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HIPOTÁLAMO E HIPÓFISE

Tipos de sinalização hormonal:


1. Autócrina: o hormônio atua sobre a célula que o produziu os células do mesmo tipo
levando a um efeito;
2. Parácrina: uma célula do tipo 1 produz um hormônio que vai atuar sobre uma célula
do tipo 2, a qual encontra-se próxima;
3. Endócrino: célula do tipo 1 produz hormônio que cai na corrente sanguínea atuando
sobre uma célula do tipo 2 a distância produzindo efeito;
4. Neurócrino: neurônio produz hormônio que cai na corrente sanguínea e atua sobre
célula à distância.

HIPOTÁLAMO

Região do sistema nervoso central; é caracterizado como um órgão.


Se limita à frente pela comissura anterior, ventral pelo quiasma óptico, inferiormente
pela eminência média dá na hipófise, atrás pelos corpos mamilares, e em cima pelo tálamo.
Tem 2 partes sendo uma direita e uma esquerda. Formato de um ‘hexágono’.

Funções
- Regulação da temperatura corporal - pessoas que têm tumores hipotalâmicos podem morrer
de hipotermia ou terem hipertermia;
- Regulação de apetite - o centro da fome e da saciedade - Centro da função sexual;
- Órgão endócrino.
Os conjuntos de células endócrinas da região que possuem a mesma função (mesma
produção hormonal) foram denominadas de núcleos. Por imunohistoquímica mapeou-se todo
o hipotálamo e observou-se que determinados núcleos que contem corpos neuronais que são
capazes de produzir, preferencialmente, determinado hormônio. Esses hormônios tem a
característica de serem tróficos para hipófise – atuam sobre a hipófise estimulando-a a
produzir hormônios hipofisários.
Núcleos hipofisários:
- Paraventriculares (local onde há maior produção de ADH);
- Pré-óptico;
- Supraquiasmáticosupra-ótico (ADH e Ocitocina);
- Arqueado;
- Anterior;
- Dorsomedial;
- Posterior;
- Ventromedial;
- Tuberal (onde se mais produz hormônios estimuladores do FSH e do LH – GnRH);

Hormônios Hipofisiotróficos
1. GHRH – hormônio liberador do GH - Núcleo Arqueado;
2. Somatostatina (SS) – contra-regulador do GH - Núcleo Periventricular; (produzido
também no pâncreas e pelas células C da tireóide)
3. TRH – estimula produção de TSH e de Prolactina - Nucleo Paraventricular;
4. Dopamina – contra-regulador da Prolactina - Núcleo Arqueado;
Obs: Prolactina: é produzido pela hipófise e recebe mais inibição do que a estimulação. Os
lactotrofos estão sempre produzindo prolactina e esta está sobre constante ação da dopamina.
Esse inibição leva ao nível basal de prolactina.
5. CRH – estimula produção de ACTH - Núcleo Paraventricular;
6. ADH – Estimula produção de ACTH. É produzido junto com uma proteína
transportadora – adenofisina – Núcleos Supra-óptico e Paraventricular;
7. GnRH – Estimula produção de FSH e LH -Núcleo Pré-óptico;

Esses hormônios são produzidos por núcleos hipotalâmicos específicos, serão direcionados
por via sanguínea até a hipófise;
2 desses hormônios são conduzidos por via nervosa até a hipófise: Ocitocina, cuja proteína
transportadora é a neurofisina, e ADH, que tem como proteína transportadora adenofisina.
Ambos são produzidos nos núcleos Supra-óptico e Paraventricular;
Aula 2 – 07/08

Hipotálamo além da função endócrina, é responsável por uma série de outras funções: como
centros reguladores de temperatura, centro regulador da fome, centros cardíacos, manutenção
da hidratação. Lesões no órgão, como uma lesão no centro da fome pode levar a chamada
Síndrome de Frohlich (variedade rara da distrofia adiposo-genital), caracterizada pela
alimentação compulsiva levando à obesidade. Quando há comprometimento do centro
regulador da temperatura pode haver alterações que levam a hipo ou hipertermia. O
hipotálamo é responsável também pela regulação da PA, feita através da interação entre o
órgão e o sistema cardiovascular. Então, está ligada por vias aferentes (associada aos
barorreceptores presentes nas carótidas, grandes vasos e coração) e eferentes ao núcleo vago.
Quando tem-se perda sanguínea ou quando tem-se alteração da PA os barorreceptores captam
e encaminham a mensagem por vias aferentes até o hipotálamo onde tem-se os centros para-
ventricular e os osmorreceptores que leem a mensagem e estimulam o centro da sede. Além
disso, estímulos inibem a diurese, com o objetivo de aumentar a volemia e pressão arterial,
compensando as perdas.
Ao hipotálamo chegam inúmeros influxos do córtex, que aumentam o estímulo sobre levando
a liberação de hormônios tróficos, com neurotransmissores como dopamina e adrenalina. É
comum em eventos estressantes que a mulher tenha uma amenorreia, levando a alterações
desses hormônios tróficos.

Vias eferentes
Hipotálamo emite vias eferentes para hipófise: os tratos túbero-hipofisários, supra-óptico e,
principalmente no núcleo paraventricula, associados a produção de ocitocina e ADH,
hormônios produzidos diretamente no hipotálamo e, por meio desses tratos chegam a neuro-
hipófise. Existe essa ligação direta, que é nervosa, entre o hipotálamo e a hipófise. Por
eminência média há também a comunicação hipotálamo com a neuro-hipófise, pela circulação
sanguínea (comunicação pela via “fluvial”).
Embriologia

São órgãos análogos embriologicamente, formando uma unidade única. A neuro-hipófise é


formada por uma invaginação do hipotálamo e a adeno-hipófise é formada por uma
evaginação da faringe. A medida que ocorre progressão da embriogênese, essa invaginação
vai aumentando, forma-se a bolsa de Rathke. Há uma união entre a adeno-hipófise e os
primórdios da neuro-hipófise, a bolsa de Rathke torna-se o lobo intermédio. Ocorre uma
rotação no órgão e o ponto de união torna-se o lobo intermédio, que é vestigial. Na 20ª
semana de vida, há quase todos os hormônios do adulto em funcionamento. Todos esses
eventos são direcionados por hormônios embrionários, quando há doenças genéticas que
comprometem a formação desses precursores pode haver uma agenesia hipofisária ou
comprometimento de um dos hormônios ou células hipofisárias.

Hipófise

Está alojada na sela túrcica no osso esfenoide. É recoberta pelas meninges (revestimento da
dura-máter) e tem uma dobradura das estruturas meníngeas é chamada de diafragma selar e é
por aqui que passa a haste hipofisária. A distância entre a hipófise e o quiasma óptico é de 5
mm, por isso tumores de hipófise podem levar ao comprometimento da visão. Relação íntima
com o seio cavernoso, responsável pela drenagem venosa. O seio cavernoso tem relação direta
com os nervos responsáveis pela movimentação do globo ocular. Dessa forma, se há
sangramento hipofisários para o seio cavernoso, pode haver comprometimento da musculatura
do globo ocular.
É dividida em adenohipófise – parte ectodérmica – e neurohipófise – parte nervosa que vem
do hipotálamo. Adeno – pars distalis (abraça a neuro-hipófise na haste), pars intermedia
(porção vestigial, pars tuberalis (também abraça a neuro-hipófise na haste). Neuro – processo
infundibular, haste infundibular. Crianças que nascem em posição pélvica, quando há tração
no parto, pode haver secção da haste hipofisária, podendo levar a um diabetes insipidus
congênito e se a secção for completa pode levar a um pan-hipopituitarismo, já que os
hormônios tróficos da hipófise não chegam ao hipotálamo. Por isso, os partos cefálicos são
mais fisiológicos e associados a um menor número de complicações.
Dimensões da hipófise
Órgão pequeno e muito vascularizado. Diâmetro transverso de 13-15mm, diâmetro antero-
posterior 9 mm, vertical 6mm, com peso de 0,6g, sendo que o lobo anterior se constitui em
80%, na gestação a hipófise dobra de tamanho, o que facilita a hemorragia hipofisária.
Quando há uma hipotensão importante no parto ou uma hemorragia pode haver a síndrome de
Sheehan uma necrose isquêmica da hipófise.
A hipófise é bastante irrigada. Presença das artérias hipofisárias anterior e posterior, ligadas
pela artéria hipofisária média. Não há capilares no interior da hipófise, com circulação do tipo
porto-hipofisária, com fluxo bidirecional (hipotálamo-hipófise e vice-versa), hormônios
circulam entre os dois órgãos pela via sanguínea, regulados também por hormônios
vasodilatadores. A função é receber hormônios do hipotálamo, produzir hormônios na
hipófise e esses hormônios irem para o hipotálamo fazerem controle NEGATIVO (a
retrorregulaçao – feedback -). O sangue para a hipófise provem da carótida interna e essa dá
vários ramos hipofisários (inferior que irriga a neurohipófise); o r. superior se liga à
hipofisária média e, a partir da eminência média os capilares se dividem em uma circulação
venosa (porta) com fluxos que vão para cima e para baixo.

Porções da hipófise

Especialização celular para produção de cada hormônio: somatotrofos, produtores de GH, são
acidófilas e na imuno-histoquimica se coram com hormônio do crescimento, são células
intensamente produtoras de proteínas e grânulos específicos constituintes do GH. Lactotrofos
– produção de prolactina (estimula produção de leite), são acidófilos, tireotrofos são basófilos,
os corticotrofos produtores de ACTH são basófilos. Há mais ou menos uma localização da
produção desses hormônios na hipófise. Essas células formam aglomerados produtores de
hormônios na glândula, com localização mais ou menos fixa: GH produzido nas laterais, o
TSH ventral, prolactina lateral posterior, o ACTH no meio e o LH, FSH na porção tuberal.
Tumores pequenos produtores de ACTH geralmente não são vistos, neurocirurgião faz uma
incisão em cunha para retirada desse tumor.

Hormônio de Crescimento (GH)

Hormônios hipofisários são grandes proteínas, o GH possui 191 aa, caso essa sequência seja
alterada, há uma deficiência de GH. Estrutura é produzida de forma primária, sofre uma
dobradura, adquirindo conformação espacial, com sítios de ligação específicos, que permite
que a proteína se ligue a um sítio receptor. Função: crescimento e funções metabólicas.
Porém, esse hormônio recebe o nome errado, já que o crescimento não depende apenas do
GH, mas de uma série de outros fatores que influenciam desenvolvimento

- Intrínsecos: sistema neuroendócrino (GH); sexo (mulheres possuem cerca de 10 cm a menos


devido a entrada mais precoce da puberdade); doença endógena (anemia falciforme, asma,
insuficiência renal); etnia, fatores hereditários.
- Extrínsecos: ambiente (condições geofísicas, condições socioeconômicas, urbanização,
interação mãe-filho (afeto leva a um aumento do crescimento); dieta; doenças exógenas.

O GH é produzido por estímulos GHRH, produzido pelo hipotálamo, que atua na hipófise
estimulando-a a produzir GH, porém é inibido pela ação da somatostatina. O GH hipofisário
circula ligado receptor, junto com uma proteína transportadora, chega ao fígado estimulando a
produção de produzir a somatomedina C– IGF-1 (simulação da molécula da insulina)
Efeitos do GH

Função IGF-1: aumento do crescimento linear das epífises, aumento do tamanho dos órgãos
(crescimento global do organismo), diminuição do tecido adiposo, aumento da massa corporal
magra (queda da massa gorda)
O GH é produzido constantemente, porém produzido em picos de secreção, principalmente
durante o sono, coincidindo com os estágios mais profundos do sono. Também levam a picos
de GH: atividade física, durante uma refeição, estresse.

Ações próprias do GH (altamente anabolizante – ações especialmente metabólicas – comum


uso em academias):
 Promove aumento da síntese proteica: transporte de aminoácidos para dentro da
célula, síntese pelos ribossomos, transcrição do DNA, diminuição do catabolismo
proteico.
 Promove lipólise: libera ácidos graxos no tecido adiposo, aumenta a conversão de AG
em acetil-CoA, cetogênico.
 Poupa carboidratos: diminui a glicólise, promove glicogênese, diminui a captação da
glicose pelas células. É um hormônio diabetogênico.
Fatores que estimulam a secreção de GH:

 Fisiológicos: hipoglicemia, estresse, exercícios, sono estimulam o SNC que produz


neuro-hormônios, no caso o GHRH que estimula a hipófise (e a somatostatina que a
inibe) que produz GH, que vai para o fígado, que produz IGF-1 e tem-se os efeitos de
crescimento e metabólicos. O GH caminha ligado ao receptor e se liga a periferia a
outro receptor que sofre determinadas ações de membrana e no núcleo é capaz de
fazer a transcrição das substâncias de interesse, por exemplo, aumentar a musculatura,
efeitos biológicos; Aa da dieta; hormônios (estrogênio); diminuição pós-prandial da
glicose.
 Farmacológicos: hipoglicemiantes, infusão de aa, hormônios, neurotransmissores
 Patológicos: desnutrição, anorexia, acromegalia, Insuficiência renal crônica (menor
depuração), febre por conta de pirógenos.
É um hormônio de membrana, que no fígado liga-se ao seu receptor ligado a proteína G, que
ativas cascatas (AMPc, IP3, atividade tirosina- cinase) que levam a transcrição de IGF-1.

Fatores que inibem a secreção de GH:


 Fisiológicos: hiperglicemia pós-prandial, elevação de AG, próprio GH;
 Farmacológicos: hormônios como somatostatina, progesterona, corticoides,
melalonina; antagonistas como serotonina
 Patológicos: obesidade, hiper e hipotireoidismo.
O hipotálamo não é solto no sistema nervoso. Ele recebe estímulos aferentes, eferentes,
nervosos e bioquímicos. A partir de determinadas substâncias, o hipotálamo é estimulado
e ele produz hormônios que são liberados na eminência mediana, são captados por via
sanguínea pela hipófise anterior e a partir daí são liberados para a circulação.

O hipotálamo é responsável, também, pela manutenção da pressão arterial e pela

manutenção da hidratação.

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