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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

 Estrutura e função das proteínas.


 Classificação das proteínas.
Disciplina: BIOQUÍMICA  Níveis estruturais.
 Desnaturação protéica.
 Proteínas contráteis: estrutura e função.
Aula 4 – Proteínas  Hemoglobina: estrutura e função.
 Mecanismo cooperativo de ligação do oxigênio.
 Conexões bioquímicas e correlações clínicas.
Prof. Dr. ÍGOR PRADO DE BARROS LIMA

Campina Grande, 2018

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
PROTEÍNAS E SUAS FUNÇÕES BIOLÓGICAS PROTEÍNAS E SUAS FUNÇÕES BIOLÓGICAS

ENZIMAS PROTEÍNAS CONTRÁTEIS OU DE MOTILIDADE


 Grupo de proteínas mais variado e especializado.
 Capacidade de contraírem-se, mudarem de forma, ou se deslocarem.
 Atividade catalítica.
 Actina e Miosina – sistema contrátil do músculo esquelético.
 Não consumidas durante a reação que catalisam.
 Tubulina – presente nos microtúbulos dos cílios e flagelos.
 Fornecem uma rota de reação alternativa,
energeticamente favorável.
PROTEÍNAS ESTRUTURAIS
PROTEÍNAS TRANSPORTADORAS
 Fornecem filamentos de suporte, lâminas para proteção ou resistência a
 Ligam-se a íons ou moléculas específicas os quais são transportados de um estruturas biológicas.
órgão para outro.  Colágeno – componente de cartilagens e tendões.
 Hemoglobina nos eritrócitos, lipoproteínas no plasma.  Queratina – cabelo e unhas.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
PROTEÍNAS E SUAS FUNÇÕES BIOLÓGICAS  RELAÇÃO ESTRUTURA–FUNÇÃO DAS PROTEÍNAS
 Proteínas biologicamente ativas
PROTEÍNAS DE DEFESA
são polímeros que consistem de
aminoácidos ligados por ligações
 Imunoglobulinas e anticorpos – sintetizada pelos linfócitos para peptídicas covalentes.
reconhecer, precipitar ou neutralizar invasores.
 Fibrinogênio e trombina – coagulação sanguínea, previne perda de  Apesar da complexidade de suas
sangue. funções, as proteínas são repetições
de 20 unidades básicas, os AA.
Pentapeptídeo –
serilgliciltirosinilalanileucina
PROTEÍNAS REGULADORAS (Ser-Gly-Tyr-Ala-Leu)
A função de uma proteína depende de
 Hormônios – regulam a atividade fisiológica. sua sequência de aminoácidos e de Essas interações moleculares
 Insulina – metabolismo dos açúcares. interações com outras moléculas. são de extrema importância
para a função protéica.

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PROTEÍNAS PROTEÍNAS
CLASSIFICAÇÃO DAS PROTEÍNAS CLASSIFICAÇÃO DAS PROTEÍNAS

Quanto à composição: Quanto a forma:


 Proteínas simples: constituídas exclusivamente por aminoácidos,
e por hidrólise liberam apenas aminoácidos.  Proteínas fibrosas: propriedades mecânicas especiais, obtidas pela
 Proteínas conjugadas: constituídas por aminoácidos mais outro combinação de aminoácidos em elementos regulares de estrutura
secundária. ex. colágeno e elastina como componentes da pele, da
componente não-peptídico. ex. glicoproteínas, lipoproteínas,
parede dos vasos sanguíneos e da córnea.
ribonucleoproteínas.

 Proteínas globulares: resultado de interações complexas entre elementos


Quanto ao nº de cadeias polipeptídicas:
estruturais secundários, terciários e, às vezes, quaternário.
 Proteínas monoméricas: formadas apenas por uma cadeia polipeptídica.
ex. hemoglobina (transporte de oxigênio dos pulmões até os capilares
 Proteínas oligoméricas: formadas por mais de uma cadeia polipeptídica. dos tecidos) e mioglobina (reservatório e carreador de oxigênio dentro da
Proteínas mais complexas. célula muscular).

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
 Muitas conformações - possíveis para uma molécula grande como Estrutura primária Ordem na qual os aminoácidos estão ligados.
proteína.
Leu–Gly–Thr–Val–Arg–Asp–His
≠ Val–His–Asp–Leu–Gly–Arg–Thr

QUATRO NÍVEIS DE ESTRUTURA DAS PROTEÍNAS


 Estrutura primária diferente - mesmo com os mesmos números e
tipos de aminoácidos.
Estrutura primária Estrutura secundária

 A sequência de AA (estrutura primária) de uma proteína determina


Estrutura terciária Estrutura quaternária
como ela se dobra em sua estrutura tridimensional, e isso, por sua
vez, determina a função da proteína.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Estrutura primária Leu–Gly–Thr–Val–Arg–Asp–His Estrutura primária

A sequência de AMINOÁCIDOS é totalmente fixa  Importância da estrutura primária na compreensão de doenças


ou invariável para uma determinada proteína ? genéticas – proteínas com sequências anormais de AA, em regiões
cruciais, podem levar à perda ou ao prejuízo da função normal.
 Existe uma flexibilidade.

 Estima-se que 20 a 30% das proteínas humanas sejam polimórficas, Anemia falciforme
possuindo variações nas sequências de AA. troca de um resíduo de aminoácido na
sequência da estrutura primária.
 Muitas dessas variações na sequência têm pouco ou nenhum efeito na
função da proteína.  As hemácias não são capazes de ligar oxigênio de
modo eficiente, assumem uma conformação
 A maior parte das proteínas tem regiões cruciais que são essenciais falciforme característica.
para suas funções e cuja sequência deve ser conservada.  Hemácias presas na circulação sanguínea.

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PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Arranjo do esqueleto da cadeia polipeptídica Estrutura secundária
Estrutura secundária
no espaço, mantido por pontes de hidrogênio.
-hélice
• É a mais comum.

 α-Hélice. • Similar a um bastão e envolve apenas


• Estruturas periódicas estáveis, onde uma cadeia polipeptídica.
 Folha β pregueada. seus elementos característicos • Estrutura helicoidal. Esqueleto
repetem-se em intervalos regulares. polipeptídico central em espiral e bem
 Volta β. compacto com cadeias laterais dos AA
estendendo-se para fora do eixo central.
• Estabilizada por uma ampla formação As pontes de hidrogênio são
de pontes de hidrogênio entre os individualmente fracas, mas
átomos de oxigênio das carbonilas e os coletivamente servem para
hidrogênios das amidas. estabilizar a hélice.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Estrutura secundária Estrutura secundária

Folha β pregueada
-hélice
• Pode gerar um arranjo bidimensional e
• Um grupo variado de proteínas contém hélices α. envolver duas ou mais cadeias polipeptídicas.
• O esqueleto da cadeia polipeptídica está
• Queratina – exemplo de uma família de proteína fibrosa cuja estrutura estendido em forma de zigue-zague, em vez
é quase totalmente constituída de hélices α. Sua rigidez é determinada de em estrutura helicoidal.
pelo numero de ligações dissulfeto entre as cadeias polipeptídicas • O arranjo de vários segmentos lado a lado é
chamado folha β, com aparência pregueada
constituintes.
(zigue-zague).
• Folha β também pode ser formada por uma
• Mioglobina – aproximadamente 80% de hélices α, sendo uma única cadeia polipeptídica, dobrando-se sobre
molécula globular flexível. si mesma.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Estrutura secundária Estrutura secundária

Folha β pregueada Volta β

• Em proteínas globulares, que tem estrutura dobrada


compacta, alguns resíduos de AA estão em volta ou
alças onde a cadeia polipeptídica inverte sua direção.

Folha pregueada antiparalela Folha pregueada paralela • Esses são elementos conectores que ligam
estruturas sucessivas de hélices α e conformações β.

• As voltas β conectam as extremidades de dois


segmentos adjacentes de um folha β antiparalela.

Cadeias polipeptídicas Cadeias polipeptídicas


em direções opostas em uma mesma direção

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PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Estrutura terciária Arranjo tridimensional total de todos os Estrutura terciária • INTERAÇÕES QUE ESTABILIZAM
átomos de uma proteína. A ESTRUTURA TERCIÁRIA

• A estrutura primária de uma cadeia polipeptídica determina a sua estrutura (para que a proteína adote a estrutura
mais estável, com mais baixa energia).
terciária.

DOMÍNIOS PONTES DISSULFETO

• Unidades fundamentais com estrutura tridimensional em um polipeptídeo.  Ligação covalente formada pelos grupos
sulfidrila (–SH) de dois resíduos de cisteína
para produzir um resíduo de cistina.
• O centro de um domínio é formado a partir de combinações de elementos
estruturais supersecundários (motivos).
 Presentes em Imonoglobulinas – estabilizam
• Cada domínio apresenta características de uma proteína globular pequena
a estrutura das mesmas e evitam que elas se
e compacta, que é estruturalmente independente de outros domínios na desnaturem no meio extracelular.
cadeia polipeptídica.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Estrutura terciária • INTERAÇÕES QUE ESTABILIZAM Estrutura terciária • INTERAÇÕES QUE ESTABILIZAM
A ESTRUTURA TERCIÁRIA A ESTRUTURA TERCIÁRIA

PONTES DE HIDROGÊNIO
INTERAÇÕES HIDROFÓBICAS
 Cadeias laterais de AA contendo
hidrogênio ligado a oxigênio ou nitrogênio
podem formar pontes de hidrogênio com  Os AA com cadeias laterais hidrofóbicas
átomos ricos em elétrons, como oxigênio tendem a ficar localizados no interior da
da carbonila. molécula polipeptídica, onde se
associam com outros AA hidrofóbicos.
ATRAÇÃO ELETROSTÁTICA
 Grupos carregados negativamente na
cadeia lateral podem interagir com grupos
carregados positivamente.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Estrutura terciária Estrutura terciária DOBRAMENTO PROTÉICO

DOBRAMENTO PROTÉICO
Papel das CHAPERONAS no dobramento protéico

• As interações entre cadeias laterais dos AA determinam como uma • Grupo especializado de proteínas – regula o dobramento adequado de
cadeia polipeptídica longa se dobra para formar a intrincada muitas proteínas.
conformação tridimensional das proteínas funcionais. • AS CHAPERONAS PODEM:
 Manter a proteína desdobrada até que a sua síntese esteja terminada.
• No dobramento, as cadeias laterais dos aminoácidos são atraídas ou
repelidas de acordo com suas propriedades químicas.  Agir como catalisadoras, aumentando a velocidade dos estágios finais
no processo de dobramento.
• Proteína dobrada corretamente, com baixo estado energético.  Proteger regiões expostas, mais vulneráveis, para que não formem
dobramentos improdutivos.

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PROTEÍNAS PROTEÍNAS
Estrutura quaternária Arranjo das cadeias polipeptídicas.

 Arranjo de duas ou mais cadeias polipeptídicas, que podem ser


estruturalmente idênticas ou totalmente diferentes.

 As subunidades ligadas por interações não-covalentes.


• Pontes de hidrogênio.
• Ligações iônicas.
• Interações hidrofóbicas.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
OS DOIS TIPOS DE CONFORMAÇÃO OS DOIS TIPOS DE CONFORMAÇÃO
Estrutura Protéica PROTÉICA – FIBROSA E GLOBULAR
Estrutura Protéica PROTÉICA – FIBROSA E GLOBULAR

PROTEÍNAS FIBROSAS: PROTEÍNAS FIBROSAS:

• Cadeias polipeptídicas arranjadas em longos • Estruturas que garantem proteção aos vertebrados
filamentos ou folhas. são feitas de proteínas fibrosas.

• Em geral, são formadas por um único tipo de


• Todas as proteínas fibrosas são insolúveis em água,
estrutura secundária, e sua estrutura terciária é
propriedade conferida pela alta concentração de
relativamente simples.
resíduos de AA hidrofóbicos tanto no interior quanto
• Colágeno - com sua tripla hélice alongada, estrutura na superfície da proteína.
rígida, na qual cadeias polipeptídicas estão torcidas
uma em volta da outra, de forma semelhante a uma
corda de tripla hélice.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
OS DOIS TIPOS DE CONFORMAÇÃO
Estrutura Protéica PROTÉICA – FIBROSA E GLOBULAR
DESNATURAÇÃO PROTÉICA

PROTEÍNAS GLOBULARES: É a perda da estrutura Resulta no desdobramento e na


tridimensional suficiente para desorganização das estruturas
causar a perda da função. secundária, terciária e quaternária.
• Cadeias polipeptídicas dobradas em forma
esférica ou globular.
• Normalmente, contêm diversos tipos de  Não ocorre hidrólise das ligações peptídicas.
estruturas secundárias.
• O esqueleto dobra-se sobre si mesmo para  Normalmente, processo irreversível – uma vez desnaturadas, ficam
produzir um forma mais ou menos esférica. permanentemente alteradas.
• Incluem: enzimas, proteínas transportadoras,
proteínas motoras, proteínas reguladoras,
 Sob condições ideais, a proteína pode dobrar-se novamente em sua
imunoglobulinas.
estrutura original quando o desnaturante for removido.

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PROTEÍNAS PROTEÍNAS
DESNATURAÇÃO PROTÉICA DOBRAMENTO INADEQUADO DAS PROTEÍNAS

 Proteínas enoveladas de forma incorreta – normalmente degradadas dentro


Se a temperatura é aumentada lentamente, a
 Agentes desnaturantes: conformação da proteína em geral permanece da célula.
intacta até que, em uma faixa estreita de  Proteínas impróprias (citotóxicas) podem se acumular – doenças.
temperatura, ocorre uma perda abrupta da
 Calor. estrutura e da função.
 pH extremos. Doença de Alzheimer Proteínas normais, após um processo
químico anormal, adquirem uma
 Solventes orgânicos (como álcool ou acetona). conformação que leva a formação de
 Agitação mecânica. agregados neurotóxicos de
proteínas amilóides.
 Detergentes.
 Íons ou metais pesados.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
PROTEÍNAS CONTRÁTEIS – Estrutura e Função
PROTEÍNAS CONTRÁTEIS – Estrutura e Função

• A força contrátil do músculo é gerada pela interação de duas proteínas.


• Actina e Miosina.
• Juntas, compõem mais de 80% da massa protéica do músculo.

• As células musculares são


formadas por miofibrilas que são
formadas por unidade repetitivas,
sarcômeros. • Em um sarcômero, filamentos grossos e finos estão posicionados
paralelamente, com suas extremidades sobrepondo-se de modo parcial.

• Filamento grosso – agregado da proteína miosina.


• Filamento fino – agregado da proteína actina.

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
PROTEÍNAS CONTRÁTEIS – Estrutura e Função PROTEÍNAS CONTRÁTEIS – Estrutura e Função

• Mecanismo
molecular da
contração
muscular.

• O Ca2+ se liga a proteína troponina,


modificando o complexo troponina-
tropomiosina que desencadeia as
interações actina e miosina .

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PROTEÍNAS PROTEÍNAS
HEMOGLOBINA – Estrutura e Função HEMOGLOBINA – Estrutura e Função

• Estrutura quaternária da Hb e mudanças estruturais com a oxigenação e


• Encontrada exclusivamente nos eritrócitos. desoxigenção da Hb.

• Principal função – transporte de oxigênio dos pulmões


até os capilares dos tecidos.

• Hemoglobina (Hb) A – principal hemoglobina em


adultos, composta por 4 cadeias polipeptídicas, 2 alfa
e 2 beta, mantidas por ligações não-covalentes.

Estrutura T ou tensa da desoxiemoglobina Estrutura R ou relaxada da oxiemoglobina

PROTEÍNAS PROTEÍNAS
HEMOGLOBINA – Estrutura e Função HEMOGLOBINA –
Estrutura e Função
Mecanismo cooperativo de ligação do oxigênio

• A ligação cooperativa do oxigênio às quatro Ligando e liberando o oxigênio


subunidades da Hb significa:

• Que a ligação de uma molécula de oxigênio a


um dos grupos heme aumenta a afinidade pelo
oxigênio dos grupos heme restantes na mesma
molécula de Hb.

• A afinidade da Hb pelo último oxigênio ligado


é aproximadamente 300 vezes maior do que
pelo primeiro oxigênio.

•Esse efeito é denominado interação heme-heme.