serviço” que levam a mensagem de
uma forma que geralmente não está ao alcance dos Grupos. O Intergrupo
organiza esses serviços, que devem ser prestados pelas próprias companheiras,
além de fornecer oradores para eventos especiais.

A Quinta Tradição nos ajuda a manter a simplicidade, tanto para os Grupos,


quanto para membros de MADA, individualmente. Levamos a mensagem
quando partilhamos nossas próprias experiências ou falamos da Irmandade como
um todo. Quando focalizamos a atenção no propósito primordial de serviço,
podemos eliminar uma grande quantidade de preocupações desnecessárias.

REFLEXÕES DA QUINTA TRADIÇÃO:

1. Nosso grupo se concentra no propósito primordial de MADA?


2. Focalizamos nossas discussões nos Doze Passos, nas Doze Tradições e na
recuperação?
3. Damos as boas-vindas às recém-chegadas e lhe damos atenção
individual? Damos boas-vindas, também, às companheiras que estão
retornando a MADA?
4. Tentamos fazer com que a Irmandade de MADA seja conhecida por
pessoas de fora que necessitem de ajuda?
5. De que maneira apoiamos nosso Intergrupo e os corpos de serviço em seus
esforços de levar a mensagem?

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 52


6. Oferecemos nossos números de telefone e nos comprometemos com as
recém-chegadas?
7. As novatas conseguem encontrar madrinhas em nosso grupo?
8. Alguém do nosso Grupo se compromete a ligar para as recém-chegadas
ou para as companheiras que têm estado ausentes da reunião?
9. Lembramos-nos de que as veteranas em MADA podem também ser Madas
que ainda sofrem?

PARA REFLETIR: “À medida que nos concentramos em nosso serviço, de levar a


mensagem de recuperação para outras mulheres, encontramos uma profunda
satisfação interior e juntamos as nossas forças para partilhar a recuperação em
MADA.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 53


SEXTA TRADIÇÃO
“Nenhum Grupo de MADA jamais deverá sancionar, financiar ou emprestar o
nome de MADA a qualquer sociedade ou empreendimento alheio à Irmandade,
a fim de evitar que problemas de dinheiro, propriedade ou prestígio nos desviem
do nosso propósito primordial.”

Esta Tradição adverte os Grupos para se manterem fiéis exclusivamente ao nosso


propósito primordial. A pessoa que atende telefonemas para MADA, ou que
trabalha no Intergrupo, ouvirá todos os tipos de propostas interessantes. Membros
pouco familiarizados com as tradições podem divulgar empreendimentos alheios
à Irmandade nas reuniões, vender de tudo e até tentar converter membros às
suas religiões. É responsabilidade nossa alertar essas companheiras a cumprirem
as Tradições com fervor.

A razão para que não nos envolvamos em empreendimentos alheios à nossa


Irmandade é resumida no seguinte: Mantenha o Simples. Devemos evitar desviar
a atenção dos Grupos da única função de MADA, que é transmitir a mensagem
de recuperação dos Doze Passos às Madas que ainda sofrem.

A literatura aprovada e sugerida por MADA reflete a experiência de muitos


membros da Irmandade, cuja recuperação está fortemente enraizada nos Doze
Passos e nas Doze Tradições. A Sexta Tradição ajuda os Grupos de MADA a
cumprirem nosso propósito primordial de transmitir a mensagem de MADA.

Se o tempo das reuniões é tomado por depoimentos em favor de grupos


religiosos ou outros programas de Doze Passos, as recém-chegadas não
conseguirão distinguir qual é a mensagem da nossa Irmandade. Dessa forma, a
mensagem de recuperação de MADA logo se perde, e as recém-chegadas
podem ficar com a impressão de que outros programas são mais sérios ou mais
importantes do que o programa que trata do problema de amar demais.

Manter esta Tradição significa abstermo-nos de falar sobre outros programas em


nossas reuniões. Empreendimentos alheios a MADA podem endossar MADA,
porém MADA não endossa nenhum empreendimento de fora.

Damos as boas-vindas a todas as mulheres que chegam às nossas reuniões com o


desejo de parar de se relacionar de forma destrutiva, não importa em que outros
tipos de tratamento elas possam estar envolvidas.

MADA não se filia a nenhum tipo de tratamento ou terapia. Os Grupos


frequentemente se reúnem em instalações que pertencem a um
empreendimento alheio à Irmandade, tais como Igrejas, Postos de Saúde,
Escolas. Isto não significa que haja filiação entre MADA e a entidade proprietária
do prédio onde o Grupo se reúne. Os grupos de MADA tradicionalmente pagam
aluguel pelo uso do espaço da reunião.

MADA também não é filiada a outros Grupos de Doze Passos e Doze Tradições,
embora muitas de nós sejamos também membros desses Grupos. MADA tem,
frequentemente, usado a sabedoria e a experiência de outros Grupos de Doze

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 54


Passos ao tomar decisões para nossa Irmandade, mas não somos parte de
nenhum deles, nem eles de nós. Temos o nosso propósito a cumprir: oferecer uma
Irmandade de Doze Passos e Doze Tradições para as mulheres que amam
demais.

A liberdade que possuímos por não termos ligação com qualquer


empreendimento de fora é maravilhosa. Operamos com o mínimo de
preocupação em relação a dinheiro, problemas administrativos, sucesso ou
fracasso. Podemos nos concentrar na recuperação em relação ao
relacionamento destrutivo, muito mais do que em outros problemas que causam
tantos conflitos no mundo à nossa volta.

Um outro lema que resume a Sexta Tradição é: “Primeiro as Primeiras Coisas”.


Em MADA aprendemos a nos concentrar em nosso propósito primordial e a excluir
de nosso Grupo tudo que o possa interferir em nossa capacidade de transmitir a
mensagem de MADA.

REFLEXÕES DA SEXTA TRADIÇÃO:

1. O nosso Grupo desencoraja membros a fazerem propaganda de


empreendimentos de fora nas reuniões de MADA, assim como fazer
comércio em nossas reuniões?
2. Tomamos cuidados para nunca usarmos nossos contatos do Grupo de
MADA para obtermos ganho financeiro pessoal?
3. Quando compartilhamos nas reuniões, somos cuidadosas para não
deixarmos subentendido um endosso por MADA a empreendimentos
alheios, tais como outros Grupos de Doze Passos, terapias, publicações, etc.

PARA REFLETIR: “Devemos sempre lembrar por que estamos aqui, e nunca usar o
Grupo para promover nossos projetos favoritos ou nossos interesses pessoais em
empreendimentos de fora.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 55


SÉTIMA TRADIÇÃO
“Todos os Grupos de MADA deverão ser absolutamente autossuficientes,
rejeitando quaisquer contribuições ou doações de fora.”

A Irmandade de MADA nos proporciona uma nova maneira de nos relacionar, e


o autossustento é uma parte importante dessa nova maneira de viver. Na nossa
doença ativa, éramos dependentes de pessoas, lugares e coisas. Não sabíamos
que o apoio de que precisávamos poderíamos encontrar em nós mesmas, com a
ajuda de um Deus amantíssimo, e com a força interior que conseguimos em nosso
relacionamento com Ele.

Em MADA, não só nos sustentamos como defendemos o direito de fazê-lo. Madas


autossuficientes? Onde já se viu isso? No entanto descobrimos que é isso que
devemos ser. Dinheiro muitas vezes é um problema para nós. Ele nunca será o
suficiente para preencher o vazio dentro de nós. Precisamos de dinheiro para o
Grupo funcionar, pagar o aluguel, comprar suprimentos e literatura. Passamos a
sacola nas nossas reuniões a fim de arrecadar para estas despesas. O que restar,
deverá ser para cumprir o propósito primordial da nossa Irmandade que é levar a
mensagem.

Temos de nos unir. E, ao nos unirmos, aprendemos que realmente somos parte de
algo maior do que nós. A nossa política financeira é definida: recusamos
quaisquer contribuições ou doações de fora. Nossa Irmandade é totalmente
autossustentável. Não aceitamos financiamentos, doações, empréstimos e/ou
presentes. Tudo tem seu preço, não importa a intenção. Mesmo para aqueles
que queiram nos ajudar e garantam que não haverá nenhum compromisso, não
devemos aceitar sua ajuda.

Se aceitarmos presentes “gratuitos” de pessoas de fora, ou muita coisa de um só


membro, nos tornaremos menos livres. Podemos nos tornar dependentes do
dinheiro que está sendo doado e nunca aprenderemos a assumir a
responsabilidade e a pagar pela nossa própria recuperação.

O doador pode naturalmente esperar ter poder em nossas tomadas de decisão.


Aquele membro que contribuiu com maior quantia de dinheiro pode achar que
tem o direito de dominar o Grupo. Isso significa problemas, porque nossa
autoridade é um Deus amantíssimo que pode se manifestar em nossa consciência
coletiva.

Não podemos também permitir que um só membro contribua com mais do que
aquilo que lhe cabe. O preço pago por este fato é a desunião e a controvérsia.
Não devemos colocar nossa liberdade em risco. Queremos que a Irmandade de
MADA cumpra o seu propósito primordial e se mantenha livre de influências
externas. Precisamos nos manter livres da necessidade de contribuições externas.

Cada Grupo tem suas despesas, como aluguel e literatura. Os Grupos, ao se


unirem formando o Intergrupo, aumentam as oportunidades de transmitir a
mensagem de MADA, mas as despesas também aumentam.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 56


Não são cobradas taxas ou mensalidades de ninguém em uma reunião de
MADA. Quando a sacola da Sétima Tradição é passada, é o momento da
reunião em que o material se une ao espiritual, e a maioria de nós fica gratificada
em poder contribuir para manter nosso próprio Grupo e a Irmandade em
funcionamento. MADA salva nossas vidas. É o nosso meio de nos recuperarmos
em relação à doença da dependência de relacionamentos. Gratidão é um dos
princípios espirituais que rege esta Tradição.

Pagamos todas as despesas do Grupo com o dinheiro da Sétima Tradição. Para


mantermos o funcionamento dos Grupos, são necessários recursos, mas não é
bom para os Grupos guardar grandes quantidades de dinheiro. Quando o caixa
dos grupos ficar maior do que a reserva mínima necessária para cobrir as
despesas em curto prazo, os Grupos transferem o excedente para o Intergrupo,
que necessita de apoio financeiro para continuar a transmitir a mensagem nas
formas que não estão ao alcance dos Grupos. Dinheiro em excesso causa
problemas para os Grupos que o acumulam.

No caso de um Grupo estar passando uma fase difícil, com problemas


financeiros, a Irmandade como um todo, através do Intergrupo, pode ajudar este
frágil Grupo durante algum tempo. Mas, em longo prazo, este tipo de
dependência torna-se nocivo. Para muitas Madas, nossa disposição em pagar
por nosso progresso pessoal é um sinal de que estamos amadurecendo e nos
recuperando emocionalmente.

A Sétima Tradição não se aplica somente ao sustento financeiro. Para que os


Grupos de MADA e as Madas sejam autossuficientes, precisam assumir sua parte
nos serviços a serem prestados. Os grupos precisam estar com sua Junta de
Serviço completa, a fim de não sobrecarregar um só membro e não manter o
controle do grupo nas mãos de uma só pessoa.

Os Grupos devem mandar seus representantes para as reuniões do Intergrupo,


para ajudar nas tomadas de decisões e trazer as novidades de volta para os
Grupos. A Junta de Serviço do Intergrupo é formada por uma Coordenadora,
uma Secretária e duas Tesoureiras. Em última análise, os Grupos de MADA são
autossuficientes quando contribuem com a sua parte para o trabalho de
transmitir a mensagem de MADA na sua área.

As Madas são totalmente autossuficientes quando fazem o que podem, quando


podem, dando de graça o que receberam de graça ao chegarem em MADA.
Assim como deve haver um limite para a contribuição financeira, também deve
haver um limite saudável para a prestação de serviço. As Juntas de Serviço
devem ser trocadas periodicamente.

O princípio da autossuficiência completa é importantíssimo para os Grupos de


MADA e seus membros em recuperação. Nos Grupos de MADA aprendemos a
depender de Deus e não das pessoas para nos dar segurança. Sob a orientação
do nosso Poder Superior, aprendemos a fazer o que é necessário para que nós e
nossos Grupos estejamos bem material e emocionalmente.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 57


Passamos a olhar para o nosso Poder Superior e não para outras pessoas como
sendo a fonte de nossa felicidade e segurança. Paradoxalmente, ser
autossuficiente significa ser livre, mas sob a visão da Sétima Tradição podemos
começar a compartilhar nossa vulnerabilidade com outras Madas e ver
claramente quais são os nossos limites, não esperando que o outro assuma nossas
responsabilidades.

À medida que o nosso Poder Superior nos ajuda a sermos autossuficientes,


começamos a abrir mão de nossas dependências doentias e podemos
desenvolver relacionamentos saudáveis, com as pessoas com as quais
compartilhamos nossas vidas. Enquanto aceitarmos esta Tradição em toda a sua
extensão, mereceremos o respeito do público em geral e o nosso respeito próprio.

REFLEXÕES DA SÉTIMA TRADIÇÃO:

1. Contribuímos com tudo o que podemos para o sustento financeiro de


MADA, ou simplesmente continuamos colocando apenas uns “trocados”
na sacola?
2. Tentamos contribuir para a sacola do Grupo, mesmo quando tememos
insegurança financeira?
3. Nosso Grupo considera o trabalho da tesoureira importante e procura
assegurar-se de que ele esteja sendo feito de maneira responsável?
4. Nosso Grupo paga suas próprias despesas com o dinheiro da sacola?
5. Nós nos revezamos nos cargos regularmente ou mantemos as mesmas
pessoas fazendo os mesmos serviços?

PARA REFLETIR: “Tão importante quanto o dinheiro, é o tempo e a ajuda que


podemos dar para fazer do nosso Grupo o tipo de Grupo a que queremos
pertencer.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 58


OITAVA TRADIÇÃO
“MADA deverá manter-se sempre não profissional, embora nossos centros
de serviço possam contratar funcionários especializados.”

A base de MADA é a troca de experiência, força e esperança entre os membros,


sem limitações. Como Madas, podemos doar muitas horas de serviço para o
Grupo: amadrinhando, partilhando nas reuniões, fazendo o trabalho necessário
em comitês ou em outros tipos de serviço. Nenhuma de nós recebe pagamento
em dinheiro por este trabalho. Nossa recompensa é algo que o dinheiro não
pode comprar, que é a nossa recuperação pessoal. A Tradição do não
profissionalismo ajuda MADA a se manter afastada da motivação do lucro e a se
concentrar em oferecer a recuperação através dos Doze Passos a todas aquelas
que procuram.

As recém-chegadas ficam impressionadas com a honestidade que escutam a


profundidade da partilha e o espírito de compaixão que encontram nas reuniões.
Como não existem membros profissionais em MADA, todas nós temos a
oportunidade igual de compartilhar e prestar serviço. Não precisamos de nenhum
pré-requisito para isso. Tudo o que precisamos é de boa vontade e de um
compromisso com os Doze Passos e com as Doze Tradições de MADA.

A Oitava Tradição diz que “nossos centros de serviço podem contratar


funcionários especializados”. Quando, no Intergrupo ou no escritório de serviço
que trata dos negócios de MADA, existirem serviços que demandem habilidades
especiais, se faz cumprir esta Tradição. Estes funcionários especializados podem
ser membros ou não da Irmandade. Tais pessoas, entretanto, estão sendo pagas
por seus trabalhos como profissionais e não como Madas profissionais.

As reuniões de MADA são frequentemente muito terapêuticas, mas elas não são
a mesma coisa que grupos de terapia. Uma diferença significativa entre os
Grupos de MADA e os grupos de terapia pode ser vista na Oitava Tradição.
MADA não possui terapeutas profissionais com a responsabilidade de orientar
membros do Grupo e trabalhar com elas. Embora a maioria de nós se sinta livre
para partilhar problemas nas reuniões de MADA, fornecer psicoterapia não é o
objetivo de MADA. Durante o processo de recuperação, alguns membros podem
precisar da ajuda de um profissional nesta área, como complemento do Grupo.

O grande bem que MADA proporciona às Madas é feito não profissionalmente


pelas companheiras que dão de volta o que lhes foi dado tão generosamente.
Este espírito de doação e de partilha desinteressada é uma das grandes forças
que temos a oferecer como Irmandade, porque é acompanhado de um poder
de cura especial. Não esqueçamos que o programa de MADA é espiritual. Em
MADA aprendemos a dar às outras nosso carinhoso apoio, sem lhes dar conselhos
ou tentar modificá-las e não esperamos que trabalhem nossa recuperação por
nós. O serviço em MADA é a sua própria recompensa.

Ao acatarmos a Oitava Tradição, descobrimos um espírito de serviço carinhoso


que se torna um fator poderoso em nosso processo de cura. Somos todas não
profissionais ao nos apoiarmos mutuamente em nosso processo de recuperação.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 59


Vivendo de acordo com o espírito dessa Tradição, podemos olhar pra a nossa
companheira ao lado e dizer de coração: “Eu seguro a minha mão na sua e uno
o meu coração ao seu para que juntas possamos fazer tudo aquilo que eu não
posso e não consigo fazer sozinha”

REFLEXÕES DA OITAVA TRADIÇÃO:

1. Alguma vez tentamos “consertar” as companheiras nas reuniões de MADA,


dando a elas nossos conselhos ou nos contentamos em compartilhar nossa
experiência, fé e esperança?
2. Tentamos falar como especialistas sobre recuperação nas reuniões?
3. Quando estamos tendo dificuldade com o programa, tentamos esconder
isso daquelas que amadrinhamos ou dos nossos Grupos de MADA?
4. Colocamos outros membros de MADA na posição de gurus ou especialistas
por causa da sua experiência ou carisma pessoal?

PARA REFLETIR: “Nós nos reunimos como iguais e nos ajudamos mutuamente, não
porque algumas são especialistas e outras são aprendizes, mas porque todas nós
temos necessidades e forças.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 60


NONA TRADIÇÃO
“MADA jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém criar
comitês ou juntas de serviço, diretamente responsáveis perante aqueles a
quem prestam serviço.”

O que esta Tradição nos encoraja a fazer é permanecer o mais livre possível da
burocracia, que tende a se formar em torno das organizações, adquirindo vida
própria e obscurecendo o verdadeiro propósito do Grupo. Tudo o que fazemos
em MADA é voltado para o nosso propósito primordial de transmitir a mensagem
de recuperação, baseada em princípios espirituais.

Tomar conta dos serviços do Grupo é muito importante. Contudo, devemos usar o
menor tempo possível da reunião elegendo a junta de serviço, votando,
organizando eventos ou fazendo relatórios. Em vez disso, devemos nos concentrar
em compartilhar nossa fé, força, experiência e esperança umas com as outras e
em estudar os Passos e as Tradições.

Para cumprir esta Tradição, os Grupos criam corpos de serviço, como o


Intergrupo, encarregados de se reunirem e conduzirem os serviços, de
coordenarem atividades locais para informação pública, de publicarem boletins
e de planejarem eventos especiais. O Intergrupo tem servidoras eleitas e
estatutos. Os Grupos de MADA que se juntaram para formar o Intergrupo enviam
uma representante às reuniões do mesmo, para ajudar no serviço, trocar
informações sobre os problemas do seu Grupo e relatar ao seu Grupo o que o
Intergrupo está fazendo.

Embora nossos órgãos de serviço precisem ser organizados, MADA é encorajado


pela Nona Tradição a manter a ênfase na Irmandade e não na organização.
MADA tem que funcionar, mas deve ao mesmo tempo evitar os perigos que
obrigatoriamente rondam as demais sociedades: grande riqueza, prestígio e
poder.

A Nona Tradição a princípio pode parecer ligar-se apenas a coisas práticas, em


seu funcionamento efetivo ela revela uma sociedade sem organização, animada
apenas pelo espírito de servir – uma verdadeira Irmandade. Esta Tradição nos
ajuda a garantir que Deus, na forma em que cada uma O conceba, será sempre
nossa última autoridade em MADA.

Sem uma estrutura organizada de poder na qual operar, nenhuma pessoa


individualmente, ou Grupo de pessoas pode governar outras. Não se pode
estabelecer regras, punições ou emitir ordens. Os membros de MADA vêm e vão,
à vontade, contribuindo muito ou pouco, conforme achem adequado. Não
existe nenhuma estrutura de poder para exigir que seja de outra forma. Nossa
experiência tem demonstrado que nenhuma estrutura de poder pode evitar o
caos em MADA, a não ser que vivamos pelos princípios espirituais incorporados
aos Passos e às Tradições. Nossa sobrevivência e do Grupo dependem da
adesão a esses princípios e não da obediência a qualquer estrutura de poder.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 61


Esta Tradição de não organização pode ser muito curiosa para aquelas que
anseiam por reuniões “perfeitas”. Algumas de nós sentem-se inseguras quando
descobrem que não existem regras, somente sugestões e tradições, e que não há
líder para impor as mesmas. Reuniões que estão longe de serem perfeitas aos
nossos olhos oferecem-nos o milagre da recuperação. Nossos Grupos podem
cometer erros, mas sobrevivem descobrindo que podem aprender a partir desses
erros e se tornar mais fortes.

Depois de um tempo na Irmandade observando esta Tradição, começamos a


confiar que existe um Poder Superior guiando a Irmandade de MADA por
intermédio de nossa consciência coletiva. Quando as Tradições são quebradas os
indivíduos têm a responsabilidade de se pronunciar de maneira amorosa e clara.
Isto ajuda outros membros de MADA a aprender sobre esses princípios espirituais.
Ao falarmos claramente a favor das Tradições, da melhor maneira possível,
deixamos os resultados para o nosso Poder Superior.

Se o foco das reuniões não fosse dirigido para os princípios do programa de Doze
Passos, o grande poder de recuperação que encontramos nos Grupos não
existiria. Viver pela Nona Tradição de MADA significa que não dependemos de
nenhuma autoridade ou estrutura de poder para impor as Tradições. Todas nos
responsabilizamos por falar quando elas estão sendo ignoradas. Entretanto, os
Grupos de MADA devem estabelecer normas de conduta em suas reuniões, tais
como: roteiro de reunião, fumar ou não em sala, conversas paralelas, presença
de crianças, etc. Os Grupos fazem reuniões de consciência coletiva para
estabelecer estas normas de conduta. Assim como em relação às Tradições,
quando os indivíduos ignorarem a consciência coletiva, cada membro tem o
direito e a responsabilidade de falar. Uma vez que tenhamos nos expressado, a
Nona Tradição nos diz para relaxar e deixar que nosso Poder Superior se
encarregue da reunião.

REFLEXÕES DA NONA TRADIÇÃO:

1. Nosso Grupo apoia nossas líderes e comitês de serviço?


2. Somos críticas em relação àquelas que estão prestando serviço ou
suspeitamos de suas motivações?
3. Somos suficientemente maduras para assumir responsabilidade pessoal
pelo bem estar de MADA e pela nossa própria recuperação?
4. Tentamos compreender e apoiar a estrutura de serviço de MADA?
5. Fazemos nossa parte para ajudar os comitês de serviço de MADA a
transmitir a mensagem?
6. Usamos de paciência e de humildade ao desempenharmos nosso serviço
em MADA?
7. Estamos conscientes de todas as responsabilidades de cada posição de
serviço perante nossas companheiras em MADA?
8. Nosso Grupo prioriza o estudo das Tradições e de como elas se aplicam a
nós?
9. Podemos prestar serviço em MADA e confiar os resultados ao nosso Poder
Superior, mesmo quando as coisas não correm do jeito que pensamos que
elas deveriam correr?

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 62


10. Praticamos o rodízio de líderes em nosso Grupo?

PARA REFLETIR: “Se eu assumir a responsabilidade de serviço em meu Grupo, isto


não significa que agora eu dirijo o “espetáculo”. Hoje lembrarei que a autoridade
final em nosso Grupo é um Poder Superior, que trabalha através de todas nós.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 63


DÉCIMA TRADIÇÃO
“MADA não opina sobre questões alheias à Irmandade, portanto o nome
de MADA jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.”

Nossos membros são provenientes de várias regiões e temos as mais diversas


opiniões sobre cada assunto. Se MADA tivesse que tomar partido, afastaríamos
alguns dos nossos membros, assim como muitas das nossas companheiras
necessitadas não chegariam à Irmandade. Não podemos permitir que a
controvérsia sobre assuntos de fora afaste as pessoas que precisam da
recuperação que MADA tem a oferecer. Se ocorrer a quebra desta Tradição,
estaremos dando um passo atrás em relação ao nosso propósito primordial que é
transmitir a mensagem de MADA à mulher que ainda sofre.

Como indivíduos, somos livres para acreditar em qualquer causa que escolhamos
e trabalhar em prol dela. A Décima Tradição apenas nos pede que deixemos
esses assuntos de fora quando atravessarmos a porta de uma sala de MADA. O
programa de MADA é essencial para cada uma de nós. Nossa sobrevivência
depende dele, portanto devemos ser cautelosas e resguardar nossa Irmandade
de qualquer conexão com assuntos de fora. Quebras da Décima Tradição, a
princípio, podem parecer inocentes, mas podem ter consequências de longo
alcance.

Não ter opinião sobre assuntos de fora também significa que não nos opomos de
forma alguma a tais causas. Não precisamos diminuir ou ridicularizar os outros
para levar a mensagem de recuperação que MADA tem a oferecer. Isto
interferiria na atmosfera positiva das reuniões de MADA. Portanto, percebemos a
sabedoria de nos mantermos em silêncio sobre assuntos externos em reuniões de
MADA.

O que são assuntos externos? Muitas Madas são também membros de outras
Irmandades. MADA, como um todo, não tem opinião sobre qualquer Grupo ou
tratamento para qualquer desordem compulsiva. Achamos melhor não ter nossa
atenção desviada para isso durante as nossas reuniões. Mantemos o foco de
nossas discussões na recuperação em relação à dependência de
relacionamentos.

Para manter a Décima Tradição, a maioria dos Grupos vende em suas reuniões
apenas literatura aprovada por MADA. A experiência de MADA pode ser
encontrada em nossa própria literatura. Nós, Madas, podemos aprender muito
com a Décima Tradição se nos concentrarmos em nossa mensagem e evitarmos
controvérsias. Ela está resumida no Lema “Viver e deixar viver!”.

A Décima Tradição nos liberta para nos concentrarmos na recuperação em


relação à forma de nos relacionarmos, sem os conflitos que existem ao nosso
redor. Nenhum Grupo ou pessoa pode viver completamente livre do conflito, mas
em MADA, podemos viver e prosperar com um mínimo de conflito.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 64


REFLEXÕES DA DÉCIMA TRADIÇÃO:

1. Em algum momento, damos a impressão de que há uma opinião de MADA


sobre outros Grupos de Doze Passos?
2. Compartilhamos nossa própria experiência em relação a outras coisas, sem
mencionarmos nomes ou darmos a impressão de que estamos expressando
a opinião de MADA?
3. No roteiro da reunião e nas práticas do Grupo, cuidamos para não parecer
que MADA tem alguma opinião sobre qualquer desses assuntos?
4. Ao compartilharmos em nossas reuniões, tentamos ajudar as recém-
chegadas a entenderem melhor o programa de Doze Passos de MADA?
5. Achamos MADA mais interessante quando há uma centelha de
controvérsia no Grupo?
6. Temos medo de nos pronunciarmos em voz alta em defesa da Décima
Tradição quando vemos outras companheiras ligando MADA a assuntos
externos?
7. Nos concentramos em nossos laços comuns e não nas nossas diferenças?

PARA REFLETIR: “Como grupo, temos um só propósito – nos apoiar umas nas
outras, enquanto nos recuperamos. Mas em nível pessoal, esta Tradição nos
permite estabelecer um relacionamento valioso com pessoas que, sob condições
menos favoráveis, poderíamos ter dificuldades em tratar com cortesia.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 65


DÉCIMA PRIMEIRA TRADIÇÃO
“Nossa política de relações públicas baseia-se na atração, não na
promoção. Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa,
rádio, cinema, televisão ou em outros meios públicos de comunicação”.

A Décima Primeira Tradição nos dá algumas orientações para transmitirmos a


mensagem de MADA; orientações a respeito das quais todos os membros
necessitam estar conscientes, à medida que começam a partilhar nosso
programa com aqueles que estão fora da Irmandade de MADA. A primeira
sugestão é que divulguemos MADA ao público em geral, sem promovê-lo. Assim,
usamos os meios públicos de comunicação – rádio, televisão, jornais, sites na
internet, painéis informativos, anúncios nas listas telefônicas, folhetos em quadros
de avisos, etc. – a fim de fornecermos informações sobre nosso programa.

Queremos que as pessoas saibam o que é MADA e como nos encontrar.


Contudo, essa divulgação não deve ser promovida com apelos pessoais, endosso
de pessoas famosas ou outros meios de persuasão. O uso dos meios de
comunicação, de maneira não profissional, permite que MADA atraia para si
aquelas que estão prontas para se beneficiarem do que temos a oferecer.
Transmitimos melhor a mensagem quando compartilhamos francamente sobre o
que é MADA e o que tem sido nossa própria experiência, sem tentar dizer às
outras que elas necessitam do nosso tipo de recuperação. Respeitando a Décima
Primeira Tradição, respeitamos o direito de outras mulheres de escolher MADA
para si mesmas.

Esta é a política de relações públicas da Irmandade. Fazemos tudo pra dizer às


pessoas o que é MADA, como funciona e onde nos reunimos. A Décima Primeira
Tradição afirma que todos os membros devem manter seu anonimato pessoal,
quando falam de sua participação em MADA, em qualquer meio público de
comunicação. Para respeitar esta Tradição, aquelas de nós que escrevemos livros
ou que somos entrevistadas para uma reportagem, temos duas opções:
- Podemos evitar sermos chamadas de membros de MADA (mesmo que digamos
que somos Mulheres que Amamos Demais). Assim ficamos livres para usar nossos
nomes completos ou mostrar nossos rostos. Então a ênfase é na mulher como
indivíduo, não estando ligada publicamente ao programa de MADA.
- Podemos ir em frente e nos identificarmos como membros de MADA. Quando
fazemos isso, devemos nos assegurar que nossos rostos não sejam mostrados e de
que nossos sobrenomes não sejam usados.

Quando temos o cuidado de respeitar a Décima Primeira Tradição dessa


maneira, a ênfase permanece em MADA e não em nós mesmas. Cabe a nós
esclarecermos aos entrevistadores e fotógrafos a Décima Primeira Tradição e
pedir a eles que nos ajudem a proteger nosso anonimato. Não é por acaso que a
palavra Anônima é parte do nosso nome. O anonimato pessoal em nível público
mostra ao público que levamos nossas Tradições a sério e que outras mulheres
podem se juntar a nós e ficarem seguras de que sua filiação será mantida em
sigilo.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 66


A humildade é uma das qualidades que precisamos desenvolver para nos
recuperarmos dessa doença. Manter nosso anonimato nos meios públicos de
comunicação é uma maneira de pôr em prática a humildade. É uma maneira de
abandonarmos nossa ambição pessoal e vaidade para nos mantermos saudáveis
espiritualmente. Aquelas que ignoram nossa Décima Primeira Tradição causam
prejuízo ao espírito da Irmandade de MADA.

Ao mesmo tempo, quebras de anonimato representam erroneamente a


Irmandade de MADA perante o público, ao colocar as personalidades acima dos
princípios. “Atração, ao invés de Promoção” é bom para nós e essencial para a
Irmandade. Nossa recuperação individual é a unidade do Grupo e sua eficácia
depende desse tipo pouco comum de relações públicas.

A Décima Primeira Tradição se baseia na fé em nosso programa e neste poder


maior do que nós, que guia Madas às nossas portas. Tudo o que precisamos fazer
é deixar que os fatos sobre MADA e seus princípios sejam conhecidos. Quando
mantemos nossa Tradição de anonimato, garantimos que MADA permanecerá
uma Irmandade espiritual, apoiando a todas nós em nossa recuperação.

REFLEXÕES DA DÉCIMA PRIMEIRA TRADIÇÃO:

1. De que maneira nosso Grupo divulga o local e o horário de sua reunião


para as mulheres que queiram frequentá-lo?
2. De que maneira nosso Grupo informa ao público, ou apoia nosso
Intergrupo, em seus esforços de informação pública, sobre o programa de
MADA?
3. Nossa recuperação em MADA é suficiente para atrair outras companheiras
para MADA?
4. Estamos dispostas a falar a favor da Décima Primeira Tradição sempre que
a vemos sendo ignorada?

PARA REFLETIR: “Apenas a informação, não importa sua gravidade, não é o


suficiente para acabar com nenhum tipo de dependência.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 67


DÉCIMA SEGUNDA TRADIÇÃO
“O anonimato é o alicerce espiritual de nossas Tradições, lembrando-nos
sempre da necessidade de colocar os princípios acima das
personalidades.”

Viver segundo os princípios de MADA requer que mudemos de atitudes


colocando o bem-estar do Grupo de MADA acima de nossos próprios desejos,
desistindo de nossa intenção de controlar companheiras. Todas as mulheres que
desejem deixar de ter relacionamentos destrutivos são acolhidas em nossas
reuniões. Não importa o que pensemos ou sintamos a respeito delas.
Abandonamos nossa dependência de pessoas, cessamos nossas atitudes de
controle e manipulação. Pegamos nosso próprio caminho e deixamos de esperar
que outros mantenham MADA em andamento sem nossa ajuda. Atrás de todas
essas atitudes de autossacrifício está um único alicerce espiritual, tão importante
para nossa Irmandade, que faz parte do nosso nome: anonimato.

Sem um alicerce nenhuma casa pode permanecer de pé. É essencial que todas
nós compreendamos e respeitemos o anonimato para que MADA sobreviva e
que nós encontremos recuperação aqui. Nossa experiência com o anonimato
começa quando entramos porta adentro de um Grupo como recém-chegadas.
Muitas de nós não querem que ninguém saiba que estamos nos juntando a
MADA ou como realmente nos sentimos em relação a nós mesmas.

Em MADA encontramos um porto seguro, um lugar onde podemos compartilhar


nossos sentimentos e experiências com outras mulheres que também sofrem da
doença de amar demais. Quando respeitamos o anonimato das outras, podemos
confiar que ninguém de fora destes Grupos saberá que estamos frequentando
MADA, a não ser que nós mesmas digamos. Porque este é um programa de
princípios e não de personalidades, esperamos que o que compartilhamos aqui
não seja passado adiante ou julgado, dentro ou fora da Irmandade de MADA. A
qualidade da nossa recuperação, em última análise, depende da nossa
compreensão do anonimato como um princípio espiritual e de como ele nos
permite mudar.

Muitas de nós chegam em MADA carregando uma bagagem excessiva de


vergonha e orgulho. Estamos envergonhadas porque não fomos capazes de
controlar nossos relacionamentos e ainda somos muito orgulhosas para admitir
que precisamos de ajuda. A fim de nos recuperarmos teremos que abandonar
nossa vergonha e nosso orgulho, para que possamos procurar ajuda ativamente
junto a outras pessoas. À medida que praticamos o anonimato, começamos este
processo de entrega.

Ser anônima significa ser uma no meio de muitas e aceitarmo-nos como nem
melhores nem piores do que nossas companheiras. Esta aceitação coloca-nos em
estado de humildade. Ela nos torna abertas para aprender. Passamos a ouvir
atentamente pessoas cujos sobrenomes desconhecemos. Elas podem ter origens
completamente diferentes das nossas. Escutamos porque nos identificamos com
elas. Aprendemos, simplesmente, que elas podem dizer alguma coisa que seja a
chave para a nossa recuperação. O anonimato não é a mesma coisa que sigilo.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 68


Ao mesmo tempo em que evitamos ao máximo a maledicência, precisamos nos
lembrar de que: “Não é quebra do anonimato recrutar ajuda de Décimo
Segundo Passo para membros em dificuldades, desde que nos abstenhamos de
discutir qualquer informação pessoal específica”. Por exemplo: “Você tem falado
com a Maria recentemente? Seria bom telefonar para ela”. Precisamos nos
lembrar também de que nem todos os membros abandonam imediatamente a
fofoca quando entram em MADA e poderá haver recém-chegadas não
familiarizadas com as nossas Tradições.

Muitas de nós acham que a aceitação incondicional e a confiança que surge da


prática do anonimato nos abrem uma porta para outras formas de recuperação,
que nunca havíamos experimentado antes. Nunca sabemos quem nosso Poder
Superior poderia escolher para nos dizer algo, portanto ouvimos todas as
companheiras da mesma forma. Em MADA aprendemos que nossa recuperação
nos chega por meio de princípios do programa e não por intermédio das
personalidades. Um lema muito importante é “ouvir a mensagem e não o
mensageiro”.

Descobrimos, através da experiência, que os princípios de MADA são à prova de


falhas. Eles são a rocha sólida sobre a qual podemos construir vidas significativas.
É mais fácil para cada uma de nós ser simplesmente uma parte do Grupo, e isso é
essencial para a recuperação da doença do isolamento. Significa apoiar e ser
apoiada por nossas companheiras de MADA, partilhando abertamente as
alegrias e os desafios de nossas vidas. Assim, é para promover nossa própria
recuperação que cultivamos a atitude de humildade, implícita na Décima
Segunda Tradição.

Constitui satisfação suficiente em recuperação sermos plenamente atuantes,


contribuindo como seres humanos. Mas sabemos que não podemos nos dar todo
o crédito, nem mesmo por isso. Dividimos o crédito com nosso Poder Superior e
com nossas companheiras de MADA que nos apoiaram e nos ensinaram tanto.
Nós também aceitamos a responsabilidade por nossas ações, olhando para
nossas próprias falhas e não fazendo o inventário de ninguém, apenas o nosso.

O anonimato é um dos nossos bens mais preciosos. É o fundamento espiritual das


nossas vidas transformadas, assim como das Tradições de MADA. Sabemos que o
apoio para a nossa recuperação estará sempre aqui, para nós, desde que nos
lembremos de colocar os princípios antes das personalidades, respeitando estas
Doze Tradições vitais, que nos unem uns aos outros, na Irmandade de MADA.

REFLEXÕES DA DÉCIMA SEGUNDA TRADIÇÃO:

1. Nosso Grupo sempre informa à recém-chegada sobre o significado e a


importância do anonimato em MADA?
2. Tomamos cuidado para não mencionarmos os nomes de membros de
MADA mesmo dentro da Irmandade?
3. Alguma vez confundimos os princípios de MADA com nossas opiniões
pessoais?

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 69


PARA REFLETIR: “Quem você viu aqui, o que você ouviu aqui, ao sair daqui, deixe
que fique aqui.”

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 70


ORAÇÃO DO GRUPO

Deus,
Nos fortaleça hoje
Para que o amor em nós
Seja de crescimento e saúde.
Êxito!

ORAÇÃO DA UNIDADE

Eu seguro a minha mão na sua


E uno o meu coração ao seu
Para que juntas possamos fazer
Tudo aquilo que eu não posso
E não consigo fazer sozinha

ORAÇÃO DA SERENIDADE

Concedei-nos, Senhor,
A Serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
e Sabedoria para distinguir uma das outras.

Só por Hoje!

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 71


LEMAS

1. SÓ POR HOJE!

Este Lema sugere que, ao invés de tomarmos decisões para a vida toda,
limitemo-nos a fazer propósitos por um dia apenas, justamente o dia que estamos
sempre vivendo: o dia de hoje! O de ontem já vivemos quando ele era hoje e o
de manhã, quando chegar, será hoje novamente. Se aplicarmos o que é
sugerido, estaremos, por assim dizer, cortando a vida em “pedacinhos
mastigáveis”, o que irá tornar bem mais fácil nossa caminhada através do
processo de recuperação.

2. VIVER E DEIXAR VIVER!

Preocupados em dirigir ou modificar a vida das pessoas com as quais convivemos


e nos relacionamos, podemos esquecer do mais importante: cuidar de nossa
própria vida e de nossa recuperação. Por isso, este Lema sugere que procuremos
viver a nossa própria vida e que deixemos aos outros a tarefa de viver a deles
como acharem de fazê-lo.

3. PRIMEIRO AS PRIMEIRAS COISAS

Este Lema nos sugere a adoção de um método muito simples, porém eficaz, de
ordenarmos nossas atividades ou a solução de nossos problemas, de forma a
agirmos com equilíbrio e sensatez. Se procurarmos ter calma e examinarmos
cuidadosamente, veremos que, de acordo com as circunstâncias, haverá sempre
uma coisa que deverá ser feita em primeiro lugar e as demais deverão aguardar
a sua vez, segundo a ordem de importância ou de urgência em que devam ser
realizadas.

4. VIVER NA GRAÇA DE DEUS

A sugestão desse Lema é praticamente idêntica à do Terceiro Passo. Afastadas


da Graça de Deus tornamo-nos presas fáceis do descontrole emocional. Com
sua aplicação em nossa vida diária, podemos avançar cada vez mais no
processo de recuperação. Não mais experimentamos a sensação de estar sós e
desamparadas quando nos entregamos de verdade aos cuidados do Poder
Superior a nós - ou Deus como cada uma O conceba.

5. ESQUECER OS PREJUÍZOS

Este lema sugere que deixemos de ficar rememorando os prejuízos que possamos
ter tido. Trazer de volta à memória os prejuízos é o mesmo que sofrê-los
novamente. Nada mais acertado, portanto, do que procurarmos esquecer nossos
prejuízos e dedicarmo-nos de corpo e alma ao Programa que nos oferece a
libertação.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 72


6. RECOMENDAR-SE A DEUS INCONDICIONALMENTE

Este Lema sugere que invoquemos o socorro e o amparo de Deus, sem


pretendermos estabelecer quaisquer condições. Significa, na verdade,
entregarmos nossa vida e nossa vontade aos Seus cuidados, para sermos por Ele
fortalecidas e guiadas segundo Sua vontade e sabedoria.

7. DEVAGAR SE VAI AO LONGE!

Este Lema sugere que tenhamos calma e perseverança para podermos chegar
bem longe no processo de recuperação. Precisamos tomar cuidado com a
tendência a exigirmos resultados imediatos em tudo que fazemos. Possibilitando-
nos solucionar gradativamente nossos problemas e ter, também, o equilíbrio
necessário para aceitar os que não possam ser solucionados.

8. QUE COMECE POR MIM

Este Lema nos diz que nossa liberdade e independência dependem de nossas
próprias atitudes e sentimentos, pois só mudando a nós mesmas
verdadeiramente, poderemos mudar o que está a nossa volta.

9. ESCUTE E APRENDA

Este Lema sugere que prestemos mais atenção às mensagens que nos são
passadas a partir do nosso próprio corpo, da nossa alma e do nosso Poder
Superior. Exercitando-nos para estarmos mais conscientes do que esta voz interior
está tentando nos dizer, podemos: Escutar e Aprender.

10. MANTENHA O SIMPLES

Este Lema sugere que, em vez de tentarmos fazer uma tarefa como um todo,
possamos simplificá-la, dando apenas um passo por vez. Ao nos concentrarmos
em uma coisa de cada vez, o impossível pode se tornar provável se nós
mantivermos o simples.

11. MANTENHA A MENTE ABERTA

Este lema sugere que nos desliguemos das ideias antigas, quando elas não nos
servirem mais, não nos apegando muito a qualquer maneira de abordar a vida, a
fim de que possamos nos ajustar às mudanças com menos tensão e esforço.

12. ATÉ QUE PONTO ISTO É IMPORTANTE?

Este Lema nos sugere que nos façamos esta pergunta, antes de reagirmos a uma
situação perturbadora. Usando esse simples Lema, podemos descobrir que muitos
dias, que antes teríamos considerado como trágicos, são agora preenchidos com
serenidade e confiança.

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 73


BIBLIOGRAFIA

 DOZE PASSOS E DOZE TRADIÇÕES DE AA


 CORAGEM PARA MUDAR
 LIVRO AZUL DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
 LIVRO AZUL DE NARCÓTICOS ANÔNIMOS
 MEDITAÇÕES DIÁRIAS PARA MULHERES QUE AMAM DEMAIS
 MULHERES QUE AMAM DEMAIS
 PARA HOJE

Apostila de Passos, Tradições e Lemas 74