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Resumo de Geografia Aluno 2012 Valeiko

Neste resumo, falar-se-á da política externa norte-americana, com enfoque para a atuação do Estados
Unidos na América Latina, ressaltando-se alguns pensamentos de Ana Esther Ceceña a respeito das intenções
americanas. Também serão abordados os conceitos de território, território-zona e território-rede, bem como
suas aplicações na ação estadunidense no subcontinente.

 Prólogo e Contextualização
Como visto anteriormente, o Estados Unidos retomou a prática de destinar expressiva fração de sua receita
aos investimentos militares nos anos 2000 (reativação da política “Guerra nas Estrelas” elaborada por Ronald
Reagan), devido à adoção do Código da Prevenção no período posterior ao atentado de 11 de setembro de
2001. Nesse contexto, o país busca exercer sua influência como grande potência sobre as outras nações se
amparando em motivos de segurança propostos pelas medidas preventivas exigidas pelo seu código
geopolítico (todavia, segundo Ceceña e outros
autores, frequentemente são evidentes as
motivações geopolíticas do EUA – com ênfase
para o interesse em recursos naturais – por trás
de suas medidas de segurança).
A América Latina, vizinha à América Anglo-
Saxã (onde se encontra o Estados Unidos) não
deixa de sofrer a ação das políticas externas
norte-americanas. Com suas grandes cidades
territorializadas por facções criminosas de
traficantes e milicianos (vide a cidade do Rio de
A Zona de Atenção do Pentágono: áreas “instáveis” e ricas em
Janeiro), a atividade de narcotraficantes em
recursos naturais.
seus territórios, e a existência de países
“bandidos” ou alinhados aos moldes socialistas
no subcontinente, o EUA possui expressa justificativa para intervenções e estabelecimento de bases militares
na região, uma vez que parte das drogas produzidas acaba sendo consumida por estadunidenses (causando
problemas sociais no país) e os Estados desalinhados à potência são uma possível ameaça segundo o Código da
Prevenção. Ilustra essa política americana em relação à segurança propriamente dita na América Latina a
pressão feita pelo governo do EUA em prol de um monitoramento mais eficiente da tríplice fronteira entre
Brasil, Argentina e Paraguai, devido à presença de uma comunidade majoritariamente islâmica no local (o
governo norte-americano levantou suspeitas à respeito de maquinações terroristas – associando os
muçulmanos ao fundamentalismo e ao terrorismo).
No que tange aos seus interesses geopolíticos, o Estados Unidos, segundo Ceceña, tem nestes a principal
razão para exercer influência sobre os países do subcontinente (embora isto seja camuflado pelos motivos de
“segurança” apresentados). O objetivo é obter acesso aos recursos naturais da região, configurando uma sorte
de “Novo Imperialismo”, - referência ao Neocolonialismo do século XIX, o qual se caracterizou por uma corrida
imperialista pelo domínio de diversas regiões possuidoras de recursos naturais no mundo – em que o EUA
acessa as matérias-primas não através do domínio direto de colônias (como ocorreu no neocolonialismo), mas
por meio de acordos e barganhas com os governos dos países que detêm reservas de tais recursos,
influenciados pela presença de bases militares americanas em seus territórios ou cercanias. Comprova o
interesse estadunidense nas matérias-primas latino-americanas a recente reativação da Quarta Frota
Americana, responsável pela atuação nas águas do Atlântico Sul – uma região considerada pacífica – e que,
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portanto, dispensaria medidas tão ásperas de segurança (ou seja, a existência de uma força naval poderosa no
local só poderia ser um elemento de coerção norte-americano para facilitar o acesso aos recursos da região).

 Conceitos de Território, Território-Zona e Território Rede


Para melhor concepção da atuação do EUA na América Latina, ressalta-se os conceitos de:

 Território: Área dominada por um ou mais indivíduos, concebida a partir de relações de poder em
qualquer escala.

 Território-Zona: Controle do espaço por meio de zonas e limites ou fronteiras, incutido de valores
simbólicos - estabilidade (expressa pela “identidade”: o patriotismo e o culto à nação) e fixação
(“enraizamento”: sentimento de origem e pertencimento ao país) – e de questões funcionais (uso
prático do espaço para a subsistência e prosperidade da população). O território-zona é pouco maleável
(praticamente constante por possuir delimitações precisas), mas não é fixo (pode ser mudado com a
perda ou ganho de novos territórios, bem como contestado). São exemplos de territórios-zona os
Estados Nacionais, as propriedades particulares e as comunidades indígenas.

 Território-Rede: Território descontínuo, maleável e flexível, sem delimitação específica, o qual


depende do território-zona por se fixar em um ou mais Estados Nacionais. É constituído por pontos,
nós, malhas e linhas, e existe desde o surgimento das civilizações – mas ganhou ênfase com o processo
de globalização (mundo rede). Expressa-se como uma esfera de influência que pode se expandir ou
contrair de acordo com a sua quantidade de pontos – que simbolizam bases ou entrepostos os quais
projetam poder. Dessa forma, abrange um espaço não delimitável e mutável de acordo com a
influência da potência detentora do território-rede, havendo comunicação entre o ponto de partida e
as bases. Um exemplo de território-rede foi o sistema de acionamento do atentado terrorista de 11 de
setembro de 2001, o qual tinha por ponto de partida estabelecimentos do grupo Al-Qaeda no
Afeganistão, conectado por linhas aos agentes do atentado no EUA (pontos) – possivelmente havendo
um ponto de intermédio o qual divulgou a ordem para os terroristas no país.

 A política externa do Estados Unidos para a América Latina: um território-rede


Em uma época na qual a ação de grupos criminosos e terroristas é realizada em rede, o EUA atua por meio
da dinâmica do território-rede a fim de garantir a segurança nacional – e também para obter acesso aos
recursos naturais extranacionais e expandir sua influência política (Novo Imperialismo). No caso Latino-
Americano, o território-rede de influência do Estados Unidos tem como ponto de partida a Sede do
Departamento de Defesa Norte-Americano (o Pentágono), ligado por uma malha até as bases militares
localizadas na América Latina, as quais recebem ordens do mesmo. O ponto de intermédio (USSOUTHCOM –
Southern Command), sediado em Miami, difunde as ordens do Pentágono por meio de linhas para as principais
bases militares do subcontinente, localizadas em Comalapa (El Salvador), Hato (Curaçau) e Rainha Beatriz
(Aruba). A base estadunidense em Manta (Equador) foi desativada recentemente, pois o governo equatoriano
não renovou essa concessão ao EUA, ao que a potência respondeu negociando a criação de novas bases
militares na Colômbia, de modo a reaver sua influência.
A partir do estabelecimento desse território-rede – que não possui fronteiras definidas ou fixas e é
descontínuo (atuando como esfera de influência americana sobre os países da região) – o Estados Unidos visa
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combater as ameaças à sua segurança e garantir seus interesses geopolíticos. Segundo Ana Esther Ceceña, isso
se trata de uma remitarilização (já militarizado durante a Guerra Fria) do espaço latino-americano,
configurando a política do “Novo Imperialismo” idealizada por David Harvey, já ressaltada anteriormente.
Segue uma representação do território-rede estadunidense na América Latina:

Pentágono

Miami

Hato e Rainha Beatriz


Comalapa

Manta