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ENERGIA NUCLEAR

Energia nuclear se refere a energia consumida ou produzida com a modificação da composição de


núcleos atômicos. Além de ser a força que arma a Bomba Atômica, a Bomba de Hidrogênio e outras armas
nucleares, a energia nuclear também tem utilidade na geração de eletricidade em usinas de vários países do
mundo. É vista por muitos como fonte de energia barata e limpa; mas por causa do perigo da radiação emitida na
produção desta energia e da radioatividade dos materiais utilizados, outros sentem que ela pode não ser uma
energia alternativa viável para o uso de combustível fóssil ou energia solar. Este tipo de energia também é
utilizado na medicina, na produção de marca-passos para doentes cardíacos.
A "revolução" de Einstein torna popular a fórmula física E=mc² (energia é igual a massa vezes o
quadrado da velocidade da luz). A equivalência entre massa e energia (uma pequena quantidade de massa pode
ser transformada em uma grande quantidade de energia) permite explicar a combustão das estrelas e dar ao
homem maior conhecimento sobre a matéria. É a expressão teórica das enormes reservas de energia armazenadas
no átomo na qual se baseiam os artefatos nucleares.

DEFINIÇÕES CIENTÍFICAS BÁSICAS


Os processos que mudam o estado ou composição da matéria são inevitavelmente acompanhados pelo
consumo ou produção de energia. Processos comuns como a combustão produzem energia pelo rearranjo
químico dos átomos ou moléculas. Por exemplo, a combustão do metano (gás natural) é representado pela
seguinte reação:
CH(4) + 2 O(2) = CO(2) + ENERGIA

Neste exemplo, a energia produzida é de 8 elétrons volts (eV). O elétron volt é uma unidade de energia
utilizada por físicos nucleares e representa o ganho de energia cinética quando um elétron é acelerado pela queda
do potencial em um volt.
A mais conhecida reação nuclear é a fissão, na qual um núcleo pesado se combina com um nêutron e se
separa em dois outros, de núcleos mais leves. Uma típica reação de fissão envolvendo o urânio-235 é:

92 U235 + 1 NÊUTRON = 38 Sr96 + 54 XE138 + 2 NÊUTRONS + ENERGIA

onde a energia liberada é de aproximadamente 200 milhões de elétron volts (eV), um fator de 25 milhões de
vezes superior ao da reação da combustão do metano.
Outra importante reação nuclear é a fusão, na qual dois elementos leves se combinam para formar um
átomo mais pesado. Uma importante reação é:
1H(2) + 1 H(3) = 2 He(4) + 1 NÊUTRON + ENERGIA

onde a energia liberada pela reação é de 18 milhões de eV.


A fusão nuclear é um processo de produção de energia a partir do núcleo de um átomo. Este fenômeno
ocorre naturalmente no interior do Sol e das estrelas. Núcleos leves como o do hidrogênio e seus isótopos, o
deutério e o trítio, se fundem e criam elementos de um núcleo mais pesado, como o hélio.

FUSÃO NUCLEAR
Atualmente muitos cientistas tem tentado desenvolver sistemas eficientes que consigam promover a
fusão controlada de átomos leves. Esses sistemas são chamados de reatores de fusão nuclear e são alvos de
intensas pesquisas, sendo que são, atualmente, a maneira mais adequada de gerar energia para suprir a demanda
atual da mesma.
Inicialmente são três as exigências para a operação bem sucedida de um reator termonuclear:

• Elevada Densidade n de partículas - densidade das partículas integrantes(por exemplo, de deutério) deve
ser suficientemente elevada para que a taxa de colisões d-d seja bastante alta. Na elevada temperatura
requerida, o deutério estará completamente ionizado, e formará um plasma (gás ionizado) neutro,
constituído por dêuterons e elétrons.

• Elevada temperatura T do plasma - O plasma deve estar quente, pois de outra maneira os dêuterons
colidentes não terão energia suficiente para penetrar na barreira coulombina que tende a mantê-los
separados. Nas pesquisas de fusão as temperaturas são geralmente dadas em termos do valor de kT. Em
laboratório já foi atingida a temperatura de plasma iônico correspondente a 20 keV, o que é equivalente
a 23 x 10^7 K. Esta temperatura é mais elevada, por um fator maior que 15, que a temperatura no
interior do Sol(1,3 keV ou 1,5 x 10^7 K).

• obs.: Plasma é um estado da matéria onde a agitação dos átomos é tão alta que os núcleos dos átomos se
desligam dos elétrons em órbita formando assim uma espécie de pasta iônica superaquecida de
nêutrons, prótons e elétrons.

• Um tempo de confinamento t dilatado - Um grande problema é o do confinamento do plasma quente


durante um intervalo de tempo bastante longo para que a densidade e a temperatura permaneçam
bastante elevadas e haja fusão apreciável do combustível. É evidente que nenhum recipiente de paredes
sólidas pode suportar as elevadas temperaturas que devem reinar, por isso são necessárias técnicas
engenhosas de confinamento. Discutiremos a mais importante a seguir.

REATOR NUCLEAR
O reator nuclear é um equipamento onde se processa uma reação de fissão nuclear, assim como um
reator químico é um equipamento onde se processa uma reação química.
O primeiro reator nuclear foi construído pelo italiano Enrico Fermi e sua equipe na Universidade de
Chicago em 1942. Esse reator tinha a finalidade de executar a fissão nuclear em laboratório para que se pudesse
compreendê-la melhor e aproveitá-la como fonte de energia.
A versão moderna do reator de Fermi são as usinas nucleares, em que a fissão nuclear ocorre de modo
controlado e a energia liberada é aproveitada para a produção de energia elétrica.
Os principais componentes de um reator nuclear são:
• Material físsil, que pode ser Urânio -235 (natural), urânio-233 ou plutônio-239 (artificiais);
• Fluido trocador de calor, que, no caso da usina de Angra, é a água;
• Moderador (grafite ou água), que serve para diminuir a velocidade dos neutros, o que torna a reação
possível (nêutrons rápidos não são eficientes para provocar a fissão);
• Barras de controle (cádmo ou bromo), que absorvem nêutrons e serve para evitar que a reação saia de
controle, superaquecendo o reator.

USINA NUCLEAR
As usinas nucleares produzem calor para aquecer a água e vaporizá-la, porem o “combustível” é o material
radioativo que sofre fissão nuclear, liberando, desse modo, grandes quantidades de energia.
Os isótopos físseis (U – 235 e Pu – 239) são utilizados no processo respeitando técnicas que permitem a
utilização de energias da fissão sem que haja risco de reações explosivas.
Podemos associar essa idéia de controle ao processo usado na combustão de fogões, cujos os bicos
queimam os gases aos poucos, sem risco de explosão. O material radioativo mais utilizado nas usinas é o urânio.
Ele ocorre naturalmente na crosta terrestre e é extraído na forma de minérios (urânio combinado com outros
elementos, cuja extração é economicamente viável). Os átomos de urânio existem de duas formas isotópicas
naturais, o U – 235 e o U – 238, cujas porcentagens de ocorrência são, respectivamente, 0,7% e 99,3%.
De acordo com o tipo de usina nuclear, pode-se usar o elemento urânio como combustível na forma natural
ou, ainda, pode-se enriquecê-lo no sentido de aumentar a porcentagem do isótopo U – 235. O enriquecimento do
urânio consiste na retirada da parte do U – 238 de sua composição natural, elevando a quantidade do U – 235 em
3% e reduzindo a quantidade de U – 238 em 97%.

OS PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO DA USINA


As explosões de bombas atômicas dependem da existência de reações em cadeia que o nêutron atinge um
núcleo do U – 235 produzido dois novos átomos-filhos e três nêutrons. O três nêutrons dão continuidade ao
processo chocando-se em três outros núcleos de urânio e assim sucessivamente.
Nas usinas o processo de reação em cadeia é dificultado de tal modo que apenas um nêutron dê
continuidade à reação, que, assim, é mantida à taxa constante, não havendo explosão.
Junto com a fração combustível existem isótopos de U – 238, que também absorverão nêutrons sem,
contudo, sofrerem fissão. A estrutura do ambiente onde ocorre a fissão do urânio (reator da usina) também
captura nêutrons e, além disso, a água que circula no interior do reator acaba servindo também como receptora
de nêutrons.
A planta da usina mostra que o reator é mantido isolado por paredes de aço e concreto, conforme ilustra a
figura abaixo:
• O reator está contido num recipiente sob pressão, esta pressão se destina a impedir a ebulição
da água de resfriamento que circula no circuito refrigerador primário;
• do recipiente sob pressão emergem as barras de controle;
• o circuito refrigerador primário no permutador de calor;
• transforma a água sob pressão normal em vapor, que através dos tubos do vapor secundário;
• chega a turbina;
• unida ao gerador elétrico;
• depois do qual um condensador, resfriado por um circuito de água condensada fornecida por
um rio ou pelo mar, transforma o vapor que sai da turbina em água a fim de aumentar o salto
de pressão disponível para a turbina. A água condensada volta ao ciclo através dos tubos do
condensador;
• o reator é rodeado por um edifício muito sólido, capaz de resistir as pressões altíssimas
produzidas por uma eventual pane do reator e impedir assim o vazamento da radiação.

RADIATIVIDADE
É a desintegração espontânea do núcleo atômico de alguns elementos (urânio, polônio e rádio),
resultando em emissão de radiação.
Tipos de radiação: Existem três tipos de radiação: alfa, beta e gama. A radiação alfa (a)é uma partícula
formada por um átomo de hélio (He) com carga positiva (dois prótons e dois elétrons). A emissão a pode ser
equacionada conforme mostram os exemplos a seguir:
U = a + Th Ra = a + Rn
obs: Nas equações acima temos: U (urânio - massa=238, tem 92 prótons); Th (tório - massa=234, tem 90
prótons); Ra (rádio - massa=226, tem 88 prótons); Rn (radônio - massa=224, tem 86 prótons);

As partículas Beta (ß) são elétrons emitidos pelo núcleo de um átomo instável. Isso ocorre pois em
núcleos instáveis ß-emissores, um nêutron pode se decompor um próton, um elétron e um antineutrino (partícula
com número de massa zero e carga nula). O próton permanece no núcleo, o elétron (partícula ß) e o antineutrino
são emitidos. Assim, ao emitir uma partícula ß, o núcleo tem a diminuição de um nêutron e o aumento de um
próton. Deste modo, o número de massa permanece constante. As emissões ß podem ser equacionadas como
mostram os seguintes exemplos:
Bi = ß + Po Tl = ß + Pb

obs: Nas equações acima temos: Bi (bismuto - massa=214, tem 83 prótons); Po (polônio - massa=214, tem 84
prótons); Tl (tálio - massa=210, tem 81 prótons); Pb (chumbo - massa=210, tem 82 prótons);

Ao contrário das radiações a e ß, que são constituídas por partículas, a radiação Gama (g) é formada por
ondas eletromagnéticas emitidas por núcleos instáveis logo em seguida à emissão de uma partícula a ou ß.

Tomemos como exemplo o Césio 137, um ß-emissor. Ao emitir uma partícula b, seus núcleos se
transformaram em bário 137. No entanto a partícula ß emitida pode ter energia de 1,18 MeV ou 0,52 MeV. Neste
último caso, o núcleo resultante não eliminou toda a energia que precisaria eliminar para se estabilizar e, dessa
forma, cabe à radiação g levar para fora do núcleo o excesso de energia. Com isso, temos que a emissão de uma
onda eletromagnética (radiação g) ajuda um núcleo a se estabilizar.
Símbolo Composição Carga Relativa Massa Velocidade Poder de
Penetração
a (alfa) 2 prótons e 2 +2 4 5% a 10% da Muito baixo
elétrons velocidade da luz
ß (Beta) Elétron -1 1/1836 Até 90% da Baixo
velocidade da luz
g (gama) Onda 0 0 Igual á Alto
eletromagnética velocidade da luz
(3x10^8 m/s)