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IED

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO

Profa Carmem Pick


2015
IED

A disciplina de IED propicia uma visão ampla


dos conhecimentos gerais e comuns a
qualquer área do direito, para compreender o
universo jurídico é necessário conhecer as
suas ramificações e saber contextualizá-las.
A autonomia da IED

A disciplina de IED possui autonomia pois


desempenha função exclusiva, qual seja,
sistematizar a ciência do Direito, fornecendo as
informações necessárias para o
aprofundamento, não tendo em nenhuma outra
disciplina essa característica.
CONCEITO DE DIREITO

O termo "direito" possui diversos sentidos, como se pode constatar nos


dicionários da Língua Portuguesa. Pode significar:

a) o contrário de esquerdo;
b) qualidade de quem é correto (o fulano é homem de bem, muito direito...);
c) da forma correta (faça isso direito...);
d) poder de exigir alguma coisa (eu tenho o direito a férias após um ano de
trabalho na mesma empresa – direito subjetivo);
e) sinônimo de lei (quando se diz que no Brasil existe o direito à
privacidade, é o mesmo que dizer que existe uma lei que garanta a
privacidade – direito positivo ou dogmática jurídica);
f) como justo (não é direito humilhar as pessoas – axiologia jurídica ou
direito como valor);
g) enquanto ciência (é o Direito ensinado nas faculdades – epistemologia
jurídica);
h) setor da realidade social (como os fatos econômicos, artísticos, cultuais,
etc, aqui vemos o direito como fenômeno da vida coletiva – fenômeno
social –, como produto da vida em sociedade), dentre outros.
A palavra portuguesa direito provém do adjetivo
latino directus (directus, directa, directum), que,
por sua vez, deriva do particípio passado do
verbo latino dirigere (dirigo, dirigis, direxi,
DIRECTUM, dirigire).

Este verbo significa: endireitar, tornar reto, alinhar,


traçar, marcar uma divisa, dirigir, dispor, ordenar,
conformar, lançar em linha reta, ir em linha reta.
O adjetivo qualificativo directus:
- A qualidade de ser conforme a linha reta;
- de se achar disposto de maneira a constituir
linha mais curta entre dois pontos;
- alinhado em linha reta.
Neste sentido é que se diz: “Oleo directo
ordine”, “Oliveiras plantadas em linha reta”, e
“Directum iter ad laudem”, “Caminho direito
(ou direto) para a glória”.
Por que motivo damos o nome de DIREITO à
norma jurídica?

Porque todo ser normal deseja que a norma


jurídica seja direta, seja moral.

**A questão da normalidade – existência de


normas iníquas.

“Que cada um tenha o que é seu ...Que o justo


seja dado a cada um...Que a lei seja
condição de justiça...” Goffredo TellesJr
A característica mais marcante do Direito é a
imposição de pena pelo Estado.

O ideal de justiça é causa principal do direito e,


para atingi-lo as normas devem existir pautadas
na segurança jurídica que disciplina o respeito as
relações jurídicas entre os indivíduos e dos
indivíduos perante o Estado.
Ciência do Dto:
É o ramo que estuda e organiza os conceitos e
institutos jurídicos;

É a especificação de um determinado sistema


jurídico, dentro do grande conjunto que forma o
Direito.
Ex. Matheus é estudante de Direito.
Pode-se conceituar o Direito como conjunto de
regras sociais, que buscam, através dos ideais de
Justiça, trazer harmonia aos indivíduos, que
obedecem por temerem a imposição de
penalidades por parte do Estado.

Dessa forma, "Direito" será, então, um conjunto de


regras sociais, que tem em sua base as idéias da
moral, religião e regras de trato social.
Aspectos estruturais da Ciência do Direito, que
são:

1. Epistemologia Jurídica (se ocupa do direito


enquanto ciência estuda seus métodos, princípios,
objeto, etc.);

2. Axiologia Jurídica (delineará o direito com base


no problema dos valores, tais como o bem, o belo,
o justo, o verdadeiro, etc., focalizando a justiça);

3. Dogmática Jurídica (se ocupa do estudo das


normas que compõe o ordenamento jurídico, sua
aplicação, sua vigência, seu alcance e sua
interpretação
Kant, Del Vecchio, Savigny:
“Direito é o princípio de adequação do homem à
vida social”.
“ubi societas, ibi ius” – onde há sociedade, há direito.

Caio Mário da Silva Pereira


“Está na lei, como exteriorização do comando do
Estado; integra-se na consciência do indivíduo
que pauta sua conduta pelo espiritualismo do seu
elevado grau de moralidade; está no anseio de
justiça, como ideal eterno do homem; está
imanente na necessidade de contenção para a
coexistência.”
Direito positivo = é o conjunto de princípios
que pautam a vida social de determinado povo
em determinada época. Ex. Dto Brasileiro; Dto
Inglês, Dto Alemão, etc

Capitant = é o que está em vigor num povo


determinado, e compreende toda a disciplina
da conduta, abrangendo as leis votadas pelo
poder competente, os regulamentos, as
disposições normativas de qualquer espécie.
Daí deduzir que o direito positivo é contingente
e variável.
Direito Natural:

É um conjunto de princípios basilares, que não são


fruto da criação da sociedade, nem do Estado,
sendo, pois, um Direito que surge por exigências da
natureza.
Advém da própria natureza e suas regras serão
sempre imutáveis e universais, norteam a criação
das leis.
Ex. direito à vida e liberdade.
Hugo Grócio, XVI, criou a Escola de Direito
Natural, que se alastrou pela Europa, para a
qual o direito natural é o paradigma da lei
mutável e humana, de forma que as leis não
tem base na vontade do legislador, que é
apenas o intérprete ou o veículo da lei natural.
Idéia de direito universal e eterno.

Escola histórica, se opôs a Escola


Jusnaturalista, segundo o entendimento o
fenômeno jurídico como produto do meio social
não tem origem sobrenatural nem emerge da
razão humana.
Escola Positivista, expandiu no séc. XIX; só
enxerga a realidade concreta do direito
positivo, entendendo que o direito não é mais
do que o legislado, ou complexo de normas
elaborado pelo Estado, sem qualquer sujeição
a uma ordem superior ou imanente, e sem
cogitar de sua justiça, pois quem o fundamento
do direito é a força, e seu objeto a realização
do anseio de segurança.
Conclusão: Caio Mário – o direito positivo não
pode se libertar-se das inspirações mais
abstratas e mais elevadas. Não é possível
situar o fenômeno ius no campo da pura
elaboração legislativa, sendo forçoso
reconhecer a existência de uma ordem
superior e dominante, de uma justiça absoluta
e ideal, que o direito positivo realiza dentro do
contingente da norma legislada, e sem o qual
esta dificilmente se distinguiria do capricho
estatal.
MORAL E DIREITO

As regras definidas pela moral regulam o modo de


agir das pessoas, sendo uma palavra relacionada
com a moralidade e com os bons costumes. Está
associada aos valores e convenções
estabelecidos coletivamente por cada cultura ou
por cada sociedade a partir da consciência
individual, que distingue o bem do mal, ou a
violência dos atos de paz e harmonia.

Moral – atua no foro íntimo. Atua unilateralmente.

Direito – atua no foro exterior. Atua bilateralmente.


Direito Objetivo: pode ser entendido como a
norma propriamente dita.
Ex. Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e
deveres na ordem civil.

Direito Subjetivo: é a possibilidade que a norma dá


ao indivíduo para exercer determinada conduta
descrita na lei Ex: Art. 253. Se uma das duas
prestações não puder ser objeto de obrigação ou
se tornada inexeqüível, subsistirá o débito quanto à
outra.
Ordem Jurídica

É a sistemática jurídica que cria um todo


harmônico, com subdivisões que se dão pela
natureza das normas, que, quando semelhantes,
são agrupadas.
É importante dizer que quando uma determinada
norma atua em um situação, essa norma não
poderá ser analisada de forma isolada, pois ela
pertence e um todo, unitário, que é Ordem
Jurídica.
RELAÇÃO JURÍDICA

Georgio Del Vecchio “a relação jurídica consiste num


vínculo entre pessoas, em razão do qual uma pode
pretender um bem a que outra é obrigada.”
Faz nascer:
- a relação entre sujeitos jurídicos;

- o poder do sujeito ativo passa a incidir sobre um


objeto imediato e sobre um objeto mediato;

- fato propulsor – oriundo da vontade humana ou da


natureza.
FONTES DO DTO
❖ A importância do estudo das fontes.

❖ Fontes históricas - estudo dos fatores históricos


que poderão influir no processo de formação do
Direito, que se dá pela verificação de documentos e
textos antigos;
❖ Fontes materiais - diz respeito ao conteúdo,
existindo um estudo apurado sobre os diversos
fatos sociais que influenciam na formação do
Direito;

❖ Fontes formais - estudo das principais formas de


exteriorização das normas de Direito como a lei.
1) LEI
A lei, que advém de atos do Poder Legislativo, visa
disciplinar condutas objetivando o melhor
interesse da coletividade, de forma a proporcionar
uma coexistência pacífica entre os membros da
sociedade.

Classificações importantes, que se diferenciam as


leis em:

- Lei em sentido amplo: sentido abrangente,


referindo-se a todo e qualquer ato que descrever e
regular uma determinada conduta, mesmo que
esse ato não seja originário do Poder Legislativo.
Ex. Medidas provisórias
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente
da República:
XXVI - editar medidas provisórias com força de
lei, nos termos do art. 62;

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o


Presidente da República poderá adotar
medidas provisórias, com força de lei,
devendo submetê-las de imediato ao
Congresso Nacional.
Lei em sentido estrito: a expressão lei
somente poderia ser assim considerada
quando fosse fruto de elaboração do Poder
Legislativo e contasse com todos os
requisitos necessários:

Requisitos formais = os primeiros se


relacionam com o processo de elaboração
dentro do Poder Legislativo;
Requisitos materiais = dizem respeito ao
conteúdo, por ser uma descrição de uma
conduta abstrata, genérica, imperativa e
coerciva.
Lei em sentido formal: representa todo o ato
normativo emanado de um órgão com
competência legislativa, quer contenha ou não
uma verdadeira regra jurídica, exigindo-se que
se revista das formalidades relativas a essa
competência.
Lei em sentido material: corresponde a todo o
ato normativo, emanado por um órgão do
Estado, mesmo que não incumbido da função
legislativa, desde que contenha uma verdadeira
regra jurídica, exigindo-se que se revista das
formalidades relativas a essa competência.
Lei substantiva: são aquelas que regulam os direitos e
obrigações dos indivíduos, nas relações entre estes e o
Estado, e entre os próprios indivíduos. Normalmente são do
conhecimento de todos.
Ex.Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela
estabelece a sua residência com ânimo definitivo.

Lei adjetiva: aquelas que estabelecem regras relativas aos


procedimentos, e devem ser de conhecimento mais
específico dos advogados e juízes por se referirem aos
processos.
Ex.Art. 284 - Verificando o juiz que a petição inicial não
preenche os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que
apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o
julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou
a complete, no prazo de 10 (dez) dias.
Parágrafo único - Se o autor não cumprir a diligência, o juiz
indeferirá a petição inicial.
Lei de ordem pública: regulam os principais interesses da
sociedade; são suas normas fundamentais e que
preservam o interesse e bem comum de toda a
coletividade.
Art. 1.521. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o
parentesco natural ou civil;
DISTINÇÃO ENTRE NORMA E LEI

Norma é uma regra de conduta, podendo ser jurídica,


moral, técnica, etc. Norma jurídica é uma regra de
conduta imposta, admitida ou reconhecida pelo
ordenamento jurídico.
Lei: a lei seria o ato que atesta a existência da norma que o
direito vem reconhecer como de fato existente, ou das
formas da norma.

Norma e lei são usadas comumente como expressões


equivalentes, mas norma abrange na verdade também o
costume e os princípios gerais do direito.
PROC DE ELABORAÇÃO DAS LEIS
Arts.59/69 CF
a) INICIATIVA
Art. 61.CF. A iniciativa das leis complementares e
ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão
da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou
do Congresso Nacional, ao Presidente da
República, ao Supremo Tribunal Federal, aos
Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da
República e aos cidadãos, na forma e nos casos
previstos nesta Constituição.
B) DISCUSSÃO E VOTAÇÃO

As duas casas do Congresso Nacional se


revezam, pois, se um projeto for avaliado pelo
Senado Federal, a Câmara dos Deputados
revisará o projeto, e, sendo avaliado pela
Câmara dos Deputados, seguirá para o Senado
Federal exercer o papel de revisor do projeto.
C) SANÇÃO E VETO
O projeto aprovado por uma casa e revisto pela outra,
será enviado para ser sancionado ou vetado.
A sanção, atribuição exclusiva do Presidente da
República, é a manifestação de sua concordância
para com o projeto. O Presidente da República terá
o prazo de 15 (quinze) dias para manifestar (artigo
66, §1º da CR/88).

• Pode-se dizer que se esse prazo decorrer sem que


ele se manifeste, ocorrerá a sanção tácita, ou seja,
considera-se que o Presidente aprovou o projeto,
conforme determina o art. 66, §3º da CF/88.
Uma vez vetado o projeto de lei, o mesmo
retornará ao Congresso Nacional, onde será
apreciado em sessão conjunta, no prazo de 30
(trinta) dias. Pode o veto presidencial ser
derrubado pela maioria absoluta dos
deputados e senadores, que votarão em sigilo,
conforme estipulado pelo artigo 66, §4º da
CF/88.
D) PROMULGAÇÃO
No caso do Pres. da República não vetar o projeto, ou o veto
presidencial ser derrubado no Congresso Nacional, haverá
a promulgação da lei, que é a declaração formal de
existência da lei no mundo jurídico, sendo atribuição do
presidente da República. Se este não o fizer em 48
(quarenta e oito) horas, torna-se função do Presidente do
Senado, que, também não o fazendo, passa-se à atribuição
do Vice - Presidente do Senado (artigo 66, §7º da CF/88).

E) PUBLICAÇÃO
Por fim verifica-se a publicação da lei, que é a sua divulgação
para a sociedade, devendo ser feita por órgão oficial. Vale
dizer que os efeitos da lei iniciam-se normalmente 45 dias
após a sua publicação conforme o art 1° da LICC.
2) COSTUME

O costume, diferentemente do Direito, é criação espontânea da sociedade,


sendo o resultado dos acontecimentos sociais. Vale dizer que os
costumes baseiam-se nos valores morais da sociedade, relativos ao
bom senso e ao ideal de Justiça.

Características

O costume surge diante da prática reiterada de uma determinada conduta,


ou seja, em casos semelhantes, as pessoas sempre vão agir de
determinada forma, e é na ocorrência de muitas situações parecidas é
que os costumes se tornam válidos.

Os costumes seriam então paradigmas, ou seja, serviriam de modelo para


os acontecimentos posteriores, e na decorrência do tempo, acabam por
constituir um hábito.
A força gerada pelos costumes sociais é
absorvida pelo Direito, possuindo, dessa
forma, a mesma coercitividade e imposição
de uma lei escrita, e ao Estado caberá
garantir que os costumes sejam observados.

Para que seja considerado um costume, deverá


a prática ser uniforme, constante, necessária
e obrigatória, requisitos esse apontados pela
maioria dos autores jurídicos.
Para que os costumes possuam força jurídica, é
indispensável que estejam estabelecidos na Ordem
Jurídica do Estado, sendo parte do Direito, ou seja,
integrando as fontes do Direito.

Classificação dos costumes:


a) Costume Secundum Legem: seriam aqueles que
retratam prática idêntica ao comportamento exigido
pela lei. Seria o costume correspondente à vontade
da lei.
b) Costume Praeter Legem:
Os costumes seriam utilizados no caso de lacunas
na lei, ou seja, diante da inexistência de uma lei
específica para regular determinada situação,
poderá ser observados os costumes correntes na
região.

A Ordem Jurídica brasileira prevê a observância dos


costumes no caso de omissão legal, que está
descrito no art. 4º da Lei de Introdução ao Código
Civil.
c) Costume Contra Legem: é o costume que contraria a lei, e
nessa classificação faz surgir um grande problema sobre a
validade e importância dos costumes.

Cumpre salientar que, em cada ramo do Direito, os costumes


possuem caráter mais ou menos abrangentes, dependendo
das leis, que vão definir o valor e importância dos costumes
em cada matéria.

Os costumes, quando alegados, poderão ser comprovados por


várias formas, dentre elas verifica-se a prova testemunhal ou
documental, dependendo do que a lei estipular em cada
ramo.
3) JURISPRUDÊNCIA

O Poder Judiciário tem como função principal, a


aplicação do Direito, julgando, diante de uma
determinada situação, qual lei será aplicada e de que
forma ela irá influir no caso concreto. Assim, as
decisões judiciais influenciam o Direito.

A jurisprudência, então, pode ser conceituada como as


decisões uniformes e reiteradas dos tribunais, ou seja,
os tribunais (instâncias superiores) entendem que
situações semelhantes devem ser decididas da
mesma maneira, tendo em vista que um grande
número de situações semelhantes já forma
solucionadas da mesma forma.

Seria, pois uma tendência de decidir do mesmo jeito.


• Vale dizer que, da mesma forma que os
costumes, a jurisprudência pode ser classificada
dependendo de como atua em relação à lei.
Assim, a jurisprudência poderá se dar de acordo
com que a lei determina, poderá ser observada
na falta ou omissão de lei, e ser contrária à lei.

Jurisprudência é diferente dos costumes:


Enquanto que os costumes surgem
espontaneamente e advém das práticas sociais,
a jurisprudência é uma criação específica do
Poder Judiciário, que deve aplicar a lei ao caso
concreto, quando for devidamente provocado,
ou seja, quando as partes solicitarem um
provimento judicial.
APEL CÍVEL Nº 634152-6 TJPR .REL: DES. RAFAEL A. CASSETARI

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO SUMÁRIA PARA DECLARAÇÃO DE


INEXISTÊNCIA DE DÉBITO E NULIDADE DE TÍTULO. RELAÇÃO
COMERCIAL EXISTENTE. AQUISIÇÃO DE TRANSFORMADORES.
UTILIZAÇÃO INCONTROVERSA. PEDIDO CONTRAPOSTO.
VALOR DEVIDO. CAUSA EXTINTIVA, MODIFICATIVA OU
IMPEDITIVA DO DIREITO PLEITEADO. ÔNUS DA PARTE QUE
ALEGA. BOLETO BANCÁRIO. PROTESTO. IMPOSSIBILIDADE.
AUSÊNCIA DE DUPLICATA QUE LHE DE FUNDAMENTO.
Apelo conhecido e provido em parte.
• Restou demonstrado que houve relação direta entre as partes, assim
como que, apesar de ter se beneficiado da instalação dos
transformadores na Ambev, não houve o pagamento do valor dos
mesmos à contratada.
• É ônus do réu fazer prova de fato extintivo, modificativo ou impeditivo
do direito do autor de pedido contraposto.
• O boleto bancário que não possui fundamento em duplicata que
atenda os requisitos da Lei 5.474/1968, não é passível de protesto.
DOUTRINA

A doutrina também pode ser chamada de Direito


Científico, e consiste nos estudos desenvolvidos por
vários juristas, que objetivam entender e explicar
todos os fenômenos relativos ao direito. Buscam
explicação e a correta interpretação dos vários
institutos e normas, de forma a se obter uma real
compreensão de todo o mundo jurídico, servindo de
auxílio e subsídio para os que se aventuram nessa
área de conhecimento humano.
A doutrina jurídica possui como funções no mundo
jurídico:

- o estudo aprofundado das principais normas e


princípios do Direito;

- Atualização dos conceitos e institutos para estar


sempre em contato com a dinâmica realidade,
que muda a todo o tempo.

- a sistematização e organização de todo o


conteúdo do Direito, agrupando-o em de forma
coerente e lógica, pois será através da divisão
dos vários ramos e espécies de normas, é que
será possível total compreensão da Ordem
Jurídica.
Funções

- Estabelecer críticas ao objeto de estudo, devido ao senso


jurídico e crítico que deve possuir o jurista; de forma que
mediante debates se chegue a uma correta proposição.

- Verificar maneiras para aperfeiçoar o Direito, de que forma


que vez cada mais esteja voltado para os seu fim maior: a
Justiça;

- A doutrina jurídica possui uma importância fundamental para


o Direito, influenciando de maneira indireta na elaboração
das leis e nos julgamentos, pois fornece pontos de apoio
tanto ao legislador e ao juiz, em suas atividades intelectuais.
Formas de manifestação da doutrina jurídica

Dois grandes modelos: modelo alemão e modelo francês.

MODELO ALEMÃO consiste na doutrina feita mediante


comentários, ou seja, a medida que se faz o estudo de
determinada lei ou código, são feitos comentários,
normalmente sendo artigo por artigo, sendo indicado o
significado daquele preceito, as características e a
posição da jurisprudência a respeito do tema abordado.

MODELO FRANCÊS não faz esse estudo isolado, mas, a


doutrina é organizada na forma de uma abordagem
sistêmica e conceitual de toda a estrutura jurídica,
estabelecendo os princípios e pressupostos pertinentes
ao tema.
Na doutrina brasileira, há traços dos dois
modelos citados, existindo grandes livros que
exploram a totalidade de um conteúdo,
explicando os vários institutos, e também há
um vasto número de códigos e leis
comentadas.
DEUS É FIEL

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