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CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS (FMU)

DIREITO EMPRESARIAL

PATRICIA SALES SILVA

ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA


Responsabilidade Social e Empresa Sustentável

SÃO PAULO
2019
Resenha Crítica – Introdução do Livro Responsabilidade Social Empresarial e
Empresa Sustentável.
O Objetivo do livro é analisar a ética e a responsabilidade social das empresas,
reconhecendo que na atualidade é indispensável que os empresários se preocupem com os
impactos que suas empresas geram nas sociedades nas quais estão inseridas. É visando um
maior controle sobre esses impactos que as empresas se tornam cidadãs e realmente
contribuem para a construção de uma sociedade melhor e bem estruturada.
E é nesse contexto que os primeiros capítulos do livro se desenvolvem; discorrem
sobre quais são as principais teorias em relação a administração de empresas que já existiram
no mercado mundial, apontando pontos positivos e negativos de cada uma. Mas, anterior a
isso, é preciso dar um pouco de atenção ao que vem escrito na introdução, pois ela nos
apresenta a conceitos usados no decorrer do livro, que são suma importância para que se tenha
uma leitura e compreensão melhor. Alguns desses conceitos são:
a) Responsabilidade: o autor do livro explica que ​“responsabilidade de um
agente refere-se à obrigação de responder pelas consequências previsíveis das suas ações em
virtude de leis, contratos, normas de grupos sociais ou de convicção íntima” o​ u seja,
responsabilidade é quando alguém responde pela sua atividade enquanto ocupava um cargo
ou função.
b) Responsabilidade Social Corporativa (RSC): vem do inglês corporate social
responsibility – ​deve-se ter cuidado ao usar esse termo, pois ele se relaciona apenas a
empresas “corporate”. No livro, a expressão que será usada é Responsabilidade social
empresarial (RSE).
c) Corporate: empresa americanas correspondente às sociedades anônimas de
capital aberto e que tem o capital dividido em ações e só respondem por dívidas e obrigações
proporcionais ao capital que possuem.
Discutidos esses conceitos, o autor faz um breve resumo sobre o que abordará em cada
capítulo e passa para o restante do livro.
No primeiro capítulo do livro, o autor inicia o chamado “enfoque teórico” da sua obra.
Nele o autor disserta sobre as principais teorias existentes sobre o tema, como a teoria dos
acionistas, teoria das partes interessadas e a teoria contratualista.
O capítulo começa com uma síntese histórica; a discussão sobre responsabilidade
social da empresa começou a ganhar destaque significativo a partir da década de 1970,
quando grandes empresários como Henry Ford e Andrew Carnegie escreveram livros sobre o
tema. Esse último, foi autor do clássico “O evangelho da riqueza”, onde o milionário e
filantropo defende que as empresas devem promover o bem-estar coletivo, mas, diferente do
que rezava em seus livros, o empresário era conhecido por não ser amigável no tratamento
com seus funcionários e controlava diversos setores da economia de acordo com o que lhe
agrava e lhe dava mais lucro.
Após a síntese histórica, o autor inicia a discussão sobre as teorias, que são:
1. Teoria do Acionista:
Essa teoria ganhou vida através de artigos públicos pelo economista Milton Friedman,
a partir de 1962. O artigo, que foi publicado pela primeira vez no ​New York Times, d​ efende
que a responsabilidade social da empresa é gerar lucros dentro da lei, ou seja, desde que a
empresa esteja seguindo o que está na lei, remunerando corretamente os funcionários e
pagando corretamente os impostos, ela está cumprindo o seu papel social. A empresa não tem
o dever de aplicar seus lucros na sociedade, pois buscar melhorias no bem público é dever do
Estado. O autor ensina que:
“​Se a empresa está tendo lucro dentro da lei é porque está produzindo um bem ou
serviço socialmente importante e, com isso, ela pode remunerar os fatores de produção
(capital e trabalho), gerando renda para a sociedade e impostos para o governo que, este
sim, deve aplicá-los para resolver problemas sociais, uma vez que são indicados para isso.”.
Esse entendimento passou a ser conhecido como “abordagem dos acionistas
tockholder​)” pois era aplicado nas chamadas ​Corporations, ​empresas nas quais as pessoas
(s​
dos sócios e dos administradores são diferentes, e o patrimônio deles com o da empresa não se
confundem. Dessa forma, se algum dirigente ou acionista tivesse interesse em praticar
doações ou qualquer outro tipo de ação filantrópica, deveria fazê-lo com seu próprio dinheiro.
Friedman defende que os recursos corporativos devem ser usados em benefício da
própria empresa, ou seja, atividade filantrópicas patrocinados por empresas seria uma mal uso
do lucro empresarial.
Outro autor muito conhecido por defender essa teoria é Adam Smith, que em sua obra
a Riqueza das nações” d​ efende a mão invisível do mercado, a qual é a responsável por
“​
“controlar” o mercado. Segundo essa teoria, o bem estar coletivo não é algo que deve ser
imposto pelo Estado através de leis, e sim algo a ser atingido pela sociedade em “​infindáveis
ações individuais movidas pelo autointeresse”.
2. Teoria das Partes Interessadas:
Essa teoria tem como principais defensores os economistas Berle e Means, que diziam
que as empresas modernas atingem milhões de pessoas e o poder econômico acaba sendo
controlado por porcos. Dessa maneira, sustentar que a empresa gera interesses apenas em seus
dirigentes e sócios não é mais algo viável.
A teoria das partes interessadas (​stakeholder)​ veio para se contrapor à teoria dos
acionistas (​stockholder​) e divide as partes interessadas em dois grupos: a) os primários, que
são aqueles interessados cujos os quais as empresas são diretamente interligadas e sem eles
não sobreviveriam e b) os secundários, que são aqueles que são interesses da empresa ou são
interessados por ela, mas as empresas não dependem deles para sobreviver.
3. Teoria do Contrato Social:
A obra que é creditada pelo início do uso do Contratualismo na responsabilidade social
empresarial é a de Donaldson, escrita em 1982. O autor diz que a sua criação foi necessária
pois a teoria anterior não estava sendo colocada em prática, e era preciso um novo modelo de
gestão empresarial. A teoria contratualista tem precursores de longa data, mas sua aplicação à
Responsabilidade Social Empresarial é recente.
A ideia central dessa teoria apoia-se no fato de que os seres humanos, atuando
racionalmente, concordam com os termos de um contrato específico, conferindo-lhe
autoridade normativa. A concordância deriva do fato de que os termos acordados são
benéficos para todos desde que sejam cumpridos por todos. Logo, uma questão crucial deste
contrato é saber se os outros irão cumprir o trato. Daí a importância de haver um mecanismo
que garante o cumprimento do acordo, sendo esse um dos aspectos problemáticos da teoria.
No segundo capítulo do livro, o autor passa a discutir os modelos de gestão da
responsabilidade social empresarial, começando pelas quatro dimensões de Archie B. Carroll.
1. As quatros dimensões da responsabilidade social empresarial:
Carrol escreveu e publicou um artigo, no ano de 1979, no qual elaborou um modelo
conceitual que é, até hoje, utilizado como base para diversos programas e modelos de gestão
empresarial. Segundo ele ​“a responsabilidade social das empresas compreende as
expectativas econômicas, legais, éticas e discricionárias que a sociedade tem em relação às
organizações em dado período”.
A primeira responsabilidade social da empresa é de ser lucrativa, pois ela deve
produzir bens e serviços que a sociedade deseja e vendê-los com lucro. Todas as demais
responsabilidades da empresa dependem desta.
A segunda responsabilidade social da empresa são as responsabilidades legais​ ​
. A
empresa, no momento de sua constituição, deve possuir uma estrutura legal e seguir as regras
vigente na sociedade que está localizada.
A terceira responsabilidade social da empresa é a responsabilidade ética. Essa
responsabilidade vai além da segunda, pois a empresa não deve fazer apenas o que está na lei,
mas também aquilo que é ético e justo.
A quarta responsabilidade da empresa é a discricionária. Essas são as
responsabilidades que as empresas escolhem voluntariamente.
Entretanto, o uso de uma estrutura de pirâmide para representar o modelo de
responsabilidade social passava a impressão errada. Com essa representação, era sugerido que
havia uma hierarquia entre as responsabilidades, sendo a filantrópica no topo mais importante
do que econômica, na base.
2. Modelo dos três domínios da responsabilidade social.
O modelo dos três domínios da Responsabilidade Social Corporativa proposto por
Schwartz e Carroll é formado por três áreas de responsabilidade: econômica, legal e ética. De
grosso modo, o raciocínio é mesmo usado no modelo da pirâmide de Carroll – discutido
acima - porém, a responsabilidade discricionária é incorporada pelos domínios éticos e /ou
econômicos, pois os autores assumiram que, por diversas vezes, as atividades éticas e
filantrópica de confundem.
Nesse novo modelo a sobreposição ideal reside no centro do modelo, onde todas as
dimensões são preenchidas de maneira simultânea.
No modelo dos três domínios, o campo econômico, de acordo com Schwartz e Carroll,
compreende as atividades que se destinam a produzir impactos econômicos positivos, diretos
ou indiretos sobre a empresa, visando a maximização do lucro. O domínio legal aborda as
ações em conformidade com as expectativas de natureza legal, ou seja, obedecer à lei,
evitando litígios civis e antecipar-se à lei. A dimensão ética refere-se àquelas que são
esperadas do negócio pela população em geral e seus ​stakeholders.​
O autor inicia o terceiro capítulo apontando algumas teorias sobre a relação entre
responsabilidade social e ética. Ele diz que foram desenvolvidas quatro teorias para explicar
essa relação: ​“ (1) a responsabilidade social é ética no contexto empresarial; (2) a
responsabilidade social focaliza os impactos das atividades da empresa sobre a sociedade,
enquanto a norma concerne à conduta de seu pessoal interno; (3) não há conexão entre
responsabilidade empresarial e ética; (4) a responsabilidade social envolve várias
dimensões, sendo a ética uma delas”.
O autor continua, afirmando que a abordagem da pirâmide e a dos três domínios da
responsabilidade são exemplos que defendem a teoria número 4.
Já a proposta de Milton Friedman, a teoria dos acionistas, é adepta ao terceiro
posicionamento.
1. Ética e Moral:
As duas palavras sempre tiveram significados parecidos e, por diversas vezes, chegam
a ser confundidas. Essa confusão pode até ser entendida quando olhamos as suas origens, mas
nos tempos atuais devemos tomar muito cuidado e buscar distinguir as duas palavras.
O Autor ensina que:
“ O substantivo moral refere-se ao conjunto de normas e valores que orientam a
conduta humana, aceito pela sociedade ou por grupos sociais. O substantivo moralidade
indica um modo efetivo de conduta orientada pelas normas morais (...). Não raro as palavras
moral e moralidade são usadas como sinônimos. O adjetivo moral indica a característica de
uma conduta orientada por esses valores e normas, qualificando-a como boa, certa, correta
ou desejada. O substantivo ética indica o estudo a respeito da moral, por isso também é
conhecida como filosofia moral ou ciência moral.”.
Assim, o autor explica de maneira espetacular a diferença entre as duas terminologias.
Moral são as normas que regem aquela sociedade, fazendo com que todos ajam de acordo
com a moralidade. Já a ética é a ciência que estudo essa moral. Ou seja, a moral e a
moralidade são objeto de estudo da ética.
A ética, como qualquer outro ramo da ciência, possui suas ramificações, como por
exemplo da ética normativa e a mataética.
2. Moral e Direito:
Tanto a Moral quanto o Direito são segmentos que visam controlar a conduta humana
a partir de regras de conduta. A moral, por óbvio, são regras não positivadas e existem apenas
do plano dos costumes da sociedade, ou seja, não possuem nenhum poder coercitivo que
garantam a sua realização.
Já o Direito é positivado; todas as suas normas devem estar presentes do devido
código, e toda a população sabe da existência dessas normas. Assim, quando um cidadão não
cumpre o que a norma lhe impõe, o Estado usa de seu poder coercitivo para puni-lo.
Existem normas morais que ​“precedem as legais no tempo. São consideradas tão
​ as também existem normas do
importantes pela sociedade que acabam tornando-se leis”, m
Direito que não podem ser consideradas morais, como por exemplo, leis que permitem que
deputados aumentem seus salários de forma exorbitante.
3. Códigos de Ética:
Os códigos de ética são criados em diversas categorias profissionais, e visam regular
os valores morais que devem ser seguidos por esses profissionais. Através deles, os órgãos
federais de cada profissão possuem legitimidade para restringir a liberdade de atuação desses
profissionais.
4. Ética Empresarial:
Uma das modalidades da ética é a ética empresarial. Difere-se da ética normativa pois
esta visa a regulação de conduta da sociedade como um todo. Já a ética empresarial, principal
assunto desse livro, cuida das relações morais no âmbito das empresas.
Como dito pelo autor, essa ética trata de diversos assuntos, e para dinamizar o estudo
ele o divide em três:
“Os sistêmicos são relativos aos sistemas econômicos, políticos, jurídicos e outros nos
quais os negócios atuam. São questionamentos sobre a moralidade do capitalismo, das leis
que afetam as empresas (...). Enquanto os assuntos sistêmicos valem para todas as empresas
de um modo geral ou de um dado país ou região, os assuntos empresariais envolvem questões
éticas a respeito de empresas específicas (...). Os assuntos individuais são os relacionados às
pessoas dentro da empresa, envolvendo questões morais decorrentes de suas decisões e
ações, bem como de seu caráter.”.
O autor termina o capítulo deixando uma reflexão importante: ​“Os padrões morais
aplicam-se a elas (empresas) ou apenas aos indivíduos que nelas atuam?”

Concluímos, então, que a responsabilidade social é um tema que tem tido relevante
crescimento, reconhecendo que na atualidade é indispensável que os empresários se
preocupem com os impactos que suas empresas geram nas sociedades nas quais estão
inseridas. É visando um maior controle sobre esses impactos que as empresas se tornam
cidadãs e realmente contribuem para a construção de uma sociedade melhor e bem
estruturada. A responsabilidade social é um dos requisitos formadores do tripé da sociedade.
E é nesse contexto que o livro em análise se desenvolve: tem como objetivo dissertar
sobre a sustentabilidade uma empresa, que devem ser estruturados e bem planejados para que
estejam de acordo com a boa-fé e com os princípios pregados pela sociedade, estando,
consequentemente, de acordo com aquilo ditado em lei.
E esse planejamento estratégico das empresas devem ser feitos amparados no Direito,
que, segundo o autor, possui princípios explícitos e implícitos. Implícitos são aqueles que são
desconhecidos por quem planeja e explícitos são aqueles que estão expostos ao conhecimento
de todos. Esses princípios são estabelecidos para garantir a cidade e responsabilidade social
das pessoas jurídicas e organizações empresariais.