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OS DEUSES SOLARES E O CULTO MITRAICO

Filomena Barata
O Sol
O ser humano parece ter tido
necessidade, desde remotas alturas, da
protecção de uma figura divina que seja
visível, que esteja presente na sua vida.

As divindades surgem assim geralmente


ligadas a fenómenos da natureza.

A representação do Sol, a maior luz visível


aos Humanos, parece apontar para a
veneração do mesmo, a partir do
Neolítico.

Mas é a partir de meados do III milénio


a. C. que a iconografia solar se multiplica
na arte rupestre da Europa e da Ásia.
O Sol e toda a “família cósmica”,
1 - Possíveis representações astronómicas. Pala Pinta. Alijó. Fotografia F. A. Coimbra
2 - Figuras humanas dançando perante a representação de um sol . Cazaquistão. encontra-se entre os elementos mais
(segundo Martynov et al. 1992). Inícios do II milénio a.C.
Imagens a partir de: Arte rupestre pensamento religioso na Pré-história
antigos cultuados em toda a Antiguidade
FERNANDO AUGUSTO
Disponível em: http://docplayer.com.br/61561694-Fernando-augusto-coimbra.html
Uma das culturas agrícolas mais antigas da Terra, o Ré-Rá,
Antigo Egipto deu ao deus sol, Ré, a supremacia,
reconhecendo a importância da luz na produção de o deus Sol
alimentos.
Ré, o deus primordial Sol, foi o criador dos deuses e
da ordem divina: Shu e Tefnut, Geb e Nut, Osíris,
Seth, Ísis e Néftis.
– Ao amanhecer, Ré era visto como uma criança
recém-nascida, saindo do céu.
– Por volta do meio-dia, Ré era contemplado como
um pássaro voando, ou navegando num barco.
– Ao pôr-do-sol, Ré era visto como um homem velho
descendo para a terra dos mortos.
– Durante a noite, Ré, navegava na direção leste,
através do mundo inferior, preparando-se para a
ascensão do dia seguinte.
A representação habitual de Ré era um homem com
cabeça de falcão, encimada pelo disco solar e pelo
uraeus (serpente sagrada que cuspia fogo, destruindo
desta forma os inimigos do deus). Segura nas mãos o
ankh e o cetro uase.
Os deuses solares
Osíris entre os Egípcios, descendente
directo de Ré (o deus da criação, o Sol)
que representava as forças telúricas e a
vegetação, fonte de energia, da vida. Era
ainda o deus do Nilo, que anualmente
visitava a sua esposa, Ísis (a Terra),
fertilizando-a.
Osíris significa muitos-olhos,
denominação apropriada para representar
os raios do Sol .
Osíris dá origem, no Mundo Helenístico, a
uma divindade sincrética conhecida por
Serápis, a cujo culto se acedia através de
rituais, pertencendo assim a um dos
variados "cultos mistéricos" que o
Ocidente importou do Oriente, como Ísis e
Mitra, entre outros.
Os deuses solares
Hórus filho de Ísis e de Osíris, era
deus dos céus e foi simbolizado por
um falcão, mas também com um
disco solar e com asas de gavião. Era
conhecido como o Senhor do Sol e da
Lua, cada um dos seus olhos.
De acordo com uma lenda difundida
no Antigo Egipto, Hórus foi concebido
por Ísis, quando Osíris, seu pai, já
estava morto. A lenda sugere que
a fecundação ocorreu quando Ísis, na
forma de um pássaro, pousou sobre
a múmia do esposo.
Hórus era conhecido como "A
Verdade", "A Luz", e simbolizava o
poder e a realeza.
Assim, Harpócrates, Hórus enquanto
criança, personifica o sol recém-
nascido a cada dia. Ísis amamentando Hórus. Museu Nacional de Arqueologia
Fotografia José Rubio, a partir de:
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.as
px?IdReg=120506&EntSep=5#gotoPosition
Os Deuses Solares
Serápis (Sarapis, Zaparrus) foi um «composto» de
várias divindades de origem egípcia do período
ptolomaico e helenístico, introduzido em Alexandria,
por volta do século IV a.C., reunindo tradições
religiosas egípcias e helénicas.
A sua devoção manteve-se durante o período
romano.
Do lado egípcio, a divindade identificava-se com
Osíris; do lado grego aproximava-se de Dioniso.
Com o triunfo do Cristianismo, os seguidores de
Serápis passaram a ser perseguidos e seus locais de
culto destruídos.
No reinado do imperador Teodósio, em 391, o
grande Templo de Serápis, em Alexandria, foi
arrasado por ordem do bispo Teófilo, perdendo-se
1 - Busto de Serápis exposto na "Sala
não só o templo como a Grande Biblioteca de Rotonda" do Museo Pio-Clementino,
Vaticano. Trata-se de uma cópia romana do
Alexandria "Filha" (a Biblioteca "Mãe" foi queimada século I d.C. em mármore, de um original
greco (320/310 a.C. ) que se encontrava no
por Júlio César, por acidente). Serapeu de Alexandria.
2 - Lucerna em terracota com representação
de Serápis. Museu Britânico
O Culto Mitraico e os Deuses Solares
Assim se referia Macróbio, autor latino nascido por volta de 370 d. C., na Numídia, em
África, a propósito do culto de Serápis:

«Na cidade na fronteira do Egito que se orgulha de Alexandre da Macedónia como


seu fundador, Sarápis e Ísis são adorados com uma reverência que é quase fanática.
Prova de que o sol, sob o nome de Serápis, é o objecto de toda a reverência».

Macróbio, Saturnalia (I.20.13).

Entre os cultos mistéricos de Ísis e Serápis o Santuário de Panóias um conjunto


edificado em sua honra pode considerar-se a maior manifestação da grandeza desses
cultos.

1 - Pequena estatueta de Ísis


proveniente de Mérida. Museo
Arqueológico Nacional. Madrid
2 - Santuário de Panóias
Os Deuses Solares

Hélios, também entre os Gregos, representa a


divinização do sol, filho de dois Titãs - Teia e
Hiperião - e irmão de Eos (a deusa da alvorada) e
Selene (a deusa da Lua).

Era uma divindade anterior aos deuses olímpicos,


cujo culto parece ter tido origem na Ásia, afinal o
Astro-Rei a quem os Romanos continuaram a
prestar, mais tarde, devocio, através do Sol Invictus.

Era representado como um jovem de grande beleza,


com a cabeça coroada de raios, como se fosse uma
cabeleira de ouro que aparecia cada manhã,
precedido pelo carro de Eos (a Aurora), e avançava
derramando luz sobre o mundo dos vivos.

1 – Hélios, Nyx e Eos, Vaso de figuras negras.


C. Século V a.C., Metropolitan Museum of Art
https://www.theoi.com/Titan/HeliosGod.html
2 - Representação de Hélios em vaso grego.
O Culto Mitraico e os Deuses Solares
Apolo, também identificado
como Febo (brilhante), era o deus da
juventude e da luz da verdade,
reconhecido primordialmente como uma
divindade solar, surge muitas vezes
associado a Hélios. Era o deus da divina
distância, que ameaçava ou protegia do
alto dos céus.

Assim o canta o poeta Ovídio ( 43 a.C.—17


ou 18 d.C.):
“Ostentando uma veste púrpura, Febo
achava-se sentado em um trono de
esmeralda resplandecente. À direita e à
esquerda, achavam-se os Dias, as Horas,
dispostas em espaços iguais. Também lá se
encontravam-se a Primavera, cingida de
uma coroa de flores, o Verão nu e trazendo
uma grinalda de espigas, e o Outono sujo
com as uvas espremidas e o glacial
Inverno, com a cabeleira branca
desgrenhada”. (Metamorfoses). Apolo puxando uma quadriga. C. 225 d. C.
Musee du Viel Orbe. Suiça.
Os Deuses Solares: Apolo
Adoptado por Roma, sabe-se através
da obra de Suetónio, escrita em 121
d.C. , «A Vida dos Doze Césares», que:

“Levantou o templo de Apolo nas


cercanias da sua casa no Palatino,
atingida certa vez por um raio e onde,
segundo declaração dos arúspices,
aquele deus tencionava ter morada.
Acrescentou ao templo um pórtico com
uma biblioteca latina e grega. Era ai
que nos dias de sua velhice convocava
muitas vezes o Senado e passava em
revista as decúrias dos juízes”.

(SUETÓNIO, A Vida dos Doze Césares,


1966, p. 92-93).
AS RELIGIÕES DE MISTÉRIOS E O MITRAÍSMO
A expressão “religiões de mistérios” refere-se,
normalmente, ao culto de Ísis, que em Roma alcançou seu
esplendor na época dos Imperadores Antoninos e Severos,
passando a integrar a ideologia dominante, conhecendo-se,
no século II d. C., entre seus adeptos, magistrados,
funcionários imperiais e outros representantes do poder
público. Mas também se refere ao culto de Mater Magna e
de Mitra e, igualmente, ao culto de Elêusis, representantes
dos “mistérios” propriamente ditos.
Pressupõe-se que as religiões mistéricas tinham uma
espiritualidade mais elevada, transcendendo assim a religião
oficial, sendo consideradas religiões de salvação.
A iniciação propriamente dita era o encontro individual
entre o devoto e sua divindade, mais especificamente
através da revelação ritual da verdade desta divindade.
Sabe-se que o iniciado ou neófito passava por algumas
representações das provações enfrentadas pela divindade
(ou pelo herói) no mito, que o conduziam à descida aos
infernos, e à revelação do segredo, do “mistério”, para então
O templo da deusa Ísis , Pompeia. seguir-se o retorno do mundo inferior, que fecharia o ciclo
Fotografia a partir de:
https://pt.depositphotos.com/52412257/stoc do ritual de iniciação.
k-photo-the-temple-of-the-egyptian.html
A Iniciação aos Mistérios
Fresco com representação de uma reunião isíaca. Um sacerdote cuida do
fogo, enquanto outro segura um jarro de água sagrada flanqueado por
A iniciação propriamente dita duas esfinges.
Pompeia. século I d.C..
era o encontro individual entre
o devoto e sua divindade, mais
especificamente através da
revelação ritual da verdade
desta divindade. Sabe-se que o
iniciado ou neófito passava por
algumas representações das
provações enfrentadas pela
divindade (ou pelo herói) no
mito, que o conduziam à
descida aos infernos, e à
revelação do segredo, do
“mistério”, para então seguir-se
o retorno do mundo inferior,
que fecharia o ciclo do ritual de
iniciação.
O Culto Mitraico e os deuses solares
O deus Mitra cujo nascimento era celebrado, tal
como o Sol Invictus e, mais tarde, o Menino
Jesus, a 25 de dezembro, tinha também uma
forte relação com a Luz.
Mitra, ou Mithras, cujo nome significa em
Sânscrito "Amigo"; em Persa quer dizer
"Contrato".
Trata-se de um Deus luminoso que incita os
homens a seguirem o Seu caminho no combate
pela Luz contra as Trevas, sendo a sua Luz é a
síntese da Luz do Sol e da Lua, e o Domingo é o
dia dedicado ao seu culto.(«Dies Solis», ou «Dia
do Sol»).
O culto mitraico parece chegou ao Ocidente no
decorrer do século II d.C., através das legiões
romanas, tendo grande impacto em Roma e data
dessa centúria a construção de inúmeros
santuários, ou Mithraea.
Disco de prata representando
Sol Invictus. Século III d.C., encontrado em Pessino,
atual Turquia. Museu Britânico.

Mithras_tauroctony_Louvre_Ma3441b
O Culto Mitraico e os deuses solares
A primeira referência escrita ao culto
mitraico é de Plutarco
(Queronea, Beócia c. 46 ou 50 - Delfos
c. 120), referindo que Pompeu havia feito
prisioneiros, em 67 a. C. , 20.000 os piratas
cilicianos, provenientes uma província na
costa sul da Ásia Menor, que praticaram os
mistérios mitraicos.
: ‘Os piratas da Cilícia oferecem sacrifícios
estranhos: refiro-me aos dedicados aos
deuses do Olimpo; e celebram certos
mistérios secretos, entre os quais os de
Mitra continuam até aos dias de hoje,
sendo originalmente instituídos por eles’.
Plut. Pomp. 24 .
Daqui, esta religião e culto chegou aos
países do Danúbio e a Itália. Os principais
Mitra sacrificando o Touro. Relevo em mármore dedicado pelo adeptos de Mitra eram soldados,
escravo Apronianus, tesoureiro da cidade de Nersae, Província de
Rieti, Itália. 172 d. C. Museu Nacional de Roma funcionários administrativos e
comerciantes.
O Culto Mitraico e os deuses solares
No Ocidente, o culto de Mitra acabou por confundir-se
com o do Sol Invictus, ou Sol Invencível, que tinha uma
grande importância em Roma, havendo quem
professasse, ao mesmo tempo, o mitraísmo e a religião do
Sol Invictus.
O culto do Sol tinha, desde épocas remotas, grande
adesão, existindo um templo dedicado ao Sol (bem como
um sagrado à Lua) no Circus Maximus, onde as corridas
de cavalos decorriam sob os auspícios das divindades.
(Tácito, Anais, XV.74; Tertuliano, Dos Espectáculos,VIII.1).
Já na época de César, Roma se havia rendido ao culto do
Sol Invictus , mas é depois do grande incêndio de 64 d.C.,
quando uma grande parte de Roma foi destruída, que
Nero manda edificar uma estátua colossal do mesmo,
com 120 pés de altura (Suetónio, Vida de Nero, XXXI.).
Vespasiano foi o primeiro imperador a colocar a imagem
do Sol numa cunhagem oficial.
É em finais dessa centúria, em 274, quando Aureliano
atribuiu ao Sol Invictus as suas vitórias no Oriente, que
esta religião se torna oficial, tendo o imperador mandado
edificar em Roma um templo dedicado ao deus e foram
incumbidos sacerdotes de lhes prestar culto. O máximo https://mythology.net/roman/roman-
dirigente deste era o pontifex solis invicti. gods/sol_roman/?fbclid=IwAR0dOYbIgreRRhEdmTYl56X5qghsH
idIX753JNzE-PTVbGqDgOCQ14E43nQ
AFINAL QUEM É MITRA OU MITRAS?
Distinguem-se 3 Mitras, todos eles deuses ligados ao astro solar:

1. O deus Védico (irmão de Varuna).


Sabe-se que na Índia é referenciado desde cerca de 1380 a. C., existindo
uma antítese entre os dois. Mitra, representando a conciliadora e
luminosa, próxima da terra e dos homens e Varuna seria o aspecto
mágico, violento, terrível de tenebroso.

2. O deus Persa Mitra, que há quem filie no Zoroastrismo, cujo profeta era
Zaratustra, também conhecido na versão grega Zoroastro. Na doutrina
zaratustriana, antes da criação do mundo, reinavam dois espíritos ou
princípios antagónicos: os espíritos do Bem (Ormuz) e do Mal (Arimã).
Divindades menores, génios e espíritos ajudavam Ormuz a governar o
mundo e a combater Arimã e a legião do mal. Entre as divindades
auxiliares, a mais importante era Mithra, um deus benéfico que exercia
funções de juiz das almas.

3. Mitra entra na esfera helenística com Alexandre, por volta de 330 a.C.
com a queda do império persa.
O fim do Mitraísmo
No final do século III d.C, em Roma, a religião
de Mitra fundiu-se com cultos solares de
procedência oriental, configurando-se no
culto do Sol.
Também o século III d. C. assiste à consagração
do cristianismo como religião do Império
Romano.
O mitraísmo era praticado em pequenas
sociedades secretas na qual as mulheres eram
excluídas. Não se propunha ser uma religião de
massa, aberta a todos, como o cristianismo.
O CULTO MITRAICO E AS RELIGIÕES DE MISTÉRIOS
É através de Lucius Apuleius (Apuleio), nascido na colónia de Madaura,
(actual Argélia) cerca de 125 d.C., descendente de uma influente família
de Itália, e que viveu em Cartago, tendo também estudado em Atenas,
que se conhece muitos dos “Cultos Mistéricos” da Antiguidade Greco-
Latina.
Já em Cartago, Apuleio se interessara pelos ritos esotéricos,
designadamente pelos mistérios, bem como pelo estudo da poesia,
geometria, música e filosofia mas é, em Atenas, que toma contacto com
os mistérios elêusinos.
Os mistérios de Elêusis eram ritos de iniciação ao culto centrado nas
deusas agrícolas Deméter e Perséfone/Prosérpina, que se celebravam
em Elêusis, localidade da Grécia próxima de Atenas. Eram considerados
os de maior importância entre os que se celebravam na Antiguidade.
Neles se reflete o culto da Grande Mãe, trazido do Egito através de Ísis.
Em Deméter/Ceres o povo reverenciava a terra-mãe e a deusa da
agricultura, enquanto seus iniciados (filhos da lua) reverenciavam nela a
luz celeste, mãe das almas, inteligência divina e mãe dos deuses
cosmogónicos.
Os Mistérios de Elêusis
Estes mitos e mistérios foram adoptados pelo Império Romano. Os
ritos e crenças eram guardados em segredo, só transmitidos a novos
iniciados, ou neófitos.
Deméter e sua filha, Perséfone, (Ceres e Prosérpina para
os romanos), presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios.
São estas palavras de Apuleio: «Na Grécia fiz parte de iniciações na
maior parte dos cultos mistéricos. Conservei ainda, com grande
carinho, certos símbolos e recordações destes cultos, que me foram
entregues por sacerdotes. Não estou dizendo nada insólito, nem
desconhecido». (APULEIO, Apologia, LV, 8).
Na Apologia (LX, 9), Apuleio assume-se iniciado nos mistérios de
Liber, uma das denominações utilizadas pelos romanos para o deus
Baco e, no No Livro XI das Metamorfoses, o autor faz uma
pormenorizada descrição de um ritual de iniciação aos mistérios de
Ísis, admitindo-se que conhecia esse o culto.
No entanto, Apuleio não nos dá a conhecer nada relativamente a
Mitra.
OS RITUAIS MITRAICOS
• Mitra surge como divindade ligada ao Sol e
à Lua, à luz e às trevas, à vida e à Morte,
às Estações do Ano, ao tempo cíclico e à
fertilidade e à regeneração .

• Nos rituais há exclusão do género


feminino.
• Tem especial popularidade entre os
legionários romanos e funcionários.
• As Cerimónias mistéricas decorriam em
santuários subterrâneos, os mitreus) que
simulavam a gruta da tauroctonia), e o
facto de Mitra ter nascido numa gruta.
• Mitra é um deus petrógeno, surge de uma
rocha com barrete frígio, uma adaga numa
das mãos e noutra uma tocha.

Mithraeum. Basilica Saint-clement, Roma.


Fresco com representação de Mithras degolando um
touro Barberini Palace. © Costantinus
O CULTO MITRAICO: MITRA E JESUS
Mitra romano e Jesus Cristo apresentam as seguintes semelhanças:

- Ambos têm data de nascimento fixada a 25 de Dezembro


- Ambos são dados como filhos de virgens (Anahita e Maria)
- Ambos tinham 12 companheiros/apóstolos
- A ambos são atribuídos milagres
- Ambos “ascenderam” e eternizaram-se
- Ambos têm pastores que acompanham o seu nascimento.

O Mitraísmo e o Cristianismo apresentam as seguintes semelhanças:

- Ambos são de origem oriental


- Ambos são religiões mistéricas
- Os mistagogos hierarcas de ambos representam a Via da Verdade, da Luz, da Ascenção e da
Imortalidade
- Ambos têm ritos e níveis de iniciação
- Ambos celebram comunhões com a divindade através de refeições sagradas (ágape/eucaristia)
- Ambos começaram os seus cultos na clandestinidade e em espaços subterrâneos (grutas
artificiais/catacumbas)

- Na fotografia: Taq-e Bostan: Alto Relevo da investidura de Ardeshir II (379-383 DC),


Mitra (esquerda), Shapur II e Ahura Mazda (direita), sobre o corpo caido
do Imperador Juliano. Via Wikipedia Commons, foto de Phillipe Chavin
MITRA E SOL INVICTUS
• O culto mitraico relacionava Mitra directamente com o Sol

• Quando o culto a Sol Invictus foi oficializado pelo Imperador Aureliano em 274
d.C., o seguidores do mitraísmo identificaram Mitra com a própria divindade solar

Sol Invictus. Século III. Museu do Vaticano. Fotografia a Mitra tauroctone como Sol Invictus. Século III. Museu Pio-Clermentino.
partir de: Roma. Itália.
https://www.pinterest.pt/pin/297659856594964717/ Fotografia a partir de: https://www.counter-currents.com/2011/03/sol-
invictus-encounters-between-east-west-in-the-ancient-world/
NÍVEIS DE INICIAÇÃO
E ATRIBUTOS
(CONOTAÇÕES ASTRAIS E TEMPORAIS)

O processo de iniciação requeria a


subida de sete degraus, cada um
com um metal diferente,
simbolizando os corpos celestiais.

7 7 – Saturno – pater (pai) – sacerdote mitraico

6 6 – Sol – heliodromos – corredor do sol

5 5 – Lua – perses (persa) – sacrificador

4 4 – Júpiter – leo (leão) – guardião do fogo sagrado

3 3 – Marte – miles (militar) – guerreiro da fé

2 2 – Vénus – nymphus (noivo) – esposo místico

1 1 – Mercúrio – corax (corvo) – mensageiro divino


ou do Sol.

Mitreu de Felicissimo
Óstia, Itália Entrada (terra, fogo, água e ar)
NÍVEIS DE INICIAÇÃO E ATRIBUTOS

As festividades dedicadas a Mitra,


realizavam-se no sétimo mês do
ano, mas todos os meses lhe era
dedicava uma semana.
Comemorava-se o aniversário de
Mitra, o natalis invicti.
Os iniciados eram sujeitos a várias
provações, nus e de olhos
vendados, andavam às
apalpadelas, ajoelhavam-se e, após
lhes ter sido colocada por um
sacerdote uma coroa de flores,
simulavam a morte, como acontece
em muitas sociedades secretas.

Casa de Felicíssimo, Óstia Antiga


OS TEMPLOS MITRAICOS
A INICIAÇÃO E O CULTO Os templos conhecidos
apontam para uma
tipologia similar: são uma
câmara rectangular, que
poderia ter uma cobertura
abobadada.
Teria bancos de um lado e
de outro, onde se sentavam
1 - O Mitreu das Sete Portas, Óstia. Fotograia: Bill
os iniciados, podendo-se
Storage.
2 – O Mitreu de Carrawburgh, Inglaterra
passar em ambientes que
simulassem uma gruta,
aludindo ao nascimento de
Mitra.
Reuniam-se em pequenos
grupos, entre 20 e 30
pessoas.
O RELEVO MITRAICO DE TRÓIA
Encontrado em 1925, apenas existe uma cópia
no MNA.
Seria um tríptico. Apenas sobreviveram parte
do central e o painel do lado direito.
Provavelmente na zona central estaria
representado o sacrifício do touro,
taurotctonia.
A Lua aparece apresentada. Do outro lado
deveria estar o Sol.
Caupates, o Sol poente. ampara a tocha
invertida, sobre o qual de vê uma pata animal,
possivelmente sacrificada.
Na zona oposta, deveria estar Cautes com a
tocha erguida, o Sol nascente.
No painel da direita, temos Hélios e Mitras,
com o barrete frígio, reclinados num triclinium,
celebrando o banquete que comemora o pacto
destas duas divindades.
Em baixo Cautes e Caupates, ladeando uma
serpente encorada uma cratera, representando
a terra e a água.
Obedecendo aos ícones, no painel do lado
esquerdo, poderia estar representado um leão,
simbolizando o fogo, e talvez ainda os quatro
ventos, relativos ao elemento ar.
BOAS FESTAS

1 - Oriens, Mosaico Cosmogónico, Casa del Mitreo, Mérida.


2 - Cristo representado como Hélios/Sol Invictus
https://www.roger-pearse.com/weblog/2011/09/27/the-image-of-christ-helios-in-the-mosaics-of-vatican-tomb-m/
3 - Adoração dos Magos – Giotto Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Giotto_-_Scrovegni_-_-18-_-

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