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UM CONVITE À REBELDIA: POR UM PSOL DAS RUAS E DAS LUTAS

TESE DA COMUNA E INDEPENDENTES AO VII CONGRESSO ESTADUAL DO PSOL CEARÁ

“Assim é a vida. É preciso tomá-la corajosamente, sem


medo, sorrindo – apesar de tudo”

Rosa Luxemburgo, do cárcere, em 1917.

Saudações aos que lutam. Inspirados pelas palavras de Rosa Luxemburgo, que não
deixou o horror da prisão encarcerar sua utopia socialista, apresentamos ao conjunto da
militância do PSOL Ceará nossa contribuição ao VII congresso do partido.

Este documento apresenta posições coletivamente discutidas pela Comuna e por


militantes independentes que construímos o PSOL em todo o Ceará. Posições que serão
defendidas nas plenárias municipais e no congresso estadual, e que refletem nossa leitura
da conjuntura, das tarefas partidárias, da presença do PSOL nas lutas e no processo eleitoral.

Não pretendemos esgotar as discussões com este texto, pelo contrário, queremos
que ele seja um ponto de partida para o diálogo com a militância do partido. Um texto aberto
para contribuições, sujeito a críticas e a novas adesões no decorrer dos próximos meses.

O exemplo de Rosa, que nos deixava há 101 anos, nos anima a defendermos que na
conjuntura adversa que atravessamos, nossas convicções revolucionárias sejam aquecidas
pelo calor da luta popular. A esperança militante de ver superadas todas as formas de
exploração e opressão não pode dar lugar ao desânimo em que o projeto reacionário quer
nos ver enclausurados.

Fazemos à todas e todos UM CONVITE À REBELDIA, para que o PSOL fortaleça e


seja fortalecido nas lutas e nas ruas.

1. Conjuntura Internacional e Nacional

Vivemos em um Mundo que passa por um forte processo de limitação da democracia


formal como parte da solução dos capitalistas para sua crise. Esta limitação se faz sentir de
diferentes maneiras de acordo com cada formação social nacional. Na zona do euro, a partir
da atuação das chamadas “instituições europeias” que, não tendo sido eleitas por ninguém,
ditaram as regras a que os governos nacionais haveriam de se submeter, impondo um ajuste
econômico privatizante que desmantelou parte da proteção social dos países onde a crise se
aprofundou. Em um artigo de opinião de 2015, o camarada Michael Löwy chamou a este
processo de “democracia de baixa intensidade”, lembrando também que o século XX é farto
em exemplos de supressão de garantias democráticas como parte da própria dinâmica do
desenvolvimento do capitalismo.
Deslocada geograficamente do centro para a periferia do capitalismo, a crise tem
reforçado no sul do Mundo um disciplinamento dos países de economia dependente aos
interesses imperialistas. A pilhagem da natureza – convertida em mercadoria – é uma das
principais características desse processo, que reafirma no arranjo econômico global o
posicionamento das economias capitalistas periféricas como exportadoras de produtos
primários.

A ascensão na América Latina – por eleições ou processos ilegítimos – de governos


alinhados organicamente aos interesses estadunidenses é uma pista para compreendermos
que o curso que se desenvolve no Brasil reflete tendências internacionais. Recentemente, o
golpe na Bolívia foi uma expressão mais violenta desta dinâmica. Mas o golpe parlamentar
de 2016 no Brasil, os governos de Macri e Piñera, a consolidação do Grupo de Lima e a
ascensão de Bolsonaro participam desta mesma dinâmica.

Os povos originários estão na linha de frente do enfrentamento a este processo de


neocolonização e a classe em seu conjunto tem levado adiante lutas no Chile e no Equador,
desmontando o fatalismo daqueles que de tempos em tempos proclamam o fim da história.
A Colômbia passou, recentemente, por uma histórica Greve Geral. A derrota eleitoral de
Macri, na Argentina, embora sucedido por um peronismo moderado, corrobora para uma
caracterização de que os rumos do continente estão em disputa. Não é só a extrema-direita
pró-imperialismo que joga no tabuleiro latino-americano da luta de classes, há que levar em
conta as muitas lutas que estão em curso para uma caracterização fidedigna do quadro atual.

Vivemos um dos períodos mais dramáticos da história do Brasil. Temos um governo


conformado por uma frente entre setores das Forças Armadas, ultraliberais, fundamentalistas
religiosos e um clã familiar conformado por fascistas e milicianos. Esse encontro entre liberais
e reacionários no governo Bolsonaro faz com que o Brasil seja um laboratório para o resto do
mundo. Esta combinação leva o governo a realizar os maiores ataques à classe trabalhadora,
aos setores explorados e oprimidos da sociedade e ao meio ambiente, pelo menos, desde a
redemocratização do país. Essa “frente”, embora enfrente crises de várias ordens, conta com
o apoio, no fundamental, do grande capital nacional e internacional.

A crise econômica continua mantendo milhões de brasileiros e brasileiras no


desemprego ou no trabalho cada vez mais precarizado. Os grandes centros urbanos, com
destaque para o Rio de Janeiro e Fortaleza, continuam a conviver com a violência policial
extrema, penalizando especialmente os jovens negros das periferias. O feminicídio e a
LGBTTfobia continuam a ceifar vidas.

O ataque desfechado contra a cultura e a educação, para além de desmontar o


sistema de ensino para reduzir gastos, visa fortalecer uma base ideológica neofascista, para
reduzir as possibilidades da luta e a construção de uma sociedade democrática, socialmente
plural e economicamente igualitária.

Além dessas questões, a degradação ambiental, embutida no processo produtivo


capitalista, ganhou dimensões extraordinárias nos últimos meses. É organizado o “Dia do
Fogo” como caracterização do desprezo deste setor à preservação da Amazônia e dos
diversos biomas, como o Cerrado, tão importantes para o equilíbrio e a qualidade de vida no
Planeta. O desastre ambiental brasileiro que está acontecendo no litoral nordestino é tratado
com manobras diversionistas, buscando manter acesa a chama do combate ideológico
permanente típico do bolsonarismo enquanto as medidas concretas para remediar, proteger
ou apurar a causa não são tomadas no tempo hábil. Esta situação é decorrência também do
desmonte da estrutura de proteção e fiscalização do meio ambiente, uma clara política de
governo combinada com a não punição dos setores econômicos aliados. Os principais
impactados são os indígenas, quilombolas, ribeirinhos e todos os trabalhadores que vivem,
buscando preservar para as gerações futuras, dos recursos das florestas, rios e mares.

Mesmo nesse cenário nebuloso, existe resistência. Trabalhadores e trabalhadoras


resistem contra a expropriação das riquezas nacionais e as privatizações. Servidores da
educação e estudantes ocuparam as ruas em expressivas mobilizações sociais contra os
cortes das instituições públicas de ensino. Trabalhadoras e trabalhadores dos Correios, da
PETROBRÁS e dos metrôs continuam resistindo e lutando contra a privatização destes
setores estratégicos para a população e contra a entrega destas empresas para os interesses
do grande capital. Os indígenas e quilombolas levantam-se para defender seus territórios e
modos de vida. Parte do povo, mesmo colocando sua saúde em risco, enfrenta o mais recente
desastre ambiental envolvendo vazamento de petróleo na faixa litorânea nordestina.

Enquanto isso, a instabilidade política do governo se mantém, seja com os novos


capítulos do laranjal do clã Bolsonaro, seja com a nova crise envolvendo a tentativa de
controle do PSL, o que colocou o clã Bolsonaro em rota de colisão com a maioria da direção
do seu próprio partido. Várias ameaças públicas ocorrem colocando sob os holofotes as
vísceras dos velhos esquemas políticos do qual Bolsonaro faz parte.

Essa instabilidade política caminha paralelamente aos ataques aos direitos da classe
trabalhadora e setores populares. O grande capital vai avançando na destruição dos direitos
sociais conquistados com muito sangue, suor e lágrimas de nosso povo. Bolsonaro é o idiota
mais útil de nossa história recente

As mobilizações dos últimos meses não foram suficientes para reverter esse cenário.
Esta reversão depende de uma substancial mudança na correlação de forças da sociedade
brasileira, o que só será possível se avançarmos no nível de consciência e organização da
classe trabalhadora e setores oprimidos. Para alcançarmos esse objetivo, é fundamental
traçarmos uma tática de oposição sem tréguas ao governo Bolsonaro. Este cada vez mais
vem se mostrando o que sempre foi: uma figura caricatural do baixo clero fisiológico e corrupto
do Congresso Nacional incapaz de resolver as questões fundamentais do país.

Nesse contexto, o PSOL terá enormes tarefas na conjuntura, incluindo as eleições


municipais de 2020. Nossos desafios ante a esta conjuntura de ofensiva do conservadorismo
e retirada de direitos são imensos. As eleições serão mais um espaço para apresentarmos à
população uma alternativa antissistema radical, feminista, antirracista e ecossocialista que
combata o capital monopolista, o agronegócio e o imperialismo, apontando saídas para esta
crise que enfrentamos. Para tanto, é fundamental que o partido esteja ombreado com as lutas
da classe trabalhadora e setores oprimidos, buscando colocar-se como representante dos
interesses e necessidades da maioria- ou seja, dos/das explorados/as e oprimidos/as.

2. O Ceará sob o governo Camilo: a mão esquerda do programa neoliberal


“Austeridade e novos desafios!” Assim, Camilo Santana inicia seu segundo mandato
como Governador do Ceará. Mas os primeiros dias de 2019 no estado do Ceará foram mais
difíceis que o normal, em que atravessamos uma crise na segurança pública estadual que
afetou como um todo o funcionamento dos vários serviços e interferido drasticamente na vida
do povo, principalmente das trabalhadoras e trabalhadores.

Vale ressaltar que as raízes dessa crise não surgiram agora, de uma hora para a
outra; na verdade a situação atual aponta para a falência do modelo de segurança pública
adotado há tempos, desde o primeiro mandato de Cid Ferreira Gomes (PDT), centrado
estritamente no fortalecimento de forças repressoras e que não trata de fazer enfretamento
aos problemas estruturais da nossa sociedade. A retórica de um “Pacto por um Ceará
pacífico” preocupado em coibir a criminalidade a partir de ações sociais é cotidianamente
contrastada pela violência policial contra a juventude negra, alinhada com as políticas de
extermínio e encarceramento.

Assim como a juventude é alvo principal, a política de encarceramento do Ceará tem


atingido de forma violentamente grave a vida das mulheres no estado. No Ceará, a
quantidade de mulheres encarceradas multiplicou-se por 4 em 10 anos, levando à
superlotação e violação de direitos humanos. Eram 256 presas em 2009 e atualmente, o
número ultrapassa mil mulheres em privação de liberdade.

Quando da concessão de habeas corpus coletivo para mulheres grávidas pelo STF
no início de 2018, a defensoria pública do estado estimava em 440 grávidas submetidas ao
cárcere. A maioria das aprisionadas são presas provisórias, isto é, sem condenação judicial,
e acusadas de tráfico de drogas. São também as mulheres, companheiras, mães e irmãs,
que acumulam a tarefa de sustentar materialmente e garantir justiça para os mais de 17 mil
presos, a maioria provisórios, no insalubre e violento sistema penitenciário cearense

Ao mesmo tempo em que tem como prioridade da sua agenda a pauta da segurança
pública, ou melhor, do aumento do aparato repressivo do Estado, o governo do PT/PDT tem
como diretriz uma política de educação baseada em índices e avaliações quantitativas. Sem
levar em conta a atual carência de mais de 5 mil professores na rede estadual de ensino está
adiando a convocação do concurso realizado em 2018 em que foram aprovados 2500
docentes ainda sem previsão de quando todos serão convocados.

Aliado de Ciro Gomes, Camilo Santana (PT) fez tramitar em regime de urgência –
solicitado por deputados do PT e PDT – a contrarreforma da previdência, que copia os moldes
daquela aprovada por Paulo Guedes e Bolsonaro. Mais sete anos na idade mínima para as
mulheres e cinco para homens, inclusive na aposentadoria especial de professoras (es).

Em Fortaleza, na última semana de trabalhos do ano de 2019 na Assembleia


Legislativa do Ceará, servidores (as) foram brutalmente reprimidos pelo batalhão de choque
com spray de pimenta e cassetete ao tentar acompanhar as votações, que permaneceu de
portões fechados pelo comando de seu presidente, José Sarto (PDT). Durante toda semana,
a palavra de ordem foi: “Camilo Santana, vergonha nacional, votando a reforma do governo
federal”.
A agenda conservadora de Camilo Santana à frente do governo cearense não é um
ponto fora da curva entre os governos chamados progressistas no Nordeste. Os primeiros a
aprovar a contrarreforma previdenciária foram Dino (PCdoB) no Maranhão e Wellington Dias
(PT) no Piauí. Paulo Câmara (PSB) a aprovou em 10 minutos no segundo turno. Fátima
Bezerra (PT) e Rui Costa já enviaram seus projetos no RN e BA, respectivamente. A
discussão a toque de caixa evita, no entanto, o desgaste eleitoral que aprovar uma medida
como esta poderia ter em 2020. Lembremos que ela terá também uma repercussão para as
aposentadorias de servidores (as) públicos municipais.

Por trás de tudo isso, um projeto político e econômico para o Ceará, baseado numa
ideia de ‘desenvolvimento’ e de ‘progresso’ para poucos. A busca pelo suposto equilíbrio das
contas públicas do estado vem como forma sustentar um determinado projeto de
desenvolvimento pautado nos interesses de grandes corporações e sustentado por fontes de
energia sujas. Nesse contexto, por exemplo, a água das populações mais pobres do estado
e dos povos originários é retirada para alimentar projetos como o da Termelétrica e da
Siderúrgica do Pecém. A resistência dos povos indígenas do Ceará em 2017 e 2018 em
paralelo com a persistência do governo estadual nesses projetos aponta para a possibilidade
de uma “guerra da água” no estado, que tende a tomar proporções cada vez maiores.

Em síntese, estamos diante de um governo que tem uma roupagem mais


“progressista”, sobretudo quando contrastado com o governo federal, mas que na prática
funciona a partir de uma lógica política antipopular. Repressão a movimentos, retirada de
direitos, remoções e destruição ambiental são marcas importantes do governo Camilo
Santana, e entendemos que o papel do PSOL, como instrumento de transformação radical
da sociedade, é não condescender com nenhum desses aspectos. Devemos ser uma
oposição cada vez mais firme e dura a esse projeto porque, além de não ser um projeto que
atende aos interesses das camadas exploradas e oprimidas da sociedade, no limite, ele
fortalece e legitima os piores projetos e argumentos econômicos do governo federal.

3. Nas lutas em curso, o papel da esquerda socialista e a construção de unidades

“Argumentar com o fato de que a social democracia prepara o


terreno ao fascismo para manifestar que a social democracia e
o fascismo são aliados e banir toda a unidade com um para
combater o outro, é cometer um erro”

Ernest Mandel – Sobre o Fascismo, 1969

Entendemos que as lutas concretas travadas contra o desmonte da previdência


pública no primeiro ano de governo Bolsonaro, levadas adiante pelos governos dos estados,
podem nos oferecer algumas lições importantes para a sequência dos enfrentamentos e para
o amadurecimento de um debate sobre a questão da unidade das esquerdas.

Primeiro, devemos perceber que embora a maior parte da população dos estados do
Nordeste tenha rejeitado o programa de Bolsonaro e Guedes nas eleições, a esquerda da
ordem (PT/PSB/PCdoB/PDT) tem viabilizado sua implementação, ampliando o alcance da
reforma da previdência em votações nos parlamentos estaduais. O alinhamento de Camilo a
uma política de segurança pública centrada na repressão reforça tal argumento, com torturas
sendo vivenciadas nas prisões e a criminalização dos territórios periféricos, da juventude
negra e de sua cultura.

Ao invés de construir um polo regional de resistência ao avanço da agenda neoliberal


e repressiva do Estado brasileiro, os governos “progressistas” têm negociado o seu avanço,
tal como faziam quando estavam na administração central. Ou seja, dão sequência nos
governos estaduais à estratégia conciliatória, mesmo quando a burguesia avança de forma
mais brutal sobre os direitos sociais. O resultado deste “piloto automático” da estratégia
conciliatória em tempos de ofensiva burguesa é a direitização ainda maior dos governos
liderados por organizações da esquerda moderada.

Segundo, que embora possa haver (e há) honestidade política em parte da base social
que se sentiu traída, a cúpula dos partidos da esquerda moderada tem um compromisso de
não confrontar o ajuste neoliberal levado adiante pelos seus governos. Assim o fizeram
Acrísio, Elmano e Fernando (bancado do PT na ALCE), votando sem constrangimentos na
reforma da previdência estadual. Isso nos leva a concluir que por mais que no decorrer das
lutas que estamos travando contra a extrema direita, lutadores e lutadoras que mantém
referência no PT e na esquerda moderada sejam nossos aliados, suas direções não são
capazes de levar essa luta adiante de forma consequente.

Este quadro coloca um desafio importante para a esquerda socialista. O de lutar para
constituir os mais amplos espaços de unidade de ação numa frente única da classe
trabalhadora, ao mesmo tempo em que desenvolve uma contundente crítica às direções
pelegas. São direções comprometidas com a ordem e que no movimento sindical, popular e
nos partidos negociam a velocidade da retirada de direitos, porque já não conseguem a esta
se opor, isto quando não a apoiam explicitamente.

Esta caracterização jamais deve servir de argumento para inviabilizar as unidades


necessárias no curso das lutas, tampouco para colocar um sinal de igual entre a esquerda
moderada e a extrema-direita, como nos alerta Mandel. Deve nos deixar vigilantes, por outro
lado, para que compreendamos que se esquerda socialista se coloca sob a liderança das
organizações da esquerda moderada, renunciando a radicalidade de seu programa, não
conseguiremos contribuir para que a classe trabalhadora alcance o patamar necessário de
lutas para que derrotemos a extrema-direita.

Assim, por mais que a necessidade de unidades para os enfrentamentos se coloque,


e vamos a eles com todas e todos que estiverem dispostos a lutar, o horizonte programático
das organizações continua a ser muito distinto. Não podemos defender a renúncia do
programa ecossocialista, antirracista, feminista e anti-lgbtfóbico, por parte da esquerda
revolucionária como parte das exigências ou consequências consequência da construção de
espaços de unidade. Estivemos, por exemplo, nas ruas de Fortaleza com militantes do PT e
PCdoB, que foram também agredidas (os) pela repressão policial do petista favorito de Ciro.
Mas é improvável que desses espaços de unidade resulte uma síntese programática, um
projeto comum entre a esquerda da ordem e a esquerda que contesta a ordem.

Os que tentarem – e os que já tentaram – a aposta num meio termo entre as posições
moderadas do petismo e um programa efetivamente radical, acabarão diluídos na consciência
da classe como parte da geleia geral do “progressismo”, que expôs sofrivelmente os seus
limites no final de 2019. A contrarreforma da previdência desnudou mais um grande acordo
nacional: com progressismo, com tudo. É impossível deixar de lembrar aqui que no dia da
votação da contrarreforma no Senado quase não tivemos mobilização das centrais sindicais
no Brasil. Desde quando tal acordo tinha sido celebrado? Por isso defendemos que o PSOL
saiba atravessar esta adversa conjuntura pautando todas as unidades necessárias e ao
mesmo tempo mantendo sua independência de classe, sua autonomia frente aos partidos da
ordem e sua defesa do projeto socialista.

4. PSOL, concepção de partido, papel na atualidade, papel dos setoriais, balanço e


perspectivas

Para nós, a construção partidária é fundamental. O PSOL é um instrumento político


importantíssimo para a transformação radical do Brasil. Não se constrói uma revolução sem
partido, e não será nenhuma pequena organização sozinha que conseguirá liderar o processo
de transformações radicais que as classes populares brasileiras e todos os setores oprimidos
precisam. Por isso a construção e a defesa de um partido amplo e extremamente plural é
fundamental. Desde o golpe de 2016, algumas organizações no interior do PSOL
embarcaram na ideia de que era necessária a construção de outro instrumento partidário, em
conjunto com setores vindos do PT. Em certa medida, a Plataforma Vamos! foi um ensaio
desse projeto - que visivelmente deu errado. A construção de frentes amplas e de unidade na
luta concreta com todos os setores dispostos a lutar (inclusive os petistas) é imprescindível.
Entretanto, ela só faz sentido na medida em que nossa construção partidária não abre mão
da nossa leitura da realidade, de uma estratégia revolucionária e de um balanço
profundamente crítico do ciclo petista. Por tudo isso o PSOL é um partido necessário, desde
que sigamos na luta para que ele se torne de fato democrático e radical.

Nesse espírito, como é de conhecimento de toda a militância do partido, a Comuna dedicou


uma enorme parte de suas energias para construir o PSOL Ceará nos últimos dois anos.
Mesmo minoritários no partido, fizemos um esforço descomunal (a partir da presidência e da
nossa atuação na Executiva) para regularizar as contas e para manter nosso funcionamento.
Assumimos com uma dívida de dezenas de milhares de reais, pendências trabalhistas e
diversos problemas burocráticos. Aos poucos, conseguimos contribuir muito para a
regularização de toda essa situação porque encaramos essa tarefa como prioridade.

Quando das eleições de 2018, em que houve uma intervenção nacional que desequilibrou
completamente a divisão do fundo eleitoral (destinando 95 mil reais a apenas uma candidata),
buscamos dar transparência a toda a discussão e construir alternativas e propostas a partir
de uma plenária ampla. Sempre lutamos pela manutenção da nossa sede em Fortaleza,
porque entendemos que ela é um espaço importante para a vida partidária. Apresentaremos,
no Congresso, um balanço mais detalhado da situação que encontramos no PSOL e de como
deixamos o partido após esses dois anos.

Buscamos a construção de um partido vivo, pujante, com setoriais e núcleos


funcionando, e não apenas uma legenda eleitoral: um partido construído pela base, com a
dedicação e a militância como combustíveis. Um partido que seja também, como dizia
Gramsci, o intelectual coletivo, formador e militante. Queremos fazer do PSOL-CE um pouco
do projeto que buscamos para a sociedade: um partido feminista, libertário, ecossocialista,
contra qualquer forma de opressão, plural e sobretudo radical e classista!

5. Eleições 2020: programa, política de alianças e organização da campanha eleitoral

No cenário nebuloso que vivemos, muitos setores têm defendido - como forma de
resistir ao avanço da extrema direita - alianças eleitorais mais amplas. Entretanto, nós
entendemos que possíveis unidades eleitorais das organizações da esquerda socialista com
PT e seus satélites contribuem para inviabilizar o fortalecimento de um polo de esquerda
consequente e radical. Afundam toda a esquerda – da moderada à radical – no naufrágio
“progressista”. Podemos resistir com todas e todos que tiverem disposição de ir às ruas, mas
vivemos tempos que exigem mais do que a resistência. Uma alternativa de futuro passa
necessariamente pela superação dos limites da estratégia conciliatória. Se enganam os que
pensam que esta desmoronou completamente com golpe de 2016. Continua firme e forte, e
os governos “progressistas” dos Nordeste fizeram o terrível favor de nos lembrar.

Nesse sentido, não defendemos a naturalização de alianças com o chamado “campo


progressista” no estado. Dada a leitura que fazemos do governo Camilo Santana e da atuação
dos Ferreira Gomes no estado, não tem sentido acreditar que nossas soluções passam por
alianças eleitorais com esses setores. O papel do PSOL é se apresentar como alternativa
radical à realidade colocada, não como linha auxiliar de um projeto que nunca nos pertenceu.
Há setores que acreditam que a moderação e as alianças são o caminho para vitórias
eleitorais, e que por isso seriam justificáveis. Nós, signatários desta tese, acreditamos que o
momento que vivemos é justamente o da implosão da moderação e do centro político e que
portanto é necessária a emergência de alternativas radicais. A direita radical já demonstrou
sua força ao aparecer sem máscaras e boa parte das pessoas que estão revoltadas com o
sistema e com sua situação atual de vida acreditaram que daquela radicalidade viria a
alternativa. De nossa parte, cabe ao PSOL-CE se apresentar no estado como alternativa
radical, para mostrar que há radicalidade de esquerda e popular no estado, e utilizar as
eleições sobretudo para apresentar essa alternativa.

Nas principais cidades do estado, o PSOL tem a tarefa fundamental de lançar


candidaturas majoritárias próprias, para apresentar seu programa para a sociedade,
denunciar os limites da conciliação e não calar sobre as contradições e os retrocessos do
governo do Estado (e suas diversas reverberações nos municípios). Precisamos lançar
amplas chapas de vereadoras e vereadores para difundir esse programa e buscar, onde for
possível, disputar efetivamente lugar nos parlamentos municipais.

Assinam esta tese:


ACARAPE

1.Leopoldo Ferreira Gonçalves

2.Shalom Bezerra da Costa

ASSARÉ

1.Francisco Daniel Arrais

AQUIRAZ

1.Eudislandia Rodrigues Almeida

2.Francisco Clebio Cirino Vieira

3. Renato Lobo de Castro

ARACATI

1.Adriana Coutinho da Costa

BARBALHA

1.Jetulho Bem Costa

BATURITÉ

1. Eduardo Cesar de Sousa

2.Francisca Iara Santos Ramos

3.Josimar dos Santos

4.Maria Rosilene Ramos

5.Max Wel Batista Rodrigues

6.Wagner Vasconcelos Ribeiro

BELA CRUZ

1.Carlos André de Souza Araújo

2.Marcos Rubens Silveira

3.Maria do Socorro Lima Vasconcelos

4.Maria Janaina dos Santos

CAMOCIM

1. João Batista dos Santos

2.Maria Conceição Alves Correia


3.Ray da Costa Fontenele

4.Roberto Mota Lopes

CAUCAIA

1. Ana Victória Mendes de Carvalho

2.Celia Freitas

3.Diogo Augusto Araújo dos Santos

4.Felipe Firmino Ferreira

5.Felipe Wesley da Silva Martins

6.Francisco Gleiciano de Morais Costa

7. Francisco Felipe da Silva Garcia

8.Francisco Honório de Abreu Neto

9. Hugo Brilhante

10.Iamara Silva Mendonça

11.Joelma Teixeira da Silva

12. José Alves de Freitas Júnior

13.José Augusto de Morais

14.Lucas Tadeu Rodrigues Lins

15.Maria Évila Moura Almeida

16. Maria Rafaela Lima Ferreira

17.Paulo Rubens Barbosa França (Anacé)

18. Rafael Nojosa

19.Roberto Marques (Cacique Anacé)

20. Tiago de Sousa Domingos da Silva


21. Yasmin Alves (Anacé)
CASCAVEL

1.Adeliene de Lima Nobre

2. José Maria Nobre Dantas

3.José Nildo Nobre Dantas

CRATO
1.Alessandro Cavalcante de Lima

CRATEÚS

1.Adriana Calaça de Paiva França

2.Edilson Alves Martins Pinto

3.Francisca Maria Angelo Rodrigues

FORTALEZA

1.Adelgisio Oliveira Lima Neto

2. Ailton Claecio Lopes Dantas

3. Alcina Galeno Lima

4.Alice Sousa Silva Rocha

5. Aline Mourão de Albuquerque

6.Amanda Luiza Passos de Sousa

7.Ana Cláudia Maia da Silva

8. Ana Ester Maria Melo Moreira

9. Andrea Bezerra Crispim

10. André Luis Alves Saraiva Teles

11.André Luiz Gonçalves Lopes

12.André Luiz Torres de Oliveira

13. Antonio Anderson Albuquerque Venancio

14.Antonio Jeovah de Andrade Meireles

15. Antonio Laudenir Gomes do Nascimento

16.Antonio Tavares de Sousa Neto

17.Arthur do Nascimento Sales

18. Barbara de Oliviera dos Reis

19. Barbara Morais Gomes

20. Beatriz Rego Xavier

21.Bianca Silva Campello

22.Bruna Damasceno Queiroz


23.Bruno Pereira Martins

24.Caio Lucas do Carmo Prado

25.Camila Gouveia de Oliveira

26.Carina Souza Costa

27.Carlos Alberto Gomes Bomfim Filho

28.Caludia Cristina de Araújo

29.Claudemir Pereira dos Santos

30. Cleidilene de Oliveira Pereira

31.Daniel Rogers de Souza Ferreira

32.Danilo de Andrade Oliveira

33.Diego Renan Cavalcante Saboia

34.Eduardo Duarte Ferreira

35. Erico Dias Costa

36.Gabrielle Marianne Nobre Dantas

37.Gerardo Rocha de Oliveira Filho

38. Guilherme Amorim Montenegro

39.Felipe Siqueira Nunes

40.Fernando Machado da Silva

41.Fran Yan Coelho Tavares

42.Francisca Maria do Nascimento

43.Francisco Joel Nascimento Gomes

44.Francisco José do Nascimento Júnior

45.Francisco Assis da Silva

46. Gabriel Augusto Coêlho de Santana (Comuna)

47.Gabrielle Marianne Nobre Dantas

48. Gilda Wright de Faria Iacovini (Comuna)

49.Gilliard Santos da Silva

50.Gilvanda de Souza Santos


51.Hanna Jook Otaviano Rodrigues

52.Herondhy da Silva Feirreira

53. Iran Adriano Sousa de Oliveira

54.Isac Santos da Silva

55.Israel da Silva Sousa

56.Januário Gomes Maia

57. Jeovana da Costa Barbosa

58. Jessica Oliveira dos Reis Lamblet

59. João Eclecian Guimarães de Mourau

60.João Gabriel Santos Silva

61.João Roberto Lopes de Azevedo

62.José Brigido Costa Filho

63.José Carlos Bastos Emídio

64. José Júlio Silveira Oliveira

65. José Patricio de Andrade Neto

66.Kaelly Virginia de Oliveira Saraiva

67. Kathelyn Nayane Francisca de Freitas Nobre

68. Larisse Amaral Marajo

69.Leonardo Lima Vasconcelos Carneiro

70. Louise Anne de Santana

71. Luiz Mário Candido Marques

72.Michele Pereira Castro

73. Marcel Gomes Cabral

74.Marcelo Mota Capasso

75.Marcio Alan Menezes Moreira

76.Marcio Jordão Severino de Oliveira

77.Marconde Cordeiro de Sousa

78.Margarida da Silva Sousa


79.Maria Clarisse Sousa Costa

80. Maria Norma Colares de Serra

81.Maria Odete Torres de Oliviera

82.Maria Oliveira Pereira

83.Maria Samya Magalhães Lima

84. Marília Soares Cardoso

85.Mariana Marques Ferreira

86. Matheus Coelho Inocêncio

87.Maykon Lennon Costa dos Santos

88. Nardier Lima de Oliveira

89.Nayara Aline Soares Mendonça

90.Paulo de Tarso Telles Ramos Filho

91.Priscila Lima de Castro

92.Rafael Cardoso Figueiredo

93.Rafael dos Santos da Silva

94.Rafael Silva Cunha

95.Rafael Valente Rodrigues Silva

96. Ramon Rawache Barbosa Moreira de Lima

97.Rayara Oliveira de Santana

98.Raylsson Santos Almeida

99. Roberta Menezes Souza

100.Roberto José de Araújo

101.Roberto Ribeiro Maranhão

102.Rodrigo Santaella Gonçalves

103.Rosa Cristina Primo Gadelha

104. Ruy Cabral Amorim Neto

105. Sandra Castro Forte

106. Sandra Tedde Santaella


107.Sergio Henrique de Almeida Freitas

108.Simone Farias Cabral de Oliveira

109.Tainara Estefani Soares de Lima

110.Tessie Oliveira dos Reis

111.Tiago Albuquerque Maia

112.Tiago Moreno Leite Gusmão

113.Tiago Antonio Pimenta Cunha

114. Vanda Maria Martins Souto

115.Victor Feitosa de Farias de Oliveira

116.Walber Nogueira da Silva

117.William dos Santos Lacerda Silva

118.Yure Brasil Soares

IBARETAMA

1.Lauriana de Almeida Alves Rebouças

2. Walter Ferreira Rebouças

ICAPUÍ

1.Antonio Adolfo de Carvalho Maia

IGUATU

1.Daniel de Araújo Nunes

2. Edivanildo Rodrigues de Araújo

3.Francilene Cândido dos Santos

4. José Márcio Alves

5.Luan Layzon Souza Silva

6.Ronildo Ferreira Andrade

JAGUARUANA

1.João Joel de Oliviera Neto

2.Selma Cristina Nogueira

LIMOEIRO DO NORTE
1. Francisco George Maia Lima

2.Jovelina Silva Santos

MARACANAÚ

1. Atila da Costa Lima

2. Carlos Eduardo Gosmes da Silva

3. Carmem Firmino da Costa

4.Ciro Augusto Mota Matias

5.Francisco das Chagas de Souza Sobrinho

6.Francisco Edson Barbosa Marques

7. Hiago da Silva Lima

8. Marília Martins Bernardino

9. Maria Dervania de Oliveira Souza

10.Rosangela Virginia Costa de Araújo

11. Valdisia Gomes da Silva

12.Wlabert Sousa Sabino

13. Yorrana Silva Mendas

MARANGUAPE

1.Francisco Clecio Silva de Sousa

2.Graziela William Martins Lima

3.José Baman Vieira Filho

4. Lucas Torres Vilas Boa

5.Miguel Alves de Matos

6.Yumi Nayara Grego Vieira

MORADA NOVA

1. Aureliano Nobre da Cunha

2.Nathalia Lima Maia

OCARA

1.Rômulo Aldo de Oliveira Castro


PACAJUS

1. Antonio Isaias Cavalcante da Cruz

2.Eliandra Cavalcante da Cruz Almeida

3.José Caio Oliveira Calixto Moreira

4.Rafael Oliveira da Rocha

5.Paulo Nayton Meneses Modesto

PARAIPABA

1.Carlos Henrique Lima

SÃO BENEDITO

1.Glailson do Nascimento Paiva

SÃO LUÍS DO CURU

1.Maria Sofia Silveira Abreu (nome social)

SOBRAL

1.Ivan Gabriel Sousa Feijó

2.Jerônimo Brito Aragão

SENADOR POMPEU

1. Antonio Ismael da Silva Lima

2. Mayk Lenno Henrique Lima

TABULEIRO DO NORTE

1.Cristiano Silva da Rocha Diógenes

2.Kenia Nogueira Diógenes da Rocha

TIANGUÁ

1.Leandro de Jesus Araújo Lima

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