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SEMINÁRIO BATISTA DO CARIRI

DISCIPLINA DE PESQUISA NO NOVO TESTAMENTO: EVANGELHOS

PROF. MÁRCIO BASTOS

O EVANGELHO DE MATEUS

EQUIPE:

Cláudio Meneses

Edson Quevedo

Fábio Tomaz

Joaquim Salviano

Josias Ferreira

Luiz Francisco

Wilton Brasileiro

CRATO – FEVEREIRO DE 2020


O EVANGELHO DE MATEUS

1 Autor

O Levi, filho de Alfeu, nome “Mateus” origina-se do hebraico (Mattiyyah). No AT encontramos


os nomes correspondentes Matan = dádiva, Matanias = dádiva de Deus. Portanto, Mateus
significa “dádiva de Deus”.

Uma questão importante é a seguinte: A história da vocação de Mateus não é relatada apenas
em Mt 9.9, mas também em Lc 5.27s e Mc 2.14. Os três informes coincidem quase que
literalmente.

Mt 9.9: “Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe:
Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.”

Mc 2.14: “Quando ia passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segui-
me! Ele se levantou e o seguiu.”

Lc 5.27: “Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na
coletoria, e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu.”

No texto original grego a coincidência dos textos torna-se mais evidente ainda.

A pergunta é: Por que Marcos e Lucas não chamam de Mateus, e sim de Levi, o publicano
vocacionado por Jesus em Cafarnaum?

O nome Mateus certamente foi um segundo nome que o Senhor deu ao publicano na ocasião da
vocação. Com esse cognome Mateus = dádiva de Deus, Jesus queria expressar a importância
da partida imediata e do seguimento sem delongas.

Fábio Tomaz

2 Lugar de origem

Muitos estudiosos consideram Antioquia o lugar de composição do evangelho.

Por ser uma cidade de fala grega com substancial população judaica; e a possível primeira
evidência clara de alguém usar o evangelho de Mateus vem de Inácio, bispo de Antioquia no
inicio do século II.
Outros centros propostos em anos recentes incluem Alexandria ( van Tilborg, p. 172), Edessa,
província da Siria, e talvez Tiro (Kilpatrick, p. 130ss) ou Cesaria Maritima.

Fábio Tomaz

3 Data

Bíblia ministerial NVI

Mateus escreveu seu evangelho entre 58 e 68 d.C. A expressão “até o dia de hoje” (27.8; 28.15)
indica um período substancial de tempo entre os eventos no livro e a época em que foram
escritos. O discurso Apocalíptico (24.1- 25.46) predisse a destruição de Jerusalém no ano 70.

Enciclopédia bíblica

Meados da década de 60 d. C

Bíblia Thompson

Não é citada a data da escrita deste evangelho.

Bíblia de Estudo Macarthur

Está claro que esse Evangelho foi escrito numa data relativamente antiga, antes da destruição
do templo em 70 d.C. alguns estudiosos propuseram datas como 50 d.C.

Comentário de Mateus, série cultura bíblica

O evangelho de Mateus ocupa o primeiro lugar em todas as testemunhas existentes do texto dos
quatro evangelhos e em todas as listas antigas dos livros canônicos do Novo Testamento.

Papias, como registra Eusébio, afirmou que “Mateus compôs os oráculos no dialeto hebraico e
cada um os traduzia como podia.

A decisão de 1911 da Pontifícia Comissão Bíblica, válida para todos os católicos-romanos,


deixa uma válvula, entretanto, para os que não aceitam, por razões técnicas, a prioridade do
Evangelho grego de Mateus, mas que creem ser ele posterior ao Evangelho de Marcos e que o
consideram uma revisão e não uma tradução da obra anterior de Mateus.

A maioria dos especialistas modernos acha muito difícil crer que nosso Evangelho de Mateus
seja uma tradução de um documento aramaico por trazer marcas de uma composição grega
original.
No máximo poderíamos dizer que uma data posterior a 70 AD é a data mais provável do
“primeiro” evangelho, mas quão posterior não temos meios de saber com precisão

Introdução ao Novo Testamento D.A. Carson

A maioria defende que Mateus foi escrito durante o período entre 80 e 100 A.D. Entretanto, a
maioria das razões propostas em defesa dessa data depende de todo um elenco de opiniões
contestadas.

Muitos asseveram que os anacronismos em Mateus apontam para uma data de redação posterior
a 70 A.D. são a referência à destruição de uma cidade e as referências à igreja.

Embora muitos atribuam Mateus ao período de 70 a 100 A.D., na realidade temos bem poucas
fontes primárias daquele período, de sorte que é difícil conferir as afirmações

Carson cita Gundry afirmando que este compilou uma lista de trechos de Mateus que, ele
acredita, sugerem uma data anterior ao ano 70, tomando por base aspectos que teriam existido
durante aquele período.

Joaquim Salviano

4 Destinatários

Bíblia Ministerial NVI

Mateus escreveu para os Judeu, mas já pensando em todas as pessoas: as evidências são: cita
repetidamente o Antigo Testamento para mostrar que Jesus é aquele a respeito de quem os
antigos escritores falaram, Mateus escreveu uma audiência judaica para apresentar uma
evidencia forte da realeza de Jesus “chegou a vocês o reino de Deus” (12.28)

Enciclopédia bíblica

Cristãos judeus. Especialmente útil para entender como Jesus se encaixa no A.T

Bíblia Thompson

Os destinatários deste evangelho foram principalmente os judeus. Esse ponto de vista é


confirmado pelas referências às profecias hebraicas, cerca de 60, e pelas cerca de 40 citações
do A.T. Ressalta especialmente a missão de Cristo aos judeus, Mt 10:5,6; 15:24.
Bíblia de Estudo Macarthur

Eusébio (por volta de 265-339 d. C) citando Orígenes (185-254 d. C), afirma: “Entre os quatro
Evangelhos, que são os únicos indiscutíveis na Igreja de Deus debaixo do céu, aprendi pela
tradição que o primeiro foi escrito por Mateus, que havia sido publicano, mas que
posteriormente tornou-se apóstolo de Jesus Cristo, e foi preparado para os convertidos do
judaísmo (história eclesiástica, 6:25).”

Comentário de Mateus, série cultura bíblica

Kilpatrick também sustenta que o caráter mais suave e mais suscinto da narrativa de Mateus,
comparada com a de Marcos, em passagem onde ambos os evangelistas registram os mesmos
incidentes, é devido ao desejo de Mateus de compor seu material de modo mais apropriado para
leitura na igreja.

Introdução ao Novo Testamento D.A. Carson

A pressuposição usual é de que o evangelista escreveu esse evangelho para atender às


necessidades de crentes de sua própria região, visto que o livro deixa entrever um número tão
grande de aspectos judaicos; não é fácil imaginar que em sua mente o autor estivesse
procurando alcançar um grupo predominantemente gentílico.

Joaquim Salviano

5 Propósito

Para D. A. Carson o propósito de Mateus é que Jesus é o Messias prometido, Filho de Davi,
Filho de Deus, Filho do homem, Emanuel; que muitos judeus fracassaram em não percebe-lo
como Messias; o reino messiânico já se manifestara pela vida, ministério, morte, e ressureição
e exaltação de Jesus; que o Reino é caracterizado pela obediência a Jesus; que o povo de Deus
se caracteriza tanto por judeus como por gentios; ao longo dessa era os discípulos de Cristo
devem suportar tentações e perseguições. O cumprimento da antecipação da e a experiência do
perdão concedido pelo Messias.

Nesta base como uma gama de temas era destinada a satisfazer muitas necessidades, como,
instruir e talvez catequizar; fornecer material apologético e evangelístico, em especial, para
ganhar judeus; encorajar cristãos em seu testemunho diante de um mundo hostil; inspirar a fé
no messias que é Jesus.

Para alguns autores como Robert H. Gundry e D. A. Carson, não poderíamos taxar apenas um
propósito para Mateus, pois com essa prática tornaríamos reducionistas. Muitas ideias foram
relacionadas como proposito único de Mateus, mas , outros ainda compreendem que exista
tendências contraditórias em Mateus, como o exclusivismo judaico e a missão mundial, ou o
reconhecimento do papel da lei e a pressuposição de que a lei cumpriu em Cristo, desta forma
conclui-se que é impossível um único propósito em Mateus as ênfases conflitantes tendem a
divergir com a tradição.

Luiz Francisco

6 Mensagem

O Evangelho de Mateus faz uma ponte perfeita entre o Velho Testamento e o Novo Testamento.
Ele inicia o livro apontando a genealogia de Jesus com início em Abraão.

Os judeus davam muito valor a genealogia, pois era assim que se provava de qual tribo ele
pertencia e os direitos de herança. Dessa forma, Mateus inicia seu evangelho apresentando Jesus
como descendente de Davi, para que ficasse evidente o direito ao trono de Davi, por Jesus.

Percebe-se que Mateus tinha o objetivo de evidenciar para os judeus que Jesus é o cumprimento
das promessas do Velho Testamento, assim ele desenha toda a genealogia desde Abraão para
mostrar que Jesus era o cumprimento da promessa de salvação feita por Deus Pai em todo o
Velho Testamento.

Mateus também busca comprovar, o cumprimento do Messias em Jesus, através das Profecias
feita no Antigo Testamento. O autor usa seis profecias feitas, que apontavam para o Messias ou
que testemunhavam do Messias, vistas, claramente cumpridas em Jesus Cristo.

Mateus estava proclamando o nascimento do Rei esperado, o Rei dos Reis. E a genealogia era
de extrema importância para mostrar a origem do Rei. Só que Jesus não é um só de origem
humana, Ele é Deus. Então Mateus ressalta que José não gerou Jesus, que Jesus foi gerado pelo
Espírito Santo.
A mensagem que Mateus passa para os Judeus, é que: Jesus atende todos os requisitos exigidos
no Antigo Testamento, quanto ao Messias, tanto em Obras, quanto em Palavras: JESUS
CRISTO ERA O MESSIAS PROMETIDO NO ANTIGO TESTAMENTO.

Do capítulo cinco em diante, serão seus Ensinos e suas Obras que irão testemunhar de Cristo
como o verdadeiro Messias.

Josias Ferreira

7 Conteúdo

7.1 Palavra-chave – βασιλεια, “reino”

7.2 Versículo-chave:

“Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisa lhes serão
acrescentadas” (Mt 6.33)

“Na ordem tradicional Mateus faz a abertura do NT. Isso se


justifica porque ele é aquele dos quatro evangelhos que tenta mais
rigorosamente permanecer na linha do AT. Forma assim uma
ponte entre a expectativa do reino messiânico, cuja vinda é
proclamada nos livros proféticos do AT, e a vinda de Jesus, vista
pelo NT como cumprimento dessa expectativa.”
(MAUERHOFER, 2010, p.72 Apud CULLMANN, 1963,)

7.3 Estrutura:

1-A chegada do Messias Mt 1-2.23

2-Preparação da atuação do Messias Mt 3.1-4.11

3-Atuação de Jesus na Galileia e regiões circunvizinhas Mt 4.12-18.35

4-Atuação do Messias na Judeia (à sombra da cruz) 19.1- 25-46

5-Auge do evangelho: paixão, ressurreição e incumbência do Messias 26.1-28.20


(MAUERHOFER, 2010 p. 72-76).
Para Douglas e Leon (1997 p.67), “Todos os estudiosos reconhecem que Mateus foi um grande
escritor mas por existir muitos indicadores de estrutura, não há um consenso entre eles em
relação a estrutura correta, as discursões surgem dessa batalha entre os eruditos. Mas em meio
a muitos argumentos sobre este assunto Carson mostra três teorias principais, são elas:

I. Alguns indicam uma estrutura geográfica relacionada com o Evangelho de Marcos: passagens
paralelas entre os dois Evangelhos. Esta estrutura é assim, (Marcos 1, o problema sinótico).
[Mateus 1.1-2.23 prólogo (apresentação) ligado a preparação para o Messias 3.1-4.11; paralela
a Mc 1.1-13]. Segue o paralelo (At 4.12-13.58; indo para Galileia Mc 1.14-6-13). As demais
todas marcadas por temas. (O problema desse tipo de estrutura, é que se percebe fatores
Cronológico, geográfico e temático, mas perde os marcadores literários deixados por
Mateus.

II. Seguindo sugestões feitas por Stnehouse [...] defendeu a existência de três grandes seções
firmemente amarradas ao desenvolvimento cristológico.

1-A pessoa de Jesus, o Messias1.1-4.16

2-A proclamação de Jesus, o Messias 4.17- 16-20

3-Sofrimento, morte e ressurreição de Jesus, o messias 16. 21-28.20

Segundo o Carson, a estrutura acima “padece de devesas fraquezas” palas seguintes razões: não
fica claro que a frase “desde esse tempo” demarca um avanço no enredo da história: esta aparece
no fim das duas primeiras seções, no aspecto racional, muito importante para Mateus: toda
estrutura deveria girar em torno desta expressão, porque Mateus a emprega no 26.16 sem
alteração na narrativa, um esboço cristológico, não claro. (DOUGLAS E LEON, 1997, p. 67).

III. As estruturas propostas com maior frequência gira em torno da observação de que Mateus
apresentava cinco discursos

Cinco secções:

Livro I: Trata de discipulado: narrativa 3-4, discurso 5-7; Livro II: apostolado: narrativa 8-9;
discurso 10: Livro III: do ocultar da revelação: narrativa 11-12, discurso 13; Livro IV: da
administração da igreja 14-17: Livro V: do juízo: narrativa 19-22: discurso 23-25. Isso deixa
Mateus 1, 2 como preâmbulo (apresentação) e 26-28 como epílogo (conclusão).
De acordo com a obra Panorama do Novo Testamento, Gundry apresenta uma Estrutura de
cinco discursos, sendo eles:

1. O sermão da montanha 5.1-7.29:


2. A comissão e instrução aos doze discípulos para sua missão pela Galileia 9.35-11.1:
3. As sete parábolas sobre o reino 13.1-52:
4. A humildade e perdão com a parábola dos dois devedores 18.1-35:
5. Os Ais contra os escribas e fariseus 23.1-39, e o discurso no monte das Oliveiras 24.125-
46. Nos intervalos dos sermões são relatados os milagres de Jesus, libertando muitos de
possessão, curando-os diversas doenças e perdoando pecados. (GUNDRY, 2001, p.96-
98)

3-Morte e ressurreição do messias 26.1-28-20

Novamente Jesus prediz sua morte, a conspiração do Sinédrio. A unção de Jesus em Betânia e
a resultante barganha de Judas, traidor de Jesus 26.1-16. A última Ceia 26.17-35. A oração de
Jesus no Getsêmani 26.36-46. Detêm Jesus 26.47-56, jugam 26.57-27.1,2, Jesus escuta Caifás
e a negação de Pedro 2657-75, condenam Jesus 27.1,2, Judas se suicida e Barrabás é solto 27.3-
26. Crucificação e morte de Jesus 27.27-5. Sepultamento de Jesus 27.27-66. A ressurreição
28.1-15. A Grande Comissão 28.16-20.

A quíntupla estrutura desses discursos sugere-nos que, para benefício de seus


leitores judeus, Mateus retratava a jesus como um novo e maior Moises. Tal
como Moisés, Ele proferiu parte de sua lei em um monte. Tal como Moisés,
Seus ensinamentos estão contidos em cinco seções, correspondentes ao
Pentateuco (GUNDRY, 2001, p.93-94)

“(Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, coletivamente intitulados “a lei de


Moisés”)” (GUNDRY, 2001)

Wilton Brasileiro

8. Contribuições do Evangelho

Mateus o publicano (10.3), em nenhum outro lugar da Escritura o nome de Mateus está
associado ao termo “publicano”, os demais evangelhos o chamam de “Levi”.
Mateus estava engajado em um diálogo intenso e polêmico com os judeus incrédulos. Ele era
judeu, mas ao escrever, fazia referência às “sinagogas [deles]” e aos “judeus” como se não mais
fizesse parte da sociedade judaica (4.23; 9.35; 10.17; 12.9; 13.54; 28.15)

Em Mateus, as referências à perseguição promovida pelos judeus e a polêmica contra os cristãos


significaram provavelmente seu rompimento com o judaísmo, mas não como iniciativa pessoal
(10.17; 23.34; 28;15)

Em Mateus o entendimento do cristianismo ainda estava ao alcance da sociedade judaica, e ela


não gostava do que ouvia: os cristãos estavam deixando de lado a autoridade de Moisés a favor
da autoridade de Jesus e estavam pervertendo a tradição judaica

Mateus apresentou três preocupações:

1. Ele desejava demonstrar que apesar de o evangelho trazer mudanças, elas eram o
cumprimento das Escrituras dos judeus, não sua perversão. Usa as palavras de uma parábola
que Mateus considerou importante – O vinho novo rebentará a vasilha de couro (odres) velha,
mas se o vinho novo for colocado em vasilha nova, “ambos se conservam” (Mt 9.17)

2. Mateus desejava provar aos judeus que rejeitaram Jesus, que o vinho e a vasilha estavam
estragados. Deus os havia julgado por sua complacência e hipocrisia, como fizera no século VI
a.C. destruindo Jerusalém, formando um novo povo multiétnico.

3. Mateus entendia que o novo povo de Deus poderia cair na mesma armadilha da complacência
e da hipocrisia. Por compreender esse perigo, ele mencionou o severo juízo contra os falsos
cristãos e insistiu em uma abordagem atraente para alcançar cristãos vulneráveis que tendiam a
extraviar-se do aprisco.

MATEUS RETRATA JESUS COMO REI:

Escrito originalmente para os judeus:


Mateus normalmente cita o costume judaico sem explica-lo, em contraste com os outros
Evangelhos (Mc 7,3; Jo 19,40);
Ele se refere constantemente a Cristo como o “Filho de Davi” (1.1; 9.27; 12.23; 15.22; 20.30;
21.9,15; 22.42,45)

Respeita a sensibilidade judaica em relação ao nome de Deus, usando a expressão “reino dos
céus” (ocorre 31 vezes neste evangelho e em nenhum outro lugar da Escritura) onde os outros
evangelistas falam do “reino de Deus”. (13:11, 24, 31, 33, 44, 45)

O Evangelho de Mateus apresenta Cristo como o Filho de Davi e o Filho de Abraão. Só em


Mateus, Cristo fala do “trono de sua glória” (19,28; 25,31). Somente neste Evangelho Jerusalém
é chamada de “cidade santa” (4,5) e de “cidade do grande Rei” (5,35). Por ser o Evangelho do
Rei, Mateus também é o Evangelho do reino; a palavra “reino” aparece mais de 50 vezes, e a
expressão “o reino dos céus” que não se encontra em nenhum outro lugar do N.T., aparece aqui
cerca de trinta vezes.

Mateus, mais do que os outros evangelistas, identifica eventos e declarações na vida de nosso
Senhor com profecias do A.T. (1,22; 2,15; 17,23; 4,14; 12,17;13,14; 21,4; 26,54-56; 27,9,35).

Mais de 60 citações de passagens proféticas do AT, enfatizando como Cristo é o cumprimento


de todas elas (MacArthur).

GENEALOGIA DE JESUS

Sua genealogia é traçada a partir do rei Davi, e enfatiza Belém, o lugar de seu nascimento, o
lugar de origem de Davi.

Cristo é chamado de “o filho de Davi” sete vezes (1.1; 9,27; 12,23; 15,22; 20,30; 21,9; 22,42)

A genealogia de Mateus começa com Abraão, fundador da nação hebreia, e termina com José,
marido de Maria.

Mateus insere informações históricas (Lucas não).

A genealogia em Mateus é dividida em três partes (1,17) de quatorze gerações, cada:


1. De Abraão até Davi;
2. De Davi até a deportação para a Babilônia, e
3. Desde a deportação para a Babilônia até Cristo.

Zorobabel é o último indivíduo dessas genealogias que se encontra nos registros no A.T. (Mt.
1.13; Lc 3,27)

Há algumas omissões, como, por exemplo, entre Jorão e Uzias (Mt. 1,8), como vemos em 2Rs.
8,24 e 1Cr. 3,11.

Contrariamente aos costumes da época, mulheres foram mencionadas na genealogia de Mateus


(Raabe, Rute, Mt 1,5), (Maria, 1,16);

(1,8) Uzias (chamado Azarias em 2Rs 14.21) não era filho de Jorão, mas seu tetraneto. Comp.
2Rs 8,25;13,1-15.38; 2Cr. 22-25.

“Gerou” por vezes, pode indicar que um homem não é o pai de outro, mas seu antepassado mais
remoto.

TEMAS ABORDADOS SOMENTE EM MATEUS (Harmonia dos Evangelhos)

1. Nascimento, infância e adolescência de Jesus e de João Batista


Anúncio do nascimento de Jesus a José (1.18-23)
A visita dos magos (2.1-12)
A fuga para o Egito e o massacre de inocentes (2.13-18)

2. Ministério Galileu de Jesus


Muda-se para Cafarnaum (4.13-17)
Predição de castigo para os privilegiados (11.20-30)
O pagamento das taxas (17.24-27)

3. Ministério final de Jesus na Judéia e na Peréia


Trabalhadores da hora undécima (20.1-16)
4.A última semana de trabalho de Jesus em Jerusalém
Parábolas: das 10 virgens; talentos; grande julgamento (25.1-46)
O suicídio de Judas (27.3-10)
O aparecimento de Jesus às outras mulheres (28.9-10)
O relato dos guardas sobre a ressurreição (28.11-15)

JESUS CUMPRIU AS ESCRITURAS:

Um dos mais importantes temas teológicos de Mateus é a correspondência da vida e do ensino


de Jesus com diversas declarações das Escrituras judaicas tomadas por Mateus como predições
sobre o Messias. Quinze vezes, Mateus diz que algum aspecto da vida de Jesus “cumpriu” as
Escrituras.
1. O nascimento virginal (1.22,23; cf. Is 7.14, LXX);
2. O nascimento em Belém (2.3-6; cf. Mq 5.2);
3. A mudança com sua família do Egito para Israel (2.14,15; cf. Os 1.1);
4. O assassinato das crianças de dois anos para baixo, ordenado por Herodes, em Belém como
tentativa de matar Jesus (2.16-18; cf. Jr. 31.15);
5. A família ter escolhido Nazaré, na Galiléia, e não na Judéia como lugar para morar (2.23);
6. Sua decisão de viver em Cafarnaum, ao lado do mar da Galiléia (4.13-16; cf. Is. 9.1,2);
7. Seu ensino (5.17);
8. Seu ministério de cura (8.16,17; cf. Is. 53.4)
9. O silêncio imposto às pessoas curadas por ele (12.17; cf. Is 42.1-4);
10. O uso de parábolas para obscurecer seu ensino para os que o rejeitavam (13.13,14; cf. Is 6.
9,10);
11. O uso de parábolas no ensino de forma geral (13.34,35; cf. Sl 78.2)
12. A decisão de montar em uma jumenta, acompanhada de seu filhote, para entrar em
Jerusalém (21. 4-7; cf. Is 62.11; Zc 9.9);
13. 1A recusa de convocar o exército celestial para salvá-lo ao ser preso (26.53,54);
14. O ato da prisão (26.55,56);
15. A aquisição do “campo do oleiro” com as trinta moedas de prata de Judas Iscariotes (27.6-
10; cf Jr 18.2-6; 19.1,2,4,6,11; 32. 6-15; Zc 11.13).

Edson Quevedo
9 Estudo sobre o Reino de Deus

Com já podemos ver anteriormente, apesar de ser caracterizado junto com Lucas e Marcos,
como evangelho sinótico, o evangelho de Mateus tem algumas peculiaridades, inerentes ao
próprio contexto e propósito, nos quais estavam inseridos seu autor.

O tema/propósito deste evangelho, já descritos, é apresentar Jesus como o tão esperado Messias
da nação judaica. Nele existe um sem-número de citações do Antigo Testamento, visando
estabelecer este propósito. Daí entendemos que este evangelho apresenta um tom mais judaico
que os demais, público o qual o autor pretendia atingir mais diretamente.

Outro aspecto diferenciado é como Mateus apresenta o conceito de Reino de Deus. O domínio,
o reinado, a soberania de Deus sobre todas as coisas. Somente em seus escritos o termo é
designado como Reino dos Céus (31 vezes), apesar de que o autor utiliza, em alguns momentos,
o termo Reino de Deus (4 vezes). Segundo MacArthur, é possível que isto tenha ocorrido como
um recurso do autor a fim de fortalecer a fé cristã entre os judeus recém-convertidos, uma
espécie de estratégia apologética (MACARTUR, 2010, p. 1193).

Grundy (2008, p. 164) considera que tanto a expressão Reino de Deus, como Reino dos Céus
são sinônimas e foram utilizadas por Jesus, como por exemplo em Mt 19.23,24, com o mesmo
sentido: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente
entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de
uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. Seu uso depende do propósito do autor.
Como Mateus tinha um foco nos judeus, preferiu dá ênfase a Reino dos Céus, aproximando-a
assim das profecias messiânicas como em Daniel 2.44 (Mas, nos dias destes reis, o Deus do
céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo;
esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre,).

Para os teólogos mais contemporâneos, o conceito de Reino de Deus ou Reino dos céus, nos
evangelhos, leva-nos ao conceito do dualismo escatológico, que é apresentado por Kunz (2014,
p. 39), em três aspectos: (1) O Reino Escatológico: É a vinda do Reino de Deus (Mt 6.10) ou o
seu aparecimento (Lc 19.11) que assinalará o fim da era presente e inaugurará a Era Vindoura,
destruição total do diabo e seus anjos (Mt 25.41) e a perfeita comunhão com Deus no banquete
messiânico (Lc 13.28.29). (2) O Reino Presente: Jesus considerou o seu ministério como um
cumprimento da promessa do Velho Testamento; (3) O Reino em Processo de Realização: O
Reino de Deus esteve ativo no Antigo Testamento. Entretanto num sentido bem real o Reino
de Deus veio e entrou na história na pessoa e missão de Jesus.

Mas, o que Mateus quis dizer com esta expressão?

“O mistério do Reino dos Céus, mencionado em Mateus 13, representa a esfera da


profissão da fé cristã – ou cristandade – que é a forma assumida pelo domínio de Deus
sobre a terra entre os dois adventos de Cristo. (...) O Sermão do Monte é a lei do Reino
dos Céus – a Lei Mosaica do Reino teocrático do Antigo Testamento, interpretada por
Cristo, destinada a ser o código de governo do Reino na terra. O Reino dos Céus,
rejeitado por Israel, será consumado na volta de Cristo. (LADD, 2003, p. 90).

Segundo esta ideia de Ladd, a expressão Reino dos Céus tem uma conotação semítica. O
vocábulo “céu” é usado em substituição termo “Deus”, que reflete uma prática tradicional
judaica, a não menção do nome divino.

Em síntese podemos entender que o Reino de Deus (dos Céus) envolve dois grandes momentos:
o cumprimento da profecia da vinda do descendente no cenário da história humana e a
consumação desta ao fim da história, a era porvir, que pode ser cristalizado na expressão: “já e
ainda não”.

Cláudio Meneses

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo MacArthur. Tradução João Ferreira de Almeida


(ARA). Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010. 2048 p.

BÍBLIA, Português. Bíblia de Estudo Scofield (ACF). São Paulo: Bom Pastor, 2009. 1227 p.

BÍBLIA. Português. Bíblia Ministerial: Uma Bíblia para toda a liderança / Christianity Today.
Tradução Carlos Caldas, William Lane (NVI). São Paulo: EditoraVida, 2016. 2152 p.

BÍBLIA. Português. Bíblia Thompson: Letra Grande / copilado e redigido por Frank Charles
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