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14/02/2020 A educação é o motor para reduzir a desigualdade social?

| Terraço Econômico

A educação é o motor para reduzir a


desigualdade social?
Victor Oliveira • 07/04/2019 0  2 minutos de leitura

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“O acesso à educação de qualidade é a garantia de oportunidades e


possibilidade de transformação da vida do indivíduo, além do
desenvolvimento do país”.

É comum ouvir a frase acima em discursos de candidatos ou entrevistas de


intelectuais. O raciocínio é simples: se quisermos reduzir nossas
desigualdades sociais, o carro-chefe deve ser a garantia de educação de
qualidade, acessível a todos os indivíduos. Seria essa mesmo a salvação
nacional?

Artigo recente, publicado pelo IPEA, intitulado “Educação, Desigualdade e


Redução da Pobreza no Brasil”, escrito por Marcelo Medeiros, Rogério
Barbosa e Flavio Carvalhaes traz uma importante contribuição para esse
tema.

Os autores buscaram simular, através de equações salariais, o que


aconteceria com o nível e a distribuição de renda se a força de trabalho
tivesse pelo menos determinados níveis de educação: médio completo,
superior incompleto e superior completo (variando o tipo de curso
concluído). Mantendo todas as demais variáveis sob controle, foram
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recortados quatro momentos históricos em que poderia ter ocorrido uma


“revolução educacional”: 1956 (Plano de Metas); 1974 (pico de crescimento
econômico durante o regime militar); 1988 (promulgação da Constituição
Cidadã) e 1994 (Plano Real).

A comparação deu-se através da simulação do índice Gini que seria


observado no ano de 2010, com aquele efetivamente observado na
realidade. Os resultados mostram que apenas o efeito da melhora
educacional da população economicamente ativa não faria uma queda
abrupta da desigualdade observada no Brasil. Em alguns casos, inclusive,
aumentaria a desigualdade em curto/médio-prazo. Para que o efeito sobre a
desigualdade fosse mais forte, seria necessário massificar o acesso ao ensino
superior. Em apenas poucos casos, a redução da desigualdade superaria
10% apenas pelos efeitos educacionais.

Isso acontece por variadas razões, mas, em especial, devido à inércia


demográfica (o tempo necessário para que os trabalhadores mais educados
substituam os anteriores e tornem-se maioria disponível no mercado). Desta
forma, os frutos colhidos pela revolução educacional se manifestariam
depois de décadas e, mesmo assim, seriam tímidos.

Além disso, para fazer as simulações, os autores assumiram hipóteses


bastante otimistas, que dificilmente se manifestam na prática. Por exemplo,
foi assumido que a melhora educacional teria o mesmo efeito para todos os
indivíduos da população, desconsiderando as características demográficas e
as diferenças de origem desses indivíduos. Também se considerou que o
mercado absorveria totalmente os profissionais mais qualificados – algo
impensável na prática – principalmente quando se observa, atualmente, uma
taxa de desemprego quase duas vezes maior entre mestres e doutores.
Outro ponto desconsiderado foram as redes de convívio social de cada
indivíduo e como isso facilita ou dificulta o ingresso no mercado de
trabalho.

Evidentemente, após ler e analisar o artigo, a conclusão não deve ser


abandonar os investimentos em educação. Ela continua sendo importante
para o desenvolvimento econômico do país, no entanto não é ela a grande
responsável pela redução dos níveis de pobreza e desigualdade. Não
devemos induzir, a partir de um caso particular de superação de
adversidades e ascensão social através da educação, que ela seria o
elemento mais importante para massificar o processo.

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Além da educação, conforme citam os próprios autores, o país deve pensar


em outras medidas, como aquelas tomadas no passado recente: valorização
do salário mínimo, programas de transferência de renda e formalização dos
empregos.

São cruciais, portanto, reformas estruturais, como a tributária e a


modernização de leis trabalhistas, sem contar as reformas fiscais para tornar
o Estado brasileiro sustentável a longo-prazo, e assim, garantindo um bom
ambiente de negócios e segurança jurídica para que o potencial obtido com
a eventual melhora nos índices de educação possa se reverter em ganhos de
produtividade e redução expressiva da pobreza e desigualdade social.

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