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Manejo e monitoramento de trilhas interpretativas: contribuição


metodológica para a percepção do espaço ecoturístico em unidades de
conservação

Conference Paper · June 2005


DOI: 10.13140/RG.2.1.1573.3846

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2 authors:

Vivian Castilho da Costa Flávio Augusto Pereira Mello


Instituto de Geografia, UERJ, Brazil Rio de Janeiro State University
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1

Departamento de Geociências
Laboratório de Pesquisas Urbanas e Regionais

Simpósio Nacional sobre Geografia, Percepção e Cognição do Meio Ambiente


HOMENAGEANDO LÍVIA DE OLIVEIRA |Londrina 2005|

Manejo e monitoramento de trilhas interpretativas: contribuição


metodológica para a percepção do espaço ecoturístico
em unidades de conservação

Vivian Castilho da Costa


Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGG) – UFRJ
vivianufrj@yahoo.com.br

Flávio Augusto Pereira Mello


Pos-graduando em Educação Ambiental – SENAC-EAD,Consultor,Guia Regional de Ecoturismo
flzen@yahoo.com.br

RESUMO

Trilhas interpretativas são importantes instrumentos de educação ambiental em unidades de conservação. Bem
planejadas, contribuem não só para a melhoria da percepção de visitantes acerca do patrimônio natural, mas
também para a valoração e sensibilização de comunidades locais, além de servir como ferramenta adequada
ao manejo da visitação. O presente trabalho visa combinar diferentes estratégias de manejo e propôr
metodologias de monitoramento de trilhas interpretativas, possibilitando profissionais de educação ambiental a
elaborar roteiros interpretativos e cognitivos, apoiados no reconhecimento das características físicas e
ambientais da trilha. Uma das metodologias aplicadas na Trilha do Rio Grande (Parque Estadual da Pedra
Branca - PEPB) baseia-se na técnica do Índice de Atratividades em Pontos Interpretativos (IAPI) desenvolvido por
MAGRO & FREIXEDAS (IPEF, 1998). Foram tomadas as distâncias dos pontos de atratividade e inventariados
os recursos naturais e culturais, além da avaliação de possíveis temas a serem aplicados para cada ponto,
cujos pesos são multiplicados pela respectiva intensidade do atrativo. Houve a necessidade de analisar os
impactos ao longo da trilha. Entretanto, considerando os impactos diretos causados pelo uso recreativo, assim
como os causados pelo próprio manejo da área, foi utilizado o método de Manejo do Impacto de Visitação
(MIV ou VIM) de GRAEFE, KUSS & VASKE (1990), que permitiu apontar as medidas adequadas de manejo para
o melhor aproveitamento das atratividades e dos pontos interpretativos identificados no IAPI. Como resultados,
temos um manejo mais efetivo da trilha (correção de áreas erodidas, implantações de corrimões, degraus, áreas de
descanso e reflorestamento, etc.), para que os impactos não comprometam o patrimônio interpretativo e recreativo,
ressaltando que outras metodologias podem ser aplicadas, como o estudo da capacidade de carga turística do local, o
que fatalmente possibilitará uma maior monitoria das atividades praticadas nas áreas protegidas, além de outras
modificações nos níveis de impactos dos atrativos identificados.
2

INTRODUÇÃO

Trilhas interpretativas são importantes instrumentos de educação ambiental em


unidades de conservação. Bem planejadas, contribuem para a melhoria da percepção de
visitantes acerca do ambiente natural e para a valoração e sensibilização de comunidades
locais, além de servir como ferramenta eficiente no manejo da visitação. De modo geral, os
gestores de Unidades de Conservação vêm aproveitando traçados de trilhas já existentes e,
através de diferentes estratégias de comunicação, buscam somente enfatizar e relacionar o
objeto “ecossistema” com conteúdos dirigidos pelo guia, educador e/ou denotar as infra-
estruturas de apoio como placas, painéis, folders, mapas, etc. No entanto, geralmente não
há um planejamento consistente das trilhas interpretativas e/ou monitoramento dos
resultados advindo de seu uso.

A questão básica da educação ambiental, assim como de todo o esforço para a


sensibilização da opinião pública, empresarial e governos, deve passar, inevitavelmente, pela
qualidade da percepção.

A percepção, como uma das expressões da cognição, caracteriza-se pela apreensão


dos objetos e dos sentidos, como por exemplo árvores, sons, calor, casas, cadeiras, etc, na
ocasião da estimulação sensorial. O objeto de percepção (ou o seu veículo) consiste nas
qualidades sensíveis proporcionadas pelos predicados fornecidos pela imaginação, com
base na experiência anterior atribuída ao objeto percebido. Pode-se então dizer que “a
percepção consiste em afirmar que, através das capacidades de processamento de
informação do sistema cerebral e sensorial, conhece-se o mundo externo e objetivamente
real”.(CAEIRO et al, 2005)

Desta forma, conforme conceito da UNESCO (1977) “a percepção é a maneira pela


qual o homem sente e compreende o meio ambiente, (natural ou citado por ele)”

Del Rio (2002) sugere que existam atributos específicos na formação da realidade
percebida:

REALIDADE Retro-alimentação

Filtros culturais e individuais

SENSAÇÕES MOTIVAÇÃO COGNIÇÃO AVALIAÇÃO CONDUTA

seletiva Interesse memória julgamento opinião


instantânea necessidade organização seleção ação
imagem expectativa comportamento

Fonte: DEL Rio (2001)


3

Portanto, o estudo da percepção ambiental vem determinando uma série de reflexões


teóricas e práticas sobre como devem ser aplicadas, considerando o desenvolvimento
tecnológico rápido de nossa sociedade (urbanização acelerada, meios de transportes mais
eficientes), além do lazer e recreação estarem cada vez mais ligados a essa rapidez das
ações da sociedade moderna, tão necessitada de consumo e de produtos mais naturais
como uma tentativa de diminuir o ritmo e voltar às suas origens. Esse mundo moderno
visual, de cores e formas variadas, e cada vez mais exigido por essa sociedade, tende a usar
percepções espaciais (busca de lugares mais distantes) e temporais (viagens mais rápidas e
com mais ação). Como acentuam OLIVEIRA & MACHADO (2004):

“A Percepção é o conhecimento que adquirimos através do contato atual, direto e


imediato com os objetos e com os movimentos, dentro do campo sensorial (...)
Quando se trata da percepção ambiental o que mais interessa é a visão". (p. 132)

Compreender como percebemos visualmente o espaço é compreendermos o meio


ambiente. Durante muito tempo a Geografia vem investigando a percepção, principalmente,
através de estudos da cognição ambiental, pois esta “é conhecimento e é um processo”,
como avalia ainda OLIVEIRA & MACHADO (op. cit.):

“(...) cognição implica considerar alguns estágios, tais como: percepção,


mapeamento, avaliação, conduta e ação. Como o processo cognitivo é amplo,
dinâmico e interativo, cada estágio influi no seguinte. (...) a percepção é individual e
seletiva, sujeita aos seus valores, suas experiências prévias e suas memórias. Ao
passo que, na etapa seguinte, o mapeamento está submetido aos filtros culturais,
sociais e, ainda, individuais. O mapeamento mental está na dependência vivencial
e experiencial que os indivíduos dispõem de acordo com a idade, o sexo e o grau
de escolaridade, não deixando de lado o aspecto econômico. (...) a geração de
conduta e conseqüente ação é que levam ao processamento das informações
recebidas, formando as representações e avaliando, de acordo com seus valores e
expectativas. A ação propriamente dita é determinada pela atitude e expectativa,
como produto da própria conduta.” (p. 134).

Posto alguns mecanismos da percepção, avaliamos o objeto de sua ação: a


Informação. LAZARTE (2000), em seu livro “Ecologia Cognitiva na Sociedade da
Informação”, traça alguns parâmetros que nos permitem avaliar a qualidade da informação:

ƒ A informação só tem sentido se for relevante para tomadas de decisão.

ƒ A informação só tem valor dentro de um certo contexto.

ƒ Mais informação nem sempre é melhor.

ƒ Saber ignorar é tão importante quanto a capacidade de reconhecer. A


capacidade de filtrar é que define a importância da informação.

LAZARTE (op. cit.) destaca também que estas observações são interpretadas no que
pode ser chamado de “Ecologia Informacional”, onde:
4

ƒ O excesso de informação supera a capacidade individual de processá-la.

ƒ Parte da informação possui uma conexão tênue com o contexto de significados


relevantes do indivíduo.

ƒ O excesso ou o que não é interpretado é recebido como lixo (o ruído nos


termos da Teoria da Informação).

ƒ As diversas experiências, estímulos, informações e interações, além de


processadas, criam significados que constituem os aspectos essenciais do
homem.

ƒ O excesso altera a saúde com problemas mentais, doenças cardíacas,


problemas de relacionamento, etc.

ƒ Assim, para a absorção mais eficiente da Informação Relevante, o autor


conclui que é necessário:

ƒ Reaprender a ignorar o que não é relevante.

ƒ Reparar no que é de fato importante.

ƒ Aprender a reagrupar em novas unidades do sentido, os estímulos recebidos


como informação.

ƒ O poder de síntese, no processo cognitivo, deve permitir referenciais


integradores.

ƒ A fragmentação cognitiva é contornada com a interpretação transdisciplinar,


sendo o fator integrador o ser humano.

ƒ A visão de reversibilidade ultrapassa a análise de pontos positivos e negativos


de uma alternativa, proporcionando uma visão dos pólos com parte integral
da dimensão analisada.

Então, para o diagnóstico da realidade local e a seleção de informações que de fato


interfiram nos resultados das ações implementadas, são necessárias ferramentas que ajudem
a discernir o que é e não é importante, bem como poder ordená-las de modo a propiciar
análises focais e gerais, permitindo extrapolações espaciais e temporais.

OBJETIVOS E LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O presente trabalho visa combinar as metodologias IAPI (Índice de Atratividades em


Pontos Interpretativos) e VIM (Manejo do Impacto de Visitação) como uma só ferramenta de
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percepção, filtragem e seleção de informações em trilhas interpretativas para atividades


como:

ƒ Treinamento de percepção ambiental para profissionais da área (guias, monitores,


educadores ambientais, etc.);

ƒ Elaboração de roteiros interpretativos;

ƒ Elaboração de propostas de reordenamento interpretativo.

ƒ Monitoramento e manejo e elaboração de estratégias de manutenção.

Isso possibilita aos profissionais de educação e interpretação ambiental a


reconhecerem as características físicas e ambientais da trilha. Tal estudo visa ainda permitir
uma maior compreensão da importância dos recursos naturais existentes para o ser humano,
a fim de estimular os processos cognitivos de aprendizado aos visitantes e usuários de trilhas
interpretativas.

Neste sentido foi tomada como área de estudo a Trilha do Rio Grande (Figura 1),
localizada na vertente leste do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), a maior floresta
urbana inserida no município do Rio de Janeiro.

Próxima a entrada da trilha, estão os prédios administrativos da sede do PEPB,


banheiros e uma subestação de tratamento de água da CEDAE (Companhia Estadual de
Distribuição de Água e Esgoto). O local conta ainda com algumas áreas que fazem parte do
roteiro que complementam a visitação do Parque, ou seja, há também um centro de
visitantes, um espaço museográfico, um anfiteatro, um orquidário e um minhocário. A trilha
do Rio Grande é utilizada pelo Núcleo de Pesquisa e Educação Ambiental do PEPB para
atividades e visitas guiadas com alunos de escolas públicas e particulares, instituições de
ensino e visitantes em geral. Por este motivo, ela foi escolhida por apresentar potencial
atrativo, além de necessitar de projetos vinculados à interpretação e levantamento
(inventário) de impactos e à determinação da capacidade de carga.
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Figura 1 – Localização da Trilha do Rio Grande (PEPB-RJ)

100 m

Sede da administração

Trilha do Rio Grande


Rio Grande

Localização da Trilha do Rio Grande no PEPB

Trilha da
Figueira

Trilha da
Padaria
Rio da Figueira

Rio da Padaria

Trilha do
Quilombo

METODOLOGIA

A primeira metodologia aplicada na Trilha do Rio Grande (Parque Estadual da Pedra


Branca - PEPB) foi baseada na técnica do Índice de Atratividades em Pontos Interpretativos
(IAPI) desenvolvido por MAGRO & FREIXEDAS (IPEF, 1998). Foram tomadas as distâncias
dos pontos de atratividade e inventariados os recursos naturais e culturais, além da avaliação
de possíveis temas a serem aplicados para cada ponto, cujos pesos foram multiplicados pela
respectiva intensidade do atrativo.

Houve a necessidade de analisar os impactos ao longo da trilha. Para tanto foi


adotada uma segunda metodologia, considerando os impactos diretos causados pelo uso
recreativo, assim como os causados pelo próprio manejo da área, tomando como base o
método de Manejo do Impacto de Visitação (MIV ou VIM) de GRAEFE, KUSS & VASKE
(1990). O MIV/VIM permitiu apontar as medidas adequadas de manejo para o melhor
aproveitamento das atratividades detectadas e dos pontos interpretativos identificados no
IAPI.
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Índice de Atratividades em Pontos Interpretativos (IAPI)

O Índice de Atratividades em Pontos Interpretativos (IAPI) compara diferentes atrativos


dentro de um mesmo tema, agregando ao potencial interpretativo um valor qualitativo. O
grau de subjetividade presente nas avaliações é minorado, possibilitando, além do
ordenamento na seleção de indicadores, um mapeamento dos pontos com concentrações de
atratividade.

Este mapeamento permite uma melhor visualização da distribuição dos atrativos,


interferindo diretamente na elaboração de roteiros, conferindo mais eficiência na
programação do percurso e evitando os vazios que possam desestimular o visitante.

O IAPI compõe-se de cinco fases:

Fase 01: Levantamento de pontos potenciais para a interpretação: É um diagnóstico


geral dos atrativos naturais e culturais. É basicamente um exercício de observação, onde se
define que temas podem ser trabalhados. Determinado o tema de interesse, inicia-se a
seleção dos pontos que estarão no roteiro previsto. É recomendado identificar e numerar os
pontos com fitas coloridas que aceitem escritas e que possam ser retiradas posteriormente.

Fase 02: Levantamento e seleção de indicadores: É o levantamento dos recursos


naturais visíveis a partir dos pontos pré-selecionados. Caracterizam-se pela facilidade de
identificação em campo e sua repetição por um segundo observador (como filtro da
subjetividade das impressões).

A atratividade do local é percebida e, geralmente, relacionada a: corpos d’água,


variedade de vegetação, relevo, áreas históricas, entre outros. Pode ocorrer da atratividade
ser definida pela combinação de dois ou mais fatores, como por exemplo água e relevo
(JUBENVILLE, 1976 – in MAGRO & FREIXADAS, op. cit.) . Aspectos negativos, tais como:
presença de insetos, riscos para fauna e exposição ao perigo podem também ser
contabilizados para garantir a qualidade da visitação.

Estas fases foram sintetizadas no Quadro 1 abaixo.


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Quadro 1 - Relação de Indicadores para Avaliação da Atratividade de Pontos Interpretativos


da Trilha do Rio Grande – PEPB/RJ

INDICADOR CARACTERÍSTICA

Linha vertical e Predominância de elementos observados, dispostos em padrão vertical (troncos, brotações) ou
Horizontal horizontal (raízes tabulares, rochas).

Visualização do horizonte em relação à posição do olhar do observador


Posição
a) Em nível b) Inferior c) Superior

1º Plano: Os elementos melhor analisados encontram-se próximos ao observador, como interpretar


uma árvore cujo tronco esteja perto do visitante. A atenção é voltada para a percepção dos detalhes
(forma, cor, cheiro, características onde os sentidos são mais apurados).

Escala e distância 2º Plano: Média - Escala e distancias intermediárias, podendo-se o ambiente com menos detalhes que
no 1º plano. Ex.: Lagoas, mirantes, cachoeiras, etc.

3º Plano: Fundo – Predominam as vistas panorâmicas e espaços abertos. Não há detalhamento dos
recursos observados. Ex.: Mirantes, áreas montanhosas (relevo), árvores, etc.

Observações: Algumas informações adicionais podem ser anotadas, pois podem auxiliar no caso de dúvidas quanto à
escolha dos pontos, tais como: vegetação diferenciada, presença ou sinais de animais, locais e beleza única, etc. Da
mesma forma podem ser incluídos indicadores que avaliem o desconforto que o sitio possa ter, como por exemplo: odor
forte, ruídos contínuos, plantas urticantes, insetos, etc.
Fonte: Baseado em MAGRO & FREIXEDAS (op. cit.).

Fase 03: Elaboração de ficha de campo: Em uma ficha de campo relaciona-se a


ausência ou presença dos indicadores a serem avaliados em cada um dos pontos
selecionados. É importante haver uma ficha para cada área analisada contendo os
elementos considerados mais importantes.

Abaixo, encontra-se a ficha de campo (Quadro 2) utilizada na trilha do Rio Grande, a


exemplo da ficha de campo com indicadores de atratividade (MAGRO & FREIXEDAS, op.
cit.). A coluna de tema interpretativo é fundamental para que se possa agrupar os
indicadores semelhantes ou afins. Os números entre parênteses indicam o peso atribuído aos
indicadores selecionados, podendo variar para cada trilha.

É importante ressaltar que na ficha de campo da Trilha do Rio Grande, atrativos tais
como: epífitas, rochas, cursos d´água, etc., não foram listados, por serem presença
constante na trilha, embora possam agregar pontos à atratividade do local, estes foram
indicadores escolhidos, para determinar os níveis de impacto encontrados na trilha, na
metodologia do MIV/VIM. Corpos rochosos com valores interpretativos específicos, não
foram identificados nesta trilha.
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Fase 4: Uso da ficha de campo: Para utilizar a ficha de campo, usamos uma
graduação para facilitar a identificação dos recursos analisados no local (1 = presente; 2 =
grande quantidade; 3 = predominante). Embora subjetiva, podemos buscar uma
padronização através da análise de cada trilha, por duplas de apontadores, para que
analisem seus pontos do início ao fim criando consenso e evitando mudanças de critérios.
Na prática é uma segunda visita a trilha, onde de posse da listagem de atrativos dentro do
tema eleito, é que buscamos padronizar os critérios de avaliação dos indicadores escolhidos.
A intensidade anotada deve ser multiplicada pelo seu respectivo peso. Estes valores somados
permitem chegar à pontuação final dos sítios.

A atribuição de valor numérico para o indicador objetiva facilitar a contagem de


pontos para cada local analisado. Embora haja uma certa tendência de chamar este tipo de
contagem de “quantitativa”, consideramos a avaliação como “qualitativa”.

Segundo LITTON (1979, in MAGRO & FREIXADAS, op. cit.) avaliações quantitativas
da paisagem são freqüentemente denominadas de maneira errônea. Muitos elementos
visuais podem ser medidos e colocados em uma escala, mas as avaliações resultantes são
mais comparativas que quantitativas. O autor afirma que o uso de números arbitrários (ou
relativos) para representar critérios visuais/estéticos é bastante comum e útil. Neste
levantamento prévio, adequando-se a forma de condução do Núcleo de Pesquisa e
Educação Ambiental do PEPB, não foram eleitos temas para a comparação de atratividade,
mas comparou-se o nº de temas de cada ponto.
10

QUADRO 2 – FICHA DE CAMPO DO IAPI DA TRILHA DO RIO GRANDE - PEPB


Inventário geral: Atrativos naturais e culturais OBS: A escolha de “indicadores de atratividade” fundamenta-se na facilidade de sua identificação em campo e na possibilidade de
repetição desta avaliação por um segundo observador. (variedades de vegetação, proximidade de corpos d’água, relevo,áreas
UC: PEPB - RJ Trilha: Rio Grande históricas... combinadas ou não.).
Os pesos devem ser multiplicados pela intensidade do atrativo:
Equipe: Flávio. Vivian, Eloína (PEPB).
1= presente 2= grande quantidade 3= predominância
Posição Escala/Distância Espaço Disponível ∑ ∑ Tt OBSERVAÇÃO
* ∑ Tt; Somatório total dos atrativos
Dt Pto Peso do Indicador 1 1 1 2 1 3 1 2 3
no local:
(mts) Nº Atrativo Tema possível de ser aplicado Nív Inf Sp 1ºpl md fnd <10 <20 <30
Recanto do Sonhador: Vários: Biodiversidade, Ecologia, importância de Pto de encontro, concentração,
00
UCs, EA, ecoturismo.. descanso. Não há banheiro.
01 - Visão de morros em frente: relevo, extensão do parque 1 1 3 13 Têm que se posicionar
02 - Degradação 1 1 1 1 3 14
03 - Mata ciliar 2 2 2 3 17
04 - Vegetação exóticas 2 1 2 3 15 104
05 - Colonização em árvores e rochas 1 1 1 1 1 3 17
06 - Captação da água: Hidrologia, import, etc 2 1 1 3 14 Pode falar do recanto ou subir até os
07 - Ocupação humana – CEDAE 1 1 1 3 14 tanques.

18 08 Carrapateira colonizada: (Biodiversidade, Sucessão) 1 1 2 1 2 11


epífitas, liquens rosa ( sens. ao CO2)
09 - Samabaiaçu 1 1 2 07
10 - Visualização da Figueira quatrocentista 2 2 2 10
70
11 - Visualização do aqueduto 3 3 2 13
12 - Vegetação exótica 2 3 2 3 2 16
13 - Extratos arbóreos 2 2 3 13
27 14 Aqueduto História, Rec. Hídricos, ocup. da floresta... 3 3 2 13 13 Insolação de 10 >16hs
15 - Erosão 1 2 2 05
Vala de Drenagem
42 16 - Rios perenes 1 2 2 05 14
17 Vegetação exótica - Alt. Antrópica, ↓ Biodiversidade 2 2 3 2 2 04
56 18 1º parada com bancos - Visualização do aqueduto 2 3 3 11 Ponto sombreado para comentar P3 e
19 - Exóticas 2 3 3 14 P4
51
20 - Rampa (Manejo de visitantes) 2 2 3 13
21 - Serrapilheira 3 3 2 13
81 22 Placa Mata Atlântica Biodiversidade, 1 1 3 09
23 (Canaleta) - Rec. Hídricos, constr. humanas 2 2 3 15
56
24 - Biodiversidade 2 2 3 15
25 - microfauna nas canaletas, 2 3 3 17
11

Os pesos devem ser multiplicados pela intensidade do atrativo:


Equipe: Flávio. Vivian, Eloína (PEPB)
1= presente 2= grande quantidade 3= predominância
CONTINUAÇÃO Posição Escala/Distância Espaço Disponível ∑ ∑ Tt OBSERVAÇÃO
104 26 Vista de construções: - Urbanização de UCs, 2 2 2 08
16 Principal abordagem: ocupação de UCS
27 - impacto na Biodiversidade 2 2 2 08
115 28 Visualização de paineira e cipós: adap, tipos de troncos 2 2 2 10 10
119 29 Grupo de embaúbas (“ banana” da embaúba :parte ♀ ) 3 3 3 05 Preguiças: as vezes em figueiras (folhas
18
30 Preguiça: (♂com listra nas costas) 1 3 3 13 roídas) fezes/urina 1xsem

161 31 Jacatirão podre: decompositores, cupins, cadeia alimentar 1 1 3 08 08


169 32 Mudas: Guapuruvu: - Reflor. Artesanato indígena 1 1 1 04 04
171 33 Jequitibá branco - impacto da extração madeireira 1 1 1 04 04
Área com flora atrativa a borboletas a
174 34 Goiabeira - Exótica benéfica 1 1 1 04 04
borda da trilha
177 35 Ipê roxo - utilização nas cidades 1 1 1 04 04
190 Guapuruvu:
228 36 Poço de decantação : recep de água. Pré-filtragem 1 2 2 07
15
37 micro-ecossistema 2 2 2 08
239 38 Toca de Tatu 1 1 2 07 07
266 Descanso: banco
300 39 Samambaiaçú Xaxin, habito urbano X extinção 1 1 2 07 07
350 40 Represa da Figueira - Extratos arbóreos 3 3 3 21
41 - Biodiversidade 2 3 3 20
Área de descanso /picnic 71
42 - Recursos hidricos 2 2 3 13
43 - Intervenções humanas 2 3 3 17
375 44 Canal de drenagem Erosão 2 1 2 08
24
45 Leito da trilha Serrapilheira 2 2 3 15
550 46 Represa da Figueira - Extratos arbóreos 3 3 3 21
47 - Biodiversidade 2 3 3 20
Área de descanso /picnic 71
48 - Recursos hidricos 2 2 3 13
49 - Intervenções humanas 2 3 3 17
840 50 Travessia Rio Grande - Raízes tabulares 3 3 2 13
51 - Assoreamento 1 1 2 07 30
52 - Mata ciliar 3 3 2 10

Fonte: Baseado em MAGRO & FREIXEDAS (op. cit.).


12

Fase 5: Seleção final: Os pontos interpretativos com maior pontuação, são


selecionados de maneira definitiva, após uma checagem final em campo. O mesmo
procedimento pode ser utilizado para a escolha de locais de descanso (colocação de
bancos) ao longo da trilha.

As áreas com menor pontuação podem estar de acordo com impactos (erosão, queda
de árvores, sinalização danificada, etc.) que prejudiquem a qualidade da visitação e, por
consequência, a interpretação ambiental do local. Podem ser representadas por um gráfico
que mostre os valores finais dos pontos de interpretação selecionados em relação ao grau de
atratividade dos mesmos (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Valores finais para os pontos e de interpretação e paradas de descanso

Áreas não utilizadas


para interpretação

(Ptos)

Conclusões com o uso do IAPI: A eficiência do método para elaboração e


reordenamento interpretativo das trilhas apontam também um aspecto relevante, com a
definição de pontos onde se localiza a atratividade, o aumento do impacto físico pelo afluxo
e concentração de visitantes, que se não corretamente monitorado e manejado podem
descaracterizar e eventualmente destruir o atrativo.

As áreas de descontinuidades apontadas no Gráfico 1, entre os pontos 375 a 550 m


e 550 a 850 m, demonstram a não utilização de todo o potencial interpretativo da trilha
por parte do Núcleo de Pesquisa e Educação Ambiental do PEPB-RJ. Isto se deve à uma
adequação de roteiro utilizado pela equipe do Núcleo, onde após a ida ao centro de
13

visitantes, os alunos são apresentados a diferentes aspectos interpretativos, conforme


apontado no Quadro 02.

Por não haver uma seleção temática específica, para fins de visualização no gráfico,
foram somados os valores dos atrativos de cada ponto trabalhado, independente do tema.
Desta forma observamos que há 4 pontos com intensa utilização interpretativa (00, 350, 550
e 850 m), sendo que de 00 m até a marca de 375 m (pouco mais de 1/3 da trilha) é onde
efetivamente se desenvolve a interpretação.

Os espaços posteriores apontados entre os pontos 375, 550 e 850 são os momentos
reservados para lazer, observação não dirigida e compartilhamento de experiências.

A utilização do IAPI em todas as suas etapas, permitirá aos condutores a elaboração


de diferentes roteiros interpretativos e conseqüentemente proporcionará uma melhor
qualidade nas conduções dirigidas e a utilização mais intensa do patrimônio interpretativo da
trilha em toda a sua extensão. Isto também irá se refletir na diluição dos impactos da
visitação pela elevação do nº de pontos de parada e a alternância de ocupação de acordo
com o tema desenvolvido.

Manejo do Impacto de Visitação - Visitor Impact Management (MIV - VIM)

O Manejo do Impacto de Visitação (MIV/VIM) de GRAEFE, KUSS & VASKE (1990)


foca, principalmente, a capacidade de carga e o impacto do uso. Embora tenha surgido
após o LAC (Limite Aceitável de Cambio – STANKEY, COLE, LUCAS, PETERSEN E FRISSEL –
1985), é uma das metodologias mais utilizadas, mas que aceita os princípios da Capacidade
de Carga Turística (CIFUENTES, 1992). A diferença maior é que o MIV/VIM estabelece
mecanismos para promover o manejo da visitação como um processo dinâmico para
diagnóstico dos impactos da visitação, facilitando a tomada de decisões através da
identificação sistemática de problemas, causas e soluções potenciais.

A avaliação de capacidade de carga e impactos da visitação, através do MIV/VIM,


processa-se avaliando, de modo geral, 5 aspectos eletivos:

01- inter-relações dos impactos: Não existe apenas uma resposta previsível de
ambientes ou de indivíduos ao uso, mas uma série de indicadores de impacto inter-
relacionados, que podem ser identificados e usados como base para as estratégias de
manejo e manutenção.

02- Relações de uso/impacto: Os indicadores de impacto relacionam-se à


quantidade de uso que uma determinada área recebe; a extensão e a natureza desta relação
varia largamente para os diferentes tipos de impactos porém, para muitos deles, não há uma
relação direta com a densidade de visitantes. As relações entre o uso e impacto variam para
diferentes medidas de uso da visitação e são influenciadas por uma variedade de fatores.
14

03- Variação de tolerância ao impacto: Um dos fatores mais importantes na relação


uso/impacto é a variação inerente à tolerância entre ambientes e grupos de usuários.
Algumas espécies podem se beneficiar, enquanto outras não são nem deslocadas. O mesmo
pode ocorrer com grupos de visitantes, alguns podem apreciar alta densidade de uso
enquanto outros consideram tais níveis inaceitáveis.

04- Influências de atividades específicas: Determinadas atividades criam impactos


mais rapidamente ou em nível maior que outras. Os impactos também podem variar dentro
de uma dada atividade de acordo com o tipo de transporte ou equipamento utilizado e
características da visitação (impactos sociais), tais como: tamanho do grupo e
comportamento. Pode-se avaliar as características da visitação, principalmente, aplicando-
se questionário específico sobre o perfil e o que o visitante achou da visita à trilha e/ou a
Unidade de Conservação, de seus equipamentos (infra-estrutura), quais as suas experiências
positivas e negativas, etc.

05- Influências locais específicas: Os impactos da visitação são influenciados pela


variação de locais específicos e variáveis sazonais. Épocas chuvosas são mais propícias a
impactos naturais, mas que podem ser intensificados com o uso da visitação, assim como
épocas de seca podem intensificar os casos de queimadas e volume menor de água nos
córregos e rios.

Cabe ressaltar que, na presente pesquisa, os indicadores de atividades específicas no


que diz respeito aos visitantes (impactos sociais), não foram medidos, devido ao fato de
haver maior presença de grupos guiados e agendados de escolas e instituições de ensino, o
que iria mascarar os resultados a serem verificados comparativamente. Mas, esta etapa
pode ser realizada, posteriormente, pelo Núcleo de Pesquisa e Educação Ambiental do
PEPB-RJ com as visitas não guiadas que forem agendadas no futuro.

Portanto, para a aplicação do MIV - VIM (Quadro 3) são utilizados os seguintes


passos sistemáticos:
15

Quadro 3 – Passos Sistemáticos para Aplicação do MIV/VIM

1- Pré-avaliação e revisão de informações: Políticas, legais, registros da área.


Produto: Resumo da situação existente

2- Revisão dos Objetivos de Manejo: Compatibilidade com os marcos legais, e


direções políticas. Especificar objetivos da experiência da visitação e do manejo do recurso.
Produto: Conhecer os objetivos específicos da área.

3 -Seleção dos Indicadores de Impacto: Identificar variáveis sociais e ecológicas


mensuráveis. Selecionar para exame aquelas mais pertinentes para os objetivos de manejo da
área.

4- Determinação dos padrões para os Indicadores: Declaração dos objetivos de


manejo em termos de condições desejáveis para indicadores de impacto selecionados
Produto: Declarações quantitativas das condições desejadas (Ex: Até 30% de perda da vegetação em sítio
específico)

5- Comparação de padrões e condições existentes (Monitoramento): Avaliação


de campo dos indicadores de impactos sociais e ecológicos.
Produto: Determinação da consistência ou discrepância com os padrões selecionados

Situação Não aceitável

6- Identificação das causas prováveis do impacto: Examinar padrões de uso e outros


fatores potenciais que afetam a ocorrência e intensidade dos impactos inaceitáveis.
Produto: Descrição dos fatores causais para atenção no manejo

7- Comparação de padrões e condições existentes (determinação das estratégias de manejo): Examinar uma gama
completa de estratégias diretas e indiretas relacionadas com as causas prováveis dos impactos de visitação.
Produto: Matriz de estratégias diretas e indiretas relacionadas com as causas prováveis dos impactos da visitação

8- Implementação

Fonte: Adaptado de FREIXADAS-VIEIRA, V. M.; PASSOLD, A. J. & MAGRO, T. C. (2000).


16

Na escolha dos indicadores e verificadores na Trilha do Rio Grande, buscou-se


selecionar aqueles de fácil percepção e que proporcionassem a compreensão mais direta
das características físicas da trilha e suas relações com a visitação, flora e fauna.

O exercício do olhar dirigido através de planilhas (Quadro 4) constituiu-se também


em um instrumento de percepção, não só dos conteúdos interpretativos presentes, mas
também da realidade do uso e manejo da visitação refletidos nas alterações percebidas na
trilha.

Quadro 4 - Levantamentos da Trilha do Rio Grande Quanto ao MIV



Trilha DO RIO GRANDE
VIM 01

UC SEDE DO PEPB
Datas: Apontador: Objetivo:
Nov/Dez – 2004 Flávio e Vivian Diagnóstico Físico-Funcional
Jan/Fev – 2005
INDICADOR / verificador Número de vezes (100 m de distância) entre os pontos
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
LEITO DA TRILHA (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a
Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referencial
Parcela trilha

1(>) 3(>) 3 (>) < 0,8 mt ou > 1,3


alteração de largura 3(>) 1(<) 2 (<) 2 (>) 1(>) 01 a 03 30
1 (<) 2 (<) 1(<) mt

afundamento 1 1 1 2 01 a 03 25 > 0,05 mt

1 2
01 a 03 25 < 0,3 mt
erosão em sulcos 9m 11/6m

1 1 1 1 1 2
01 a 03 25 < 0,3 mt
erosão em canais 5m 10m 8m 9m 20m 40/9m

3
01 a 03 15 < 0,3 mt
erosão laminar 9/30/8m

canal de drenagem
4 1 2 4 2 2 1 1 01 a 03 15 < 0,3 mt
(água pluvial ou fluvial)

1 1 1 1 1 2 2 1 2
superfície descoberta (incidência solar) 01 a 05 20 < 5,0 mt
(5m) (5m) (8m) (3m) (6m) (12m) (20 m) (6m) (10m)
Obs: Entrada da trilha tem 4 metros de largura
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
BORDA (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a
Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referencial
Parcela trilha

perda de borda crítica 1 1 3 4 4 1 01 a 03 35 > 0,5 mt

desbarrancamento de encosta 1 1 2 3 1 1 01 a 03 15 > 0,5 mt

Sinalização 1 2 1 1 10 dano
Manutenção de
infraestrutura
Falta de
bancos 1 1 1 10
manutenção

atalhos 2 2 2 2 2 00 00 00

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
SOLO (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a
Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referêncial
Parcela trilha

compactação 11,7 15,8 13,5 11,5 14,8 13,3 11,5 14,3 9,8 1a3 20 > 15’

S = Sim ou N
solo exposto (sem litter) S S S N N S S S N 30 N = Não
= Não

22m
rochas aflorantes 11m 12m 26m 18m 20m 40m 42m 1 a 10 mt 20 < 10 mt
30m

raízes expostas 3,5m 25m 30m 7m 20m 80m 42m < 10 mt 20 < 10 mt

alagamentos 1 3 2 01 a 03 00 00

1e2
4 3 De 10 a 20% Inclinação do
aclives / declives acent. >20% e 15
10 a 20% 10 a 20% e >20% terreno
10 a 20%
17

Continuação quadro 4
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
VEGETAÇÃO (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a
Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referêncial
Parcela trilha

1-3 (causas
árvores caídas 1 1 1 15 1
naturais)

S = Sim ou N
espécies exóticas S S S S S S S S S 20 N = Não
= Não

S = Sim ou N
vegetação danificada na borda (mortas) N S S S S N N N N 20 N = Não
= Não

S = Sim ou N
incêndios N N N N N N N N N 00 N = Não
= Não

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
SANEAMENTO (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referêncial
Parcela trilha
inscrições (pichação rochas, árvores ou S = Sim ou N
S S 00 N = Não
sinalização) = Não

(Ocorrência
Lixo na trilha 01 a 03 15
visual)

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
RISCO (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a
Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referêncial
Parcela trilha

de escorregar 1 1 <2 10 00

cair de encosta 1 <1 00 00

S = Sim ou N
fatal 1 00 N = Não
= Não

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
FAUNA (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referêncial
Parcela trilha
S = Sim ou N
espécies domésticas 1 1 2 00 N = Não
= Não

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Parâmetros:
SOM (0 a (100 a (200 a (300 a (400 a (500 a (600 a (700 a (800 a (900 a
Ocorr. na % na
100m) 200m) 300m) 400m) 500m) 600m) 700m) 800m) 900m) 1000m) Referêncial
Parcela trilha

percepção de música 1 1 1a3 10 00

percepção de gritos de pessoas 1 1a3 10 00

Fonte: Baseado em FREIXADAS-VIEIRA, V. M.; PASSOLD, A. J. & MAGRO, T. C. (op. cit.).

O objetivo da planilha de campo acima (Quadro 4) foi diagnosticar as características


físicas e funcionais da trilha e seus respectivos impactos. Para escolher os indicadores, a
trilha foi percorrida (por cerca de 3 meses), ajustando-os e detalhando os seus verificadores,
procurando a avaliação mais precisa possível da realidade dos impactos ambientais locais.
A trilha possui 875 metros de extensão e foi dividida em 9 parcelas de 100 metros cada.
Cada indicador e verificador foi contabilizado em parâmetros de ocorrência, além do
percentual de representatividade na trilha e de seu referencial. Exemplo: presença de
espécies exóticas, onde o parâmetro de cada parcela é declarar se existe (SIM) ou se não
existe (NÃO); detalhar percentual máximo para a existência razoavelmente suportada na
trilha (no caso, 20%) e a recomendação que se deve ter, ou seja, considerar a não existência
como um padrão de referência ótima (NÃO). Por fim, foi elaborada a tabela (Quadro 5) de
percentual total do percurso e seus indicadores de impacto apresentados (percentual da
trilha), baseada no parâmetro de percentual mínimo e máximo e na determinação dos
pontos que excederam, através de uma escala de classificação (baixo, médio e alto impacto).
11
percepção de gritos de pessoas

00

10
SOM
18

22
00

10
percepção de música

FAUNA

33
espécies domésticas

00

00

11
00

00
fatal
RISCO

11
00

00
cair de encosta
Quadro 5 – Indicadores de Impactos e seus verificadores avaliados pelo MIV/VIM na Trilha do Rio Grande

22
de escorregar

00

10
SANEAMENTO

00
Lixo (visualização)

00

15

22
inscrições (pichação rochas, árvores ou sinalização)

00

00

00
00

00
incêndios
VEGETAÇÃO

44
05

20
vegetação danificada na borda (mortas)

100
espécies exóticas

05

20
05

15

33
árvores caídas
05

15

33
aclives / declives acent.
00

00

33
alagamentos
05

20

24
raízes expostas
SOLO

> 67 %
Alto

Fonte: Baseado em FREIXADAS-VIEIRA, V. M.; PASSOLD, A. J. & MAGRO, T. C. (op. cit.).


05

20

25
rochas aflorantes
15

30

67
solo exposto (sem litter)
10

20

33

compactação
00

00

67

atalhos

< 66 %
Médio
00

10

29

bancos
BORDA

Manutenção de infraestrutura
00

10

60

sinalização
00

15

67

desbarrancamento de encosta
05

25

67

perda de borda crítica


<33%
Baixo
7,5
10

20

superfície descoberta (incidência solar)


05

15

89

canal de drenagem (água pluvial ou fluvial)


00

05

11

erosão laminar
LEITO

05

25

67

erosão em canais
05

25

22

erosão em sulcos
05

25

44

afundamento
OBS: Nível de impacto:
10

30

89

alteração de largura
do Verificador

Impactos que
INDICADOR

Trilha do Rio

excederam
Pontos de
% MÁX
Presença

Indice de

Indice de
% MÍN
Impacto

Impacto

Grande
%
RESULTADOS

Verificou-se que os resultados alcançados pelas planilhas do IAPI e MIV/VIM foram


decisivos para uma análise confrontativa entre as áreas de menor atratividade e os
impactos ambientais de maior proporção (negativos).

Foi então gerado um gráfico dessa relação, onde procurou-se demonstrar, de


forma mais latente, os pontos de maior fragilidade dos principais indicadores (leito,
borda, solo e vegetação) e que devem ser atacados com um planejamento mais eficiente
do manejo da trilha, através de estratégias mais eficazes de manutenção e controle de
seus impactos.
Gráfico 2: MIV por Parcelas

110

100
90
80
70
Indicadores (%)

Leito
60
Borda
50 Solo
40 Vegetação

30

20
10
0
200-300m

400-500m
300-400m

500-600m

600-700m

800-900m
100-200m

700-800m
0-100m

1 2 3 4 5 6 7 8 9
Parcelas (Nº)

Nota-se que os impactos maiores na borda e no leito da trilha estão entre as


parcelas de 300 a 600 m de distância, o que denota uma preocupação que os gestores
do Parque devem ter nestes pontos da trilha do Rio Grande. Esse resultado está em
consonância com a falta de atratividades detectadas pelo gráfico do IAPI (gráfico 1), já
que a metade do leito e da borda da trilha está comprometida, há uma falta de
manutenção de seus impactos e por consequência, uma passagem mais rápida da equipe
do Núcleo de Educação Ambiental por esses locais para se “vencer os obstáculos
naturais” que a trilha impõe à visitação.

Por fim, as sugestões de estratégia de manejo apresentam-se na forma de uma


planilha final (Quadro 6), onde foram identificadas as causas prováveis dos impactos de
cada indicador e seus respectivos verificadores.
-20-

Quadro 6 - Sugestões Estratégicas de Manejo em Função dos Impactos


Detectados e Suas Causas Prováveis na Trilha do Rio Grande
Impacto Estratégia de
Indicador Verificador Causa Provável Manejo Potencial
Alto impacto:
O escoamento superficial e subsuperficial da Correção e nivelamento do leito da trilha;
Alteração de largura da trilha;
drenagem (chuva) ocorre por falta de canaletas e Melhoria da drenagem (criar canaletas para o escoamento da
LEITO Erosão em canais;
Canal de drenagem (pluvial ou
converge para o leito da trilha de forma difusa, água pluvial e fluvial);
provocando muita erosão. Correção da largura da trilha.
fluvial).
Alto impacto: Por ser uma trilha circular que acompanha a mata Fazer barreiras de contenção com pedras e toras de madeira
Perda de borda crítica; ciliar (afluentes do rio Grande), há constantes (aproveitando árvores caídas) e mudar traçado em locais com
BORDA Desbarrancamento de encosta; desmoronamentos de talude e tálus, provocando maior perda de borda crítica e desbarrancamento. Fechar
Atalhos. assoreamento da trilha e do rio mais abaixo. atalhos e reflorestá-los quando preciso.
Alto impacto:
Ao corrigir e nivelar o leito, usar serrapilheira (limpeza de
Solo exposto (sem serrapilheira). Consequência do fluxo superficial da drenagem que
áreas de infraestrutura do Parque) recobrindo a trilha, pois é
SOLO Médio impacto: leva o litter de dentro da trilha para a borda da
um regulador natural da água da chuva (infiltração) no solo,
Áreas de maior compactação, rochas mesma.
prevenindo a compactação do mesmo.
aflorantes e alagamentos.
Alto impacto: Reflorestamento de espécies nativas e poda das exóticas para
A presença da ação antrópica (moradores próximos
VEGETAÇÃO Espécies exóticas (bananais e
da trilha), introduzindo secularmente estas espécies.
manutenção de luz (sucessão arbórea) para as espécies
jaqueiras). reflorestadas.
Coibir e fiscalizar mais efetivamente as infrações e ter projetos
Baixo impacto:
A presença da ação antrópica (moradores próximos de manutenção da infraestrutura (com sinalização mais eficaz
SANEAMENTO Inscrições (pichações nas placas de
da trilha) e de visitação não guiada. contra furtos e pichações).
sinalização da trilha).
Educação Ambiental mais eficaz.
Há áreas de alta declividade (principalmente no
Baixo impacto: início da trilha) o que facilita escorregamentos e, em
Corrigir e/ou realizar mudanças no traçado da trilha.
Escorregar; certos trechos, a perda de borda crítica facilita o
RISCO Cair; estreitamento da trilha e o desbarrancamento
Implantação de corrimãos e degraus em locais declivosos e
pontes de madeira e pinguelas em córregos escorregadios.
Quedas Fatais. encosta abaixo, o que pode provocar quedas dos
visitantes que podem até ser fatais.
Médio impacto:
Fiscalizar a entrada de animais domésticos e realizar estudo de
Espécies domésticas (cachorros e A presença da ação antrópica (moradores próximos
FAUNA animais de tração como cavalos e da trilha).
novos caminhos (trilhas alternativas) a serem utilizados para
escoar a produção (bananas) dos moradores.
mulas)
Baixo impacto: A presença da ação antrópica (moradores próximos) Educação Ambiental mais eficaz, voltada aos moradores
SOM Som de música e pessoas gritando da trilha. próximos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As metodologias atualmente empregadas no diagnóstico das trilhas, tais como o


IAPI, MIV/VIM, LAC, Capacidade de Carga Turística, entre outras, são de suma
importância tanto para inventariar as atratividades e os aspectos físico-ambientais e
sociais, como avaliá-los frente aos impactos ambientais que estes locais possam
apresentar e que, de certa forma, podem estar prejudicando as potencialidades naturais
envolvidas.

Os resultados nos mostraram que, a partir do momento em que temos estas


informações, um manejo mais efetivo (correção de áreas erodidas, implantações de
corrimões, degraus, áreas de descanso e reflorestamento, etc.) irá promover a correção
dos impactos e atender uma eficaz visitação não comprometendo o patrimônio
interpretativo e recreativo da trilha. Ao mesmo tempo, cabe ressaltar que deve haver uma
constante monitoria das atividades praticadas nas áreas protegidas, além de outras
modificações nos níveis de impactos dos atrativos identificados, que devem estar em
consonância com o Plano de Manejo da Unidade de Conservação, quando este
efetivamente existir.

Simpósio Nacional sobre Geografia, Percepção e Cognição do Meio Ambiente


|Londrina 2005|
-21-

BIBLIOGRAFIA CITADA

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MAGRO, T. C. & FREIXÊDAS, V. M. Trilhas: Como Facilitar a Seleção de Pontos


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Simpósio Nacional sobre Geografia, Percepção e Cognição do Meio Ambiente


|Londrina 2005|

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