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Irã x EUA: causas e consequências

Autor: Mithel Medeiros


Turma: 1301
Resumo
Em 2020 o mundo presenciou mais uma vez o presidente dos EUA Donald
Trump roubar a cena. Após por ordem direta dele, o general iraniano Qassem
Soleimani foi executado, por especulações que ele estava se reunindo com líderes de
milícia no território iraquiano – local do seu assassinato. Qassem Soleimani era
considerado um grande herói em seu país, Irã. Sua importância era tanta que ele já
saiu na revista Time, mesma que o ministro Sérgio Moro saiu, onde somente pessoas
consideradas muito relevantes são abordadas. Após execução do general, pessoas
foram às ruas pedindo por vingança, e o governo acatou a ideia, o que só aumentou as
especulações de uma talvez Terceira Guerra Mundial. Porém, por ser um conflito
regional entre dois países e não um em nível internacional onde diversas potências
estão diretamente envolvidas (como foi no caso da Primeira e Segunda Guerra
Mundial), essa ameaça pode ser descartada por enquanto.

Palavras-chave: EUA, Donald Trump, Qassem Soleimani, Irã, assassinato,


Guerra Mundial

Abstract
In 2020 the world once again witnessed the President of the USA Donald Trump
stealing the spotlight. Upon his direct order, Iranian general Qassem Soleimani was
executed for speculation that he was meeting with militia leaders in Iraqi territory - the
site of his assassination. Qassem Soleimani was considered a great hero in his country,
Iran. His importance was such that he has already appeared in Time magazine, the
same one that Minister Sérgio Moro left, where only people considered to be very
relevant are approached. After the general's execution, people took to the streets asking
for revenge, and the government accepted the idea, which only increased speculation
about a perhaps World War III. However, because it is a regional conflict between two
countries and not an international one where several powers are directly involved (as
was the case in the First and Second World War), this threat can be ruled out for now.

Keywords: USA, Donald Trump, Qassem Soleimani, Iran, assassination, Word War

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1. INTRODUÇÃO
No dia 03 de janeiro de 2020, um drone que sobrevoava a cidade de Bagdá
(Iraque) executou o general iraniano Qassim Suleimani, por ordem direta do presidente
Donald Trump. Sua morte trouxe muita comoção por parte dos iranianos, fazendo com
que fosse anunciado em TV iraquiana e iraniana, dando-lhe orações, além de protestos
nas ruas pedindo por vingança. Essa nova atuação dos EUA (Estados Unidos da América)
no Oriente Médio só agravou as tensões já existentes entre os dois países.

Qassim Suleimani não estava sozinho durante o ataque. Ele e mais cinco, incluindo o líder
da Força de Mobilização Popular do Iraque, considerada milícia apoiada pelo Irã,
morreram. Eles estavam em carros, após saírem do aeroporto de Bagdá, no Iraque.

Suleimani tinha 63 anos e era comandante da Força Quds, unidade de elite da Guarda
Revolucionária do Irã que atuava no Oriente Médio. Segundo Doucet, a atuação de
Suleimani em comando da Força Quds é “considerado como principal arquiteto da guerra
do presidente Bashar Al-Assad na Síria, do conflito em curso no Iraque, da luta contra o
Estado Islâmico e de muitas outras batalhas”. Porém, nem todos tinham essa visão da
Força Quds.

Aclamado por alguns. Qassim Suleimani em seu país era como um verdadeiro herói. Só
para se entender melhor sua importância, Suleimani era considerado próximo do líder
supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Ainda de acordo com o correspondente da BBC
Lyse Doucet, ele era visto como o mentor dos planos mais ambiciosos do Irã no Oriente
Médio, e como o verdadeiro ministro das relações exteriores do país no que se diz respeito
a guerra e paz.

Odiado por outros. O contrário do Irã, os Estados Unidos não o via com bons olhos. O
Pentágono justifica que Qassim Suleimani já foi responsável pela morte de milhares de
militares americanos, e que “os Estados Unidos vão continuar a tomar medidas
necessárias para proteger nosso povo e nossos interesses onde quer que esteja m ao redor
do mundo”. Após morte do general iraniano, Donald Trump fez um twite com a bandeira
dos Estados Unidos. Apesar da euforia, nem todos americanos aprovaram a medida. A
presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, afirmou que a medida significa
“uma escalada perigosa” de tensões e que o Congresso deveria antes ser consultado.

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De uma forma ou de outra, o que se sabe é que a atitude vinda dos americanos trouxe um
ar de perplexidade a várias pessoas de diversos países. E se houver uma Terceira Guerra
Mundial?

2. “RISCOS DE GUERRA” E CONSEQUÊNCIAS TRAZIDAS AO BRASIL


Essa foi uma dúvida constantemente, até por causa da ameaça de vingança por
parte do governo iraniano aos Estados Unidos. Mas para entender se isto é realmente
provável é preciso primeiro analisar os fatos e observar a história e o contexto atual em
que nos encontramos.

Atualmente o Irã não apresenta uma ameaça tão grande como as potências da União
Europeia, Rússia, Estados Unidos ou Japão, por exemplo. E, apesar de apresentar um
cenário militar bom e perigoso dentro do Oriente Médio, em aspecto mundial não traz
riscos tão consideráveis que nenhum país possa conter ou que possa trazer uma catástrofe
mundial sem que outros países se aliem a ele.

Além do mais, o conflito se restringe somente entre os dois países, EUA e Irã. Alguns
países que são extremamente contrários como a Rússia e China, até então, não se
apresentaram ao lado do Irã para um conflito. Entretanto, isso não significa que os países
acharam a atitude de Donald Trump correta. A Rússia se pronunciou afirmando que
Estados Unidos deu “um passo imprudente”.

Olhando para a história, as Guerras Mundiais desempenharam papel de uma escala


crescente de tensão entre vários países. O Oriente Médio vive em contínuo conflito, com
grupos extremistas ou por territórios da região. Porém, não passa de um conflito regional,
existente desde muito tempo nos territórios pertencentes ao Oriente Médio.

De qualquer forma, a justificativa usada pelo Pentágono dos Estados Unidos foi de fácil
compreensão, e, juntamente, até mesmo a imprensa internacional afirma que Qassim
Suleimani estava se preparando para se encontrar com líderes de milícia iraquiana. Além
disso, o Pentágono atribui a esse general a morte de cerca de 700 militares americanos.

Em suma, é improvável que uma Guerra Mundial de fato ocorra se o conflito se mantiver
somente entre os Estados Unidos e o Irã. E, se o manter assim, o Irã certamente sofrerá
grandes retaliações, já que o seu poderio militar é muito inferior ao do país do presidente
Donald Trump. Contudo, como fica o comércio e a diplomacia do mundo nesse conflito?

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A geopolítica global acaba afetada por conflitos entre países, dependendo da extensão,
ligações e importância que os tal países têm em nível mundial. Para o Brasil isso nunca
foi um problema tão gritante pois quase sempre se manteve neutro em relação aos
conflitos internacionais. Sua postura centralizada e neutralizada foi uma das maneiras
encontradas para que o país não tivesse problemas quando o assunto era comércio ou
diplomacia com os outros países.

Durante o governo do ex presidente Lula da Silva, o país manteve estreitas relações com
o Irã. Tanto é que, o Brasil, por exemplo, teve grande importância em convencer o Irã a
deixar de lado seu programa nuclear, o que fez com que a preocupação da ONU
(Organização das Nações Unidas) fosse mais apaziguada em relação ao país. No governo
de Dilma Rousseff, o Brasil se distanciou um pouco, mas ainda manteve uma relação
amigável.

No novo governo, entretanto, após a morte de Qassim Suleimani, a Itamaraty se


pronunciou mostrando estar ao lado do país do ataque, os EUA. A reação do Irã não foi
de aceitação, logo pedindo explicações ao Brasil sobre o seu pronunciamento. Assim, a
representante do Brasil no Irã, Maria Cristina Lopes, explicou as autoridades do país
iraniano que o Brasil deseja continuar a relação entre os dois países, e que as declarações
dadas pelo governo brasileiro não afetam a vontade de manter uma boa afinidade entre
Brasil e Irã.

Contudo, o distanciamento entre o Brasil e Irã, ainda mais após a declaração de se manter
ao lado do presidente Donald Trump, e que, segundo o presidente do Brasil, Jair Messias
Bolsonaro, Suleimani seria um “terrorista”, logo, sendo a ação dos EUA uma ação
antiterrorismo, pode acabar prejudicando o país brasileiro. O Irã é o 23º maior destino
exportações brasileiras, com um faturamento de US$2.117 bilhões. É também um dos
principais importadores de milho brasileiro, de acordo com a Secretaria de Comércio
Exterior do Ministério da Economia.

Não bastando, com as sanções impostas pelo governo americano ao governo iraniano,
Donald Trump não aprova a nação que comercializar produtos com o país até então
pressionado, podendo provocar sanções também ao país que comercializa, como é o caso
do Brasil, ao exportar produtos, principalmente o Milho, pois sendo o Irã um dos maiores
compradores.

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Sendo assim, o Brasil pode ter problemas ainda maiores que somente restritos ao país Irã.
Mas nada que com um acordo entre os EUA e o Brasil que não possa resolver, e apesar
de que Donald Trump já tenha se mostrado duro na governança de seu país, Bolsonaro
mantém boas relações com o presidente americano.

3. CONCLUSÃO:
À vista do que foi dito pode-se concluir, basicamente, que as especulações de
uma Terceira Guerra podem ser temporariamente descartadas, pelo menos não será por
um conflito regional que existe há muitos anos entre esses dois países abordados. Em
nível global, a geopolítica sempre acaba sendo afetada quando grandes países entram
em conflito, seja ideológico ou armado, assim cabe aos países em questão buscarem as
melhores alternativas para não se prejudicarem tanto. Além do mais, as indagações e o
medo de uma guerra como as duas primeiras já vistas podem ser considerados como a
de falta de analisar com um olhar mais amplo o cenário mundial e o do conflito entre
EUA x Irã. Apesar disso, o Brasil e outras nações podem acabar sendo prejudicadas
com sanções caso tomem partido de um país e não mantenha sua neutralidade. Está aí a
importância de se abster de conflitos alheios, a menos que estes conflitos prejudiquem a
integridade e as regras civilizatórias do mundo em que vivemos.

4. REFERÊNCIAS
Caubet, C. (2020). A Geopolítica como teoria das relações internacionais: uma avaliação crítica.
RJ.

Cotrim, G. (2020). História Global. RJ: plural.

folha.uou.com. (08 de 02 de 2020). Fonte: Folha de S. Paulo: https://www.folha.uol.com.br/

Jovem Pan. (08 de 02 de 2020). Fonte: Morning show:


https://www.youtube.com/watch?v=LJlVzDt71s0

portogente.com.br. (08 de 02 de 2020). Fonte: Portogente:


https://portogente.com.br/portopedia/110433-relacao-entre-brasil-e-ira-entenda-em-
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