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ACIDENTES DE TRABALHO

DOENÇAS PROFISSIONAIS
A. ACIDENTES DE TRABALHO

1.NOÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO

São múltiplas as causas dos acidentes de trabalho. Trata-se sempre de um acontecimento não
intencionalmente provocado (ao menos pela vítima), de carácter anormal e inesperado, que provoca
danos no corpo ou na saúde, no exercício de uma actividade profissional ou por causa dela, de que é
vítima um trabalhador.
Porém, nem todos os acontecimentos infortunísticos imputáveis ao trabalho se podem qualificar,
juridicamente, como “Acidente de Trabalho”.

A definição de Acidente de Trabalho, tal como é dada no art.º 6º da Lei 100/97 não é completa, pois não
enumera todas as condições necessárias à qualificação do acidente como de trabalho e ao consequente
direito à reparação.
Assim, para que se possa falar verdadeiramente de Acidente de Trabalho, ter-se-ão que verificar os
seguintes pressupostos:

a) A vítima ser trabalhador por conta de outrém ou equiparado

Este pressuposto é facilmente demonstrável pela existência de um contrato de trabalho ou contrato


legalmente equiparado ou, ainda, pela prestação de um serviço, em determinadas condições. Portanto,
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terá que existir um vínculo contratual que una o sinistrado à entidade responsável.

b) A actividade em cujo âmbito se verifica o acidente ser explorada com fins lucrativos

É que os acidentes ocorridos na prestação de serviços eventuais ou ocasionais, de curta duração, se


prestados em actividades que não tenham por objecto exploração lucrativa, não são qualificáveis como
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Acidentes de Trabalho.

c) Ser provocada lesão corporal, perturbação funcional ou doença

A lesão é o efeito de que o acidente (evento lesivo) é a causa.


A lesão corporal, perturbação funcional ou doença podem ser produzidas directa ou indirectamente
pelo acidente. Isto é, a lesão corporal, perturbação funcional ou doença podem traduzir-se em lesão
física ou psíquica, aparente ou oculta, externa ou interna e podem manifestar-se imediatamente a
seguir ao evento lesivo ou evidenciar-se algum tempo depois ou, até muito tempo depois.
Terá é que existir sempre um nexo de causalidade entre o acto lesivo e a lesão corporal, perturbação
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funcional ou doença.
Já não terá que existir uma relação de causa- efeito, ou seja, um nexo de causalidade entre o acidente e
o trabalho em execução. Pense-se na verificação fortuita de um acidente (independente do trabalho em
execução), no tempo e no lugar do trabalho.

d) A lesão corporal, perturbação funcional ou doença produza a morte ou uma redução na


capacidade de trabalho ou de ganho

Capacidade para trabalhar e Capacidade de Trabalho designam uma e a mesma coisa, pelo que será
indiferente utilizar-se uma ou outra expressão.
Mas a expressão Capacidade de Ganho pode não traduzir uma realidade semelhante à traduzida por
Capacidade de Trabalho.

1
Já não existirá aquele vínculo (e, logo, não poderemos falar de acidente de trabalho), se ocorre acidente que vitima alguém (que
não é trabalhador) que se introduziu abusivamente nas instalações, ou um cliente, uma visita, etc.
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Veja-se, a este propósito, o disposto no nº1, alíneas a) do art.º 8 da Lei 100/97.
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Este nexo de causalidade presume-se legalmente sempre que a lesão for reconhecida a seguir a um acidente; se o não for, ou a
lesão tiver manifestação posterior, compete à vítima ou aos seus beneficiários legais provar que foi consequência daquele (art.º 6º
nº5 da Lei 100/97 e art.º 7º nº 1 do Dec- lei 143/99 de 30 de Abril).
De facto, para o trabalhador por conta de outrém o ganho resulta do trabalho. Assim, se o trabalhador
não trabalha, não recebe retribuição. Porém, situações há em que o trabalhador, vendo embora
afectada ou reduzida a sua Capacidade de Trabalho, não é afectado na sua Capacidade de Ganho. Tal
poderá ocorrer quando exista um contrato de trabalho ou um contrato de seguro que garanta o
pagamento integral do salário ao trabalhador sinistrado e diminuído na sua capacidade para trabalhar.
Quando falamos de Capacidade de Ganho, referimo-nos, não só à retribuição, mas igualmente a outros
aspectos, como sejam a capacidade para progredir normalmente na carreira, para melhorar a sua
formação profissional, para mudar de profissão, etc.. É neste sentido amplo que a expressão Capacidade
de Ganho deve ser tomada e, portanto, pode dizer-se equiparada à expressão Capacidade de (ou para
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o) Trabalho .

e) O acidente ocorra no Tempo e no Local de Trabalho

O acidente ocorrido no Tempo e no Local de Trabalho é tido como Acidente de Trabalho (O art.º 7º do
Dec-lei 143/99 de 30 de Abril atribui mesmo a este pressuposto o carácter de presunção legal),
independentemente da causa, a menos que se demonstre que, no momento da ocorrência do acidente,
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a vítima se encontrava subtraída à autoridade patronal.

O Tempo e Local de Trabalho são, assim, condições importantes para a qualificação de um


Acidente como de Trabalho.

O art.º 6º nº3 da Lei 100/97 apresenta a seguinte noção do que seja Local de Trabalho: “Todo o
lugar em que o trabalhador se encontra ou deva dirigir-se em virtude do seu trabalho e em que
esteja directa ou indirectamente, sujeito ao controlo do empregador”.
A noção de Local de Trabalho abrangerá, desde logo:

o as dependências de laboração ou exploração propriamente ditas;


o os locais acessórios, como lavabos, vestiários, refeitórios, etc.;
o as estâncias de repouso, em virtude das interrupções diárias;
o os acessos directos à exploração, desde que não tenham o estatuto de públicas ou de
acesso livre a qualquer pessoa;
o os locais reservados, onde os trabalhadores normalmente não têm acesso, desde que
este não seja expressa e rigorosamente interdito;
o as dependências habitacionais postas à disposição dos trabalhadores, no perímetro de
exploração da empresa: camaratas, quartos, etc..

E em relação ao Tempo de Trabalho? O nº4 do art.º 6º da Lei 100/97 vem dizer que o Tempo
de Trabalho inclui o período normal de laboração, bem como o que preceder o seu início (em
actos de preparação ou com ele relacionados) e o que se lhe seguir (em actos, igualmente, com
ele relacionados). Acrescenta, ainda, este nº4 que também as interrupções normais ou forçosas
de trabalho estarão ali incluídas.

O que o legislador pretendeu significar com a expressão Período Normal de Laboração, não foi
o tempo de laboração da empresa, mas sim o tempo que o trabalhador permanece nas
instalações da empresa, dentro do seu horário de trabalho normal, ou seja, o Período Normal
de Trabalho.
É que, se é certo que na maioria dos casos o Período Normal de Trabalho coincidirá com o
Período Normal de Laboração, algumas vezes, porém, este é bem superior.
A reforçar esta ideia, o novo Código do Trabalho, no seu art.º 284º, nº2, alínea b) emprega a
expressão “Período Normal de Trabalho” e já não o de Período Normal de Laboração.

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Não existe Capacidade de Trabalho quando estamos perante uma Incapacidade Permanente Absoluta para todo e qualquer
trabalho. Existe Capacidade de Ganho quando existe apenas uma Incapacidade Permanente Absoluta para o trabalho habitual
(art.º 17º nº1 alíneas a) e b) da Lei 100/97).
5
A prova caberá à entidade responsável.
Como se disse, a lei considera, igualmente, como tempo de trabalho as interrupções do
trabalho, tanto as normais como as forçosas. As primeiras, tanto poderão resultar de
determinações da entidade empregadora (ao permitir, por exemplo, períodos curtos de
descanso, no próprio local de trabalho), como podem resultar de necessidades regulares do
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próprio trabalhador. Já as interrupções forçosas serão as que se apresentam, de um modo
geral, de forma imprevisível, por ser alheia à vontade do trabalhador ou até do empregador.

Podemos, deste modo, concluir que se pode qualificar um acidente como de trabalho quando
verificados os pressupostos acima enumerados. Porém, a lei qualifica, igualmente, como Acidente de
Trabalho, o evento lesivo ocorrido nos termos do nº2 do art.º 6º da Lei 100/97.
De facto, esta disposição normativa enumera 6 circunstâncias em que, ocorrido o acidente, este pode
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ser qualificado como de trabalho (ainda que fora do Tempo e Local de Trabalho):

6
Nomeadamente, necessidades fisiológicas, breves cuidados de saúde ou de assistência, exercício do período de
amamentação/aleitação a que têm direito a mãe trabalhadora e o pai ou mãe trabalhadores, respectivamente.
7
Em todas estas circunstâncias, para que se possa qualificar o Acidente como de trabalho, terão que se encontrar reunidos 3
elementos:
- A execução de serviços fora do local e/ ou do tempo de trabalho (trata-se de um elemento típico em profissões
como as de caixeiro- viajante, trabalho no domicílio, motorista, etc..);
- A missão ou função profissional (que pode ter carácter duradouro ou meramente ocasional ou esporádico), que
consiste precisamente nos serviços determinados pela entidade empregadora ou por esta consentidos; o
trabalhador que se desloca, fora do tempo e local de trabalho, está sujeito a acidentes ocasionados directamente
pelo cumprimento da sua missão profissional, como a acidentes ocasionados por actos da vida corrente, cujos
riscos, normalmente, não correria. Os actos da vida profissional distinguem-se dos da vida corrente, desde que
decorram directamente da execução da missão. A autoridade da entidade patronal só se exerce relativamente a
actos da vida profissional e não em relação a actos da vida corrente.
- Posição subordinada do trabalhador durante o cumprimento da missão
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1- Acidentes de Trajecto ou de Percurso de e para o Local de Trabalho

O nº 2 do art.º 6º do Dec-lei 143/99 esclarece o que se entende por Acidente de Trajecto. Diz esta
disposição que são Acidentes de Trajecto os que se verifiquem no trajecto normalmente utilizado
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(mesmo quando esse trajecto sofra interrupções ou desvios ) e durante o período de tempo
ininterrupto (com excepção para interrupções justificadas) habitualmente gasto pelo trabalhador:

- Entre a sua residência habitual ou ocasional, desde a porta de acesso para as áreas
comuns do edifício ou para a via pública, até às instalações que constituem o seu local de
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trabalho.
11 12
A residência habitual do trabalhador tanto pode ser a residência principal , como a secundária , de
onde parte directamente para o trabalho. Os trajectos que ligam estes dois tipos de residência ao local
de trabalho são trajectos protegidos.
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Igualmente protegido é o trajecto que liga o local de trabalho à residência ocasional .

- Entre o Local de Pagamento da Retribuição e o Local de Trabalho ou a Residência


(habitual ou ocasional)

- Entre o local onde ao trabalhador deva ser prestada qualquer forma de assistência ou
tratamento em virtude de anterior acidente e o Local de Trabalho ou a Residência
(habitual ou ocasional) ou o Local de Pagamento da Retribuição

- Entre o Local de Trabalho e o Local de Refeição

- Entre o local onde por determinação da entidade empregadora presta qualquer serviço
relacionado com o seu trabalho e as instalações que constituem o seu local de trabalho
habitual

O Acidente de Trajecto pode envolver qualquer meio de transporte (terrestre, aquático ou aéreo), ou,
muito simplesmente, uma deslocação a pé.
O risco é inerente ao cumprimento do dever de comparecer no Local de Trabalho, para nele executar a
sua prestação, resultante do contrato de trabalho (ou equiparado)como uma das suas obrigações
acessórias. Assim, o trabalhador é obrigado a fazer o percurso necessário para poder comparecer no
lugar pré- determinado, usando as vias de acesso e os meios de transporte disponíveis, a fim de que o
empregador possa contar com a sua prestação.

2- Acidente ocorrido na execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa


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resultar proveito económico para a entidade empregadora

Torna-se necessário, desde logo, a existência prévia de um qualquer vínculo laboral que una o sinistrado
e o beneficiário da acção.
Tratar-se-á, neste caso, de serviços espontaneamente prestados, isto é, não solicitados expressamente
(de outro modo, não seriam espontâneos), mas, de qualquer modo consentidos ou aceites, de que
possa resultar proveito económico para a entidade empregadora.

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Alínea a) do nº2 do art.º 6º da Lei 100/97
9
De facto, a lei, admite desvios ao Trajecto Normal, por motivo de força maior, caso fortuito ou para satisfação de necessidades
atendíveis do trabalhador- art.º 6º nº3 do Dec- lei 143/99.
10
Vimos que a noção de Local de Trabalho não se restringe à zona de laboração da empresa; ele é todo e qualquer lugar em que o
trabalhador se encontre sob as ordens e autoridade da entidade patronal , por razões de natureza profissional.
11
Onde habita a maior parte dos dias.
12
Onde habita apenas uma parte do tempo; por exemplo, aos fins de semana, durante as férias, etc..
13
Aquela que, por diversas razões, não é a residência habitual, mas que é imprevista, fortuita, acidental- é o caso de um hotel
onde se pernoita durante um ou mais dias, por força da actividade laboral ou, por necessidades da vida privada.
14
Alínea b) do nº2 do art.º 6º da Lei 100/97.
Note-se, contudo, que a relação de autoridade que caracteriza os típicos contratos de trabalho não
ocorre nestes casos; os serviços espontaneamente prestados não são ordenados nem controlados pela
entidade patronal.
Prescinde-se, aqui, dos pressupostos Tempo e Lugar do Trabalho.

3- Acidente ocorrido durante reuniões (sindicais ou de trabalhadores da empresa), desde que


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legalmente efectuadas

As reuniões em questão podem não ter lugar durante o Tempo de Trabalho (horário de trabalho), mas
terão que decorrer, obrigatoriamente, no Local de Trabalho, isto é, nas instalações da empresa.

4- Acidente ocorrido durante a frequência de curso de formação profissional, desde que tal
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curso decorra no Local de Trabalho (instalações da empresa)

Se o acidente se verificar durante a frequência de curso de formação profissional fora das instalações da
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empresa, só poderá qualificar-se como Acidente de Trabalho se existir autorização expressa da
entidade empregadora para tal frequência.

Se o acidente ocorrer no trajecto de ida ou de regresso para e do local onde decorre o curso de
formação profissional, fora das instalações da empresa e existindo aquela autorização, parece que, com
recurso a uma interpretação extensiva, se pode considerar tal acidente como acidente de trajecto (e,
logo, qualificar-se como Acidente de Trabalho), apesar de tal não estar expressamente previsto na Lei.

5- Acidente ocorrido no decorrer da actividade de procura de emprego durante o crédito de


horas para tal concedido por lei aos trabalhadores com processo de cessação de contrato de
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trabalho em curso

O art.º399º CT prevê que, no decorrer de processo de Despedimento Colectivo, durante o prazo de


aviso prévio, o trabalhador tenha direito a utilizar um crédito de horas correspondente a 2 dias de
trabalho por semana, devendo o trabalhador comunicar previamente à entidade patronal o modo de
utilização desse crédito de horas.
Será indiferente, neste caso, que o trabalhador se encontre, ou não dentro do seu horário normal de
trabalho, como é indiferente o local onde se encontre (necessariamente fora das instalações da
empresa que o despediu).

6- Acidente verificado durante a execução de serviços determinados pela entidade


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empregadora ou por esta consentidos (fora do Local ou do Tempo de Trabalho)

1.1. EXCLUSÃO DE DETERMINADOS ACIDENTES

Acidentes há que, possuindo embora todas as características materiais semelhantes às dos acidentes de
trabalho, não são, legalmente, considerados como tal.

Deste modo, são excluídos do âmbito da Lei 100/97 os seguintes acidentes:


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- Ocorridos na prestação de serviços eventuais ou ocasionais , de curta duração , a
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pessoas singulares em actividades que não tenham por objecto exploração lucrativa ;

15
Alínea c) do nº2 do art.º 6º da Lei 100/97.
16
Alínea d) do nº2 do art.º 6º da Lei 100/97.
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Tal autorização poderá ser dada sob a forma escrita (na qual se mencione objectivamente o curso a frequentar e o local onde
decorre) ou meramente verbal. Sendo qualquer das duas fórmulas válida, naturalmente que a primeira mostrar-se-á, contudo,
mais segura, em termos de prova.
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Alínea e) do nº2 do art.º 6º da Lei 100/97.

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Alínea f) do nº2 do art.º 6º da Lei 100/97
- Ocorridos na execução de trabalhos de curta duração se a entidade a quem for prestado o
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serviço trabalhar habitualmente só ou com membros da sua família e chamar para a
auxiliar, acidentalmente, um ou mais trabalhadores.

A utilização de máquinas e outros equipamentos de especial perigosidade é susceptível de qualificar o


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acidente sofrido como de trabalho .
Quanto à noção de “Máquina”, veja-se o Dec- lei 320/2001 de 23 de Dezembro.

2. DIREITO A REPARAÇÃO

O art.º 1º da Lei 100/97 preceitua o direito à reparação dos danos emergentes de Acidentes de
Trabalho (e doenças profissionais), a favor dos trabalhadores e seus familiares.
Este direito à reparação apresenta, igualmente, apoio constitucional; de facto, o art.º 63º, 3 CRP
estipula-se que “o sistema de segurança social protegerá os cidadãos na doença, velhice, invalidez,
viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de
meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho”.
Aspecto conexo com a protecção de acidentes de trabalho e doenças profissionais é referido, ainda,
pela CRP, no seu art.º 59º alínea c), que apresenta a “prestação do trabalho em condições de higiene,
segurança e saúde”, como um dos direitos dos trabalhadores.

Entende-se por Reparação o acto ou conjunto de acções pelos quais se visa a restauração ou
recomposição de um dano ou prejuízo causado pela lesão de um direito subjectivo, de forma a
reconstituir a situação (hipotética) anterior à lesão.
Se tal for conseguido, estaremos perante a designada Reconstituição Natural. Se não for, a reparação
opera-se através de compensação por substituto de natureza patrimonial, em regra, Indemnização em
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Dinheiro .

Tudo quanto seja convencionado com vista a diminuir a reparação minimamente garantida por lei é
nulo.

Já o acordo de cláusulas contratuais (individuais ou colectivas) de que resulte um regime mais


favorável para o sinistrado do que o mínimo legalmente garantido, não suscita dúvidas quanto à sua
admissibilidade e validade.
Desde logo, permitir-se-á, por acordo:

- a inclusão no conceito de Acidente de Trabalho de situações que a lei não consagre como tal;
- a estipulação de direitos que o regime legal expressamente não contempla;
- a determinação de prestações superiores às que a lei prevê.
O acordo relativamente ao que exceda a medida legal assume o carácter de depender da
disponibilidade das partes, quer quanto à sua estipulação, quer ainda quanto ao seu cumprimento.
Trata-se, neste âmbito, de uma obrigação contratual, mas fora do regime dos acidentes de trabalho.

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São aqueles cuja necessidade surge, imprevista e excepcionalmente, em determinada ocasião, não se exigindo a sua
periodicidade.
21
A curta duração não é definida na lei actual, contrariamente ao que fazia a lei anterior, que se referia a “algumas horas ou
alguns dias”. Saber o que seja a “curta duração” dependerá da natureza eventual ou ocasional do próprio serviço, que lhe
determinará a durabilidade.
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Já vimos, anteriormente, que a exploração lucrativa da actividade em cujo âmbito o serviço é prestado qualifica o acidente.
Assim, sempre que o serviço eventual, de curta duração, for prestado no âmbito de uma actividade empresarial, colectiva ou
individual, seja qual for o ramo de actividade, porque tal actividade empresarial é, em princípio, lucrativa, qualquer acidente então
ocorrido é de trabalho.
O art.º 4º do Dec- lei 143/99 vem dizer o que não deve considerar-se Exploração Lucrativa.
23
Parece que o membro da família não tem que conviver, necessariamente, com a entidade no mesmo lar ou em comunhão, mas
deve ser alguém suficientemente próximo (em termos de parentesco) para se dispor a auxiliar (gratuitamente ou não); a entidade;
assim como pode ser o parente afastado ou mesmo a pessoa estranha que conviva, comungando da mesma casa e alimentação.
24
É a excepção avançada pelo nº2 do art.º 8º da Lei 100/97.
25
Arts 562º e 563º CC
A lei estabelece o carácter imperativo do direito à reparação, ao estipular que tal direito se não
encontra na disponibilidade das partes; o que significa que será nula, nomeadamente, qualquer
renúncia em relação ao referido direito (art.º 34º nº2 da Lei 100/97).

A obrigação de indemnização resultará, as mais das vezes, de responsabilidade pelo risco ou da prática
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de actos ilícitos .

2.1. DESCARACTERIZAÇÃO DO ACIDENTE

Situações há em que, podendo embora estar verificados todos os pressupostos para se poder considerar
estarmos perante um acidente de trabalho, este ocorre em circunstâncias tais que levam a que a lei lhes
retire essa qualificação, ou seja, descaracterizam o acidente.
Estaremos, então, perante um acidente de trabalho, mas apenas em termos materiais, pois que a lei lhe
retirou essa qualificação e, em consequência disso, estaremos perante acidentes que não darão direito a
reparação.

Deste modo, não darão lugar a reparação os Acidentes de Trabalho ocorridos nas seguintes
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circunstâncias, que a lei enuncia:
28
a) Acidente dolosamente provocado pelo sinistrado

É aquele em que a vítima pratica o acto determinante do acidente e, igualmente, deseja e se conforma
com todas as suas consequências.
29
O dano pode ser dirigido, directamente a si próprio, trabalhador ou ser consequência de uma acção,
essencialmente dirigida a terceiro (patrão, companheiro de trabalho).

b) Acidente que provier de acto ou omissão da vítima

Deste modo, o acidente que provier de acto ou omissão da vítima não dará direito a reparação, se se
verificarem, cumulativamente, as seguintes condições:
30
- Que sejam voluntariamente violadas as condições de segurança ;
31
- Que a violação das condições de segurança seja levada a cabo sem causa justificativa (do
ponto de vista do trabalhador);
- Que o acidente seja consequência necessária do acto ou omissão do sinistrado.

c) Acidente que provier exclusivamente de negligência grosseira do sinistrado

Quer no Direito Civil, quer no Direito Penal, a imputação subjectiva de um facto a um agente de uma
32
determinada acção (ou omissão) pode revestir duas formas: dolo ou negligência ; sendo que, no plano

26
Art.º 18º da Lei 100/97.
27
Continuamos a estar perante Acidentes de Trabalho (contrariamente ao que anuncia a epígrafe do art.º 7º da Lei 100/97);
apenas não dão direito a reparação, ou por um qualquer comportamento da vítima, ou por um acaso da Natureza.
28
A noção de dolo utilizada pelo legislador na alínea a) do nº1 do art.º 7 da Lei 100/97, aproxima-se muito do conceito de dolo em
Direito Penal: exige-se a consciência do acto determinante do evento, bem como das suas consequências, assim, como a vontade
(livre) de o praticar. O resultado do acto mais do que previsto, terá de ser intencional. A conduta (quer por acção, quer por
omissão) tem de ser considerada e desejada nas suas consequências danosas.
29
Conforme será o caso de suicídio ou de auto- mutilação.
30
Exige-se, aqui, a intencionalidade ou dolo, na prática ou omissão- o que exclui, desde logo, as distracções, esquecimentos e
outras atitudes que se prendem com os actos involuntários, resultantes, ou não, da habituação ao risco.
31
O nº1 do art.º 8º do Dec- lei 143/99 vem dar a noção do que seja causa justificativa. Segundo ele, considera-se haver causa
justificativa da violação das condições de segurança, estabelecidas por norma legal ou por norma estabelecida pela entidade
empregadora, quando o trabalhador, por causa do seu (pouco) grau de instrução (académica ou profissional, por falta ou
dificuldade de acesso à informação (contida em tais normas), dificilmente teria conhecimento (do conteúdo das mesmas normas),
ou, por apesar de ter acesso à referida informação, lhe ser manifestamente difícil entendê-la.
32
O dolo anda normalmente ligado à prática de facto intencional. A negligência traduz-se, fundamentalmente, na falta de
diligência e atenção, na omissão de um dever objectivo de cuidado ou diligência , adequado, segundo as circunstâncias concretas
de cada caso e em cada momento, a evitar a produção de um dado evento.
da censura jurídica, o facto doloso é passível de um maior grau de censura do que o facto cometido com
simples negligência.
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Em relação à negligência costumam distinguir-se 3 graus: grave, leve e levíssima .
É em relação à primeira que o legislador se refere quando fala em “negligência grosseira”; e é grosseira
porque é grave e por ser aquela que, em concreto não seria praticada por um homem diligente.
O nº 2 do art.º 8º do Dec-lei 143/99 vem explicitar o que se entende por negligência grosseira. Será
todo o comportamento temerário em alto e relevante grau que não resulte da habitualidade ao perigo
do trabalho executado, da confiança na experiência profissional, dos usos e costumes da profissão.
Repare-se que o legislador exige que o acidente tenha resultado exclusivamente de negligência grosseira
do sinistrado, isto é, sem que para tal facto tenha concorrido qualquer outra acção.
34 35
d) Acidente que resulte da privação (permanente ou acidental ) do uso da razão do
sinistrado

Seja qual for o tipo de privação do uso da razão que esteja na origem do acidente (permanente ou
acidental) este, ainda assim, será reparado, desde que ocorra uma das seguintes circunstâncias:
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- Que tal privação derive da própria prestação do trabalho ou
- Que tal privação seja independente da vontade do sinistrado ou
- Que a entidade patronal (ou o seu representante) conhecendo o estado inadequado à
prestação do trabalho da vítima, consinta essa prestação

e) Acidente que resulte de caso de força maior

O conceito de força maior é-nos dado pelo nº2 do art.º 7º da Lei 100/97. O caso de força maior será,
assim, o devido a:

- Forças da Natureza;
- Independentes de intervenção humana;
- Que não constitua risco criado pelas condições de trabalho;
- Nem se produza ao executar serviço expressamente ordenado pela entidade patronal em
condições de perigo evidente.

Note-se que a verificação de uma das circunstâncias enunciadas (que levam à descaracterização do
acidente e, consequentemente, a não reparação pelo mesmo) obrigam a entidade patronal à prestação
em espécie da primeira fase de reparação: a prestação dos primeiros socorros e o transporte de
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socorro aos sinistrados .Ambas as prestações serão fornecidas pela entidade empregadora ou por
quem a represente na direcção ou fiscalização do trabalho.

2.2. NATUREZA E DETERMINAÇÃO DA INCAPACIDADE

O grau de incapacidade resultante de acidente (ou doença profissional) é expresso em coeficientes


determinados em função do disposto na Tabela Nacional de Incapacidades (TNI) em vigor à data do
acidente(sendo que a TNI, actualmente em vigor, foi aprovada pelo Dec-lei 341/93 de 30 de
38
Setembro ).

33
Os graus de negligência leve e levíssima referem-se a simples imprudência , irreflexão, inconsideração de prós e contras.
34
Em princípio, a privação permanente do uso da razão faz parte do grupo das chamadas anomalias psíquicas, podendo dar lugar
a interdição, nos casos graves (nos termos dos arts 1348º e segts do CC), ou a inabilitação, nos casos de menor gravidade (arts 152
e segts do CC).
35
A privação acidental do uso da razão origina uma Incapacidade Acidental, em termos civis, podendo conduzir à anulabilidade
dos actos praticados (art.º 257º CC); podendo ter diversas origens: sonambulismo, delírio febril, ataque epiléptico, perda de
sentidos, embriaguez, estado hipnótico, emoção violenta, ira, etc.
36
Será o caso da perda dos sentidos por intoxicação dos produtos manuseados.
37
Artsº 8º nº3 da Lei 100/97 e 24º do Dec- lei 143/99.
38
A TNI entrou em vigor em 30 de Dezembro de 1993. Esta TNI aplica-se apenas aos acidentes ocorridos e às doenças profissionais
manifestadas após a sua entrada em vigor. A todos os anteriores aplica-se a TNI aprovada pelo Decreto nº 43 189 de 23 de
Setembro de 1960.
39
As espécies de Incapacidades previstas na Lei podem esquematizar-se, graficamente, do seguinte
modo:

PARCIAIS
40
TEMPORÁRIAS ABSOLUTAS

INCAPACIDADES
41
PERMANENTES PARCIAIS
42
PARA O TH
ABSOLUTAS
43
PARA TQT

A Incapacidade Temporária converte-se em Permanente, decorridos que sejam 18 meses (podendo


haver prorrogação deste prazo até aos 30 meses). Esta conversão dá-se automaticamente e não carece
44
de declaração judicial .

2.3. PREDISPOSIÇÃO PATOLÓGICA E INCAPACIDADE PERMANENTE ANTERIOR

a) Predisposição Patológica
45 46
A predisposição patológica não exclui o direito à reparação integral , salvo quando tiver sido ocultada
pelo sinistrado. Caberá à entidade responsável demonstrar que o trabalhador conhecia, clara e
inequivocamente, tal predisposição e que a ocultou da entidade empregadora, no momento da
celebração do contrato de trabalho (ou legalmente equiparado)(ou no momento em que dela teve
conhecimento).

b) Lesão ou doença anterior ao acidente

O nº 2 do art.º 9º trata de duas situações distintas, entre si (e que nada têm a ver com a predisposição
patológica):
- Lesão ou doença consecutiva ao acidente agravada pela lesão ou doença anterior ao
47
acidente ;
- Agravamento de lesão ou doença anteriores ao acidente, por causa de lesão ou doença
48
consecutivas ao acidente

39
Art.º 9º do Dec- lei 143/99.
40
Será Temporária a incapacidade resultante de lesão, perturbação funcional ou doença que ainda não tenha obtido declaração
de cura clínica ou alta definitiva, pelo médico competente. Se a incapacidade temporária não consentir nenhuma actividade
laboral ao sinistrado, diz-se absoluta; se consentir, considera-se parcial no grau que o médico assistente vier a declarar no
respectivo boletim de alta, de acordo co a TNI.
41
Será Permanente a incapacidade cuja lesão, perturbação funcional ou doença não logra obter cura completa e definitiva, antes
deixando sequelas definitivas ou permanentes. Se a incapacidade permanente é em grau que permite trabalhar, no seu trabalho
habitual, sem dificuldades de maior, diz-se parcial; se não permitir trabalhar de todo, diz-se absoluta, para todo e qualquer
trabalho; se permitir, apesar de tudo, uma actividade residual que não é a habitual, a incapacidade diz-se absoluta para o trabalho
habitual.
42
Para o Trabalho Habitual.
43
Para Todo e Qualquer Trabalho.
44
Art.º 42º do Dec-lei 143/99.
45
A predisposição patológica não é, em si, doença; sendo, antes, uma causa patente ou oculta que prepara o organismo para, num
prazo, mais ou menos longo e segundo graus de vária intensidade, poder vir a sofrer de determinadas doenças. O acidente de
trabalho funciona como agente desencadeador da doença ou lesão.
46
É o que dispõe o art.º 9º nº1 da Lei 100/97.
47
Um sinistrado está já afectado por lesão ou doença anterior ao acidente. O acidente, por sua vez, dá origem a uma nova e
diferente lesão ou doença. A anterior lesão ou doença vão agravar a nova lesão ou doença surgida após o acidente.
48
Aqui, é a nova lesão que agrava a lesão ou doença que já existiam anteriormente ao acidente.
Em ambas as situações, a incapacidade avaliar-se-á como se tudo resultasse do acidente, excepto se,
pela lesão ou doença anteriores a vítima já tiver recebido uma indemnização em capital (remição da
pensão).

c) Incapacidade Permanente anterior

A situação que o nº do artº9 da Lei 100/97 pretende abranger é a de lesão ou doença resultante de um
outro acidente de trabalho anterior, de que haja resultado incapacidade permanente (já quantificada
e fixada).

Assim, se em virtude acidente de trabalho anterior, tiver resultado para o sinistrado uma incapacidade
permanente de 10%, significa que a sua capacidade integral de trabalho (ou de ganho),que era de 100%,
passou a ser de apenas 90%. O segundo acidente de trabalho, de que resulta uma incapacidade
permanente de 15%, já não vai diminuir uma capacidade integral, mas uma capacidade de 90%. O que o
nº3 do art.º 9º vem dizer é que a reparação deste segundo acidente de trabalho tem que ter em conta a
capacidade integral já diminuída (isto é, uma capacidade parcial).

d) Lesão ou doença consequente do tratamento e que se manifesta durante o mesmo

O nº5 do art.º 9º da Lei 100/97 refere-se a um tipo de situação diversa: trata-se de uma lesão ou doença
que se manifesta durante o tratamento de lesão ou doença resultante de acidente de trabalho, e que é
49
consequência de tal tratamento .
Esta situação é, igualmente, quantificável, em termos de incapacidade permanente e, por isso, dá
direito à consequente reparação.

e) Inutilização ou danificação do aparelho de prótese ou ortopedia, em resultado do acidente

A inutilização ou danificação do aparelho de prótese ou ortopedia, que não seja o resultado do seu
normal uso ou desgaste, pode ser consequência de muitas causas.
Mas sempre que um acidente de trabalho inutilize ou danifique o aparelho de prótese ou ortopedia de
50
que o sinistrado já era portador , ficarão a cargo da entidade responsável por aquele acidente as
51
despesas necessárias à sua substituição, renovação ou reparação .

2.4. QUEM PODE EXERCER O DIREITO À REPARAÇÃO


52
Têm direito à reparação:

- Trabalhadores sinistrados (por conta de outrem, de qualquer actividade, seja ou não


explorada com fins lucrativos) e
- Familiares dos mesmos

a. Trabalhadores por conta de outrem

A lei dá uma noção do que seja Trabalhador por Conta de Outrém, abrangendo diversas situações
jurídico- laborais:

- Trabalhadores vinculados por contrato de trabalho

- Trabalhadores vinculados por contrato legalmente equiparado ao contrato de trabalho

49
É aquilo a que, vulgarmente, se designa por “complicações” de um tratamento.
50
O uso de aparelho de prótese ou ortopedia anterior ao acidente de trabalho não tem que ser consequência directa de um outro
acidente de trabalho; podendo dever-se a uma qualquer anomalia congénita, por exemplo.
51
É que a aparelhagem utilizada pelo sinistrado constitui a forma de este se tornar completo, em termos de prestação de trabalho
e me termos sociais e humanos. Assim, a sua inutilização, implica uma diminuição na sua capacidade de ganho, que deverá ser
reposta pela entidade responsável pelo acidente de trabalho.
52
Artsº 1º e 2º da Lei 100/97.
- Praticantes, aprendizes, estagiários e todos os que se encontrem em situação de
53 54 55
formação prática

Praticantes, aprendizes e estagiários, deverão encontrar-se numa situação de dependência económica,


face à entidade “servida”, para que se lhes possa considerar aplicável o regime da Lei 100/97.
56
- “Demais situações que devam considerar-se de formação prática”

Esta referência aplica-se, especialmente, aos formandos que participem em acções de formação
57
profissional não inseridas no âmbito do Sistema Educativo.

- Pessoas que, em conjunto ou isoladamente, prestem determinado serviço, desde que


devam considerar-se na dependência económica da pessoa servida

A lei estabelece, aqui, uma presunção: quando a lei ou a regulamentação não impuserem entendimento
diferente, os trabalhadores sinistrados presumir-se-ão na dependência económica da pessoa em
58
proveito do qual prestam serviços. Estabelece-se, assim, a presunção legal da situação destes
trabalhadores como trabalhadores por conta de outrem (à pessoa servida compete provar que assim
não é).

b. Administradores, Directores, Gerentes ou equiparados

Além dos Trabalhadores por Conta de Outrem, a lei entendeu estender a aplicação da lei dos acidentes
de trabalho a outras pessoas que não possuem o estatuto de trabalhadores por conta de outrem (em
59 60
sentido estrito). Será, assim, o caso dos Administradores, Directores, Gerentes ou equiparados.
Exige-se apenas, para que a Lei dos Acidentes de Trabalho lhes seja aplicável, que tais “administradores”
sejam remunerados pelo seu trabalho. Caso contrário, a equiparação destes à condição de
Trabalhadores por Conta de Outrem não poderá ser levada a cabo.

c. Trabalhadores Independentes

53
O contrato de aprendizagem está regulado no Dec-lei 205/96 de 25 de Outubro (diploma que veio revogar o Dec- lei 102/84 de
29 de Março
A aprendizagem constitui um processo formativo que tem por finalidade assegurar o desenvolvimento da capacidade e a aquisição
dos conhecimentos necessários para o exercício de uma profissão qualificada. Tal contrato não consubstancia, assim, um vínculo
laboral; o que significa que o aprendiz não é um trabalhador subordinado da empresa, embora o possa vir a ser, uma vez que seja
dado por terminado o seu período de aprendizagem.
54
O estágio é uma situação diferente da aprendizagem (e do contrato de trabalho). O estagiário pode não ser ( e muitas vezes não
é) um trabalhador da empresa, sendo apenas alguém que se exercita em certas funções, como exercício preliminar indispensável
ao bom desempenho de uma profissão. O estágio não é um período de aperfeiçoamento teórico, mas de inserção plena em todos
os problemas da carreira que se pretende abraçar. O estágio em empresas, no âmbito do ensino técnico- profissional rege-se pelo
disposto no Dec-lei 253/84 de 26 de Setembro.
55
O praticante também se distingue, em regra, dos aprendizes e dos estagiários. O praticante é alguém que já conhece a
profissão, mas que ainda não se desembaraça suficientemente no seu exercício. Em determinadas actividades, o praticante é
admitido em regime de prova, durante um período, que pode ser mais ou menos longo.
56
Art.º 2º nº2 da Lei 100/97.
57
A situação jurídica do formando é regulada pelo Dec- lei 242/88 de 7 de Setembro. Já o Dec- lei 143/99, no seu art.º 12º nº2
esclarece quais as situações que devem considerar-se de formação prática: “as que tenham por finalidade a preparação ou
promoção profissional do trabalhador, necessária para o desempenho de funções inerentes à actividade da entidade
empregadora”.
58
Art.º 12º nº3 do Dec-lei 143/99. Este normativo não faz qualquer referência a trabalhadores autónomos ou, sequer, a
trabalhadores independentes. Muito dificilmente se poderá concluir pela sua inclusão naquele rol de trabalhadores abrangidos
pelo diploma em questão.
59
Art.º 2º nº3 da Lei 100/97. Esta disposição normativa refere-se, especialmente, aos que exercem os seus cargos de
administração em regime de comissão de serviço, directamente dependentes da Administração (Dec-lei 404/91 de 16 de
Outubro).
60
Trata-se de pessoas que administram ou dirigem os interesses das pessoas colectivas (seja qual for a sua natureza jurídica,
explorem ou não actividade lucrativa) e que fazem parte dos seus órgãos de gestão. Estas pessoas, pertencendo embora a tais
órgãos, a sua actividade subordina-se, por seu turno, a tais órgãos. Nesta medida, poderá dizer-se que são, verdadeiramente
trabalhadores por conta de outrem.
O legislador entendeu estender, igualmente, as garantias da Lei dos Acidentes de Trabalho a um
universo mais alargado de pessoas que trabalham e que, por esse facto, correm riscos, para além do
universo mais restrito dos “Trabalhadores por Conta de Outrem”, já aflorado.

Assim, em caso de acidente de trabalho, os trabalhadores independentes e respectivos familiares terão


direito a indemnizações e prestações em tudo idênticas às dos trabalhadores por conta de outrem e
seus familiares.
Nesse sentido, deverão os trabalhadores independentes efectuar um seguro que garanta as referidas
61
prestações, em caso de sinistro . Trata-se de um seguro de carácter obrigatório. Contudo, esta
obrigatoriedade abrange apenas os trabalhadores independentes “cuja produção se não destine
62
exclusivamente ao consumo e utilização por si próprio e pela sua família” .

Verificamos, assim, que o regime jurídico emergente da Lei 100/97 apenas indirectamente se aplica aos
trabalhadores independentes, dado não serem os mesmos incluídos no elenco do art.º 2º daquele
63
diploma e de se fazer depender a garantia das indemnizações e prestações previstas , da efectivação
de um seguro.
Quando o sinistrado for, simultaneamente, trabalhador independente e trabalhador por conta de
outrem, e havendo dúvida sobre o regime aplicável ao acidente, presumir-se-á, até prova em contrário,
64
que o acidente ocorreu ao serviço da entidade empregadora .

d. Trabalhadores Estrangeiros
65
O contrato de trabalho de estrangeiros obedece a determinadas formalidades . Uma vez constituída a
relação de trabalho, a mesma deverá desenvolver-se, em obediência ao princípio constitucional da
66
Igualdade .

O art.º 4º da Lei 100/97 refere-se a dois grupos de trabalhadores estrangeiros:


67
- Estrangeiros ao serviço de empresas portuguesas

- Trabalhadores estrangeiros ao serviço de empresa estrangeira (ou de sua agência,


sucursal, representante ou filial), sediada ou não (uma ou outras) em Portugal, na qual
exerçam uma actividade temporária ou intermitente, e existindo acordo entre Estados
68
no sentido da aplicação de legislação do Estado de origem

e. Trabalhadores no Estrangeiro
69
Terão, igualmente, direito às prestações previstas na Lei 100/97:

- Trabalhadores portugueses, residentes em Portugal

61
O diploma que regulamenta o Seguro Obrigatório de Acidentes de Trabalho para os trabalhadores Independentes é o Dec- lei
159/99 de 11 de Maio.
62
Assim, aqueles “cuja produção se destine exclusivamente ao consumo próprio ou utilização por si próprio e pelo seu agregado
familiar” são dispensados de efectuar este seguro (art.º 1º nº2 do Dec- lei 159/99). Contudo, se o não efectuarem, não verão
garantidas as indemnizações e prestações previstas na legislação.
63
Antes são tratados, de forma marginal, no art.º 3º.
64
Art.º 7º do Dec- Lei 159/99.
65
O Contrato de Trabalho de Estrangeiros é regulado pela Lei 20/98 de 12 de Maio.
66
Art.º 13º da Constituição da República Portuguesa (CRP).
67
A estes refere-se o nº1 do art.º 4º da Lei 100/97, funcionando aqui, plenamente o Princípio da Igualdade de Tratamento; o que
significa que os trabalhadores estrangeiros, nestas condições, usufruirão dos mesmos benefícios, direitos e igualdade de
tratamento que qualquer trabalhador português.
68
Ficarão, deste modo, em princípio, fora do âmbito da Lei 100/97 este grupo de trabalhadores, desde que reunidos os
pressupostos mencionados. Contudo, a aplicabilidade da lei portuguesa a uma situação de acidente de trabalho é possível, desde
que implique um tratamento mais favorável ao sinistrado do que o previsto na legislação do seu Estado de origem (dependendo
assim, da própria vontade do trabalhador, a aplicação de uma ou outra lei).
69
Salvo se a legislação do Estado onde ocorreu o acidente lhes reconhecer o direito à reparação. Neste caso, o trabalhador
sinistrado poderá optar por um ou outro regime (arts.º 5º da Lei 100/97 e 13º do Dec-lei 143/99).
- Trabalhadores estrangeiros, residentes em Portugal
70
Vitimados no estrangeiro ao serviço de empresa portuguesa .

2.5. PRESTAÇÕES

São três os objectivos de reparação de acidentes de trabalho, preconizados pelo art.º 10º:

- Restabelecimento do estado de saúde da vítima


- Reposição da sua capacidade de trabalho ou de ganho
- Recuperação para a vida activa, da vítima

71
a) Prestações em espécie

 Prestações de natureza médica- compreendem a assistência médica e


cirúrgica, geral ou especializada, incluindo todos os elementos de
72
diagnóstico e de tratamento
73
 Prestações de natureza farmacêutica
74 75
 Prestações de natureza hospitalar
 Quaisquer outras que a lei defina como prestações acessórias ou
76
complementares - é o caso de:
- Enfermagem;
- Tratamentos termais;
77
- Hospedagem ;
78 79
- Transportes para observação , tratamento e comparência em
80
actos judiciais ;
- Fornecimento de aparelhos de prótese e ortopedia e a sua
81
renovação e reparação ;
- Reabilitação funcional

70
Repare-se que o legislador não incluiu , aqui, no conceito de “empresa portuguesa” as suas sucursais, filiais ou representantes e
agências, conforme fez em relação a “empresa estrangeira”, no âmbito do art.º 4º ).
71
A alínea a) do art.º 10º pretende que qualquer das prestações em espécie enunciadas tenha a mais ampla abrangência, dizendo
que tais prestações devem ser fornecidas seja qual for a sua forma, mas com uma limitação: desde que se mostrem necessárias e
adequadas ao fim em vista: o restabelecimento do estado de saúde do sinistrado, a sua capacidade de trabalho e a sua
recuperação para a vida activa.
72
As entidades responsáveis devem assinar termo de responsabilidade para garantia do pagamento das despesas com o
internamento e os tratamentos previstos na alínea a) do art.º 10º da Lei 100/97. A recusa, porém, da assinatura do termo de
responsabilidade não legitima a recusa de tratamento/internamento dos sinistrados, sempre que a gravidade do seu estado os
imponha imediatamente.
73
Esta assistência envolve o fornecimento gratuito de medicamentos e de todos os produtos necessários a tratamentos, ainda que
de longa duração.
74
Nos termos do art.º 2º, alínea e) do Dec- lei 143/99, são considerados hospitais, além dos estabelecimentos hospitalares,
propriamente ditos, também as casas de saúde e as casas de repouso ou de convalescença. Será, igualmente, indiferente o
carácter público ou privado do estabelecimento, apenas interessando que sejam adequados ao restabelecimento e reabilitação do
sinistrado.
75
Os hospitais não poderão negar o tratamento/internamento dos sinistrados, sempre que a gravidade do seu estado os imponha
imediatamente, sob pena de serem responsáveis pelo agravamento das lesões do sinistrado (art.º 34º do Dec-lei 143/99)
76
Que constam do art.º 23º do Dec-lei 143/99.
77
Se a estada ( que inclui alojamento, alimentação e transportes locais), e o transporte forem fornecidos pela própria entidade
responsável, o sinistrado deve aceitar, devendo verificar e exigir que tudo se encontre em conformidade, no que respeita às
condições de comodidade impostas pela natureza da lesão ou doença. Entendendo-se por Comodidade, o bem-estar e o conforto
necessário e adequados à natureza da lesão ou doença e ao seu estado em cada momento. A norma que regulamenta esta
matéria- art.º 35º do Dec-lei 143/99- parece, porém, afastar este conceito.
O sinistrado tem também o direito de se fazer acompanhar de outra pessoa (com direito a transporte e estada), nas mesmas
condições, no caso de ser menor de 16 anos, a natureza da lesão ou doença o exigir ou devido a circunstâncias especiais (avançada
idade, debilidade mental ou física do sinistrado, etc.)- art.º 15º nº2 da Lei 100/97.
78
Isto é, ao seu fornecimento ou pagamento ( e correspondente estada)- art.º 15º da Lei 100/97 e artº35º do Dec-lei 143/99.
79
Observação médica, mesmo que a iniciativa da necessidade de observação seja sua e não do médico assistente.
80
Comparência em actos determinados pelas autoridades judiciais ou por iniciativa do sinistrado, devidamente justificada, pela
sua finalidade.
81
Arts 36º a 40º do Dec-lei 143/99.
82
 Prestação dos Primeiros Socorros
83
 O transporte mais adequado aos primeiros socorros
84
 Ocupação obrigatória durante a incapacidade temporária
85
 Ocupação em funções compatíveis, na incapacidade permanente
 Formação profissional e adaptação ou readaptação profissional do posto
86
de trabalho
 Colocação em regime de trabalho a tempo parcial
 Licença para formação
 Oferta de novo emprego

O internamento e os tratamentos referidos devem ser feitos em estabelecimentos adequados ao


restabelecimento e reabilitação do sinistrado, permitindo-se o recurso a estabelecimentos hospitalares
87
estrangeiros . Entende-se que são, igualmente, admissíveis os tratamentos marítimos e os tratamentos
de altitude, entre outros.

As prestações que se destinam a contribuir para o restabelecimento do estado de saúde da vítima são
devidas, em princípio, até à data da alta, dado que a alta constitui a decisão médica em que o clínico
88
responsável dá por findo o tratamento, considerando clinicamente curado o paciente .
Em caso de recidiva ou agravamento, o sinistrado mantém o direito às prestações em espécie que o
89
art.º 10º alínea a) refere ; mas apenas aquelas que têm que ver com o restabelecimento do estado de
saúde do sinistrado (pois são as únicas que cessam com a alta).

b) Prestações em dinheiro

As prestações em dinheiro podem assumir as seguintes formas:

- Pensões
- Indemnizações
- Subsídios
- Pagamento de Despesas

De entre as prestações em dinheiro, contam-se:

 Indemnização por Incapacidade Temporária Absoluta;


 Indemnização por Incapacidade Temporária Parcial;
90
 Pensão vitalícia à vítima
- Por incapacidade permanente absoluta
- Por incapacidade permanente parcial
 Pensão aos familiares da vítima do acidente;
91
 Subsídio por elevada incapacidade permanente ;
92
 Subsídio para a readaptação de habitação ;
 Subsídio por morte do sinistrado;
93
 Despesas de funeral

82
Art.º 24º nº1 do Dec- lei 143/99.
83
Art.º 24º nº2 do Dec- lei 143/99.
84
Art.º 30º da Lei 100/97.
85
Art.º 40º nº1 da Lei 100/97.
86
Art.º 40º nº2 da Lei 100/97.
87
O recurso a hospital estrangeiro obedecerá, porém, a alguns requisitos: tal recurso deverá mostrar-se necessário; essa
necessidade resultar da impossibilidade de tratamento em hospital situado em território nacional e que aquela necessidade e esta
impossibilidade sejam devidamente comprovados por parecer de junta médica.
88
Art.º 2º alínea f) do Dec- lei 143/99.
89
Art.º 16º nº1 da Lei 100/97.
90
Para os três tipos de incapacidades permanentes, indicados nas alíneas a), b) e c) do art.º 17º da Lei 100/97.
91
Art.º 23º da Lei 100/97 da Lei 100/97.
92
Art.º 24º da Lei 100/97.
93
Artsº 22º da Lei 100/97 e 50º do Dec- lei 143/99.
A razão de ser de todas estas prestações pecuniárias é a de que a vítima de um acidente de trabalho não
deverá dispender nada com as despesas do sue tratamento e recuperação. Por outro lado, deverá, ainda
ser indemnizado em função do seu nível salarial, de modo a que, economicamente, não fique
prejudicado, devido ao acidente.
Naturalmente que as prestações em dinheiro revestem apenas um carácter compensatório, dado que
não é possível a reparação integral do prejuízo sofrido pelo sinistrado.

Como distinguir Pensões e Indemnizações?

Apresenta-se, de seguida, um breve quadro- resumo, com algumas das diferenças que se podem
destacar nos respectivos regimes:

Pensões Indemnizações
IP Art.º 17ºnº 1 alíneas ITA/ITP
Morte a), b), c) e d) e 20º Lei
100/97
São fixadas em montante Art.º 43º nº1 Dec-lei
anual 143/99
Pagas vitaliciamente Não tem carácter vitalício
Pagas periodicamente Pagas unitariamente. Art.º 17º nº2,
São devidas por inteiro, somente 1ª parte Lei
enquanto o sinistrado estiver em 100/97
regime de tratamento
ambulatório ou em regime de
reabilitação profissional
Não podem ser suspensas ou Art.º 25ºLei 100/97 São reduzidas a 45%durante o Art.º 17º nº2
reduzidas período de internamento Lei 100/97
hospitalar ou durante o tempo
em que correrem por conta da
entidade empregadora ou
seguradora as despesas com a
assistência clínica e alimentos do
próprio sinistrado
Cumuláveis com quaisquer Art.º 46º Lei 100/97
outras pensões
94
São pagas adiantada e São pagas quinzenalmente Art.º 51º nº3
mensalmente, até ao 3º dia Dec- lei
de cada mês, 143/99
correspondendo cada
prestação a 1/14 da pensão
anual
Começam a vencer-se no dia Art.º 17º nº4 Lei Começam a vencer-se no dia Art.º 17º nº4
95
seguinte ao da alta 100/97 seguinte ao do acidente Lei 100/97

Tanto as pensões como as indemnizações são calculadas directamente sobre a retribuição que o
sinistrado/doente realmente auferia (ou devia auferir) na data do acidente, ou do diagnóstico final da
96
doença profissional .

2.6. PRESTAÇÕES POR INCAPACIDADE

Enquanto a regulamentação das prestações em espécie tem como fim primordial o restabelecimento do
estado de saúde e a consequente reposição da capacidade de ganho da vítima, a regulação das

94
São calculadas em relação a todos os dias, incluindo os de descanso e feriados- art.º 43 nº2 do Dec-lei 143/99.
95
A retribuição correspondente ao dia do acidente não é uma indemnização mas um salário devido pela entidade empregadora-
art.º 16º nº3 da Lei 100/97.
96
Art.º 26º da Lei 100/97.
prestações em dinheiro, partindo do pressuposto de que nem sempre é possível aquele
restabelecimento completo do estado de saúde, de forma a assegurar uma completa reposição da
capacidade de ganho, prevê a atribuição de prestações pecuniárias adequadas a atingir este objectivo.
Isso só acontecerá, portanto, sempre que não exista uma completa cura clínica e se cria uma situação
de incapacidade para o sinistrado.

Para efectuar o cálculo das prestações de uma pensão ou de uma indemnização, de acordo com os
parâmetros do art.º 17º, é necessário apurar-se, previamente, os seguintes elementos:
97
- a natureza da incapacidade
98
- o montante da retribuição
99
As pensões respeitantes a incapacidade permanente ou morte são fixadas em montante anual ilíquido .

O art.º 17º da Lei 100/97 prevê 6 tipos de situações de incapacidade, numa gradação que vai desde a
situação mais grave de incapacidade permanente absoluta para todo e qualquer trabalho, até à
incapacidade temporária parcial.

a) Incapacidade Permanente Absoluta para todo e qualquer trabalho (IPA- tqt)

Trata-se de uma incapacidade para o trabalho a 100%, em que o sinistrado tem direito a receber-
cumulativamente- os seguintes tipos de prestações pecuniárias:

- Pensão anual e vitalícia igual a 80% da retribuição


100
- Subsídio por situação de elevada incapacidade permanente
- Subsídios de Férias e de Natal, no valor de 1/14 cada da pensão anual, pagos em Maio e
101
Novembro, respectivamente, de cada ano
102
- Acréscimo de 10% da Pensão, até ao limite desta, por cada familiar a cargo
103
- Prestação suplementar da pensão
104
b) Incapacidade Permanente Absoluta para o trabalho habitual (IPA- th)

Trata-se de uma incapacidade de 100% para a execução do trabalho habitual do sinistrado, no


desempenho da sua específica função, actividade ou profissão, mas em que existe ainda uma
capacidade residual para o exercício de outra actividade laboral, permitindo-lhe alguma capacidade de
ganho, ainda que diminuta.
105
Será em função da capacidade funcional residual do sinistrado para o exercício de outra profissão ou
actividade compatível que se há-de fixar a pensão anual e vitalícia.

O sinistrado nesta situação tem direito às seguintes prestações pecuniárias:

97
Que há-de corresponder a uma das seis espécies previstas no nº1 do art.º 17º da Lei 100/97 e que é fornecida pelo resultado do
exame médico. A avaliação da incapacidade far-se-á, nos termos do art.º 41º do Dec-lei 143/99, que remete para a TNI em vigor à
data do acidente.
98
A que se chega, fixando-se a retribuição real, através dos elementos contratuais fornecidos pelo sinistrado ou pela entidade
responsável (art.º 102º nº2 CPT). A retribuição real é sempre a correspondente à do dia do acidente e não à do dia da alta ou de
qualquer outra data.
99
Arts 26º nº 2 da Lei 100/97 e 43º nº1 do Dec-lei 143/99.
100
Art.º 23º da Lei 100/97.
101
Art.º 51ºnº2 do Dec-lei 143/99.
102
O art.º 45º do Dec-lei 143/99 diz quem cabe no conceito de “familiar a cargo” do sinistrado.
103
Não superior à remuneração mínima mensal garantida, se e enquanto não puder dispensar a assistência constante de terceira
pessoa- artsº 41º nº2 e 48º nº 2 do Dec-lei 143/99).
104
O trabalho habitual não é habitual apenas porque é executado todos os dias , mas porque constitui aquilo que o trabalhador
sabe fazer, aquilo em que se especializou.
105
Esta capacidade funcional residual dever ser fixada no auto do exame médico judicial e com base nela se fixarão as respectivas
prestações em dinheiro, se houver acordo ou não se suscitarem dúvidas. Se não houver acordo ou for impossível ao perito médico
fixar a capacidade funcional residual do sinistrado, o MP ou o juíz requisitarão parecer de peritos especializados, a entidades
públicas ou privadas, especialistas na matéria (art.º 41º nº2 do Dec-lei 143/99).
- Pensão anual e vitalícia entre 50% e 70% da retribuição;
106
- Subsídio por situação de elevada incapacidade permanente
- Subsídios de Férias e de Natal, no valor de 1/14 cada da pensão anual, pagos em Maio e
Novembro, respectivamente

c) Incapacidade Permanente Parcial igual ou superior a 30% (IPP = ou > 30%)

Sinistrados com incapacidade permanente inferior a 70%, terão direito a:

- Pensão anual e vitalícia


- Subsídios de Férias e de Natal, no valor de 1/14 cada da pensão anual, pagos em Maio e
Novembro, respectivamente

Sinistrados com Incapacidade Permanente igual ou superior a 70%:

- Pensão anual e vitalícia


107
- Subsídio por situações de elevada incapacidade permanente
- Subsídios de Férias e de Natal, no valor de 1/14 cada da pensão anual, pagos em Maio e
Novembro, respectivamente

d) Incapacidade Permanente Parcial Inferior a 30% (IPP < 30%)

Neste caso, não haverá lugar ao pagamento de pensão vitalícia. A reparação em dinheiro é feita com o
108
pagamento de uma indemnização .

e) Incapacidade Temporária e Absoluta (ITA)

As indemnizações são calculadas com base na remuneração diária e correspondente a 70% dessa
109 110
retribuição . Devem ser pagas todos os dias, incluindo os dias de descanso e feriados .

f) Incapacidade Temporária Parcial (ITP)

O sinistrado terá direito a uma indemnização diária igual a 70% da redução sofrida na capacidade geral
111
de ganho . O montante da indemnização varia consoante a variação do coeficiente de incapacidade.

2.7. CASOS ESPECIAIS DE REPARAÇÃO

a) Acidente causado pela entidade empregadora (ou seu representante)


112
Quando o acidente tenha sido provocado pela entidade empregadora ou seu representante, ou
resultar de falta de observação das regras sobre segurança, higiene e saúde no trabalho, as prestações
113
obedecerão às regras constantes do nº1 do art.º 18º da Lei 100/97 .
O nº2 vem acrescentar que estas entidades poderão, ainda, responder civilmente, por danos morais, ou
114
mesmo ser responsabilizados criminalmente .

As entidades empregadoras a que se refere esta disposição são apenas as entidades que não sejam
115 116
pessoas colectivas . As pessoas colectivas são referenciadas pela expressão seu representante .

106
Art.º 23º da Lei 100/97.
107
Art.º 23º da Lei 100/97.
108
Calculada nos mesmos termos da remição de pensões- art.º 56º nº1 alínea b) do Dec-lei 143/99.
109
Indemnização = R x 0,70.
110
Art.º 43º nº 2 do Dec-lei 143/99.
111
Indemnização = R x I x 0,70.
112
Não se diz se a título de dolo ou de negligência, pelo que se pode inferir que ambas as hipóteses estarão aqui abrangidas.
113
Veja-se, a este respeito o disposto no nº2 do art.º 37º da Lei 100/97.
114
Esta responsabilidade pro danos morais não é, em princípio, transferido para as entidades seguradoras, como o não é a
responsabilidades além das prestações normais que não tenham carácter compensatório- art.º 37º nº2 da Lei 100/97.
117
b) Acidente provocado por outros trabalhadores ou terceiros
118
Quando o acidente seja causado por outros trabalhadores ou terceiros , o sinistrado terá,
igualmente, direito à reparação; sendo que este direito a reparação não prejudica o direito de acção
contra os agentes causadores do acidente.
É que o acidente, nestes caso, reveste a dupla natureza de acidente de trabalho e de acidente por facto
ilícito de outrem (ou crime).

Ocorrendo o acidente dentro dos parâmetros locais e temporais previstos no art.º 6º, a entidade
patronal responde sempre em termos de responsabilidade objectiva (independentemente de culpa).
Responsabilidade a que se junta a responsabilidade civil por factos ilícitos e/ ou criminal, em que
incorrerão os trabalhadores/terceiros causadores do acidente, quando tenham agido culposamente (ou
seja, a título de dolo ou negligência).
Nas situações de confluência de responsabilidades pela ocorrência do acidente, como resulta do art.º
31º, o sinistrado não fica titular de dois ou mais direitos a indemnização.

A entidade empregadora (ou a seguradora) que tiver pago a indemnização pelo acidente tem o direito
de regresso contra os responsáveis pelo acidente, nos termos do nº3 do art.º 31º.

2.8. REVISÃO DAS PRESTAÇÕES119

O estado de saúde da vítima de acidente de trabablho evolui, quer no sentido do agravamento, quer no
sentido da melhoria, modificando-se, deste modo, a sua capacidade de ganho.
A revisão da incapacidade, se a modificar, altera sempre, ou quase sempre, o montante da pensão , pelo
que, no fundo, do que se trata é da revisão do grau de incapacidade, e não do montante da prestação
(que será uma mera consequência).

A modificação da capacidade de ganho será, nos termos do art.º 25º nº1 da Lei 100/97, a resultante de:

- Agravamento
120
- Recidiva
121
- Recaída
122
- Melhoria
- Intervenção Clínica
123 124
- Aplicação de prótese ou ortótese
- Formação profissional adequada
- Reconversão profissional adequada

Para que se possa requerer a revisão da incapacidade é necessário alegar-se agravamento, recidiva,
recaída, melhoria da lesão ou doença ou necessidade de aplicação de prótese ou ortótese ou de
efectuar intervenção cirúrgica ou, ainda, alegar aproveitamento na formação profissional, como na
reconversão profissional.

115
É que apenas em relação a pessoa individual é possível a sua identificação física e a imputação de qualquer facto. Já quanto às
pessoas colectivas, não será possível esta imputação factual.
116
Toda a pessoa física, constituinte dos órgãos de direcção da pessoa colectiva- entidade patronal, enquanto age em nome desta,
é seu representante.
117
Art.º 31 da Lei 100/97.
118
A lei entende, aqui por terceiros, toda e qualquer pessoa completamente alheia à relação de trabalho, quer essa pessoa se situe
no local de trabalho da vítima, quer fora dele.
119
A revisão pressupõe sempre uma actividade (judicial) processual (distinta do processamento burocrático que envolve a relação
seguradora- sinistrado).O aspecto processual da revisão das prestações encontra-se regulado nos arts 145º a 147º CPT.
120
Isto é, reaparecimento da enfermidade, algum tempo depois de ter decorrido um período de saúde completa.
121
Ou seja, recomeço dos sintomas, antes de se atingir um estado de saúde completo.
122
Que pode significar a diminuição do grau de gravidade das lesões ou dos sintomas da doença ou até mesmo o estado de saúde
completo.
123
Destinada a reduzir a lesão ou a doença.
124
Neste caso, pode não haver alteração ao nível do estado da lesão ou doença, mas a revisão justificar-se apenas pela
necessidade de modificar ou adaptar novo aparelho ortopédico.
Quando pode ser requerida a revisão?

Tratando-se de acidente de trabalho, só poderá ser requerida dentro dos primeiros 10 anos posteriores
125
à data da fixação da pensão . Dentro deste primeiro decénio, a revisão só poderá ser requerida uma
vez em cada semestre, nos 2 primeiros anos e uma vez por ano, nos 8 anos imediatos.
Se se tratar de doença profissional de carácter evolutivo, a revisão pode ser pedida a qualquer
momento; sendo que nos 2 primeiros anos, uma só vez no fim de cada ano.

Quem pode requerer a revisão?

- Entidade responsável pela pensão (no caso de diminuição ou desaparecimento da


incapacidade)
- Sinistrado (em caso de agravamento da incapacidade)

2.9.A QUEM CABE A OBRIGAÇÃO DE REPARAR

São responsáveis pela reparação e demais encargos previstos na lei as pessoas singulares ou
126 127
colectivas (...)relativamente aos trabalhadores ao seu serviço referidos no art.º 2º da Lei 100/97 .

A responsabilidade pela reparação e outros encargos decorrentes de acidentes de trabalho é, em


primeira linha, das entidades empregadoras.
Porém, esta responsabilidade é transferida para entidades seguradoras, de carácter privado (que,
deste modo, se lhes substituem),que cobrem os riscos que a ocorrência de acidentes de trabalho
128
representa .
A falta desta transferência de responsabilidade, por parte das entidades empregadoras, além de as fazer
129
incorrer em falta contra- ordenacional, punida com coima , mantém-nas na primeira linha da
responsabilidade não transferida.

Contudo, nos casos de acidente de trabalho, provocado pela entidade empregadora (ou seu
representante), nos termos do art.º 18º da Lei 100/97, apesar daquela transferência de
responsabilidade, a responsabilidade da empresa seguradora é apenas subsidiária no que respeita às
130
prestações normais previstas na lei .

3. PARTICIPAÇÃO DO ACIDENTE DE TRABALHO

A)Quem tem o dever de participar o acidente de trabalho

A participação da ocorrência de acidente de trabalho constitui um dever que recai, desde logo, sobre:

- O sinistrado
- Os beneficiários legais de pensões ( no caso de falecimento do sinistrado)

Duas situações há a distinguir, desde logo:

- Se no prazo de 48 horas a entidade empregadora ou a pessoa que a represente na direcção


do trabalho não tiverem conhecimento do evento, incumbe ao próprio sinistrado fazê-lo.
E deverá fazê-lo através de participação do acidente à entidade empregadora.

125
Tem-se entendido que esta data corresponderá à data da alta definitiva ou cura clínica.
126
Quando as pessoas colectivas não estejam regularmente constituídas, a responsabilidade não pode ser, como é óbvio, de uma
entidade que não existe, mas dos sócios ou pessoas singulares e colectivas que conjuguem esforços comuns para um determinado
fim, que respondem solidariamente.
127
Art.º 11º do Dec-lei 143/99.
128
Art.º 37º nº1 da Lei 100/97.
129
Art.º 67º nº1 do Dec- lei 143/99.
130
Art.º 37º nº2 da Lei 100/97.
Se, contudo, o acidente foi presenciado pela própria entidade empregadora (conhecimento
131
directo) ou foi do seu conhecimento indirecto (através de pessoa que a represente na
132
direcção do trabalho ) e não tenham decorrido mais de 48 horas sobre o acidente, não há
necessidade de o sinistrado (ou qualquer dos beneficiários legais) proceder à participação
do mesmo.

I. Entidades Empregadoras com responsabilidade transferida

A transferência de responsabilidade pela reparação prevista na Lei 100/97 para entidades legalmente
autorizadas a realizar este tipo de seguro constitui uma obrigação legal para as entidades
empregadoras.
Assim, as entidades empregadoras que tenham transferido a sua responsabilidade, naqueles termos,
devem participar à empresa seguradora a ocorrência do acidente.
Esta participação da entidade empregadora é, eventualmente, além de um dever legal (porque imposto
133
por norma legal ), trata-se, igualmente, de um dever contratual, no âmbito das cláusulas estabelecidas
na apólice- Apólice Uniforme de Acidentes de Trabalho, para trabalhadores por conta de outrem.
134
II. Entidades Empregadoras sem responsabilidade transferida

As entidades patronais que não tenham a sua responsabilidade transferida para seguradoras, devem
135 136
participar o acidente, directamente, ao tribunal competente .
A falta de participação ao tribunal constitui contra- ordenação, punível com coima, nos termos do art.º
67º nº2 do Dec- lei 143/99.

III. Empresas de Seguros

As entidades seguradoras são obrigadas a participar ao tribunal competente acidentes de trabalho, em


três casos:

- Nos acidentes de que tenha resultado a morte


- Nos acidentes de que tenha resultado incapacidade permanente
- Nos casos de incapacidade temporária que ultrapasse 12 meses

Ao conhecimento do Tribunal chegam participações de acidentes de trabalho, por várias vias:

- Directamente, dos sinistrados ou de seus familiares beneficiários legais, que não estejam a
ver os seus direitos a ser respeitados;
- Das entidades patronais sem responsabilidade transferida;
137
- Das entidades seguradoras

IV. Trabalhadores Independentes

Ocorrido um acidente, o sinistrado ou os beneficiários devem participá-lo à empresa de seguros, nos


termos estabelecidos na apólice.

131
Note-se que só pode presenciar um acidente uma pessoa física, individual e não uma pessoa colectiva, pelo que o
conhecimento directo, adquirido por esta só pode ser-lhe fornecido através de uma das pessoas que integrem os seus órgãos de
gestão, ou qualquer outra pessoa, seja ela quem for, profissionalmente relacionada, ou não, com ela.
132
Pessoa que represente a entidade empregadora na organização do trabalho será qualquer pessoa que tenha, efectivamente,
essas funções de direcção (ex: um encarregado, coordenador ou outro trabalhador que exerça funções de coordenação ou
vigilância). Presume-se que esta pessoa tem o dever de dar conhecimento do evento, através da cadeia hierárquica, à entidade
empregadora.
133
Art.º 15º do Dec- lei 143/99.
134
Art.º 16º do Dec- lei 143/99.
135
Tribunal do Trabalho, que abranja territorialmente o lugar onde o acidente ocorreu.
136
A participação do acidente de trabalho ao tribunal é feita em duplicado e acompanhada dos boletins dos exames médicos a que
o sinistrado foi submetido.
137
Art.º 18º do Dec- lei 143/99.
As empresas de seguros participarão ao tribunal competente, por escrito, no prazo de 8 dias, a contar da
alta, os acidente de que tenha resultado incapacidade permanente e, imediatamente e por telecópia ou
outra via com o mesmo efeito de registo de mensagens, aqueles de que tenha resultado a morte.

B) Junto de quem é exercido o dever de participar o acidente

O dever de participar o acidente deve ser exercido, em primeira linha (como se disse)perante a entidade
empregadora ou, se isso for mais fácil para o participante, junto da pessoa que a represente na direcção
do trabalho.

C) Prazo para efectuar a participação

O prazo para efectuar a participação de acidente de trabalho é de 48 horas, a contar do momento da


ocorrência do acidente, excepto se:

- O estado de saúde da vítima lho não consentir


138
- Outra circunstância, devidamente comprovada não permitir à vítima fazê-lo, ela mesma
-
As dificuldades do sinistrado em participar o acidente poderão, todavia, ser contornadas, dada a
possibilidade oferecida pela alínea a) do art.º 19º do Dec- lei 143/99 de que a participação possa ser
feita por “interposta pessoa” (que pode ser, ou não, um familiar).

D) Consequências da falta de participação

A falta de participação tempestiva, por parte do sinistrado, impede, desde logo, a entidade
139
empregadora (ou quem a represente na direcção do trabalho) a prestar-lhe a assistência necessária.
Por outro lado, a falta de participação do acidente à entidade empregadora e a eventual e consequente
140
falta de prestação de primeiros socorros poder resultar em incapacidades de que não viria a padecer,
se estes tivessem sido prestados com oportunidade e adequação.

4. COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA141

Em caso de morte, na sequência de acidente de trabalho, de algum trabalhador internado em instituição


hospitalar, assistencial ou prisional, os directores dos referidos estabelecimentos estão obrigados a
comunicar (não a participar) imediatamente e por telecópia, internet ou correio electrónico, ao tribunal
competente. Igual obrigação recai sobre pessoa/entidade a cujo cuidado o sinistrado estiver.

A falta de comunicação constitui contra- ordenação , punida com coima, nos termos do art.º 67º do Dec-
lei 143/99.

Em caso de acidente de que resulte ou venha a resultar a morte do sinistrado, deve a entidade
142
patronal comunicar o facto à delegação da Inspecção do Trabalho, no prazo de 24 horas .

5. DOCUMENTAÇÃO MÉDICA

A existência de documentação médica, clínica ou outra é de relevante importância para a apreciação


judicial de qualquer questão relacionada com acidente de trabalho. Daí a sua obrigatoriedade.

 Boletim de Exame

138
Que não seja o seu estado de saúde.
139
A qual se traduz, de acordo com o art.º 24º nº1, em assegurar os imediatos e indispensáveis socorros médicos e farmacêuticos,
bem como o transporte mais adequado para tais efeitos.
140
Tais incapacidades, desde que judicialmente reconhecidas como consequência daquela falta, não conferem, direito às
prestações estabelecidas na lei, na proporção em que da falta tenham resultado.
141
Art.º 20º do Dec-lei 143/99.
142
Art.º 14º nº1 do Dec- lei 441/91.
Trata-se de boletim no qual deve ser feita, pelo médico assistente, com a pormenorizada descrição de
todas as doenças ou lesões que encontrar no examinado, bem como toda a sintomatologia
apresentada, distingindo e pormenorizando as lesões que pelo sinistrado forem referidas como
resultantes do acidente ou com este relacionadas. Ao longo do tratamento a que o sinistrado for
143
submetido, este boletim deve ser completado com informações complementares .

Os boletins de exame são emitidos em triplicado.


144
- Se a entidade responsável é uma seguradora , entregar-se-ão 2 (dos 3) exemplares à entidade
responsável (patronal ou seguradora), que fará chegar um deles a tribunal, sempre que:
- Haja de se proceder a exame médico
- O tribunal o requisite
- Tenha que acompanhar a participação do acidente
O terceiro exemplar será entregue directamente ao sinistrado (pelo próprio médico assistente).

- Se a entidade responsável não é nenhuma das entidades referidas, um dos boletins de exame será
remetido directamente (pelo médico assistente) ao tribunal competente para conhecer do acidente, um
segundo exemplar é entregue directamente ao sinistrado (pelo médico assistente) e o terceiro exemplar
é entregue/remetido à entidade responsável (entidade patronal)

 Boletim de alta

Terminado o tratamento, deverá ser redigido o boletim de alta, no qual se declara a causa de cessação
do tratamento, o grau de incapacidade atribuído e as razões justificativas das suas conclusões.

Os boletins de alta são emitidos em duplicado.

- Se a entidade responsável é uma seguradora, dos (2) boletins de alta, são entregues: um à entidade
responsável (que, por seu turno o fará chegar a tribunal nos casos acima referidos); outro, ao
145
sinistrado.

- Se a entidade responsável não é nenhuma das entidades referidas, um dos boletins de alta será
remetido directamente (pelo médico assistente) ao tribunal competente para conhecer do acidente e o
segundo exemplar é entregue directamente ao sinistrado (pelo médico assistente).

A entrega dos referidos boletins (que já se prevê poder ser feita através de meios informáticos) deve ser
feita no prazo de 30 dias após a realização dos actos a que dizem respeito, pelo médico assistente).

6. DANOS

Conforme dispõe o artº1 da Lei 100/97, “Os trabalhadores e seus familiares têm direito à reparação dos
danos emergentes de acidentes de trabalho(...)”.

À partida poderia ser-se levado a pensar que os danos emergentes de acidente de trabalho abrangeriam
as mais diversas formas: danos materiais causados no vestuário e objectos de uso pessoal, danos não
patrimoniais causados pela dor física ou pelo prolongado tempo de inactividade, lesões corporais
resultantes do acidente de trabalho...
Contudo, a lei não se refere a “danos emergentes de acidente de trabalho”, de modo tão lato. De facto,
a lei circunscreve este conceito, praticamente, às lesões corporais, perturbações funcionais ou doença
da própria vítima do sinistro. E nem todas as lesões corporais, perturbações funcionais ou doenças
integrarão aquele conceito. Para que o possam integrar, será necessário que constem de uma listagem e

143
Entre as quais, os sucessivos graus de incapacidade temporária que forem sendo observados.
144
Ou alguma das entidades mencionadas no art.º 59º do Dec-lei 143/99.
145
Este boletim é o único documento suficientemente capaz de fazer a prova de que a alta clínica foi formalmente comunicada ao
sinistrado, para os efeitos do disposto no art.º 32º da Lei 100/97.
situações onde se fornecem as bases de avaliação do prejuízo funcional sofrido- a designada Tabela
nacional de Incapacidades (aprovada pelo Dec-lei 341/93 de 30 de Setembro).
Assim, uma lesão corporal ligeira que não produza qualquer tipo de incapacidade não será suficiente
para qualificar o acidente que a tenha causado, como Acidente de Trabalho. Será um Acidente no
Trabalho, mas não um Acidente de Trabalho. A menos que, conforme faz a Tabela Nacional de
Incapacidades (TNI) se conceba uma incapacidade zero, que funcionará apenas para efeitos de
qualificação do dito acidente como de trabalho.

Deste modo se compreenderá porque todas as modalidades de reparação dos danos emergentes de
acidentes de trabalho, previstas na lei, têm que ver, directa ou indirectamente, com a reposição
possível, não só do estado de saúde anterior ao acidente, mas também (e sobretudo) com a
reintegração na capacidade de trabalho (ou de ganho) anterior.
Assim se explica que a certas sequelas físicas resultantes de acidente de trabalho, a TNI não atribua
qualquer desvalorização, porque, de facto, não são susceptíveis de pôr em risco ou diminuir a
capacidade de trabalho (ou de ganho) do sinistrado, apesar de temporária ou permanentemente,
146
afectarem a sua saúde .

 Danos Morais

Como a reparação no âmbito dos Acidente de Trabalho se situa no domínio da responsabilidade pelo
risco (independentemente de culpa), em princípio, não há lugar à reparação de danos não patrimoniais
ou danos morais, excepto se à entidade patronal puder ser assacado o acidente de trabalho a título
147
negligente ou doloso .

 Dano da Morte

A Morte surge, aqui, como um dano reparável. E reparável, porque a morte se traduz na definitiva e
absoluta redução da capacidade de ganho da vítima.
O que se pretende aqui, não é reparar a perda do direito à vida, mas apenas a expectativa de
rendimento que a prestação de trabalho e a sua compensação remuneratória cria no agregado familiar.
É que a capacidade de ganho de uma pessoa reflecte-se, não só em si próprio, mas igualmente na dos
seus familiares, economicamente dependentes da sua força de trabalho.
Assim, se do acidente de trabalho resultar a morte da vítima, a lei estabelece determinadas prestações a
receber pelos respectivos beneficiários.
148
 Pensão por morte
149
São apresentados, desde logo, duas categorias de beneficiários :
- Uma em que a lei presume a dependência económica
- Outra em que a dependência económica terá de comprovar-se, casuísticamente, para
que os familiares em questão possam dizer-se beneficiários

Quadro- Resumo

Beneficiários Pensões
Cônjuge Activo R x 0,30

146
Da TNI podem retirar-se alguns exemplos de lesões corporais que não dão lugar a incapacidades indemnizáveis (por não
afectarem a capacidade geral de ganho do sinistrado): a perda de um dente, o encurtamento de um braço de menos de 1 cm, a
fractura de corpos vertebrais sem deformação, etc.
147
Situação que a lei prevê expressamente no seu art.º 18ºnº2.
148
As pensões por morte começam a vencer-se no dia seguinte ao do falecimento do sinistrado, inclusive as referentes aos
nascituros- nº7 do artº 49º do Dec- lei 143/99.
149
Os beneficiários são apenas os que a lei elenca, taxativamente, no nº1 do art.º 20º. Porém, um outro beneficiário da vítima
mortal de acidente de trabalho pode ser o Estado, através do Fundo Autónomo de Acidentes de Trabalho, criado pelo Dec-lei
142/99 de 30 de Abril.
Cônjuge Reformado R x 0,40
Pessoa em União de Facto Activo R x 0,30
Pessoa em União de Facto Reformado R x 0,40
Ex- Cônjuge Activo R x 0,30 (até ao limite da pensão de alimentos)
Ex- Cônjuge Reformado R x 0,40 (até ao limite da pensão de alimentos)
Cônjuge Judicialmente Separado Activo R x 0,30 (até ao limite da pensão de alimentos)
Cônjuge Judicialmente Separado Reformado R x 0,40 (até ao limite da pensão de alimentos)
1 Filho R x 0,20
150
2 Filhos R x 0,40 (a dividir pelos 2)
3 ou mais Filhos R x 0,50 (a dividir por todos)
151
Ascendentes directos R x 0,10 (a cada um até 0,30)
152
Outros sucessíveis R x 0,10 (a cada um até 0,30)

As pensões referidas são acumuláveis, não podendo, contudo, o seu total exceder 80% da retribuição do
sinistrado. Se excederem, serão tais prestações sujeitas a rateio, enquanto esse montante se mostrar
153
excedido .
154
 Subsídio por morte

Este subsídio corresponde a um montante (fixo) de 12 meses de remuneração mínima garantida mais
elevada, podendo ser entregue a uma ou mais pessoas.
Estas pessoas, contudo, não ultrapassam o círculo estrito dos familiares considerados mais próximos:
- O cônjuge (ou pessoa que com o sinistrado tenha vivido em união de facto);
155
- Filhos com direito a pensão

7. OBRIGAÇÕES DO SINISTRADO

Sobre o sinistrado recai uma série de obrigações:


156
a) Aceitação da designação do médico assistente por parte da entidade responsável

A entidade responsável (seja ela a entidade patronal, seja a seguradora) tem o direito de designar o
médico assistente do sinistrado.
O médico assistente tem o dever de acompanhar o sinistrado até ao momento da alta e, embora
substituído nas suas funções, durante o internamento em hospital, pelos médicos do mesmo hospital,
157
ele continua a deter o direito de continuar a acompanhar o tratamento do sinistrado .
O sinistrado só poderá recorrer a outro médico num dos quatros casos enunciados, taxativamente, na
158
lei .

b)Dever de submissão aos tratamentos e de observância das prescrições clínicas e cirúrgicas


159
do médico designado

Este dever comporta, porém, algumas limitações- os tratamentos e prescrições clínicas e cirúrgicas a
que deve submeter-se são apenas as necessárias:

- À cura da lesão ou doença


- À recuperação da capacidade de trabalho

150
O dobro se os filhos forem órfãos de ambos os pais.
151
Pais, avós, bisavós...
152
Irmãos e seus descendentes e outros colaterais até ao 4º grau.
153
Art.º 21º da Lei 100/97.
154
Art.º 22º da Lei 100/97.
155
Aqui, estarão, igualmente, abrangidos os enteados, em virtude da equiparação feita pelo nº5 do art.º 20º.
156
Art.º 26º do Dec- lei 143/99.
157
Art.º 28º do Dec- lei 143/99.
158
Alíneas a) a d) do nº2 do art.º 26º do Dec- lei 143/99.
159
Art.º 14º da Lei 100/97
Qual a consequências da violação destas obrigações?

O direito a prestações estabelecidas na lei pode ser declarado extinto com fundamento no
comportamento do sinistrado.

O sinistrado tem o direito de reclamar, a todo o momento, para os peritos médicos do tribunal.
Para além deste direito, o art.º 31º do Dec-lei 143/99 apresenta ao sinistrado procedimentos a levar a
cabo, no sentido de dirimir quaisquer divergências, eventualmente, surgidas.

8. OCUPAÇÃO E DESPEDIMENTO DURANTE A INCAPACIDADE TEMPORÁRIA

a) Ocupação obrigatória durante a Incapacidade Temporária

Dispõe o art.º 54º da Lei 100/97 que, durante o período de Incapacidade Temporária Parcial, as
entidades empregadoras serão obrigadas a ocupar os trabalhadores sinistrados em acidentes ao seu
160
serviço em funções compatíveis com o estado desses trabalhadores .
A (re)ocupação de trabalhadores sinistrados pode ser voluntária ou obrigatória. Apenas a esta última se
refere a lei.
De facto, o art.º 54º do Dec- lei 143/99 dispõe que apenas as entidades empregadoras que tenham ao
161
seu serviço um mínimo de 10 trabalhadores , têm obrigação de dar ocupação a trabalhadores
162
sinistrados ao seu serviço .
Aquela obrigação cessa quando o trabalhador sinistrado não se apresente à entidade empregadora no
prazo de dez dias (a contar da data de fixação do grau de incapacidade temporária igual ou inferior a
163 164
50% ), a fim de conhecer as funções e condições de trabalho em que vai ser ocupado.
A não apresentação do sinistrado pode ser devidamente justificada, mediante apresentação de motivos
ponderosos que a entidade empregadora aceite- neste caso, a obrigação de ocupação prolongar-se-á
para além daqueles dez dias.

b) Proibição de Despedimento sem Justa Causa

A proibição dos Despedimentos sem Justa Causa constitui hoje uma das garantias de todos os
trabalhadores, legalmente prevista e constitucionalmente consagrada.
O Despedimento sem justa causa de trabalhador temporariamente incapacitado em resultado de
acidente de trabalho, confere-lhe (sem prejuízo de outros direitos consagrados na lei), caso opte pela
não reintegração, o direito a uma indemnização igual ao dobro da que lhe competiria por despedimento
sem justa causa.

9. FUNDO DE ACIDENTES DE TRABALHO165

Para prevenir que, em caso algum, os pensionistas de acidentes de trabalho deixem de receber as
pensões que lhes são devidas, prevê-se que o FAT (que funciona junto do Instituto de Seguros de
Portugal) garantirá o pagamento das prestações que forem devidas por acidentes de trabalho sempre
que, por motivo de incapacidade económica (objectivamente caracterizada em processo judicial de
falência ou processo equivalente, ou processo de recuperação de empresa, ou por motivo de ausência,
desaparecimento ou impossibilidade de identificação, não possam ser pagas pela entidade responsável.

160
A retribuição terá por base a do dia do acidente, excepto se a retribuição da categoria correspondente tiver sido objecto de
alteração (aumentada), caso em que será esta a considerada.
161
Que podem ser trabalhadores de diferentes áreas ou funções e não exclusivamente da mesma função do sinistrado.
162
Caso o empregador não cumpra esta obrigação, será punido com coima- art.º 67 nº3 do Dec-lei 143/99- e pagará ao sinistrado
a retribuição que lhe caberia caso tivesse sido ocupado.
163
É que só são abrangidos pela ocupação os sinistrados em situação de incapacidade temporária, com coeficiente de
incapacidade igual ou inferior a 50%, o que exclui os que venham a sofrer de incapacidade permanente ou incapacidade
temporária de coeficiente superior àquele valor.
164
As funções e condições de trabalho em que os sinistrados devem ser ocupados têm que ser compatíveis com o respectivo
estado de saúde; o que, em caso de dúvida, pode ser resolvido através de parecer técnico de peritos especializados, solicitado
pelo tribunal, a entidades adequadas- art.º 55º do Dec- lei 143/99.
165
Criado pela Lei 142/99 de 30 de Abril
B. DOENÇAS PROFISSIONAIS

As Doenças Profissionais integram-se no âmbito do regime de segurança social dos trabalhadores por
conta de outrem e dos trabalhadores independentes e, por isso, apresentam um regime de cobertura da
responsabilidade pelos riscos diferente dos acidente de trabalho.
É que, como vimos, nos acidentes de trabalho, essa responsabilidade pode/deve ser transferida para
seguradoras, (de carácter privado) enquanto a responsabilidade por doenças profissionais só pode ser
transferida para uma instituição de segurança social, de natureza pública- o Centro Nacional de
Protecção Contra os Riscos Profissionais (CNPCRP)

1.NOÇÃO DE DOENÇA PROFISSIONAL

Terá sido Etienne Martin, em Abril de 1929, na 4ª Reunião Internacional Permanente para o Estudo das
Doenças Profissionais, quem, pela primeira vez, sugeriu a existência de doenças de trabalho, a par das
doenças profissionais e, de algum modo diferentes dos acidentes de trabalho. Desde logo, as doenças
profissionais atingiriam os trabalhadores que exercem a sua actividade em ambiente nocivo à saúde,
quer pelas substâncias manipuladas, quer pelo meio em que se desenvolve. Já as doenças de trabalho
seriam comuns a qualquer trabalhador, em virtude de qualquer trabalho.
Esta distinção veio a ter consagração legal, na Base XXV, da Lei 2127/65 de 3 de Agosto. Este diploma
foi, mais tarde, revogado pela Lei 100/97 de 13 de Setembro (diploma que aprovou o Regime Jurídico
dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais), que manteve, no seu art.º 27º, aquela mesma
distinção (o nº1 refere-se às doenças profissionais, reportando-se o nº2 às doenças do trabalho).

Nem a Lei 100/97 nem qualquer outro dispositivo normativo dão uma noção do que seja doença
166
profissional. Quer o art.º 27º daquele diploma, quer o art.º 2 nº1 do Dec-lei 248/99 de 2 de Julho se
limitam a referir que são doenças profissionais as que constam da Lista de Doenças Profissionais.

É possível, porém, conjugando todas as referências legais, chegar a uma noção de doenças profissionais:
as que são provocadas por agentes nocivos a que os trabalhadores, por força da sua função laboral
estão habitual ou continuamente expostos, no local e no tempo em que desempenhem essa função.

Ora, consideram-se como Doenças Profissionais:


167
- As que constem da Lista de Doenças Profissionais
- Lesão, perturbação funcional ou doença que, não incluída na Lista de Doenças
Profissionais, resulte de causa que actue continuadamente, desde que seja consequência
necessária e directa da actividade exercida pelos trabalhadores e não represente normal
desgaste do organismo.

2.REPARAÇÃO DAS DOENÇAS PROFISSIONAIS

Como se aflorou já, a avaliação, graduação e reparação das doenças profissionais é da exclusiva
responsabilidade do Centro Nacional de Protecção Contra os Riscos Profissionais (CNPRP).
Haverá direito a reparação por doença profissional, quando se verifiquem, cumulativamente as
168
seguintes condições :

- Estar o trabalhador afectado de doença profissional


- Ter estado exposto ao respectivo risco pela natureza da indústria, actividade ou condições,
169
ambiente e técnicas do trabalho habitual

166
Diploma que regulamenta o risco profissional que são as doenças profissionais.
167
O Dec- Regulamentar 6/2001 de 5 de Maio veio aprovar a nova Lista de Doenças Profissionais, revogando assim o Dec-
regulamentar 12/80 de 8 de Maio (com a redacção que lhe havia sido dada pelo Despacho Normativo 253/82 de 22 de
Novembro). A Lista é actualizada pela Comissão Nacional de Revisão da Lista de Doenças Profissionais.
168
Plasmadas nos arts 28 º e 26º da Lei 100/97 e do Dec-lei 248/99, respectivamente.
169
Ver o que dispõem, a este propósito, os nºs 2 e 3 do art.º 26º da Lei 248/99.
A vítima deverá declarar e fazer prova de que, por um lado, a doença de que padece se encontra inscrita
na Lista de Doenças Profissionais e, por outro, esteve exposta, por força da natureza e condições do
trabalho efectuado, à acção dos agentes nocivos que a referida lista enumera.
170
Provados estes dois factos, presume-se a imputabilidade da doença ao trabalho.

Dado o período de exposição ao risco, o legislador fixa um período máximo para a manifestação e
171
consequente diagnóstico, o qual corresponde, em princípio, ao período de incubação ; espaço de
tempo este taxativamente fixado na lei (na lista) que, pela sua natureza de ordem pública, não admite
prova em contrário ou qualquer modificação judicial.

A data do primeiro diagnóstico inequívoco da doença equivale, para efeitos de reparação à data do
acidente de trabalho.
Tal diagnóstico poderá ser realizado por qualquer pessoa ou entidade qualificada para um diagnóstico
médico legalmente válido.

3.NATUREZA E GRADUAÇÃO DA INCAPACIDADE

Quanto à natureza da Incapacidade resultante de doença profissional, veja-se o que se diz no Capítulo
“NATUREZA E DETERMINAÇÃO DA INCAPACIDADE”, relativo aos acidentes de trabalho.

O grau de Incapacidade define-se por coeficientes expressos em percentagens e determinados em


função da natureza e da gravidade da lesão , do estado geral do beneficiário, da sua idade e profissão,
bem como da maior ou menor capacidade funcional residual para o exercício de outra profissão
compatível e das demais circunstâncias que possam influir na sua capacidade de ganho.

A certificação das incapacidades abrange o diagnóstico da doença, a sua caracterização como doença
profissional e a graduação da incapacidade, bem como (se for caso disso) a declaração de necessidade
de assistência permanente de terceira pessoa para efeitos de prestação suplementar.

4.COMUNICAÇÃO DAS DOENÇAS PROFISSIONAIS

A lei prevê, no Dec-lei 2/82 de 5 de Janeiro, bem como no art.º 84º do da Lei 248/99, a comunicação
obrigatória de todas as doenças profissionais constantes da Lista de Doenças Profissionais.
172
Tal comunicação deverá ser feita pelo médico responsável, ao CNPRP (Antes, CNSDP) , sempre que
aquele tenha conhecimento, no exercício da sua actividade profissional, de casos de diagnóstico de
doença profissional constantes da Lista de Doenças Profissionais.

A falta de comunicação obrigatória não impede a validade de diagnóstico, para efeitos indemnizatórios.

5.MODALIDADES DAS PRESTAÇÕES

Com vista à reparação dos danos emergentes da doença profissional, reabilitação e recuperação
173
profissional, temos dois tipos de prestações :

- Prestações pecuniárias
- Prestações em espécie

170
Presunção que, todavia, pode ser ilidida (através da prova em contrário), mediante a demonstração de que a doença em
questão é devida a causa estranha ao agente nocivo a que esteve exposta.
171
O período de incubação será o período durante o qual, depois da cessação da exposição ao risco, a doença se revela e pode ser
clinicamente verificável.
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Este, por sua vez, comunicará os casos confirmados de doença profissional à Direcção Geral das Condições de Trabalho, à
Direcção Geral de Saúde e, consoante o local onde se tenha, presumivelmente, originado ou agravado a doença, às delegações da
Inspecção do Trabalho, aos serviços regionais de saúde, aos centros regionais de segurança social e à respectiva empresa.
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Arts 7º e 8 da Lei 248/99 de 2 de Julho.
C. NOTA FINAL

Todas as empresas que tenham normalmente ao seu serviço mais de cinco trabalhadores devem afixar,
nos respectivos estabelecimentos e em lugar bem visível, as disposições da lei e dos seus regulamentos
referentes às obrigações dos sinistrados e dos responsáveis.
Os recibos de retribuição devem, obrigatoriamente, identificar a empresa de seguros para a qual o risco
se encontra transferido à data da sua emissão- é o que impõe o art.º 66º do Dec-lei 143/99.
O incumprimento desta obrigação cominará a aplicação de uma coima, no valor de 1200 contos (no caso
de pessoas colectivas).