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Como aumentar a probabilidade da obediência e respostas novas

https://www.comportese.com/2017/03/como-aumentar-probabilidade-da-obediencia-e-
respostas-novas

Por Monalisa Ribeiro, 2 mar. 2017.

Quem nunca se queixou de um aluno(a) desobediente? Aquele que geralmente não segue as regras
e muito menos cumpre com um pedido ou demanda em sala de aula?
Acredito que esse assunto possa ser de grande interesse para pais e, principalmente, para os
profissionais que lidam com alunos que não cumprem com regras e demandas, que tentam escapar
das atividades mais difíceis ou, simplesmente, não estão motivados o suficiente para cumprir com
uma tarefa mais elaborada.
Afinal, qual é o prejuízo do aluno não cumprir com demandas acadêmicas?
A idéia de abordar esse assunto na minha estreia como colunista do blog se iniciou com uma mera
busca de dados no meu laptop que, acidentalmente, me direcionou à minha tese de mestrado,
defendida em 2012. Embora eu tenha utilizado essa estratégia de controle antecedente para induzir
a imitação de movimentos de coordenação oro-faciais em crianças diagnosticadas com TEA
(Transtorno do Espectro Autista), a mesma pode ser aplicada como uma estratégia (de controle
antecedente) para aumentar a probabilidade de emissão de diferentes respostas, em vários
contextos.
O artigo de hoje focará numa estratégia comportamental chamada Seqüência de demandas de alta
probabilidade ou “behavior momentum”. Essa técnica é muito prática e pode ser utilizada em salas
de aula para INDUZIR respostas e maximizar o desempenho acadêmico dos alunos. O aluno que não
segue as normas e/ou demandas acadêmicas em uma sala de aula, provavelmente terá um prejuízo
cognitivo e acadêmico no futuro. Portanto, essa estratégia é um ótimo método para ser aplicado
nesse ambiente.
Momentum comportamental é uma estratégia para aumentar a probabilidade de ocorrência de uma
resposta (comportamento) que tenha baixa probabilidade de ocorrência. Ou seja, é uma estratégia
que aumenta a frequência de uma resposta que não ocorre frequentemente.
Essa técnica consiste na apresentação de três (3) a cinco (5) demandas de atividades (em sequência)
em que o indivíduo tenha alta probabilidade de cumprir (atividades fáceis), para depois apresentar
a demanda da atividade alvo (atividade de baixa probabilidade). A atividade alvo é a atividade que
você deseja induzir. Essa atividade é considerada de baixa probabilidade porque não ocorre
frequentemente e, por isso, ela se torna a atividade alvo.
Por exemplo, se um dos meus alunos não gosta ou se recusa a fazer operações de multiplicação,
esta tarefa poderia ser considerada uma resposta de baixa probabilidade (baixa-p), pois o aluno não
gosta de fazer, nunca quer fazer, ou não está motivado o suficiente. Porém, se esse mesmo aluno
nunca me deu trabalho para tirar o material da mochila, escrever a data e nome na folha de
exercícios, escrever números, e copiar as operações de multiplicação da lousa, tais comportamentos
se classificariam como comportamentos de alta probabilidade (alta-p). Ao final, a multiplicação
(tarefa de baixa-p) seria apresentada, mas com uma maior probabilidade de ser resolvida pelo
aluno. No Quadro 1, pode ser visualizado um esquema do exemplo apresentado.
Quadro 1. Exemplo de atividades de alta-p e de baixa-p envolvendo a multiplicação.
Atividades de alta probabilidade (alta-p) Atividade de baixa probabilidade (baixa-p)
(fáceis de cumprir) (difícil de cumprir)
Retirar o material da mochila
Escrever data e nome na folha de exercício
Fazer operações de multiplicação
Escrever os números
Copiar as operações de multiplicação da lousa

Mace et al. (1988) foram os primeiros autores a publicarem um estudo com essa técnica. Segundo
os seus estudos e experimentos, após o estudante seguir uma série de demandas de alta
probabilidade, estabelece-se o “momento” no qual a resposta de baixa probabilidade tem chances
aumentadas de ser emitida.
Mace et al. (1988), sugerem que esse fenômeno pode ser explicado a partir do conceito de operação
abolidora. O momentum comportamental pode, assim, ser entendido como uma operação que
diminui a valor reforçador da resposta de esquiva da atividade. Depois de cada demanda de
probabilidade alta, sempre há elogios, e por isso, o valor de não cumprir com a demanda da
atividade alvo diminui. Em outras palavras, Segundo Mace et al. (1988) cumprimos, fazemos, ou
completamos uma atividade de baixa probabilidade porque já nos “aquecemos” com as atividades
fáceis (alta-p), e como agora já estamos no “embalo”, cumprimos com a atividade de baixa
probabilidade (baixa-p).
No Quadro 2, descreve-se os passos para aplicação da técnica de momentum comportamental.
Quadro 2. Guia para usar o procedimento corretamente.
Passo # 1 Selecionar os comportamentos de probabilidade alta
– Esses comportamentos têm que existir no repertório atual do cliente, serem
frequentes e de curta duração.
– Fazer uma lista das atividades que são cumpridas 100% das vezes que foram
demandadas.
Passo # 2 Apresentar as demandas rapidamente
– As demandas devem ser apresentadas rapidamente uma atrás da outra, com um
intervalo curto entre elas.
– Devem ser apresentadas de 3 a 5 demandas de atividades de probabilidade alta.
– Depois de cada demanda de probabilidade alta, disponibiliza-se um elogio.
Passo #3 Demanda alvo (baixa probabilidade)
– Apresentar a demanda da atividade de baixa probabilidade.
Passo # 4 Reforçar imediatamente se o paciente (aluno) cumprir com a demanda alvo.

Cumprir com demandas em sala de aula promove oportunidades de desenvolvimento de muitos


comportamentos. Essa estratégia é um procedimento não aversivo para melhorar a obediência.
Esse procedimento, indiretamente, manipula a frequência de reforço para estabelecer o que
chamamos de “momento”.
Estudos mostram que essa intervenção é efetiva em mudar o comportamento das pessoas, como
adquirir ecóicos e mandos, aumentar a frequência de cumprimento de atividades e diminuir a
frequência de autolesões.
Quadro 3. Apresenta-se um resumo de experimentos que utilizaram a estratégia Momentum
comportamental (sequência de demandas de alta probabilidade) em vários contextos.
Atividade Alvo Motivo do estudo Participantes Autores
Crianças diagnosticadas Thomas, Lafasakis e
Imitação oral motora Pré-requisito para fala
com TEA Sturney (2010)
Diminuir
Desobediência (não desobediência e Adulto de 36 anos com
Mace et al (1988)
cumprir com demandas) comportamento deficiência mental
agressivo
Diminuir ou eliminar a Adulto de 33 anos com Zarcone, Iwata, Hughes
Autolesão
autolesão deficiência mental e Vollmer (1993)
Cumprir com
Aluno do Ensino Wehby e Hollaham
Atividades acadêmicas demandas acadêmicas
Fundamental (2000)
(tarefa de matemática)
Emissão de ecoicos e Crianças com TEA não
Imitação motora Tsiouri e Greer (2003)
mandos verbais

Essa estratégia pode ser aplicada em vários contextos, e geralmente, as atividades, tarefas ou ações
escolhidas como “atividades de alta-probabilidade” são relacionadas a atividade alvo. Por exemplo,
na minha tese de mestrado, a atividade alvo era induzir imitação de movimentos de coordenação
oro-facial motora em crianças diagnosticadas com TEA não verbais. As atividades de alta
probabilidade envolviam a imitação de movimentos de coordenação motora (grossas) ampla, que
os participantes do estudo já tinham desenvolvido em seu repertório, após o comando “Faça isso”.
Os movimentos apresentados eram: bater palmas, colocar os braços para cima, tocar na barriga e
tocar nas pernas. A atividade de baixa probabilidade (atividade alvo) eram respostas de imitação de
movimentos oro-faciais que os participantes não emitiam, tais como: abrir a boca, abrir e fechar a
boca e colocar a língua para fora. Segundo pesquisadores, alguns dos pré-requisitos da fala
envolvem os movimentos ora-faciais, por isso, é muito importante que crianças não verbais sejam
induzidas a imitar uma série de movimentos como as atividades alvo que eu escolhi para minha
tese.
Quando escolherem a atividade alvo, tentem selecionar as atividades de alta probabilidade que são
de alguma forma relacionas com a atividade alvo. Boa sorte ao aplicar essa estratégia e aumentar a
probabilidade da obediência e induzir respostas novas!
Referências Bibliográficas:
Cooper, O., John, Heron, E. Timothy., Heward, L., William (2007). Applied Behavior Analysis(2nd
edition). Pearson Prentice Hall New Jersey, USA.
Mace, C. F., Hock, M. L., Lalli, J. S., West, B. J., Belfiore, P., Pinter, E., et al. (1988). Behavioral
momentum in the treatment of noncompliance. Jornal of Applied Behavior Analysis , 21, 123-141.
Thomas, B. R., Lafasakis, M., & Sturmey, P. (2010). The effects of prompting, fading, and differential
reinforcement on vocal mands in non-verbal preschool children with autism spectrum disorders.
Behavioral Interventions, 25, 157-168.
Tsiouri, I., & Greer, D. R. (2003). Inducing vocal verbal behavior in children with severe language
delays through rapid motor imitation responding. Jornal of Behavioral Education, 12, 185-206.
Wehby, J. H., & Hollahan, S. M. (2000). Effects of high probability latency to initiate academic tasks.
Journal of Applied Behavior Analysis, 33, 259-262.
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Monalisa Ribeiro
http://www.conectaautismomadrid.com
Graduada em Psicologia, Mestre em Análise de Comportamento pela City University of New York
(USA), e Certificada pelo Conselho do Analista do Comportamento (Board Certified Behavior
Analyst) – BACB. Após sua graduação, Monalisa atuou como Terapeuta do Comportamento nos
Estados Unidos, Arabia Saudita e Líbano. Atualmente vive e trabalha na Espanha. Sua especialidade
é interveção precoce com crianças diagnosticadas com TEA e outros tipos de deficiências.

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