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UNIFACS – UNIVERSIDADE SALVADOR

DISCIPLINA: TERMODINÂMICA BÁSICA

PROFESSORA: SARA AGRELA

(AULA 05)
Plano de Aula
Objetivo:

Ao término da aula, o aluno deverá ser capaz


de:

• Compreender e interpretar a 1ª Lei da


Termodinâmica.

• Resolver questões relacionadas à 1ª Lei da


Termodinâmica.
Assuntos que serão abordados na Aula

• Apresentação e Definição da 1ª Lei da


Termodinâmica.

• Explicação do Trabalho Adiabático,


identificando as fórmulas.

• Compreensão dos Processos Reversíveis e


Irreversíveis.
Assuntos que serão abordados na Aula

• Análise dos Processos Isocóricos,


Isobáricos e Isotérmicos.

• Resolução de Exercícios.
1ª Lei da Termodinâmica

A primeira lei da termodinâmica nada mais é


que o princípio da conservação de energia e,
apesar de ser estudado para os gases, pode
ser aplicado em quaisquer processos em que
a energia de um sistema é trocado com o meio
externo na forma de calor e trabalho.
1ª Lei da Termodinâmica

Um sistema termodinâmico é caracterizado


por ser capaz de realizar trocas de energia
com sua vizinhança, ou seja, ele interage
com o meio ambiente a sua volta.

Isso pode ocorrer através de transferência


de calor ou realização de trabalho.
1ª Lei da Termodinâmica

Figura 1: Sistema termodinâmico e sua vizinhança.


1ª Lei da Termodinâmica

A energia interna de um sistema pode ser


entendida como a soma da energia cinética de
todas as partículas que constituem o sistema
somada com a sua energia potencial total, devido
à interação entre elas. A energia interna será
representada pela letra U.

U = Ec + Ep
U = (mv2 )/2 + mgh
1ª Lei da Termodinâmica

O estado termodinâmico de um fluido


homogêneo (líquido ou gás) é descrito pela
sua pressão (P), volume (V) e temperatura (T),
sendo que ele fica inteiramente determinado
por um par destas variáveis, que pode ser
(PV) e neste caso a temperatura fica
determinada, ou (PT) ou (VT).
1ª Lei da Termodinâmica
Quando fornecemos a um sistema certa quantidade de
energia Q, esta energia pode ser usada de duas maneiras:

1. Uma parte da energia pode ser usada para o sistema


realizar um trabalho (W), expandindo-se ou contraindo-se,
ou também pode acontecer de o sistema não alterar seu
volume (W = 0);

2. A outra parte pode ser absorvida pelo sistema, virando


energia interna, ou seja, essa outra parte de energia é
igual à variação de energia (ΔU) do sistema. Se a variação
de energia for zero (ΔU = 0) o sistema utilizou toda a
energia em forma de trabalho.

ΔU= Q – W (Eq. I)
1ª Lei da Termodinâmica

Assim temos enunciada a Primeira Lei da


Termodinâmica: A variação de energia interna
ΔU de um sistema é igual a diferença entre o
calor Q trocado com o meio externo e o trabalho
W por ele realizado durante uma transformação.
1ª Lei da Termodinâmica
Esta lei enuncia que a energia total transferida para um
sistema é igual à variação da sua energia interna.

A expressão matemática que traduz esta lei para um


sistema não-isolado é:

∆U = Q – W

Q........... Representa troca de calor

W........... Realização de trabalho


1ª Lei da Termodinâmica

Onde Q e W são, respectivamente, o calor e o trabalho


trocados entre o sistema e o meio.

Exemplo:

Ao receber uma quantidade de calor Q=50J, um gás


realiza um trabalho igual a 12J, sabendo que a Energia
interna do sistema antes de receber calor era U=100J,
qual será esta energia após o recebimento?
CONVENÇÃO DE SINAIS
 Quantidade de calor trocada com o meio:

Q>0 O sistema recebe calor.


Q<0 O sistema perde calor.

 Variação da energia interna do gás:

ΔU > 0 A energia interna aumenta, portanto, sua temperatura aumenta.


ΔU < 0 A energia interna diminui, portanto, sua temperatura diminui.

 Energia que o gás troca com o meio sob a forma de trabalho:

W > 0 O gás fornece energia ao meio, portanto, o volume aumenta.


W < 0 O gás recebe energia do meio, portanto, o volume diminui.
1ª Lei da Termodinâmica
 Trabalho Adiabático

Vamos considerar um gás em equilíbrio termodinâmico


num recipiente de paredes adiabáticas com um pistão
móvel (Figura 1). Esse gás é descrito pela sua pressão
inicial (Pi) e seu volume inicial (Vi).

Quando é realizado um trabalho sobre o sistema, que


pode ser através da colocação de uma massa m sobre o
pistão, o sistema tende para uma nova posição final de
equilíbrio com Pf e Vf.
Trabalho Adiabático
 Na nova configuração de equilíbrio (Pf, Vf), percebemos
que o volume foi reduzido e com isso a pressão interna
deve ter aumentado. Diz-se que neste processo foi
realizado um trabalho adiabático sobre o sistema, pois
não houve troca de calor.

(Q = 0)

 Esse trabalho por sua vez, produz um aumento da


energia interna do sistema, que, pelo fato das paredes
não permitirem fuga de calor, reflete num aumento de
temperatura do gás.
Considerações Relevantes
 É importante lembrar que as leis da termodinâmica
podem ser aplicadas apenas nas situações de
equilíbrio termodinâmico.

 Portanto, os parâmetros do estado final podem ser


considerados apenas após este estado ter atingido o
equilíbrio.

 Ilustração de uma compressão adiabática de um gás


através da colocação de uma massa m sobre um
pistão móvel.
Trabalho Adiabático
 Da mesma forma, se agora a massa m for removida,
o gás iria expandir-se até uma nova posição de
equilíbrio, realizando trabalho sobre o pistão e
resultando no seu movimento. Neste caso, diz-se
que o sistema realizou trabalho, causando uma
diminuição da energia interna do gás.

 A partir destas considerações podemos definir:

∆U = - W i →f (Eq.II)
O significado do sinal (-) é que se o sistema (gás) realiza trabalho
(expansão) sobre a vizinhança, a energia interna nele contida diminui
(ΔU<0).
Trabalho Adiabático
Conclusão:

Em um sistema termicamente fechado, a variação da


energia interna ∆U é igual ao trabalho realizado W i →f
do estado inicial ao estado final.

O sinal negativo aparece por definição histórica do


estudo de máquinas térmicas onde padronizou-se que
o trabalho é positivo, W > 0, quando é realizado pelo
sistema e negativo, W < 0, quando é realizado sobre
o sistema.
DIAGRAMAS P x V
 Uma maneira muito prática de visualizar
uma transformação Termodinâmica é por
meio de gráficos.

 Os estados termodinâmicos de um gás


ideal, durante transformações que não
envolvam variação de massa, ficam
totalmente determinados por meio de duas
variáveis de estado.
DIAGRAMAS P x V
 Normalmente são escolhidas as
variáveis Pressão (P) e Volume (V) e a
partir de um diagrama PxV podem ser
visualizadas as transformações.

A área sob o diagrama PxV é igual ao


trabalho mecânico realizado pelo
sistema durante as transformações.
Diagrama da Transformação
Adiabática

Figura 2: Diagrama transformação adiabática.


Diagrama da Transformação
Isovolumétrica

Figura 3: Diagrama transformação isovolumétrica.


Transformação Isovolumétrica

A transformação isovolumétrica ocorre


quando o volume do gás não varia e, como
conseqüência, o sistema não realiza
trabalho associado à variação de volume, ou
seja, W i →f = 0.

 Nocaso de uma seringa, se o êmbolo ficar


parado não haverá realização de trabalho.
Transformação Isovolumétrica

Logo pela primeira lei:

∆U = Q (Eq. III)

 Nesse caso, todo aumento de energia


interna do gás se deve ao calor
fornecido a ele.
PROCESSO ISOCÓRICO

 Temos então que a variação da energia interna


depende apenas da transferência de calor, sendo que
U aumenta (∆U > 0) quando é fornecido calor ao
sistema e U diminui (∆U < 0) quando é retirado calor do
sistema.

 Um exemplo disso é o aquecimento de água em um


recipiente cujo volume é mantido fixo.
PROCESSO ISOCÓRICO

 Os experimentos de calorimetria com


gases a volume constante comprovam
que Q = n.cV. ΔT onde cV é a capacidade
térmica a volume constante de um gás
ideal.

ΔU = n.cV. ΔT
PROCESSO ISOCÓRICO

ΔU = n.cV. ΔT

 Issoimplica dizer que a variação da


energia interna devido à
transformação isovolumétrica de
gases ideais depende apenas da
temperatura.
Capacidade Calorífica

 Paragases ideais monoatômicos cV =


3/2R e para gases diatômicos cV = 5/2R
onde R é a constante dos gases.
PROCESSO ISOBÁRICO
A pressão é mantida constante neste processo. Neste
caso, nenhuma das grandezas ∆U, Q e W i →f é nula.
Entretanto, o cálculo do trabalho é simples, pois a
pressão sai da integral na equação:

(Eq.IV)

Resultando na relação: W i →f = P (Vf – Vi) (Eq.V)


PROCESSO ISOBÁRICO

A pressão é definida como sendo força


por unidade de área, no caso da seringa,
é a força que o gás aplica ao êmbolo,
dividida pela área do êmbolo.

P = F/A F=PxA
PROCESSO ISOBÁRICO

Otrabalho por sua vez é definido como


sendo o produto da força (F) pelo
deslocamento Δs, no nosso caso, do
êmbolo.

W = Força x Δs
W = (P x A) x Δs
W = P x ΔV
Transformação Isobárica

Figura 4: Diagrama transformação isobárica.


Transformação Isobárica
 Observando o diagrama PxV da
transformação isobárica, vemos claramente
que o trabalho realizado pelo gás é
numericamente igual à área sob o diagrama.

 Os experimentos de calorimetria com gases


a pressão constante constatam que Q =
cp.ΔT, onde cp é a capacidade térmica a
pressão constante de um gás ideal.
PROCESSO ISOTÉRMICO
Neste processo a temperatura é que permanece
constante. Para isso, é necessário que a transferência
de energia ocorra muito lentamente, permitindo que o
sistema permaneça em equilíbrio térmico.

Num processo isotérmico ∆U = 0, logo Q = W i →f .

Ou seja, qualquer energia que entra no sistema em


forma de calor, sai novamente em virtude do trabalho
realizado por ele.
Transformação Isotérmica

Figura 5: Diagrama transformação isotérmica.


PROCESSOS REVERSÍVEIS
 Um processo reversível é aquele no qual
o sistema pode retornar as suas
condições iniciais pelo mesmo caminho e
no qual cada ponto ao longo da trajetória
é um estado de equilíbrio.

 Um processo que não satisfaça essas


exigências é irreversível.
Exemplo de um processo reversível

 Compressão lenta de um gás de modo a que,


em cada instante, o sistema permaneça em
equilíbrio termodinâmico.

 A compressão muito lenta de um gás, através


de um êmbolo de seringa, é praticamente um
processo reversível, pois ao largar-se o
êmbolo após a compressão, este volta à
posição inicial.
Exemplo de um processo reversível
A energia fornecida ao gás sob a forma de
trabalho, quando este é comprimido, é então
libertada para os arredores quando o gás se
expande.

 Os processos reversíveis são processos que


após terem ocorrido num dado sentido,
também podem ocorrer naturalmente no
sentido oposto (ou não), voltando ao estado
inicial.
PROCESSOS REVERSÍVEIS
Para determinar o trabalho através da equação
abaixo:

(Eq. III)

É necessário conhecer a função P = P(V).


Isso só é possível se o processo para levar o sistema
do estado inicial ao final for reversível, neste caso,
ele deve necessariamente ocorrer de forma quase-
estática.
PROCESSOS REVERSÍVEIS
Para um processo ser quase-estático, ele deve
obedecer duas condições:

- Ocorrer muito lentamente: Esta condição é


necessária para ter uma sucessão infinitesimal de
estados de equilíbrio termodinâmico, com P e V bem
definidos;

- O atrito ser desprezível: Esta condição é necessária


para não haver dissipação de energia por atrito.
PROCESSOS IRREVERSÍVEIS

Nos processos irreversíveis apenas os estados de


equilíbrio inicial e final são conhecidos.

Os processos irreversíveis ocorrem sempre num só


sentido, sendo por isso fácil reconhecer a ordem
temporal com que acontecem.
PROCESSOS IRREVERSÍVEIS

 Considere-se dois objetos colocados em


contato térmico, estando inicialmente um
objeto a uma temperatura superior à do outro.

 No final, o sistema formado pelos dois objetos


está todo à mesma temperatura, uma vez que
houve a passagem de energia sob a forma de
calor, do objeto a temperatura superior, para o
objeto com menor temperatura.
PROCESSOS IRREVERSÍVEIS

O processo inverso não se verifica: um


sistema de dois objetos à mesma
temperatura, não evolui
espontaneamente de modo a que
ambos fiquem com temperaturas
diferentes.
Na próxima aula veremos:

 2ª Lei da Termodinâmica

 Ciclo de Carnot

 Ciclos de Refrigeração
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM

Entrega da Lista de Exercícios.