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5Relatório Pedagógico

Aplicação do Projeto
Instituto Jacarandá de Educação Infantil

12 Fotografias
Aplicação do projeto

16 Conclusão
Agradecimentos
Extensivo 2019 5

UM POUCO SOBRE O PROJETO um novo material.


Segundo Monteiro e colaboradores (2001), a
Somos três amigos que têm uma mesma reciclagem pode trazer vários benefícios, entre eles:
paixão: o conhecimento! Nesses anos todos na sala diminuição da quantidade de lixo a ser aterrada, pre-
de aula, compreendemos que ao mesmo tempo em servação de recursos naturais, economia de ener-
que ensinamos diversas coisas, aprendemos outras gia, diminuição dos impactos ambientais e geração
tantas. Sempre buscamos nos aperfeiçoar e de empregos diretos e indiretos.
Uma das formas para reduzir os resíduos sólidos No Brasil, há uma classe de trabalhadores de
aterrados em solo é a reciclagem que pode ser de- baixa renda que usufruem da atividade de coleta de
finida como o processo no qual materiais que não resíduos recicláveis e acaba por inserir o país entre
se degradam facilmente são utilizados como matéria os maiores recicladores mundiais. Mesmo estando
prima na obtenção de outros materiais que, em ge- nesta classificação, dados apresentados pelo Institu-
ral, têm características semelhantes (SANTOS et al., to Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) infor-
2004; VALLE, 1995). maram que apenas 1% do lixo produzido no Brasil é
O processo de reciclagem envolve 3 etapas: reciclado (SANTOS et al., 2004).
a coleta seletiva, a triagem e a fabricação. Santos e colaboradores (2004) afirmam que
A coleta seletiva consiste em separar os ma- os materiais mais utilizados para reciclagem no Bra-
teriais reciclados daqueles não reciclados (orgâni- sil são, por ordem, o alumínio, papelão, vidro e plás-
cos). Esta etapa pode ser realizada com participação tico. Aproximadamente 85% do alumínio descartado
direta da população ou não (MARTINS, 2003). é reciclado no Brasil, 72% do papel/papelão, 42% do
Para facilitar a identificação e separação dos vidro e 26% do plástico. O fato de estes materiais se-
materiais na chamada pré-triagem, o Conselho Na- rem os mais reciclados, justifica as lixeiras com se-
cional do Meio Ambiente (CONAMA, 2011) estabe- paração de lixo possuírem, em geral, as cores azul,
leceu uma resolução (No 275 de 25/04/2001) que vermelho, verde, amarelo e marrom.
envolve um código de cores para os diferentes tipos Resultante de um concurso público promovi-
de resíduos, conforme Tabela 1. do por uma empresa de Chicago, a Figura 1 a seguir
A triagem ocorre após a coleta em galpões, é considerada o símbolo internacional de reciclagem
usinas e unidades de triagem; e consiste em separar e, quando presente em um material, identifica o seu
os recicláveis conforme o tipo de material seguindo potencial para a reciclagem (JONES e POWELL,
de um pré-tratamento, isto é, lavagem, prensagem e 1999):
enfardamento (MARTINS, 2003).
Na etapa final, o material sofre modificações
de suas características físicas e um novo produto é
fabricado (RUBERG et al., 2000). Ou seja, o mate-
rial, antes lixo, é matéria prima para a obtenção de
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MÓDULO 1: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA:


No Brasil, esse tipo de variação lingüística é
“ Que importa que uns falem mole bastante grande e pode ser facilmente observada. É
Descansado uma variante cujas marcas se notam principalmente
Que os cariocas arranhem os erres na garganta na pronúncia (sotaque), mas que possui também mo-
Que os capixabas escancarem dificações quanto ao uso do léxico e em estruturas
As vogais? sintáticas.
Que tem quinhentos réis meridional
Vira tostões do Rio pro Norte? Juntos formamos este Vejamos um exemplo:
assombroso De misérias e grandezas,
Brasil, nome de vegetal ...” — “Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me
ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz-
Mário de Andrade -megerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...? (...)
— “Saiba vosmecê que saí ind’hoje da Serra, que
O poema de Mário de Andrade serve de in- vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra
trodução ao nosso próximo assunto, a VARIAÇÃO mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro...” (...)
LINGUÍSTICA . Como sabemos, a língua não é — “Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum
um elemento imutável, pelo contrário, passa o tem- ninguém ciente, nem têm o legítimo — o livro que
po todo por alterações. Quando ouvimos na rua uma aprende as palavras... É gente pra informação torta,
gíria nova ou lemos uma edição mais antiga de deter- por se fingirem de
minada obra literária, por exemplo, estamos diante do menos ignorâncias... Só se o padre, no São Ão, capaz,
fenômeno da variação linguística, vamos ver agora de mas
que modo isso ocorre: com padres não me dou: eles logo engambelam... A
bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no
A VARIAÇÃO HISTÓRICA pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que
já lhe perguntei?”
A variação histórica ocorre ao longo de um Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:
determinado período de tempo e pode ser identifica- — Famigerado?
da ao se compararem dois estados de uma língua. O Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o
processo de mudança é gradual. A forma antiga per- caroço: o verivérbio.
manece ainda entre as gerações mais velhas, período — Famigerado é inóxio, é “célebre”, “notório”, “no-
em que as duas variantes convivem; porém com o tável”...
tempo a nova variante torna-se normal na fala, e fi- — “Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não
nalmente consagra-se pelo uso na modalidade escrita. entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É
As mudanças podem ser de grafia ou de significado. de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?”
— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões
Será que você consegue identificar o poema abaixo? neutras, de
outros usos...
Media in via — “Pois... e o que é que é, em fala de pobre, lingua-
gem de em dia-de-semana?”
Media in via erat lapis erat lapis media in via erat — Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece
lapis louvor, respeito... (João Guimarães Rosa, do conto
media in via erat lapis. Famigerado, in Primeiras estórias).
Non ero unquam immemor illius eventus pervivi tam
míhi in retinis defatigatis. VARIAÇÃO SOCIOCULTURAL.
Non ero unquam immemor quod media in via erat la-
pis Agrupa alguns fatores de diversidade: o nível
erat lapis media in via media in via erat lapis. sócio- econômico determinado pelo meio social onde
vive o falante; seu grau de educação; idade e o sexo.
(Carlos Drummond de Andrade) Essa variação não compromete a compreensão en-
tre indivíduos, como poderia acontecer na variação
A VARIAÇÃO GEOGRÁFICA OU REGIO- regional; além disso, o uso de certas variantes pode
NAL indicar qual o nível sócio-econômico de uma pessoa.
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Alguns exemplos:
Variação sociocultural por profis-
Variação sociocultural por classe social: sões:

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio


Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

(Oswald de Andrade)

Variação sociocultural por idade:

DIVERTIMENTOS COM O PROFESSOR!

01. Você pode dar um rolê de bike, lapidar o estilo a


bordo de um skate, curtir o sol tropical, levar sua gata
para surfar. Considerando-se a variedade lingüística
que se pretendeu reproduzir nesta frase, é correto afir-
mar que a expressão proveniente de variedade diversa
é:

(A) “dar um rolê de bike”


(B) “lapidar o estilo”
(C) “a bordo de um skate”
(D) “curtir o sol tropical”
(E) “levar sua gata para surfar”

02. As aspas marcam o uso de uma palavra ou ex-


pressão de variedade lingüística diversa da que foi
usada no restante da frase em:
Variação sociocultural por grupos
sociais: (A) Essa visão desemboca na busca limitada do lucro,
na apologia do empresário privado como o “grande
herói” contemporâneo.
(B) Pude ver a obra de Machado de Assis de vários
ângulos, sem participar de nenhuma visão “oficiales-
ca”.
(C) Nas recentes discussões sobre os fundamen-
tos da economia brasileira, o governo deu ênfase
ao “equilíbrio
fiscal”.
(D) O prêmio Darwin, que “homenageia” mortes es-
túpidas, foi instituído em 1993.
(E) Em fazendas de Minas e Santa Catarina, quem
aprecia o campo pode curtir o frio, ouvindo “cau-
sos” à beira da
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fogueira. razão
nóis arranja outro lugar
Observe o texto abaixo: só se conformemo quando Joca falou
Deus dá o frio conforme o cobertô
Só falta o Senado aprovar o projeto de lei [sobre o usoE hoje nóis pega palha nas grama do jardim
de termos estrangeiros no Brasil] para que palavras E pra esquecê nóis cantemo assim: Saudosa maloca
como shopping center, delivery e drive-through sejam Maloca querida
proibidas em nomes de estabelecimentos e marcas. Dindindonde nóis passemo dias feliz de nossa vida
Engajado nessa valorosa luta contra o inimigo ian-
que, que quer fazer área de livre comércio com nos- (Adoniran Barbosa)
so inculto e belo idioma, venho sugerir algumas
outras medidas que serão de extrema importância 04. No fragmento acima, observa-se o emprego esti-
para a preservação da soberania nacional, a saber: lístico de um registro de língua que:

• Nenhum cidadão carioca ou gaúcho poderá (A) apresenta exemplo vivo da fala de um
dizer “Tu vai” em espaços públicos do território na- personagem enunciador de determinado padrão so-
cional; Nenhum cidadão paulista poderá dizer “Eu lhe ciocultural;
amo” e retirar ou acrescentar o plural em sentenças (B) ao se afastar da norma culta, passa a configurar
como “Me vê um chopps e dois pastel”; erros grosseiros que impedem a comunicação;
• Nenhum dono de borracharia poderá escrever (C) representa uma situação de linguagem figurada
cartaz com a palavra “borraxaria” e nenhum dono de rejeitada,
banca de jornal anunciará “Vende-se cigarros”; mesmo em textos poéticos;
• Nenhum livro de gramática obrigará os (D) ao utilizar a fala de personagem de segmento
alunos a utilizar colocações pronominais como “ca- social excluído, exemplifica um registro inaceitável;
sar-me-ei” ou “ver-se-ão”. (PIZA, Daniel. Uma pro- (E) discute a variante lingüística usada por
posta imodesta. O Estado de S. Paulo, São falantes descompromissados dom o ensino escolar.
Paulo,
8/04/2001). Texto para as questões 5 e 6. Querido José

03. No texto acima, o autor: Escrevo-te estas poucas linhas para recordar o passa-
do entre nós dois. José desde aquele dia em que me
(A) mostra-se favorável ao teor da proposta por en- encontrei com você na praça Tiradentes e depois você
tender que a língua portuguesa deve ser protegida não veio mais falar comigo, eu fiquei muito triste mas
contra deturpações de uso. não deixei de pensar em ti, (…) peço que venha falar
(B) ironiza o projeto de lei ao sugerir medidas que comigo, que daí nós se acertamos, eu quero ser
inibam determinados usos regionais e socioculturais feliz com você, é triste a gente andar como cigana,
da língua. jogada de um canto a outro, estarei morta para teu co-
(C) denuncia o desconhecimento de regras ele- ração? (…) sou tua na expressão da verdade. Maria.
mentares de concordância verbal e nominal pelo fa-
lante brasileiro. P. S. Tenho certeza que desculpas a minha letra, bem
(D) revela-se preconceituoso em relação a certos sabes que sou quase analfabeta. A mesma. (Dalton
registros lingüísticos ao propor medidas que os con- Trevisan)
trolem.
(E) defende o ensino rigoroso da gramática 05.A linguagem do texto denota que a personagem:
para que todos aprendam a empregar corretamente
os pronomes. (A) comete erros em função de seu estado
emocional, embora domine a norma culta e a mo-
SAUDOSA MALOCA (fragmento) dalidade escrita da língua.
(B) tem consciência de que comete falhas gramaticais,
e fumo pro meio da rua apreciá a demolição já que associa seu quase analfabetismo à caligrafia.
que tristeza que eu sentia (C) tem domínio da modalidade escrita da língua,
cada tauba que caía me doía no coração Matogrosso haja vista o uso do pronome tu, mais adequado ao
quis gritá mas em cima eu falei os home tá com a conteúdo emotivo da
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carta. uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive,


(D) utiliza, conscientemente, registros que se opõem genéticas?
à norma culta, com o propósito de se fazer entender – Pode.
pelo namorado. – Uma saudação para a minha genitora.
(E) usa expressões que sugerem a percepção de – Como é?
que a modalidade escrita difere da modalidade fala- – Alô, mamãe!
da, apesar de não – Estou vendo que você é um, um...
dominar a norma culta. – Um jogador que confunde o entrevistador, pois não
corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser
06. No contexto da carta, o uso de certas expres- algo primitivo com dificuldade de expressão e as-
sões como sim sabota a
estereotipação?
Escrevo-te estas poucas linhas, estarei morta – Estereoquê?
para teu coração?, sou tua na expressão da – Um chato?
verdade, A mesma sugere que a personagem: – Isso.
(A) utiliza a linguagem acadêmica, típica das cartas (VERISSIMO, Luis Fernando. In: Correio Bra-
de amor, para dissimular seus sentimentos. siliense,
(B) utiliza clichês, acreditando estar usando lingua- 12/maio/1998.)
gem culta adequada ao gênero epistolar.
(C) usa linguagem terna e carinhosa para en- 07. O texto retrata duas situações relacionadas que fo-
ganar o namorado. gem à expectativa do público. São elas:
(D) quer aproximar a língua escrita da língua falada.
(E) escreve de forma irônica a fim de ridicularizar (A) A saudação do jogador aos fãs do clube, no início
José. da entrevista, e a saudação final dirigida a sua mãe.
(B) A linguagem muito formal do jogador, inadequa-
Texto para as questões de 07 a 09. da à situação da entrevista, e um jogador que fala,
com desenvoltura, de modo muito rebuscado.
Aí, galera (C) O uso da expressão “galera”, por parte do entre-
Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereoti- vistador, e
pação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador da expressão “progenitora”, por parte do jogador.
de futebol dizendo (D) O descobrimento, por parte do entrevistador, da
‘estereotipação’? E, no entanto, por que não? palavra “estereotipação”, e a fala do jogador em “é
– Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. pra dividir ao meio e ir pra cima pra pegá eles sem
– Minha saudação aos aficionados do clube aos calça”.
demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos
seus lares. 08. O texto mostra uma situação em que a linguagem
– Como é? usada é inadequada ao contexto. Considerando as di-
– Aí, galera. ferenças entre língua oral e língua escrita, assinale a
– Quais são as instruções do técnico? opção que representa também uma inadequação da
– Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho linguagem usada ao contexto:
de contenção coordenada, com energia otimizada, na
zona de preparação, aumentam as probabilidades de, (A) “O carro bateu e capotô, mas num deu pra vê di-
recuperado o esférico, concatenarmos um con- reito.” (Um pedestre que assistiu ao acidente comenta
tragolpe agudo com parcimônia de meios e ex- com o outro que vai passando.)
trema objetividade, valendo-nos da desestruturação (B) “E aí, ô meu! Como vai essa força?” (Um jovem
momentânea do sistema oposto, surpreendido pela que fala
reversão inesperada do fluxo da ação. para um amigo.)
– Ahn? (C) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de
– É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles fazer uma observação.” (Alguém comenta em um
sem calça. reunião de trabalho.) (D) “Venho manifestar meu
– Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? interesse em candidatar-me ao cargo de secretária
– Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimen- executiva desta conceituada empresa.” (Alguém
tal, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a que escreve uma carta candidatando-se a um
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emprego.)
(E) “Porque se a gente não resolve as coisas como
têm que ser, a gente corre o risco de termos, num fu-
turo próximo, muito pouca comida nos lares brasi-
leiros.” (Um professor
universitário em um congresso internacional.)

09. A expressão “pegá eles sem calça” poderia ser


substituída, sem comprometimento de sentido, em
língua culta, formal, por pegá-los

(A) na mentira

(B) desprevenidos (C) em flagrante (D) rapidamente


(E) momentaneamente
10. Os amigos F.V.S., 17 anos, M.J.S., 18 anos, e J.S.,
20 anos, moradores de Bom Jesus, cidade paraibana
na divisa com o Ceará, trabalham o dia inteiro nas
roças de milho e feijão. “Não ganhamos salário, é ‘de
meia’. Metade da produção fica para o dono da terra
e metade para a gente.” (Folha de São Paulo, 1° jun.
2002).
Os jovens conversam com o repórter sobre sua rela-
ção de trabalho. Utilizam a expressão “é de meia” e,
logo em seguida, explicam o que isso significa. Ao
dar a explicação, eles

(A) alteram o sentido da expressão.


(B) consideram que o repórter talvez não conheça
aquele modo de falar.
(C) dificultam a comunicação com o repórter.
(D) desrespeitam a formação profissional do repórter.
(E) demonstram não ter entendido a pergunta
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Ao afirmarmos para elas que estávamos na Cooperativa, as crianças compreenderam o porquê de
tanto “lixo”. Ao entrarmos, fomos recebidas pelo Jarbas, que pegou os
sacos com os materiais recolhidos pelas crianças e fez uma observação
para todas. Segundo ele, é essencial que a coleta de material, quando
realizada fora de nossa residência, seja feita com o uso de luvas para
evitar contaminação, cortes, etc. Ele ainda ressaltou que as luvas devem
ser individuais, ou seja, cada pessoa tem que ter a sua; por isso as luvas
são consideradas um equipamento de proteção individual (EPI).
Uma das crianças perguntou ao Jarbas se ele separava o lixo na casa dele ou só na Cooperativa.
Tendo ele respondido que separava, um papelzinho rosa foi colocado no saco dos entrevistados.
Acompanhadas pelo Jarbas as crianças conheceram todas as etapas pelas quais passam os mate-
riais que chegam para a reciclagem. Jarbas explicou para as crianças que o material chega por um cami-
nhão da prefeitura de Campinas e que é recolhido nas ruas da cidade.
Ao chegar à Cooperativa, as mulheres cooperadas separam em tonéis os materiais conforme a ma-
téria prima dos mesmos.
Para exemplificar, Jarbas disse que um dos tonéis continha apenas caixas Tetra Pack®, um aluno
mais atento percebeu que neste tonel só havia caixas de leite e de suco, concluindo que este era o tal ma-
terial mencionado pelo cooperado. Após a separação, os materiais eram prensados.
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A prensa chamou muito a atenção dos alunos que bas explicou que na Cooperativa não havia lixo e sim
quiseram vê-la funcionar. Jarbas propôs fazer uso material com capacidade para ser reciclado. Portan-
da prensa usando alguns materiais de papel. Antes to, não havia “comida” para baratas e para os ratos.
da máquina ser ligada, as educadoras pediram para Mesmo assim, em função da presença de materiais
que os estudantes observassem o quanto de mate- sujos como copinhos de iogurte e caixas de leite,
rial estava no compartimento de compactação e o Jarbas disse às crianças que a prefeitura mandava
espaço que ocupava antes e depois de passar pela agentes de dedetização ao local em períodos regu-
prensa. lares.
As crianças constaram que a prensa diminui
o espaço ocupado pelo material, dando a impressão Na volta para o Instituto, as crianças recla-
de que há menos material. No entanto, como elas mavam de fome, pois se aproximava o horário do al-
observaram que não foi retirado nem colocado mais moço. Até que uma delas avistou algumas amoreiras
material, concluíram que a prensa permite diminuir e perguntou às educadoras se podia comer. As árvo-
o espaço que o material reciclado ocupa, o que é res estavam carregadas e todas as crianças degus-
melhor para armazenar, transportar e enfardar. taram das frutas maduras. Os mais altos auxiliavam
Após a prensagem, o material é enfardado, os mais baixos para apanhá-las. As manchas roxas
isto é, uma quantidade fixa é unida para facilitar o deixadas nas mãos e nas línguas era uma diversão
transporte até a usina de reciclagem, que fará uso à parte para o grupo.
deste produto para a obtenção de um novo material, Uma das educadoras, formada em Química,
finalizando assim o processo de reciclagem. contou para as os educandos que o quê deixava as
Antes de irem embora, uma das educandas mãos e a língua coloridas era uma substância pre-
perguntou ao Jarbas por que não havia baratas e sente na casca da amora que dava cor a fruta e, por
nem ratos se na Cooperativa havia tanto lixo. Jar- isso era chamado de corante. Os cientistas chamam

Passeio pela Cooperativa


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este corante de antocianina e ele também está pre- Após contagem dos papéis de cada tor-
sente em outros alimentos de cor roxa como uva e re (todos os alunos quiseram conferir e contaram),
jabuticaba. algumas crianças sugeriram colocar o número cor-
No dia seguinte, as educadoras retomaram a respondente à quantidade de papéis representada
atividade com os alunos perguntando os fatos mar- por cada cor. “O rosa tem mais, eu ‘tô’ torcendo pro
cantes. Várias situações foram relembradas e deta- rosa!” (R. Garcia)
lhadas pelas crianças. Os educandos mostraram-se
curiosos em saber se havia mais pessoas que sepa-
ravam o lixo que aquelas que não separavam entre
as entrevistadas,
As educadoras questionaram os alunos de
que maneira eles poderiam saber e, em coro, eles
definiram que bastava contar os papeis. Então, as
educadoras propuseram que eles colassem os pa-
péis em uma cartolina fazendo duas “grandes tor-
res”: a que representava as pessoas que reciclavam Uma das alunas perguntou qual a quantidade
(rosa) e as pessoas que não reciclavam (verde). de papéis faltou para que a “torre verde” ficasse da
Todos os alunos participaram da construção mesma altura da “torre rosa”. Então o grupo sugeriu
“das torres”, passando cola nos papéis e os colando contar e colar papéis brancos que representassem
na cartolina. Era nítido o prazer com que faziam isso. este “número faltante”.
Embora fosse uma ideia inicial do projeto
elaborar o gráfico com as crianças, foi gratificante
para as educadoras constatarem que esta também
foi uma “ideia” dos educandos, que se mostraram
empolgados com
a atividade e, de
maneira lúdica,
realizaram opera-
ções matemáticas
Após a colagem dos papéis, as educadoras
que ainda não são
falaram que o que eles fizeram é chamado de grá-
propostas para
fico e que só de olhar o tamanho das “torres” já era
crianças nesta faixa etária.
possível saber se a maioria das pessoas separava
Ao todo foram entrevistadas 22 pessoas, das
ou não o lixo.
quais 17 alegaram separar o lixo em suas residên-
cias
A última etapa da proposta consistiu na si-
mulação de uma cooperativa de reciclagem dentro
do Instituto Jacarandá, na qual as crianças eram os
agentes na vivência desta proposta.
O projeto mobilizou as famílias através das
crianças o que contribuiu para a interação escola-
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-casa-comunidade. Sabendo que simulariam uma levarem na “cooperativa do Jarbas”. Então, uma das
cooperativa (“cooperativinha do Instituto Jacaran- crianças sugeriu fazer as lixeiras coloridas. Como o
dá”), muitos pais enviaram bilhetes ou falaram direta- único material disponível eram caixas de papelão, a
mente com a auxiliar da classe se poderiam mandar auxiliar da classe utilizou este material que foi colori-
material reciclado, pois os filhos estavam insistindo do pelos alunos conforme o CONAMA.
em levá-los para a “cooperativinha do Instituto”.
Autorizadas, as crianças levaram uma gran-
CONCLUSÕES
de quantidade de material e, quase 1 mês depois da
simulação, elas continuam levando-os.
Os resultados obtidos com a realização deste
Para a cooperativinha todos os alunos rece-
projeto permitiram constatar que é possível realizar
beram luvas descartáveis. O uso das mesmas foi co-
a educação ambiental mesmo com crianças de baixa
locado como necessário por uma das crianças, uma
idade, que frequentam a educação infantil.
vez que este fato foi abordado na Cooperativa como
Os conteúdos matemáticos não dissociados
essencial, pois o equipamento de proteção individual
da realidade do aluno tornam-se mais interessante
(EPI) pode evitar que quem faz a coleta se machu-
e seu aprendizado mais efetivo. Além disso, outros
que, contamine ou se suje. Tal fato mostrou que hou-
conceitos podem ser abordados além da questão
ve aprendizado significativo e assimilação do conte-
ambiental.
údo no passeio à Cooperativa.
A aula passeio foi significativa para os estu-
dantes, que foram despertados para uma nova for-
ma de aprendizado. Os eixos descritos por Freinet
(cooperação, livre expressão, autonomia e trabalho)
foram observados e presentes o tempo todo em que
as crianças participavam da atividade.
A pesquisa com a população permitiu aos
alunos o contato com o outro e a descoberta das di-
ferenças e semelhanças, além de integrar o grupo e
proporcionar uma ação para o bem social.
A simulação da cooperativinha foi gravada na
Cabe ressaltar que muitos outros aspectos e
forma de vídeo. Durante toda esta etapa, as crian-
conteúdos poderiam ter sido explorados, mas isso
ças trocaram conhecimento para definirem de que
requereria um tempo maior de dedicação de que o
material era feito cada objeto. Foi nítido o espírito de
grupo, infelizmente, não dispõe para a sua realiza-
cooperação, livre expressão, trabalho e autonomia
ção. Mesmo assim, a proposta despertou o interesse
das crianças.
do instituto e das crianças, continuando a ser execu-
tada pela a auxiliar da classe.

RELEVÂNCIA PEDAGÓGICA PARA AS EDUCA-


DORAS (ESTUDANTES DA DISCIPLINA EP 473)

A realização deste trabalho favoreceu a in-

Após terem separados todos os materiais, os tegração entre os membros do grupo (educadoras)

educandos questionaram onde iriam guardá-los até que descobriram suas habilidades pessoais não só
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na elaboração de um trabalho acadêmico, como MARTINS, Clintia H. B.; Trabalhadores da reciclagem do lixo:

também no contato com crianças. dinâmicas econômicas, sócio-ambientais e políticas na pers-

Através do trabalho foi possível verificar na pectiva de empoderamento, tese de doutorado, Sociologia,

prática a teoria freinetiana relacionada à aula pas- Universidade Federal do Rio grande do Sul, Porto Alegre, 2003.

seio, o que despertou maior interesse do grupo pelas


demais técnicas propostas por este autor. MONTEIRO, José H. P.; FIGUEIREDO, Carlos, E. M.; MAGA-

LHÃES, A. F.; DE MELO, Marco A. F.; DE BRITO, João C. X.;

DE ALMEIDA, Tarquínio, P. F.; MANSUR, Gilson L. Manual de

AGRADECIMENTOS gerenciamento integrado de resíduos sólidos, Rio de Janeiro:

IBAM, 2001.

As autoras deste trabalho agradecem às


crianças que participaram das atividades, assim Prefeitura de Campinas: http://2009.campinas.sp.gov.br/

como aos pais/responsáveis que autorizaram a di- infraestrutura/departamentos/dlu/cooperativas/ (acesso em

vulgação das imagens das mesmas. 26/09/2012).

Também agradecem à coordenadora peda-


gógica do Instituto Jacarandá e à professora respon- RUBERG, Claudia; AGUIAR, Alexandre; PHILLIPI JUNIO, Arlin-

sável pela turma, que abriram as portas de sua uni- do. Promoção da qualidade ambiental através da reciclagem de

dade para que o trabalho fosse executado. resíduos sólidos domiciliar. In: FRANKENBERG, Cláudio L. C.

Não podemos deixar de agradecer aos mem- et al. (Org). Gerenciamento de Resíduos e certificação ambien-

bros da Cooperativa Santa Genebra, em especial ao tal. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000.

Jarbas, que permitiram a visita das crianças.


SANTOS, Amélia S. F.; AGNELLI, José A. M.; MANRICH, Sati;

“Polímeros: tendências e desafios da reciclagem de embala-


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
gens plásticas”, Polímeros: Ciência e Tecnologia 2004, 14 (5),

307.
ACOOP: http://economiadostrabalhadores.blogspot.com.

br/2010/11/acoop-assoc-das-cooperativas-de.html (acesso em
SOUZA, Luciana M.; Perspectivas e desafios da Pedagogia
26/09/2012).
Freinet em uma instituição privada e urbana: reflexões acerca

da defesa de Freinet à escola pública para o povo em meio ao


CONOMA: http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res01/
ambiente natural - um estudo de caso da pré-escola da Escola
res27501.html (acesso em 26/09/2012).
Criar, monografia de conclusão de curso, Pedagogia, Universi-

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