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ESTUDO DIRIGIDO

FARMACOBOTÂNICA

1ª Qual a importância da Farmacobotânica para o curso de Farmácia?

Proporcionar conhecimento da Fisiologia, Anatomia e Sistemática Vegetal, bem como


normatização para inserção da matéria prima vegetal na fabricação de fármacos. Grande parte
dos medicamentos são fabricados a partir de constituintes vegetais, e a mesma planta pode dar
origem a fármacos diferentes, conforme o local de onde é extraído o princípio ativo.

2ª Diferencie

 Metabólitos primários - O metabolismo primário compromete os processos químicos


que cada planta deve levar a cabo diariamente para sobreviver e reproduzir sua
atuação, tal como a fotossíntese, glicólise, ciclo do ácido cítrico, síntese de aminoácidos,
transaminação, síntese de proteínas, enzimas e coenzimas, síntese de materiais
estruturais, duplicação do material genético, reprodução de células (crescimento),
absorção de nutrientes, etc.

Os metabólitos primários caracterizam-se por:


- Ter uma função metabólica direta;
- Serem compostos essenciais como intermediários nas vias catabólica e anabólica;
- Encontrarem-se em todas as plantas;
- Tratarem-se de carboidratos, lipídeos, proteínas, ácidos nucleicos ou clorofilas.

 Metabólitos secundários - está restrito a processos químicos únicos para uma dada
espécie ou família, portanto, não é universal.

Os metabólitos secundários possuem outras características, tais como:

- Não possuírem funções metabólicas diretas aparentes;


- Serem importantes para a sobrevivência e interação com o ambiente;
- Apresentar diferente distribuição no reino vegetal;
- Não serem classificados como secundários baseado em sua estrutura, rota biogenética ou
tipo de distribuição.
3ª Defina os termos abaixo:

 Droga vegetal - planta medicinal, ou suas partes, que contenham as substâncias


responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta/colheita, estabilização,
quando aplicável, e secagem, podendo estar na forma íntegra, rasurada, triturada ou
pulverizada;
 Planta medicinal - espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com propósitos
terapêuticos
 Uso popular – Uso baseado em cultura popular sem embasamento científico dos
vegetais.
 Uso tradicional - aquele alicerçado no longo histórico de utilização no ser humano
demonstrado em documentação técnico-científica, sem evidências conhecidas ou
informadas de risco à saúde do usuário.
 Principio ativo - Substância ou mistura de substâncias afins dotadas de um efeito
farmacológico específico ou que, sem possuir atividade, adquire um efeito ao ser
administrada no organismo, como é o caso dos profármacos.

4ª Quais as diferenças entre as Monocotiledôneas e as Eudicotiledôneas?

Monocotiledôneas - Grupo de vegetais cuja principal característica é a manifestação de apenas


um cotilédone compondo a semente.

Dicotiledôneas - Grupo de vegetais contendo dois cotilédones envolvidos pela semente.

5ª Quais as funções do Caule, Raiz e folha, xilema e floema.

Caule - sustentar as folhas, flores, ramos e frutos, ligar às raízes e conduzir a seiva (água e sais
minerais).

Raiz - absorção dos nutrientes minerais, sendo que, no solo, também é responsável pela fixação
do vegetal ao substrato.

Folha - Permitem que a planta transpire. -Realizam as trocas gasosas. -Captam a luz solar, que
permite a realização da fotossíntese.

Xilema – transporta a seiva bruta (água e sais minerais), armazena nutrientes e fornece
sustentação mecânica ao vegetal.

Floema - tecido condutor vegetal que transporta seiva elaborada.

6ª Explique como ocorre o transporte de seiva pela planta e exponha em que grupo esses transportes
ocorrem.

O transporte da seiva bruta ocorre no solo, até que a água e os minerais atinjam a raiz, e no
interior do xilema. Por transporte ativo, os minerais são levados ao interior do xilema. Em
conseqüência disso, uma vez que o meio interno fica hipertônico, a água penetra pelos pêlos
absorventes POR OSMOSE.

Isso gera uma pressão na raiz, empurrando esse líquido para cima (pressão positiva da raiz).
Porém, essa pressão não é suficiente para que a seiva bruta atinja as folhas. A transpiração de
água nas folhas é muito grande, a perda é altíssima e isso gera um mecanismo conhecido como
coesão-tensão. A transpiração gera uma tensão, "puxando" mais água para cima. E a água
sobe pela coesão que tem entre suas moléculas (propriedade da capilaridade da água). É como
quando sugamos por um canudinho e a bebida sobe.

Já o transporte pelo floema ocorre de outro modo. O modelo que explica esse transporte é
chamado modelo de Münch (descoberto pelo alemão Ernest Münch). Segundo Münch, o
transporte no floema, que ocorre das folhas para as partes consumidoras (não apenas as
raízes), se deve ao fato de haver muitos solutos no floema nas folhas (produtos da fotossíntese).
Isso, novamente, gera um meio hipertônico, que atrai a água POR OSMOSE. Essa força já é
suficiente para que a água corra até os órgãos consumidores. Assim sendo, no transporte da
seiva elaborada é como se a água fosse "empurrada".

7ª Cite quais as funções do parênquima, colênquima e esclerênquima e diferencie-os.

Parênquima clorofiliano

Presente nas folhas dos vegetais. As células deste tipo de parênquima possuem cloroplastos e
clorofila. A função deste tecido é atuar no processo de fotossíntese das plantas.

Parênquima de reserva

São responsáveis pelo armazenamento de substâncias fabricadas pela célula (óleos, cristais de
oxalato, amido, proteínas, etc.).

Os parênquimas de reserva são classificados de acordo com a substância que armazena:

- Parênquima aquífero: possuem a função de armazenas grande quantidade de água. Estão


presentes, principalmente, em plantas que vivem em regiões áridas como, por exemplo, os cactos.

- Parênquima aerífero: comum em vegetais aquáticos que flutuam, tem a função de reservar ar nos
espaços entre células.

- Parênquima amilífero: tem a função de armazenar amido dentro dos leucoplastos. É comum em
tubérculos como, por exemplo, mandioca e batata.

Colênquima – Sua função principal é dar resistência mecânica a órgãos ainda em crescimento e a
partes maduras de plantas herbáceas. Ele é importante também em órgãos que estão em constante
movimento.

Esclerênquima – promove sustentação caracterizado pela resistência e elasticidade apresentada por


suas paredes celulares. Uma parede elástica pode ser deformada sob tensão ou pressão, mas reassume
sua forma e tamanho originais quando essas forças desaparecem. Difere do colênquima por ser
formado por células que não retém seus protoplastos na maturidade e por apresentar paredes
secundárias lignificadas, uniformemente espessadas.

8ª Como podemos diferenciar uma célula vegetal de uma célula animal numa visualização
microscópica? Quais organelas são exclusivas dos vegetais?
A difença da célula animal para vegetal,é observada através de algumas organelas presentes em
uma ou outra;Na visualisação ao microscópio ótico,temos na célula vegetal(uma lâmina com
casca de cebola por exemplo)a evidência da parede celular.No estudo mais detalhado temos nos
vegetais organelas como cloroplasto,vacúolos( só presente nos animais nas células adiposas).
Outra diferença esta no fato de as células vegetais não possuirem lisossomos,e em sua divisão
celular a citocinese é de fora para dentro,ou seja,surge uma parede(lamela média)que divide as
células,e na mitose animal temos a citocinese de dentro para fora,essas são as diferenças
básicas.

9ª Qual a função dos meristemas?

Meristema primário - promover o crescimento longitudinal (altura).

Meristema secundário - promove um crescimento latitudinal (largura, espessura) a partir do


tecido primário (produto do meristema primário)

10ª Cite e explique as estruturas secretoras externas e interna dos vegetais.

Estruturas secretoras externas:

1. Coléteres são tricomas multicelulares, emergências ou glândulas vascularizadas que produzem


secreção mucilaginosa e/ou lipofílica. Esta secreção protege órgãos vegetativos e reprodutivos em
diferenciação contra a dessecação, enquanto a porção lipofílica atua como dissuasivo contra
microorganismos. Atribuem-se a esta secreção, ainda, a promoção de associações simbióticas com
bactérias e a facilitação do deslizamento entre as superfícies durante o desenvolvimento dos órgãos.

2. Nectários extraflorais e florais. Os nectários são glândulas produtoras de secreção predominante


em açúcares

2.1 Nectários extraflorais São muitas as definições e conceitos de nectários extraflorais, sendo mais
simples e adequadas aquelas que os consideram como estruturas secretoras de néctar não envolvidas
diretamente com a polinização, presentes em caules jovens, pecíolos, estípulas, lâminas foliares e
estruturas reprodutivas.
2.2 Nectários florais Um exemplo de estudos estruturais que abrangem nectários florais é o de
Phyllanthus acidus, uma espécie da America Central que apresenta flores femininas, masculinas e
hermafroditas, denotando um caso de trimonoicia.

3. Hidropótios Tricomas ou estruturas geralmente multicelulares encontrados nas superfícies


submersas das folhas de mono e dicotiledôneas aquáticas de água-doce. Estão envolvidos no
transporte de água e sais, sendo capazes de reter mais íons minerais – de duas a três vezes – que as
demais células da epiderme.

4. Hidatódios Estruturas encontradas nas ornamentações (dentes, crenas etc.) das margens das folhas
que secretam, por processo ativo (gutação), um líquido de composição variável – desde água pura até
soluções diluídas de solutos orgânicos e inorgânicos na forma de íons.

5. Glândulas de sal Tricomas presentes em folhas de plantas que ocupam ambiente salino. Tais
estruturas evitam um nível nocivo de acúmulo de íons minerais nos tecidos de algumas espécies de
halófitas, como em espécies de Laguncularia, que se desenvolvem em mangue, secretando o excesso
de sal na forma de soluções salinas. A fonte do material a ser secretado é a corrente transpiratória: os
íons são conduzidos das células do mesofilo até as células basais dos tricomas por meio de
plasmodesmos e, destas até as secretoras, via simplasto.

6. Glândulas digestivas Alguns tipos de estruturas secretoras, como nectários e tricomas secretores
de mucilagem, podem ser encontrados nas folhas das plantas carnívoras, mas as que garantem a
caracterização desta síndrome são as glândulas digestivas.

7. Tricomas urticantes Tricomas presentes em espécies pertencentes à Euphorbiaceae,


Hydrophyllaceae, Loasaceae e Urticaceae, que produzem uma secreção que causa reação alérgica, a
qual varia de irritação suave até a morte, dependendo das espécies envolvidas e das circunstâncias em
que se deu o contato entre a planta e o animal. Constituem, pois, elementos de defesa das plantas que
os possuem. Além da reação alérgica, os extratos bruto e dialisado da secreção de espécies de Urtica
provocam dor. O tricoma consiste de uma única célula vesiculosa na base e gradualmente afilada em
direção ao ápice, cuja região intermediária entre a base e o ápice lembra um tubo capilar fino.
Quando este tricoma é tocado, o ápice rompe-se ao longo de uma linha predeterminada e o liquido
que está sob pressão no interior do tricoma é introduzido no corpo do animal.

8. Osmóforos, ou glândulas de odor, produzem e liberam compostos voláteis associados ou não à


atração de polinizadores. Os odores produzidos são compostos majoritariamente por óleos voláteis –
terpenos e compostos fenólicos de baixo peso molecular. As flores de Orchidaceae apresentam
osmóforos com estruturas polimórficas consistentes como estados de caráter. Estas glândulas são
descritas anatomicamente como células epidérmicas simples, tricomas ou papilas nos lobos e na
superfície do calo do labelo.

9. Elaióforos são estruturas glandulares produtoras de lipídios no estado líquido. Os polinizadores


podem utilizar o exsudato lipídico como fonte de alimentação, devido ao seu valor nutricional ou
como cola na construção e reparação de ninhos. Os elaióforos estão presentes em regiões
diferenciadas na epiderme do perianto e perigônio, encontrados sob dois tipos celulares definidos,
epidérmico e tricomáceo.

Estruturas secretoras internas:


1.Idioblastos secretores são células individualizadas de composição química distinta das células que
a cercam; apresentam formato variável e são classificadas de acordo com as substâncias sintetizadas

2. Canais (ou dutos) e cavidades (ou bolsas) são glândulas compostas por um epitélio de células
secretoras que delimitam um lume, alongado nos canais e isodiamétrico nas cavidades, no qual o
material é secretado; este exsudato pode possuir natureza química variável.

3. Laticífero é uma célula especializada ou uma fileira de células que contêm látex. O látex é uma
suspensão ou emulsão de pequenas partículas de terpenos (óleos essenciais, resinas) e ceras dispersas
em uma solução que contém sais, polissacarídeos, ácidos orgânicos, alcalóides, enzimas proteolíticas,
etc. A borracha não é um componente universal.

Os laticíferos não-articulados são multinucleados. Eles se desenvolvem a partir de uma única


célula que se alonga muito com o crescimento da planta. Estes laticíferos são também chamados de
células laticíferas. Em algumas plantas, eles se desenvolvem em tubos chamados laticíferos não-
articulados não-ramificados. Em outras espécies, eles se ramificam repetidamente, formando sistemas
imensos. Estes laticíferos são chamados não-articulados ramificados.

Os laticíferos articulados consistem de séries simples ou ramificadas de células que são


normalmente alongadas. As paredes terminais destas células permanecem inteiras ou tornam-se
porosas ou desaparecem completamente. No último caso, o resultado final é uma estrutura longa e
multinucleada como encontrada nos laticíferos não-articulados. Para diferenciá-los, é necessário um
estudo ontogenético do laticífero. Os laticíferos articulados simples são chamados articulados não-
anastomosados (ou não-ramificados), enquanto os laticíferos articulados ramificados que se formam
de ramificações laterais são chamados de articulados anastomosados (ou ramificados).

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