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Controle

de
Infecção
Hospitalar
-I-
Módulo Básico

Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar


Hospital Regional de Taguatinga
Secretaria de Estado de Saúde do DF
(Revisão 2004)
DGST / HRT / CCIH / NCIH

Sumário

I - O Controle de Infecção Hospitalar no HRT ............................................ 5

II - Microbiologia Aplicada ao Controle de Infecções Hospitalares ........... 9

III - Precauções Básicas de Isolamento .........................................................17

IV - Higiene das Mãos .....................................................................................24

V - Precauções adicionais ................................................................................29

VI - Recomendações técnicas para prevenção de infecção do trato


respiratório.......................................................................................................37

VII - Recomendações técnicas para a prevenção de infecção do trato


urinário.............................................................................................................43

VIII - Recomendações técnicas para a prevenção de infecção da corrente


sangüínea...........................................................................................................51

IX - O laboratório de microbiologia e o controle de infecção hospitalar....57

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DGST / HRT / CCIH / NCIH

Organizadores:

Júlio César de Oliveira Carneiro – médico

Wylliene Barros Cavalcante - enfermeira

Colaboradores:

Giancarla Di Andrade Camargo da Silva - enfermeira

Leila Maria Sales Sousa - enfermeira

Nilza de Fátima Martins - técnico de enfermagem

Dalzina Nery de Vasconcelos - técnico de enfermagem

Joana Peres de Jesus - técnico de enfermagem

Maria Terezinha Mendes Gama - psicóloga

Helena Maria Lacerda – técnico administrativo

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DGST / HRT / CCIH / NCIH

Introdução

Com o objetivo de oferecer às equipes de saúde informações e orientações


importantes sobre controle de infecção hospitalar, o Núcleo de Controle de Infecção
Hospitalar do Hospital Regional de Taguatinga, reuniu e organizou três conjuntos de
temas relacionados, denominados módulo básico, módulo cirúrgico e módulo de
enfermagem.
Os temas compilados foram produzidos durante a preparação dos Cursos de
Controle de Infecção Hospitalar que periodicamente são realizados no hospital. A
utilidade maior deste material é a de oferecer uma orientação para a elaboração ou a
atualização de normas e rotinas setoriais e para o desenvolvimento de ações educativas
relacionadas ao controle de infecção hospitalar.
O NCIH contou com a participação valiosa de profissionais de saúde dos vários
setores do HRT, seja no processo de discussão e definição de algumas recomendações
técnicas, seja na revisão do conteúdo.
Face à contínua evolução do conhecimento na área da saúde e, ainda, à
necessária adaptação desse conhecimento aos recursos materiais e às possibilidades do
desempenho profissional na Instituição, é esperada a necessidade de uma atualização
freqüente destes temas.
As críticas e as sugestões serão muitas bem recebidas para as próximas revisões.

NCIH / HRT

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DGST / HRT / CCIH / NCIH

I - O Controle de Infecção Hospitalar no HRT

1. O controle de infecção hospitalar e a missão do HRT

A missão do Hospital Regional de Taguatinga pode ser assim definida:


“Prestar assistência de alto nível técnico, humanizada e eficiente aos usuários, em
parceria com as demais unidades assistenciais do SUS, no sentido de promover a saúde
individual e coletiva da comunidade”.

A pessoa doente é a razão de ser do hospital

Uma vez que cada profissional que atua no hospital interfere, direta ou indiretamente,
com a qualidade da assistência; a Instituição, representada pela direção, gestores e
equipes, deve voltar-se continuamente para a missão do hospital tendo por base uma
premissa:
“Promover o trabalho das equipes de saúde, por meio de ações de gerenciamento
programáticas, voltadas para a melhoria das condições de trabalho e para a valorização
individual e da equipe multiprofissional”.

A equipe de saúde constitui uma célula, cujo núcleo é o


paciente, tudo deve convergir para essa unidade

As ações do controle de infecção hospitalar no HRT são voltadas para a realização da


missão do hospital, no que se refere à assistência à pessoa doente, e para a promoção do
profissional de saúde, atuando em parceria com esse, seja individual ou coletivamente.
As ações e o método de trabalho utilizados no controle de infecção hospitalar
contemplam a premissa acima definida, uma vez que o paciente e a equipe de saúde são
vistos como uma unidade viva e dinâmica.

2. Aspectos legais e operacionais do controle de infecção hospitalar

Por determinação da Lei Federal 9.431, de 06 de janeiro de 1997, cada hospital deve
possuir um Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) e uma Comissão de
Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
Em Brasília, a Lei Distrital 633, de 23 de dezembro de 1993, deu origem a unidades
orgânicas em cada hospital da SES-DF, denominadas Serviços de Controle de Infecção
Hospitalar.

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a) Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH)

O PCIH é elaborado, anualmente, pela CCIH, quando são definidas as ações referentes
às metas do controle de infecção hospitalar. As ações podem ser agrupadas em 4
conjuntos interrelacionados, que são: vigilância epidemiológica, educação permanente,
supervisão sistemática e ações programáticas específicas. Esquematicamente:
Supervisão
sistemática

Programas
Vigilância Especiais

Educação
Permanente

b) Comissão de Controle de Infecção Hospitalar:

A CCIH é composta por membros representantes da direção, das equipes de assistência


e de áreas de apoio técnico (microbiologia e farmácia), conforme Quadro 1.

Quadro 1 : Composição da CCIH e o papel de cada membro, em função do PCIH

Membro Atribuições no âmbito do controle de IH


Chefe da Seção de Representa a direção hospitalar
Medicina Integrada Presidente da CCIH
Presidente da Comissão de Coordenação do Bloco Cirúrgico
Administrador Representa a administração hospitalar e as áreas de apoio
Executor do contrato SES/ empresa de limpeza
Presidente da comissão responsável pelo Programa de Controle
Integrado de Pragas
Chefe da Seção de Representa a equipe de enfermeiros e auxiliares de enfermagem
Enfermagem Representa, no âmbito da CCIH, a CME.
Representante da Terapia Representa a UTI adulto e pediátrico
Intensiva
Representante da Representa a pediatria geral e a perinatologia (maternidade).
Neonatologia
Coordenador do Bloco Representa o Bloco Cirúrgico e Clínicas Cirúrgicas
Cirúrgico Membro da Comissão de Coordenação do Bloco Cirúrgico
Representante da Participa do Programa de Uso Racional de Antimicrobianos
Farmácia
Representante da Participa do Programa de Uso Racional de Antimicrobianos
Microbiologia
Coordenador do NETS Executor principal do Programa Educacional do HRT
Médico e enfermeiro do Executor principal do PCIH
NCIH

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DGST / HRT / CCIH / NCIH

c) Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar:

A CCIH conta com o Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar (NCIH) para a


efetivação de ações específicas.

Compete ao NCIH:
 Elaborar, implementar, manter e avaliar, em conjunto com a Comissão de Controle
de Infecção Hospitalar, um Programa de Controle de Infecção Hospitalar adequado
às características e necessidades do hospital e de acordo com as diretrizes técnicas
do Núcleo de Prevenção à Infecção Hospitalar1;
 Implantar e manter sistema de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares;
 Propor e cooperar na elaboração, implementação e supervisão das normas e rotinas
técnico-administrativas, visando à prevenção e controle das infecções hospitalares;
 Elaborar, implementar, manter e avaliar o Programa de Uso Racional de
Antimicrobianos, em conjunto com o Comitê de Uso Racional de Antimicrobianos
do hospital.
 Propor e cooperar, junto ao núcleo de educação continuada e às gerências dos
setores e unidades, na elaboração, implementação e avaliação de programas e ações
educativas para a capacitação adequada da equipe de saúde no aspecto do controle
de infecção hospitalar.

d) O controle de infecção hospitalar no HRT: estrutura e organização

No HRT, as ações do PCIH são realizadas em parceria com as chefias e as equipes


profissionais dos setores, por meio do trabalho de comissões permanentes ou
temporárias, voltadas para uma ação específica ou mesmo comissões com finalidades
mais abrangentes, tipo as de coordenação setorial.
Em anexo, de forma esquemática, a organização do controle de infecção hospitalar no
HRT e de algumas comissões ou setores diretamente relacionados à implantação do
PCIH.

1
O NCIH é ligado tecnicamente ao Núcleo de Prevenção à Infecção Hospitalar da Subsecretaria de
Atenção à Saúde, com o qual coopera na realização de ações de controle de infecção hospitalar em esfera
central ou do qual recebe orientações no aspecto técnico-normativo.

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Anexo:

Organização do controle de infecção hospitalar no HRT

DIREÇÃO CCIH

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

NCIH

Coordenação do Comissão Terapia Coordenação de


Bloco Cirúrgico Intensiva Perinatologia

Laboratório Farmácia Comissão Terapia


Microbiologia Hospitalar Antimicrobiana

Gerência de Núcleo de Educação CME


Central de Material Esterilizado
Enfermagem

Comissão de Nutrição e
Dietética

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II - Microbiologia Aplicada ao Controle de Infecções Hospitalares

1. Interação: Microrganismo / Hospedeiro

Colonização: é a presença de microrganismos em um hospedeiro, com crescimento e


multiplicação, mas sem invasão ou dano tecidual (sem expressão clínica ou qualquer
reação imune detectável).

Infecção: é a entrada e multiplicação de um agente infeccioso nos tecidos do


hospedeiro ou de seus produtos com dano tecidual. Esse fenômeno pode ser
manifestado clinicamente ou não (infecção subclínica)

Doença infecciosa: é a manifestação clínica da infecção. Apresenta vários graus de


intensidade (leve a fulminante). A doença é resultado da interação entre: agente
infeccioso (quantidade do inóculo e virulência do agente) x hospedeiro (Resistência
geral e na porta de entrada do hospedeiro).

Quantidade do inóculo X virulência do agente


Infecção =
Resistência geral X resistência local do hospedeiro

Para exemplificar: Foi demonstrado que se o sítio cirúrgico é contaminado com uma
quantidade maior que 105 microrganismos por grama de tecido, o risco de infecção do
sítio cirúrgico aumenta acentuadamente. Entretanto, a quantidade de microrganismos
contaminantes necessária para produzir infecção pode ser muito baixa na presença de
corpo estranho. Um estudo demonstrou que 100 estafilococos por grama de tecido na
presença de sutura com fio de seda (corpo estranho) foi suficiente para causar infecção.

a) Contaminação:

É a presença de microrganismos em objetos inanimados (ex: roupas,


instrumentos cirúrgicos) ou em substâncias diversas (ex: água, alimento, leite). O termo
pode ser aplicado ainda à transferência de microorganismos para a superfície de um
hospedeiro, sem que isto caracterize o desenvolvimento de colonização.
Por exemplo, a microbiota das mãos pode ser dividida em microbiota colonizante (mais
estável e localizada em estruturas mais profundas da epiderme, praticamente impossível
de ser erradicada) e a microbiota contaminante (variável, conforme as oportunidades
oferecidas pelo contato com as fontes de microorganismos, e relativamente fácil de ser
removida pelas técnicas de higiene das mãos).

b) Portador:

É a pessoa que possui potencial para transmitir algum agente infeccioso. O


portador pode ser:
 Colonizado x infectado
 São x doente
 Pré (incubação) x pós-doença (convalescença)

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 Crônico x transitório
 Intermitente x contínuo

2. Infecção Comunitária x Infecção Hospitalar2

a) Infecção Comunitária

É a infecção constatada ou em incubação no ato da admissão do paciente, desde


que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital.
São também comunitárias:
 A infecção que está associada com complicações ou extensão da infecção já
presente na admissão, a menos que haja troca de microrganismos, com sinais
e sintomas fortemente sugestivos da aquisição de nova infecção;
 A infecção em recém-nascido adquirida por via transplacentária, que se torna
evidente logo após o nascimento (ex: herpes simples, toxoplasmose, rubéola,
citomegalovírus, sífilis e AIDS);
 A infecção de recém-nascido associada com bolsa rota superior a 24 horas.

b) Infecção hospitalar:

É qualquer infecção adquirida após a internação do paciente e que se manifesta


durante a internação ou mesmo após a alta, quando puder ser relacionada com a
internação ou procedimentos hospitalares.
Alguns critérios para caracterizar infecção hospitalar:
 Quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não
houver evidência clínica ou dado laboratorial de infecção no momento da
internação, convenciona-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de
infecção que se apresentar a partir de 72 horas após a admissão.
 O fator temporal referente a um procedimento de risco e o aparecimento de
uma infecção, embora em termos não absoluto, pode ser associado à
definição de infecção hospitalar, da seguinte forma:

Tabela 1: Procedimentos de risco para infecção hospitalar e o fator tempo

Procedimento Tempo3
Cirurgia 30 dias
Cirurgia com implante de prótese 1 ano
Cateterismo vesical 7 dias
Cateterismo vascular 2 dias
Ventilação mecânica 2 dias

Conforme o critério temporal, para fins de vigilância epidemiológica, qualquer


infecção que aconteça no local de uma cirurgia é considerada hospitalar até 30 dias após
o procedimento; ou até (1) um ano, no caso de prótese ou na presença de material de
síntese.

2
Conforme a Portaria GM / MS n º 2616 / 1998
3
Conforme critérios do CDC = Centers for Disease Control and Prevention / EUA

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3. Principais agentes de infecção hospitalar

A distribuição topográfica da infecção hospitalar (IH) e a etiologia da mesma podem


ser diferentes de hospital para hospital ou mesmo de setor para setor. Mudanças do
perfil etiológico ao longo do tempo também podem ocorrer. Esta variação é relacionada,
entre outros fatores, às características dos usuários, dos serviços e dos procedimentos
realizados. A disponibilidade e o modo de utilização de antimicrobianos determinam a
seleção de espécies e cepas resistentes, contribuindo para as diferenças na etiologia e na
sensibilidade das bactérias aos antimicrobianos.
A capacidade de isolar e identificar esses agentes depende da solicitação adequada de
exame microbiológico, da técnica de colheita de material e dos recursos e da qualidade
técnica da microbiologia (Ex: o isolamento de vírus, fungos e de algumas bactérias
dependem da disponibilidade de recursos laboratoriais).
Para ilustrar a etiologia das infecções hospitalares e a variabilidade relacionada à
topografia da infecção, no Quadro 2 são apresentados dados de etiologia de infecção
hospitalar em UTI de hospitais do sistema NNIS 4(EUA).

Quadro 2: Agentes infecciosos mais comuns isolados dos 3 principais sítios de


infecção ( infecção urinária, pneumonia e sepse) em unidades de terapia intensiva.

Infecção urinária Pneumonia Sepse


E. coli P. aeruginosa Estafilococos CN*
Candida albicans S. aureus S. aureus
Enterococcus spp Enterobacter spp Enterococcus spp
P. aeruginosa K. pneumoniae Candida albicans
K. pneumoniae H.influenzae Enterobacter spp
*CN = coagulase negativo (teste da)
(Fonte: adaptado de NNIS Report, Data Summary from October 1986 – April 1997)

As infecções hospitalares podem ser causadas por agentes infeciosos de fontes


endógenas (microbiota própria da pessoa) ou exógenas (a partir dos profissionais que
prestam cuidados, visitantes, instrumentos e equipamentos de assistência ou do
ambiente hospitalar).
As ações para a prevenção das infecções hospitalares são voltadas, sobretudo para
controlar as fontes exógenas e, também, para minimizar o papel das fontes endógenas
na gênese das infecções.

4. Fontes endógenas

Na maioria das vezes, os agentes infecciosos causadores de infecção hospitalar


fazem parte da microbiota própria da pessoa. Em geral, são originários da microbiota da
pele ou da mucosa submetida a um procedimento de risco. Também é possível a
participação de microrganismos originados de um foco distante de infecção,
principalmente, quando o procedimento envolve a colocação de próteses ou de material
de síntese.
Para fins didáticos, a microbiota, pode ser dividida em microbiota normal ou
alterada.

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NNIS ( National Nosocomial Infections Surveilance ) é um sistema de vigilância de infecção hospitalar
desenvolvido pelo CDC / EUA

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a) Microbiota ou microflora normal:

É o conjunto de espécies de microorganismos (bactérias, fungos, protozoários)


rotineiramente encontrado nos indivíduos normais e saudáveis.
 Durante e logo após o nascimento, a criança é rapidamente colonizada.
Geralmente, nos primeiros dias, a criança é colonizada pelos microrganismos
predominantemente de origem materna e, mais tarde, se persiste internada,
pelos da equipe de saúde e do ambiente hospitalar. Em poucas semanas, a
criança adquire a quase totalidade dos microrganismos normalmente
encontrados no adulto hígido.
 O fenômeno da aderência está intimamente relacionado à colonização: os
microrganismos por meio de adesinas ligam-se às células do hospedeiro,
geralmente as epiteliais. Há um número limitado de receptores por células.
Este fato explica porque a microbiota normal é geralmente estável. Doenças
do hospedeiro e uso de antimicrobianos podem alterar a disponibilidade de
receptores, abrindo espaço para uma microbiota alterada.
 A microbiota normal é um fator de defesa contra a instalação de
microrganismos mais patogênicos. Nas situações de quebra da integridade
das defesas orgânicas de forma localizada ou sistêmica, essa população
manifesta capacidade patogênica, caracterizando assim sua condição de
agentes oportunistas. A princípio, qualquer microrganismo pode causar
doença, desde que haja uma adequada via de entrada do agente e a
resistência do hospedeiro seja anulada ou diminuída suficientemente.
 Além desse efeito protetor, a microbiota, por meio da flora intestinal produz
metabólitos utilizados pelo organismo e contribui para o amadurecimento do
sistema imunológico, pela estimulação antigênica.
 As bactérias são os principais componentes da microbiota, daí a utilização
clássica do termo flora. Essa população, em torno de 1014 bactérias,
distribui-se pelas partes do corpo humano que estão em contato com o meio
externo, isto é, pele e mucosas. A concentração bacteriana é variável a
depender do sítio anatômico:
 Pouco numerosa: até 103 / ml (ou g), em áreas de pele seca, uretra, estômago,
duodeno e jejuno.
 Moderadamente numerosa: 103 a 106 / ml (ou g), no couro cabeludo, nas
axilas, no períneo, na face, e nas fossas nasais.
 Muito numerosa: superior a 106 / ml (ou g), na orofaringe, na boca, no sulco
gengivodental, no íleo terminal, no colo e na vagina. Estão concentradas
principalmente no intestino grosso, onde atingem a concentração limite de
1012 bactérias / g de fezes.
 Além das variações normais de quantidade, existe uma variação qualitativa
(tipo de espécies microbianas) a depender do local do corpo. Outros fatores
contribuem de maneira secundária para as variações, por ex: idade,
alterações hormonais, hábitos alimentares, clima, etc.

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b) Microbiota alterada:

É a presença de patógenos primários (ex: meningococo em nasofaringe, Shigella spp


ou Salmonella typhi no trato digestivo) ou de alterações quantitativas ou qualitativas da
microbiota, que podem predispor a estados patológicos.
 Alterações significativas e de importância clínica da microbiota acontecem
com o uso de antimicrobianos e durante o curso de doenças debilitantes,
particularmente aquelas que alteram a imunidade. A internação hospitalar,
principalmente quando essas duas condições estão presentes, predispõe à
aquisição de uma microbiota alterada, com germes ditos hospitalares.
 Esses microrganismos, geralmente, possuem maior resistência aos
antimicrobianos e características que facilitam a sobrevivência e a
transmissão no ambiente hospitalar. Em geral, a infecção causada por esses
microrganismos está relacionada a fatores do hospedeiro (imunodepressão,
procedimentos invasivos, presença de catéteres e outros dispositivos
invasivos, etc.). Por conseguinte são chamados agentes “oportunistas” de
infecção.
 Entre os agentes da microbiota hospitalar, estão:
 Staphylococcus aureus resistente à oxacilina ( MRSA)
 Enterococos resistentes à vancomicina
 Clostridium difficile
 Bacilos Gram negativo multirresistentes (Acinetobacter baumanni,
Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter spp, Serratia spp, etc).
 Espécies de Candida ( C. parapsilosis e C. cruzei).

c) O controle de infecção voltado para as fontes endógenas:

Ainda que inevitáveis em muitas ocasiões, as infecções causadas por patógenos da


flora endógena podem ser controladas. Realizar procedimentos de risco dentro de
técnica adequada e obedecer aos princípios de assepsia é a principal medida. Manter o
quanto possível a integridade das defesas orgânicas ou restringir as situações de
agressões a essas são também medidas importantes. Evitar o uso desnecessário de
antimicrobianos também ajuda a proteger o paciente contra a aquisição de uma
microbiota alterada.

5. Fontes exógenas

Os microrganismos são originados de fontes externas ao indivíduo.


No ambiente hospitalar, as fontes exógenas compreendem:
 Profissionais de saúde.
 Visitantes e acompanhantes
 Materiais, medicamentos e hemoterápicos.
 Roupas, instrumentos e equipamentos usados no diagnóstico ou terapêutico.
 Ambiente hospitalar (ar, água, poeira e superfícies: piso, paredes, móveis, etc).
 Alimentos.
 Vetores.

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6. Transmissão de agentes infecciosos nos hospitais

II. Fonte de
III. Hospedeiro
Microrganismo
Suscetível

I. Reservatório

IV. Via de transmissão


I. Reservatório:
É o local onde o agente infeccioso subsiste, multiplica e /ou permanece
continuamente. Nos hospitais, geralmente, o principal reservatório é o paciente
infectado ou colonizado. Por exemplo, os pacientes colonizados ou infectados pelo
MRSA são os principais reservatórios no hospital.
Os profissionais de saúde e outras pessoas dentro do hospital, assim como o
ambiente físico (água, produtos líquidos diversos e as superfícies) são também
reservatórios em algumas situações. O solo, as plantas e os animais são importantes
reservatório, geralmente não-hospitalares.

II. Fonte de microrganismo:


É o local onde o agente infeccioso está presente ao se transferir para o hospedeiro.
Não necessariamente esse local fornece condições para a permanência contínua do
agente. Muitas vezes, existe coincidência entre o reservatório e a fonte de
microrganismo.
A fonte de microrganismos infectantes nos hospitais pode ser os pacientes, os
profissionais de saúde e, ocasionalmente, os visitantes. Isso inclui pessoas com a doença
aguda ou no período de incubação, pessoas colonizadas ou portadoras crônica de
agentes infecciosos.
Outras fontes podem ser constituídas pelo ambiente físico (ar, água, líquidos
diversos, superfícies, etc.) ou plantas, insetos e outros animais, que a princípio, no
ambiente hospitalar devem estar controlados.
Adicionalmente, o mesmo conceito pode ser aplicado, quando a partir de um local
do corpo do paciente, os microrganismos atingem outro sítio do próprio paciente,
causando infecção (exemplo: cateter vascular contaminado com bactérias inicialmente
presentes em uma lesão cutânea distante).
III. Hospedeiro suscetível:
É o indivíduo com potencial de ser colonizado e infectado ao entrar em contato com
o agente infeccioso. Freqüentemente, o paciente é primeiro colonizado para depois se
tornar infectado.
Entre os fatores do hospedeiro que o tornam mais susceptíveis à infecção, estão:
idade; gravidade da doença de base; perda das defesas naturais, (a integridade cutânea, a
acidez gástrica, o peristaltismo intestinal e, principalmente, o sistema imunológico); uso

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de antimicrobianos, de corticóides ou de outras terapias imunossupressoras; e quebra


dos mecanismos de defesa naturais causadas por procedimentos de diagnósticos ou
terapêuticos (cirurgia, cateteres, etc.).
IV. Via de transmissão:
É o modo como o agente infeccioso é transferido da fonte para o hospedeiro
suscetível. As vias de transmissão são divididas em: contato (direto e indireto), por
gotículas, por via aérea, por veículo comum e por vetor (Quadro 3).
Para alguns microrganismos, a transmissão pode ocorrer por mais de uma via. Ex: o
vírus da varicela, cuja transmissão ocorre por meio do contato, por gotículas e por via
aérea.
Quadro 3 : Vias de transmissão de microrganismos
Por contato É a via de transmissão mais importante e freqüente dos agentes implicados
nas infecções nosocomiais. Divide-se em:
Contato direto: a transmissão acontece por meio do contato físico entre a
fonte e o hospedeiro suscetível, como pode acontecer quando um
profissional de saúde presta cuidados ao paciente.
Ex: os vírus do herpes simples praticamente não sobrevivem fora do
hospedeiro, exigindo para sua transmissão o contato das lesões herpéticas
com mucosa ou pele não-íntegra.
Contato indireto: a transmissão acontece por meio do contato com um
objeto contaminado que se interpõe entre a fonte e o hospedeiro, como
roupas, luvas, instrumentos e outros artigos. A importância da transmissão
por esta via está relacionada à capacidade de sobrevivência do
microrganismo em materiais inanimados. Ex: C. dificille, enterococos.
Por A transmissão ocorre por meio das gotículas produzidas como conseqüência
gotículas do tossir, espirrar ou falar de uma pessoa infectada ou colonizada. Também
podem ser produzidas durante procedimentos do tipo aspiração e
broncoscopia. Devido ao peso, as gotículas atingem pequenas distâncias
(cerca de 1 metro). A transmissão ocorre quando os microrganismos
presentes nas gotículas são transferidos para o hospedeiro ao atingir as
mucosas conjuntival, nasal ou oral. Ex: doença meningocócica, caxumba,
difteria.
Por A transmissão acontece pela disseminação de núcleos de gotículas (resíduos
via aérea de gotículas evaporadas) eliminadas durante a respiração, fala, tosse ou
espirro. Esses núcleos de gotículas são de pequeno tamanho (menor que 5
micra) e quando se ressecam ficam suspensos no ar, podendo permanecer
horas. Os microrganismos, dessa forma, podem propagar-se amplamente por
correntes de ar antes de serem inalados ou depositados no hospedeiro
suscetível. Ex: bacilo da tuberculose.
Por veículo A transmissão de agentes infecciosos por meio de alimentos, água,
comum medicamentos ou produtos hemoterápicos contaminados, o que permite
atingir vários hospedeiros, a partir de uma única fonte. Ex: infecção de
feridas por solução de anti-séptico contaminada.
Por vetor A transmissão acontece com a participação de um vetor, tais como insetos,
ratos e outros animais. O vetor pode funcionar apenas como transportador
físico (vetor mecânico) ou, ainda, propiciar a multiplicação e o
desenvolvimento cíclico do agente infeccioso (vetor biológico). Ex: malária,
dengue.

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7. Controle de infecção hospitalar voltado para as fontes exógenas


Em relação à aquisição de uma microbiota alterada, as medidas relacionadas ao
controle das fontes exógenas dependem fundamentalmente da atuação da equipe de
saúde. A constituição de uma barreira que interrompa a via de transmissão é a medida
básica possível de ser aplicada na maioria das situações:
Nesse sentido, são feitos: a higiene das mãos, a utilização de barreiras técnicas para
proteção individual (luvas, aventais, máscara, etc.), o processamento adequado de
artigos e superfícies e o isolamento dos pacientes.

8. Bibliografia

I. Zanon, U e Marangoni, DV Complicações Infecciosas Hospitalares em


Doenças Infecciosas : Conduta Diagnóstica e Terapêutica, Guanabara Koogan,
1998.
II. Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Normas de Precauções
Antiinfecciosas e Isolamento Hospitalar (Portaria SES / DF n º 24/94 de
20/07/94). Publicadas em Bras. Med. 32 (1): 5-20, Janeiro-março, 1995
AMBr- Brasília
III. Keroack, MA e Kotilainem, HR Microbiology / Laboratory Diagnostics in
APIC Infection Control and Applied Epidemiology: Principles and Practice ,
Mosby, 1996
IV. 4-Jarvis WR. The Epidemiology of colonization. Infect Control Hosp
Epidemiol 1996;17: 47-52
V. Greene JN.The microbiology of colonization, including techniques for
assessing and measuring colonization. Infect Control Hosp Epidemiol 1996;
17:114-118

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III - Precauções Básicas de Isolamento

1. Introdução

As precauções de isolamento são o conjunto de medidas aplicadas com o objetivo de


prevenir a transmissão de microrganismos nos hospitais. Uma vez que a fonte e fatores
do hospedeiro são mais de difíceis de se controlar, as precauções de isolamento são
voltadas para a interrupção das vias de transmissão.

Interrupção da via de transmissão

Fonte Hospedeiro

Precauções de Isolamento

2. Categorias de Precauções

Existem duas categorias de precauções de isolamento: precauções básicas e


precauções adicionais ou baseadas nas vias de transmissão.
a) As precauções básicas são as mais importantes e devem ser observadas por todos
os profissionais de saúde no atendimento de qualquer paciente ou usuário do
serviço de saúde, independente do seu diagnóstico ou suspeita de infecção.
b) Na segunda categoria estão as precauções adicionais ou baseadas nas vias de
transmissão, que somadas às precauções básicas, são indicadas durante a
assistência a pacientes com diagnóstico, suspeito ou confirmado, de infecção ou
colonização por agentes epidemiologicamente importantes. As precauções
adicionais dividem-se em: precauções de contato, precauções com gotículas,
precauções aéreas.

Precauções Básicas

Precauções Adicionais

As Precauções Básicas são o conjunto de medidas antiinfecciosas de isolamento,


que devem ser observadas por todos os profissionais de saúde durante a realização de
procedimentos ou no atendimento de qualquer paciente ou usuário do serviço de saúde.
Essas precauções devem ser empregadas sempre que houver risco de contato com
sangue, outras substâncias corporais, mucosas e pele não-íntegra de qualquer paciente.

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As substâncias corporais com potencial de carrear agente infeccioso de forma


epidemiologicamente importante são:
 Sangue;
 Líquidos orgânicos (líquor, líquido pleural, peritoneal, pericárdico, sinovial,
amniótico, etc);
 Secreções e excreções (exceto o suor);
 Tecidos e órgãos não-fixados.
A integridade da pele é considerada comprometida se há qualquer evidência de
lesões, dermatite ou ferida aberta.

3. Fundamentos das precauções básicas

As precauções básicas fundamentam-se em:


 Lavar as mãos;
 Usar equipamentos de proteção individual (EPI);
 Evitar acidentes com materiais pérfuro-cortantes.

3.1 LAVAR AS MÃOS

O ato de lavar as mãos é, isoladamente, a medida mais importante para reduzir o


risco de transmissão de microrganismo de uma pessoa para outra ou de um sítio para
outro no mesmo paciente.
A higiene das mãos com água e sabão tem o objetivo de remover mecanicamente
a sujidade e a maior parte da microbiota transitória das mãos.
A principal indicação para a higiene básica das mãos é:
 Lavar as mãos com água e sabão: antes e após a realização de cuidados ou
exames em cada paciente, independentemente do uso de luvas;
 Entre os diversos procedimentos realizados no mesmo paciente, se houver
contato com fontes importantes de microrganismos (fezes, secreção purulenta,
etc.);
 Antes e após a retirada de luvas.
A aplicação e a fricção de álcool gel ou álcool 70% glicerinado nas mãos
(fricção higiênica) substitui a higiene básica das mãos quando não houver sujidade
aparente. Está indicada quando há limitação de tempo e ou não há facilidade de acesso
às unidades de higiene das mãos.
As técnicas e as indicações para higiene das mãos estão descritas com detalhes
no Capítulo IV.
No caso de lesão com material perfurocortante, observar as Recomendações
frente às exposições ocupacionais a material biológico, no Anexo 1.

3.2 USAR EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)

Os equipamentos de proteção individual (EPI) constituem barreiras físicas


contra a transmissão de microrganismos. Além da proteção do profissional de saúde,
essas barreiras, quando utilizadas adequadamente, podem também proteger o paciente,
as demais pessoas e o ambiente.
Luvas, máscaras, aventais (capotes), óculos protetores, propés (botas), protetores
faciais são artigos ou roupas especialmente desenvolvidas para a proteção individual.
Quando utilizados com técnica inadequada, os EPI perdem a sua finalidade de
proteção individual e ou colocam em risco as demais pessoas.

18
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Os EPI devem ser selecionados de acordo com o procedimento a ser realizado e


o risco deste em provocar exposição ao sangue, outras substâncias corporais, mucosas e
pele não-íntegra.

 Luvas

Luvas de borracha
Luvas de procedimento não-esterilizadas
Luvas de procedimentos esterilizadas
Luvas cirúrgicas

o Finalidade:

 Luvas de procedimentos não estéreis – Protegem as mãos do profissional de saúde


do risco de contato com sangue, líquidos orgânicos, secreções, excreções, membrana
mucosa e pele não íntegra.
 Luvas estéreis – Protegem as mãos do profissional de saúde durante a realização de
procedimentos invasivos e fazem parte de técnica asséptica.
 Luvas de borracha ou material resistente à perfuração – Protegem as mãos do
profissional de saúde durante o processamento de artigos e superfícies ou em
procedimentos de maior risco par acidente perfurocortante (também podem ser
estéreis).

o Atenção!

 O uso de luvas não protege o profissional de saúde contra acidente com


material perfurocortante, o qual representa um dos maiores riscos de
exposição a agentes infecciosos (HIV e Hepatite B).
 As luvas devem ser retiradas assim que terminar o procedimento para o qual
foram indicadas, evitando a transferência de microrganismos para outras
pessoas ou para o ambiente.
 As luvas devem ser trocadas entre um paciente e outro, ou ainda, durante o
cuidado com o mesmo paciente, se houver contaminação com fontes
importantes de microrganismos (fezes, secreção purulenta, etc.).
 O uso de luvas não dispensa a higiene das mãos antes e após o seu uso em
cada paciente ou entre os pacientes.

 Máscara, óculos, Protetor Facial e Bocais

Máscara cirúrgica
Protetor facial
Óculos com vedação lateral
Bocais para reanimação

o Finalidade:

 Protegem as mucosas (nasal, oral e ocular) do profissional de saúde contra o


respingo de sangue e outros líquidos orgânicos.
 Protegem a mucosa oral durante manobra de reanimação.

19
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o Atenção:

 Usar a máscara dentro da técnica adequada, cobrindo a boca e nariz e


amarrando-a adequadamente de forma a não ficar caindo durante o uso.
 A máscara deve ser substituída se durante o procedimento essa se tornar úmida.
 Os óculos comuns conferem alguma proteção, porém não eliminam a
necessidade de óculos especiais com proteção lateral.
 Os dispositivos utilizados nas manobras de reanimação respiratória (bocais)
devem estar disponíveis nas áreas em que a necessidade de reanimação é
previsível.

 Aventais, Propés e Acessórios de Proteção

Aventais ou capotes
(limpo / esterilizado / impermeável)
Propés comuns
Botas ou propés impermeáveis
Protetor de antebraços e pernas
Touca ou gorro

o Finalidade:

 Protegem a pele e o uniforme / roupa do profissional de saúde, durante


procedimentos ou em situações que possam sujá-los, por meio do respingo ou do
contato com sangue e outras substâncias corporais. Usar avental limpo e se,
necessário, impermeável.
 Quando estiver visando também à proteção do paciente, durante a técnica asséptica,
utilizar avental estéril.
 Protegem a pele e o sapato do profissional de saúde, durante procedimentos ou em
situações que possam sujá-los, por meio do respingo ou do contato com sangue e
outras substâncias corporais. Usar propés ou botas impermeáveis.
 Manutenção do ambiente limpo em Centro Cirúrgico e Centro Obstétrico. Usar
propés limpos e ou impermeáveis.
 Adicionalmente, os protetores de antebraço e de pernas podem ser necessários.
 Protegem os cabelo do profissional de saúde, durante procedimentos ou em
situações que possam sujá-los, por meio do respingo ou do contato com sangue e
outras substâncias corporais. Usar gorros também, quando estiver visando à
proteção do paciente, durante a técnica asséptica.

o Atenção:

 O avental ou capote deve possuir mangas compridas para proteção dos antebraços e
deve ser de tamanho suficiente para cobrir a roupa e ou uniforme do profissional de
saúde.
 O avental deve ser retirado assim que terminar o procedimento para o qual foi
indicado para evitar a transferência de microrganismos para outras pessoas ou para o
ambiente.
 Vestir e retirar o avental dentro da técnica adequada. Quando retirar o avental, a
parte contaminada deve ficar para dentro.

20
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 Aventais impermeáveis, protetores de antebraço e pernas, botas e propés


impermeáveis proporcionam proteção para a pele, quando houver risco de contato
com grande quantidade de sangue ou líquidos orgânicos.
 Não circular com os propés sujos de sangue ou outros líquidos orgânicos, evitando
contaminar o ambiente.
 O gorro deve cobrir completamente os cabelos. Pessoa com cabelos compridos ou
volumosos devem prendê-los, evitando que toquem em objetos e pacientes.

3.3 EVITAR ACIDENTES COM MATERIAL PERFUROCORTANTE

Os profissionais de saúde devem estar atentos para evitar ferimentos causados por
agulhas, bisturis e outros equipamentos pontiagudos ou cortantes.
Esta determinação é válida durante os procedimentos junto ao paciente e também
no pós-procedimento.
As principais recomendações são:

 Realizar os procedimentos que envolvam a manipulação de material perfurocortante


com a máxima atenção.
 Nunca utilizar os dedos como anteparo durante a realização de procedimentos que
envolvam materiais perfurocortantes.
 As agulhas não devem ser reencapadas, entortadas ou quebradas ou retiradas das
seringas com as mãos. Utilizar dispositivos que eliminem a agulha ou descartá-la
junto com a seringa no coletor especial.
 As agulhas, tesouras, seringas e frascos de vidro e outros artigos reutilizáveis devem
ser acondicionados e transportados para esterilização em condições de segurança,
dentro de recipientes resistentes à perfuração e com tampa.
 Os artigos e instrumentos perfurocortantes descartáveis devem ser desprezados em
coletores especiais de paredes rígidas (resistentes à perfuração) e impermeáveis.
 Os coletores para descarte de material perfurocortante devem ser preenchidos até
2/3 de sua capacidade total ou conforme limite indicado. Devem ser instalados
(fixados em altura adequada) em pontos próximos ao local do procedimento.

Nunca desprezar material perfurocortante em lixeiras comuns, pois


outras pessoas podem se ferir.

4 – Artigos e equipamentos de assistência ao paciente:

 Os artigos reutilizáveis, após o uso em qualquer paciente, devem ser manipulados


pelo profissional de saúde de forma a prevenir a contaminação das pessoas e do
ambiente.
 Os artigos reutilizáveis devem ser limpos e adequadamente processados
(desinfetados ou esterilizados) antes de sua reutilização.
 Artigos descartáveis utilizados em qualquer paciente devem ser desprezados de
forma a prevenir a contaminação das pessoas e do ambiente.

21
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5 - Limpeza e desinfecção hospitalar:

 Superfícies hospitalares contaminadas por sangue, líquidos orgânicos, secreções e


excreções de qualquer paciente, após a limpeza, devem ser submetidas a desinfecção
com soluções germicidas padronizadas para este fim.

6 - Roupa hospitalar:

 Manipular (evitando agitação), acondicionar, transportar e processar as roupas


usadas (de qualquer paciente), de forma a prevenir a contaminação dos profissionais
de saúde, outros pacientes e do ambiente.

7 - Acomodação do paciente:

 Colocar em quarto privativo o paciente com mau hábito de higiene que contamina o
ambiente ou do qual não se pode esperar cooperação para a manutenção de ambiente
ordenado e limpo (crianças, pacientes com transtorno mental).

8 – Saúde do profissional:

Certas situações ou problemas de saúde do profissional podem predispor os


pacientes ou a ele próprio a um risco de adquirir infecção. Entre outras orientações
sobre este cuidado, são particularmente importantes:
 Os profissionais de saúde, com feridas ou dermatites nas mãos (sobretudo, se lesões
abertas, com secreção) devem evitar a prestação de cuidados diretos aos pacientes,
bem como a manipulação de equipamentos e artigos contaminados, até a resolução
das lesões.
 Os profissionais de saúde com doenças, transmissíveis ou não, devem ser avaliados,
caso a caso, quanto à prestação de serviços aos pacientes.

Os profissionais de saúde devem cumprir um programa de


vacinação, especialmente o da hepatite B, que está indicado para todos.
È importante conhecer o título de anticorpos anti-HBs.

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Anexo:

Recomendações frente às exposições ocupacionais a material biológico5


(sangue e outras substâncias corporais potencialmente contaminados)

Exposições de risco para o profissional de saúde:


 Exposição parenteral (Ex: picadas de agulhas ou cortes);
 Exposição de mucosa e da pele não-íntegra com sangue e outras substâncias
corporais;
 Exposição de pele íntegra: Contato com pele íntegra usualmente não é considerado
como um risco de transmissão do HIV. Entretanto, o risco de transmissão deverá ser
considerado quando envolver exposição com volume elevado de material biológico
(contato prolongado, superfície extensa de pele exposta).

Conduta pós-exposição:
Os procedimentos recomendados em casos de exposição a material biológico
incluem cuidados locais na área exposta, recomendações específicas para profilaxia
contra tétano, hepatite e HIV, acompanhamento sorológico e clínico, investigação
sorológica do paciente-fonte e procedimentos administrativos de comunicação da
exposição (acidente).
 Lavar cuidadosa e imediatamente as mãos e outras áreas da pele expostas
com água e sabão6.
 Se houver exposição de mucosas, lavar imediatamente com soro fisiológico,
repetindo a operação por várias vezes, até sentir que o local esteja limpo.
 Procurar imediatamente o Serviço de Emergência para avaliação quanto ao
uso de agentes anti-retrovirais (iniciar o uso idealmente dentro de uma a duas
horas após a exposição).
 Adicionalmente, deve ser avaliado o uso de gamaglobulina hiperimune para
hepatite B (dentro de 24 a 48 horas após a exposição), vacina contra hepatite
B e tétano.
 O acompanhamento sorológico para HIV e hepatite viral deve ser iniciado no
momento da exposição (realizar exames sorológicos logo que possível).
 É indicada a investigação sorológica do paciente-fonte, recordando que esta
investigação deve ser feita com aconselhamento pré e pós-teste com
informações sobre a natureza do teste e o significado dos seus resultados.
 Comunicar a exposição à chefia imediata e ao Serviço de Engenharia,
Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) ou setor equivalente, dentro do
prazo legalmente definido (variável conforme o regime jurídico que rege a
categoria profissional).
 A seqüência do atendimento será feita em ambulatório de referência.

5
Adaptado de Manual de Condutas Exposição Ocupacional a Material Biológico: Hepatite e HIV,
Ministério da Saúde, 1999 (Recomenda-se consultar protocolos atualizados do Ministério da Saúde).
6
O uso de solução anti-séptica degermante à base de clorexidina ou polivinilpirrolidona–iodo (PVP-I)
pode ser feito, porém sem nenhuma evidência de vantagem em relação ao sabão comum.

23
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IV - Higiene das Mãos7

As mãos dos profissionais de saúde, muitas vezes, constituem a principal fonte


de microrganismos para a transmissão de agentes infecciosos no ambiente hospitalar. A
microbiota das mãos pode ser dividida, didaticamente, em residente (ou colonizadora) e
transitória (ou contaminante).
A microbiota residente é composta mais comumente por microrganismos Gram-
positivos que se multiplicam na pele, ficando estáveis e viáveis por longo período de
tempo. Não são facilmente removíveis por lavagem ou escovação, porém podem ser
inativados por anti-sépticos.
A microbiota transitória é composta por microrganismos considerada os
principais causadores das infecções hospitalares. São microrganismos pouco adaptados
à sobrevivência em pele saudável e são facilmente removíveis pela higiene com água e
sabão ou destruídos pela aplicação de anti-sépticos.

Pré-requisitos para a higiene das mãos:

 Retirar anéis, relógios e pulseiras;


 As unhas devem estar aparadas; e
 Não deve haver lesões de pele nas mãos.

Técnicas de higiene das mãos:

São definidas quatro técnicas para higiene das mãos:


 Higiene com água e sabão;
 Anti-sepsia;
 Anti-sepsia cirúrgica;
 Fricção com álcool.

Para a escolha da técnica adequada de higiene das mãos, levar em consideração,


sobretudo, a duração e o grau de invasão de determinado procedimento, a
suscetibilidade do paciente e a possibilidade de transmissão de microrganismos
epidemiologicamente importantes.

1 - Higiene com água e sabão

É o ato de lavar as mãos com água e sabão, por meio de técnica adequada, com o
objetivo de remover a sujidade e a maioria da microbiota transitória das mãos.
Indicações e técnica da higiene básica das mãos, observar o Quadro 1, a seguir:

7
Adaptado de “A saúde em suas mãos: Norma técnica de limpeza das mãos para profissionais de saúde”
( SES / DF , 1998 )

24
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Quadro 1: Higiene com água e sabão

Quando lavar as mãos (e antebraços)?

 Antes e após a realização de cuidados ou exames em cada paciente e entre os


procedimentos realizados no mesmo paciente se, neste caso, houver contato com
fontes importantes de microrganismos (fezes, secreção purulenta, etc.).
 Antes e após o manuseio de cateteres vasculares, sonda vesical, tubo orotraqueal e
outros dispositivos invasivos.
 Antes e após o uso de luvas, dentro das rotinas definidas para cada procedimento.
 Antes do preparo de medicação.
 Ao iniciar o turno de trabalho e, sempre, antes e após a higiene pessoal (assoar o
nariz, usar sanitários, etc.).

O que usar?

 Água e sabão neutro

Como lavar as mãos?

1. Abrir a torneira8 e molhar as mãos, sem encostar-se na pia;


2. Ensaboar as mãos. Use sabonete líquido (± 2 ml) ou sabonete em barra (neste caso,
enxaguá-lo antes do uso);
3. Friccionar todas as superfícies das mãos (e antebraços) por cerca de 15 segundos,
com particular atenção para as extremidades dos dedos, unhas e espaços interdigitais
(não esquecer o dorso da mão e o punho);
4. Enxaguar as mãos, retirando totalmente o resíduo do sabonete;
5. Enxugar com papel-toalha;
6. Fechar a torneira utilizando o papel-toalha, sem encostar-se na pia ou torneira.

2 - Anti-sepsia das mãos

É a higiene das mãos por meio da utilização de anti-sépticos. Anti-sépticos são


substâncias microbicidas ou microbiostáticas destinadas para o uso tópico na pele e
mucosas. O objetivo da anti-sepsia das mãos é a remoção e a destruição da microbiota
transitória.
Indicações e técnica da anti-sepsia das mãos, observar o Quadro 2, a seguir:

8
As torneiras acionadas com dispositivos que não provocam contato com as mãos são as mais indicadas.
No caso de pia com torneira de alavanca, abrir e fechar a mesma com o braço. No caso de torneira
comum, usar papel toalha para fechá-la.

25
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Quadro 2: Anti-sepsia das mãos

Quando fazer anti-sepsia ?

 Antes da realização de cuidados ou exames em pacientes com maior suscetibilidade


a desenvolver infecção (Ex: pacientes imunossuprimidos, agranulocitose,
transplantados, queimados, pacientes em unidades de terapia intensiva e berçário de
alto risco).
 Após examinar paciente colonizado / infectado por bactérias multirresistentes
(isolamento de contato).
 Antes de realizar pequenas cirurgias (retirada de verrugas, suturas de pele, etc.) ou
procedimentos invasivos não-cirúrgicos (inserção de cateteres vasculares profundos,
punção lombar, toracocentese, etc.).
 Antes de realizar procedimentos do tipo: preparo de nutrição parenteral ou enteral,
instalação de hemodiálise.
 Após contato inadvertido das mãos com sangue, secreções, excreções, mucosas, pele
não-íntegra de qualquer paciente ou com artigos e superfícies contaminadas.

O que usar para anti-sepsia das mãos?

 Álcool 70% glicerinado e soluções degermantes à base de PVP-I a 10%, clorexidina


a 4% ou irgasan (triclosan) a 0,5%.

Como fazer a anti-sepsia?

1. Lavar as mãos (e antebraços) com água e sabão neutro por, no mínimo, 15 segundos,
observando a rotina de higiene das mãos;
2. Enxaguar em água corrente, a partir das mãos, mantendo-as elevadas;
3. Enxugar com papel-toalha (fechar a torneira com papel-toalha);

1ª opção: anti-sepsia com álcool 70 % glicerinado


4. Aplicar álcool 70% glicerinado;
5. Friccionar por, no mínimo, 15 segundos, reaplicando o álcool quantas vezes forem
necessárias, até completar os 15 segundos;
6. Aguardar secar naturalmente sem o uso de toalha.

2ª opção: anti-sepsia com anti-séptico degermante (PVP-I, clorexidina, irgasan)


1. Aplicar anti-séptico degermante e friccionar por, no mínimo, 30 segundos, com
particular atenção com as extremidades dos dedos, unhas e espaços interdigitais;
2. Enxaguar em água corrente, a partir das mãos, mantendo-as elevadas;
3. Enxugar com papel-toalha;
4. Fechar a torneira com papel-toalha.

26
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3 - Anti-sepsia cirúrgica (degermação cirúrgica) das mãos

A anti-sepsia cirúrgica das mãos está indicada nos procedimentos cirúrgicos. O


objetivo é remover / destruir a microbiota transitória e reduzir / inativar a microbiota
residente.

Quadro 3: Anti-sepsia cirúrgica das mãos

Quando fazer a anti-sepsia cirúrgica?


 Antes de procedimento cirúrgico

O que utilizar para anti-sepsia cirúrgica?


 Soluções degermantes à base de clorexidina a 4% ou PVP-I a 10%.

Como fazer a anti-sepsia cirúrgica?

1 ª opção: Anti-sepsia com uso de escova/esponja embebida em solução degermante


de clorexidina ou PVP-I
1. Realizar a higiene básica das mãos;
2. Utilizar esponja / escova com cerdas macia (estéril e descartável) embebida em
solução anti-séptica;
3. Limpar sob as unhas com a escova ou limpador de unhas (que acompanha a
esponja);
4. Espalhar o anti-séptico com a esponja;
5. Esfregar as mãos e antebraços por no mínimo, 3 minutos, com particular atenção
para as extremidades dos dedos, unhas e espaços interdigitais;
6. Enxaguar com água corrente, a partir das mãos, mantendo-as elevadas, com os
antebraços fletidos, de forma que o excesso de água escorra pelos cotovelos;
7. Enxugar com compressa estéril, em movimentos compressivos, iniciando pelas
faces das mãos até chegar aos cotovelos;
8. Entre cada cirurgia, repetir o mesmo procedimento.

Outras opções:
1. Sem o uso de escovas (o que é indicado quando não há disponibilidade de
escovas com cerdas macias), o anti-séptico é espalhado e friccionado com as
mãos. As unhas são limpas também por meio da fricção contra a palma da mão
ou com uma escova ou limpador de unhas de uso individual.
2. No caso de alergia aos produtos indicados, realizar técnica à base de álcool 70%
(conforme técnica definida na Norma Técnica de Higiene das Mãos, SES / DF).

4 - Fricção higiênica das mãos9

É a aplicação e a fricção de álcool-gel ou álcool a 70 % glicerinado nas mãos, sem a


higiene das mãos com água e sabão. Este procedimento está indicado quando as mãos
não apresentam sujidade e há limitação de tempo e de recursos físicos para a higiene das
mãos por outras técnicas.

9
Consultar Recomendações técnicas sobre higienização das mãos por setor do hospital (NCIH)

27
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V - Precauções adicionais

As Precauções Adicionais são indicadas como complemento das precauções


básicas durante a assistência a pacientes com diagnóstico suspeito ou confirmado de
infecção ou colonização por agentes epidemiologicamente importantes.

As precauções adicionais, ou isolamento usualmente dita, são orientadas de


acordo com a via de transmissão de um agente infeccioso específico, em relação ao qual
pretende-se interromper a disseminação hospitalar.

1. Fundamentos das precauções adicionais

 Manter sempre as precauções básicas.


 Usar quartos individuais ou coletivos 10 para pacientes acometidos com o mesmo
microrganismo (coorte de pacientes) com precauções especiais definidas de
acordo com a via de transmissão.
 Aplicar as precauções adicionais baseadas na via de transmissão do agente
infeccioso.
 Usar os equipamento de proteção individual (luvas, avental, máscara cirúrgica
ou máscara especial) de acordo com as precauções básicas e também de acordo
com a via de transmissão do agente infeccioso.
 Manter as precauções antiinfecciosas durante o transporte do paciente a outros
setores.
 Visitas e acompanhantes somente sob orientação.
 Suspender as precauções adicionais assim que terminar o período de transmissão
do agente infeccioso.

Em síntese, o processo de decisão para as precauções adicionais (ou isolamento)


inclui os seguintes aspectos:

Quadro 3 – Precauções adicionais: principais decisões

Diagnóstico, comprovado ou suspeito, de Determina a necessidade de precauções


doença infecciosa transmissível ou de adicionais (isolamento).
colonização por microrganismos
multirresistentes.
Via de transmissão do agente etiológico. Determina o tipo de precauções adicionais
(isolamento).
Período de transmissibilidade do agente da Determina a duração das precauções
infecção ou da colonização. adicionais (isolamento).

10
Dois ou mais pacientes com infecção ou colonização pelo mesmo tipo de agente infeccioso (alertar para
as diferenças no padrão de resistência do microorganismo aos antimicrobianos) podem ocupar o mesmo
quarto, enfermaria ou área específica para o isolamento.

28
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2. Tipos de Precauções adicionais

Considerando as principais vias de transmissão dos microrganismos nos


hospitais as precauções adicionais são divididas em:
 Precauções com gotículas
 Precauções aéreas
 Precauções com contato

2.1 PRECAUÇÕES COM GOTÍCULAS

Indicação:

São indicadas para a assistência a pacientes com infecção, suspeita ou


confirmada, causada por microrganismos transmitidos por gotículas de saliva ou de
secreção nasofaríngea e que se disseminam a curta distância (cerca de um metro)
atingindo as mucosas oral e nasal.

Exemplos de doenças transmitidas por gotículas:


 Doença meningocócica
 Doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b
 Coqueluche
 Difteria faríngea
 Estreptococcia (S. pyogenes) respiratória (escarlatina, amigdalite, pneumonia, etc.)
 Pneumonia por micoplasma
 Outras infecções virais: influenza, rubéola, caxumba, parvovírus B19
 Infecções por adenovírus em crianças (em associação com as medidas do isolamento
precauções de contato)

Orientações para as precauções com gotículas:

 Manter as precauções básicas.


 Colocar o paciente em quarto individual ou comum para pacientes acometidos com
o mesmo microrganismo (coorte de pacientes)11
 Ao entrar no quarto, lavar as mãos e colocar uma máscara cirúrgica, fixando-a bem
deforma a cobrir a boca e o nariz.
 Ao sair do quarto, realizar a higiene das mãos.
 A máscara deve ser retirada, segurando-a pelas tiras, sem contaminar as mãos.
 Limitar o transporte do paciente para outros setores. Quando necessário o transporte,
o paciente deve usar máscara, se possível. Avisar com antecedência o setor ao qual
está seno encaminhado.
 As superfícies e os equipamentos próximos ao leito do paciente devem sofrer
limpeza e desinfecção concorrente (diária), conforme a rotina hospitalar.
 Manter aviso na entrada do quarto ou na área.
 Visitas restritas sob orientação.

2.2 PRECAUÇÕES AÉREAS


11
Excepcionalmente, quando um quarto individual não está disponível e há necessidade de internar o
paciente em um quarto coletivo, tipo a UTI, instituir uma área demarcada com biombo ou faixas
sinalizadoras com menos 2m de distância entre o paciente infectado e outros pacientes. Nessa situação,
consultar o NCIH.

29
DGST / HRT / CCIH / NCIH

Indicação:

São indicadas para a assistência a pacientes com infecção, suspeita ou


confirmada, causada por microrganismos transmitidos por inalação de partículas
menores de 5µ e que se disseminam a longa distância em correntes aéreas.

Exemplos de doenças transmitidas por via aérea:


 Tuberculose pulmonar ou laríngea·
 Sarampo
 Varicela e herpes zoster disseminado ou em paciente imunodeprimido (em
associação com as precauções de contato)
 Pneumonia asiática (em associação com as precauções de contato).

Orientações para precauções com via aérea:

 Manter as precauções básicas.


 Quarto privativo, de preferência com antecâmara. As portas do quarto e da
antecâmara devem permanecer fechadas. Manter o quarto sob pressão negativa em
relação ao corredor, o que geralmente se consegue mediante seis a doze trocas de ar
por hora, com exaustão para o exterior do edifício.
 Lavar as mãos e colocar a máscara com filtro especial (N95) ao entrar no quarto de
isolamento independente do procedimento a ser realizado. A máscara N95 deve
cobrir a boca e o nariz e deve estar bem ajustada à fase.
 Ao sair do quarto, realizar a higiene das mãos.
 A máscara somente deve ser retirada após sair do quarto e fechar a porta. Retirá-la
segurando-a pelas tiras, sem contaminar as mãos.
 Limitar o transporte do paciente para outros setores. Quando necessário o transporte,
o paciente deve usar máscara, se possível. Avisar com antecedência o setor ao qual
está seno encaminhado.
 As superfícies e os equipamentos próximos ao leito do paciente devem sofrer
limpeza e desinfecção concorrente (diária), conforme a rotina hospitalar.
 Manter aviso na entrada do quarto ou na área.
 Visitas restritas sob orientação.

2.3 PRECAUÇÕES DE CONTATO

Indicação:

São indicadas para assistência a pacientes com infecção suspeita ou confirmada,


ou colonização por microrganismos transmitidos por contato direto e indireto.

Exemplos de doenças transmitidas por contato:


 Infecção ou colonização por bactéria multirresistente (definidos pela CCIH / NCIH)
 Infecções entéricas:
- Por Clostridium difficile,
- Em pacientes incontinentes: E coli enterohemorrágica, Shigella, Hepatite A ou
rotavírus

30
DGST / HRT / CCIH / NCIH

 Vírus sincicial respiratório, vírus parainfluenza ou infecções por enterovírus em


lactentes e crianças pequenas.
 Infecções cutâneas:
Furunculose em crianças pequenas
Infecções estafilocóccicas cutâneas extensas
Herpes simples neonatal ou mucocutâneo, primário ou disseminado, severo
Impetigo
Difteria cutânea
Celulite, abcesso ou úlceras de decúbito extensas.
 Rubéola congênita
 Conjuntivite viral ou hemorrágica
 Varicela e herpes zoster disseminado ou em paciente imunodeprimido (em
associação com as medidas para o isolamento precauções com transmissão por via
aérea)
 Infecções por adenovírus em crianças (em associação com as precauções com
gotícula)

Orientações para as precauções com contato:

 Manter as precauções básicas.


 Colocar o paciente em quarto individual ou comum para pacientes acometidos com
o mesmo microrganismo (coorte de pacientes)12
 Lavar as mãos e colocar luvas ao entrar no quarto de isolamento, exceto se não for
tocar no paciente ou nas superfícies e equipamentos.
 Usar avental, se for realizar procedimento que provoque contato mais intenso com o
paciente ou com artigos e superfícies do quarto.
 Evitar tocar desnecessariamente no paciente ou nas superfícies e objetos
possivelmente contaminados.
 Ao sair do quarto, retirar as luvas e o avental. O avental deve ser retirado com
técnica adequada, de forma que a parte contaminada fique para dentro. Usar o
avental apenas uma vez.
 Realizar a higiene das mãos com solução anti-séptica.
 Usar artigos exclusivos para o exame ou cuidado com o paciente. Os artigos
reutilizáveis devem ser limpos e desinfetados após cada uso.
 Limitar o transporte do paciente para outros setores. Quando necessário o transporte,
o profissional de saúde deve usar luvas e avental. Avisar com antecedência o setor
ao qual está sendo encaminhado. As cadeiras e macas utilizadas no transporte devem
ser desinfetadas.
 As superfícies e os equipamentos próximos ao leito do paciente devem sofrer
limpeza e desinfecção concorrente (diária), independente de haver contaminação
visível.
 Manter aviso na entrada do quarto ou na área.
 Visitas restritas sob orientação.

12
Excepcionalmente, quando um quarto individual não está disponível e há necessidade de internar o
paciente em um quarto coletivo, tipo a UTI, instituir uma área demarcada com biombo ou faixas
sinalizadoras com menos 2m de distância entre o paciente infectado e outros pacientes. Nessa situação,
consultar a CCIH/NCIH.

31
DGST / HRT / CCIH / NCIH

3. Aspectos físicos e operacionalização das precauções adicionais

As unidades de internação e de emergência devem dispor de quartos ou


ambientes específicos para o isolamento, de preferência, ou de quartos adaptáveis às
situações em que o paciente necessite de isolamento.
Recomenda-se que o quarto possua banheiro privativo (vaso sanitário, chuveiro
e pia) e uma pequena antecâmara, localizada entre o quarto e a via de acesso. A
antecâmara deve possuir uma pia, principalmente, para a higiene das mãos dos
profissionais de saúde, e armários ou prateleiras para se guardar objetos (por ex: luvas,
máscaras, avental), conforme a rotina do serviço.
Manter no quarto o mínimo de equipamento e mobiliário necessário. O quarto
deve dispor de alarme sonoro e/ou luminoso, permitindo ao paciente chamar alguém da
equipe.
O cartaz indicativo de precauções adicionais deve ser afixado em local visível na
entrada do quarto do paciente.
Realizar a limpeza e a desinfecção das superfícies e equipamentos conforme a
rotina do hospital e do setor. No caso de isolamento “precauções de contato”, a
desinfecção segue rotina especial, sendo indicada desinfecção diária, independente de
sujidade ou contaminação visível.
O descarte de resíduos infectantes, o recolhimento, o transporte e o
processamento de roupas e de pratos e talheres não descartáveis usados nas refeições,
seguem o princípio das precauções básicas, que deve ser adotado em todo o hospital,
sem nenhuma especificação adicional em relação ao isolamento.por outro lado, é
necessário assegurar o processamento adequado desses materiais de forma a atingir a
descontaminação e a segurança na sua reutilização.

4. Cuidados como aspecto psicológico dos pacientes em isolamento

Os efeitos do isolamento no aspecto psicológico dos pacientes são bastante


negativos e alguns cuidados devem ser observados para minimizá-los como:
- Permitir visitas e acompanhantes (mesmo que de forma limitada).
- Conversar com o paciente, explicar o porquê das medidas de isolamento e ajudá-
lo a remover anseios e temores infundados.
- Incentivar a dimensão humana do relacionamento: paciente e equipe
profissional.
- Dispor de alarmes sonoros e / ou luminosos nos quartos, permitindo ao paciente
chamar alguém da equipe.
- Providenciar assistência social e psicológica, quando necessário.

5. Orientações aos visitantes e acompanhantes

A visitantes e os acompanhantes de pacientes em isolamento devem obedecer as


normas gerais do hospital e ainda observar o seguinte:
- O número de pessoas e o tempo de visita devem ser limitados.
- O visitante ou acompanhante devem ser instruídos previamente sobre o risco de
adquirir ou disseminar infecção e orientado sobre as rotinas de precauções
básicas e adicionais (lavar as mãos, usar os EPI, circulação e higiene no quarto
de isolamento, etc.).
- Os EPI devem ser utilizados de acordo com a categoria de isolamento e de forma
semelhante àquela do profissional de saúde.

32
DGST / HRT / CCIH / NCIH

- A autorização, a instrução e a observação quanto ao cumprimento das rotinas


pelo visitante ou acompanhante deve ficar a cargo de profissional da equipe de
enfermagem ou médica, previamente determinado.

6. Paciente imunodeprimido

A suscetibilidade dos pacientes imunodeprimido de adquirirem infecções está


relacionada ao tipo, severidade e duração da imunodepressão. Os microrganismos a que
os pacientes estão expostos provêm tanto de sua microbiota (fonte endógena) como de
fontes exógenas (profissionais de saúde, visitantes, ambiente, alimentos, etc.).
A aplicação das precauções básicas em todas as circunstâncias e das adicionais, nas
situações específicas, protege o paciente imunodeprimido contra o risco de aquisição de
microorganismos de fontes exógenas (sobretudo a representada por outros pacientes).
Toda a equipe de saúde deve aplicar as medidas, o que inclui fisioterapeutas, técnicos da
radiologia e outros que eventualmente entram em contato com esses pacientes.
Profissionais de saúde ou visitantes com doenças infecciosas devem ser avaliados
quanto à possibilidade de transmissão e o contato com esses pacientes deve ser evitado.
A redução das fontes exógenas inclui, ainda, os cuidados:
 Ar (manter sistemas de ar climatizado adequados e sob manutenção preventiva);
 Água (manter qualidade da água distribuída no hospital e observar medidas
adicionais contra a legionelose);
 Plantas e animais (controle de pragas, evitar plantas e / ou fazer a manipulação
com cuidados especiais);
 Reformas de área física devem ser planejadas face à possibilidade de dispersão
de agentes infecciosos (aspergilose).

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Anexo I

Quadro 1:Tipo e duração das precauções de isolamento recomendadas de acordo


com a infecção, condição ou agente etiológico (observações
complementares no Quadro 2)
INFECÇÃO / CONDIÇÃO / AGENTE PRECAUÇÕES
TIPO DURAÇÃO
Abscesso (em drenagem, grande) Obs.1 C DD
Adenovirose em lactente e pré-escolar G, C DD
Caxumba G Obs.2
Celulite (extensa, secreção não contida) C DD
Clostridium difficile C DD
Conjuntivite hemorrágica aguda C DD
Coqueluche G Obs.3
Gastroenterite (paciente incontinente, dificuldade para manter higiene) C DD
Difteria cutânea C CN, Obs.4
Difteria faríngea G CN, Obs.4
Enterovirose em lactente e pré-escolar C DD
Epiglotite por H. influenzae G T24horas
Escabiose C T24horas
Estafilococcias – furunculose em crianças C DD
Estafilococcias – pele, ferida ou queimadura – extensa Obs.1 C DD
Estreptococcias – pele, ferida ou queimadura – extensa Obs.1 C T24horas
Estreptococcias – pneumonia, escarlatina ou faringite em crianças. G T24horas
Hepatite viral – tipo A (paciente incontinente) C Obs.5
Herpes simples – mucocutâneo disseminado ou primário extenso C DD
Herpes simples – neonatal (exposição no nascimento) Obs.6 C DD
Herpes zoster disseminado ou em paciente imunodeprimido (localizado) A, C Obs.7
Impetigo C T24horas
Infecção de ferida (extensa) C DD
Influenza Obs.8 G DD
Meningite – por H. influenzae (definida ou suspeita) G T24horas
Meningite – meningocócica (definida ou suspeita) G T24horas
Meningococcemia G T24horas
Organismos multirresistentes – infecção ou colonização gastrointestinal, C CN
respiratória ou cutânea Obs.9
Parainfluenza em crianças C DD
Parvovírus B19 G Obs.10
Pediculose C T24horas
Peste pneumônica G T72horas
Pneumonia – adenovírus G,C DD
Pneumonia – H. influenzae (crianças) G T24horas
Pneumonia – meningococo G T24horas
Pneumonia – micoplasma G DD
Pneumonia – Burkholderia cepacea em crianças com fibrose cística C DH
incluindo colonização do trato respiratório
Pneumonia – estreptocócica em crianças G T24horas

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Pneumonia – Pneumocistis carinii Obs.11


Rubéola – congênita C Obs.12
Rubéola – outras formas G Obs.13
Sarampo A Obs.14
Tuberculose pulmonar A Obs.15
Úlcera de decúbito grande com secreção não contida Obs.1 C DD
Varicela A, C Obs.7
Vírus sincicial respiratório em crianças e em imunodeprimidos C DD
(Fonte: Adaptado de Garner JS, Hospital Infection Control Advisory Committee. Guideline for isolation
precautions in hospitals, 1996.)

Tipos de precauções: Duração das precauções:


C – contato DD – durante a duração da doença
G – gotículas NA – ver notas adicionais
A – aerossóis T – tempo após o início da terapêutica apropriada
CN – até que a cultura seja negativa
DH – durante a hospitalização.

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Quadro 2 : Observações complementares relacionadas ao Quadro 1 ( do anexo 3 ):

Nº Observação especial
1 Sem curativo ou curativo que não contém toda a drenagem.
2 Até 9 dias após o início da parotidite. A transmissão pode iniciar até 7 dias antes.
3 Até 5 dias após o início da terapêutica adequada ou 3 semanas de não tratados.
4 Até duas culturas negativas, colhidas em dias diferentes.
5 Manter precauções para crianças menores de um ano durante a hospitalização. Em crianças
de 3 a 14 anos, até 14 dias após o início dos rash. Para os demais, até sete dias após o início
dos rash.
6 Para recém nascidos de parto normal ou cesárea (mãe com infecção em atividade) com
ruptura de membranas por período maior de 4 – 6 horas.
7 Até que todas as lesões estejam na fase de crosta. O período de incubação da varicela é de
10 a 16 dias, até o máximo de 21 dias. Após a exposição de suscetíveis, avaliar o uso de
imunoglobulina varicela-zoster (VZIG) e, se possível, dar alta. Os expostos suscetíveis, se
internados, devem permanecer isolados a partir do 10° dia da exposição até o 21 0 depois da
última exposição (ou 28 0 dia, se fez uso de VZIG). Pessoas susceptíveis não devem entrar
no quarto de isolamento. Pessoas não suscetíveis não necessitam usar máscaras.
8 Esta recomendação possui dificuldades práticas para aplicação, especialmente em
epidemias. Nessas situações, o coorte deve ser realizado ou, pelo menos, o contato com
pacientes de alto risco deve ser evitado.
9 Patógenos multirresistentes devem ser definidos de acordo com critérios epidemiológicos
de cada hospital ou setor (verificar com a CCIH / NCIH).
10 Manter precauções durante toda a hospitalização, quando doença crônica em paciente
imunodeprimido. Para pacientes com crises aplásticas transitórias, manter o isolamento por
7 dias.
11 Não é necessário o isolamento, porém é recomendado evitar a internação junto a outros
pacientes imunodeprimidos.
12 Durante qualquer internação até um ano de idade, exceto se culturas de nasofaringe e urina
sejam negativas para o vírus após três meses de idade.
13 Até 7 dias do início do exantema
14 Isolar os expostos a partir do 5° dia após a exposição até o 15° dia após última exposição.
Pessoas susceptíveis não devem entrar no quarto de isolamento. Pessoas não suscetíveis
não necessitam usar máscaras.
15 Face à possibilidade de bacilos da tuberculose multidroga-resistente, os pacientes com
tuberculose devem ficar em quartos separados, sobretudo os casos altamente suspeitos de
resistência (retratamento, paciente imunodeprimido, etc.). Suspender as precauções quando
o paciente estiver recebendo terapêutica adequada, com melhora clínica e com
baciloscopias negativas, em 3 amostras de escarro colhidas em dias diferentes.
(Fonte: Adaptado de Garner JS, Hospital Infection Control Advisory Committee. Guideline for isolation
precautions in hospitals, 1996.)

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VI - Recomendações técnicas para prevenção de infecção do trato respiratório 13

1. Introdução

A pneumonia hospitalar está associada às maiores taxas de mortalidade até 70%,


quando comparada às outras infecções hospitalares. A maioria dos pacientes com
pneumonia hospitalar apresenta um ou mais dos seguintes fatores de risco: extremo de
idade, doença de base grave, imunodepressão, doença cardiopulmonar e cirurgia
toracoabdominal.
O principal mecanismo para a ocorrência de pneumonia é a aspiração de
secreções da orofaringe ou do trato digestivo superior, por conta do refluxo. O risco de
pneumonia hospitalar aumenta de 6 a 21 vezes nos casos de intubação endotraqueal ou
ventilação mecânica, conseqüência da quebra dos mecanismos de defesa do trato
respiratório e à maior exposição a fontes de microrganismos relacionadas ao
equipamento e ao condensado.
Pneumonias causadas por Legionella spp, Aspergillus spp. e vírus influenza são
freqüentemente causadas pela inalação de aerossóis contaminados. O vírus sincicial
respiratório causa infecção após inoculação conjuntival ou da mucosa nasal, por meio
das mãos contaminadas.
As medidas de controle de pneumonia hospitalar visam fundamentalmente:
reduzir a ocorrência de aspiração nos pacientes; evitar a transmissão cruzada de
patógenos, principalmente, por meio da higiene das mãos; utilizar racionalmente os
recursos da terapia respiratória; garantir processamento adequado dos equipamentos
respiratórios; realizar imunização com vacinas específicas e implantar medidas
educativas.

2. Fisiopatologia

A pneumonia ocorre quando há um desequilíbrio entre os microrganismos


colonizantes e os fatores de defesa do organismo.
A fisiopatologia da pneumonia hospitalar pode ser dividida em duas fases principais:
na primeira, a orofaringe e o estômago dos pacientes são colonizados por bactérias
gram-negativas e atuam como reservatório para as freqüentes invasões bacterianas que
acontecem no trato respiratório via microaspirações; subseqüentemente (segunda fase),
os microrganismos invasores são reconhecidos e combatidos pelas defesas orgânicas;
assim, o desenvolvimento do quadro anatomopatológico de pneumonia será
estabelecido, caso as defesas orgânicas não consigam eliminar os patógenos invasores.
Os fatores de risco relacionado à pneumonia hospitalar são:

a) Pacientes não ventilados:


 Duração da cirurgia;
 Estado nutricional do paciente, Albumina baixa – desnutrição;
 Imunossupressão;
 Queda do nível de consciência;
 Depressão dos reflexos das vias aéreas;
 Doença neuromuscular;
 Sexo masculino;

13
Adaptadas a partir de Guidelines for Prevention of Nosocomial Pneumonia, CDC/ USA. MMWR 46
(R-1); 1-79.

37
DGST / HRT / CCIH / NCIH

 Colonização da orofaringe com bacilos Gram-negativos;


 Esofagite de refluxo;
 Pneumonia prévia.

b) Pacientes sob ventilação mecânica:


 Duração da ventilação mecânica;
 Trauma severo de crânio;
 Intubação endotraqueal aumenta o risco, quando de emergência;
 Reintubação;
 Auto-extubação;
 Traqueotomia;
 Terapia inibitória da acidez gástrica;
 Sedação com barbitúricos;
 Aspiração de secreção orofaringe ou trato digestivo, em grande volume
de conteúdo gástrico;
 Sonda nasogástrica ou nasoenteral;
 Troca dos circuitos respiratórios em intervalos menores que 48h;
 Meses frio do ano;
 Decúbito horizontal;
 Uso prévio de antibióticos;
 Cirurgia torácica ou abdominal superior;
 Doença pulmonar crônica – DPOC;
 Idade avançada, principalmente acima de 60 anos;
 Monitoração da pressão intracraniana;

3. Recomendações gerais

Quadro 1: Recomendações gerais para a prevenção de pneumonia hospitalar

Objetivo Recomendações
Evitar -Lavar mãos antes e após examinar ou prestar cuidados a cada paciente,
transmissão ao manipular sondas, cateteres ou dispositivos utilizados em terapia
cruzada de respiratória; mesmo que tenham sido usadas luvas.
patógenos -Usar luvas de procedimentos se houver risco de contato com sangue,
secreções, excreções e mucosa, conforme as recomendações das
precauções básicas (adicionalmente, se necessário, usar máscara, óculos
protetores, capote etc.).
-Trocar luvas e lavar as mãos entre contato com sítio corporal e trato
respiratório ou material de terapia respiratória no mesmo paciente.
Diminuir -Evitar que o paciente permaneça por longo período em condições de
possibilidade de acúmulo de secreções respiratórias;
aspiração de -Aspirar em caso de acúmulo de secreções;
secreções do trato -Mudar de decúbito sempre que necessário;
respiratório -Instituir fisioterapia respiratória;
superior -Evitar sedação e depressores do SNC sempre que possível;
-Antes de esvaziar o “cuff” da cânula endotraqueal para a sua remoção,
aspirar as secreções acima da região glótica do tubo.

38
DGST / HRT / CCIH / NCIH

Quadro 1 : Recomendações gerais para a prevenção de pneumonia hospitalar


(continuação )
Objetivo Recomendações
Evitar aspiração -Os pacientes em ventilação mecânica devem permanecer com a
associada a dieta cabeceira da cama elevada (30° a 45°), para evitar aspiração (associada
enteral ou à nutrição enteral), salvo contra-indicação específica.
conteúdo gástrico -Sempre que possível, alimentar o paciente por via oral. Evitar o uso de
SNG ou SNE, interromper e remover o dispositivo o mais
precocemente possível.
-Verificar rotineiramente a posição da sonda enteral. Monitorizar
rotineiramente a motilidade intestinal e ajustar a velocidade de infusão
da dieta enteral.
-Dar preferência ao uso de sucralfato ao invés de agentes que diminuem
o pH gástrico, para proteção da mucosa gástrica.
Evitar a -Limpar criteriosamente os materiais a serem esterilizados ou
contaminação por desinfetados.
equipamentos e -Esterilizar ou submeter a desinfecção de alto nível todos os
medicamentos equipamentos e artigos utilizados em terapia respiratória.
utilizados em -Usar água estéril em nebulizadores e umidificadores.
terapia -A água estéril e medicamentos devem ser adicionados ao sistema de
respiratória terapia respiratória de forma asséptica.
-Sempre trocar o recipiente com água estéril e não completar.
-A máscara de nebulização deve ser trocada após cada uso, ainda que
no mesmo paciente.
-Evitar que o condensado das traquéias do ventilador reflua para o tubo
endotraqueal.
-Manipular o condensado com cuidado para evitar contaminação das
mãos (usar luvas e lavá-las após o procedimento) e do ambiente
(desprezar no expurgo).
Evitar a -Lavar as mãos e usar luvas estéreis para realizar a aspiração.
contaminação -Usar máscara, óculos protetores e se necessário capote para fins de
durante a biossegurança, independente do sistema.
aspiração -Usar água e solução estéril para a sucção e limpeza da sonda durante
endotraqueal as aspirações (desprezar as soluções usadas no final de cada
procedimento).
-Usar sonda de aspiração apropriada e estéril para cada aspiração
traqueal.
-Trocar a extensão (tubo) do látex e o frasco de aspiração a cada 24h,
ou antes, se estiver muita secreção. O tubo de látex deve ser desprezado
após uso, não sendo possível o reprocessamento.
-Trocar a extensão (tubo) de silicone para oxigenação.
Usar -Antibióticos devem ser usados com cautela e indicação definida em
racionalmente protocolo e diminuir o risco de seleção bacteriana.
antimicrobianos -Não administrar agentes antimicrobianos sistêmicos para a prevenção
de pneumonia hospitalar.
Imunizar contra -Vacinar contra pneumococo os pacientes de risco (> 65 anos, doença
pneumococo pulmonar ou cardiovascular crônica, diabetes mellitus, alcoolismo,
cirrose hepática, asplenia funcional ou anatômica, imunodepressão e
fístula liquórica).

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4. Recomendações especiais para o paciente cirúrgico

 Os pacientes a serem submetidos a cirurgia torácica, abdominal, de cabeça e


pescoço ou que têm disfunção pulmonar importante deverão receber tratamento e
orientação no pré-operatório.
 A orientação pré-operatória inclui explicar ao paciente a necessidade da tosse e
inspiração profunda e da deambulação no período pós-operatório de forma a
prevenir complicações respiratórias.
 O tratamento, quando indicado, deve incluir a resolução de infecções pulmonares e a
adoção de medidas para eliminar secreções respiratórias. Deve ser encorajada a
interrupção do hábito de fumar, pelo menos 30 dias antes da cirurgia.
 No pós-operatório, encorajar os pacientes a tossir freqüentemente, inspirar
profundamente e a mover-se e a andar, a menos que haja contra-indicação. A dor
deve ser controlada de forma a permitir a realização desses cuidados.
 Usar um espirômetro de incentivo ou respiração com pressão positiva intermitente
em pacientes de alto risco para pneumonia pós-operatória.

5. Cuidados específicos com o trato respiratório


a) Aspiração traqueal
Tem a finalidade de manter as vias aéreas livres e permeáveis, garantindo a
ventilação e a oxigenação adequada e prevenindo complicações provocadas pelo
acúmulo de secreções. A aspiração deve ser realizada apenas quando necessária, pois a
sucção freqüente aumenta o risco de infecção cruzada e pode provocar traumatismo em
vias aéreas.
A aspiração traqueal em paciente sob ventilação mecânica deve ser realizada com
técnica asséptica, por meio de sistema fechado ou aberta.
 No sistema aberto, deve ser usar sonda estéril apropriada para aspiração traqueal,
a qual deve trocada após cada aspiração. Na aspiração feita sem abertura do
circuito, o sistema fechado de aspiração deve ser trocado a cada 24 horas.
 Lavar as mãos e usar luvas estéreis para fazer aspiração do paciente,
independente do sistema. Usar ainda máscara, óculos protetores e, se necessário,
avental.
 Usar somente água ou soluções estéreis para a sucção e limpeza da sonda durante
a aspiração. As soluções utilizadas para este fim devem ser desprezadas após
cada aspiração.
 Ao concluir ou no caso de secreção espessa, lavar a extensão do látex, aspirando
a água do frasco estéril.
 A extensão do látex e o frasco de aspiração devem ser trocados a cada 24 horas,
ou antes, se muita secreção. Trocar a extensão do látex e o frasco coletor de
secreções entre cada paciente.
 Trocar o frasco coletor de secreções a cada paciente.
b) Traqueostomia
 A traqueostomia deve ser realizada em condições assépticas e, de preferência, no
centro cirúrgico.
 A cânula de traqueostomia deve ser trocada, usando técnica asséptica.
 Fazer a limpeza e trocar as gazes ao redor da traqueostomia, diariamente, ou se
necessário.

40
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c) Pacientes com dreno de tórax


 Usar líquido estéril – soro fisiológico ou água estéril – no frasco (selo d’água).
Trocar o líquido do frasco de drenagem quando necessário, pinçando o dreno em
local apropriado.
 Manter o frasco abaixo do nível do tórax para assegurar o fluxo gravitacional,
evitando o refluxo do líquido e ar drenados da cavidade pleural.
 Fazer curativo no ponto de inserção do dreno diariamente e sempre que estiver
sujo.

7. Manutenção e reprocessamento do equipamento respiratório em uso14

a) Umidificadores
 Preparar a água dos nebulizadores e umidificadores assepticamente e colocá-
la imediatamente antes do uso. A água deve ser destilada e esterilizada.
 Quando o nível de água do reservatório estiver abaixo do recomendado, deve-
se desprezar o resíduo anterior e enchê-lo novamente com água estéril.
 Trocar o tubo, incluindo qualquer prolongamento, entre cada paciente.

b) Umidificadores de parede
 Trocar tubo, cateter e máscara entre pacientes.

c) Inaladores (Nebulizadores de medicação de pequeno volume)


 O preparo da solução medicamentosa deve ser feito de forma asséptica. Usar
água estéril.
 Entre cada tratamento do mesmo paciente realizar a desinfecção, enxaguar
com água estéril e secar.
 Proceder à desinfecção de alto nível (hipoclorito de sódio 0,02% por uma
hora, sem enxágüe) entre o uso após cada paciente.

d) Ventiladores mecânicos e circuitos


 Não há recomendação para desinfecção ou esterilização da maquinaria interna
do ventilador
 Não há definição quanto ao prazo de troca de circuitos respiratórios, não há
recomendação para a troca antes de 48 horas, exceto se sujos com secreção.
 Todos os componentes dos circuitos, depois de limpos e enxutos, devem
receber pelo menos a desinfecção de alto nível (glutaraldeído 2% por 30
minutos), devem ser enxaguados em água estéril, secos e acondicionados
adequadamente ou serem esterilizados em óxido de etileno.
 Evitar que o condensado das traquéias reflua para o paciente ou para o
umidificador. Periodicamente, a água condensada nos circuitos deve ser
desprezada em um recipiente adequado (cuba rim, cúpula, etc.).
 O condensado, por conter grande número de bactérias, deve ser manipulado
com cuidado. Usar luvas de procedimento e lavar as mãos antes e após o
procedimento.
 Usar água estéril para encher o reservatório dos umidificadores.

14
Seguir também as recomendações de uso indicadas pelo fabricante

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e) Equipamento de anestesia e circuitos


 Não esterilizar ou desinfetar maquinaria interna.
 Os circuitos de anestesia e acessórios (máscara facial, peça em Y, bolsa-
reservatório, umidificadores, tubo inspiratório e expiratório, etc.) devem
receber, pelo menos, desinfecção de alto nível entre o uso após cada paciente.
 Desprezar periodicamente o condensado.

f) Outros equipamentos e artigos


 Tendas de O2 esterilização ou desinfecção de alto nível, a cada paciente.
 Observar normas e rotinas de processamento de outros materiais utilizados em
procedimentos respiratórios: máscara, laringoscópio, etc.
 A bolsa de ressuscitação (ambu) deve ser esterilizada ou sofrer desinfecção de
alto nível entre pacientes.
 Entre pacientes trocar espirômetros, sensores de oxigênio e outros
equipamentos respiratórios por esterilizador ou com desinfecção de alto nível.

6. Bibliografia

I. Couto RC, Infecção Hospitalar epidemiologia e controle, 1997.


II. Fernandes AT, Infecção Hospitalar e suas interfaces na área de saúde, Vol 1
editora Atheneu, 2000.
III. Oliveira AC, Infecções Hospitalares-Abordagem, Prevenção e Controle.
MEDSI, 1998.
IV. Rodrigues EAC e outros. “Infecções Hospitalares: Prevenção e Controle”
Sarvier, 1997.
V. Tablan OC, Anderson LJ, Arden N, et al.. Guidelines for Prevention of
nosocomial pneumonia, HICPAC. Infect Control Hosp Epidemiol 1994.

42
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VII - Recomendações técnicas para a prevenção de infecção do trato urinário

1. Introdução

As infecções hospitalares do trato urinário (ITU) em sua grande maioria estão


associadas ao uso de cateter vesical.
O risco de adquirir uma infecção depende do método e da duração da
cateterização, da qualidade dos cuidados relacionados à manutenção do cateter e da
suscetibilidade do paciente.
As taxas de infecção são variáveis, desde 1% a 5% após uma cateterização de
alívio até virtualmente 100% dos pacientes com cateter de demora, após o 4 º dia de
drenagem aberta. Na drenagem por sistema fechado, que é a indicada, a taxa de
aquisição de bacteriúria é de 5% a 10% ao dia.

2. Patogênese da ITU

O cateter vesical de demora é o principal veículo de transmissão nas ITU


adquiridas em hospital; na via periuretral há presença de microorganismos, geralmente
Gram negativos entéricos, que colonizam o períneo e uretra e alcançam a bexiga através
do muco periuretral que engloba e envolve o cateter (em pacientes do sexo feminino).
No sexo masculino, as ITU são causadas, aparentemente por contaminação do
cateter ou sistema coletor, por meio das mãos dos profissionais de saúde ou do próprio
paciente.
A transmissão ocorre por via direta por meio da cateterização e a via
intraluminal (pelo lume do cateter vesical a partir da bolsa coletora ou quando da
desconexão do sistema fechado “junção do cateter vesical” e tubo coletor); tubo de
drenagem e do saco coletor.

3. Causas e fatores de risco

 Preparo inadequado da área periuretral previamente à inserção do cateter;


 Falha técnica asséptica para introdução do cateter;
 Trauma na uretra ou necrose por pressão do meato;
 Entrada de bactérias na junção cateter-meato uretral;
 Contaminação na região de conexão do tubo e cateter (desconexões, irrigação);
 Pacientes hospitalizados, submetidos a cateterização;
 Pacientes com déficit neurológico;
 Mulheres com vida sexual ativa;
 Homens com mais de 50 anos com prostatismos;
 Diabéticos;
 Transplantados renais.

4. Métodos de drenagem vesical

a) Cateterismo de alívio – colocação de um cateter estéril pelo canal uretral até a


bexiga, para drenagem imediata da urina.
Cuidados:

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 Inserção com técnica asséptica, a exceção somente para pacientes que realiza
a auto cateterização domiciliar (sendo hospitalizado usar técnica asséptica15);
 O cateter deve ser retirado logo após a drenagem.

b) Intermitente - colocação de um cateter estéril pelo canal uretral até a bexiga,


para drenagem da urina a intervalos definidos pela equipe de saúde, geralmente de
4h a 6h.

Indicação:
 Uso em casos de retenção urinária ou necessidade de monitorização em ITU;
 Pacientes com lesão medular;
 Necessidade de drenagem vesical em pacientes com bexiga neurogênica;
 Pós-operatório quando o paciente não consegue urinar.

Vantagens em relação ao cateter de demora:


 Imita o esvaziamento fisiológico da bexiga;
 Evita a presença permanente do cateter na uretra, causando menores danos
aos mecanismos de defesa locais;
 Previne o excesso de fluxo urinário na incontinência;
 Permite maior efetividade no uso de antimicrobianos;
 Diminui as complicações do cateter: menor número de episódios de sepse e
possibilidade de formação de cálculos.

Desvantagens:
 Requer maior tempo de cuidados de enfermagem;
 Requer colaboração do paciente;
 Grande demanda de material.

Cuidados:
 Inserção com técnica asséptica;
 O cateter deve ser retirado logo após a drenagem.

c) Método de Lapides – ou técnica limpa é uma alternativa para os pacientes que


realizam a auto-sondagem domiciliar. É realizada uma auto-cateterização
intermitente.

Indicação:
 Pacientes com lesão medular;
 Necessidade de drenagem vesical em pacientes com bexiga neurogênica.

Técnica:
 Lavar as mãos e o meato urinário com sabão neutro. Não é necessária a
utilização de anti-séptico, luvas, ou qualquer material estéril;
 Escolher uma posição confortável. Para homens a melhor posição é sentada
ou ortostática. Para mulheres a posição pode ser sentada ou em pé. A mulher
quando sentada deve fletir os joelhos e as coxas, mantendo os pés juntos,
onde possa colocar o espelho.

15
Após 48h de hospitalização é alterada a microbiota do paciente de microrganismos comunitários por
microbiota hospitalar.

44
DGST / HRT / CCIH / NCIH

 Introduzir lentamente o cateter na uretra até ocorrer a drenagem da urina.


Retirar lentamente o cateter a fim de facilitar a drenagem o mais
completamente possível;
 Lavar o cateter externamente e internamente com água e sabão neutro. Para
lavagem interna utilizar seringa de 10ml ou 20ml. Enxaguar e secar bem
com um pano limpo;
 Guardar o cateter limpo em recipiente limpo na geladeira.

Observação:
 A autorização para realizar o procedimento é feita após treinamento e sob
supervisão;
 Realizar avaliações mensais nos primeiros meses e após trimestral, de acordo
com cada paciente.

d) Cateterismo de demora – colocação de cateter pelo canal uretral até a bexiga,


para drenagem contínua de urina por certo período de tempo, não ultrapassar 30
dias. Retirar assim que possível.

Situações de indicação para cateterismo vesical:


 Retenção aguda ou crônica;
 Cuidado com paciente debilitado;
 Drenagem pré-operatória;
 Drenagem pós-operatória;
 Lesado medular ou paralisia em paciente hospitalizado;
 Medida do débito urinário para diagnóstico;
 Administração de terapia citotóxica;
 Irrigação terapêutica.

Escolha do material da sonda vesical:


 Preferir cateteres confeccionados com substâncias biocompatíveis como
teflon e silicone com objetivo de reduzir o dano tecidual.

Cuidados na instalação:
 Cateterizar somente quando necessário e remover o mais breve possível;
 Realizar a higiene básica das mãos;
 Realizar higiene íntima minuciosa da área perianal e genital;
 Realizar a anti-sepsia das mãos e calçar luvas estéreis;
 Realizar a anti-sepsia do meato urinário e áreas adjacentes com PVP-I tópico
sem enxágüe ou PVP-I degermante com enxágüe com solução fisiológica;
 Utilizar gel anestésico estéril (utilizar no mínimo 5 a 10ml para injetar na
uretra masculina) e (lubrificar extensão do cateter na inserção feminina);
 Observar o calibre adequado do cateter para cada paciente;
 Proceder à instalação do cateter uretrovesical com técnica asséptica
utilizando sistema de drenagem fechado estéril. O cateter deve estar
conectado no sistema coletor antes da inserção;
 Caso o cateter dobre durante a inserção ou contamine, retire e troque o
cateter;
 Verificar a posição intravesical do paciente para insuflar o balão. – paciente
masculino introduzir até a bifurcação, paciente feminino introduzir cerca de
10cm;

45
DGST / HRT / CCIH / NCIH

 Observar critério para fixação do cateter:


 Paciente masculino - fixar na região abdominal, para reduzir a curva
uretral e eliminar a pressão no ângulo peniano-escrotal, o que pode
ocasionar fístula. O paciente que deambula a bolsa coletora deve ser
fixado na perna de modo que não interfira na marcha;
 Paciente feminino - fixar na região lateral da coxa;
 Retirar campo fenestrado passando o sistema fechado pela fenestra do campo
se desconectar o sistema;
 Fixar a bolsa coletora na lateral da cama;
 Anotar na bolsa coletora utilizando rótulo contendo a data, o nome de quem
realizou o procedimento e o número do cateter vesical.
 Desprezar o material utilizado no expurgo;
 Realizar a higiene básica das mãos;
 Anotar no prontuário o procedimento e se houve intercorrências, retorno de
diurese no cateter.

Cuidados com a manutenção:


 Higienizar a região perineal, com água e sabão pelo menos duas vezes ao
dia, incluindo a junção do cateter meato-uretral. Utilizar luvas de
procedimento;
 Lavar as mãos antes e após o manuseio do cateter, tubo e ou bolsa coletora;
 Manter fechado e estéril o sistema de drenagem (utilizar bolsa coletora com
válvula anti-refluxo), cuidar para que não ocorra desconexão do cateter e do
tubo coletor. Quando ocorrer, trocar todo o sistema;
 A bolsa coletora e o cateter não podem ser desconectados com o objetivo de
facilitar qualquer procedimento e não se deve colocar nenhum material para
obstruir a saída da urina (ampolas, tampas de equipo, tubos de anestésicos,
etc.);
 Manter o fluxo urinário descendente e contínuo. Nunca elevar a bolsa
coletora acima da bexiga, para evitar o refluxo da urina;
 Manter sempre a bolsa coletora afastada do chão;
 Fazer a desinfecção do tubo de esvaziamento da bolsa antes e depois de
esvaziá-la, com álcool 70%. Não ultrapassar ⅔ de sua capacidade;
 Esvaziar a bolsa coletora a cada 6 horas e sempre necessário, sempre com
regularidade, assegurando-se que a bolsa coletora permaneça acima do nível
da bexiga. Observar a seguinte técnica asséptica16:

 Realizar a higiene básica das mãos e calçar luvas de procedimentos;


 Retirar o tubo de drenagem de seu protetor posicionando próximo ao
recipiente coletor (cuba rim, comadre, saco coletor), evitando o
contato de ambos;
 Abrir o clamp de drenagem e acompanhar o esvaziamento da urina,
onde o recipiente coletor deve ser individualizado;
 Fechar o clamp do tubo de drenagem e realizar a desinfecção com
álcool 70% da superfície externa e ponta do tubo de drenagem do
saco coletor;
 Colocar o tubo de drenagem no seu protetor;

16
Realizar essa técnica em cada paciente. Não é recomendado o esvaziamento simultâneo de vários sacos
coletores.

46
DGST / HRT / CCIH / NCIH

 Desprezar a urina no expurgo e dar descarga, na ausência deste, usar


o vaso sanitário e solicitar a limpeza e desinfecção após o
procedimento;
 Retirar e desprezar as luvas de procedimentos no lixo e em seguida
realizar a higiene básica das mãos;

 Manter desobstruído o fluxo urinário, quando ocorrer obstrução, trocar todo


o sistema, não realizar manobras de tentativas de desobstrução;
 Não realizar irrigação como profilaxia ou tratamento de ITU;
 A irrigação deve ser restrita aos casos cirúrgicos com sangramento que
obstruem o cateter (em geral no pós-operatório de próstata ou de bexiga
urinária). Na indicação de irrigação:
 Usar cateter de três vias;
 Usar sistema fechado para infusão e drenagem do soro fisiológico;
 Se ocorrer obstrução do cateter, não havendo possibilidade de trocar
do cateter, usar técnica asséptica para a tentativa de desobstrução
com seringa. Usar luvas estéreis, máscara, campos esterilizados e
fazer a desinfecção da conexão com álcool 70%.

Indicações de troca17:
 Obstrução do cateter e / ou sistema;
 Formação de resíduos visivelmente notados na urina coletada;
 Vigência de ITU relacionada ao uso do cateter;
 Febre de origem não determinada (na suspeita de ITU);
 Contaminação do cateter por técnica inapropriada na instalação e manuseio;
 Desconexão acidental do cateter com o tubo coletor, ou quando não
apresentar bom funcionamento;
 Aspecto de deterioração do cateter, tubo, e saco coletor;
 Superfícies internas do coletor com urina de aspecto “purulento”;
 Ruptura do cateter ou da bolsa coletora, abrindo o sistema.

As trocas do cateter e do sistema coletor devem ser concomitantes e de uso único

Retirada do cateter vesical de demora:


 Lavar as mãos;
 Reunir o material;
 Orientar o paciente quanto ao procedimento;
 Realizar ou solicitar ao paciente, a higienização da genitália;
 Lavar as mãos e calçar luvas de procedimentos;
 Utilizar seringa compatível com o volume inserido no balão;
 Realizar o esvaziamento do balão;
 Retirar o cateter vesical cuidadosamente, apoiando com gaze para evitar
respingos;
 Desprezar o material na lixeira com saco branco fechada ou desprezar no
expurgo;
17
Não existe recomendação para troca rotineira.

47
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 Retirar as luvas;
 Lavar as mãos;
 Deixar paciente confortável;
 Anotar o procedimento no prontuário.

Cuidados:
 Aplicação correta da técnica asséptica

e) Cateterização suprapúbica – inserção de agulha diretamente na bexiga, usando


técnica asséptica. Inserção de cateter na região suprapúbica. É um procedimento
médico.

Indicação:
 Pós-cirurgias urológicas, ginecológicas (cateter);
 Dificuldade de coleta em crianças para exames microbiológicos (punção
com agulha).

Contra-indicação:
 Pacientes com disfunção de esvaziamento da bexiga (lesado medular ou
mielomeningocele).

Vantagens:
 Causa menor incidência de bacteriúria;
 Não provoca seqüelas como estenose uretral;
 Possibilita o clampeamento do cateter suprapúbica, permitindo testar a
emissão de urina via uretral;
 Procedimento asséptico.

Desvantagens:
 Procedimento mais doloroso;
 Fístulas;
 Hematoma;
 Prolapso do cateter pela uretra.

f) Drenagens por condons – colocação de dispositivo (“jontex”) peniano com objetivo


de drenagem de urina.

Indicação:
 Paciente do sexo masculino, comatoso ou incontinente.

Complicações:
 Maceração e infecção penianas;
 Edema peniano;
 Ulcerações uretrais;
 Obstrução do fluxo urinário;
 ITU / bacteriúria (menor risco para pacientes comatosos ou incontinentes).

Contra-indicação:
 Lesões penianas;
 Pacientes agitados.

48
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Cuidados:
 Higiene e troca diária do condon;
 Utilizar somente por duas a quatro semanas diminui o risco de infecção;
 Não colher amostra para cultura no condon. Retirar e proceder a
higienização e coletar amostra do jato médio.

5. Medidas alternativas para evitar o cateterismo

a) Estímulo no caso de retenção urinária:


 Bolsa de água morna;
 Banho morno;
 Pressão sobre a bexiga;
 Som de água correndo;
 Escorrer água norma sobre a região suprapúbica.
b) Uso de absorventes perianais
c) Uso de fraldas, papagaio e comadre.

6. Coleta de amostras de urina para exames

 Pacientes ambulatoriais:
 Usar técnica limpa (higienizar o meato urinário com água e sabão);
 Para coleta em homens, o prepúcio deve ser afastado e efetuado a limpeza
cuidadosamente;
 Em mulheres obesas e /ou com infecção genital grave, colher após anti-
sepsia do meato uretral, recolhendo-se o segundo jato de urina (jato médio);
 Coletor estéril em criança: (higienizar o meato urinário com água e sabão) e
cada 30 minutos, se não coletar, repetir o processo até conseguir. Utilizar
frasco estéril, outra opção é a punção suprapúbica. Para coleta de urina para
cultura, não utilizar coletor plástico aderente, somente frasco estéril de boca
larga.

 Coleta em paciente acamado sem sonda:

 Proceder a higienização do meato no sentido antero-posterior (meato uretral


para região anal), colher com técnica asséptica em frasco estéril;
 Paciente com condon, retirar o sistema, realiza a higienização com atenção
ao prepúcio e realizar a coleta.

 Coleta em paciente com sonda vesical:

 Lavar as mãos e calçar luvas de procedimentos;


 Clampear o tubo de extensão logo abaixo do dispositivo de coleta, aguardar
30 minutos para coleta;
 Realizar no dispositivo de coleta, a desinfecção com álcool 70%, com a
utilização de seringa e agulha estéril e técnica asséptica puncionar e coletar
a urina.
 Transferir a amostra para o frasco estéril;
 Retirar as luvas e realizar a higiene básica das mãos;
 Encaminhar amostra imediatamente ao laboratório.

49
DGST / HRT / CCIH / NCIH

ATENÇÂO: não enviar a ponta do cateter vesical para cultura, não há qualquer
utilidade, portanto será desprezada.

7. Bibliografia

I. Couto RC, Infecção Hospitalar epidemiologia e controle, 1997.


II. Fernandes AT, Infecção Hospitalar e suas interfaces na área de saúde, Vol 1
editora Atheneu, 2000.
III. Marangoni DV, Soares CR, Moreira MM. Infecções do Trato Urinário em
“Doenças infecciosas: conduta diagnóstica e terapêutica” Guanabara Koogan,
2ª edição, 1998.
IV. Oliveira AC, Infecções Hospitalares-Abordagem, Prevenção e Controle.
MEDSI, 1998.
V. Palma, PCR, Dambros M., Infecções do Trato Urinário, 2001.
VI. Rodrigues EAC e outros. Infecções do trato Urinário em “Infecções
Hospitalares: Prevenção e Controle” Sarvier, 1997.
VII. Wong ES, Hooton TM. Guidelines for Prevention of Catheter-associated
Urinary Tract Infections, CDC/ USA, a982

50
DGST / HRT / CCIH / NCIH

VIII - Recomendações técnicas para a prevenção de infecção da corrente sangüínea


(relacionada ao acesso vascular ou ao uso de dispositivos intravasculares) 18

1. Introdução

O acesso vascular central ou periférico é feito por meio da ruptura da integridade da


pele e do sistema vascular, permitindo uma comunicação do meio exterior diretamente
com a circulação.
A freqüência de complicações infecciosas está relacionada a vários aspectos, que
incluem desde a escolha do tipo e qualidade do material, ao local e tipo de acesso e a
suscetibilidade do paciente até a habilidade técnica da equipe que realiza o
procedimento.

2. Recomendações gerais para o acesso venoso

(inclui qualquer acesso vascular, desde venóclise com agulha de aço até cateter venoso
central ou arterial).

a) Uso criterioso do acesso vascular


 A indicação da terapêutica intravascular, central ou periférica, deve ser
criteriosa.
 Remover qualquer dispositivo IV tão logo seu uso não for mais clinicamente
indicado.

b) Escolha do local de acesso vascular


 Selecionar o dispositivo IV e a via mais adequada para cada situação, levando
em consideração o tempo provável de permanência e o objetivo do acesso IV.
Considerar ainda o risco de complicações, infecciosas ou não, e a prática do
serviço.

Quadro 1 : Local para acesso vascular periférico


Em adultos Preferir inserir o cateter nos membros superiores, em detrimento a um local
nos membros inferiores.
Em crianças Preferir inserir cateter no couro cabeludo, mão ou pé; ao invés de perna,
braço ou fossa antecubital

c) Avaliação do paciente
 Mobilidade
 Patologia
 Idade
 prognóstico

d) Seleção do cateter
 Propósito – exigência da terapia
 Duração da terapia
 Volume e tipo de solução
 Acesso adequado para o cateter
 Possibilidade de complicações – menor risco
18
Recomendação adaptada a partir de publicações do CDC / USA.

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DGST / HRT / CCIH / NCIH

e) Qualidade do cateter
 Bio e hemocompatibilidade
 Radiopacidade
 Oferecer segurança ao paciente
 Bioestável
 Tromboresistente
 Mínima adesão bacteriana

3. Cuidados na Inserção:

a) Preparo do profissional
 Higiene das mãos com água e sabão e usar luvas de procedimentos para inserção
de cateter periférico.
 Realizar anti-sepsia das mãos e técnica de barreira máxima para inserção de
cateter profundo.
 Após anti-sepsia não tocar o local (exceto se utilizada a técnica de barreira
máxima, com as mãos enluvadas).

b) Preparo do sítio de inserção


 Cateter periférico – três fricções com álcool 70%, em sentido único, trocando o
algodão ou gaze quantos vezes forem necessárias. Se houver sujidade aparente,
higienizar antes com água e sabão.
 Cateter central (PICC: cateter central de inserção periférica; CVC: cateter
venoso central; CAP: cateter de artéria pulmonar; cateter de duplo lume para
hemodiálise; cateter umbilical) – aplicação de anti-séptico durante três minutos.
Se houver sujidade aparente, higienizar antes com água e sabão.

c) Cuidados na inserção do cateter


 Lavar as mãos antes e após palpar, inserir, trocar ou fazer o curativo de
qualquer dispositivo IV.
 Usar luvas para inserir qualquer dispositivo IV, conforme as orientações das
precauções básicas.
 Realizar anti-sepsia cutânea no local escolhido para a inserção com: álcool
70%, PVP-I 10%, clorexidina. e álcool iodado 2% ( neste caso, remover o
iodo com álcool para diminuir a irritação provocada pelo iodo ). Não usar
anti-séptico com iodo em recém-nascidos, somente álcool.
 Evitar múltiplas tentativas de punção com a mesma agulha.
 Para o cateter vascular central (CVC), são necessários cuidados adicionais
(observar técnica de barreira máxima).
 Registrar no prontuário a hora, o dia e o responsável pelo procedimento.

52
DGST / HRT / CCIH / NCIH

4. Cuidados de manutenção do acesso vascular

 Lavar as mãos antes de manipular qualquer dispositivo IV, inclusive as


conexões dos equipos e do frasco de soluções.
 Orifícios de injeção intravenosa (injetor lateral)
1. Desinfetar o orifício com álcool 70% antes de acessar o sistema;
2. Manter fechado quando não estiver em uso.
 Se necessária a desconexão do sistema para injeção de medicamento IV, fazer
sempre a desinfecção com álcool 70% (ou PVP-I) da porta de entrada antes e
após a administração de medicamentos.
 Não usar “suspiros” com agulhas ou outros meios (o sistema deve permanecer
fechado ou, se aberto, possuir filtro microbiológico).

5. Curativo

 Lavar as mãos antes e após palpar, trocar ou fazer o curativo de qualquer


dispositivo IV.
 Manter curativo cobrindo o sítio de inserção.
 Evitar fazer curativo muito volumoso que prejudique a palpação diária do
local de inserção. Usar esparadrapo tipo hipoalergênico.
 Não usar pomadas a base de antibióticos ou anti-sépticos.
 Trocar o curativo quando o cateter for removido, substituído ou se o curativo
ficar úmido, sujo ou frouxo. Não permitir curativo molhado ou úmido. Trocá-
lo com mais freqüência nos pacientes sudorético ou se ocorrer sangramento ou
drenagem de líquidos – preferir curativo com gaze.
 Cobertura em cateter:
 Manter a fisiologia normal da epiderme;
 Proteção contra maceração;
 Permitir trocas gasosas;
 Permitir remoção sem trauma;
 Permitir inspeção;
 Evitar a manipulação excessiva;
 Previr tração do cateter;
 Preferir impermeável a contaminantes externos.
 Anotar a data e a hora da realização do curativo em local de fácil visualização
(no curativo ou, de preferência, em prancheta especial junto ao leito).

6. Vigilância de infecção relacionada a cateter IV

 Realizar inspeção diária – presença de hiperemia, dor, calor, edema ou


presença de secreção.
 Encorajar o paciente a relatar alterações em seu cateter.
 Realizar a palpação diária do sítio de inserção do cateter, sem abrir o curativo,
pesquisando sensibilidade alterada ou dor.
 Se o curativo for volumoso ou se houver sensibilidade alterada, febre sem
razão óbvia ou suspeita de infecção local ou da corrente sangüínea, retirar o
curativo e fazer a inspeção visual.
 No caso do cateter vascular central, seguir orientações específicas (ver item 3 -
Recomendações específicas para alguns tipos de acesso vascular).

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7. Recomendações específicas para acesso vascular

a) Acesso periférico com agulha ou dispositivo plástico (tipo “jelco”)


 Escolha o material mais adequado: cateter curto (poliuretano ou teflon) ou
agulha de aço. É recomendado não usar agulha de aço se for administrar fluido
ou medicamento que cause lesão tissular no caso de ocorrer extravasamento.
 Remover o acesso periférico quando tiver desenvolvido sinais de flebite (calor,
eritema, dolorimento e cordão venoso palpável).
 Trocar o local de inserção venosa de 48 a 72 horas para diminuir a
possibilidade de flebite.
 Trocar o escalpe com solução de heparina a cada 72 horas, em adultos.

b) Cateter Venoso Central

Observar com rigor máximo os princípios de assepsia e anti-sepsia, utilizando a


técnica de barreira máxima (Quadro 2)

Quadro 2 : Cateterismo Venoso Central


Medidas Material necessário
Usar cateter estéril Nunca utilizar cateteres que não sejam específicos para o uso
adequado para o uso vascular (ex: sonda uretral, etc.).
vascular Preferir os de teflon, vialon ou poliuretano ao invés dos
cateteres de PVC ou de polietileno.
Usar cateter de única via, a menos que seja indicado um
cateter de múltiplas vias para o tratamento.
Realizar a anti-sepsia das PVP-I, Clorexidina ou soluções à base de álcool 70%.
mãos
Usar barreira antiinfecciosa Capote e luvas estéreis, máscara, óculos protetores e gorros.
ou EPI
Realizar a anti-sepsia do PVP-I ou Clorexidina, no mínimo 3 minutos de aplicação.
sítio escolhido para inserção
do cateter
Colocar campo fenestrado Para o paciente adulto, cerca de 1,5 x 1,5 m.
estéril amplo

 Preferir a veia subclávia para inserção em detrimento da jugular ou femural, a


menos que clinicamente contra-indicado.
 O cateter colocado em circunstâncias de emergência deve ser trocado dentro
de 24 horas pela possibilidade de ter ocorrido falha de técnica asséptica.
 Não há recomendação para troca periódica do cateter venoso central para
prevenção de infecção. Trocar sempre que houver presença de sinais de
infecção local, além das situações de mau funcionamento.
 Trocar o cateter, ainda, nos casos de febre sem causa óbvia. Nessa situação,
trocar com fio-guia, enviar a ponta do cateter para cultura e colher
hemoculturas. Em 24 horas, se houver crescimento de colônias (>15 ufc –
método semiquantitativo), retirar o cateter e inserir novo cateter em outro sítio.
 Usar uma via exclusiva para nutrição parenteral.

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c) Hemodiálise (Cateter de duplo lume)

 Usar cateter de hemodiálise somente para este fim.


 Trocar o curativo a cada sessão de hemodiálise ou quando houver motivo para
a troca, nas situações descritas para o CVC (não há recomendação imperiosa
para remoção do cateter de duplo lume quando o paciente desenvolve febre
sem causa óbvia).
 Observar as Normas e Rotinas do Setor de Nefrologia, a respeito do cuidado
de manutenção e curativo do cateter de duplo lume.

8. Administração de medicação intravascular

Cuidados no preparo de soluções IV (soluções para hidratação, soluções para


infusão de medicamentos IV)

 O preparo das soluções deve ser realizado dentro de técnica asséptica: anti-
sepsia das mãos, uso de máscaras, desinfecção da bandeja e do balcão.
 Observar todos os recipientes de líquidos parenterais para sujeira visível,
vazamento, rachadura, precipitados ou materiais estranhos.
 Verificar a validade das soluções e medicamentos antes do seu preparo e
administração.
 O corte ou quebra da haste do soro ou ampolas deve ser realizada com técnica
asséptica, com desinfecção da haste ou da ampola antes de quebrá-la ou cortá-la.
 Anotar no rótulo, de forma completa e legível: nome e registro do paciente, dia e
hora do preparo, tipo de solução, velocidade da infusão, nome de quem preparou
e a hora do início da infusão.

Troca das soluções e equipos

 Utilizar equipos que tenham local apropriado para infusão de medicamento


intravascular (IV), mantendo o sistema fechado.
 Equipos:
 Não é necessário trocar o equipo antes de 48 horas.
 Hemoderivados 24 horas.
 Dextrose e aminoácidos 72 horas.
 Dispositivos intravasculares sem agulha:
 Mesma freqüência do equipo.
 Tampas 72 horas.
 Usar conexões compatíveis.
 Fluídos parenterais:
 Não há recomendação para tempo de suspensão de fluidos IV. No HRT,
observar orientações da Farmácia Hospitalar sobre a conservação das
soluções antes e após o início da infusão. Em geral, as soluções a base de
glicose a 5% e SF depois de preparadas não devem ser usadas por mais
de 24 horas.
 Administrar toda solução lipídica em 24 horas.
 Completar a infusão de solução lipídica em 12 horas.
 Sangue e hemoderivados 4 horas.

55
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 Observar prazo máximo de infusão de Nutrição Parenteral:


 Soluções de Nutrição Parenteral, contendo ou não lipídios, o prazo máximo é
24 horas após o início da infusão.
 Se infusão isolada de lipídio, o prazo máximo é 12 horas.

c) Troca do cateter

 Remover quando não mais necessário.


 Não trocar rotineiramente cateter vascular profundo.
 Manter o cateter periférico em crianças até completar a terapia, se sinais de
complicação retirar.
 Quando não foi assegurada a técnica asséptica na inserção, trocar o cateter o
mais breve.
 Remover, obrigatoriamente, o cateter sempre que houver sinal ou sintoma de
flebite (considerar a dor como sinal precoce de flebite)

1. Possíveis complicações de cada dispositivo

 Cateter agulhado (“scalp”) – transfixação da veia, infiltração, extravasamento e


flebite.
 Cateter periférico sobre agulha (“jelco”) – lesão da íntima, trombo, infiltração,
flebite.
 Cateter central – infecção, pneumotórax, embolia aérea, deslocamento do
cateter, arritmias, ruptura, restrição de atividades do paciente.
 Depósitos (“ports”) – infecção, deslocamento.

2. Conduta em caso de suspeita de reação pirogênica

Reação pirogênica é a ocorrência súbita e inexplicada de febre, calafrios, sudorese,


taquicardia ou hipotensão em pacientes que estão recebendo medicação IV. A conduta
inclui:
o Trocar todos os equipos e as soluções e, se possível, providenciar novo acesso
venoso, se necessária à administração de medicamentos prescritos, tipo
antitérmico.
o Colher pelo menos duas hemoculturas, em sítio diferente ao do acesso vascular,
e encaminhar as soluções e os equipos para o estudo microbiológico no Setor de
Microbiologia (proteger a ponta do equipo com uma agulha estéril).
o Registrar no prontuário: hora do início da reação, sintomas apresentados, hora
do início da infusão, tipo e volume da solução (especificar o frasco de NPT),
fabricante, número do lote/ frasco, presença de medicamentos associados na
solução (Utilizar formulário padrão fornecido pelo NCIH).
o Comunicar ao NCIH e à Farmácia Hospitalar.

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IX - O laboratório de microbiologia e o controle de infecção hospitalar

O setor de microbiologia da Unidade de Patologia Clínica do HRT oferece recursos


na área de microbiologia suficientes para a recuperação da maioria das bactérias
envolvidas nas infecções hospitalares19.
As orientações a seguir são importantes para uma melhor utilização dos recursos do
laboratório de microbiologia e foram extraídas das Recomendações técnicas para a
colheita, conservação e transporte de material para exame microbiológico20.

1. Solicitação de exame

É imprescindível a correta identificação da amostra (rótulo) e o preenchimento


completo do formulário: Pedido / Resposta de Exame Microbiológico, que contém
campos específicos para as informações:
 Nome completo, sexo e data de nascimento.
 Registro do paciente
 Clínica, enfermaria, setor.
 Dados clínicos, hipótese diagnóstica.
 Uso de antimicrobianos nos últimos dez dias (especificar quais)
 Material (precisar o tipo e a técnica e / ou o local da colheita)
 Especificar os exames: Bacterioscopia21 (Gram, etc.), Cultura e TSA (para
bactérias), cultura e pesquisas especiais (anaeróbio, fungo, micobactéria,
etc.).
 Data da solicitação e assinatura e nome legível do requisitante

Acrescentar ainda as informações:

Material colhido por _________________________(nome legível)


Data ____/___/___ Horário___________

Essas informações são indispensáveis para o controle de qualidade das amostras


recebidas pelo Laboratório.

2. Colheita do material

A colheita deve ser realizada, sempre que possível, antes do início ou


modificação da antibioticoterapia.
O material colhido deve ser representativo do processo infeccioso investigado,
devendo ser eleito o melhor sitio da lesão. Por exemplo: as crostas das feridas devem ser
removidas, uma vez que a melhor amostra (fragmento de tecido viável) vai localizar-se
abaixo desta crosta.

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Algumas espécies bacterianas e fúngicas são identificadas por meio de técnicas especiais no
Laboratório Central de Saúde Pública do DF (LACEN). A cultura de líquor é feita rotineiramente no
LACEN.
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Elaboradas pelo Laboratório de Microbiologia e SCIH do HRT. Disponível para consulta nas Unidades
e Setores do hospital.
21
A bacterioscopia pode fornecer orientações importantes sobre a etiologia do processo infeccioso e, em
muitos casos, deve ser solicitada junto com a cultura.

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DGST / HRT / CCIH / NCIH

A colheita deve ser feita dentro de técnica asséptica, utilizando recipientes e


materiais estéreis e evitando ou diminuindo ao máximo a contaminação com a
microbiota não representativa do processo infeccioso.
Consultar Tabela 1, em anexo, para informações específicas sobre a colheita de
material dos principais sítios de infecção hospitalar.

3. Acondicionamento, conservação e transporte do material

Todo material deve ser enviado ao laboratório em recipiente apropriado e no menor


tempo possível (consultar Tabela 2, em anexo).
Para maior segurança no transporte do material, os vasilhames devem ser
devidamente acondicionados para evitar acidentes ou extravasamento do material
durante o transporte (em geral, são envolvidos em saco plástico transparente ou
invólucro equivalente).

4. Entrega do material no Laboratório

A colheita de material para exame microbiológico deve ser feita e encaminhada a


qualquer momento do dia ou da noite, inclusive feriados e finais de semana.
Preferencialmente, a entrega do material deve ser feita diretamente no Laboratório
de Microbiologia; no período das 7 às 18 horas, de 2 ª a 6 ª feira. No final de semana, a
Microbiologia também funciona no turno matutino ou vespertino (verificar previamente
no ramal 1219).
Estando o Laboratório de Microbiologia fechado, o material deve ser entregue no
Laboratório da Emergência, que está capacitado para os primeiros passos do
processamento das amostras, sem nenhuma exceção.

5. Relatório microbiológico diário

O laboratório de Microbiologia emite, diariamente, duas planilhas informando a


situação do processamento das culturas.
- A 1ª planilha emite informações sobre a situação dos frascos de hemocultura
inseridos no processador automático de hemoculturas, no período de 7 dias
após a entrada do material.
- A 2ª planilha informa sobre a entrada de qualquer material encaminhado para
cultura no dia anterior ao da emissão da planilha. Adicionalmente, nesta
planilha são inseridas, de forma manuscrita, informações sobre a situação do
processamento das amostras no dia seguinte ao da sua entrada.
O acompanhamento dessas informações permite o conhecimento prévio da
positividade de uma cultura e, quando possível, algumas características do isolado (Ex:
Gram).

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Anexo : Tabela 1 Informações importantes sobre a colheita de algumas amostras


(estas informações não dispensam a consulta ao Manual de colheita,
conservação e transporte de material para exame microbiológico)
Material Observar
Sangue Não deve ser solicitada colheita em pico febril. O número de amostras é relacionado à condição clínica do paciente, porém, no mínimo, colher
-Venopunção duas amostras em locais diferentes.
 Fazer anti-sepsia do local selecionado para punção com álcool 70%, aguardar secar e aplicar solução alcoólica de PVP-I a 10% (aguardar
secar novamente ). A aplicação do anti-séptico deve ser feita em movimentos circulares e de dentro para fora;
 Colher assepticamente a quantidade de sangue recomendada : 0,5 a 4 ml em crianças e 10 ml em adultos;
 Inocular nos frascos especiais de hemoculturas (adulto ou infantil) e agitar levemente;
 Anotar no frasco:  o nome do paciente, # registro,  horário da colheita (não usar fita adesiva);
 Remover o iodo da pele do paciente, com álcool;
 Enviar o frasco de hemocultura ao laboratório em 30 minutos (não colocar em geladeira).
Urina – A colheita de urina deve seguir técnica rigorosa, evitando ao máximo uma importante contaminação da urina com a microbiota da genitália. O
Colheita do ideal é a colheita da primeira urina da manhã, se isto não for possível, colher após ter passado 4 horas sem urinar.
jato médio  Explicar o procedimento ao paciente, que deverá lavar a genitália e com água e sabonete.
 Colher a urina do jato médio, isto é, desprezando a primeira e a última porção de urina.
 Colher o material diretamente em frasco estéril de boca larga.
 No homem, expor bem a glande. Na mulher, afastar os grandes lábios na hora da micção (preferencialmente, este procedimento deve ser
supervisionado por enfermeira ou auxiliar treinada). Nos casos de crianças pequenas ou de pacientes incontinentes, aguardar a micção
espontânea ou no último caso usar o saco coletor estéril, refazendo os cuidados de higiene do períneo de 30 em 30 minutos.
 Anotar o horário, identificar o frasco e transportar ao laboratório imediatamente, ou refrigerá-la (4  C) até no máximo 4 horas,
mantendo a refrigeração durante o transporte (manter a temperatura com gelo ao redor do vasilhame).
Ponta de Os mesmos cuidados de anti-sepsia utilizados na introdução do cateter devem ser adotados no momento da retirada do fragmento do cateter para
cateter cultura.
vascular  Fazer uma rigorosa anti-sepsia da pele ao redor do cateter com solução de álcool 70%, aguardar secar e aplicar solução alcoólica de PVP-I a
10% (aguardar secar novamente).
 Remover o cateter utilizando uma pinça estéril, com cuidado para não tocar o cateter na pele.
 Assepticamente, com tesoura ou lâmina estéril, cortar cerca de 5 cm da extremidade distal do cateter.
 Colocar o pedaço de cateter num frasco estéril, seco, sem meio de cultura.
 Remover o iodo da pele do paciente, com álcool.
 Anotar o horário da colheita, identificar o material e encaminhar imediatamente ao laboratório.
SES – DF / SCIH / HRT 58

Material Observar
Fragmento No caso de ferida ou lesão cutânea, a cultura de pequeno fragmento de tecido (3 a 4 mm) fornece resultado mais representativo do processo
de tecido de infeccioso em relação ao swab.
lesão  Realizar a técnica do curativo até a limpeza com soro fisiológico e secagem com gaze esterilizada.
 Com o bisturi ou tesoura estéril (se necessário fazer anestesia local) retirar pequeno fragmento de tecido do local onde houver maior suspeita
de infecção, porém evitando áreas de tecido necrosado e pus, que devem ser removidos.
 Inserir o fragmento no frasco estéril e seco e concluir o curativo.
 Anotar o horário da colheita, identificar o material e encaminhar imediatamente ao laboratório.
Atenção: Alguns materiais são inadequados para a realização de exame microbiológico, exemplos: saliva, ponta de cateter urinário, tecidos desvitalizados,
etc. ( na dúvida, consultar o laboratório )

I. Tabela 2: Acondicionamento da Amostra e Tempo Máximo Recomendado para Entrega da Amostra ao Laboratório
Amostra Acondicionamento Tempo máximo
Respiratória ( escarro, aspirado Frasco seco estéril 30 minutos
traqueal, LBA22, BEP23 )
Hemocultura Frasco especial de hemocultura 30 minutos
Fezes Swab em meio de transporte ( em geral, meio de Cary Blair ) 12 horas
Urina Frasco seco estéril 30 minutos
Urina refrigerada ( 4° C ) Frasco seco estéril 4 horas
Secreções Swab em meio de transporte Conforme o meio e a especificação do
laboratório
Secreções Swab sem meio de transporte Imediatamente
Cateter intravascular Frasco seco estéril Imediatamente
Líquor Frasco seco estéril e tubo com meio especial Imediatamente
Líquido pleural e outros líquidos de Frasco especial de hemocultura ( para cultura de bactérias ) e frasco Imediatamente
cavidade estéril seco estéril para cultura de micobactérias, fungos, etc.
Fragmento de tecido Frasco seco estéril Imediatamente
Adaptado do Manual de Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica Para o Controle de Infecção Hospitalar- Módulo 1 , ANVISA / Min. da Saúde, 2001

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LBA : Lavado broncoalveolar
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BEP : Broncoscopia com escovado protegido

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a) Meio de transporte serve para manter a viabilidade das bactérias, porém sem permitir a multiplicação. Exemplos de meios especiais: Stuart’s, Amies, Cary
Blair.
b) Material em que há suspeita da presença de bactérias mais sensíveis às variações de temperatura ou de umidade como: Neisseria meningitidis, Neisseria
gonorrhoeae, Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae, etc. deve ser colhido em meio de transporte ou no próprio meio de cultura. Não
refrigerar e enviar imediatamente ao Laboratório de Microbiologia.

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