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Elaboração de um Referencial de Formação

Entidade Formadora
A entidade formadora que pretenda realizar cursos deve encontrar-se regularmente
constituída e devidamente registada. Deve também prever, no seu estatuto ou pacto
social, a formação profissional como objecto da sua actividade ou prosseguir
actividades de melhoria de condições para os seus associados ou ainda promover
formação para os seus próprios trabalhadores.

Designação do curso
Um curso de formação deve ter uma designação que traduza, com clareza, daquilo que
se trata.

Código da Classificação de Áreas de Formação


As acções e cursos de formação devem sempre incluir na sua designação o respectivo
código da classificação de áreas de formação.

Perfil de Formação
A formação profissional organiza-se em acções ou cursos correspondentes a perfis de
formação elaborados com base em perfis profissionais. Devem ser referidos os perfis
profissionais a abranger e traduzir em conteúdos de formação os perfis profissionais
de competências, atitudes e aptidões necessárias para exercer as funções próprias de
uma profissão ou grupo de profissões.

Objectivo(s) geral (ais) do curso


Definição de uma forma clara dos conhecimentos, comportamentos e atitudes, visados
pelo curso de formação.

Objectivos específicos do curso


Definição dos principais objectivos específicos do curso em termos operacionais.
Conteúdos programáticos do curso
Definição dos conteúdos programáticos do curso. Construção de uma estrutura
curricular onde se definam claramente os módulos do curso e respectiva distribuição.
Deve prever a organização de forma modular, de modo a permitir a flexibilização dos
percursos individuais de formação, em articulação com a validação e certificação de
competências profissionais.

Duração do Curso
Deve ser definida a duração total do curso, constituída pela formação em sala e /outra,
formação prática e estágios se for o caso.
Deve ser definida a duração de acordo com as componentes da formação.

Cronograma
Identificação dos dias de formação através da construção de um cronograma.

Organização da formação
Os conteúdos programáticos são por norma organizados em módulos, podendo ser
frequentados autonomamente.
Deve ser criado um itinerário de formação de forma a prever uma sequência lógica de
aprendizagem.
Deverão ser previstos mecanismos de compensação de sessões de formação não
ministradas por motivo de eventual ausência do formador, de modo a que não sejam
postas em causa a globalidade da aprendizagem e a qualidade da formação.

Metodologia do curso
A metodologia do curso deve abranger métodos e técnicas diversificados e adequados
às características do respectivo público-alvo, privilegiando em especial os métodos
activos, no sentido de facilitar a apropriação de saberes pelo formando através
nomeadamente do seu envolvimento sócio-cognitivo, da reflexão e da descoberta e
resolução de situações-problema.
Grupo de formandos
Identificação do perfil de formandos e número por acção.
O número recomendável de formandos em cada acção de formação é 12 a 15,
aceitando-se que possa situar-se entre os 8 e os 18 formandos, tendo em conta as
condições concretas do desenvolvimento da acção.
É recomendável que os formandos devem ter um nível habilitacional, etário, técnico e
experiência relativamente homogéneo de modo a facilitar a aquisição e o
desenvolvimento de competências.

Equipa pedagógica
Um curso de formação pressupõe a existência de uma equipa pedagógica constituída
por um coordenador, que é o responsável técnico pela globalidade do curso de
formação, e pelo grupo de formadores ligados ao desenvolvimento das respectivas
acções de formação.
Deve ser definido o número de formadores a afectar, os perfis de formadores a utilizar
e respectiva distribuição de acordo com os módulos a ministrar.
A determinação do número adequado de formadores intervenientes numa dada acção
de formação deve ter em conta as cargas horárias de cada módulo, a afinidade dos
temas abordados e a duração total do curso, de forma a assegurar a existência de um
clima pedagógico favorável e a possibilidade de avaliação da aprendizagem.

Recursos didácticos
O material didáctico de apoio ao desenvolvimento das acções de formação deve
abranger meios de diversa natureza, nomeadamente documentação escrita, material
audiovisual, material informático e outros, de forma a assegurar um bom
desenvolvimento da formação.
A entidade formadora deve elaborar um programa pormenorizado ou guia de apoio ao
formando em que estejam definidos os objectivos pedagógicos, os conteúdos
programáticos desenvolvidos e as respectivas referências bibliográficas (livros, textos,
vídeos) e outro material de apoio, para que o formando possa ter uma visão de
conjunto da acção de formação e, se o desejar, vir a aprofundar alguns dos conteúdos
tratados.
O formador deve seleccionar os recursos didácticos mais adequados à prossecução dos
objectivos gerais e específicos previamente definidos, tendo em conta as
características do público-alvo.
A entidade formadora, para além dos recursos didácticos próprios pode recorrer,
sempre que necessário, a entidades externas que disponibilizam os recursos em falta.

Material Pedagógico
Deve ser identificado o material que formandos e formadores terão à sua disposição a
título individual ou colectivamente.

Instalações
As características da sala de formação devem ter em conta o número de formandos e
os equipamentos a utilizar, preconizando-se que disponha de:
 área mínima aproximada de 2,5/3 m2 por formando;
 boas condições acústicas, de iluminação, ventilação e temperatura, evitando a
existência de elementos perturbadores da aprendizagem;
 possibilidade de ser escurecida, quando necessário, para a visualização de
projecções.

Equipamentos
Devem ser assegurados os equipamentos suficientes e adequados para cada
componente do curso. No sentido de assegurar um bom desenvolvimento da formação
considera-se deverem existir na sala de formação, os seguintes equipamentos
pedagógicos:
 Mesas e cadeiras em número correspondente ao dos participantes. As mesas
devem ser modulares a fim de permitir arranjos facilitadores das opções
metodológicas e do desenvolvimento do trabalho em grupo;
 Vídeo e televisor;
 Câmara de vídeo e respectivo tripé;
 Computador com projector multimédia;
 Rectroprojector;
 Quadro branco, fixo ou em suporte móvel, respectivos marcadores e apagador;

Para além dos equipamentos descritos é ainda desejável que a entidade formadora
disponha de fotocopiadora e de outros materiais auxiliares necessários ao bom
desenvolvimento da acção.

Processo de avaliação dos formandos


A avaliação das aprendizagens realizadas por cada formando, como garante da
qualidade da formação, deve ser efectuada tendo por referência os objectivos globais
e específicos da acção pelo que a forma e os instrumentos de avaliação a utilizar
devem ser adequados àqueles. A avaliação das aprendizagens individuais deve
contemplar diferentes momentos e tipos de avaliação que facilitem a aferição das
competências ao longo e no final do curso.

Processo de avaliação da acção de formação


A entidade formadora deve possuir mecanismos que permitam a recolha e tratamento
dos resultados da formação que ministra os quais devem incidir nomeadamente sobre
a estrutura do programa, a metodologia utilizada, o desempenho dos formadores, o
modelo organizativo da acção e os recursos técnicos, humanos e materiais.

O sistema de avaliação dos formandos deve contemplar uma avaliação inicial


diagnóstica, uma avaliação contínua e uma avaliação final.

Avaliação Inicial Diagnóstica


A avaliação inicial assenta numa filosofia progressiva e correctiva da aprendizagem e
tem como objectivo o diagnóstico das competências iniciais do formando,
representando este momento uma oportunidade de auto-avaliação e de hetero-
avaliação.
Para o efeito, preconiza-se que a entidade formadora promova:
A criação de uma Ficha de Avaliação Inicial com um conjunto de critérios de análise
que permita a objectivação da avaliação do desempenho do formando, relativamente
a esses critérios e que permita ainda a posterior comparação com o desempenho
efectuado no final da formação;
A avaliação dos critérios definidos, efectuada em termos de EXISTE/NÃO EXISTE,
POSITIVO/NEGATIVO, SIM/NÃO, ou utilizando escalas qualitativas de intervalos.
A transmissão ao formando dos resultados da avaliação inicial diagnóstica permitindo
que esta avaliação tenha um carácter formativo;
A transmissão ao coordenador da acção dos resultados da avaliação inicial de
diagnóstico de cada formando, com o intuito de os outros formadores poderem
conhecer o ponto de partida do desempenho de cada formando.
Para além deste momento de avaliação diagnóstica global inicial pode haver lugar a
uma avaliação diagnóstica específica, a realizar pelos formadores, relativamente a uma
determinada matéria.
Avaliação Contínua
A avaliação contínua tem por objectivo o acompanhamento/controlo do progresso da
aprendizagem dos formandos, no plano dos saberes e dos comportamentos, devendo
ter em conta, para que possam ser atingidos os objectivos pedagógicos da acção, os
ritmos individuais.
A avaliação contínua incide na forma como cada formando atingiu os objectivos
pedagógicos relativos a cada módulo e nos comportamentos relativamente a
parâmetros do tipo Participação, Comunicação/Relações interpessoais e
Responsabilidade. Para o efeito, preconiza-se que a entidade formadora promova:
A definição objectiva de cada critério no sentido de se saber o que se está a avaliar.
A avaliação dos critérios definidos, feita em termos de EXISTE/NÃO EXISTE,
POSITIVO/NEGATIVO, SIM/NÃO, ou utilizando escalas qualitativas de intervalos.
Da avaliação contínua pode resultar a necessidade de actividades de reforço de um
determinado tema.
Avaliação final
A avaliação final deve traduzir a suficiência das aquisições ao nível dos conhecimentos
e dos comportamentos. Esta avaliação assenta na comparação dos resultados
atingidos com os objectivos estabelecidos.
Para o efeito, preconiza-se que a entidade formadora promova:
A adopção de uma classificação final expressa em termos de APTO/NÃO APTO,
considerando que um formando estará APTO quando tenha tido sucesso na avaliação
contínua dos módulos desenvolvidos e tenha obtido um mínimo de 50% de sucesso
nos critérios de avaliação definidos. As dúvidas de atribuição de cotação e os
arredondamentos devem ser resolvidos de forma favorável ao formando.

Assiduidade dos formandos


Na medida em que existem competências transversais ligadas nomeadamente às
relações interpessoais, ao interesse e nível de participação de cada formando que só
podem ser aferidas em contexto de formação presencial, é condição obrigatória a
frequência mínima do tempo total da formação.
Deve ser definida uma assiduidade igual ou superior a 95% do curso, tendo o
formando o direito a faltar ate 5% da duração total do curso.
Aceita-se que sejam admissíveis níveis de assiduidade ligeiramente inferiores, desde
que não ponham em causa o equilíbrio entre os diferentes módulos.
As ausências a módulos completos devem ser evitadas e caso isso venha a acontecer,
deve ser feita uma avaliação com o intuito de se verificar o efectivo domínio dos
saberes relativos ao módulo não frequentado.

Certificação
A entidade formadora deve emitir certificados de formação que comprovem que o
formando concluiu, com aproveitamento, a acção de formação.

Conteúdos do certificado
O certificado de formação deve ser designado “Certificado de Formação Profissional” e
nele constar referência à legislação de enquadramento (Decreto-Lei n°95/92, de 23 de
Maio e Decreto-Lei n°68/94, de 26 de Novembro).
O certificado de formação profissional deve contemplar os seguintes elementos:
 identificação da entidade formadora que o emite, através da respectiva
designação e do logotipo, quando exista;
 identificação do titular através do nome e do número e local de emissão do
Bilhete de Identidade;
 designação do curso e eventual identificação da acção;
 designação dos temas/conteúdos programáticos do curso e respectivas cargas
horárias;
 duração total, em horas, do curso de formação e data de início e fim da acção
respectiva; v resultado da avaliação final, com indicação da escala de avaliação;
 local e a data de emissão e a assinatura do responsável pela entidade sobre o
selo branco ou carimbo da entidade formadora;
 referência expressa ao Fundo público envolvido, nos casos em que os cursos
são financiados por Fundos Comunitários.