Você está na página 1de 128

SA N DRO GI L BERT M A RT I N S

PR ÁTICA CI V IL

www.iesde.com.br

PR ÁTICA CI V IL PR ÁTICA CI V IL

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Sandro Gilbert Martins

Prática Civil

4.ª edição

IESDE Brasil S.A.


Curitiba
2011
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
© 2008-2011 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do
detentor dos direitos autorais.

M386 Martins, Sandro Gilbert. / Prática Civil. / Sandro Gilbert Martins.


/ 4. ed. – Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2011.
124 p.

ISBN: 978-85-387-2129-1

1. Processo Civil. 2. Direito. I. Título.

CDD 341.46

Atualizado até abril de 2011.

Todos os direitos reservados.


IESDE Brasil S.A.
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482
CEP: 80730-200 – Batel – Curitiba – PR
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
04/11

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
SUMÁRIO

Prática civil – Aula I


9 Processo
11 Processo de conhecimento
12 Petição inicial
16 Modelo de petição inicial
(processo de conhecimento)
19 Modelo de petição inicial
de ação de alimentos

Prática civil – Aula II


23 Respostas do réu
26 Modelo de contestação

Prática civil – Aula III


31 Exceções de incompetência,
impedimento e suspeição
33 Modelo de exceção de incompetência
35 Modelo de reconvenção

Prática civil – Aula IV


39 Recursos
40 Apelação
42 Modelo de petição de recurso de apelação

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
SUMÁRIO

Prática civil – Aula V


47 Agravo (em primeiro grau)
47 Agravo retido
48 Agravo de instrumento
51 Modelo de petição de agravo de instrumento
54 Petição do artigo 526 do
Código de Processo Civil

Prática civil – Aula VI


57 Ação de execução
58 Ação monitória
60 Modelo de requerimento de cumprimento
de sentença
62 Modelo de petição inicial de
ação de execução fundada em título judicial
64 Modelo de petição inicial de ação de
execução fundada em título extrajudicial
66 Modelo de petição inicial de ação monitória

Prática civil – Aula VII


69 Embargos à execução
70 Impugnação ao cumprimento de sentença
71 Ação cautelar
73 Modelo de petição inicial de embargos à
execução

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
SUMÁRIO

76 Modelo de impugnação ao cumprimento de


sentença
78 Modelo de petição inicial de ação cautelar

Prática civil – Aula VIII


83 Ação possessória
84 Embargos de terceiro
87 Modelo de petição inicial de
ação possessória
89 Modelo de petição inicial de embargos de
terceiro

Prática civil – Aula IX


93 Mandado de segurança
95 Intervenção de terceiros
97 Modelo de petição inicial de mandado de
segurança
99 Modelo de denunciação da lide

Prática civil – Aula X


103 Ação de despejo
103 Ação de usucapião de terras particulares
105 Modelo de petição inicial de ação de despejo
107 Modelo de petição inicial de usucapião

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
SUMÁRIO

Prática civil – Aula XI


111 Dicas sobre a prova escrita

Prática civil – Aula XII


115 Resoluções de questões práticas

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula I

Sandro Gilbert Martins*

Processo

Classificação dos processos


O Código de Processo Civil (CPC) prevê e regula três tipos de processos: de
conhecimento (Livro I – arts. 10 a 565), de execução (Livro II – arts. 566 a 795) e cau-
telar (Livro III – arts. 796 a 889). Os procedimentos especiais de jurisdição contenciosa
e jurisdição voluntária (Livro IV – arts. 890 a 1.210) são, como o procedimento comum,
subespécies do processo de conhecimento.

Processo de conhecimento
É o instrumento pelo qual o Estado-juiz toma conhecimento da pretensão das
partes por intermédio da petição inicial e da resposta do réu e reconhece, mediante
a prolação de uma sentença de mérito (CPC, art. 269, I), qual das partes tem razão.
Subclassifica-se de acordo com a natureza do provimento pretendido pelo autor em:
■ processo meramente declaratório (visa apenas à declaração da existência ou
inexistência da relação jurídica, exemplo: declaração da incidência ou não inci-
dência de um tributo – sentença meramente declaratória);
■ processo condenatório (quando o autor busca a condenação do réu pela viola-
ção de um direito, exemplo: indenização por perdas e danos – sentença con-
denatória);
■ processo constitutivo (visa buscar um provimento jurisdicional que consti-
tua, modifique ou extinga uma relação ou situação jurídica material, exemplo:
renovatória de aluguel – sentença constitutiva).

Mestre e Doutorando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor dos cursos de Gradu-
ação e Pós-Graduação do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA). Advogado.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Processo de execução
Possui como fundamento um título executivo, judicial ou extrajudicial. A execu-
ção de títulos executivos judiciais, relacionados no artigo 475-N do CPC, tem como fim
fazer cumprir as sentenças proferidas no processo de conhecimento ou outras situações
a esta equiparadas. Já nos títulos extrajudiciais, a execução destina-se a satisfazer as
obrigações assumidas entre as partes, através de documentos públicos ou particulares
como: o cheque, a duplicata, a nota promissória, a letra de câmbio, os contratos de hipo-
teca, de penhor e outros relacionados no artigo 585 do CPC.

Processo cautelar
Esse processo tem como pressupostos básicos o fumus boni iuris e o periculum in
mora. Refere-se às medidas de caráter preventivo ou acautelatório que se fazem necessá-
rias antes ou no curso do processo principal, ficando dependentes deste. Sua finalidade
é assegurar a eficácia do processo principal. São exemplos de medidas cautelares: o
arresto, o sequestro, a busca e apreensão, a justificação, a posse em nome de nascituro,
a produção antecipada de provas (ad perpetuam rei memoriam) entre outros.

Toda medida cautelar não se reveste de caráter definitivo, é caracterizada pela


provisoriedade, portanto tem duração de um espaço temporal limitado.

Essas três espécies de processos se desenvolvem por meio de formalidades pro-


cessuais distintas, fixadas no CPC, e recebem a denominação de procedimentos, sendo
este o nosso próximo assunto.

Procedimentos
O processo é uma unidade como relação processual em busca da pretensão juris-
dicional. O procedimento é o rito, é a forma sequencial e organizada de fases pela qual
o processo se desenrola, pode assumir diversas feições ou modos de ser. Se o rito não
for especial será comum e, sendo comum, se não for sumário será ordinário. O critério
é, pois, de eliminação, segundo a previsão legal.

O rito é especial por apresentar alguma peculiaridade que exigiu do legislador


tratamento diferenciado. Por sua vez, o rito sumário apresenta-se mais concentrado,
permitindo uma solução em menor tempo.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
11

Processo de conhecimento

Fases processuais
De maneira didática, a doutrina identifica fases distintas no processo de conhe-
cimento desenvolvido em primeiro grau de jurisdição.

Fase postulatória

Dispõe o artigo 2.º do CPC que nenhum juiz prestará tutela jurisdicional senão
quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e formas legais. A fase postula-
tória tem início com o pedido que o autor faz ao Estado para que lhe preste tutela juris-
dicional na solução de um litígio ou demanda, por intermédio de uma petição inicial.
Recebida a petição inicial, o juiz manda citar o réu, a quem é dado o direito de responder
à pretensão do autor. A resposta do réu consiste em contestação, exceção e reconvenção.
A seguir, para completar o contraditório, a contestação do réu é encaminhada ao autor
para impugnação. Ainda, nessa fase, pode ocorrer o indeferimento da petição inicial, a
intervenção de terceiros e a revelia.

Fase de saneamento do processo

Nessa fase, o juiz de posse da pretensão do autor, do contraditório do réu e das


demais formalidades, faz exame da regularidade do processo, ordena diligências e supre
eventuais nulidades ou irregularidades.

Ao lado da atividade saneadora, dependendo dos resultados alcançados, abrem-se


possibilidades para o julgamento conforme o estado do processo. Assim, o magistrado
poderá tomar as seguintes decisões:

■■ decidir pela extinção do processo com ou sem julgamento do mérito, se ocor-


rer uma das hipóteses esculpidas nos artigos 267 e 269 do CPC;

■■ indeferir a petição inicial dentro das condições do artigo 295 do CPC;

■■ decidir de maneira antecipada à audiência: a procedência ou improcedência do


pedido do autor, e, se a demanda versar sobre direito disponível, promover a
conciliação das partes.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Fase instrutória ou probatória


É constituída da produção de provas e da audiência de instrução e julgamento.
Na audiência realizam-se os atos relacionados com a conciliação, com o depoimento de
perito, com o depoimento pessoal das partes, com a inquirição de testemunhas e deba-
tes e, se for o caso, a sentença.

Se o juiz proferir sentença na audiência, a fase probatória se incorpora à fase


decisória.

Fase decisória
Dá-se com a sentença depois de encerrada a instrução, ou antes, em determina-
dos casos, como aqueles mencionados na fase de saneamento.

A sentença é o ato culminante do processo. O juiz, ao prolatar a sentença, esgota


a jurisdição de primeira instância, cabendo à parte inconformada recorrer da decisão aos
tribunais em instância superior.

Petição inicial
A petição inicial é a peça inaugural do processo pela qual o autor provoca o
impulso da marcha processual. É a peça mais importante para o autor, pois nela o pro-
ponente, dentro dos requisitos legais, irá expor ao juiz os fatos e os fundamentos de seu
pedido de prestação da tutela jurisdicional do Estado.

É bom lembrar que a petição inicial determina o conteúdo e a extensão do pro-


cedimento, faz nascer, com o despacho do juiz, a relação jurídica processual, induz, com
a citação válida, a litispendência e determina, se não sobrevém restrição, o conteúdo e
a extensão da própria sentença, pois o juiz não poderá decidir além (ultra petita), aquém
(citra petita) ou fora (extra petita) do pedido. Nesse sentido, os artigos 128 e 460 do CPC
são bastante claros.

Se o juiz indefere a petição inicial, extingue o processo sem julgamento do


mérito, razão para que o autor possa apelar (CPC, art. 296). Se não apela, nada mais
pode fazer. O que pode ocorrer é a propositura da mesma demanda, para que haja nova
atitude do juiz.

Esboço da petição inicial – método e técnica de elaboração


Quem vai elaborar uma peça processual deve ficar atento ao método exigido por
lei, à técnica a ser empregada e os critérios a serem utilizados.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
13

O método nada mais é do que um roteiro que deverá ser seguido, para se alcançar,
com eficácia e segurança, um determinado objetivo. O método de peticionar é imposto
por lei, é o próprio artigo 282 do CPC. A lei determina quais as etapas ou requisitos a
serem seguidos.

A técnica é o modo de realizar, de forma lógica e segura, uma finalidade prática;


o método indica o que fazer e a técnica a ser utilizada.

O método a ser seguido é o mesmo para todas as peças processuais, porém a


técnica é individual; cada profissional do direito criará o seu estilo, seu modo de redi-
gir. Nesse sentido, podemos notar a importância da redação forense para o exercício da
advocacia.

O método está esculpido nos requisitos legais, ou seja: competência, qualifica-


ção das partes, fatos e fundamentos jurídicos (mérito), provas, pedidos, local, data e
assinatura.

Requisitos legais da petição inicial

Endereçamento e competência
O profissional do direito, ao elaborar qualquer peça processual, deverá, em pri-
meiro lugar, indicar o juízo ou tribunal competente para a propositura de seus objetivos.
Essa parte da peça denomina-se cabeçalho.

As referências às autoridades serão antecedidas pelo tratamento devido a cada


uma delas. Para exemplificar: no caso do delegado de polícia e do escrivão de cartó-
rio, antecipa-se pelo tratamento de ilustríssimo; juízes, desembargadores e ministros de
tribunais superiores, de excelentíssimo; tribunais, de egrégio; câmaras e turmas de cada
pretório, de colenda. A peça inicial ou o recurso de competência dos tribunais serão diri-
gidos aos seus respectivos presidentes.

A forma de endereçamento, geralmente, é feita com letras maiúsculas. É aconse-


lhável que o endereçamento seja escrito por extenso.

Qualificação das partes


A qualificação das partes, do autor e do réu, deve ser individualizada e completa
da melhor forma possível. Devem ser, portanto, anotados cuidadosamente, nomes, pre-
nomes, nacionalidade, estado civil, profissão, documentos pessoais com os respectivos
números (RG, CPF etc.), local de residência e domicílio (rua, número da residência,
bairro, cidade e CEP). Ao mencionar o advogado como procurador, deve ser feita men-

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

ção de que está ele devidamente constituído por procuração, indicar a Seção da OAB à
qual pertença, o número de sua inscrição e o endereço completo do escritório profissio-
nal no qual receberá intimações (CPC, art. 39).

Fatos e fundamentos jurídicos


Trata-se da causa de pedir. Será necessária a transcrição dos fatos descritos na
questão. Talvez não todos, mas aqueles vinculados à pretensão que deve ser tutelada nos
termos exigidos no exame. Os fundamentos não correspondem aos textos legais, mas,
sim, às consequências jurídicas que se atribuem aos fatos descritos.

Pedido e suas especificações


O pedido define qual a tutela buscada frente ao Estado-juiz (declaratória, con-
denatória, constitutiva etc.) e qual o bem da vida perseguido frente ao réu (certeza,
reparação etc.). O pedido delimita a atividade jurisdicional (CPC, art. 128).

O pedido poderá ser: certo e determinado, genérico, alternativo, sucessivo ou


cumulativo, conforme estabelece o CPC (arts. 286 a 294). Outros pedidos podem ainda
ser feitos, como o da tutela antecipada (art. 273) ou o da tutela específica (arts. 461 e
461-A).

Provas
Não é admitido o requerimento genérico de provas. É preciso que o autor espe-
cifique como pretende demonstrar os fatos alegados na inicial de modo que, expressa-
mente, requeira a prova documental, testemunhal, pericial, o depoimento pessoal do réu
sob pena de confesso entre outros. Em se tratando de rito sumário, a peça inaugural deverá,
caso seja do interesse do autor nesses tipos de prova, apresentar o rol de testemunhas e os quesitos
da perícia.

Citação
A propositura da ação somente produzirá efeitos após a citação válida (CPC,
art. 219). A citação é ato importante para a formação da relação processual, por isso
funciona como pressuposto processual de existência e validade. Uma vez citado, o réu
poderá responder ao feito. Não havendo contestação, o réu será revel (art. 319).

Valor da causa
O valor da causa deverá constar, obrigatoriamente, da petição inicial. É de fun-
damental importância para a determinação do procedimento a ser adotado, se ordinário

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
15

ou sumário, sendo referência, também, para fixação da base de incidência das custas
judiciais e dos honorários advocatícios a serem pagos pelo vencido. Sua falta enseja
determinação de emenda da inicial (CPC, art. 284), sob pena de indeferimento.

É importante saber o correto valor a ser dado à causa, cujo erro, falta de atenção
etc., pode levar o réu a impugnar o valor dado pelo autor (CPC, art. 261). Não havendo
impugnação, no prazo da contestação, presume-se aceito o valor atribuído à causa.

Assim, o critério de fixação do valor da causa pode ser legal ou estimativo. Legal
é aquele que se encontra descrito em lei (CPC, arts. 259 e 260) e o estimativo nos casos
não estabelecidos expressamente na lei, revertendo-se em valor fixado pelo autor.

Técnica da Petição Inicial, de Nelson Palaia, editora Saraiva.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de petição inicial


(processo de conhecimento)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de .
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Única da Comarca de
.
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível do
Foro Central (Regional) da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, Estado do
Paraná.
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Federal da Subse-
ção Judiciária da Cidade de , Seção Judiciária do Estado do
.
Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Jus-
tiça do Estado do .
Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º ,
inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e domiciliado na cidade de
, Estado do , na Rua ,
n.º , vem respeitosamente perante este Juízo, por meio de seu advoga-
do adiante assinado (procuração anexa), com escritório profissional na Av.
, n.º , na cidade de , Estado
do , onde recebe intimações para o foro em geral, propor

Ação de Indenização por Rito Sumário


com Pedido de Benefício da Assistência Judiciária Gratuita
com Pedido de Antecipação de Tutela
contra Empresa Xxxxx Ltda., pessoa jurídica de Direito Privado, inscrita no
CNPJ/MF sob n.º , com sede na cidade de , Estado
do , sito à Rua , n.º , na pessoa de
seu representante legal, o que faz pelas razões de fato e de direito que passa a expor.

Dos fatos
■■ Os fatos constam do texto da prova.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
17

■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.
■■ Procure identificar a estrutura aplicável ao caso e desenvolva os itens envolvidos
(Exemplo: sendo ação de indenização: ato – nexo – dano – culpa).
■■ Havendo situações específicas, abra um item para delas tratar. (Exemplo: justiça
gratuita, antecipação de tutela, tutela específica, tempestividade da demanda
etc.).

Dos pedidos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:


1) o deferimento do benefício da justiça gratuita, eximindo a autora do pagamento
das custas processuais relativas ao presente feito;

2) a concessão de provimento liminar, antes de citado o réu, para ;


3) a citação da empresa ré, na pessoa de seu representante legal, para, querendo,
*comparecer à audiência designada e, nela, apresentar contestação, sob pena de
revelia; (*sendo rito ordinário: no prazo legal de );
4) a procedência do pedido (CPC, arts. 289 ou 292), para:

a) declarar ;

b) condenar a ré ao pagamento do valor de , devidamente atuali-


zado e acrescido de juros de mora (na taxa legal de 0,5% ao mês até 9 de janeiro de
200 e na taxa de 1% a partir de 10 de janeiro de 200 ), desde a data do ilícito
(do vencimento, da citação);
5) a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a docu-
mental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal, cujo rol segue
abaixo; e a pericial, cujos quesitos seguem abaixo;
6) a condenação da ré ao pagamento das custas e honorários, estes a serem fixados
no importe de 20% sobre o valor da condenação (CPC, art. 20, §3.º).

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Rol de testemunhas:

1 – Beltrano de Tal, brasileiro, profissão, com endereço à Rua ,


n.º , na cidade de , Estado do ;

Quesitos para a perícia:


1 – XXXXX
2 – Requer seja possível apresentar quesitos complementares e indicar assistente
técnico posteriormente.

Dá-se à causa o valor de R$5.000,00 (cinco mil reais).

Termos em que
Pede deferimento.

Local (cidade), de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
19

Modelo de petição inicial de ação de alimentos

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível de Família


da Comarca de .
Fulana de Tal e Joseflana de Tal, brasileiras, menores impúberes, aquela porta-
dora do RG n.º e esta portadora do RG n.º
neste ato representadas por sua mãe, Sra. CICRANA DE TAL, brasileira, solteira,
profissão, portadora do RG n.º e inscrita no CPF/MF sob n.º
todas residentes e domiciliadas na cidade de ,
Estado do , na Rua , n.º ,
vêm respeitosamente perante este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado
(procuração anexa), com escritório profissional na Av. ,
n.º , na cidade de , Estado do , onde re-
cebe intimações para o foro em geral, propor

Ação de Alimentos
com Pedido de Liminar
contra Beltrano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG
n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º , residente
e domiciliado na cidade de , Estado do , na
Rua , n.º , o que faz pelas razões de fato e
de direito que passa a expor.

Dos fatos
■■ Os fatos constam do texto da prova. Basicamente, nesse caso, irá descrever a
relação de parentesco entre as partes (se a mãe e o pai foram casados ou apenas
viveram maritalmente; por quanto tempo estiveram juntos; quantos filhos tive-
ram pela união; qual a idade dos filhos; qual a situação financeira e social dos
envolvidos).
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.
■■ Procure identificar a estrutura aplicável ao caso e desenvolva os itens envolvidos
(aqui é caso de falar em possibilidade do réu e da necessidade dos filhos, nos
termos do art. 1.694 e seguintes do Código Civil. Confira, também, as normas
da Lei 5.478/68).
■■ Havendo situações específicas, abra um item para delas tratar. (Ex.: justiça gra-
tuita ou antecipação de tutela).

Dos pedidos
Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:
1) o deferimento do benefício da justiça gratuita, eximindo a autora do pagamento
das custas processuais relativas ao presente feito;
2) a concessão de provimento liminar, antes de citado o réu, para fixar os alimentos
provisórios na quantia de R$ ;
3) a citação do réu, para, querendo, apresentar contestação, sob pena de revelia;
4) a procedência do pedido para:
a) condenar o réu ao pagamento do valor de R$ , a título de ali-
mentos, considerando a sua possibilidade e a necessidade das autoras;
b) condenar o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios;
5) a intimação do representante do Ministério Público;
6) a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a docu-
mental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal e a pericial.
Dá-se à causa o valor de R$ (doze vezes o valor de um mês de
alimentos).
Termos em que
Pede deferimento.
Local (cidade de p/ cidade de), de de 200 .
Nome do advogado
OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
21

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula II

Respostas do réu
Citado, pode o réu assumir diferentes atitudes: defender-se (contestação e exce-
ções rituais); contra-atacar (reconvenção e ação declaratória incidental); permanecer
inerte (revelia); ou, ainda, reconhecer a procedência do pedido contra ele formulado.

No procedimento ordinário, seja qual for a espécie de resposta (defesa ou contra-


-ataque), o prazo é sempre de 15 dias (CPC, art. 297) e começa a correr para o réu de
acordo com a regra do artigo 241 do Código de Processo Civil (CPC). Em caso de litiscon-
sórcio passivo com procuradores distintos, o prazo será em dobro, nos termos do artigo
191 do CPC. No caso de o réu ser a Fazenda Pública ou o Ministério Público, o prazo
será em quádruplo, nos termos do artigo 188 do CPC. No caso de assistência judiciária
gratuita, o prazo é em dobro, nos termos do artigo 5.º, parágrafo 5.º, da Lei 1.060/50.

Em caso de rito sumário, a resposta do réu deverá ser apresentada na audiência


designada.

Contestação
É a peça processual à disposição do réu que queira resistir à pretensão (pedido)
do autor. Seu conteúdo poderá apresentar matéria de ordem processual (CPC, art. 301)
ou de mérito (direta ou indireta). As defesas processuais são, por vezes, denominadas
como preliminares. A defesa de mérito direta é aquela pela qual o réu ataca a causa
de pedir descrita na inicial (nega os fatos ou não nega os fatos, mas as consequências
jurídicas atribuídas aos fatos). Pela defesa de mérito indireta, o réu suscita fatos outros
(impeditivos, modificativos ou extintivos) a contrapor o direito do autor.

Nessa peça processual, o advogado deve demonstrar eficácia no emprego correto


do direito, do raciocínio lógico, criativo, indutivo e dedutivo, da habilidade no manejo
da técnica profissional e na exposição contraditória precisa e impugnativa de item por
item de todos os pontos da matéria de fato (mérito) indicados que constituem a causa
de pedir do autor, além de apresentar a defesa processual (preliminares). Enfim, o bom

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

profissional esgota toda a matéria de defesa, exaure na mais ampla e abrangente argu-
mentação jurídica fundada em dispositivos legais em favor de seu cliente e, por último,
deverá mostrar-se indignado com a pretensão do autor. Essa indignação é o ponto forte
de uma boa defesa, pois, assim agindo, incorporará a defesa do réu, como se sua fosse.

Esboço da contestação – método e técnica de elaboração


De modo geral, as advertências feitas para a elaboração da petição inicial aqui se
renovam. Mesmo assim, alguns aspectos merecem destaque.

Na contestação, a competência será sempre do juízo onde foi distribuída a


demanda, seja ele competente ou não, pois se o advogado do réu considerar o juiz
incompetente (absoluta ou relativamente), a arguição dar-se-á: da incompetência abso-
luta (art. 301, II) em preliminar, antes do mérito (defesa processual); se incompetência
relativa em peça apartada de exceção de incompetência.

Depois da identificação do número dos autos do processo, é preciso qualificar as


partes, tanto o réu contestante quanto o autor que propôs a ação, assim como identificar
que tipo de ação foi proposta.

A seguir, providencia-se um breve resumo da inicial, isto é, o relato resumido


das alegações, fundamentos e pedidos feitos pelo autor e que serão atacados pela defesa.
Deve o advogado do réu expor os argumentos da inicial na mesma ordem em que, a
seguir, irá atacá-los, técnica essa que facilitará, sobremaneira, a leitura e a assimilação
do texto pelo magistrado.

Depois é momento de tratar das defesas, inicialmente da defesa processual e, a


seguir, da defesa de mérito. Na primeira, combate-se a relação processual; na segunda,
a relação de direito material, a qual se relaciona diretamente com o objeto do con-
flito existente entre as partes. Chama-se preliminar um argumento que precede outro,
com o qual guarda conexão. No Direito Processual, preliminar é o argumento que visa
apontar os vícios processuais ou os fatos impeditivos do regular andamento da ação,
de modo a favorecer o réu, ensejando a não apreciação do mérito pelo julgador. Mas,
atenção, mesmo que a preliminar possa extinguir o processo sem julgamento do mérito,
o advogado deve argumentar o mérito, a fim de não correr riscos (princípio da eventu-
alidade).

No mérito, antes de qualquer coisa, é preciso observar se há ou não possibilidade


de alegar prescrição ou decadência. A seguir, apresenta-se a defesa que objetiva impug-
nar a própria pretensão do autor, negar a ocorrência ou a versão dos fatos alegados na
inicial, contrapor outros que lhes retiram a eficácia ou atacar o próprio pedido.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
25

O réu deve, ainda, especificar todos os meios de provas que pretende produzir
para refutar as pretensões do autor. Da mesma forma que na inicial, não cabe requeri-
mento genérico de provas. O réu deverá requerer, expressamente, a produção da prova
documental, testemunhal, pericial, o depoimento pessoal do autor sob pena de confesso
etc. Em se tratando de rito sumário, a peça de contestação deverá, caso seja do interesse do réu
esses tipos de prova, apresentar o rol de testemunhas e os quesitos da perícia.

Os requerimentos do réu deverão ser formulados e articulados de acordo com o


que foi exposto, argumentado e fundamentado tanto na defesa direta como na indireta,
acrescentando aqueles pedidos de praxe, como condenação ao pagamento de custas,
honorários de advogados etc.

Defesa no Processo Civil, de Cleanto Siqueira Guimarães, editora Del Rey.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de contestação

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de . (conforme fornecido
no texto da prova)

Autos n.º (indicado no texto da prova)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residen-
te e domiciliado na cidade de , Estado do , na
Rua , n.º , vem respeitosamente perante
este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com
escritório profissional na Av. , n.º ,
na cidade de , Estado do , onde recebe intimações
para o foro em geral, nos autos acima indicados de AÇÃO DE ,
promovida por Beltrano de tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG
n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º , residente
e domiciliado na cidade de , Estado , na Rua
, n.º , apresentar, nos termos do artigo
300 e seguintes do Código de Processo Civil, CONTESTAÇÃO, o que faz pelas
razões de fato e de direito que passa a expor.

Breve resumo da inicial


■■ Identificar, a partir dos dados constantes do texto da prova, a pretensão do autor,
com base em que defende sua pretensão e quais os pedidos feitos.
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Da tempestividade
■■ A contestação tem um prazo para ser apresentada, conforme o tipo de ação. De
regra, o exame exige que o candidato indique a data final do prazo, como forma
de demonstrar conhecer a matéria.
■■ Não esqueça, em caso de litisconsórcio, de verificar se o prazo não sofre alguma
alteração.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
27

Esclarece o contestante que a presente defesa é tempestiva.

O mandado de citação foi juntado aos autos em data de de


de 2005 (segunda/terça-feira etc.), iniciando o prazo para apresentar
a contestação no dia de de 2005 (terça/quarta-feira etc.).

Contando-se 15 (quinze) dias a partir da referida data, tem-se que o dies ad


quem para a apresentação da contestação é o dia de de 2005,
data em que foi feito o protocolo da presente contestação.

Portanto, resta demonstrada a tempestividade desta defesa.

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.
■■ Trate inicialmente da defesa de ordem processual na ordem do artigo 301 do
CPC.
■■ Em seguida, trate da defesa de mérito, começando sempre pela prescrição, quando
esta for aplicável.
■■ Procure atacar os pontos principais da pretensão do autor (exemplo: sendo ação
de indenização: negar o ato – negar o nexo – negar o dano – negar a culpa).
■■ Pode ser o caso de ao menos reconhecer em parte a pretensão, diante do princípio
da eventualidade (Exemplo: Sendo ação de alimentos: Não sou pai – ainda que
fosse não devo – se devo, devo menos do que foi pedido).
■■ Identifique se é possível arguir algo como litigância de má-fé (CPC, art. 17) ou,
em caso de cobrança ilegal, da aplicação do artigo 940 do Código Civil/2002.
Trate em tópico próprio.

Dos requerimentos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:


1) Defesa processual: reconheça a ilegitimidade de parte e, como tal, seja extinto
o feito sem resolução de mérito, nos termos do artigo 267, VI, do CPC;

2) Defesa de mérito: sejam os pedidos julgados improcedentes, pois


(resumir os argumentos de defesa);
3) o reconhecimento da conduta de litigante de má-fé do autor, nos termos do artigo
17 do CPC e, por conseguinte, seja ele condenado nas sanções estabelecidas no
artigo 18 do CPC;

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

4) a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a docu-


mental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal, cujo rol segue
abaixo; e a pericial, cujos quesitos seguem abaixo;
5) a condenação do autor ao pagamento das custas e honorários, estes a serem fixa-
dos por este Juízo.

Rol de testemunhas:

1 – Beltrano de Tal, brasileiro, profissão, com endereço à Rua ,


n.º , na cidade de , Estado do ;

Quesitos para a perícia:


1 – Requer seja possível apresentar quesitos complementares e indicar assistente
técnico posteriormente.

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula III

Exceções de incompetência, impedimento e suspeição


A par da contestação, pode o réu oferecer defesas processuais stricto sensu: exce-
ções de incompetência relativa (em razão do território ou do valor da causa), de impe-
dimento e de suspeição. Tais formas de defesa não têm a finalidade de extinguir o feito,
mas sim, de sanar a irregularidade constatada, por isso são chamadas defesas processuais
dilatórias.

Na verdade, apenas a exceção de incompetência é exclusiva do réu. As outras


duas podem ser manejadas por qualquer das partes.

Sua finalidade é impedir que a ação tramite perante juízo relativamente incom-
petente, ou que o processo seja dirigido por juiz impedido ou suspeito.

O prazo para o manejo das exceções é, em regra, de 15 dias a contar da ciência


do defeito (CPC, art. 305); e uma vez manejada, o processo fica suspenso até que seja
julgada a exceção (art. 306).

Todas elas exigem petição autônoma, na qual deverão ser articuladas as razões
que as fundamentam. As exceções serão autuadas em apenso aos autos principais.

A petição de exceção de incompetência deverá indicar o foro, ao qual se está


apontando como sendo o competente; enquanto a petição de impedimento ou de suspei-
ção deverá especificar o motivo da recusa, que deve ser um dos previstos na enumeração
taxativa contida nos artigos 134 e 135 do Código de Processo Civil (CPC). Poderá ser
instruída com documentos em que o excipiente fundar a alegação e conterá o rol de
testemunhas (CPC, art. 312).

Reconvenção
A reconvenção, ao lado da contestação e das exceções, é outra modalidade de
resposta do réu (CPC, art. 297), na qual consiste em um contra-ataque do réu ao autor.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Aliás, nessa demanda não pode figurar pessoa diversa das que já existem na ação princi-
pal. Tem, pois, a reconvenção, natureza de ação. Na reconvenção, o réu adquire o nome
de réu-reconvinte, e o autor de autor-reconvindo.

Ela somente é admitida em ação de rito ordinário ou de rito especial que passe,
depois da citação, a seguir rito ordinário, e exige que seu fundamento seja conexo com
a inicial ou com os fundamentos da defesa (contestação).

O réu pode reconvir e contestar. Se adotar ambas as respostas, exige-se que a


reconvenção seja apresentada, simultaneamente, com a contestação, mas em peças pro-
cessuais autônomas. A petição de reconvenção deve atender aos mesmos requisitos de
uma petição inicial enumerados nos artigos 282 e 283 do CPC.

Recebida a reconvenção, que não forma caderno apenso, o autor-reconvindo será


citado por meio de seu advogado, para, querendo, contestá-la no prazo de 15 dias (CPC,
art. 316). Não sendo contestada no prazo legal, será reputado revel.

Se rejeitada liminarmente, caberá recurso de agravo de instrumento. Processada


a reconvenção, deverá ser julgada mediante sentença junto com a ação principal (CPC,
art. 318).

Defesa no Processo Civil, de Cleanto Siqueira Guimarães, editora Del Rey.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
33

Modelo de exceção de incompetência

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de . (conforme fornecido
no texto da prova)

Autos n.º (indicado no texto da prova)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente
e domiciliado na cidade de , Estado do , na
Rua , n.º , vem respeitosamente peran-
te este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com
escritório profissional na Av. , n.º ,
na cidade de , Estado do , onde rece-
be intimações para o foro em geral, nos autos acima indicados de AÇÃO DE
, promovida por Beltrano de Tal, brasileiro, estado
civil, profissão, portador do RG n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º
, residente e domiciliado na cidade de , Estado
do , na Rua , n.º ,
arguir, nos termos do artigo 307 e seguintes do Código de Processo Civil, EXCE-
ÇÃO DE INCOMPETÊNCIA, o que faz pelas razões de fato e de direito que passa
a expor.

Dos fatos
■■ Faça um breve relato, a partir dos dados constantes do texto da prova, da preten-
são do autor exposta na inicial e destaque para qual Juízo ele distribuiu a ação
manejada.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Da tempestividade
■■ A exceção de incompetência tem um prazo para ser apresentada, conforme o tipo
de ação. De regra, o exame exige que o candidato indique a data final do prazo,
como forma de demonstrar conhecer a matéria.
■■ Esclarece o excipiente que a arguição é tempestiva.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

■■ O mandado de citação foi juntado aos autos em data de de


de 2007, (segunda/terça-feira etc.), iniciando o prazo para apresentar a contestação
no dia de de 2007 (terça/quarta-feira etc.).
■■ Contando-se 15 (quinze) dias a partir da referida data, tem-se que o dies ad quem
para a apresentação da exceção de incompetência é o dia de
de 2007, data em que foi feito o protocolo da presente exceção.
■■ Portanto, resta demonstrada a tempestividade desta arguição.

Do direito
■■ Discorra acerca das razões pelas quais está se defendendo a incompetência do
Juízo.
■■ Não se esqueça de mencionar os documentos, quando for o caso.
■■ É imprescindível que identifique qual o Juízo é o realmente competente para a
análise e julgamento do feito.

Dos requerimentos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:


1) seja recebida a exceção no efeito suspensivo (CPC, art. 265, III c/c art. 306) e
processada, ouvindo o excepto no prazo legal (art. 308);
2) seja reconhecida a incompetência do Juízo e, por consequência, sejam os autos re-
metidos ao Juízo apontado como competente, nos termos do artigo 311 do CPC;
3) a produção de prova documental e testemunhal, esta se for o caso (CPC, art.
309);
4) a condenação do autor ao pagamento das custas havidas na exceção.

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
35

Modelo de reconvenção

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de . (conforme fornecido
no texto da prova)
Autos n.º (indicado no texto da prova)
Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º
, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante
este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com
escritório profissional na Av. , n.º ,
na cidade de , Estado do , onde rece-
be intimações para o foro em geral, nos autos acima indicados de AÇÃO DE
, promovida por Beltrano de Tal, brasileiro, estado ci-
vil, profissão, portador do RG n.º , inscrito no CPF/MF sob
n.º , residente e domiciliado na cidade de ,
Estado do , na Rua ,
n.º , propor, nos termos do artigo 315 e seguintes do Código de Processo
Civil, RECONVENÇÃO, o que faz pelas razões de fato e de direito que passa a
expor.

Breve resumo da inicial


■■ Identificar, a partir dos dados constantes do texto da prova, a pretensão do autor,
com base em que defende sua pretensão e quais os pedidos feitos.
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Da tempestividade
■■ A reconvenção além do prazo para ser apresentada, deve, caso seja interesse do réu
contestar e reconvir, ser apresentada simultaneamente à defesa (CPC, art. 297).

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Assim, é preciso indicar a data final do prazo e, ainda, se está ou não sendo apre-
sentada em conjunto com a contestação.
■■ Esclarece o réu-reconvinte que a presente reconvenção é tempestiva.

■■ O mandado de citação foi juntado aos autos em data de de


de 2007 (segunda/terça-feira etc.), iniciando o prazo para apresentar a reconvenção
no dia de de 2007 (terça/quarta-feira etc.).
■■ Contando-se 15 (quinze) dias a partir da referida data, tem-se que o dies ad quem
para a apresentação da reconvenção é o dia de de 2007,
data em que foi feito o protocolo da presente reconvenção.
■■ Portanto, resta demonstrada a tempestividade desta ação.

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.
■■ Trate inicialmente da pretensão do réu-reconvinte demonstrando seu nexo com a
inicial ou com a defesa.
■■ Fundamente a pretensão com os fatos e fundamentos jurídicos pertinentes ao
caso.
■■ Não esqueça de mencionar os documentos que embasam sua pretensão.

Dos pedidos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:


1) seja recebida e processada a presente reconvenção, uma vez demonstrado o seu
nexo com a inicial ou com a defesa apresentada, nos termos do artigo 315 do
CPC;
2) seja concedida a tutela de urgência, nos termos do artigo 273 do CPC, para
;
3) seja citado o autor-reconvindo para, querendo, contestar o presente feito, sob pena
de revelia;

4) seja julgado procedente o pedido do réu-reconvinte para que ;


5) a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a docu-
mental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal e a pericial;

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
37

6) a condenação do autor-reconvindo ao pagamento das custas e honorários, estes a


serem fixados por este Juízo.

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula IV

Recursos
Recurso é o meio legal de provocar, dentro do mesmo processo, o esclarecimento,
a reforma ou a anulação da decisão recorrida.

Outros meios autônomos de impugnar decisões judiciais são a ação rescisória, a


ação anulatória e o mandado de segurança. Todavia, nestas, forma-se uma nova relação
processual, distinta daquela em que se originou a decisão atacada.

Questão paralela aos recursos é a remessa obrigatória ou reexame necessário


de certas sentenças que devem ser remetidas ao tribunal pelo próprio juiz para serem
confirmadas, não produzindo efeito antes disso (CPC, art. 475). Não se trata, pois, de
recurso, ainda que encontre inúmeros aspectos similares.

Requisitos de admissibilidade
Existem algumas condições de admissibilidade que necessitam estar presentes
para que o juízo ad quem possa proferir o julgamento do mérito do recurso. Agrupam-se
em intrínsecos e extrínsecos. Aqueles dizem respeito à decisão recorrida em si mesma con-
siderada. Estes respeitam aos fatores externos à decisão judicial que se pretende impug-
nar, sendo normalmente posteriores a ela.

Fazem parte dos intrínsecos: cabimento, legitimidade para recorrer e interesse


para recorrer; dos extrínsecos: tempestividade, regularidade formal e preparo.

Efeitos
Os recursos podem produzir variados efeitos. De regra, a doutrina aponta apenas
os dois principais efeitos: devolutivo (em extensão) e suspensivo. É possível identificar,
ainda, os seguintes efeitos: translativo (devolutivo em profundidade), expansivo, substi-
tutivo, interruptivo e ativo.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

■■ O efeito devolutivo, que sucede em todos os recursos, delimita o mérito do re-


curso, isto é, caracteriza-se pela matéria que corresponde à impugnação e que é
devolvida ao reexame pelo órgão ad quem.
■■ O efeito suspensivo implica em impedir que a decisão recorrida produza efeito até
que seja o recurso julgado.
■■ O efeito translativo ocorre quando o legislador autoriza que o órgão ad quem co-
nheça e julgue matéria diversa daquela objeto do recurso (CPC, art. 515, §§ 1.º,
2.º, 3.º e 4.º).
■■ O efeito expansivo ocorre quando o julgamento do recurso atinge outros atos do
processo além da decisão recorrida, ou outras pessoas, diversas do recorrente.
■■ O efeito substitutivo ocorre quando o recurso é conhecido e julgado em seu méri-
to, hipótese em que o acórdão substitui a decisão recorrida.
■■ O efeito ativo corresponde à tutela antecipada concedida em segundo grau (CPC,
art. 527, III).

Apelação
Cabe apelação contra sentença. Seja essa sentença proferida em processo de
conhecimento, execução, cautelar ou em procedimentos especiais, seja a sentença termi-
nativa ou definitiva. O importante, pois, é que a sentença apresente como conteúdo uma
das situações descritas nos artigos 267 e 269, ambos do Código de Processo Civil (CPC)
e, ainda, tenha posto fim à lide em tela em primeiro grau de jurisdição.

A apelação tem prazo de 15 dias para ser interposta. Exige-se a comprovação do


pagamento das custas relativas ao seu processamento no ato de sua interposição (pre-
paro). A título de regularidade formal, a lei (CPC, art. 514) exige que se apresente a qua-
lificação das partes, os fatos e os fundamentos de direito discutidos no processo (breve
resumo do processo), as razões recursais (o que está sendo impugnado da sentença e
porque está sendo impugnado) e o pedido recursal (reforma ou anulação da sentença).

A sentença de regra deverá ser recebida no efeito suspensivo e devolutivo (CPC,


art. 520, caput). Todavia, nas hipóteses dos incisos do mesmo artigo 520, a apelação
somente será recebida no efeito devolutivo.

Uma vez interposta a apelação, cabe ao juiz a quo fazer um juízo provisório de
admissibilidade. Caso negativo, cabe agravo de instrumento dessa decisão. Caso positivo,
deverá o juiz, ainda, esclarecer em que efeitos está recebendo a apelação, além de oportu-
nizar ao apelado que responda (em 15 dias) o recurso. Recebida apenas no efeito devolu-
tivo, admite seja a sentença provisoriamente executada. Permite a lei (CPC, art. 518, §2.º)

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
41

que o juiz reveja o juízo de admissibilidade depois da resposta do apelado. Ao responder,


pode o apelado, em caso de sucumbência recíproca em que não tenha ele apresentado
recurso independente, apresentar apelação adesiva, no mesmo prazo que dispõe para
contrarrazoar. O recurso adesivo fica subordinado ao recurso principal (CPC, art. 500).
Depois desse processamento, o recurso é enviado ao tribunal ad quem para análise.

No recurso de apelação não há juízo de retratação, exceto nas hipóteses previstas


no artigo 285-A, parágrafo 1.º, e no artigo 296, parágrafo único, ambos do CPC. A pri-
meira delas trata da sentença de improcedência por causas repetitivas, e a segunda do
indeferimento da petição inicial.

Ao interpor o recurso de apelação, o operador do direito deve elaborar duas peças


processuais distintas. A primeira, denominada de petição ou peça de rosto, é dirigida ao
juiz da causa que prolatou a sentença em primeiro grau; acompanhada da segunda, em
que constam as razões do recurso de apelação, que é endereçada ao tribunal competente.

A primeira peça, além da função de comunicar ao julgador de primeiro grau


da interposição da apelação, serve também para instalar o juízo de admissibilidade do
recurso. Na segunda peça, as razões do recurso, o apelante irá demonstrar seu incon-
formismo com a decisão prolatada na primeira instância, e deduzirá em fundamentos de
fato e de direito o seu pedido de nova decisão.

Comentários ao Código de Processo Civil, de José Carlos Barbosa Moreira, editora


Forense.

Apelação Cível: teoria geral e admissibilidade, de Flávio Cheim Jorge, editora


Revista dos Tribunais.

Teoria Geral dos Recursos, de Nelson Nery Junior, editora Revista dos Tribunais.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de petição de recurso de apelação

■■ Folha de rosto

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (da Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de . (conforme fornecido
no texto da prova)

Autos n.º (indicado no texto da prova)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e
domiciliado na cidade de , Estado do ,
na Rua , n.º , vem respeitosamen-
te perante este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração
fls.), com escritório profissional na Av. ,
n.º , na cidade de , Estado do , onde re-
cebe intimações para o foro em geral, nos autos acima indicados de AÇÃO DE
, promovida por Beltrano de Tal, brasileiro, estado ci-
vil, profissão, portador do RG n.º , inscrito no CPF/MF sob
n.º , residente e domiciliado na cidade de ,
Estado do , na Rua ,
n.º , inconformado, data venia, com a sentença de fls. , interpor, nos ter-
mos do artigo 513 e seguintes do CPC, RECURSO DE APELAÇÃO, o que faz pelas
razões que passa a expor.

Feito o respectivo preparo, conforme guia de recolhimento paga em anexo,


requer seja o presente recurso conhecido, recebido no efeito devolutivo e suspensivo,
e processado, sendo a seguir encaminhado ao tribunal ad quem para posterior pro-
vimento.

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
43

■■ Razões de recurso de apelação

Apelante: Fulano de Tal


Apelado: Beltrano de Tal
Autos n.º:
Vara de origem

Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do ,


Colenda Câmara Cível,
Ilustres Desembargadores.
Pelo apelante,

Entende o apelante, data venia, que a sentença proferida no caso em tela, ao ter julga-
do o pedido procedente (improcedente), não aplicou bem o direito à espécie.

Por conta disso, entende o apelante ser o caso de reforma da sentença, para que
, tudo como passa a se demonstrar.

Da tempestividade

Preliminarmente, esclarece o apelante que o presente recurso é tempestivo.

A v. sentença proferida foi publicada no Diário de Justiça do dia de


de 2007 (segunda/terça-feira etc.), iniciando o prazo para o recurso
de apelação no dia de de 2007 (segunda/terça-feira etc.).
(*Cuidado com os prazos em dobro!)

Contando-se 15 (quinze) dias para a interposição do recurso de apelação, tem-se que


o dies ad quem do prazo é o dia de de 2007 (segunda/terça-feira
etc.), data da interposição do presente recurso.

Portanto, resta demonstrada a tempestividade deste recurso.

Breve relato do processo


■■ Identificar, a partir dos dados constantes do texto da prova, os principais aspec-
tos do processo (pretensão do autor, defesa do réu, conclusão da sentença).
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato das razões recursais.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-


crito.

Do recurso
■■ Para cada item da sentença atacada, faça um tópico: começando pelas matérias
processuais e depois passando para as matérias de mérito.

Do pedido recursal
É com base nessas razões de fato e de direito que o apelante requer a Vossas Excelên-
cias seja conhecido e dado provimento ao presente recurso de apelação para reformar
a sentença atacada, para:

1) argumento processual: reconheça a e, como tal, seja


extinto o feito sem resolução de mérito, nos termos do artigo 267, , do CPC,
condenando-se o apelado ao pagamento de custas e honorários (invertendo-se os
ônus da sucumbência);
[...] seja invalidada a sentença, retornando-se os autos à origem para que
;
2) argumento de mérito: seja reformada a sentença para julgar o pedido procedente
(improcedente), e, como tal, seja condenado o apelado ao pagamento de custas e
honorários (invertendo-se os ônus da sucumbência).

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula V

Agravo (em primeiro grau)


No curso do procedimento processual em primeiro grau, o juiz toma determina-
das decisões para resolver questão incidente, sem que se coloque fim ao processo. Esse
ato judicial caracteriza-se como sendo decisão interlocutória (CPC, art. 162, §2.º).

A parte prejudicada com a decisão interlocutória poderá, com base nos artigos
522 e seguintes do Código de Processo Civil (CPC), impugná-la através de agravo retido
nos autos ou agravo de instrumento, no prazo de 10 dias. Esse prazo é preclusivo. O
agravo somente será de instrumento, nos termos do artigo 522, conforme redação que
lhe foi dada pela Lei 11.187/2005, quando se tratar de decisão suscetível de causar à
parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação
e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida.

O agravo cabe de toda e qualquer decisão interlocutória proferida no processo,


sem limitação de quantidade. Mas, se o ato judicial referir-se a despacho, sem conteúdo
decisório (CPC, art. 162, §3.º), é ele irrecorrível (art. 504).

Agravo retido
De regra, nos termos do artigo 522, conforme redação que lhe foi dada pela Lei
11.187/2005, o agravo será retido, ou seja, será interposto perante o próprio juízo em
que foi proferida a decisão agravada. Para não prejudicar a marcha do processo, ao invés
de se dirigir diretamente ao tribunal para provocar o julgamento da decisão interlocu-
tória, o recurso ficará retido no bojo dos autos, para que dele o tribunal conheça, preli-
minarmente, por ocasião do julgamento da apelação. Depois de processado (recebido e
respondido), se não houver a retratação do juiz, permanecerá ele nos autos, aguardando
que em sede de apelação (nas razões ou nas contrarrazões) seja renovado pelo agravante
o seu interesse no conhecimento e julgamento do recurso.

A finalidade específica do agravo retido, além de não prejudicar o andamento


normal do processo, é, na verdade, evitar que a matéria decidida pelo juiz tenha seu
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

prazo precluso, permitindo, assim, que tal decisão venha a ser ulteriormente levantada
perante o tribunal.

É o único recurso em que a lei (CPC, art. 523, §3.º) admite que sejam suas razões
apresentadas na forma oral. Assim, das decisões interlocutórias proferidas em audiência
de instrução e julgamento, o agravante deverá fazer constar do respectivo termo, expos-
tas, sucintamente, as razões que justifiquem o pedido de nova decisão.

Agravo de instrumento
O agravo de instrumento recebe esse nome porque sua interposição é feita por
instrumento próprio, formado por cópias das principais peças do processo em que foi
proferida a decisão agravada, em especial as que fundamentam a decisão agravada e as
necessárias à instrução do pleito, que será encaminhado juntamente com as razões do
inconformismo, diretamente ao tribunal para julgamento, sem que os autos principais
sejam remetidos e, com isso, possibilite o seguimento do processo no juízo da causa.

É interessante salientar que é dever e responsabilidade do agravante formar o


instrumento. Para tanto, deverá ficar atento para que não falte nenhuma das cópias
obrigatórias relacionadas no inciso I do artigo 525 do CPC, do comprovante de paga-
mento das custas e do porte de retorno, quando devidos, e, ainda, numerar todas as
cópias e documentos que acompanharão as razões do agravo, a fim de impossibilitar
que haja desvios.

Atualmente, o agravo deve ser interposto no prazo de 10 dias, contados da inti-


mação da decisão, através de petição escrita protocolada diretamente no tribunal, ou
postada no correio sob registro com aviso de recebimento, ou, ainda, interposta por
outra forma prevista na lei local (CPC, art. 524, caput, e art. 525, §2.º).

No tribunal, para que seja atendido o pressuposto da regularidade formal do


recurso, a petição do agravo de instrumento deverá ser formulada de acordo com os
requisitos e as exigências dos artigos 524 e 525 do CPC, ou seja:

■■ a exposição do fato e do direito;

■■ as razões do pedido de reforma da decisão;

■■ o nome e o endereço completo dos advogados constantes do processo;

■■ petição instruída obrigatoriamente com as cópias da decisão agravada, a certi-


dão da respectiva intimação e cópias das procurações outorgadas aos advoga-
dos do agravante e do agravado.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
49

Facultativamente:
■■ pagamento das custas judiciais e do porte de retorno, quando devidos;
■■ com outras peças que o agravante entender úteis.

Sendo o agravo de instrumento interposto diretamente no tribunal, é dever do


agravante, ainda, num prazo de três dias a contar da interposição do recurso, requerer
a juntada aos autos originais do processo, cópia da petição recursal protocolada, com a
relação dos documentos que instruíram o agravo de instrumento (CPC, art. 526, caput).
Tal ato permitirá que o juízo a quo exerça a retratação.

O parágrafo único do artigo 526 do CPC dispõe que no caso de o agravante não
cumprir a determinação do caput do artigo, caso o agravado assim provoque o desatendi-
mento perante o tribunal, o agravo não será admitido. Por outro lado, se o agravado não
alegar e provar a negligência do agravante, suportará o ônus de ver conhecido o agravo.

Em síntese, a norma estabelece que o juízo de admissibilidade será exercido no


tribunal e proporciona condições para que o juiz da causa tome ciência da interposição
do agravo e possa, querendo, se retratar, até no prazo de julgamento pelo tribunal, da
decisão agravada.

O agravo de instrumento, em regra, não tem efeito suspensivo (CPC, art. 497),
mas poderá o relator do tribunal, a requerimento do agravante, atribuir-lhe tal efeito
nos casos relacionados no artigo 558 do CPC: prisão civil, adjudicação, remição de bens,
levantamento de dinheiro sem caução idônea e em outros casos de difícil reparação.
Sendo relevante a fundamentação, suspende-se o cumprimento da decisão agravada até
o pronunciamento definitivo da turma ou da câmara. Poderá, ainda, o relator conceder
a antecipação da tutela pretendida no recurso (efeito ativo), comunicando ao juiz da
decisão (art. 527, III).

O artigo 527 do CPC, que trata do processamento do agravo de instrumento, teve


sua redação alterada pela Lei 10.352/2001.

Recebido o agravo de instrumento no tribunal, proceder-se-á ao seu registro e


distribuição imediata ao relator sorteado. Ao relator, compete, inicialmente, verificar
os pressupostos de admissibilidade do recurso, e a seguir poderá tomar as seguintes
decisões:
■■ negar seguimento, liminarmente, nos casos do artigo 557, ou seja: recurso
manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto
com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do
Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça (CPC, art. 527, I);

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

■ converter o agravo de instrumento em agravo retido, quando não se tratar de


decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil ou incerta repara-
ção. (CPC, art. 527, II);
■ decidir sobre o efeito suspensivo e tutela antecipada (efeito ativo), se houver
requerimento do agravante nesse sentido, comunicando ao juiz da causa sua
decisão (CPC, art. 527, III);
■ requisitar informações ao juiz da causa, que as prestará no prazo de dez dias
(CPC, art. 527, IV);
■ intimar o agravado, por ofício dirigido ao seu advogado, sob registro e com
aviso de recebimento, para que responda ao recurso em 10 dias. Nas comarcas
sede de tribunal e naquelas cujo expediente forense for divulgado no diário
oficial, a intimação do advogado far-se-á mediante publicação no órgão oficial
(CPC, art. 527, V);
■ efetivadas todas as providências (referidas nos incisos II e III do art. 527), o
relator mandará ouvir o Ministério Público, se for o caso, para que se pronun-
cie no prazo de 10 dias (CPC, art. 527, VI).

Em prazo não superior a 30 dias da intimação do agravado para oferecer as con-


trarrazões, o relator pedirá dia para julgamento do agravo de instrumento (CPC, art.
528). Mas, se o juiz da causa comunicar, antes do julgamento pelo tribunal, que refor-
mou inteiramente a decisão – juízo de retratação – o relator considerará prejudicado o
agravo (art. 529).

Teoria Geral dos Recursos, de Nelson Nery Junior, editora Revista dos Tribunais.

Os Agravos no CPC Brasileiro, Teresa Arruda Wambier, editora Revista dos Tribu-
nais.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
51

Modelo de petição de agravo de instrumento

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Tribunal de


Justiça do Estado do (Regional Federal da Região).

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante
esta Corte, por meio de seu advogado adiante assinado (cópia da procuração ane-
xa), Dr. (nome do advogado), com escritó-
rio profissional na Av. , n.º , na cidade
de , Estado do , onde recebe intimações para
o foro em geral, inconformado, data venia, com a decisão de fls. , proferida
pelo Juízo da Vara Cível da Comarca da Cidade de , nos
autos n.º , de AÇÃO DE , promovida
por (que promove contra) Beltrano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador
do RG n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º , resi-
dente e domiciliado na cidade de , Estado do ,
na Rua , n.º , cujo advogado é Dr.
(nome do advogado), com escritório pro-
fissional na Av. , n.º , na cidade de
, Estado do , (cópia da procuração anexa), inter-
por, nos termos do artigo 522 e seguintes do Código de Processo Civil, RECURSO
DE AGRAVO DE INSTRUMENTO, o que faz pelas razões que passa a expor.

Razões de recurso de agravo de instrumento

Agravante: Fulano de Tal


Agravado: Beltrano de Tal
Autos n.º:
Vara de origem

Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do , (Regio-


nal Federal da Região)

Colenda Câmara Cível,

Ilustres Desembargadores (Federais).

Pelo agravante,

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Entende o agravante, data venia, que a decisão proferida no caso em tela, ao


ter decidido , não aplicou bem o direito à espécie.

Por conta disso, entende o agravante ser o caso de reforma da decisão, para
que , tudo como passa a se demonstrar.

Da tempestividade
Preliminarmente, esclarece o agravante que o presente recurso é tempestivo.

A v. decisão proferida foi publicada no Diário de Justiça do dia de


de 2005 (segunda/terça-feira etc.), iniciando o prazo para o recurso
de agravo de instrumento no dia de de 2007 (segunda/terça-
-feira etc.).(*não se esquecer de juntar certidão de intimação.)

Contando-se 10 (dez) dias para a interposição do recurso de agravo de ins-


trumento, tem-se que o dies ad quem do prazo é o dia de
de 2007 (segunda/terça-feira etc.), data da interposição do presente recurso.

Portanto, resta demonstrada a tempestividade deste recurso.

Breve relato do processo


■■ Identificar, a partir dos dados constantes do texto da prova, os principais aspec-
tos do processo (pretensão do autor, defesa do réu, fase do processo, conteúdo
decisório da decisão).

■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato das razões recursais.

■■ Não se esquecer de indicar a documentação relativa a cada fato descrito, princi-


palmente aqueles mencionados na decisão atacada.

Do recurso
■■ Comece descrevendo a decisão agravada. (*não se esquecer de juntar cópia da decisão
agravada.)

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
53

■■ Para cada item que se atacará da decisão agravada, faça um tópico: começando
pelas matérias processuais e depois passando para as matérias de mérito.
■■ Em caso de efeito suspensivo ou ativo (CPC, arts. 527, III, e 558), trate a matéria
em campo próprio.

Do pedido recursal
É com base nessas razões de fato e de direito que o agravante requer a Vossas Exce-
lências seja recebido, conhecido e dado provimento ao presente recurso de AGRAVO
DE INSTRUMENTO para:
1) concessão de efeito suspensivo ou ativo;
2) seja o agravado intimado para, querendo, contrarrazoar o recurso;
3) seja dado provimento ao recurso para:
■■ argumento processual;
■■ argumento de mérito.
4) identifique as peças do processo original que formam o instrumento (ou forme
um anexo com a relação de peças);
5) informe que acompanha a peça recursal o comprovante de pagamento do respec-
tivo preparo;
6) informe que todas as cópias juntadas estão devidamente autenticadas seja pelo
cartório seja pelo próprio advogado, (ou faça uma declaração à parte)(*procure se
informar se a situação foi de alguma maneira regulada pelos tribunais locais).

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Petição do artigo 526


do Código de Processo Civil

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (da Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de . (conforme fornecido no texto
da prova)

Autos n.º (indicado no texto da prova)

Fulano de Tal, qualificado nos autos acima, respeitosamente, comparece


perante Vossa Excelência, nos autos de AÇÃO ,
em que é Autor/Réu Beltrano de Tal, requerer, nos termos do artigo 526 do Código
de Processo Civil, a juntada de cópia das razões de recurso de agravo de instru-
mento, devidamente protocolado, que o ora requerente interpôs contra a decisão de
fls. . Informa, ainda, o ora peticionário, que o instrumento foi formado com
cópia de todas as peças e documentos constantes dos autos até as fls. .

Outrossim, no caso de eventual retratação exercida por Vossa Excelência,


requer-se sejam tomadas as providências descritas no artigo 529 do Código de
Processo Civil.

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula VI

Ação de execução
A execução tem por escopo a satisfação da obrigação que espontaneamente não
foi cumprida pelo devedor.

O processo de execução depende da iniciativa da parte para ter início, motivo


pelo qual se faz necessário, seja qual for o título executivo que embasa a pretensão,
a provocação da atividade jurisdicional pelo credor. Todavia, por força das mudanças
havidas pela Lei 11.232/2005, em se tratando de título executivo judicial, em regra,
bastará a apresentação de um simples requerimento, uma vez que a execução constitui
mera fase de um processo único. Todavia, será caso de formulação de petição inicial nas
hipóteses descritas no artigo 475-N, IV e VI, do Código de Processo Civil (CPC); assim
como nos casos de título executivo extrajudicial.

Em se tratando de um simples requerimento, bastará o respeito a elementos


básicos, tais como: juízo competente; o número do processo; a identificação das partes;
o requerimento da expedição do mandado de penhora e avaliação, conforme estabelece
o caput do artigo 475-J do CPC; se for o caso, tal como estabelece o artigo 475-J, pará-
grafo 3.º, do CPC, pode o credor indicar os bens do devedor a serem penhorados. Tal
requerimento deve ser acompanhado pela planilha de cálculo prevista no artigo 614,
II, do CPC, quer não tenha havido o pagamento voluntário, quer tenha sido feito um
pagamento parcial. Em ambas as hipóteses, a planilha já deverá conter a multa de 10%,
estabelecida no caput do artigo 475-J do CPC.

Sendo caso de petição inicial, ela deverá respeitar o disposto nos artigos 282 e
283 do CPC, além do estatuído nos artigos 614 e 615 do mesmo diploma legal.

Dos requisitos da petição inicial, alguns merecem melhor esclarecimento. O


objeto mediato do pedido de satisfação da obrigação é o bem jurídico assegurado no
título executivo (coisa, valor, fazer/não fazer), enquanto o objeto imediato corresponde
ao meio executório.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Fundamenta-se (causa de pedir) o pedido por meio da exibição do título exe-


cutivo (de preferência o original) e da alegação de ocorrência positiva de inadimple-
mento.

Faz-se necessário requerer a produção de provas.

A memória de cálculo da dívida, em caso de execução por quantia certa, é docu-


mento indispensável que deve acompanhar a inicial (CPC, art. 614, II).

Na petição inicial será necessário destacar o pedido de citação do executado, as


condutas que o oficial de justiça deverá tomar (arresto, por exemplo), as situações rela-
tivas à penhora e aos eventuais embargos.

Ação monitória
O objetivo almejado é a célere constituição do título executivo judicial, o qual, a
seguir, será executado na forma do cumprimento da sentença (Lei 11.232/2005).

Procedimento
Por meio da ação monitória, busca-se a tutela de créditos originados de obri-
gações decorrentes de pagamento de soma em dinheiro, entrega de coisa fungível
ou de determinado bem móvel. É inviável, pois, para obrigações de fazer e não fazer
e, também, para entrega de coisa ou para créditos de obrigações alternativas nas
quais a escolha caiba ao réu.

Essas obrigações devem estar demonstradas por meio de prova escrita, isto é,
grafada, que é espécie de prova documental. Admite-se como prova escrita, documento
que não contenha a assinatura do devedor e até mesmo produzido unilateralmente
pelo credor.

Ao receber a petição inicial (CPC, art. 282 e ss.) acompanhada da prova escrita e
demais documentos indispensáveis, o juiz irá proceder a um juízo, ainda que sumário,
da existência e liquidez do crédito.

Não estando devidamente instruída a inicial, ou lhe faltar algum outro requisito,
pode o juiz determinar a sua emenda (CPC, art. 284).

Se o juiz entender que não é cabível a monitória, não pode, de ofício, transfor-
má-la em ação de rito ordinário. Deverá, desde logo, extinguir o feito mediante sen-
tença.

Estando devidamente instruída a petição inicial e atendidos os requisitos que


lhe são próprios, o juiz deferirá de plano (cognição sumária), a expedição de man-

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
59

dado monitório (de pagamento ou de entrega de coisa), no prazo de 15 dias. Esse


mandado expedido liminarmente servirá, também, como citação do réu.

Embora seja uma decisão interlocutória, não há interesse para dela recorrer
mediante agravo, pois é oportunizado ao réu oferecer embargos, pelo qual poderá
impugnar a referida decisão.

Uma vez citado o réu, ele pode assumir três condutas distintas:
■ cumpre o mandado, efetuando o pagamento ou entregando a coisa, hipótese
em que ficará isento de custas e honorários;
■ queda-se inerte, caso em que o mandado se constitui, de pleno direito, em
título executivo; e
■ opõe embargos, transformando a ação de rito especial em ordinário.

Qualquer documento que preencha as condições exigidas pelo artigo 1.102a do


CPC viabiliza ação monitória contra a Fazenda Pública. Destaca-se que para assumir
uma obrigação, a Fazenda Pública está sujeita a ter orçamento e, ainda, a um procedi-
mento administrativo (de regra licitatório). Ademais, o pagamento nessa fase monitória
não é forçado. É satisfação voluntária. Não bastasse isso, caso entenda a Fazenda não
ser responsável pelo pagamento ou entrega exigida, basta apresentar embargos, que
provocará a transformação do rito em ordinário.

Não tendo havido embargos ou tendo sido eles superados, a execução far-se-á
tal como estabelecido para o cumprimento de sentença, nos termos do artigo 475-J e
seguintes do CPC.

Procedimentos Especiais, Antonio Carlos Marcato, editora Atlas

Processo de Execução, de Teori Albino Zavascki, editora Revista dos Tribunais.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de requerimento
de cumprimento de sentença

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da Comar-


ca de , Estado do . (CPC, art. 475-P, I e
II, ou parágrafo único)

Número dos autos

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e
domiciliado na cidade de , Estado do , na
Rua , n.º , vem respeitosamente peran-
te este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com
escritório profissional na Av. , n.º , na
cidade de , Estado do , onde recebe intimações
para o foro em geral, requerer, nos termos do artigo 475-J e seguintes do CPC

Cumprimento de Sentença
contra Empresa Xxxx Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no
CNPJ/MF sob n.º , com sede na cidade de ,
Estado , sito à Rua ,
n.º , na pessoa de seu representante legal, o que faz pelas razões de fato e de
direito que passa a expor.

1) O exequente é credor da executada pela quantia originária de R$


(reais), valor este representado pela condenação imposta à executada na r. sen-
tença proferida nos autos sob n.º , fls. , de ação de ,
que moveu (ou foi movida contra) o exequente, julgada (proce-
dente ou improcedente).
2) Mesmo tendo sido oportunizado o pagamento voluntário, não tendo sido ele feito
(ou tendo ocorrido de forma parcial), não resta outra alternativa para o exequente
senão utilizar da presente via executiva.
3) À vista do exposto, considerando-se a liquidez, certeza e exigibilidade do título
executivo, requer-se a expedição de mandado de penhora e avaliação (CPC, art.
475-J), de tantos bens quantos bastem para a suficiente segurança do juízo, para
o que se indica os seguintes bens do patrimônio do devedor (CPC, art. 475-J,
§3.º): .

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
61

4) Segue com a presente a planilha que demonstra o valor originário devidamente


atualizado até a presente data (CPC, art. 614, II), acrescido a este valor total a
multa de 10% devida (sobre o total ou sobre o restante).
5) Requer-se, feita a penhora e avaliação, seja a executada intimada, nos termos do
artigo 475-J, parágrafo 1.º, do CPC, para, querendo, opor impugnação no prazo
legal.

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de petição inicial de ação


de execução fundada em título judicial

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da Comar-


ca de , Estado do . (CPC, art. 475-P, III)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritório
profissional na Av. , n.º , na cidade de
, Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, propor nos termos do artigo 652 e seguintes do CPC

Ação de Execução de Título Judicial


(CPC, art. 475-N, IV e VI)
contra Empresa Xxxx Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no
CNPJ/MF sob n.º , com sede na cidade de ,
Estado do , sito à Rua , n.º
, na pessoa de seu representante legal, o que faz pelas razões de fato e de direito
que passa a expor.

1) O exequente é credor da executada pela quantia originária de R$


(reais), valor este representado pela condenação imposta à executada na r. sen-
tença arbitral ou estrangeira proferida nos autos sob n.º , de
ação de , que moveu (ou foi movida contra) o exequente,
julgada .
2) Estando inadimplente a executada até a presente data, não resta outra alternativa
para o exequente senão utilizar da presente via executiva.
3) À vista do exposto, considerando-se a liquidez, certeza e exigibilidade do título
executivo, requer-se a CITAÇÃO da executada (CPC, art. 475-N, parágrafo
único), para pagar, no prazo de 15 (quinze) dias (CPC, art. 475-J), a importância
de R$ (reais), correspondente ao valor originário devidamente
atualizado até a presente data, consoante planilha anexa (CPC, art. 614, II), à
qual deverá ser acrescida as custas e despesas processuais subsequentes, cor-

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
63

reção e juros de mora a partir da citação, sob pena de, em assim não fazendo, ser
acrescido a este valor total a multa de 10%, além de ser efetuada a penhora na
importância indicada, tida como suficiente para a segurança do Juízo (CPC, art.
659).
4) Requer-se a produção de provas, em especial a documental, a testemunhal e a
pericial.

Dá-se à causa o valor de R$ .

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de petição inicial de ação


de execução fundada em título extrajudicial

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da Comar-


ca de , Estado do . (CPC, art. 576)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na
Rua , n.º , vem respeitosamente perante
este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com es-
critório profissional na Av. , n.º , na cida-
de de , Estado do , onde recebe intima-
ções para o foro em geral, propor nos termos do artigo 652 e seguintes do CPC

Ação de Execução de Título Extrajudicial


contra Empresa Xxxx Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no
CNPJ/MF sob n.º , com sede na cidade de ,
Estado do , sito à Rua ,
n.º , na pessoa de seu representante legal, o que faz pelas razões de fato e de
direito que passa a expor.

1) O exequente é credor da executada pela quantia originária de R$


(reais), valor este representado pelo cheque n.º , banco sacado
, cujo original (ou cópia) está em anexo.
2) Estando inadimplente a executada até a presente data, não resta outra alternativa
para o exequente senão utilizar da presente via executiva.
3) À vista do exposto, considerando-se a liquidez, certeza e exigibilidade do título
executivo, requer-se a CITAÇÃO da executada, através de mandado a ser cum-
prido pelo oficial de justiça, para pagar, no prazo de 3 dias (CPC, art. 652), a
importância de R$ (reais), correspondente ao valor
originário devidamente atualizado até a presente data, consoante planilha anexa
(CPC, 614, II), à qual deverá ser acrescida as custas e despesas processuais
subsequentes, correção e juros de mora a partir da citação, sob pena de, em
assim não fazendo, ser efetuada a penhora e a avaliação de tantos bens quantos
bastem para a segurança do Juízo (CPC, art. 652, §1.º).

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
65

3.1) Requer, ainda, por tratar-se a execução de novo processo, a fixação de


honorários advocatícios para o pronto pagamento, nos termos do que dispõe
o artigo 652-A do CPC.
4) Requer-se que, vindo a ser realizada a penhora, esta recaia sobre os seguintes
bens do patrimônio do executado: .
4.1) Caso o sr. oficial de justiça não localize bens do executado, requer-se que
desde logo seja o executado intimado para indicar bens passíveis de penhora
(CPC, art. 652, §3.º).
5) No caso de o representante legal da executada não ser encontrado, ou em caso
deste tentar furtar-se dos efeitos da execução, requer-se que lhe sejam arres-
tados quantos bens bastem (CPC, art. 653 c/c art. 659), preferencialmente
dinheiro, independentemente de novo mandado, dando-se ciência à exequente
para as providências previstas no artigo 654 do CPC.
6) Realizada a penhora, requer que seja o executado intimado da penhora na pessoa
de seu advogado ou, não o tendo, de maneira pessoal (CPC, art. 652, §4.º).
7) Se a penhora recair sobre bem imóvel, requer-se, também, a intimação pessoal do
cônjuge do executado (CPC, art. 655, §2.º).
8) Requer-se a autorização deste Juízo, para que o oficial de justiça encarregado das
diligências possa cumpri-las de acordo com o que determina o parágrafo 2.º do
artigo 172 do CPC.
9) Requer-se a produção de provas, em especial a documental, a testemunhal e a
pericial.

Dá-se à causa o valor de .

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de petição inicial de ação monitória

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da


Comarca de , Estado do .

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e domi-
ciliado na cidade de , Estado do , na
Rua , n.º , vem respeitosamente perante
este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com
escritório profissional na Av. , n.º ,
na cidade de , Estado do , onde recebe
intimações para o foro em geral, propor nos termos do artigo 1.102a e seguintes
do CPC

Ação Monitória
contra Beltrano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º
, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e domi-
ciliado na cidade de , Estado do ,
na Rua , n.º , o que faz pelas razões de
fato e de direito que passa a expor.

1) O autor é credor do réu pela quantia originária de R$ (reais),


valor este representado (pela prova escrita, ex.: pelo cheque
prescrito n.º , banco sacado ), documento este
anexo.

2) Esclarece o autor que o referido documento é oriundo de negócio de


, firmado entre as partes na data de ,
pelo qual o autor .
3) Estando inadimplente o réu até a presente data, não resta outra alternativa para o
autor senão utilizar da presente via monitória.
4) À vista do exposto, considerando-se a liquidez, certeza e exigibilidade da obri-
gação assumida pelo réu, esta comprovada pela prova escrita juntada, requer-se
a expedição de mandado monitório de pagamento, initio litis, no valor de R$
(reais), com a consequente citação do réu para que ele efetue o
pagamento do crédito no prazo de 15 (quinze) dias com os benefícios previstos na

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
67

lei (CPC, art. 1.102-C, §1.º) ou, querendo, no mesmo prazo, apresente embargos,
sob pena de, não tomando nenhuma das condutas acima, ser convolado o respec-
tivo mandado em título executivo judicial (CPC, art. 1.102-C, caput);
4.1) Requer, ainda, caso oferecidos embargos pelo réu, sejam eles rejeita-
dos, condenando-se o réu ao integral pagamento do crédito reconhe-
cido, devidamente atualizado desde a data de cada vencimento até o
efetivo pagamento e, ainda, às custas e honorários advocatícios no
importe de 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação;
5) Requer-se a produção de provas, em especial a documental, a testemunhal e a
pericial.

Dá-se à causa o valor de R$ .

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula VII

Embargos à execução
Na sistemática jurídica brasileira, os embargos à execução ou embargos do exe-
cutado constituem ação cujo exercício, incidental ao processo de execução, resulta em um
processo de natureza cognitiva que tem por escopo uma providência de mérito.

A lei prevê espécies distintas de embargos conforme o momento em que devam


ser opostos. Assim, os embargos podem ser de primeira fase ou de segunda fase. São
de primeira fase os embargos à execução (CPC, art. 738) e os embargos na execução
por carta (art. 747). São de segunda fase os embargos à adjudicação, à alienação ou à
arrematação, os quais cabíveis apenas na execução por quantia certa.

Depois das mudanças operadas pela Lei 11.232/2005, os embargos serão usados
tipicamente em execução fundada em título extrajudicial, cujo conteúdo comporta toda
e qualquer matéria de defesa (CPC, art. 745). Todavia, em caso de execução promovida
contra a Fazenda Pública, mesmo que fundada em título executivo judicial, a defesa que
esta terá, também serão os embargos (art. 741).

Para que os embargos possam ser recebidos e processados, exige-se o respeito


a alguns requisitos. A inobservância destes, de regra, acarreta o indeferimento liminar
dos embargos, que tem natureza de sentença e desafia recurso de apelação.

Sendo ação, devem ser observados, nos embargos, os pressupostos processuais e


as condições da ação, além das condições específicas para a sua admissibilidade: tempestividade
(CPC, art. 739, I), não serem protelatórios (art. 739, III) e, quando discutido o excesso de
execução, seja apresentada a respectiva memória de cálculo da quantia entendida como devida
(art. 739-A, §5.º).

Preenchidos os requisitos, os embargos serão recebidos. Se houver requerimento


do embargante e a demonstração dos requisitos de urgência e relevância da matéria nele
contida, e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução
suficientes (CPC, art. 739-A, §1.º) poderão os embargos produzir o efeito de suspender,
no todo ou em parte, a execução embargada (art. 739-A c/c art. 791).
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Os embargos podem versar sobre matéria de ordem processual e de mérito.

Entre as matérias processuais, é possível o executado alegar: nulidade da exe-


cução, por não ser executivo o título apresentado (CPC, art. 745, I); penhora incorreta
ou avaliação errônea (art. 745, II); excesso de execução ou cumulação indevida de exe-
cuções (art. 745, III); falta de pressupostos do processo de execução ou ausência de
condições da ação; incompetência absoluta do juízo da execução.

No mérito, é possível arguir qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como
defesa em processo de conhecimento, especialmente impeditiva, modificativa ou extin-
tiva da obrigação (CPC, art. 745, V). É possível, também, arguir a retenção por benfei-
torias necessárias ou úteis, nos casos de título para entrega de coisa certa do artigo 621
do Código de Processo Civil (art. 745, IV).

A petição inicial segue, basicamente, o previsto nos artigos 282 e 283 do CPC.

Ressalte-se que o valor da causa deverá retratar a matéria discutida nos embar-
gos, não coincidindo, necessariamente, com o valor da execução. De outro lado, não se
requer a citação do embargado, e sim sua intimação, nos termos do previsto no artigo
740 do CPC.

As cópias das peças processuais da execução que instruem os embargos podem


ser autenticadas na forma prevista no artigo 736, parágrafo único, do CPC.

O procedimento dos embargos é simples e célere. O juiz pode julgar o pedido


imediatamente (CPC, art. 330) ou designar audiência de conciliação, instrução e julga-
mento, proferindo sentença no prazo de 10 dias (art. 740, caput).

Impugnação ao cumprimento de sentença


A impugnação é o meio de defesa disponível ao executado, quando se estiver
diante do rito do cumprimento de sentença.

Trata-se de incidente defensivo, no qual se desenvolverá atividade de conheci-


mento (exauriente). Depende de simples petição, cujo conteúdo está definido no artigo
475-L do CPC. Basicamente, a exemplo dos embargos, a matéria pode ser de ordem
processual ou de mérito.

Para que a impugnação possa ser recebida e processada, exige-se o respeito a


alguns requisitos. A inobservância desses requisitos acarretará o indeferimento liminar
da impugnação, cuja decisão desafiará recurso de agravo de instrumento. São eles: segu-
rança do juízo; tempestividade; pertinência da matéria; e, em caso de excesso de exe-

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
71

cução, planilha com o valor apontando qual o valor devido e quanto está sendo cobrado
em excesso (CPC, art. 475-L, §2.º).

Se o executado pretender que sua impugnação seja recebida no efeito suspensivo,


deverá assim requerer e comprovar os requisitos previstos no caput do artigo 475-M
do CPC. Tal definição é importante para determinar se a impugnação forma ou não
caderno apartado.

A impugnação terá trâmite de rito comum, podendo nela ser produzido todo e
qualquer tipo de prova. Sua decisão, conforme o caso, desafiará recurso de agravo de
instrumento ou apelação, tal como descrito no artigo 475-M, parágrafo 3.º, do CPC.

Ação cautelar
A ação cautelar visa assegurar a eficácia de outro processo (conhecimento ou
execução) motivo pelo qual depende da existência deste, ao qual será apenso.

Essa cautelar poderá ser preparatória ou incidente.

O artigo 801 do CPC, ao cuidar do processo cautelar, aponta alguns requisitos


necessários à elaboração da petição inicial. Entretanto, tais requisitos não são suficien-
tes, havendo a necessidade de se socorrer da relação descrita no artigo 282, do mesmo
estatuto, para a completa confecção da petição cautelar. Seja como for, é de se destacar
alguns desses requisitos.

O inciso III do artigo 801 trata da “lide e seu fundamento”. Nos termos do pará-
grafo único desse mesmo dispositivo, tal exigência somente merece respeito quando se
trate de medida cautelar preparatória. Corresponde à descrição da lide virtual que será
objeto do processo principal a ser proposto. Isso é necessário porque o processo cautelar
sempre deve referir-se a um processo principal (acessoriedade). A menção à lide prin-
cipal tem grande importância prática, pois, através de tal informação, poderá o magis-
trado verificar a sua competência, a legitimidade das partes e o interesse de agir, sem
prejuízo de já poder vislumbrar, a priori, a adequação do pedido acautelatório, manejado
frente à pretensão principal.

O inciso IV trata do “direito ameaçado e o receio da lesão”. Tais aspectos é que


tornam a lide cautelar diferente da lide principal e constituem o fundamento a ser deci-
dido pela sentença cautelar.

O valor da causa na cautelar é estimativo e não precisa ser necessariamente o


valor a que corresponde o processo principal.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Não esquecer, também, que é lícito ao autor formular pedido de natureza limi-
nar, o qual deverá ser apreciado antes mesmo de se proceder a citação do requerido.

Sendo preparatória, a ação principal deverá ser ajuizada num prazo de 30 dias, a
contar da efetivação da medida cautelar (CPC, art. 806).

Embargos à Execução, de Paulo H. dos Santos Lucon, editora Saraiva.

Tutela Cautelar, de Victor A. A. Bomfim Marins, editora Juruá.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
73

Modelo de petição inicial de embargos à execução

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de . (conforme fornecido
no texto da prova)

Autos n.º (indicado no texto da prova)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritó-
rio profissional na Av. , n.º , na cidade
de , Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, nos autos acima indicados de AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTU-
LO EXTRAJUDICIAL, promovida por BELTRANO DE TAL, brasileiro, estado
civil, profissão, portador do RG n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º
, residente e domiciliado na cidade de , Estado
do , na Rua , n.º , opor,
nos termos do artigo 738 e seguintes do CPC, EMBARGOS À EXECUÇÃO, o que
faz pelas razões de fato e de direito que passa a expor.

Breve resumo da inicial

■■ Identificar, a partir dos dados constantes do texto da prova, a pretensão do exe-


quente, qual o título executivo que fundamenta seu pedido, qual o valor do cré-
dito exequendo e o que já sucedeu no feito (penhora etc.).

■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.

■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-


crito.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Da tempestividade
■■ Os embargos têm um prazo de 15 dias para serem opostos, cuja contagem tem
início a partir da citação (CPC, art. 738).

Do direito
■■ Sendo título executivo extrajudicial, podem os embargos versar sobre qualquer
matéria de defesa, nos termos do artigo 745 do CPC. Assim, sempre tome por
base o artigo 745 do CPC.
■■ Se for para discutir excesso de execução, não esquecer de mencionar a juntada da
memória de cálculo do valor apontado excedente e do incontroverso (CPC, art.
739-A, §5.º).
■■ Trate inicialmente da defesa de ordem processual.
■■ Em seguida trate da defesa de mérito.
■■ É preciso requerer e demonstrar os requisitos necessários para a concessão de
efeito suspensivo (CPC, art. 739-A).

Dos requerimentos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:


1) Sejam os presentes embargos recebidos e, ainda, lhes seja atribuído efeito suspen-
sivo, uma vez que se fazem presentes os requisitos legais exigidos (CPC, art. 739-A
c/c art. 791), conforme exposto em campo próprio acima.
2) Seja o embargado intimado para, querendo, impugnar os presentes embargos,
nos termos do artigo 740 do CPC.
3) Sejam os embargos julgados procedentes para:
a) defesa processual;
b) defesa de mérito.
4) A produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a
documental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal e a pericial.
5) A condenação do embargado ao pagamento das custas e honorários, estes a serem
fixados por este Juízo.

Dá-se à causa o valor de R$ (reais). (não precisa ser


necessariamente o valor da execução).

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
75

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de impugnação ao cumprimento de sentença

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de . (conforme fornecido
no texto da prova)
Autos n.º (indicado no texto da prova)
Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º
, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritó-
rio profissional na Av. , n.º , na cidade
de , Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, nos autos acima indicados de AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO
JUDICIAL, promovida por BELTRANO DE TAL, brasileiro, estado civil, profissão,
portador do RG n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º ,
residente e domiciliado na cidade de , Estado do ,
na Rua , n.º , opor, nos termos do artigo
475-J e seguintes do CPC, IMPUGNAÇÃO, o que faz pelas razões de fato e de di-
reito que passa a expor.

Breve resumo da inicial


■■ Identificar, a partir dos dados constantes do texto da prova, a pretensão do exe-
quente, qual o título executivo que fundamenta seu pedido, qual o valor do cré-
dito exequendo e o que já sucedeu no feito (penhora etc.).
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Da tempestividade
■■ A impugnação tem prazo de 15 dias para serem opostos, cuja contagem tem início
conforme o previsto no artigo 475-J, parágrafo 1.º, do CPC.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
77

Do direito
■■ A impugnação deve tratar de uma das matérias estabelecidas no artigo 475-L
do CPC. Assim, sempre tome por base esse dispositivo para criar sua peça de
defesa.
■■ Se for para discutir excesso de execução, não se esquecer de mencionar a juntada
da memória de cálculo do valor apontado excedente e do incontroverso (CPC, art.
475-L, §2.º).
■■ Trate inicialmente das defesas de ordem processual.
■■ Em seguida trate da defesa de mérito.

Dos requerimentos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:


1) Seja a impugnação recebida no efeito suspensivo, nos termos do artigo 475-M do
CPC (não se esqueça de tratar esse aspecto em campo próprio).
2) Seja o impugnado intimado para, querendo, responder à presente impugnação,
nos termos do artigo 740 do CPC.
3) Seja a impugnação julgada procedente para:
■■ defesa processual;
■■ defesa de mérito.
4) A produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a docu-
mental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal e a pericial (não
esqueça de, em caso de excesso de execução, juntar a memória de cálculo).
5) A condenação do impugnado ao pagamento das custas e honorários, estes a
serem fixados por este juízo.

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Modelo de petição inicial de ação cautelar

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família,


da Fazenda Pública etc.) da Comarca de .

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Única da Comarca


de .

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível do


Foro Central (Regional) da Comarca de , Estado do
.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Federal da


Subseção Judiciária da cidade de , Seção Judiciária do Estado
do .

Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de


Justiça do Estado do .

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritório
profissional na Av. , n.º , na cidade de
, Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, propor

Ação Cautelar Inominada (ou de Arresto)


com Pedido de Liminar
contra Empresa Xxxx Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/
MF sob n.º , com sede na cidade de , Estado
do , sito à Rua , n.º ,
na pessoa de seu representante legal, o que faz pelas razões de fato e de direito que
passa a expor.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
79

Dos fatos
■■ Os fatos constam do texto da prova.
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.
■■ No mínimo, deverá ser tratado do fumus boni iuris e do periculum in mora.
■■ Sendo caso de ação cautelar típica, será necessário tratar da situação particular.
Por exemplo, se for arresto, deverá restar clara a existência de crédito de soma em
dinheiro que está sob o risco de não ser satisfeito.
■■ Em caso de ação cautelar preparatória, não se esquecer de indicar a lide do pro-
cesso futuro (CPC, art. 801, III).
■■ Trate da necessidade de liminar em campo próprio.

Dos pedidos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:


1) a concessão de provimento liminar, antes de citado o requerido, para
;
2) a citação da empresa ré, na pessoa de seu representante legal, para, querendo,
apresentar contestação, no prazo do artigo 802 do CPC, sob pena de revelia;

3) a procedência do pedido para assegurar que , e assim


garantir a eficácia do processo principal;
4) a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a docu-
mental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal e a pericial;

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

5) a condenação da requerida ao pagamento das custas e honorários, estes a serem


fixados por este Juízo.

Dá-se à causa o valor de R$ (reais).

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula VIII

Ação possessória
O sistema jurídico pátrio estabelece uma variada série de remédios processuais
de que pode lançar mão, o possuidor, para defender sua posse.

A tutela jurisdicional da posse pode ser solicitada por meio de ações possessórias
stricto sensu (manutenção de posse; reintegração de posse e interdito proibitório), como
pode também ser atendida por meio de ações que não se destinam única e exclusiva-
mente à proteção possessória, ou que não têm como possibilidade de fundamento jurí-
dico exclusivamente o direito de posse (reivindicatória, demolitória, imissão de posse,
nunciação de obra nova, embargos de terceiro e dano infecto).

As possessórias stricto sensu estão dispostas conforme o tipo de violência que a


posse está sofrendo. Em caso de esbulho (perda) da posse, o remédio é a ação de rein-
tegração de posse; tendo havido turbação (limitação) da posse, o remédio é a ação de
manutenção de posse e, finalmente, no caso de simples ameaça da posse, cabe ação
de interdito proibitório.

Uma das características das ações possessórias stricto sensu é a fungibilidade,


assim prevista no artigo 920 do Código de Processo Civil (CPC). Significa a possibili-
dade, aberta ao juiz, de conhecer e decidir diferentemente do que foi pedido, outorgando
a proteção que a posse estiver a exigir.

Isto poderá ocorrer quando a tutela foi requerida de maneira inadequada, ou


se alterada a situação de fato apresentada quando da propositura de determinada ação
possessória.

De regra, pretendendo o réu mais que simplesmente se defender através da con-


testação, vale-se ele da reconvenção, quando cabível.

A lei abre, no entanto, algumas exceções a essa regra, permitindo que o réu
contra-ataque sem reconvenção. É o que ocorre nas chamadas ações dúplices, nas quais o
réu pode deduzir sua pretensão contra o autor na própria contestação.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Essa possibilidade ocorre nas possessórias (CPC, art. 922) podendo o réu, na
contestação, alegando que foi o ofendido por qualquer das formas de agressão em sua
posse, demandar a proteção possessória (inclusive liminar) e a indenização pelos preju-
ízos resultantes da ofensa cometida pelo autor.

No juízo possessório não se admite discussão a respeito do domínio (proprie-


dade) da coisa sobre a qual versa a ação possessória. Em outras palavras, a questão rela-
tiva à propriedade ou a qualquer outro direito sobre a coisa não deve ser analisada inci-
denter tantum nas ações possessórias, sendo-lhes irrelevante ao deslinde e julgamento
da lide.

A legitimidade ativa para a propositura da ação possessória é do possuidor direto


ou indireto.

Legitimado passivo é aquele que praticou a ofensa à posse, ainda que também
seja possuidor da coisa. Em caso de acionado o detentor, ele pode nomear à autoria
(CPC, art. 62).

Tratando-se de ação de força (violência) nova, ou seja, aquela proposta dentro de


ano e dia da turbação ou do esbulho e versando bem imóvel, a manutenção ou a reintegra-
ção será processada no rito especial previsto nos artigos 926 a 931 do CPC.

Sendo a ação de força velha, isto é, aquela proposta após ano e dia da ocorrência
da ofensa à posse e versando bem imóvel, o rito adequado é o ordinário, mantendo ação,
contudo, o caráter possessório.

Versando a possessória coisa móvel ou semovente, o rito será o especial quando a


ação for de força nova, e o sumário, se de força velha (CPC, art. 275, II, “a”).

Sendo ação de rito especial, para a concessão da liminar se exige apenas os requi-
sitos dos incisos I e III do artigo 927 do CPC. No caso de rito ordinário, a liminar estará
sujeita aos requisitos do artigo 273.

No rito especial para a concessão de liminar, o juiz poderá determinar a marca-


ção de audiência de justificação de posse, nos termos do artigo 928 do CPC.

Embargos de terceiro
Conceitua-se a ação de embargos de terceiro como sendo de procedimento sumá-
rio, mediante a qual o terceiro, não sujeito à eficácia constritiva emergente de processo
alheio, ou à própria parte, quando a eficácia constritiva de seu processo desborda os
limites de sua responsabilidade patrimonial, visa obter a liberação ou evite a alienação
de bens judicial e indevidamente constritos ou ameaçados de sê-lo.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
85

Como se vê, os embargos de terceiro são meio específico para separar bens que
não se sujeitam, concretamente, a atos jurisdicionais, em dado processo. Têm, portanto,
natureza constitutiva, pois visam modificar a relação jurídica principal, proporcionando
o desfazimento do ato judicial que atingiu os bens ou direitos do embargante.

O legitimado ativo para a propositura dos embargos de terceiro é todo aquele (ter-
ceiro ou parte – terceiro por equiparação) proprietário, possuidor ou titular de direito,
que tenha seus bens ou direitos atingidos por ato de apreensão judicial.

O legitimado passivo é, de regra, apenas o autor da demanda da qual emanou o


ato judicial atacado. Eventualmente, também o réu será legitimado passivo, na hipótese
deste ter contribuído ativamente para que tenha ocorrido a constrição (exemplo: o exe-
cutado nomeia a penhora bens ou direitos de terceiro).

Segundo a previsão legal do artigo 1.048 do CPC, dois são os momentos em que
os embargos de terceiro podem ser opostos:

■■ em sendo o ato decorrente de processo de conhecimento, os embargos pode-


rão ser opostos a qualquer tempo, enquanto não transitada em julgado a sen-
tença;

■■ em sendo o ato oriundo de processo de execução, os embargos poderão ser


opostos em até 5 (cinco) dias após a arrematação, adjudicação ou remição,
mas sempre antes da assinatura da respectiva carta, inclusive no período de
férias forenses.

O regular exercício dos embargos de terceiro pressupõe a existência de ação pen-


dente de onde se origine o ato constritivo ou a ameaça de constrição, o que denota seu
caráter acessório e incidental (e, eventualmente, preventivo) em relação àquele processo.
Decorre de tal pressuposto, o principal critério determinante da competência para o seu
processamento (CPC, art. 1.049), embora não seja a única causa de sua fixação.

Assim, de regra, é competente para o processamento dos embargos o mesmo


juízo do qual emanou a afetação do bem ou direito. Tratando-se de execução por carta
(CPC, art. 747), os embargos serão oferecidos no juízo deprecante ou no juízo depre-
cado, mas a competência para julgá-los é do juízo deprecante, salvo se versarem unica-
mente vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou alienação do bem.

Os embargos de terceiro são ação autônoma e incidental, a qual deverá ser distri-
buída por dependência e apensada ao processo principal.

Exige, pois, petição inicial que respeite os requisitos enumerados no artigo 282 e
seguintes do CPC, instruída com os documentos que comprovem a posse, propriedade

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

ou titularidade do bem ou direito afetado pelo ato judicial atacado, isto é, que compro-
vem sua qualidade de terceiro, ofertando desde logo o rol de testemunhas (CPC, art.
1.050, §1.º).

Estando em ordem a petição inicial, convencendo-se da verossimilhança da


alegação, o juiz concederá provimento liminar ao embargante que assegure o bem ou
direito objeto da afetação. Porém, a efetivação dessa medida liminar somente se dará
após a prestação de caução (CPC, art. 1.051). Não podendo ou não querendo prestar
caução, o bem objeto dos embargos ficará sequestrado até o julgamento final.

Indeferida liminarmente a ação, cabe apelação. Se concedida ou não a liminar,


cabe agravo de instrumento à parte interessada.

Se o objeto dos embargos de terceiro correspondem à totalidade dos bens objeto


da ação principal, esta ficará totalmente suspensa até o julgamento dos embargos; caso
os embargos versem apenas sobre parte dos bens, o processo principal prosseguirá
quanto àqueles não embargados (CPC, art. 1.052).

O embargado deverá ser citado para, querendo, oferecer contestação, no prazo de


dez dias, sob pena de revelia (CPC, art. 1.053).

Se o feito não comportar julgamento antecipado, o juiz designa audiência de


instrução e julgamento, para em seguida poder proferir sentença.

Proteção Processual da Posse, de Aparecida Cláudia Cimardi, editora Revista dos


Tribunais.

Procedimentos Especiais, de Antonio Carlos Marcato, editora Atlas.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
87

Modelo de petição inicial de ação possessória

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da Comar-


ca de . (lugar da coisa)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritório
profissional na Av. , n.º , na cidade de
, Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, propor

Ação de Reintegração de Posse de Rito Especial


(Ordinário com Pedido de Liminar de Antecipação de Tutela)
contra Beltrano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG
n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e
domiciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , o que faz pelas razões de fato e de
direito que passa a expor.

Dos fatos
■■ Os fatos constam do texto da prova.
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação (mapas, fotos c/ negati-
vos, declarações etc.) relativa a cada fato descrito.

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.
■■ Deve tratar e demonstrar: Posse do autor sobre a coisa objeto da discussão (des-
crever a coisa) + data da violência sobre a posse + reflexos da perda da posse
(danos, construções, plantações) + posse injusta do réu.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

■■ Necessidade de proteção liminar.

Dos pedidos
Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:
1) o deferimento LIMINAR da reintegração de posse, com a expedição do respec-
tivo mandado, posto que suficientemente demonstrados os requisitos dos artigos
927 e 928 do Código de Processo Civil;
1.1) Caso Vossa Excelência não entenda suficientemente demonstrada a posse
do autor, requer a designação de audiência de justificação de posse, para a
qual deverá ser citado o réu, nos termos do artigo 928, caput, do Código de
Processo Civil;
2) a citação do réu para, querendo, apresentar contestação, sob pena de revelia;
3) ao final e cumulativamente (CPC, art. 921, I), seja julgado procedente o pedido
para:
3.1) reintegrar (manter) o autor definitivamente na posse ;
3.2) a condenação do réu a ressarcimento das perdas e danos, estes compreen-
dendo os valores que eventualmente sejam necessários para ,
tudo devidamente atualizado e acrescido de juros de mora de 1% ao mês
(CC/2002, art. 406);
3.3) a condenação ao pagamento de um valor de aluguel por cada dia posterior
àquele em que deveria ter sido entregue os bens ( / /20 );
3.4) o desfazimento de construção ou plantação feita no imóvel;
3.5) o pagamento de custas e honorários advocatícios, estes no importe de 20%
(vinte por cento) sobre o valor da causa;
4) a produção de todas as provas admitidas em direito, em especial a documental,
testemunhal e pericial.
Dá-se à causa o valor de R$ (reais).
Termos em que
Pede deferimento.
Local, de de 200 .
Nome do advogado
OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
89

Modelo de petição inicial de embargos de terceiro

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da Comar-


ca de . (mesma competência do processo principal indicada no
texto da prova)

Autos n.º (do processo principal indicado no texto da prova)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritório
profissional na Av. , n.º , na cidade de
, Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, opor, nos termos do artigo 1.046 e seguintes do Código de Processo
Civil,

Embargos de Terceiro
contra o (de regra: o autor do processo principal) Banco mais dinheiro, pessoa
jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob n.º , com
sede na cidade de , Estado do , sito à Rua
, n.º , na pessoa de seu representante le-
gal, o que faz pelas razões de fato e de direito que passa a expor.

Breve resumo da inicial


■■ Identificar, a partir dos dados constantes do texto da prova, qual a discussão tra-
vada entre as partes no processo principal.
■■ Descrever qual ato emanou do feito principal e refletiu sobre o bem ou direito do
terceiro embargante.
■■ Descrever o bem ou direito atingido pela ultraeficácia do processo principal.
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Da tempestividade
■■ Os embargos de terceiro têm um prazo (CPC, art. 1.048), conforme o tipo de pro-
cesso principal, para serem opostos. Assim, é necessário demonstrar o respeito
ao prazo aplicável.

Do direito
■■ A definição legal dos embargos de terceiro está muito associada à proteção da
posse ou propriedade de coisa.

■■ Os elementos mínimos da petição inicial estão descritos no artigo 1.050 do


Código de Processo Civil: prova da posse + qualidade de terceiro + ato judicial
ilegal/injusto.

■■ O pedido liminar de proteção sobre a coisa ou direito está sujeito à caução, nos
termos do artigo 1.051 do Código de Processo Civil.

Dos requerimentos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:

1) Sejam os embargos distribuídos por dependência ao Juízo da Vara Cível da


Comarca de e apensos aos autos n.º (CPC,
art. 1.049).
2) Uma vez tendo sido oferecida caução idônea e suficiente, seja concedido o provi-
mento de natureza liminar para (CPC, art. 1.051).
3) Seja suspenso, no todo ou em parte, o curso do processo principal (CPC, art.
1.052).
4) Seja o réu citado para, querendo, no prazo legal (CPC, art. 1.053), oferecer con-
testação, sob pena de revelia.
5) A procedência do pedido para excluir (liberar) o bem da constrição judicial.
6) A produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a
documental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal, cujo rol
segue abaixo e a pericial.
7) A condenação do embargado ao pagamento das custas e honorários, estes a serem
fixados por este Juízo.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
91

Rol de testemunhas:

1 – Beltrano de Tal, brasileiro, profissão, com endereço à Rua ,


n.º , na cidade de , Estado do ;

Dá-se à causa o valor de R$ (reais). (valor do bem ou direito).

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula IX

Mandado de segurança
O mandado de segurança é um mecanismo de defesa do cidadão (individual ou
coletivamente) contra a prepotência do Estado ou de quem produza atos jurídicos em
seu nome.

É a um só tempo, remédio processual e garantia constitucional, voltado à con-


servação do pleno exercício, fruição e gozo do direito em seu estado puro, não tolerando
sua substituição pelo equivalente monetário (tutela específica).

O mandado de segurança é ação de conhecimento com cognição plena e exauriente


secundum eventum probationis, cujo procedimento está regulado pela Lei 12.016/2009.

Conforme a titularidade do direito tutelado, o mandado de segurança pode ser


individual (CF, art. 5.º, LXIX) ou coletivo (art. 5.º, LXX). Em relação a este último, é
correto o entendimento de que não se trata de outra figura ao lado do mandado de segu-
rança tradicional, mas apenas de nova hipótese de legitimação para a causa.

Se o direito tutelado por esse remédio já tiver sido lesado, o mandado de segu-
rança será repressivo, enquanto que, se caso tratar de ameaça de lesão, será preventivo.

Após muito se discutir a respeito da expressão “direito líquido e certo”, parece


ser consenso, entre os juristas da atualidade, que a liquidez mais significa um reforço de
expressão, isto é, o direito que se apresenta certo tem, em tese, alto grau de plausibilidade;
logo, a certeza do direito é aferível a partir da circunstância de estarem suficientemente
demonstrados os fatos a partir dos quais se pretende a concessão da ordem, sem recurso
a dilações probatórias. A prova no mandado de segurança, portanto, será sempre docu-
mental, de cuja autenticidade e conteúdo não se possa duvidar, devendo, sempre que
possível, acompanhar a inicial.

O “direito líquido e certo” tem natureza processual, mais especificamente de


condição de ação específica, criada no patamar constitucional, de modo que a sua ausên-
cia levará à carência do mandado de segurança.
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

A ilegalidade usualmente relaciona-se aos desvios de padrões de legalidade


estrita e, consequentemente, à prática de atos vinculados.

Abuso de poder, diferentemente, relaciona-se intrinsecamente aos chamados


atos discricionários, ou seja, àqueles atos em que a autoridade tem maior margem de
apreciação dos motivos, dos elementos ou da finalidade a ser atingida pelo ato.

É importante ter presente que tanto os casos de ilegalidade como os de abuso


de poder são formas de invalidades e desconformidades com o ordenamento jurídico,
declaráveis pelo Judiciário.

Haver ou não a ilegalidade ou o abuso de poder a ser declarado pelo juiz significa
analisar o mérito da ação de segurança, isto é, conceder ou não a ordem pleiteada.

O ato coator eivado de vício pode ser comissivo ou omissivo.

A autoridade coatora deve ser pessoa física que, em nome da pessoa jurídica à
qual esteja vinculada, tenha poder de decisão, isto é, de desfazimento do ato guerreado
no mandado de segurança. Assim, o mandado de segurança não deve ser impetrado
contra o mero executor da ordem, mas contra quem tenha efetivamente decidido por sua
prática e, em se tratando de ato omissivo, por sua abstenção.

É inerente ao writ a possibilidade de liminar para proteção in natura do bem ques-


tionado pelo Estado (ou por quem lhe faça as vezes), constitucionalizando-se, destarte,
o direito subjetivo público do impetrante à obtenção de liminar quando comprovados seus
pressupostos específicos.

Trata-se, pois, de tutela de urgência, que conforme o caso concreto terá natureza
cautelar ou antecipatória.

A lei (art. 7.º, II) exige a concorrência de dois requisitos para a concessão da
liminar em mandado de segurança.

Por fundamento relevante entende-se a alta probabilidade de ganho da causa pelo


impetrante a partir das alegações e do conjunto probatório já trazido com a inicial
(direito líquido e certo).

A ineficácia da medida equipara-se ao periculum in mora, ou seja, deve-se entender


a necessidade da prestação da tutela de urgência antes da concessão final da ordem, sob
pena de comprometer o resultado útil do mandado de segurança.

O mandado de segurança é ação cível, a qual, como outra qualquer, exige petição
inicial que respeite os requisitos enumerados no artigo 282 e seguintes do Código de
Processo Civil (CPC), instruída com os documentos que comprovem o direito líquido

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
95

e certo, salvo na hipótese de os documentos estarem em posse da autoridade coatora,


quando serão requisitados (art. 6.º, §1º).

O direito de impetrar o mandamus extingue-se (= prazo decadencial) decorri-


dos 120 (cento e vinte) dias contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado
(art. 23).

Estando em ordem a petição inicial, presentes os requisitos, o juiz concederá o


provimento liminar, se este foi requerido pelo impetrante.

Indeferida liminarmente a ação, cabe apelação. Se concedida ou não a liminar,


cabe agravo de instrumento à parte interessada.

A notificação da autoridade coatora serve como citação. A autoridade coatora


terá prazo de 10 (dez) dias para apresentar informações, que a doutrina tem entendido
possuir natureza de contestação. Assim, sua ausência implica em revelia, ainda que
nesse caso não se aplique o efeito da confissão ficta (CPC, art. 319).

Findo esse prazo, é colhida a manifestação do agente do Ministério Público (art.


12).

Da sentença cabe apelação, ainda que também sujeita ao reexame necessário,


quando tenha julgado procedente o pedido de segurança (art. 14). Todavia, mesmo
havendo recurso, é possível executar provisoriamente a sentença.

Intervenção de terceiros
Dentro da ação em que litigam autor e réu podem surgir, ainda que de modo indi-
reto, interesses de pessoas estranhas às quais a lei permite intervir ou mesmo ingressar
no processo. Nesse sentido, prevê-se a assistência, a oposição, a nomeação à autoria, a
denunciação da lide e o chamamento ao processo.

Denunciação da lide
O instituto da denunciação da lide é a forma reconhecida pela lei como idônea
para trazer um terceiro ao processo (litisdenunciado), a pedido da parte, autor e/ou réu
(litisdenunciante), visando eliminar eventuais ulteriores ações regressivas, nas quais
o terceiro figuraria, então, como réu. Assim, o direito de regresso será resolvido no
mesmo processo da demanda principal.

Trata-se de ação que, como tal, deverá respeitar os requisitos dos artigos 282 e
283, ambos do CPC. É possível o seu manejo nas ações de rito ordinário e, em caso de rito
sumário, unicamente nas hipóteses fundadas em contrato de seguro (CPC, art. 280).

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

O fundamento dessa ação de regresso deverá ser uma das hipóteses descritas no
artigo 70 do CPC. De todas, apenas a prevista no inciso I (evicção) é realmente obri-
gatória, sob pena de renúncia. As demais, se não utilizadas na forma de denunciação,
poderão ser, depois, objeto de demanda autônoma.

Para fins legais, o litisdenunciado forma um litisconsórcio com o litisdenun-


ciante, em relação à ação principal (CPC, art. 74). Ordenada a citação do litisdenunciado
o processo principal fica suspenso, retomando seu trâmite depois de oportunizada a
resposta (art. 72). Se o litisdenunciado não contestar, será reputado revel.

A denunciação da lide não forma caderno apenso, aproveita a mesma estrutura


procedimental do processo principal, especialmente na fase instrutória, devendo ser
julgada em conjunto com a demanda principal, desde que o litisdenunciante seja vencido
na demanda principal (CPC, art. 76).

Mandado de Segurança, de Cássia Scarpinella Bueno, editora Saraiva.

Intervenção de Terceiros, de Cândido Rangel Dinamarco, editora Malheiros.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
97

Modelo de petição inicial


de mandado de segurança

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara da Fazenda Pú-


blica da Comarca de .

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Federal da Subse-


ção Judiciária da cidade de , Seção Judiciária do Estado do
.

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritó-
rio profissional na Av. , n.º , na cidade
de , Estado do , onde recebe intimações para
o foro em geral, impetrar, com fundamento no artigo 5.º, inciso LXIX, da Consti-
tuição Federal, e artigo 1.º da Lei 12.016/2009, bem como nos demais dispositivos
legais aplicáveis à espécie,

Mandado de Segurança
com Pedido de Liminar ou Antecipação de Tutela
contra ato do Ilustríssimo Senhor , autoridade
com endereço na Rua , n.º , cidade de
, Estado do , o que faz pelas razões de fato e
de direito que passa a expor.

Dos fatos
■■ Os fatos constam do texto da prova.
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Do direito

■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.

■■ Trate inicialmente do ato (comissivo ou omissivo) ilegal ou abusivo atacado.

■■ A seguir, trate do direito líquido e certo ofendido, o qual deve estar suficiente-
mente demonstrado por prova exclusivamente documental.

■■ Trate da necessidade do provimento liminar (Lei 12.016/2009, art. 7.º, III).

Dos pedidos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:

1) a concessão de provimento liminar para ;

2) a NOTIFICAÇÃO da douta Autoridade Coatora para prestar as informações de


estilo, no prazo legal (Lei 12.016/2009, art. 7.º, I);

3) com ou sem informações da Autoridade Impetrada, seja o pedido julgado pro-


cedente para conceder a segurança pleiteada, determinando à Autoridade Coa-
tora que , sob pena de ;

4) a produção de prova documental – com a expedição de ofício à autoridade coatora


para que exiba o documento original ou cópia autenticada, num prazo de 10 dias,
sob pena de (Lei 12.016/2009, art. 6.º, § 1º);

5) a intimação do ilustre representante do Ministério Público para que se manifeste


acerca do presente;

6) a condenação da ré ao pagamento das custas processuais.

Dá-se à causa o valor de R$ (reais).

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
99

Modelo de denunciação da lide

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (de Família


etc.) da Comarca de .

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritório
profissional na Av. , n.º , na cidade de
, Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, nos termos do artigo 70, inciso , do CPC, propor

Ação de Denunciação da Lide


contra Seguradora Xxxx Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no
CNPJ/MF sob n.º , com sede na cidade de ,
Estado do , sito à Rua , n.º
, na pessoa de seu representante legal, o que faz pelas razões de fato e de
direito que passa a expor.

Dos fatos

■■ Os fatos constam do texto da prova.

■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.

■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-


crito.

Do direito

■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

■■ Trate da existência do direito de regresso que o litisdenunciante tem contra o


litisdenunciado (uma das hipóteses do art. 70 do CPC).

■■ Não se esqueça de juntar a documentação pertinente.

■■ Presentes os requisitos é possível requerer antecipação de tutela.

Dos pedidos

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:

1) a concessão de provimento liminar para ;

2) a citação da seguradora litisdenunciada, na pessoa de seu representante legal,


para, querendo, apresentar contestação, no prazo legal, sob pena de revelia, pros-
seguindo o feito na forma dos artigos 75 e 76 do Código de Processo Civil;

3) a procedência do pedido para, no caso do litisdenunciante ser vencido no pro-


cesso principal, condenar a litisdenunciada a assumir os encargos da ação princi-
pal, isto é, a ;

4) a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a docu-


mental, com a juntada posterior de documentos; a testemunhal, cujo rol segue
abaixo; e a pericial, cujos quesitos seguem abaixo;

5) a condenação da litisdenunciada ao pagamento das custas e honorários, estes a


serem fixados por este Juízo.

Dá-se à causa o valor de R$ (reais).

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula X

Ação de despejo
A ação de despejo é típica do locador contra o locatário para reaver o imóvel
objeto da locação.

Nos termos do artigo 58 da Lei 8.245/91 (Lei do Inquilinato):


■ a ação de despejo tramita durante as férias e não se suspende pela superveni-
ência delas;
■ é competente o foro do lugar da situação do imóvel, salvo se outro houver sido
eleito no contrato;
■ o valor da causa corresponderá a doze meses de aluguel.

Nos termos do artigo 59 da mesma lei:


■ a ação terá rito ordinário;
■ admite a concessão de provimento liminar, desde que prestada caução no valor
equivalente a três meses de aluguel, nas hipóteses ali previstas.

Nos termos do artigo 62 do mesmo diploma legal:


■ a ação pode cumular os pedidos de despejo e de cobrança de alugueres devi-
dos, hipótese em que compete ao autor juntar com a inicial, o cálculo discri-
minado da dívida.

Ação de usucapião de terras particulares


O usucapião é modo originário de aquisição do domínio, por meio da posse mansa
e pacífica, por determinado espaço de tempo fixado na lei.

Vários são os requisitos exigidos para que se possa usucapir o bem:


■ o bem possuído possa ser objeto de aquisição (res habilis), o que não sucede,
por exemplo, com os bens públicos e as coisas fora do comércio;
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

■ tenha o possuidor justo título1, ou seja, aquele que seria hábil à transferência
do domínio, não fosse o fato de emanar de quem não é o proprietário do bem
ou de padecer de vício ou defeito que lhe retire a idoneidade para tanto;
■ que a posse seja mansa e pacífica e esteja o possuidor de boa-fé2;
■ tempo de posse, que varia conforme a espécie de usucapião;
■ sentença declaratória de domínio.

A lei civil contempla espécies de usucapiões de bem imóvel: o ordinário (art.


1.242), o extraordinário (art. 1.238), o rural (art. 1.239) e o urbano (art. 1.240).

O usucapião de terras particulares está previsto no CPC, nos artigos 941 a 945.

A competência da ação é o foro onde está situado o imóvel (CPC, art. 95). Havendo
interesse da União, o feito deverá ser processado na Justiça Federal. Nas comarcas que
possuam varas especializadas da Fazenda, Municipal ou Estadual, a elas caberão o pro-
cessamento e o julgamento da ação sempre que ingressem no feito, justificadamente, a
Fazenda Municipal ou Estadual.

Caberá ao autor expor, na petição inicial, o fundamento do pedido, descrever


o bem, juntando sempre que possível planta, croqui ou mapa do imóvel; assim como
juntar a certidão positiva ou negativa do Registro de Imóveis e com certidões negativas
de existência de ação possessória que tenha por objeto o bem usucapiendo. No polo
passivo da demanda deverá estar aquele em nome de quem esteja registrado o imóvel
usucapiendo, bem como dos confinantes, podendo os réus, em lugar incerto, serem
citados por edital. Deverão ser intimados os representantes da Fazenda Pública Federal,
Estadual e Municipal onde se situe o imóvel, para, querendo, manifestarem o interesse
na causa. O agente do Ministério Público também participa do feito como fiscal da lei.

O Usucapião no Âmbito Material e Processual, de Fábio Caldas de Araújo, editora


Forense.

Lei do Inquilinato Comentada: doutrina e prática, de Silvio de Salvo Venosa, editora


Atlas.

1 A comprovação de justo título é dispensada no usucapião extraordinário.


2 A comprovação de boa-fé é dispensada no usucapião extraordinário, no qual é presumida.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
105

Modelo de petição inicial de ação de despejo

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da Comar-


ca de . (foro do lugar da situação do imóvel, salvo se outro
houver sido eleito no contrato, nos termos do art. 58, II, da Lei 8.245/91)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , vem respeitosamente perante este
Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com escritório
profissional na Av. , n.º , na cidade de
, Estado do , onde recebe intimações para o
foro em geral, propor

Ação de Despejo c/c Cobrança


de Aluguel por Rito Ordinário
contra Beltrano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º
, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , no que se refere a ambos os pe-
didos e contra o fiador Cicrano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do
RG n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e
domiciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , quanto a este exclusivamente no
que se refere à cobrança dos alugueres, o que faz pelas razões de fato e de direito que
passa a expor.

Dos fatos
■■ Os fatos constam do texto da prova.
■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.
■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-
crito.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.
■■ Desenvolva os requisitos legais exigidos: existência de relação locatícia residencial +
entrega da coisa + falta de pagamento do aluguel + planilha do valor do débito (Lei
8.245/91, art. 62).
■■ Nas ações de despejo fundadas no artigo 9.º, inciso IV, no artigo 47, inciso IV, no
artigo 53, inciso II, a petição inicial deverá ser instruída com prova da propriedade
do imóvel ou do compromisso registrado (Lei 8.245/91, art. 60).
■■ Liminar tem que ter oferecimento de caução de três meses de aluguel (Lei 8.245/91,
art. 59, §1.º).

Dos pedidos
Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:
1) a citação dos réus para, querendo, no prazo legal, contestar o feito, sob pena de
revelia;
2) a procedência do pedido para (CPC, art. 292) rescindir o contrato de locação e,
por conseguinte, despejar o primeiro réu e, também, condenar ambos os réus ao
pagamento dos valores devidos a título de aluguel, devidamente atualizados e
acrescidos de multas e juros de mora contratuais até o efetivo pagamento;
3) a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a docu-
mental, a testemunhal e a pericial;
4) a condenação dos réus ao pagamento das custas e honorários, estes a serem fixa-
dos no importe de 20% sobre o valor da condenação (CPC, art. 20, §3.º).

Dá-se à causa o valor de R$ (reais). (= 12 meses de aluguel,


nos termos do art. 58, III, da Lei 8.245/91)

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
107

Modelo de petição inicial de usucapião

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara de Registros


Públicos da Comarca de . (aplica-se a regra do art. 95 do CPC)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível (Única) da


Comarca de .

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Federal da Subse-


ção Judiciária da cidade de , Seção Judiciária do Estado do
. (em caso de confronto com bem público federal)

Fulano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º


, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º , e sua esposa, Fulana de tal, brasi-
leira, estado civil, profissão, portadora do RG n.º , inscrita no CPF/
MF sob n.º , de mesmo endereço, vêm respeitosamente perante
este Juízo, por meio de seu advogado adiante assinado (procuração anexa), com es-
critório profissional na Av. , n.º , na ci-
dade de , Estado do , onde recebe intimações
para o foro em geral, propor

Ação de Usucapião Ordinário/Extraordinário


e Bem Imóvel por Rito Especial
contra Beltrano de Tal, brasileiro, estado civil, profissão, portador do RG n.º
, inscrito no CPF/MF sob n.º , residente e do-
miciliado na cidade de , Estado do , na Rua
, n.º ; Cicrano de Tal, brasileiro, estado
civil, profissão, portador do RG n.º , inscrito no CPF/MF sob n.º
, residente e domiciliado na cidade de , Esta-
do do , na Rua , n.º ;
e Empresa Xxxx Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF
sob n.º , com sede na cidade de , Estado do
, sito à Rua , n.º , na
pessoa de seu representante legal, o que faz pelas razões de fato e de direito que
passa a expor.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Dos fatos
■■ Os fatos constam do texto da prova.

■■ Embora o trabalho resuma-se à cópia dos fatos descritos, não se esqueça de colo-
cá-los dentro de uma ordem lógica ou cronológica, para facilitar a compreensão
dos acontecimentos e para facilitar o trato do direito aplicável ao caso.

■■ Não se esquecer de indicar, se possível, a documentação relativa a cada fato des-


crito.

Do direito
■■ Para facilitar, subdivida em itens os tópicos a serem tratados.

■■ Desenvolva os requisitos necessários para a aquisição: res habilis – justo título –


posse mansa e de boa-fé – tempo.

■■ É preciso descrever minuciosamente o imóvel usucapiendo, além de instruir a


inicial com certidão positiva ou negativa do Registro de Imóveis (apuração da
identidade do proprietário) e com certidões negativas da existência de ação pos-
sessória que tenha por objeto o bem usucapiendo.

■■ Além da citação do proprietário e dos confinantes, é preciso citar eventual pos-


suidor atual do bem. Réus em lugar incerto deverão ser citados por edital (CPC,
art. 942).

Dos pedidos
Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:

1) a citação dos réus, para, querendo, no prazo legal, contestar o feito, sob pena de
revelia;

2) a procedência do pedido para declarar que o autor tem o domínio sobre a coisa
descrita, com eficácia retroativa (ex tunc) ao momento em que se consumou o
prazo legal de exercício da posse mansa e pacífica sobre o bem, com a consequente
expedição de mandado para transcrição junto ao registro de imóveis competente;

3) a intimação dos representantes da Fazenda Pública da União, do Estado do


e do município de , para que se manifestem
no interesse da causa;
4) a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a docu-
mental, com a juntada posterior de documentos, a testemunhal e a pericial;

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
109

5) a condenação dos réus ao pagamento das custas e honorários, estes a serem fixa-
dos por este Juízo.

Dá-se à causa o valor de R$ (reais).

Termos em que
Pede deferimento.

Local, de de 200 .

Nome do advogado

OAB/(UF) n.º

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula XI

Dicas sobre a prova escrita

Que livros devo levar?


■ Constituição: Federal e Estadual.
■ Códigos comentados ou anotados: Civil, Processual Civil, Defesa do Consu-
midor.
■ Regimentos Internos do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da
Região, Código de Organização Judiciária Estadual, Código de Normas Esta-
dual e Estatuto da OAB.
■ Livros de doutrina: de preferência resumos ou coletâneas nas áreas de Direito
Civil, Processual Civil e Consumidor.
■ Nota: os livros não devem apresentar anotações à mão.

Outros materiais?
■ De regra, os editais não admitem o uso de folhas soltas (leis, súmulas etc.).

Por onde começar a resolução da prova?


■ Antes de responder às questões do exame, leia-as com atenção.
■ Inicie pela que você achar mais fácil.
■ Procure atender a todos os requisitos indicados na formulação da questão.
■ Responda somente aquilo que foi perguntado.
■ Evite fazer comentários ou emitir opiniões desnecessárias.
■ Procure fundamentar sua resposta indicando o texto legal aplicável.

Cuidado com a distribuição do tempo!

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Redação da peça prático-profissional


■■ Depois de ler e reler a questão, com muita atenção, grife os aspectos essen-
ciais, tais como: datas (prazos, prescrição, decadência, data a ser lançada na
peça), local (competência), sujeitos (identificação das partes e respectivos
polos), idade (menor), fatos, a finalidade a ser alcançada (pretensão, defesa,
revisão, celeridade etc.).
■■ Antes de iniciar a redação você já deve ter definido: qual a peça a ser elabo-
rada, a competência, a legitimidade ativa e passiva, os fatos e os fundamentos
a serem desenvolvidos, os pedidos a serem feitos e o local e data a serem colo-
cados.
■■ Não se identifique, sob pena de nulidade da prova.
■■ Verifique se deve ou não assinar a prova. Utilize, se for o caso, o nome de
advogado indicado no texto da prova.
■■ Cuidado com a apresentação, o capricho, o zelo e a boa aparência da prova.
Evite ao máximo, portanto, borrões e rasuras. Verifique se é ou não possível
o uso de corretivo.

Critérios de avaliação
■■ Raciocínio jurídico: para formar um bom raciocínio jurídico (indutivo ou
dedutivo) e empregá-lo corretamente na peça processual, o examinando
deverá concatenar os fatos do texto da questão, além de conhecer e dominar
as normas jurídicas, a doutrina e a jurisprudência aplicáveis ao caso.
■■ Fundamentação e consistência: o examinando deverá demonstrar raciocí-
nio harmônico ligando cada um dos fatos com a fundamentação pertinente e
amparada em dispositivos legais, opiniões de doutrinadores e jurisprudência.
Deverá proceder a uma exposição ordenada, coerente, clara e objetiva; dotada
de ritmo lógico tanto da matéria de direito como na de fato em que se funda, a
fim de que se possa conhecer aquilo que realmente se pretende.
■■ Capacidade de interpretação e exposição: a capacidade de interpretar está
ligada diretamente ao conhecimento jurídico do direito material e processual,
e à habilidade criativa, indutiva e dedutiva de cada um.
■■ Correção gramatical: esse critério está ligado ao conhecimento e ao domí-
nio linguístico. Para aqueles que têm dificuldade em escrever corretamente
determinadas palavras, consulte sempre um bom dicionário de português. O
importante não é aquele que escreve palavras bonitas, “difíceis – pouco usadas
–, latinas etc.”, mas aquele que se faz entender. O simples é mais valioso e
muitas vezes evita vexame e constrangimento.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
113

Livros de Prática Civil.

Livros de Exame de Ordem.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Prática civil – Aula XII

Resoluções de questões práticas


A título de exemplo e de ambientação do candidato, segue a resolução de algumas
questões práticas, apontando-se os critérios de correção.

Questão 1
Em 15 de outubro de 1970, Maria encontrou, na porta de casa, um cesto com um
bebê. Piedosa, Maria logo se afeiçoou à criança e decidiu registrá-la como seu próprio
filho sem qualquer das formalidades inerentes à adoção. À criança, deu-se o nome de
Bernardo. Em 1975, Maria se casa com Antônio e tem, em 1977, um casal de gêmeos,
seus filhos consanguíneos, chamados Cláudio e Débora. Ao longo da vida, Maria sempre
tratou os três filhos igualmente, sem fazer distinção entre Bernardo e os filhos consan-
guíneos. Perante o meio social em que vivia a família, todos acreditavam que Bernardo
era, realmente, filho de Maria. Em 10 de janeiro de 2004, Maria faleceu. Cláudio, então,
convence Bernardo a fazer um exame de DNA, que comprova cabalmente não ser Ber-
nardo descendente genético de Maria. Poucos dias depois, munidos do exame de DNA,
Cláudio, Débora e Antônio propuseram ação declaratória de nulidade do registro civil
de Bernardo, sustentando a falsidade do dado relativo à maternidade. Visam, com isso,
desconstituir o direito à herança. Qual a defesa de direito material que pode ser arguida
em favor de Bernardo? Explique e fundamente completamente sua resposta.

Bernardo detém a denominada posse de estado de filho, que permite a constituição da


filiação socioafetiva. Apresentam-se, no caso, os requisitos da posse de estado, quais sejam, nomen
(possui o nome da mãe), tractatio (é tratado como filho) e reputatio ou fama (é socialmente reputa-
do filho). Cabe notar que não se trata de revogação do reconhecimento, mas de nulidade do registro,
sob o fundamento de suposta falsidade, pelo que não soluciona o problema a simples citação dos
artigos 1.610 e 1.604 do Código Civil.

Resposta Pontos Corretor 1 Corretor 2


Referência à filiação ou à posse de estado
0,4
de filho.
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Resposta Pontos Corretor 1 Corretor 2


Indicação dos três requisitos da posse de
0,6
estado.

Questão 2
João, após consultar um site brasileiro de vendas via internet, comprou, por
meio do próprio site, um álbum composto por quatro CDs com a gravação da ópera
L’Incoronazzione di Poppea, de Claudio Monteverdi, com regência de Herbert von Karajan,
pelo qual pagou a quantia de R$200,00 (duzentos reais). Quinze dias após a solicitação
do produto e pagamento do valor estipulado no site, João recebeu seus CDs e, após
abrir a embalagem e ouvir os primeiros dez minutos de ópera, verificou que, embora os
CDs funcionassem perfeitamente, tratava-se de gravação de qualidade artística duvido-
sa, ante a total falta de domínio do estilo barroco por parte do regente e dos cantores
que participaram da gravação. Arrependido, João, naquele mesmo dia, remeteu uma
mensagem ao site visando à devolução dos CDs. O site sustentou a impossibilidade de
devolução do produto após a ruptura do invólucro.
■■Pergunta-se: uma vez contratada a compra dos CDs e pago o valor constante
da página da internet, teria João, tomando por base os dispositivos legais vi-
gentes, direito à devolução do produto adquirido e à consequente restituição
do montante pago?

Trata-se de relação de consumo, disciplinada pelo Código de Defesa do Consumidor. Con-


forme dispõe o artigo 49, caput, do Código de Defesa do Consumidor, o consumidor pode desistir
do contrato até 7 (sete) dias após o recebimento do produto sempre que a contratação ocorrer fora
do estabelecimento comercial, o que permite então que João desista da compra dos CDs. Já de acor-
do com o parágrafo único do mesmo artigo, se o consumidor exercitar seu direito de arrependimento
durante o prazo de reflexão, os valores eventualmente pagos deverão ser devolvidos de imediato,
monetariamente atualizados. Não se aplica o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor, uma
vez que o produto não possui vício.

Critérios para correção Pontos Corretor 1 Corretor 2


Indicar que João tem direito à devolução dos
0,2
CDs e restituição dos R$200,00 pagos.
Indicar que se trata de direito de arrependi-
mento do consumidor, vez que o contrato foi 0,5
celebrado fora do estabelecimento comercial.
Mencionar a previsão legal contida
no artigo 49 e parágrafo único 0,3
do CDC (Lei 8.078/90).

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
117

Questão 3
O exequente tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algu-
mas medidas executivas. Considerando que o executado já tenha apresentado embargos
quando da desistência da execução pelo exequente, é necessária a concordância do exe-
cutado para que a desistência produza efeitos a ponto de também extinguir os embargos
opostos? Explique e fundamente, na lei, sua resposta.

A situação é disposta pelo parágrafo único do artigo 569 do Código de Processo Civil.

Se os embargos versarem apenas sobre questões processuais, a execução e os embargos


serão extintos independentemente do consentimento do embargante, embora nos embargos o exe-
quente responderá pelas custas e pelos honorários advocatícios. Tal orientação funda-se no interesse
de agir: extinto o processo de execução, já não subsistirá interesse do embargante questionar maté-
ria processual a ele relacionada.

Nas demais hipóteses, isto é, quando os embargos não versarem apenas questões pro-
cessuais, sua extinção dependerá do consentimento do embargante/executado. Nessas situações,
a eventual sentença de procedência terá eficácia transcendente aos lindes da execução extinta
pela desistência, podendo reconhecer, por exemplo, a inexistência ou nulidade do título execu-
tivo, ou a inexistência do crédito exequendo etc. Em suma, a extinção da execução não atinge o
interesse jurídico que ensejou a ação de embargos.

Critérios para correção Pontos Corretor 1 Corretor 2


Explicar a extinção dos embargos
0,4
sem o consentimento do embargante.
Explicar a extinção dos embargos
0,4
com o consentimento do embargante.
Indicar o dispositivo legal aplicável:
Código de Processo Civil, artigo 569, 0,2
parágrafo único.

Questão 4
Rômulo e Remo constituíram, por contrato social, uma sociedade em conta de
participação. Assim como determina a Lei, a atividade constitutiva do objeto social era
exercida unicamente pelo sócio ostensivo, Rômulo, em seu nome individual e sob sua
própria e exclusiva responsabilidade. Ocorre que, a partir de um determinado momento
Remo, o sócio participante, passou a atuar em conjunto com Rômulo nas relações jurí-
dicas comerciais com terceiros. Responda fundamentadamente qual a responsabilidade
de Remo perante terceiros? E ainda, o terceiro que se sentir prejudicado pode exigir o

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

cumprimento integral da obrigação somente por Remo, o sócio participante? Justifique


e fundamente sua resposta.

A resposta deve abordar os termos do artigo 993 do Código Civil, parágrafo único, ex-
plicando que no caso em espécie ocorreria a responsabilidade solidária do sócio participante e do
ostensivo, pois está descrita uma exceção à regra geral das Sociedades em Conta de Participação,
prevista no parágrafo único do artigo 991 do Código Civil.

Nos termos do artigo 993 do Código Civil, o contrato social produz efeitos somente entre os
sócios, e a eventual inscrição em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade.
Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode
tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com
este pelas obrigações em que intervier.

Quando ocorre a solidariedade passiva, o credor pode exigir de um dos devedores parcial
ou totalmente a dívida comum, como descrito no artigo 275 do Código Civil brasileiro, o que torna
possível ao terceiro exigir somente de Remo o cumprimento da obrigação.

Critérios para correção Pontos Corretor 1 Corretor 2


Identificar a responsabilidade solidária
0,6
dos sócios (CC, art. 993)
Afirmar o direito de exigir o cumprimento
0,4
somente de Remo (CC, art. 275)

Questão 5
Em ação de reconhecimento de paternidade, movida por F. P., menor impúbere,
representado por sua mãe, Maria, contra seu suposto pai, José, foram produzidas somen-
te provas testemunhal e pericial hematológica, por absoluta impossibilidade financeira
de custear o exame de DNA sem comprometer a capacidade financeira de ambos os
pais, que não se enquadram em nenhuma possibilidade de obtenção gratuita do exame.
A sentença declarou que o menor F. P. é filho biológico de José, que restou condenado
ainda ao pagamento de pensão alimentícia. Inconformado, apresentou apelação e, com
a autorização expressa e absolutamente consciente de Maria, escreveu uma carta a um
programa de televisão que os escolheu para realizar o exame de DNA. Recebeu o resul-
tado que afastou a possibilidade de ele ser pai da criança em cadeia nacional de televisão,
o que foi informado nos autos muito antes do julgamento pelo Tribunal. O acórdão do
Tribunal, entretanto, manteve a sentença reconhecendo a paternidade, tomando em con-
sideração somente as provas produzidas durante a fase probatória. Essa decisão transitou
em julgado e José já iniciou o pagamento da pensão.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
119

Considerando somente o que foi anteriormente descrito, responda fundamenta-


damente:
a) Qual o meio de alterar a decisão de mérito transitada em julgado?
b) José pode parar imediatamente de pagar a pensão a que foi condenado?
c) No caso descrito, o novo laudo de DNA pode servir para modificar a senten-
ça declaratória de paternidade? Justifique e fundamente sua resposta.
A forma prevista no artigo 485 do Código de Processo Civil para desconstituir decisão
transitada em julgado é a ação rescisória.
José não pode deixar de pagar a pensão, tendo em vista que, nos termos do artigo 489 do
Código de Processo Civil, a propositura da ação rescisória não suspende o cumprimento da decisão
que se pretende desconstituir.
No caso descrito, o exame de DNA foi realizado pelas partes de forma consensual e ex-
trajudicialmente, sendo tal fato informado em grau de recurso de apelação. A falta de pronuncia-
mento judicial sobre a realização do exame de DNA, que demonstra a inexistência da relação de
paternidade, constitui erro de fato. Assim, incidem as regras do inciso IX e parágrafo 1.º do artigo
485 do Código de Processo Civil, que tratam da hipótese do julgador desconsiderar um fato efeti-
vamente ocorrido, neste caso, a realização do exame de DNA. De outro lado, estão preenchidos os
requisitos do parágrafo 2.º do artigo 485 do Código de Processo Civil, pois não houve controvérsia
nem pronunciamento judicial sobre o fato, já que o exame foi realizado de forma consensual e sobre
o qual o Tribunal não se manifestou, considerando somente as provas produzidas durante a fase
instrutória.

Critérios para correção Pontos Corretor 1 Corretor 2


Ação rescisória (CPC, art. 485) 0,4
Não (CPC, art. 489) 0,4

Sim, pois se trata de erro de fato, vez que


o Tribunal desconsiderou a realização do exame 0,2
de DNA (CPC, art. 485, IX, §§ 1.º e 2.º)

Questão 6
Adelino, quando foi retirar a segunda via de seu título de eleitor, tomou conheci-
mento, através de matéria publicada em um jornal local, que Severino, servidor público
remunerado da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, foi nomeado pelo Secretário
de Estado da Saúde sem a aprovação em concurso público, condição esta expressamente
exigida por lei.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
PRÁTICA CIVIL

Com base exclusivamente nos fatos hipotéticos narrados, responda:

a) Adelino tem legitimidade para propor qual medida judicial contra o ato pra-
ticado? Por quê?

b) Contra quem a medida deve ser proposta?

c) A medida seguirá qual procedimento?

d) Qual o prazo prescricional para a propositura da medida? Justifique e funda-


mente sua resposta.

Tendo em vista que Adelino é cidadão, condição esta demonstrada por seu título de eleitor,
tem legitimidade para propor ação popular, conforme artigo 5.º, inciso LXXIII da Constituição
Federal c/c caput e parágrafo 3.º do artigo 1.º da Lei 4.717/65, porque o ato praticado é lesivo ao
patrimônio de Estado, na forma do inciso I, do artigo 4.º c/c caput do artigo 1.º, ambos da referida
Lei 4.717/65.

Nos termos do caput do artigo 6.º da Lei 4.717/65, a ação popular deve ser proposta
contra o Estado do Paraná (ente que está pagando os vencimentos indevidos), contra o Secretário
de Estado da Saúde (autoridade que praticou o ato impugnado) e contra Severino (beneficiário do
ato impugnado).

O procedimento da ação popular será o ordinário, com as modificações do artigo 7.º da Lei
4.717/65.

O prazo para a propositura da ação popular prescreve em cinco anos, na forma do artigo
21 da Lei 4.717/65.

Critérios para correção Pontos


Indicar e justificar a legitimidade de Adelino (Lei 4.717/65, art. 1.º,
0,3
caput, e §3.º e CF, art. 5.º, LXXIII)

Indicar e fundamentar o cabimento da ação popular (Lei 4.717/65, art. 1.º,


0,3
caput e art. 4.º, I)

Indicar e fundamentar contra quem deve ser proposta a ação popular


0,2
(Lei 4.717/65, art. 6.º, caput)

Indicar e fundamentar qual o procedimento (Lei 4.717/65, art. 7.º) 0,1


Indicar e fundamentar qual o prazo (Lei 4.717/65, art. 21) 0,1

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
121

Livros de Prática Civil.

Livros de Exame de Ordem.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Anotações

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br
SA N DRO GI L BERT M A RT I N S

PR ÁTICA CI V IL

www.iesde.com.br

PR ÁTICA CI V IL PR ÁTICA CI V IL

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


mais informações www.iesde.com.br